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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA 
CAMPUS LAGOA DO SINO 
 
 
 
 
BIANCA MARIA DE ALMEIDA LOURENÇO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O USO DE PLANTAS MEDICINAIS COMO MEDIDA ALTERNATIVA PARA O TRATAMENTO 
DA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL- INFECÇÃO 
CAUSADA PELO FUNGO CANDIDA ALBICANS.
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA 
CAMPUS LAGOA DO SINO 
 
 
 
 
Bianca Maria de Almeida Lourenço 
 
 
 
 
 
 
O USO DE PLANTAS MEDICINAIS COMO MEDIDA ALTERNATIVA PARA O TRATAMENTO 
DA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL- INFECÇÃO 
CAUSADA PELO FUNGO CANDIDA ALBICANS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado como exigência parcial para a 
obtenção do grau de Bacharel em Ciências 
Biológicas na Universidade Federal de 
São Carlos. 
 
Orientação: Prof. Dr. Fernando Periotto
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha catalográfica desenvolvida pela Secretaria Geral de Informática 
(SIn) 
DADOS FORNECIDOS PELO AUTOR 
Bibliotecário responsável: Lissandra Pinhatelli de Britto - CRB/8 753 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Almeida Lourenço, Bianca Maria de 
O uso de plantas medicinais como medida alternativa para o tratamento da 
Candidíase Vulvovaginal - Infecção causada pelo fungo Candida albicans. / 
Bianca Maria de Almeida Lourenço -- 2024. 
36f. 
TCC (Graduação) – Universidade Federal de São Carlos, campus Lagoa 
do Sino, Buri 
Orientador (a): Fernando Periotto 
Banca Examinadora: José Augusto de Oliveira David, Alexandra Sanches 
Bibliografia 
 
1.Plantas medicinais. 2. Atividade antifúngica. 3. Candidíase Vulvovaginal. 
Almeida Lourenço, Bianca Maria de. 
Título. 
 
 
 
 
 
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 
COORDENAÇÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - CCCBio-LS/CCN 
Rod. Lauri Simões de Barros km 12 - SP-189, s/n - Bairro Aracaçu, Buri/SP, CEP 18290-
000 Telefone: (15) 32569030 - http://www.ufscar.br 
DP-TCC-FA nº 21/2024/CCCBio-LS/CCN 
Graduação: Defesa Pública de Trabalho de Conclusão de 
Curso Folha Aprovação (GDP-TCC-FA) 
FOLHA DE APROVAÇÃO 
 
 
 
BIANCA MARIA DE ALMEIDA LOURENÇO 
 
 
 
O USO DE PLANTAS MEDICINAIS COMO MEDIDA ALTERNATIVA PARA O 
TRATAMENTO DA CANDIDÍASE VULVOVAGINAL - INFECÇÃO CAUSADA 
PELO FUNGO CANDIDA ALBICANS. 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
 
 
Universidade Federal de São Carlos – Campus Lagoa do Sino 
 
 
 
Buri, 25 de janeiro de 2024 
 
 
ASSINATURAS E CIÊNCIAS 
 
 
Cargo/Função Nome Completo 
Orientador Fernando Periotto 
Membro da Banca 1 José Augusto de Oliveira David 
Membro da Banca 2 Alexandra Sanches 
 
Documento assinado eletronicamente por Fernando Periotto, Docente, em 31/01/2024, às 16:52, conforme horário 
oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. 
 
 
Documento assinado eletronicamente por Alexandra Sanches, Docente, em 31/01/2024, às 17:15, conforme 
horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015. 
 
Documento assinado eletronicamente por Jose Augusto de Oliveira David, Docente, em 05/02/2024, às 16:23, 
conforme horário oficial de Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 
2015. 
http://www.ufscar.br/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539.htm
 
 
 
 
A autenticidade deste documento pode ser conferida no site https://sei.ufscar.br/autenticacao, informando o código 
verificador 1345493 e o código CRC C75962AB. 
 
 
 
Referência: Caso responda a este documento, indicar expressamente o Processo nº 
23112.046039/2023-14 
 
Modelo de Documento: Grad: Defesa TCC: Folha Aprovação, versão de 02/Agosto/2019 
 
SEI nº 1345493
https://sei.ufscar.br/autenticacao?cv=1345493&crc=C75962AB
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
Dedico esse trabalho a toda minha família, sobretudo 
minha Mãe, por sempre acreditarem em mim, mesmo 
quando eu já duvidava de mim mesma durante essa 
caminhada. São meus maiores exemplos de pessoas. 
É com muito amor que lhes dedico este trabalho.
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Ao professor Fernando Periotto, por aceitar ser meu orientador, pelo suporte no pouco 
tempo que lhe coube, pelas suas correções e ter desempenhado tal função com dedicação. 
 
À todos os professores que foram tão importantes na minha vida acadêmica, 
especialmente aos professores José David e Alexandra Sanches, por seus ensinamentos, 
paciência e dedicação durante meu período de graduação. É um prazer tê-los na banca 
examinadora. 
 
À minha família, que me ensinaram a importância da disciplina, do esforço e da 
dedicação, e me apoiaram em todas as escolhas que fiz durante minha jornada acadêmica. 
Especialmente a minha mãe Tais, meu alicerce moral e espiritual, por todo seu amor 
incondicional e sua fé em minha capacidade, obrigada por todo apoio ilimitado. 
 
À Natália, pessoa com quem amo partilhar a vida e que de forma especial e carinhosa 
me deu força e coragem nos inúmeros momentos de ansiedade e estresse. 
 
Por fim, agradeço todos os amigos que fiz na UFSCar - campus Lagoa do Sino, que de 
alguma forma estiveram e estão próximos de mim, fazendo esta vida valer cada vez mais a pena
 
 
 
RESUMO 
 
 
A candidíase vulvovaginal é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, que afeta 
milhares de mulheres no mundo todo e normalmente o seu tratamento consiste no uso de 
remédios antifúngicos. No entanto, existem vários fatores que fazem com que muitas mulheres 
busquem medidas alternativas para o seu tratamento, como por exemplo a crescente resistência 
antimicrobiana, a falta de informação sobre saúde da mulher, a falta de acesso à saúde pública, 
entre outros. Essa revisão tem como objetivo buscar a eficácia das plantas medicinais relatadas 
na literatura como uma alternativa terapêutica para o tratamento da candidíase vulvovaginal 
tendo como base artigos científicos publicados em base de dados como: Google Acadêmico, 
Web of Science e SciELO, onde foi utilizado como critério de busca as seguintes palavras chave, 
em inglês e português: “Plantas medicinais”, “Atividade antifúngica”, “Candidíase 
Vulvovaginal”, “Candida albicans”. Os estudos mostram que diversas plantas medicinais 
possuem propriedades antifúngicas, por essa razão podem ser eficazes contra o fungo Candida 
albicans. Por fim, essa revisão destaca o potencial das plantas medicinais como alternativa no 
tratamento da candidíase vulvovaginal, mostrando a importância da integração do 
conhecimento tradicional e científico da fitoterapia, podendo assim melhorar a qualidade da 
saúde da mulher, para que as mesmas possam buscar métodos alternativos para o tratamento da 
candidíase, lembrando também sobre a importância de destacar que a eficácia dessas plantas 
pode variar de pessoa para pessoa, e é sempre recomendado buscar orientação de um 
profissional de saúde antes de utilizar qualquer tratamento alternativo. 
 
 
 
 
Palavras-chave: Plantas medicinais, Atividade antifúngica, Candidíase Vulvovaginal, Candida 
albicans
 
 
 
ABSTRACT 
 
Vulvovaginal candidiasis is an infection caused by the fungus Candida albicans, 
which affects thousands of women around the world and its treatment usually consists 
of the use of antifungal drugs. However, there are several factors that make many 
women seek alternative measures for its treatment, such as growing antimicrobial 
resistance, lack of information about women's health, lack of access to public health, 
among others. The aim of this review is to verify the efficacyof medicinal plants 
listed in the literature as a therapeutic alternative for the treatment of vulvovaginal 
candidiasis, based on scientific articles published in databases such as Google 
Scholar, Web of Science, PubMed and SciELO, where they were been used keywords 
searches, in English and Portuguese: "Medicinal plants", "Antifungal activity", 
"Vulvovaginal candidiasis", "Candida albicans". The studies show that several 
medicinal plants have antifungal properties and can therefore be effective against the 
Candida albicans fungus. Finally, this review highlights the potential of medicinal 
plants as an alternative in the treatment of vulvovaginal candidiasis, showing the 
importance of integrating traditional and scientific knowledge of phytotherapy, thus 
improving the quality of women's health, so that they can seek alternative methods 
for the treatment of candidiasis, also remembering the importance of emphasizing that 
the effectiveness of these plants can vary from person to person, and it is always 
recommended to seek guidance from a health professional before using any 
alternative treatment. 
 
 
 
Keywords: Medicinal plants, Antifungal activity, Vulvovaginal candidiasis, Candida 
albicans. 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1Mapa mental do processo de “inclusão” e “exclusão” dos estudos. ........................... 17 
Figura 2 C. albicans em divisão celular (aumento 7500x) por microscopia eletrônica de 
varredura e Micélios de C. albicans envolvidos na invasão tecidual durante o processo 
infeccioso (aumento 3000x) por Microscopia eletrônica de varredura. ................................... 20 
Figura 3 Exame especular para diagnóstico de candidíase....................................................... 21 
Figura 4 Hifas de Candida spp por microscopia de luz (aumento 40x). .................................. 22 
Figura 5 Esporos da Candida spp por microscopia de luz (aumento 100x). ............................ 22 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 1 Plantas medicinais que possuem efeitos antifúngicos contra a candidíase. ............. 26 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
CVV - Candidíase Vulvovaginal 
CVVR - Candidíase vulvovaginal Recorrente 
HIV - Vírus da Imunodeficiência Humana 
SUS - Sistema Único de Saúde 
TGO - Transaminase glutâmico oxalacética 
TGP - Transaminase glutâmico pirúvica 
TTO - Tea tree oil 
OE - Óleos essenciais 
TGI - Trato gastrointestinal 
TGU - Trato geniturinário 
CIPLAN - Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação 
ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
RDC - Resolução da Diretoria Colegiada
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 14 
2. OBJETIVOS .................................................................................................................................. 16 
2.1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................................... 16 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................................... 16 
3. MATERIAIS E MÉTODOS .......................................................................................................... 16 
4. RESULTADO E DISCUSSÃO ..................................................................................................... 17 
4.1 O Gênero Candida. ...................................................................................................................... 17 
4.2 A espécie Candida albicans. ................................................................................................. 18 
4.3 Candidíase vulvovaginal e o diagnóstico. .................................................................................... 20 
4.4 Tratamentos convencionais: ................................................................................................... 23 
4.4.1 Imidazóis e Triazóis (Cetoconazol, tioconazol, fluconazol, voriconazol, clotrimazol, 
terconazol): .............................................................................................................................................................. 23 
4.4.2 Anfotericina B. ............................................................................................................................................. 24 
4.4.3 Nistatina: ............................................................................................................................................... 24 
4.5 Tratamentos alternativos: ....................................................................................................... 25 
4.5.1 Alho (Allium sativum) para o tratamento da CVV. ........................................................................ 27 
4.5.2 Óleo de Melaleuca (Melaleuca alternifolia) para o tratamento da CVV. .............................. 27 
4.5.3 Óleos essenciais (OE) para o tratamento da CVV. ........................................................................ 28 
4.6 Perspectivas futuras e desafios: .................................................................................................... 29 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................... 30 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................... 31 
 
14 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O gênero Candida representa o principal conjunto de leveduras responsáveis por 
infecções oportunistas em seres humanos, abrangendo aproximadamente 200 espécies 
distintas, das quais cerca de 10% estão associadas a infecções. Em indivíduos 
saudáveis, a Candida coloniza, principalmente, as mucosas do trato gastrointestinal e 
urogenital, sem apresentar sintomas da doença. Contudo, quando ocorre um 
desequilíbrio na microbiota normal ou comprometimento do sistema imunológico do 
hospedeiro, as leveduras tendem a se manifestar de maneira agressiva, adquirindo 
características patogênicas. Em relação à origem, pode ser endógena, originada da 
própria microbiota, ou exógena, transmitida por meio de relações sexuais (Soares, 
2018). 
A infecção fúngica conhecida como Candidíase vaginal (CVV) representa a 
mais frequente entre as ocorrências que afetam a vulva e a vagina, atingindo quase 
75% das mulheres adultas. Ela é ocasionada por variedades de Candida, ocupando o 
segundo lugar como causa mais comum de vaginite, logo após a vaginose bacteriana 
(Araújo; Coutinho, 2023). 
Existem vários fatores de risco que podem ser associados a CVV, estes 
incluem a presença de ciclos menstruais regulares, gravidez, uso de doses elevadas de 
contraceptivos orais, terapia de reposição hormonal, diabetes, infecção pelo Vírus da 
imunodeficiência humana (HIV), uso de antibióticos sistêmicos, uso de roupas 
íntimas apertadas e/ou sintéticas, assim como o sexo oral receptivo. (Ferracini; 
Oliveira, 2005) 
Além disso, especula-se que práticas higiênicas inadequadas, como a higiene 
anal em direção à vagina, e a presença de resíduos de fezes nas calcinhas, possam ser 
possíveis fatores predisponentes para a contaminação vaginal, contribuindo para o 
desenvolvimento da CVV (Holanda et al., 2006). 
Outro fator de risco para o desenvolvimento desse tipo de infecção é a 
alteração do equilíbrio do pH vaginal, pois essa mudança no pH geralmente causada 
pela alteração dos níveis hormonais e práticas de higiene íntima, pode propiciar a 
ocorrência da infecção (Anjos et al., 2023), dentre essas práticas de higiene pode-se 
incluir a utilização de duchas vaginais, que podem desencadear respostas alérgicas 
locais e reações de hipersensibilidade, tornando mais fácil a colonização da Candida 
15 
 
 
albicans na mucosa vaginal (Patel et al., 2004).Em 1979, HURLEY estimou que cerca de 75% das mulheres em idade 
reprodutiva são impactadas pela candidíase vulvovaginal (CVV) e entre elas, 
aproximadamente 9% acabam desenvolvendo a candidíase vulvovaginal recorrente 
(CVVR). Essa condição é caracterizada pela ocorrência de três ou mais episódios de 
CVV ao longo de um ano (Brand et al., 2020). 
Os sintomas que essa condição causa são bem específicos, tais como coceira, 
secreção vaginal anormal, sensação de ardor local e ao urinar, inchaço na região 
vulvar, porém, em certas circunstâncias, algumas mulheres também podem ser 
assintomáticas (Corrêa et al., 2009). 
Apesar dos progressos nos tratamentos, a candidíase vulvovaginal (CVV) 
continua a ser reconhecida como um significativo desafio de saúde pública global, 
afetando inúmeras mulheres, independentemente de sua posição social. Esta condição 
causa um considerável desconforto, impactando negativamente nas relações sexuais 
e emocionais das mulheres (Soares et al., 2019). 
Dependendo da natureza da infecção fúngica, o tratamento inicial envolve 
o uso de polienos para tratamento localizado e imidazóis e triazóis para tratamento 
sistêmico, caso o tratamento local não apresente bons resultados. No entanto, 
algumas cepas demonstram resistência aos medicamentos imidazóis e triazóis. Essa 
situação, combinada ao uso indiscriminado de antifúngicos, contribui para o 
desenvolvimento de resistência dos microrganismos em relação aos fármacos 
disponíveis no mercado (Almeida et al., 2011). 
Com o aparecimento de variedades de Candida que demonstram resistência 
aos antifúngicos convencionalmente empregados no tratamento das infecções, 
surgiu a necessidade de explorar opções terapêuticas alternativas. Entre essas 
alternativas, destaca-se a utilização de plantas medicinais, por meio de extratos, 
óleos e pomadas derivados de raízes, folhas e outras partes das plantas (Batista et 
al., 2013). 
Nesse contexto, este estudo busca destacar a utilização de plantas medicinais 
para o tratamento da candidíase vulvovaginal (CVV), não apenas como uma forma 
de resgatar uma prática cultural, mas também para realçar a riqueza de benefícios 
que essa prática oferece à população em geral. 
 
16 
 
 
 
2. OBJETIVOS 
 
2.1 OBJETIVO GERAL 
 
 
● Avaliar a eficácia das plantas medicinais relatadas na literatura como 
uma alternativa terapêutica para o tratamento da candidíase 
vulvovaginal causada pelo fungo Candida albicans. 
 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
● Identificar estudos científicos relevantes que investiguem o uso de 
plantas medicinais no tratamento da Candidíase Vulvovaginal, 
focando em sua eficácia e propriedades antifúngicas; 
● Explorar e selecionar com base na literatura, as plantas medicinais 
mais utilizadas e promissoras para o tratamento da Candidíase 
Vulvovaginal; 
 
 
3. MATERIAIS E MÉTODOS 
 
Para a realização desta revisão de literatura, foram utilizados artigos científicos 
que abordassem o uso de plantas medicinais na saúde ginecológica, principalmente 
referentes a candidíase vulvovaginal. As buscas foram feitas utilizando as bases de 
dados: Google acadêmico, Web of Science e SciELO, tendo como palavras chave: 
“Candida albicans”, “Plantas Medicinais” e “Candidíase Vulvovaginal”. 
Os artigos utilizados nesta revisão foram selecionados por meio dos critérios (Figura 1): 
 
1. Inclusão: 
a) Foram incluídos Artigos de pesquisas completos e revisões, nas línguas 
portuguesa e inglesa cuja versão integral estava disponível de forma gratuita; 
b) Foram incluídos trabalhos relacionados ao uso de plantas medicinais para o 
tratamento geniturinário feminino; 
c) Foram incluídos trabalhos relacionados a Candidíase vulvovaginal, Candida 
albicans e ao gênero Candida. 
2. Exclusão: 
17 
 
 
a) Foram retirados os trabalhos que possuíam pouca relação com o tema em questão; 
b) Foram excluídos os trabalhos em que as publicações completas não estavam 
disponíveis na base de dados; 
c) Foram excluídos trabalhos que possuíam títulos repetidos. 
 
Assim, dando ênfase na obtenção de argumentos que permitiram alcançar a 
compreensão das informações referentes ao tema da pesquisa, então após a aplicação 
dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados os artigos considerados 
pertinentes para a análise proposta no estudo. 
 
Figura 1Mapa mental do processo de “inclusão” e “exclusão” dos estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: De autoria própria. (2023). 
 
 
 
 
4. RESULTADO E DISCUSSÃO 
 
4.1 O Gênero Candida. 
 
Em termos taxonômicos, são reconhecidas aproximadamente 200 espécies de 
No entanto, existem vários fatores que....leveduras pertencentes ao gênero Candida 
18 
 
 
e cerca de 10% delas podem provocar infecções em seres humanos. Pertencem ao 
Reino Fungi, na divisão Eumycota, subdivisão Deuteromycotina, classe 
Blastomycetes eFamília Cryptococcaceae, apesar de algumas espécies estarem 
agrupadas na subdivisão Ascomycotina (Giolo; Svidzinski, 2010). 
Essa espécie é tipicamente considerada oportunista pois habitam normalmente 
as mucosas e a pele de humanos e outros animais. Aproximadamente de 20 a 50% 
da população carrega a Candida na cavidade bucal, sendo a espécie C. albicans 
responsável por 60 a 90% dos casos (Santana et al., 2013), sendo também, a espécie 
mais frequentemente descrita nos casos de CVV, seguida por C. glabrata, C. 
tropicalis, C. parapsilosis e C. krusei. Outras espécies são menos frequentes pois 
não há muitas informações sobre a distribuição destas na população brasileira 
(Andrioli et al., 2009). 
O gênero Candida exibe uma estrutura celular típica dos organismos 
pertencentes ao Reino Fungi, incluindo uma parede celular composta por quitina e 
uma membrana citoplasmática rica em fosfolipídios, constituída por proteínas com 
atividade enzimática e ergosterol. Em condições ideais de crescimento, com 
nutrientes específicos e temperatura apropriada, esses microrganismos se 
multiplicam de maneira exponencial na forma de blastoconídios (Rocha et al., 
2021). 
Segundo Rocha et al. (2023) os microrganismos pertencentes a esse gênero 
são encontrados na microbiota da mucosa reprodutiva e gastrointestinal, 
coexistindo simbioticamente em aproximadamente 50-70% dos indivíduos 
saudáveis. No entanto, como trata-se de microrganismos oportunistas, eles podem 
afetar principalmente pacientes imunodeprimidos e aqueles sob tratamento de 
antimicrobianos de amplo espectro. Tais condições tornam esses micro-organismos 
agentes causadores significativos de infecções, como a Candidíase, que podem 
manifestar-se tanto de forma superficial quanto invasiva. 
 
4.2 A espécie Candida albicans. 
 
A Candida albicans é notada como a principal levedura oportunista 
patogênica, pois é a espécie mais comumente encontrada em seres humanos 
(Svidzinski; Giolo, 2010) Essa espécie é um tipo de fungo presente na microbiota 
19 
 
 
do corpo humano, localizado na boca, no sistema digestivo e no trato genital e 
urinário, são considerados de baixa virulência por natureza, já que normalmente 
coexistem de maneira benigna com seus hospedeiros e só se tornam patogênicos em 
condições propícias (Kauffman, 2021).Seu crescimento é favorecido em 
temperaturas que oscilam entre 20 ºC e 38 ºC e a proliferação é facilitada em um 
ambiente com pH ácido, sendo o ideal um pH que varia de 2,5 a 7,5. Sob exame 
microscópico, as leveduras assumem uma forma esférica, ovóide (blastoconídeo) 
ou alongada, possuindo um diâmetro que varia de 3 a 5 µm e aparecem com 
coloração roxa, indicando Gram-positivas, quando submetidas à técnica de 
coloração de Gram (Soares, 2019). Há presença tanto na estrutura unicelular quanto 
na forma de hifas, sendo que estas últimas, ao se agruparem, constituem o micélio 
(Figura 2). As hifas são responsáveis por invadir a mucosa vaginal, resultando em 
prurido (Sobel et al. 2004). 
Esse fungo quandopresente no corpo humano, desencadeia uma resposta 
específica do sistema imunológico adaptativo na maioria das pessoas saudáveis, 
vivendo em simbiose com a pele, no trato gastrointestinal (TGI) e no trato 
geniturinário (TGU). No trato gastrointestinal, a C. albicans possui habilidade de 
se multiplicar em ambientes anaeróbicos. Por conta de suas capacidades 
metabólicas tanto oxidativas quanto fermentativas, utilizam nutrientes derivados de 
várias substâncias orgânicas, o que favorece sua capacidade de se adaptar a uma 
variedade de microambientes (Sidrim; Rocha, 2004). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 
Figura 2 C. albicans em divisão celular (aumento 7500x) por microscopia 
eletrônica de varredura e Micélios de C. albicans envolvidos na invasão 
tecidual durante o processo infeccioso (aumento 3000x) por Microscopia 
eletrônica de varredura. 
 
Fonte: Adaptado de PAZ et al., 2023 
 
 
4.3 Candidíase vulvovaginal e o diagnóstico. 
 
 A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma infecção frequentemente encontrada em 
mulheres, afetando mais de 70% de todas as mulheres em algum momento de suas vidas 
reprodutivas. Entre as vulvovaginites, a CVV é considerada a segunda mais prevalente, com 
uma estimativa de ocorrência de 17 a 39% dos casos, ficando logo atrás da Vaginose Bacteriana 
(VB), que apresenta uma prevalência de 22 a 50%. A condição patológica é identificada pela 
presença de uma inflamação aguda na vulva e na mucosa vaginal, resultante do crescimento 
descontrolado de leveduras do gênero Candida, principalmente da espécie Candida albicans 
(Cruz et al., 2022). 
 
 Entre os sintomas da CVV, estão a irritação, ardência, vermelhidão e coceira na região 
vulvar, acompanhados por uma secreção vaginal que se assemelha a um corrimento branco, 
grumoso e com uma textura semelhante a "talco molhado" aderido à parede vaginal, também 
comparada a nata de leite ou leite talhado, e o colo do útero exibe cobertura por placas de 
coloração branca que estão fixadas à mucosa conforme mostra a Figura 3 (Rosa; Rumel, 2004). 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
Figura 3 Exame especular para diagnóstico de candidíase. 
 
Fonte: Tratado de Ginecologia FEBRASGO (2022) 
 
 Na prática médica, as mulheres que recebem o diagnóstico da CVV incluem 
aquelas em que a detecção de Candida spp (Figura 4 e 5) foi eventualmente durante 
um exame de rotina, como o exame preventivo de colo de útero (Papanicolau), 
aquelas que procuraram atendimento médico ao apresentarem os primeiros sintomas; 
e aquelas com um histórico de episódios repetidos de candidíase (Andrioli, et al 
2009). 
 O exame de Papanicolau é um exame ginecológico que consiste na coleta de 
células do colo do útero e da vagina para análise ao microscópio. O exame é realizado 
anualmente para a detecção e prevenção do câncer de colo de útero. No entanto, por 
ser um exame sensível, também pode ser usado para diagnosticar vaginites micóticas, 
inclusive as assintomáticas (Bernardo; Lima, 2016). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
 
Figura 4 Hifas de Candida spp por microscopia de luz (aumento 40x). 
 
 
Fonte: De autoria própria. (2023) 
 
 
Figura 5 Esporos da Candida spp por microscopia de luz (aumento 100x). 
 
Fonte: De autoria própria. (2023)
 
 
23 
 
 
4.4 Tratamentos convencionais: 
 
 
Dentro das opções terapêuticas para combater a candidíase, destacam-se os triazólicos, 
como o fluconazol, os poliênicos, exemplificados pela anfotericina B, e as equinocandinas, 
como a caspofungina. Outro grupo de medicamentos utilizados no tratamento da Candidíase 
Vulvovaginal (CVV) são os agentes poliênicos, no qual a nistatina é predominante no Brasil e 
amplamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) (Reis et al., 2021). 
Conforme o tipo específico de fungo responsável pela candidíase vulvovaginal, o 
tratamento é inicialmente realizado com polienos para intervenção local e, em casos sem 
eficácia na terapia local, são utilizados imidazóis e triazóis para tratamento sistêmico. No 
entanto, certas variedades apresentam resistência aos medicamentos. Quando associado ao uso 
indiscriminado de antifúngicos, esse cenário contribui para o surgimento de resistência dos 
microrganismos em relação aos medicamentos disponíveis no mercado (Almeida et al., 2011) 
Nos últimos dez anos, o Fluconazol tem sido amplamente prescrito como o principal 
remédio para tratar a candidíase vulvovaginal, sendo recomendado em 80% a 90% dos casos 
identificados. Contudo, durante esse mesmo período, foi observada resistência a esse 
medicamento devido à grande oferta de antifúngicos, principalmente porque algumas mulheres 
diagnosticadas já haviam sido expostas anteriormente ao Fluconazol (Lírio et al., 2022). No 
tratamento por via oral, a paciente pode começar com a utilização de medicamentos 
imidazólicos e triazólicos, como por exemplo o Fluconazol e o Cetoconazol. Quanto ao 
tratamento tópico, é recomendada a aplicação intravaginal de Clotrimazol (Leal et al., 2016). 
Logo abaixo temos os antifúngicos mais utilizados no Brasil para o tratamento 
convencional da candidíase vulvovaginal, incluindo tanto o tratamento via oral, quanto os 
tratamentos tópicos intravaginais, como pomadas, cremes ou óvulos. 
 
4.4.1 Imidazóis e Triazóis (Cetoconazol, tioconazol, fluconazol, voriconazol, clotrimazol, 
terconazol): 
 
De acordo com Raimundo; Toledo (2016) esses medicamentos atuam na inibição da 
enzima esterol 14-α-desmetilase, o que resulta na interrupção da produção de ergosterol na 
membrana plasmática. Isso interfere nas funções de certos sistemas enzimáticos associados à 
membrana, impedindo, assim, o crescimento dos fungos. Os triazóis sistêmicos têm um
24 
 
 
processo metabólico mais lento e causam menos impacto na síntese de esteróis humanos em 
comparação com os imidazóis. 
Por outro lado, esses antifúngicos podem causar potenciais efeitos adversos e tóxicos, 
como sensação de queimação, irritação e coceira localizados, que geralmente são leves e 
temporários. O Fluconazol demonstrou ser teratogênico em estudos com animais, e há relatos 
raros de hepatotoxicidade associada a ele. O Voriconazol pode gerar efeitos colaterais como 
distúrbios visuais, erupções cutâneas e aumento na transaminase glutâmico oxalacética (TGO) 
e transaminase glutâmico pirúvica (TGP.) (Raimundo; Toledo, 2016). 
 
 
4.4.2 Anfotericina B. 
 
Segundo Castro et al (2006) a Anfotericina B estabelece uma ligação com a parte 
esterol, principalmente o ergosterol presente na membrana de fungos sensíveis, onde os agentes 
polienos criam poros ou canais que aumentam a permeabilidade da membrana. Isso possibilita 
a saída de componentes celulares e leva à morte celular. Os efeitos colaterais deste 
medicamento são: Sintomas como febre, calafrios, dores de cabeça, náuseas, vômitos, sensação 
de mal-estar e inflamação nos pontos de infusão periférica são observados. Também podem 
ocorrer problemas gastrintestinais. Durante o tratamento, há possibilidade de disfunção renal, 
diminuição permanente da taxa de filtração glomerular e toxicidade hepática. 
 
 4.4.3 Nistatina: 
 
O modo de ação é comparável ao da anfotericina B e demonstra alta toxicidade quando 
administrada de forma sistêmica, e os efeitos colaterais são diarreia, problemas 
gastrointestinais, náuseas e vômitos. Ocasionalmente, foram relatadas ocorrências de erupções 
cutâneas e urticárias. Seu uso sistêmico demonstrou ser altamente tóxico (Castro et al., 2006). 
Apesar da frequente prescrição de medicamentos convencionais para o tratamento da 
candidíase vulvovaginal, é essencial reconhecer as preocupações associadas, incluindo a 
possível resistência e efeitos adversos. Embora eficazes no alívio imediato dos sintomas, seu 
uso prolongado pode acarretar em tolerância e persistência da infecção. Diante desses desafios, 
a busca por alternativas, como o emprego de plantas medicinais, emerge como uma direçãopromissora na ampliação das opções terapêuticas disponíveis para os pacientes.
25 
 
 
 
4.5 Tratamentos alternativos: 
 
No Brasil, a utilização de plantas medicinais tem suas raízes na tradição dos povos 
indígenas e é moldada pela influência das culturas africana e portuguesa. Consequentemente, 
as autoridades governamentais incentivam o aproveitamento dos recursos naturais como meio 
de promover a saúde, por meio de tecnologias eficazes, com o propósito de buscar a conexão 
entre as pessoas e o ambiente natural (Monteiro et al., 2021). 
O aparecimento de variedades de Candida que demonstram resistência aos antifúngicos 
convencionalmente empregados para tratar infecções gerou a urgência de buscar alternativas 
terapêuticas. Entre essas alternativas, destaca-se a utilização de plantas medicinais, por meio de 
extratos, óleos e pomadas derivados de raízes, folhas e outras partes das plantas (Batista et al., 
2013). 
As pesquisas sobre as propriedades das plantas e sua eficácia contra infecções causadas 
pela Candida envolvem a obtenção de extratos e óleos concentrados a partir de partes 
específicas das plantas. Estes compostos podem conter uma concentração elevada de alcaloides, 
flavonoides, taninos, glicosídeos e outros metabólitos secundários das plantas (Gomes et al., 
2014). 
Apesar de representar uma excelente alternativa para lidar com a resistência das cepas 
de Candida aos antifúngicos tradicionais, o uso de plantas medicinais para tratar CVV é 
vantajoso devido ao seu baixo custo e baixa toxicidade. Entretanto, uma das dificuldades 
encontradas na condução desses estudos está na comparação dos resultados, pois as pesquisas 
não se baseiam apenas em um único tipo de extrato ou óleo essencial obtido pelo mesmo método 
e de uma parte específica da planta (Corrêa et al., 2009). 
De acordo com Castro et al (2006) após a identificação dos antifúngicos azólicos, os 
efeitos colaterais durante o tratamento de infecções fúngicas diminuíram. No entanto, ao longo 
do tempo, o tratamento tem sido cada vez menos eficaz devido à resistência desenvolvida pela 
Candida em relação a esses antifúngicos. Como resultado dessa resistência, houve a 
necessidade de pesquisar novas substâncias capazes de combater esses fungos, incluindo a 
investigação de plantas medicinais. 
O quadro 1 apresenta algumas das inúmeras plantas medicinais que possuem efeitos 
antifúngicos contra a candidíase, nomes conhecidos popularmente, suas indicações e o método 
de uso que foram recomendados na literatura.
26 
 
 
Quadro 1 Plantas medicinais que possuem efeitos antifúngicos contra a candidíase. 
 
PLANTA 
MEDICINAL 
NOME 
POPULAR 
 
INDICAÇÕES 
MÉTODO DE USO 
RECOMENDADO NA 
LITERATURA 
 
AUTOR/ANO 
 
Allium Sativum 
 
Alho 
Candidíase e outras patologias 
bacterianas que afetam a saúde 
ginecológica 
Ingerir em forma de 
cápsulas, chás ou 
intravaginal 
Ansaloni et al. 
2021 
Schinus 
terebinthifolius 
Raddi 
 
Aroeira 
Candidíase, corrimento, 
inflamação pélvica, ferida 
uterina, cicatrização e coceira. 
Pomada; infusão; decocto 
para banho e lavagem. 
Freires et al. 
2011 
Stryphnodendron 
adstringens 
 
Barbatimão 
Candidíase, corrimento, 
Inflamação pélvica e 
cicatrização. 
Decocção para beber e 
banho de assento 
Pereira et 
al., 2013 
Tabebuia 
avellanedae Lorentz 
ex Griseb 
 
Ipê-roxo 
Candidíase, corrimento, 
Inflamação pélvica, 
ferida uterina e 
cicatrização. 
 
Decocção para beber 
Glehn; 
Rodrigues, 2012 
 
Arctium lappa 
 
Bardana 
Tratamento de infecções no 
trato genital, permitindo a 
cicatrização de feridas e 
ulcerações 
Utiliza folhas frescas, 
raízes e sementes para 
mucilagem e óleo 
essencial 
 
Glehn; 
Rodrigues, 2012 
 
Cocos nucifera 
 
Coco 
Alívio em suma o prurido e o 
eritema local causado pela 
candidíase 
Ingerir em forma de 
cápsulas, ou aplicação 
vaginal via óleo essencial 
e pomadas 
 
Santos, 2012 
 
Origanum vulgare 
 
Orégano 
Atividade inseticida, 
antioxidante, antibacteriana 
e antifúngica. 
Utilizado na formulação 
de 300-500 mg por 
 cápsula ou de forma 
líquida e banho de assento 
 
Müller, 2022 
 
Rosmarinus 
officinalis L 
 
 
Alecrim 
 
Candidíase, corrimento, 
Inflamação pélvica, 
ferida uterina e 
cicatrização. 
Ingerir com gotas de óleo 
essencial; Aplicação 
vaginal do óleo essencial 
e/ou banho de assento 
 
Porte; 
Godoy, 2001 
Matricaria 
chamomilla L. 
 
Camomila 
Atividade antisséptica, 
cicatrizante, antiviral, 
antifúngica, bacteriostática etc. 
 
Banho de assento 
Fitoterapia 
Brasil, 2015 
 
Calendula officinalis 
 
Calêndula 
Ação anti-inflamatória, 
antialérgica, cicatrizante, 
bactericida e antifúngica. 
 
Infusão, lavagens 
vaginais, pomadas ou 
cremes 
Horto Didático 
de Plantas 
Medicinais, 
2020 
Melaleuca 
alternifolia 
 
Melaleuca 
Ação antimicrobiana, 
antibacteriana, antifúngica e 
propriedades 
anti-inflamatórias 
Banho de assento e 
lavagens e irrigações nas 
áreas afetadas 
 
Florien, 2020 
27 
 
 
4.5.1 Alho (Allium sativum) para o tratamento da CVV. 
 
O alho (Allium sativum) demonstrou efeito antifúngico em todos os experimentos 
conduzidos, inibindo o crescimento e a formação de filamentos da Candida albicans. O extrato 
macerado exibiu uma atividade mais robusta, exercendo ação fungicida sobre a levedura. 
Portanto, é recomendado considerar sua utilização na prevenção e tratamento de infecções 
cutâneo-mucosas causadas por esse fungo, devido ao seu baixo custo e à facilidade de 
incorporação na alimentação diária como terapia complementar (Monteiro et al., 2021). 
Recentes pesquisas revelaram que a utilização do alho no tratamento da CVV tem 
emergido como uma opção de relevância no combate antifúngico, pois suas propriedades 
antivirais, antibióticas e, sobretudo, antifúngicas, o torna uma possível opção para o combate a 
infecções causadas por bactérias e fungos (Fonseca, et al.,2014). 
Este produto natural demonstrou capacidade de inibir as atividades da C. albicans ao 
penetrar não apenas na membrana celular, mas também nas membranas das organelas, como as 
mitocôndrias, causando a deterioração das organelas e, como consequência, a morte das células 
(Anjos et al., 2023). 
Vale ressaltar que o alho merece atenção tanto da indústria farmacêutica quanto da 
promoção e orientação de seu uso popular, a fim de que a sociedade em geral, e não apenas a 
comunidade acadêmica, possa compreender mais abrangentemente os benefícios que ele 
proporciona para a saúde (Monteiro, et al., 2021). 
Ele pode ser consumido de diversas maneiras, como em cápsulas, chás ou aplicado 
intravaginalmente, este último sendo o método mais recomendado, popularmente conhecido 
como "OB de alho", fazendo alusão ao método de uso de absorvente interno (Ansaloni et al., 
2021). 
 
4.5.2 Óleo de Melaleuca (Melaleuca alternifolia) para o tratamento da CVV. 
 
O Melaleuca alternifolia, pertencente à família Myrtaceae, conhecido como "árvore do 
chá" e possui um óleo de grande relevância na medicina devido à sua eficácia comprovada 
como agente bactericida e antifúngico contra diversos patógenos humanos. Seu principal 
produto é o óleo essencial (TTO - tea tree oil), composto por aproximadamente 100 elementos, 
sendo o terpinen-4-ol o componente principal, responsável pela ação antimicrobiana ao induzir 
a perda da integridade e da fisiologia bacteriana (Bachinski et al, 2021). 
28 
 
 
O Terpinen-4-ol, um tipo de monoterpeno encontrado na Melaleuca alternifolia, 
desempenha um papel na quebra das membranas celulares, afetando a estrutura e o 
funcionamento das células dos microrganismos. Ele possui uma ampla gama de ações, 
incluindo atividade antimicrobiana, antibacteriana, antifúngica e propriedades anti-
inflamatórias (Francisconi et al., 2020). 
Para tratar a CVV, há diversas recomendações sobre o uso do óleo essencial de 
Melaleuca, como por exemplo adicionar 5 gotas do óleo em um litro deágua morna para um 
banho de assento de 20 minutos (Terra Flor, 2020). A Cartilha da RUTA (2020) também sugere 
o banho de assento, diluindo 1 ou 2 gotas do óleo em 100mL de água por 20 minutos, uma vez 
ao dia, por 5 dias. Além disso, recomenda-se diluir o óleo em água (aproximadamente uma 
colher de café para 2,5 ml de água) para realizar lavagens e irrigações nas áreas afetadas, de 
acordo com as orientações de Florien (2020). 
 
4.5.3 Óleos essenciais (OE) para o tratamento da CVV. 
 
Os óleos essenciais (OE) são metabólitos secundários presentes em plantas e contêm 
elementos derivados de fenilpropanóides ou terpenóides em sua estrutura. Para adquiri-los, é 
fundamental extrair esses compostos de folhas, raízes, cascas, frutos ou sementes, dependendo 
da planta em questão. Em seres humanos, esses compostos têm diversas aplicações 
significativas, exercendo efeitos como antibacterianos, antioxidantes, antifúngicos, 
antiulcerogênicos, entre outros (Miranda et al., 2016). 
Os óleos essenciais têm uma longa história de uso para várias finalidades, mas pesquisas 
recentes indicam um aumento significativo tanto nos es tudos sobre eles quanto em sua 
aplicação prática, especialmente no campo clínico. Isso se deve ao fato de que esses óleos têm 
mostrado uma ampla gama de benefícios para diversos tipos de doenças (Assis et al., 2023). 
Existem diversos métodos aplicáveis para extrair o óleo essencial. Entre eles, destacam-
se a destilação por hidrodestilação, destilação a vapor, extração utilizando solventes orgânicos, 
extração com fluido supercrítico, entre outras técnicas (Silveira et al., 2012). 
Diversos elementos podem impactar a qualidade e a composição química de um óleo 
essencial. Estes incluem variáveis como temperatura, luminosidade, condições nutricionais, 
quantidade de chuva, método de extração, momento e estação da colheita, partes específicas
29 
 
 
da planta utilizadas, características do solo, armazenamento, interações entre plantas e insetos, 
interações entre plantas e microrganismos, entre outros fatores (Morais, 2009). 
A utilização de óleos essenciais como uma alternativa no tratamento da candidíase tem 
demonstrado eficácia e segurança. Em virtude disso, há um aumento significativo na pesquisa 
sobre suas propriedades terapêuticas e nas concentrações ideais para seu uso. A baixa toxicidade 
e a alta eficácia desses óleos têm sido um dos principais estímulos para essas investigações 
(Conte, 2021). 
O tratamento alternativo da candidíase vulvovaginal representa uma abordagem 
promissora diante dos desafios associados à resistência antifúngica. A busca por terapias 
baseadas em substâncias naturais tem ganhado destaque, notadamente a fitoterapia, que ao 
longo dos anos tem evidenciado eficácia significativa com menor incidência de reações 
adversas em comparação com os tratamentos convencionais. Essa reflexão contribui para o 
avanço do conhecimento e orienta futuras abordagens terapêuticas na luta contra as infecções 
fúngicas. 
 
4.6 Perspectivas futuras e desafios: 
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as plantas medicinais são plantas 
utilizadas historicamente como uma opção para promover e restabelecer a saúde. Suas 
propriedades terapêuticas são associadas à presença de componentes bioativos, muitos dos 
quais são usados na fabricação e desenvolvimento de medicamentos (BRASIL, 2015). 
No Brasil, a inclusão da fitoterapia nos serviços de saúde pública começou a ter mais 
visibilidade a partir de 1980, através da publicação das resoluções da Comissão Interministerial 
de Planejamento e Coordenação (CIPLAN), que estabeleceram as regulamentações e os 
princípios para a oferta de práticas complementares. Em um estágio posterior, a publicação da 
Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 17 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA), em fevereiro de 2000, teve o objetivo de padronizar o registro de medicamentos 
fitoterápicos no Sistema de Vigilância Sanitária. Esta resolução definiu diretrizes para garantir 
a qualidade, eficácia e segurança desses produtos farmacêuticos. 
Um desafio a ser levado em consideração é a escassez de profissionais de saúde com o 
conhecimento adequado para recomendar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos. Apesar 
da população frequentemente recorrer à fitoterapia com base em conhecimentos populares, os
30 
 
 
profissionais de saúde precisam possuir um conhecimento mais aprofundado para utilizá-la 
adequadamente. Ademais, é notável que até mesmo o conhecimento popular sobre o assunto é 
limitado, especialmente entre grupos sociais que predominantemente utilizam medicamentos 
sintéticos (Figueredo et al., 2014). 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A candidíase vulvovaginal, uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, 
representa um desafio significativo para a saúde pública, afetando um grande número de 
mulheres em todo o mundo. A busca por alternativas terapêuticas eficazes, seguras e acessíveis 
para o tratamento dessa infecção tem levado a uma maior atenção ao potencial das plantas 
medicinais. 
Ao longo deste trabalho, foi possível explorar a ampla gama de propriedades 
terapêuticas encontradas em diversas plantas medicinais, muitas das quais têm demonstrado 
atividade antifúngica contra a Candida albicans. A fitoterapia emerge como uma abordagem 
promissora e natural para o tratamento da candidíase vulvovaginal, oferecendo uma alternativa 
aos tratamentos convencionais. 
As evidências apresentadas sugerem que as plantas medicinais têm o potencial de 
oferecer benefícios no combate à candidíase vulvovaginal, seja por meio de compostos 
fitoquímicos que demonstram atividade antifúngica direta, seja pelo reforço do sistema 
imunológico da paciente. No entanto, é crucial destacar a necessidade de mais estudos clínicos 
robustos para validar a eficácia, segurança e dosagens ideais dessas plantas no tratamento dessa 
infecção específica. 
Além disso, a integração da fitoterapia no contexto dos cuidados de saúde deve ser feita 
de forma cautelosa, considerando a orientação de profissionais de saúde capacitados. É 
fundamental promover a educação e conscientização tanto dos profissionais de saúde quanto da 
população em geral sobre o uso adequado das plantas medicinais, suas possíveis interações 
medicamentosas e os potenciais riscos e benefícios associados. 
Portanto, diante das evidências apresentadas, a utilização de plantas medicinais como 
medida alternativa para o tratamento da candidíase vulvovaginal mostra-se promissora e digna 
de mais investigação e consideração, podendo representar uma contribuição significativa para 
a melhoria dos cuidados de saúde feminina.
31 
 
 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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