Prévia do material em texto
119UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 4. NORMA NBR ISO 14.000 As relações internacionais ou o comércio internacional vem sendo apontado como fator capaz de estimular a adoção de melhores práticas ambientais nas empresas. A ISO é uma organização mundial para normalização (International Organization for Standardization) localizada em Genebra na Suíça, foi fundada em 1947. A finalidade da ISO é desenvolver e promover normas e padrões mundiais que traduzam o consenso dos diferentes países do mundo de forma a facilitar o comércio internacional. A ISO tem cento e dezenove (119) países membros e a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT é o representante brasileiro. A ISO 14000 é uma série de padrões internacionalmente reconhecidos, por estru- turar o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) de uma organização e o gerenciamento do desempenho ambiental. As empresas ao implantar um SGA devem investir tempo para o planejamento, já que as atividades não são simples. As atividades são de uma complexida- de onde a administração da organização precisa envolver todos em seu processo. Desta forma as normas da Série ISO 14000 foram desenvolvidas pelo Comitê Téc- nico 207 da INTERNATIONAL ORGANIZATION for STANDARDIZATION – ISO -TC 207. Trata-se de um grupo de normas que fornece ferramentas e estabelece um padrão de Sistema de Gestão Ambiental, abrangendo seis áreas bem definidas: 120UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 ● Sistemas de Gestão Ambiental (Série ISO 14001 e 14004); ● Auditorias Ambientais (ISO 14010, 14011, 14012 e 14015); ● Rotulagem Ambiental (Série ISO 14020, 14021, 14021 e 14025); ● Avaliação de Desempenho Ambiental (Série ISO 14031 e 14032); ● Avaliação do Ciclo de Vida de Produto (Série ISO 14040, 14041, 14042 e 14043); ● Termos e Definições (Série ISO 14050). A Norma NBR Série ISO 14001 especifica as principais exigências para a implan- tação e adoção de um sistema de gestão ambiental, orientando a empresa na elaboração da política ambiental e no estabelecimento de estratégias, objetivos e metas, levando em consideração os impactos ambientais significativos e a legislação ambiental em vigor no país (ISO, 2015). Em suma, de acordo com a figura 5, as normas contidas na Série ISO 14000 são dirigidas para a organização e para o produto. As normas dirigidas para o produto dizem respeito a determinação dos impactos ambientais de produtos e serviços sobre o seu ciclo de vida, rotulagem e declarações ambientais. As normas dirigidas para a organização proporcionam um abrangente guia para o estabelecimento, manutenção e avaliação de um sistema de gestão ambiental (MEYSTRE, 2003). FIGURA 08: EXEMPLOS DE NORMAS DA SÉRIE ISO 14000 Fonte: Meystre (2003). Os elementos-chave, ou os princípios definidores de um Sistema de Gestão Ambiental baseados na NBR Série ISO 14001 conforme representados na figura 10 são: Introdução; objetivo; referências normativas; termos e definições; requisitos do sistema de gestão ambiental (requisitos gerais: (1) Política ambiental; (2) Planejamento; (3) Implemen- tação e operação; (4) Verificação e ação corretiva; (5) Análise crítica, pela administração); e 121UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 orientações para o uso da norma (ISO, 2004) são representadas pela espiral apresentada na figura abaixo: FIGURA 09: ESPIRAL DEFINIDORES DE UM SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL BASEADOS NA NBR SÉRIE ISO 14001 Fonte: (CASTRO, 2015). Para implementar um Sistema de Gestão Ambiental a direção da empresa deve formalizar que sua instituição deseja adotar um SGA. Nessa formalização é importante demonstrar claramente as intenções, com ênfase nos benefícios a serem obtidos com a sua adoção. Essa medida demonstra que a alta direção da empresa está comprometida com a realização de palestras de conscientização e de esclarecimentos da abrangência pretendi- da, realização de diagnósticos ambientais, definição formal do grupo coordenador, definição de um cronograma de implantação, e, finalmente, no lançamento oficial do programa de implantação do SGA. A ISO 14001 é baseada no ciclo PDCA do inglês “plan-do-check-act” – planejar, fazer, checar e agir – e utiliza terminologia e linguagem de gestão, apresentando uma série de benefícios para a organização. Através do ciclo PDCA a implantação de um SGA, segundo a norma NBR ISO 14001 faz com que o processo produtivo seja reavaliado continuamente, refletindo na bus- ca por procedimentos, mecanismos e padrões comportamentais menos nocivos ao meio ambiente. 122UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 4.1 Práticas do Sistema de Gestão Ambiental FIGURA 10: SUSTENTABILIDADE As práticas ambientais são vistas, segundo Guimarães (2006), como parte das responsabilidades sociais das empresas, e têm se tornado uma questão de estratégia competitiva, marketing de finanças, relações humanas, eficiência operacional e desenvol- vimento de produtos. Na busca de procedimentos gerenciais ambientalmente corretos, incluindo aqui a adoção de um Sistema Ambiental (SGA), encontra inúmeras razões que justificam a sua adoção. Assim, os propósitos predominantes podem variar de uma organização para outra. No entanto, eles podem ser resumidos nos seguintes princípios básicos conforme demons- trado na tabela 2, onde apresentamos uma síntese das práticas do SGA, mais abordadas na literatura. TABELA 02: PRÁTICAS DO SGA PRÁTICA DEFINIÇÃO Energia Pressupõe conciliar desenvolvi- mento com uso racional. É busca por fontes de energia limpas e renováveis Resíduos Busca pela redução do peso ou o volume dos resíduos gerados, muitas vezes modificando suas características, a fim de produzir o mínimo de resíduos e reduzir seu grau de periculosidade. Custos Produtivos Eliminar ou reduzir os impactos produtivos na fonte de geração, em vez de preocupar-se com seu tratamento que geram custos para adequar-se à legislação. Fornecedores A gestão ambiental deve ser consi- derada uma cadeia, desse modo, nota-se a imposição a fornecedores diretos e indiretos de requisitos socioambientais associados ao processo produtivo e/ou ao produto. 123UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 Água/Efluentes A água utilizada na produção deve ser tratada para minimizar o impacto cau- sado no ambiente e nas correntes de água, caso contrário terá seu uso inviabilizado. Legislação O licenciamento ambiental, como principal instrumento de prevenção de danos ambientais, age de forma a prevenir os danos que uma determinada atividade poderia causar ao ambiente. Colaboradores Ações como campanhas de moti- vação, educação ambiental e treinamento dos colaboradores para que eles assumam uma postura de respeito ao meio ambiente, assegurando práticas adequadas na execu- ção de suas atividades. Fonte: Adaptado de Gobbi (2005). Desse modo, salienta-se que as empresas podem adotar estas práticas por vários fatores, porém, segundo Gobbi (2005), algumas práticas e valores mais sustentáveis são distinguidos e disseminados entre as organizações, as quais tendem a adotá-las, muitas vezes, devido a pressões externas, assumindo caráter estratégico. 4.2 Benefícios e Dificuldades na Implantação da ISO 14001 FIGURA 11: PRODUÇÃO MAIS LIMPA Embora o principal objetivo de uma empresa seja o lucro, as questões ambientais têm se tornado cada vez mais importantes em função do aumento da conscientização do consumidor. Assim, conhecida mundialmente a ISO 14001 tem como princípio preservar o meio ambiente através do controle dos impactos ambientais e permite a empresa demonstrar para seus consumidores que está engajada com causas sustentáveis. 124UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 Despertamaior atratividade perante investidores devido a credibilidade e maior confiabilidade na marca da empresa, uma vez que o certificado representa um selo susten- tável, e o mercado visualiza a empresa de forma positiva, proporcionando o surgimento de novos negócios internacionais. Desta forma a consciência ecológica está abrindo caminhos para o desenvolvimen- to de novas oportunidades de negócio e, com isso, facilitando a inclusão das empresas brasileiras no mercado internacional (SILVA; MEDEIROS, 2004). A empresa torna-se mais eficaz e consciente, por ter maior controle dos custos, diminuição dos gastos desnecessários, e na contratação de seguros devido redução dos riscos de acidentes e consequentemente também evita multas por impactos negativos; proporciona melhoria no desenvolvimento sustentável nas empresas a partir da implanta- ção do SGA; e consequentemente fomenta auditorias ambientais; proporciona criação de comunicação ambiental nas empresas. Tem maior facilidade de acesso a empréstimos; motivação dos colaboradores para atingirem metas e objetivos ambientais; influência positiva nos demais processos internos de gestão, melhoria do moral dos colaboradores. Na tabela 3 são demonstrados alguns dos benefícios obtidos com a ISO 14001 de forma resumida. TABELA 03: BENEFÍCIOS OBTIDOS COM O ISO 14001 BENEFÍCIOS DEFINIÇÃO Custos produtivos Redução de custos. Maior reaproveitamento dentro da própria organização Imagem organizacional O SGA promove a conformidade com a le- gislação, à minimização de impactos negati- vos ao ambiente, isso resulta na melhoria da imagem da organização junto à sociedade. Atendimento a legislação Redução dos custos inerentes ao cum- primento da legislação, devido ao fato de a empresa adequar-se antes de receber multas, e também tem um tempo para ade- quação maior. Conscientização dos colaboradores Ao estabelecer-se, o SGA promove a definição de funções, responsabilidades e autoridades, levando a um aumento da conscientização e motivação dos colabora- dores para estas questões ambientais. Benefícios intangíveis Melhoria do gerenciamento, padronização dos processos, rastreabilidade de informa- ções técnicas, etc. Fonte: Oliveira & Serra (2010) 125UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 Contudo a ISO 14001 precisa que as organizações desenvolvam uma política ambiental comprometida com as necessidades de prevenir poluição, melhoria contínua; que demonstre os aspectos ambientais de sua operação e atenda as exigências legais, fixe objetivos e metas consistentes com política ambiental e estabelece um programa de gerenciamento ambiental; implementa e operacionalize um programa que inclua uma estrutura e responsabilidade definida, treinamento, comunicação, documentação, controle operacional, e preparação para atendimento a emergências; confira as ações corretivas incluindo o monitoramento, a correção, a ação preventiva e a auditoria; e faça uma revisão do gerenciamento. Complementando, Oliveira & Serra (2010) ressaltam que existem vários entraves na gestão de um SGA com base na norma NBR ISO 14001 conforme demonstrado na tabela 4. TABELA 04: DIFICULDADES DE IMPLEMENTAÇÃO ISO 14001 DIFICULDADE DEFINIÇÃO Recursos econômicos Problemas de caráter econômico devido à falta de recursos financeiros para aquisição de tecnologias mais avançadas. Legislação Dificuldades de implementação de procedimentos de avaliação periódicas inerentes ao cumprimento da legislação ambiental aplicável. Cultura dos colaboradores Dificuldade de internalização pelos colaboradores do real significado de desen- volvimento sustentável, bem como rejeição a novos paradigmas e novas práticas. Realizar a mensuração Dificuldade de mesurar os resulta- dos da implementação de um SGA, visto que este é um tópico complexo e pouco abordado nas organizações. Profissionais Dificuldade de encontrar pessoas e fornecedores com a qualificação e experiên- cia necessária para implementar o SGA de maneira correta e eficaz. Fonte: Oliveira & Serra (2010). No Brasil, tem aumentado consideravelmente o número de empresas que desen- volvem a gestão ambiental com base na norma NBR ISO 14001 (SILVA; MEDEIROS, 2004). A norma NBR ISO 14001 estabelece um conjunto de requisitos necessários que precisam ser cumpridos pelas empresas e organizações, independente do segmento ou tamanho, para estar de acordo com princípios estabelecidos pela legislação. E para aten- 126UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 der a ISO 14001, as organizações precisam identificar qual é a legislação aplicável deste escopo ao seu negócio e monitorar, constantemente, o atendimento aos requisitos legais. Esse monitoramento deve ser de forma documentada, para evidenciar o atendimento das disposições da ISO 14001. (NBR ISO 14001, 2004). 4.3 Etapas de Implantação de Sistema de Gestão Ambiental- SGA FIGURA 12: IMPLANTAÇÃO SGA Fonte:https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/iso-integrated-management-system-triangle-compri- ses-1653912550. Acesso: 26 jan. 2021. A empresa ao implantar um SGA está buscando mecanismos para que seus proces- sos produtivos tenham uma política ambiental estabelecida em padrões comportamentais menos nocivos ao meio ambiente (CAMPOS; MELO, 2008). Assim, conforme demonstrado na figura 12 apresenta de forma esquemática, o fluxo do processo de melhoria contínua do sistema de gestão ambiental. FIGURA 13: FLUXO DO PROCESSO DE MELHORIA CONTÍNUA DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL Fonte: Sistema de Gestão Ambiental (NBR ISO 14001: 2004) 127UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 Entretanto, é importante ressaltar que a implementação de um sistema de gestão ambiental não tem fronteiras de estanques, ou seja, existem ou podem existir intersecções entre atividades inseridas em diferentes etapas. Assim, as principais etapas de implantação do SGA são constituídas por cinco princípios e em cada um deles demonstraremos as etapas necessárias para que o SGA seja corretamente implantado. Primeiramente a empresa precisa realizar levantamento da situação inicial, onde se conhece a realidade da empresa em relação à questão ambiental. Analisa a organização no que, como e com o quê faz, identificando todas as suas atividades, observando como desenvolve o processo produtivo, embalagem e transporte, desempenho ambiental e as práticas dos subcontratados e fornecedores, gestão de resíduos, etc. Neste momento a empresa realiza uma auditoria interna com objetivo de perceber a atual situação que se encontra. Em seguida realizar a sensibilização da gestão é o momento de apresentar o resultado do diagnóstico inicial e sensibilizar a gestão de topo para as vantagens de imple- mentação de um SGA. Posteriormente deve aplicar o primeiro princípio que de acordo com o (DOCUMEN- TOS 39, EMBRAPA MEIO AMBIENTE, 2004, p. 10 - 15) relata: Princípio 1. Política Ambiental A norma NBR Série IS0 14001 define Política Ambiental como “Declaração da organização das suas intenções e princípios com relação a seu desempenho global e que devem nortear o planejamento de ações e o estabelecimento de seus objetivos e metas ambientais”. Entender que ISO deve ser um compromisso de todos e ser alinhada com outras políticas da empresa. A política Ambiental deve considerar a missão, visão, valores, essenciais e benéficos da organização. Ser estabelecida após a revisão ambiental inicial da empresa pela alta administração e revisada ao final de cada ciclo, mas imutável dentro de um ciclo. A Política Ambiental da empresa deve ser estabelecida por meio de um documento escrito, uma carta de compromisso da empresa abordando todos os valores e filosofia da empresa relativa ao meio ambiente, bem como aponte os requisitosnecessários ao aten- dimento de sua política ambiental, por meio dos objetivos, metas e programas ambientais (REIS & QUEIROZ, 2002). 128UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 Segundo Reis & Queiroz (2002) a Série ISO 14001, no seu requisito relativo à política ambiental, afirma que: A alta administração deve estabelecer a política ambiental da empresa e assegurar que ela: seja apropriada à natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; inclua o compromisso com a melhoria contínua e a prevenção da poluição; inclua comprometimento com a legislação e normas ambientais aplicáveis e de- mais requisitos subscritos pela organização; forneça a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos e metas ambientais; esteja disponível para o público. (DOCUMENTOS 39, EMBRAPA MEIO AMBIENTE, 2004, p.10). É na definição da política ambiental que a gestão da empresa formaliza o compromisso em trabalhar de maneira que promova a proteção e promoção ambiental. É preciso definir a equipe e avaliar as competências de que dis- põe. Pois assim, a organização decide acerca da necessidade de contratar ajuda externa uma vez que a maior parte das organizações não dispõe de ne- nhum especialista em SGA pelo que é aconselhável, contratar um consultor especialista em sistemas, a fim de a organização ficar com uma perspectiva mais correta e realista do trabalho a desenvolver. A equipe deverá participar na definição e elaboração da documentação do SGA, garantir a implemen- tação do SGA e promover a motivação e envolvimento dos colaboradores. (DOCUMENTOS 39, EMBRAPA MEIO AMBIENTE, 2004, p. 10). Princípio 2. Planejamento Nesta etapa a Série ISO 14001 orienta que a organização avalie a política ambiental estabelecida e elabore seu plano de forma que possa atender todos os requisitos por ela estabelecidos. A Série ISO 14001 orienta que este plano deve conter: aspectos ambientais; requisitos legais e outros requisitos; objetivos e metas; e programas de gestão ambiental. 1. Aspectos ambientais Neste item a norma pretende fazer com que a organização tenha claro todos os significativos, reais e potenciais impactos ambientais que possa ocasionar no desenvolvi- mento de suas atividades, produtos e serviços, para que possa controlar os aspectos sob sua responsabilidade (MEYSTRE, 2003). Reis & Queiroz (2002) esclarecem que segundo esta norma, aspecto ambiental significa a causa de danos ambientais e impacto ambiental significa os seus efeitos ambientais, adversos ou benéficos. 2. Requisitos legais e outros requisitos A Organização deve demonstrar que tem pleno conhecimento de toda a legislação ambiental aplicável e conhece as suas implicações e aplica os procedimentos. 129UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 3. Objetivos e metas Devem refletir os aspectos e impactos ambientais significativos e relevantes visando o desdobramento em metas e objetivos ambientais a serem alcançados operacionalmente por setores específicos da empresa, com definição das responsabilidades. Buscar definir as metas com objetivo de melhoria contínua do SGA; Esforço contínuo para evitar/minimi- zar impactos ambientais. Os objetivos devem ser específicos e as metas mensuráveis. As metas ambientais devem apresentar requisito detalhado de desempenho ambiental passí- vel de ser quantificado e praticável, aplicável à organização ou parte dela, decorrente dos objetivos ambientais. A meta deve ser proposta e alcançada para que sejam considerados cumpridos os objetivos. Exemplo: quantidade de resíduos por tonelada de produtos. 4. Programas de Gestão Ambiental É o estabelecimento de roteiro com cronograma de execução, que seja possível fazer comparações entre o previsto e o realizado, alocação de recursos financeiros, às ati- vidades, definição de responsabilidades e prazos para cumprimento dos objetivos e metas estabelecidos. Deve-se considerar o que? Quando? Por quê? Onde e como? Ferramenta básica do planejamento. . 5.Princípio 3. Implementação e Operação É neste princípio que a empresa deve desenvolver os mecanismos de apoio ne- cessários para atender o que está previsto em sua política, e nos seus objetivos e metas ambientais. 6. Estrutura organizacional e Responsabilidade Como o próprio nome diz, é o momento de definir as funções, responsabilidades e autoridade, documentadas ainda repassadas no intuito de facilitar o desenvolvimento de uma gestão ambiental eficaz. E cabe a administração o fornecimento dos recursos seja financeiro ou tecnológico necessário à implantação e controle do sistema de gestão am- biental. 130UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 2. Treinamento, Conscientização e Competência Cabe à empresa desenvolver treinamentos que propiciem aos seus empregados a conscientização da importância e responsabilidade em atingir a conformidade com a política ambiental; conhecimento para avaliar os impactos ambientais significativos, reais ou potenciais de suas atividades. 3. Comunicação Este item relata a importância da empresa criar, desenvolver e demonstrar e manter procedimentos para a comunicação interna e externa. Criar canais de comunicação que seja claro, e possa fluir regularmente com informações organizacionais e técnicas entre os vários níveis e funções dentro da organização. Ter a prática de documentar todas as infor- mações relevantes recebidas e enviadas das partes externas interessadas nos aspectos ambientais e no sistema de gestão ambiental. (MOREIRA, 2001). 4. Documentação do Sistema de Gestão Ambiental Segundo documentos 39, Embrapa Meio Ambiente (2004, p. 12) A documentação deve assegurar que o sistema de gestão ambiental seja compreendido pelo público interno e externo com o qual a empresa mantém relações, tais como clientes, fornecedores, go- verno, sociedade civil em geral, etc. Defina os tipos de documentos que podem variar em função do porte e complexidade da empresa, podendo ser sob a forma física ou eletrônica. (Embrapa Meio Ambiente, 2004, p. 12). Consiste em integrar e compartilhar com a docu- mentação de outros sistemas; identificar e atualizar periodicamente; documentação típica do SGA; manual do SGA; procedimentos operacionais; instruções de trabalho e registros. 5. Controle de documentos As evidências que relatam a responsabilidade ambiental dentro dos processos de- senvolvidos pela empresa devem ser localizadas, analisadas e periodicamente atualizadas quanto à conformidade com os regulamentos, leis e outros critérios ambientais assumidos pela empresa. Devem estar atentas as versões atualizadas da norma e atender os requisi- tos exigidos pela Série 14001. 131UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 6. Controle operacional A empresa que se propõe adotar sistema de gestão ambiental deve periodicamente fazer controle operacional onde identificará as atividades potencialmente poluidoras visan- do garantir melhor desempenho ambiental principalmente no compromisso assumido em sua política ambiental relacionado à “prevenção da poluição”. 7. Preparação e atendimento a emergências Neste quesito retrata a importância do estabelecimento de ações de contingências. Essas ações devem ser de conhecimento de todos os funcionários envolvidos no processo no intuito de agir com rapidez em situações de emergências e eventos não controlados. Consiste em identificar e classificar áreas de riscos e processos críticos; identificar riscos potenciais de acidentes e situações emergências (questões de saúde, segurança e aspec- tos ambientais) e responder prontamente e adequadamente às situações adversas. Princípio 4. Verificação e Ação Corretiva Nesta etapa é o momento de avaliar se o que foi estabelecido na política, nos objetivos e metas está sendo cumprido. Hora de comparar o previsto e realizado.Avaliar se a empresa está operando de acordo com o programa de gestão ambiental previamente definido, identificando aspectos não desejáveis e mitigar quaisquer impactos negativos, além de tratar das medidas preventivas. A Verificação e Ação Corretiva são etapas orientadas por quatro características básicas do processo de gestão ambiental: Monitoramento e Medição, Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas, Registros, e Auditoria do SGA. 1. Monitoramento e Medição O sistema de gestão ambiental envolve as fases de planejamento, implementação, execução, operação e avaliação dos resultados alcançados. No entanto, é preciso também monitorar e controlar para verificar a existência de desvios e corrigi-los, ou seja, estabelecer medidas-padrão para a verificação do desempenho ambiental das empresas. Segundo Mo- reira (2001), monitorar um processo significa acompanhar a evolução dos dados, ao passo que controlar um processo significa manter o processo dentro dos limites preestabelecidos. 132UNIDADE IV Diretrizes Sobre Gestão Ambiental e a Série ISO 14000 2. Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas As pessoas responsáveis por esta etapa precisam ter bem definidos o conceito de “Não conformidade” e a responsabilidade pela observação da documentação, comunicação e correção das “Não conformidades”. A norma estabelece como “Não conforme” quando a empresa não atinge os obje- tivos ou não consegue evidenciá-las. Encontra desvio nos padrões estabelecidos. As ações preventivas devem apoiar-se na possibilidade de ocorrência de “não-conformidades” e as ações corretivas devem ser pautadas em procedimentos que possibilitem a eliminação da não-conformidade e sua não recorrência. 3. Registros Neste quesito a empresa deve adotar mecanismos para registrar as atividades do SGA, incluindo informações sobre os treinamentos realizados. Esses registros servirão de evidências na auditoria. 4. Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental Por auditoria, entende-se o procedimento de verificação se a empresa cumpriu todas as etapas de implementação e manutenção do sistema de gestão ambiental. As auditorias do sistema de gestão ambiental devem ser periódicas, sendo recomendadas duas auditorias internas por ano. Visa determinar se o SGA está em conformidade com as disposições planeadas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos da norma, avalia periodicamente se o SGA está adequadamente implementado e mantido; verifica conformidade de todas as ações planejadas para o gerenciamento ambiental (política, objetivos, metas) inclusive os requisi- tos da Norma ISO 14001 e preve informações sobre os resultados para a alta administração. Princípio 5. Análise Crítica Nesse momento, passado a avaliação da auditoria, a empresa verá algumas alte- rações em seu ambiente interno e externo. Essas alterações correspondem a pressões do mercado que exigirá posturas ambientalmente corretas da empresa devido compromisso assumido de melhoria contínua em seu SGA. Assim, cabe nesse momento reavaliar se há necessidade de possíveis alterações na política ambiental definida, nos objetivos e metas propostos, ou seja, uma constante avaliação no intuito de melhorar os processos continuamente. 4. NORMA NBR ISO 14.000 4.1 Práticas do Sistema de Gestão Ambiental 4.2 Benefícios e Dificuldades na Implantação da ISO 14001 4.3 Etapas de Implantação de Sistema de Gestão Ambiental