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Aula 5 Reprodução Humana 111 Na Figura 3(a), você pode ver o ovócito secundário. Em 3(b), o espermatozoide entrou no ovócito e ocorreu a segunda divisão meiótica. O núcleo do ovócito é agora chamado de pronúcleo feminino. Na Figura 3(c), a cabeça do espermatozoide aumentou de volume para formar o pronúcleo masculino. Essa célula é chamada de oótide. A Figura 3(d) mostra a fusão dos pronúcleos após a lise das membranas pronucleares. Em 3(e), há o início da primeira divisão mitótica, e em 3(f), você pode ver o zigoto com duas células. Para compreender todo esse processo, é necessário acompanhar uma cascata de acontecimentos, já que a fecundação é uma sequência de eventos coordenados na qual uma eventual falha pode provocar danos incompatíveis com a vida do embrião. Inicialmente, o espermatozoide deve ultrapassar as células da corona radiata, conforme você verá adiante na Figura 4(a). Por muito tempo, os pesquisadores acreditaram que a liberação das enzimas acrossômicas acontecia nessa fase, porém, estudos experimentais mais recentes mostraram que a passagem do espermatozoide entre as células da corona radiata se deve principalmente ao movimento mecânico do fl agelo. Depois da passagem do espermatozoide pela corona radiata, o próximo passo é a passagem pela zona pelúcida. Essa camada é composta por três glicoproteínas: ZP1 e ZP2, que são proteínas estruturais, e a ZP3, que é uma proteína que funciona como receptor espécie-específi co de espermatozoides, ou seja, ela só permite a ligação do espermatozoide que for da mesma espécie do ovócito. Esse fenômeno impede o cruzamento natural entre espécies. A ligação da membrana do espermatozoide à proteína ZP3 promove a formação de poros na membrana e liberação das enzimas acrossômicas (neuraminidase, acrosina e hialuronidase). Essa reação acrossômica é responsável pela passagem do espermatozoide pela zona pelúcida. Em seguida, a membrana do espermatozoide se une à membrana do ovócito, permitindo-lhe a entrada no citoplasma do ovócito, mostrado na Figura 4(b). a b Aula 5 Reprodução Humana112 Figura 4 – Esquema da fecundação: (a) passagem do espermatozoide pela corona radiata, ligação à zona pelúcida e (b) ligação à membrana plasmática do ovócito Fonte: Moore e Persaud (2008). Com a fi nalidade de evitar a entrada de outros espermatozoides e impedir a poliespermia, a fusão das membranas dos gametas desencadeia uma série de modifi cações no ovócito, que constituem o bloqueio da poliespermia, dividido em duas etapas: Bloqueio rápido da poliespermia: após o contato entre as membranas dos gametas, ocorre a despolarização elétrica da membrana do ovócito por diferença no gradiente de concentração de íons sódio e potássio. Essa mudança no potencial de membrana impede temporariamente que outro espermatozoide penetre no ovócito. Essa modifi cação ocorre cerca de 3 segundos após o contato do espermatozoide com o ovócito e, apesar de rápida, não é tão efi ciente. Bloqueio lento da poliespermia: após a despolarização da membrana ocorre um infl uxo de íons cálcio para dentro do ovócito. Isso faz com que vesículas de secreção que estão localizadas na periferia do ovócito (porção cortical) fusionem-se com a membrana do ovócito e liberem suas enzimas proteolíticas no espaço perivitelino. Essa etapa constitui a reação cortical. O conteúdo enzimático promove as modifi cações na conformação das proteínas da zona pelúcida, tornando-a enrijecida; além disso, a proteína ZP3 passa a não reconhecer outros espermatozoides. Essa modifi cação constitui a reação zonal e se inicia 10 segundos