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MEDICINA VETERINÁRIA – PUC MINAS – 2023 – HISTOLOGIA - KARITHA KELLY MOTA @K.KELLY.M 
SISTEMA 
DIGESTÓRIO 
TUBO DIGESTÓRIO 
O tubo digestório compreende esôfago, 
estômago e intestinos. Cada porção tem uma 
estrutura histológica específica, mas com uma 
estrutura geral de parede semelhante. 
ESÔFAGO 
CAMADA MUCOSA tem revestimento de epitélio 
estratificado pavimentoso. Na lâmina própria há 
presença de glândulas tubulares ramificadas 
mucosas chamadas de glândulas 
cardioesofágicas, cuja secreção protege a 
parede do esôfago de um refluxo gástrico. 
CAMADA SUBMUCOSA possui acúmulo de 
glândulas simples tubuloacinosas mistas 
(denominadas glândulas esofágicas), cuja 
secreção é liberada na superfície da mucosa para 
auxiliar no deslizamento do alimento, sem atrito 
prejudicial à parede do órgão. 
CAMADA MUSCULAR – músculo esquelético no 
terço superior, esquelético e liso no terço médio e 
liso no terço inferior. 
Na porção superior do esôfago, há musculo 
estriado esquelético; na porção média, uma 
mistura de musculo estriado esquelético e músculo 
liso, e, na porção inferior, músculo liso. 
Acima do diafragma o esôfago tem adventícia e 
após atravessar o diafragma este revestimento 
passa a ser serosa. 
ESTÔMAGO 
O estômago possui as características gerais de sua 
estrutura com alterações na mucosa e na 
camada muscular. 
MUCOSA – revestida por epitélio simples 
cilíndrico, que se apresenta estratificado 
pavimentoso em algumas áreas deste órgão em 
ruminantes e suínos. Entre as células epiteliais estão 
células de secreção mucosa, as células mucosas 
da superfície. O epitélio não é contínuo, ele faz 
invaginações para a lâmina própria, que tem 
fibras colágenas e reticulares, formando canais 
chamados fossetas gástricas. Estas fossetas ligam-
se às glândulas exócrinas simples tubulosas, que 
estão na lâmina própria, as glândulas gástricas. 
A glândula gástrica é formada por um conjunto 
de células com características e funções diversas. 
São elas: 
CÉLULAS MUCOSAS DO COLO - são cúbicas, 
claras e com núcleo arredondado. O citoplasma 
apresenta muitas vesículas de secreção, vistas ao 
M.E. São localizadas na parte superior da 
glândula. A secreção basicamente alcalina 
destas células, junto com a secreção de mesma 
natureza das células mucosas superficiais, formam 
uma cobertura na superfície interna do estômago 
que protege suas paredes contra as ações 
degradativas de suas próprias enzimas. 
CÉLULAS PARIETAIS (OXÍNTICAS) - são células 
grandes, ovais, com núcleo esférico e central. 
Apresentam eosinofilia devido à grande 
abundância de mitocôndrias, corando-se em rosa 
pelas técnicas de coloração de rotina. A 
membrana voltada para superfície livre faz 
invaginações em direção ao citoplasma, 
formando os canalículos intracelulares. Nestes 
locais há acúmulo de íons H+ e Cl-,responsáveis 
pela formação do ácido clorídrico, componente 
do suco gástrico. Também produzem o fator 
intrínseco antianêmico, que se liga à vitamina B12, 
promovendo a sua absorção pelo intestino. 
CÉLULAS PRINCIPAIS (ZIMOGÊNICAS) - são 
células cúbicas, com citoplasma basófilo pela 
abundância de retículo endoplasmático rugoso. 
São encontradas na porção inferior da glândula. 
O núcleo é esférico e basal. Produzem 
pepsinogênio, que, no pH ácido da luz do 
estômago, é ativado em pepsina, um proteolítico. 
Libera também lipases, que auxiliam na quebra de 
lipídeos 
CÉLULAS ENTEROENDÓCRINAS - são menores 
que as demais, com base mais larga e ápice mais 
estreito. O citoplasma se apresenta menos corado 
e o núcleo é esférico e central. Sintetizam diversas 
moléculas de ação local e também sistêmica. São 
considerados seis hormônios peptídicos 
gastrointestinais principais: secretina, gastrina 
colecistoquinina (CCK), pepitídio insulinotrópico 
dependente de glicose, motilina e grelina. 
 
MEDICINA VETERINÁRIA – PUC MINAS – 2023 – HISTOLOGIA - KARITHA KELLY MOTA @K.KELLY.M 
CÉLULAS BASAIS (TRONCO) - são colunares 
baixas com núcleos ovais próximos da base da 
célula. Estas células possuem uma elevada taxa 
de mitoses, e com isso, renovam a população 
celular da glândula. 
A SUBMUCOSA tem tecido conjuntivo denso 
desordenado com muitos vasos sanguìneos e 
presença de linfócitos e macrófagos. 
A CAMADA MUSCULAR tem a função de 
promover a agitação necessária para a mistura 
do alimento com as secreções da mucosa 
gástrica. Para isso, além das subcamadas circular 
e longitudinal de músculo liso, há uma camada 
média de músculo liso, com as fibras dispostas 
obliquamente. 
O estômago é revestido por serosa. 
HISTOLOGICAMENTE PODE-SE DIFERENCIAR NO 
ESTÔMAGO TRÊS REGIÕES: CÁRDIA, CORPO FUNDO 
E PILÓRICA. 
REGIÃO CÁRDICA 
Esta é a estreita região na transição entre o 
esôfago e estômago. Possui epitélio simples 
cilíndrico, com fossetas que se projetam até a 
metade da lâmina própria. As glândulas gástricas 
ocupam o restante da camada em continuidade 
com as fossetas. Nas glândulas há muitas células 
mucosas e poucas células parietais. 
REGIÃO CORPOFÚNDICA 
Nesta região as fossetas são muito curtas, sendo a 
extensão da lâmina própria ocupada pelas 
glândulas gástricas. As glândulas são muito 
abundantes, sendo que cada fosseta recebe 
abertura de três a sete glândulas. Netas glândulas 
há predomínio de células parietais e células 
principais, além de células mucosas do colo e 
mucosas superficiais. 
REGIÃO PILÓRICA 
Apresenta fossetas longas que se conectam com 
glândulas gástricas curtas. Nas glândulas há 
muitas células mucosas e algumas células 
enteroendócrinas produtoras de gastrina, que 
estimula a liberação de HCl. 
INTESTINO DELGADO 
É a porção mais longa do intestino. Dividido 
anatomicamente em duodeno, jejuno e íleo. 
Distinguível histologicamente duas regiões: 
duodeno e jejuno-íleo. Nesta porção do tubo 
ocorre o processo final da digestão e há absorção 
de nutrientes, eletrólitos e água. Para isso, há 
adaptações que aumentam a superfície de 
contato com o meio principalmente na camada 
mucosa. 
A camada mucosa tem revestimento epitelial 
simples cilíndrico e lâmina própria de tecido 
conjuntivo. Esta camada faz projeções em 
direção à luz do intestino formando as vilosidades 
intestinais. O epitélio alterna as projeções das 
vilosidades com invaginações em direção à 
lâmina própria de tecido conjuntivo fazendo 
comunicação com glândulas tubulosas simples 
que estão neste tecido. São as glândulas 
intestinais. 
As glândulas intestinais são formadas pelos 
seguintes tipos celulares: 
ENTERÓCITOS OU CÉLULAS ABSORTIVAS - são 
cilíndricas, com núcleo basal e tem membrana 
apical com muitas microvilosidades e glicocálice 
desenvolvido. Realizam absorção de nutrientes. 
CÉLULAS CALICIFORMES - tem formato de 
cálice e liberam muco para lubrificação da 
superfície da mucosa intestinal. 
CÉLULAS DE PANETH - possuem núcleo basal e 
grandes grânulos de secreção eosinófilos, que 
correspondem à lisozima e às 
defensinas. Controlam a flora intestinal. 
CÉLULAS BASAIS - originam as outras células. 
CÉLULAS ENTEROENDÓCRINAS - semelhantes 
aquelas encontradas nas glândulas gástricas. 
Liberam hormônios. 
A SUBMUCOSA TEM DIFERENÇAS ENTRE AS 
PORÇÕES DO INTESTINO DELGADO. 
DUODENO – Na submucosa do duodeno, há 
glândulas duodenais (ou de Brunner), que são 
glândulas tubulares ramificadas mucosas. 
JEJUNO-ÍLEO – Na submucosa do jejuno, pode 
haver alguns nódulos linfáticos, mas, no íleo, eles 
são abundantes, e o seu conjunto foi denominado 
placas de Peyer. 
INTESTINO GROSSO 
No intestino grosso, não há vilosidades, mas o 
epitélio simples cilíndrico invagina-se nas 
glândulas intestinais (glândulas exócrinas 
 
MEDICINA VETERINÁRIA – PUC MINAS – 2023 – HISTOLOGIA - KARITHA KELLY MOTA @K.KELLY.M 
tubulares). As células absortivas contêm 
microvilosidades, células caliciformes, células-
tronco e células enteroendócrinas.Na lâmina própria é comum encontrar nódulos 
linfoides (MALTs). 
A camada muscular apresenta uma subcamada 
circular e uma subcamada longitudinal. Esta 
última, no ceco e no colo, espessa-se em três 
faixas equidistantes, as tênias do colo, que podem 
ser visualizadas ao nível macroscópico. O tônus 
constante das tênias forma pregas no intestino, 
chamadas saculações. 
No intestino grosso, ocorre a absorção de água e 
de sais inorgânicos, levando à formação do bolo 
fecal.