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Requisitos: Nível Médio
AGENTE CENSITÁRIO MUNICIPAL (ACM)
AGENTE CENSITÁRIO SUPERVISOR (ACS)
IBGE
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA
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Título da obra: IBGE - Agente Censitário Municipal (ACM) e Agente Censitário Supervisor (ACS)
Autores: Diversos
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Souza Nunes
Tiana Adília
Josué Correia
PRODUÇÃO EDITORIAL
Gessié Correia
Jhenyfer Karoline
Gesi Ribeiro
CAPA/ILUSTRAÇÃO
Josué Correia
DIRETORIA EXECUTIVA
Ivanildo Nunes/Tiana Adília
DISTRIBUIÇÃO
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Sérgio Correia
Setor Norte AC 219 Conjunto C, Lote 21 - Loja 01
Santa Maria - Brasília-DF, CEP: 72549-315
Fone: (61) 3046-8800
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CONHECIMENTOS
- LÍNGUA PORTUGUESA
- RACIOCÍNIO LÓGICO QUANTITATIVO
- ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
- NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO/ SITUAÇÕES GERENCIAIS
- CONHECIMENTOS TÉCNICOS
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
LÍNGUA
PORTUGUESA
SUMÁRIO:
1. Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados...................................................51
2. Reconhecimento de tipos e gêneros textuais............................................................................61
3. Domínio da ortografia oficial.....................................................................................................7
4. Domínio dos mecanismos de coesão textual, 4.1. Emprego de elementos de referenciação,
substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de sequenciarão textual. 4.2
Emprego de tempos e modos verbais.............................................................................18/20/61
5. Domínio da estrutura morfossintática do período.....................................................30/35/37/38
5.1. Emprego das classes de palavras..............................................................................................11
5.2. Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração...........................................36
5.3. Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração.....................................36/37
5.4. Emprego dos sinais de pontuacao............................................................................................38
5.5. Concordância verbal e nominal................................................................................................40
5.6. Regência verbal e nominal..................................................................................................43/44
5.7. Emprego do sinal indicativo de crase.......................................................................................49
5.8. Colocação dos pronomes atonos..............................................................................................25
6. Reescrita de frases e parágrafos do texto. 6.1 Significação das palavras. 6.2 Substituição de
palavras ou de trechos de texto. 6.3 Reorganização da estrutura de orações e de períodos do
texto. 6.4 Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade.....................51/63
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
ORTOGRAFIA
É o uso correto das letras, bem como das iniciais
maiúsculas e minúsculas nas palavras.
1ª PARTE: palavras escritas por convenção.
Ex.: monge, jiló, graxa, flecha, sósia, proeza, he-
resia, obcecar, maçarico, variz, extasiar, pretensão,
acessar, discernir, excetuar, exsudar, etc.
PALAVRAS ESCRITAS POR CONVENÇÃO
G
algema algibeira angélico apogeu
auge bugiganga digerir drágea
efígie estrangeiro evangelho falange
faringe frigir geada gêiser
geleia gêmeo gengibre gengiva
gesso gesto gim girafa
gíria higiene ligeiro megera
monge mugir ogiva rígido
rugir sugerir tangente tangerina
tigela vagina
J
berinjela cafajeste canjica hoje
injetar jeca jegue jeito
jejum jenipapo jequitibá jérsei
jesuíta jiboia jiló jirau
jiu-jitsu majestade manjedoura manjericão
objeto projeto rejeitar sujeito
X
abacaxi almoxarife bexiga broxa
bruxa capixaba caxumba coaxar
coxa coxo elixir esdrúxulo
faxina graxa haxixe lagartixa
lixa lixo luxar luxo
maxixe muxoxo orixá oxalá
pexote pixaim praxe puxar
relaxar rixa roxo taxa
vexame vexar xadrez xale
xampu xangô xará xarope
xavante xaxim xepa xeque
xereta xerife xi! xícara
xiita xilofone xingar xis
xô! xodó xucro
CH
arrochar bochecha boliche brecha
brocha broche bucha cachaça
cachimbo cartucho chá chácara
chafariz chalé charco chuchu
chucrute chumaço churrasco cocha
coche cochichar cochilar colcha
concha coqueluche debochar despachar
encher espichar estrebuchar fachada
fantoche fechar ficha flecha
guache inchar linchar machucar
mecha mochila pechincha piche
rachar salsicha tacha tocha
S
abusar aceso acusar adesão
aliás amnésia analisar ananás
anestesiar após artesão ás
asa Ásia asilo asteca
avisar basalto base basílica
besouro bisão bisonho blusa
brasa brasão brisa camisa
casaca casimira caso catalisar
cesária coesão colisão concisão
conclusão cós coser crase
crisálida crisântemo crise decisão
defesa demasia designar desistir
Deus diocese diurese divisa
dose eclesiástico empresa ênclise
escusar esposa esquisito eutanásia
evasão exclusão extasiar fantasia
fase framboesa frase freguês
friso fusão fuselagem fusível
fuso gás gasolina gênese
groselha heresia hesitar improvisar
incisão inclusão intruso invasão
isolar lesar lilás liso
lisonja losango luso manganês
maresia mariposa masoquismo medusa
mesa mesóclise mesquita misantropo
miséria mosaico musa obeso
obséquio obtuso parafuso paraíso
paralisar parmesão peso pesquisar
preciso presente presépio preservar
presídio presidir prosa pus
querosene quesito raposa raso
rasurar reclusão recusar represália
reprisar requisitar rês resenhar
reservar residir resíduo resignar
resina resistir resolver resultar
resumir retesar riso risoto
rosa sinestesia siso sósia
suserano tese tesoura tesouro
tosar transar trás turquesa
usina usar usurar usurpar
vaso vesícula visar
Z
agonizar alazão albatroz alfazema
algazarra algoz amazona amizade
antipatizar apaziguar armazém arroz
assaz atroz avestruz azar
azedo azeitona azêmola azia
azul balizar batizar bazar
bezerro bizarro buzina búzio
cafezal cafuzo capataz capuz
cartaz catequizar cicatriz coalizar
conduzir coriza cozer cozinha
cruz cuscuz czar deduzir
deslizar dizer dizimar economizar
fazer feliz fezes foz
fuzil fuzuê gaze gazela
gazeta giz gozar granizo
guizo hipnotizar horizonte induzir
introduzir jazida juiz lambuzar
lazer luz magazine matiz
matriz mazela meretriz nariz
nazismo noz ojeriza ozônio
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paz prazer prazo prejuízo
prezar primazia produzir proeza
quartzo raiz rapaz razão
reduzir rezar seduzir simpatizar
sintetizar talvez topázio tornozelo
traduzir trapézio trazer variz
vazio verniz vez voz
zangão zangar zebra ziguezague
Ç
açafrão açaí aço açúcar
açucena açude alça alçapão
almaço almoço ameaçar arregaçar
arruaça babaçu bagaço baço
balança boçal cabaça caçar
caçoar caçula calça camurça
caniço carapaça carapuça carcaça
chouriço chumaço cobiçarcoçar
conjunção couraça dançar disfarçar
endereço enguiçar erupção exceção
feitiço hortaliça laço licença
linguiça maçã maçaneta maçar
maçarico maço maçom março
miçanga mordaça mormaço muçulmano
muçurana orçar ouriço paço
paçoca palhaço pança piaçava
pinça poço quiçá rechaçar
roça roçar ruço saçaricar
soçobrar tapeçaria terço terçol
traça trança trapaça troço
viço vidraça
C
acelga acender acento acepção
acervo acessar agradecer alicerce
aparecer aquecer cacete cacimba
cacique carecer carroceria cédula
ceia ceifar cela celeiro
celibato celta cem cemitério
cena cenoura censo censura
centavo centopeia centro cepa
céptico cera cerca cerda
cereal cerebelo cérebro cereja
cerimônia cerne cerrar certo
cerveja cervo cerzir cesariana
cessar cesta cetim cetona
cetro cevada chacinar chance
cicerone ciciar ciclo ciclone
cicuta cidra cifra cigano
cigarro cilada cílio cima
cimento cinema cínico cinta
cintilar cintura cinza cio
cipó cipreste ciranda circo
circuito circundar cirrose cirurgia
cisco cismar cisne cissiparidade
cisterna citar cítara ciúme
cócegas concertar concílio corcel
decepcionar docente esquecer falecer
focinho incipiente lince lúcido
maciço macio magricela marcial
mencionar morcego obcecar parecer
penicilina percevejo pocilga recender
resplandecer sobrancelha súcia tecer
tecido vacilar vacina você
H
hábil habitar hachurar hálito
handebol hangar hanseníase hantavírus
harém harmonia harpa haste
havana haver haxixe hebreu
hectágono hectare hediondo hégira
helicóptero hélio hem! hemácia
hematita hemisfério hemorragia hepatite
heptaedro hera herdar heresia
hermafrodita hérnia hertz hesitar
hetero heureca hexacampeão hiato
hibernar híbrido hidra hidroavião
hiena hierarquia hieróglifo hífen
higienizar hímen hindu hino
hipérbole hipófise hipopótamo hipoteca
histeria história hoje homem
homofilia homogêneo homologar honesto
honra hóquei hora horda
horizonte hormônio horóscopo horror
horta hortelã hortênsia hosana
hospedar hospital hóstia hostil
hulha humano humilde humilhar
humor húmus
2ª PARTE: palavras derivadas.
Em geral, as palavras derivadas mantêm as mesmas
letras iniciais das suas respectivas palavras primitivas.
Ex.: rabugento (de rabugem);
viajem (de viajar);
almoxarifado (de almoxarife);
pichar (de piche);
catálise (de catalisar);
sintetizado (de sintetizar);
exultante (de exultar);
intercessão (de interceder);
disfarçado (de disfarçar);
ascensão (de ascender);
exsudação (de exsudar);
assessor (de assessorar); etc.
Exceções: angélico e angelical (de anjo);
extensão, extensibilidade, extensidade,
extensível, extensividade, extensivo, ex-
tenso e extensor (de estender).
Obs.1: Viajem (forma verbal do verbo viajar, no
presente do subjuntivo).
Ex.: Espero que eles viajem bem.
Viagem (substantivo: ação de viajar).
Ex.: A viagem foi maravilhosa.
Obs.2: Palavra Primitiva: é aquela que não vem
de nenhuma outra da própria língua.
Ex.: casa, água, pedra, terra, ar, etc.
Obs.3: Palavra derivada: é aquela que vem de ou-
tra da própria língua.
Ex.: caseiro, aquático, pedrada, terreno, aé-
reo, etc.
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3ª PARTE: regras convencionais.
G J X CH Ç C SS S Z H K W Y
5 1 4 0 2 1 1 7 2 2 3 : 28
regras
G
1. Emprega-se g:
a) nas terminações –ágio, -égio, -ígio, -ógio e -úgio;
Ex.: adágio, colégio, prodígio, relógio, refúgio, etc.
b) nas terminações –agem, -igem e –ugem;
Ex.: viagem, fuligem, rabugem, garagem, ver-
tigem, ferrugem, etc.
Exceções: lajem, pajem e lambujem.
c) nas terminações –ege e –oge;
Ex.: frege, herege, sege, doge, paragoge, etc.
d) depois de r:
Ex.: alergia, energia, imergir, surgir, etc.
Exceções: alforje, caborje e interjeição.
e) após a inicial de palavra.
Ex.: ágio, agir, ágil, agenda, agitar, etc.
J
2. Emprega-se j:
a) nas terminações -aje e -ajé.
Ex.: laje, traje, acarajé, pajé, etc.
X
3. Emprega-se x:
a) após ditongo;
Ex.: baixo, caixa, faixa, feixe, madeixa, peixe,
frouxo, rouxinol, trouxa, etc.
Exceções: caucho e guache.
b) após en inicial de palavra;
Ex.: enxada, enxertar, enxoval, enxugar, enxame,
enxerido, enxofre, etc.
Exceções: encher e enchova.
c) após me e mé iniciais de palavra;
Ex.: mexer, mexilhão, México, etc.
Exceções: mecha e mechoacão.
d) após e inicial de palavra.
Ex.: exalar, Exército, exílio, êxodo, exumar,
examinar, exercer, exímio, exoterismo, etc.
Exceções: esôfago e esoterismo.
CUIDADO: encharcar (de charco);
enchente (de encher);
enchumaçar (de chumaço);
recauchutar (de caucho).
Ç
4. Grafa-se com ç:
a) os sufixos –aça, -aço, -ção, -iço, -iça, -nça, -uço,
-açu e –oça;
Ex.: barca + aça = barcaça;
rico + aço = ricaço;
navegar + ção = navegação;
sumir + iço = sumiço;
carne + iça = carniça;
cria + nça = criança;
dente + uço = dentuço;
igu + açu = Iguaçu;
carro + oça = carroça.
b) após ditongo.
Ex.: caução, feição, etc.
C
5. Grafa-se com c:
a) após ditongo.
Ex.: coice, foice, etc.
SS
6. Grafa-se com ss:
a) os substantivos e os adjetivos derivados de ver-
bos cujos radicais terminam em: ced, gred, prim, met,
mit e cut.
Ex.:
CED > CESS : suceder - sucessão, sucessivo;
GRED > GRESS : progredir - progresso, progressivo;
PRIM > PRESS :imprimir - impressão, impresso;
MESS
MET > : prometer - promessa, promissor;
MISS
MIT > MISS : permitir - permissão, permissivo;
CUT > CUSS :discutir - discussão.
S
7. Grafa-se com s:
a) os substantivos e os adjetivos derivados de ver-
bos cujos radicais terminam em: nd, rg, rt, pel, corr e
nt;
Ex.:
ND > NS: expandir - expansão, expansivo;
RG > RS: submergir - submersão, submerso;
RT > RS: inverter - inversão, inverso;
PEL > PULS: expelir - expulsão, expulso;
CORR > CURS: discorrer - discurso, discursivo;
NT > NS: sentir - sensação, sensível.
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b) os adjetivos terminados em –oso e em -osa, deri-
vados de substantivos;
Ex.: dengo + -oso = dengoso;
+ -osa = dengosa.
teima + -oso = teimoso;
+ -osa = teimosa.
gás + -oso = gasoso;
+ -osa = gasosa.
c) os adjetivos pátrios terminados em -ês e em -esa;
Ex.: campo + n + ês = camponês;
+ n + esa = camponesa.
Paquistão + ês = paquistanês;
+ esa = paquistanesa.
Pequim + n + ês = pequinês;
+ n + esa = pequinesa.
d) os títulos de nobreza femininos terminados em
-esa;
Ex.: baronesa, duquesa, marquesa, princesa.
e) após ditongo;
Ex.: causa, coisa, gêiser, lousa, maisena, náusea,
Cleusa, Neusa, Sousa, etc.
f) as formas verbais de pôr (e dos derivados) e de
querer.
Ex.: pôs, pus, puser, puseram, pusesse; depôs,
depus, depuser, depuseram, depusesse; quis,
quiser, quiseram, quisesse, etc.
g) os sufixos gregos -ase, -ese, -isa, -ise, -isia e
-ose.
Ex.: metástase, prófase, catequese, síntese, papi-
sa, poetisa, pesquisa, análise, catálise, ele-
trólise, paralisia, hipnose, metamorfose, os-
mose, etc.
Z
8. Grafa-se com z:
a) os verbos terminados em -izar, derivados de
substantivos e de adjetivos.
Ex.: colônia + -izar = colonizar;
sinal + -izar = sinalizar;
ágil + -izar = agilizar;
fértil + -izar = fertilizar; etc.
Obs.: Se o verbo for a palavra primitiva, sua termi-
nação –izar (ou –isar) poderá ser escrita com z ou com
s, dependendo do seu tipo.
Ex.: analisar, catalisar, eletrolisar, improvisar,
paralisar, pesquisar, batizar, catequizar,deslizar, hipnotizar, sintetizar, etc.
b) os substantivos abstratos terminados em -ez e em
-eza, derivados de adjetivos.
Ex.: ácido + -ez = acidez;
pequeno + -ez = pequenez;
delicado + -eza = delicadeza;
rico + -eza = riqueza; etc.
H
9. Grafa-se com h:
a) o final de algumas interjeições;
Ex.: ah!, eh! e oh!
b) os dígrafos ch, lh e nh.
Ex.: chave, palha, unha, chique, alho, banho, etc.
Obs.: Bahia (nome de estado) possui essa grafia
(com h e sem acento agudo) por tradição e por incoerên-
cia dos nossos gramáticos, já que ela é a própria palavra
baía (acidente geográfico), que não possui h e que pos-
sui acento agudo.
K, W e Y
10. Grafa-se com k, com w ou com y:
a) as abreviaturas e os símbolos de termos científi-
cos de uso internacional;
Ex.: km (quilômetro), kg (quilograma), k (potás-
sio), w (watt), W (oeste), yd (jarda), etc.
b) as palavras estrangeiras não aportuguesadas.
Ex.: kart, kibutz, smoking, show, watt, play-
ground, playboy, hobby, etc.
c) os nomes próprios estrangeiros não aportuguesa-
dos (e seus derivados).
Ex.: Kant, Franklin, Shakespeare, Wagner, Ken-
nedy, Mickey, Newton, Darwin, Hollywood,
Washington, Kremlin, Byron, Walt Disney,
kantismo byroniano, shakespeariano,
kartista, parkinsonismo, Disneylândia, etc.
EMPREGO DE PALAVRAS
I. EMPREGO DOS PORQUÊS:
1. PORQUE: é usado em respostas e em explica-
ções.
Ex.: Por que parou? (pergunta)
Porque estou cansado. (resposta)
Raquel não veio à faculdade, porque está
doente. (explicação)
2. PORQUÊ: é o único dos quatro porquês que
exige, diretamente, antes dele, artigo, adjetivo, numeral
ou pronome masculinos.
Ex.: Não sei o porquê disto.
Ela me deu um belo porquê.
Ofereceram três porquês para o problema.
Este porquê não serve.
3. POR QUÊ: é usado no final do período (simples
ou composto), em perguntas e em afirmações.
Ex.: Você fez isso por quê?
Susana agiu assim e não sabe por quê.
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4. POR QUE:
a) é usado no início do período (simples ou compos-
to) em perguntas e em afirmações.
Ex.: Por que você fez isso?
Por que construí Brasília (título de um dos
livros de JK)
Por que Adriana acha que é melhor, do que
Henrique?
b) é usado no meio do período composto ( = pelo
qual, pela qual, pelos quais e pelas quais).
Ex.: Este é o caminho por que passaram.
Esta é a resposta por que aguardava.
c) idem letra b ( = por que motivo).
Ex.: Não se sabe por que chove tanto, naquela
região do país.
II. Onde/ Aonde:
1. Emprega-se aonde com os verbos de movimento
com a preposição a.
Ex.: Aonde você irá?
Aonde nos leva?
2. Emprega-se onde, naturalmente, com os verbos es-
táticos e com os de movimento sem a preposição a.
Ex.: Onde estão os livros?
Não sei onde te encontro.
Até onde, você irá?
De onde, ele vem?
III. Mau / Mal:
1. Mau é, sempre, um adjetivo (seu antônimo é bom).
Refere-se, pois, a um substantivo.
Ex.: Escolheu um mau momento.
Era um mau aluno.
2. Mal pode ser advérbio de modo (antônimo de bem)
e substantivo.
Ex.: Ele se comportou mal.
Seu argumento está mal-estruturado.
Ela não sabe o mal que me faz.
IV. HÁ / A:
1. Há (verbo haver), para indicar tempo passado ou
para significar existe (m).
Ex.: Há dois meses, ele não aparece.
No mundo, há muitos fãs do futebol.
2. A (preposição), para indicar tempo futuro e dis-
tância.
Ex.: Daqui a dois meses, ele aparecerá.
A Terra fica a milhões de quilômetros do Sol.
V. MAS / MAIS / MÁS:
1. Mas é conjunção adversativa, que indica uma opo-
sição (ou um contraste). Pode ser substituída por
outra conjunção adversativa (porém, contudo, to-
davia, entretanto, etc.).
Ex.: Eu iria ao cinema, mas choveu.
2) Mais pode ser um advérbio de intensidade ou um
pronome indefinido. É antônimo de menos.
Ex.: Sem dúvida, é a garota mais simpática da sa-
la!
Atualmente, tenho mais sabedoria e mais
conhecimento.
3) Más é adjetivo (antônimo de boas).
Ex.: Ela tem atitudes más.
Eles são pessoas más.
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ACENTUAÇÃO GRÁFICA
1. Monossílabos tônicos:
Acentuam-se os terminados em a(s), e(s) e o(s).
Ex.: pá(s), ê(s) fé(s), ô(s) só(s), etc.
2. Oxítonos:
Acentuam-se os terminados em a(s), e(s), o (s) e em
(ens).
Ex.: sofá(s), você(s), café(s), robô(s), cipó(s),
ninguém, parabéns, etc.
3. Paroxítonos:
Acentuam-se os terminados em ps, um (uns), r,
u(s), x, i(s), en, on(s), l, ã(s), e ditongo [acompanhado
ou não de s: ei (s), ão(s), ea (s), eo (s), ia(s), ie(s), io(s),
oa(s), ua(s), ue(s) e uo(s)].
Ex.: bíceps, fórceps, álbum(uns), médium(uns), açúcar,
éter, meinácu, Vênus, tórax, fênix, júri, lápis, pó-
len, hífen, próton(s), fóton(s), fácil, desagradável,
órfã(s), ímã(s), pônei(s), jóquei(s), órgão(s), só-
tão(s), fêmea(s), orquídea(s), óleo(s), simultâ-
neo(s), ânsia(s), farmácia(s), série(s), cárie(s), sí-
tio(s), lírio(s), mágoa(s), nódoa(s), tábua(s), ré-
gua(s), tênue(s), bilíngue(s), árduo(s), vácuo(s),
etc.
4. Proparoxítonos:
Quase todos são acentuados.
Ex.: lâmpada, fósforo, elétrico, cápsula, médico,
auréola, período, míope, medíocre, etíope,
etc.
Exceções: deficit e habitat.
Obs.: Essas duas palavras não podem ser acentua-
das, por serem latinismos (palavras oriundas do latim),
sabendo-se que essa língua não possuía acento gráfico,
como o inglês e o alemão não o possuem. Entre os dicio-
naristas, há os que as acentuam, e os que não as acentu-
am.
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5. Ditongos éi, éu e ói:
a) se forem pronunciados (pela norma culta) ei, eu
ou oi, não serão acentuados;
Ex.: colmeia, farei, sei, eufônico, ateu, meu, loi-
ro, boi, doido, etc.
b) se forem pronunciados (pela norma culta) éi, éu
ou ói (desde que estejam na sílaba forte da palavra), se-
rão acentuados, exceto os paroxítonos.
Ex.: ideia, europeia, plateia, hebreia, fiéis, réis
(moeda), chapéu(s), réu(s), troféu(s), herói,
anzóis, mói (moer), joia, boia, jiboia, he-
roico, etc.
CUIDADO: aneizinhos, chapeuzinho, anzoizinhos.
Obs.: São equivocados os conceitos de ditongo
aberto e de ditongo fechado: não existe essa divisão
dos ditongos na NGB, nem na NGP (dentro da Fonética).
Na verdade, as vogais é que podem ser abertas, semi-
abertas, fechadas ou semifechadas, e não os ditongos.
6. Hiatos:
a) AÍ, EÍ, OÍ, UÍ, AÚ, EÚ, IÚ e OÚ:
Sua segunda vogal (i ou u) será acentuada normal-
mente, se estiver sozinha na própria sílaba ou se vier
acompanhada de s.
Ex.: saída, faísca, cafeína, politeísmo, moído,
egoísta, ruído, uísque, saúde, balaústre, re-
úne, ciúme, timboúva, etc.
Obs. 1: Se ela vier acompanhada de l, de m, de n, de
r ou de z ou se ela vier seguida de nh, deixará de ser
acentuada.
Ex.: Raul, paul, ruim, amendoim, ainda, saindo,
fluir, ruir, juiz, raiz, rainha, bainha, tainha,
moinho, fuinha, etc.
Obs. 2: Acompanhar: estar na mesma sílaba.
Seguir: estar na sílaba seguinte.
b) OO (S) final de palavra: não é mais acentuado.
Ex.: coo doo, magoo, perdoo, abençoo, coroo,
abotoo, povoo, enjoo(s), voo(s), zoo(s), etc.
c). EEM final de palavra: não é mais acentuado.
Ex.: creem, deem, leem, veem e derivados (des-
creem, desdeem, releem, preveem, anteve-
em, etc.
Obs.: ee de eem não é hiato, e, sim, vogal forte
mais ditongo decrescente.
7. Grupos gue, gui, que e qui:
O u desses grupos:
a) não mais receberá acento agudo, se ele for pro-
nunciado fortemente (pela norma culta);
Ex.: averiguem, arguis, oblique, etc.
b) não mais receberá trema, se ele for pronunciado
fracamente (pela norma culta);
Ex.: bilíngue, linguiça, cinquenta, tranquilo,
etc.
c) não receberá nada, se ele não for pronunciado
(pela norma culta).
Ex.: aguerrido, enguiço, quente, quilo, etc.
Observação:
O tremafoi abolido com o acordo ortográfico de
1/1/2009.
Ex.: equilátero, líquido, sanguíneo, etc.
8. Acento Diferencial:
Ele só permaneceu em algumas palavras do portu-
guês.
Ex.: pôr: verbo e substantivo;
por: preposição.
pôde: pretérito perfeito do indicativo do verbo
poder;
pode: presente do indicativo do mesmo verbo.
tem: 3ª pessoa do singular do verbo ter;
têm: 3ª pessoa do plural do mesmo verbo.
porquê: substantivo;
porque: conjunção.
vem: 3ª pessoa do singular do verbo vir;
vêm: 3ª pessoa do plural do mesmo verbo.
Ex.: Pôr o livro sobre a mesa é fácil. (verbo)
O pôr-do-sol de Brasília é belo. (substantivo)
Fiz isso por ela. (preposição)
Marcos pôde trabalhar ontem.
Marcos pode trabalhar hoje.
Elas têm 20 anos.
Ela tem 20 anos.
Eles vêm da Bahia.
Ele vem da Bahia.
Obs.1.: Em relação a tem/têm e a vem/vêm, o
acento diferencial dessas palavras aplica-se, também, às
formas verbais dos verbos derivados de ter e de vir
(contém/contêm, detém/detêm, mantém/mantêm, re-
tém/retêm, convém/convêm, intervém/intervêm, pro-
vém/provêm, etc.).
Ex.: O edital deste concurso contém estas discipli-
nas.
Os editais destes concursos contêm estas dis-
ciplinas.
O avião provém de Berna.
Os aviões provêm de Berna.
Obs.2.: Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o
acento agudo no i, nem no u tônicos, quando vierem de-
pois de um ditongo.
Ex.: baiuca, bocaiuva, cauila, feiura, etc.
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Obs.3.: Se a palavra for oxítona, desde que o i ou
que o u estejam em posição final (acompanhados ou não
de s), o acento permanecerá.
Ex.: Piauí:
Obs.4: Dêmos (forma verbal no presente do subjun-
tivo do verbo dar, cujo uso do acento circunflexo é fa-
cultativo), para diferenciar-se de demos (forma verbal no
pretérito perfeito do indicativo do mesmo verbo).
Ex.: Raquel espera que nós lhe dêmos (ou demos)
toda a assistência a ela.
Nós demos toda a assistência a Raquel ontem.
Obs.5: Fôrma(s) (= molde), cujo acento circunflexo
é facultativo, para diferenciar-se de forma(s) (= disposi-
ção exterior de algo)
Ex.: Esta fôrma (ou forma) de bolo é moderna.
A forma do bolo é circular.
***********************************************
NOTAÇÕES LÉXICAS
Sinais gráficos que mudam a pronúncia da palavra.
Além das três tradicionais (til, apóstrofo e cedilha), há,
ainda, os dois acentos (agudo e circunflexo).
1. TIL ( ~ ):
Emprega-se o til, para nasalizar as vogais a e o de
várias palavras portuguesas.
Ex.: mãe, pães, escrivães, maçã, avião, cão, vão,
põe, leões, vulcões, balões, junções, etc.
2. APÓSTROFO (
,
)
Emprega-se o apóstrofo, para substituir uma deter-
minada letra da palavra.
Ex.: copo d’água, galinha-d’angola, esp’rança,
c’roa, minh’alma, etc.
3. CEDILHA ( ¸ ):
Emprega-se a cedilha sob o c, para mudar a sua
pronúncia, de | k | para | s |, antes de a, de o ou de u.
Ex.: miçanga, aço, açúcar, carniça, palhaço, Igu-
açu, etc.
4. ACENTO AGUDO ( ´ ):
Ex.: vatapá, café, saída, avó, baú, etc.
5. ACENTO CIRCUNFLEXO ( ^ ):
Ex.: câmara, lêvedo, avô, etc.
HÍFEN
1. Nas locuções adjetivas, pronominais, adverbiais,
prepositivas, verbais, conjuntivas, interjetivas e denotati-
vas, em geral, ele é proibido.
Ex.: cor de vinho, cada um, à vontade, a fim de,
tinha estudado, ao passo que, cruz credo! ,
isto é, etc.
Exceções: cor-de-rosa, mais-que-perfeito, etc.
2. Nos substantivos compostos por justaposição, há
vários exemplos com e sem ele.
Ex.: guarda-chuva, passatempo, beija-flor, giras-
sol, quinta-feira, paraquedas, abaixo-
assinado, cão de guarda, ave-maria, fim de
semana, estrela-do-mar, sala de jantar, etc.
3. Nos adjetivos compostos, ele é obrigatório.
Ex.: sócio-político-econômico, verde-clara, mar-
rom-escuro, surdo-mudo, verde-abacate,
amarelo-ouro, etc.
4. Na divisão silábica, ele é obrigatório.
Ex.: pe-rí-o-do, mí-o-pe, au-ré-o-la, ca-os, sen-
sa-ci-o-nal, etc.
5. Na ênclise e na mesóclise, ele é obrigatório.
Ex.: amá-lo, põe-na, deixe-os, enviar-lhe-ei, em-
prestá-lo-emos, etc.
6. Nos topônimos, em geral, ele é proibido.
Ex.: América do Norte, África do Sul, Belo Hori-
zonte, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Estados
Unidos, etc.
Exceções: Guiné Bissau, Passa-Quatro, Trás-os-
Montes, Baía de Todos-os-Santos, Grã-Bretanha, Grão-
Pará, etc.
7. Na união de duas ou de mais palavras, ocasio-
nalmente, combinadas (incluindo-se os itinerários), ele é
obrigatório.
Ex.: Liberdade-Igualdade-Fraternidade, ponte
Rio-Niterói, Brasília-Florianópolis, Manaus-Rio Branco,
etc.
8. Nos sufixos -açu, -guaçu e –mirim, ele é obriga-
tório.
Ex.: jacaré-açu, amoré-guaçu, tamanduá-mirim,
etc.
9. Nos prefixos e nos radicais áudio-, auri-, bio-,
cardio-, claro-, derma-, entre-, foto-, geo-, hidro-, iso-,
macro-, micro-, mini-, psico-, radio-, socio- e tele-, o
hífen é proibido.
Ex.: audiosseletivo, aurirrubro, bioestatístico,
cardiorrenal, cloroacético, dermatomicose,
entreaberto, fotoalgrafia, geoistórico, hidro-
avião, isossilábico, macroeconomia, micror-
região, minissaia, psicossocial, radioamador,
socioeconômico, teleobjetivo, etc.
10. Nos radicais bel-, grã- e grão-, ele é obrigató-
rio.
Ex.: bel-prazer, grã-cruz, grão-duque, etc.
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11. Nos prefixos e nos radicais: além-, aquém-, ex-
, nuper-, recém-, sem-, sota-, soto-, vice- e vizo-, ele é
obrigatório.
Ex.: além-túmulo, aquém-mar, ex-combatente,
nuper-falecido, recém-nascido, sem-
vergonha, sota-piloto, soto-soberania, vice-
presidente, vizo-rei, etc.
Exceções: alentejano, Alentejo, expatriar, expatria-
do, sotaventear, sotavento e sotopor.
12. Nos prefixos pos-, pre- e pro-:
REGRAS:
1ª) quando eles forem pronunciados pos-, pre- e
pro- (pela norma culta) respectivamente, não serão acen-
tuados, nem seguidos de hífen.
Ex.: poscéfalo, posfácio, pospasto, posponto, pos-
por, preanunciar, preaquecimento, precitado, predeter-
minado, preestabelecer, preexistente, prefixado, prenota-
ção, preopinar, preordenação, pretônico, previsão, pro-
cônsul, proembrião, prolongar, promover, propagar, pro-
por, etc.
2ª) quando eles forem pronunciados pós-, pré- e
pró- (pela norma culta) respectivamente, serão acentua-
dos e seguidos de hífen.
Ex.: pós-bíblico, pós-conciliar, pós-datar, pós-
diluviano, pós-doutorado, pós-eleitoral, pós-graduação,
pós-guerra, pós-socrático, pós-verbal, pré-ajustado, pré-
aviso, pré-datar, pré-eleitoral, pré-história, pré-leitura,
pré-matrícula, pré-natal, pré-olímpico, pré-primário, pré-
requisito, pré-universitário, pré-vestibular, pró-
americano, pró-análise, pró-britânico, pró-homem, pró-
memória, pró-socialista, etc.
13. Nos prefixos bem- e ben-:
REGRAS:
1ª) bem- (com m): com hífen.
Ex.: bem-amado, bem-bom, bem-comportado, bem-
disposto, bem-estar, bem-feito, bem-humorado, bem-
intencionado, bem-lançado, bem-me-quer, bem-nascido,
bem-ordenado, bem-parecido, bem-querer, bem-
sucedido, bem-vindo, etc.
2ª) ben- (com n): sem hífen.
Ex.: bendito, bendizer, benfazejo, benfeitor, benfei-
toria, benfeitorizar, benquerença, benquerente, benquis-
tar, benquisto, etc.
14. Nos prefixos e nos radicais gregos e latinos au-
to-, contra-, extra-, infra-, intra-, neo-, proto-, pseu-
do-, semi-, supra- e ultra-:
a) haverá hífen, se o início da palavra seguinte for
h;
Ex.: auto-hemoterapia, extra-humano, infra-
hepático, neo-hegelianismo, proto-história, pseudo-herói,
supra-homem, ultra-humano, etc.
Exceções: coabitação, coabitador, coabitante, coa-
bitar, coabitável, desabilidade, desabilitar, desabitado,
desabitar, desábito, desabituação, desabituar, desarmo-
nia, desarmônico, desarmonioso, desarmonização, de-
sarmonizado, desarmonizador, desarmonizante, desar-
monizar, desarmonizável, inábil, inabilidade, inabilido-
so, inabilitação,inabilitar, inabitabilidade, inabitado,
inabitável, inabitual, reidratação, reidratado, reidratante,
reidratar, etc.
b) se o início da palavra seguinte for r ou s, o hífen
será proibido; tendo essas duas letras de ser dobradas;
Ex.: autorretrato, autossuficiente, contrarreforma,
contrassenso, extrarregulamentar, extrassensorial, infrar-
renal, infrassom, neorrepública, protorrevolução, protos-
satélite, pseudorrincoto, pseudossigla, semirreta, semis-
selvagem, suprarrealismo, suprassumo, ultrarromântico,
ultrassom.
c) se o final do prefixo (ou do radical) e o início da
palavra seguinte forem vogais diferentes, o hífen será
proibido;
Ex.: autoescola, contraindicação, extraoficial, infra-
estrutura, intraocular, neoescolástica, protoactínio, pseu-
doescorpião, semiárido, supraexcitante, etc.
d) se o final do prefixo (ou do radical) e o início da
palavra seguinte forem vogais iguais, o hífen será obriga-
tório.
Ex.: auto-oscilação, contra-ataque, extra-
atmosférico, infra-assinado, micro-ônibus, semi-integral,
supra-axilar, etc.
15. Prefixos gregos e latinos ante-, anti-, arqui- e
sobre-:
Idem regras a, b, c e d do caso 14
Ex.: ante-histórico, anti-higiênico, sobre-horrendo,
anterrosto, antessala, antirrábico, antisséptico, arquirra-
bino, arquissecular, sobrerronda, sobressaia, anteato, an-
tiássido, arquiavó, sobrealcunha, ante-estreia, anti-
infeccioso, arqui-inimigo, sobre-elevado, etc.
16. Nos prefixos gregos e latinos hiper-, inter- e
super-, só haverá hífen, se o início da palavra seguinte
for h ou r.
Ex.: hiper-hidrose, hiper-rugoso, inter-hemisférico,
inter-relação, super-hidratação, super-requintado, etc.
17. No prefixo latino circum, só haverá hífen, se o
início da palavra for vogal, m ou n.
Ex.: circum-adjacente, circum-escolar, circum-
uretral, circum-meridiano, circum-murar, circum-
navegar, circum-nutação, etc.
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18. No prefixo latino mal-, só haverá hífen, se o
início da palavra seguinte for vogal ou h.
Ex.: mal-assombrado, mal-entendido, mal-
intencionado, mal-ouvido, mal-usar, mal-humorado, etc.
19. No radical grego pan-, só haverá hífen, se o iní-
cio da palavra seguinte for vogal, h, m ou n.
Ex.: pan-americano, pan-eslavismo, pan-islâmico,
pan-harmônico, pan-helenista, pan-hispânico, pan-
mágico, pan-mítico, pan-negritude, etc.
Exceções: panorama, panoramense, panorâmica,
panorâmico, etc.
20. No prefixos latinos ab-, ob- e sob-, só haverá
hífen, se o início da palavra seguinte for r.
Ex.: ab-reagir, ab-reptício, ab-rogar, ab-rogável, ab-
rupto (ou abrupto), ab-ruptude, ob-rogação, ob-rogado,
ob-rogante, ob-rogar, ob-rogatório, ob-rogável, sob-roda,
sob-rojar, etc.
21. No prefixo latino sub-, só haverá hífen, se o iní-
cio da palavra seguinte for b, h ou r.
Ex.: sub-base, sub-betuminoso, sub-biotipia, sub-
bosque, sub-braquial, sub-brigadeiro, sub-burgo, sub-
hepático, sub-hidroclorato, sub-híspido, sub-horizontal,
sub-humano, sub-raça, sub-região, sub-roda, sub-rogar,
etc.
22. No prefixo latino ad-, só haverá hífen, se o iní-
cio da palavra seguinte for d ou r.
Ex.: ad-digital, ad-rogação, ad-rogado, ad-rogador,
ad-rogante, ad-rogar, ad-rostral, etc.
*********************************************
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS
Todas as palavras da língua portuguesa têm finali-
dades específicas: umas dão nome aos seres; outras indi-
cam ações e qualidades desses seres; outras apenas esta-
belecem ligações entre termos de uma frase; etc. De
acordo com essas finalidades, as palavras dividem-se em
CLASSES GRAMATICAIS.
Existem na língua portuguesa dez classes gramati-
cais divididas em dois grupos distintos:
* Variáveis: são as palavras que podem mudar de
forma e de classe, conforme seu emprego na frase. São
elas: Substantivo, Adjetivo, Verbo, Pronome, Advér-
bio, Artigo e Numeral.
* Invariáveis: São as palavras que não apresentam
mudança em sua forma. São elas: Preposição, Conjun-
ção e Interjeição.
SUBSTANTIVO
É palavra que dá nome aos seres em geral. Nor-
malmente exerce função sintática diretamente relaciona-
da com o verbo, atuando como núcleo do sujeito, dos
complementos verbais e do agente da passiva. Pode, ain-
da, funcionar como núcleo do complemento nominal ou
do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito ou do
objeto ou como núcleo do vocativo.
Classificação
Os substantivos classificam-se em:
1. Substantivo próprio – dá nome a um ser especí-
fico, individualizando-o entre os outros da mesma espé-
cie.
Ex.: Manuel, Adriana, Jaci, Brasil, São Paulo, Terra
(planeta em que habitamos), Sol (astro que é o centro do
nosso sistema planetário), Lua (satélite da Terra), Deus,
Praça do Buriti, Polícia Militar, Ministério da Marinha,
“Dom Casmurro”, Jornal de Brasília, etc.
Obs.: Não confundir alguns nomes próprios, com
nomes comuns: terra (solo, local, região) sol (astro que é
centro de um sistema planetário), deus (divindade, ído-
lo), medicina (remédio), etc.
2. Substantivo comum – nome que serve para de-
signar os seres de uma mesma espécie.
Ex.: homem, mulher, menino, casa, escola, igreja,
muro, cão, pedra, caneta, rio, etc.
3. Substantivo concreto – nome do ser que existe
por si (concreto real) ou que se apresenta em nossa ima-
ginação, como se existisse por si (concreto fictício):
Ex.: de concretos reais: homem, casa, José, etc.
de concretos fictícios: saci, bruxa, lobisomem, mu-
la-sem-cabeça, fada, etc.
4. Substantivo abstrato – nome do ser que só tem
existência dependente de outro ser, ou seja, nome de uma
característica, de um estado, de uma ideia, de uma ação:
Ex.: beleza, crueldade, saúde, crença, ciúme, viva-
cidade, esperança, pulo, coroação, pensamento, etc.
Note a importante observação, a seguir, feita por
HILDEBRANDO A. de ANDRÉ, em sua Gramática
Ilustrada:
“A forma dos seres designados pelos substantivos
abstratos não é captada pela imaginação, é entendida
pela inteligência. A forma dos seres designados pelos
substantivos concretos é apreendida pela imaginação,
pois os seres concretos possuem forma física ou apre-
sentam-se com forma física fictícia.
Julgamos que Deus, alma, anjo, demônio devam
ser incluídos entre os substantivos concretos reais, por-
que, quando empregamos tais nomes, no ato da fala, re-
ferimo-nos a seres que existem por si realmente, muito
embora não tenham forma física (suas representações
materiais são meros símbolos convencionais)”.
5. Substantivo simples – nome formado de um só
elemento (radical).
Ex.: espada, pedra, joia, guarda, moleque, pé, etc.
6. Substantivo composto – nome formado de dois
ou mais elementos (radicais).
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Ex.: peixe-espada, pedra-pome, guarda-joia, pé de
moleque, passatempo, etc.
7. Substantivo primitivo – nome que não deriva,
em português, de outra palavra:
Ex.: flor, âncora, café, pedra, livro, máquina, etc.
8. Substantivo derivado – nome que deriva de ou-
tra palavra portuguesa:
Ex.: florista, ancoradouro, cafezal, pedreira, denta-
dura, livreiro, maquinaria, etc.
9. Substantivo coletivo – nome que expressa, es-
tando no singular, um grupo de seres da mesma espécie:
Ex.: exército (soldados), rebanho (ovelhas), código
(leis), fornada (pães), cardume (peixes), etc.
FLEXÃO NOMINAL DO SUBSTANTIVO
É o estudo das variações do substantivo quanto ao
gênero, número e grau.
GÊNERO
Os substantivos podem variar em gênero (masculi-
no ou feminino).
* São do gênero masculino os substantivos a que se
podem antepor os artigos o ou os.
o gato, os alunos, o candidato, os garotos, etc.
* São do gênero feminino os substantivos a que se
podem antepor os artigos a ou as.
a gata, as alunas, a candidata, as garotas, etc.
Formação do gênero
Quanto ao gênero, os substantivos dividem-se em
biformes e uniformes.* Biformes - são os substantivos que apresentam
uma forma para o masculino e outra para o feminino. A
oposição entre essas duas formas pode ser indicada de
várias maneiras. Vejamos:
Regra geral:
Não existe uma regra específica para a formação do
gênero do substantivo. Em geral, substitui-se a termina-
ção “o”, pela terminação “a”, para designar o feminino.
Ex.: menino / menina, gato / gata, aluno / aluna,
candidato / candidata, etc.
Regras especiais:
1. Alguns substantivos terminados em “e” formam
o feminino, substituindo-se esse “e” por “a”.
Ex.: mestre / mestra, infante / infanta, presidente /
presidenta, etc.
2. Outros, quando terminados em consoante, for-
mam o feminino acrescendo-se a desinência a.
Ex.: freguês / freguesa, bacharel / bacharela, pro-
fessor / professora, embaixador / embaixadora, etc.
3. Os substantivos masculinos, terminados em ão,
formam o feminino substituindo-se o ão por ã, oa ou
ona.
Ex.:
– Ã cirurgião - cirurgiã
cidadão - cidadã
anão - anã
– OA leão - leoa
leitão - leitoa
hortelão - horteloa
– ONA folião - foliona
figurão - figurona
castelão - castelona
4. Alguns substantivos formam o feminino pelo
acréscimo de um sufixo feminino.
Ex.:
– ESA/ESSA camponês - camponesa
prior - prioresa
duque - duquesa
abade - abadessa
– ISA papa - papisa
poeta - poetisa
profeta - profetisa
– TRIZ embaixador - embaixatriz
imperador - imperatriz
ator - atriz
– INA herói - heroína
maestro - maestrina
czar - czarina
– ORA cantor - cantora
pastor - pastora
senhor - senhora
5. Há, ainda, alguns substantivos que distinguem o
masculino do feminino através de um radical distinto pa-
ra cada gênero. São os Heterônimos ou Desconexos,
que apresentam radicais diferentes, não se distinguindo
pela terminação.
Alguns exemplos
bode cabra genro nora
cão cadela veado cerva
boi vaca homem mulher
pai mãe padrinho madrinha
cavalo égua compadre comadre
* Uniforme - são os substantivos que apresentam
uma única forma para o masculino e para o feminino. A
oposição entre as duas formas pode ser indicada pela
classificação dada a eles:
comuns-de-dois gêneros: O gênero é indicado pe-
lo artigo, adjetivo, pronome ou numeral que acompanha
o substantivo.
Ex.: o acrobata - a acrobata
aquele mártir - aquela mártir
belo artista - bela artista
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Sobrecomuns: O gênero apresenta a mesma forma
(tanto para o masculino, como para o feminino), não va-
riando nem mesmo as palavras que os acompanham.
Ex.: o cônjuge (tanto pode ser o esposo, como a esposa).
a criança (pode ser o menino ou a menina)
a vítima (pode ser do sexo masculino ou feminino)
Epicenos: São substantivos que designam outros
animais que não o ser humano. Seu gênero é indicado
com o acréscimo dos termos MACHO ou FÊMEA.
Ex.: a girafa macho a girafa fêmea
o tatu macho o tatu fêmea
a cobra macho a cobra fêmea
CUIDADO!!!
1) Há alguns substantivos cuja mudança de gênero
acarreta mudança de significado. Tal sentido varia con-
forme o artigo que o antecede. Essas palavras são ho-
mônimas pois são iguais na forma, porém de origem,
gênero e significado diferente. Observe:
o águia = espertalhão
a águia = ave
o cabeça = chefe
a cabeça = parte do corpo
o capital = conj. de bens
a capital = cidade sede do Estado
o cura = pároco
a cura = restabelecimento
o grama = medida de peso
a grama = vegetal
o moral = coragem
a moral = ética
o praça = soldado raso
a praça = lugar público
2) O gênero é uma classificação gramatical, não
existindo correspondência necessária entre o gênero
(masculino/feminino) e o sexo (macho/fêmea) dos seres
a que se referem os substantivos.
Ex.: a mesa é do gênero feminino e não do sexo femini-
no.
o banco é do gênero masculino e não do sexo mas-
culino.
3) Como não existe necessariamente uma relação
entre o gênero e o sexo, muitos substantivos apresentam
gênero incerto e oscilante, mesmo na língua culta. Neste
caso, a gramática registra como correto o gênero fixado
pelo uso culto. Assim, são:
MASCULINOS- FEMININOS
o ágape a cal
o apêndice a cataplasma
o champanha a comichão
o eclipse a motocicleta
o guaraná a faringe
o milhar a dinamite
4) Quando o próprio uso culto da língua não fixar o
gênero do substantivo, a gramática aceita ambos os gêne-
ros.
o / a diabete o / a personagem
o / a manequim o / a sabiá
o / a pijama o / a suéter
5) O substantivo quando usado como adjetivo fica
invariável.
Ex.: Uma recepção monstro.
NÚMERO
Quando falamos em número, estamos referindo-nos
ao singular e ao plural.
Seguem regras com exemplos, porém o mais impor-
tante é você fixar estas palavras, não se colocando a de-
corar as regras em si.
Exemplos comuns, com o acréscimo de "S" final:
Substantivos terminados em vogal ou em ditongo
(exceto ão):
cajá – cajás céu – céus
irmã – irmãs boi – bois
paletó – paletós pai – pais
Substantivos terminados em – ÃO:
a) recebem o "s":
bênção bênçãos grão grãos
cristão cristãos órgão órgãos
b) troca-se o ÃO por ÕES:
balão balões coração corações
caixão caixões folião foliões
canção canções limão limões
c) troca-se o ÃO por ÃES:
cão cães tabelião tabeliães
capitão capitães alemão alemães
escrivão escrivães pão pães
d) há, alguns que admitem duas e até três formas de
plural:
anão = anãos e anões
ancião = anciãos, anciões e anciães
ermitão = ermitãos, ermitões e ermitães
Terminados em AL, EL, OL, UL, trocam o L por
IS:
canal = canais caraco =caracóis
Papel = papéis Paul =pauis
Terminados em IL
– Oxítonos: trocam o "L" por "S":
funil = funispro jétil = projetis
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– Paroxítonos: trocam o "IL" por "EIS":
fóssil = fósseis projétil=projéteis
réptil = répteis
Terminados em R ou Z: recebem ES:
cor = cores cocar = cocares
dólar = dólares nariz = narizes
Terminados em S:
* Monossílabos e Oxítonos: recebem ES:
mês = meses gás = gases
adeus = adeuses ás = ases
* Paroxítonos e Proparoxítonos: variam somente
o indicador de número:
o lápis = os lápis o pires =os pires
o ourives = os ourives o ônibus =os ônibus
Terminados em M: trocam o M por NS:
dom = dons armazém = armazéns
item = itens vintém = vinténs
nuvem = nuvens som =sons
Atenção especial para os seguintes substantivos:
abdômen = abdomens ou abdômenes
cânon = Cânones
espécime = espécimens ou especímenes
hífen = hifens ou hífenes
Os substantivos terminados em X ficam invariáveis.
Ex.: as fênix, os tórax, os ônix.
Alguns substantivos são usados somente no plural:
os arredores as férias (tempo de descanso)
as fezes os víveres
PLURAL DOS COMPOSTOS
Como regra geral, pode ser tomado o seguinte:
Flexionam-se os elementos que são substantivos, ar-
tigos, adjetivos, numerais e pronomes; os demais perma-
necem invariáveis.
Observe os princípios:
1. Recebe plural apenas o 1° elemento:
a) substantivo + preposição + substantivo
pés de moleque mãos-de-obra
b) quando o segundo elemento limita ou determina
o primeiro.
canetas-tinteiro guardas-marinha
amigos-urso peixes-boi
2. Recebe plural só o 2° elemento:
a) verbo + substantivo: beija-flores;
b) palavra composta sem hífen: girassóis, pontapés;
c) elemento invariável + palavra variável: ave-
marias, sempre-vivas, alto-falantes;
d) palavras repetidas: ruge-ruges, quero-queros.
3. Recebem plural os dois elementos:
a) substantivo + substantivo = couves-flores, abe-
lhas-mestras.
b) substantivo + adjetivo = obras-primas, amores-
perfeitos, capitães-mores.
c) adjetivo + substantivo = públicas-formas, boas-
vidas.
Exceção: grã-cruzes
4. Casos especiais:
os louva-a-deus os joões-ninguém
os bem-te-vis os diz-que-dizos bem-me-queres
Obs.:
1. Se o 1º elemento for a palavra GUARDA (ver-
bo), esta ficará invariável. Vejamos como reconhecer is-
to.
Verbo: se o 2º elemento for substantivo:
guarda-roupa =guarda-roupas (subst.)
guarda-comida = guarda-comidas
Substantivo: se o 2º elemento for adjetivo:
guarda-noturno = guardas-noturnos (adj.)
guarda-florestal = guardas-florestais
2. Alguns substantivos que apresentam ô (fechado)
no singular e ó (aberto) no plural:
caroço = caróços osso = óssos
coro = córos ovo = óvos
destrôço = destróços porco = pórcos
fogo = fógos povo = póvos
Obs.: O acento é ilustrativo, uma vez que serve
apenas para indicar a tonicidade.
Alguns que continuam com o ô (fechado) no plural:
acordo esgoto globo
almoço gosto bolo
estojo rolo ferrolho
soro esboço transtorno
O GRAU DO SUBSTANTIVO
1. Aumentativo: exprime o aumento do ser em re-
lação ao seu tamanho normal.
1.1. Analítico: forma-se por meio de adjetivos.
Exs.: casa grande, pedra enorme, estátua colossal.
1.2. Sintético: forma-se com o auxílio de sufixos,
como: ão, az, alhão, alhona, ázio, ona, etc.
garrafão fatacaz papelão poetastro
barbaça mulherona vagalhão gatázio
copázio mocetona (de moça)
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Atenção: Há casos em que o aumentativo expressa
desprezo. Serão chamados, assim, de pejorativo ou de
depreciativo.
2. Diminutivo: Exprime a diminuição do ser em re-
lação ao seu tamanho normal. Também pode ser:
2.1. Analítico: formado com o auxílio dos adjeti-
vos.
Ex.: lápis pequeno , inseto minúsculo.
2.2. Sintético: formado com o auxílio de sufixos,
como: inho, zinho, acho, culo, ejo, ete, icho, ico, ucho,
etc.
filhinho florzinha cãozito fogacho
lugarejo burrico festim espadim
Obs.: Há casos em que o diminutivo expressa pie-
dade, desprezo, antipatia, etc.
irmãozinho mãezinha dedinho (ternura)
livreco padreco papelucho (pejoração)
* Plural dos diminutivos em zinho e zito: colo-
cam-se os dois no plural e corta-se o "S" do substantivo:
animalZINHO = animais + zinhos = animaizinhos
coraçãoZINHO = corações + zinhos = coraçõezinhos
SUBSTANTIVO COLETIVO
Coletivo é o substantivo do tipo comum que, embo-
ra empregado no singular, indica um conjunto de seres
da mesma espécie.
Embora a NGB não dê nenhuma classificação dos
coletivos, a maioria dos gramáticos classificam-nos em:
coletivos específicos: são os que determinam
uma só espécie de seres.
Ex.: Arquipélago = conjunto de ilhas.
Banda = conjunto de músicos.
Colméia = conjunto de abelhas.
coletivos indeterminados: são os que podem de-
terminar mais de uma espécie de seres. Necessita, pois,
de um determinante para sua identificação.
Ex.: Bando = Bando de criança - Bando de aves -
etc.
Junta = Junta de médicos, Junta de bois, de exami-
nadores, etc.
Manada = Manada de bois - Manada de búfalos -
Manada de elefantes, etc.
coletivos numéricos: são os que determinam um
número exato de seres.
Ex.: semana, dezena, dúzia, mês, centena, etc.
*********************************************
ADJETIVO
ADJETIVO é a palavra que expressa qualidade,
propriedade ou estado do ser. Os adjetivos dividem-se
em:
1. Adjetivo explicativo – que diz qualidade essen-
cial do ser.
Ex.: pedra dura, gelo frio, leite branco, etc.
2. Adjetivo restritivo: que expressa qualidade ou
estado acidental do ser.
Ex.: pedra preciosa, gelo útil, leite caro, livro velho,
bela casa, alto muro, etc.
3. Adjetivo pátrio: quando expressa nacionalidade
ou lugar de origem do ser.
Ex.: brasileiro, árabe, japonês, português, etc.
* Locução Adjetiva: expressa o valor de adjetivo,
constituída de preposição + substantivo
Ex.: corpo sem sangue = corpo anêmico
perímetro da cidade = perímetro urbano
agilidade de gato = agilidade felina
FLEXÕES DO ADJETIVO
1. Gênero e Número
O adjetivo concorda em gênero e número com o
substantivo ao qual se refere.
menino preguiçoso : meninas preguiçosas
mulher má : mulheres más
Formação do gênero:
Quanto ao gênero, os adjetivos podem ser UNI-
FORMES ou BIFORMES:
Uniformes apresenta uma só forma para indicar os
dois gêneros. Vejamos exemplos:
professor jovem : professora jovem
homem otimista : mulher otimista
Outros: leve, nômade, paulista, contente, ruim, ante-
rior, simples, veloz, amável, etc.
Biformes (duas formas): Apresentam uma forma
para o masculino e outra para o feminino. Alguns exem-
plos:
moço camponês : moça camponesa
embaixador francês : embaixatriz francesa
garoto sofredor : garota sofredora
Formação do plural
Quanto ao número, podem ser:
Adjetivos simples – seguem as mesmas regras dos
substantivos simples.
Adjetivo composto – há uma regra geral, apenas o
último elemento varia em gênero e em número.
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blusa azul-amarela
= blusas azul-amarelas
relação franco-americana
= relações franco-americanas
O adjetivo composto ficará INVARIÁVEL quan-
do:
a) um dos elementos for SUBSTANTIVO
olhos verde-mar gravatas rosa-ouro
saias azul-pavão lenços branco-gelo
b) houver no composto a preposição DE:
blusas cor-de-rosa olhos cor-de-anil
Observações:
1. substantivos simples, indicando cor, são invariá-
veis.
meias gelo camisas rosa
gravatas cinza muros laranja
2. São invariáveis:
azul-marinho azul-celeste
3. Variam os dois elementos:
surdo-mudo novo-rico
2. Grau
Quanto ao grau, os adjetivos podem ser:
Comparativo: compara-se a mesma qualidade entre
dois seres.
João é mais estudioso que Paulo .
COMPARATIVO
de igualdade Pedro é tão alto como João
de superioridade Pedro é mais alto do que João
De inferioridade Pedro é menos alto do que João
Note bem: igualdade : tão... como (quanto)
superioridade : mais...que (do que)
inferioridade : menos...que (do que) – o
“do”, na conjunção “do que”, é partícula expletiva.
* Há adjetivos que apresentam formas irregulares
para o comparativo de superioridade; são eles:
GRAU
NORMAL
COMPARATIVO DE
SUPERIORIDADE
BOM Melhor
MAU Pior
PEQUENO Menor
Quando comparamos duas qualidades de um mes-
mo ser, podemos empregar as formas "mais grande",
"mais mau", "mais bom".
Ex.: Esta casa é mais grande do que pequena.
Pedrinho é mais mau do que bom.
Superlativo: apresenta a qualidade em grau mais
elevado; não se fazendo comparação com qualidade de
outroser.
Divide-se em:
a) Absoluto
ANALÍTICO: A estátua é muito bela.
SINTÉTICO: A estátua é belíssima.
b) Relativo
DE SUPERIORIDADE
DE INFERIORIDADE: A estátua é menos
bela de todas.
Analítico: A estátua é a mais bela
de todas.
Sintético: A casa é a maior de
todas.
Para fixar melhor, observe que o ABSOLUTO não
apresenta RELAÇÃO do ser com qualquer outro, en-
quanto que o RELATIVO (de relação) relaciona o SER
(A casa é a mais bela de todas) a outros.
Como segunda observação, notamos que ambos
possuem aspectos: ANALÍTICO e SINTÉTICO. Aqui,
também, torna-se fácil distinguir:
– ANALÍTICO: (lembra análise, decomposição) –
apresenta duas palavras:
muito bela, mais bela
– SINTÉTICO: sempre uma só palavra:
belíssima, maior
Veja, agora, algumas formas do superlativo absolu-
to sintético = adjetivo + sufixos - íssimo, imo ou rimo:
amargo amaríssimo ágil agílimo
antigo antiguíssimo doce dulcíssimo
bom boníssimo dócil docílimo
Feliz felicíssimo frágil fragílimo
Feroz ferocíssimo humilde humílimo
Frio frigidíssimo semelhante simílimo
Parco parcíssimo acre acérrimo
sagrado sacratíssimo célebre celebérrimo
Sério seriíssimo livre libérrimo
***********************************************************
VERBOS
Verbo é a palavra que exprime ação, fenômeno na-
tural, estado ou mudança de estado, situando tais fatos
no tempo.
CANTAR, IR (AÇÃO);
TROVEJAR, NEVAR (FENÔMENO);
ESTAR, PERMANECER (ESTADO).Conjugação é o uso sistemático de todas as formas
em que o verbo pode ser conjugado. Os verbos em Por-
tuguês são distribuídos por quatro conjugações, cuja
terminação é formada do -r, desinência do infinitivo im-
pessoal, precedido de uma vogal que caracteriza a conju-
gação, a saber:
* a para a primeira:cantar, estar.
* e para a segunda:ver, crescer.
* i para a terceira: dirigir, seguir, possuir.
* o para a quarta: pôr, repor, propor, supor, etc.
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Essas vogais, chamadas vogais temáticas, apare-
cem sistematicamente em várias formas de conjugação,
seja o verbo regular ou não. Para cada uma dessas conju-
gações, há uma forma - o paradigma - que indica as
formas a serem assumidas pelas flexões verbais.
De acordo com a relação estabelecida pelo para-
digma, os verbos podem ser classificados em:
regulares: obedecem precisamente ao paradigma
da respectiva conjugação.
irregulares: o verbo é irregular quando sofre al-
teração no radical ou nas desinências não seguindo o pa-
radigma da respectiva conjugação.
defectivo: são aqueles que não possuem forma
certa. Eufonia ou homofonia são dadas como a causa
principal desse problema. Por isso mesmo não são con-
jugados em determinadas formas.
abundantes: verbo abundante é aquele que pos-
sui mais de uma forma para determinada conjugação ou
dois particípios.
Elementos estruturais do verbo:
01. Radical: encerra a significação básica do verbo.
AM (-AR), FAZ (-ER), PART (-IR)
02. Tema: radical + vogal temática
CANT + A = CANTA (tema)
* São as seguintes as vogais temáticas:
A - vogal temática da 1ª conjugação;
E - vogal temática da 2ª conjugação;
I - vogal temática da 3ª conjugação;
O - vogal temática da 4ª conjugação.
Assim, os verbos CANTAR, VENDER, PARTIR e
PÔR têm como temas:
- CANTA =(cantar)
- VENDE =(vender)
- PARTI =(partir)
- PO =(pôr)
03. Desinências modo-temporais: indicam o tem-
po e o modo. Observe os elementos em destaque, aqui
apresentados, e, facilmente, você identificará em que
tempo e modo o verbo estará sendo usado.
A seguir, os verbos paradigmas das três conjuga-
ções apresentados em todos os seus tempos e modos.
–VA– indica o pretérito imperfeito do indicativo da
primeira conjugação.
canta-VA cantá-VA-mos
canta-VA-s cantá-VE-is (desinência -VE)
canta-VA canta-VA-m
–IA– caracteriza o pretérito imperfeito do indicati-
vo da segunda e terceira conjugações.
vend-IA part-IA
vend-IA-s part-IA-s
vend-IA part-IA
vend-ÍA-mos part-ÍA-mos
vend-ÍE-is (desin. E) part-ÍE-is (desin. -IE)
vend-IA-m part-IA-m
–RA– identifica o mais-que-perfeito do indicativo
de qualquer conjugação.
canta-RA vende-RA parti-RA
canta-RA-s vende-RA-s parti-RA-s
canta-RA vende-RA parti-RA
cantá-RA-mos vendê-RA-mos partí-RA-mos
cantá-RE-is vendê-RE-is partí-RE-is
canta-RA-m vende-RA-m parti-RA-m
Obs.: Na segunda pessoa do plural a desinência é -RE-
–RA e –RE– apontam o futuro do presente do indi-
cativo de qualquer conjugação.
canta-RE-i vende-RE-i parti-RE-i
canta-RÁ-s vende-RÁ-s parti-RÁ-s
canta-RÁ vende-RÁ parti-RÁ
canta-RE-mos vende-RE-mos parti-RE-mos
canta-RE-is vende-RE-is parti-RE-is
canta-RÃ-o vende-RÃ-o parti-RÃ-o
–RIA– caracteriza o futuro do pretérito do indicati-
vo de qualquer conjugação.
canta-RIA vende-RIA parti-RIA
canta-RIA-s vende-RIA-s parti-RIA-s
canta-RIA vende-RIA parti-RIA
canta-RÍA-mos vende-RÍA-mos parti-RÍA-mos
canta-RÍE-is vende-RÍE-is parti-RÍE-is
canta-RIA-m vende-RIA-m parti-RIA-m
Obs.: Na 2ª pessoa do plural, a desinência é -RIE.
–E– indica o presente do subjuntivo da primeira
conjugação.
cant-E cant-E-mos
cant-E-s cant-E-is
cant-E cant-E-m
–A– indica o presente do subjuntivo da segunda e
da terceira conjugação.
vend-A part-A
vend-A-s part-A-s
vend-A part-A
vend-A-mos part-A-mos
vend-A-is part-A-is
vend-A-m part-A-m
–SSE– caracteriza o pretérito imperfeito do subjun-
tivo de qualquer conjugação.
canta-SSE vende-SSE parti-SSE
canta-SSE-s vende-SSE-s parti-SSE-s
canta-SSE vende-SSE parti-SSE
cantá-SSE-mos vendê-SSE-mos
partí-SSE-mos
cantá-SSE-is vende-SSE-m parti-SSE-m
–R– indica o futuro do presente do subjuntivo e
também o infinitivo de qualquer conjugação.
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infinitivo
canta-R vende-R parti-R
futuro do subjuntivo
canta-R vende-R parti-R
canta-R-es vende-R-es parti-R-es
canta-R vende-R parti-R
canta-R-mos vende-R-mos parti-R-mos
canta-R-des vende-R-des parti-R-des
canta-R-em vende-R-em parti-R-em
FLEXÃO VERBAL
É o estudo das variações do verbo quanto as suas
flexões que podem variar em: número, pessoa, tempo,
modo e voz.
a) Número e Pessoa
O verbo pode referir-se a um único ser ou a mais de
um. No primeiro caso, dar-se-á no singular; no segundo,
no plural. Essa indicação de número é sempre acompa-
nhada pela indicação da pessoa objeto do verbo.
Quanto à pessoa, o verbo flexiona-se em três pesso-
as:
* primeira - é aquela que fala: eu (no singular) /
nós (no plural);
* segunda - é aquela com quem falamos: tu ou vo-
cê (no singular) / vós ou vocês (no plural);
* terceira - é aquela de quem falamos: ele ou ela
(no singular) / eles ou elas (no plural)
Ex.: A conjugação do verbo pensar no presente do
indicativo é:
singular plural
1ª pessoa: eu penso nós pensamos
2ª pessoa:
tu pensas vós pensais
você pensa vocês pensam
3ª pessoa: ele pensa eles pensam
ela pensa elas pensam
Obs.:
* O pronome informal você e os informais (prono-
mes de tratamento) o senhor, a senhora, Vossa Senho-
ria, etc. por tratar-se da pessoa com quem se fala, são
considerados da 2ª pessoa do singular. Quando no plural,
vocês, os senhores, as senhoras, Vossas Senhorias, etc.
vão para a 2ª pessoa do plural.
Ex.: Você é bonita
Vocês são bonitas
O senhor é o líder.
Os senhores são os líderes
* Quando vós se refere a uma só pessoa, indica sin-
gular apesar de tomar a flexão plural.
Ex.: Senhor, vós que sois todo poderoso, ouvi mi-
nha prece.
* Na linguagem do dia a dia, utiliza-se com fre-
quência a forma a gente como pronome (no lugar de
NÓS), o que não é aceito pela norma culta. Neste caso, o
verbo deve permanecer na terceira pessoa do singular.
Ex.: A gente apanha mas sempre acredita nos polí-
ticos.
b) Tempos e Modos
Os tempos
Indicam o momento em que ocorre o fato expresso
pelo verbo. São eles:
* presente – expressa um acontecimento que ocor-
re no momento da fala. (estudo, estudas, estuda, etc.)
* pretérito – expressa um fato ocorrido num mo-
mento anterior ao da fala. Subdivide-se em:
pretérito perfeito: denota ação completa, plena-
mente realizada. (Fiz a prova - Trabalhei naquela empre-
sa.)
pretérito imperfeito: denota ação incompleta ou
interrompida no momento da fala. (Pensava na Hélia,
enquanto fazia a prova.)
pretérito mais-que-perfeito: denota ação anterior
a outra ação também passada. (Quando o resultado da
prova saiu, João aprendera a lição.)
* futuro – expressa um fato que está por vir, poste-
rior ao momento da fala. Subdivide-se em:
futuro do presente: denota uma ação posterior.
(Farei a prova no menor tempo. - Serás um funcionário
competente.)
futuro do pretérito: denota uma ação posterior
relacionado a outra já passada. Geralmente a segunda
ação é dependente da primeira e inclui uma condição.
(Estaria trabalhando se tivesse um padrinho)
Os modos
* Indicam as diferentes maneiras de um fato reali-
zar-se. São três: indicativo, subjuntivo e imperativo
* Situam a época ou o momento em que se verifica
o fato.
* Estão sempre associados à indicação do tempo, ou
seja, a expressão da atitude da pessoa do verbo está inti-
mamente ligada ao tempo da ocorrência do fato. Veja-
mos:
O MODO INDICATIVOExprime um fato certo, positivo:
Chegamos muito tarde.
Tempos do indicativo
01. O presente enuncia um fato como atual.
Sou o galã, as garotas adoram-me.
02. O pretérito imperfeito apresenta o fato como an-
terior ao momento atual, mas ainda não-concluso no
momento passado a que nos referimos.
Eu era o galã, as garotas adoravam-me.
Saía sempre que meus pais permitiam .
03. O pretérito perfeito diz um fato já concluso, em
época passada.
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Fui um galã, as garotas adoraram-me.
04. O pretérito mais-que-perfeito expressa um fato
anterior a outro fato que, também, é passado.
Quando cheguei à estação, o trem já partira.
"cheguei" = fato passado.
"partira" = fato passado, anterior ao pri-
meiro fato.
Fui para ver se ainda salvava alguma coisa, mas
a enchente já arrastara tudo.
05. O futuro do presente diz um fato que deve reali-
zar-se num tempo vindouro, com relação ao momento
presente.
Serei milionário, comprarei um arranha-céu,
viverei folgadamente.
- Viajaremos pelo Brasil.
- Conquistarei o prêmio cobiçado.
06. O futuro do pretérito expressa um fato posterior
com relação a outro fato já passado. Frequentemente, o
outro fato já passado é dependente do primeiro e inclui
uma condição.
Ganharíamos o prêmio se tivéssemos feito um
preparo físico adequado.
"ganharíamos" = fato posterior
"tivéssemos feito" = fato passado, de-
pendente do primeiro e inclui condição.
O MODO SUBJUNTIVO
Exprime fato possível, hipotético ou duvidoso.
Ex.: Talvez, sejas aprovado.
Tempos do subjuntivo
01. O presente traduz uma ação subordinada a ou-
tra, e que se desenvolve no momento atual. Expressa dú-
vida, possibilidade, suposição.
Supões que sejam eles os prisioneiros?
Pode bem ser que o colega te passe a perna.
Deixe de estudar e você verá.
02. O pretérito imperfeito diz uma ação passada,
mas posterior e dependente de outra ação passada.
O professor receou que eu desistisse.
receou = ação passada
desistisse = ação passada, mas posterior e
dependente da primeira.
Eu duvidava (ação passada) que ele fizesse a
viagem (ação passada, mas posterior e dependente da
primeira).
03. O futuro expressa ação vindoura – condicional,
temporal ou conformativa – dependente de outra ação,
também, futura.
Quando se esgotarem todos os recursos, apelaremos
ao presidente.
Se for preciso, nós te ajudaremos.
Faremos como julgarmos melhor.
O MODO IMPERATIVO
O imperativo expressa ordem, conselho, pedido.
Vai para fora.
Não sejam amolantes.
Conduza o carro atentamente.
* Obs.: Deixe de lado a preocupação em decorar
conceitos quanto aos tempos verbais. Procure, antes de
tudo, a prática constante.
FORMAS NOMINAIS DO VERBO
São o INFINITIVO, o GERÚNDIO e o PARTICÍ-
PIO, assim denominados porque têm função de nomes:
INFINITIVO = SUBSTANTIVO
GERÚNDIO = ADJETIVO
PARTICÍPIO = ADVÉRBIO
* Infinitivo
No infinito, os verbos podem ser:
01. Infinitivo impessoal: enuncia a significação do
verbo de modo inteiramente vago. É o nome do verbo:
(cantar, vender, partir, etc.).
02. Infinitivo pessoal: é o infinitivo ligado às pes-
soas do discurso. Na primeira e na terceira pessoas do
singular não apresenta flexão ou terminação; nas demais,
diz-se infinitivo flexionado, por apresentar terminação;
número-pessoal: cantar (eu), cantares, cantar (ele), can-
tarmos, cantardes, cantarem.
* Gerúndio
No gerúndio, o verbo funciona como adjetivo ou
como advérbio.
Vi a menina chorando. (função de adjetivo)
Estudando (função de advérbio), venceremos o
concurso.
* Particípio
No particípio, o verbo é empregado na formação
dos tempos compostos; fora disso, é verdadeiro adjetivo
(chamado "adjetivo verbal"), devendo ser flexionado,
como adjetivo, em gênero, número e grau.
Estudadas as lições, fizemos as provas.
LOCUÇÃO VERBAL
A locução verbal é uma expressão formada por ver-
bo auxiliar + verbo principal.
Observe as locuções verbais nas orações a seguir:
Letícia acabou de chegar.
Buscamos encontrar uma solução.
Não consegui falar direito.
Costuma chegar tarde.
Desejamos examinar a batalha.
Hei de vencer a batalha.
Temos de achar uma solução.
Vínhamos insistindo nisso há muito tempo.
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Note que, quando houver desdobramento do infini-
tivo (2º verbo), não haverá locução verbal:
O aluno finge entender o assunto.
- finge entender = finge que entende
Espero achar uma solução.
- Espero achar = Espero que eu ache.
Obs.: O verbo parecer, quando anteposto a infiniti-
vo, formará com ele uma locução verbal, embora seja
possível o desdobramento do infinitivo.
Ex.: Denise e Célia pareciam gostar da brincadeira.
Rosângela parece querer um doce.
c) Vozes verbais
Voz do verbo é a forma que o verbo assume para
indicar que a ação verbal é praticada ou recebida pelo su-
jeito. São três: ativa, passiva e reflexiva.
1. Voz ativa: o sujeito pratica a ação verbal.
O inimigo sitiou a cidade.
Nós fomos à feira.
Observe que o sujeito (o inimigo e nós) pratica a
ação, é chamado sujeito agente.
2. Voz passiva: o sujeito sofre a ação verbal.
Joãozinho foi castigado pelo professor.
A ponte fora construída por hábil engenheiro.
Observe que o sujeito (Joãozinho) recebe a ação de
castigar, por isso é chamado sujeito paciente, assim co-
mo A ponte.
a) passiva analítica, com um dos auxiliares ser, es-
tar, ficar, seguidos do particípio do verbo que se quer
apassivar.
O soldado foi morto pelo inimigo.
Eles estão cercados pelos guardas.
A sala ficará ocupada por nós.
b) passiva pronominal, com um verbo transitivo di-
reto acompanhado do pronome apassivador se.
Dá-se terra para plantio.
Alugam-se casas.
3. voz medial: a pessoa do sujeito pratica e, ao
mesmo tempo, sofre a ação verbal. Subdivide-se em:
a) reflexiva: quando só houver um ser envolvido na
ação.
Maria penteou-se.
O menino machucou-se.
b) recíproca: quando houver dois ou mais seres en-
volvido na ação.
Os vizinhos ofendiam-se.
Os lutadores esmurravam-se.
A voz medial é a combinação da voz ativa com o
pronome oblíquo átono da mesma pessoa do sujeito: eu
me lavo, tu te lavas, ele se lava, nós nos lavamos, vós
vos lavais, eles se lavam. O pronome oblíquo átono fun-
ciona como objeto que "reflete" a pessoa do sujeito.
VERBOS REGULARES E IRREGULARES
– Regulares: conservam o mesmo radical em toda a
conjugação, em relação à fala, não em relação à escrita.
cantar, amar, vender, bater, partir, aplaudir.
– Irregulares: apresentam variações no radical ou
nas flexões ou em ambas simultaneamente (em relação à
fala).
dar, odiar, passear, crer, dizer, perder, querer, valer,
acudir, aderir, agredir, despir, mentir, pedir, etc.
* Vimos há pouco a conjugação completa dos ver-
bos regulares tomados como modelo.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
Em algumas formas verbais, o acento tônico incide
no radical; noutras, na terminação. As primeiras cha-
mam-se RIZOTÔNICAS; as últimas, ARRIZOTÔNI-
CAS.
Veja:
VENDO (acento tônico no radical -VEND - rizotô-
nica);
VENDERÁ (acento tônico fora do radical - RÁ -
arrizotônica).
Examine o Modelo:
cant-o (rizotônica) cant-e (rizotônica)
cant-as (rizotônica) cant-es (rizotônica)
cant-a (rizotônica) cant-e (rizotônica)
cant-amos (arrizotônica) cant-emos (arrizotônica)
cant-ais (arrizotônica) cant-eis (arrizotônica)
cant-am (rizotônica) cant-em (rizotônica)
Irregulares
Verbos em -GUAR- tomado como modelo o verbo
AGUAR.
Observe as duas maneiras de empregá-lo.
PRES. DO
INDICATIVO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
PRES. DO
SUBJ.
IMPERATIVO
NEGATIVO
águo águem
águas água tu águes não águes
água águe você águe não águe
aguais aguai vós agueis não agueis
águam águem vocês águem não águem
* O modelo acima é seguido pordesaguar, enxa-
guar e minguar. Não obstante, os verbos "apaziguar" e
"averiguar" têm sempre o "-u-" tônico nas rizotônicas.
Obs.: O pronome “nós”, por representar o falante,
não pode ser incluso nos imperativos.
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A maioria das irregularidades dos verbos encontra-
se nas formas rizotônicas. Por exemplo: os verbos em
EAR são irregulares, apenas nas formas rizotônicas, nas
quais recebem um "i" eufônico. (Ex.: passeio - passeias -
passeia - passeiam). Passeamos e passeais são formas ar-
rizotônicas.
O mesmo, no subjuntivo presente e na 2ª pessoa do
imperativo. Os verbos em IAR são regulares com exce-
ção de:
M ediar
A nsiar
R emediar
I ncendiar
O diar
Nesses verbos, a irregularidade consiste num "E"
acrescido ao radical, nas formas rizotônicas.
Mais irregulares, com aspectos que nos interessam:
PEDIR
PRES. DO
INDICATIVO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
PRES. DO
SUBJ.
IMPERATIVO
NEGATIVO
peço peça
pedes pede tu peças não peças tu
pede peça você peça não peça você
Pedis pedi vós peçais não peçais vós
Pedem Peçam vocês peçam não peçam vocês
“Pedir” apresenta variação no radical da primeira
pessoa do singular do presente do indicativo e nas for-
mas derivadas. O mesmo ocorre com os verbos desim-
pedir, expedir, impedir e medir.
Abrimos parênteses para uma observação sobre a
formação do imperativo. Note que o mesmo é formado
do presente do subjuntivo, com exceção apenas das 2as
pessoas (do singular e do plural) do imperativo afirmati-
vo.
Segundas pessoas do imperativo afirmativo - retira-
das do presente do indicativo sem o S.
TU PEDES : PEDE TU
VÓS PEDIS : PEDI VÓS
SAIR
PRES. DO
INDICATIVO
IMPERATIVO
AFIRMATIVO
PRES. DO
SUBJ.
IMPERATIVO
NEGATIVO
saio saia
sais sai tu saias não saias tu
sai saia você saia não saia você
saís saí vós saiais não saiais vós
saem saiam vocês saiam não saiam vocês
Obs.: pelo modelo "sair”, conjugam-se: cair, decair,
descair, recair, sobressair, trair, abstrair, atrair, distrair,
retrair, extrair, subtrair, etc.
O Verbo com Pronomes Oblíquos (O, A, OS,
AS).
Os pronomes O, A ,OS, e AS não são reflexivos.
Quando empregados após a forma verbal, modificam-se
conforme o final do verbo:
Se o verbo terminar por vogal ou ditongo oral, em-
pregamos, sem qualquer alteração: -o, -a, -os, -as.
tenho-o, amo-a, ajudou-as, traga-as, etc.
Se a forma verbal terminar por -R, -S ou -Z, essas
consoantes caem e empregamos as formas -lo, -la, -los, -
las.
Com o final R: amar + o = amá-los; vender + a =
vendê-la;
Com o final S: fazeis + o = fazei-lo; amamos + os =
amamo-los;
Com o final Z: faz + as = fá-las; diz + o = di-lo.
Se a forma verbal terminar por nasal (-AM, -EM, -
ÃO, -ÕE), os pronomes o, a, os e as, devem vir precedi-
dos de um "-N-" eufônico: -no, -na, -nos, -nas.
amam + o = amam-no; dizem + a = dizem-na;
pões + os = põe-nos; dão + as = dão-nas.
Obs.: As formas átonas objetivas indiretas me, te,
lhe, lhes, nos e vos, vistos no caso anterior, podem com-
binar-se com as objetivas diretas o, a, os e as:
me + o = mo; te + o = to;
lhe + o = lho; nos + o = no-lo;
vos + o = vo-lo; lhes + o = lhos.
Ex.: O colega enviou o livro a mim. = O colega
enviou-mo.
O duplo particípio em alguns verbos
Há verbos que apresentam duas ou mais formas de
igual valor e função. São chamados verbos abundantes
(ex.: ele constrói ou ele construi; comprazi ou comprou-
ve, entopes ou entupes, vamos ou imos, etc.).
Entretanto, é no particípio que mais encontramos
formas duplas e mesmo triplas, uma regular e a outra ou
as outras irregulares.
Ex.:
VERBO
PARTICÍPIO
REGULAR
PARTICÍPIO
IRREGULAR
aceitar aceitado aceito
entregar entregado entregue
expulsar expulsado expulso
pegar pegado pego
salvar salvado salvo
soltar soltado solto
acender acendido aceso
suspender suspendido suspenso
imprimir imprimido impresso
submergir submergido submerso
Observe a regra para o emprego do particípio:
* As formas regulares são empregadas, na voz ati-
va, com os auxiliares (particípio -do) "ter" ou "haver".
– O caçador havia matado o leão.
– O vigário teria benzido a beata.
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* As formas irregulares são usadas, na voz passiva,
com os auxiliares “ser”, “estar”, “ficar”, “continuar” e
“permanecer”.
– O leão foi morto pelo caçador.
– A beata estava benta pelo vigário.
Obs.: As formas regulares "ganhado", "gastado" e
"pagado" são evitadas na língua culta. Diga-se: "ganho",
"gasto" e "pago" com qualquer auxiliar.
DEFECTIVO
Defectivo é o verbo cuja conjugação não é comple-
ta. As formas ausentes são rejeitadas por motivos de eu-
fonia.
Vejamos alguns exemplos:
ABOLIR REAVER
PRESENTE DO
INDICATIVO
PRESENTE DO
INDICATIVO
aboles
abole
abolimos reavemos
abolis reaveis
abolem
VERBOS DE DIFÍCIL CONJUGAÇÃO
a) FALIR, ESBAFORIR, FLORIR, ESPAVORIR –
Grupo de verbos da 3ª conjugação que só são conjugados
nas formas onde apareça "-i" depois do radical.
b) COLORIR, ABOLIR, BANIR, RUIR, ESCUL-
PIR, DEMOLIR – Grupo de verbos da 3ª conjugação
que rejeita as formas terminadas em "-o" ou em "-a".
c) PRECAVER – Só é conjugado nas formas arrizo-
tônicas. Não possui, então, as pessoas do singular e a 3ª
pessoa do plural do presente do indicativo; não possui o
presente do subjuntivo. Pretérito Perfeito - precavi, pre-
caveram, precaveu, precavemos, precavestes.
d) REAVER (re + haver) – Só é conjugado nas
formas em que o verbo HAVER apresenta a letra "v".
PRESENTE DO INDICATIVO
HAVER REAVER
hei –
hás –
há –
havemos reavemos
haveis reaveis
hão –
PRETÉRITO PERFEITO
HAVER REAVER
houve reouve
houveste reouveste
houve reouve
houvemos reouvemos
houvestes reouvestes
houveram reouveram
e) PRAZER – Só é conjugado na 3ª pessoa do sin-
gular e na 3ª pessoa do plural: praz/prazem, prazia/
praziam, prouve/prouveram, prazerá/prazerão.
f) APRAZER e COMPRAZER – São verbos irregu-
lares. Variam no radical e nas desinências.
PRES. IND. PRET. PERFEITO
aprazo aprouve
aprazes aprouveste
apraz aprouve
aprazemos aprouvemos
aprazeis aprouveste
aprazem aprouveram
g) PROVER – Conjuga-se como o verbo ver, exce-
to no pretérito perfeito e seus derivados, em que é regu-
lar.
Pretérito Perfeito: provi, proveste, proveu, prove-
mos, provestes, proveram.
h) REQUERER – Verbo irregular. Não se conjuga
como QUERER.
PRES. IND. PRET. PERF.
requeiro requeri
requeres requereste
requer (e) requereu
requeremos requeremos
requereis requerestes
requerem requereram
i) CRER – Verbo irregular. Varia no radical e nas
desinências.
PRES. IND. PRET. PERF. PRET. IMP. IND.
creio cri cria
crês creste crias
crê creu cria
cremos cremos críamos
credes crestes críeis
crêem creram criam
ANÔMALO
Anômalo é o verbo que apresenta muitos radicais.
São anômalos os verbos SER, IR e PÔR.
SER somos, éramos, fomos...
IR vamos, íamos, fomos...
PÔR pomos, púnhamos, pusemos
*********************************************
PRONOMES
Pronome é a palavra que substitui ou modifica um
nome.
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Ela chegou tarde.
Minha avó faleceu aos 90 anos.
Sintaticamente os pronomes podem desempenhar as
mesmas funções desempenhadas pelos substantivos e pe-
los adjetivos. Servem pois:
a) para representar um substantivo. São os pro-
nomes substantivos:
“Invejava os homens e copiava-os”
b) para acompanhar um substantivo, determi-
nando-lhe a extensão do significado – São os pronomes
adjetivos:
“Vi terras de minha terra,
Por outras terras andei,
No meu olhar fatigado
Foram terras que inventei.”
Há setetipos de Pronomes
pessoais, possessivos, demonstrativos, relati-
vos, interrogativos, indefinidos e exclamativos
PESSOAIS
Os pronomes pessoais caracterizam-se:
1º) por denotarem as três pessoas gramaticais, isto
é, por terem a capacidade de indicar a pessoa no diálogo:
quem fala 1ª pessoa
eu (singular),
nós (plural)
com quem se fala 2ª pessoa
tu (singular),
vós (plural)
de quem se fala 3ª pessoa
ele (singular),
eles (plural)
2º) por poderem representar, quando na 3ª pessoa,
uma forma nominal anteriormente expressa:
“A costureira trabalhava dobradamente, ela mesma
adiantando a compra dos aviamentos, escolhendo os fi-
gurinos.”
3º) por variarem de forma, segundo:
a) a função que desempenham na oração.
b) a acentuação que nela recebem. Quanto à acen-
tuação, distinguem-se, nos pronomes pessoais, as formas
tônicas das átonas.
Veja a seguir a correspondência entre essas formas:
Pronomes Pronomes Pessoais Oblíquos
Núme-
ro
Pessoas Retos Átonos Tônicos
Singular
1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
EU
TU
ELE, ELA
me
te
se, o , a, lhe
mim, comigo
ti, contigo
si, consigo
Plural
1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
NÓS
VÓS
ELES, ELAS
nos
vos
se, os, as, lhes
nos, conosco
vos, convos-
co
si, consigo
Com exceção de o, a, os, as, lhe e lhes, os demais
pronomes oblíquos podem ser reflexivos, isto é, podem
se referir ao sujeito da oração, sendo da mesma pessoa
que este.
Ex.: Carlos só pensa em si.
Eu me machuquei na escada
Tu não te enxergas?
A mãe trouxe as crianças consigo.
EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
01. Eu e tu são pronomes que só funcionam como
sujeito e como predicativo do sujeito.
02. A correspondência entre os pronomes se, si e
consigo e o sujeito deve ser rigorosa (só podem ser re-
flexivos).
03. Você e vocês são pronomes pessoais de trata-
mento da 2ª pessoa. Levam o verbo para a 2ª pessoa,
como todos os pronomes de tratamento.
04. Quando se faz referência à pessoa, usa-se o pos-
sessivo sua em vez de vossa.
05. Na linguagem coloquial, utiliza-se, com fre-
quência, a forma a gente como pronome (no lugar de
NÓS), o que não é aceito pela norma culta. O verbo deve
permanecer na terceira pessoa do singular. (Ex.: A gente
apanha, mas sempre acredita nos políticos).
Pessoais de Tratamento
Os pronomes pessoais e as locuções pronominais
pessoais de tratamento são usados no trato cortês e ceri-
monioso. Eis alguns deles:
pronome de
tratamento
abreviatura usado para se dirigir a
Vossa Alteza
Vossa Eminência
Vossa Excelência
Vossa Magnificência
Vossa Majestade
Vossa Santidade
Vossa Senhoria
Senhor / Senhora
Você
Senhorita
Madame
Dona
V. A.
V. Ema.
V. Exa.
V. Maga.
V. M.
V. S.
V. Sa.
Sr. / Sra.
V.
Srta.
Dª.
príncipes, princesas e duques
cardeais
altas autoridades e Of. Generais
reitores de universidades
reis, rainhas e imperadores
papa
tratamento cerimonioso
tratamento de respeito
tratamento familiar ou íntimo
mulher jovem e solteira
mulheres com certa idade
mulheres com certa idade
* Esses pronomes são de 2ª pessoa.
* Quando o interlocutor se referir a uma 3ª pessoa,
usará o possessivo sua: Sua Excelência, Sua Majestade,
etc.
POSSESSIVOS
Os pronomes possessivos são aqueles que substitu-
em as pessoas e, ao mesmo tempo, dão ideia de posse.
Quando digo “meu livro”, estou afirmando que eu
(1ª pessoa) sou dono do livro. Portanto, meu substitui um
nome e indica posse.
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Os principais pronomes possessivos são estes:
1ª pessoa
meu (e variações),
nosso (e variações)
2ª pessoa
teu (e variações),
vosso (e variações)
3ª pessoa seu (e variações)
DEMONSTRATIVOS
São aqueles que demonstram, apontam. Quando di-
go “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra
perto de mim, a pessoa que fala. Por outro lado, “esse li-
vro” indica que o livro está longe da pessoa que fala e
próximo da que ouve. “Aquele livro” indica que o livro
está longe de ambas as pessoas.
Os principais pronomes demonstrativos são estes:
1ª pessoa este (e variações), isto
2ª pessoa esse (e variações), isso
3ª pessoa aquele (e variações), aquilo
mesmo (e variações), próprio (e variações)
tal (e variações), semelhante (e variação)
INDEFINIDOS
Os pronomes indefinidos são aqueles que se refe-
rem à 3ª pessoa, dando sentido vago ou expressando
quantidade indeterminada.
Os principais pronomes indefinidos são estes:
INVARIÁVEIS VARIÁVEIS
algo
algum (e variações)
outros (e variações)
alguém
nenhum (e variações)
quanto (e variações
nada
todo (e variações)
tanto (e variações)
ninguém
muito (e variações)
qual (e variações)
tudo
pouco (e variações)
qualquer (e variações)
cada
diverso (e variações)
um (e variações e quando isolado)
outrem vários (e variação)
que
quem
Existem, também, as locuções pronominais inde-
finidas.
Ex.: cada um, cada qual, todo aquele que, quem
quer que seja, seja qual for, seja quem for, etc.
INTERROGATIVOS
Os pronomes interrogativos são os pronomes inde-
finidos que, quem, qual, quais, quanto, quanta, quan-
tos, e quantas usados em frases interrogativas.
Ex.: Que ideia é essa?
Quem fez isso?
“Quanta mentira não há num beijo?
Quanto veneno? Quanta traição!!”
RELATIVOS
São os que representam nomes já mencionados an-
teriormente, isto é, têm relação (RELATIVOS) direta
com os mesmos.
Ex.: Conheço o livro que estás lendo.
Fiz o (aquilo) que me mandou.
Estranhei a maneira como ele procedeu.
Os pronomes relativos e as locuções pronomi-
nais relativas da língua portuguesa são:
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
masculino feminino
o qual
cujo
quanto
os quais
cujos
quantos
a qual
cuja
quanta
as quais
cujas
quantas
quem
que
onde
EMPREGO DO PRONOME RELATIVO
* Que é o relativo mais usado, por isso é chamado
de relativo universal. Pode ser usado como referência a
pessoa ou coisa, no singular ou no plural.
Ex.: Eis o velho amigo de que lhe falei.
Há coisas que aprendemos tarde.
* O qual e suas flexões, são exclusivamente pro-
nomes relativos e são usados para substituir o pronome
que principalmente quando regido de preposição.
Ex.: Eis o magno problema por que (ou pelo qual)
me bato.
Ele participou da reunião realizada na noite an-
terior, a qual deu origem ao novo partido. (o uso de que
neste caso geraria ambiguidade).
* Cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual
e de quem. Estabelecem normalmente uma relação de
posse entre o antecedente e o termo que especificam.
Ex.: O cavalo é um animal cujo pêlo é liso. (= o pê-
lo do qual é liso)
Devemos eleger candidatos cujo passado seja
garantia de boas intenções. (= o passado desses candida-
tos deve ser garantia)
* Quem é sempre regido de preposição e refere-se a
pessoas ou a uma coisa personificada.
Ex.: A funcionária por quem fui atendido é uma ga-
ta.
Esse é o livro a quem prezo como companhei-
ro.
* Onde é pronome relativo quando tem o sentido
aproximado de em que. Deve ser usado, portanto, na in-
dicação de lugar.
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Ex.: Buscamos uma cidade onde possamos passar
nossas férias.
Quero mostrar-lhe a casa onde morei.
* Quanto e suas flexões são pronomes relativos
quando seguem os pronomes indefinidos tudo, todos ou
todas.
Ex.: Esqueci tudo quanto foi dito na aula passada.
Vocês podem confiar em todos quantos estão
inscritos no concurso.
Os pronomes relativos são peças fundamentais à
boa articulação de frases e textos. Sua dupla capacidade
de atuar como pronome e conectivo simultaneamente fa-
vorece a síntese e evita a repetição de termos.
EXCLAMATIVOS
Os pronomes exclamativos são aqueles que excla-
mam algo, ditas em frases que exprimem emoção.
Ex.: Que mulher!Quanto te arriscas com esse procedimento!
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
A colocação pronominal está intimamente ligada à
harmonia da frase.
Os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se,
nos, vos, lhe, lhes, o, a, os, as) atuam basicamente como
complementos verbais e, nessa condição, podem ocupar
três posições em relação ao verbo:
– antes (Próclise)
– no meio (Mesóclise)
– depois (Ênclise)
USO DA PRÓCLISE
* Próclise por atração – é usada, quando o verbo
vem precedido das seguintes palavras atrativas:
1. com as negativas em geral (jamais, nada, não,
nem, nunca, ninguém, nenhum, etc.).
Não o vejo há dias - Nada me preocupa.
2. com os advérbios (já, ainda, sempre, antes, agora,
talvez, acaso, porventura, etc.)
Já te avisaram disso? Ainda não me avisaram nada.
Sempre me lembrei de você. Antes me procurava;
agora me evita.
3. com os pronomes, exceto com os possessivos e
com os pessoais:
Algo te aconteceu?
Aquilo me aborreceu.
Tudo se transforma.
4. com as conjunções subordinativas (integrantes e
adverbiais).
Soube que me dariam a autorização.
Ela não os quis, embora lhe servissem bem.
5. com os substantivos em frases optativas (as que
exprimem desejo):
Deus lhe pague! Macacos me mordam!
Deus me livre! Raios o partam!
6. com a preposição expletiva (dispensável) em an-
tes de gerúndio.
Em se tratando de negócios, é melhor não bobear.
Em se ausentando-se, complicou-se.
7. com a palavra denotativa de exclusão só (= so-
mente, apenas).
Só Marta me viu no cinema.
Só ele apareceu, para trabalhar.
MESÓCLISE
A mesóclise ocorre:
1. com o verbo iniciando a oração, estando ele no
futuro do presente do indicativo ou no futuro do pretérito
do indicativo.
Vê-la-emos amanhã.
Contar-lhe-ia tudo o que sei.
2. com o substantivo iniciando a oração, sendo ele
seguido de verbo, estando este no futuro do presente do
indicativo ou no futuro do pretérito do indicativo.
Gildete manter-se-á atenta para o que der e vier.
Luís irritar-se-ia, se não passasse no vestibular.
ÊNCLISE
Ocorre a ênclise quando a oração se inicia pelo ver-
bo, estando ele no presente do indicativo, no pretérito
perfeito do indicativo, no pretérito imperfeito do indica-
tivo, no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, no in-
finitivo, no gerúndio ou no imperativo afirmativo.
Quero-lhe muito, Teresa!
Deram-te o recado, Alcebíades?
Surdo, era-o demais.
Justo, fora-o pouco.
As moças deixaram o restaurante, queixando-se da
comida.
Telefone-nos amanhã.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL COM AS LO-
CUÇÕES VERBAIS
1. Locução verbal = verbo auxiliar + verbo prin-
cipal (no infinitivo):
Eu lhe queria dizer muita coisa. (próclise ao verbo
auxiliar)
Eu queria-lhe dizer muita coisa. (ênclise ao verbo
auxiliar)
Eu queria dizer-lhe muita coisa. (ênclise ao verbo
principal)
* Se houver palavra “atrativa”, o pronome deverá
ficar assim:
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Eu não lhe queria dizer isso. (próclise ao verbo auxi-
liar).
Eu não queria dizer-lhe isso. (ênclise ao verbo prin-
cipal).
* Havendo preposição entre o verbo auxiliar e o
verbo principal (no infinitivo não-flexionado), a próclise
ou a ênclise serão facultativas.
Ex.: As cobras começaram a se movimentar.
As cobras começaram a movimentar-se.
2. Locução verbal = verbo auxiliar + verbo prin-
cipal (no gerúndio):
Eu lhe estava dizendo muita coisa ontem. (próclise
ao verbo auxiliar)
Eu estava-lhe dizendo muita coisa ontem. (ênclise
ao verbo auxiliar)
Eu estava dizendo-lhe muita coisa ontem. (ênclise
ao verbo principal)
Obs.: Note que o gerúndio possui as mesmas 3 pos-
sibilidades de colocação pronominal do infinitivo.
* Se houver palavra "atrativa", a colocação será es-
ta:
Eu não lhe estava dizendo muita coisa ontem. (pró-
clise ao verbo auxiliar).
Eu não estava dizendo-lhe muita coisa ontem. (ên-
clise ao verbo principal).
Obs.: Do mesmo modo, o gerúndio possui as mes-
mas 2 possibilidades de colocação pronominal do infini-
tivo
3. Locução verbal = verbo auxiliar + verbo prin-
cipal (no particípio):
Eu lhe tinha dito muita coisa ontem. (próclise ao
verbo auxiliar)
Eu tinha-lhe dito muita coisa ontem. (ênclise ao
verbo auxiliar)
* Havendo palavra atrativa, a colocação pronominal
será:
Eu não lhe tinha dito muita coisa ontem. (próclise
ao verbo auxiliar)
Obs.: Note que, nos dois casos, o particípio possui
uma possibilidade a menos que o infinitivo e que o ge-
rúndio.
* Condena-se o pronome oblíquo após o particípio.
O aluno foi apresentado-me ontem.
– As formas corretas são:
O aluno me foi apresentado ontem. OU
O aluno foi-me apresentado ontem.
***********************************************
ARTIGO
É a classe gramatical que especifica ou que genera-
liza o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número.
Artigos definidos são os que especificam o subs-
tantivo de modo particular e preciso. São eles: o, a, os e
as.
Ex.: Os Estados Unidos são o país mais rico do
mundo.
A Bélgica é um país europeu.
* Antes dos nomes de pessoas, o artigo definido de-
nota familiaridade ou intimidade.
Ex.: A Leila participará da equipe?
Diga à Rosa que papai a procura.
Ela sempre sai com o Márcio?
Artigos indefinidos são os que generalizam o subs-
tantivo. São eles: um, uma, uns e umas.
Ex.: Comprei um apartamento em julho.
Procurou um advogado pela manhã.
* O artigo indefinido denota aproximação, quando
se antepõe ao numeral.
Ex.: - Teria ela uns vinte anos.
- Já a espero aqui há umas duas horas.
* Deve ser evitado o uso do artigo indefinido antes
dos pronomes indefinidos “certo”, “outro” e “qual-
quer”.
Ex.: - A jovem encontrou certo colega, que a cha-
mou... (Incorreto: A jovem encontrou um certo colega,
que a chamou.)
- Falarei disso em outra ocasião. (Incorreto:
Falarei disso em uma outra ocasião.)
- Não deves falar sobre isso em qualquer lu-
gar. (Incorreto: Não deves falar sobre isso em um qual-
quer lugar.)
Omite-se o artigo (definido ou indefinido) nos se-
guintes casos:
– Antes das locuções pronomonais pessoais
de tratamento: Vossa Alteza, Vossa Majestade, Vossa
Excelência, Vossa Senhoria, etc.
Ex.: V. Exa. apoiará nosso plano? (correto)
A V. Exa. apoiará nosso plano? (errado)
Uma V. Exa. apoiará nosso plano? (errado)
– Antes da palavra "casa", no sentido de “lar pró-
prio”.
Ex.: Cheguei a casa cedo. (a = preposição)
Voltamos a casa cansados. (a = preposição)
– Antes das palavras “bordo” e “terra”, quando fo-
rem antônimas.
Ex.: - Estamos a bordo do submarino “Civil”.
- Os marinheiros chegaram a terra sãos e sal-
vos.
***********************************************
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NUMERAL
Numeral é a palavra que dá a ideia de número.
Ex.: cinco, dez, quinto, décimo, quíntuplo, terço,
ambos, etc.
Tipos de Numerais
Existem quatro tipos de numerais: os cardinais, os
ordinais, os multiplicativos e os fracionários.
Os numerais cardinais indicam a quantidade exata
de algo: um, dois, três quatro, etc.
Os numerais ordinais indicam a ordem ou a posi-
ção de algo numa sequência: primeiro, segundo, terceiro,
quarto, etc.
Os numerais multiplicativos indicam o aumentati-
vo do cardinal numa determinada ordem: duplo (duas
vezes), cêntuplo (cem vezes), etc.
Os numerais fracionários indicam a divisão de
uma determinada quantidade: meio, terço, quarto, quinto,
doze avos, etc.
Alguns exemplos:
Romanos Arábicos Cardinais Ordinais
I 1 um primeiro
V 5 cinco quinto
IX 9 nove nono
LXXX 80 oitenta octogésimo
CD 400 quatrocentos quadringentésimo
DCC 700 setecentos setingentésimo
M 1000 mil milésimo
Os únicos numerais multiplicativos, existentes em
português, a par dos cardinais correspondentes, são os
constantes da tabela seguinte:
Arábicos Cardinais Multiplicativos
1 um -2 dois duplo ou dobro
3 três triplo ou tríplice
4 quatro quádruplo
5 cinco quíntuplo
6 seis sêxtuplo
7 sete sétuplo
8 oito óctuplo
9 nove nônuplo
10 dez décuplo
11 onze undécuplo
12 doze duocétuplo
100 cem cêntuplo
Emprego dos Numerais
01. Quando se fala de papas, reis, príncipes, anos e
séculos, empregamos, de 1 a 10, os ordinais.
Ex.: João Paulo I (primeiro); Luiz X (décimo); ano I
(primeiro); século II (segundo).
* De 11 em diante, empregamos os cardinais.
Ex.: Leão XIII (treze); ano XI (onze).
02. Se o numeral aparece em posição proclítica, é
lido como ordinal.
Ex.: XX Salão do Automóvel (vigésimo); IV Bienal
do Livro (quarta).
03. A título de brevidade, usamos constantemente
os cardinais pelos ordinais.
Ex.: Página número trinta e dois.
Por isso, deve-se dizer ou escrever também: a folha
vinte e um.
* Na linguagem forense, vemos o numeral flexio-
nado: as folhas vinte e uma, as folhas trinta e duas.
***********************************************************
ADVÉRBIO
Advérbio é a palavra que modifica o verbo, o adje-
tivo ou o próprio advérbio, exprimindo uma circunstân-
cia. Dividem-se em:
01. Advérbios de lugar: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí,
além, aquém, algures (em algum lugar), alhures (em ou-
tro lugar), nenhures (em nenhum lugar), atrás, fora, den-
tro, perto, longe, adiante, diante, etc.
02. Advérbios de tempo: hoje, amanhã, depois, an-
tes, agora, anteontem, sempre, nunca, já, logo, cedo, tar-
de, ora, outrora, então, brevemente, raramente, imedia-
tamente, etc.
03. Advérbios de modo: bem, mal, assim, depres-
sa, devagar, como, debalde, pior, melhor, suavemente,
tenazmente, etc.
04. Advérbios de intensidade: muito, pouco, assaz,
mais, menos, tão, bastante, demasiadamente, meio, com-
pletamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem,
mal, etc.
05. Advérbios de afirmação: deveras, certamente,
realmente, efetivamente, etc.
06. Advérbio de negação: não, nunca, jamais, tam-
pouco, etc.
07. Advérbio de dúvida: talvez, quiçá, provavel-
mente, possivelmente, etc.
LOCUÇÃO ADVERBIAL
Expressão que tem valor de advérbio.
Vejamos a classificação de algumas locuções:
01. Locuções adverbiais de lugar: à esquerda; à
direita, à tona, à distância, à frente, à entrada, à saída, ao
lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, por fora, em
frente, por perto.
02. Locuções adverbiais de tempo: em breve, hoje
em dia, de tarde, à tarde, à noite, à noitinha, ao entarde-
cer, de manhã, por ora, por fim, de repente, de vez em
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quando, a tempo, às vezes, de quando em quando, de
longe em longe, etc.
03. Locuções adverbiais de modo: à vontade, à
toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de mansinho,
de chofre, de rigor, de preferência, em geral, a cada pas-
so, às avessas, ao invés, às claras, às pressas, de repente,
a olhos vistos, de propósito, de súbito, de soslaio, por um
triz, etc.
04. Locuções adverbiais de meio ou de instru-
mento: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a tinta, a paula-
da, a mão, a pauladas, às pauladas, a facadas, a picareta,
etc.
05. Locuções adverbiais de afirmação: na verda-
de, de fato, de certo, com certeza, etc.
06. Locuções adverbiais de negação: de modo al-
gum, de modo nenhum, em hipótese alguma, etc.
07. Locuções adverbiais de dúvida: por certo,
quem sabe, etc.
Chamam-se advérbios interrogativos as palavras:
onde?, aonde?, donde?, quando?, como?, pelo fato de in-
troduzirem uma oração interrogativa direta ou interroga-
tiva indireta.
Ex.: - Quando voltarás? (interrogativa direta)
- Quero saber quando voltarás. (interrogativa indire-
ta)
NOTA - Os advérbios interrogativos indicam: lugar
(onde?), tempo (quando?), modo (como?).
*********************************************
PREPOSIÇÃO
Preposição é a palavra invariável que liga dois ter-
mos de naturezas diferentes.
A seguir, algumas relações estabelecidas pelas pre-
posições:
Preposição "de":
casa de Aparecida (posse)
piano de cauda (classificação)
caixa de joia (finalidade)
acontecimentos do Vietnã (lugar)
espera de um mês (tempo)
copo de vidro (matéria)
copo de pinga (conteúdo).
Preposição "a":
ir à cidade (lugar)
ir à noite (tempo)
tocar à missa (finalidade)
vender a cem reais (preço), etc.;
Preposição "até":
caminhar até o mar (limite máximo alcançado)
dormir até dez horas por noite (período de tempo)
Preposição "com":
voltar com o noivo (companhia)
trabalhar com capricho (modo)
lutar com as paixões (oposição), etc.
Preposição "em":
estar em casa (lugar)
viver em paz (modo)
avaliar em mil reais (preço)
chegaremos em duas horas (tempo)
pedir em casamento (finalidade), etc.
Preposição "para":
ir para o Norte (lugar)
estudar para vencer (finalidade)
deixar para o dia seguinte (tempo), etc.
Preposição "por":
andar por um lugar (lugar)
comunicar-se por gesto (meio)
comer gato por lebre (troca)
comprar por duzentos reais (preço)
lutar por alguém (em favor de)
permanecer por muitos anos (tempo)
Preposição "sobre":
colocar um sobre o outro (posição superior)
falar sobre leis (assunto)
LOCUÇÃO PREPOSITIVA
É uma expressão que tem função de preposição.
As mais comuns são: abaixo de, cerca de, acima de,
a fim de, em cima de, antes de, através de, ao lado de, ao
longe de, a par com, à roda de, a respeito de, dentro de,
dentro em, em favor de, à frente de, junto a, até a, detrás
de, para com, de conformidade com, na conta de, de
acordo com, por meio de, diante de, em vez de, etc.
Obs.: As locuções prepositivas sempre terminam
por preposição, distinguindo-se bem das adverbiais.
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CONJUNÇÃO
Conjunção é a palavra invariável que liga duas ora-
ções entre si, ou que, dentro da mesma oração, liga dois
termos de mesma natureza.
Exemplos:
Ligando orações:
“Vestia uma cueca preta e calçava enormes taman-
cos.”
“Sua majestade entende que este dia já foi bastante
desgraçado”.
Ligando termos:
Adriana e Lea viajaram.
Quero que você compre um romance ou um livro de
versos.
As conjunções dividem-se em coordenativas e em
subordinativas.
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CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
As conjunções coordenativas são as que ligam duas
orações ou dois termos (dentro da mesma oração), sendo
que ambos os elementos ligados permanecem entre si in-
dependentes.
[Maria estuda] e [Pedro trabalha]
[João] e [Pedro] são bons amigos.
As conjunções coordenativas subdividem-se em:
01. Aditivas, que ligam pensamentos similares ou
equivalentes: e, nem.
- “A menina largou disfarçadamente os talheres e
sumiu”.
- “O médico não veio, nem me telefonou”.
02. Adversativas, que ligam pensamentos que con-
trastam entre si: mas, porém, contudo, entretanto, toda-
via, etc.
- “Serve aos opulentos com altivez, mas aos indi-
gentes com carinho”.
- Minha tarefa foi intensa, não me queixo, porém.
03. Alternativas, que ligam pensamentos que se
excluem ou se alternam: ou, ou...ou, ora...ora, já...já,
quer...quer, etc.
- “A Justiça que corrige ou castiga, deve ser inspi-
rada pela Bondade”.
- "Ora pega na orelha, ora no lado..."
- “Quer você queira, quer não, você fará isto!
04. Conclusivas, ligam duas orações, sendo que a
segunda encerra a dedução ou conclusão de um raciocí-
nio: logo, portanto, pois (após o verbo da oração), etc.
- Bem dizia Descartes: Penso, logo existo.
- Pedro aprendeu as lições, portanto pode fazer os
exames.
05. Explicativas, que ligam duas orações, sendo
que a segunda se apresenta justificando a anterior: pois,
porque, que, porquanto, etc.
- O exame era difícil, pois nem sequer havíamos es-
tudado.
- Essa desculpa não serve, porque, afinal de contas,
teus negócios vão bem.
CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS
Conjunções subordinativas sãoas que ligam duas
orações, sendo que uma é parte ou função sintática da
outra.
As conjunções subordinativas são:
I. Conjunções subordinativas integrantes
São as que ligam duas orações, sendo que a segunda
é sujeito ou complemento da primeira: que, se.
- “O Brasil espera que cada um cumpra com o seu
dever”. (Tamandaré)
- O examinador verificará se o aluno está preparado.
II. Conjunções subordinativas adverbiais
São as que ligam duas orações, sendo que a segunda
é adjunto adverbial da primeira, ou seja, a segunda ex-
pressa circunstância de finalidade, modo, comparação,
proporção, tempo, condição, concessão, causa ou conse-
quência.
Subdividem-se em:
01. Conformativas, que ligam duas orações, sendo
que a segunda expressa circunstância de conformidade
ou acordo: como, segundo, conforme, consoante.
- Tudo se realizou, conforme havia previsto o astró-
logo.
- “Mais baixo estavam os outros deuses todos as-
sentados, como a razão e a ordem concertavam”.
02. Comparativas, que ligam duas orações, sendo
que a segunda contém o segundo termo de uma compa-
ração: como, (tal)... qual, (tal)... tal (menos)... que,
(mais)... etc.
- “Os sonhos, um por um, céleres voam, como vo-
am as pombas dos pombais”.
- Aquela jovem é mais bela que sua irmã.
03. Temporais, que ligam duas orações, sendo que
a segunda expressa circunstância de tempo: quando, en-
quanto, enquanto apenas, mal, etc.
- Quando a vejo, bate-me o coração mais forte.
- Ela dormia, enquanto brincávamos.
04. Condicionais, que ligam duas orações, sendo
que a segunda expressa uma hipótese ou condição: se e
caso.
- Se o pai consentisse, Manuel continuaria namo-
rando Paula.
- O passeio será realizado, caso sobrevenha um
temporal.
05. Concessivas, que ligam duas orações, sendo
que a segunda contém um fato que não impede a realiza-
ção da ideia expressa na oração principal, embora seja
contrária àquela ideia: embora e conquanto.
- Embora o pai não consentisse, Manuel continua-
va a fazer a corte a Elisete.
- Não consigo ouvir a voz de Silvana, conquanto
me esforce.
06. Causais, que ligam duas orações, sendo que a
segunda contém a causa; e a primeira, o efeito: porque,
pois, porquanto, como, etc.
- Maneco, o galã, foi reprovado, porque só estuda-
va nas horas vagas.
- Márcia, como estudou, foi aprovada.
07. Consecutivas, que ligam duas orações, sendo
que a segunda diz a consequência de uma intensidade
expressa na primeira: (tão)... que, (tal)... que, (tama-
nho)... que, (tanto)... que, etc.
- “Rosilene chorou tanto, que ficou doente dos
olhos”.
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- Choveu, choveu, que inundou a várzea.
LOCUÇÔES CONJUNTIVAS
É o conjunto de duas ou de mais palavras com o va-
lor de uma conjunção.
COORDENATIVAS
a) Adversativas: no entanto, não obstante;
b) Explicativas: visto que, já que, uma vez que;
c) Conclusivas: por conseguinte, por isso, de modo
que, em vista disso.
SUBORDINATIVAS
Integrantes: que, se
Adverbiais:
- Causais: pois que, por isso que, já que, uma vez
que, visto que, visto como;
- Comparativas: do que, assim como, bem como,
como se, que nem;
- Concessivas: ainda que, mesmo que, posto que, se
bem que, por mais que, por menos que, apesar de que,
nem que, por menor que, por maior que, por pior que,
por melhor que, por muito que, por pouco que;
- Condicionais: contanto que, salvo se, sem que,
desde que, a menos que, dado que, a não ser que, exceto
se;
- Consecutivas: de forma que, de maneira que, de
modo que, de sorte que;
- Finais: para que, a fim de que;
- Proporcionais: à medida que, à proporção que, ao
passo que, quanto mais, quanto menos, quanto melhor,
quanto pior;
- Temporais: antes que, depois que, até que, logo
que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes
que, cada vez que.
***********************************************************
INTERJEIÇÃO
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo-
ção ou estado repentino: ah!, oh!, puxa!, raios!, opa!,
etc.
As interjeições são sempre finalizadas pelo sinal de
exclamação ( ! )
Os principais tipos de interjeição são aqueles que
indicam:
* Advertência: cuidado!, sentido!, atenção!
* Alegria: eta!, ah!, oh!, oba!
* Alívio: arre!, ufa, ah!
* Animação: coragem!, força!, eia!
* Aplauso: apoiado!, viva!, bis!.
* Admiração: ah!, puxa!, céus!, uau!
* Agradecimento: grato!, obrigado!
* Chamamento: ei!, olá, alô, ô!, ó!
* Desejo: tomara!, oxalá!
* Dor: ai!, ui!.
* Espanto: ué!, uai!, caramba!
* Indignação: fora!, morra!, abaixo!
* Pena: coitado!, pobre dele!
* Saudação: salve!, adeus!, viva!
* Terror: ui!, cruzes!, Jesus!
Obs.: A entonação diferente dada a uma mesma in-
terjeição pode levá-la a ter mais de um sentido, isto é,
pode representar mais de um sentimento ou estado.
Oh! que história estranha! (desagrado)
Oh! que feliz coincidência! (alegria)
Locução Interjetiva
É um grupo de palavras com valor de interjeição.
Meu Deus!; Ai Jesus!; Alto lá!; Ó de casa!; Quem
me dera!; etc.
Cuidado!!!
Não se deve confundir a interjeição de apelo ou
chamamento (ó) com a interjeição de alegria, admiração
ou tristeza (oh!). Faz-se uma pausa depois desta e não a
fazemos depois daquela. Vejamos:
“Oh! [pausa] Essa menina é linda!”
“Oh, [pausa] trágicas novelas!”
“Deus, ó Deus! Porque me respondes?
“Ó natureza! Ó mãe piedosa e pura!
*********************************************
ANÁLISE SINTÁTICA
Sintaxe é a parte da gramática que se ocupa em des-
crever a estrutura das orações e dos períodos, em de-
compor um período em orações e cada oração em seus
termos, identificando as funções que determinadas clas-
ses de palavras exercem na frase.
A esse tipo de estudo da sintaxe dá-se o nome de
análise sintática.
Sabemos que Oração é a unidade frasal que tem
como palavra-base o verbo (predicado), podendo, ou
não, apresentar também um sujeito.
Ex.: “O dia está bonito.”
“Eles partiram logo cedo.”
Obs.: Uma oração:
* Sempre apresenta verbo (predicado);
Ex.: A roda de samba acabou.
* O verbo pode estar flexionado nos tempos simples
ou compostos, ou em locuções verbais;
Ex.: A roda de samba havia acabado.
* A mensagem pode apresentar-se com sentido
completo ou incompleto;
Ex.: “... que queria negar sua origens.”
Na oração as palavras têm entre si um relaciona-
mento íntimo como parte de um conjunto harmônico.
Essas palavras são, então, os termos ou as unidades sin-
táticas da oração, com cada termo ou unidade desempe-
nhando uma função sintática.
Núcleo da oração: o núcleo da oração é a palavra
que constitui a essência da ideia principal do texto, o
que, nesse caso, será sempre o verbo.
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Ex.: A mulher revestiu o interior da sala com amor.
Em síntese, os termos que desempenham função
sintática na oração são os seguintes:
simples
composto
oculto
indeterminado
sujeito
predicado verbal
nominal
verbo-nominal
Termos
essenciais
da oração
adjunto adverbial
aposto
adjunto adnominalTermos
acessórios
da oração
complemento nominal
agente da passiva
complemento verbal
objeto direto
objeto indireto
Termos
integrantes
da oração
predicativo do
sujeito
predicativo do
objeto direto
predicativo do
objeto indireto
Termo isolado: Vocativo
Termos Essenciais da Oração
SUJEITO
Sujeito é o termo essencial da oração, do qual se
declara alguma coisa, estabelecendo com o verbo uma
relação de concordância em número e em pessoa. É uma
função substantiva da oração, porque são os substantivos
ou palavras substantivadas que atuam como núcleo do
sujeito.
Ex.:
Os cidadãos
(substantivo)
manifestaram sua insatisfação
Todos
(pronome substantivos)
Ambos
(numeral substantivo)
Os aposentados
(adjetivo substantivo)
Normalmente, o sujeito posiciona-seno início da
oração (ordem direta), mas pode também ficar no meio
ou no final (ordem indireta). Vejamos:
O aluno sentiu-se seguro após o estudo.
sujeito predicado
Após o estudo, o aluno sentiu-se seguro.
predicado sujeito predicado
Após o estudo, sentiu-se seguro o aluno.
predicado sujeito
Acha-se o sujeito de uma oração, fazendo-se ao
verbo a pergunta:
"Quem ...?" para pessoas; ou
"O que ...?" para objetos
A resposta, seja ela qual for, será sempre o sujeito
da oração. O resto, será o predicado
Ex.: Todos saíram.
Quem saiu? (todos)
Isto não me agrada.
O que não me agrada? (isto)
Zé amarrou o bode.
Quem amarrou o bode? (Zé)
Núcleo do sujeito
O núcleo do sujeito é o termo que transmite a ideia
básica, em torno do qual podem aparecer palavras aces-
sórias para acrescentar-lhe algo.
núcleo
Ex.: As pessoas tolas acreditam em tudo.
sujeito predicado
O núcleo do sujeito pode ser representado por:
a) um substantivo: João está doente.
b) por um pronome: Ela chegou.
c) por um verbo no infinitivo: Viver é lutar.
d) um numeral: Um é pouco.
Classificação do sujeito
Sujeito Simples: é aquele que apresenta um núcleo
apenas.
Ex.: O / menino / quebrou a perna.
O / rapaz / digita muito bem.
Sujeito Composto: é aquele que apresenta dois ou
mais núcleos
Um sujeito terá tantos núcleos quantos forem os
substantivos nele contidos, desde que estejam ligados pe-
la conjunção "e" ou mesmo por vírgulas.
Ex.: O livro, a régua, o lápis e a borracha estão
sobre a mesa.
Pão e vinho alimentam.
Sujeito Oculto: é aquele que não aparece escrito,
embora esteja subentendido.
Ex.: (Nós) Estamos aqui, reunidos, para discutir o
assunto da pauta.
Sujeito Indeterminado: é aquele que existe, mas
não se sabe quem é. O sujeito indeterminado pode ser
expresso por:
a) um verbo na 3ª pessoa do plural.
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Ex.: Roubaram minha carteira.
Falaram mal de você.
b) por um verbo não transitivo direto acompanhado
do pronome "se".
Ex.: VTI + SE = Precisa-se de jardineiros.
VTL + SE = Ficou-se contente naquele mo-
mento.
Obs.: Há orações que não possuem sujeito:
a) com o verbo haver, no sentido de “existir”.
Ex.: Há pessoas esquisitas. (há = existem)
b) com os verbos ser, estar e passar indicando
tempo.
Ex.: São cinco horas.
Estava frio naquela noite.
Passava de meia noite.
c) com os verbos que exprimem fenômenos da natu-
reza (no sentido denotativo): chover, nevar, gear, ventar,
trovejar, relampejar, amanhecer, entardecer, anoitecer,
etc.
Ex.: Choveu ontem.
Nevará hoje.
Está geando agora.
Anoiteceu.
d) com os verbos chegar e bastar em expressões do
tipo: “chega de”, “basta de”.
Ex.: Chega de confusões!
Basta de intrigas!
PREDICADO
Em suma, o predicado pode ser:
a) tudo aquilo que se declara a respeito do sujeito da
oração.
Ex.: Os candidatos mostraram sua disposição.
sujeito predicado
b) uma declaração que não se refere a nenhum su-
jeito (oração sem sujeito).
Ex.: Chove muito no inverno.
predicado
Antes de prosseguirmos com o estudo do predicado,
abriremos um parêntese, para conhecermos a Predicação
Verbal e o Predicativo.
Predicação verbal
Predicação verbal é o estudo dos verbos que consti-
tuem a base do predicado, que podem ter sentido com-
pleto ou virem acompanhados de um complemento para
terem significado.
Assim, quanto à predicação, os verbos podem ser:
intransitivo e transitivo (de ligação, direto, indireto e di-
reto e indireto).
1. Verbo Intransitivo (VI): É aquele que possui
sentido completo sozinho, rejeitando complemento obri-
gatório do lado.
Ex.: O menino morreu.
Cátia desmaiou.
Atenção:
Os verbos intransitivos às vezes podem aparecer
acompanhados de adjuntos adverbiais, mas nunca de
complementos obrigatórios.
Ex.: Natália nasceu em 1968.
* Natália = sujeito
* nasceu em 1968 = predicado
* nasceu = verbo intransitivo
* em 1968 = adj. adv. de tempo (não é complemen-
to obrigatório).
2. Verbo Transitivo: É aquele que não possui sen-
tido completo sozinho, exigindo complemento obrigató-
rio do lado que complete o seu sentido.
Na oração: “O jardineiro cultiva hortaliças”, o ter-
mo “hortaliças” está completando o sentido do verbo
cultivar, já que quem cultiva, cultiva algo.
Os verbos transitivos classificam-se em:
a) de ligação (VTL): é aquele que exige um único
complemento obrigatório do lado, que é um comentário
feito sobre o sujeito (predicativo do sujeito), ligando
aquele a este.
Na oração “Mário está doente.”, o termo doente es-
tá completando o sentido do verbo estar, já que quem
está, está de algum modo (doente, alegre, cansado, etc.).
Principais verbos transitivos de ligação: ser, es-
tar, permanecer, ficar, andar (= estar), parecer, continu-
ar e virar.
Há verbos que, nem sempre, têm valor de ligação
(se houver sentido de ação).
Observe:
Flávia anda depressa
Cláudia está no Paraná ação
Flávia anda alegre
Cláudia está contente ligação
b) direto (VTD): é aquele que exige um único
complemento obrigatório do lado, sem preposição ante-
rior (objeto direto).
Na oração: “Patrícia adora pizza.”, o termo pizza
completa o sentido do verbo adorar, já que quem adora,
adora algo ou alguém.
c) Indireto (VTI): é aquele que exige um único
complemento obrigatório do lado, com preposição ante-
rior (objeto indireto).
Na oração “Eu gosto de meus pais.”, o termo de
meus pais está completando o sentido do verbo gostar,
já que quem gosta, gosta de algo ou de alguém.
d) direto e indireto (VTDI): é aquele que exige
dois complementos obrigatórios (ao contrário dos três
primeiros), sendo o primeiro deles sem preposição ante-
rior; e o segundo, com preposição anterior.
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Na oração:
VTDI OD prep OI
“O professor apresentou o aluno ao diretor.”,
sujeito predicado
os termos o aluno (OD) e ao diretor (OI) estão
completando o sentido do verbo apresentar, já que
quem apresenta, apresenta algo a alguém.
Predicativo
Predicativo é o termo que acrescenta algo ao sujei-
to, ao objeto direto ou ao objeto indireto, funcionando
como núcleo do predicado. Pode ser:
a) predicativo do sujeito (PS) – é o termo do pre-
dicado que se refere ao sujeito, atribuindo-lhe uma qua-
lidade ou estado mediante um verbo transitivo de ligação
expresso ou subentendido.
Ex.:
VTL (expresso)
PS
A cidade É maravilhosa.
sujeito predicado
VTL (subentendido)
VTI PS
O trem chegou (e estava) atrasado.
sujeito predicado
b) predicativo do objeto direto (POD) – é o termo
do predicado que se refere ao objeto direto, dando conti-
nuidade ao sentido do objeto direto.
Ex.:
VTD POD
A torcida elegeu-o craque do time.
sujeito OD predicado
c) predicativo do objeto indireto (POI) – ocorre,
exclusivamente, com o verbo “chamar”, no sentido de
ofender.
Ex.:
VTI OI POI
Os colegas chamaram a Pedro tolo.
sujeito predicado
VTI OI POI
Os colegas chamaram a Pedro de tolo.
sujeito predicado
Núcleo do predicado
O núcleo do predicado é o termo principal que pode
ser um verbo ou um nome. Há casos, também, da exis-
tência de um verbo e de um nome como núcleos ao
mesmo tempo.
Tipos de predicado
Dependendo do seu núcleo, em que se concentra a
declaração, o predicado pode ser:
a) Nominal (VTL + Predicativo) – quando o verbo
for, apenas, elo de ligação. Neste caso, o núcleo do pre-
dicado é sempre um nome, que desempenha a função de
predicativo do sujeito.
Ex.: é
ficou
continua
anda
está
parece
núcleo
(PS)
O aluno permanece confiante.
sujeito predicado nominal
b) Verbal: é aquele que apresenta um verbo transi-
tivo (direto, indireto ou direto e indireto) ou um verbo
intransitivo, sem predicativo do lado que é o próprio nú-
cleo do predicado. Podeaparecer em uma das seguintes
estruturas:
1) Predicado verbal com verbo intransitivo – apre-
senta sentido completo, sem precisar de complemento
para formar o predicado.
VI (núcleo)
Ex.: O garoto chorou.
sujeito predicado verbal
2) Predicado verbal com verbo transitivo direto –
apresenta sentido incompleto, por isso precisa de um
complemento (objeto direto) para formar o predicado.
predicado verbal
Ex.: O aluno chamou o professor.
Sujeito VTD (núcleo) OD
3) Predicado verbal com verbo transitivo indireto –
apresenta sentido incompleto, por isso precisa de um
complemento regido de preposição (objeto indireto),
para formar o predicado.
predicado verbal
Ex.: Os jovens gostam de esportes radicais.
Sujeito VTI (núcleo) OI
4) Predicado verbal com verbo transitivo direto e
indireto – apresenta sentido incompleto e necessita de
dois complementos (objeto direto + objeto indireto),
para formar o predicado.
predicado verbal
Ex.: Mário Covas dedicou sua vida à política.
Sujeito VTDI (núcleo) OD OI
c) Verbo-nominal (VTD + Predicativo): é aquele
que apresenta dois núcleos: um verbo (intransitivo ou
transitivo) e um predicativo (do sujeito ou dos objetos).
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POD
Ex.: O tribunal julgou culpado o réu.
Sujeito núcleo
verbal
núcleo
nominal
objeto
direto
predicado verbo-nominal
Na realidade, o predicado verbo-nominal é um pre-
dicado misto, em que predomina a junção de um predi-
cado verbal com um predicado nominal. Nele, o verbo
transitivo de ligação está subentendido. Veja:
Ele chegou da viagem + Ele estava exausto =
= Ele chegou da viagem exausto
O predicado verbo-nominal também pode aparecer
em uma das seguintes estruturas:
a) predicado verbo-nominal com VTD + PS
O aluno terminou a prova confiante. [O aluno ter-
minou a prova e estava confiante]
b) predicado verbo-nominal com VTI + PS
Eu assisti à cena revoltado [Eu assisti a cena e es-
tava revoltado]
c) predicado verbo-nominal com VTD + POD
Eu acho Brasília bonita. (o termo “bonita” refere-
se ao objeto direto “Brasília”: predicativo do objeto dire-
to).
d) predicado verbo-nominal com VTI + POI
Chamavam ao pobre rapaz de ignorante. (o termo
“de ignorante” refere-se ao objeto indireto “ao pobre ra-
paz”: predicativo do objeto indireto).
Resumindo:
se houver predicativo com verbo transitivo de li-
gação, o predicado será nominal.
se não houver predicativo, o predicado será ver-
bal.
se houver predicativo com verbo transitivo ou in-
transitivo, o predicado será verbo-nominal
Concluindo:
Sujeito e predicado são considerados termos essen-
ciais, porque constituem a estrutura básica da oração. O
predicado é o mais importante, pois, sem ele, não há ora-
ção – é a presença de um verbo ou de uma locução ver-
bal que indica a existência de uma oração, e não a exis-
tência de um sujeito ligado a um predicado.
Termos Integrantes da Oração
São aqueles exigidos pela oração, para que ela tenha
sentido completo.
São eles: o objeto direto, o objeto indireto, o predi-
cativo do sujeito, o predicativo do objeto direto, o predi-
cativo do objeto indireto e o agente da passiva (comple-
mentos verbais) e o complemento nominal.
a) Objeto direto
Termo que complementa o verbo transitivo direto
(VTD) e o verbo transitivo direto e indireto (VTDI).
Para se achar o objeto, a pergunta se faz depois do
verbo.
– João cultiva flor.
Cultiva o quê? a Flor
OD
Objeto Direto
o quê? (para coisas)
quem? (para pessoas)
b) Objeto indireto
Termo que complementa o verbo transitivo indireto
(VTI) ou o verbo transitivo direito e indireto (VTDI).
Objeto Indireto
a quê? a quem? de quê? de quem? em quê? em
quem? etc.
A notícia agradou ao diretor.
Agradou a quem? ao diretor
OI
A Jeyce gosta de uva.
Gosta de quê? de uva
OI
Obs.: Os três predicativos já aparecem na parte dos
predicados.
c) agente da passiva
É o ser que pratica uma ação sobre o sujeito pacien-
te.
Obs.: No estudo do Verbo, já feito, vimos o que sejá
a voz passiva.
Ex.: Bons livros eram comprados pelo rapaz .
sujeito paciente ag. da passiva
-----------------------------------------
predicado
O muro foi construído pelo pedreiro.
suj. paciente ag da passiva
------------------------------------------
predicado
Esquema
As águas arrastaram a casa (voz ativa)
– Sujeito agente = As águas.
– Verbo transitivo direto = arrastaram.
– Objeto direto = a casa.
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A casa foi arrastada pelas águas (voz passiva)
– Sujeito paciente = A casa.
– Verbo na voz passiva = foi arrastada.
– Agente da passiva = pelas águas.
COMPLEMENTO NOMINAL
Termo da oração que completa o significado de um
nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) mediante o au-
xílio obrigatório de uma preposição.
Ex.: Tinha medo da morte.
(subst.) C. N.
Estava cheio de medo.
(adjetivo) C. N.
Corria paralelamente à estrada .
(advérbio) C. N.
Observe o quadro comparativo entre objetos (dire-
tos ou indiretos) e os complementos nominais:
OBJETOS COMPLEMENTOS NOMINAIS
Assaltar o banco. Assalto ao banco .
Crer em dias melhores. Crença em dias melho-
res.
Confiar em Deus. Confiança em Deus .
Resistir ao cerco. Resistência ao cerco.
Obedecer à lei. Obediência à lei.
Termos Acessórios da Oração
Termos acessórios são aqueles que desempenham
na oração uma função secundária, servindo apenas para
informar alguma característica ou circunstância. São
eles: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.
1. ADJUNTO ADNOMINAL – Aparece juntamen-
te a nome (substantivo ou pronome), modificando seu
significado.
O adjunto adnominal é representado por:
1. artigo (definido ou indefinido): O menino aguar-
dava.
2. pronome adjetivo: Meu filho, parte de mim.
3. numeral adjetivo: Três homens o aguardam lá
fora.
4. locução adjetiva dispensável: Os raios de sol
entravam pela janela.
5. adjetivo dispensável: Lindas meninas frequenta-
vam aquela escola.
Quando o ADJUNTO ADNOMINAL PREPOSI-
CIONADO vem após o substantivo é, comumente, con-
fundido com o COMPLEMENTO NOMINAL.
DISTINÇÃO:
1. A resposta do professor agradou ao aluno.
do professor = adj. adnominal
(O professor respondeu = agente)
Obs.: A única função sintática que expressa a ideia
de posse é o adjunto adnominal. Neste caso, a resposta
pertence ao professor.
2. A resposta ao professor agradou.
ao professor = complemento nominal (paciente da
ação)
Outros Exemplos:
ADJUNTO ADNOMINAL / COMPLEMENTO NO-
MINAL
A invenção de S. Dumont A invenção do avião
Crítica do artista Crítica ao artista.
A descoberta de Portugal A descoberta do Brasil
2. ADJUNTO ADVERBIAL: complemento verbal
dispensável, que expressa alguma circunstância (25 no
total).
Nasceu aqui. (aqui = lugar)
O dia estava bem frio. (bem = intensidade)
O cão morreu de frio. (de frio = causa)
Falavam de novela. (de novela = assunto)
APOSTO: palavra (ou conjunto de palavras) com o
valor de um substantivo dispensável, que se refere a um
substantivo anterior. Divide-se em: especificativo, expli-
cativo, enumerativo e resumitivo (ou recapitulativo).
A cidade de Roma é capital da Itália. (aposto espe-
cificativo)
Pedro II, ex-imperador do Brasil, foi deportado.
(aposto explicativo)
Ele só quer três coisas: um castelo, um harém e
muitas terras. (aposto enumerativo)
Diretora, vice-diretora, coordenador, professores,
alunos, faxineiras, cozinheiras, merendeiro: ninguém
apareceu na escola naquele dia. (aposto resumitivo)
Termo Independente da Oração
Semanticamente, é o ser chamado pelo falante (o
ouvinte). Das treze funções sintáticas, é a única que não
pertence à oração.
Ó minha amada, como te quero.
Meu canto de morte, guerreiros; ouvi!
Deus, ó Deus! Onde estásque não respondes?
SINTAXE DO PERÍODO COMPOSTO
Observe o período abaixo e sua divisão:
Espera-se / que tudo corra bem, / a fim de que vol-
te a alegria.
1ª oração - Espera-se
2ª oração - que tudo corra bem
3ª oração - a fim de que volte a alegria
Note que a divisão foi feita antes da conjunção ou
da locução conjuntiva: que / a fim de que
As orações do período composto dividem-se em:
coordenada, principal e subordinada.
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A oração coordenada é a que não é função sintática
(ou parte) de outra, bem como a que não exige uma outra
como uma de suas partes (ou funções sintáticas).
Ex.: Solange estuda / e trabalha.
1ª oração: oração coordenada assindética.
2ª oração: oração coordenada sindética aditiva.
A oração principal é a que exige uma outra como
uma de suas partes (ou funções sintáticas).
A oração subordinada é a que é parte (ou função
sintática) de outra.
Ex.: Quero / que você me ajude.
1ª oração: oração principal.
2ª oração: oração subordinada substantiva objetiva
direta.
Você verá outras divisões no estudo da classificação
delas.
ORAÇÕES COORDENADAS
As orações coordenadas poderão ser:
assindéticas: quando não se iniciarem por con-
junção, nem por locução conjuntiva.
Ex.: Era católico, / acreditava na ressurreição.
OCA OCA
sindéticas: quando se iniciarem por conjunção
(ou por locução conjuntiva).
Ex.: Era católico / e acreditava na ressurreição.
OCA OCS aditiva
CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS
SINDÉTICAS
ADITIVAS: dão a ideia de adição (ou de soma)
Ex.: Consertou a máquina / e não cobrou nada.
OCA OCS aditiva
ADVERSATIVAS: denotam oposição (ou contras-
te).
Ex.: Estudou, / mas não foi aprovado.
OCA OCS aditiva
ALTERNATIVAS: representam alternância (ou
possibilidade).
Ex.: Ou você toma o remédio / ou não ficará bom.
OCS aditiva OCS aditiva
CONCLUSIVAS: dão a ideia de conclusão.
Ex.: Estudo pelas apostilas APCON, / portanto
OCA
tenho mais chances de aprovação.
OCS conclusiva
EXPLICATIVAS: explicam a oração anterior.
Ex.: Espere um pouco, / porque Tânia chegará.
OCA OCS explicativa
Obs.:
1. OCA (= oração coordenada assindética).
OCS (= oração coordenada sindética).
2. A lista completa das conjunções (e das locuções
conjuntivas) coordenativas e subordinativas encontra-se
na parte das conjunções (dentro do assunto classes de
palavras).
3. A diferença entre a conjunção pois (explicativa)
para a conjunção pois (conclusiva) é que a primeira apa-
rece antes do último verbo do período composto, en-
quanto a segunda aparece depois do último verbo do pe-
ríodo composto.
Ex.: Olga está triste, / pois não viajou.
OCA OCS explicativa
Ex.: Está escuro; / vá, pois, com cuidado.
OCA OCS conclusiva
ORAÇÕES SUBORDINADAS
Há três tipos de orações subordinadas, que são:
Substantivas, Adjetivas ou Adverbiais.
A ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA tem o
valor de substantivo, inicia-se por uma conjunção subor-
dinativa integrante (que ou se) e divide-se em:
a) subjetiva: é a que exerce a função de sujeito da
oração principal.
A maneira prática de encontrar a oração subjetiva é
perguntar, antes do verbo da principal, “o que....?”.
Ex.: Seria bom / que todos estudassem.
OP OSS subjetiva
O que seria bom?
Resposta: que todos estudassem (função de sujeito)
b) predicativa: é a que exerce a função de predica-
tivo do sujeito da oração principal.
A oração predicativa sempre supõe, na principal, o
verbo “ser” acompanhado de sujeito.
Ex.: Os meus votos são / que triunfes.
OP OSS predicativa
c) objetiva direta: é a que exerce a função de obje-
to direto da oração principal.
A maneira prática de encontrar a oração objetiva di-
reta é perguntar, depois do verbo da oração principal, “...
o quê?”. O verbo da oração principal pode ser transitivo
direto (ou transitivo direto e indireto).
Ex.: Disseste-lhe / que precisavas estudar?
OP OSS objetiva direta
d) objetiva indireta: é a que exerce a função de ob-
jeto indireto da oração principal. A preposição que intro-
duz a objetiva indireta é exigida pelo verbo da oração
principal (verbo transitivo indireto ou verbo transitivo
direto e indireto).
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Ex.: Insisto / em que partas.
OP OSS objetiva indireta
e) completiva nominal: é a que exerce a função de
complemento nominal do substantivo, do adjetivo ou do
advérbio da oração principal.
Ex.: Tivemos a impressão / de que a casa cairia.
OP OSS completiva nominal
Estamos aptos / a trabalhar nesta empresa.
OP OSS completiva nominal
Votou favoravelmente / a que o indenizem.
OP OSS completiva nominal
f) apositiva: exerce a função de aposto da oração
principal. Ocorre após dois pontos ou entre vírgulas (nes-
te último, caso ficará no meio da oração principal).
Ex.: Peço-te um favor: / que guardes estas cartas.
OP OSS apostiva
Um sonho, / que o filho volte, / anima a mãe.
OP ... OSS apositiva ... OP
A ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA tem o valor
de adjetivo, inicia-se por um pronome relativo (que,
quem, cujo, onde e quanto) ou por uma locução pro-
nominal relativa (o qual e variantes) e divide-se em: res-
tritiva e explicativa.
a) restritiva: é a que especifica o susbtantivo da
oração principal.
Ex.: O livro / que comprei / é uma gramática.
OP ... OSA restritiva ... OP
b) explicativa: é a que explica (ou que generaliza) o
substantivo da oração principal.
Ex.: Visitarei a prima Carlota, / que mora ali.
OP OSA explicativa
A ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL tem o va-
lor de um advérbio, inicia-se por uma conjunção subor-
dinativa adverbial (ou por uma locução subordinativa
adverbial) e divide-se em: causal, comparativa, conces-
siva, condicional, conformativa, consecutiva, final, pro-
porcional e temporal.
a) Causal: é a causa da oração principal.
Ex.: O tambor soa, / porque é oco.
OP OSA causal
b) Comparativa: está numa relação de comparação
com a oração principal.
Ex.: Aquela mulher fala, / como o papagaio. (fala)
OP OSA comparativa
c) Concessiva: está numa relação de oposição (ou
de contraste) com a oração principal.
Ex.: Saímos, / embora estivesse chovendo.
OP OSA concessiva
d) Condicional: é a condição para que a oração
principal ocorra.
Ex.: Se não estudar, / não passará no concurso.
OSA condicional OP
e) Conformativa: está numa relação de acordo (ou
de conformidade) com a oração principal.
Ex.: O homem age, / conforme pensa.
OP OSA conformativa
f) Consecutiva: é a consequência da oração princi-
pal.
Ex.: Gritou tanto, / que ficou rouca.
OP OSA consecutiva
g) Final: é a finalidade (ou o objetivo) da oração
principal.
Ex.: Parei-o, / para que me ouvisse.
OP OSA final
h) Proporcional: está numa relação de proporcio-
nalidade com a oração principal.
Ex.: Quanto mais trabalho, / menos ganho.
OSA proporcional OP
i) Temporal: é o tempo da oração principal.
Ex.: Fico feliz, / quando a vejo.
OP OSA temporal
ORAÇÕES SUBORDINADAS REDUZIDAS
Há muitas orações subordinadas que podem apare-
cer abreviadas ou simplificadas: sem conectivo (conjun-
ção ou pronome relativo) e com o verbo numa das cha-
madas formas nominais, isto é, no gerúndio, no infinitivo
ou no particípio. Em tal caso, as orações abreviadas se
chamarão REDUZIDAS.
"Aplacada a tempestade" é simplificação de "depois
que se aplacou a tempestade", expressando circunstância
de tempo. O verbo está no particípio (aplacada). Classi-
ficação: subordinada adverbial temporal, reduzida de
particípio.
- “Aplacada a tempestade, cuidou Cabral em reco-
lher a si a armada”.
Alguns exemplos de orações subordinadas adverbi-
ais reduzidas de infinitivo:
a) subjetivas: É possível começarmos no próximo
sábado. / Seria certo ter o trem partido.
b) objetivas diretas: Suponho serem eles os res-
ponsáveis. / O diretorordenou principiarmos já os exa-
mes.
c) objetivas indiretas: O êxito depende de teres
confiança em ti mesmo / Nada obsta a intervires na ques-
tão.
d) completivas nominais: Dei-lhes ordens de virem
logo. / Tenho esperança de seres eleito.
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e) predicativas: O mais certo é desistires desta am-
bição. / Seus desejos eram desiludir-me logo nos primei-
ros dias.
f) apositivas: Uma coisa me assombrava: terem eles
mentido. / Isso vos asseguro eu, ser ele homem de bem.
g) adjetivas restritivas: “O orador ilhavo não era
homem de se dar assim por derrotado.” / "Nossa teoria
fora a primeira a cair por fora da terra."
h) adverbiais finais: "Para cobrir-me nem um tem-
plo resta no solo abrasador..." / "Levantaram-se a servir
a Deus".
i) adverbiais concessivas: Não iremos hoje, apesar
de já termos as passagens. / Suposto ter ele presenciado
o fato, nem assim merece crédito.
j) adverbiais temporais: "Os animais das tropas
viajeiras arquejam de cansaço, ao vencerem aquele ter-
reno incerto". / "Detém-se em Inglaterra, até tornar à
doce terra".
Exemplos de orações subordinadas reduzidas de ge-
rúndio.
Nota: Não há orações substantivas reduzidas de ge-
rúndio.
a) adjetivas restritivas: "Encontramos os rapazes
vestindo blusões berrantes: fugiam espantados e não lhe
pudemos ver suficientemente a fisionomia". / "Pareceu
ao pobre lenhador sentir, naquele vento, o som de um
choro, e uma voz bradando aflita".
b) adverbiais temporais: Chegando ao escritório,
darei o recado. / "Em tomando do reino da governança,
tomou dos homicidas... a vingança." - "Navegando no
arquipélago proceloso da vida, não devemos perder de
vista o porto do novo destino".
c) adverbiais causais: Não estudando, foi reprova-
do. / "O padre Baco ali não consentia no que Júpiter dis-
se, conhecendo que esquecerão seus feitos no Oriente." /
"Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da fa-
ca."
Nota: Não há consecutivas, comparativas e finais,
reduzidas de gerúndio.
Exemplos de reduzidas de particípio:
a) adverbiais condicionais: Suprimido o prêmio,
não haveria mais estímulo. / "Completadas as tarefas no
tempo estabelecido pelo rei, não serás punido".
b) adverbiais temporais: "Feito isso, voltarás no
tempo estabelecido à minha presença, afim de que possa
lavrar a sentença." / "Aplacada a tempestade , cuidou
Cabral em recolher a si a armada." / "Conclusa a tarefa,
o ancião perguntou-lhe qual dos cântaros estava mais
limpo, mais claro e puro".
***********************************************
SINAIS DE PONTUAÇÃO
VÍRGULA ( , )
Usa-se a vírgula:
01. para separar termos de mesma função sintática,
desde que as conjunções e e ou não apareçam na oração;
Ex.: Casa, mesa, convivas, tudo desapareceu. –
aqui, as vírgulas separam os núcleos do sujeito.
Hás de volver ao corpo que és, órgão por órgão, fi-
bra por fibra, artéria por artéria. – aqui, a vírgula separa
objetos diretos.
Ele que encanta as crianças, as mães, os tristes e os
amantes. – aqui, a vírgula separa objetos diretos.
02. para isolar o aposto explicativo.
Ex.: Jesus, sábio infeliz, mestre dos grandes mestres
e Rei dos grandes reis, Jesus, Mártir sublime, vieste ao
mundo...
03. para separar (ou isolar) o vocativo;
Ex.: Ora, mano, deixe essas coisas...
04. para separar o adjunto adverbial deslocado (de
duas ou de mais palavras) do resto da oração;
Ex.: Na manhã seguinte, Teresa estava jubilosa em
seu mirante.
Obs.: Diz-se que o adjunto adverbial está deslocado,
quando precede o verbo ou os objetos ou ainda o predi-
cado nominal. Se o adjunto é um mero advérbio, a vírgu-
la é, muitas vezes, dispensável.
Ex.: Hoje amanheceu chovendo.
Hoje, amanheceu chovendo.
05. para substituir o verbo subentendido.
Ex.: Fomos à Europa; eles, à Oceania.
06. para isolar orações ou termos intercalados;
Ex.: Não conheço negócios de justiça, pensava ele,
mas parece que não tenho nada com isso.
07. para separar as orações coordenadas assindéti-
cas;
Ex.: O agente falou uma coisa e outra, depois saiu.
08. para separar as orações coordenadas sindéticas
com a conjunção e, quando têm sujeitos diferentes;
Ex.: A vontade popular dividira-se entre nomes con-
tundentes, e o Congresso, de antemão, firmava...
09. para isolar as conjunções adversativas e as con-
clusivas intercaladas na frase;
Ex.: Não se podia negar, porém, que era um pro-
gresso.
10. para separar as orações correlatas aditivas, con-
secutivas e comparativas de igualdade;
Ex.: Tal fora o pai, tal é o filho. (comparativa)
Falou tanto, que ficou rouco. (consecutiva)
11. para separar as orações reduzidas de gerúndio,
de particípio ou de infinitivo.
Ex.: O cachorro pagava as carícias de Rubião, latin-
do, pulando, beijando-lhe as mãos.
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12. para separar (ou para isolar) as palavras conclu-
sivas, explicativas, retificativas ou enfáticas da oração
(ou da frase).
Ex.: Passamos, isto é, pulamos uma vala.
Aliás, não lhe pede nada.
Obs.: Não se usa a vírgula, para separar o sujeito do
predicado, nem o verbo de seu complemento.
Ex.: O jogador pediu ao preparador para fazer testes
de capacidade física.
A BR-116, que, em Santa Catarina, atravessa
a região do chamado Planalto Serrano,...
PONTO-E-VÍRGULA ( ; )
O ponto-e-vírgula denota uma pausa mais longa que
a vírgula e emprega-se principalmente:
01. para destacar, separadamente, cada um dos seres
de um período composto.
Ex.: Márcia é enfermeira; Carlos é professor; e Te-
resa é aeromoça.
02. Para separar os considerandos de um decreto,
sentença, petição, etc.
Ex.: É função de todo político:
a) roubar;
b) mentir;
c) ficar à toa;
d) ser mau-caráter.
DOIS-PONTOS ( : )
Emprega-se este sinal de pontuação:
01. para anunciar a fala dos personagens nas histó-
rias de ficção;
Ex.: O baixinho retomou o leme, dizendo: – Olha,
menino, veja a Bahia.
Ouvindo passos no corredor, abaixei a voz: –
Podemos avisar sua tia, não?
02. antes de uma citação direta;
Ex.: Repetia as palavras do pai:
– O mundo, sem a selva, será triste e mau.
O pessoal do extremo norte tem um slogan:
– Amazônia também é Brasil !!!
03. antes do aposto enumerativo.
Ex.: Tudo ameaça as plantações: vento, enchentes,
geadas, insetos, daninhos, bichos, etc.
Duas coisas lhe davam superioridade: o saber e
o prestígio.
Existem, na esgrima, três modalidades de ar-
mas: florete, sabre e espada.
04. antes de orações subordinadas substantivas apo-
sitivas;
Ex.: A verdadeira causa das guerras é esta: os ho-
mens se esquecem do Decálogo.
Só ponho uma condição:
– Almoçarás comigo.
É triste dizer:
– O velho, às vezes, embriagava-se.
05. para indicar um esclarecimento, um resultado ou
um resumo do que se disse.
Ex.: Afinal, a casa não caíra do céu por descuido:
fora construída pelo major.
Resultado: no fim de algum tempo, tinha o
que se chama “dinheiro no Banco”.
TRAVESSÃO ( – )
O travessão (–) é um traço maior que o hífen e é
usado:
01. nos diálogos, para indicar mudança de interlocu-
tor, ou, simplesmente, no início da fala de um persona-
gem;
Ex.: – Você é daqui mesmo? Perguntei.
– Sou, sim senhor, respondeu o garoto.
02. para separar expressões ou frases explicativas
ou apositivas;
Ex.: Berço de um mundo novo – o promontório
dorme.
E, logo, me apresentou à mulher – uma estimá-
vel senhora – e à filha.
03. para isolar palavras ou orações para as quais se
deseja chamar a atenção do leitor;
Ex.: Acresce que chovia – peneirava – uma chuvi-
nha miúda, triste e constante...
04. para ligar palavras em cadeia de um itinerário.
Ex.: A via férrea São Paulo – Sorocaba.
A linha aérea Brasil – Estados Unidos.
A estrada Belém – Brasília.
O duplo travessão sempre substitui o duplo parênte-
se e, às vezes,a dupla vírgula.
Ex.: Uma das glórias – e tantas são elas! da ordem
Beneditina no Brasil, é D. Frei Antônio do Desterro.
ASPAS DUPLAS ( “...” )
01. Usam-se antes e depois de uma citação textual
(palavra, expressão, frase ou trecho);
Ex.: Disse Apeles ao sapateiro que o criticara:
“Sapateiro, não passes além da sandália!”
“A bomba não tem endereço certo.”
02. Costuma-se aspear expressões ou conceitos que
se desejam pôr em evidência:
Ex.: Miguel Ângelo, “o homem das três almas” ...
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Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de
“menino diabo”.
NOTA: Põe-se entre aspas ou, então, grifam-se pa-
lavras estrangeiras ou termos da gíria, títulos de obras li-
terárias ou artísticas, jornais, revistas; enfim, toda ex-
pressão que deva ser destacada: ... ao som dessa horren-
da música denominada “jazz-band”... (C. L.). Vem cá,
“chiquito”, não sejas assim desconfiado comigo... (M.
A.). Assim contou-me o “tira”... (A. Machado). O “Li-
berdade” nunca foi o que ora se chama uma folha
“amarela” (C. L.)
PONTO ( . )
O ponto é um sinal que marca fim de período. No
princípio, os iniciantes em redação, em geral, procuram
evitá-lo. É aconselhável que cada assunto represente um
período, o que não quer dizer que todos os períodos de-
vam ser curtos.
O uso adequado do ponto leva à três qualidades do
estilo, que são: a correção, a elegância e a simplicida-
de.
O ponto é usado, ainda, em quase todas as abrevia-
turas:
Ex.: Cia. (Companhia), Sr. (Senhor), Sra. (Senhora),
pág. (página), Exmo. (Excelentíssimo).
Se a palavra abreviada estiver em final de pe-
ríodo, só usaremos um ponto.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! )
Usa-se:
01. em final de frase exclamativa;
Ex.: Como te pareces com a água, ó alma humana!
Que espetáculo é este quadro!
02. nas interjeições e nas locuções interjetivas;
Ex.: Ah! / Psiu! / Meu Deus!
03. para substituir a vírgula num vocativo enfático;
Ex.: Paula! onde estiveste?
04. costuma-se repetir o ponto de exclamação
quando a intenção é marcar um reforço na duração ou na
intensidade da voz.
Ex.: Quantas mulheres!!! / Viva eu!!!
Obs.: A exemplo do ponto de interrogação, não se
usa inicial maiúscula após o ponto de exclamação que
não indique final de período.
PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? )
Principais casos de uso:
01. nas orações interrogativas diretas;
Como vai você?
Onde estás?
02. em ordens, pedidos ou instruções;
Você poderia explicar essa estória direito?
Posso contar com sua colaboração?
03. entre parênteses, para indicar incerteza ou dúvi-
da sobre a frase ou o termo antecedente.
Ele saiu à meia-noite (?).
Todos afirmaram que a festa foi ótima (?).
RETICÊNCIAS ( ... )
Usam-se principalmente nos seguintes casos:
01. para indicar suspensão ou interrupção de pen-
samento;
A vida é punição, sonho, mentira...
E eu pensando que...
02. para sugerir certo prolongamento da ideia no
fim de um período gramaticalmente completo;
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu
também...
Como as rosas, são todas as mulheres: quem colher
a rosa também colhe o espinho...
03. para indicar hesitação ou breve interrupção de
pensamento;
Eu não a beijava porque ... porque ... eu tinha ver-
gonha.
04. para realçar uma palavra ou expressão;
Hoje em dia, mulher casa com “pão” e ... passa fo-
me.
05. para indicar pausa maior que aquela sugerida
pela vírgula.
A existência é surgir ... passar ... morrer.
***********************************************
CONCORDÂNCIA
1. NOÇÕES GERAIS
É o mecanismo pelo qual as palavras alteram sua
terminação para se adequarem harmonicamente na frase.
A concordância pode ser feita de três formas:
Lógica ou gramatical – é a mais comum no por-
tuguês e consiste em adequar o determinante (acompa-
nhante) à forma gramatical do determinado (acompanha-
do) a que se refere.
Exemplos:
– A maioria dos professores faltou.
O verbo (faltou) concordou com o núcleo do sujeito
(maioria)
– Escolheram a hora adequada.
O adjetivo (adequada) e o artigo (a) concordaram
com o substantivo (hora).
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Atrativa – é a adequação do determinante:
a) a apenas um dos vários elementos determinados,
escolhendo-se aquele que está mais próximo:
– Escolheram a hora e o local adequado.
O adjetivo (adequado) está concordando com o
substantivo mais próximo (local)
b) a uma parte do termo determinado que não cons-
titui gramaticalmente seu núcleo:
– A maioria dos professores faltaram.
O verbo (faltaram) concordou com o substantivo
(professores) que não é o núcleo do sujeito.
c) a outro termo da oração que não é o determinado:
– Tudo são flores.
O verbo (são) concorda com o predicativo do sujei-
to (flores).
Ideológica ou silepse – consiste em adequar o
vocábulo determinante ao sentido do vocábulo determi-
nado e não à forma como se apresenta:
– O povo, extasiado com sua fala, aplaudiram.
O verbo (aplaudiram) concorda com a ideia da pa-
lavra povo (plural) e não com sua forma (singular).
2. CLASSIFICAÇÃO
A concordância classifica-se em: nominal e verbal.
a) NOMINAL
1) Quando se refere a um único substantivo, o adje-
tivo concorda com ele em gênero e em número.
– Não deixe as portas abertas.
– O livro está sujo.
2) Quando o adjetivo vem antes dos substantivos:
* O adjetivo concorda em gênero e número com o
substantivo mais próximo.
– Encontramos abandonadas as cidades e os vilare-
jos.
– Encontramos abandonada a cidade e o vilarejo.
– Encontramos abandonado o vilarejo e a cidade.
* Quando os substantivos são nomes de pessoas ou
de parentescos, o adjetivo vai sempre para o plural.
– Encontramos os cuidadosos tio e tia.
– Lemos essas afirmações nos talentosos Machado
de Assis e Euclides da Cunha.
3) Quando o adjetivo vem depois dos substantivos:
* Se os substantivos forem de gêneros diferentes e
estiverem no singular, o adjetivo geralmente concorda
com o mais próximo.
Roubaram a camisa e o paletó branco.
* Se os substantivos forem de gêneros diferentes e
estiverem no plural, o adjetivo, geralmente, concorda
com o gênero do substantivo mais próximo e vai para o
plural.
Pesquisei o assunto em livros e em revistas antigas.
* Se os substantivos forem de gêneros e números
diferentes, o adjetivo, geralmente, vai para o masculino
plural.
– Comprei esta revista e estes livros antigos.
– Comprei estas revistas e este livro antigos.
4) Nas expressões formadas pelo verbo SER +
ADJETIVOS .
* O adjetivo ficará no masculino singular, se o subs-
tantivo não for acompanhado de nenhum modificador.
Limonada é bom para a saúde.
* O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
modificado por um artigo ou por qualquer outro deter-
minante.
Esta limonada é boa para a saúde.
5) O adjetivo concorda em gênero e em número
com os pronomes pessoais a que se refere:
Eu as vi ontem muito aborrecidas.
6) Anexo, obrigado, mesmo, incluso, próprio, leso e
quite são palavras adjetivas e concordam, normalmen-
te, com os substantivos ou com os pronomes a que se re-
ferem.
– Anexas à carta, irão as listas de preços.
– A menina disse: muito obrigada.
– Ela mesma presidirá a reunião.
Obs.: A palavra Anexo, após a preposição em, não
varia.
Em anexo à carta, irão as listas de preços.
7) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
função adjetiva e concorda, normalmente, com o nome a
que se refere.
– Ela saiu só.
– Elas saíram sós.
* Quando equivale a “somente” ou a “apenas”, tem
função adverbial, ficando, portanto, invariável.
Ele só quer resolver o problema.
Eles só querem resolver o problema
8) A palavra bastante, quando for empregada como
advérbio, não se flexionará.
– Eles falaram bastante durante a reunião.
– Recebi projetos bastante interessantes.
* Quando for empregada como adjetivo,flexionar-
se-á normalmente.
Ex.: Recebemos bastantes projetos nesta semana.
9) As palavras alerta e menos são invariáveis.
– Os guardas estão sempre alerta.
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– Desta vez, recebemos menos encomendas do que
vocês.
10) A palavra meio, quando for empregada como
adjetivo, concordará, normalmente, com o nome a que se
refere.
– Ele comeu meia maçã.
– Tomamos meia garrafa de cerveja.
* Quando for empregada como advérbio (modifi-
cando um adjetivo) permanecerá invariável.
Ex.: A moça está meio abatida.
b) VERBAL
Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar
com o seu sujeito.
Ex.: Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser.
Eles gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser.
1) Quando o sujeito é simples:
* Se for constituído por um substantivo coletivo, o
verbo irá para o singular.
Ex.: O batalhão refugiou-se no velho castelo.
* Se o substantivo coletivo for seguido de palavra
que especifique os elementos que os compõem, o verbo
poderá ir para o singular ou para o plural, conforme se
queira realçar a ação do conjunto ou de cada elemento.
Ex.: Um grupo de estudantes invadiu (ou invadi-
ram) o salão.
* Se for constituído por uma expressão que indica
quantidade aproximada, o verbo, geralmente, irá para o
plural.
Ex.: Perto de mil atletas prestaram juramento on-
tem.
* Se for constituído por uma expressão que indique
parte de um todo, o verbo poderá ir ou não para o plural.
A decisão depende, antes, de uma ação estilística.
Ex.: A maior parte dos candidatos desistiu (ou
desistiram) do concurso.
* Se for constituído pela expressão mais de um +
substantivo, o verbo ficará no singular, a não ser que
expresse ideia de reciprocidade.
Ex.: Mais de um aluno foi aprovado no teste.
Mais de um candidato se ofenderam nas
propagandas eleitorais.
2) Quando o sujeito é composto:
* Se vier depois do verbo, este, geralmente, concor-
dará com o núcleo mais próximo.
Ex.: Amedrontou-nos o silêncio e a escuridão do
lugar.
* Se os núcleos do sujeito constituem uma grada-
ção, o verbo, geralmente, fica no singular.
Ex.: A indignação, a raiva, o ódio tomou conta
do seu coração.
* Se os núcleos do sujeito são sinônimos ou têm
sentidos próximos, o verbo fica no singular.
Ex.: Sua calma e tranquilidade sempre nos
transmitia segurança.
* Se os núcleos do sujeito estão resumidos por um
pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, etc.), o verbo
fica no singular.
Ex.: Aflição, dores, tristezas, nada o fazia aban-
donar seu objetivo.
* Se o sujeito é composto por um ou outro ou nem
um nem outro, o verbo geralmente fica no singular.
Ex.: Um ou outro aluno será escolhido.
Nem um nem outro será eliminado.
* Se os núcleos do sujeito estão representados por
pronomes pessoais do caso reto, o verbo faz a seguinte
concordância:
– eu e tu; eu, tu e ele (s); eu e ele (s) = nós
– tu e ele (s) = vós (ou vocês)
Ex.: Eu, Célia e Renata faremos esta viagem.
Tu e teus amigos ireis (ou irão) à fazenda.
3) Verbo Ser:
O verbo SER concorda com o predicativo:
* Quando o sujeito é um dos pronomes isto, isso,
aquilo ou tudo.
Ex.: Tudo eram alegrias naquela casa.
Isto são os ossos do ofício.
* Quando o sujeito é constituído de uma expressão
de sentido coletivo.
Ex.: A maioria dos presentes eram jovens.
* Quando o predicativo é um pronome pessoal.
Ex.: O herdeiro destas terras serás tu.
* Em orações impessoais, indicando distância, tem-
po ou data.
Ex.: São três horas da tarde.
Eram sete de setembro de 1822.
Daqui ao sítio são dois quilômetros.
4) Verbos Bater, Soar e Dar:
* Quando forem empregados com referência às ho-
ras do dia, os verbos bater, soar e dar (ou seus sinôni-
mos) concordarão com o número de horas.
Ex.: Já soaram dez horas no relógio da sala.
Acabaram de dar quatro horas.
* Quando o sujeito desses verbos está explícito, a
concordância é feita normalmente.
Ex.: O relógio da sala bateu dez horas.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
5) Haja vista:
A expressão haja vista admite três construções di-
ferentes:
* invariáveis (seguidas ou não de preposição).
Ex.: Haja vista os exemplos dados por ele.
Haja vista aos fatos explicados por essa te-
oria.
* variável (desde que não seja seguida de preposi-
ção), considerando-se o termo seguinte como sujeito.
Ex.: Hajam vista os exemplos de sua dedicação.
Obs.: A construção haja visto é errônea, devendo
ser sempre evitada.
***********************************************
REGÊNCIA
1. NOÇÕES GERAIS
A sintaxe de regência é o mecanismo gramatical
que cuida das relações de dependência que as palavras
mantêm entre si numa frase, ou seja, numa frase haverá
sempre um termo (que pode ser um verbo, um substanti-
vo um adjetivo ou um advérbio) que exigirá um outro
termo que o complete ou que amplie o seu sentido.
Ex.: Na frase: “A criança tem medo fantasma”, está
faltando uma palavra para que esta fique completa. Nota-
se que o termo ausente é a preposição de. Essa preposi-
ção é exigida pela palavra medo (ter medo de) e estabe-
lece a relação entre medo e fantasma.
Assim, a frase completa é: “A criança tem medo de
fantasma”.
O termo que exige o outro é o regente; o termo exi-
gido é o regido ou o complemento.
2. CLASSIFICAÇÃO
Há duas espécies de regência: a nominal e a verbal.
REGÊNCIA NOMINAL
Ocorre a regência nominal quando o termo regente
for um nome (que pode ser um substantivo, um adjetivo
ou um advérbio).
Em geral, a relação de dependência entre um nome
e o seu complemento é estabelecida por uma preposição.
O complemento, quando for regido por um nome,
será o complemento nominal.
Ex.: Minha escola fica longe de casa.
* termo regente = longe (advérbio)
* termo de ligação = preposição de
* termo regido = de casa (complemento nominal)
Muitos termos regentes admitem mais de uma re-
gência e, assim como ocorre com certos verbos, o senti-
do de uma frase pode ser modificado com a simples mu-
dança da preposição que acompanha o termo regido. As-
sim, o problema é escolher que preposição atende aos di-
tames da clareza, da eufonia e da regência nominal.
Para orientar você nesse aspecto, apresentamos, a
seguir, uma breve relação de nomes, acompanhadas de
preposições que os completam.
1. acostumado (a, com)
2. acesso (a)
3. afável (a, com, para com)
4. aflito (com, por)
5. alheio (a, de)
6. amor (a, de, para com, por)
7. ansioso (de, para, por)
8. apegado (a)
9. apto (a, para)
10. assíduo (a, em)
11. atenção (a, com, para, para com, sobre)
12. atencioso (a, com, para com)
13. aversão (a, para, por)
14. avesso (a)
15. ávido (de, por)
16. bom (a, com, de, em, para com)
17. capacidade (de, para)
18. capaz (de, para)
19. compaixão (de, para, para com, por)
20. compatível (com)
21. comum (a, entre)
22. contente (com, em, de, por)
23. contrário (a)
24. cruel (com, para, para com)
25. desejoso (de)
26. desprezo (a, de, para, para com, por)
27. devoto (a, de)
28. digno (de)
29. dúvida (acerca de, em, sobre)
30. empenho (de, em, por)
31. estima (a, de, em, para)
32. fácil (a, de, em, para)
33. fanático (de, por)
34. fértil (de, em)
35. fiel (a, em, para com)
36. gosto (a, de, em, para, por)
37. hábil (em)
38. hostil (a, contra, para com)
39. habituado (a, com)
40. idêntico (a, em)
41. imune (a, de)
42. inclinação (a, por, para)
43. ingrato (a, com, para, para com)
44. insensível (a)
45. intransigente (com, em)
46. inveja (a, de)
47. isento (de)
48. longe (de)
49. medo (a, de)
50. nocivo (a)
51. obediência, obediente (a)
52. ódio (a, contra, entre, para com)
53. ojeriza (a, com, contra, por)
54. orgulhoso (com, de, em, por)
55. paixão (de, por)
56. passível (de)
57. perto (de)
58. predileção (por, sobre)
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
59. preferência (por,sobre)
60. pronto (a, em, para)
61. próprio (a, de, para)
62. próximo (a, de)
63. relacionado (com)
64. respeito (a, de, para com, por)
65. satisfeito (com, de, em, por)
66. simpatia (com, para com, por)
67. surdo (a)
68. suspeito (a, de)
69. último (a, de, em,)
70. único (a, entre)
71. vazio (de)
72. versado (em)
73. zelo (a, de, por)
REGÊNCIA VERBAL
Ocorrerá a regência verbal quando o termo regente
for um verbo e poderá estabelecer-se:
a) diretamente, sem auxílio de preposição.
Ex.: Vendi um terreno.
Neste caso, o verbo é chamado de transitivo dire-
to; e o termo regido, de objeto direto.
b) e indiretamente, com o auxílio obrigatório de
preposição.
Ex.: Gostamos de sorvete.
Neste caso, o verbo é chamado de transitivo indi-
reto; e o termo regido, de objeto indireto.
Nota: O objeto completa o sentido do verbo, por is-
so é o complemento verbal. Quando o verbo dispensa
esse complemento, chama-se intransitivo.
A seguir, damos a regência de alguns verbos:
Abreviações usadas:
VTD = verbo transitivo direto;
VTI = verbo transitivo indireto;
VTDI = transitivo direto e indireto;
VI = verbo intransitivo;
OD = objeto direto;
OI = objeto indireto.
* ABDICAR (renunciar)
VI - O rei abdicou.
VTD - O rei abdicou o império.
VTI + preposição "DE" - Ele abdicou de seus direi-
tos.
* ABRAÇAR
VTD - Ele abraçou a filha.
Como VTD, também tem o sentido de "seguir" ou
"adotar":
– Ele abraçou a carreira diplomática.
VTI (+ as preposições A, COM, CONTRA, EM):
– Ele abraçou-se ao filho.
– Ele abraçou-se com o filho.
– Ele abraçou-se contra o filho.
* ACEDER
VTI (+ a preposição A):
– Ela acedeu ao pedido do filho.
* ACONSELHAR
VTD - Um pai deve aconselhar os filhos.
VTDI (+ a preposição A):
– Não aconselho ninguém a ver este filme.
* ASPIRAR
VTD (com o sentido de "absorver", "cheirar"):
– Aspire o ar da manhã.
VTI (+ a preposição "A" no sentido de "desejar
muito", "pretender", “almejar”):
– Ele aspira ao sucesso.
Obs.: Nesta última acepção, o verbo aspirar rejeita
o pronome LHE (s) como complemento, devendo-se
usar em substituição as formas a ele (s), a ela (s):
– Aspiras a este cargo?
– Sim, aspiro a ele.
* ASSISTIR
VTI (+ a preposição "A", no sentido de ver ou pre-
senciar):
– Ele assistiu ao jogo.
Obs.: Nesta acepção, o verbo assistir rejeita o pro-
nome LHE (s) como complemento, devendo-se usar em
substituição as formas a ele (s), a ela (s):
VTI (+ a preposição "A", no sentido de caber por
direito):
– Este direito assiste aos deputados.
– Este direito lhes assiste.
VTD ou VTI (no sentido de socorrer, prestar as-
sistência):
– O médico assiste o (ao) ferido.
(com a preposição "EM", no sentido de "morar"):
– Mudou-se de Campinas e, atualmente, as-
siste em São Paulo.
* CHAMAR
VTD (no sentido de "mandar vir", convocar):
– O pai chamou os filhos.
(Obs.: Nesta acepção, pode ser construído também
com a preposição “POR”):
– Ele chamou por mim.
* Com o sentido de "apelidar", "dar nome a", o
verbo chamar admite as seguintes regências:
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
a) Chamaram o menino de bobo: Chamaram-no de
bobo.
b) Chamaram o menino bobo: Chamaram-no bobo.
c) Chamaram ao menino de bobo: Chamaram-lhe de
bobo.
d) Chamaram ao menino bobo. Chamaram-lhe bo-
bo.
* CHEGAR
VTI (construído com as preposições "A", “ATÉ” e
“DE”:
– Chegamos à cidade.
* IR
VTI (construído com as preposições "A", “ATÉ” e
“PARA”):
– Fui à feira.
* CUSTAR
VTI (no sentido de ser difícil ou custoso, empre-
gando-se na 3ª pessoa do singular e tendo uma oração in-
finitiva como sujeito):
– Custou muito preparar esta festa. (errado)
– Custou-me muito preparar esta festa. (correto)
– Custa a crer que eles tenham brigado. (errado)
– Custa a ela crer que eles tenham brigado. (correto
)
* ESQUECER
VTD - Esqueci o livro.
VTI (pronominal, com a preposição "DE"):
– Esqueci-me do livro.
Obs.: As mesmas regências são válidas para o verbo
LEMBRAR:
– Lembro a cena. (correto)
Lembra-me a cena. (errado)
– Lembro-me da cena. (correto)
Lembram-me as cenas. (errado)
* IMPLICAR
VTD (no sentido de acarretar e de provocar):
– A desobediência ao regulamento implicará
o cancelamento da matrícula.
VTI (com a preposição "COM", no sentido de "an-
tipatizar", contender):
– O professor sempre implicava com os alu-
nos.
* INFORMAR
VTDI (com a preposição "A"):
– Informou o resultado da votação a ela.
VTDI (com a preposição "DE”):
– Informei os presentes do resultado da vota-
ção.
(Obs.: No sentido de “inteirar-se”, “pôr-se a par”,
o verbo informar é pronominal, sendo construído com a
preposição “DE”):
– Ele se informou do caso ontem, à noite.
* As mesmas regências são válidas para os verbos
CERTIFICAR, NOTIFICAR e PREVENIR.
* OBEDECER
VTI (com a preposição "A"):
– Obedeça ao regulamento.
– Obedeça-lhe atentamente.
Obs.: A mesma regência é válida para o verbo DE-
SOBEDECER.
* PENSAR
VTD (com o sentido de "curar", "tratar"):
– O médico pensou as feridas do soldado.
VTI (com a preposição "EM"):
– Ele está pensando em seus problemas.
Obs.:
a) com o sentido de "meditar", "refletir", o verbo
pensar constrói-se, também, com a preposição "SO-
BRE":
– Ele pensa sobre a morte.
b) com o sentido de "julgar", "fazer conceito de al-
guém", constrói-se com a preposição "DE":
– Ele pensou mal de nós.
* PREFERIR
VTDI (com a preposição "A"):
– Prefiro passear a ver televisão.
Obs.: Preferir significa "querer antes", portanto,
são errôneas as construções do tipo: "Prefiro mais isto do
que aquilo", "Prefiro antes isto ...".
* PRESIDIR
VTD ou VTI (com a preposição "A" e "EM"):
– Ele presidiu os trabalhos.
– Ele presidiu aos trabalhos.
– Ele presidiu nos trabalhos.
* REPARAR
VTD (com o sentido de "consertar")
– Chame alguém para reparar esta máquina.
VTI (com a preposição "EM", no sentido de "pres-
tar atenção"):
– Repare na beleza desta moça.
* RESPONDER
VTDI - Respondi aos amigos que não iria embora.
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* VISAR
VTD (no sentido de mirar ou pôr o visto em):
– O caçador visou o animal.
– O funcionário visou o passaporte.
VTI (com a preposição "A", no sentido de "ter em
vista", "desejar"), não admitindo nesse caso o pronome
LHE (s) como complemento, que deve ser substituído
por a ele (s), a ela (s):
– Você visa ao poder?
– Sim, viso a ele.
*********************************************
SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS
As relações de significado entre palavras atuam
como um dos elementos estruturadores dos textos. Para
investigar como isso ocorre, estudaremos, neste capítulo,
algumas dessas relações.
*Relações de significado entre as palavras
Introdução
Toda Saudade
Toda saudade é a presença da ausência
de alguém, de algum lugar, de algo enfim.
Súbito o não toma forma de sim
como se a escuridão se pusesse a luzir.
Da própria ausência de luz
o clarão se produz,
o sol na solidão.
Toda saudade é um capuz transparente
que veda e ao mesmo tempo traz a visão
do que não se pode ver
porque se deixou pra trás
mas que se guardou no coração.
(Gil, Gilberto, In: O eterno Deus Mu Dança. LP WEA
670.8059, 1989. Faixa 5, lado 2.)
O texto “Toda Saudade” consegue transmitir aquilo
que a saudade tem de mais característico: a ideia de
permanência daquilo e daqueles que não permanece-
ram. Para alcançar essa noção tão difícil de definir, a
canção explora principalmente a possibilidade de apro-
ximar e relacionar palavras de sentidos opostos, como
presença/ausência, sim/ não, escuridão/clarão. Contami-
nadas por esse procedimento, outras palavras adquirem
sentidos opostos no texto: vedar/trazer, deixar/guardar,
sol/solidão.
As relações de significado entre as palavras consti-
tuem um poderoso instrumento de organização dos tex-tos. No caso de “Toda Saudade”, podemos afirmar que o
conjunto do texto se articula a partir da oposição de sen-
tidos entre palavras. Não se deve deixar de perceber que
as relações de significado são muitas vezes exclusivas de
um determinado texto, resultando a organização particu-
lar desse texto.
*Relações de significado e construção de textos
Palavras de significados opostos como “ausência” e
“presença” ou “sim” e “não“ são chamadas antônimos.
A aproximação de antônimos gera efeitos expressivos
capazes de sugerir noções sutis, como o que ocorre em
“Toda Saudade”.
Palavras de mesmo significado são chamadas sinô-
nimos. É o que ocorre, por exemplo, com palavras como
“agradável”, “aprazível”, “deleitável”, “deleitoso”, “de-
licioso”, “ameno”, “grato”, “gostoso”, “saboroso”. Ob-
serve que os sentidos dessas palavras são próximos, mas
não são exatamente equivalentes.
O uso de palavras sinônimas pode ser de grande uti-
lidade nos processos de retomada de elementos que in-
ter-relacionam as partes dos textos. Observe:
“Alguns segundos depois, apareceu um menino.
Era um garoto magro, de pernas compridas e finas. Um
típico moleque.”
Apesar de cada uma dessas palavras terem seus ma-
tizes próprios de significação, são usadas no texto para
designar um mesmo ser. Perceba, assim, que a relação de
sinonímia não depende exclusivamente do significado
das palavras isoladas, mas resulta também do emprego
que têm nos textos.
Uma relação de significado muito importante para a
construção de textos é a que se estabelece entre hiperô-
nimos e hipônimos. Um hiperônimo é uma palavra cujo
significado é mais abrangente do que o seu hipônimo: é
o que acontece, por exemplo, com as palavras “veículo”
e “carro” - “veículo” é hiperônimo de “carro” porque em
seu sentido está contido o significado de “carro”, ao lado
do significado de outras palavras como “carroça”,
“trem”, “caminhão”. “Carro” é um hipônimo de “veícu-
lo”.
A relação entre hipônimos e hiperônimos é muito
útil para a retomada de elementos textuais:
- Há muito tempo planejavam derrubar aquele ipê.
A velha árvore parecia perturbar os administradores
municipais.
- Proteja o lobo-guará. É um animal que corre o ris-
co de extinção.
São hiperônimos muito importantes palavras de
sentido genérico como “fato”, “acontecimento”, “coi-
sa”, “fenômeno”, “pessoa”, “ser”. Essas palavras são
muito frequentes nos mecanismos de retomada de ele-
mentos textuais. Vejamos:
– A ampliação da pobreza compromete a estabili-
dade social do país e é um fato que não pode ser omitido
em qualquer proposta séria de planejamento governa-
mental.
– A troca de insultos sopapos entre os deputados
ganhou destaque nos jornais. O acontecimento foi recri-
minado em vários editoriais.
As palavras de sentido genérico e os hiperônimos
são muito úteis para a retomada de elementos textuais
anteriormente citado. Seu uso deve ser limitado a essa
função, pois essas palavras carecem da precisão caracte-
rística dos hipônimos.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
Da relação existente entre a expressão e o seu signi-
ficado, surge a denotação e a conotação.
DENOTAÇÃO – é a propriedade que possui uma pa-
lavra de limitar-se a seu próprio conceito mostrando,
apenas, seu significado original, autêntico e objetivo.
CONOTAÇÃO – é a capacidade de uma palavra po-
der ampliar-se no seu significado, tomando outro senti-
do, em razão do próprio contexto. São comuns, nas obras
literárias, os autores recorrerem aos vocábulos conotati-
vos para criarem uma realidade imaginária.
Tomemos, por exemplo, a palavra ESTRELA:
Será denotativa quando designar sua real exis-
tência, seu sentido próprio - corpo celeste.
Ex.: - As estrelas brilham em noite de esplendor.
- O Sol é a estrela mais próxima da Terra.
Terá valor conotativo quando deixar de ter sen-
tido próprio para figurar uma celebridade artística ou
uma opinião.
Ex.: - As estrelas do cinema brilham na noite do
Oscar.
- Romário é uma estrela em decadência.
Graficamente, diríamos que as palavras podem ser
vistas sob dois aspectos:
ASPECTO
DENOTATIVO
ASPECTO
CONOTATIVO
objetivo
um significado
racional
próprio
real
subjetivo
vários significados
irracional
figurado
irreal
SENTIDO
Denotação versus Conotação
Denotação é a significação literal ou o sentido evo-
cado da palavra no dicionário.
Conotação é um novo plano de conteúdo para um
significante.
Significante versus Significado
Para entender esse par de conceitos, devemos levar
em conta que o signo linguístico é constituído por duas
partes distintas, embora uma não exista separada da ou-
tra. Esse signo divide-se numa parte perceptível, consti-
tuída de sons, que podem ser representados por letras, e
numa parte inteligível, constituída de um conceito.
A parte perceptível do signo denomina-se signifi-
cante ou plano de expressão; a parte inteligível, o con-
ceito, denomina-se significado ou plano de conteúdo.
Quando ouvimos, por exemplo, árvore, percebemos
uma combinação de sons (o significante) que associamos
imediatamente a um conceito (o significado).
POLISSEMIA
É a propriedade que os vocábulos têm de assumi-
rem, numa única palavra, vários significados, de acordo
com a frase ou contexto.
Tomemos, como exemplo, o adjetivo FINO:
- O garoto tinha a voz fina. (aguda)
- A faca do açougue tem a lâmina fina. (afiada)
- Campari é uma bebida fina. (excelente)
- Aquele senhor é tão fino, que dá gosto conversar
com ele. (educado)
Outras palavras polissêmicas: linha, ponto, manga,
pé, pena, velar, o verbo dar, e outras.
SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL
Acabamos de dizer que é muito comum um único
significante evocar vários significados e que, nesses ca-
sos, ocorre a polissemia. Mas isso não chega a constituir
problema para a clareza e objetividade de comunicação,
porque a polissemia, em geral, fica neutralizada pelo
contexto.
SEMÂNTICA
1. INTRODUÇÃO – CONCEITO
Semântica é a ciência da gramática que estuda a
significação das palavras, procurando definir as rela-
ções das mesmas com os objetos que elas designam.
*Relações de sentido entre itens lexicais
O léxico consiste no repertório de palavras de que
uma dada língua dispõe. Ou melhor, o léxico é sinônimo
de vocabulário.
O vocabulário de uma nação civilizada apresenta
várias modalidades que podem coexistir sem quebra de
sua estrutura comum, de sua unidade.
No português usado hoje no Brasil, podemos perce-
ber influência lexical de várias modalidades, das quais
destacamos:
Neologismo – palavras novas que se incorporam
à língua;
Gíria – vocabulário que surge num determinado
grupo social;
Regionalismo – vocabulário próprio de uma da-
da região;
Jargão – linguagem típica de uma determinada
profissão;
Estrangeirismo – termos estrangeiros incorpora-
dos à nossa língua;
O autor de um texto pode escolher palavras dentro
de uma determinada modalidade lexical, para criar efeito
de sentido. Pode escrever seu texto em gíria, ou utilizar
uma linguagem regionalista ou fazer uso de muitos jar-
gões. Isoladas, essas palavras pouco comunicam. O que
determina o seu significado é o contexto em que ela apa-
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
rece e o que importa não é apenas identificar a escolha
feita pelo autor, mas verificar qual é a função que elas
têm no sentido do texto. Uma mesma palavra pode pos-
suir significações diferentes, dependendo do contexto em
que está inserida.
2. CLASSIFICAÇÃO
As palavras quanto ao seu significado podem apre-
sentar:
a) SINONÍMIAS (sinônimas) – quando têm o
mesmo significado ou identidades semelhantes.
Exemplos:
alfabeto = abecedário
brado = grito, berro, clamor, etc.
apagar = extinguir, suprimir, etc.
banal = vulgar
justo = certo, íntegro, imparcial, etc.
Raramente,as palavras apresentam sinonímia per-
feita.
O grego e o latim são responsáveis, positivamente,
pela existência de inúmeros pares de sinônimos em nossa
língua. Vejamos alguns:
adversário = antagonista
moral = ética
colóquio = diálogo
translúcido = diáfano
semicírculo = hemiciclo
contraveneno = antídoto
oposição = antítese
b) ANTONÍMIAS (antônimas) – quando apresen-
tam significados opostos.
Exemplos:
longe = perto
ordem = anarquia
louvar = censurar
amor = ódio
calor = frio
A antonímia pode originar-se de um prefixo de sen-
tido oposto ou negativo.
Exemplos:
bendizer - maldizer
progresso - regresso
comunista - anticomunista
pré-nupcial - pós-nupcial
esperar - desesperar
c) HOMONÍMIAS (homônimas) – são palavras
que possuem determinadas semelhanças. Subdividem-se
em:
- Homógrafas e Homófonas – também chamadas
de Homônimas Perfeitas, por possuírem sons e grafias
iguais, porém apresentando significados diferentes.
são (sadio) - são (v. ser) - são (santo)
morro (subst.) - morro (verbo)
mato (subst.) - mato (verbo)
somem (somar) - somem (verbo sumir)
- Homônimas homógrafas – também conhecidas
como Homógrafas heterófonas, são palavras iguais na
escrita, porém apresentam sons diferentes.
colher (subst.) - colher (verbo)
vede (v. ver) - vede (v. vedar)
apoio (v. apoiar) - apoio (subst.)
jogo (v. jogar) - jogo (subst.)
- Homônimas homófonas – também conhecidas
como Homônimas heterográficas, por possuírem sons
iguais, porém grafias e significados diferentes.
acender (pôr fogo)
ascender (subir)
apreçar (verificar o preço)
apressar (acelerar)
concerto (espetáculo musical)
conserto (ato de arrumar)
cela (quarto de prisão)
sela (arreio)
sela (verbo selar)
censo (recenseamento)
senso (juízo, raciocínio)
Nota:
A homonímia pode ser causa de ambiguidade, por is-
so, é considerada uma deficiência dos idiomas.
d) PARONÍMIAS (parônimas) – são as que têm
semelhanças na pronúncia e na grafia, porém, apresen-
tam significados diferentes.
Exemplos:
- Ao sair apressado por causa de um incidente, João
provocou um acidente.
- O número de docentes da FEDF é incompatível
com o discente.
Enriqueça seu vocabulário:
afear............
afiar.............
=
=
tornar feio.
amolar.
acidente.......
incidente......
=
=
desastre.
acontecimento, imprevisto.
arrear..........
arriar...........
=
=
pôr arreio.
abaixar, descer.
bocal............
bucal............
=
=
embocadura.
relativo à boca.
coro..............
couro.............
=
=
coral.
pele.
cesta.............
sesta.............
Sexta.............
=
=
=
utensílio.
repouso.
numeral.
cavalheiro.....
cavaleiro.......
=
=
homem gentil, educado, cortês.
homem que anda a cavalo.
comprimento
cumprimento
=
=
extensão.
saudação.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
descrição......
discrição.......
=
=
ato de descrever.
qualidade do que é discreto.
descriminar..
discriminar....
=
=
inocentar
distinguir.
despensa......
dispensa.......
=
=
local para guardar alimentos.
licença, isenção, liberação para não
fazer algo.
docente.........
discente........
=
=
que ensina, relativo a professor.
que aprende, relativo a aluno.
emergir.........
imergir...........
=
=
boiar, aparecer.
afundar, sumir.
emigrar.......
imigrar..........
=
=
deixar o país para morar em outro.
entrar num país estranho
migrar - mudar de uma região para
outra.
fuzil...............
fusível...........
=
=
arma de fogo.
dispositivo de proteção contra descar-
ga elétrica.
infli-
gir............
infrin-
gir..........
=
=
castigar.
desobedecer à normas.
meado...........
miado............
=
meio.
voz do gato.
peão..............
pião...............
=
=
trabalhador.
brinquedo.
ouço..............
osso..............
=
=
do verbo ouvir
cada uma das partes do esqueleto
ratificar..........
retificar..........
=
=
confirmar.
corrigir.
recriar...........
recrear....
=
tornar a criar.
proporcionar recreio.
sede.............
cede.............
=
=
vontade de beber.
do verbo ceder.
sortir.............
surtir.............
=
=
abastecer
produzir
tráfego..........
tráfico............
=
=
trânsito.
comércio ilegal.
xeque...........
cheque..........
=
=
lance do jogo de xadrez.
ordem de pagamento.
e) POLISSÊMICAS (polissemia) – é a propriedade
que os vocábulos têm de assumirem, numa única pala-
vra, vários significados, de acordo com a frase ou con-
texto.
Tomemos, como exemplo, o adjetivo FINO:
- O garoto tinha a voz fina. (aguda)
- A faca do açougue tem a lâmina fina. (afiada)
- Campari é uma bebida fina. (excelente)
- Aquele senhor é tão fino, que dá gosto con-
versar com ele. (educado)
Outras palavras polissêmicas: linha, ponto, manga,
pé, pena, velar, o verbo dar, e outras.
***********************************************************
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
CRASE
A crase significa a fusão da preposição “A” com o
(s) artigo (s) feminino (s) “A(S)” ou com o(s) pronome
(s) demonstrativo (s) “A(S)”. A crase é indicada pelo
acento grave ( ` ).
1. REGRA FUNDAMENTAL
Emprega-se o sinal indicativo de crase, quando a
palavra antecedente exige a preposição “a” e a que segue
é precedida de artigo feminino A.
Para sabermos se há crase, basta provar a existência
da preposição “A” e do artigo feminino (A ou AS). O
que se conclui é que a crase só pode ser usada antes da
palavra feminina.
Também chamamos crase à contração da preposição
“A” com o “A” inicial dos pronomes demonstrativos
“aquele(s), aquela(s), aquilo”.
– Entregue o livro àquele moço.
– Não me refiro àquilo.
– Vamos à praia.
2. NORMAS PRÁTICAS
a) Trocar a palavra feminina por uma masculina. Se
aparecer “AO”, devemos usar crase.
Vou à festa. (Vou ao teatro).
Às grandes causas, grandes juristas. (Aos gran-
des processos, grandes juristas)
b) Com nomes indicando localidades, deve-se trocar
o verbo por outro que peça uma preposição diferente. (Se
aparecer “DA” ou “NA”, devemos usar à).
Vou à Bahia. (Gosto da Bahia/Venho da Bahia)
Vou a Roma. (Venho de Roma).
Vou à alegre Roma. (Estive na alegre Roma).
3. CASOS ESPECIAIS
a) A palavra CASA:
- Sem especificação, não haverá crase:
Cheguei a casa tarde.
- Com especificação, haverá crase:
Retornei à casa paterna.
Nunca mais regressamos à casa de Ourinhos.
b) A palavra DISTÂNCIA:
- Independentemente de ela estar ou não especifica-
da, haverá crase.
Avistei-o à distância de cem metros.
Avistei-o à distância.
c) A palavra TERRA:
- Dispensará o sinal indicativo de crase, se estiver
sendo usada com o sentido oposto a “a bordo” (lingua-
gem náutica).
Os piratas foram a terra.
- Com o sentido de pátria, região ou planeta, haverá
crase:
Regressamos à terra natal.
A espaçonave voltou à Terra.
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4, CRASE OBRIGATÓRIA
a) Em grande número de locuções formadas de pa-
lavras femininas: às vezes; à direita; à prova; às ordens,
à vontade; às pressas; às tantas, etc.
b) Em expressões de tempo formadas de palavras
femininas: partirá às três horas; sairá à uma hora; chegou
à noite.
5. CRASE FACULTATIVA
a) Antes de nomes de mulheres: Leve isto à (a) Jú-
lia. Não havendo intimidade, não se deve usar crase, pois
não se usa artigo: Referiu-se a Cleópatra.
b) Antes de possessivos femininos: Enviei o pre-
sente à (a) minha neta.
c) Após a preposição ATÉ: Fui até à (a) escola.
6. CRASE PROIBIDA
a) Antes de substantivos masculinos: Temor a Deus.
Obs.: Usa-se a crase quando estiver subentendida a
expressão: “moda de”, “maneira de”.
– Escreve à Machado de Assis.
– Usacalças à Pierre Cardin.
b) Antes de verbo:
Começou a gritar de repente.
c) Antes de pronomes em geral.
Solicitarei a ela este favor.
Dirigi-me a Vossa Senhoria.
Obs.: Os pronomes de tratamento dona, senhora,
senhorita e madame exigem artigo definido antes deles,
havendo, então, crase:
– Pedirei à senhorita tudo o que necessitar.
d) Quando, após a preposição “A”, vier uma palavra
no plural.
Nunca vai a festas.
e) Em locuções formadas de palavras repetidas.
Ficaram frente a frente.
A água caía gota a gota.
*********************************************
1. COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE
TEXTOS DE DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS
VARIADOS
1.1. INTRODUÇÃO
Ao acabar de ler um texto, o que nos fica geralmen-
te é seu assunto central e a impressão que ele nos causou.
Numa reeleitura mais cuidadosa, encontramos detalhes
para os quais não havíamos atentado. Por isso, quando
nos são colocadas questões que nos levam a expor nos-
sos pontos de vista e observações mais específicas, é que
realmente “lemos” o texto, analisando todos os recursos
utilizados pelo autor para passar a sua ideia. Às vezes
acontece que nos surpreendemos gostando de uma men-
sagem ou texto que, à primeira vista, nos pareceu ruim, e
vice-versa.
Assim, quando for propostas questões de compreen-
são ou interpretação de um texto, na realidade querem é
exercitar o raciocício do leitor, saber se ele apreendeu a
mensagem do texto, levando-o, também, a atentar para as
muitas armadilhas que uma leitura superficial nos prepa-
ra e para as qualidades, defeitos, sutilezas e riquezas que
o texto apresenta, seus recursos, incluindo domínio das
relações morfossitáticas, semânticas e discursivas.
a) Recursos Morfossintáticos
Manipular as estruturas morfossintáticas da língua é
um dos recursos disponíveis aos usuários para provocar
determinados efeitos de sentido dos interlocutores.
Como a morfossintaxe tem a ver com as palavras e
ordem destas no enunciado, manipulá-las leva frequen-
temente a um trabalho de inversão de alguma ordem ca-
nônica ou esperada de elementos no interior de determi-
nadas estruturas sintáticas. Assim, os usuários da língua
mudam frequentemente o lugar de determinadas palavras
ou constituintes nas orações e períodos, invertendo a or-
dem natural, a saber: sujeito-predicado-complementos,
de maneira proposital para obter com isso efeitos de to-
picalização ou ênfase.
b) Recursos Semânticos
O sujeito trabalha a linguagem nos níveis fonológi-
cos, morfológicos e sintáticos e pode trabalhar também
no nível semântico. De acordo com as palavras escolhi-
das para preencher posições nas estruturas sintáticas, o
conteúdo do texto será mais ou menos determinado. Essa
maior ou menor determinação do significado depende,
em grande parte, do próprio conteúdo semântico das pa-
lavras. Normalmente os textos têm um certo grau de in-
determinação decorrente do uso de pronomes e outras
palavras que indicam a necessidade de busca de uma re-
ferência no contexto de enunciação.
c) Recursos Discursivos
A relação verbal emissor/receptor efetiva-se medi-
ante o discurso. A narrativa se vale de tal recurso, efeti-
vando o ponto de vista ou foco narrativo.
Quando o narrador participa do enredo é persona-
gem atuante, diz-se que é narrador-personagem ou parti-
cipante, estando o foco narrativo em 1ª pessoa.
Quando o narrador serve de intermediário entre o
episódio e o leitor, trata-se do foco narrativo em 3ª pes-
soa.
Quando o narrador domina o lado psíquico de
seus personagens, antepondo-se às suas ações, percor-
rendo-lhe a mente e alma, têm-se então o narrador onis-
ciente.
Esses recursos serão estudados detalhadamente nos
seus respectivos grupos de conteúdos.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
d) Reescritura de textos
A reescritura de textos é uma das formas em que se
manifesta a circulação social da literatura, desde suas
origens, ao largo da história. As adaptações são, uma
forma de reescritura em que se trata de acomodar um
texto a um receptor específico, a uma nova linguagem ou
a um novo contexto. Os textos adaptados procedem em
sua maior parte de quatro grandes fontes: “os contos po-
pulares”, “clássicos de literatura geral”, “novelas de
aventuras” e “clássicos de literatura infantil”.
Vamos analisar alguns mecanismos de adaptação
mais empregados em cada caso, assim como a função
educativa ou divulgativa que estes textos têm, dentro de
uma perspectiva tanto social como literária.
1) Paráfrase
Parafrasear consiste em transcrever, com novas pa-
lavras, as ideias centrais de um texto. O leitor deverá fa-
zer uma leitura cuidadosa e atenta e, a partir daí, reafir-
mar e/ou esclarecer o tema central do texto apresentado,
acrescentando aspectos relevantes de uma opinião pesso-
al ou acercando-se de críticas bem fundamentadas. Por-
tanto, a paráfrase repousa sobre o texto-base, condensan-
do-o de maneira direta e imperativa. Consiste em um ex-
celente exercício de redação, uma vez que desenvolve o
poder de síntese, clareza e precisão vocabular. Acrescen-
ta-se o fato de possibilitar um diálogo intertextual, recur-
so muito utilizado para efeito estético na literatura mo-
derna.
2) Perífrase ou Circunlóquio
É a figura que consiste em exprimir por várias pala-
vras aquilo que se diria em poucas ou em uma palavra.
Torna-se, portanto, uma referência indireta.
- A pátria de Voltaire está em guerra.
(A França está em guerra)
- O oxigênio do globo terrestre está terminando.
(O oxigênio da Terra está terminando)
A perífrase é utilizada sobretudo quando se quer
evitar a repetição de um mesmo termo na mensagem.
3) Síntese
A síntese é um rico exercício que envolve tanto a
leitura quanto a escrita. Ela requer a depreensão bem ní-
tida do que se lê ou escreve, para que possa ser desen-
volvida com eficácia. Seu procedimento consiste na reti-
rada dos dados secundários, do acessório, em relação às
ideias principais, que constituem o núcleo semântico do
texto.
É bem conhecida uma passagem epistolar do Padre
Antônio Vieira em que se desculpava de ter sido longo,
pois não tivera tempo de ter sido breve. Aí reside o gran-
de paradoxo da feitura de sínteses. A síntese exige um
elaborado esforço de redução que evidentemente tem
como pré-requisitos um minucioso trabalho analítico.
A síntese, se feita oralmente e por escrito, alcança
melhores resultados. Para Molina, “a exposição oral deve
ser a oportunidade para que ele (o leitor) coloque em or-
dem suas ideias e teste esta ordenação ao passá-la para
seus colegas”. Dois são os objetivos aqui: testar a reten-
ção do texto estudado e treinar a linguagem oral.
4) Resumo do texto
Resumir é recriar um texto original, e só pode ser
realizado por quem analisou o texto, dividiu-o em suas
partes principais e sabe distinguir o essencial do não es-
sencial. Essa análise exige compreensão profunda do
texto.
Resumo de texto descritivo pede pensamento visual
e espacial; resumo de texto narrativo exige atenção quan-
to aos aspectos causais ou sequenciais; o resumo de um
texto dissertativo, no entanto, reclama atenção aos aspec-
tos do pensamento lógico-abstrato. Lembrando que den-
tro da dissertação é preciso, ainda, preocupar-se com a
organização e hierarquização das ideias.
e) Ideias Centrais e Subsidiárias
O aspecto fundamental para que se responda com
sucesso a qualquer questão é o entendimento da mesma.
Sendo assim, o estudo de texto não foge a esse princípio.
Compreender texto é entender o sentido de um fa-
to, de uma situação, de uma narrativa; implica em apre-
ender os valores que são defendidos por quem os propõe.
Já Interpretar texto, num primeiro momento, é o
processo de falar o que o autor disse, parafraseando o
texto, ou seja, desenvolvendo um novo texto sem altera-
ções da ideias originais do autor. Numsegundo momen-
to, entende-se interpretação como comentário, discussão
das ideias do texto, ir às entrelinhas, aos detalhes, às su-
tilezas da mensagem, sentindo todas as emoções que ele
pode despertar. Uma interpretação bem feita envolve
uma leitura bem feita.
Assim, interpretar texto é a compreensão dos signi-
ficados propostos pelo autor do mesmo, ou seja, desco-
brir o que se esconde por trás da mensagem; é entender o
sentido de um fato, de uma situação, de uma narrativa.
Implica em aprender os valores que são defendidos por
quem os propõe.
As questões de compreensão avaliam a habilidade
de leitura do candidato. Querem saber se você entende o
que o autor quer dizer.
Lembre-se de que texto não é um aglomerado de
frases desordenadas. Texto tem ritmo e contém um pro-
nunciamento dentro de um debate de escala maior.
Devemos observar que um texto é formado por:
Palavras, que são as menores unidades do texto,
em que, na maioria das vezes, para serem compreendi-
das, têm de ser inseridas em um contexto imediatamente
maior, que são as frases.
Frases, que são as unidades imediatamente maiores
que as palavras, ou seja, são um conjunto de palavras
que tende a facilitar a compreensão da ideia de um texto.
Esta, por sua vez, dependendo do texto, precisa ser inse-
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
rida em uma unidade imediatamente maior para ser
compreendida, o parágrafo.
Parágrafos, que são as unidades maiores de um
texto. Neles, estão inseridas as ideias que formam o tex-
to, facilitando o entendimento da mensagem nele conti-
do.
É comum o parágrafo não ser elucidativo para o en-
tendimento da mensagem proposta no texto. Há, portan-
to, a necessidade da leitura total do mesmo para uma
compreensão definitiva, evitando-se equívocos na deco-
dificação da mensagem do autor.
Por essa razão, as ideias de um texto obedecem a
uma hierarquia:
* A ideia principal ou central – aquela que traça
a estratégia do texto. Ela se destaca e está presente ao
longo da leitura.
* As ideias secundárias ou subsidiárias (que apa-
recem como causa, consequência, exemplo ou compara-
ção) só fazem a sustentação da ideia principal.
* Um texto possui, ainda, introdução, desenvol-
vimento e conclusão, isto é, começo, meio e fim. A in-
trodução apresenta a ideia central; a conclusão, a confir-
mação.
* Os outros parágrafos do desenvolvimento; tra-
zem as ideias secundárias. Cada um só tem uma, em ge-
ral, expressa na primeira frase.
As ideias principais relacionam-se diretamente com
os objetivos do tema ou do texto, sendo as ideias secun-
dárias a forma como elas são desenvolvidas, ou seja, é o
desencadeamento natural do próprio texto.
Para compreender um texto, deve-se ler muito,
comparar as palavras a outras e entender que uma mesma
frase pode ser escrita com severidade, leveza, urgência,
aspereza ou descontração. O texto, às vezes, pode
apresentar-se com sentido metafórico maior, exigindo
grande atenção por parte do leitor, que deve buscar a
mensagem, imposta no texto pelo autor com calma e se-
gurança, a fim de responder, corretamente, às perguntas
formuladas.
O leitor não pode perder de vista que, independen-
temente do tipo de texto, há um procedimento que é fun-
damental à apreensão do conteúdo de qualquer texto: a
depreensão de sua estrutura.
Como se faz isso? Extraindo-se as ideias principais
do texto e organizando-as esquematicamente no papel. É
uma forma de concretização do lido. A construção de um
gráfico em que o leitor aponta a ideia-tema e, em segui-
da, com auxílio de vetores, destaca as ideias subsidiá-
rias (como, porque, para que, desde, contanto que, etc.),
a natureza do enfoque (se contrastivo, se enumerativo, se
opinativo, se argumentativo, etc.).
Dessa forma pode-se “enxugar” o texto, registran-
do-lhe os elementos essenciais, por conseguinte, facili-
tando-lhe a memorização.
Tomar notas é fundamental para o estudo ou pa-
ra a apreensão do que se lê, pois descarrega os compro-
missos cerebrais com a retenção excessiva de dados.
Lembrando que um texto contém muito mais ideias
secundárias do que ideias principais. Os conteúdos das
ideias secundárias não são os mais importantes, mas sem
eles o texto não flui — torna-se pesado. Na verdade, não
é possível escrever um texto sem as ideias secundárias.
A ideia principal, também denominado tópico fra-
sal, pode estar tanto no início como no final do parágra-
fo.
As ideias secundárias funcionam como atores coad-
juvantes. Cumprem um papel secundário, mas impres-
cindível. Redigir bem depende muito do domínio que o
autor tem dessas ideias.
Colocadas em excesso, as ideias secundárias dificul-
tam a compreensão do essencial. Mas quando há ideias de
menos, o texto fica sintético demais, telegráfico. As ideias
secundárias são dispensáveis somente quando queremos fa-
zer uma síntese ou um resumo do conteúdo.
No texto seguinte, as ideias principais compõem to-
do o primeiro parágrafo. O segundo e o terceiro parágra-
fos desenvolvem ideias principais e secundárias ou sub-
sidiárias.
Esta primeira conferência será
dedicada à oposição leveza-peso e argu-
mentarei a favor da leveza. Não quer di-
zer que considero menos válido o argu-
mento do peso, mas apenas que penso ter
mais coisas a dizer sobre a leveza.
ideias
principai
s
Depois de haver escrito ficção por qua-
renta anos, de haver explorado vários cami-
nhos e realizado experimentos diversos, che-
gou o momento de buscar uma
definição global de meu trabalho.
Ideia
principal
Gostaria de propor o seguinte: no mais
das vezes, minha intervenção se traduziu por
uma subtração do peso; esforcei-me por reti-
rar peso, ora às figuras humanas, ora aos
corpos celestes, ora às cidades; esforcei-me
sobretudo por retirar peso à estrutura da nar-
rativa e à linguagem. Nesta conferência,
buscarei explicar — tanto para mim quanto
para os ouvintes — a razão por que fui leva-
do a considerar
a leveza antes um valor que defeito;
Ideia
principal
direi quais são, entre as obras do pas-
sado, aquelas em que reconheço o meu ideal
de leveza; indicarei o lugar que reservo a es-
se valor no presente e como o projeto no fu-
turo.
Italo Calvino, Seis Propostas para o Próximo Milênio
1.2. LEITURA DE TEXTOS
Na leitura de um texto, devemos observar, ainda,
algumas colocações inseridas no mesmo:
a) Implícitos
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um
texto é verificar que ele pode estar dizendo coisas que
não parece dizer.
Vejamos esta manchete de jornal:
“O Papa reclama justiça para o trabalhador.”
Nesta manchete de jornal, há uma informação clara
de que o Papa está intercedendo pelos trabalhadores. Po-
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
rém, esta mesma informação dá a entender que, para o
Papa, não existe justiça para o trabalhador.
Esses dados, escondidos atrás de uma mensagem,
consistem em informações implícitas no texto. Por is-
so, para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve cap-
tar tanto os dados explícitos, quanto os implícitos. Deve
verificar as entrelinhas. Caso contrário, podem passar
despercebidos dados importantes e decisivos e dar outro
rumo à compreensão do texto.
A informação explícita pode ser questionada pelo
ouvinte, que pode, ou não, concordar com ela. As implí-
citas, no entanto, têm que ser verdadeiras ou, pelo me-
nos, admitidas como verdadeiras, porque é a partir delas
que se constroem as informações explícitas. Se a mensa-
gem implícita for falsa, a informação explícita não fará
sentido. No exemplo anterior, se o Papa sabe que existe
justiça para o trabalhador, não tem cabimento ele recla-
mar por ela.
As informações implícitas são inscritas, no texto,
por meio de adjetivos, orações adjetivas, de verbos que
indicam sucessão de estados e de certos advérbios.
b) InferênciasInferir é concluir, é deduzir pelo raciocínio, apoia-
do, apenas, em indícios. Veja a frase: “Pelé declarou: po-
lítico, no Brasil, é sinônimo de corrupção.”
Aqui, há um caso de inferência, deduzido pelo raci-
ocínio a partir de certos indícios existentes na classe po-
lítica. Assim, o que declarou Pelé, é possível, e mesmo
provável, mas não é certo, porque não é provado.
É evidente que o grau de probabilidade das inferên-
cias varia com as circunstâncias: há inferências extre-
mamente prováveis e inferências extremamente impro-
váveis.
Ex.: É provável que o campeão brasileiro deste ano
seja um time de São Paulo. Porém, é improvável que o
Brasil, tão cedo, tenha um campeão na Fórmula 1.
É o maior ou o menor grau de probabilidade que
condiciona nosso comportamento diário e o nosso juízo,
para deduzirmos sobre coisas e pessoas.
Por exemplo: Se o céu está carregado de nuvens
densas que obscurecem o Sol, é provável que chova – le-
vo o guarda-chuva. Se o empregado, que nunca faltou ao
serviço, deixou de comparecer hoje, é provável que este-
ja doente – vamos visitá-lo ou telefonar-lhe. Se uma pes-
soa com trajes suspeitos, portando um embrulho debaixo
do braço, entra numa agência bancária, é provável que
seja um assaltante – avisamos a polícia, para prendê-lo.
Não obstante, pode não chover; o funcionário pode
ter resolvido faltar ao serviço; e o suspeito pode ser um
cliente com roupas simples, portando seu jornal debaixo
do braço.
Nossa reação ou comportamento em face desses in-
dícios, foi por pura inferência; daí, os enganos que veri-
ficamos terem incorrido, quando nos defrontamos com
os fatos: não choveu (e um guarda-chuva em dia de sol
revela-se um trambolho ridículo); o funcionário não está
doente (a nossa visita ou telefonema pode significar per-
da de tempo, embora não lastimável); e o suspeito que
não era assaltante (acionar a polícia para uma autuação
injusta, provoca transtorno e até processo judicial).
Agimos por presunção, porque inferimos.
c) Intextualidade
A intextualidade ocorre em uma interpretação de
texto, isto é, quando ideias de outros autores aparecem
diluídas dentro de determinado contexto. Tais ideias es-
tão intimamente entrelaçadas ao novo conteúdo, e o lei-
tor deve estar bastante atento, para captá-las.
A compreensão da intextualidade, colocada de for-
ma implícita, fica condicionada ao repertório do leitor. O
escritor, nesse jogo de citações de frases ou orações, ten-
ta pescar, na memória do leitor, o conhecimento adquiri-
do de um outro texto original.
Ex.:
a) Na questão da inflação anual e das taxas de juros,
pouca gente pode dizer que se encontra em berço es-
plêndido, neste país.” (Abreu, Antônio Suárez, Curso de
Redação, Ática - 4ª ed.)
b) Vou viver, quando me aposentar, como um ma-
rajá.
No exemplo “a”, observamos que o texto traz, den-
tro de si, um fragmento de outro texto: do Hino Nacional
Brasileiro.
Quanto ao exemplo “b”, marajá quer dizer título dos
príncipes na Índia; porém, para os brasileiros, há uma re-
lação de opulência e mordomias, conforme ficou caracte-
rizado pelo ex-governador de Alagoas (também ex-
presidente da República) Fernando Collor, o que lhe ga-
rantiu o título: “O Caçador de Marajás”.
d) Citação
Em um texto, podemos encontrar fragmentos de ou-
tros autores que têm a finalidade de explicar, elucidar ou
enriquecer o texto. A estes fragmentos damos o nome de
citação.
A citação, quando colocada com o propósito de elu-
cidar ou explicar, faz parte de um processo puramente
didático.
Podemos ter, também, citações com o simples pro-
pósito de enriquecimento do texto em questão. Neste ca-
so, estamos tratando de uma citação literária
Em geral, toda citação inserida em um texto deve
estar destacada (aspas, parênteses, grifos, letras diferen-
ciadas, etc.) com a devida menção de obra e autor.
e) Coesão Textual
Coesão textual são as articulações gramaticais
existentes entre palavras, orações, frases, parágrafos e
partes maiores de um texto que garantem sua conexão
sequencial.
Em um texto bem construído não nos perdemos por
entre os enunciados que o constituem nem perdemos a
ideia global do texto, isto acontece porque a conexão
existente entre os vários segmentos do texto é bem feita.
Essa conexão interna entre os vários enunciados
presentes no texto dá-se o nome de COESÃO.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
Um texto tem coesão quando seus vários enuncia-
dos estão interligados entre si, há concatenação entre
eles.
1) Processos Coesivos de Referência
A coesão de um texto, isto é, a conexão entre os vá-
rios enunciados obviamente não é fruto do acaso, mas
das relações de sentido que existem entre eles.
Existem certas palavras que fazem o papel de liga-
ção entre os vários enunciados de um texto, são os cha-
mados conectores ou elementos de coesão.
Sua função no texto é exatamente a de pôr em evi-
dência as várias relações de sentido que existem entre os
enunciados.
Conectores (ou conectivos) textuais são palavras
ou expressões que ligam outras palavras, orações ou pa-
rágrafos. Entre eles, estão:
as conjunções (coordenativas e subordinativas).
Ex.: O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
Ficaremos sentidos, se você não vier.
as preposições:
Ex.: Vou à Roma.
Chorava de dor.
os verbos de ligação (caso típico dos predicados
nominais):
Ex.: Eu sou a tua sombra.
A praia estava deserta.
os pronomes relativos:
Ex.: Visitei a cidade onde ela nasceu.
Das árvores caíam folhas, que o vento
levava.
as palavras e locuções denotativas:
Ex.: Voltaram todos, exceto André.
Eles é que fazem tudo.
As palavras e expressões de natureza explicativa,
continuativa, conclusiva, retificativa ou enfática, de um
modo geral (além disso, aliás, a saber, assim, bem, com
efeito, como dizer, depois, enfim, ou melhor, ou seja, ou-
trossim, pensando bem, pois bem, pois sim, por assim
dizer, por exemplo, realmente, sim, etc.):
Ex.: Não era, note-se bem, por temperamen-
to, mas por princípio.
Ademais, eu era o bom naquilo.
Em suma, baile chinfrim.
O José, aliás, o João chegou primeiro.
Vários são os livros necessários, a saber, o
de Português, o de Matemática, o de Geografia e o de
Inglês.
Observe o texto abaixo onde os conectivos apare-
cem em destaque.
“É sabido que o sistema do Império Romano de-
pendia da escravidão, sobretudo para a produção agrí-
cola. É sabido ainda que a população escrava era recru-
tada principalmente entre prisioneiros de guerra.
Em vista disso, a pacificação das fronteiras fez dimi-
nuir consideravelmente a população escrava.
Como o sistema não podia prescindir da mão-de-obra
escrava, foi necessário encontrar outra forma de manter
inalterada essa população.”
O uso adequado desses elementos de coesão confere
unidade ao texto e contribui consideravelmente para a ex-
pressão clara das ideias. Já seu uso inadequado sempre tem
efeitos perturbadores, tornando certas passagens incompre-
ensíveis.
2) Termos Anafóricos e o cuidado com as Ambigui-
dades
Observe o trecho que segue:
José e Renato, apesar de serem gêmeos, são muito di-
ferentes. Por exemplo, este é calmo, aquele é explosivo.
O termo este retoma o nome próprio “Renato”, en-
quanto aquele faz a mesma coisa com a palavra “José”.
“Este” e “aquele” são chamados termos anafóricos.
Anafórico, genericamente, pode ser definido como
uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo
já expresso no texto, ou também para antecipar termos que
virão depois. São anafóricos, por exemplo, os pronomes
demonstrativos (este, esse, aquele), os pronomes relativos
(que, o qual, onde, cujo), advérbio e expressões adverbiais
(então, dessa feita, acima), etc.
Quando um elemento anafórico está empregado num
contexto tal que pode referir-se a dois termos antecedentes
distintos, isso provoca ambiguidadee constitui uma ruptura
de coesão.
Na escrita, é preciso tomar cuidado para que o leitor
perceba claramente a que termo se refere o elemento anafó-
rico.
Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso
dos anafóricos:
– O PT entrou em desacordo com o governo Lula por
causa de sua proposta de reforma.
No caso, “sua” pode estar se referindo tanto à proposta
do PT como à do governo Lula.
Para desfazer a ambiguidade, apela-se para outras
formas de construção da frase, como, por exemplo:
– A proposta de reforma formulada pelo governo
Lula provocou desacordo com o PT.
f) Coerência
É um processo que leva em consideração o enten-
dimento, isto é, uma mensagem enviada por um emissor
e recebida por um receptor pode ter dois entendimentos:
um, em relação às palavras; e outro, em relação ao senti-
do (semântica).
A coerência textual é, sem dúvida, obtida pela uni-
dade, ou seja, depende das ideias estarem concatenadas,
de que as relações de dependência estejam bem estabele-
cidas com as ideias expostas de forma clara, coerente e
objetiva. Como assinala Othon Garcia, unidade e coe-
rência têm características próprias, mas a falta de uma
resulta na ausência da outra. A coerência depende da or-
denação das ideias no texto, e a unidade, da organização
do parágrafo.
[A coerência é a “alma” da composição.]
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
Tomemos a seguinte estrutura como exemplo:
É enviada a seguinte mensagem a uma faxineira: O
cesto de lixo está cheio. A faxineira poderá responder “É
mesmo”; ou ela poderá simplesmente pegar o cesto e es-
vaziar.
Na primeira hipótese não houve coerência para o
receptor, porque o entendimento não foi aquele que o
emissor quis dar; na segunda hipótese, a mensagem
atingiu o efeito esperado, portanto houve coerência para
o receptor em questão.
Assim, Coerência textual é a ligação ou harmonia
íntima que cada uma das partes de um texto (oração, pe-
ríodo composto, parágrafo, etc.) precisa ter – de modo
que a anterior exija naturalmente a posterior, como sua
consequência imediata e vice-versa, como nas etapas do
raciocínio – para que ele seja não só melhor compreen-
dido, como também possa despertar o interesse do leitor
(ou ouvinte).
Então, como exercitar a compreensão de texto?
Lendo. A leitura nunca é demais e, por mais simples que
seja o texto, é sempre útil e proveitosa. Daremos a seguir
algumas dicas sobre como compreender um texto.
Vejamos alguns exemplos:
“A noite vinha carregada de nuvens, precedidas do
vento frio do crepúsculo.”
(Jorge Amado)
Neste texto, o autor diz que:
A) a noite chegou antes do vento.
B) a noite e o vento chegaram ao mesmo tempo.
C) o vento chegou antes da noite.
D) o vento trazia as nuvens.
Como saber? A resposta está sempre no texto. Qual
é a palavra-chave? “Precedida”, palavra derivada de pre-
ceder, que significa chegar antes, anteceder. Se você
prestou atenção a ela, marcou a letra c. Se não, marcou
bobeira.
Vejamos outro texto de Jorge Amado:
“E a mulher começou a tremer, não de frio da
chuva, mas de um frio que lhe vinha do coração.”
Aqui o autor diz que:
A) fazia muito frio e, por isso, a mulher tremia.
B) a chuva fazia a mulher tremer.
C) a mulher tremia, mas não era de frio.
D) a mulher estava doente do coração.
Se você marcou a letra c, ótimo, estás entendendo o
assunto. É o que o texto diz. A mulher tremia “de um
frio que lhe vinha do coração” (um mau pressentimento,
talvez).
Agora, veja este poema de Castro Alves:
“Teus olhos são negros, negros
Como as noites sem luar”.
Nos versos, o autor compara:
A) olhos negros e noite clara.
B) noite escura e noite clara.
C) olhos negros e noite sem luar.
D) teus olhos e a noite escura.
Olhe a armadilha! c ou d? duas respostas tão pare-
cidas! As duas estão corretas? E agora, como prosseguir?
Preste atenção! Volte ao texto. Castro Alves compa-
ra o quê? Olhos ou Teus olhos? O verso diz: “Teus
olhos”. Logo, a letra d é a resposta correta à pergunta.
Fácil, não?
E, para finalizar o estudo, tente sempre observar os
seguintes passos:
1) As questões de compreensão podem ser de dois
tipos:
a) compreensão de significados – está ligada dire-
tamente à significação das palavras e expressões do tex-
to;
b) compreensão do conteúdo informativo – refe-
re-se às informações contidas no texto.
2) Leia o texto, para tomar um primeiro contato;
3) Leia-o, cuidadosamente, pela 2ª vez;
4) Nada que não faça parte do texto deve ser consi-
derado.
5) Sublinhe todas as palavras ou expressões que vo-
cê não conheça;
6) Em nosso caso, consulte um dicionário;
7) Determine as ideias principais de cada parágrafo;
8) Leia as perguntas e localize o assunto no texto;
9) Compare as respostas com o texto e, finalmente,
assinale a resposta adequada.
Estudadas essas técnicas devemos seguir os conse-
lhos de Molina (1992:33) que propõe que a leitura seja
feita levando-se em consideração os seguintes passos:
Visão geral do capítulo
O leitor verificará a estrutura do capítulo, os títulos
e subtítulos. Observando, ainda, os pormenores como:
grifos, itálicos, tamanho e estilo dos caracteres, maiúscu-
las, etc. Trata-se da leitura inspecional do capítulo onde
o leitor buscará resposta para as seguintes perguntas:
Qual o assunto tratado no capítulo?
Qual a ordem das ideias expostas?
Questionamento despertado pelo texto
Aqui, o leitor faz um levantamento de perguntas,
sem buscar respondê-las. Segundo Molina, “questionar é
um hábito, e como tal deve ser cultivado.” Em seguida
ensina a questionar. Por exemplo, deve-se começar trans-
formando títulos e subtítulos em questão.
Ex.: “Características do Sol” = “Quais são as carac-
terísticas do Sol?”
Daí a chegar a uma conclusão é um passo:
“A base do pensamento crítico é a capacidade de in-
terrogar a si próprio e ao mundo em geral” (Molina,
1992:37)
Estudo do vocabulário
Segundo Molina, a melhor forma de despertar o
prazer pela leitura é consolidar o hábito de ler livros inte-
ressantes, apesar de mais difíceis. O leitor deve aceitar os
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
desafios neles implícitos como meio de alcançar uma re-
compensa maior.
Para ampliar o vocabulário, recomenda-se a valori-
zação do dicionário, o emprego de palavras novas e a
análise das cada uma delas. Às vezes, o texto não define
o vocabulário imediatamente; o leitor pode chegar a ele
através da explanação que ajuda a elucidar o texto. Ou-
tras vezes, pode-se valer de pistas que aparecem no texto
em expressões tais como: isto é, ou seja, aposto, ou ex-
pressões que aparecem entre parênteses.
Outra forma de conhecer o significado das palavras
do contexto é utilizar a inferência. Suponha-se:
“A existência de uma única ação, ou conflito, ou
ainda de uma única ‘história’ ou ‘enredo’, está intima-
mente relacionada com a concentração de efeitos e de
pormenores: o conto aborrece as digressões, as divaga-
ções, os excessos”.
Ora, mesmo desconhecendo o significado de di-
gressões é possível inferir seu significado: concentração
de efeitos é reunião, concurso, convergência, centraliza-
ção, condensação de efeitos. Se o conto exige que os
efeitos estejam concentrados, condensados, é possível in-
ferir que digressão tem efeito contrário (pois ele aborre-
ce a digressão). Então, digressão será desvio da concen-
tração, divagação. Em vez de um efeito concentrado, há
vários, ou efeito disperso.
O significado de uma palavra pode também ser de-
duzido de um texto, atentando-se para o contraste de
ideias que o texto salienta. Suponha-se:
“De onde se segue que a primeira característica es-
trutural da novela é sua pluralidade dramática: ao invés
do conto, que gira em torno de um conflito, a novela fo-
caliza vários. E cada um deles apresenta começo, meio e
fim.”Que pluralidade dramática? ora, se o conto focaliza
um conflito único, a novela contempla vários núcleos
dramáticos. Pluralidade dramática é, portanto, diversida-
de de dramas, de conflitos.
Se o contexto e a análise das palavras não explici-
tam o significado, corre-se, então, ao dicionário, lem-
brando-se de que é preciso ler o verbete até o final e es-
colher uma palavra que se encaixa no contexto da pala-
vra que aparece.
Cabe ainda destacar que se deve distinguir termo
de palavra. Enquanto a palavra deve ser pesquisada no
dicionário, o termo já aparece definido no próprio texto;
ele não oferece possibilidade de ambiguidade. Vejamos:
A palavra papel tem significado variado: Pasta de
matéria fibrosa, refinada e, quando necessário, bran-
queada, contendo cola, carga, e às vezes, corantes, e que
se reduz a folhas secas finas e flexíveis, bobinadas ou
resmadas, usadas para escrever, imprimir, desenhar,
embrulhar, limpar, construir, ...; personagem represen-
tada por um ator/atriz; atribuição de ordem moral, jurí-
dica, técnica, etc.; dinheiro em nota; etc. Em sociologia,
é empregada como termo: “às maneiras de se comportar
que se esperam de qualquer indivíduo que ocupe certa
posição constituem o papel associado com aquela posi-
ção”.
Ao estudar um texto, é preciso estar atento aos ter-
mos empregados. Este procedimento desenvolve o voca-
bulário técnico. Em geral, esses termos são grafados em
itálicos, negrito, em caracteres maiúsculos, ou entre as-
pas, ou outro destaque. Finalmente, de modo geral, os
autores de livros técnicos costumam definir ou conceitu-
ar os termos técnicos.
Outro procedimento adequado para a ampliação do
vocabulário é pesquisar a etimologia da palavra. Exem-
plo a palavra neurologia:
neuro = do grego neûron = nervo
logo = do grego lógos = palavra, tratado, estudo, ci-
ência
ia = sufixo nominal, derivado do grego ia = indica-
tivo de moléstia, afecção.
No estudo de formação das palavras, é relevante ve-
rificar que há palavras com vocabulário regionalista. Por
exemplo, no Sul do Brasil é mais comum a expressão
mandioca, enquanto no Nordeste se fala macaxeira;
mexerica é mais usada em São Paulo, enquanto berga-
mota é preferida pelos gaúchos. E assim por diante.
Linguagem não verbal
Um texto, porém, oferece outras informações apre-
sentadas através de ilustrações (fotos, mapas, quadros,
gráficos, tabelas, etc.). Não se pode passar por elas su-
perficialmente; é preciso observá-las com atenção para
entendê-las.
Essência do texto
A busca do conteúdo profundo de um texto só se
concretiza após realizados os passos anteriores; visão ge-
ral do capítulo, questionamento pelo texto, estudo do vo-
cabulário e linguagem não verbal.
Neste passo, o leitor identifica as ideias principais
do texto e situa o autor num contexto ideológico. A
comparação de autores diferentes permitirá a elaboração
de juízos avaliativos e críticos.
São exigências desse estágio da leitura:
apreender as principais proposições do autor;
conhecer os argumentos do autor;
identificar a tese do autor;
avaliar as ideias expostas.
Quando o leitor é capaz de encontrar o tópico frasal
de cada parágrafo, já tem bastante adiantada a tarefa de
resumir, por sua conta, o texto lido.
É nesta etapa que o leitor deve sublinhar o texto,
com parcimônia e calma. Antecipar a sublinha para fases
anteriores, ou até mesmo para a primeira leitura, é correr
o risco de fazê-lo exageradamente, como pode ser visto
comumente em livros de estudantes que pintam páginas
inteiras com canetas salientadoras (tipo lumicolor, mar-
catexto, etc.). Ora, se tudo é relevante, não há por que
utilizar a caneta para sublinhar, marcando todo o texto.
1.3. RECURSOS DISCURSIVOS
O discurso – É a língua no ato, na execução indivi-
dual, seja ela oral ou escrita, e representa, sempre, a ex-
pressão do indivíduo. E, como cada indivíduo tem em si
um ideal linguístico, procura ele extrair do sistema idio-
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
mático de que se serve as formas de enunciado que me-
lhor lhe exprimam o gosto e o pensamento.
Estilo – É a escolha, entre os diversos meios de ex-
pressão da língua, que o indivíduo faz para exprimir seu
pensamento em forma de discurso.
Tipos de discurso – Para dar-nos a conhecer pala-
vras ou pensamentos de personagens, dispõe o narrador
de fatos reais ou imaginários de três moldes linguísticos
distintos:
1. Discurso Direto – É o discurso em que a fala da
personagem é própria sem que o autor o faça por ela. No
discurso direto, em geral, o enunciado se desenrola na
primeira pessoa e deve vir disposto em parágrafo e, em
regra, é precedido de travessão (–).
Ex.: O rapaz, depois de estacionar seu automóvel
em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, per-
guntou:
– Onde fica a cidade mais próxima?
– Há um vilarejo a dez quilômetros daqui – respon-
deu o funcionário.
No exemplo acima, verificamos que o narrador,
após a introdução, deixou as personagens, o “rapaz” e o
“funcionário”, se expressarem por si mesmas, limitan-
do-se a reproduzir-lhes as palavras como elas as teriam
efetivamente selecionadas, organizadas e pronunciadas.
Note-se, também, no último período do texto, que há um
travessão antes da palavra “respondeu”; ele serve para
separar a fala da personagem da explicação do narrador
"respondeu o funcionário".
Quando o narrador quer explicar qual a personagem
que fala, o texto pode ser organizado de três maneiras:
a) Primeiro explica-se quem vai falar. A frase ter-
mina por dois pontos (:). Abre-se, então, um novo pará-
grafo para nele colocar o travessão (–) seguido da fala da
personagem.
Ex.: O funcionário respondeu:
– Há um vilarejo a dez quilômetros daqui.
b) Primeiro registra-se, depois de posto o travessão,
a fala da personagem. Na mesma linha coloca-se um ou-
tro travessão e, em seguida, o narrador explica quem está
falando (sempre iniciada por letra minúscula).
Ex.: Há um vilarejo a dez quilômetros daqui – res-
pondeu o funcionário.
c) Inicia-se registrando a fala da personagem. Em
seguida, o narrador interrompe-a para reconhecê-la e em
seguida a personagem termina seu pensamento. A fala da
personagem pode ser interrompida por travessão ( –...– )
ou vírgula ( ,..., ).
Ex.: – A dez quilômetros daqui – respondeu o fun-
cionário – há um vilarejo.
1.1. Característica do Discurso Direto
a) No plano formal: geralmente é marcado pela
presença dos verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar,
indagar, responder e sinônimos, que podem introduzi-
lo, arrematá-lo, ou nele se inserir. São os chamados ver-
bos de elocução.
Ex.: “Meneou a cabeça com ar triste e acrescentou:
– O homem acostuma-se a tudo, sim, a tudo, até a esque-
cer-se que é um homem...:”
Na ausência de verbo de elocução, cabe ao narrador
os recursos gráficos, – tais como os dois pontos, as as-
pas, o travessão e a mudança de linha – para indicar a fa-
la da personagem.
Ex.: “Todos vamos ficando diferentes, e vinte e
cinco anos é uma vida.”
“Para muitos é mais do que isso.”
“Claro que é.”
(M. J. de Carvalho)
b) No plano expressivo: Aqui, a força da narração
provém, essencialmente, de sua capacidade de atualizar o
episódio, fazendo emergir da situação a personagem,
tornando-a viva para o ouvinte, à maneira de uma cena
teatral, em que o narrador desempenha a mera função de
indicador das falas. Estas, na reprodução direta, ganham
naturalidade e vivacidade, enriquecidas por elementos
linguísticos tais como: exclamações, interrogações, inter-
jeições, vocativos e imperativos, que costumam impreg-
nar de emotividade a expressão oral.
2. Discurso Indireto – É o discurso em que o autor
narra o que a personagem falou, sem se preocupar com a
exatidão do enunciado original, expressando-a com suas
próprias palavras. O discurso indireto possui a terceirapessoa gramatical e não admite o sinal gráfico do traves-
são (–), visto que a personagem está ausente.
Ex.: "O rapaz, depois de estacionar seu automóvel
em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, per-
guntou a um funcionário onde ficava a cidade mais pró-
xima. Ele respondeu que havia um vilarejo a dez quilô-
metros dali."
Ao contrário do que observamos no enunciado em
DISCURSO DIRETO, o narrador incorporou, aqui, ao
seu próprio falar, uma informação a respeito das perso-
nagens, transmitindo, assim, ao leitor apenas o sentido
dela, sem nenhum respeito à forma linguística que teria
sido realmente empregada.
2.1. Característica do Discurso Indireto
a) No plano formal: as falas das personagens apa-
recem numa oração subordinada substantiva, geralmente
desenvolvida. São introduzidas também por verbos tipo
dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc.,
denominados verbos declarativos.
Ex.: "Nunca se sabe quem está conosco ou contra
nós." (Érico Veríssimo)
b) No plano expressivo: assinala-se, em primeiro
lugar, que o emprego do discurso indireto pressupõe um
tipo de relato de caráter predominantemente informativo
e intelectivo, sem feição teatral e atualizadora do discur-
so direto. Isso não quer dizer que tal modalidade de dis-
curso seja uma construção estilística pobre. O seu uso
ressalta o pensamento, a essência significativa do enun-
ciado, deixando as circunstâncias e os detalhes que o en-
volvem num segundo plano.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
3. Discurso Indireto Livre – Resultante da concili-
ação dos discursos direto e indireto, é um molde linguís-
tico que tem sido amplamente utilizado na moderna lite-
ratura narrativa. É uma espécie de monólogo que apro-
xima narrador e personagem dando-nos a impressão de
ser a mesma pessoa.
São necessárias três condições para que ocorra o
discurso indireto livre:
foco narrativo em 3ª pessoa;
o narrador deve focalizar a consciência da perso-
nagem;
devem ser omitidos os verbos de evolução (disse
que, pensou que, perguntou que, etc.).
Ex.: "Quando Eduardo ia para a escola, deixava-a
debaixo da bacia.”
Um dia lhe disseram que aquilo era maldade:
"Gostaria que fizesse o mesmo com você? As
galinhas também sofrem. "Um domingo, encontrou Edu-
arda na mesa do almoço, pernas para o ar, assada. Edu-
arda foi comida entre lágrimas. É, sofrem, mas todo
mundo come e ainda acha bom."
(Fernando Sabino, O Encontro Marcado)
Na frase em destaque, notamos que, embora expres-
sa pelo narrador, representa uma reflexão da personagem
Eduardo.
3.1. Características do Discurso Indireto Livre
a) No plano formal: pressupõe duas condições es-
senciais:
– fator gramatical: absoluta liberdade sintática do
narrador.
– fator estético: completa adesão à vida da perso-
nagem.
b) No plano expressivo: devem ser realçados al-
guns valores desta construção híbrida:
– evitando o acúmulo de "quês", muito usado no
discurso indireto, e os cortes das aposições dialogadas,
peculiares ao discurso direto, o discurso indireto livre
permite uma narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais
artisticamente elaborados.
– o elo psíquico que se estabelece entre narrador e
personagem, neste molde frásico, torna-o preferido dos
escritores memoralistas em suas páginas de monólogos
interior.
– para a apreensão da fala da personagem nos tre-
chos em discurso indireto livre, cobra importância o pa-
pel do contexto, pois a passagem do que seja relato, por
parte do narrador, a enunciado real do locutor é, muitas
vezes, extremamente sutil.
Cumpre ressaltar que o Discurso Indireto Livre nem
sempre aparece isolado em meio da narração. Sua "ri-
queza expressiva aumenta quando ele se relaciona, den-
tro do mesmo parágrafo, com os discursos direto e indi-
reto puro", pois o emprego conjunto faz com que os
enunciados confluam, "numa soma total, as característi-
cas de três estilos diferentes entre si".
Transposição do Discurso Direto para o Indireto
A diferença básica entre discurso direto e indireto é
a mudança do emissor. No discurso direto, o emissor é a
personagem; no discurso indireto, o emissor é o narra-
dor. Para se transformar um discurso em outro, o primei-
ro passo consiste em alterar o tempo e a pessoa dos ver-
bos e utilizar a pontuação adequada.
Vejamos o quadro seguinte:
DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO
– Tenho pressa – disse o ra-
paz
O rapaz disse que tinha pressa.
Perguntou-lhe o pai:
– Não achas melhor ir ao ci-
nema?
O pai perguntou-lhe se (ele)
não achava melhor ir ao cine-
ma.
– Cala-te – ordenou o sargento
ao soldado.
O sargento ordenou ao soldado
que ele se calasse
– Que será feito do maníaco
do parque? – perguntam todos.
Todos perguntam o que será
feito do maníaco do parque.
– Não faça barulho – disse à
garota.
Falou à garota que não fizesse
barulho.
– Aqui chove muito – disse
Felipe.
"Disse Felipe que ali chovia
muito."
José Dirceu declarou: – serei
absolvido pela justiça eleitoral.
José Dirceu declarou que será
absolvido pela justiça eleitoral.
1.4. ESTRUTURA, ORGANIZAÇÃO E TIPO-
LOGIA TEXTUAL
a) Leitura, envolvendo interpretação e organiza-
ção textual
A leitura é um processo dialético que se insere no
"processo histórico-social", portanto a leitura não é uma
questão de "tudo ou nada", faz parte da vida do indivíduo
(FAULSTICH, 200 p.9). Os homens pré-históricos com o
conhecimento prévio do mundo faziam suas leituras, ho-
je através dos vários meios de comunicação e informa-
ção o homem compreende não só as leituras de mundo
como também as científicas.
Ler exige do indivíduo esforço intelectual tornando
compreensíveis as leituras realizadas, decifrando o que o
autor quis dizer por trás das palavras escritas.
Nesse sentido a leitura requer níveis de conheci-
mento que contribuem para o desenvolvimento intelectu-
al facilitando a compreensão da leitura. Os níveis de co-
nhecimento são descritos como o conhecimento linguís-
tico, o textual, de mundo, enciclopédico, que são "esti-
mulados" durante o processo de leitura, tecendo o senti-
do textual.
O conhecimento linguístico engloba todo o proces-
so de aquisição da linguagem, pelo qual passamos, os
modos de utilização linguística de verbos, predicados,
locuções, adjetivos entre outros. O conhecimento textu-
al encontra-se na competência individual em compre-
ender a estrutura do texto e formas do discurso.
No processo de construção do sentido, o leitor atua
com o seu conhecimento prévio, tentando compreender o
conhecimento do outro, isto é, o que o autor quis dizer,
na busca de engajamento, do "conhecimento mútuo".
O conhecimento do mundo são as experiências pes-
soais de vida adquiridas e presentificadas durante o ato
de ler. A presentificação das experiências vividas pelo
leitor e pelo autor coloca a leitura como um processo in-
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
terativo em que a compreensão estabelece um entrosa-
mento entre os vários níveis de conhecimento.
Verifica-se que há a necessidade de observar no
processo de leitura a compreensão do leitor diante do
texto, pois este constitui o caminho de ligação entre au-
tor e leitor.
Na leitura interativa o leitor caracteriza-se como
"sujeito cognitivo" e o texto como "objeto formal", o re-
lacionamento do leitor com o texto é um fator de desta-
que, pois são determinados através do sujeito leitor as
maneiras de leituras diferentes, e porque pretende resol-
ver o problema de "indeterminação do texto" de modo
"referencial", isto é, estabelece um equilíbrio entre o co-
nhecimento que o leitor possui e aquele que o texto con-
tém em si.
A linguagem é o meio pelo qual o ato da fala se es-
trutura e exterioriza-se. A leitura é uma linguagem aonde
se abordam os aspectos da interação verbal, poisa ver-
dadeira substância da linguagem está constituída pelo fe-
nômeno social da interação verbal, realizada através da
enunciação.
b) Tipologia Textual
No estudo de redação aprendemos que tudo o que se
escreve recebe o nome genérico de texto ou redação (ou
composição) e que existem três tipos de textos: descrição,
narração e dissertação.
1) Descrição – é o tipo de redação na qual se apontam
as características que compõem um determinado objeto,
pessoa, ambiente ou paisagem.
Ex.: “Sua estatura era alta e seu corpo, esbelto. A pele
morena refletia o sol dos trópicos. Os olhos negros e amen-
doados espalhavam a luz interior de sua alegria de viver e
jovialidade. Os traços bem desenhados compunham uma fi-
sionomia calma, que mais parecia uma pintura.”
2) Narração – é a modalidade de redação na qual con-
tamos um ou mais fatos que ocorreram em determinado
tempo e lugar, envolvendo certas personagens.
Ex.: “Em uma noite chuvosa do mês de agosto, Paulo
e o irmão caminhavam pela rua mal iluminada que conduzia
à sua residência. Subitamente foram abordados por um ho-
mem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram saber o
que o homem queria, receosos de que se tratasse de um as-
salto. Era, entretanto, somente um bêbado que tentava en-
contrar, com dificuldade, o caminho de sua casa.”
Constituem elementos básicos da narrativa: narrador,
enredo, personagens, ações, tempo e espaço.
3) Dissertação – é o tipo de composição na qual ex-
pomos uma sequência de opiniões, ideias gerais, seguidas
da apresentação de argumentos que as comprovem.
Ex.: “Muitos debates têm havido sobre a eficiência do
sistema educacional brasileiro. Argumentam alguns que ele
deve ter por objetivo despertar no estudante a capacidade de
absorver informações dos mais diferentes tipos e relacioná-
las com a realidade circundante. Um sistema de ensino vol-
tado para a compreensão dos problemas socioeconômico e
que despertasse no aluno a curiosidade científica seria por
demais desejável.”
Jamais encontraremos um texto totalmente descritivo,
totalmente narrativo ou totalmente dissertativo; o que en-
contraremos, na realidade, é a predominância de um dos
três tipos.
c) Organização e hierarquia das ideias
As ideias, em um texto, devem ser organizadas em or-
dem de importância. Primeiro as mais importantes ou prin-
cipais, seguidas daquelas menos relevantes ou secundárias.
Em qualquer tipo de texto, o mesmo divide-se em in-
trodução, desenvolvimento e conclusão.
1) Introdução: apresenta a ideia principal a ser discu-
tida e é formada, no máximo, por dois parágrafos. Sua fina-
lidade é levar o leitor a um primeiro contato com os dados
fundamentais do assunto da redação. Apresenta o tema e o
objetivo do texto. Quando apresentada de modo inteligente,
desperta a atenção do leitor estimulando sua leitura. Dentre
os vários recursos para motivar o interesse de quem o lê es-
tão a alusão a acontecimentos passados ou anedóticos, o
suspense e a interrogação.
2) Desenvolvimento: é o desdobramento da ideia cen-
tral, a exposição dos argumentos. Deve estruturar-se de tal
modo que da sequência de ideias resulte um conjunto coe-
rente, harmônico e agradável.
No desenvolvimento segue-se um plano previamente
estabelecido, não se admitindo o vaivém de ideias, o qual
exige uma ordem lógica dos pensamentos.
Desenvolver é selecionar ideias. Mas como desenvol-
ver? de vários modos: por enumeração de pormenores, por
apresentação de confrontos, enunciação de analogia ou
comparação, por citação de exemplos, exposição de causas,
motivos, razões, consequências, etc.
3) Conclusão: resume os principais aspectos do texto
e confirma a tese inicial. Especial cuidado deve-se ter ao
concluir um texto sobretudo evitando que elementos estra-
nhos às partes antecedentes não venham à tona. A conclu-
são jamais será maior que o desenvolvimento.
d) O Parágrafo
1) Conceito
Parágrafo é uma unidade de composição do texto
constituída de frases, orações e períodos e que apresenta
uma ideia central à qual se agregam ideias secundárias
distintas de um mesmo assunto.
O parágrafo pode ser considerado um micro texto e,
como tal, não prescinde da delimitação do assunto e fi-
xação do objetivo. Método simples e prático de apresen-
tar esses dois requisitos indispensáveis é responder às
perguntas:
– O QUE? (delimitação)
– PARA QUE? (fixação do objetivo)
Ex.: “Sérgio é um excelente aluno. Todos os dias
levanta-se às sete horas e faz suas lições de casa. Em
classe, é atencioso e educado. Por isso, está sempre entre
os primeiros em todas as matérias.”
2) Estrutura do Parágrafo
As partes essenciais de um parágrafo são:
Tópico frasal: Ideia central do texto.
Desenvolvimento: Explanação da ideia central.
Ex.: Leia, a seguir, o primeiro parágrafo do texto
“Poluição Atômica”.
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POLUIÇÃO ATÔMICA
“O Petróleo tende a se exaurir em apenas 50
anos. As reservas de carvão e gás natural serão insuficientes
para suprir a demanda mundial de combustível nas próxi-
mas décadas. Por isso, a potência nuclear, que é uma fonte
de energia barata e relativamente inesgotável, parece ser a
alternativa futura para suprir a falta daqueles recursos não
renováveis.”
Veja como o autor montou o parágrafo:
1º) Abriu-o com uma ideia-núcleo: “O petróleo tende
a se exaurir em apenas 50 anos”. Essa ideia, apresentada
de maneira clara e concisa, constitui a base de tudo o que se
diz no parágrafo. É a ideia principal, denominada Tópico
Frasal, que pode estar no início ou final do parágrafo. A
partir dela, surgem as ideias secundárias.
2º) Retirando o Tópico Frasal, o que se percebe é uma
carga informativa trazendo subsídios, dados, agregando-os
coerentemente à ideia-núcleo: fala-se da exaustão das reser-
vas de carvão e gás dentro de mais alguns anos e apresenta
uma fonte alternativa: a energia nuclear.
A esses subsídios, a esses dados, a essa carga informa-
tiva que se agrega ao Tópico Frasal chamamos de Desen-
volvimento.
A ideia central fica contida de modo resumido no que
se chama tópico frasal. Normalmente, o tópico frasal se si-
tua no início do parágrafo, mas pode vir deslocado.
O tópico frasal pode constar de uma declaração, uma
pergunta, uma definição ou conter uma divisão.
Declaração – Logo no início o autor afirma ou nega
alguma coisa.
Ex.: Nenhuma comunidade linguística pode conside-
rar-se composta de indivíduos que falem uma língua em to-
dos os pontos idênticos.
Pergunta
Ex.: Será que a violência ignora que muitas vezes não
lhe cabe outro destino do que o do bumerangue. voltando ao
ponto de partida, com efeito oposto ao do arremesso com
que partiu?
Definição – É o método frequente na linguagem di-
dática.
Ex.: “Os pulsares são estrelas que, dentro de uma fan-
tástica periodicidade, emitem fortes lampejos de energia.”
(“O Lingote”. Conquista do Cosmo n.º 233, p. 16)
Divisão – Outra feição que predomina no discurso
didático.
Ex.: “A cadeira de Português de 1ª série está dividida
em duas partes: Português 1, onde são ensinadas noções de
gramática, e Português 2, que dá mais importância ao estu-
do de texto.”
3) Como iniciar o Parágrafo
a) Através de uma declaração inicial: A gente afirma
ou nega alguma coisa (para em seguida justificar a afirma-
ção ou negação).
Ex.: “Mãe é coisa engraçada (ideia central = afirma-
ção)
Mãe pensa que a gente não cresceu. Só enxerga que
a gente tem corpo de mulher na hora de achar ruim o
maiô de duas peças ou o vestido tomara-que-caia. Nas
outras horas parece que a filha dela é uma criancinha de
mamadeira, não pode sair à noite com o namorado, não
pode andar em carro de rapaz estranho, não pode ir ao
baile sem companhia, só falta dar ataque quando a gente
diz que vai se inscrever no concurso de sereia”. (Raquel
de Queiroz, “Quaresma”).b) Através de uma definição: é o método utilizado
nos livros didáticos:
Ex.: Verbo é a palavra que exprime um fato repre-
sentado no tempo. Apresenta variações de número, pes-
soa, modo, tempo e voz.
c) Através de uma divisão: também é um método
utilizado nos livros didáticos:
Ex.: As conjunções subordinativas classificam-se
em: causais, concessivas, condicionais, conformativas,
finais, proporcionais, temporais, comparativas, consecu-
tivas e integrantes. As nove primeiras classes iniciam
orações adverbiais. As integrantes introduzem orações
substantivas.
d) Através de uma interrogação:
Ex.: “Aliás, para que me pergunta se ama? Claro
que não ama. Amor é jogo forte, só vale no tudo ou na-
da: amar é uma aventura heroica e insuperável.” (Raquel
de Queiroz, “Meditação sobre o Amor”).
e) Através de uma alusão histórica: é um método
que desperta a curiosidade do leitor, chamando a atenção
dele para fatos históricos, lendas, tradições, crendices,
provérbios ou outro acontecimento interessante.
Ex.: “Caramuru atirou. Naquele tempo ele se cha-
mava Diogo Álvares Correia. Os companheiros de nau-
frágio haviam sido almoçados pelos Tupinambás, guer-
reiros que moravam na cidade da Bahia, que ainda não
tinha esse nome porque tampouco existia. O pássaro caiu
ferido com o tiro e os índios desistiram de comer Diogo
Álvares Correia com seu instrumento de morte que vo-
mitava fogo. (J. Amado, “Bahia de Todos os Santos”).
4) Qualidades do parágrafo
O tema de um texto deve ser o mesmo; portanto,
quando se inicia um novo parágrafo não se muda de
assunto. A abordagem e os argumentos é que vão modi-
ficando-se em função de explicar, esclarecer e transmitir
ideias, que tornem o texto mais claro.
Em seu livro “Comunicação em Prosa Moderna”, o
Prof. Othon M. Garcia apresenta as seguintes qualidades
para o parágrafo:
UNIDADE: Apenas uma ideia principal pode emergir
do parágrafo. As ideias secundárias devem girar em tor-
no da principal, sem acréscimo que possam quebrar a
unidade exigida.
COERÊNCIA: A organização do parágrafo far-se-á
de tal forma que fique evidente, em destaque, o que é
principal. Torna-se indispensável haver subordinação e
relacionamento de sentido entre as ideias secundárias e
principal.
CONCISÃO: Não é aconselhável estender demasia-
damente as exemplificações e os desdobramentos da
ideia principal. A concisão, contudo, não deve ser alcan-
çada em detrimento da clareza.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
CLAREZA: A clareza, em grande parte, depende da
escolha das palavras. A palavra adequada ao contexto
concorre de fácil compreensão e de leitura agradável.
A mudança de um parágrafo para outro não há de
ser brusca – abrupta; impõe-se um encadeamento lógico
e natural entre os parágrafos.
Às vezes, torna-se indispensável acrescentar ao tex-
to um parágrafo de transição para que as ideias se façam
de maneira harmoniosa.
Aconselha-se, porém, que o texto não apresente pa-
rágrafos repetidos, isto é, dois ou três parágrafos redigi-
dos de forma diversa, mas contendo a mesma ideia. A
repetição torna o texto redundante e cansativo.
2. RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS
TEXTUAIS.
A importância do ensino dos gêneros na escola e
seu reconhecimento social
O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e pro-
dução de texto pela perspectiva dos gêneros reposiciona o
verdadeiro papel do professor de Língua Materna hoje, não
mais visto aqui como um especialista em textos literários ou
científicos, distantes da realidade e da prática textual do
aluno, mas como um especialista nas diferentes modalida-
des textuais, orais e escritas, de uso social. Assim, o espaço
da sala de aula é transformado numa verdadeira oficina de
textos de ação social, o que é viabilizado e concretizado pe-
la adoção de algumas estratégias, como enviar uma carta
para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a
alguém, enviar uma carta de solicitação a um secretário da
prefeitura, realizar uma entrevista, etc. Essas atividades,
além de diversificar e concretizar os leitores das produções
(que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”), permi-
tem também a participação direta de todos os alunos e even-
tualmente de pessoas que fazem parte de suas relações fa-
miliares e sociais. A avaliação dessas produções abandona
os critérios quase que exclusivamente literários ou gramati-
cais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é
aquele que apresenta, ou só apresenta, características literá-
rias, mas aquele que é adequado à situação comunicacional
para a qual foi produzido, ou seja, se a escolha do gênero,
se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o nível de língua estão
adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalidade do
texto.
O professor abordando os variados gêneros, estaria
dando ao aluno a oportunidade de se apropriar devidamente
de diferentes Gêneros Textuais socialmente utilizados, sa-
bendo movimentar-se no dia-a-dia da interação humana,
percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da
sua constituição como sujeito. A atividade com a língua, as-
sim, favoreceria o exercício da interação humana, da parti-
cipação social dentro de uma sociedade letrada e faria com
que o aluno entendesse que toda produção textual, desde um
mero outdoor, uma receita de remédio, bula, um cartaz até
as grandes monografias fazem parte do mundo dos gêneros
textuais e não somente as tipologias que ficaram restritas ao
ensino na escola, como a descrição, narração, dissertação,
injunção, exposição e só.
O reconhecimento através das diferenças entre ti-
pologia textual e gênero textual
a) Usamos a expressão tipologia textual para desig-
nar uma espécie de construção teórica definida pela nature-
za linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáti-
cos, tempos verbais, reações lógicas). Em geral, os tipos
textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhe-
cidas como: narração, descrição, dissertação, exposição,
argumentação e injunção.
b) Usamos a expressão gênero textual como uma no-
ção propositalmente vaga para refletir os textos materializa-
dos que encontramos em nosso cotidiano e que apresentam
características sócio-comunicativas definidas por conteú-
dos, propriedades funcionais, estilo e composição caracte-
rísticas. Se os tipos textuais são meia dúzia, os gêneros são
infinitos.
Alguns exemplos de gêneros: telefonema, sermão,
carta comercial e pessoa, romance, bilhete, uma aula expo-
sitiva, horóscopo, bilhete, receita, bula, e-mail, bate-papo
po computador, aulas virtuais e assim por diante.
Percebe-se que o nosso mundo está repleto de gêne-
ros textuais e que vivenciamos diariamente com eles.
Entenda que enquanto o tipo textual é caracterizado
por sequências linguísticas pré-definidas, com linguagem
formal(língua culta), os gêneros textuais podem ou não uti-
lizá-la, dependerá dos falantes, do ambiente e da função a
que estão destinados.
O gênero textual é, em geral, tipologicamente varia-
do. Um gênero, como o e-mail, por exemplo, pode conter
narração, descrição, exposição, injunção em seu conteúdo,
depende da intenção do interlocutor. Já um texto dissertati-
vo, como por exemplo uma monografia ou uma redação
dissertativa não pode haver narração, por exemplo ou injun-
ção, isto é , cada um ocupa seu espaço e sua função( literá-
ria ou científica) e raras vezes um pode vir junto a outro.
3. DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE ELE-
MENTOS DE COESÃO TEXTUAL: EMPREGO DE
ELEMENTOS DE REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUI-
ÇÃO E REPETIÇÃO DE CONECTORES E OUTROS
ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL;
EMPREGO/CORRELAÇÃO DE TEMPOS E MODOS
VERBAIS
COESÃO TEXTUAL
Um texto não é uma unidade constituída por uma soma
de sentenças ou por um amontoado caótico de palavras e
frases. Os enunciados, os segmentos do texto estão estrita-
mente interligadosentre si; há conexão entre as palavras,
entre as frases, entre os parágrafos e as diferentes partes. Há
encadeamento semântico.
Diz-se, pois, que um texto tem COESÃO quando seus
vários elementos estão organicamente articulados entre si,
quando há concatenação entre eles.
Portanto, coesão é um termo que designa os mecanis-
mos linguísticos de sequencialização que instituem conti-
nuidade semântica entre diferentes elementos da superfície
textual. Esses mecanismos envolvem processos léxico-
gramaticais diversos, dos quais destacamos as cadeias de
referência, as reiterações e substituições lexicais (coesão
lexical), os conectores interfrásicos (coesão interfrásica),
a ordenação correlativa dos tempos verbais (coesão tem-
poral). A unidade semântica do texto é assim garantida por
uma organização formal que permite articular e interligar
sequencialmente diferentes componentes.
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Para dominar os mecanismos de coesão textual é ne-
cessário que conheça o emprego de seus elementos constitu-
tivos, já citados acima e serão explicitados abaixo.
A) Cadeia de referência
Em um texto quando há um ou mais fragmentos tex-
tuais sem referência autônoma, cuja interpretação depende
do valor referencial de uma expressão presente no discurso
anterior (anáfora) ou subsequente (catáfora) estamos pe-
rante uma cadeia de referência. No enunciado "O Pedro li-
dera a turma. Os colegas apoiam-no incondicionalmente e
estão do lado dele em todas as situações", a expressão no-
minal [O Pedro] e os pronomes pessoais [o] e [ele] formam
uma cadeia de referência, dado que o referente das formas
pronominais é estabelecido pela expressão nominal, presen-
te no contexto verbal. As três estruturas sublinhadas reenvi-
am para o mesmo referente, ou seja, para a mesma entidade
do mundo.
A1) Anáfora
A anáfora existirá quando a interpretação de uma ex-
pressão (habitualmente designada por termo anafórico) de-
pende da interpretação de uma outra expressão presente no
contexto verbal (o termo antecedente). Mais concretamente,
a expressão referencialmente não autônoma (o termo anafó-
rico) retoma, total ou parcialmente, o valor referencial do
antecedente. Há casos de anáfora em que o termo anafórico
e o antecedente são co-referentes (isto é, designam a mesma
entidade, como os exemplos a e b ilustram), mas há também
casos de anáfora sem co-referência (ex.c).
Ex.: a) João está doente. Vi-o na semana passada.
Aqui, o pronome pessoal o é o termo anafórico, refe-
rencialmente dependente, que retoma o valor referencial do
grupo nominal o João.
Ex.: b) Ana comprou um cão. O animal já conhece
todos os cantos da casa.
Aqui, o termo anafórico é o grupo nominal o animal,
que retoma o valor referencial do antecedente o cão. É a re-
lação de hiponímia/hiperonímia entre cão e animal que su-
porta a co-referência.
Ex.: c) A sala de aulas está degradada. As carteiras
estão todas riscadas.
Aqui, a interpretação referencial do grupo nominal as
carteiras depende da sua relação anafórica com o grupo
nominal a sala de aulas. Entre os lexemas em causa, há uma
relação parte-todo que sustenta a relação anafórica.
Ex.: d) João faz 18 anos no dia 2 de Julho de 2001. No
dia seguinte parte para uma grande viagem pela Europa.
Aqui, exemplifica-se um caso de anáfora temporal. O
valor referencial da locução adverbial no dia seguinte
constrói-se a partir da interpretação do termo antecedente, a
expressão temporal no dia 2 de Julho de 2001. Assim, o dia
seguinte designa o dia 3 de Julho de 2001.
A.2) Catáfora
Numa cadeia de referência, a expressão que estabelece
o referente pode ocorrer no discurso subsequente àquele
em que surgem as expressões referencialmente dependentes
habitualmente designadas por termos anafóricos (anáfora).
Quando a cadeia de referência exibe esta ordenação linear,
o termo catáfora substitui o termo anáfora. No fragmento
textual "A irmã olhou-o e disse: - João, estás com um ar
cansado", o pronome pessoal o é uma expressão referenci-
almente não autônoma, cujo valor depende da interpretação
de uma expressão presente no contexto discursivo subse-
quente, o nome próprio João. Catáfora designa este tipo par-
ticular de anáfora, em que o termo anafórico precede o an-
tecedente.
A.3) Elipse
Na seguinte frase "Rui caiu e fraturou uma perna", ve-
rifica-se a elipse do sujeito da segunda oração, mas esse su-
jeito continua a ser interpretado anaforicamente, por retoma
do valor referencial do antecedente ‘Rui’.
A.4) Co-referência não anafórica
Duas ou mais expressões linguísticas podem identifi-
car o mesmo referente, sem que nenhuma delas seja refe-
rencialmente dependente da outra. Fala-se, então, de co-
referência não anafórica. No texto " Rui foi trabalhar na
África. Finalmente, o marido da Ana conseguiu concretizar
o seu sonho", as expressões ‘O Rui’ e ‘o marido da Ana’
podem ser co-referentes, ou seja, podem identificar a mes-
ma entidade, sem que nenhuma delas funcione como termo
anafórico. Naturalmente, só informação de caráter extralin-
guístico permite afirmar se há ou não co-referência entre as
duas expressões nominais.
B) Coesão Lexical
Mecanismo de coesão textual que envolve a repetição
da mesma unidade lexical ao longo do texto ou a sua substi-
tuição por outras unidades lexicais que com ela mantêm re-
lações semânticas de natureza hierárquica (hiponímia, hi-
peronímia) ou não hierárquica (sinonímia, antonímia).
Veja-se o seguinte fragmento textual: "Quando chegou
a casa, Rui viu um carro estacionado em frente da sua ga-
ragem. Ficou intrigado: o veículo não lhe era familiar."
A substituição da palavra carro (hipônimo) pela pala-
vra veículo (hiperônimo) assegura coesão lexical e garante
simultanemanente identidade referencial (o carro e o veícu-
lo designam o mesmo objeto).
C) Coesão Interfrásica
Designa os mecanismos de sequencialização que mar-
cam diversos tipos de interdependência semântica entre as
frases que ocorrem num texto. Basicamente, a conexão in-
terfrásica é assegurada pelos conectores, que podem ser
conjunções (ex.1) ou advérbios conectivos(ex.2).
(1) Parto para férias, quando acabar o relatório.
(2) Estou disposta a abdicar do feriado. Agora, não me
peçam que trabalhe 12 horas por dia.
D) Coesão Temporal
Designa os processos que asseguram compatibilidade
semântica ao nível da localização temporal e da ordenação
temporal relativa das situações textualmente representadas.
A utilização correlativa dos tempos verbais é um dos
mecanismos que garante a coesão temporal: se se pretende
representar uma situação passada que se sobrepõe tempo-
ralmente a uma outra, também ela pertencente à esfera do
passado, é necessário recorrer a uma forma de Imperfeito do
Indicativo e a uma forma de Pretérito Perfeito Simples: (1)
Quando João nasceu, Ana tinha cinco anos. Seria inaceitá-
vel o fragmento (1a) Quando João nasceu, Ana teve cinco
anos.
Os advérbios de localização temporal devem igual-
mente ser compatíveis com os tempos verbais selecionados:
veja-se o contraste entre a boa formação semântica de (2)
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Amanhã, vou ao cinema e a inaceitabilidade de (2a) Ama-
nhã, fui ao cinema.
Para que a coesão temporal seja assegurada, é ainda
necessário compatibilizar os valores das expressões predi-
cativas com o valor semântico dos conectores de valor tem-
poral utilizados. Confronte-se a boa formação semântica de
(3) Enquanto João arrumava a cozinha, a irmã atendeu cin-
co telefonemas com a inaceitabilidade de (3a) Enquanto
João atingiu a meta, a irmã desmaiou.
A ordenação textual linear dos eventos representados
deve corresponder à ordem pela qual ocorreram no mundo,
ou seja, a descrição de eventos anteriores deve preceder a
descrição de eventos posteriores: (4) Entrouna livraria e
comprou o último Vinicius. Quando esta condição não é
respeitada, acaba-se a coesão temporal e a própria coerên-
cia do texto: (4a) Comprou o último Vinicius e entrou na li-
vraria.
Para reforçar o entendimento dos mecanismos de
coesão textual
Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
mos mecanismos para garantir ao interlocutor a compreen-
são do que se lê / diz.
Esses mecanismos linguísticos que estabelecem a co-
nectividade e a retomada do que foi escrito / dito são os re-
ferentes textuais e buscam garantir a coesão textual para
que haja coerência, não só entre os elementos que compõem
a oração, como também entre a sequência de orações dentro
do texto.
Essa coesão também pode muitas vezes se dar de mo-
do implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os
participantes do processo têm com o tema. Por exemplo, o
uso de uma determinada sigla, que para o público a quem se
dirige deveria ser de conhecimento geral, evita que se lance
mão de repetições inúteis.
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
ginária - composta de termos e expressões - que une os di-
versos elementos do texto e busca estabelecer relações de
sentido entre eles.
Dessa forma, com o emprego de diferentes procedi-
mentos, sejam lexicais (repetição, substituição, associação),
sejam gramaticais (emprego de pronomes, conjunções, nu-
merais, elipses), constroem-se frases, orações, períodos, que
irão apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual.
Há diversas formas de se garantir a coesão entre
os elementos de uma frase ou de um texto:
1. Substituição de palavras com o emprego de sinô-
nimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo
associativo.
2. Nominalização – emprego alternativo entre um
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (des-
gastar / desgaste / desgastante).
3. Repetição na ligação semântica dos termos, em-
pregada como recurso estilístico de intenção articulató-
ria, e não uma redundância - resultado da pobreza de vo-
cabulário. Por exemplo, “Grande no pensamento, grande
na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele mor-
reu desconhecido e só.”
4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece
com base na maior especificidade do significado de um
deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel
(mais genérico).
5. Emprego de hiperônimos - relações de um termo
de sentido mais amplo com outros de sentido mais espe-
cífico. Por exemplo, felino está numa relação de hipero-
nímia com gato.
6. Substitutos universais, como os verbos vicários
(ex.: Necessito viajar, porém só o farei no ano vindouro)
A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de conecti-
vos, como certos pronomes, certos advérbios e expres-
sões adverbiais, conjunções, elipse, entre outros.
A elipse se justifica quando, ao remeter a um enun-
ciado anterior, a palavra elidida é facilmente identificá-
vel. Ex.: O jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessi-
tar de todas as suas forças.
O termo o jovem deixa de ser repetido, assim, esta-
belece a relação entre as duas orações.
Dêiticos: são elementos linguísticos que têm a pro-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun-
ção de progressão textual, dada sua característica: são
elementos que não significam, apenas indicam, remetem
aos componentes da situação comunicativa.
Já os componentes concentram em si a significação.
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in-
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbi-
ais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o
momento da enunciação, podendo indicar simultaneida-
de, anterioridade ou posterioridade.
Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente);
ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes
de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, de-
pois de (futuro).”
É importante salientar que só a coesão em si não
basta, necessário que estes elementos estejam coerente-
mente ligados e contextualizados.
4. REESCRITURA DE FRASES E PARÁGRA-
FOS DO TEXTO: SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS
OU DE TRECHOS DE TEXTO; RETEXTUALI-
ZAÇÃO DE DIFERENTES GÊNEROS E NÍVEIS
DE FORMALIDADE.
a) Paráfrase
Reescrever um texto significa parafraseá-lo. Fazer
uma paráfrase consiste em expressar com outras pala-
vras a mesma ideia do texto-base. Nela não se deve mo-
dificar a natureza do texto, qualquer que seja ela. Se o
texto é sério, a paráfrase também o será; se estivermos
parafraseando um poema, convém encontrar termos com
a mesma riqueza em sonoridade, beleza, e assim por di-
ante. Em suma, fazer uma paráfrase é expressar o mesmo
conteúdo com outras palavras, mantendo as mesmas ca-
racterísticas do texto.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
Observe:
Hino do São Paulo Paráfrase
Salve o Tricolor paulista As três cores deste clube
Amado clube brasileiro Em são Paulo o mais amado
Tu és forte, tu és belo Trazem força e coragem
Dentre os grandes és o pri-
meiro.
Em grandeza é consagrado.
Uma frase para ser bem escrita e bem intencionada,
ela deve primar pela:
clareza da mensagem;
elegância;
finalidade;
objetividade;
uso de uma linguagem apropriada à finali-
dade;
correção gramatical.
Voltemos aos exemplo do “outdoor”.
CUIDADO CAVALOS NO TRÂNSITO
Nele não temos nenhum dos preceitos apresentados
acima.
Vamos reescrevê-lo presentando duas intenções que
podem ser interpretadas, mas à luz de uma correção, ou
seja, de uma reescrituração.
1ª Intenção.
Alerta aos motoristas sobre o perigo de animais, no
caso cavalos, cruzarem a pista.
CUIDADO!!! CAVALOS, NO TRÂNSITO.
Observe que a posição da vírgula é de suma impor-
tância para o entendimento da mensagem. Ao omitir-se a
vírgula, os cavalos passam a ser os motoristas.
O ponto final também é um indicativo de uma de-
claração.
2ª Intenção
Se for com intenção de agredir os maus motoristas,
basta o “outdoor” ficar assim:
CUIDADO!!! CAVALOS NO TRÂNSITO!!!
A exclamação final traz um teor irônico à frase. Ela
possui todos os princípios de uma boa frase escrita, po-
rém falta a ELEGÂNCIA. Princípio este indispensável
para a relação humana.
Emissor e receptor se entendendo, temos uma co-
municação perfeita.
b) Síntese
1) Introdução
Notamos, às vezes, que, em uma conversa, repeti-
mos aquilo que falamos, dizemos a mesma coisa com
outras palavras, exemplificamos, explicamos. Vejam, por
exemplo, o texto abaixo:
“Eu ia ao cinema, para assistir o Homem Aranha,
no cinema, né? Eu gosto de filme assim, quer dizer, de
filme que tem super-herói. Por exemplo, eu gostei muito
de ver o Batman, aí eu achei que ia gostar de ver esse aí,
o Homem Aranha”.
No texto acima, podemos notar várias frases repeti-
das, literalmente ou com alguma mudança. Notamos,
também explicação e exemplificação. Às vezes, a repeti-
ção, a explicação e a exemplificação são importantes pa-
ra enfatizar algo, para clarear um assunto, para fazer al-
guém recordar de alguma coisa. Quantas vezes, no en-
tanto, temos que economizar palavras, ir direto ao ponto,
entender mais o importante de uma questão. Nesses
momentos, precisamos ser sintéticos.
Um texto é, pois, sintético, quando não se perde em
repetições, rodeios, explicações, análises, comentários e
exemplos. É sintético também um texto que, a partir de
outro mais longo, busca extrair seu âmago, sua essência.
A capacidade de síntese foi por nós escolhida como
uma competência necessária a quem usa a linguagem,
escrita ou falada, formal ou informal, pela sua importân-
cia quando se precisa chegar ao ponto principal de uma
questão.
A capacidade de síntese é importante também – e
isso não é paradoxal – quando há necessidade de maior
clareza: um texto muito repetitivo, cheiode exemplos,
explicações e divagações, por vezes, é mais obscuro do
que um texto sintético, enxuto (um texto que acredita
mais na inteligência do outro...).
Para fazer uma síntese, é preciso antes analisar, se-
lecionar, organizar. Sem esses atos, não há como sinteti-
zar.
Devemos sempre ter em mente que a síntese não é
uma simples repetição “com menos palavras” de um ou-
tro texto, mas é a exposição de sua essência, de seus pon-
tos principais, tarefa que requer um entendimento e uma
reflexão maiores.
São muitas as vezes em que temos que economizar
palavras para chegar ao objetivo principal de um deter-
minado assunto. Quando fazemos isso, ou seja, quando
não nos perdemos em rodeios e explicações, estamos
realizando uma síntese. É preciso lembrar que um texto
sintético não é apenas uma repetição “com menos pala-
vras” de um outro texto, mas é a exposição de sua essên-
cia. Portanto, a realização de uma síntese pressupõe tam-
bém uma capacidade de análise, organização e reflexão
do texto todo.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
EXERCÍCIOS
Nas questões de 1 a 76, marque uma única alterna-
tiva correta conforme pede seu comando.
(CRQ 20ª/Agente Administrativo/ QUADRIX/
2014)
Para responder às questões de 1 a 5, leia o texto
abaixo.
Pela primeira vez no século, emissões industriais
de CO2 ficam estáveis
O relatório holandês não leva em consideração as
emissões causadas por desflorestamento
As emissões industriais de dióxido de carbono,
principal gás causador da mudança climática, mantive-
ram-se estáveis em 2009, quando a recessão global redu-
ziu o ritmo da produção nos países industrializados, en-
quanto que o crescimento de índia e China compensaram
a queda.
A Agência de Avaliação Ambiental da Holanda dis-
se que 2009 foi o primeiro ano, desde 1992, a registrar
crescimento zero nas emissões de carbono causadas pela
queima de combustíveis fósseis, produção de cimento e
indústria química.
O relatório não leva em consideração, no entanto, as
emissões causadas por desflorestamento, incêndios flo-
restais e decomposição de biomassa, que podem repre-
sentar até 20% das emissões globais.
A agência, mantida pelo governo holandês, foi a
primeira a anunciar que a China havia superado os EUA
como maior poluidor do mundo, em 2006.
As emissões do ano passado encolheram em 7% nas
principais nações industrializadas, mas aumentaram 9%
na China e 6% na índia. A China mais que dobrou suas
emissões nos últimos anos. Já as emissões indianas au-
mentaram 50% no mesmo período.
(www.estadao.com.br)
QUESTÃO 1
Sobre o texto, é correto afirmar que:
(A) as emissões de gases poluentes diminuíram, prova-
velmente, por um aumento mundial da consciência
ecológica.
(B) China, com o dobro, e índia, com 50% a mais de
emissões, tiveram aumento idêntico.
(C) o aquecimento global é causa direta da estabilização
da emissão de gases poluentes, especialmente pelo
aumento em países como os EUA, que são muito
industrializados.
(D) índia e China, com aumento na emissão de gases,
foram matematicamente responsáveis, em parte, por
ter havido "estabilização", não "diminuição".
(E) todos os países do mundo apresentaram aumento na
emissão de gases poluentes segundo o estudo cita-
do.
QUESTÃO 2
A palavra "estáveis", em destaque no subtítulo da
reportagem, exerce a mesma função sintática da palavra
destacada em qual das seguintes opções?
(A) Clara parece exausta hoje.
(B) O estressado executivo corria até a estação.
(C) Todos nós sabemos a verdade sobre Laura.
(D) A estabilidade é desejada por muitos.
(E) Paula e Carlos formalizaram união estável.
QUESTÃO 3
A palavra "dióxido" NÃO é acentuada pela mesma
razão de:
(A) "século".
(B) "relatório".
(C) "climática".
(D) "química".
(E) "últimos".
QUESTÃO 4
A palavra "que", destacada no terceiro parágrafo do
texto, é classificada morfologicamente como:
(A) conjunção.
(B) preposição.
(C) pronome.
(D) interjeição.
(E) artigo.
QUESTÃO 5
Sobre o texto, de uma maneira geral, analise as
afirmações.
I. A linguagem é, em grande parte, figurada e pouco
objetiva.
II. Quantitativamente, a conotação prevalece em rela-
ção à denotação.
III. O texto é claro, coerente e coeso.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) I e II, somente.
(D) I e III, somente.
(E) III, somente.
Para responder às questões de 6 a 10, leia a tirinha.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 6
A palavra "limpinho", que aparece no primeiro qua-
drinho, é formada por:
(A) derivação prefixal.
(B) derivação sufixal,
(C) derivação parassintética.
(D) composição por aglutinação.
(E) composição por justaposição.
QUESTÃO 7
Pode-se deduzir, pela leitura dos quadrinhos, que:
(A) há uma crítica ao uso desenfreado de tecnologia,
que anula as pessoas.
(B) a química é uma ciência que está intimamente rela-
cionada à religiosidade, segundo a personagem.
(C) a química está envolvida na composição dos seres
vivos.
(D) o autor dos quadrinhos cometeu deslizes de ordem
técnica ao deixar o último quadrinho apagado.
(E) a imagem pouco clara no último quadrinho torna a
tirinha ininteligível.
QUESTÃO 8
Veja:
"Quero que o mundo esteja livre de toda a química."
A oração em destaque é classificada como:
(A) coordenada sindética aditiva.
(B) coordenada sindética explicativa.
(C) subordinada substantiva subjetiva.
(D) subordinada substantiva objetiva direta.
(E) subordinada adverbial causal.
QUESTÃO 9
Analise as seguintes orações, elaboradas sobre o
tema dos quadrinhos.
I. Aspiro a um mundo livre de toda a química.
II. Viso um mundo muito limpo.
III. Queremos chegar num mundo livre de toda a quí-
mica.
Em relação à regência, está correta o que se afirma
em:
(A) I, somente.
(B) I e II, somente.
(C) II e III, somente.
(D) todas.
(E) nenhuma.
QUESTÃO 10
Analise o texto do segundo quadrinho e, em segui-
da, assinale a afirmação correta.
(A) Deveria haver sinal de crase, obrigatoriamente, em
"livre de toda à química".
(B) Poderia haver sinal de crase, facultativamente, em
"livre de toda à química".
(C) O sinal indicativo de crase em "toda à química" não
foi utilizado apenas para evitar ambiguidade.
(D) O sinal indicativo de crase em "toda à química" não
foi utilizado, propositalmente, para criar ambigui-
dade.
(E) O texto está correto como aparece, sem sinal indica-
tivo de crase, e não ficaria correto gramaticalmente
caso tal sinal aparecesse.
(CREF 14ª/GO-TO/Agente Administrativo/
QUADRIX/ 2014)
Para responder às questões de 11 a 15, leia o texto
abaixo.
Fazer exercício ajuda a envelhecer
melhor e viver mais
Alguns de nós, corredores, acabamos parecendo
evangelistas, apóstolos de determinadas ideias. Saímos
por aí tentando convencer os outros de que a razão é nos-
sa: correr descalço é a solução, fazer a dieta paleolítica é
o ó do borogodó, virar vegano é o caminho para a salva-
ção e outras afirmações absolutas a que faltam corrobo-
ração científica e o saudável benefício da dúvida.
Cá comigo, eu prefiro não advogar para nada. Por
experiência própria, sei o quanto fazer exercício ajuda a
melhorar a qualidade de vida. Sei também o quanto pode
piorar a qualidade de vida (meu rosário de lesões fala
por si só).
Quando nós falamos de exercício não necessaria-
mente estamos nos referindo à mesma coisa ____ médi-
cos e cientistas falam quando mencionam os benefícios
da atividade física ou da vida ativa. Para mim, exercício
é correr percursos encabritados durante umas duas horas,
quatro a seis vezes por semana. É como me sinto bem, o
corpo sua e a mente voa.
Não é um critério médico, como se pode perceber
por um dos mais recentes e amplos estudossobre o im-
pacto da atividade física na saúde e na longevidade das
pessoas. Trata-se de um trabalho publicado no "British
Journal of Sports Medicine", revista especializada em
medicina esportiva, em que os artigos só são aceitos de-
pois de revisados por uma junta de revisores qualifica-
dos.
A pesquisa usou informações de uma gigantesca ba-
se de dados médicos da Grã-Bretanha, o English Longi-
tudinal Study of Ageing, que estuda o envelhecimento de
dezenas de milhares de pessoas ao longo de décadas. Pa-
ra avaliar o efeito da atividade física no envelhecimento,
os pesquisadores selecionaram 3.454 homens e mulheres
de 55 a 73 anos, que se declararam saudáveis no ano-
base da pesquisa.
Eles foram separados em dois grupos, o de sedentá-
rios e o dos que tinham atividade física. Estes não eram
necessariamente ultramaratonistas nem jogadores de fu-
tebol de fim de semana, tenistas amadores ou caminhan-
tes dedicados.
Nada disso. Para se enquadrar na lista de não seden-
tário, bastava uma hora por semana de exercício mode-
rado ou vigoroso. O exercício não precisava ser algo
formal (corrida, aulas de ginástica, caminhada, natação);
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
atividades como jardinagem, lavação de carro ou dança
de salão já são suficientes para o sujeito ser considerado
fisicamente ativo.
Feito isso, os pesquisadores voltaram a analisar as
informações do mesmo grupo oito anos depois - ou seja,
quando tinham de 63 a 81 anos. Quantos morreram,
quantos ficaram vivos e, dos vivos, quantos passaram a
fazer atividade física ou deixaram de praticar exercício
(considerada aquela generosa definição de exercício).
Também fizeram o recenseamento do estado de sa-
úde do grupo ao longo dos anos, baseados em diagnósti-
cos de diabetes, doenças cardíacas, demências e outras
condições graves. Para completar, os cientistas entraram
em contato com os indivíduos e fizeram testes específi-
cos de memória e capacidade de raciocínio; alguns pou-
cos usaram por uma semana um monitor de atividades
físicas, para confirmar se o registrado batia com o infor-
mado nas entrevistas.
Resumo da ópera: os que faziam atividade viveram
mais (ou, colocado de outra forma, houve mais mortes
entre os sedentários) e apresentaram melhores condições
de saúde em geral.
Usando a linguagem do estudo: os que tinham al-
gum tipo de atividade física conseguiram um envelheci-
mento mais saudável, com menor incidência de doenças
crônicas, perda de memória e incapacitação física de al-
gum tipo.
O mais legal é que os que não eram fisicamente ati-
vos no início do estudo, mas passaram a ter alguma ati-
vidade física no período, também se beneficiaram muito.
Seu risco de doenças crônicas e problemas físicos é de
1/7 dos que continuaram sedentários ou abandonaram a
atividade física.
Sobre o risco de mortalidade, outros estudos já
apontavam o mesmo caminho, indicando que vale a pena
começar a fazer exercício mesmo em idade considerada
"avançada". Um estudo que acompanhou 2.000 homens
de meia idade mostrou que aqueles que iniciaram a práti-
ca de atividade física depois dos 50 anos tinham menor
risco de morte nos 35 anos seguintes do que os sedentá-
rios.
A pesquisa britânica agora demonstra que os que se
exercitam não apenas vivem mais, mas vivem melhor.
Portanto, bora correr!
(http://rodolfolucena.blogfolha. uol.com. br)
QUESTÃO 11
Pode-se compreender, pelo contexto, que a expres-
são "rosário de lesões", no texto, significa:
(A) uma demonstração de que o autor acredita na fé pa-
ra curar lesões causadas por exercícios.
(B) uma quantidade de lesões considerada significativa.
(C) uma maneira de dizer que as lesões só ocorreram
porque o autor decidiu competir sem sapatos.
(D) um alerta para a utilização de tênis próprios para
corrida.
(E) uma maneira de atrelar o esporte a uma espécie de
espiritualidade.
QUESTÃO 12
A lacuna que aparece no terceiro parágrafo, de
acordo com a construção do período, seria corretamente
preenchida por:
(A) a que.
(B) para que.
(C) de que.
(D) o que.
(E) cujos.
QUESTÃO 13
Veja:
"Para avaliar o efeito da atividade física no enve-
lhecimento, os pesquisadores selecionaram 3.454 ho-
mens e mulheres de 55 a 73 anos, que se declararam
saudáveis no ano-base da pesquisa."
A palavra "que", em destaque acima, é um pronome
classificado como:
(A) relativo.
(B) demonstrativo.
(C) indefinido.
(D) interrogativo.
(E) pessoal oblíquo.
QUESTÃO 14
Releia o seguinte parágrafo do texto:
"Eles foram separados em dois grupos, o de sedentários
e o dos que tinham atividade física. Estes não eram ne-
cessariamente ultramaratonistas nem jogadores de fute-
bol de fim de semana, tenistas amadores ou caminhantes
dedicados. "
A palavra "estes", acima em destaque, exerce a fun-
ção de retomar algo que apareceu anteriormente no texto.
A retomada, nesse caso, se faz por um processo de coe-
são referencial anafórica. O que "estes" retoma?
(A) O grupo dos que eram sedentários.
(B) O processo de divisão das pessoas em grupos.
(C) O jornal em que foi publicada, inicialmente, a pes-
quisa.
(D) O grupo dos que tinham atividade física.
(E) O próprio autor do texto, em uma referência exofó-
rica.
QUESTÃO 15
Sobre o texto, de uma maneira geral, analise as
afirmações.
I. A linguagem é, eminentemente, não verbal.
II. A linguagem é absolutamente impessoal, formal e
rebuscada, com alguns arcaísmos.
III. Não há uso de primeira pessoa em nenhuma das
passagens do texto.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) III, somente.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
(D) nenhuma.
(E) todas.
Para responder às questões de 16 a 20, observe o
anúncio a seguir.
QUESTÃO 16
A palavra "único", que aparece no anúncio, é acen-
tuada pela mesma razão de qual das palavras abaixo?
(A) "saúde".
(B) "trôpego".
(C) "guaraná".
(D) "órgão".
(E) "amiúde".
QUESTÃO 17
Sobre a forma verbal "mantêm", que aparece no
anúncio, assinale a opção correta.
(A) Está no plural, o que se pode comprovar pelo uso do
acento circunflexo.
(B) Está escrita incorretamente, já que deveria ser utili-
zado o acento agudo.
(C) Concorda com a primeira pessoa do singular, que
aparece elíptica.
(D) Gera um problema de concordância verbal.
(E) Gera um problema de concordância nominal.
QUESTÃO 18
O anúncio explora os múltiplos sentidos de uma ex-
pressão para chamar a atenção do leitor. Qual é essa ex-
pressão polissêmica?
(A) "Circuito Verão".
(B) "único campeonato".
(C) "as equipes".
(D) "espírito esportivo".
(E) "cabeça quente".
QUESTÃO 19
Sobre o anúncio como um todo, analise as afirma-
ções.
I. O texto verbal e o texto não verbal em nada se rela-
cionam.
II. A palavra "único" insere tom pejorativo ao circuito
de esportes anunciado.
III. A forma verbal "entrando" aparece no infinitivo.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) III, somente.
(D) nenhuma.
(E) todas.
QUESTÃO 20
A palavra "mesmo", que aparece no anúncio, intro-
duz uma ideia de:
(A) causa.
(B) condição.
(C) concessão.
(D) finalidade.
(E) proporção.
(CREF 11ª/Assistente Administrativo/ QUA-
DRIX/2014)
Para responder às questões de 21 a 25, leia o texto
abaixo.
São Silvestre chega à 89.ª edição com recorde
e de participantes
Em 88 anos, desde 1925, número de atletas saltou de 146
para 27,5 mil
Quase nove décadas e 88 edições transformaram a
tradicional corrida de São Silvestre em um megaevento
capaz de reunir 27,S mil pessoas de 41 países nas ruas de
São Paulo. No dia 31 de dezembro de 1925, após o jor-
nalista Cásper Líbero se inspirar em um evento realizado
em Paris, deu-se o pontapé inicial para a histórica prova
de atletismo da capital paulista.Na primeira edição, apenas 146 atletas paulistanos
participaram do evento. No total, 60 percorreram todos
os 6,2 mil metros entre a Avenida Paulista e a Ponte Pe-
quena (atual estação Armênia do metrô). Alfredo Gomes,
do Clube Espéria, cruzou a linha de chegada às Oh23 do
dia 1.º de janeiro de 1926 em primeiro lugar, com o tem-
po de 23m10s. Segundo o regulamento da época, somen-
te os primeiros 25 atletas receberam medalhas.
A prova, que era restrita aos paulistas nos primeiros
16 anos, teve o mineiro José Tibúrcio dos Santos como
vencedor em 1941. Na ocasião, o percurso já havia mu-
dado, chegando a sete mil metros entre a esquina da
Avenida Paulista com a avenida Angélica e o Clube de
RagatasTietê (próximo à atual ponte das Bandeiras). A
17.ª corrida de São Silvestre já contava com 1.289 atle-
tas.
INTERNACIONAL
A primeira edição internacional ocorreu em 1945,
com a presença de convidados sul-americanos. O brasi-
leiro Sebastião Alves Monteiro travou uma dura batalha
com o uruguaio Oscar Moreira e venceu a prova em
21m54s. O local da chegada era o mesmo de 1941. A
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
largada, por sua vez, ocorreu em frente ao Estádio do
Pacaembu. Após o bicampeonato de Sebastião Alves, no
ano seguinte, o Brasil viveu um longo jejum de vitórias.
Coube a José João da Silva, em 1980, colocar ponto final
à estiagem.
No hiato, o belga Gaston Roelants sagrou-se tetra-
campeão em 1964, 1965, 1967 e 1968. Já o argentino
Osvaldo Suarezcruzou a linha de chegada em primeiro
lugar três anos seguidos, entre 1958 e 1960. Mais cinco
atletas conquistaram mais de dois títulos: o colombiano
Víctor Mora (1972, 1973, 1975 e 1981), o equatoriano
Rolando Vera (de 1986 a 1989), o brasileiro Marílson
Gomes dos Santos (2003, 2005 e 2010), além dos queni-
anos Robert Cheruiyot (2002, 2004 e 2007) e Paul Ter-
gat (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000).
Os atletas do Quênia, inclusive, dominam a prova
desde a vitória de Simon Chemwoyo, em 1992. Desde
então, o país africano conquistou 13 vitórias em 21 edi-
ções. Já o Brasil venceu seis: Ronaldo da Costa (1994),
Émerson Iser Bem (1997), Franck Caldeira (2006), além
do tricampeonato de Marílson dos Santos. No total, o Pa-
ís tem 11 conquistas - João da Mata de Ataíde cruzou em
primeiro em 1983 – e está a duas vitórias dos quenianos.
MULHERES
As mulheres passaram a disputar a prova em 1975.
Como ocorre na prova masculina, as quenianas têm a su-
premacia, com dez conquistas. Portugal e Brasil vêm em
seguida, com sete e cinco vitórias, respectivamente. A
portuguesa RosaMota é a maior vencedora, com seis tí-
tulos seguidos entre 1981 e 1986. A mexicana Maria DeI
Carmen Diaz venceu em 1989, 1990 e 1992. O Brasil
chegou em primeiro lugar com Carmem Oliveira (1995),
Roseli Machado (1996), Maria Zeferina Baldaia (2001),
Marizete Rezende (2002) e Lucélia Peres(2006).
A 89ª edição do megaevento paulistano terá início
às 8h40. A corrida noturna ocorreu de 1925 a 1988.
Depois, veio o período em que a prova era disputada no
período da tarde. A largada ocorre nas primeiras horas
do dia 31 desde o ano passado.
(www.estadao.com.br)
QUESTÃO 21
Pode-se afirmar que a palavra "década", em desta-
que no início do texto, é acentuada porque:
(A) precisa ser diferenciada de uma forma conjugada do
verbo "decair".
(B) possui um hiato entre suas duas sílabas iniciais.
(C) todas as palavras que, como ela, apresentam a últi-
ma sílaba tônica, são acentuadas.
(D) todas as palavras que, como ela, apresentam a pe-
núltima sílaba tônica, são acentuadas.
(E) todas as palavras que, como ela, apresentam a ante-
penúltima sílaba tônica, são acentuadas.
QUESTÃO 22
Observe:
A prova, que era restrita aos paulistas nos primeiros 16
anos, teve o mineiro José Tibúrcio dos Santos como ven-
cedor em 1941.
Aparece, em destaque no trecho, uma oração. Como
ela se classifica?
(A) Coordenada sindética explicativa.
(B) Subordinada substantiva predicativa.
(C) Subordinada substantiva apositiva.
(D) Subordinada adjetiva explicativa.
(E) Subordinada adverbial causal.
QUESTÃO 23
A palavra "estiagem", em destaque no texto, refere-
se mais diretamente, em termos de sentido, a:
(A) "Sebastião Alves".
(B) “ano seguinte”.
(C) “jejum”.
(D) “1980”.
(E) “final”.
QUESTÃO 24
A forma verbal "está", em destaque no texto, está
flexionada na terceira pessoa porque se refere a:
(A) "total".
(B) "País".
(C) "João da Mata Ataíde".
(D) "Marílson dos Santos".
(E) "Franck Caldeira".
QUESTÃO 25
Veja:
"Portugal e Brasil vêm em seguida, com sete e cinco vi-
tórias, respectivamente."
A forma verbal em destaque pertence ao verbo:
(A) "vir", da terceira conjugação.
(B) "vir", da segunda conjugação.
(C) "ver", da terceira conjugação.
(D) "ver", da segunda conjugação.
(E) "vem", da segunda conjugação.
Para responder às questões de 26 a 30, observe o
anúncio abaixo.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 26
A expressão “a ele”, que aparece no anúncio ligada
à palavra "amor", exerce a função sintática de:
(A) complemento nominal.
(B) adjunto adnominal.
(C) objeto direto.
(D) objeto indireto.
(E) agente da passiva.
QUESTÃO 27
Assinale a opção em que, em destaque, aparecem
um pronome e uma preposição.
(A) Uns fazem notícia por esporte.
(B) Uns fazem notícia por esporte.
(C) Nós fazemos por amor a ele.
(D) Nós fazemos por amor a ele.
(E) Nós fazemos por amor a ele.
QUESTÃO 28
Em "Nós fazemos por amor a ele", pode-se afirmar
corretamente que:
(A) O sujeito é oculto.
(B) O sujeito é inexistente.
(C) Deveria haver sinal indicativo de crase em "a ele".
(D) A ideia é a de que não se leva o jornalismo a sério.
(E) A compreensão completa depende da oração anteri-
or.
QUESTÃO 29
Sobre o anúncio como um todo, analise as afirma-
ções.
I. A linguagem é direta e clara.
II. Linguagens verbal e não verbal em nada se relacio-
nam.
III. Texto verbal e imagem são complementares na
construção dos sentidos.
Está correto o que se afirma em:
(A) III somente.
(B) II, somente.
(C) I, somente.
(D) I e III somente.
(E) I e II, somente.
QUESTÃO 30
O texto verbal do anúncio, em sua segunda oração,
pode ser reescrito, explicitando-se os termos ocultos, da
seguinte maneira:
(A) Nós fazemos [notícia] por amor a ele [= Brasil].
(B) Nós fazemos [notícia] por amor a ele [= esporte).
(C) Nós fazemos [esporte) por amor a ele [= Brasil].
(D) Nós fazemos [esporte) por amor a ele [= esporte].
(E) Nós fazemos [jornalismo] por amor a ele [= espor-
te].
(CRM/PR/Assistente Administrativo/ QUA-
DRIX/ 2014)
Para responder às questões de 31 a 35, leia o texto
abaixo.
Apenas Sudeste cumpre a meta de 2,5 médicos por
mil habitantes
Um problema que o governo tenta resolver com o
programa Mais Médicas está detalhado em números na
Síntese de Indicadores Sociais, estudo divulgado pelo
IBGE, com base em informações do Conselho Federal
de Medicina. A relação médicos/habitantes no País está
aquém do recomendado pelo Ministério da Saúde. Em
2011, havia 1,95 médicos para cada mil habitantes,
quando o recomendado pelo ministério é 2,5 médicos
por mil habitantes.
Somente no Sudeste essa meta é atingida, com 2,61
médicos por mil habitantes. A região Norte tem a pior re-
lação médico/habitante, com apenas 0,98. O estudo mos-
tra concentração de profissionais nas grandes cidades.
Nas capitais, há 4,2 médicos para cada mil habitantes. O
Maranhão tem a menor relação médicos/habitantes do
País: apenas 0,68 médico para cada mil habitantes. A
melhor relação está no Distrito Federal: 4,02 médicos
por mil habitantes.
Outra carência revelada pelos indicadores sociais é
de leitos hospitalares, embora os dados só cheguem até
2009. O País tinha 2,3 leitos em estabelecimentos desa-
úde para cada mil habitantes em 2009. É um número que
vem caindo ano a ano: em 1999, eram três leitos por mil
habitantes.
(www.estadao.com.br)
QUESTÃO 31
O texto é, primordialmente:
(A) narrativo.
(B) expositivo.
(C) descritivo.
(D) fantástico (com perfil de fábula).
(E) narrativo-descritivo.
QUESTÃO 32
Observe o trecho abaixo.
"Um problema que o governo tenta resolver com o pro-
grama Mais Médicos está detalhado em números na
Síntese de Indicadores Sociais, estudo divulgado pelo
/8GE, com base em informações do Conselho Federal de
Medicina."
Qual é a classificação da oração em destaque?
(A) Coordenada assindética.
(B) Coordenada sindética explicativa.
(C) Subordinada substantiva subjetiva.
(D) Subordinada adjetiva restritiva.
(E) Subordinada adverbial causal.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 33
A palavra "aquém" poderia ser substituída, no texto,
por outra, sem que isso causasse grande alteração de sen-
tido. Qual é a palavra que melhor se prestaria a tal papel,
dentre as que aparecem a seguir?
(A) "Abaixo".
(B) "Condizente".
(C) "Além".
(D) "Em excesso".
(E) "Limítrofe".
QUESTÃO 34
O trecho "Nas capitais", que aparece em destaque
no segundo parágrafo, exerce a seguinte função sintática:
(A) Sujeito simples.
(B) Adjunto adnominal.
(C) Adjunto adverbial.
(D) Predicativo do sujeito.
(E) Predicativo do objeto.
QUESTÃO 35
Sobre o termo "pelos indicadores sociais", em des-
taque no último parágrafo do texto, analise as afirma-
ções.
I. Exerce função sintática de agente da passiva.
II. Apresenta problema de pontuação, já que deveria
aparecer vírgula após "pelos".
III. Deveria ser introduzido por "cujos", não por "pe-
los".
Tendo em mente a coerência em relação ao contex-
to e o respeito às regras do acento indicativo de crase,
pode-se considerar a adequação de:
(A) I e III, somente.
(B) II, somente.
(C) I e II, somente.
(D) III, somente.
(E) I, somente.
Para responder às questões de 36 a 40, leia a tirinha
a seguir.
(www.tirinhasdoze.com)
QUESTÃO 36
A vírgula que aparece após "Dr. Solon", no primei-
ro quadrinho, foi utilizada com qual finalidade?
(A) Para isolar o aposto.
(B) Para isolar o vocativo.
(C) Para marcar uma elipse.
(D) Para isolar uma oração reduzida deslocada.
(E) Para destacar uma oração subordinada que aparece
antes da principal.
QUESTÃO 37
A palavra "médio", que aparece nos quadrinhos, é
acentuada pelo mesmo motivo de:
(A) máximo.
(B) mínimo.
(C) prêmio.
(D) carijó.
(E) orixá.
QUESTÃO 38
Sobre a forma verbal "acharia", que aparece no
segundo quadrinho, assinale a alternativa correta.
(A) Pertence a um verbo da primeira conjugação e está
flexionada em um tempo do modo indicativo.
(B) Pertence a um verbo da segunda conjugação e está
flexionada em um tempo do modo subjuntivo.
(C) Pertence a um verbo da terceira conjugação e está
flexionada em um tempo do modo subjuntivo.
(D) Pertence a um verbo da segunda conjugação e está
flexionada em um tempo do modo imperativo.
(E) Pertence a um verbo da terceira conjugação e está
flexionada em um tempo do modo indicativo.
QUESTÃO 39
Sobre a tirinha como um todo, analise as afirma-
ções.
I. O texto verbal e o texto não verbal em nada se rela-
cionam.
II. Há ambiguidade no sentido da palavra "rico", termo
em que se encontra o núcleo semântico dos quadri-
nhos.
III. No texto do primeiro quadrinho, aparece pelo me-
nos uma locução verbal.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) III, somente.
(D) todas.
(E) nenhuma.
QUESTÃO 40
Considere a seguinte regra de regência para o verbo
"esquecer":
Quando pronominal, deve vir seguido de comple-
mento precedido da preposição lide", quando não pro-
nominal, apresenta complemento direto.
Agora, levando em consideração a regra apresenta-
da, assinale a alternativa correta.
(A) O verbo "esquecer", quando pronominal, é transiti-
vo direto.
(B) Seria correto escrever: "Você lembra de que eu fa-
lava que você ficaria rico?".
(C) Seria correto escrever: "Você se lembra eu falava
que você ficaria rico?"
(D) O verbo "esquecer", quando pronominal, é transiti-
vo indireto.
(E) O verbo "esquecer", quando pronominal, não deve
vir seguido de complemento algum; logo, é intransi-
tivo.
(CRN 3ª/SP-MS/Assistente Administrativo I/
QUADRIX/ 2014).
Para responder às questões de 41 a 46, leia os tex-
tos a seguir.
TEXTO I
OBESIDADE QUADRUPLICA EM PAÍSES EM
DESENVOLVIMENTO, DIZ RELATÓRIO
DA BBC BRASIL
O número de adultos acima do peso ideal ou obesos
nos países em desenvolvimento quase quadruplicou des-
de 1980, diz um relatório divulgado hoje na Grã-
Bretanha.
De acordo com o estudo, quase um bilhão de pesso-
as vivendo nesses países - nações como China, índia, In-
donésia, Egito e Brasil - estão acima do peso.
O relatório prevê um "enorme aumento" em casos
de ataques cardíacos, derrames e diabetes à medida que
os hábitos alimentares no mundo em desenvolvimento se
aproximam dos padrões de países desenvolvidos, com
mais consumo de açúcar, gordura animal e alimentos in-
dustrializados na dieta.
O estudo, feito pelo Overseas Development Institu-
te, um dos principais centros de estudo sobre desenvol-
vimento internacional da Grã-Bretanha, comparou dados
de 1980 com dados de 2008, e verificou que na América
Latina, por exemplo, o percentual de pessoas acima do
peso recomendado era de 30% em 1980 e de quase 60%
18 anos depois.
OBESIDADE GLOBALIZADA
Globalmente, o percentual de adultos que apresen-
tavam obesidade ou sobrepeso - que têm um índice de
Massa Corporal (IMe) superior a 25 - cresceu de 23%
para 34% entre 1980 e 2008. Em números absolutos, isso
representa um crescimento de 250 milhões de pessoas
em 1980 para 904 milhões em 2008.
A maior parte deste aumento foi visto no mundo em
desenvolvimento, especialmente nos países onde os ren-
dimentos da população cresceram, como no Egito e no
México.
O relatório do 001 diz que a composição das dietas
nesses países mudou de cereais e grãos para o consumo
de mais gorduras, açúcar, óleos e produtos de origem
animal.
Isso se compara a 557 milhões em países de alta
renda. No mesmo período, a população mundial quase
dobrou.
Ao mesmo tempo, no entanto, a subnutrição é ainda
reconhecida como um problema para centenas de mi-
lhões de pessoas no mundo em desenvolvimento, parti-
cularmente entre as crianças.
As regiões do Norte da África, Oriente Médio e
América Latina apresentaram grandes aumentos nas ta-
xas de sobrepeso e obesidade, para cerca de 58% da po-
pulação geral, um nível em pé de igualdade com a Euro-
pa.
Enquanto a América do Norte ainda tem o maior
percentual de adultos com excesso de peso, 70%, regiões
como a Austrália e sul da América Latina não ficam
muito atrás, com 63%.
O maior crescimento em pessoas com sobrepeso
ocorreu no sul da Ásia oriental, onde a percentagem tri-
plicou a partir de um ponto de partida mais baixo de 7%,
para 22%.
Entre os países, o relatório descobriu que a taxa de
sobrepeso e obesidade quase dobrou na China e no Mé-
xico, e aumentou em um terço na África do Sul desde
1980.
Muitos países do Oriente Médio também registra-
ram um alto percentual de adultos com excesso de peso.
'PUBLICIDADE, INFLUÊNCIAS DA MIDIA'
Um dos autores do relatório, Steve Wiggins, apon-
tou para várias razões explicando os aumentos.
"Com renda mais alta, as pessoas têm a possibilida-
de de escolher o alimento que eles querem. Mudanças no
estilo de vida, o aumento da disponibilidade de alimen-
tos processados, publicidade, influências da mídia... tudo
isso levou a mudanças na dieta", afirma.
Wiggins vê o fenômeno especialmente em econo-mias emergentes, onde uma maior classe média vive em
centros urbanos e faz pouco exercício físico.
O resultado, diz ele, é "uma explosão de sobrepeso
e obesidade nos últimos 30 anos", o que poderia levar a
sérias implicações para a saúde.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
O estudo cita países que conseguiram evitar aumen-
tos da obesidade graças à valorização de dietas tradicio-
nais à base de cereais e vegetais, como Peru e Coreia do
Sul
(wwwl.folha.uol.com.br/bbc/2014/01/1392816-obesidade-
quadruplica-empaises-em-desenvolvimento-diz-relatorio.shtml)
TEXTO II
POBRES TÊM MAIS DOENÇAS CRÔNICAS, DIZ
ESTUDO
DA USP DE RIBEIRÃO PRETO
ISABELA PALHARES DE RIBEIRÃO PRETO
Hipertensão, diabetes e colesterol alto ocorrem com
maior incidência em pessoas com renda familiar de até
dois salários mínimos em Ribeirão Preto (313 km de São
Paulo). Essas três enfermidades são consideradas um
termômetro para o risco de doenças cardíacas
Pesquisa realizada pela FEA-RP (Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto), da USP, analisou a presença das doenças em 515
pessoas, divididas em cinco faixas de renda familiar.
A faixa de até dois salários mínimos (R$ 1.448) re-
gistrou a presença de 28,3% das pessoas com hiperten-
são, 15,9% com diabetes e 15,9%, com colesterol alto. A
incidência é menor nas outras faixas.
Claudio Miranda, responsável pela pesquisa, afir-
mou que nessa faixa de renda também há maior concen-
tração de pessoas que afirmam nunca se exercitar
(44,2%).
"São dados preocupantes, mas que podem servir pa-
ra a formulação de políticas públicas. É preciso pensar
em maneiras para conscientizar essa parcela da popula-
ção", disse o pesquisador.
De acordo com o cardiologista do Hospital das Clí-
nicas da USP Fernando Nobre, a população com menor
renda em geral apresenta mais casos de obesidade e se-
dentarismo, condições favoráveis para o desenvolvimen-
to das doenças analisadas.
"As pessoas de baixa renda têm uma alimentação
rica em carboidratos que favorece a obesidade. Some-se
à falta de exercícios e você tem a base para essas três do-
enças", disse Nobre. Há sete anos, desde que descobriu
que estava com hipertensão, a analista Luciana Badim,
40, passou a controlar a alimentação. "Tento fazer cami-
nhada também, mas não faço com muita frequência por
falta de tempo. A alimentação foi mais fácil de mudar,
apesar de dar algumas escapadas", disse.
(wwwl.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/2014/01/140203
9-pobrestem-mais-doencas-cronicas-diz-estudo-da-usp-de-ribeirao-
preto.shtml)
QUESTÃO 41
De acordo com a leitura e interpretação de ambos os
textos, é incorreto afirmar que:
(A) no texto I, o autor defende a ideia de que a obesida-
de ainda é mais alta na América do Norte.
(B) uma das maiores causas do aumento alarmante da
obesidade têm sido as influências da mídia sobre a
dieta das pessoas.
(C) ambos os textos compartilham da ideia de que o fa-
tor "sedentarismo" pode ser uma explicação para a
obesidade nas classes econômicas mais baixas.
(D) apesar do alto índice de obesidade em todo o mun-
do, a subnutrição ainda é um problema em vigor.
(E) ambos os textos compartilham da ideia de a obesi-
dade ser um problema apenas dos países emergen-
tes.
QUESTÃO 42
Em todas as passagens, as circunstâncias estão cor-
retas e de acordo com o termo grifado, exceto em:
(A) A maior parte deste aumento foi visto no mundo em
desenvolvimento, especialmente nos países onde os
rendimentos da população cresceram, como no Egi-
to e no México. (COMPARAÇÃO)
(B) O relatório prevê um "enorme aumento" em casos
de ataques cardíacos, derrames e diabetes à medida
que os hábitos alimentares no mundo em desenvol-
vimento se aproximam dos padrões de países de-
senvolvidos [...] (EXPLICAÇÃO)
(C) [...] e verificou que na América Latina, por exem-
plo, o percentual de pessoas acima do peso reco-
mendado era de 30% em 1980 e de quase 60% 18
anos depois. (EXPLICAÇÃO)
(D) "São dados preocupantes, mas que podem servir pa-
ra a formulação de políticas públicas. (ADVERSI-
DADE)
(E) A alimentação foi mais fácil de mudar, apesar de
dar algumas escapadas", disse. (CONCESSÃO)
QUESTÃO 43
A partir da leitura e interpretação do trecho a seguir,
pode-se inferir que o termo em destaque:
"O relatório prevê um 'enorme aumento' em casos
de ataques cardíacos, derrames e diabetes à medida que
os hábitos alimentares no mundo em desenvolvimento se
aproximam dos padrões de países desenvolvidos, com
mais consumo de açúcar, gordura animal e alimentos in-
dustrializados na dieta."
(A) indica que os países desenvolvidos são referência
em termos de dieta hipocalórica.
(B) indica que ataques cardíacos, derrames e diabetes
têm maior probabilidade de aumento em proporção
ao consumo de alimentos hipercalóricos.
(C) indica que os problemas relacionados à obesidade
nos países emergentes revelam hábitos alimentares
semelhantes aos dos países desenvolvidos.
(D) indica a causa para os problemas de obesidade, tan-
to em países desenvolvidos quanto em países em
desenvolvimento.
(E) indica que os países em desenvolvimento conso-
mem menos produtos hipercalóricos.
QUESTÃO 44
Em "Há sete anos, desde que descobriu que estava
com hipertensão, a analista Luciana Badim, 40, passou a
controlar a alimentação", o termo em destaque:
I. funciona como adjunto adnominal.
II. é um complemento nominal.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
III. funciona como advérbio de tempo.
IV. funciona como conjunção condicional.
É correto o que se afirma em:
(A) todas.
(B) somente I e III.
(C) somente I, II e III.
(D) somente III.
(E) somente IV.
QUESTÃO 45
Assinale a opção correta a respeito das relações de
concordância nos textos.
(A) O termo um bilhão de pessoas em "De acordo com
o estudo, quase um bilhão de pessoas vivendo nes-
ses países - nações como China, índia, Indonésia,
Egito e Brasil - estão acima do peso" não poderia
levar o verbo em destaque para o plural sem com-
prometimento das normas gramaticais.
(B) O termo em destaque em: "o percentual de pessoas
acima do peso recomendado era de 30% em 1980 e
de quase 60% 18 anos depois" poderia levar o verbo
em destaque para o plural sem comprometimento
das normas gramaticais.
(C) No trecho, "Em números absolutos, isso representa
um crescimento de 250 milhões de pessoas em 1980
para 904 milhões em 2008", a palavra em destaque
se refere ao termo percentual, no texto, e por essa
razão o verbo "representar" está no singular.
(D) Em "São dados preocupantes, mas que podem servir
para a formulação de políticas públicas", o verbo
em destaque poderia aparecer no singular sem com-
prometimento das normas gramaticais.
(E) Em "A faixa de até dois salários mínimos (R$
1.448) registrou a presença de 28,3% das pessoas
com hipertensão, 15,9% com diabetes e 15,9%, com
colesterol alto”, o verbo poderia receber a flexão no
plural sem comprometimento das normas gramati-
cais.
QUESTÃO 46
Assinale a expressão dos textos que, no desenvol-
vimento da argumentação, é usada com valor de causa.
(A) As pessoas de baixa renda têm uma alimentação ri-
ca em carboidratos que favorece a obesidade. So-
me-se à falta de exercícios e você tem a base para
essas três doenças", disse Nobre.
(B) São dados preocupantes, mas que podem servir para
a formulação de políticas públicas.
(C) Pesquisa realizada pela FEA-RP(Faculdade de Eco-
nomia, Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto), da USP, analisou a presença das doenças em
515 pessoas, divididas em cinco faixas de renda fa-
miliar.
(D) As regiões do Norte da África, Oriente Médio e
América latina apresentaram grandes aumentos nas
taxas de sobrepeso e obesidade, para cerca de 58%
da população geral, um nível em pé de igualdade
com a Europa.(E) Ao mesmo tempo, no entanto, a subnutrição é ainda
reconhecida como um problema para centenas de
milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento,
particularmente entre as crianças.
Para responder à questão 47, leia as tirinhas a se-
guir.
QUESTÃO 47
Em relação às ideias das tirinhas, assinale a alterna-
tiva correta.
(A) O uso do termo "vasilhame", na primeira tirinha,
não se refere ao corpo físico.
(B) O uso do termo "romance", na primeira tirinha, se
refere a um amor não fraternal.
(C) O uso do termo "gordos", na primeira tirinha, se re-
fere a uma crítica à obesidade excessiva na infância
e à dificuldade de movimentação.
(D) A declaração de amor feita pela personagem Mafal-
da, na segunda tirinha, refere-se a uma apelação pa-
ra a comida.
(E) A escolha lexical do termo "naufrágio", na segunda
tirinha, indica uma forma argumentativa estratégica
da personagem em demonstrar descontentamento
pela escolha da mãe em preparar um prato de comi-
da provavelmente no estado líquido.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 48
Assinale a opção em que o termo sublinhado está
gramaticalmente correto.
Defendida por uma corrente de endocrinologistas e
nutricionistas, à(1) ideia de que um indivíduo com so-
brepeso possa ser um 'gordinho saudável' não passa de
um mito, segundo uma nova pesquisa. O estudo, condu-
zido por cientistas canadenses com mais de 60 mil pes-
soas, mostraram(2) que o excesso de gordura ainda traz
riscos à(3) saúde, mesmo quando os níveis de colesterol,
pressão arterial e açúcar são normais. Divulgada na pu-
blicação científica "Annals of Interna I Medicine", a
pesquisa analisou resultados de mais de mil outros estu-
dos publicados sobre o tema.
Os pesquisadores do Hospital Mount Sinai, em To-
ronto, terminaram por contradizer à(4) máxima de que o
excesso de peso não implicaria necessariamente em ris-
cos para a saúde desde que os indivíduos se mantes-
sem(5) saudáveis de outras maneiras.
(http://fS.folha.uol.com.br /humanos/2013/12/1380S47 -
gordinhosaudavel-e-um-mito-diz-pesquisa.shtml< com adaptações)
(A) 1.
(B) 2.
(C) 3.
(D) 4.
(E) 5.
(COREN/BA/Assistente de Desenvolvimen-
to/QUADRIX/2014)
Para responder às questões de 49 a 52, leia o texto
abaixo.
Bahia não realiza 63%de mamografias esperadas
No Dia Nacional da Mamografia, lembrado nesta
quarta-feira (5), a Bahia e o Brasil têm pouco a comemo-
rar. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastolo-
gia (SBM), a defasagem em atendimento no estado é de
62,8%. Do total da demanda esperada de 525.392 exa-
mes, só 195.496 são realizados, em uma população fe-
minina de 1.050.783 mulheres na faixa de 50 a 69 anos.
Para o médico baiano Augusto Tufi Hassan, que ocupa o
cargo de vice-presidente da SBM, dois fatores concor-
rem para que a meta de atender mais pessoas não seja
cumprida. A falta e o mau uso de mamógrafos, princi-
palmente em hospitais públicos, além da ausência de in-
formações para as mulheres. "O grande problema é que
nesses hospitais as coisas não funcionam. É uma questão
complexa. Quando não é a máquina que não funciona,
tem o problema do profissional técnico em radiologia, ou
do médico especialista, que não está capacitado", disse
em entrevista ao Bahia Notícias. Hassan afirma que o
mamógrafo tem uma eficácia de 78% para identificar ca-
sos de câncer ainda precoces.
Na visão do profissional de saúde, mesmo que a ca-
pital precise de mais equipamentos para detectar as neo-
plasias, a grande dificuldade está nas pequenas cidades
do interior. "Você vai em Vitória da Conquista, em Feira
de Santana ou em Juazeiro, e tem lá o equipamento. Mas
em Bom Jesus da lapa, não", lamenta. A SBM informa
que metade dos municípios brasileiros com menos de 50
mil habitantes não tem mamógrafo nem para remédio.
Outro entrave para o melhor uso dos equipamentos parte
do próprio público assistido. "Boa parte das mulheres
também carece de informação. Muitas delas têm o recur-
so e não usa, seja por falta de conhecimento, seja por ig-
norância, e uma série de atributos", apontou o médico
que também inclui as secretarias municipais de saúde
como protagonistas dessa mudança. Em 2014, o Brasil
deve ter 58 mil novos casos de câncer de mama. Destes,
quatro mil baianas podem ser acometidas pelo tumor
considerado mais mortífero entre o público feminino. A
recomendação de Augusto Tufi Hassané que o exame de
mamografia seja feito a partir dos 40 anos.
http://www.bahianoticias.com.br/saude/noticia/10833-bahia-
nao-realiza-63-de-mamografias-esperadas.html
QUESTÃO 49
O texto fala sobre:
(A) o mau atendimento médico na Bahia.
(B) a falta e o mau uso de mamógrafos em hospitais
públicos, que afetam o atendimento.
(C) a ausência de médicos especializados.
(D) a falta de informação dada ao público.
(E) as falhas nos equipamentos de mamografia.
QUESTÃO 50
Segundo o Dr. Augusto Tufi Hassan:
(A) os equipamentos não funcionam.
(B) os médicos não sabem usar o equipamento.
(C) as mulheres não sabem quando devem fazer o
exame.
(D) o governo não instrui sobre o exame.
(E) a defasagem no atendimento se dá pelo mau
funcionamento dos equipamentos ou pela falta de
profissionais capacitados.
QUESTÃO 51
A palavra em negrito na frase: "Outro entrave para
o melhor uso dos equipamentos parte do próprio público
atendido.", pode ser substituída, sem alterar o sentido,
por:
(A) travação.
(B) obstáculo.
(C) trabalho.
(D) solução.
(E) quesito.
QUESTÃO 52
Os verbos conjugados têm, são e podem:
I. são irregulares.
II. estão conjugados na 3ª pessoa do plural.
III. são da primeira terminação.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
(C) I e II, somente.
(D) II e III, somente.
(E) todas.
Leia o texto a seguir para responder às questões 53,
54 e 55.
Clínicas que oferecem hemodiálise em
Salvador ameaçam
parar atendimento por atraso de verba
Unidades de saúde com convênio com a prefeitura
de Salvador podem interromper o serviço de hemodiálise
- filtragem do sangue por rim artificial - a pacientes que
precisam do atendimento na cidade. Segundo a Associa-
ção de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia (Asheb),
o motivo seria o atraso de verbas pelo Ministério da Sa-
úde para pagar despesas com fornecedores. A entidade
diz que ainda não foram honrados os pagamentos refe-
rentes a dezembro último e janeiro deste ano, e a demora
em quitar os compromissos vem desde o segundo semes-
tre do ano passado. A Asheb diz que as clínicas não tem
condição de arcar com os custos da compra de material,
com estoque suficiente para durar até uma semana. A as-
sessoria de comunicação da prefeitura informou que "o
Ministério da Saúde, após reconhecer o erro, garantiu a
realização do pagamento ainda este mês (fevereiro). A
fatura de dezembro, que só foi processada no último dia
4/2, deverá ser liquidada em marco". Informações de A
Tarde.
http://www.bahianoticias.com.br/saude/noticia/10841-clinicas-que-
oferecem-hemodialise-em-salvador-ameaçam-parar-atendimento-por-atraso-de-
verba.html
QUESTÃO 53
Segundo o texto:
(A) a Asheb deve para o Ministério da Saúde.
(B) a dívida será quitada em março.
(C) a Asheb não tem dinheiro para quitar a dívida.
(D) o Ministério da Saúde atrasou as verbas dos forne-
cedores.
(E) a dívida está acumulada desde julho do ano passa-
do.
QUESTÃO 54
Marque o trecho do texto que contém um erro de
concordância verbal.
(A) Segundo a Associação de Hospitais e Serviços de
Saúde da Bahia (Asheb), o motivo seria o atraso de
verbas pelo Ministério da Saúde para pagar despe-
sas com fornecedores.
(B) A entidade diz que ainda não foram honrados os
pagamentos referentes a dezembro último e janeiro
deste ano, e a demora em quitar oscompromissos
vem desde o segundo semestre do ano passado.
(C) A Asheb diz que as clínicas não tem condição de
arcar com os custos da compra de material, com es-
toque suficiente para durar até uma semana.
(D) A fatura de dezembro, que só foi processada no úl-
timo dia 4/2, deverá ser liquidada em março.
(E) Unidades de saúde com convênio com a prefeitura
de Salvador podem interromper o serviço de hemo-
diálise - filtragem do sangue por rim artificial - a
pacientes que precisam do atendimento na cidade.
QUESTÃO 55
Estão na mesma forma verbal que liquidada, que
aparece na última linha do texto:
(A) abrido, estado, comido.
(B) havido, saído, morado.
(C) estando, tido, caindo.
(D) sido, sofrendo, falado.
(E) pagada, cobrada, quitação.
QUESTÃO 56
Marque a alternativa em que o uso da crase está in-
correto.
(A) Vou ao banco, depois à escola.
(B) Ele começou a conversar enquanto porta de saída.
(C) Estou à espera de um amigo.
(D) Ele escreveu à elas.
(E) Nós saímos às claras.
QUESTÃO 57
Marque a alternativa correta para completar as fra-
ses a seguir.
I. O ______ sempre vence o _____.
II. Ele foi transferido para uma outra ______.
III. ________ ele não veio?
(A) Bom/mau, sessão, por que
(B) Bem/mal, seção, por que
(C) Bom/mal, cessão, porque
(D) Bem/mau, seção, por quê
(E) Bem/mal, sessão, porquê
QUESTÃO 58
Marque a oração que apresenta sentido ambíguo.
(A) Só, fiz o exercício.
(B) Só fizeram os exercícios.
(C) Elas nunca viajaram sós.
(D) Só elas nunca viajaram
(E) Ele comeu só o bolo.
(CRP da 2ª Região/PE/Auxiliar Administrati-
vo/QUADRIX/2014)
Para responder às questões de 59 a 64, leia o texto
abaixo.
Você ri do quê?
[...]
Humor é a capacidade de rir e fazer rir. É uma ca-
racterística tão universal e inata, que até mesmo os bebês
cegos e surdos dão risada. Isso porque ele faz parte do
sistema de recompensa do cérebro, aquele que libera do-
paminas e outros hormônios responsáveis pela sensação
de prazer - o que torna uma boa risada comparável a fa-
zer sexo, ouvir música ou usar drogas. É, também, um
traço de personalidade muito valorizado, tanto que 94%
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
das pessoas consideram ter um senso de humor acima da
média (o que já é engraçado em si, porque em qualquer
situação apenas 50%das pessoas podem estar acima da
média).
Dentro da nossa cabeça, o humor nada mais é do
que a quebra de um padrão mental. Funciona assim:
quando alguém conta uma piada ou narra uma história
engraçada, a situação inicial parece perfeitamente nor-
mal. O que vem em seguida é que é inesperado - e causa
a risada. Para entender essa lógica, vamos fazer aquilo
que deveria evitado: explicar uma piada. Peguemos um
exemplo:
- Mamãe, cansei de brincar com o vovô.
- Tá bom, filho. Guarde os ossos no caixão, escove
os dentes e vá dormir.
A graça nessa piada de humor um tanto macabro es-
tá na parte final da história. Com base na primeira frase,
ninguém esperaria que o avô da criança estivesse morto.
Mas é exatamente isso o que acontece, e o inesperado fa-
to de a piada se passar com uma família mórbida (a
Adams, talvez?) faz você rir. Quanto mais impensada e
inovadora for a situação, mais engraçada é a cena. [...]
Mas esse negócio de quebrar padrões só é engraça-
do porque nosso cérebro tem mania de organizar tudo em
lógicas perfeitas. Essa habilidade foi reforçada durante
milênios pela seleção natural para que pudéssemos, por
exemplo, encontrar comida, abrigo e companhia agradá-
vel - três elementos que seguem padrões de distribuição.
“A habilidade de reconhecer padrões significa que po-
demos observar e prever o mundo ao redor. Isso deu a
nós uma imensa vantagem sobre as outras espécies", diz
Alastair Clarke, um teórico da evolução da Universidade
de Oxford, na Inglaterra. A padronização não tem limi-
tes. Serve também para ligar um nome a um rosto, um
resultado a uma conta matemática, um cheiro a uma
lembrança. Nossos neurônios procuram padrões em tudo,
inclusive em ideias. Se suas ideias foram muito distantes
ou muito estranhas uma da outra, voilà, a gargalhada está
garantida. [...]
Mas, olhando para todas essas palhaçadas, ninguém
diria que achar graça nas coisas é algo importante - o que
de fato é. Por ser uma emoção, o humor tem funções que
a própria razão desconhece. Primeiro, dar risada é uma
forma de se comunicar. Sim, o ato de rir só foi criado pe-
la evolução para que as pessoas ao nosso redor entendes-
sem que estamos achando algo engraçado. “Nesse senti-
do, o humor é uma comunicação ainda mais antiga que a
fala, porque até macacos conversam por meio do riso”,
diz Rod Martin, professor de psicologia da Universidade
de Ontário, no Canadá, que estuda o humor há 30 anos.
Segundo, compartilhar histórias engraçadas serve para
formar grupos e alianças sociais importantes. São as fa-
mosas "piadas internas", que rolam soltas numa roda de
amigos, mas que excluem aqueles que não as conhecem.
E, terceiro, o humor tem a admirável função de deixar a
vida mais leve e amenizar climas tensos. Há registros de
que até os prisioneiros dos campos de concentração tira-
vam sarro dos nazistas. Afinal, quando algo de ruim
acontece, nada melhor do que uma piada, certo?
(super.abril.com.br)
QUESTÃO 59
O pronome anafórico "isso", que aparece em desta-
que no texto, pode ser substituído sem perda do sentido
original, por:
(A) Bebês cegos e surdos dão risada.
(B) É uma característica tão universal e inata.
(C) Humor é a capacidade de rir e fazer rir.
(D) Aquele que libera dopaminas e outros hormônios.
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
QUESTÃO 60
A expressão "Dentro da nossa cabeça", em desta-
que no texto, indica circunstância de:
(A) assunto.
(B) causa.
(C) modo.
(D) direção.
(E) lugar.
QUESTÃO 61
Releia a piada:
"- Mamãe, cansei de brincar com o vovô.
- Tá bom, filho. Guarde os ossos no caixão, escove
os dentes e vá dormir".
Sobre a piada acima, analise as afirmações.
I. "Mamãe" é o sujeito da primeira fala.
II. "com o vovô" é adjunto adverbial de companhia.
III. "filho" é um vocativo.
IV. Os verbos guarde, escove e vá estão no modo sub-
juntivo.
Está correto o que se afirma em:
(A) todas as afirmações.
(B) somente três das afirmações.
(C) somente duas das afirmações.
(D) somente uma das afirmações.
(E) nenhuma das afirmações.
QUESTÃO 62
Releia:
"... e o inesperado fato de a piada se passar com
uma família mórbida (a Adams, talvez?) faz você rir".
Marque a alternativa que melhor define o uso dos
parênteses nesse trecho do texto.
(A) Reforça a opinião do autor.
(B) Reafirma o que foi dito anteriormente.
(C) Retifica o aspecto da família mórbida.
(D) Introduz um pensamento do autor.
(E) Visa apenas a indagar o leitor.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 63
Marque a alternativa que não contenha a palavra
formada pelo mesmo processo de "impensada", em des-
taque no texto.
(A) Engraçada.
(B) Habilitada.
(C) Anormalidade.
(D) Desalmado.
(E) Empobrecer.
QUESTÃO 64
Releia:
"Segundo, compartilhar histórias engraçadas serve
para formar grupos e alianças sociais importantes".
Sobre o trecho acima, analise as afirmações.
I. A palavra "segundo" é um numeral ordinal.
II. O verbo "compartilhar" está na forma infinitiva.
III. A palavra "engraçadas" funciona, sintaticamente,
como adjunto adnominal.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) III, somente.
(D) II e III, somente.
(E) todas.
Para responder às questões de 65 a 68, leia a tirinha
a seguir.
(O melhor de Hogar, o Horrível- v.l /Dik Browne;. - Porto Alegre:
L&PM,)
QUESTÃO 65
As alternativas a respeito da interpretação da tirinha
estão corretas, exceto:
(A) o humor produzidona tirinha se dá pela quebra do
padrão estabelecido no primeiro quadrinho.
(B) o humor produzido na tirinha só se dá a partir da
leitura do terceiro balão.
(C) subentende-se que Hagar (o viking) se lamenta por
ter perdido coisas de valor material após a leitura do
primeiro balão.
(D) subentende-se que Hagar (o viking) rouba coisas de
valor material após a leitura do terceiro balão.
(E) o uso das reticências no segundo balão indica que
há uma continuidade no pensamento da persona-
gem.
QUESTÃO 66
As seguintes afirmativas sobre o período "Quando
olho para trás, vejo que perdi um monte de coisas valio-
sas" estão corretas, exceto:
(A) o período é introduzido por um adjunto adverbial de
tempo.
(B) o sujeito da segunda oração é elíptico.
(C) o período é constituído por três orações.
(D) "Quando olho para trás" pode ser deslocado para o
final
(E) “um monte de coisas valiosas” funciona, sintatica-
mente, como objeto indireto.
QUESTÃO 67
Assinale a alternativa correta sobre a forma verbal
"escondem" no terceiro balão.
(A) Segundo as normas de concordância verbal, deveria
estar no singular para concordar com a forma verbal
"Deve ser".
(B) Segundo as normas de concordância verbal, aparece
no plural para concordar com “as coisas valiosas".
(C) Segundo as normas de concordância verbal, deveria
estar no singular, pois “as pessoas" é sujeito sim-
ples.
(D) Segundo as normas de concordância verbal, aparece
no plural para demonstrar uma forma genérica, vis-
to que o sujeito é indeterminado.
(E) Segundo as normas de concordância verbal, aparece
no plural para concordar com o sujeito “as pesso-
as".
QUESTÃO 68
Em "Quando você se aproxima", qual a classifica-
ção morfológica da palavra em destaque?
(A) Partícula apassivadora.
(B) Pronome reflexivo.
(C) Preposição.
(D) Pronome demonstrativo.
(E) Índice de indeterminação do sujeito.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
(CRN 1ª/Auxiliar Administrativo/ QUADRIX/
2014)
Para responder às questões de 69 a 73, leia o texto
abaixo.
Coca-Cola vai eliminar ingrediente que pode
causar perda de memória e problemas de pele
A Coca-Cola, maior fabricante mundial de refrige-
rantes, vai retirar um ingrediente que pode causar da-
nos à saúde de algumas de suas marcas de refrigerantes,
informou a BBC. A medida é uma resposta da compa-
nhia à uma petição on-line e ocorre num momento em
que a indústria da alimentação como um todo está sob
pressão de instituições médicas e grupos de consumido-
res, devido aos riscos à saúde de seus produtos.
O óleo vegetal bromado, ou OVB, é adicionado em
refrigerantes de frutas da Coca-Cola, como a Fanta e o
Powerade. A rival Pepsi foi mais rápida e eliminou o
agente químico do Gatorade no ano passado; anunciou
ainda que pretende eliminá-lo de todos os seus produtos.
O OVB está presente em suas bebidas energéticas Moun-
tain Dew e Amp Energy, vendidas nos Estados Unidos,
informa a BBC.
O agente é usado como estabilizador nas bebidas
com sabor de fruta, pois ajuda a evitar que os ingredien-
tes se separem. Porém, segundo pesquisas médicas, o
consumo (*) de refrigerantes contendo OVB está relaci-
onado a efeitos nocivos à saúde, tais como perda de me-
mória e problemas de pele e terminações nervosas.
Genericamente seguro
Nos Estados Unidos, o OVB perdeu em 1970 o selo
de "genericamente reconhecido como seguro" nas listas
de ingredientes da US Food and Drug Administration
(FDA, a agência reguladora das questões de saúde no pa-
ís). Mesmo assim, foi permitido às (**) de bebidas usar o
OVB em até um máximo de 15 partes por milhão. No
Japão e na União Europeia, o uso do agente como aditi-
vo alimentar não é permitido.
Já os produtos da Coca-Cola no Brasil não utilizam
óleo vegetal bromado. O uso da substância não está pre-
visto pela legislação brasileira, de acordo com a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
[...]
(http://oglobo.globo.com/)
QUESTÃO 69
Sobre o texto, pode-se afirmar corretamente que:
(A) a retirada de um ingrediente potencialmente nocivo
por parte do fabricante de refrigerantes se deu ex-
clusivamente pela pressão jurídica sofrida pela em-
presa.
(B) o texto é essencialmente expositivo, trazendo a in-
formação de que há grupos que, atualmente, pressi-
onam a indústria da alimentação, como é o caso das
instituições médicas e de grupos de consumidores.
(C) o óleo vegetal bromado, utilizado de maneira recor-
rente em redes de fast-foord, geralmente está pre-
sente em alimentos fritos que acompanham os refri-
gerantes, embora não faça parte das fórmulas de ne-
nhuma dessas bebidas.
(D) o texto é essencialmente descritivo, com trechos
instrucionais, que dão detalhes sobre a fabricação
dos refrigerantes a partir de sua fórmula, que inclui
substâncias tóxicas.
(E) o texto é dissertativo-argumentativo, apenas, utili-
zando-se, o autor, de argumentos contrários à inges-
tão de refrigerantes, os quais, mesmo após a altera-
ção da fórmula, continuarão fazendo mal à saúde
dos consumidores.
QUESTÃO 70
A oração "que pode causar danos à saúde", que apa-
rece em destaque no primeiro parágrafo, pode ser classi-
ficada como:
(A) subordinada adjetiva, iniciada por um pronome rela-
tivo que retoma, por um processo que contribui para
a coesão textual, o termo "ingrediente".
(B) subordinada substantiva objetiva direta, iniciada por
um pronome relativo "que", potencialmente substi-
tuível por "o qual".
(C) subordinada adverbial causal, que liga uma causa (a
ingestão de determinado ingrediente) a uma conse-
quência (o prejuízo à saúde das pessoas).
(D) coordenada sindética explicativa, introduzida por
uma conjunção coordenativa a qual poderia, facil-
mente, ser substituída por "porque" ou "pois".
(E) subordinada substantiva predicativa, já que introduz
uma ideia de predicação ou caracterização do termo
anterior, "ingrediente".
QUESTÃO 71
Observe as passagens abaixo.
I. "uma resposta da companhia à uma petição on-line"
II. "ocorre num momento em que a indústria da ali-
mentação como um todo está sob pressão"
III. "devido aos riscos à saúde"
Em relação ao uso do sinal indicativo de crase, es-
tão corretas as passagens:
(A) I e II, somente.
(B) I e III, somente.
(C) II e III, somente.
(D) I, II e II, sendo que o uso do sinal indicativo de cra-
se é facultativo em I.
(E) I, II e III, sendo que o uso do sinal indicativo de
crase é facultativo em III.
QUESTÃO 72
Considerando as regras de ortografia, os espaços
marcados com (*) e (**) podem ser preenchidos, correta
e respectivamente, por:
(A) "ecessivo" e "companias".
(B) "excecivo" e "companhias".
(C) "exessivo" e "companias".
(D) “essescivo” e “compainhas”
(E) “excessivo” e companhias”.
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Língua Portuguesa (Prof. Marcelo Pimentel)
QUESTÃO 73
leia o trecho:
No Japão e na União Europeia, o uso do agente
como aditivo alimentar não é permitido.
As alternativas que seguem apresentam análises sin-
táticas de termos do trecho citado acima. Assinale a aná-
lise correta.
(A) o = complemento nominal
(B) não = adjunto adnominal
(C) No Japão e na União Europeia = sujeito composto
(D) uso = núcleo do sujeito
(E) permitido = objeto direto
Para responder às questões de 74 a 78, considere a
tirinha a seguir.
(http:// crazyseawolfblogspot.com.br/ 2011/0S/ comída-
tírasnostalgicas.html)
QUESTÃO 74
Sobre a interpretação dos quadrinhos como um to-
do, analise as afirmações.
I. No terceiro quadrinho, Jon, dono de Garfield (o ga-
to) e Odie, sente-se irritado exclusivamente porque
os animais mexeram na geladeira e desperdiçaram
comida.
II. Todo o efeito de humor dos quadrinhos provém do
texto verbal.
III. O efeito de humor provém do fato de que Garfield
tem uma atitude que, por sua maturidade, surpreen-
de seu dono.Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) II, somente.
(C) III, somente.
(D) duas das afirmações.
(E) nenhuma das afirmações.
QUESTÃO 75
Sobre o uso da vírgula no primeiro quadrinho, po-
de-se afirmar corretamente que:
(A) constitui incorreção, já que os termos "fome" e
"Odie" têm, entre si, relação de dependência.
(B) é facultativo, pois o isolamento do aposto só é obri-
gatório quando ele é do tipo explicativo.
(C) está correto, já que se deve isolar o vocativo.
(D) acarreta imprecisão de sentidos, porque, com a vír-
gula, fica impossível estabelecer quem é o persona-
gem a quem o gato Garfield se refere.
(E) leva a duplicidade de sentido, já que, pela não dife-
renciação de letras maiúsculas e minúsculas, é im-
possível compreender qual é o papel sintático de
"Odie", o que torna o texto incoerente.
QUESTÃO 76
A palavra "e", que aparece no segundo quadrinho, é
classificada morfologicamente como:
(A) preposição.
(B) conjunção.
(C) artigo definido.
(D) numeral cardinal.
(E) numeral ordinal.
GABARITO OFICIAL
01-D
02-A
03-B
04-C
05-E
06-B
07-C
08-D
09-A
10-E
11-B
12-C
13-A
14-D
15-D
16-B
17-A
18-E
19-D
20-C
21-E
22-D
23-C
24-B
25-A
26-A
27-C
28-E
29-D
30-B
31-B
32-D
33-A
34-C
35-E
36-B
37-C
38-A
39-E
40-D
41-E
42-D
43-B
44-D
45-C
46-A
47-E
48-C
49-B
50-E
51-B
52-C
53-D
54-C
55-B
56-D
57-B
58-E
59-A
60-E
61-C
62-D
63-B
64-E
65-C
66-E
67-E
68-B
69-B
70-A
71-C
72-E
73-D
74-E
75-C
76-B
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Raciocínio Lógico Quantitativo
RACIOCÍNIO
LÓGICO
QUANTITATIVO
SUMÁRIO:
1. Estruturas lógicas. Lógica de argumentação. Diagramas lógicos.......................................3
2. Aritmética..........................................................................................................................11
3. Leitura e interpretação de tabelas e gráficos.....................................................................28
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Raciocínio Lógico Quantitativo
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Raciocínio Lógico Quantitativo
RACIOCÍNIO LÓGICO
1. INTRODUÇÃO
O programa da prova de Raciocínio Lógico objetiva
medir a habilidade do candidato em entender a estrutura
lógica de relações entre pessoas, lugares, objetos e even-
tos, fictícios ou não; deduzir novas informações a partir
das relações fornecidas e avaliar as condições usadas pa-
ra estabelecer a estrutura daquelas relações.
Os estímulos visuais utilizados na prova, constituídos
de elementos conhecidos e significativos, visam analisar
as habilidades dos candidatos para compreender e elabo-
rar a lógica de uma situação, utilizando as funções inte-
lectuais: raciocínio verbal, raciocínio matemático, racio-
cínio quantitativo, raciocínio sequencial, orientação es-
pacial e temporal, formação de conceitos e discriminação
de elementos.
Vale lembrar, que as questões envolvendo dados
quantitativos exigem do candidato conhecimento mate-
mático, principalmente no contexto da teoria dos conjun-
tos, probabilidades e da análise combinatória, onde são
explorados os principais métodos de enumeração (per-
mutação, arranjo e combinação, etc.) inseridos no cha-
mado “princípio fundamental de contagem”.
Em síntese, as questões da prova destinam-se a medir
a capacidade de compreender o processo lógico que, a
partir de um conjunto de hipóteses, conduz, de forma vá-
lida, a conclusões determinadas.
Nenhum conhecimento mais profundo de lógica for-
mal ou matemática será necessário para resolver as ques-
tões de raciocínio lógico.
*********************************************
2. COMPREENSÃO DE ESTRUTURAS LÓGI-
CAS
O aprendizado da Lógica auxilia os estudantes no ra-
ciocínio, na compreensão de conceitos básicos, na verifi-
cação formal de programas e melhor os prepara para o
entendimento do conteúdo de tópicos mais avançados.
Uma estrutura lógica é feita por um conjunto de pro-
posição que pode ser analisada somente em “V” (verda-
deiro) ou somente em “F” (falso). Ao invés de “V” ou
“F”, elas podem ser classificadas com os números “0”
para falso e “1” para verdadeiro (esse fato não muito
comum).
As proposições podem ser representadas por letras
minúsculas, p, q, r, s ...
Exemplo:
F (1) 5 + 3 = 7
F (2) O gato é um exemplo de ave.
V (3) Losango é uma figura geométrica de 4 lados e
todos iguais.
É importante lembrar que proposições lógicas não
podem ser frases interrogativas, e não devem levar em
conta opiniões. E assim sendo, não podem ser nenhuma
frase que não possa ser julgada em V ou F.
Exemplo:
O dia está bonito.
Que horas são?
3 + 6
7 + 2 = X
Essas 4 frases não podem ser julgadas em Verdadeiro
ou Falso.
O principal objetivo será a investigação da validade
de ARGUMENTOS: conjunto de enunciados dos quais
um é a conclusão; e os demais, premissas. Os argumen-
tos estão tradicionalmente divididos em DEDUTIVOS e
INDUTIVOS.
Argumento Dedutivo – é válido quando suas pre-
missas, se verdadeiras, a conclusão é também verdadeira.
Premissa: “Todo homem é mortal.”
Premissa: “João é homem.”
Conclusão: “João é mortal.”
Argumento Indutivo – a verdade das premissas
não basta para assegurar a verdade da conclusão.
Premissa: “É comum após a chuva ficar nublado.”
Premissa: Está chovendo.”
Conclusão: “Ficará nublado.”
As premissas e a conclusão de um argumento, formu-
ladas em uma linguagem estruturada, permitem que o ar-
gumento possa ter uma análise lógica apropriada para a
verificação de sua validade.
Como primeira e indispensável parte da Lógica Ma-
temática temos o CÁLCULO PROPOSICIONAL ou
CÁLCULO SENTENCIAL ou ainda CÁLCULO DAS
SENTENÇAS.
*********************************************
3. CÁLCULO SENTENCIAL E DE PRIMEIRA
ORDEM
a) Introdução
É toda sentença declarativa afirmativa (expressão
de uma linguagem) da qual tenha sentido afirmar que se-
ja verdadeira ou que seja falsa.
As proposições apresentam três características obri-
gatórias:
por ser oração, possui sujeito e predicado;
é declarativa (não exclamativa nem interrogativa);
só possui um, e somente um, dos dois valores lógi-
cos: ou é verdadeira “V” ou é falsa “F”.
Assim, são exemplo de proposições as seguintes sen-
tenças declarativas:
Nenhum porco espinho sabe ler.
Paulo é brasileiro.
O número 4 é par.
Todo ser vivo é mortal.
Se você estudar bastante, então aprenderá tudo.
Do contrário, não são proposições as sentenças:
Quantos anos você tem?
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Preste atenção ao discurso.
Meu Deus!!!
3 x 7 – 2.
As proposições podem ser simples ou composta.
1) Proposição simples (também chamada de propo-
sição ou fórmula atômica) – quando não for possível
subdividir uma sentença declarativa em partes menores,
ou seja, extrair outra proposição como componente dela.
Ex.: A sentença << dois é par >> é uma proposição
simples, pois não é possível identificar como parte dela
qualquer outra proposição diferente.
2) Proposição composta (também chamada de pro-
posição ou fórmula molecular) – dizemos que uma pro-
posição é composta quando for possível subdividi-la em
duas ou mais proposições diferentes, formando fórmulas
atômicas independentes.
Exemplo: Cachorros latem e morcegos voam.
Essa proposição é formada por duas proposições. A
primeira é “Cachorros latem”; a segunda, “morcegos vo-
am”.
Em proposições compostas são usados conectivos
que influem o julgamento delas.
Símbolo Significado
e
ou
~ negação da sentença
– se... então
– se e somente se
tal que
Existe
existe 1 e somente 1
para todo
= igual
> maior que
< menor que
maior ou igual
menor ou igual
b) Os Símbolos da Linguagem do Cálculo Propo-
sicional
Variáveis Proposicionais: as proporções são indi-
cadas por letras latinas minúsculas p, q, r, s, ...., chama-
das variáveis proporcionais.
Exemplos:
Paulo é goiano: p
Paulo é brasileiro: q
Conectivos lógicos: partindo de duas proposições
dadas podemos construir novas proposições mediante o
emprego de conectivos.
Símbolo auxiliar “( )”: usamos o parênteses co-
mo auxiliar para denotar o alcance dos conectivos lógi-
cos.
Ex.: Se Paulo é goiano e o Goiás pertence ao Brasil,
então Paulo não é estrangeiro.
c) Conectivos
Como vimos, os conectivos lógicos servem para
combinar duas proposições entre si, de modo a criar no-
vas proposições. São eles:
o conectivo (leia-se e) = conjunção;
o conectivo (leia-se ou) = disjunção;
o conectivo (leia-se se ..... então ....) = condi-
cional;
o conectivo (leia-se .... se e somente se ...) =
bicondicional;
o conectivo ~ (leia-se não ....) = negação.
Dadas as proposições simples p e q podemos, com o
uso dos conectivos, formar novas proposições a partir de
p e q. Assim, temos:
A negação de p ~ p não p
A conjunção de p e q p q p e q
A disjunção de p e q p q p ou q
A condicional de p e q p q se p então q
A bicondicional de p e q p q p se e somente se q
Exemplo:
Dadas a proposição:
p: Jorge Amado escreveu o livro “Mar Morto”.
q: Rui Barbosa era baiano.
Temos as seguintes traduções para a linguagem cor-
rente:
~p: Jorge Amado não escreveu o romance “Mar
Morto”.
ou
Não é verdade que Jorge Amado escreveu
o romance “Mar Morto”.
p q: Jorge Amado escreveu o livro “Mar Morto”
e Rui Barbosa não era baiano.
ou
Jorge Amado escreveu o romance “Mar
Morto” e é falso que Rui Barbosa era baia-
no.
~p q: Jorge Amado não escreveu o romance “Mar
Morto” ou Rui Barbosa era baiano.
ou
Não é verdade que Jorge Amado escreveu
o romance “Mar Morto” ou Rui Barbosa era
baiano.
~(pq) Não é verdade que: Jorge Amado escreveu
o romance “Mar Morto” ou Rui Barbosa era
baiano.
d) Análise de (e) e (ou)
Considerando duas proposições p e q, assim que se
deve julgar as sentenças.
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Raciocínio Lógico Quantitativo
p q p q p q
V V V V
V F F V
F V F V
F F F F
É importante lembrar que em proposições ligadas por
“ou”, se as duas forem verdadeiras a proposição compos-
ta é verdadeira.
Exemplo: Se João passar no vestibular da UnB ou da
USP ganhará um carro.
Para João ganhar o carro, ele precisa passar em pelo
menos uma dessas universidades. Mas se passar nas du-
as, certamente que ganhará o carro.
O símbolo “~” é usado para negação de proposições.
Por exemplo:
p: O gato é um mamífero.
~p: O gato não é um mamífero.
e) Conjunção
Uma conjunção é verdadeira somente quando as duas
proposições que a compõem forem verdadeiras. Ou seja,
a conjunção “p q” é verdadeira somente quando p é
verdadeira e q é verdadeira também. Por isso, dizemos
que a conjunção exige a simultaneidade de condições.
Ex.: Paulo é goiano e Paulo é brasileiro = p q (con-
junção) que corresponde a (p q).
p q
p q
A seguir temos a tabela-verdade onde podemos ob-
servar os resultados da conjunção “p q” para cada um
dos valores que p e q podem assumir.
p q p q
V V V
V F F
F V F
F F F
f) Disjunção
Uma disjunção é falsa somente quando as duas pro-
posições que a compõem forem falsas. Ou seja, a disjun-
ção ”p q” é falsa somente quando p é falsa e q tam-
bém é falsa. Mas, se p for verdadeira, ou se q for verda-
deira, ou se ambas forem verdadeiras, então a disjunção
será verdadeira.
Ex.: Paulo é goiano ou Paulo é brasileiro = p q
(disjunção) que corresponde a (p q).
p q
p q
A seguir temos a tabela-verdade da “disjunção” onde
podemos observar os resultados de “p q” para cada
um dos valores que p e q podem assumir.
p q p q
V V V
V F V
F V V
F F F
g) Condicional ou Implicação
Uma condicional “Se p então q” é falsa somente
quando a condição p é verdadeira e a conclusão q é fal-
sa, sendo verdadeira em todos os outros casos. Isto signi-
fica que numa proposição condicional, a única situação
que não pode ocorrer é uma condição verdadeira impli-
car uma conclusão falsa.
Ex.: Se Paulo é goiano então Paulo é brasileiro = p
q (p é o antecedente e q o consequente).
q
p
p q
A seguir, a tabela-verdade da “condicional” ou “im-
plicação” onde podemos observar os resultados da pro-
posição “se p então q”, para cada um dos valores que p
e q podem assumir.
p q p q
V V V
V F F
F V V
F F V
Obs.: As seguintes expressões podem ser empregadas
como equivalentes de “Se p então q”:
se p, q.
q, se p.
todo p é q.
p implica q.
p somente se q
p é suficiente para q
q é necessário para p
h) Bi-condicional ou Bi-implicação
A proposição bi-condicional ou bi-implicação “p se e
somente se q” é verdadeira somente quando p e q têm
o mesmo valor lógico (ambas são verdadeiras ou ambas
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Raciocínio Lógico Quantitativo
são falsas). Será falsa quando p e q têm valores lógicos
contrários.
Ex.: Paulo é goiano se e somente se Paulo é brasilei-
ro = p q
p = q
A seguir, a tabela-verdade da “bi-condicional” ou
“bi-implicação” onde podemos observar os resultados
da proposição “p se e somente se q”, para cada um dos
valores que p e q podem assumir.
p q p q
V V V
V F F
F V F
F F V
Podemos empregar também como equivalentes de “p
se e somente se q” as seguintes expressões:
p se e só se q
todo p é q e todo q é p
todo p é q e reciprocamente
se p então q e reciprocamente
p somente se q e q somente se p
p é necessário e suficien te para q
p é suficiente para q e q é suficien te para p
q é necessário para p e p é necessário para q
i) Negação
Uma negação transforma uma proposição verdadeira
em uma falsa, ou vice versa.
Uma proposição p e sua negação “não p” terão sem-
pre valores lógicos opostos.
p
p
Ex.: Paulo não é goiano = ~p
A seguir, a tabela-verdade da “negação” onde pode-
mos observar os resultados da proposição “~p”, para ca-
da um dos valores que p podem assumir, com o seu cor-
responde oposto em q.
p ~p
V F
F V
Podemos empregar também como equivalentes de
“não p ou ~p” as seguintes expressões:
não é verdade que p
É falso que p
j) As Tabelas Verdades
A lógica clássica é governada por três princípios (en-
tre outros) que podem ser formulados para a construção
das tabelas-verdades, como segue:
Princípio da Identidade: todo objeto é idêntico a
si mesmo.
Princípio da Contradição: dadas duas proposi-
ções contraditórias (uma é negação da outra), uma delas
é falas.
Princípio do Terceiro Excluído: Dadas duas pro-
posições contraditórias, uma delas é verdadeira.
k) Tautologia
Chamamos tautologia (símbolo v) a proposição for-
mada a partir de outras, mediante o emprego de conecti-
vos ( ou ) ou de modificador (~) ou de condicionais
( ou ). Dizemos que “v” é uma tautologia ou propo-
sição logicamente verdadeira quando “v” tem o valor
lógico V (verdadeira) independente dos valores lógicos
das proposições originárias.
Assim, a tabela-verdade de uma tautologia v apresen-
ta V na coluna de v.
Ex.: A proposição “Se (p q) então (p q)” é uma
tautologia, pois é sempre verdadeira, independentemente
dos valores lógicos de p e de q, como se pode observar
na tabela-verdade abaixo:
p q p q p q (p q) (p q)
V V V V V
V F F V V
F V F V V
F F F F V
l) Proposições Logicamente Falsas
Consideramos uma proposição logicamente falsa
(símbolo f) a proposição formada a partir de outras me-
diante o emprego de conectivos ( ou ) ou de modifi-cador (~) ou de condicionais ( ou ). Dizemos que f é
uma proposição logicamente falsa quando f tem o valor
lógico F (falsa) independente dos valores lógicos das
proposições originárias.
Assim, a tabela-verdade de uma proposição logica-
mente falsa f apresenta F na coluna de f.
Exemplos
1) (p ~q) (~p q)
p q ~p ~q p ~q ~p q (p ~q) (~p q)
V
V
F
F
V
F
V
F
F
F
V
V
F
V
F
V
V
V
F
V
F
F
V
F
F
F
F
F
2) p ~q é proposição logicamente falsa, pois
p ~q p ~q
V
F
F
V
F
F
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Raciocínio Lógico Quantitativo
m) Relação de Implicância
Dadas duas proposições p e q, dizemos que “p impli-
ca q” quando na tabela de p e q não ocorre VF em ne-
nhuma linha, isto é, quando não temos simultaneamente
“p” verdadeira e “q” falsa.
Quando de uma afirmação p podemos tirar uma con-
clusão q, dizemos que p implica q. Indicamos p q
(lê-se: p implica q, ou se p, então q).
Obs.: A B quando o condicional A B é verda-
deiro.
Todo teorema é uma implicação da forma “hipótese
tese”.
Assim, demonstrar um teorema significa mostrar que
não ocorre o caso da hipótese ser verdadeira e a tese ser
falsa.
Ex.:
1) 2 4 2 4 . 5 - significa dizer que o condi-
cional “se 2 é divisor de quatro, então 2 é divisor de 4 .
5” o que é verdadeiro.
2) Sendo x um número inteiro, que pode ser positi-
vo, nulo ou negativo, temos que:
7 . x = 2 x2 = 4
n) Relação de Equivalência
Dadas duas proposições p e q, dizemos que “p é
equivalente a q” quando p e q têm tabelas-verdade
iguais, isto é, quando p e q têm sempre o mesmo valor
lógico.
Quando de uma afirmação q podemos tirar como
conclusão p, dizemos que p e q são equivalentes. Nesse
caso indicamos p q (lê-se: p é equivalente a q, ou p
se, e somente se q)
Obs.: p q quando o condicional p q for verda-
deiro.
Todo teorema, cujo recíproco também é verdadeiro, é
uma equivalência onde hipótese tese.
Exemplos:
1) (p q) (~p ~q)
p q p q ~q ~p ~q ~p
V
V
F
F
V
F
V
F
V
F
V
V
F
V
F
V
F
F
V
V
V
F
V
V
2) 2 8 mdc (2, 8) = 2 – significa dizer que é ver-
dadeiro o bi-condicional “2 é divisor de 8 se, e somente
se, o máximo divisor comum de 2 e 8 é 2”.
o) Sentenças Abertas, Quantificadores
Há expressões que contêm variáveis e cujo valor ló-
gico (verdadeira ou falsa) vai depender do valor atribuí-
do à variável.
Ex.: x + 1 = 7; x 2; x3 = 4x2
As orações que contêm variáveis são chamadas fun-
ções proporcionais ou sentenças abertas. Tais orações
não são proposições, pois seu valor lógico é discutível,
dependem do valor dado às variáveis.
Assim nos exemplos acima temos:
para x + 1 = 7 será verdadeira se atribuirmos o va-
lor 6 a x; será falsa para qualquer outro valor dado a x.
para x 2 será verdadeira, por exemplo, se for atri-
buído a x o valor 8 (pode ser qualquer outro valor, desde
que maior que 2).
para x3 = 4x2 será verdadeira, por exemplo, se atri-
buirmos a x o valor 4 (pode ser outro valor, desde que
torne a sentença uma igualdade).
Para transformar uma sentença aberta em proposi-
ção utiliza-se de dois métodos:
atribuir um valor à variável
utilizar quantificadores.
p) Quantificador universal
O quantificador universal é indicado pelo símbolo
“”, que se lê: “qualquer que seja”, “para todo”, “pa-
ra cada”.
Ex.: Dado o conjunto A = {6, 8, 9, 10, 12}, podemos
dizer que:
(x A, x é natural), leia-se: qualquer que seja x
pertencente a A, ele é um número natural, é uma senten-
ça verdadeira.
Já a afirmativa (x A, x é par) é falsa, porque 9
A e 9 não é par.
q) Quantificador Existencial
1) existe ou existe ao menos um ( ) – Considere o
conjunto A . Sendo A , então existe ao menos
um x, tal que x A. Representando a expressão existe
ao menos um x por x, podemos escrever:
A xx A
Ex.:
É verdadeira a afirmativa (x) (x + 1 = 7) – leia-
se: “existe um número x tal que x + 1 = 7”.
É falsa a afirmativa (a) (a2 + 1 0), que se lê:
“existe um número a tal que a2 + 1 é número não positi-
vo.
2) existe um único ( ) – Considerando o conjunto
dos números inteiros, existe um único valor para x que
verifica a sentença 2 x 4. Representando a expressão
podemos escrever:
x Z2 x 4
Ex.:
É verdadeira a afirmativa (x) (x + 1 = 7), leia-se:
“existe um único número x tal que x + 1 = 7”.
É falsa a afirmativa (x) (x + 3 5), leia-se, “exis-
te um único x tal que x + 3 5”
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Raciocínio Lógico Quantitativo
r) Como Negar Proposições
Vimos no início do estudo que a negação de proposi-
ção simples é dada pela sentença ~P que terá sempre o
valor oposto de P, isto é, ~P será verdadeira quando P
for falsa e ~P será falsa quando P for verdadeira.
Veremos agora a negação das proposições compostas
e condicionais.
1) Negação de uma conjunção: Tendo em vista que
~(p q) ~p ~q, podemos estabelecer que a nega-
ção de p q é a proposição ~p ~q.
Ex.: p: a 0
q: b 0
p q: a 0 e b 0
~(p q): a = 0 e b = 0
2) Negação de uma disjunção: Tendo em vista que
~(p q) (~p ~q), podemos estabelecer que a ne-
gação de p q é a proposição ~p ~q.
Ex.: p: a = 0
q: b = 0
p q: a = 0 e b = 0
~(p q): a 0 e b 0
3) Negação de uma condicional simples: Já que ~(p
q) p ~q, podemos estabelecer que a negação de
p q é a proposição p ~q.
Ex.: p: 2 Z
q: 2 Q
p q: 2 Z 2 Q
~(p q): 2 Z e 2 Q
p: 52 = (-5)2
q: 5 = -5
p q: 52 = (-5)2 5 = -5
~(p q): 52 = (-5)2 e 5 -5
4) Negação de proposições quantificadas
a) Uma sentença quantificadora do tipo universal, é
negada substituindo-se o quantificador pelo existencial.
Assim, a negação lógica de uma sentença do tipo (x, x
tem a propriedade P) é a sentença (x x não tem a pro-
priedade P).
Ex.: sentença: (x) (x + 3 = 5)
negação: (x) (x + 3 5)
b) Uma sentença quantificadora do tipo existencial, é
negada substituindo-se o quantificador pelo universal.
Assim, a negação lógica de uma sentença do tipo (x x
tem a propriedade P) é a sentença (x, x não tem a pro-
priedade P).
Ex.: sentença: (a)
3
1
2
1
+ a
negação: (a)
3
1
2
1
+ a
Comumente o quantificador existencial é negado
usando-se o símbolo .
Ex.: Se A = , então x x A
s) Contradição
Uma proposição composta formada pelas proposi-
ções p, q, r, ... é uma contradição se ela for sempre fal-
sa, independentemente dos valores lógicos das proposi-
ções p, q, r, ... que a compõem.
Exemplo: A proposição “p se e somente se não p” é
uma contradição, pois é sempre falsa, independentemen-
te dos valores lógicos de p e de não p, como se pode ob-
servar na tabela-verdade abaixo:
p ~ p p ~p
V F F
F V F
O exemplo acima mostra que uma proposição qual-
quer e sua negação nunca poderão ser simultaneamente
verdadeiros ou simultaneamente falsos.
Como uma tautologia é sempre verdadeira e uma
contradição, sempre falsa, tem-se que:
a negação de uma tautologia é sempre uma con-
tradição
enquanto
a negação de uma contradição é sempre uma
tautologia.
*********************************************
4. LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO
a) Introdução
As lógicas de argumentação são maneiras de inter-
pretar um texto ou um problema. A partir de proposições
anteriormente definidas, pode-se fazer inferência sobre
o assunto, analisar e tirar conclusões.
As inferências podem ser por dedução ou por indu-
ção. Dedução é quando se infere alguma coisa que, por
análise de premissas, leva a uma conclusão absoluta.
Exemplo: Todo ser humano é um animal, eu sou um
ser humano, logo eu sou um animal.
Fica claro, no sentido do exemplo dado, que eu sou
um animal,porque as conclusões são bem objetivas e de-
finidas.
No caso de argumentos indutivos, a conclusão não
será absoluta, sendo uma inferência que indica a conclu-
são como verdade, mas não se pode afirmar com plena
certeza.
Exemplo: Os lagartos do cerrado possuem compor-
tamentos diurnos, principalmente, isso acontece porque
eles precisam do sol para se aquecer.
Nesse exemplo a inferência foi indutiva, porque não
se pode ter certeza absoluta se o motivo dos lagartos se-
rem diurnos é realmente para se aquecer.
No cotidiano, a inferência indutiva é mais comum, e,
dentro da inferência indutiva está um tipo que é chamado
de analogia. Quando se gosta de vários livros de um au-
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Raciocínio Lógico Quantitativo
tor, ao receber um livro para ler desse autor, infere-se
que deve ser bom. Isso é uma analogia, porque não é cer-
to se o livro é bom ou não, mas a uma suposição que se-
ja.
Portanto, analogia são relações lógicas que se fazem
relacionando uma estrutura à outra. Não é muito compli-
cado, sendo às vezes uma relação intuitiva. Comparação
é a base da analogia.
Exemplo: Pai : Filho :: Mãe : Filha
Esse exemplo acima deve ser lido como Pai está para
filho assim como mãe está para filha.
Deve-se tomar cuidado com o uso errado de lógica
que nos leva à conclusão de coisas falsas, ou inválidas.
Essas conclusões erradas por lógicas são chamadas de
sofismas ou falácias.
Exemplo:
Nada é melhor do que Deus
Tomate é melhor do que nada
Então, tomate é melhor do que Deus.
b) Argumento Válido
Vamos verificar como podemos proceder na investi-
gação de certos argumentos de modo formal.
Já definimos argumento como uma sequência do ti-
po:
p1, p2, p3, ..., pn, q (n 0) de fórmulas onde os pi (0
i n) chamam-se premissas e a última fórmula q,
conclusão.
Então, um argumento p1, p2, p3, ..., pn, q é válido se
e somente se, sendo as premissas verdadeiras a conclu-
são q também é verdadeira, ou ainda, se e somente se, a
fórmula p1 p2 p3 ... pn q é uma tautologia
que será indicada como segue:
p1, p2, p3, ... , pn q
que se lê:
“p1, p2, p3, ... , pn acarretam q” ou, “q decorre de p1,
p2, p3, ... , pn” ou,
“q se deduz de p1, p2, p3, ... , pn” ou ainda, “q se in-
fere de p1, p2, p3, ... , pn.”
É importante observar que ao discutir a validade de
um argumento é irrelevante o valor de verdade de cada
uma de suas premissas. Em Lógica, o estudo dos argu-
mentos não leva em conta a verdade ou a falsidade das
proposições que compõem os argumentos, mas tão-
somente a validade destes.
Ex.: O silogismo:
“Todo brasileiro gosta de futebol.
Nenhum futebolista gosta de beisebol.
Portanto, nenhum brasileiro gosta de beise-
bol.”
é perfeitamente bem construído, sendo, portan-
to, válido, legítimo, muito embora a verdade das premis-
sas seja questionável.
c) Argumento Inválido
Dizemos que um argumento é inválido, também de-
nominado ilegítimo, mal construído ou falacioso,
quando a verdade das premissas não é suficiente para
garantir a verdade da conclusão.
Ex.: O silogismo:
“Todo político é corrupto.
Pedro não é corrupto.
Portanto, Pedro não é político.”
é um argumento inválido, falacioso, ilegítimo,
pois as premissas não garantem (não obrigam) a verdade
da conclusão. Pedro pode ser corrupto sem ser, necessa-
riamente, político, pois a primeira premissa não afirma
que somente os políticos são corruptos.
Na tabela abaixo, podemos ver um resumo das situa-
ções possíveis para um argumento:
Quando um
argumento é...
e as premissas ...
Então a
conclusão será:
Válido
(bem construí-
do)
são todas
verdadeiras
Necessariamente
Verdadeira
não são todas
verdadeiras
ou Verdadeira ou
Falsa
Inválido
(mal construí-
do)
são todas
verdadeiras
ou Verdadeira ou
Falsa
não são todas
verdadeiras
ou Verdadeira ou
Falsa
*********************************************
5. DIAGRAMAS LÓGICOS
a) Considerações Gerais
Diagramas lógicos já foi visto anteriormente no tópi-
co compreensão de estruturas, eles são a base de um sis-
tema computacional.
Diagramas lógicos é a representação matemática de
frases.
Exemplo: Todo homem é um animal
Representando homem com a letra H e animal com a
letra A, matematicamente podemos representar essa frase
como
H A
Essa representação significa que o grupo dos homens
está contido dentro do grupo dos animais.
Quando se trata de um indivíduo, como por exemplo,
Lula (L), ao invés de usar o símbolo usamos o . Isso
ocorre porque Lula é um elemento do grupo dos homens.
L H
A representação matemática pode ser feita em con-
juntos, e às vezes facilita na hora de evitar confusão e
consequentemente falácias.
Exemplo:
Todo Coreano é jogador de Xadrez.
Nenhum jogador de xadrez gosta de rock.
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Conclui-se que nenhum Coreano gosta de rock.
Logo: C X X ≠ R
então, C ≠ R
C
X
R
Esses diagramas mostram que o grupo dos coreanos
(C) está dentro do grupo dos jogadores de xadrez (X) e
as pessoas que gostam de rock e de xadrez são distintas.
Comparando os símbolos da lógica com os símbolos
de conjunto, o (ou) equivale ao U (união) e o símbolo
(e) equivale à (interseção).
Para representar um conjunto A ou B e A e B tendo
elementos em comum.
A ou B (A B) A e B (A B)
b) Argumentos e Diagrama de Venn
A teoria dos conjuntos é bastante útil na verificação
da validade de determinados argumentos, quando as
premissas envolvem proposições quantificadas.
Consideremos o seguinte exemplo:
1P : Bebês são ilógicos.
2P : Ninguém é desprezado se pode domar crocodi-
los.
3P : Pessoas ilógicas são desprezadas.
Q: Bebês não podem domar crocodilos.
Consideremos:
B = Conjunto dos bebês
I = Conjunto das pessoas ilógicas
D = Conjunto das pessoas desprezadas
C = Conjunto dos domadores de crocodilos
Das premissas dadas podemos concluir que:
1) B I ( 1P ) 2) D C = ( 2P ) 3) I D
( 3P )
Vejamos o diagrama correspondente:
D I
B
C
O diagrama nos mostra que a conclusão é válida.
*********************************************
6. A LÓGICA NA TEORIA DOS CONJUNTOS
Vejamos a utilização da Lógica na Matemática utili-
zando exemplos na Teoria dos Conjuntos. Vamos supor
ser conhecidos os conceitos primitivos de conjuntos,
elementos, a relação de pertinência entre elementos e
conjuntos, o conjunto universo, conjunto vazio, etc., e as
operações entre eles.
Desse conhecimento, sabemos que usamos o símbolo
a A para indicar que o elemento “a” pertence ao con-
junto “A”; usamos o símbolo a A para indicar que o
elemento “a” não pertence ao conjunto “A”.
Do mesmo modo, dizemos que um conjunto A está
contido em um conjunto B ou que é subconjunto de B e
indicamos A B se e somente se todo elemento que per-
tencer a A pertencer também a B. Em linguagem simbó-
lica temos:
A B (x A x B)
Assim, se queremos mostrar que um conjunto A está
contido em um conjunto B, devemos mostrar a implica-
ção “x A x B”; isto é, assumindo que “x A”
é verdade, mostrar que “x B” é verdade.
Dados os conjuntos A e B temos que A = B se e so-
mente se A B e B A.
A conjunção e a disjunção são operações lógicas
usadas nas definições de união e interseção entre dois
conjuntos A e B.
Sejam A e B dois conjuntos dados, subconjuntos de
um determinado universo “U”. Definimos:
1) A união de A e B como sendo o conjunto A B
= {x U; x A x B}.
2) A interseção de A e B como sendo o conjunto A
B = {x U; x A x B}.
Dados os conjuntos A e B chama-se diferença entre
os conjuntos A e B e indica-se “A – B” o conjunto de to-
dos os elementos que pertencem a A e não pertencem a
B.
A – B = {x U; x A x B}.
Quando A B, a diferença“B – A” é chamada
“complementar de A em relação a B” e indica-se ACB =
B – A. No caso de “B” ser o conjunto universo, indica-
mos simplesmente AC , A ou ainda A’.
Pelas definições vistas, vemos que as operações lógi-
cas estão intimamente relacionadas com as operações en-
tre os conjuntos. Podemos então estabelecer as relações:
Conjunção x interseção
Disjunção x união
Condicional x relação de inclusão
Bicondicional x igualdade
Negação x complementar
Contradição x conjunto vazio
Tautologia x conjunto universo
,
,
,
, =
, C
F,
V, U
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Propriedades
Dados os conjuntos A, B e C subconjuntos quaisquer
de U, temos,
A
A A B A B A
A A = A A A = A
A B = B A A B = B A
A = A A =
A U = U A U = A
(A B) C = A (B C) (A B) C = A (B
C)
A (B C) = (A B) (A C)A (B C) = (A
B) (A C)
A = A
B A = B A B A = B A
A A = U A A =
= U U =
Todas essas propriedades são demonstradas facil-
mente, utilizando a lógica e as relações que já estabele-
cemos.
***********************************************
ARITMÉTICA
1. CONJUNTOS NUMÉRICOS
1.1. NÚMEROS INTEIROS
a) Introdução
No início, o homem só conhecia os números naturais,
representados por {1, 2, 3, 4, ...}. Com a evolução do sis-
tema de numeração e a introdução, pelos hindus, dos ze-
ros, passou-se a indicar os números naturais por {0, 1, 2,
3, ...}.
Entretanto, certas situações não encontravam respos-
tas no conjunto dos números naturais. Como, por exem-
plo resolver uma operação “x - y” com “x y. Para so-
lucionar esses problemas, foi criado o conjunto dos nú-
meros inteiros relativos representado por:
Z = {..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ...}
b) Subconjuntos
Tal conjunto possui os seguintes subconjuntos:
Z = {... –3, -2, -1, 1, 2, 3,
...}
Núm. Int. NÃO-NULOS
Z = {1, 2, 3, 4, 5, ...} Núm. Int. Positivos sem o Zero
-Z = {..., -5, -4, -3, -2, -1} Núm. Int. Negativos sem o Zero
Z- =
{..., -5, -4, -3, -2, -1,
0}
Núm. Int. NÃO-POSITIVOS
Z+ =
{0, 1, 2, 3, 4, 5, ...} Núm. Int. NÃO-NEGATIVOS
c) Representação geométrica
Podemos representar os números inteiros por pontos
de uma reta conforme a figura seguinte:
-3 -2 -1 0 1 2 3
Números Inteiros
Não-Positivos
Números Inteiros
Não-Negativos
O ZERO NÃO É NEGATIVO NEM POSITIVO, É NEUTRO.
... ...
Observação:
* Entre dois números inteiros, nem sempre existe um outro
número inteiro. (Veja que entre os números inteiros -2 e -1 não
existe nenhum número inteiro).
{x x > -2 < -1 Z}
* Todo número natural é também um número inteiro. Dizemos,
então, que “N está contido em Z”, como mostra o diagrama de
Venn abaixo:´
U
N
Z N Z
d) Números opostos – Valor absoluto ou módulo
Os números inteiros que, localizados na reta, distam
igualmente do zero (0) – origem. São ditos números in-
teiros opostos.
Observe na representação geométrica acima, que a dis-
tância do ponto que representa o número “3” à origem
(0), é de três unidades. A mesma que separa o ponto que
representa o número “-3” da origem (0).
Assim, o oposto de um número é o próprio, com sinal
trocado.
Módulo ou Valor Absoluto de um número é a dis-
tância do ponto da reta que o representa até o ponto que
representa o zero (origem).
Assim, dois números opostos têm o mesmo valor ab-
soluto, isto é, o mesmo módulo.
O módulo de um número é indicado por duas barras
verticais “ ”.
Exemplos:
O módulo de + 3 é 3e indicamos: +3 = 3
O módulo de -5 é 5 e indicamos: -5 = 5
e) Operações fundamentais com números
ADIÇÃO
Adição (operação). soma (resultado)
Relembremos: 4 + 5 = 9
4 e 5 são as parcelas; 9 é a soma ou resultado; a ope-
ração realizada denomina-se adição; a adição de dois
números é indicada pelo sinal +.
Propriedades da Adição
1ª) Observe: 4 + 5 = 9 e 4 + 5 = 5 + 4 onde
5 + 4 = 9
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Você dirá:
a) 4 + 5 e 5 + 4 possuem a mesma soma.
b) A ordem das parcelas não altera a soma.
c) A propriedade que permite comutar (ou trocar, ou
permutar, ou mudar) a ordem das parcelas é a proprie-
dade comutativa.
A propriedade comutativa da adição representa-se
por meio da sentença: a + b = b + a e é chamada
comutativa da adição.
2ª) Consideremos três parcelas 8, 4 e 3, assim indica-
das: (8 + 4) + 3. Efetuando-se a adição entre parênteses
obtemos 12; em seguida, adicionando-se 3 a esse resul-
tado, encontramos 15.
Isto é: (8 + 4) + 3 = 12 + 3 = 15 (soma final)
Agora, observe a soma final conforme esta outra indica-
ção:
8 + (4 + 3) = 8 + 7 = 15 (soma final)
Conclusão: Na adição de três parcelas, é indiferente
associarmos as duas primeiras ou as duas últimas parce-
las, pois a soma final é sempre a mesma. Essa proprieda-
de de associação chama-se propriedade associativa.
Procure fixar a propriedade associativa da adição
através desta simbologia.
(a + b) + c = a + (b + c) = (a + c) + b
Associativa da Adição
3ª) Baseando-se nos últimos quatro exercícios, você
concluirá que existe um número que não modifica a so-
ma, mesmo comutando a ordem das parcelas. Esse nú-
mero é o zero.
Dizemos, então, que essa propriedade é chamada
propriedade do elemento neutro da adição, que é o ze-
ro.
Simbolizamos o elemento neutro da adição escreven-
do:
a + 0 = 0 + a = a Neutro da Adição
4ª) Mais outra propriedade da adição.
Leia com atenção.
a) 4 + 5 = 9 (4 N, 5 N e 9 N)
b) 35 + 115 = 150 (35 N, 115 N e 150 N)
Adicionando-se dois números naturais, a soma é
sempre um número natural.
Essa regra de adicionar dois números naturais e obter
um número também natural chama-se propriedade do
fechamento.
Simbolicamente, a propriedade do fechamento da
adição é assim:
“a N” e “b N)” (a + b) N = Fechamento
da adição em N
SUBTRAÇÃO
Subtração (operação), diferença ou resto (resulta-
do).
Relembrar nunca é demais: 7 - 2 = 5
Essa igualdade traduz uma subtração.
Os números 7 e 2 são os termos da diferença 7 - 2; 7
é o minuendo e 2 é o subtraendo. O valor da diferença
7 - 2 é 5; número este chamado de resto ou excesso de 7
sobre 2.
Analisemos estes outros exemplos:
1) 8 - 8 = 0 O minuendo pode ser igual ao sub-
traendo.
2) 7 - 8 é impossível em N; é o mesmo que es-
crever: 7 – 8 N.
Portanto, o subtraendo deve ser menor ou igual ao
minuendo, para que uma subtração se realize em N.
Você notou, então, que a subtração nem sempre é
possível entre dois números naturais. Por isso, é necessá-
rio que numa subtração em N, o minuendo seja maior ou
igual ao subtraendo.
Verificação de propriedades da subtração
a) O conjunto N não é fechado em relação à operação
de subtração, pois: 3 - 5 N.
b) A subtração em N não admite a propriedade comu-
tativa, pois: 5 - 3 3 - 5.
c) A subtração em N não possui elemento neutro em
relação à operação de subtração:
5 – 0 = 5 entretanto 0 – 5 5 Logo: 0 – 5
5 - 0
d) A subtração em N não admite a propriedade asso-
ciativa, pois (13 - 3) - 1 13 - (3 - 1).
A Subtração como operação inversa da Adição
Consideremos:
6 + 2 = 8 “equivale a” 6 = 8 - 2 e
6 + 2 = 8 “equivale a” 2 = 8 - 6
Conclusões:
a) A subtração é inversa da adição.
b) Uma das parcelas é igual à soma menos a outra.
Agora, observe esta sentença:
x + b = a ou b + x = a
Suponhamos que a e b são dois números naturais co-
nhecidos e x também é um número natural, mas desco-
nhecido. Calculamos o valor de x com a seguinte equiva-
lência:
a + b = a ou b + x = a x = a - b
Técnica operatória da adição
Aplicações da técnicaoperatória da adição
a) Cálculo de x (incógnita ou valor desconhecido)
numa sentença matemática em N.
Exemplos:
1) x + 9 = 15 x = 15 - 9 x = 6
2) 8 + x = 12 x = 12 - 8 x = 4
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Raciocínio Lógico Quantitativo
b) Na resolução de problemas, em N.
Exemplos:
1) Qual o número que adicionado a 6, torna-se igual a
18? Seja x o número procurado. A tradução matemática
de “numero que adicionado a 6, torna-se igual a 18” é a
seguinte:
x + 6 = 18 x = 18 - 6 x = 12
Empregando a técnica operatória da adição, resulta:
x + 6 = 18 x = 18 - 6 x = 12
Portanto, o número procurado é 12.
Prova: 12 + 6 = 18
2) Adicionando-se 10 unidades a um número, obte-
mos 21. Qual é esse número?
Seja “x” o número desconhecido. Se 10 unidades de-
vem ser adicionadas a x a fim de torná-lo igual a 21, en-
tão:
Conforme a técnica operatória da adição, obtemos:
10 + x = 21 x = 21 - 10 x = 11
Prova: 10 + 11 = 21
Técnica Operatória da Subtração
Analisando esta equivalência: 6 - 2 = 4
Você concluirá: O minuendo é igual ao resto mais o
subtraendo.
Suponhamos que nesta sentença: x - b = a
Você conheça os números naturais a e b e deseje sa-
ber quanto vale x, que é também um número natural,
mas desconhecido. Como fazer para se determinar o va-
lor de x ?
Observe: x - b = a x = a + b
Completada essa equivalência, você nota que ela é
verdadeira em N, mediante a condição: x b
MULTIPLICAÇÃO
Multiplicação (operação), produto (resultado).
Observe estas igualdades:
3 + 3 = 6
5 + 5 + 5 = 15
2 + 2 + 2 + 2 = 8
Elas significam que os números 6, 15 e 8 podem ser
decompostos em somas de parcelas iguais.
Na expressão: 3 + 3 há duas parcelas iguais. Este
número está repetido duas vezes como parcela. Dizemos
que o número 3 está multiplicado por 2 e podemos es-
crever:
3 + 3 = 3 x 2 (ou 3 . 2) = 6
Na expressão 5 + 5 + 5 há três parcelas iguais. O nú-
mero 5 está escrito três vezes, como parcela. Dizemos
que este número está multiplicado por 3 e podemos es-
crever:
5 + 5 + 5 = 5 x 3 (ou 5 . 3) = 15
Conclusão: Multiplicação é a adição de parcelas
iguais, onde
o produto é o resultado da operação multiplicação;
fatores são números que participam da operação.
a . b = c a, b fatores
c produto
De modo mais amplo, podemos exprimir:
a + a = a x 2 ou a . 2 ou, simplesmente, 2a
b + b + b = b x 3 ou b . 3 ou, simplesmente, 3b
y + y + y + y = y x 4 ou y . 4 ou, simplesmente,
4y
Propriedades
a) A propriedade que permite comutar (ou trocar, ou
mudar) a ordem dos fatores é a propriedade comutativa
que, no caso da multiplicação, simbolizamos assim:
a . b = b . a Comutativa da Multiplicação
b) Para calcular 3 . 4 . 5 pode-se usar o seguinte arti-
fício:
(3 . 4) . 5
Calcula-se primeiro o produto da operação entre pa-
rênteses, que é 12. O resultado, multiplica-se por 5, re-
sultando = 60.
Observe que o mesmo produto 60 obtém-se com este
outro artifício:
3. (4 . 5)
Neste caso, multiplica-se 3 pelo resultado da opera-
ção entre parênteses, que é 20. Resulta o mesmo valor
60.
Essa regra de associar fatores entre parênteses cha-
ma-se propriedade associativa da multiplicação.
Simbolicamente:
(a . b) . c = a . (b . c) = (a . c) . b
Associativa da Multiplicação
c) A propriedade comutativa permite seja escrito:
1 . x = x ou x . 1 = x
É fácil perceber que qualquer que seja o número co-
locado no lugar do x terá como produto o próprio x ou
seja:
O número 1 é o elemento neutro da multiplicação.
Simbolizamos a propriedade do elemento neutro da
multiplicação, escrevendo:
1 . a = a . 1 = a Neutro da multiplicação
d) Um armário tem 3 prateleiras. Em cada prateleira,
foram colocadas 4 garrafas e 2 copos. Quantos objetos
foram colocados ao todo? Problema simples, mas que
revela uma propriedade importante. Você vai notá-la
através das soluções desse problema.
1ª) solução : o número de objetos colocados em cada
prateleira é: 4 + 2
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Portanto, o número total dos objetos colocados nas
prateleiras é (4 + 2) . 3
Efetuando as operações, com prioridade para adição,
resulta:
(4 + 2) . 3 = 6 . 3 = 18 (objetos)
A expressão (4 + 2) . 3 traduz realmente o que acon-
teceu pois foram colocados (4 + 2) objetos por 3 vezes.
2ª) solução: foram colocados nas três prateleiras:
4 . 3 garrafas e 2 . 3 copos
Logo, o número total desses objetos é dado pelo va-
lor da expressão 4 . 3 + 2 . 3
Efetuando as operações em prioridade para a multi-
plicação resulta:
4 . 3 + 2 . 3 = 12 + 6 = 18 (objetos)
Então, podemos escrever:
(4 + 2) . 3 = 3 . 4 + 3 . 2 ou 3 . (4 + 2) = 4 . 3 + 2 .
3
Conclusão: Essas igualdades e quaisquer outras do
mesmo tipo (produto de uma soma por um número ou
produto de um número por uma soma) traduzem a cha-
mada propriedade distributiva da multiplicação com
relação à adição.
Simbolicamente:
a . (b + c) = a . b + a . c OU (b + c) . a = a . b + a
. c
e) Você notou que, multiplicando-se dois números
naturais, o produto é sempre um número natural que tra-
duz a propriedade do fechamento da multiplicação.
Esta propriedade do fechamento da multiplicação, em
N, é simbolizada por meio desta implicação:
a N e b N (a . b) N
DIVISÃO
Divisão (operação), Quociente (resultado).
1) A divisão exata
Observe: 8 : 4 = 2 (divisão exata)
8 4
0 2
onde,
8 é o dividendo D; 4 é o divisor d;
2 é o quociente q; 0 é o resto r.
Se 8 : 4 = 2 então 2 . 4 = 8 isto é:
8 4
0 2
Prova: 2 . 4 + 0 = 8
De um modo geral, é válida para a divisão exata, a
seguinte equivalência:
D : d = q d . q = D
D é o dividendo; d é o divisor; q é o quociente e o
resto é subentendido “igual a zero”.
Verificação de Propriedade da Divisão Exata
a) Na divisão em N não vale o fechamento, pois
5 : 3 N
b) O conjunto N não tem elemento neutro em relação
à divisão, pois
5 : 1 = 5
entretanto 1 : 5 N Logo: 5 : 1 1 : 5
c) A divisão em N não goza da propriedade comuta-
tiva, pois
15 : 5 5 : 15
d) A divisão em N não goza da propriedade associa-
tiva, pois
(12 : 6) : 2 = 1
12 : (6 : 2) = 4
Logo: (12 : 6) : 2 12 : (6 : 2)
Verificamos, então, que a divisão exata só possui
uma propriedade!
Observe este exemplo: (10 + 6) : 2 = 16 : 2 = 8
Como você viu, é o cálculo usual com prioridade
para adição.
Calculemos agora deste outro modo: em lugar de efe-
tuarmos a adição entre parênteses, vamos dividir cada
termo da adição pelo 2 e, em seguida, adicionar os quo-
cientes obtidos.
Observe: (10 + 6) : 2 = 10 : 2 + 6 : 2 = 5 + 3 = 8
O quociente não sofreu alteração alguma. Permane-
ceu o mesmo 8.
Vejamos quando aparecer uma subtração entre parên-
teses:
(10 - 6) : 2 = 10 : 2 - 6 : 2 = 5 - 3 = 2
(10 - 6) : 2 = 4 : 2 = 2
Também não sofreu alteração alguma o quociente,
conforme a ordem em que foi calculado. O que verifica-
mos em:
(10 + 6) : 2 = 10 : 2 + 6 : 2
(10 - 6) : 2 = 10 : 2 = 10 : 2 - 6 : 2
é a propriedade distributiva da divisão exata váli-
da somente à direita, com relação às operações adição e
subtração.
Simbolicamente:
(a + b) : c = a : c + b : c E (a - b) : c = a : c - b :
c
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Observação: Um dos mandamento da Matemática é:
Jamais dividirás por zero
Isto significa que, numa divisão, o divisor tem que
ser um número sempre diferente de zero.
2) A divisão não-exata
Consideremos este exemplo:
9 4 9 é o dividendo;
4 é o divisor;
2 é o quociente; e
1 é o resto.
1 2
Tirando a prova desta divisão, obtemos: 9 = 4 . 2
+ 1
Isto é: dividendo = divisor . quociente + resto
De um modo geral: D = d. q + r
A divisão como operação inversa da multiplicação
Atente para esta equivalência:
4 = 8 : 2 4 . 2 = 8 e 2 =
8 : 4
Você dirá:
a) A divisão exata é inversa da multiplicação.
b) Um dos fatores é igual ao produto dividido pelo
outro fator.
Técnica operatória da multiplicação
Suponhamos que nesta sentença:
a . x = b ou x . a = b
as letras a e b representam números naturais e x tam-
bém seja um número natural, mas desconhecido.
De que modo você calcula o valor de x?
Mostre: a . x = b ou x . a = b onde x =
b : a
Nota: A letra a nessa equivalência não pode represen-
tar o número zero.
Aplicações da técnica operatória da multiplicação
a) Cálculo de x (incógnita ou valor desconhecido)
numa sentença matemática em N.
Exemplos:
1) 3x = 12 x = 12 : 3 x = 4
2) x . 4 = 20 x = 20 : 4 x = 5
b) Na resolução de problemas em N.
Exemplo: O dobro de um número é igual a 14. Qual é
esse número?
Seja x o número procurado; 2x é o seu dobro. A tra-
dução matemática do enunciado do problema é:
2x = 14
Empregando-se a técnica operatória da multiplicação:
2x = 14 x = 14 : 2 x = 7
Portanto, o número procurado é 7.
Prova: 2 . 7 = 14
Anote para empregar na resolução de problema:
2x 2x é o dobro de x
3x 3x é o triplo de x
4x 4x é o quádruplo de x
5x 5x é o quíntuplo de x
e assim por diante.
Técnica operatória da divisão exata
Analisando esta equivalência:
8 : 2 = 4 8 = 4 . 22 = 8 : 4
Você dirá:
a) O dividendo é o quociente multiplicado pelo divi-
sor.
b) O divisor é igual ao dividendo dividido pelo quo-
ciente.
Nestas sentenças:
x : a = b com a 0
a : x = b com x 0
suponha que você conheça os números naturais a e b
e queira saber qual é o valor de x, também um número
natural, mas desconhecido.
x : a = b x = a . b e a : x = b x = a : b
Exemplos:
a) x : 4 = 3 x = 4 . 3 x = 12
b) 6 : x = 2 x = 6 : 2 x = 3
f) Cálculo com operações especiais
POTÊNCIA
Potenciação (operação); potência (resultado)
Considere estes fatores iguais: 4 . 4 . 4
Aí está um exemplo de potenciação. Entretanto, em
vez de 4 . 4 . 4 escrevemos: 4³, isto é:
4 . 4 . 4 = 4³ (potência)
Potenciação é uma multiplicação de fatores iguais.
Logo:
Base é o fator que se repete na multiplicação.
Expoente é o número que indica quantas vezes a ba-
se deve ser multiplicada por si mesma.
O expoente indica também o grau da potência.
No exemplo anterior, a base é 4, o expoente é 3 e o
resultado 64 é a potência.
Portanto, a potenciação pode vir expressa sob a for-
ma de multiplicação (4 . 4 . 4) ou sob a forma de potên-
cia (4³).
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Leitura de uma potência
5² – lê-se: “cinco ao quadrado” ou “cinco à segunda
potência”
5² = 5 . 5 = 25
2³ – lê-se: “dois ao cubo” ou “dois à terceira potên-
cia”
2³ = 2 . 2 . 2 = 8
4
3 – lê-se: “três à quarta potência”
4
3 = 3 . 3 . 3 . 3 = 81
5
7 – lê-se: “sete à quinta potência”
5
7 = 7 . 7 . 7 . 7 . 7 = 16.807
De um modo geral:
n
a = a . a . a . a . a . a . a . ... (n fatores iguais a a)
Ex.:
10
8 = 8 . 8 . 8 . 8 . 8 . 8 . 8 . 8 . 8 . 8 = 10 fatores
iguais a 8
Propriedades da Potenciação
Veja as potências seguintes e suas respectivas
propriedades:
Potências de base 1 são iguais a 1. Isto é:
n
1 = 1
110 = 1 17 = 1 12 = 1
Potências de bases zero são iguais a 0. Isto
é:
0n = 0 com “n” 0
04 = 0 0³ = 0 0² = 0
Potências com base diferente de zero ele-
vada ao expoente zero são sempre iguais a 1.
a0 = 1 com a 0
20 = 1 30 = 1 40 = 1
Potência de expoente 1 é a própria base. Isto
é:
a1 = a
01 = 0 61 = 6 101 = 10
Por isso, não se costuma escrever o expoente 1,
que fica subentendido.
Potências de base 10 calcula-se escrevendo 1
seguido de tantos zeros quantas forem as unidades
do expoente. Isto é:
zeros n ... 000 000 000 1 =
n
10
10² = 100 10³ = 1000 104 = 10.000
Quanto às propriedades, observe:
a)
9 = 3
8 =
2
3
2
2³ 3²
A potenciação não possui a propriedade comutativa.
b)
512 22
64 8 2
9
3
2
2
3
2
2 23
2
3
2
Logo pelo que se pode observar, a potenciação tam-
bém não possui a propriedade associativa.
c) (5 . 2)³ = (5 . 2) . (5 . 2) . (5 . 2), e
(5 . 2) . (5 . 2) . (5 . 2) = (5 . 5 . 5) . (2 . 2 . 2), e
(5 . 5 . 5) . (2 . 2 . 2) = 5³ . 2³
Portanto: (5 . 2)³ = 5³ . 2³ 5³ . 2³ = (5 . 2)³
Logo, a potenciação possui a propriedade distributiva
em relação à multiplicação. Isto é:
nnnnnn
b) . (a =b .ab .a =b) . (a
Para elevar um produto de vários fatores a uma po-
tência, eleva-se cada fator a essa potência.
d) (8 : 2)4 = (8 : 2) . (8 : 2) . (8 : 2) . (8 : 2) e
(8 : 2) . (8 : 2) . (8 : 2) . (8 : 2) =
(8 . 8 . 8 . 8) : (2 . 2 . 2 . 2) = 8 : 2
Portanto:
444444 2) : (8 = 2 : 8 2 : 8 = 2) : 8(
A potenciação possui a propriedade distributiva em
relação à divisão. Isto é:
0 b com b) : (a = b : ab : a = b) : (a hnnnnn
Para elevar um quociente a uma potência, eleva-se
tanto o dividendo como o divisor a essa potência.
Técnicas Operatórias da Potenciação
Analise estas multiplicações e seus respectivos resul-
tados sob a forma de potência:
742
532
4 = 4 . 4 . 4 . 4 . 4 . 4 . 4 = 4 . 4 . 4 b)
7 = 7 . 7 . 7 . 7 . 7 = 7 . 7 a)
Note que em b), no primeiro fator 4, o expoente su-
bentendido é 1 e não zero.
c)
624 a = a . a . a . a . a . a = a . a
Para multiplicar potências com bases iguais repete-se
a base e adicionam-se os expoentes.
Simbolicamente:
n + mnm a = a . a
nmn m a . a = a
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Técnica do produto de potências de mesma base
Potência de potência
Observe o que chamamos de potência de potência e
como é feito o seu cálculo:
a) (3²)4 é uma potência de potência
b) (a³)² é também uma potência de potência
Calculando:
a) (3²)4 = (3²) . (3²) . (3²) . (3²) = 32+2+2+2 = 32 . 4 =
38
b) (a³)² = (a³) . (a³) = a3 + 3 = a3 . 2 = a6
Conclusão: Para elevar uma potência a outra potên-
cia, conserva-se a base e multiplicam-se os expoentes.
Simbolicamente:
nmn . mn . mnm )(a = aa = )a(
Quociente de potências com bases iguais
Aplicando-se a técnica operatória da divisão exata,
resulta:
5335 4 = x . 4 x= 4 : 4
Qual o único valor que podemos admitir para x, de
modo que o resultado seja 45?
Outro não é senão 4², pois, 4³ . 4² = 45
Logo:
54 : 43 = 42 43 . 42 = 54
O que aconteceu com os expoentes relativos a
54 e
43 em
54 : 43?
Do expoente 5 subtraímos o expoente 3. Isto é:
23 - 535 4 = 4 = 4 : 4
Analise estes outros exemplos:
1)
26 - 868 7 = 7 = 7 : 7
2) 0 a com ,a = a = a : a 64 - 10410
Conclusão: Para dividir potências de mesma base,
repete-se a base e subtraem-se os expoentes, conforme a
ordem em que eles aparecem.
Simbolicamente:
n - mnm a a : a
nmn - m a : a a
com a 0 e “m” e “n” N
Potência de um Número Decimal
Para se elevar um número decimal, a uma potência,
calcula-se a potência do número sem a vírgula, isto é,
como se fosse inteiro e, a seguir, separa-se do resultado
um número de casas decimais igual ao produto do núme-
ro de casas decimais pelo expoente da potência.
Assim, o cubo do número decimal 2,12 é dado da se-
guinte maneira:
= 2123 9.528.128 portanto:
2,12³ = 9,528128, pois 2,12³ = 2,12 x 2,12 x
2,12 que é o produto com 6 casas decimais (2 x 3).
Exemplos:
(3,1)4 = (31/10)4 (-1,02)3 = (-102/100)3
(5,3)6 = (53/10)6 (4,25)7 =
(425/100)7(-2,05)2 = (-205/100)2 (3,40)5 =
(340/100)5
(2,3)9 = (23/10)9 (7,9)10 = (79/10)10
(0,12) = (12/100)6 (0,5)12 = (5/10)12
(0,01)3 = (1/100)3 (0,001)5 =
(1/1000)5
RADICIAÇÃO
É a operação que tem por fim, dada uma potência de
um número e o seu grau, determinar esse número.
O sinal de radiciação é , que se chama radical.
O número em cima do sinal à esquerda chama-se ín-
dice do radical e indica o grau da raiz e o número colo-
cado sob o radical, chama-se radicando ou número sub-
radical.
No exemplo 3 8 , o índice da raiz é o 3 e o radicando
é o 8.
O índice 2 não se escreve, subentende-se.
Assim: 5 indica a raiz quadrada de 5.
A leitura de um radical depende do índice e do radi-
cando, como veremos a seguir:
8 = raiz quadrada de 8. 3 3 = raiz cúbica de 3.
4 2 = raiz quarta de 2. 5 10 = raiz quinta de
10.
A radiciação é uma operação inversa da potencia.
Portanto, elevando-se um número a uma potência e ex-
traindo-se, em seguida, a raiz dessa potência de índice
igual ao seu grau deve-se obter o número dado. Assim,
5, = 52 18, = 18
3 3
2, = 2
3 3
etc...
Raiz quadrada de números inteiros
A raiz quadrada de número inteiro é outro número
que, elevado ao quadrado, reproduz o número dado. As-
sim,
4, = 16 porque (+4)² = 16 e (-4)² = 16
8, = 64 porque (+8)² = 64 e (-8)² = 64
Observação: Na maioria dos casos de raiz quadrada
de números inteiros, usamos somente o valor positivo,
como nos exemplos que citaremos em seguida.
A raiz quadrada de números formados de 1 e 2 alga-
rismos apenas, sendo quadrados perfeitos, se extrai men-
talmente.
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Raciocínio Lógico Quantitativo
Um número inteiro é quadrado perfeito quando ele
é igual ao quadrado de outro inteiro.
Vejamos:
36 é quadrado perfeito porque é quadrado de 6.
49 é quadrado perfeito porque é quadrado de 7.
Em seguida, veremos a relação de quadrados perfei-
tos de 1 até 100 e suas respectivas raízes.
1 = 1 2 = 4 3 = 9
4 = 16
5 = 25 6 = 36 7 = 49
8 = 64
9 = 81 10 = 100
Todo número terminado em 2, 3, 7, 8 ou em núme-
ro ímpar de zeros não pode ser quadrado perfeito e sua
raiz é um número irracional.
Com efeito, pela relação apresentada, vimos que os
quadrados dos nove primeiros números terminam em: 1,
4, 5, 6 ou 9.
Como o quadrado de um número qualquer termina
sempre pelo algarismo das unidades do quadrado do al-
garismo de suas unidades simples, concluímos que só
podem ser quadrados perfeitos os números terminados
em 1, 4, 5, 6, 9 ou em número par de zeros.
Raiz Quadrada de Frações Ordinárias
Para se extrair a raiz quadrada de uma fração ordiná-
ria extraem-se as raízes quadradas dos dois termos de
fração, aplicando-se a mesma regra dos números inteiros.
Assim,
7
6
=
49
36
=
49
36
25
16
=
625
256
=
625
256
Como vimos, extraímos a raiz quadrada do numera-
dor e a do denominador da fração.
MÚLTIPLOS E DIVISORES
1) Múltiplo de um número natural
é múltiplo de
20 = 5 . 4
é múltiplo de
Analise este esquema:
Obtêm-se os múltiplos de um número multiplicando-
o por qualquer número natural.
Exemplo: Seja 5M ou M(5) o conjunto dos múltiplos
do número 5. Veja como se obtêm os múltiplos de 5:
5 . 0 = 0 0 é múltiplo de 5
5 . 1 = 5 5 é múltiplo de 5
5 . 2 = 10 10 é múltiplo de 5
.........................................................
5M = {0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, ...}
Não se Esqueça:
a) Zero é múltiplo de qualquer número.
b) Todo número é múltiplo de si mesmo.
c) Todo número múltiplo de 2 é também chamando
número par.
d) Todo número não múltiplo de 2 é também cha-
mado número ímpar.
e) O conjunto dos múltiplos de um número diferente
de zero é infinito.
2) Divisores de um número natural
Considere este outro esquema:
é divisor de
3 = 21 : 7
7 = 21 : 3
é divisor de
Divisores de um número são todos aqueles que o di-
videm exatamente.
Exemplo: Seja 6D ou D(6) o conjunto dos divisores
do número 6. Veja como se obtêm os divisores de 6:
6 : 1 = 6 1 é divisor de 6
6 : 2 = 3 2 é divisor de 6
6 : 3 = 2 3 é divisor de 6
6 : 6 = 1 6 é divisor de 6
1 é o menor divisor de qualquer número.
Todo número diferente de zero é divisor de si
mesmo.
O conjunto dos divisores de um número diferente
de zero é finito.
Critérios de Divisibilidade
Observe esta equivalência:
é divisor de
5 . 4 = 20
é divisor de
é divisível por
20 : 5 = 4
20 : 4 = 5
é divisível por
No sistema decimal de numeração, utilizamos regras
especiais para saber se um número é ou não divisível por
outro, sem fazer a divisão.
Assim, um número é divisível por
2 Quando for par, isto é, quando terminar em 0, 2, 4, 6 e 8.
3
Quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos for
divisível por 3.
* 126 é divisível por 3, pois 1 + 2 + 6 = 9 e 9 : 3 = 3
4
Quando os dois últimos algarismos forem 00 ou formarem um
número divisível por 4.
500 é divisível por 4. Os dois últimos algarismos são 00.
232 é divisível por 4. Os dois últimos algarismos formam o
número 32, que é divisível por 4.
5
Quando o algarismo das unidades for 0 ou 5, isto é, quando
terminar em 0 ou 5.
6D = {1, 2, 3, 6}
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Raciocínio Lógico Quantitativo
6
Quando for divisível por 2 e por 3, ao mesmo tempo.
108 é divisível por 2, pois é par; e também por 3, pois 1 + 0 +
8 = 9 e 9 é divisível por 3. Portanto, 108 é divisível por 6.
9
Quando a soma dos valores absolutos de seus algarismos for
divisível por 9.
207 é divisível por 9, pois 2 + 0 + 7 = 9 e 9 : 9 = 1
10
Quando o algarismo das unidades for 0, isto é, quando terminar
em 0.
E quando você quiser saber se um número é divisível
por outro, cuja regra não conste nessa tabela, faça dire-
tamente a divisão.
NÚMEROS PRIMOS E NÚMEROS COM-
POSTOS
Vejamos o conjunto N* = {1, 2, 3, 4, ...} sob este as-
pecto:
1 é divisível por 1
2 é divisível por 2 e 2
3 é divisível por 1 e 3
4 é divisível por 1, 2 e 4
5 é divisível por 1 e 5
6 é divisível por 1, 2, 3 e 6
7 é divisível por 1 e 7
8 é divisível por 1, 2, 4 e 8
a) Existem números somente divisíveis por 1 e por si
mesmo. São os números primos: 2, 3, 5, 7, 11, ...
b) Existem, também, aqueles que admitem outros di-
visores além dos próprios e da unidade (1). São os núme-
ros compostos: 4, 6, 8, 9, 10, ...
Conclusões:
a) Número primo é o número (diferente de 1) que
possui somente dois divisores: 1 e ele próprio.
b) Número composto é aquele que possui mais de
dois divisores.
Não se esqueça:
a) 1 não é primo, pois 1D = {1}, nem é composto.
b) 2 é o único número par que é primo, pois 2D {1,
2}.
c) Qualquer outro número par não é primo.
Reconhecimento de um número primo
Já sabemos que {... 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29,
...} são primos.
Para saber se um número é primo ou não, divide-se o
número dado, sucessivamente pelos números primos 2,
3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, ..., até se encontrar um quociente
menor ou igual ao divisor. Se nenhuma dessas divisões
for exata, então, o número dado é primo.
Veja como exemplo o número 257.
257 7 257 11 257 13 257 17
47 36 37 23 127 19 87 15
5 4 10 2
Portanto, o número 257 é primo. Encontramos um
quociente menor que o divisor e a divisão não é exata.
Verifiquemos agora, se 289 é primo.
289 não é divisível por 2, 3, 4, 5, 6 (critérios de divi-
sibilidade); mas
289 7 289 11 289 13 289 17
9 41 69 26 29 22 119 17
2 3 3 0
O número 289 não é primo porque a divisão é exata.
Quando dois ou mais números só admitem como di-
visor comum o número um (1), são chamados de primos
entre si.
Exemplos:
a) 5 e 6 têm como único divisor comum o 1. Portan-
to, 5 e 6 são primos entre si.
b) 7, 8 e10 são primos entre si, porque o único divi-
sor comum é o 1.
MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM – MMC
Minimação (operação), Menor Múltiplo Comum
(resultado)
Minimação é a operação que associa a dois números
naturais o seu menor múltiplo, comum, cuja abreviatura
é m.m.c., excluído o zero.
Processos para determinar o m.m.c
m.m.c. (4, 6, 8) = ? ou 4 M 6 M 8 = ?
a) Por intersecção (U = N*):
M4 = {4, 8, 12, 16, 20, 24, 28, 32, ...}
M6 = {6, 12, 18, 24, 30, 36, 42, ...}
M8 = {8, 16, 24, 32, 40, 48, ...}
M4 M6 M8 = {24, ...}
m.m.c. de dois ou mais números é o menor valor da
intersecção dos conjuntos dos múltiplos desses números.
Portanto: m.m.c. (4, 6, 8) = 24 ou 4 M 6 M 8 = 24
b) Por decomposição em fatores primos (fatoração
completa):
4
2
1
2
2
22
6
3
1
2
3
2 . 3
8
4
2
2
2
2
2³
m.m.c de dois ou mais números é o produto dos fato-
res primos comuns e não-comuns, cada um deles tomado
com o seu maior expoente.
Portanto: 4 = 2² 6 = 2 . 3 8 =
2³
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Raciocínio Lógico Quantitativo
m.m.c (4, 6, 8) = 2³ . 3 = 8 . 3 = 24
c) Pelo processo tradicional:
4
2
1
1
6
3
3
3
8
4
2
1
2
2
2
3
1 1 1 2 . 2 . 2 . 3 = 24
m.m.c (4, 6, 8) = 24
MÁXIMO DIVISOR COMUM – MDC
Maximização (operação), Maior Divisor Comum
(resultado)
Maximização é a operação que associa a dois núme-
ros naturais o maior divisor comum, cuja abreviatura é
m.d.c.
m.d.c (12, 18) = ? ou 12 D 18 = ?
a) Por intersecção (U = N*):
D12 = {1, 2, 3, 4, 6, 12} D18 = {1, 2, 3, 6, 9,
18}
D12 D18 = {1, 2, 3, 6}
O m.d.c de dois ou mais números é o maior valor da
intersecção dos conjuntos dos divisores desses números.
Portanto, m.d.c. (12, 18) = 6 ou 12 D 18 = 6
b) Por decomposição em fatores primos ou fatoração
completa:
m.d.c. (90, 84, 24) = ?
90
45
15
5
1
2
3
3
5
84
42
21
7
1
2
2
3
7
24
12
6
3
1
2
2
2
3
m.d.c. de dois ou mais números é o produto dos fato-
res primos comuns, cada um deles tomado com o seu
menor expoente.
Portanto:
90 = 2 . 3² . 5
84 = 2² . 3 . 7
24 = 2² . 3
m.d.c. (90, 84, 24) = 2 . 3 = 6
c) Pelas divisões sucessivas:
m.d.c (72, 42) = ?
1 1 2 2 quocient
e
72 42 30 12 6 divisores
m.d.c.: divide-se o maior pelo menor. Depois, divide-
se o menor pelo resto da divisão entre o maior e o me-
nor. A seguir, divide-se o 1º resto pelo 2º resto e assim
sucessivamente, até surgir resto zero. O último divisor é
o m.d.c.
Portanto o m.d.c. (72, 42) = 6
Emprego da Prática do M.M.C
1. Digamos que no Brasil o Presidente deva perma-
necer 4 anos em seu cargo, os Senadores, 6 anos e os
Deputados, 3 anos. Com as eleições havidas em 2002 pa-
ra os três cargos, em que ano se realizarão novamente e
simultaneamente as eleições para esses cargos?
Resolução: Calculando o M.M.C de 4, 6 e 3 = 12, en-
contramos o número de anos necessários para que
ocorram novas eleições conjuntas. Se as últimas foram
realizadas em 2002, as eleições seguintes serão efetuadas
em: 2002 + 12 = 2014.
2. Duas rodas de uma engrenagem têm 14 e 21 den-
tes, respectivamente. Cada roda tem um dente estragado.
Se, em um dado instante, estão em contato os dois dentes
estragados, depois de quantas voltas se repete novamente
este encontro:
Resolução: Calcula-se o M.M.C. de 14 e 21 = 42, que
é o número de dentes que deverá passar pelo ponto de
origem para que se repita o encontro.
Dividindo-se 42 por 14 e 21, encontraremos, respec-
tivamente, o número de voltas que a roda menor e a mai-
or deverão dar, logo:
42 : 14 = 3 e 42 : 21 = 2
g) Expressão numérica
É um conjunto de operações indicadas por números.
Toda expressão numérica corresponde a um número que
se obtém realizando as operações indicadas. Essas ope-
rações devem ser efetuadas segundo uma ordem rigoro-
sa para não oferecer confusões.
Vamos fazer este acordo e respeitá-lo:
Nossa pontuação Nossas Operações
( ) Parênteses - Adição e Subtração
[ ] Colchetes - Multiplicação e Divisão
{ } Chaves - Potenciação e Radicia-
ção
Na solução de uma expressão numérica a ordem será:
Em relação à pontuação, resolvem-se primeira-
mente os parênteses, depois os colchetes e finalmente as
chaves.
Em relação às operações, resolvem-se primeiro as
potências e raízes, depois multiplicações e divisões e fi-
nalmente as adições e subtrações.
Exemplo:
144 =
=1 + 108 + 35 =
= 1 + 54 2 + 35 =
= 1 + 3 - 39 + 18 2 + 35 =
= 1 + 3 - 36 + 3 + 18 2 + 35 =
= 1 + 3 - 26 + 12 - 15 + 18 2 + 35 =
= 1 + 3 - 0 +
2
4 - 10 + 4 3 - 15 + 18 2 + 35 =
=
6
1 + 9 -
5
0 +
2
2 8 - 10 +
2
2 3 - 15 + 18 2 + 35
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Raciocínio Lógico Quantitativo
1.2. NÚMEROS RACIONAIS
a) Introdução
Os números inteiros surgiram para solucionar pro-
blemas dos números naturais porém, os números inteiros
também têm suas limitações como, por exemplo, uma
divisão “x : y” onde “x y”. Daí o homem descobriu
que podia fracionar os números criando, assim, os núme-
ros racionais representado pela letra Q (inicial da palavra
quociente), onde:
0 b com b e a ;
b
a
=x x Z
A formulação indica que número racional é todo
aquele que pode ser escrito na forma de fração, com nu-
merador inteiro e denominador inteiro e diferente de ze-
ro.
b) Representação Geométrica
Podemos representar os números racionais numa reta
marcando os pontos relativos ao seu valor, tendo como
origem sempre o número “0”, conforme a figura
abaixo:
0 -1 -2 -3 1 2 3
1
2
0,5 1,25
2,7
3
4
-1,3 -2,75
Lembre-se:
* Um número racional representado na reta é maior
que qualquer outro número racional localizado à sua es-
querda. Na representação acima, -1,3 -3.
* O local de colocação do sinal indicando número
racional negativo antes da fração, não altera seu resulta-
do. Assim,
forma, mesma da
y
x
-
y
x-
=
y
x
y
x
=
y-
-x
e
y
x
=
y
x
+ =
+x
y
*Assim como todo número natural é um número in-
teiro, todo número inteiro é também um número racio-
nal. Dizemos, então, que Z é subconjunto de Q, isto é,
que Z está contido em Q. Vejamos:
Q
Z
N N Z Q
*O conjunto dos números racionais possui também as
seguintes notações:
, , , e
c) Propriedade dos números racionais
Todo número racional tem uma representação de-
cimal (escrita com o uso da vírgula). Para obtê-la basta
efetuar a divisão. Essa representação pode ter:
* um número finito de casas depois da vírgula. Nes-
se caso é chamada decimal exata.
0,625 =
8
5
(representação exata)
*um número infinito de casas depois da vírgula e
que se repetem periodicamente. Nesse caso temos a dí-
zima periódica.
0,222... =
9
2
Todo número que tem uma representação decimal
exata ou uma representação decimal infinita e periódica
é um número racional e, portanto, possui uma represen-
tação fracionária chamada geratriz da decimal.
Exemplo:
0,125 (decimal exata) =
8
1
2,7777777... (decimal periódica) =
9
25
Quaisquer que sejam dois números racionais,
sempre vai existir um outro número racional entre eles.
Essa propriedade é conhecida como densidade dos nú-
meros racionais e, por isso, dizemos que o conjunto dos
números racionais é denso. Observe:
... 0,25 = 2÷
2
1
= 2÷ 1 = 2÷
4
4
= 2÷
4
3
+
4
1
d) Operações fundamentais com números racio-
nais
Chamamos de fração a uma ou mais das partes
iguais em que se divide a unidade. As frações podem ser
ordinárias e decimais.
As “Frações Ordinárias” possuem denominador
diferente