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RW BA 07 62 _v 1. 0 INDÚSTRIA 4.0 Aimar Martins Lopes Cristiano Marçal Toniolo Nathalia dos Santos Silva Nolepa Reinaldo Alberto Ricchi Jr Renato Matroniani Indústria 4.0 1ª edição Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019 2 __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________ © 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Fagner Guilherme Ferreira Coelho Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Junior, Reinaldo Alberto Ricchi J95i Indústria 4.0/ Reinaldo Alberto Ricchi Junior, Aimar Martins Lopes, Renato Matroniani, Cristiano Marçal Toniolo, Nathalia dos Santos Silva Nolepa – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019. 132 p. ISBN 978-85-522-1607-0 1. Internet das coisas. 2. Big Data. I. Jr, Reinaldo Alberto Ricchi. II. Matroniani, Renato. III. Toniolo, Cristiano Marçal. IV. Nolepa, Nathalia dos Santos. Título. CDD 620 Thamiris Mantovani CRB: 8/9491 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ 3 http://www.kroton.com.br INDÚSTRIA 4.0 SUMÁRIO Apresentação da disciplina__________________________________________________05 Contextualização da Quarta Revolução Industrial e Cibersegurança Industrial _07 Big Data: fundamentos, infraestrutura e interfaces _________________________29 Sistemas Ciber-físicos: aplicações e processos físicos _______________________49 Cloud computing e Big Data _________________________________________________66 Estruturas de programação em nuvem _________________________________ 84 Conceitos de produção x produtividade e análise do processo produtivo___103 Conceitos de fabricação integrada por computador e integração empresarial _120 4 Apresentação da disciplina A Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0, pode ser considerada como a consequência de um grande processo econômico, tecnológico, social e cultural, que pode ser compreendido a partir de alguns aspectos históricos. No início do século XXI, também foi observado o desenvolvimento de softwares e hardwares mais sofisticados, voltados para a inteligência artificial e o aprendizado das máquinas, que colaborou cada vez mais para a especialização do trabalho humano, visando o aumento de produtividade e competitividade. O conjunto de todas essas transformações forneceu o contexto favorável para o surgimento do conceito de Indústria 4.0 em 2011, na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, de acordo com Coelho (2016). A possibilidade de conviver com uma realidade na qual bilhões de pessoas estão conectadas por dispositivos móveis é uma oportunidade que pode ser amplamente analisada por profissionais da área da Educação, que precisarão unir esforços em trabalhos multidisciplinares que consigam compreender toda a ampla complexidade da Quarta Revolução Industrial. Trata-se de um terreno fértil para novas estratégias educacionais que contemplem uma forma de ajudar a compreensão humana diante das inúmeras transformações digitais e mudanças disruptivas que a humanidade vai experimentando, segundo Schwab (2016). O termo crime cibernético é usado para descrever uma atividade ilegal na qual computadores ou dispositivos, como smartphones e tablets, são usados como uma ferramenta ou alvo da atividade criminal que, muitas vezes, é cometido por pessoas de mentalidade destrutiva e criminosa, seja por vingança, ganância ou aventura. Trata-se de um fenômeno que está crescendo cada vez mais e que precisa ser mais estudado e analisado em toda sua profundidade, especialmente se for considerado que o número de vítimas provenientes desses ataques está aumentando cada vez mais, de acordo com Pande (2017). A questão da Cibersegurança Industrial deve ser compreendida no amplo contexto da Indústria 4.0, na qual a conectividade, a gestão dos dados computacionais e a automação, exercem papel fundamental. As 5 inovações industriais exercem grande interesse em todos os setores da manufatura, pois a Indústria 4.0 possibilita a oportunidade de gerenciar enormes volumes de dados, que permitem o desenvolvendo de sistemas interativos e melhoram a comunicação entre o sistema digital e os sistemas físicos convencionais. Essencialmente, é preciso obter registros digitais por meio da utilização de sensores que estão interconectados e presentes em todas as etapas do processo produtivo. É preciso também analisar as informações captadas por esses sensores, por meio de processamento de sinais que são realizados por sofisticados sistemas computacionais, cujos dados em geral podem ser armazenados na nuvem, segundo Ustundag (2018). O desafio que a indústria e o setor de serviços enfrentam para prever as numerosas implementações da Internet das Coisas em seus sistemas produtivos é enorme, pois o número de inovações tecnológicas está crescendo a uma velocidade exponencial. Esta realidade exige um processo de aprendizado contínuo por parte de todos os colaboradores, buscando encontrar estratégias que sejam seguras para se proteger dos ataques cibernéticos, que também estão se tornando cada vez mais sofisticados tecnologicamente, segundo Ustundag (2018). 6 Contextualização da Quarta Revolução Industrial e Cibersegurança Industrial Autor: Reinaldo Alberto Ricchi Jr. Objetivos • Apresentar um contexto geral da Quarta Revolução Industrial. • Conhecer os fundamentos da Cibersegurança Industrial. • Analisar as principais estratégias para proteger os dados em uma empresa. 1. Contextualização da Quarta Revolução Industrial A Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0, pode ser considerada como a consequência de um grande processo econômico, tecnológico, social e cultural, que pode ser compreendido a partir de alguns aspectos históricos. A Primeira Revolução Industrial começou na Inglaterra, entre os anos de 1760 e 1840, com a necessidade de substituir os métodos artesanais e o trabalho, a partir da força humana, por máquinas e ferramentas, movidas por combustíveis como o carvão. Também nessa época que foi observado o crescente uso da energia do vapor e essas inovações provocaram grandes consequências nos aspectos econômicos, técnicos e sociais da época. Nas décadas que se seguiram, especialmente até 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, outras transformações de grande impacto foram observadas, especialmente na área da indústria química, elétrica e aço, bem como o aprimoramento geral de toda a indústria. Além disso, surgiram os barcos de aço movidospor potentes motores a vapor, revolucionando todo o sistema de transporte de mercadorias e promovendo significativo impacto em todas as relações comerciais e econômicas da época. Surgiram também as primeiras linhas de produção, fundamentadas no conceito de eletricidade, que provocou uma completa revolução na indústria, com a introdução da produção em massa e redução dos custos do produto final. Esses aspectos caracterizam a Segunda Revolução Industrial, segundo Coelho (2016). Entre as décadas de 1950 e 1970, começaram a surgir as primeiras tecnologias relacionadas à eletrônica, que deram início à Terceira Revolução Industrial, a partir da utilização cada vez maior dos semicondutores e dos computadores. O desenvolvimento de sistemas automatizados e robóticos nas linhas de produção, bem como a informatização armazenada e processada em sistemas digitais, também são características tecnológicas dessa época, que influenciou 8 o desenvolvimento de um amplo sistema de telefonia e comunicações, que se desenvolveu de forma muito intensa nesse período. Com o desenvolvimento da Internet, foi criado um amplo sistema global de redes de computadores interligadas que utilizam um conjunto próprio de protocolos, com o propósito de fornecer informações para usuários no mundo inteiro, formando uma rede formada por milhões de empresas privadas e públicas, universidades e governos, com alcance local e global e que está ligada por uma ampla variedade de tecnologias complementares entre si, de acordo com Coelho (2016). No início do século XXI, também foi observado o desenvolvimento de softwares e hardwares mais sofisticados, voltados para a inteligência artificial e o aprendizado das máquinas, que colaborou cada vez mais para a especialização do trabalho humano, visando o aumento de produtividade e competitividade, segundo Coelho (2016). O conjunto de todas essas transformações forneceu o contexto favorável para o surgimento do conceito de Indústria 4.0, em 2011, na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha. As atuais revoluções tecnológicas representam um fenômeno tecnológico e cultural completamente diferente de todos os que já foram registrados no decorrer da história da humanidade. Por esta razão, é extremamente necessário um sistema educacional amplo, complexo, ágil e eficiente, que seja capaz de captar a essência conceitual em meio à multiplicidade cada vez mais crescente de novos conceitos científicos e tecnológicos. O maior desafio é compreender a modelagem da nova revolução tecnológica promovida pela Indústria 4.0, que implica na transformação de toda a humanidade. Estamos no início de uma revolução que afetará de maneira muito profunda e definitiva a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, de acordo com Schwab (2016). A possibilidade de conviver com uma realidade na qual bilhões de pessoas estão conectadas por dispositivos móveis é uma oportunidade que pode ser amplamente analisada por profissionais da área da Educação, que precisarão unir esforços em trabalhos multidisciplinares que consigam 9 compreender toda a ampla complexidade da Quarta Revolução Industrial. Trata-se de um terreno fértil para novas estratégias educacionais que contemplem uma forma de ajudar a compreensão humana diante das inúmeras transformações digitais e mudanças disruptivas que a humanidade vai experimentando, segundo Schwab (2016). As mudanças nas necessidades dos clientes, que estão cada vez mais envolvidos com as tecnologias disruptivas, estimulam os sistemas industriais modernos para o desenvolvimento da competência de lidar com a complexidade cada vez maior dos processos produtivos. As fábricas inteligentes podem ser consideradas como as que integram os sistemas cibernéticos com os sistemas físicos. Apresentam um potencial enorme de desenvolvimento produtivo e tecnológico, por meio de conceitos da tecnologia da informação e comunicação, como Internet das Coisas e computação em nuvem, por exemplo, de acordo com Sony (2018). A Internet das Coisas possui potencial suficiente para revolucionar todas as etapas dos sistemas de manufatura, por ser uma tecnologia de grande impacto no contexto da Quarta Revolução Industrial. De maneira geral, a indústria 4.0 é caracterizada pela utilização das tecnologias de automação nos sistemas de manufatura. Essas tecnologias estão conquistando cada vez mais espaço nas empresas e nos mercados, especialmente no que diz respeito aos sistemas ciberfísicos, que procuram alcançar uma produtividade mais ágil e dinâmica. Por essa razão, a Indústria 4.0 se concentra na integração e digitalização das engenharias, com o objetivo de integrar completamente os sistemas físicos com os sistemas virtuais de computação, segundo Sony (2018). As inovações na área da Tecnologia da Informação promoveram a expansão do conceito de Indústria 4.0 em todas as dimensões da vida humana, especialmente no que diz respeito aos seus aspectos profissionais, sociais e culturais. Trata-se de uma área de grande impacto econômico e o volume de investimento em tecnologias digitais relacionadas à indústria 4.0 ultrapassará os 900 bilhões de dólares 10 ~ 'o/ leel "1;, • • INDÚSTRIA 4.0 Sistemas Oberfísicos INDÚSTRIA 3.0 Eletrõnlca, 11 e Automação INDÚSTRIA 2.0 • Produção em Massa .... CIII) e Eletricidade t. INDÚSTRIA 1.0 Mecaniza«;ao e ....... Máquinas a Vapor ainda em 2020. Essa revolução tecnológica permitiu a introdução dos computadores no controle dos sistemas inteligentes de manufatura e também nos processos de automação das fábricas, por meio do uso de sensores e sistemas ciberfísicos, de acordo com Skobelev (2017). O impacto dessas tecnologias no mercado de trabalho é um tema que deve ser estudado com máxima atenção, pois a relação entre os seres humanos e os sistemas inteligentes de manufatura deve ser considerada como estratégica nas próximas décadas. O impacto das tecnologias relacionadas à Indústria 4.0 ainda está começando a efetivamente influenciar de maneira definitiva a vida cotidiana das pessoas. Uma visão mais profunda sobre a relação entre os seres humanos e as máquinas inteligentes pode ser realizada e permitirá a criação de novos paradigmas, que considerem não apenas os avanços tecnológicos, mas também todas outras dimensões da vida humana, segundo Skobelev (2017). A Figura 1 apresenta alguns aspectos históricos das quatro revoluções industriais. Figura 1 - Aspectos históricos das quatro revoluções industriais Fonte: adaptada de monicaodo/ iStock. 11 2. Fundamentos de Cibersegurança A Internet está entre as invenções mais importantes do século XX!, devido ao seu impacto profundo em praticamente todos os setores da vida humana, cruzando todas as barreiras culturais e mudando a maneira de conversar, trabalhar, fazer compras, fazer amigos, ouvir música, ver filmes, pedir comida, pagar contas etc. Essas mudanças disruptivas facilitaram a vida, tornando-a mais prática e, até certo, ponto mais confortável e sofisticada. Para o caso de pagamento de contas bancárias, por exemplo, hoje em dia, não é mais necessário ficar em uma longa fila, pois é possível pagá-las com um simples clique de um botão em um computador que esteja na nossa casa ou escritório. O desenvolvimento tecnológico chegou a tal ponto que nem precisamos de um computador para usar a Internet, pois os smartphones com acesso à Internet permitem que fiquemos conectados com nossos amigos e familiares praticamente vinte e quatro horas por dia, segundo Pande (2017). Todas essas mudanças tecnológicas e culturais exigem o desenvolvimento de novos sistemas educacionais que permitam a completa análise de todos os aspectos envolvidos nessa nova fase de desenvolvimento do conhecimento humano. A questão da conscientização e da capactiação tecnológica, por exemplo, deve ser considerada constantemente em qualquer projeto que esteja sendodesenvolvido, a partir da ideia de que, nas próximas décadas, o processo de ensino e aprendizagem deverá ser realizado por toda vida, e não apenas durante a fase dos cursos de graduação ou pós-graduação, por exemplo. Trata-se de uma completa mudança de paradigma, que precisa ser considerada com ampla seriedade e com uma metodologia complexa e cada vez mais sofisticada. Além de simplificar a vida, a Internet também permitiu, de certa forma, a democratização do acesso às tecnologias, pois pessoas de classes sociais menos favorecidas podem, atualmente, ter acesso a um 12 número muito grande de informações, com a utilização de um simples smartphone conectado à Internet. A utilização de videoconferências por meio do software Skype, por exemplo, também é um aspecto que deve ser considerado com especial atenção, por representar uma grande revolução na forma como as pessoas passaram a se comunicar, com custos muito baixos. A possibilidade de envio de e-mails também é um aspecto que revolucionou completamente o processo de comunicação entre as pessoas, empresas, governos etc. Além disso, a Internet exerceu grande impacto na relação das pessoas com entretenimento e notícias: a televisão passou a ser usada não apenas para permitr o acesso à programação das emissoras, mas também para assistir a vídeos no YouTube e até mesmo para realizar conversas por vídeo com amigos ou colegas de trabalho, segundo Pande (2017). O smartphone não é mais usado apenas para fazer uma chamada telefônica, mas para a utilização de uma imensa quantidade de aplicativos, com um número muito variado de funções e facilidades para a vida das pessoas. Por exemplo: os pais que trabalham em um escritório podem acompanhar as atividades de seus filhos e ajudá-los nas tarefas da escola poe meio dos telefones celulares. Um empresário pode acompanhar todas as etapas do trabalho de sua equipe com um simples clique no aplicativo adequado, segundo Pande (2017). A Internet nasceu por volta de 1960 e, nessa época, seu acesso era limitado a poucos cientistas e militares. Com os passar dos anos, a base de usuários da Internet evoluiu de forma descontrolada. Inicialmente, os crimes cibernéticos limitavam-se apenas aos danos físicos causados aos computadores e à infraestrutura relacionada. A partir de 1980, os crimes cibernéticos passaram dos danos físicos ao mau funcionamento dos computadores, usando um código malicioso chamado vírus. Em 1996, quando a Internet foi lançada para o público geral, se tornou muito popular e foi influenciando cada vez mais todos os setores da sociedade. Essa tecnologia foi desenvolvida de forma tão sofisticada, que apenas com alguns cliques os usuários podiam encontrar as informações 13 desejadas sem se incomodar com a natureza dos dados obtidos e muito menos com a segurança desses dados, que podiam ser acessados por qualquer pessoa ao redor do mundo, de acordo com Pande (2017). Com o desenvolvimento dos crimes cibernéticos, os computadores passaram a ser danificados ou até mesmo destruídos, com o objetivo de acessar dados especialmente dos sistemas financeiros. Esse tipo de ataque cibernético está aumentando rapidamente. Até o ano de 2013, cerca de vinte e cinco computadores foram vítimas de ataques cibernéticos, por segundo, e cerca de 800 milhões de pessoas foram prejudicadas por causa desses ataques, proporcionando um prejuízo da ordem de bilhões de dólares, de acordo com Pande (2017). O termo crime cibernético é usado para descrever uma atividade ilegal, na qual computadores ou dispositivos como smartphones e tablets são usados como uma ferramenta ou alvo da atividade criminal. Muitas vezes é cometido por pessoas de mentalidade destrutiva e criminosa, seja por vingança, ganância ou aventura. Trata-se de um fenômeno que está crescendo cada vez mais e que precisa ser mais estudado e analisado em toda sua profundidade, especialmente se for considerado que o número de vítimas provenientes desses ataques está aumentando cada vez mais. O ataque cibernético pode ser classificado como interno ou externo aos usuários de computadores. No caso do ataque interno, o crime é cometido por uma pessoa que possui acesso autorizado ao sistema de uma empresa, por exemplo. Geralmente, é realizado por funcionários insatisfeitos ou com intenções de prejudicar a própria empresa, segundo Pande (2017). O motivo do ataque interno pode ser vingança ou ganância. É relativamente fácil realizar um ataque cibernético interno, pois neste caso o criminoso conhece muito bem as políticas, processos, arquitetura da Tecnologia da Informação e integridade do sistema de segurança que ele está atacando. Além disso, o criminoso tem acesso à rede e à Internet, facilitando seu trabalho para acessar 14 dados confidenciais ou bloquear todos os acessos dos usuários. Já o ataque externo ocorre quando o criminoso, que não é integrante de determinada empresa, é contratado por esta empresa para realizar um trabalho específico. Os ataques cibernéticos mais comuns, nesse caso, estão relacionados às perdas financeiras e também à perda de grande quantidade de dados confidenciais da empresa. Considerando que o criminoso é externo à empresa, geralmente, examina e coleta as informações que são de maior interesse para seus ataques cibernéticos. É possível desenvolver sistemas que detectam esses intrusos, numa tentativa de evitar a ocorrência de ataques externos, segundo Pande (2017). 2.1 Ataques cibernéticos e fraudes A presença de estratégias criminosas e fraudulentas sempre foi observada ao longo da história da humanidade. Há alguns séculos, por exemplo, surgiram os piratas, que realizavam roubos em alto mar; e o oeste selvagem dos EUA produziu gangues formadas por criminosos, chamados de foras da lei. Com a Internet não é diferente, é possível encontrar um número cada vez maior de criminosos digitais, especialmente interessados em atacar os governos e os sistemas financeiros. Além do surgimento de hackers e da criação de vírus de computador, existem também outros perigos que precisam ser considerados com especial atenção. A fraude é um dos perigos mais comuns da Internet. À medida que mais pessoas a utilizam como um canal para o comércio, maiores são as oportunidades de fraude. Muitos especialistas consideram a fraude como o perigo mais comum na Internet, pois para cometer uma fraude na Internet não há necessidade de se adquirir grande conhecimento técnico, como nos casos dos hackers e da criação de vírus de computador. Além disso, há um grande número de pessoas envolvidas em várias formas de comércio on-line, fornecendo dados bancários que podem ser acessados e manipulados para fins criminosos, segundo Easttom (2012). 15 Existe uma variedade de maneiras pelas quais uma fraude pode ser realizada por meio da Internet e alguns órgãos governamentais criaram listas para entender melhor todos os tipos de fraudes, buscando estratégias para se defender desses ataques. Essas listas analisam os golpes mais comuns, na tentativa de criar alguns princípios gerais que possam ser aplicados a qualquer possível fraude. Com a utilização desses princípios gerais, é possível se preparar para evitar a maioria dos esquemas de fraude. Um exemplo muito típico de fraude pela Internet são as ofertas de investimento. Essa prática é empregada de maneirra legítima por algumas empresas, mas é também uma das estratégias mais utilizadas por criminosos para a realização de fraudes na Internet. É preciso considerar que a Internet expandiu muito o volume de ofertas de investimentos para as pessoas, devido, principalmente, ao seu alcance global, bem como a democratização do acesso às informações digitais. Esse fenômeno permitiu o amplo crescimento de ofertas fraudulentas, nas quais os investidores são facilmente iludidos por produtos atraentes ou lucros muito grandes. Essas fraudes, muitas vezes, são oferecidas pormieo de e-mails ou sugestões de sites que, aparentemente, representam empresas confiáveis. Apesar de alguns desses boletins on-line serem de fato legítimos e poderem ajudar os consumidores, é preciso sempre considerar que alguns desses boletins on-line são fraudulentos, de acordo com Easttom (2012). Um tipo muito comum de fraude pela Internet pode ser verificado nos leilões on-line. Esses leilões podem ser uma ótima maneira de se encontrar mercadorias a preços muito bons. No entanto, qualquer site de leilão pode apresentar diversos perigos: você de fato vai receber a mercadoria que comprou? Se recebê-la, possui exatamente as características que estão anunciadas no site? É verdade que a maioria dos leilões on-line são legítimos e sempre tomam as devidas precauções para proteger os consumidores, mas, mesmo assim, o número de fraudes está aumentando cada vez mais, especialmente no que diz respeito aos seguintes problemas, que são frequentemente observados: 16 falha no envio da mercadoria; envio de um produto de menor valor que o anunciado; falha no fornecimento do produto em tempo hábil; e envio de um produto relativamente diferente do anunciado pelo site. É preciso usar sempre de novos recursos tecnológicos para evitar que os criminosos continuem utilizando os leilões on-line para enganar os consumidores com suas estratégias fraudulentas, por meio de um constante processo de capacitação e atualização das informações tecnológicas que são amplamente divulgadas pela Internet, segundo Easttom (2012). PARA SABER MAIS Uma recomendação prática para lidar com investimentos on-line, de maneira segura e tecnicamente confiável, é participar apenas de leilões ou compras digitais que sejam bem recomendadas por outras pessoas na Internet. Isso significa que a estratégia de responder os e-mails promocionais recebidos ou participar de qualquer oferta de investimento sem maiores informações pode conduzir a situações fraudulentas de grande risco. O ideal é participar de leilões, compras ou investimentos que sejam indicados por corretores comprovadamente honestos e de reputação conhecida pelos usuários da Internet, bem como pelos órgãos governamentais responsáveis por essas questões. 2.2 Cibersegurança Industrial A questão da Cibersegurança Industrial deve ser compreendida no amplo contexto da Indústria 4.0, na qual a conectividade, a gestão dos dados computacionais e a automação, exercem papel fundamental. As inovações industriais exercem grande interesse em todos os setores 17 da manufatura, pois a Indústria 4.0 possibilita a oportunidade de gerenciar enormes volumes de dados, que permitem o desenvolvimento de sistemas interativos e melhoram a comunicação entre o sistema digital e os sistemas físicos convencionais. Essencialmente, é preciso obter registros digitais por meio da utilização de sensores que estão interconectados e presentes em todas as etapas do processo produtivo. É preciso também analisar as informações captadas por esses sensores, por meio de processamento de sinais que são realizados por sofisticados sistemas computacionais, cujos dados em geral podem ser armazenados na nuvem, segundo Ustundag (2018). A Indústria 4.0 permite a completa interconexão entre diferentes empresas e também internamente, com as diferentes fases do processo produtivo e com os colaboradores envolvidos. Essa interconexão fornece grande ligação entre parceiros, clientes, funcionários e sistemas, permitindo a aceleração dos negócios, aumentando o desempenho produtivo e criando novas oportunidades por meio da colaboração em uma plataforma compartilhada. O aumento do volume de dados gerados pelos processos produtivos exige também o aumento da segurança cibernética das empresas. A segurança cibernética é a questão central que todos os setores da sociedade seguem no mais alto nível de importância. Trata-se de uma proteção contra todos os tipos de fraudes e roubos digitais, que estão crescendo a uma velocidade extremamente preocupante. Com a expansão das conexões em rede, os ataques cibernéticos estão se tornando cada vez mais frequentes, em um grau de sofisticação tecnológica nunca vista antes, de acordo com Ustundag (2018). O desenvolvimento cada vez maior das novas tecnologias e a crescente dependência da sociedade interconectada globalmente, a automação das ferramentas de ataques cibernéticos e as medidas de segurança utilizadas pelas empresas para se defender destes ataques, devem ser aspectos considerados como fenômenos que precisam ser estudados com o devido rigor, visando sua segurança cibernética. Com o número de potenciais invasores e o tamanho crescente da rede, as ferramentas 18 que os criminosos usam estão se tornando mais sofisticadas e eficientes. Essas ferramentas precisam ser protegidas contra ameaças e vulnerabilidades, a fim de alcançar o maior potencial da Internet das Coisas nos processos produtivos, segundo Ustundag (2018). O uso generalizado de dispositivos e serviços conectados à Internet das Coisas oferece sobre novas formas de defesa cibernética, a fim de garantir uma segurança robusta. Os ataques cibernéticos aumentaram tremendamente nas últimas décadas. Qualquer empresa que usa sistemas conectados à Internet das Coisas é direta ou indiretamente afetada por ataques cibernéticos. Especialmente no caso das grandes empresas, que produzem um grande volume de dados, são expostas a ataques cibernéticos que proporcionam graves encargos prejuízos, como corrupção de dados, falhas no sistema, violações de privacidade, perda de prestígio no mercado e enormes prejuízos financeiros, de acordo com Ustundag (2018). Os sistemas que utilizam a Internet das Coisas se tornarão mais atraentes para ataques cibernéticos a partir de 2020. Várias empresas fizeram a previsão de que o número de equipamentos e sistemas capazes de se conectar à Internet aumentarão de maneira exponencial nos próximos anos. Estima-se que, atualmente, o número de dispositivos conectados à Internet é estimado em 20,8 bilhões, com a perspectiva de que existam cerca de 50 bilhões de conexões nos próximos anos. A empresa Huawei apresentou uma projeção de que, até 2025, o número de dispositivos conectados chegará a 100 bilhões. Isso significa que existe um consenso entre os especialistas de que haverá uma quantidade cada vez maior de dispositivos conectados à Internet, exigindo um sistema proteção, contra os ataques cibernéticos, que seja cada vez mais eficiente e sofisticado tecnologicamente. Para evitar os ataques cibernéticos, as empresas devem capacitar os consumidores sobre os procedimentos de segurança que devem ser seguidos durante o uso dos dispositivos que utilizam a tecnologia da Internet das Coisas, segundo Ustundag (2018). 19 Considerando que o aumento da intensidade dos dados e as ameaças cibernéticas estão crescendo exponencialmente devido à utilização cada vez maior da Tecnologia da Informação, é de fundamental importância que o conhecimento sobre os diferentes tipos de ataques cibernéticos nas indústrias seja cada vez mais ampliado e aprimorado, segundo Ustundag (2018). A Figura 2 apresenta uma ilustração didática que simboliza um ataque cibernético. Figura 2 - Ilustração de um ataque cibernético Fonte: alexsl/ iStock. 3. Internet das Coisas: ameaças de segurança e vulnerabilidades Os projetos de arquitetura de dispositivos que podem ser utilizados na tecnologia da Internet das Coisas são muito amplos e de alta complexidade conceitual. De maneira geral, a Internet das Coisas pode ser dividida em quatro níveis principais: 20 I. Camada de percepção (Sensing): esta camada é por dispositivos de detecção que possuem como várias formas de tecnologias de captura de sinais, como, por exemplo, os sensores de radiofrequência (RFID). Essas tecnologias permitem que dispositivos para sentir outros objetos. II. Camada de rede: é a infraestruturanecessária para suportar conexões, sem fio ou com fio, entre os sensores e o sistema de processamento das informações. III. Camada de serviço: esta camada serve para garantir e gerenciar os serviços exigidos pelos usuários. É responsável pelo gerenciamento de diversas atividades e possui relação com a base de dados das empresas. IV. Camada de aplicação (interface): esta camada de aplicativo é composta por métodos que permitem a interação com usuários ou aplicativos. É responsável por entregar serviços de aplicativos para os usuários, segundo Ustundag (2018). A disseminação de dispositivos conectados na IoT (do inglês: Internet of Things), em uma escala cada vez maior, criou uma grande demanda por segurança cibernética robusta e atualizada, capaz de proteger os usuários que se tornam cada vez mais numerosos em todo o mundo. O número de ameaças e ataques cibernéticos está aumentando diariamente. Para combatê-los, é preciso desenvolver ferramentas capazes de combater os potenciais invasores, que também estão se tornando cada vez mais numerosos, sofisticados e eficientes. Dessa maneira, para que a Internet das Coisas atinja todo seu potencial tecnológico, precisa ser estritamente protegida contra ameaças e vulnerabilidades, que possuem diferentes características. Os acessos não autorizados, por exemplo, representam ameaças importantes, devido à captura de dados dos sistemas, de acordo com Ustundag (2018). A confidencialidade permite que os criminosos cibernéticos possam colocar sensores ou dispositivos maliciosos para adquirir informações 21 de sistemas governamentais ou financeiros, permitindo que os sistemas apresentem também a característica de disponibilidade, na qual o sistema para de funcionar depois de ser atacado. Os dados ruidosos, por sua vez, ameaçam a transmissão das informações ou corrompem os dados armazenados em determinados sistemas. Os ataques maliciosos, por sua vez, permitem que os criminosos cibernéticos causem falhas nos softwares, por meio de código como vírus, trojan e mensagens indesejadas, segundo Ustundag (2018). 4. Desafios para a indústria diante dos ataques cibernéticos O desafio que a indústria enfrenta para prever as numerosas implementações da Internet das Coisas em seus sistemas produtivos é enorme, pois o número de inovações tecnológicas está crescendo a uma velocidade exponencial. Essa realidade exige um processo de aprendizado contínuo por parte de todos os colaboradores, buscando encontrar estratégias que sejam seguras para se proteger dos ataques cibernéticos, que também estão se tornando cada vez mais sofisticados tecnologicamente. Para isso, é preciso que as indústrias possuam a consciência de que é preciso realizar investimentos significativos nas áreas de capacitação e tecnologia, para que seus dados permaneçam devidamente protegidos. Estima-se que os setores de transporte e armazenamento de produtos, além dos sistemas de informação, sejam os que, atualmente, mais recebem investimentos. Os desafios para a indústria, na área de segurança de dados, são muito grandes e o trabalho de atualização constante das informações tecnológicas sobre os ataques cibernéticos, bem como o processo de aprendizagem contínua, tornam-se estratégias fundamentais para se defender dos ataques cibernéticos, segundo Ustundag (2018). 22 Com um número cada vez maior de dispositivos conectados à Internet, a indústria financeira é a que mais chama a atenção dos criminosos cibernéticos, que sempre atuam a partir da motivação de roubar dinheiro ou destruir dados de empresas e governos. As questões de maior preocupação para a indústria financeira incluem a proteção da privacidade e segurança de dados e os riscos que seus usuários podem enfrentar ao utilizar dispositivos conectados à Internet. O Quadro 1 apresenta os principais desafios de diferentes setores da Indústria na busca por maior proteção contra os ataques cibernéticos, de acordo com Ustundag (2018). Quadro 1 - Desafios contra os ataques cibernéticos para diferentes setores industriais Setor industrial Desafios encontrados Financeiro Proteger a privacidade e segurança de dados, gerenciar os contratos de terceirização de serviços, impor regulamentações complexas para o compartilhamento de dados e atualizar constantemente os conhecimentos sobre os novos tipos de ataques cibernéticos. Energia Proteger a privacidade e segurança de dados, desenvolver novas habilidades sobre o compartilhamento das informações, criar maior interdependência entre os participantes do mercado no setor energético e alinhar todas as atividades de segurança cibernética entre todos os responsáveis pela questão energética em um determinado país. Saúde Proteger a privacidade e a segurança de dados, exigir que os fornecedores de serviços de saúde garantam que os dados do usuário estejam protegidos. Garantir que os equipamentos médicos que estão conectados à Internet estejam protegidos contra todo tipo de ataque cibernético e proteger os dados que contenham informações confidenciais disponíveis na nuvem. Transporte Proteger a privacidade e a segurança de dados, especialmente no setor de carga e transporte e evitar ameaças cibernéticas emergentes e avançadas, por meio de constante atualização das informações técnicas e capacitações periódicas sobre a rastreabilidade pela Internet dos produtos transportados. Fonte: Ustundag (2018). 23 ASSIMILE A Cibersegurança Industrial está diretamente relacionada às inovações tecnológicas da Quarta Revolução Industrial, na qual a inteligência artificial, a conectividade, a ciência de dados e a automação exercem papel fundamental. Uma estratégia importante para se proteger contra os ataques cibernéticos está relacionada à constante atualização das informações tecnológicas, de maneira a estar sempre preparado para as inovações que vão surgindo, garantindo que os dados da empresa sejam sempre protegidos pelas tecnologias mais avançadas. A Internet pode ser considerada a maior invenção deste século, devido ao seu impacto profundo em praticamente todos os setores da vida humana. As mudanças tecnológicas e culturais, causadas pela Internet, exigem o desenvolvimento de novos sistemas educacionais que permitam a completa análise de todos os aspectos envolvidos nessa nova fase de desenvolvimento do conhecimento humano, especialmente no que diz respeito aos ataques cibernéticos, segundo Pande (2017). Existe uma variedade de maneiras pelas quais uma fraude pode ser realizada por meio da Internet e alguns órgãos governamentais criaram listas para entender melhor todos os tipos de fraudes, buscando estratégias para se defender desses ataques. O aumento do volume de dados gerados pelos processos produtivos exige também o aumento da segurança cibernética das empresas. Os ataques cibernéticos aumentaram tremendamente nas últimas décadas. Qualquer empresa que usa sistemas conectados à Internet das Coisas é direta ou indiretamente afetada por ataques cibernéticos, segundo Easttom (2012). A principal estratégia a ser adotada está diretamente relacionada à atualização constante dos conhecimentos computacionais e tecnológicos em geral, pois os criminosos cibernéticos são sempre pessoas muito estudiosas e com conhecimentos atualizados, que, 24 infelizmente, são utilizados para ações desonestas e destrutivas. É preciso que a capacitação tecnológica seja sempre considerada como a maior prioridade entre investidores e empresários. TEORIA EM PRÁTICA O grande número de inovações tecnológicas, que surgem no contexto da Indústria 4.0, exige dos profissionais um processo cada vez mais intenso e contínuo de aperfeiçoamento e atualização de seus conhecimentos, especialmente no que diz respeito à proteção contra os ataques cibernéticos. Neste contexto, é preciso obter informações por meio da utilizaçãode sensores que estão interconectados e presentes em todas as etapas do processo produtivo, cujos dados são armazenados na nuvem. Imagine que você é o profissional responsável pela segurança dos dados de uma empresa e precisa apresentar um amplo projeto de cibersegurança industrial, para que sua empresa fique protegida contra os ataques cibernéticos. Apresente as principais ideias na forma de um plano de ação. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0, pode ser considerada como a consequência de um grande processo econômico, tecnológico, social e cultural. Este processo pode ser compreendido a partir dos aspectos tecnológicos relacionados com as quatro revoluções industriais obsevadas ao longo da História, segundo Coelho (2016). Escolha a alternativa que melhor 25 descreve a principal característica de cada uma das quatro revoluções industriais: a. Máquina a vapor; eletricidade; computação; e conectividade. b. Produção em série; eletricidade; tecnologia; e produtividade. c. Máquina a vapor; computação; eletricidade; e conectividade. d. Eletricidade; produção em série; eletrônica; e Internet das Coisas. e. Produção em série; computação; eletricidade; e robótica. 2. A Internet está entre as invenções mais importantes do século XXI, devido ao seu impacto profundo em praticamente todos os setores da vida humana. Essas mudanças disruptivas facilitaram a vida, tornando-a mais prática e, até certo ponto, mais confortável e sofisticada, segundo Pande (2017). Em quais setores da sociedade o impacto da Internet pode ser considerado mais significativo? a. Tecnologia educacional, segurança, entretenimento e saúde. b. Sistema financeiro, política, tecnologia e transporte. c. Comunicação, tecnologia educacional, entretenimento e sistema financeiro. d. Comunicação, turismo, saúde e entretenimento. e. Tecnologia educacional, entretenimento, saúde e sistema financeiro. 26 truck Destacar truck Destacar 3. O aumento do volume de dados, gerados pelos processos produtivos, exige o aumento da segurança cibernética das empresas, que é a questão central de todos os setores da sociedade contemporânea, segundo Ustundag (2018). Quais as principais estratégias que devem ser adotadas para aumentar a proteção das empresas contra os ataques cibernéticos? a. Capacitação tecnológica e aprendizado contínuo sobre gestão da qualidade. b. Aprendizado contínuo sobre gestão da segurança e capacitação pessoal. c. Atualização dos conhecimentos sobre gestão e capacitação científica. d. Capacitação tecnológica e aprofundamento dos conceitos fundamentais da Indústria 4.0. e. Capacitação tecnológica e atualização dos conhecimentos sobre segurança de dados. Referências Bibliográficas COELHO, P. M. C. Rumo à Indústria 4.0. Coimbra: Faculdade de Ciências e Tecnologia–Universidade de Coimbra, 2016. EASTTOM, C. Computer Security Fundamentals. Indiana: Pearson, 2012. PANDE, J. Introduction to Cyber Security. Haldwani: Uttarakhand Open University, 2017. SCHWAB, K. A Quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016. SKOBELEV, P. O.; BOROVIK, S. Y. On the way from industry 4.0 to industry 5.0: from digital manufacturing to digital society. International Scientific Journal Industry 4.0, 2017. SONY, M. Industry 4.0 and lean management: a proposed integration model and research propositions. Production& Manufacturing Research, 2018. USTUNDAG, A., CEVICKAN, E. Industry 4.0: Managing The Digital Transformation. Basel: Springer International Publishing Switzerland, 2018. 27 truck Destacar Gabarito Questão 1 – Resposta: A. Resolução: A utilização da máquina a vapor foi a grande inovação apresentada pela Primeira Revolução Industrial, da mesma forma que a eletricidade, computação e conectividade são as principais inovações das revoluções industriais que surgiram posteriormente. Questão 2 – Resposta: C. Resolução:É preciso considerar que a Internet é responsável por um impacto significativo em praticamente todas as áreas da vida humana, mas de maneira muito especial nos setores de comunicação, tecnologia educacional, entretenimento e sistema financeiro. Questão 3 – Resposta: E. Resolução: A capacitação tecnológica e atualização dos conhecimentos sobre segurança de dados são as principais estratégias que devem ser adotadas para aumentar a proteção das empresas contra os ataques cibernéticos. 28 truck Destacar truck Destacar truck Destacar Big Data: fundamentos, infraestrutura e interfaces Autor: Aimar Martins Lopes Objetivos • Compreender os fundamentos do Big Data. • Conhecer a estrutura 5 Vs do Big Data. • Descrever as interfaces de potencial de uso com Big Data. 1. Big Data O termo Big Data é referenciado em qualquer área, seja ela ciência, indústria, negócios, cultura, saúde, etc., pois está relacionado a captura e análise de muitos dados, tendo como característica principal o volume, a variedade e a velocidade, tanto de criação como movimentação, tendo como consequência a força de influenciar e modificar a sociedade de maneira drástica. A Figura 1 mostra um gráfico futurístico ilustrando uma análise de dados complexa, em que as cores representam informações diferentes e os pontos de intensidade. Figura 1 – Gráfico futurístico de análise de dados Fonte: solarseven / iStock. 30 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/solarseven?mediatype=photography Qual o conceito envolvido com o Big Data? A sua evolução está relacionada com a capacidade da humanidade em analisar dados, evolução da computação no sentido de processamento e análise de dados, a comunicação com a internet e suas aplicações que geram bilhões de dados por segundos, estatística, arquitetura de software complexa e os novos modelos de negócios que utilizam os dados avidamente. Como o termo é relativo, abrangente e de vários entendimentos, seguem algumas definições. Big Data significa um grande volume de informações de alta variedade e velocidade que exige formas inovadoras e econômicas de análise para melhor tomada de decisões e automação de processos (GARTNER, 2019). Segundo a SAS (2019): Big Data é um termo que descreve o grande volume de dados — tanto estruturados quanto não estruturados — que sobrecarrega as empresas diariamente. Mas não é a quantidade de dados disponíveis que importa; é o que as organizações fazem com eles. O Big Data pode ser analisado para obter insights que levam a decisões melhores e ações estratégicas de negócio. Sem dúvida, a ação organizacional sobre o que fazer com os dados, afirmado pela SAS, e os insights são o que faz a diferença nas estratégias. Apesar do termo existir há algum tempo, ainda há muita confusão relativa ao seu significado. O conceito sempre está evoluindo e se modificando, pois é uma das grandes forças motrizes da transformação digital. Portanto, Big Data está relacionado com coletar dados e a capacidade de uso para obter vantagem em diversas áreas, incluindo negócios (MARR, 2019a). 31 ~ Para Steve Perry, Big Data está relacionado com o significado do dado, é um processo que está cada vez mais acelerado e com mais fontes e formatos variados de dados. Afirma que, em breve, chamaremos isso de Big Meaning (grande significado), pois o que realmente importa é o valor (significado) dos dados e não a sua quantidade (PERRY, 2019). PARA SABER MAIS Uma tecnologia só é útil se resolver algum problema. Há muitos dados históricos, mas novos dados são gerados por aplicativos de rede social, cliques em sites, fluxo de aplicativos da web, dispositivos, sensor IoT entre outros. A quantidade de dados gerada é enorme e continua crescendo em muitos formatos diferentes. O valor dos dados tem significado quando podemos extrair algo deles, e obtervalor desses dados não é tarefa fácil (PERRY, 2017). 2. Uma breve história Em vez de ser uma única tecnologia, o Big Data é um ecossistema de técnicas e tecnologias coordenadas que extraem valor comercial das montanhas de dados produzidos no mundo atual. A relatividade da definição se dá pela palavra big: questionamos o que é ser grande. Isso depende. Se um laboratório de análises clínicas reunir seus dados de um ano, pode ser que, para o estudo dos serviços executados, isso seja grande. 32 John Graunt, em 1663, reuniu uma série de dados para estatisticamente estudar a peste bubônica na Europa e, talvez para ele, os dados que possuía tinham o sentido de grande (FOOTE, 2017). Uma concepção mais moderna envolve o desenvolvimento de computadores, smartphones, internet IoT, rede social e o tamanho das organizações. Os fundamentos do Big Data tiveram início com a solução de um problema da U. S. Census Bureau em 1880, quando Herman Hollerith criou uma máquina de tabulação que reduziu o tempo que seria de dez anos para processar o censo em três meses. Em 1927, o engenheiro Fritz Pleumer desenvolveu a fita magnética, possibilitando armazenar dados de forma mais eficiente. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra criou a máquina Colossus, que escaneava 5 mil caracteres por segundo e possibilitou a interpretação dos códigos secretos de guerra da Alemanha. Em 1945, John Von Neumann publicou o artigo Eletronic Discrete Variable Automatic Computer (EDVAC), sobre o armazenamento de programas e a arquitetura de computadores, que se mantêm até hoje (FOOTE, 2017). Mais recentemente, inclui-se na lista a criação da internet, com o nome inicial de ARPANET, em 1969, nos Estados Unidos, para conectar computadores. Com sua evolução, atualmente, toda a sociedade mundial trafega dados pela rede. Em 1989, Tim Berners-Lee criou o conceito Word Wide Web (WWW) (BARROS, 2013). Isso possibilitou o acesso a vários endereços da rede de forma rápida e uma esplêndida evolução de fluxo de dados diversos pela internet, seja ele texto, áudio, vídeo e foto. Mas, principalmente, possibilitou o compartilhamento de informação na internet. Conclusão: a criação e circulação de dados pelo mundo aumentou significativamente. Os conceitos envolvidos na WWW são: HTML (HyperText Markep Language), URL (Uniform Resource Locator) e HTTP (HyperText Transfer Protocol). A Figura 2 ilustra uma página WWW com o endereço URL. 33 ";: :. ::~::.---·- - --·-·- ~ .\i . it VieW Favoritas Figura 2 – Página WWW Fonte: crstrbrt / iStock. A indústria da computação pessoal também tem sua contribuição. Os microcomputadores ocuparam intensamente os espaços no mercado, especialmente com a Apple e Microsoft, por volta de 1977. Sua evolução também acompanha a evolução e disseminação da internet e, consequentemente, do Big Data. Os preços dos microcomputadores caíram muito nos anos de 1980 e 1990, facilitando seu uso por grande parte da população ao redor do mundo, pois, com a evolução da comunicação, a internet chegou também ao indivíduo comum. O cenário está montado para a evolução do Big Data, temos computadores, internet (comunicação), novos softwares, redes e 34 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/crstrbrt?mediatype=photography softwares que conectam pessoas ao redor do mundo. Diante disso, surgem as redes sociais, precursoras de grande volume de dados. Contudo, foi em 1993 que a CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), local onde Tim Berners-Lee era consultor, promoveu o compartilhamento das informações dos pesquisadores por meio da WWW, divulgando a ideia e deixando-a a disposição para que qualquer pessoa pudesse usar e desenvolver aplicações, com isso a internet se proliferou e ficou à disposição para qualquer pessoa usar e desenvolver aplicações (WENKEL, 2016). Para Foote (2013), esse foi um fator-chave para a evolução da WEB como um todo, pois possibilitou que pessoas do mundo inteiro pudessem ter acesso e que organizações pudessem prover conexões de internet para todos e para tudo. Somente na virada do século 21 é que a web explodiu com o surgimento de várias organizações “.com” e diversos modelos de negócios: os hoje conhecidos como e-commerces. Esse era o cenário com muito combustível à disposição para a geração de dados e sua movimentação em toda rede mundial. Com isso, o termo Big Data passa a ficar mais concreto. Porém, mais elementos foram surgindo, a IoT (Internet of Things) se fortaleceu por volta de 2013, com o uso de várias tecnologias, tais como: internet, sistemas microeletrônicos e mecânicos, programação embarcada, comunicação wireless, GPS, etc. Todos esses elementos geram ou transmitem dados das pessoas, casas, organizações e de todas as coisas, conclui-se então que mais dados entraram em circulação por todo o mundo. 35 Por volta de 2003, a Google já utilizava sistema de armazenamento de dados distribuído e também processava dados distribuído e paralelo na rede, cujos nomes das tecnologias são GFS (Google File System) e MapReduce. Em seguida, por volta de 2005, o sistema Hadoop foi criado como software aberto para processar e armazenar de forma distribuída dados que circulam pela internet. Este também foi um marco para o Big Data, pois com o volume que circulava na internet, não havia sistema capaz de estruturar e analisar. Nesse cenário, os hardwares continuam tendo grande importância, pois são os executores das tarefas. Tanto a evolução dos processadores como os mecanismos para armazenar informações, e claro os de comunicação, formam o motor do fluxo de dados. A computação em nuvem (cloud computing) utiliza toda essa engrenagem que possibilita o compartilhamento de recursos pela internet. Com ela, após o ano de 1990, temos início da oferta de tecnologia como serviço, são elas IaaS, SaaS e Paas. Tudo em larga escala. No Brasil, aproximadamente no ano de 2010, começamos a usufruir dessa avalanche de tecnologias com mais facilidade, e não somente no Brasil, mas no mundo, verificamos mudanças de comportamento humano, formas de trabalho, redes sociais, modelos de negócios e muito mais. Sendo que no que se refere ao Big Data, seu uso é diverso. A Figura 3 ilustra o fenômeno Big Data. 36 The Phenomenon of Big Data 1.BZB 209 bllllon soo billion dollars 750 million lhe amount of pictures uploaded to Facebook ~ ffl 200+TB 300 bllllon dollars ~ 966PB 200PB $32+B • v O "Data are becoming the new raw material of business: Economic input is almost equivalent to capital and labor~ -«Economist», 2010 "lnformation will be 'the 21th Century oil." - Gartner company, 2010 Figura 3 – Fenômeno Big Data Fonte: adaptada de CHEN, 2014. 3. Estrutura do Big Data Big Data leva a imaginar um monte de dados não sistematizados que passam por vários processamentos até fornecerem algum tipo de informação. Para entendermos a sua estrutura, consideramos a origem e o formato. Podemos afirmar que as fontes de onde provêm os dados são as mais diversas possíveis, simplificaremos, em dispositivos diversos, dados estruturados de banco de dados organizacionais e/ou não estruturados que circulam pelas redes sociais e muitos outros. Quanto ao armazenamento, também são utilizados vários métodos (PROVOST, 2013). 37 Fluxo de criação e movimentação São confiáveis? Muitos dados de diversas fontes ersos tipos dados Entrega algo significante? Dentre as características que tratam Big Data, muitas têm surgido e forçam mudanças no conceito, por isso apresentaremos as características que Bernard Marr cita, trata-se de um especialista que acompanha a evolução da tecnologia. Inicialmente, o Big Data era referenciado por 3 Vs: volume, velocidade e variedade. Esse conceito tem se modificado, alguns definematé 8 ou mais Vs, mas trataremos somente de 5 Vs, por serem suficientes. Para Bernard, os 5 Vs são: volume, velocidade, variedade, veracidade e valor (MARR, 2014). Para maior entendimento, seguem seus significados na Figura 4 abaixo. Figura 4 – Significado dos 5 Vs Fonte: elaborado pelo autor. Volume – Grande volume de dados gerados a todo momento por fontes diversas espalhadas pelo mundo, tais como: e-mails, mensagens de redes sociais, imagens, vídeos, dados de sensores, dados gerados 38 por navegação pela web, etc. A quantidade de dados é surreal. O Facebook sozinho transaciona mais de 10 bilhões de mensagens por dia (MARR, 2014). Velocidade – Refere-se à velocidade de geração dos dados, relação de velocidade, transporte entre os sistemas, conexão com a internet e volume. Quando mais rápido uma organização acessa o dado, mais assertiva pode ser sua decisão e predição. Variedade – Vários tipos de dados existem espalhados pela internet que estão relacionados com os sistemas de informação e dispositivos, fontes diferentes, e diferentes são os métodos de transporte, tratamento e armazenamento. Contudo, em um determinado momento, é necessário conhecer o tipo mais adequado para utilizar as ferramentas, os algoritmos e modelos de análise mais adequados. Cerca de 80% dos dados disponíveis no mundo são desestruturados, o que dificulta seu condicionamento e sua tabulação para que seja feito um melhor tratamento e aquisição de informações a partir deles (MARR, 2014). Veracidade – O dado bom dá confiança, portanto, a confiabilidade dos dados é fundamental dentro desse universo caracterizado por volume, formato, velocidade e variedade. O desafio causado pela grande variedade e pelo formato dos dados é a dificuldade de tratá- los completamente e obter as informações mais precisas e conclusivas (MARR, 2014). Valor – Refere-se ao significado que o dado pode dar para atender a uma necessidade ou resolver um problema. O dado que não representa um valor não deve receber atenção. Para Marr (2014), o valor resulta do acesso aos dados e ao conhecimento obtido da sua análise para estruturar de maneira definida e objetiva a proposta de ação empresarial e tomar as melhores decisões organizacionais. A Figura 5 ilustra um homem de negócios interpretando gráficos. 39 Eqt1Jty s1a1enie111 ~·.:.. •n•.sta ,1 ~.,, ••'/ .. :::..-- == i ~ / ' , , , '! ...... ...... 0,,,1~, , ... ~ ,·,~~ ,-..;..;_ ,-_,._l ==:.-- ::: M 'r' ~ l . A/1/y, C1sn flav.- :t.t11t•nieri1 11 "'' ~., °"'••10-.. 12.11~ ~ .:) -. ::.:::: li1h,lhlll 1.,,..,llog fl1t2.sn ~ ~ '.::--.:.,:-ii 1$(11 ... , ::: ..::--..... Figura 5 – Homem de negócios interpretando dados Fonte: NicoElNino / istock. 4. Interface e possibilidade Há uma gama enorme de possibilidades de uso relacionado ao Big Data. Estamos ainda vendo somente a ponta do iceberg, muita coisa está para mudar e ser criada. ASSIMILE O Big Data tem o princípio de que quanto mais se sabe de algo, mais confiança se tem para obter novos insights e fazer previsões sobre o futuro. Quando se comparam dados, relacionamentos ocultos começam a surgir, e eles permitem aprender a tomar decisões inteligentes. O processo envolve criação de modelos com base nos dados, execução de simulações, aprimoramento do valor e monitoramento dos resultados (MARR, 2019b). 40 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/NicoElNino?mediatype=photography No artigo, Big Data in Practice, Bernard Marr (2019b) afirma que Big Data é algo muito profundo e cita dez áreas em que é possível ter excelente vantagens com seu uso, vamos a elas: 1. Entendendo e direcionando o cliente É a área que mais utiliza Big Data, é usada para compreender o comportamento e a preferência do cliente. A Figura 6 ilustra a intensidade do uso dos aplicativos em redes sociais. Figura 6 – Significado dos 5 Vs Fonte: alexsl / istock. 2. Entendendo e otimizando os processos de negócios O comércio pode melhorar seus estoques com base na predição de dados da rede social, tendência de pesquisa e previsão de tempo. Isso reduziria o custo envolvido em gestão de estoque, despesa de compra, recebimento, movimentação e armazenamento ao longo do tempo, pois aprimora o sistema de just in time. 41 3. Qualificação pessoal e otimização de desempenho Big Data não é somente para uso de organizações e governos, o indivíduo pode se beneficiar pela geração de dados de dispositivos vestíveis, tais como os relógios e braceletes. Esses dispositivos coletam dados de seu corpo a todo momento, podem coletar nível de glicemia, frequência cardíaca, etc. 4. Melhorar a saúde individual e a saúde pública A análise de dados habilita a decodificação de DNA em minutos e possibilita encontrar nova cura, melhoria de tratamento e prever padrão de doenças. 5. Melhora no desempenho esportivo Muitos esportes têm adotado o Big Data para analisar vídeos, equipamentos esportivos, rastreio de atletas para acompanhar o sono e a alimentação, bem como o comportamento e estado emocional que o atleta apresenta nas redes sociais. 6. Melhorando a ciência e a pesquisa O CERN, laboratório de física nuclear, possui o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, o Hadron Collider. Ele é capaz de gerar em seus experimentos com o universo uma enorme quantidade de dados que são analisados por um poderoso centro de computação. Dados governamentais podem ser acessados por pesquisadores que criam novos cenários para a ciência. 7. Otimizando máquinas e desempenho de dispositivos O Big Data auxilia na inteligência e autonomia das máquinas. Por exemplo, o carro autônomo equipado com sensores, câmeras, GPS e computadores. 42 8. Melhora da segurança e aplicação da lei. O Big Data é utilizado intensamente para melhorar a segurança, em que agências de segurança mundial detectam intenções terroristas, investigam suspeitos, previnem ataques cibernéticos e financeiros. 9. Melhorando e otimizando as cidades O volume e o fluxo de dados permitem que as cidades otimizem o tráfego com base em informações em tempo real, mídia social e dados meteorológicos. Podem ser utilizados para o controle de energia, água, semáforos, etc. 10. Negociação financeira Alto-Frequency Trading (HFT) é uma área com grande potencial para Big Data e está sendo muito usado atualmente. Algoritmos para manipular dados são usados para tomar decisões de negócios comerciais, exploram as informações em busca de condições personalizáveis e oportunidades de negociação. São tantas possibilidades que as organizações e os desenvolvedores de software, os estatísticos e matemáticos se envolvem profundamente na criação de soluções para compreender e extrair insight desses dados. TEORIA EM PRÁTICA O dados não estruturados têm um grande potencial. Existem muitos multiplicadores de dados, incluindo humanos, máquinas e processos de negócios, e o volume de dados cresce exponencialmente. Espera-se que os dados de saúde, seguros e os dados de fabricação cresçam 43 enormemente a cada ano, sendo que mais de 80% desses dados são desestruturados e incapazes de serem processados por soluções existentes. As informações valiosas estão escondidas em documentos, e-mails, batepapos, transcrições de centrais de atendimento, conteúdo de mídia social, comentários de clientes e relatórios de setor. Enquanto a análise estruturada fornece o que, onde e quando de um desafio de negócios, análise de conteúdo não estruturada fornece o porquê e como. Isso ajuda empresas a antecipar e identificar defeitos de produtos, melhorar o design de produtos, o gerenciamento de recursos e serviços, reduzir a rotatividade, identificar concorrentes e otimizar os gastos com marketing (REDDY, 2018). Forneça um exemplo e uma solução de uma situação em que dados podem ser analisados para resolver um problema. VERIFICAÇÃODE LEITURA 1. Big Data está relacionado com dados e sua interpretação, sendo assim, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa INCORRETA. a. A evolução do Big Data se relaciona com a capacidade da humanidade em analisar dados e a evolução da computação. 44 b. Big Data se relaciona com processamento, análise de dados, comunicação com a internet e suas aplicações que geram bilhões de dados por segundos. c. Big Data significa um grande volume de informações de alta variedade gerado com grande velocidade. d. O termo Big Data já existe há muito tempo e serve para armazenar dados. e. Big Data é uma vasta variedade de dados estruturados e não estruturados que diariamente invade organizações. 2. O histórico da evolução da computação, internet e outras tecnologias faz parte do surgimento do Big Data. Avalie as afirmativas a seguir e depois assinale a alternativa que contempla as afirmativas que contribuíram para o Big Data. I. John Von Neumann publicou o artigo Eletronic Discrete Variable Automatic Computer (EDVAC), sobre o armazenamento de programas e a arquitetura de computadores em 1945. II. Em 1989, Tim Berners-Lee criou o conceito Word Wide Web (WWW). Os conceitos envolvidos na WWW são: HTML (HyperText Markep Language, URL (Uniform Resource Locator) e HTTP (HyperText Transfer Propocol). III. Os preços dos microcomputadores caíram muito nos anos de 1980 e 1990, isso permitiu seu uso por grande parte de pessoas ao redor do mundo. Com a evolução da comunicação, a internet chegou também ao indivíduo comum. 45 IV. A IoT (Internet of Things) se fortaleceu por volta de 2013, com o uso de várias tecnologias, tais como: internet, sistemas microeletrônicos e mecânicos, programação embarcada e comunicação wireless, GPS. a. I e III. b. II e III. c. I, II e III. d. I e II. e. I, II, III e IV. 3. Para Provost (2013), Big Data é um vasto conjunto de dados que sofre vários processamentos até fornecer algum tipo de informação com estrutura de origem e formato. PORTANTO As fontes de onde provêm os dados são estruturadas de banco de dados organizacionais e redes sociais. Com base nas informações dadas e na relação proposta entre elas, é CORRETO afirmar que: a. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. b. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. c. A duas afirmações são falsas. d. A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. e. A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. 46 Referências bibliográficas BARROS, T. Internet completa 44 anos: relembre a história da web. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/04/internet-completa-44- anos-relembre-historia-da-web.html. Acesso em: 3 jun. 2019. CHEN, M.; MAO, S. LIU, Y. Big Data: A Survey. 2014. 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Resolução: a afirmação está INCORRETA, pois, considerando a afirmação de Marr, o termo existe há algum tempo e ainda há muita confusão relativa ao significado. O conceito sempre está evoluindo e se modificando, pois é uma das grandes forças motrizes da transformação digital. Portanto, Big Data está relacionado com a coleta de dados e a capacidade de uso para obter vantagem em diversas áreas, incluindo negócios (MARR, 2019a). Questão 2 – Resposta E. Resolução: todas as afirmações estão corretas e as evoluções contribuíram para o surgimento do Big Data de uma certa forma. Consulte a Leitura Fundamental para maiores informações. Questão 3 – Resposta C. Resolução: a primeira afirmação é verdadeira, mas a segunda é falsa. As fontes de onde provêm os dados são as mais diversas possíveis, simplificaremos, em dispositivos diversos, dados estruturados de banco de dados organizacionais e dados não estruturados que circulam pelas redes sociais e muitos outros. 48 Sistemas Ciber-físicos: aplicações e processos físicos Autor: Cristiano Marçal Toniolo Objetivos • Os conceitos de sistemas ciber-físicos, quais suas aplicações e como podemos reconhecer estes sistemas nosdias de hoje. • Analisar alguns sistemas computacionais que podem ser integrados aos sistemas ciber-físicos. • Entender como estes sistemas podem automatizar processos físicos para que se possa ganhar em produtividade e processos. • o -~ ,qj ,<\_ ,t::: ~ - " 'é ::Q<u Informação 0 • Sistemas • 1. Introdução Os sistemas ciber-físicos já fazem parte da rotina industrial, e estão chegando às residências com os conceitos de sistemas inteligentes e que tendem a tomar decisões baseados em dados históricos e como aprender com esses dados. Neste tema, saberemos mais o que são estes sistemas e como eles podem nos ajudar nos dias de hoje. Os sistemas ciber-físicos já são usados em indústrias e fazem parte da quarta revolução industrial chamada de Indústria 4.0, ou seja, essa revolução utiliza os conceitos e aplicações dos sistemas ciber-físicos para que possa obter sucesso na produtividade das empresas. Nas residências, o uso de equipamentos e eletrodomésticos inteligentes conectados à internet, fazem parte de sistemas ciber-físicos, pois eles entendem a necessidade de um indivíduo. Dessa forma, podem fazer a reposição de produtos que estejam em falta na geladeira, por exemplo. Segundo E-Aware (2019, [s.p.]), “sistemas ciber-físicos são sistemas computacionais e colaborativos os quais as operações são monitoradas, coordenadas, controladas e integradas por núcleos de comunicação e computação”. Isso se dá pela integração destes processos que permite o acesso em qualquer lugar, dos dados que são usados e processos pelos sistemas com o uso de algoritmos de computador com acesso à internet. A Figura 1, mostra um esquema de como estes processos estão integrados: Figura 1 – Integração das operações dos sistemas ciber-físicos Fonte: <https://www.eaware.com.br/sistemas-ciber-fisicos-a-nova-revolucao/>. Acesso em: 18 mar. 2019. 50 https://www.eaware.com.br/sistemas-ciber-fisicos-a-nova-revolucao/ PARA SABER MAIS O conceito de sistemas ciber-físicos, é descrito por vários autores e com várias considerações, mas suas aplicações são consenso, seja ele de qual ramo industrial for. Assim, para que você possa assimilar cada vez mais o que são e onde são aplicados, além de uma passada pelo histórico das revoluções industriais, acesse o link a seguir de um artigo bem completo sobre o que são estes sistemas (OBERHAUS, 2016). Simplificando esta definição, podemos dizer que estes sistemas com softwares embarcados, que permitem que os dados de sistemas instalados em ambientes físicos sejam medidos por meio de sensores e depois de processados, são alterados por seus atuadores. Isso nos mostra que os sistemas ciber-físicos são diferentes de outros tipos de sistemas, principalmente os sistemas de computadores, pelo simples fato de que seus dados processados podem ser reutilizados para melhoria nos processos, enquanto os sistemas computacionais só realizam os processamentos nos computadores. Dessa forma, com a chegada a Indústria 4.0, o uso de sistemas inteligentes passou a ser mais utilizado. Mas o que são os sistemas inteligentes? São sistemas que tem como característica principal estudar os processos do pensamento humano, e por consequência, recriar estes processos por meio de computadores e robôs. Na indústria, por exemplo, começou-se a usar estes recursos para que os processos de produção pudessem se tornar rápidos e automatizados (SANTOS, 2019). 51 ASSIMILE A quarta fase da Revolução Industrial é chamada, por alguns autores, de revolução do conhecimento e da comunicação, em que o conhecimento é usado para obter vantagem competitiva perante seus concorrentes, e a comunicação que permite usar os recursos atuais para que se alcance o objetivo maior das empresas que é a lucratividade. Como podemos percerber, de uma indústria que não tinha controle de seus processos de fabricação, estamos chegando a uma indústria que tem por finalidade controlar e registrar os dados dos seus processos a medida em que são processados. Para isso, são usados sistemas inteligentes embarcados em máquinas e dispositivos que permitem fazer esse controle de forma mais eficaz, retornando dados que antes eram obtidos por funcionários por meio de marcações em folhetos ou planilhas alimentadas manualmente. Porém, ainda não com uma certa falta de controle externo e poder de alteração dos processos com os dados obtidos. Posteriormente, a indústria chega a fase da inclusão de redes de computadores para fazer com que o processo se tornasse ainda mais controlado. Essa inclusão das redes, fez com que sistemas de produção com CAD, CAM e CAE, pudessem se tornar realidade e aumentasse ainda mais o poder de produção das empresas. CAD é a sigla de Computer- Aided Design ou seja, Projeto Apoiado por Computador, que nada mais é do que o uso de computador na fase de desenho dos projetos. CAM vem de Computer-Aided Manufacturing, que é a fase de manufatura auxiliada por computador, em que a manufatura é executada por máquinas com controle numérico e ligadas em rede. CAE é a sigla para Computer-Aided Engineering, ou seja, Engenharia Auxiliada por Computador, em que a engenheria é apoiada pelo uso de softwares que permitem a análise do processo de produção, também simular o uso de elementos finitos, dinâmica de fluídos entre outros (LEÃO, 2019) 52 Agora, esses sistemas estão mais produtivos, mais rápidos e mais conectados em rede, além de os gestores com um grande controle sobre os dados de seus resultados. Estes dados, entretanto, ainda não eram disponibilizados com outras empresas, sejam elas do mesmo grupo ou aquelas que têm seus recursos financeiros em outros países e em empresas que gerenciam os seus valores. Assim que surgiu a necessidade de expansão para outras áreas que não somente a produção, a Indústria 4.0 permitiu que estes sistemas pudessem, agora, fazer parte de um grande sistema conectado à internet, onde os dados podem ser armazenados em servidores espalhados pela internet (nuvem) e analisados (Big Data) em escritórios das empresas que estejam em outros países, para que o retorno ao processo de produção seja quase que instantâneo. A partir dessa ótica, os sistemas ciber-físicos precisam de uma infraestrutura que permita que estes sistemas se conectem em rede, chamada de IIoT ou Internet Industrial das Coisas. 2. Internet Industrial das Coisas (IIoT) A Internet Industrial das Coisas tem sua base pautada na Internet das Coisas, que é a capacidade que máquinas e equipamentos industriais teriam para se comunicar com outros dispositivos pela internet. Podemos citar alguns exemplos como geladeira inteligente, sistema de exames médicos inteligentes e assim por diante. Segundo o site HBM (2019, [s.p.]), “a tecnologia RFID (Radio Frequency Identification – Identificação por Radiofrequência) é a base tecnológica da IoT”, ou seja, com esta tecnologia, pode-se fazer com que produtos e equipamentos tenham uma identificação que não será igual a nenhum outro existente em uma rede. Com isso, este tipo de identificação permite: 53 • Informação individual gravada diretamente no objeto. • Rede dos objetos conectados à internet. • Tomada de decisões baseadas em informações avaliadas localmente. • Controle dos processos em tempo real. A imagem da Figura 2 ilustra como a Internet das Coisas está chegando aos mais diferentes lugares e como pode facilitar em muito a nossa vida. Figura 2 – Exemplo de ambiente com o uso da Internet das Coisas Fonte: ArchiViz/iStock.com. Perceba na imagem que os dispositivos integrados, como a geladeira e fogão, têm sistemas embarcados integrados (IoT), o que permite controlar dados sobre os alimentos, temperatura do cozimento, além de obter dados da saúde do proprietário da residência, inclusive sugerir atendimento médico. Essa é a Internet das Coisas, pronta para unir os dispositivos com sistemas da vida real,e obter avaliações com os dados enviados a estes sistemas. 54 https://ArchiViz/iStock.com Outro exemplo de Internet das Coisas são os sensores para agricultura, em que diversos tipos podem ser conectados. A partir da análise de dados coletados do solo ou da temperatura, esses sensores podem fazer com que atuadores executem a irrigação do solo ou deixem a temperatura estável em uma estufa, além de enviar estes dados para um sistema de monitoramento que pode gerar um histórico para futuras alterações. Na Figura 3, vê-se um drone para agricultura, que pode ser usado para diversas atividades na área, como análise de pesquisa, resgate, segurança, varredura de terreno e tecnologia, monitoramento de hidratação do solo, rendimento. Os dados coletados podem ser enviados para o fazendeiro ou profissional qualificado que analisa as informações, ou para um sistema inteligente conectado às máquinas para definir trajeto, quantidade de sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, irrigação, entre outros. Por exemplo, um sitema como este, pode fazer o controle da quantidade de fertilizante, que é adicionado ao solo, e também o controle e o mapeamento da área a ser fertilizada, para que em outras ações de fertilização, as máquinas possam trabalhar sem o auxílio do operador. Figura 3 – Drone para agricultura Fonte: Ekkasit919/iStock.com. 55 https://Ekkasit919/iStock.com Já a Internet Industrial das Coisas (IIoT) tem como objetivo integrar estes dispositivos, conectados à rede da empresa com o RFID, como todos os outros sistemas que estão conectados à Internet. Como definção temos: [...] uma rede de pequenos objetos se comunicando via internet. Para isso, eles trocam dados em tempo real transmitindo informações sobre seus respectivos status, como seu meio ambiente, aplicação atual, deterioração, origem ou destino. Permite que processos técnicos, incluindo seus recursos e processos de negócios através de diferentes níveis de produção e empresas, bem como sistemas de informação, comunicação, controle e gerenciamento sejam conectados entre si. Mundos virtual e real se tornam um só, permitindo que as empresas aproveitem o aumento da eficiência, redução de custos e utilização otimizada de recursos. (HBM, 2019, [s.p.]) Dessa forma, entende-se que o conceito de sistemas ciber-físicos está totalmente baseado na Internet Industrial das Coisas, pelo fato de que todo o processo de evolução da indústria, desde a primeira fase da Revolução Industrial até os dias atuais, estão nos mostrando cada vez mais que o caminho é o uso da tecnologia. A Figura 4 ilustra uma análise e controle da linha de produção de uma indústria. Figura 4 – Análise de produção por dispositivo móvel Fonte: metamorworks/iStock.com. 56 https://metamorworks/iStock.com A cada equipamento ou etapa do processo, há um sensor que permite ao funcionário fazer o acompanhamento do estado de cada um deles em relação à etapa do processo, quando haverá parada para manutenção, por exemplo. A IoT também permite controlar a produção final do período em avaliação, fazer análise e retroalimentação dos dados coletados durante o processo de produção. Para que este controle e/ou acompanhamento de produção seja possível, são necessários diversos sistemas computacionais integrados aos processos físicos. 2.1 Integração de sistemas computacionais aos processos físicos A integração de sistemas surgiu da necessidade das empresas em ter os dados de todos os seus sistemas disponibilizados para todos os outros sistemas, ou seja, ainda existem empresas que, para suprir a necessidade de determinado setor, adquirem sistemas específicos para ele. Exemplo disso é quando adquirem um sistema de controle de estoque que ficará instalado em um computador dentro do setor de estoque, assim como o financeiro adquire um sistema que ficará somente para o setor financeiro. Anteriormente, poderia ser uma boa ideia fazer dessa forma, mas hoje, há a necessidade de estes setores trocarem informações. Essa medida acarretava em diversas horas de trabalho para, por exemplo, gerar um relatório onde se reúnam os dados de todas as entradas de saídas de notas fiscais para um determinado fornecedor e um determinado cliente. Para isso, foram criados processos, técnicas, softwares e até empresas especializadas em integração de sistemas, com o objetivo de fazer com que os sistemas chamados legados da empresa se interliguem, de forma que todos os dados e banco de dados se tornem um só para que as tomadas de decisões sejam mais precisas. Além disso, permitiu a disponibilização destes dados para acesso via Internet, o que da forma antiga, não haveria condições de realizar. 57 CLP mestre ClP escravo ··-.. ·-lnversor ,de Interface ~ frequência remota de ·- l i IHM E/ S. lru c::i .1 . Compactlogix.-'" PROFIBUS• DP Neste momento, vamos imaginar a integração de sistemas relacionados à Indústria 4.0, em direção aos sistemas ciber-físicos. Qual a complexidade de se integrar estes sistemas? Quanto tempo se leva para essa integração? Essas são perguntas que cada vez mais estão ligadas a aplicação em cada empresa, ou seja, dependendo de seu tamanho, pode ser mais rápido ou mais demorado, também depende da equipe de integração, quanto mais experiente, mais rápido o a integração acontece. Observe o seguinte: se cada objeto conectado na rede de computadores da empresa tem um RFID que permite encontrá-lo e obter seus dados, primeiramente, é preciso criar um sistema que possa integrar todos estes objetos em uma só rede. Para isso, podemos empregar o modelo de rede usado para engenharia chamado de PROFIBUS, como na figura a seguir. Figura 5 – Exemplo de rede Profibus Fonte: Freitas (2016). Observe que é possível conectar vários equipamentos na rede e, que cada um deles tem um meio de comunicação, ou seja, dentro da IoT. O próximo passo é a integração dos sistemas de cada equipamento, ou a criação de um sistema que permita obter os dados necessários para a análise do processo de produção. Isso nos permite medir eficiência, quantidade produzida, tempo de parada, qualidade de produção e segurança. A próxima etapa da integração é a garantia de que estes dados serão armazenados em um banco de dados que seja seguro e que 58 possa recuperar os dados para análise por parte de outros setores da empresa. Aqui, podemos abordar dois conceitos dos sistemas ciber-físicos que tem bastante ligação com a integração, que são o armazenamento em nuvem e o conceito de Big Data. O armazenamento em nuvem é realizado em sistemas de banco de dados que estão disponibilizados na internet. O esquema de armazenamento é representado sempre por uma nuvem, pois permite o acesso de qualquer parte do mundo apenas com uma conexão segura com a internet. Big Data é um conceito relativamente novo, que permite realizar análises com grandes quantidades de dados a partir de grandes bases de dados na nuvem. As grandes empresas usam grandes quantidades de dados particulares, permitindo uma tomada de decisão muito mais rápida do que qualquer outro concorrente que ainda esteja resistente em colocar seus dados na internet. Na Figura 6, podemos ver como o armazenamento na nuvem pode ser entendido. Veja que todos os componentes ao redor da nuvem podem estar relacionados à comunicação e mais importante, recuperar dados gravados em bancos de dados com facilidade e segurança. Figura 6 – Armazenamento em nuvem Fonte: bluebay2014/iStock.com. 59 https://bluebay2014/iStock.com Como visto, temos os dados que desejamos extraídos dos equipamentos, máquinas e outros objetos conectados em rede. Após isso, todos estes dados são enviados para o banco de dados da empresa que irá permitir o acesso para cada setor fazer a sua análise dos dados. Neste caso, pode-se fazer a análise por meio de sistemas específicos ou por ferramenta de Big Data.Neste momento, a integração chega ao ponto de integrar os dados da empresa com os sistemas dos fornecedores da empresa. Mais um grande trabalho que demanda tempo e mão de obra para ser realizado. Exemplos desse tipo de integração são as montadoras de automóveis, que tem o seu sistema integrado com os sistemas de seus fornecedores para que o processo de produção não fique paralisado por falta de peças na linha de produção. Figura 7 – Linha de produção genérica de uma montadora de automóveis Fonte: Carvalho (2017). Nas linhas de produção modernas das montadoras, existem robôs que são encarregados de abastecer com as peças, os setores em que os carros passam para serem montados. Estes robôs têm sistemas 60 ciber-físicos que permitem analisar qual o tempo necessário para repor as peças na bandeja de peças e qual o modelo de carro que está sendo montado, pois eles se alternam na linha de produção. Sistemas parecidos são usados em diversos outros segmentos da indústria, exemplificado na Figura 8. Figura 8 – Robôs abastecendo a linha de montagem de uma grande montadora Fonte: <https://www.mercedes-benz.com.br/resources/media/releases/gallery/original/ mig-13366-5.jpg>. Acesso em: 24 mar. 2019. Assim, podemos concluir que o processo de integração dos sistemas ciber-físicos passa por várias fases até chegar ao seu ponto máximo, que são todos os sistemas integrados e funcionando corretamente. Alguns exemplos de sistemas computacionais integrados a processos físicos são mostrados a seguir para ilustrar todo o processo de integração. O primeiro deles está relacionado ao ambiente rural, onde foi desenvolvido um sistema para o monitoramento de parâmetros físico-químicos da água e para análise ótica de gotejadores. Com isso, foi possível que a análise destes dois parâmetros pudesse ser realizada por meio de um sistema mostrando os dados em tempo real, com uma interface gráfica amigável (VOLTAN, 2015). 61 https://www.mercedes-benz.com.br/resources/media/releases/gallery/original/mig-13366-5.jpg https://www.mercedes-benz.com.br/resources/media/releases/gallery/original/mig-13366-5.jpg TEORIA EM PRÁTICA Como profissional de Engenharia ou de Computação, você foi contratado para iniciar um projeto de sistemas ciber- físicos, mas a empresa pouco conhece sobre o assunto, por isso, foi decidido que você faça uma apresentação para todos os interessados sobre o tema. Deverão ser usados recursos audiovisuais para esta apresentação. Como você abordaria este tema? Quais as características do tema que mais chamariam a atenção dos interessados? Como você “venderia” o projeto de sistemas ciber-físicos para os interessados, a fim de convencer as pessoas contrárias à modernização de que este é um caminho necessário? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Sistemas podem ser considerados um conjunto organizado de partes que compõem o todo. O que são sistemas ciber-físicos? a. São sistemas físicos que permitem a comunicação da internet com as máquinas. b. Estes sistemas materiais permitem que possamos nos comunicar via internet. c. Sistemas com os quais podemos comunicar com a internet e com as máquinas da empresa. d. São sistemas computacionais que integram e controlam os processos das empresas. e. Sistemas matemáticos que permitem a comuncação das empresas usando a internet. 62 2. A Internet das Coisas pode ser considerada a interconexão de objetos através da internet. Qual a base da Internet Industrial das Coisas (IIoT)? a. A Internet Industrial das Coisas e tecnologia chamada de RFID. b. As comunicações via Rede ProfiBus. c. AS comunicações via rede e Internet das Coisas. d. Rede Profibus e a tecnologia RFID. e. A Internet das Coisas e sua tecnologia chamada de RFID. 3. Como sabemos que chegou a hora de integrar os sistemas legados da empresa? a. Cada empresa sabe quando deve integrar seus sistemas, mas normalmente não serve para muita coisa. b. Quando a empresa vê a necessidade de um setor comunicar seus dados com outro setor para que sejam realizadas análises mais detalhadas. c. Quando existe a necessidade de integrar os dados para que fiquem em um lugar somente, centralizar os dados. d. Quando uma empresa enxerga vários sistemas que estão desconectados uns dos outros para depois os integrar, que deveria ter feito antes da compra. e. Todos os sistemas legados devem ser integrados com a simples finalidade de armazenamento em um só local. 63 Referências Bibliográficas CARVALHO, Isadora. 2017. Como funciona uma linha de montagem de automóveis? Quadro Rodas, [s.l.], 1 de maio de 2017. Disponível em: <https://quatrorodas.abril. com.br/noticias/como-funciona-uma-linha-de-montagem-de-automoveis/>. Acesso em: 22 jul. 2019. E-AWARE. Sistemas Ciber-físicos: A Nova Revolução. E-Aware, [s.l.], 12 de setembro de 2016. Disponível em: <https://www.eaware.com.br/sistemas-ciber-fisicos-a- nova-revolucao/>. Acesso em: 30 set. 2019. FREITAS, C. M. 2016. Fundamentos e aplicações do protocolo Profibus. Embarcados, 5 de agosto de 2016. Disponível em: <https://www.embarcados.com.br/ fundamentos-protocolo-profibus/>. Acesso em: 22 jul. 2019. HBM. Tudo se Comunica: A Internet Industrial das Coisas nas Indústrias de Manufatura. HBM, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: <https://www.hbm.com/pt/6264/a- internet-industrial-das-coisas/>. Acesso em: 23 mar. 2019. LEÃO, Lucas. CAD, CAE e CAM: qual a diferença? 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Resolução: isso se deve ao fato de que os sistemas ciber-físicos são a base da Indústria 4.0 e permitem essa integração com a infraestrutura chamada de Internet Industrial das Coisas. 64 https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/como-funciona-uma-linha-de-montagem-de-automoveis/ https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/como-funciona-uma-linha-de-montagem-de-automoveis/ https://www.eaware.com.br/sistemas-ciber-fisicos-a-nova-revolucao/ https://www.eaware.com.br/sistemas-ciber-fisicos-a-nova-revolucao/ https://www.embarcados.com.br/fundamentos-protocolo-profibus/ https://www.embarcados.com.br/fundamentos-protocolo-profibus/ https://www.hbm.com/pt/6264/a-internet-industrial-das-coisas/ https://www.hbm.com/pt/6264/a-internet-industrial-das-coisas/ https://www.4ieng.com.br/single-post/2017/03/16/CAD-CAE-E-CAM-Qual-a-diferenca-entre-eles https://www.4ieng.com.br/single-post/2017/03/16/CAD-CAE-E-CAM-Qual-a-diferenca-entre-eles https://panoramainovador.wordpress.com/2016/02/25/essa-e-a-cara-da-quarta-revolucao-industrial/ https://panoramainovador.wordpress.com/2016/02/25/essa-e-a-cara-da-quarta-revolucao-industrial/ https://panoramainovador.wordpress.com/2016/02/25/essa-e-a-cara-da-quarta-revolucao-industrial/ https://sssantos.wordpress.com/2007/11/12/sistemas-inteligentes/ https://sssantos.wordpress.com/2007/11/12/sistemas-inteligentes/ https://repositorio.unesp.br/handle/11449/133985 https://repositorio.unesp.br/handle/11449/133985 Questão 2 - Resposta E. Resolução: o RFID é a tecnologia que permite quea Internet das Coisas possa funcionar, pois cada equipamento terá um código individual que permitirá saber onde cada equipamento está e quais dados podemos encontrar nele. Questão 3 - Resposta B. Resolução: a integração depende de cada empresa e suas necessidades, normalmente como acontece em saber quais os dados cada setor produz para que estes possam ser analisados por outros setores e, assim, as tomadas de decisão fiquem mais precisas, além de poder disponibilizar estes dados na internet para as filiais ou outras empresas. 65 Cloud computing e Big Data Autor: Aimar Martins Lopes Objetivos • Compreender o que é cloud computing. • Capacitar e analisar os modelos de serviços e implantação de nuvem. • Descrever a relação da computação em nuvem com o Big Data. • Conhecer os desafios do Big Data na computação em nuvem. ~ @l $ Cklud lntllf'Mt lntirrnttof Comput1ns -(loT) A A ~ ãljã a=D - . ~ D•taStoroge ...... - ~ (i;~ í) ~ rã! º ~ TKhl'K>lOCY B\ISlnn'I StatistlCs 9. e ~ ~ 1..1., e::;, Oownlo.td u- s p * 1 Globel NetWOf"k 0.labau ~ A~ ~- Cornmuni,c;.,t1on Connectiorl ~ Q) _, Son,icn 0.l•S.f•ty @ ~ rfiJ S.Wto(loud s .. nh iffl 0..-U ........... ~~ ~~ -Svnchn:wllz•tion i Dat• s«urit't' <:) ~ ! €E~ ~~ O.USharlna ~ Fole -· © ClaudÃcCK1i Q:, Wnlns • CLOUD COMPUTING @ ffi V•ttor kon, • EP5 IO 1. Computação em nuvem (cloud computing) O termo computação em nuvem, em inglês cloud computing, ou simplesmente cloud, é utilizado por profissionais e usuários finais para tudo que pode ser conectado dinamicamente de forma onipresente e conveniente à web service (serviços de internet). O serviço compartilha um conjunto de recurso que pode ser utilizado e configurado com esforço mínimo (NIST, 2019). A computação em nuvem é caracterizada por acesso global, mobilidade, infraestrutura, plataforma padronizada, escalabilidade e gerenciamento de serviços. Uma definição bem abrangente para computação em nuvem se refere ao modelo de negócio que tem como base a tecnologia da informação, que fornece serviço pela internet com o uso de hardware e software configurado sob demanda pelos clientes, independente do dispositivo de acesso, localização, escala dinâmica, qualidade, provisionamento rápido, compartilhamento, virtualização e interação (MADHAVI, TAMILKODI, JAYA, 2012). A Figura 1 mostra alguns elementos fornecidos pela computação em nuvem. Figura 1 – Computação em nuvem Fonte: Yuriy Bucharskiy / iStock. 67 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/Benvenuto_Cellini?mediatype=illustration Os diversos serviços prestados, geralmente, são pagos de acordo com seu uso, ou seja, pay-per-use. Como os recursos são flexíveis, o usuário pode reduzir ou aumentar o uso de forma rápida e fácil, pagando pelo uso. O fornecedor deve ter critérios claros de medição. O aumento ou a redução é por autosserviço, o usuário final é quem faz o acesso e configura o serviço. Os recursos da nuvem, aos quais chamaremos de serviços, possuem as estruturas computacionais de hardware e software instalados em locais distantes dos usuários finais e operados por fornecedores especializados. O acesso é realizado, principalmente, por web browser, mas também por dispositivos móveis. Os modelos de serviços são quatro: • SaaS – Software as a Service, fornecimento de software (aplicações) e dados como serviço na internet: podem ser acessados de qualquer lugar e não há risco de perda de informação se seu computador quebrar ou acabar a energia. • PaaS – Platform as a Service, fornecimento de plataforma como serviço: estruturas de desenvolvimento de aplicações são disponibilizadas para desenvolvedores construírem novas aplicações. Não há necessidade da compra de hardware e software, o ambiente disponibilizado possui as ferramentas necessárias para o ciclo de vida da aplicação, do desenvolvimento até a entrega. • IaaS – Infraestructure as a Service: os fornecedores, chamados de provedores, disponibilizam recursos computacionais, tais como servidores, armazenamento, software, rede e espaços físicos, que são pagos de acordo com a demanda. • DaaS – Desktop as a Service, desktop virtual como serviço: mais incomum que os demais, o usuário final pode hospedar serviços de computador individual na nuvem de computação. Por ser mais incomum, não trataremos dele aqui. Esses modelos serão vistos com mais detalhes na Figura 2, que apresenta uma definição básica deles. 68 On- Premises Applications Data Runtime Middleware Vi rtua I ization Servers Storage Networking li nfrastructu re as a Service Applications 1 Data 1 Runtime 1 Middleware 1 0/S 1 Virtualization 1 Servers 1 Storage 1 Networking 1 Vou Manage 1 Platform as a Service Applications Data Runtime ------ Middl,eware Virtualization Servers Storage Networking Software as a Service Applications Data Runtime ---------- Middleware Virtualization Servers Storage Networking Other Manages Figura 2 – Computação em nuvem – diferentes modelos de serviços Fonte: https://www.lastline.com/blog/how-cloud-computing-enables-and-threatens- organizations-digital-transformation/. ASSIMILE Para a AWS (Amazon Web Service), um dos maiores provedores de computação em nuvem do mundo, os fundamentos da computação em nuvem oferecem acesso rápido a recursos de TI flexíveis com baixo investimento e custo mensal, não há atividades de manutenção e gerenciamento da infraestrutura. O cliente escolhe o serviço e tamanho correto de recursos computacionais necessários. Todos os recursos estão quase instantaneamente disponíveis, e só é pago o que foi usado (AWS, s/d). 69 https://www.lastline.com/blog/how-cloud-computing-enables-and-threatens-organizations-digital-transf https://www.lastline.com/blog/how-cloud-computing-enables-and-threatens-organizations-digital-transf A computação em nuvem pode ser implantada de formas variadas, privada, pública ou híbrida, conforme será abordado a seguir. 1.1 Modelos de serviços na nuvem Por serem os mais comuns, utilizados e complexos, abordaremos com um pouco mais de detalhes o SaaS, PaaS e IaaS. SaaS – Software como serviço, corresponde ao serviço mais próximo do usuário final. Os aplicativos são executados na nuvem, podendo ser configurados pelo cliente de acordo com sua necessidade. A esse processo de configuração, denomina-se customização. Os aplicativos e demais serviços devem estar disponíveis para acesso via navegador web browser 24h por dia. Os provedores que disponibilizam acesso aos serviços de vários tipos de dispositivos possuem mais vantagens competitivas. À medida que o usuário necessita de mais ou menos serviço ou acrescentar um novo, isso pode ser realizado de forma transparente pelo provedor, como também toda a manutenção e atualização dos aplicativos tornam as atividades fáceis de executar. Além dessa escalabilidade, estão inclusos o arquivamento dos dados, a segurança e o fornecimento das licenças de software. A Figura 3 ilustra alguns serviços de computação de nuvem. Exemplo: Salesforce, Dropbox, e-mails diversos, AWS Marketplace, ERP – ERPflex, Google Apps, Microsoft Sharepoint e muitos outros, inclusive os aplicativos legados das organizações que são disponibilizados na nuvem. 70 Cloud Storage - Data Protection CII - ca ca Figura 3 – Serviços de computação em nuvem Fonte: invincible_bulldog / iStock. PaaS – Plataforma como Serviço, geralmente é referenciada como um serviço de camada intermediária do modelo de computação em nuvem. É composta de hardware, computador virtual e software utilizado para o desenvolvimento de aplicações, entre eles banco de dados, sistema operacional, armazenamento de dados, serviços de comunicação, framework de desenvolvimento, etc. Esse serviço facilitou e tornou acessível ferramentas a custo competitivo para os desenvolvedores.Não é necessário adquirir hardware nem software para desenvolvimento, teste, implantação, compartilhamento de banco de dados, hospedagem e manutenção de aplicativos. A grande vantagem competitiva está na integração e no compartilhamento sob medida oferecidos pela internet. Exemplo: Windows Azure, Google App Engine, IBM Softlayer, Oracle Cloud. 71 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/invincible_bulldog?mediatype=illustration IaaS – Infraestrutura como serviço é a base do sistema computacional, composta por hardware e software que sustentam as plataformas e os aplicativos, baseada na virtualização dos recursos computacionais escalados dinamicamente. Toda essa infra pode estar espalhada em várias regiões geográficas. Alguns provedores resumem esse serviço em fornecimento de armazenamento e processamento. O usuário não precisa se preocupar com manutenção, compra, depreciação, segurança, espaço físico, etc. Como os demais serviços descritos, o IaaS possui escalabilidade dos serviços com o pagamento do que foi utilizado, dispensa a despesa e complexidade da aquisição e o gerenciamento de servidores e infraestrutura de data center. Exemplo: Amazon EC2, Rackspace hosting, EMC, Eucalyptus, IBM cloud. O Amazon Elastic Compute Cloud (Amazon EC2) é um serviço da AWS de processamento computacional sob demanda, projetado para computação em escala na nuvem. A interface de configuração é simples e de fácil operação. O serviço Amazon EC2 permite escalabilidade, em minutos pode-se inicializar novas instâncias de servidor, tanto para mais ou para menos, de acordo com a necessidade. O cliente paga somente o serviço utilizado. No pacote de serviço do Amazon EC2 também estão incluídas ferramentas para criar aplicativos resistentes a falhas (AMAZON, 2019). 1.2 Modelos de implantação na nuvem A computação em nuvem também é classificada de acordo com sua implantação. Os modelos mais utilizados são nuvem privada, pública e híbrida. Vamos conhecer um pouco melhor cada um deles. Nuvem privada – Neste modelo, a infraestrutura pode estar instalada remotamente ou local, pode ser alugada ou proprietária e pode ser 72 gerenciada por terceiros ou pela organização usuária, contudo, toda a infraestrutura é dedicada para uma única organização. Quando a operação e o controle de acesso são da equipe de TI da organização, a qualidade do serviço e a segurança também é de sua responsabilidade. Este modelo encarece e dificulta a operação contínua dos serviços, no entanto, a organização detém todo o controle da configuração da nuvem para atender a seus requisitos específicos. São indicados por terem maior flexibilidade e segurança. Os usuários mais comuns são bancos, grandes multinacionais, governo, organizações de operação crítica, etc. Nuvem pública – Neste modelo, a infraestrutura pertence ao provedor dos serviços para o público em geral. São ofertados por rede pública de comunicação de dados, geralmente internet, e podem ser acessados por quem desejar utilizar. Os serviços são caracterizados por componentes de TI instalados, gerenciados e disponibilizados pelo provedor, possuem configurações padrão genéricas, em sua maioria carecendo de restrições reguladas e segurança elevada. Os recursos são compartilhados pelos usuários de mesmo serviço, não são exclusivos como na nuvem privada. Os serviços podem ser acessados por todos os funcionários da organização que os contratou de qualquer lugar. Exemplo: MS Azure, serviços de e-mail, Google, AWS – Amazon, etc. Nuvem híbrida – A nuvem híbrida usa a nuvem privada em combinação com a pública, possibilitando um ambiente de vantagem de ambas as opções que pode ser aproveitado pela organização. Quando a organização usa a nuvem privada, ocorre um isolamento dos demais recursos de TI, o que vai demandar cargas de trabalho entre base de dados, aplicativos, etc. A estratégia adotada pelas organizações é disponibilizar na nuvem privada as aplicações críticas, as de dados mais sensíveis, as que 73 requerem mais segurança, as financeiras e, na nuvem pública, as de baixa segurança, como consulta de site, e-mail, etc. Complementam a estratégia, o custo, a segurança, disponibilidade, velocidade e os recursos disponíveis. Resumidamente, o uso da computação em nuvem se justifica, principalmente, por redução de custo, aumento de produtividade e conveniência. Todos os dados e aplicativos ficam armazenados na nuvem e não no notebook ou desktop, ou ainda no celular. Pela internet, o usuário encontra a conveniência de acessar e utilizar os serviços com diferentes aplicativos, em diferentes locais, sem se preocupar com backups ou atualização de aplicativo, tudo isso quem faz é o fornecedor da nuvem. 2. A relação da computação em nuvem com o Big Data A computação em nuvem permite acesso de recursos onipresente, de acordo com a necessidade e demanda de recursos de computação que podem ser configurados rapidamente com pouco esforço de gestão do provedor de serviços. O Big Data, para cumprir seus objetivos, requer uma gama de recursos poderosos, servidores, banco de dados, ferramentas que coletam, classificam e processam grande volume e variedade de dados em formatos diferentes com alta velocidade. O Big Data é categorizado por classes que reúnem seus componentes. A compreensão dessa estrutura facilita o entendimento da relação da computação em nuvem com Big Data. Na Figura 4 abaixo, apresentamos as cinco classes do Big Data. 74 • banco de dados local • sensores • loT • estruturado • não estruturado • semiestruturado • orientado a coluna • orientado a documento • chave de valor • limpeza • processamento/ transformação • tempo real • em lote (batch) • web e rede social • transações • gráfico • normalização • armazenamento Figura 4 – As cinco classes do Big Data Fonte: elaborada pelo autor. O Big Data rastreia tarefas de forma paralela pela internet e aloca os resultados em sistema de armazenamento, por exemplo, o HDFS (sistema de arquivos distribuídos, exemplo Hadoop), isso é adequado aos modelos de serviços SaaS, IaaS e PaaS das nuvens. Após essa etapa, os dados são mapeados, ou seja, são divididos em processos paralelos distribuídos, com o objetivo de simplificar os problemas. Na última etapa, os resultados das análises são reduzidos e reunidos novamente no HDFS. Um framework muito conhecido que realiza essa tarefa é o MapReduce (DHABHAI; GUPTA, 2016). 75 ~ Resumidamente, o uso da computação em nuvem no Big Data pode ser descrito como tendo início nas fontes de dados provenientes de bancos de dados e web armazenados em sistemas distribuídos tolerante a falhas (Hadoop), processamento paralelo em larga escala distribuído (MapReduce), análise dos dados e relatórios e, finalmente, a visualização por meio de diferentes gráficos e formas para a tomada de decisão. São exemplo de Big Data em plataforma de nuvem: Google Cloud Services, MS Azure e AWS S3. Conclui-se que as tecnologias da computação em nuvem, Big Data e internet estão intimamente ligadas. Os serviços de Big Data têm crescido rapidamente na computação em nuvem, principalmente pelo uso da tecnologia de virtualização. Toda a tecnologia envolvida na computação em nuvem é adequada para a oferta de um modelo de serviço. Ela é eficiente e eficaz e, definitivamente, é um padrão para integração e fornecimento das inúmeras tecnologias utilizadas para análise de dados. 3. Alguns desafios do Big Data Com o crescimento rápido de novas tecnologias e o já estabelecido serviço de computação em nuvem e Big Data, é primordial que as organizações implementem e amadureçam continuamente o uso dessas duas tecnologias. Os executivos do alto escalão hierárquico das organizações têm sofrido pressão para adoção dessas tecnologias, pois, além de uma questão estratégica de aproximação dos clientes e criação de modelos de negócios associado ao Big Data, há o custo alto de manter as estruturascomputacionais legadas, custo esse que a computação em nuvem pode reduzir. Contudo, o Big Data também precisa romper barreiras; desafios relacionados à demanda cada vez maior ou armazenamento e processamento em alta escala implicam riscos e consequências graves. A seguir, apresentamos alguns pontos relacionados com tais desafios. 76 Disponibilidade dos recursos na nuvem – A solicitação, modificação e atualização dos recursos da nuvem são realizadas de forma rápida, ou seja, os recursos sob demanda estão à disposição. O desafio está no crescimento da demanda de armazenamento e processamento relacionado com a capacidade do provedor e da indústria da tecnologia da informação conseguir atender à demanda no futuro. Escalabilidade do armazenamento – O sistema de armazenamento de dados distribuído e escalável na nuvem é um ponto crítico. A escalabilidade se refere à capacidade de armazenar o volume crescente de dados de maneira confiável. Para isso, as tecnologias de banco de dados são: NoSQL para dados não estruturados (chave-valor, em memória, documento, gráfico e pesquisa) e SQL ou DBMS (Database Management System) para dados estruturados. Integridade de dados – Mantém-se a preocupação que há com os bancos de dados legados que estão na infraestrutura da organização, o que muda é que, no conceito de computação em nuvem, eles estão em algum lugar remoto. A integridade dos dados se refere a perda, modificação, acesso e exatidão. A estrutura da nuvem deve garantir a segurança dos dados, gerenciar os usuários, fornecer proteção física e controlar o acesso. Privacidade – Associado a integridade dos dados na questão do armazenamento, a segurança e a privacidade na computação em nuvem também é um desafio. As informações sobre os níveis de acordo de serviço equivocados (SLA – Service Level Agreement), mais ataques aos sistemas por hackers de diferentes partes do mundo, ataques esses que podem violar dados ou retirar os sistemas do ar, são preocupantes. Para tanto, os provedores de serviços na nuvem instalam sistemas com tolerância a falhas. 77 Qualidade dos dados coletados – O Big Data colhe dados de várias fontes, o problema é que muitas não são conhecidas nem confiáveis e não há maneiras de verificação na maioria delas. Portanto, o volume e a velocidade de crescimento das fontes de dados passam a ser outro desafio, dado ruim vai gerar informação ruim. Variedade dos dados – Apesar de ser uma das características do Big Data, a variedade dos dados e as suas diversas fontes de origem caracterizam um desafio. Com a expansão, a dificuldade de armazenar e tratar dados não estruturados e semiestruturados aumenta, pois eles são indicados para estrutura de armazenamento simples, com pouca hierarquia e muito flexibilidade. Preparação de dados – Após coletar e reunir os dados, é preciso fazer a preparação para que estejam no mesmo formato estrutural. Como as fontes estão cada vez mais diversas, essa preparação está cada vez mais difícil. Seguem algumas fontes: dispositivos móveis, site, blog, rede social, sensores, texto, IoT, imagens e vídeos. Portanto, a preparação, purificação, análise e transposição desses tipos de dados para posterior armazenamento são desafiadoras. Análise de Big Data – A escolha do profissional, bem como os modelos adequados para análise de grandes dados, é perigosa. São necessários profissionais capacitados, comprometidos e de confiança para elaborar os modelos de análise, bem como ferramentas modernas. Como se não bastasse, a taxa de fluxo de dados é constante e ininterrupta em alguns modelos. Nesses casos, é preciso distinguir e montar intervalos para o armazenamento. Segurança de Big Data – As ameaças à segurança são constantes. Os serviços de computação em nuvem precisam de criptografia, algoritmos para gerenciar as chaves de segurança e mecanismo para trocar essas chaves entre os sistemas das organizações envolvidas. 78 PARA SABER MAIS O Apache Hadoop é um framework (estrutura) que executa aplicativos em grandes conjuntos de hardware (clusters). A estrutura é composta de aplicativos que trabalham de forma transparente e confiável o processamento de dados. Possui uma técnica computacional chamada Mapear/ Reduzir (MapReduce). No processamento, o aplicativo é dividido em pequenos fragmentos de código e executado na nuvem em qualquer parte do cluster de hardware. Os dados são armazenados em um sistema de arquivos distribuídos (HDFS), tanto o armazenamento quanto o processamento são realizados de forma distribuída e paralela. O framework também é projetado para ser tolerante a falha, ou seja, a falha é corrigida automaticamente (APACHE HADOOP, s/d). TEORIA EM PRÁTICA Vamos ver um caso de mineração de dados por meio de um serviço de computação em nuvem. Esta mineração foi realizada em uma base de dados do Twitter na nuvem com o uso dos serviços da AWS. Computação em nuvem usada para analisar grandes quantidades de dados no Twitter. O algoritmo Page Rank foi utilizado para obter rankings de usuários da base do Twitter. Os serviços de infraestrutura, armazenamento e processamento de nuvem da AWS foram usados. A hospedagem de todos os cálculos relacionados também. O processo computacional foi realizado em duas fases: na primeira, fase de rastreamento, todos os dados foram recuperados das bases do Twitter; na segunda, o 79 processamento feito pelo algoritmo Page Rank analisava os dados coletados. Durante a fase de rastreamento, foi observado a geração de 50 milhões de nós e 1,8 bilhão de bordas, que significava aproximadamente dois terços da base de usuários do Twitter. Diante do volume, esse é um exemplo de solução relativamente barata para aquisição e análise de dados com o uso de uma infraestrutura de nuvem (HASHEM et al., 2014). Page Rank é um algoritmo para classificar e posicionar sites de acordo com a busca na internet. Qualifica de acordo com a quantidade e qualidade da busca. Realize uma leitura sobre o algoritmo Page Rank para melhor compreensão de seu funcionamento. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. O termo computação em nuvem, em inglês cloud computing, ou simplesmente cloud, é comum ser utilizado por profissionais e usuário final a tudo que pode ser conectado dinamicamente à web service (serviços de internet). Sobre a computação em nuvem, é INCORRETO afirmar: a. A computação em nuvem é caracterizada por acesso global, mobilidade, infraestrutura, plataforma padronizada, escalabilidade e gerenciamento de serviços. b. Um modelo de negócio baseado em tecnologia da informação, que provê serviço pela internet com o uso de hardware e software utilizado sob demanda. 80 c. Os diversos serviços prestados, geralmente, são pagos de acordo com seu uso, ou seja, pay-per-use. d. Os recursos são fixos, o usuário não pode reduzir ou aumentar o uso de forma rápida e fácil. e. O aumento ou a redução é por autosserviço, o usuário final é quem faz o acesso e configura o serviço. 2. De acordo com os modelos de serviços na nuvem, qual afirmativa abaixo é correta? I. SaaS – Software como serviço: corresponde ao serviço mais próximo do usuário final. Os aplicativos são executados na nuvem, podendo ser configurados pelo cliente de acordo com sua necessidade. II. PaaS – Plataforma como serviço: é uma camada intemediária do modelo de computação em nuvem, composta de hardware, computador virtual e software utilizado para o desenvolvimento de aplicações. III. IaaS – Infraestrutura como serviço: é a base do sistema computacional, composta por hardware e software que sustentam as plataformas e os aplicativos, baseada na virtualização dos recursos computacionais escalados dinamicamente. a. I, II e III. b. II e III. c. I e III. d. Somente a II. e. I e II. 81 ~ ~ 3. A computação em nuvem permite acesso de recursos onipresente, de acordo com a necessidadee demanda de recursos de computação que podem ser configurados rapidamente. PORTANTO O Big Data requer uma gama de recursos poderosos, servidores, banco de dados, ferramentas que coletam, classificam e processam grande volume e variedade de dados em formatos diferentes com alta velocidade. Por isso, todo seu processamento deve ser local, sem o uso de serviços de nuvem. Com base nas informações dadas e na relação proposta entre elas, é CORRETO afirmar que: a. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. b. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. c. As duas afirmações são falsas. d. A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. e. A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. Referências bibliográficas AMAZON EC2. Disponível em: https://aws.amazon.com/pt/ec2/. Acesso em: 24 abr. 2019. APACHE HADOOP. Disponível em: https://wiki.apache.org/hadoop#Apache_Hadoop. Acesso em: 23 abr. 2019. AWS. O que é a computação em nuvem. Disponível em: https://aws.amazon.com/ pt/what-is-cloud-computing/. Acesso em: 22 abr. 2019. 82 https://aws.amazon.com/pt/ec2/ https://wiki.apache.org/hadoop#Apache_Hadoop https://aws.amazon.com/pt/what-is-cloud-computing/ https://aws.amazon.com/pt/what-is-cloud-computing/ DHABHAI, A.; GUPTA, Y. K. A Study of Big Data in Cloud Environment with their Related Challenges. IJESC, Índia, v. 6, n. 8., 2016. HASHEM, I. A. T.; YAQOOB, I.; ANUAR, N.B.; MOKHTAR, S.; GANI, A.; KHAN, S.U. The rise of “Big Data” on cloud computing: review and open research issues. Information Systems, v. 47, p. 98-115, 2015. MADHAVI, K. V.; TAMILKODI, R.; JAYA, S. K. Cloud Computing: Security threats and Counter Measures. IJRCCT, v. 1, n. 4, p. 125-128, 2012. NIST. Nist publica versão final de definição de cloud computing. Disponível em: https://chapters.cloudsecurityalliance.org/brazil/2011/11/18/nist-publica-versao- final-de-definicao-de-cloud-computing/. Acesso em: 7 mai. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta D. Resolução: a afirmação está INCORRETA, pois os recursos são flexíveis, o usuário pode reduzir ou aumentar o uso de forma rápida e fácil, pagando pelo uso. Questão 2 – Resposta A. Resolução: as três afirmações estão corretas e compõem os modelos de serviço da computação em nuvem. Questão 3 – Resposta C. Resolução: a segunda afirmação não é verdadeira, pois afirma que o Big Data não pode ser executado na nuvem. Essa é a plataforma mais utilizada para ele. As demais afirmações do Big Data estão corretas. 83 https://chapters.cloudsecurityalliance.org/brazil/2011/11/18/nist-publica-versao-final-de-definicao-de-cloud-computing/ https://chapters.cloudsecurityalliance.org/brazil/2011/11/18/nist-publica-versao-final-de-definicao-de-cloud-computing/ Estruturas de programação em nuvem Autor: Aimar Martins Lopes Objetivos • Compreender o que é computação em nuvem (cloud computing). • Capacitar e analisar os modelos de serviços em nuvem. • Conhecer exemplo de serviço em nuvem. • Caracterizar e diferenciar linguagem de programação. 1. Computação em nuvem A computação em nuvem, ofertada no modelo IaaS, é caracterizada por acesso global, mobilidade, infraestrutura, plataforma padronizada, escalabilidade e gerenciamento de serviços disponíveis na internet, ou seja, a infraestrutura de que a organização necessita, bem como seu gerenciamento, também realizado por terceiros. A organização não tem a preocupação com servidor, processamento, armazenamento de dados, escalabilidade ou qualquer outra infraestrutura. Essa infraestrutura é fornecida pelos serviços de SaaS – Software as a Service, PaaS – Platform as a Service e IaaS – Infrastructure as a Service. A partir dessa condição, o desenvolvimento de aplicativos (software) passa a ser realizado na nuvem com o uso de PaaS, o desenvolvedor não necessita de grande poder computacional, pois toda a necessidade de edição, programação, compilação, execução e disponibilidade de uso é provida pelo serviço na nuvem. A ideia central da programação em nuvem é o fornecimento de software pela internet (SaaS), com o uso de plataforma (PaaS) para desenvolvimento dos softwares e gerenciamento dos serviços, acesso e armazenamento dos dados (IaaS), lembrando que os serviços são executados por terceiros e o mercado oferece várias formas de atendimento (JULA, 2014). Exemplo de PaaS para desenvolvimento de aplicativos são Google Cloud Platform, Windows Azure, IBM Blue Cloud, Joyent (Samsung), Salesforce, AWS Cloud9, Aptana Cloud, Oracle Cloud e outros. Geralmente esses ambientes suportam as mesmas linguagens de desenvolvimento, Java, JavaScript, Python, PHP, .NET, HTML5, Node.JS, Spring, Ruby, etc. 85 ASSIMILE A plataforma como serviço (PaaS) é constituída por computador, equipamentos de hardware, linguagens, sistemas operacionais, ferramentas de desenvolvimento de aplicativos e interfaces de usuário. O provedor fornece requisitos básicos configurados, incluindo o funcionamento do sistema, rede, servidores para o programador desenvolver e disponibilizar aplicativos na nuvem (JULA et al., 2014). Qual seria a vantagem de adotar a programação em nuvem? Além de todos os benefícios da infraestrutura, a computação em nuvem permite elasticidade de forma rápida e segura, pode-se expandir ou ativar novos serviços rapidamente. Por exemplo, em semana de promoção da Black Friday, os consumidores acessam os sites de e-commerce muito mais vezes. Para manter a qualidade do serviço e não perder vendas, os fornecedores rapidamente configuram a infraestrutura de atendimento. Para o desenvolvimento na nuvem, usa-se framework. Nele, geralmente está presente a tecnologia IDE (Integrated Development Environments), que pode ser entendida como um conjunto de aplicativo (software) disposto em uma plataforma de ambiente integrado de desenvolvimento, reunindo recursos para programação, tais como: editor de linguagem, compilador, interpretador ou depurador, etc. A diferença e vantagem é que essa tecnologia permite independência de dispositivo de acesso específico, ou seja, a programação pode ser feita de qualquer lugar e dispositivo. A Figura 1 apresenta uma ilustração dos recursos da computação em nuvem. 86 Figura 1– Recursos da computação em nuvem Fonte: LisLud / iStock (932111998). 2. Arquitetura da computação em nuvem A evolução da computação em nuvem provém da evolução de várias tecnologias, desde as físicas relacionadas com hardware até as lógicas relacionadas com os algoritmos e softwares. Na década de 1980, a ascensão dos microcomputadores e sua evolução na década seguinte também impulsionou a modernização dos mainframes. Anos seguintes, a área de rede local e global se desenvolveram juntamente com a tecnologia cliente-servidor, inclusive com servidor hospedado na internet. Nos anos 2000, a internet se expandiu por todo o mundo e em seguida incorporou várias tecnologias, como o HTTP (Hypertext Transfer Protocol), SMTP (Simple Mail 87 https://www.istockphoto.com/br/portfolio/Benvenuto_Cellini?mediatype=illustration Transfer Protocol), o sistema em hipermídia WWW (World Wide Web), linguagem (HTML, Java, PHP, Python, ASP e outras), armazenamento (MySQL, Postgree SQL, Oracle, Microsoft SQL Server), frameworks de desenvolvimento, API (Application Programming Interface), processamento distribuído e outras tecnologias que permitiram replicar o ambiente local em um ambiente remoto. Essas tecnologias integradas permitem soluções mais produtivas, seguras com compartilhamento de recursos e menor custo. Outras tecnologias compõem esse grupo e caracterizam o ambiente da computação em nuvem. A seguir, apresentamos algumas delas: Arquitetura SOA (Service-Oriented Architecture) – Nessa arquitetura, as aplicações fornecem suas funcionalidades como serviço na web, por meio deprocessamento distribuído/paralelo, instruções de requisição e replicação (request/reply) entre as aplicações e as conexões dos serviços da web, chamadas web services. Nessa arquitetura, os desenvolvedores, para construir o ambiente, geralmente utilizam o protocolo SOAP (Simple Object Access Protocol), a linguagem XML (Extensible Markup Language) e outros. Outra tecnologia é formada pelas linguagens de programação – várias linguagens com diversas características estão à disposição. As aplicações podem ser desenvolvidas com frameworks que facilitam a programação, teste e disponibilidade. Virtualização – Técnica utilizada para separar um ambiente de aplicação e sistema operacional do ambiente físico (hardware). Pode ser aplicada em máquina local ou na nuvem. Uma máquina virtual é caracterizada pela escalabilidade e flexibilidade, o cliente configura e paga sob demanda. Fluxo de serviço – É o conjunto completo das ofertas sob demanda disponíveis na computação em nuvem ofertada com base em diferentes 88 https://pt.wikipedia.org/wiki/SOAP tecnologias de forma automática e transparente. Tem como principal objetivo fornecer um fluxo de trabalho contínuo para o cliente. Armazenamento distribuído – Sem dúvida, a tecnologia responsável pela consolidação de outras, pois com o armazenamento e a recuperação de dados em servidores espalhados pela rede, torna-se possível que os clientes acessem suas informações e gerenciem os serviços sem esforço e com transparência. PARA SABER MAIS A característica elasticidade, primordial na computação em nuvem, também é conhecida como escalabilidade, capacidade de escalar ou reduzir serviços e recursos na nuvem. O cliente altera a configuração do serviço sempre que necessita. Essa flexibilidade torna os serviços atraentes, pois, com boa gestão, a redução de custo é inevitável. Essa característica é adotada pelos provedores mais competitivos da computação em nuvem, o da Amazon chama-se EC2 (Elastic Compute Cloud). 3. Ambiente do desenvolvedor O ambiente de desenvolvimento para o programador está ofertado no serviço PaaS. Os provedores criam ambiente de desenvolvimento de aplicações que atende às necessidades dentro da internet (nuvem). Esse ambiente é composto de ferramentas de layout de aplicação, linguagens, interpretadores e outros suficientes para que uma aplicação seja desenvolvida e colocada em uso pelo serviço SaaS. A esse ambiente ou plataforma, costuma-se denominar framework. A vantagem é que 89 Developer / ISV ••♦ i Data Security Business Apps IDE lntegrated DE!\ 1 >P ni nt Env1ronment Q) o Backup Ap~lic~tion and Recovery ostmg -Scalable lnfrastructure o programador não precisa de computadores poderosos nem banco de dados local para o desenvolvimento, assim ele consegue aumentar a produtividade e mobilidade, ou seja, pode produzir em ambientes mais criativos e confortáveis. A Figura 2 ilustra um ambiente de desenvolvimento, comumente chamado de framework. Figura 2 – Fluxo de programação na internet Fonte: ZOHO, 2019. O desenvolvimento pode ser realizado em ambiente de software livre (open source), geralmente mais simples, sem a necessidade de grande habilidade de programação por parte do desenvolvedor, pois não são muito sistematizados; o Eclipse é um exemplo. Contudo, também há ambiente integrado bem sofisticado com recursos integrados (IDE) em uma só aplicação, ou seja, editor de texto, linguagem, recurso de teste (depuração do programa), gerenciamento de versões e projeto, por exemplo, o MS – Visual Studio. 90 A Eclipse Foundation define sua atuação como a plataforma aberta de inovação e colaboração de provimento global para sua comunidade e organizações por meio de um ambiente maduro, escalável e comercialmente amigável de software aberto de colaboração e inovação (ECLIPSE, s/d). A Microsoft anuncia em sua página que possui o melhor conjunto de ferramentas para desenvolvedor, formado por: IDE Visual Studio, Code Visual Studio, Azure DevOps e Visual Studio App Center (MICROSOFT, s/d.(b)) ASSIMILE Um framework reúne estruturas semelhantes de linguagens de programação diferentes em um único software, com o intuito de criar uma função genérica. Seu principal objetivo é facilitar e aumentar a produtividade do desenvolvedor em um projeto. Contudo, é necessário ter um bom domínio da linguagem nativa do framework, a qual está programando, pois cada framework é baseado em uma linguagem de programação, exemplo: Java (Hibernate e Spring), PHP (Zend e Laravel), CSS (Bootstrap), Python (Django), Ruby (Ruby on Rails), Java Script (Angular JS) e C# (Asp .net). 4. Microsoft AZURE É uma plataforma de computação em nuvem para prover serviços especializados para desenvolvedor em ambiente Microsoft. Oferece recursos para desenvolvimento de software como também 91 ambiente de execução tanto na nuvem como fora dela. Os recursos disponibilizados são: • Sistema operacional Windows Azure é plataforma de nuvem para desenvolvimento e execução de serviços, sistemas e aplicações. Oferece o serviço baseado na computação em cluster e virtualização. • .NET é a plataforma de desenvolvimento e execução de aplicativos e sistemas. • SQL Services é um sistema de banco de dados executado em uma plataforma em nuvem com acesso fornecido por meio de serviço. • Live Services são os serviços oferecidos, seguem alguns: processamento, máquina virtual com suas funcionalidades, ferramentas de rede, armazenamento e bancos de dados, aplicações web móvel, container, ferramenta de análise de dados, serviços de Inteligência Artificial e IoT. • Sharepoint é a plataforma de aplicações que uma organização utiliza para intranet, internet, site, gestão e disponibilização de portal e conteúdo, disponibilizar sistemas, etc. • Dynamics é o sistema de gestão empresarial ERP (Enterprise Resource Planning), integra as funções organizacionais e auxilia na tomada de decisão do executivo. Na estrutura, os desenvolvedores podem criar aplicativos, compilar e personalizar aplicativos disponíveis na nuvem. Da mesma maneira que uma macro é criada no Excel, a plataforma fornece ferramentas com componentes de software para programação. O ambiente é mais produtivo e reduz o tempo de codificação, pois contém componentes pré-codificados, tais como: fluxo de trabalho, serviços de diretório, recursos de segurança (MICROSOFT, s/d.(a)). Segundo o site da Microsoft, o Microsoft Azure traz diversos serviços de nuvem que dá liberdade para o cliente desenvolver, gerir e disponibilizar aplicativos na internet, com estrutura e ferramenta que mais deseja. Na lista de serviços encontra-se DevOps, IoT, análise de dados, framework 92 I►. e outros, dispostos na modalidade de demanda necessária com custo competitivo. (MICROSOFT, s/d.(a)). Figura 3 – Arquitetura do Windows Azure Windows AZURE Live Services .Net Services .SQL Services SharePoint Services Dynamics CRM Services Azure Services Platform Fonte: adaptada de Microsoft ([s.d.]). 5. Google Cloud Platform – GCP A Google nasceu com a criação de produtos para a internet atuando globalmente. Dentre o enorme portfólio de soluções, encontramos o Google Cloud, que é composto de vários serviços, sendo o GCP (Google Cloud Platform) e o G Suite os principais. O primeiro é um conjunto de programas com processamento em nuvem que oferece várias plataformas computacionais, dentre elas servidores, discos rígidos para armazenamento, máquinas virtuais, banco de dados, ambiente de desenvolvimento, etc. O segundo oferece versões personalizadas de produtos independentemente do domínio do cliente, tais como: agenda, e-mail, drive virtual, Hangouts, site, planilha, documento, etc. 93 Os serviços seguem as regras da computação em nuvem, onde o hardware e software são fornecidos por meio de serviços sob demanda. Os serviços acessamdiversos recursos necessários para a entrega final, também podem ser agrupados até a composição do serviço final. Os serviços do GCP mais usados são: computação e hospedagem, armazenamento, rede, Big Data e aprendizado de máquina (GOOGLE, s/d.(b)). • O serviço de computação e hospedagem fornece processamento, gestão de aplicativos, tecnologias de container e possibilita que o cliente crie sua própria infraestrutura. Veja alguns: • execução de funções sem servidor no Google Cloud Functions, no serviço de plataforma (PaaS) Google App Engine e gerencia os recursos feitos pelo cliente; • o SDK do App Engine permite o desenvolvimento e teste de máquina; • o Google Cloud SQL fornece vários bancos de dados de terceiros; • APIs e bibliotecas do cliente são gerenciadas no Cloud Endpoints; • segurança fica por conta do Cloud Security Scanner; • o Google Kubernetes Engine faz a computação no ambiente container; • máquina virtual do Google Compute Engine e o Google Cloud Launcher. • O serviço de armazenamento Cloud SQL é ofertado em banco de dados relacional MySQL, PostgreSQL ou não relacional NoSQL em Cloud Datastore e Cloud Bigtable. O armazenamento pode ser em redundância geográfica, em alta disponibilidade, com baixo ou alto custo, dependendo da estratégia. O cliente também pode optar por instalar o banco de dados de sua preferência. • O serviço App Engine de gerenciamento de rede configura redes, firewall e trajetos, cria registros DNS, gerencia o tráfego entre os recursos contratados e conecta redes do cliente à rede do Google. O Compute Engine conecta diversos recursos para a solução de um projeto, o firewall faz o controle do tráfego. Com esses recursos, o cliente pode criar VPN (Virtual Private Network) e trajetos específicos para a aplicação. 94 https://cloud.google.com/datastore/docs/concepts/overview?hl=pt-br https://cloud.google.com/bigtable/docs/?hl=pt-br r • Os serviços de Big Data fornecem processamento e consulta aos dados na nuvem. A análise de dados é de responsabilidade do BigQuery, que transforma os dados de origens diversas em tabelas, tem comandos SQL, interface gráfica, comando de API e outros. O processamento de dados em lote ou streaming é feito pelo Cloud Dataflow, destinado para grande volume de dados e processamento paralelo. Realiza tarefas de ETL (extração, transformação e carga), migração e transformação de dados em outro sistema de armazenamento. • Os serviços de machine learning e inteligência artificial são avançados, contém APIs pré-treinadas que podem ser utilizadas pelos clientes ou aplicativos específicos disponíveis. O serviço é gerenciado pelo TensorFlow. O Cloud Machine Learning Engine é o serviço para treinar os modelos de aprendizado de máquina e as APIs prontas para uso são: API Google Cloud Video Intelligence, API Google Cloud Speech, API Google Cloud Vision, API Google Natural Language, API Google Cloud Translation, Dialogflow Enterprise Edition (GOOGLE, s/d.(b)) Figura 4 – Arquitetura do GCP Google Cloud Plataform Computação e Aprendizado de Armazenamento Big Data Rede hospedagem máquina Compute Engine, Cloud SQL, Cloud TensorFlow e Cloud Launcher, Bigquery, Cloud App Engine e Datastore e Machine Cloud Function, Dataflow Compute Engine Cloud Bigtable Learning Engine Kubernets. Fonte: elaborada pelo autor. 95 https://cloud.google.com/ml-engine/docs/technical-overview?hl=pt-br https://cloud.google.com/video-intelligence/docs/?hl=pt-br https://cloud.google.com/speech/docs/?hl=pt-br https://cloud.google.com/speech/docs/?hl=pt-br https://cloud.google.com/vision/docs?hl=pt-br https://cloud.google.com/natural-language/docs?hl=pt-br https://cloud.google.com/natural-language/docs?hl=pt-br https://cloud.google.com/translate/docs?hl=pt-br https://cloud.google.com/dialogflow-enterprise/docs?hl=pt-br https://cloud.google.com/dialogflow-enterprise/docs?hl=pt-br 6. Linguagem de programação A linguagem de programação é um recurso básico dos sistemas e aplicativos, é claro que esses não existiriam na sua ausência. Uma linguagem é utilizada pelo desenvolvedor (programador de computador) para escrever os códigos do software (programa). O código é um conjunto de instruções simbolizadas e estruturadas que, posteriormente, é transformado em uma linguagem que o computador entende, chamamos essa linguagem de linguagem de máquina. Devido à importância das linguagens na computação em nuvem, falaremos de algumas delas. JavaScript – O JavaScript é uma linguagem de alto nível interpretada que todo desenvolvedor precisa conhecer, está presente em quase todo software desenvolvido para a nuvem. Sua principal característica é ser interpretada, leve no processamento, compatível com a maioria dos navegadores de internet e flexível. Sua utilização está centrada no desenvolvimento de aplicações próximas ao usuário final. Python – O Python é uma linguagem de programação de alto nível, de fácil aprendizado e uso. Caracterizada por sintaxe intuitiva e limpa. Permite uma programação clara e seu uso está nas mais diversas áreas, desde aprendizado de máquina, análise de dados até aplicativo comercial. Devido a sua versatilidade, é a linguagem que mais tem crescido no mundo. Java – O Java, linguagem de alto nível orientada a objeto, revolucionou o uso da internet, hoje de propriedade da Oracle, mas criada por cientistas da Sun Microsystems. É boa para desenvolvedor iniciante pela sua flexibilidade e seu grande uso na área comercial. É comum encontrarmos em sistemas de indústria, comércio, banco, etc. Seu uso é tanto para aplicações próximas do usuário (front end) como para aplicações de retaguarda (back end) que residem no servidor. É indicada 96 para desenvolvimento de grandes sistemas pela sua confiabilidade e estabilidade. A linguagem é conhecida no meio dos desenvolvedores da tecnologia da informação como a linguagem de um único código, justificada pela sua adaptabilidade de execução em vários ambientes. Isso é possível pois seus objetos de execução fazem referência somente a dados internos e alocação automática de memória. Java é compatível com a maioria dos frameworks. C e seus sabores – A linguagem C tornou-se popular por volta de 1970, devido a sua robustez e confiabilidade, ganhou uma série de variedades, C++, C# entre outras. É uma linguagem que contribui muito para a programação, quando a necessidade é alto desempenho, com certeza ela será recomendada. O sistema operacional Linux tem sua base de código em C e C++, esta última orientada a objeto, que por sua vez também foi codificada em C. Apesar de ser de alto nível, portanto clara e estruturada, sua maior força é o desempenho. Não é à toa que os desenvolvedores a utilizam para desenvolver jogos, realidade virtual, computação gráfica e outras que necessitam de alta performance. PHP – A sigla da linguagem PHP é tão utilizada que seu significado quase nunca é mencionado. Originalmente conhecida por Personal Home Page e agora por Hypertext Preprocessor, é indicada para a criação de página dinâmica e interativa na web. Está presente na maioria dos sites e em sites de grandes organizações. O fato de não ser tão estimada, talvez seja justificado pelo seu objetivo, ser uma linguagem de propósito geral, executada por qualquer servidor, programação fácil com script para página HTTP, fácil de usar e configurar, além de ser gratuita. Contudo, carrega a desvantagem de ser lenta e reduzir o desempenho do site. 97 TypeScript – Essa linguagem de código aberto foi criada em 2012 pela Microsoft. Sua principal característica está no conjunto rigoroso de sintaxe do JavaScript, portanto, é muito semelhante a ela, o que a torna conhecida e de fácil uso. Seu uso tem crescido rapidamente e é indicada para aplicativos de larga escala, desenvolve aplicativos tanto do lado do usuário como do servidor. Ruby – Linguagem de programação de alto nível criadapara simplificar e aumentar a produtividade do ambiente de desenvolvimento, a fim de torná-lo leve. É dinâmica e seu código é aberto. Está presente em muito dos aplicativos, sendo a base do framework Ruby on Rails. Como é simples e sem regras rígidas, o desenvolvedor consegue criar um aplicativo com pouca linha de código, mas tem como ponto negativo a falta de flexibilidade. SQL – A linguagem SQL (Structured Query Language) foi criada para manipular operações em bancos de dados, opera com as funções de recuperação, manipulação e armazenamento de dados em um banco de dados relacional. É muito utilizada para extrair e explorar dados no auxílio da tomada de decisão pela alta gerência empresarial. TEORIA EM PRÁTICA A estratégia da ContaAzul era não ter estrutura interna de hardware e software para suportar e operacionalizar os serviços do ERP. O desafio era prover um ERP num serviço de qualidade com uma equipe reduzida, disponibilidade de 24h e autonomia na configuração da infraestrutura e boa relação custo-benefício. O provedor de computação em nuvem escolhido para enfrentar o desafio, foi a AWS – Amazon Web Service, pois ofertou escalabilidade para o crescimento da ContaAzul com baixo impacto no valor dos serviços, além de uma plataforma que suporta as 98 linguagens Java, Python, Ruby e Shell. Atualmente, para desenvolvimento e provimento dos serviços, a ContaAzul tem contratado um conjunto de serviços da AWS, tais como: EC2 (Amazon Elastic Compute Cloud), EBS (Amazon Elastic Block Store), RDS (Amazon Relational Database Service), SQS (Amazon Simple Queue Service), Amazon CloudWatch, S3 (Amazon Simple Storage Service), Amazon Glacier, AWS Elastic Beanstalk, Amazon DynamoDB e Amazon ElastiCache (AMAZON, s/d.). Sugiro realizar pesquisa na internet e leitura de outros casos para a melhor compreensão do potencial da computação em nuvem. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A tecnologia IDE (Integrated Development Environments) pode ser entendida como um conjunto de aplicativo (software) extremamente poderoso para desenvolvedores. Sobre a tecnologia IDE nuvem, é INCORRETO afirmar: a. É um conjunto de aplicativo (software) disposto em uma plataforma de ambiente integrado de desenvolvimento. b. Reúne recursos para programação, tais como: editor de linguagem, compilador, interpretador ou depurador. c. A tecnologia permite independência de dispositivo de acesso à aplicação. 99 https://aws.amazon.com/pt/ec2/ https://aws.amazon.com/pt/ebs/ https://aws.amazon.com/pt/ebs/ https://aws.amazon.com/pt/rds/ https://aws.amazon.com/pt/sqs/ https://aws.amazon.com/pt/cloudwatch/ https://aws.amazon.com/pt/s3/ https://aws.amazon.com/pt/glacier/ https://aws.amazon.com/pt/elasticbeanstalk/ https://aws.amazon.com/pt/elasticbeanstalk/ https://aws.amazon.com/pt/dynamodb/ https://aws.amazon.com/pt/elasticache/ d. A programação de aplicativo pode ser feita de qualquer lugar e dispositivo. e. A tecnologia é poderosa, mas limita o local de programação e acesso pelo usuário. 2. De acordo com a arquitetura dos serviços na nuvem, qual afirmativa abaixo é correta? I. Na arquitetura SOA (Service-Oriented Architecture), as aplicações fornecem suas funcionalidades como serviço na web, por meio de processamento distribuído/ paralelo, instruções de requisição e replicação (request/reply). II. Na PaaS, várias linguagens com diversas características estão à disposição. As aplicações podem ser desenvolvidas com frameworks que facilitam a programação, o teste e a disponibilidade. III. Virtualização é caracterizada como a técnica de máquinas virtuais com escalabilidade e flexibilidade, em que o cliente configura e paga sob demanda. a. I, II e III. b. II e III. c. I e III. d. Somente a II. e. I e II. 3. O Google Cloud é formado por um conjunto de programas com processamento em nuvem que oferece várias plataformas computacionais, dentre elas, servidores, discos rígidos para armazenamento, máquinas virtuais, banco de dados, ambiente de desenvolvimento. 100 PORTANTO Quando o cliente contrata o Google Cloud, ele tem acesso ao ambiente interno de sua organização para configurar os recursos de acordo com a necessidade e demanda de computação. Com base nas informações dadas e na relação proposta entre elas, é CORRETO afirmar que: a. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. b. As duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. c. As duas afirmações são falsas. d. A primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa. e. A primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. Referências bibliográficas AMAZON. Estudo de Caso ContaAzul. Disponível em: https://aws.amazon.com/pt/ solutions/case-studies/conta-azul/. Acesso em: 1 mai. 2019. AMAZON EC2. Disponível em: https://aws.amazon.com/pt/ec2/. Acesso em: 24 abr. 2019. ECLIPSE. The Platform for Open Innovation and Collaboration. Disponível em: https://eclipse.org/. Acesso em: 29 abr. 2019. GOOGLE. Google Cloud Platform. s/d.(a). Disponível em: https://cloud.google.com/ products/?hl=pt-br. Acesso em: 30 abr. 2019. ______. Sobre os serviços do GCP. s/d.(b). Disponível em: https://cloud.google.com/ docs/overview/cloud-platform-services?hl=pt-br. Acesso em: 30 abr. 2019. JULA, A.; SUNDARARAJAN, E.; OTHMAN, Z. Cloud computing service composition: A systematic literature review. Expert Systems with Applications, v. 41, p. 3.809- 3.824, 2014. MICROSOFT. Microsoft Azure. s/d.(a). Disponível em: https://azure.microsoft.com/ pt-br/overview/what-is-azure/. Acesso em: 29 abr. 2019. 101 https://aws.amazon.com/pt/solutions/case-studies/conta-azul/ https://aws.amazon.com/pt/solutions/case-studies/conta-azul/ https://aws.amazon.com/pt/ec2/ https://eclipse.org/ https://cloud.google.com/products/?hl=pt-br https://cloud.google.com/products/?hl=pt-br https://cloud.google.com/docs/overview/cloud-platform-services?hl=pt-br https://cloud.google.com/docs/overview/cloud-platform-services?hl=pt-br https://azure.microsoft.com/pt-br/overview/what-is-azure/ https://azure.microsoft.com/pt-br/overview/what-is-azure/ ______. Visual Studio. s/d.(b). Disponível em: https://visualstudio.microsoft.com/pt- br/. Acesso em: 29 abr. 2019. ZOHO. Disponível em: https://www.zoho.com/creator/images/subpages/paas.gif. Acesso em: 21 mai. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta E. Resolução: a afirmação está INCORRETA, pois, ao contrário da afirmação, a IDE é flexível quanto ao local de programação e acesso pelo usuário. Questão 2 – Resposta A. Resolução: as três afirmações estão corretas no conceito dos serviços. Questão 3 – Resposta C. Resolução: a segunda afirmação é falsa, pois o Google Cloud é um serviço de computação em nuvem de forma onipresente, os recursos estão disponíveis para acesso e configuração remoto e não local. 102 https://visualstudio.microsoft.com/pt-br/ https://visualstudio.microsoft.com/pt-br/ https://www.zoho.com/creator/images/subpages/paas.gif Conceitos de produção x produtividade e análise do processo produtivo Autor: Renato Matroniani Objetivos • Estudar os conceitos de produção e produtividade e relacioná-los com o conceito de Internet das Coisas e Indústria 4.0. • Entender como funciona o processo produtivo nas empresas. • Relacionar o funcionamento do processo produtivo tradicional, bem como os conceitos de produção e produtividade com a Indústria 4.0. 1. Introdução aos conceitos de produção, produtividade e processo produtivo Produção e produtividade são dois conceitos fundamentais para entender o processo produtivo de uma empresa que trabalha tanto com produtos e serviços. Será estudado neste texto o funcionamento de todo o processo produtivo e como a Quarta Revolução Industrial tem transformado o mundo empresarial. Basicamente, o conceito de produção vem do verbo “produzir”, eé um conceito mais geral do que o conceito de produtividade. O conceito de produção se restringe apenas ao que é produzido e enviado ao cliente, enquanto que o conceito de produtividade está relacionado com a quantidade produzida e com a qualidade necessária para ser entregue ao cliente, a partir da quantidade de recursos empregados. Produtividade é a relação entre as saídas e entradas, nessa ordem, dentro do processo produtivo. Como um indicador empresarial (valor de controle dentro de uma empresa), ele pode ser calculado por meio da seguinte equação: saídas Produtividade = entradas 1.1 Produção e produtividade A ideia de produção é ampla e muitas vezes confusa. Uma forma de entender produção é por meio do seu resultado. E o resultado que trataremos aqui não se resume apenas a produtos, mas também a serviços. Como mencionado anteriormente, o termo “produção” relaciona-se com o verbo “produzir”, que por sua vez está relacionado com o processo de transformar entradas (inputs) em saídas (outputs). Qualquer operação produz bens ou serviços, ou um misto dos dois, e faz isso por um processo de transformação. Por transformação nos referimos ao uso de recursos para mudar o estado ou condição de algo para produzir outputs. (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002, p. 36) 104 Entradas (inputs) • Materiais • Informações • Pessoal • Instalações • Planejamento e controle da produção • Projeto da produção • Estratégia da produção • Melhoria contínua Saídas (outputs) • Produtos • Serviços Figura 1 – Representação das entradas e saídas em um processo produtivo Fonte: adaptada de Slack, Chambers e Johnston (2002, p. 29 e 36) De acordo com Martins e Laugeni (2005), a indústria de transformação foi grande destaque na economia dos países até meados da década de 1950. O cenário de produção se transformou de tal forma que as empresas que produzem serviços são as grandes contribuidoras do produto interno bruto (PIB) dos países nos dias de hoje. Ainda segundo os mesmos autores, a abordagem e as técnicas utilizadas na administração da produção são também aplicadas à administração de serviços (ou também conhecido como administração de operações). São técnicas comumente empregadas na produção de bens e que podem ser extrapolados para a produção de serviços (MARTINS; LAUGENI, 2005, p. 3): • Just-in-time (JIT): o conceito é mais profundo e extenso, mas de forma geral pode-se explicar essa técnica como sendo o processo em que o objetivo é maximizar a produção (os outputs de produção, mais especificamente), com o mínimo de inputs necessários e estoques mínimos ou tendendo a zero. Esses inputs devem estar disponíveis no momento exato na linha de produção. 105 • Engenharia Simultânea: onde todas as áreas que possuem interesse no produto participam ativamente no desenvolvimento do mesmo. Essas áreas não necessariamente estão dentro da empresa que produz esse produto, pois os fornecedores e clientes desempenham também um importante papel na Engenharia Simultânea. • Consórcio Modular: onde fornecedores e a empresa “principal” estão alocados na mesma planta. Com isso, parte da cadeia de suprimentos está unida fisicamente, o que traz redução de tempo e de estoques, reduzindo-se assim os custos. Neste caso, os fornecedores alocados e a empresa principal precisam padronizar seus processos. • Células de produção: ou também conhecidas como “estações de trabalho”, ligadas por mecanismos de transporte e com estoques intermediários entre as mesmas. Cada estacão de trabalho ou célula de produção pode funcionar de forma quase autônoma, onde os funcionários podem tomar decisões de curto alcance e controlar a qualidade dos produtos de cada célula. • Quality Function Deployment (QFD) ou Desdobramento da Função Qualidade: tecnologia que leva em consideração as exigências dos consumidores, pela empresa que fabrica o produto e seus fornecedores, em toda a parte da cadeia de suprimentos, que vai do fornecedor até a entrega. A qualidade deve ser vista do ponto de vista do cliente, de tal forma que todo produto ou serviço produzido deve ter o foco “do” cliente, acima do conceito do foco “no” cliente. Com o QFD é possível também superar as expectativas de qualidade do cliente. • Tecnologia de grupo: consiste em agrupar produtos que possuem roteiros de fabricação semelhantes. Técnica muito utilizada para otimizar o planejamento da produção e que permite aumentar o nível de padronização do processo produtivo, reduzindo, assim, os custos de fabricação. • Manufatura integrada por computador: integração de toda a manufatura por sistemas informatizados, utilizando-se de filosofias de gerenciamento, para melhorar a eficiência e eficácia do processo produtivo. 106 Todos esses conceitos de produção têm no cliente o foco. E como mencionado, não somente o foco no cliente, mas também o foco do cliente e a preocupação com o nível de serviço, como vantagem competitiva. O foco do cliente tem sido mencionado neste texto com grande ênfase, pois com os avanços das formas de produção advindas da Internet das Coisas (Internet of Things – IoT), Big Data Analytics (análise de grande volume de dados em tradução livre) e da Indústria 4.0, o foco do cliente é mais evidente e mais fácil de ser conhecido. Além de conhecer melhor seu cliente, hoje é possível controlar de forma mais eficiente o que é comprado pelo cliente e também prospectar novos clientes e mercados, por meio de todas as informações que são obtidas em cada movimento que o cliente faz. Por outro lado, com a Indústria 4.0 e os conceitos de IoT e Big Data Analytics, é possível melhorar os níveis de produtividade, e vamos entender o porquê disso. O conceito geral de produtividade, como mencionado anteriormente, diz respeito à quantidade de saídas de produção (outputs) em relação às entradas (inputs). O conceito de entradas e saídas, de acordo com a Figura 21, é amplo (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; MARTINS; LAUGENI, 2005). Tradicionalmente, produtividade pode ser definida como a relação entre o valor agregado ao produto nas saídas e o custo das entradas. Se a questão é sempre aumentar a produtividade, então basicamente toda empresa precisa, em seu processo produtivo, reduzir seus custos de entrada e aumentar o valor agregado nas saídas, por meio de um processo eficiente e eficaz. O aumento da produtividade é um ponto estratégico para as empresas se manterem em um ambiente empresarial cada vez mais competitivo. A produtividade de uma empresa é determinada, segundo Martins e Laugeni (2005): 107 • Pelo cálculo da relação capital – trabalho: como equipamentos industriais perdem a produtividade com o tempo, a empresa é obrigada, para manter ou aumentar sua produtividade, a investir em novas máquinas e equipamentos. Cada vez mais as empresas que precisam manter-se competitivas no mercado acabam investindo em equipamentos automatizados, sensores, robotização, inteligência artificial e, obviamente, quando todos esses equipamentos estão conectados à rede, também conhecida como Internet Industrial ou Internet das Coisas Industriais (SALKIN et al., 2018), a produtividade é favorecida. • Pela escassez de recursos, principalmente a energia elétrica e também a mão de obra: o aumento da produtividade está relacionado a um aumento, não necessariamente proporcional, do consumo de energia elétrica. A matriz energética de um país deve estar preparada para receber investimentos crescentes, à medida que cresce a produção industrial e de serviços. A mão de obra escassa que é mencionada aqui é a mão de obra especializada. Em uma indústria cada vez mais automatizada e conectada, o investimento em recursos humanos com maior grau de instrução se faz necessário, para que todo o investimento em tecnologia de equipamentos faça sentido. Investimento em treinamento de pessoal tambémé considerado importante e deve ser realizado de forma constante dentro das empresas. Não podemos deixar de lado a preocupação com a qualidade de vida dos colaboradores de uma empresa, pois isso também reflete, e sempre refletiu, na produtividade. • Gerenciamento eficaz e inovador: os gerentes devem estar preparados para um mercado cada vez mais competitivo e que busca continuamente o aumento de produtividade. Investimentos em qualidade de vida e capacitação da equipe de gestão são indispensáveis. Dentro da Teoria Geral da Administração (MARTINS; LAUGENI, 2005), que estuda todas as escolas de administração desde a Administração Científica, as empresas vivem atualmente a escola ou era da gestão por competências. As empresas buscam cada vez mais, principalmente nas áreas estratégicas, pessoas com competências administrativas e estratégicas inovadoras. 108 - -"'. i ,, i i i ,, ,, ~ ·~ - - - H 1r _. ' - - 1r ~ - O impacto da melhoria de produtividade, atrelado ao aumento continuo da qualidade percebida pelo cliente, está esquematizado na Figura 2 (EVANS, 1997): Figura 2 – Impacto da melhoria da produtividade Baixos custos de manufatura e serviços Melhoria na qualidade do produto Melhoria nos processos produtivos Aumento no output e redução no input Aumento no output por unidade de input Redução no input por unidade de output AÇÃO GERENCIAL Maior valor percebido Preços mais altos Aumento na receita Maiores lucros Maior participação no mercado Produtividade melhorada Fonte: adaptada de Evans (2007). Apesar do conceito de produtividade estar atrelado basicamente às saídas e entradas, podemos falar de produtividade de várias outras formas, como, por exemplo (LAUGENI, 2005), produtividade do capital, 109 produtividade das matérias-primas, produtividade da mão de obra, ou de outra maneira, podemos falar em produtividade parcial e total. No caso da produtividade parcial, é medida a produtividade de um dos fatores de produção (como a mão de obra) em relação ao total produzido. Por exemplo: uma empresa possui 300 colaboradores que trabalham 200 horas por mês. Essa empresa, em um determinado mês, produziu e vendeu 1.500.000 toneladas. Calcule a produtividade parcial, no caso, da mão de obra. Para resolver a questão, vamos considerar que se cada colaborador trabalhou 200 horas por mês, e que esse valor é um input do processo produtivo, temos que: homem . hora output = 200 X 300 = 60.000 . mês O output da empresa, em um determinado mês, foi 1.500.000 toneladas. output Com produtividade = , então a produtividade parcial input é dada por: produtividade de 1.500.000 25 toneladas/ = = mão de obra homem.hora60.000 No caso da produtividade total, como o próprio nome diz, é a relação entre o total de saídas pelo total de entradas, como já visto. Por exemplo: calcule a produtividade mensal da empresa do exemplo anterior, sabendo que para produzir e vender 1.500.000 toneladas, são necessários R$ 75 milhões/mês. 110 Da mesma forma, para o cálculo de produtividade, temos que: 1.500.000 produtividade = = 0,02 toneladas/R$ 75.000.000 1.2 O processo produtivo De acordo com a Figura 2, o processo produtivo compreende, em uma fábrica ou em uma empresa de serviços, ao momento compreendido entre as entradas e as saídas. Dentro de um processo produtivo, ou processo de transformação, existem os subprocessos ou operações, apoiados pelos setores, dependendo da empresa, de programação e controle de produção, desenvolvimento de produtos, planejamento estratégico da produção, engenharia de manutenção e projeto de produtos. Em uma empresa industrial, é mais fácil identificar as entradas e saídas, e sendo assim, mais fácil de identificar o processo de transformação ou processo produtivo. Já no caso de uma empresa de serviços, a identificação muitas vezes não é clara, pois as entradas e saídas desse processo, assim como o produto final, podem ser intangíveis, como, por exemplo, as informações que as empresas utilizam. Em ambos os tipos de empresa, o processo produtivo é constituído de subprocessos ou operações. Em uma empresa industrial, por exemplo, o processo é subdividido em operações diferentes localizadas em setores diferentes. Ainda, cada uma dessas operações possui processos e procedimentos específicos de produção. Entre cada um desses processos pode existir também estoques intermediários e todo um sistema de movimentação. Pense em uma empresa de laticínios, cujos principais produtos são os iogurtes, por exemplo. As entradas e saídas são relativamente fáceis de 111 identificar. Como entradas do processo produtivo temos principalmente o leite, mas podemos ter também os fermentos lácteos, frutas, conservantes, açúcar, dentre outros. Como saídas, temos os iogurtes de diversos sabores. O processo produtivo pode ser dividido em operações como: separação de matérias-primas, mistura dos componentes da fórmula, fermentação, embalagem e expedição. Em uma empresa de serviços, muitas vezes, não é tão simples identificar os subsetores ou operações, pois as informações que percorrem todo o processo produtivo, fisicamente, não seguem os moldes de uma linha de montagem. Muitas vezes, parte do processo pode estar localizado fora da própria empresa, ser terceirizado ou até mesmo estar fora do país onde a mesma está localizada. Como exemplo de uma empresa de serviços, vamos pensar em uma prestadora de serviços de TV a cabo. As entradas do sistema são as informações, que são as solicitações dos pacotes de canais pelos consumidores, o conteúdo disponibilizado pelas emissoras de TV a cabo. Como processo produtivo, nesse caso, temos o fornecimento do serviço para a casa do assinante. Esse serviço é prestado e controlado remotamente, e instalado fisicamente e mantido por empresas terceirizadas geralmente, produzindo como saída, “o consumidor assistindo a um programa de TV a cabo”. Veja que não é tão simples delimitar onde começa e onde termina o processo produtivo neste caso. O processo produtivo vem sofrendo grandes mudanças ao longo dos últimos anos devido à Industria 4.0 ou Quarta Revolução. Isso se deve ao emprego cada vez maior da tecnologia da informação nas empresas, sejam elas de produtos ou serviços, trazendo consigo um notável aumento de produtividade Industrial (SALKIN et al., 2018). Devido à necessidade crescente de controle de toda a cadeia de produção, e mais amplamente, de toda a cadeia de suprimentos, o emprego da Internet da Coisas Industriais, como sensores 112 que captam informações de cada passo da produção e enviam, geralmente via radiofrequência, para captadores instalados dentro das empresas, que por sua vez, por meio da análise de uma grande quantidade de dados (o Big Data Analytics), traz para o controlador de produção informações concretas e estruturadas para a tomada de decisões, em sistemas como ERP e CRM (SALKIN et al., 2018; USTUNDAG; CEVICKAN, 2018). Com os sistemas de rastreamento de produção, é possível identificar, com mais facilidade, as partes do processo produtivo que estão de acordo com o esperado e também as partes do processo que requerem atenção. Essas informações são geradas e podem ser acompanhadas em tempo real. O acompanhamento em tempo real pode ser feito, inclusive, remotamente. Muitos fornecedores de equipamentos possuem sensores ou terminais instalados no próprio maquinário, permitindo saber, respeitando as condições de privacidade, como o equipamento está funcionando, e inclusive fazer a manutenção remota do mesmo. Os próprios gerentes de produção e de processos podem acompanhar o estado dos equipamentos, obtendo informações de produtividade, temperatura, umidade, dentre outras informações relevantes. Se expandirmos o conceito tambémpara toda a cadeia de suprimentos, é possível gerenciar frotas (localização, tempo de chegada até o cliente, melhor rota, problemas de rota, dentre outros), estoques de matérias-primas, estoques intermediários e estoques finais para expedição. O acompanhamento em tempo real pode ser feito, inclusive, pelos clientes da empresa. Um cliente pode acompanhar os níveis de estoque de seu produto dentro da fábrica e, a partir desses dados, gerar ou não novos pedidos, acompanhar a entrega em tempo real, assim como um consumidor final pode acompanhar a entrega de um produto comprado pela internet. 113 O processo de produção em si também sofre e sofrerá grandes mudanças com as novas tecnologias atreladas à Indústria 4.0. Os elevados níveis de automatização dos processos e a consequente diminuição da interferência humana aumentam a produtividade como um todo, e é acompanhada de aumento na qualidade entregue ao cliente. As formas de fabricação também estão passando por mudanças. Assim como a máquina a vapor, na Primeira Revolução Industrial, substituiu os equipamentos manuais utilizados, impressoras 3-D, robôs, equipamentos controlados por inteligência artificial substituíram e continuarão substituindo parcialmente tornos, fresas, equipamentos de fundição, de injeção, por exemplo, e toda a interferência humana nessa Quarta Revolução Industrial. A partir das informações apresentadas no texto, verifica-se que a produção, seja ela de bens ou de serviços, passa e passará por grandes mudanças. A engrenagem que move toda essa transformação para a Indústria 4.0 é, além do contínuo desenvolvimento tecnológico, a crescente competitividade entre as empresas, cada vez mais globalizadas e dependentes de informações e dados estruturados para aumentar sua produtividade e atender um cliente cada vez mais exigente. A partir do momento em que as empresas trabalham com informações como uma de suas “matérias-primas”, mais conectadas elas deverão estar para se manterem competitivas e com tomadas de decisão mais assertivas. Dessa forma, o setor de tecnologia da informação deixa de ser apenas um setor de apoio e passa a ter maior importantância, visto que trabalha em conjunto com o processo de produção. Outros setores podem ser considerados de apoio, como o setor contábil e de recursos humanos. O setor de tecnologia da informação vem cada vez mais se tornando um setor estratégico e central dentro de uma empresa, deixando de ser apenas um setor de apoio, se consideramos 114 que vivemos na era da informação, e as empresas que mais crescem são as empresas que sabem trabalhar com as informações. Segundo a revista Forbes (2018), no ranking das empresas mais valiosas do mundo no ano de 2018, estão nos cinco primeiros lugares Apple, Google, Microsoft, Facebook e Amazon, ou seja, empresas que trabalham de forma integente com as informações que possuem. A Figura 23 apresenta, de forma adaptada, as funções centrais de uma empresa, considerando o setor de Tecnologia da Informação não mais como um setor de apoio, mas um setor incorporado às principais funções de uma empresa. Figura 3 – As funções centrais de uma empresa na visão da Indústria 4.0 Função Produção Função Marketing Função Desenvolvimento de produto ou de serviço Função Tecnologia da Informação Fonte: adaptado de Martins e Laugeni (2005). 115 PARA SABER MAIS De acordo com Martins e Laugeni (2005), o termo produtividade teria sido utilizado pela primeira vez pelo economista francês François Quesnay, em 1766, ou seja, durante a Primeira Revolução Industrial, porém, somente no século XX, o termo foi empregado da forma como conhecemos hoje, relacionando as saídas pelas entradas. É fato que o termo pode receber diferentes interpretações e significados, dependendo de quem o utiliza e para qual finalidade ele é utilizado. ASSIMILE Segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), a função “produção” é uma função central dentro de uma organização, mas não é a única. Somos muitas vezes levados a pensar que a função produção é a mais importante dentro das empresas. Mas não podemos ter esse pensamento limitado, pois sem vendas (ou em algumas empresas, o setor de marketing) não existe produção, e sem desenvolvimento de produtos (ou serviços) também não existe produção. A recíproca também é verdadeira. Sem produção, e principalmente, produção de bens que podem ser entregues aos clientes (produção com qualidade), não existem os setores de vendas e de desenvolvimento de produto. 116 TEORIA EM PRÁTICA Você é gerente industrial de uma empresa que fabrica alimentos, e em uma nova fase da empresa, precisa criar três indicadores relacionados com produtividade da fábrica, por solicitação da presidência da companhia. Considerando que a empresa já é uma empresa conectada e utiliza todo o conceito de Indústria 4.0: a. Qual indicador você criaria para calcular a produtividade no setor de recebimento de matérias- primas? Escreva a forma de cálculo desse indicador. b. Qual indicador seria o mais adequado para o cálculo da produtividade no processo de produção de um alimento industrializado? Escreva a forma de cálculo desse indicador. c. Considerando que a empresa já é uma empresa conectada, como seus recursos tecnológicos poderiam ajudar na assertividade do cálculo dos indicadores dos itens A e B? d. Se a empresa não possuísse as tecnologias advindas da Indústria 4.0, o cálculo dos indicadores de produtividade poderia ser prejudicado? Por quê? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Uma empresa calcula a produtividade de um de seus setores por meio da relação saída de materiais com a qualidade exigida pelo cliente (em toneladas), pela entrada de materiais (também em toneladas). A produtividade em um determinado período, nesta 117 empresa, onde as entradas somaram 200 toneladas e as saídas somaram 160 toneladas, é igual a: a. 16%. b. 80%. c. 125%. d. 75%. e. 40%. 2. Assinale a alternativa que contém apenas um input (entrada) de uma indústria de automóveis: a. Carro. b. Linha de montagem. c. Aço. d. Teste de rodagem. e. Controle de qualidade. 3. As tecnologias empregadas na Indústria 4.0 trazem aumento de produtividade e elevação do nível de serviço. É uma tecnologia empregada exclusivamente na Indústria 4.0: a. Máquina a vapor. b. Computador pessoal. c. Internet das Coisas Industriais. d. Telefone inteligente. e. Sistema de posicionamento global (GPS). 118 Referências bibliográficas BADENHAUSEN, K. Forbes divulga as marcas mais valiosas do mundo em 2018. Disponível em: https://forbes.uol.com.br/listas/2018/05/forbes-divulga-as-marcas- mais-valiosas-do-mundo-em-2018/. Acesso em: 4 mar. 2019. MAGRANI, E. A Internet das Coisas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2018 MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. São Paulo: Editora Saraiva, 2005. EVANS, J. R. Production/operations management: quality, performance and value. 5. ed. Minneapolis: West Pub., 1997. SALKIN, C.; ONER, M.; USTUNDAG, A.; CEVIKCAN, E. A Conceptual Framework for Industry 4.0. Department of Industrial Engineering, Faculty of Management, Istanbul Technical University. Switzerland: Springer International Publishing, 2018. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção, São Paulo: Editora Atlas, 2002. USTUNDAG, A.; CEVICKAN, E. Industry 4.0: managing the digital transformation. New York: Springer, 2018 Gabarito Questão 1 – Resposta B. Resolução: trata-se de um problema de aplicação direta da fórmula de produtividade: saídas 160 produtividade = = = 0,8 ou 80% entradas 200 Questão 2 – Resposta C. Resolução: o aço é um input da indústria automobilística. Os outros itens constituem outputs (carro) ou parte do processo de fabricação (teste de rodagem, controle de qualidade e linha de montagem Questão 3 – Resposta C.Resolução: a Internet das Coisas Industriais constitui uma das tecnologias empregadas para rastreamento de produção e operações na Indústria 4.0. 119 https://forbes.uol.com.br/listas/2018/05/forbes-divulga-as-marcas-mais-valiosas-do-mundo-em-2018/ https://forbes.uol.com.br/listas/2018/05/forbes-divulga-as-marcas-mais-valiosas-do-mundo-em-2018/ Conceitos de fabricação integrada por computador e integração empresarial Autor: Reinaldo Alberto Ricchi Jr. Objetivos • Compreender o conceito de fabricação integrada por computador; • Assimilar a importância da manufatura em nuvem; • Relacionar os conceitos de indústria 4.0 e sociedade 5.0. 1. Conceitos de fabricação integrada por computador e integração empresarial O processo de fabricação integrado por computador, também conhecido como manufatura integrada por computador (Computer integrated manufacturing–CIM), pode ser definido como um sistema computacional de integração de todas as etapas do processo produtivo que facilita a transmissão das informações para todos os profissionais envolvidos com a fabricação dos produtos. A indústria de manufatura passou por grandes mudanças de paradigma ao longo das útimas décadas, desde o conceito de eficiência e qualidade, na década de 1960, passando pelo conceito de flexibilidade na década de 1970 e inovação na década de 1990. Depois que o conceito de qualidade foi implementado nos sistemas de manufatura, os consumidores passaram a exigir, também, maior variedade de produtos, dando origem ao conceito de flexibilidade. Estas exigências aumentaram as demandas por produtos inovadores, estimulando o aumento da automação dos processos produtivos através de uma integração entre os operadores da produção e os demais setores da indústria, através do crescente investimento em inovações tecnológicas e digitalização dos processos (COELHO, 2017). 1.1 Manufatura integrada por computador (Computer integrated manufacturing - CIM) A partir dos conceitos de eficiência, qualidade e flexibilidade e do aumento da automação dos processos produtivos, surgiu o conceito de manufatura integrada por computador, que pode ser considerada como a nomenclatura utilizada para descrever a automatização completa da indústria, onde todos os processos relacionados ao sistema de manufatura são controlados por computador. Além disso, a integração das informações oferece as condições necessárias para que todos os colaboradores envolvidos nos processos produtivos estejam constantemente atualizados sobre o controle de todas as variáveis 121 envolvidas. Com o desenvolvimento dos conceitos relacionados à inovação e à tecnologia da informação, a utilização da manufatura integrada por computador foi aumentando gradativamente com o objetivo de aumentar a produtividade e diminuir o tempo entre a concepção e o lançamento dos produtos (COELHO, 2017). O processo tradicional de desenvolvimento de produtos, conhecido como engenharia sequencial, está relacionado aos projetos de marketing, fabricação, produção e engenharia de maneira geral, onde cada etapa do processo é executada separadamente e a próxima etapa não pode começar antes da conclusão da etapa anterior. Este tipo de metodologia faz com que cada setor da empresa esteja focado exclusivamente nas suas atividades específicas, não havendo uma visão global de todo o processo produtivo. A engenharia simultânea, por sua vez, utiliza o paralelismo na execução das etapas de desenvolvimento como o diferencial para obter a redução do tempo de fabricação dos produtos e para propor melhorias ao sistema de logística, maximizando o resultado final. A estratégia das equipes multidisciplinares que trabalham simultaneamente evitam conflitos entre as etapas do processo produtivo. A manufatura integrada por computador é um conceito que potencializa a multidisciplinaridade dos sistemas produtivos através do uso de softwares para o desenvolvimento da gestão da informação dentro das empresas. Existem muitas vantagens competitivas significativas provenientes da conexão entre as áreas de desenvolvimento de produtos com as equipes responsáveis pela concepção do produto e pelo processo de fabricação (FERNANDES, 2012). De maneira geral, é possível considerar que a manufatura integrada por computador (CIM) é um conceito que vem evoluindo ao longo do tempo e que possui estreita relação com o conceito de desenho assistido por computador (Computer aided design–CAD) e também com o conceito de manufatura assistida por computador (Computer aided manufacturing– CAM). Muitos pesquisadores da área de manufatura consideram que o 122 termo “CIM” pode ser usado como sinônimo da fusão entre as siglas CAD/ CAM. A fusão destas siglas é realizada através de uma interface chamada planejamento de processo assistido por computador (Computer-aided process planning–CAPP). Uma visão mais ampla da manufatura integrada por computador (CIM) abrange todas as engenharias e também as questões relacionadas à gestão e negócios, fornecendo acesso geral a uma base de dados que pode ser utilizada para o gerenciamento de processos e geração de relatórios para gerentes, engenheiros e operadores, de maneira que as melhores decisões possam ser tomadas e executadas com o máximo de eficiência (COELHO, 2017). Os sistemas de manufatura integrada por computador são amplos sistemas orientados para a organização dos processos produtivos nas empresas. As grandes contribuições destes sistemas são a integração das informações e a otimização global das operações realizadas. Em um ambiente moderno de manufatura, existe a informatização das funções gerais e do intercâmbio das informações entre os diferentes setores das empresas, permitindo a aplicação de métodos de engenharia simultânea, que são tarefas essenciais para o aumento de produtividade. Os principais motivos que estimulam as empresas para a implementação da manufatura integrada por computador estão relacionados à possibilidade de fabricação de novos produtos, modernização das instalações de produção, necessidade de aumento de produtividade, centralização do controle de produção e diminuição do tempo de entrega dos produtos. É também possível uma maior integração da produção com a utilização de redes de computadores e banco de dados que integrem e disponibilizem os dados digitalmente para a gestão da produção, permitindo uma melhor integração entre os operadores das máquinas com a parte gerencial da indústria, responsável pelo planejamento e controle da produção (COELHO, 2017). O conceito de integração significa que a informação exigida por cada etapa do processo produtivo está disponível com a precisão adequada 123 e no formato desejado. É importante também ressaltar que o sistema de manufatura integrada por computador muitas vezes exige um grande investimento inicial. No entanto, uma vez implementado, o sistema é capaz de reduzir custos por meio de melhorias na utilização das máquinas, aumento da qualidade dos produtos fabricados, melhor gestão e controle de estoques, menor tempo de fabricação e a possibilidade de oferecer um sistema de apoio mais confiável para os trabalhos relacionados à gestão da produção (COELHO, 2017). A Figura 1 ilustra um produto fabricado pelo sistema de manufatura integrada por computador. Figura 1 - Produto fabricado pelo sistema CIM Fonte: kynny/iStock. 1.2 Manufatura em nuvem O conceito de computação em nuvem surgiu com a distribuição de serviços de computação, como os servidores, armazenamento, bancos de dados, redes e softwares pela internet (chamada de 124 nuvem). Estas inovações oferecem soluções rápidas, recursos mais flexíveis e redução do tempo de trabalho, além da possibilidade de maior transmissão das informações. Trata-se de um conceito referente a um novo paradigma tecnológico que oferece recursos eserviços da tecnologia da informação através da internet e pode ser considerado como um avanço significativo na ciência da computação. A computação em nuvem está fundamentada nos conceitos de virtualização, computação de utilidade ou computação distribuída, que são tecnologias que estiveram presentes desde os primeiros desenvolvimentos da ciência da computação e que podem revolucionar o desenvolvimento dos recursos computacionais, ampliando a visão dos modelos de negócios das empresas de software. A empresa IBM realizou um estudo com mais de 3000 diretores da área da informação (Chief information officer–CIO) sobre as tendências das empresas para a adaptação à mudança disruptiva e à complexidade do atual cenário tecnológico global. Os resultados mostraram que para aumentar a competividade das empresas, os diretores estão desenvolvendo planos estratégicos que incluem projetos especialmente na área de computação em nuvem, que se tornou uma prioridade absoluta nos atuais modelos de negócios das grandes empresas de tecnologia (MENDES, 2013). A ciência de dados é uma área que está influenciando diversos setores da indústria. Além da importância relacionada à coleta de dados, é importante também saber usá-los para reformular estratégias produtivas, processos e formação dos operadores de maneira que os processos sejam mais competitivos e produtivos. Os sistemas de manufatura estão evoluindo e os desafios devem ser rigorosamente considerados como oportunidades para o desenvolvimento da manufatura em nuvem (Cloud manufacturing–CMfg), que combina tecnologias emergentes como a computação em nuvem, a internet das 125 coisas e tecnologias orientadas para serviços que envolvam computação de alto desempenho. Trata-se de um novo paradigma de manufatura, que pode informatizar cada vez mais as fábricas, oferecendo soluções inovadoras que aumentem a eficiência dos sistemas produtivos cuja estrutura foi mudando significativamente devido à intensa concorrência global, com mercados consumidores cada vez mais exigentes e interessados em produtos inovadores (ZHANG, 2014). A manufatura em nuvem (CMfg) é um novo paradigma de fabricação fundamentado em redes de computadores, que podem gerenciar os processos de maneira inteligente e unificada, permitindo o compartilhamento de informações geradas em todas as etapas dos processos produtivos. Além disso, a CMfg pode fornecer serviços de fabricação seguros e confiáveis, de alta qualidade, baixo custo e que podem ser customizados. Os operadores da manufatura em nuvem realizam os gerenciamentos dos processos em nuvem, fornecendo informações para os usuários de acordo com as suas necessidades. O conhecimento tecnológico desempenha um papel essencial na execução dos processos de manufatura em nuvem. A integração fundamentada no conhecimento de todo o ciclo de vida dos produtos permite a realização de funções baseadas em serviços em nuvem, como gerenciamento eficiente e busca inteligente das informações, por exemplo. A CMfg utiliza os recursos da computação em nuvem e da tecnologia da informação sob demanda, a partir de ferramentas como servidor, armazenamento, rede e software que permitem que os usuários possam acessar as informações dos sistemas produtivos através da internet (ZHANG, 2014). Sobre a manufatura em nuvem, existem outros conceitos importantes, como o projeto e manufatura baseado na nuvem (Cloud-based design and manufacturing–CBDM). As principais indústrias do mundo estão 126 investindo em iniciativas para promover avanços nos processos de fabricação, inovação e projetos para a globalização dos sistemas produtivos. Muitos destes investimentos foram impulsionados pela indústria 4.0 através de um esforço para tornar as fábricas cada vez mais inteligentes e eficientes. Neste contexto, surgem algumas tecnologias estratégicas, como internet das coisas industrial (Industrial internet of things–IIoT), projeto baseado na nuvem (Cloud-based design), desenvolvimento de produto social (Social product development–SPD), além do já citado projeto e manufatura baseadso na nuvem (Cloud- based design and manufacturing–CBDM). Existe também uma tecnologia chamada de manufatura em nuvem definida por software (Software- defined cloud manufacturing–SDCM), que oferece desenvolvimentos tecnológicos a partir dos dados que estão na nuvem, introduzindo uma conexão entre os hardwares utilizados nos processos produtivos e os aplicativos, serviços e plataformas que gerenciam os dados gerados (THAMES, 2016). A manufatura baseada em nuvem (Cloud-based manufacturing–CBM) é outro paradigma que contribui de maneira muito significativa no desenvolvimento da indústria 4.0 e que pode ser descrita como um modelo de manufatura integrada que explora os recursos para formar linhas de produção ciberfísicas temporárias e reconfiguráveis, que aumentam a eficiência dos processos e reduzem os custos de fabricação. A CBM apresenta algumas características específicas, como a fabricação integrada com redes de computadores, escalabilidade, agilidade, acesso de qualquer localidade e virtualização e pode ser considerada um paradigma similar à CBDM, que se refere a uma visão mais abrangente do processo de concepção e fabricação de produtos. Nesta tecnologia, os componentes envolvidos nos processos produtivos estão integrados na computação em nuvem, de maneira que a fabricação seja aprimorada e voltada para o aumento de produtividade com maior eficiência (THAMES, 2016). A Figura 2 apresenta uma ilustração do conceito de manufatura em nuvem. 127 Figura 2 - Manufatura em nuvem Fonte: NicoElNino/iStock. 1.3 Indústria 4.0 e manufatura em nuvem As tecnologias digitais oferecem diversas oportunidades para o desenvolvimento de novos modelos de negócios, processos produtivos e projetos inovadores que integrem o mundo virtual ao mundo físico. Dentre as principais aplicações das tecnologias digitais no contexto da indústria 4.0, a internet das coisas ocupa um lugar de destaque e pode ser descrita como a relação entre produtos, serviços e objetos físicos com os consumidores, tornando possível a interconectividade de experiências através de plataformas e tecnologias disruptivas, como os sensores de maneira especial. Os sensores são dispositivos capazes de conectar a realidade física com a realidade digital com uma eficiência impressionante, pois seus processos de fabricação estão cada vez mais baratos, suas dimensões físicas são cada vez menores e sua eficiência cresce exponencialmente. 128 Estas inovações tecnológicas permitem que os sensores possam ser instalados em casas, vestimentas, redes de transporte. Especialmente nos sistemas de manufatura, existem bilhões de sensores que monitoram cada etapa do processo produtivo através de telefones celulares. Espera-se que o número de sensores fabricados nos próximos anos ultrapasse o número de um trilhão de dispositivos (SCHWAB, 2016). Os sensores aplicados aos sistemas de manufatura podem realizar o monitoramento remoto de todos os produtos fabricados, bem como o transporte destes produtos ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Da mesma forma, os consumidores podem acompanhar de maneira contínua e praticamente em tempo real o transporte dos produtos. A revolução provocada pelas tecnologias digitais está criando uma abordagem absolutamente nova para analisar o envolvimento e a colaboração entre operadores, empresas e instituições financeiras. A tecnologia do blockchain é muitas vezes descrita como um livro- razão distribuído, ou seja: um protocolo seguro no qual a rede de computadores verifica de forma coletiva o grau de segurança de uma transação financeira antes de ser aprovada, aumentando o grau de confiança das bilhões de negociações realizadas pela internet. Esta sofisticação digital permitiu a criação do conceito de economia de demanda, no qual as pessoas podem compartilhar informaçõesatravés de seus telefones celulares, reunindo consumidores de todas as partes do mundo e derrubando barreiras para a criação de novos modelos de negócios totalmente transformadores e fundamentados nos diversos desenvolvimentos da ciência da computação, ao longo das últimas décadas (SCHWAB, 2016). Os conceitos de manufatura em nuvem e indústria 4.0 constituem os dois principais esforços no sentido de utilizar as tecnologias de informação para aperfeiçoar os processos produtivos. Estes conceitos são responsáveis por um grande volume de pesquisas científicas realizadas que possuem grande potencial para transformar 129 toda a estrutura da indústria no futuro. Apesar do fato destes dois conceitos serem apresentados de forma separada na literatura científica, algumas de suas características permitem que um conceito complemente e beneficie o outro. A indústria 4.0 diz respeito à revolução dos processos industriais, enquanto que a manufatura em nuvem segue os modelos de fabricação avançados a partir de tecnologias computacionais inovadoras. A manufatura em nuvem se preocupa em como conectar os recursos da manufatura em plataformas na nuvem, com menor ênfase para a organização interna da empresa (LIU, 2017). A exploração dos requisitos da manufatura em nuvem é fundamental para as pesquisas científicas que buscam novas estratégias para incorporar a computação em nuvem nos processos produtivos. Neste sentido, as fábricas inteligentes fundamentadas nos sistemas ciberfísicos apresentam muitas possibilidades de desenvolvimento. A indústria 4.0, por sua vez, é um conceito mais amplo que a manufatura em nuvem. No entanto, ambos se complementam para a formação de uma visão completa e integrada das empresas. A ideia fundamental da indústria 4.0 é integrar os sistemas de manufatura das fábricas inteligentes ao longo de uma cadeia de valor, na forma dos sistemas ciberfísicos, de maneira que as informações possam ser obtidas em tempo real. Com isso, é possível tomar decisões precisas e em intervalos de tempo muito pequenos. A indústria 4.0 e a manufatura em nuvem são inovações tecnológicas que convergem no sentido de atender com maior eficiência às exigências indivualizadas dos clientes, em um mercado cada vez mais digitalizado. Especialmente no caso da manufatura em nuvem, é possível integrar o compartilhamento das informações entre as empresas de forma ágil. Em termos gerais, a indústria 4.0 está mais relacionada aos sistemas ciberfísicos, enquanto a manufatura em nuvem está relacionada à implementação de uma plataforma na nuvem capaz de integrar todas as informações dos processos produtivos (LIU, 2017). 130 PARA SABER MAIS A computação em nuvem é um conceito relacionado às tecnologias desenvolvidas pela ciência da computação que permite o acesso a programas, documentos e serviços através da internet, sem a necessidade de instalação de softwares ou armazenamento de dados. É precisamente pelos fatos das informações poderem ser acessadas de maneira remota, em qualquer lugar do mundo e a qualquer hora, que este tipo de armazenamento de dados é chamado de computação em nuvem. Trata-se de uma tecnologia estratégica para todos os setores industriais. 1.4 Integração empresarial O conceito de integração está se tornando cada vez mais relevante no contexto dos sistemas de manufatura, devido às tendências de oferta de produtos e serviços customizados que satisfaçam as necessidades específicas dos consumidores cada vez mais exigentes. Estas necessidades específicas também são conhecidas como soluções integradas que cobrem uma grande parte do fluxo de valor da cadeia de suprimentos. As inovações tecnológicas aumentam consideravelmente a complexidade dos projetos desenvolvidos, pressionando o trabalho dos gerentes de projetos que precisam lidar não apenas com a equipe interna dos projetos, mas também com as outras equipes envolvidas em um contexto mais amplo. Este fenômeno é observado porque os gerentes dos projetos são os responsáveis diretos pela satisfação dos clientes. A integração das soluções exige que a comunicação seja cada vez mais intensa entre os diferentes setores produtivos, na busca por soluções customizadas e inovadoras que sejam competitivas nos mercados em constante transição (KIRSILA, 2007). 131 A combinação das variáveis envolvidas nos sistemas de manufatura exige uma restruturação de todas as etapas dos processos produtivos, que exerce influência direta na forma como os projetos estão integrados. As pesquisas sobre a integração de projetos devem ser desenvolvidas para aumentar a compreensão do gerenciamento dos sistemas industriais que estão se tornando cada vez mais complexos. O conceito de integração é utilizado em muitas áreas diferentes, como negócios, matemática, eletrônica, programação, psicologia e teoria da evolução, por exemplo. Além disso, a integração pode ser considerada como a ação de unir trabalhos distintos que estejam orientados para o aumento da eficiência de uma determinada tarefa, independente da área do conhecimento que esteja sendo considerada. No que diz respeito ao gerenciamento de projetos, a integração é compreendida como o processo necessário para garantir que as diversas variáveis envolvidas em um projeto sejam devidamente coordenadas e controladas (KIRSILA, 2007). Analisando todas as etapas da cadeia de suprimentos, é possível verificar que os fornecedores precisam estar envolvidos não apenas com a venda de equipamentos e serviços, mas também com as soluções específicas para problemas específicos. Isto significa que eles devem assumir a função de integradores de sistemas, com o objetivo de satisfazer cada vez mais as necessidades de seus clientes. É preciso integrar todos os elementos do projeto, para que o trabalho desenvolvido possa agregar valor e fabricar produtos que sejam cada vez mais competitivos nos mercados que mudam em velocidades cada vez maiores. Todos estes desafios causam um impacto direto nas atividades de produção e é precisamente por esta razão que o conceito de integração deve ser compreendido em toda a sua abrangência e profundidade (KIRSILA, 2007). 1.5 Indústria 5.0 e sociedade 5.0: tecnologia humanitária O desenvolvimento de inovações na área da tecnologia da informação promoveu a expansão do conceito de indústria 4.0, que introduziu o 132 trabalho dos computadores no controle dos sistemas inteligentes de manufatura e também os processos de automação nas fábricas através do uso de sensores e sistemas ciberfísicos. Trata-se de uma área de grande impacto econômico e o volume de investimento em tecnologias digitais relacionadas à indústria 4.0 ultrapassará os 900 bilhões de dólares em 2020. O impacto destas tecnologias no mercado de trabalho é um tema que merece especial atenção, pois a relação entre os seres humanos e os sistemas inteligentes de manufatura deve ser analisada com maior profundidade e rigor, na busca por novos conceitos que consigam oferecer caminhos para a adaptação das sociedades às mudanças disruptivas da Quarta Revolução Industrial. Além disso, o impacto das tecnologias relacionadas à indústria 4.0 ainda está começando a influenciar concretamente a vida cotidiana das pessoas. Uma visão mais profunda sobre a relação entre os seres humanos e as máquinas inteligentes pode ser realizada através da criação de um novo paradigma, ainda mais sofisticado, que é chamado de indústria 5.0 (SKOBELEV, 2017). O conceito de indústria 5.0 envolve a influência da inteligência artificial na vida cotidiana das pessoas através da cooperação entre robôs e seres humanos, com o objetivo de aumentar a capacidade humana de realizar determinadas atividades. Na verdade, o conceito de indústria 5.0 é expresso com maior clareza, no que diz respeito à sua abrangência e impacto na vidahumana, através do conceito de sociedade 5.0 ou sociedade superinteligente (Supersmart Society). Este conceito foi criado em 2016 pelo governo japonês e não se restringe apenas ao setor da manufatura, mas engloba todos os problemas sociais através da integração entre espaços físicos e virtuais. A sociedade 5.0 integra os maiores avanços da tecnologia da informação, internet das coisas, robótica, inteligência artificial e realidade aumentada. Todas estas tecnologias podem ser usadas não apenas nos processos produtivos, mas também em todas as dimensões da existência humana. A crescente popularidade da economia digital e o grande número de aplicações 133 práticas das tecnologias que formam o conceito de indústria 4.0 criam uma base muito bem fundamentada para o desenvolvimento da sociedade 5.0, que exercerá grande influência em todas as dimensões da vida humana (SKOBELEV, 2017). A rápida evolução das tecnologias relacionadas à informação e comunicação está exercendo considerável influência na organização da indústria e da sociedade em geral. A transformação digital criará novos conceitos e valores, além de já ser um pilar da política industrial de muitos países. O desenvolvimento de algumas tecnologias digitais, como internet das coisas, inteligência artificial e robótica, está abrindo novos caminhos que poderão conduzir a inovações com grande impacto de transformação. As questões relacionadas ao meio ambiente e aos valores morais das pessoas estão se tornando cada vez mais complexas e integradas às inovações tecnológicas observadas na Quarta Revolução Industrial, fundamentadas no conceito de transformação digital, que deve ser cada vez mais analisado e conhecido por todos os setores da sociedade. Neste sentido, o conceito de sociedade 5.0 representa um caminho inovador de reflexão integrada, diante do grau de complexidade cada vez mais elevado das indústrias, economias e sociedades (FUKUYAMA, 2018). Realizando uma breve análise histórica, é possivel definir diferentes estágios de sociedades. A sociedade 1.0 estava relacionada ao grupo de pessoas que sobrevivem através da caça e viviam em completa harmonia com o meio ambiente. A sociedade 2.0 era formada por grupos de cultivo agrícola com maior grau de organização social. A sociedade 3.0, por sua vez, começou a promover a industrialização através da primeira revolução industrial, que tornou a produção em massa possível. Já a sociedade 4.0 é a atual sociedade da informação que agrega maior valor aos produtos fabricados, através da automação dos processos produtivos e da utilização das redes de informação. Neste caminho de evolução conceitual, a sociedade 5.0 é também uma sociedade da informação, construída sobre os amplos desenvolvimentos 134 tecnológicos da sociedade 4.0. Seu objetivo fundamental é construir uma sociedade próspera e focada no bem-estar dos seres humanos. A criação de uma sociedade focada no ser humano que considere tanto o desenvolvimento econômico como os desafios da sociedade é um desafio que exige a integração de todos os conhecimentos gerados, de maneira que os seres humanos possam desfrutar de maior qualidade de vida. Essencialmente, a ideia fundamental para o desenvolvimento da sociedade 5.0 é a fusão do espaço cibernético com o mundo real. Esta fusão pode gerar conhecimentos de alta qualidade, capazes de criar novos valores e novas soluções para os desafios globais. As soluções devem estar centralizadas no equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, através da introdução do conceito de transformação digital, capaz de envolver todos os cidadãos na construção de sistemas inteligentes de manufatura mais eficientes e também de uma sociedade mais equilibrada, consciente, produtiva e que vive com a máxima qualidade de vida (FUKUYAMA, 2018). A Figura 3 apresenta uma ilustração do conceito de sociedade 5.0. Figura 3 - Ilustração do conceito de sociedade 5.0 Fonte: Huseyin BAS/iStock. 135 ""' ;s 1ndustrY 2- JndustrY 3.0 dustrY 4.0 JndustrY 5.0 A Figura 3 ilustra a ideia da conectividade entre as pessoas. É precisamente na perspectiva de desenvolver tecnologias disruptivas que contribuam efetivamente para melhorar a qualidade de vida das pessoas que o conceito de sociedade 5.0 deve ser considerado. É importante ressaltar que este conceito é derivado do conceito de indústria 5.0, que está relacionado às inovações dos sistemas inteligentes de manufatura e à influência da inteligência artificial na vida cotidiana das pessoas através da cooperação entre robôs e seres humanos. A Figura 4 apresenta uma escala evolutiva que parte da primeira revolução industrial e culmina com o conceito de indústria 5.0. Figura 4 - Escala evolutiva do conceito de indústria 5.0. Fonte: Olivier Le Moal/iStock. ASSIMILE O conceito de integração dos sistemas de manufatura influenciados pela indústria 4.0 e indústria 5.0 precisa 136 ser considerado em seu aspecto multidisciplinar, especialmente no que diz respeito à conectividade e automação dos processos produtivos. A integração inclui todas as variáveis internas que estão relacionadas com a fabricação dos produtos e também com as chamadas variáveis externas, relacionadas à logística e distribuição destes produtos. É importante ressaltar que todas as variáveis, internas e externas, podem ser monitoradas por sensores capazes de transmitir os dados através da internet, com o objetivo final de aumentar a eficiência dos sistemas inteligentes de manufatura e aumentar a qualidade de vida das pessoas. Portanto, diante da multiplicidade de conceitos tecnológicos que foram apresentados, é possível concluir que a manufatura integrada por computador (Computer integrated manufacturing–CIM) é um sistema de grande importância industrial, pois integra todas as variáveis do processo produtivo e facilita a transmissão das informações para todos os colaboradores envolvidos. Além disso, a integração das informações oferece as condições necessárias para a constante atualização da empresa que necessita satisfazer as demandas do mercado. Especialmente nos sistemas inteligentes de manufatura, existem bilhões de sensores que monitoram cada etapa do processo produtivo e existe a previsão de que o número de sensores fabricados nos próximos anos ultrapasse o número de um trilhão, demonstrando que a aplicação dos sensores aos sistemas inteligentes de manufatura é uma tecnologia revolucionária que precisa ser estudada com grande profundidade, devido ao seu enorme impacto em todos os aspectos da indústria 4.0 e da sociedade 5.0, em um contínuo esforço para construir um mundo mais consciente, fecundo e equilibrado para todos os seres humanos, fundamentado no conceito de Caridade. 137 TEORIA EM PRÁTICA O processo de fabricação integrado por computador, também conhecido como manufatura integrada por computador (Computer integrated manufacturing–CIM), pode ser definido como um sistema computacional de integração de todas as etapas do processo produtivo, que facilita a transmissão das informações para todos os profissionais envolvidos com a fabricação dos produtos. Este sistema computacional potencializa a multidisciplinaridade dos sistemas produtivos através do uso de softwares para o desenvolvimento da gestão da informação dentro das empresas. Imagine que você é o engenheiro responsável pela produção de telefones celulares. Como você utilizaria o conceito de manufatura integrada por computador para aumentar a produtividade da empresa? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. O processo de fabricação integrado por computador estimulou o desenvolvimento do conceito de qualidade nas empresas. A partir deste conceito, os consumidores passaram a exigir maior variedade de produtos. Esta exigência aumentou as demandas por produtos inovadores, estimulando o aumento da automação dos processos produtivos, que foi implementado a partir de duas estratégias fundamentais(COELHO, 2017). Quais são elas? a. Automação dos sistemas e manufatura e investimento em marketing digital. 138 b. Digitalização das tecnologias de informação e capacitação tecnológica dos operadores. c. Desenvolvimento de capacitação profissional e integração dos sistemas de manufatura. d. Integração dos equipamentos automatizados e digitalização do sistema de comunicação. e. Investimento em inovações tecnológicas e digitalização dos processos produtivos. 2. O conceito de computação em nuvem surgiu com a distribuição de serviços de computação, como por exemplo, os servidores, armazenamento, bancos de dados, redes e softwares pela internet (que é chamada de nuvem). Trata-se de um novo paradigma tecnológico que pode ser considerado como um avanço significativo na ciência da computação (MENDES, 2013). Assinale a alternativa que melhor descreve as principais características das inovações provenientes da computação em nuvem. a. Recursos customizados, redução do tempo de trabalho e melhoria contínua. b. Integração dos processos, soluções rápidas e digitalização dos sistemas. c. Melhoria contínua, digitalização dos processos e soluções rápidas. d. Soluções rápidas, recursos mais flexíveis e redução do tempo de trabalho. e. Redução do tempo de trabalho, otimização das informações e integração dos processos. 139 3. O desenvolvimento de inovações na área da tecnologia da informação promoveu a expansão do conceito de indústria 4.0, que introduziu o trabalho dos computadores no controle dos sistemas inteligentes de manufatura e também os processos de automação nas fábricas através do uso de sensores e sistemas ciberfísicos. O efetivo impacto das tecnologias relacionadas à indústria 4.0 ainda está começando a influenciar concretamente a vida cotidiana das pessoas. Para compreender melhor este impacto, é possível criar a visão de um novo paradigma, ainda mais sofisticado, que é chamado de indústria 5.0 (SKOBELEV, 2017). Assinale a alternativa que melhor descreve as características fundamentais da indústria 5.0. a. Impacto da computação em nuvem nos sistemas inteligentes de manufatura. b. Aplicação da tecnologia da informação nas estratégias de marketing digital. c. Influência da inteligência artificial na vida cotidiana das pessoas através da cooperação entre robôs e seres humanos. d. Transformação digital de todas as etapas dos processos produtivos. e. Economia compartilhada inovadora que ofereça novos produtos e serviços. Referências Bibliográficas COELHO, F. J. S.; CARVALHO, R. A. Estudo sobre o desenvolvimento e tendências futuras da Manufatura Integrada por Computador (CIM) através de análise bibliográfica e bibliométrica. GEPROS. Gestão da Produção, Operações e Sistemas, 3, p. 107-130, 2017. 140 FERNANDES, J. M. S. M. Melhoria da produtividade através da identificação de restrições: Caso de Estudo–Grupnor Elevadores. Guimarães–Portugal: Escola de Engenharia–Departamento de Produção e Sistemas–Universidade do Minho, 2012. FUKUYAMA, M.Society 5.0: Aiming for a New Human-Centered Society. Japan Spotlight, 4, p. 47–50, 2018. GROOVER, M. P. 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Resolução: O conceito de indústria 5.0 está fundamentado na influência da inteligência artificial na vida cotidiana das pessoas através da cooperação entre robôs e seres humanos, na busca por maior qualidade de vida. 142 143 Bons estudos! Apresentação da disciplina Contextualização da Quarta Revolução Industrial e Cibersegurança Industrial Objetivos 1. Contextualização da Quarta Revolução Industrial 2. Fundamentos de Cibersegurança 3. Internet das Coisas: ameaças de segurança e vulnerabilidades 4. Desafios para a indústria diante dos ataques cibernéticos Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Big Data: fundamentos, infraestrutura e interfaces Objetivos 1. Big Data 2. Uma breve história 3. Estrutura do Big Data 4. Interface e possibilidade Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Sistemas Ciber-físicos: aplicações e processos físicos Objetivos 1. Introdução 2. Internet Industrial das Coisas (IIoT) Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Cloud computing e Big Data Objetivos 1. Computação em nuvem (cloud computing) 2. A relação da computação em nuvem com o Big Data 3. Alguns desafios do Big Data Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Estruturas de programação em nuvem Objetivos 1. Computação em nuvem 2. Arquitetura da computação em nuvem 3. Ambiente do desenvolvedor 4. Microsoft AZURE 5. Google Cloud Platform - GCP 6. Linguagem de programação Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Conceitos de produção x produtividade e análise do processo produtivo Objetivos 1. Introdução aos conceitos de produção, produtividade e processo produtivo Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Conceitos de fabricação integrada por computador e integração empresarial Objetivos 1. Conceitos de fabricação integrada por computador e integração empresarial Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito