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Direito Administrativo - Uniasselvi (pesquisável)_compressed-1

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A el Terena 
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». ONIIVILSINTHNOAV OLIJIIA
SUMÁRIO 
 
 
 
UNIDADE 1 - DIREITO ADMINISTRATIVO...... 3 
1CONTEXTUALIZAÇÃO.... 5 
2 INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO E À ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA FEDERAL 6 
2.1 OQUEÉÊ O DIREITO?........ remetente remeemeeeemerermeeemmereeemreermes 6 
2.1.1 Divisões do direito... crer eerteeeee ereeeeereese rreeeerraees 6 
2.1.2 O direito administrativo... re cereeeereteeeecereeeeeereeeee caes 7 
2.1.3 O direito administrativo e a ciência da administração pública........................... 8 
2.1.4 Codificação... irerttreeeeaseeeeeeeerereeeereeereeeeeereeereseerremerereeereesereresererarereeeeereeserreeneereenees 8 
2.1.5 Metodologia de estudo... eretas eeerereeeeeeeeerreaens 10 
2.2 ORIGEM HISTÓRICA DO DIREITO ADMINISTRATIVO........... eee 13 
2.2.1 Origem histórica do direito administrativo no Brasil................... 18 
3 O ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA.......................ecceemeeesee 20 
3.1 DEFINIÇÕES BÁSICAS SOBRE O ESTADO........... temer 20 
3.1.1 O queé o Estado?....... nn reeeeeee rare ee tee tee net ner eat eat aeee re aeee ee ee e areanaa 20 
3.1.1.1 Contexto histórico... eee ceremeerereeeecereeeereeeeeeeama 20 
3.1.1.2 Elementos do Estado... eeeerereeeeeereeeerreeeeerreeeeea 22 
3.2 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.......... tremores rereeeereeeeeereemenees 23 
3.2.1 Classificações de administração pública................... ii rireemeereeeeeeresseeeeereeerseenees 23 
3.2.2 Administração burocrática vs. administração gerencial... 24 
3.2.2.1 Administração patrimonialista............... erre 24 
3.2.2.2 Administração burocrática... terrier eneereeeereeeerreeeereeerreeserreseerserttes 25 
3.2.2.3 Administração gerencial... rentes eeereeeeeeeerrteeeeeaaa 25 
3.3 ATIVIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL.............. temem 28 
3.3.1 Função administrativa não governamental... 29 
3.4 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL............. 30 
3.4.1 Teorias sobre a ação do Estado... irei reeerreereeeeereseertanea 30
342 A oraanizacão do Estado... 30 
 
3.4.3 Administração direta... rrenan area reereereree terre rereereneerteas 31 
3.4.3.1 Órgãos PÚbIICOS......... eee 31 
3.4.4 Administração indireta... ir tneeeneeeeeertenerreerereeeerremsereesereeeserrassartas 33 
344.1 Autarquias... er eeerteeereeeeremeeerme erre errree eres errmeeeeresenaa 34 
3.4.4.2 Conselhos de classe... eee eerteeee eee rereeeeeereeerereaens 36 
34.4.3 Agências reguladoras... eretas aeee eereeeeeereeeeereanns 36 
34.44 Agências executivas... recem reeeereeeeereeeeeermeeeerreeereraaees 37 
34.4.5 Associações públicas... erre eeereeeeecereeeerreeeeecemeneeta 37 
34.4.6 Fundações públicas... eee eeeereeeeeres 38 
34.4.7 Empresas estatais... recta rea reeee tera reererteeerrts 39 
34.4.8 Entes de cooperação... rece cereeeeeerereerereeeeeereeee rare 43 
3.4.4.9 Serviço social autônomo - Sistema “S-"......... terrier 44 
34.4.10 Entidades de Apoio... cre rerteeeee teres cereeeeeerereecenaas 46 
34.4.11 Organizações Sociais... eee crer reee rear 47 
344.12 05CIP....... temer rereeeeeerettemarerr arrasar reta eee rer tee nre err teeesererrresererertas 50 
3.5 FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR DA COISA PÚBLICA........... temente 51 
3.5.1 Conceito básico... reter cereeeeeerererereeeeereeeerereareranes 52 
3.5.2 Responsabilidade do servidor público... 53 
3.6 EFICIÊNCIA NA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA... eee 54 
3.6.1 Eficiência, eficácia e efetividade.................. ii eerreerereessereeeecarma 55 
3.7 SISTEMA JURÍDICO DO DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO.............. 55 
4 PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO....................cecerierreerereeerserereserrensos 58 
4.1 SUPRAPRINCÍPIOS........... eee emerersreee 59 
4.1.1 Supremacia do interesse público... erram 60 
4.1.2 Indisponibilidade do interesse público................ nero 60 
4.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS.......... eee 60 
4.2.1 Legalidade... career ceeeeeeareeeeceraeeertrnererereeere rasa rereanenea 61 
4.2.2 Impessoalidade............. re cereeeereteeeeecereeeeereeeeecereeeeermeeertens 63 
PA PU NV [0 =| [O F- [6 [<= 64
PAP: AT] o) [foi [o F- [o [= EN 64 
 
 
4.2.4.1 A questão do sigilo... err ecrteeeeereeeeereeeeee nesse rereeeeeea 65 
Ei 828,5 5 [o] [<] a (o E: PR 65 
4.2.6 Outros princípios constitucionais expressos... is 66 
4.2.6.1 Participação... recem eeemeereeee arame erre arame cererecererecereenaas 66 
4.2.6.2 Celeridade processual... rmeerereeeecereeeereresee ceras 66 
4.2.6.3 Devido processo legal formal e material... iieerreeseeeeseeneeeseeeeseenes 67 
4.2.6.4 Contraditório........... ceras eeeeereeeeereeeeeereeneereeeeeerseneeaees 68 
4.2.6.5 Ampla defesa... irrmreeeeeeereeeemeeemeereeereeresemeereserereseereereserereseereersseeereseereresnesresss 68 
4.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS........... ementa 68 
4.4 INFRACONSTITUCIONAIS............... e remar rerteeeeeerteasererrreeeerereresserrrama 69 
5 SERVIÇO PÚBLICO 1 
5.1 SERVIÇO PÚBLICO... tetra reemrerereeeeereemrermeeeeemaes 72 
5.1.2 Princípios do serviço público... eee reeeereeeeeraes 73 
5.1.3 Titularidade do serviço público... errar 75 
5.1.4 Formas de prestação de serviço público... 76 
5.1.5 Classificações do serviço público................ ir rrieeeereeeeeeerseereereereereseenerreemerrseeeere 77 
5.2 AGENTE PÚBLICO... temer reeeeeereeeareeeeeeeertereeeeemereemartero 78 
5.2.1 Agentes políticos... eee cereeeerereeee ereeeeereeeee renas 79 
5.2.2 Ocupantes de cargo em comissão... eee eeremeeeeeeeertaes 19 
5.2.3 Contratados temporários... eee cermeeee terre cereeeeeereeeeeras 79 
5.2.4 Agentes militares... crer eeaeeeecreeeecereeeecrneeeeereeeee renas 80 
5.2.5 Servidores públicos estatutários... reerereeeeeers 81 
5.2.6 Empregados públicos... ecra cereeeeereeeecereeeeeanes 82 
5.2.7 Agentes honoríficos................. rr emeemeereereeeeeeeeeerereerreseereerseerreseemerrsrereresenerrssseseresses 83 
6 CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 83 
6.1 ASPECTOS CONCEITUAIS... remar reremeeeerareesererereeeee meras 84 
6.1.1 Classificação... itreriteereeeeertemertereereereeereereeneerereereseeresrertesreemeeerereaereseremeeeeesserensss 85 
6.1.2 Lei de responsabilidade fiscal................ nn ierreemeeeeeeeemeeeeereerseemeereemeeeressererserereremss 86
6.1.3 Accountability... cette eertereeemeeeertereeceremeerernee renas 86 
 
6.2 SISTEMA DE CONTROLE... irem cereeeeererteemserearreesere renas 86 
6.3 CONTROLE INTERNO... rr eertmeeeeecrreeeeeererteeseererrreasarecrrrarareea 87 
6.4 CONTROLE EXTERNO... reeeeeerereeneere temer rereeeeeecerrsserrraras 89 
6.4.1 Controle legislativo... rectas eneeecereeeee cenas ereaeeeranas 89 
6.4.2 Controle judicial... rem eeeterecereeeere terre cereeeerereace rena 93 
64.3 Controle popular... cette cereeeeerteeee emeeerereneecereaeeeoa 94 
6.5 CONSIDERAÇÕES ESPARSAS SOBRE O CONTROLE... 95 
6.5.1 Provocação da administração pública... 95 
6.5.2 Recursos administrativos em suas variadas espécies... 96 
7 PROCESSO ADMINISTRATIVO 96 
71 NORMAS... tree rrrteeseeere teaser cer eee err teaaa err trtarare certa rre ter tea ara eer arrasar retas reerertanaa 97 
7.2 COMPETÊNCIA... terremoto erre remereereere 97 
7.3 ESPÉCIES DE PROCESSO ADMINISTRATIVO... temem 99 
7.4 SUJEITOS DO PROCESSO... remar rereneere tremer rereeeeerrrteas 99 
7.5 DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO............ items rtetrtaaas 99 
7.6 INSTAURAÇÃO DO PROCESSO.......... irreais 100 
7.6.1 Início do processo... rece eecerteeeeeareeeeereeeeeresererseeneta 101 
7.6.2 Impedimentos e suspeições............ teresa rermeeeereeeerereeneeta 101 
7.6.3 Forma, tempo e lugar dos atos do processo... ieeeeeememeeremeereaseess 102 
7.6.4 Instrução do processo... eta eeeeeeeeeeee terre rereeeeereeeerereaees 102 
7.6.5 Dever de decidir... eee rermeeee areas eereesee eeeerereeeereaes 103 
7.6.6 Desistência... errar eerteeeeerteeeceneeerereeeeecereeeeereseeceras 103 
7.6.7 Recursos administrativos... rear neeeerteeeeerees 103 
7.6.7.1 Permissão para reformatio in pejus............ cc ieerieseeeeeeseeerseeeeeresmeeresereeersemeenes 103 
7.7 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NA ADMINISTRAÇÃO MILITAR............................. 104 
7.8 APURAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO.......... temer 105 
7.8.1 Sujeitos da improbidade... eres eeereeeee renas 107 
7.8.2 Espécies de atos de improbidade... eee 109
7.8.3 Atos de improbidade que causam prejuízo ao erário... 110 
 
 
 
 
 
 
7.84 Sanções cabíveis... trinta reeerreeeertererreeeereee erre ereeeereseerreseerreseerrarartas 113 
7.8.5 Apuração do ato... ceras emeeeeereeeeecereeeeereeee ereeeeereeeee renas 113 
7.8.6 Improbidade e devido processo legal... 115 
7.8.7 Medidas cautelares... eternas eereeee cares eerreeeaanas 115 
7.8.8 Fase judicial... ri teeeecereeeee tera cereeeerereeeeceremeerereeere renas 116 
7.8.9 Improbidade administrativa e princípio da insignificância....................... 118 
7.8.10 Persecução no sistema militar... errei 119 
7.9 RESSARCIMENTO DE VALORES RECEBIDOS INDEVIDAMENTE........................ 122 
8 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES .... 123 
9 REFERÊNCIAS...... ... 125 
UNIDADE 2 - CONTENCIOSO JUDICIAL 130 . 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO........................... 131 
2 PODER JUDICIÁRIO 132 
2.1 DEFINIÇÕES BÁSICAS... eee irritantes 132 
2.2 ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO........... easier 134 
2.3 ESTATUTO DA MAGISTATURA............. es crreeeeeereeeeseeeereaeeeeerereseeeererass 140 
2.3.1 Introdução... rien rereereeeereeeereeerteeeretererter eretas erre artes errseerreserresserresaertas 140 
2.3.2 Princípios constitucionais do estatuto da magistratura... 143 
24 QUINTO CONSTITUCIONAL... eretas cereeeeereeeeeaaa 146 
24.1 Decisões judiciais sobre o tema... eres eeeeerteeeeaa 149 
2.5 GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO .......... eee 149 
2.5.1 Garantias institucionais... erre eeeeteeee rear rare 150 
2.5.2 Garantias funcionais... erereereereerseeeeeeersererrerreereeeremseneerersasererersaneas 154 
2.6 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA... reerreeeeeereeeeeeeias 157 
2.6.1 Composição... erceeereemeeremeereeeeertree aerea ceeeeeresereeseerrsrerasa 157 
2.6.2 Competências do Conselho... semear 158
2.6.3 Controle do controlador... reter reerereeraeaa 159 
2.7 SÚMULAS VINCULANTES.......... ni trteemeeeteemeereeeeeeerereemeeeemerermeeeemertera 160 
2.7.1 Contexto histórico... eee ereteeeeeareeeerereeeeecreeereraeeeeta 160 
2.7.2 Arquitetura das súmulas vinculantes............... ins 161 
2.7.3 Sobre o efeito vinculante.................... re rrernseeeeeeaceramsaseraeacerrresaseenaane 162 
AN (8 EN <To E [88 [= [07 [o PR 163 
2.8 ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO............ teremos 163 
2.8.1 Supremo Tribunal Federal... creme eee eeremeeeeanes 165 
2.8.1.1 Composição... eee reee eee reerertereee tee enerteeer tener tserrtanes 165 
2.8.1.2 Atribuições... ir iireeetereseeereeeereseeareserteeee rare rerarerreree rena rrereereeneereeaeereserrens 167 
2.8.2 Superior Tribunal de Justiça... eres reeeeeeeeeeceras 169 
2.8.2.1 Composição... erre eeeeerteme ceara eeree carma crer errese ceras censenea 169 
2.8.2.2 Competências... reter terre cereeeeerteere ceras erereeeeereneeneea 170 
2.9 JUSTIÇA DO TRABALHO... riem eereeeeeererteaseerrrreenere ereenrereaa 173 
291 TST ceeeeerrteaaeeeteerere certa rea rerteeeaere tetra certa ree tretas err tree certa eee terrenas 173 
PURO RM E RNP 173 
2.9.3 Juízes do Trabalho... eee cereeeeeeteeeecereeeeeereeree res 174 
2.10 JUSTIÇA ELEITORAL... temer cereeeeeerertemeaeertrreeaererereerre nero 175 
2.10.1 Tribunal Superior Eleitoral... eeeeereeeeeres 175 
2.10.2 Tribunais Regionais Eleitorais... eres 175 
2.11 JUSTIÇA MILITAR... cerrerrrtteeaeeertreererecerteereerertearererrrmesere rentes 176 
2.11.1 Justiça Militar da União... ir rir rrreeeerteseeereseereseerreseeereserteseerans 177 
2.11.2 Superior Tribunal Militar... eeeeereeeerreees 177 
2.11.3 Conselhos de Justiça... iirerriereeetreeeierese area reenerreaee aerea resereneereaeta 178 
2.11.4 Justiça Militar Estadual.................. ir iierrreeeerremeerreseeremeerreseeremeerresaentas 178 
2.11.5 Tribunal de Justiça Militar... ir rireertreeserreseerreseeremeerresereraneeta 179 
2.11.6 Conselhos de Justiça e juiz militar... 179 
2.12 JUSTIÇA FEDERAL... ser rrreeeeeerereeeeeerereemaerraremaere eressereeta 179 
2.12.1 Tribunais Regionais Federais... serras 179 
2.12.2 Juiz federal... erre seara eeneenteneneeeeeeerrerrerreareaetaeeaearearerrearearereeeseeneaças 181
2.12.3 Incidente de deslocamento de competência... 182 
 
2.124 Questão indígena... terre cereeeeerteeeeecemeseerreeee ceras 182 
2.13 JUSTIÇA ESTADUAL.............. rimar rerteeeererteraeeretmeererereeeere ceras 182 
3 FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA .... 184 
3.1 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS........... temeroso 184 
3.2 MINISTÉRIO PÚBLICO... easier eres 185 
EE 872084 O] [o [<] 0 à PRARRARRR 185 
3.2.2 Legislação pertinente... eee ceteeeee rear cereeeeeerenee renas 186 
3.2.3 Tratamento constitucional............... cer reeeereeeeeertees 187 
3.2.4 Investidura........... rece teeeecereeeeeerreeeereeere rear ceeeeerrenee ceras 188 
3.2.4.1 Promotor ad-hoc... eee eerteeeeereeeecereeeeereeee ceras 188 
3.2.5 Abrangência e organização do Ministério Público... 188 
3.2.5.1 Ministério Público Eleitoral... teres 188 
3.2.5.2 Ministério Público junto ao Tribunal de Contas................. 189 
3.2.5.3 Ministério Público Militar... eretas 189 
3.2.6 Missão institucional... rece cereeeeereeeecereeeerereeeeerenens 190 
3.2.7 Princípios institucionais... re ereee errar eeeee teares 191 
3.2.7.1 Princípio da unidade... erre eereeeeee eee rereeeereaees 191 
3.2.7.2 Princípio da indivisibilidade.............. eee cereais 191 
3.2.7.3 Independência funcional... erre teeeeerreereereeeeereeemeereeseeereseeeereseeeereseneeress 192 
3.2.8 Princípio do promotor natural... eee 194 
3.2.9 Autonomia funcional, administrativa e financeira do MP... 195 
3.2.10 Funções institucionais do Ministério Público.................... site 197 
3.2.11 Acordo de não-persecução penal... estan 199 
3.2.12 Investigação criminal pelo Ministério Público e teoria dos poderes 
implícitos... terre cereeeeer tree cereeerereeeeeceneeerereeee ceras 200 
3.2.13 Prisão de membros do MP... ereta aeerereeetana 205 
3.2.14 Ministério Público Militar... eee reenere ereta 205 
3.3 ADVOCACIA PÚBLICA... tremer reemreerreeeareemmermeeermas 206
3.3.1 Organização da Advocacia Geral da União... 207 
 
3.3.2 O Advogado-Geral da União... eee cermeeeeaes 207 
3.3.3 Advocacia-Geral dos Estados e do Distrito Federal... 208 
ERA AD (O [67 AV TA VR 209 
3.5 DEFENSORIA PÚBLICA... eretas 210 
3.5.1 Custos vulnerabilis................ eee eeeteeeeeceeeeerereeeecereeeerereeeee rasa 212 
3.5.2 Inovação do pacote anticrime............ recem eeee centenas 212 
4 ADMINISTRAÇÃO MILITAR EM JUÍZO 214 
4.1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MILITAR.......... eee 214 
4.2 PROCESSOS JUDICIAIS... eee eeeeeereeree res 214 
4.3 PROCESSOS JUDICIAIS NA QUESTÃO MILITAR... eee 215 
4.4 PRESTAÇÃO DE SUBSÍDIOS PARA A DEFESA E A RELAÇÃO COM A AGU................ 219 
4.4.1 Defesa na Justiça Militar... riterertereereeeeerereereemeereseeereeeereerereseeeseerreseeeenas 219 
4.4.1.1 Prestação de subsídios... ir iremos reeeeeerese eres rena rreseeranaates 220 
4.4.2 Advocacia Geral da União em relação à Justiça Militar... 221 
4.4.2.1 Prestação de subsídios... ir iteeriereeeeeeeereeeaeeee erre renee erre reererrenaeta 222 
4.4.3 Consultoria jurídica... eretas cereeeeereeeecereeeererereee renas 223 
4.44 A Defensoria Pública e as Assessorias de Apoio para Assuntos 
BU [a(o | [of o 226 
4.5 ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO NO QUE SE REFERE AO CUMPRIMENTO DE 
DECISÕES JUDICIAIS............itttrtrereeemeemeeeermerereereeeeeeeremeemeeeasemmr mermo reererere rrenan 227 
5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES 228 
6 REFERÊNCIAS...... «229 
APRESENTAÇÃO 
A disciplina de Direito Administrativo tem o condãode expor aos alunos os 
principais temas do ordenamento jurídico em relação ao contexto das "regras do 
jogo” da Administração Púbica. Nesse sentido, busca-se entender o funcionamento 
da máquina estatal, a partir dos objetivos de um gestor público de carreira. Para 
atendimento da finalidade colimada, a disciplina está dividida em duas unidades 
didáticas: Direito Administrativo propriamente dito e Contencioso Judicial. 
A unidade didática correspondente ao Direito Administrativo, traz as bases 
da formação do conhecimento acerca da Administração Pública, buscando o 
entendimento do Estado, em sua legitimidade e em suas estruturas, desde seus 
princípios norteadores até as entregas de serviços públicos. 
A unidade didática correspondente ao Contencioso Judicial, por sua vez, 
apresenta os órgãos que formam a estrutura da Justiça brasileira, como são 
formados, suas atribuições e suas relações, a fim de entregar um deslinde adequado 
para as lides ocorridas na sociedade. 
Bons estudos!
Unidade 1 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos 
de aprendizagem: 
Saber: 
Y 
/ 
A
s
 
Compreender a estrutura, organização e as atividades da Administração Pública 
Federal. 
Compreender, distinguir e explicar as funções do administrador da coisa pública, 
de acordo com os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais dominantes no 
ordenamento jurídico, com o fim de promover a eficiência no exercício das 
atividades administrativas nas Organizações Militares do Exército Brasileiro. 
Identificar o sistema jurídico que rege o Direito Administrativo, conforme 
ensinamentos doutrinários vigentes, para bem cumprir as funções de Assessor de 
Estado Maior e Ordenador de Despesas. 
Analisar a legislação pertinente, visando a integração do conhecimento adquirido 
com as atividades que serão desenvolvidas nas OM, especialmente na seara da 
administração de recursos públicos. 
Descrever os principais aspectos do Estado e da administração pública, compreender 
o serviço público federal, a administração indireta no Brasil e o papel do servidor 
público. 
Expor os princípios do Direito Administrativo. 
Classificar os princípios constitucionais e infraconstitucionais do Direito 
Administrativo, de acordo com a Constituição Federal de 1988, aplicando-os nas 
atividades diárias.
«
0
4
 
a
s
 
4 Apresentar os diversos tipos e formas de controle a que se submete a Administração 
Pública. 
Descrever o sistema de controle administrativo. 
Analisar o sistema de controle legislativo e o protagonismo do Tribunal de Contas 
da União. 
Compreender as normas inerentes ao processo administrativo, com ênfase nos 
procedimentos utilizados na administração militar. 
Conhecer o procedimento de apuração de dano ao erário e de ressarcimento de 
valores recebidos indevidamente.
Direito Administrativo 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO 
O estudo sobre o Estado, a Administração Pública Federal e o Direito 
Administrativo é de extrema importância para o desenvolvimento de uma 
sociedade democrática e justa. Conhecer a estrutura do Estado e sua organização 
política, bem como as normas e princípios que regem a Administração Pública 
Federal e o Direito Administrativo, é fundamental para a compreensão dos 
direitos e deveres dos cidadãos. 
O estudo dessas áreas permite compreender como os recursos públicos 
são geridos e como as políticas públicas são implementadas, possibilitando 
um maior controle social sobre as ações do Estado. Além disso, é através do 
Direito Administrativo que são estabelecidos os limites e as responsabilidades 
dos agentes públicos, evitando abusos de poder e garantindo a eficiência na 
prestação de serviços públicos. O Estado é uma entidade política soberana 
que exerce o poder sobre uma determinada sociedade. Ele é responsável 
por garantir a ordem pública, proteger os direitos dos cidadãos, promover o 
bem-estar social e econômico, entre outras funções. A administração pública 
é o conjunto de órgãos, serviços e agentes públicos que atuam em nome do 
Estado, com o objetivo de executar políticas públicas e garantir a prestação de 
serviços à população. 
A Administração Pública Federal é o conjunto de órgãos e entidades da 
União que têm como finalidade a realização das atividades administrativas do 
Estado brasileiro. Ela é responsável por gerir recursos públicos, regulamentar 
atividades econômicas, promover o desenvolvimento social e econômico do 
país, entre outras atribuições. 
O Direito Administrativo é um ramo do direito que se dedica ao estudo 
das normas e princípios que regem a Administração Pública. Ele estabelece 
regras para a atuação dos agentes públicos, a gestão dos recursos públicos, a 
contratação de serviços e obras, entre outras questões. 
A importância do Estado, da Administração Pública Federal e do Direito 
Administrativo está relacionada à garantia da legalidade, transparência e 
eficiência na atuação do poder público. A existência de normas e princípios que 
orientam a atuação dos agentes públicos é essencial para a proteção dos direitos 
dos cidadãos e para o bom funcionamento das instituições democráticas. Além 
disso, a Administração Pública Federal é responsável pela implementação de 
políticas públicas que têm impacto direto na vida das pessoas, como saúde, 
educação, segurança, entre outras áreas. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Em resumo, o estudo sobre o Estado, a Administração Pública Federal 
e o Direito Administrativo é fundamental para o exercício da cidadania, para a 
compreensão do funcionamento do Estado e para a atuação profissional em 
áreas relacionadas ao setor público. 
2 INTRODUÇÃO AO DIREITO . 
ADMINISTRATIVO E À ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA FEDERAL 
2.1 O QUE É O DIREITO? 
“Direito”, epistemologicamente, é o complexo de normas que regem 
o Estado e a própria vida em sociedade. Todas elas necessárias para que 
haja uma coexistência pacífica entre as pessoas e que haja condições para o 
desenvolvimento político, filosófico e, propriamente, social de uma comunidade. 
Dessa maneira, o Direito fertiliza o terreno em que a coletividade evoluiu em 
sua autoconsciência, mas também em relacionamentos internos e externos 
(com outros grupos). 
É importante que se entenda também que essas normas consideradas 
como Direito, são aquelas que têm força coercitiva, uma vez que são impostas 
pelo Estado, que é o legítimo detentor da capacidade de exercício da força. 
As normas vigentes em determinado período histórico são o que se chama de 
Direito posto. 
 
Apesar de, tecnicamente, terem conceitos diferentes, para o 
entendimento simplificado: é aquela estrutura social que tem a 
permissão para o uso da violência, inclusive, contra seus próprios 
 
cidadãos, quando desobedientes às normas. 
 
 
2.1.1 Divisões do direito 
O Direito, para fins didáticos, pode ser dividido em “ramos” ou “partes”, 
conforme a sua destinação, e pode ser interno, internacional, público ou 
privado. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 1 —- RAMOS DO DIREITO E SUAS DEFINIÇÕES 
 
RAMO DO DIREITO DEFINIÇÃO 
 
Interno Relações dentro do território nacional. 
 
Internacional 
Relações externas ao país, com outros 
Estados ou pessoas estrangeiras. 
 
Atuação do Estado buscando a satisfação 
do interesse público. 
 
 
Público É a disciplina normativa do Estado. 
Ex.: Administrativo, tributário e 
constitucional. 
Relações particulares, busca-se um 
j interesse privado. 
Privado P Ex.: Civil, empresarial e trabalho. 
FONTE: O autor (2024). 
2.1.2 O direito administrativo 
Direito Administrativo é um ramo do Direito Público Interno. Ele possui 
como objeto: 
1. Os órgãos, entes, agentes púbicos e pessoas jurídicas 
administrativas, integrantes da Administração Pública. 
2. A atividade jurídica passível de ser exercida por ela mesma, ou 
seja, aquela não contenciosa. 
3. Os bens públicos. 
O Direito nesse ínterimé responsável por reger as relações atinentes a 
esses objetos, entre si e com os administrados, visando sempre a consecução 
dos fins desejados pelo Estado. 
Na definição de Meirelles (2018, p. 48), 0 conceito de Direito Administrativo 
brasileiro sintetiza-se no “conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem 
os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, 
direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. 
Pode-se também resumir o conceito desse ramo do Direito em: 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
 
“Conjunto de normas e princípios que regem a atuação da 
Administração Pública”. (Medauar, 2001, p. 29). 
 
 
 
2.1.3 O direito administrativo e a ciência da 
administração pública 
Importa notar que há diferença entre dois estudos: o Direito Administrativo 
e a Ciência da Administração Pública, podendo ser sintetizados da seguinte 
maneira: 
TABELA 2 — DIFERENÇAS ENTRE DIREITO ADMINISTRATIVO E CIÊNCIA DA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Administrativo Ciência da Administração Pública 
Pertence às ciências jurídicas É uma ciência própria 
Caráter normativo Caráter social 
Estudo de princípios e regras Estudo de técnicas de gestão 
do Direito pública 
Estabelece limites para a É subordinado a esses limites 
Administração Pública estabelecidos 
Princípios basilares do Direito Princípios basilares da 
Administrativo: Administração como ciência: 
* Supremacia do interesse * Planejamento 
público * Preparação dos trabalhadores 
* Indisponibilidade do * Controle 
interesse público * Execução 
 
FONTE: O autor (2024). 
2.1.4 Codificação 
Uma das principais características do Direito Administrativo brasileiro 
é a sua não codificação, ou seja, não há um livro, um compêndio de leis 
administrativas, como há em outros ramos do Direito, a exemplo do Código 
Civil. As normas do ordenamento administrativo são extraídas, portanto, da 
Constituição e de leis esparsas de nível federal, estadual e municipal. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Essas leis esparsas, tratadas por assuntos específicos relacionados a um 
tema, é que podem ser entendidas como codificadas, a exemplo do Código 
Aeronáutico (Lei n. 7565/86), Código de Águas (Decreto n. 24643/34), e da Lei 
do Processo Administrativo (Lei n. 9784/99). 
Essa situação coaduna com a nossa escolha de fonte primária do Direito 
Administrativo brasileiro, que é a Lei, obedecendo a nosso sistema clássico de 
Civil Law, ou de “Império da Lei”, diferentemente de modelos como o americano, 
com forte tendência ao Common Law, em que as decisões judiciais coordenam 
o sistema jurídico, o que é chamado de modelo do stare decisis, criando os 
precedentes, que são uma fonte direta e vinculante para o julgamento de casos 
futuros. 
No entanto, apesar dessa escolha, isso não exclui a tendência moderna 
do Direito brasileiro em também obedecer a um sistema de precedentes, 
causando o que se entende como sincretismo entre Civile Common Law, e isso 
é exemplificado no sistema de súmulas vinculantes, previstas no Art. 103-A, CF: 
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício 
ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos 
seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria 
constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação 
na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos 
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública 
direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, 
bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na 
forma estabelecida em lei (Brasil, 1988). 
Dessa forma, as decisões judiciais, adquirem, também uma força cogente 
para a Administração Pública. Para entendimento didático segue um quadro 
sobre a evolução do ordenamento jurídico para a codificação de um tema: 
TABELA 3 - EVOLUÇÃO DO ORDENAMENTO JURÍDICO PARA A CODIFICAÇÃO 
 
 
Fase da Distribuídas em diplomas legislativos esparsos, sem 
a nenhum sentido de sistematização. 
legislação 
esparsa o 
P Ex.: Direito Ambiental no Brasil. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Codificação parcial da legislação. 
“A consolidação não se caracteriza como um 
verdadeiro código, na medida em que lhe faltam 
Fase da a unidade lógica e a sistematização racional, 
consolidação | impossíveis de se obter com a simples justaposição 
de leis distintas” (Mazza, 2022, p. 148). 
Ex.: Direito do Trabalho no Brasil, por meio da 
Consolidação das Leis do Trabalho. 
“Dá-se a codificação do Direito por meio da 
organização, em diploma legislativo único, dos 
princípios e regras mais relevantes para aquele 
ramo” (Mazza, 2022, p. 148). 
 
Fase da No entanto, isso não exclui a possibilidade de 
codificação | existência concomitante de outras leis que tratem 
daquele tema. 
Ex.: Direito Civil no Brasil, há o Código Civil que 
codifica o tema, mas também leis esparsas como a 
Lei de Locações (Lei n. 8245/91). 
FONTE: O autor (2024). 
 
2.1.5 Metodologia de estudo 
Para facilitação do estudo do Direito Administrativo, com sua própria 
sistematização, a doutrina classifica alguns critérios, conforme: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 4 — CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
CRITÉRIO DEFINIÇÃO 
 
Critério 
Legalista 
Também chamado de exegético, francês, empírico e 
caótico. 
Estudo das leis vigentes no país. 
“Esse critério foi fruto de um período histórico em que 
houve uma grande codificação das leis, notadamente no 
século XIX” (Di Pietro, 2010, p. 54). 
Não prevaleceu no Brasil, porque aqui se estudam 
outras fontes normativas, a exemplo dos princípios, 
doutrina, jurisprudência e costumes. Também, há 
uma transferência ao legislador de questões técnicas, 
próprias do Direito Administrativo. 
 
Critério 
do Poder 
Executivo 
Atuação do Estado por meio das leis que disciplinam o 
Poder Executivo. 
Não prevaleceu no Brasil porque exclui as demais funções 
administrativas exercidas por outros Poderes, além das 
atividades atípicas (legislativas e jurisdicionais) que o Poder 
Executivo também executa. 
 
Critério das 
Relações 
Jurídicas 
Disciplina das relações jurídicas entre Poder Público e o 
particular. 
 
e gestão de bens públicos. 
Também, existem relações jurídicas entre o Poder Público 
e o particular entre diversos ramos jurídicos, não só o do 
Direito Administrativo. 
 Critério do Serviço Público O objeto do estudo seria, justamente, as relações vinculadas ao serviço público prestado pela Administração. Não prevaleceu no Brasil porque a Administração Pública desempenha diversas atividades de outras naturezas, como o poder de polícia, o fomento e a atividade econômica (de modo excepcional). 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
 
Critério 
Teleológico 
Também chamado de finalista. 
Sistema composto por princípios jurídicos que regulam a 
atividade do Estado no cumprimento dos seus fins. 
Foi acolhido no Brasil, mas entendeu-se que era necessária 
uma complementação, uma vez que há dificuldade em se 
estabelecer propriamente todos os fins do Estado. 
 
Critério 
Negativo 
Aquilo que é residual em relação à função legislativa e 
judiciária, ou seja, é um critério de exclusão. 
Foi acolhido no Brasil, mas entendeu-se que era necessária 
uma complementação, uma vez que não se fala o que é, 
propriamente, a atividade administrativa, e sim, o que ela 
não é. 
 
Critério da 
Distinção 
Diferencia a atividade jurídica da atividade social do Estado. 
O Direito Administrativo se preocupa com a atividade 
jurídica do Estado. 
Foi acolhido no Brasil, mas entendeu-se que era 
necessária uma complementação. 
 
Critério da 
Administração 
Pública 
Também chamado de critério técnico-científico. 
Sistema de princípios jurídicos que formam o regime 
jurídico administrativo, vinculando o exercício da atividade 
administrativa que é voltada à consecução dos fins 
desejados peloEstado. 
Os fins do Estado são definidos pelo Direito Constitucional. 
As atividades administrativas são realizadas de forma direta, 
concreta e imediata. 
ç . . . Brasil 
FONTE: O autor (2024). 
Em relação a realização da atividade administrativa, pode-se definir que 
ela é praticada da seguinte maneira: 
a) Direta: atuação do Estado independe de provocação. Exclui a 
função jurisdicional, que precisa ser provocada; 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
b) Concreta: efeitos tangíveis a destinatários determinados. Exclui a 
função legislativa, que é abstrata; 
c) Imediata: atividade jurídica do Estado. Exclui a função social, que é 
mediata. 
2.2 ORIGEM HISTÓRICA DO DIREITO 
ADMINISTRATIVO 
O Direito Administrativo, assim como diversas disciplinas de base 
essencialmente filosófica, tem raízes gregas, que perpassam pensadores como: 
Platão - o projeto político deve ser permeado pela razão, o aprendizado 
leva o homem à “Verdade” e ao "Bem”. O poder deve ser exercido como missão 
da aquisição de sabedoria e não como ambição pelo próprio poder. 
Aristóteles - concepção organizacionista do Estado. O Estado é um 
organismo do qual os indivíduos são membros. Assim, o indivíduo não é um 
ser autônomo, ele é parte da totalidade social, por isso precisa obedecer a uma 
ordem de convívio. Daí nasce a necessidade de um poder político. 
O poder político define quem está autorizado a participar do poder, 
ou seja, quem pode ser considerado cidadão, diferenciado do restante dos 
habitantes da cidade por tomar parte nessa mesma autoridade política. Da 
definição da classe dos cidadãos, ou seja, como eles podem interferir no poder 
político, conceituam-se as formas de governo. 
Para Aristóteles essas formas podem ser justas ou injustas. O critério não 
consiste na quantidade de indivíduos que estão no poder, e sim no interesse 
do que fazer com esse poder. Há governos de muitos, justos. Há governo de 
muitos injustos, Há governo de um, justo. Há governo de um, injusto: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 5 — FORMAS DE GOVERNO JUSTAS X FORMAS DE GOVERNO 
 
 
 
 
 
INJUSTAS 
Formas de Governo Justas Formas de Governo Injustas 
Poder político é Poder político é 
À exercido por um exercido por um só, 
Monarquia nr e as E - SA 
Realeza) único indivíduo de Tirania mas oprimindo seus 
( forma justa, visando o governados, visa seu 
interesse do povo. próprio interesse. 
Governo de uma 
minoria que visa O 
Governo de uma elite bem da classe no 
Aristocracia | virtuosa, promovendo | Oligarquia | poder, protegendo 
o bem do estado. seus interesses, 
principalmente os 
econômicos. 
Envolvimento de Governo de muitos, 
muitos na tomada de mas que visam seus 
República | decisões políticas, por Demagogia próprios interesses, 
(Politea) meio de participação manipulando o 
direta, visando o bem sistema para que se 
comum. perpetuem no poder. 
 
FONTE: O autor (2024). 
Tempos depois, tivemos a ascensão romana com uma sedimentação do 
Direito Público: 
Políbio - República romana é o modelo ideal. Equilíbrio entre monarquia 
(representadas pela autoridade dos cônsules), aristocracia (garantidas pela 
existência do Senado) e democracia (asseguradas pelo respeito aos interesses e 
direitos dos cidadãos). É a chamada Teoria do Governo Misto, que estabelece 
que mesmo as formas boas de governo, individualmente, são instáveis, 
tendendo à degeneração. 
Ajunção da Monarquia, Democracia e Aristocracia, permite queo monarca 
esteja sujeito ao controle do povo, sendo o povo, por sua vez, controlado por 
um Senado. 
Coma queda do Império Romano do Ocidente, a permanência do Império 
Romano do Oriente (Bizantino), e a ascensão dos germanos ao poder na Europa 
medieval, tivemos um robustecimento do pensamento político administrativo 
com a sedimentação da filosofia católica por conta do helenismo (quando a 
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Direito Administrativo 
Macedônia espalha o modo grego de viver pelo mundo) praticado pelo Império 
Bizantino. Há uma conciliação entre essa filosofia e a religião. 
Santo Agostinho - Poder Temporal deve estar a serviço do Poder Clerical. 
A formação da sociedade é um meio pelo qual os homens buscam amenizar os 
efeitos da corrupção originada pela queda de seus primeiros pais (Adão e Eva). 
A legitimação da autoridade política se dá por meio da autoridade divina, 
havendo, portanto, uma validação da dimensão política da Igreja, originando 
uma cultura clerical, que submete as leis civis às leis divinas. Dessa forma a 
Igreja está acima do Estado. 
Há uma diferenciação de dois conceitos: 
TABELA 6 — DIFERENÇA ENTRE CIDADE DOS HOMENS E CIDADE DE DEUS 
 
 
Cidade dos homens Cidade de Deus 
A sociedade humana, falível Reino da perfeição regido pela 
por natureza lei eterna e perfeita de Deus 
FONTE: O autor (2024). 
A Igreja é figura terrena da Cidade de Deus, capaz portanto de 
intermediar o eterno e o temporal, como conhece o criador, é capaz de 
trazer a felicidade à sociedade, por meio da autoridade clerical. Ainda, se a 
autoridade política terrena contraria a vontade do criador ela é injusta e deve 
ser desobedecida. 
São Tomás de Aquino - a função da autoridade política é ordenar os 
homens. O modelo monárquico tem inspiração divina porque Deus governa os 
homens como o rei governa a cidade, Deus é legislador e juiz, submete todas 
as coisas à sua unidade e comando. 
Assim, para que a sociedade funcione bem, há necessidade de um rei 
que concentra todos os poderes sobre sua própria autoridade. No entanto, isso 
não dá permissão a uma tirania! O tirano mira seu próprio bem, não o do povo, 
não estabelece leis justas, usa a violência para impor sua vontade. O povo, 
inclusive, nesse caso, tem dever de se opor a um tirano. A ressalva é que para 
que isso seja possível, todo o povo deve se levantar, e não apenas parcela dele, 
pois isso fomenta a divisão, o que leva à anarquia. 
São Tomás de Aquino estabelece critérios para que um governo seja 
classificado como justo: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 7 - CRITÉRIOS DE UM GOVERNO JUSTO PARA SÃO TOMÁS DE 
 
 
AQUINO 
Leis E 
Essas leis O poder Essa é a 
humanas E das regras | Autoridade - o 
recebem real não é condição 
precisam estabelecidas secular 
preceitos soberano, para que 
estar de pela Igreja | precisa estar , 
das a “1, | está contido o governo 
acordo com (lei divina submetida à sl 
sagradas no poder do | humano atinja 
a lei de revelada). Igreja. 
Deus escrituras. papa. o Bem. 
 
FONTE: O autor (2024). 
Ainda, estabelece algumas bases para o Poder do Estado, criando as 
chamadas Justiça Distributiva e Justiça Comutativa: 
Justiça Distributiva: repartição da riqueza material em relação aos bens 
comuns. 
Justiça Comutativa: relações estabelecidas entre os indivíduos. 
Dessa forma, o Direito, é o objeto da Justiça, sendo justo aquele que se comporta 
conforme o Direito. A Justiça é dar a cada qual o que lhe pertence segundo 
o Direito, aliar a Justiça, a fé e a razão são o caminho para consecução do 
interesse da sociedade. 
Guilherme de Ockham - estabelece uma rigorosa separação entre fé 
e razão. Para ele, a Igreja decai ao adentrar no poder secular, o poder secular 
torna a instituição mundana. A missão do Papa, como sucessor de Pedro é de 
zelar para que a Igreja se mantenha aos preceitos de Cristo, principalmente no 
que tange a servir, e não dominar. 
Dessa forma, a competência do poder temporal pertence ao rei e não 
ao Papa. Há uma necessidade de reforma na Igreja para que ela recupere sua 
essência cristã, baseando-se em alguns preceitos que necessariamente a afasta 
do poder temporal: 
 
Há um caráter funesto na teocracia. 
Há uma falibilidade humana do Papa. 
O amor é o único mandamento que deve reger os leigos. 
A pobreza é o modo de vida autenticamente evangélico. 
 
 
 
Nesse ponto há o início de uma crise da escolástica (Filosofia política 
propostapor Santo Agostinho), analisando-se o vislumbre dos seguintes 
pontos: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Ruptura entre ordem mundana e ordem espiritual. 
Ruptura entre poder político e poder eclesiástico. 
Ruptura entre Direito Civil e Direito Canônico. 
Florescimento do pensamento renascentista: autonomia da razão, 
valorização do indivíduo, crítica aos poderes tradicionais. 
 
 
 
 
Marsílio de Pádua - Marca o fim do pensamento medieval e o início do 
pensamento moderno. A soberania não é só política, a soberania é popular, 
as leis não são de caráter natural (eternas e universais) conhecidas pela razão 
e pelas escrituras, e interpretadas pela Igreja, a Lei, na verdade, é aquela 
estabelecida pelo povo. São conceitos básicos desse pensamento político: 
TABELA 8 — PENSAMENTO MODERNO 
 
 
 
 
 
Fim d Poder temporal deriva diretamente do povo, e 
escoléstica não de Deus, por isso o Estado tem um caráter 
laico. 
Delimitado territorialmente, construído com base 
Estado na razão e na vontade humana. É submetido a 
nacional uma autoridade própria, exclusivamente política, 
não estando vinculado à autoridade religiosa. 
Estado não existe para realização de uma ordem 
- . providencial, e sim, para atender às finalidades 
Razão * Fé = a 
humanas e terrenas: regulação da convivência 
social e promoção da felicidade geral. 
Afasta-se da perspectiva tomista. 
Lei civil * Lei Antecipa: 
eterna Locke (contrato social) e Rousseau (soberania 
popular), eis que o verdadeiro legislador é o 
povo. 
FONTE: O autor (2024). 
Na Idade Moderna ocidental, um dos pensamentos mais influentes 
surge com o filósofo Charles-Louis de Secondat, ou Charles de Montesquieu, 
mais conhecido como Barão de Montesquieu. Ele trouxe à tona, novamente, 
os preceitos clássicos helênicos, renovados em sua obra “O Espírito das Leis 
(L'Espirit des Lois)”, contendo a sua teoria da separação dos poderes, um 
dos maiores marcos para a consecução do Direito Administrativo em sua 
configuração atual. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Isso porque, houve uma sedimentação concreta de uma barreira ao 
Estado Absolutista, de um monarca que não errava e que a tudo dominava, o 
império do "Estado sou Eu (L' Etat cest moi)" e do “O que agrada o Rei, tem força 
de Lei (Quod principi placuit, legis habet vigorem)”. 
Essa visão de filosofia política, trouxe fundamentação à Revolução 
Francesa, em 1789, o que permitiu, de fato, uma consolidação na divisão dos 
poderes entre Executivo e Legislativo e, posteriormente, nos Estados Unidos, o 
Judiciário. 
A partir disso, houve a necessidade de criação de órgãos públicos, 
passíveis de administrar o Estado, mas com controle do atual detentor do poder 
soberano: o povo. Daí surgindo a necessidade de normas específicas para esse 
sistema: o Direito Administrativo. 
2.2.1 Origem histórica do direito administrativo 
no Brasil 
O Direito Administrativo brasileiro tem como seu marco, o início de uma 
cadeira própria nos cursos jurídicos a partir de 1851, sob a égide do Decreto 
Imperial n. 608: "Autorisa o Governo para dar novos Estatutos aos Cursos 
Jurídicos e às Escolas de Medicina; assim como a crear mais duas Cadeiras, 
huma de Direito Administrativo, e outra de Direito Romano” (Brasil, 1851). 
Não obstante, as maiores regulações do Direito Administrativo, 
tradicionalmente se deram com a consecução de novas constituições: 
TABELA 9 — AS CONSTITUIÇÕES E AS REGULAÇÕES DO DIREITO 
ADMINISTRATIVO 
 
 
 
 
Ano | Nome doutrinário Evolução 
1824 Constituição Estabelecia a competência do Imperador 
Imperial para nomear os empregados civis e políticos. 
Constituição da o S DULI 
1891 , s Normas gerais para a Administração Pública. 
República 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
1934 
Constituição 
Varguista 
Normas atinentes aos servidores públicos (à 
época chamados de funcionários públicos), 
inclusive estabelecendo um estatuto 
regulamentador, e criando no Brasil um 
dos maiores instrumentos de probidade 
administrativa: o concurso público, baseado 
em provas e provas e títulos. Ressaltando 
que é justamente o concurso público, que 
traz, abstratamente, capacidade para que 
os atos praticados pelos servidores públicos 
tenham independência em relação às 
ingerências políticas. 
 
1946 
Constituição 
Liberal 
Abarcou a Teoria da Responsabilidade 
Objetiva, a qual permitia o ressarcimento 
por dano praticado pela Administração 
Pública, sem apontamento de dolo ou 
culpa do Estado, necessitando, para tanto, 
somente do apontamento do próprio dano e 
do nexo causal. 
 
1967 
Constituição 
Militar 
Aumentou a quantidade de regras as quais 
os agentes públicos estavam submetidos, 
inclusive abarcando os do Legislativo e do 
Judiciário, bem como os de todos os níveis 
dos entes federados (União, Estados e 
Municípios). 
 
1988 Constituição Cidadã Atualizou as normas relativas aos servidores públicos, além dos princípios básicos aos quais a Administração Pública está adstrita. Notadamente, criou o que se chama de Teoria Geral do Direito Administrativo. 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3 O ESTADO E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
BRASILEIRA 
3.1 DEFINIÇÕES BÁSICAS SOBRE O ESTADO 
3.1.1 O que é o Estado? 
Para que se entenda a Administração Pública deve-se buscar categorizar 
os conceitos de Estado e de Governo, ainda que de forma superficial, mas no 
intuito de se estabelecer marcos iniciais para o estudo do Direito Administrativo. 
3.1.1.1 Contexto histórico 
Para a historiografia tradicional, a Idade Moderna inicia a partir da queda 
de Constantinopla, em 1453, capital do Império Bizantino, polo comercial entre 
Ocidente e Oriente, e, na época, uma das cidades mais importantes do mundo. 
 
 
A queda de Constantinopla, em 1453, marcou o fim do Império 
Bizantino, que durou mais de mil anos. O Império era um importante 
centro político, cultural e econômico no mundo antigo e medieval, 
com uma grande influência na arte, filosofia, religião e ciência. 
A cidade de Constantinopla, hoje conhecida como Istambul, foi 
sitiada pelos otomanos durante vários meses, até que finalmente 
caiu, pelas mãos de Mehmed II, "O Conquistador”, dominou a 
cidade após entrar nela por um pequeno vão nas muralhas até 
então inexpugnáveis de Kerkoporta. Esse evento teve um impacto 
significativo na história europeia, pois permitiu que o Império 
Otomano se expandisse para o oeste, ameaçando a hegemonia 
das potências europeias na época. 
 
As novas circunstâncias dificultaram as pretensões europeias em relação 
ao uso das tradicionais rotas comerciais, no Estreito de Bósforo, ligando o 
Mar Negro ao Mediterrâneo. Essas dificuldades forçaram uma expansão 
ultramarina por parte dos reinos europeus, inicialmente por Portugal e Espanha, 
ultrapassando o antigo monopólio comercial das cidades italianas como Gênova 
e Veneza. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
A Europa, de fato, tornara-se com isso, o centro articulador das 
conquistas comerciais e avanços tecnológicos do mundo, tais quais, os 
avanços na comunicação e transportes, o aumento do fluxo comercial com o 
Oriente e a invenção da imprensa. 
Essa nova estrutura teve como consequência o desmantelamento do 
antigo sistema feudal, já que nele, não havia uma estrutura política centralizadora 
e catalisadora de recursos. Essa estrutura possibilitou a construção dos chamados 
Estados Nacionais. Nesse período, entre os séculos XIIl a XVII, surgiu, portanto, 
uma nova forma de organização política, consolidada a partir, principalmente, 
da ideia de uma autoridade única soberana, o príncipe, poder central, político 
e militar, de um território. 
Essa estrutura manteve-se entre períodos de estabilidade e de guerras 
por conta da expansão desses Estados, até um dos eventos mais importantes 
da história europeia, que é a Guerra dos Trinta Anos, ocorrida entre 1618 e 
1648,contextualizada por uma tradicional supremacia da Dinastia Habsburgo 
no continente e pela ascensão da Reforma Protestante. 
 
Também chamada a Casa da Áustria, foi uma das famílias mais 
importantes da história da Europa, uma vez que por séculos, entre 
disputas militares e enlaces matrimoniais, estendeu seus domínios 
sobre a Áustria, Estíria, Países Baixos, Luxemburgo, Borgonha, 
Castela, Aragão, Hungria, Boêmia, Nápoles, Sicília e Sardenha. 
 
O vasto território e poder da Dinastia Habsburgo criava um clima 
de tensões nacionais, dinásticas e agora, religiosas uma vez que 
a Reforma Protestante possibilitou o alinhamento de inúmeros 
atores europeus, contra e a favor da família. 
 
Em 1648, o fim da Guerra dos 30 anos é marcado pela assinatura do 
Tratado da Westfália que objetivava garantir o sistema de estados nacionais 
soberanos e independentes, com suas novas características básicas de formação. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.1.1.2 Elementos do Estado 
Para a compreensão do que é o Estado, cabe precisar o seu esqueleto 
básico, portanto, de quais elementos ele é formado. Nesse sentido: 
TABELA 10 — ELEMENTOS FORMADORES DO ESTADO 
ELEMENTOS CONCEITO 
Dimensão pessoal do Estado. 
“Conjunto de indivíduos unidos para formação da 
Vontade Geral do grupo organizado” (Mazza, 2022, p. 
128). 
 
 
 
Não se deve confundir o conceito de povo com: 
Povo População Nação 
Quando esses indivíduos 
possuem, em comum, 
pontos culturais, religiosos, 
étnicos, idiomáticos e/ 
ou de sentimento de 
nacionalidade. 
Espaço geográfico de permanência de determinada 
população, onde o Estado tem seu poder definido e 
também onde se marca o seu limite de atuação, frente 
Território ao poder de outro Estado. 
 
 
Conjunto de indivíduos 
reunidos sob a égide 
de um poder central 
e circunscritos em um 
determinado local. 
Dessa forma, não se concebe dois Estados exercendo 
seu poder soberano em um mesmo território. 
Exercício do poder incontestável pelo Estado. 
 
Gere seus próprios objetivos políticos. 
Exerce controle de seus recursos. 
Soberania Legítimo detentor da força. 
Segundo o clássico conceito de Jean Bodin, não é 
limitado internamente por outros poderes, sejam 
internos ou externos, portanto, exercendo a sua 
capacidade de autodeterminação e não conhecendo 
autoridade superior a ele. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Autoridade organizada de uma unidade política, 
responsável por regrar a população do Estado, 
exercendo sua autoridade. 
Governo 
Dessa forma, é o comando direcionador do Estado, 
sua atividade diretiva. 
FONTE: O autor (2024). 
 
Dessa forma, um conceito básico de Estado é fornecido por Mazza (2022, 
p. 128): “Estado é um povo situado em determinado território e sujeito a um 
governo”. 
3.2 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Administração, etimologicamente, vem do latim, da preposição ad e do 
verbo ministro-as-are, que significa servir, executar, e, de ad manus trabere, que 
envolve ideia de direção ou gestão (Silva, 2016). 
Já a administração pública (em minúsculo) é a gestão da máquina pública, 
o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da 
função administrativa do Estado. Logo, aquele conjunto de atividades públicas 
preponderantemente executórias, que gerem os interesses do povo, pelo povo 
e para o povo (Fernandes, 2022). 
No mesmo sentido, pode-se dizer que é gestão pública, a estruturação 
da máquina do Estado para a realização dos planos do governo. 
3.2.1 Classificações de administração pública 
Há alguns sentidos clássicos para o entendimento da Administração 
Pública: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 11 — SENTIDOS CLÁSSICOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Também chamado de orgânico ou formal. 
 
Sentido Subjeti 
entiedo SuBJetvo Conjunto dos órgãos, entidades e agentes públicos 
que exercem a função administrativa. 
Também chamada de material ou funcional. 
 
 
 
Sentido Objetivo .. 
J Trata da atividade estatal que visa atender 
concretamente o interesse público. 
Conjunto de vínculos entre a Administração e seus 
Introversa 
agentes. 
Conjunto de vínculos entre a Administração e os 
Extroversa particulares. 
FONTE: O autor (2024). 
 
3.2.2 Administração burocrática vs. 
administração gerencial 
A Administração Pública está em constante evolução, visto que 
acompanha a própria evolução do Estado, que está ligada também à evolução 
da sociedade. Dessa forma há alguns modelos teóricos da administração 
pública que podem ser sistematizados em Administração Patrimonialista, 
Administração Burocrática, Administração Gerencial. 
3.2.2.1 Administração patrimonialista 
Frases de síntese: The king can do no wrong e L'Etat cest moi (Rei Sol, Luis 
XIV). 
Ideia-força: Administração Clientelista. 
Este modelo de administração pública é baseado nos modelos de 
Estados Absolutistas, fortemente firmados nos séculos XVII e XVIII, quando o 
patrimônio do monarca se misturava com o patrimônio público, praticamente 
inexistindo uma linha na distinção entre bem público e bem privado (Campelo, 
2010, p. 299). 
O vínculo do 
Estado se dá 
sem um apego 
referencial 
ao interesse 
público. 
O vínculo do Estado se dá sem um apego referencial ao interesse 
público, havendo prioridades em relação ao interesse privado daqueles que 
tinham a titularidade do Poder Público, eis que o Estado era uma ferramenta 
usada como extensão do poder da própria pessoa que o comandava. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.2.2 Administração burocrática 
Frase síntese: A Burocracia é o único modo de organizar eficientemente 
um grande número de pessoas, e, assim, expande-se inevitavelmente com o 
crescimento econômico e político. 
Ideia-força: Administração Procedimental-formal. 
Criada pelos estudos de Max Weber, afirma primordialmente que os 
bens do detentor do poder devem ser separados dos bens do Estado, ou seja, 
devem existir bens propriamente públicos. 
No Direito Administrativo brasileiro, podem-se observar as seguintes 
características dessa fase: 
TABELA 12 — CARACTERÍSTICAS DA FASE DA ADMINISTRAÇÃO BUROCRÁTICA 
Constituição de 1891 até a emenda 19/98 da 
Constituição de 1988. 
 
Período-base 
 
 
 
 
 
Argumento de autoridade Legalidade. 
Hierarquia. 
Subordinação entre órgãos e agentes. 
Valores S 9 9 
Forma. 
Processo. 
A Processos e ritos. 
Enfase Ro. 
Autorreferência. 
Seleção de pessoal Competência técnica. 
Fundamento da 
- Função desempenhada. 
remuneração 
 
Concurso público. 
Processo administrativo. 
Controle Sobre os meios da administração. 
Exemplo de norma tei-de-hicitações(tei-n4433-de-2023)- 
FONTE: O autor (2024). 
Institutos relacionados 
 
 
 
3.2.2.3 Administração gerencial 
Frase síntese: “There is no such thing as public money; there is only 
taxpayers money”. 
Ideia-força: Governança consensual. 
SUMÁRIO 
Criada pelos 
estudos de Max 
Weber, afirma 
primordialmente 
que os bens 
do detentor do 
poder devem ser 
separados dos 
bens do Estado, 
ou seja, devem 
existir bens 
propriamente 
públicos.
Direito Administrativo 
A administração gerencial vem de uma ideia utilizada no governo da 
Inglaterra e, posteriormente, dos EUA, e tem uma forte ligação com a concepção 
neoliberal de Estado Mínimo, não de outra forma, sua vinda para o Brasil se deu na 
década de 90, com o governo Fernando Henrique Cardoso, essencialmente posta 
no direito brasileiro na emenda 19/98, conforme explicita Lima (2000, p. 38): 
Reforma administrativa, como ficou conhecida a Emenda 
nº19/98 tenha sido, preponderantemente, a reforma do 
regime jurídico dos servidores públicos, a fim de adequá-lo às 
novas exigências da dinâmica administrativa, a introdução no 
texto constitucional do princípio da eficiência, à semelhança 
do que fez o artigo 103 da Constituição espanhola, e já 
presente em nossa legislação infralegal, foi de importânciafundamental para nortear toda a reforma do aparelhamento 
do Estado, marcando a tônica da Administração Gerencial. 
 
No entanto, no regime militar, já estavam presentes algumas 
ideias que dariam ensejo ao modelo gerencial, principalmente 
com o advento do Decreto-Lei n. 200/67, que promoveu a 
descentralização administrativa, ou seja, a Administração Indireta: 
 
autarquias, fundações públicas e as empresas estatais. 
 
Conforme, Mazza (2022, p. 100), “o fim dessa reforma administrativa, 
portanto, foi de atribuir maior agilidade e eficiência na atuação administrativa, 
na busca pela obtenção de resultados, em detrimento de processos e ritos, e 
estimulando a participação popular na gestão pública”. 
Consoante à própria ideia de Estado neoliberal, tenta-se com a 
Administração Gerencial, que as atividades promovidas pelo Poder Público 
estejam restritas aquelas que são de exercício inviável pelo público privado. 
Dessa forma, passa-se ao estudo das principais características desse 
regime no cenário brasileiro. 
SUMÁRIO 
Consoante à 
própria ideia de 
Estado neoliberal, 
tenta-se com a 
Administração 
Gerencial, que 
as atividades 
promovidas pelo 
Poder Público 
estejam restritas 
àquelas que 
são de exercício 
inviável pelo 
público privado.
Direito Administrativo 
TABELA 13 — PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL 
 
Período-base Após 1998. 
 
Argumento da autoridade O resultado. 
 
Colaboração. 
 
 
 
 
 
Valores Eficiência. 
Parceria. 
Ênfase Orientação para o cidadão. 
Seleção de pessoal Terceirização de atividades meio. 
Fundamento da J 
- Redução de custos com pessoal. 
remuneração 
Contrato de gestão. 
Institutos relacionados Agências executivas. 
Descentralização administrativa. 
Sobre os resultados dos processos da 
Controle 
administração. 
Exemplo de norma Emenda n. 19/98 e Lei n. 14.133/2021. 
FONTE: O autor (2024). 
 
 
Institutos correlacionados à Administração Gerencial: 
a) Nova Administração Pública 
Segundo Fernandes (2022, p. 17), “o modelo gerencial da Nova 
Administração Pública (NAP), amadurecido nos anos de 1990, propõe uma 
maior descentralização político-administrativa a partir da transferência de 
funções para as administrações municipais (ente federativo onde realmente as 
políticas normativas do Estado são executadas)”. 
Esse modelo é derivado do próprio cerne do gerencialismo brasileiro, a 
emenda 19/98, que inseriu o princípio da eficiência no art. 37, CF. Busca-se com 
a Nova Administração Pública, o afastamento do “legalismo seco”, próprio da 
Administração Burocrática, e a aproximação a atributos que busquem: qualidade 
na prestação do serviço, competitividade e redução de custos, tendo como 
norte dois princípios administrativos, a probidade e a economicidade. 
b) Estado em rede 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Mais uma das complementações em relação à Administração Gerencial, o 
Estado em Rede, visa uma gestão cidadã participativa, ou seja, traz a sociedade 
civil para o protagonismo das estratégias governamentais, utilizando-se como 
ferramentas as consultas e audiências públicas. 
3.3 ATIVIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
FEDERAL 
Aprofundando-se nas questões relativas ao conceito epistemológico de 
Estado, chega-se aquilo que ele faz, ou seja, suas funções. 
Essas funções podem ser divididas em três análises básicas: 
a) Legislativa: a elaboração de normas abstratas que regem a 
sociedade; 
b) Judiciária: a análise dos casos concretos com base no Direito; 
c) Administrativa: “tem como âmago a gestão do Estado para 
consecução das necessidades do que é público, imposta pelos dois 
princípios basilares, adiante estudados: supremacia do interesse público 
e indisponibilidade do interesse público” (Pinto, 2008, p. 131). 
Especificamente, em relação à função administrativa, pode-se subdividir 
duas atividades distintas, próprias da gestão: o planejamento e a execução. 
Segundo Di Pietro (2010, p. 44): “Administrar significa não só prestar serviço 
e executá-lo, como, igualmente, dirigir, governar, exercer a vontade com o 
objetivo de obter um resultado útil e que até, em sentido vulgar, administrar 
quer dizer traçar programa de ação e executá-lo”. 
Na esteira de Gregorius (2015), importa mencionar, que sobretudo, a 
defesa do interesse público corresponde à finalidade da Administração Pública, 
zelando pelo bem comum e pela garantia do bem-estar social. A atividade 
administrativa, devido à diferenciação entre Poder Legislativo e Poder Executivo, 
é impedida de produzir leis. A atividade administrativa é subordinada ao controle 
do legislativo, que a fiscaliza, função que também desempenha o Tribunal de 
Contas. Não há uma legislação que limite a atuação do Legislativo em temas 
administrativos. A Administração também é subordinada ao Judiciário, uma vez 
que este pode rever atos administrativos. 
A função administrativa do Estado compreende diversas atividades, tais 
como: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 14 — FUNÇÃO ADMINISTRATIVA DO ESTADO 
 
Atividades Conceitos 
 
Serviço público 
Execução de atividades que buscam suprir necessidades 
básicas dos administrados. 
Sempre existe no serviço público a participação do 
Estado, ainda que de forma indireta. 
 
Poder de polícia 
Restrição de certas liberdades individuais quando se tem 
o fim de trazer benefícios à sociedade, que sopesados, 
são entendidos como mais relevantes. 
 
Estímulo, por meio de uma ação estatal, da iniciativa 
 
 
Fomento 
privada. 
Essencialmente quando o Estado atua ativamente em 
um domínio naturalmente privado, seja diretamente 
exercendo a atividade, seja indiretamente regulando e 
fiscalizando o setor. 
Intervenção Ex.: Intervenções na propriedade privada (Art. 5º, XXIII, CF). Intervenções nas atividades econômicas, por meio de regulação. Intervenções no domínio social. 
 
FONTE: O autor (2024). 
3.3.1 Função administrativa não governamental 
Por derradeiro, a fim de aprofundar a atividade estatal, é preciso entender 
que um Estado moderno, necessita de agilidade, não sendo possível que ele 
atenda todas as necessidades da sociedade, eis que a máquina administrativa, 
dada a responsabilidade inerente de seus poderes, é pesada. 
Visto que o setor privado, representado por indivíduos e empresas 
podem ter também uma capacidade de atuar fornecendo serviços que 
abarquem as necessidades sociais, é permitido a ele que também exerça a 
Função Administrativa, devidamente autorizada e regulamentada pelo Poder 
Público, subsumida aos princípios atinentes ao Direito Administrativo. 
SUMÁRIO 
Por derradeiro, a 
fim de aprofundar 
a atividade 
estatal, é preciso 
entender que um 
Estado moderno, 
necessita de 
agilidade, não 
sendo possível que 
ele atenda todas 
as necessidades 
da sociedade, eis 
que a máquina 
administrativa, 
dada a 
responsabilidade 
inerente de seus 
poderes, é pesada.
Direito Administrativo 
3.4 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DA 
ADMINISTRAÇÃO PUBLICA FEDERAL 
3.4.1 Teorias sobre a ação do Estado 
Em relação à estrutura do Estado, é necessário entender que ele é um 
ente abstrato, pertencente ao mundo do dever-ser, suas realizações ocorrem 
por meio dos atos dos agentes públicos. Há, portanto, uma necessidade de se 
compreender como o Estado exterioriza sua vontade, por meio de seus agentes, 
ou seja, como se divide a ação do agente por aquilo que é a vontade do Estado, 
e aquilo que é uma questão pessoal humana. 
Dessa forma tende-se a explicar a evolução das teorias acerca dessa 
vontade, da seguinte maneira: 
TABELA 15 — TEORIAS DA EXTERIORIZAÇÃO DA VONTADE DO ESTADO 
 
 
 
Teoria do Há uma outorga de um mandato a um agente, que age 
Mandato como se Estado fosse. 
Teoria da Há uma representação do Estado pelo agente, ele age 
Representação como seu preposto. 
Há uma manifestação da vontade do Estado por meio 
do órgão que age naquela atribuição,ou seja, é uma 
Teoria do exteriorização da vontade do Estado. 
Órgão/Teoria 
da Imputação Assim os atos que um agente público pratica são 
Volitiva imputados ao ente político. 
Essa é teoria adotada no Brasil. 
 
FONTE: O autor (2024). 
3.4.2 A organização do Estado 
No âmbito federal, a organização do Estado é disciplinada pelo 
Decreto-lei n. 200/67. Em geral, o Decreto demonstra a divisão do Estado entre 
Administração Direta e Indireta, dispondo para isso de duas técnicas diferentes: 
a desconcentração e a descentralização. 
Em outras palavras, o meio para se conseguir dar ensejo a toda as 
atividades administrativas se dá pela subdivisão da Administração, eis que a 
Constituição determina ao Chefe do Executivo a responsabilidade política por 
todas as essencialidades e interesse coletivos constitucionais, não obstante, 
SUMÁRIO 
No âmbito federal, 
a organização 
do Estado é 
disciplinada 
pelo Decreto-lei 
n. 200/67. Em 
geral, o Decreto 
demonstra 
a divisão do 
Estado entre 
Administração 
Direta e Indireta, 
dispondo para isso 
de duas técnicas 
diferentes: a 
desconcentração e 
a descentralização.
Direito Administrativo 
para que isso seja concretamente efetuado, ele pode delegar essas atribuições 
dentro da própria estrutura ou para fora da estrutura central: 
TABELA 16 — DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO 
 
Conceito Nome doutrinário Resultado Relação com o Estado 
 
Divisão interna 
de competências 
dentro da mesma 
pessoa jurídica. 
Desconcentração 
Administração direta 
(União, Estados, 
Municípios). 
Órgãos. 
Há subordinação 
direta e relação de 
hierarquia. 
Não há personalidade 
jurídica própria. 
 
Distribuição de 
competências fora 
da mesma pessoa 
jurídica. 
Descentralização 
 
Administração 
indireta. 
Entes 
administrativos. 
Não há subordinação 
e nem mesmo 
hierarquia, no 
entanto, caberá 
ao órgão central 
a fiscalização e o 
controle. 
Cada ente possui sua 
própria personalidade 
jurídica. 
FONTE: O autor (2024). 
3.4.3 Administração direta 
3.4.3.1 Órgãos Públicos 
As divisões da república em entes federados, União, Estados e Municípios, 
possuem personalidade jurídica própria, podendo estabelecer relações entre si 
e com organismos externos, no entanto, suas subdivisões, os órgãos públicos 
não possuem, eis que são diretamente vinculados a esses entes, prestando 
“serviços públicos puros”. 
Essa divisão ocorre apenas para que haja maior eficiência na prestação 
do serviço, advinda da especialização de cada órgão, que têm competências 
determinadas, por isso, os órgãos públicos também são chamados centros de 
competências. Exemplos de órgãos públicos são os ministérios e as secretarias. 
É possível estabelecer algumas classificações doutrinárias dos tipos de 
órgãos, a fim de que sejam melhor entendidos, dessa forma: 
SUMÁRIO 
Os órgãos 
públicos também 
são chamados 
centros de 
competências.
Direito Administrativo 
TABELA 17 — CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS TIPOS DE ÓRGÃOS 
 
Quanto à posição estatal 
 
Órgãos 
independentes 
Não há subordinação a 
nenhum outro órgão. 
Ex.: Chefias do Executivo como 
a Presidência da República. 
 
Orgãos 
autônomos 
Cúpula da administração, 
tem autonomia, 
mas também tem 
subordinação ao órgão 
independente. 
Ex.: Ministério da Defesa, 
Advocacia Geral da União. 
 
Orgãos 
superiores 
Função de direção, 
controle, chefia, 
subordinados aos órgãos 
autônomos. 
Ex.: Diretorias dentro de um 
órgão autônomo. 
 
Órgãos 
subalternos Função de execução, fazendo somente aquilo lhe é designado. Ex.: Almoxarifado. 
 
 
Quanto à estrutura 
 
Órgãos Simples/ 
Unitários 
Não possuem outros 
órgãos subordinados ou 
dentro de sua estrutura. 
Ex.: Presidência da República. 
 
Órgãos 
Compostos 
Há uma desconcentração 
das atividades, pois 
outros órgãos exercem 
parcela de sua atividade. 
Ex.: Ministérios e Secretarias de 
Estado. 
 
 
Quanto à atuação funcional 
 
Órgãos Simples/ 
Unipessoais 
A decisão depende da 
vontade de uma única 
pessoa. 
Ex.: Presidência da República. 
 
Órgãos 
Colegiados/ 
Pluripessoais As decisões são tomadas por mais de uma pessoa, mas sem hierarquia entre elas. Ex.: Plenário de um Tribunal de Justiça. 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
3.4.4 Administração Indireta 
É aquela em que há a distribuição de competências para uma outra 
pessoa jurídica que terá as seguintes cinco características básicas: 
TABELA 18 — CARACTERÍSTICAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA 
 
Característica Especificidade da característica 
 
Personalidade jurídica 
própria 
Responsabilidade sobre seus próprios atos. 
Patrimônio e receitas próprias. 
Autonomia técnica/administrativa/financeira. 
 
Criação, autorização e 
extinção por meio de lei 
Lei ordinária específica, ou seja, essa lei não 
pode tratar de outros assuntos. 
 
Sem fins lucrativos 
Até pode ter lucro, mas o objetivo não é esse, 
e sim atender o interesse público. 
 
Finalidade específica 
Princípio da especialização: 
Possuem, por lei, uma determinada atividade 
finalística, e estão impedidas de explorarem 
qualquer outra atividade. 
 
Controle 
Independentes, não possuindo subordinação 
a qualquer órgão. 
Há, no entanto, o chamado controle 
finalístico, em que os Ministérios exercem 
supervisão e tutela sobre elas. 
Obedecem à algumas sujeições próprias 
do regime jurídico administrativo: dever de 
licitar; concurso público; obediência ao teto 
remuneratório; proibição de cumulação de 
cargos ou empregos públicos conforme 
previsto na CF; prestação de contas ao 
Tribunal de Contas de seu ente federativo. 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
Elas são responsáveis pela execução de atividades do governo que 
necessitam ser desenvolvidas de forma descentralizada, com autonomia de 
decisão, sendo entendidas como unidades próprias de atuação, que visam as 
áreas de interesse público que podem ficar deficitárias caso sejam deixadas 
exclusivamente nas mãos do interesse privado (em virtude de seu interesse 
primário na obtenção de lucro). 
Apesar da autonomia de decisão, os entes da Administração Indireta 
têm vinculação com os Ministérios, que fazem parte da Administração Direta. 
Essa vinculação, no entanto, não representa hierarquia, mas sim afinidade de 
finalidades. Veja-se, por exemplo, os entes vinculados ao Ministério da Defesa, 
conforme Decreto n. 11.401, de 23 de janeiro de 2023: 
Anexo 
Artigo único. A vinculação das entidades da administração 
pública federal indireta é a seguinte:VIII - ao Ministério da 
Defesa: 
a) por meio do Comando da Marinha: 
1. Caixa de Construções de Casas para o Pessoal da Marinha 
- CCCPM; 
2. Empresa Gerencial de Projetos Navais - Emgepron; e 
3. Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. - Amazul; 
b) por meio do Comando do Exército: 
1. Fundação Habitacional do Exército - FHE; 
2. Fundação Osório; e 
3. Indústria de Material Bélico do Brasil - Imbel; e 
c) por meio do Comando da Aeronáutica: 
1. Caixa de Financiamento Imobiliário da Aeronáutica - 
CFIAe; e 
2. NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea S.A. - NAV Brasil 
(Brasil, 2023). 
São exemplos de entidades administrativas as autarquias, fundações, 
empresas públicas e as sociedades de economia mista, a seguir analisadas. 
3.4.4.1 Autarquias 
Pessoas jurídicas de direito público promotoras de um serviço público 
específico, desenvolvendo atividades administrativas típicas do Estado. Elas têm 
uma característica peculiar em relação às outras da Administração Indireta, que 
é o fato de serem necessariamente criadas por lei, e não somente autorizadas, 
conforme os outros entes administrativos, possuindo um regime jurídico muito 
semelhante aos órgãos da Administração Direta. 
SUMÁRIO 
Elas são 
responsáveis 
pela execução 
de atividades 
do governoque 
necessitam ser 
desenvolvidas 
de forma 
descentralizada, 
com autonomia 
de decisão, sendo 
entendidas como 
unidades próprias 
de atuação, que 
visam as áreas de 
interesse público 
que podem ficar 
deficitárias caso 
sejam deixadas 
exclusivamente 
nas mãos do 
interesse privado 
(em virtude de seu 
interesse primário 
na obtenção de 
lucro).
Direito Administrativo 
Elas detêm algumas características relevantes: 
a) 
b) 
c) 
d) 
e) 
9) 
h) 
Contratos: são classificados como administrativos, possuindo as 
características de necessidade de licitação e de cláusulas exorbitantes 
(cláusulas exorbitantes são prerrogativas especiais que colocam 
a Administração Pública em posição de superioridade na relação 
contratual com particulares). 
Responsabilidade civil objetiva (art. 37, 86º, CF): por serem pessoas 
jurídicas de direito público, seus atos comissivos que causem danos 
a terceiros, só precisam da prova do fato, do dano e do nexo causal, 
não necessitando da prova de culpa ou dolo. 
Bens: são considerados públicos, possuindo as mesmas características 
dos bens dos órgãos públicos, tais quais a inalienabilidade, 
a imprescritibilidade (não podem ser objeto de usucapião), a 
impenhorabilidade (não podem ser objeto de penhora, arresto e 
sequestro), e a impossibilidade de oneração (não podem ser objeto 
de direito real de garantia como as hipotecas). 
Débitos judiciais: podem utilizar-se do sistema de precatórios 
públicos. 
Prescrição: suas dívidas prescrevem em 5 anos (Decreto n. 20190/32). 
Procedimentos financeiros: regime público, obedecendo à 
contabilidade pública (Lei n. 4320/64) e a Lei de Responsabilidade 
Fiscal (Lei Complementar n. 101/00). 
Regime processual: próprio da Fazenda Pública, não admitindo 
citação nem intimação por edital ou por hora certa; sem custas 
processuais; prazos processuais dilatados (art. 183, CPC) para o 
dobro; reexame necessário (art. 496, CPC), em que há um duplo grau 
de jurisdição obrigatório quando houver condenação contra ela, 
acima de um determinado valor estipulado em cada ente federado. 
Regime de direito tributário (art. 150, VI, a, CF): detém a chamada 
“imunidade recíproca”, assim um ente federado não pode sujeitar 
imposto a outro, quando vinculados às finalidades essenciais ou às 
delas decorrentes. 
Vínculo de trabalho: são servidores públicos estatutários, sujeitos, 
portanto, a concurso público, regras de estabilidade, etc. 
Exemplos de autarquia: Banco Central, INSS, IBAMA. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.4.4.2 Conselhos de classe 
Conhecidas como autarquias profissionais, autarquias de controle ou 
autarquias corporativas, sua razão de ser está vinculada à organização das 
classes profissionais que representam, têm poder de polícia e não podem ser 
pessoas privadas (tentaram fazer isso com a Lei 9649, que foi considerada 
inconstitucional pelo STF, em nome da segurança jurídica). 
Detém, portanto, os mesmos deveres das autarquias: 
a) As anuidades têm natureza tributária, e o não pagamento ocasiona 
execução fiscal. 
b) Submetem-se à contabilidade pública. 
c) Há a incidência do Tribunal de Contas sobre elas. 
d) Concurso público obrigatório. 
São exemplos de conselhos de classe: CREA e CRM. 
3.4.4.3 Agências reguladoras 
São autarquias com um regime especial, que têm a característica principal 
de fiscalizar e coordenar um setor da economia, com mais autonomia decisória 
e capacidade de instituir atos normativos. 
O ideário da criação das agências reguladores vem da administração 
pública dos EUA e entrou na dinâmica brasileira, na década de 90, sedimentada 
pelo governo FHC, com a pretensão de criação de um ente técnico que 
pudesse ter decisões e planejamentos para o setor que regula, e que pudesse 
transpassar o período das legislaturas políticas, tentando garantir assim 
menos interferência política em sua gestão. 
Sendo assim, foram determinadas garantias para esse tipo de autarquia: 
a) A nomeação dos dirigentes se dá por uma investidura especial, que 
não depende somente da decisão do Presidente da República, mas 
também de uma aprovação do Senado Federal. 
b) Os dirigentes têm um mandato fixo, ou seja, só sairão do cargo por 
meio de renúncia ou alguma condenação (judicial ou administrativa). 
c) Quarentena, que corresponde a um período que varia de 4 a 12 
meses, em que o dirigente não pode trabalhar em uma pessoa 
privada da mesma área, a fim de que não haja possibilidade de 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
privilégio para uma determinada empresa que tenda a cooptar o 
gestor durante o exercício de seu mandato. Busca-se também evitar 
conflito de interesses, advocacia administrativa, uso de informações 
privilegiadas e até mesmo sigilosas acerca daquele setor. 
Por derradeiro, sinteticamente, as funções das agências reguladoras se 
subsumem a regular, normatizar, fiscalizar e controlar atividades que estão sob 
a gestão da iniciativa privada. 
Há, inclusive, uma liberdade maior de atuação por parte das agências 
reguladoras, eis que são dotadas de “discricionariedade técnica”, tomando 
decisões importantes para aquele setor, que normalmente seriam tratadas 
mediante lei, mas que no caso das agências reguladoras, são atos administrativos 
tomados com base em seus conhecimentos específicos e sua própria autonomia 
científica, funcionando, portanto, como uma autoridade estatal do setor. 
São exemplos de agências reguladoras: ANEEL, ANATEL e ANP. 
3.4.4.4 Agências executivas 
Quando uma autarquia ou fundação (estudada adiante) é considerada 
ineficiente, ela pode passar por um plano estratégico de modernização, em que 
a Administração Direta, celebra com esse ente administrativo um contrato de 
gestão, tendente a colocar esse plano em ação. 
Nesses casos o contrato garante mais liberdade de ação para o ente 
administrativo, além de mais autonomia e mais recursos, mas também fixa metas 
que precisam ser cumpridas por ele. Importa mencionar que essa condição de 
agência executiva tem caráter transitório, eis que findado o prazo do contrato 
de gestão a agência volta a seu status inicial de autarquia ou fundação. 
Um dos exemplos de agências executivas é o INMETRO. 
3.4.4.5 Associações públicas 
Os entes políticos, de acordo com o interesse público, podem se reunir, 
entre si, a fim de praticarem uma grande obra ou serviço público. Há apenas 
uma ressalva quanto a reunião direta da União com os Municípios. 
Esses entes federados, coligados, assinam um contrato, chamado de 
consórcio público, em que há a criação de uma nova pessoa jurídica, a 
associação pública, a fim de realizar essa obra ou serviço público. 
SUMÁRIO 
Por derradeiro, 
sinteticamente, 
as funções 
das agências 
reguladoras 
se subsumem 
a regular, 
normatizar, 
fiscalizar e 
controlar 
atividades que 
estão sob a gestão 
da iniciativa 
privada.
Direito Administrativo 
Há necessidade de lei que crie a associação, e essa lei definirá a finalidade 
específica de interesse público. A observância do cumprimento dessa finalidade 
será feita pela Administração Direta, no entanto, não há uma subordinação direta 
entre a associação e o ente político, uma vez que ela faz parte da Administração 
Indireta. 
3.4.4.6 Fundações públicas 
É um patrimônio, formado a partir de uma reunião de bens, que tem 
uma finalidade específica, sendo uma pessoa jurídica própria. Este patrimônio 
irá desempenhar funções estatais com autonomia, mas sem fins lucrativos. 
Segundo Marinella (2012, p. 68), uma fundação é: 
Uma pessoa jurídica composta por um patrimônio 
personalizado, que presta atividade não lucrativa e atípicas 
de poder público, mas de interesse coletivo, como educação, 
cultura, pesquisa e outros, sempre merecedoras de amparo 
Estatal. 
Quando a iniciativa da criação desse ente, bem como os bens que o 
formam, têm origem pública, ela é chamada de fundação pública, quando não, 
será uma fundação privada.Não obstante, há uma subdivisão relacionada à 
fundação pública, que é o regime jurídico ao qual ela está circunscrita, dessa 
 
 
forma: 
TABELA 19 — REGIME JURÍDICO DA FUNDAÇÃO PÚBLICA 
FUNDAÇÃO PÚBLICA DE FUNDAÇÃO PÚBLICA DE DIREITO 
DIREITO PÚBLICO PRIVADO 
Também chamada de autarquia Também chamada de fundação 
fundacional. governamental. 
 
Espécie de autarquia, dessa forma 
segue o mesmo regime daquele 
gênero, portanto, com as mesmas 
prerrogativas e sujeições. 
Regime híbrido, semelhante aos aplicados 
às empresas públicas e às sociedades de 
economia mista. 
 
Criada por lei, tal qual outras Autorizada por lei, como as empresas 
autarquias. estatais. 
 
Exemplo: Funai, IBGE, Funasa 
(MAZZA, 2017, p, 211), Fundação 
Osório. 
Exemplo: Fundação Habitacional do 
Exército (Lei n. 6855/1980). 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Conforme art. 2º, da Portaria n. 02-FO, de 24 de janeiro de 2023: 
Art. 2º. A Fundação Osorio, entidade 
de direito público, vinculada ao 
Ministério da Defesa por meio do 
Comando do Exército, nos termos 
da Lei nº 9.026, de 10 de abril de 
1995, com a finalidade de instruir, 
educar, profissionalizar e, em especial, 
ministrar os ensinos fundamental, 
médio e profissionalizante, aos 
filhos, filhas e dependentes legais de 
militares da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica, possibilitada a extensão 
aos filhos, filhas e dependentes legais 
dos militares das Forças Auxiliares e de 
civis, desde que haja vagas. 
FONTE: BRASIL. Portaria n. 02-FO, de 24 de janeiro de 2023. Aprova 
o Regimento Interno da Fundação Osorio. 2023. Disponível em: 
https://Awww fosorio.g12.br/imagens/pdf/reginterno.pdf. Acesso 
em: 19 fev. 2024. 
 
 
Quem institui o regime jurídico ao qual fundação estará subsumida é o 
ente político que a criou, de acordo com sua área de atuação. 
3.4.4.7 Empresas estatais 
Empresa estatal é aquela em que o Estado assume controle no todo ou 
em significativa parte. São divididas entre empresas públicas e sociedades de 
economias mista, deveras semelhantes entre si. 
Por regra, o Estado não atua na atividade econômica, sendo ela reservada 
aos particulares (art. 173, CF). A exceção a essa situação se dá nas hipóteses de 
relevante interesse público. 
Dessa forma, a possibilidade de atuação dessas empresas se dá tanto 
na atividade econômica propriamente dita, quanto na prestação de serviço 
público. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Apesar de fazerem parte da estrutura do Estado, elas têm regime privado, 
mas sujeitas a diversos pontos inerentes às estruturas estatais, ou seja, vivem 
uma situação híbrida/mista: 
a) 
b) 
c) 
o) 
e) 
f 
9) 
Concurso público para contratação (exceto os dirigentes que são 
dão mediante o regime “comissionado”). 
Não obedecimento ao teto remuneratório constitucional. 
Proibição constitucional de cumulação de cargos, empregos ou funções 
públicas. Exceto se receberem recursos públicos para pagamento de 
despesas de pessoal ou de custeio em geral (art. 37, 8 9º, CF). 
Obrigatoriedade de licitação, como regra. Exceção, nos casos de 
empresas estatais exploradoras de atividade econômica para a 
contratação de bens e serviços relacionados diretamente com suas 
atividades finalísticas. Isso por conta da necessidade de se manter a 
competitividade com o setor privado, no ramo que atuam. 
Dispensa de licitação com limites muito maiores que outras entidades 
administrativas e órgãos públicos (art. 29, le Il, da Lei n. 13.303/2016). 
Prestação de contas ao Tribunal de Contas respectivo. 
Controle por parte do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. 
Conforme Pinheiro (2021, p. 63), "há também proibição de o Estado 
conceder, com exclusividade, para suas empresas estatais vantagens tributárias, 
previdenciárias, trabalhistas ou obrigacionais (estatais não gozam dos privilégios 
das autarquias)”. 
Como mencionado, as empresas estatais, divididas em empresas públicas 
e sociedades de economia mista têm muitas características em comum, tais quais: 
a) 
b) 
c) 
d) 
Criação autorizada por lei. 
Proibição de falência ou plano de recuperação. 
Seus bens são considerados privados. 
Empregados celetistas, ou seja, o contrato de trabalho pode prever 
período de experiência, e são demissíveis, em teoria, ad nutum (sem 
processo, nem motivação). 
O dirigente é nomeado sem concurso, sendo de livre destituição (ad 
nutum). 
As diferenças entre empresas públicas e sociedades de economia mista 
estão relacionadas no quadro abaixo: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 20 — DIFERENÇAS ENTRE EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE 
ECONOMIA MISTA 
 
Empresas públicas Sociedade de Economia Mista 
 
Capital 
100% Público (uma 
consideração é que se 
admite a participação 
de outras entidades 
públicas no capital 
votante, conforme 
art. 3º, parágrafo 
único, da Lei n. 
13.303/2016). 
Público e Privado, mas a maior 
parte do capital com direito a voto, 
necessariamente deve ser público (50% 
mais um). Quanto às ações sem direito 
a voto, a legislação não faz qualquer 
exigência em relação aos seus detentores, 
podendo inclusive todas pertencer à 
iniciativa privada. A lei preocupa-se 
apenas em garantir ao Poder Público o 
controle administrativo da entidade, o 
que depende somente da composição 
do capital votante. Porém, se o Estado 
detiver minoria do capital votante, 
estaremos diante de empresa privada 
com participação estatal, caso em que a 
entidade não pertence à Administração 
Pública (Mazza, 2022, p. 480). 
 
Forma 
organizacional 
Qualquer tipo: 
sociedade limitada, 
comandita e 
sociedade anônima 
(S/A). 
Somente S/A. 
 
Justiça Comum, ainda que sejam 
empresas federais. Art. 109, CF e 
 
indenizatório 
Julgamento Justiça Federal Súmula 517, STF: As sociedades de 
das causas (quando constituída | economia mista só têm foro na Justiça 
pela União). Federal, quando a União intervém como 
assistente ou opoente. 
Ações de 
caráter Fazenda Pública. Vara cível. 
 
Base legal Art. 5º, Il, do Decreto- lein. 200/67 e 3º da Lei n. 13.303/2016. Art. 5º, III, do Decreto-lei n. 200/67 e 4º da Lei n. 13.303/2016. 
 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
 
Exemplos 
BNDES 
ECT 
CEF 
EMBRAPA 
INFRAERO 
 
Indústria de Material 
Bélico do Brasil — 
IMBEL (Lei n. 6.227, de 
14 de julho de 1975). 
Petrobras 
Banco do Brasil 
Telebras 
Eletrobras 
Furnas 
 
FONTE: O autor (2024). 
Ademais, é importante considerar as questões envolvidas no tipo de 
serviço que as empresas estatais vão praticar, podendo ser prestadoras de 
serviço público ou afetas à atividade econômica. 
Em relação à prestação de serviço público, considera-se que: 
Pessoas jurídicas de direito privado nunca titularizam 
serviços públicos. Assim, ao contrário do que ocorre com 
autarquias e fundações públicas, as empresas públicas e 
as sociedades de economia mista prestadoras de serviço 
público recebem da lei somente a titularidade da prestação, 
e não do serviço público em si. Desse modo, por exemplo, a 
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT, empresa 
pública federal, detém a titularidade da prestação do serviço 
postal, enquanto a titularidade do serviço público em si 
pertence à União (Mazza, 2022, p. 484). 
Em relação às características de cada tipo, por derradeiro, ressalta-se o 
quadro sinótico a seguir: 
TABELA 21 — CARACTERÍSTICAS DOS PRESTADORES DE SERVIÇO PÚBLICO 
 
Prestadora de 
serviço público 
Atividade econômica 
 
 
 
 
Impostos Imune Não tem imunidade 
Propriedade dos bens Públicos Privados 
Responsabilidade Civil Objetiva Subjetiva 
Regime de precatórios Sim Não 
 
Reparação do dano Estado é subsidiário Estado não é subsidiário 
 
 Mandado de segurança Cabe MS contra seus atos Somente cabe MS quando os atos não tenham a ver com sua atividade-fim 
 
SUMÁRIO 
 
 
Direito AdministrativoNão é obrigada a licitar nos 
Licitação Obrigada a licitar casos relacionados a sua 
atividade-fim 
FONTE: O autor (2024). 
3.4.4.8 Entes de cooperação 
A Administração Pública tem sua função voltada aos serviços públicos, 
poder de polícia e fomento. Por meio do fomento, a Administração Pública 
incentiva as atividades do que a doutrina chama de “Terceiro Setor” ou ia 
unção voltada aos 
“Entidades Paraestatais”, que compõem o estudo do direito administrativo Rs OT ED 
moderno. poder de polícia 
e fomento. Por 
A Administração 
Pública tem sua 
meio do fomento, 
O Terceiro Setor é formado por entidades privadas que atuam sem 
finalidade lucrativa visando garantir o interesse da sociedade, executando ta rente 
atividades de interesse social, e recebem, por isso, incentivos pagos pelo as atividades do 
ente estatal. RES 
chama de 
a Administração 
“Terceiro Setor” 
Ao se avaliar a economia de determinada sociedade, a doutrina aponta ou “Entidades 
a existência de quatro setores. Paraestatais”, 
que compõem o 
O primeiro setor é composto pelos entes da Administração Pública estudo do direito 
Direta e Indireta, que tem por finalidade perseguir o interesse público e administrativo 
satisfazer as necessidades coletivas. Tem por dever efetivar o bem-estar da 
sociedade sem qualquer espécie de finalidade lucrativa. Conforme estudamos, 
excepcionalmente o estado atua no mercado econômico, por meio das 
empresas públicas e das sociedades de economia mista (art. 173 da CF/88). 
No entanto, se trata de hipótese excepcional, pois a regra é que o estado não 
exerce atividade econômica voltada ao lucro. É o que afirma a CF/88: 
moderno. 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, 
a exploração direta de atividade econômica pelo Estado 
só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, 
conforme definidos em lei (Brasil, 1988). 
As atividades realizadas pelo primeiro setor, portanto, visam a garantir 
melhores condições de vida à população. 
O segundo setor é marcado pela livre iniciativa. A livre iniciativa está 
prevista no artigo primeiro da Constituição Federal. Trata-se de fundamento da 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
República Federativa do Brasil e é predominante nos países capitalistas. Trata- 
se de particulares que atuam no mercado visando o lucro. Países que possuem 
uma base econômica significativa concentram boa parte da economia no setor 
secundário. Um bom exemplo do retorno econômico que os entes do segundo 
setor trazem para os países em que estão instalados são as receitas tributárias 
e incremento das relações internacionais provenientes da exportação. 
No terceiro setor da economia estão presentes as entidades privadas que 
visando garantir o interesse da sociedade, executam atividades de interesse social 
e recebem benefícios pagos pelo ente Estatal como forma de incentivá-las. 
A doutrina moderna aponta para existência também do “quarto setor”, 
que por sua vez, é caracterizado pela economia informal. Diferenciando-se 
dos outros dois setores anteriores, o quarto setor é mais presente em países 
com grau desenvolvimento mais baixo. A alta carga tributária e o desemprego 
fomentam a economia informal paralela, que sonega o pagamento de tributos 
e encargos legais, como forma de manutenção de suas atividades. 
Não há uma unanimidade na doutrina sobre quais entidades compõem 
o terceiro setor. No entanto, prevalece que são quatro as espécies destes entes: 
entidades do serviço social autônomo (sistema “S”; organizações sociais (OS); 
organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP) e entidades de apoio. 
Todas essas entidades atuam sem fins lucrativos, no entanto, como 
recebem incentivos dos cofres públicos para a consecução das suas atividades, 
são fiscalizados pelo Tribunal de Contas. 
Vejamos as peculiaridades de cada uma dessas entidades: 
3.4.4.9 Serviço social autônomo - Sistema "S” 
As entidades que compõem o “sistema S” são criadas mediante 
autorização legal para realizar atividade de fomento, capacitação e auxílio de 
categorias profissionais da indústria ou do comércio. Podemos citar como 
exemplo dessas entidades o SESI (Serviço Social da Indústria) e o SENAI (Serviço 
Nacional de Aprendizagem Industrial). 
Como forma de incentivo as suas atividades, o Poder Público transfere a 
essas identidades a capacidade tributária, ou seja, ela detém o poder de cobrar 
tributos. A partir do momento que ingressa em seus cofres, se transforma em 
receita da entidade respectiva. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
É importante destacar que a lei não transfere o poder de instituir 
tributos, posto que essa é uma atividade exclusiva de Estado, marcada pela 
indelegabilidade. O que a lei permite é que tais entidades possam cobrar 
tributos. 
Por receberem verba pública, são submetidas ao controle pelo Tribunal 
de Contas e apesar de dispensadas de contratar por meio de licitação, devem 
obedecer a todos os princípios da administração pública. 
No que tange à imunidade tributária (art. 150, VI, “c”, da CF/88), Tais 
entidades em regra não são imunes aos impostos sobre seu patrimônio e 
rendas. No entanto, algumas categorias sociais e profissionais, sem finalidade 
lucrativa, se enquadram no dispositivo constitucional e recebem imunidade no 
que tange aos impostos: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios: 
VI - instituir impostos sobre: 
[...] 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, 
inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos 
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência 
social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei 
(Brasil, 1988). 
Tais entidades podem ser constituídas sob as formas de fundações ou 
associações, ou outras estruturas não previstas no direito civil e reguladas 
pela lei específica da entidade. 
Seus empregados não são contratados por concurso público e são 
submetidos ao regime celetista. No entanto, como essas entidades recebem 
verbas públicas, seus agentes são submetidos a lei de improbidade administrativa. 
Esses são considerados agentes públicos para fins de direito penal. 
Suas ações tramitam na justiça estadual, sem que haja qualquer 
prerrogativa de foro. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.4.4.10 Entidades de Apoio 
Com previsão na Lei Federal n. 8.958/94, em seu art. 1º: 
O Poder Executivo poderá qualificar como organizações 
sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins 
lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à 
pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à 
proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à 
saúde (Brasil, 1994). 
Trata-se de atividades não exclusivas de estado, voltadas à saúde, 
educação e pesquisa científica. 
Podem ser constituídas sob as formas de fundações privadas, associações 
e cooperativas. Caso assuma a forma de fundação privada, estará sujeita às 
normas do Direito Civil e será fiscalizada pelo Ministério Público. 
Ainda que estejam atuando ao lado de uma entidade federal, suas ações são 
julgadas na Justiça Estadual. 
É importante destacar que a Lei Federal n. 8.958/94 regulamenta 
as fundações de apoio que atuam ao lado de universidades públicas e 
instituições de ciência e tecnologia. Não há previsão legal específica para a 
criação de fundações que executam atividades juntamente com os hospitais 
públicos. No entanto, a doutrina afirma que elas podem ser criadas para o 
apoio de hospitais públicos. 
O Poder Público firma um vínculo com tais entidades por meio de 
convênio, repassando valores, servidores públicos e bens públicos. Note que as 
entidades de apoio recebem dotação orçamentária específica. No entanto, esse 
dinheiro não pode ser usado para contratar servidores. 
Essas entidades não estão sujeitasà lei de licitação para contratar e não 
precisam realizar concurso público para admitir seus funcionários. Por outro 
lado, podem ser contratadas via dispensa de licitação pela entidade a qual 
atuam apoiando. 
Como forma de se evitar fraudes à licitações, a lei dispõe que é vedado 
o enquadramento no conceito de desenvolvimento institucional, quando 
financiadas com recursos repassados por instituições federais de ensino superior 
e instituições de ciência e tecnologia, as fundações de apoio voltadas a: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
| - atividades como manutenção predial ou infraestrutural, 
conservação, limpeza, vigilância, reparos, copeiragem, 
recepção, secretariado, serviços administrativos na área 
de informática, gráficos, reprográficos e de telefonia e 
demais atividades administrativas de rotina, bem como as 
respectivas expansões vegetativas, inclusive por meio do 
aumento no número total de pessoal; e 
Il - outras tarefas que não estejam objetivamente definidas 
no Plano de Desenvolvimento Institucional da instituição 
apoiada (Brasil, 1994). 
Tais entidades são submetidas à fiscalização pelo Tribunal de Contas, 
visto que recebem destinações do orçamento público. 
Decisão recente e importante do Superior Tribunal de Justiça decidiu que 
a fundação privada de apoio à universidade pública responde objetivamente 
perante terceiros: 
A fundação privada de apoio à universidade pública presta 
serviço público, razão pela qual responde objetivamente 
pelos prejuízos causados a terceiros, submetendo-se a 
pretensão indenizatória ao prazo prescricional quinquenal 
previsto no art. 1º-C da Lei nº 9.494/97 (Brasil, 2022). 
Pode ser citada como entidade de apoio a FUSP - Fundação de Apoio à 
Universidade de São Paulo que atua ao lado da USP. 
3.4.4.11 Organizações Sociais 
Com previsão na Lei 9.637/98, Organização Social (OS) é uma qualificação 
especial outorgada pelo Poder Público, de forma discricionária, a entidades 
da iniciativa privada, sem fins lucrativos. 
Aproxima-se de uma parceria entre a Administração e a iniciativa privada, 
e está relacionado com um processo de privatização lato sensu. Após a EC 
19/98, atividades de interesse público que antes eram exercidas exclusivamente 
pelo Poder Público passaram a ser abertas à iniciativa privada. 
Trata-se de uma qualificação especial temporária que tais entes 
privados recebem para execução de atividades dirigidas ao ensino, à pesquisa 
científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio 
ambiente, à cultura e à saúde. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Após conceder a qualificação e celebrar o contrato de gestão, tais 
entidades recebem algumas vantagens peculiares, podendo ser mencionadas: 
isenções fiscais, cessão de servidores e de bens públicos, e destinação de 
recursos orçamentários. 
O processo de seleção para qualificação deve ser conduzido de forma 
pública, objetiva e impessoal, e de acordo com os parâmetros fixados no art. 20 
da Lei regente. 
Existe certa discussão na doutrina com relação ao “contrato”, pois o 
pressuposto de um contrato são vontade divergentes. O que acontece no 
contrato de gestão, relativamente às organizações sociais, é um verdadeiro 
acordo de vontades, caracterizando verdadeiro convênio. No entanto, a lei usa 
o termo “contrato de gestão”. 
O STF também já apreciou a questão na ADI 1.923/DF: 
A figura do contrato de gestão configura hipótese de 
convênio, por consubstanciar a conjugação de esforços 
com plena harmonia entre as posições subjetivas, que 
buscam um negócio verdadeiramente associativo, e não 
comutativo, para o atingimento de um objetivo comum 
aos interessados: a realização de serviços de saúde, 
educação, cultura, desporto e lazer, meio ambiente e ciência 
e tecnologia, razão pela qual se encontram fora do âmbito 
de incidência do art. 37, XXI, da CF (Brasil, 2015). 
O acordo deve especificar o programa de trabalho, as metas e prazos, os 
critérios de avaliação de qualidade e de produtividade, critérios para despesa 
e remuneração e vantagens a serem recebidas pelos dirigentes e empregados. 
Ao final de cada exercício, a entidade deve relatar o cumprimento das metas 
fixadas no contrato de gestão. 
A entidade qualificada recebe bens públicos via permissão de uso, que 
deve ser conduzido de forma objetiva e impessoal. 
Não precisam licitar para contratar com terceiros, dada sua 
característica peculiar e natureza de ente privado. No entanto, a nova lei 
de licitações - 14.133/21 - prevê a possibilidade de contratação direta de tais 
entidades pelo poder público: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Para contratação de instituição brasileira que tenha por 
finalidade estatutária apoiar, captar e executar atividades de 
ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, 
científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive para 
gerir administrativa e financeiramente essas atividades [...] 
(Brasil, 2021). 
Sobre a permissão para as OS não realizarem licitação, o tema foi 
apreciado na ADI 1.923/98, do STF, que declarou constitucional a dispensa de 
licitação pela OS no contrato com terceiros. No entanto, estão submetidas ao 
controle do Tribunal de Contas e também à lei de improbidade administrativa. 
Em caso de extinção ou desqualificação, seu patrimônio é reinvestido 
em outra OS ou destinado ao patrimônio dos entes na proporção dos recursos 
por eles alocados. A desqualificação importará reversão dos bens permitidos e 
dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de outras 
sanções cabíveis. Para ser desqualificada, a entidade deve ter descumprido as 
metas previstas no contrato de gestão, no entanto, deve ser garantida a ampla 
defesa e o contraditório. 
Observação importante a ser feita é de que o Conselho de Administração 
da organização social deve estar estruturado nos termos que dispuser o 
respectivo estatuto, observados, para os fins de atendimento dos requisitos de 
qualificação, que deve ser composto por 20 a 40% (vinte a quarenta por cento) 
de membros natos representantes do Poder Público, definidos pelo estatuto da 
entidade. 
O art. 14 da Lei n. 9.637/98 ainda faculta ao Poder Executivo a cessão 
especial de servidor para as organizações sociais, com ônus para a origem, no 
entanto, não será incorporada aos vencimentos ou à remuneração de origem 
do servidor cedido, qualquer vantagem pecuniária que vier a ser paga pela 
organização social. Não será permitido o pagamento de vantagem pecuniária 
permanente por organização social a servidor cedido com recursos provenientes 
do contrato de gestão, ressalvada a hipótese de adicional relativo ao 
exercício de função temporária de direção e assessoria. 
Na elaboração do contrato de gestão, deve ser observada a estipulação 
dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer 
natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizações 
sociais, no exercício de suas funções. 
> Programa Nacional de Publicização - Decreto 9.190/2017 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Em 2017, o Decreto 9.190/2017 criou o Plano Nacional de Publicização, 
de forma a permitir que as OS absorvam algumas atividades de órgãos e 
entidades públicas, cumpridos alguns requisitos previstos no decreto. No 
entanto, o decreto vedou a qualificação de organizações sociais para 
desenvolvimento de atividades exclusivas de Estado, de apoio técnico e 
administrativo à administração pública federal, e de fornecimento de instalação, 
bens, equipamentos ou execução de obra pública em favor da administração 
pública federal. 
3.4.4.12 OSCIP 
De acordo com a Lei n. 9.790/99: 
Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade 
Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito 
privado sem fins lucrativos que tenham sido constituídas 
e se encontrem em funcionamento regular há, no mínimo, 
3 (três) anos, desde que os respectivosobjetivos sociais e 
normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por 
esta Lei (Brasil, 1999). 
Trata-se de qualificação que permite a destinação de valores e de bens 
públicos à iniciativa privada, por meio de um instrumento chamado de termo 
de parceria. 
Uma vez preenchidos os requisitos para qualificação, o termo de parceria 
é ato vinculado do poder público, ou seja, a Administração não pode negar o 
vínculo, bem como deve haver a aprovação do Ministro da Justiça. Sempre 
que houver mais de um interessado na celebração do convênio, é necessário 
realizar um procedimento simplificado designado “concurso de projetos”. 
Por receber a destinação de verbas públicas, essas entidades ficam 
sujeitas ao controle financeiro e orçamentário pelo Tribunal de Contas. 
Também são fiscalizadas e acompanhadas por órgão do Poder Público na área 
de atuação correspondente bem como pelos Conselhos de Políticas Públicas 
das áreas correspondentes de atuação existentes. 
Há vedação da celebração de termo de parceria com algumas entidades 
privadas, a exemplo das sociedades comerciais e organizações sociais (art. 2º da lei). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Possuem obrigatoriamente um conselho fiscal ou órgão equivalente, 
que seja responsável por opinar sobre relatórios de desempenho financeiro 
e contábil, bem como sobre as operações patrimoniais, emitindo pareceres 
para organismos superiores da entidade. No entanto, diferentemente das 
organizações sociais, a presença de representantes do Poder Público nesse 
conselho fiscal ou equivalente não é obrigatória, mas sim, facultada. 
As organizações da sociedade civil de interesse público atuam 
conjuntamente com os órgãos estatais para executar objetos de finalidade da 
Administração Pública, mas sem a intenção de substituí-la na execução dessas 
atividades. 
Segue um quadro sinótico a fim de estabelecer os principais instrumentos 
de cada um dos “entes do Terceiro Setor”: 
TABELA 22 — INSTRUMENTOS DO TERCEIRO SETOR 
 
 
 
 
Serviço social 
$ Parafiscalidade 
autonomo 
Entidades de A. 
. Convênio 
apoio 
Organizações 
J E 'ç Contrato de gestão 
sociais 
OSCIP Termo de parceria 
 
FONTE: O autor (2024). 
3.5 FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR DA COISA 
PÚBLICA 
Segundo Spitzcovsky (2022, p. 62), a atividade desenvolvida pelo Poder 
Público tem por objetivo representar os interesses de terceiros, vale dizer, os da 
coletividade. 
Isso se dá mediante a criação e estabilidade de organizações estatais 
permanentes, com competências especializadas, e principalmente respeitadas, 
tornando possível a existência prática da função administrativa do Estado. 
Nesse limiar: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Tem-se função apenas quando alguém está assujeitado ao 
dever de buscar, no interesse de outrem, o atendimento de 
certa finalidade [...]. Onde há função, pelo contrário, não 
há autonomia da vontade, nem a liberdade em que se 
expressa, nem a autodeterminação da finalidade a ser 
buscada, nem a procura de interesses próprios, pessoais. 
Há a discrição a uma finalidade previamente estabelecida, 
e, no caso de função pública, há submissão da vontade ao 
escopo pré-traçado na Constituição ou na lei e há o dever 
de bem curar o interesse alheio, que, no caso, é o interesse 
público; vale dizer, da coletividade como um todo, e não da 
entidade governamental em si mesma considerada. (Mello, 
1999, p. 56, grifo nosso). 
Esse conceito de “função” é abarcado, em seu prisma administrativo, 
quando se determina a forma de governo pelo qual o Brasil é regido, ou seja, a 
República, conforme o primeiro artigo de nossa Carta Magna, ressaltando, que, 
na verdade, assim o é desde o fim do século XIX, com a Constituição de 1891. 
O ideal das repúblicas é, justamente, administrar a coisa pública, a res publica, 
com a titularidade do poder que emana do povo, o soberano do Estado. 
3.5.1 Conceito básico 
Em suma, a função administrativa do Estado pode ser entendida como 
a atividade que é desenvolvida pelo titular do poder público, com o principal e 
basilar objetivo de preservar os interesses do povo. 
Importa notar, ainda, que há algumas especificidades da função 
administrativa, inerentes à condição do Estado como detentor desse poder, eis 
que, conforme Justen Filho (2005, p. 30): “A função administrativa se submete 
a regime diferenciado da jurisdição e da legislação. Esse regime se caracteriza 
pela infra legalidade e pela submissão ao controle jurisdicional”. 
As funções do Estado estão contidas no Poder Público, que por sua vez, 
é separado, conforme o ideário já mencionado por Aristóteles e Montesquieu, 
e após, modernizado para três poderes distintos. Esses Poderes são autônomos 
e interdependentes entre si e podem ser classificados em: 
* Poder Legislativo, exercendo uma função típica legislativa e de 
fiscalização. Ao Poder Legislativo cabe a elaboração da lei. 
* Poder Executivo, exercendo uma função típica de administrar. Possui 
sua estrutura prevista na Constituição Federal, dividida em órgãos, 
mas tendo no Chefe do ente federado sua autoridade máxima, ou 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
seja, prefeitos, governadores e presidentes. A atuação do Poder 
Executivo não se subordina a determinações externas, possuindo os 
chamados atributos da autoexecutoriedade e da ação discricionária, 
nos momentos que considere oportuno. Ademais, cabe ao Executivo, 
a regulamentação infralegal, determinando a lei, que tem caráter 
abstrato, nos casos concretos. 
* Poder Judiciário, exercendo a função típica de julgar. Ao Poder 
Judiciário cabe a aplicação coativa da Lei. 
Ainda, é possível classificar a função administrativa em 3 critérios 
metodológicos: 
TABELA 23 — CLASSIFICAÇÃO DA FUNÇÃO ADMINISTRATIVA 
 
METODOLOGIA CONCEITO 
 
Observância do órgão que está 
exercendo o poder 
O conteúdo, a matéria que está 
sendo exercida 
O regime jurídico que disciplina o 
assunto 
FONTE: O autor (2024). 
Subjetivo-orgânico 
 
Objetivo-material 
 
Objetivo-formal 
3.5.2 Responsabilidade do servidor público 
O art. 37, 8 6º da Constituição Federal, assim define: 
8 6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviços públicos responderão 
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem 
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa (Brasil, 1988). 
Assim, imagine que um servidor do Exército está conduzindo um veículo 
do Exército na qualidade de servidor público e se envolveu em um acidente 
de trânsito com um civil proprietário de um veículo. Nesse caso, quem será o 
responsável por responder eventual ação judicial de indenização pelos danos 
causados no acidente? Com base no art. 37, 8 6º, acima mencionado, incide a 
responsabilidade civil objetiva (na qual não há necessidade de comprovação 
do elemento subjetivo - dolo ou culpa - do servidor). Portanto, a União deve 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
responder eventual ação judicial de indenização. Se a União for condenada 
e pagar a indenização, deverá ajuizar ação regressiva contra o servidor, que 
somente responderá em caso de dolo ou culpa. 
3.6 EFICIÊNCIA NA ATIVIDADE 
ADMINISTRATIVA 
Boa administração é administração eficiente. A eficiência é entendida 
como um princípio, inclusive, expressamente previsto na Constituição Federal, 
sendo, portanto, uma imposição ao Poder Público para que sempre busque o 
aperfeiçoamento em seus atos. 
A partir desse princípio denota-se a exigência de que esses atos sejam 
sempre praticados de acordo com os atributos de presteza, adequabilidade, 
perfeição técnica, produtividade, zelo e qualidade. Como regra, a atividade 
administrativa não visa lucro, no entanto, isso não exclui dela o dever de 
que o Estado apresente resultados concretos, com práticas baseadas em 
produtividade e economicidade, ou seja, os recursos públicos precisam ser bemgeridos, para que não haja desperdício de dinheiro público e ainda assim, se 
atendam as necessidades sociais de maneira adequada. Destarte, a CF criou 
alguns mecanismos para vetorizar a Administração Pública no sentido desse 
princípio: 
TABELA 24 — MECANISMOS DE EFICIÊNCIA NA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA 
 
Previsão legal | Nome doutrinário Especificidade 
 
Avaliação especial de 
desempenho como condição 
Avaliação de para adquirir estabilidade. 
Art. 41 
, Desempenho 
Avaliação periódica de 
desempenho para manutenção 
do cargo. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Limite de gastos com recursos 
humanos deve ser regulado por 
lei complementar, ressaltando 
que caso esse limite seja 
ultrapassado a Administração 
deve exonerar os servidores, na 
ordem: 
Racionalização 
Art. 169 da Administração 
Pública 
1º cargos em comissão e função 
de confiança (pelo menos 20%). 
2º servidores não estáveis. 
3º servidores estáveis. 
FONTE: O autor (2024). 
 
Eis que se pode afirmar, conforme Pinheiro (2021, p. 36) que: “[..] a 
eficiência deve estar presente nos meios e também nos resultados (gastar o 
menor valor e obter o melhor resultado)”. Salienta-se, ademais, que essa busca 
deve estar sempre subscrita à legalidade e ao interesse público. 
3.6.1 Eficiência, eficácia e efetividade 
Segundo a lição de Carvalho Filho (2022, p. 30), eficiência, eficácia e 
efetividade são conceitos que não se confundem. A eficiência seria o modo 
pelo qual se exerce a função administrativa, a eficácia diz respeito aos meios 
e instrumentos empregados pelo agente, e a efetividade é voltada para os 
resultados de sua atuação. 
3.7 SISTEMA JURÍDICO DO DIREITO 
ADMINISTRATIVO BRASILEIRO 
Por conta das inerentes responsabilidades da Administração Pública, o 
sistema a qual ela está submetida é diferenciado, ou seja, não pode agir como 
age um particular, havendo limitações próprias e benefícios específicos, ambos 
sempre com o objetivo final de atendimento ao interesse público. 
Essas características podem ser entendidas da seguinte forma: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 25 — CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA JURÍDICO DO DIREITO 
ADMINISTRATIVO BRASILEIRO 
São as sujeições públicas do poder estatal, para 
que possa ser controlado e que não haja um desvio 
daquilo que é de todos, a fim de impedir favoritismos, 
contratações com interesses escusos e assim por diante. 
Benefícios para que o Estado atue que são compatíveis 
com os bens jurídicos por ele tutelados, fazendo com 
que o Estado tenha condições de atingir seu principal 
objetivo que é o interesse público. 
FONTE: O autor (2024). 
 
Restrições 
 
Prerrogativas 
 
Tendo essa peculiaridade como pano de fundo, é que se estabelece 
o sistema ao qual o Estado está submetido, ou seja, o regime jurídico- 
administrativo. O conceito desse sistema está ligado ao conjunto de princípios 
e normas ligados com exclusividade à Administração Pública, em que há 
uma diferença substancial em relação ao sistema de Direito Privado. 
Enquanto nesse os interesses são disponíveis, baseados no conceito 
jurídico da autonomia da vontade, e, portanto, o particular pode fazer “tudo 
que não está proibido por lei (art. 5º, II, CF)”; aquele é baseado em interesses 
indisponíveis, baseados no conceito jurídico de fiel cumprimento da lei, e, 
portanto, o Estado “só pode fazer aquilo que está previamente previsto em lei 
(art. 37, CF)”. 
Importa notar, que como há uma rede de organismos da Administração 
Pública, cada um com suas especificidades, inclusive com mecanismos 
particulares fazendo parte da Administração Pública, o regime jurídico que os 
regem pode ser diferente: 
TABELA 26 — REGIME JURÍDICO 
Órgãos (Administração Direta). 
Autarquias. 
Fundações Estatais. 
Associações Públicas. 
Empresas Públicas. 
Sociedades de Economia Mista. 
FONTE: O autor (2024). 
 
Regime Público 
 
Regime Privado 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Apesar de estarem em um regime de direito privado, estão sujeitas 
as obrigações do regime público, por ainda serem integrantes 
da máquina estatal. Ex.: licitação; concurso público; prestação de 
 
contas ao Tribunal de Contas. 
Especificando o regimejurídico, tem-se o chamado sistema administrativo, 
aquele que é capaz de julgar os atos administrativos, verificando sua legalidade 
e submissão ao interesse público. Doutrinariamente é dividido em 2: 
TABELA 27 — SISTEMA ADMINISTRATIVO 
 
 
Tipo de . a o. 
IP Origem Ideia principal Peculiaridades 
Sistema 
Separação das atividades 
administrativas e das 
oq Ainda assim, 
judiciais. ) 
nao ficam excluídas 
Os tribunais não podem 
(o do julgamento 
adentrar nas matérias de 
ur por esse 
competência exclusiva 
tribunal: 
França, legado do Executivo. 
da Revolução 
A Atividades 
Sistema do | Francesa (1789), O tribunal de Vo. 
R =... = públicas de 
Contencioso | com a adoção |julgamento das questões , 
a o 4 caráter privado. 
da Constituição administrativas é 
de 1793. do Poder Executivo, Repressão 
chamado de Conselho rir 
de Estado, desvinculado 
do Poder Judiciário. É 
Vu: Propriedade 
esse tribunal o último 
o privada. 
grau de jurisdição nas 
matérias administrativa. 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Sistema da 
Jurisdição 
Única/ 
Sistema de 
Controle 
Judicial 
 
Inglaterra, no 
século XVII. 
 
Os litígios se submetem 
ao Poder Judiciário, 
independente da esfera 
que ocorreram. 
A autoridade final se 
dá no Poder Judiciário, 
por meio do instituto 
da coisa julgada, que é 
imutável. 
 
Há um grau de 
contencioso 
administrativo, 
no que se 
refere aos 
atos internos 
subscritos 
aos processos 
administrativos, 
no entanto, 
mesmo as 
decisões 
exaradas nesses 
processos, são 
passíveis de 
revisão pelo 
Poder Judiciário 
(isso advém 
da cláusula de 
inafastabilidade 
judicial, 
esculpida 
como direito 
fundamental no 
art. 5º, XXXV, 
CF). 
 
FONTE: O autor (2024). 
O Brasil historicamente utiliza o sistema de jurisdição única, desde 
o início do período republicano, tendo como exceção apenas o período do 
governo militar, em que houve a introdução do sistema do contencioso (Emenda 
Constitucional 07/1977), fato que foi alterado novamente na Constituição de 
88, que reestabeleceu o sistema de jurisdição única. 
4 PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Segundo Mazza (2022, p. 233), [...] “princípios são regras gerais que 
a doutrina identifica como condensadoras dos valores fundamentais de um 
sistema”. Identificados doutrinariamente com a ideia de tridimensionalidade 
funcional, servindo da seguinte maneira: 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
a) Função fundamentadora: princípios como valores fundamentadores 
do sistema jurídico. 
b) Função hermenêutica: princípios como orientadores da sua exata 
compreensão, tendo função interpretativa, utilizado como ferramenta 
de esclarecimento sobre o conteúdo do dispositivo analisado; 
c) Função integrativa: princípios como supletivos das demais fontes 
do direito ao “suprir lacunas”, é um instrumento para preenchimento 
da ausência de regramento sobre determinada matéria (Mazza, 2022, 
p.233). 
Princípios legais são a base jurídica que, inclusive, têm a mesma validade 
das normas e leis; são fontes do Direito Administrativo e norteiam o agir correto 
do administrador público. 
Podem ser classificados em três tipos: 
a) Constitucionais explícitos: escritos expressamente na Constituição 
Federal; 
b) Constitucionais implícitos: não escritos, entendidos em uma análise 
contextual da Constituição Federal; 
c) Infraconstitucionais: previstos nas leis, também são conhecidos 
como princípios administrativos. 
4.1 SUPRAPRINCÍPIOS 
Não obstante, pode-se deixar registrado dois institutos que são 
fundamentais para o Direito Administrativo brasileiro, de tamanha importância, 
que doutrinariamente são chamadas de “pedrasde toque”, são o centro 
dos quais derivam todas as normas do Direito Administrativo sendo elas: a 
supremacia do interesse público e a indisponibilidade do interesse público. 
Segundo Mazza (2022, p.237),“[...]a existênciadessesdoissupraprincípios 
é reflexo de uma dualidade permanente no exercício da função administrativa: 
a oposição entre os poderes da Administração Pública (supremacia do interesse 
público) e os direitos dos administrados (indisponibilidade do interesse 
público)”. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.1.1 Supremacia do interesse público 
É um princípio implícito, portanto, extraído de toda a interpretação 
do sistema constitucional. Em suma, ele significa que os interesses coletivos, 
em regra, têm predominância sobre os interesses individuais, e para que a 
Administração possa zelar propriamente por isso, ela recebe poderes especiais, 
também chamadas de prerrogativas. Há, portanto, uma desigualdade jurídica 
entre a Administração e o particular. 
Para Di Pietro (2010, p. 64), "[...] a noção de supremacia do interesse 
público está presente no momento de elaboração da lei, assim como no 
momento de aplicação dela pela Administração Pública”. 
São exemplos dessas prerrogativas especiais: 
a) Desapropriação das propriedades privadas em favor do Poder 
Público. 
b) Requisição de bens, ou seja, o uso de bens privados em questões de 
iminente perigo público. 
c) Rescisão unilateral de contratos. 
d) Impenhorabilidade de bens públicos. 
4.1.2 Indisponibilidade do interesse público 
Significa que os agentes públicos são obrigados a atuar em favor do 
fim primário da Administração Pública, que é o interesse público, ou seja, não 
há uma escolha sobre como atuar em determinados casos, a não ser aquele 
previsto em lei, haja vista que a lei é forma principal com qual a sociedade se 
manifesta. 
De outra senda, também não se admite que os agentes renunciem aos 
seus poderes legalmente atribuídos, uma vez que eles estão investidos com a 
vontade do Estado, de acordo com a Teoria da Imputação Volitiva. 
4.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS 
São aqueles que estão diretamente previstos na Constituição Federal, 
notadamente em seu art. 37: “A administração pública direta e indireta 
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência [...]” (Brasil, 1988). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.2.1 Legalidade 
Na esteira de Fernandes (2022, p. 34), tal princípio determina a completa 
“[...] submissão da Administração Pública à Lei e ao Direito, desde o Presidente 
da República, Governador e Prefeito ao mais humilde dos servidores públicos, 
todos devem agir no cumprimento especial a este princípio”. 
Ele serve como base do Estado Democrático de Direito, uma vez que é 
por meio do Congresso que se editam as leis, e o Congresso é o órgão pelo 
qual se expressa a vontade do povo, essa é uma característica fundamental da 
democracia participativa. Está prevista constitucionalmente nos art. 5º II, art. 37, 
caput e art. 150, da CF/88: 
Art. 5º [...] II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de 
fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 
Art. 37 [..] A administração pública [..] obedecerá aos 
princípios de legalidade [...]. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios: | - exigir ou aumentar tributo sem 
lei que o estabeleça (Brasil, 1988). 
Isso significa que toda a atividade administrativa fica adstrita ao fiel 
cumprimento da lei, não podendo se afastar ou desviar dela sob qualquer 
pretexto, inclusive o de busca por eficácia. Sobretudo, a violação à legalidade, 
imputa a responsabilidade administrativa, civil e criminal, de maneira 
independente, além de tornar o ato administrativo inválido ou de fazer com 
que seja reconhecida sua nulidade. 
Importa notar também que há duas faces do princípio da legalidade, 
diferenciados pelo sujeito a quem ele se refere, nesse sentido: “[...] na Administração 
Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, enquanto na Administração 
privada é possível fazer o que a lei não proíbe” (Meirelles, 2018, p. 300). 
Quando o princípio da legalidade exige o cumprimento da lei, esse 
conceito de lei deve ser entendido em sentido amplo, incluindo outros atos 
normativos como decreto, portarias e resoluções. Por exemplo, os agentes 
de administração do Exército devem seguir a Portaria - SEF/C Ex Nº 198, de 
28 de junho de 2022, que Aprova as Normas para Atuação dos Agentes da 
Administração (EB90-N-08.006), 1º Edição, 2022. Nessa norma, existem diretrizes 
para atuação do gestor de ação orçamentária, do ordenador de despesas, do 
fiscal administrativo, dentre outras. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Importante relacionar o princípio da legalidade com dois tipos de atos 
do administrador público: o ato discricionário e o ato vinculado. Inicio pelo 
conceito de ato discricionário e de seus elementos nucleares: 
Poder discricionário [..] é a prerrogativa concedida aos 
agentes administrativos de elegerem, entre várias condutas 
possíveis, a que traduz maior conveniência e oportunidade 
para o interesse público. 
[..] 
Conveniência e oportunidade são os elementos nucleares do 
poder discricionário. A primeira indica em que condições vai 
se conduzir o agente; a segunda diz respeito ao momento 
em que a atividade deve ser produzida (Carvalho Filho, 2022). 
Lembro, a seguir, o conceito de atividades vinculadas: 
Atividades vinculadas: Há atividades administrativas cuja 
execução fica inteiramente definida na lei. Dispõe esta sobre 
todos os elementos do ato a ser praticado pelo agente. A 
este não é concedida qualquer liberdade quanto à atividade 
a ser desempenhada e, por isso, deve submeter-se por 
inteiro ao mandamento legal (Di Pietro, 2015). 
É importante esclarecer, ainda, a possibilidade de alguns elementos dos 
atos da administração serem vinculados e outros discricionários. Ou seja, existem 
atos que tem uma parte vinculada (sem margem de escolha do administrador) 
e outra parte discricionária (com margem de escolha, a depender dos critérios 
de conveniência e oportunidade). 
Por exemplo, imagine que um servidor do Exército pretende fazer 
um curso sobre tema conexo à sua atividade de trabalho. Para realizar essa 
atividade, o servidor pede uma licença ao seu superior. O servidor preenche 
os requisitos estatutários para requerer tal licença (o que indica uma parcela 
vinculada) mas diversos outros colegas do servidor estão afastados por motivos 
diversos, o que acarreta o aumento da demanda de trabalho. Assim, apesar da 
parcela vinculada do ato ter sido cumprida, a parcela discricionária permite ao 
gestor, com base na conveniência e oportunidade, negar o pedido de licença, 
negativa essa justificada pelo aumento de demanda de trabalho decorrente 
dos afastamentos dos demais servidores. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.2.2 Impessoalidade 
Em suma, O princípio traz a concepção de que todos devem ser tratados 
indistintamente, portanto, sem uma ação da Administração Pública que vise 
a uma preferência em relação a algum particular em razão de prestígio ou de 
influência, qualquer que seja a fonte. 
Uma das justificativas para a condição desse princípio é de que a própria 
lei é uma garantia da igualdade entre todos, e a outra é de que o agente público 
não age segundo sua própria vontade e sim, segundo a vontade do órgão 
público (teoria do órgão ou da imputação volitiva). 
Exige-se a ausência de subjetividade na conduta praticada pelo agente 
público, pelo que ele fica impedido de considerar quaisquer inclinações ou 
interesses pessoais, sejam próprios ou de terceiros (pessoas que não fazem 
parte da Administração Pública). 
Importante trazer, neste ponto, o conceito de nepotismo. Ele está 
relacionadoà contratação de parentes para trabalhar no serviço público e está 
previsto na Súmula Vinculante e na Lei de Improbidade Administrativa com a 
seguinte redação: 
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que 
atenta contra os princípios da administração pública a ação 
ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de 
imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das 
seguintes condutas: 
[..] 
XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha 
reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, 
inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da 
mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, 
chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em 
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada 
na administração pública direta e indireta em qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações 
recíprocas (Brasil, 1992). 
Assim, se um gestor público, com poder de nomeação de cargos em 
comissão, nomeia um parente (nos limites acima) para exercer um desses 
cargos, comete improbidade administrativo. Note-se, porém, que essa vedação 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
não atinge agentes políticos, que são aqueles que detêm o cargo de Ministros 
(na União) e Secretários Estaduais e Municipais. Nestes casos, somente haverá 
irregularidade se for demonstrado que esse parente não tinha aptidão para 
realizar a função. 
4.2.3 Moralidade 
Tal princípio está ligado aos conceitos de probidade, de honestidade, 
ética, respeito, lisura e da correção, em suma, do que for melhor e mais útil para 
o interesse público. Por este princípio a Administração e seus servidores têm de 
atuar segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé. Assim a atividade 
administrativa deve obedecer não apenas à lei, mas, também seguir princípios 
éticos (Fernandes, 2022). 
A vedação ao nepotismo, vista acima, também está relacionada ao 
princípio da moralidade, diante da falta de probidade em contratar parentes no 
poder público pelo simples fato de serem parentes. 
4.2.4 Publicidade 
A Administração Pública deve manter total transparência em relação aos 
seus atos, ou seja, está obrigada a publicar seus atos para que o particular 
possa entendê-los e se for o caso contestá-los. 
Existem duas principais formas de se entender o princípio da publicidade 
em seu prisma de transparência: 
TABELA 28 - PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA: PRINCIPAIS FORMAS 
Refere-se ao direito do cidadão de ter conhecimento 
sobre dados e informações da Administração Pública, 
TRANSPARÊNCIA | e inclusive, requerer certidões. Esse requerimento 
PASSIVA pode ser feito sem justificativa alguma, mas caso 
a Administração resolva negá-lo é necessário que 
apresente as razões pelo qual está negando. 
Trata-se do dever do órgão em publicizar suas ações, 
TRANSPARÊNCIA | dados e informações, quando de interesse coletivo. 
ATIVA 
 
 
 Ex.: Portal Transparência. 
FONTE: O autor (2024). 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.2.4.1 A questão do sigilo 
Imagine a seguinte situação hipotética: diante de tantas atuações de 
grupos criminosos o Ministério da Defesa está participando de um planejamento 
de inteligência para combater ataques antes mesmo de ocorrerem. No entanto, 
como aquele Ministério faz parte da Administração Pública Federal, precisa 
obedecer aos princípios previstos no art. 37 da Constituição Federal, dentre 
eles o da publicidade. O que fazer nesse caso? 
O acesso às informações públicas não é ilimitado. Existem exceções 
ao Princípio da Publicidade. Há restrições quanto às informações que forem 
imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado, ou que puserem 
em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território 
nacional. 
As questões que se enquadrarem nesses casos serão classificadas como 
ultrassecretas, secretas e reservadas. As informações ultrassecretas terão prazo 
de restrição de 25 anos, podendo essa classificação ser renovada uma única vez. 
Já as informações secretas terão prazo de restrição de 15 anos, sem prorrogação 
além desse prazo; e as informações consideradas como reservadas terão prazo 
de restrição de 5 anos, com esse sigilo podendo ser prorrogado uma única vez 
em caso de informações sobre o Chefe do Executivo que foi reeleito para mais 
um mandato. 
4.2.5 Eficiência 
Uma derivação do ideário de uma Administração Pública Gerencial, o 
princípio da eficiência adveio da Emenda Constitucional 19/1998, tornando 
uma obrigação do Estado buscar em seus atos, na atuação de seus servidores 
e na prestação de seus serviços, o atendimento de critérios de presteza, 
adequabilidade, perfeição técnica, produtividade, zelo e qualidade. 
Mais do que isso, é basilar desse princípio, que a Administração Pública 
deve sempre buscar a amálgama entre dois pontos: 
 
Produtividade conjugada com economicidade, dessa forma, a 
máquina deve trabalhar para buscar a satisfação das necessidades do 
administrado, no entanto, sem haver desperdício de dinheiro público, 
ou seja, sem atitudes e projetos irresponsáveis, ou duplo investimento 
em setores diferentes para que façam o mesmo serviço. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.2.6 Outros princípios constitucionais 
expressos 
Não obstante, também há outros princípios constitucionais expressos 
que podem ser extraídos do texto, sendo eles: participação (art. 37, 8 3º, da CF); 
celeridade processual (art. 5º, LXXVIII, da CF); devido processo legal formal e 
material (art. 5º, LIV, da CF); 4) contraditório (art. 5º, LV, da CF) e ampla defesa 
(art. 5º, LV, da CF). 
4.2.6.1 Participação 
Segundo o art. 37, 8 3º, CF: “A lei disciplinará as formas de participação 
do usuário na administração pública direta e indireta” (Brasil, 1988). 
Esse dispositivo dá ensejo a uma abertura estatal em relação à maneira 
como ela administra a máquina pública, dessa forma, dando acesso ao particular, 
por exemplo, ao exercício de representações e reclamações contra o Estado, 
além de promover a transparência em relação a seus atos de gestão. 
Segundo Valle (2017), daí decorre o que se chama de “Administração 
Pública dialógica”, que ocorre quando o processo decisório estatal incorpora 
a efetiva participação de todos aqueles que serão afetados pela decisão. Um 
exemplo disso é o que ocorre em relação a audiências públicas no que tange às 
modificações do Plano Diretor de uma cidade. 
Essa é uma ideia que complementa a de “Administração Pública 
monológica”, de decisões unilaterais, que por vezes também são necessárias, 
mas que certamente não são o único caminho para uma administração saudável. 
4.2.6.2 Celeridade processual 
Segundo o Art. 5º, LXXVIII: "A todos, no âmbito judicial e administrativo, 
são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a 
celeridade de sua tramitação” (Brasil, 1988). 
Dessa forma, é inerente ao processo que ele chegue a um fim, e esse 
caminhar não pode ser postergado com medidas protelatórias, a fim de que 
esse objeto não se perca no caminho. A partir desse princípio foram editadas 
leis, como a 9.784/99, que trata do processo administrativo em nível federal, 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
trazendo diretrizes mínimas de celeridade em relação a essa questão, a fim 
de que se evitem etapas desnecessárias, prazos dilatados ou negligências 
injustificáveis. 
4.2.6.3 Devido processo legal formal e material 
Segundo o Art. 5º, LIV, da CF: “ninguém será privado da liberdade ou de 
seus bens sem o devido processo legal" (Brasil, 1988). Para além da literalidade 
do texto de que é necessário um processo para uma punição, o princípio do 
devido processo legal, doutrinariamente, é dividido em: 
TABELA 29 - DIVISÃO DOUTRINÁRIA DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO 
 
 
LEGAL 
DEVIDO PROCESSO | A validade de uma decisão depende de um rito 
LEGAL FORMAL estabelecido em lei. 
DEVIDO PROCESSOEsse rito deve ter um fim justo, adequado e 
LEGAL MATERIAL proporcional. 
 
FONTE: O autor (2024). 
De tal sorte, é possível extrair que há três elementos peculiares desse 
princípio: 
TABELA 30 — ELEMENTOS DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL 
 
Elementos Conceito 
 
O rito deve estar previsto em lei, ou seja, fica 
Legal acima de uma vontade subjetiva da autoridade 
administrativa. 
Serve como um impedimento de que a 
Processual Administração proponha uma punição de inopino, 
sem que antes se obedeça a um rito estabelecido. 
O rito não pode ser genérico, ele precisa ser 
Devido adequado e específico para aquele tipo de 
situação, e reiterando, sobretudo, legal. 
FONTE: O autor (2024). 
 
 
 
 
Esse princípio torna-se uma garantia para todo o sistema do Direito 
Administrativo, uma vez que promove transparência e impessoalidade, 
oportunizando o exercício de dois outros princípios, também previstos 
constitucionalmente: o contraditório e a ampla defesa. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
4.2.6.4 Contraditório 
Conforme o Art. 5º, LV, da CF: “aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (Brasil, 1988). 
Na esteira de Mazza (2022, p. 258), "[...] por força do princípio do 
contraditório, as decisões administrativas devem ser tomadas considerando 
a manifestação dos interessados”. Para isso, é necessário dar oportunidade 
para que os afetados pela decisão sejam ouvidos antes do resultado final do 
processo. 
4.2.6.5 Ampla defesa 
Conforme o Art. 5º, LV, da CF: “aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (Brasil, 1988). 
Mazza (2022, p. 258) explicita que “[...] o princípio da ampla defesa 
assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, a utilização dos 
meios de prova, dos recursos e dos instrumentos necessários para defesa de 
seus interesses perante o Judiciário e a Administração”. 
4.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS 
Além dos princípios constitucionais expressamente previstos na 
Constituição Federal, existem também os princípios constitucionais implícitos, 
que decorrem da interpretação sistemática do texto constitucional e da 
jurisprudência dos tribunais. Dentre esses princípios, podemos destacar: 
a) Princípio da dignidade da pessoa humana: Considerado um 
princípio fundamental da Constituição, o princípio da dignidade da 
pessoa humana reconhece a importância da proteção e promoção 
da dignidade da pessoa em todas as esferas da vida. 
b) Princípio da proporcionalidade: Esse princípio estabelece que 
as medidas adotadas pelo poder público devem ser adequadas, 
necessárias e proporcionais aos fins pretendidos, de forma a garantir 
a proteção dos direitos e interesses públicos e privados de forma 
equilibrada. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
c) Princípio da razoabilidade: Similar ao princípio da proporcionalidade, 
o princípio da razoabilidade estabelece que as decisões da 
Administração Pública devem ser tomadas de forma razoável, 
ponderando os interesses em conflito de forma justa e equilibrada. 
d) Princípio da moralidade administrativa: Esse princípio estabelece 
que a Administração Pública deve atuar de forma ética e moralmente 
correta, respeitando os valores e princípios da sociedade. 
4.4 INFRACONSTITUCIONAIS 
De acordo com Mazza (2022, p. 310), "[...] o universo dos princípios do 
Direito Administrativo não se esgota no plano constitucional. Os doutrinadores 
fazem referência a diversos outros princípios administrativos, muitos dos quais 
estão previstos na legislação infraconstitucional”. 
Um dos exemplos mais claros sobre essa situação está contida na lei de 
processo administrativo federal (Lei n. 9.784/1999): "A Administração Pública 
obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, 
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica, interesse público e eficiência” (Brasil, 1999). 
Ressalta-se que: 
A falta de previsão constitucional não significa menor 
importância diante dos princípios diretamente mencionados 
no Texto Maior. Princípios infraconstitucionais e doutrinários 
têm a mesma relevância sistêmica daqueles referidos na 
Constituição Federal (Mazza, 2022, p. 310). 
Dessa maneira expõe-se o conceito desses princípios em tabela sinótica 
para facilitação da compreensão: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 31 - CONCEITOS DOS PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS 
 Princípio Conceito 
 
Autotutela 
Refere-se ao controle interno que a Administração 
Pública exerce sobre seus próprios atos. 
Art. 53 da Lei n. 9.784/99: "A Administração deve 
anular seus próprios atos, quando eivados de vício 
de legalidade, e pode revogá-los por motivo de 
conveniência ou oportunidade, respeitados os 
direitos adquiridos” (Brasil, 1999). 
 
Obrigatória 
motivação 
Trata do dever de indicação dos pressupostos de 
fato e de direito que determinaram a prática do 
ato administrativo. 
Serve como um mecanismo de controle sobre a 
legalidade dos atos da Administração Pública. 
 
Finalidade 
Dever de atendimento a fins de interesse geral, ou 
seja, a busca pelo interesse público primário. 
 
Razoabilidade 
Utilização de prerrogativas públicas com 
moderação e racionalidade. 
 
Proporcionalidade 
Proibição de exageros no exercício da função 
administrativa. 
 
Responsabilidade 
O Estado tem o dever de indenizar particulares por 
ações e omissões de agentes públicos que causem 
danos aos administrados. 
 
Segurança jurídica 
Proibição de aplicação retroativa de novas 
interpretações de dispositivos legais e normas 
administrativas. 
 
Confiança legítima 
Atuação coerente do Estado, de modo a proibir 
atos administrativos contraditórios. 
 
Boa administração 
Dever de adoção da solução que mais defenda 
o interesse público quando houver duas ou mais 
opções legais para a prática do ato. 
 
Continuidade do 
serviço público 
Vedada a interrupção de na prestação de um 
serviço púbico, quando considerado aquele em 
que o Estado atua de maneira ampliativa em 
relação ao particular. 
Ex.: Art. 22, CDC + Art. 10 Lein. 7.783/89. 
 Obrigatoriedade , 9 - Dever inescusável de prover o desempenho de da função Vo ne 2 AA .. À todas as tarefas próprias da Administração Pública. administrativa 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Sempre que possível, as funções administrativas 
devem ser desempenhadas por pessoas jurídicas 
autônomas, ou seja, pela Administração Indireta. 
Os atos administrativos presumem-se válidos para 
o Direito, cabendo ao particular o ônus de provar 
Descentralização/ 
especialidade 
 
Presunção da 
 
 
legitimidade 
9 eventual ilegalidade. 
À Tratamento igual a administrados que se 
Isonomia Ê - E 
encontram em situação equivalente. 
A A Dever de coordenação e subordinação entre os 
Hierarquia órgãos da Administração Direta. 
FONTE: O autor (2024). 
 
5 SERVIÇO PÚBLICO 
Existem duas grandes áreas de atuação da Administração Pública, 
previstas constitucionalmente, a primeira sendo a ação no domínio econômico 
e a segunda o serviço público. 
O domínio econômico, tem seu escopo constitucional previsto da 
seguinte forma na Constituição Federal: “Art. 170. A ordem econômica, fundada 
na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar 
a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social” (Brasil, 1988). 
É importante ressaltar que o domínio econômico é “próprio” do 
particular, cabendo ao Estado o papel de ser um agente regulador dessa área. 
A exploração direta de atividade econômica pelo Estado é exceção, sendo que, 
quando não prevista expressamente na Constituição, só será admitida porlei 
que a defina, e necessitando de dois requisitos alternativos: imperativo de 
segurança nacional ou relevante interesse público: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, 
a exploração direta de atividade econômica pelo Estado 
só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, 
conforme definidos em lei (Brasil, 1988). 
A atividade de serviço público, por sua vez, está prevista da seguinte 
forma NA Constituição Federal: “Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma 
da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através 
de licitação, a prestação de serviços públicos” (Brasil, 1988). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Eis que o serviço público é a atividade própria da Administração, 
sendo exceção a prestação pelo particular, nos casos chamados de concessão 
ou permissão de serviço público. 
5.1 SERVIÇO PÚBLICO 
A doutrina brasileira conceitua serviço público, com algumas nuances 
entre si: 
TABELA 32 — CONCEITOS DE SERVIÇO PÚBLICO 
Doutrinador Conceito 
“Toda atividade prestada pelo Estado ou por seus 
delegados, basicamente sob regime de direito público, 
com vistas à satisfação de necessidades essenciais e 
secundárias da coletividade” (Carvalho Filho, 2022, p. 
 
 
José dos Santos 
Carvalho Filho 
 
309). 
“Toda atividade material que a lei atribui ao Estado 
Maria Sylvia para que a exerça diretamente ou por meio de seus 
Zanella Di delegados, com o objetivo de satisfazer concretamente 
Pietro às necessidades coletivas, sob regime jurídico total ou 
parcialmente público” (Di Pietro, 2010, p. 97). 
“Serviço público é todo aquele prestado pela 
Administração ou por seus delegados, sob normas e 
controles estatais, para satisfazer necessidades sociais 
essenciais ou secundárias da coletividade ou simples 
conveniências do Estado” (Meirelles, 2018, p. 316). 
“Serviço público é toda atividade de oferecimento de 
utilidade e comodidade material destinada à satisfação 
da coletividade em geral, mas fruível singularmente 
pelos administrados, que o Estado assume como 
pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por 
quem lhe faça as vezes, sob regime de Direito Público — 
portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia 
e de restrições especiais —, instituído em favor dos 
interesses definidos como públicos no sistema 
normativo” (Mello, 1999, p. 671). 
FONTE: Adaptado de Carvalho Filho (2022); Di Pietro (2010); Meirelles (2018); 
Mello (1999). 
 
Hely Lopes 
Meirelles 
 
Celso Antônio 
Bandeira de 
Mello 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Na miscelânea de conceitos de serviço público é possível identificar 
algumas características em comum, que, portanto, se estabelecem como 
inerentes a ele: 
TABELA 33 — CARACTERÍSTICAS EM COMUM DOS CONCEITOS DE SERVIÇO 
PÚBLICO 
 
Característica Conceito 
 
É uma atividade de efeitos concretos, palpáveis, 
não somente normativa. 
Natureza É uma prestação em favor do administrativo e não 
ampliativa uma limitação a ele, como o é o “poder de polícia”. 
A regra é que o Estado forneça o serviço, no 
entanto, em alguns casos, respeitado o interesse 
Prestação direta ou público, além de aspectos como eficiência e 
por delegação abrangência do serviço, é facultado exercício 
do serviço por meio de delegação ao particular 
(concessão ou permissão). 
A atividade é prestada seguindo os princípios e 
regras do Direito Administrativo, portanto, público. 
De certa forma, pode-se pensar em uma aplicação 
Regime jurídico de híbrida, quando se fala na Lei de Concessões 
Direito Público (8.987/90) que trata da aplicabilidade subsidiária 
do Código de Defesa de Consumidor, ou seja, 
naquelas situações em que uma relação de 
consumo com o usuário do serviço público. 
Atividade material 
 
 
 
 Satisfação de O serviço público é classificado como tal quando necessidades há um aspecto de relevância social e de vontade públicas legislativa. 
FONTE: O autor (2024). 
5.1.2 Princípios do serviço público 
Existem alguns princípios próprios da dinâmica do serviço público, a 
maior parte previsto na Lei n. 8.987/95 (Concessões e Permissões), sendo eles: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 34 — PRINCÍPIOS DO SERVIÇO PÚBICO 
 
Princípios do serviço público 
 
Adequação 
Satisfaz as condições de regularidade, continuidade, 
eficiência, segurança, atualidade, generalidade, 
cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. 
 
Obrigatoriedade 
É dever do Estado a promoção de serviços públicos 
que tenham relevante papel social. 
 Atualização/ 
modernidade/ 
adaptabilidade 
O Estado deve agir conforme o estágio de 
desenvolvimento tecnológico da época. 
 Universalidade/ 
generalidade 
O serviço público deve atingir a maior quantidade 
de beneficiários possível. 
 
Modicidade das 
tarifas 
O lucro do prestador de serviço, advindo das tarifas, 
deve ser o mínimo para o crescimento do negócio e 
para remuneração do prestador. 
 
Cortesia Trato com urbanidade em relação ao usuário. 
 
Transparência 
É direito do usuário receber as informações que lhe 
aprouver sobre o serviço prestado. 
 
Continuidade 
O serviço público não pode parar, inclusive, 
quando houver inadimplemento, apesar de ser uma 
das possibilidades em relação à interrupção do 
serviço, é necessário o estabelecimento de um rito, 
constante, por exemplo, de prévio aviso. 
 
Igualdade 
O serviço público necessariamente deve atingir a 
todos os usuários, sem distinções ou privilégios. 
 
Motivação 
É necessário fundamentação para as decisões 
relacionadas à prestação de serviço. 
 
Controle 
Há fiscalização dos atos administrativos, tanto 
internamente pela própria Administração, quanto 
por via judicial. 
 
Regularidade 
Os horários para prestação do serviço precisam ser 
adequados ao interesse público, não podendo haver 
atrasos e inconsistências. 
 
Eficiência 
A busca do serviço público é pela maior qualidade 
conjugada à maior economicidade. 
 Segurança Não se pode colocar em risco a integridade física ou patrimonial do usuário. 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
5.1.3 Titularidade do serviço público 
A titularidade do serviço público é sempre de uma pessoa jurídica 
de direito público (entes federativos, autarquias e fundações), essa é uma 
característica que não se perde mesmo quando há a prestação de serviço por 
particular, nos casos de concessão e permissão, eis que a prestação é que é 
delegada e não a titularidade. 
Há uma repartição de competências de serviço público previstas na 
Constituição, entre os entes federativos, da seguinte forma: 
TABELA 35 — REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS DO SERVIÇO PÚBLICO 
 
Serviços Públicos 
 
 
“Serviços” de polícia 
marítima. 
“Serviços” e instalações 
nucleares de qualquer 
natureza. 
. . a “si: | Comuns a 
Federais Estaduais | Municipais | Distritais 
todos 
Serviço postal. 
Correio aéreo. 
Telecomunicações; 
Radiodifusão. 
Instalações de energia 
S no 9 Serviços de , 
elétrica. “nt Saúde. 
o: interesse o 
Navegação aérea. Serviços local” Todos os Educação. 
ocal”, nO 
Infraestrutura locais serviços | Previdência 
(o , como, 
aeroportuária. de gás estaduais e social. 
exemplo, o du Can 
Transporte. canalizado. municipais. | Assistência 
- transporte À 
Exploração de portos. social. 
coletivo. 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
5.1.4 Formas de prestação de serviço público 
Existem algumas formas primordiais de prestação de serviço público, 
sendo elas: 
TABELA 36 — FORMAS DE PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO 
 
 
 
contrato de 
prestação de 
serviços. 
INDIRETA POR | INDIRETA POR 
DIRETA x 
OUTORGA DELEGAÇÃO 
Realizada Realizada por 
e pessoas jurídicas Realizada por 
. No pela própria a o. 
Maneira de realização mácuina especializadas | concessionários e 
d criadaspelo permissionários. 
estatal. 
Estado. 
Órgão ou Administração 
também por Indireta: 
particulares, 
quando, após Autarquias, 
Tipo de ente licitação a associações 
administrativo Administração e fundações 
celebra um | públicas; empresas 
públicas e 
sociedades de 
economia mista. 
 
Forma de remuneração 
A cobrança 
do serviço, se 
houver, será 
mediante taxa. 
Taxa. 
Tarifa ou preço 
púbico. 
 
Responsabilidade civil Próprio Estado. Direta ao prestador do serviço, portanto, a entidade administrativa. Direta do concessionário/ permissionário; O Estado responde subsidiariamente. 
 FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Importa mencionar que os serviços prestados mediante delegação ou 
colaboração só são cabíveis para aqueles serviços chamados de uti singulis. 
“Os serviços públicos uti singulis, ou serviços individuais, são prestados 
de modo a criar benefícios individuais a cada usuário, podendo ser concedidos 
e custeados pela cobrança de taxas” (Mazza, 2022, p. 1876). 
Para a diferenciação da forma de remuneração, podem ser entendidas 
três subdivisões clássicas: 
a) Tarifa: contrapartida sem natureza tributária. Dessa maneira, pode 
ser aumentada por ato administrativo, ou seja, sem lei específica. 
Remuneração paga pelo usuário nos serviços uti singulis (individuais). 
b) Taxa: contrapartida de natureza tributária. Dessa forma, somente 
podem ser majoradas mediante lei. Também serve para os serviços 
uti singulis, no entanto, são para aqueles casos em que o serviço é 
prestado indiretamente por outorga (administração indireta). 
c) Imposto: é uma contrapartida da sociedade em relação aos serviços 
prestados de forma universal, que afetam a todos, sem possibilidade 
de individualização. 
5.1.5 Classificações do serviço público 
Por derradeiro, cabe classificar os tipos de serviço público de forma 
didática: 
TABELA 37 — CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE SERVIÇO PÚBLICO 
 
 
 
 
Tipo 
Divisões 
Serviços próprios do Serviços impróprios do 
Estado. Estado. 
Pod tad Prestados diretamente o ticiaes o aa 
Adequação pelo Estado. por p 
p 
Administração Indireta. 
 
 De forma gratuita ou com baixa remuneração. Há contrapartida justa em relação ao serviço prestado. 
 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
 
Essencialidade 
Serviços públicos de 
Serviços públicos strictu utilidade pública. 
sensu. 
 
Somente o Poder Público 
pode prestá-los dado o 
caráter de sobrevivência 
do próprio Estado 
Trazem conveniência à 
sociedade. 
Ex.: Energia elétrica. 
Ex.: Defesa e Segurança 
Nacionais. 
 
Finalidade Administrativos Industriais 
 
 Necessidades internas da | Exploração de atividade Administração. econômica. Ex.: Banco do Brasil. Ex.: Imprensa oficial. 
FONTE: O autor (2024). 
5.2 AGENTE PÚBLICO 
O "agente público” é um gênero que abarca o conceito de todos aqueles 
que exercem uma função pública, de caráter permanente ou transitório, 
remunerados ou não. Isso pode ser extraído, inclusive, do seguinte texto legal 
da Lei n. 8.429/1992, que trata da improbidade administrativa: 
Art. 2.º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente 
público o agente político, o servidor público e todo aquele 
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, 
por eleição, nomeação, designação, contratação ou 
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, 
cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º 
desta Lei (Brasil, 1992). 
Desse gênero, agentes públicos, é possível extrair as espécies que temos 
no ordenamento jurídico brasileiro: 
1. Agentes políticos. 
2. Ocupantes de cargos em comissão. 
3. Contratados temporários. 
4. Agentes militares. 
5. Servidores públicos estatutários. 
6. Empregados públicos. 
7. Agentes honoríficos. 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
5.2.1 Agentes políticos 
São investidos de uma função pública de alta direção do Estado, 
ingressando direta ou indiretamente nela por meio de eleições e por um 
mandato fixo. Ex.: presidente, governadores, prefeitos; mas também seus 
ministros e secretários. 
5.2.2 Ocupantes de cargo em comissão 
Conhecidos popularmente como “cargos de confiança”, os cargos em 
comissão ou comissionados estão reservados a atribuições de direção, chefia e 
assessoramento, isso conforme disposição do art. 37, V, da CF: 
As funções de confiança, exercidas exclusivamente por 
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em 
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira 
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em 
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento (Brasil, 1988). 
Segundo Mazza (2022, p. 1240), “[...] qualquer outra atribuição de função 
a comissionados — e que não envolva direção, chefia ou assessoramento, deve 
ser considerada como inconstitucional”. 
Esses cargos são nomeados politicamente, não necessitando de concurso 
público, mas também sem necessidade de motivação para a exoneração. Ex.: 
assessoria parlamentar. 
Existe uma outra categoria de nomeação para cargos com atribuições de 
direção, chefia e assessoramento, que é a da função de confiança, a diferença 
é que ela só pode ser preenchida por servidores de carreira. 
5.2.3 Contratados temporários 
Conforme o Art. 37, IX, da CF: “a lei estabelecerá os casos de contratação 
por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional 
interesse público” (Brasil, 1988). 
Essa investidura independe de concurso público, mas continua 
necessitando de processo seletivo simplificado, conforme se extrai da Lei 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
8.745/93, que trata da contratação temporária em âmbito federal. Não 
obstante, em casos de calamidade pública e de emergência ambiental esse 
processo seletivo é, inclusive, dispensado. 
O prazo dessa contratação temporária varia de 6 (seis) meses a 4 (quatro) 
anos, dependendo de cada atividade elencada na Lei n. 8.745/983. 
5.2.4 Agentes militares 
Uma categoria diferenciada de agente público, que apesar de estatutária, 
rege-se por um sistema jurídico diverso dos servidores civis. “O conceito de 
militar passa por entender que se trata de uma categoria especial de agentes 
públicos, [mas] isso não retira dos militares a natureza de servidores públicos” 
(Teles, 2022, p. 59). 
 
Neste tópico, Teles faz referência ao entendimento do Ministro do 
Superior Tribunal Militar Péricles Aurélio Lima de Queiroz e da Cap 
Paula Coutinho Bahia de Souza, em capítulo da obra "Estatuto dos 
Militares Comentado” (ASSIS, J. C. (Coord.). Estatuto dos Militares 
Comentado. Curitiba: Juruá Editora, 2019). 
 
São os membros das Forças Armadas, das polícias e bombeiros militares 
dos Estados, DF e Territórios (caso houvesse). O militar tem “vínculo estatutário 
sujeito a regime jurídico próprio” (Di Pietro, 2015, p. 603) e não está sujeito 
à Lei n. 8112/90, que é o Estatuto dos Servidores Civis. Portanto, no caso de 
envolvimento de algum militar em ilícito disciplinar, a apuração do fato não 
segue os moldes da Lei n. 8.112/90, devendo a autoridade civil que tiver 
conhecimento de algum ilícito funcional encaminhar o assunto à autoridade 
militar superior hierárquica do militar. 
“A principal lei que regula a atividade militar é o Estatuto dos Militares 
(Lei n. 6.880/80), que traz em si os valores inerentes ao cotidiano castrense, 
e deles é possível extrair alguns aplicáveis ao Direito Administrativo Militar” 
(Teles, 2022, p. 22). 
Acarreiramilitarnão éumaatividadeinespecíficaedescartável, 
um simples emprego, uma ocupação, mas um ofício 
absorvente e exclusivista, que nos condiciona e autolimita até 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
o fim. Ela não nos exige as horas de trabalho da lei, mas todas 
as horas da vida, nos impondo também nossos destinos. A 
farda não é uma veste, que se despe com facilidade e até 
com indiferença, mas uma outra pele, que adere à própriaalma, irreversivelmente para sempre (Miranda. 2018, p. 5) 
A Lei n. 6.880/1980 destaca em seu art. 27 os valores militares: 
Art. 27. São manifestações essenciais do valor militar: 
| - o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de 
cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade 
à Pátria até com o sacrifício da própria vida; 
Il - o civismo e o culto das tradições históricas; 
III - a fé na missão elevada das Forças Armadas; 
IV - o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização 
onde serve; 
V - o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que 
é exercida; e 
VI - o aprimoramento técnico-profissional (Brasil, 1980). 
Todos esses valores estão igualmente fundamentados nos princípios de 
disciplina e hierarquia e organizadas sob a autoridade suprema do Chefe 
do Executivo de seu ente político respectivo, ou Presidente da República ou 
Governador do Estado. 
É constitucionalmente proibido para esses agentes públicos, a 
sindicalização, a greve, a acumulação de cargos e a filiação partidária (art. 142, 
IV, da CF). 
Assim, imagine que agentes militares de determinado Estado brasileiro, 
descontentes com as condições de trabalho oferecidas, especialmente no 
tocante à remuneração, ao sucateamento de seus equipamentos e ao efetivo 
insuficiente, decidiram anunciar greve e paralisar todos os serviços realizados 
por sua unidade, nos termos do que dispõe a Lei n. 7.783/89 (Lei de Greve). 
Nesse caso, apesar dos descontentamentos, não será possível a realização da 
greve, por expressa vedação constitucional. 
5.2.5 Servidores públicos estatutários 
É o agente público de regra da Administração Pública, estando presente 
naquelas situações em que a divisão da Administração se dá mediante o regime 
jurídico de Direito Público, ou seja, órgãos, autarquias, associações e fundações 
públicas. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
São nomeados mediante concurso público, são os detentores de cargos 
públicos, e exercem suas funções de maneira não contratual, com estabilidade 
após período de estágio probatório de 3 (três) anos. Aideia dese ter estabilidade 
no cargo público, é uma garantia para a Administração Pública de que seu 
servidor atuará com lisura e impessoalidade, evitando influências político 
partidárias, que por vezes, podem ser contra o determinado em lei, e 
contra o interesse público. 
Há uma categoria diferenciada ainda, que é aquela atinente aos cargos 
vitalícios. Segundo Mazza: 
É o caso dos membros dos Tribunais de Contas (Conselheiros 
dos TCEs/TCMs e Ministros do TCU). Embora atualmente 
sejam considerados agentes políticos, magistrados e 
membros do Ministério Público (promotores e procuradores 
da República), também são vitalícios. Nos cargos vitalícios, o 
estágio probatório é reduzido, tendo duração de somente 
dois anos, após o qual o agente adquire vitaliciedade, 
podendo perder o cargo unicamente por meio de sentença 
judicial transitada em julgado (Mazza, 2022, p. 1252). 
5.2.6 Empregados públicos 
Opõe-se ao servidor público estatutário no que tange ao regime jurídico, 
uma vez que para os empregados públicos é aplicado um regime essencialmente 
privado. No entanto, como parte fundamental da Administração, os empregados 
públicos ingressam por meio de concurso público. Eles têm uma vinculação de 
contrato com o Estado, por isso são denominados celetistas, uma vez que essa 
relação é regida pela Consolidação das Leis do Trabalho. 
Os empregados públicos não adquirem estabilidade, mas passam por 
período de experiência, obedecendo os critérios legais expostos no art. 445, 
parágrafo único, da CLT: "O contrato de experiência não poderá exceder de 90 
(noventa) dias” (Brasil, 1943). 
Apesar de não possuírem estabilidade, pelo seu caráter especial de 
empregado público a doutrina administrativista considera que ele não possa 
ser demitido imotivadamente, somente sendo cabível a demissão após um 
regular processo administrativo, que obedeça ao contraditório e a ampla defesa. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
5.2.7 Agentes honoríficos 
São os particulares em colaboração com a Administração, não possuindo 
uma vinculação permanente com o Estado. É uma categoria composta por: 
TABELA 38 — COMPOSIÇÃO DA CATEGORIA DE AGENTES HONORÍFICOS 
Função Exemplos 
Mesários. 
Conscritos. 
São particulares que assumem 
espontaneamente uma tarefa pública, em 
Gestores de negócios situações emergenciais, quando o Estado 
públicos não está presente para proteger o interesse 
público. Exemplo: socorrista de parturiente 
(Mazza, 2022, p. 1259). 
 
 
Requisitados de serviço 
 
 
Contratados por locação 
civil de serviços 
Concessionários e 
permissionários 
Delegados de função ou 
ofício público 
Contratados para emissão de parecer. 
 
Exercem um serviço público delegado. 
 
Titulares de cartório. 
FONTE: O autor (2024). 
Por derradeiro, cabe ressaltar a definição de cargo público, advinda da 
Lei n. 8.112/90: 
 
“Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades 
previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a 
um servidor” (Brasil, 1990). 
6 CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
A matéria tem origem na CF/88 e é disciplinada por diversas leis 
infraconstitucionais. No âmbito da Administração Pública Federal, em específico, 
há a Lei n. 200/1967, dispondo que as atividades da Administração Púbica 
Federal observarão como princípio fundamental o controle exercido pelos 
cidadãos e pelos próprios órgãos internos de controle (abrangendo os Poderes 
Legislativo e Judiciário). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
6.1 ASPECTOS CONCEITUAIS 
É o poder de fiscalização e de revisão, mediante a verificação dos 
aspectos de legalidade e de mérito, para que se dê legitimidade à atuação da 
Administração Pública sobre os atos por ela praticados, bem como para realizar 
eventual correção dessa atuação, e que é exercido pelos poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário, visando aferir a observância às normas e princípios de 
regência. Cabe relembrar que o Poder Legislativo e Judiciário, quando exercem 
função administrativa, também integram o conceito de Administração Pública. 
O cidadão tem legitimidade para provocar os órgãos administrativos e 
jurisdicionais, sendo esse controle popular uma clara manifestação da 
democracia. 
Não confundir! O controle da Administração Pública não é sinônimo de 
controle político, que é aquele que tem por base a necessidade de equilíbrio 
entre os Poderes Estruturais da República. É um poder-dever derivado princípio 
da autotutela. 
Há previsão constitucional em relação ao controle nos seguintes artigos: 
TABELA 39 — PREVISÃO CONSTITUCIONAL DO CONTROLE DA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário 
Poderes manterão, de forma integrada, sistema de controle interno 
com a finalidade de [...] (Brasil, 1988). 
Art. 103-B, 84º. Compete ao Conselho o controle da 
atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do 
CNJ cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo- 
lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo 
Estatuto da Magistratura [...] (Brasil, 1988). 
Art. 130-A, 82º. Compete ao Conselho Nacional do Ministério 
Público o controle da atuação administrativa e financeira do 
Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais 
de seus membros [...] (Brasil, 1988). 
FONTE: Adaptado de Brasil (1988). 
 
 
 
CNMP 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
6.1.1 Classificação 
Doutrinariamente o controle pode ser classificado da seguinte maneira: 
TABELA 40 — CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
 
 
uanto à natureza do o no o . 
Qu . Legislativo Judicial Administrativo 
órgão controlador 
« . Interno Externo 
Quanto à amplitude/ — 
- Manifestação de + e 
extensão Pressupõe previsão legal. 
hierarquia. 
 
Quanto ao âmbito de 
atuação 
Por subordinação Por vinculaçãoÓrgãos e agentes 
que estão dentro 
de uma mesma 
pessoa jurídica 
em relação de 
Exercido pela administração 
direta sobre a administração 
indireta, para verificar O 
cumprimento das suas 
finalidades estatutárias. 
 
 
amplamente 
considerado. 
hierarquia. 
De legalidade De mérito 
Ordenamento 
Quanto à natureza jurídico Avalia aspectos de conveniência 
e de mérito. 
 
 
 Quanto ao momento Vo . . . Prévio Concomitante Posterior a ser exercido Quanto à iniciativa De ofício Provocado 
 
FONTE: O autor (2024). 
Lembrando que o Poder Judiciário limita seu controle, quanto 
aos atos de outros poderes, aos aspectos de legalidade do ato 
administrativo, abstendo-se de avaliar razões de conveniência 
e oportunidade e até mesmo vedando-se substituir o mérito do 
 
administrador. Não obstante, pode o Poder Judiciário avaliar o 
controle dos limites de um ato discricionário, avaliando os critérios 
da proporcionalidade e razoabilidade, o que será um controle de 
legalidade. Também, no exercício da função administrativa, o Poder 
Judiciário pode revogar seus próprios atos. 
O Poder Judiciário tem a característica da inércia de jurisdição, 
quanto ao controle de atos de outros poderes. 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
6.1.2 Lei de responsabilidade fiscal 
LRF (LC 101/2000) - A Lei de Responsabilidade Fiscal é um instrumento 
de controle da administração pública, e foi criada com o intuito de promover a 
transparência nas esferas políticas, estabelecendo normas de finanças públicas 
voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. 
6.1.3 Accountability 
Por seu turno, accountability representa o dever que todo agente 
público possui de expor detalhadamente o resultado de suas ações no 
âmbito da função ou cargo público. Pode-se afirmar, portanto, que a lei de 
responsabilidade fiscal é considerada instrumento de accountability, em razão 
da imposição de uma gestão fiscal planejada e transparente, por parte do 
agente público. 
6.2 SISTEMA DE CONTROLE 
O sistema de controle administrativo são nada mais que os meios pelo 
qual a Administração exerce essa atividade, ou seja, o controle hierárquico 
típico dos órgãos da administração direta e a supervisão ministerial sobre as 
entidades personalizadas da administração indireta. Trazem respectivamente, 
dois conceitos importantes respectivos: 
a) Autotutela —> Dentro de um mesmo ente ou Entidade, os órgãos 
de hierarquia mais elevada possuem a possibilidade de rever 
amplamente as condutas daqueles que são inferiores. Nesse caso, 
incide a chamada autotutela administrativa. 
b) Tutela > A supervisão ministerial (também chamada de controle 
finalístico ou tutela administrativa) se manifesta entre entidades 
diferentes. Trata-se de controle de finalidade que permite ao órgão 
controlador verificar se o órgão controlado está cumprindo os 
fins definidos por lei como de sua responsabilidade. Depende 
de norma legal que o estabelece, definindo os limites, a forma de 
exercício dessa atividade, que define os aspectos a serem controlados 
e as hipóteses em que se admite a realização do controle. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
6.3 CONTROLE INTERNO 
Como controle interno do Poder Executivo, a Controladoria Geral é o 
órgão propriamente estabelecido de controle dos entes federativos, ela exerce 
efetiva fiscalização, orientação e revisão de atos praticados dentro da 
estrutura do Poder Executivo. A Controladoria Geral tem competência para, 
por exemplo, adotar medidas necessárias à defesa do patrimônio público, 
ao controle interno, auditoria pública, à correição, à prevenção e combate à 
corrupção, às atividades de ouvidoria e ao incremento da transparência da 
gestão no âmbito da administração pública. 
A Controladoria Geral da União, como órgão máximo de controle 
e auditoria, tem atribuição relacionada ao Poder Executivo Federal e está 
subordinada à Presidência da República. A Controladoria Geral do Estado, por 
sua vez, é subordinada ao chefe do executivo estadual e se assimila à CGU. 
As controladorias dos Estados fiscalizam, por exemplo, o emprego regular de 
recursos públicos e a legalidade de atos praticados. As controladorias dos três 
Poderes dos entes mantêm um sistema integrado, ou seja, elas compartilham 
informações. 
Importante mencionar que a nova Lei de Licitações, a Lei Anticorrupção, 
a Lei de Improbidade Administrativa, bem como a Lei de Introdução às Normas 
do Direito Brasileiro e seu decreto regulamentador, menciona especificamente 
a atuação das Controladorias (o órgão de controle máximo do Poder Executivo). 
A atuação preventiva desses órgãos tem sido bastante eficaz no que tange, 
por exemplo, as contratações públicas, evitando dispêndios milionários aos 
cofres públicos, recuperando ativos desviados ou obtidos em detrimento do 
patrimônio público, celebrando acordos de leniência, bem como fiscalizando 
todas as contratações públicas combatendo eficazmente a corrupção. 
 
NÃO CONFUNDIR! 
Órgão máximo de controle no âmbito do Poder Executivo Federal: 
CGU/CGE. 
 
Poder Legislativo e Judiciário: possuem órgãos de controle interno 
próprios, que atuam de forma integrada nas três esferas de Poder. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
É preciso, ainda, atentar para a responsabilidade dos membros do 
controle interno, prevista no art. 74 da Constituição Federal: 
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário 
manterão, de forma integrada, sistema de controle interno 
com a finalidade de: 
| - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano 
plurianual, a execução dos programas de governo e dos 
orçamentos da União; 
Il - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto 
à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira 
e patrimonial nos órgãos e entidades da administração 
federal, bem como da aplicação de recursos públicos por 
entidades de direito privado; 
II] - exercer o controle das operações de crédito, avais e 
garantias, bem como dos direitos e haveres da União; 
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão 
institucional. 
8 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem 
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, 
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena 
de responsabilidade solidária. 
8 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou 
sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar 
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas 
da União (Brasil, 1988). 
Assim, imagine que um servidor público ocupante de cargo efetivo em 
determinada unidade do Exército é atualmente o responsável por seu controle 
interno. Ao desempenhar suas atividades, o servidor tomou conhecimento de 
ilegalidade, consistente em fraude em contrato administrativo celebrado pelo 
órgão em que trabalha com uma empresa, que causou dano ao erário. No entanto, 
mesmo não tendo qualquer participação no ilícito, o servidor ABCD preferiu ficar 
omisso e não comunicou a ilegalidade ao Tribunal de Contas da União. Nesse caso, 
como agente público responsável pelo controle interno, ao tomar conhecimento da 
ilegalidade por fraude contratual, deveria ter dado ciência ao Tribunal de Contas da 
União e, diante de sua omissão, está sujeito à responsabilidade solidária, conforme 
dispõe o Art. 74 8 1º, da Constituição Federal. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
6.4 CONTROLE EXTERNO 
Existem algumas formas de controle externo da Administração Pública, 
principalmente no que se refere aquele praticado pelo Legislativo, pelo 
Judiciário, e até mesmo no chamado controle externo popular. 
6.4.1 Controle legislativo 
Realizado pelo Parlamento e também por órgãos auxiliares do Poder 
Legislativo, incide sobre os atos praticados pela Administração Pública 
conforme os limites definidos pela Constituição Federal. Trata-se de controle 
eminentemente político. É uma cláusula pétrea (separação dos poderes).O controle legislativo é dividido em controle parlamentar direto e 
controle parlamentar indireto, que é exercido com o auxílio do Tribunal de 
Contas. 
a) Controle Parlamentar Direto: 
O controle parlamentar direto é exercido pelas casas legislativas sobre 
o próprio exercício da função administrativa e também o controle financeiro 
sobre a gestão dos gastos públicos dos três poderes. Note-se que o controle 
parlamentar direto pode versar sobre o aspecto político e financeiro do ato 
administrativo. 
Previsto no artigo 49 da Constituição Federal, pode-se citar como 
exemplo de controle parlamentar direto a atribuição do Congresso Nacional de 
autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentar do País, 
quando a ausência exceder a quinze dias; sustar os atos normativos do Poder 
Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação 
legislativa; fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os 
atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta. 
O Congresso Nacional tem o poder de sustar contratos mediante 
parecer apresentado pelo Tribunal de Contas da União. No âmbito do controle 
parlamentar direto, há também o destaque para a atuação das CPIs, previstas 
no art. 58, 8 3º, da CF/88: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes 
de investigação próprios das autoridades judiciais, além de 
outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão 
criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, 
em conjunto ou separadamente, mediante requerimento 
de um terço de seus membros, para a apuração de fato 
determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se 
for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que 
promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores 
(Brasil, 1988). 
b) Controle Exercido pelo Tribunal de Contas: 
O controle exercido pelo Tribunal de Contas da União possui muitas 
peculiaridades. Trata-se de órgão auxiliar do Poder Legislativo no controle 
externo que possui envergadura constitucional. 
O Tribunal de Contas da União está previsto no art. 73 da Constituição 
Federal, é indispensável que o administrador público conheça o campo de 
atuação da Corte de Contas Constitucional, bem como sua composição: “o 
Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito 
Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional” 
(Brasil, 1988). 
Já no art. 75 da CF/88 há menção aos Tribunais de Contas dos Estados 
e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos 
Municípios (órgão Estadual): 
As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que 
couber, à organização, composição e fiscalização dos 
Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem 
como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. 
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre 
os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados 
por sete Conselheiros (Brasil, 1988). 
Antes de nos aprofundarmos um pouco mais na atuação do Tribunal de 
Contas, é importante saber que existe uma diferença importantíssima sobre o 
Tribunal de Contas Municipal e o Tribunal de Contas dos Municípios. 
b.1) Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios x Tribunais de 
Contas Municipais: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Tribunal e Conselhos de Contas dos Municípios: O que o artigo 75 
da Constituição Federal prevê como "tribunais e conselhos de Contas dos 
Municípios” na verdade se trata de um órgão estadual, que, se criado, tem 
a função de auxiliar as Câmaras Municipais (todas as Câmaras dos Municípios 
que compõem o Estado) no exercício do controle externo. Atualmente, existem 
três Tribunais de Contas dos Municípios: TCM/BA, TCM/GO e TCM/PA. 
A Constituição Federal de 1988 permitiu duas opções aos Estados- 
Membros: que se concentrasse toda a fiscalização no Tribunal de Contas do 
Estado (TCE), ou que criasse um outro órgão (Tribunal de Contas dos Municípios) 
exclusivamente com a finalidade de fiscalizar as contas dos municípios daquele 
respectivo estado. 
Por exemplo, se o Estado de Santa Catarina criasse um Tribunal de Contas 
Municipal, esse órgão seria o responsável por auxiliar a Câmara Municipal do 
Município de Florianópolis a fazer o controle externo da aplicação dos recursos 
daquele município. De igual forma também será o responsável por auxiliar a 
Câmara Municipal do Município de São José ao fazer o controle externo da 
aplicação dos recursos desse município. Ou seja, é um órgão Estadual que 
auxilia as câmaras legislativas de todos os municípios. 
Apesar de ser um julgado antigo, é bastante didático e vale à pena sua 
leitura: 
A Constituição da República impede que os Municípios 
criem os seus próprios Tribunais, Conselhos ou órgãos 
de contas municipais (CF, art. 31, 8 4º), mas permite que 
os Estados-membros, mediante autônoma deliberação, 
instituam órgão estadual denominado Conselho ou Tribunal 
de Contas dos Municípios [...] incumbido de auxiliar as 
Câmaras Municipais no exercício de seu poder de controle 
externo (CF, art. 31, 8 1º). Esses Conselhos ou Tribunais de 
Contas dos Municípios - embora qualificados como órgãos 
estaduais (CF, art. 31, 8 1º) - atuam, onde tenham sido 
instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica 
das Câmaras de Vereadores (Brasil, 1995). 
O Tribunal de Contas Municipal é um órgão municipal que tem a função 
de auxiliar uma única Câmara Municipal no exercício do controle externo em 
relação a um determinado Município. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
O artigo 31 da Constituição Federal, em seu 8 4º dispõe que “é vedada 
a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais” (Brasil, 
1988), então, desde a Constituição de 1988, não é mais permitida a criação dos 
Tribunais de Contas, conselhos ou órgãos de contas em âmbito municipal. Por 
outro lado, a Constituição Federal não veda a extinção dos tribunais de contas 
municipais existentes. Essa matéria foi enfrentada no Informativo n. 883/STF. 
Atualmente, só existem dois Tribunais de Contas Municipais: o Tribunal 
de Contas do Município do Rio de Janeiro e o Tribunal de Contas do Município 
de São Paulo. 
b.2) Atuação do Tribunal de Contas: 
Os Tribunais de Contas são órgãos auxiliares do Poder Legislativo. 
Devem efetuar uma análise de conformidade do ato com as leis e os princípios 
constitucionais do Poder Executivo. Também podem apreciar os atos do Poder 
Legislativo e do Poder Judiciário, desde que estes estejam em desempenho 
de função administrativa. Ressalta-se nesse sentido que o controle do ato 
administrativo não é meramente formal, analisando-se, portanto, seus aspectos 
subjetivos e finalidades. 
O Tribunal de Contas pode aplicar diversas sanções, obedecido o prazo 
prescricional de 5 (cinco) anos (Info. n. 858/STF). O Tribunal de Contas pode 
sustar atos da administração quando essa, devidamente notificada, deixa de 
atender as providências legais. 
Quanto aos contratos, trata-se de competência do Congresso Nacional, 
que caso não venha a tomar nenhuma providência no prazo de 90 dias devolve 
a competência para o Tribunal de Contas da União. 
Os Tribunais de Contas da União e dos Estados emitem parecer favorável 
ou não às contas do Presidente da República ou do Governador de Estado, 
conforme o caso e as respectivas casas legislativas é que julgam as contas do 
chefe do Poder Executivo federal (no caso, o Congresso Nacional é quem julga) 
e estadual (julgadas pelas respectivas Assembleias Legislativas). 
Há um sistema híbrido para os Municípios em que a decisão da Corte de 
Contas prevalece como decisão, salvo se a Câmara de Vereadores rejeitar pelo 
voto de dois terços de seus membros. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Salvo essa exceção pontuada acima quanto à reserva das contas dos 
Chefes dos Executivos Federal,Estadual e sistema híbrido dos Chefes Municipais, 
os Tribunais de Contas possuem competência constitucional para julgar as 
contas de todos os demais administradores públicos. 
b.3) Controle de Constitucionalidade pelo Tribunal de Contas: 
Apesar da existência súmula 347 do STF, em 2021, em decisão plenária 
(MS 35.410/DF), o STF declarou a impossibilidade de o TCU apreciar a 
inconstitucionalidade de lei federal tanto pelo controle concentrado quanto pelo 
controle difuso, uma vez que no primeiro trata-se de competência originária do 
STF; e quanto ao segundo, o referido controle traz consigo a transcendência 
dos efeitos, extrapolando os efeitos entre as partes, tornando-se erga omnes e 
vinculante para toda a Administração Federal. 
6.4.2 Controle judicial 
Alguns autores defendem que é vedado ao Judiciário adentrar no 
mérito do ato administrativo e analisar os aspectos de conveniência e 
oportunidade. Trata-se de posicionamento ultrapassado pela moderna doutrina 
administrativista e pela jurisprudência. 
Atualmente defende-se a análise do mérito pelo Poder Judiciário o qual 
pode avaliar a adequação do ato administrativo aos princípios da moralidade, 
impessoalidade, eficiência, proporcionalidade, razoabilidade, dentre outros, o 
que seria uma análise de aspectos da legalidade do ato. 
A doutrina fala da intensidade dos critérios que devem ser observados 
pelo Poder Judiciário, dessa forma: 
TABELA 41 — CRITÉRIOS DO CONTROLE JUDICIAL 
 
Zonas de certeza positiva ou 
O juiz pode analisar o mérito. 
negativa. 
 
O juiz deve preservar a 
discricionariedade própria de 
autoridade administrativa. 
Zonas de incerteza, de 
penumbra ou intermediárias. 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Di Pietro (2010) classifica os atos que se sujeitam controle diferenciado 
por parte do Judiciário: atos políticos (excepcionalmente pode haver controle 
no que tange à “abusividade governamental”); atos legislativos (lei de efeitos 
concretos podem sofrer controle); atos interna corporis (fogem do controle, 
desde que não venham a contrariar a Constituição, as leis, ou regimentos do 
poder legislativo). 
Já Binembojn (2014) traz alguns standards para se estudar o nível de 
controle dos atos administrativos pelo Poder Judiciário: quanto maior o grau de 
restrição imposto aos direitos fundamentais e maior o grau de objetividade das 
normas e princípios, maior deve ser o grau de controle judicial. Por outro lado, 
quanto maior o grau de tecnicidade da matéria, maior o grau de politicidade 
da matéria, e mais efetiva for a participação social, menos intenso deve ser o 
controle judicial. 
Atenção! Tese n. 01/STJ: O controle judicial no processo administrativo 
disciplinar (PAD) restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e 
da legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e 
do devido processo legal, não sendo possível nenhuma incursão no mérito 
administrativo. 
O Habeas Corpus, o Mandado de Segurança, o Habeas Data e o 
Mandado de Injunção, bem como a Ação Popular também considerados como 
instrumentos judiciais de controle da Administração Pública. 
6.4.3 Controle popular 
O sistema de controle da administração pública é composto por diferentes 
mecanismos que têm como objetivo garantir a transparência, a legalidade e a 
eficiência das atividades do poder público. Entre esses mecanismos, destaca-se 
o controle popular, também conhecido como controle social, que é exercido 
pela sociedade civil organizada. 
Ocontrole social consiste na participação ativa dasociedade na fiscalização 
das atividades da administração pública, com o objetivo de garantir que essas 
atividades sejam realizadas de forma adequada, atendendo às necessidades 
da população e respeitando as normas e os princípios estabelecidos pelo 
ordenamento jurídico. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
O controle social pode ser exercido de diferentes formas, como por 
meio de audiências públicas, consultas populares, manifestações, denúncias, 
petições e outras formas de participação popular. Além disso, o controle social 
pode contar com o apoio de órgãos especializados, como conselhos, comitês, 
ouvidorias, entre outros. 
Entre as principais vantagens do controle social, destaca-se a possibilidade 
de aproximar a administração pública da sociedade, permitindo que esta possa 
opinar e participar ativamente do processo de tomada de decisões. Além disso, 
o controle social pode contribuir para a identificação de problemas e falhas na 
gestão pública, permitindo que sejam adotadas medidas corretivas de forma 
mais ágil e eficiente. 
No entanto, o controle social apresenta desafios, como a necessidade 
de uma maior conscientização e mobilização da população em relação à 
importância da participação cidadã na fiscalização das atividades públicas. Além 
disso, é importante que a sociedade possua informações claras e acessíveis 
sobre as ações do poder público, de forma a permitir que possa exercer seu 
papel de fiscalizador de forma efetiva. 
Em resumo, o controle social é um importante mecanismo de controle 
da administração pública, que permite que a sociedade participe ativamente 
da fiscalização e da gestão dos recursos públicos, contribuindo para o 
fortalecimento da democracia e o desenvolvimento do país. 
6.5 CONSIDERAÇÕES ESPARSAS SOBRE O 
CONTROLE 
6.5.1 Provocação da administração pública 
Direito de petição como um direito fundamental, que compõem o 
núcleo existencial do ser humano e é definido como uma cláusula pétrea na 
Constituição Federal. Tal direito também é previsto em tratados internacionais 
de direitos humanos. O direito de petição instrumentaliza as garantias 
fundamentais (remédios constitucionais), tais como o mandado de segurança e 
habeas corpus. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
6.5.2 Recursos administrativos em suas variadas 
espécies 
Lembrando que a expressão coisa julgada administrativa diz respeito 
tão somente à situação que não poderá mais ser objeto de discussão na esfera 
administrativa. 
Recurso hierárquico próprio é dirigido a autoridade hierárquica superior 
e que praticou o ato recorrido dentro da estrutura orgânica de uma mesma 
pessoa jurídica. trata-se de recurso inerente à própria organização escalonada 
da administração e não necessita de previsão legal. 
O recurso hierárquico impróprio por sua vez é dirigido a autoridade que 
não possui posição de superioridade hierárquica em relação a quem praticou 
ato recorrido, mas tão somente a possibilidade de controle em decorrência da 
vinculação. Como se manifesta entre pessoas jurídicas diversas, não se fala em 
hierarquia, dependendo de expressa previsão legal. 
7 PROCESSO ADMINISTRATIVO 
Segundo Mazza (2022), o processo administrativo advém da concepção 
principiológica do devido processo legal exposta no art. 5º, LIV: “ninguém 
será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. A 
obrigatoriedade do devido processo não só é aplicável inicialmente à seara 
jurisdicional, mas também vincula a Administração Pública e o Poder Legislativo. 
A exigência de observar-se um processo previsto na legislação relaciona-se 
com a noção de legitimidade pelo procedimento, segundo a qual, no moderno 
Estado de Direito, a validade das decisões praticadas pelos órgãos e agentes 
governamentais está condicionada ao cumprimento de um rito procedimental 
preestabelecido. 
Conforme estudado anteriormente, as questões relativas ao devido 
processo legal têm duas frentes, a primeira sob seu prisma formal em que há 
obrigatoriedade de obedecimento de um rito para consecução de uma decisão 
e a segunda sobre a material, em que essa decisão deve obedecer a critérios 
razoáveis e proporcionais. Ademais, é desse ideário que se consolidam outros 
dois princípios administrativos previamente estudados, o contraditório e a 
ampla defesa, conforme o art. 5º, LV, CF: “aos litigantes, emprocesso judicial 
ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (Brasil, 1988). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
1.1 NORMAS 
No caso da Administração Pública esse devido processo legal é 
representado em sua maior parte pela Lei n. 9.784/99, responsável por regular 
o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Em seu 
primeiro artigo a lei é clara sobre seu propósito: "Esta Lei estabelece normas 
básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal 
direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados 
e ao melhor cumprimento dos fins da Administração” (Brasil, 1999). 
Emtese, é umaleiaplicáveltão somente na esfera da Administração Pública 
Federal, lembrando ainda das hipóteses das atividades atípicas administrativas 
do Legislativo e do Judiciário. Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça tem 
entendimento consolidado no sentido de aplicação subsidiária dessa lei para 
os entes federados que não possuam lei própria (AgRg no Ag 935.624/RJ), 
inclusive, editando súmula específica em relação ao prazo decadencial no que 
tange ao exercício da autotutela administrativa, para os outros entes, com base 
na Lei 9.784/99: 
Súmula 633: A Lei n. 9.784/99, especialmente no que 
diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos 
administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, 
pode ser aplicada de forma subsidiária aos Estados e 
Municípios se inexistente norma local e específica regulando 
a matéria (Brasil, 2019). 
Dessa forma, entende-se o tamanho da importância desse diploma 
legal, eis que há, explicitamente um regramento que impede União, Estados, 
Municípios e DF de tomar decisões que afetem interesses de terceiros, sem o 
devido processo legal, estabelecido em lei, passível de oportunizar os diversos 
princípios administrativos que formam seu sistema jurídico. 
7.2 COMPETÊNCIA 
A competência administrativa de determinado órgão legítimo para 
o cumprimento de ações sobre determinado assunto, é irrenunciável. Isso 
conforme o art. 11 da lei n. 9.784/1999: "A competência é irrenunciável e se 
exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os 
casos de delegação e avocação legalmente admitidos” (Brasil, 1999). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Vê-se que essa é a regra, sendo cabíveis duas exceções: delegação e 
avocação. Destarte, definem-se os conceitos como: 
TABELA 42 — EXCEÇÃO DA COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA 
a) Transferência temporária de parte da competência de 
um órgão ou ente administrativo para outro órgão ou ente 
administrativo. 
 
b) Não há necessidade de que haja uma subordinação 
hierárquica. 
c) Essa situação se dá analisando a conveniência em razão 
- de melhor prática técnica, social, econômica, jurídica ou 
Delegação na 
territorial. 
d) A delegação não pode ocorrer nos casos em que há 
impedimento legal para tanto, notadamente em: 
| - Edição de ato de caráter administrativo. 
I| - Decisão de recursos administrativos. 
II] - Matéria de competência exclusiva do órgão. 
É uma chamada para si, também em caráter excepcional 
e temporário, de competência atribuída a um órgão 
subordinado hierarquicamente. 
 
É, portanto, um movimento centrípeto e também vertical, 
eis que não pode ocorrer sem que haja subordinação 
hierárquica em relação ao órgão ou agente titular da 
Avocação competência. 
Dessa maneira, se dá o disposto no art. 15, da Lei n. 9.784/99: 
“Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos 
relevantes devidamente justificados, a avocação temporária 
de competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior” 
(Brasil, 1999). 
FONTE: O autor (2024). 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
7.3 ESPÉCIES DE PROCESSO ADMINISTRATIVO 
Há alguns pontos classificatórios dos tipos de processo administrativo, 
nessa monta: 
a) internos, instaurados dentro do ambiente da Administração Pública, 
envolvendo apenas o Estado e sua máquina (ex.: sindicâncias); 
b) externos, quando envolvem particulares, ou seja, Estado e 
administrados (ex: licitação). 
Há também a classificação em relação aos processos restritivos e os 
ampliativos, sendo: 
a) restritivos aqueles que impõem limitações à esfera privada de 
interesse (ex: interdições advindas do poder de polícia); 
b) ampliativos aqueles que fornecem capacidades à essa mesma esfera 
de interesses privados (ex.: pedidos de licença e autorizações de uso). 
7.4 SUJEITOS DO PROCESSO 
Conforme se extrai do próprio texto legal, no 82º de seu artigo 1º, da Lei 
n. 9.784/1999, os conceitos relativos aos sujeitos atinentes à lei são: 
TABELA 43 — SUJEITOS DO PROCESSO 
A unidade de atuação integrante da estrutura da 
 
 
Órgão Administração Direta e da estrutura da Administração 
Indireta; 
Entidade A unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; 
 Autoridade | O servidor ou agente público dotado de poder de decisão; 
FONTE: O autor (2024). 
 
Importa notar também que há a categoria dos administrados, que são 
os particulares, os cidadãos usuários dos serviços da Administração, sujeitos 
titulares de direitos e deveres para com ela. 
7.5 DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO 
Também conforme previsão legal, exposta no art. 3º e no art. 4º, da Lei 
n. 9.784/1999, o administrado tem uma série de direitos e deveres, conforme os 
a seguir elencados: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 44 — DIREITOS DO ADMINISTRADO 
 
 
 
 
 
Direitos 
“Ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, 
Tratamento = 1: ar e. 
À que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o 
respeitoso . j 2. 
cumprimento de suas obrigações”. 
Ciênci “Ter ciência da tramitação dos processos administrativos 
iência a h 
b em que tenha a condição de interessado, ter vista dos 
sobre o 
autos, obter cópias de documentos neles contidos e 
processos no Em 
conhecer as decisões proferidas”. 
Demonstrar | “Formular alegações e apresentar documentos antes da 
a sua versão | decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão 
dos fatos competente”. 
Ser assistido | |, o j 
or Fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo 
P quando obrigatória a representação, por força de lei”. 
advogado 
 
FONTE: Adaptado de Brasil (1999). 
TABELA 45 — DEVERES DO ADMINISTRADO 
Deveres 
“Expor os fatos conforme a verdade”. 
 
 
Expor a verdade 
Prosseguimento 
no processo 
 
“Proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé”. 
 
 
com boa fé 
Ser equilibrado - po 
q . “Não agir de modo temerário”. 
nas ações 
Prestação de “Prestar as informações que lhe forem solicitadas e 
informações colaborar para o esclarecimento dos fatos”. 
 
FONTE: Adaptado de Brasil (1999). 
7.6 INSTAURAÇÃO DO PROCESSO 
Conforme Mazza (2022, p. 1995), “[...] a Administração Pública, ao contrário 
do Poder Judiciário, constitui um organismo estatal dinâmico, podendo sempre 
agir de ofício, isto é, sem necessidade de provocação”. Isso conforme o art. 5º, 
da Lei n. 9.784/99: 
 
“O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a 
pedido de interessado” (Brasil, 1999). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
O art. 6º da Lei n. 9.784/99 indica os elementos necessários em relação 
a instauração de processo por provocação do interessado, sendo os seguintes: 
"| - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; 
Il - identificação do interessado ou de quem o represente; 
II - domicílio do requerente ou local para recebimento de 
comunicações; 
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de 
seus fundamentos; 
V - data e assinatura do requerente ou de seu representante 
(Brasil, 1999). 
Por sua vez os legitimados para atuação no processo estão dispostos no 
art. 9º da Lei n. 9.784/99: 
| - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares 
de direitos ou interessesindividuais ou no exercício do 
direito de representação; 
Il - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm 
direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão 
a ser adotada; 
Il - as organizações e associações representativas, no 
tocante a direitos e interesses coletivos; 
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas 
quanto a direitos ou interesses difusos (Brasil, 1999). 
7.6.1 Início do processo 
Conforme o art. 17, da Lei 9784/99, deve se dar, sempre perante a 
autoridade com menor grau hierárquico para decisão, caso inexista uma 
competência específica prevista em lei. 
7.6.2 Impedimentos e suspeições 
Tal qual nos processos judiciais, a fim de garantir a lisura dos trâmites, 
além da imparcialidade da tomada de decisões certos agentes públicos são 
proibidos de atuar no processo administrativo: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 46 — IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÕES DOS AGENTES PÚBLICOS 
Tenha interesse direto ou indireto na matéria. 
 
Tenha participado ou venha a participar como perito, 
testemunha ou representante, ou se tais situações 
IMPEDIMENTO | ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente 
e afins até o terceiro grau. 
Esteja litigando judicial ou administrativamente com 
o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. 
Amizade íntima ou inimizade notória com algum 
SUSPEIÇÃO dos interessados ou com os respectivos cônjuges, 
companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. 
FONTE: O autor (2024). 
 
7.6.3 Forma, tempo e lugar dos atos do 
processo 
Conforme Mazza (2022, p. 2001): 
A regra geral é que os atos do processo administrativo 
não dependem de forma determinada, exceto quando a lei 
expressamente a exigir, devendo ser produzidos por escrito, 
em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a 
assinatura da autoridade responsável. 
Cabe ressaltar ainda, que os atos das autoridades e dos administrados 
dentro do processo, devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo 
disposição em sentido contrário. 
7.6.4 Instrução do processo 
À instrução do processo, realizada para comprovar os fatos 
alegados, é promovida de ofício, sem prejuízo do direito 
dos interessados de propor atuações probatórias. São 
inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas 
por meios ilícitos. Aplicando a mesma regra geral válida para 
os processos judiciais, cabe ao interessado o ônus de provar 
os fatos que tenha alegado. Somente poderão ser recusadas, 
mediante decisão fundamentada, as provas propostas 
pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, 
desnecessárias ou protelatórias (Mazza, 2022, p. 2002). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
7.6.5 Dever de decidir 
Há um dever inerente da Administração Pública em emitir decisão 
expressa nos processos de sua competência, nem haveria razão de existir 
processo se assim não o fosse. 
Inclusive, para tanto, é especificado um prazo legal geral para a decisão 
administrativa, após o fim da instrução do processo, que é de trinta dias 
(prorrogáveis por mais trinta dias, em decisão motivada). 
7.6.6 Desistência 
Importante ressaltar que é permitido ao interessado mediante 
manifestação escrita, desistir do pedido formulado inicialmente e também de 
renunciar os direitos que tem disponíveis no processo. 
7.6.7 Recursos administrativos 
Sobre o tema importa ressaltar que: 
Todas as decisões adotadas em processos administrativos 
podem serobjeto de recurso quanto a questões de legalidade 
e de mérito, devendo o recurso ser dirigido à autoridade 
que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no 
prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior 
(Mazza, 2022, p. 2005). 
Questão peculiar é que o recurso administrativo não tem efeito suspensivo 
e que ele tramitará, por regra, no máximo em três instâncias administrativas. 
7.6.7.1 Permissão para reformatio in pejus 
Por derradeiro, uma questão bastante importante do processo 
administrativo é a possibilidade de reformatio in pejus, ou seja, não há 
impedimento a que a decisão do recurso piore a decisão anterior, que 
consubstanciava a situação do recorrente. O que leva a uma atenção ainda 
maior em relação à decisão do litigante em recorrer. 
Caso haja no recurso solicitado pelo próprio litigante uma decisão que 
agrave sua situação, ele pode formular, ainda alegações antes da “decisão final”. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
7.7 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS NA 
ADMINISTRAÇÃO MILITAR 
A administração militar possui também suas vicissitudes relacionadas 
ao Direito Administrativo, podendo dentro desse ramo ser entendido como o 
sistema jurídico que se baseia em princípios próprios das instituições militares 
que tem como objeto, dentro do escopo das Forças Armadas, garantir os fins 
desejados pelo Estado, no que consiste à Defesa e Segurança nacionais. 
A Lei n. 6.880/1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares, dispõe 
sobre os vetores da ética militar em seu artigo 28:"Art. 28. O sentimento do dever, 
o pundonor militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes 
das Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis” (Brasil, 1980). 
Esse “trinômio deontológico” (Teles, 2022, p. 23) está assim conceituado no 
Regulamento Disciplinar do Exército, aprovado pelo Decreto n. 4346/2002: 
Art. 6º Para efeito deste Regulamento, deve-se, ainda, 
considerar: 
| - honra pessoal: sentimento de dignidade própria, como o 
apreço e o respeito de que é objeto ou se torna merecedor 
o militar, perante seus superiores, pares e subordinados; 
Il - pundonor militar: dever de o militar pautar a sua conduta 
como a de um profissional correto. Exige dele, em qualquer 
ocasião, alto padrão de comportamento ético que refletirá 
no seu desempenho perante a Instituição a que serve e no 
grau de respeito que lhe é devido; e 
III - decoro da classe: valor moral e social da Instituição. Ele 
representa o conceito social dos militares que a compõem e 
não subsiste sem esse (Brasil, 2002). 
Se uma conduta transgressora afeta esses três princípios éticos de um 
militar “enseja a classificação do ato como grave, suscetível até mesmo de 
submissão aos Conselhos de Disciplina ou Justificação, a depender da condição 
do militar e das consequências do ato” (Teles, 2022, p. 24). 
Em relação a isso tem-se um dos mais clássicos instrumentos do Direito 
Administrativo Militar que é o seu processo disciplinar, tendo como objetivo 
final condicionar e manter a normalidade do serviço público militar. Nesse 
caso, as formas de aplicação do processo administrativo para apurar infrações 
militares são as seguintes: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 47 — FORMAS DE APLICAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO PARA 
APURAR INFRAÇÕES MILITARES 
 
 
PROCESSO Usado em infrações que não são punidas com perda 
ADMINISTRATIVO de osto ou cadua ão A 
DISCIPLINAR P graduação. 
PROCESSO Usado para investigar militares que nai tem 
estabilidade (menos de 10 anos na atividade) sob 
DISCIPLINAR ita d infracã ível d dad 
SUMÁRIO suspeita de uma infração passível de perda da 
graduação. 
Aplicado ao militar e praça com estabilidade 
sob suspeitas de infrações passíveis de perda de 
graduação. 
Aplicado para investigar supostas infrações de 
CONSELHO DE militares no quadro de oficiais em que a punição 
JUSTIFICAÇÃO pode ser de perda do posto, patente ou declaração 
de indignidade para o oficialato. 
FONTE: O autor (2024). 
 
CONSELHO DE 
DISCIPLINA 
 
 
 
As punições no processo administrativo disciplinar para o militar podem 
ser: advertência; impedimento disciplinar; repreensão; detenção disciplinar; 
a prisão disciplinar; e o licenciamento e a exclusão a bem da disciplina (art. 
24 do Decreto nº 4346 de 2002, Regulamento Disciplinar do Exército). A 
penalização é atribuída conforme a gravidade do caso, avaliado pela autoridade 
que instaurou o PAD e julgado pela autoridade competente para o ato. 
7.8APURAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO 
O dano ao erário é entendido como um prejuízo à Fazenda Pública O dano ao erário 
praticado por uma ação ou omissão do agente público. Pp 
um prejuízo à 
A expressão Fazenda Pública por sua vez é utilizada na doutrina jurídica Fazenda Pública 
para designar o “Estado em juízo”, destarte as pessoas jurídicas governamentais Peticado poruma 
quando litigantes em ações judiciais, ou seja, aquelas que detém personalidade 
jurídica, ou os órgãos despersonalizados quando dotados de capacidade 
processual específica, chamada de capacidade postulatória, uma vez que 
mesmo não possuindo personalidade jurídica, possuem “personalidade 
judiciária”, a exemplo das Assembleias Legislativas. 
ação ou omissão 
do agente público. 
Em virtude das condições inerentes da Administração Pública, em 
relação às já estudadas prerrogativas administrativas, a Fazenda Pública possui 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
condições impostas para a garantia da supremacia do interesse público, como 
bens impenhoráveis, execução por precatório, imunidade tributária e prazos 
processuais maiores. 
De acordo com a jurisprudência consolidada, fazem parte do conceito de 
Fazenda Pública: 
a) Entidades federativas. 
b) Órgãos públicos com capacidade processual especial, a exemplo de 
Tribunais de Contas. 
c) Autarquias, fundações públicas, agências reguladoras, agências 
executivas e demais espécies do gênero autárquico, ou seja, a 
Administração Indireta de regime jurídico de Direito Público. 
d) Empresas estatais prestadoras de serviços públicos (exemplo: 
Correios). Nesse sentido: RE 851.711 Agr./DF, rel. Min. Marco Aurelio, 
1º Turma, j. 12-12-2017, DJe 10-04-2018. 
Nesse campo, se colocam as questões relativas às situações relativas ao 
dano ao erário, notadamente, caracterizadores de improbidade administrativa. A 
improbidade, por sua vez, é prevista no art. 37, 84º, CF, dispositivo constitucional 
que é regulamentado pela Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992 (atualizada 
recentemente pela Lei n. 14.230, de 2021). Destarte, considera-se improbidade 
o ato que causa lesão ao erário, por qualquer ação ou omissão, dolosa 
ou culposa, que ensejem uma lesão ao patrimônio público e social do 
Estado, quando praticados com dolo de prática ilícita (Entendido como a 
vontade livre e consciente de alcançar o resultado, não bastando a mera 
voluntariedade. 
Essa legislação é uma aproximação clara de Direito e Moral, visto que 
demonstra laços éticos relacionados entre administrado e Administração, 
trazendo concretude ao princípio da moralidade, princípio esse previsto no 
próprio caput do art. 37, CF, e vinculante em relação ao Estado. 
Os agentes públicos podem praticar, no exercício das funções estatais, 
condutas violadoras do Direito, capazes de sujeitá-los à aplicação das mais 
diversas formas de punição. Se o comportamento causar prejuízo patrimonial, 
pode ser proposta uma ação civil visando a reparação do dano. 
O agente pode, inclusive, ser responsabilizado em três esferas distintas, a 
saber: administrativa, civile penal, de maneira independente. E o que se chama de 
SUMÁRIO 
A improbidade, 
por sua vez, é 
prevista no art. 37, 
84º, CF, dispositivo 
constitucional que 
é regulamentado 
pela Lei n. 8.429, 
de 2 de junho de 
1992 (atualizada 
recentemente pela 
Lei n. 14.230, de 
2021). Destarte, 
considera-se 
improbidade o 
ato que causa 
lesão ao erário, 
por qualquer 
ação ou omissão, 
dolosa ou culposa, 
que ensejem 
uma lesão ao 
patrimônio 
público e social do 
Estado, quando 
praticados com 
dolo de prática 
ilícita (Entendido 
como a vontade 
livre e consciente 
de alcançar o 
resultado, não 
bastando a mera 
voluntariedade.
Direito Administrativo 
tríplice responsabilidade do agente público. Não obstante, a Lei de Improbidade 
Administrativa (LIA), traz hipótese de mais uma esfera independente que é a da 
própria LIA (Lei n. 8.429/1992), conforme art. 12: 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do 
dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais comuns 
e de responsabilidade, civis e administrativas previstas 
na legislação específica, está o responsável pelo ato de 
improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem 
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a 
gravidade do fato (Brasil, 1992). 
Atualmente, segundo Mazza (2022, p. 1470): 
Identificam-se ainda mais duas esferas de responsabilização 
do agente público: a) a instância política pela prática de 
crimes de responsabilidade (Lei n. 1.079/50); b) o processo 
de controle, como, por exemplo, o controle externo exercido 
pelos tribunais de contas. Portanto, não é exagero falar-se 
em responsabilidade sêxtupla dos agentes públicos. 
De acordo com a LIA (Lei n. 8.429/1992), é competente para intentar a 
ação de improbidade, o Ministério Público, cabendo na sentença, alguns efeitos 
como: 
a) Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente. 
b) Ressarcimento integral do dano. 
c) Perda da função pública. 
d) Suspensão dos direitos políticos. 
e) Multa civil. 
f) Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios. 
7.8.1 Sujeitos da improbidade 
Figuram como prejudicados pelo ato de improbidade administrativa, ou 
seja, a “vítima”, as seguintes pessoas jurídicas: 
a) Administração Pública Direta, em todos os entes federados. 
b) Administração Pública Indireta, também de todas as suas formas, 
seja de direito público ou de direito privado. Assim, as autarquias, 
fundações públicas, associações públicas, empresas públicas e 
sociedades de economia mista. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
c) 
d) 
As pessoas jurídicas privadas que recebam algum tipo de 
vantagem concedida pelo Poder Público, tais como: subvenções, 
benefícios, incentivos fiscais ou incentivos creditícios (no entanto, 
a sanção patrimonial fica limitada à repercussão do ilícito sobre 
a contribuição dos cofres públicos (art. 1º, 8 7º, da LIA). Também 
nesse diapasão está o Terceiro Setor, já que eles recebem receitas 
diretamente do Estado (OS e OSCIP, entidades parafiscais que 
arrecadam tributos de seus membros e associados, a exemplo das 
entidades sindicais). 
Entidades privadas para cuja criação ou custeio o erário haja 
concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, 
limitado o ressarcimento de prejuízos, também nesse caso, à 
repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos (art. 
1º,8 7º, da LIA), ou seja, aquelas empresas privadas em que o Estado 
possua percentual minoritário na composição do capital votante, a 
exemplo das sociedades de propósito específico. 
O principal sujeito que pode incidir em improbidade administrativa é 
aquele categorizado como agente público, mesmo que considerado como 
tal agindo transitoriamente ou sem remuneração, como o caso dos agentes 
honoríficos. Dessa forma, toda e qualquer categoria de agente público pode 
praticar um ato caracterizador de improbidade administrativa, dentre elas, 
o agente político, o servidor estatutário, o empregado público celetista, o 
contratado temporário, o particular em colaboração com a Administração 
(ex.: mesários e conscritos), além dos funcionários do Terceiro Setor e até 
mesmo funcionários e dirigentes de sindicatos. Isso conforme o Art. 2º, da 
Lei n. 8.429/92: 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente 
público o agente político, o servidor público e todo aquele 
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, 
por eleição, nomeação, designação, contratação ou 
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, 
cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º 
desta Lei (Brasil, 1992). 
Importa mencionar jurisprudência de nosso Superior Tribunal de 
Justiça entendendo que notários e registradores são sujeitos ativos de atos 
de improbidade administrativa (REsp 118.417), bem como hospitais e médicos 
conveniados ao SUS (REsp416.329). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Segundo o art. 3º, da LIA, também se aplicam as disposições da lei para 
a pessoa que mesmo não sendo agente público, induza ou concorra, com dolo, 
para com a prática de improbidade administrativa. Ainda, segundo o STJ (REsp 
1.127.143), pessoas jurídicas podem figurar como sujeito ativo de improbidade 
administrativa na condição de terceira beneficiada. 
Sobre essa participação do particular, Mazza (2022, p. 1485) explicita: 
Somente em quatro hipóteses particulares (são não agentes 
públicos), sejam pessoas físicas ou jurídicas, podem ser 
punidos por improbidade (imprópria), quando: 
1) induzam dolosamente o agente à prática do ato (art. 3º 
da LIA); 
2) concorram dolosamente para a prática do ato (idem); 
3) figuram como beneficiários do ato. É o caso, por exemplo, 
do particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com 
a administração pública convênio, contrato de repasse, 
contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação 
ou ajuste administrativo equivalente (art. 2º, parágrafo 
único)2; 
4) forem sucessores de quem praticou o ato, até o limite da 
herança (arts. 8º e 8º-A). 
Em qualquer caso, porém, o particular não pode responder 
sozinho nas ações de improbidade. 
7.8.2 Espécies de atos de improbidade 
No Capítulo Il da LIA, nas seções |, Ile Ill, estão descritos ostipos de ato que 
podem ser caracterizadores de improbidade administrativa: enriquecimento 
ilícito, prejuízo ao erário e aqueles que atentem contra os princípios da 
Administração Pública. 
O primeiro caso, em relação ao enriquecimento ilícito, são as condutas 
de maior gravidade, são aquelas que além de causar lesão aos cofres públicos 
associam-se a um acréscimo ilegal do patrimônio daquele que causa a 
improbidade. 
No segundo caso, que são aqueles atos que causem prejuízo ao erário, per 
si, há uma ideia de gravidade intermediária, eis que apesar de não produzirem 
enriquecimento do patrimônio do agente, continuando provocando uma lesão 
aos cofres públicos. 
SUMÁRIO 
No Capítulo 
Il da LIA, nas 
seções |, Il e III, 
estão descritos 
os tipos de ato 
que podem ser 
caracterizadores 
de improbidade 
administrativa: 
enriquecimento 
ilícito, prejuízo 
ao erário e 
aqueles que 
atentem contra 
os princípios da 
Administração 
Pública.
Direito Administrativo 
Por derradeiro, os atos que atentam contra os princípios da administração 
pública, são considerados de menor gravidade, já que que não causam lesão 
aos cofres públicos, nem promovem enriquecimento indevido do agente. Dessa 
forma, a caracterização do ato de improbidade não exige a ocorrência de lesão 
financeira ao erário, podendo existir improbidade no descumprimento de um 
princípio administrativo sim, uma vez que se presume que há uma lesão ao 
interesse público, fator norteador de toda a Administração Pública. 
7.8.3 Atos de improbidade que causam prejuízo 
ao erário 
Focando nessa espécie de ato tem-se os casos em que o agente público 
causa dolosamente (lembrar que não há punição pela conduta sem dolo 
em relação à improbidade) lesão ao erário por meio de qualquer ação ou 
omissão que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento 
ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades públicas mencionadas no 
art. 1º da Lei n. 8.429/1992. Relembrando que as entidades previstas são: 
Art. 1º [..] 8 5º Os atos de improbidade violam a probidade 
na organização do Estado e no exercício de suas funções 
e a integridade do patrimônio público e social dos 
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da 
administração direta e indireta, no âmbito da União, dos 
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 
6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade 
praticados contra o patrimônio de entidade privada 
que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou 
creditício, de entes públicos ou governamentais, previstos 
no 8 5º deste artigo. 
8 7º Independentemente de integrar a administração 
indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de 
improbidade praticados contra o patrimônio de entidade 
privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido 
ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o 
ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do 
ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. 
Segundo jurisprudência do STJ, para a caracterização da prática de 
improbidade há necessidade de comprovação efetiva de dano ao erário (REsp 
1.127.143), sendo vedada a condenação ao ressarcimento por dano hipotético 
ou presumido (REsp 1.038.777). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Antes de se demonstrar quais tipos de conduta caracterizam essa situação, 
cabe mencionar que por própria disposição legal está afastado o ressarcimento 
quando da inobservância de formalidades legais ou regulamentares não resulta 
perda patrimonial efetiva (art. 10, 81º, da Lei n. 8.429/1992). 
Ainda, se faz uma ressalva quanto ao caso de perda patrimonial 
decorrente de atividade econômica, como são as situações envolvendo gestão 
de empresa pública ou sociedade de economia mista. Essa ressalva, no entanto, 
não é válida quando houver comprovação de ação com dolo específico de 
lesão ao patrimônio. 
As condutas previstas em lei são as seguintes: 
TABELA 48 — CONDUTAS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE CAUSAM 
PREJUÍZO AO ERÁRIO 
Previsão legal 
| - Facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a indevida incorporação 
ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, de rendas, 
de verbas ou de valores integrantes do acervo patrimonial das entidades 
referidas no art. 1º desta Lei. 
Il - Permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada 
utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial 
das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das 
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. 
III - Doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, 
ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou 
valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 
1º desta lei, sem observância das formalidades legais e regulamentares 
aplicáveis à espécie. 
IV - Permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante 
do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, 
ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de 
mercado. 
V - Permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço 
por preço superior ao de mercado. 
VI - Realizar operação financeira sem observância das normas legais e 
regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. 
VII - Conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das 
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. 
VIII - Frustrar a licitude de processo licitatório ou de processo seletivo para 
celebração de parcerias com entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
IX - Ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei 
ou regulamento. 
 
X - Agir ilicitamente na arrecadação de tributo ou de renda, bem como no 
que diz respeito à conservação do patrimônio público. 
 
XI - Liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes 
ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. 
 
XII - Permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça 
ilicitamente. 
 
XIII - Permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, 
máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de 
propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no 
art. 1º desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou 
terceiros contratados por essasentidades. 
 
XIV — Celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a 
prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar 
as formalidades previstas na lei. 
 
XV — Celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia 
dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei. 
 
XVI - Facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao 
patrimônio particular de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas 
ou valores públicos transferidos pela administração pública a entidades 
privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das 
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. 
 
XVII - Permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada 
utilize bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela 
administração pública a entidade privada mediante celebração de 
parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares 
aplicáveis à espécie. 
 
XVIII - Celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem 
a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. 
 
XIX - Agir para a configuração de ilícito na celebração, na fiscalização e na 
análise das prestações de contas de parcerias firmadas pela administração 
pública com entidades privadas. 
 
XX - Liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com 
entidades privadas sem a estrita observância das normas pertinentes ou 
influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
XXII - Conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário 
contrário ao que dispõem o caput e o 8 1º do art. 8º-A da Lei 
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003 (o imposto não será 
objeto de concessão de isenções, incentivos ou benefícios tributários 
ou financeiros, inclusive de redução de base de cálculo ou de crédito 
presumido ou outorgado, ou sob qualquer outra forma que resulte, 
direta ou indiretamente, em carga tributária menor que a decorrente 
da aplicação da alíquota mínima estabelecida no caput, exceto para os 
serviços a que se referem os subitens 7.02, 7.05 e 16.01 da lista anexa à Lei 
Complementar n. 116/2003). 
FONTE: Brasil (1992). 
 
7.8.4 Sanções cabíveis 
Conforme a ideia de tríplice responsabilidade do agente (ou sêxtupla), 
independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na 
legislação específica, o sujeito ativo da improbidade que causa prejuízo ao 
erário está sujeito a: 
a) Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se 
concorrer esta circunstância. 
b) Perda da função pública. 
c) Suspensão dos direitos políticos por até 12 anos. 
d) Pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano. 
e) Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou 
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que 
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo 
prazo de até 12 anos. 
Importante ressaltar que de acordo com a gravidade do fato, essas penas 
podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente. 
7.8.5 Apuração do ato 
Antes do início do processo judicial em relação à improbidade 
administrativa, há uma questão relativa à investigação preliminar da denúncia 
apresentada. Essa investigação é chamada de inquérito civil, e pode ser proposta 
por qualquer pessoa diretamente à autoridade administrativa competente, quer 
seja a entidade estatal vítima do ato, quer seja o Ministério Público. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Ressalta-se ainda, que o Ministério Público pode ajuizar diretamente a 
ação judicial de improbidade administrativa caso já tenha elementos suficientes 
para caracterização do delito. 
O 81º do art. 14 da LIA, prevê alguns requisitos para a representação 
de apuração de ato de improbidade: “$ 1º A representação, que será escrita 
ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do representante, as 
informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha 
conhecimento” (Brasil, 1992). 
Não obstante, cabe salientar que se admite a instauração do inquérito 
civil até mesmo em caso de denúncia anônima, portanto sem a qualificação do 
representante, desde que esta seja “verossímil" (STJ: RMS 30.510). 
Ainda que essa etapa pré-judicial investigativa seja promovida 
diretamente na entidade vitimada, ela deve dar conhecimento da existência do 
procedimento ao Ministério Público e também ao Tribunal de Contas respectivo. 
A instauração do inquérito civil suspende o prazo prescricional da 
propositura da ação de improbidade administrativa, por 180 dias. Não entanto, 
esse é o prazo máximo, recomeçando a contagem do prazo prescricional ainda 
que o inquérito não esteja finalizado. O prazo para conclusão do inquérito é de 
365 dias, prorrogável uma vez por igual período. 
Ainda nessa etapa de inquérito civil é obrigatória a observância das 
garantias constitucionais de contraditório e ampla defesa, isso conforme se 
extrai do teor do 84º, art.1º, da LIA: “84º Aplicam-se ao sistema da improbidade 
disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito administrativo 
sancionador” (Brasil, 1992). Dessa maneira, assegura-se que o investigado 
possa produzir todos os meios de prova lícitos já nessa fase. Inclusive, o 83º do 
Art. 14, prescreve: “8 3º Atendidos os requisitos da representação, a autoridade 
determinará a imediata apuração dos fatos, observada a legislação que regula 
o processo administrativo disciplinar aplicável ao agente” (Brasil, 1992). 
As leis de processo administrativo disciplinar, por sua vez, prescrevem 
a garantia de oitiva do acusado e produção das provas que este considerar 
pertinentes, dessa maneira auxiliando para a correta garantia do contraditório e 
da ampla defesa. Outro dispositivo legal que vai no mesmo sentido é o parágrafo 
único do art. 22: “na apuração dos ilícitos previstos nesta Lei, será garantido 
ao investigado a oportunidade de manifestação por escrito e de juntada de 
documentos que comprovem suas alegações e auxiliem na elucidação dos 
fatos” (Brasil, 1992). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Esses dispositivos devem ser observados sob pena de nulidade do 
inquérito e contaminação da fase judicial com vício insanável. 
7.8.6 Improbidade e devido processo legal 
Conforme exposto por Mazza (2022, p. 1531): 
A condenação pela prática de ato de improbidade 
administrativa e a aplicação das sanções correspondentes 
somente serão legítimas se houver estrita observância do 
rito específico previsto na Lei n. 8.429/92. Qualquer tentativa 
de punir a prática de improbidade por meio de outros 
procedimentos, de qualquer natureza, acarreta flagrante 
inconstitucionalidade por representar violação ao princípio 
do devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF). 
7.8.7 Medidas cautelares 
O Ministério Público durante toda a persecução do ato de improbidade 
pode requerer medida cautelar a fim de assegurar o integral ressarcimento do 
dano ou do acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito, isso se dá 
mediante a indisponibilidade dos bens do réu. Conforme o 83º do art. 16 da LIA: 
O pedido de indisponibilidade de bens a que se refere 
o caput deste artigo apenas será deferido mediante 
a demonstração no caso concreto de perigo de dano 
irreparável ou de risco ao resultado útil do processo, desde 
que o juiz se convença da probabilidade da ocorrência 
dos atos descritos na petição inicial com fundamento nos 
respectivos elementos de instrução, após a oitiva do réu em 
5 (cinco) dias (Brasil, 1992). 
Esse perigo de dano irreparável ou de risco ao resultado útil do processo, é 
um dos requisitos gerais para consecução de medidas cautelares em processos, 
qual seja, o periculum in mora. 
Essa indisponibilidade de bens não necessariamente precisa ser vinculada 
a bens adquiridosilicitamente, inclusive, podendo alcançar aqueles que foram 
adquiridos antes da prática dos atos de improbidade (STJ: REsp 1.461.892/BA). 
A indisponibilidade de bens pode incluir também contas bancárias e aplicações 
financeiras mantidas pelo indiciado no exterior. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Não obstante, ela deve priorizar veículos de via terrestre, bens imóveis, 
bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de 
sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na 
inexistência desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a 
subsistência do acusado e a manutenção da atividade empresária ao longo do 
processo. Conforme o 810, do art. 16, da LIA: 
8 10. A indisponibilidade recairá sobre bens que assegurem 
exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao 
erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente 
aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo 
patrimonial decorrente de atividade lícita (Brasil, 1992). 
Sobre as proibições da indisponibilidade de bens a lei prevê: a quantia 
de até quarenta salários-mínimos depositados em caderneta de poupança, em 
outras aplicações financeiras ou em conta corrente; além do chamado “bem 
de família”, salvo quando comprovado que o imóvel seja fruto de vantagem 
patrimonial indevida. 
Uma segunda cautelar possível é a prevista no art. 20, 81º, da LIA: 
8 1º A autoridade judicial competente poderá determinar 
o afastamento do agente público do exercício do cargo, 
do emprego ou da função, sem prejuízo da remuneração, 
quando a medida for necessária à instrução processual ou 
para evitar a iminente prática de novos ilícitos (Brasil, 1992). 
O prazo desse afastamento é de 180 dias, conforme jurisprudência do 
STJ (MC 19.214 PE 2012/0077724-4/T2 — 22 Turma — DJe 20-11-2012 e 13-11- 
2012 — rel. Min. Humberto Martins). 
Por derradeiro, o art. 17, 86º, da LIA, ainda prevê uma possibilidade de o 
Ministério Público requerer outras cautelares provisórias, previstas no Código 
de Processo Civil. 
7.8.8 Fase judicial 
Em um primeiro plano é preciso pontuar que apesar da improbidade ser 
uma questão afeta aos meandros da Administração Pública, a ação judicial e a 
concessão de medidas cautelares são atribuições exclusivas do Poder Judiciário, 
não podendo ser realizada pela própria Administração, isso conforme decisão 
do Supremo Tribunal Federal (STF, RTJ, 195/73). 
SUMÁRIO 
Em um primeiro 
plano é preciso 
pontuar que 
apesar da 
improbidade ser 
uma questão afeta 
aos meandros da 
Administração 
Pública, a 
ação judicial 
e a concessão 
de medidas 
cautelares são 
atribuições 
exclusivas do 
Poder Judiciário, 
não podendo 
ser realizada 
pela própria 
Administração, 
isso conforme 
decisão do 
Supremo Tribunal 
Federal (STF, RTJ, 
195/73).
Direito Administrativo 
Também, conforme a própria legislação (art. 17-D da LIA), não se admite 
a ação de improbidade administrativa de caráter preventivo: 
Art. 17-D. A ação por improbidade administrativa é 
repressiva, de caráter sancionatório, destinada à aplicação 
de sanções de caráter pessoal previstas nesta Lei, e não 
constitui ação civil, vedado seu ajuizamento para o controle 
de legalidade de políticas públicas e para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros 
interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos 
(Brasil, 1992). 
A solução para controvérsias de caráter preventivo é ação civil pública, 
também conforme a própria legislação (art.17-D, parágrafo único, da LIA): 
Art. 17 [...] Parágrafo único. Ressalvado o disposto nesta 
Lei, o controle de legalidade de políticas públicas e a 
responsabilidade de agentes públicos, inclusive políticos, 
entes públicos e governamentais, por danos ao meio 
ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, 
estético, histórico, turístico e paisagístico, a qualquer outro 
interesse difuso ou coletivo, à ordem econômica, à ordem 
urbanística, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos 
ou religiosos e ao patrimônio público e social submetem-se 
aos termos da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 (Brasil, 
1992). 
Importa mencionar também, que a ação de improbidade administrativa 
não admite foro por prerrogativa de função, o conhecido “foro privilegiado”, 
isso conforme decisão do STF em ação direta de inconstitucionalidade (STF: 
ADln 2.860). Essa impossibilidade é ressalvada em casos bastante específicos em 
que ação perante o 1º grau de jurisdição inviabilizaria estruturas hierárquicas 
estatais, como a improbidade praticada por juiz integrante da esfera de 2º grau 
ou, por exemplo, um ministro do STF (STJ: AgRg na Sd 208/AM e STF: Pet. 
3.211/DF). 
Nessa esteira de exclusividade, somente o Ministério Público pode 
propor ação de improbidade administrativa, não cabendo tal atribuição à 
entidade estatal vítima do ato. A entidade até pode ser intimidade para intervir 
no processo, mas isso não é, nem mesmo, uma obrigatoriedade. 
Conforme Mazza (2022, p. 1522): 
SUMÁRIO 
Nessa esteira de 
exclusividade, 
somente o 
Ministério Público 
pode propor ação 
de improbidade 
administrativa, 
não cabendo 
tal atribuição à 
entidade estatal 
vítima do ato. A 
entidade até pode 
ser intimidade 
para intervir no 
processo, mas 
isso não é, nem 
mesmo, uma 
obrigatoriedade.
Direito Administrativo 
É permitido o recente instituto do acordo de não persecução 
cível, possuindo como requisitos: o integral ressarcimento 
do dano e a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem 
indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados. 
No bojo do acordo de não persecução, poderá haver 
previsão de compliance, isto é, a adoção de mecanismos e 
procedimentos internos de integridade, de auditoria e de 
incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva 
de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa 
jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em 
favor do interesse público e de boas práticas administrativas 
(art. 17-B, 8 6º, da LIA). 
Por derradeiro, cabe mencionar que de acordo com o art. 17, 819, da LIA, 
não se aplicam alguns institutos processuais tradicionais do sistema jurídico, 
conforme segue: 
a) A presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso 
de revelia. 
b) A imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos 88 1º e 2º do art. 
373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo 
Civil). 
c) O ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa 
pelo mesmo fato, competindo ao Conselho Nacional do Ministério 
Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios 
Públicos distintos. 
d) O reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção 
sem resolução de mérito. 
7.8.9 Improbidade administrativa e princípio da 
insignificância 
No julgamento do Recurso Especial n. 892.818-RS, o Superior Tribunal 
de Justiça afastou a aplicação do princípio da insignificância na prática de 
atos de improbidade administrativa. O caso tratado na decisão envolvia o 
uso de carro oficial e da força de trabalho de três servidores municipais para 
transportar móveis particulares de chefe de gabinete de prefeitura municipal. 
O Tribunal entendeu que nos atos de improbidade está em jogo a moralidade 
administrativa, não se admitindo que haja apenas um pouco de ofensa, sendo 
incabível o julgamento basear-se exclusivamente na ótica econômica. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Assim, o princípio da insignificância e a teoria dos delitos de bagatela não 
se aplicam aos atos de improbidade administrativa. O STJ vem sustentando que 
a LIA não deve ser aplicada para punir meras irregularidades administrativas, 
erros toleráveis ou transgressões disciplinares (REsp 1.245.622). Exemplo: não 
constitui improbidade a acumulação de cargos públicos com a efetiva prestação 
do serviço, por valor irrisório pago ao profissional deboa-fé. A mera prática de 
tipo penal contra a administração pública, em si, não caracteriza improbidade 
administrativa (REsp 1.115.195). 
Cabe destacar que a Lei n. 14.230/2021 fixou duas regras específicas a 
respeito da improbidade de baixo impacto sobre o patrimônio público: 
a) Quanto aos atos de improbidade que atentam contra princípios da 
Administração, o art. 11, 8 4º determina que “os atos de improbidade 
de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico 
tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do 
reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento 
ilícito dos agentes públicos” (Brasil, 2021). 
b) No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos, a sanção 
limitar-se-á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento 
do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos 
termos do caput deste artigo (art. 12, 8 5º). São dois dispositivos que 
pressupõem a possibilidade de atos ímprobos de pequeno valor, 
alinhando-se com o entendimento do STJ no sentido da inexistência 
de “improbidade insignificante” (Mazza, 2022). 
7.8.10 Persecução no sistema militar 
Há legislações próprias referentes aos procedimentos para a apuração de 
irregularidades administrativas no âmbito do sistema militar que visam reunir 
as condições necessárias para repor os danos causados ao erário. Existindo, 
inclusive, um sistema próprio para o acompanhamento do dano ao erário, 
o chamado SISADE, que visa a apuração dos fatos de maneira conglobante, 
especificando a identificação dos responsáveis, a quantificação do dano e a 
obtenção final do ressarcimento do dano. 
A autoridade administrativa competente para adotar medidas 
administrativas em relação à apuração do dano é o comandante, chefe ou 
diretor da Organização Militar em que ocorreu o fato. Ressalta-se, inclusive, que 
há responsabilidade solidária dessa autoridade, caso se caracterize hipótese de 
omissão dolosa. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
O procedimento administrativo padrão para apuração da irregularidade, 
é a sindicância. As normas da sindicância devem seguir o disposto na Portaria 
n. 1.324, de 4 de outubro de 2017 em conjunto com a Portaria n. 107, de 13 de 
fevereiro de 2012. 
 
 
Interessante notar a incidência do referido art. 14, 8 3º, da LIA, que 
prevê a necessidade de obediência ao processo administrativo 
disciplinar padrão da legislação do agente causador da lesão. 
 
A responsabilidade daqueles que participarem do evento lesivo, é por 
regra, solidária. 
O relatório do processo tem algumas vicissitudes, como por exemplo: 
a) 
b) 
d) 
Acidentes com viaturas, a sindicância (no caso do Exército) deve estar 
em conformidade com a Portaria n. 039, de 28 de janeiro de 2010, 
alterada pela Portaria — € Ex Nº 1.534, DE 7 DE JUNHO DE 2021. 
Havendo dano em instalações ou de perda ou extravio de materiais, 
deve demonstrar a existência de dolo ou culpa por parte do sindicado. 
Caso seja em relação a pagamentos indevidos relativos à verba de 
pessoal: 
- Indicação do beneficiado. 
- Relato sobre o contexto fático. 
- À data do ocorrido. 
- Se houve influência ou interferência, por parte do beneficiado, na 
implantação. 
- Se havia dúvida plausível em relação a interpretação sobre o 
pagamento. 
- Se houve boa-fé ou comprovada má-fé por parte do beneficiado. 
Quando há prejuízo imputado à União a sindicância deverá se 
manifestar sobre a existência de causa que justifique a imputação à 
União conforme legislação vigente. 
Ressalta-se que em todos os casos é preciso detalhar a situação 
ocorrida, juntar elementos probatórios, proceder oitivas de testemunhas 
além de demonstrar nexo causal entre o agente e o fato, isso tudo sem que 
se deixe de entender se houve, realmente, dano ao erário. Deve-se lembrar 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
também que a instauração de Inquérito Policial Militar independe da sindicância, 
uma vez que pode ser visualizada de pronto, hipótese de configuração de 
crime militar na mesma conduta (esta é uma questão que vai ao encontro da 
estudada tríplice responsabilidade do agente e da independência entre as 
instâncias penal, cível e administrativa). 
Por derradeiro, há norma informando que os processos com valor igual 
ou superior a 100.000,00 reais devem ter tratamento prioritário. Da mesma 
forma, nos casos de dano no valor de até R$ 17.600,00, é possível a instauração 
de termo circunstanciado administrativo. 
Sobre as normas que tratam do sistema militar em relação aos casos de 
apuração de dano ao erário pode-se seguir o quadro abaixo: 
TABELA 49 —- NORMAS DO SISTEMA MILITAR PARA APURAÇÃO DE DANO AO 
ERÁRIO 
Dispõe sobre a responsabilização administrativa e 
civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a 
administração pública, nacional ou estrangeira, e dá 
outras providências. 
Regulamenta a Lei n. 12.846, de 1º de agosto de 2013, 
Decreto n. que dispõe sobre a responsabilização administrativa e 
11.129/22 civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a 
administração pública, nacional ou estrangeira. 
 
Lei n. 12.846/13 
 
 
Portaria - DGP/C 
Ex n. 411, de 29 
de setembro de 
Normas para os Processos de Demissão do Exército 
e de Cobrança Administrativa (EB30-N-30.002), 2º 
 
 
 
2022 edição. 
Portaria - C E 
orsaria X Normas para a Apuração de Irregularidades 
n. 1.845, de 29 co . A: (o 
de setembro de Administrativas no âmbito do Comando do Exército 
Do (EB10-N-13-007) 22 edição. 
 
Instruções Gerais sobre a indenização aos cofres 
públicos, em ressarcimento de despesas efetuadas 
Portaria - € Ex na . - 
pela União com a preparação, a formação, a 
 
n. 1.835, de 26 . Na Vo 
adaptação ou com a realização de cursos ou estágios 
de setembro de e . o. . 
2022 pelos militares de carreira do Exército Brasileiro que 
se afastarem do serviço ativo (EB10- IG-01.077), 1º 
edição. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Dispõe sobre a indenização aos cofres públicos, em 
ressarcimento de despesas efetuadas pela União 
com a preparação, formação, adaptação ou com a 
realização de cursos ou estágios por militares das 
Forças Armadas. 
Dispõe sobre o ressarcimento e a indenização de 
valores recebidos indevidamente ou de dívidas 
Portaria GM-MD | decorrentes de danos causados ao erário, por atos 
n. 2.791, de 2 de culposos ou dolosos, cometidos por militar ativo 
julho de 2021 ou inativo, anistiado político militar ou pensionista 
de militar, efetivados no âmbito dos Comandos da 
Marinha, do Exército e da Aeronáutica. 
FONTE: O autor (2024). 
1.9 RESSARCIMENTO DE VALORES RECEBIDOS 
INDEVIDAMENTE 
No bojo das sentenças judiciais das ações de improbidade tem-se 
o instituto do ressarcimento dos danos e à perda ou à reversão dos bens e 
valores ilicitamente adquiridos, conforme o caso, em favor da pessoa jurídica 
prejudicada pelo ilícito. 
Portaria GM-MD 
n. 4.044, de 04 
de outubro de 
2021 
 
 
 
 
Segundo Mazza (2022, p. 1529): 
O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no 
sentido de que, uma vez caracterizado o prejuízo ao erário, 
o ressarcimento é obrigatório e não pode ser considerado 
propriamente uma sanção, mas uma consequência imediata 
e necessária do ato questionado. Desse modo, uma 
condenação fundamentada no art. 10 da LIA (ato que causa 
lesão ao erário) deve obrigatoriamente resultar na aplicação 
da pena de ressarcimento do valor exato do prejuízo, além 
de mais alguma sanção prevista no art. 12. 
Ainda, nesse sentido, cabe mencionar que o Superior Tribunal de Justiça 
vai além, considerando que independentemente da multa civil, deve haver 
também o ressarcimento, uma vez que aquela tem um caráter sancionador 
e essa um sentido de caução ao dano causado em desfavor do erário (REsp 
622.234). 
Esse ideário vai em consonância com o Art. 12, da LIA, que informa que 
independentemente do ressarcimento integral do danopatrimonial, se efetivo, 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas 
previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade 
sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato. 
A questão do ressarcimento é levada tão a sério no recente incremento 
do Direito Administrativo sancionador, que apesar de se considerar possível a 
prescrição no caso de improbidade administrativa, esse instituto não atinge o 
ressarcimento. 
Dessa forma: 
Prescreve em cinco anos a punição do ato ilícito, mas a 
pretensão de ressarcimento pelo prejuízo causado ao erário 
é imprescritível. O entendimento é que o prazo de cinco 
anos é apenas para aplicação de pena (suspensão dos 
direitos políticos, perda da função pública, proibição de 
contratar com o Poder Público), não para o ressarcimento 
dos danos aos cofres públicos (Mazza, 2022, p. 1535). 
Essa é a mesma ideia do STF (RE 852.475), que em repercussão 
geral (vinculante) consolidou a tese de que são imprescritíveis as ações de 
ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de 
Improbidade Administrativa. 
Isso demonstra também a importância sacramental da Constituição 
brasileira, que em seu art. 37, que já demonstrava essa preocupação, afirmando 
que a lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por 
qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas 
as respectivas ações de ressarcimento. 
8 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES 
Como forma de fechamento da primeira parte da apostila, consideramos 
alguns pontos essenciais para fixação do conteúdo até então abordado, dessa 
forma: 
A Administração Pública federal é responsável por realizar atividades que 
visam garantir o bem-estar da população e o desenvolvimento do país. Para 
isso, é necessário que a estrutura e organização da administração estejam 
bem definidas, de forma a permitir o cumprimento das suas funções. 
SUMÁRIO 
A questão do 
ressarcimento 
é levada tão a 
sério no recente 
incremento 
do Direito 
Administrativo 
sancionador, 
que apesar de 
se considerar 
possível a 
prescrição no caso 
de improbidade 
administrativa, 
esse instituto 
não atinge o 
ressarcimento.
Direito Administrativo 
O administrador da coisa pública tem como principais funções a gestão dos 
recursos públicos, a tomada de decisões importantes para o desenvolvimento 
do país e a busca pela eficiência na atividade administrativa. 
A eficiência na atividade administrativa é fundamental para garantir que 
as atividades sejam realizadas de forma ágil, econômica e com qualidade, 
visando sempre o interesse público. 
O sistema jurídico do Direito Administrativo brasileiro estabelece os 
princípios e normas que regem a atuação da administração pública. Entre 
os principais princípios estão a legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência. 
A Administração Pública pode ser dividida em Direta e Indireta. A 
Administração Pública Direta é composta pelos órgãos e entidades que integram 
a estrutura do poder executivo federal. Já a Administração Pública Indireta é 
composta por entidades criadas pelo Estado para prestar serviços públicos de 
forma descentralizada. 
O serviço público é uma das principais atividades da administração pública, 
que tem como objetivo atender às necessidades da sociedade, garantindo o 
acesso a serviços essenciais como saúde, educação, segurança, entre outros. 
Os sistemas de controle da administração pública são fundamentais para 
garantir a transparência e a efetividade das suas atividades. Entre eles, estão o 
controle interno, o controle externo (legislativo e judicial), podendo-se falar até 
mesmo em controle social. 
O processo administrativo é o conjunto de atos e procedimentos que 
visam garantir a legalidade e a eficiência das atividades da administração 
pública. Já a improbidade administrativa é a conduta inadequada de um 
agente público que causa prejuízo ao erário, enriquecimento ilícito ou que 
atente contra os princípios da Administração Pública. 
A apuração de dano ao erário tem como objetivo responsabilizar 
aqueles que causaram prejuízos aos cofres públicos, com a finalidade de 
garantir a restituição desses valores aos cofres públicos. 
Por fim, o ressarcimento de valores recebidos indevidamente é uma 
medida importante para garantir a moralidade e a legalidade das atividades 
da administração pública, garantindo a recuperação de valores recebidos de 
forma ilegal. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
9 REFERÊNCIAS 
BINENBOJM, Gustavo. Uma teoria do Direito Administrativo: direitos fundamentais, 
democracia e constitucionalização. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2014. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília: Senado, 1988. 
BRASIL. Decreto n. 608, de 16 de agosto de 1851. Disponível em: https:// 
www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-608-16-agosto- 
1851-559297-publicacaooriginal-81461-pl.html. Acesso em: 06 fev. 2024. 
BRASIL. Decreto n. 4.346, de 26 de agosto de 2002. Aprova o Regulamento 
Disciplinar do Exército (R-4) e dá outras providências. Brasília: Poder Executivo, 
2002. 
BRASIL. Decreto n. 11.401, de 23 de janeiro de 2023. Dispõe sobre a 
vinculação das entidades da administração pública federal indireta. Brasília: 
Poder Executivo, 2023. 
BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação 
das Leis do Trabalho. Brasília: Poder Executivo, 1943. 
BRASIL. Lei n. 6.880, de 9 de dezembro de 1980. Dispõe sobre o Estatuto dos 
Militares. Brasília: Congresso Nacional, 1980. 
BRASIL. Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Dispõe sobre o regime 
jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações 
públicas federais. Brasília: Congresso Nacional, 1990. 
BRASIL. Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis 
em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o 8 4º 
do art. 37 da Constituição Federal; e dá outras providências. Brasília: Congresso 
Nacional, 1992. 
BRASIL. Lei n. 8.958, de 20 de dezembro de 1994. Dispõe sobre as relações 
entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica 
e as fundações de apoio e dá outras providências. Brasília: Senado, 1994. 
BRASIL. Lein. 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Regula o processo administrativo 
no âmbito da Administração Pública Federal. Brasília: Congresso Nacional, 1999. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
BRASIL. Lei n. 9.790, de 23 de março de 1999. Dispõe sobre a qualificação de 
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da 
Sociedade Civil de Interesse Público, institui e disciplina o Termo de Parceria, e 
dá outras providências. Brasília: Congresso Nacional, 1999. 
BRASIL. Lei n. 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos 
Administrativos. Brasília: Congresso Nacional, 2021. 
BRASIL. Lei n. 14.230, de 25 de outubro de 2021. Altera a Lei n. 8.429, de 
2 de junho de 1992, que dispõe sobre improbidade administrativa. Brasília: 
Congresso Nacional, 2021. 
BRASIL. Portaria - SEF/C Exn 198, de 28 de junho de 2022. Aprova as Normas 
para Atuação dos Agentes da Administração (EB90-N-08.006), 1º Edição, 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (2. Turma). Agravo em Recurso Especial 
1893472/SP. Processual civil. administrativo. Agravo em recurso especial. 
Responsabilidade civil. Fundação privada de apoio à universidade. Prescrição. 
Terceiro prejudicado. Prazo quinquenal. Agravante: Leila Teruko Shira. Agravada: 
Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP FUNCAMP. Relator: Ministro OG 
Fernandes. DJE 28/06/2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n. 633. A Lei n. 9.784/1999, 
especialmente no que diz respeitoao prazo decadencial para a revisão de atos 
administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, 
de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e 
específica que regule a matéria. Primeira Seção em 12.6.2019. DJE 17.6.2019. 
BRASIL.SupremoTribunalFederal(Plenário).Ação DiretadeInconstitucionalidade 
687/PA. Por votação unânime, o tribunal julgou procedente a ação, para 
declarar a inconstitucionalidade do art. 60 e 78 e seus 88 1º e 2º, bem como das 
expressões “e do tribunal de contas dos municípios”, contidas, respectivamente, 
no inciso XXX do art. 92 e no art. 122, todos da constituição do estado do 
Pará. Também, por unanimidade de votos, julgou improcedente a ação, para 
declarar a constitucionalidade do inciso XXVII do art. 92, e, por maioria de votos, 
improcedente e constitucional o art. 65, vencidos os Mins. Moreira Alves e Marco 
Aurélio, que a julgavam procedente e inconstitucional o dispositivo impugnado. 
Votou o presidente. O Min. Sydney Sanches esteve ausente, ocasionalmente, na 
votação dos incisos XXVII e XXX do art. 92 e no art. 122. Requerente: Procurador- 
Geral da República. Intimado: Assembleia Legislativa do Estado do Pará. Relator: 
Ministro Celso de Mello. DJE 02/02/1995. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Plenário). Ação Direta de 
Inconstitucionalidade 1923/DF. Ação direta de inconstitucionalidade. 
Constitucional. Administrativo. Terceiro setor. marco legal das organizações 
sociais. Lei nº 9.637/98 e nova redação, conferida pela lei nº 9.648/98, ao art. 24, 
XXIV, da lei nº 8.666/93. Moldura constitucional da intervenção do estado no 
domínio econômico e social. serviços públicos sociais. Saúde (art. 199, caput), 
educação (art. 209, caput), cultura (art. 215), desporto e lazer (art. 217), ciência 
e tecnologia (art. 218) e meio ambiente (art. 225). Atividades cuja titularidade é 
compartilhada entre o poder público e a sociedade. Disciplina de instrumento de 
colaboração público-privada. Intervenção indireta. atividade de fomento público. 
Inexistência de renúncia aos deveres estatais de agir. Margem de conformação 
constitucionalmente atribuída aos agentes políticos democraticamente eleitos. 
Princípios da consensualidade e da participação. inexistência de violação ao art. 
175, caput, da constituição. extinção pontual de entidades públicas que apenas 
concretiza o novo modelo. Indiferença do fator temporal. inexistência de violação 
ao dever constitucional delicitação (CF, art. 37, XXI). Procedimento de qualificação 
que configura hipótese de credenciamento. Competência discricionária que 
deve ser submetida aos princípios constitucionais da publicidade, moralidade, 
eficiência e impessoalidade, à luz de critérios objetivos (CF, art. 37, caput). 
Inexistência de permissivo à arbitrariedade. contrato de gestão. Natureza de 
convênio. Celebração necessariamente submetida a procedimento objetivo e 
impessoal. Constitucionalidade da dispensa de licitação instituída pela nova 
redação do art. 24, XXIV, da lei de licitações e pelo art. 12, 83º, da lei nº 9.637/98. 
função regulatória da licitação. Observância dos princípios da impessoalidade, 
da publicidade, da eficiência e da motivação. Impossibilidade de exigência de 
licitação para os contratos celebrados pelas organizações sociais com terceiros. 
observância do núcleo essencial dos princípios da administração pública (CF, 
art. 37, caput). Regulamento próprio para contratações. inexistência de dever 
de realização de concurso público para contratação de empregados. Incidência 
do princípio constitucional da impessoalidade, através de procedimento 
objetivo. Ausência de violação aos direitos constitucionais dos servidores 
públicos cedidos. preservação do regime remuneratório da origem. Ausência 
de submissão ao princípio da legalidade para o pagamento de verbas, por 
entidade privada, a servidores. interpretação dos arts. 37, X, e 169, 81º, da 
constituição. Controles pelo tribunal de contas da união e pelo ministério 
público. preservação do âmbito constitucionalmente definido para o exercício 
do controle externo (CF, arts. 70, 71, 74 e 127 e seguintes). Interferência estatal 
em associações e fundações privadas (CF, art. 5º, XVII e XVIII). Condicionamento 
à adesão voluntária da entidade privada. Inexistência de ofensa à constituição. 
ação direta julgada parcialmente procedente para conferir interpretação 
conforme aos diplomas impugnados. Requerente: Partido dos Trabalhadores - 
PT. Requerido: Congresso Nacional. Relator: Ayres Britto. DJE 16/04/2015. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
CAMPELO, Graham Stephan Bentzen. Administração pública no Brasil: ciclos 
entre patrimonialismo, burocracia e gerencialismo, uma simbiose de modelos. 
Ci. & Tróp., Recife, v. 34, n. 2, p. 297-324, 2010. 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 36. ed. 
São Paulo: Atlas, 2022. 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 23. ed. São Paulo: 
Atlas, 2015. 
GREGORIUS, Márcio Rosni. A Administração Pública e suas funções. Jusbrasil, 
2015. Disponível em: https://marciorosnijusbrasil.com.br/artigos/195654350/ 
a-administracao-publica-e-suas-funcoes. Acesso em: 06 fev. 2024. 
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. 9. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2005. 
LIMA, Sídia Maria Porto. A Emenda Constitucional n. 19/98 e a administração 
gerencial no Brasil. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 5, n. 
38, 1 jan. 2000. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/475. Acesso em: 06 
fev. 2024. 
MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 6. ed. Niterói: Impetus, 2012. 
MAZZA, Alexandre. Manual de Direito Administrativo. 12. edição. São Paulo: 
Saraiva, 2022. 
MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno. 5. ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2001. 
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 43. ed. São Paulo: 
Malheiros, 2018. 
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 11. ed. 
São Paulo: Malheiros, 1999. 
MIRANDA, D. A construção da identidade do oficial do exército brasileiro. 
Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2018. 
PINHEIRO, Hugo Assis. Resumo de Direito Administrativo. Edição do Kindle, 2021. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
PINTO, Alexandre Guimarães Gavião. Os Princípios mais Relevantes do Direito 
Administrativo. Revista da EMERJ, v. 11, n. 42, 2008. 
SILVA, De Plácido. Vocabulário Jurídico. 32. ed. São Paulo: Forense, 2016. 
SPITZCOVSKY, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2022. 
TELES, Fernando. Direito Administrativo Militar. In: GARCIA, Leonardo (coord.) 
Direito Administrativo Militar. Salvador: JusPodivm, 2022. 
VALLE, João Paulo Lawall. Administração monológica e administração 
dialógica. Blog EBEJI, 2017. Disponível em: hitps://blog.ebejicom.br/ 
administracao-monologica-e-administracao-dialogica/. Acesso em: 07 fev. 
2024. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
UNIDADE 2 
CONTENCIOSO JUDICIAL 
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos 
de aprendizagem: 
Saber 
Y” Identificar os órgãos do Poder Judiciário. 
Y Compreender o funcionamento do Poder Judiciário em relação ao Exército 
Brasileiro. 
Y Identificar os órgãos essenciais à Justiça. 
Y Compreender o funcionamento dos órgãos essenciais à Justiça em relação ao 
EB. 
Y Compreender a relação dos diferentes órgãos da administração militar com os 
órgãos consultivos e contenciosos da AGU, em especial a CONJUR-EB. 
Y Descrever os tipos de processos judiciais com repercussão para a Administração 
Pública. 
Y Compreender o papel da administração no que se refere à prestação de 
subsídios para a Defesa da União e sua relação com a Advocacia-Geral da 
União. 
Compreender protagonismo dos diferentes órgãos da administração no que se 
refere ao cumprimento de decisões judiciais. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo1 CONTEXTUALIZAÇÃO 
O contencioso judicial é um aspecto importante da administração 
pública, uma vez que envolve a resolução de conflitos e controvérsias por meio 
do Poder Judiciário. Na prática, isso significa que a administração pública pode 
ser alvo de processos judiciais movidos por particulares ou por outros entes 
públicos. 
As causas que levam à abertura de processos judiciais envolvendo a 
administração pública são diversas, podendo estar relacionadas a questões 
como o cumprimento de contratos, a aplicação de normas e leis, a prestação de 
serviços públicos, entre outros. Em muitos casos, esses processos são motivados 
por ações ou omissões da própria administração, que acabam gerando prejuízos 
ou danos a particulares ou à coletividade em geral. 
É importante ressaltar que, embora o contencioso judicial possa 
representar um ônus para a administração pública, ele também desempenha 
um papel fundamental na proteção dos direitos e interesses da sociedade. Por 
meio do Poder Judiciário, é possível questionar e corrigir possíveis abusos ou 
ilegalidades cometidas pela administração, garantindo que esta atue de acordo 
com os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência. 
No entanto, é importante destacar que o contencioso judicial não deve 
ser visto como a única forma de solução de conflitos envolvendo a administração 
pública. É possível e desejável que as partes envolvidas busquem soluções 
alternativas, como a mediação e a conciliação, que podem ser mais rápidas, 
econômicas e eficientes do que o processo judicial tradicional. 
Em resumo, o contencioso judicial é um aspecto importante da 
administração pública, que deve ser encarado como um mecanismo de proteção 
dos direitos e interesses da sociedade. No entanto, é importante buscar soluções 
alternativas e evitar o excesso de litigiosidade, buscando sempre a conciliação e 
o diálogo entre as partes envolvidas. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2 PODER JUDICIÁRIO 
2.1 DEFINIÇÕES BÁSICAS 
O Poder Judiciário é um dos Poderes do Estado, previstos na Constituição 
Federal, obedecendo a consagrada teoria política da separação dos poderes 
trazida à tona, inicialmente, por Aristóteles e consagrada por Montesquieu, 
em “O Espírito das Leis”. Essa teoria, aplicada na prática em nossa República, 
determina que cada Poder exerce uma função típica, inerente a sua natureza, 
de forma independente e autônoma. 
Em relação ao Poder Judiciário, sua função típica relaciona-se à atividade 
jurisdicional do Estado, por meio do qual cabe ao Poder Público solução de 
conflitos interpessoais e, também, os de caráter coletivo, protegendo aquilo 
que se entende como o exercício das liberdades públicas, e com a finalidade de 
garantir o Estado Democrático de Direito, a irradiação dos direitos humanos, 
e propriamente, dos valores constitucionais. O Poder Judiciário atualmente 
“declara e cria o direito” aplicável ao caso. 
Essa atividade é feita de modo imparcial, e para que isso seja possível a 
Constituição outorgou garantias institucionais e funcionais, a fim de que sua 
atuação fosse livre de intimidações e pressões externas. Dessa forma: 
A jurisdição é uma das funções do Estado, que substitui os 
titulares dos interesses em conflito para, imparcialmente, 
buscar a pacificação dessa lide que os envolve, com justiça. 
Essa pacificação é feira mediante a atuação da vontade do 
direito objetivo que rege o caso apresentado em concreto para 
ser solucionado; e o Estado desempenha essa função sempre 
mediante o processo, seja expressando imperativamente o 
preceito (através de uma sentença de mérito), seja realizando 
no mundo das coisas o que o preceito estabelece (através da 
execução forçada) (Grinover, 1996, p. 129). 
Segundo Masson (2020, p. 1224), a função jurisdicional possui as seguintes 
características: 
SUMÁRIO 
Em relação ao 
Poder Judiciário, 
sua função típica 
relaciona-se 
à atividade 
jurisdicional 
do Estado, por 
meio do qual 
cabe ao Poder 
Público solução 
de conflitos 
interpessoais e, 
também, os de 
caráter coletivo, 
protegendo aquilo 
que se entende 
como o exercício 
das liberdades 
públicas, e com 
a finalidade de 
garantir o Estado 
Democrático 
de Direito, a 
irradiação dos 
direitos humanos, 
e propriamente, 
dos valores 
constitucionais. O 
Poder Judiciário 
atualmente 
“declara e cria o 
direito” aplicável 
ao caso.
Direito Administrativo 
TABELA 50 — CARACTERÍSTICAS DA FUNÇÃO JURISDICIONAL 
 
CARACTERÍSTICA CONCEITO 
 
Secundariedade 
O cumprimento dos deveres e das obrigações impostas 
pela ordem jurídica é, ordinariamente, voluntário, de 
forma que a tutela jurisdicional do Estado só tenha 
lugar nas situações em que a espontaneidade na 
observância do regramento tenha falhado. 
 
Imparcialidade 
Os órgãos são isentos e situam-se com equidistância 
das partes. 
 
Na medida em que o Estado substitui, através 
da prolação de uma decisão consonante com o 
 
Substitutividade aaa . 
ordenamento jurídico, a vontade dos envolvidos no 
confronto levado à sua análise. 
Vo. Caractere impeditivo de atuações jurisdicionais ex 
Inércia 
officio, exigindo, em regra, prévia provocação. 
 
Definitividade 
A resposta ofertada pelo Judiciário à controvérsia 
é capaz de solucionar, em definitivo, a questão 
ensejadora do conflito (depois de acobertada pela 
coisa julgada formal e material, quando não mais é 
cabível nem a ação rescisória, a decisão judicial não 
pode mais ser alterada). 
 
Unidade A jurisdição é una, muito embora atue por meio de diferentes órgãos (federais e estaduais, comuns e especiais, etc.). 
 
FONTE: Masson (2020, p. 1224). 
É importante ressaltar também que os Poderes do Estado exercem as 
chamadas “funções atípicas”, ou seja, acabam por exercer funções dos outros 
Poderes, a exemplo do que ocorre no Poder Judiciário, que pode também ser 
imbuído, em determinadas ocasiões, das funções de natureza executivo- 
administrativa e de natureza legislativa. Nesse sentido: 
TABELA 51 - FUNÇÕES ATÍPICAS 
 
EXECUTIVO-ADMINISTRATIVA LEGISLATIVA 
 
Atos administrativos comuns, em 
relação a sua organização interna. 
Elaboração de atos de natureza 
legislativa, notadamente para sua 
organização interna. 
 
 
Ex.: Organização de suas secretarias 
(Art. 96, |, b, CF/88); Ex.: Elaboração do regimento 
Concessão de férias a seus membros interno (Art. 96, |, a, CF/88). 
(Art. 96, |, f, CF/88). 
 
FONTE: O autor (2024). . 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.2 ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO 
O Poder Judiciário, constitucionalmente é dividido em órgãos, tal qual o 
é o Poder Executivo, isso para que se cumpra com mais eficiência a sua razão 
de ser. Dessa forma, dita o art. 92, da CF: 
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: 
| - o Supremo Tribunal Federal; 
I-A o Conselho Nacional de Justiça; 
Il - o Superior Tribunal de Justiça; 
II-A - o Tribunal Superior do Trabalho 
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; 
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho; 
V-os Tribunais e Juízes Eleitorais; 
VI - os Tribunais e Juízes Militares; 
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e 
Territórios (Brasil, 1988). 
No Brasil contabilizam-se 91 Tribunais sendo eles: 
TABELA 52 — TRIBUNAIS NO BRASIL 
 
STF Supremo Tribunal Federal 
 
Superior Tribunal de Justiça 
Tribunal Superior do Trabalho 
Tribunal Superior Eleitoral 
Superior Tribunal Militar 
Tribunais Superiores 
 
TRF da 1º Região: AC, AP, AM, BA, DF, GO, MA, MT, PA, 
PI, RO, RRe TO 
TRF da 2º Região: RJ e ES 
TRF da 3º Região: SP e MS 
TRF da 4º Região: RS, PRe SC 
TRF da 5º Região: AL, CE, PA, PE, RN e SE 
TRF da 6º Região MG 
Tribunais Regionais 
Federais 
 
Tribunais Regionais 
 
 
24 TRT: 
do Trabalho S 
Tribunais Regionais 27 TREs 
Eleitorais 
Tribunais de Justiça 27 TJs 
 
Tribunal de Justiça Militar de São PauloTribunal de Justiça Militar de Minas Gerais 
Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul 
Tribunais de Justiça 
Militar 
 
FONTE: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Masson (2020, p. 1226), traz a distribuição do Poder Judiciário em 
organograma, conforme segue: 
FIGURA 1 - DISTRIBUIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO 
 
A 
JUSTIÇA COMUM 
 
 
sr. 
" 
| 
" 
JUSTIÇA 
COMUM 
Juízes do a 
TRF trabad juntas TIMs ou TE militares da BU
 H
U)
 H 
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» 
JB 
E 
 
Juizes 
Juízes de Juízes auditores e 
Direito Federais conselhos 
de justiça U
H
 
fi 
U
U
 Un
 
Fonte: Masson (2020, p. 1226). 
Tais órgãos tiveram a sua estrutura e competência definidas na 
Constituição em seções próprias. Dessa forma, os Tribunais Superiores têm 
sede em Brasília, e jurisdição em todo território nacional, sendo conhecidos 
como “centros de convergência”: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Cada uma dasjustiças especiais da União (Trabalhista, Eleitoral 
e Militar), acrescente-se, tem por cúpula seu próprio Tribunal 
Superior, que é o responsável pela última decisão nas causas 
de competência dessa justiça - ressalvado o controle de 
constitucionalidade, que sempre cabe ao Supremo Tribunal 
Federal. Quanto às causas processadas na Justiça Federal 
ou nas locais, em matéria infraconstitucional a convergência 
conduz ao Superior Tribunal de Justiça, que é um dos 
Tribunais Superiores da União, embora não integre Justiça 
alguma, em matéria constitucional, convergem diretamente 
ao Supremo Tribunal Federal. Todos os Tribunais Superiores 
convergem unicamente ao Supremo Tribunal Federal, como 
órgão máximo da justiça brasileira e responsável final pelo 
controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos 
e decisões judiciárias (Fernandes, 2012, p. 913). 
 
Tribunais Superiores são aqueles assim nominados com o adjetivo 
= “Superior”, o Supremo Tribunal Federal é o Tribunal Supremo, 
R 
instância máxima de tutela e proteção da Constituição Federal. 
 
 
O Conselho Nacional de Justiça, incluído pela EC 45/2004, apesar de 
também ter sede em Brasília, não tem função jurisdicional, apenas exercendo 
controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, bem como 
fiscalizando os juízes no cumprimento dos seus deveres funcionais. Inclusive 
conforme disposição constitucional: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, 
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
| - processar e julgar, originariamente: 
[..] 
r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra 
o Conselho Nacional do Ministério Público (Brasil, 1988). 
Atenção! Os Tribunais de Contas são órgãos administrativos e 
auxiliares do Poder Legislativo, não órgãos jurisdicionais. Também não são 
órgãos propriamente dentro da divisão do Poder Judiciário, os Tribunais do Júri, 
e sim uma materialização da garantia constitucional: 
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, 
nos termos seguintes: 
[..] 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a 
organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos 
contra a vida (Brasil, 1988). 
Além disso, segundo Masson (2020, p. 1228), os Municípios não possuem 
jurisdição própria, apesar de, obviamente existir prestação jurisdicional em suas 
localidades, através das comarcas e sessões judiciárias. 
O Distrito Federal e os Territórios também não receberam do poder 
constituinte originário autonomia para organizar o próprio Poder Judiciário. 
Destarte, a Justiça do Distrito Federal e Territórios é criada e mantida pela 
União, conforme art. 21, XIIl e art. 22, XVII, ambos da CF/88 (de forma que tanto 
os magistrados quanto os servidores dessa justiça são remunerados pelo erário 
federal). 
Pode-se mencionar também uma divisão do Poder Judiciário em 
instâncias de julgamento, nesse sentido: 
TABELA 53 — INSTÂNCIAS DE JULGAMENTO DO PODER JUDICIÁRIO 
 
1º Instância 22 Instância 
 
Juízes de Direito 
Juiz de Direito do Juízo Militar 
Conselho de Justiça Tribunal
 de Justiça 
Tribunal Militar 
Tribunal Regional Federal 
Tribunal Regional do Trabalho 
Tribunal Regional Eleitoral 
Juízes Federais 
Juízes do Trabalho 
Juízes Eleitorais 
Juntas Eleitorais 
Auditorias militares 
 
FONTE: O autor (2024). 
É importante ressaltar também, o número de membros dos órgãos do 
Poder Judiciário, sendo: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 54 —- NÚMERO DE MEMBROS DOS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO 
 
 
 
 
ÓRGÃO DO PODER JUDICIÁRIO NÚMERO DE MEMBROS 
Supremo Tribunal Federal 11 Ministros 
Conselho Nacional de Justiça 15 Conselheiros 
Superior Tribunal de Justiça No mínimo 33 Ministros 
 
No mínimo 07 Juízes 
(Desembargadores Federais) 
Tribunal Superior do Trabalho 27 Ministros 
No mínimo 07 Juízes 
(Desembargadores do Trabalho) 
Tribunais Regionais Federais 
 
 
Tribunais Regionais do Trabalho 
 
 
 Tribunal Superior Eleitoral No mínimo 07 Ministros Tribunais Regionais Eleitorais 07 Juízes Superior Tribunal Militar 15 Ministros 
FONTE: O autor (2024). 
Há também que se mencionar o chamado "padrão de idade de ingresso” 
para que determinada pessoa seja indicada para integrar os quadros de alguns 
dos órgãos do Poder Judiciário, esse padrão estabelece limites de idade mínimos 
e máximos, conforme se segue: 
a) STF, STJ, TST e Ministros civis do STM: mais de 35 anos e 70 anos. 
b) TRFs e TRTs: mais de 30 anos e 70 anos. 
 
Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, 
escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos 
de setenta anos de idade, de notável saber jurídico e reputação 
ilibada. 
Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão 
 
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a 
escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. 
Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, 
trinta e três Ministros. 
Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça 
serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros 
com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de 
notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a 
escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. 
Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compõe-se de vinte e 
sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e 
cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber jurídico 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da República após 
aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. 
Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze 
Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, 
depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo três 
dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre oficiais-generais 
do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da 
ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis. 
Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente 
da República dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos 
de setenta anos de idade 
Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no 
mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva 
região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros 
com mais de trinta e menos de setenta anos de idade. 
Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no 
mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva 
região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros 
com maisde trinta e menos de setenta anos de idade. 
FONTE: Brasil (1988).a 
 
Esse padrão de idade de ingresso serve, justamente, unicamente na 
indicação ou recondução, nunca em relação à permanência no respectivo 
órgão. 
É interessante notar que a posse em determinados cargos do Poder 
Judiciário exige prévia aprovação do Senado Federal, dentro do conceito de 
freios e contrapesos próprios de uma república democrática que entende a 
necessidade de separação de Poderes, dessa forma: 
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: 
[.] 
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição 
pública, a escolha de: 
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição 
(Brasil, 1988). 
A assunção dos cargos por parte daqueles indicados para integrar o STF, 
STJ, TST ou CNJ, é dependente da aprovação da maioria absoluta dos membros 
do Senado Federal, analisada após sabatina perante eles. Por outro lado, os 
quinze membros que forem indicados para assumir cargo no STM se sujeitam 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
à aprovação por maioria simples dos membros do Senado Federal. Masson 
(2020, p. 1229) esquematiza essa situação da seguinte maneira: 
FIGURA 2 — PROCESSO DE INDICAÇÃO PARA INTEGRAR O STF, STJ, TST E CNJ 
 
 MAIORIA 
SIMPLES 
DOS MEMBROS 
DO SENADO 
FEDERAL 
 
 
 
 
Ministros vitalícios do Superior Tribunal 
Militar (art. 123, CF/88) 
 
 
Ministros do Supremo Tribunal Federal 
(art. 101, p. único, CF/88) 
 
“il » 
MAIORIA Ministros do Superior Tribunal de Justiça 
ABSOLUTA (art. 104, p. único, CF/88) 
 
DOS MEMBROS 
DO SENADO 
FEDERAL ] (art. 111-A, CF/88) 
 . 
Ministros do Tribunal Superior do Trabalho 
 
 
e” 
 
14 dos 15 membros do Conselho Nacional 
de Justiça (art. 103-B, 5 2º, CF/88) 
Fonte: Masson (2020, p. 1229). 
2.3 ESTATUTO DA MAGISTATURA 
2.3.1 Introdução 
A Constituição Federal prevê em seu art. 93, a necessidade de edição 
de uma lei complementar dispondo sobre o “Estatuto da Magistratura”, e que 
pudesse prever uma série de princípios de observância obrigatória por essa lei: 
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo 
Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, 
observados os seguintes princípios: 
| - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz 
substituto, mediante concurso público de provas e títulos, 
com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil 
em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no 
mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, 
nas nomeações, à ordem de classificação; 
Il - promoção de entrância para entrância, alternadamente, 
por antiguidade e merecimento, atendidas as seguintes 
normas: 
a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento; 
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de 
exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a primeira 
quinta parte da lista de antiguidade desta, salvo se não 
houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago; 
c) aferição do merecimento conforme o desempenho e 
pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no 
exercício da jurisdição e pela frequência e aproveitamento 
em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento; 
d) na apuração de antiguidade, o tribunal somente poderá 
recusar o juiz mais antigo pelo voto fundamentado de dois 
terços de seus membros, conforme procedimento próprio, e 
assegurada ampla defesa, repetindo-se a votação até fixar- 
se a indicação; 
e) não será promovido o juiz que, injustificadamente, retiver 
autos em seu poder além do prazo legal, não podendo 
devolvê-los ao cartório sem o devido despacho ou decisão; 
III - o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por 
antiguidade e merecimento, alternadamente, apurados na 
última ou única entrância; 
IV-previsãodecursosoficiaisdepreparação, aperfeiçoamento 
e promoção de magistrados, constituindo etapa obrigatória 
do processo de vitaliciamento a participação em curso 
oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e 
aperfeiçoamento de magistrados; 
V - o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores 
corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio 
mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal 
Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados 
em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme 
as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, 
não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a 
dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a 
noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros 
dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, O 
disposto nos arts. 37, XI, e 39, 8 4º; 
VI - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus 
dependentes observarão o disposto no art. 40; 
VII - o juiz titular residirá na respectiva comarca; 
VIII - o ato de remoção, disponibilidade do magistrado, 
por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da 
maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho 
Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa; 
VIIA - a remoção a pedido ou a permuta de magistrados 
de comarca de igual entrância atenderá, no que couber, ao 
disposto nas alíneas a, b, ce e do inciso Il; 
IX - Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário 
serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, 
ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do 
direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique 
o interesse público à informação; 
X- as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas 
e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo 
voto da maioria absoluta de seus membros; 
XI - nos tribunais com número superior a vinte e cinco 
julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o 
mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para 
o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais 
delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se 
metade das vagas por antiguidade e a outra metade por 
eleição pelo tribunal pleno; 
XI - a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo 
vedado férias coletivas nos juízos e tribunais de segundo 
grau, funcionando, nos dias em que não houver expediente 
forense normal, juízes em plantão permanente; 
XIII - o número de juízes na unidade jurisdicional será 
proporcional à efetiva demanda judicial e à respectiva 
população; 
XIV - os servidores receberão delegação para a prática 
de atos de administração e atos de mero expediente sem 
caráter decisório; 
XV - a distribuição de processos será imediata, em todos os 
graus de jurisdição (Brasil, 1988). 
 
Lei complementar é uma lei que regula algum tema previsto na 
Constituição. A lei complementar diferencia-se da lei ordinária por 
 
conta de seu quórum para aprovação: 
a) Lei ordinária exige apenas maioria simples de votos para ser 
aceita. A maioria dos presentes na votação. 
b) Lei complementar exige maioria absoluta. A maioria dos 
membros totais da Casa Legislativa respectiva. 
 
Cabe ressaltar, no entanto, que o STF ainda não apresentou o referido 
projeto de lei, sendo que a atividade jurisdicional é regulada, até que essa 
lei seja aprovada, pela LC n. 35/1979, a chamada LOMAN, a Lei Orgânica da 
Magistratura Nacional (STF, Pleno. ADI n. 1985/PE. Rel: Min. Eros Grau). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.3.2 Princípios constitucionais do estatuto da 
magistratura 
Estuda-se agora com mais proficuidade os relativos princípios: 
TABELA 55 — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO ESTATUTO DA 
MAGISTRATURA 
 
Incisos do Art. 93 da CF Conceitos 
 
A Resolução n. 75/2009, do CNJ, dispôs 
sobre os concursos públicos para 
ingresso na carreirada magistratura 
em todos os ramos do Poder Judiciário 
nacional. 
O ingresso na carreira se dá no cargo 
inicial de juiz substituto. A ascensão 
na carreira se dá mediante promoções, 
podendo o magistrado chegar até o 
cargo de desembargador de tribunal. 
Importante ressaltar que o ingresso 
por meio de concurso se dá para 
a magistratura de carreira, sendo 
que há possibilidade de posse de 
desembargadores em tribunais 
ocorrida por conta da regra do quinto 
constitucional, adianta estudada. 
 
 
O desenvolvimento do magistrado na 
carreira da magistratura se dá mediante 
promoção. A promoção ocorre, 
alternadamente, por antiguidade e por 
merecimento. 
Na promoção por antiguidade, o 
tribunal deve promover o magistrado 
mais amigo na entrância, somente 
podendo recusar o juiz mais amigo 
pelo voto fundamentado de dois terços 
de seus membros. 
 
SUMÁRIO 
 
Direito Administrativo 
 Trata da promoção dos magistrados 
para os tribunais de segundo grau. 
Também exigiu como critérios 
de promoção, alternadamente, a 
antiguidade e o merecimento, que 
devem ser apurados na última ou única 
entrância. 
Há dessa maneira uma preocupação 
em relação a mesclar a composição 
dos tribunais entre magistrados com 
mais tempo de casa com aqueles que 
tenham mais perfil para a atividade de 
2º grau. 
 Exigência de participação do 
magistrado em curso oficial ou 
reconhecido por escola nacional 
de formação e aperfeiçoamento de 
magistrados como etapa obrigatória 
do processo de para consecução da 
“vitaliciedade”. 
 Subsídio dos ministros de Tribunais 
Superiores corresponde a 95% dos do 
ministro do STF. 
O subsídio dos demais magistrados 
é fixado em lei, a nível federal e nível 
estadual e não pode ultrapassar a 95% 
dos ministros dos Tribunais Superiores. 
 
VI 
Aposentadoria e pensão é de caráter 
contributivo e solidário e se dá 
mediante contribuição do ente público. 
 
VII 
Dever de residência na comarca em que 
atua. Assim, se busca uma vinculação 
em relação às necessidades dos 
jurisdicionados a seu redor. 
 VIII Remoção ou disponibilidade mediante decisão do voto de maioria absoluta de seu Tribunal ou do CN). 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 VIII-A - a remoção a pedido de 
magistrados de comarca de igual 
entrância atenderá, no que couber, ao 
disposto nas alíneas “a”, “b”, “Cc” e “e” 
do inciso Il do caput deste artigo e no 
art. 94 desta Constituição; 
 a permuta de magistrados de comarca 
de igual entrância, quando for o caso, e 
dentro do mesmo segmento de justiça, 
inclusive entre os juízes de segundo 
grau, vinculados a diferentes tribunais, 
na esfera da justiça estadual, federal ou 
do trabalho, atenderá, no que couber, 
ao disposto nas alíneas “a”, “b”, “c” e “e” 
do inciso Il do caput deste artigo e no 
art. 94 desta Constituição; 
 Necessidade de motivação de todas 
as decisões do Poder Judiciário, 
sejam judiciais, sejam administrativas. 
Ademais, exige que as sessões sejam 
públicas, podendo a lei limitar a 
presença, em determinados atos, às 
próprias partes e a seus advogados, ou 
somente a estes, em casos nos quais a 
preservação do direito à intimidade do 
interessado no sigilo não prejudique 
o interesse público à informação 
(Novelino, 2016, p. 596). 
 Compete aos tribunais de justiça 
definir as competências que serão 
delegadas ao Órgão Especial, desde 
que aprovadas pela maioria absoluta 
de seus membros. /115 26411 MCIDF, 
red. p/ ac. Min. Teori Zavascki, 26.11.15. 
Pleno. (Info STF 809). 
 
VII-A 
VIII-B 
Xe xXx 
XI 
XII Em qualquer caso a atividade jurisdicional será ininterrupta, devendo funcionar, nos dias em que não houver expediente forense normal, juízes em plantão permanente. 
 SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
XII 
Número de juízes na unidade 
jurisdicional será proporcional à 
efetiva demanda judicial e à respectiva 
população. 
 
XIV 
Atos de mera movimentação processual 
podem ser praticados por servidores, 
enquanto atos de caráter decisório 
devem ser praticados por magistrados 
 
XV Os processos são distribuídos de maneira aleatória e imediata, portanto, não cabe ao juiz escolher o processo. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
À exigência de comprovação, no momento da inscrição definitiva 
(e não na posse), do triênio de atividade jurídica privativa de 
bacharel em Direito como condição de ingresso nas carreiras da 
magistratura e do ministério público (arts. 93, | e 129, 8 3º, CRFB 
- na redação da Emenda Constitucional n. 45/2004) foi declarada 
constitucional pelo STF na ADI 3.460.2. Fonte: (STF — RE 655265/DF, 
Relator: LUIZ FUX, Data de Julgamento: 13/04/2016, Tribunal Pleno, 
Data de Publicação: 05/08/2016). 
FONTE: Brasil (2016). 
Súmula 628 STF: Integrante de lista de candidatos a 
determinada vaga da composição de tribunal é parte legítima 
para impugnar a validade da nomeação de concorrente. 
FONTE: Brasil (2003). 
 
 
2.4 QUINTO CONSTITUCIONAL 
Diante do ideário republicano a que somos submissos, há um prestígio 
em relação à composição plural e diversificada dos tribunais brasileiros. Nesse 
sentido, há previsão constitucional em relação ao preenchimento das vagas 
desses tribunais, em relação às carreiras de advocacia e do Ministério Público. 
Nessa senda: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais 
Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal 
e Territórios será composto de membros, do Ministério 
Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados 
de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais 
de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em 
lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas 
classes. 
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará 
lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte 
dias subsequentes, escolherá um de seus integrantes para 
nomeação (Brasil, 1988). 
Há, portanto, um cálculo aritmético em relação ao número total de 
membros do respectivo tribunal, dessa forma, há uma divisão das cadeiras, 
em que são reservados 20% dela para os membros do MP e advogados que 
atendem os requisitos previstos na Constituição. Importa notar que quando a 
divisão aritmética não atinja número inteiro, o resultado dela será arredondado 
para mais. Nesse limiar: 
Dividindo-se por cinco os cargos de um Tribunal composto 
por 12 (doze) membros, chegaríamos ao número de 2,4 
(dois vírgula quatro). Consequentemente, para atender- 
se ao preceito constitucional, teríamos que arredondar 
as vagas destinadas aos membros do Ministério Público 
e advogado para 3 (três), sob pena de não se atender o 
preceito constitucional com somente 2 (duas) vagas que, 
por óbvio, estariam abaixo de 1 /5 dos assentos do Tribunal 
(Moraes, 2010, p. 565). 
Essa regra também vale em relação aos Tribunais do Trabalho, tanto o 
TST quanto os TRTs, dessa forma: 
Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compõe-se de 
vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com 
mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, 
de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados 
pelo Presidente da República após aprovação pela maioria 
absoluta do Senado Federal, sendo: 
| - um quinto dentre advogados com mais de dez anos 
de efetiva atividade profissional e membros do Ministério 
Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo 
exercício, observado o disposto no art. 94. 
Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se 
de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na 
respectiva região e nomeados pelo Presidente da República 
dentre brasileiros com mais de trinta e menos de setenta 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
anos de idade, sendo: 
| - um quinto dentre advogados com mais de dez anos 
de efetiva atividade profissional e membros do Ministério 
Público do Trabalhocom mais de dez anos de efetivo 
exercício, observado o disposto no art. 94 (Brasil, 1988). 
Aos integrantes dos tribunais que conquistaram a vaga mediante essa 
regra, não se aplica a necessidade de 2 anos na carreira para que garantam a 
vitaliciedade, nesse sentido, essa garantia lhe é concedida de imediato. 
Importa ressaltar que nem todos os tribunais brasileiros aceitam a regra 
do quinto constitucional, a exemplo: 
a) STF: Presidente da República indica, com liberdade, os onze integrantes da 
Corte. 
b) TSE e TREs: Representantes da advocacia (dois sétimos dos membros), mas 
não do Ministério Público. 
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no 
mínimo, de sete membros, escolhidos: 
[..] 
Il - por nomeação do Presidente da República, dois juízes 
dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade 
moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal 
Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de 
cada Estado e no Distrito Federal. 
8 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão: 
[..] 
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois 
juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e 
idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça (Brasil, 
1988). 
c) STM: um quinze avos dos membros são representantes do Ministério Público 
da Justiça Militar e três quinze avos de advogados: 
Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze 
Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, 
depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo 
três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre 
oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais-generais 
da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da 
carreira, e cinco dentre civis. 
Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo 
Presidente da República dentre brasileiros com mais de 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, sendo: 
| - três dentre advogados de notório saber jurídico e 
conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade 
profissional; 
Il - dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e 
membros do Ministério Público da Justiça Militar (Brasil, 
1988). 
2.4.1 Decisões judiciais sobre o tema 
1. MS 25.624-SP, STF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Info 439, 
STF: desde que a recusa se fundamente em razões objetivas, declinadas na 
motivação da deliberação do órgão competente do órgão judiciário, o Tribunal 
está autorizado a rejeitar o nome de uma ou até mesmo de todas as pessoas 
enunciadas na lista; não é possível, todavia, ao Tribunal, substituir os nomes 
(Brasil, 2006). 
2. ADI-MC 4150-SP STF, Rel. Min. Marco Aurélio, Informativo 523, 
STF: são inconstitucionais as normas das constituições estaduais que adicionam 
requisitos para a efetivação da indicação dos candidatos às vagas reservadas ao 
quinto constitucional, como por exemplo, o requisito de aprovação da lista pela 
Assembleia Legislativa do Estado (Brasil, 2015). 
3. MS 32491, relatado pelo Min Ricardo Lewandowski, Informativo 
755, STF: fere o princípio constitucional da presunção de inocência a 
determinação do CNJ que impede a posse de advogado escolhido pela regra 
do quinto constitucional para integrar o TJ do Estado (como desembargador) 
porque ele responde a um inquérito policial. Segundo a 2º Turma da Corte, 
a mera existência de inquérito instaurado contra a pessoa não é, por si só, 
suficiente a justificar tratamento diferenciado e indicar ausência de idoneidade 
moral como fator impedir da posse (Brasil, 2014). 
2.5 GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO 
A fim de viabilizar a independência entre os Poderes constituídos, 
Executivo, Legislativo e Judiciário, principalmente no que se refere à atividade 
judicial promovida pelo Estado, a Constituição Federal atribuiu ao Judiciário 
garantias capazes de lhe defender de pressões externas, atinentes ao 
cometimento de julgamentos parciais. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
De tal sorte, essas garantias concedem um grau mais seguro de 
liberdade e autonomia no serviço prestado pelo Judiciário, que gera, por fim, 
uma proteção ao Estado Democrático de Direito, porque ele é uma força de 
contraposição a ilegalidades e abusos de direito. 
Dessa forma, essas garantias podem ser entendidas não como pessoais, 
dos detentores do cargo, e sim de todos os cidadãos brasileiros, que podem 
obter uma prestação jurisdicional autônoma. 
Por fim, as garantias dividem-se em: 
a) Institucionais: protegem o Judiciário de maneira holística. 
b) Funcionais: recaem sobre os membros do Judiciário. 
2.5.1 Garantias Institucionais 
Tem a ver com toda a instituição, e servem para balizar a relação do 
Judiciário com os demais Poderes. Inclusive, é previsto como crime de 
responsabilidade atentar ao livre exercício do Judiciário, conforme art. 85, II, da 
CF: 
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente 
da República que atentem contra a Constituição Federal e, 
especialmente, contra: 
[...] 
Il - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, 
do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das 
unidades da Federação (Brasil, 1988). 
Essas garantias podem, ainda, ser divididas da seguinte maneira: 
a) Autonomia orgânico-administrativa: competências privativas atribuídas 
ao Poder Judiciário, previstas no artigo 96, CF. Dessa forma: 
Art. 96. Compete privativamente: 
| - aos tribunais: 
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos 
internos, com observância das normas de processo e 
das garantias processuais das partes, dispondo sobre a 
competência e o funcionamento dos respectivos órgãos 
jurisdicionais e administrativos; 
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos 
juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
atividade correicional respectiva; 
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de 
juiz de carreira da respectiva jurisdição; 
d) propor a criação de novas varas judiciárias; 
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e 
títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo único, 
os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os 
de confiança assim definidos em lei; 
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a 
seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem 
imediatamente vinculados; 
Il - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores 
e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo 
respectivo, observado o disposto no art. 169: 
a) a alteração do número de membros dos tribunais 
inferiores; 
b) a criação e a extinção de cargos e a fixação de vencimentos 
de seus membros, dos juízes, inclusive dos tribunais 
inferiores, onde houver, dos serviços auxiliares e os dos 
juízos que lhes forem vinculados; 
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus 
serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, 
bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos 
juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver, 
ressalvado o disposto no art. 48, XV; 
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus 
serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, 
bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos 
juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver; 
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; 
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias; 
II - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do 
Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do 
Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, 
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (Brasil, 1988). 
Nota-se, portanto, uma estruturação e gestão própria de seus órgãos, 
um poder de autogoverno, sem qualquer ingerência de outros Poderes. 
Didaticamente, pode se dividir essa independência dos outros dois poderesda 
seguinte maneira: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 56 — INDEPENDÊNCIA DOS PODERES 
INDEPENDÊNCIA EM RELAÇÃO | INDEPENDÊNCIA EM RELAÇÃO AO 
AO LEGISLATIVO EXECUTIVO 
Propor ao Poder Legislativo 
respectivo a fixação do subsídio 
de seus membros e dos juízes, 
inclusive dos tribunais inferiores. 
Propor ao Poder Legislativo 
respectivo a criação e a extinção de 
cargos e a remuneração dos seus Eleger seus órgãos diretivos. 
serviços auxiliares e dos juízos que 
 
 
Prover, por concurso público de provas, 
ou de provas e títulos, os cargos 
necessários à administração da Justiça. 
 
lhes forem vinculados. 
Propor ao Poder Legislativo 
respectivo a criação ou extinção 
dos tribunais inferiores e a 
alteração da organização e da 
divisão judiciárias. 
Propor ao Poder Legislativo 
respectivo a criação de novas varas 
judiciárias. 
Propor ao Poder Legislativo 
respectivo a alteração do número 
de membros dos tribunais 
inferiores. 
Elaboração dos regimentos 
internos. 
 
Organizar as secretarias e serviços 
auxiliares. 
 
Determinar o provimento dos cargos de 
juiz de carreira da respectiva jurisdição. 
 
 
 
FONTE: O autor (2024). 
b) Autonomia financeira: Garantia de recursos e discricionariedade para utilizá- 
los, o que cria condições diretas para que outro Poder não tenha ingerência às 
finanças do Judiciário, o que traria possibilidade de chantagem institucional. 
Essa garantia está prevista no art. 99, CF: 
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia 
administrativa e financeira. 
$ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias 
dentro dos limites estipulados conjuntamente com os 
demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. 
8 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros 
tribunais interessados, compete: 
|-no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal 
Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação dos 
respectivos tribunais; 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Il - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e 
Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a 
aprovação dos respectivos tribunais. 
8 3º Se os órgãos referidos no 8 2º não encaminharem 
as respectivas propostas orçamentárias dentro do prazo 
estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder 
Executivo considerará, para fins de consolidação da 
proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei 
orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites 
estipulados na forma do $ 1º deste artigo. 
$ 4º Se as propostas orçamentárias de que trata este 
artigo forem encaminhadas em desacordo com os limites 
estipulados na forma do 8 1º, o Poder Executivo procederá 
aos ajustes necessários para fins de consolidação da 
proposta orçamentária anual. 
8 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não 
poderá haver a realização de despesas ou a assunção de 
obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de 
diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, 
mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais 
(Brasil, 1988). 
Embora o Poder Judiciário não tenha um “orçamento próprio”, 
foi outorgado aos Tribunais a prerrogativa de elaboração de propostas 
orçamentárias próprias, conforme previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias. 
A verba ao Judiciário é repassada por meio do instituto do duodécimo, 
até o dia 20 de cada mês, conforme art. 168, CF: 
Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações 
orçamentárias, compreendidos os créditos suplementares 
e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo 
e Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, 
ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em 
duodécimos, na forma da lei complementar a que se refere 
o art. 165, 8 9º. 
$ 1º É vedada a transferência a fundos de recursos financeiros 
oriundos de repasses duodecimais. 
8 2º O saldo financeiro decorrente dos recursos entregues 
na forma do caput deste artigo deve ser restituído ao caixa 
único do Tesouro do ente federativo, ou terá seu valor 
deduzido das primeiras parcelas duodecimais do exercício 
seguinte (Brasil, 1988). 
Ainda, impõe-se que as custas e emolumentos sejam destinados com 
exclusividade ao custeio dos serviços afetos às atividades específicas da Justiça. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.5.2 Garantias funcionais 
São as garantias que buscam permitir aos juízes o cumprimento de 
suas atribuições com a necessária imparcialidade nos atos do processo e 
com liberdade diante de ingerências externas, portanto, viabilzam o livre 
desempenho de suas funções. São entendidas como prerrogativas asseguradas 
que jogam em favor do próprio jurisdicionado, uma vez que com elas os juízes 
podem atuar, de fato, em prol da sociedade. 
Em geral elas podem ser divididas em dois tipos, as de independência e 
as de imparcialidade. 
a) Garantias de independência 
Estão previstas no Art. 95, CF/88, e podem ser resumidas em vitaliciedade, 
inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios: 
Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: 
| - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida 
após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, 
nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz 
estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial 
transitada em julgado; 
Il - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, 
na forma do art. 93, VIII; 
HI - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos 
arts. 37, X e XI, 39, 8 4º, 150, II, 153, II, e 153, 8 2º, | (Brasil, 
1988). 
a.1) Vitaliciedade 
Garantia que vincula o titular ao cargo para o qual foi nomeado, 
tornando-o detentor dele indefinidamente, somente perdendo essa condição 
em virtude de sentença judicial transitada em julgado. Essa situação é adquirida 
após 02 anos de efetivo exercício, quando o ingresso do magistrado se dá de 
maneira tradicional, após concurso público no primeiro grau de jurisdição. Em 
relação aos Tribunais, aquele que ingressa, tem a garantia de vitaliciedade de 
imediato, isso ocorre, por exemplo, no caso do quinto constitucional. 
Masson (2020, p. 1243) explicita pontos de interesse sobre a vitaliciedade: 
a) a vitaliciedade é garantia que acompanha o magistrado 
mesmo na inatividade, o que significa que um juiz 
aposentado somente perderia o direito à aposentadoria 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
a.2) Inamovibilidade 
como decorrência de uma sentença judicial transitada em 
julgado23; 
b) a garantia em análise não impede que o juiz seja 
aposentado compulsoriamente, por idade (75 anos) ou 
em razão de uma invalidez que o deixe incapacitado para 
o cargo, tampouco impossibilita que ele seja posto em 
disponibilidade; 
c) por importarem em uma flexibilização da garantia 
da vitaliciedade, nos casos de imposição das penas de 
disponibilidade e de aposentadoria por interesse público, 
há que haver decisão da maioria absoluta do respectivo 
Tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, sendo 
assegurada ampla defesa ao magistrado (nos termos do are. 
93, VIII, CF/88); 
d) a garantia da vitaliciedade, que impede que o magistrado 
perca o cargo por qualquer outro meio que não uma 
sentença judicial transitada em julgado, foi relativizada pelo 
poder constituinte originário quando este estabeleceu, no 
are. 52, CF/88, que os Ministros do STF podem perder o 
cargo por determinação do Senado Federal, na hipótese da 
prática de crime de responsabilidade; 
e) essa mesma relativização pode ser apontada com 
relação aos Conselheiros do CNJ - possuidores das mesmas 
prerrogativas, impedimentos constitucionais, suspeições e 
incompatibilidades que regulam a carreira da magistratura, 
no que coubere enquanto durar o mandato - que igualmente 
poderão vir a ser julgados pelo Senado Federal em virtude 
da prática de crime de responsabilidade; 
f) a vitaliciedade é prerrogativa prevista constitucionalmentetambém para: os membros do Ministério Público (are. 128, 
8 5º, |, “a”, CF/88), os oficiais das Forças Armadas (are. 142, 8 
3º, VI, CF/88), os Ministros do Tribunal de Contas da União 
(are. 73, 8 3º, CF/88) e os militares dos Estados e do Distrito 
Federal e Territórios (art. 42, 8 1º, CF/88). 
Prerrogativa que o magistrado possui de somente ser removido, ou 
mesmo promovido, por iniciativa própria, jamais de ofício, exceto no caso de 
interesse público. Isso impede a remoção compulsória de um juiz arranjada 
em alguma estratégia institucional que vise o afastar da apreciação de um 
determinado processo. 
Importa mencionar que, conforme Moraes (2010, p. 513): 
A doutrina norte-americana já apontava a necessidade de 
permanência do magistrado no cargo, como modo de 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
manter a independência do órgão julgador, pois a debilidade 
desse, resultaria em opressão e medo da influência de ações 
coordenadas, sendo que nada pode contribuir com tanta 
firmeza para essa independência como a permanência no 
cargo, garantia que se consubstancia em um baluarte da 
Justiça Pública e Segurança pública. 
a.3) Irredutibilidade de subsídios 
Subsídios dos magistrados, não poderão ser reduzidos, salvo em 
decorrência da incidência dos tributos. No entanto, o STF afirma que os valores 
percebidos não estão livres de corrosão por eventual inflação 
Os oficiais das Forças Armadas têm garantia semelhante prevista no art. 
142, 3º, VIII, CF/88. 
b) Garantias de imparcialidade 
Tratam-se das vedações constitucionais, taxativas, impostas aos juízes 
no art. 95, parágrafo único, da CF. Sendo: 
TABELA 57 - VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS AOS JUÍZES 
|. Vedado exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes 
de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou 
exoneração. 
Il. Vedado receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições 
de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções 
previstas em lei. 
III. Vedado exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, 
salvo uma de magistério. 
IV. Vedado receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em 
processo. 
 
 
 
 
 V. Vedado dedicar-se à atividade político-partidária. 
 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.6 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA 
Esse é um órgão do Poder Judiciário com atribuições exclusivamente 
administrativas, de controle interno, desprovido de competência jurisdicional. 
Sua criação veio de uma necessidade de modernização do Judiciário brasileiro 
(EC 45/2004), em relação às práticas antigas que traziam desprestígio ao Poder. 
2.6.1 Composição 
Composto de 15 membros, com mandato de 2 anos, podendo ser 
renováveis por mais uma vez. A nomeação é competência do Presidente da 
República, que será votada pelo Senado Federal (aprovação se dá por maioria 
absoluta da casa). Cabe ressaltar, no entanto, que o presidente do STF é membro 
nato. Dessa maneira versa a CF: 
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 
(quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 
1 (uma) recondução. [...] 
$ 1º O Conselho será presidido pelo Presidente do Supremo 
Tribunal Federal e, nas suas ausências e impedimentos, pelo 
Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal. 
$ 2º Os demais membros do Conselho serão nomeados pelo 
Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela 
maioria absoluta do Senado Federal (Brasil, 1988). 
Segue quadro sinótico auxiliar ao entendimento da constituição do CNJ: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 58 — CONSTITUIÇÃO DO CNJ 
Indicação Origem 
01 desembargador de TJ 
01 juiz estadual 
01 ministro do próprio STJ 
ST) 01 juiz de TRF 
01 juiz federal 
01 ministro do próprio TST 
 
 
 STF 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TST 01 juiz de TRT 
01 juiz do trabalho 
Conselho Federal da OAB 02 advogados 
PGR 01 membro do MPU 
01 membro do MPE 
Câmara dos Deputados 01 cidadão 
Senado Federal 01 cidadão 
 
Fonte: O autor (2024). 
2.6.2 Competências do Conselho 
Para que o Conselho consiga realizar sua atribuição de controle 
administrativo, financeiro e funcional do Poder Judiciário e de seus membros, 
a CF no artigo 103-B, 8 4º, |, II, III, IV, V, Vl e VII, prevê algumas atribuições, 
conforme segue: 
TABELA 59 — ATRIBUIÇÕES DOS DO CNJ 
 
 
Texto legal Instituto 
| - Zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo 
cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo Política 
expedir atos regulamentares, no âmbito de sua judiciária 
competência, ou recomendar providências. 
Il - Zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de 
ofício ou mediante provocação, a legalidade dos 
atos administrativos praticados por membros ou 
órgãos do Poder Judiciário, podendo desconstituí- 
 
. . Análise da 
los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as R 
A . moralidade 
providências necessárias ao exato cumprimento 
dos atos 
da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de 
Contas da União. 
V - Rever, de ofício ou mediante provocação, os 
processos disciplinares de juízes e membros de 
tribunais julgados há menos de um ano. 
administrativos 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 III - Receber e conhecer das reclamações contra 
membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive 
contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos 
prestadores de serviços notariais e de registro 
que atuem por delegação do poder público 
ou oficializados, sem prejuízo da competência Prestação de 
disciplinar e correicional dos tribunais, podendo serviços aos 
avocar processos disciplinares em curso, determinar cidadãos 
a remoção ou a disponibilidade e aplicar outras 
sanções administrativas, assegurada ampla defesa. 
IV - Representar ao Ministério Público, no caso de 
crime contra a administração pública ou de abuso de 
autoridade. 
VI - Elaborar semestralmente relatório estatístico 
sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade 
da Federação, nos diferentes órgãos do Poder 
 
Judiciário. 
VII - elaborar relatório anual, propondo as Gestão 
providências que julgar necessárias, sobre a do Poder 
situação do Poder Judiciário no País e as atividades Judiciário 
do Conselho, o qual deve integrar mensagem 
do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser 
remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da 
abertura da sessão legislativa. 
 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
2.6.3 Controle do controlador 
Salienta-se que conforme previsão constitucional os atos do CNJ podem 
ser controlados pelo STF que, inclusive, não se submete às decisões do CNJ. 
Dessa forma determina o art. 102, |, r, da CF: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, 
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
| - processar e julgar, originariamente: 
[..] 
r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o 
Conselho Nacional do Ministério Público (Brasil, 1988). 
Isso se dá, primeiro por ser órgão máximo do Judiciário brasileiro, e 
segundo por ter, também constitucionalmente previsão específica sobre o 
controle de seus atos. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.7 SUMULAS VINCULANTES 
As súmulas vinculantes também advieram de um momento de crise do 
Judiciário, em razão da descrença populacional no Poder, consequência da 
morosidade processual e da contrariedade de decisões judiciais em relação a 
casos semelhantes entre si. 
Esses instrumentos nasceram, portanto, para demonstrar o entendimento 
de um Tribunal a respeito de um tema em específico, destarte, uniformizando 
as respostas jurisdicionais sobre determinada interpretação de casos concretos, 
uma vez que elas têm efeito vinculante para o Poder Judiciário e o Executivo. 
Consequentemente, as súmulas promovem um descongestionamento do 
Judiciário, ante à celeridade de julgamento, por conta da uniformidade 
vinculante interpretativa.Interessante notar que esse instrumento aproxima o Direito brasileiro do 
sistema de common law, uma vez que se baseia, na verdade, em precedentes 
judiciais. 
2.7.1 Contexto histórico 
Conforme estudado anteriormente, há dois “tipos” de Direito em voga 
no mundo, um referente ao common law e outro ao civil law, isso impacta 
diretamente no cenário brasileiro, que detém uma tradição muito forte 
em relação ao civil law, mas desde a década de 90, vem se aproximando 
gradativamente do common law. 
Sobre suas principais características diferenciadoras extrai-se: 
SUMÁRIO 
Esses instrumentos 
nasceram, portanto, 
para demonstrar o 
entendimento de um 
Tribunal a respeito 
de um tema em 
específico, destarte, 
uniformizando as 
respostas jurisdicionais 
sobre determinada 
interpretação de casos 
concretos, uma vez 
que elas têm efeito 
vinculante para o Poder 
Judiciário e o Executivo. 
Conseguentemente, 
as súmulas 
promovem um 
descongestionamento 
do Judiciário, ante 
à celeridade de 
julgamento, por conta 
da uniformidade 
vinculante 
interpretativa.
Direito Administrativo 
TABELA 60 — DIFERENÇAS ENTRE COMMON LAW E CIVIL LAW 
 
 
 
Common Law Civil Law 
. = Romano- 
Origem Anglo-saxã a 
germânica 
Dedutivo 
Premissa 
Indutivo 
Z . a normativa 
Método Caso concreto, foco na situação Vo 
genérica 
particular Ma 
aplicável à 
situação fática 
 
Ko. Decisão judicial 
Prevalência q u Lei 
Judge made law 
 
 
 
pa doq Forma-se 
Série de precedentes judiciais em 
- um sistema 
Resultado casos concretos formam soluções . 
ara OS casos posteriores tendente à 
P P codificação 
à Stare decisis (et quieta non movere) 
Instituto u , no - À 
a O que está decidido não deve ser | Sistema legal 
principal u 
perturbado 
Órgão principal Suprema Corte Congresso 
 
Fonte: O autor (2024). 
Masson (2020, p. 1259) afirma que: 
Há uma observação de que o ideal de decisões judiciais com 
força de precedentes e mesmo de observância obrigatória 
não é novidade no direito pátrio, que vem desenhando 
lentamente sua aproximação ao sistema da common law, 
por meio de iniciativas legislativas que nada mais são do 
que respostas às constantes exigências de coerência, 
consistência e racionalidade sistêmicas. 
2.1.2 Arquitetura das súmulas vinculantes 
A previsão constitucional advém da EC n. 45/2004, a famosa “reforma do 
Poder Judiciário”, visando, sobretudo, garantir a imparcialidade na prestação 
jurisdicional, havendo decisão isonômica sobre casos complexos, independente 
da condição social do litigante. Garante-se, dessa forma, segurança jurídica, e 
por fim, a própria democracia, vez que traz condição para que todo cidadão 
tenha a resposta estatal igualitária para suas questões judiciais. 
Seguem as características das súmulas vinculantes como instituto: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
TABELA 61 — CARACTERÍSTICAS DAS SÚMULAS VINCULANTES COMO 
INSTITUTO 
 
Competência Exclusiva do STF 
 
Pressupostos 
|. Existência de reiteradas decisões sobre matéria 
constitucional. 
Il. Controvérsia atual entre órgãos do Poder Judiciário 
ou do Poder Judiciário com a Administração Pública, que 
acarrete grave insegurança jurídica ou multiplicação de 
processos idênticos. 
Ill. Aprovação da súmula por dois terços dos membros da 
Corte. 
 
Objeto 
Eficácia, validade e interpretação de normas jurídicas 
determinadas. 
 
Legitimados 
para 
provocar o 
STF 
Os mesmos da ADI: 
Presidente da República; 
Mesa do Senado; 
Mesa da Câmara; 
Presidente de Assembleia Legislativa; 
Governador de estado; 
Conselho Federal da OAB; 
PGR; 
Partido político com representação no Congresso Nacional; 
Entidade de classe de âmbito nacional; 
Confederação sindical; 
Defensor Público-Geral da União (Lei 11417/2006); 
Todos os Tribunais (Lei 11417/2006); 
Municípios, de maneira incidental, ou seja, somente em 
casos concretos. 
 
Fonte: O autor (2024). 
2.7.3 Sobre o efeito vinculante 
Segundo Masson (2020, p. 1264): 
As súmulas vinculantes são legitimadas especialmente 
pelo princípio da igualdade (casos idênticos devem 
ser destinatários de soluções iguais), ofertando pautas 
normativas que estabilizam e uniformizam o ordenamento, 
permitindo que os jurisdicionados se organizem com 
liberdade e segurança perante os direitos e proibições 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
que a ordem jurídica traz. Essas vantagens derivadas da 
súmula devem-se à adoção do efeito vinculante, que impõe 
um dever irrestrito de observância por parte dos órgãos 
públicos. 
Esse também é o disposto na Constituição Federal: 
Art. 103-A: [...] terá efeito vinculante em relação aos demais 
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública 
direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, 
bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na 
forma estabelecida em lei (Brasil, 1988). 
Dessa forma, segundo Novelino (2016) indiretamente, por conta das 
interações inerentes aos cidadãos, que levam lides ao Judiciário, as súmulas 
vinculantes também alcançam os particulares. 
2.7.4 Reclamação 
A Constituição Federal também prevê uma solução para os casos em 
que houver uma decisão judicial ou ato administrativo que contrarie o disposto 
em súmula, dessa forma: 
Art. 103-A, [...] 83º Do ato administrativo ou decisão judicial 
que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente 
a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal 
que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo 
ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que 
outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, 
conforme o caso (Brasil, 1988). 
Caso o STF entenda que a reclamação é válida, irá anular o ato 
administrativo ou cassará a decisão judicial, dessa forma demonstrando a força 
cogente das súmulas no cenário brasileiro. 
2.8 ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO 
A arquitetura do Poder Judiciário brasileiro é deveras densa, sendo 
consagrada no Capítulo Ill da CF, sob o título de “Do Poder Judiciário”, entre 
os arts. 922 e 126. Nesse limiar, as composições, competências e atribuições 
dele, estão descritas expressamente no texto constitucional. Destarte, pode-se 
entender a estrutura da Justiça brasileira da seguinte maneira: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
RA DA JUSTIÇA BRASILEIRA 
 
 
 
 
Justiça de Paz 
propriamente dito, atua em 
celebração de casamentos e 
conciliações. Composto por 
cidadãos eleitos, não sendo 
TABELA 62 — ESTRUTU 
na a PREVISÃO 
TIPO ORGÃO COMPETENCIA LEGAL 
Suas decisões se sobrepõem a 
todas as outras. 
O STJ detém superposição 
bre tod tõ 
co Vê º as és E STF, arts. 101 
relativas à Justiça Federal e 
Aus E e a 103, CF. 
Orgão de STFesT) Estadual/Distrital. 
içã O STF, , deté superposição por sua vez, detém STJ, arts. 104 
superposição sobre toda 
h Jo e 105, CF. 
a Justiça brasileira, sendo 
o responsável pela última 
palavra acerca das normas 
constitucionais. 
Tribunais Exercem jurisdição sobre todo 
Superiores: o território nacional. 
Órgãos de o São os tribunais de cúpula das Art 92, 52º, 
=. | OPpróprio STJ;| Justiças Especiais da União, 
convergência na a CF. 
TST responsáveis pela decisão 
TSE definitiva das causas de sua 
STM Justiça respectiva. 
JF: causa da União, trados 
internacionais, direitos humanos. 
JE: competência residual, ou seja, 
tudo que não for especializado. 
JDFT: Atuant DF 
Justiça eventuais territórios que JE. arts. 106 a Federal a 110, CF. 
Justiça porventura possam ser criados. 
Estadual Juizados especiais: causa cíveis JE: arts. 125, 
Justiça de menor complexidade e 
Justiça j - j CF. 
Comum no infrações de menor potencial 
Distrital fensi 
Juizados Just decor JDFT: arts. 
Especiais Sem caráter urisdicional 21, XI, e 22, ) XVII, CF. magistrados. 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
 
JT: arts. 111 a 
 
 
 
Justiça do 116, CF. 
Trabalho; JT: relação de trabalho;JE: arts. 118 a 
Justiça JE: direitos, crimes e partidos 121, CF. 
Eleitoral; políticos; JM da União: 
Justiça Justiça Militar | JM da União: crimes militares arts. 122 a 
especial da União; definidos em lei; 124, CF. 
Justiça JM dos Estados, DF e JM dos 
Militar dos Territórios: crimes militares em | Estados, DF 
Estados, DF e âmbito estadual. e Territórios: 
Territórios art. 125, 84º, 
CF. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
O Supremo Tribunal Federal os Tribunais Superiores têm jurisdição 
dd 
em todo o território nacional. 
 
 
2.8.1 Supremo Tribunal Federal 
É o órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, possui abrangência 
em todo território nacional, atua simultaneamente em relação à Justiça Comum 
e às Justiças Estaduais, e é, de fato, o Tribunal mais antigo do Brasil, instituído 
nos idos de 1808, como “Casa de Suplicação”, com a chegada da Corte ao país. 
2.8.1.1 Composição 
Formado por 11 ministros, em conformidade com o texto constitucional: 
Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze 
Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e 
cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber 
jurídico e reputação ilibada (Brasil, 1988). 
Os requisitos mínimos para assunção do cargo de ministro do STF, são 
os seguintes: 
 
Direito Administrativo 
a) Nacionalidade originária: a pessoa deve ser brasileira nata, 
conforme previsão constitucional do art. 12,8 3º: 
8 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: 
| - de Presidente e Vice-Presidente da República; 
Il - de Presidente da Câmara dos Deputados; 
III - de Presidente do Senado Federal; 
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
V - da carreira diplomática; 
VI - de oficial das Forças Armadas. 
VII - de Ministro de Estado da Defesa (Brasil, 1988). 
b) Idade mínima superior a trinta e cinco anos e máxima inferior 
a setenta anos: a idade de trinta e cinco anos, corresponde à 
capacidade eleitoral plena (para assunção do cargo de Presidente 
de República, na hipótese de vacância); a idade de setenta anos é 
consequência do ministro necessariamente exercer as funções para 
as quais foi empossado antes da aposentadoria compulsória aos 
setenta e cinco anos. 
A EC n. 88/2015 aumentou de 70 para 75 anos a aposentadoria 
cm compulsória de ministros do STF, Tribunais Superiores (STJ, TST, 
TSE e STM) e TCU. 
R 
c) Reputação ilibada: ausência de aspectos desabonadores na vida 
passada do ministro. 
O Presidente da República é responsável pela indicação, que será 
submetida à aprovação do Senado Federal, pelo voto de sua maioria absoluta, 
havendo após isso a nomeação do ministro. Os ministros são divididos em duas 
turmas de cinco, além do Presidente da Corte.
Direito Administrativo 
2.8.1.2 Atribuições 
Tradicionalmente as Supremas Cortes em todos os países têm uma 
função precípua, tal qual a brasileira: a guarda da Constituição. Isso conforme 
o próprio texto constitucional: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, 
precipuamente, a guarda da Constituição”. Essa função é exercida por meio 
do controle de constitucionalidade, seja pela via difusa (incidental) ou pela 
concentrada (exclusividade dele). 
Não obstante, o STF atua em diversas outras searas, possuindo 
competências originárias de julgamento, em sua instância única, mas também 
possui competências recursais, sendo, portanto, realmente um órgão de 
superposição, inclusive, contra julgamento de Tribunais Superiores, o que o 
leva a ser um órgão de terceira e até quarta instância. 
As competências do STF podem ser definidas da seguinte forma: 
TABELA 63 — COMPETÊNCIAS DO STF 
PROCESSAR E JUGAR ORIGINARIAMENTE 
Ação Direta de Inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal 
ou estadual e a Ação Declaratória de Constitucionalidade de lei ou ato 
normativo federal. 
Nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, 
os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o 
Procurador-Geral da República. 
Nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros 
de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, 
ressalvado o disposto no art. 52, |, os membros dos Tribunais Superiores, 
os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de 
caráter permanente. 
O habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas 
alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas data contra atos do 
Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado 
Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República 
e do próprio Supremo Tribunal Federal. 
Litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o 
Estado, o Distrito Federal ou o Território. 
Causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito 
Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da 
administração indireta. 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
Extradição solicitada por Estado estrangeiro. 
 
Habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator 
ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos 
diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime 
sujeito à mesma jurisdição em uma única instância. 
 
Revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados. 
 
Reclamação para a preservação de sua competência e garantia da 
autoridade de suas decisões. 
 
Execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a 
delegação de atribuições para a prática de atos processuais. 
 
Ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou 
indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros 
do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente 
interessados. 
 
Conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer 
tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro 
tribunal. 
 
Pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade. 
 
Mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora 
for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da 
Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas 
Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais 
Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal. 
Ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional 
do Ministério Público. 
 
 
 
JULGAR EM RECURSO ORDINÁRIO 
Habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado 
de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se 
denegatória a decisão 
Crime político. 
 
 
 
 
JULGAR, MEDIANTE RECURSO EXTRAORDINÁRIO 
As causas decididas em única ou última instância, quando a decisão 
recorrida contrariar dispositivo desta Constituição. 
Declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. 
Julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta 
Constituição. 
Julgar válida lei local contestada em face de lei federal. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
Direito Administrativo 
2.8.2 Superior Tribunal de Justiça 
O STJ é órgão de convergência e também de superposição do Judiciário 
brasileiro, tendo sido instituído recentemente por meio da promulgação da 
Constituição Federal. 
2.8.2.1 Co mposição 
É composto de trinta e três ministros, que são originários da seguinte 
forma: 
a) Um terço advindo de juízes dos TRFs. 
b) Um terço advindo de desembargadores dos Tribunais de Justiça 
estad uais. 
c) Umterço dentre advogados e membros do Ministério Público. 
A elaboração das listas para composição do Tribunal se dá da seguinte 
maneira: 
FIGURA 3 — LISTAS PARA COMPOSIÇÃO DO ST) 
COMPOSIÇÃO DO STJ 
NO MÍNIMO 33 
MINISTROS 
(art. 104, CF/88) 
 
-— 
——
 
—
 
1/6 dos membros, Órgãode classe 
oriundos do MP elabora lista sêxtupla 
+ E 
Federal, Estadual e encaminha 
e Distrital. para o ST) 
4 f 
a a 
Órgão de classe 
1/6 dos membros, elabora lista sêxtupla 
dp oriundos i 
E e encaminha 
da Advocacia 
parao STJ 
Te 
—e ma 
1/3 dos membros, 
b dentre 
desembargadores En ambos os casos 
dos Tás o próprio STJ elabora 
lista tríplice e encami- 
RE 
nha para o Presidente 
N 1/3 dos membros, da República 
dentre juízes dos TRFs 
 
 
 
 
a? 
Fonte: Masson (2020, p. 1297). 
 
 
 
ST) reduz a lista 
sêxtupla para lista 
tríplice e encaminha 
para o Presidente da 
República 
 
O Presidente escolhe 
os candidatos a partir 
das listas tríplices; 
indica um de cada 
lista e encaminha para 
apreciação do Senado 
Federal 
4 
e 
Somente após 
aprovação da 
maioria absoluta 
do Senado Federal 
haverá nomeação 
pelo Presidente da República a RA 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Cabe ressaltar, que é requisito para a posse do ministro, que ele seja 
brasileiro nato ou naturalizado, com no mínimo trinta e cinco anos de idade, 
e no máximo setenta (por conta da aposentadoria compulsória aos setenta e 
cinco). 
2.8.2.2 Competências 
As competências originárias do STJ estão previstas no art. 105, da CF, 
conforme seguem: 
TABELA 64 —- COMPETÊNCIAS DO STJ 
PROCESSAR E JULGAR ORIGINARIAMENTE 
Nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito 
Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores 
dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os 
membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, 
os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais 
e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas 
dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem 
perante tribunais. 
Os mandados de segurança e os habeas data contra ato de 
Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica ou do próprio Tribunal. 
Os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das 
pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal 
sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da 
Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da 
Justiça Eleitoral. 
Os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o 
disposto no art. 102, |, “o”, bem como entre tribunal e juízes a ele não 
vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos. 
As revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados. 
A reclamação para a preservação de sua competência e garantia da 
autoridade de suas decisões. 
Os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias 
da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas 
de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
 
O mandado de injunção, quando a elaboração da norma 
regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade 
federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de 
competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça 
Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. 
A homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de 
exequatur às cartas rogatórias. 
)) os conflitos entre entes federativos, ou entre estes e o Comitê 
Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, relacionados aos tributos 
previstos nos arts. 156-A e 195, VW; | (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
 
 
 
 
JULGAR, EM RECURSO ORDINÁRIO 
Os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos 
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do 
Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. 
Os mandados de segurança decididos em única instância pelos 
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do 
Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão. 
As causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo 
internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente 
ou domiciliada no País. 
 
 
 
 
 
JULGAR, EM RECURSO ESPECIAL 
As causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais 
Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal 
e Territórios, quando a decisão recorrida. 
Contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência. 
Julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal. 
 
 
 
 
Der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído 
outro tribunal. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
Importa ressaltar ainda, que o STJ entende ser competente para julgamento 
de ações de improbidade administrativa contra autoridades possuidoras de 
prerrogativa especial de foro perante o próprio Tribunal, dessa forma: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Em razão do princípio da simetria e com base no argumento 
segundo o qual a ação de improbidade também pode 
levar à perda do cargo, o STJ alinhou-se à jurisprudência 
do STF (QO na Pet 3.21 1/DF), para admitir a existência de 
“competências implícitas complementares” na Constituição 
(Bernardes, 2012, p. 500). 
Como os dois tribunais de superposição brasileiros, cabe ressaltar a 
diferença sinótica entre suas competências constitucionais: 
TABELA 65 — DIFERENÇAS DAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS ENTRE 
STF E ST) 
Competência para julgar processar e julgar crime comum 
STF STJ 
PR 
VPR 
Senador 
Deputado Estadual 
Ministro STF 
PGR 
Competência para processar e julgar crime comum e de 
responsabilidade 
STF STJ 
Desembargador de 1) 
Membro de TRF 
Membro de TER 
Membro de TRT 
Membro de TCE e DF 
Membro de Conselhos e TCM 
Membros do MPU que oficiem 
perante tribunais 
 
 
 
Governador de estado e do DF 
 
 
 
 
Ministro de Estado 
Comandantes da Marinha, 
Exército e Aeronáutica 
Membro dos Tribunais Superiores 
Membro do TCU 
Chefe de missão diplomática de 
caráter permanente 
 
 
Competência para processar e julgar litígios envolvendo Estado 
estrangeiro ou organismo internacional 
STF JF 
 
 
Estado estrangeiro ou organismo | Estado estrangeiro ou organismo 
internacional X União, Estado, internacional X Município ou 
Distrito Federal ou Território pessoa domiciliada ou residente 
Federal no país 
 
Fonte: O autor (2024). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.9 JUSTIÇA DO TRABALHO 
Órgão integrante do Poder Judiciário desde a Constituição de 1946, sua 
competência abarca todas as relações de trabalho, possuindo como órgãos: 
Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais Regionais do Trabalho, Juízes do 
Trabalho. 
2.9.1 TST 
Compõem-se de vinte e sete ministros, escolhidos entre brasileiros natos 
ou naturalizados, com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, 
originários da seguinte forma: 
a) Um quinto dentre advogados com mais de 10 anos de efetiva 
atividade profissional e membros dos MPT, também com mais dez 
anos de efetivo serviço. Ambos os órgãos de classe, enviam ao TST 
uma lista sêxtupla dos escolhidos, que serem reduzidos à lista tríplice 
pelo próprio TST, e apresentados para escolha do Presidente da 
República, após isso, sabatinado no Senado e aprovado por maioria 
absoluta. 
b) Quatro quintos escolhidos entre os juízes dos TRTs, oriundos, 
exclusivamente, da carreira de magistrados indicados pelo TST ao 
Senado Federal para sabatina. 
 
Interessante notar que a maioria das competências do Tribunal 
foi descrita em lei ordinária e não na Constituição, conforme 
previsto no art. 111-A, 8 1º. A única competência do TST prevista 
na Constituição está no art. 111-A, 8 3º, que diz: “Compete ao 
Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente, a 
 
reclamação para a preservação de sua competência e garantia daautoridade de suas decisões”. 
 
 
2.9.2 TRIs 
Compostos de, no mínimo, sete juízes, originários do seguinte sistema: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
a) Um quinto entre advogados com mais de dez anos de efetiva 
atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho, 
com mais de dez anos de efetivo exercício. 
b) Quatro quintos mediante promoção por antiguidade e merecimento, 
alternadamente. 
Hoje existem 24 TRIs, portanto, nem todos os estados da federação 
possuem um TRT próprio, a exemplo de: Acre (atendido por Rondônia), Amapá 
(atendido pelo Pará) e Roraima (atendido pelo Amazonas). 
2.9.3 Juízes do Trabalho 
O juiz singular exerce sua jurisdição relativa às lides de relações de 
trabalho, conforme o art. 116, CF: “Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será 
exercida por um juiz singular” (Brasil, 1988). 
As competências do juiz do trabalho estão previstas no art. 114 da CF. 
TABELA 66 — COMPETÊNCIAS DA JUSTIÇA DO TRABALHO 
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar 
As ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de 
direito público externo e da administração pública direta e indireta da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
As ações que envolvam exercício do direito de greve. 
As ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre 
sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores. 
Os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o 
ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. 
Os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, 
ressalvado o disposto no art. 102, |, o. 
As ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes 
da relação de trabalho. 
As ações relativas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho. 
A execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, |, 
a, e Il, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. 
Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.10 JUSTIÇA ELEITORAL 
Em 1932 foi promulgado o Código Eleitoral, o que marca o início da 
Justiça Eleitoral no Brasil. Ela é formada por Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais 
Regionais Eleitorais, Juízes Eleitorais e Juntas Eleitorais. 
2.10.1 Tribunal Superior Eleitoral 
Composto de, no mínimo, sete ministros, sendo: 
a) Três juízes dentre os ministros do STF. 
b) Dois juízes dentre os ministros do STJ. 
c) Dois juízes nomeados pelo Presidente da República, dentre seis 
advogados indicados pelo STF. 
Segundo o art. 119, parágrafo único, da CF: “O Tribunal Superior Eleitoral 
elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente dentre os Ministros do Supremo 
Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior 
Tribunal de Justiça” (Brasil, 1988). 
Dessa forma, em raciocínio de ilação, conclui-se que o Presidente e 
Vice-Presidente do TSE são necessariamente brasileiros natos, já que para ser 
ministro do STF, há obrigatoriedade de nacionalidade originária. 
2.10.2 Tribunais Regionais Eleitorais 
São 27 TREs ao total, portanto, há um em cada estado brasileiro e no 
Distrito Federal. A composição é de sete juízes, da seguinte forma: 
a) Dois juízes dentre desembargadores do respectivo TJ. 
b) Dois juízes de direito escolhidos pelo respectivo TJ. 
c) Um juiz do TRF. 
d) Dois juízes dentre advogados indicados pelo 7). 
As competências da Justiça Eleitoral estão dispostas no Código Eleitoral, 
uma vez que o Código foi recepcionado com força de lei complementar pela 
Constituição Federal, que prevê em seu art. 121 a necessidade desse tipo de 
legislação para disposição de organização e competência. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Alguns aspectos peculiares da Justiça Eleitoral são perpassados da 
seguinte maneira: 
() na Justiça Eleitoral admite-se o processamento de 
consultas, ao contrário do que se passa nas demais Justiças; 
(ii) não existe na Justiça Eleitoral quadro particular de 
“cargos”, tão somente de “funções” de magistrados; estes 
são aproveitados dos quadros da Justiça Comum e recebem, 
pelo desempenho da atribuição, “propter laborem” e não 
subsídios; 
(iii) os juízes eleitorais são recrutados a partir do quadro 
de juízes de direito (da Justiça Estadual Comum) e não do 
quadro de juízes federais, muito embora a Justiça Eleitoral 
pertença à Justiça da União; 
(iv) em primeiro grau a jurisdição não é fracionada em 
comarcas, mas sim em zonas eleitorais (Masson, 2020, p. 
1307). 
2.11 JUSTIÇA MILITAR 
A Justiça Militar no Brasil tem uma longa história, que remonta ao período 
colonial. Durante a época do Brasil colonial, os militares eram julgados pela 
justiça comum, como qualquer outro cidadão. No entanto, com a chegada da 
família real portuguesa ao Brasil, em 1808, foram criados os primeiros tribunais 
militares no país. 
Esses tribunais, um para a Marinha e outro para o Exército, tinham a 
função de julgar crimes cometidos por militares das respectivas forças. No 
entanto, eles não eram organizados como uma justiça especializada, e não 
tinham um código de leis que regulamentasse seu funcionamento. 
A situação mudou em 1889, após a Proclamação da República. Foi criado 
o Código de Justiça Militar, que estabeleceu as normas para o julgamento dos 
crimes militares cometidos por militares das Forças Armadas. Esse código, que 
ainda está em vigor, foi baseado no Código de Justiça Militar de Portugal, e 
passou a regulamentar o funcionamento da Justiça Militar no Brasil. 
Com a criação do Código de Justiça Militar, a Justiça Militar passou a 
ser considerada uma justiça especializada, com competência para julgar crimes 
cometidos por militares em serviço ou relacionados com suas funções. Ela foi 
considerada integrante do Poder Judiciário apenas na Constituição de 1934, 
sob a égide do Governo Vargas. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
É organizada em duas espécies: a Justiça Militar da União, que julga 
os crimes cometidos por militares das Forças Armadas em todo o território 
nacional, e a Justiça Militar dos Estados, que julga os crimes cometidos por 
militares das Forças Auxiliares (como a Polícia Militar) em cada Estado. 
Em resumo, a origem da Justiça Militar no Brasil remonta ao período 
colonial, mas ela só se tornou uma justiça especializada com a criação do 
Código de Justiça Militar, após a Proclamação da República. Desde então, ela 
tem a função de julgar os crimes militares cometidos por militares das Forças 
Armadas e das Forças Auxiliares em todo o país. 
2.11.1 Justiça Militar da União 
É o agrupamento do Superior Tribunal Militar e Conselhos de Justiça. É 
competente para julgamento de ações penais, não abrangendo as questões civis 
e disciplinares (nesse caso, as ações são intentadas perante a Justiça Federal). 
Julgam os integrantes das Forças Armadas e os civis quando cometem crimes 
militares. 
Os crimes militares estão dispostos no Código Penal Militar, e podem ser 
praticados em tempo de guerra ou de paz, sendo relativamente mais restrita 
a competência para julgamento de civis em tempo de paz, por orientação 
do Supremo Tribunal Federal, a conduta do civil deve ter: “intuito de atingir, 
de qualquer modo, a Força, no sentido de impedir, frustrar, fazer malograr, 
desmoralizar ou ofender o militar ou o evento ou situação em que este esteja 
empenhado” (Brasil, 1996). 
Portanto, deve se interpretar que a ação deve ter como elemento subjetivo 
a intenção clara de se atingir a instituição militar, não bastando apenas que a 
vítima seja militar. 
2.11.2 Superior Tribunal Militar 
É o órgão de cúpula, formado por quinze ministros, nomeados pelo 
Presidente da República, também dependentes de aprovação pelo Senado 
Federal, mas nesse caso, por maioria simples. A composiçãose dá da seguinte 
forma: 
a) 10 militares: três oficiais-generais da Marinha, quatro oficiais- 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
generais do Exército e três oficiais-generais da Aeronáutica, todos 
do posto mais elevado da carreira. 
b) 05 civis: três advogados, um juiz auditor, proveniente da Justiça 
Militar, e um membro do Ministério Público, também militar. 
Cabe ressaltar, que o STM funciona como um órgão de segundo grau de 
jurisdição na Justiça Militar da União, não havendo, por exemplo, um Tribunal 
Regional Militar. 
2.11.3 Conselhos de Justiça 
O primeiro grau de jurisdição é exercido pelos Conselhos de Justiça, com 
sede nas auditorias militares da União. Os Conselhos podem ser permanentes, no 
julgamento de praças, ou especiais, no julgamento de oficiais. Esses Conselhos 
são formados por 05 integrantes: 01 juiz togado, chamado de Juiz Auditor, e 04 
oficiais das Forças Armadas. 
2.11.4 Justiça Militar Estadual 
A Justiça Militar Estadual é competente para o julgamento dos militares 
dos Estados, tanto em matéria penal, quanto em questões disciplinares, a 
exemplo de perda de posto (oficiais) e graduação (praças). 
O processamento e julgamento se dá, tanto em relação à militar contra 
militar, quanto de militar contra civil. A exceção se dá por determinação 
constitucional, quando houver atentado doloso à vida de um civil. 
Cabe ressaltar também, que por força da Súmula 53 do STJ, a Justiça 
Militar Estadual, não julga civis. 
 
Súmula 53 do STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e 
julgar civil acusado de prática de crime contra instituições militares 
estaduais” (Brasil, 1992). 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.11.5 Tribunal de Justiça Militar 
Exercem o segundo grau de jurisdição, no entanto, apenas em três 
estados da Federação: Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Conforme 
previsão constitucional, só é permitida a criação de tribunais militares estaduais 
em estados-membros que possuam efetivo militar (Polícia Militar e Corpo de 
Bombeiros Militar) maior que vinte mil integrantes. 
Nos demais estados, o segundo grau é exercido pelo Tribunal de Justiça 
de estadual, havendo possibilidade recursal dos acórdãos desses tribunais, para 
o STJ e para o STF, mas jamais para o Superior Tribunal Militar, que julga causas 
exclusiva das Justiça Militar de União. 
2.11.6 Conselhos de Justiça e juiz militar 
O primeiro grau é exercido pelos Conselhos de Justiça e pelos juízes de 
direito do Juízo Militar, os juízes auditores. 
2.12 JUSTIÇA FEDERAL 
É composta de pelos Tribunais Regionais Federais, de 2? instância e 
os juízes federais, de 12 instância. Tem uma história peculiar em relação ao 
Poder Judiciário, visto que nasceu em 1890, por força do Decreto n. 848, foi 
suprimida pela Constituição Federal de 1937, que transferiu suas competências 
para a Justiça Estadual, a 22 instância retornou em 1946, por meio do chamado 
Tribunal Federal de Recursos, e a 1º instância em 1965, pelo Al-2. A Constituição 
de 1988, trouxe as características atuais da Justiça Federal, transformando o 
Tribunal Federal de Recursos em 05 Tribunais Regionais Federais; e aplicando 
competências específicas aos juízes federais de primeiro grau. 
2.12.1 Tribunais Regionais Federais 
Compostos por sete juízes da seguinte forma: 
a) Um quinto dentre advogados e membros do Ministério Público 
Federal. 
b) Quatro quintos de juízes federais, promovidos por antiguidade e 
merecimento, alternadamente. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
A Justiça Federal possui o chamado instituto da Justiça itinerante, e 
da descentralização dos TRFs, conforme previsto na Constituição, a partir da 
Reforma do Judiciário (EC n. 45/2004): 
Art. 107. [..] 
8 2º Os Tribunais Regionais Federais instalarão a justiça 
itinerante, com a realização de audiências e demais 
funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da 
respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos 
e comunitários. 
8 3º Os Tribunais Regionais Federais poderão funcionar 
descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a 
fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça 
em todas as fases do processo (Brasil, 1988). 
As competências dos TRFs estão previstas também na Constituição, em 
seu art. 108, le Il: 
TABELA 67 — COMPETÊNCIAS DOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS 
Processar e julgar originariamente 
Os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da 
Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de 
responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, 
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. 
As revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos 
 
 
 
juízes federais da região. 
Os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio 
Tribunal ou de juiz federal. 
Os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal. 
Os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao 
Tribunal. 
 
 
 
 
 
Em grau de recurso 
Julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais 
e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da 
área de sua jurisdição. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.12.2 Juiz federal 
São os juízes de primeira instância, lotados nas varas federais da jurisdição 
do TRF respectivo. Cada Estado da Federação, além do Distrito Federal, deve ter 
uma seção judiciária, na capital da unidade federativa. 
As competências constitucionais, estão previstas no art. 109, CF: 
TABELA 68 — COMPETÊNCIAS DOS JUÍZES FEDERAIS 
Aos juízes federais compete processar e julgar 
As causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública 
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou 
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas 
à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. 
As causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e 
Município ou pessoa domiciliada ou residente no País. 
As causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado 
estrangeiro ou organismo internacional. 
Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de 
bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou 
empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência 
da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. 
Os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, 
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro, ou reciprocamente. 
As causas relativas a direitos humanos a que se refere o 8 5º deste artigo. 
Os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados 
por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira. 
Os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando 
o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam 
diretamente sujeitos a outra jurisdição. 
Os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade 
federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais. 
Os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a 
competência da Justiça Militar. 
Os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, 
a execução de carta rogatória, após o "exequatur”, e de sentença 
estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, 
inclusive a respectiva opção, e à naturalização. 
A disputa sobre direitos indígenas. 
Fonte: Adaptado de Brasil (1988). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
2.12.3 Incidente de deslocamento de 
competência 
A Constituição também prevê a hipótese de federalização de casos 
em que há uma grave violação de direitos humanos, com o fim de assegurar 
o cumprimento das obrigações decorrentes de tratados internacionais de 
direitos humanos dos quais o Brasilseja parte. Destarte, o Procurador-Geral 
da República irá suscitar esse deslocamento da competência estadual para a 
federal, perante o STJ, em qualquer fase do inquérito ou do processo desde que 
haja os três requisitos: 
a) Grave violação dos direitos humanos. 
b) Incapacidade das autoridades locais em ofertar uma solução 
satisfatória. 
c) Possibilidade de a República Federativa do Brasil ser responsabilizada 
no cenário internacional em razão do descumprimento das obrigações 
protetivas aos direitos humanos assumidas quando da subscrição de 
tratados. 
2.12.4 Questão indígena 
A competência prevista no art. 109, XI, da CF/88, relaciona-se à disputa 
sobre direitos indígenas, não abrangendo os casos em que haja crime comum, 
mesmo tendo o indígena como vítima ou como autor, ainda que ocorrendo 
em reserva indígena, eis que há necessidade de um vínculo de etnicidade para 
que seja considerado um crime federal. Esse inclusive é teor da Súmula 140, 
STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o 
indígena figure como autor ou vítima” (Brasil, 1995). 
2.13 JUSTIÇA ESTADUAL 
Por derradeiro, com todas as competências residuais, ou seja, aquelas que 
não são atingidas por nenhuma especialização (eleitoral, trabalhista e militar) e 
também não fazem parte das questões federais, tem-se a Justiça Estadual. 
Os estados-federados têm o dever de organizar seu próprio Poder 
Judiciário, observando os princípios constitucionais relativos à Justiça, e a lei 
de organização judiciária será de iniciativa do próprio Tribunal de Justiça. Além 
disso, a competência dos Tribunais de Justiça será estabelecida na Constituição 
Estadual. Esse é o teor do texto constitucional: 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os 
princípios estabelecidos nesta Constituição. 
$1º Acompetência dostribunais será definida na Constituição 
do Estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa 
do Tribunal de Justiça (Brasil, 1988). 
Há possibilidade de instituição de representação de inconstitucionalidade 
de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição 
Estadual, isso conforme, também texto da CF: 
Art. 125 [...] 8 2º Cabe aos Estados a instituição de 
representação de inconstitucionalidade de leis ou atos 
normativos estaduais ou municipais em face da Constituição 
Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um 
único órgão (Brasil, 1988). 
Isso é o chamado controle concentrado de constitucionalidade, de nível 
estadual, que tem por fim tutelar a própria Constituição Estadual, e que terá 
como órgão competente para o julgamento o Tribunal de Justiça respectivo 
daquele estado. 
Ainda, sobre competências nossos tribunais de superposição sumulam 
as seguintes questões: 
TABELA 69 —- SÚMULAS SOBRE A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL 
ST) 
42: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis 
 
 
em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em 
seu detrimento (Brasil, 1992). 
209: Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de 
verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal (Brasil, 1998). 
 
 
 
 
STF 
508: Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e 
julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S.A (Brasil, 1969). 
516: O Serviço Social da Indústria (SESI) está sujeito à jurisdição da Justiça 
Estadual (Brasil, 1969). 
Fonte: Adaptado de Brasil (1969, 1992, 1998). 
 
 
 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3 FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA 
3.1 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
A atividade jurisdicional é caracterizada pela inércia, isto é, o Poder 
Judiciário não age de ofício. Isso posto, a Constituição Federal de 1988, nos arts. 
127 a 135, disciplina certas atividades como essenciais ao desenvolvimento da 
atividade jurisdicional, institucionalizando atividades públicas e privadas que 
são responsáveis por impulsionar a atividade jurisdicional. Tais atividades são 
distribuídas do seguinte modo: 
a) Ministério Público (arts. 127 a 130). 
b) Advocacia Pública (arts. 131 e 132). 
c) Advocacia (art. 133). 
d) Defensoria Pública (art. 134). 
De acordo com a classificação constitucional, as Funções Essenciais à 
Justiça integram o Capítulo IV do Título IV, que sistematiza a “Organização dos 
Poderes”. 
As Funções Essenciais à Justiça são órgãos ou entidades que têm a 
responsabilidade de garantir o cumprimento das leis e a defesa dos direitos 
fundamentais da sociedade. São consideradas pilares fundamentais do sistema 
jurídico brasileiro e têm como objetivo promover a justiça, a paz social e a 
harmonia entre os cidadãos. 
Cada uma das quatro funções apresentadas possui um papel específico 
e complementar no sistema de justiça, atuando em diferentes momentos e 
situações. 
O Ministério Público é uma instituição que tem como objetivo a defesa 
dos interesses da sociedade, atuando em casos criminais, de direitos coletivos e 
difusos, além de fiscalizar o cumprimento das leis e dos direitos dos cidadãos. O 
MP é responsável por investigar e processar crimes, propor ações civis públicas 
e zelar pelo patrimônio público. 
A Advocacia Pública é uma função essencial à justiça reconhecida pela 
Emenda Constitucional n. 45/2004. A Advocacia Pública é responsável por 
representar e defender judicial e extrajudicialmente os interesses da União, dos 
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas autarquias e fundações 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
públicas. Seu objetivo é garantir a legalidade dos atos e a proteção do patrimônio 
público, além de orientar e prestar consultoria jurídica aos órgãos públicos. 
A Advocacia Pública tem um papel fundamental na defesa dos interesses do 
Estado e na promoção do interesse público, garantindo a efetividade das 
políticas públicas e o respeito às leis e à Constituição. 
Já a Advocacia é uma função essencial à justiça que representa os 
interesses de seus clientes, atuando tanto na esfera judicial quanto extrajudicial. 
O advogado é responsável por orientar e defender os direitos e interesses dos 
seus clientes, buscando a justiça e a solução pacífica de conflitos. 
A Defensoria Pública, por sua vez, é responsável por prestar assistência 
jurídica gratuita aos cidadãos que não têm condições financeiras para arcar com 
um advogado particular. A Defensoria atua em defesa dos direitos individuais 
e coletivos, além de buscar a solução de conflitos por meio da mediação e 
conciliação. 
As Funções Essenciais à Justiça são peças fundamentais para a 
manutenção do Estado Democrático de Direito, garantindo a defesa dos direitos 
e interesses dos cidadãos, a aplicação das leis e a promoção da justiça social. 
Sua atuação é de extrema importância para o fortalecimento da democracia e 
o desenvolvimento da sociedade. 
3.2 MINISTÉRIO PÚBLICO 
3.2.1 Origem 
Apesar de não haver unanimidade quanto à real origem dessa instituição, 
parte da doutrina defende que ela remete ao Antigo Egito, na figura do magiaí. 
Tratava-se de um funcionário real que tinha a incumbência de defender os 
“bons cidadãos” e castigar os rebeldes. Há quem aponte também, sua origem na 
Antiguidade Clássica, outros, na Idade Média e até mesmo no Direito Canônico. 
No entanto, a doutrina mais pacífica aponta a origem do Ministério Público 
no Direito Francês, na figura do “Procurador do Rei”. Tais servidores tinham o 
compromisso de defender exclusivamente os interesses do rei, e tinham por 
vedação exercer qualquer outra atribuição. Para tanto, prestavam juramento 
semelhante ao juramento que os juízes daquela época prestavam. A previsão 
legal é a Ordenança de 25.03.1302, de Felipe IV, “o Belo”, rei da França. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
A doutrina aponta que foi na Revolução Francesa, no séc. XVIII, que o 
Ministério Público ganhou seus contornos institucionais semelhantesaos que 
conhecemos hoje, prevendo aos seus membros algumas garantias. O termo 
Parquet provém dessa época: “Os procuradores do rei, antes de adquirirem 
condição de magistrados e terem assento a seu lado, no estrado, tiveram 
assento sobre o assoalho da sala de audiências” (Mazzilli, 2014, p. 38). 
Além da influência francesa, o Ministério Público do Brasil foi guiado 
também pelo Direito Português: nas Ordenações Afonsinas (1447), Manuelinas 
(1514) e Filipinas (1603). 
No Brasil, a primeira legislação a abordar a função de Ministério Público 
foi o Alvará de 7 de março de 1609, que criou o Tribunal de Relação da Bahia, 
onde se fazia menção ao Procurador dos Feitos da Coroa e ao Promotor de 
Justiça. 
A instituição foi prevista em constituições brasileiras anteriores à atual 
(1988), porém, foi apenas no texto constitucional de 1988 que o Ministério 
Público foi previsto como uma Instituição desvinculada dos três Poderes. 
3.2.2 Legislação pertinente 
O Ministério Público no Brasil, além da CF/88, em seus artigos 127 a 130- 
A, está regido pelos seguintes diplomas infraconstitucionais: 
a) Lei 8.625/93: a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, (dispõe 
sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos 
Estados - iniciativa reservada ao Presidente da República, na forma 
da parte final do art. 61, 8 1.º, II, “d”, CF/88). No entanto, cada estado 
da federação terá sua própria Lei Orgânica, que deverá ser uma lei 
complementar estadual. 
b) Lei Complementar 75/93: a Lei Orgânica Nacional do Ministério 
Público da União. Aqui é previsto o Ministério Público Militar, entre 
os arts. 116 a 148. 
c) Lei 11.372/2006: Composição do Conselho Nacional do Ministério 
Público. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.3 Tratamento constitucional 
Com o advento da CF/88, o Ministério Público foi desatrelado dos 
Poderes do Estado, e também foi desvinculado da atribuição da representação 
judicial da União, que ficou a cargo da Advocacia-Geral da União. 
Parte da doutrina afirma que o Ministério Público está vinculado ao Poder 
Executivo, embora não haja nenhuma subordinação decorrente dessa vinculação, 
visto que o MP goza de autonomia funcional, administrativa e financeira (CF/88, 
art. 127,82º e 39): 
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, 
essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe 
a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos 
interesses sociais e individuais indisponíveis [...] 
8 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia 
funcional e administrativa, podendo, observado o disposto 
no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção 
de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por 
concurso público de provas ou de provas e títulos, a política 
remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre 
sua organização e funcionamento. 
8 3º O Ministério Público elaborará sua proposta 
orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de 
diretrizes orçamentárias (Brasil, 1988). 
São partidários dessa corrente José Afonso da Silva e Uadi Lammêgo 
Bullos. O próprio STF, em acórdão relatado pelo Min. Sepúlveda Pertence, 
afirma que não obstante sua integração na estrutura do Poder Executivo (ADI 
132-RO). 
Outra parte da doutrina entende que o MP funciona como uma instituição 
autônoma não estando subordinado a nenhum dos três Poderes da divisão 
clássica - Executivo, Legislativo e Judiciário. 
Além da atuação judicial, o MP atua extrajudicialmente, por meio 
de medidas administrativas, como recomendações, inquérito civil público, 
audiências públicas e termo de ajustamento de conduta (TAC). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.4 Investidura 
As funções do Ministério Público só poderão ser exercidas por integrantes 
da carreira, que serão nomeados após prestarem concurso público de provas e 
títulos, e que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização 
do chefe da instituição. 
3.2.4.1 Promotor ad-hoc 
É inconstitucional a nomeação de promotor ad hoc, isso porque, a CF traz 
preceito expresso (art. 129, 8 2º) de exclusividade aos integrantes da carreira 
para o desempenho de qualquer função atinente ao Ministério Público, como o 
é a promoção da ação penal pública (art. 129, |, da CF). Ademais, a Constituição 
Federal garante ao indivíduo o direito de somente ser processado e julgado por 
órgão independente do Estado, vedando-se, por consequência, a designação 
discricionária de particular para exercer o poder estatal da persecução penal 
(STF. Plenário. ADI 2958, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/09/2019). 
3.2.5 Abrangência e organização do Ministério 
Público 
Conforme o art. 128 da CF/88, o Ministério Público abrange: 
|- o Ministério Público da União, que compreende: 
a) o Ministério Público Federal; 
b) o Ministério Público do Trabalho; 
c) o Ministério Público Militar; 
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; 
Il - os Ministérios Públicos dos Estados (Brasil, 1988). 
3.2.5.1 Ministério Público Eleitoral 
O Ministério Público Eleitoral não tem estrutura própria: é composto 
por membros do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual. 
O Procurador-Geral da República exerce a função de Procurador-Geral 
Eleitoral perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e indica membros para 
também atuarem no TSE (subprocuradores) e nos Tribunais Regionais Eleitorais 
(procuradores regionais eleitorais, que chefiam o Ministério Público Eleitoral 
nos estados). Os promotores eleitorais são promotores de Justiça (membros do 
Ministério Público Estadual) que exercem as funções por delegação do MPF. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.5.2 Ministério Público junto ao Tribunal de 
Contas 
O Ministério Público junto aos Tribunais de Contas não integra a 
estrutura do Ministério Público da União e nem dos Estados, apesar do teor do 
art. 130, da CF/88 que dispõe que aos membros do Ministério Público junto aos 
Tribunais de Contas aplicam-se as disposições desta seção pertinentes a direitos, 
vedações e forma de investidura. Está assente na jurisprudência do STF que o 
Ministério Público junto ao Tribunal de Contas possui fisionomia institucional 
própria, que não se confunde com a do Ministério Público comum, sejam os 
dos Estados, seja o da União, o que impede a atuação, ainda que transitória, de 
procuradores de justiça nos Tribunais de Contas (MS 27.339, rel. min. Menezes 
Direito, j. 2-2-2009, P, DJE de 6-3-2009.] ADI 3.307, rel. min. Cármen Lúcia, ). 
2-2-2009, P, DJE de 29-5-2009). 
Ainda, conforme precedente do STF, em sede de ADI, os procuradores 
das cortes de contas são ligados administrativamente a elas, sem qualquer 
vínculo com o Ministério Público comum (Precedente do STF: ADI 789/DF). 
O Ministério Público especial junto aos tribunais de contas estaduais 
não dispõe de fisionomia institucional própria e, não obstante as expressivas 
garantias de ordem subjetiva concedidas aos seus procuradores pela própria 
Constituição da República (art. 130), encontra-se consolidado na “intimidade 
estrutural” dessas Cortes de Contas (RTJ 176/540-541), que se acham investidas 
— até mesmo em função do poder de autogoverno que lhes confere a Carta 
Política (CF, art. 75) — da prerrogativa de fazer instaurar, quanto ao Ministério 
Público especial, o processo legislativo concernente à sua organização (ADI 
2.378, rel. min. Maurício Corrêa, j. 19-5-2004, P, DJ de 6-9-2007). 
3.2.5.3 Ministério Público Militar 
O Ministério Público Militar é divisão do Ministério Público da União e 
que compõe a justiça especial, é um órgão que tem como objetivo principal 
a defesa da ordem jurídica, dos direitos sociais e individuais indisponíveis no 
âmbito das Forças Armadas. O MPM é responsável por atuar na investigação, 
acusação e julgamento de crimes militares, bem como por fiscalizar a aplicação 
das leis militares e dos direitos humanos no ambiente militar.SUMÁRIO
Direito Administrativo 
O MPM é composto por procuradores da República, que são nomeados 
pelo Presidente da República após aprovação em concurso público de provas e 
títulos. Sua estrutura é organizada em cinco regiões militares e possui sede em 
Brasília, sendo que cada região militar é composta por um procurador-chefe e 
diversos procuradores militares. 
As atribuições do MPM são diversas e incluem a instauração de inquéritos 
civis e criminais, a proposição de ações penais e a defesa da ordem jurídica 
e dos interesses sociais e individuais indisponíveis no âmbito militar. Além 
disso, o MPM atua no acompanhamento de investigações policiais militares, na 
fiscalização das condições de cumprimento de pena pelos militares condenados 
e na atuação em processos disciplinares militares. 
O MPM é uma instituição essencial para a manutenção da ordem jurídica 
e da disciplina no âmbito militar. Seu papel é fundamental para garantir a 
aplicação das leis militares e a proteção dos direitos humanos dos militares, 
bem como para coibir a prática de crimes e desvios de conduta no ambiente 
militar. 
3.2.6 Missão Institucional 
As missões do Ministério Público no Brasil podem ser esquematizadas 
da seguinte forma: 
a) Defesa da ordem jurídica: nesse sentido, fiscalizar o cumprimento 
de todas as leis brasileiras, bem como aquelas decorrentes de 
tratados e acordos internacionais dos quais o Brasil seja signatário. 
b) Defesa do regime democrático: o Estado Democrático de Direito 
é fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º, da CF/88). 
Pressupõe a participação ativa dos cidadãos na condução do destino 
do Brasil bem como a sujeição dos atores públicos ao controle 
estatal. O MP deve zelar pela observância dos princípios e normas 
que garantem a participação popular na coisa pública - o destino do 
nosso país, e bem assim responsabilizar aqueles que descumprem as 
leis. 
c) Defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis: o 
Ministério Público atua em uma diversidade de causas, nos âmbitos 
criminal e cível, perante todos os órgãos do Poder Judiciário, em 
todas as instâncias. A definição de interesses sociais e individuais 
indisponíveis é encontrada no art. 81 do Código de Defesa do 
Consumidor. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.7 Princípios Institucionais 
De acordo com o art. 127,8 1º, da CF/88, são princípios institucionais do 
Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional. 
Tais princípios possuem caráter instrumental e asseguram que seus membros 
cumpram livremente as suas funções institucionais. 
3.2.1.1 Princípio da unidade 
O princípio da unidade pode ser traduzido na unicidade de órgão, sob 
a direção de um só chefe. De acordo com a posição majoritária da doutrina, a 
unidade significa que os Ministérios Públicos mencionados no art.128, incisos 
le Il da CF/88 (Ministério Público da União e Ministério Público dos Estados) 
são considerados uma única instituição e possuem as mesmas finalidades 
institucionais. A divisão que se faz é com base no ramo de atuação, que exaure 
da própria CF/88 ou da respectiva Lei Orgânica. 
Convém observar que não se pode falar em unidade e indivisibilidade 
entre os membros dos Ministérios Públicos Estaduais e os da União, pois apesar 
de possuírem disciplina constitucional semelhante, as carreiras são distintas, 
em termos de regulamentação e também pelas atribuições. 
Segundo o Ministro Alexandre de Moraes, em voto no STF: 
Por força do princípio da unidade do Ministério Público (art. 
127,8 1º, da CF), os membros do Ministério Público integram 
um só órgão sob a direção única de um só Procurador- 
Geral. Só existe unidade dentro de cada Ministério Público, 
não havendo unidade entre o Ministério Público de um 
Estado e o de outro, nem entre esses e os diversos ramos 
do Ministério Público da União (Brasil, 2020). 
3.2.7.2. Princípio da indivisibilidade 
Parte do pressuposto que a atuação é da instituição, em nome dela, e 
não do membro. Com isso, é possível a substituição de um membro por outro, 
na forma estabelecida pela lei, sem que importe quebra da indivisibilidade 
institucional. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
É o próprio Ministério Público que age pela figura do Promotor de 
Justiça ou do Procurador de Justiça. Pontes de Miranda afirma que este é o 
seu “representante”. O Ministro Marco Aurélio, diante do tema, se posta da 
seguinte maneira: 
Tratando-se de divergência interna entre órgãos do Ministério 
Público, instituição que a Carta da República subordina aos 
princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade 
(CF, art. 127, 8 1º), cumpre ao próprio Ministério Público 
identificar e afirmar as atribuições investigativas de cada 
um dos seus órgãos em face do caso concreto, devendo 
prevalecer, à luz do princípio federativo, a manifestação do 
procurador-geral da República (Brasil, 2020). 
Não de outra forma, é o pensamento do Ministro Cezar Peluso: 
O ato processual de oferecimento da denúncia, praticado, 
em foro incompetente, por um representante, prescinde, 
para ser válido e eficaz, de ratificação por outro do mesmo 
grau funcional e do mesmo Ministério Público, apenas 
lotado em foro diverso e competente, porque o foi em 
nome da instituição, que é una e indivisível (Brasil, 2005). 
3.2.7.3 Independência funcional 
Tal princípio revela a garantia de que os membros do Ministério Público 
atuarão de acordo com o seu livre convencimento e consciência, sem qualquer 
subordinação a orientação de outros órgãos superiores da Administração 
Pública. A hierarquia, entre membros do Ministério Público, existe com relação 
a atos administrativos e de gestão. 
Sobre esse princípio, o Ministro Luiz Fux afirma que: "A pretensão de um 
órgão do Ministério Público não vincula os demais, garantindo-se a legitimidade 
para recorrer, em face do princípio da independência funcional” (Brasil, 2015). 
Ao apreciar a possibilidade de o Chefe da Instituição do Ministério Público 
avocar procedimentos de atribuição de órgãos inferiores hierarquicamente, o 
STF assim se pronunciou: 
A avocação de atribuições de membro do Ministério Público 
pelo Procurador-Geral implica quebra na identidade natural 
do promotor responsável, já que não é atribuição ordinária 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
da Chefia do Ministério Público atuar em substituição a 
membros do órgão. Essa hipótese de avocação deve ser 
condicionada à aceitação do próprio promotor natural, 
cujas atribuições se pretende avocar pelo PGJ, para afastar 
a possibilidade de desempenho de atividades ministeriais 
por acusador de exceção, em prejuízo da independência 
funcional de todos os membros (Brasil, 2020). 
Para assegurar a independência funcional, foram previstas pela CF/88 
para os membros do MP as garantias da vitaliciedade, inamovibilidade e 
irredutibilidade de subsídios, podendo ser assim descritas: 
a) 
b) 
Vitaliciedade: após cumprirem o estágio probatório, os membros 
do MP só poderão ser demitidos por decisão judicial transitada em 
julgado (art. 128, 8 5º, |, “a”, da CF/88). Além da CF/88, a vitaliciedade 
é regulamentada pelo art. 38, 8 1º da Lei nº 8.625/93 (Lei Orgânica 
Nacional do MP) e pelo art. 57, XX, da LC 75/93 (Estatuto do MPU). 
Essas leis preveem que é necessária a propositura de uma ação civil 
para a decretação da perda do cargo contra o membro do Ministério 
Público que tiver praticado uma infração disciplinar grave, ou seja, 
a regra de perda do cargo prevista no art. 92/CP não se aplica aos 
membros do MP. Por outro lado, se o fato imputado for improbidade 
administrativa (Lei n. 8.429/92), o membro do MP poderá perder o 
cargo sem que seja necessário instaurar uma ação civil para esse fim. 
Inamovibilidade: os membros do MP não podem ser transferidos, 
sem o seu expresso consentimento, para lugar diverso do que 
atuam, salvo por motivo de interesse público, mediante decisãodo órgão colegiado competente, por voto da maioria absoluta dos 
seus membros, assegurada ampla defesa. Após a EC 45/04, o CNMP 
também passou a ter atribuição para determinar a remoção de 
membros do MP, assegurada ampla defesa. 
Irredutibilidade de subsídios: fixado na forma do art. 39, 8 4º, e 
ressalvado o disposto no art. 37, X e XI, 150, |, 153, Ill, 153, 8 2º, 1, 
todos da CF/88. O reajuste automático de vencimentos pela simples 
desvalorização da moeda não é admitido pelo STF (Al 490. 396/SP), 
devendo haver lei específica para tal fim. Tal garantia visa isentar os 
membros do MP de pressões indevidas, para que possam exercer 
livremente suas atribuições. 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.8 Princípio do promotor natural 
Há muita controvérsia doutrinária a respeito desse que alguns denominam 
de quarto princípio institucional. 
Também chamado de “promotor imparcial”, esse princípio não está 
previsto de forma expressa na Constituição Federal. O STF já previu que 
tal princípio possui origem nas cláusulas da independência funcional e da 
inamovibilidade dos membros da instituição. 
Esse princípio objetiva garantir a independência e a imparcialidade, 
impedindo, entre outras coisas, o abuso de poder. Traduz-se na preexistência 
de uma regra de distribuição de feitos, que não pode ser alterada, exceto nos 
casos expressamente previstos pela lei, o que impede a designação casuística 
de promotores/procuradores de justiça. Com isso, afasta-se a possibilidade 
da existência da figura do “acusador de exceção”, à semelhança da vedação 
constitucional do “tribunal de exceção”, refletindo não só uma garantia 
institucional, mas verdadeira garantia individual. 
Aposição do STF é de que o postulado do promotor natural, que se 
revela imanente ao sistema constitucional brasileiro, repele, a partir da vedação 
de designações casuísticas efetuadas pela chefia da instituição, a figura do 
acusador de exceção. Esse princípio consagra uma garantia de ordem jurídica, 
destinada tanto a proteger o membro do Ministério Público, na medida em 
que lhe assegura o exercício pleno e independente do seu ofício, quanto a 
tutelar a própria coletividade, a quem se reconhece o direito de ver atuando, 
em quaisquer causas, apenas o promotor cuja intervenção se justifique a 
partir de critérios abstratos e predeterminados, estabelecidos em lei. A matriz 
constitucional desse princípio assenta-se nas cláusulas da independência 
funcional e da inamovibilidade dos membros da instituição. O postulado do 
promotor natural limita, por isso mesmo, o poder do procurador-geral que, 
embora expressão visível da unidade institucional, não deve exercer a chefia do 
Ministério Público de modo hegemônico e incontrastável (HC 67.759, rel. min. 
Celso de Mello, j. 6-8-1992, P, DJ de 1º-7-1993. HC 103.038, rel. min. Joaquim 
Barbosa, ). 11-10-2011, 22 T, DJE de 27-10-2011). 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
3.2.9 Autonomia funcional, administrativa e 
financeira do MP 
De acordo com o texto constitucional, em seu artigo 127, ao Ministério 
Público é assegurada autonomia funcional e administrativa. Dentre as 
possibilidades decorrentes de sua autonomia funcional administrativa, pode o 
Ministério Público: 
Art. 127 [..] 8 2º Ao Ministério Público é assegurada 
autonomia funcional e administrativa, podendo, observado 
o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação 
e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os 
por concurso público de provas ou de provas e títulos, a 
política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá 
sobre sua organização e funcionamento. 
8 3º O Ministério Público elaborará sua proposta 
orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de 
diretrizes orçamentárias. 
8 4º Se o Ministério Público não encaminhar a respectiva 
proposta orçamentária dentro do prazo estabelecido na lei 
de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, 
para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, 
os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados 
de acordo com os limites estipulados na forma do 8 3º. 
8 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo 
for encaminhada em desacordo com os limites estipulados 
na forma do 8 3º o Poder Executivo procederá aos 
ajustes necessários para fins de consolidação da proposta 
orçamentária anual. 
8 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não 
poderá haver a realização de despesas ou a assunção de 
obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de 
diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, 
mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais 
(Brasil, 1988). 
Ademais, segundo a Lei n. 8.625/93: 
Art. 3º Ao Ministério Público é assegurada autonomia 
funcional, administrativa e financeira cabendo-lhe, 
especialmente: 
| - praticar atos próprios de gestão; 
Il - praticar atos e decidir sobre a situação funcional e 
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Direito Administrativo 
administrativa do pessoal, ativo e inativo, da carreira e dos 
serviços auxiliares, organizados em quadros próprios; 
Il - elaborar suas folhas de pagamento e expedir os 
competentes demonstrativos; 
IV - adquirir bens e contratar serviços, efetuando a respectiva 
contabilização; 
V - propor ao Poder Legislativo a criação e a extinção de 
cargos, bem como a fixação e o reajuste dos vencimentos 
de seus membros; 
VI - propor ao Poder Legislativo a criação e a extinção dos 
cargos de seus serviços auxiliares, bem como a fixação e o 
reajuste dos vencimentos de seus servidores; 
VII - prover os cargos iniciais da carreira e dos serviços 
auxiliares, bem como nos casos de remoção, promoção e 
demais formas de provimento derivado; 
VIII - editar atos de aposentadoria, exoneração e outros que 
importem em vacância de cargos e carreira e dos serviços 
auxiliares, bem como os de disponibilidade de membros do 
Ministério Público e de seus servidores; 
IX - organizar suas secretarias e os serviços auxiliares das 
Procuradorias e Promotorias de Justiça; 
X - compor os seus órgãos de administração; 
XI - elaborar seus regimentos internos; 
XII - exercer outras competências dela decorrentes. 
Parágrafo único: As decisões do Ministério Público fundadas 
em sua autonomia funcional, administrativa e financeira, 
obedecidas as formalidades legais, têm eficácia plena 
e executoriedade imediata, ressalvada a competência 
constitucional do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas. 
Art. 4º O Ministério Público elaborará sua proposta 
orçamentária dentro dos limites estabelecidos na Lei de 
Diretrizes Orçamentárias, encaminhando-a diretamente ao 
Governador do Estado, que a submeterá ao Poder Legislativo 
(Brasil, 1993). 
Em relação ao Ministério Público da União a LC n. 75/93, em seus arts. 22 
e 23, assim dispõe: 
Art. 22. Ao Ministério Público da União é assegurada 
autonomia funcional, administrativa e financeira, cabendo- 
lhe: 
| - propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de 
seus cargos e serviços auxiliares, bem como a fixação dos 
vencimentos de seus membros e servidores; 
Il - prover os cargos de suas carreiras e dos serviços auxiliares; 
III - organizar os serviços auxiliares; 
SUMÁRIO
Direito Administrativo 
IV - praticar atos próprios de gestão. 
Art. 23. O Ministério Público da União elaborará sua 
proposta orçamentária dentro dos limites da lei de diretrizes 
orçamentárias. 
8 1º Os recursos correspondentes às suas dotações 
orçamentárias, compreendidos os créditos suplementares e 
especiais, ser-lhe-ão entregues até o dia vinte de cada mês. 
8 2º A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial do Ministério Público da União 
será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle 
externo, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, 
segundo o disposto no Título IV, Capítulo |, Seção IX, da 
Constituição Federal, e por sistema próprio de controleinterno. 
$ 3º As contas referentes ao exercício anterior serão 
prestadas, anualmente, dentro de sessenta dias da abertura 
da sessão legislativa do Congresso Nacional (Brasil, 1993). 
Sobre a gestão do órgão o STF tem postura interessante sobre a taxa de 
polícia em relação às atividades notariais e de registro, afirmando que ela pode 
ser utilizada para reaparelhamento do Ministério Público: 
O produto daarrecadaçãodetaxade políciasobreasatividades 
notariais e de registro não está restrito ao reaparelhamento 
do Poder Judiciário, mas ao aperfeiçoamento da jurisdição. 
E o Ministério Público é aparelho genuinamente estatal ou 
de existência necessária, unidade de serviço que se inscreve 
no rol daquelas que desempenham função essencial à 
jurisdição (art. 127, caput, da CF/1988). Logo, bem aparelhar 
o Ministério Público é servir ao desígnio constitucional de 
aperfeiçoar a própria jurisdição como atividade básica do 
Estado e função específica do Poder Judiciário (Brasil, 2010). 
3.2.10 Funções Institucionais do Ministério 
Público 
As funções do Ministério Público estão previstas na CF/88, em seu 
art. 129, que estão descritas na tabela confeccionada ao final do tópico, bem 
como em leis infraconstitucionais. Além das funções institucionais descritas no 
art.129, da CF/88, seguem as funções descritas na LOMP, em seu artigo 25 (Lei 
n. 8.625/93): 
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Direito Administrativo 
TABELA 70 — FUNÇÕES DO MP DESCRITAS NA LOMP 
Propor ação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos 
estaduais ou municipais, em face à Constituição Estadual. 
Promover a representação de inconstitucionalidade para efeito 
de intervenção do Estado nos Municípios. 
Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei. 
Promover o inquérito civil e a ação civil pública, na forma da lei. 
a) Para a proteção, prevenção e reparação dos danos causados 
ao meio ambiente, ao consumidor, aos bens e direitos de 
valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, e a 
outros interesses difusos, coletivos e individuais indisponíveis e 
homogêneos. 
b) Para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos 
ao patrimônio público ou à moralidade administrativa do 
Estado ou de Município, de suas administrações indiretas ou 
fundacionais ou de entidades privadas de que participem. 
Manifestar-se nos processos em que sua presença seja obrigatória 
por lei e, ainda, sempre que cabível a intervenção, para assegurar 
o exercício de suas funções institucionais, não importando a fase 
ou grau de jurisdição em que se encontrem os processos. 
Exercer a fiscalização dos estabelecimentos prisionais e 
dos que abriguem idosos, menores, incapazes ou pessoas 
portadoras de deficiência. 
Deliberar sobre a participação em organismos estatais de 
defesa do meio ambiente, neste compreendido o do trabalho, 
do consumidor, de política penal e penitenciária e outros 
afetos à sua área de atuação. 
Ingressar em juízo, de ofício, para responsabilizar os gestores do 
dinheiro público condenados por tribunais e conselhos de contas. 
Interpor recursos ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior 
Tribunal de Justiça. 
Fonte: Brasil (1993). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um ramo importantíssimo de atuação do Ministério Público é a defesa 
da moralidade administrativa, como se pôde observar nos incisos IV e VIII, 
acima alistados. Ressalta-se também a legitimidade para exercer o controle 
externo da atividade policial, e para ajuizar ação civil pública que vise anular ato 
administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público 
(STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018, 
repercussão geral, Info. 921). 
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Direito Administrativo 
3.2.11 Acordo de não-persecução penal 
Um instrumento importantíssimo nas mãos do MP é o recente acordo 
de não-persecução penal, inserido no art. 28-A do CPP por meio do “Pacote 
Anticrime” - Lei n. 13.964/19. 
Trata-se de negócio jurídico processual, que pode ser aplicado, 
inclusive, em caso do cometimento de crime militar. 
Convém rememorar que a Lei n. 9.099/95, que versa sobre os Juizados 
Especiais Cíveis e Criminais, veda expressamente sua aplicação aos crimes 
militares, o que exigia a instauração obrigatória da persecução penal, impedindo 
o oferecimento de transação penal e suspensão condicional do processo como 
forma de se evitar a persecução penal. O ANPP, por sua vez, não prevê tal 
vedação e amplia suas hipóteses de incidência, alcançando crimes cujas penas 
mínimas forem inferiores a 4 anos, desde que preenchidos outros requisitos. 
Em linhas gerais, citam-se os seguintes requisitos: 
a) Existência de indícios da materialidade e autoria. 
b) Não ser caso de arquivamento. 
c) Confissão formal (ato solene) e circunstanciada (em detalhes). 
d) Infração penal cometida sem violência ou grave ameaça à pessoa. 
e) Infração penal com pena mínima inferior a 4 anos (considera causas 
de aumento e de diminuição tais como a tentativa, Súmulas n. 243/ 
STJ e 723/STF, inclusive crime continuado e concursos). 
f) A medida seja suficiente para a reprovação e prevenção do crime. 
O STF entende que a decisão sobre oferecer ou não o ANPP é da 
competência exclusiva do MP, que possui discricionariedade para avaliar a 
conveniência e oportunidade do acordo, a ser submetido posteriormente à 
análise judicial de questões de legalidade e posterior homologação: 
O Poder Judiciário não pode impor ao Ministério Público a 
obrigação de ofertar acordo de não persecução penal (ANPP). 
Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém atribuição 
para participar de negociações na seara investigatória, 
impor ao MP a celebração de acordos. Não se tratando de 
hipótese de manifesta inadmissibilidade do ANPP, a defesa 
pode requerer o reexame de sua negativa, nos termos do 
art. 28-A, 8 14, do CPP, não sendo legitimo, em regra, que o 
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Direito Administrativo 
Judiciário controle o ato de recusa, quanto ao mérito, a fim 
de impedir a remessa ao órgão superior no MP. Isso porque 
a redação do art. 28-A, 8 14, do CPP determina a iniciativa 
da defesa para requerer a sua aplicação (Brasil, 2021). 
3.2.12 Investigação criminal pelo Ministério 
Público e teoria dos poderes implícitos 
A Teoria dos Poderes Implícitos tem origem nos EUA (Caso McCulloch Vs. 
Maryland — 1819), e pode ser definida da seguinte forma: quando a Constituição 
outorga determinada atividade-fim a um órgão, ela também permite que esse 
órgão utilize de todos os meios necessários para a realização dessa atribuição. 
A CF/88 atribui, com exclusividade ao Ministério Público, a promoção da ação 
penal pública. De acordo com a Teoria dos Poderes Implícitos na interpretação 
dada pelo STF, o Ministério Público também pode reunir provas para promover 
a ação penal, e para isso pode realizar investigações criminais. 
Essa foi a tese firmada pelo STF no Tema 990, ao julgar o RE 593727/MG, 
de caráter vinculante: 
O Ministério Público dispõe de competência para promover, 
por autoridade própria, e por prazo razoável, investigações 
de natureza penal, desde que respeitados os direitos e 
garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer 
pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, 
por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional 
de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de 
que se acham investidos, em nosso País, os Advogados (Lei 
8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos |, II, Il, XI, XIII, 
XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade — sempre presente 
no Estado democrático de Direito — do permanente controle 
jurisdicional dos atos, necessariamente documentados 
(Súmula Vinculante 14), praticados pelos membros dessa 
instituição (Brasil, 2015). 
Abaixo, em forma de síntese, seguem os parâmetros que devem ser 
observados para que a investigação conduzida diretamente pelo MP seja 
legítima: 
SUMÁRIO
Direito

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