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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL CLEANTO CARLOS DE QUEIROZ JUNIOR A UTILIZAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL Natal/RN 2024 Cleanto Carlos de Queiroz Junior A utilização da impressão 3D na construção civil Trabalho de Conclusão de Curso na modalidade Monografia, submetido ao Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos necessários para obtenção do Título de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Dr. Fred Guedes Cunha Natal/RN 2024 Queiroz Junior, Cleanto Carlos de. A utilização da impressão 3D na construção civil / Cleanto Carlos de Queiroz Junior. - 2024. 81 f.: il. Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Tecnologia, Curso de Engenharia Civil e Ambiental, Natal, RN, 2024. Orientação: Prof. Dr. Fred Guedes Cunha. 1. Impressão 3D - Monografia. 2. Construção civil - Monografia. 3. Indústria - Monografia. 4. Tecnologia - Monografia. I. Cunha, Fred Guedes. II. Título. RN/UF/BCZM CDU 624 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede Elaborado por Ana Cristina Cavalcanti Tinoco - CRB-15/262 Cleanto Carlos de Queiroz Junior A utilização da impressão 3D na construção civil Trabalho de Conclusão de Curso na modalidade Monografia, submetido ao Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos necessários para obtenção do Título de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Dr. Fred Guedes Cunha _____________________________________________________ Prof. Dr. Fred Guedes Cunha - Orientador _____________________________________________________ Prof. Dr. Leonardo Flamarion Marques Chaves – Examinador interno _____________________________________________________ Prof. Msc. Elton Cortes Rocha Siqueira Filho – Examinador externo Natal/RN 2024 “mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.” Isaías 40:31 Dedico este trabalho a minha amada esposa, Ana Raquel, aos meus pais, ao meu irmão e a todos os amigos, por todos os passos dados até aqui e pelos que eu ainda darei. AGRADECIMENTOS A Deus que sempre está comigo, ajudando-me em todos os momentos, iluminando a minha mente, fazendo surgir oportunidades e me dando forças para continuar nesta jornada. A minha amada esposa, Ana Raquel, por todo amor, apoio, compreensão, incentivo e cumplicidade em todas as áreas. Aos meus pais, Cleanto e Ana Lucia, por terem sido minha base e por todo incentivo e apoio prestado. Ao meu orientador, Prof. Dr. Fred Guedes Cunha, pela magnífica orientação e por toda confiança depositada em mim. A todos os professores que contribuíram, não só com este trabalho, mas também com todo o meu aprendizado acadêmico. À UFRN e a todos os servidores do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental. A todos os amigos que fiz durante o curso: Artur Pereira, Arthur Guedes, Hilton, João Victor, Macel e Thales, os quais contribuíram diretamente e indiretamente na conclusão desta etapa da minha vida, tornando a experiência mais leve e feliz. Em especial, ao meu amigo Dalielsom Pires, que também esteve comigo durante toda jornada para nos tornarmos Engenheiros Civis, pela parceria e amizade não só na vida, mas também na fé em Cristo Jesus. Vocês fazem parte do grupo das boas recordações que levarei para vida. A UTILIZAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL Cleanto Carlos de Queiroz Junior Orientador: Prof. Dr. Fred Guedes Cunha RESUMO A implementação crescente da tecnologia é uma realidade evidente em diversos setores da indústria, impulsionada tanto por sua capacidade inovadora quanto pela habilidade de reduzir o tempo e os custos na cadeia produtiva. Nessa perspectiva, a impressão 3D, que é um método de manufatura que constrói camadas sucessivas a partir de um modelo digital, tem crescido muito nos últimos anos, sobretudo em áreas como automobilismo, medicina, aeroespacial, entre outras. Assim como nesses outros setores da indústria, essa tecnologia foi implementada na construção civil, a qual possibilitou diversos benefícios, tais como a redução da mão de obra, aumento da produtividade, maior controle das operações, maior personalização de projetos e menor geração de resíduos. Muitos testes foram conduzidos para explorar o potencial e a capacidade da impressão 3D na indústria da construção. Apesar de não ocorrer com a mesma velocidade de outros setores da indústria, uma análise de experiências recentes revela que, com o avanço da tecnologia, tornou-se possível a produção de estruturas de concreto e até mesmo de edifícios utilizando impressoras 3D. Neste trabalho será apresentada a tecnologia de impressão 3D, a sua viabilidade de aplicação na indústria da construção civil e a apresentação de experiências reais de utilização dessa tecnologia no setor. Palavras-Chave: Impressão 3D, construção civil, indústria, tecnologia. THE USE OF 3D PRINTING IN CIVIL CONSTRUCTION Cleanto Carlos de Queiroz Junior Orientador: Prof. Dr. Fred Guedes Cunha ABSTRACT The increasing implementation of technology is an evident reality in various industry sectors, driven by both its innovative capacity and the ability to reduce time and costs in the production chain. In this perspective, 3D printing, a manufacturing method that builds successive layers from a digital model, has grown significantly in recent years, particularly in areas such as automotive, medicine, aerospace, among others. Similar to these other industry sectors, this technology has been implemented in the construction industry, bringing various benefits, including reduced labor, increased productivity, better operational control, greater project customization, and reduced waste generation. Numerous tests have been conducted to explore the potential and capabilities of 3D printing in the construction industry. Although not progressing at the same pace as other industry sectors, an analysis of recent experiences reveals that, with technological advancements, it has become possible to produce concrete structures and even buildings using 3D printers. This paper will present the 3D printing technology, its feasibility for application in the construction industry, and the presentation of real experiences using this technology in the sector. Keywords: 3D Printing, Civil Construction, Industry, Technology. LISTA DE FIGURAS Figura 1.1: Estrutura da monografia ......................................................................................... 16 Figura 2.1: Evolução da indústria ............................................................................................. 19 Figura 3.1: protótipo inicial de uma impressora 3D. ................................................................ 22 Figura 3.2: Esquema de impressão pelo método RP ................................................................ 25 Figura 3.3: Esquema de uma máquina de modelagem FDM. .................................................. 26 Figura 3.4: Modelo de uma máquina de SLA. ......................................................................... 27 Figura 3.5: Esquema da técnica SLS. .......................................................................................28 Figura 3.6:Esquema de funcionamento da técnica de LOM .................................................... 29 Figura 3.8: Setores que utilizavam a tecnologia RP em 2007 .................................................. 32 Figura 3.9: Setores que utilizavam a tecnologia RP em 2019 .................................................. 32 Figura 3.10: Impressora 3D na embarcação USS Harry S. Truman......................................... 33 Figura 3.11: Maior hélice já construída usando impressão 3D ................................................ 33 Figura 3.12: Câmara de empuxo GRCop-42, fabricada em cobre, através de impressora 3D . 34 Figura 3.13: Antenas patch de radiofrequência (RF) impressas em materiais LaserForm para satélites. .................................................................................................................................... 35 Figura 3.14: Renderização do habitat Marsha impresso em 3D da AI Space Factory ............. 35 Figura 3.15: Ferramenta impressa para montagem de veículo ................................................. 36 Figura 3.16: Ferramenta impressa para montagem de veículo ................................................. 37 Fonte: BMW apud Tamanini e Wiltgen (2022)........................................................................ 37 Figura 3.17: Ferramenta impressa para montagem de veículo ................................................. 37 Figura 3.18: Veículo LSEV montado por meio de manufatura aditiva ..................................... 38 Figura 3.19: Impressora 3D para próteses humanas ................................................................. 38 Figura 4.1: Residência sendo construída com impressora 3D de grande porte ........................ 41 Figura 4.2: Ponte produzida por impressão 3D na Holanda ..................................................... 42 Figura 4.4: Conjunto do Bocal ................................................................................................. 44 Figura 4.5: Exemplo de uso da técnica CC .............................................................................. 44 Figura 4.6: Esquema de funcionamento da técnica de Contour Crafting ................................. 44 Figura 4.7: Exemplo de aplicação da técnica Concrete Printing .............................................. 46 Figura 4.8: Máquina utilizada pelos pesquisadores de Loughborough. ................................... 46 Figura 4.9: D-Shape .................................................................................................................. 47 Figura 4.10: Impressoras 3D atuais de concreto: a) pórtico, b) robótica e c) guindaste .......... 48 Figura 4.11: Semelhanças entre as três técnicas (CC, CP e D-shape) ...................................... 50 Figura 4.12: Defeito causado em uma construção residencial feita com impressão 3D: ......... 52 a) No início da impressão; b) Impressão finalizada ................................................................. 52 Figura 4.13: Defeito em uma parede de concreto causado por impressão 3D ......................... 52 Figura 4.14: Pontos fracos localizados nas interfaces entre camadas. ..................................... 54 Figura 5.1: Parque industrial de alta tecnologia em Qingpu .................................................... 56 Figura 5.2: Reforço para pontos fracos localizados nas interfaces entre camadas ................... 57 Figura 5.3: Içamento de peças impressas ................................................................................. 57 Figura 5.4: Prédio de cinco andares impresso em 3D na China ............................................... 58 Figura 5.5: Molde de concreto impresso pela WinSun ............................................................ 59 Figura 5.6: Falta de integração com as instalações .................................................................. 59 Figura 5.7: Detalhes da impressão da casa de festas ................................................................ 60 Figura 5.8: a) Impressão de edificação de dois pavimentos em Dubai e b) edificação concluída .................................................................................................................................................. 61 Figura 5.9: a) Planta baixa da residência e b) construção real ................................................. 61 LISTA DE QUADROS E TABELAS Tabela 1: Comparação entre as características das técnicas de impressão 3D. ........................ 30 Quadro 1: Comparativo dos processos de impressão 3D mais utilizados na indústria da Construção ................................................................................................................................ 51 LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS 3D 3 Dimensões 3DP Impressão Tridimensional (3D print) BIM Modelagem da Informação de Construção (Building Information Modeling) CAD Desenho Assistido por Computador CC Construção por Contornos (Contour Crafting) CP Concrete Printing FDM Modelagem por Fusão e Depósito LOM Manufatura de Objetos em Lâmina RP Prototipagem Rápida SLA Estereolitografia SLS Sinterização Seletiva a Laser SRP Prototipagem Rápida Subtrativa STL Stereolithography Tesselation Language SUMÁRIO Capítulo 1 ................................................................................................................................ 14 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 14 1.1 Considerações gerais ........................................................................................................ 14 1.2 Objetivos ............................................................................................................................ 15 1.2.1 Objetivo geral ........................................................................................................... 15 1.2.2 Objetivos específicos: .............................................................................................. 15 1.3 Estrutura da monografia ................................................................................................. 16 Capítulo 2 ................................................................................................................................ 17 A QUARTA REVOLUÇÃO INDRUSTRIAL ..................................................................... 17 2.1 Indústria 4.0: a nova revolução industrial ..................................................................... 17 2.1.1 Princípios da Indústria 4.0 .................................................................................... 19 2.1.2 Pilares da Indústria 4.0 ......................................................................................... 20 Capítulo 3 ................................................................................................................................ 22 A IMPRESSÃO 3D ................................................................................................................. 22 3.1 O surgimento da impressão 3D ....................................................................................... 22 3.2 Técnicas empregadas na impressão 3D .......................................................................... 23 3.2.1 O processo até a impressão ................................................................................... 24 3.2.2 Modelagem por Fusão e Depósito (FDM) ............................................................ 26 3.2.3 Estereolitografia (SLA) ........................................................................................ 27 3.2.4 Sinterização Seletiva a Laser (SLS) .....................................................................28 3.2.5 Manufatura de objetos laminados (LOM) ............................................................ 29 3.2.6 Impressão 3D (3D Print) ...................................................................................... 29 3.3 A utilização da impressão 3D na indústria ..................................................................... 31 3.3.1 Indústria naval ...................................................................................................... 33 3.3.2 Indústria Aeroespacial .......................................................................................... 34 3.3.3 Indústria Automobilística ..................................................................................... 36 3.3.4 Indústria da Medicina ........................................................................................... 38 Capítulo 4 ................................................................................................................................ 40 A IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................................................ 40 4.1 Contextualização ............................................................................................................... 40 4.2 Contour Crafting (CC) ..................................................................................................... 42 4.3 Concrete Printing (CP) .................................................................................................... 45 4.4 D-Shape ............................................................................................................................. 47 4.5 Impressoras 3D para construção civil ............................................................................ 47 4.6 Análise comparativa das principais técnicas ................................................................. 48 4.7 Características e propriedades das argamassas impressas com a tecnologia 3D ....... 51 4.7.1 Interface entre camadas ........................................................................................ 53 Capítulo 5 ................................................................................................................................ 56 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL ...... 56 5.1 Edifícios construídos com componentes impressos ....................................................... 63 5.2 Edifícios construídos com as paredes impressas in loco ............................................... 59 5.3 Impressão 3D de uma residência no Brasil em Macaíba/RN ....................................... 61 Capítulo 6 ................................................................................................................................ 64 ANÁLISE DA VIABILIDADE DE IMPLEMENTAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL ......................................................................................................... 64 6.1 Vantagens .......................................................................................................................... 64 6.1.1 Liberdade de design .............................................................................................. 64 6.1.2 Economia .............................................................................................................. 64 6.1.3 Sustentabilidade .................................................................................................... 65 6.1.4 Lean Construction ................................................................................................ 65 6.2 Desvantagens ..................................................................................................................... 66 6.2.1 Custo inicial .......................................................................................................... 66 6.2.2 Transporte e armazenamento ................................................................................ 66 6.2.3 Cultura .................................................................................................................. 66 6.2.4 Limitações da técnica e o desemprego ................................................................. 74 Capítulo 7 ................................................................................................................................ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 68 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 70 14 Capítulo 1. Introdução Capítulo 1 INTRODUÇÃO 1.1 Considerações gerais Indubitavelmente, a tecnologia segue avançando nas mais diversas áreas do mercado. Da primeira revolução industrial aos tempos atuais, os avanços são indiscutíveis. Boa parte desse desenvolvimento se dá pelo incremento da TI (Tecnologia da Informação) - aliada ao aumento do poder de processamento dos computadores - dentro dos processos, otimizando e possibilitando resultados melhores, mais rápidos e mais eficazes. Um exemplo prático foi a implementação das linhas de produção na segunda revolução industrial, as quais introduziram os padrões de repetição em atividades contínuas. Todavia, hoje em dia, esse processo é amplamente otimizado graças à incorporação de máquinas automatizadas e inteligência artificial. Essas tecnologias têm a capacidade de analisar grandes volumes de dados e proporcionar a criação de produtos individualizados. Além disso, o acesso a informações em tempo real possibilita o controle remoto dessas operações (DINIZ, 2023). Foi a partir desses avanços que surgiu o termo indústria 4.0, considerada por muitos a quarta revolução industrial. De acordo com Ahuett-garza e Kurfess (2018), esse termo está relacionado à sinergia de diversas tecnologias e agentes, visando aprimorar a eficiência e a capacidade de resposta automática na produção. Basicamente, a indústria 4.0 compõe-se de nove pilares: armazenamento e análises de grandes quantidades de dados, robôs autônomos, simulações virtuais, sistemas integrados, internet das coisas, segurança cibernética, plataformas em nuvem, manufatura aditiva e realidade aumentada (VAIDYA; AMBAD; BHOSLE, 2018). É nesse contexto que surge a impressora 3D, uma ferramenta que permite a fabricação de moldes para peças sólidas em camadas aditivas, a partir de desenhos digitais. Essa inovação surge como uma alternativa inteligente para a produção de materiais, reduzindo significativamente os custos, desperdícios e o tempo de fabricação. Esse método de impressão surgiu pela primeira vez em 1984, por Charles Hull, como um meio de prototipagem rápida. Ao longo dos anos, essa técnica foi aprimorada e as impressoras 3D ganharam destaque no mercado devido à sua ampla aplicabilidade na produção de objetos de diversos segmentos. Desde ferramentas industriais até próteses na área da medicina, essas impressoras têm demonstrado um grande potencial para atender às necessidades da cadeia de abastecimento global (DANTAS et al., 2018). Segundo Volostnov (2019), a tecnologia de manufatura aditiva está experimentando um crescimento acelerado em diversas áreas de atividades humanas. No 15 Capítulo 1. Introdução ano de 2018, o mercado dessa tecnologia ultrapassou a marca de US$ 5 bilhões, e estima-se que até 2025 alcance aproximadamente US$ 21 bilhões. Não obstante alguns avanços da construção civil ao longo das décadas, como a maneira tradicional de se misturar e moldar concreto no local da obra, a qual foi em grande parte substituída pela construção pré-fabricada ou pré-moldada em vários países desenvolvidos e recém-industrializados (PAUL, S. et al., 2018), a construção civil ainda está em um processo lento para conseguir acompanhar os avanços da tecnologia, como ocorre em outras indústrias como a metalúrgica, a automobilística,entre outras. Em contrapartida, em alguns países mais desenvolvidos, é possível perceber a inserção de novas tecnologias nesse setor tão importante para o desenvolvimento das cidades. Nesse sentido, graças a amplitude de aplicações da técnica de impressão 3D, permitiu- se que a indústria da construção civil também fizesse uso dessa tecnologia. Em países como a China e os Estados Unidos, existem empresas nesse setor que estão adotando a produção em larga escala com o uso da impressão 3D. Essas empresas têm a habilidade de construir até 10 moradias em menos de 24 horas. (SILVA et al., 2018). Uma importante vantagem do uso dessa tecnologia é que o equipamento utilizado pode ser transportado e montado no terreno da própria obra, facilitando todo o processo (QUEIROZ JUNIOR, 2022). Ademais, o processo produtivo gera muito menos resíduos do que a forma convencional de se construir (blocos cerâmicos ou de concreto, em caso de alvenarias, por exemplo), de forma que essa redução contribui diretamente para a redução do impacto ambiental negativo gerado pelas obras convencionais. 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Nesse contexto, este estudo se propõe a explorar o emprego da impressão 3D na construção civil, apresentando o panorama atual a respeito do tema, os tipos de impressoras utilizadas, as principais vantagens e desvantagens do método e os limitadores dessa tecnologia que ainda dificultam a sua difusão. 1.2.2 Objetivos específicos: • Expor um breve contexto histórico da indústria 4.0, relacionando-o com a impressão 3D; • Realizar um apanhado geral a respeito da impressão 3D na construção civil, quanto ao surgimento, tipos de impressora mais utilizados, aplicações da tecnologia, mercado e compatibilidade com a construção civil; 16 Capítulo 1. Introdução • Apresentar alguns exemplos de aplicação da tecnologia na engenharia civil, tanto no Brasil, quanto no mundo, bem como apresentar alguns trabalhos acadêmicos acerca do tema; • Por fim, realizar um comparativo a partir de vantagens e desvantagens da utilização da impressão 3D na construção civil. 1.3 Estrutura da monografia Figura 1.1: Estrutura da monografia Fonte: próprio autor 17 Capítulo 2. A quarta Revolução Industrial Capítulo 2 A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 2.1 Indústria 4.0: a nova revolução industrial A ideia da Revolução Industrial emergiu na sociedade humana. A própria origem da palavra "revolução" contribui para essa interpretação, uma vez que provém do termo latino revolutione, o qual indica a ação ou resultado de revolucionar (DORIGATI; LUZ, 2019). A Revolução Industrial estabeleceu um ponto crucial em sua trajetória por meio das mudanças que ocorreram na indústria. Essas transformações impactaram veementemente no método de produção, o que influenciou diretamente a sociedade e a economia. De acordo com Cavalcanti e Silva (2011), alguns dos principais aspectos influenciados pela Revolução Industrial foram: a consolidação do capitalismo; o aumento da produtividade do trabalho; a origem de comportamentos sociais inéditos; a geração de abordagens inovadoras para acumular riqueza; moldagem de novos padrões políticos e oferta de uma nova visão de mundo. Por fim, mas não menos importante, desempenhou um papel determinante ao dividir a grande maioria da sociedade em duas categorias sociais conflitantes e contrastantes: a classe capitalista burguesa e o proletariado. A primeira Revolução Industrial (ou indústria 1.0) ocorreu na Inglaterra, no final do século XVIII e início do XIX (1760 – 1850), e depois se estendeu para outros países como: Holanda, Rússia, França, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. Segundo Venturelli (2017), a ciência mostrou a utilidade do carvão como uma fonte energética, o que levou à invenção subsequente da máquina a vapor e da locomotiva. Dadas as melhorias implementadas graças a máquina a vapor, a indústria têxtil também se destacou nesse período. No ano de 1766, o tecelão James Hargreaves desenvolveu um dispositivo equipado com uma única roda de fiar, capaz de manipular diversas linhas de algodão simultaneamente. Essa capacidade de realizar tarefas de forma mais ágil, possibilitou a alocação de tempo para a exploração de novas atividades. Essa inovação, conhecida como fiandeira de pedal, multiplicou de maneira significativa a eficiência na indústria têxtil, desencadeando um impacto tão substancial que reverberou em transformações de larga escala em todo o setor comercial (PORTO, 2016). Com o contínuo avanço tecnológico acontecendo, ocorre a segunda Revolução Industrial (indústria 2.0), a qual se estende desde 1850 até o final da Primeira Guerra Mundial. Essa fase ficou marcada pelo descobrimento da eletricidade, a conversão do ferro em aço, o aparecimento e aprimoramento dos sistemas de transporte, o progresso dos meios de 18 Capítulo 2. A quarta Revolução Industrial comunicação, o crescimento da indústria química e a evolução de outros setores. De acordo com Silva e Gasparin (2013), nessa revolução industrial destacou-se a busca por lucros mais substanciais, a especialização das tarefas laborais e a expansão da capacidade produtiva. Um outro ponto que marcou essa fase da revolução foi o surgimento do Fordismo, um paradigma que transformou radicalmente o setor automobilístico, marcado pelo pioneirismo de Henry Ford ao introduzir a primeira linha de montagem automatizada e a produção em larga escala. Já a terceira Revolução Industrial (indústria 3.0) tem início em meados dos anos 1970, aliada a era da informação, que surgiu na segunda metade do século XX, e ao desenvolvimento da internet na década de 1990. Para Boettcher (2015), a terceira Revolução industrial ficou marcada pelos avanços alcançados na área da computação, da robótica, das comunicações, dos sistemas de transporte, da biotecnologia, da química de alta precisão e da nanotecnologia. Além disso, segundo Medeiros e Rocha (2004), no contexto laboral, a terceira Revolução Industrial, especialmente impulsionada pela globalização, resultou em impactos claramente visíveis, incluindo o surgimento de tecnologias inovadoras, o aumento do desemprego e a adoção de novas abordagens na organização do trabalho. É diante desse processo de modernização, o qual abarca transformações sociais, culturais e econômicas, que o ser humano continuou a direcionar esforços ao avanço tecnológico, dando origem à quarta Revolução Industrial, ou também conhecida como Indústria 4.0. Esse termo foi introduzido de forma oficial em 2011, durante a exposição de Hannover, na Alemanha. Essa nova concepção industrial surgiu como resposta à demanda de fortalecer a competitividade do setor manufatureiro alemão por meio da adoção de uma abordagem inovadora (KAGERMANN et al. 2013). De acordo com Silveira (2016), a quarta Revolução Industrial abarca as principais transformações tecnológicas nas áreas de automação, controle e tecnologia da informação, as quais são aplicadas aos procedimentos de fabricação. Ele acrescenta também que a partir de sistemas Cyber-Físicos, Internet das Coisas e Internet dos Serviços, os processos de produção tendem a se tornar cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis. Zawadzki e Zywicki, (2006) afirmou que a Indústria 4.0 resulta da fusão entre os avanços tecnológicos obtidos nos anos recentes e a perspectiva de um horizonte onde sistemas de produção inteligentes e automatizados prevalecem, conectando o mundo físico ao virtual. Fazendo uma análise dos dias atuais, quase 20 anos depois, percebe-se que de fato há cada vez mais essa fusão entre o mundo físico e virtual. Um exemplo claro disso é o metaverso, o qual pode ser definido, de forma sintética, como uma coleção de espaços digitais tridimensionais altamente realistas e interconectados, nos quais indivíduos têm a oportunidade de se encontrar 19 Capítulo 2. A quarta Revolução Industrialpara executar atividades do dia a dia ou simplesmente para explorar o mundo que os cerca. Muitas empresas estão utilizando o metaverso como um ambiente de gestão totalmente online. A indústria da construção civil já iniciou suas atividades neste universo. Ambientes virtuais que representam o canteiro de obras e que permitem que toda a equipe possa imergir nesse ambiente virtual e discutir as etapas e fases da obra, podendo ser feito de qualquer lugar do mundo, desde que haja um dispositivo compatível (computador, tablet, etc) com conexão à internet. A Figura 2.1 apresenta a evolução da indústria e seus principais aspectos para cada Revolução Industrial. Figura 2.1: Evolução da indústria Fonte: Silveira (2016). 2.1.1 Princípios da Indústria 4.0 Para que a Industria 4.0 seja implementada com êxito, existem seis ações ou princípios que precisam ser considerados (KAGERMANN et al., 2013): a) Normalização e referência arquitetural: diz respeito à forma como a era da INDÚSTRIA 4.0 irá interligar variados tipos de empreendimentos por meio de redes, demandando a criação de padrões e um modelo arquitetônico de referência. Esse modelo definirá as especificações técnicas essenciais para a concepção. b) Infraestrutura de comunicação para o setor industrial: Para garantir uma otimizada transferência de dados entre os sistemas, é crucial estabelecer uma comunicação de alta velocidade e qualidade no âmbito industrial. Essa infraestrutura deve permitir que as indústrias se conectem de maneira ágil e segura com o cenário global, ultrapassando as barreiras físicas das fábricas. c) Segurança da informação: dado que todos os dispositivos estarão conectados em redes, é preciso implementar estratégias de segurança altamente robustas, pois isso é fundamental para 20 Capítulo 2. A quarta Revolução Industrial mitigar acessos não autorizados, prevenindo potenciais vazamentos de informações ou tentativas deliberadas de sabotagem. d) Reorganização do trabalho: os procedimentos serão continuamente supervisionados em tempo real, permitindo ajustes nos processos de acordo com as decisões da gestão. Isso implica que os colaboradores precisarão assumir papéis mais decisivos em vez de meramente repetirem tarefas. Portanto, será essencial desenvolver planos de capacitação e aprendizado em curso. e) Regulamentação: as operações e empreendimentos resultantes da Indústria 4.0 devem aderir às regulamentações legais. É de suma importância estabelecer limites claros de responsabilidade, implementando estratégias que assegurem a proteção dos direitos intelectuais e a privacidade dos dados pessoais, dada a circulação de tais informações em redes. f) Utilização eficiente dos recursos: a fim de garantir a competitividade, é essencial elaborar abordagens para diminuir gastos, concentrando-se na utilização eficaz dos recursos energéticos e materiais. Contudo, é necessário que essa busca pela eficiência seja acompanhada do compromisso de preservar o meio ambiente. 2.1.2 Pilares da Indústria 4.0 As tecnologias que desempenham um papel crucial na implementação e operação da Indústria 4.0 podem ser descritas da seguinte maneira: a) internet das coisas: é definida como a interconexão entre objetos (produtos, serviços e lugares) e indivíduos por meio de plataformas e tecnologias conectadas. Em outras palavras, é a implementação progressiva de um conjunto de tecnologias inovadoras de tecnologia da informação e automação industrial, que culmina na criação de um sistema de produção físico- cibernético. Esse sistema caracteriza-se pela intensa digitalização de informações e pela comunicação direta entre sistemas, máquinas, produtos e pessoas. b) segurança cibernética: basicamente, objetiva meios de comunicação cada vez mais seguros e avançados. Afinal, a segurança representa o êxito máximo de um programa ou produto altamente tecnológico. c) big data analytics: são sistemas de dados abrangentes e complexos que adotam novas abordagens para captura, análise e administração de informações, sendo aplicados no contexto da Indústria 4.0. De acordo com Silveira (2017), essa tecnologia é estruturada em 6 Cs, como uma maneira de gerenciar as informações mais pertinentes e cruciais: Conexão (com a rede industrial, sensores e CLPs), Cloud (armazenamento de dados sob demanda), Cyber (modelo e memória), Conteúdo, Comunidade (compartilhamento de informações) e Customização (personalização e valores). 21 Capítulo 2. A quarta Revolução Industrial d) computação em nuvem: permite o acesso de determinado material de qualquer lugar do mundo, necessitando apenas de um dispositivo conectado à internet, o que contribui diretamente para uma melhor performance em gestão, de forma que é possível gerir independente de sua localização. e) robótica avançada: refere-se ao conjunto de tecnologias avançadas para a execução de tarefas cada vez mais complexas, demandando certo nível de repetição e precisão. Ou seja, trata-se do aprimoramento das máquinas para torná-las cada vez mais automatizadas. Nesse processo, busca-se um design eficiente, maior segurança e a integração eficaz na linha de produção, através da coleta, sistematização e avaliação de dados. f) inteligência artificial (I.A): com a difusão da inteligência artificial, muitos processos manuais foram migrados para o ambiente virtual e automatizados, resultando na otimização de várias atividades cotidianas, tornando-as mais práticas e ágeis. g) novos materiais: a descoberta de novos materiais permite o avanço das técnicas construtivas, a redução de custos, menor geração de resíduos, entre outras características. São materiais mais leves e robustos, recicláveis e adaptáveis; podem apresentar propriedades inteligentes, tais como autorreparação ou autolimpeza (SCHWAB, 2016, p. 25). A Revolução Industrial permitiu que o mundo testemunhasse diversos processos que tinham como propósito impulsionar a produção e adaptá-la às tecnologias vigentes em cada época. A Indústria 4.0 surge em meio a um cenário de significativas evoluções tecnológicas, trazendo consigo a visão de uma indústria cada vez mais capacitada para avançar e melhorar seu desempenho nos mais diversos aspectos, como produtividade, redução de custos, otimização de processos, entre outros. 22 Capítulo 3. A Impressão 3D Capítulo 3 A IMPRESSÃO 3D 3.1 O surgimento da impressão 3D A impressão 3D foi introduzida pela primeira vez em 1984 pelo engenheiro Charles Hull, no estado da Califórnia nos Estados Unidos. A técnica empregada na concepção dessa impressora foi a estereolitografia, a qual é uma tecnologia que solidifica resinas por luz ultravioleta. Hull trabalhava na produção de lâmpadas destinadas à solidificação de resinas em uma empresa que utilizava luz UV para aplicar camadas finas de plástico em mesas e móveis. Descontente com os atrasos na fabricação das peças plásticas, que podiam levar até dois meses para serem finalizadas, e fascinado pela tecnologia, ele sentiu-se compelido a criar e testar um sistema de fotopolímero. Esse sistema, essencialmente, corresponde ao processo contemporâneo de cura de resina fotossensível em camadas sucessivas, construindo a peça de forma gradual. Dessa forma, surgem os primeiros protótipos feitos em laboratório (Figura 3.1), a partir dos quais a impressão 3D ganha impulso e continua se desenvolvendo até os dias de hoje. Após o primeiro modelo, Hull funda a primeira empresa de impressão 3D do mundo: a 3D Systems, sendo, atualmente, uma das maiores líderes do mercado. Figura 3.1: protótipo inicial de uma impressora 3D. Fonte: Adaptado de 3DLAB (2021). Após o surgimento do primeiro modelo, por Charles Hull, apareceram novas empresas concorrentes, como a 3D Modeler, fundada por Scott Scrump, que utilizava uma outra técnica para realização da impressão. SegundoWishbox (2020), o ponto decisivo da tecnologia de impressão 3D aconteceu em 2007, a partir de um projeto denominado de RepRap, que se iniciou 23 Capítulo 3. A Impressão 3D na Inglaterra, o qual tinha como foco principal do projeto desenvolver impressoras destinadas à prototipagem e agilizar a produção de componentes plásticos. Além disso, o design da impressora desenvolvido no projeto se destacava pela capacidade de autoreplicação, ou seja, era possível imprimir a maioria de seus próprios componentes. Com a iniciativa sendo disponibilizada gratuitamente na internet como código aberto, incluindo modelos de produtos, artigos e informações essenciais para replicá-la em casa, o projeto ganhou popularidade rapidamente, democratizando o acesso à tecnologia. A partir desse evento, surgiram diversos modelos de impressoras mais baratas e usuais, de forma que se popularizou o uso da impressão 3D, bem como o surgimento de novas empresas. 3.2 Técnicas empregadas na impressão 3D A evolução da tecnologia das impressoras 3D, também conhecida como a técnica de manufatura aditiva, ou ainda, prototipagem rápida, tem transformado gradualmente o processo de fabricação de objetos. Atualmente, existem diversos métodos de impressão, cada um operando de maneira única e empregando materiais específicos. Algumas impressoras depositam camadas de plástico derretido para criar objetos, enquanto outras utilizam laser para solidificar camadas de resina ou pó, resultando na formação do produto a partir de um banho de matéria-prima. Além dessas, há também impressoras que fabricam objetos a partir de materiais como vidro, aço e concreto. De acordo com Ferreira et al. (2001), as tecnologias de impressão 3D dividem-se em duas categorias: os métodos com adição de material e os métodos com remoção de material. A primeira categoria é chamada de RP – Prototipagem Rápida, que, conforme Raulino (2011), é um processo de fabricação baseado na adição de material em camadas planas. Isto é, a partir da impressão de camadas sucessivas, obtém-se o objeto final, conforme o projeto. Já segunda categoria é chamada de SRP - Prototipagem Rápida Subtrativa, o seu processo de fabricação se dá a partir de um bloco de material, desbastando-o até obter o objeto desejado. Esse tipo de tecnologia desbasta uma grande variedade de materiais, desde metais aos mais usuais dos polímeros como o nylon, ABS, Poliacetal, Acrílicos etc. A qualidade superficial e o tempo necessário para concluir os protótipos são igualmente impactados pelo tipo de material, pelas ferramentas de usinagem e pelos controles via software das operações do equipamento, anteriores à construção do objeto (CANCIGLIERI JUNIOR; SELHOST JUNIOR; SANT’ANNA, 2015). Este trabalho tratará especificamente da Prototipagem Rápida Aditiva. 24 Capítulo 3. A Impressão 3D Segundo Baeman (1997), a tecnologia de prototipagem rápida tem suas raízes em duas técnicas fundamentais: a topografia e a fotoescultura. A primeira foi desenvolvida por Blanther, no final do século XIX, para a criação de mapas em relevo, envolvendo a impressão de uma série de discos de areia que representavam as curvas de nível das cartas topográficas. Na década de 70, Matsubara (Mitsubishi Motors) introduziu um processo fotográfico inovador. Nesse método, regiões de uma camada de fotopolímero cobertas com pó de grafite ou areia eram endurecidas após exposição à luz, e posteriormente as outras partes eram removidas com a utilização de um solvente. Essa técnica mostrou-se eficaz na reprodução de superfícies de fabricação complexa devido à operação da máquina. Já a segunda técnica – fotoescultura – teve início no século XIX com o objetivo de reproduzir fielmente peças tridimensionais. O francês Francois Willème propôs uma abordagem inovadora, posicionando 24 câmeras fotográficas de forma equidistante ao redor de um objeto central, disposto no centro de uma sala circular. Todas as câmeras eram ativadas simultaneamente, e a silhueta capturada por cada fotografia servia como guia para um artista esculpir uma das seções de uma porca cilíndrica no objeto. Para simplificar o processo de escultura, foi desenvolvida uma técnica que empregava uma luz graduada para expor uma gelatina fotossensível, cuja expansão era proporcional ao contato com a água. Esses anéis eram então fixados em um suporte para criar a réplica do objeto (BEAMAN, 1997) Foram a partir dessas pesquisas que se chegou as técnicas que hoje são empregadas na prototipagem rápida, a qual obteve êxito a partir do primeiro modelo de impressora 3D de Charles Hull, como já mencionado no item 3.1 deste trabalho. 3.2.1 O processo até a impressão De acordo com Wozny (1997), o processo de impressão é dividido em três etapas: pré- processamento, processamento do protótipo rápido e pós-processamento, como explanados a seguir: a) o pré-processamento: é nessa etapa que o modelo do objeto a ser impresso é desenhado por meio de um software do tipo CAD. É possível também obter os dados desse objeto de forma digitalizada, utilizando a técnica de varredura. Após a obtenção do modelo, é necessária a conversão para um formato que seja aceito pela impressora, normalmente o formato mais utilizado é o STL (Stereolithography Tesselation Language), o qual, basicamente, refere-se à representação geométrica da superfície do modelo por meio de uma malha triangular, excluindo elementos como cores ou texturas comuns em sistemas CAD, que não são essenciais na etapa de prototipagem. 25 Capítulo 3. A Impressão 3D b) o processamento: o tratamento das informações presentes no arquivo STL se inicia com a preparação do modelo, o qual passa por uma série de ajustes relacionados à validação e correção. É preciso definir a orientação do objeto com base nos eixos X, Y e Z no programa, bem como o número de camadas e as suas respectivas alturas e a velocidade de impressão. Nessa etapa, é preciso determinar a capacidade de suporte dessas camadas durante a impressão, pois a depender da altura e espessura destas, o peso próprio do objeto a ser impresso pode causar o seu colapso. A Figura 3.2 apresenta um esquema de como acontece a impressão pelo método da RP (Prototipagem Rápida). Figura 3.2: Esquema de impressão pelo método RP Fonte: Adaptado de Raulino (2011). A Figura 3.2 apresenta o desenvolvimento das etapas de impressão, isto é, é feita a definição do número de camadas (com suas respectivas alturas) e, a partir daí, inicia-se a impressão destas, uma após a outra, até a sua conclusão. As fatias – ou camadas – denotam um plano de corte associado a uma espessura uniforme, sendo cada uma delas percorrida (escaneada) para permitir a determinação precisa do formato desejado e a elaboração da trajetória de adição. Para finalizar essa etapa, durante a impressão é necessária a observação de todo o processo, de modo que se faça o controle da operação por meio da emissão de sinais que guiarão o processo de adição do material. c) pós-processamento: por fim, tem-se a etapa de pós-processamento, que envolve as ações de cura, remoção da estrutura de suporte e, se necessário, a limpeza da peça para garantir o acabamento. 26 Capítulo 3. A Impressão 3D 3.2.2 Modelagem por Fusão e Depósito (FDM) Essa técnica se baseia na formação de camadas resultantes do aquecimento, aproximadamente a 200°C, e do amolecimento de filamentos (arames) feitos de material termoplástico. Concomitantemente, outros fios amolecidos são utilizados como suporte para as áreas suspensas do modelo, proporcionando sustentação. Os filamentos utilizados na construção podem ser compostos de poliéster, polipropileno, ABS, elastômeros ou cera, enquanto o material de suporte consiste em uma combinação de ABS e cal. Esses materiais conferem durabilidade e resistência ao protótipo (RAULINO, 2011). É a segunda técnica mais utilizada no mundo. A máquinaé composta por um cabeçote que se desloca nos eixos x e y, juntamente com uma plataforma encarregada de realizar movimentos verticais. O injetor de material aquece e extrai o filamento plástico que está enrolado em uma bobina. O material percorre dois bicos extrusores localizados no cabeçote, sendo então depositado na plataforma. Enquanto um bico libera o material destinado à formação do objeto, o outro dispensa o material a ser utilizado como suporte, especialmente em casos de fabricação de superfícies complexas. A Figura 3.3 representa o esquema de uma máquina de modelagem FDM. Após a conclusão de cada camada, a plataforma desloca-se para baixo em uma medida equivalente à espessura da nova camada, preparando-se para a próxima fase de construção. Figura 3.3: Esquema de uma máquina de modelagem FDM. Fonte: Adaptado de Ichi (2010). 27 Capítulo 3. A Impressão 3D A técnica de Modelagem por Fusão e Depósito (FDM) oferece algumas vantagens quando comparada a outras metodologias de impressão, incluindo menor desperdício de material e uma exigência reduzida de procedimentos de limpeza. Esse tipo de impressora é predominantemente empregado na produção de itens de menor complexidade, especialmente voltados para fins acadêmicos e produtos personalizados destinados à comercialização. Além disso, outra vantagem reside na ocupação reduzida de espaço, uma vez que os motores de acionamento requerem menos potência e refrigeração em comparação com as impressoras a laser, o que torna possível a instalação em ambientes não industriais (PORTO, 2016). 3.2.3 Estereolitografia (SLA) Segundo Badotti (2003), essa técnica fundamenta-se na polimerização de uma resina fotossensível (acrílica, epóxi ou vinil), a qual é composta por monômeros, fotoiniciadores e aditivos, sendo esse processo desencadeado por um feixe de laser. É a técnica mais antiga, porém, ainda a mais utilizada na atualidade. A estereolitografica é um processo pioneiro que foi patenteado em 1988 e hoje ainda é o método mais utilizado na impressão 3D. O procedimento para criar o objeto começa com o preenchimento da cuba utilizando resina, onde uma plataforma interna pode movimentar-se verticalmente. Sob orientações do controle numérico, um feixe laser incide sobre a superfície do líquido, causando a solidificação no ponto exato da incidência. Após a formação da camada, a plataforma desce para mergulhar novamente na cuba, possibilitando a criação de uma nova camada, seguindo esse padrão de maneira iterativa. Ao concluir a impressão, é necessário eliminar o excesso de líquido das peças, seguido pela conclusão do processo de cura em um forno (PORTO, 2016). A Figura 3.4 apresenta um modelo de uma máquina de SLA. Figura 3.4: Modelo de uma máquina de SLA. Fonte: Ichi (2010). 28 Capítulo 3. A Impressão 3D Segundo Karasinski (2013), a técnica de SLA se destaca pela precisão superior na fabricação de objetos em comparação com o método FDM, gerando modelos mais intricados e robustos. Em decorrência, os custos associados à aquisição, manutenção e operação da máquina e dos materiais são mais elevados, caracterizando-a como uma tecnologia mais dispendiosa. 3.2.4 Sinterização Seletiva a Laser (SLS) A impressora SLS constrói objetos tridimensionais através da sobreposição de camadas homogêneas de pós poliméricos. Durante o processo, uma fina camada de pó é depositada dentro de um cilindro e, em seguida, solidifica-se com a incidência de um feixe laser (RAULINO, 2011). A metodologia emprega um equipamento mais robusto em comparação com a FDM, destacando-se por sua robustez mecânica e térmica. Contudo, sua principal vantagem reside na capacidade de empregar uma variedade de materiais na produção de objetos, incluindo poliamidas, elastômeros, cerâmicas e metais combinados com polímeros aglutinantes. Esse processo é repetido até que o objeto seja concluído. A Figura 3.5 ilustra o esquema de funcionamento da técnica de SLS. Figura 3.5: Esquema da técnica SLS. Fonte: Ichi (2010) Os elementos cruciais na produção de objetos por meio da sinterização a laser são: a intensidade do laser, a velocidade de movimento do feixe e o intervalo entre as trajetórias do laser. Os modelos apresentam notável resistência mecânica e térmica; no entanto, os custos associados são consideravelmente elevados (VOLPATO, 2007). 29 Capítulo 3. A Impressão 3D 3.2.5 Manufatura de objetos laminados (LOM) Nessa técnica, o objeto a ser impresso é formado a partir de camadas do material utilizado em forma de tiras revestidas de adesivo que são grudadas umas nas outras. De acordo com Grimm (2005), o procedimento tem início com a desenrolagem de um rolo de papel impregnado com adesivo termoplástico em sua face inferior. Em seguida, um rolo previamente aquecido pressiona o papel sobre a camada anterior, consolidando a aderência. O recorte do contorno da peça na camada é realizado por meio de um laser. O papel de suporte, que não integra o componente, é cortado para facilitar a remoção da peça do interior do bloco formado pela bobina de papel. O modelo apresenta uma aparência semelhante à madeira e compartilha custos comparáveis aos da SLA e da SLS, porém, sua qualidade é inferior. É possível fabricar peças relativamente grandes, sendo sua aplicação principal voltada à criação de moldes (RAULINO, 2011). A Figura 3.6 apresenta um esquema de funcionamento da técnica de LOM. Figura 3.6:Esquema de funcionamento da técnica de LOM Fonte: Ichi (2010) 3.2.6 Impressão 3D (3D Print) Nesse método de prototipagem rápida, é empregado o princípio de impressão similar ao utilizado em impressoras a jato de tinta de computadores. A máquina é elaborada utilizando componentes adaptados de impressoras convencionais. A distinção reside no fato de que, em vez de tinta, o cabeçote libera um agente aglutinante composto por uma solução aquosa e cola. 30 Capítulo 3. A Impressão 3D Dentro de um compartimento que contém pó cerâmico ou polimérico, uma superfície se desloca verticalmente no eixo Z, causando a aglutinação do pó para criar a camada do objeto. À medida que essa superfície desce, um cilindro entra em ação para repor e nivelar as novas camadas, as quais são delineadas pelo deslocamento do cabeçote no plano XY. A Figura 3.7 ilustra uma impressora desse tipo. Figura 3.7: Impressora em pó do tipo jato de tinta. Fonte: Adaptado de Waheed et al. (2016). A Tabela 1 apresenta um rápido comparativo entre as técnicas de impressão 3D citadas nesse trabalho. Tabela 1: Comparação entre as características das técnicas de impressão 3D. Técnica empregada SLA FDM SLS LOM 3DP Variedade dos materiais Pequena Média Grande Pequena Média Qualidade superficial Regular Regular Boa Regular Boa Pós-acabamento superficial Regular Regular Bom Baixo Bom Precisão Excelente Regular Boa Baixa Regular Resistência ao impacto Regular Boa Boa Baixa Baixa Resistência à flexão Baixa Excelente Excelente Baixa Baixa Custo do protótipo Alto Baixo Alto Alto Médio Pós cura Sim Não Sim* Não Não Fonte: Adaptado de Selhorst Junior; Canciglieri Junior e Iarozinski Neto (2007). 31 Capítulo 3. A Impressão 3D 3.3 A utilização da impressão 3D na indústria Assim que surgiu a primeira impressora 3D, por causa do alto custo, sobretudo de compra do equipamento, não houve uma popularização do uso inicialmente. Ainda que um mero razoável de pesquisas a respeito dos benefícios da utilização da impressão 3D tenham sido divulgadas, a sua aceitação no mercado não foi imediata, limitando seu uso apenas por empresas de grande porte, as quais possuíam o capital necessário para realizar o investimento. Segundo Pinheiro et al. (2018), foi por volta do ano de 2006 que houve uma maior popularização do uso da impressora 3D, visto que a plataforma Fab@Home, conhecida como "Fabricação em Casa",fornecia orientações sobre a manufatura aditiva e desempenhava principalmente o papel de incentivar a comercialização e a utilização da primeira impressora tridimensional destinada ao uso doméstico. Desde então, o emprego das máquinas de prototipagem rápida (RP) tem experimentado um aumento significativo nos últimos anos, e a perspectiva é de continuidade desse crescimento. Esse avanço é atribuído ao progresso nos processos e à redução nos custos tanto das matérias-primas quanto dos equipamentos. De acordo com Wohlers (2012), a principal utilização da tecnologia persiste na fabricação de protótipos, embora o setor da indústria de impressão 3D tenha apresentado um potencial bastante positivo. No ano de 2010, registrou um aumento de 24,1%, alcançando a cifra de US$ 1,325 bilhões, e em 2011 esse crescimento se elevou para 29,4%, atingindo US$ 1,714 bilhões. A empresa de consultoria em manufatura aditiva liderada por Terry Wohlers, chamada Wohlers Associates e localizada no Colorado -EUA, publica relatórios anuais sobre a condição da impressão 3D e da manufatura aditiva desde 1996. Com base nesses relatórios, as Figuras 3.8 e 3.9 apresentam gráficos da utilização da impressao 3D em alguns setores da indústria nos anos de 2007 e 2019, respectivamente. 32 Capítulo 3. A Impressão 3D Figura 3.8: Setores que utilizavam a tecnologia RP em 2007 Fonte: Adaptado de Wohlers (2008) Figura 3.9: Setores que utilizavam a tecnologia RP em 2019 Fonte: Adaptado de Wohlers (2019) apud 3D Printing Industry (2022) Segundo o relatório de 2022 da Wohlers Associates, o setor de manufatura aditiva registrou um crescimento de 19,5% em 2021, uma expansão superior à taxa de 7,5% observada em 2020. Essa elevação é largamente atribuída a uma recuperação global contínua da pandemia da COVID-19. Ainda de acordo com o mesmo relatório, conforme a maturidade do setor de impressão 3D se consolida, um número cada vez maior de empresas adota essa tecnologia para aplicações de produção em série. Historicamente, a principal utilização da manufatura aditiva tem sido na prototipagem funcional. Terry Wohlers destaca que um indicador desse crescimento é o aumento significativo no consumo de pó polimérico ao longo de 2021, registrando um 33 Capítulo 3. A Impressão 3D crescimento de 43,3%, superando as resinas fotopoliméricas como o material mais empregado na impressão 3D (3D PRINTING INDUSTRY, 2022). Hoje em dia, a tecnologia de prototipagem rápida encontra aplicação em uma variedade de setores, incluindo o aeroespacial, automotivo, médico e no desenvolvimento de produtos de consumo em geral. A seguir, serão delineados os setores de aplicação que demonstram os resultados mais promissores com o uso de impressoras. 3.3.1 Indústria naval De acordo com Porto (2016), a Marinha está incorporando a tecnologia de impressão 3D para promover a autossuficiência operacional em seus navios. Quando uma peça se danifica durante uma missão em alto mar, encontrar um substituto imediato é uma tarefa desafiadora. Assim, os porta-aviões americanos USS Harry S. Truman e USS Kearsarge, navio de assalto anfíbio, foram equipados com impressoras 3D para a fabricação de peças personalizadas. Um outro exemplo, foi a fabricação de uma nova xícara de óleo (Figura 3.10) para uma máquina, uma vez que foi notado que a original era inadequada em tamanho para um funil a bordo do navio (VERGAKIS, 2015). A Figura 3.11 apresenta a maior hélice de navio já construída por impressão 3D, segundo Gurgel (2021). Figura 3.10: Impressora 3D na embarcação USS Harry S. Truman Fonte: Vergakis (2015) Figura 3.11: Maior hélice já construída usando impressão 3D Fonte: Gurgel (2021) 34 Capítulo 3. A Impressão 3D Assim como a Marinha americana, a Marinha Real britânica também está realizando testes utilizando a impressão 3D, como o foi o caso do lançamento de um drone produzido por uma impressora 3D diretamente do navio HMS Protector. Enquanto navegava pelas águas da Antártida, o navio quebra-gelo fabricou o drone a bordo e o utilizou como uma aeronave de controle remoto para explorar rotas livres de gelo. Com os avanços nas impressoras, essa tecnologia será empregada para a criação de drones de maior porte, transformando um navio porta-aviões não apenas em um aeroporto flutuante, mas em uma fábrica de aeronaves flutuantes. 3.3.2 Indústria Aeroespacial Desde a produção de partes essenciais para foguetes e satélites até a perspectiva de criar componentes diretamente no espaço, as tecnologias de impressão 3D capacitam o setor espacial a explorar fronteiras mais distantes. Empresas como a SpaceX e a Relativity Space são usuárias da impressão 3D na fabricação de componentes de foguetes (Figura 3.12). O uso da impressão 3D permitiu sanar grandes problemas que existiam na produção de foguetes, como exemplo, a confecção de geometrias complexas, pois havia restrições na fabricação de certas peças devido às limitações dos processos de manufatura em atender a determinados requisitos. A introdução da impressão 3D superou esse limite, viabilizando, por exemplo, a construção de canais internos de refrigeração que seriam impossíveis de serem obtidos por métodos tradicionais de fabricação (SALDANHA, 2023). Figura 3.12: Câmara de empuxo GRCop-42, fabricada em cobre, através de impressora 3D Fonte: Velo 3D apud Saldanha (2023) Um outro exemplo de problema sanado foi a redução de tamanho e peso e integração entre as peças, pois otimizou e muito a construção dos foguetes. Ademais, dada a necessidade 35 Capítulo 3. A Impressão 3D de peças cada vez mais complexas, precisou-se de novos materiais – ligas metálicas de última geração, por exemplo –, os quais foram concebidos atrelados a tecnologia da impressão 3D, para que fosse possível atender as demandas do alto padrão da indústria aeroespacial. A tecnologia da manufatura aditiva também é utilizada na fabricação de satélites, como exemplo, tem-se a empresa Sidus Space, a qual lançou este ano o primeiro satélite impresso em 3D. Da mesma forma, outras empresas, como a Fleet Space, pretendem conectar bilhões de dispositivos utilizando nanossatélites fabricados pela tecnologia 3D (Figura 3.13). Esse avanço abre a possibilidade de conectividade nos lugares mais precários e remotos. Figura 3.13: Antenas patch de radiofrequência (RF) impressas em materiais LaserForm para satélites. Fonte: 3D Systems apud Saldanha (2023) Ainda de acordo com Saldanha (2023), o programa 3D Printed Habitat Challenge, da Agência Espacial Americana (NASA), procurou abordagens inovadoras para o desenvolvimento de habitats em uma eventual missão a Marte. A equipe vencedora do desafio foi a SpaceFactory, que apresentou uma abordagem de construção em Marte utilizando impressão 3D para criar uma casa de vários andares (Figura 3.14). Seu método envolve a utilização de fibra de basalto extraída do solo marciano e bioplástico produzido a partir de plantas cultivadas no próprio planeta. Isso abriria a possibilidade de explorar Marte e iniciar a construção com recursos nativos do próprio planeta. Figura 3.14: Renderização do habitat Marsha impresso em 3D da AI Space Factory Fonte: AI Space Factory apud Saldanha (2023) 36 Capítulo 3. A Impressão 3D 3.3.3 Indústria Automobilística Na produção de um automóvel é necessário desenvolver ferramentas específicas para atender as particularidades de montagem. É habitual empregar materiais como aço ou alumínio na produção dessas ferramentas, mas esse método demanda tempo e frequentemente resulta em ferramentas com peso considerável. Em algumas situações, devido às complexidades associadas aos processos de fabricação tradicionais, é necessário criar múltiplas ferramentas para serem utilizadas de maneira conjunta na execução de uma tarefa específica. É nesse cenário que aimpressão 3D se destaca, pois é possível criar e até combinar ferramentas em um único artefato, utilizando um material mais leve. Isso simplifica as atividades e aprimora a eficácia das tarefas realizadas pelos colaboradores (TAMANINI e WILTGEN, 2022). De acordo com Stratasys (2021), a empresa General Motors emprega a manufatura aditiva para substituir componentes de ferramentas em sua linha de produção. A Figura 3.15 mostra uma ferramenta construída com impressão 3D. Figura 3.15: Ferramenta impressa para montagem de veículo Fonte: Stratasys (2021) Um outro exemplo de uso da impressão 3D na indústria automotiva foi pela empresa BMW. Segundo Tamanini e Wiltgen (2022), durante o processo de montagem de veículos na BMW, os colaboradores precisam pressionar vários tampões de borracha com seus polegares. Essa atividade repetitiva resultava em diversas lesões entre os funcionários da linha de montagem. Uma solução foi conceber, por meio da manufatura aditiva, um suporte específico para essa tarefa. Cada funcionário utiliza uma luva personalizada e especializada projetada para facilitar esse tipo de montagem, conforme Figura 3.16. 37 Capítulo 3. A Impressão 3D Figura 3.16: Ferramenta impressa para montagem de veículo Fonte: BMW apud Tamanini e Wiltgen (2022) Além de ferramentas e acessórios, também pode ser feita a confecção de componentes do próprio motor, a exemplo, a empresa Porsche incorpora a manufatura aditiva na produção dos pistões do motor do veículo 911 GT2-RS (Figura 3.17). Esses cilindros, fabricados por meio da impressão 3D, apresentam uma redução de cerca de 10% em peso em comparação aos pistões forjados. Além disso, possuem um canal de resfriamento especial, inviável de ser construído pelo método convencional de manufatura subtrativa. Esse sistema de resfriamento contribui para uma maior potência no desempenho desse automóvel. Figura 3.17: Ferramenta impressa para montagem de veículo Fonte: Porsche Newsroom (2020) Por fim, até mesmo a construção completa de um veículo elétrico já é uma realidade para a impressão 3D. A Figura 3.18 apresenta o veículo LSEV (Low-Speed Eletric Vehicle), comercializado desde 2019 na Ásia e na Europa. É um carro elétrico, construído utilizando a manufatura aditiva e que tem o propósito de divulgar tanto a impressão 3D, como a utilização de carros elétricos. 38 Capítulo 3. A Impressão 3D Figura 3.18: Veículo LSEV montado por meio de manufatura aditiva Fonte: Polymaker (2016) 3.3.4 Indústria da Medicina A utilização da impressão 3D na medicina se origina da biônica, a qual pode ser definida, basicamente, como uma abordagem que emprega conhecimentos biológicos para resolver desafios relacionados à engenharia e design. Um grande campo de estudo da biônica é o dos implantes sintéticos em sistemas naturais, como por exemplo próteses e órgãos artificiais. Segundo Braga et al. (2023), o maior avanço e benefício esperado da impressora 3D para a área da saúde será o desenvolvimento de órteses (peça ou aparelho de correção ou complementação de membros ou órgãos do corpo) de órgãos humanos. A utilização de próteses para melhorar a mobilidade de indivíduos amputados é uma prática comum na área médica. No entanto, encontrar uma prótese que se ajuste perfeitamente às necessidades de uma pessoa pode ser desafiador. Como resultado, pacientes frequentemente enfrentam limitações de movimento e desconforto devido ao uso contínuo do dispositivo. As próteses fabricadas por impressão 3D, além de serem mais acessíveis e de rápida produção, são desenvolvidas sob medida para atender às necessidades específicas de cada paciente (SELBETTI, 2022). A Figura 3.19 apresenta um modelo de impressora 3D utilizada para construção de uma prótese humana. Figura 3.19: Impressora 3D para próteses humanas Fonte: Adaptado de GZH Vida (2019) 39 Capítulo 3. A Impressão 3D Assim como a fabricação de próteses, busca-se utilizar a tecnologia da impressão 3D para produção de órgãos. De acordo com Braga et al. (2023), a medicina tem grande expectativa em relação à impressão 3D como uma estratégia para reduzir um dos principais desafios do setor, que é a extensa lista de espera por transplantes de órgãos. O avanço tecnológico visa imprimir órgãos utilizando células-tronco do próprio paciente, buscando minimizar as taxas de rejeição frequentemente associadas a transplantes. Esse processo envolve a combinação de células-tronco vivas do paciente com fragmentos do órgão a ser impresso. Segundo Mais Laudo apud Braga et al. (2023), em 2019, cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Jerusalém, conceberam e fabricaram um coração completo usando a tecnologia de impressão 3D. O órgão incluía células, vasos sanguíneos, ventrículos e câmaras. 40 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Capítulo 4 A IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL Segundo Laruccia (2014), a indústria da construção civil desempenha um papel crucial ao proporcionar vantagens não apenas no aspecto econômico, mas também no social, promovendo o desenvolvimento contínuo do país. Ademais, destaca-se como um dos setores industriais com maior impacto na geração de empregos. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), no período de janeiro a agosto de 2019, o Brasil registrou a geração de 593 mil novos empregos formais, sendo a construção civil a principal impulsionadora desse crescimento, com a abertura de 96,5 mil vagas, representando 16% do total de empregos criados. Em comparação, no mesmo intervalo de 2018, foram gerados 568 mil empregos, com a construção civil contribuindo com 65,5 mil postos de trabalho, o que equivalia a 12% do total de empregos criados. A despeito da relevância do setor de construção civil, este se configura como uma das atividades que mais degradam o meio ambiente, com seus impactos ambientais evidentes em todas as fases da cadeia produtiva. (LARUCCIA, 2014). Para além dos efeitos ambientais prejudiciais originados pela extração de matérias-primas, o processo de produção em si contribui significativamente para a degradação ambiental. A indústria também desempenha um papel proeminente na geração de resíduos sólidos e na emissão de gases de efeito estufa. (ARAÚJO, 2017). Um claro exemplo disso é o método de fabricação do cimento Portland, que, além de retirar seus componentes da natureza (calcário e argila), ocasiona considerável liberação de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera durante o processo produtivo. 4.1 Contextualização A procura por abordagens inovadoras, visando diminuir despesas, minimizar desperdícios e aumentar a eficiência, é uma constante em todos os setores, incluindo a construção civil. A inovação nessa indústria ocorre mais lentamente, se comparada a outras, como a automobilística, por exemplo. Um dos avanços da construção civil nas últimas décadas foi a substituição da tradicional prática de misturar e moldar concreto in loco, pelo concreto pré-moldado ou pré-fabricado na construção industrial de diversos países desenvolvidos e recentemente industrializados. Todavia, a indústria da construção civil ainda é muito artesanal. Por isso, a principal ênfase para uma estratégia de inovação na indústria da construção deve ser a utilização de tecnologia de outras áreas para reforçar as vantagens competitivas (TIDD et al., 1997). 41 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil A impressão 3D emerge como uma opção revolucionária nesse cenário. Conforme previamente destacado, Charles Hull introduziu a impressão tridimensional em 1984, inicialmente como um método de prototipagem rápida. Atualmente, diversas técnicas de impressão em três dimensões estão disponíveis, contudo, o princípio fundamental continua sendo o da manufatura aditiva, no qual o material é incrementado de forma estratificada(QUEIROZ JUNIOR, 2022). De acordo com Wu et al. (2016), do ponto de vista da construção civil, além de residências, os edifícios também são produtos com potencial para utilização da impressão 3D. Enquanto uma edificação, como um prédio multifamiliar, por exemplo, requer um investimento robusto, no que se refere a equipamentos e materiais, visto que cada edificação é única, a utilização de uma tecnologia como a impressão 3D necessita apenas de uma simples mudança feita na modelagem do edifício no software. Assim, verifica-se uma grande quantidade de benefícios propiciados por essa tecnologia, tais como: aprimoramento dos custos, redução de desperdícios, flexibilidade de design, redução de mão de obra e rapidez. De acordo com Silva, et al. (2018), essa tecnologia já está em uso na construção civil em nações como a China e os Estados Unidos. Empresas desse setor nesses países conseguem fabricar em larga escala e têm a habilidade de construir 10 residências em menos de um dia. Um significativo benefício da aplicação dessa tecnologia é a capacidade de transportar e instalar o equipamento diretamente no local da construção, simplificando todo o procedimento. A Figura 4.1 mostra uma residência sendo construída por uma impressora 3D de grande porte. Figura 4.1: Residência sendo construída com impressora 3D de grande porte Fonte: Garcia (2023) Para além de construções convencionais, a tecnologia de impressão 3D também pode ser empregada na pavimentação de estradas e até mesmo na construção de pontes. Um exemplo notável é uma empresa belga que utilizou uma impressora 3D para pavimentar rodovias. Essa 42 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil tecnologia executou as tarefas a uma velocidade cinco vezes superior, alcançando cerca de 500 metros adicionais por dia, se comparada aos métodos tradicionais (FEUSER, 2017). Nos Países Baixos, foi apresentada em 2017 a primeira ponte para ciclistas fabricada em concreto (Figura 4.2), ela foi construída por meio da sobreposição de 800 camadas finas de concreto. Figura 4.2: Ponte produzida por impressão 3D na Holanda Fonte: Adaptado de LWT Sistemas (2017) No que se refere a utilização da impressão 3D para construção civil, têm-se três técnicas principais: Contour Crafting (CC), D-shape e Concrete Printing. Os três métodos compartilham a característica de construção aditiva, no entanto, foram concebidos para diferentes propósitos e materiais, proporcionando vantagens específicas para cada um deles. De acordo com Paul et al. (2016), geralmente, esses métodos de impressão seguem duas estratégias, a saber, bombeamento e extrusão, e métodos baseados em ligação seletiva. Em ambas as estratégias, um arquivo STL (Standard Triangulation Language) é derivado de um modelo CAD 3D e posteriormente subdividido em várias camadas 2D durante um processo conhecido como "fatiamento". As coordenadas cartesianas das camadas 2D, aliadas a parâmetros de impressão como velocidade da cabeça de impressão, taxa de extrusão e taxa de deposição de ligante, são posteriormente transferidas para uma impressora 3D em uma linguagem compreensível pela máquina. A estrutura almejada é, então, construída de forma progressiva, camada por camada, empregando as coordenadas e as taxas de impressão fornecidas. 4.2 Contour Crafting (CC) A CC, que pode ser traduzida como “construção por contornos”, é a tecnologia precursora da impressão 3D na Construção Civil e está em constante evolução desde a concepção do seu conceito em 1998. O desenvolvimento é liderado por Behrokh Khoshnevis e 43 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil sua equipe do Departamento de Engenharia Industrial e de Sistemas da University of Southern California, em Los Angeles, Califórnia (CUNHA, 2022). Segundo Lim et al. (2011), essa técnica utiliza a extrusão de uma mistura de cimento através de uma espátula para criar um acabamento superficial suave por meio da sobreposição de camadas sucessivas. Foi concebida para abordar desafios na construção automatizada de alta velocidade, e o atual dispositivo de deposição pode aplicar material para formar uma parede estrutural completa, otimizando a utilização de materiais. A Figura 4.3 apresenta um exemplo de construção em escala utilizando a técnica de contour crafting. Figura 4.3: Exemplo de construção em escala utilizando a técnica de contour crafting Fonte: Lim et al. (2012) Basicamente, o processo construtivo consiste em usar um computador de controle para explorar a capacidade superior de formação de superfície de uma espátula com lâmina para criar com precisão superfícies com características complexas. O processo combina um processo de extrusão para formar as superfícies do objeto com um processo de enchimento (vazamento ou injeção) para construir o objeto essencial (KHOSHNEVIS, 2001). O dispositivo de extrusão (Figura 4.4), empregado na formação de elementos estruturais, apresenta várias aberturas, uma destinada a cada face exterior, bem como outras voltadas para o interior (núcleo) de uma estrutura de parede. Cada abertura lateral é acompanhada por uma espátula adjacente. Ao extrudir o material, a interseção das espátulas resultam em superfícies externas e superiores suaves em cada camada, alcançando uma precisão de até 2 micrômetros (Figura 4.5). O bocal pode ser ajustado para criar superfícies não-ortogonais, tais como cúpulas e abóbadas. (PORTO, 2016). 44 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Figura 4.4: Conjunto do Bocal Fonte: Adaptado de Fabheads (2022) Figura 4.5: Exemplo de uso da técnica CC Fonte: Adaptado de Wolfs (2015) A utilização do Contour Crafting (CC) na indústria da construção é ilustrada na Figura 4.6. Nesse cenário, um mecanismo de guindaste, conduzindo o bocal, desloca-se ao longo de duas trilhas paralelas instaladas na área de construção. Isso possibilita a construção automática de uma única residência ou de um conjunto de casas, cada uma podendo ter um design distinto, tudo em uma única operação (CUNHA, 2022). Figura 4.6: Esquema de funcionamento da técnica de Contour Crafting Fonte: Contour Crafting (2016) 45 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil A investigação conduzida na University of Southern California tem progredido por meio de três etapas (KHOSHNEVIS (2004) apud WOLFS (2015)): • Etapa I - Tem como objetivo desenvolver a tecnologia CC fundamental para imprimir estruturas residenciais de uma única vez. Um sistema de pórtico transporta o bocal e outros braços robóticos se movem ao longo de duas faixas paralelas no local de construção. • Etapa II - Envolve a expansão do sistema para estruturas maiores, como comunidades e construções multi-residência. O sistema de construção integrado inclui métodos automatizados para azulejos, encanamento, fiação elétrica e pintura. Dessa forma, é possível produzir edifícios residenciais, hospitais, escolas e prédios governamentais. • Etapa III - Propõe a adaptação da CC como técnica para construção de comunidades inteiras. Sistemas e tecnologias de informação sensorial serão incorporados para inspeção em tempo real e feedback para o gerenciamento de projetos, visando uma implantação eficiente. 4.3 Concrete Printing (CP) Nos últimos anos, outras inovações na área da impressão 3D foram concebidas para atender às exigências específicas da indústria da construção. A técnica Concrete Printing foi desenvolvida por uma equipe do Departamento de Engenharia Civil e de Construção da Universidade de Loughborough (CUNHA, 2022). É importante esclarecer que apesar do nome da técnica, que traduzido livremente significa “impressão de concreto”, não há a presença de agregado graúdo, por isso, caracteriza-se como uma argamassa. A não utilização de agregado graúdo, geralmente, se dá para evitar a obstrução durante a extrusão, tendo emvista que o diâmetro do tubo extrusor é próximo do diâmetro do agregado graúdo, o que dificultaria o processo. De acordo com Lim et al. (2011), o método Concrete Printing também utiliza a extrusão de uma mistura de cimento, no entanto, a abordagem desenvolvida preserva a liberdade tridimensional e oferece uma resolução de deposição inferior. Isso possibilita um maior controle sobre as geometrias internas e externas. Segundo Schuldt (2021), a técnica de Concrete Printing constitui-se como um processo de extrusão úmida, no qual o concreto pré-misturado ou argamassa à base de cimento é aplicado em camadas por um bocal, formando uma estrutura sem a necessidade de utilizar moldes. Todavia, difere da elaboração de contornos porque não incorpora técnicas de acabamento superficial, deixando os componentes impressos com uma aparência distinta em camadas. Um subproduto desse método é o acabamento superficial com 46 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil nervuras, uma vez que a aparência final está diretamente relacionada à espessura da camada. A Figura 4.7 mostra o acabamento que pode ser alcançado diretamente durante o processo de fabricação. Figura 4.7: Exemplo de aplicação da técnica Concrete Printing Fonte: Adaptado de Lim et al. (2011) Foi a partir de algumas limitações encontradas na técnica de Contour Crafting que os pesquisadores da Universidade de Loughborough desenvolveram o método Concrete Printing, como exemplo, o fato de que no método CC, tem-se a necessidade de procedimentos adicionais, tais como a criação de moldes, a incorporação de elementos de reforço e a aplicação de concreto em camadas com altura de até 20 mm (LIM et al. 2011). De acordo com Yossef e Chen (2015), a impressora usada na técnica de CP possui um quadro com dimensões de 5,4 m x 4,4 m x 5,4 m (altura) e uma unidade de impressão (cabeça) que desloca uma viga móvel. Um bocal de 9 milímetros é conectado à unidade de impressão para fornecer o material de extrusão. A Figura 4.8 mostra a máquina usada pelos pesquisadores de Loughborough. Figura 4.8: Máquina utilizada pelos pesquisadores de Loughborough. Fonte: Adaptado de Lim et al. (2011) 47 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil 4.4 D-Shape A técnica D-Shape é um método de fabricação 3D concebido por Enrico Dini, que, à semelhança da CC e da Concrete Printing, fundamenta-se na fabricação aditiva. Contudo, a abordagem de Dini difere, não utilizando a extrusão para imprimir peças, ao contrário dos outros dois modelos. O método emprega um procedimento de deposição de pó, endurecido seletivamente através de um aglutinante. Cada camada de material de construção é aplicada com a espessura desejada, compactada e, em seguida, bicos montados em uma estrutura de pórtico depositam o ligante nas áreas onde a peça será solidificada. Uma vez concluída, a peça é removida do leito de pó solto (LIM et al., 2011). A Figura 4.9 mostra a cabeça de impressão sendo movida sobre a área de impressão e depositando o ligante onde a peça será solidificada. Figura 4.9: D-Shape Fonte: Wolfes (2015) Após a conclusão, a peça é retirada da camada de pó solto por meio de escavação. A areia não endurecida atua temporariamente como suporte para as camadas superiores, possibilitando formas que não podem ser obtidas por meio de uma única camada de material extrusado. Uma desvantagem desse método é a necessidade de espalhar e compactar a areia para cada camada. Após a finalização do elemento, toda a areia não utilizada deve ser removida (LIM et al. 2012). O D-Shape é uma abordagem tecnológica que incorpora a ideia de aplicar jato de tinta em pó no âmbito da Engenharia Civil (CUNHA, 2022). 4.5 Impressoras 3D para construção civil Segundo Paul et al. (2018), atualmente, existem três tipos de impressoras para construção civil: pórtico, robótica e os sistemas de guindaste (Figura 4.10). Esses sistemas são usados frequentemente na indústria e nas universidades. É importante mencionar que a impressora do tipo pórtico é também um sistema de guindaste, todavia, sua altura é normalmente fixa, como pode ser visto na Figura 4.10 a), enquanto o sistema de guindaste é ajustável quanto a sua altura (Figura 4.10 b)). 48 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Figura 4.10: Impressoras 3D atuais de concreto: a) pórtico, b) robótica e c) guindaste Fonte: Paul et al. (2018) As impressoras do tipo pórtico e guindaste possuem como vantagens a facilidade de escalonar as suas dimensões, diferente das impressoras do tipo robótica, as quais possuem uma dimensão fixa e, portanto, são menos flexíveis. Em contrapartida, as impressoras robóticas possuem maior velocidade e mais graus de liberdade, permitindo que ela execute tarefas mais específicas que não sejam possíveis de serem realizadas pelos outros dois tipos. Normalmente, quando o objeto a ser impresso não possui formas de alta complexidade – com muitos ângulos, por exemplo – opta-se pela utilização das impressoras do tipo pórtico ao invés das robóticas, pois o custo do robô é mais alto e carga suportada por ele é menor do que a suportada pelo pórtico. As impressoras deste tipo podem variar suas dimensões desde versões de laboratório a dimensões próximas de 40 x 10 x 6,60 m (comprimento x largura x altura), para impressão de construções de grande porte. É possível ainda adicionar um robô às impressoras do tipo pórtico, de forma que o eixo rotacional adicionado permite a impressão de formas mais complexas, as quais não poderiam ser impressas por impressoras do tipo pórtico comum. A empresa Apis Cor desenvolveu uma impressora do tipo guindaste, a qual permitia a impressão em uma área de até 58 m², praticamente sem limitação quanto à altura (PAUL et al. 2018). 4.6 Análise comparativa das principais técnicas Indubitavelmente, as três técnicas (CC, CP e D-Shape) aqui apresentadas são as principais no ramo da impressão 3D para construção civil. Além disso, os três métodos 49 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil comprovaram o sucesso na fabricação de componentes de tamanho significativo e são adequados para aplicações de construção e/ou arquitetura. Esses métodos de impressão foram fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e para as experimentações recentes na impressão de edificações (PORTO, 2016). Os três métodos compartilham a característica de serem construídos por meio da manufatura aditiva, no entanto, foram concebidos para aplicações e materiais distintos, conferindo a cada um vantagens específicas (LIM et al. 2012). De acordo com Wu et al. (2016), a tecnologia CC foi criada como um dispositivo montado em guindaste para uso in loco, já as técnicas D-Shape e Concrete Printing são métodos de manufatura que utilizam pórticos para realizar a fabricação fora do local de instalação. As técnicas que utilizam a extrusão (CC e CP) como sistema de impressão se sobressaem em relação aos outros métodos em virtude das vantagens conferidas. A exemplo, tem-se a flexibilidade da impressão quanto ao design, visto que grande parte da forma a ser impressa independe do material a ser extrudado, permitindo o adiamento de decisões quanto ao design do elemento. Em contrapartida, em técnicas que usam o processo de deposição de pó (D-Shape), como nas impressoras a jato de tinta – nas quais o material é solidificado por meio de um agente aglutinante –, as propriedades específicas do material de impressão precisam ser identificadas no início do processo de design, pois seu confinamento e entrega tornam-se elementos essenciais do planejamento mecânico da impressora. Em compensação, no que concerne a uma máquina que utiliza o mecanismo da extrusão, caso um material aprimorado seja concebido durante a vigência operacional da impressora, é suficiente realizar a substituição da cabeça de impressão e do material,preservando a integridade de toda a estrutura mecânica (PORTO, 2016). O método CC fabrica grande parte dos elementos verticais por compressão, em caso de necessidade de aberturas de vãos para portas ou janelas, utiliza-se elementos estruturais como uma verga, sobre a qual será construída a parede. Ambos os métodos – CP e o D-Shape – necessitam de apoio adicional para construir saliências e outros elementos de formato livre, no caso do D-Shape, por ser um processo baseado em deposição de pó, emprega material pulverulento não compactado como suporte, enquanto o CP utiliza uma substância secundária de maneira semelhante à técnica de FDM apresentada no capítulo 3. Como forma de resumir as semelhanças entre as técnicas supracitadas, LIM et al. (2011), desenvolveram o diagrama de Venn apresentado na Figura 4.11. 50 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Figura 4.11: Semelhanças entre as três técnicas (CC, CP e D-shape) Fonte: Adaptado de Lim et al. (2011) apud Porto (2016) De acordo com Lim et al. (2011), a profundidade das camadas muda de acordo com a técnica empregada, sendo de 4 a 6 mm para as tecnologias Concrete Printing e D-Shape, e aproximadamente 13 mm em Contour Crafting. A principal compensação na profundidade da camada em todos os três processos é contra a velocidade de construção, ou seja, o número de camadas necessárias para construir a altura desejada. A decisão sobre o método a ser empregado será moldada pelo tamanho mínimo dos detalhes desejados, o acabamento superficial desejado, as propriedades do material escolhido e o design específico da peça. No contexto do processo D-Shape, a consideração acerca da penetração do aglutinante em cada camada representa um parâmetro importante. Ainda conforme Lim et al. (2011), a taxa de impressão é igualmente influenciada pelas características do material de construção e/ou pela velocidade com que o aglutinante é depositado. A técnica Contour Crafting evita prolongados intervalos de tempo entre camadas ao imprimir uma camada completa em apenas duas passagens da cabeça de deposição. Por outro lado, a tecnologia D-Shape emprega um arranjo de múltiplos bicos montados sequencialmente em um pórtico, demandando apenas uma passagem única para cada camada. Contudo, é necessário empurrar o material por toda a extensão da área de construção, comprimindo-o e nivelando-o. Já a tecnologia Concrete Printing utiliza um único bocal de deposição, em contraste com a abordagem da D-Shape, o que implica na deposição exclusiva do volume necessário para a impressão. No entanto, a utilização de um único bocal inevitavelmente 51 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil restringe a taxa de deposição, uma vez que o bocal precisa percorrer toda a extensão da área a ser construída. Finalmente, os materiais utilizados nas três técnicas solidificam-se através de um processo de cura, o qual é intrinsecamente menos manipulável em comparação aos métodos convencionais de adição baseados em mudanças de fase, como calor ou UV. Tanto CC quanto CP são processos envolvendo umidade, ao passo que D-Shape é predominantemente um processo caracterizado como "seco". O Quadro 1 apresenta um resumo das semelhanças e diferenças entre as tecnologias apresentadas. Quadro 1: Comparativo dos processos de impressão 3D mais utilizados na indústria da Construção Fonte: Adaptado de LIM et al. (2012) apud Cunha (2022). 4.7 Características e propriedades das argamassas impressas com a tecnologia 3D De acordo com Mukhametrakhimov e Lukmanova (2021), ao examinar as composições de concreto mais comuns, observa-se que os materiais presentes na mistura, especialmente no que diz respeito aos agregados de grande dimensão, não são otimizados para a impressão 3D. 52 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Isso se manifesta em problemas como a ruptura de camadas, formação de vazios, fraturas, baixa resistência mecânica, deformações resultantes da significativa retração, entre outras questões. Esses problemas contribuem para a redução da durabilidade dos produtos fabricados com esse material. Por isso, o material mais adequado para a impressão 3D na construção civil são as argamassas. As Figuras 4.12 e 4.13 apresentam defeitos comuns pela utilização de misturas inadequadas. Figura 4.12: Defeito causado em uma construção residencial feita com impressão 3D: a) No início da impressão; b) Impressão finalizada a) b) Fonte: Le Roux apud Mukhametrakhimov e Lukmanova (2021) A Figura 4.12 evidencia nitidamente uma falha em que a camada anterior não consegue sustentar o peso próprio da camada subsequente, resultando em deformações na geometria da peça. Mais precisamente, ocorre um aumento na largura e uma redução na altura das camadas, provocando, por conseguinte, uma diminuição na resistência mecânica, uma adesão inadequada entre as camadas e uma redução na durabilidade do material (QUEIROZ JUNIOR, 2022). Figura 4.13: Defeito em uma parede de concreto causado por impressão 3D Fonte: CyBe Additive Industries apud Mukhametrakhimov e Lukmanova, (2021) A Figura 4.13 apresenta a ruptura de uma porção da parede de concreto fabricada por uma impressora 3D. É de suma importância destacar a forma de moldagem desses materiais, 53 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil pois a ausência de fôrmas não apenas dificulta a cura da argamassa e/ou concreto, mas também aumenta a probabilidade de ruptura de camadas ou até mesmo o colapso parcial ou total da estrutura. Além disso, não existe um método de compactação da peça, como é comum em peças de argamassa ou concreto tradicionais; a "compactação" ocorre devido ao peso próprio das camadas. Segundo Mukhametrakhimov e Lukmanova, (2021), os principais elementos que exercem impacto nas composições de argamassas destinadas à impressão incluem a trabalhabilidade, a fluidez para transporte entre os tubos de extrusão (tixotropia), a ausência de fraturas e fissuras na mistura, a reduzida retração, a elevada aderência e a resistência plástica. Para os produtos finais, é imperativo que demonstrem a força adequada, uniformidade e estabilidade em suas propriedades. A relação água/cimento (a/c) destaca-se como um dos fatores primordiais para a organização e fortalecimento da pasta de cimento no contexto da construção por impressão 3D. Uma abordagem para aprimorar as características reológicas das misturas de concreto destinadas à impressão 3D consiste na incorporação de minerais ativos e aditivos químicos. Além disso, a utilização de sílica é uma alternativa visando reduzir a retração na mistura (ZHANG, et al., 2018; SLAVCHEVA, 2019). Em situações em que as misturas de argamassa ou concreto, produzidas por impressão 3D, manifestem uma resistência e tenacidade à fratura insuficientes, uma abordagem viável consiste na introdução de reforço por meio de fibras diversificadas, tais como polietileno, vidro, basalto, entre outras. (NERELLA; OGURA; MECHTCHERINE, 2018; YIHE, 2011; KLYUEV et al., 2019). 4.7.1 Interface entre camadas Outro aspecto de considerável relevância que incide diretamente sobre as peças fabricadas pela tecnologia 3D é a interface entre as camadas. Dada a natureza dos elementos produzidos, é inevitável a presença dessa interface. Frequentemente, é nessa zona entre as camadas que se encontram os pontos mais vulneráveis da estrutura (ver Figura 4.14), os quais desencadeiam uma anisotropia mais pronunciada e impactam negativamente não apenas no desempenho mecânico, mas também na durabilidade dos elementos a serem impressos. (VENKATESH; HEMPEL; MECHTCHERINE, 2019). 54 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil Figura 4.14: Pontos fracos localizados nas interfaces entre camadas. Fonte: VENKATESH; HEMPEL; MECHTCHERINE (2019) Na Figura 4.14 observa-se a acumulação de água em determinados pontosnas interações entre as camadas, resultando em impactos diretos nas propriedades físicas e mecânicas da peça impressa, assim como em sua durabilidade. Este acúmulo pode ter origem na elevada porosidade da interface. As forças de aderência entre as camadas podem ser descritas em termos de parâmetros documentados na literatura, tais como a rugosidade do substrato, coeficientes de coesão e atrito na interface, níveis de umidade e saturação do substrato, porosidade do substrato, temperatura ambiente e do substrato, tensão normal à interface, composição do concreto aplicado, especialmente o uso de agente adesivo, idade do substrato e, se aplicável, grau e orientação do reforço, ou seja, a ligação entre o substrato e o revestimento. (COSTA; ALFAIATE; JÚLIO, 2012; SANTOS et al., 2012; Eurocode 2, 1992). Segundo Venkatesh et al. (2019), em peças que já estão endurecidas, as fragilidades podem estar associadas ao desgaste da superfície do substrato ou, alternativamente, a uma rugosidade inadequada. Os autores mencionados também sustentam que o desempenho mecânico das interfaces entre as camadas, principalmente quando submetidas a forças de tensão e cisalhamento, está intrinsecamente ligado às propriedades reológicas e morfológicas, assim como aos estados físico e químico tanto do substrato quanto da sobreposição realizada. Como mencionado anteriormente, a ausência de moldes na fabricação de argamassas 3D expõe as peças extrudadas a influências de fatores externos, que podem comprometer a integridade da estrutura. Consequentemente, as interfaces entre as camadas tornam-se suscetíveis a esses agentes externos, justificando a necessidade de uma investigação meticulosa sobre a ligação entre elas. Zareiyan e Khoshnevis (2017), examinaram o impacto das dimensões dos agregados e dos parâmetros do processo na aderência entre camadas. Em suas análises, constataram que a força de adesão entre camadas, com uma dimensão de 2,5 cm e um intervalo 55 Capítulo 4. A Impressão 3D na Construção Civil de seis minutos entre elas, diminuiu em 19% em comparação com amostras monolíticas. Panda et al. (2018), investigaram os efeitos dos parâmetros do processo na resistência à tração e, em suas pesquisas, determinaram que a redução da altura de lançamento, isto é, a distância entre o bico e o elemento a ser impresso, resulta em um aumento considerável na resistência de união. 56 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil Capítulo 5 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL Neste capítulo, procura-se apresentar exemplos concretos referentes à utilização de impressoras 3D no setor da construção civil. Após a revisão das tecnologias fundamentais e os estudos de impressão em concreto no capítulo anterior, apresenta-se agora algumas aplicações específicas na indústria da construção, com o intuito de possibilitar uma análise mais aprofundada dos métodos empregados. É importante esclarecer que os exemplos, em sua maioria, não foram detalhados no universo acadêmico, portanto, as informações foram predominantemente adquiridas por meio de notícias disponíveis na internet. 5.1 Edifícios construídos com componentes impressos De acordo com Wu et al. (2016), em virtude das dimensões das impressoras 3D, argumentou-se que modelos ou construções de médio ou grande porte seriam impraticáveis utilizando as tecnologias existentes. No entanto, observou-se uma notável evolução no desenvolvimento de impressoras 3D em larga escala para atender à demanda da impressão 3D em um contexto industrial, particularmente na última década. Um exemplo do avanço da impressão 3D em obras de grande porte é a empresa chinesa WinSun Decoration Design Engineering Co., a qual utilizou uma impressora de 150 m (comprimento) x 10 m (largura) x 6.6 m (altura) para imprimir 10 casas (de 200 m² cada), em 2014, Figura 5.1, no Parque Industrial de Alta Tecnologia de Xangai, no distrito de Qingpu. Figura 5.1: Parque industrial de alta tecnologia em Qingpu Fonte: Luimstra (2014) O procedimento adotado assemelha-se a técnica Contour Crafting, com a impressão de uma camada externa seguida pela criação de uma estrutura interna em padrão zigue-zague. A Figura 5.2 mostra a inserção de reforço entre as camadas durante o processo de impressão. Utilizando essa técnica, a empresa completou diversos projetos, incluindo residências individuais, mansões e um edifício de cinco pavimentos com uma área de 1.100 m². A 57 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil composição empregada na construção incorpora fibra de vidro, aço, cimento, agentes de endurecimento e materiais reciclados provenientes de resíduos de construção (WOLFES, 2015). Figura 5.2: Reforço para pontos fracos localizados nas interfaces entre camadas Fonte: Wolfes (2015) Apesar da similaridade com a tecnologia CC, a qual imprime toda a construção in loco, a empresa WinSun utilizou uma abordagem diferente quanto a logística. A empresa imprimiu grandes componentes que fariam parte das residências em uma fábrica e os transportou para montagem no canteiro de obras. A Figura 5.3 mostra o içamento das peças impressas. Figura 5.3: Içamento de peças impressas Fonte: Adaptado de Wolfes (2015) Um outro exemplo da evolução do uso da impressão 3D na construção de edificações foi a impressão de um edifício residencial completo, também pela WinSun, com cinco andares, representando um investimento total de 161 mil dólares (Figura 5.4). A construção abrange uma área total de 1.100,00 m², e na ocasião da inauguração, não foi autorizada para habitação devido às regulamentações de segurança chinesas. Localizada no Parque Industrial de Sunzhou, na província de Jiangsu, no leste da China, essa estrutura permanece como um exemplo marcante da aplicação da tecnologia de impressão 3D na construção. 58 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil Figura 5.4: Prédio de cinco andares impresso em 3D na China Fonte: Sevensonn (2015) Segundo 3DERS (2015), a WinSun projeta que a implementação da tecnologia de impressão 3D possa resultar em uma economia significativa, variando entre 30% e 60% nos materiais de construção, além de reduzir os prazos de produção de 50% a 70%. Simultaneamente, antecipa uma diminuição nos custos de mão de obra na faixa de 50% a 80%. Wu et al. (2016) elencaram 3 principais dificuldades enfrentadas pela empresa WinSun nos empreendimentos lançados: • Abordagem indireta: assemelhando-se a projetos de concreto pré-fabricado, os elementos de construção foram impressos em uma instalação fechada, transportados para o local da construção e montados in loco. Assim, tanto a vila quanto o edifício de cinco andares não foram criados diretamente a partir de dados eletrônicos. Apesar de ser comum utilizar conexões ao instalar componentes de concreto pré-fabricado, tanto na vila quanto no edifício, optou-se pelo contato direto entre as peças. • Suscetibilidade à quebra: apesar da incorporação de fibra de vidro para reforçar a resistência do concreto impresso, o material revelou-se frágil para ser empregado como componentes estruturais e elementos de construção responsáveis por suportar cargas horizontais, como lajes e escadas. No entanto, ao utilizar o material em componentes de suporte de carga, ele pode ser impresso em formato de molde (Figura 5.5). Portanto, uma notável vantagem dessa tecnologia é a eliminação da etapa de remoção do molde. 59 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil Figura 5.5: Molde de concreto impresso pela WinSun Fonte: Wu et al. (2016) • Exclusão de serviços de construção: serviços essenciais, como instalações elétricas e canalizações, não foram incorporados ao procedimento de impressão 3D. Consequentemente,foram necessárias atividades adicionais, resultando em desafios para a integridade estrutural. A Figura 5.6 ilustra a ausência de integração dos serviços elétricos no processo de impressão, demandando perfurações subsequentes que podem acarretar possíveis danos. Figura 5.6: Falta de integração com as instalações Fonte: Wu et al. (2016) 5.2 Edifícios construídos com as paredes impressas in loco Um exemplo de construção in loco utilizando a impressão 3D foi a empresa TotalKuston, a qual construiu uma casa de festas de 130 m² (Figura 5.7) anexa ao Lewis Grand Hotel, nas Filipinas. A equipe da TotalKuston identificou, nas Filipinas, uma areia única contendo cinzas vulcânicas. Apesar de ser desafiador extrudir esse material, ele resultou em 60 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil paredes robustas com uma adesão eficaz entre as camadas. O processo de impressão 3D demandou aproximadamente 100 horas, excluindo uma considerável quantidade de interrupções para a instalação de encanamento, fiação e a produção de vigas de concreto. Ainda de acordo com Burem (2016), o processo de preparação das peças em Minnesota, seu transporte para o local de aplicação e a montagem da impressora demandaram vários meses. Conforme o proprietário da TotalKuston, apesar de ser econômica a impressão de residências em termos de materiais e trabalho manual, o processo de estabelecer uma fábrica em um país distinto e iniciar a montagem de impressoras ainda representa um custo significativo. Figura 5.7: Detalhes da impressão da casa de festas Fonte: Burem (2016) apud Porto (2016) Um outro exemplo de impressão in loco foi a empresa Apis Cor, que construiu o maior edifício do mundo por meio de impressora 3D, sendo este um edifício de escritórios de dois andares em Dubai, com uma área de superfície de 640 m² e altura de 9,50 m, conforme Figura 5.8. Segundo Marinho (2020), a edificação foi realizada com uma máquina operada sem proteção em condições climáticas adversas. Uma equipe reduzida assumiu a responsabilidade pela preparação da fundação, inserção de armações para reforço estrutural, aplicação de cobertura, abertura de espaços para janelas e execução das instalações elétricas e hidrossanitárias. Cabe ressaltar que esses processos ainda não foram automatizados. Por meio deste empreendimento, ampliou-se a compreensão das tecnologias de manufatura aditiva empregadas em construções de grande envergadura. Este avanço, 61 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil inquestionavelmente, contribuiu para o refinamento dessa tecnologia e estabeleceu os alicerces para a criação de novas versões e concepções. Figura 5.8: a) Impressão de edificação de dois pavimentos em Dubai e b) edificação concluída a) b) Fonte: Adaptado de Apis Cor (2020) 5.3 Impressão 3D de uma residência no Brasil em Macaíba/RN Segundo Cunha (2022), no ano de 2020, introduziu-se a tecnologia de impressão 3D no Brasil por meio de uma startup universitária. Esta iniciativa foi estabelecida em 2015 por estudantes de engenharia da Universidade Potiguar. A mencionada startup desempenhou um papel crucial ao conceber a primeira máquina de impressão 3D em concreto na América Latina. A 3D Home Construction, empresa criada pelo grupo de estudantes, foi a responsável por um dos projetos recentes mais inovadores. Uma residência (Figura 5.9) com área de 66,00 m² foi erguida em Macaíba/RN, na região metropolitana de Natal/RN, em um período de 48 horas. Figura 5.9: a) Planta baixa da residência e b) construção real a) 62 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil b) Fonte: 3D Home Construction (2020) A residência possui 5 cômodos e possui os requisitos do padrão de habitação de interesse social. A implementação da impressora 3D possibilitou uma despesa de R$ 50,00/m² para a execução da laje e aquisição do material de impressão. Prevê-se que, no futuro, os custos diminuam ainda mais, variando entre 20 e 50% do montante registrado nesta inicial experiência. Além disso, a adoção dessa tecnologia pode resultar em uma economia de 30% do material geralmente descartado em processos tradicionais de construção, contribuindo para a redução do desperdício (CREA/RJ, 2020). Utilizando uma técnica muito próxima da CC, a impressora utilizada foi do tipo pórtico, como pode ser observado na Figura 5.9 b), a estrutura possuía área de impressão de 12m (comprimento) x 7,6 m (largura) x 3m (altura) – a empresa garantiu que essas medidas podem ser ajustadas para comprimentos maiores – dentro de um lote 10 x 20m. O traço formulado pelos engenheiros da 3D Home Construction foi previamente submetido a testes, sendo a argamassa extrudida por uma tubulação de ¼”. Após diversos experimentos, chegaram à mistura final utilizada na construção da residência, que alcança uma resistência de 29 Mpa após quatro dias de cura. Os materiais empregados na extrusão são idênticos aos utilizados em construções convencionais (CUNHA, 2022). A composição do traço está em processo de patenteamento pela empresa e, por isso, não foi divulgada. Todavia, trabalhos realizados no Brasil, como o de Queiroz Junior (2022), revelam que argamassas com espalhamento (flow table) entre 210 a 230 mm são extrudáveis utilizando uma impressora com tecnologia semelhante a utilizada pela 3D Home Construction, porém, em dimensões de laboratório. Apesar da relevante divulgação da obra, por falta de recursos e patrocínios, a casa não foi concluída na época. 63 Capítulo 5. Exemplos de Aplicação da Impressão 3D na Construção Civil Portanto, a experiência no Brasil se mostra limitada e incompleta, se comparada ao grande número de trabalhos desenvolvidos no exterior. Entretanto, de acordo com Santos (2021), acredita-se que a adoção da impressão 3D no Brasil alcance um avanço significativo com a implementação do Hubic – Hub de Inovação e Construção Digital. Este projeto resulta de uma colaboração entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). O Hubic será equipado com uma impressora de grande porte, visando impulsionar a aplicação dessa tecnologia não apenas no setor imobiliário, mas também em projetos de infraestrutura, além da parceria com 14 empresas do setor. 64 Capítulo 6. Análise de Viabilidade da Implementação da Impressão 3D na Construção Civil Capítulo 6 ANÁLISE DA VIABILIDADE DE IMPLEMENTAÇÃO DA IMPRESSÃO 3D NA CONSTRUÇÃO CIVIL Indubitavelmente, a impressão 3D é um dos processos mais inovadores da indústria da construção civil, e consigo traz benefícios claros, quando comparado aos sistemas convencionais de construção. Para Yossef e Chen (2015), a impressão 3D facilita a produção em larga escala, requer menos trabalho manual, acelera o processo de construção e gera uma quantidade reduzida de resíduos quando comparado aos métodos tradicionais de construção. Este capítulo tem o objetivo de apresentar as principais vantagens e desvantagens da implementação da impressão 3D na construção civil, de modo que seja possível analisar sua viabilidade. Como outros métodos de construção já desenvolvidos, há vantagens e desvantagens da utilização da impressão 3D nesta indústria. Schuldt (2021) analisou a viabilidade da utilização dessa técnica em ambientes remotos, ou seja, locais caracterizados por isolamento geográfico, uma economia subdesenvolvida ou condições mais desfavoráveis. Parte de suas conclusões serão apresentadas nos tópicos abaixo. 6.1 Vantagens 6.1.1 Liberdade de design Conforme já apresentado neste trabalho, as técnicas de impressão 3D permitem inúmeras possibilidades de design das peças a serem impressas. A construção civil, no seu modus operandi convencional, limita-se a confecçãode formas para construção de peças estruturais, por exemplo, sendo difícil produzir peças com um design mais arrojado. Dessa forma, a impressão 3D se mostra uma alternativa ideal para vencer essa dificuldade, visto que a impressão pode ocorrer sem a utilização de moldes, permitindo formas com curvas e geometrias que são até mesmo impossíveis para o método de construção convencional. Isso permite uma performance melhor no que se refere a customização e a personalização de projetos. 6.1.2 Economia Exemplos como a construção pela empresa WinSun de 10 casas em um período menor que 24h (ver o capítulo anterior), evidenciam os benefícios da impressão 3D no que se refere a economia. A indústria da construção, assim como as demais, está sempre em busca da 65 Capítulo 6. Análise de Viabilidade da Implementação da Impressão 3D na Construção Civil realização das atividades no menor prazo, com o menor custo e com a qualidade adequada. Nessa perspectiva, a automação presente no processo de impressão agiliza toda a construção, as máquinas são capazes de substituir os operários na maioria dos serviços envolvidos na execução da edificação, permitindo uma grande redução da mão de obra e um evidente aumento na produtividade. Ademais, é possível um planejamento mais enxuto, considerando a eficácia na programação e execução das operações. 6.1.3 Sustentabilidade De acordo com Ford (2016), destacam-se três dos muitos benefícios em relação a sustentabilidade da aplicação da impressão 3D na construção civil. • Aprimoramento na eficiência dos recursos: é possível realizar melhorias em ambas as etapas, desde os processos de produção até o uso dos produtos, ao redesenhar para a manufatura aditiva. • A extensão da vida útil do produto: obtida por meio de técnicas como reparo, remanufatura e reforma, além de padrões socioeconômicos mais sustentáveis, incluindo relações mais estreitas entre produtores e consumidores e conexões mais sólidas entre pessoas e produtos. • Reformulação das cadeias de valor: implica em cadeias de suprimentos mais concisas e diretas, produção mais próxima dos locais de consumo, abordagens inovadoras na distribuição e estabelecimento de novas colaborações. Uma outra vantagem clara a respeito da sustentabilidade, é a redução na geração de resíduos, pois este é um grande problema da indústria da construção civil, visto que esta gera uma grande quantidade de resíduos e as operações para sua destinação adequada são de alto custo. Além do método propiciar um controle efetivo dessa geração de resíduos, em alguns casos, pode-se utilizar, com o devido controle, resíduos de demolição de construções que consequentemente contribuem para redução dos custos totais da obra. 6.1.4 Lean Construction Este termo pode ser traduzido como “construção enxuta” e refere-se a um modelo de gestão, no qual busca-se reconhecer o valor, organizar de maneira otimizada as ações que contribuem para esse valor, executar essas atividades sem interrupções quando demandadas e realizar essas tarefas de forma maximamente eficaz (WOMACK E JONES, 2004). Em suma, a aplicação do Lean Construction na construção civil significa uma construção limpa, com o mínimo de desperdício e utilização consciente do material e dos recursos disponíveis. Nessa 66 Capítulo 6. Análise de Viabilidade da Implementação da Impressão 3D na Construção Civil perspectiva, para Khoshnevis (2004), as máquinas projetadas para criar contornos na construção podem operar totalmente com energia elétrica, eliminando assim as emissões. Devido à sua abordagem precisa na fabricação aditiva, a impressão 3D pode resultar em quantidades mínimas ou inexistentes de desperdício de material, corroborando diretamente para a filosofia do Lean Construction. Segundo Cunha (2022), a aplicação da filosofia Lean Construction ocorre naturalmente na impressão 3D, pois otimiza a logística da obra, promove uma cultura de colaboração, elimina desperdícios e excessos, resultando, em última análise, em maior valor para as partes envolvidas. 6.2 Desvantagens 6.2.1 Custo inicial Um dos grandes desafios para implementação da impressão 3D é o alto investimento inicial associado a aquisição do maquinário, bem como o treinamento da mão de obra e a baixa adoção pelo mercado no Brasil, que dificultam a difusão dessa tecnologia. Além disso, o número de pesquisas acerca do tema é muito baixo no Brasil. Como apresentado no capítulo anterior, a falta de investimento em pesquisas sobre o tema limita o desenvolvimento da técnica, bem como a busca por soluções de menor custo. 6.2.2 Transporte e armazenamento Como já apresentado, existem impressoras que constroem diretamente no local da obra, assim como impressoras que constroem em uma fábrica e transportam as peças impressas para o local de execução. Dessa forma, é necessário um planejamento logístico complexo para armazenamento e transporte, tanto do maquinário, quanto das peças impressas. Devido as grandes dimensões das impressoras comumente utilizadas, é um risco o transporte entre obras, sendo uma alternativa mais segura a produção das peças em uma espécie de fábrica. Todavia, deve-se ter uma série de cuidados no transporte, pois esses materiais não podem ser expostos a todo tipo de intempérie ou ambiente. 6.2.3 Cultura De modo geral, a cultura sempre foi um problema no desenvolvimento da indústria no Brasil. A exemplo da alvenaria estrutural, que até hoje ainda gera reprovação por parte da população, a qual finda por não acreditar na eficiência e segurança do método, ou ainda a utilização de painéis de drywall, que sofre do mesmo preconceito. Dessa forma, não é diferente 67 Capítulo 6. Análise de Viabilidade da Implementação da Impressão 3D na Construção Civil com a impressão 3D, é preciso uma certa difusão de informações com o propósito de conscientizar a população sobre os benefícios da técnica, de forma que se potencialize a utilização desta no mercado da construção civil. 6.2.4 Limitações da técnica e o desemprego Apesar do crescimento, ainda que lento, da fabricação de novos modelos de impressoras 3D adaptadas para a indústria da construção civil, a maior parte dessas máquinas possuem limitações como altura máxima, necessidade de área útil para movimentação do motor e bico injetor, entre outras, de modo que ainda não é possível uma adequação ideal para as obras correntes, o que limita a utilização da tecnologia. Um outro ponto a respeito do aumento da utilização da impressão 3D é a redução da mão de obra. Isso afeta diretamente o crescimento no número de desempregados no Brasil, pois a indústria da construção civil é responsável por boa parte da geração de empregos, conforme os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) no Brasil, o qual registrou que de janeiro a agosto de 2019, dentre os 593 mil empregos formais gerados, a construção civil foi a principal contribuinte, com 96,5 mil empregos (representando 16% do total). No mesmo período de 2018, foram criados 568 mil empregos, e a construção civil contribuiu com 65,5 mil empregos (equivalendo a 12% do total de vagas). Ademais, a indústria da construção civil possui boa parte de sua mão de obra focada no trabalho braçal, ou seja, não há a exigência de qualificação mais complexa. Entretanto, além da diminuição da mão de obra, a impressão 3D exige uma mão de obra mais qualificada, potencializando o efeito do desemprego no setor. 68 Capítulo 7. Considerações Finais Capítulo 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como objetivo apresentar as principais técnicas empregadas na impressão 3D e sua aplicação na construção civil. Além disso, foram mostrados exemplos reais de aplicação da técnica na indústria da construção civil, bem como apresentou-se as vantagens e desvantagens do método. Sabe-se que até hoje a construção civil ainda é muito artesanalem seus métodos construtivos, e uma tecnologia como a impressão 3D é capaz de revolucionar o mercado, pois são muitos os benefícios gerados, conforme já mencionados neste estudo, tais como a redução de custo, aumento da produtividade e a personalização dos projetos. Inicialmente, fez-se uma breve revisão a respeito das evoluções na indústria, desde a I Revolução Industrial até os dias de hoje, com ênfase na apresentação da Indústria 4.0 (também chamada de IV Revolução Industrial). Com essa revisão, evidenciou-se inúmeros avanços em vários ramos da indústria, porém, a construção civil sempre avançou em passos lentos, quando comparada as demais. No contexto da impressão 3D, essa dificuldade de inovação na indústria da construção civil fica clara, visto que esta tecnologia já é uma realidade em muitos setores, como a indústria automobilística, a medicina, sobretudo na produção de próteses humanas, a construção de maquetes na arquitetura, entre outras áreas. Como apresentado no capítulo 3, existem diferentes técnicas para a prototipagem rápida. Determinadas impressoras operam ao extrudir camadas de plástico derretido para criar objetos (Modelagem por Fusão e Depósito - FDM), enquanto outras empregam laser para solidificar camadas de resina (Estereolitografia - SLA) ou pó (Sinterização Seletiva a Laser - SLS). Como já mencionado, de forma gradativa a construção civil implementou novas tecnologias. Um exemplo disso foi a adoção do sistema CAD (Desenho Assistido por Computador) pelos projetistas na década de 1980, deixando de lado as famigeradas pranchetas físicas. Ainda nessa perspectiva de projetos, nos últimos anos tem-se investido na divulgação e implementação da metodologia BIM (Building Information Modeling), a qual se apresenta como um software inovador destinado à modelagem, armazenamento e análise de modelos. A aplicação do BIM é essencial em projetos altamente industrializados, como na construção utilizando impressão de concreto, onde a modelagem desempenha uma função crucial no dimensionamento e operação dos equipamentos de movimentação, além de impactar significativamente na logística de entrega. 69 Capítulo 7. Considerações Finais No que se refere às tecnologias de impressão com materiais cimentícios, foram apresentadas diversas abordagens. As principais experiências e pesquisas envolvem a produção por meio da extrusão de concreto, porém outras empregam a deposição de pó que endurece seletivamente, estas menos utilizadas. Além disso, as máquinas de impressão variam de acordo com a tecnologia, algumas são compostas por um pórtico que suporta o sistema de bocal, enquanto outras possuem braços robóticos que se movem em duas faixas paralelas e há ainda máquinas que se limitam a um único braço robótico. A impressão 3D também pode representar uma oportunidade para a utilização de novos materiais, pois os materiais aplicados nessa tecnologia devem atender a critérios específicos. Por exemplo, é necessário que tenham um tempo de cura apropriado, uma vez que a camada inferior precisa sustentar a camada superior. A aderência entre as diversas camadas deve ser suficiente, como apresentado no capítulo 4. Além disso, esses materiais demandam testes extensivos para avaliar suas propriedades mecânicas, incluindo aquelas relacionadas às características inter e intracamadas. As experiências com a impressão 3D na construção civil citadas neste trabalho se mostraram um verdadeiro sucesso. Empresas como a WinSun já realiza a impressão de residências em larga escala, como a construção de conjuntos habitacionais feitos a partir dessa tecnologia. No mercado, persiste uma variedade de opiniões quanto à melhor aplicação da impressão na construção civil. Devido às experiências no setor e à rápida evolução da técnica, a impressão de concreto emerge como uma candidata promissora para reduzir custos e acelerar a construção de habitações em geral. Para os próximos anos, no entanto, antecipa-se que essa técnica seja mais frequentemente empregada em edifícios com arquitetura elaborada, uma vez que a tecnologia já demonstrou sua eficácia na customização e personalização em outras áreas (PORTO, 2016). Por fim, como outras formas de construção, a aplicação da tecnologia de impressão 3D na construção civil tem suas vantagens e desvantagens, conforme apresentado no capítulo anterior. Para Schuldt (2021), embora a construção impressa em 3D ainda esteja em estágio inicial, há um considerável potencial futuro, como evidenciado por diversas aplicações, demonstrações de conceitos e avanços na pesquisa ao longo da última década. Para avaliar a viabilidade e preferência pela impressão 3D, é necessário ponderar as compensações entre vários fatores, tais como materiais, projeto estrutural, eficiência de processos, logística, mão de obra, impacto ambiental e custo. Esses fatores estão intrinsecamente interconectados, e raramente um único método construtivo otimiza todas as sete áreas de viabilidade. REFERÊNCIAS Apis Cor. Apis Cor printer. Disponível em: https://3dprint.com/100229/apis-cor-3d-printer- buildings/ (Acessado em 14 de novembro de 2023). ARAÚJO, Rísia Amaral. 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