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Vol. I - Arquitectura Grega
3
José Ribeiro Ferreira
Rui Morais
A Busca da Beleza
A arte e os artistas na Grécia Antiga
VOL. I
ARQUITECTURA GREGA
 
Colecção
 Fluir Perene - nº 9
Autores: José Ribeiro Ferreira, Rui Morias.
título: A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
editor: José Ribeiro Ferreira
edição: 2008
design gráfico: Fluir Perene
ilustrAção dA cApA: Olimpieu de Atenas. Fotografia de Albino Urbano
Tiragem: 200 exemplares
impressão:
Simões & Linhares, Lda.
Av. Fernando Namora, n.º 83 - Loja 4
3000 Coimbra
isBn: 978-989-96078-0-4
depósito legAl: 286830/08
Vol. I - Arquitectura Grega
5
PREFÁCIO
 O estudo sobre A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Gré-
cia Antiga destina-se fundamentalmente ao ensino universitário e aos 
alunos que estudam a arte grega e romana, embora não desdenhe o 
interesse de público mais vasto. E de certo modo os alunos também 
são credores desta obra, face aos muitos contributos que deles recebe-
mos e aos caminhos que percebemos, nas sugestões, nas perguntas, 
nas dúvidas. Por isso não podemos deixar de expressar o nosso agra-
decimento.
 Arquitectura Grega é o primeiro de três volumes que a obra 
apresentará. Suceder-se-ão, pelo menos, outros dois para abordarem 
a escultura e a pintura. Trata-se de projecto conjunto em que trabalha-
ram, em estreita colaboração, quatro autores: eu próprio, Rui Morais, 
Luísa Ferreira e Carlos de Jesus – para não destoarmos da ordenação 
da antiguidade académica. Embora seja natural que a parte mais signi-
ficativa me pertença – fruto de mais anos a leccionar a matéria –, todos 
são verdadeiramente autores em pé de igualdade, já que contribuíram 
de forma empenhada na elaboração do livro: redacção, sugestões, dis-
cussão franca, formatação e tratamento das imagens. 
 Este volume sobre A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Gré-
cia antiga 1- Arquitectura Grega foi terminado com alguma celeridade 
para ir ao encontro das necessidades dos alunos de Arte da Antigui-
dade Clássica que em janeiro de 2009 se submetem a exames escritos. 
É bem possível que por isso aqui e além não tenha sofrido o acura-
mento exigido nem a vigilância que aconselhava Horácio. Além dis-
so, «errare humanum est» e, humanos que somos, temos consciência 
de que a infalibilidade não pertence à nossa condição. Com estas pa-
lavras, pretende o livro dizer que naturalmente aceita conter lacunas 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
6
e que pode até enfermar de um ou outro lapso. As deficiências serão 
corrigidas em possíveis futuras edições. É que, se o erro acompanha a 
condição do homem, também a busca da perfeição deve ser uma das 
suas qualidades.
 Com certa alegria dizemos que, numa obra sobre os monu-
mentos arquitectónicos da Hélade Antiga, o azul que serve de fundo 
à capa e contracapa é o do céu da Grécia que nos trouxe a objectiva do 
excelente fotógrafo que é Albino Urbano. E boa parte das fotografias 
dos monumentos, quando não haja especificação, são nossas ou de 
amigos que no-las cederam. Daí que com dever gostoso agradeçamos 
ao Albino Urbano, à Maria Alegria Marques, à Helena Rainha Coelho, 
a vários outros. A minha maior gratidão – e aqui falo em nome pesso-
al – dirige-se à Senhora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira que 
muito me ensinou sobre Arte Grega, e sempre se mostra disponível a 
esclarecer dúvidas. Não há consulta que se lhe faça a que não acorra 
de imediato. Nela encontramos sempre um apurado sentido acadé-
mico e uma postura de verdadeiro Mestre.
 A todos os nossos agradecimentos sinceros.
Coimbra, 8 de dezembro de 2008
José Ribeiro Ferreira
Vol. I - Arquitectura Grega
7
ADVERTÊNCIA PRELIMINAR
No aportuguesamento dos nomes próprios, mitónimos, 
antropónimos, topónimos e corónimos, adoptámos a forma daqueles 
que já têm tradição literária em Português, designadamente 
camoniana, e transliterámos outros, sem deixar de ter em conta 
propostas F. Rebelo Gonçalves, no Vocabulário da Língua Portuguesa 
(Lisboa, 1966), de Maria Helena Ureña Prieto et alii, em Índices 
de Nomes Próprios Gregos e Latinos (Lisboa, 1995) e da tradução 
portuguesa do Dicionário de Mitologia Grega e Romana, de Pierre 
Grimal (Lisboa, 1992).
Nos termos técnicos e palavras gregas, optámos pela 
forma portuguesa, sempre que já consagrada em dicionários: e. 
g.: opistódomo, ábaco, equino, ginrceu, mégaron. Em boa parte 
dos casos, porém, os termos não deram ainda entrada na língua 
portuguesa, ou apresentam sentido diferente: caso, por exemplo, de 
‘nau’ (do grego naós ‘templo’), ou ‘demo’ que, além de significar 
demónio (do grego daimon ‘divindade’), designa a circunscrição 
mais pequena na antiga Atenas (grego dêmos). Nesses casos, optámos 
apenas pela pura transcrição do termo grego ou latino, sem outra 
adaptação, apesar das inconsistências ocasionais que daí possam 
derivar. Assim podem ocorrer ao mesmo tempo – com origem no 
mesmo termo grego dêmos – ‘demo’ (ciscinscrição de Atenas) e 
dêmos quando usada no sentido de ‘povo’ (elemento que está na 
formação de palavras como democracia).
Mantivemos todavia a acentuação do grego para evitar que a 
adaptação às regras da prosódia portuguesa deturpe a sua pronúncia: 
e tal aconteceria se se não colocasse o acento em naós (‘templo’) e 
prónaos (‘vestíbulo’ ou pórtico). Sempre que o acento recai sobre um 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
8
eta ou um ómega, optámos pelo acento circunflexo sobre a vogal — 
aqui também no caso de palavras graves —, para fechar os timbres 
e e o, como aconteceria em grego: e. g., andrôn (aposento da casa 
grega onde se realizavam os banquetes ou sympósia), Herôon, skenê. 
‘Bulê’ (do grego boulê ‘conselho’) já surge nos dicionários, embora 
grafada, quanto a nós, de forma incorrecta com acento agudo (bulé), 
em vez de circunflexo, como convém a termo que termina em eta 
acentuado.
Vol. I - Arquitectura Grega
9
INTRODUÇÃO
Manifestação cultural de grande perfeição, beleza estética 
e requinte, a arte grega apresenta, como escreve M. H. Rocha 
Pereira, «as qualidades do povo que as criou: racionalismo, clareza, 
sentido da harmonia e da proporção»1. Podemos distribuir a arte 
grega por três grandes épocas: a Arcaica (sécs. VII e VI a.C.), que 
tem como característica mais saliente o esforço pelo inteligível; 
a Clássica (sécs. V e IV a.C.) que se salienta pelo sentido de 
superação da matéria, idealismo e transparência; e Helenística 
(sécs. III-I a C.) que se distingue pelo poder de observação, pelo 
gosto do concreto e do real, pelo individual, pelo singular.
A arte grega é uma das principais manifestações da 
pólis e aparece em função da vida dessa cidade-estado e da sua 
população. Se é certo que, para os Gregos a pólis era, acima de 
tudo, o concreto dos cidadãos e não propriamente o espaço – 
ou, como sublinha Tucídides (7.77.7), «a pólis são os cidadãos 
e não as muralhas nem os barcos viúvos de homens» –, não 
deixam de ter importância os edifícios e locais onde a população 
habitava e se reunia, onde dirimia as suas contendas e tomava 
as suas decisões políticas, onde administrava o Estado e recebia 
os embaixadores e delegações estrangeiras, onde prestava culto 
aos seus deuses e lhes dirigia preces, onde convivia ou realizava 
manifestações culturais, onde vibrava ou competia nos jogos, 
onde assistia e se deliciava com o canto e a dança. 
Justificam-se por isso algumas notas sobre a pólis, cujo 
aparecimento, por meados do século VIII a. C., se combina 
1 Estudos de História da Cultura Clássica 1- Cultura Grega (Lisboa, Fun-
dação Calouste Gulbenkian, 102006), p. 565.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
10
cronologicamente com as origens do templo grego. 
Com o declínio micénico no século XII a. C. e a longa 
movimentação populacional que se lhe seguiu, acompanhada 
de intensas lutas, a ausência de um poder centralizado forte leva 
os habitantes a protegerem-se e a acolherem-se em pequenas 
comunidades, no cimo de colinas que rodeavamde muralhas e a 
que davam o nome de acrópole. A partir de determinada altura, 
para melhor resistirem aos ataques constantes, essas pequenas 
comunidades agrupam-se em unidades mais amplas, através 
de sinecismo, e contribuem, desse modo, para a formação das 
póleis (plural de pólis) que não conseguiram ultrapassar o seu 
individualismo e nunca atingiram uma unidade política1.
De espírito particularista, o Grego considerava a pólis a 
única base possível de uma existência civilizada e livre2. Mesmo 
quando faziam alianças, como é o caso das simaquias, os seus 
membros eram considerados Estados soberanos. Foi esse 
particularismo que os envolveu em conflitos constantes uns 
com os outros.
Para o Grego, a pólis ou Estado tinha no povo ou dêmos 
a sua soberania e dava primazia às tradições e normas, que a 
regiam e a que dava o nome de lei (thesmós ou nomos)3 e que 
eram exercidas e postas em prática pelas instituições — um 
grupo estrutural de três instituições base, com funções idênticas 
1 Apesar de várias tentativas e passos nesse sentido, o particularismo foi 
sempre mais forte. Vide J. Ribeiro Ferreira, A Grécia Antiga. Sociedade e Política 
(Lisboa, Edições 70, 22004), pp. 13-35.
2 Um facto acentuado com vigor por Platão e Aristóteles. O primeiro toma 
a pólis como modelo do seu Estado ideal, o segundo ocupa-se do assunto no livro I 
da Política. Por dois elucidativos passos de Platão (Críton 50a sqq. e Leis I, 625e), 
vemos quanto a pólis era apaixonadamente sentida. Vide Ferreira, (1992a) 96-103 e 
(1992), cap. 1.
3 Thesmós e nomos são dois termos que significam lei, mas que desig-
nam realidades diferentes, pelo menos quanto à origem e autoridade. Vide 
infra pp. 13-14 e J. Ribeiro Ferreira, Hélade e Helenos I – Génese e Evolução de 
um Conceito (Coimbra, 1993), pp. 151 sqq. 
Vol. I - Arquitectura Grega
11
de início. Estou a referir-me à Assembleia do povo, ao Conselho 
e aos Magistrados, cujo poder relativo vai variando ao longo 
dos tempos com o evoluir dos Estados.
Esta trilogia constitucional já se encontra constituída e em 
funcionamento, quando, no fim da Época Obscura (sécs. XI-VIII 
a.C.), a pólis aparece. No entanto, uma evolução mais ou menos 
violenta, a cada passo em luta com os condicionalismos de 
cada pólis, gera profundas transformações e origina sociedades 
diversas, com constituições e modos de vida diferentes, criando 
instituições novas ou alterando mais ou menos substancialmente 
as existentes. Os Estados gregos, durante a época arcaica (sécs. 
VIII-VI a.C.), para resolver problemas demográficos, vão lançar-
se na colonização que espalha os Gregos e o sistema de pólis por 
todo e Mediterrâneo e Mar Negro. Em consequência, desenvolve-
se o comércio e a indústria artesanal, sobretudo de cerâmica e de 
armas; surgem profundas alterações agrícolas na Hélade, com a 
substituição dos cereais pelo cultivo da oliveira e da vinha, por 
o vinho e o azeite serem produtos mais competitivos. Aparece 
uma nova táctica militar, a hoplitia, que se baseia na infantaria 
que lança para segundo plano a cavalaria, e portanto os nobres, 
e põe a tónica no cidadão comum que desse modo ganha poder 
militar. Dá-se, no séc. VII a.C., a introdução da moeda que vai 
permitir acumular riqueza. Estas transformações e inovações 
originam uma nova classe de enriquecidos, os plutocratas – 
havia nos nobres o preconceito contra o trabalho manual e o 
comércio –, aumentam as desigualdades, acentuam a pobreza, 
causam o desfasamento entre detentores de poder político, 
militar e económico. Daí resultam graves lutas sociais que os 
Estados gregos, de modo geral, tentam resolver pela nomeação 
de estadistas, os legisladores (sécs. VII-VI a.C.), que, aceites 
pelas diversas facções, compõem códigos de leis e encetam 
reformas sociais, económicas e políticas que quase nunca 
conseguem resolver os conflitos. Por isso, as cidades acabam, 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
12
na generalidade, por desembocar em regimes autocráticos, 
as tiranias (sécs. VII-VI a.C.), que centralizam os poderes e se 
mantêm duas ou três gerações. Ao desaparecerem, quase todas 
antes de terminar o séc. VI a. C., qualquer que seja o regime 
instaurado – ora oligarquias (tenham elas por base o nascimento, 
a riqueza ou os dois), ora democracias, mais ou menos evoluídas 
–, as póleis que elas deixam já não são as mesmas: os poderes 
não estavam nas mãos dos aristocratas, mas centralizados nas 
diversas instituições que passam daí em diante, quer se trate de 
uma oligarquia, quer de uma democracia, a dirigir a pólis1. Foram 
mais de dois séculos de evolução e de inovações, às vezes com 
transformações profundas. Durante esse tempo aconteceram 
criações e realizações culturais de grande relevo e significado. 
Desenvolveu-se a poesia grega arcaica, com suas novas formas 
e géneros, com os seus hinos aos deuses e cantos em honra dos 
homens que sobressaíram pelo seu mérito e excelência. Surge a 
filosofia e a ciência, com as suas escolas e formulações novas e 
com as sucessivas tentativas de explicação da origem do mundo; 
aparece a história, depois de passar por narrativas genealógicas, 
como desejo de compreender as acções dos homens e conservar 
na memória os seus feitos. Cria-se o teatro que não mais deixou 
de expor perante o público a actuação de poderosos e pessoas 
comuns, com os seus actos de doação e altruísmo, suas insolências 
e excessos, cobardias e fraquezas. Verifica-se um aceso confronto 
político que se traduz, quer nas realizações práticas na própria 
pólis, quer nas formulações teóricas que se tornaram clássicas e 
influenciarem de forma determinante o pensamento posterior. 
Os Gregos viram-se constrangidos a combater contra os povos 
seus vizinhos, em especial contra os Persas, pela sua liberdade 
(490 e 480-479 a.C.) e, vitoriosos, dessas lutas retiraram força 
1 Para esta evolução dos Estados gregos ao longo da época arcaica 
vide J. Ribeiro Ferreira, A Grécia Antiga. Sociedade e Política, pp. 37-70.
Vol. I - Arquitectura Grega
13
moral e empreendedora que os motiva e lança nas grandes 
criações artísticas e culturais do século V a.C.
Outra anotação gostaríamos de fazer, ou convém que 
se faça, antes de abordar a arte grega propriamente dita: a 
referência – necessariamente rápida, é evidente – a alguns 
aspectos da realização artística minóico-micénica.
Os Minóicos e os Micénios construíram grandiosos 
palácios e túmulos, ornamentavam as paredes das casas com 
belos frescos que ainda hoje encantam os olhos de quem os 
admira, usavam uma cerâmica profusamente decorada e jóias 
artisticamente trabalhadas. 
A cultura micénica, sobretudo no Heládico Recente III 
B (c. 1300-1200 a.C.), à luz dos dados arqueológicos, aparece 
com relativa homogeneidade, a ponto de encontrarmos nos 
diversos sítios micénicos um tipo de arquitectura comum, em 
que sobressaem os palácios fortificados com o característico 
mégaron (figura 1, 2 e 3), que não surge entre os Minóicos 
( figura 4) ; verificamos acentuada identidade de estilo nas 
pinturas murais (figuras 5, 6) e na cerâmica; observamos a 
mesma perfeição no trabalho do ouro, prata, pedras preciosas e 
nas obras de incrustação, a mesma variedade de jóias e adornos 
para o vestuário; é idêntico o armamento e há similitude nos 
abjectos de culto, com relevo para as figurinhas em T, F e Y 
que têm aparecido em número considerável e amplamente 
distribuídas ; os mesmos tipos de túmulos, onde são feitos 
vários enterramentos em gerações sucessivas, com especial 
realce para a tholos, de que é bom exemplo o chamado Tesouro 
de Atreu (figuras 7 e 8).
Nas pinturas murais dos palácios, a uniformidade 
manifesta-se em certo tradicionalismo de motivos, temas e 
estilos, surgido a partir do século XV; e na cerâmica, em decoração 
progressivamente mais abstracta e convencional (figura 9)3. Esta, 
na transição do Heládico Recente II para o III (c. 1500-1450 a.C.), 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
14
evoluciona nosentido de um crescente estilizar na decoração, 
com o aparecimento frequente de barras horizontais pintadas 
mecanicamente, enquanto a roda se movia, e com os motivos 
naturalísticos a tornarem-se lineares e a entrarem na construção 
de novos temas abstractos, até se atingir um tipo de cerâmica 
bastante uniforme, com pequenas variações locais (figura 10)4. 
Estes gostos, ao que parece, estenderam-se a todo o Egeu e à 
Ásia Menor como sugere, por um lado, a importação e imitação 
por Ílion da cerâmica do Heládico Recente IIIB até ao saque de 
Tróia VI, por outro, o aparecimento, em Rodes e Chipre, de uma 
cerâmica que dificilmente se distinguia da de Micenas, mas com 
diferenças suficientes que permitem afirmar tratar-se de um 
produto local e não de uma importação 1.
Mas a “Época Obscura” como que passou uma esponja 
sobre tudo isso. E assim, se no domínio artesanal, sobretudo 
no que respeita à cerâmica, se verifica uma continuidade, 
Martin Robertson1 considera que, na arte propriamente dita 
(arquitectura, escultura e pintura), há um hiato total, com o 
recomeço do impulso estético por volta de 1000 a. C. que leva 
à arte arcaica e clássica, algo de totalmente novo e distinto em 
relação à arte micénica. Apesar desta afirmação, verifica-se uma 
estranha similitude entre os capitéis da colunas da porta do 
Tesouro de Atreu e o das colunas dóricas, como veremos.
1 A History of Greek Art (Cambridge, 1975), vol. I, p. XVII.
Vol. I - Arquitectura Grega
15
Figura 1
Planta de Micenas
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
16
Figura 2
Mégaron de Micenas
Figura 3
Reconstituição do Mégaron de Pilos
Vol. I - Arquitectura Grega
17
Figura 4
Planta do Palácio de Pilos
1: Entrada
2: Pátio interior
3: Mégaron
4: Trono
5: Banhos dos quartos
6: Armazéns
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
18
Figura 5
Friso de mulheres de Cnossos
Figura 6
Friso processional, encontrado em 
Pilos, no Palácio de Nestor.
Vol. I - Arquitectura Grega
19
Figura 7
Entrada do Tesouro de Atreu
Figura 8
Câmara do Tesouro de Atreu 
(Reconstituição)
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
20
Figura 9
Cerâmica micénica (séc. XIII a.C.)
Figura 10
Cerâmica micénica (séc. XII a.C.)
Vol. I - Arquitectura Grega
21
Funcional, a arquitectura grega não prescinde da beleza, 
da proporção e da medida e fugia dos grandes edifícios. É 
evidente que, como as arquitecturas de outros quaisquer povos, 
apresentava edifícios públicos e privados, civis e religiosos, 
mais ou menos sumptuosos, mas privilegiando de modo geral 
a simplicidade e a harmonia. Perante a arquitectura grega, 
ao contrário do que acontece com a egípcia, em especial ao 
contemplar os templos, parecem-nos construções à nossa 
dimensão e mais pensados para elevar o homem ao nível da 
divindade do que a fazer-lhe sentir a sua pequenez, fragilidade 
e insignificância. 
A arquitectura grega recorria a diversos materiais: a pedra, 
de modo geral a da região, de que se deve realçar o mármore; 
a madeira que era especialmente utilizada nas estruturas que 
seguravam os telhados, mas também nas colunas e paredes dos 
tempos mais antigos; os adobes e o tijolo, quase sempre seco ao 
sol; a terracota que foi muito usada como material de ornamento 
(e. g. antefixas, métopas). Arrancados a cada passo em pedreiras 
que se situavam em locais elevados, os blocos de pedra ou 
mármore eram depois penosamente transportados, às vezes por 
mar, para lugares mais ou menos distantes (figura 11). 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
22
Figura 11
Transporte dos blocos de pedra e mármore
Vol. I - Arquitectura Grega
23
Ordens e estilos
Caracterizam a arquitectura grega estruturas de linhas rectas, 
horizontais e verticais. E, como o solo da Hélade era quase todo ele 
declivoso, a construção necessitava previamente de planificar os locais 
escolhidos, erigindo uma plataforma, às vezes elevada (estereóbata), 
em que assentava o edifício. Podiam entrar como elementos dessa 
construção, funcionais ou mais ou menos ornamentais, – além das 
paredes, telhado, portas e janelas, é evidente – o estilóbata, as colunas 
e o entablamento (arquitrave, friso e cornija). 
Dava-se o nome de estilóbata ao rectângulo delimitado 
pelo degrau superior de estereóbata em que assentam as colunas 
do templo grego. Estas, constituídas de modo geral por base, 
fuste e capitel, podiam ser quadradas ou cilíndricas (as mais 
usuais), lisas ou sulcadas por caneluras que, como veremos, 
variavam em número e execução conforme as ordens; eram 
formadas, no seu fuste, por tambores, no centro de cada um dos 
quais se talhava, na parte superior e inferior, um buraco que, 
para os fixar e lhes dar consistência, era cheio por um espigão 
ou batoque de madeira (figura 12); uma camada de calcário 
moído ocultava as fissuras da acoplagem, ou junturas. 
A arquitrave assenta directamente nos capitéis das colunas 
e é lisa ou ligeiramente ornamentada, ao contrário do friso que, 
geralmente, aparece mais profusamente carregado de elementos 
decorativos: pode ser constituído por grupos de três colunelos (os 
triglifos) e por quadrados ou rectângulos, quase sempre esculpidos 
em relevo (as métopas), que se sucedem alternadamente; ou pode 
ser também todo ele ocupado, sem interrupção, por escultura em 
relevo. No caso da sucessão de métopas e triglifos, estes – que 
medem o mesmo que a espessura da arquitrave – dispõem-se a 
partir dos cantos, de modo a situarem-se sempre nos intercolúnios 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
24
e sobre as colunas; assim os ângulos terminam sempre em triglifos. 
No esquema da sucessão de triglifos e métopas, os arquitectos, 
para solucionar as exigências dos ângulos da colunata – o triglifo 
devia, ao mesmo tempo, estar sobre o eixo da coluna e formar 
o ângulo do entablamento – optaram por um encurtamento no 
entre-eixo nas colunas das extremidades do edifício.
Por baixo dos triglifos havia uma régula de que pendiam, na 
parte inferior, pequenas saliências em denticulado, as gútulas ou gotas. 
A cornija, de modo geral saliente, ora corre sobre o friso 
(cornija horizontal), ora dispõe-se ao longo da franja lateral 
das empenas (cornija inclinada). Por baixo da parte saliente da 
cornija havia placas ou modilhões (os mútulos) com o mesmo 
denticulado das régulas, ou seja com as mesmas gútulas. 
Como o telhado se dispunha em duas vertentes, o espaço 
delimitado por elas e pela parte superior do friso e cornija tem 
o nome de pedimento ou frontão, quase sempre decorado com 
escultura de vulto ou em relevo. 
A utilização ou ausência dos elementos acabados de referir, 
bem como a sua disposição nos edifícios, determina o seu estilo 
ou a ordem que o caracteriza. Assim na ordem dórica (figura 
13), ao que parece a mais antiga, além de certa parcimónia nos 
enfeites decorativos, a coluna não tem base e pousa directamente 
no estilóbata, tem arestas vivas no fuste e é encimada por um 
capitel simples (ábaco e equino), para o qual faz transição uma 
espécie de gola que do fuste o separa. A arquitrave apresenta-
se quase sempre lisa e o friso aparece dividido pela sucessão de 
triglifos e de métopas, a maioria das vezes esculpidas. 
A ordem iónica era mais ornamentada e delicada. Nela, 
a coluna apresenta as arestas boleadas, assenta numa base 
relativamente elaborada (toro, escócia e plinto) e tem capitel de 
volutas (ábaco e volutas), como se pode ver num capitel de Ilissos 
(figura 14). A arquitrave não é lisa e aparece seccionada em ligeiros 
degraus ou percorrida por um ou mais filamentos, em relevo; por 
Vol. I - Arquitectura Grega
25
seu lado, o friso apresenta decoração contínua (figura 15). 
Aponta-se ainda a ordem coríntia, muito usada entre os 
Romanos, que é todavia uma variante da iónica, da qual difere 
apenas no capitel: substituição das volutas por um elemento 
decorativo vegetal – as folhas de acanto que brotam em filas 
sobrepostas e vão, por suavez, enrolar-se em pequenas volutas 
nos quatro cantos do capitel, volutas essas que sustentam o 
ábaco. Esta solução permite uma transição perfeita entre o fuste 
e a arquitrave e resolve o problema dos ângulos dos edifícios, 
já que o capitel iónico não oferecia, nesses casos, uma solução 
perfeitamente conseguida (figura 16). A invenção do capitel 
coríntio, apesar do nome, surgiu em Atenas, nos finais do século 
V a.C., atribuída pela tradição ao escultor ateniense Calímaco.
Variante também do iónico será a utilização de figuras femininas 
em vez de colunas, ou talvez mais precisamente em vez de fustes – as 
chamadas Cariátides ou Kórai (Figura 17)1. Se, em vez de femininas, 
forem utilizadas figuras masculinas, teremos então os Atlantes.
As duas ordens ainda se distinguiam pelo número e 
tratamento das caneluras do fuste das colunas. Assim a dórica 
tinha geralmente vinte caneluras com arestas vivas, ao passo 
que a coluna iónica, apesar de o seu fuste ser mais delgado 
e delicado, ostentava vinte e quatro. Essas caneluras eram 
executadas depois de montados os tambores do fuste, como se 
vê pelos templos inacabados (e.g. em Selinunte e em Segesta) 
(imagem 18). Quando se utilizava a pedra local, esta é depois 
coberta por uma camada de gesso e pintada para imitar o 
mármore (imagem 19). 
1 Foi descoberto em Sveshtari, na Bulgária, em 1982, um túmulo helenísti-
co que tinha a câmara funerária decorada com colunas dóricas acostadas, no meio 
das quais se encontram nove de tipo cariátide que apresentam um tratamento 
rudimentar e, de braços erguidos, seguram a arquitrave.Vide R. A. Tomlinson, 
rec. E. Schmidt, Geschichte der Karyatide: Funktion und Bedeutung der menschlicher 
Träger- und Stützfigur in der Baukunst (Würzburg, 1982), Journal of Hellenic Studies 
104 (1984) 254; M. H. Rocha Pereira, Cultura Grega, p. 582 nota 15.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
26
 Figura 12
Espigão de madeira que 
unia os tambores.
Figura 14
Capitel iónico, visto de lado e do 
lado do juste
Vol. I - Arquitectura Grega
27
Figura 13
Esquema da ordem dórica
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
28
Figura 15
Esquema da ordem iónica
1: plinto; 2: tróquilos; 3: toro; 4: equino com coxim e volutas; 5: 
ábaco; 6: arquitrave; 7: friso decorado; 8: ulvas e dardos; 9: cornija 
horizontal; 10: tímpano; 11: cornija oblíqua; 12: remate côncavo 
cimeiro; 13: frontão; 14: acrotério que oculta o telhado.
Vol. I - Arquitectura Grega
29
Figura 16
Capitel coríntio
Figura 17
Cariátides do Pórtico Sul do Erectéion
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
30
Figura 18
Templo de Segesta
Vol. I - Arquitectura Grega
31
Nas duas ordens, tendo como modelo o templo, 
verifica-se uma alternância entre as superfícies lisas e as 
decoradas: assim, se exceptuarmos as colunas que eram 
caneladas, temos zonas lisas na base e na arquitrave e 
decoração no capitel e no friso. 
Embora durante muito tempo se considerasse que as 
cores estavam ausentes da arquitectura grega, hoje, graças à 
arqueologia e aos vestígios de cor que ela tem revelado, sabemos 
que assim não acontecia: que, pelo contrário, a cor era usada 
(diversas cores) e predominava em determinadas partes dos 
edifícios. Apesar de a disposição e localização dessas cores no 
edifício variarem, a cada passo, de um estudioso para outro, e 
conforme as reconstituições, sabemos que o vermelho e o azul 
predominavam. Arriscamos a seguinte distribuição: os colares 
do fuste e a base do equino estavam pintados a vermelho ou 
amarelo; a parte plana das métopas e o tímpano do pedimento 
apresentavam-se geralmente em vermelho; o azul era mais 
frequente nos triglifos, nas régulas e nos mútulos (figura 20). 
A utilização das duas ordens definem outros tantos 
estilos: o dórico e o iónico que apresentam uma distribuição 
geográfica, à semelhança dos dialectos. O primeiro era usado 
de preferência na Grécia continental e nas colónias ocidentais; 
o segundo predominava na Iónia e nas ilhas do Mar Egeu. Na 
Ática, em especial na Acrópole (como veremos em «Atenas, 
escola da Hélade»)1, e nos grandes santuários (como Delfos, 
Olímpia, Epidauro), verificou-se uma junção dos dois: o dórico 
no exterior e o iónico no interior.
1 Vide infra, pp. 209-230.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
32
Figura 19
Coluna do Templo E de Selinunte, 
em que o tufo siciliano aparece 
recoberto com estuque.
Figura 20
Mútulos (cima) e regula (baixo), 
alinhada pelos triglifos e pelo 
capitel. Templo da Concórdia 
em Agrigento.
Vol. I - Arquitectura Grega
33
Tipologia dos edifícios
Os edifícios gregos têm diversas aplicações e funções, 
desde o uso religioso ao civil e do público ao privado. 
Edifícios religiosos
Na arquitectura grega, entre os edifícios religiosos 
sobressaem os templos que, após adquirirem o seu pleno 
desenvolvimento, eram de modo geral perípteros — ou seja, 
com colunata ou peristilo a rodeá-lo pelo exterior. Se essa 
colunata é dupla ou há duplo peristilo, estamos perante um 
templo díptero. De acordo com o número de colunas que se 
dispunham nos lados menores, adquiriam nomes diferentes. 
Assim temos dístilos, se apenas há duas colunas nesses lados ou 
fachadas; tetrástilos, se sobem para quatro; hexástilos, se é de 
seis o número de colunas, o modelo de templo mais frequente 
na ordem dórica; octástilos, quando a fachada se apresenta com 
oito, usual na ordem iónica; decástilos, se o número é de dez; e 
dodecástilos, se sobe para doze.
Edifício-tipo por excelência, o templo é assim 
caracterizado por M. H. Rocha Pereira: «É uma unidade, cujo 
exterior é delimitado pela linha ondulante das colunas que o 
cercam, e traçado em íntima união com a escultura que adorna 
os seus frisos e pedimentos; [....] as várias rectas que o definem 
prendem nele o olhar, circunscrevendo ao seu espaço a atenção, 
sem que, no entanto, ela se perca no pormenor»1. Apresenta 
um esquema bem definido, geralmente com uma orientação 
este/oeste e a fachada principal virada a oriente (figura 21): de 
1 Estudos de História de Cultura Clássica 1, p. 584.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
34
forma geralmente rectangular, podia ser períptero (colunas 
à volta ou peristilo) ou ter colunas apenas nos dois lados 
menores, formando um pórtico em cada extremo (ou seja, era 
anfiprostilo). Ao entrar nele, o visitante encontrava, de modo 
geral, o pronaos (vestíbulo) que dava para o naos ou cella, local 
da estátua do deus, ao fundo, de frente para a entrada; e por 
fim o opistódomo, onde se guardava o tesouro da divindade. 
A cada passo, também havia colunas no interior, cuja função 
principal seria o suporte da cobertura, de início colocadas em 
fiada axial, na cella, e depois dispostas em U.
O templo, nas suas características essenciais, já estava 
desenvolvido nos fins do período geométrico (fins do séc. VIII a. 
C.), como mostram os alicerces encontrados e os fragmentos de 
terracota da mesma época que os representam. É possível que 
mesmo cerca de dois séculos mais cedo, se se pode interpretar 
como templo a estrutura, datável do séc. X a.C., encontrada 
recentemente em Lefkandi1. Por aí se vê que, embora faltem 
traços do edifício clássico, já tinha o naós, rodeado por um 
peristilo e precedido por um pórtico de colunas. 
Abandonada a construção de madeira e adquirido o cânon 
acima referido, nos fins do século VII a. C., os templos começam 
a ter grandiosidade nos inícios do século VI a. C., geralmente 
construídos em mármore (ou pelo menos revestidos com esse 
material) e pintados em certas partes, como já foi referido.
Os templos são inseparáveis da sua decoração escultórica 
que, considerável, os embelezam e os tornam monumentos de 
grande harmonia estética. Essa decoração, que pode ser de vulto 
ou em relevo, aparece na ponta da cumeeira e nos extremos das 
empenas de cada fachada, os chamados acrotérios (figura 22); 
ornamenta as métopas, noestilo dórico, ou preenche o friso 
1 Vide Alan Johnston, «Pre-classical Greece», in John Boardman 
(ed.), The Oxford History of Classical Art (Oxford, 1993), pp.15 e 25. Vide infra 
p. 89-90.
Vol. I - Arquitectura Grega
35
por inteiro, no caso do iónico, como se pode ver no templo de 
Atena Nike (figura 23); ocupa todo o espaço do pedimento, com 
as esculturas a disporem-se de modo a situar-se a divindade 
(segundo os Gregos, os deuses tinham o dobro da altura dos 
humanos) sob o ângulo central do triângulo isósceles e as dos 
cantos laterais aparecerem deitadas ou inclinadas (figura 24).
Os templos tinham a função apenas de guardar a imagem 
das divindades, sobretudo do deus a que era dedicado. As 
cerimónias, rituais e sacrifícios realizavam-se no exterior, num 
altar que, para esse efeito, se erguia em frente ou próximo do 
templo (figura 25). Os altares podiam ser grandes ou pequenos, 
despidos ou profusamente ornamentados, simples ou de grande 
exuberância decorativa. O mais imponente que conhecemos 
é o Grande Altar de Zeus, em Pérgamo, que actualmente se 
encontra em Berlim, no Pergamon Museum.
Figura 21
Planta de templo grego
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
36
Figura 22
Parte do Grande Altar de Zeus 
em Pérgamon, onde se vêem dois 
acrotérios nos cantos do telhado.
Imagem 22
Fachada ocidental do Pártenon.
Figura 23
Friso contínuo do Templo de 
Atena Nike 
(Acrópole de Atenas).
Vol. I - Arquitectura Grega
37
Tesouros
Além dos templos e altares, havia outros edifícios 
religiosos, alguns de significativa importância, que merecem 
realce, como os tesouros, as thóloi. Os Tesouros (grego 
thesauroi, nome que lhe vem pelo facto de no seu interior serem 
conservadas preciosas ofertas votivas), frequentes sobretudo 
nos grandes santuários, como Delfos e Olímpia, consistiam num 
compartimento rectangular precedido por um pórtico, espécie 
de pequeno templete de estilo dórico ou iónico; destinavam-
se a guardar as ofertas das cidades à divindade. Nos grandes 
santuários pan-helénicos, ganhamos consciência do esplendor e 
do refinamento da arquitectura grega – esplendor e refinamento 
que não está apenas presente nos sumptuosos templos 
dedicados às divindades tutelares mas também nos pequenos 
templos votivos erigidos pelas cidades gregas, do continente e 
das colónias, como agradecimento por benefícios particulares 
obtidos. 
Figura 25
Altar encontrado em Atenas. Muneu Nacional de Atenas
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
38
Os Tesouros de Olímpia encontram-se alinhados de forma 
ordenada na zona norte da área sacra (temenos), sobre um socalco 
nas encostas do Krónion (figura 26). Em Delfos, pelo contrário, 
esses pequenos templos não estavam dispostos segundo uma 
ordem pré-estabelecida, mas antes adaptados aos diferentes 
desníveis no terreno, dado o recinto rochoso do Parnasso. E 
em Delfos contam-se pelo menos vinte e três de tais edifícios, 
construídos entre os inícios do século VI a. C. (o primeiro parece 
ser o tesouro oferecido pelos habitantes de Corinto, sob a forma 
de uma simples sala rectangular) e a época clássica. Entre eles 
destacam-se, pela sua graciosidade e refinamento, os edifícios 
votivos doados pelos Atenienses e pelos habitantes das ilhas de 
Cnidos e de Sifnos, idênticos na planta, em forma de pequenos 
templos in antis, e na rica decoração em relevo. Do mais antigo 
dos três, o de Cnidos, resta uma inscrição que recorda uma 
edificação em honra de “Apolo Pítico”, datada de cerca de 560 
a. C. O edifício em causa surgia logo após a primeira curva da 
Via Sacra, com orientação para este e construído com blocos 
quadrangulares bem talhados, dispostos em faixas alternadas, e 
na fachada principal duas estátuas de jovens cariátides (em vez 
das habituais duas colunas), apoiadas em altas bases, ricamente 
vestidas com o chitôn iónico (figura 27). A invenção e o conjunto 
agradam aos Sífnios que, poucos anos mais tarde (em 525 a. C.), 
com os lucros das suas minas de ouro e prata, edificaram – à 
direita do traçado da Via Sagrada e na parte interior do cotovelo 
que ela faz no seu caminho para o templo – um tesouro análogo 
na sua estrutura, mas bem mais rico na sua ornamentação. No 
entablamento corre um friso iónico que apresenta, nos lados 
menores, a assembleia dos olímpicos que, hieráticos, assistem 
aos acontecimentos de Tróia e ao combate entre Gregos e 
Troianos e, nos lados maiores, uma Gigantomaquia (imagem 
28) e talvez o rapto das Leucípides por parte dos Dioscuros. No 
frontão ocidental deveria ainda estar representada a contenda 
Vol. I - Arquitectura Grega
39
entre o herói Hércules e o próprio deus Apolo, pela posse do 
tripé sagrado deste deus.
Mais sóbrio mas não menos elegante, numa posição 
privilegiada imediatamente após a primeira curva da Via Sacra, 
situava-se o tesouro dos Atenienses (restaurado nos inícios 
do século XX). Sobre este diz-nos Pausânias (10.11.5) que foi 
dedicado com o dízimo da vitória de Maratona, pouco depois 
de 490 a. C., embora as característica da decoração escultórica 
nos remetam para data anterior, talvez entre 510 e 500 a.C. De 
ordem dórica, como impunha a tradição da Grécia peninsular, 
tem forma in antis, como todos os outros tesouros, mas com 
duas colunas dóricas insolitamente elegantes (figura 29). O 
friso do entablamento era decorado com métopas em relevo 
que representavam feitos de Teseu e trabalhos de Héracles. 
Dividia a ornamentação escultórica entre trabalhos de Héracles 
e igual número de feitos de Teseu e perece ter a intenção de 
aproximar os dois heróis e estabelecer certa emulação: tinha no 
frontão oriental o encontro de Teseu com Héracles ou Pirítoo; 
as seis métopas do mesmo lado representavam a vitória contra 
as Amazonas que haviam atacado Atenas, a que correspondiam 
seis trabalhos de Héracles na fachada oposta; ao longo da lado 
sul sucediam-se nove métopas com empresas do Teseu, a que 
se contrapunham outras nove no lado norte com feitos de 
Héracles.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
40
Figura 26
Olímpia (reconstituição do Museu Arqueológico). Os tesouros vêem-se 
no lado direito da reconstituição, ao longo da via que conduz ao estádio
Vol. I - Arquitectura Grega
41
Figura 27
Fachada principal do Tesouro dos Snífios em Delfos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
42
Figura 28
Monumento da Titanomaquia. Museu de Delfos
Figura 29
Tesouro dos Atenienses em Delfos. Reconstituição realizada pela 
cidade de Atenas, em 1906.
Vol. I - Arquitectura Grega
43
Thóloi
A tholos, edifício redondo, por vezes em círculos concêntricos 
de colunas, em vários estilos, apareceu em vários contextos e santuários. 
A arquitectura grega não amava as linhas curvas, privilegiadas e 
consolidadas apenas nas edificações teatrais. As construções sagradas 
e civis raramente recorreram a este tipo de estruturas, mas quando 
utilizadas atingiram níveis de extrema coerência formal. 
Teve papel significativo na arquitectura tumular dos 
Micénios e encontramo-lo, por exemplo, em locais sagrados 
como Delfos, Epidauro e Olímpia, mas desconhecemos 
exactamente a sua função. O mais antigo testemunho de um 
edifício de planta redonda encontrava-se provavelmente no 
santuário de Delfos, construído ainda nos inícios do século VI 
a. C., graças a um donativo de que apenas restam fragmentos, 
reutilizado no Tesouro de Sícion. Seria ainda em Delfos que, 
nos inícios do século IV a. C., este tipo de edifício é novamente 
retomado, graças à fantasia inventiva do arquitecto Teodoro da 
Fócida. Aí se edificou a conhecida tholos, construída no terraço 
do santuário de Atena Pronaia (figura 30). No exterior o edifício 
apresentava um círculo de vinte colunas dóricas de acentuada 
beleza, que suportavam um friso com triglifos e métopas, 
esculpidas com temas de lutas (Amazonas e Centauros). No 
interior da cella existiam nove colunas coríntias, apoiadas na 
parede e colocadas sobre um plinto em pedranegra de Elêusis. 
O mesmo material foi também utilizado para o pavimento, 
formando um acentuado contraste com a brancura do mármore. 
Particularmente cuidada era ainda a decoração, que parecia 
inspirar-se na experiência do Erectéion na precisão dos entalhes 
da cornija, da qual é justamente famosa a decoração com folhas 
estilizadas que circundam o plinto da cella no exterior. 
A estrutura de planta redonda é retomada poucos 
decénios depois em Epidauro onde, entre 360 e 320 a.C., se 
procede à construção de um edifício projectado pelo arquitecto 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
44
Policleto (figura 31). Este edifício, conhecido por thymele (assim 
recordado pelas fontes, o nome significa “lugar de sacrifício”), 
surgia nas traseiras do templo de Asclépios. A ela se acedia 
mediante uma rampa, depois de vencer um desnível de três 
degraus. No plinto repousava um círculo de vinte e seis colunas 
dóricas com triglifos e métopas, desta vez não decoradas com as 
tradicionais representações figuradas mas adornadas por grandes 
páteras em relevo realçadas a dourado. Na goteira estendia-se, 
entre cabeças de leão, um elegante friso com motivos vegetais. 
No interior, elevavam-se catorze colunas coríntias destacadas 
do muro, formando um corredor encimado por um telhado 
construído com caixotões finamente decorados com elementos 
florais. Particularmente requintado era o motivo decorativo do 
pavimento, constituído por triângulos com lados côncavos de 
pedra negra e mármore que criavam um jogo de perspectiva 
de grande elegância. Desconhece-se, no entanto, a função deste 
edifício. Nas fundações da sala central três muros concêntricos 
individualizavam uma espécie de labirinto em caracol: talvez 
fossem aí guardadas as serpentes sagradas do deus da Medicina, 
ou seria neste espaço que se celebravam as cerimónias dos 
mistérios, como parece sugerir o nome do edifício transmitido 
pelas fontes que, de facto, alude a ritos sacrificiais. 
Um dos últimos êxitos desta refinada, mas pouco difundida, 
tipologia monumental foi o dito Philippeion de Olímpia (figura 
32). Este tem o nome do seu comitente, Filipe de Macedónia, o 
qual depois da batalha de Queroneia decidiu dedicar na área 
sagrada do santuário uma espécie de sacelo para si e para a sua 
família. A sua morte precoce impediu-o de finalizar o projecto, 
posteriormente ultimado pelo seu filho, Alexandre. O edifício 
apresentava no exterior dezoito colunas dóricas, enquanto no 
interior possuía oito semi-colunas coríntias, apoiadas num alto 
plinto. A decoração em losangos nos caixotões do telhado era 
extremamente rica. No interior da construção, sob uma base 
Vol. I - Arquitectura Grega
45
de hemiciclos dispunham-se estátuas de Alexandre e de seus 
pais e avós, todas esculpidas por Leócares na preciosa técnica 
crisoelefantina (em ouro e marfim). 
Deparamos todavia também com thóloi com funções civis, de que 
o exemplo mais conhecido e relevante é o Pritaneu da pólis ateniense, 
que se situava no oeste da Ágora, ao lado do Buleutérion (figura 33). 
Figura 33
Reconstituição da tholos do 
Prianeu, em Atenas
Figura 30
Tholos em Athena Pronaia. 
(reconstituição)
Figura 31
Planta da tholos de Epidauro
Figura 32
Philippeion de Olímpia
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
46
Propileus
Templos e Tesouros faziam parte essencial, sobretudo 
o primeiro, dos recintos sagrados ou santuários, nos quais, 
de modo geral, se entrava por vistosa porta, o Propileu 
(do grego própylon) – nome que, na Grécia antiga, se dava à 
entrada monumental, ornamentada com colunas, que acedia 
a edifícios e recintos ou santuários. Podia limitar-se a um 
simples pórtico com uma única porta, o propileu, ou, mais 
sumptuosa e elaborada, apresenta uma estrutura de vários 
pórticos com mais de uma porta, os propileus. O mais famoso 
e monumental exemplo é a entrada na Acrópole de Atenas 
(figuras 34 e 35), que é constituído por quatro pórticos e cinco 
portas. Mas o propileu é, evidentemente, também um edifício 
civil, pois serve a cada passo de entrada nas cidades, em ágoras 
e outros recintos.
Figura 34
Propileus da Acrópole de Atenas.
Vol. I - Arquitectura Grega
47
Arquitectura doméstica
No domínio das construções civis, começo pelas casas 
que adquirem, é evidente, importância fundamental para as 
populações e que, como em qualquer outro lugar, na Grécia antiga 
eram mais ou menos simples. Viviam, contudo, para o interior, 
não visavam o aparato externo. A arqueologia tem escavado 
número significativo de casas, em diversas cidades, e reconstituído 
algumas delas. A partir desses dados e reconstituições, podemos 
deduzir que a casa tipo possuía dois pisos. Um átrio dá para uma 
porta de duplo batente, como de modo geral acontecia, mesmo 
nas do interior. Nas casas de campo ou vivendas, como acontece 
nestas reconstituições de casas de Olinto (figura 36) e da Ática, 
como se pode ver na reprodução da casa de Kourouniotis (figura 
37) e de outra na Via Panatenaica (figura 38), o átrio dava para um 
Figura 35
Planta dos Propileus.
1: Sala da Pinacoteca
2: Colunata central, a ladear a passagem oxial.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
48
vestíbulo de recepção, a que se seguia um pátio central interior, 
aberto, com pórticos e três alas a darem para esse pátio. Aí se 
situava o altar doméstico. No piso inferior ou térreo ficavam as 
dependências sociais: a sala de estar, ao fundo, de modo a receber 
a luz do pátio; o andrôn ou sala dos symposia, a sala de jantar, 
anexa aos aposentos do banho e à cozinha; todas elas, de modo 
geral, com pavimentos em mosaico. Uma escada levava ao piso 
superior, onde se encontravam o tálamo ou quarto conjugal, o 
gineceu, sala destinada às mulheres, e os aposentos destinados 
aos escravos domésticos. 
A arquitectura doméstica sofreu todavia, como seria de 
esperar, uma evolução mais ou menos significativa. Saída de um 
período de obscuridade, nos primeiros tempos do período arcaico 
a arquitectura doméstica era extremamente simples. Apenas 
nos finais do século VII a. C. as casas passam a ter estruturas 
mais complexas, com destaque para o desenvolvimento de 
espaços abertos com um pátio central. No século VI a. C., com 
o aparecimento dos tiranos dá-se a construção de sumptuosos 
palácios fortificados, conhecidos especialmente através das 
fontes escritas e de representações em vasos pintados. Mas 
também as casas da aristocracia deveriam mostrar uma notável 
transformação, com aposentos à volta de um corredor e um 
átrio fechado. O aposento mais característico estava destinado a 
um típico uso grego, o sympósion ou banquete. Já descrita pelos 
líricos gregos, esta sala, chamada andrôn, abria-se directamente 
para o átrio e era caracterizada pela presença de leitos ao longo 
das paredes. As mulheres (das classes mais altas, entenda-se) 
eram excluídas da vida social, e a elas estava destinada uma 
parte separada da casa, o gineceu. 
Os testemunhos arqueológicos dos primeiros tempos 
são parcos. Algumas casas escavadas perto do Areópago, em 
Atenas, contemporâneas do período de Péricles, possuem 
vários ambientes que se desenvolvem à volta de um pátio 
Vol. I - Arquitectura Grega
49
central (normalmente com um poço), ao qual se acede através 
de um pequeno corredor. A vida gravitava toda no seu interior, 
isolada do mundo exterior, prestando-se, inclusivamente, pouca 
atenção ao aspecto das fachadas, a não ser que se situassem 
nalguma via principal com forte actividade artesanal. 
Temos no Protágoras de Platão uma óptima descrição da 
casa de Cálias, no Pireu: através de um vestíbulo o prothyron, 
para o qual dava o quarto do porteiro, acedia-se a um amplo 
espaço aberto que dava luz a toda a casa, o pátio ou aulê. Aí 
se expunham dois pórticos, o do lado norte com dupla planta. 
No rés-do-chão dispunham-se vários compartimentos, entre os 
quais o andrôn, onde se desenvolve grande parte do diálogo. 
Os do andar superior (que estavam destinadosaos hóspedes), 
deviam ser reservados às mulheres. Á volta de toda a aulê 
abriam-se várias lojas e zonas de serviço. Tratava-se, certamente, 
de uma casa muito rica. 
A casa comum devia, todavia, ser de estrutura muito 
simples: um pátio interior, onde se desenvolvia um pórtico de 
madeira com dupla planta. No inferior existia o andrôn, a cozinha 
e os serviços com água. No plano superior (onde não chegava a 
água) estavam os espaços destinados às mulheres, com thálamos 
e áreas para as servas. Cerca de cem casas idênticas a esta foram 
encontradas nas escavações de Olinto, uma cidade da Calcídica, 
fundada em 423 a.C. e destruída por Filipe II em 348 a.C. Os 
quarteirões dispostos de modo regular estavam divididos em 
casas modelares construídas em madeira e tijolos, com muretes 
de pedra. Todas tinham um pátio central com um pórtico de 
madeira de dupla planta (pastás) no lado setentrional: nesse lado 
abriam-se pequenos ambientes, entre os quais o andrôn, com 
cerca de uma dúzia de metros quadrados, e a cozinha com a zona 
do fogo. Da outra parte do pátio, pequenas construções de uma 
só planta que deviam ser destinadas a lojas ou locais de serviço. 
No curto espaço de tempo de sobrevivência da cidade, algumas 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
50
destas casas foram sendo ampliadas, anexando-se unidades 
habitacionais contíguas e alargando a pastás, transformando-o 
num verdadeiro peristilo. Muitos espaços foram ornamentados 
com pinturas parietais e com mosaicos figurativos realizados 
com pequenos seixos.
A evolução para casas mais airosas, mais ornamentadas 
e complexas, dá-se com as mudanças sociais características do 
período helenístico, como se deduz de vestígios escavados nas 
cidades de Abdera e Kossope. Para este período, o exemplo que 
melhor ilustra a evolução pode ser visto em Delos. A cidade 
mostra, ao lado de casas mais pobres, grandes vivendas com 
pátios adornados por um peristilo, ricamente ornamentados, 
que serviram de modelo a muitos espaços patrícios romanos do 
período tardo-republicano.
Figura 36
Reconstituição de casa de Olinto.
Vol. I - Arquitectura Grega
51
Figura 37
Reconstituição de casa de Kourouniotis, em Atenas.
Figura 38
Reconstituição de casa na Via Panatenaica, em Atenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
52
Edifícios políticos, administrativos e sociais
São também construções civis, embora algumas delas 
possam aparecer em recintos sagrados, os pórticos, os pritaneus, 
os buleutérios, os ekklesiastéria – os principais, entre outros 
edifícios civis públicos ou privados. 
No período arcaico foi a edificação religiosa a responsável 
pelo desenvolvimento da arquitectura grega, enquanto a 
arquitectura dos edifícios públicos civis se limitou a reproduzir 
as formas típicas dos ambientes domésticos. Mas já para os 
finais do século VI a. C. começou a manifestar-se um maior 
interesse pela criação de ambientes adaptados às necessidades 
das funções políticas e administrativas das cidades, o que 
levou, já no decurso da centúria seguinte, à criação de algumas 
estruturas “especializadas” para as actividades públicas.
Buleutérios e Pritaneus
O buleutério, edifício em que se reunia o conselho, tinha 
praticamente presença assegurada em cada pólis. Com uma 
tribuna para os oradores em um dos lados, podia ter bancadas 
em anfiteatro ou em forma de U, como se vê nas ruínas do 
Pritaneu de Mileto (figura 39).
O Pritaneu era o edifício ou local onde se reuniam os 
Prítanes – nome que designava magistrados importantes em 
várias das cidades gregas. De etimologia obscura, aparece na 
literatura a designar o ‘chefe’, o ‘mestre’ (prytanis no grego 
moderno é o nome do reitor de uma universidade); aplica-
se a divindades como Zeus e Apolo; dele deriva o verbo 
denominativo prytaneuo, que significa ‘ser o chefe’, ‘presidir’. 
Os testemunhos mais antigos de edifícios civis com carácter 
Vol. I - Arquitectura Grega
53
monumental e função político-administrativa encontram-se 
em Atenas e em Olímpia. E Prítanes era, em Atenas, o nome 
dos cinquenta buleutas de cada tribo que durante uma décima 
parte do ano estavam em serviço permanente, preparavam os 
trabalhos da Bulê e da Assembleia e executavam as decisões de 
um e de outro desses órgãos. A evolução da pólis ateniense no 
sentido da democracia tornou instituições principais do regime 
a Assembleia, constituída por todos os cidadãos, o Conselho 
dos Quinhentos ou Bulê, transcrevendo o grego, e a Helieia, 
para que eram escolhidos à sorte, respectivamente, cinquenta e 
seiscentos de cada uma das dez tribos. 
No lado oeste da Ágora ateniense existia já nos inícios do 
século VI a. C. uma construção com vários compartimentos que 
se apresentava com um pátio trapezoidal porticado, identificado 
como o primitivo pritaneu: aí se conservava o fogo sagrado da 
deusa Héstia e se reuniam os cinquenta magistrados (Prítanes) 
que aí presidiam durante um décimo do ano.
Figura 39
Pritaneu de Mileto
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
54
Em cima deste modesto edifício foi construído, por volta 
de 465 a. C., um outro de planta central, a tholos, chamada 
também skiás (quer dizer guarda-chuva), talvez pela forma 
do seu teto cónico que recordava, de facto, aquele objecto (cf. 
figura 33). No interior estavam dispostos, contra a parede e à 
volta das pilastras, os leitos conviviais, nos quais se estendiam 
para comer os pritaneus com os seus convidados, embaixadores 
estrangeiros ou mesmo cidadãos dignos de tais honras. 
A norte do pritaneu construiu-se já nos inícios do século V a. 
C. um buleutério, edifício destinado a acolher os cinquenta boleutas 
(conselheiros): de forma quadrangular, com escadarias em três 
lados, este edifício inaugurou uma tipologia que teve muito sucesso 
sobretudo na época helenística, como demonstra, por exemplo, o 
sugestivo e bem conservado edifício de Priene. A função desta sala, 
destinada à assembleia, teria naturalmente condicionado a forma do 
edifício, muito próxima de estruturas do tipo teatral. 
Diferente foi a solução adoptada em Olímpia, onde à volta 
de meados do século VI a. C. foi edificado na parte meridional 
do santuário um buleutério de forma rectangular, com entrada 
pelo lado oriental e com abside no lado oposto. A escadaria do 
buleutério, provavelmente em madeira, dispunha-se ao longo 
das paredes, enquanto que a abside tinha funções de arquivo. 
No início do século V a. C. foi construído, a norte do anterior, 
um segundo edifício, deixando livre o espaço reservado a um 
altar provavelmente dedicado a Zeus. 
Ekklesiastéria
Os ekklesiastéria eram edifícios para funcionamento da 
Assembleia (Ekklésia) que reunia todos os cidadãos da pólis na 
Grécia antiga. A política foi um elemento fundamental da cultura 
helénica, explícito desde os Poemas Homéricos. Como se deduz de 
um passo célebre da Ilíada (9. 443), Fénix ensinara Aquiles também 
Vol. I - Arquitectura Grega
55
a fazer discursos e não apenas a praticar nobres feitos. Ora com a 
afirmação da pólis ou cidade-estado ao longo da época arcaica — 
ou seja no decurso dos séculos VIII a VI a. C. — a necessidade de 
intervir no Conselho e na Assembleia, um órgão colegial o primeiro 
e constituído por todos os cidadãos a segunda, obriga o dirigente a 
ter de usar da palavra e a saber convencer os seus concidadãos. 
Embora a Magna Grécia não tenha sido um foco de democracia, 
a presença aí de ekklesiastéria — recente descoberta de um em Paestum 
(figura 40) e de outro na Ágora de Metaponto (figuras 41 e 42) — atesta 
que o povo era consultado. No de Metaponto, descobriu-se uma 
estrutura de filas concêntricas cujos assentos rodeiam uma espécie de 
pódio central. Construído no 1º quartel do século V a. C., este edifício 
podia albergar cerca de 8.000 cidadãos para as suas deliberações. 
Estes edifícios circulares, a céu aberto, prestavam-se às confrontações 
de opiniões, tal como acontece nas salas do bouleutérion. Em Atenas 
a Assembleiafuncionou primeira na Ágora e depois numa colina 
próxima, a Pnix (figura 43), para onde foi transferida na primeira 
metade do séc. V a.C., de que se dá a reconstituição colhida em P. 
Connolly, La ciudad Antiqua (Madrid, 1998) p. 28.
Figura 41
Ekklesiastérion de Metaponto
Figura 40
Planta do Ekklesiastérion de Paes-
tum. Colhida em Taschen, pág. 
99.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
56
Pórticos
Além dos edifícios claramente conotados – no sentido 
funcional – com a vida política, como é o caso do pritaneu e o 
buleutério, não se pode deixar de referir uma outra importante 
tipologia monumental, a do pórtico ou stoa, que terá grande êxito 
quer em contextos religiosos quer civis. Muito frequentes em 
recintos religiosos, os pórticos não se limitavam apenas a esse 
uso. O clima da Grécia oferecia claridade, limpidez de céu, mas 
tinha sol inclemente. Em tais circunstâncias, a sombra acolhedora 
aparecia como bálsamo. Por isso os pórticos surgiram a unir 
Figura 43
Planta da Pnix (Atenas)
A: tribuna
B: escadarias originais de 
acesso
C: Restos da escadaria de 
acesso da ampliação.
Figura 42
Planta do Ekklesiastérion de 
Metaponto. Colhida em 
Taschen, pág. 99. 
Vol. I - Arquitectura Grega
57
edifícios, a ladear e ornamentar santuários, a rodear a ágora, 
local onde se encontravam ainda outros edifícios públicos, como 
buleutérion (onde funcionava o conselho), tribunais, mercado, 
banhos, fontes (figura 44).
São particularmente numerosos e significativos os 
testemunhos da Ágora de Atenas, local onde já nos inícios do 
século VI a. C. foi construída a Stoa Balileios, o pórtico do rei, onde 
o arconte rei desempenhava a suas funções administrativas. 
Esta estrutura original bastante simples, com oito colunas na 
frente, é melhorada com o acrescento de corredores porticados 
que permitem criar um espaço adaptado para reuniões de 
assembleias. Por volta de 425 a. C., a sul do pórtico do rei, é 
construída uma mais harmoniosa e imponente Stoa, denominada 
de Zeus Eleuthérios (Zeus libertador), e a si destinada pelo facto 
Figura 44
Stoa de Átalo na Ágora de Atenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
58
de este ter libertado a cidade do jugo e ameaça persa. Trata-
se de um edifício da ordem ática, provavelmente atribuído a 
Menésicles – o mesmo arquitecto responsável pelos propileus 
- que reunia no exterior a ordem dórica e no interior a ordem 
iónica. Da ordem ática refira-se ainda a Stoa Poikile (pórtico com 
pinturas), um dos mais antigos exemplos desta ordem na Ágora 
de Atenas, designativo que advém do facto de este edifício estar 
decorado no seu interior com as famosas pinturas de Polignoto 
de Tasos e de Mícon, descritas por Pausânias e alusivas à 
Batalha de Maratona, à destruição de Tróia (Ilioupérsis) e à 
Amazonomaquia. 
Figura 45
Planta do Teatro de Tóricos
Vol. I - Arquitectura Grega
59
Edifícios culturais e desportivos
Neste grupo incluímos os edifícios destinados às 
representações dramáticas, ao canto e à dança, ao exercício físico 
e à competição desportivo: os teatros, os odéons, os ginásios e 
palestras, os estádios, as léschai e as termas.
Teatros
Os teatros, no aspecto arquitectónico, são edifícios 
adequados para as representações dramáticas. Se os primitivos 
espectáculos teatrais se devem ter realizado em locais públicos, 
provavelmente na Ágora de Atenas, o teatro, como edifício próprio 
à apresentação dessa manifestação cultural, acaba por surgir, 
com naturalidade, no séc. V a.C. Normalmente aproveitam-se os 
declives das encostas para se construírem bancadas em anfiteatro; 
procurava-se assim obter boas condições acústicas.
Além do anfiteatro, que se encontrava dividido em 
sectores (ou kerkides), no teatro devemos distinguir ainda os 
seguintes componentes: a orquestra (local onde evoluía o coro), 
a skenê (inicialmente uma espécie de tenda para os actores, 
mas que depois se transforma numa estrutura mais complexa, 
representando normalmente as fachadas de um templo ou de um 
palácio), os parodoi (local para as entradas laterais do coro). 
Em Atenas foi, construído um teatro, nas vertentes da 
acrópole, em honra de Diónisos Eleuthereus. Foi esse o lugar 
privilegiado das representações dramáticas e foi aí que os 
Atenienses assistiram à maioria das peças dos três grandes 
trágicos (Ésquilo, Sófocles e Eurípides), às comédias de 
Aristófanes e às obras de muitos outros, de que pouco mais 
conhecemos do que seus nomes.
A construção de áreas preparadas para receber espectáculos 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
60
sagrados e acolher os espectadores remonta ao período micénico. 
No período arcaico, especialmente a partir do século VI, a 
construção de edifícios para espectáculos é já uma regra. Mas nos 
seus inícios, nem sempre o espaço reservado à representação do 
coro, a orquestra, tinha a forma circular, ou não a teria sempre, 
como pensaram alguns quando apareceu o teatro de Tóricos, na 
Ática, cuja primeira edificação deve ser de meados do século VI 
a. C. e é um dos mais antigos conhecido (figura 45)1. Apresenta 
uma cávea trapezoidal e orquestra quadrangular com os lados 
arredondados; o mesmo parece ter ocorrido nos primeiros edifícios 
em Tasos, Delfos, Argos e Siracusa. Mesmo em Atenas os primeiros 
edifícios estavam situados em plena Ágora onde se realizavam 
as competições dramáticas e musicais. Edifícios possivelmente 
associados à reorganização dos cultos por parte de Pisístrato, em 
530 a. C., os espectadores sentavam-se numa espécie de bancadas 
em madeira (íkria), como se pode observar num célebre fragmento 
de Sófilo (figura 46). Em 498 a. C. a estrutura das bancadas ruiu e 
as competições foram transferidas para o santuário de Diónisos, 
na encosta sud-oriental da Acrópole. Aqui, junto ao templo do 
deus, construiu-se nos finais do século VI a. C. um muro circular 
destinado a regularizar a orquestra, enquanto os espectadores 
se sentavam na encosta da Acrópole. No decurso do século V 
a. C. foi também escavada e regularizada a encosta, de forma 
côncava (Kóilon), e atrás da orquestra foi construído um edifício 
destinado a conter os apetrechos da cena (skenoteka), que podia 
também servir de camarote para os actores e de guarda roupa 
para os espectadores. Este foi o teatro de Sófocles e de Eurípides. 
Durante a paz de Nícias (421-415 a. C.), a cena torna-se elemento 
fixo, com uma frente em pedra e uma stoa, ou pórtico, na parte 
posterior (figura 47). Na segunda metade do século IV a. C., entre 
1 Pensou-se, ao aparecer esse teatro com uma orquestra aparente-
mente trapezoidal, que a forma inicial pudesse ser rectangular. Hoje as dú-
vidas acumulam-se.
Vol. I - Arquitectura Grega
61
338 e 330, dá-se a reconstrução do teatro por parte do orador e 
estadista Licurgo, e constrói-se a cena, a orquestra e a cávea (kóilon) 
em pedra. Nos finais do século IV a. C. foi construída uma nova 
cena, acrescentando-se corpos laterais (paraskênia) ornados com 
colunas e tábuas de madeira pintadas com cenas de paisagem ou 
de cidade, as pinakes, que quando substituídas em plena actuação 
permitiam uma rápida mudança de cena. 
Pouco depois do teatro de Licurgo foi erigido o famoso 
teatro do santuário de Epidauro, que foi desde logo considerado 
como perfeito e o mais belo de entre os teatros da Grécia. Ainda 
hoje é o teatro grego antigo mais bem conservado, que chegou até 
nós em mais perfeitas condições e melhor nos dá a ideia do que 
era o edifício. É especialmente conhecida a sua surpreendente 
acústica graças – sabe-se hoje – a cálculos matemáticos usados 
propositadamente para a sua construção. A orquestra, circular 
e com o altar (thymele) de Diónisos no centro, é rodeada pelo 
grande semi-círculo da cávea ou kóilon. Com capacidade para 
mais de 14 mil espectadores, a cávea é dividida por uma 
passagem horizontal, o diázoma que divide as bancadas em 
dois sectores, o superior com 24 degraus e o inferior com 34 
(figura 48). O edifício cénico,rectangular, tinha as funções de 
cenário e estava separado dos muros de suporte do kóilon por 
acessos descobertos, as entradas ou párodoi, através dos quais 
se acedia à orquestra. Construído em finais do séc. IV a. C., a 
majestade das suas linhas, a harmonia das suas proporções, a 
sua impressionante acústica (o rasgar de um papel ou o riscar 
do fósforo na orquestra pode ser facilmente ouvido na mais 
afastada das bancadas) — tudo isto faz do teatro de Epidauro o 
mais representativo que hoje possuímos do mundo antigo.
Depois da segunda metade do século IV a. C. todos os 
edifícios de teatro serão deste tipo, incluindo o de Megalópolis, 
o maior de todos, destinado a conter 21 mil espectadores.
A construção de numerosos teatros por todo o mundo 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
62
helénico - reproduzimos imagens dos teatros de Delfos e de 
Éfeso (figuras 49 e 50, respectivamente) - demonstra a enorme 
influência exercida por essa manifestação cultural que é o teatro, 
uma criação de Atenas, surgida na segunda metade do séc. VI, 
talvez por alturas da passagem do terceiro para o quarto quartel, 
no âmbito de um dos mais importantes festivais atenienses, as 
Grandes Dionísias, celebradas nos inícios da primavera, em 
honra de Diónisos Eleuthereus, ou seja Libertador .
Figura 46
O fragmento vascular mostra uma cena da Ilíada: os jogos fúnebres 
em honra de Pátroclo. Vê-se bem a reacção do público.
Vol. I - Arquitectura Grega
63
Figura 47
Teatro de Diónisos em Atenas.
Figura 48
Teatro de Epidauro.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
64
Figura 49
Teatro de Delfos.
Figura 50
Teatro de Éfeso.
Vol. I - Arquitectura Grega
65
Odéons
Os odeons, também em anfiteatro, mas mais pequenos 
do que os teatros, são edifícios destinados ao canto e à dança 
– aliás de acordo com o seu nome que deriva do termo grego 
odê ‘canto’ ou ‘hino’. Neles também se faziam conferências e 
leituras públicas.
As origens mais remotas do odeon, usado para espectáculos 
musicais, pode ser encontrada em Esparta, cidade onde se teria 
construído um edifício para essa finalidade no séc. VII ou VI a. C.
Em Atenas o mais antigo odeon foi mandado construir por 
Péricles na proximidade do Teatro de Diónisos; era rectangular 
(62,40 x 68,60 m) e a sua cobertura era suportada por uma fila 
de colunas. Dado que os gregos usavam o sistema de coluna e 
lintel os edifícios não podiam suportar grandes superfícies com 
cobertura sem recorrer a construções do tipo rectangular. 
Outro tipo de edifícios que requeriam largos espaços cobertos, 
como o Telestérion em Elêusis, usado para os mistérios Eleusinos, e 
o Tersílion em Megalópolis (c. 66 x 52 m) construído em meados 
do século V a. C. como um local de encontro para a Liga Arcádica, 
tinham soluções arquitectónicas idênticas (Sear 2006, 39).
Mais tarde, em Atenas do século II a. C., Herodes Ático 
manda erigir um novo edifício deste tipo, edifício que apesar de 
várias alterações que sofreu ao longo dos tempos, ainda hoje é 
utilizado para espectáculos musicais (figura 51).
Os odéons mais tardios foram construídos segundo dois 
planos distintos: ou tinham paredes exteriores rectangulares 
como os boleutéria, ou uma cávea semi-circular como nos teatros. 
Em época romana este tipo de edifícios teve largo sucesso, 
conhecendo-se exemplos daqueles tipos em várias cidades do 
Império, em particular na parte oriental do Mediterrâneo. Como 
exemplo de edifício com paredes exteriores rectangulares refira- 
-se o que foi mandado construir por Agripa na própria Ágora 
de Atenas; mas também os edifícios de tipo semi-circulares 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
66
como teatros tiveram grande sucesso. Refira-se, entre outros, o 
odéon mandado construir por Domiciano em Roma, talvez o 
mais amplo de todos com um diâmetro de cerca de 100 m, e o 
de Cartago, construído no século III, com um diâmetro de 96 m 
(Sear 2006, 39).
Figura 51
Odéon de Herodes Ático em Atenas.
Vol. I - Arquitectura Grega
67
Léschai
As léschai (plural de lesche) eram, na Grécia antiga, algo 
que correspondia aos actuais clubes e serviam para reuniões 
informais.
Um dos mais famosos desses edifícios é a Lesche dos 
Cnídios, em Delfos, de que apenas restam os alicerces. Era 
aí que se encontrava a famosa pintura de Polignoto relativa 
à catábase de Ulisses e à Ilioupersis. Pausânias descreve essa 
Lésche dos Cnídios e os frescos de Polignoto: a queda de Tróia 
(10.25.1-26.9) e descida de Ulisses ao Hades (10.28.1-31.12), 
de que damos o início da descrição do primeiro e do segundo 
frescos (respectivamente 10.25.1-2 e 10.28.1), em tradução de 
Maria Helena da Rocha Pereira (Hélade, 92005, p. 515):
Acima da fonte de Cassótis fica o edifício que contém 
pinturas de Polignoto, oferta dos Cnídios. Os Délfios 
chamam-lhe Lesche, porque outrora era aí que se reuniam 
para discutir os assuntos mais sérios e histórias de antanho 
[…] Para quem entrar neste edifício, fica à direita toda a parte 
de pintura que representa a tomada de Tróia e o embarque 
dos Helenos. No barco de Menelau preparam-se para se 
fazerem ao largo. Está pintado um navio, e marinheiros e, no 
meio deles, crianças. A meio do navio está o piloto Frôntis, 
com duas varas. […] 
A outra parte da pintura, a que fica do lado esquerdo, 
tem Ulisses na sua descida ao lugar chamado Hades, a 
fim de interrogar a alma de Tirésias sobre a maneira de 
regressar a casa salvo. A pintura é do modo que se segue. 
Está representada água que parece de um rio, evidentemente 
o Aqueronte; nele cresceram canas e umas formas um tanto 
ou quanto vagas de peixes; dir-se-iam mais sombras do que 
peixes. No rio há uma embarcação, e o barqueiro está aos 
remos […]
Ginásios e Palestras
Os ginásios e as palestras, sem curarmos aqui da discussão 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
68
sobre a diferença e relação que possa existir entre os dois1, eram 
espaços, ao ar livre e rodeados de pórticos, que se destinavam 
ao ensino da ginástica e aos exercícios físicos, em especial 
desportos como lançamento do disco e do dardo, corrida, luta 
(pale). Aliás os seus nomes apontam precisamente para essas 
actividades. Ginásio deriva do grego gymnós ‘nu’ e palestra tem 
a sua etimologia ligada ao termo grego que designava luta e 
ao verbo palaio ‘lutar’. Nesses espaços, ministrava o mestre de 
educação física — o paidotriba, como lhe chamam os Gregos — 
o ensino da ginástica; aí praticavam os Gregos, em especial os 
jovens, o exercício físico, essencial para a guerra e para os jogos, 
que são duas actividades de grande importância e prestígio na 
Hélade (figura 52).
Frequentados pelos jovens para os seus treinos e 
exercícios de ginástica, ginásios e palestras eram também 
procurados por muitos que, além de admirarem a beleza e 
agilidade dos mais novos, com eles conviviam e davam-lhes 
conselhos. A darmos crédito a Platão e Xenofonte, Sócrates 
procurava com frequência esse local para ensinar2. Ocupavam 
assim lugar importante no seio das cidades gregas: além de 
local de treino dos atletas, era também aí que filósofos e 
oradores afluíam, pois lá encontravam ouvintes. 
Não convém esquecer ainda que a escola de Aristóteles 
surgiu num ginásio, o Liceu – assim chamado por estar junto do 
templo de Apolo Lykeios –, onde o filósofo costumava reunir com os 
discípulos, e que Liceu, do nome do ginásio, se passou a designar.
1 Discute-se se o ginásio era para os mais velhos e a palestra para os mais 
novos, se esta era uma parte daquele e se o primeiro era público e a segunda particu-
lar. Vide J. Delorme, Gymnasium. Étude sur les monuments consacrés à l’ éducation 
en Grèce, des origines à l’ empire romain (Paris, 1960); M. H. Rocha Pereira, Estu-
dos de História da Cultura Clássica 1 - Cultura Grega, p. 370, nota 2.
2 Alguns dos diálogos de Platão — caso de Laques, Lísis, Cármides — 
passam-se no ginásio. Isso tem o seu significado, mesmo que se admita alguma 
idealizaçãodo filósofo. 
Vol. I - Arquitectura Grega
69
Estádios
O estádio (nome que também constituía uma medida grega 
de 600 pés = 192,27m em Olímpia) destinava-se a corridas pedestres 
(figura 53). Havia estádios em muitas cidades e em todos os 
santuários que incluíam provas desportivas nas suas actividades: 
e. g., Dodona, Olímpia, Delfos, Nemeia, Ístmia, Atenas, cujo estádio 
tomou o nome de Panatenaico, por nele se realizarem os Jogos 
Panatenaicos, integrados nas Grandes Panateneias, um festival em 
honra da deusa Atena. Foi nesse Estádio, reconstituído, que Pierre 
de Coubertin inaugurou e realizou os primeiros Jogos Olímpicos 
da Era Moderna, em 1896.
Data da época micénica a celebração de jogos e competições 
atléticas em ocasiões especiais, especialmente quando 
relacionados com rituais fúnebres. Foi no exercício físico para a 
guerra e também como forma de honrar os deuses que os gregos 
encontraram um motivo para celebrar aquelas competições. 
Mas é com o aparecimento da polis que o desporto passa a fazer 
parte da vida diária dos gregos e a ser actividade integrante 
da educação dos jovens. Os jogos são celebrados nos grandes 
santuários pan-helénicos: o de Zeus em Olímpia e Nemeia, o de 
Apolo em Delfos e de Poséidon em Corinto. Os mais celebres 
decorriam em Olímpia e, segundo a tradição, foram fundados 
em 776 a. C. em honra da divindade máxima, Zeus. Celebrados 
de quatro em quatro anos, tinham lugar durante cinco dias com a 
participação da grande maioria das cidades do continente e ilhas 
e de algumas das colónias asiáticas e da Magna Grécia e Sicília. 
Os mais antigos estádios foram construídos no período 
geométrico, que abrange parte da Época Obscura e inícios da 
Época Arcaica. Estes eram constituídos por uma pista rodeada por 
taludes de terra, onde se sentavam os espectadores (os degraus 
em pedra nestes edifícios são de época romana). O cumprimento 
da pista, percorrida uma só vez na corrida principal, deu lugar à 
medida grega de distância, o estádio (c. 192 metros).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
70
Os estádios do continente grego mais bem conservados 
são os de Olímpia e Delfos (imagem 42b), embora se conheçam 
outros igualmente importantes, como os de Nemeia e Epidauro. 
Estes edifícios lúdicos situavam-se no interior dos santuários de 
modo a manter o carácter sagrado destas celebrações.
Às competições de corrida, que incluíam provas de 
velocidade, meio-fundo e fundo, seguiam-se as provas de pentatlo, 
onde se realizavam, para além das provas de corrida, o salto em 
comprimento, o lançamento de disco e dardo e a luta. Nestas 
competições eram ainda praticadas outras especialidades mais 
violentas, caso do pugilato e do pankration (um misto de pugilato e 
luta). As disciplinas mais ligeiras, que incluíam a corrida, o salto em 
comprimento e o lançamento do disco e do dardo, eram praticadas 
no ginásio; o pugilato e o pankration eram praticados na palestra, 
ainda que nem sempre seja possível distinguir nas fontes literárias 
a utilização dos termos “palestras” e “ginásios”.
Acrescente-se ainda as corridas com quadrigas, que 
tinham lugar nos hipódromos.
Figura 52
Ginásio e Palestra de Olímpia.
Vol. I - Arquitectura Grega
71
Figura 53
Estádio de Olímpia.
Figura 54
Estádio de Delfos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
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Hipódromos
Nos hipódromos, realizavam-se as corridas de cavalos e 
carros de cavalos, em especial as corridas de quadrigas. Para 
isso, na pista eram colocadas duas metas à volta das quais 
corriam os competidores. Menos frequentes do que o estádio, 
existiam, contudo, nos santuários em que decorriam os grandes 
Festivais Pan-helénicos: Olímpia, Delfos, Nemeia e Ístmia.
Ginásios, palestras, estádios e hipódromos eram 
fundamentais nas grandes manifestações desportivas, em 
especial os festivais pan-helénicos (Jogos Olímpicos, Jogos 
Píticos, Jogos Nemeus e Jogos Ístmicos) que, ao mesmo tempo 
manifestações religiosas, se realizavam em santuários e se 
integravam no culto às respectivas divindades titulares. Nas 
provas atléticas encontravam os Gregos, sobretudo os da classe 
nobre, um campo para mostrar a sua superioridade e excelência. 
Como os Jogos mais antigos, mais importantes e mais famosos 
eram os Olímpicos, vamos descrever, de forma rápida e a título 
de exemplo, os referidos edifícios no santuário de Olímpia, cujo 
núcleo se encontrava no Áltis ou bosque sagrado, no centro do 
qual ficava o templo de Zeus, construído entre 468 e 456 a. C., o 
primeiro que ao deus supremo aí foi especificamente erigido1; à 
entrada, do lado esquerdo, ficava o Pritaneu (local dos banquetes 
oficiais), junto do qual se encontrava o templo de Hera (erigido 
por volta de 600 a. C.).
Interessam-nos aqui sobretudo o ginásio e a palestra, 
colocados à entrada do recinto, do lado direito. Com lugar de 
relevo na vida do santuário de Olímpia, era aí que os jovens, 
com a ajuda dos treinadores ou “paidotribas” se exercitavam e 
1 Não há vestígios de um templo de Zeus anterior. Se uns especialis-
tas se inclinam para a sua existência, outros pensam — talvez acertadamente 
— que o de Hera funcionou até essa data como um templo comum de Zeus/
Hera.
Vol. I - Arquitectura Grega
73
se preparavam para a luta ou para os jogos. 
Não menos importante era o estádio que inicialmente 
ficava situado dentro do santuário; o actual foi construído 
apenas em meados do século IV a. C. fora dele. Ao lado do 
estádio dispunha-se o hipódromo.
As provas, designadas agônes ou athla, incluíam corridas 
equestres (de carros e de cavalo de sela), corridas pedestres 
(estádio, diaulós ou duplo estádio, o dolichos, equivalente a 24 
estádios, e a corrida com armas); a luta, o pugilato e o pancrácio 
(uma combinação da luta com o boxe)1; e ainda o pentatlo que, 
um pouco diferente do actual, incluía o salto em comprimento, 
a corrida de estádio, o lançamento do disco e do dardo, a luta.
Os Jogos Olímpicos alcançaram enorme projecção e 
exerceram grande influência. Celebravam Zeus, como divindade 
tutelar, Héracles, como seu criador, e Pélops, como primeiro 
vencedor. A sua origem perde-se nas brumas da «Época 
Obscura» e a tradição coloca o seu início sistemático em 776 a. 
C., embora a lenda faça remontar a épocas anteriores, até ao 
século IX, a celebração de competições em Olímpia2. 
Termas
As termas, destinadas a banhos, sobretudo dos jovens 
depois dos exercícios físicos nos ginásios e palestras, apareciam 
a cada passo integradas em tais edifícios. Foram descobertas as 
termas redondas em Atenas, fora da Porta Dípylon, e outras com 
estrutura idêntica, que faziam parte de um ginásio de Erétria, 
na ilha de Eubeia. Eram constituídas por pequenas banheiras, 
com pequenos nichos por cima para colocar a roupa (figura 55). 
1 No pugilato ou boxe, os atletas usavam uma espécie de protecção 
nas mãos, designada himantes — antecedente das actuais luvas. Quanto ao 
pancrácio, os Gregos atribuiam a sua invenção a Teseu, quando enfrentou o 
Minotauro, ou a Héracles, na sua luta contra o leão de Nemeia.
2 J. Ribeiro Ferreira, Hélade e Helenos 1 - Génese e Evolução de um Con-
ceito (Coimbra, 1993) pp. 147-148.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
74
Muitos dos exemplares até agora encontrados não revelaram 
qualquer sistema de aquecimento, apenas braseiras. 
Façamos um pouco de história sobre as termas no mundo 
grego ou no espaço em que os Gregos habitaram.
Na sociedade micénica, de que os Poemas Homéricos 
reflectem as principais características, o banho frio no rio ou 
no mar parece constituir um hábito frequente: Homero, por 
exemplo, descreve o banho de Nausícaa e das suas companheiras 
nas águas de um rio, onde tinham lavado as suas vestes (Odisseia 
6. 96): “E depois de tomarem banho e de se ungirem com azeite, 
comeram a sua refeição junto às margens do rio, enquanto 
esperavam que as roupas secassem ao sol” (trad. Frederico 
Lourenço). O banho de mar está, por sua vez, descrito na Ilíadaquando aí se refere a expedição nocturna de Ulisses e Diomedes 
(10. 572-573), logo após o roubo dos cavalos do rei Reso: “Eles 
próprios entraram no mar para lavar das pernas, das coxas e 
do pescoço o suor abundante. Depois que a onda do mar lavara 
o suor abundante dos seus corpos e lhes refrescara o coração, 
foram tomar banho em banheiras polidas. Tendo tomado banho 
e ungido com azeite, sentaram-se a jantar. E da taça repleta 
tiraram vinho doce como mel e ofereceram libações a Atena” 
(trad. Frederico Lourenço)
Bem documentados nos Poemas Homéricos são quer as 
abluções parciais – por exemplo a lavagem dos pés ou das mãos, 
antes das refeições –, quer o banho completo que era oferecido 
aos hóspedes. O recipiente utilizado para as abluções era uma 
pia de terracota ou pedra, mas sobretudo de metal, muitas vezes 
sem pé ou com uma base plana, que era colocada sobre uma 
trípode móvel quando se destinava a recipiente para aquecer 
a água; o banho completo era tomado numa banheira, de 
madeira ou terracota (figura 56), ou de metal precioso, colocada 
num compartimento, como se aprecia nos palácios minóicos 
e micénicos. No mesmo ambiente ou nas proximidades devia 
Vol. I - Arquitectura Grega
75
existir uma lareira sob a qual se punha a água a aquecer num 
pequeno recipiente (a água seria posteriormente despejada na 
cabeça e nas costas do banhante). 
No que respeita aos banhos nas habitações privadas dos 
Gregos da época arcaica e clássica, em algumas localidades foram 
encontradas pias de fundo plano e horizontais, em terracota, de 
dimensões bastante reduzidas – um testemunho de que ainda se 
não diferenciava o banho de asseio do de relaxamento. Apenas 
na época helenística encontramos verdadeiros compartimentos 
apenas destinados aos banhos, para além das habituais pias 
grandes e profundas para o banho de repouso. Desde a época 
arcaica, como natural consequência da difusão do atletismo e 
do conhecido gosto pelo banho de limpeza depois do exercício 
físico, os ginásios – locais de grande relevo na vida e educação 
na pólis grega (figura 57) – possuíam termas. Esses banhos, na 
sua primeira fase (até finais do século V a. C.), caracterizam-se 
pela sua extrema simplicidade: o único instrumento físico é a pia 
circular sobre um alto pedestal ou colunelo; o banho faz-se numa 
área aberta e não num ambiente propositadamente preparado 
para o efeito. A transformação dos ginásios, que se verifica a 
partir de finais do século V a. C., pressupõe a introdução de 
condições e de instrumentos mais cómodos para os banhos. As 
abluções são feitas em compartimentos separados, normalmente 
bem isolados; são utilizadas banheiras rectangulares que eram 
dispostas ao longo de uma parede alimentadas por água 
proveniente de condutas. Nos ginásios são, todavia, pouco 
frequentes as piscinas para banhos de imersão, provavelmente 
por razões económicas ou talvez por preferirem os banhos de 
limpeza. Os banhos praticados nos ginásios eram banhos frios, 
excepto quando reservados, segundo as palavras de Platão (Leis 
X, 761 s), aos velhos, aos doentes e aos camponeses cansados 
pelas fadigas agrestes. Nos ginásios está documentada a 
presença de um compartimento para o banho a vapor, na qual 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
76
os atletas, no final do seu exercício e depois de uma limpeza 
parcial do corpo por meio de vários produtos, se recolhiam para 
abrir os poros da pele através de uma transpiração intensa e em 
seguida untar-se com óleo. 
Além de compartimentos para o banho nas habitações 
privadas e dos banhos nos ginásios, existem ainda testemunhos 
arqueológicos de estabelecimentos públicos com zonas de 
banhos, datados da época clássica e sobretudo do período 
helenístico. O proprietário ou administrador cobrara uma 
taxa de ingresso e cuidaria da segurança pública do local; ou 
mesmo, se necessário, forneceria aos clientes o azeite e os vários 
produtos usados na higiene pessoal. No século V a. C. estes 
estabelecimentos começaram a difundir-se nas grandes cidades 
e tornaram-se verdadeiros centros sociais, lugar de conversação 
e de prazer para todas as classes, sobretudo as populares. De 
acordo com as fontes literárias, é possível deduzir, para a época 
helenística, uma clientela dos banhos extremamente variada. 
Por norma o banho era tomado todos os dias antes da ceia 
principal, isto é a meio da tarde; os mais ociosos utilizavam 
estes estabelecimentos mais de uma vez por dia! 
Embora sobre a estrutura interna dos complexos 
termais gregos tenhamos menos informação do que das termas 
romanas, parece poder afirmar-se, de acordo com os vestígios 
arqueológicos, que, além dos vestíbulos e da zona onde se 
despiam, esses locais possuíam uma série de salas rectangulares 
ou circulares, em que as pias com o fundo plano eram alinhadas 
ao longo da parede ou dispostas em coroa. Em alguns 
estabelecimentos o banho a vapor fazia-se num compartimento 
circular com dupla cúpula e uma abertura central, que permitia 
a iluminação e o abrigo das altas temperaturas. O que distingue 
os banhos públicos dos ginásios é a presença de sistemas de 
aquecimento: se inicialmente a água era aquecida ao fogo em 
recipientes de bronze ou de cobre e depois despejada nas pias, a 
Vol. I - Arquitectura Grega
77
partir da época helenística já existia um sistema de aquecimento 
subterrâneo, o chamado “hipocausto”, utilizado sobretudo nas 
salas de banhos a vapor. 
É certo que nos não devemos ainda esquecer dos 
locais próximos de águas termais, normalmente situados em 
santuários, como o de Asclépios, em Epidauro, onde o poder do 
deus estava ligado às propriedades curativas das águas. Posta 
essa ressalva, os mais antigos banhos públicos gregos conhecido 
encontravam-se em Olímpia, situados na proximidade do 
ginásio e datados da primeira metade do século V a. C. O edifício 
sofre uma evolução: de início consiste apenas numa construção 
rectangular com um poço. Mais tarde, por volta de meados 
desse século, foi anexado, a sul, um edifício em que havia onze 
pequenos tanques de forma quadrangular e, no ângulo sudoeste, 
um tanque para banhos de imersão – complexo este aquecido 
por uma caldeira a partir de 400 a. C. Ao lado deste segundo 
edifício será ainda instalada uma piscina a céu aberto, coberta 
por um pavimento impermeável e à qual se acedia mediante 
degraus. Na época clássica é construído o chamado Heroon, 
um banho a vapor situado a sudoeste do precedente edifício. 
Mais tarde, por volta de 100 a. C., anexa-se ainda uma nova sala 
rectangular, desta vez equipada com banhos aquecidos pelo 
sistema de hipocaustos.
De qualquer modo, de modo algum os banhos gregos 
apresentam a grandeza e a opulência que depois adquiriram as 
termas romanas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
78
Figura 55
Reconstituição de banhos gregos. Imagem colhida in P. Connolly e 
H. Dodge, La Ciudad Antigua (Madrid, 1998), p. 35.
Figura 56
Banheira encontrada em Pilos (sécs. XIV-XII a.C.). 
Museu Nacional de Atenas
Vol. I - Arquitectura Grega
79
Figura 57
Taça ática de figuras vermelhas (c. 510-500 a.C.). Exterior decorado 
com três jovens a banharem-se em grande bacia ao centro. 
Colecção D. Manuel de Lancastre.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
80
Outros edifícios e contruções
Fontes
As fontes públicas situavam-se quase sempre na Ágora. 
Apareceram nos séculos VII-VI a.C., de modo geral durante os 
governos dos tiranos, que por vezes executaram vultuosas e 
complexas obras de engenharia para trazer a água até ao centro 
da cidade. É famoso e conhecido o aqueduto de Samos, mandado 
construir por Polícrates, grande obra de engenharia, traçada e 
executada por Eupalinos de Mégara, que ainda funcionava, em 
parte, em meados do séc. XX (figura 54). 
 Fonte importante, pela função que tinha no Santuário de 
Apolo em Delfos, era a Fonte Cassótis. Embora as fontes falem des-
sa fonte como existente no interior do templo, para onde teria sidocanalizada, parece que – segundo hipótese aceite por J. Pouilloux 
–, vinda de local elevado junto ao estádio, era em parte subterrâ-
nea e teria sido desviada pelos arquitectos do séc. IV a.C., porque 
em contacto com a camada de xisto em que assentava o templo a 
transformava em lama escorregadia. O novo percurso, no entanto, 
teria sida realizado de modo a dar a ideia de que a água continua-
va a atravessar o templo e a brotar no lado oposto1.
Famosa na antiguidade foi a nascente Castália, situada no 
desfiladeiro formado pelas duas Fedríades, isto é, no local mais 
sugestivo do santuário de Delfos. Foi um elemento essencial do oráculo 
délfico, fornecendo água para lavar o santuário. Aí se depunham 
oferendas à ninfa homónima da fonte, nos nichos da parede rochosa.
Famosa era também a fonte de Atenas, a Enneakrounos ou 
1 Vide G. Roux, Delphes. Son oracle & ses dieux (Paris, 1976), pp. 136-
144; M. H. Rocha Pereira, Cultura grega, p. 327 e nota 24.
Vol. I - Arquitectura Grega
81
‘Fonte das nove bicas’, situada na Ágora de Atenas, mandada 
construir pelos Pisístratos – aí se descobriram as suas canalizações 
e os alicerces da chamada Casa da Fonte (figura 59). Famosa ainda 
a de Corinto, a Fonte de Pirene (figura 60 e 61) que tem conhecido 
mito a ela associado. Utilizada desde a época arcaica, foi célebre 
pelas suas águas. Segundo Pausânias (2.3.2-3), serviu também para 
a preparação do famoso bronze coríntio. Com várias modificações 
ao longo dos tempos até ser monumentalizada por Herodes Ático, 
no século II a. C., a Fonte de Pirene incluiu um enorme pátio com 
três ábsides e um recinto rectangular ao ar livre.
Refira-se ainda os restos de um ninfeu em Olímpia, obra 
também de Herodes Ático. Esta fonte monumental foi erguida 
por volta de 160 a. C. para abastecer de água toda a zona do 
santuário. Aí foi recuperada uma escultura de um touro de 
mármore, que certamente ocupava o lugar central, com a 
seguinte inscrição: «Regila (esposa de Mecenas) consagra a 
Zeus as águas e as estátuas.»
Famosa foi também uma fonte situada em Halicarnasso, 
cidade situada na Cária, na costa da Ásia Menor. Na cidade 
existia uma fonte perigosa, a Sálmacis, cuja fama é conhecida 
de Vitrúvio. Segundo a lenda, banhar-se nas suas águas 
transformava os homens em homossexuais passivos. Deste 
perigo nos dá conta Ovídio nas Metamorfoses (4. 285-388). O 
mito conta que Sálmacis, a ninfa da fonte, tinha um desejo 
arrebatado por jovem filho de Afrodite e Hermes. Tal era a 
paixão que queria a todo o custo possuí-lo. Para o efeito 
aproveita o momento em que o jovem se banha na sua fonte, 
envolvendo-o como uma serpente. Perante a oposição do 
jovem a ninfa decide implorar aos deuses para nunca mais os 
separar. Eis que os deuses se apiedaram da agonia amorosa da 
ninfa, unindo-os para todo o sempre e criando a personagem 
híbrida de Hermafrodita. 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
82
Fortalezas
Figura 58
Aqueduto subterrâneo de 
Samos, mandado construir por 
Polícrates e da autoria de Eu-
palinos de Mégara.
Figura 59
Casa da Fonte. Imagem colhida 
em P. Connolly e H. Dodge, La 
Ciudad Antigua (Madrid, 1998), 
p. 15.
Figura 60
Fonte de Pirene na Ágora 
de Corinto. Vestígios da 
Época Imperial Romana. 
Ao fundo, vêem-se ainda 
os arcos que davam para 
as bacias de que se tirava 
a água.
Figura 61
Fonte de Pirene na 
Ágora de Corinto. 
Reconstituição do 
edifício do Período 
Helenístico.
Vol. I - Arquitectura Grega
83
As fortalezas, frequentes na Grécia antiga, sobretudo a partir 
de determinada altura, eram testemunhas das constantes guerras 
entre as cidades. Não estão em causa tanto as cidadelas ou acrópoles, 
existentes a bem dizer em todas as póleis, que de modo geral eram 
defendidas por muralha, mas outros edifícios e sistemas defensivos. 
A construção de fortalezas no mundo grego remonta 
ao período micénico. Micenas, Tirinto, Mídea, Pilos, entre 
outras localidades do Peloponesso e da Tessália, erigiram 
fortes muralhas que delimitavam áreas urbanas e incluíam o 
símbolo central do poder, o Palácio. Estas fortificações eram 
construídas com blocos de pedra de grandes dimensões (daí 
o termo ciclópicas)1 que podem alcançar a espessura de dez 
metros; por vezes, como no caso de Tirinto, os muros eram 
completados com uma parte levantada de tijolos crus e torres. 
Este tipo de muralhas era reforçado por torreões e portas 
maciças bem protegidas na parte côncava de uma cavidade. 
É o caso bem conhecido da entrada principal de cidadela de 
Micenas, conhecida como a “Porta das Leoas”, que manteve 
o seu pesado lintel monolítico encimado por um triângulo de 
suporte ou descarga ornamentado com duas feras em relevo 
afrontadas, mediadas por uma coluna, e que apoiam as suas 
patas anteriores no pedestal da referida coluna que por cima do 
seu capitel sustenta uma espécie de friso.
Regra geral as fortalezas inserem-se no âmbito da arquitectura 
militar, construídas para proteger as cidades, que assim se apresentavam 
como espécie de praça-forte com muralhas reforçadas por torreões 
redondos ou quadrados. As portas são ocasião para um ordenamento 
não apenas protector mas também artístico e ideológico. 
Este tipo de construções teve no período arcaico e clássico uma 
especial concentração nas regiões da Ática e da Beócia (fortalezas 
1 A designação advém-lhes do facto de se julgar que esses blocos de 
pedra de grandes dimensões só poderiam ser deslocados pelos Ciclopes – só 
eles teriam força suficiente para lá as colocarem.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
84
de Egóstena, de Eleutéria, de Ramnunte). As fortificações não eram 
apenas modelos defensivos das cidades, pois também faziam parte 
de uma rede local e regional que, integradas, definiam um sistema 
que visava atrasar, imobilizar e enfraquecer o inimigo invasor. 
O poderio de Atenas esteve sempre ligado ao seu grande 
porto, o Pireu. Depois da retirada dos Persas, Temístocles preocupou-
se em proteger Atenas de novas invasões: entre 479 e 460 a. C. 
mandou construir muralhas para proteger a cidade e fortificou as 
três entradas naturais do porto do Pireu. As “grandes muralhas”, 
uma via fortificada que unia a cidade ao porto, foram reforçadas 
por Péricles e, mais tarde, derrubadas pelos Espartanos no fim da 
Guerra do Peloponeso (404 a.C.) e posteriormente pelos Romanos.
Como as fortificações tinham também em parte a função 
de servir de obstáculo àqueles que pretendiam pela força dominar 
determinada cidade, necessitavam os invasores de desenvolver meios 
e processos capazes de as destruírem. São conhecidas, para o período 
clássico, as escadas de assalto ou os “lança-chamas”, já utilizados na 
Guerra do Peloponeso, segundo a descrição de Tucídides (4.100.2-4)1. 
Mais tarde, na época helenística, ficou conhecida a torre de assalto, 
também designada por “destruidora de cidades”, concebida por 
Demétrio o Poliorcetes (termo que significa “o sitiador de cidades”) 
para cercar e conquistar cidades fortificadas. Este monarca helenístico, 
filho de Antígono, foi um general especializado em guerra de cerco e 
um dos maiores estrategas do seu tempo no emprego de catapultas 
e aríetes, ficando famosa a sua máquina designada por helepolis (“a 
destruidora de cidades” já acima referida), de enormes dimensões, 
armada com catapultas e “escorpiões”, um pesado aríete e várias 
rampas de acesso às muralhas (Varandas 2006: 141).
É conhecida a tentativa deste jovem monarca de sitiar 
1 José Varandas, ‹‹O punho dos deuses. Maquinaria de cerco greco-
romana (século IV a.C.-sécilo IV d.C.)››, in A. R. Santos e J. Varandas (cord.), 
A Guerra na Antiguidade (Lisboa, 2006), p. 128 apresenta um esquema desta 
máquina.
Vol. I - Arquitectura Grega
85
a ilha Rodes com cerca de 40 mil soldados e a mais poderosa 
máquina secreta, a referida helépolis, máquina com uma altura 
de nove pisos e extensível até 50 metros de altura (cf. Diodoro 
Sículo 20. 81-100). Apesar da derrota, este monarca, desejosode alcançar fama, mesmo a qualquer preço, oferece a torre de 
assalto e demais armas aos Ródios, para que estes a vendessem 
com o propósito de erigir um monumento comemorativo no 
sítio da batalha. Como nos informa Plínio (História Natural, 
34. 18. 41-42), assim o fizeram os Ródios: decidiram construir 
uma colossal escultura no valor de 300 talentos em honra da 
divindade padroeira da ilha, ao deus Sol, Hélios; tratava-se, 
naturalmente, do famoso Colosso de Rodes, considerado uma 
das Sete Maravilhas da Antiguidade, obra de Chares de Lindos, 
aluno do famoso escultor Lisipo.
Ainda existem vestígios dessas fortalezas em vários locais: por 
exemplo, as defesas de Egóstena, no Golfo de Corinto (figura 62), e as 
de Messénia eram constituídas por muralhas ponteadas de torreões, 
dispostos estrategicamente. Por outro lado, as fortalezas na Ática 
formavam uma poderosa cadeia defensiva, datada do séc. IV a. C.
Figura 62
Sistema defensivo de 
Epóstena.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
86
Aspectos do urbanismo grego
No âmbito desta tipologia dos edifícios gregos mais 
significativos, parece conveniente fazer referência a dois ou três 
aspectos do urbanismo grego. Gostaria em primeiro lugar de 
sublinhar a importância na pólis da acrópole e da agora que em 
todas elas existem e que têm papel marcante na sua vida.
A acrópole era a parte alta da cidade, de uma maneira 
geral amuralhada. Era, portanto, uma cidadela a que se recolhia a 
população em caso de um ataque inimigo. Aí se erigia o templo à 
divindade políade ou protectora da cidade; aí se guardava o tesouro 
público. É com frequência o centro religioso mais importante da 
pólis, ou pelo menos o mais significativo. A mais famosa acrópole 
é a de Atenas, que tratamos com algum pormenor mais adiante.
A Ágora era um recinto público, uma ampla praça que 
ocupava um local central da cidade. Foi sempre um dos locais 
nucleares da vida da pólis: vida política e cultural, vida lúdica e 
económica, e também vida religiosa. As condições especiais do 
clima na Grécia permitia ou convidava à vida ao ar livre. Era por 
isso um centro cívico de grande importância. Podemos mesmo 
afirmar que, praticamente, entre a ágora e a casa o Grego dividia 
a sua vida. Tenha-se em conta que, terminada a formação básica, 
a grande escola era o convívio social que tem significativa 
importância educativa em qualquer pólis, mas com particular 
saliência em Atenas. Ora a Ágora constituía um ponto fulcral 
para esse o convívio – para não dizer o mais importante.
Em Atenas – para dar apenas o exemplo mais significativo 
– a Ágora era um importante centro cívico, religioso e comercial 
(figura 63). Na Ágora ficavam vários templos, altares, estátuas e 
edifícios públicos de grande importância religiosa, política e social; 
nela se realizavam as sessões da Assembleia (Ekklesia), antes de ser 
Vol. I - Arquitectura Grega
87
transferida no século V a. C. para a colina da Pnix, e as reuniões do 
Conselho dos Quinhentos, ou Bulê (no Buleutério), dos tribunais 
da Helieia; se encontrava o Pritaneu — ou Tholos — em que os 
prítanes se reuniam e viviam permanentemente; num dos seus 
pórticos, a Stoa basileios, exercia o seu magistério o arconte-rei — 
julgar os casos relacionados com a religião e impiedade — e num 
outro e no Pritaneu se encontravam gravados em pedra diversos 
documentos, como o código de Sólon; aí, separado por um pórtico 
central, decorria diariamente o mercado. Era, portanto, a ágora 
um local de grande afluência, que os Atenienses procuravam para 
conversar e discutir sobre diversos assuntos.
No domínio do urbanismo adquire importância uma 
inovação surgida no séc. V a.C., devida a um famoso arquitecto 
de Mileto, Hipodamo – o plano hipodâmico de urbanização, em 
que as ruas se abriam, paralelas umas às outras, e se cruzavam na 
perpendicular, de modo a formar quadrículas onde os edifícios 
eram construídos. Dou como exemplos desse tipo de urbanização 
Mileto e Priene, duas cidades da Iónia, na Ásia Menor.
O plano hipodâmico da cidade de Mileto (figura 64), 
reconstruída depois de 479 a. C., mostra a aplicação do traçado 
em tabuleiro de xadrez, com as suas vias ortogonais, tal como 
tinha proposto o arquitecto teórico da sociedade grega. Qualquer 
que seja o recorte da margem, o sistema rectilíneo aplica-se à 
organização espacial que se desenrola em terreno plano.
Caso peculiar de urbanismo é o da cidade de Priene (figura 
65), igualmente na Iónia, onde a aplicação do plano hipodâmico 
atingiu os seus limites. Para determinar o traçado das ruas desta 
cidade o arquitecto aplicou o seu esquema de ângulos rectos a 
um relevo ao mesmo tempo inclinado e ondulado. Assim, certas 
ruas, no sentido norte sul, transformaram-se em escadaria, 
num sítio de acentuado desnivelamento, entre a parte baixa 
da cidade e o topo da acrópole. A encosta era entrecortada por 
longos pórticos (as stóai).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
88
Nestas duas cidades encontramos, como não podia 
deixar de ser, os edifícios emblemáticos de qualquer pólis da 
Grécia antiga: acrópole, ágora (as vezes mais do que uma), 
templos, propileus, buleutério, pórticos, termas, teatros, ginásio 
e palestra, estádio, etc.
Figura 63
Planta da Ágora de Atenas.
1: Estrategéion; 2: Tholos ou pritaneu; 3: Antigo Buleutério; 4: Buleu-
tério; 5: Templo da deusa Mãe; 6: Templo de Apolo Patroos; 7: 
Pórtico ou Stoa de Zeus Eleuthérios; 8: Pórtico Real; 9: Hefestéion; 10: 
Via das Panateneias ou de Elêusis; 11: Stoa Poikile ou Pórtico com 
pinturas; 12: Altar dos Doze Deuses; 13: Praça com Peristilo; 14: 
Casa da Moeda; 15: Pórtico sul; 16: Monumento aos Heróis epóni-
mos; 17: Helieia; 18: Prisão.
Vol. I - Arquitectura Grega
89
Figura 64
Plano hipodâmico de Mileto
1: Porta dos Leões; 2: Termas Romanas; 3: Ágora Norte; 4: Te-
atro; 5: Palestra; 6: Ágora Sul; 7: Ágora Oeste; 8: Templo de Atena; 
9: Estádio; 10: Porta Sagrada.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
90
Figura 65
Plano hipodâmico de Priene.
1: Acrópole; 2: Templo de Deméter; 3: Teatro; 4: Templo de Atena; 
5: Buleutério; 6: Stoa ou Pórtico; 7: Ágora e Templo de Zeus; 8: 
Ginásio; 9: Estádio.
Vol. I - Arquitectura Grega
91
Santuário de Apolo em Delfos
Concluímos esta parte com a descrição de um santuário 
onde encontramos exemplificados e concentrados praticamente 
todos os edifícios referidos – Delfos, um santuário que adquire 
importância pan-helénica desde cerca de 750 a.C.1 Do oráculo 
fala a Odisseia (8. 79-81) que nos dá a informação de aí haver 
já um templo («quando transpuseram a pétrea soleira»). O 
Hino Homérico a Apolo, na sua segunda parte (séc. VI a. C.), 
descreve a fundação do templo pelo deus: alicerces, a “pétrea 
soleira” e, em volta, um templo construído em pedra, «digno 
de ser cantado para sempre». Provavelmente entre os dois fica 
Hesíodo (Teogonia 499) que fala da pedra engolida por Cronos, 
julgando ser o filho. Foi essa pedra que Zeus, depois de vencer 
o pai, colocou na divina Pytho, nos recessos do Parnaso (a pedra 
também é descrita por Pausânias 10. 24. 6).
Quando se dirigia para o santuário de Apolo, antes de lá 
chegar e em plano ligeiramente inferior, ao visitante deparava- 
-se o de Atena Pronaia, “a que se encontra diante do templo” e 
que guardava o santuário do deus com a ajuda do herói Fílaco. 
Refere Ésquilo, nas Euménides 21, que Palas Pronaia era honrada 
de modo especial nas tradições délficas. Aí se erguia uma tholos 
(figura 66), dois templos dóricos a Atena (um de c. 510 e outro 
de c. 360 a. C.) e dois tesouros. (figura 67)
Chegados ao santuário de Apolo e transposta a entrada 
principal ou Propileu, deparávamos com diversificados grupos 
escultóricos, nichos e edifícios, dispostos ao longo de uma via 
1 Sobre o Santuário e Oráculo de Apolo em Delfos vide Jean-François 
Bommelaem, «La construction du temple classique de Delphes», BCH 17 
(1983) 191-215 ; M. Maass, «Wirtschaffliche undpolitische Umstände der 
delphischen Tempelbauten», Ktema 13 (1988) 5-11.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
92
que subia em ziguezague – a Via Sagrada (figura 68). 
Os vestígios de numerosos Tesouros, espalhados por 
diversas partes, são o testemunho da fama de que o santuário 
gozava. Os mais famosos situavam-se ao longo da Via Sagrada. 
Todas as cidades gregas faziam gala de enviar oferendas a 
Delfos e de aí construir edifícios. Merecem menção especial os 
Tesouros de Sícion, talvez o mais antigo (de que se conservam 
métopas esculpidas no museu de Delfos, por exemplo, Javali 
de Cálidon e um episódio da expedição dos Argonautas); o dos 
Sífnios e o dos Atenienses. 
O Tesouro dos Sífnios, construído em 525 a. C., encontrava-
se ornamentado com esculturas e era um dos mais elegantes 
Tesouros iónicos de Delfos, com as duas colunas de entrada 
substituídas por Cariátides. O frontão e o friso ostentavam 
soberbos relevos, que serão analisados ao tratar da escultura do 
período «Arcaico tardio».
O Tesouro dos Atenienses, reconstituído recentemente 
(1906), era um edifício dórico, talvez de 507-500 a. C., a que já nos 
referimos (vide supra, p. 34). O frontão e as métopas ainda chegaram 
até nós bem conservadas: numa delas, do lado sul, temos a luta de 
Teseu com a rainha das Amazonas Antíope (c. 500-490 a. C.).
Dos muitos outros edifícios são de salientar ainda o 
Buleutérion de Delfos, os rochedos da Sibila e de Latona, a Esfinge 
dos Náxios, o Pórtico dos Atenienses; a Trípode de Plateias, onde 
estavam inscritos os nomes dos guerreiros caídos na batalha; o 
Carro do Sol, oferenda dos Ródios; o Grande Altar de Apolo, 
oferta de Quios; a Coluna de acanto com mulheres a dançar.
Acedia-se enfim ao recinto do Templo de Apolo que se 
erguia numa vasta esplanada conseguida na encosta através de 
um muro poligonal. Os templos de pedra, na época histórica, 
foram três. O primeiro, construído no século VII a. C. (talvez por 
650 a.C.), foi destruído por um incêndio em 548 a. C. Segundo 
templo se edificou, entre 520 e 510 a.C., graças à subscrição 
Vol. I - Arquitectura Grega
93
internacional de Helenos e não Gregos, o chamado templo arcaico 
dos Alcmeónidas (Heródoto 5. 62), de que restam fragmentos 
do friso no Museu de Delfos. Templo dórico períptero, com seis 
colunas nos lados menores e quinze nos maiores, representava 
no frontão em mármore a epifania do deus, quando se revelou 
aos homens ao chegar a Delfos no seu carro acompanhado 
da mãe, Latona, e da irmã, Ártemis. Destruído em 373, foi 
reedificado entre 369 e 330 a. C. um outro, um pouco maior do 
que o anterior. Da autoria dos arquitectos Espíntaro de Corinto, 
Xenódoro e Ágaton, era um templo dórico, períptero, com seis 
colunas nas fachadas e quinze nas partes laterais. 
O frontão oriental retomava o tema da epifania do deus, 
o ocidental ostentava o pôr-do-sol, Diónisos e as Tíades. São 
deste templo do século IV a. C. as colunas que ainda subsistem 
no local. (figura 69).
Era no pronaos do Templo de Delfos que estavam 
as máximas dos sete sábios (Pausânias 10. 24. 1). No Templo 
havia um altar de Poséidon, imagens de duas Parcas e, na vez 
da terceira, Zeus Moiragetes e Apolo Moiragetes (ou ‘que guia 
o destino’). Lá se encontrava também a cadeira de ferro de 
Píndaro, onde o poeta compunha cantos ao deus. Na parte mais 
recôndita, onde poucos entravam, encontrava-se uma imagem 
de ouro de Apolo (Pausânias 10. 24. 4-5). No santuário, corria 
também a fonte Cassótis (Pausânias 10. 24. 7), de que já tratámos 
(vide supra, p. 73). Plutarco também fala dela. 
No Santuário de Delfos decorre a acção de duas tragédias, 
ou parte dela: o início das Euménides de Ésquilo e o Íon de Eurípides. 
E nesta última peça o coro de mulheres atenienses admira a 
beleza desse lugar sagrado, sublinhando que não é só na divina 
Atenas que há templos com belas colunatas. E descrevem o que 
observam: os trabalhos de Héracles (hidra de Lerna) e com ele seu 
amigo Iolau; Belerofonte, montado em Pégaso, a matar a Quimera 
(um e outro nas métopas). Depois avistam o pedimento oeste, 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
94
com a Gigantomaquia (párodo, 184-218). Nessa Gigantomaquia 
figuravam Atena e Brómio; e Zeus a lançar o raio.
Em plano superior ao templo, com uma magnífica visão 
para o Vale do Pleistos, ficava o teatro e a famosa Lesche dos 
Cnídios, decorada com frescos de Polignoto que representavam 
o saque de Tróia e a descida de Ulisses ao Hades. 
Mais acima encontrava-se o estádio, onde se realizavam 
as corridas dos Jogos Píticos, ainda hoje bem conservado. Esses 
jogos começaram por ser apenas um hino ao deus (Pausânias 
10. 7. 2). Passam a incluir provas atléticas, desde 582 a. C., que 
duravam seis a oito dias e se celebravam de quatro em quatro 
anos, em Agosto-Setembro, em anos intercalares dos Olímpicos. 
O prémio era uma coroa de louros (Pausânias 10. 7. 8).
No Museu encontram-se algumas estátuas de atletas, 
entre elas o famoso auriga e a do lutador Agias, vencedor do 
pancrácio — esculturas referidas mais adiante.
O Santuário foi saqueado várias vezes – e até a “universal 
irreverência de Nero” roubou a Apolo 500 estátuas de bronze, 
umas de deuses, outras de homens, como sugestivamente anota 
Pausânias 10. 7. 1.
Vol. I - Arquitectura Grega
95
Figura 66
Vêem-se a base e três colunas da tholos. 
Em primeiro plano, a plataforma de um tesouro.
Figura 67
Reconstituição do Tesouro de Massália (fins do séc. VI a.C.), no 
santuário de Atena Pronaia.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
96
Figura 68
Planta do Santuário de Delfos.
Vol. I - Arquitectura Grega
97
Figura 69
O que subsiste do Templo de Delfos do séc. IV a.C.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
98
O problema das origens
 Discutem-se as origens da arquitectura grega. Não relacio-
nada, de modo algum, com a arte minóica, têm-se apontado influ-
ências egípcias, para a coluna dórica, e orientais, para as volutas 
iónicas – hipóteses muito duvidosas, para não dizer inviáveis.
 Para Tomlinson, o templo não tem origem simples. Admite 
inspiração oriental, no conceito de templo, e compara as semelhanças 
e diferenças nos kouroi: «Não há, de facto, uma origem simples para o 
templo grego clássico». Quanto à origem micénica, pensa que duran-
te quatro séculos houve tempo para o desconhecimento total1. Apesar 
desta opinião do conceituado especialista, hoje verifica-se uma ten-
dência para sublinhar alguns pontos de contacto e similitudes com a 
arquitectura micénica que não podem deixar de ser tidas em conta: 
em especial, no que respeita à coluna dórica e ao plano do templo, 
que se parece com o mégaron2. Se as incertezas continuam muitas e 
exigem que mantenhamos reservas, apesar de tudo é digno de nota 
que se verifique uma estranha similitude entre os capitéis das colunas 
da porta do Tesouro de Atreu ou Túmulo de Agamémnon (figuras 70 
e 71) e os das colunas dóricas. O túmulo tinha na fachada, ou porta de 
entrada, colunas que podem tomar-se por antepassadas das dóricas. 
Quanto ao iónico, a base é criação nova e o toro parece derivar da arte 
do Próximo Oriente3. 
1 R. A. Tomlinson, Greek Architecture (Bristol Classical Press, John H. 
Betts, 1989) p. 13.
2 Vide G. M. A. Richter, A handbook of Greek art (London, 81983), p. 
22 (trad. esp., El arte griego, Barcelona); M. Robertson, «The visual arts of the 
Greeks», in Lloyd-Jones (ed.), The Greeks (London, 1962), p. 172 (trad. port.: 
O mundo grego, Rio de Janeiro, 1965); M. H. Rocha Pereira, Cultura Grega, pp. 
566-567.
3 Cf. Wesenberg, Kapitelle und Basen (Düsseldorf, 1971).
Vol. I - Arquitectura Grega
99
 Por outro lado, não podemos também deixar de observar que a 
Figura 70
Reconstituição da porta do chamado Tesouro de Atreu, em Micenas. 
Repare-se no capitel das colunas.
Figura 71
Reconstituição de capitel das colunas da porta do Tesouro de Atreu, 
em Micenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistasna Grécia Antiga
100
sequência átrio / mégaron do palácio micénico (figura 72) – estrutura que 
encontramos mesmo nas casas mais simples – não parece muito distante 
do esquema do templo grego (figura 73). E neste aspecto é de sublinhar a 
descoberta recente do chamado Herôon de Lefkandi – uma povoação da 
costa ocidental da Eubeia que parece ter sido próspera entre 1100 e 750 
a.C. –, onde foi encontrado um túmulo com as cinzas de um guerreiro e 
o esqueleto da mulher adornado com jóias de ouro. Num fosso ao lado, 
estavam os esqueletos de cavalos 2. Descoberto em 1980, este notável 
edifício – o mais impressionante edifício que até agora nos chegou 
dessa Época Obscura – mede mais de 45m de comprimento e cerca 
de 10m de largura e tem como data provável o séc. X a.C.1 Segundo 
Tomlinson, parece ter sido construído para servir de sumptuoso tú-
mulo, apenas para exposição. E, nesse caso, esta descoberta, além de 
mostrar a coexistência dos ritos de inumação e cremação, lado a lado, 
parece oferecer um suporte de riqueza para o ambiente homérico. Não 
é esse, porém, o aspecto que aqui nos interessa, mas antes a sua planta 
(figura 74). Trata-se de um Herôon — não sabemos se palácio fune-
rário ou templo, e vamos chamar-lhe, por comodidade, ‘santuário 
funerário’ — cujo plano absidal, alongado, tem cabeceira em curva, 
apresenta uma sala com colunata axial, para colocação do morto, tem 
divisões ou salas que se explicam por um ritual específico que aí se 
realizaria e que desconhecemos. O interesse desta grande construção, 
e o seu grande significado, além do tamanho e do material, reside na 
adição de uma colunata externa, feita de fustes de madeira, que con-
tava, se incluirmos a cabeceira absidal, uns cinquenta suportes. Não 
podemos deixar de ficar surpreendidos pela semelhança que apre-
senta com os futuros templos, embora não tenhamos ainda dados e 
achados arqueológicos que permitam fazer a ligação destes com esse 
1 Vide M. Popham, P. Calligas e L.H. Sackett, Lefkandi II. 2 The Protogeo-
metric Building at Toumba: Excavation, Architecture and Finds (London, 1983); 
A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (São Paulo, Cosac & Naify Edições, 1998), 
tradução da edição revista por R. A. Tomlinson (51996), p. 62.
Vol. I - Arquitectura Grega
101
edifício surpreendente: uma estrutura que afinal talvez queira apenas 
reproduzir ou imitar a casa de um governante local e fazer dela sua 
morada na morte.
 O edifício de Lefkandi parece ter tido uma curta vida, talvez 
não mais de 50 ou 55 anos. Nota Tomlinson que, além desse edifício, 
nada se conhece, proveniente da Época Obscura, que se possa definir 
com qualidade arquitectónica1.
 
1 R. A. Tomlinson, Greek Architecture (Bristol Classical Press, John H. 
Betts, 1989), p. 13.
Figura 72
Planta do Mégaron de Pilos.
1 e 2: Entrada; 3: Pátio; 4: Pórtico; 5: Vestíbulo; 6: Mégaron; 7 e 8: 
Armazéns; 9: Divisões para arquivo; 10: Sala da raínha; 11: Banhos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
102
Figura 73
Plantas de casas do Heládico Médio e do Heládico Recente, escava-
das em Korakou, perto de Corinto.
Figura 74
Herôon de Lefkandi, em Eubeia.
1: Ábside; 2: Passagem; 3 e 4: Salas rituais; 5: Colunata axial; 
6: Sepulturas; 7: Vestíbulo; 8: Pórtico.
Vol. I - Arquitectura Grega
103
 Se é correcta a data do séc. X a.C., o Herôon de Lefkandi an-
tecipa, em quase dois séculos, uma similar construção em Thermon, 
na Etólia (Grécia Ocidental), que foi subsequentemente demolida e 
substituída por um templo dedicado a Apolo. Aí encontramos o cha-
mado Mégaron A, dos tempos micénicos, que, ao contrário do que 
se pensou inicialmente, parece tratar-se, não de local de culto, mas 
de uma casa. A esta estrutura arquitectónica sobrepôs-se mais tarde 
um edifício de estrutura rectangular, o Mégaron B – possivelmente o 
edifício mais antigo dedicado ao culto de Apolo (talvez da segunda 
metade do séc. VIII a.C.), cuja cella, com um longo vestíbulo e um 
opistódomo, se fecha ao fundo por um muro arredondado e está ro-
deada por um períptero em forma de grampo de cabeceira absidal, 
feito com colunas ou postes de madeira que assentavam em bases de 
pedra (figura 75). Esta estrutura foi substituída pelo chamado Templo 
III (fins do séc. VII a.C.), um edifício já de alvenaria dedicado a Apolo 
e Mégara. Rectangular, era constituído por uma cella alongada, com 
uma fiada axial de colunas que suportariam um telhado de colmo, e 
por um opistódomo in antis que não comunicava com a cella. Tinha 
cinco colunas nos lados menores e quinze nos maiores, primeiro de 
madeira e depois substituídas, num prazo curto, por fustes de pedra. 
Decoração em cerâmica recobriria o vigamento das partes altas, cujos 
fragmentos mostram antefixas de cabeças masculinas e femininas em 
estilo coríntio, e ornamentaria as métopas do friso com representa-
ções mitológicas: Perseu com a cabeça de Medusa, Héracles, talvez a 
morte de Ítilo assassinado pela própria mãe Aédon e sua tia Quélidon 
(figura 76) e duas mulheres sentadas (figura 77).
 Por outro lado, numa povoação perto de Corinto, Perachora, 
foi encontrada a estrutura de um templo dedicado a Hera, provavel-
mente do séc. VIII a.C., de planta absidal (figura 78). Com um apo-
sento único, pouco mais comprido do que largo, era arredondado na 
cabeceira e tinha uma porta a separá-lo do pórtico, cuja frente era 
sustentada por dois pares de colunas ou postes quadrados. O edifício 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
104
apresenta semelhanças com as casas da época – não muito distancia-
das, na forma, das dos tempos micénicos – e dele se pode ter uma 
ideia por quatro reproduções em cerâmica (séc. VIII a.C.) desse tem-
plo que à deusa foram oferecidas como ex-votos. Por estes modelos 
parece poder deduzir-se que o telhado seria de colmo e tinha forma 
parecida com o fundo de barco emborcado1.
 Um outro exemplo destes templos primitivos de planta arre-
dondada na cabeceira, quase com a forma de ferradura, é o de Apolo 
Daphnephoros (“Portador de coroa de Louros”) em Erétria, na ilha de 
Eubeia (figura 79), cujas paredes em curva se apoiam em postes que 
assentam em bases de pedra e sustentam o telhado. O pórtico, em 
frente da porta, situava-se do lado sul.
 
1 A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (São Paulo, Cosac & Naify Edições, 
1998), p. 62.
Figura 75
Santuário de Termos. Vários edifícios arcaicos.
A: Templo I, com forma absidal (séc. IX a.C.); B: Templo II: Já tem 
cella rectangular, precedida de prónaos e seguida de opistódomo 
(séc. VIII a.C.); C: Templo III, chamado de Apolo e Mégaron de 
planta rectangular, longa cela e colunata axial (fins do séc. VII a.C.).
Vol. I - Arquitectura Grega
105
Figura 76
Métopa do friso do Templo III de Termos. Talvez Quélidon.
Figura 77
Duas mulheres sentadas. Métopa do Templo de Apolo em Termos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
106
 
Figura 78
Plantas e modelos de templos primitivos: do Heráion de Argos (à 
esquerda) e do de Perachora.
Figura 79
Templo de Apolo Daphnephoros (estrutura de madeira), em Erétria 
(séc. VIII a.C.).
Vol. I - Arquitectura Grega
107
 Os Gregos posteriores, além das thóloi, algumas de função reli-
giosa, construíram poucos edifícios com paredes curvas1. Se bem que, 
em Creta, as escavações tenham revelado templos de planta mais ou 
menos quadrada (talvez ainda resíduo de influência minóica), datáveis 
dos tempos mais recuados2, a forma e estrutura que vingou foi a rec-
tangular. E, desses edifícios primitivos dedicados ao culto, apareceram 
modelos em cerâmica dos fins da Época Obscura, a partir dos quais 
parece poder deduzir-se que os primitivos templos apresentavam, ora 
telhados planos, ora em declive pronunciado com cumeeira. O Heráion 
de Argos é um bom exemplo da utilização desse duplo método arqui-
tectónico, como se pode ver pela reprodução oferecida ao próprio san-
tuário (c. 700 a. C.), hoje no Museu Nacional de Atenas (figura 80). Se o 
modelo reproduzido é fiável,o edifício primitivo desse santuário tinha 
um telhado de cumeeira, talvez de taipa, a cobrir um tecto plano, com 
uma projecção em pala para a frente para cobrir o pórtico, que era sus-
tentado por duas colunas redondas, uma de cada lado.
 Também datável da primeira metade do séc. VIII a.C. – pelo 
menos a deduzir da cerâmica aí encontrada – será o primitivo dos su-
cessivos templos de Hera, em Samos, que, ao contrário dos anterior-
mente descritos, apresenta um estrito esquema rectangular alongado, 
o mais comum na história do templo grego. É por volta de 800 a.C. 
que se constrói uma longa sala (6,5m X 32,86m) – ou seja, media 20 
por 100 pés sâmios, o célebre Hecatômpedon, que, de início tinha uma 
colunata axial e perece não ter sido um edifício períptero: apenas uma 
cella rectangular, estreita e desproporcionada (comprimento de 32,86m 
e largura de 6,5m), cuja entrada, aberta e com apenas três colunas em 
vez de parede, estava voltada para oriente, como a grande maioria dos 
1 Um exemplo, encontramo-lo em Delfos, num pequeno templo dedicado à 
Terra, construído cerca de 500 a.C. Vide A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (São 
Paulo, Cosac & Naify Edições, 1998), p. 63.
2 Vide A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (São Paulo, Cosac & Naify 
Edições, 1998), pp. 64-65.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
108
templos gregos (figura 81). Em breve, porém, essa cella primitiva foi 
rodeada – não mais do que cinquenta anos depois – por uma fiada de 
colunas de madeira a toda a volta, dando-lhe uma estrutura períptera 
e fazendo dele, tudo parece indicar, o mais antigo templo períptero co-
nhecido e transmitindo-lhe uma proporção mais aceitável (36,86 X 9,5, 
o que dá uma proporção de cerca de 4:1). Às três colunas da entrada 
referidas opunham-se as três colunas centrais no períptero da fachada 
oriental, a que se seguiam duas outras no enfiamento das paredes da 
cella e mais duas nos cantos, o que dava sete colunas nesse lado menor. 
Possivelmente na primeira metade do séc. VII a.C., esse templo foi alte-
rado – ou melhor, substituído por outro, hexástilo: se todas as colunas 
eram ainda de madeira e continuou períptero, perdeu a colunata axial, 
substituída por pilares colocados nas paredes laterais da cella. Adquiriu 
todavia um pórtico, a sua largura quase dobrou (11,7m) e as três colu-
nas da entrada foram substituídas por apenas duas, colocadas entre as 
antas. O telhado devia ser de duas águas. 
 Também o primitivo Templo de Ártemis Órthia, em Esparta, 
provavelmente datado de pouco depois de 700 a.C., parece ter apre-
sentado uma fiada axial de colunas e outras a reforçar as paredes da 
cella, no interior e no exterior1
 Assim podemos concluir que a forma que os templos posterior-
mente terão deve ter começado a surgir e a afirmar-se com os começos 
do nascimento da pólis, primeiro numa estrutura ligeiramente diferen-
te, que se aproximaria da da casa comum. As escavações de algumas 
das cidades gregas mostram que começam a aparecer — primeiro nas 
cidades da Ásia Menor e ilhas adjacentes — fortificações a defenderem 
as povoações e um templo: as muralhas construídas na segunda meta-
de do século IX e ao longo do VIII a. C., e o templo de data ligeiramente 
mais tardia. Se o aparecimento de muralhas não é a garantia de se ter 
1 Vide A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (São Paulo, Cosac & Naify 
Edições, 1998), p.64.
Vol. I - Arquitectura Grega
109
atingido uma pólis independente, a existência de templo, ao reconhe-
cer e eleger uma divindade protectora, será uma prova física de que a 
emergência da pólis se verificou ou está em curso1. Em regra os tem-
plos primitivos não tinham períptero, que aos poucos vai aparecendo 
e se torna uma característica distintiva da arquitectura grega2.
 1 A. Snodgrass, Archaeology and the rise of the Greek state (Cambridge 
University Press, 1977), p. 24.
2 Vide Henri Stierlin, Arquitectura Universal Taschen. A Grécia de Micenas 
ao Pártenon (trad. port. Colónia, Taschen, 1998), pp. 41-46.
Figura 80
Reprodução do Heráion primitivo de Argos. Oferenda ao próprio 
santuário (c. 700 a.C.).
Figura 81
Santuário de Hera em Samos. Evolução dos primeiros tempos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
110
 
Evolução dos estilos
 Tanto o estilo dórico como o iónico tiveram um caminho 
longo de amadurecimento, com ligeira precedência do dórico. É 
precisamente pelo estilo dórico que vamos começar.
 De início evoluíram em regiões separadas da Grécia: o 
dórico desenvolveu-se mais no continente grego e na Magna 
Grécia; o iónico nas ilhas do Mar Egeu e na Ásia Menor. Não 
significa isso que não pudessem ter convivido, desde muito 
cedo, na mesma cidade, ou até no mesmo edifício.
Figura 82
Templo de Hera em Olímpia (c. 600 a.C.).
Vol. I - Arquitectura Grega
111
Estilo Dórico
Dórico arcaico
 Os templos mais antigos, como o de Hera em Olímpia, 
de c. 600 a. C. (figura 82) e o de Apolo em Corinto (figura 83) (de 
meados do século VI a. C.), dão a sensação de solidez: colunas 
grossas, pesadas e relativamente baixas; equino desenvolvido e 
bulboso; espaço entre as colunas reduzido. 
 O Templo de Hera apresenta as características típicas do 
templo grego períptero: peristilo, naós, pronaos e opistódomo. 
Tem, além disso, duas filas de colunas no interior do naós (ou 
cella) e exibe seis colunas nas fachadas ou lados menores – ou 
seja é um templo exástilo – e dezasseis nas partes laterais (figura 
84). O plano do Templo de Hera em Olímpia mostra hesitações 
do arquitecto quando optou por dupla fila de colunas interiores 
em vez de uma colunata axial, já que um fuste em cada dois foi 
substituído por uma pequena parede avançada, fazendo com 
que a cella ficasse rodeada de nichos. A cella é um hekatómpedon, 
isto é, mede cem passos de comprimento. 
 Hera, esposa de Zeus, cujo culto se impôs em Olímpia, pos-
suía um templo anterior a 600 a. C. Crê-se que de início as colunas 
eram de madeira e foram sendo substituídas por outras de pedra. 
No tempo de Pausânias (séc. II A.D.) ainda restava uma dessas de 
madeira no opistódomo. Assim este Heráion que tem seis colunas 
na fachada permite que se siga a “petrificação” do pórtico exterior, 
construído inicialmente em madeira e cujos fustes foram progres-
sivamente substituídos por colunas dóricas de pedra. As colunas 
dóricas, que se podem ver na fachada oriental do templo, são atar-
racadas: fustes caracterizados por um grande diâmetro (variam 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
112
entre 1m e 1,28m) em relação à sua altura. As mais antigas colu-
nas do Heráion de Olímpia mostram um largo capitel de equino 
bolboso e transbordante que parece estar esmagado sob o peso da 
cobertura suportada pelo ábaco quadrado (figura 85).
 
Figura 83
Templo de Apolo em Corinto.
Figura 84
Planta do Templo de Hera 
em Olímpia (c. 600 a.C.).
Figura 85
Duas colunas do Templo 
de Hera em Olímpia.
Vol. I - Arquitectura Grega
113
 Como consequência dessas diversas fases de substituição (de 
inícios do séc. VI a.C. à época romana), as colunas diferem quanto ao 
diâmetro, número de tambores, de estrias, método de ajuste, forma 
de equino. O templo tinha decoração e revestimento em terracota nas 
métopas, nos acrotérios. Os pedimentos, possivelmente, seriam tam-
bém em terracota.
 O templo arcaico de Árte mis (585-580 a.C.), em Corcira, é pro-
vavelmente o mais antigo em pedra que conhecemos1. Com uma lar-
gura de cerca de 24m e um cumprimento de pouco mais do dobro, 
apresenta proporções idênticas às de outros do continente e aparen-
temente possuía duas fiadas de colunas no interior do naos. O frontão 
oeste – que, reconstituído com os restos aparecidos, se encontra em 
evidência no Museu de Corcira, a ocupar uma sala quase por inteiro – 
representava uma Górgona na parte central, rodeada por dois leopar-
dos e na posição de ajoe lhada que simboliza rapidez de movimento 
(figura 86). Os cantos apresen tam duas cenas da Titanomaquia: Zeus, 
de raio na mão,submete o Titã Jápeto, no direito, e Poséidon, de lança 
em riste, no es querdo, apresta-se a atingir uma figura sentada, talvez 
Cronos ou Reia. Parece ter constituído uma das primeiras tentativas 
de colocar escultura em relevo (estilo coríntio) num frontão. As cor-
nijas estavam revestidas de terracota e certas partes do trabalho em 
pedra encontravam-se pintadas (figura 87). 
 O Templo de Apolo em Corinto (c. 540 a.C.) é um edifício 
dórico, com pronaos, naos e opistódomo, períptero, com seis colu-
nas nas fachadas e quinze nos lados maiores: as quinze de cada um 
destes lados maiores, em relação às das fachadas, tinham 5cm me-
nos de grossura e estavam 28cm mais próximas umas das outras, o 
que faz com que o cumprimento do templo seja duas vezes e meia 
a largura. Datável da segunda metade do século VI a. C., foi cons-
1 Vide Robertson, Greek and Roman Architecture (Cambridge, 21943, 
repr. 1974), gravura 26; Lawrence, Arquitectura Grega (São Paulo, 1998), p.77 
e figs. 103 e 104.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
114
truído entre 550 e 525, no local de um outro anterior do século VII 
a. C. É dos templos mais antigos da Grécia e o monumento mais 
antigo e espectacular de Corinto. Embora o plano geral do edifício 
seja visível a partir das bases das colunas entalhadas nas rochas, 
do peristilo (6x15) restam hoje de pé sete colunas dóricas, monolí-
ticas (quase 6,5m de altura), com vinte estrias e com afunilamento 
rectilíneo, que seguram ainda parte da arquitrave. A pedra utili-
zada é o calcário local que foi recoberto por estuque branco feito 
com pó de mármore. Os intercolúnios dos cantos estreitam, mas 
apenas ligeiramente, pelo que as métopas contíguas tinham 5cm 
mais para chegarem aos triglifos que faziam ângulo. Uma parede, 
o que não é usual, divide o naos em duas partes desiguais – duas 
espécies de celas, de costas uma para a outra, que tinham duas 
fiadas de colunas no interior e para que se entrava por um pórtico 
com duas colunas in antis (figura 88). 
 O mais antigo dos templos perípteros da Sicília é o de Apolo, 
em Siracusa, do séc. VI a.C. (figura 89), com seis colunas nas fachadas 
e dezassete nos lados – este comprimento anormal do períptero deve-
se a uma colunata que se encontra no vestíbulo e começa na terceira 
coluna de cada lado1 (figura 90). São monolíticas (7,98cm de altura) 
que afunilam de forma abrupta e se apresentam irregulares quanto ao 
tamanho – de extremidade a extremidade, as colunas podem ter uma 
diferença de trinta centímetros. Os capitéis, feitos em peça separada, 
ultrapassam muito a largura do fuste, mesmo na sua base. Com um 
diâmetro médio de 1,8m nos lados, as colunas apresentam um espa-
çamento tão pequeno que de capitel a capitel nos resta apenas um 
intervalo de 45cm (figura 91).
 
1 Mais três templos da Sicília apresentam uma segunda colunata, 
também depois do segundo intercolúnio: o Olimpieu de Siracusa e os Tem-
plos C e F de Selinunte. Vide Dinsmoor, Architecture of Ancient Greece (New 
York, 1975), gravura 26 (planta do Olimpieu de Siracusa).
Vol. I - Arquitectura Grega
115
Figura 86
Fontão do Templo de Ártemis, em Corcira (585-580 a.C.). 
Museu de Corcira.
Figura 87
Reconstituição da cornija e sugestão das partes pintadas do Templo 
de Ártemis em Corcira.
Figura 88
Planta do Templo de Apolo (c. 540 a.C.), em Corinto.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
116
Figura 89
Ruinas do Templo de 
Apolo em Siracusa (séc. 
VI a.C.)
Figura 90
Planta do Templo de 
Apolo em Siracusa.
Figura 91
Esquema, colhido em A. W. Lawrence, Arquitectura Grega, p. 83, que 
mostra a grossura e proximidade das colunas e dos capitéis.
Vol. I - Arquitectura Grega
117
 Da mesma época é o chamado Templo C de Selinunte, na 
Sicília, com seis colunas nos lados menores e dezassete nos maiores 
(construído durante o segundo quartel do séc. VI a. C.), o mais antigo 
templo períptero dos vários que nessa cidade foram edificados, de 
entre os quais se deve destacar o templo F (de 500 a. C.)1. 
 O Templo C de Selinunte situava-se na parte mais elevada da 
acrópole e era dedicado a Héracles, divindade e símbolo de Selinunte. 
Períptero dórico arcaico (c. 64 x 24m), edificado sobre uma plataforma 
de quatro degraus, tem um prónaos mais longo do que é hábito, era o 
templo maior e mais antigo da acrópole. Das 46 colunas que possuía 
(6 x 17), 13 foram reconstruídas no início do séc. XX (1929) (figuras 
92 e 93). Como o de Apolo em Siracusa possuía uma dupla colunata 
depois do segundo intercolúnio. Com um friso excepcionalmente alto, 
as métopas – que eram esculpidas – apresentavam-se mais compridas 
do que largas; três delas podem ser admiradas no Museu de Palermo. 
O frontão ostentava uma cabeça de Górgona (figura 94). As cornijas, 
também muito altas, estavam parcialmente recobertas com terracota.
 Ainda da época arcaica, mas mais recentes e mais bem con-
servados, são dois dos três templos de Paestum, na Itália do sul, — cidade 
grega de Posidónia, ao sul de Nápoles, que oferece um traçado regular com a 
sua avenida principal, ladeada dos três templos dóricos: a chamada «Basílica», 
que hoje se pensa ter sido um templo dedicado a Hera, o Heráion I (c. 540-530 
a. C.) (figura 95); um templo em honra de Atena, o Athenáion (figura 96), que 
é conhecido, erradamente, como «Templo de Ceres» (c. 510a. C.). O terceiro, o 
suposto «Templo de Poséidon», que estava consagrado a Hera, o Heráion II 
(c. 460 a. C.), o único de que se conserva parte do segundo piso de colunas do 
interior no naós, já pertence à primeira fase do dórico clássico (figura 97). 
1 Havia duas edificações anteriores (de fins do séc. VII a.C.), não 
perípteras – o chamado Mégaron (c.600 a.C.) e o templo de Gaggera (c. 628 
a.C.), no santuário de Deméter –, mas o seu aspecto é muito primitivo e deles 
pouco mais se conhece do que alicerces. Vide A. W. Lawrence, Arquitectura 
Grega, p. 82.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
118
 
Figura 92
Planta do Templo C de 
Seliunte (segundo quartel 
do séc. VI a.C.), dedicado a 
Héracles.
Figura 93
Templo C de Selinunte (c. 560 a.C.). As 13 
colunas reconstruídas.
Figura 94
Reconstituição da 
Górgona que figu-
rava na parte central 
do frontão do Templo 
C de Selinunte.
Figura 95
Heráion I, em Paestum (c. 530 a.C.)
Vol. I - Arquitectura Grega
119
Figura 96
Athenáion em Paestum (c. 510 a.C.)
Figura 97
Heráion II, em Paestum (c. 460 a.C.)
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
120
 O Heráion I (c. 530 a.C.), bem conservado, mostra ainda de 
pé o perímetro inteiro, encimado pela arquitrave, que dá a sensação 
de solidez a quem o olha (figura 98). Os fustes afunilam à medida 
que sobem até um terço, os seus lados curvam convexamente e as 
fortes caneluras, que sublinham esse acentuado encurvamento do 
dórico original, terminam em semicírculo, como o iónico. Os capitéis 
mostram o equino largamente esmagado sob o ábaco quadrado (figu-
ra 99) e apresentam influência iónica por conterem, na junção com o 
fuste, um estrangulamento ou colarinho abaixo do equino, cuja base, 
em vez de aneletes, ostenta uma decoração formada de folhagem, flo-
res de lótus, modelagens que, nas colunas da fachada posterior ou 
ocidental, que dá para a via principal de Paestum, variam de uma 
para outra (figura 100). Possivelmente possuía um friso com triglifos 
e métopas, de que nada se encontrou. Também da cella não possuímos 
as paredes laterais, mas estas, a julgar pelos alicerces, erguiam-se a 
cerca de dois intercolúnios do períptero. O náos continha uma fiada 
de colunas axial com o mesmo diâmetro e altura das do perímetro 
(figura 101), como se pode ver por um desenho da obra de Lagardette, 
Les Ruines de Paestum ou Posidonia (Ano II, folio), publicada em 1791, 
colunata essa que comandava a estrutura simétrica do edifício. Com 
nove colunas nas fachadas, que é sobrevivência das fórmulas arcaicas, 
e dezoito nos lados maiores, foge ao tipo usual dos templos dóricos,além de possuir uma proporção que não é comum num templo (24,51 
X 54,27) (figura 102).
 O Athenáion, cuja data de construção se situa entre 520 e 490 
a.C. (talvez de c. 510 ou 500 a.C.), tem seis colunas nas fachadas e tre-
ze nos lados maiores – é, portanto, um templo hexástilo (figura 103). 
A sua construção, cronologicamente situada entre o Heráion I e o He-
ráion II, apresenta traços tipicamente arcaicos: forte encurvamento e 
largos capitéis dóricos. Em especial, está provido, por debaixo dos 
altos frontões, de um entablamento com triglifos e métopas bastante 
pesados. O templo hexástilo marca uma diminuição de peso das co-
Vol. I - Arquitectura Grega
121
lunas em relação aos fustes mais atarracados do Heráion I. Mas tudo 
ainda traduz o estilo arcaico próprio da escultura contemporânea que 
ornamenta geralmente as métopas.
 O templo de Atena, em Paestum, mistura estilos. Se a ordem 
da colunata períptera externa é dórica, em contrapartida — sob a in-
fluência da arquitectura da Ásia Menor — este templo oferece um 
dos primeiros exemplos de mistura entre estilo dórico e estilo iónico: 
adoptou-se um estilo iónico para as oito colunas do pórtico interior. 
Assim as colunas do prónaos são mais finas e têm a encimá-las capitéis 
com volutas, como se vê no esquema (figura 104).
 Os capitéis são ornamentados como os do Heráion I, também 
com estrangulamento inferior; mostrava a cornija inclinada, a única 
que existia no templo, mais larga do que o normal e profusamente 
ornamentada, cornija que continuava pelos lados maiores a formar 
uma espécie de beiral; e no prónaos apareciam quatro colunas iónicas 
na entrada (figura 105). Tem um entablamento original: por cima da 
arquitrave, em vez das régulas, corre uma sequência ornamental de 
óvalo/seta de tipo iónico; os triglifos sobressaem na parede que apare-
ce entre eles como métopas; por cima do friso, a toda a volta, aparecia 
outra sequência ornamental em duas tiras. Nas fachadas não havia 
cornija horizontal nem, portanto, frontão. Assim o que corresponde 
ao tímpano era em alvenaria lisa (figura 106). Não se conservam es-
culturas ornamentais do templo.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
122
Figura 98
Secção do Heráion I. Nota-se a solidez da arquitrave.
Figura 99
Capitel do Heráion I. Nota-se o equino bolboso e esmagado sob 
o ábaco quadrado, além de aneletes da passagem do fuste para o 
capitel.
Vol. I - Arquitectura Grega
123
Figura 100
Representações de folhagem, flores de lótus e rosetas nos capitéis do 
Heráion I, em Paestum.
Figura 101
Desenho do Heráion I, que saiu na obra de Lagardette, Les ruines de 
Paestum ou Possidonia (1971).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
124
Figura 102
Planta do Heráion I 
(c. 530 a.C.)
Figura 103
Athenáion de Paestum.
Figura 104
Athenáion de Paestum. 
Esquema colhido em 
Taschen, p. 74.
Vol. I - Arquitectura Grega
125
Figura 105
Planta do Athenáion de Paestum.
Figura 106
Fachada do Athenáion de Paestum.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
126
Dórico clássico
 Nos inícios do século V a. C., a ordem dórica aproximou-se do 
ideal clássico. Embora as soluções essenciais estavessem encontradas 
e os passos mais significativos houvessem sido dados até aos inícios 
do séc. V a.C., o dórico evoluciona ainda ao longo da primeira metade 
dessa centúria e atinge a perfeição nos seus meados. Verifica-se uma 
relação ideal entre as colunas das fachadas ou lados menores com as 
dos maiores de um templo – seis por treze –, as colunas passam a ter 
todas, de modo geral, o mesmo diâmetro e o espaçamento normal do 
intercolúnio nos quatro lados torna-se homogéneo, equivalendo pra-
ticamente a duas vezes e meia o diâmetro da coluna. Esta relação já 
se encontra num templo do Cabo Súnion, dedicado a Poséidon, que, 
antes de concluído, foi destruído nos inícios do séc. V a.C. – talvez 
pela invasão persa de 490 – e cujos alicerces foram descobertos junto 
do seu sucessor, edificado em meados do século1.
 Comecemos pelo Templo de Afaia, em Egina, dos inícios do 
séc. V a. C. – o terceiro construído no local – que se encontra situado 
em cenário magnífico, em ponto elevado, com vista panorâmica sobre 
o mar azul e sobre boa parte da ilha (figura 107). O Templo é um mode-
lo perfeito da ordem dórica. Foi construído pelos habitantes desta ilha 
por volta de 500 a. C. em honra de Atena Afaia – Afaia, divindade local 
de origem cretense que veio depois a assimilar-se com a deusa Atena. 
Trata-se de um templo planeado com naós e com prónaos e opistódomo 
adossado, cada um com duas colunas in antis, embora depois – talvez 
durante a construção – se tivesse aberto uma porta levemente descen-
trada entre a cela e o opistódomo que fez deste uma espécie de áditon. 
Possui uma planta períptera, com as dimensões de 13,77m por 28,82m, 
1 Vide A. W. Lawrence, Arquitectura Grega, p. 99.
Vol. I - Arquitectura Grega
127
que se orienta no sentido leste oeste e compreendia seis colunas nas 
fachadas e doze nos lados maiores, todas com uma altura de 5,272m, 
com diâmetro e espaçamento uniformes, excepto nos cantos (figura 
108). Grande parte da colunata que o rodeia ainda hoje é visível até ao 
nível da arquitrave. A colunata interior que divide a cella em três naves 
apresenta dois níveis. Embora as dimensões do Templo de Afaia em 
Egina, que são reduzidas, não exigissem a solução em causa, trata-se de 
uma das primeiras utilizações do sistema de dois andares, aplicado ao 
espaço interior de um templo. Pelos fragmentos descobertos podemos 
ter a ideia da sua reconstituição quase total. Construído em calcário 
local, as partes lisas e as colunas eram recobertas a estuque e realçadas 
com cores em que predominava um fundo creme. Um estudo sobre a 
sua policromia revelou o uso da cor azul nas linhas verticais do templo 
e vermelha nas horizontais. Nos frontões estavam esculpidos temas da 
Guerra de Tróia, designadamente os eventos da segunda e terceira ge-
ração, de acordo com o mesmo esquema cromático, como se pode ver 
na reconstituição a partir de desenho do templo efectuado por Blouet 
e Trezel, arquitectos franceses do século XIX (Paris, Biblioteca de Artes 
Decorativas) (figura 109). Um dos elementos mais importantes deste 
edifício é a existência de dois pisos de colunas que formavam as três 
naves do naós, que fazem dele o único exemplo deste tipo dos finais da 
época arcaica. No seu conjunto, este templo representa um exemplo 
paradigmático do uso da ordem dórica, muito próximo da concepção 
do Templo de Zeus em Olímpia.
 As telhas eram de terracota, embora as das bordas fossem 
de mármore esculpido em forma de cabeça de leão que serviam 
de gárgulas. Templo dos inícios do dórico clássico, ou melhor, da 
transição do arcaico para o clássico, nele a coluna tornou-se mais 
fina abaixo do entablamento e mais perfeito o ritmo da sequência 
de triglifos e métopas (figura 110). No esquema dessa sucessão de 
triglifos e métopas, os arquitectos, para solucionar as exigências 
dos ângulos da colunata – como vimos, o triglifo devia, ao mesmo 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
128
tempo, estar sobre o eixo da coluna e formar o ângulo do entabla-
mento – optaram por um encurtamento no entre-eixo nas colunas 
das extremidades do edifício. O estilo dórico ganhou rigor e ele-
gância. A arquitectura adquire ritmo.
Figura 107
Templo de Afaia em Egina (c. 500 a.C.).
Figura 108
Planta do Templo de Afaia em Egina.
Vol. I - Arquitectura Grega
129
Figura 109
Reconstituição do frontão do Templo de Afaia, que representa cena 
da Guerra de Tróia..
Figura 110
Ângulo do Templo de Afaia, em que se nota uma mais perfeita se-
quência de colunas, métopas e triglifos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
130
 O Templo de Zeus em Olímpia foi construído por Líbon entre 
470 e 456 a. C. – a última data provém de uma inscrição que se encon-
trava na gabla de um escudo de ouro (457 a.C.) e diz ter sidodedicado 
pelos Espartanos, como dízimo dos despojos da luta contra os Argivos, 
Atenienses e seus aliados, em Tanagra. Antes só havia o Altar que se 
localizava do lado direito do templo, entre ele e o de Hera, como se 
pode ver na reconstituição que reproduzimos (figura 111). O edifício 
em si foi pago pelos despojos da guerra em que a Élide conquistou Pisa 
(470 a. C.). Incendiado em 426 A. D. e destruído por tremor de terra no 
século seguinte, as escavações revelaram as suas medidas e proporções. 
Trata-se de um templo dórico períptero, constituído por naós, pronaós e 
opistódomo, hexástilo (6 por 13 colunas), com mais de 27m de largura 
(precisamente 27,66m) e com 64,12m de comprimento (o Pártenon tem 
mais uns três metros) (figura 112). Em 2005, foi feita a anastilose de uma 
das muitas colunas, cujos tambores se encontram estendidos no solo em 
fiadas (figura 113). A estátua criselefantina de Zeus, patrono do templo, 
que era obra de Fídias, só foi executada uns 20 anos depois da decora-
ção em mármore, que estava no lugar em 456 a.C. As esculturas eram 
de mármore de Paros e representavam, nos dois frontões e nas doze 
métopas, cenas de grande significado mitológico e cultural. Executados 
talvez entre 465 e 457 a.C., os grupos dos frontões e das métopas do 
templo de Zeus em Olímpia são dos mais importantes da escultura ar-
quitectónica conservada, pertencente ao chamado período severo, por 
mostrar um significativo número de estátuas individuais em diversas 
atitudes e por permitir ter uma ideia da composição de conjunto. 
 Os frontões – estruturas de 26,5 por 3,5 metros – contêm escul-
turas de grande significado simbólico, cujo autor é ainda desconhecido 
(figura 114). O pedimento oriental representa os preparativos para a dis-
puta de carros entre Pélops e Oinómao. Figura o momento que antecede 
a corrida e sugere o castigo que Zeus infligirá ao segundo. A sua figura 
está ao centro (media 3,15m de altura) e segurava o raio na mão esquer-
da, enquanto com a direita sustém o manto que lhe cai e deixa o torso nu, 
Vol. I - Arquitectura Grega
131
como se pode ver na imagem (figura 115). De um e outro lado do deus, 
estão Oinómao e Estérope, Pélops e Hipodamia e as quadrigas. 
 O frontão ocidental apresenta a luta dos Lápitas contra os 
Centauros (seres primitivos que, convidados por Pirítoo para o seu 
casamento com Deidamia, violam as leis da hospitalidade, ao embria-
garem-se e tentarem raptar as mulheres lápitas). Apolo – que ocupa 
o centro do pedimento – embora não tome parte na luta, tem o braço 
direito erguido em ar de comando e em gesto imperioso do braço di-
reito, impõe a ordem e castiga a violência e insolência dos Centauros. 
À sua direita, Pirítoo procura impedir que Eurítion lhe rapte a noiva 
Deidamia (figura 116). Do lado oposto, Teseu apoia a investida. 
 As métopas eram as do friso interior e representavam os Doze 
Trabalhos de Héracles – e talvez tivessem contribuído para fixar defi-
nitivamente esse número de feitos principais (figura 117). Na fachada 
oriental, havia o javali de Erimanto (o 7º), os cavalos de Diomedes da 
Trácia (o 8º), luta contra Gérion em Eritia (o 9º), Héracles a segurar 
o fardo de Atlas (o 10º), a trazer o cão do Hades (o 11º) e a limpar os 
estábulos de Augias (o 12º). Na fachada ocidental, o leão de Nemeia 
(o 1º), a hidra de Lerna (2º), as aves Estinfálias (o 3º), o touro de Creta 
(o 4º), o veado de Cerineia (o 5º), a Amazona (o 6º).
 Destruído por um sismo, os arqueólogos deixaram as ruínas 
várias e os materiais de construção como os encontraram: plataforma 
do templo, tambores dos fustes das colunas e gárgulas em forma de 
cabeça de leão. E a maior parte ainda hoje lá se encontra no solo como 
caíram, os tambores das colunas, qual um baralho de cartas, embora 
em 2006 os arqueólogos tivessem procedido à anastilose de uma delas 
que lá se encontra agora como exemplo e para dar uma ideia como 
seria o templo.
 Mais pormenores sobre este templo serão dados no volume 
relativo à escultura, quando analisarmos a sua decoração escultóri-
ca, de grande significado na evolução e aperfeiçoamento formal e de 
composição e simbolismo da composição de cenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
132
Figura 111
Reconstituição do 
Templo e altar de Zeus 
em Olímpia, colhida in 
E. Spathari, The Olympic 
Spirit (Athens, 1992), p. 
82.
Figura 112
Olímpia. Ruínas do 
Templo de Zeus.
Figura 113
Secção do Templo de 
Zeus em Olímpia, com 
coluna reconstruída.
Vol. I - Arquitectura Grega
133
Figura 114
Templo de Zeus em Olímpia. Reconstituição do Frontão oriental e 
corte no prónaos.
Figura 115
Figura de Zeus que se encontrava ao centro do Frontão oriental do 
Templo de Zeus.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
134
Figura 116
Templo de Zeus em Olímpia. Duas imagens do frontão ocidental, 
que representa a luta de Centauros e Lápitas.
Figura 117
As doze métopas do Templo de Zeus em Olímpia, com os doze tra-
balhos de Héracles.
Vol. I - Arquitectura Grega
135
 Vejamos agora o terceiro templo de Pestum, o Heráion II 
(c. 460 a.C.). Embora já quase de meados do séc. V a.C. e quase 
contemporâneo do Pártenon, o Heráion II tem ligação com os dois 
anteriores templos de Pestum, já descritos, e também chegou até 
nós bastante bem conservado (figura 118). Com ele aproximamo-
nos do apogeu do dórico clássico e, ao contemplar este templo de 
Hera – que substituiu o anterior Heráion I, mais espesso e mais 
volumoso –, apercebemo-nos da harmonia de linhas e da sobrieda-
de que os construtores gregos procuravam. O templo assenta num 
estilóbata de 24,3 por 59,93 metros, tem prónaos, naós e opistódomo 
e circunda-o um períptero de 6 colunas nas fachadas e 13 nos la-
dos maiores – ou seja é um hexástilo como é habitual nos templos 
dóricos (figura 119). Trata-se de um templo cujo naos ostenta dupla 
colunata de dois pisos sobrepostos, à semelhança dos que encon-
trámos já no Templo de Afaia, em Egina, que precede este Heráion 
quase meio século. Deste modo o templo oferece um segundo piso, 
e é o único que o conserva no interior do naós. (figura 120) Ainda se 
conservam, no lado leste da cella, restos de uma escadaria que lhe 
dava acesso. De perfeição majestosa e silhueta harmoniosa e firme, 
embora um pouco pesada, alia a força com a estabilidade. As trinta 
e seis colunas apresentam capitel estreito e poderoso para o qual, 
das estrias do fuste, se passa com suavidade através de aneletes, 
como costuma o estilo dórico (figura 121). 
 Construído em tufo (marga calcária), cobria-o uma cama-
da de estuque branco, a imitar o mármore, que jogava e contras-
tava com a policromia dos azuis e vermelhos das métopas e tri-
glifos do friso. E esse contraste fazia sobressair a pintura sobre o 
estuque branco que ocultava as imperfeições da pedra porosa das 
paredes e fustes das colunas. Assim o que hoje contemplamos e 
apreciamos não era visível aos olhos dos Gregos e Romanos. 
 Na frente do templo, no lado oriental, ergue-se o grande 
altar, ainda conservado.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
136
Figura 118
Heráion II, em Paestum (c. 460 a.C.).
Figura 119
Planta do Heráion II.
Figura 120
Colunata do Heráion II de Paes-
tum. Nota-se a colunata do 2º piso.
Figura 121
Heráion II de Pestum. Parte 
superior do fuste e capitel.
Vol. I - Arquitectura Grega
137
 O Hefestéion (figura 112), sito na Agora de Atenas e construído 
entre 449 e 444 a.C., e o Templo de Poséidon do Cabo Súnion (c. 440 
a.C.) – os dois da autoria do mesmo artista de que desconhecemos o 
nome – situam-se quase no fim da linha que levará ao apogeu do Dó-
rico Clássico com o Pártenon, embora ainda sem a perfeição deste. O 
Hefestéion é um templo dórico no exterior e iónico no interior, perípte-
ro, hexástilo (seis colunas nos lados menores e treze nas partes laterais) 
e anfipróstilo – ou seja com um pórtico na fachada anterior e outro na 
posterior (figura 123). O prónaos do Hefestéion mostra o aligeiramentode estruturas a que procedeu o dórico clássico: verifica-se a ausência de 
suporte na segunda fila de colunas, libertando e ampliando o espaço 
(figura 124). Subsistiu até aos nossos dias a armação em mármore por 
cima da colunata que dá a volta ao edifício (figura 125). São trinta e qua-
tro fustes, ao todo. Também a cella se encontra intacta, com excepção 
das duas fiadas de colunas interiores que desapareceram. Dedicado a 
Hefestos, deus do fogo e das forjas (ou deus dos artífices), as métopas 
representavam os trabalhos de Héracles e os feitos de Teseu; o friso in-
terior dá-nos o combate de Teseu contra os Palantidas e uma Centauro-
maquia. Os frontões, de cujas esculturas existem fragmentos no Museu 
da Ágora, mostrariam provavelmente uma Centauromaquia e a apote-
ose de Héracles. Como a decoração escultórica representava vários dos 
feitos de Teseu, foi designado também, erradamente, Teséion.
 Do mesmo artista é o Templo de Poséidon do Cabo Súnion 
que em local deslumbrante domina o mar azul e assiste ao fascínio 
do pôr do sol (figura 126). Sophia de Mello Breyner Andresen caracteriza 
deste modo esse sítio (Geografia, p. 63):
Na nudez da luz (cujo exterior é interior)
Na nudez do vento (que a si próprio se rodeia)
Na nudez marinha (duplicada pelo sal)
Uma a uma são ditas as colunas de Sunion.
Construído por volta de 440 a. C., trata-se de um templo da 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
138
ordem dórica e de planta períptera. A arquitrave de influência iónica 
e o friso em mármore com cenas relativas à Gigantomaquia testemu-
nham uma clara evolução e apontam para um artista aberto a esse 
estilo (figura 127).
 
Figura 122
Hefestéion, construído na Ágora de Atenas, 
entre 449 e 444 a.C.
Figura 123
Planta do 
Hefestéion
Figura 124
Prónaos do 
Hefestéion de 
Atenas.
Figura 125
Peristilo do Hefestéion 
de Atenas.
Vol. I - Arquitectura Grega
139
Figura 126
Templo de Poséidon, no Cabo Súnion (c. 440 a.C.).
Figura 127
Outra vista do Templo de Poséidon, no Cabo Súnion.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
140
 Entre 450 e 410 a. C., Atenas lança-se na reconstrução da Acró-
pole, cujos edifícios tinham sido destruídos, ou muito danificados, pe-
las Guerras Pérsicas1. A reconstituição que damos da Acrópole (figura 
128) já contém edifícios posteriores, como o Odéon de Herodes Ático 
(em primeiro plano, à esquerda) e, também em primeiro plano, o pórti-
co que o unia ao Teatro de Diónisos, que se vê à direita. 
 O apogeu do Dórico Clássico nasce com essa reconstrução que é 
fruto da associação e planeamento felizes e produtivos de Péricles e Fídias. 
Essa reedificação parece colidir com um juramento que todas as cidades 
gregas participantes na luta contra os Persas teriam feito em Plateias, de-
pois da batalha aí travada em 479 a.C. que afastou definitivamente a ame-
aça do exército de Xerxes. Estamos perante o designado “Juramento de 
Plateias”, que é controverso e tem suscitado muita discussão2. 
 Esse juramento, que conhecemos por passos de Licurgo (séc. 
IV a. C.) e Diodoro (séc. I a. C.)3, principia «Não darei mais valor à 
vida do que à liberdade» e conclui «e dos monumentos queimados ou 
derrubados pelos Bárbaros não reerguerei um único, mas deixá-los-ei 
ficar como memorial, para os vindouros, da impiedade dos bárba-
ros». Além destas informações temos ainda uma paráfrase em Isócra-
tes (Panegírico 155) que diz:
 Por isso merecem elogios os Iónios, porque amaldi-
çoaram quem tocasse ou quisesse reconstituir como eram ante-
riormente os templos queimados, não porque tivessem dificul-
dade em consegui-lo, mas para ficarem como monumento para 
os vindouros da impiedade dos Bárbaros.
1 Essa reconstrução e o seu sentido são tratados no capítulo «Atenas, 
escola da Hélade».
2 Sobre esta juramento vide D. R. Burn, Persia and the Greeks (Oxford, 
1962), pp. 522-525; E. D. Francis and Michael Vickers, JHS 103 (1983) 54; R. 
Meiggs, Parthenos and Parthenon (Supp. to Greece & Rome 10, 1963) pp. 36-40; 
R. Meiggs, The Athenian Empire (Oxford, 1972), pp. 504-507; T. L. Shear Jr., 
Studies in the Early Projects of the Periklean Building Program (Diss. Princeton, 
1965), pp. 16-65; P. Stewert, Der Eid von Plataias (München, 1972).
3 Respectivamente, Licurgo, Contra Leócrates 81 e Diodoro 11. 29.
Vol. I - Arquitectura Grega
141
 Na versão epigráfica de Acharnae – versão “que os Atenienses 
juraram” e que também nos chegou – não está incluída a cláusula da 
reconstrução. Daí que se discuta a autenticidade do juramento, além de 
não sabermos ao certo se alguma vez foi efectivado. É provável, contudo, 
que o tenha sido, porque esse motivo foi depois lembrado como uma das 
finalidades de Filipe quando fundou a liga de Corinto, após a vitória de 
Queroneia (Diodoro 16. 89. 2). Pelo facto também de Alexandre Magno 
ter justificado o incêndio de Persépolis com o acto dos Persas de outrora, 
ao destruir e queimar vários santuários e cidades gregas1.
 De qualquer modo, devido ao pacto secreto de Plateias de não re-
construir os edifícios profanados pelos Persas para que as ruínas restas-
sem como advertência da violência pelo bárbaro invasor, a efervescente 
actividade de edificação sagrada que caracterizou o arcaísmo grego so-
freu, no Continente grego, um decréscimo nos trinta anos que se segui-
ram às Guerras Pérsas. Como consequência, enquanto no ocidente se 
realizou um vasto programa de monumentalização das áreas sagradas, 
das quais temos consideráveis testemunhos (Selinunte, Agrigento), na 
Grécia continental a única grande iniciativa de edificação sagrada parece 
ter sido o grande templo de Zeus em Olímpia, cujos trabalhos iniciados 
à roda de 470 a. C., se arrastaram por mais de quinze anos.
 Tenha ou não infringido um juramento feito em Plateias, o certo 
é que Atenas, dando execução a um planeamento de Péricles e Fídias, 
se abalançou à reconstrução da Acrópole que tinha sido incendiada e 
destruída em 480 a.C. São então erigidos vários templos e edifícios que 
marcam uma evolução na arquitectura grega e utilizam novas soluções 
que lhes dão maior leveza, harmonia e proporção, embora algumas de-
las já tivessem sido utilizadas na época arcaica. Além de as colunas per-
derem espessura e se tornarem mais esbeltas, os edifícios apresentam 
compensações ópticas que são verdadeiros requintes de construção, 
com evidência para a êntasis, de que nos informa Vitrúvio (3.3.13), que 
1 Diodoro 17. 72. 6; Plutarco, Alexandre 38; Arriano, Anábase 3. 18. 12.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
142
a teria aprendido com os arquitectos dos sécs. IV e III a.C.: espessamen-
to do fuste da coluna a dois terços da sua altura; ligeira curvatura, ao 
centro, nas linhas horizontais; leve inclinação das colunas para dentro. 
Damos dois esquemas desses requintes, um de A. Orlandos (figura 129) 
e outro colhido em Ian Jenkins (figura 130)1. Assim os templos passam 
a apresentar, com frequência, determinados requintes de construção 
que visam corrigir as ilusões de óptica, alguns do quais já usados na 
época arcaica: as linhas horizontais têm todas uma ligeira curvatura no 
centro: estilóbata e entablamento convexos. Na foto que damos (figura 
131) nota-se essa leve convexidade do estilóbata do Pártenon. O afuni-
lamento das colunas não se faz segundo uma linha recta: as caneluras 
não são tão fundas em cima como em baixo e o fuste tem uma curva 
levemente convexa e apresenta ligeiro espessamento a cerca de dois 
terços da altura — a êntase propriamente dita de que fala Vitrúvio. 
Outro requinte reside no ângulo de colocação das paredes da cela e das 
colunas, já que nenhuma tem uma postura estritamente vertical, mas 
todos se inclinam levemente para dentro, as dos cantos com inclinação 
a dobrar, além de serem mais espessas. Se assim não fosse, o estilóbata 
pareceria côncavo, o entablamento reentrante, as colunas dos ângulos 
mais finas2.
 É discutida a utilização da êntase no iónico, e a sua presença é 
por vezes negada.É certa todavia no pórtico norte do Erectéion, em-
bora esteja ausente do pórtico oriental e do templo de Atena Nike3.
Com estes requintes de construção, o edifício amplia-se, torna-se vivo, 
ganha harmonia e leveza. São inovações presentes, de modo especial, 
no Pártenon, mas também utilizadas em vários outros edifícios: por 
1 The Parthenon Sculptures (British Museum, 2007, p. 20). Para uma 
mais pormenorizada explicação do fenómeno vide D. S. Robertson, A 
handbook of Greek and Roman architecture (Cambridge, 1943, repr. 1969), 
pp. 117-118; M. H. Rocha Pereira, Cultura grega, pp.560-564.
2 Vide Susan Woodford, The Parthenon (Cambridge, 1981), pp. 26-27.
3 Vide D. S. Robertson, A Handbook of Greek and Roman Architecture 
(Camb. Univ. Press, repr.1969), p. 116, nota 2
Vol. I - Arquitectura Grega
143
exemplo, o Hefestéion que, como vimos, foi construído entre 449 e 
444 a. C. por artista desconhecido, autor também do santuário de Po-
séidon do Cabo Súnion, datado de c. 440 a. C. (figura 132).
 A reconstrução da Acrópole verifica-se numa época em que 
Atenas estava no seu apogeu. A guerra contra os Persas ia já longe 
e a cidade de Palas dominava os mares. Péricles tenta convocar um 
congresso pan-helénico de todas as cidades gregas, cerca de 450 a.C., 
e para isso remete emissários a todas as cidades da Hélade a solicitar 
o envio de delegados a Atenas (Cf. Plutarco, Pér. 17): 
 Péricles, para exaltar ainda mais a confiança do povo 
e persuadi-lo de que está destinado a grandes feitos, propôs 
um decreto a convidar todos os Helenos, fosse qual fosse o 
lugar da Europa ou da Ásia em que habitassem, e todas as ci-
dades, pequenas ou grandes, a que enviassem delegados para 
um congresso em Atenas, com o fim de deliberarem sobre os 
templos gregos que os Bárbaros haviam incendiado, sobre os 
sacrifícios que eram devidos aos deuses em consequência dos 
votos feitos pela Hélade, quando estavam em luta contra os 
Bárbaros; e, no que respeita ao domínio do mar quanto aos 
meios de assegurar que todos naveguem nele com segurança 
e vivam em paz. Para esse fim foram enviados vinte homens 
que já tivessem feito 50 anos [….] Tentaram pela persuasão 
convencê-los a vir participar nos debates sobre a paz e sobre 
os interesses comuns da Hélade. Nada se realizou, contudo, 
nem as cidades se reuniram, já que os Lacedemónios, ao que 
se diz, se opuseram secretamente, sendo no Peloponeso que a 
tentativa primeiro fracassou.
 Só respondem as que já faziam parte da Simaquia de Delos. 
As cidades do Peloponeso e, na maioria, pertencentes a sua Simaquia 
não compareceram – como acabámos de ver pelo texto –, por pressão 
de Esparta, talvez por pensar que aceitar o congresso seria reconhecer 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
144
a pretensão de Atenas a liderar a Hélade1. Assim o congresso contou 
apenas com as cidades da Europa e da Ásia que não faziam parte da 
Simaquia do Peloponeso. As que compareceram discutiram uma acção 
comum que assegurasse a manutenção da paz, examinaram os meios 
de preservar a segurança na navegação e a paz nos mares, votaram 
também medidas para restaurar os santuários destruídos pelos Persas. 
 Consciente do seu valor e do papel que desempenhara nas 
Guerras Pérsicas, capital artística e literária, centro comercial e indus-
trial, Atenas aspira naturalmente, sobretudo na época em que Péricles 
a chefiava, a ser a capital política, a realizar à sua volta a unidade da 
Hélade. Daí, é evidente, a convocação do congresso2.
 Depois da Paz de Cálias em 449 a. C., que sancionava o predo-
mínio ateniense sobre o Egeu, a cidade, libertada do pesadelo persa 
e rica pelo tesouro da Liga que tinha sido transferido de Delos para 
Atenas em 454 a. C., assiste a um poderoso programa de reconstru-
ção, iniciado na Acrópole. Péricles faz aprovar na Assembleia, com 
recurso aos fundos da Simaquia, a reconstrução desse centro sagrado 
da pólis, em especial de novo templo em honra de Atena, a divinda-
de protectora da cidade – o Pártenon (figura 133). Confiou a Fídias o 
trabalho de supervisão da totalidade das obras, em cujo projecto tra-
balharam os arquitectos Ictinos e Calícrates que souberam fundir os 
aspectos da tradição dórica (sobretudo pela personalidade de Ictinos) 
e iónica (desta vez com Calícrates), dando origem a um novo estilo 
que reúne as duas ordens, que passou a designar-se por estilo ático. 
Além de superintender nas obras e de se encarregar de boa parte da 
ornamentação escultórica do Pártenon, Fídias executa a estátua da 
deusa que custou quase o dobro do resto da construção do templo. 
Era uma imagem criselefantina.
 
1 Sobre os motivos de Esparta vide B.D. Meritt, H.T. Wade-Gery and M.F. 
McGregor, The Athenian Tribute Lists III (3 vols Princeton, 1950), p. 280.
2 Vide Jardé, La formation du peuple grec (Paris, 1923), pp. 346-353.
Vol. I - Arquitectura Grega
145
Figura 128
Reconstituição da Acrópole de Atenas.
Figura 129
Esquema de A. Orlandos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
146
 
Figura 130
Esquema de Ian Jenkins.
Figura 131
Imagem do estilóbata do Pártenon. Nota-se a convexidade.
Vol. I - Arquitectura Grega
147
 
Figura 132
Hefesteion de Atenas (449-444 a.C.).
Figura 133
Pártenon (448/447- 438 a.C.).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
148
 Marcando o apogeu do estilo dórico, embora o combinasse 
com o iónico – era um templo em estilo dórico no exterior e iónico no 
interior –, o Pártenon (figura 134) impôs-se pela harmonia de propor-
ções, pela beleza, qualidade estética e simbologia das esculturas que 
o ornamentavam1. Templo em honra de Atena Virgem — Parthenos 
—, é um símbolo de grandeza e prosperidade (figura 135)2. Péricles 
pretendeu com ele glorificar não apenas a deusa Atena, mas também 
a pólis que ela protegia e o mundo helénico em geral. Iniciada a sua 
construção no ano 448/447 a.C., a sua dedicação verifica-se e 438, em-
bora só em 432 a. C. se concluísse a sua decoração arquitectónica. Fo-
ram escolhidos Ictinos e Calícrates, como seus arquitectos. Embora 
Rhys Carpenter suponha ter havido um plano de Ictinos e outro de 
Calícrates, devem ter trabalhado em conjunto. Temos informação de 
que Ictinos escreveu um livro a teorizar e a explicar a sua construção, 
mas dessa obra nada resta.
 Trata-se de um templo períptero, com prónaos, naós e opistódo-
mo, oito colunas de frente e na parte posterior (à moda iónica) e dezas-
sete nos lados (figura 136); utilizou, além disso, todos os requintes de 
construção, a que a evolução técnica da arquitectura tinha chegado em 
meados do séc. V a.C. As oito colunas de frente permitem um naós mais 
largo, para mostrar a imagem de Atena. Tem, além disso, uma colunata 
interior em forma de U, em volta da estátua. Possuía dois frisos: o ex-
terior, dórico, estava dividido em métopas e triglifos; e o interior, ióni-
co, era contínuo e esculpido em relevo. O Pártenon distinguia-se pela 
grande a riqueza da sua decoração escultórica, de que não há paralelo 
em outro templo do mundo grego: estátuas de vulto nos pedimentos 
e relevos no friso iónico e nas métopas, que são decoradas nos quatro 
lados, quando habitualmente o eram apenas em dois (figura 137).
 
1 Sobre o significado do templo vide capítulo «Atenas, escola da Hélade».
2 A figura 135 é uma reconstituição dessa estátua, que se encontra no 
Royal Ontario Museum de Toronto.
Vol. I - Arquitectura Grega
149
 
Figura 134
Reconstrução do Pártenon, da autoria de G. P. Stevens.
Figura 135
Athena Parthenos. 
Reconstituição do Royal Ontario Museum de Toronto.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
150
 
Figura 136
Planta do Pártenon. 1: Prónaos; 2: Cella ou naós; 3: Estátua criselefan-
tina de Atena; 4: Opistódomo / Sala das Virgens; 5: Pórtico Oeste.
Figura 137
Reconstituição do Pártenon, colhida em P. Connolly e H. Dodge, La 
Ciudad Antigua (1998), pp. 72-73.
Vol. I - Arquitectura Grega
151
 Templo todo em mármore do Pentélico, um monteque fica a 
16km de Atenas – na figura 138 o contraste de sombras e de luz sublinha 
a cor do mármore e as caneluras e arestas dos fustes das colunas do lado 
norte –, tinha também a cobertura, em duas águas como habitualmente, 
em telhas de mármore (neste caso, de Paros), de que apareceram algu-
mas, em vez das de terracota feitas em moldes (figura 139).
 Toda esta fábrica ocupava um considerável número de pessoas 
e artistas. Plutarco, na Vida de Péricles 12.5-14.3, descreve a variedade e 
quantidade de artífices que nesse grandioso empreendimento traba-
lharam. A Assembleia vigiava as obras, como fazia com qualquer mo-
numento que fosse pago com dinheiros públicos (5 epístatas nomeados 
para isso respondiam perante a Assembleia). As contas eram gravadas 
em lajes de pedra de que nos chegaram fragmentos. Votados os fundos 
no início do ano, eram no final examinados.
 O Pártenon apresentava medidas excepcionais: o estilóbata ti-
nha 30,88m de frente e 69,50m de comprido1; e as colunas (8 por 17) 
tinham um diâmetro de 1,91m na base e 10,43m de altura. Estas di-
mensões levavam a relações subtis entre as diversas partes do templo. 
Assim o comprimento é um pouco mais do que o dobro da largura: 
uma proporção de 9 para 4. A distância entre as colunas (medida de 
eixo para eixo) é um pouco mais do que o dobro do diâmetro das co-
lunas: exactamente 9 para 4. Do mesmo modo e como consequência, a 
frente do Pártenon, sem contar o pedimento e os degraus, forma um 
rectângulo, cuja proporção entre a largura e a altura é 9 para 4. Assim a 
altura, largura e comprimento do templo estão na proporção de 9 para 
4. É por isso ajustada a afirmação de S. Woodford: «Todo o edifício, 
embora construído de uma maneira simples a partir de partes simples, 
tem uma coerência enraizada na matemática»2 (figura 140).
 O Pártenon caracterizava-se por se centrar em Atena, deusa da sa-
1 Templo de Zeus em Olímpia: 27,68m X 64,12m.
2 The Parthenon (Cambridge, 1981) p. 17.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
152
bedoria, e na sua missão particular de civilizar a humanidade. Como referi-
mos, o interior guardava a famosa estátua criselefantina de Atena Parthenos, 
da autoria de Fídias— de que infelizmente apenas nos chegaram péssimas 
cópias. A deusa, na sua qualidade de defensora da cidade, estava armada 
e tinha na mão direita a Vitória, como se pode ver na cópia de Atena Var-
vakeion, de que se reproduz a estátua completa e um pormenor lateral da 
cabeça (figuras 141 e 142). O escudo, ao que parece, representava o combate 
dos deuses Olímpicos contra os Gigantes e a luta com as Amazonas (figura 
143). A base da estátua figuraria os deuses a adornarem Pandora, a primei-
ra mulher por eles criada, fonte originária das dores e dos sofrimentos hu-
manos que necessitam de ser superados pelo esforço, luta, energia, controlo 
de si, de que Atena é o símbolo. A reconstituição de Alan LeQuire, Nashville 
Parthenon, Tennessee, que reproduzimos, procura mostrar a complexidade 
de elementos e símbolos que a imagem continha (figura 144)1.
1 In Ian Jenkins, The Parthenon Sculptures in the British Museum (Lon-
don, 2007), p. 21, fig. 15. A reconstituição do escudo reproduzido na imagem 
120 é de E. B. Harrism, AJA 85 (1981) 281-317.
Figura 138
Contraste de sombras 
e cor nas colunas do 
Pártenon.
Figura 139
Fragmentos das telhas de mármore que 
cobriam o Pártenon.
Vol. I - Arquitectura Grega
153
 Figura 140Pártenon. Lados oriental e norte.
Figura 141
Atena Varvakeion. Cópia no 
Museu Nacional de Atenas.
Figura 142
Atena Varvakeion. Pormenor da 
anterior
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
154
 
Figura 143
Reconstituição do Escudo da estátua de Athena Parthenos, in: E. B. 
Harrison, AJA 85 (1981), pp. 281-317.
Figura 144
Athena Parthenos. Reconstituição de Alan LeQuire.
Vol. I - Arquitectura Grega
155
 A decoração escultórica, executada por Fídias ou sob a sua di-
recção, era abundante e cobria os frontões, as métopas e o friso iónico 
interior. De certo modo, à imagem da estátua de Athena Parthenos, o 
seu objectivo é também narrativo e didáctico.
 As métopas revelam, nos temas tratados, um motivo central 
que denuncia a intenção de Péricles e de Fídias em ilustrar, de modo 
simbólico, a luta vitoriosa dos Gregos contra os Bárbaros, ou melhor a 
vitória da ordem e da justiça contra a violência e a desordem. As da fa-
chada oriental representam a Gigantomaquia; as do lado norte a toma-
da de Tróia; as de oeste a Amazonomaquia, ou combate dos Atenienses 
contra as Amazonas; e as do sul a luta dos Lápitas, povo da Tessália, 
contra os Centauros, ou seja uma Centauromaquia (figura 145).
 O friso iónico interior, executado sob a direcção de Fídias, paten-
teia a solene procissão das Panateneias, na qual se integravam todas as 
forças vivas da pólis: os portadores dos líquidos e dos vasos sagrados, 
os que conduzem os animais (figuras 146 e 147), os cidadãos, os carros, 
os cavaleiros (figura 148): uns que se aprestam para montar, outros que 
se lançam a galope ou tentam sofrear o ímpeto dos cavalos. Todos em 
fluxo ininterrupto e cadenciado, solenes e hieráticos, se dirigem para a 
fachada oriental onde heróis atenienses e os deuses olímpicos Poséidon, 
Apolo e Ártemis (figura 149), descuidados ou atentos, contemplam a 
cerimónia da entrega do peplos: a cena central (figura 150).
 Os frontões contêm elucidativas cenas simbólicas que estão relacio-
nadas, no oriental, com o nascimento de Atena, deusa da sabedoria, direc-
tamente da cabeça e mente de Zeus (figura 151), fazendo com que simulta-
neamente Hélios, o Sol, surja no canto esquerdo e o carro de Selene, a Lua 
– símbolo da noite e das sombras –, de que reproduzimos uma bela cabeça 
de um dos cavalos do seu carro, desapareça no canto direito (figura 152); o 
ocidental representa a deusa na qualidade de protectora da cidade, em dis-
puta com Poséidon pelo lugar de divindade políade de Atenas, oferecendo 
respectivamente um ramo de oliveira e uma fonte de água salgada, como 
símbolo da principal riqueza da terra e do domínio do mar (figura 153).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
156
 
Figura 145
Métopa do lado sul. Centauro e 
jovem lápida. British Museum.
Figura 146
Pártenon. Friso iónico. Con-
dução do boi para o sacrifício.
Figura 147
Pártenon. Friso iónico. 
Ovelhas para o sacrifício. 
Museu da Acrópole.
Figura 148
Pártenon. Friso iónico. Dois 
cavaleiros. Museu da Acrópole.
Vol. I - Arquitectura Grega
157
Figura 149
Pártenon. Friso 
iónico. Os deuses 
assistem: Poséidon, 
Apolo e Ártemis.
Figura 150
Pártenon. Friso iónico. Cena da entrega do peplos a Atena.
Figura 151
Pártenon. Reconstituição do frontão oriental. Atena nasce da cabeça 
de Zeus.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
158
Figura 152
Cabeça do cavalo do carro de Selene que desaparece no lado direito 
do frontão. British Museum.
Figura 153
Reconstituição do lado ocidental e respectiva decoração.
Vol. I - Arquitectura Grega
159
 Quando a construção do Pártenon terminou, e este esta-
va no seu esplendor e glória, Péricles terá dito aos Atenienses: 
“Poderosos são os marcos e monumentos do nosso Império. As 
idades futuras irão imaginar-nos assim, como o presente nos vê 
agora”. As suas palavras revelaram-se proféticas. No final do séc. 
IV a.C., Alexandre Magno mandou alguns escudos, que tinha 
capturado aos Persas numa batalha, para decorar o Pártenon e 
para relembrar as guerras Pérsicas, um século e meio antes, que 
ele considerava ter vingado. Esses escudos foram ligados à arqui-
trave do Pártenon.
 Infelizmente o Pártenon e a Acrópole passaram por vicissi-
tudes várias ao longo da história – descritas no capítulo “Atenas, 
Escola da Hélade” – que lhe retiraram muita da sua harmonia, 
cor e imponência. Hoje, apesar de se impor ainda pelas suas li-
nhas, proporções e simplicidade, dele podemos apenas fazer uma 
pálida ideia do que foi na Antiguidade grega.
 Depois de finalizadoo Pártenon, foi necessário construir 
uma nova entrada monumental para a Acrópole, os Propileus. 
Esta entrada monumental sobrepôs-se a uma estrutura preceden-
te da época arcaica, constituída por quatro colunas dóricas na 
frente e limitada lateralmente por muros. O novo modelo é ree-
laborado por Mnésicles de modo a adaptá-lo à nova orientação 
de construções na Acrópole que privilegiava o eixo este-oeste. 
Assim, como o Pártenon, apresenta um grupo de pórticos com 
duas frentes: a ocidental, com um amplo vestíbulo, dividido em 
três naves de duas séries de colunas jónicas, que se abre sobre a 
rampa de acesso (figura 154), e a oriental, que dá para os monu-
mentos da Acrópole; este pórtico oriental apresenta o aspecto da 
fachada de um templo hexástilo (figura 155). A parede central 
tem cinco portas que, gradativamente, aumentam em altura da 
periferia para o centro (figura 156). Dos lados da estrutura oci-
dental abrem-se duas alas com fachada e pórtico: uma (a meridio-
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
160
nal) destinada a um átrio e a outra (a setentrional) formava duas 
câmaras, uma das quais era a Pinacoteca, referida por Pausânias 
1. 22. 6-7. 
 Neste projecto deve realçar-se o expediente encontrado por 
Mnésicles para vencer os desníveis através de uma série de de-
graus, colocando o chão dos dois pórticos a alturas diferentes. E 
assim os Propileus – combinando, como o Pártenon, o estilo dó-
rico, utilizado no exterior, e o iónico, no interior – usaram colu-
nas dóricas para o exterior dos pórticos oriental e oeste e colunas 
iónicas, mais altas, para o interior, para compensar o desnível do 
terreno. 
 Segundo M. Robertson, A Shorter History of Greek Art 
(Cambridge, 1991) , as obras nos Propileus, o último edifício ate-
niense do tempo de Péricles, foram interrompidas pela Guerra 
do Peloponeso, e nunca acabadas (p. 120). Em sua opinião, as 
colunas iónicas no interior resultam do facto de o recomeço das 
obras, durante a Paz de Nícias (421-418 a.C.), ter abandonado o 
dórico em favor do Iónico. O dórico estava conotado com o Pe-
loponeso, e a referida Guerra travava-se entre uma coligação de 
cidades fundamentalmente dóricas e do Peloponeso, reunidas em 
volta de Esparta – a Simaquia do Peloponeso – e uma outra de 
póleis iónicas e unidas a Atenas na Simaquia de Delos1. Talvez as 
ordens tenham adquirido os seus nomes nesta altura, embora o 
dórico ainda tivesse sido usado em Atenas, por exemplo, na Stoa 
de Zeus, na Ágora.
 Os Propileus foram construídos em mármore do Pentélico, 
com pedra negra de Elêusis nalguns pontos. O tecto, em mármore 
branco e em caixotões, era famoso pela sua beleza já no tempo de 
Pausânias 1. 22. 4. Alguns mármores conservam-se.
1 Vide J. Ribeiro Ferreira, A Grécia Antiga. Sociedade e Política (Lisboa, 
Edições 70, 22004), pp. 129-149.
Vol. I - Arquitectura Grega
161
 Jos de Waele, partindo do princípio de que havia diferentes medidas 
para os pés (30,2cm) — o que é confirmado pelo recente achado do relevo 
metrológico de Salamina, que mostra uma unidade de 30,1cm —, procura 
explicar melhor o planeamento arquitectónico dos Propileus e o seu con-
troverso desenho e sublinha novas subtilezas1. Assim considera que todo o 
edifício se organiza em volta de proporções de múltiplos de sete.
 Aproximadamente da mesma época dos Propileus da Acrópole 
de Atenas é um templo que foi edificado nos remotos montes da Arcádia 
– o de Apolo Epicúrio. A cerca de 1000 metros acima do nível do mar, são 
ainda visíveis os vestígios desse templo de Apolo Salvador (Epikourios), 
que Pausânias (8.41.7-10) cita como o mais belo do Peloponeso e o mais 
valioso pelo requinte da pedra e a exactidão da construção (figura 157). 
 O edifício, erigido depois da peste de 429 a. C., é um dos mais sin-
gulares do mundo clássico. A originalidade da sua concepção deve-se à 
criatividade de um arquitecto de grande personalidade, Ictinos. Trata-se do 
genial projectista do Pártenon, a aceitar a referência de Pausânias (8.41.9)2. O 
edifício, orientado a norte, estava construído com material local, uma pedra 
compacta negra trabalhada com minuciosa precisão (figura 158). O már-
more, dificilmente transportável para aquele local inacessível, foi utilizado 
com muita parcimónia no friso, nos capitéis e no telhado em caixotões. 
 Um certo gosto pelo delineamento arcaico verifica-se no alon-
gamento das proporções: o templo é hexástilo e períptero, com seis 
colunas nas partes anterior e posterior e quinze em cada lado (figu-
ra 159). O arcaísmo desta construção contrastava com a acentuada 
estreiteza das colunas da ordem dórica, de acordo com as sugestões 
da arquitectura ática do período entre 450 e 425 a. C. A este também 
se deve o alargamento do pórtico na frente e nas traseiras, provavel-
1 The Propylaia of the Akropolis in Athens. The Project of Mnesikles (Am-
sterdam, 1990). Recensão de Susan E. Alcott, CR 92,2 (1992) 472-473.
2 Vide comentário de M. Moggi e M. Osanna in M. Moggi, Pausania, 
Guida della Grécia. Libro VIII – L’ Arcádia (Milano, Fond. Lorenzo Valla, Mon-
dadori, 2003), pp. 485-486.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
162
mente inspirado na solução adoptada no Hefestéion da Ágora de 
Atenas. O templo possuía um prónaos profundo, com opistódomo e 
cella ou naós independentes. Em cada uma das paredes do interior 
da cella sobressaem perpendicularmente uns pequenos muros, ao 
modo de pequenas naves laterais, que apresentam no seu extremo 
uma coluna iónica adossada. Apresentamos na imagem a base de 
uma delas (figura 160). Mas a novidade mais significativa deste es-
paço, depois de algumas modificações, residiu na colocação de uma 
coluna independente coroada com um capitel coríntio, situada do 
lado oposto à entrada - primeira vez que é utilizada na arquitectura 
grega -, situada do lado oposto ao ingresso, como se pode ver nas 
reconstituições reproduzidas nas imagens (figuras 161 e 162).
 No século IV a. C., os principais templos dóricos eram o de Asclé-
pios em Epidauro, dos começos do século, da autoria de Trasímedes (um 
hexástilo sem opistódomo, que tinha seis colunas nas fachadas e onze nos 
lados maiores) (figura 163); o de Atena Álea em Tégea que, atribuído 
a Escopas, era um dos mais famosos, onde os estilos dórico, iónico e 
coríntio apareciam combinados (figuras 164 e 165).
Figura 154
Propileus da Acrópole de Atenas. Lado ocidental.
Vol. I - Arquitectura Grega
163
Figura 155
Propileus da Acrópole de Atenas. Pórtico oriental.
Figura 156
Propileus da Acrópole. Lado ocidental. Reconstituição colhida em G. 
Dontas, L’Acropole et son Musée (1979), p. 23.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
164
Figura 157
Templo de Apolo Epicúrio, em Bassae.
Figura 158
Outra vista do Templo de Apolo Epicúrio, em Bassae.
Vol. I - Arquitectura Grega
165
Figura 159
Planta do Templo de Apolo Epicúrio, em Bassae.
Figura 160
Base de coluna do Templo de Apolo Epicúrio, em Bassae.
Figura 161
Reconstituição da cella do Templo 
de Apolo Epicúrio, em Bassae, 
com a coluna coríntia ao fundo (in 
A. W. Laurence, p. 209)
Figura 162
Reconstituição do capitel 
coríntio do Templo de Apolo 
Epicúrio, em Bassae.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
166
Figura 163
Planta do Templo de Asclépios, em Epidauro.
Figura 164
Planta do Templo de Atena Álea, em 
Tégea.
Figura 165
Capitel coríntio do Templo de 
Atena Álea, em Tégea.
Vol. I - Arquitectura Grega
167
Estilo iónico
 O estilo iónico é de formação mais lenta do que o dórico: prin-
cipia cerca de 600 e só c. 450 a. C. atinge a forma definitiva (2 ou 3 
gerações mais tarde do que o dórico).
 O chamado eólico é antes um proto-iónico, e os exemplos 
até nós chegados são do último quartel do século VI a. C. e vêm da 
Ásia Menor e de Lesbos. Assim «a chamada coluna eólica, com um 
capitel de dupla espiral, é considerada por muitos uma forma antiga 
do iónico, e chamado proto-iónico»1. Reproduzem-se dois esquemas 
dessetipo de capitel, ambos encontrados na Ásia Menor: um prove-
niente de Larissa, na Eólia, junto de Esmirna (figura 166); e o outro 
descoberto numa cidade da Tróade, Neândria (figura 167).
 Entre o século VI e meados do séc. V a.C., passa por um período 
de formação, durante o qual encontramos colunas (as mais antigas conhe-
cidas) ainda de arestas vivas e capitéis de volutas muito desenvolvidas e 
salientes, como se vê no exemplar dos fins do séc. VII a.C., pertencente ao 
templo de Apolo em Naxos (figura 168). As arestas das caneluras nos fus-
tes só começaram a ser cortadas e boleadas por volta de 500 a.C.
 Um dos primeiros edifícios que mostra o iónico já na sua ma-
turidade é a stoa dos Atenienses em Delfos, construído em 478 a.C., 
que estava adossada ao muro da plataforma do Templo de Apolo. É 
um dos monumentos que já nos dá a subtileza e a elegância do iónico 
clássico. Destinava-se a abrigar os troféus das vitórias navais dos Ate-
nienses contra os Persas. Na parede havia numerosas inscrições. No 
estilóbata pode ler-se: «Os Atenienses consagraram a stoa e também 
os calabres e os acrotérios tomados aos inimigos». São apresentadas 
1 G. Richter, A Handbook of Greek Art (London, Phaidon, 31987, repr. 
1994), p. 26.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
168
duas imagens, uma com o estado actual do Pórtico (figura 169) e ou-
tra com uma reconstituição (figura 170).
 Antes, porém, procuremos seguir os primeiros passos do ió-
nico. Nas ilhas e nas colónias da costa da Anatólia, o templo da época 
geométrica sofrerá um desenvolvimento análogo àquele documenta-
do no continente grego, embora com frequentes características pró-
prias, sobretudo no que diz respeito aos elementos decorativos. 
Comecemos por dois famosos santuários, o de Hera, em Samos, e o de 
Ártemis, em Éfeso, onde os templos se sucederam. 
 Heráion ou Santuário de Hera: no local apareceram vestígios que 
vão do período neolítico e tempos micénicos até uma basílica que, em hon-
ra da Virgem Maria, os Cristãos construíram ao lado do templo, no séc. V. 
 Com a chegada dos Micénios, a deusa da fertilidade, aí ado-
rada desde tempos neolíticos, é substituída por Hera, ou os novos 
colonos dão-lhe esse nome. Sítio já dedicado a uma divindade da Ter-
ra e da fecundidade pelo menos desde o II milénio a.C., evoluiu no 
I milénio para o culto a Hera, inicialmente venerada sob a forma de 
uma tábua de madeira.
Figura 166
Capitel de Larissa, na Eólia
(Ásia Menor).
Figura 167
Capitel de Neândria, na 
Tróade (Ásia Menor).
Vol. I - Arquitectura Grega
169
 
Figura 168
Capitel do Templo de Apolo, em Naxos (séc. VII a.C.).
Figura 169
Pórtico dos Atenienses, em Delfos (478 a.C.).
Figura 170
Reconstituição do Pórtico dos Atenienses.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
170
 Aí os templos foram-se sucedendo. O processo começou no 
séc. X com um altar de pedra erigido ao lado da árvore sagrada. En-
tre 800 e 750 a.C., é construída uma longa sala (6,5m X 32,86m) ou 
seja 20 por 100 pés, o célebre hekatômpedon – a que já nos referimos 
no capítulo relativo às origens – que, de início, tinha uma colunata 
axial e recebe forma períptera nos fins do séc. VIII a. C.: colunata de 
dezassete elementos nos lados longos, seis na fachada posterior e sete 
na da frente. Por volta de 650 a.C. este templo do séc. VIII é destruído 
e em substituição, nas suas fundações, é construído um novo (cf. ter-
ceira planta da imagem 65). A cella foi encurtada, as colunas da fiada 
axial são desdobradas e adossadas às paredes (como ocorrerá depois 
no Heráion de Olímpia). Isto permite colocar duas e não três colunas 
entre os muros, e dotar a perístase com 17 x 6 colunas. Entre 570 e 550 
a. C. também este segundo templo cai em ruínas e é substituído por 
um terceiro em estilo iónico, em pedra, dirigido por um arquitecto 
local, Roikos. Nas suas dimensões inusitadas (105 x 52,50 m), esse 
Heráion devia querer simbolizar a importância atingida pela cidade, 
no séc. VI a.C. Esse templo, devido a incêndio ou por outro motivo, 
desmoronou-se no tempo de Polícrates, que mandou construir um 
outro, entregando a direcção dos trabalhos a Teodoro, filho de Roikos 
(figura 171). Templo monumental que se situava 40 metros a oeste do 
anterior. Em determinadas listas aparece como uma das maravilhas 
do mundo antigo, pelo tamanho e beleza. A imensa cella, dividida 
em três pequenas naves de duas filas de colunas, foi circundada por 
um duplo circuito de colunas (figura 172), dando assim a impressão 
de uma floresta petrificada de pelo menos centro e quatro fustes, de 
metro e meio de diâmetro, sob os quais repousavam elegantes ca-
pitéis com volutas, como se vê na reconstituição da fachada (figura 
173). Os capitéis ornados com volutas, certamente de origem orien-
tal, parecem já ter sido utilizados em vários edifícios menores pouco 
depois de 600, como por exemplo em Delos. Soluções paralelas, mas 
independentes, foram adoptadas na Eólia (Larissa, Neandros, Mitile-
Vol. I - Arquitectura Grega
171
ne); estes eram, no entanto, mais próximos de protótipos persas, com 
elementos verticais aproximados às pétalas de uma flor fechada (cf. 
figuras 167 e 167).
 Desse templo em honra de Hera de Samos, o maior ou dos 
maiores da época (52,5m x 105m), com dupla colunata que atingia 
20m de altura, ainda persistem vestígios: bases e tambores das colu-
nas (figura 174). Das 120 delicadas colunas estriadas, foi pelo menos 
reconstituído um dos fustes (figura 175).
 Muito procurado por peregrinos, o santuário encheu-se de 
ex-votos, datados sobretudo do séc. VIII ao VI a.C., tempos do seu 
apogeu, cuja maior parte se encontra no Museu Arqueológico em Va-
thy. O santuário era amuralhado e tinha outros templos dedicados a 
outras divindades. Mas só o altar de Hera era sacrificial. Uma Via Sa-
grada de 4 800 metros, pavimentada na época romana, ligava a antiga 
capital ao santuário.
 Tornado pedreira, utilizada desde a época bizantina e medie-
val, hoje entre os muitos alicerces e ruínas, desse grandioso santuário 
resta de pé apenas uma coluna, a que significativamente é dado o 
simples nome de ‘Colonna’.
 E uma povoação – que ao lado das ruínas do santuário nasceu 
– recebeu e detém hoje o nome de Heráion, em homenagem a esse 
mesmo santuário dedicado à deusa do casamento que tinha o gosto 
de passear-se num carro puxado por pavões.
 
 O Artemísion de Éfeso é outro templo que surge nos inícios do 
iónico e acompanha toda a sua evolução até ao período romano. 
 Sítio de uma povoação micénica, Éfeso foi uma das cidades fun-
dadas pelas chamadas Migrações gregas e sua ocupação da zona costeira 
da Ásia Menor, formando as três regiões designadas, de norte para sul, de 
Eólia, Iónia e Dória – colonização que estava realizada já no séc. X a.C.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
172
 
Figura 171
Ruínas do Heráion de Samos.
Figura 172
Planta do Heráion de Samos (séc. VI a.C.).
Figura 173
Reconstituição da fachada do Heráion de Samos. Imagem colhida 
em Taschen, p. 105.
Vol. I - Arquitectura Grega
173
Figura 174
Bases e tambores do Heráion de Samos.
Figura 175
Heráion de Samos. Único fuste que resta, e reconstituído.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
174
 O culto de Ártemis, deusa grega da pureza, dos animais sel-
vagens e dos espaços exteriores, aí se deve ter misturado com o da 
deusa asiática Cibele, transformando-se na famosa Ártemis Efésia, a 
tão adorada deusa da fecundidade, representada com inúmeros seios 
e rodeada de leões e veados. O seu templo, o Artemísion, cresceu e 
aumentou a sua esfera de influência, a ponto de, com o andar dos 
anos, se ter tornado o factor mais importante do desenvolvimento 
da cidade: funcionou como banco, aceitava dádivas, emprestava di-
nheiro do tesouro do templo. Os sondáveis — mas nem sempre bem 
perceptíveis — caminhos do cruzamento de povos, de interesses, de 
crenças.
 Como a deusa asiática Cibele tinha a forma de xóanon, ou 
seja eraesculpida ou gravada sobre madeira, a mais antiga está-
tua da Ártemis de Éfeso devia ser também, possivelmente, de tipo 
xoânico, traçada sobre madeira sem grande pormenor. Depois a 
representação iconográfica da Ártemis Efésia acompanhou a evo-
lução da escultura grega. E a análise atenta das muitas estátuas 
que a representam – sitas no Museu de Éfeso ou em outros – dá-
nos a prova de que a fusão Cibele-Ártemis obteve morada defini-
tiva na Ásia Menor (figura 176). As pernas não têm movimento, 
como se estivessem unidas, ou melhor, fundidas. Por outro lado, 
se os muitos nódulos que apresenta no peito já foram por vezes 
considerados seios, não deixa de ser surpreendente a semelhança 
que aparentam com os testículos de touro, dos touros que lhe são 
sacrificados – interpretação que também já tem sido avançada e 
que a liga à fertilidade da Grande Mãe, já que produzem sémen. 
Os leões, touros e esfinges que pendem das suas vestes indicam-na 
como protectora dos animais. Por outro lado, os leões, que encon-
tramos nos relevos de um e outro lado da deusa Cibele, são nestas 
estátuas representados nos braços ou nas mangas (figura 177).
 A hierarquia dos sacerdotes no templo era diferente da usada 
nas outras cidades gregas. Variavam mesmo os termos usados para os 
Vol. I - Arquitectura Grega
175
designar. O templo era administrado por poucos sacerdotes, de que 
era feita a ablação dos órgãos masculinos. Recrutados esses sacerdo-
tes no interior da Anatólia, especialmente na parte oriental, segundo 
Estrabão, o seu chefe chamava-se Megabysos – escolha e função que 
significavam assumir cargo de grande honra. Quem assistia ao Mega-
bysos eram virgens semelhantes às Vestais em Roma. 
 Consideram alguns estudiosos que o culto da Ártemis Efésica, 
o seu templo e a hierarquia religiosa eram modelados à imagem da 
estrutura social das abelhas – abelha que era um símbolo de Éfeso, 
com presença frequente em moedas e estátuas.
 Também os Curetas serviam Ártemis Efésia como sacerdotes, 
de início seis e depois aumentados para nove. Essa casta sacerdotal, 
primeiro, apenas actuava no Artemísion, mas mais tarde passaram 
também a ter à sua guarda o fogo sagrado de Héstia, no Pritaneu. Reti-
ram o nome de figuras míticas, semi-divinas, relacionadas com Zeus1
 Havia outra espécie de sacerdotes, em número de vinte, 
que, segundo parece, dançavam e saltavam durante as cerimónias 
– eram, portanto os Corybantes “acrobatas”. E os Coribantes esta-
vam relacionados com Cibele – e essa é mais uma prova do sincre-
tismo das duas divindades.
 Sacerdotes, sacerdotisas, guardas do templo chegaram a atin-
gir o número de centenas.
 O Artemísion gozava de certos privilégios. Por exemplo, 
quem procurasse refúgio no santuário usufruía de imunidade (di-
reito de asilo). Por essa razão, muitas pessoas procuraram refu-
giar-se na área sagrada que o rodeava. Essa área de protecção foi-
se ampliando com Alexandre Magno e no tempo de Mitridates, até 
1 Quando Zeus, retirado à fúria devoradora de Cronos, foi levado 
por sua mãe Reia (confundida a cada passo com Cibele), os Curetas cuida-
ram dele no monte Ida e com o barulho dos seus escudos evitavam que o pai 
ouvisse o seu choro. Barulho teriam feito também enquanto Latona dava à 
luz Ártemis e Apolo.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
176
atingir a extensão que um dardo arremessado do pedimento do 
templo abrangesse. Marco António duplicou essa área, engloban-
do nela uma parte da cidade. Não são raras as críticas dos cidadãos 
de que dessa forma muitos criminosos aí se acolhiam. Pediam por 
isso que o direito de asilo fosse abolido. Mesmo assim, embora o 
Imperador Tibério, em 22 A.D., depois de discutir o assunto com 
os seus representantes, tivesse retirado tal direito a outros famo-
sos locais que também o possuíam, o Artemísion continuou com a 
prerrogativa de servir de refúgio a quem nele se acolhesse.
 As escavações arqueológicas detectaram quatro constru-
ções sucessivas, com inícios no séc. VII a.C., como o revelam os 
achados arqueológicos dessa época: cerâmica geométrica, objectos 
em ouro e marfim.
Figura 176
Ártemis Efésia. Museu de Éfeso.
Figura 177
Ártemis Efésia. Pormenor.
Vol. I - Arquitectura Grega
177
 Assim o primeiro e mais antigo templo em Éfeso, que 
dataria talvez do séc. VII a. C., deve ter sido destruído pelos 
Cimérios, durante o seu ataque a Éfeso, e reconstruído depois 
por duas vezes entre os reinados de Giges e de Creso e por uma 
terceira em meados do século VI, mas as obras parece não terem 
ainda terminado por volta de 430 a.C. É deste último, edifício 
grandioso, de que fala Heródoto (1. 26.2, 92.1; 2. 148. 2). 
 Trata-se do chamado Templo de Creso – nome que lhe 
advém do facto de este monarca lídio ter ajudado na sua cons-
trução em meados do séc. VI, antes de ter sido derrotado por 
Ciro da Pérsia, em 546 a. C. 
 No primeiro quartel do séc. VI a.C., os arquitectos 
Rhoikos e Teodoro erigiram em Samos – ilha que se situa 
mesmo defronte da cidade de Éfeso – um grandioso templo 
em honra da sua deusa protectora, Hera. Esse Heráion, em 
estilo iónico, ganhou muita popularidade e incitou os Efésios 
a empreenderem a construção de um templo a Ártemis que 
superasse em magnificência o da cidade rival. Entregaram 
essa tarefa aos arquitectos Quérsifron (Chersiphron) e seu fi-
lho Metágenes, naturais de Cnossos, Creta.
 Mas, ao que parece, porque o local escolhido era pan-
tanoso como o de Samos, foi também convidado Teodoro, um 
arquitecto de grande sabedoria e engenho que trabalhara no 
santuário rival, o Heráion de Samos. 
 Conceberam um templo díptero – aliás o Artemísion e o 
Heráion de Samos parecem ter sido os primeiros a serem cerca-
dos por um períptero duplo –, cuja edificação não durou menos 
de 120 anos. Como foi totalmente destruído por um incêndio e 
as ruínas arrasadas para nova construção, apenas parcialmen-
te se podem refazer os planos e dimensões. Damos a reconsti-
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
178
tuição recolhida em D.S. Robertson (figura 178)1. De qualquer 
modo, como os construtores posteriores utilizaram blocos seus 
nos alicerces do novo templo, muitos dos detalhes do edifício 
de Creso foram preservados.
 Parece que a plataforma do estilóbata se elevava dois de-
graus, em vez dos usuais três do dórico. O templo, com base 
apenas no perímetro do estilóbata, devia medir, possivelmente, 
55,1m de largura e 109,2m de comprimento. Todavia, como pa-
rece ter possuído um áditon, na parte de trás, teria uma maior 
extensão. Media 125m por 60m. As paredes eram de calcário 
local, embora recobertas a mármore.
 Ao contrário do que é tradição nos templos gregos, não es-
tava orientado para o nascer do sol, ou seja não tinha a fachada 
principal voltada para oriente, mas para oeste, talvez seguindo 
uma prática anterior da Ásia Menor2. Na frente do templo havia 
duas fiadas de 8 colunas. Assim a colunata exterior teria 8 colunas 
de frente, talvez 9 na fachada traseira e, embora o seu número seja 
incerto, possivelmente 21 nos lados. As colunas eram de mármo-
re. Possivelmente havia mais dois renques de colunas no interior, 
quer no prónaos, quer no naós ou cela, que talvez formasse um átrio 
aberto em volta de outro templo primitivo mais antigo3. O seu to-
tal devia ultrapassar a centena (tal como em Samos). A entrada no 
templo fazia-se por um pórtico com considerável número do colu-
nas, de base ornamentada com relevos, que devia causar profunda 
impressão no visitante (figura 179). 
 A altura total dessas colunas do Artemísion, segundo 
Vitrúvio (3.3.12), deveria ser oito vezes o diâmetro mais baixo 
do fuste, exceptuada a base que era acrescentada e tinha altura 
1 Cf. D. S. Robertson, A Handbook of Greek and Roman Architecture, 
gravura 39.
2 A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (trad. port. São Paulo, 1998), p. 91.
3 A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (trad. port. São Paulo, 1998), p. 92.
Vol. I - Arquitectura Grega
179
equivalente a metade do diâmetrodo fuste. Este apresentava 
caneluras em estilo dórico em número de quarenta e quatro a 
quarenta e oito. Os capitéis eram refinados, longos, com cer-
tos pormenores pouco elaborados e as volutas a projectarem-se 
como simples nervuras (figura 180) e decoradas com rosetas, 
em lugar das habituais espirais – pelo menos algumas delas (cf. 
figura 181)1. Em consequência do volume e alcance dessas vo-
lutas, o ábaco, muito baixo, é mais longo do que largo, na pro-
porção de dois para um, e tanto ele como o equino continham 
vários padrões de ornamentação (figura 182).
 Parece ter havido um espaçamento graduado das colunas 
na fachada principal, de modo a realçar a entrada no templo: 
assim as duas colunas centrais, de eixo a eixo, distavam 8,62m 
uma da outra; o par seguinte cerca de 7,4m e os dois pares das 
extremidades 6, 12m. O diâmetro das colunas do par central 
excedia o 1,72m, mas parece ter-se reduzido, lateralmente, por 
esta sequência: 12,5cm, 15cm e 2,5cm. Assim os espaços dos in-
tercolúnios eram diferentes: aos 5,5m do central seguia-se para 
cada lado a sucessão de 4,41m e 4,5m.
 As colunas, inteiramente de mármore, tinham bases que 
assentavam em plintos quadrados altos, pelo menos algumas 
delas, e que eram constituídas por toro e espira, mais ou menos 
elaborados, por vezes com caneluras horizontais feitas ao torno, 
tanto um como a outra. Em algumas colunas, em especial as do 
prónaos, o tambor inferior do fuste tinha entalhe em relevo, de 
que W. B. Dinisdmoor e D.S.Robertson nos dão reconstituições 
(cf. figuras 180, 183 e 184).
 
1 Esquemas e reconstituições das bases e capitéis da imagen 151 fo-
ram colhidos em W. B. Dinisdmoor, The Architecture of Ancient Greece (New 
York, 1975) fig. 48 (p. 129); os das imagens 152 e 154 são de D. S. Robertson, 
A Handbook of Greek and Roman Architecture, gravura 39.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
180
Figura 178
Planta do Artemísion de Éfeso (séc. VI a.C.).
Figura 179
Reconstituição das colunas do prónaos do Artemísion de Éfeso.
Vol. I - Arquitectura Grega
181
Figura 180
Esquema de capitel e base do Artemísion de Éfeso (séc. VI a.C.).
Figura 181
Reconstituição de capitel do Artemísion (séc. VI a.C.).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
182
 
Figura 182
Capitel de coluna do Artemísion de Éfeso (séc. VI a.C.).
Figura 183
Base com relevos do Artemísion. 
Restaurada no British Museum.
Figura 184
Base esculpida de coluna do 
Artemísion. British Museum.
Vol. I - Arquitectura Grega
183
 Havia friso? Parece que o templo possuía antefixos 
com palmetas em cerâmica. Entre a arquitrave e a cornija pa-
rece ter havido uma moldura com o padrão ‘óvalo-e-seta’ e 
uma calha parapeito com uma procissão em baixo-relevo. O 
telhado do templo era de telha de mármore nos rebordos; no 
resto estava coberto de telha de terracota.
 Primeira grande estrutura a ser completamente constru-
ída em mármore e o maior edifício do mundo grego antigo, o 
Templo de Ártemis era quatro vezes maior do que o Pártenon. 
As centenas de milhar de peregrinos que anualmente acorriam 
ao santuário aumentaram de tal modo a sua importância e ri-
queza que o primeiro banco do mundo parece ter surgido aí. 
A partir do séc. IV a. C., o Artemísion converteu-se no maior 
banco da Ásia e a cidade num centro de empresas económicas 
com consideráveis propriedades rurais.
 Esse grandioso templo do séc. VI foi destruído no séc. 
IV a. C. Depois de destruição parcial por incêndio em 395 a.C. 
(cf. Aristóteles, Meteor. 3, 371a30), sofreu ruína completa devido 
mais uma vez a incêndio, mas agora provocado por Heróstrato 
(356 a. C.), um pirómano louco que dessa forma buscava noto-
riedade. O fim do Templo de Creso em 356 a. C. é lembrado na 
última estância do Canto II de Os Lusíadas (2. 113):
 Queimou o sagrado templo de Diana,
 Do sutil Tesifónio fabricado,
 Horóstrato, por ser da gente humana
 Conhecido no mundo, e nomeado.
 
 No mesmo dia em que se verificou o incêndio, diz a tra-
dição que nasceu Alexandre Magno. Teria sido por isso, diz a 
lenda, que o pirómano conseguiu levar a cabo os seus nefastos 
intentos: Ártemis, ausente, a prestar assistência e a vigiar o nas-
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
184
cimento da criança, não protegeu o seu templo.
 Rapidamente os Efésios empreenderam a reconstrução, 
no mesmo local, de novo templo iónico que se estende ao lon-
go da segunda metade do século IV e entra na primeira do III 
a.C.: refere Plínio que teria demorado 120 anos a ser concluído 
– tempo que talvez se aplique melhor ao templo de Creso1. E as-
sim, sobre os alicerces do anterior e parte da superestrutura, se 
ergueu aos poucos outro templo grandioso, totalmente em már-
more, que durou até ao final do paganismo e foi considerado a 
Sétima Maravilha do Mundo, cuja reconstituição, com soluções 
diversas, tem sido tentada, como a de Henderson (figura 185)2, 
ou a de T. Spawforth (figura 186).
 Os arquitectos originais desse templo parecem ter sido 
Paiónios de Éfeso e um escravo desse local sagrado, o chama-
do Demétrio, embora haja a possibilidade de acréscimo pos-
terior de que se encarregou Dinócrates. Subsiste, contudo, 
alguma dúvida sobre o nome do arquitecto desse magnifi-
cente templo helenístico. Apesar de Estrabão atribuir os seus 
planos a Quirócrates, desconhecido das outras fontes, deve 
tratar-se de confusão com Dinócrates que era o arquitecto 
oficial de Alexandre Magno. Nele teriam trabalhado também 
os escultores Escopas e Praxíteles – talvez, nas colunas e rele-
vos, o primeiro e, no altar, o segundo.
 Na sua construção, foram aproveitados os alicerces e os 
materiais e ruínas do edifício anterior, o que obrigou à elevação 
da plataforma (figura 187). Assim, passou a ter mais do que 
os dois degraus do templo arcaico e um plano sensivelmente 
igual ao do anterior, apenas com o acrescento de um opistó-
1 A. W. Lawrence, Arquitectura Grega (trad. port. São Paulo, 1998), p. 148.
2 Reconstituições, respectivamente, Henderson e de T. Spawforth, 
The Complete Greek Temples (Londres, Thames & Hudson, 2006), p. 35
 
Vol. I - Arquitectura Grega
185
domo e de uma terceira fiada de colunas na parte da frente, 
embora seja possível que essas inovações fossem já acrescento 
da restauração subsequente ao incêndio de 395 a.C. Além das 
dimensões, o projecto do séc. IV a.C. mantém também a pe-
culiaridade de as colunas com relevos no prónaos, além de es-
culpidas em relevo nas bases cilíndricas, estarem também pos-
tadas sobre pedestais quadrados – duas formas talvez usadas 
em locais diferentes do prónaos ou do templo e não juntas na 
mesma coluna. Esses relevos representam cenas várias relacio-
nadas com a deusa Ártemis: por exemplo, a que parece apre-
sentar as figuras de Calcas, Clitemnestra, Hermes Psicopompo, 
Thánatos e Ifigénia (figura 188) e talvez aluda ao sacrifício da 
filha de Agamémnon, para que a armada dos Aqueus pudes-
se partir para Tróia1. Plínio (NH. 36.95), referindo-se talvez ao 
edifício do séc. IV a.C., fala em 36 colunas de bases esculpidas 
e informa que a sua altura era de 60 pés – ou seja, de 17,65m. 
 O frontão – e parece ser novidade do último templo – 
apresentava três aberturas no tímpano. Possivelmente um ex-
pediente para reduzir o peso da pedra do grande vão central. É 
pouco provável que nessas aberturas, ou na sua frente, houves-
se esculturas, como indicam algumas reconstituições2.
Considerado uma das sete maravilhas do mundo no período he-
lenístico, o Artemísion estava colocado numa plataforma a que 
se acedia por uma escadaria de treze degraus. Era um templo 
períbolo, constituído por uma dupla fiada de colunas — cento 
e vinte e sete, ao todo — que enquadravam um peristilo e um 
espaço interior de 105X55m. 
 Impressionado com a sua beleza e magnificência quando 
por ali passou a caminho da Pérsia, Alexandre Magno manifes-
1 Vide A. Stewart, Greek Sculpture (London, Yale Univ. Press, 1990), 
Volume I, p. 198; e volume II, fig 595-596.
2 A.W. Lawrence, Arquitectura Grega (trad. port. São Paulo, 1998), p. 148
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
186
tou o desejo de tomar a seu cargo e de financiar a prossecução 
dos trabalhos e seus custos (334 a.C.), com a condição de nele po-
der gravar o seu nome. Segundo Cúrcio Rufo, numa biografia de 
Alexandre, não teria agradado aos Efésios tal intenção e preferi-
ram renunciar à sua oferta, mas para evitar afrontar o imperador 
com uma recusa, com recurso à adulação, alegaram que um deus 
não podia erigir um templo ou dedicar oferendas a outro deus 
(cf. Estrabão 14. 1. 22). Então Alexandre estipula que os impostos 
que os Efésios tinham pago até aí aos Persas fossem devolvidos 
para financiar a construção do novo templo.
 Colocado sobre uma plataforma ou estrado, a que se ace-
dia por uma escadaria de 13 degraus, circundava a cella uma 
dupla fiada de colunas (de quase 18m de altura). Este amplo 
conjunto media 105 x 55m (ou 155?). Algumas das colunas, as do 
pronaos, apresentavam as bases esculpidas com baixos-relevos, 
que Plínio atribui a Escopas, pelo menos uma delas, mas deve 
ser erro de transcrição dos códices. Nas figuras existem com 
certeza elementos de Escopas, mas aparecem contaminados por 
traços e reelaborações de outras obras clássicas de autores como 
Policleto e Lisipo – etilo eclético e linguagem compósita de que 
é exemplo o relevo conservado no British Museum.
 O templo manteve as características do anterior, inclusi-
ve a disparidade do número de colunas nas duas fachadas: oito 
na ocidental e nove na oriental. Manteve também o pormenor 
das colunas esculpidas na parte inferior (16 ou 36 ao todo, dis-
tribuídas pelas duas primeiras filas da fachada principal).
Este terceiro templo duplicava o plano do anterior, até nos re-
levos das colunas, e era o maior de todos os templos gregos. 
Infelizmente nunca foi completado.
 
Vol. I - Arquitectura Grega
187
Figura 185
Artemísion de Éfeso. Reconstituição de Henderson.
Figura 186
Artemísion de Éfeso. Reconstituição colhida em T. Spawforth, The 
Complete Greek Temples (London, 2006), p. 35.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
188
 
 
Figura 187
Planta do Artemísion de Éfeso (séc. IV a.C.).
Figura 188
Base do Artemísion de Éfeso (séc. IV a.C.), esculpida em relevo. 
Representa possivelmente Thánatos, Ifigénia e Hermes Psicopompo. 
British Museum
Vol. I - Arquitectura Grega
189
 Segundo Plínio, tinha 127 colunas, das quais 36 adorna-
das com relevos (columnae caelatae). Alguns capitéis encontram-
se em Viena. Considera D. S. Robertson que «os escassos restos 
deste edifício (a maioria deles agora no British Museum) são 
inultrapassáveis pela força e grandeza»1. No tempo de Vitrúvio 
(3.2.7) e de Plínio, História Natural 36.95 — que o não distin-
guem do da altura de Creso —, era um templo períptero iónico 
de 155 X 55 metros, rodeado de cento e vinte e sete colunas2.
 Antípatro de Sídon (Antologia Palatina 9.58) considerava o 
Artemísion a mais bela de todas as maravilhas do Mundo Anti-
go, já que, depois de nomear os Jardins Suspensos, as Pirâmides, 
a Estátua de Zeus, o Colosso de Rodes e o Mausoléu, observa que 
contemplar a mansão de Ártemis que sobe até às nuvens tudo su-
planta (Antologia Palatina 9. 58). Por seu lado, Pausânias, um viajan-
te da antiga Grécia, atento, sensível e bem informado, refere que o 
templo suplanta todos os outros pelas suas dimensões e riquezas 
(7.5.4) e alude à fama da deusa e do santuário, atribuindo-a à ce-
lebridade das Amazonas, que teriam erigido a estátua, à antigui-
dade do santuário e à «grandeza do templo que supera todas as 
criações da mente humana» 4. 31.8). Por isso os Efésios sentiam 
certa relutância em deslocarem-se para mais perto da costa. 
 Lord Byron, nos seus versos, dá notícia do abandono a 
que o templo fora votado no seu tempo: 
 Contemplei o milagre efésio;
 suas colunas cobrem o deserto
 a hiena e o chacal habitam suas sombras.
 
1 A handbook of Greek and Roman Architecture, p. 147.
2 Sobre este santuário vide W. B. Dinsmoor, The architecture of ancient 
Greece (New York, 1975), pp. 38, 40, 127-135 e 222-225; A. Bammer, Das Heilig-
tum der Artemis von Ephesus (Graz, 1984).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
190
 O santuário tinha, como qualquer outro, junto ao templo, 
um altar e estava ornamentado com grande quantidade de obras 
de escultura e pintura: imagens da deusa, a Ártemis Efésia, conheci-
da por moedas dos sécs. II-I a.C. e por muitas estátuas das épocas 
helenística e romana, cujos adornos peitorais que ostenta – signi-
ficativo número de nódulos – têm sido interpretados, ora como 
seios, ora (explicação que tem sido atestada, mas que nos parece 
muito duvidosa) como representação de testículos de touro. Fa-
mosa pintura de Apeles que representava Alexandre na figura de 
Zeus a lançar o raio – pintura em que Lisipo se teria inspirado para 
modelar a escultura de Alexandre armado com a lança.
 Ornamentado com esculturas de Praxíteles, segundo Estra-
bão, esse altar – que tinha sido procurado, sem êxito, nos finais do 
séc. XIX (O. Benndorf) e de 1904 (D.G. Hogarth) – foram encontrados 
os alicerces e outras ruínas desse grande altar, durante as escavações 
do Instituto Arqueológico Austríaco em 1965. E foi possível confirmar 
que a esse altar pertencia um relevo com representação de Amazonas 
que tinha sido descoberto, em 1900, perto do teatro, como material 
reutilizado. Este achado concorda com a tradição lendária transmiti-
da por Pausânias e por Calímaco, de que precisamente as Amazonas 
teriam sido as fundadoras do templo de Éfeso.
 Era um altar monumental, com decoração e ornamentação 
escultórica – a julgar pela reconstituição de A. Bammer –, seme-
lhante aos de Magnésia do Meandro e do Grande Altar de Zeus 
em Pérgamo. Os sacrifícios eram realizados numa plataforma ele-
vada, a que se acedia por ampla escadaria frontal e que era rode-
ada, nos outros três lados, por colunatas de estilo iónico. O altar 
seria profusamente decorado com relevos e escultura de vulto. 
 Entre os ossos encontrados, as escavações revelaram, e 
de forma surpreendente, também ossos humanos. Será que tem 
algo a ver com o testemunho de Hipónax que, numa descrição 
da “festa da primeira colheita”, celebrada em Éfeso, se refere a 
Vol. I - Arquitectura Grega
191
um homem que foi passeado pela cidade como bode expiatório 
e que depois foi lapidado e queimado?
 Desse edifício, hoje apenas algumas ruínas restam des-
sa magnificente estrutura. O templo foi saqueado e destruído 
pelos Godos no século III (263 A.D.). Reconstruído de novo, foi-
se depois arruinando aos poucos e tornou-se pedreira utilizada 
para a construção da bela Basílica de S. João Evangelista, que 
se erguia na colina sobranceira. Muitos dos seus elementos fo-
ram levados pelos Bizantinos para Constantinopla e ainda hoje 
embelezam a harmónica basílica de Hagia Sophia em Istambul, 
sobretudo algumas das suas colunas originais. Do Artemísion 
do período helenístico subsiste hoje, no local, apenas a solidão 
persistente de uma coluna (figura 159). As numerosas obras de 
arte que decoravam o edifício dispersam-se, pelo museu local, 
pelo de Londres e pelo de Viena.
 O Templo nos tempos mais antigos situava-se junto ao 
mar. Hoje as suas ruínas encontram-se a 6km de distância, entre 
Selçuk e Kusadashi.
Figura 189
Artemísion. Única coluna que resta no local, e fruto de anastilose.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
192
O iónico na Acrópole de Atenas
 Apesar de o Artemísion de Éfeso ter sido considerado uma 
das sete maravilhas da Antiguidade, não podemos deixar de realçar 
e dar destaque, entre os edifícios iónicos, a dois edifícios da Acró-
pole ateniense: o pequeno templo de Atena Nike (5,39 x 8,16m), 
da autoria de Calícrates, uma pequena obra prima de proporção e 
beleza (figura 190); e o Erectéion (figura 191), com uma estrutura 
complexa que não apresenta a harmonia habitual de conjunto,mas 
é o mais requintado dos monumentos helénicos1.
 O templo de Atena Nike, a deusa sempre vitoriosa que 
protegia a cidade de Atenas, encontra-se num esporão artifi-
cial que ultrapassa os Propileus, para ocidente da Acrópole, 
e é guarda avançada do último troço da Via das Panateneias. 
Na sua plataforma elevada, olha superiormente, à direita, para 
quem se dirige aos Propileus para entrar na Acrópole (figura 
192). Pequeno e harmonioso tetrástilo da autoria de Calícrates 
(427-424 a.C.), surpreende-nos pela sua delicadeza (figura 193). 
E, ao olhá-lo naquele esporão desguarnecido, temos a sensação 
de fragilidade. O templo estava erigido sobre uma plataforma 
de três degraus (recortados em baixo, como é próprio do ióni-
co) e acedia-se ao naós, quase quadrado (figura 194), por um 
portal que se rasgava entre dois pilares monolíticos – damos do 
prónaos a reconstituição de uma secção e do tecto (figura 195)2. 
Em cada canto exterior do naós era também ornamentado e re-
1 Sobre estes dois templos vide infra pp. 215-216 e 218-219, 
respectivamente.
2 Reconstituição de A.W. Lawrence, Greek Architecture (1983), p. 
212, fig. 183.
Vol. I - Arquitectura Grega
193
forçado por uma anta. Em cada fachada, as quatro delicadas 
colunas que suportam o entablamento têm fustes monolíticos 
de 3,96m de altura – 7,82 vezes o diâmetro da parte inferior, o 
que dá uma proporção pesada para o iónico1 – e sofreram o des-
gaste do tempo, a que estão expostas no esporão (figura 196). O 
entablamento contém uma arquitrave ornamentada e entalhada 
em três facetas; um friso iónico esculpido (figura 197), a rodear 
o templo, cujo assunto é guerreiro em três dos seus lados, em-
bora se discuta a que acontecimentos específicos diz respeito. 
Andrew Stewart, no volume I de Greek Sculpture, fala da no-
ção de vitória e da sua personificação, simbolizada no Templo 
de Atena Nike; no volume II, no esquema da figura 414 e nas 
legendas das 413 e 415-418, identifica a cena do lado oriental 
com uma assembleia dos deuses; a do ocidental com lutas entre 
Gregos e Gregos; as esculturas do sul, considera-as relativas ao 
confronto entre Gregos e Persas na Batalha de Maratona, embo-
ra sob interrogação (figura 198). Também N. Spivey admite que 
o lado sul representa conflito entre Gregos e Orientais (talvez 
Maratona) e a oriental assembleia dos deuses; mas considera a 
hipótese de os relevos de ocidente e de norte mostrarem lutas 
entre Gregos, quer se trate do confronto de Atenienses com Mé-
gara (458 a.C.), quer da Guerra do Peloponeso . Além da cornija, 
do friso e da arquitrave, entalhada em três facetas, parece ter 
havido esculturas nos frontões – pelo menos há fixações para 
figuras – e sabe-se da existência de acrotérios. Quem olha o ân-
gulo nordeste do Templo de Atena Nike pode observar como 
os arquitectos tentaram solucionar a posição dos capitéis dos 
cantos (cf. figura 197).
1 A. W. Lawrence, p. 118 presume que o motivo possa estar na ten-
tativa de evitar que o contraste com os Propileus fosse muito pronunciado, 
já que aí as colunas dóricas visíveis apresentam apenas uma altura de cera 
de cinco vezes e meia o diâmetro inferior do fuste.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
194
 Em volta do parapeito do esporão do Templo de Atena 
Nike corria, na parte externa, um friso com relevos de Atena e 
de Vitórias (Nikai), de grande beleza e perfeição formal. Realce 
para a chamada ‘Nike a desatar a sandália’ que se encontra no 
uséu da Acrópole (figura 199).
Figura 190
Templo de Atena Nike. Acrópole de Atenas (427-424 a.C.).
Vol. I - Arquitectura Grega
195
Figura 191
Erectéion, na Acrópole de Atenas 
(421-406 a.C.).
Figura 192
Templo de Atena 
Nike, em seu es-
porão, e Propileus.
Figura 193
Templo de Atena Nike. Capitéis e 
friso iónico.
Figura 194
Planta do Templo de Atena 
Nike.
Figura 195
Templo de Atena Nike. Secção e tecto do prónaos.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
196
Figura 196
Colunas e entabla-
mento do Templo de 
Atena Nike. Desgaste 
do tempo nas colunas.
Figura 197
Templo de Atena Nike. Canto sudeste.
Figura 198
Friso do Templo de Atena Nike. Lado sul, que talvez represente a 
Batalha de Maratona. British Museum.
Vol. I - Arquitectura Grega
197
Figura 199
“Nike a desatar a sandália” (420-400 a.C.). Museu da Acrópole.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
198
 O Erectéion teve uma construção prolongada – entre 421 e 
406 a. C. Interrompidos talvez devido às incidências da Guerra do 
Peloponeso, os trabalhos firam recomeçados em 409 a.C. e conclu-
ídos três anos depois. Foi o último a ser edificado na Acrópole (fi-
gura 200). Alguns autores mantêm que a autoria do Erectéion per-
tence a Mnésicles, mas muitos duvidam, entre os quais famosos es-
pecialistas, como David Robertson diz que diz ser difícil acreditar 
nessa paternidade; Lawrence todavia aceita-a1. Muitos outros nem 
sequer discutem a questão. Perfilhamos a opinião de lawrence.
 Curioso será notar que hoje se conhecem as contas da parte fi-
nal (depois de 409 a. C.), através das quais se vê que nele trabalhavam 
livres, metecos e escravos, a ganharem o mesmo (1 dracma por dia), 
num total de cerca de 130. E do número não se exclui o arquitecto. O 
Erectéion tem muitas singularidades que passamos a especificar. 
 a) Apresenta planta irregular com níveis diferentes e 
com três salas. Dessas três divisões, a oriental talvez seja a cella 
de Athena Pólias; a central era subdividida em duas partes; não 
havia comunicação entre as salas.
 b) Tinha três pórticos: o oriental possuía seis colunas 
iónicas. A norte, o pórtico era uma espécie de baldaquino te-
trástilo avançado com colunas muito altas e uma grande por-
ta de entrada; o pórtico apresentava a estranha característica 
de ultrapassar, em cerca de 2.7m, a parede ocidental do tem-
plo e ter nesse espaço uma pequena porta que dava para o 
Pandrósion. A sul, um outro chamado das Cariátides, por ter 
1 D. S. Robertson, Greek and Roman Architecture (Cambridge, 21943), 
p. 135, escreve que ‹‹alguns arqueologistas sustentam que Mnésicles foi o 
primeiro arquitecto do Erectéion, mas tal é difícil de acreditar››. A. W. La-
wrence, Greek Architecture, revised with additions by R.A. Tomlinson (Lon-
don, 1983), p. 221, depois de anotar a estrutura incomum do Erectéion, refere 
que o facto de o templo ser dedicado a outras divindades, alem de Atena, 
talvez possa explicar as anomalias do projecto adoptadas pelo arquitecto, 
que seria provavelmente Mnésicles.
Vol. I - Arquitectura Grega
199
donzelas ou kórai, a substituir as colunas; do lado ocidental, 
como o nível era mais baixo, teve o tratamento raro de colu-
nas em parte acostadas. Havia janelas a nascente e poente.
 c) Possuía portas em três lados que abriam para os três 
pórticos (o do lado sul sem acesso externo). 
 O arquitecto J. Travlos, apresenta a reconstituição da 
planta do Erectéion e do Pandrósion com sugestões novas para 
a distribuição das salas e a arrumação interior (figura 201): o 
interior tinha três divisões, graças a duas paredes, no sentido 
norte/sul, uma mais a oriente e outra nos fundos; uma outra 
parede, mais ou menos a meio, subdividia o espaço central em 
dois compartimentos, como se pode ver na reconstituição dos 
lados oriental e ocidental. Na reconstituição desenhada por G. 
Stevens do lado oriental (figura 202), nota-se a delicadeza das 
seis colunas da fachada e a diferença de níveis, em que o templo 
assenta, indicando-se o desnível do lado norte com linha trace-
jada. Na do lado ocidental (figura 203), nota-se, ao lado esquer-
do, o pórtico norte e, à direita, o pórtico sul ou das Cariátides, 
além da diferença de níveis, em que o templo assenta. 
 Esta planta pouco comum em templos tem suscitado al-
gumas teorias para a explicar: segundo D.S. Robertson, a com-
plexidade da planta derivaria das tradições religiosas do local e 
da necessidade de unir diversos santuários antigos, num terreno 
muito desnivelado (pp.131-132). Para Dörpfeld, a obra teria fi-
cado incompleta por falta de recursos ou por superstição e pos-
sivelmente o Pórtico das Cariátides tivesse ficado incompleto. 
Lawrence, por seu lado, considera que houve necessidade de 
contrabalançar o Pártenon e de atender aos lugares sagrados an-
teriormente existentes no local onde foi erigido1.O arquitecto J. 
Travlos, a propósito da reconstituição da planta por si executada, 
1 Arquitectura Grega, pp. 120-123.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
200
é de opinião que o templo seria aberto para os quatro lados e, 
possivelmente, tem esta forma, porque procurou combinar luga-
res de cultos diversos, relacionados com rituais de Atena. Estrei-
tamente ligado às origens da cidade e dos Atenienses, procura-
ria assim albergar locais de culto em honra de Atena, Poséidon e 
Erecteu. Pensa-se que a sala do lado oriental era o naós de Atena 
Pólias e que a central, como vimos dividida no sentido longitu-
dinal, estava consagrada a Poséidon/Erecteu. Alguns vestígios aí 
encontrados têm sido interpretados como o poço de água do mar 
de Poséidon, de que fala Pausânias (1. 26. 5).
 O Erectéion apresentava dimensões modestas, compara-
do com o Pártenon e outros templos iónicos, como o Artemísion 
de Éfeso e o Heráion de Samos. Por exemplo, tem menos de me-
tade do tamanho do Pártenon. Mas, vistos de perto, os pórticos 
apresentam grande equilíbrio, harmonia e proporção.
 
Figura 200
Erectéion (421-406 a.C.), na Acrópole. Lado ocidental.
Vol. I - Arquitectura Grega
201
Figura 202
Lado oriental do 
Erectéion. Recon-
stituição de G. 
Stevens.
Figura 203
Lado ocidental do 
Erectéion. Recon-
stituição de G. 
Stevens.
Figura 201
Planta do Erectéion (de J. 
Travlos).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
202
 A fachada ocidental do Erectéion tem colunas adossadas 
e janelas (figura 204). Da autoria de Mnésicles, esta composição 
assimétrica do Erectéion contrasta com a sobriedade dórica. O edi-
fício apresenta um espírito novo e a sua forma escapa à lógica. Este 
lado ocidental permite ver os níveis diferentes em que se encontra 
construído (figura 205).
 A fachada oriental, que era a frente do templo, com suas 
seis elegantes colunas – fustes a assentar em finas bases com mol-
dura e a terminarem em capitéis de suaves volutas –, apresenta 
o aspecto de um hexástilo e mostra o estilo iónico na sua pureza 
e delicadeza e contrasta fortemente com o lado ocidental (figura 
206). Por trás dessa fiada de colunas, abria-se uma porta alta en-
tre duas janelas (figura 207).
 Pórtico norte: espécie de baldaquino tetrástilo avançado 
(figura 208). É o maior dos pórticos do templo: projecta para 
norte dois intercolúnios e tem considerável elevação, a ponto de 
o seu telhado estar ao nível do do bloco central.
 O lado sul distingue-se pelo Pórtico ou stoa das Cariátides 
que está fora do eixo desse lado e aparece saliente do muro, sem 
ornamentação (figura 209). O pórtico tem menos de metade da 
altura do Pórtico Norte, mas, construído num terraço com pa-
rapeito, o seu telhado dispõe-se praticamente à altura dos capi-
téis do setentrional; o parapeito interrompe-se no lado oriental 
para dar lugar à porta. A substituir as colunas tem estátuas de 
mulheres jovens de elegantes – as Cariátides: seis korai que são 
atribuídas à oficina do escultor Alcâmenes (figura 210). Versão 
iónica do tetrástilo humanizado, essas jovens, que vestem peplos 
pesados, parecem sustentar sem esforço a cobertura em forma 
de baldaquino; e as pregas dos peplos, que caem pesadamente, 
assemelham-se às nervuras das fronteiras colunas do Pártenon. 
Do pórtico descia uma escadaria para uma antecâmara que fica-
va a oeste e parece ter sido o local do túmulo de Cécrops. 
Vol. I - Arquitectura Grega
203
 
Figura 204
Lado ocidental do Erectéion. Colunas 
adossadas e janelas.
Figura 206
Lado oriental do 
Erectéion. 
Figura 205
Lado ocidental do Erectéion. Desnivelamento dos Pórticos.
Figura 207
Erectéion. Lados oriental e sul.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
204
Figura 208
Erectéion. Pórtico norte.
Figura 210
Pormenor das Cariátides do Pórtico 
Sul do Erectéion.
Figura 209
Erectéion. Pórtico sul ou das Cariátides.
Vol. I - Arquitectura Grega
205
 A decoração era abundante e a ornamentação meticulosa-
mente entalhada. Além de dourados, bronzes também dourados e 
contas de vidro de quatro cores, cada pórtico possuía tecto de arte-
sões trabalhados, de que – no do norte – pendiam rosetas de bron-
ze (figura 211). O friso – que ainda mostra as marcas e de que há 
escassos restos da última fase (409-406 a. C.) – era em pedra negra 
de Elêusis em que se encontravam colocadas figuras em mármore 
branco. Corria à volta de todo o corpo central e dos três lados do 
Pórtico Norte, embora este ligeiramente mais estreito (cf. figuras 
202 e 203). O Pórtico Norte apresenta o umbral da porta muito or-
nado (figura 212) e os capitéis e bases das suas colunas são os mais 
elaborados da arquitectura grega. O Pórtico Sul, em vez de friso, 
apresenta dentículos e a parte superior da arquitrave está decora-
da com rosetas (cf. figura 210).
 Pela perfeição do trabalho e da execução, o Erectéion nunca foi 
ultrapassado. Segundo D. Robertson, profusamente decorado quer com 
ornamentos em relevo, quer pelo estudado contraste entre a pedra negra 
de Elêusis e o mármore branco, a elaboração dos aneletes das colunas e 
dos capitéis são sempre diferentes e foi rejeitada pelo gosto estético em 
geral dos séculos seguintes (figuras 213 e 214). Na opinião desse especia-
lista, o Erectéion é um edifício que, pela sua forma, deixa a desejar. E um 
arquitecto, como Mnésicles, embaraçado por exigências religiosas, sem 
esperança de produzir um conjunto harmonioso, concentrou-se no por-
menor e no elaborado ornamento com excessiva profusão1.
 As decorações e pormenores arquitectónicos são de cuidada e 
complexa elaboração e executadas com grande delicadeza e precisão. 
As mais notáveis são as do pórtico norte: os motivos de entrecruzado 
das bases das colunas, o antémio sob os capitéis e os ornatos da porta2.
1 D. Robertson, Greek and Roman Architecture (Cambridge, 21943, repr. 
1974), pp. 127-134.
2 Vide G. Richter, A Handbook of Greek Art (London, 91987), pp. 36-38. 
Há tradução espanhola, pelas Ediciones Destino (Barcelona, 1980, repr. 1990).
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
206
 Templo estranhamente belo, assimétrico (imagem 181), a 
sua ordem iónica, o delicado gravado floral nos anéis da coluna e 
nas paredes, o relevo do friso externo serve como contraste à auste-
ridade do dórico Pártenon que dele dista menos de cinquenta me-
tros. Os capitéis têm canalículos côncavos nas volutas, em vez dos 
convexos primitivos, têm mesmo canalículos duplos e os óvalos en-
tre as volutas têm uma banda florida por baixo como em Samos1. 
 O interior do templo, dividido nas suas quatro salas, foi 
destruído para ser transformado numa igreja e mais tarde num 
harém do governador turco de Atenas.
1 Vide John Boardman, Greek Art (London, 31996), pp. 150-153.
Figura 211
Erectéion. Tecto e porta do Pór-
tico Norte.
Figura 212
Porta do Pórtico Norte do 
Erectéion.
Vol. I - Arquitectura Grega
207
Figura 213
Capitel do lado oriental do Erec-
téion. Delicadeza do trabalho 
dos aneletes.
Figura 214
Erectéion. À esquerda, parte de 
capitel do lado oriental e cornija; 
à direita, de cima para baixo, 
capitel de anta, capitel e ângulo 
de capitel do Pórtico norte. In A. 
W. Lawrence, Arquitectura Grega, 
p. 123.
Figura 215
Assimetrismo do Erectéion de 
Atenas.
Figura 216
Templo de Atena Pólias, 
em Priene.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
208
 Os mais famosos templos iónicos do século IV a. C. en-
contravam-se na Ásia Menor, edificados na segunda metade do 
século: o de Ártemis em Éfeso, que substituiu um outro (c. 550 
a. C.) destruído por um incêndio em c. 356 a. C., de que já tratá-mos; o de Atena Pólias, em Priene, começado em 340 e dedicado 
em 334 a. C. (figuras 216 e 217); e o de Apolo em Díndima (figu-
ras 218 e 219).
 O capitel coríntio, no início, era utilizado apenas no in-
terior dos edifícios, como parece ter acontecido em Epidauro 
(tholos, propileus, por exemplo). A tholos do santuário de Epi-
dauro (séc. IV a.C.) era um edifício redondo que tinha a ordem 
dórica no exterior e a iónica no interior, na sua variedade co-
ríntia, como mostra a tentativa de reconstituição, que utiliza os 
elementos encontrados (figura 220).
 O mais antigo exemplo de estilo coríntio no exterior pa-
rece ter sido o monumento corégico a Lisícrates (334 a. C.), em 
Atenas (figura 221). Tem a forma de tholos e foi erigido por Lisí-
crates, para comemorar a sua vitória no concurso coral de diti-
rambos. Corria a toda a volta do monumento um friso continuo 
e encimava-o uma sequência de palmetas, como se pode ver na 
reconstituição (figura 222).
 É também da cidade de Atenas um dos mais famosos 
templos em estilo coríntio (figura 223): o de Zeus Olímpico, com 
uma colunata tripla nos lados menores e dupla nos maiores, 
de oito e vinte colunas, respectivamente (figura 224). Apesar de 
iniciado nos tempos dos Pisístratos (em estilo dórico), veio a 
ser retomado em 175-164 a. C., em estilo coríntio, mas apenas 
é concluído no século II da nossa era, na época do imperador 
Adriano. Restam hoje de pé quinze colunas (figura 225).
Vol. I - Arquitectura Grega
209
Figura 217
Esquema do entablamento do Templo de Atena Pólias, em Priene 
(in Lawrence, Arquitectura Grega, p. 146, fig. 228).
Figura 218
Templo de Apolo, em Díndima.
Figura 219
Planta do Templo de Apolo, em Díndima.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
210
Figura 220
Reconstituição de partes da 
tholos de Epidauro. Museu de 
Epidauro.
Figura 221
Monumento corégico a Li-
sícrates (334 a.C.), Atenas.
Figura 222
Monumento corégico a Lisícrates.
Reconstituição do capitel e do entablamento (in 
Lawrence, Arquitectura Grega, p. 140).
Figura 223
Olimpieu, em Atenas 
(175-164 a.C. e séc. II A.D.)
Vol. I - Arquitectura Grega
211
Figura 224
Planta do Olimpieu, em Atenas.
Figura 225
Olimpieu de Atenas. As colunas que se conservam.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
212
Arquitectura Helenística
 A arquitectura helenística, malgrado a sua importância, o 
número e amplitude dos edifícios realizados, ainda é frequente-
mente apresentada como uma produção de pouca originalidade 
e como resultado de um progressivo empobrecimento das obras 
clássicas. Posição injusta, dado que os arquitectos da época hele-
nística bem souberam conciliar as tradições clássicas com as ino-
vações, criando uma arquitectura adaptada a um mundo novo e 
a estruturas socias e políticas diferentes das da época clássica. 
 Deve, no entanto, realçar-se que a arquitectura helenís-
tica, em particular no campo religioso, ainda segue os cânones 
clássicos. O mesmo não se poderá dizer de outras manifestações 
arquitectónicas, com destaque para a disposição das cidades 
que seguem um traçado hipodâmico, assim chamado a partir 
do já referido Hipodamos de Mileto, arquitecto que suposta-
mente teria desenvolvido ideias de urbanismo em que as ruas se 
cruzam perpendicularmente e correm paralelas umas às outras. 
De acordo com estas novas regras se irão construir novas plan-
tas de cidades, tais como Mileto (figura 226), Priene (cf. figura 
65), a nova Éfeso, Cnidos (figura 227), o Pireu recém-construído 
e muitas outras, tanto da Jónia, como na Grécia continental e 
Magna Grécia. De entre estas, destaca-se Priene, por apresen-
tar uma planta completamente disposta segundo um rigoroso 
método de reticulado, apesar da forte inclinação do terreno que 
levou à realização de terraços artificiais, de modo a ultrapassar 
o desnível do terreno.
 As profundas transformações políticas e sociais do mun-
do grego, no decurso do século III e II a.C., constituíram sem dú-
Vol. I - Arquitectura Grega
213
vida as causas principais de um forte crescimento construtivo. 
À arquitectura da cidade sucede uma arquitectura principesca 
e monárquica. Se urbes como Atenas e Mileto mantêm algumas 
das estruturas antigas da pólis, outras mais recentes, tais como 
Alexandria, Pérgamo e Antioquia, assistem a um forte dinamis-
mo construtivo. Este momento de grande vigor arquitectónico 
é em parte resultante da repartição do império pelos generais 
de Alexandre: os Antigónidas na Macedónia, os Selêucidas na 
Ásia, os Atálidas nas regiões ocidentais da Anatólia, os Lági-
das no Egipto. Todos se consideram herdeiros da tradição clás-
sica bem presente, por exemplo, na acção diplomática com os 
grandes santuários: Delos, Delfos, Olímpia, Samotrácia. Neste 
movimento de expansão, os centros de inspiração e de criação 
mudam. Os arquitectos viajam em missões diplomáticas e como 
emissários políticos. As inovações e os projectos de grande im-
portância estão agora associados aos grandes centros com im-
portância militar e política, na Macedónia, na Ásia Menor, na 
Síria, no Egipto. Os arquitectos, como os mestres, quando os co-
nhecemos, são provenientes das costas orientais do mar Egeu. 
 Nasce uma nova estética arquitectónica. O ponto de par-
tida parece ser a adopção do princípio da perspectiva. Segun-
do Vitrúvio (VII. praef. II), esta invenção deve-se a Agatarco de 
Atenas que a teria adoptado na pintura, o mesmo que teria sido 
responsável pelo cenário de uma das tragédias apresentadas 
por Ésquilo (cf. Rocha-Pereira, 2006: 623), deixando também um 
comentário escrito. Esta descoberta que em breve irá revolucio-
nar a pintura grega é mais tarde transferida para o plano arqui-
tectónico e conduz a organização totalmente nova dos edifícios 
num espaço definido. De facto, enquanto a disposição espacial 
dos complexos arquitectónicos arcaicos e clássicos (santuários, 
praças públicas, conjuntos urbanos) é linear, de acordo com ali-
nhamentos e justaposições sucessivas dos edifícios, a sugerir 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
214
uma apresentação processional, o espaço dos complexos hele-
nísticos fecha-se: é previamente seleccionado um ponto privi-
legiado a partir do qual se desenvolvem todas as construções, 
tornando-as complementares no seu todo. O santuário de Atena 
em Pérgamo, o quadro de conjunto do bouleutérion de Mileto 
com os seus edifícios anexos, as transformações da Ágora de 
Atenas ilustram alguns dos exemplos desta evolução. 
 Essas mudanças são também perceptíveis nas próprias 
plantas dos templos. Aos volumes tradicionais da planta clássi-
ca, reconhece-se uma nova estética que acentua os efeitos de luz 
e de sombra, numa perspectiva mais pictórica do que arquitec-
tónica. Entre outros, um bom exemplo é o Templo de Ártemis 
em Éfeso, já acima tratado. 
 Ainda mais complexos são os monumentos dedicados 
aos cultos heróicos, em que passa a estar incluído o culto dos 
soberanos helenísticos. Entre estes, escolhemos como exemplo 
o Mausoléu de Halicarnasso, outro dos monumentos listados 
de entre as sete maravilhas do mundo antigo, de que só restam 
escassas ruínas (figura 228). Os dados resultantes das descrições 
das fontes, dos elementos arquitectónicos e escultóricos que têm 
sido recuperados na cinta da fortaleza e no espólio das diferen-
tes escavações, permitem fazer uma ideia aproximada de como 
seria o Mausoléu. Uma das reconstituições mais fidedignas é-
nos dada por Geoffrey B. Waywell (figura 229). Segundo este 
autor (2002: 103-104), o Mausoléu era de planta rectangular, 
com os lados ao nível do solo provavelmente de 120 e 100 pés, 
ou seja, no seu todo formava o perímetro de 440 pés indicado 
por Plínio (História Natural 36.30-31). A altura era de 140 pés e 
resultava de três elementos principais: uma base elevada que 
Plínio define simplesmente como “a parte inferior”, com cerca 
de 60 pés de altura; sobre esta base uma colunata, provavelmen-
te de trinta e seis colunas, com cerca de onzemetros de altura, 
Vol. I - Arquitectura Grega
215
onze sobre cada um dos lados mais longos e nove nos lados 
mais curtos (11 x 9). Acima destas colunas, que pela escavação 
parecem ter sido da ordem iónica, existia um tecto em forma de 
pirâmide com vinte e quatro degraus que estreitavam à medida 
que nos aproximávamos do topo. No topo da estrutura estava 
um pedestal encimado por uma quadriga colossal.
 Além dos templos e dos edifícios sepulcrais, a arquitectu-
ra helenística é essencialmente civil e directamente relacionada 
com a paisagem urbana e os problemas urbanísticos; ao passo 
que os edifícios administrativos, ligados com a cidade comercial 
ou agonística, não mais têm de estar exclusivamente associados 
a lugares de culto. É de assinalar um notável enriquecimento 
das formas das estruturas dos edifícios; ainda que topografi-
camente ligados aos centros cívicos e políticos, estes adquirem 
uma maior independência. Nesse sentido, a ágora, as salas de 
reuniões – por exemplo os bouletérios – adaptam-se melhor às 
suas funções. Mileto fará do seu buletério um complexo autóno-
mo, ainda que na proximidade da grande ágora meridional. O 
mesmo fenómeno, de edifícios de grandes proporções internas, 
encontrar-se-á em numerosas outras cidades da Ásia Menor. 
 Nesta rápida alusão aos diferentes tipos de edifícios da 
época helenística poder-se-ia ainda referir outro tipo, ainda que 
mais raros, os palácios principescos. Maria Helena da Rocha 
Pereira (1993-94, 57-74), num estudo intitulado “O Palácio do 
mundo minóico ao helénico: mito e realidade”, demonstra que, 
nesta época os palácios se tinham tornado um símbolo de pres-
tígio e poder (figura 230). Estes estão especialmente concentra-
dos no reino da Macedónia, com especial espectacularidade do 
palácio de Vergina que, ao que tudo indica, teria sido a morada 
dos novos reis da Macedónia, os Antigónidas. Trata-se de um 
edifício com um grande pátio central, com dezasseis colunas 
de cada lado e uma larga entrada de porta tripla ao centro da 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
216
fachada oriental, da qual saíam múltiplos compartimentos, al-
guns dos quais possivelmente destinados a salas de banquetes 
solenes. 
 Igualmente soberbos terão sido os palácios do reino de 
Pérgamo ou o famoso palácio de Alexandria, este último apenas 
referido nas fontes escritas, em particular Teócrito (XV. 78-83) e 
Estrabão (Geografia XVII. 1.8). 
 Todos eles reflectem uma mensagem em particular: a po-
lítica de prestígio e o movimento helenizador que caracterizam 
as fundações urbanas de Alexandre e seus sucessores. 
Figura 226
Plano hipodâmico da cidade de Mileto.
Vol. I - Arquitectura Grega
217
 
Figura 227
Plano da cidade de Cnidos.
Figura 228
Sítio arqueológico do Mausoléu de Halicarnasso.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
218
Figura 229
Mausoléu de Halicarnasso. Reconstituição de G. B. Waywell.
Vol. I - Arquitectura Grega
219
Figura 230
Fragmento de kalyx-kratêr de Tarento. Museu de Würzburg. Dá a 
ideia do aspecto do palácio.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
220
ATENAS, ESCOLA DA HÉLADE
Espécie de conclusão
 Estranha cidade parece a antiga Atenas! Racionaliza a 
ar quitectura e submete os templos a proporções matemáticas, 
mas o seu amor pela igualdade, a sua busca constante para a 
obter acabam por entregar à sorte, à tiragem à sorte, a escolha 
dos governantes.
 Com um alto conceito da missão de Atenas, Péricles – 
aqui representado por um busto que é cópia de original da 
autoria de Crésilas (figura 231) – en tendia que, pelas realiza-
ções culturais, pelas festas, pelas inova ções políticas, a cidade 
se tornara e devia ser a “Escola da Hé lade”, o centro de onde 
irradiava a liberdade, o progresso, a cultura, a arte. O projec-
to monumental que, com Fídias, conce beu para a Acrópole é 
disso uma prova. São estas as palavras que Tucídides coloca 
na sua boca num discurso proferido no início da Guerra do 
Peloponeso (431-404 a.C.), em que o estadista refere que os 
Atenienses amam o belo com simplicidade e prezam a cul-
tura sem moleza, servem-se da riqueza mais como meio de 
trabalho do que como objecto de presunção, não consideram 
vergonha a pobreza mas sim não a evitar pelo trabalho (2, 40. 
1). E o historiador atribui a Péricles a seguinte coclusão do 
discurso:
 
 Em resumo, direi que esta cidade, no seu conjunto, é 
a es cola da Hélade, e cada um de nós em particular, ao que 
pa rece, se mostra mais apto, para as mais variadas formas de 
actividade e para, com a maior agilidade, unida à graça, dar 
provas da sua perfeita capacidade física. É a própria força da 
Vol. I - Arquitectura Grega
221
cidade que, em virtude destas qualidades, que possuímos, 
bem demonstra como o que acabo de dizer não é um dis curso 
forjado para estas circunstâncias, mas a verdade dos factos.1
 Atenas era uma democracia aberta, dinâmica e empreen-
dedora. Construíra, com base na Simaquia de Delos, um impé rio 
que se estendia por todo o mar Egeu, como sublinha o mesmo 
Estadista no citado discurso que lhe atribui Tucídides: «Devido 
à grandeza da cidade, afluem aqui todos os produtos da terra 
inteira, e acontece que dis frutamos dos bens locais com não me-
nos familiaridade que dos dos outros países.»2 
 Além de modelo nas realizações políticas e institucionais, 
Atenas era, por outro lado, a cidade dos festivais e como tal pa-
radigma para as outras. Com orgulho o sublinha Isócrates no Pa-
negírico 45-46, ao explicitar que os muitos espectáculos, variados 
e belos – «notáveis uns pelas despesas», diz o orador, «outros fa-
mosos pela arte» e outros ainda pelas duas coisas – atraem gran-
de número de visitantes e contribuem para a aproximação entre 
povos e para a unidade de todos os Gregos. E conclui: 
 
É sobretudo no nosso meio que se encontram amizades mais 
fiéis e relações mais variadas, e ainda por cima se podem ver 
competições, não só de velo cidade e de força, mas também de 
eloquência, de inteligên cia e de todas as outras actividades, 
para cada uma das quais existem os mais elevados prémios. 
Efectivamente, além dos que ela mesma propõe, também induz 
outros a dá-los. E o que nós escolhemos adquire tal fama, que 
é apreciado em toda a parte. Além de que os outros festivais 
realizam-se de tempos a tempos e depressa se dissolvem, ao 
passo que a nossa cidade é para os seus visitantes um festival 
contínuo.
1 Tucídides 2. 41. 1-2. Tradução de M. H. Rocha Pereira, Hélade, 
92005, p. 327.
2 Tucídides 2. 38.1. Tradução de M. H. Rocha Pereira, Hélade, 92005, p. 325.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
222
 Cidade das Panateneias, das Antestérias, das Leneias, 
das Grandes Dionísias, dos Mistérios de Elêusis, de festas ru-
rais e citadinas, Atenas era um festival contínuo. Daí que as 
Nuvens, «as virgens portadoras da chuva» – como lhe chama o 
dramaturgo –, ao dirigirem-se à «terra es plendorosa de Palas», 
na comédia homóloga de Aristófanes (vv. 302-313), celebrem a 
cidade «que venera ritos inefáveis», em que se recebem os ini-
ciados, se realizam «sacras cerimónias» e «se fazem oferendas 
aos deuses celestiais». Uma cidade
Onde há templos de altos tectos, estátuas
e mui sagradas procissões dos bem-aventurados,
 sacrifícios aos deuses, com belas coroas, e festins
em todas as estações do ano,
a festa de Brómio, quando chega a primavera,
a excitação dos coros melodiosos,
 e da flauta a música altissonante.1
 Por considerar Atenas a «escola da Hélade», o centro de 
onde irradiava a liberdade, o progresso, a cultura, a arte, Péri-
cles procurou, com o contributo imprescindível de Fídias, que 
o conjunto monumental idealizado para a Acrópole traduzisse 
essa sua visão (figuras 232 e 233).
 A colina sagrada de Atenas! O local onde Péricles quis tor-
nar patente que era missão da cidade e da Grécia ilumi nar! Aí, 
no frontão oriental do Pártenon, a deusa políade, Atena, nasce 
florescente da inteligência de Zeus e obrigaas sombras da noite a 
desaparecerem do lado direito, enquanto o sol desponta no canto 
oposto, espalhando luz pela humanidade (figura 234).
 
1 A tradução das citações de Isócrates e de Aristófanes pertence a M. 
H. Rocha Pereira, Hélade, 92005, p. 330 e 347-348, respectiva mente.
Vol. I - Arquitectura Grega
223
 
Figura 231
Busto de Péricles 
(4215 a.C.) da autoria 
de Crésilas. Cópia 
romana. Museu do 
Vaticano.
Figura 232
Maquete da Acrópole.
Figura 233
Planta da Acrópole de Atenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
224
 
 Situada numa colina rochosa de cerca de 156m de altura, 
a Acrópole ateniense domina toda a cidade e nela, desde tempos 
recuados, lenda, religião e política entrelaçaram as mãos. Para 
entrar na Acrópole — para usar as palavras de Pausânias (1. 22. 
4) — «só existe uma entrada; não deparamos com nenhuma ou-
tra, pois é um sítio abrupto por todos os lados e que apresenta 
uma sólida muralha» (figura 235).
 As vicissitudes da Acrópole de Atenas são o reflexo do 
curso da história. Habitada nos tempos micénicos, transforma-
se em centro religioso exclusivo, durante a Idade das Trevas. 
Atena, a deusa protectora da cidade, é a divindade desse lugar 
desde remotos tempos. Aí venerada, desde o período geomé-
trico, num pequeno templo, depois substituído por outros em 
épocas sucessivas, Atena torna-se então a deusa protectora da 
pólis. E, segundo a tradição, teve de lutar por essa honra com 
Poséidon, como Fídias traduziu no pedimento ocidental do Pár-
tenon (figuras 236 e 237).
Figura 234
Pártenon. Reconstituição do lado oriental.
Vol. I - Arquitectura Grega
225
 Muito danificado esse local durante as Guerras Pérsicas, 
com a maioria dos edifícios destruídos, por incêndio e vanda-
lismo, os Atenienses empreendem a reconstrução da sua cida-
dela sagrada, entre 450 e 410 a. C. Péricles, o governante de en-
tão, sonha fazer da Acrópole o centro monumental de uma capi-
tal da Grécia: um símbolo da missão proeminente que pen sava 
ser a de Atenas. O Estadista considerava-a a «escola da Hélade», 
o centro de onde irradiava a liberdade, o progresso, a cultura, 
a arte. E tal ideia está bem traduzida no conjunto mo numental 
que ele, coadjuvado por Fídias, pensou e planeou para a Acró-
pole.
 Foi a seguinte a ordem dos principais edifícios aí erigi-
dos, todos em mármore do Pentélico (alguns acrescentos em pe-
dra negra de Elêusis nos Propileus):
 Pártenon — 447-430 A. C.
 Propileus — 437-432 a. C. (inacabado)
 Atena Nike — 427-424 a. C.
 Erectéion — 421-406 a. C.
 E assim o Erectéion foi o último a ser edificado na Acró-
pole, e talvez nunca concluído.
 Os novos edifícios então erigidos marcam uma evolução 
na arquitectura grega que, com a utilização de novas soluções 
e requintes, adquire maior leveza, harmonia e proporção. Além 
de as colunas perderam espessura e se tornarem mais esbeltas, 
os edifícios apresentam compensações ópticas que são verda-
deiros requintes de construção, com evidência para a já referida 
entasis: espessa mento do fuste da coluna a dois terços da sua 
altura; ligeira con vexidade, ao centro, nas linhas horizontais; 
leve inclinação das colunas para dentro. Desse modo o edifício 
amplia-se, ganha harmonia, torna-se vivo. Tais inovações estão 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
226
presentes, de modo especial, no Pártenon (da autoria de Ictinos 
e Calícrates), mas são também utilizadas no Hefestéion.
 Além disso, na Acrópole convive em harmonia uma mis-
tura de estilos. O Pártenon marca o apogeu do estilo dórico, mas 
combina-o com o iónico no seu interior; os Propileus ofe recem 
a mesma combinação. São edifícios apenas iónicos o pequeno 
templo de Atena Nike, da autoria de Calícrates, uma pequena 
obra prima de proporção e beleza; e o Erectéion, de estrutura 
complexa que, embora não apresente a harmonia ha bitual de 
conjunto do templo, é o mais requintado dos monu mentos helé-
nicos. Propileus, Templo de Atena Nike, Pártenon, Erectéion — 
um vasto conjunto de monumentos, que transfor maram a Acró-
pole num hino à beleza e à proporção. Um des lumbramento 
para o olhar dos que nela entram. 
 É 28 de julho, dia do nascimento de Atena e dia da 
pro cissão das Panateneias. Estas festas, realizadas por Ate-
nas em honra da sua divindade políade, tinham como ponto 
fulcral a procissão que, nesse dia, levava à deusa o peplos 
te cido pelas jovens atenienses. Das festividades faziam parte 
competições várias, com destaque para as regatas, concursos 
de música, recitação dos Poemas Homéricos e, de quatro em 
qua tro anos, jogos atléticos.
 Integremo-nos na celebração e entremos na Acrópole. O 
caminho, contornando a encosta, vai passar junto ao bastião em 
que se ergue o pequeno templo iónico de Atena Nike, da autoria 
de Calícrates (figura 238). Ponto de passagem obrigatória para 
quem ata casse a cidadela, é natural a dedicação à deusa que 
assegura a Vitória sobre os agressores. Com quatro colunas na 
fachada oriental e quatro na face posterior, o templo de Ate-
na Nike tinha um friso contínuo que, como vimos, na fachada 
oriental, ostentava o concílio dos deuses olímpicos e, nas zonas 
laterais, representava cenas de combate dos Gregos contra os 
Vol. I - Arquitectura Grega
227
Persas. (Maratona?) e de Gregos contra Gregos. Um parapeito, 
com relevos de Atena e de Vitórias ou Níkai, ladeava o esporão 
onde se erguia o templo.
 Em frente da escadaria que sobe em ziguezague encon-
tramos os Propileus (figura 239), entrada monumental consti-
tuída por três partes, como já atrás referimos: a central e duas 
alas laterais salientes. Obra do arquitecto Mnésicles, trata-se de 
um edifício em estilo dórico nos pórticos externos e iónico no 
interior. A parte central era constituída por dois corpos, a níveis 
diferentes, separados por cinco portas.
 
Figura 235
A colina da Acrópole de Atenas e as fortes muralhas que a defendiam.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
228
 
Figura 237
Pártenon. Frontão Ocidental. 
Disputa de Atena e Poséidon. 
Pormenor.
Figura 236
Pártenon de Atenas. Reconstituição da fachada ocidental.
Figura 238
Esporão com o Templo de 
Atena Nike. À esquerda, parte 
dos Propileus.
Vol. I - Arquitectura Grega
229
 Passados os Propileus, deparávamos outrora de imediato 
com a estátua de Atena Prómachos. Depois o olhar, embora atra-
ído pelo Pártenon, detinha-se em numerosos ex-votos, templos 
e edifícos que enchiam o recinto da Acrópole — com destaque 
para o santuário de Ártemis Braurónia, Calcoteca, Arreforéion, 
Pandroséion, Erectéion. 
 Hoje surpreende os sentidos do visitante, a sobressair 
da massa dispersa de restos de monumentos e a dominar a 
parte central da Acrópole, a majestade e harmonia do Párte-
non e a complexa, mas discreta, forma do Erectéion. Este, tal-
vez obra de Mnésicles, como já foi referido, estreitamente liga-
do às origens da cidade e dos Atenienses, é o mais requintado 
dos monumentos helénicos (figura 240). Acabado de construir 
em 406 a. C. em estilo iónico, não apresenta contudo a har-
monia habitual de conjunto que costuma ter um templo. De 
Figura 239
Propileus da Acrópole de Atenas.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
230
estrutura complexa, tem o tratamento pouco usual de colunas 
adossadas no lado ocidental e exibe uma planta com três salas, 
em níveis diferentes, e três pórticos (cf. figura 201): o da parte 
norte, com culunas muito altas e uma grande porta; o do lado 
oriental, com seis colunas esbeltas; e o de sul, o mais famoso, o 
das Cariátides (figura 241). 
 Estreitamente ligado às origens da cidade e dos Atenien-
ses, alberga locais de culto em honra de Atena, Poséidon e Erec-
teu. Pensa-se que a sala do lado oriental era o naós de Atena 
Pólias e que a central, dividida no sentido longitudinal, esta-
va consagrada a Poséidon/Erecteu. Alguns vestígios aí encon-
trados têm sido interpretados como o poço de água do mar de 
Poséidon, de que fala Pausânias (1. 26. 5). Talveza intenção de 
contrabalançar o Pártenon justifique a invulgar elevação que o 
seu arquitecto lhe deu (Lawrence); talvez a necessidade de reu-
nir nele diversos santuários primitivos explique a sua estrutura 
incomum (Robertson)1.
 O Pártenon (figura 242) é o monumento mais importante 
da Acrópole e símbolo da grandeza da cidade. Com ele preten-
deram Péricles e Fídias glorificar a deusa Atena, a pólis que ela 
protegia e Hélade em geral. Centrado na figura de Atena, como 
vimos, e na sua missão particular – deusa da sabedoria que é – 
de civilizar a humanidade, a estátua criselefantina da deusa, da 
autoria de Fídias, que guardava no seu interior, apontava nesse 
sentido: a deusa estava armada e detinha a Nike ou Vitória na 
mão direita; no escudo, parece ter estado representados o com-
bate dos deuses contra os Gigantes e as lutas de Atenienses com 
as Amazonas; e na base a criação da primeira mulher, Pandora, 
pelos deuses; ou seja exemplos de ordem que supera a desor-
dem e o primitivismo. Igual propósito tinham as métopas – 92 
1 Apud M. H. Rocha Pereira, Cultura grega, p. 579.
Vol. I - Arquitectura Grega
231
ao todo – que denunciam a intenção de ilustrar, de modo simbó-
lico, a luta vitoriosa da moderação e da justiça contra a violência 
e o primitivismo ou excesso: Titanomaquia (oriente), Guerra de 
Tróia (norte), Amazonomaquia (oeste) e Centauromaquia (sul).
 
Figura 240
Erectéion de Atenas. Lados oriental e norte.
Figura 241
Erectéion de Atenas. Pórtico das Cariátides.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
232
 O friso iónico interior (esquema 1), pelo seu significado 
- a que vamos fazer referência mais pormenorizada, correndo 
mesmo o risco de repetição -, executado por volta de 440 a. C. 
sob a direcção de Fídias, inspira-se na vida social e religiosa de 
Atenas: representa a solene procissão das Panateneias que in-
corporava todas as forças vivas da pólis e levava à deusa pro-
tectora da cidade o peplos tecido pelas Ergastinas e transpor-
tado pelas Arréforas. Aí estão representados os portadores dos 
líquidos para as libações; os que transportam vasos sagrados 
e outros apetrechos para as cerimónias; os que conduzem os 
animais (cordeiros e bois) para os sacrifícios (figura 243); os ci-
dadãos, alguns em amena conversa (figura 244); os carros com 
aurigas e guerreiros; os cavaleiros nas poses mais variadas (fi-
gura 245). 
Figura 242
Pártenon de Atenas.
Vol. I - Arquitectura Grega
233
 
 
 
 Todos se dirigem sem interrupção e com solenidade para 
a fachada oriental onde heróis atenienses e os deuses olímpicos 
(cf. figura 149)1 — Poséidon, Apolo, Ártemis, Hera, Zeus, Ate-
na, Hefestos, Hermes, Diónisos, Deméter, Ares —, todos numa 
postura informal prestam atenção e contemplam a cerimónia da 
entrega do peplos: a cena central, para que converge a procis-
são.
 Os frontões, esculpidos entre 438 e 432 a.C., estão rela-
cionados com o nascimento de Atena e com a sua qualidade de 
protectora da cidade. É elucidativo o simbolismo das cenas. Se 
o do lado oeste - com Atena e Poséidon a disputarem a posse 
da Ática, rodeados por deuses e heróis locais, alegando uma 
que é a sua a terra, e o outro que lhe pertence o mar que quase 
1 A imagem representa Poséidon, Apolo, Ártemis.
Esquema 1
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
234
por inteiro a rodeia -, simboliza tanto o poder terrestre como o 
marítimo de Atenas, o do lado oriental quer trasnmitir a ideia 
de que a cidade seria a luz, a que guiaria e iluminaria.
 Atena nasce armada da cabeça de Zeus, no momento em 
que a luz do dia surge e as trevas da noite desaparecem: os ca-
valos do Sol, Hélios, sobem no canto esquerdo, enquanto os da 
Noite, da Lua, descem no canto da direita, de que se reproduz a 
famosa cabeça do cavalo de Selene, a Lua, que ocupava o ângulo 
direito ou norte do frontão oriental e que agora se encontra no 
British Museum (vd. supra, figura 152). Os deuses despertam do 
sono e contemplam cheios de assombro a nova divindade: uma 
expressão, em termos mitológicos, do que Atenas significava para 
o mundo de então. Símbolo da pólis ateniense, o Pártenon é sinal 
visível dessa época de glória.
 Símbolo da pólis ateniense, o Pártenon é sinal visível da 
época de glória de Atenas — época de busca da igualdade e de 
conquista da beleza. Tucídides, em palavras que atribui a Péri-
cles (2. 40. 1 e 41. 1), dá-nos bem uma ideia do que o estadista 
pensava da sua cidade e do que ela significava para o mundo 
grego de então, ao referir que Atenas, «no seu conjunto, é a ecola 
da Hélade» (vide texto das pp. 208-209).
 Infelizmente a história da Acrópole e do Pártenon, após 
a Antiguidade, não foi a mais risonha, já que o local e o edifício 
passaram por vicissitudes várias.
 Em finais do séc. II a.C., Atenas, tal como o resto da Gré-
cia, tinha sido incorporada no Império Romano, perdendo a 
sua importância política, mas continuava a ser centro cultural 
importante, visitada pelos intelectuais romanos. Só o impera-
dor Nero deixou uma inscrição em bronze na frente Este do 
Pártenon, fixada na arquitrave. O edifício era muito admirado. 
Ocasionalmente, os Romanos faziam cópias das esculturas do 
Pártenon para decorarem templos públicos importantes, assim 
Vol. I - Arquitectura Grega
235
como esculturas menores da estátua da deusa Atena, para se-
rem levadas pelos turistas romanos.
 Com as invasões Bárbaras, no séc. II A.D., Atenas ficou 
ameaçada, pois em 267 A.D., os Godos governavam a cidade, ten-
do a Acrópole sido transformada em fortaleza – tal como aconte-
cera antes de ter sido utilizada apenas como espaço de veneração 
dos deuses. Até aí, o Pártenon tinha permanecido intocável.
 Com a divisão do império romano, Atenas ficou a per-
tencer ao Império Romano do Oriente (império Bizantino). A 
primeira grande mudança no Pártenon ocorreu no séc. III A.D., 
quando foi transformado em igreja cristã, dedicada à Virgem 
Maria. A entrada foi transferida de Oriente para Ocidente e a 
pequena sala a Oeste foi transformada em nártex (átrio de en-
trada) da igreja. Por finais do séc V A.D., a estátua já tinha sido 
removida. Foram cortadas portas nas paredes, separando o nár-
tex do naos, que foi transformado no corpo principal da igreja. 
Foi substituído o antigo por novo telhado, para uma maior lu-
minosidade.
 Após a Quarta Cruzada, em 1204, caiu sob o domínio 
dos senhores feudais da Europa Ocidental, e o Pártenon foi de 
novo transformado numa igreja católica romana.
 No segundo quartel do séc. XV, um italiano visitou Ate-
nas, elaborando alguns desenhos do Pártenon tal como era nes-
sa altura. E felizmente em 1670, já no tempo do domínio turco, 
outros se fizeram.
 Não muitos anos depois da queda do império bizantino 
e da tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos (1453), 
Atenas foi conquistada pelos Turcos e o Pártenon foi novamente 
transformado, agora numa mesquita. Mais tarde passa mesmo 
a paiol de pólvora. 
 Em 1687, já com o Pártenon como arsenal de pólvora, os 
Venezianos, na sua luta contra os Turcos, sitiaram a Acrópole. 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
236
Durante o bombardeamento, acertaram com uma granada no 
templo e causaram a explosão do Pártenon. Todo o centro do 
edifício foi pelos ares e lançou em estilhas boa parte da sua escul-
tura ornamental. Pouco mais se quedou de pé, além de frontões 
e lados – e mesmo destes o de sul com grande brecha ao meio. O 
magnífico templo que fora o Pártenon tornara-se uma ruína!
 Os Venezianos tinham como tradição levar obras de arte 
das cidades conquistadas para adornar as suas cidades, pelo 
que actuaram de forma semelhante em Atenas, levando os gran-
des cavalos de mármore do frontão ocidental em triunfo para 
Veneza, mas ao serem carregados partiram-se.
 
Figura 243
Pártenon. Friso iónico: bois levados para o sacrifício (lado norte). 
Museu da Acrópole.
Vol. I - Arquitectura Grega
237
 
Figura 244
Pártenon. Friso iónico norte: cidadãos a conversar. 
Museu daAcrópole.
Figura 245
Pártenon. Friso iónico ocidental: formação da procissão.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
238
 Pouco tempo depois os Venezianos retiraram e os Turcos 
reocuparam a cidade e construiram uma pequena mesquita no 
interior das ruínas do Pártenon. Um desenho de 1766 representa 
a Acrópole nesse tempo e outro desenho de 1804 dá uma visão 
dessa mesquita e mostra o estado de devastação do Pártenon.
 E aos poucos as esculturas do Pártenon iam desapare-
cendo. Lord Elgin, que toma posse como embaixador na Tur-
quia em 1799, estava convencido de que deveria tentar salvar as 
estátuas que restavam, antes que fossem destruídas pelo van-
dalismo e pelo clima. Além de juntar um grupo de artistas a 
quem manda desenhar os monumentos de Atenas e catalogá-
los, particularmente o templo de Athena Parthenos – muitos de-
senhos perderam-se mais tarde num naufrágio, mas o catálogo 
sobreviveu – tenta conseguir permissão do governo turco para 
começar a retirar as esculturas e relevos do Pártenon. A autori-
zação para o projecto foi concedida, sob condição de não inter-
ferir com nenhuma fortificação turca. A oportunidade foi apro-
veitada por Lord Elgin e a recuperação das esculturas começa 
em 1801-1803.
 Como as métopas foram colocadas no seu lugar antes de 
serem instalados os suportes do telhado, para serem removidas, 
muita da superestrutura do edifício tinha de ser retirada, pelo 
que algumas das suas partes foram destruídas.
 Os chamados ‘Elgin marbles’ foram doados ao seu país, 
em 1816, e passaram a constituir - juntamente com os vasos que 
os precederam - o núcleo inicial do British Museum. Mas não é 
apenas este museu que detém a glória de possuir esculturas do 
Pártenon. Mais dez ou onze se gabam dessa honra: Acrópole 
(Atenas), Louvre, Museo delle Terme (Roma), de Palermo, de 
Würzburg, de Heidelberg, de Munique, de Viena, de Copenha-
ga, de Estocolmo, do Vaticano.
 Cinco anos após a doação por Lord Elgin da sua colec-
Vol. I - Arquitectura Grega
239
ção de mármores do Pártenon à nação britânica em 1816 e da 
sua instalação no British Museum, os Gregos revoltaram-se, ini-
ciando uma guerra de libertação nacional contra os Turcos que 
se retiraram de Atenas em 1833 e os Gregos decidiram que a 
Acrópole nunca mais seria usada como fortaleza (como o fora 
pelos Turcos), nem como resistência. Os Gregos, livres de qual-
quer dominação estrangeira, destruíram todos os edifícios pós-
clássicos da Acrópole (as adições bizantinas, francas e turcas 
foram destruídas), entregaram o cojunto ao serviço da arque-
ologia grega, que procedeu a escavações e reconstruções. Esses 
trabalhos arqueológicos, em particular após 1885, trouxeram 
à superfície estátuas e ruínas anteriores ao século de Péricles, 
recuperando peças da escultura do Pártenon que tinham caí-
do do edifício séculos antes. Foi decretada uma lei que proibia 
a retirada de antiguidades para fora da Grécia. Os fragmentos 
descobertos na área seriam mantidos no Museu da Acrópole. O 
mesmo aconteceu com as estátuas que ainda ficaram (quer no 
Pártenon quer no Erectéion), após a recolha de Lord Elgin: subs-
tituídas por moldagens, foram já todas recolhidas no Museu, na 
tentativa de ainda salvar – as do frontão Ocidental, foram estas 
removidas em 1976. 
 Reergueram-se as colunas do Pártenon, e barras de aço 
foram utilizadas para reforçar o edifício, mas os resultados fo-
ram desastrosos. Em 1970, os ganchos de metal colocados no 
início do século começaram a derreter e a vergar, ameaçando 
quebrar o mármore onde estavam colocados. Os que foram en-
contrados foram substituídos por ganchos de bronze ou de aço 
inquebrável ou soldados.
 Actualmente há outro problema a ameaçar o Pártenon: a 
poluição do ar. Edifícios que resistiram a 2500 anos de chuvas 
começam a cair sob a acção do dióxido de enxofre dos gases in-
dustriais e dos fumos dos sistemas centrais de aquecimento. As 
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
240
leis que surgiram para o controlo da poluição do ar à volta da 
Acrópole apareceram tarde de mais, pois os estragos já tinham 
sido feitos.
 Em 1977 a UNESCO lançou uma campanha internacional 
para salvar os monumentos históricos da Acrópole, ameaçados 
pelos turistas e pela poluição que os rodeia (figura 246).
 O novo Museu da Acrópole, localizado na área histórica 
de Kakryianni, apenas a trezentos metros a sodeste da Acrópo-
le, tem inauguração marcada para 20 de julho de 2009.
Figura 246
Acrópole de Atenas.
Vol. I - Arquitectura Grega
241
GLOSSÁRIO
Ábaco, ou plinto: elemento da parte superior do capitel dó-
rico, com forma de paralelepípedo, colocado entre a arquitrave 
e o equino. 
Acanto: ornato de capitel que representa uma folha estiliza-
da de acanto (planta de folhas grandes, própria dos países me-
diterrâneos, cultivada com fins ornamentais).
Acrópole: parte mais elevada, geralmente fortificada, das an-
tigas cidades gregas. 
Acrotério: elemento decorativo colocado no topo do templo.
Áditon: lit. lugar inacessível, a parte mais secreta do méga-
ron, que também se encontra atrás da parede de fundo da cella 
do templo dórico. 
Ágora: praça principal da cidade grega com funções políticas 
e/ou comerciais.
Amazonomaquia: combate entre gregos e amazonas.
Anastilose: nome técnico para restauro ou reconstrução de 
monumento ou estrutura, em que se utilizam os elementos 
originais das partes arruinadas, encontrados no local, a que se 
pode associar também materiais novos.
Andrôn: ambiente de representação da casa grega, reserva-
do aos homens e destinado ao simpósio. Com frequência tinha 
peitoris para os leitos do banquete ao longo das paredes, com 
excepção daquela onde se situava a porta de acesso.
Anelete: pequena moldura ou ranhura que rodeia a base de um 
capitel dórico. 
Anfipróstilo: templo ou edifício sem colunas nos lados, com 
dois vestíbulos (ou fila de colunas) na fachada e no lado posterior.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
242
Anta: elemento da parede que prolonga os muros laterais da 
cella de um templo, que terminava em pilastra. Quando entre 
as antas se encontram duas colunas, a cella, ou o templo, diz-se 
distili in antis.
Antefixa: ornamento em terracota policromática, colocada 
nas extremidades das fileiras de telhas no telhado.
Antémio: motivo ornamental formado de folhas e flores em 
relevo.
Antis (templo in): vide Anta.
Aresta: em arquitectura corresponde a um ângulo saliente 
formado pelo encontro de duas superfícies planas ou curvas.
Arquitrave: elemento horizontal, apoiado em duas ou mais 
pilastras, ou colunas. Constitui a parte inferior do entabelamen-
to. Na ordem dórica não é decorado; na ordem iónica está di-
vidido em três faixas; na ordem coríntia também, mas estas são 
decoradas.
Asna: espécie de armação em madeira ou pedra, de forma 
triangular, que forma o sistema de suporte da cobertura onde 
assenta um telhado.
Atlas ou Atlante: estátua masculina com função de apoio da 
arquitrave, com origem no mítico gigante que suportava o peso 
do mundo nos seus ombros.
Átrio: o m. q. vestíbulo.
Aulê: o pátio à volta do qual se desenvolvem as dependências 
da casa grega.
Base: corresponde à parte inferior de uma coluna que se 
apoia directamente na estilóbata. A ordem dórica não tem base, 
ao contrário das ordens iónica e coríntia cuja base é composta 
por várias molduras sobrepostas.
Bastião: baluarte ou muro levantado que forma uma saliên-
cia num forte ou recinto amuralhado. 
Buleutério: conselho ou edifício no qual se reuniam os con-
selheiros da cidade.
Vol. I - Arquitectura Grega
243
Caixotão: elemento que ornamenta a parte inferior de um tecto.
Canelura: estria vertical ao longo de todo o fuste. Pode ser de 
secção elíptica ou circular.
Cânone: o m. q. norma ou regra. 
Capitel: parte superior de uma coluna, sobre a qual se apoia 
a arquitrave. O capitel dórico é constituído por ábaco e equino; 
o capitel iónico por ábaco e volutas e o coríntio, variante desta 
última,por folhas de acanto.
Cariátide: estátua feminina utilizada como suporte na arquitec-
tura; assim chamada em evocação da escravidão a que foram conde-
nadas as mulheres da Cária, uma região costeira da Ásia Menor.
Cávea: lat. cavea; no teatro grego correspondia à escadaria em 
semicírculo, reservada aos espectadores. Em grego kóilon. 
Cella: a parte mais recôndita do templo, onde se exibia a es-
tátua da divindade. Em grego naós.
Centauromaquia: batalha entre os Lápitas e os Centauros, 
seres lendários, metade homens e metade equinos. 
Chitôn: peça de vestuário grego, espécie de túnica.
Coluna: conjunto formado por base, fuste e capitel.
Colunelo: pequena coluna.
Corbelha: principal elemento de um capitel coríntio em forma 
de cone invertido; da corbelha saem as folhas de acanto. 
Cornija ou géison: parte saliente do entablamento que tinha 
a função de proteger o friso e o epistilio da chuva.
Correcções ópticas: alterações das linhas rectas, de modo a 
corrigir os efeitos deformadores da visão à distância.
Crepidoma ou plinto: envasamento escalonado do templo, 
abaixo do estilóbata.
Criselefantina: estátua feita em ouro e marfim, numa urdi-
dura de madeira.
Decástilo: fachada de templo grego com dez colunas.
Demo: a mais pequena unidade territorial e circunscrição admi-
nistrativa da antiga Grécia, em que se baseava a ordenação social.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
244
Dentículos: elementos que decoram uma cornija formados 
por uma série de dentes cúbicos, salientes e espaçados. 
Diázoma: passagem horizontal que dividia a cávea teatral fa-
cilitando a passagem aos espectadores.
Díptero: templo grego circundado por uma dupla fileira de 
colunas.
Dístilo: templo com duas colunas na fachada da frente.
Dodecástilo: fachada de templo grego com doze colunas.
Dromos: corredor central de acesso a uma tumba micénica.
Ekklésia: o m. q. Assembleia.
Ekklesiastéria: edifícios para funcionamento da Assembleia.
Empena: parede do topo, rematada em triângulo, de edifício 
coberto por telhado de duas águas.
Emplécton: enchimento desordenado de pedra e terra colo-
cado entre dois paramentos de um muro.
Entablamento: conjunto de três elementos arquitectónicos, 
constituído por arquitrave, friso e cornija, sobrepostos.
Êntasis: estreitamento da coluna dórica a cerca de um terço 
da altura a partir da base, para corrigir a sensação óptica de um 
adelgaçamento.
Envasamento: parte inferior da base de um edifício. No caso 
de um templo corresponde ao conjunto dos alicerces e das es-
cadas chamadas estereóbatas – as duas inferiores – e estilóbata, 
sobre a qual se apoiam as colunas.
Eólico: capitel arcaico ornado com dupla espiral em forma de 
volutas, separadas por uma folha de palma.
Epístata: O presidente dos prítanes, que era tirado à sorte, 
diariamente, de entre os cinquenta buleutas — os prítanes — de 
cada pritania. 
Epistílio: o m. q. arquitrave.
Equino: parte do capitel dórico que ligava o fuste da coluna ao 
ábaco, a sua curvatura foi variando com o tempo: muito acentua-
da na época arcaica e de forma troncocónica nos mais recentes.
Vol. I - Arquitectura Grega
245
Escócia: moldura côncava na base de uma coluna.
Estádio: edifício para a realização de competições desporti-
vas e exercícios atléticos.
Estereóbata: plataforma elevada onde assentava um edifício, 
em particular os templos.
Estilóbata: plinto do templo no qual se apoiavam as colunas.
Êxedra: pórtico circular ou rectangular.
Fonte: dispositivo arquitectónico e/ ou escultórico, destinado 
a providenciar o abastecimento de água.
Fortaleza: o m. q. fortificação; normalmente envolvendo es-
trategicamente o espaço de uma cidade.
Friso: a parte compreendida entre a arquitrave e a cornija. Na 
ordem dórica é constituído por métopas e triglifos, nas ordens ió-
nica e coríntia por uma faixa contínua, frequentemente esculpida.
Frontão: conjunto dos elementos triangulares que compõem 
o coroamento da fachada anterior e posterior de um templo, 
constituído por cornija oblíqua, sima e tímpano. Frequentemen-
te adornado com esculturas e coberto com um telhado de ver-
tente dupla.
Fuste: parte central e maior de uma coluna. Nas ordens gre-
gas é sempre canelado: o fuste dórico tem arestas vivas, os fus-
tes iónicos e coríntios têm arestas cortadas ou boleadas. 
Géison: o m. q. cornija.
Gigantomaquia: combate entre os deuses do Olimpo e os Gi-
gantes.
Ginásio: espaço ao ar livre rodeado por pórticos, que se des-
tinava ao ensino da ginástica e aos exercícios físicos.
Gineceu: ambiente reservado às mulheres, situado no andar 
superior, para onde se subia por uma escada interior.
Gútulas ou gotas: elementos de forma cilíndrica ou tronco-
cónica colocados sobre os mutuli e as regulae, provavelmente 
inspirados nos pregos utilizados em templos de madeira.
Herôon: sepulcro de um herói, tornado objecto de culto.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
246
Hexástilo: fachada de templo grego com seis colunas; o mais 
frequente na ordem dórica.
Hipodâmico: traçado urbano em tabuleiro de xadrez, com 
vias ortogonais.
Hipódromo: recinto desportivo onde se realizam as corridas 
de cavalos e carros de cavalos.
Hipogeu: edifício subterrâneo, geralmente destinado a uma 
sepultura.
Hipostilo: compartimento cujo tecto é suportado por filas de 
colunas ou pilares.
Íkria: bancada ou armação em madeira.
Ilioupérsis: a conquista ou destruição de Tróia.
In antis: vide Anta. 
Intercolúnio: espaço existente entre duas colunas próximas, 
medido pela altura do diâmetro inferior.
Inter-eixo: distância entre os centros de duas colunas contíguas. 
Isódomo: modo de dispor os blocos de pedra ou mármore 
em fiadas de altura e espessura iguais.
Kerkides, ou cunhas: divisão vertical da cávea do teatro que 
apresenta a forma de um gomo limitado pela escadaria. 
Klímakes: escadaria interna do teatro grego.
Koilon: parte do teatro reservada aos espectadores, em latim 
cavea.
Lápitas: mítica população da Tessália que combateu contra 
os centauros.
Lesche (plural Léschai): sala pública para reuniões.
Lintel: elemento de suporte horizontal em pedra ou madeira 
que se coloca na parte superior de uma porta ou janela.
Logéion: parte do teatro destinada ao diálogo.
Mausoléu: tumba monumental; o nome provém do monumen-
to fúnebre construido em Halicarnasso (Cária) para o rei Mausolo, 
considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. 
Mégaron: aposento de planta rectangular, de origem micéni-
Vol. I - Arquitectura Grega
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ca. Vide Palácio.
Métopa: placa de forma rectangular ou quadrada que ocupa 
no friso dórico o espaço entre dois triglifos.
Metrópole: cidade mãe de onde partiram os fundadores das 
colónias gregas.
Modilhão: ornato em forma de suporte colocado sob a cornija 
de um friso ou sob o desnível de um frontão. 
Módulo: na arquitectura corresponde à medida que regulas 
as proporções das partes de um edifício.
Moldura: elemento decorativo, mais ou menos elaborado e 
de forma variável, acrescentado a um elemento arquitectónico. 
Monóptero: templo de planta circular com uma só fila de co-
lunas em redor da cella.
Mútulo: placa que adere à parte inferior da cornija, da qual 
pendem filas de três ou seis gotas.
Naós: lit. o próprio templo; vide cella. 
Nike: deusa que personifica a vitória, sob a forma alada.
Octástilo: fachada de templo grego com oito colunas.
Odéon: edifícios em forma de pequeno “anfiteatro” destina-
do ao canto e à dança.
Oikos: casa.
Omphalós: pedra que simbolizava o centro do mundo, colo-
cada no santuário de Apolo, em Delfos. 
Opistódomo (grego Opisthódomos): vão posterior do templo 
grego, situado entre os prolongamentos das paredes da cella, em 
que muitas vezes se armazenavam as oferendas à divindade, ou 
vão também posterior.
Ordem: conjunto formado por base, coluna e arquitrave.
Orquestra: no teatro grego é o espaço circular ou semicircu-
lar, situado entre a escadaria e a cena, onde se exibia o coro.
Óvalo: ornato oval de uma moldura em relevo presentenos 
capitéis das ordens iónica e compósita. 
Palácio: especialmente frequente no mundo minóico, corres-
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
248
ponde a edifício de planta muito complexa, de dois a três pisos, 
com um sem número de divisões em volta de um pátio central 
rectangular. No mundo micénico tem os mesmos princípios ge-
rais de construção, mas distingue-se por possuir um aposento 
central, o mégaron, dotado de uma ante-câmara com uma en-
trada única e uma lareira ao centro, flanqueada por quatro co-
lunas. São também conhecidos palácios da Época helenística (os 
da época arcaica e clássica constam de referências literárias – de 
Píndaro aos trágicos - e em pinturas de vasos).
Palestra: vide ginásio.
Panataneias: festa que se celebrava em Atenas de quatro em 
quatro anos em honra da deusa Atena. 
Paraskênia (apenas no plural): partes laterais do edifício cé-
nico a partir do séc. IV a. C.; espécie de bastidores.
Parastás, ou pilar: pilastra que se salienta levemente do 
muro de fundo.
Párodoi (plural de párodos ‘entrada’): lit. acessos, que ca-
nalizam os espectadores à volta da orquestra; no teatro grego 
dividiam o edifício cénico do kóilon.
Pastás: galeria com dupla planta, direccionada a sul, que 
caracterizava a casa grega. Geralmente correspondia na parte 
inferior ao andrôn, e no primeiro andar ao tálamo.
Pedimento: o m. q. frontão.
Pentélico: do monte Pentélico, famoso na antiguidade pelas 
pedreiras de mármore branco.
Períptero: templo com colunata (ou fileira de colunas) à volta da cella.
Perístase: fila de duas colunas que circunda a cella de um 
templo ou todo ele, no seu exterior.
Peristilo: a colunata que circunda um edifício ou o espaço 
aberto circundado por pórticos colunados.
Pilar: suporte vertical em pedra, de secção quadrada, rectan-
gular ou cruciforme, que serve de apoio a uma edificação ou a 
uma estrutura; geralmente inclui base e capitel.
Vol. I - Arquitectura Grega
249
Pilastra: pilar de quatro faces, integrado na alvenaria de um 
muro ou parede; geralmente inclui base e capitel.
Plinto: elemento da base da coluna; presente nas ordens ióni-
ca e coríntia (raro na ordem dórica).
Pólis: a cidade-estado grega.
Portal: porta monumental e ornamentada de uma edificação.
Pórtico: átrio ou galeria guarnecidos de arcadas ou colunas. 
Usa-se comummente para designar o mesmo que Portal. No 
mundo grego, corresponde com frequência a corredores porti-
cados que uniam edifícios e especialmente usados em recintos 
religiosos.
Pritaneu: edifício destinado a acolher o fogo sagrado da cidade e 
os prítanes, magistrados que detinham o poder num décimo do ano. 
Prónaos: lit. antes do templo: vestíbulo da cella do templo 
grego, geralmente com duas colunas in antis.
Propileu: ingresso monumental coberto. Consta de dois mu-
ros paralelos; no seu interior outros muros sustentam as portas. 
O telhado é sustentado por colunas.
Proscénio (do grego proskênion): parte anterior do palco en-
tre a parede da cena e a orquestra.
Prostilo: templo com uma fila de colunas antes da cella.
Pseudodíptero: edifício circundado por uma fileira de colu-
nas, colocadas a certa distância da cela, de forma a deixar espa-
ço para uma segunda fileira. 
Pyrgos: bastião.
Régula: placa em forma de paralelepípedo que adere ao te-
nio em correspondência do triglifo e da qual pendem as gotas.
Sacelo: pequeno templo.
Sima: bordo do tecto que servia para recolher as águas e di-
reccioná-las para os locais opostos de descarga que tinham a 
forma de cabeça de leão.
Skenê: estrutura complexa, representando normalmente a fa-
chada de um templo ou de um palácio.
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
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Stoa: pórtico monumental com uma fachada de colunas e 
um muro postrior.
Tálamo: sala principal da parte reservada às mulheres na 
casa grega, destinada também ao leito conjugal. 
Tambor: cada um dos blocos que, sobrepostos, forma a coluna.
Teatro: edifícios para representações dramáticas construídos 
em encostas.
Télamon: elemento arquitectónico antropomórfico, com fun-
ção de apoio.
Telestérion: edifício hipóstilo usado nos rituais de iniciação 
do santuário de Elêusis. 
Témenos: muro de um santuário que assinala o terreno sa-
grado onde só podem erigir-se templos, objectos de culto e ofe-
rendas à divindade.
Ténia: lista contínua colocada entre a arquitrave e o friso.
Termas: edifícios destinados a banhos. 
Tesouro: pequeno edifício construído num santuário dentro 
do qual se conservavam os bens votivos oferecidos por uma ci-
dade.
Tetrástilo: fachada de templo grego com quatro colunas.
Tholos: edifício de planta redonda com cobertura cónica.
Tímpano: parte do frontão compreendida entre a cornija ho-
rizontal e as duas cornijas oblíquas.
Toro: moldura circular da base de coluna.
Triglifo: elemento arquitectónico canelado verticalmente, 
que no friso dórico possui três faixas verticais em relevo que se 
alternam com as métopas.
Tróquilo: elemento da base iónica, constituído por uma es-
pécie de almofada.
Vestíbulo: o m. q. prónaos.
Voluta: ornato em forma de espiral de um capitel.
Vol. I - Arquitectura Grega
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Vol. I - Arquitectura Grega
253
ÍNDICE
Prefácio 5
Advertência preliminar 7
Introdução 9
Ordens e estilos 23
Tipologia dos edifícios 33
 Edifícios religiosos 33
 Arquitectura doméstica 47
 Edifícios políticos, administrativos e sociais 52
 Edifícios culturais e desportivos 59
 Outros edifícios e construções 80
 Aspectos do urbanismo grego 86
Santuário de Apolo em Delfos 91
O problema das origens 98
Evolução dos estilos 110
 Estilo Dórico 111
 Dórico arcaico 111
 Dórico clássico 126
 Estilo iónico 167
 O iónico na Acrópole de Atenas 192
Arquitectura Helenística 212
Atenas, escola da Hélade: espécie de conclusão 220
Glossário 241
Bibliografia selecta 251
Índice 253
A Busca da Beleza. A arte e os artistas na Grécia Antiga
254

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