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ESPAÇO AGRÁRIO NO MUNDO 
EM DESENVOLVIMENTO 
E NO BRASIL
12
C
A
PÍ
TULO
Agroneg—cio 
Observe a tabela a seguir.
20.000
0
40.000
60.000
80.000
100.000
2014/20152004/20051994/1995
Produção 
(em milhões de toneladas)
Área plantada 
(em milhões de hectares)
25,93
11,68
96,22
31,91
52,31
23,30
Brasil: carro-chefe das exportações
Fonte: Folha de S.Paulo, 30 jul. 2015. Caderno Agronegócio, p. 6.
• Mesmo com a crise brasileira e a queda dos preços agrícolas no mercado mundial, o agronegócio participou 
com mais de 40% das exportações brasileiras em 2015. Dos dez produtos que lideraram as vendas do país 
ao mercado externo em 2014, seis estão relacionados ao setor: café, açúcar, soja, derivados de soja, carne 
de frango e carne bovina.
a) Qual tem sido o carro-chefe tradicional das exportações agrícolas brasileiras, nas últimas décadas?
b) De que forma o gráfico justifica o ganho de produtividade desse produto?
c) Quais produtos, entre os citados na tabela, também são exportados in natura, isto é, não transformados? 
d) Qual produto agrícola é responsável pela produção de dois produtos de exportação listados na tabela?
Brasil: posição mundial no agronegócio – 2014
Posição 
exportação
Produto
Posição 
produção
1a Açúcar 1a
1a Café 1a
1a Suco de laranja 1a
1a Soja 2a
1a Carne bovina 2a
1a Carne de frango 2a
1a Etanol 2a
2a Milho* 3a
4a Carne suína** 4a
* Os Estados Unidos exportam 48 milhões de toneladas de milho 
por ano, liderando as vendas externas mundiais.
** A China, com produção de 56,6 milhões de toneladas de 
carne suína por ano, é líder mundial no setor.
Fonte: Folha de S.Paulo, 30 jul. 2015. Caderno Agronegócio, p. 6.
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261Capítulo 12 – Espaço agrário no mundo em desenvolvimento e no Brasil 
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1 ATIVIDADES AGRÁRIAS NO MUNDO 
EM DESENVOLVIMENTO
Os países em desenvolvimento já foram caracterizados como exportadores de 
produtos agrícolas e matérias-primas (figura 1). Apesar dessa característica continuar 
válida para a maioria das nações desse grupo, atualmente os países desenvolvidos é 
que respondem pelo maior volume de exportação de produtos agrícolas. Isso porque 
a modernização da produção e os enormes incentivos destinados à atividade agrícola 
gerou cada vez mais excedentes nesses países. Além disso, suas políticas protecio-
nistas dificultaram a entrada da produção agrícola dos países em desenvolvimento, 
conforme discutido no capítulo anterior.
A maioria dos países africanos, latino-americanos e asiáticos não prioriza uma 
agricultura destinada ao abastecimento do mercado interno. Em grande parte, o maior 
obstáculo à solução desse problema é o fato de eles não terem se libertado de seu 
passado colonial, considerando a estrutura e o destino da produção agropecuária. O 
modelo agrícola de exportação ainda é prioritário, em detrimento das necessidades 
locais. É justamente nos países mais dependentes da exportação de produtos agrícolas 
que os problemas alimentares são crônicos.
Chá, cacau, café, algodão, borracha natural, amendoim, frutas tropicais, entre 
outros, constituem a base da produção de muitos países. De maneira geral, eles 
dependem da importação de cereais do mundo desenvolvido para alimentar sua 
população. No mundo em desenvolvimento, o salto de produtividade prometido 
pela Revolução Verde limitou-se a alguns setores ligados à agricultura e à pecuária 
comerciais de exportação. No Sudeste Asiático, as novas tecnologias só tiveram efeito 
positivo quando aplicadas à produção de arroz, alimento essencial aos povos da região.
Nos países classificados pelas instituições internacionais como emergentes 
(entre eles, o Brasil), a agricultura gerou e tem gerado as divisas necessárias à 
importação de equipamentos e tecnologia e à obtenção de saldos favoráveis na 
balança comercial. O fato é que as políticas agrícolas não estimulam a produção 
de gêneros para o mercado interno e, ao mesmo tempo, mantêm elevado o preço 
dos produtos básicos de subsistência.
Atualmente, a produção agropecuária tem potencial para alimentar toda a 
população do planeta. Ainda assim, em 2015, cerca de 800 milhões de pessoas 
não tinham acesso a alimen-
tação adequada. Milhares 
de crianças ainda morrem 
diariamente em consequên-
cia direta ou indireta da má 
alimentação, de acordo com 
as estimativas da FAO.
Esses são indicadores de 
que o aumento da produção 
da agricultura mundial não 
atingiu igualmente todas as 
regiões do planeta. Nos paí-
ses africanos, por exemplo, 
desde a década de 1970, o 
crescimento médio da produ-
ção agrícola girou em torno de 
1% ao ano, enquanto o cresci-
mento populacional ultrapas-
sou a média de 2,5% ao ano.
FILME
Quem alimenta 
o mundo
De Erwin Wagenhofer. 
Áustria, 2005. 93 min.
O filme ajuda a 
compreender como são 
produzidos os alimentos 
que consumimos e explica o 
que temos a ver com a fome 
no mundo.
O tema fome será retomado na Uni-
dade 3 do Volume 3 desta coleção.
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Figura 1. Navio sendo carregado com soja vinda do Centro-Oeste, no píer do Porto de Itaqui, 
em São Luís (MA), 2013.
262 Unidade 4 | Espaço e produção 
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AGROPECUÁRIA NA ÁFRICA
Os países da África Subsaariana, região ao sul do Deserto do Saara, apresentam, 
em geral, índices de crescimento econômico baixos. Conflitos étnicos, guerras civis 
e economia dependente dos setores primários da agricultura e da mineração são 
obstáculos aos avanços sociais nessa região. A fome é um grave problema, e os resul-
tados das políticas de combate a ela ainda são insuficientes. De modo geral, esses 
países ainda se ressentem das marcas deixadas pelo colonialismo, entre o século XVI 
e o XX, e das turbulentas transições de poder enfrentadas após a descolonização. 
A ocupação da África no século XIX, durante a expansão imperialista europeia, 
provocou a substituição das culturas de subsistência, nas regiões com solos mais 
férteis, pelas monoculturas de exportação, que 
permanecem até os dias atuais. Esse modelo 
de ocupação imperialista gerou concentração 
fundiária e impediu muitas comunidades de 
praticar a lavoura para o consumo, ampliando 
os problemas sociais e levando a fome à boa 
parte da população africana. 
A agricultura de subsistência, ou para con-
sumo próprio, caracteriza-se pelo uso de instru-
mentos e técnicas rudimentares e tem baixo ren-
dimento. É praticada principalmente no interior 
do continente, nas áreas de Savanas. O lavrador 
faz a queimada para limpar o terreno e, poste-
riormente, com a enxada, tira os torrões de terra 
e faz a semeadura, utilizando as próprias cinzas, 
ricas em potássio, como fertilizante. No entanto, 
o uso constante de queimadas prejudica o solo, 
obrigando o agricultor a se deslocar para outras 
áreas, onde reproduz o mesmo sistema de cul-
tivo. O fogo destrói os microrganismos do solo e 
transforma troncos e folhas em cinzas, impedindo 
a formação da matéria orgânica fundamental à 
manutenção da fertilidade do solo. Veja a figura 2.
Fundiária
Relativa a terrenos; agrária.
Inglês
Fome
Observe a charge e resolva as atividades.
A tradução da charge é: “Com licença. Vou 
precisar disso para abastecer meu carro.”
1. Traduza o balão de fala. 
2. Em qual realidade está apoiada a crítica da 
charge?
Figura 2. A agropecuária ainda é uma das principais atividades econômi-
cas da África Subsaariana, ocupando boa parte da população, sobretudo 
mulheres. Na imagem, agricultora carrega seu bebê enquanto trabalha 
em Daga Birame (Senegal), 2015. Desde 2013, os agricultores da região 
central do país participam de um projeto que os ensina práticas agrícolas 
adaptadas às mudanças climáticas. 
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263Capítulo 12 – Espaço agrário no mundo em desenvolvimento e no Brasil 
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