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409TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DA ÓPTICA GEOMÉTRICA além de instalações e armas nucleares, funcionam com base na Física Moderna, denominação que en- globa as proposições de Planck, Einstein, Niels Bohr (1885-1962), Werner Heisenberg (1901-1975), Erwin Schrödinger (1887-1961), Louis de Broglie (1892-1987), entre outros. Podemos dizer que a Mecânica newtoniana foi descartada com esses novos paradigmas? Claro que não! Ela continua explicando satisfatoriamente a grande maioria dos fenômenos com os quais convivemos. As novas teorias serviram apenas para estender limites e possibilidades, demonstrando que nenhuma ciência pode ser considerada pronta e encerrada em si mesma. A evolução científica ocorre por meio de uma sucessão de ideias, sempre interfaceadas com outros saberes, que são propostas de acordo com as tecnologias disponíveis em cada época. É um edifício em permanente construção, algo análogo ao que ocorre na cidade de Barcelona, na Espanha, com o Templo Expiatório da Sagrada Família, iniciado em 1882 e ainda em construção. Logo no início, a edificação ficou a cargo do arquiteto catalão Antonio Gaudí (1852-1926), que adotou o estilo neogótico. Gaudí liderou a obra por cerca de 40 anos. Depois dele, porém, o projeto passou por várias reformulações e novas concepções arquitetônicas imprimiram às três facha- das do templo, peculiaridades bem diferentes. O Templo Expiatório da Sagrada Família, em julho de 2014, em Barcelona, exemplifica o que ocorre com a Física: é um edifício em permanente construção, que contempla no seu todo valores fundamentais e referências de diversas épocas. 1. Imagine-se na janela de um apartamento situa- do no 10o andar de um edifício. No solo, um car- pinteiro bate um prego numa tábua. Primeiro você enxerga a martelada, para depois de certo intervalo de tempo escutar o ruído correspon- dente. A explicação mais plausível para o fato é: a) a emissão do sinal sonoro é atrasada em rela- ção à emissão do sinal luminoso. b) o sinal sonoro percorre uma distância maior que o luminoso. c) o sinal sonoro propaga-se mais lentamente que o luminoso. d) o sinal sonoro é bloqueado pelas moléculas de ar, que dificultam sua propagação. e) o sentido da audição é mais precário que o da visão. Nível 1Exercícios 2. A velocidade de propagação das ondas lumi- nosas: a) é infinitamente grande. b) é máxima no ar. c) é maior na água que no vácuo. d) vale 300 000 km/s no vidro. e) vale 3,00 ? 1010 cm/s no vácuo. 3. São fontes luminosas primárias: a) lanterna acesa, espelho plano, vela apagada. b) olho de gato, Lua, palito de fósforo aceso. c) lâmpada acesa, Sol, vaga-lume aceso. d) planeta Marte, fio aquecido ao rubro, parede de cor clara. e) tela de uma TV em funcionamento, Sol, lâm- pada apagada. k u rb a n o v /S h u tt e rs to c k 2CONECTEFis_MERC18Sa_U3_Top1_p400a438.indd 409 7/7/18 2:26 PM 410 UNIDADE 3 | ÓPTICA GEOMÉTRICA Exercícios Nível 2 4. Acreditavam os antigos que a capacidade de visua- lização devia-se a um estranho mecanismo que consistia de os olhos lançarem linhas invisíveis ter- minadas em ganchos (“anzóis”) que capturavam os detalhes dos objetos visados e traziam as informa- ções aos órgãos visuais, possibilitando enxergar. Tão logo foi aprimorada a noção de luz, essa teoria foi demovida mediante o seguinte argumento: a) A luz propaga-se em linha reta. b) Os raios luminosos têm um único sentido de propagação. c) Não é possível enxergar em ambientes total- mente escuros. d) Só é possível enxergar corpos que difundem a luz de outros corpos. e) Só é possível enxergar corpos que emitem luz própria. servatório em direção ao espelho, onde sofre reflexão, sendo recebido de volta ao ponto de partida 2,54 s depois de sua emissão. Ignorando os movimentos da Terra e da Lua durante o fenômeno e adotando para a velocidade da luz o valor 3,00 ? 108 m/s, calcule a distância entre a Terra e a Lua. 8. Define-se um ano-luz como a distância percorri- da por um sinal luminoso no vácuo durante um ano terrestre. Sabendo que, no vácuo, a luz viaja a uma velocidade de 3,0 ? 105 km/s calcule, em metros, o comprimento equivalente a um ano-luz. 9. Considere a seguinte citação, extraída de um livro de Física: “Quando contemplamos o céu numa noite de tempo bom, recebemos das estrelas um relato do passado.” Utilizando argumentos científicos, comente o pensamento do autor. 10. Na região próxima a uma estação sismológica, havia um depósito de gasolina, a uma distância d da estação, o qual subitamente explodiu pela in- cidência de um raio de grande intensidade, pro- veniente de uma tempestade severa. A explosão produziu imediatamente uma labareda espetacular, de grande altura, e o estrondo correspon- dente pôde ser ouvido na estação sismoló- gica exatos 5,0 s após serem avistadas as primeiras chamas. A explosão produziu também, na superfície do terreno, intensas vibrações do tipo longitudinal, L, que se propagaram no solo a 1,6 ? 103 m/s, e do tipo transversal, T, que se propagaram no solo a 5,0 ? 102 m/s, sendo que as vibrações foram detecta- das na estação sismológica com uma defasagem temporal (delay) d. Considerando-se que a luz e o som se propagaram no local com velocidades res- pectivamente iguais a 3,0 ? 108 m/s e 3,2 ? 102 m/s pedem-se: a) calcular o valor de d, em quilômetros; b) calcular o valor de d, em segundos. 5. A distância do Sol à Terra vale, aproximadamen- te, 1,5 ? 108 km. Sabendo que a velocidade da luz no vácuo é de 3,0 ? 105 km/s, calcule o intervalo de tempo decorrido desde a emissão de um pul- so luminoso no Sol até sua recepção na Terra. Resolução: Tendo em conta que a luz se propaga em mo- vimento uniforme, podemos calcular o inter- valo de tempo pedido por: v s t t s v ⇒5 D D D 5 D Sendo Ds 5 1,5 ? 108 km e v 5 3,0 ? 105 km/s, vem: D 5 ? ? t 1,5 10 km 3,0 10 km s 8 5 Dt 5 5 ? 102 s 5 8 min 20 s E.R. 6. Admita que a partir de um determinado instante o Sol deixasse de emanar energia, isto é, “apa- gasse”. Quanto tempo após o referido instante esse fato seria registrado na Terra? Considere os seguintes dados: distância do Sol à Terra: 1,5 ? 108 km; velocidade da luz no vácuo: 3,0 ? 105 km/s. 7. Suponha que um espelho de grandes dimensões seja fixado no solo lunar, voltando-se sua superfície refle- tora para determinado observatório na Terra. Um sinal luminoso de grande potência é emitido do ob- B ra d le y L . G ra n t/ S h u tt e rs to ck 2CONECTEFis_MERC18Sa_U3_Top1_p400a438.indd 410 7/7/18 2:26 PM 411TÓPICO 1 | FUNDAMENTOS DA ÓPTICA GEOMÉTRICA A propagação de um pincel de luz não é perturbada pela propagação de ou- tros na mesma região; um independe da presença dos outros. Quando ocorre cruzamento de raios de luz, cada um deles continua sua pro- pagação independentemente da presença dos outros. Nos meios transparentes e homogêneos, a luz propaga-se em linha reta. 7. Princípio da Independência dos Raios de Luz Considere a situação experimental seguinte, em que há, sobre uma mesa no interior de um quarto escuro, duas lanternas dirigidas para os orifícios existentes em dois anteparos. A figura representa a montagem vista de cima. Ligando-se as lanternas e espalhando-se fumaça na região da montagem, dos anteparos “sairão” dois pincéis de luz que se interceptarão, provocando na região da interseção o fenômeno de interferência. O experimento mostra, no entanto, que, após essa interseção, cada pincel de luz segue seu caminho – como se não houvesse o cruzamento. Com base nesse e em outros experimentos simi- lares, podemos enunciar que: Bloco 2 Utilizando a noção de raio de luz, podemos dizer que: A importância prática do Princípio da Independência dos Raios de Luz é que, nos problemas de Óptica, podemos concentrar nossa atenção em determinado raio de luz sem nos preocuparmos com a presença de outros, que certamente não perturbam o raio em estudo.8. Princípio da Propagação Retilínea da Luz Observe a montagem da figura ao lado, em que a lâmpada L (presa ao suporte S) tem dimensões muito pequenas. Os anteparos A 1 e A 2 , feitos de material opaco, são dotados dos orifícios O 1 e O 2 , de diâmetros também muito pequenos. Para que o resultado do experimento seja mais pronunciado, admitamos que os componentes da montagem estejam no interior de um quarto escuro. Ao se acender a lâmpada L, um observador, com um dos olhos próximo de O 1 , perceberá luz direta da lâmpada somente se L, O 2 e O 1 estiverem alinhados. Esse e outros experimentos de mesma natureza formam a base prática que permite a seguinte conclusão: A 1 A 2 O 1 O 2 L S Observador observador L u c ia n o d a S . T e ix e ir a /A rq u iv o d a e d it o ra L u c ia n o d a S . T e ix e ir a /A rq u iv o d a e d it o ra 2CONECTEFis_MERC18Sa_U3_Top1_p400a438.indd 411 7/7/18 2:26 PM