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4ª A 8ª SEMANA: PERÍODO DA ORGANOGÊNESE Nesse período, os principais sistemas de órgãos já começam a se desenvolver, porém ainda possuem funcionamento mínimo (exceto o sistema cardiovascular). Com a formação desses sistemas, a forma do embrião muda, e no final da 8ª semana ele já possui aspecto humano. * é durante esse período (de grande proliferação e diferenciação dos tecidos) que o feto está mais vulnerável a teratógenos (agentes, drogas e vírus), que pode produzir anomalias congênitas. O desenvolvimento embrionário possui 3 fases: - crescimento: divisão celular - morfogênese: desenvolvimento da forma, do tamanho e outras características de partes do corpo pelo movimento das células e interação entre elas. Esse processo é controlado pela expressão e regulação de genes específicos. - diferenciação: maturação dos processos fisiológicos. No final dessa fase, os órgãos já são capazes de executar as funções especializadas. Ectoderme: SNC, SNP, epitélios sensoriais de olho, orelha e nariz, epiderme e seus anexos (pelo e unha), glândulas mamárias, hipófise, glândulas subcutâneas, esmalte dos dentes; células da crista neural: gânglios espinhais, do crânio (nervos cranianos V, VII, IX e X) e autônomos, células que formam as bainhas do SNP, células pigmentares da epiderme, tecidos musculares, tecidos conjuntivos e ossos da cabeça (pelos arcos faríngeos), medula supra-renal, meninges. Mesoderme: tecido conjuntivo, cartilagem, osso, músculos, coração, vasos sanguíneos e linfáticos, rins, ovários e testículos, ductos genitais, membranas das cavidades, baço e córtex das supra-renais. Endoderme: revestimento epitelial dos tratos gastrointestinal e respiratório, parênquima das tonsilas, das glândulas tireoide e paratireoides, do timo, do fígado e do pâncreas, revestimento epitelial da bexiga e da uretra, da cavidade timpânica, do antro do tímpano e da tubo faringotimpânica. Dobramento do embrião É o dobramento do disco embrionário trilaminar plano em um embrião mais ou menos cilíndrico; esse dobramento se dá nos planos mediano (céfalo-caudal) e horizontal (transversal) e é causado pelo rápido crescimento do embrião. Por causa desse crescimento, a vesícula umbilical (saco vitelínico) vai sofrendo uma constrição. Dobramento do embrião no plano mediano O dobramento ventral das extremidades produz as pregas cefálica e caudal, e essas regiões se deslocam ventralmente, enquanto o embrião vai se alongando. Prega cefálica No início da 4ª semana, as pregas neurais da região cefálica ficam mais espessas, formando o primórdio do encéfalo. Esse encéfalo em desenvolvimento está projetado dorsalmente na cavidade amniótica e posteriormente ele cresce em direção cefálica, além da membrana bucofaríngea, se colocando sobre o coração em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o septo transverso (separa cavidade pericárdica das cavidades pleurais; primórdio do tendão central do diafragma)), o coração primitivo, o celoma pericárdico e a membrana bucofaríngea se deslocam na superfície ventral do embrião. No período do dobramento longitudinal, é formado o intestino anterior por parte da endoderme do saco vitelínico, e ele fica entre o encéfalo e o coração, sendo separado do estomodeu pela membrana bucofaríngea. Essa membrana se rompe, e o intestino primitivo passa a ter uma conexão com o estomodeu. Depois do dobramento o celoma pericárdico fica localizado ventralmente em relação ao coração, e cefálico ao septo transverso. Prega caudal O crescimento da parte distal do tubo neural (primórdio da medula espinhal) resulta no dobramento da extremidade caudal, formando uma projeção da eminência caudal (uma cauda mesmo) em cima da membrana cloacal. Durante o dobramento, uma parte da endoderme é usada para formar o intestino posterior (primórdio do cólon e reto). A parte distal dele se dilata e forma a cloaca, que é delimitada pela membrana cloacal. A membrana cloacal vai se romper na 7ª semana, criando assim uma abertura pro ânus. A linha primitiva, que estava cefálica à membrana cloacal, agora se encontra caudal. O pedículo de conexão (primórdio do cordão umbilical) fica preso na superfície ventral do embrião, e o alantóide (divertículo da vesícula umbilical) é parcialmente incorporado ao embrião. Dobramento no plano horizontal É resultante do rápido crescimento dos somitos e da medula espinhal (tubo neural), que leva a formação das pregas laterais direita e esquerda. O embrião torna-se cilíndrico, e com a formação das paredes abdominais, uma parte da endoderme é usada para dar origem ao intestino médio (primórdio do intestino delgado). (fig C e D) Após a transformação do pedículo de conexão em cordão umbilical, a fusão ventral das pregas laterais reduz a região de comunicação entre os celomas intra e extraembrionários, deixando essa região bem estreita. (fig 4A) À medida que a cavidade amniótica se expande, ela vai obliterando a maior parte do celoma extraembrionário, e o âmnio passa a formar o revestimento epitelial do cordão umbilical (fig 4D) Como resultado do dobramento da cabeça, da cauda e das duas dobras laterais da parede do corpo, a parede ventral (tórax, abdome etc) é fechada, exceto na parte do cordão umbilical, onde o saco vitelínico e o cordão estão ligados. Quarta semana no início, o embrião é quase reto e possui de 4 a 12 somitos, que produzem elevações na superfície, e o tubo neural possui suas extremidades abertas (neuroporos rostral e caudal). Porém, na quarta semana há a formação dos arcos faríngeos, e o embrião fica levemente curvado por causa das pressa cefálica e caudal, e o coração forma uma grande saliência, já bombeando sangue No 26º dia o neuroporo rostral se fecha, e o encéfalo anterior produz uma elevação saliente na cabeça, enquanto o dobramento dá um formato de C. No 27º dia aparecem os brotos dos membros superiores, as fossetas óticas (primórdios das orelhas internas) e os placóides do cristalino (espessamentos ectodérmicos nos lados da cabeça; futuros cristalinos). No final, aparece os brotos dos membros inferiores e o neuroporo caudal se fecha. Quinta semana Há o crescimento da cabeça causado pelo rápido desenvolvimento do encéfalo e das proeminências faciais. A face entra em contato com a proeminência cardíaca. O segundo arco faríngeo cresce sobre o terceiro e o quarto arcos, formando uma depressão ectodérmica lateral: o seio cervical. As cristas mesonéfricas indicam o local dos rins mesonéfricos (órgãos provisórios) Sexta semana O embrião já possui respostas reflexas ao toque. Há o desenvolvimento dos cotovelos e das placas das mãos, e os primórdios dos dedos (raios digitais). Há movimentos espontâneos, como contrações musculares dos membros e do tronco. F o r m a - s e a l g u m a s i n tumescênc i a s ( s a l i ênc i a s auriculares), em torno do sulco f a r íngeo en t r e os 2 a rcos far íngeos . Essas sa l iências formaram junto com o sulco o pavilhão auricular. O olho já está bem evidente pois há a formação do pigmento da retina. O tronco e o pescoço começam a se endireitar Os intestinos penetram no celoma extraembrionário na parte próxima do cordão umbilical (a cavidade abdominal é muito pequena para acomodar o rápido crescimento dele) Sétima semana Os membros passam por várias m o d i f i c a ç õ e s : a p a r e c e m chanfraduras entre os raios digitais, indicando os futuros dedos. A comunicação entre o intestino e o saco vitelínico está reduzida a um ducto estreito, o pedículo vitelino. Inicia-se a ossificação dos ossos dos membros superiores. Oitava semana Os dedos das mãos já estão s e p a r a d o s m a s u n i d o s p o r membranas. No final da 8ª semana ficam totalmente separados. Aparece o plexo vascular do couro cabeludo A ossificação começa no fêmur. As palpebras sao mais evidentes. Os intestinos ainda estão na porção próxima aocordão umbilical. Os pavilhões auriculares começam a assumir suas formas Já existem diferenças entre os sexos na aparência genitália externa CAVIDADES DO CORPO, MESENTÉRIOS E DIAFRAGMA *Celoma: cavidade embrionária preenchida com um fluido e revestida por mesoderme. Esse fluído é um líquido incolor e constituído de uma hemoglobina corpuscular. O celoma fornece espaço para o desenvolvimento e a movimentação dos órgãos. Cavidades No início da 4ª semana, o celoma intraembrionário aparece como uma cavidade em forma de ferradura, e a curvatura dessa cavidade na extremidade cefálica do embrião é a futura cavidade pericárdica, e suas extensões laterais são as futuras cavidades pleural e peritoneal. Essas cavidades possuem uma parede de mesotélio, derivado da mesoderme somática e esplâncnica. A cavidade peritoneal, que é a mais parte do celoma intraembrinário, está em contato com o celoma extrambrionário na região umbilical, e essa comunicação é importante para o intestino médio, que produzirá uma hérnia (ir para fora) para dentro do cordão umbilical, onde se desenvolve a maior parte do intestino delgado e uma parte do grosso. Essa conexão é perdida na 10ª semana, quando o intestino volta para o abdome. Após o dobramento do embrião, a parte caudal do intestino anterior, o intestino médio e o posterior ficam suspensos na cavidade peritoneal, presos à parede abdominal posterior pelo mesentério dorsal. *mesentério: camada dupla de peritônio; une o órgão à parede do corpo e conduz vasos e nervos para esse órgão. Diafragma É um septo musculotendinoso que separa as cavidades torácica e abdominal. Formado por 4 componentes: Septo transverso: tecido mesodérmico; primórdio do tendão central do diafragma Membrnas pleuroperitoneais: Mesentério dorsal do esôfago Invasão muscular a partir das paredes laterais do corpo.