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SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 INTRODUÇÃO A TUTELA, CURATELA E TOMADA DE DECISÃO 
APOIADA.. ..................................................................................................... 4 
2 CONCEPÇÃO HISTÓRICA E ATUAL DE TUTELA E FIGURAS AFINS ...... 7 
3 TUTELA ....................................................................................................... 10 
3.1 A tutela no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA ............................ 13 
3.2 Espécies de tutela ........................................................................................ 14 
3.2.1 Tutela testamentária ..................................................................................... 14 
3.2.2 Tutela legítima .............................................................................................. 15 
3.2.3 Tutela dativa ................................................................................................. 17 
3.3 Capacidade para exercer a tutela ................................................................. 18 
3.4 Incapacidade para o exercício da tutela ....................................................... 19 
3.5 Direito de recusa ........................................................................................... 21 
3.6 Ação de nomeação do tutor .......................................................................... 23 
3.7 Do exercício da tutela; direitos e obrigações do tutor ................................... 24 
3.8 Cessação da tutela e prestação de contas ................................................... 25 
3.9 Destituição .................................................................................................... 26 
4 CURATELA .................................................................................................. 27 
4.1 Quem pode ser curatelado e quem pode requerer a curatela? .................... 29 
4.2 Espécies de curatela .................................................................................... 33 
 
4.2.1 Autocuratela ................................................................................................. 33 
4.2.2 Curatela provisória ........................................................................................ 34 
4.2.3 Curatela compartilhada ................................................................................. 35 
4.3 Nascituro ...................................................................................................... 36 
4.4 Extinção da curatela e prestação de contas ................................................. 36 
5 TOMADA DE DECISÃO APOIADA ............................................................. 37 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 40 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno, 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
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1 INTRODUÇÃO A TUTELA, CURATELA E TOMADA DE DECISÃO APOIADA 
A tutela e a curatela se tratam de institutos de direito assistencial voltados a 
defesa dos interesses dos incapazes, visando à realização de atos civis em seu nome. 
A principal diferença entre as duas figuras é que a tutela resguarda os interesses de 
menores não emancipados, não sujeitos ao poder familiar, com o intuito de protegê-
los. Já a curatela, trata-se de categoria assistencial para a defesa dos interesses de 
maiores incapazes, devidamente interditados. 
É importante ressaltar que a norma 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com 
Deficiência), provocou alterações nos artigos do Código Civil sobre a matéria. 
O referido Estatuto da Pessoa com Deficiência alterou de forma substancial o 
tratamento relativo aos absoluta e relativamente incapazes, previstos nos arts. 3º e 4º 
do Código Civil, com vistas a plena inclusão social das pessoas que apresentem 
algum tipo de deficiência. 
Insta salientar, que apenas os menores de 16 anos são absolutamente 
incapazes, não há mais qualquer menção aos enfermos e deficientes mentais sem 
discernimento para a prática dos atos da vida civil (antigo inciso II do art. 3.º do Código 
Civil). Além disso, as pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem 
exprimir vontade deixaram de compor o inciso III do art. 3.º, e agora constam do art. 
4.º, inc. III, como relativamente incapazes. 
De forma sintetizada, a partir da vigência do Estatuto da Pessoa com 
Deficiência, não existem mais pessoas maiores que são incapazes, e essa afirmação 
tem sido seguida por diversos julgados prolatados a partir da entrada em vigor da Lei 
nº 13.146/15 (EPD). 
Em relação à pessoa com deficiência, reafirme-se que são plenamente 
capazes, especialmente para atos existenciais de natureza familiar. Conforme o art. 
6.º da Lei 13.146/2015, a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, 
inclusive para: casar-se e constituir união estável; exercer direitos sexuais e 
reprodutivos; exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a 
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; conservar sua 
fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; exercer o direito à família e à 
convivência familiar e comunitária; e exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e 
 
5 
 
à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as 
demais pessoas. (TARTUCE, 2021). 
Esse novo tratamento legislativo a respeito dos atos familiares, possui grande 
impacto. Entretanto, não cabe a pessoa com deficiência se adaptar à sociedade, mas 
cabe a sociedade se adaptar a pessoa com deficiência. 
De forma eventual, quando se tratar de negócios jurídicos mais complexos, de 
cunho patrimonial, a pessoa com deficiência poderá fazer uso da tomada de decisão 
apoiada, instituto incluído pela Lei 13.146/2015. A nomeação de curador ou interdição 
somente será possível em casos excepcionais. 
No que se refere aos relativamente incapazes é importante lembrar que não 
houve alteração nos incisos I (menores entre 16 e 18 anos) e IV (pródigos) do art. 4.º 
do CC/2002, porém, não consta mais menção às pessoas com discernimento mental 
reduzido do seu inciso II. Atualmente estão expressos na lei os ébrios habituais 
(alcoólatras) e os viciados em tóxicos, também não há previsão no que se refere aos 
excepcionais sem desenvolvimento completo (inciso III do art. 4.º, que possuía 
aplicação à pessoa com Síndrome de Down). O preceito passou a mencionar as 
pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir sua vontade, 
conforme antes estava no art. 3.º, inc. III, da codificação material. Eventualmente, 
como qualquer outra pessoa, o deficiente poderá até se enquadrar em qualquer um 
desses incisos do art. 4.º da codificação material. Porém, em regra, é considerado 
como plenamente capaz para os atos civis. 
Em síntese, houve grande mudança na teoria das incapacidades, repercutindo
de forma direta para os institutos de direito assistencial, em especial para a curatela. 
(TARTUCE, 2021). 
Com o advento da nova norma no ano de 2015 formaram-se duas correntes: 
A primeira – à qual estão filiados José Fernando Simão e Vitor Kümpel – 
condena as modificações, pois a dignidade de tais pessoas deveria ser 
resguardada por meio de sua proteção como vulneráveis (dignidade-
vulnerabilidade). 
A segunda vertente – liderada por Joyceane Bezerra, Paulo Lôbo, Nelson 
Rosenvald, Jones Figueirêdo Alves, Rodrigo da Cunha Pereira e Pablo Stolze 
– aplaude a inovação, pela tutela da dignidade-liberdade das pessoas com 
deficiência, evidenciada pelos objetivos de sua inclusão. (TARTUCE, 2021, 
p. 2430). 
 
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Tartuce (2021) em sua obra se manifesta expressamente alinhado aos 
segundos juristas citados. Porém explica o autor que há sérios problemas no Estatuto, 
que devem ser resolvidos. O doutrinador ainda lembra que o Estatuto da Pessoa com 
Deficiência regulamenta a Convenção de Nova York, tratado de direitos humanos do 
qual o Brasil é signatário, e que gera efeitos como emenda constitucional (art. 5.º, § 
3.º, da CF/1988 e Decreto 6.949/2009). Por esse motivo, não cabe sustentar que o 
EPD é inconstitucional, muito pelo contrário. Nos termos do seu art. 1.º, o propósito 
da Convenção “é promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de 
todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com 
deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente”. 
Porém, é necessário dar ênfase que somente o tempo e a prática poderão 
demonstrar se o melhor caminho é mesmo a dignidade-liberdade, em vez da anterior 
dignidade-vulnerabilidade. (TARTUCE, 2021). 
O último Título (Título IV) do Livro IV, reservado ao Direito de Família, do 
vigente Código Civil brasileiro é destinado à disciplina jurídica da Tutela e da Curatela, 
essa parte é convencionalmente denominada “Direito Assistencial” no estudo das 
relações familiares. Tem como base principal a solidariedade social, a doutrina 
explica: 
E é com base na própria solidariedade social — que é tão cara ao Direito de 
Família a ponto de constituir um princípio próprio (o “princípio da 
solidariedade familiar”) — que se constrói e se respalda a normatização, na 
espécie. 
Como observa PAULO LÔBO: “O fundamento comum da tutela e da curatela 
é o dever de solidariedade que se atribui ao Estado, à sociedade e aos 
parentes. Ao Estado, para que regule as respectivas garantias e assegure a 
prestação jurisdicional. À sociedade, pois qualquer pessoa que preencha os 
requisitos legais poderá ser investida pelo Judiciário desse múnus. Aos 
parentes, porque são os primeiros a serem convocados, salvo se legalmente 
dispensados”. (LÔBO, apud STOLZE, 2020, p. 2114). 
A tutela e a curatela são institutos autônomos, porém, há um objetivo comum 
de propiciar a representação legal e a administração de sujeitos incapazes de praticar 
atos jurídicos. 
É evidente que esses institutos se referem a uma proteção jurídica dos 
interesses das pessoas que estão em situação de incapacidade na gestão de sua 
vida. 
 
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A principal diferença, no campo conceitual, entre as duas formas de suprimento 
de capacidade para a prática de atos de gestão, diz respeito a seus pressupostos: 
enquanto a tutela se refere à menoridade legal, a curatela se relaciona com situações 
de deficiência total ou parcial, ou, em hipótese mais peculiar, visa a preservar 
interesses do nascituro. 
Note-se, porém, que, em ambas as hipóteses, haverá a responsabilidade do 
representante legal — tutor ou curador — pelos atos de seus pupilos ou curatelados, 
que estiverem sob sua autoridade, em sua companhia, conforme o artigo 932, II, do 
CC/2002. (STOLZE, 2020). 
2 CONCEPÇÃO HISTÓRICA E ATUAL DE TUTELA E FIGURAS AFINS 
No direito romano, a tutela tinha um caráter protetivo e de defesa, esse caráter 
é indispensável à noção de tutela, à sua importância e às responsabilidades que dela 
emanam. No antigo direito português, se usavam as expressões ‘guarda’ e 
‘guardadores’ para se designarem a tutela, ou a curatela de menores, e os tutores. 
Porém, o caráter de proteção e defesa era mais relacionado aos bens, sendo o 
tutor nomeado para proteger os bens dos menores. 
No direito romano, se dava tutor aos órfãos impúberes, já o curador era 
nomeado aos púberes. Essa foi a orientação das Ordenações Filipinas. Por ela, 
impúberes eram os menores de 14 anos, e púberes possuíam de 14 acima. Tais 
Ordenações, no Livro IV, Tít. 102, 104, § 6º, consagram a distinção romana, mas os 
códigos modernos a abandonaram, indicando a tutela para a vigilância do menor. 
Lobão também já a fizera, sem acolher a dicotomia tradicional. 
Conhecia-se, no direito romano, também a tutela das mulheres, que era 
perpétua, e tinha como fundamento a insegurança que ela inspirava nos negócios, 
bem como a inexperiência na administração. Assim, desde seu nascimento vivia sob 
tutela, até a morte, enquanto aos homens se estendia até os quatorze anos, quando 
atingiam a puberdade. Daí em diante recebiam curadores, mantendo-se a nomeação 
enquanto tivessem menos de vinte e oito anos. (RIZZARDO, 2019). 
No direito brasileiro, é evidente o caráter protetivo e dimensionado aos bens, 
visto que nessa parte é uma cópia de Portugal. O legislador de 1916, ao abordar sobre 
a tutela, teve como principal preocupação o órfão rico, porque sobre o tema, o principal 
 
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objeto é a preservação dos seus bens; ademais, dos quarenta artigos consagrados 
ao assunto, apenas um se refere aos menores abandonados. 
Na perspectiva atual, em primeiro lugar, tem-se em conta o interesse da pessoa 
dos filhos. Domina o caráter assistencial e de acompanhamento dos filhos menores, 
sem pais vivos, ou com pais suspensos ou destituídos do poder familiar, ou declarados 
ausentes por sentença judicial. A função de amparo, representação e assistência 
adquiriu importância diante do desenvolvimento da previdência social, que garante 
aos menores órfãos o recebimento de pensão por morte dos pais, havendo 
necessidade de quem os represente judicial e administrativamente perante os órgãos 
pagadores e os compromissos que assumem nos estabelecimentos comerciais de 
ensino. Na ausência de quem, por direito natural, exerce o poder familiar, o Estado 
transfere o encargo a terceira pessoa, em geral ligada por laços de parentesco ao 
menor, e que revele condições de probidade e mesmo afetividade, a qual deverá zelar 
pela criação, educação e interesses patrimoniais. Trata-se, pois, a tutela de um munus 
imposto pelo Estado, de substituição das atribuições inerentes ao poder familiar, com 
a mesma relevância que era exercido pelos pais, devendo a pessoa revestida da 
função ter o menor praticamente como filho, dedicando-lhe atenção, carinho, conforto, 
interesse educacional e profissional, encaminhando-o para a vida, além da 
preservação do patrimônio e da representação na vida civil. (RIZZARDO, 2019). 
Outro ponto que possui enorme relevância é a colocação do menor em família 
substituta, função esta que transparece na política imprimida no Estatuto da Criança 
e do Adolescente: trata-se de outorgar um lar a quem necessita, em razão de sua 
tenra idade, ou da adolescência, nas hipóteses de carência, de orfandade, de perda 
ou de destituição do poder paternal de seus responsáveis, ou ainda da declaração de 
ausência. Institui-se então vínculo jurídico adequado com outras pessoas, à 
inexistência de submissão do menor ao poder paternal, aptas a proporcionar-lhe a 
criação, a assistência e a educação de que necessita, através dos institutos da guarda 
e da tutela que completam, com a adoção, o esquema de defesa de interesses de 
menores em nosso sistema. 
Pode-se dizer que está situada a tutela numa posição intermediária entre a 
simples guarda e a adoção, aproximando-se mais a este último instituto, por ser uma 
forma ou um mecanismo
de atribuição de família substituta à criança ou adolescente, 
enquanto, na guarda, os deveres e a representação têm alcances mais reduzidos. Por 
 
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se inserir mais no direito assistencial, não se equipara totalmente à adoção, que se 
enquadra no direito parental, onde se institui o vínculo de parentesco civil, o que não 
acontece na tutela. 
Diferencia-se da curatela, porquanto, nesta figura, põem-se ao amparo outros 
incapazes, os afetados na mente e os pródigos, que também são desprotegidos na 
sua pessoa e no patrimônio. Há um encargo público, de cunho assistencial, dirigido a 
proteger as pessoas maiores incapazes de velar ou cuidar de seus interesses, de sua 
pessoa e do patrimônio, em vista de enfermidade grave ou deficiências mentais. 
Já quanto à ausência, não se fala em incapacidade, mas é nomeado curador 
por razão do desaparecimento prolongado de uma pessoa de seu domicílio. 
Desponta, aqui, a finalidade primordial da proteção, que é ao patrimônio, o qual não 
pode ficar à revelia de medidas assecuratórias no tocante à administração e 
integridade. Depois de certo prazo, o curador terá que abrir a sucessão, entregando 
os bens aos herdeiros, até que o desaparecido retorne, quando retomará a titularidade 
dos negócios e do patrimônio. Nota-se, pois, nesta figura, a finalidade assistencial. 
Por fim, a dimensão dada à tutela pela vigente ordem constitucional, que se 
propagou na legislação que sucedeu, onde domina a total igualdade dos pais na 
indicação do tutor. O direito de nomear tutor competia, segundo o art. 407 do Código, 
ao pai e à mãe, esta na falta ou incapacidade daquele. Este direito é hoje de ambos, 
sem qualquer precedência. A mesma derrogação do art. 409, que assegurava igual 
preferência, na falta de tutor nomeado pelos pais aos avós paternos diante do 
materno, aos irmãos do sexo masculino ao feminino, e aos tios do sexo masculino. A 
esta conclusão chegamos com fundamento no art. 5º, da CF, inc. I, que igualou 
homens e mulheres em direitos e obrigações. Pela mesma razão, julgamos revogado 
o inc. I do art. 414, que permitia às mulheres escusarem-se da tutela pelo só fato de 
o serem. Os arts. 407, 409 e 414, inc. I, mencionados equivalem aos arts. 1.729, 1.731 
e 1.736, inc. I, do atual Código, com redação substancialmente diferente. (RIZZARDO, 
2019). 
 
 
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3 TUTELA 
Durante a menoridade, a pessoa humana necessita de alguém que cuide, 
defenda e administre seus bens. Naturalmente, essas pessoas que tomarão conta do 
menor serão pai e mãe. As Crianças e adolescentes não possuem a plena capacidade 
civil. 
Até os 16 anos são absolutamente incapazes para exercer pessoalmente os 
atos da vida civil (artigo 3º do Código Civil). 
Dos 16 aos 18 anos incompletos, a limitação da capacidade é relativa à prática 
de determinados atos (artigo 4º, I do Código Civil). 
Em situações que haja a ausência de plena capacidade, é necessário que 
alguém supra tal carência. Conforme o artigo 71 do CPC, os absolutamente incapazes 
necessitam ser representados e os relativamente incapazes precisam ser assistidos. 
O artigo 1.630 do Código Civil atribui aos pais o encargo denominado poder familiar 
sobre os filhos enquanto menores. Trata-se de ônus que compete a ambos, ainda que 
eles não mantenham vida em comum. Na ausência de um, o poder familiar é exercido 
pelo outro, com exclusividade, de acordo com a previsão do artigo 1.631 do Código 
Civil. 
Deixando a criança ou o adolescente de estar sob o poder familiar dos 
genitores, é preciso que outrem se responsabilize por ele. Na ausência dos dois pais, 
a representação é atribuída a um tutor, que ocupa o lugar jurídico deixado pelo vazio 
da autoridade parental. Tal ocorre no caso de morte dos pais, terem eles sido 
declarados ausentes, ou, ainda, quando tenham “decaído”, por perda ou suspensão 
do poder familiar. ” Assim, o tutor é investido dos poderes necessários para a proteção 
que os genitores não podem dispensar aos filhos. (DIAS, 2021). 
Pereira (2021, p. 768) explica que “a Tutela é o encargo conferido a alguém 
para dar assistência, representar e administrar os bens de menores de idade que não 
estejam sob o poder familiar (autoridade parental). Ao menor que está sob tutela dá-
se o nome de tutelado ou pupilo, e a quem é atribuído esse encargo, tutor. ” 
O objetivo da tutela é fazer cumprir as funções daqueles que estariam 
exercendo o poder familiar, ou seja, alguém que presumivelmente estaria exercendo 
as funções do pai e/ou mãe. Por isso é que todo o sistema da tutela, sua estrutura, 
 
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seus mecanismos e efeitos, em todos os ordenamentos jurídicos são desenvolvidos à 
imagem e semelhança do poder familiar, mas não são idênticos. (PEREIRA, 2021). 
Conforme Dias (2021) explica, a tutela é um múnus público que tem estrutura 
de caráter jurídico-familiar, por isso a preferência na nomeação de parentes para zelar 
pelo menor de idade e administrar seus bens. Até se poderia dizer que a tutela é um 
sucedâneo do poder familiar. ” O tutor não tem seus cuidados voltados apenas à 
preservação de ordem patrimonial, pois também possui responsabilidade pela 
educação e aperfeiçoamento do tutelado. Por isso é encargo só pode ser exercido por 
pessoa física. Mas o protutor pode ser pessoa jurídica de acordo com o artigo 1.743 
do Código Civil. Vejamos uma explicação doutrinária sobre mudanças introduzidas 
pelo Código Civil de 2002 a qual aborda a figura do protutor e diferencia a tutela e o 
poder de família: 
Não houve mudanças substanciais no CCB/2002 em relação ao Código Civil 
de 1916. Podemos apontar, entretanto, a introdução da figura do protutor (art. 
1.742), que deve funcionar como uma espécie de “vice-tutor” ou “tutor 
adjunto”, para fiscalizar o exercício da tutela. Além disto, e mais significativo, 
foi a alteração na ordem da vocação da tutela. No código anterior havia uma 
preferência pela linhagem masculina, como se as mulheres, ou a linhagem 
materna, fossem menos capacitadas para exercer os encargos da tutela. Na 
verdade, isto apenas demonstra o caráter patrimonialista e hierarquizado da 
família patriarcal, que vem perdendo cada vez mais lugar para a família 
fincada no princípio da afetividade. Além de preconceituosa essa preferência 
e distinção (art. 409 – CCB/1916), era também equivocada. Historicamente 
foram as mulheres quem criaram e educaram os filhos, ou seja, sempre foram 
as mulheres que estiveram mais próximas dos filhos. Prova disto é que até 
se criou um mito do amor materno e que hoje tem feito com que homens 
estejam lutando bravamente no Judiciário em disputa de guarda de filhos ou 
pela guarda compartilhada, para demonstrarem que o pai é capaz de cuidar 
de filhos tanto quanto a mãe. 
A tutela é incompatível com o poder família (autoridade parental), já que se 
existir poder familiar não pode existir tutela, e uma vem em substituição a 
outra. A exceção à regra é somente quando o testador instituir a um menor 
de idade, herdeiro ou legatário, e também um curador especial para cuidar 
dos bens a ele destinados (art. 1.733, § 2º do CCB/2002). (PEREIRA, 2021, 
p. 770). 
O tutor é titular de um poder-dever sobre a pessoa e os bens do pupilo. Trata-
se de um poder mais limitado do que o poder familiar. O legislador parte da premissa 
de que pais têm um compromisso maior para com os filhos em decorrência do próprio 
vínculo de filiação. Tanto é assim que os pais são usufrutuários dos bens dos filhos 
(CC 1.689, I), condição de que o tutor não desfruta. Daí a constante fiscalização das 
atividades do tutor. Regula a lei, de forma minuciosa, seus encargos, deveres e 
 
12 
 
obrigações, gerando responsabilidade civil e penal a quem não cumpre com exatidão 
o encargo que lhe é deferido. 
É constituído de enorme fragilidade o vínculo entre tutor e tutelado, sendo 
deferida a guarda de uma criança ou adolescente a pessoa que, se não foi escolhida 
pelos genitores, é algum parente dentro da ordem
de preferência indicada pela lei (CC 
1.775). O legislador não se atentou a necessidade de identificar quem tem melhores 
condições para exercer tal ônus, encargo que fica a critério do julgador. Mediante isso, 
na nomeação do tutor, é necessário atender ao melhor interesse do tutelado, devendo 
a tutoria ser atribuída, preferencialmente, quando já houver a existência de um vínculo 
de convivência e afetividade entre ambos. 
O Código Civil se limitou a praticamente copiar a legislação anterior, nem 
sequer adequou à nova terminologia. Persiste ainda as expressões menor absoluta 
ou relativamente incapaz, enquanto o ECA em seu artigo 2º utiliza o termo criança, 
quando se refere à pessoa de até 12 anos incompletos, e adolescente, até que 
complete 18 anos. (DIAS, 2021). 
Dias (2021) aduz de forma crítica, que os encargos do tutor são basicamente 
limitados a ordem patrimonial, não possuindo um comprometimento maior com o 
caráter protetivo ditado pela Constituição e pelo ECA. Parece que a única 
preocupação com os aspectos psicológicos é a determinação de dar aos irmãos 
órfãos um só tutor (CC 1.733). Pois já que não possuem pai nem mãe, que pelo menos 
permaneçam juntos! Busca o dispositivo manter a união familiar. Porém, a unicidade 
da tutela não pode ser absoluta, podendo o juiz nomear tutores diferentes para os 
irmãos, tendo em vista o melhor interesse deles. 
O doutrinador ainda ressalta que o tutor não deve ser mero administrador de 
bens. São mínimos os ônus atribuídos ao tutor de caráter assistencial ou protetivo. 
Comprovada a dependência econômica, o tutelado possui direito a pensão 
previdenciária do tutor se dele era dependente. (DIAS, 2021). Ainda em breve texto é 
abordado sobre a doutrina da proteção integral: 
O instituto da tutela, de forma injustificada, olvidou-se da doutrina da proteção 
integral (CR 227). A atenção constitucional às pessoas até os 18 anos de 
idade ensejou sensível mudança de paradigma, tornando-se o grande marco 
para o reconhecimento dos direitos humanos de crianças, adolescentes e 
jovens. O ECA é todo voltado ao melhor interesse de quem passou a ser 
reconhecido como sujeito de direito. Atenta mais às suas necessidades 
pessoais, sociais e familiares, de forma a assegurar seu pleno 
desenvolvimento. Guarda, tutela e adoção são as formas de colocação de 
 
13 
 
crianças e adolescentes em família substituta, sempre com o intuito de 
proteger integralmente, de garantir a criação, de assegurar boa educação, 
desenvolvimento e assistência material e moral àquelas pessoas. 
Quando o pupilo atinge a maioridade, cessa a tutela. Apresentada a 
prestação de contas de sua gestão, nenhum liame subsiste entre ambos. 
Parece que ninguém atenta que a convivência entre ambos, tende a gerar um 
vínculo de tal intensidade que, muitas vezes, pode o tutelado ter o tutor como 
seu pai, isto é, adquire a posse do estado de filho. Não há qualquer 
preocupação com o significado da filiação socioafetiva, havendo somente a 
possibilidade de o tutor adotar o pupilo (ECA 44). (DIAS, 2021. p. 916) 
3.1 A tutela no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA 
O Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8.069/90) também conhecido como 
ECA, revogou o Código de Menores (Lei nº 6.697/79), e também trata da tutela. Para 
o ECA, a tutela é uma forma de colocação da criança e do adolescente em família 
substituta. 
Além de regras, o ECA estabelece princípios norteadores fundamentais para a 
infância e juventude. Esta lei instalou novos paradigmas e concepções para o Direito 
de Família, introduziu uma nova terminologia jurídica, substituindo, por exemplo, a 
expressão “visitas” por “convivência familiar”, reconheceu que a família é muito mais 
da ordem da cultura do que da natureza, ao introduzir a expressão “família substituta”. 
Em um corpo de normas e princípios, o ECA instalou e mudou a concepção 
filosófica sobre os direitos da infância e juventude, colocando-os como sujeitos de 
direitos e instituindo de forma definitiva o princípio do melhor interesse e da proteção 
integral. (PEREIRA, 2021). 
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabeleceu normas protetivas 
segundo as diretrizes e princípios constitucionais: 
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais 
inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata 
esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as 
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, 
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 
(BRASIL, 1990). 
No mesmo sentido e ampliando a abrangência dos direitos, estabeleceu 
responsabilidade desta proteção integral além da família. Tais dispositivos traduzem 
e reafirmam a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, adotada pela 
Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989. Esta Convenção 
 
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foi ratificada no Brasil em 26 de janeiro de 1990, pelo Decreto Legislativo nº 28, de 
14/09/1990, promulgada pelo Decreto Presidencial nº 99.710, de 21/11/1990: Todas 
as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições públicas ou privadas 
de bem-estar social, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, devem 
considerar, primordialmente, o interesse maior da criança. (PEREIRA, 2021). 
3.2 Espécies de tutela 
As espécies de tutela são três: a testamentária, a legítima e a dativa, vejamos: 
3.2.1 Tutela testamentária 
Como o próprio nome sugere, a tutela testamentária é aquela que é deferida 
por meio de testamento ou ato de última vontade, porém é muito pouco empregada. 
Assegura-se aos pais nomeação de tutor mediante testamento conforme segue 
a redação do artigo 1.729 do Código Civil: “Art. 1.729. O direito de nomear tutor 
compete aos pais, em conjunto. ” 
É notório que na atual redação normativa, a nomeação se dá em ato conjunto, 
bem diferente de como ocorria no antigo sistema, quando havia uma ordem a ser 
obedecida. Pelo anterior Código, unicamente se o pai deixasse de nomear caberia à 
mãe fazê-lo, essa regra discriminava a sua posição no conjunto familiar. 
Para a nomeação, atualmente restrita aos pais, somente pode ser feita por 
aqueles que se encontrem revestidos do poder familiar. A ordem vem expressa no art. 
1.730 do Código Civil: “É nula a nomeação de tutor pelo pai ou pela mãe que, ao 
tempo de sua morte, não tinha o poder familiar. ” 
Da mesma forma, não valerá a nomeação se o outro progenitor sobreviver. 
Com a morte de um dos pais, o poder familiar concentra-se inteiramente na pessoa 
do progenitor que ficar. É o que aparece no art. 1.634, inc. VI, em texto da Lei nº 
13.058/2014. A nomeação se opera por testamento ou outro documento autêntico, em 
face do parágrafo único do art. 1.729 do Código Civil: “A nomeação deve constar de 
testamento ou de qualquer outro documento autêntico”. (PEREIRA, 2021). 
 
15 
 
O testamento pode ser formalizado por meio de escritura pública ou escrito feito 
pelo testador, definindo-se como o ato pelo qual alguém dispõe, no todo ou em parte, 
de seu patrimônio, ou emite uma disposição para valer ou ser cumprida depois de sua 
morte. 
Pode também ser admitido outro documento autêntico, mesmo que não público, 
segundo depreende-se da lei. Ou seja, por escritura pública, ou escrito particular, 
especialmente se reconhecidas pelo tabelião as assinaturas dos pais, o que lhe 
imprime maior autenticidade. Não se pense, porém, que unicamente a formalidade do 
reconhecimento das assinaturas confere autenticidade, a qual depreende-se de outros 
elementos, como da igualdade do padrão da assinatura com o constante em 
documento oficial. Desde que se faça a prova da procedência daquele que emite o 
documento, tem-se a autenticidade. 
Inclusive na forma instrumental não deixa de ser testamentária a nomeação, 
posto que somente produzirá efeitos depois da morte do nomeante. (RIZZARDO, 
2019). 1344
Na hipótese de ser nomeado mais de um tutor, sem a indicação de preferência, 
deve-se entender que a tutela será deferida ao primeiro, e os outros virão na falta do 
primeiro nomeado. (PEREIRA, 2021) 777 
3.2.2 Tutela legítima 
Essa tutela é deferida aos parentes consanguíneos, de acordo com a ordem de 
proximidade. Provém da lei e não da vontade das partes. Daí o termo ‘legítima’. 
É a mais utilizada na prática forense. Falecendo os pais e na ausência de 
nomeação testamentária ou qualquer outro documento autêntico, incidirá o encargo 
na pessoa do parente mais próximo de acordo com a ordem presente no art. 1.731 do 
CC. (RIZZARDO, 2019). Vejamos: 
Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos 
parentes consangüíneos do menor, por esta ordem: 
I - aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; 
II - aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais 
remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer 
 
16 
 
dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em 
benefício do menor. (BRASIL, 2002). 
No sistema do Código de 1916, grande parte das preferências importavam em 
ofensa ao princípio da absoluta igualdade entre o homem e a mulher, por força do art. 
5º, inc. I, da Carta Constitucional. Sob a norma anterior, a primazia era sob a 
nomeação da pessoa do avô paterno em relação ao materno, ou da avó paterna 
quanto à materna, a preferência dos irmãos ante as irmãs, e dos tios em relação às 
tias 
Contudo, entende-se correta a ordem que distingue os parentes mais próximos 
relativamente aos mais remotos, e, quando do mesmo grau, os colaterais mais velhos 
frente aos mais novos, porque se presume terem aqueles ascendentes maior 
afetividade, enquanto os colaterais mais velhos revelarão amadurecimento e 
experiência superiores que os mais novos. 
De acordo com o inciso I da norma vigente, escolhem-se primeiro os avós, 
passando, em segundo lugar, para os bisavós. 
Já no inciso II, está indicada a escala até o terceiro grau de colaterais, isto é, 
envolvendo os irmãos e os tios. 
Não é, entretanto, de rigor a obediência à ordem acima preconizada. Tem 
preponderância, antes de tudo, os interesses do menor. Nomeará o juiz aquela pessoa 
que melhores condições apresentar, que sobressai em interesse, ou que se oferece 
espontaneamente para o munus. Seria até constrangedor impor a obrigação a um 
parente pela só razão de se encontrar em grau mais próximo, e que aceita a 
nomeação unicamente por não encontrar qualquer motivo para a escusa. 
Na escolha da pessoa apta, examinará o juiz as condições econômicas, 
familiares, de idoneidade de cada parente, optando pelo que apresentar capacidade, 
abnegação, afeição, desprendimento e afinidade para o cargo. (RIZZARDO, 2019). 
Pereira (2021) sintetiza que tutela legítima é a que se defere aos parentes na 
ordem estabelecida em lei, na falta da tutela testamentária válida. Em falta de tutor 
nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes do menor, na ordem estabelecida 
pelo art. 1.731 do Código Civil. 
 
17 
 
3.2.3 Tutela dativa 
Tutela dativa é a tutela em que o juiz, na falta de tutela legítima ou 
testamentária, nomeia alguém de sua confiança e estranho à ordem da vocação 
estabelecida pela tutela legítima. (PEREIRA, 2021) 
A tutela dativa vem a ser conferida pelo juiz, que escolhe pessoa estranha, ou 
não parente, para o encargo. Isto justamente ou por inexistirem parentes, ou por 
considerar coerentes e justas as escusas, ou porque não revelam eles condições para 
o exercício do cargo. (RIZZARDO, 2019). 
A redação do artigo 1.732 do Código Civil trata da nomeação: 
Art. 1.732. O juiz nomeará tutor idôneo e residente no domicílio do menor: 
I - na falta de tutor testamentário ou legítimo; 
II - quando estes forem excluídos ou escusados da tutela; 
III - quando removidos por não idôneos o tutor legítimo e o testamentário. 
(BRASIL, 2002). 
Trata-se de uma tutela supletiva, porque ela ocorre somente a partir da falta de 
tutor testamentário ou legítimo, ou quando qualquer deles não oferecer condições 
para a nomeação. O tutor deverá residir no mesmo domicílio do menor, e, apresentar 
condições de idoneidade, ser pessoa conhecida, inteirando-se das razões que o 
levaram a aceitar a incumbência. (RIZZARDO, 2019). Rizzardo ainda traz instruções 
bem delineadas de outro autor: 
O juiz competente para deferir compromisso de tutor será o do lugar em que 
o menor vivia anteriormente com os pais. Se eles deixarem bens, que estão 
sendo inventariados, a competência para a nomeação é do juiz do inventário. 
De um modo geral, a regra é esta: o foro competente para a nomeação e para 
todos os atos relativos à tutela, ou dela decorrentes, é o do lugar do domicílio 
do menor no momento em que cessou o pátrio poder, por morte, suspensão 
ou inibição. (MONTEIRO, apud RIZZARDO, 2019, p. 1347-1348) 
Porém, é necessário tratar que conforme Rizzardo (2019) há situações 
especiais em que as regras se alteram. 
Se o tutor residir em local diferente de onde se processou o inventário, e com 
ele o menor já se encontra, por conveniência não apenas processual, mas, sobretudo, 
 
18 
 
prática e econômica, não há justificativa para que se impeça o ajuizamento no foro do 
atual domicílio. 
Existe ainda, a tutela ad hoc, ou para determinado ato, mais propriamente 
denominada curatela ad hoc, mesmo que não haja sua expressa previsão em lei. 
Nomeia-se um curador, que na verdade é tutor, para assistir ou defender o menor em 
atos processuais específicos. Isso ocorre por exemplo, no inventário, em que o filho 
participa com a mãe na herança deixada pelo pai; ou numa ação de indenização, 
proposta pela mãe, contra o espólio de seu companheiro, figurando como herdeiro o 
filho. 
Pode-se, por último, apontar a tutela do menor em situação irregular, prevista 
no Estatuto da Criança e do Adolescente, arts. 36 a 38. 
Encontrando-se o menor em estado de abandono, ou, ainda, vindo a ser 
apresentado ao Juizado da Criança e do Adolescente, é apropriado que a nomeação 
de tutor ocorra em tal Juízo, pois deverá ser colocado em família substituta. 
O art. 36 da Lei nº 8.069, na modificação da Lei nº 12.010, de 3.08.2009, reza: 
“A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos 
incompletos”. Conforme o parágrafo único, o deferimento da tutela pressupõe a prévia 
decretação da perda ou suspensão do poder familiar, e implica necessariamente o 
dever da guarda. Aspectos estes também exigidos na tutela disciplinada pelo Código 
Civil. (RIZZARDO, 2019). 
3.3 Capacidade para exercer a tutela 
A regra é que existe uma preferência prevista no artigo 1.731 do código civil (já 
abordada em tópico anterior), de forma sucinta a preferência deve ocorrer na seguinte 
ordem: 
Primeiramente, os ascendentes partindo dos mais próximos, paternos ou 
maternos, indistintamente, sendo escolhido o que apresentar melhores condições 
para o cargo. 
Em segundo, os colaterais até o terceiro grau, buscando de forma primordial os 
mais próximos, isto é, os irmãos, independentemente do sexo, mas observada a 
ordem preferencial, dos bilaterais aos unilaterais, embora omisso o código nessa 
parte, e sempre os mais velhos, pelo amadurecimento e ascendência que podem 
 
19 
 
exercer sobre os demais; não havendo irmãos em condições, recai a nomeação nos 
tios, sem distinção de sexo, e dando-se preferência aos mais idosos. 
Isto se não constar a indicação em testamento ou em outro escrito autêntico 
A ordem acima não é rígida ou imodificável. Terá, na escolha da pessoa, o juiz 
em conta o interesse dos menores. 
De outro lado, elege-se o mesmo tutor para os filhos, não se mostrando prática 
e nem eficaz a nomeação de um tutor para cada filho. 
O art. 1.733 conduz a tal inteligência, dispondo o § 1º sobre a precedência e a 
sucessão no desempenho do encargo se nomeado
mais de um tutor: “Aos irmãos 
órfãos dar-se-á um só tutor. ” O § 1º: “No caso de ser nomeado mais de um tutor por 
disposição testamentária sem indicação de precedência, entende-se que a tutela foi 
cometida ao primeiro, e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação, se 
ocorrer morte, incapacidade, escusa ou qualquer outro impedimento. ” 
De sorte que o primeiro nomeado assumirá a tutela, a qual passará para os 
demais nomeados, sempre na ordem que constar no ato, se disposição diferente não 
acompanhar o testamento, nas eventualidades de morte, incapacidade, escusa ou 
qualquer outro impedimento do que figurar precedentemente. 
No § 2º do mesmo art. 1.733, encontra-se uma disposição especial permitindo 
à pessoa que institui, por testamento, um menor herdeiro ou legatário, a nomeação 
de curador especial, mesmo que o beneficiário se encontre sob o poder familiar ou a 
tutela: “Quem institui um menor herdeiro, ou legatário seu, poderá nomear-lhe curador 
especial para os bens deixados, ainda que o beneficiário se encontre sob o poder 
familiar, ou tutela. ” Como se percebe, a designação restringe-se unicamente para a 
proteção quanto aos bens objeto do testamento, contemplando o menor. (RIZZARDO, 
2019). 
3.4 Incapacidade para o exercício da tutela 
A função de tutor provoca não só a entrega de patrimônio, mas também a 
concessão da guarda de quem não possui uma pessoa que possa zelar por ele. Por 
isso existem pessoas incapazes ou não legitimadas para exercer esse encargo. O 
Código Civil em seu artigo 1.735 elenca quem não pode ser tutor e, caso esteja 
exercendo a tutela, deverá ser exonerado. Vejamos a redação: 
 
20 
 
Art. 1.735. Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela, caso a 
exerçam: 
I - aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; 
II - aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem 
constituídos em obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer 
direitos contra este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda 
contra o menor; 
III - os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes 
expressamente excluídos da tutela; 
IV - os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a 
família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; 
V - as pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas 
de abuso em tutorias anteriores; 
VI - aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa 
administração da tutela. (BRASIL, 2002). 
Por motivos óbvios a pessoa que se enquadra no inciso I do artigo 1.735 não 
possui condições de administrar os bens, nem de velar ou cuidar do menor. É o caso 
do falido e do insolvente civil. 
No inciso II a previsão é para que não ocorra colisão de interesses, por isso a 
lei impede que aqueles que se acham em obrigação para com o menor, ou que tiverem 
de fazer valer direitos contra ele, bem como aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges 
tiverem demanda contra o menor, sejam nomeados tutores. 
Sobre a previsão do inciso III é normal que os desafetos ou inimigos do menor 
ou de seus pais, ou as pessoas por estes excluídas para o desempenho da tutela, não 
oferecem condições para o cargo. A tendência seria prever a viabilidade da prática de 
atos contra o menor, atentatórios ao patrimônio e à própria pessoa do interessado. 
Também nota-se que conforme o inciso IV é perfeitamente incabível a 
nomeação de pessoas que não merecem credibilidade no tocante ao patrimônio 
alheio, e que atentam contra a família ou os costumes, estando incursos em 
disposições que reprimem condutas como a pedofilia, abuso sexual, corrupção de 
menores, dentre outras espécies. 
A previsão do inciso V se justifica porque constituiria um perigo confiar a pessoa 
do menor e seus bens a um. Indivíduo de mau caráter ou desonesto. Sem dúvida, 
 
21 
 
seria péssima a influência que exerceria sobre a personalidade do menor, em 
formação. 
Por fim, o inciso VI que determinadas funções mostram incompatíveis com o 
exercício da tutela, pelo envolvimento que possa trazer, ou pela assoberbada 
quantidade de compromissos, que impede a execução normal das funções do encargo 
e da profissão ou da função pública. 
Na relação das funções incompatíveis, segundo alguns doutrinadores estão 
enquadradas as funções de: magistratura; atividades dos oficiais de justiça; escrivães; 
membros do Ministério Público; militares; chefes de executivos municipais; entre 
outros. 
Entretanto, não há propriamente incompatibilidade. Não se pode encontrar uma 
razão plausível que justifique a impossibilidade do exercício da tutela mesmo pelos 
magistrados e outras pessoas ligadas aos serviços judiciários, a menos que tenham 
atuado no procedimento específico que concedeu a tutela a uma delas. Quanto aos 
militares, a não ser que se trate de parentes, mostra-se mais ponderável a razão que 
justifica a inviabilidade, em face das constantes mudanças de domicílio a que estão 
sujeitos, e em virtude da própria atividade que exercem. 
Não apenas certas funções públicas se revelam impróprias ou incompatíveis 
para o munus em exame, como também atividades particulares ou privadas. Nesta 
classe, encontram-se o exercício de trabalho profissional em lugar distante daquele 
onde se encontra domiciliado o tutelado; ou as atividades de duvidosa legalidade, 
como a exploração de jogos de azar; ou aquelas que permitem contatos com 
delinquentes e companhias inconvenientes à formação moral do menor. (RIZZARDO, 
2019). 
3.5 Direito de recusa 
A tutela é um encargo imposto por lei, e não pode ser recusada, exceto nos 
casos previstos no artigo 1.736 do Código Civil. 
Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela: 
I - mulheres casadas; 
 
22 
 
II - maiores de sessenta anos; 
III - aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; 
IV - os impossibilitados por enfermidade; 
V - aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; 
VI - aqueles que já exercerem tutela ou curatela; 
VII - militares em serviço. (BRASIL, 2002). 
Para declinar da indicação, é necessário haver um motivo a ser apresentado 
dentro de limitado prazo. 
Há divergência na lei. O Código Civil atribui o prazo de 10 dias para a recusa 
em seu artigo 1.738, já o Código Processual Civil estabelece o prazo de cinco dias 
para recusa em seu artigo 760. Devido ao CPC ser mais recente, é o prazo que 
prevalece. De qualquer modo, formulando o tutor o pedido de dispensa, dificilmente o 
juiz irá rejeitar seu afastamento por intempestividade. A tutela tem um componente de 
pessoalidade, e manter no encargo quem não o quer exercer só pode vir em prejuízo 
do tutelado. 
Conforme a redação do artigo 1.739 do CC, caso ocorra o indeferimento da 
escusa, o tutor exercerá o cargo até o julgamento do recurso, respondendo por 
eventuais perdas e danos. 
Os parentes não podem escusar-se do encargo, a não ser que haja algum outro 
em condições de exercer a tutela. Mas quem não for parente, em princípio, só pode 
escapar da indicação por um dos motivos nominados. 
Embora diga a lei que a tutela é obrigatória, possui grande inconveniência 
atribuir o encargo a alguém contra a sua vontade. Também não se pode reconhecer 
a relação das justificativas como numerus clausus. Fica a critério do juiz aceitar 
motivos outros que lhe pareçam plausíveis. 
O elenco revela certa preocupação em preservar a convivência dos tutores com 
seus pupilos, tanto que preconiza que sejam pessoas sadias, jovens, não tenham 
muitos filhos e se mantenham por perto. 
 
23 
 
É importante também abordar que de acordo com o artigo 760 § 1º do CPC, se 
o tutor não se manifestar, será considerado que renunciou ao direito de declinar do 
encargo. 
Por fim, o período da tutela é de, no mínimo, dois anos de acordo com a 
previsão do CC em seu artigo 1.765. (DIAS, 2021). 
3.6 Ação de nomeação do tutor 
A nomeação do tutor é regulada pelo Código Processual
Civil, mas tanto o 
Código Civil quanto o ECA possuem diversas normas com caráter procedimental. Dias 
(2021) aborda os procedimentos de forma objetiva: 
Conforme o CPC no artigo 215, II, trata-se de procedimento de jurisdição 
voluntária, que tramita durante as férias forenses. 
O ECA no artigo 201, III, expressa que o Ministério Público dispõe de 
legitimidade para a ação, quando a criança e o adolescente se encontram em situação 
de risco com os direitos reconhecidos no Estatuto ameaçados ou violados (artigo 98 
do ECA). Quem se candidata ao exercício da tutoria pode buscar sua nomeação. Nada 
impede, porém, que qualquer outra pessoa proponha a ação. Neste caso, aquele que 
tem preferência para o exercício do encargo precisa ser citado. 
A pessoa que não possuir idoneidade, não pode ser nomeada tutor (CC 1.732). 
Porém, no Código Civil em seu artigo 1.745 parágrafo único há a previsão de que, se 
considerável for o patrimônio do tutelado e o juiz não reconhecer a idoneidade do 
tutor, pode condicionar o exercício da tutela à prestação de caução, que pode ser real 
ou fidejussória. Trata-se de um ônus facultativo que pode ser imposto ou não. 
O tutor eximir-se do encargo nas hipóteses previstas no artigo 1.736 do CC. 
Para declinar da nomeação, O CPC atribuiu o prazo para cinco dias a contar da 
indicação e igual prazo quando sobrevier motivo de escusa (CPC 760). 
Nomeado, o tutor é intimado a prestar compromisso (ECA 32). Necessária a 
ouvida do tutelado, sempre que possível (ECA 28 § 1.º). Antes de assumir o encargo, 
deve o tutor declarar tudo o que o menor lhe deve, sob pena de não poder mais cobrar 
tais créditos (CC 1.751). 
Nem o Código Civil, nem o de Processo Civil determinam que o tutor 
especifique bens em hipoteca legal. Assim, não persiste a atribuição conferida pelo 
 
24 
 
ECA (201 IV) ao Ministério Público para promover, de ofício, a especificação e a 
inscrição de hipoteca dos curadores. 
3.7 Do exercício da tutela; direitos e obrigações do tutor 
Ao ser nomeado pelo juiz, o tutor deve assinar termo circunstanciado em que 
se discriminará os bens e valores do tutelado, que ficarão sob sua administração e 
responsabilidade. O CCB/1916 dizia hipoteca legal dos bens do tutor como garantia, 
o que também previa o Art. 37 do ECA. O CCB/2002 simplificou o exercício da tutela 
no que se refere a garantia, estabelecendo apenas uma caução, mas que também 
pode ser dispensada, e na prática geralmente o é, se o juiz assim entender, de acordo 
com a idoneidade do tutor. (PEREIRA, 2021). 
Recebendo os bens do tutelado, o tutor passa a administrá-los. Como não 
assume o poder familiar, não adquire a condição de usufrutuário (CC 1.689 I). 
Deve agir com zelo e boa-fé, no interesse do pupilo e sob a inspeção do juiz 
(CC 1.741). Sendo o patrimônio de valor considerável, pode o juiz determinar que o 
tutor preste uma caução, podendo ser dispensado se for pessoa de reconhecida 
idoneidade (CC 1.745 parágrafo único). 
É de tal importância a intervenção do juiz, que a lei gera sua responsabilidade 
direta e pessoal se não houver nomeado o tutor (CC 1.744, I). (DIAS, 2021) 
Ao exercer o encargo, o tutor se investe de obrigações em relação ao tutelado, 
como se estivesse no exercício da autoridade parental/poder familiar. Assim é sua 
obrigação, educá-lo, sustentá-lo, representá-lo em juízo e fora dele (art. 1.747 do CC), 
administrar seus bens, sob a inspeção do juiz (art. 1.740 do CC). Se forem muitos 
bens e exigirem uma administração mais complexa, mediante aprovação judicial, 
pode-se a nomeação de um protutor, que tem também a função de fiscalização (art. 
1.742 do CC). O juiz também tem a responsabilidade direta, e responsabilidade 
subsidiária, quando não remover o tutor suspeito de má administração (art. 1.744 do 
CC). (PEREIRA, 2021) 
A lei nega ao tutor legitimidade para praticar atos que colidam com os 
interesses do pupilo (CC 1.749). Praticados sem prévia autorização, ou sem posterior 
ratificação do juiz, são ineficazes (CC 1.748 parágrafo único). Responde o tutor civil e 
 
25 
 
penalmente pelos prejuízos que, por culpa ou dolo, causar ao tutelado (CC 1.752). 
(DIAS, 2021) 
Os bens imóveis do tutelado, assim como os do curatelado, só podem ser 
vendidos com autorização judicial, quando demonstrada vantagens ao menor, sob 
pena de nulidade. Da mesma forma, a aquisição de bens, ou disposição gratuita (arts. 
1.749 e 1.750 do CC). 
O tutor deve responder por prejuízos causados com o exercício da tutela. Por 
outro lado, tem direito a ser ressarcido pelo que tiver gasto com o tutelado. Tutor e 
protutor são solidários pelo exercício da tutela. O tutor tem direito a remuneração, 
assim como o curador, quando o tutelado tiver bens ou rendimentos suficientes, cujo 
valor será fixado pelo juiz com base no patrimônio do tutelado e nas circunstâncias do 
exercício da tutela. O protutor também tem direito a uma remuneração, obviamente 
menor, pela fiscalização efetivada do exercício da tutela (art. 1.752 do CCB/2002). 
(PEREIRA, 2021). 
3.8 Cessação da tutela e prestação de contas 
A tutela é um instituto que nasce com prazo certo para ser extinta, que é com 
a maioridade. Mas pode também cessar automaticamente com a emancipação, e 
também se o tutelado for adotado. 
O tutor deve prestar contas de sua administração, cada final de dois anos de 
seu exercício, ainda que os pais tenham dispensado, pois os direitos dos menores 
são indisponíveis (art. 1.745 do CCB/2002). Este período pode ser reduzido se o juiz 
assim o entender, ou quando o Ministério Público assim o exigir. A aprovação de 
contas tem que ser homologada pelo juiz, com a anuência do Ministério Público. 
(PEREIRA, 2021). 
Ainda que não se trate da ação de exigir contas (CPC 550 a 553), as contas 
devem ser apresentadas em forma contábil, em procedimento próprio e não nos autos 
da ação de tutela. 
Possui o Ministério Público de legitimidade para propor a ação de prestação de 
contas (ECA 201 IV). 
Também o tutelado tem legitimidade para exigir contas do tutor. 
 
26 
 
Tem o tutor o direito a ser reembolsado por despesas feitas e que foram 
proveitosas ao pupilo (CC 1.760). As despesas com a prestação de contas são pagas 
pelo tutelado (CC 1.761). (DIAS, 2021). 
Com o fim da tutela, seja pela emancipação, maioridade, ou adoção, a quitação 
dada ao tutor só terá efeitos depois de aprovada as contas pelo juiz. E se morre o 
tutor, seus herdeiros são responsáveis por essas contas (art. 1.755 do CCB/2002). 
(PEREIRA, 2021). 
3.9 Destituição 
De acordo com a previsão legal do artigo 38 do ECA, o tutor pode ser destituído 
do encargo, quando desprezar o dever de sustento, guarda e educação do pupilo. 
O procedimento de remoção está previsto no CPC arts. 761 e 762, com 
aplicação supletiva do procedimento de perda e suspensão do poder familiar previsto 
no ECA artigo 164. 
O Ministério Público, ou a pessoa que possuir o interesse legítimo, pode pleitear 
a remoção ou a dispensa do tutor (CPC 761). Nos casos que a gravidade for extrama 
será possível a suspensão liminar do encargo (CPC 762). O tutor é responsável pelos 
prejuízos que causar ao tutelado, quando ocorrer por dolo ou culpa. 
Quando o tutor descumprir os deveres específicos da tutela de forma dolosa ou 
culposa, e causar prejuízos ao tutelado, além de responder pelos danos, comete 
infração administrativa, sujeitando-se à pena de multa (ECA 249). 
Para a remoção do tutor, não é necessário que haja prova da sua ineficiência. 
Basta mera suspeita para o juiz afastá-lo, sob pena de, pessoalmente, responder por 
eventuais desmandos do tutor (CC 1.744 II). 
Sujeita-se à destituição o tutor que cometer crime doloso contra o pupilo, punido 
com pena de reclusão. Trata-se de efeito anexo da condenação (CP 92 II). 
Todos os delitos praticados contra pessoas com deficiência pelo seu tutor 
ensejam a majoração de um terço da pena (Estatuto da Pessoa com Deficiência
89 a 
91). (DIAS, 2021). 
 
27 
 
4 CURATELA 
A curatela é medida designada à proteção de pessoa maior de idade que, por 
alguma razão está incapacitada de gerir seus próprios atos ou de administrar seus 
bens. Trata-se de medida excepcional, que deverá durar o menor tempo possível, 
conforme expressa previsão do art. 84, § 3º, da Lei n. 13.146/2015 (Estatuto da 
Pessoa com Deficiência). 
Legalmente falando todas as pessoas adquirem a plena capacidade ao atingir 
a maioridade, motivo pelo qual se entende que a curatela é uma medida excepcional, 
devendo ser aplicada somente quando sua necessidade estiver devidamente 
comprovada. O Estatuto da Pessoa com Deficiência reforça a excepcionalidade da 
medida, pois é claro ao apregoar que a pessoa com deficiência tem assegurado o 
direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as 
demais pessoas (art. 84, caput, do Estatuto da Pessoa com Deficiência). 
Por isso afirma-se que a pessoa com deficiência possui a presunção legal de 
sua plena capacidade. Porém, uma vez constatada a incapacidade de exprimir sua 
vontade de forma livre e consciente, ela será considerada relativamente incapaz, 
podendo ser nomeado em seu favor um curador para assisti-la ou representá-la nos 
atos da vida civil. 
Pontua-se que a curatela será restrita aos atos relacionados aos direitos de 
natureza patrimonial e negocial (art. 85, caput, do EPD). Ademais, o Estatuto da 
Pessoa com Deficiência é claro ao dispor que “a definição da curatela não alcança o 
direito ao próprio corpo, à sexualidade, ao matrimônio, à privacidade, à educação, à 
saúde, ao trabalho e ao voto” (art. 85, § 1º, do EPD). Dessa forma, entende-se que o 
deficiente sob curatela poderá exercer livremente os referidos direitos, 
independentemente de assistência ou representação do curador, visto que sua 
atuação restringe-se aos aspectos patrimoniais e negociais. 
A curatela está limitada aos atos de natureza patrimonial ou negocial, o que 
significa dizer que o curatelado pode casar-se independentemente da anuência ou 
autorização do curador. Entretanto, para a celebração de pacto antenupcial, por tratar-
se de questão patrimonial, precisará, necessariamente, da assistência de seu curador. 
Insta salientar que a curatela não se confunde com a tutela, isso porque, 
conforme visto, a curatela destina-se, em regra, à proteção de pessoa maior de idade, 
 
28 
 
enquanto a tutela é medida direcionada em favor de criança ou adolescente. Além 
disso, a curatela é restrita à administração dos bens do incapaz, o que não ocorre com 
a tutela, que é mais ampla, visto que, além da administração dos bens, abrange 
também a representação da pessoa do tutelado, sua criação e educação. Anota-se, 
contudo, que, a despeito das diferenças apontadas, tanto a tutela quanto a curatela 
são institutos de proteção, e, por essa razão, o art. 1.774 do Código Civil consigna 
que se aplicam à curatela, no que couberem, as disposições concernentes à tutela. 
(RAMOS, 2020). 
A Curatela é um dos institutos de proteção aos incapazes, ao lado da TDA – 
tomada de decisão apoiada), Tutela e do Poder Familiar/ guarda. Está regulamentado 
no CCB/2002 dos artigos 1.767 a 1.783 e trata da proteção aos maiores incapazes. 
Tal incapacidade, em geral, decorrente de um estado mental “incompleto” ou que 
produz uma “certa loucura”, na linguagem do CCB/1916, “ou pessoa com deficiência 
mental”, na expressão do CCB/2002, inviabilizando e comprometendo o elemento 
volitivo do sujeito. Com a lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência – 
EPD, estas expressões para designar os sujeitos com determinados estados mentais, 
passaram a ser chamados de “Pessoas com Deficiência”, que é diferente de pessoa 
deficiente (ver item 15.2.6). Novas expressões ressignificam e introduzem novos 
significados e significantes para a incapacidade do sujeito. Mas não podemos perder 
o fio da história e, portanto, é preciso entender como o Direito sempre tratou a loucura. 
A loucura, a insanidade e a demência interessam ao Direito porque está aí a 
medida da determinação da capacidade do sujeito para praticar atos da vida civil. Atos 
que fazem fatos, que fazem contratos, que fazem negócios, enfim, que expressam 
vontade. Vontade dentro dos limites de uma razão. Interessa, então, ao Direito saber 
qual o limite da razão e da desrazão, o limite da loucura e da sanidade. Os atos 
jurídicos são determinados essencialmente pelo elemento volitivo, que por sua vez 
estão contidos na ordem psíquica, que vão demarcar os limites da capacidade. 
A expressão “louco de todo gênero”, utilizada pelo Código Civil de 1916, não 
foi recepcionada pelo CCB/2002. Ela adveio da influência do Código Criminal do 
Império (1850), tornou-se corriqueira, embora já fosse criticada desde o início de seu 
uso por Clóvis Beviláqua. 
Não é fácil encontrar uma expressão totalmente adequada e assertiva para 
designar aqueles que são passíveis de curatela. O atual código, ao utilizar as 
 
29 
 
expressões “enfermidade ou deficiência mental”, traduz uma evolução do conceito, 
embora ainda esteja em evolução. Como se disse, o Estatuto da Pessoa com 
Deficiência passou denominá-las apenas de “Pessoas com Deficiência”. No futuro, já 
que as palavras evoluem e mudando o seu significante, provavelmente, serão 
chamadas de “Pessoas com diversidade funcional ou diversidade orgânica”. 
Independentemente da nomeação que se dê ao sujeito incapaz de praticar atos 
da vida civil, o cerne da questão está em saber, objetivamente, os limites da 
capacidade e responsabilidade de seus atos. Para o Direito Penal pode ocasionar a 
inimputabilidade. No Direito Civil, a incapacidade declarada em processo judicial 
passa a ter necessidade de alguém que responda civilmente pela pessoa, isto é, um 
curador. (PEREIRA, 2021). 
4.1 Quem pode ser curatelado e quem pode requerer a curatela? 
Com o início da vigência da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com 
Deficiência, ratificada pelo Brasil, por meio do Decreto 6.949/2009, do qual originou a 
Lei 13.146/2015, mais conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência – EPD, 
concepção de capacidade foi ressignificada, inclusive com a introdução de uma nova 
expressão, pessoa com deficiência (e não portadora de deficiência ou pessoa 
deficiente). E assim não se pode mais falar de interdição e interditado. Não se interdita 
pessoas e direitos, apenas protege-se. De acordo com o EPD essas expressões ainda 
presentes no CCB/2002 e no CPC/15 devem ser lidas como curatela, curatelado. 
(PEREIRA, 2021). 
Estão sujeitos à curatela as pessoas que não têm total controle de suas 
vontades, seja em razão de saúde mental, ébrios contumazes, viciados, pródigos, 
enfim, todos àqueles previstos no artigo 1.767 do Código Civil, vejamos: 
Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: 
I - Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir 
sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
III - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 
13.146, de 2015) (Vigência) 
 
30 
 
IV - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
V - Os pródigos. (BRASIL, 2002) 
A idade avançada, por si só, não é motivo para a curatela. 
Pode requerer a curatela as pessoas mais próximas do curatelado, seja em 
razão de parentesco ou conjugalidade. Quem requerer a curatela, não 
necessariamente a exercerá. Obviamente que não pode ser curador quem tem 
desavenças com o curatelado. (PEREIRA, 2021) 
Vejamos a norma do Código Processual Civil que indica os legitimados para 
requerer a curatela: 
Art. 747. A interdição pode ser promovida: 
I - pelo cônjuge ou companheiro; 
II - pelos parentes ou tutores; 
III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o 
interditando; 
IV - pelo Ministério Público. 
Parágrafo
único. A legitimidade deverá ser comprovada por documentação 
que acompanhe a petição inicial. (BRASIL, 2015) 
Essa legitimidade não possui uma ordem de preferência, por isso qualquer dos 
indicados pode propor a ação, sendo a legitimação concorrente. 
A judicialização não é prerrogativa de uma única pessoa. Mais de um legitimado 
pode requerer a curatela, nesse caso forma-se um litisconsórcio ativo facultativo. 
Assim, ambos os pais ou mais de um parente, podem propor a ação, cabendo ao juiz 
escolher, oportunamente, quem vai exercer o encargo. 
De outro lado, proposta a ação por um dos legitimados, outros dispõem 
legitimação pode participar do processo na condição de assistente litisconsorcial (CPC 
124). 
A ordem de preferência deve ser obedecida na escolha do curador. Intentada 
a ação por qualquer dos legitimados, o magistrado irá nomear o curador de acordo 
com a prioridade estabelecida na lei. Contudo, não pode haver rigidez na escolha, 
 
31 
 
pois é necessário atender ao interesse do curatelado. De preferência, é de ser eleita 
a pessoa com quem ele tenha alguma afinidade. (DIAS, 2021). 
O CPC/2015 revogou os artigos 1.768 a 1.773 do CCB/2002, que tratavam da 
promoção da curatela, que na linguagem antiga, denominava interdição, por não 
serem regras de direito processual. Entretanto, essas regras do CPC, devem ser 
interpretadas de acordo com o EPD, que regulamenta a Convenção dobre os Direitos 
da Pessoa com deficiência, que tem força de Emenda Constitucional (art. 5º, § 3º da 
CR). 
Aplica-se as regras da tutela à curatela (art. 1.781 do CCB/2002), inclusive em 
relação a prestação de contas, à exceção do cônjuge/companheiro, que não precisam 
prestar contas, se o regime for o da comunhão universal de bens (art. 1.783 do 
CCB/2002) e art. 1.783-A, §§ 1º, 2º, 3º, 4º e 5º, acrescentados pela Lei 13.146/2015. 
(PEREIRA, 2021). 
Sobre o cônjuge ou companheiro legitimado para requerer a decretação da 
curatela, é a pessoa com quem o interditando é casado ou vive em união estável. 
Como a separação de fato põe fim ao casamento e à união estável, cessado o vínculo 
de convívio, não mais cabe falar em cônjuge ou companheiro. De qualquer maneira, 
o ex-cônjuge ou ex-companheiro deve comunicar ao Ministério Público a ocorrência 
de doença mental grave, para que promova a ação (CPC 748). No que se refere ao 
ex-cônjuge e ex-companheiro, esses não podem ser nomeados curador, mesmo que 
um deles venha a propor a ação, porque a separação de corpos, ou apenas de fato, 
impede o exercício da curatela (CC 1.775). 
Aos parentes ou tutores, legitimidade conferida pelo artigo 747, II do CPC, pode 
qualquer parente promover a ação de curatela. É importante tratar da conceituação 
de parente, o código civil estabelece: ascendentes e descendentes de qualquer grau 
(CC 1.591) e parentes em linha colateral até o quarto grau (CC 1.592). Como a 
afinidade gera relação de parentesco (CC 1.595 § 2º), nada impede que parentes afins 
requeiram e exerçam a curatela. 
Não existe ordem de prioridade para os parentes requererem a curatela. A 
ordem de preferência para a nomeação do curador, não é obrigatória, devendo 
atentar-se mais ao interesse do curatelado. 
 
32 
 
Ao tratar do representante de entidade de abrigamento, é necessário abordar 
o abandono de pessoas, em instituições públicas ou privadas, que necessitam de 
algum cuidado por apresentarem graus de vulnerabilidade física ou psíquica. 
Além de lá serem abandonados, seus bens e direitos são usufruídos por 
aqueles que o abandonaram. Daí a legitimidade do representante da entidade em que 
ele se encontra abrigado de requerer a curatela e ser nomeado curador (CPC 747 III). 
Essa foi a forma encontrada para que os benefícios da pessoa com deficiência 
revertam em seu proveito próprio. (DIAS, 2021). 
No que se refere à legitimidade do Ministério Público: 
Art. 748. O Ministério Público só promoverá interdição em caso de doença 
mental grave: 
I - se as pessoas designadas nos incisos I, II e III do art. 747 não existirem ou 
não promoverem a interdição; 
II - se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas nos incisos I e II 
do art. 747. (BRASIL, 2015) 
Conforme observa-se logo no caput do artigo 748, o Ministério Público possui 
uma competência residual, pois só pode agir se o cônjuge ou o companheiro não 
promoverem a ação ou forem incapazes para o seu exercício. Também deve propor 
a ação se a entidade cuidadora não o fizer. 
Ainda que o instituto da tutela diga respeito a menores e a curatela vise à 
proteção de maiores incapazes, o ECA defere legitimidade ao Ministério Público para 
promover ação de nomeação de curador (ECA 201 III), o que alcança também os 
maiores. Da mesma legitimação, e injustificadamente, não dispõe a Defensoria 
Pública. 
Nas hipóteses de deficiência mental ou intelectual a legitimidade ministerial 
deve se harmonizar com o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Mesmo não sendo o 
autor da ação, a presença do agente ministerial é sempre indispensável, intervindo 
como fiscal da ordem pública (CPC 752 § 1º). (DIAS, 2021). 
 
33 
 
4.2 Espécies de curatela 
Existem diferenças entre os graus de discernimento e inaptidão mental, a 
curatela admite graduações, gerando efeitos distintos a depender do seu nível de 
consciência. Quando houver a ausência total de capacidade, é evidente que existe 
um impedimento da lúcida manifestação de vontade, a interdição é absoluta para 
todos os atos da vida civil (CC 1.767, I). O incapaz deve ser representado, visto que 
é nulo o ato quando praticado sozinho (CC 166, I). Não pode nem ser ratificado pelo 
curador. 
Quando a pessoa dispor de parcial discernimento, cabe ao juiz limitar a curatela 
à prática de certos atos. Existe a sugestão para esses casos - não imposição - de que 
as restrições sejam as mesmas previstas para os pródigos (CC 1.782). Os atos 
celebrados sem assistência do curador e não ratificados por ele, podem ser anulados. 
A curatela não torna o curatelado absolutamente incapaz. O grau de 
incapacidade deve ser distinguido. Desse modo, o curador representa o curatelado 
absolutamente incapaz e o assiste quando sua incapacidade é relativa. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência visa resguardar a autonomia de espaços 
de liberdade. A doutrina explica que: 
É preciso privilegiar, sempre que possível, as escolhas de vida que o 
deficiente psíquico é capaz, concretamente, de exprimir, ou em relação às 
quais manifesta notável propensão. Permitir que o curatelado decida sozinho 
questões para as quais possui discernimento é uma forma de tutela da 
pessoa, pois a autonomia da vontade é essencial para o livre 
desenvolvimento da personalidade. A real necessidade da pessoa com algum 
tipo de doença mental é menos a substituição na gestão patrimonial e mais, 
como decorrência do princípio da solidariedade e da função protetiva do 
curador, garantir a dignidade, a qualidade de vida, a recuperação da saúde e 
a inserção social do interditado. (PERLINGIERI , apud DIAS, 2021, p. 938). 
4.2.1 Autocuratela 
É a curatela em que o próprio e possível curatelado nomeia seu curador por 
meio de um mandato futuro. Isto se viabiliza, por meio de uma procuração com 
poderes específicos outorgados por alguém que já tenha conhecimento de sua 
doença degenerativa, ou situações em que o mandante poderá ficar incapacitado de 
expressar sua vontade, outorgando poderes ao mandatário para administrar seus 
 
34 
 
bens e atos da vida civil, bem como respeitar sua vontade estabelecida após sua 
incapacidade. (PEREIRA, 2021). 
Uma pessoa capaz pode firmar uma declaração de vontade para que alguém, 
diante de uma situação de incapacidade, previsível ou não, organize sua futura 
curatela. Pode eleger um curador bem como indicar órgãos de fiscalização de gestão 
de seus bens. A autocuratela permite que a pessoa designe quem gostaria que a 
protegesse e cuidasse. 
Mesmo que a pessoa com deficiência
possa requerer a autocuratela, essa ação 
não impede a ação de curatela nem a designação de outro curador. 
O mandato permanente trata-se de um negócio jurídico atípico, visto que o fato 
de não estar previsto na lei, não impede que se respeite a vontade de alguém, mesmo 
depois de interditada. 
O direito das pessoas se autodeterminarem quanto aos seus bens é 
assegurado pelo princípio da liberdade e o direito ao exercício da autonomia privada. 
Daí a possibilidade de o mandante agir de acordo com a sua vontade no que concerne 
a questões patrimoniais. (DIAS, 2021). 
A autocuratela é uma forma preventiva para garantir direitos do futuro 
curatelado, assegurando sua vontade, ao escolher antecipada e preventivamente seu 
curador, sem necessidade de nomeação judicial para as vontades e determinações 
estabelecidas naquele mandato. Em verdade, a autocuratela é o indicativo de uma 
autodeterminação, que se concretizará com a curatela propriamente dita, com um 
processo judicial futuro. 
É o princípio da liberdade e da autonomia privada que autoriza tais 
instrumentos, ainda que não haja regras expressas para fazê-lo. Mas afinal, nada 
melhor para expressar a vontade da pessoa, no caso de futura incapacidade, do que 
esse instrumento, que muito se assemelha à curatela mandato. O instrumento da 
autocuratela tem condição suspensiva, pois só terá eficácia caso o mandate perca a 
capacidade. É baseado no princípio da confiança, e por isto, não pode ter 
substabelecimento. (PEREIRA, 2021). 
4.2.2 Curatela provisória 
A curatela provisória pode ser concedida diante de três hipóteses: 
 
35 
 
A primeira é quando algum motivo imprevisível faz com que a pessoa fique 
impossibilitada por um tempo para os atos da vida civil; 
A segunda ocorre no momento em que comprovada a situação incapacitante 
por atestado médico, mediante singelo pedido judicial, é possível a concessão de 
alvará para o atendimento de necessidades específicas. Não cabe falar em 
incapacidade que dê ensejo à decretação da curatela; 
Por fim, em casos de relevância e urgência, a fim de proteger os interesses da 
pessoa em situação de curatela, o Estatuto da Pessoa com Deficiência autoriza o juiz, 
de ofício ou a requerimento do interessado, ouvido o Ministério Público, nomear, 
desde logo, curador provisório (EPD 87). 
Proposta a ação de curatela, o juiz pode nomear curador provisório ao 
interditando para a prática de determinados atos (CPC 749 parágrafo único). Trata-se 
de tutela provisória de urgência de natureza satisfativa, a título de tutela antecipada. 
E, justamente por esta razão não se pode justificar a medida exclusivamente na 
urgência, porque a tutela de urgência exige também a probabilidade da existência do 
direito (CPC 300). (DIAS, 2021). 
4.2.3 Curatela compartilhada 
Dias (2021) explica de forma objetiva que o Código Civil confere legitimidade 
ao pai ou à mãe para o exercício da curatela (CC 1.775 § 1º). Mas a jurisprudência 
passou conceder curatela compartilhada a ambos os genitores. Esta possibilidade foi 
acolhida pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, ao conferir legitimidade ao juiz para 
estabelecer a curatela a mais de uma pessoa (CC 1.775-A). Assim, não só pais, mas 
quaisquer outras pessoas, que sejam parentes ou não do curatelado, podem dividir o 
exercício da curatela. Também a pessoa com deficiência pode indicar uma ou mais 
pessoas para o exercício da curatela. Basta o juiz reconhecer que atende ao seu 
melhor interesse. 
 
36 
 
4.3 Nascituro 
Sobre a curatela daquele que ainda não nasceu (nascituro), é expresso no 
artigo 2º do CC que a personalidade civil da pessoa é adquirida a partir de seu 
nascimento com vida, porém, o nascituro possui direitos assegurados. O artigo 1.779 
do CC disciplina uma curatela especial, determinando que dar-se-á curador ao 
nascituro, se o pai falecer estando grávida a mulher, e não tendo o poder familiar. E, 
se a mulher estiver interdita, seu curador será o do nascituro. Nesta hipótese podendo 
ser titular de direitos, desde que subordinado a condição suspensiva que é o 
nascimento com vida. (PEREIRA, 2021). 
Não se encontra muita justificativa para a determinação de nomeação de 
curador ao nascituro (CC 1.779): dar-se-á curador ao nascituro, se o pai falecer 
estando grávida a mulher, e não tendo o poder familiar. A finalidade é resguardar os 
direitos do nascituro, assegurados desde a concepção. 
Garantia dos direitos do filho nascituro é assegurada em procedimento 
específico, que prevê a possibilidade de nomeação de curador (CC 1.779). Se a mãe 
for capaz, não se atina como afastar o poder familiar da mãe, pelo fato de o filho ainda 
não ter nascido. De qualquer forma, não só no caso de morte do pai haveria de se 
cogitar da nomeação. Desconhecido, ausente ou incapaz o genitor, cabe a nomeação. 
Estando a gestante interditada, seu curador será curador do nascituro (CC 1.779 
parágrafo único). Trata-se de uma curadoria temporária, eis que, quando do 
nascimento, a criança deverá ser posta sob tutela. (DIAS, 2021). 
4.4 Extinção da curatela e prestação de contas 
A curatela se extingue, quando não tem prazo determinado pelo juiz, com a 
morte do curatelado ou quando os motivos geradores dela se modificarem e não há 
mais necessidade de sua manutenção. As causas mais comuns de suspensão ou 
extinção da curatela são quando o sujeito recobrou o estado de consciência, saiu do 
coma, cessou o alcoolismo, ou alguém que mesmo não tendo cura mantém 
tratamento que restitui sua estabilidade emocional que lhe devolve a lucidez, e o 
reabilitar a praticar os atos negociais. 
 
37 
 
Independentemente de cessar a curatela deve-se fazer a prestação de contas, 
como previsto nas regras de tutela (arts. 1.755 e seguintes). O CPC também 
estabeleceu regras de prestação de contas em seu artigo 763, § 2º. (PEREIRA, 2021). 
O curador tem o dever de prestar contas, uma vez que está na posse e 
administração dos bens do curatelado (CC 1.755 e 1.774). O ECA atribui ao Ministério 
Público legitimidade para promover a ação de prestação de contas (ECA 201 IV). Ou 
ação de exigir contas, conforme o Código de Processo Civil (550 a 553). 
Em face do poder familiar os pais são usufrutuários dos bens do filho (CC 
1.689). Nomeados os curadores dele, estão dispensados de prestar contas. 
Quando o regime de bens do casamento for o da comunhão universal, 
nomeado o cônjuge como curador, está dispensado de prestar contas (CC 1.783). No 
entanto, nos demais regimes, em que são comuns os bens adquiridos durante a união, 
nada justifica a imposição. Na união estável também cabe a dispensa da prestação 
de contas. Afinal, está o curador na posse e administração de bens que são comuns 
com o incapaz, tendo a responsabilidade como usufrutuário, procurador ou depositário 
(CC 1.652). 
De qualquer modo, mesmo quando existe a obrigação de prestar contas, é 
possível a dispensa de sua apresentação se inexiste patrimônio ou a renda do 
curatelado é de pequena monta. 
As contas devem ser apresentadas em procedimento próprio e não nos autos 
da ação de curatela. (DIAS, 2021). 
5 TOMADA DE DECISÃO APOIADA 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência introduziu no Código Civil o art. 1.783-
A, esse artigo trata de um instrumento destinado à proteção da pessoa com 
deficiência, o qual é denominado “tomada de decisão apoiada”. Essa medida permite 
que a pessoa com deficiência institua ao seu redor uma rede de pessoas confiáveis 
que lhe apoiará no exercício dos atos da vida civil. (RAMOS, 2020). 
Segundo dispõe o art. 1.783-A, caput, do Código Civil: 
A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com 
deficiência elege pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as quais 
mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na 
tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e 
 
38 
 
informações necessários para que possa exercer sua capacidade.
(BRASIL, 
2002). 
Determinado instrumento é voltado para as pessoas que, apesar de possuírem 
alguma restrição de autodeterminação, preservam a capacidade de compreensão, de 
forma ainda que precária. A tomada de decisão apoiada é uma opção intermediária 
que pode ser utilizada pela pessoa que, embora não consiga exercer plenamente sua 
capacidade, possui certa aptidão de fazer-se compreender, de modo que não se 
mostra razoável atribuir-lhe a incapacidade relativa. 
Portanto, a pessoa que se vale da tomada de decisão apoiada não poderá ser 
considerada incapaz, sendo assim, a utilização do referido instituto não interfere na 
capacidade da pessoa com deficiência, que será conservada. 
O requerimento para a tomada de decisão apoiada deve ser feito pela pessoa 
que deseja ser apoiada, por meio judicial, o requerente deve indicar de forma 
expressa, o nome de pessoas aptas a lhe prestarem o apoio (art. 1.783-A, § 2º, do 
CC). Também é necessário que a pessoa com deficiência e os apoiadores 
apresentem um termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os 
compromissos dos apoiadores, nesse termo, também deve estar incluso o prazo de 
vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa 
que devem apoiar (art. 1.783-A, § 1º, do CC). (RAMOS, 2020). 
O § 3º do art. 1.783-A do Código Civil prevê que, antes de decidir sobre o pedido 
de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, ouvirá o 
Ministério Público, o interessado e os apoiadores. São necessários esses cuidados 
para que se certifique que o termo de decisão apoiada apresentado realmente atende 
aos interesses da pessoa com deficiência. 
Por refletir na esfera da legitimidade, a tomada de decisão apoiada terá 
validade e efeitos sobre terceiros, que poderão, inclusive, solicitar que os apoiadores 
contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em 
relação ao apoiado, como forma de conferir maior segurança jurídica (art. 1.783-A, §§ 
4º e 5º, do CC). 
Na tomada de decisão apoiada é necessário dois ou mais apoiadores, motivo 
pelo qual existe a hipótese da divergência de opinião entre os apoiadores, nesse caso, 
as divergências que possuem relação com o negócio jurídico e que possa ocasionar 
risco ou prejuízo relevante à pessoa com deficiência, estas deverão ser decididas pelo 
 
39 
 
juiz, após oitiva do Ministério Público (art. 1.783-A, § 6º, do CC). Por outro lado, 
tratando-se de negócios jurídicos de menor relevância, será dispensável a intervenção 
judicial, podendo o apoiado decidir sobre a opinião que prevalecerá. 
Pode apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz, a pessoa apoiada, 
ou qualquer pessoa em seu favor, quando o apoiador agir com negligência, exercer 
pressão indevida ou não cumprir com as obrigações assumidas, podendo o juiz 
destituir o apoiador e nomear outro em seu lugar se este for o interesse do apoiado 
(art. 1.783-A, §§ 7º e 8º, do CC). 
O término da tomada de decisão apoiada pode se dar a qualquer tempo, por 
solicitação da pessoa apoiada, sem necessidade de motivação. Além disso, é possível 
que um dos apoiadores queira retirar-se do processo de decisão apoiada, nesse caso 
ele deverá solicitar sua saída ao juiz (art. 1.783-A, § 10, do CC), que ouvirá a pessoa 
apoiada sobre o interesse de substituí-lo. (RAMOS, 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BRASIL. LEI Nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Disponível em: < 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm> 
 
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TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil: volume único / Flávio Tartuce. – 11. ed. 
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