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Formação: ◦ Farmácia Industrial (UFRGS, 1990) ◦ Tecnologia de Processos Gerenciais (Sociesc, 2011) ◦ Especialização em Direito à Saúde (Unisinos/ESP-RS, 2011) Atuação: ◦ CRF/RS (1992): Orientação Técnica, Registros PF, Apoio aos Grupos Técnicos de Trabalho do CRF/RS ◦ Docente colaborador pós-graduação Temas de interesse profissional: ◦ Bioética e legislação farmacêutica ◦ Direito à saúde e judicialização ◦ Práticas integrativas e complementares ◦ Saúde e espiritualidade Para garantir o acesso e a qualidade dos tratamentos farmacológicos, os profissionais de saúde, incluindo os farmacêuticos, devem desenvolver habilidades técnicas para a avaliação crítica e a aplicação das informações científicas disponíveis sobre terapêutica [e sobre outros temas em saúde]. Para tanto, é necessário a tomada de decisões sustentadas nas melhores evidências [disponíveis], selecionando produtos e procedimentos que atendam aos reais interesses dos pacientes e da sociedade. E essas condutas fundamentadas em evidências levam à sistematização da seleção, da análise e do uso das melhores informações científicas em saúde, com o emprego de ferramentas da epidemiologia clínica. Tudo isto é um apoio indispensável aos profissionais da saúde para melhorarem a qualidade do atendimento às necessidades clínicas dos pacientes. Estas considerações publicadas em 2010 continuam atuais... Falaremos sobre: - Condutas farmacêuticas e implicações - Fontes de informação: tipos, classificação, seleção - Análise crítica da literatura - Fontes consultadas A formação generalista do Farmacêutico (Res. CNE nº 06/2017) deve... - Estar centrada nos fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica [...] em prol do cuidado à saúde do indivíduo, da família e da comunidade; - Ser pautada em princípios éticos e científicos, capacitando-o para o trabalho nos diferentes níveis de complexidade do sistema de saúde, por meio de ações de prevenção de doenças, de promoção, proteção e recuperação da saúde, em trabalho de pesquisa e desenvolvimento de serviços e de produtos para a saúde; - Ser humanista, crítica, reflexiva e generalista, considerando [...] a tomada de decisão com base na análise crítica e contextualizada das evidências científicas, da escuta ativa do indivíduo, da família e da comunidade; e ser baseada na busca, seleção, organização, interpretação e divulgação de informações, que orientem a tomada de decisões baseadas em evidências científicas, em consonância com as políticas de saúde). Falar sobre “decisões baseadas em evidências científicas” é atuar em consonância com a Medicina Baseada em Evidência (MBE), ou condutas fundamentadas em evidências: conjunto de estratégias combinadas, resultantes de avanços nas áreas de informática e epidemiologia clínica, cujo objetivo é assegurar que o cuidado individual ao paciente seja alicerçado na melhor e mais atualizada evidência, resultando no melhor desfecho possível. A intuição, a experiência clínica não-sistemática (sem método) e o raciocínio fisiopatológico, não são as melhores razões, nem suficientes, para a tomada da melhor decisão clínica; por outro lado, uma evidência isolada nunca é suficiente para tomar uma decisão clínica. A MBE é um termo moderno que inclui a correta formulação de questões clínicas, a busca das melhores evidências disponíveis sobre aquelas questões, o julgamento sobre a qualidade das informações obtidas para embasar as decisões clínicas e a utilização dessas informações no cuidado com os pacientes. A MBE visa a prática clínica cientificamente orientada; para tanto, necessita busca sistemática e reprodutível de respostas adequadas. Anexo 1 – referenciais teóricos normativos sobre direitos e obrigações relacionados com o profissional farmacêutico e estabelecimentos que atuam direta ou indiretamente com informação técnica. São implicações dos atos farmacêuticos e de empresas que não cumprem os requisitos apresentados sobre informação técnica não baseada em evidências, seja informação farmacológica ou não farmacológica: - Riscos ao paciente e à Saúde Pública: Uso não racional do medicamento, levando a possível reação adversa, interação ou intoxicação, inclusive graves. Encaminhar à VISA, CRF e PROCON. - Riscos à Profissão Farmacêutica: Exercício profissional com interferência inadequada de leigos e/ou com interferência (de leigos, ou não) sem justificativa técnica plausível. Encaminhar à VISA, CRF e Sindifars. Como contribuir para evitar esses riscos?? Mas lidar com informação técnica relacionada a medicamentos (e, por extensão, a tecnologias de saúde), exige do Farmacêutico o atendimento de componentes, como: - O cumprimento de regras e leis, as quais preconizam os direitos, obrigações e limites para uso desta informação (Anexo 1); - Compreensão da sua importância na relação farmacêutico-paciente, e da complexidade da sua prática profissional no que se refere à obtenção e difusão de informação técnica adequada e segura; - A tríade conhecimento-habilidades-competências para lidar com a melhor informação técnica disponível; Investir na complexidade relacionada com informação técnica... Ou seja, é saber o que procurar? Onde? Como? Para quê?... Sobre a tríade: o farmacêutico necessita saber buscar as informações técnicas em fontes confiáveis, e saber analisar estas informações! Em relação à informação sobre medicamentos, a Farmácia é uma profissão da área da saúde com aspectos peculiares: - As tecnologias de saúde utilizadas na profissão são continuamente atualizadas; - O farmacêutico se depara diariamente com um volume crescente de informações relacionadas ao seu trabalho, plano de negócio, aos produtos e serviços que oferece ao público, às práticas que realiza, entre outros; - As informações provêm de diversas origens: fabricantes, distribuidoras, centros de pesquisa, instituições de ensino, instituições governamentais, associações, sindicatos, hospitais, serviços/centros de informações, e leigos; - São recebidas por aplicativos, pela web, redes sociais, materiais impressos, livros, televisão, revistas, jornais; - Existem fontes automatizadas para busca de informação... ETAPAS SUGERIDAS para estruturar uma rotina de busca e análise crítica de informações técnicas em fontes confiáveis : 1- Momento e local para atuação do farmacêutico; 2- Conhecer os tipos de fontes de informação 3- Seleção prévia de fontes para consulta 4- Sistemática estruturada para o processo da informação - Recebimento da consulta - Delimitação do tema da demanda a ser consultada - Escolha das fontes para consulta - Busca da informação e leitura crítica - Elaboração da resposta, envio e registro - Elaboração de estatísticas e relatórios 1- Momento e local para atuação do farmacêutico Existem informações que o farmacêutico pode fornecer de pronto a quem necessitar, seja presencialmente ou remotamente; Mas em alguns casos necessitará contextualizar a situação para a busca da informação, seja, por exemplo, pela complexidade do tema ou da necessidade de entrevista/anamnese em local reservado com o paciente, como durante o atendimento na sala de serviços farmacêuticos ou no consultório farmacêutico. 2- Conhecer os tipos de fontes de informação: exemplos – Anexo 2 Categoria Característica Vantagem/desvantagem Terciária Informação já sistematizada e avaliada, obtida de outras fontes, para consulta na forma de livros ou e-book especializados, bases de dados eletrônicas, artigos de revisão, revisões sistemáticas (com ou sem metanálise) Maioria das informações necessárias aos profissionais pode ser encontrada; Útil no dia-a-dia do farmacêutico para consultas sobre reações adversas, interações, estabilidade físico-química, indicação de uso, administraçãode medicamentos, precauções, contraindicações, farmacoterapia de eleição... A informação pode estar desatualizada. Dentre as fontes terciárias, sugere-se a consulta inicial em livros e fontes de informação especializadas (físicas ou eletrônicas) e, havendo necessidade, em bases de dados contendo revisões sistemáticas criticamente avaliadas. Secundária Serviços de indexação e resumo da literatura primária Útil para consultas específicas sobre temas cuja informação não foi localizada em fontes terciárias: estabilidade de medicamento injetável após rompimento da embalagem primária, estabilidade da mistura de dois medicamentos injetáveis em um mesmo equipo de infusão, uso clínico off label de medicamento em paciente hospitalizado, busca prévia de informação para pesquisa clínica... O resumo do artigo pode ser visualizado; Nem sempre se consegue copiá-lo. Demanda maior tempo para busca e seleção de resumos relacionáveis ao contexto da dúvida do profissional. Primária Ou literatura primária: são constituídas por pesquisas publicadas em revistas biomédicas, ou seja, são artigos originais em que aparece pela primeira vez na literatura qualquer informação É a mais abundante: existem milhares de publicações sendo indexadas diariamente nas diversas bases de dados de artigos, com diferenças significativas na amostra utilizada, intervenção, controle e desfecho; É útil na busca de informação (evidências) para pesquisa clínica. É praticamente impossível o profissional realizar a consulta para situações rotineiras. Mais difícil de ser manejada, avaliada e utilizada. 3- Seleção prévia de fontes para consulta Conjunto de fontes de informação pré-selecionadas para utilização. Sugestão de critérios gerais para seleção destas fontes, sejam primárias, secundárias ou terciárias (adaptado de Malone): Sejam independentes Fontes mantidas/elaboradas por instituições de educação, organizações médicas sem fins lucrativos ou instituições governamentais parecem conter informação de maior qualidade, enquanto que informação proveniente de fabricantes e outros atores da cadeia farmacêutica pode ser questionável devido ao viés mercadológico. Contenham informações confiáveis Baseadas em evidências de qualidade e ou proveniente de fonte independente. Declarem a existência, ou não, de algum conflito de interesse relacionados aos autores e/ou editores Se houve financiamento público ou privado, se os autores participam de eventos/viagens custeados pelo fabricante do produtos sobre os quais estão divulgando informações... Sugestões específicas a serem observadas no processo de seleção das fontes (adaptado de Malone): Fontes de informação físicas A fonte é independente e confiável? A informação é precisa e atual? A informação é detalhada e referenciada de forma apropriada? É possível identificar o autor/editor para contatar sobre questionamentos adicionais ou comentários? Possui edição sequencial com intervalo de tempo adequado? Possui índice remissivo ou sistemática de busca para acesso rápido da informação? Fontes de informação eletrônicas A fonte é independente , confiável, não robotizada? A informação é precisa e atual? A informação é detalhada e referenciada de forma apropriada? É possível identificar o autor/editor do site para contatar sobre dúvidas adicionais ou comentários? O site possui link para outros sites não afiliados que fornecem informações consistentes? O site é mantido por instituições de educação, organizações médicas sem fins lucrativos ou instituições governamentais? É descrita a data da atualização da informação e o respectivo conteúdo atualizado? O material permite a busca intuitiva da informação? 4- Sistemática estruturada para o processo da informação - A leitura crítica da literatura está inserida no processo da informação, que envolve diversas etapas. O farmacêutico pode se deparar com dúvidas de... ...diversas complexidades em relação aos temas ...de diferentes origens quanto ao consulente (paciente, consumidor, colaborador, chefia, profissional de saúde, do próprio farmacêutico...) ...diferentes localidade (bairro, cidade, instituição)... ...diferentes formas de contato utilizado (presencial, telefônico, aplicativo, e-mail...) - Esta diversidade poderá influenciar no tempo para resolução da dúvida, na forma e conteúdo da resposta, e seu envio. - Por isso da necessidade de possuir uma sistemática estruturada para todo esse processo, com procedimentos, instruções, formulários e modelos estabelecidos e compreendidos por toda a equipe. 4.1. Recebimento da consulta (pergunta, demanda) Registrar a dúvida técnica do consulente em algum suporte (planilha, formulário, sistema...), físico ou eletrônico, e que possibilite a rastreabilidade do processo da informação. Dados importantes: - Data/hora do recebimento da dúvida - Informações sobre o consulente, a dúvida e o tema - Alguma identificação sequencial para rastreabilidade - Outros indicadores úteis para elaboração do perfil dos consulentes, dos temas, locais de origem da consulta/consulente, formas de contato, dentre outros. 4.2. Delimitação do tema da demanda a ser consultada É fundamental saber com precisão a dúvida a ser resolvida, a fim de racionalizar a seleção das fontes a serem consultadas e a busca das informações. Exemplos de descrição para os temas a serem consultados: Acompanhamento farmacoterapêutico Administração/modo de uso/preparo Aspectos farmacoeconômicos Aspectos legais e regulatórios Conservação e armazenamento Disponibilidade no mercado Estabilidade e compatibilidade físico-química Farmacocinética e farmacodinâmica Farmacologia geral Farmacotécnica/tecnologia farmacêutica Farmacoterapia de eleição Indicação de uso Interações Posologia Reações adversas Reconstituição/diluição Segurança: precauções, contraindicações, erros de medicação Toxicologia Uso na gravidez e teratogenicidade 4.3. Escolha das fontes para consulta A existência de um conjunto de fontes previamente selecionadas pelo farmacêutico facilita a escolha da fonte a ser consultada e racionaliza os esforços para obtenção da resposta. No entanto, a escolha das fontes para consulta pode depender: - Do tema a ser consultado e sua complexidade: interação entre medicamentos, alimentos, tabagismo e álcool, é mais complexo do que administração/modo de uso. E há temas cuja consulta em fontes terciárias é suficiente, como administração/modo de uso/preparo. Outros temas que podem remeter a fontes primárias, como farmacoterapia de eleição e estabilidade química. - Da frequência dessas consultas: consultas frequentes de determinado tema exige fontes de acesso rápido; - Do tipo de acesso disponível a essas fontes: existem fontes de informação de acesso gratuito (com ou sem cadastro prévio) ou pago; há acesso por aplicativos, na web e em plataforma física (livros-texto). - Da qualidade do acesso a essas fontes: a disponibilidade e qualidade da ferramenta utilizada podem influenciar na escolha da fonte a ser utilizada. Sítios eletrônicos que ‘travam’ ou ‘carregam’ lentamente as informações, e conexões de dados ou de internet que apresentam flutuações importantes de sinal não são atrativos. 4.4. Busca da informação e leitura crítica - A busca da informação leva à obtenção de informações parciais, por fonte consultada, que podem ser ou não concordantes entre si. - A internet pode facilitar o acesso a fontes de informação e a informação em si, mas o determinante será a análise crítica de seu conteúdo. - É importante que as fontes utilizadas sejam independentes entre si, a fim de diminuir o risco de viés da informação. - Nem sempre as informações obtidas serão concordantes, e o farmacêutico deverá ponderar sobre seu conteúdo para decidir sobre qual utilizará em sua resposta, cujos critérios poderãoser objetivos ou subjetivos, e a experiência do farmacêutico no manuseio e conhecimento do conteúdo das fontes consultadas pode ser um critério imprescindível para a tomada de decisão. - Para consultas que demandem fontes terciárias, sugere-se a busca em, pelo menos, 3 a 5 fontes confiáveis e independentes entre si, de modo a possuir 3 fontes com conteúdo concordante. - Mas existem consultas, cujo tema pode necessitar apenas 1 fonte para consulta; é o caso de legislação e assuntos regulatórios para pesquisa de alguma norma atualizada específica ou protocolo clínico; ou de disponibilidade do produto no mercado, que pode ser consultado diretamente junto ao fabricante do produto de interesse; ou de regularidade para comercialização, no site da Anvisa, em https://consultas.anvisa.gov.br/#/ Sugestões de critérios que podem ser utilizados, considerando a consulta em 5 fontes terciárias: concordantes e discordantes Comentários Se a fonte discordante for a... A)...mais antiga e não referenciada, desconsiderar o conteúdo. B)...mais atual, consultar a referência descrita e confirmar a INFO: se atual, manter o conteúdo. C)...melhor referenciada: consultar a referência utilizada e confirmar a informação: se atual, manter o conteúdo. Se as fontes discordantes forem as... A + B D)....melhor referenciadas: consultar a referência utilizada e confirmar a informação: se verdadeira, manter o conteúdo. Em relação às fontes discordantes... ...consultar a referência utilizada das fontes mais atuais e confirmar a informação: se atual, manter o conteúdo. ...se a fonte mais antiga for a melhor referenciada: consultar a referência utilizada e confirmar a informação: se atual, manter o conteúdo. Independentemente das situações, consultar mais fontes para auxiliar na tomada de decisão. - Em algumas situações será necessário consultar bases de dados (fontes secundárias e primárias) contendo artigos científicos sobre utilização de medicamentos, ensaios clínicos, estabilidade, dentre outros, cada qual com delineamentos próprios. - Isso pode acontecer devido à insuficiência de informação disponível em fontes terciárias e/ou pela especificidade do tema. A busca da informação e a leitura crítica da literatura primária são procedimentos complexos, e demandam a observação de aspectos, como: a) Relacionar o tema da consulta com o tipo de estudo /delineamento a ser consultado Estudos observacionais de coorte são preferíveis para relatos de reações adversas e teratogenicidade em pacientes que utilizam medicamentos continuamente. Revisões sistemáticas são preferíveis para busca de informação sobre benefício clínico no uso de determinada tecnologia. b) Conhecer o nível de evidência do estudo a ser consultado O nível de evidência depende do tipo de delineamento utilizado para a pesquisa, e da qualidade da sua realização. A classificação hierárquica dos delineamentos, a partir dos princípios da medicina baseada em evidências (MBE), determina que os ensaios clínicos randomizados (ECR) e as revisões sistemáticas com metanálise derivadas de ECR correspondem à melhor qualidade metodológica possível para a resposta a uma questão clínica, uma vez que o ECR é, potencialmente, menos suscetível a vieses quando comparado aos estudos observacionais. Os principais delineamentos de pesquisa estão descritos no material publicado pelo CRF/RS, em https://media.crfrs.org.br/publicacoes/leitura-critica-literatura.pdf. Nível da evidência > Confiança > Qualidade Classificação hierárquica tradicional dos delineamentos de pesquisa (baseada de Nedel) Relembrando... Sackett propôs que o desenho dos estudos, a intensidade dos efeitos observados e a possibilidade de ocorrência de erros aleatórios qualificassem a tomada de decisão terapêutica em diferentes graus de certeza. Essas informações são importantes na elaboração da resposta. Exemplo de classificação para qualificação dos estudos aplicáveis a tratamentos: Exemplo de classificação de graus de recomendação de condutas terapêuticas, derivados da qualidade dos estudos de suporte: É importante citar a fonte utilizada que descreve essas classificações, pois podem ser diferentes entre as fontes consultadas. c) Peculiaridades na consulta nas bases de dados - Estabelecer as palavras-chave a serem consultadas (observar o idioma), utilizar operadores lógicos (como *, “ “, AND, OR, NOT,...) e filtros de pesquisa para auxiliar na recuperação dos artigos: o uso de palavras-chave, operadores lógicos e filtros de pesquisa racionaliza a busca de artigos. - As palavras-chave precisam ter relação com a pergunta; operadores lógicos escritos em caixa alta podem recuperar mais documentos; cada base de dados possui regras específicas para uso de palavras-chave, operadores lógicos e filtros de pesquisa; - Existem bases de dados mais seletivas para alguns temas e delineamentos dentro da área da saúde e medicamentos; - Conhecer aspectos que podem aumentar ou reduzir a qualidade da evidência recuperada: existem ferramentas disponíveis para análise e avaliação da qualidade de artigos sobre tecnologias de saúde, como o Sistema Grade (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation, em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_metodologicas_sistema_grade.pdf). 4.5. Elaboração da resposta, envio e registro A resposta necessita possuir algumas características essenciais: - Atender a necessidade do consulente; - Ser redigida em texto compreendido pelo consulente; - Ser concisa, ou seja, possua a informação minimamente necessária e suficiente para resolução da dúvida demandada; - Estar referenciada com as fontes utilizadas; - Descrever as fontes concordantes e discordantes utilizadas para a busca das informações; - Ser rastreável. A resposta concluída deve ser enviada ao canal de contato solicitado pelo consulente, que pode ser combinado no momento da solicitação 4.6. Elaboração de estatísticas e relatórios Dessa maneira é possível verificar o perfil de atendimentos, dos consulentes atendidos, dos temas consultados, das fontes consultadas, dentre outros. Essas informações compiladas podem ser utilizadas para sensibilização da equipe e gestores sobre oportunidades de melhoria, como atualização e aquisição de fontes de informação, melhorias na sala de atendimento farmacêutico (para recebimento de consultas que necessitem privacidade), ampliação do número de farmacêuticos disponíveis para atendimento da população. Importante considerar o seguimento da resposta enviada, principalmente naqueles casos em que envolve algum paciente, a fim de verificar o impacto da resposta sobre a saúde do paciente (houve benefício?). Importante!!! Na impossibilidade da busca de informação qualificada e ou leitura crítica da literatura obtida, os serviços e centros de informação sobre medicamentos desempenham papel fundamental no processo de atenção à saúde, pois subsidiam os profissionais com informações relevantes para tomada de decisões. Lista disponível em https://bit.ly/2RJcXDa Anexo 1 – Legislação e implicações CEPF (Res. CFF nº596): - A dimensão ética farmacêutica é determinada em todos os seus atos, sem qualquer discriminação, pelo benefício ao ser humano, ao meio ambiente e pela responsabilidade social; - O farmacêutico deve manter atualizados os seus conhecimentos técnicos e científicos para aprimorar, de forma contínua, o desempenho de sua atividade profissional; - O trabalho do farmacêutico deve ser exercido com autonomia técnica e sem a inadequada interferência de terceiros, tampouco com objetivo meramente de lucro, finalidade política, religiosa ou outra forma de exploração em desfavor da sociedade. CEPF (Res. CFF nº596): - Éproibido fornecer, dispensar ou permitir que sejam dispensados, sob qualquer forma, substância, medicamento ou fármaco para uso diverso da indicação para a qual foi licenciado, salvo quando baseado em evidência ou [quando não havendo evidência] mediante entendimento formal [acordo de colaboração] com o prescritor; - É proibido promover a utilização de substâncias ou a comercialização de produtos que não tenham a indicação terapêutica analisada e aprovada [pela Anvisa], ou que não estejam descritos em literatura [científica] ou compêndios nacionais ou internacionais reconhecidos pela Anvisa; - É proibido divulgar informação sobre temas farmacêuticos de conteúdo inverídico, sensacionalista, promocional ou que contrarie a legislação vigente (por exemplo: a defesa veemente de uso de medicamento para indicação clínica sem evidência que a justifique..); CEPF (Res. CFF nº596): - É direito fornecer as informações solicitadas pelo usuário; - É direito exercer sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames da legislação vigente; - É direito não ser limitado (por disposição estatutária ou regimental de estabelecimento farmacêutico, tampouco de instituição pública ou privada) na escolha dos meios cientificamente reconhecidos a serem utilizados no exercício da sua profissão; - É dever garantir ao usuário o acesso à informação independente sobre as práticas terapêuticas oficialmente reconhecidas no país, de modo a possibilitar a sua livre escolha; - É dever exercer a profissão farmacêutica respeitando os atos, as diretrizes, as normas técnicas e a legislação vigentes; Lei federal nº 13021/2014: - O farmacêutico e o proprietário (=gestor público) dos estabelecimentos farmacêuticos agirão sempre solidariamente, realizando todos os esforços para promover o uso racional de medicamentos; - É responsabilidade do estabelecimento farmacêutico fornecer condições adequadas ao perfeito desenvolvimento das atividades profissionais do farmacêutico; - Obriga-se o farmacêutico prestar orientação farmacêutica para esclarecer ao paciente a relação benefício e risco, a conservação e a utilização de fármacos e medicamentos inerentes à terapia, suas interações medicamentosas e a importância do seu correto manuseio; Lei federal nº 8078/1990 (CDC): - A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores; - É proibida a propaganda abusiva ou enganosa (É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades (indicação de uso, riscos), origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços); Resolução RDC nº 96/2008: - A propaganda ou publicidade de medicamentos de venda sob prescrição deve cumprir os requisitos gerais, sem prejuízo do que, particularmente, se estabeleça para determinados tipos de medicamentos, e fica restrita aos meios de comunicação destinados exclusivamente aos profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar tais produtos (exceção: bula do medicamento aprovada pela Anvisa para pacientes); Anexo 2- Sugestão de fontes de informação confiáveis Tipo Exemplos Primária Pubmed, Embase, Lilacs, Scielo... Portal Saúde Baseada em Evidências (Epistemonikos) Bases de dados de registro de ensaios clínicos da International Clinical Trials Registration Platform/World Health Organization (ICTRP/WHO) ou reconhecida pelo International Committee of Medical Journals Editors (ICMJE; lista sugerida em Atuação do Farmacêutico na Pesquisa Clínica, p.8). Secundária Pubmed, International Pharmaceutical Abstracts (IPA) ACP Journal Club, Evidence-Based Medicine Portal Saúde Baseada em Evidências (Epistemonikos) Anexo 2- Sugestão de fontes de informação confiáveis Terciária Portal Saúde Baseada em Evidências (Access Medicine, Micromedex, Dynamed, Epistemonikos) Cochrane Library e Cochrane Brasil: revisões sistemáticas criticamente avaliadas. Drugs.com Medscape (Pharmacist) Saúde Legis Sites de Agências Reguladoras: Anvisa, EMEA, FDA, , Livros especializados eletrônicos: catálogo do Access Medicine Livros especializados físicos: - AHFS Drug Information (ASHSP): coletânea de monografias de fármacos disponíveis nos EUA; - Drug Facts and Comparisions (Wolters): coletânea de monografias de fármacos, agrupadas pelo uso terapêutico, com tabelas comparativas entre fármacos da mesma classe; possui publicação para oftalmologia. - Drug Information Handbook (Lexicomp): coletânea de monografias resumidas, para busca rápida da informação; possui tabelas informativas e comparativas no Apêndice; possui publicação temática para geriatria, pediatria, oncologia, veterinária. - Handbook on Injectable Drugs(ASHSP): estabilidade e compatibilidade de medicamentos injetáveis. - Trissel’s Stability of Compounded Formulations (ASHSP): estabilidade de formulações extemporâneas obtidas por transformação/derivação. - Farmacologia Clínica e Terapêutica (Fuchs & Wanmacher). - Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências (Duncan). - Drug Interactions Facts (Wolters): descreve interações entre medicamentos, com graus de significância e manejo clínico. - Mosby's Handbook of Herbs & Natural Supplements (Elsevier): coletânea de monografias de plantas e suplementos. - Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas avaliados pela Conitec. - Bulas de Medicamentos (Profissionais) - Formulários Terapêuticos. - Boletins informativos de Centros de Informações de Medicamentos. 1. SANTOS, Luciana; TORRIANI, Mayde Seadi; BARROS, Elvino. Medicamentos na prática da farmácia clínica. Porto Alegre: Artmed, 2013. 2. MARIN, Nelly (org.) et al. Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro : OPAS/OMS, 2003 Disponível em https://bit.ly/3424Y5e. 3. BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078compilado.htm. 4. BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014.Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2014/Lei/L13021.htm. 5. MELO ALVES, Fernanda Maria; ALMEIDA DOS SANTOS, Bruno. Fontes e recursos de informação tradicionais e digitais: propostas internacionais de classificação. Biblios, Pittsburgh, n. 72, p. 35-50, Julho 2018. Disponível em http://www.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1562- 47302018000300003&lng=en&nrm=iso. http://dx.doi.org/10.5195/biblios.2018.459. 6. MALONE, Patrick. M. et al. Drug Information: a guide for pharmacists. 5 ed. New York: McGraw Hill Medical, 2014. 7. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 671, de 25 de julho de 2019. Regulamenta a atuação do farmacêutico na prestação de serviços e assessoramento técnico relacionados à informação sobre medicamentos e outros produtos para a saúde no Serviço de Informação sobre Medicamentos (SIM), Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) e Núcleo de Apoio e/ou Assessoramento Técnico (NAT). Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 8. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Diretrizes metodológicas: Sistema GRADE – Manual de graduação da qualidade da evidência e força de recomendação para tomada de decisão em saúde.Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em https://bit.ly/2YbdEE1. 9. NEDEL, Wagner Luis; SILVEIRA, Fernando da Silveira. Os diferentes delineamentos de pesquisa e suas particularidades na terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva. 2016;28(3):256-260. Acesso em 25/05/2021. Disponível em https://bit.ly/2Y8dgsu 10. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 596, de 21 de fevereiro de 2014. Dispõe sobre o Código de Ética Farmacêutica, o Código de Processo Ético e estabelece as infrações e as regras de aplicação das sanções disciplinares. Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 11. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013. Regula as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 12. FISCHER, Maria Isabel et al. CIM-RS - O desafio de qualificar a informação. Porto Alegre: UFRGS, 2007. 13. CONSELHO Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul. Fontes Eletrônicas de Informação sobre medicamentos com acesso gratuito (Folheto eletrônico. 4p). 2019. Disponível em https://portal.crfrs.org.br/restrito/login/. 14. CONSELHO Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul. A atuação do farmacêutico na pesquisa clínica. 2019. 10p. Disponível em https://bit.ly/2sLeVGs. 15. NUNES, Luciana Neves et al. Os principais delineamentos na Epidemiologia. Clinical & Biomedical Research, [S.l.], v. 33, n. 2, oct. 2013. ISSN 2357-9730. Available at: <https://seer.ufrgs.br/hcpa/article/view/42338/27237>. 16. DIEMEN, Lisia Von. Principais Delineamentos de Pesquisa. (material em PDF. 53p). Disponível em http://www.ufrgs.br/economiadasaude/arquivos/diemen_epidemiologia.pdf. 17. HOEFLER, Rogério, SALGUES, Elios Jayme Monteiro. Condutasfundamentadas em evidências e a atuação do farmacêutico. BOLETIM FARMACOTERAPÊUTICA, Ano XV, Número 02, mar-abr/2010. 18. CRF/RS. Busca de informação confiável e leitura crítica da literatura: aspectos sobre prática profissional. Disponível em https://media.crfrs.org.br/publicacoes/leitura-critica-literatura.pdf Entre em contato com a Orientação Técnica para tirar dúvidas sobre legislação e prática profissional: - Formulário eletrônico: https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica - 51 3027-7500, opção 3 (das 09h às 17h) - WhatsApp: 51 99286-5440 - orienta@crfrs.org.br OT Informa: informativo semanal, em https://crfrs.org.br/noticias/tag/ot Materiais técnicos: https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-tecnicos Materiais impressos e e-books: https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-impressos Legislação temática: https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/legislacao Materiais úteis: Biblioteca Virtual, no Acesso Restrito Clipping Diário: taxação de notícias relevantes da Anvisa, SES/RS, CRF/RS e do CFF; dos principais atos normativos da área farmacêutica publicados no Diário Oficial da União e do Estado, publicações do CFF e do CRF/RS; e dos editais de concursos e residências para farmacêuticos; https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica mailto:orienta@crfrs.org.br https://crfrs.org.br/noticias/tag/ot https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-tecnicos https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-tecnicos https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-tecnicos https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-impressos https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-impressos https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-impressos https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/legislacao https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/legislacao https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/legislacao https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping mailto:alexandre.aats@gmail.com mailto:alexandre.aats@gmail.com