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 Formação: 
◦ Farmácia Industrial (UFRGS, 1990) 
◦ Tecnologia de Processos Gerenciais (Sociesc, 2011) 
◦ Especialização em Direito à Saúde (Unisinos/ESP-RS, 2011) 
 
 Atuação: 
◦ CRF/RS (1992): Orientação Técnica, Registros PF, 
 Apoio aos Grupos Técnicos de Trabalho do CRF/RS 
◦ Docente colaborador pós-graduação 
 
 Temas de interesse profissional: 
◦ Bioética e legislação farmacêutica 
◦ Direito à saúde e judicialização 
◦ Práticas integrativas e complementares 
◦ Saúde e espiritualidade 
 Para garantir o acesso e a qualidade dos tratamentos farmacológicos, os 
profissionais de saúde, incluindo os farmacêuticos, devem desenvolver habilidades 
técnicas para a avaliação crítica e a aplicação das informações científicas disponíveis 
sobre terapêutica [e sobre outros temas em saúde]. 
 
 Para tanto, é necessário a tomada de decisões sustentadas nas melhores 
evidências [disponíveis], selecionando produtos e procedimentos que atendam aos 
reais interesses dos pacientes e da sociedade. 
 
 E essas condutas fundamentadas em evidências levam à sistematização da 
seleção, da análise e do uso das melhores informações científicas em saúde, com o 
emprego de ferramentas da epidemiologia clínica. 
 
 Tudo isto é um apoio indispensável aos profissionais da saúde para 
melhorarem a qualidade do atendimento às necessidades clínicas dos pacientes. 
 
 Estas considerações publicadas em 2010 continuam atuais... 
 
 Falaremos sobre: 
 
 
- Condutas farmacêuticas e implicações 
 
- Fontes de informação: tipos, classificação, seleção 
 
- Análise crítica da literatura 
 
- Fontes consultadas 
 
A formação generalista do Farmacêutico (Res. CNE nº 06/2017) deve... 
 
- Estar centrada nos fármacos, nos medicamentos e na assistência 
farmacêutica [...] em prol do cuidado à saúde do indivíduo, da família e da 
comunidade; 
 
- Ser pautada em princípios éticos e científicos, capacitando-o para o 
trabalho nos diferentes níveis de complexidade do sistema de saúde, por 
meio de ações de prevenção de doenças, de promoção, proteção e 
recuperação da saúde, em trabalho de pesquisa e desenvolvimento de 
serviços e de produtos para a saúde; 
 
- Ser humanista, crítica, reflexiva e generalista, considerando [...] a tomada 
de decisão com base na análise crítica e contextualizada das evidências 
científicas, da escuta ativa do indivíduo, da família e da comunidade; e ser 
baseada na busca, seleção, organização, interpretação e divulgação de 
informações, que orientem a tomada de decisões baseadas em evidências 
científicas, em consonância com as políticas de saúde). 
 
 Falar sobre “decisões baseadas em evidências científicas” é atuar em 
consonância com a Medicina Baseada em Evidência (MBE), ou condutas 
fundamentadas em evidências: conjunto de estratégias combinadas, resultantes 
de avanços nas áreas de informática e epidemiologia clínica, cujo objetivo é 
assegurar que o cuidado individual ao paciente seja alicerçado na melhor e mais 
atualizada evidência, resultando no melhor desfecho possível. 
 
 A intuição, a experiência clínica não-sistemática (sem método) e o 
raciocínio fisiopatológico, não são as melhores razões, nem suficientes, para a 
tomada da melhor decisão clínica; por outro lado, uma evidência isolada nunca é 
suficiente para tomar uma decisão clínica. 
 
 A MBE é um termo moderno que inclui a correta formulação de 
questões clínicas, a busca das melhores evidências disponíveis sobre aquelas 
questões, o julgamento sobre a qualidade das informações obtidas para 
embasar as decisões clínicas e a utilização dessas informações no cuidado com 
os pacientes. 
 
 A MBE visa a prática clínica cientificamente orientada; para tanto, 
necessita busca sistemática e reprodutível de respostas adequadas. 
Anexo 1 – referenciais teóricos normativos sobre direitos e obrigações relacionados com 
o profissional farmacêutico e estabelecimentos que atuam direta ou indiretamente com 
informação técnica. 
 
São implicações dos atos farmacêuticos e de empresas que não cumprem os requisitos 
apresentados sobre informação técnica não baseada em evidências, seja informação 
farmacológica ou não farmacológica: 
 
- Riscos ao paciente e à Saúde Pública: 
Uso não racional do medicamento, levando a possível reação adversa, interação ou 
intoxicação, inclusive graves. Encaminhar à VISA, CRF e PROCON. 
 
- Riscos à Profissão Farmacêutica: 
Exercício profissional com interferência inadequada de leigos e/ou com 
interferência (de leigos, ou não) sem justificativa técnica plausível. Encaminhar à 
VISA, CRF e Sindifars. 
 
 
 Como contribuir para evitar esses riscos?? 
 
 Mas lidar com informação técnica relacionada a medicamentos (e, 
por extensão, a tecnologias de saúde), exige do Farmacêutico o atendimento 
de componentes, como: 
 
- O cumprimento de regras e leis, as quais preconizam os direitos, 
obrigações e limites para uso desta informação (Anexo 1); 
 
- Compreensão da sua importância na relação farmacêutico-paciente, e da 
complexidade da sua prática profissional no que se refere à obtenção e 
difusão de informação técnica adequada e segura; 
 
- A tríade conhecimento-habilidades-competências para lidar com a 
melhor informação técnica disponível; 
 
 
Investir na complexidade relacionada com informação 
técnica... Ou seja, é saber o que procurar? Onde? Como? 
Para quê?... 
 
 
Sobre a tríade: o farmacêutico necessita saber buscar as informações 
técnicas em fontes confiáveis, e saber analisar estas informações! 
 
Em relação à informação sobre medicamentos, a Farmácia é uma profissão 
da área da saúde com aspectos peculiares: 
 
- As tecnologias de saúde utilizadas na profissão são continuamente atualizadas; 
 
- O farmacêutico se depara diariamente com um volume crescente de informações 
relacionadas ao seu trabalho, plano de negócio, aos produtos e serviços que oferece 
ao público, às práticas que realiza, entre outros; 
 
- As informações provêm de diversas origens: fabricantes, distribuidoras, centros de 
pesquisa, instituições de ensino, instituições governamentais, associações, 
sindicatos, hospitais, serviços/centros de informações, e leigos; 
 
- São recebidas por aplicativos, pela web, redes sociais, materiais impressos, livros, 
televisão, revistas, jornais; 
 
- Existem fontes automatizadas para busca de informação... 
ETAPAS SUGERIDAS para estruturar uma rotina de busca e análise crítica de 
informações técnicas em fontes confiáveis : 
 
1- Momento e local para atuação do farmacêutico; 
2- Conhecer os tipos de fontes de informação 
3- Seleção prévia de fontes para consulta 
4- Sistemática estruturada para o processo da informação 
 - Recebimento da consulta 
 - Delimitação do tema da demanda a ser consultada 
 - Escolha das fontes para consulta 
 - Busca da informação e leitura crítica 
 - Elaboração da resposta, envio e registro 
 - Elaboração de estatísticas e relatórios 
1- Momento e local para atuação do farmacêutico 
 
Existem informações que o farmacêutico pode fornecer de pronto a quem 
necessitar, seja presencialmente ou remotamente; 
 
Mas em alguns casos necessitará contextualizar a situação para a busca da 
informação, seja, por exemplo, pela complexidade do tema ou da 
necessidade de entrevista/anamnese em local reservado com o paciente, 
como durante o atendimento na sala de serviços farmacêuticos ou no 
consultório farmacêutico. 
 
2- Conhecer os tipos de fontes de informação: exemplos – Anexo 2 
 Categoria Característica Vantagem/desvantagem 
Terciária 
Informação já sistematizada 
e avaliada, obtida de outras 
fontes, para consulta na 
forma de livros ou e-book 
especializados, bases de 
dados eletrônicas, artigos de 
revisão, revisões 
sistemáticas (com ou sem 
metanálise) 
Maioria das informações necessárias aos profissionais pode ser encontrada; 
Útil no dia-a-dia do farmacêutico para consultas sobre reações adversas, interações, 
estabilidade físico-química, indicação de uso, administraçãode medicamentos, 
precauções, contraindicações, farmacoterapia de eleição... 
A informação pode estar desatualizada. 
Dentre as fontes terciárias, sugere-se a consulta inicial em livros e fontes de 
informação especializadas (físicas ou eletrônicas) e, havendo necessidade, em bases 
de dados contendo revisões sistemáticas criticamente avaliadas. 
Secundária 
Serviços de indexação e 
resumo da literatura 
primária 
Útil para consultas específicas sobre temas cuja informação não foi localizada em 
fontes terciárias: estabilidade de medicamento injetável após rompimento da 
embalagem primária, estabilidade da mistura de dois medicamentos injetáveis em um 
mesmo equipo de infusão, uso clínico off label de medicamento em paciente 
hospitalizado, busca prévia de informação para pesquisa clínica... 
O resumo do artigo pode ser visualizado; 
Nem sempre se consegue copiá-lo. Demanda maior tempo para busca e seleção de 
resumos relacionáveis ao contexto da dúvida do profissional. 
Primária 
Ou literatura primária: são 
constituídas por pesquisas 
publicadas em revistas 
biomédicas, ou seja, são 
artigos originais em que 
aparece pela primeira vez na 
literatura qualquer 
informação 
É a mais abundante: existem milhares de publicações sendo indexadas diariamente 
nas diversas bases de dados de artigos, com diferenças significativas na amostra 
utilizada, intervenção, controle e desfecho; 
É útil na busca de informação (evidências) para pesquisa clínica. 
É praticamente impossível o profissional realizar a consulta para situações rotineiras. 
Mais difícil de ser manejada, avaliada e utilizada. 
3- Seleção prévia de fontes para consulta 
Conjunto de fontes de informação pré-selecionadas para utilização. Sugestão de critérios 
gerais para seleção destas fontes, sejam primárias, secundárias ou terciárias (adaptado de 
Malone): 
Sejam independentes 
Fontes mantidas/elaboradas por instituições de educação, 
organizações médicas sem fins lucrativos ou instituições 
governamentais parecem conter informação de maior 
qualidade, enquanto que informação proveniente de 
fabricantes e outros atores da cadeia farmacêutica pode ser 
questionável devido ao viés mercadológico. 
Contenham informações 
confiáveis 
Baseadas em evidências de qualidade e ou proveniente de 
fonte independente. 
Declarem a existência, ou não, 
de algum conflito de interesse 
relacionados aos autores e/ou 
editores 
Se houve financiamento público ou privado, se os autores 
participam de eventos/viagens custeados pelo fabricante do 
produtos sobre os quais estão divulgando informações... 
Sugestões específicas a serem observadas no processo de seleção das fontes (adaptado de 
Malone): 
Fontes de informação 
físicas 
A fonte é independente e confiável? 
A informação é precisa e atual? 
A informação é detalhada e referenciada de forma apropriada? 
É possível identificar o autor/editor para contatar sobre questionamentos adicionais ou comentários? 
Possui edição sequencial com intervalo de tempo adequado? 
Possui índice remissivo ou sistemática de busca para acesso rápido da informação? 
Fontes de informação 
eletrônicas 
A fonte é independente , confiável, não robotizada? 
A informação é precisa e atual? 
A informação é detalhada e referenciada de forma apropriada? 
É possível identificar o autor/editor do site para contatar sobre dúvidas adicionais ou comentários? 
O site possui link para outros sites não afiliados que fornecem informações consistentes? 
O site é mantido por instituições de educação, organizações médicas sem fins lucrativos ou instituições 
governamentais? 
É descrita a data da atualização da informação e o respectivo conteúdo atualizado? 
O material permite a busca intuitiva da informação? 
4- Sistemática estruturada para o processo da informação 
 
- A leitura crítica da literatura está inserida no processo da informação, que envolve diversas 
etapas. O farmacêutico pode se deparar com dúvidas de... 
...diversas complexidades em relação aos temas 
...de diferentes origens quanto ao consulente (paciente, consumidor, colaborador, 
chefia, profissional de saúde, do próprio farmacêutico...) 
...diferentes localidade (bairro, cidade, instituição)... 
...diferentes formas de contato utilizado (presencial, telefônico, aplicativo, e-mail...) 
 
- Esta diversidade poderá influenciar no tempo para resolução da dúvida, na forma e 
conteúdo da resposta, e seu envio. 
- Por isso da necessidade de possuir uma sistemática estruturada para todo esse processo, 
com procedimentos, instruções, formulários e modelos estabelecidos e compreendidos 
por toda a equipe. 
4.1. Recebimento da consulta (pergunta, demanda) 
 
Registrar a dúvida técnica do consulente em algum suporte (planilha, formulário, sistema...), 
físico ou eletrônico, e que possibilite a rastreabilidade do processo da informação. 
 
Dados importantes: 
- Data/hora do recebimento da dúvida 
- Informações sobre o consulente, a dúvida e o tema 
- Alguma identificação sequencial para rastreabilidade 
- Outros indicadores úteis para elaboração do perfil dos consulentes, dos temas, locais 
de origem da consulta/consulente, formas de contato, dentre outros. 
4.2. Delimitação do tema da demanda a ser consultada 
 
É fundamental saber com precisão a dúvida a ser resolvida, a fim de racionalizar a seleção 
das fontes a serem consultadas e a busca das informações. 
 
Exemplos de descrição para os temas a serem consultados: 
 
Acompanhamento farmacoterapêutico 
Administração/modo de uso/preparo 
Aspectos farmacoeconômicos 
Aspectos legais e regulatórios 
Conservação e armazenamento 
Disponibilidade no mercado 
Estabilidade e compatibilidade físico-química 
Farmacocinética e farmacodinâmica 
Farmacologia geral 
 
Farmacotécnica/tecnologia farmacêutica 
Farmacoterapia de eleição 
Indicação de uso 
Interações 
Posologia 
Reações adversas 
Reconstituição/diluição 
Segurança: precauções, contraindicações, erros de 
medicação 
Toxicologia 
Uso na gravidez e teratogenicidade 
4.3. Escolha das fontes para consulta 
 
 A existência de um conjunto de fontes previamente selecionadas pelo 
farmacêutico facilita a escolha da fonte a ser consultada e racionaliza os esforços para 
obtenção da resposta. No entanto, a escolha das fontes para consulta pode depender: 
 
- Do tema a ser consultado e sua complexidade: interação entre medicamentos, alimentos, tabagismo e álcool, é 
mais complexo do que administração/modo de uso. E há temas cuja consulta em fontes terciárias é suficiente, 
como administração/modo de uso/preparo. Outros temas que podem remeter a fontes primárias, como 
farmacoterapia de eleição e estabilidade química. 
 
- Da frequência dessas consultas: consultas frequentes de determinado tema exige fontes de acesso rápido; 
 
- Do tipo de acesso disponível a essas fontes: existem fontes de informação de acesso gratuito (com ou sem 
cadastro prévio) ou pago; há acesso por aplicativos, na web e em plataforma física (livros-texto). 
 
- Da qualidade do acesso a essas fontes: a disponibilidade e qualidade da ferramenta utilizada podem influenciar 
na escolha da fonte a ser utilizada. Sítios eletrônicos que ‘travam’ ou ‘carregam’ lentamente as informações, e 
conexões de dados ou de internet que apresentam flutuações importantes de sinal não são atrativos. 
4.4. Busca da informação e leitura crítica 
 
- A busca da informação leva à obtenção de informações parciais, por fonte consultada, 
que podem ser ou não concordantes entre si. 
- A internet pode facilitar o acesso a fontes de informação e a informação em si, mas o 
determinante será a análise crítica de seu conteúdo. 
- É importante que as fontes utilizadas sejam independentes entre si, a fim de diminuir o 
risco de viés da informação. 
- Nem sempre as informações obtidas serão concordantes, e o farmacêutico deverá 
ponderar sobre seu conteúdo para decidir sobre qual utilizará em sua resposta, cujos 
critérios poderãoser objetivos ou subjetivos, e a experiência do farmacêutico no 
manuseio e conhecimento do conteúdo das fontes consultadas pode ser um critério 
imprescindível para a tomada de decisão. 
 
- Para consultas que demandem fontes terciárias, sugere-se a busca em, pelo menos, 
3 a 5 fontes confiáveis e independentes entre si, de modo a possuir 3 fontes com 
conteúdo concordante. 
- Mas existem consultas, cujo tema pode necessitar apenas 1 fonte para consulta; é o 
caso de legislação e assuntos regulatórios para pesquisa de alguma norma 
atualizada específica ou protocolo clínico; ou de disponibilidade do produto no 
mercado, que pode ser consultado diretamente junto ao fabricante do produto de 
interesse; ou de regularidade para comercialização, no site da Anvisa, em 
https://consultas.anvisa.gov.br/#/ 
Sugestões de critérios que podem ser utilizados, considerando a consulta em 5 fontes terciárias: 
concordantes e 
discordantes 
Comentários 
 
Se a fonte discordante for a... 
A)...mais antiga e não referenciada, desconsiderar o conteúdo. 
B)...mais atual, consultar a referência descrita e confirmar a INFO: se atual, manter o conteúdo. 
C)...melhor referenciada: consultar a referência utilizada e confirmar a informação: se atual, 
manter o conteúdo. 
 
Se as fontes discordantes forem as... 
A + B 
D)....melhor referenciadas: consultar a referência utilizada e confirmar a informação: se 
verdadeira, manter o conteúdo. 
 
Em relação às fontes discordantes... 
...consultar a referência utilizada das fontes mais atuais e confirmar a informação: se atual, 
manter o conteúdo. 
...se a fonte mais antiga for a melhor referenciada: consultar a referência utilizada e confirmar a 
informação: se atual, manter o conteúdo. 
 Independentemente das situações, consultar mais fontes para auxiliar na tomada de decisão. 
 
- Em algumas situações será necessário consultar bases de dados (fontes secundárias e 
primárias) contendo artigos científicos sobre utilização de medicamentos, ensaios 
clínicos, estabilidade, dentre outros, cada qual com delineamentos próprios. 
 
- Isso pode acontecer devido à insuficiência de informação disponível em fontes terciárias 
e/ou pela especificidade do tema. 
 
A busca da informação e a leitura crítica da literatura primária são procedimentos 
complexos, e demandam a observação de aspectos, como: 
 
a) Relacionar o tema da consulta com o tipo de estudo /delineamento a ser consultado 
Estudos observacionais de coorte são preferíveis para relatos de reações adversas e 
teratogenicidade em pacientes que utilizam medicamentos continuamente. Revisões 
sistemáticas são preferíveis para busca de informação sobre benefício clínico no uso de 
determinada tecnologia. 
b) Conhecer o nível de evidência do estudo a ser consultado 
 
O nível de evidência depende do tipo de delineamento utilizado para a pesquisa, e da 
qualidade da sua realização. 
 
A classificação hierárquica dos delineamentos, a partir dos princípios da medicina 
baseada em evidências (MBE), determina que os ensaios clínicos randomizados (ECR) e 
as revisões sistemáticas com metanálise derivadas de ECR correspondem à melhor 
qualidade metodológica possível para a resposta a uma questão clínica, uma vez que o 
ECR é, potencialmente, menos suscetível a vieses quando comparado aos estudos 
observacionais. 
 
Os principais delineamentos de pesquisa estão descritos no material publicado pelo 
CRF/RS, em https://media.crfrs.org.br/publicacoes/leitura-critica-literatura.pdf. 
Nível da 
evidência 
 
> Confiança 
> Qualidade 
 
 
Classificação hierárquica tradicional dos delineamentos de pesquisa (baseada de Nedel) 
 
Relembrando... 
Sackett propôs que o desenho dos estudos, a intensidade dos efeitos observados e a 
possibilidade de ocorrência de erros aleatórios qualificassem a tomada de decisão 
terapêutica em diferentes graus de certeza. Essas informações são importantes na 
elaboração da resposta. 
 
Exemplo de classificação para qualificação dos estudos aplicáveis a tratamentos: 
 
Exemplo de classificação de graus de recomendação de condutas terapêuticas, 
derivados da qualidade dos estudos de suporte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É importante citar a fonte utilizada que descreve essas classificações, pois podem ser 
diferentes entre as fontes consultadas. 
c) Peculiaridades na consulta nas bases de dados 
 
- Estabelecer as palavras-chave a serem consultadas (observar o idioma), utilizar 
operadores lógicos (como *, “ “, AND, OR, NOT,...) e filtros de pesquisa para 
auxiliar na recuperação dos artigos: o uso de palavras-chave, operadores lógicos e 
filtros de pesquisa racionaliza a busca de artigos. 
 
- As palavras-chave precisam ter relação com a pergunta; operadores lógicos 
escritos em caixa alta podem recuperar mais documentos; cada base de dados 
possui regras específicas para uso de palavras-chave, operadores lógicos e filtros 
de pesquisa; 
 
- Existem bases de dados mais seletivas para alguns temas e delineamentos dentro 
da área da saúde e medicamentos; 
 
- Conhecer aspectos que podem aumentar ou reduzir a qualidade da evidência 
recuperada: existem ferramentas disponíveis para análise e avaliação da qualidade 
de artigos sobre tecnologias de saúde, como o Sistema Grade (Grading of 
Recommendations Assessment, Development and Evaluation, em 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_metodologicas_sistema_grade.pdf). 
 
4.5. Elaboração da resposta, envio e registro 
 
A resposta necessita possuir algumas características essenciais: 
 
- Atender a necessidade do consulente; 
 
- Ser redigida em texto compreendido pelo consulente; 
 
- Ser concisa, ou seja, possua a informação minimamente necessária e suficiente 
para resolução da dúvida demandada; 
 
- Estar referenciada com as fontes utilizadas; 
 
- Descrever as fontes concordantes e discordantes utilizadas para a busca das 
informações; 
 
- Ser rastreável. 
 
 
A resposta concluída deve ser enviada ao canal de contato solicitado pelo consulente, 
que pode ser combinado no momento da solicitação 
 
4.6. Elaboração de estatísticas e relatórios 
 
 
Dessa maneira é possível verificar o perfil de atendimentos, dos consulentes atendidos, 
dos temas consultados, das fontes consultadas, dentre outros. 
 
Essas informações compiladas podem ser utilizadas para sensibilização da equipe e 
gestores sobre oportunidades de melhoria, como atualização e aquisição de fontes de 
informação, melhorias na sala de atendimento farmacêutico (para recebimento de 
consultas que necessitem privacidade), ampliação do número de farmacêuticos 
disponíveis para atendimento da população. 
 
Importante considerar o seguimento da resposta enviada, principalmente naqueles 
casos em que envolve algum paciente, a fim de verificar o impacto da resposta sobre a 
saúde do paciente (houve benefício?). 
 
 Importante!!! 
 
 Na impossibilidade da busca de informação qualificada e ou leitura crítica da 
literatura obtida, os serviços e centros de informação sobre medicamentos 
desempenham papel fundamental no processo de atenção à saúde, pois subsidiam os 
profissionais com informações relevantes para tomada de decisões. 
 
 Lista disponível em https://bit.ly/2RJcXDa 
 
Anexo 1 – Legislação e implicações 
 
CEPF (Res. CFF nº596): 
 
- A dimensão ética farmacêutica é determinada em todos os seus atos, sem 
qualquer discriminação, pelo benefício ao ser humano, ao meio ambiente 
e pela responsabilidade social; 
 
- O farmacêutico deve manter atualizados os seus conhecimentos técnicos 
e científicos para aprimorar, de forma contínua, o desempenho de sua 
atividade profissional; 
 
- O trabalho do farmacêutico deve ser exercido com autonomia técnica e 
sem a inadequada interferência de terceiros, tampouco com objetivo 
meramente de lucro, finalidade política, religiosa ou outra forma de 
exploração em desfavor da sociedade. 
 
 
CEPF (Res. CFF nº596): 
 
- Éproibido fornecer, dispensar ou permitir que sejam dispensados, sob 
qualquer forma, substância, medicamento ou fármaco para uso diverso da 
indicação para a qual foi licenciado, salvo quando baseado em evidência 
ou [quando não havendo evidência] mediante entendimento formal 
[acordo de colaboração] com o prescritor; 
 
- É proibido promover a utilização de substâncias ou a comercialização de 
produtos que não tenham a indicação terapêutica analisada e aprovada 
[pela Anvisa], ou que não estejam descritos em literatura [científica] ou 
compêndios nacionais ou internacionais reconhecidos pela Anvisa; 
 
- É proibido divulgar informação sobre temas farmacêuticos de conteúdo 
inverídico, sensacionalista, promocional ou que contrarie a legislação 
vigente (por exemplo: a defesa veemente de uso de medicamento para indicação 
clínica sem evidência que a justifique..); 
 
 
CEPF (Res. CFF nº596): 
 
- É direito fornecer as informações solicitadas pelo usuário; 
 
- É direito exercer sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a 
prestar serviços que contrariem os ditames da legislação vigente; 
 
- É direito não ser limitado (por disposição estatutária ou regimental de 
estabelecimento farmacêutico, tampouco de instituição pública ou 
privada) na escolha dos meios cientificamente reconhecidos a serem 
utilizados no exercício da sua profissão; 
 
- É dever garantir ao usuário o acesso à informação independente sobre as 
práticas terapêuticas oficialmente reconhecidas no país, de modo a 
possibilitar a sua livre escolha; 
 
- É dever exercer a profissão farmacêutica respeitando os atos, as 
diretrizes, as normas técnicas e a legislação vigentes; 
 
 
Lei federal nº 13021/2014: 
 
- O farmacêutico e o proprietário (=gestor público) dos estabelecimentos 
farmacêuticos agirão sempre solidariamente, realizando todos os esforços 
para promover o uso racional de medicamentos; 
 
- É responsabilidade do estabelecimento farmacêutico fornecer condições 
adequadas ao perfeito desenvolvimento das atividades profissionais do 
farmacêutico; 
 
- Obriga-se o farmacêutico prestar orientação farmacêutica para esclarecer 
ao paciente a relação benefício e risco, a conservação e a utilização de 
fármacos e medicamentos inerentes à terapia, suas interações 
medicamentosas e a importância do seu correto manuseio; 
 
 
Lei federal nº 8078/1990 (CDC): 
 
- A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar 
informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa 
sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, 
garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como 
sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores; 
 
- É proibida a propaganda abusiva ou enganosa (É enganosa qualquer 
modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira 
ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, 
capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, 
características, qualidade, quantidade, propriedades (indicação de uso, 
riscos), origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e 
serviços); 
 
 
Resolução RDC nº 96/2008: 
 
- A propaganda ou publicidade de medicamentos de venda sob prescrição 
deve cumprir os requisitos gerais, sem prejuízo do que, particularmente, 
se estabeleça para determinados tipos de medicamentos, e fica restrita 
aos meios de comunicação destinados exclusivamente aos profissionais 
de saúde habilitados a prescrever ou dispensar tais produtos (exceção: 
bula do medicamento aprovada pela Anvisa para pacientes); 
 
 
Anexo 2- Sugestão de fontes de informação confiáveis 
Tipo Exemplos 
Primária 
Pubmed, Embase, Lilacs, Scielo... 
Portal Saúde Baseada em Evidências (Epistemonikos) 
Bases de dados de registro de ensaios clínicos da International Clinical Trials 
Registration Platform/World Health Organization (ICTRP/WHO) ou 
reconhecida pelo International Committee of Medical Journals Editors (ICMJE; 
lista sugerida em Atuação do Farmacêutico na Pesquisa Clínica, p.8). 
Secundária 
Pubmed, International Pharmaceutical Abstracts (IPA) 
ACP Journal Club, 
Evidence-Based Medicine 
Portal Saúde Baseada em Evidências (Epistemonikos) 
 
 
Anexo 2- Sugestão de fontes de informação confiáveis 
Terciária 
Portal Saúde Baseada em Evidências (Access Medicine, Micromedex, Dynamed, Epistemonikos) 
Cochrane Library e Cochrane Brasil: revisões sistemáticas criticamente avaliadas. 
Drugs.com 
Medscape (Pharmacist) 
Saúde Legis 
Sites de Agências Reguladoras: Anvisa, EMEA, FDA, , 
Livros especializados eletrônicos: catálogo do Access Medicine 
Livros especializados físicos: 
- AHFS Drug Information (ASHSP): coletânea de monografias de fármacos disponíveis nos EUA; 
- Drug Facts and Comparisions (Wolters): coletânea de monografias de fármacos, agrupadas pelo uso terapêutico, com tabelas 
comparativas entre fármacos da mesma classe; possui publicação para oftalmologia. 
- Drug Information Handbook (Lexicomp): coletânea de monografias resumidas, para busca rápida da informação; possui tabelas 
informativas e comparativas no Apêndice; possui publicação temática para geriatria, pediatria, oncologia, veterinária. 
- Handbook on Injectable Drugs(ASHSP): estabilidade e compatibilidade de medicamentos injetáveis. 
- Trissel’s Stability of Compounded Formulations (ASHSP): estabilidade de formulações extemporâneas obtidas por 
transformação/derivação. 
- Farmacologia Clínica e Terapêutica (Fuchs & Wanmacher). 
- Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências (Duncan). 
- Drug Interactions Facts (Wolters): descreve interações entre medicamentos, com graus de significância e manejo clínico. 
- Mosby's Handbook of Herbs & Natural Supplements (Elsevier): coletânea de monografias de plantas e suplementos. 
- Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas avaliados pela Conitec. 
- Bulas de Medicamentos (Profissionais) 
- Formulários Terapêuticos. 
- Boletins informativos de Centros de Informações de Medicamentos. 
 
 
1. SANTOS, Luciana; TORRIANI, Mayde Seadi; BARROS, Elvino. Medicamentos na prática da farmácia 
clínica. Porto Alegre: Artmed, 2013. 
 
2. MARIN, Nelly (org.) et al. Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro : 
OPAS/OMS, 2003 Disponível em https://bit.ly/3424Y5e. 
 
3. BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá 
outras providências. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078compilado.htm. 
 
4. BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014.Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das 
atividades farmacêuticas. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2014/Lei/L13021.htm. 
 
5. MELO ALVES, Fernanda Maria; ALMEIDA DOS SANTOS, Bruno. Fontes e recursos de informação 
tradicionais e digitais: propostas internacionais de classificação. Biblios, Pittsburgh, n. 72, p. 35-50, 
Julho 2018. Disponível em http://www.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1562-
47302018000300003&lng=en&nrm=iso. http://dx.doi.org/10.5195/biblios.2018.459. 
 
6. MALONE, Patrick. M. et al. Drug Information: a guide for pharmacists. 5 ed. New York: McGraw Hill 
Medical, 2014. 
 
7. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 671, de 25 de julho de 2019. Regulamenta a atuação 
do farmacêutico na prestação de serviços e assessoramento técnico relacionados à informação sobre 
medicamentos e outros produtos para a saúde no Serviço de Informação sobre Medicamentos (SIM), 
Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) e Núcleo de Apoio e/ou Assessoramento Técnico 
(NAT). Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 
 
8. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento 
de Ciência e Tecnologia. Diretrizes metodológicas: Sistema GRADE – Manual de graduação da 
qualidade da evidência e força de recomendação para tomada de decisão em saúde.Brasília: Ministério 
da Saúde, 2014. Disponível em https://bit.ly/2YbdEE1. 
 
9. NEDEL, Wagner Luis; SILVEIRA, Fernando da Silveira. Os diferentes delineamentos de pesquisa e suas 
particularidades na terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva. 2016;28(3):256-260. Acesso em 
25/05/2021. Disponível em https://bit.ly/2Y8dgsu 
 
10. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 596, de 21 de fevereiro de 2014. Dispõe sobre o 
Código de Ética Farmacêutica, o Código de Processo Ético e estabelece as infrações e as regras de 
aplicação das sanções disciplinares. Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 
 
11. CONSELHO Federal de Farmácia. Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013. Regula as atribuições 
clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. 
 
12. FISCHER, Maria Isabel et al. CIM-RS - O desafio de qualificar a informação. Porto Alegre: UFRGS, 
2007. 
 
13. CONSELHO Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul. Fontes Eletrônicas de Informação sobre 
medicamentos com acesso gratuito (Folheto eletrônico. 4p). 2019. Disponível em 
https://portal.crfrs.org.br/restrito/login/. 
 
 
14. CONSELHO Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul. A atuação do farmacêutico na pesquisa 
clínica. 2019. 10p. Disponível em https://bit.ly/2sLeVGs. 
 
15. NUNES, Luciana Neves et al. Os principais delineamentos na Epidemiologia. Clinical & Biomedical 
Research, [S.l.], v. 33, n. 2, oct. 2013. ISSN 2357-9730. Available at: 
<https://seer.ufrgs.br/hcpa/article/view/42338/27237>. 
 
16. DIEMEN, Lisia Von. Principais Delineamentos de Pesquisa. (material em PDF. 53p). Disponível em 
http://www.ufrgs.br/economiadasaude/arquivos/diemen_epidemiologia.pdf. 
 
17. HOEFLER, Rogério, SALGUES, Elios Jayme Monteiro. Condutasfundamentadas em evidências 
e a atuação do farmacêutico. BOLETIM FARMACOTERAPÊUTICA, Ano XV, Número 02, mar-abr/2010. 
 
18. CRF/RS. Busca de informação confiável e leitura crítica da literatura: aspectos sobre prática 
profissional. Disponível em https://media.crfrs.org.br/publicacoes/leitura-critica-literatura.pdf 
Entre em contato com a Orientação Técnica para tirar dúvidas sobre legislação e prática profissional: 
 
 - Formulário eletrônico: https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica 
 - 51 3027-7500, opção 3 (das 09h às 17h) 
 - WhatsApp: 51 99286-5440 
 - orienta@crfrs.org.br 
 
 
OT Informa: informativo semanal, em https://crfrs.org.br/noticias/tag/ot 
 
Materiais técnicos: https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-tecnicos 
 
Materiais impressos e e-books: https://crfrs.org.br/publicacoes/materiais-impressos 
 
Legislação temática: https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/legislacao 
 
Materiais úteis: Biblioteca Virtual, no Acesso Restrito 
 
Clipping Diário: taxação de notícias relevantes da Anvisa, SES/RS, CRF/RS e do CFF; dos principais atos 
normativos da área farmacêutica publicados no Diário Oficial da União e do Estado, publicações do 
CFF e do CRF/RS; e dos editais de concursos e residências para farmacêuticos; 
https://crfrs.org.br/orientacao-tecnica/clipping 
 
https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica
https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica
https://crfrs.org.br/fale-conosco/orientacao-tecnica
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