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Medicina - 6º Semestre - Ana Paula Cuchera e Eduarda Costa
Profª Letícia Travagin
11 de ago. de 2023
Dimensão econômico-estrutural do processo saúde-doença
- Séculos XVIII e XIX = “Medicina de Estado” - estudos baseados na inter relação entre a doença e a
revolução industrial
● Revolução industrial → 16 horas de trabalho com condições de trabalho precárias = aumento da
mortalidade
● Muitas doenças infectocontagiosas
● Morte produzida por um sistema econômico de grande escala que afeta o desenvolvimento
● Começa a ver a doença como um problema de governo → grupos morrendo de forma
padronizada (mesma causa, lugares parecidos), o que afeta a mão de obra
● Médicos começam a trabalhar pelo Estado para fazer ummapeamento organizado para pensar
no estado de saúde dos trabalhadores → por não ser aleatório as doenças (foram os primeiros
registros da epidemiologia)
- Fim do século XIX e começo do século XX → Paradigma positivista e explicação unicausal da
doença;
● Descoberta da penicilina, de novos microorganismos, etc.
● Aproveitamento da prática médica (começo das descobertas em saúde)
● Início das práticas experimentais
● Escolas médicas: começa a surgir no começo do século XX (a partir do relatório Flexner → dizia
que medicina é anatomia, microbiologia, etc = Modelo biomédico)
○ Doença é algo que deu errado e é isso que importa, não leva em consideração o
indivíduo
○ Modelo biomédico = medicina centrada na doença
● Epidemiologia clássica: desenvolvimento no começo do século XX, que produz o conceito do
risco (probabilidade x de algo acontecer diante de tal exposição)
- Explicação multicausal da doença e História Natural da Doença;
● História Natural da doença gera uma explicação multicausal da doença
● Explicação multicausal da doença: a culpa não é apenas do indivíduo → precisa pensar nas
condições de vida do paciente (trabalho, solo, água, casa)
○ Precisa da atuação da prevenção primária
- Doença como processo histórico-estrutural;
● São antes dos fatores de risco, são a base de onde começou a surgir os problemas que
desencadeou a doença
● Relacionado com o surgimento e cultura do país → isso leva em consideração os Estados e
condições de vida, juntamente com a suas falhas que leva ao desencadeamento de
enfermidades
Conceito-chave: ESTRUTURA SOCIAL
● Materialidade da vida, processos que se construíram comomodo de produção
● Classe, renda e trabalho está muito associado a doença (muito comum na América do Sul)
Dimensão Simbólica do processo saúde-doença
- Distinção entre indivíduo e sociedade;
- A doença como REPRESENTAÇÃO;
● É preciso analisar como aquele grupo de pessoas vê a doença. Ex: religião ou um grupo (Ex:
indígenas, pessoas de um determinado país - cultura) que acham que a doença é um processo
e não precisa de cura.
1
● É preciso ver o significado da doença → o que ela representa para aquelas pessoas
● Às vezes o processo social que desencadeia a doença ou a forma que a pessoa observa a
doença muda de acordo com traços simbólicos culturais
- Experiência vivida da doença;
● Cada grupo (ex: indigena) ou até mesmo cada indivíduo vive a doença de uma maneira
- Distinção entre disease (biológico) e illness (subjetivo);
- Exemplos: Identidades e autopercepção do corpo/gênero (questões contemporâneas)
● A categoria gênero é extremamente subjetivo, sendo a forma como se define o “Eu” → as
pessoas reivindicam gêneros que não são o mesmo do sexo biológico.
● Só o fato de se declarar com uma identidade de gênero diferente do biológico já leva a uma
condição de saúde diferente
○ A autodeclaração de identidade de gênero acaba se tornando um DSS, pois isso gera
iniquidade em saúde
○ Altera acesso a saúde e aumenta mortalidade
○ Ex: Maior quantidade de mortes violentas para trans, menor quantidade de
rastreamento em homens trans, etc.
● Isso não era previsto quando foi criado a epidemiologia
Modelo de Dahlgren & Whitehead (1991)
Determinantes Sociais de Saúde:
OBS! É o modelo mais usado, mas não é melhor que o oficial da OMS.
- Segundo relatório da CNDSS (2008) a análise da situação de saúde compreende os seguintes itens:
1. Situação e tendências da evolução demográfica, social e econômica do país: traça um
panorama geral de referência para a análise da situação de saúde, descrevendo a evolução
destes macrodeterminantes, particularmente nas últimas quatro décadas. Inclui dados sobre
crescimento populacional, fecundidade, mortalidade, migrações, urbanização, estrutura do
mercado de trabalho, distribuição de renda e educação;
2. A estratificação socioeconômica e a saúde: apresenta a situação atual e tendências da
situação de saúde no país, destacando as desigualdades de saúde segundo variáveis de
estratificação socioeconômica, como renda, escolaridade, gênero e local de moradia;
2
3. Condições de vida, ambiente e trabalho: apresenta as relações entre situação de saúde e
condições de vida, ambiente e trabalho, com ênfase nas relações entre saneamento,
alimentação, habitação, ambiente de trabalho, poluição, acesso à informação e serviços de
saúde e seu impacto nas condições de saúde dos diversos grupos da população.
4. Redes sociais, comunitárias e saúde: inclui evidências sobre a organização comunitária e
redes de solidariedade e apoio para a melhoria da situação de saúde, destacando
particularmente o grau de desenvolvimento dessas redes nos grupos sociais mais
desfavorecidos;
5. Comportamentos, estilos de vida e saúde: inclui evidências existentes no Brasil sobre
condutas de risco como hábito de fumar, alcoolismo, sedentarismo, dieta inadequada, entre
outros, segundo os diferentes estratos socioeconômicos da população.
6. Saúde materno-infantil e saúde indígena: por sua importância social e por apresentarem
necessidades específicas de políticas públicas, são dedicadas seções especiais sobre saúde
materno-infantil e saúde indígena.
Imagem:
- Condições socioeconômicas, culturais e ambientais gerais:
● Muitos trabalhadores informais, onde oferece serviço mas sem vínculo empregatício.
● Nesse caso, em acidentes ou doenças, não é afastado pelo INSS, ou seja, caso ocorra um
problema relacionado ao trabalho (doença osteoarticular), não tem como recorrer.
● Isso acontece pela crise de desemprego, onde teve uma mudança econômica internacional,
com taxas de desemprego maiores, e assim as taxas de salário diminuem.
Informações:
- Determinante social da Saúde:
● Fatores que influenciam a saúde, como:
○ Trabalho, lazer, moradia, estilo de vida, educação, idade, sexo, fatores hereditários, etc.
- Tabagismo → pode ser considerado um determinante (dentro do estilo de vida) pela carga de
doenças que traz.
● Pessoas fumam por ansiedade, para encaixar em grupos, etc.
- Epidemiologia → mede fator de risco e entrega o porquê deste fator (investiga as suspeitas)
● A epidemiologia observa o que está ocorrendo e vai investigando o porquê
- SUS → política pública implementada, que resolveu o acesso à saúde, porém tem defeitos.
- Estratégia de Saúde da Família:
● Ummédico de uma equipe que funciona bem, tem obrigação constitutiva devido às muitas
horas por semana em realizar trabalhos de visita domiciliar, para trazer o indivíduo aos
cuidados, etc.
● Amedicina da família e comunidade não tem responsabilidade sobre a pessoa que não muda
os hábitos, mas tem como obrigação levar ensino sobre saúde.
Referência
1. BUSS, Paulo Marchiori; Alberto. A Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS: Rev. Saúde
Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1):77-93, 2007. Disponível em
https://www.scielo.br/j/physis/a/msNmfGf74RqZsbpKYXxNKhm/abstract/?lang=pt
2. NUNES, Everardo Duarte. (2000). A doença como processo social. In Canesqui, Ana Maria (org).
Ciências Sociais e Saúde no Ensino Médico. São Paulo: Hucitec-Fapesp, 2000, pp. 217-229. (.pdf
enviado)
3
https://www.scielo.br/j/physis/a/msNmfGf74RqZsbpKYXxNKhm/abstract/?lang=pt
- Complementar:
3. ROUQUAYROL, Maria Z.; GURGEL, Marcelo. Rouquayrol - Epidemiologia e saúde.MedBook
Editora, 2017. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786557830000/(Capítulo 36 –
Determinantes Sociais de Saúde)
Referência 1
A saúde e seus determinantes sociais
O que se entende por determinantes sociais de Saúde? (histórico)
- Entende-se como as condições de vida e trabalho dos indivíduos e de grupos da população estão
relacionadas com sua situação de saúde - OMS adotou esse conceito.
- Para a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS), os DSS são os fatores
sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a
ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população.
● Nancy Krieger (2001) → introduz um elemento de intervenção, dizendo que os DSS
potencialmente podem ser alterados através de ações baseadas em informação
● Tarlov (1996) → propõe definição bastante sintética: são como as características sociais dentro
das quais a vida transcorre
- Antes predominava a teoria miasmática
● Teoria miasmática → dizia que o miasma provocava o aparecimento de doenças
● Miasma = sujeira, poluição, etc. - relacionado às mudanças devido ao processos de urbanização
e industrialização ocorridos naquele momento histórico.
● Esse conceito foi reforçado por estudos na época de contaminação da água e alimentos
- Esta teoria do miasma e outras contribuíram ao longo dos anos para reforçar a importância dos DSS
- Hoje já alcançou um consenso sobre sua importância
● Virchow, Chadwick, Villermé e Engels → são os mais destacados cientistas vinculados a essa
teoria
- Koch e Pasteur → nas últimas décadas do século XIX, fizeram um trabalho de bacteriologia que deu
uma nova explicação ao processo de saúde doença
- Surgiu então, baseada na afirmação do paradigma bacteriológico, a criação da primeira Escola de
Saúde Pública nos EUA.
- O modelo serviu para que nos anos seguintes a Fundação Rockefeller apoiasse o estabelecimento
de escolas de saúde pública no Brasil (Faculdade de Higiene e Saúde Pública de São Paulo), Bulgária,
Canadá, entre outros.
- Porém, no século XX, o enfoque médico biológico, deixava de lado o enfoque sociopolítico e
ambiental.
- Constituição da OMS → no momento da sua função, 1948 a OMS teve a definição de saúde como:
“Um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença
ou enfermidade”
● Isso foi uma clara expressão de uma concepção bastante ampla da saúde, para além de um
enfoque centrado na doença.
- Conferência de Alma-Ata → final dos anos 70, teve como lema: “Saúde para todos no ano 2000”
● Este tema colocou em destaque o tema dos determinantes sociais de saúde.
- Saúde como um bem privado → na década de 80, deslocou novamente o pêndulo para uma
concepção centrada na assistência médica individual
- Metas do Milênio → na década de 90, novamente dá lugar a uma ênfase nos DSS, afirmando-se com
a criação da Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde da OMS em 2005
4
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786557830000/
O estudos dos Determinantes Sociais de Saúde:
- Tanto nacional quanto internacionalmente houve um extraordinário avanço em relação à situação
de saúde da população.
- O avanço está marcado no estudo das iniquidades em saúde (desigualdade em saúde), que são
evitáveis, injustas e desnecessárias.
- Nancy Adler (2006) → podemos identificar 3 gerações de estudos sobre iniquidades
● Primeira geração: descreve a relação entre pobreza e saúde
● Segunda geração: dedicou a descrever os gradientes de saúde de acordo com os critérios de
estratificação socioeconômica
● Terceira geração: estudos dos mecanismos da produção das iniquidades.
- Desafio 1 (Principal desafio) → estabelecer uma hierarquia entre o DSS e os fatores mais gerais
(social, econômico, etc) → pois o DSS não é uma relação simples de causa e efeito
● Ou seja, é difícil saber qual é mais importante
- Riqueza x Indicadores de saúde → Não há correlação entre os indicadores de riqueza de uma
sociedade (ex: PIB) com os indicadores de saúde.
● Pode ser um país rico, mas a saúde não tão boa
● Os estudos sobre isso, ajudam a identificar onde e como devem ser feitas as intervenções em
saúde para ter maior impacto
- Desafio 2 → Não basta somar os determinantes de saúde identificados com indivíduos para
conhecer os DSS no nível da sociedade
● Pois, a diferença de saúde entre alguns indivíduos não explica a saúde da sociedade
● Em uma sociedade há diversos fatores que impactam na saúde dos indivíduos de uma mesma
classe e isso os deixa emmaior risco, independente da classe. Ex: hábitos, classes, dieta,
sedentarismo, etc
- Fatores individuais → importante para ver quais indivíduos de um grupo são de maior risco.
- Diferença nos níveis de saúde → mais relacionada ao grau de equidade do país e distribuição de
renda. (Não necessariamente com riqueza)
● Ex: O Japão temmaior expectativa de vida ao nascer → isso NÃO se dá por ele ser um país rico
ou por seus habitantes fumaremmenos e fazerem exercício e SIM por ser um dos países mais
igualitários do mundo.
- Rose e Marmot (1981) → estudaram a mortalidade por doença coronariana em funcionários públicos
ingleses - ilustra o cenário acima.
● Risco relativo de morrer → os funcionários de nível hierárquico inferior tinham até 4 vezes mais
risco de morrer que os de níveis superiores
● Ou seja, em lugares desiguais os “inferiores” têmmais risco. Já em lugares mais igualitários,
essa chance seria menor e mais equilibrada entre os grupos
● Os autores viram que:
○ 35-40% → estava relacionado com fatores de risco individual (fumar, colesterol, etc)
○ 60-65% → relacionado aos DSS
- Mecanismo com o qual os DSS provocam iniquidades de saúde
1. Aspectos físicos materiais → diferença de renda influencia na saúde pela escassez de recurso e
infraestrutura (educação, transporte, saneamento,etc)
2. Fatores psicossociais → relação entre percepção de desigualdades sociais e experiências
desiguais provocam estresse e prejuízo à saúde
- Saúde x Desigualdade nas condições de vida → as situações de renda impactam negativamente a
situação de saúde de uma população.
● Países commais iniquidades de renda são os que menos investem em capital humano e em
rede de apoio social.
● Esse investimento são fundamentais para promoção da saúde individual e coletiva
● Estes também demonstram que não são as sociedades mais ricas que possuemmelhores
níveis de saúde, mas sim as mais igualitárias e commais coesão social.
5
- Existem 2 modelos para esquematizar a relação entre os fatores dos DSS:
1. Modelo de Dahlgren e Whitehead
● Disposto em diferentes camadas:
○ Amais próxima são os determinantes individuais
○ Mais distalmente estão os macrodeterminantes.
● Camadas:
○ Os indivíduos dão a base do modelo → Idade, sexo e fatores genéticos
○ Segue então para o estilo de vida e comportamento individuais
OBS! O comportamento pode ser influenciado pela sociedade, o que enquadra
ele entre um fator individual e uma DSS (condicionado pela sociedade)
○ A camada seguinte tem influência das redes sociais e comunitárias (apoio)
○ No próximo estão as condições de vida e trabalho - relacionado com a
disponibilidade de alimentos, educação, saúde, moradia, etc.
○ Último nível estão os macrodeterminantes: condições socioeconômicas, culturais
e ambientais da sociedade (esta possui grande influência sobre as demais
camadas)
● Esse modelo não explica com detalhe as relações e mediações entre os níveis.
2. Diderichsen e Hallqvist (1998) → adaptado por Diderichsen, Evans e Whitehead (2001)
● Enfatiza a estratificação social → indivíduos com posições sociais distintas
● Esta estratificação gera diferenciais de saúde
● No diagrama:
○ I- Posições sociais → que é dada de acordo com a educação e mercado de
trabalho, de acordo a sua posição o indivíduos apresenta mais ou menos
exposição a riscos que causam dano à saúde.
○ II- Exposição específica → leva em conta o diferencial de vulnerabilidade, quando é
exposto a risco
○ III - Doença ou acidente → consequências físicas ou sociais quando contrai a
doença
IV - Consequências sociais ou mau estado desaúde → vê o impacto da doença
6
As intervenções sobre os Determinantes Sociais de Saúde:
- A posição social de cada indivíduo influencia fortemente em seus determinantes de saúde, com isso
O Modelo de Dahlgren e Whitehead nos permite a representação de pontos em que se podem ser
aplicadas políticas a fim de diminuir tais diferenciais de DSS
Omodelo é disposto em camadas:
- Primeiro Nível:
- Fatores relacionados a comportamento e estilo de vida:
● Estão representados no primeiro nível do modelo, como fortemente influenciados pelos DSS, já
que são fatores de difícil mudança, uma que, uma mudança em alguns comportamentos de
risco iria necessitar de uma intervenção a nível cultural
● Uma boa chance de mudança seria a atuação exclusiva sobre os indivíduos. Nesse caso seriam
necessárias políticas de abrangência populacional, como:
○ Programas educativos;
○ Comunicação social;
○ Acesso facilitado a alimentos saudáveis.
- Segundo Nível:
- Comunidades e suas redes de relações:
● Onde se incluem políticas que estabelecem redes de apoio e aumentam a participação das
pessoas e da comunidade (principalmente grupos vulneráveis) em ações para melhorias de
suas condições de saúde e bem-estar, assim se tornando participantes ativos das decisões da
vida social.
- Terceiro Nível:
- Refere-se a atuação das políticas em cima das condições materiais e psicossociais em que as
pessoas vivem e trabalham, para assim trazer uma melhoria, como:
● Água limpa
● Esgoto
● Habitação adequada
● Alimentos saudáveis
● Empregos seguros e outros
OBS! Essas políticas são distribuídas por diferentes setores, permitindo ummecanismo que permita
uma ação integrada!
- Quarto Nível:
- Políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, de proteção ambiental e de promoção de
uma cultura de paz e solidariedade, que atuam a nível dos macrodeterminantes e tem como objetivo
promover um desenvolvimento sustentável, o que reduziria as desigualdades sociais, violência e
degradação do meio ambiente e seus efeitos.
- Segundo modelo proposto por Diderichsen:
- Esses atuam sobre a estratificação social e diferenciais de exposição, vulnerabilidade e suas
consequências. Onde estão políticas dirigidas à diminuição das diferenças sociais relacionadas a
● Mercado de trabalho
● Educação
● Seguridade sociais
● Acompanhamento de políticas econômicas e sociais em busca de avaliação de seu impacto
sobre a estratificação social
- Segundo grupo de políticas tem como alvos os grupos que vivem em condições de habitação
insalubres, trabalham em ambientes pouco seguros ou estão expostos a deficiências nutricionais.
Além de políticas que fortalecem redes de apoio a grupos vulneráveis para diminuir os efeitos
de condições materiais e psicossociais adversas.
- Diferenciais de vulnerabilidade:
● Intervenções mais efetivas seriam aquelas que buscam fortalecer a resistência a diversas
exposições, como a educação das mulheres para diminuir sua própria vulnerabilidade e a de
seus filhos
7
- Intervenções no sistema de saúde: buscam reduzir consequências causadas pela doença
● Melhoria da qualidade dos serviços a toda a população
● Apoio a deficientes,
● Acesso a cuidados de reabilitação
● Mecanismos de financiamento equitativos (impedem o empobrecimento causado pela
doença)
- Essas intervenções sobre níveis macro, intermediário ou micro de DSS, para diminuir as iniquidades
relacionadas à estratificação social, obrigam atuação coordenada intersetorial com diversos níveis
da administração pública e tem que estar acompanhadas por políticas que busquem fortalecer a
coesão e ampliar o “capital social” das comunidades vulneráveis, e promover a participação social no
desenho e implementação de políticas e programas.
A Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais de Saúde (CNDSS):
- Criada para gerar impulso sobre o conhecimento e intervenção nos DSS, foi estabelecida em 2006
através de Decreto Presidencial. É uma resposta ao movimento global em torno dos DSS,
desencadeado pela OMS.
● A Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde - CSDH criada pela OMS em 2005 tem
como objetivo promover, em âmbito internacional, uma tomada de consciência sobre a
importância dos determinantes sociais na situação de saúde dos indivíduos e população e o
combate à iniquidades entre eles.
● Além disso, o Decreto presidencial constituiu um grupo de trabalho intersetorial, que é
integrado por diversos ministérios e Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais e Municipais
de Saúde (CONASS e CONASEMS).
○ A CNDSS articulando com esse grupo permite o aumento de ações integradas entre as
esferas da administração pública
● Integrada por 16 personalidades (envolvendo vida social, cultural, científica e empresarial) a fim
de que essa diversificação gere uma expressão da saúde como um bem público, construída
com todos os setores da sociedade.
- 3 Compromissos orientam a atuação da Comissão:
1. Compromisso com a ação: apresentar recomendações concretas de políticas, programas e
intervenções para o combate às iniquidades de saúde geradas pelos DSS.
2. Compromisso com a equidade: a promoção da equidade em saúde é fundamentalmente um
compromisso ético e uma posição política que orienta as ações da CNDSS para assegurar o
direito universal à saúde.
3. Compromisso com a evidência: as recomendações da CNDSS devem estar fundamentadas em
evidências científicas, que permitam entender como operam os determinantes sociais na
geração das iniqüidades em saúde e como e onde devem incidir as intervenções para
combatê-las e que resultados podem ser esperados em termos de efetividade e eficiência.
- Principais objetivos da CNDSS:
● Produzir conhecimentos e informações sobre DSS no Brasil
● Apoiar o desenvolvimento de políticas e programas para a promoção da eqüidade em saúde;
● Promover atividades de mobilização da sociedade civil para tomada de consciência e atuação
sobre os DSS
- Para que conseguir esses objetivos, CNDSS vem desenvolvendo as seguintes linhas de atuação:
● Conhecimentos que permitam entender as relações entre os determinantes sociais e a
situação de saúde, como a iniquidade de saúde, para assim fundamentar políticas e
programas.
● Promoção, apoio, seguimento e avaliação de políticas, programas e intervenções
governamentais e não-governamentais realizadas em nível local, regional e nacional. O GT
Intersetorial deve constituir o principal instrumento para o desenvolvimento desta linha de
atuação.
● Desenvolvimento de ações de promoção e mobilização junto a diversos setores da sociedade
civil, para a tomada de consciência sobre a importância das relações entre saúde e condições
de vida e sobre as possibilidades de atuação para diminuição das iniquidades de saúde. Para
8
desenvolvimento dessa linha de atuação, membros da CNDSS e da secretaria participam de
congressos e reuniões, commeios de comunicação de massa.
● Portal sobre DSS: a CNDSS mantém uma página institucional(www.determinates.fiocruz.br)
com informações sobre as atividades que vem desenvolvendo, além de publicações de
interesse.
- A partir do segundo semestre de 2007, a CNDSS começará a publicar seu relatório final em
fascículos, para prestar contas sobre o cumprimento de seus objetivos, traçar um panorama geral da
situação de saúde do país e propor políticas e programas relacionados aos DSS. Estamos convencidos
de que as atividades da CNDSS e seus desdobramentos futuros serão uma valiosa contribuição para o
avanço do processo de reforma sanitária brasileira e para a construção de uma sociedade mais
humana e justa.
Referência 3
Livro: Epidemiologia e Saúde - Rouquayrol (capítulo 36)
Determinantes Sociais de Saúde (DSS)
- Introdução:
- DSS têm relação entre saúde e as condições que as pessoas vivem.
- Figura geométrica tridimensional → criada para abordar a Reforma Sanitária Brasileira, para fazer
analogia ao processo saúde doença.
● Nesta figura contém os seguintes eixos:
○ Político → ele é importante para a construção de políticas públicas
■ A constituição de 1988 (“constituição cidadã”) incluiu váriosdireitos sociais
■ Artigo 196 da constituição federal → “A saúde é direito de todos e dever do Estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitários às ações e
serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”
○ Paradigmático → predominam os pensamentos, valores e ideias de uma época, porém
sem deixar de lado as ideologias e os tensionamentos.
■ Esse pensamento quando relacionado à área da saúde está ligado à perspectiva
histórica da saúde-doença.
■ Exemplos: as explicações para a doença de acordo com a época, as intervenções
propostas, etc.
○ Eixo discursivo → está relacionado com a parte da legitimação institucional, nacional e/ou
internacional dos conceitos que foram elaborados.
■ Exemplos: institucionalização do conceito de saúde pela OMS, declaração de
Alma-Ata, etc.
- 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986) → marcou a abertura à participação popular nas
discussões dos determinantes sociais de saúde.
- Commission on Social Determinants of Health - CSH (OMS, 2005) → chamado feito pela OMS para
promover uma tomada de consciência sobre a importância do DSS na saúde e para combater as
injustiças que foram geradas por ele.
9
http://www.determinates.fiocruz.br

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