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Tipos de vegetação do Brasil
Nosso planeta é coberto pelos mais diversos tipos de plantas. As características da vegetação variam de
lugar para lugar e dependem de diversos fatores como localização, clima e altitude. Por ser um país de
proporções continentais, o Brasil apresenta uma enorme biodiversidade. Aziz Ab’Saber explica que,
justamente por esta magnitude espacial, o território brasileiro “comporta um mostruário bastante
completo das principais paisagens e ecologias do mundo tropical”.
Ab’Saber propôs uma das classificações mais conhecidas do universo geográfico: os domínios
morfoclimáticos, “um conjunto espacial de certa ordem de grandeza territorial – de centenas de milhares
a milhões de quilômetros quadrados de área – onde haja um esquema coerente de feições de relevo,
tipos de solos, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas”.
O geógrafo reconheceu seis grandes domínios, sendo quadro deles intertropicais, cobrindo uma área de
mais de sete milhões de km², e dois subtropicais, que somam aproximadamente 500 mil km². Os
domínios morfoclimáticos são representados pelas seguintes vegetações: 1. Amazônica; 2. Cerrado; 3.
Mares de Morros florestados (ou Mata Atlântica); 4. Caatinga; 5. Mata de Araucária; 6. Pradarias.
Imagem: Reprodução/Aziz
Ab`Saber
Tão importante quanto os domínios são as faixas de transição entre eles. De acordo com Aziz, “cada
setor das alongadas faixas de transição e contato apresenta uma combinação diferente de vegetação,
solos e formas de relevo”. Dentre as zonas de transição, estão a vegetação litorânea (entre o domínio da
mata atlântica e a linha costeira) e o Pantanal.
Saiba mais sobre cada uma delas:
Amazônia
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Foto: depositphotos
O domínio amazônico possui clima equatorial – quente e úmido – e resguarda mais de um terço das
espécies que vivem na Terra. Está localizado na maior bacia hidrográfica do mundo, com cerca de 6
milhões de km², formada por mais de mil afluentes que alimentam sua artéria principal: o rio Amazonas.
A vegetação amazônica é muito diversa e, em linhas gerais, é dividida em: mata de igapó, em áreas
permanentemente alagadas e com presença de vegetação de menor porte; mata de várzea, em áreas
que sofrem alagamentos periódicos, de acordo com a época do ano e mata de terra firme, nas áreas de
planalto, em que se sustentam as maiores árvores da floresta, formando uma densa massa verde com
folhas largas e alturas que podem chegar a 60 metros.
A floresta amazônica úmida ocupa cerca de 49% do território nacional, se estendendo ainda por oito
países vizinhos. Em 1953, foi estabelecida a Amazônia Legal, um limite territorial maior do que aquele
ocupado pela floresta, utilizado para fins administrativos – inicialmente, para a Superintendência do
Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e atualmente para a SUDAM (Superintendência
do Desenvolvimento da Amazônia), ligada ao Ministério da Integração Nacional. A Amazônia Legal
corresponde a 59% do território brasileiro e abrange a totalidade dos estados do Acre, Amapá,
Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso, além de parte do estado do Maranhão.
 Mata Atlântica
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Foto: depositphotos
Dentre todas, foi a vegetação mais afetada pelas ações do homem, já que se estende por toda faixa
oriental do Brasil e sofreu os primeiros impactos do processo colonizador.
Originalmente, estendia-se por 17 estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo,
Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe,
Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí). Hoje restam cerca de apenas 8,5% de
remanescentes florestais acima de 100 hectares, em comparação à cobertura original. Quase 72% da
população brasileira vive na faixa de abrangência deste domínio. É considerada um hotspot mundial, ou
seja, uma área rica em biodiversidade e ao mesmo tempo uma das mais ameaçadas do planeta.
A composição original da Mata Atlântica é um mosaico de vegetações com florestas ombrófilas densas,
aberta e mista; florestas estacionais deciduais e semideciduais; campos de altitude, mangues e
restingas.
Caatinga
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Foto: depositphotos
Vegetação conhecida como típica do Nordeste brasileiro, de clima semiárido e xerófita (adaptada à
escassez de água), a caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional e engloba, além dos estados
nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí,
Sergipe), o norte de Minas Gerais.
De acordo com Aziz Ab’Saber, “o nordeste semiárido é uma região de velha ocupação, baseada no
pastoreio extensivo. Possui sertanejos vinculados à vida nas caatingas e camponeses típicos amarrados
à utilização das ribeiras e dos ‘brejos’”. Para Aziz, é a área socialmente mais crítica do país e
considerada região semiárida mais povoada do mundo. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente,
cerca de 27 milhões de pessoas vivem neste domínio.
A caatinga vem sendo desmatada de forma acelerada, principalmente para consumo industrial e
doméstico de lenha nativa e para formação de pastagens e campos agrícolas.
Cerrado
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Foto: depositphotos
O cerrado ocupa a porção central do Brasil e representa cerca de 20% do território. O clima é marcado
pela presença de duas estações, uma seca e uma úmida. Há predomínio de espécies arbustivas e
herbáceas, com presença de árvores que apresentam raízes profundas (a fim de captar água), troncos
tortuosos e folhas que caem durante período de estiagem.
Apesar da intensa devastação que vem sofrendo ao longo das décadas – é especialmente no cerrado
que está localizado o agronegócio brasileiro –, sua preservação é fundamental. O seu elevado potencial
aquífero reflete-se na presença de nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul
(Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata).
Com alta biodiversidade, o cerrado abriga mais de 11 mil espécies de plantas já catalogadas, que sofrem
com o fantasma da extinção, assim como os animais: pelo menos 137 espécies deles estão ameaçadas.
Depois da mata atlântica, o cerrado é o domínio que mais sofreu alterações advindas da ocupação
humana. Por isso, também é considerado um hotspot mundial.
Pradarias
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Foto: depositphotos
Domínio campestre também conhecido como região dos Pampas, Campanha Gaúcha e zona das
coxilhas (palavra que descreve região de colinas). As pradarias localizam-se em clima subtropical,
exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, e representam pouco mais de 2% do território nacional.
Aziz Ab’Saber escreveu que “a região é altamente beneficiada por cenários naturais. Trata-se, talvez, da
mais bela área de colinas do território brasileiro”.
Na paisagem deste domínio, predominam campos entremeados por capões de mata, matas ciliares e
banhados. Há um rico patrimônio cultural associado à biodiversidade. A pecuária extensiva configura-se
como uma das principais atividades econômicas da região. O plantio de arroz também merece destaque,
apesar dos impactos, como afirma Ab’Saber: “Infelizmente, 90% da biomassa das florestas-galeria
biodiversas, de tipo subtropical, que sublinhavam as planícies aluviais dos rios mais típicos da
campanha, foram eliminados para dar espaço à rizicultura irrigada”.
Embora a estrutura da vegetação seja menos exuberante se comparada às florestas densas ou mesmo
ao cerrado, a sua relevância ambiental é enorme. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os
campos têm uma importante contribuição no sequestro de carbono e no controle da erosão, além de
serem fonte de variabilidade genética para diversas espécies que estão na base de nossa cadeia
alimentar.
 Mata de Araucária
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Foto: depositphotos
Sua característica fundamental é a presença dominante do Pinheiro Brasileiro (Araucaria angustifólia),
árvore de tronco cilíndrico e reto, que alcança até 50 metros de altura e dois de diâmetro, e chega a
viver 700 anos. Originalmente ocupava cerca de 200 mil km² nos planaltos dos estados do Sul e
Sudeste, onde predomina o climasubtropical. No sub-bosque da floresta de araucária ocorre uma
complexa e grande variedade de espécies, como a canela sassafrás, a imbuia, a erva-mate e o xaxim.
A exploração se intensificou no início do século XX, devido à boa qualidade da madeira. Entre as
décadas de 50 e 60, a madeira de araucária esteve no topo da lista das exportações brasileiras. Calcula-
se que entre 1930 e 1990, cerca de 100 milhões de pinheiros tenham sido derrubados. Atualmente,
menos de 1% da área original guarda as características da floresta primitiva, ou seja, são áreas pouco
ou nunca exploradas.
Zonas de transição: pantanal e manguezais
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Foto: depositphotos
O Pantanal é uma grande depressão aluvial, localizada no centro do continente sul-americano. No
Brasil, abrange os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Aziz Ab’Saber classificou o Pantanal
mato-grossense como uma “paisagem de exceção”, que “inclui ecossistemas do domínio dos cerrados e
ecossistemas do Chaco, além de componentes bióticos do nordeste seco e da região periamazônica”.
Por isso, é considerado uma zona de transição, composta por fisionomias bastante heterogêneas. As
paisagens são constantemente modificadas pelas chuvas periódicas, que provocam o transbordamento
dos rios.
Os manguezais ocorrem em locais onde haja encontro de águas dos rios com a do mar, estando
associados às margens de baías, barras, enseadas, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias
costeiras. Dessa forma, é considerado um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes
terrestre e marinho. A cobertura vegetal está adaptada à ação diária das marés de água salgada e
salobra. A riqueza biológica formada neste encontro permite que essas áreas sejam consideradas
grandes “berçários” naturais, já que a fauna encontra condições ideais para reprodução, criadouro e
abrigo. Além disso, a vegetação de mangue ajuda a reter sedimentos, evitar erosão e estabilizar a costa.
Dentre os principais fatores que impactam diretamente a vida dos manguezais estão aterro,
desmatamento, deposição de lixo, lançamento de esgoto e efluentes industriais, construções de marinas
e pesca predatória.
Referências
 
» AB’SABER, Aziz N. Brasil: paisagens de exceção: o litoral e o Pantanal Mato-grossense: patrimônios
básicos. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2006.
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» AB’SABER, Aziz N. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo:
Ateliê Editorial, 2003.
» SOS MATA ATLÂNTICA. A mata atlântica [sem data]. Disponível: https://www.sosma.org.br/nossa-
causa/a-mata-atlantica. Acesso em: 23 de abril de 2017.
» IBGE. Áreas Especiais – Cadastro de Municípios localizados na Amazônia Legal [sem data].
Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/amazonialegal.shtm?c=2. Acesso em:
23 de abril 2017.
» IPEA. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?
option=com_content&id=2154:catid=28&Itemid=23. Acesso em: 23 de abril de 2017.
» MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Amazônia. Disponível
em: http://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia. Acesso em: 23 de abril de 2017.
» MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Caatinga. Disponível em: http://www.mma.gov.br/biomas/caatinga.
Acesso em: 23 de abril de 2017.
» MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. O bioma cerrado. Disponível
em: http://www.mma.gov.br/biomas/cerrado. Acesso em: 23 de abril de 2017.
» MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. A floresta com araucárias. Disponível
em: http://www.mma.gov.br/estruturas/202/_arquivos/folder_consulta02.pdf. Acesso em: 23 de abril de
2017.
» PORTAL DE ECOLOGIA AQUÁTICA. IB – USP. O ecossistema manguezal. Disponível em:
http://www.ecologia.ib.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=70&Itemid=409.
Acesso em: 23 de abril de 2017.
» DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA. IB – USP. O pantanal. Disponível em:
http://ecologia.ib.usp.br/index.php/8-noticias/48-pantanal. Acesso em: 23 de abril de 2017.

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