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FR EN TE Ú N IC A 211 meses. Pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard- -Smithsonian revelaram ter obtido a mais forte evidência até agora de que o universo em que vivemos começou mesmo pelo Big Bang, mas este não foi explosão, e sim uma súbita expansão de matéria e energia infinitas concen- tradas em um ponto microscópico que, sem muitas opções semânticas, os cientistas chamam de “singularidade”. Essa semente cósmica permanecia em estado latente e, sem que exista ainda uma explicação definitiva, começou a inchar rapidamente [...]. No intervalo de um piscar de olhos, por exemplo, seria possível, portanto, que ocorressem mais de 10 trilhões de Big Bangs. ALLEGRETTI. F. Veja. 26 mar. 2014 (adaptado). 14 Enem 2018 No título proposto para esse texto de di- vulgação científica, ao dissociar os elementos da expressão Big Bang, a autora revela a intenção de A evidenciar a descoberta recente que comprova a explosão de matéria e energia. b resumir os resultados de uma pesquisa que trouxe evidências para a teoria do Big Bang. C sintetizar a ideia de que a teoria da expansão de matéria e energia substitui a teoria da explosão. D destacar a experiência que confirma uma investi- gação anterior sobre a teoria de matéria e energia. E condensar a conclusão de que a explosão de ma- téria e energia ocorre em um ponto microscópico. 15 Unicamp O humor da tirinha a seguir gira em torno de um enunciado ambíguo (isto é, que pode ter mais de uma interpretação): © 2 0 10 K in g Fe at ur es S yn di ca te /Ip re ss . • GOULACHE: prato típico húngaro que consiste em en- sopado de carne e verduras, temperado com páprica. • HELGA: esposa de Hagar. Responda: a) como Eddie Sortudo esperava que Hagar inter- pretasse sua pergunta? b) como Hagar de fato interpretou a pergunta de seu amigo? c) o que torna a pergunta ambígua, na forma em que se apresenta? 16 Dê quatro interpretações para a frase a seguir: Vi uma foto sua no metrô. 17 ITA No texto a seguir, sobre as eleições em São Paulo, há ambiguidade no último período, o que pode dificul- tar o entendimento. Ao chegar à Liberdade [bairro da cidade de São Paulo], a candidata participou de uma cerimônia xintoísta (religião japonesa anterior ao budismo). Depois, fez um pedido: “Quero paz e amor para todos”. Ganhou um presente de um ramo de bambu. Folha de S.Paulo, 9 jul. 2000. (Adapt.). A ambiguidade deve-se: A à inadequação na ordem das palavras. b à ausência do sujeito verbal. C ao emprego inadequado dos substantivos. D ao emprego das palavras na ordem indireta. E ao emprego inadequado de elementos coesivos. 18 ITA Leia o texto seguinte. Sítio Bom Jardim apresenta Forró Sertanejo com a banda Casa Nova, no dia 30 de outubro, a partir das 21 ho- ras. Mulher acompanhada até 24 horas não paga. Venha e participe desta festa. Jornal Vale ADC’S, out. 1999. (Adapt.). a) Localize o trecho em que há ambiguidade. b) Aponte duas interpretações possíveis para esse trecho, considerando o contexto. 19 Dentre as seguintes frases, assinale aquela que não contém ambiguidade. A Peguei o ônibus correndo. b Os professores do colégio, que detêm um terreno na zona Sul, pediram demissão. C O guarda deteve o suspeito em casa. D O menino viu o incêndio do prédio. E Deputado fala da reunião no canal 2. 20 Leia o texto a seguir. O falso policial Essa notícia foi veiculada em um jornal de Lisboa. Sem cerimônia alguma, um português faminto entrou num bar da capital portuguesa e comeu um frango in- teiro vestido de policial, na mesma mesa em que era oferecido a delegados da região um arroz à grega, em um encontro da categoria em Lisboa. O frango era des- tinado a todos os presentes, mas o português não quis nem saber. Os delegados, no entanto, descon fiaram do falso policial e passaram a hostilizá-lo. Em poucos minutos, o português teve de sair correndo para não apanhar. O fato ocorreu em Lisboa, e o impostor foi encontrado morto em uma esquina próxima, momentos após o episó dio do frango. a) No texto há duas passagens malconstruídas que podem suscitar ambiguidade no momento da leitu- ra. Identifique-as. b) Comente as interpretações possíveis. c) Redija novamente o trecho de modo que não haja mais o problema de clareza. PV_2021_LU_ITX_FU_CAP8_LA.INDD / 15-09-2020 (13:24) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL PV_2021_LU_ITX_FU_CAP8_LA.INDD / 15-09-2020 (13:24) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL 212 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Capítulo 8 Implícitos, ambiguidade e semântica Texto para a questão 21. Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Caste- lo. Começaram a subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita have- rá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo. Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castelo, por mais que ou- vissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire* que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão no andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. (...) Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçada- mente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura. Quiseram entrar depressa, mas esbarraram com dous sujei- tos que vinham saindo, e coseram-se ao portal. Um deles perguntou-lhes familiarmente se iam consultar a adivinha. – Perdem o seu tempo, concluiu furioso, e hão de ouvir muito disparate... – É mentira dele, emendou o outro, rindo; a cabocla sabe muito bem onde tem o nariz. Hesitaram um pouco; mas, logo depois advertiram que as palavras do primeiro eram sinal certo da vidência e da franqueza da adivinha; nem todos teriam a mesma sorte alegre. A dos meninos da Natividade podia ser miserável, e então... Enquanto cogitavam passou fora um carteiro, que as fez subir mais depressa, para escapar a outros olhos. Tinham fé, mas ti- nham também vexame da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas. Velho caboclo, pai da adivinha, conduziu as senhoras à sala. (...) – Minha filha já vem, disse o velho. As senhoras como se chamam? (...) A falar verdade, temiam o seu tanto, Perpétua menos que Natividade. A aventura parecia audaz, e algum perigo possível. Não ponho aqui os seus gestos; imaginai que eram inquietos e desconcertados. Nenhuma dizia nada. Natividade confessou depois que tinha um nó na garganta. Felizmente, a cabocla não se demorou muito; ao cabo de três ou quatro minutos, o pai a trouxe pela mão, erguendo a cortina do fundo. MACHADO DE ASSIS Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976. * donaire − elegância 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Tinham fé, mas tinham também vexame da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas. (linhas 41-43) 21 Uerj 2017 A frase acima expõe um ponto de vista do narrador acerca do comportamento ambíguo das per- sonagens. Uma passagem que antecipa a exposição desse ponto de vista está registrada em: A continuavam a subir, como se fosse penitência, de- vagarinho, cara no chão, véu para baixo. (linhas 15-17) b A mesma lentidão no andar, comparada à rapidez das outraspessoas, fazia desconfiar (linhas 22-24) c Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura. (linhas 27-28) D Um deles perguntou-lhes familiarmente se iam con- sultar a adivinha. (linhas 30-31) Texto para as questões 22 e 23. Leite derramado “Um homem muito velho está num leito de hospital. E desfia a quem quiser ouvir suas memórias. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econô- mica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos.” Não sei por que você não me alivia a dor. Todo dia a senhora levanta a persiana com bruteza e joga sol no meu rosto. Não sei que graça pode achar dos meus esgares, é uma pontada cada vez que respiro. Às vezes aspiro fundo e encho os pulmões de um ar insuportável, para ter alguns segundos de conforto, expelindo a dor. Mas bem antes da doença e da velhice, talvez minha vida já fosse um pouco assim, uma dorzinha chata a me espetar o tempo todo, e de repente uma lambada atroz. Quando perdi minha mulher, foi atroz. E qualquer coisa que eu recorde agora, vai doer, a memória é uma vasta ferida. Mas nem assim você me dá os remédios, você é meio desumana. Acho que nem é da enfermagem, nunca vi essa cara sua por aqui. Claro, você é a minha filha que estava na contraluz, me dê um beijo. Eu ia mesmo lhe telefonar para me fazer companhia, me ler jornais, romances russos. Fica essa televisão ligada o dia inteiro, as pessoas aqui não são sociáveis. Não estou me queixando de nada, seria uma ingratidão com você e com o seu filho. Mas se o garotão está tão rico, não sei por que diabos não me interna em uma casa de saúde tradicional, de religiosas. Eu próprio poderia arcar com viagem e tratamen- to no estrangeiro, se o seu marido não me tivesse arruinado. (BUARQUE, Chico. Leite derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 10-11.) 22 AFA 2017 Assinale a alternativa que apresenta uma in- ferência INCORRETA. A O personagem acredita que a televisão ligada evi- ta a comunicação entre as pessoas que dividem o ambiente. b Percebe-se um tom sarcástico nos três últimos pe- ríodos do excerto. c O grau aumentativo foi utilizado no substantivo “garo- tão” de forma pejorativa, ratificando a crítica ao neto. D A fala compulsiva do personagem tem como objetivo provocar piedade naqueles que estão ao seu redor. PV_2021_LU_ITX_FU_CAP8_LA.INDD / 15-09-2020 (23:10) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL FR EN TE Ú N IC A 213 23 AFA 2017 O discurso do personagem só NÃO nos per- mite afirmar que ele: A está resignado com o tratamento que recebe de sua filha e de seu neto. b apresenta-se pouco lúcido, tomado por incertezas e angústias. c lamenta-se não só das perdas emocionais como das materiais e sociais. D é um homem orgulhoso e culto, ressentido por não ser bem servido pelos outros. Texto para a questão 24. Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssimas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cercanias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocante. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode. Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e des- pojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive. Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emudece, se dessangra, se cristaliza, se mine- raliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam. FRÓES. L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco. 1998. 24 Enem 2018 Na apresentação da paisagem e da per- sonagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elementos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana configura-se A amalgamada pelo processo comum de desertifica- ção e de solidão. b fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres vivos. c redimensionada pela intensidade da luz e da exu- berância local. D imersa num drama existencial de identidade e de origem. E imobilizada pela escassez e pela opressão do am- biente. Leia os versos de Manoel de Barros. Escrever nem uma coisa Nem outra — A fim de dizer todas — Ou, pelo menos, nenhumas. Assim, Ao poeta faz bem Desexplicar — Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes. (Poesia completa, 2013.) 25 Famerp 2020 Tanto na forma quanto no conteúdo, o poema A descreve uma maneira de fazer poesia que consis- te em criar um enigma, a ser resolvido pelo leitor, que revelará o significado do poema. b prescreve uma escrita que consiste em subtrair das palavras seu sentido rígido usual, fazendo apare- cer nelas significados inusitados. c defende que a poesia deve ser construída com ele- mentos bem encadeados da realidade, de modo a formular uma crítica social fundamentada. D critica a poesia espontânea e ingênua que não se preocupa em utilizar corretamente os elementos da linguagem prescritos pela gramática. E argumenta em favor de uma poesia libertária, que expresse os estados de espírito mais extremos do ser humano. Texto para as questões 26 e 27. , CÂMERA, AÇÃO. Sem a Eletrobrás, o cinema nacional não seria a mesma coisa. 26 Qual palavra do texto à direita, mais abaixo, liga-se à palavra que foi omitida no texto principal? 27 Explique o duplo sentido contido na propaganda. Texto para a questão 28. Mantenha seu cão fora dos jardins e recolha suas fezes. 28 No texto, a ambiguidade é decorrente do emprego: A da ordem das palavras. b da elipse de alguns termos. c do emprego do possessivo. D do emprego do tempo verbal. E do emprego do substantivo “fezes”. PV_2021_LU_ITX_FU_CAP8_LA.INDD / 16-09-2020 (20:52) / DANIELA.CAPEZZUTI / PROVA FINAL