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INTOXICAÇÕES EXÓGENAS INTRODUÇÃO AGENTES MEDICAMENTOSOS DORMISSANITÁRIOS Sabões, detergentes, desinfetantes, alvejantes Repelentes, cáusticos (soda cáustica, ácido muriático) AGROTÓXICOS Herbicidas (paraquat, diquat, glifosato) Inseticidas organofosforados (parathion, malathion, Terbufol) Inseticidas Carbamatos (carbaril, aldicarb - chumbinho) Chumbinho rosa Ação de inibição da enzima acetilcolinesterase => gera acúmulo de acetilcolina e uma síndrome colinérgica A síndrome colinérgica central manifesta sintomas de psicose, agitação, confusão mental, convulsões e coma. RATICIDAS CUMARÍNICOS Brodifacum, Bromadiolone, Warfarin Chumbinho preto Bloquear as atividades dos fatores de coagulação K dependentes (II, VII, IX, X) => causando diástases hemorrágicas FATORES IMPORTANTES NO PROCESSO DE INTOXICAÇÃO Tempo de exposição - quanto maior o tempo, maior a absorção Concentração do agente Toxicidade - ex.: antidepressivos tricíclicos podem causar alteração no potencial de ação miocárdica; Paracetamol pode gerar insuficiência hepática fulminante Natureza da substância - pó, aerossóis (intoxicação por monóxido de carbono é gravíssima), líquido Condição da exposição (acidental, intencional ou iatrogênica) Via de exposição (inalação, contato com a pele, ingestão) Susceptibilidade individual QUANDO SUSPEITAR? Avaliar a cena Líquidos derramados, comprimidos, substâncias venosas Cheiro forte no local, nas vestes e na vítima Familiares ou conhecidos podem informar sobre o ocorrido Paciente Salivação, hálito com odor estranho Modificação dos lábios e interior da boca, midríase, ou miose Diaforese /taquipneia Confusão mental, torpor/convulsões O QUE FAZER? ABORDAGEM EMERGENCIAL ABCDE Situações de risco são identificadas e corrigidas DIAGNÓSTICO (identificação da causa) Reconhecimento de síndromes tóxicas/identificação do agente TRATAMENTO DA INTOXICAÇÃO Descontaminação/ administração de antídotos e antagonistas Aumento da eliminação do tóxico absorvido 1. a. b. 2. a. 3. a. b. AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA História clínica e exame detalhado Identificação dos parâmetros clínicos, diagnóstico sindrômico Anamnese O que aconteceu? Quando aconteceu? Como aconteceu? Porque aconteceu? Onde aconteceu? Exame físico Completo, mas dirigido O que procurar? Alteração no estado mental Alterações oculares Hálito, odores ou secreções Perfusão, temperatura e estado de hidratação da pele e mucosas IRPM de BPM Abdome: formato, rigidez, timpanismos, líquidos, peristaltismo Liberação de esfíncteres INTOXICAÇÕES EXÓGENAS RECONHECIMENTO DE UMA SD TÓXICA DEFINIÇÃO Conjunto complexo de sinais e sintomas produzidos por doses tóxicas de substâncias químicas que, apesar de diferentes, tem efeitos semelhantes Tóxico - todo agente que desequilibra o organismo O reconhecimento das síndromes permite: Identificação do agente tóxico Tratamento precoce e adequado Melhor prognóstico SINDROMES Colinérgica Anticolinérgica Depressão neurológica Simpatomimética Liberação extrapiramidal Metahemoglobinêmica SÍNDROME ANTICOLINÉRGICA Os sintomas colinérgicos variam de acordo com o receptor estimulado: MUSCARÍNICOS (+ comum) Miose Bradicardia Broncorreia, broncoespasmo Vômitos, diarreia Sialorreia, lacrimejamento Incontinência urinária NICOTÍNICOS Midríase Taquicardia Broncodilatação Hipertensão Diaforese Fraqueza e fasciculação muscular CENTRAIS Agitação Confusão mental Letargia Convulsões Coma Óbito AGENTES ENVOLVIDOS: PRINCIPAIS - Agrotóxicos organofosforados (ligações irreversíveis), carbamatos (ligações reversíveis) e certos cogumelos podem produzir qualquer um dos sintomas Quando a intoxicação é por organofosforado o antídoto tem que ter grande força de ligação, maior do que a do organofosforado => PRALIDOXIMA Em intoxicação por carbamato usa a ATROPINA, para antagonizar os efeitos muscarínicos Inseticidas à base de nicotina e a nicotina do tabaco apresentam atividade colinérgica nicotínica Medicamentos: fisostigmina, neostigmina e edrofônio Anormalidades de posições e movimentos Traumatismos Tônus e força muscular, reflexos, fasciculações Sinais de picada de agulha Exames complementares Laboratoriais: Hemograma Glicemia Eletrólitos Função hepática e renal Enzimas Provas de coagulação Gasometria arterial Urina Beta HCG em mulheres em idade fértil Análises toxicológicas (qualitativas e quantitativas) Outros: EEG, ECG, RX de tórax, abdome, pescoço Objetivos Instituição de medidas terapêuticas gerais e específicas Recomenda-se nesta fase: Consulta em um centro de informação e assistência toxicológica (CIAT) SÍNDROME COLINÉRGICA É determinada pela diminuição da atividade da enzima acetilcolinesterase A inibição da AHcE que provoca uma acumulação anormal do neurotransmissor acetilcolina na fenda sináptica, superestimulando os receptores Resultante do antagonismo da ACETILCOLINA nos receptores muscarínicos Substâncias exercem seus efeitos por bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os pacientes apresentam agitação psicomotora e/ou sonolência, confusão mental, alucinações visuais, mucosas secas, rubor cutâneo, hipertermia, retenção urinária, diminuição dos ruídos intestinais, midríase e cicloplegia (incapacidade de acomodação visual para perto) PRINCIPAIS AGENTES TÓXICOS: Antagonistas H1 da histamina (ex. desloratadina) INTOXICAÇÕES EXÓGENAS SÍNDROME DA DEPRESSÃO NEUROLÓGICA Atropina Escopolamina - Buscopan Antidepressivos tricíclicos Vegetais beladonados (ex.: saia branca e estramônio, também denominada figueira do inferno ou figueira brava) Fenotiazínicos Medicamentos antiparkinsonianos OBS: APETIVIN BC (Cloridrato de Ciproeptadina) As manifestações clínicas incluem de sonolência ao coma, hiporreflexia, miose, hipotensão, bradicardia, hipotermia e edema pulmonar. Qualquer agente Gabaérgico (que é o principal neurotransmissor inibitório do SNC) pode causar rebaixamento do nível de consciência AGENTES ENVOLVIDOS Benzodiazepínicos Carbamazepina Barbitúricos Antidepressivos tricíclicos Inibidores da acetilcolinesterase (organofosforados) Álcoois (etanol e metanol) Monóxido de carbono - se liga à hemoglobina, tem maior avidez do que o oxigênio, o oxigênio não é transportado, hipóxia, que causa rebaixamento do nível de consicência Opioides (heroína, morfina) SÍNDROME SIMPATICOMIMÉTICA É determinada por agentes que promovem estimulação da atividade simpática É caracterizada por: Agitação psicomotora, alucinações, paranoia, sudorese, taquicardia, hipertensão arterial (ou hipotensão nos casos graves), midríase, tremores, convulsões e arritmias nos casos graves Principais agentes simpatomiméticos: Anfetaminas, ecstasy, cocaína, teofilina, fenilpropalonamina, efedrina, pseudoefedrina (sorine) e cafeína SÍNDROME SEROTONINÉRGICA Causada por estimulação excessiva de receptores ( 5- HT1, 5-HT2, 5-HT3, 5-HT4, 5-HT5, 5-HT6 e 5-HT7.) serotoninérgicos centrais e periféricos, que ocorre por diversos fatores ALGUNS AGENTES: Triptofano, anfetamínicos (incluindo ecstasy), bromocriptina, cocaína, dextrometrofano, meperidina, fluoxetina, paroxetina, sertralina, antidepressivos tricíclicos, moclobemida, e iproniazida, LSD, lítio e outros. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Síndrome neuroléptica maligna, síndrome anticolinérgica, intoxicação por carbamazepina, infecções do SNC, insolação, abstinência de etanol, opioides ou hipnóticos sedativos, overdose de simpaticomiméticos e intoxicação por lítio SINTOMAS CLÔNUS HIPERREFLEXIA Midríase Taquicardia SÍNDROME DA LIBERAÇÃO EXTAPIRAMIDAL Também chamada de Distonia aguda Lembra o exorcista - opistótono Ocorre quando há bloqueio dos receptores dopaminérgicos O paciente se apresenta com quadro de: Hipertonia Espasmos musculares Sinal da roda dentada Catatonia Acatisia - impossibilidade de ficar parado Crises oculógiras Opistótono Mímica facial pobre Choro monótono SÍNDROME METAHEMOGLOBINÊMICA Origina-se pela conversão excessiva da hemoglobina em metemoglobina que é incapaz de se ligar e transportar oxigênio MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Cianose, taquicardia,astenia, irritabilidade, dificuldade respiratória, depressão neurológica e convulsões AGENTES OXIDANTES Sulfonas (dapsona - hanseníase), anilina e derivados, sulfonamidas, quinonas, cloratos, metoclopramida (pode causar distonia aguda - plasil), anestésicos locais, nitrobenzeno, azul de metileno, entre outros GERAL Diminuir a absorção do agente tóxico e/ou aumentar sua eliminação DESCONTAMINAÇÃO CUTÂNEA Lavar com água abundante, a temperatura ambiente, por no mínimo 15 minutos. Retirar as vestes, minimizando o atrito com aquela região Cáusticos: cuidado para não aumentar a área da lesão DESCONTAMINAÇÃO OCULAR Lavar com água abundante, a temperatura ambiente, por no mínimo 30 minutos. Remover possíveis lentes de contato DESCONTAMINAÇÃO RESPIRATÓRIA Remover o paciente da fonte de exposição Oferecer oxigênio, se necessário, suporte ventilatório, até intubação orotraqueal com ventilação mecânica DESCONTAMINAÇÃO GASTROINTESTINAL Esvaziamento gástrico LAVAGEM GÁSTRICA Cada vez menos usada Não se faz se o paciente estiver com rebaixamento de consciência e não estiver intubado Técnica de exceção Só tem benefício na 1ª hora, e deve ser realizada nos primeiros 30min. Faz com soro fisiológico - ex.: coloca 500ml e retira 500ml até chegar a 3L Tem por objetivo reduzir a absorção do fármaco Administração de adsorventes CARVÃO ATIVADO Se liga ao tóxico e impede sua absorção, inativa, age como adstringente OBS: nem todo tóxico é inativado pelo carvão. ex.: metais pesados (Fe, Cu, Manganês); álcoois, cianeto, fluoreto, etinilglicol, sais inorgânicos, lítio, potássio, ácidos minerais, álcalis e ácidos FAZER DEPOIS DA LAVAGEM 1g/kg diluídos em 100-200ml de SF e coloca por sonda nasogástrica Terra de Fuller Aumento do trânsito intesitnal Uso de catárticos IRRIGAÇÃO INTESTINAL INTOXICAÇÕES EXÓGENAS TRATAMENTO Administração de grande quantidade de água através de tubagem nasogátrica e em curto período de tempo. Tem objetivo de jogar o tóxico para frente do TGI, impedindo que seja absorvido no estômago e duodeno Usa uma solução osmoticamente balanceada, principalmente a base de polietilenoglicol -"induzir uma diarreia" Pouco utilizada - indicada por grande intoxicação por ferro e lítio, pois o carvão ativado não neutraliza eles ESPECÍFICO Utilização de determinados antídotos e antagonistas Nem todo tóxico tem antídoto ou antagonista AUMENTO DA ELIMINAÇÃO DO AGENTE TÓXICO ABSORVIDO MANIPULAÇÃO URINÁRIA Diurese forçada - administração de diuréticos de alça - FUROSEMIDA Alcalinização da urina - bicarbonato a 8,4% IV MULTIPLAS DOSES DE CARVÃO ATIVADO REMOÇÃO EXTRACORPÓREA Hemodiálise Hemoperfusão Diálise peritoneal Hemofiltração