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PEELINGS QUÍMICOS, FÍSICOS E ENZIMÁTICOS E COSMETOLOGIA UNIDADE II COSMETOLOGIA Elaboração Taís Amadio Menegat Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE II COSMETOLOGIA ........................................................................................................................5 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À COSMETOLOGIA ........................................................................................ 5 CAPÍTULO 2 NUTRACÊUTICOS .............................................................................................................. 28 CAPÍTULO 3 CLASSIFICAÇÃO DOS COSMÉTICOS DE ACORDO COM SUA FUNÇÃO ................................ 31 CAPÍTULO 4 PROTETOR SOLAR ............................................................................................................. 51 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................60 5 UNIDADE IICOSMETOLOGIA CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À COSMETOLOGIA a. É a ciência que serve de suporte à fabricação dos produtos de beleza e permite verificar as suas propriedades (BRANDÃO, 2000). b. É a ciência e a arte que têm por objetivo o cuidado e a melhoria dos caracteres estéticos da pele e seus anexos, por meio de formulações de produtos naturais ou sintéticos, os cosméticos (BRANDÃO, 2000). 1.1. Um pouco da história da cosmetologia Cosmético era o nome dado às substâncias naturais destinadas a suavizar o cabelo e dar-lhe brilho. Após a 1ª Guerra Mundial, o domínio dos produtos de beleza aumentou e o nome cosmético tomou sentido mais amplo, designando toda substância de origem animal, vegetal e mineral utilizada para embelezar a pele e seus anexos (cabelos, unhas, dedos etc.) (DRAELOS, 1999). A busca da beleza e da juventude gera exigências cada vez maiores dos pacientes no desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e de novos procedimentos estéticos, pois, com o avanço da idade, a pele começa a sofrer alterações como aparecimento de rugas, diminuição da espessura da epiderme, ressecamento, que modificam seu aspecto, o qual é caracterizado pelo envelhecimento cutâneo (DRAELOS, 1999). A natureza expressa sua perfeição por meio dos três reinos naturais: mineral, vegetal e animal. Em todos há manifestação do ciclo vital que envolve concepção, crescimento, maturidade, envelhecimento e colapso. A diferença entre os três reinos é o grau de complexidade de suas estruturas. Atualmente, o homem entendeu que deve atuar em harmonia com seus processos vitais e buscar nesses reinos os recursos naturais para a manutenção e aprimoramento da estética de seu corpo (DRAELOS, 1999). 6 UNIDADE II | COSMETOLOGIA A cosmética e os bioativos têm como proposta atuar nas estruturas extremas do corpo humano (pele e cabelos) de forma idêntica aos processos vitais, auxiliando o metabolismo para que se possa prolongar a juventude, retardando o envelhecimento. Cosmetologia é a ciência que serve de suporte à fabricação dos produtos de beleza e permite verificar as suas propriedades. A utilização tópica de itens que tenham identidade com a pele e cabelos baseia-se em: » Fornecimento de precursores biológicos. » Catálise de reações vitais. » Sequestro de radicais livres. » Manutenção do teor de água. » Formação de filmes protetores. » Reestruturação de estruturas danificadas. » Lubrificação adequada dos tecidos. » Condicionamento e brilho. (DRAELOS, 1999). O conhecimento das leis naturais e a correta utilização dos bioativos fazem da cosmética moderna uma opção no atendimento das necessidades dos homens. Ao atender tais expectativas, os cosméticos estão sendo transformados em verdadeiros agentes de tratamento, com propostas e sugestões que podem modificar a estrutura e a atividade da pele. Fato este que confronta a legislação vigente, a qual considera cosmético como preparações que justamente não modificam a estrutura e atividade da pele (RIBEIRO, 2010). Foi nesse momento que o termo Cosmecêutico foi criado. Existem várias substâncias que já há tempos vem sendo utilizadas em cosméticos e que estão sendo investigadas, revelando ter alta bioatividade podendo, portanto, ser classificadas como substâncias médicas. Normalmente, produtos cosméticos que não necessitam de intervenção do governo podem ser produzidos muito mais rapidamente, sendo então, por esse motivo, uma desvantagem para a indústria cosmética se esses ingredientes forem classificados como substância ativa (RIBEIRO, 2010). 1.2. Definições » Cosmetologia: ciência que estuda os cosméticos, abrangendo desde a concepção de matérias-primas até a venda e aplicação dos produtos elaborados. É uma 7 COSMETOLOGIA | UNIDADE II atividade multidisciplinar envolvendo conhecimentos de física, química, biologia e algumas áreas humanísticas (GALEMCK; CSORDA, 2015). » Cosméticos: substâncias, misturas ou formulações de aplicação local, fundamentadas em conceitos científicos, destinados ao cuidado e embelezamento da pele humana e seus anexos, sem prejudicar as funções vitais, causar irritações, sensibilizar ou provocar fenômenos secundários indesejáveis, atribuídos à sua absorção (GALEMCK, CSORDA, 2015). » Cosmecêutico: nos últimos anos surgiram produtos que têm funções mais complexas do que a limpeza ou o embelezamento. Estão sendo chamados pelos fabricantes de cosmecêutico, dermocosméticos, cosmético funcional ou ainda cosmético de desempenho. Tratam-se de formulações de uso pessoal que atuam beneficamente sobre o organismo, causando modificações positivas e duráveis na saúde da pele, mucosas e couro cabeludo. São muitos produtos diferentes, que usam muitas substâncias químicas como matérias-primas: colágeno e elastina, cafeína, nano compósitos de ouro, retinóis, estrógenos e várias outras. Exemplos: minoxidil a 2%, ácido retinoico e α-hidroxiácidos (com finalidade antienvelhecimento) (GALEMCK; CSORDA, 2015). 1.3. Classificação de produtos cosméticos Cosméticos, produtos de higiene e perfumes são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-los ou mantê-los em bom estado (RIBEIRO, 2010). Os grupos de produtos estão enquadrados em quatro categorias e classificados quanto ao grau de risco (Resolução RDC n. 79, de 28 de agosto de 2000) que oferecem dada a sua finalidade de uso, para fins de análise técnica, quanto do seu pedido de registro, a saber: A - Categorias: » Produto de higiene. » Cosmético. » Perfume. » Produto de uso infantil. 8 UNIDADE II | COSMETOLOGIA B - Grau de risco: » Grau 1 ─ Produtos com risco mínimo, ou seja, são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja formulação se caracteriza por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto. » Grau 2 ─ Produtos com risco potencial, ou seja, são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja formulação possui indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. Os critérios para essa classificação foram definidos em função da finalidade de uso do produto, áreas do corpo abrangidas, modo de usar e cuidados a serem observados, quando de sua utilização. 1.3.1. Observações importantes Os produtos classificados como Grau 1 que apresentarem os seguintes benefícios (ou assim entendidos), deverão anexar, no momento da petição de Notificação, a comprovação necessária: 1.3.1.1.Comprovação de eficácia/segurança (finalidade e menções na rotulagem) » Indicação de FPS. » Dermatologicamente testado. » Hipoalergênico. » Não comedogênico. » Para pele sensível. » Menções quanto às rugas, celulite, estrias, firmeza da pele, ação antisséptica. Veja a tabela a seguir como exemplo dos produtos e suas classificações: Tabela 1. Produto. Categoria: cosmético Grupo Grau Produtos para lábios: » Batom. 1 9 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Brilho labial. » Lápis labial. » Protetor labial sem fotoprotetor. » Outros. Produtos para áreas dos olhos (exceto globo ocular); » Sombra para as pálpebras. » Máscaras para cílios. » Lápis. » Kajal. 1 1 1 A definir 1 1 1 1 Categoria: produto de higiene Grupo Grau Sabonetes (líquidos, gel cremoso ou sólido): » Sabonete facial e/ou corporal. » Sabonete abrasivo/esfoliante. » Sabonete antisséptico. » Sabonete desodorante. » Outros. Produtos para higiene dos cabelos e couro cabeludo (líquido, gel, creme, pós ou sólido): » Xampu. » Xampu condicionador. » Xampu para lavagem a seco. » Xampu anticaspa. » Creme rinse. » Enxaguatório capilar. » Condicionador. » Condicionador anticaspa. » Enxaguatório capilar anticaspa. » Outros produtos para higiene dos cabelos e couro cabeludo. Produtos para higiene dental e bucal (líquidos, gel, cremoso, sólido ou aerossol). » Dentifrício. » Dentifrício antiplaca. » Dentifrício anticárie. » Dentifrício antitártaro. 1 1 2 1 A definir 1 1 1 2 1 1 1 2 2 A definir 1 2 2 2 Categoria: perfume Grupo Grau Produtos para banho/imersão: » Sais. » Óleo. » Cápsula gelatinosa. » Banho d.e espuma. » Outros 1 1 1 1 A definir Fonte: autor, 2018 1.4. Componentes básicos de uma formulação cosmética A grande dificuldade encontrada em classificar e estudar os diversos itens que compõem as preparações cosméticas sob variadas formas de apresentação nos impulsiona a 10 UNIDADE II | COSMETOLOGIA agrupar as matérias-primas utilizadas e a partir desses grupos discutirem as diversas possibilidades de composição que essas preparações estão sujeitas (RIBEIRO, 2010). As matérias-primas são utilizadas nas formulações de acordo com suas propriedades funcionais e físico-químicas. Essas propriedades são derivadas de suas respectivas estruturas químicas. As matérias-primas são classificadas: Tabela 2. Origem. Quanto à origem » Inorgânicos. » Orgânicos. Quanto à constituição química » Ester. » Éter. » Aldeído. » Cetona. » Ácido carboxílico. » Amina. » Amida. Quanto à função Conservantes, Veículos/excipientes, Umectantes, Emolientes, Espessantes, Viscosantes, Neutralizantes, Detergentes, Emulsionantes, Espumantes, Sobreengordurantes, Antioxidantes, Sequestrantes, Fragrâncias, Colorantes. Fonte: Taís Amadio Menegat, 2016. Qualquer cosmético tem uma composição básica: I. Tensoativos. II. Adjuvantes. III. Quelantes e Sequestrantes. IV. Excipientes. V. Veículo. VI. Princípio Ativo. (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 1999) 1.4.1. Tensoativos Substâncias naturais ou artificiais que podem reduzir a tensão superficial dos líquidos ou influenciam a superfície de contato entre dois líquidos. São feitos de moléculas nas quais uma das metades é solúvel em água (parte hidrofílica(H)) e a outra não (parte lipofílica(L)) (Figura 21). Também podemos classificar os cosméticos por sua função: 11 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Conservadores e higiênicos: produtos para manter uma pele eudérmica como, por exemplo, desodorante (LEONARDI, 2008). » Decorativos: são aqueles destinados a produzir um efeito decorativo na pele, fazendo parte desse grupo os produtos de maquilagem, de um modo geral: bases de maquilagem, batom, blush, sombras etc. (LEONARDI, 2008). » Corretivos e dermatológicos: são os cosmecêuticos como, por exemplo, produtos para tratamento de linhas de expressão (LEONARDI, 2008). Figura 21. Molécula tensoativa. Hidrofílica (H) Lipofílica (L) Fonte: Taís Amadio Menegat, 2016. 1.4.2. Mecanismo de ação dos tensoativos Para entender a ação de um tensoativo vamos, primeiramente, analisar a distribuição do tensoativo em uma solução aquosa e o efeito na tensão superficial, por meio da seguinte representação esquemática: Figura 22. Tensoativo 2. Óleo Água Grupo L - apolar Grupo H - polar Fonte: Taís Amadio Menegat, 2016. Um tensoativo, devido à dupla característica de afinidade presente na molécula, tende a se concentrar na interface de um sistema. A molécula com a parte hidrófila orienta-se voltada para água, e a parte hidrófoba orienta-se voltada para o ar ou outra substância 12 UNIDADE II | COSMETOLOGIA que tenha pouca afinidade com a água, como um pigmento. Essa característica de orientação da molécula é a principal diferença dos tensoativos em relação a outros solutos, como os sais inorgânicos que tendem a se distribuir igualmente por toda a solução. (BRANDÃO, 2000). Tensão superficial Tensão superficial é definida como a força necessária para romper uma superfície. Ela é determinada pelo grau de coesividade entre as moléculas que formam essa superfície. A água líquida forma uma extensa rede de pontes de hidrogênio que lhe confere uma grande tensão superficial. Quando um tensoativo é adicionado à água, as extremidades hidrofílicas que se espalham na superfície competem pelas pontes de hidrogênio que contribuem para a coesividade da superfície. Como resultado, a tensão superficial é diminuída. A adição de tensoativos à água tende a saturar todas as interfaces (situações B e C), de modo que a partir de uma concentração denominada Concentração Micelar Crítica (CMC) há a saturação do meio e a formação de micelas (situação D). A micela é a forma que o tensoativo assume para melhorar a estabilidade na solução colocando, voltadas para o mesmo lado, as cadeias hidrófobas, e voltadas para a água, as cadeias hidrófilas (BRANDÃO, 2000). Os tensoativos apresentam a propriedade de reduzir a tensão superficial da água e de outros líquidos. Podem ser classificados em aniônicos, catiônicos, não iônicos e anfóteros. 1.4.3. Classificação tensoativo 1.4.3.1. Tensoativos aniônicos Os tensoativos aniônicos são os normalmente empregados nos shampoos. Sua família é grande, mas os que se acham mais frequentemente na base de lavagem dos shampoos são os sulfatos ou éter sulfato de álcool graxo. São limpadores excelentes e ensaboam bem. Mas sua ação deslipidante não deve ser levada ao extremo porque, se a queratina do cabelo suporta bem essa deslipidação, o mesmo não ocorre com o couro cabeludo (BRANDÃO, 2000). Os sabonetes entram nessa categoria, mas não representam um bom método de limpeza dos cabelos, danificando-os, pois são extremamente alcalinos em solução. Além disso, eles formam com o calcário da água, sais de cálcio insolúveis que se depositam nos cabelos, tornando-os sem brilho, ásperos e difíceis de desembaraçar. São exemplos 13 COSMETOLOGIA | UNIDADE II de tensoativos aniônicos: lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril éter sulfato de trietanolamina (Figura 23) (BRANDÃO, 2000). Figura 23. Tensoativos aniônicos. Fonte: Taís Amadio Menegat, 2016. 1.4.3.2. Tensoativos catiônicos Esses tensoativos têm uma grande afinidade com a queratina, à qual conferem maciez e brilho. Eles facilitam o desembaraçar dos cabelos e diminuem a eletricidade estática. Mas essa afinidade os torna difíceis de separar do cabelo no enxágue, deixando-os mais pesados (BRANDÃO, 2000). Eles não são muito utilizados e são incompatíveis com os aniônicos. Na prática, os tensoativos catiônicos são formulados com os não iônicos (BRANDÃO, 2000). 1.4.3.3. Tensoativos anfóteros Esses tensoativos apresentam um poder detergente e espumante menor que os aniônicos, mas, em geral, são muito bem tolerados. Devem ser associados a outros tensoativos para modular as propriedades de lavagem e espuma. Eles entram, de preferência, na composição dos shampoos para uso frequente e shampoos para bebês.A betaína (ácidos graxos clorados e trimetilamina), a cocoamidopropil betaína (Figura 24) e a cocoamidopropil hidroxisultaína são exemplos de tensoativos anfóteros (BRANDÃO, 2000). Figura 24. Tensoativo anfótero. Fonte: Taís Amadio Menegat,2016. 1.4.4. Tensoativos não iônicos São considerados bons emulsionantes, umectantes ou solubilizantes. Muitas vezes estão associados aos tensoativos anfóteros ou aniônicos pouco agressivos, para fazer deles shampoos leves. Eles são considerados como os mais leves dos tensoativos tendo, no entanto, um bom poder detergente, mas um fraco poder de espuma (BRANDÃO, 2000). 14 UNIDADE II | COSMETOLOGIA De fato, o poder de espuma, que não é correlato ao poder detergente, o é no espírito do público: um shampoo que não espume muito tem poucas chances de sucesso. Por outro lado, é preciso reconhecer que a quantidade de espuma gerada por um shampoo permite dosar a quantidade necessária. 1.5. Adjuvante No século XXI, as funções e a funcionalidade dos adjuvantes devem ser interpretadas de acordo com as novas tendências do mercado farmacêutico. Existem diversas classes de substâncias que podemos chamar de adjuvantes (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 1999). Com funções fisiológicas bem definidas, modificam o curso natural da penetração transcutânea, são umectantes, refrescantes, emolientes ou até mesmo agentes que reforçam a ação de outro ativo presente na formulação (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 1999). Os adjuvantes são divididos em dois grupos: » Surfactantes: são substâncias que afetam as propriedades de superfície dos líquidos, proporcionando ajustamento mais íntimo de duas substâncias. Segundo Fleck (1993), os surfactantes podem afetar a eficiência dos cosméticos das seguintes formas: › Aumentam a retenção da aspersão onde as superfícies vegetais sejam de pronta molhabilidade. › Aumentam a retenção da aspersão em locais-chave favoráveis à penetração ou subsequente dano. › Aumentam a penetração por aumentar a área de contato com a pele, por meio de maior espalhamento. › Aumentam o período de penetração por atuar como umectante, mantendo as gotículas de aspersão indefinidamente úmidas. › Aumentam a entrada direta por diminuir a tensão superficial da solução de aspersão. › Facilitam o movimento ao longo das paredes celulares após a entrada para o interior da pele, por diminuir as tensões interfaciais. › Causam desnaturação e precipitação de proteínas e inativação de enzimas. 15 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Aditivos: óleo mineral ou vegetal, sulfato de amônio e ureia, entre outros, que afetam a absorção devido à sua ação direta sobre a cutícula (RIBEIRO, 2010). Os principais aditivos são: › Óleos: os óleos minerais ou vegetais agem dissolvendo a gordura, eliminando a barreira que diminui a absorção dos princípios ativos e provocam o extravasamento do conteúdo da célula. Dessa forma, constata-se que os óleos podem aumentar a absorção. Os óleos usados são originados do petróleo (óleo mineral) e de vegetais (óleo vegetal) (VARGAS; ROMAN, 2006). › Sulfato de amônio: é um composto nitrogenado que, quando dissociado, forma íons de sulfato e amônio. O íon sulfato reage com íons presentes na água, imobilizando-os e impedindo que eles reajam com a molécula do cosmético, e o íon amônio tem ação sobre a pele, rompendo ligações e abrindo caminho para absorção do princípio ativo (VARGAS; ROMAN, 2006). › Ureia: é um composto nitrogenado com ação sobre a pele, rompendo ligações e abrindo caminho para absorção do princípio ativo (VARGAS;ROMAN, 2006). 1.6. Quelantes e sequestrantes São compostos que têm a propriedade de sequestrar íons metálicos polivalentes (cálcio, ferro etc.), formando duas ou mais ligações coordenadas, ou uma combinação de ligações coordenada e iônica (BAUMANN, 2004). Esses íons são removidos da solução em que se encontram e ligados a uma estrutura cíclica cuja estabilidade é notável (Figura 25). Figura 25. Sequestrar íons metálicos. Fonte: www.scykness.wordpress.com Acesso em: 11 março 2016. Por exemplo, esse tipo de substância é importante em formulações de shampoos, para evitar que o íon cálcio interfira na produção de espuma. Alguns quelantes são compostos importantes para a vida na Terra, como a hemoglobina e a clorofila (BAUMANN, 2004). A clorofila, molécula que sustenta a vida na Terra, por ser responsável pela absorção dos fótons da luz solar nas plantas verdes, é um quelato de Mg (magnésio) (BAUMANN, 2004). 16 UNIDADE II | COSMETOLOGIA A hemoglobina, substância fundamental à nossa vida, por ser responsável pelo transporte de oxigênio (O2) e gás carbônico (CO²) em nosso corpo, é um quelato de Fe (ferro) (BAUMANN, 2004). 1.7. Excipientes Substâncias geralmente inertes, adicionadas a uma prescrição, ou seja, que têm pouco ou nenhum valor terapêutico, mas são necessárias para garantir uma consistência satisfatória para a formulação. Essas incluem aglutinantes, matrizes, bases ou diluentes (DRAELOS, 2009). Exemplos: talco farmacêutico, amido, lactose. Suas funções básicas são todos ingredientes ou conjuntos de ingredientes inertes da fórmula, que facilitam a dispersão do princípio ativo permitindo sua ação farmacológica (DRAELOS, 2009). O excipiente principal é a água, mas também pode ser de gordura ou a mistura dos dois. O excipiente fundamental mais abundante é a água, porque é capaz de dissolver muitas substâncias e é totalmente compatível com a pele e cabelo (DRAELOS, 2009). 1.8. Veículo É o componente que geralmente aparece em maior quantidade na fórmula e que tem a função de receber os outros componentes, isto é, nele são incorporadas essas outras substâncias (FONSECA; PRISTA, 1993). Deve ter grande capacidade de solubilização ou de dispersão, conforme o caso. A escolha do tipo de veículo deve se basear na compatibilidade com os outros componentes e no tipo de pele a que se destina o produto. As principais são: suspensões, soluções, emulsão, sérum, gel, gel-creme, creme, pomada, microesferas, lipossomas, entre outros (FONSECA; PRISTA, 1993). Solução: entre as quais se encontram as alcoólicas, mesmo não sendo as principais formulações utilizadas em cosméticos têm algumas vantagens, como de permanecerem fisicamente estáveis e serem de fácil preparo. Substâncias solubilizadas se apresentam transparentes ou translúcidas. Podem ser solubilizadas em água, sistemas água/álcool, óleo ou em soluções de tensoativos. Exemplo são as soluções aquosas, tônicos. » Solução aquosa ou hidro alcoólica: possui água como veículo e pode conter álcool etílico e outros glicóis, como propilenoglicol, glicerina e sorbitol. É a base das loções tônicas faciais e capilares, loções pós barbear (HERNANDEZ; MERCIER- FRESNEL, 1999). 17 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Soluções de tensoativos: são misturas de tensoativos com propriedades de limpeza, condicionamento, gerar espuma, conferir viscosidade e reduzir a irritação da pele. Exemplos são os shampoos, sabonetes líquidos, banhos de espuma, loções higienizantes, condicionadores transparentes para os cabelos (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 1999). Suspensão: são formas farmacêuticas com um sistema bifásico, heterogêneo, no qual uma fase interna consiste em partículas sólidas insolúveis em água, e a fase externa é constituída pelo veículo compatível com a pele, geralmente água. Para não ocorrer separação de fases podem ser usados tensoativos ou hidrocoloides que estabilizam a suspensão. Agentes suspensores empregados normalmente são derivados da celulose, alginatos, líquidos viscosos, argilas etc. As suspensões devem ser agitadas antes do uso. São exemplos de suspensões: os géis obtidos com o uso de espessantes poliméricos, creme esfoliante e shampoos com bases perolizante, e ativos anticaspa (RIBEIRO, 2010). Emulsão: sistema bifásico, onde um líquido está intimamente disperso no outro, no qual não seja miscível na forma de gotículas, como, por exemplo, água e óleo. A fase dispersa também pode ser denominadafase interna, e a fase dispersante, fase externa. Dependendo da sua consistência as emulsões são popularmente conhecidas como loções (mais fluidas) e cremes (mais consistentes) (RIBEIRO, 2010). Podem ser: » O/A: Óleo em Água: composta de muita água e um pouco de óleo. Essas fórmulas evaporam se expostas ao ar. São também chamadas de “evanescentes”, desaparecem ao serem passadas na pele (RIBEIRO, 2010). » A/O – Água em Óleo: composta de muito óleo e pouca água. Essas substâncias são largamente empregadas pela indústria cosmética pelo fato de serem o veículo ideal para introdução de substâncias ativas na pele, porque suas propriedades são semelhantes às da pele (RIBEIRO, 2010). Microemulsões: são constituídas por três fases: A/O/A ou O/A/O. São utilizadas para encapsulação de ativos para sistemas de liberação prolongada. Classificação das emulsões quanto à viscosidade: a. Cremes: emulsões de alta viscosidade. b. Loções cremosas: emulsões de média viscosidade (aspecto líquido cremoso). c. Leites: emulsões de baixa viscosidade. Classificação quanto ao caráter oleoso: a. Cremes/géis: são emulsões O/A e outra aquosa previamente gelificada, ou possuem quantidades reduzidas de óleo e substâncias serosas. Possuem um alto teor de agente gelificante e baixo teor na fase oleosa, geralmente o suficiente 18 UNIDADE II | COSMETOLOGIA para opacificar o meio. Podem veicular ativos lipo ou hidrossolúveis (DRAELOS, 2009). b. Emulsões oil free: são emulsões em que se retira o óleo mineral ou outros óleos comedogênicos. Muitas são desenvolvidas com silicones (RIBEIRO, 2010). c. Emulsões evanescentes: são emulsões que deixam pouco resíduo graxo sobre a pele. São sempre O/A (RIBEIRO, 2010). d. Emulsões oclusivas: são emulsões de caráter oleoso, geralmente são A/O (RIBEIRO, 2010). e. Cremes: são emulsões O/A ou A/O de alta viscosidade e constituídas de uma fase aquosa e uma fase oleosa líquida, que foram homogeneizadas pela utilização de um terceiro componente que possui afinidade por ambas as fases (tensoativo) (RIBEIRO, 2010). Sérum: faz uma alusão ao soro sanguíneo, líquido rico em nutrientes, com perfeita compatibilidade com nosso organismo. É um veículo extremamente leve, conseguindo assim carregar concentração maior de princípios ativos. Por ter sua textura fluída, facilita a penetração na pele (PEYREFITTE; MARTINI; CHIVOT, 1998). Gel: sistema semissólido com aspecto gelatinoso, formado por dispersão de partículas pequenas em um veículo líquido, que não sedimenta, apresentando-se como uma suspensão estável. Sua forma cosmética é viscosa, mucilaginosa, transparente ou não, que, ao secar, deixa uma película invisível sobre a pele. Quanto menores os tamanhos das partículas, mais transparentes são as soluções aquosas. Quando a água evapora, forma uma película na pele que fica aderida a ela. Em cosmética decorativa, dá forma a rímeis incolores e sombras. Pode ser: » Aquosos (hidrogéis): são os mais utilizados. Podem ser transparentes ou opacos, conforme o ativo incorporado. » Hidroalcóolicos: são utilizados quando se tem princípios ativos que se solubilizam bem no álcool, em formulações antissépticas (gel sanitizante). Geralmente são géis menos viscosos do que os aquosos. » Oleosos: são mais raros quanto à aplicação dos produtos. São chamados de géis hidrófobos ou lipogéis. Formados por vaselina líquida, óleos graxos e 2-5% de lipogelificantes (derivados de sílicas e da bentonita lipofílicas, estearatos de magnésio). Mousse: emulsão bifásica, em que a fase interna é o ar ou outro gás, e a externa é um sólido ou líquido. Envasada sob pressão produz espuma quando a válvula é acionada (PEYREFITTE; MARTINI; CHIVOT, 1998). 19 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Óleo: é uma mistura de matérias primas lipídicas (oleosas). Exemplos: óleos de banho ou de massagem. O óleo demaquilante geralmente é constituído por óleo mineral ou ésteres de ácidos graxos. É indicado para pele sensível e desidratada (limpeza muito suave) (PEYREFITTE; MARTINI; CHIVOT, 1998). Microesferas: são partículas esféricas micronizadas e semitransparentes. Possuem propriedades de inércia química e física, invisibilidade, melhora na aplicabilidade do produto, insolúvel, não porosas, toque sedoso, preenchem a pele de forma uniforme e proporcionam uma sensação de leveza (SCHULMAN, 2004). Nanospheras: são nano partículas, ou seja, estruturas poliméricas inertes, que são capazes de armazenar em seu interior ou fixar em sua superfície os mais diversos ativos. Esses nano reservatórios armazenam homogeneamente o princípio ativo no interior da matriz polimérica. Desta forma, obtém-se um sistema monolítico, não é possível identificar um núcleo diferenciado; liberando, assim, o princípio ativo nele contido de modo gradativo e uniforme, cronologicamente determinado, colocando-os à disposição do tecido cutâneo (AZEVEDO, 2010). Previnem ainda superconcentrações e potencializam a ação desejada. Exemplos: Lipossomos: são vesículas globulares microscópicas formadas por moléculas anfifílicas (geralmente fosfolipídios), que se organizam em forma de uma camada dupla ou de várias camadas duplas. Essas vesículas são capazes de veicular substâncias hidrofílicas, anfifílicas ou lipofílicas e apresentam a capacidade de interagir com os lipídios da pele humana, quando aplicadas topicamente, liberando as substâncias que transportam. As vesículas multilamelares (com várias camadas duplas) tendem a liberar a substância que carregam de modo mais prolongado que as vesículas unilamelares (uma camada dupla). Outros tipos de veículos mais atuais VEGEPLUS: lançado pela biovital, trata-se de um gel/creme com ingredientes mais naturais como: óleo de canola, óleo de prímula e fosfolipídeos da soja, permitindo assim uma alta espalhabilidade, emoliência, sensorial agradável, regeneração cutânea. Muito indicado para pele de fumantes. VERSA-PRO: lançamento da Galena, base transdérmica pronta ideal para a administração de hormônios ou de anti-inflamatórios. Ela apresenta maior permeação de ativos, trata-se de uma emulsão óleo em água que possui componentes que facilitam a permeação dos fármacos em todas as camadas da pele até a circulação. BIO SERUM: lançado pela Biotec, base derocosmetologica de origem animal e vegetal, forma um filme sobre a pele o que traz o toque de maciez e hidratação. 20 UNIDADE II | COSMETOLOGIA BASE OMEGA GOLD: lançado pela Biotec, possui tecnologia com fosfolipídeos de Girassol e da Oliva, juntos criam uma propriedade funcional e sensorial, oil-free e refrescante e reconstituição da função de barreira da pele. Estes constituintes facilitam a absorção carreando os ativos com maior eficácia. BASE SECOND SKIN: lançado pela Biotec, cria um filme sobre a pele (segunda pele), ideal para complicações estéticas, pós cirúrgicos, pele com irritação ou dermatite. BASE ADIMAX: baixa carga de oleosidade, podendo ser usado para tratamento de rejuvenescimento em qualquer tipo de pele. BASE INDERM V: base com tecnologia de permeação long lasting, ou seja, libera o ativo aos poucos, indicado para reconstruir barreira cutânea 1.9. Umectante São substâncias higroscópicas que têm o objetivo de reduzir a dessecação superficial pelo contato com o ar (das fórmulas), e sobre a pele formam uma película que permanece sobre ela após a aplicação do produto, favorecendo a hidratação. Reduzem a velocidade da perda da água, porém esse efeito pode ser reforçado com adequado nível de vedação dado pelas tampas das embalagens. Podem ser: » Polióis (glicóis): álcoois contendo mais de um grupo OH, solúveis em água, possuem toque untuoso (pegajoso). Ex.: propilenoglicol, glicerina, sorbitol. » Poliglicois: são solúveis à água, seu estado físico depende do grau de etoxilação (PM). Ex.: polietilenoglicol. » Carboidratos: aldeídos ou cetonas que são ao mesmo tempo polióis. Ex.: açucares (glicose, frutose), amido, celulose. » Derivados do ácido carboxílico: ac. Carb. reagemcom bases e formam sais orgânicos com capacidade de hidratação. Ex.: Lactato de Sódio (ac. Lático + NaOH), Glicolato de Sódio. 1.10. Conservante As preparações cosméticas estão sujeitas à contaminação microbiológica, seja ela por bactérias ou fungos. Estes são transmitidos por diversas fontes, tais como: água, insetos, matérias primas, vidrarias, equipamentos, tanques de armazenagem, embalagens, manipuladores e usuários. Na verdade, quando em pequenas quantidades esses são 21 COSMETOLOGIA | UNIDADE II aceitáveis, porém ao extrapolar os limites predeterminados já são considerados como contaminação e, portanto, devem ser evitados. Os conservantes são, portanto, aquelas substâncias que adicionadas aos produtos têm como finalidade preservá-los de danos causados por micro-organismos durante a estocagem, ou mesmo de contaminações acidentais produzidas pelos consumidores durante o uso. Para cada tipo de agente conservante, e dependendo da formulação, existe uma concentração máxima permitida que deve ser seguida rigorosamente. Os contaminantes se dividem entre bactérias e fungos. Os agentes conservantes podem ser utilizados individualmente ou principalmente em associações, o que assegura maior espectro de atividade, sinergismo e cada um poderá estar em menor quantidade gerando, possivelmente, menos efeitos tóxicos. 1.11. Princípio ativo São substâncias que possuem uma ação definida quando aplicadas sobre a pele e/ou cabelos (REBELLO, 2007). Os princípios ativos podem ser de origem vegetal, animal e biotecnológico. » Ativos de origem vegetal: extratos vegetais isolados ou associados, vegetais marinhos, proteínas e aminoácidos vegetais, associação de aminoácidos e extratos vegetais (REBELLO, 2007). » Ativos de origem animal: colágeno, elastina, placenta, cerebrosídeos e ceramidas, glicosaminasglicanas (ácido hialurônico) (REBELLO, 2007). » Ativos biotecnológicos: colágeno de origem marinha, ácido hialurônico bio, lipossomas baseados em lecitinas vegetais, incrementadores do metabolismo celular substituindo a placenta, antioxidante de origem marinha (REBELLO, 2007). 1.11.1. Origem vegetal São cosméticos naturais, ou seja, aqueles que dão preferência, sempre que possível, a ativos de origem vegetal visando a suas propriedades benéficas com total inocuidade para o consumidor final (LEONARDI, 2008). Um cosmético não pode ser exclusivamente elaborado com substâncias de origem vegetal. É tecnicamente inviável a não utilização de conservantes, antioxidantes e sequestrantes de origem sintética, pois isso acarretará um produto facilmente 22 UNIDADE II | COSMETOLOGIA contaminado por micro-organismos que poderão causar sérios danos ao usuário (REBELLO, 2007). A seguir, quadro de classificação dos princípios ativos vegetais: Quadro 5. Classificação dos princípios ativos vegetais. Classificação Função P.A. Vegetal ADSTRINGENTES São os que agem sobre os poros e folículos da pele, provocando a sua constrição, reduzindo o seu diâmetro e controlando, dessa forma, a sudorese e a secreção sebácea. hamamelis, morango, maçã verde, romã, videira, sálvia, arnica, limão etc. TINTORIAIS São os que vão dar cor aos cosméticos. urucum, beterraba, henna etc. EMOLIENTES / UMECTANTES São substâncias macromoleculares, que crescem em contato com a água, proporcionando um líquido viscoso que forma um filme sobre a pele protegendo-a do meio ambiente. algas, pepino, abacate, amêndoa doce, malva etc. DETERGENTES Destinam-se a limpar a pele de escamas, crostas, para seguidamente possibilitar o tratamento da pele. extrato de coco e milho ESTIMULANTES / TONIFICANTES São os que agem ativando a circulação periférica, estimulando o metabolismo cutâneo, com consequente tonificação local. alecrim, calêndula, guaraná etc. ANTISSÉPTICOS Impedem o crescimento dos micro-organismos e porventura os aniquilam. acetato de alumínio, azul metileno, ac. salicílico etc. ANTI-INFLAMATÓRIOS Atenuam ou eliminam o estado inflamatório da pele, se esse estado for de origem infecciosa ele só irá desaparecer com apropriada medicação tópica. flavonoides, fenólicos. ANALGÉSICOS Diminuem dor. álcool benzílico, lidocaína etc. RUBEFACIENTES Produtos que provocam vermelhidão na pele com a finalidade de ativar a atividade microcirculação sanguínea. cânfora, arnica, nicotinato de metila etc. CICATRIZANTES Produtos com ação cicatrizante e antibacteriana. alantoina, alcaloides, ginseng etc. ANTISSEBORREICOS Visam reduzir a produção de secreção seborreica pelas glândulas de pele e couro cabeludo. ionil, selsun ouro etc. Fonte: (FERREIRA, 2002). 1.11.2. Origem animal Composição complexa dos tecidos animais (proteínas, triglicérides, material fibroso etc.). O isolamento de princípios ativos puros a partir desses materiais é relativamente difícil, concentrados comuns são satisfatórios para uso oral, no entanto, alguns produtos obtidos a partir de animais devem ser usados por via parenteral, como, por exemplo, heparina e insulina (LEONARDI, 2008). É necessário que tenham elevado teor de pureza e sejam apirogênicos, estéreis e isentos de contaminantes. A extração dos princípios ativos animais é executada nas mais variadas operações unitárias (LEONARDI, 2008). Exemplo: destilação a vácuo, filtração etc. 23 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Colágeno: é uma proteína em forma de fibra com função estrutural. Os extratos de colágeno para fins cosméticos são obtidos a partir de pele de animais jovens, geralmente, bovinos (LEONARDI, 2008). A utilização cosmética de colágeno como ativo provém da suposição de que poderia induzir a elaboração de novas fibras colágenas solúveis na derme, resultando em maior turgescência da pele devida à propriedade de reter água desse tipo de colágeno. No entanto, após muitas pesquisas constatou-se que sua ação é apenas superficial, por afinidade com as proteínas (queratina) da pele, fica aderida e passa a exercer sua ação hidratante, por retenção de água. Forma-se, assim, um filme aquoso sobre as camadas mais externas da epiderme, o que impede que haja uma perda de água transepiderme das camadas mais profundas, resultando na turgescência tão desejada; ou seja, seu efeito é somente hidratar a pele (REBELLO, 2007). Elastina: também é uma proteína em forma de fibra, porém mais delicada; é responsável pela elasticidade da pele. Assim como o colágeno é o suporte da hidratação da pele, a elastina é o suporte da elasticidade. Porém a elasticidade da pele depende muito mais do estado da quantidade de água retida pelo colágeno dérmico do que de seu conteúdo de elastina. Com o envelhecimento, ocorre uma degeneração das fibras elásticas, conhecida como flacidez (LEONARDI, 2008). Como ativo cosmético, tal como o colágeno, a elastina possui propriedades de substantividade e retenção de água, melhorando a flexibilidade e, consequentemente, a elasticidade. Os extratos de elastina são obtidos também de pele de bovinos (LEONARDI, 2008). Glicosaminoglicana ou mucopolissacarídeos ácidos: são moléculas de açúcares ligadas a proteínas. São encontrados no cimento intercelular (substância gelatinosa que preenche os espaços entre as células da maioria dos tecidos, incluindo cartilagens, tendões e pele) (LEONARDI, 2008). O ácido hialurônico é uma glicosaminoglicana de alto peso molecular, responsável pela retenção de água no cimento intercelular, funcionando como uma verdadeira esponja molecular, a qual forma um filme delgado, transparente, não gorduroso e que só é perceptível por sua ação lubrificante, alisante e suavizante (FERREIRA, 2002). A seguir, quadro dos ativos mais usados. Quadro 5. Ativo. Ativo Função Aplicação % Ácido hialurônico hidratante cremes hidratantes e contorno dos olhos 1-5 Aminoácidos da seda ação protetora e hidratante cremes, loções, maquilagem 1-5 24 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Ativo Função Aplicação % Aminoácidos do leite hidratante e emoliente cremes nutritivos e infantis 2,5-10 Placenta ação regeneradora cremese produtos capilares 1-5 Elastina retém água, dá elasticidade cremes, géis e loções hidratantes 1-10 Colágeno sustenta a pele cremes nutritivos e hidratantes 2-10 Reticulina ação regeneradora cremes e loções 1-5 Queratina ação protetora shampoos, sabonetes, cremes 1-5 Fonte: (FERREIRA, 2002). 1.11.3. Vitaminas que tratam a pele Constituem um grupo de ativos extremamente importantes para os produtos de tratamento do rosto, em funções de suas propriedades exibidas. Exemplos: Vitamina A: reguladora do processo de queratinização. É encontrada no fígado dos animais e nos vegetais, na forma de provitamina. Também pode ser obtida sinteticamente. Atua como um potente antioxidante e neutralizante de radicais livres, favorece a regeneração celular cutânea e o processo de queratinização normal da pele. A vitamina A é extremamente fotossensível, podendo provocar manchas. É preciso máxima proteção solar possível (SOUZA, 2003). O ácido retinoico, um derivado da vitamina A, é aplicado topicamente e atua principalmente aumentando a atividade enzimática e o metabolismo das células cutâneas, funções que se encontram diminuídas na pele desvitalizada (LEONARDI et al., 2002). Existem dois isômeros (derivados) do ácido retinoico: » Trans ou tretonoína: vem sendo usada na recuperação de peles envelhecidas (LEONARDI et al., 2002). » Cis ou isotretinoína: além do uso tópico, vem sendo usada via sistêmica no tratamento de acne. Sua ação reduz a produção de sebo, diminuindo o tamanho das glândulas sebáceas, alterando a morfologia e a capacidade secretora das células. Em produtos cosméticos usam-se ésteres (função álcool) de vitamina A, que tanto podem ser palmitato ou acetato. Como o palmitato é mais estável do que o acetato, tem sido mais empregado em formulações cosméticas (LEONARDI et al., 2002). Vitamina C: antioxidante e estimulador da produção de colágeno, o mais conhecido é o ácido ascórbico (MANELA-AZULAY, 2003). O ácido ascórbico hidrossolúvel, e seus derivados lipossolúveis, e o palmitato de ascorbila constituem dois antioxidantes potentes que evitam os processos peroxidativos da metabolização das gorduras e a formação dos radicais livres. Retardam os danos 25 COSMETOLOGIA | UNIDADE II causados pela radiação UVA e conseguem reduzir o eritema causado pelos raios UVB (LEONARDI, 2008). Possui atividade clareadora, pois inibe o processo de melanogênese. Uma de suas grandes virtudes, na área da cosmética, é ser um cofator essencial na formação e função do colágeno. Já existem provas suficientes de seus efeitos benéficos na recuperação da pele envelhecida e na manutenção de uma pele jovem e saudável (MANELA-AZULAY, 2003). Vitamina E: em grande evidência internacional, é utilizada na concentração de 5% normalmente. Considerada como excelente agente antirradical livre, atuando, protegendo e regenerando as camadas da pele. Sua principal ação está na capacidade de impedir a oxidação dos lipídeos insaturados presentes na pele, retardando, assim, o processo de envelhecimento. Possui também efeito umectante, ação benéfica em lesões provocadas pela radiação ultravioleta, ação protetora contra a fotossensibilidade, ação anti-inflamatória e hipoalergênica (SOUZA, 2003). A vitamina E é usada de duas formas na cosmetologia: esterificada, a forma presente na natureza, por exemplo, óleo de germe de trigo e outros óleos vegetais; não esterificada, a forma mais ativa, conhecida como tocoferol. Essa substância é bastante instável, ou seja, oxida-se e escurece quando exposta à luz e ao ar. Por essa razão, costuma-se fazer uma reação química do tocoferol com o ácido acético, a fim de formar o éster acetato de tocoferol, que apresenta maior estabilidade em formulações cosméticas. Vitamina F (ácidos graxos essenciais): o nome vitamina F é uma denominação antiquada, que agrupa os ácidos graxos não saturados essenciais (não formados no organismo humano). Não são aminas e, por isso, deixaram de ser considerados como sendo vitaminas. Os ácidos graxos essenciais são usados principalmente nos cosméticos de uso tópico e servem para promover um efeito antiqueratinizante. É encontrada principalmente no óleo de milho, de girassol, de soja, de caroço de uva, de germe de trigo, nos óleos de oliva e de peixes, e destes, principalmente, nos de água fria (SOUZA, 2003). 1.11.4. Específicos Blend de ativos que agem sinergicamente visando alcançar o efeito desejado. Assim, o mercado oferece complexos vegetais, vitamínicos, associações de proteínas com extratos, entre outros (REBELLO, 2007). Exemplos: » Complexo antiadiposidade: extrato de bile, extrato de Hedera helix e um éster de ácido tartárico e polioxietilenoglicol. » Complexo antirradical livre natural: óleo de germe de trigo, óleo de rosmarinus, acetato de vitamina E e vitamina F (ativo usado no Nutritivo Florrimon). 26 UNIDADE II | COSMETOLOGIA » Complexo anti-idade de lipossomas de vitaminas E e C: associando os efeitos benéficos e sinérgicos das vitaminas. » Complexo suavizante de rugas e estimulador de formação de elastina, colágeno e ácido hialurônico: acetato de farnesila e outros ésteres de farnesol. Existem, ainda, ativos tradicionais com nova tecnologia, maior eficiência e maior inocuidade, como, por exemplo: » Arbutin: glicosídeo de hidroquinona natural encontrado em vegetais como pêssego, pera, outras plantas japonesas e principalmente nas folhas de uva ursi (Arctostaphilos uva ursi). Potente agente despigmentante com reduzida irritabilidade. » Iodotrat: iodo amínico totalmente estável e não tóxico, pois não origina iodo livre, ou seja, não exerce ação hormonal e sistêmica. Atua diretamente sobre o tecido adiposo, onde estimula o metabolismo da gordura estagnada ao ativar enzimas lipolíticas, diminuindo, assim, o sufocamento tecidual, aumentando o fluxo nutricional e desintoxicando o organismo. (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). A seguir, temos os PAs mais utilizados nos principais distúrbios faciais: Quadro 6. Distúrbio. Distúrbio Facial Princípio Ativo Descrição Acne Ácido glicirrízico Anti-inflamatório, descongestionante. Ácido glicólico Queratolítico. Ácido salicílico Queratolítico. Agrião Antiacneico, antisseborreico. Alantoína Regeneradora, queratolítica. Alfa bisabol Anti-inflamatório, calmante. Azuleno Anti-inflamatório. Apricot Esfoliante físico. Aloe vera Hidratante, ação regeneradora. Bardana Adstringente, calmante. Calêndula Cicatrizante, anti-inflamatório. Camomila Calmante, anti-inflamatório. Cânfora Calmante, anti-inflamatório. Clindamicina Atua como agente bacteriostático. Eritromocina Tem ação bacteriostática. Triclosan/ irgasan Bactericida. Hamamélis Adstringente. Peróxido de benzoíla Esfoliante e inibe o crescimento de P. acnes. 27 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Distúrbio Facial Princípio Ativo Descrição Acne Própolis Antimicrobiano, anti-inflamatório. Microesferas de polietilenoglicol Esfoliante físico. Resorcina Esfoliante químico. Sulfato de zinco Adstringente, antisséptico. Sílica Esfoliante. Tretinoína/ac. retinóico Esfoliativo químico. Takallophane Absorve os ácidos graxos insaturados, antisseborreico. Discromia Ácido glicólico Esfoliante químico. Ácido Kójico Despigmentante natural. Antipollon HT Clareador por absorção de melanina pré-formada. Arbutin Inibe a atividade da tirosinase. Dihidroxiacetona-DHA Simulador de bronzeado. Essência bergamota Calmante, antiparasitário e cicatrizante. Hidroquinona Inibe a atividade da tirosinase. Melawhite® Inibe a tirosinase no estágio inicial da melanogênese. Psoralênicos Uso tópico sistêmico. VC- PMG Inibe a tirosinase; atua antirradicais livres. Rugas Oligoelemento: selênio Oxidante, bloqueando os radicais livres. Oligoelemento: zinco Regula o fluxo sebáceo e, junto com a vitamina A, é responsável pela renovação celular. Possui propriedades calmantes e antirradicais livres. Oligoelemento: cálcio e magnésio Regula as trocas celulares e participa da síntese de neuromediadores(que carregam mensagens entre as células e a pele). Oligoelemento: manganês Função antirradicais livres e estimula elastina e colágeno. Oligoelemento: silício Promove a regeneração dos tecidos, hidratação intensa, antirradicais livres, antiglicosilação. Fonte: (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). 28 CAPÍTULO 2 NUTRACÊUTICOS Zeisel (1999) diz que nutracêuticos são suplementos alimentares que contêm a forma concentrada de um composto bioativo de alimento, apresentado separadamente da matriz alimentar e utilizado com a finalidade de melhorar a saúde, em doses que excedem aquelas que poderiam ser obtidas de alimentos. A Anvisa, definiu e regulamentou a classe de alimentos funcionais, constituiu uma Comissão de Assessoramento Técnico Científico em Alimentos Funcionais e Novos Alimentos (CTCAF), com a finalidade de estabelecer normas e critérios para a comercialização destes alimentos. A definição de alimentos funcionais e novos alimentos proposta por este grupo foi: “Alimentos semelhantes em aparência ao alimento convencional, consumido como parte da dieta usual, capaz de produzir efeitos metabólicos ou fisiológicos demonstráveis, úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo auxiliar na redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis, além de suas funções nutricionais básicas”. Os nutracêuticos são suplementos em forma de cápsulas, bebidas e balas, para uso oral, tem funções variadas como de prevenir ou auxiliar no tratamento de rejuvenescimento, redução de medidas e peso, redução de celulite, proteção solar, drenante, fortalecimento de anexos de pele como unhas e cabelo etc. (RIBEIRO, 2010) (Figura 7). Figura 7. Representação do termo nutracêutico. Medicamento Alimento Nutracêutico Fonte: autor, 2019 O conceito de nutricosmético, ou seja, de nutrir a pele através de suplementação oral, é a promoção da beleza por meio de um corpo saudável, essa ideia surgiu da hipótese que os nutracêuticos tópicos não são suficientes para nutrir suficiente a pele (OKIGAMI apud NEVES, 2009). Os ativos oferecem uma ligação vital entre a saúde e as propriedades cosméticas de ingredientes nutricionais. Os principais ingredientes utilizados atualmente em são a base de: isoflavonas de soja, luteína, licopeno, vitaminas (A, B6, E), ácidos gordos ômega-3, β-caroteno, ésteres de esteróis; condroitina e coenzima Q10. 29 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Os benefícios atribuídos a estes compostos incluem redução do envelhecimento cutâneo, fortalecimento das faneras e redução da adiposidade (FROST; SULLIVAN, 2007). Na tabela 1 a seguir, iremos listar os principais ativos utilizados como nutracêuticos. Tabela 1. Ativos nutracêuticos. RUGAS, LINHAS DE EXPRESSÃO E FLACIDEZ DE PELE ATIVO FUNÇÃO CONCENTRAÇÃO Luteína Melhora a densidade da pele devolvendo MEC. 3 mg Coenzima Q10 Antioxidante. 30 mg Sinactaze Aumento da duração do efeito da toxina de aproximadamente 30% em 92% dos indivíduos. 3.000 UI Red yeast Antioxidante. 10 gr Exsynutriment Refaz MEC. 100 mg Bioarct Antioxidante. 10 gr Tocotrimax Derivado do óleo do farelo de arroz. 150 mg Resveravine 5 mg Collyss Redução de rugas e linhas já existentes. 1 gr Isoflavin Beta Romovendo firmeza e redução das linhas finas de expressão. 40 mg Lacto-licopeno extraído de uma variedade de tomate especificamente selecionada pela sua concentração elevada em licopeno. 30 mg Cartidyss Estimula MEC. 200 mg Rosage (USO TÓPICO) Extrato das sementes da tamareira. Produz efeito agonista sobre o receptor alfa-2 adrenérgico, responsável pela vasoconstrição, proporcionando melhora do tom da pele, reduzindo os sinais e sintomas da rosácea e olheiras. 5,0% Clareadores Antipollon HT (TÓPICO) Silicato de alumínio, absorve e descarrega a melanina sem qualquer efeito irritativo ou sensibilizante. 5,0% Vit. C Possui propriedades de despigmentante e estimulador da síntese de colágeno. 100 mg Cartidyss extrato da cartilagem da Arraia Marinha composto de polissacarídeos que promovem um efeito positivo na estrutura da pele. 200 mg Ac Tranexâmico Clareador oral. 150 mg Oli-ola Derivado das oliveiras, conhecido como peeling oral, melhor resultado para tratamento de melasma. Faz um peeling de dentro para fora. 150 mg FEG – Fibro Edema Genoide Dimpless Restaura a extensibilidade e elasticidade, reduzindo o aspecto casca de laranja e promovendo a redução dos nódulos de gorduras. 40 mg Cavalinha Desintoxicante. 160 mg Castanha da Índia Desintoxainte. 160 mg Ginko biloba Ativa circulação sanguínea 250 mg 30 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Adiposidade local e emagrecimento Zembrin Tira vontade de comer. 4 mg Diglothin Redução de peso e gordura abdominal em 8 semanas. 100 mg Spirulina promove a saciedade, diminuindo a fome e a vontade de comer doces. 100 mg Beanblack Auxilia na dieta low carb, pois reduz 40% no aumento de glicemia gerado pelo carboidrato, traz saciedade. 100 mg Morosil Lipólise região abdominal. 100 mg ID-ALG inibe a alfa-lipase, além de atuar na redução da alfa- amilase e glucosidase, reduzindo a absorção de carboidratos e lipídeos. 100 mg Detoxin Desintoxiante. 500 mg Metabolize 4 Suplemento nutricional, ou seja, supre as necessidades diárias de elementos essenciais ao nosso organismo, os quais não conseguiram ser absorvidos somente com a alimentação, promovendo um grande equilíbrio fisiológico. 250 mg Ext. Chá verde (EGCG 98%) Desintoxica e remove retenção líquido. 100 mg Neoputina Redução da absorção de lipídeos por mecanismos diferentes e complementares. 1 gr Outros Dimpless Prevenção da canície capilar, pois além de conter SOD, possui Catalase e Glutationa Peroxidase, que são antioxidantes enzimáticos de primeira linha de defesa, que contribuem para redução de H2O2 nos folículos. Age em todos os caminhos para evitar a formação e reduzir os radicais livres e, consequentemente, ele não deixa a melanogênese ser impedida, prevenindo o aparecimento dos fios brancos. 10 mg Nutricolin cofator na síntese de colágeno tipo I, importante para a estruturação mecânica e a redensificação da pele, além de aumentar a compactação da queratina, aumentando a espessura do cabelo e a resistência à fragilidade das unhas 200 mg Vit. H (Biotina) Ricos em enxofre e são importantes para o fio de cabelo e para a síntese de queratina. 2,5 mg N-Acetil cisteína Cofatores para sínteses, favorecendo os benefícios para as unhas e cabelos. 100 mg Cistina L Ricos em enxofre e são importantes para o fio de cabelo e para a síntese de queratina 25 mg Fonte: autor, 2019. Hoje em dia é fundamental o profissional pensar no que o paciente irá fazer em casa, pois mais de 50% de seus resultados dependem do que paciente faz em casa, assim os nutracêuticos vem auxiliando nessa “blindagem” do paciente, e também mostra o grande diferencial de um bom profissional, pois irá se mostrar em destaque dos outros profissionais, visto essa importância (do autor ). 31 CAPÍTULO 3 CLASSIFICAÇÃO DOS COSMÉTICOS DE ACORDO COM SUA FUNÇÃO 3.1. Limpeza da pele (Cleasers) Limpar a pele significa remover sujidades provenientes de poluição, resíduos cosméticos, secreções naturais e células córneas em descamação. Formas de limpar a pele: » Uso de solventes orgânicos. » Uso de substâncias lipofílicas. » Uso de tensoativos (detergentes e sabões). Requisitos: » Possuir detergência moderada. » Espalhar-se facilmente. » Possuir bom poder de arraste. » Ser ligeiramente antisséptico. » Ter pH compatível com o cutâneo. » Fácil eliminação. Classificação: 1. Sabonetes em barra e líquidos. 2. Loção de limpeza isenta de lipídios (limpadores sem lipídios). 3. Esfoliantes. 4. Agentes abrasivos. 5. Máscaras tonificantes. 6. Sais de banho. 7. Óleos. 8. Emolientes. (MONTEIRO; BAUMANN, 2008) 32 UNIDADE II | COSMETOLOGIA 3.1.1. Sabonetes em barra e líquidos Quimicamente podem ser chamados de sabões que representam compostos químicos formados pela reação de um ácido graxo com um álcali (MERCANTEet al., 2009). A seleção rigorosa dos óleos e gorduras utilizados influenciarão no custo e nas propriedades do sabão. Um bom sabão é produzido com uma mistura de óleos e gorduras (MERCANTE, et al., 2009). Os sabões de sódio são mais duros, os de potássio mais solúveis em água e os de trietalonamina menos alcalinos (MERCANTE, et al., 2009). Como a grande maioria tende a alcalinidade (80%), a alta detergência os torna mais irritantes para a pele. E na grande maioria das vezes são desaconselháveis para peles secas e sensíveis (MERCANTE, et al., 2009). Os sabonetes glicerinados são exemplos de formulações que diminuem a quantidade de sabão na fórmula, a composição restante é formada por agentes solubilizantes (glicerina, álcool, propilenoglicol), corantes, fragrâncias e açúcar para aumentar a transparência (MERCANTE, et al., 2009). Já os sabonetes líquidos não são considerados como verdadeiros sabões (sais de ácidos gordos), mas misturas de tensoativos detergentes, agentes emolientes, antissépticos e aromatizantes em geral. São elaborados a partir de sabões de potássio em uma concentração de 15 a 20%. Entretanto, atualmente, esse tipo de formulação quase não leva sabão em sua fórmula. Os sabonetes líquidos são formulados apenas com misturas de tenso ativos sintéticos, ou derivados de produtos naturais (MERCANTE et al., 2009). 3.1.2. Loções de limpeza São produtos líquidos que limpam quando aplicados sobre a pele (seca ou umedecida), esfregados para produzir espumas, enxugados ou evaporam-se sem enxágue (MASSON, 2003). Esses produtos contêm água, glicerina, substâncias detergentes e umectantes. Geralmente deixam uma película umedecida fina (MASSON, 2003). Geralmente são usados para remoção de maquiagem, limpeza diária da face, ou previamente em procedimentos estéticos (MASSON, 2003). » Cremes de limpeza: são cremes geralmente oleosos, utilizados para limpeza da pele seca (MASSON, 2003). 33 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Adstringentes: usados para remover óleo e produzir uma sensação tonificada. Geralmente são utilizados para pele oleosa por terem um teor alcoólico maior. Em produtos para acne são utilizadas substâncias antissépticas como triclosan e substâncias esfoliantes (MASSON, 2003). 3.1.3. Esfoliante São considerados basicamente adstringentes com adição de substâncias como: hamamelis, ácido salicílico (GALEMBECK; CORDA, 2007). O objetivo desses produtos é remover as células mortas da superfície da pele e auxiliar na renovação natural da pele (GALEMBECK; CORDA, 2007). Agentes abrasivos: são esfoliantes mecânicos. Utilizam grânulos abrasivos em uma base cosmética. Esses grânulos geralmente são constituídos por gotas de polietileno, fragmento de semente e frutas (GALEMBECK; CORDA, 2007). Os agentes abrasivos são eficazes no controle do excesso de gordura e remoção do tecido córneo escamativo. Inconvenientes: podem causar danos epiteliais se forem utilizados com muita força (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.1.4. Máscaras faciais São preparações cosméticas cuja consistência é variada. Destinam-se à aplicação sobre o rosto, pescoço, colo, costas, mãos, pés. Utilizam-se em camada espessa, com tempo determinado de permanência, geralmente alguns de seus componentes líquidos evaporam deixando uma camada de outro produto aderente à pele. São classificadas como formulações de risco grau 1, desde que elas não sejam indicadas para peles acneicas, com finalidade de peeling químico e/ou outros benefícios. Características: » Suavizantes e sem arenosidade. » Secagem rápida. » Produção de limpeza da pele. » Inócuas. Objetivo: limpar, tonificar, estimular, acalmar, rejuvenescer, nutrir, antissépticas, hidratar, anti-irritantes, queratolíticas, clareadoras, adstringentes. 34 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Ativos incorporados: » Pós absorventes ou adsorventes (argila, kaolim, CaCO3). » Umectantes (glicerol, propilenoglicol). » Gelificantes (resinas ou alginatos). » Adstringentes (alume, tanino). » Extratos vegetais. » Óleos essenciais. » Colágena / elastina. (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.1.5. Máscaras de porcelana Tratam-se de máscaras em pó (gesso), as quais endurecem após serem aplicadas. São oclusivas. Exercem um efeito psicológico (ZANGUE, et al., 2007). Devem ser homogeneizadas com água ou uma solução tônica apropriada no momento da aplicação; uma camada mais ou menos espessa é aplicada com a ponta dos dedos ou pincel, ocluindo a pele. Recomenda-se usar uma forração de gaze previamente para ser mais fácil a sua retirada. Cuidado redobrado com a superfície pilosa da pele, pois pode provocar traumatismos. Pode-se aplicar por sobre outro produto (ZANGUE, et al., 2007). 3.1.6. Máscaras em pó São dispersões de ativos em um veículo sólido pulverizado como o talco ou argila. Devem ser homogeneizadas com água ou uma solução tônica apropriada no momento da aplicação; uma camada mais ou menos espessa é aplicada com a ponta dos dedos ou pincel, ocluindo a pele (ZANGUE, et al., 2007). Após algum tempo, o líquido dispersante evapora e posteriormente o pó deverá ser retirado do local com água ou tônico. Esse tipo de veículo é indicado para procedimentos adstringentes, redutores de oleosidade, clareadores (em tese) e esfoliantes (ZANGUE, et al., 2007). 3.1.7. Máscaras à base de vinil São populares para uso doméstico. São formadas por substâncias formadoras de películas (álcool polivinílico). Após a evaporação do veículo, uma película flexível de vinil permanece na face. São apropriadas para todos os tipos de pele. A evaporação do 35 COSMETOLOGIA | UNIDADE II veículo cria uma sensação refrescante e o enrugamento da máscara com a secagem pode dar a impressão de que a pele está apertando (ZANGUE, et al.,2007). 3.1.8. Máscaras hidrocoloidais ou máscaras plásticas Essas máscaras são formadas por gomas (gomas de celulose, xantana) e umectantes. Deixam na pele uma sensação suave e criam a sensação da pele apertando quando a água evapora e a máscara seca. Possuem um bom efeito psicológico de estiramento e agradável sensação refrescante (ZANGUE, et al.,2007). São utilizadas em formulações redutoras de oleosidade, esfoliantes, adstringentes e calmantes (ZANGUE, et al.,2007). 3.1.9. Máscara à base de argila São conhecidas como máscaras em pastas ou pacotes de lama. São formadas por argila. Podem ser apresentadas sob a forma de pó ou suspensões em veículo semissólido. As argilas fixam considerável quantidade de água, óleos e corpos gordurosos por adsorção ou absorção. Podem ser usadas com a propriedade secativa, clareadora (em tese), adstringente e antisséptica (BOURGEOIS, 2006). Origem das argilas: provêm da desintegração do granito. São formadas de silicato de alumínio (BOURGEOIS, 2006). Variedades: » Argila vermelha: contém traços de óxido de Ferro. Ação: é utilizada como anti-stress, redutora de pesos e medidas e secativa. » Argila verde: contém traços de cloreto ferroso. Ação: adstringente, tonificante, estimulante, secativa, bactericida, analgésica e cicatrizante. » Argila branca: argilas naturais, compostas por diversos componentes minerais. Ação: clareadora, absorve oleosidade da pele sem desidratar, suavizante e oclusora. » Argila rosa: mistura de argila branca e vermelha, assim é rica em ferro. É mais indicada para peles sensíveis, tem ação cicatrizante, suavizante. » Argila cinza: devido ao titânio presente em sua composição, combate acne, realiza esfoliação, ainda tem ação antioxidante retardando o envelhecimento, também age no clareamento de manchas e regula seborreia capilar. » Argila preta: também conhecida como lama vulcânica, muito utilizada para desintoxicar a pele, tem ação anti-inflamatória, absorve stress. 36 UNIDADE II | COSMETOLOGIA » Argila amarela: combate e retarda o envelhecimento cutâneo, ação hemostática, purificante, adstringente e remineralizante. Também tem ação na elasticidade da pele atuando na flacidez cutânea. Melhora a circulação sanguínea. (BOURGEOIS, 2006).Outras máscaras: » Máscara de ouro. » Máscara de diamante. » Máscara de pérola. » Máscara de prata. São considerados produtos exóticos, porém sem comprovação científica. O único efeito desses produtos na pele é o glamour de usar uma máscara facial elaborada com material nobre, e o efeito do ativo incorporado a ela, que na maioria das vezes não é citada na publicidade, na maior parte das vezes são os hidratantes (BOURGEOIS, 2006). Têm-se ainda as máscaras de chocolate, nesse caso pode-se admitir que exista um fundamento (RICHTER; LANNES, 2007). O chocolate possui riqueza em material graxo que lubrifica e oclui a pele, melhora a hidratação, deixa-a mais macia e suave ao toque. A ideia de que os polifenóis funcionem como ativos nesse tipo de produto não condizem com a realidade, pois eles só existem no cacau in natura, e não no processado (RICHTER; LANNES, 2007). Conclusão 1. Usar no mínimo uma vez por semana. 2. Tempo de aplicação de 10 a 25 minutos. Efeitos desejados: » Ação de limpeza → Usar ativos absorventes e desincrustantes. » Ação normalizadora de secreções → Usar produtos absorventes e normalizadores de equilíbrio ácido-base. » Ação hidratante → Usar umectantes e princípios ativos que favoreçam a hidratação. » Ação estimulante e fortalecedora → Melhorada pelo efeito oclusivo e pela vasodilatação gerada. » Ação alisadora e remodeladora → Usar princípios ativos tensores. Fonte: Zangue, et al.,2007 37 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Os princípios ativos mais utilizados em cada tipo de máscara são: Quadro 7. Máscara. Tipo de máscara Princípios ativos Detergente Bórax, bicarbonato de sódio, TEA (trietanolamina), pH levemente alcalino, vitamina B6. Adstringente Cloridróxido de alumínio ou zircônio, alúmen, titânio, glicina, ácido lático, sais de zinco, extratos vegetais de hamamélis, agrião, bardana, sálvia, castanha-da-índia. Calmante Extratos vegetais de camomila, tília, mucílagos, azuleno, cânfora, caseína, calêndula, alantoína. Nutritiva Vitaminas A e E, óleos vegetais, proteínas (colágeno, elastina, albumina). Clareadora Peróxido de zinco ou magnésio, ácido cítrico e lático, perborato de cálcio. Refrescante Mentol. Anti-inflamatória Alfa bisabol, betaexina, própolis, azuleno, ácido glicirrízico. Antiedematosa Extratos de arnica, centelha asiática. Hidratante Extratos de aveia, aloe vera, aminoácidos. Queratolítica Ácido lático (1%), ácido salicílico (2,5%), enzimas papaína e bromelina. Umectante Propilenoglicol, glicerina. Fonte: (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 1999). 3.2. Sais de banho São cosméticos sólidos utilizados para limpar, tonificar, esfoliar e perfumar a pele durante o banho. Alguns deles são quelantes de cálcio (GALEMBECK; CORDA, 2007). Os sais de banho podem ser fabricados na forma de pós, cristais ou comprimidos efervescentes (GALEMBECK; CORDA, 2007). Componentes: cloreto de sódio, sulfato de magnésio, lauril sulfato de sódio, corantes e essências (GALEMBECK; CORDA, 2007). Sais efervescentes: são constituídos geralmente por uma mistura de um ácido orgânico (cítrico, fumárico, succínico) com bicarbonato ou carbonato de sódio. A escolha do ácido orgânico depende do seu custo, pka, solubilidade em água. Em relação aos carbonatos, o bicarbonato de sódio produz mais CO2 porque requer apenas um próton para ser neutralizado (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.3. Óleos Composição: formados por misturas de óleos, ésteres graxos, álcoois graxos líquidos, essências e corantes. Repositores do manto hidrolipídico principalmente após o banho. 38 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Promovem maciez ao toque e hidratação por mecanismo oclusivo (GALEMBECK, F.; CSORDAS, Y, 2015). Podem ser consideradas soluções lipofílicas. Pode ser usado um único óleo, mistura de diferentes tipos de óleos, ou ainda a mistura de agentes lipofílicos e óleos (GALEMBECK, F.; CSORDAS, Y, 2015) Para melhorar o sensorial é usado o silicone e ésteres emolientes que promovem também melhor espalhabilidade do produto (GALEMBECK, F.; CSORDAS, Y, 2015). 3.4. Emolientes O CTFA define emolientes como substâncias que mantêm a flexibilidade da pele e restabelecem o equilíbrio do estrato córneo (LEONARDI, 2008). Mecanismo de ação dos emolientes: amaciam o estrato córneo indiretamente, por prevenção da perda de umidade (oclusão). Os emolientes agem em profundidades variáveis. A estrutura química do emoliente influencia na sua interação com a pele e afeta as propriedades sensoriais. De modo geral, os óleos de origem animal penetram mais que os óleos vegetais (LEONARDI, 2008). 3.4.1. Emoliente não polar Parafinas: óleo mineral, óleo de vaselina (LEONARDI, 2008). Isoparafinas: são pegajosos, pesados, hidrófobos, em geral são comedogênicos (LEONARDI, 2008). 3.4.2. Emoliente polar São substâncias que mantêm a flexibilidade da pele e restabelecem o equilíbrio do extrato córneo (LEONARDI, 2008). Agem por oclusão, previnem a perda de umidade e atuam indiretamente no extrato córneo (LEONARDI, 2008). a. Glicerídeo: triglicerídeo caprílico/cáprico, óleos e gorduras vegetais (manteigas), óleos vegetais. São compostos por ácidos graxos com cadeias carbônicas de diferentes comprimentos e saturações que conferem propriedades especiais. Ácido esteárico, ácido palmítico, oleico, linolênico (VARGAS; ROMAN, 2006). 39 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Estudiosos afirmam que quanto maior a cadeia menos irritante é o ácido graxo (VARGAS; ROMAN, 2006). Tipos de ácidos graxos: › Saturados: ácido láurico, mirístico, palmítico e esteárico. › Insaturados: ácido oleico, linoleico, linolênico. Emolientes mais usados e suas concentrações de uso: › Extrato de aloe (2 a 6%). › Manteiga de karité (1 a 3%). › Manteiga de manga (1 a 3%). › Microcápsulas de óleo de macadâmia (5 a 10%). › Óleo de abacate (2 a 10%). › Óleo de amêndoas (2 a 10%). › Óleo de apricot (2 a 5%). › Óleo de calêndula (1 a 5%). › Óleo de cereja (2 a 5%). › Óleo de germe de trigo (0,5 a 1,5%). › Óleo de girassol (1 a 3%). › Óleo de jojoba (1 a 5%). › Óleo de macadâmia (0,5 a 5%). › Óleo de semente de maracujá (1 a 5%). › Óleo de uva (2 a 10%). (VARGAS; ROMAN, 2006). b. Álcoois graxos: normalmente são considerados álcoois graxos aqueles que têm de 12 a 18 átomos de carbono. Exemplos: álcool láurico, mirístico, cetílico, palmítico. c. Éteres graxos: possuem excelente capacidade de espalhamento e resistência à hidrólise, tanto em meio ácido como alcalino. Exemplos: peg-7-glicerilcocoato, perfluorpolimetilisopropileter, éter dicaprilico. (DRAELOS, 2009). 40 UNIDADE II | COSMETOLOGIA d. Ésteres: constituem o principal grupo de emolientes, pois apresentam as melhores respostas quanto ao espalhamento, sensação não oleosa e absorção na pele. Exemplos: octanoato de octila, octanoato de cetearila, miristato de miristila, estearato de butila, estearato de tridecila, miristato de isopropila, palmito de isopropila, isoestearato de isopropila, oleato de butil, oleato de decila (Cetiol V®) (DRAELOS, 2009). 3.4.3. Outros emolientes 3.4.3.1. Ceras Na verdade, as ceras são utilizadas para dar consistência e dureza às formulações. Tipos: ceras de abelha, candelila, carnaúba. Composição: ésteres de ácidos graxos e álcool graxo de cadeia longa carbonada e saturada. (DRAELOS, 2009). 3.4.3.2. Como manter a pele da face eudérmica Para maior eficácia no tratamento cosmético, é necessário seguir várias etapas, contínuas e complementares; a seguir segue o esquema: Figura 27. Pele eudérmica 2. Tonificação • Reduz o tamanho dos poros (ação adstringente) • Firma a pele • Restabelece o pH cutâneo • Ajuda a retirar resíduos de produtos de limpeza 3. Hidratação • Evita a perda de umidade 4. Nutrição • Repõe nutrientes substâncias recuperadores do manto hidrolipídico, protetora da pele 1. Higienização (limpeza) • Remove células mortas • Retira impurezas • Controla secreções sebáceas • Abre os poros Fonte: autor. 41 COSMETOLOGIA | UNIDADE II3.5. Higienização Os cosméticos de higienização são produtos que não devem penetrar na pele, nem ser absorvidos por ela. Devem permanecer sobre a pele o tempo bastante para eliminar da superfície epidérmica toda a variedade de contaminantes como secreção sebácea, impurezas, células mortas, maquilagem, detritos etc., arrastando, emulsionando ou solubilizando. A água é uma das principais substâncias usadas na limpeza da pele; sozinha, porém, é ineficaz, principalmente contra a oleosidade. Os cosméticos destinados à higienização da pele podem ser apresentados em diversas formas: sabonete líquido ou sólido, óleos, géis, cremes e leite de limpeza ou loção. Loções para limpeza da pele e abertura dos óstios: pH alcalino e loções tônicas após limpeza, pH ácido (para que a pele retorne ao seu pH natural, entre 5,5 e 6,0). Devem apresentar as seguintes características: » ter detergência moderada; » não ser muito fluidos nem muito espessos, para que possam ser espalhados facilmente sobre a pele; » possuir ação somente no nível da epiderme; » não ser irritantes nem sensibilizantes; » ser ligeiramente antissépticos; » ter pH ácido, neutro ou ligeiramente alcalino (pH de 4-8,5); » ser de fácil eliminação. (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.6. Tonificação Os cosméticos de tonificação devem: » eliminar os resíduos da emulsão de limpeza; » restaurar o pH fisiológico; » evitar a desidratação e o ressecamento; » favorecer a reepitelização; » reduzir o tamanho dos poros; » reduzir as secreções sebáceas. 42 UNIDADE II | COSMETOLOGIA O tônico complementa o processo de limpeza, ao mesmo tempo em que amacia a superfície da pele. Serve para fechar os poros e preparar a pele para receber os benefícios do hidratante. As impurezas da pele são compostas de materiais hidrossolúveis, lipossolúveis e insolúveis. Os tônicos e todos os produtos de higienização devem reunir condições para eliminá-los. O tônico pode ter várias especialidades, dependendo do princípio ativo e de sua formulação básica: » adstringente; » calmante; » descongestionante. O tônico é formado por um sistema hidroalcoólico cujo teor de álcool etílico pode chegar até 70% em determinados casos. As formulações de tônicos podem conter, por exemplo: » agentes antissépticos: triclosan, enxofre, piritionato de zinco, derivados da raiz de alcaçuz (glicirrinato de amônio; ácido 18B-glicirrético), timol, própolis, ácido salicílico; » extratos vegetais e marinhos: agrião, alecrim, algas marinhas, arnica montan, bardana, calêndula, confrei, ginseng, hamamélis, malva, própolis, sálvia, tília; » corretor de pH e reguladores cutâneos: ácido cítrico, ácido lático, capriloilglicina; » princípios ativos calmantes e umectantes: alantoína, alfa bisabolol, pantenol, alga Enteromorpha compressa. A aplicação dos produtos tônicos geralmente é feita com algodão, em movimentos circulares e suaves. Essa ação serve para retirar os últimos resíduos deixados pela loção de limpeza. Em todos os casos de aplicação, o produto não deve ser usado na área dos olhos. (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). 3.7. Hidratante A xerose ou xerodermia, ou ainda a pele seca, pode se manifestar em qualquer indivíduo durante a vida. O comprometimento da barreira córnea eleva a perda de água por meio 43 COSMETOLOGIA | UNIDADE II da pele, isso pode aumentar a liberação de citoquinas que, por sua vez, induzem o início do processo inflamatório e o eczema (GALEMBECK; CORDA, 2007). Normalmente, as peles secas estão associadas à menor presença de lipídeos secretados pela glândula sebácea, enquanto a hidratada pode estar acompanhada de uma maior presença de lipídeos (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). A pele se mantém hidratada graças à presença de lipídeos secretados pelas glândulas sebáceas, à matriz lipídica intercelular na camada córnea, ao fator natural de hidratação, à presença e integridade dos corneodesmossomas (complexo proteico contido no envelope dos corneócitos formado pelas proteínas DESMOGLEÍNA, CORNEODESMOSINA E PLACOGLOBINA) responsáveis pela coesão deles na camada córnea e as aquaporinas (HERNANDEZ e MERCIER-FRESNEL, 2008). A hidratação da camada córnea fisiológica depende e varia de acordo com os seguintes fatores: » Umidade externa. » Transporte de água das camadas mais inferiores da pele para as mais externas. » Velocidade do processo de queratinização da epiderme. » Velocidade de evaporação da água para o meio externo. » Quantidade, qualidade e composição do manto hidrolipídico ou também chamado de emulsão epicutânea que corresponde à quantidade de lipídeos cutâneos, água e fator de hidratação natural da pele. (GALEMBECK; CORDA, 2007). Todo o produto secretado pelas glândulas sebáceas é rico em ácidos graxos, triglicérides, esqualeno e ceras, e é distribuído sobre a camada córnea formando um filme lipofílico que dificulta a saída da água e a sua evaporação (GALEMBECK ; CORDA, 2007). Pode-se observar durante a infância uma redução dessa secreção, por consequência tornando a pele mais seca, e o mesmo acontece no envelhecimento (GALEMBECK; CORDA, 2007). Contudo na adolescência ou puberdade o processo se inverte pelo aumento da secreção hormonal que controla a produção sebácea, e a pele torna-se mais oleosa, mas não por isso será mantida a hidratação adequada (GALEMBECK; CORDA, 2007). Durante a transformação dos queratinócitos em corneócitos na camada córnea, é produzida nos espaços intercorneocitários uma mistura de lipídeos (40% CERAMIDAS; 20% ÁCIDOS GRAXOS; 25% COLESTEROL; SULFATO DE COLESTEROL + FOSFOLIPÍDIOS 44 UNIDADE II | COSMETOLOGIA + GLICOCERAMIDAS “concentrações não indicadas”) que corresponde a 11% da camada córnea. Essa mistura se organiza mantendo a união entre os corneócitos, porém com alternância de domínios hidrofílicos e lipofílicos. Os hidrofílicos é que são capazes de manter a ligação da água na camada córnea aumentando sua retenção nessa região. Os hidratantes são substâncias que possuem a função de manter ou restituir a homeostase da pele. O objetivo principal de um cosmético hidratante é manter e aumentar o nível hídrico superficial, que em condições ideais é de 20% a 30% (GALEMBECK; CORDA, 2007). Durante o inverno, as peles jovens e envelhecidas tendem a diminuir as concentrações de ceramidas e de ácidos graxos, daí o aparecimento de dermatites atópicas, visíveis como eczemas secos e pruriginosos (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). Também mulheres tabagistas e menopausadas tendem a apresentar esse tipo de condição, devido à diminuição do estrogênio circulante. Outro parâmetro é a manutenção e/ou reposição da quantidade de lipídios presentes na pele (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). Se as enzimas proteolíticas tiverem seus níveis e atividades diminuídas, a degradação dos córneos desmossomas não ocorrerá de maneira eficiente, tornando a pele mais espessa e com menor hidratação (HERNANDEZ; MERCIER-FRESNEL, 2008). Encontramos também na epiderme o fator de hidratação natural (FHN) da pele que é responsável por 30% da hidratação da camada córnea. O FHN atua como uma esponja retendo água na camada córnea. A pele se manifestará seca quando o conteúdo de água total na camada córnea estiver abaixo de 10%. Manifestações clínicas da pele seca: » Prurido. » Queimação. » Sensação de estiramento da pele. » Descamação em placas de corneócitos. » Diminuição da flexibilidade e elasticidade da pele. » Aspereza ao toque. 45 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Aumento das rugas superficiais e linhas de expressão. » Possibilidade de dermatites de contato de repetição. (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.7.1. Considerações gerais Perturbações na hidratação da pele; a desidratação pode ocorrer por vários fatores: » vento, mudanças bruscas de temperatura, ar seco; » substâncias químicas como detergentes; » envelhecimento cutâneo. Alguns autores referem-se a mecanismos de hidratação da pele e classificam-nos em: 3.7.1.1. Oclusivos Componentesresponsáveis pela formação de barreira superficial e externa, evitando a evaporação superficial da água, formam um filme graxo que diminui a perda da água transepidermal. Substâncias lipofílicas que atuam como hidratantes por oclusão Exemplos - óleos vegetais: abacate, macadâmia, germe de trigo, girassol, maracujá, uva, castanha do Brasil, canola, milho, algodão, babaçu, pequi, patauá, buriti etc. » minerais: vaselina, óleo mineral, parafina, squaleno; » gorduras animais: lanolina, gordura de ema; » manteigas vegetais: karité, manga, cupuaçu, oliva, ucuuba, tucumã, cacau, murmuru; » silicone: dimeticones; » ceras: abelhas, carnaúba, jojoba; » álcoois graxos: álcool cetoestearílico, álcool cetílico, álcool de lanolina; » álcool: octildodecanol. (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.7.1.2. Umectantes São substâncias que na sua grande maioria não penetram na camada córnea devido ao seu alto peso molecular. Porém possuem a capacidade de reter a água da formulação, da atmosfera e na água que é perdida pela córnea mais superficialmente. 46 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Qualquer hidrolisado de proteína animal ou vegetal atua como umectante. A diferença entre eles está particularmente em seu peso molecular. Para umectação são também utilizadas substâncias hidrossolúveis como, por exemplo, o açúcar (oligo e polissacarídeos), polímeros e proteínas. Os polissacarídeos, algas e o ácido hialurônico (polissacarídeo heterogêneo) também fazem essa função. Vários glicóis têm a capacidade de formar pontes de hidrogênio com a água. Podem atuar: 1. por meio de substâncias que diminuem a perda de água por evaporação; 2. por meio de moléculas hidrófilas análogas aos componentes da pele que reduzem a perda de água. Substâncias umectantes: › Poliálcoois: glicerina e sorbitol. › Glicóis: propilenoglicol em concentrações abaixo de 10%. › Polietilenoglicóis de baixo peso molecular: PEG 400. (MASSON, 2003) 3.7.1.3. Recomposição de lamelas e indução de formação de aquaporinas A reconstrução da barreira lipídica requer a recomposição das lamelas da camada córnea. As ceramidas são um dos componentes lamelares mais comuns de serem encontrados como ativo para formulações cosméticas. A lanolina é uma matéria graxa natural que se encontra na lã das ovelhas, possui grande similaridade química e física com os lipídeos da pele humana. 3.7.1.4. Reposição de substâncias necessárias à hidratação (hidratação ativa) Esses ativos conseguem permear a camada córnea e reter água em toda sua extensão. São eles: glicerina 5%, ureia 5%, PCA 5%, PEG 600 5%, lactato de amônio 5%, lactato de amônio 13%, sal da AHA’S 5%, 13%. (MASSON, 2003) 3.8. Nutrição Os produtos nutritivos contêm ativos que levam nutrientes para a pele, a fim de promover a regeneração, a conservação e a proteção, prevenindo o envelhecimento cutâneo (MONTEIRO; BAUMANN, 2008). 47 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Como o processo de mitose celular é maximizado durante as primeiras horas da manhã, a nutrição da pele deve ser feita durante a noite, com vistas a repor os componentes lipídicos do manto córneo (MONTEIRO; BAUMANN, 2008). Entre os princípios ativos nutritivos, temos: » Aminoácidos de trigo ligados à cadeia graxa. » Palmítica (LIPACIDE PVB): estimulam a síntese de proteínas totais, têm efeito nutriente e abastecedor das células, com elementos que estão ausentes ou insuficientes. » Aminoácidos do leite: produtos obtidos pelas transformações do leite. Possuem ação nutritiva, hidratante e emoliente. Utilizados em cremes nutritivos e produtos infantis. » Lipoproteínas de trigo, amêndoas e aveia: têm ação reestruturante do estrato córneo, diminuindo as descamações. » Lipossoma Sod: substância de ação antirradicais livres. Funciona como reconstituinte da camada córnea. Utilizado em gel nutritivo. » Proteína de soja: estimula a regeneração celular. » Proteosilane C: esse silanol age como regenerador do tecido conjuntivo; ativa a multiplicação de fibroblastos, prevenindo o envelhecimento cutâneo. (MONTEIRO; BAUMANN, 2008). Óleos vegetais: » Óleo de abacate: nutritivo, revitalizante; usado em cremes e óleos para massagem. » Óleo de damasco: regenerativo; utilizado em cremes nutritivos, bronzeadores e demaquilantes. » Óleo de gergelim: de aspecto transparente amarelo-ouro, usado em cremes hidratantes e nutritivos, de limpeza facial, batons e loções bronzeadoras. » Óleo de macadâmia: usado em cremes ou loções hidratantes e nutritivos, previne o envelhecimento cutâneo. » Óleo de prímula: usado em cremes e loções para as mãos, nutritivos, demaquilantes e na prevenção de eczemas. » Óleo de rosa mosqueta: cicatrizante, utilizado para queimaduras em cremes nutritivos. (MASSON, 2003) 48 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Sistema de liberação progressiva: » Ciclodextrinas de vitaminas A, C, E, F: moléculas de açúcares que funcionam como vetores das vitaminas, garantindo sua liberação gradual e maximizando a atividade regeneradora. » Vitamina E ou tocoferol: capaz de combater os radicais livres, assim como a peroxidação de ácidos graxos. Encontrada em cremes nutritivos e pós-sol. (GALEMBECK; CORDA, 2007). 3.8.1. Fator de Hidratação Natural (FHN ou NMF) Ocorre naturalmente na pele. Composição: aminoácidos, ácido carboxílico, pirrolidona, lactato, ureia, amônia, ácido úrico, glucosamina, creatina, citrato de sódio, potássio, cálcio, magnésio, fosfato, açúcar, ácidos orgânicos e peptídeos (MASSON, 2003) Quadro 8. FHN. COMPONENTES QUÍMICOS DO FHN % AMINOÁCIDOS: são 17 ao total, incluindo alanina, aspargarina, citrulina, glicina, ornitina, prolina, serina etc. 40% PCA (ácido carboxipirrilidônico). 12% LACTATO: predominância de sal sódico. 12% UREIA. 7% CLORETOS. 6% SÓDIO. 5% POTÁSSIO. 4% ÁCIDO LÁCTICO, ÁCIDO UROCÂMICO, GLICOSAMINA, CREATININA. 1,5% FOSFATO. 0,5% CITRATOS E FORMIATOS ALÉM DE RESÍDUOS DESCONHECIDOS. 0,5% Fonte: Gomes, R. K.; Gabriel, M. Cosmetologia descomplicando os princípios ativos. LMP Editora; 2 ed., 2006. Manter ou aumentar a hidratação, exemplos de hidratantes usados e suas concentrações de uso: » Ácido hialurônico (1 a 3%). » Alantoína (0,2 a 2%). » Aminoácidos de leite (0,5 a 3%). » Extrato de confrey (2 a 5%). 49 COSMETOLOGIA | UNIDADE II » Extrato de gérmen de trigo (0,5 a 1,5). » Fucogel (2 a 5%). » Galactosan (2 a 10%). » Lipossomas (1 a 5%). » Glicossomas (1 a 5%). » Hidroviton, NMF (1 a 5%). » Lipossomas com NMF (aquassome) (2 a 10%). » Óleo de amêndoas (0,5 a 5%). » PCA-Na (1 a 5%). » Pentaglycan (2 a 5%). » Squalane (3 a 10%). » Vitamina E (0,1 a 0,5%). » Vitamina F (0,5 a 1%). (ROSADO, et al., 2013) 3.8.2. Substâncias que atuam na queratina Queratoplásticos: são substâncias que atuam sobre a queratina da epiderme: Ureia (10%), alantoína, alfahidroxiácidos (ROSADO, et al., 2013). Ureia: » possui um efeito osmótico na pele. » Difunde-se nas camadas externas do extrato córneo e rompe depósitos de hidrogênio, expondo locais de ligações de água nos corneócitos. » O ph da formulação deve ser ácido. (ROSADO, et al., 2013) 3.8.2.1. Alantoína e derivados Possuem propriedades hidratantes e reepitelizantes. Considerações sobre algumas matérias-primas hidratantes: » Lactato de sódio: atua como hidratante e como substância tamponante. » PCA-Na: é um sal de sódio de 2-pirrolidona-5-ácido carboxílico. É utilizado na concentração de 3-5%. Muito usado em formulações para pele seca, o metabolismo do ácido pirrolidim carboxílico está diminuído. 50 UNIDADE II | COSMETOLOGIA » Ácido hialurônico: é uma glicosaminoglicana que tem uma alta capacidade de retenção de água. Facilita o transporte transepidérmico de substâncias. Topicamente é utilizado na forma de hialuronato de sódio. É obtido de fontes animais como cristas de aves, tecido conjuntivo de novilho, cordão umbilical. » Queratina: é uma escleroproteina, obtida de chifre de boi, pelo de cavalo. Utilizada em formulações para unha e mãos, porser umectante e depositar uma fina película sobre a região. (ROSADO, et al., 2013) Diferença de água termal para água micelar Lembramos que 70% do corpo é constituído por água, assim a água mineral é imprescindível para bom funcionamento do corpo, se um ser humano ficar mais de 4 dias sem beber água as chances de sobreviver são mínimas. Conhecida como “águas da beleza” são soluções enriquecidas com minerais e capazes de hidratar, acalmar e refrescar à pele. São indicadas para hidratação facial sem deixar a pele oleosa, já que a maioria das fórmulas são isentas de álcool, corante e parabenos, assim sendo mais indicado para pele sensíveis. Assim vamos acordar as principais diferenças entra água termal, água micelar e o tônico facial: » Água termal: sua fórmula possui ferro, zinco, selênio, silício e minerais, as águas termais são extraídas de fontes subterrâneas e rochosas, trazendo assim os benefícios de hidratação, cicatrizante, anti-inflamatória, antioxidante, relaxamento, nutrição, calmante, alivia vermelhidão após exposição solar, complementa tratamento de acne, rosáceas, pele seca e pós depilação. É indicada utilizar após a pele limpa em qualquer horário do dia. » Água micelar: composto por micelas que permitem absorver a sujicidade da epiderme como uma esponja faria, ela vai limpar sim a pele, removendo maquiagem, sem causar ardor, irritação ou desconforto, mas ela tem muitos outros benefícios como removem a oleosidade e ainda equilibram o pH, remover maquiagem e outros resíduos de poluição, desobstruir os poros (podendo ser usada por pessoas com pele mista ou oleosa) e funcionar como um tônico. Indicada para pele sensível por não ter substâncias irritantes e ser isenta de conservantes. » Tônico: mais populares, o objetivo é equilibrar pH da pele, mas não podemos utilizar como limpeza de pele. 51 CAPÍTULO 4 PROTETOR SOLAR Os mecanismos naturais de proteção da pele não são suficientes para defendê-la adequadamente dos efeitos danosos das radiações solares; daí a necessidade de uso de protetores solares. Os filtros solares protegem a pele das agressões da radiação dos raios solares, evitando o envelhecimento prematuro da pele e a destruição gradual de sua elasticidade. (TERCI, 2008) Segundo seu mecanismo de ação, os filtros solares podem ser: Físicos ou Inorgânicos: têm origem mineral, são conhecidos como bloqueadores solar, contêm maior quantidade de dióxido de titânio, formam uma barreira sobre a pele, refletindo, dispersando e absorvendo a luz UV. Na reflexão/dispersão, a luz incidente nas partículas inorgânicas é redirecionada de volta ou espalhada por vários e diferentes caminhos. Esse processo é responsável pela transluscência e opacidade das partículas de filtros orgânicos aplicadas sobre a pele. Deixam uma camada branca sobre a pele, devido ao excesso de TiO2. Não são irritantes (materiais inertes). A principal vantagem dos filtros físicos é que raramente irritam a pele. A desvantagem, contudo, é cosmética: a maioria dos produtos que contém filtros físicos deixa a pele com resíduos brancos. Felizmente, atualmente contamos com filtros físicos de tamanho muito reduzido (conhecidos como “nanopartículas”). Essas “nanopartículas” permitem a formulação de produtos quase transparentes (Figura 28) e (Figura 29) (TERCI, 2008). Figura 28. Todos são protetor físico, os dois últimos são em nanopartículas. Fonte: Taís Amadio Menegat, 2016. Químicos ou Orgânicos: possuem na sua estrutura um anel benzênico que interage com a radiação UV promovendo a conversão da sua radiação absorvida pela pele, que é danosa, e com comprimentos de ondas curtas, em radiações menos danosas e com comprimento de onda mais longo. São representados pela avobenzona, octilmetoxinamato etc. Proporcionam formulações transparentes (não deixam a pele com resíduos brancos), geralmente são oleosos e podem causar alergias em algumas pessoas (Figura 29) (TERCI, 2008). 52 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Figura 29. Diferença em filtro químico e físico. Fonte: www.sbd-sp.org.br. Acesso em: 9 março 2016. Os filtros solares químicos devem: » absorver as radiações UVA e UVB (280-360 nm); » manter a estabilidade química; » ser inodoros, insípidos e incolores; » apresentar boa tolerância pelas mucosas; » ser compatíveis com os ingredientes e veículos usados em cosméticos; » ter pouca ou nenhuma solubilidade em água. (SOUZA, et al., 2004) Por outro lado, não devem ser tóxicos, irritantes ou sensibilizantes e não podem, em hipótese alguma, manchar roupas ou produzir descolorações. Os principais ingredientes dos filtros solares são moléculas aromáticas conjugadas com grupos carbonil. Essa estrutura geral permite à molécula absorver raios ultravioleta de alta energia e liberar a energia como raios de baixa energia, desse modo prevenindo o ultravioleta, que é danoso à pele, de atingi-la (SOUZA, et al., 2004). Os filtros solares químicos são classificados em: UVA, UVB e amplo espectro. Exemplos: derivados de PABA, salicilatos, cinamatos, benzofenonas e outros (SOUZA, et al., 2004). 4.1. Fator de Proteção Solar (FPS) O Fator de Proteção Solar (FPS) é uma classificação atribuída pelo FDA (Food and Drug Administration), relativa ao grau de proteção dos protetores solares à radiação UVB. Dá uma indicação de quanto tempo uma pessoa pode permanecer ao sol sem se queimar. O FPS corresponde quantas vezes uma pessoa pode ficar ao sol por dez minutos sem nenhum produto na pele (KINDERSLEY, 2001). 53 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Os filtros solares convencionais não bloqueiam o UVA tão efetivamente quanto o UVB, e mesmo taxas de FPS acima de 30 podem significar baixos níveis de proteção contra UVA, de acordo com um estudo realizado em 2003, feito por pesquisadores (KINDERSLEY, 2001). Tipos de produtos solares: » Bronzeadores: produtos que apresentam FPS 2-4. » Protetores solares: produtos que apresentam FPS 8-15. » Bloqueadores: produtos que apresentam FPS 15-30. O FPS ajuda na escolha do produto mais adequado a cada tipo de pele (Quadro 9) (KINDERSLEY, 2001) Quadro 9. Comportamento da pele à radiação solar. Fototipos de pele Comportamento da pele à radiação solar Nível de proteção: queimadura solar FPS Pouco sensível Raramente apresenta eritema Baixo 2 < 6 Sensível Moderadamente apresenta eritema Alto 6 <12 Muito sensível Facilmente apresenta eritema Alto 12 < 20 Extremamente sensível Sempre apresenta eritema Muito alto 20 Fonte: autor. Os protetores solares apresentam-se em diversas formas cosméticas: Quadro 10. Veículo. Emulsão Óleo Forma cosmética mais popular. Filme uniforme solar sobre a pele. Filme mais espesso sobre a pele. Filme não transparente sobre a pele. Mais barata (FPS altos). A maioria dos filtros solares usados são lipossolúveis. Forma cosmética mais antiga. Excelente estabilidade (somente uma fase). Filme transparente e fino sobre a pele (FPS baixos). Alto custo (não contém água). Pode interagir com a embalagem. Dificuldade de atingir altos FPS. Gel Stick Facilmente removido pela água e transpiração. Filme não uniforme sobre a pele. Gel aquoso: usa apenas filtros hidrossolúveis ou solubilizante para os lipossolúveis, que em altas concentrações são irritantes e encarecem a formulação (gel transparente). Gel oleoso: mesmas características dos óleos. Mais usado nos lábios e nariz (cobre uma pequena área com uma única aplicação). Em geral composto por filtros solares oleosos, ceras e petrolato. Resistente à água. Fonte: (KINDERSLEY, 2001). Os filtros, mas utilizados e aprovados pela Anvisa e FDA são: 54 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Quadro 5. Filtro aprovado. Orgânicos Inorgânicos UVA UVB 1-(4-TERT-BUTYLPHENYL)- 3-(4-METHOXYPHENYL) PROPANE-1,3 DIONE/ Avobenzona PABA/ Ácido 4 - aminobenzoico TITANIUM DIOXIDE/ MENTHYL ANTHRANILATE/ Antranilato de mentila OCTYL (ou ETHYLHEXYL) DIMETHYL PABA/ 4 - Dimetil-aminobenzoato de 2 - etilhexila ZINC OXIDE/ Óxido de zinco BENZOPHENONE-3/ 2 – Hidroxi – 4 – metoxibenzofenona (oxibenzona)ETHYLHEXYL SALICYLATE/ Salicilato de 2 - etilhexila BENZOPHENONE-4/ Ácido 2 - Hidroxi- 4 - metoxibenzofenona - 5 - sulfônico e seu sal sódico TEA-SALICYLATE/ Salicilato de trietanolamina TEREPHTHALYLIDENE DICAMPHOR SULFONIC ACID/ 3,3` - (1,4 - fenilenodimetileno)bis (ácido 7,7 - dimetil - 2 - oxo - biciclo - (2.2.1) 1 - heptilmetano sulfônico e seus sais CINOXATE/ 4 - Metoxicinamato de 2 - etoxietila OCTYL METHOXYCINNAMATE/ 4 – Metoxicinamato de 2 - etilhexila OCTOCRYLENE/ 2 - Ciano - 3,3`- difenilacrilato de 2 - etilexila PHENYLBENZIMIDAZOLE SULFONIC ACID/ Ácido 2 - fenilbenzimidazol - 5 - sulfônico e seus sais de potássio, sódio e trietanolamina Fonte: FDA: Food and Drug Administration; INCI: International Nomenclature of Cosmetic Ingredients 2019 No Brasil, a Anvisa classifica os protetores solares como cosméticos Grau II, ou seja, possuem um potencial risco, é necessário ter eficácia comprovada. Para que tenha eficácia os fotoprotetores a indicação é aplicação de 2mg a cada cm2 de pele, quantidade padronizada na execução dos testes de segurança e eficácia (FDA - Food and Drug Administration, 1999, SILVA, 2008). A aplicação deve anteceder 20 a 30 minutos da exposição solar, ou seja, tempo suficiente para desempenho de seu mecanismo protetor (TOFETI; OLIVEIRA, 2006) Protetor solar em tecidos Temos no mercado tecidos com capacidade de proteção solar FPS60 contra raios UVA e UVB. Diversos tecidos são capazes de receber essa tecnologia. Encontramos hoje no mercado blusas, bermudas, óculos escuros, luvas, bonés e chapéus (ROSETTI FILHO et al., 2011). Devemos ficar atentos em um chapéu ou boné o fator de proteção está relacionado ao tamanho da borda deles, bem como ao material utilizado para sua confecção. Chapéu com borda larga reduz a superfície ocular exposta à radiação UV em 50%. E aquele com borda de, pelo menos, 4 cm protege a parte posterior do pescoço (ROSETTI FILHO et al., 2011). Muitos desses tecidos colocam junto a tecnologia EMANA, INFRAVERMELHO LONGO etc. o que proporciona ativação de circulação sanguínea, oxidenação tecidual, redução de toxinas, existem empresas como Invel, AM Sunware que são 100% brasileiras e de excelência total. 55 COSMETOLOGIA | UNIDADE II Proteção solar oral A fotoproteção oral reduz os danos causados pelo excesso de exposição aos raios UV, e contribui para o bronzeamento saudável. É uma cápsula que contém filtro solar, somado a agentes antioxidantes agem neutralizando a oxidação das células, como: » Licopeno: neutraliza os radicais livres. » Picnogenol: extrato natural com ação antioxidante. » Betacarotena: pigmento carotenóide antioxidante. » Extrato da romã (Punica granatum, L.): com ação anti-inflamatório, reduzindo o eritema induzido pelos raios UVB. (HALLIWELL, 2012; RUIZ, 2012). Devemos lembrar que a capsula em protetor solar não substitui o protetor tópico, ou protetor em tecidos e respeitando os horários a exposição solar ideais. A seguir alguns ativos com esta função: Quadro 6. Ativo. ATIVO FUNÇÃO Glycoxil Antioxidante universal e protetor do DNA. Bio-art Antioxidante e booster energético, ou seja, devolve todos os nutrientes para a pele e seus anexos. F.C. oral Modulador inflamatório, rico em ômega 3 e DHA. Betacaroteno Antioxidante que previne o envelhecimento da pele e ajuda a deixar a cor do bronzeado mais uniforme. Polypodium leucotomos Anti-inflamatório cientificamente comprovadas e protege a pele de queimaduras solares. Picnogenol Antioxidante que combate os danos causados pela exposição sola Luteína Auxilia o controle de Melanoses solares e a prevenção do envelhecimento da pele. Tocoferol (vitamina E) e ácido ascórbico (vitamina C) Vitaminas antioxidantes que protegem a pele do envelhecimento precoce. OTZ 10 Protege contra os radicais livres provenientes do UVA, UVB e IRA Fonte: autor, 2019 Uso de protetor solar após microagulhamento e/ou jato de plasma O microagulhamento: técnica é descrita por Fernandes (2006) como a utilização de um roller (equipamento com microagulhas) que quando aplicado à pele gera múltiplas micro puncturas, o que provoca, além do aumento da vasodilatação, a estimulação de diversos tipos de fatores de crescimento e o aumento da permeação dos ativos, chamado sistema de acesso transdermal de ingrediente (SATI) ou drug delivery. 56 UNIDADE II | COSMETOLOGIA Diversos artigos destacam que o uso de protetor solar só deverá ser utilizado após 4 horas pós procedimento, isso porque os microcanais abertos pela técnica, levam um mínimo de 4 horas para se contraírem e se fecharem por completo (KALURI, 2011). Portanto, o agente protetor deve permanecer na superfície da pele, criando uma barreira contra a radiação UV, protegendo a pele sem penetrar o ativo para não ocorrer uma exposição sistêmica a essas substâncias (KLINUBOL; ASAWANONDA; WANICHWECHARUNGRUANG, 2008). Os ativos de proteção se entram em contato com o organismo (sangue), podem causar: » Geram uma espécie reativa de oxigênio (EROs) no citoplasma dos queratinócitos nucleados na epiderme. (HANSON; GRATTON; BARDEEN, 2006). » Foram encontrados na urina, ou seja, passou por órgãos importantes como rim. (JANJUA et al, 2004) » Hipersensibilizarão da pele. (FLOR et al, 2007) » Risco de câncer. (SETTERFIELD, 2013) Visto que a técnica aumenta a permeação dos ativos entre 40 a 500% de aumento, é nítido que não queremos permear um filtro solar, por isso não recomendo o uso do mesmo em um intervalo de pelo menos 4 horas após a aplicação, ideal que indico sempre são 12 horas. Pensando neste problema Dra. Joyce Rodrigues, proprietária e farmacêutica responsável da empresa Mezzo Dermocosméticos, criou em 2019, o primeiro protetor solar para ser utilizado imediatamente após o microagulhamento e jato de plasma com comprovação científica. Figura 30. Mezzo. Fonte: autor, 2019. O Filtro Solar Facial FPS 50 Mezzo - Skin Cover é uma nova tecnologia em Filtro Solar, sem absorção percutânea com ingredientes chaves, composta por três diferentes tipos de partículas de filtros solares que são capazes de equilibrar a formulação sem que ocorra a permeação no tecido, ao mesmo tempo, esta composição ativa consegue 57 COSMETOLOGIA | UNIDADE II permear e carrear os benefícios dos ativos à pele. Indicado para todos os tipos de pele e miscigenação do brasileiro, possui ampla proteção UVA,UVB e UV-VIS (raios ultravioletas visíveis emitidos por telas de computadores e lâmpadas internas) e ativos como Bioecolia, Copper Peptídeo, Genencare, Vitamina E, Aminoácidos, Carnosine e Zíon-Term que doam propriedades multifuncionais à pele e atua na prevenção e restauração da pele. A tecnologia Skin Cover é a única no Brasil, diferente dos filtros solares convencionais, físicos ou químicos, essa não permite absorção percutânea, forma um filme impedindo que exista penetração, mantendo o filtro solar na superfície da pele e absorvendo a radiação solar. (Fonte: https://lojamezzo.com.br/filtro-solar-facial-fps-50-mezzo). 4.1.1. Bronzeamento » Pigmentação direta: é induzida pela radiação UVA sobre a melanina já formada na pele. » Pigmentação indireta: começa de 48-72horas e dura no máximo sete dias. A pigmentação tardia começa 48-72 horas e atinge o máximo de sete dias. É mantida por exposições repetidas do UV. O bronzeamento tardio é resultado da produção de nova melanina, associado ao tamanho do melanócito, produção de melanossomas. 4.1.2. Autobronzeador / Bronzeador Simulatório São chamados de simuladores de bronzeado (self tanning). Os autobronzeadores escurecem a pele sem que haja necessidade de exposição direta ao sol. Promovem uma reação química com as proteínas da pele, dando origem ao bronzeado (RAJATANAVIN et al., 2008). O composto mais utilizado é a dihidroxiacetona e derivados (DHA), ou eritrulose destinada. A DHA dá origem a produtos fortemente corados, quando aplicados na pele em solução aquosa ou hidroalcoólica, originando coloração que se desenvolve em intervalosde duas a seis horas e permanece de quatro a seis dias sem apresentar toxicidade. O mecanismo de ação baseia-se na reação de aminoácidos da pele, portanto a reação de melanogênse com consequente síntese de melanina não estará envolvida nesse processo (RAJATANAVIN et al., 2008). Esse escurecimento da pele é independente da melanogênese e resulta da combinação da DHA com os ácidos aminados da pele e com o aparecimento de compostos chamados 58 UNIDADE II | COSMETOLOGIA melanoidenos. Atualmente, existem nanosferas e ciclodextrinas de DHA, que permitem uma liberação gradual do ativo, evitando manchas na pele. A associação com urucum tem proporcionado um bronzeado mais avermelhado e não tão amarelo (RAJATANAVIN et al., 2008). Abaixo, algumas matérias primas destinadas a formulações de cosméticos para acelerar e/ou prolongar o bronzeado (RAJATANAVIN et al., 2008). » ACTIOBRONZE ® ─ complexo vegetal hidrolisado de colágeno e tirosina. Aumenta e prolonga o processo de bronzeamento natural por meio de estímulos da formação da melanina, concentração usual 2%. » BIOTAN ® ─ tirosina e carboximetil teofilina metilsilanol, peptídeos do colágeno. Concentração usual 5%. » TYR-OL ® ─ oleoil tirosina, acelera a velocidade de bronzeamento mesmo na presença de filtros solares. Concentração usual: 1 a 3%. O princípio dos aceleradores baseia-se no aumento do substrato para a enzima tirosinase. A aplicação tópica de tirosina aumenta a reserva extra desse aminoácido na pele para ativar ou manter a síntese de melanina após irradiação solar. Esse processo aumenta e/ou prolonga o bronzeado com menos exposição solar. A associação da tirosina com a vitamina B2, um ativador foto-oxidativo, intensifica o processo oxidativo da tirosina (RIBEIRO, 2010). Existem os bronzeadores por via oral, que são produtos à base de caroteno, cujo aparecimento não é muito recente. Não foram muito bem aceitos pelas autoridades, por serem facilmente considerados medicamentos. As necessidades diárias de vitamina A ou ainda de pró-vitamina B (caroteno puro ou carotenoides) são de 5.000 UI no adulto e 1.500 UI na criança (RIBEIRO, 2010). Seguindo a posologia preconizada de vitamina A, seria o dobro do normal, considerando a ingestão de carotenoide alimentar, que é bastante inferior à indicada pela Organização Mundial de Saúde (RIBEIRO, 2010). Cosmético Pós-Sol: a pele sofre inúmeras agressões causadas pelo excesso de UV, e apresenta um processo inflamatório local. Inicia-se com um eritema, em apenas 2 a 8 horas após a exposição ao sol, e alcança sua magnitude em 24 a 36 horas (RIBEIRO, 2010). Esse excesso de radiação leva a uma maior formação de radicais livres na pele, os quais atacam as membranas biológicas, DNA e proteínas que compõem o tecido de sustentação da pele. Compromete também a atividade enzimática e produtora de 59 COSMETOLOGIA | UNIDADE II substâncias que eliminam os radicais livres, deixando assim a pele mais desamparada em questões de proteção. Os cosméticos e cosmecêuticos pós-sol devem conter ativos que hidratem a pele, neutralizem os radicais livres, possuam efeito anti-inflamatório, sejam emolientes e produzam um aumento na resistência imunológica da pele. Certas vitaminas podem ajudar nesse processo: vitamina A, vitamina C, vitamina E, pró-vitamina B5, carotenoides e vitamina F. Os flavonoides são outra categoria de ativos, pois atuam contra os radicais livres (chá verde – “epicatequinas”), folha de oliveira “oleuropeina”, ginkgo biloba, Isoflavonas, aloe vera, beta-glucanas, tamarindus, ureia, alfa bisabolol, PCA-NA, alfa bisabolol, e também algumas formulações acrescidas de manteigas vegetais e diversos óleos (manteiga de cupuaçu, óleo de buriti, óleo de castanha do Brasil, óleo de milho) (RAJATANAVIN et al., 2008). 60 REFERÊNCIAS ALTCHECK, D.; SODRÉ, C.; AZULAY, D. Dermatologia. 4. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. AZEVEDO, M. M. M. Nanoesperas e a liberação controlada de fármacos. Laboratório de Química do Estado Sólido – Instituto de Química – UNICAMP 2010. AZULAY-ABULAFIA, L. et al. Tratamento tópico do melasma com monometil éter da hidroquinona (NMEH). Estudo de observação de eficácia clínica. RBM – REV. BRAS. MED., 60(8) (2003). BARQUET, A. P.; FUNCK, A. P. G.; KOESTER, L. S. 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