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Projeto Arquitetônico: 
Habitação Multifamiliar
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Ana Cristina Gentile Ferreira
Revisão Textual:
Prof.ª Esp. Kelciane da Rocha Campos
Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
• Referências Conceituais;
• O Programa Arquitetônico;
• Setorização dos Espaços;
• Considerações Finais.
• Apresentar o desenvolvimento de projetos de Habitação Multifamiliar como referências 
para elaboração do exercício fi nal da disciplina. O projeto deverá considerar perfi l de 
usuários, terreno e localização, utilizando os conhecimentos adquiridos nas Unidades 
anteriores para o projeto fi nal da disciplina;
• Compreender a aplicação do desenho técnico para viabilização da produção do projeto 
arquitetônico e suas etapas de desenvolvimento.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Elaboração do Projeto Arquitetônico 
de Habitação Multifamiliar
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Referências Conceituais
A realização de um projeto de arquitetura, como qualquer outro trabalho, 
tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser atendido, há 
um lugar em que se implantará o edifício, e há um modo de construir a 
ser determinado. Esse conjunto de premissas é elaborado graficamente 
em um desenho que opera como mediador entre a ideia do projeto e sua 
realização concreta. (MACIEL, 2013)
Nesta unidade, veremos o processo de elaboração dos projetos de arquitetura, 
principalmente dos edifícios multifamiliares com foco na Habitação de Interesse 
Social (HIS) e Habitação do Mercado Popular (HMP). Com o objetivo de aumentar 
o conhecimento e a análise do tema do projeto que o profissional irá desenvolver, 
faz-se necessário pesquisar exemplos de projetos. As referências conceituais pode-
rão ser utilizadas em diferentes áreas da arquitetura.
As formas dos edifícios, as estruturas, materiais, perfil dos usuários, função do 
edifício, enfim, as referências poderão auxiliar em diferentes questões que envolvem 
um projeto de arquitetura. As teorias e os exemplos práticos irão subsidiar o grau 
de profundidade da análise.
Segundo Never, na publicação “Adoção do partido na arquitetura” (1989), as 
informações básicas referentes aos aspectos conceituais podem ser sintetizadas nos 
cinco tópicos seguintes:
• o conceito do tema;
• a caracterização da clientela e das funções;
• o programa arquitetônico;
• as relações do programa; 
• o pré-dimensionamento do edifício. (Never, 1989, p. 21).
Entender o espaço da moradia e as áreas coletivas, a organização e fluxo dos 
cômodos e espaços individuais e coletivos permitirá pensar de maneira correta a 
dinâmica dos futuros usuários. Realizar uma pesquisa de referência com conceitos 
arquitetônicos, técnicas construtivas, fundamentos de conforto térmico ambiental e 
diagnóstico do perfil dos usuários é essencial para o desenvolvimento do trabalho.
No decorrer da disciplina, pudemos observar nas unidades diversos exemplos de 
referências conceituais, cada qual poderá responder como referência em alguma 
das questões descritas acima, uma como conceito arquitetônico, outra como técnica 
construtiva, enfim, cada projeto de referência poderá ser observado com um foco 
diferente.
Um dos exemplos que usaremos aqui são as formas arquitetônicas. Elas podem 
ser orgânicas ou blocos em lâminas. A seguir, temos o exemplo do Conjunto Habi-
tacional Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho), localizado no Rio de Janeiro e de 
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autoria do arquiteto Affonso Eduardo Reidy, com sua forma orgânica, aproveitando 
a topografia do terreno para a conceituação do projeto.
A s relações encontradas entre o bloco A e a natureza existente buscam a 
contextualização do objeto arquitetônico com o espaço natural. Através 
do reconhecimento da importância compositiva do lugar, implantou-se a 
edificação segundo o traçado original da curva de nível, buscando, assim, 
reconhecer e enfatizar uma característica natural pré-existente, definindo 
a natureza como desencadeadora da arquitetura. Com este gesto, o ar-
quiteto reconhece o fato geográfico como gerador e organizador do pro-
jeto arquitetônico e obtém assim uma maior relação entre os elementos 
naturais e artificiais, promovendo uma inserção racional do objeto frente 
à natureza.” (SILVA, 2005)
Além do edifício em curva, remetendo a uma forma mais orgânica, Reidy ainda 
projetou mais 2 blocos residenciais em lâminas, contrastando e compondo a im-
plantação do conjunto. Em ambos os casos, podemos observar o uso de pilotis, ca-
racterístico da arquitetura modernista, além do uso intermediário do edifício como 
uma extensão da rua e funcionando como espaço coletivo.
Figura 1 – Conjunto Habitacional Mendes de Moraes – Pedregulho, Rio de Janeiro, RJ
Fonte: Adaptado de Archdaily
Figura 2 – Conjunto Habitacional Mendes de Moraes – 
Pedregulho, Rio de Janeiro, RJ Implantação
Fonte: Adaptado de SILVA, 2005/ Instituto Bardi/Blau, 2000,p. 85
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Figura 3 – Conjunto Habitacional Mendes de Moraes – Pedregulho, Rio de Janeiro, RJ
Fonte: Google Maps/Reprodução
Portanto, o uso do projeto de Pedregulho como exemplo de referência conceitual, 
a partir da ótica do Movimento Moderno na arquitetura, com o uso de pilotis, 
criação de espaços de uso coletivo, integração do edifício com a natureza, enfim, 
um projeto pode ter como referência um movimento como conceito ou, ainda, 
algumas características físicas a serem reproduzidas na criação de novos projetos.
Ainda utilizando exemplos já observados em unidades anteriores, podemos citar 
como referência conceitual a possibilidade de ampliação da habitação por parte dos 
seus moradores. Tal questão pode surgir de referências conceituais ou, ainda, de 
demandas dos usuários, nesse caso definida no próprio programa de necessidades.
Para o projetista desenvolver o trabalho de planejamento arquitetônico, é 
importante saber que o conceito, ou os conceitos, do tema a ser aborda-
do, devem estar definidos da forma mais clara e correta possível. A falta 
de clareza ou a incorreção na definição do objetivo do tema poderá levar 
o projetistaa ter dificuldades futuras e até cometer erros de projeto por 
falha de conceito. Por outro lado, a busca de novos conceitos para tema 
conhecido induz o projetista a soluções inovadores de projeto. (NEVER, 
1989, p. 24)
No caso desse item, veremos a questão de ampliação como algo conceitual. A 
unidade surge a partir de um módulo mais simples, com metragem reduzida, mas 
com o mínimo necessário para o bom funcionamento da moradia, respeitando 
questões técnicas e estruturais que disponham os novos espaços de maneira orga-
nizada e sem danificar tecnicamente a edificação. 
Relembrando os exemplos citados na Unidade 2, temos um projeto de 1940 
com o título “A Casa que Cresce”, com o conceito de casa embrião e possibili-
dade de ampliação de cômodos, e o “Projeto Moradia Villa Verde”, de Alejandro 
Aravena, de 2012, que também trabalha com o conceito de ampliação; portanto, 
podemos ver que 70 anos depois o conceito foi replicado, com novas tecnologias 
e materiais e revendo o perfil dos usuários no momento de elaboração do projeto.
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Figura 4 – Exemplos de Projetos de Casa Embrião
Fonte: Adaptado de ELEMENTAL/A Casa, 1940
Ainda no livro “Adoção do partido na arquitetura”, de Laert Never, o autor 
propõe um exercício de itens a serem observados para discutir os conceitos e re-
ferências, lembrando que no caso desta disciplina devemos focar nas habitações 
multifamiliares como tema (item 1), e as demais sugestões podem ser diretamente 
aplicadas no projeto habitacional e em outros.
1. Traçar objetivos dos seguintes temas: estação rodoviária, aeroporto, 
shopping center, clube, abatedouro, centro comunitário, museu, biblioteca, 
creche, teatro.
2. Observar edifícios e identifi car neles o conceito do tema.
3. Analisar projetos arquitetônicos e identifi car seus conceitos.
4. Formular novos conceitos para temas com conceitos conhecidos.1
O conceito arquitetônico, portanto, servirá como um guia na elaboração do 
projeto. Pensar o espaço tendo observado exemplos anteriores e, a partir desses 
exemplos, utilizar análises críticas capazes de subsidiar novas propostas de projeto 
possibilita ao arquiteto não começar do zero, e sim utilizar conhecimento teórico e 
prático para entender as questões e demandas do projeto a ser desenvolvido; assim, 
podemos definir o conceito como a ideia do seu projeto, a intenção, sua finalidade, 
e para isso usamos referências.
O Programa Arquitetônico
Para o programa arquitetônico, usaremos como base de discussão o Partido Ar-
quitetônico. Enquanto o Conceito está baseado na ideia do projeto, o Partido será 
o resultado de um conjunto de diretrizes e parâmetros que devemos considerar para 
desenvolver o projeto.
1 NEVER, Laert Pedreira. Adoção do partido na arquitetura. Centro Editorial e Didático da UFBa, Salvador, 
1989. 206.p., p. 25.
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Muitos autores pontuaram itens que consideraram essenciais para a criação no 
projeto, e aqui iremos observar alguns desses exemplos. Carlos Lemos, em sua 
publicação “O que é arquitetura” (2003), coloca as principais condicionantes con-
sideradas por ele, a serem consideradas no desenvolvimento do partido, desde os 
diferentes tipos de climas.
A mencionada definição é a seguinte: Arquitetura seria, então, toda e 
qualquer intervenção no meio ambiente criando novos espaços, quase 
sempre com determinada intenção plástica, para atender a necessidades 
imediatas ou a expectativas programadas, e caracterizada por aquilo que 
chamamos de partido. Partido seria uma consequência formal derivada 
de uma série de condicionantes ou de determinantes; seria o resultado 
físico da intervenção sugerida. Os principais determinantes, ou condicio-
nadores, do partido seriam:
a. a técnica construtiva, segundo os recursos locais, tanto humanos, 
como materiais, que inclui aquela intenção plástica, às vezes, subordinada 
aos estilos arquitetônicos;
b. o clima;
c. as condições físicas e topográficas do sítio onde se intervém;
d. o programa das necessidades, segundo os usos, costumes populares 
ou conveniências do empreendedor;
e. as condições financeiras do empreendedor dentro do quadro econômico 
da sociedade;
f. a legislação regulamentadora e/ou as normas sociais e/ou as regras da 
funcionalidade. (LEMOS, 1980, p. 40 e 41)
No Partido Arquitetônico, o arquiteto deverá interpretar as condicionantes exis-
tentes, citadas acima, e somar suas ideias de projeto. O arquiteto Mario Biselli, em 
sua tese de doutorado, fez uma leitura do partido arquitetônico em trabalhos acadê-
micos e usou exemplos na sua avaliação.
Tendo seu trabalho como referência, as imagens a seguir mostram a relação do 
partido arquitetônico com os projetos. Nas imagens, podemos observar o projeto 
Nan June Paik Museum, localizado na Coréia do Sul e desenvolvido a partir de um 
concurso internacional realizado em 2003. A estrutura surge como norteador do 
partido arquitetônico, a topografia acidentada trabalha a favor do projeto e soma-se 
à solução a partir de um edifício ponte.
Figura 5 – Estrutura como partido arquitetônico
Fonte: BISELLI, Mario, 2014
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Figura 6
Fonte: BISELLI, Mario, 2014
No próximo exemplo, construído entre 1999 e 2001, o Ginásio de Esportes de 
Barueri, região metropolitana de São Paulo, tem a iluminação natural como um dos 
principais focos do partido do projeto. A partir dela, a estrutura de aço e concreto 
foram pensadas para compor o projeto como um todo, possibilitando que a luz na-
tural entre pela abertura zenital, destacando ainda mais o projeto estrutural da obra.
A equipe desenvolveu o projeto do ginásio a partir de uma decisão estru-
tural primitiva, expressa por dois grandes arcos metálicos treliçados, de 
secção triangular e dispostos paralelamente, que vencem um vão de 98m 
e definem o partido adotado. No banzo inferior destes arcos uma faixa 
zenital translúcida faz a luz natural entrar pelo ponto de maior tensão da 
estrutura. (BISELLI, 2014, p. 140)
Figura 7 – Iluminação, estrutura e topografi a
Fonte: BISELLI, Mario, 2014
Para o Concurso Nacional para a Nova Estação da Supervia em São Cristóvão, 
no Rio de Janeiro (2000), o partido arquitetônico adotado pela equipe foi a estru-
tura da cobertura e o fluxo entre os diferentes setores da estação.
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
A equipe de projeto definiu o ponto de partida para a estrutura da co-
bertura que define a forma da Nova Estação São Cristóvão, dentro de 
uma arquitetura que contemple volumetria plasticamente agradável e que 
confira posição de destaque à estação que hoje se encontra oculta pela 
plataforma de acesso à Estação São Cristóvão do Metrô. (BISELLI, 2014, 
p. 140)
Figura 8 – Estrutura e mobilidade
Fonte: BISELLI, Mario, 2014
Devemos juntar às questões do partido arquitetônico as questões técnicas, como 
topografia, clima, localização e as referências teóricas, o programa de necessida-
des. No caso das habitações multifamiliares, traçar o perfil da população moradora 
é essencial.
• Programa de necessidades: documento que exprime as exigências do cliente 
e as necessidades dos futuros usuários da obra. Em geral, descreve sua função, 
atividades que irá abrigar, dimensionamento e padrões de qualidade, assim 
como especifica prazos e recursos disponíveis para a execução. A elaboração 
desse programa deve, necessariamente, proceder o início do projeto, poden-
do, entretanto, ser complementada ao longo de seu desenvolvimento.2
Dados como número de pessoas na família, idade dos moradores, atividades 
cotidianas, renda familiar, existência de deficiências, enfim, todos os dados que 
compõem a estrutura familiar e os locais de uso diário, como trabalho e escola, 
todos esses dados são definidos como perfil socioeconômico.
Portanto, estudos de renda, posse de bens duráveis, patrimônio, nível educa-
cional, entre outros, além das condições gerais do seu entorno mais próximo e 
o acesso a serviços e infraestrutura públicae privada, são fatores que costumam 
estar inter-relacionados e permitem definir de maneira mais ou menos exata o nível 
socioeconômico a que pertence um indivíduo ou seu núcleo familiar.
2 IAB BRASIL. Roteiro para desenvolvimento do projeto de arquitetura da edificação. Disponível em: <http://
www.iab.org.br/sites/default/files/documentos/roteiro-arquitetonico.pdf>. Acesso em: 29 jan. 2020.
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No livro “Adoção do partido na arquitetura”, de Laert Pedreira Never, o autor 
propõe um exercício de questões a serem abordadas pelo arquiteto. Vale lembrar 
que os itens descritos aqui são sugestões preliminares, e novas demandas e ques-
tões deverão ser abordadas, dependendo da necessidade e do perfil dos moradores.
1. Caracterize a clientela dos seguintes temas: clube, museu, biblioteca, cre-
che, teatro, posto de saúde, shopping center, aeroporto;
2. Tente caracterizar a clientela de alguns projetos de edifícios conhecidos;
3. Tente identifi car a clientela de alguns projetos de edifícios;
4. Caracterize as atividades e funções dos temas citados no item 1 acima;
5. Tente caracterizar as funções e atividades de algum edifício conhecido;
6. Tente descobrir a razão de funções identifi cadas em algum projeto de edi-
fício. (NEVER, 1989, p. 28).
Abordadas tais questões, devemos partir para o uso de cada cômodo, traçar o 
perfil de como os moradores se relacionam com cada ambiente da moradia e para 
conjuntos habitacionais, verificar quais as relações com os espaços comuns e cole-
tivos. Alguns apontamentos podem ser realizados para responder a essas questões:
1. estar em recinto próprio para permanecer em ato contemplativo, imóvel, 
sentado, conversando, vendo televisão, ouvindo música, lendo e receben-
do visitas;
2. fazer refeições, em local adequado, próprio e equipado para o ato de comer;
3. preparo e cozimento dos alimentos que serão servidos às refeições;
4. lavagem e limpeza dos utensílios utilizados nas refeições e de roupas;
5. repouso e dormida;
6. lazer e recreação;
7. guarda dos veículos e dos materiais de uso na casa e de objetos pessoais;
8. serviços domésticos.
Vale lembrar que o uso dos ambientes, além do perfil familiar quanto a número 
de pessoas e idades, deverá considerar questões culturais e religiosas; o uso da co-
zinha, que para alguns será apenas o espaço de preparo de refeições, poderá ser 
apontado como local de socialização e encontro; portanto, o programa de necessi-
dades deverá utilizar tais apontamentos como sugestões preliminares, mas deverá 
respeitar as especificidades de cada projeto.
Assim, durante as análises realizadas nos projetos apontados nas unidades ante-
riores, pudemos perceber a relação dos espaços comuns, a preocupação em criar 
espaços coletivos funcionais, como, por exemplo, no andar intermediário do Con-
junto Habitacional de Pedregulho, como extensão da rua, ou ainda a possibilidade 
de ampliação da habitação nos projetos de Alejandro Aravena, ou seja, são solu-
ções que demonstram uma leitura e análise da relação dos usuários com suas habi-
tações e espaços correlatos.
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Setorização dos Espaços
A partir de referências conceituais, do partido arquitetônico e do programa de ne-
cessidades pensado, a setorização é etapa importante do desenvolvimento do projeto. 
Funcionará como um norteador no entendimento dos fluxos entre os espaços, inter-
nos ou externos. Na unidade habitacional, irá relacionar os cômodos e suas funções.
Em edifícios de média e alta densidade, onde existe a necessidade de escadas 
e elevadores de uso, a área de circulação vertical irá auxiliar tanto na distribuição, 
organização e fluxo dos usuários, como também poderá auxiliar nas definições 
estruturais do projeto. Além disso, representar o projeto a partir da setorização 
facilitará o entendimento do projeto, inclusive para leigos. O uso de cores, diagra-
mas, perspectivas e modelagens 3D são artifícios que tornam a setorização um 
instrumento importante no desenvolvimento do projeto.
Usaremos aqui quatro exemplos de setorização. No primeiro, a setorização é 
pensada para um empreendimento, com a definição dos diferentes espaços e usos, 
como, por exemplo, o projeto a seguir, ganhador do 4º lugar no Concurso de Pro-
postas Arquitetônicas para o SESC Guarulhos, proposta apresentada por Libeskind 
Llovet Arquitetos - Claudio Libeskind e Sandra Llovet. Na imagem em planta, po-
demos ver a divisão por setores de uso: cultural (amarelo), esportivo (vermelho) e 
aquático (azul). Na representação isométrica, quando saímos do plano e vemos os 
andares, é possível observar os ambientes, como o ginásio no setor esportivo, o 
teatro no setor cultural e assim por diante.
Figura 9a e 9b – Concurso SESC Guarulhos
Fonte: BISELLI, Mario, 2014
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Concurso de propostas arquitetônicas, veja mais em: http://bit.ly/2RGTO1Y
Ex
pl
or
No segundo exemplo, a setorização é realizada por pavimento-tipo, com objetivo 
de mostrar as diferentes tipologias habitacionais. Nesse caso, é importante observar 
a localização da circulação vertical e os corredores de acesso a cada unidade. 
Atualmente, são muitos os edifícios com diversidade de unidades habitacionais, seja 
pelo desenho das unidades, seja pelas opções de número de dormitórios.
No projeto de Paulo Faccio e Pedro Dias Arquitetura, produzido para a 
Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo 
(CDHU), em 2008, na cidade de São Paulo, foram elaboradas tipologias tipo 
estúdio (amarelo), de 1 dormitório (vermelho) e tipologias de 2 dormitórios (verdes), 
para atender à demanda da população da região onde o projeto foi executado. 
A escada coletiva, destacada em vermelho, é responsável pela circulação vertical 
do edifício e dá acesso aos corredores de uso comum.
Figura 10 – Conjunto Habitacional Pari G – CDHU, SP
Fonte: Adaptado de CDHU: 50 anos promovendo a habitação social no Estado de São Paulo. 2016, p. 375
Como terceiro exemplo, temos a setorização aplicada na própria unidade, onde po-
demos pensar as relações dos cômodos e seus espaços. A partir da planta original, a 
setorização respeitou as principais funções da moradia. No descanso (verde), temos os 
dormitórios; no setor de estar e convivência (vermelho), temos as salas de estar, jantar e 
varanda; em azul, o setor de serviço, com cozinha e área de serviço. Na parte externa da 
unidade, destacada em amarelo, temos a circulação vertical, com escada e elevadores.
Figura 11 – Edifício Navegantes 1 – Maceió
Fonte: Adaptado de CAVALCANTE, Morgana. Novas tendências 
em edifícios verticais na orla de Maceió: o edifício Navegantes 1. p. 5
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Como último exemplo, temos o projeto de habitação multifamiliar de média den-
sidade para Habitação de Interesse Social, produzido em São Paulo entre os anos 
de 1989 e 1993, do Conjunto Habitacional Rincão, localizado na Zona de Leste de 
São Paulo e de autoria de Hector Viglieca e Bruno Padovano.
Podemos observar o projeto não apenas com foco na setorização, mas também 
considerando o partido arquitetônico, que tinha como destaque a circulação dos 
espaços coletivos e a diversidade tipológica criada para atender à demanda espe-
cífica do público-alvo. Nas imagens a seguir, a setorização por tipologias pode ser 
observada pelos pavimentos-tipo com conjuntos.
Figura 12a e 12b – Conjunto Habitacional Rincão, SP
Fonte: Adaptado de OLIVEIRA, 2007, p. 1 -20
Enfim, as estratégias projetuais deverão levar em consideração todas as questões 
apontadas até aqui, desde o resgate histórico das formas de morar como referências 
de análises, passando por leituras técnicas e etapas do processo de criação, até a 
adoção do partido arquitetônico e setorização.
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Considerações Finais
Durante as unidades, foi possível estudar projetos de Habitação Multifamiliar a 
partir de diferentes abordagens, com foco na produção de Habitação de Interes-
se Social(HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP), e de maneira resumida, 
alguns dos principais pontos na história da habitação, principalmente suas carac-
terísticas físicas. Para isso, foi necessário compreender o contexto em que tais 
habitações estavam inseridas, como o período abordado, atividades realizadas nos 
cômodos, condições socioeconômicas, enfim, o papel da “moradia” em um deter-
minado cenário.
As unidades utilizaram exemplos de projetos, na tentativa de ampliar a consci-
ência crítica do(a) leitor(a) e permitir que tais apontamentos possibilitem pensar em 
projetos habitacionais. Baixa e média densidade foram destaque na unidade, no en-
tanto todas as questões técnicas abordadas devem auxiliar no processo de criação 
de outros tipos de uso dos edifícios.
Em uma primeira etapa, faz-se necessário entender a importância de diagnós-
ticos, tanto do perfil do usuário, como também em relação às áreas em que estão 
inseridos tais empreendimentos, e os acessos a infraestrutura urbana e serviços são 
questões que complementam as informações para o desenvolvimento do projeto.
Além dos itens citados acima, faz parte do diagnóstico e está inserido na etapa 
de coleta de dados o levantamento quanto às legislações vigentes e pertinentes ao 
objeto do projeto, como Código de Obras, Plano Diretor Participativo, Plano de 
Habitação, Lei de Uso e Ocupação do Solo (Zoneamento), enfim, todas que devem 
ser respeitadas para a aprovação, e considerando-se o foco de HIS e HMP, quais 
são os Programas de Financiamento de recursos públicos existentes.
Ainda utilizando exemplos de projetos, percorremos diferentes formas, estrutu-
ras e materiais, com objetivo de analisar os espaços projetados das unidades e dos 
conjuntos de baixa e média densidades.
A acessibilidade dos conjuntos e unidades habitacionais foi abordada em uma 
unidade específica, descrevendo as legislações e normas quanto às unidades e áreas 
comuns e coletivas; na unidade, pudemos entender a importância de pensar o De-
senho Universal como importante instrumento de inclusão dos usuários com algum 
tipo de deficiência.
Por último, foram abordados referências conceituais, partido arquitetônico, pro-
grama de necessidades e setorizações; portanto, completam-se os itens necessários 
para orientar o(a) aluno(a) no processo de elaboração e desenvolvimento do projeto.
Concluídas as etapas de concepções conceituais, o programa arquitetônico, se-
torização, croquis e desenhos técnicos, vale lembrar que algumas referências prá-
ticas são necessárias no entendimento do arquiteto e suas atribuições. Portanto, 
para finalizar a disciplina, o texto a seguir foi retirado dos documentos disponíveis 
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), em documento que define o Roteiro 
para Desenvolvimento do Projeto de Arquitetura da Edificação.3
O projeto de arquitetura da edificação compreende as fases de Estudo Preli-
minar, Anteprojeto e/ou Projeto de Aprovação, Projeto de Execução e Assistên-
cia à Execução da Obra, que se caracterizam como blocos sucessivos de coleta de 
informações, desenvolvimento de estudos/serviços técnicos e emissão de produ-
tos finais, objetivando, ao término de cada um deles:
• avaliar a compatibilidade do projeto com o programa de necessidades, em 
especial no que se refere a:
 » funcionalidade;
 » dimensionamentos e padrões de qualidade;
 » custos e prazos de execução da obra;
• providenciar, em tempo hábil, as reformulações necessárias à concretização 
dos objetivos estabelecidos no programa de necessidades, evitando-se poste-
riores modificações que venham a onerar o custo do projeto e/ou da execução 
da obra;
• construir o conjunto de informações necessárias ao desenvolvimento da fase 
subsequente. O Estudo Preliminar constitui a configuração inicial da solução 
arquitetônica proposta para a obra (partido), considerando as principais exi-
gências contidas no programa de necessidades. Deve receber a aprovação pre-
liminar do cliente.
O Anteprojeto constitui a configuração final da solução arquitetônica proposta 
para a obra, considerando todas as exigências contidas no programa de necessi-
dades e o Estudo Preliminar aprovado pelo cliente. Deve receber a aprovação final 
do cliente.
O Projeto de Aprovação é uma subfase ao anteprojeto, desenvolvida, confor-
me o caso anterior, concomitante ou posteriormente a ele. Constitui a configura-
ção técnico-jurídica da solução arquitetônica proposta para a obra, considerando as 
exigências contidas no programa de necessidade, o Estudo preliminar ou Antepro-
jeto aprovado pelo cliente e as normas técnicas de apresentação e representação 
gráfica emanadas dos órgãos públicos (em especial, Prefeitura Municipal, conces-
sionárias de serviços públicos e Corpo de Bombeiro). Nos casos especiais em que 
não haja necessidade de aprovação do projeto pelos poderes públicos, esta subfase 
deixa de existir.
O Projeto da Execução é o conjunto de documentos técnicos (memoriais, de-
senhos e especificações) necessárias à licitação e/ou execução (construção, mon-
tagem, fabricação) da obra. Constitui a configuração desenvolvida e detalhada do 
Anteprojeto aprovado pelo cliente.
3 IAB Brasil. Roteiro para desenvolvimento do projeto de arquitetura da edificação. Disponível em: <http://
www.iab.org.br/sites/default/files/documentos/roteiro-arquitetonico.pdf>. Acesso em: 29 jan. 2020.
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Portanto, alinhar os conhecimentos adquiridos durante as unidades, somados às 
outras disciplinas, permitirá obter como resultado um projeto harmônico e adequa-
do às necessidades individuais e coletivas, e com isso contribuir para a melhoria dos 
espaços construídos.
Especificamente nos projetos multifamiliares, entender as relações do espaço 
construído, seus fluxos, hierarquias, volumes e usos, considerando as diferentes 
necessidades humanas, além de integrar todos os espaços projetados (individuais e 
coletivos), e pensar o projeto em um cenário atual e de acordo com a realidade dos 
usuários e área em que está inserido.
Resumindo, a disciplina abordou os seguintes itens:
• História da habitação e processo evolutivo da moradia;
• Principais características da moradia;
• Diagnóstico – entendendo o perfil dos usuários e a relação do edifício com o 
entorno;
• Legislações e suas aplicações;
• Análises de projetos de baixa e média densidades de HIS;
• Acessibilidade das unidades e conjuntos habitacionais;
• Conceito, partido, programa de necessidades e setorização;
• Atribuições técnicas do profissional.
Aproveite o conteúdo das unidades para desenvolver seus projetos e bons trabalhos!!!
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UNIDADE Elaboração do Projeto Arquitetônico de Habitação Multifamiliar
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
O que define um bom projeto?
https://youtu.be/bD7W2qizqz4
O que é conceito e partido em arquitetura
https://youtu.be/uzX-1h1o5bA
 Leitura
Resultado do Concurso CODHAB-DF de Projetos de Arquitetura para Habitação de Interesse Social
http://bit.ly/37ITs0l
Concurso Público Nacional de Arquitetura para Novas Tipologias de Habitação de Interesse Social Sustentáveis – 2010
VITRUVIUS. Concurso Público Nacional de Arquitetura para Novas Tipologias 
de Habitação de Interesse Social Sustentáveis – 2010. Projeto de Lucas Fehr, 
Mario Figueroa e Daniel Bonilla.
http://bit.ly/3aXSVcU
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Referências
BISELLI, M. Teoria e prática do partido arquitetônico. Tese de Doutorado. Uni-
versidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2014. 333f.: il.
CAVALCANTE, M. Novas tendências em edifícios verticais na orla de Maceió: 
o edifício Navegantes 1. IV Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no 
Ambiente Construído. Universidade Federal de Viçosa, agosto de 2015. Disponí-
vel em: <https://www.locus.ufv.br/bitstream/handle/123456789/6054/80.pdf;
jsessionid=75DA03E0135365B26972A93771094D45?sequence=3>. Acesso em: 
30 set. 2019.
GUERRA, A. Sobre as propriedades sutisdo éter. O partido arquitetônico e 
as ideias fortes que habitam um projeto de arquitetura segundo Mario Biselli. 
Resenhas Online, São Paulo, ano 13, n. 148.03, Vitruvius, abr. 2014 Disponível 
em: <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/13.148/5134>. 
Acesso em: 30 jan. 2020.
IAB. Roteiro para desenvolvimento do projeto de arquitetura da edificação. 
Documento aprovado na 77ª Reunião do Conselho Superior do Instituto de Ar-
quitetos do Brasil, realizada em Salvador, Bahia, s/d. Este documento substitui 
o anterior. Disponível em: <http://www.iab.org.br/sites/default/files/documentos/
roteiro-arquitetonico.pdf>. Acesso em: 30 set. 2019.
LEMOS, C. O que é arquitetura. São Paulo: Brasiliense, 2003, p. 40-41.
MACIEL, C. A. A rquitetura, projeto e conceito. Arquitextos, São Paulo, ano 04, 
n. 043.10, Vitruvius, dez. 2003. Disponível em: <https://www.vitruvius.com.br/
revistas/read/arquitextos/04.043/633>.043.10. Acesso em: 20 set. 2019.
NEVER, L. P. Adoção do partido na arquitetura. Centro Editorial e Didático da 
UFBa, Salvador, 1989. 206.p.:il.
OLIVEIRA, M. C. de. A valorização da arquitetura: conjunto Rincão em São 
Paulo, uma experiência para ser lembrada. 2007. Disponível em: <https://www.
slideshare.net/makau/a-valorizao-da-arquitetura-conjunto-rinco-em-so-paulo-uma-
-experincia-para-ser-lembrada>. Acesso em: 30 set. 2019.
SILVA, R. S. da. O conjunto Pedregulho e algumas relações compositivas. Arqui-
textos, São Paulo, ano 06, n. 062.06, Vitruvius, jul. 2005. Disponível em: <ht-
tps://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.062/446>. Acesso em: 
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TRANI, E.; GUSSONI, M. de L. B. (org.). CDHU: 50 anos promovendo a habita-
ção social no estado de São Paulo. 1ª edição. São Paulo: KPMO Cultura e Arte, 
2016. 452 páginas.
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