Prévia do material em texto
1 MATEMÁTICA FINANCEIRA Prof. Me. Felipe Chaves Inácio 2 MATEMÁTICAFINANCEIRA PROF. ME. FELIPE CHAVES INÁCIO 3 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da EquipeMultidisciplinar: Profa. Esp. Imperatriz da Penha Matos Revisão Gramatical e Ortográfca: Profª. Elislaine Santos Revisão Técnica: Profª. Olívia Coimbra Revisão/Diagramação/Estruturação:Clarice Virgilio Gomes Prof. Esp. Guilherme Prado Lorena Oliveira Silva Portugal Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva Daniel Guadalupe Reis Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza Perboyre Campos © 2023, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza- ção escrita do Editor. Ficha catalográca elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/90 4 MATEMÁTICA FINANCEIRA 1° edição Ipatinga, MG Faculdade Única 2023 5 Possui graduação em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (2000) e Mestrado em Estatística pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) (2004). Atual- mente é gerente da Seção de Estatísti- ca e Indicadores Municipais na Prefei- tura Municipal de Ipatinga e professor tutor na Faculdade Única de Ipatinga. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Métodos e Modelos Matemáticos, Econométricos e Estatís- ticos. FELIPE CHAVES INÁCIO Para saber mais sobre a autora desta obra e suas qua- licações, acesse seu Curriculo Lattes pelo link : http://lattescnpqbr/5931305817501976 Ou aponte uma câmera para o QRCODE ao lado. 6 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, denições e inormações importantes nas quais você precisa car atento Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma unção especíca, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para refexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações Atividades de multipla escolha para ajudar na xação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos signicados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUEATENTO BUSQUEPORMAIS VAMOSPENSAR? FIXANDOOCONTEÚDO GLOSSÁRIO 7 UNIDADE 1 UNIDADE 2 SUMÁRIO 11 INTRODUÇÃO..................................10 1 REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO11 11 Capitalização Simples11 1 Equivalência de taxas18 FIXANDO O CONTEÚDO 1 1 INTRODUÇÃO4 DESCONTO SIMPLES5 3 DESCONTO COMPOSTO8 FIXANDO O CONTEÚDO 31 JUROS SIMPLES E COMPOSTOS DESCONTOS UNIDADE 3 31 INTRODUÇÃO34 3.2 FLUXO DE CAIXA.................................................................................................................................................................................................................................................................................34 33 SÉRIE DE PAGAMENTOS UNIFORMES35 331 Séries uniormes com parcelas vencidas35 33 Séries uniormes com parcelas antecipada41 3.4 SÉRIE DE PAGAMENTOS VARIÁVEIS.........................................................................................................................................................................................................................................43 341 Gradientes em progressão aritmética crescente43 35 SÉRIE DE PAGAMENTOS INFINITA45 FIXANDO O CONTEÚDO 48 SÉRIES DE PAGAMENTOS UNIDADE 4 EMPRÉSTIMOS 51 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................................................................................................................................................................59 51 Sistema deAmortização Francês59 5 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE.................................................64 54 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO MISTO66 FIXANDO O CONTEÚDO 70 SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO UNIDADE 5 61 INTRODUÇÃO73 6 VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)73 63 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)75 FIXANDO O CONTEÚDO78 RESPOSTAS DO FIXANDOOCONTEÚDO........................................................................................................................................................................80 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................................................................................................................81 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS UNIDADE 6 41 INTRODUÇÃO51 4 DESCONTO DE DUPLICATAS51 43 NOTAS PROMISSÓRIAS53 44 FOMENTO COMERCIAL (FACTORING)53 FIXANDO O CONTEÚDO 56 8 UNIDADE 1 Nestaunidadeserãoapresentadososconceitosbásicosde juros, capital emontante, além dos regimes de capitalização simples e composto. UNIDADE 2 Nesta unidade será apresentado o conceito de desconto que é uma operação muito utilizada na prática. Serão vistos o desconto simples e o desconto composto que tem uma questão conceitual muito importante. UNIDADE 3 Nesta unidade será introduzido o conceito de fuxo de caixa e será visto como ocorre o fuxo de pagamentos e recebimentos uturos sob os dierentes regimes de capitalização. UNIDADE 4 Nesta unidade serão apresentados diferentes instrumentos utilizados no mercado por empresas que buscam ormas de nanciar seu capital de giro UNIDADE 5 Nesta unidade serão estudados os principais sistemas de amortização que são vastamente utilizados na prática comoem nanciamentos de imóveis, por exemplo UNIDADE 6 Nesta unidade serão apresentados os principais métodos de avaliação de investimentos utilizados: o VPL e a TIR Estes métodos nos permitem avaliar a viabilidade econômica e a taxa de retorno de um investimento. C O NF IR A NO LIV RO 9 JUROS SIMPLES E COMPOSTOS 10 1.1 INTRODUÇÃO Amatemática nanceira é um ramo damatemática que trata essencialmente da relação entre dinheiro e tempo. Receber uma certa quantia de dinheiro hoje ou daqui a seis meses claramente não é a mesma coisa. Da mesma forma, comprar um produto hoje e comprá-lo daqui a seis meses não é a mesma coisa. Dessa forma, abrir mão do consumo imediato (que é preferível) para consumir depois deve trazer uma espécie de “prêmio” para alguém, e os juros podem ser entendidos como esse prêmio. Portanto, são os juros que levam ao adiamento do consumo e à posterior criação de poupanças, tão úteis para a economiaO interesse tambémpode ser entendido de outrasmaneiras: Remuneração do risco: por exemplo, ao conceder um empréstimo, o credor expõe-se ao risco de incumprimento do devedor Quanto maior o risco, maior será o “prêmio” exigido pelo credor, ou seja, maiores serão os juros. Proteção contra a perda do poder de compra: a moeda perde gradualmente o seu poder de compra, ou seja, a capacidade de comprar produtos, ao longo do tempo. Obviamente, você não pode comprar hoje por US$ 100 tudo o que você poderia comprar há 0 anos Isso se deve ao processo de infação Os juros podem anular ou pelo menos minimizar essa perda. Remuneraçãodo capital: os juros tambémpodem ser entendidos como “aluguel” que deve ser pago pela utilização do dinheiro por terceiros. Além do juro (J), existem outros conceitos que precisamos compreender para estudar a relação entre dinheiro e tempo São eles: Capital (C):dopontode vistadamatemática nanceira, capital signicaqualquer valor expresso em moeda que esteja disponível num determinado momento. Também pode ser chamado de “principal” ou “valor presente”. Montante (M): também chamado de “valor uturo”, é o valor obtido após a adição de juros ao nal de um determinado período O valor será, portanto, igual ao principal mais juros. Taxa de juros (i): é a razão entre os juros recebidos e o capital investido. Ou seja, é uma recompensa pelo capital investido e está sempre relacionada a um determinado período de tempo Uma taxa de juros pode ser expressa de duas maneiras: uma taxa percentual e uma taxa unitária. Uma taxa percentual é dada como uma porcentagem, e uma taxa unitária será a taxa percentual dividida por 100 Por exemplo: Taxa percentual Taxa unitária 15% 0,15 7,5% 0,075 % 0,02 1,5% 0,015 Quadro 1: Taxa de Juros Fonte: Elaborado pelo Autor (00) Portanto, quando expressamos matematicamente as relações acima, temos o seguinte: M=C+J 11 i=J/C Exemplo: Qual é a taxa de juros de um empréstimo de $100 se você sabe que $15 serão pagos após um mês? Solução: Neste caso, o capital é igual a $100 e o valor é igual a $150 Então nós temos: M=C+J J=M-C J=15-100=25 i=J/C i=5/100=0,25 ou 25% A taxa de jurosé, portanto, igual a 5% ao mês, que é o prazo da operação 1.2 REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO Na matemática nanceira, o regime de capitalização de juros representa a forma como os juros são criados e incorporados ao capital ao longo do tempo. Nesse sentido, podemos destacar dois modos de capitalização: a capitalização simples e a capitalização composta. 1.2.1 Capitalização Simples A capitalização simples, popularmente chamada de “juros simples”, é uma modalidade de capitalização onde a taxa de juros incide apenas sobre o capital inicial e nunca sobre os juros acumulados. Neste regime, o juro cresce linearmente com o tempo, ou seja, a relação entre o juro e o tempo pode ser expressa como uma função de primeiro grau Considere o seguinte exemplo: suponha que uma pessoa contraia um empréstimo de R$ 1000,00 com taxa de juros de 3% ao mês, a ser pago após 6 meses A tabela abaixo ilustra essa situação com o valor da dívida a cada mês. Mês Juros Dívida 0 - 1000 1 0,03∙1000=30 1030 2 0,03∙1000=30 1060 3 0,03∙1000=30 1090 4 0,03∙1000=30 110 5 0,03∙1000=30 1150 6 0,03∙1000=30 1180 Quadro 2: Taxa de juros (simples) Fonte: Elaborado pelo Autor (00) Na tabelaacima, omês “0” representaomomentoexatoemqueapessoacontrata o empréstimo Nestemomento ainda não oram pagos juros Ao nal do primeiromês, a dívida será igual a R$ 1000,00mais juros, que era de R$ 30,00 Portanto, o valor da dívida 12 neste momento é de R$ 1030,00 e assim por diante Observe que oi utilizada uma taxa unitária (0,03) e não uma taxa percentual (3%) para obter o valor dos juros de cada mês. Também é importante entender que os juros são constantes ao longo do tempo, o que signica que a dívida aumenta sempre no mesmo valor Isso signica que os juros são uma função linear do tempo. A cada mês, a taxa de variação da dívida é sempre a mesma (constante) É óbvio que nem sempre é necessário construir um tal painel, o que pode ser trabalhoso especialmente durante um período de operação muito longo. Felizmente, existem órmulas que nos permitem calcular as variáveis envolvidas numa transação nanceira Vejamos alguns que se reerem à simples capitalização • Juros: Os juros de uma operação nanceira no regime de capitalização simples podem ser calculados através da seguinte expressão: J=C∙i∙t (3) Onde “t” é o tempo ou prazo da operação. Exemplos: considerando o exemplo dado na tabela anterior, qual será o valor dos juros no nal da operação? Solução:analisandoatabela, jápodemosarmarqueos jurosaonaldaoperação (no sexto mês) serão iguais a R$ 180,00 (J=1180-1000) Porém, se não tivéssemos uma tabela, deveríamos calcular usando uma órmula como esta: J = ? C = 1000 i = 3% ao mês t = 6 meses Como a taxa é mensal e o tempo de operação é medido em meses, não há necessidadede fazer nenhumaconversão (veremosmais tardequando seránecessário e como azê-lo) Então, usando a taxa unitária e substituindo na órmula, temos: J=C∙i∙t J=1000∙0,03∙6 J=$180 Ou seja, os juros gerados pela operação são de R$ 180,00, como esperávamos Qual é a taxa de juros de um empréstimo de $ 1500,00 que deve ser pago em $ 1950,00 após 1 meses? Solução: neste caso, temos os seguintes valores: C = 1500 M = 1950 t = 1 meses i = ? Para usar a órmula, vamos primeiramente calcular o valor dos juros 13 J=M−C J=1950−1500 J=450 Agora, podemos substituir estes valores na outra órmula J=C∙i∙t 450=1500∙i∙1 450=18000∙i i=45018000 i=0,05 ou ,5% A taxa de juros da operação é, portanto, de ,5% aomês, já que o tempo émedido em meses. Sabe-se que um capital de $ 300,00 investido à taxa de 5% ao mês rende $ 800,00 em juros Qual oi o prazo para esta operação? Solução: neste caso temos os seguintes dados: C = 2.300 J = 800 i = 5% (ou 0,05) ao mês t = ? Substituindo na órmula temos: J=C∙i∙t 800=300∙0,05∙t 800=115∙t t=800/115 t≈6,96 A duração da operação é, portanto, de aproximadamente sete meses, uma vez que a taxa de juro é mensal. Quemontante de capital, aplicado a 7,5% ao ano, gerará $4000,00 em juros em 5 anos? Solução: neste caso, os dados do problema são: i = 7,5% ao ano t = 5 anos J = 4.000 Substituindo na órmula temos: J=C∙i∙t 4000=C∙0,075∙5 4000=C∙0,375 C=4000/0,375 14 C=10666,67 Portanto, o capital é igual a $ 10666,67 Valor: vimos anteriormente que o valor é a soma do principal e dos juros acumulados no período, então M=C+J Também vimos que J=C∙i∙t Portanto, podemos derivar outra órmula para o valor da operação da seguinte orma: SabemosqueM=C+J(1) e J=C∙i∙t () Então, substituindoaequação()naequação (1), temos o seguinte: M=C+C∙i∙t Colocando “C” em evidência, temos: M=C∙(1+i∙t) A taxa de juros a ser utilizada nas fórmulas deve sempre ser a taxa unitária, nunca a per- centual. FIQUEATENTO E essa é a nova órmula para o cálculo do montante de uma operação Exemplo: Se $10000,00 de capital orem investidos a 1,5% aomês, qual será o valor após 1 meses? Solução: neste caso temos os seguintes dados: C = 10000 i = 1,5% ao mês t = 1 meses M = ? Como M=C∙(1+i∙t), então: M=10000∙(1+0,015∙1) A multiplicação deve ser eita primeiro M=10000∙(1+0,18) M=10000∙(1,18) M=11800 Portanto, o valor desta operação é de R$ 11800,00 • Conversão de taxas: como vimos acima, a taxa de juros e o período (tempo) devem referir-se sempre à mesma unidade (dias, meses, ano, etc.). No entanto, isso não acontece em muitas situações Nestes casos, precisamos converter a taxa de juros a ser medida na mesma unidade do período (ou converter o período na mesma unidade da taxa). No regime de capitalização simples, a conversão da taxa de juro é feita simplesmente multiplicando ou dividindo pelo valor requerido. Então, por exemplo, se tivermos uma anuidade, podemos obter a mensalidade simplesmente dividindo por 15 1 Ou, se tivermos uma diária, podemos obter a mensalidade multiplicando por 30, e assim por diante Vejamos alguns exemplos: Exemplo: suponha que uma pessoa invista R$ 500,00 em um undo que rende 3% ao mês Quanto essa pessoa terá após anos? Solução: observe que a taxa é mensal e o período é medido em anos. Portanto, precisamos converter a taxa para uma taxa anual como esta: ia=im∙1 ia=0,03∙1 ia=0,36 Aqui, “ia” é a taxa anual e “im” é a taxa mensal Agora, podemos utilizar a órmula do montante: M=C∙(1+i∙t) M=500∙(1+0,36∙) M=500∙(1+0,7) M=500∙(1,7) M=4.300 Então depois de 2 anos a pessoa terá R$ 4.300,00. • Capitalização composta: popularmente chamada de “juros compostos”, a capitalização composta é uma modalidade de capitalização onde a taxa de juros é retirada do capital inicial mais os juros acumulados até o período anterior, por isso também é chamada de “juros sobre juros ”. Na prática, esta é a modalidade utilizada para todas as operações de capitalização É também importante notar que neste regime a taxa de juro varia exponencialmente ao longo do tempo. Ou seja, o capital “cresce”muitomais rápido se comparado ao regime de simples capitalização. Vejamos um exemplo: suponha que uma pessoa contraia um empréstimo de R$ 1000,00 com taxa de juros de 3% ao mês, para ser pago após 6 meses Observe que este é o mesmo exemplo usado no início da seção de letras maiúsculas simples. A tabela abaixo ilustra esta situação com o valor devido a cada mês. Mês Juros Dívida 0 - 1000 1 0,03∙1000=30 1030 2 0,03∙1030=30,9 1060,9 3 0,03∙1060,9=31,83 109,73 4 0,03∙109,73=3,78 115,51 5 0,03∙115,51=33,77 1159,8 6 0,03∙1159,8=34,78 1194,06 Quadro 3: Taxa de juros (compostos) Fonte: Elaborado pelo Autor (00) 16 Portanto, ao nal de seis meses, o valor devido será de R$ 1194,06 Observe que quando implementamos a capitalização simples, esse valor era menor ($1180,00) Esta dierença será tantomaior quantomaior or o período entre o início e o mda operação O Gráco 1 abaixo ilustra a dierença entre esses dois tipos de letras maiúsculas Pelo gráco podemos observar que ao nal de 60 meses a dívida na modalidade de capitalização composta é praticamenteo dobro do que seria na modalidade de capitalização simples. Figura 1:Capitalização simples X Capitalização composta Fonte: Elaborado pelos Autores (00) Também no caso de capitalização composta, não é necessário realizar cálculos conorme tabela acima Existem tambémalgumas órmulas que sãomuito úteis Vamos ver: • Valor: o valor da operação na modalidade de capitalização composta pode ser calculado através da seguinte órmula: M = C � 1 + i t Da mesma orma, temos que: M = montante; C = capital; i = taxa de juros; t = período (ou tempo). A partir desta órmula também podemos obter a órmula do capital “passando” o termo para o “outro lado da igualdade” Então nós temos:1 + i t C = M 1 + i t Exemplo: imagine que uma pessoa investe R$ 1500,00 em um undo que rende % de juros ao mês Quanto essa pessoa terá após 1 meses? Solução: os dados do problema são: M= ? C=1500 17 i=% ao mês t=1 meses Substituindo esses valores na órmula, temos o seguinte: M = C � 1 + i t M = 1500 � 1 + 0,02 M = 1500 � 1,02 M = 1500 � 1,268 M = 1.902 Então depois de 1 meses essa pessoa terá R$ 190,00 Exemplo: qual é o capital que, usando 1,5% ao mês, renderá $300,00 após 15 meses? Solução: os dados do problema são os seguintes: C = ? M = 3.200 i = 1,5% ao mês t = 15 meses Substituindo na órmula, temos: M= C ∙ ( + i) t = C ∙ ( + ,) 15 = C ∙ (,) 15 = C ∙ (,) C = 3200 / 1,25 C = 2.560 Portanto, o capital procurado é $560,00 Exemplo: após quanto tempo um capital de $1300,00 aplicado a uma taxa de 4% ao mês rende um montante de $600,00? Solução: neste caso, como o período aparece como um expoente na órmula do montante precisou utilizar uma propriedade dos logaritmos. Essa propriedade diz o seguinte: Assim, substituindo os valores na órmula do montante, temos o seguinte: = � M = C � 1 + i t 2600 = 1300 � 1 + 0,04 t 2600 = 1300 � 1,04 t log 1,04 t = log 2 18 t = 17,7 Assim, após 17,7 meses (uma vez que a taxa é mensal), o capital de $1300,00 irá gerar um montante de $600,00 a uma taxa de 4% ao mês Exemplo:Qual éa taxade jurosque azumcapital de$5000,00gerar ummontante de $8000,00 após 1 meses? Solução: Substituindo os valores na órmula do montante, temos o seguinte: M = C � 1 + i t 8000 = 5000 � 1 + i 1,6 = 1 + i 1,6 = 1 + i 1 + i = 1,0399 i = 1,0399− 1 i = 0,0399 ou 3,99% Assim, a taxa de juros procurada é 3,99% ao mês (uma vez que o período está em meses). 1.2.2 Equivalência de taxas Assim como na capitalização simples, namodalidade de capitalização composta a taxa e o prazo devemcorresponder àmesmaunidade (dia,mês, ano, etc.). No entanto, a transformação da taxa não é feita da mesma maneira. Mas antes de analisarmos como transformar as taxas no regime de capitalização composta, vejamos umconceito importante na matemática nanceira: o conceito de equivalência de taxas Duas ou mais taxas relativas a períodos unitários diferentes são equivalentes se produzem o mesmo valor ao nal de determinado tempo através da utilização do mesmo capital inicial (SOBRINHO, 008) Em outras palavras, duas taxas são equivalentes quando produzem a mesma quantidade quando aplicadas aomesmo capital aomesmo tempo Uma taxa de % ao mês,porexemplo, correspondeaumataxade6,8%aoanoVejamos: seconsiderarmos um capital de R$ 1000,00 investido a % ao mês durante 1 meses, temos: 19 M = 1.000 � 1 + 0,02 M = 1.000 � 1,2682 M = 1.268,20 Considerando, agora, o mesmo capital aplicado a 6,8% ao ano durante um ano (equivalente a 1 meses), temos: M = 1.000 � 1 + 0,2682 M = 1.000 � 1,2682 M = 1.268,20 Como podemos perceber, essas duas taxas geram o mesmo valor quando aplicadas ao mesmo capital no mesmo período. Mas como você transforma uma taxa mensal em uma taxa anual? Para isso usaremos a seguinte órmula: ia = 1 + im − 1 Onde “ia” é a taxa anual e “im” é a taxa mensal. De forma análoga, para calcular a taxa mensal conhecendo a taxa anual, utilizamos a seguinte órmula: im= 1 + ia − 1 Exemplo: Qual é a taxa mensal equivalente a 3% ao ano? Solução: im = (1,32) 0,08−1 im = 1,0234− 1 im = 0,0234 ou 2,34% Nos links abaixo, vocês encontrarão esses assuntos de forma bem detalhada e com muitos exemplos diferentes. Matemática financeira: aplicações à análise de investimentos de Carlos Patrício Samanez, (2007). Disponível em: https://bit.ly/3fb75J. Acesso em: 08 mai. 2020. FIQUEATENTO Matemática financeira, de José Dutra Vieira Sobrinho (2008). Disponível em: https://bit.ly/2PoxtI7. Acesso em: 08 mai. 2020. 20 Ao comprar eletrodomésticos parcelados, normalmente nos deparamos com uma taxa de juros para parcelas maiores (por exemplo, acima de seis parcelas). Porém, para par- celas mais curtas (por exemplo duas ou três parcelas) é comum que não haja juros. Qual é a razão desta diferença? VAMOSPENSAR? 21 FIXANDOOCONTEÚDO 1.Calcule a taxa de juros de um empréstimo de $1000,00 que rendeu $10,00 de juros ao longo de 1 meses a) 30% ao mês b) 4% ao mês c) 1% ao mês d) 36% ao mês e) 0,1% ao mês 2. Calcule os juros de um nanciamento de $150000,00 que rendeu um montante de $190000,00 após 1 meses a) $40.000,00. b) $30.000,00. c) $50000,00 d) $5000,00 e) $1000,00 3. Calcule a taxa de juros de um empréstimo de $5000,00 que, após 6meses, gerou um montante de $500,00 a) 0,3% ao mês b) 0,66% ao mês c) 3% ao mês d) 4% ao ano e) 0,4% ao mês 4. Calcule a taxa unitária de juros de equivalente a 1% ao ano a) 0,01 ao ano b) 0,1 ao ano c) 0,001 ao ano d) 0,1% ao ano e) 0,01% ao ano 5. Calcule o montante de um empréstimo de $15000,00 a ser liquidado após 1 meses, considerando uma taxa de 3% ao mês sob o regime de capitalização simples a) $1900,00 b) $24.000,00. c) $20.400,00. d) $18750,00 22 e) $1980,00 6. Calcule a taxa de juros de um empréstimo de $2.000,00 que deve ser pago por $350,00 após 6 meses, considerando a capitalização simples a) ,9% ao ano b) 0,09% ao mês c) 0,09% ao ano d) 1,03% ao mês e) ,9% ao mês 7. Considerando o regime de capitalização composta, qual será o montante de uma aplicação de $10000,00 durante 0 meses a uma taxa de 1,8% ao mês? a) $1487,48 b) $14000,00 c) $13800,00 d) $487,48 e) $578,53 8. Qual é o capital que, aplicado por 4 meses a uma taxa de % ao mês sob o regime de capitalização composta gera um montante de $0000,00? a) $19000,00 b) $17500,00 c) $1504,70 d) $1434,43 e) $1845,5 23 DESCONTOS 24 2.1 INTRODUÇÃO A operação de desconto pode ser entendida como capitalização “inversa”. Nos regimes de capitalização conhecemos o valor presente (capital) e queremos saber o valor uturo (montante) após a aplicação da taxa de juro de um determinado período Por outro lado, numa operação de desconto, conhecemos o valor futuro de um título e queremos saber o seu valor atual numa determinada data após a aplicação da taxa de desconto. Em ambos os casos, a operação depende do tempo decorrido. Numa transação de desconto, o valor futuro de um título é frequentemente chamado de “valor de face” ou “valor de resgate” e pode ser definido como o valor do título na sua data de vencimento. FIQUEATENTO A liquidação (pagamento) de um título antes de sua data de vencimento geralmente requer um “prêmio” ou desconto no pagamento antecipado. O desconto é, portanto, entendido como a diferença entre o valor de resgate do título e o valor atual (valor pago) na data da transação, ou seja, D=M-C Onde “D” é o valor do desconto, “M” é o valor de resgate do título na data de seu vencimento e “C” é o valor pago pelo título na data da transação. Exemplo: Um título de $500,00 oi liquidado por $75,00 dois meses antes da sua data de vencimento Neste caso, qual oi o valor do desconto? Solução: Neste caso, temos as seguintes inormações: M=500 C=75 D=? Substituindo na órmula, temos: D=M-C D=500-75 D=5 Portanto o valor do desconto nesta transação oi de R$5,00 Tal como acontece com a capitalização, também temos regimes de descontos simples e descontos compostos. O primeiro envolve cálculos lineares e o segundo cálculos exponenciais. 25 2.2 DESCONTO SIMPLES Também chamado de “desconto bancário” ou “desconto comercial” é uma operação muito utilizada pelo sistema bancário. Neste tipo de operação, o desconto é obtido multiplicando o valor de resgate pela taxa de desconto e pelo tempo até à data de vencimento do título Assim: D=M∙d∙t Onde “d” é a taxa de desconto da operação. Uma taxa de desconto não é o mesmo que uma taxa de juros. A taxa de desconto refe- re-se sempre ao valor futuro (valor) da transação, enquanto a taxa de juros refere-se ao valor presente (capital). FIQUEATENTO Para obter o valor presente ou valor descontado, basta subtrair o valor futuro pela taxa de desconto, ou seja, C=M-D Exemplo: Qual o valor do desconto de um título de $900,00 com vencimento em 3 meses, considerando uma taxa de desconto de ,5% ao mês? Solução: Os dados do problema são os seguintes: M=900 d=,5% ao mês t=3 meses D=? Substituindo estes valores na órmula do desconto, temos: D=M∙d∙t D=900∙0,05∙3 D=67,50 Portanto, o valor do desconto para esta transação é de $ 67,50 Exemplo: Dados os dados do exemplo anterior, qual será o valor descontado (valor pago) deste título? Solução: Sabemos que C=M-D, então: C=900-67,50 C=83,50 Portanto, o valor com desconto é de R$ 83,50 Exemplo: Um título com valor de resgate de $ 1550,00 oi resgatado 0 dias antes 26 do vencimento por $ 1470,00 Qual oi a taxa de desconto utilizada na transação? Solução: Neste caso os dados são os seguintes: M=1550 C=1470 t=20 dias d=? Neste caso, primeiro precisamos conhecer o valor do desconto. D=M-C D=1550-1470 D=80 Substituindo estes valores na órmula do desconto, temos o seguinte: D=M∙d∙t 80=1550∙d∙0 80=31000∙d 80/31000=d d=0,006 ou 0,6% Assim, a taxa de desconto da operação é 0,6% ao dia Exemplo: Um título de $500,00 é liquidado por $4950,00 Considerando uma taxa de desconto de 3% ao mês, o título oi liquidado quanto tempo antes da data de vencimento? Solução: Neste caso, temos os seguintes dados: M=500 C=4950 d=3% ao mês t=? Calculando, primeiramente, o valor do desconto, temos: D=M-C D=500-4950 D=50 Substituindo na órmula do desconto: D=M∙d∙t 50=500∙0,03∙t 50=156∙t 50/156=t t=1,6 27 O tempo entre a liquidação e o vencimento do título é, portanto, de 1,6 meses Se quiséssemos saber exatamente quantos meses e dias se passaram, poderíamos transormar esse tempo Sabemos que é 1 mês mais 0,6 meses Portanto, precisamos saber quantos dias equivalem a 0,6meses Para azer isso, basta criar uma regra de três simples, como segue: Ao comprar eletrodomésticos parcelados, normalmente nos deparamos com uma taxa de juros para parcelas maiores (por exemplo, acima de seis parcelas). Porém, para par- celas mais curtas (por exemplo duas ou três parcelas) é comum que não ha-ja juros. Qual é a razão desta diferença? VAMOSPENSAR? O prazo da operação é, portanto, de um mês e 18 dias Exemplo: Suponha que uma pessoa deseja liquidar 15 dias antes do vencimento um título com valor de resgate de $ 850,00 Sabendo que a taxa de desconto oerecida pelo credor é de 3,5% ao mês, qual será o valor descontado (valor pago antes do vencimento)? Solução: Primeiro precisamos converter a taxa (ou período) de desconto porque está em dias e o período está em meses. Por se tratar de um desconto simples, a conversão é linear, ou seja: dd = dm 30 Onde “dd” é a taxa de desconto diária e “dm” é a taxa de desconto mensal Então: dd = 0,0012 Substituindo na órmula do desconto, temos: D=M∙d∙t D=850∙0,001∙15 D=15,30 Agora podemos calcular o valor descontado. 28 C=M-D C=850-15,30 C=834,70 Também é possível calcular o valor descontado diretamente através da órmula única obtida nas duas anteriores Como sabemos que D=M∙d∙t e C=M-D, podemos substituir uma órmula pela outra assim: = − � � ⇒ Colocamos o “M” em evidência C=M(1-d∙t) Repetindo o exemplo anterior com a nova órmula, temos o seguinte: C=M(1-d∙t) C=850(1-0,001∙15) C=850(1-0,018) C=850(0,98) C=834,70 O desconto simples é uma operação normalmente realizada no curto prazo. Se o período operacional for muito longo, o valor do desconto poderá ser superior ao valor de resgate do título se for utilizado o desconto simples. FIQUEATENTO Nos casos em que o período operacional é muito longo, é comum a utilização de uma taxa de desconto crescente em relação ao que chamamos de “taxa de desconto efetiva”. No livro Matemática financeira: aplicações à análise de investimentos de Carlos Patrício Samanez, (2007) você encontrará a definição de taxa de desconto efe- tiva com uma explicação detalhada e muitos exemplos de aplicação. Disponível em: https://bit.ly/3fb75J. Acesso em: 08 maio 2020. BUSQUEPORMAIS 2.3 DESCONTO COMPOSTO O desconto composto é uma taxa de desconto em que a taxa de desconto é aplicada ao valor de resgate do título menos os descontos acumulados no período anterior. Esta operação é pouco utilizada na prática e resulta em um valor descontado bem menor (desconto maior) ao nal da operação Como os cálculos aqui são exponenciais (e não lineares), o valor descontado é calculado da seguinte orma: 29 C = M 1 − d t Neste caso, se a taxa de desconto e o prazo não estiverem na mesma unidade, será sempre mais ácil transormar o prazo Vejamos o seguinte: Exemplo: Uma pessoa decide resgatar um título de $ 0000,00 10 dias antes do vencimento Sabendo que a taxa de desconto é de ,3% ao mês, qual será o valor descontado considerando o sistema de desconto composto? Solução: Como o prazo e a taxa de desconto estão em unidades diferentes, primeiro transormamos o prazo da operação Como sabemos, 10 dias equivalem a quatro meses Então, substituindo na órmula, temos: = (1 − )t = 20.000(1 − 0,023)4 = 20.000(0,977)4 = 20.000(0,9111) = 18.222 Assim, o valor descontado é $18,00 Exemplo: Suponhaque umapessoa tenha liquidado um título 90 dias antes do seu vencimento, gerando um desconto de $1379,77 Considerando uma taxa de desconto de 3% ao mês, calcule o valor de resgate do título Solução: Os dados deste problema são: D=1379,77 t=90 dias ou três meses d=3% ao mês M= ? Observe que não temos valor com desconto (C) nem valor de resgate (M). Então, vamos derivar uma nova órmula de cálculo: D=M-C D = M− M 1 − d t D = M[1− 1 − d t] Assim, substituindo os valores nesta órmula, temos: 1.379,77 = M[1− 1 − 0,03 1.379,77 = M[1− 0,97 ] 1.379,77 = M 1− 0,9127 1.379,77 = M 0,0873 M = 15.804,92 30 Assim, o valor de resgate do título é $15804,9 Nos links abaixo vocês encontrarão estes assuntos de forma detalhada e um com muitos exemplos de aplicação. LINK’S: https://bit.ly/3ecSZWP. BUSQUEPORMAIS https://bit.ly/3iKdiOE. Como foi dito ao longo do texto, o desconto composto gera descontos maiores que o desconto simples no mesmo período. Foi dito também que a operação de desconto com- posto praticamente não é utilizada na prática. Por que isso acontece? VAMOSPENSAR? 31 FIXANDOOCONTEÚDO 1. Suponha que um título com valor de resgate de $15350,00 seja liquidado 0 dias antes de seu vencimento por $15000,00 Calcule o valor do desconto a) $350,00 b) $450,00 c) $300,00. d) $5,00 e) $80,00 2.Calcule o valor do desconto de um título de $5500,00 comvencimento emdoismeses, considerando uma taxa de desconto de % ao mês a) $500,00 b) $220,00. c) $320,00. d) $50,00 e) $450,00 3. Um título com valor de resgate de $1000,00 oi descontado um mês antes do seu vencimento por $900,00 Calcule a taxa de desconto da operação a) 10% ao mês b) 15% ao mês c) 0% ao mês d) 10% ao dia e) 15% ao dia 4.Calcule o valor descontadodeum título cujo valor de resgate é $1300,00 e oi liquidado 35 dias antes de seu vencimento a uma taxa de desconto de 0,5% ao dia a) $150,00 b) $1186,5 c) $30,75 d) $113,75 e)$14,80 5. Uma pessoa deseja liquidar um título de $800,00 vinte dias antes do seu vencimento Considerando uma taxa de desconto de % ao mês, qual será o valor descontado? a) $789,33 b) $1,33 c) $65,3 32 d) $45,00 e) $78,35 6. Um título com valor de resgate de $10000,00 é descontado dois meses antes de seu vencimento por $950,00 Qual oi a taxa de desconto da operação? a) 5,75% ao mês b) 4% ao mês c) ,5% ao mês d) 3,75% ao mês e) 4,5% ao mês 7.Qual é o valor de resgate de um título que oi liquidado por $350,00 três meses antes do seu vencimento a uma taxa de desconto de 1,5% ao mês? a) $3900,00 b) $3750,38 c) $4.000,00. d) 3895,3 e) $3403,14 8. Considerando o regime de desconto composto, calcule o valor descontado de um título cujo valor de resgate é $15000,00 e que oi liquidado 3 meses antes de seu vencimento a uma taxa de desconto de % ao mês a) $1315,36 b) $1500,00 c) $14117,88 d) $13458,3 e) $1753,55 33 SÉRIES DE PAGAMENTOS 34 Uma série de pagamentos consiste em vários pagamentos ou recebimentos regulares de valores (constantes ou variáveis) com vencimentos consecutivos. Existem diversas classicações para séries de pagamentos dependendo se as parcelas (pagamentosou rendimentos) sãoconstantesouvariáveis; seoprazoénitoou innitoe se as parcelas são antecipadas ou diferidas. Porém, em todos estes casos precisaremos de um conceito de undamental importância: o conceito de fuxo de caixa 3.2 FLUXO DE CAIXA Segundo Sobrinho (008), “o fuxo de caixa pode ser entendido como uma sequência de rendimentos ou pagamentos, em dinheiro, programados para um determinado período de tempo” Esse fuxo normalmente é mostrado gracamente, onde a linha horizontal representa o tempo e as linhas verticais, apontando para cima ou para baixo, representamas entradas e saídas de caixa Vejamos o seguinte exemplo: 3.1 INTRODUÇÃO Dia Recebimento previsto Pagamento previsto 07 $100,00 - 08 - $800,00 09 - $300,00 10 $1500,00 - Quadro 4: Fluxo de Caixa Fonte: Elaborado pelos Autores (00) Figura 2:Gráco representativo do fuxo de caixa Fonte: Elaborado pelos Autores (00) Como você pode ver, as entradas são representadas por setas para cima e as saídas são representadas por setas para baixo. Além disso, o tamanho de cada seta deve ser proporcional ao valor que ela representa Assim, o item de R$ 1500,00 deve ser representado por uma seta maior que o item de R$ 100,00 Por outro lado, a linha horizontal que representa o tempo deve estar orientada para a direita, para que os períodos uturos quem mais distantes do ponto zero (início da linha) Se o pagamento (saque) e o recebimento (saque) estiveremnomesmo lugar, só poderemos representar adiferença. Neste caso, a seta apontará para cima seadiferença for positiva e apontará para baixo se a diferença for negativa. Exemplo: Suponha que uma pessoa contraia um empréstimo pessoal de R$ 30000,00 em um banco, que paga em cinco parcelas mensais de R$ 7000,00 Do ponto de vista de uma pessoa, a representação do fuxo de caixa desta operação será a seguinte: 35 Primeiro, há um fuxo de caixa de $ 30000,00 no início da operação, seguido de cinco fuxos de caixa de $ 7000,00 em intervalos regulares Do ponto de vista do banco credor a situação se inverte, pois, primeiro há uma saída de caixa e depois cinco entradas Assim: 3.3 SÉRIE DE PAGAMENTOS UNIFORMES As séries de pagamentos uniormes são aquelas em que as parcelas (entradas/ saídas de caixa) são constantes ao longo da operação. Tal como acontece com todas as séries de pagamentos, estas prestações podem ser antecipadas ou dieridas (vencidas), sendo as primeiras pagas/recebidas no início de cada período e as últimas pagas/recebidas no nal de cada período A partir de agora usaremos notações que já estamos acostumados, além de anotar o valor das parcelas Assim: R=Valor das parcelas; C=Capital ou valor presente; M=Montante ou valor futuro; i=Taxa de juros; t=Períodos unitários da operação (quantidade de parcelas). 3.3.1 Séries uniformes com parcelas vencidas Conforme observado anteriormente, os pagamentos vencidos (ou atrasados) são aqueles que oram pagos ou recebidos no nal de cada período Como exemplo, temos as contas de cartão de crédito ou aquelas compras parceladas, cuja primeira parcela vence 30 ou 45 dias após a compra Considere o seguinte exemplo: suponha que uma pessoa aça depósitos mensais de $ 1000,00 em um undo que rende juros de 1,5% aomês Sabendo que o primeiro depósito ocorrerá ummês após omomento inicial 36 (momento em que a pessoa “decide” aplicar), quanto terá essa pessoa ao nal de 4 meses? Esta operação pode ser representada da seguinte orma: Assim, temos os seguintes dados: R=1000 i=1,5% ao mês t=4 meses Utilizandoos conceitos que vimosatéagora, calcularemoso valor de cadaparcela individualmente até o quarto mês Desta orma temos o seguinte: 1ª prestação: M = C(1 + i)t ⇒ M = 1000(1,015) ⇒ M = 1.045,68 2ª prestação: M = C(1 + i)t ⇒ M = 1000(1,015) ⇒ M = 1.030,22 3ª prestação: M = C(1 + i)t ⇒ M = 1000(1,015) ⇒ M = 1.015,00 4ª prestação: M = C(1 + i)t ⇒ M4 = 1000(1,015)0 ⇒ M4 = 1.000,00 Sendo assim, o montante total (Mt) ao nal de quatro meses será: Mt=1045,68+1030,+1015+1000 Mt=4090,90 Contudo, esta não é a única (ou mesmo a melhor) forma de fazer estes cálculos. Imagine se tivéssemos, por exemplo, 50 ou 100 parcelas Portanto, é natural que se procure uma forma de obter esse valor de formamais direta. Para isso, procuraremos a órmula somando primeiro os valores sem azer nenhum cálculo Mt= M1+M2+M3+M4 Mt = 1000 1,015 + 1000 1,015 + 1000 1,015 + 1000 1,015 0 37 Colocando 1000 em evidência, temos: Mt = 1000[ 1,015 0 + 1,015 + 1,015 +(1,015)] A sequência representa a soma dos termos de uma progressão geométrica (PG) nita cuja razão é igual 1,015 Podemos, então, utilizar a órmula da soma dos termos de uma PG: Onde “a1” é o primeiro termo da progressão e “q” é sua razão. Substituindo os valores na órmula e lembrando que , temos o seguinte:1,015 0 = 1 Mt = 1000 4,0909 Mt = 4.090,90 Como R = 1000 e q = 1 + 0,015, podemos generalizar a órmula acima e dessa maneira obtemos a órmula que procuramos: Exemplo: Se uma pessoa aplica mensalmente $800,00 em um undo que rende % ao mês, quanto essa pessoa terá ao nal de 3 anos? Solução: Primeiramente, temos que observar que 3 anos são 36 meses Assim, os dados do problema são: R=800 i=% ao mês t=36 meses Substituindo na órmula, temos: M = 800 � 51,995 M = 41.596 38 Quanto maior for a quantidade de casas decimais, mais preciso será o resultado. A partir daqui vamos usar sempre cinco casas decimais, arredondando o resultado pa-ra duas casas. FIQUEATENTO Exemplo: Suponha que uma pessoa queira ter R$ 10000,00 para uma viagem daqui a dois anos e queira saber quanto deve investir por mês, considerando um fundo que rende 1,75% ao mês Solução: Os dados para este problema são: M=10000 i=1,75% ao mês t=2 anos (24 meses) R= ? Substituindo na órmula, temos: 10.000 = R � 29,51086 R = 338,86 Assim, esta pessoa deverá depositar mensalmente $338,86 para ter $10000,00 após dois anos Exemplo: Quantas prestações mensais de $500,00 devo aplicar para ter $11707, considerando um undo que rende 3% ao mês? Solução: Os dados são os seguintes: R=500 M=11707, i=3% ao mês t= ? Substituindo na órmula: 39 11.707,22 � 0,03 = 500 � [(1,03)t − 1] 351,2166 = 500(1,03)t−500 351,2166+ 500 = 500(1,03)t 8851,2166 = 500(1,03)t 1,03 t = 1,70243 Aqui, precisaremos usar novamente a propriedade dos logaritmos. log 1,03 t = log 1,70243 t � log 1,03 = log 1,70243 t ≈ 18 Então essa pessoa terá que investir 18 parcelas de R$ 500,00 para conseguir o valor necessário. Assim como temos uma órmula para calcular o valor (valor uturo) de uma série de pagamentos uniormes, também temos uma órmula para o patrimônio líquido (valor presente) Esta órmula é a seguinte: Devemos utilizá-lo quando há entradade caixa no início da operação seguida de saídas (pagamentos) periódicas A órmula quantitativa que vimos anteriormente é usada na situação oposta Ou seja, naquelas situações em que primeiro há saídas (pagamentos) periódicas e no nal da operação há entrada de caixa Exemplo: Se uma pessoa deseja contratar um empréstimo a ser pago em 1 parcelas mensais de R$ 350,00 Sabendo que a taxa de juros cobrada pelo credor é de 4% ao mês, qual deverá ser o valor desse empréstimo? Solução: Esquematicamente, temos a seguinte situação: 40 Reparem que primeiro há uma entrada no caixa e, depois, saídas periódicas Assim, devemos utilizar a órmula acima com os seguintes dados: R=350 i=4% ao mês t=1 meses C= ? Substituindo na órmula, temos: C = 350 � 9,38523 C = 3.284,83 Portanto, o valor do empréstimo deve ser $384,83 Exemplo: Suponha que uma pessoa deseje nanciar um veículo no valor de $50000,00 em 36 prestações Suponha ainda que não haja taxas, impostos nem outros custos nanceiros e que a taxa de juros cobrada pela nanceira seja de ,8% ao mês Dessa orma, qual será o valor das prestações? Solução: Neste caso, também há uma entrada de caixa no início da operação e, depois, as saídas periódicas Então, utilizaremos novamente a órmula anterior com os seguintes dados: C=50000 i=,8% ao mês t=36 meses R= ? 41 Substituindo, temos: 50.000 = R � 22,49782 R = 2.222,44 3.3.2 Séries uniformes com parcelas antecipadas As séries de adiantamentos são aquelas em que ocorre um pagamento ou recebimento no início de cada período. Portanto, a primeira parcela deverá ser paga ou recebida no “tempo zero”. Um bom exemplo desse tipo de transação são as compras parceladas, onde há um “entrado” e o restante é dividido em partes iguais. Neste caso teremos também uma órmula para o valor uturo da operação (valor) e outra para o valor presente (capital) Essas órmulas podem ser derivadas da mesma orma que no início da seção anterior e são as seguintes: Percebam que somente oi acrescentado o termo (1+i) às órmulas que tínhamos para séries com termos vencidos. Exemplo: Uma pessoa compra um aparelho de tv por $3.000,00 para ser paga em 6 prestaçõesmensais e iguais Sabendo que a primeira prestação é paga comoentrada e que a taxa de juros da operação é de 1,5% ao mês, qual será o valor das prestações? Solução: Esquematicamente, temos a seguinte situação: 42 Os dados deste problema são os seguintes: C=3.000 i=1,5% ao mês t=6 meses R= ? Substituindo estes valores na órmula, temos: Dessa orma, o valor de cada prestação será $518,76 Exemplo: Suponha que uma pessoa deseja depositar mensalmente $600,00 em um undo que rende % de juros ao mês Quanto essa pessoa terá ao nal de 4 meses, sabendo que o primeiro depósito é eito no início do primeiro mês? Solução: Esquematicamente, temos a seguinte situação: Temos, então, os seguintes valores: R=600 i=% ao mês t=24 meses M= ? Substituindo na órmula: 43 M = 600 � (1,02) � 30,422 M = 18.618,26 3.4 SÉRIE DE PAGAMENTOS VARIÁVEIS As séries de pagamentos variáveis são aquelas em que os pagamentos ou rendimentos não são constantes durante a operação Esses pagamentos/receitas podemaumentar ou diminuir em cada período. Há tambémcasos emque estes valores não seguem uma tendência, seja de aumento ou de diminuição. Nesta seção veremos o primeiro caso, ou seja, aumento e diminuição de pagamentos/receitas 3.4.1 Gradientes em progressão aritmética crescente Numa série em que os pagamentos/receitas dierem de acordo com uma regra denida, chamamos a dierença entre um pagamento e outro de gradiente (G) Chamando a renda base do primeiro pagamento (R), os pagamentos subsequentes serão essa renda base mais os gradientes acumulados em cada período. O diagrama abaixo ilustra esta situação. Neste caso, temos uma renda básica de $50,00 e gradiente igual a $100,00, ou seja, R = 50 e G = 100 44 É importante ressaltar que a recusa sempre começa a partir do segundo pagamento. Portanto, existem duas séries: o gradiente e a renda básica, e essas duas séries de-vem ser somadas. FIQUEATENTO Emumasériegradiente,quandoospagamentos/receitassãodieridos (vencidos), a órmula para o valor (valor uturo) será: Para o cálculo do capital (valor presente), usaremos a seguinte órmula: Exemplo: Suponha que uma pessoa deseje realizar uma viagem dentro de 5 meses e, para isso, resolva azer aplicações em um undo que rende % ao mês Sabe- se que o primeiro depósito ocorrerá ao nal do primeiro mês e terá o valor de $00,00 Os depósitos seguintes aumentarão segundo um gradiente de $50,00 Dessa orma, quanto essa pessoa terá ao nal do 5° mês? Solução: Esquematicamente, temos a seguinte situação: Assim, os dados do problema são: G=50 R=200 i=% ao mês t=5 meses M= ? Substituindo na órmula e chamando o montante da série do gradiente de “MG”, temos o seguinte: 45 MG = 2.500 � 5,204 − 5 MG = 2.500 � (0,204) MG = 510 Omontantedasériedarendabase(MR)écalculadoda ormacomojáconhecemos: MR = 200 � 5,20404 MR = 1.040,81 Somando os dois resultados, temos o montante total: MT = 510+ 1040,81 MT = 1.550,81 Caso ocorra a série gradiente para adiantamentos/receitas, os cálculos são eitos da mesma orma, apenas são alteradas as órmulas, que são as seguintes: 3.5 SÉRIE DE PAGAMENTOS INFINITA Dizemos que uma série de pagamentos é innita quando possui um grande número de pagamentos ou rendimentos durante um período de tempo que não pode ser especicado Um bom exemplo são os rendimentos dos undos de pensões que recebemos após a reorma Por quanto tempo o pensionista receberá esse rendimento 46 não pode ser determinado e pode, portanto, ser considerado innito Imagine uma situação em que uma pessoa investe R$ 1000,00 em um undo que rende 3% ao mês Essa pessoa poderá ter uma renda mensal innita de R$ 30,00 porque um mês depois terá R$ 1030,00 disponíveis Se ele sacar R$ 30,00, continuará tendo R$ 1000,00, o que gerará outros R$ 30,00 nomês seguinte, e assim por diante. Assim, no caso de uma série innita dierida, o resultado é a aplicação da taxa de juros ao capital, onde o número de períodos é muito grande e indenido O valor periódico desta série (R) é, portanto, dado por: R=C∙i Sendo assim, se conhecemos o valor dos pagamentos/recebimentos, o capital pode ser calculado da seguinte orma: C = R i Exemplo: Se uma pessoa deseja ter uma renda innita de $100,00 quanto ela deve aplicar hoje considerando uma taxa de juros de ,5%? Solução: Pela órmula do capital temos: C = 48.000 No caso de uma série innita antecipada, a órmula do capital seria: C = (1 + i) � R i A órmula para o valor da do pagamento seria, então: R = C � i 1 + i No início da unidade, foi derivada uma fórmula para o valor de uma série de pagamentos uniformes com parcelas devidas a partir da soma dos prazos do GP final. Como você de- rivaria a fórmula de patrimônio líquido com base no mesmo raciocínio? VAMOSPENSAR? 47 No livro Matemática financeira: aplicações à análise de investimentos de Carlos Patrício Samanez (2007) você encontrará este conteúdo com muitos exemplos e exercícios de fixação com várias situações que vemos na prática. Disponível em: https://bit.ly/2O422Pf. Acesso em: 14 maio 2020. BUSQUEPORMAIS 48 FIXANDOOCONTEÚDO 1. Suponha que uma pessoa deseja ter $5000,00 para uma viagem dentro de 5meses Para isso, ela pretende depositar mensalmente certa quantia em um fundo que rende 1,5% de juros ao mês Considerando o sistema de parcelas vencidas, qual deve ser o valor mensal depositado por ela? a)$166,3 b)$5,41 c)$83,16 d)$33,63 e)$15,44 2. Se uma pessoa aplica mensalmente $1500,00 em um undo que rende 1,5% ao mês, quanto ela terá ao nal de 4 meses, considerando prestações vencidas? a) $1475,14 b) $4950,8 c) $575,3 d) $3748,70 e) $40.000,00. 3. Suponha que uma pessoa aça um empréstimo de $5000,00 para ser pago em 4 prestações mensais e iguais Sabendo que a uma taxa de juros é de 3,5% ao mês quea operação ocorre sob o sistema de parcelas vencidas, qual será o valor das prestações? a) $1041,67 b) $561,3 c) $2.000,00. d) $464,5 e) $1556,8 4. Suponha que uma pessoa compre um eletrodoméstico por $1800,00 para ser pago em 18 prestações mensais e iguais Sabendo que a taxa de juros cobrada é de 1,85% ao mês e a primeira prestação é paga como uma entrada (no momento da compra), calcule o valor das prestações a) $3,41 b) $116,33 c) $100,00 d) $15,00 e) $15,45 5. Suponha que uma pessoa deseja depositar mensalmente $800,00 em um undo que 49 rende 1,% de juros aomês Quanto essa pessoa terá ao nal de 36meses, sabendo que o primeiro depósito é eito no início do primeiro mês? a) $36187,7 b) $4015,87 c) $8800,00 d) $43850,00 e) $9380,00 6. Suponha que uma pessoa deseja nanciar $5000,00 para a compra de um veículo e pretenda pagar em 36 prestações mensais e iguais Sabendo que é cobrada uma taxa de juros de ,15% ao mês e supondo que não haja nenhum outro custo envolvido, qual será o valor das prestações no regime de parcelas antecipadas? a) $851,4 b) $983,46 c) $750,00 d) $78,35 e) $568,1 7. Considerando a questão anterior, qual seria o valor das prestações sob o regime de parcelas vencidas? a) $983,46 b) $50,30 c) $009,1 d) $1958,5 e) $1004,60 8. Se uma pessoa pretende depositar mensalmente $500,00 em um undo que rende 1% ao mês, em quanto tempo ela terá $8048,45? a) 1 meses b) 36 meses c) 15 meses d) 18 meses e) 5 meses 50 EMPRÉSTIMOS 51 4.1 INTRODUÇÃO Os diferentes tipos de empréstimos são uma importante ferramenta para a capitalização das empresas e, consequentemente, para o desenvolvimento econômico do país. Esses empréstimos podem ser de curto prazo, como capital de giro, ou de longo prazo, como empréstimos destinados, por exemplo, a investimentos produtivos. Neste contexto, a matemática nanceira apresenta-se como uma erramenta importante na operacionalização destas operações, e o conteúdo visto até agora será muito útil No entanto, precisaremos introduzir alguns conceitos novos para compreender melhor essas operações e como elas ocorrem na prática 4.2 DESCONTO DE DUPLICATAS Duplicados são títulos de dívida em que o emitente se compromete a pagar um determinadomontante no nal de um determinado período Este valor é o já conhecido “valor de resgate” ou “valor de ace” da segunda via e tem prazo de validade especíco Esses títulos são normalmente descontados nas instituições nanceiras, com taxa de desconto e demais encargos nanceiros denidos, que normalmente são cobrados à vista sobre o valor de resgate. Essa taxa de desconto geralmente ocorre, como vimos anteriormente, e os principais encargos nanceiros presentes nesse tipo de transação são os seguintes: • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): é, por exemplo, um imposto ederal sobre operações de crédito, câmbio e seguros A taxa é cobrada sobre o valor da operação e ao mesmo tempo serve como erramenta de controle das operações nanceiras no país • Taxa administrativa: normalmente cobrada pelas instituições nanceiras para cobrir os custos de abertura, concessão e revisão do empréstimo. Também é calculado a partir do valor do título e deve ser pago no momento da liberação do crédito. Desta forma, existe um custo efetivo de operação superior à taxa de desconto observadaanteriormenteApósa introduçãodo IOF,estecustoeetivopodesercalculado da seguinte orma: CE = d + IOF 1− (d + IOF) Onde “CE” representa o custo efetivo e “d”, como antes, representa a taxa de desconto da operação, considerando sempre um sistema de desconto simples. As operações de desconto de duplicatas se constituem em empréstimos das instituições fi- nanceiras para as empresas. A responsabilidade pela cobrança da duplicata é da empresa e esta deve pagar à instituição financeira mesmo que não receba dos clientes. FIQUEATENTO 52 Exemplo: Qual é o custo efetivo de uma operação de desconto de duplicata cujo valor de resgate é $30000,00 com vencimento em 60 dias, considerando uma taxa de desconto de ,5% ao mês, uma alíquota de IOF de 0,041% ao dia? Solução: O custo eetivo será: CE = 0,08061 ou 8,061 ao bimestre Nota: como a taxa de desconto é mensal, ela foi multiplicada por 2 para dar em 60 diasOmesmo oi eito coma alíquota do IOF, que oimultiplicada por 60 como todos os dias. Exemplo: Qual será o valor descontado na operação do exemplo anterior? Solução: Para calcular o valor com desconto devemos subtrair o valor da compra pelo desconto mais o IOF Assim: C = M− D+ IOF D = 30.000 � 0,025 � 2 D = 1.500 IOF = 30.000 � 0,00041 � 60 IOF = 738 Sendo assim temos, então: C = 30.000− 1.500+ 738 C = 27.762,00 Podemos também calcular o valor descontado diretamente através da seguinte órmula: C = M � (1− dt − IOFt) Sendo “IOF” a alíquota do imposto sobre operações nanceiras De forma alternativa, o custo efetivo da operação também pode ser obtido dividindo-se o valor de resgate da duplicata pelo valor descontado, da seguinte orma: 53 CE = 0,08061 ou 8,061 ao bimestre 4.3 NOTAS PROMISSÓRIAS Os títulos do Tesouro, também chamados de “títulos comerciais”, são títulos de curto prazo emitidos para arrecadar recursos para capital de giro Segundo Neto (019), é uma “alternativa às operações convencionais de crédito bancário que permite reduzir as taxas de juros eliminando a intermediação nanceira bancária”Os custos consistem em juros pagos, comissões e outros custos de emissão Exemplo: Suponha que uma empresa emita uma nota promissória com valor nominal de $ 35000,00 e vencimento em 3 meses Oerece taxa de desconto de 1,5% ao mês e o custo de emissão corresponde a 0,5% do valor de resgate Nessas condições, qual será o valor líquido recebido pela empresa? Solução: O valor líquido recebido será igual ao valor de resgate do título menos o desconto e os custos de emissão Desta orma temos o seguinte: Desconto: D=M∙d∙t D=35000∙0,015∙3 D=1575 Custos de emissão: C=35000∙0,005 C=175 Assim, o valor líquido será: VL=35000-1575-175 VL=3350,00 Exemplo: Considerando os dados do exemplo anterior, qual foi o custo efetivo da operação? Solução: Como vimos, o custo efetivo pode ser obtido dividindo-se o valor de resgate pelo valor líquido recebido Então: CE = 0,0526 ou 5,26% aomês 4.4 FOMENTO COMERCIAL (FACTORING) As operações de desenvolvimento comercial, também chamadas de “actoring”, não são exatamente empréstimos, embora sejam importantes ferramentas para obtenção de recursos de empresas, principalmente de pequeno e médio porte. Essas operações não são realizadas por instituições nanceiras, mas por empresas comerciais denominadas “fatores” ou “fatores”. As empresas de factoring compram duplicatas de empresas de despacho e tornam-se detentoras de crédito dos clientes. 54 Neste e em outros pontos, esta operação é fundamentalmente diferente do desconto de duplicatas que vimos anteriormente. É também uma operação mais segura para as transportadoras, pois o risco de inadimplência do cliente é transferido para a empresa de factoring. É claro que este risco é levado em consideração durante a operação e se refete no valor pago pela empresa de actoring Esse valor também dependerá de outros fatores, por isso a operação é realizada aplicando um fator ao valor de resgate do título do empréstimo, que deve cobrir custos administrativos, impostos e ainda garantir o lucro do atorador Este ator pode ser calculado da seguinte orma: Fator = Custo do dinheiro + Despesas + Lucro 1− Tributos • Custo do dinheiro: representa o custo médio do capital de terceiros obtido pelo actorer e o custo de oportunidade dos recursos próprios utilizados para realizar suas operações • Despesas: são despesas xas e variáveis do actorer Geralmente é calculado como uma porcentagem de sua renda mensal total. • Lucro: representa o lucro que a empresa de factoring espera da sua atividade. Geralmente é calculado como uma porcentagem do valor de resgatedo título. • Impostos: O PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são normalmente recolhidos nessas operações Exemplo: Considere uma operação de desenvolvimento comercial com um título de US$ 15000,00 com vencimento em 30 dias Digamos que o custo do dinheiro seja de ,5% ao mês, o custo da empresa de actoring seja de % e sua margem de lucro seja de 4,5% Se o total dos impostos or de 1%, qual será o ator operacional? Solução: A operação tem o seguinte custo total (CT): CT = 2,5% + 2%+ 4,5% CT = 9% Assim, o ator será: Fator = 0,091 ou 9,1% Exemplo: Considerando a situação do exemplo anterior, qual será o valor descontado (capital)? Solução: Precisamos, primeiramente, calcular a taxa de desconto através do fator calculado Para isso, podemos utilizar a seguinte órmula: d = fator 1 + fator Assim, temos a seguinte taxa de desconto: d = 0,08341 55 Calculando, então, o valor descontado, teremos: C = M � (1− dt) C = 15.000 � 1− 0,08341 � 1 C = 15.000 � 0,91659 C = 13.748,85 Exemplo: Considerando ainda o exemplo anterior, qual foi o custo efetivo da operação? Solução: CE = 0,091 ou 9,1% Como se pode ver, o custo efetivo é igual ao fator calculado anteriormente. No livro “Matemática financeira com HP 12c e Excel” de Gimenes (2006) você encontrará mais detalhes sobre o conteúdo desenvolvido nesta unidade. Disponível em: https://bit.ly/3e9WUDP. Acesso em: 14 maio 2020. BUSQUEPORMAIS No início do bloco vimos que o imposto sobre operações financeiras incide sobre opera- ções com desconto na fatura. Porém, não é cobrado nas operações de factoring, como também vimos. Por que isso está acontecendo? VAMOSPENSAR? 56 FIXANDOOCONTEÚDO 1. Calcule o custo efetivo de uma operação de desconto de duplicata cujo valor de resgate é $5000,00 com vencimento em 35 dias, considerando uma taxa de desconto de 0,0% ao dia e uma alíquota de IOF de 0,041% ao dia a) 0,000% b) 0,06104% c) 0,00041% d) 0,035% e) 0,003% 2. Calcule o valor descontado de uma operação de desconto de duplicata cujo valor de resgate é $6500,00 com vencimento em 60 dias, considerando uma taxa de desconto de 1,5% ao mês e uma alíquota de IOF de 0,0041% ao dia a) $5300,00 b) $5890,00 c) $4350,00 d) $689,00 e) $350,00 3. Calcule o valor descontado de uma operação de desconto de duplicata cujo valor de resgate é $10780,00 com vencimento em 50 dias, considerando ma taxa de desconto de 1,9% ao mês e uma alíquota de IOF de 0,0041% ao dia a) $10416,50 b) $10000,00 c) $10650,00 d) $9895,50 e) $8900,00 4. Uma empresa emite uma nota promissória com valor de resgate de $15000,00 e com vencimento em meses Ela oerece uma taxa de desconto de % aomês e os custos de emissão correspondem a 0,7% sobre o valor de resgate Sendo assim, qual será o valor líquido recebido pela empresa? a) $14900,00 b) $14000,00 c) $1495,00 d) $13950,00 e) $13568,00 5. Calcule o custo efetivo de uma operação de desconto de uma duplicata com valor de resgate de $15000,00 com vencimento em meses, sabendo que há uma taxa de 57 desconto de % ao mês e os custos de emissão correspondem a 0,7% sobre o valor de resgate. a) 4,93% b) 3,7% c) 5,5% d) ,75% e) 1,55% 6.Calcule o valor de resgate de umaduplicata descontada 30 antes do seu vencimento, por $315,00 sabendo que o valor do desconto oi de $55,00 e os custos da operação oram de $150,00 a) $3950,00 b) $3800,00 c) $4.000,00. d) $450,00 e) $790,00 7. Imagine uma operação de omento comercial sobre um título de $5000,00 com vencimento em 60 dias Suponha que o custo do dinheiro seja 3% ao mês, as despesas da atorizadora representem ,5% e sua margem de lucro seja de 5% Se o total de tributos representa 1%, qual será o ator da operação? a) 0,106% b) 0,61% c) 1,45% d) 10,61% e) 11,54% 8. Uma fatorizadora realiza uma operação de fomento comercial sobre um título de $5000,00 com vencimento em60 dias Supondo que o custo do dinheiro seja 3% aomês, as despesas da atorizadora ,5%, sua margem de lucro 5% e os impostos 1%, calcule o valor descontado. a) $4040,77 b) $5055,1 c) $3950,00 d) $4980,5 e) $3780,00 58 SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO 59 A amortização é um processo que consiste em quitar gradativamente a dívida em parcelas para que o empréstimo seja quitado ao nal do prazo determinado Cada pagamento tem dois componentes: a amortização, que é o reembolso do principal, e o pagamento de juros sobre o saldo que ainda não foi amortizado. Umbomexemplo disso é o nanciamento imobiliário, que pode durar 0 anos e é pago em parcelas mensais, onde uma parte quita o empréstimo e a outra corresponde ao pagamento dos juros. Outro conceito importante na área de nanciamento é o termo “período de carência”, que representa o tempo decorrido entre a concessão do empréstimo e a data de pagamento da primeira parcela. Este período é geralmente acordado entre o credor e o devedor. Porém, é importante ressaltar que qualquer sistema de amortização pode ou não ter carência. Nesta unidade veremos os principais sistemas de depreciação adotados no país: o sistema de depreciação francês, o sistema de depreciação constante e o sistema de depreciação mista. 5.1.2 Sistema de Amortização Francês Este sistema tambéméconhecido como “Tabela de Preços” porque foi criado pelo matemático Richard Price no século XVIII e desenvolvido na França no século seguinte. 5.1 INTRODUÇÃO De acordo com o Professor Mario Geraldo Pereira, a denominação "Tabela Price" se deve ao nome do matemático, lósoo e teólogo inglês Richard Price, que viveu no Século XVIII e que incorporou a teoria dos juros compostos às amortizações de empréstimos (ou nanciamentos) A denominação "Sistema Frances", de acordo como autor citado, deve-se ao fato de o mesmo ter-se efetivamente desenvolvido na França no Século XIX (SOBRINHO, 018, p 138) Este sistema caracteriza-se pelo reembolso do empréstimo em prestações regulares, iguais e consecutivas de acordo com o conceito de prestações vencidas O valor das parcelas é, portanto, calculado da orma que já conhecemos, ou seja: Opagamentodejurosécalculadomultiplicandoataxadejurospelosaldoexistente no período anterior, e como cada pagamento consiste em juros mais amortização, este valor será calculado subtraindo o valor do pagamento de juros Portanto teremos: A=R-J Onde “A” representaacomponentedeamortizaçãoe “J” representaacomponente de juros. 60 Exemplo: Considere um empréstimo de $ 50000,00 a ser pago em 10 parcelas iguais a uma taxa de juros de 3% Nesse caso, qual seria o valor das parcelas, da parte dos juros e da parte da amortização na primeira parcela? Solução: O valor das parcelas seria: R = 50.000 � 0,12552 R = 6.276,00 Como não houve amortização da primeira parcela até o momento, o saldo da dívida será o valor do próprio nanciamento Então: J=i∙C J=0,03∙50000 J=1500,00 Assim, a parcela da amortização na primeira prestação será: A=R-J A=676-1500 A=4776,00 A partir de agora representaremos a parte dos juros em cada período como J1, J2, J3 e as- sim por diante. Da mesma forma, chamaremos de A1, A2, A3, ... a parte da amortização de cada período e C1, C2, C3, ... o saldo devedor. FIQUEATENTO Exemplo:Considere um nanciamento de $35000,00 a ser pago em 5 prestações iguais emensais a uma taxa de juros de 1,5% aomêsCalcule o valor de cada prestação, a parcela dos juros e da amortização em cada período. Solução: Vamos primeiramente calcular o valor das prestações: 61 R = 35.000 � 0,20909 R = 7.318,13 Devemos lembrar que este valor será constante em todos os períodos. A parte dos juros da primeira parcela será: J1=0,015∙35000 J1=55,00 A parcela da amortização também na primeira prestação será: A1=7318,13-55 A1=6793,13 Ao nal do primeiro mês, o saldo devedor será o saldo do período anterior menos o valor da amortização: C1=C-A C1=35000-6793,13 C1=806,87 Ao nal do segundo mês, teremos os seguintes valores:J2=i∙C1 J2=0,015∙806,87 J2=43,10 Amortização: A2=R-J2 A2=7318,13-43,10 A2=6895,03 Saldo devedor: C2=C1-A2 C2=806,87-6895,03 C2=1311,84 62 Período Prestação Juros Amortização Saldo devedor 0 - - - 35000 1 7318,13 55 6793,13 806,87 2 7318,13 43,10 6895,0 1311,85 3 7318,13 319,68 6998,45 14313,40 4 7318,13 14,70 7103,4 709,98 5 7318,13 108,15 709,98 0,00 Quadro 5: Tabela Final com os dados do nanciamento Fonte: Elaborado pelo Autor (00) Continuando os cálculos para os demais períodos e apresentando os resultados em uma tabela contendo os juros e amortizações de cada período, bem como o valor das parcelas e o saldo devedor, teremos o seguinte: Quando sabemos o valor do nanciamento, a taxa de juros e o número de pagamentos, podemos utilizar outras órmulas importantes Por exemplo, vamos ver como calcular os atrasos após um determinado tempo, que chamaremos de “n”: Exemplo: Considerando os dados do exemplo anterior, qual será o saldo devedor ao nal do 3° mês? Solução: Neste caso, temos n=3 Substituindo na órmula com os outros valores que já conhecemos, teremos: C = 7.318,13 � 1,955883 C = 14.313,40 Este valor confere com aquele encontrado na tabela, como era de se esperar. Exemplo: Considere um nanciamento de $70000,00 a ser pago em 40 prestações mensais e iguais Se a taxa de juros da operação é de % ao mês, qual será o saldo devedor após 10 meses? Solução: Primeiramente, precisamos calcular o valor das prestações 63 R = 70.000 � 0,020174 R = 1.412,18 Agora podemos calcular o valor do saldo devedor no período desejado. C0 = 1.412,18 � 45,35539 C0 = 64.049.97 De forma semelhante, também podemos calcular os pagamentos de juros e amortizações em um determinado período da seguinte orma: An = A1 ∙ (1 + i) n−1 Exemplo: Considerando o exemplo anterior, qual será a parcela dos juros e a parcela da amortização no período 10? Solução: A parcela de juros será: J0 = 28,2436 � 45,44664 J0 = 1.283,58 64 Para calcular a parcela de amortização no período n=10 através da órmula anterior, devemos primeiro calcular essa parcela na primeira prestação (A1). A = R− i � C A = 1.412,18− 0,02 � 70.000 A = 12,18 Assim, A10 será: A0 = 12,18 � 1,02 0 A0 = 12,18 � 1,02 9 A0 = 128,60 5.2 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE Um sistema de amortização constante (SAC) é um plano em que todos os pagamentos de amortização são iguais ou constantes ao longo do período. Neste ponto difere da tabela de preços, onde os reembolsos são constantes, como se pode vericar (na tabela de preços a amortização cresce exponencialmente ao longo do tempo). No sistema de amortização constante as parcelas vão diminuindo, ou seja, vão diminuindo com o tempo. Para iniciar o processo, devemos primeiro calcular o valor da depreciação da seguinte orma: A = C t A parte dos juros continua sendo calculada a partir do saldo não pago do período anterior e o valor da parcela será a soma dessas duas parcelas, ou seja. R=J+A Exemplo: Suponha um nanciamento de $65000,00 a ser pago em 5 prestações mensais a uma taxa de juros de 3% ao mês Quais seriam os valores das prestações e as parcelas de juros e amortização em cada período? Solução: Calculando primeiramente o valor da amortização, temos: A = 13.000 No primeiro mês, teremos os seguintes valores: 65 J = 0,03 � 65.000 J = 1.950 R = 1.950+ 13.000 R = 14.950 C = 65.000− 13.000 C = 52.000 Seguindo este processo, podemos montar uma tabela como na seção anterior. Período Prestação Juros Amortização Saldo devedor 0 - - - 65000 1 14950,00 1950,00 13000,00 5000 2 14560,00 1560,00 13000,00 39000 3 14170,00 1170,00 13000,00 6000 4 13780,00 780,00 13000,00 13000 5 13390,00 390,00 13000,00 0,00 Total 70850,00 5850,00 65000,00 - Quadro 6: Tabela Final com os dados do nanciamento Fonte: Elaborado pelo Autor (00) No sistema de amortização constante, podemos calcular o saldo devedor no momento “n” da seguinte orma: Cn=A∙(t-n) O valor da parcela de juros e da prestação no período “n” pode ser calculado através das seguintes órmulas, respectivamente: Jn=i∙A∙(t-n+1) Rn=A[1+i∙(t-n+1)] Exemplo: Suponha um nanciamento de $100000,00 a ser pago em60prestações mensais sob o sistema de amortização constante. Considerando uma taxa de juros de 1,% ao mês, qual será o saldo devedor ao nal de dois anos? Solução: Desejamos saber o saldo devedor no 4° mês, mas antes precisamos calcular o valor da amortização Assim: A = 1.666,67 66 Assim, o valor do saldo devedor ao nal de dois anos será: Cn = A � t − n C4 = 1.666,67 � 60− 24 C4 = 60.000,00 Exemplo: Considerando o exemplo anterior, qual será o valor da prestação e a parcela de juros ao nal de dois anos? Solução: O valor da prestação será: Rn = A � 1 + i � t − n + 1 R4 = 1.666,67 � 1 + 0,012 � 60− 24 + 1 R4 = 1.666,67 � 1,444 R4 = 2.406,67 A parcela de juros: Jn = i � A � t − n + 1 J4 = 0,012 � 1.666,67 60− 24 + 1 J4 = 740,00 5.3 SISTEMA DE AMORTIZAÇÃOMISTO Um sistema misto de amortização (SAM), como o SAC, costuma ser utilizado principalmente em nanciamentos imobiliários Como o nome sugere, baseia-se nos dois tipos de amortização anteriormente mencionados, sendo os reembolsos calculados como a média aritmética dos reembolsos dos outros sistemas. No início da operação essas parcelas são maiores em relação à Tabela de Preços. No entanto, diminuem signicativamente a partir de meados do período de nanciamento total Neste sistema, a primeira parcela pode ser calculada da seguinte orma: Como você pode perceber, a parcela é a média aritmética da parcela da Tabela Price com a primeira parcela do sistema de amortização constante. Porém, existe outra forma de calcular o valor desse benefício. Introdução da variável “q”, que pode assumir valores de 0; 0,5 e 1, temos a seguinte órmula: Desta forma, quando q=0, temos exatamente o desempenho da tabela de preços. Em q=1 temos o valor de reembolso do sistema de amortização constante e em q=0,5 67 temos o valor de reembolso do sistema misto. É importante notar que os benefícios num sistema misto diminuem de acordo com uma progressão aritmética, cuja razão (r) é dada por: Exemplo: Qual o valor da primeira prestação mensal de um nanciamento de $300000,00 a ser pago em quatro prestações mensais a uma taxa de 5% ao mês, considerando os três sistemas de amortização (Price, SAC e SAM)? Solução: Vamos, primeiramente, considerar a Tabela Price. Para isso, precisamos de q=0. R R = 84.603,55 Para calcular o valor da prestação no SAC, precisamos de q=1 Assim: R = 300.000 � 0,3 R = 90.000,00 Por m, para calcular o valor da parcela no sistema misto, azemos q=0,5 68 R = 42.301,77+ 45.000 R = 87.301,77 Exemplo:Considerandoosdadosdoexemploanterior, qual seriaoplanocompleto de amortização sob o sistema misto? Solução: Uma vez que já conhecemos o valor da primeira prestação, devemos calcular a razão de decrescimento das prestações para conhecermos as demais r = 1.875 Assim, sabemos que a segunda prestação será: R = R − r R = 87.301,77− 1.875 R = 85.426,77 Como a parte dos juros é sempre calculada a partir do saldo devedor do período anterior e a parte da amortização será o valor da amortizaçãomenos a parte dos juros, podemosconstruir uma tabelaque representaocronogramacompletodeamortização. Período Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 300.000 1 15000 7301,77 87301,77 7698,3 2 11384,91 74041,86 8546,77 153656,36 3 768,8 75868,96 83551,77 77787,40 4 3889,37 77787,40 81676,77 0,00 Total 37957,10 300.000 337957,10 - Quadro 7: Tabela Final com os dados da amortização Fonte: Elaborado pelo Autor (00) Observe que a diferença entre um pagamento e o pagamento anterior é sempre igual a $ 1875,00, valor de “r” 69 No livro Matemática financeira: aplicações à análise de investimentos de Carlos Patrício Samanez (2007) você encontrará mais detalhes sobre este conteúdocom muitos exemplos e exercícios. Disponível em: https://bit.ly/3gIpQEt. Acesso em: 14 maio. 2020 BUSQUEPORMAIS Em qualquer sistema de amortização, a soma das prestações nunca é igual ao valor do empréstimo. Por que isso acontece? VAMOSPENSAR? 70 FIXANDOOCONTEÚDO 1. Considere um nanciamento no valor de $30000,00 a ser liquidado em 5 prestações mensais Sendo a taxa de juros % ao mês e o sistema de amortização é a Tabela Price, calcule o valor da amortização no segundo mês. a) $5880,05 b) $6117,60 c) $639,95 d) $485,00 e) $5500,00 2. Considerando ainda a Tabela Price, calcule o valor do saldo devedor, ao nal de 4 meses, de um nanciamento de $150000,00 pelo prazo de 48meses, considerando uma taxa de juros de 1,8% ao mês a) $13569,69 b) $11093,79 c) $108064,5 d) $90815,06 e) $5049,45 3. Calcule o valor da prestação no 5° mês de um empréstimo de $350000,00 a ser amortizado pela Tabela Price em 60 prestações, considerando uma taxa de juros de 3,5% a) $1575,00 b) $5833,33 c) $14031,0 d) $1057,80 e) $1954,00 4. Considerando a Tabela Price, calcule o valor da parcela de juros, no 15° mês, de um nanciamento de $100000,00 a ser amortizado em 30 prestações a uma taxa de juros de ,9% ao mês a) $718,00 b) $46,75 c) $109,56 d) $146,50 e) $1848,65 5.Considerandoosdadosdoexercícioanterior, calculeovalordaparceladeamortização no 5° mês 71 a) $468,35 b) $315,3 c) $44,39 d) $2.240,00. e) $5995,3 6. Considerando o sistema de amortização constante, calcule o valor da amortização de um nanciamento de $50000,00 a ser amortizado em 4 prestações mensais a uma taxa de juros de 1,9% ao mês a) $10416,67 b) $15951,3 c) $875,00 d) $739,5 e) $7850,81 7. Uma pessoa nancia $35000,00 para a aquisição de um imóvel, pretendendo amortizar em 10 prestações sob o sistema de amortização constante Sabendo que a taxa de juros é de ,5% ao mês, calcule o saldo devedor ao nal do 60° mês a) $145500,00 b) $13718,75 c) $145833,00 d) $175000,00 e) $200.000,00. 8.Considerando o sistema de amortizaçãomisto, calcule o valor da segunda prestação de um nanciamento de $00000,00 a ser amortizado em 50 prestações mensais a uma taxa de juros de 1,5% ao mês a) $8351,5 b) $637,17 c) $5150,00 d) $585,35 e) $474,17 72 MÉTODOS DE AVALIAÇÃODE INVESTIMENTOS 73 Osmétodos de análise de investimento ou análise de fuxo de caixa consistem em comparar o valor presente de vários fuxos uturos de pagamentos/receitas com o valor de um pagamento/receita eetuado “hoje” 6.1 INTRODUÇÃO As alternativas de investimento podem ser comparadas somente se as consequênciasmonetárias foremmedidas em um ponto comum no tempo e, como as operações de investimento ou nanciamento têm por característica um espaçamento dos fuxos de caixa ao longo do tempo, os critérios de avaliação econômica devem considerar sua atualização (SAMANEZ, 007, p 54) Dentre os métodos de avaliação mais utilizados, destacam-se o método do valor presente líquido (VPL) e o método da taxa interna de retorno (TIR), amplamente utilizados na análise de aplicações nanceiras e projetos de investimento 6.2 VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) O valor presente é uma técnica que envolve calcular o valor presente de uma série de pagamentos/receitas a uma determinada taxa de juros e subtrair o valor do fuxo inicial, que pode ser um investimento, nanciamento ou empréstimo Em outras palavras, esta técnica visa calcular o valor presente dos fuxos de caixa uturos que o projeto irá gerar ao longo da sua vida. Se representarmos o fuxo de caixa no período “j” por FCJ e o fuxo de caixa inicial (investimento/nanciamento) por I0, podemos escrever a seguinte órmula para o valor presente líquido: VPL = FC 1 + i + FC 1 + i + FC 1 + i +⋯+ FCt 1 + i t − I0 Esta técnica foi originalmente desenvolvida para análise de projetos de investimento Neste caso, pode-se denir a taxa de retorno mínima exigida e com base nela calcular o valor presente das vendas estimadas para os meses ou anos seguintes. Se o valor presente líquido for positivo, ou seja, se o valor presente dos retornos futuros formaior que o valor do investimento inicial, entãodeve ser tomadaadecisãode realizar o investimento, pois neste caso a taxa de retorno do investimento será superior à taxa mínima exigida. Por outras palavras, se o VPL for positivo, o investimento vale mais do que custa. Exemplo: Suponha que uma empresa esteja analisando a viabilidade de adquirir equipamentos no valor de $ 5000000,00 Esta instalação é conhecida por gerar vendas de $ 1500000,00 no primeiro ano, $ 1510000,00 no segundo ano, $ 900000,00 e $ 790000,00 no terceiro e quarto anos, respectivamente Sabendo que o equipamento será vendido por $ 1000000,00 ao nal do quarto ano, qual deveria ser a decisão da empresa dada uma taxa de retorno de 15% ao ano? Solução:Comoo equipamento será vendido ao nal do quarto ano, o fuxo gerado neste ano será FC4=790000+1000000=1790000 Esquematicamente, temos a seguinte 74 situação: Calculando o valor presente líquido destes fuxos, temos: VPL = 1.304.347,83 + 1.141.776,94+ 591.764,61+ 1.023.438,31− 5.000.000 VPL = 4.061.327,68− 5.000.000 VPL = − 938.672,32 ⇒ VPL negativo Portanto, considerando a taxa de retorno de 15% ao ano, a empresa não deve realizaraaquisiçãodesteequipamento.Ditodeoutra forma,aaquisiçãodoequipamento não é um investimento economicamente viável. Exemplo: Seguindo o exemplo anterior, qual deveria ser a decisão da empresa se ela considerasse uma taxa de retorno de 5% ao ano: Solução: Neste caso, teríamos o seguinte VPL: VPL = 1.428.571,43+ 1.396.614,51+ 777.453,84 + 1.472.637,43− 5.000.000 VPL = 5.048.277,21− 5.000.000 VPL = 48.277,21 ⇒ VPL positivo Portanto, se a taxa de retorno exigida osse de 5% ao ano, o investimento seria economicamente viável e a empresa deveria adquirir o equipamento. 75 6.3 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) O método da taxa interna de retorno tem como objetivo encontrar uma taxa intrínseca de rendimento em um investimento, empréstimo ou nanciamento Dito de outra forma, a taxa interna de retorno é aquela que equaliza o valor presente de um ou mais recebimentos futuros com o valor do investimento inicial, ou seja, é a taxa que faz com que o VPL seja nulo. Dessa forma, a equação que nos dá a TIR pode ser escrita da seguinte orma: I0 = FC 1 + i + FC 1 + i + FC 1 + i +⋯+ FCT 1 + i t Ou, de orma similar: I0 − FC 1 + i + FC 1 + i + FC 1 + i +⋯+ FCT 1 + i t = 0 Onde “i”, neste caso, representa a taxa interna de retorno. Exemplo:Qual é a taxa interna de retorno de um investimento de $10000,00 a ser liquidado em três prestações mensais de $3000,00, $5000,00 e $4000,00? Solução: Esquematicamente, temos a seguinte situação: Sendo assim, devemos resolver a seguinte equação: 10.000 = 3.000 1 + i + 5.000 1 + i + 4.000 1 + i No entanto, esta equação só pode ser resolvida por tentativa e erro (método interativo). Para isso, precisamos escolher uma taxa interna que acreditamos estar próxima da taxa desejada Escolhemos, por exemplo, 11% Portanto, a soma abaixo deve ser igual a 10000: = 9.658,58 76 Como resultado não foi o que queríamos, temos que tentar outra taxa. Para que o resultado seja maior que o encontrado, a taxa deve ser menor Então tentaremos 9% = 2.752,29+ 4.208,40+ 3.088,73 = 10.049,43 Como ainda não encontramos o valor que procuramos, tentaremos uma taxa um pouco mais alta. Uma das técnicas que podemos usar para fazer isso é a interpolação linear Como procuramos um valor entre 9% e 11%, procederemos da seguinte orma: Onde x é a taxa que procuramos Assim: x = −1,75%+ 11% x = 9,25% Usando, então 9,5% como taxa, teremos: .000 (0,095)1 + 5.000 (0,095)2 + 4.000 (0,095)3 = .000 ,095 1 + 5.000 ,095 2 + 4.000 ,095 3 = 2.746 + 4.189,16+ 3.067,58 = 10.002,74 A rigor, a alíquota ainda não está e deveria ser um poucomaior.Se continuarmos com a nova interpolação, obtemos uma alíquota igual a 9,647% Então teremos: 2.754,63+ 4.188,03+ 3.066,34 = 10.000 Portanto, a taxa interna de retorno deste nanciamento é 9,647% 77 No livro Matemática financeira: aplicações à análise de investimentos de Carlos Patrício Samanez (2007) você encontrará este conteúdo de forma bem deta- lhada e com muitos exemplos de aplicação. Disponível em: https://bit.ly/31ZBerr. Acesso em: 14 maio. 2020 BUSQUEPORMAIS Na seção anterior, usamos o método de interpolação linear para encontrar a taxa interna de retorno. Poderíamos também usar a média aritmética entre os dois valores de taxa anteriores? Se sim, o número de tentativas seria o mesmo? VAMOSPENSAR? 78 1. Suponha que uma empresa esteja analisando a viabilidade de adquirir um equipamento por $950000,00 Sabe-se que este equipamento irá gerar receitas de $350000,00 no primeiro ano, $500000,00 no segundo ano e $300000,00 no terceiro ano Sabendo que o equipamento será vendido por $800000,00 ao nal do terceiro ano, calcule o valor presente líquido deste investimento, considerando uma taxa de retorno de 15% ao ano a) $950000,00 b) $455687,51 c) $900000,00 d) $34578,75 e) $58735,83 2. Calcule o valor presente líquido de um investimento de $150000,000 que rende uma receita de $50000,00 no primeiro ano, $45000,00 no segundo ano e $30000,00 no terceiro ano Considere uma taxa de juros de 10% ao ano e saben-do a) -$44815,94 b) $105184,06 c) $4435,1 d) $5048,00 e) -$6849,35 3. Suponha que uma pessoa deseja adquirir uma ranquia no valor de $150000,00 O ranqueador arma que este investimento irá gerar receitas anuais de $50000,00 no primeiro ano, $55000,00 no segundo ano, $60000,00 no terceiro ano, $75000,00 no quarto ano e $65000,00 no quinto ano Calcule o valor presente líquido deste investimento considerando uma taxa de juros de 1% ao ano a) $106745,60 b) $4354,40 c) -$5487,0 d) -$106745,60 e) $65741,94 4.Considerando o exercício anterior, calcule o valor presente líquido a uma taxa de 30% ao ano. a) -$7918,14 b) -$14081,86 c) $7918,14 d) $14081,86 e) -$156,15 FIXANDOOCONTEÚDO 79 5. Suponha que uma empresa deseja realizar a aquisição de um equipamento por $10000,00 Sabendo que este equipamento irá gerar uma receita de $35000,00 no primeiro ano, $50000,00 no segundo ano, $45000,00 no terceiro ano e $8000,00 no quarto ano, calcule o valor presente líquido a uma taxa de 10% ao ano a) -$6074,04 b) -$16074,04 c) $16074,04 d) $6074,04 e) $174,04 6. Considerando os dados do exercício anterior, calcule a taxa interna de retorno do investimento. a) 15,5% b) 1,38% c) 18,53% d) 14,8% e) 10,5% 7. Calcule a taxa interna de retorno de um investimento de $200.000,00 que gerará receitas de $90000,00 no primeiro ano, $75000,00 no segundo ano e $80000,00 no terceiro ano. a) 15,5% b) ,15% c) 9,5% d) 11,13% e) 8,75% 8. Uma pessoa deseja comprar uma franquia por $320.000,00. Sabendo que tal franquia irá gerar uma receita de $110000,00 por ano nos primeiros cinco anos, calcule a taxa interna de retorno deste investimento. a) 15,351% b) 10,708% c) 1,561% d) 13,7854% e) 14,356% 80 RESPOSTAS DO FIXANDOOCONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 C QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 C QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 B 81 GIMENES, C. M. Matemática fnanceira com HP 12c e Excel São Paulo: Pearson Prentice Hall, 006 NETO, A. A. Matemática fnanceira e suas aplicações 14 ed São Paulo: Atlas, 019 SAMANEZ, C PMatemática fnanceira: aplicações à análise de investimentos 4 ed São Paulo: Pearson Prentice Hall, 007 SOBRINHO, J. D. V. Matemática fnanceira 3 ed São Paulo: Atlas, 008 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 82 graduacaoead.faculdadeunica.com.br