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Aula 00 - Profº Celso
Natale (PDF) e Amanda
Aires (Videoaulas)
CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do
Trabalhador) Conhecimentos Específicos
- Eixo Temático 3 - Sociologia e
Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024
(Pós-Edital)
Autor:
Alessandra Lopes, Celso Natale,
Thayse Duarte Varela Dantas
Cesar
15 de Janeiro de 2024
1
SUMÁRIO
1 Economia do trabalho: Conceitos básicos e definições ............................................................... 4
1.1 População e força de trabalho .................................................................................................... 6
2 Desemprego e Emprego ................................................................................................................... 7
2.1 Taxa Natural de Desemprego ..................................................................................................... 7
2.2 Tipos de Desemprego .................................................................................................................. 8
3 Indicadores do Mercado de Trabalho. ......................................................................................... 13
3.1 Estrutura Conceitual ................................................................................................................... 14
3.2 Taxa de Atividade ....................................................................................................................... 22
3.3 Taxa de Inatividade .................................................................................................................... 23
3.4 Nível de Ocupação ..................................................................................................................... 23
3.5 Nível de Desocupação ............................................................................................................... 23
3.6 Taxa de Desocupação (Taxa de Desemprego) ...................................................................... 24
3.7 Taxa de Ocupação (Taxa de Emprego) ................................................................................... 24
3.8 Taxa de Rotatividade da mão-de-obra .................................................................................... 25
Esquemas da aula ................................................................................................................................... 27
Questões Comentadas ........................................................................................................................... 30
Lista de Questões .................................................................................................................................... 48
Gabarito.................................................................................................................................................... 57
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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APRESENTAÇÕES
Saudações!
Meu nome é Celso Natale, e tenho a missão e o desafio de ajudar você a conquistar seu cargo
nesse concurso do CNU.
Apenas para estabelecermos uma ligação um pouco melhor daquela que
normalmente temos online, uma rápida apresentação; eu sou esse cara aí ao
lado. Sou Servidor Público Federal, da carreira de Especialista do Banco
Central do Brasil (nosso querido Bacen ou BC).
Fui aprovado no concurso de 2013, e inicialmente alocado na Supervisão de
Instituições Financeiras. Após uma passagem pelo Departamento de
Comunicação, atuei como Coordenador na área de Regimes Especiais, e hoje
estou na área do Diretor de Política Monetária.
Mas agora, vamos falar de você! O principal pré-requisito para ter aproveitamento máximo nesse
curso é muita disposição. A indomável vontade de passar no concurso, aquela que beira a
obsessão... sabe? De minha parte, vou assumir que é seu primeiro contato com a matéria.
E vamos falar sobre o curso.
Dominar nossa disciplina vai te deixar mais perto do seu cargo, então este será nosso grande
objetivo. E que disciplina é essa? Claro que estou falando de Economia do Trabalho, que
estranhamente veio dentro do “Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho”
do Bloco 4.
Neste curso, veremos os seguintes tópicos:
4 Conceitos básicos e definições sobre Economia do Trabalho e mercado de
trabalho: 4.1 População ocupada. 4.2 Trabalho profissional e trabalho
doméstico. 4.3 Orientação, formação e qualificação profissional. 4.4 Atores no
mercado de trabalho. 4.5 Mercado de trabalho formal e informal. 4.6 Agentes
econômicos. 4.7 Trabalho e empresa. 5 Salário: 5.1 Capital Humano e
investimento na qualificação: educação, profissionalização e treinamento; 5.2
Discriminação no mercado de trabalho e políticas antidiscriminatórias. 5.3
Segmentação no mercado de trabalho. 5.4 Custos não salariais. 6 Estruturas de
mercado: concorrência perfeita, monopólio, oligopólio e monopsônio. 7 A
intervenção governamental: 7.1 Política salarial e políticas de emprego. 7.2
Subsídios governamentais para investimentos em capital humano. 7.3 Salário-
mínimo.
A ordem que faremos isso, contudo, é a que possibilita melhor didática e, portanto, maior
aprendizado e retenção para acertar as questões na prova.
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Para tanto, teremos a teoria aliada à resolução de muitas questões. A maioria será de grandes
bancas, mas faremos também de bancas menores, com finalidades didáticas. A propósito,
acompanho há muitos anos a forma como nossa disciplina é cobrada, e posso dizer que é
bastante homogênea, principalmente entre as grandes bancas. Sem falar que a Cesgranrio não
tem histórico de questões da nossa matéria.
Ah! A esta altura, você também já notou que utilizo o que chamamos de tom conversacional, o
que significa que este texto é redigido como se estivéssemos conversando, sem um rigor
gramatical extremo ou rebuscados recursos linguísticos. Assim você aprenderá com maior
facilidade.
Os parágrafos curtos também estão aqui por esse motivo. É bem mais difícil “perder o fio da
meada” desse jeito.
Nesta primeira aula, iremos ver os seguintes tópicos de Economia do Trabalho, com base no
último edital:
4 Conceitos básicos e definições sobre Economia do Trabalho e mercado de
trabalho: 4.1 População ocupada. 4.2 Trabalho profissional e trabalho doméstico.
4.5 Mercado de trabalho formal e informal.
Estou pronto, e você? Tenha uma ótima aula!
@profcelsonatale
AVISO
Esta primeira aula terá muitos conceitos e definições, enquanto as outras duas
terão mais modelos e teoria econômica.
Portanto, esteja preparada para muitas coisas novas que você precisa dominar,
mas tenha paciência. Não é o tipo de conteúdo que a gente domina na “primeira
passada” no material.
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1 ECONOMIA DO TRABALHO: CONCEITOS BÁSICOS E DEFINIÇÕES
A Economia do Trabalho é um ramo da Economia que estuda o funcionamento do mercado de
trabalho.
Para tanto, leva em consideração que existem dois tipos de agentes principais:
1. Trabalhadores
2. Empresas
Cada um desses agentes busca obter o nível máximo de retorno nomercado, o que significa
bem-estar, no caso dos trabalhadores, e lucros, no caso das empresas.
Ainda em caráter preliminar, é importante que você saiba, desde já, que os trabalhadores
vendem trabalho para obter esse bem-estar, enquanto as empresas compram trabalho para
obter seus lucros.
Contudo, há um terceiro agente que precisa ser acrescentado, pois também participa ativamente
e tem grande influência no mercado de trabalho: o Governo ou Estado.
Esse agente influencia as decisões por meio de incentivos, como os impostos cobrados, os
subsídios concedidos e as leis ou normas que regulam o mercado de trabalho.
Por meio do estudo do comportamento desses três agentes, a Economia do Trabalho busca
compreender fenômenos como:
• Demanda e oferta de trabalho
• Distribuição de renda
• Determinantes do emprego e do desemprego
• Impacto de grupos organizados (como sindicatos)
• Investimento em capital humano
• Discriminação no mercado de trabalho
•Buscam maximizar
seu bem-estar
•Vendem trabalho
no mercado
Trabalhadores
•Buscam maximizar
seu lucro
•Compram trabalho
no mercado
Empresas
• Influenciam as
decisões do
mercado
• Impostos, subsídios
e regulamentação
Governo
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Como ocorre nos demais campos econômicos, foram desenvolvidos diversos conceitos,
modelos e teorias.
Os conceitos são termos com significado específico, como “desemprego estrutural”, “capital
humano”, “população economicamente ativa” e muitos outros. Mas calma, não é o momento,
ainda, de aprofundarmos esses conceitos, basta saber que são importantes para que possamos
medir e comparar variáveis, falando a mesma língua.
As teorias e modelos, por sua vez, são simplificações do mundo real que auxiliam na
compreensão dos fenômenos. Por serem simplificações, o desafio de um bom modelo é ser
simples na medida certa, sem ignorar variáveis importantes e, ao mesmo tempo, sem incorporar
tanta complexidade que torne o modelo impossível de ser testado.
Há, basicamente, dois tipos de perguntas, relativas ao mercado de trabalho, que podem ser
respondidas por meio de teorias e modelos econômicos.
As questões positivas são mais “simples”. Um exemplo de questão positiva seria:
Qual é o impacto de uma elevação do salário-mínimo na quantidade de empregos?
Perguntas do tipo “o que acontece?” ou “qual é o resultado?” são as chamadas questões
positivas. Bons modelos são capazes de responder esse tipo de pergunta de forma objetiva: “o
resultado será tal, acontecerá tal coisa”.
Contudo, um outro tipo de pergunta se impõe, e é pelo menos tão importante. Falo das
perguntas chamadas normativas.
Uma questão normativa, relacionada à pergunta anterior, seria: “devemos aumentar o salário-
mínimo?” ou “devemos estimular uma força de trabalho imigrante?”. Como você pode imaginar,
esse tipo de pergunta envolve uma valoração subjetiva, ou seja, exige que se atribua um valor
que pode ser diferente para cada custo e resultado, a depender de para quem você pergunta.
Imagine que a resposta positiva seja que a elevação do salário-mínimo em 10% poderá provocar
uma elevação de 1% na taxa de desemprego. A resposta normativa precisa ser tomar ou não
essa decisão de aumentar ou não o salário-mínimo, e envolveria ponderar se o ganho de bem-
estar daqueles que recebem o salário-mínimo compensa a perda de bem-estar daqueles que
perdem o emprego.
Complicado, né?
De toda forma, nosso edital prevê quase que totalmente conceitos e modelos que respondem a
questões positivas, e elas continuam sendo muito úteis para o governo chegar a melhores
decisões normativas.
Então, nesta aula, vamos começar e destrinchar esses conceitos.
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1.1 População e força de trabalho
A definição de força de trabalho será tranquila – ainda que preliminar – desde que você seja
capaz de abstrair alguns conceitos que ainda serão desenvolvidos adiante.
Força de trabalho (FT) é como chamamos o somatório da quantidade de pessoas que estão
empregadas (E) com a quantidade de pessoas que estão desempregadas (D). E sim, os
conceitos que você precisa aguardar para compreender adiante são “empregado” e
“desempregado”.
FT = E + D
Observe que uma pessoa empregada contará como uma unidade da força de trabalho, não
importa quantas horas ela trabalhe por dia ou quantos empregos ela possui. Assim, apesar do
nome, a força de trabalho não é uma medida exata da “potência” do trabalho.
A taxa de participação da força de trabalho (TPFT) é uma medida útil, que estabelece a razão
entre a força de trabalho e a população1 de um país, ou outro corte qualquer (Unidade da
Federação, município, região).
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 =
𝐹𝑇
𝑃
E com as variáveis que já conhecemos, há mais duas medidas relevantes.
A taxa de emprego, dada pelo percentual da população que está empregada:
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑜 =
𝐸
𝑃
E a taxa de desemprego, que (atenção, porque é diferente!) é medida pelo percentual da força
de trabalho que está desempregada:
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑜 =
𝐷
𝐹𝑇
Vamos aos próximos conceitos importantes.
1 Os conceitos de população, emprego e desemprego ainda serão desenvolvidos nos termos definidos pelo IBGE.
Tome esse tópico da aula como apenas uma introdução aos aspectos teóricos.
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2 DESEMPREGO E EMPREGO
Que o desemprego é um dos problemas econômicos mais graves para qualquer país,
possivelmente você já sabe. Afinal, os trabalhadores desempregados poderiam estar
contribuindo na renda e no produto nacional, de forma que a economia com alto desemprego
está operando abaixo de sua capacidade.
Do ponto de vista do indivíduo desemprego e sua família, então, trata-se de algo extremamente
danoso e traumático.
Por isso, emprego e desemprego são temas constantemente debatidos nos círculos
econômicos, com o objetivo de compreender as causas e propor soluções que minimizem o
desemprego – porque “acabar” com ele é impossível, como você compreenderá nesta aula.
Para que esses debates sejam produtivos, é importante que todos estejam falando da mesma
coisa, e é disso que trataremos agora: o conceito de desemprego e seus tipos.
2.1 Taxa Natural de Desemprego
Em nossa economia, a todo momento há pessoas sem trabalho, pessoas que ficam
desempregadas, enquanto outras arrumam empregos. É a interação entre perda e obtenção de
trabalho que determinam a taxa natural de desemprego, que é a taxa ao redor da qual a taxa
de desemprego varia ao longo do tempo.
Portanto, podemos dizer que a taxa natural de desemprego depende da taxa de perda de
emprego e da taxa de obtenção de emprego.
Quanto mais alta for a taxa de obtenção de emprego, menor será a taxa natural de desemprego.
Por outro lado, se a taxa de perda de emprego for alta, o desemprego natural tenderá a ser mais
alto também.
A conclusão que obtemos dessa relação é que a política pública que almeje reduzir a taxa de
desemprego deve buscar reduzir a taxa de perda de emprego e/ou aumentar a taxa de obtenção
deemprego.
Contudo, uma taxa zero de desemprego é algo impossível em uma economia de mercado, pois
sempre haverá pessoas nessa transição entre um emprego e outro.
A propósito, quando a taxa de desemprego efetiva é igual à taxa de desemprego natural, diz-se
que a economia está operando em pleno emprego.
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Pleno emprego é a situação na qual todas as pessoas que desejam trabalhar
possuem emprego, descontando a taxa natural de desemprego.
Entretanto, precisamos compreender, para começo de conversa, por que as pessoas perdem
seus empregos, e por que demora para encontrarem novos empregos.
2.2 Tipos de Desemprego
Até aqui, mencionamos o termo “desemprego” sem se preocupar em defini-lo com precisão,
considerando-o apenas como a parte da força de trabalho que não tem emprego. Contudo, faz-
se necessário para uma análise mais completa diferenciarmos alguns tipos de desemprego.
É o que faremos agora.
2.2.1 Desemprego Friccional
Como vimos, uma das explicações para a taxa de desemprego é o fato de que as pessoas levam
algum tempo para conseguirem novos empregos. Se a obtenção de um novo emprego fosse
instantânea, não haveria desemprego algum, não é?
E é nesse ponto que surge o importante tipo de desempregado chamado desemprego
friccional, que é justamente o desemprego existente em decorrência de haver um tempo
necessário para que os trabalhadores procurem e encontrem uma recolocação.
Fricção tem relação com a ideia de atrito. Em física, quando há atrito entre dois
corpos, a energia cinética se converte em energia térmica, ou seja, a velocidade
se reduz, produzindo calor.
Tomamos emprestado o termo, em Economia, para transmitir a ideia de redução
da velocidade de obtenção de um novo emprego – o desemprego friccional – em
decorrência de diversos fatores, que conheceremos adiante.
A existência de desemprego friccional é explicada pelo fato de os trabalhadores serem
diferentes entre si: cada um possui habilidades e características diferentes. O mesmo raciocínio
se aplica aos processos produtivos: há diferenças enormes entre a produção de um avião
comercial, de um buscador para internet e de uma aula de economia (todo mundo sabe que o
último é mais difícil!).
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Se os trabalhadores fossem idênticos, e os produtos também, os salários também seriam. Afinal,
por que alguém pagaria mais para um funcionário igual a todos os outros? Mas como há
diferenças, inclusive salariais, os trabalhadores que perdem seus empregos podem esperar
propostas de emprego melhores, assim como as empresas tendem a selecionar os candidatos
mais apropriados aos seus propósitos, mesmo que isso leve algum tempo.
Algumas políticas públicas podem ser utilizadas para reduzir o desemprego friccional e,
consequentemente, a taxa natural de desemprego. Programas governamentais de treinamento
são um exemplo, por meio dos quais o governo busca capacitar trabalhadores nas novas
tecnologias e exigências do mercado de trabalho, especialmente de setores em ascensão.
Outras políticas, por outro lado, podem aumentar o desemprego friccional. O seguro-
desemprego é o principal exemplo. Ao garantir uma renda ao trabalhador que perde seu
trabalho, esse benefício gera pode levar o trabalhador a passar mais tempo procurando por
emprego, recusando propostas que, em outras circunstâncias, ele aceitaria. Note que esse é um
efeito colateral da política que visa amenizar as dificuldades do trabalhador e de sua família, e
também tem a vantagem de permitir que o trabalhador busque um emprego mais adequado às
suas habilidades, aumentando, portanto, a produtividade da economia.
2.2.2 Desemprego Estrutural
Outro tipo de desemprego é o chamado desemprego estrutural.
Como em qualquer mercado, no mercado de trabalho o equilíbrio é alcançado quando a oferta
de trabalho iguala e demanda por trabalho. Se traçarmos as curvas de oferta e de demanda de
trabalho (e não precisa se preocupar com os detalhes de como isso é feito), definidas em função
dos salários reais, teremos o seguinte:
salário
real
Oferta de trabalho
q*
s*
Demanda por Trabalho
Quantidade de trabalho
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A curva de oferta de trabalho é positivamente inclinada porque quanto maior o salário, mais os
trabalhadores ofertarão sua capacidade produtiva, enquanto a curva de demanda é
negativamente inclinada em decorrência de as empresas contratarem cada vez menos, conforme
aumentam os salários.
O equilíbrio ocorre no ponto em que a quantidade de trabalho ofertada é igual à quantidade de
trabalho demandada (q*), ao salário real de equilíbrio (s*).
Entretanto, algumas situações podem provocar rigidez dos salários, impedindo que o salário
de equilíbrio seja alcançado, causando o desemprego estrutural.
A principal dessas situações é a política de salário-mínimo, existente na maioria dos países, não
sendo o Brasil exceção. Ele nos ajudará a compreender o desemprego estrutural.
Ao estabelecer, por lei, um salário-mínimo superior ao salário de equilíbrio, teremos a seguinte
situação:
Note que a quantidade de trabalhadores que desejam trabalhar (qD), recebendo o salário-
mínimo estipulado (sm) é superior à quantidade de trabalho que as empresas estão dispostas a
ofertar (qD) (qO), e a diferença é o desemprego estrutural.
Portanto, o desemprego estrutural ocorre quando há um descompasso que torna a quantidade
de empregos disponíveis inferior à quantidade de trabalhadores que desejam trabalhar.
Novamente, é importante observarmos que a intenção do governo ao determinar o salário-
mínimo é garantir uma remuneração suficiente aos trabalhadores para que possam arcar com
suas despesas, e o desemprego estrutural é um efeito colateral.
Observe também que o desemprego estrutural será uma consequência apenas quando o salário-
mínimo determinado for superior ao salário de equilíbrio. Um salário-mínimo inferior ao salário
de equilíbrio seria ineficiente no sentido de garantir a renda ao trabalhador, uma vez que o
mercado já estaria pagando um valor superior, e não causaria desemprego estrutural.
salário real Oferta de trabalho
q*
s*
Demanda por Trabalho
Quantidade de trabalho
sm
DESEMPREGO ESTRUTURAL
qO qD
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Semelhante ao salário-mínimo, outra causa de rigidez dos salários é o poder dos sindicatos.
Quanto maior a capacidade dessas organizações em negociarem salários e condições de
trabalho para seus representados, maior tende a ser o desemprego estrutural causado.
Por fim, a existência dos chamados salários de eficiência são outra causa de rigidez de salários.
Salários de eficiência é o nome dado à prática de algumas empresas de pagar salários superioresàqueles pagos pelo mercado com a intenção de aumentar a produtividade do trabalhador.
Existem diversas teorias sobre o salário de eficiência, que estabelecem que essa prática tem
outras vantagens, tais como:
• Melhora da nutrição de trabalhadores, no caso de países ou regiões pobres. Com isso, os
trabalhadores se tornam mais saudáveis e produtivos.
• Redução na rotatividade: quanto melhor a remuneração recebida na empresa, menor a
propensão do trabalhador em abandonar o emprego. Isso é positivo para empresa, que
reduz custos com treinamentos e rescisões.
• Maior qualidade da força de trabalho, atraindo trabalhadores mais qualificados pelos
salários mais altos do que a média paga pelas outras empresas.
• Aumento no comprometimento dos trabalhadores que, cientes das condições menos
favoráveis “lá fora”, dão mais valor aos seus empregos.
Todas essas consequências reforçam a ideia de que as empresas que pagam salários de
eficiência podem obter lucros maiores decorrentes do aumento da eficiência na produção.
Por fim, como o desemprego estrutural é definido como a diferente persistente entre a oferta e
demanda de trabalho, algumas causas outras causas podem ser estabelecidas, como as
mudanças que ocorrem na economia. Por diversas razões, das quais se destaca a chamada
destruição criativa, o perfil da demanda se altera o tempo todo: numa hora as livrarias são um
dos negócios mais rentáveis, na outra os livros digitais e outras mídias eletrônicas arrastam a
maioria delas à falência. A demanda por mão-de-obra para impressão e encadernação
despenca, enquanto a demanda pelo trabalho de designers digitais aumenta.
O desemprego estrutural também pode ocorrer como fenômeno regional, fruto das diferenças
entre as estruturas de mercado em diferentes regiões de um país. Se uma região possui uma
indústria muito concentrada, por exemplo, ou se há diferentes ritmos de inovação tecnológica,
podem surgir diferenças relevantes entre a oferta e a demanda de trabalho. Como a mobilidade
da força de trabalho não é total, ou seja, como os trabalhadores não conseguem se adequar
imediatamente às mudanças estruturais, seja se qualificando, seja mudando de domicílio, haverá
desemprego estrutural.
Os fatores que afetam o desemprego estrutural de determinada região incluem a concentração
industrial, o ritmo da evolução tecnológica e a imobilidade da força de trabalho.
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2.2.3 Desemprego Conjuntural ou Cíclico
Trata-se do desvio do desemprego real em torno do desemprego natural, ou seja, é a diferença
entre a taxa de desemprego natural e a taxa de desemprego real.
O desemprego conjuntural decorre de flutuações na economia, como desaceleração do
crescimento ou crises econômicas.
Hora de estabelecer um resumo relacionando os tipos de desemprego:
desemprego friccional + desemprego estrutural = desemprego natural
desemprego natural + desemprego cíclico (conjuntural) = desemprego real
e esquematizando
Desemprego Real
Cíclico
Natural
Friccional Estrutural
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3 INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO.
Nesta parte da aula, iremos desenvolver outros conceitos e definições básicos relacionados ao
mercado de trabalho, em especial aqueles utilizados nas pesquisas realizadas pelos institutos
econômicos para aferir o desemprego na economia.
Entre essas pesquisas, as mais relevantes para concursos são a PNAD Contínua (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) realizada pelo IBGE, e a PED (Pesquisa de
Emprego e Desemprego), realizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos).
A Pesquisa Mensal de Emprego – PME, também realizada pelo IBGE, foi encerrada em março de
2016, com a divulgação dos resultados referentes ao mês de fevereiro de 2016.
Com dados coletados a partir de 2012, a PNAD Contínua foi desenhada para ser uma pesquisa
trimestral com informações sobre mercado de trabalho do país todo e substituir a PME (Pesquisa
Mensal de Emprego) e a PNAD “não contínua”. Uma das principais diferenças entre a PME e a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua é a amplitude.
Enquanto a PME entrevistava pessoas em 44 mil domicílios localizados em seis regiões
metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), a
PNAD Contínua tem uma amostra muito maior: são mais de 200 mil domicílios em mais de 3.500
municípios brasileiros.
Para tornar tais resultados o mais próximos possível da realidade e para que eles, de fato, sirvam
como uma boa análise da situação do desemprego, a conceituação das diversas camadas e
subdivisões da força de trabalho deve ser precisa e criteriosa, de forma que sua aplicação na
metodologia de pesquisa não cause distorções sobre o que realmente se passa no mercado de
trabalho.
O nosso foco não é falar sobre a metodologia usada nestas pesquisas. Nós devemos apenas
conhecer conceitos importantes e cobrados em prova, em especial no que tange à composição
da PEA (População Economicamente Ativa), PNEA (População Não Economicamente
Ativas) e os indicadores da força de trabalho.
Os conceitos e definições apresentados nem sempre são iguais para o IBGE, IPEA, DIEESE e OIT
(Organização Internacional do Trabalho).
A fim de adotar um rumo e escolher aquela instituição de onde a banca retira as questões de
prova, foram utilizados principalmente os conceitos do IBGE, tendo em vista ser o órgão oficial
do governo para as pesquisas de emprego e, principalmente, porque as bancas costumam
utilizar de forma literal os conceitos empregados pelo IBGE em suas questões.
Mas, em alguns casos, o IBGE está sozinho, e nem bancas ou outros órgãos adotam a mesma
nomenclatura. Nesse caso, faremos as devidas ressalvas.
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3.1 Estrutura Conceitual
Antes de expor os diversos conceitos a serem aprendidos, creio ser mais vantajoso ter um
panorama geral, por meio do infográfico abaixo, de como se divide a população total para fins
de mensuração do emprego e desemprego:
Portanto, a população total pode estar ou não em idade ativa. A população em idade ativa, por
sua vez, pode estar economicamente ativa ou não. Entre os economicamente ativos, temos os
ocupados e os desocupados.
3.1.1 Trabalho
Vamos agora iniciar o aprendizado dos conceitos necessários e que podem ser cobrados em
prova. Desde já, alerto que o conteúdo foi inteiramente retirado das Notas Metodológicas do
IBGE e muitos dos conceitos se apresentam confusos e truncados.
Entretanto, achei melhor colocá-los na nossa aula exatamente como eles estão nas Notas. Isto
porque se eles forem cobrados em prova, a maior probabilidade é que sejam colocados
exatamente como constam nas Notas Metodológicas.
Para começar, vejamos o que significa, para o IBGE, trabalho em atividade econômica ou
trabalho em ocupação. Pois bem, trabalho em atividade econômica, trabalho que gera
rendimento para o domicílio ou trabalho em ocupação significa o exercício de:
a) Trabalho remuneradoem dinheiro, produtos, mercadoria ou benefícios (moradia,
alimentação, roupas, treinamento etc.) na produção de bens e serviços;
População Total
População em Idade Ativa População em Idade para Trabalhar
PIA
População Economicamente
Ativa (Força de Trabalho)
PEA
Ocupados Desocupados
População Não
Economicamente Ativa
(Fora da Força de Trabalho)
PNEA
População em Idade Não
Ativa
PINA
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b) Trabalho sem remuneração direta, na produção de bens e serviços, em ajuda à atividade
econômica de membro do domicílio.
Pelo conceito acima, observamos que para o trabalho ser considerado atividade econômica, ele
deve ser obrigatoriamente remunerado e essa remuneração não precisa ser em dinheiro, pode
ser em forma de outros benefícios.
A única exceção é quando a pessoa ajuda na atividade econômica de um membro da unidade
domiciliar (não confunda membro da unidade domiciliar com parente, são conceitos distintos).
Neste caso, mesmo não recebendo nenhum tipo de remuneração em troca, a pessoa possui
trabalho.
Vale ainda ressaltar que não se incluem no conceito de trabalho em ocupação o exercício de:
a) Trabalho na produção de bens e serviços destinados somente ao próprio consumo das
pessoas moradoras do domicílio ou de parentes que residem em outro domicílio
b) Trabalho voluntário;
c) Trabalho sem remuneração no cuidado de pessoas;
d) Trabalho nos afazeres domésticos.
As pessoas que exercem esses trabalhos, algumas vezes, são chamadas de “trabalhadores
invisíveis”, termo que não deixa de ter uma carga de crítica, pois são não remunerados ou sequer
considerados nos números de emprego.
Note: sses itens também são “trabalhos”, mas não são considerados trabalho em ocupação e,
portanto, não determinam uma pessoa como ocupada (conceito que veremos adiante).
Trabalho é diferente de trabalho em ocupação ou emprego.
Uma pessoa dedica várias horas de sua semana em ajuda a instituições religiosas
ou beneficentes (trabalho voluntário), por exemplo, não será considerada
ocupada ou empregada (ocupada = empregada) para o IBGE, apesar de exercer
um trabalho.
3.1.2 População e Idade Ativa (PIA) e População em Idade Não Ativa (PINA)
Segundo o livro “A Moderna Economia do Trabalho”, entram na contabilização da PIA as pessoas
com mais de 16 anos, no entanto, segundo o IBGE, a PIA incorpora as crianças a partir dos 14
anos, segmento com idade inferior à idade constitucionalmente estipulada como mínima para
trabalhar no país.
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Para complicar um pouco mais as coisas, o IBGE passou a chamar a PIA de
“população em idade para trabalhar”, na PNAD Contínua, a partir de 2021.
Contudo, o conceito é o mesmo. Além disso, a bibliografia e outros órgãos, como
o próprio Ministério do Trabalho2, IPEA3, Dieese4 e Organização Internacional do
Trabalho5 ainda utilizam o termo “população em idade ativa”.
A FGV6 vai além, e adota a sigla PIA para se referir à população em idade para
trabalhar.
Mais importante: as bancas também falam em PIA. Portanto, exceto em uma
questão direta que pergunte qual é o exato termo utilizado pelo IBGE na PNAD
Contínua, vamos utilizar o termo mais difundido, didático, e ainda aplicado pelas
bancas em questões recentes: PIA.
Embora tenha pouco efeito quantitativo sobre os indicadores globais, a inclusão deste segmento
decorre da consideração de que a presença dessa parcela populacional no mercado de trabalho
é resultado da própria realidade social do país.
A PINA, população em idade não ativa, é constituída basicamente pelas crianças menores de 14
(ou 10, conforme a apuração) anos e pelos aposentados que não pretendem mais trabalhar. Se
o aposentado decide procurar emprego ou trabalhar ele ingressa na PIA.
Conforme consta nas Notas Metodológicas (2014) e na Notas Técnicas 1.8 (2021)
da PNAD Contínua, o IBGE adota diferentes idades para determinar a PIA.
Idade limite mínima para definir as pessoas em idade de trabalhar nas principais
pesquisas do IBGE:
PME (Pesquisa Mensal de Emprego) – 10 anos.
PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) – 10 anos.
PNAD Contínua – 14 anos.
A PNAD Contínua é a mais recente dessas publicações, tendo sido iniciada em
2012, enquanto as outras duas foram encerradas em 2016. Portanto, questões
mais antigas podem ignorar a existência da idade mínima de 14 anos.
2 https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/previdencia-social/informes-de-previdencia-social/2022/informe-de-previdencia-marco-2022.pdf
3 https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/wp-content/uploads/2023/07/230714_cc_60_nota_5_indicador_mensal_mercado_trabalho_mai23.pdf
4 https://www.dieese.org.br/analiseped/2023/202302apresentacaopedamb.html
5 https://www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_865502/lang--pt/index.htm
6 https://ibre.fgv.br/blog-da-conjuntura-economica/artigos/crescimento-da-populacao-em-idade-ativa-e-maior-entre-mulheres
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Nesse contexto, cabe apresentar o conceito de bônus demográfico, que é a situação temporária
decorrente de uma transformação pela qual passa a população de um país, quando a
participação na população total do grupo formado pelas pessoas maiores de 60 anos e pelas
menores de 15 anos diminuiu, em relação às pessoas entre 15 e 60 anos, durante um certo
período. Ou seja, o bônus demográfico é uma situação de aumento na PIA.
Atenção: as idades não são rigidamente definidas, não havendo um número oficial, o importante
é a faixa etária na qual predomina a população em idade ativa, na prática. Então não há nada de
errado se a questão relacionar bônus demográfico com idades ligeiramente diferentes, como 16
a 65 anos, ou algo assim.
DATAS E PERÍODOS DE REFERÊNCIA
Vamos conhecer alguns conceitos que serão úteis a partir dos próximos tópicos:
População Economicamente Ativa (PEA) e suas subdivisões.
Semana de referência: é a semana, de domingo a sábado, que precede a
semana definida como de entrevista para a unidade domiciliar. Cada mês da
pesquisa é constituído por quatro semanas de referência.
Data de referência: é a data do último dia da semana de referência.
Mês de referência: é o mês anterior ao que contém as quatro semanas de
referência que compõem o mês da pesquisa.
Período de referência de 365 dias: é o período de 365 dias que finaliza no
último dia da semana de referência
3.1.3 População Economicamente Ativa (PEA ou Força de Trabalho) e
População Ocupada
É a população economicamente ativa, também chamada de força de trabalho. A PEA/força de
trabalho compreende o potencial de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo.
Uma observação é que, assim como ocorre com o conceito de PIA, a sigla PEA não aparece na
PNAD Contínua mais recente, mas sim seu sinônimo “força de trabalho”. Por outro lado, as
bancas ainda vêm adotando PEA, como veremos nesta aula.
Ela é composta por duas partes: população ocupada e população desocupada.
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3.1.3.1 População ocupada (trabalho formal e trabalho informal)
São as pessoas que exerceram trabalho, remunerado ou sem remuneração, durante pelo menos
uma hora completa na semana de referência ou que tinham trabalho remunerado do qual
estavam temporariamente afastadas nessa semana.
Considera-se como ocupada temporariamente afastada de trabalho remunerado a pessoa que
não trabalhou durante pelo menos uma hora completa na semana de referência por motivo de
férias, greve, suspensão temporária do contrato de trabalho, licença remunerada pelo
empregador, más condições do tempo ou outros fatores ocasionais.
Assim, também foi considerada a pessoa que, na data de referência, estava afastada: por motivo
de licença remunerada por instituto de previdência por período não superior a quatro meses; do
próprio empreendimento por motivo de gestação, doença ou acidente, sem ser licenciada por
instituto de previdência, por período não superior a três meses; por falta voluntária ou outro
motivo, por período não superior a 30 dias.
A população ocupada se divide em:
▶ empregados: são aquelas pessoas que trabalham para um empregador ou mais de
um, cumprindo uma jornada de trabalho, recebendo em contrapartida uma
remuneração em dinheiro ou outra forma de pagamento (moradia, alimentação,
vestuário etc.). Incluem-se entre os empregados os recrutas que prestam o serviço
militar obrigatório e os clérigos (pertencentes ao clero).
▶ autônomos e profissionais liberais: aqueles que exploram uma atividade
econômica ou exercem uma profissão ou ofício sem empregados, ou seja, trabalham
por conta própria.
▶ empregadores: são aquelas pessoas que exploram uma atividade econômica ou
exercem uma profissão ou ofício, com auxílio de um ou mais empregados.
▶ não remunerados: são aquelas pessoas que exercem uma ocupação econômica,
sem remuneração, em ajuda a membro da unidade domiciliar em sua atividade
econômica, ou em ajuda a instituições religiosas, beneficentes ou de cooperativismo,
ou, ainda como aprendiz ou estagiário, todos por pelo menos 01 hora na semana de
referência.
População
Ocupada
População
Desocupada
Força de
Trabalho (ou
PEA)
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Observe que aqueles que, sendo não remunerados, se ocupam prestando ajuda a
instituições beneficentes por pelo menos 1 hora semanal, apesar de não realizarem
trabalho segundo o conceito, são consideradas pessoas ocupadas (empregadas),
pertencentes à PEA.
Outra importante observação a se fazer é sobre o fato de que, para o IBGE, não importa se
a ocupação segue regras do mercado formal ou informal.
O IBGE considera trabalho informal:
empregados no setor privado sem carteira assinada
empregados domésticos sem carteira
empregadores sem registro de CNPJ
trabalhadores por conta própria sem CNPJ
trabalhadores familiares auxiliares
Trabalhadores do mercado informal de trabalho e do mercado formal são indistintamente
considerados como ocupados.
Mas aqui vale um lembrete e uma explicação.
Vimos, anteriormente, que não se incluem no conceito de trabalho em ocupação o exercício de
trabalho nos afazeres domésticos. Portanto, uma pessoa que cuida de sua própria casa (dono
ou dona de casa) não entra no trabalho formal nem informal, e então não é considerada ocupada.
Por outro lado, vimos aqui que empregados domésticos sem carteira exercem trabalho informal
e, portanto, contam na população ocupada.
E, naturalmente, empregados domésticos com carteira assinada são considerados ocupados e
fazem parte do mercado formal.
Trabalho formal Trabalho informal
População
ocupada
Trabalho nos afazeres
domésticos
X X X
Empregado doméstico
sem carteira assinada
X V V
Empregado doméstico
com carteira assinada
V X V
Portanto, o trabalho doméstico pode ou não ser considerado trabalho formal ou informal, e
portanto pode ou não ser contabilizado no nível de ocupação.
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3.1.3.2 População desocupada
São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho na
semana de referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e
que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de
30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram
nesse período.
Uma importante conclusão a que chegamos depois da leitura deste confuso conceito, que consta
em Nota Metodológica do IBGE, é que para ser considerado um desocupado, o indivíduo deve
se ocupar buscando trabalho. Se, por acaso, ele não possui trabalho nem busca trabalho, não
pertencerá à PEA, mas sim à PNEA (População Não Economicamente Ativa).
Uma pessoa só deve ser classificada como desocupada somente se já tiver sido estabelecido
que ela não seja ocupada. O objetivo deste critério é assegurar que ocupação e desocupação
sejam mutuamente excludentes, com precedência dada à ocupação. Assim, se alguém estiver
inserido em um trabalho eventual, e procurando trabalho simultaneamente, será classificado
como ocupado.
Concluindo sobre a PEA de uma forma geral (ocupados + desocupados), é interessante lembrar
que o fato de o indivíduo estar em idade ativa e/ou capacitado para trabalho não o torna membro
da PEA.
Ele pode estar em idade ativa e capacitado para trabalho, mas pode nem estar trabalhando nem
procurando emprego, e dessa forma pertencerá à PNEA.
3.1.4 População Não Economicamente Ativa
É constituída pelas pessoas em idade ativa (PIA) que não foram classificadas como ocupadas
nem como desocupadas. Estas pessoas são chamadas também de inativas (lembre-se então que
inativos são aqueles pertencentes à PNEA, e não à PINA).
É importante não confundir também o inativo, indivíduo pertencente à PNEA, com desocupado,
indivíduo pertencente à PEA.
A PNEA inclui aqueles que não trabalham e não buscam emprego (estudantes, donas de casa,
desalentados, presos, inválidos, preguiçosos, playboys etc.), e aqueles que exercem atividade
não remunerada por menos de 01 hora na semana de referência.
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OS DESALENTADOS
São pessoas que não possuem trabalho e que até procuraram trabalho por um
tempo, mas desistiram por não encontrar qualquer tipo de trabalho, trabalho
com remuneração adequada ou trabalho de acordo com as suas qualificações,
desta forma, ficaram desestimuladas, desalentadas ou desencorajadas.
Sendo mais técnico e preciso, os desalentados podem ser definidos como
pessoas marginalmente ligadas à PEA na semana de referência da pesquisa que
procuraram trabalho ininterruptamente durante pelo menos seis meses,
contados até a data da última providência tomada para conseguir trabalho no
período de referência de 365 dias, tendo desistido por não encontrar qualquer
tipo de trabalho, trabalho com remuneração adequada ou trabalho de acordo
com as suas qualificações.Para o IBGE, os desalentados não fazem parte da PEA, por não estarem mais
procurando emprego. No entanto, para o DIEESE, os desalentados fazem parte
da PEA constituindo um tipo de desemprego denominado desemprego oculto
pelo desalento. Apesar da divergência, devemos guardar em mente o
entendimento do IBGE, que inclusive já foi cobrado em prova conforme consta
em questões ao final da aula.
Apenas para concluir e deixar claro sobre o conceito de desalentados: fazem da parte da PNEA,
por não estarem mais buscando emprego.
3.1.5 Subemprego
Subemprego significa subutilização da mão-de-obra. Tal subutilização deve-se a várias causas,
entre elas, podemos destacar a insuficiência de demanda agregada da Economia, atraso
econômico e social, além de questões estruturais e conjunturais (mercados sazonais ou de
época, como o agrícola, por exemplo). O IBGE, em suas notas metodológicas, considera dois
tipos de subocupação/subemprego:
▶ Pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas: definem-se
subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas as pessoas que trabalharam
efetivamente menos de 40 horas na semana de referência, no seu único trabalho ou no
conjunto de todos os seus trabalhos, mas gostariam de trabalhar mais horas que as
efetivamente trabalhadas na semana de referência e estavam disponíveis para trabalhar
mais horas no período de 30 dias, contados a partir do primeiro dia da semana de
referência.
▶ Pessoas sub-remuneradas: definem-se sub-remuneradas as pessoas ocupadas na
semana de referência cuja relação do rendimento mensal habitualmente recebido de
todos os trabalhos por horas semanais habitualmente trabalhadas em todos os trabalhos
é inferior à relação do salário-mínimo por 40 horas semanais.
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Além da classificação acima do IBGE, a doutrina costuma conceituar os tipos de subemprego da
seguinte forma:
▶ Subemprego visível: é a diferença entre o volume real de horas trabalhadas pelo
indivíduo e o volume de horas que ele poderia/gostaria de ofertar. Acontece quando a
demanda agregada (o consumo da população em geral) é baixa, fazendo com que as
firmas contratem menos horas de trabalho. Este tipo de subemprego aumentou de 2015
até 2017 devido à crise financeira vivida neste período.
▶ Subemprego encoberto: é a quantidade de mão-de-obra que seria possível liberar
melhorando-se a organização e a distribuição das tarefas de trabalho, mantendo-se a
mesma produção, a mesma quantidade de máquinas, ferramentas, computadores (o
capital da empresa). Este tipo de subemprego reflete o nível de produtividade da mão-
de-obra. Imagine que haja um alto nível de subemprego encoberto na Economia, o que
isto significaria? Que há muita mão-de-obra produzindo bem menos do que poderia se o
trabalho fosse mais organizado e racional, em outras palavras, há baixa produtividade.
▶ Subemprego potencial: é a quantidade de mão-de-obra que pode ser liberada, dado
um nível de produção, por meio de mudanças nas condições de exploração dos recursos
ou transformações nas indústrias ou agricultura. Implica reduzir gradualmente a
proporção de mão-de-obra ocupada em atividades de baixa produtividade, elevando esta
simultaneamente.
Opa! Depois de construirmos toda essa estrutura conceitual, estamos aptos a dominar
completamente os indicadores do mercado de trabalho previstos no edital.
3.2 Taxa de Atividade
Também chamada de taxa de participação na força de trabalho, é o percentual de pessoas
economicamente ativas (PEA), na semana de referência, em relação às pessoas em idade ativa
(PIA). Algebricamente temos:
Taxa de atividade =
ocupados+desocupados
população em idade ativa
=
PEA
PIA
Podemos extrair algumas conclusões relacionadas a discriminação e segmentação no
mercado de trabalho:
▶ a taxa de atividade/participação masculina é maior que a feminina, pois além do homem
estar mais presente no mercado de trabalho, os afazeres domésticos não são
considerados atividades economicamente ativas.
▶ a taxa de atividade/participação adulta é maior que a participação jovem ou idosa, por
motivos bastante óbvios: os jovens ainda estão em treinamento e os idosos, em sua
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grande maioria, estão se aposentando, além de enfrentarem discriminação e certas
limitações no mercado de trabalho.
▶ à medida que a economia e o país cresçam e se desenvolvam, é uma forte tendência a
taxa de atividade/participação feminina atingir valores mais próximos à taxa masculina.
3.3 Taxa de Inatividade
É o inverso da taxa de atividade. É o percentual de pessoas não economicamente ativas em
relação às pessoas em idade ativa. Algebricamente temos:
Taxa de inatividade =
PNEA
PIA
É importante lembrar que as observações feitas no item acima sobre a taxa de atividade valem
para a taxa de inatividade de forma inversa, temos então:
▶ a taxa de inatividade feminina é maior que a masculina.
▶ a taxa de inatividade entre jovens e idosos é maior que entre adultos.
▶ o desenvolvimento econômico tende a diminuir a taxa de inatividade feminina.
3.4 Nível de Ocupação
É o percentual de pessoas ocupadas (empregadas) em relação às pessoas de 14 anos ou mais
de idade (PIA). Assim:
Nível de ocupação =
ocupados
PIA
3.5 Nível de Desocupação
É o inverso do nível de ocupação. É o percentual de pessoas desocupadas em relação às pessoas
em idade ativa (PIA). Então:
Nível de desocupação =
desocupados
PIA
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3.6 Taxa de Desocupação (Taxa de Desemprego)
Também chamada de taxa de desemprego, ou ainda taxa de desemprego aberto, ela
certamente é o indicador mais importante e também o mais conhecido da população em geral.
É o percentual de pessoas desocupadas em relação às pessoas economicamente ativas (PEA).
Assim:
Taxa de desemprego =
desocupados
PEA
Esta taxa contabiliza aqueles indivíduos que têm capacidade para trabalhar, desejam trabalhar,
buscam trabalho, mas não encontram uma ocupação.
Os tipos de desemprego influenciam bastante o valor desta taxa.
Segundo a teoria do mercado de trabalho, quando a taxa de desemprego se situa em torno de
5%, o mercado de trabalho é considerado rígido, indício de que os empregos são abundantes,
de que é difícil para os empregadores preencher as vagas e de que a maioria dos
desempregados encontrará trabalho rapidamente.
Quando a taxa de desemprego é mais alta – aproximadamente 7% ou mais – o mercado de
trabalho é descrito como folgado, os trabalhadores são abundantes e os empregos são
relativamente fáceis de preencher pelos empregadores.
O mesmo raciocínio exposto na taxa de atividade, pode ser feito aqui neste item. A taxa de
desocupação dos homens é menor que a das mulheres, no entanto, com o avanço econômico a
tendência é cada vez mais esta diferença diminuir. E a taxa de desocupação dos adultos é menor
que a de jovens e idosos.
Concluindo sobre a taxa de desocupação ou desemprego, não a confunda com nível de
desocupação. A taxa de desocupação, o indicador mais importante, reflete o percentual de
desocupadosem relação à PEA, enquanto nível de desocupação reflete o percentual de
desocupados em relação à PIA. Isto quer dizer que o nível de desocupação é sempre menor que
a taxa de desocupação, já que a PEA é sempre menor que a PIA.
3.7 Taxa de Ocupação (Taxa de Emprego)
Também chamada de taxa de emprego, é o inverso da taxa de desocupação. Reflete o
percentual de ocupados em relação às pessoas economicamente ativas (PEA):
Taxa de emprego =
ocupados
PEA
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3.8 Taxa de Rotatividade da mão-de-obra
O mercado de trabalho é bastante dinâmico, de maneira que diariamente há milhares de
trabalhadores sendo admitidos e outros milhares sendo demitidos.
A rotatividade significa substituição, ela traz o conceito que um trabalhador que foi demitido ou
pediu voluntariamente sua dispensa será substituído. Caso ele seja dispensado e não haja
reposição da mão-de-obra, estaremos falando do desemprego convencional e não sobre
rotatividade.
Vimos acima que o conceito de rotatividade é bastante simples, no entanto, sua mensuração
macroeconômica é complexa e exige bom uso dos recursos da estatística.
Isto porque ao dispensar um trabalhador ou este pedir voluntariamente sua dispensa, a
substituição da mão-de-obra pode demorar e não ser imediata, dificultando o aferimento da
rotatividade ou até mesmo ocasionando erros na medição.
Acerca da rotatividade, são amplamente aceitas pela doutrina as seguintes relações:
a) Mantendo-se os outros fatores constantes, um trabalhador dado terá maiores
possibilidades de sair de um emprego de baixo salário do que um de alto salário. Isto quer
dizer que trabalhadores que sentem que poderiam ganhar salários maiores em outro
emprego, de fato, têm mais possibilidades de sair e procurar outro emprego, ocasionando
rotatividade.
b) As taxas de saída tendem a declinar à medida que aumenta o tamanho da empresa.
Existem várias explicações para este fenômeno. Uma delas é a de que grandes empresas
oferecem mais possibilidades de transferências, remoções e promoções. Outra explicação
se baseia no fato de que grandes empresas investem mais no capital humano, através de
cursos e treinamentos, de forma que o custo de substituição de um trabalhador já treinado
e ambientado nos processos de produção é bastante alto. Logo, vale a pena para estas
empresas pagar salários mais altos e evitar, desta maneira, rotatividade, já que salários
mais altos, tudo o mais constante, diminuem a rotatividade.
c) As mulheres geralmente têm taxas de saída maiores e períodos mais curtos de emprego
do que os homens. Devido ao papel histórico que a mulher sempre desempenhou e ainda
desempenha na criação dos filhos e na produção doméstica, as empresas são
tendenciosas a investir menos no capital humano da mulher. Este investimento na
educação e treinamento do trabalhador é bastante custoso para as firmas, e é um
investimento que apresenta retorno a longo prazo. Tendo em vista as mulheres
apresentarem uma duração de atividade no mercado de trabalho menor que a dos
homens, as firmas acabam por investir menos na sua profissionalização. Logo, elas
possuirão, na maioria das vezes, menores salários e sua rotatividade será maior que a dos
homens.
d) A rotatividade em determinado segmento do mercado de trabalho é maior quando for
relativamente fácil e rápido para os trabalhadores, ao saírem de um emprego, encontrar
outro emprego. Assim, quando os mercados de trabalho são rígidos (empregos
abundantes), as taxas de saída são maiores do que quando esses mercados são folgados
(menos empregos à disposição). Podemos concluir então que há uma relação inversa
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entre a taxa de desemprego e a rotatividade. Quanto menor o desemprego, maior será a
rotatividade e vice-versa.
e) As taxas de rotatividade caem à medida que aumenta a idade e o tempo no emprego. A
mobilidade é bastante elevada quando os trabalhadores são jovens porque nesta fase
tanto as firmas como os jovens trabalhadores buscam o entendimento e satisfação
recíprocos. Conforme estas vinculações mútuas são alcançadas ao longo do tempo, a
rotatividade cai. Por outro lado, o declínio de saídas também está relacionado ao fato de
que os trabalhadores não sabem de todas as informações e características dos empregos
oferecidos. Apenas após iniciar o trabalho é que ele conhecerá todas as nuances do
emprego. Se o emprego não lhe agradar, ele buscará posições em outro emprego,
mesmo que isso possa demorar um pouco. No entanto, se o trabalhador gostar do
emprego e este lhe trouxer satisfação, ele permanecerá por um longo período e a
rotatividade será baixa.
f) As taxas de saída serão maiores quando os custos de sair são mais baixos. Se, para sair de
um emprego, o custo envolvido é alto, a rotatividade será menor. Imagine um trabalhador
que trabalha para uma firma de pesca em uma pequena cidade, onde a pesca é quase a
única atividade que gera empregos. Imagine agora um trabalhador de um centro urbano.
Qual dos dois terá maior custo de sair? Certamente será o trabalhador na firma de pesca,
pois se ele sair do emprego, terá que mudar de cidade com toda a sua família,
provavelmente ainda terá que aprender outro ofício. Já o trabalhador do grande centro
urbano não terá este custo, pois não precisará mudar de cidade e terá um enorme leque
de opções disponíveis de empregos na cidade.
Finalmente, a taxa de rotatividade é a relação percentual entre empregos substituídos e o
número inicial de empregados:
Taxa de rotatividade =
empregados substituídos
quantidade inicial de empregados
Imagine uma firma com 100 empregados. Suponha que foram demitidos 30 funcionários e
admitidos 40. Qual a taxa de rotatividade?
Destes 40 admitidos, 30 foram destinados à substituição dos demitidos, então a taxa de
rotatividade será 30/100 = 30%. Os outros 10 funcionários excedentes admitidos fazem parte do
aumento de emprego.
Imagine agora esta mesma firma com 100 empregados. Suponha que foram demitidos 50
funcionários e admitidos 25. Qual a taxa de rotatividade? Destes 50 demitidos, 25 foram
substituídos pelo admitidos, a taxa de rotatividade será 25/100 = 25%. Os outros 25 demitidos
que ficaram sem emprego ingressaram na triste estatística do desemprego.
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ESQUEMAS DA AULA
AGENTES DO MERCADO DE TRABALHO
Pleno emprego é a situação na qual todas as pessoas que desejam trabalhar
possuem emprego, descontando a taxa natural de desemprego.
•Buscam maximizar
seu bem-estar
•Vendem trabalho
no mercado
Trabalhadores
•Buscam maximizar
seu lucro
•Compram trabalho
no mercado
Empresas
• Influenciam as
decisões do
mercado
• Impostos, subsídios
e regulamentação
Governo
Desemprego Real
Cíclico
Natural
Friccional Estrutural
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Trabalho formal Trabalho informal
População
ocupada
Trabalho nos afazeres
domésticos
X X X
Empregado doméstico
sem carteira assinada
X V V
Empregado doméstico
com carteira assinada
V X V
População Total
População em Idade Ativa População em Idade para Trabalhar
PIA
População Economicamente
Ativa (Força de Trabalho)
PEA
Ocupados Desocupados
População Não
Economicamente Ativa
(Fora da Força de Trabalho)
PNEA
População em Idade Não
Ativa
PINA
População
Ocupada
População
Desocupada
Força de
Trabalho (ou
PEA)
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Taxa de inatividade =
PNEA
PIA
Nível de ocupação =
ocupados
PIA
Nível de desocupação =
desocupados
PIA
Taxa de desemprego =
desocupados
PEA
Taxa de emprego =
ocupados
PEA
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QUESTÕES COMENTADAS
1. (2019/FGV/DPE RJ/Técnico Superior Especializado - Economia)
Entre 2013 e 2014, o Brasil pode ter alcançado o pleno emprego.
Esse cenário é caracterizado pelo(a):
a) uso eficiente da totalidade dos recursos produtivos, descontada uma taxa natural de
desemprego;
b) ocorrência apenas do desemprego friccional, ou seja, há destruição “criativa” de empregos;
c) ocorrência apenas do desemprego estrutural, ou seja, a informação assimétrica impede o
preenchimento de vagas;
d) atingimento da taxa natural de desemprego, decorrente apenas do desemprego conjuntural;
e) crescimento da produtividade em ritmo maior do que os salários pagos aos trabalhadores.
Comentários:
A questão pede que você indique apenas o conceito correto de pleno emprego, presente na
alternativa “a”.
Não podemos resumir a taxa natural de desemprego à ocorrência de desemprego friccional;
desemprego estrutural também entra na conta. O que leva a alternativa “c” a também estar
errada.
A alternativa “d” está errada. O Desemprego Conjuntural ou Cíclico é aquele resultante de crises
econômicas, e é justamente o que faz o desemprego oscilar em torno da taxa natural.
Gabarito: “a”
2. (2017/FEPESE/JUCESC/Analista Administrativo)
Assinale a alternativa que corresponde ao desemprego friccional.
a) Desemprego que experimentam as economias em períodos de depressão econômica.
b) Desemprego que experimentam as economias que operam com taxas de juros crescentes.
c) Desemprego que existe na economia no momento da retomada cíclica dos investimentos.
d) Desemprego que existe na economia resultado do deslocamento dos indivíduos entre
empregos e a procura por novos empregos.
e) Desemprego que surge em determinados locais em períodos específicos do ano pela queda
de uma de suas atividades econômicas principais, como o turismo de veraneio de algumas
cidades litorâneas.
Comentários:
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O desemprego friccional é aquele decorrente de haver um lapso temporal entre a perda (mesmo
que voluntária) e obtenção de emprego, exatamente como descrito na alternativa “d”.
Gabarito: “d”
3. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
As causas do desemprego natural, decorrente do tempo necessário para que o mercado de
trabalho se ajuste, incluem a desinformação e a falta de mobilidade dos agentes que ofertam e
buscam trabalho.
Comentários:
O desemprego decorrente do tempo necessário para que o mercado se ajuste é o desemprego
friccional, que é apenas uma parte do desemprego natural. Enquanto a falta de mobilidade dos
agentes é relacionada, principalmente, ao desemprego estrutural.
Gabarito: Errado
4. (2015/CEBRASPE-CESPE/ANTAQ/Especialista em Regulação)
Acerca de conceitos básicos da economia, julgue o item subsequente.
Modificações na estrutura competitiva industrial das economias nacionais, decorrentes do
processo atual de globalização dessas economias, podem levar ao aumento do desemprego
estrutural.
Comentários:
Isso está correto. As alterações pelas quais passam tanto a demanda quanto a produção podem
causar aumento do desemprego estrutural, caracterizado como a diferença persistente entre a
oferta e a demanda de trabalho, ainda que também estejam relacionadas ao desemprego
friccional.
Gabarito: Certo
5. (2008/CEBRASPE-CESPE/Analista de Comércio Exterior)
A teoria macroeconômica analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos. Com
base nessa teoria, julgue o item a seguir.
Os fatores que afetam o desemprego estrutural de determinada região incluem a concentração
industrial, o ritmo da evolução tecnológica e a imobilidade da força de trabalho.
Comentários:
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De fato. O desemprego estrutural também pode ocorrer como fenômeno regional, fruto das
diferenças entre as estruturas de mercado em diferentes regiões de um país. Se uma região
possui uma indústria muito concentrada, por exemplo, ou se há diferentes ritmos de inovação
tecnológica, podem surgir diferenças relevantes entre a oferta e a demanda de trabalho.
Como a mobilidade da força de trabalho não é total, ou seja, como os trabalhadores não
conseguem se adequar imediatamente às mudanças estruturais, seja se qualificando, seja
mudando de domicílio, haverá desemprego estrutural.
Gabarito: Certo
6. (2016/FCC/PGE MT/Analista - Economista)
A taxa natural de desemprego de uma economia
a) equivale à taxa de desemprego apurada, independentemente da teoria considerada.
b) é inflexível no longo prazo.
c) não se relaciona com o equilíbrio entre nível de preços efetivo e nível esperado de preços.
d) pode se alterar em decorrência de mudanças na estrutura de proteção social do trabalhador.
e) é a mesma que a taxa natural de desemprego das demais economias.
Comentários:
A taxa de natural de desemprego é dada pela soma do desemprego estrutural com o
desemprego friccional. Portanto, mudanças na estrutura de proteção social do trabalhador,
como o seguro-desemprego e a qualificação, que afetam seus componentes estrutural e
friccional, podem alterar a taxa natural de desemprego.
Gabarito: “d”
7. (2001/CEBRASPE-CESPE/Analista de Comércio Exterior)
A teoria macroeconômica estuda o comportamento dos grandes agregados econômicos e
aborda temas como inflação, desemprego, desequilíbrios externos e crescimento econômico.
Utilizando os conceitos essenciais dessa teoria, julgue o item a seguir.
A teoria do salário-eficiência sugere que os salários são rígidos em parte porque salários mais
elevados contribuem para elevar a produtividade dos trabalhadores.
Comentários:
A existência dos chamados salários de eficiência são outra causa de rigidez de salários. Salários
de eficiência é o nome dado à prática de algumas empresasde pagar salários superiores àqueles
pagos pelo mercado com a intenção de aumentar a eficiência do trabalhador.
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Contudo, ao fixar um salário acima do mercado, causa-se rigidez salário, ou seja, impede-se que
os salários convirjam ao salário de mercado, provocando desemprego estrutural.
Gabarito: Certo
8. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista)
A respeito de mercado e de condições de emprego e renda no Brasil, julgue o item
subsequente.
Qualquer indivíduo em idade ativa que não trabalhe enquadra-se nas estatísticas de
desemprego.
Comentários:
A taxa de desemprego é dada por:
Taxa de desemprego =
desocupados
PEA
Sobre a PEA (população economicamente ativa, ocupados + desocupados), é importante
destacar que o fato de o indivíduo estar em idade ativa e/ou capacitado para trabalho não o
torna membro da PEA.
Ele pode estar em idade ativa e capacitado para trabalho, mas pode nem estar trabalhando nem
procurando emprego, desta forma pertencerá à PNEA, e não entrará na estatística de
desemprego.
Gabarito: Errado
9. (2002/CEBRASPE-CESPE/TCDF/Auditor do Tribunal de Contas)
A escolha em situação de escassez e as interações entre o governo e os mercados privados,
assim como as questões do meio ambiente, são temas relevantes em economia. A esse respeito,
julgue o item a seguir.
A redução da demanda de mão-de-obra não-qualificada, em decorrência da crescente
informatização das empresas, aliada à expansão do setor de alta tecnologia, empregador de
trabalhadores qualificados, pode acentuar as desigualdades salariais, contribuindo, assim, para
agravar as disparidades de renda nas modernas economias de mercado.
Comentários:
Isso está correto, sendo que as transformações pelas quais passa a economia são razão do
desemprego estrutural, e afeta especialmente a mão-de-obra menos qualificada.
Gabarito: Certo
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10. (2014/FGV/COMPESA/Analista de Gestão - Economista)
O mercado de trabalho apresenta 3 tipos de desemprego: cíclico ou conjuntural, friccional e
estrutural. O desemprego estrutural caracteriza‐se
a) por um processo recessivo da economia.
b) por um processo de estagflação.
c) pela existência de assimetria informacional.
d) pela destruição criativa de emprego.
e) pelo alto custo de procura por emprego
Comentários:
Por fim, como o desemprego estrutural é definido como a diferente persistente entre a oferta e
demanda de trabalho, algumas causas outras causas podem ser estabelecidas, como as
mudanças que ocorrem na economia. Por diversas razões, das quais se destaca a chamada
destruição criativa, o perfil da demanda se altera o tempo todo: numa hora as livrarias são um
dos negócios mais rentáveis, na outra os livros digitais e outras mídias eletrônicas arrastam a
maioria delas à falência.
A demanda por mão-de-obra para impressão e encadernação despenca, enquanto a demanda
pelo trabalho de designers digitais aumenta.
Gabarito: “d”
11. (2012/PUC-PR/DPE-PR/Economista)
Desemprego devido ao desajuste entre a qualificação ou a localização da força de trabalho e a
qualificação requerida pelo empregador.
Trata-se do:
a) Desemprego cíclico.
b) Desemprego estrutural.
c) Desemprego friccional.
d) Desemprego sazonal.
e) Desemprego voluntário.
Comentários:
Aqui, mais uma definição (ainda que incompleta, já que há outras causas) do desemprego
estrutural.
Gabarito: “b”
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12. (2022/FGV/SANTO ANDRÉ/Agente de Políticas Públicas e Gestão Governamental)
O gráfico a seguir mostra as pirâmides demográficas do Brasil, em 1960 e 2010.
(Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1960/2010. Adaptado)
Sobre a evolução da população brasileira, no período 1960/2010, assinale a afirmativa correta.
a) O estreitamento da base da pirâmide, em 2010, indica um ligeiro aumento da taxa de
natalidade.
b) O alargamento do ápice da pirâmide, em 2010, mostra um leve decréscimo do contingente
de idosos.
c) O maior contingente de adultos, em 2010, indica um aumento da população
economicamente ativa.
d) A base da pirâmide mais larga, em 1960, mostra um pequeno aumento do contingente de
jovens.
e) O alargamento da pirâmide, no período, atesta um acréscimo significativo da taxa de
mortalidade.
Comentários:
Embora algumas alternativas fujam ao escopo desta aula, o gabarito não foge.
Está correto afirmar, como consta na letra “c”, que a PEA depende da PIA, uma vez que é uma
parte da população em idade ativa.
As demais alternativas têm mais a ver com interpretação.
Também é importante notar a banca cobrando os conceitos de PEA e PIA, mesmo após a PNAD
Contínua “abandonar” o uso das siglas.
Gabarito: “c”
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13. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Determinada economia apresenta os seguintes dados.
população total: 200 milhões de habitantes
população acima de 65 anos: 60 milhões de habitantes
população abaixo de 18 anos: 65 milhões de habitantes
população abaixo de 14 anos: 50 milhões de habitantes
população abaixo de 10 anos: 40 milhões de habitantes
população empregada: 70 milhões de habitantes
população fora do mercado de trabalho (desalentados): 20 milhões de habitantes
Considerando que a essa economia se aplique a mesma abordagem conceitual e metodológica
adotada no Brasil, julgue o item a seguir.
A população economicamente ativa, de acordo com a classificação do IBGE, é de 70 milhões
de pessoas.
Comentários:
Partindo da população total, só podemos retirar as 50 milhões de pessoas abaixo de 14 anos,
para chegar à PIA:
PIA = 200 – 50
PIA = 150
Desses 150 milhões, não temos informações suficientes para determinar qual é a população não
economicamente ativa, só temos os desalentados:
PEA = 150 – 20
PEA = 130
Sendo assim, não temos informações suficientes para afirmar que a PEA é de 70 milhões, apenas
que ela é de, no máximo, 130 milhões, e no mínimo, 70 milhões (pessoas ocupadas).
Note que, mesmo se adotássemos a idade mínima de 10 anos, teríamos uma PIA de 160 milhões,
uma PEA de 140 milhões, mas ainda não teríamos a população não economicamente ativa.
Gabarito: Errado
14. (2012/PUC-PR/DPE-PR/Economista)
Considere uma localidade com as seguintes informações:
• População: 100.000 habitantes.
• População ativa: 50.000 habitantes.
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• População ocupada: 45.000 habitantes.
Marque entre as alternativasa seguir, a que aponta a taxa de desemprego da localidade, em
percentual.
a) 5%
b) 15%
c) 55%
d) 50%
e) 10%
Comentários:
Apesar de não especificar se “população ativa” significa “população economicamente ativa”,
presumirmos que essa foi a intenção da banca é a única forma de encontrar a taxa de
desemprego, definida por:
Taxa de desemprego =
desocupados
PEA
Taxa de desemprego =
5.000
50.000
=0,10=10%
Gabarito: “e”
15. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
A População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil aumentou, de um ano para o seguinte, de
100 milhões para 101 milhões de pessoas.
Como a taxa de desemprego não sofreu alteração, permanecendo em 6%, o número de
pessoas ocupadas
a) aumentou de 1%.
b) aumentou de 0,6%.
c) aumentou de 1 milhão de indivíduos.
d) permaneceu constante.
e) diminuiu de 60 mil indivíduos.
Comentários:
Vamos começar descobrindo o número de ocupados no “ano zero”:
Taxa de desemprego (ano zero) =
desocupados
PEA
0,06 =
desocupados
100.000.000
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0,06 x 100.000.0000 = desocupados
Desocupados = 6.000.000
PEA = Ocupados + Desocupados
100.000.000 = Ocupados + 6.000.000
Ocupados = 100.000.000 – 6.000.000
Ocupados (ano zero) = 94.000.000
Agora, vejamos o que ocorre no ano 1:
Taxa de desemprego (ano zero) =
desocupados
PEA
0,06 =
desocupados
101.000.000
0,06 x 101.000.000 = desocupados
desocupados (ano 1) = 6.060.000
Ocupados = PEA – desocupados
Ocupados (ano 1) = 101.000.000 – 6.060.000
Ocupados (ano 1) = 94.940.000
Variação na quantidade de ocupados = 94.940.000 – 94.000.000 = 940.000
940.000 / 94.000.000 = 0,01 = 1%
Gabarito: “a”
16. (2018/FGV/SEFIN RO/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais)
No dia 15/03/2016, foi publicada, na Folha de São Paulo, a matéria “Taxa de desemprego do
Brasil cresce para 8,5% na média de 2015”.
Dessa matéria, destacou-se o trecho a seguir.
“Segundo divulgou o IBGE nesta terça-feira (15), a taxa de desemprego do país cresceu para
8,5% na média do ano passado, a maior já medida pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios), iniciada em 2012. Esse resultado ficou 1,7 ponto percentual acima da
média de 2014 (6,8%), a piora mais acelerada registrada nesses quatro anos da série histórica
da pesquisa de emprego do IBGE.”
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Assinale a opção que indica um dos fatores que contribuiu para o aumento da taxa de
desemprego.
a) A redução dos rendimentos reais do trabalho.
b) A desaceleração do processo de formalização do trabalho.
c) A escalada de preços de diversos produtos.
d) O aumento da população economicamente ativa.
e) A redução da participação do comércio e indústria no total de vagas geradas.
Comentários:
A taxa de desemprego é dada por:
Taxa de desemprego =
desocupados
PEA
A princípio, pode parecer que o aumento da PEA irá provocar a redução do desemprego, já que
seu número entra no denominador.
Contudo, é importante perceber que o aumento da população economicamente ativa, sem
aumento no número de empregos, significará um aumento em mesmo número de desocupados.
Veja o que isso significa.
Suponha, inicialmente, que a PEA é de 100.000.000 de pessoas, estando 5.000.000
desocupadas. Portanto, a taxa de desemprego é de 5%.
Então, por um motivo qualquer, a PEA sobe para 101.000.000. Como não houve aumento dos
empregos disponíveis (a questão nada falou a respeito), temos que supor que um milhão de
pessoas passaram a integrar a população desocupada, ou seja, temos 6.000.000 de pessoas
desocupadas, e mais de 5,9% de desemprego!
Gabarito: “d”
17. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
Em decorrência da metodologia utilizada pelo IBGE, é possível que haja diminuição do número
de desocupados durante conjuntura econômica recessiva.
Comentários:
Concentre-se no “é possível”. Para tanto, devemos considerar o conceito de “desocupados”.
São classificadas como desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho na
semana de referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e
que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de
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30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram
nesse período.
Uma importante conclusão a que chegamos depois da leitura deste confuso conceito, que consta
em Nota Metodológica do IBGE, é que para ser considerado um desocupado, o indivíduo deve
se ocupar buscando trabalho. Se, por acaso, ele não possui trabalho nem o busca, não
pertencerá à PEA, mas sim à PNEA (População Não Economicamente Ativa).
Portanto, se diante do quadro recessivo o número de pessoas que desiste de procurar emprego
for suficientemente alto, haverá redução no número de desocupados.
Gabarito: Certo
18. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU-DF/Analista de Gestão - Economia)
Acerca de aspectos relativos à economia do setor público, julgue o item subsequente.
O programa de seguro desemprego reduz o desemprego friccional, visto que os trabalhadores
desempregados recebem, durante certo período de tempo, parte do salário que recebiam no
seu último emprego.
Comentários:
É verdade que, dentro da política de seguro-desemprego, os trabalhadores desempregados
recebem, durante certo período de tempo, parte do salário que recebiam no seu último
emprego.
Contudo, isso tem o efeito de aumentar o e desemprego friccional, uma vez que os trabalhadores
tendem a dedicar mais tempo à busca de um novo emprego, dado que possuem garantia de
renda durante algumas semanas.
Isso os levará a recusar empregos que, em outras circunstâncias, aceitariam.
Gabarito: Errado
19. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor de Controle Externo)
Julgue o item que se segue, relativo a mercado de trabalho e comércio exterior.
A taxa de atividade é apurada pela relação entre a população economicamente ativa (PEA), na
qual se incluem a população ocupada e a população desocupada, e a população em idade ativa
(PIA).
Comentários:
De fato, a PEA é formada pela população ocupada e pela população desocupada. Contudo, na
verdade, é a PEA que está incluída na PIA. Ou seja, é incorreto dizer que a PEA inclui a PIA, pois
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a população não economicamente ativa faz parte da PIA, mas, obviamente, não faz parte da
população economicamente ativa.
Gabarito: Errado
20. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor de Controle Externo)
A propósito do mercado de trabalho e do comércio exterior, julgue o item seguinte.
Para se calcular a taxa de desemprego, é necessário precisar o quantitativo de desempregados
nopaís, que é obtido pela diferença do número de pessoas empregadas pela população em
idade ativa (PIA).
Comentários:
Nada disso! O número de desocupados (desempregados) é obtido pela diferença da população
economicamente ativa (PEA) e o número de pessoas ocupadas (empregadas).
Gabarito: Errado
21. (2014/CESGRANRIO/EPE/Analista de Pesquisa Energética - Petróleo)
Considere um mercado de trabalho perfeitamente competitivo no qual inicialmente não há
desemprego, ou seja, demanda e oferta de mão de obra se equilibram ao salário de mercado
vigente.
Qual estática comparativa ocorrerá, se o governo instituir um salário mínimo (SM)?
a) Haverá desemprego, inicialmente, mas a curva de demanda aumentará até atingir um novo
equilíbrio de emprego e salário.
b) Haverá excesso de demanda por mão de obra, pressionando ainda mais os salários de
mercado vigente.
c) A curva de oferta por mão de obra aumentará, caso o SM seja maior do que o salário de
mercado vigente.
d) A política será inócua, caso o SM seja fixado abaixo do salário de mercado vigente.
e) A quantidade demandada por mão de obra diminuirá, para qualquer nível fixado de SM.
Comentários:
Caso o salário mínimo seja fixado abaixo do salário de mercado vigente, não haverá efeito algum.
Afinal, as empresas já estarão pagando um valor maior ao trabalhador, e, dada a estrutura
perfeitamente competitiva, qualquer trabalhador poderá encontrar trabalho remunerado, pelo
menos, no valor de mercado.
Gabarito: “d”
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22. (2004/CEBRASPE-CESPE/POLÍCIA FEDERAL/Agente de Polícia Federal)
A análise microeconômica refere-se ao comportamento individual dos agentes econômicos.
A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.
Políticas efetivas de fixação do salário nominal mínimo exigem que ele seja fixado acima do
salário de equilíbrio do mercado de trabalho, porém essa política salarial poderá causar
desemprego, especialmente no segmento não qualificado do mercado de trabalho.
Comentários:
Caso o salário mínimo seja fixado abaixo do salário de mercado vigente, não haverá efeito algum.
Afinal, as empresas já estarão pagando um valor maior ao trabalhador, e, dada a estrutura
perfeitamente competitiva, qualquer trabalhador poderá encontrar trabalho remunerado, pelo
menos, no valor de mercado.
Sua fixação acima do salário de mercado, por outro lado, poderá causar desemprego estrutural.
Aí, temos o chamado efeito ambíguo para o conjunto de trabalhadores: apesar da redução no
número de empregos e o efeito negativo disso, alguns trabalhadores receberão remuneração
superior àquela que receberiam sem a política e, portanto, terão aumento em seu bem-estar.
Gabarito: Certo
23. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista do Ministério Público da União - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
A curva de oferta de mão de obra é descendente por causa do produto marginal decrescente.
Comentários:
A curva de oferta de mão de obra relaciona a quantidade de trabalho ofertado com o nível de
salário real. Portanto, quanto maior o salário, maior a quantidade de mão de obra que os
trabalhadores irão ofertar, tornando a curva de oferta ascendente.
Gabarito: Errado
24. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Em relação ao modelo clássico de salário-eficiência, julgue o item a seguir.
Nesse modelo, as firmas maximizam os seus lucros, apesar de o salário real ser estabelecido em
patamar superior ao observado em concorrência perfeita.
Comentários:
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De fato, e as fixam esses salários com o objetivo de aumentar a eficiência. Não seria razoável
supor que as empresas o fazem reduzindo seus lucros.
Gabarito: Certo
25. (2014/CEBRASPE-CESPE/TJ-SE/Analista Judiciário - Apoio Especializado - Economia)
A respeito do mercado de trabalho e do nível de atividade econômica, julgue o item.
De acordo com a teoria dos salários de eficiência, as firmas operam de forma mais eficiente se
pagarem salários abaixo do nível de equilíbrio.
Comentários:
Pelo contrário: são os salários acima do nível de equilíbrio que levam as firmas a operar de forma
mais eficiente.
Gabarito: Errado
26. (2014/FGV/ALBA/Auditor - Auditoria)
No mercado de trabalho, a oferta é determinada pelos trabalhadores que oferecem a sua força
de trabalho em troca de um salário. Por sua vez, a demanda é determinada pelas empresas que
desejam adquirir essa força de trabalho pagando um salário. Assim, o produto oferecido neste
mercado é o trabalho, e o seu preço é o salário. Considere que oferta e demanda não são
perfeitamente elásticas e inelásticas.
A partir do texto acima assinale a opção que completa corretamente o fragmento a seguir.
Em uma situação de equilíbrio de oferta e demanda, quando o governo fixa um salário mínimo
_____
a) abaixo do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e empresas diminui.
b) abaixo do salário de equilíbrio, o excedente das empresas diminui, mas o efeito é ambíguo
sobre o excedente dos trabalhadores.
c) acima do salário de equilíbrio, o excedente das empresas diminui, mas o efeito é ambíguo
sobre o excedente dos trabalhadores.
d) acima do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e empresas diminui.
e) acima do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e de empresas não se altera.
Comentários:
A fixação do salário mínimo acima do salário de equilíbrio trará um efeito ambíguo ao bem-estar
do trabalhador: por um lado, haverá menos empregos, mas algumas pessoas receberão salários
maiores àqueles que receberiam sem a fixação do piso. Para as empresas, haverá perda de
excedente, pois não conseguirão contratar pessoas que estariam dispostas a trabalhar por
valores inferiores ao mínimo.
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Gabarito: “c”
27. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Determinada economia apresenta os seguintes dados.
população total: 200 milhões de habitantes
população acima de 65 anos: 60 milhões de habitantes
população abaixo de 18 anos: 65 milhões de habitantes
população abaixo de 14 anos: 50 milhões de habitantes
população abaixo de 10 anos: 40 milhões de habitantes
população empregada: 70 milhões de habitantes
população fora do mercado de trabalho (desalentados): 20 milhões de habitantes
Considerando que a essa economia se aplique a mesma abordagem conceitual e metodológica
adotada no Brasil, julgue o item a seguir.
Não será enquadrado nas estatísticas de desemprego o indivíduo em idade ativa que estiver
fora do mercado de trabalho.
Comentários:
De fato, os indivíduos em idade ativa que não estão buscando emprego não integrarão a PEA e,
portanto, não entrarão nas estatísticas de emprego ou desemprego.
Gabarito: Certo
28. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
Na força de trabalho de um país, há pessoas em situação de ociosidade involuntária;são os
desempregados. Há vários tipos de desemprego, classificados de acordo com suas causas.
O desemprego estrutural decorre, por exemplo, de
a) sazonalidade da demanda por trabalho em certas regiões.
b) insuficiência da demanda agregada por bens e serviços.
c) inovações tecnológicas que alteram os processos produtivos.
d) contratações de mão de obra irregularmente, em desacordo com a legislação trabalhista.
e) salários nominais excessivamente baixos.
Comentários:
Inovações tecnológicas que alteram os processos produtivos são uma causa de desemprego
estrutural, de forma que a alternativa “c” está correta.
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A sazonalidade da demanda por trabalho em certas regiões, por outro lado, está mais
relacionada ao desemprego friccional, uma vez que implica em tempo de deslocamento dos
trabalhadores entre uma e outra atividade.
Gabarito: “c”
29. (2013/CEBRASPE-CESPE/ES/Analista do Executivo - Ciências Econômicas)
Considerando aspectos relativos à previdência social e os principais conceitos relativos ao
mercado de trabalho no Brasil, assinale a opção correta.
a) Pessoas desocupadas são as que não estejam empregadas e estejam efetivamente
procurando trabalho ou emprego.
b) Aproximadamente 90% da população economicamente ativa contribuem para o regime de
previdência social no Brasil.
c) As contribuições sociais, receitas vinculadas à área de seguridade social, são calculadas
exclusivamente com base na folha de pagamento.
d) A partir da entrada em vigor da atual CF, passou-se a exigir dos trabalhadores rurais, para a
aposentadoria por idade, a mesma idade mínima exigida para a aposentadoria dos
trabalhadores urbanos.
e) No Brasil, a população em idade ativa corresponde à fração da população que, com mais de
vinte anos de idade e menos de sessenta e cinco anos de idade, esteja apta a trabalhar.
Comentários:
Questão meramente conceitual, cuja alternativa “a” está correta em relação ao conceito de
“desocupados”.
As demais alternativas fogem ao escopo do edital no que tange à matéria desta aula.
Gabarito: “a”
30. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
Uma das principais diferenças entre a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) — pesquisas periódicas sobre mercado
de trabalho no Brasil realizadas pelo IBGE — reside no fato de a PNAD-Contínua ser mais
abrangente do ponto de vista geográfico que a PME.
Comentários:
Com dados coletados a partir de 2012, a PNAD Contínua foi desenhada para ser uma pesquisa
trimestral com informações sobre mercado de trabalho do país todo e substituir a PME (Pesquisa
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Mensal de Emprego). Uma das principais diferenças entre a Pesquisa Mensal de Emprego (PME)
e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) é a amplitude.
Enquanto a PME entrevista pessoas em 44 mil domicílios localizados em seis regiões
metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), a
Pnad tem uma amostra muito maior: são mais de 200 mil domicílios em mais de 3.500 municípios
brasileiros.
Portanto, a PNAD é, de fato, mais abrangente.
Gabarito: Certo
31. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
Em certo país, a participação na população total do grupo formado pelas pessoas maiores de
60 anos e pelas menores de 15 anos diminuiu durante um certo período.
Tal fato tem uma influência sobre o crescimento da economia, sendo conhecido como
a) efeito Pigou
b) divisor demográfico
c) externalidade demográfica
d) bônus demográfico
e) aumento da dependência
Comentários:
O conceito de bônus demográfico é a situação temporária decorrente de uma transformação
pela qual passa a população de um país, quando a participação na população total do grupo
formado pelas pessoas maiores de 60 anos e pelas menores de 15 anos diminuiu, em relação às
pessoas entre 15 e 60 anos, durante um certo período. Ou seja, o bônus demográfico é uma
situação de aumento na PIA.
Gabarito: “d”
32. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista)
A respeito de mercado e de condições de emprego e renda no Brasil, julgue o item
subsequente.
A taxa de desemprego reportada pela pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD)
contínua, calculada com o último dado mensal sobre a força de trabalho, apresenta maior
abrangência geográfica em relação à pesquisa mensal de emprego (PME).
Comentários:
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Embora a PNAD Contínua apresente, de fato, maior abrangência do que a PME, o erro está em
afirmar que ela é calculada com dados mensais, quando, na verdade, são utilizados dados
trimestrais.
Gabarito: Errado
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LISTA DE QUESTÕES
1. (2019/FGV/DPE RJ/Técnico Superior Especializado - Economia)
Entre 2013 e 2014, o Brasil pode ter alcançado o pleno emprego.
Esse cenário é caracterizado pelo(a):
a) uso eficiente da totalidade dos recursos produtivos, descontada uma taxa natural de
desemprego;
b) ocorrência apenas do desemprego friccional, ou seja, há destruição “criativa” de empregos;
c) ocorrência apenas do desemprego estrutural, ou seja, a informação assimétrica impede o
preenchimento de vagas;
d) atingimento da taxa natural de desemprego, decorrente apenas do desemprego conjuntural;
e) crescimento da produtividade em ritmo maior do que os salários pagos aos trabalhadores.
2. (2017/FEPESE/JUCESC/Analista Administrativo)
Assinale a alternativa que corresponde ao desemprego friccional.
a) Desemprego que experimentam as economias em períodos de depressão econômica.
b) Desemprego que experimentam as economias que operam com taxas de juros crescentes.
c) Desemprego que existe na economia no momento da retomada cíclica dos investimentos.
d) Desemprego que existe na economia resultado do deslocamento dos indivíduos entre
empregos e a procura por novos empregos.
e) Desemprego que surge em determinados locais em períodos específicos do ano pela queda
de uma de suas atividades econômicas principais, como o turismo de veraneio de algumas
cidades litorâneas.
3. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
As causas do desemprego natural, decorrente do tempo necessário para que o mercado de
trabalho se ajuste, incluem a desinformação e a falta de mobilidade dos agentes que ofertam e
buscam trabalho.
4. (2015/CEBRASPE-CESPE/ANTAQ/Especialista em Regulação)
Acerca de conceitos básicos da economia, julgue o item subsequente.
Modificações na estrutura competitiva industrial daseconomias nacionais, decorrentes do
processo atual de globalização dessas economias, podem levar ao aumento do desemprego
estrutural.
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5. (2008/CEBRASPE-CESPE/Analista de Comércio Exterior)
A teoria macroeconômica analisa o comportamento dos grandes agregados econômicos. Com
base nessa teoria, julgue o item a seguir.
Os fatores que afetam o desemprego estrutural de determinada região incluem a concentração
industrial, o ritmo da evolução tecnológica e a imobilidade da força de trabalho.
6. (2016/FCC/PGE MT/Analista - Economista)
A taxa natural de desemprego de uma economia
a) equivale à taxa de desemprego apurada, independentemente da teoria considerada.
b) é inflexível no longo prazo.
c) não se relaciona com o equilíbrio entre nível de preços efetivo e nível esperado de preços.
d) pode se alterar em decorrência de mudanças na estrutura de proteção social do trabalhador.
e) é a mesma que a taxa natural de desemprego das demais economias.
7. (2001/CEBRASPE-CESPE/Analista de Comércio Exterior)
A teoria macroeconômica estuda o comportamento dos grandes agregados econômicos e
aborda temas como inflação, desemprego, desequilíbrios externos e crescimento econômico.
Utilizando os conceitos essenciais dessa teoria, julgue o item a seguir.
A teoria do salário-eficiência sugere que os salários são rígidos em parte porque salários mais
elevados contribuem para elevar a produtividade dos trabalhadores.
8. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista)
A respeito de mercado e de condições de emprego e renda no Brasil, julgue o item
subsequente.
Qualquer indivíduo em idade ativa que não trabalhe enquadra-se nas estatísticas de
desemprego.
9. (2002/CEBRASPE-CESPE/TCDF/Auditor do Tribunal de Contas)
A escolha em situação de escassez e as interações entre o governo e os mercados privados,
assim como as questões do meio ambiente, são temas relevantes em economia. A esse respeito,
julgue o item a seguir.
A redução da demanda de mão-de-obra não-qualificada, em decorrência da crescente
informatização das empresas, aliada à expansão do setor de alta tecnologia, empregador de
trabalhadores qualificados, pode acentuar as desigualdades salariais, contribuindo, assim, para
agravar as disparidades de renda nas modernas economias de mercado.
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10. (2014/FGV/COMPESA/Analista de Gestão - Economista)
O mercado de trabalho apresenta 3 tipos de desemprego: cíclico ou conjuntural, friccional e
estrutural. O desemprego estrutural caracteriza‐se
a) por um processo recessivo da economia.
b) por um processo de estagflação.
c) pela existência de assimetria informacional.
d) pela destruição criativa de emprego.
e) pelo alto custo de procura por emprego
11. (2012/PUC-PR/DPE-PR/Economista)
Desemprego devido ao desajuste entre a qualificação ou a localização da força de trabalho e a
qualificação requerida pelo empregador.
Trata-se do:
a) Desemprego cíclico.
b) Desemprego estrutural.
c) Desemprego friccional.
d) Desemprego sazonal.
e) Desemprego voluntário.
12. (2022/FGV/SANTO ANDRÉ/Agente de Políticas Públicas e Gestão Governamental)
O gráfico a seguir mostra as pirâmides demográficas do Brasil, em 1960 e 2010.
(Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1960/2010. Adaptado)
Sobre a evolução da população brasileira, no período 1960/2010, assinale a afirmativa correta.
a) O estreitamento da base da pirâmide, em 2010, indica um ligeiro aumento da taxa de
natalidade.
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b) O alargamento do ápice da pirâmide, em 2010, mostra um leve decréscimo do contingente
de idosos.
c) O maior contingente de adultos, em 2010, indica um aumento da população
economicamente ativa.
d) A base da pirâmide mais larga, em 1960, mostra um pequeno aumento do contingente de
jovens.
e) O alargamento da pirâmide, no período, atesta um acréscimo significativo da taxa de
mortalidade.
13. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Determinada economia apresenta os seguintes dados.
população total: 200 milhões de habitantes
população acima de 65 anos: 60 milhões de habitantes
população abaixo de 18 anos: 65 milhões de habitantes
população abaixo de 14 anos: 50 milhões de habitantes
população abaixo de 10 anos: 40 milhões de habitantes
população empregada: 70 milhões de habitantes
população fora do mercado de trabalho (desalentados): 20 milhões de habitantes
Considerando que a essa economia se aplique a mesma abordagem conceitual e metodológica
adotada no Brasil, julgue o item a seguir.
A população economicamente ativa, de acordo com a classificação do IBGE, é de 70 milhões
de pessoas.
14. (2012/PUC-PR/DPE-PR/Economista)
Considere uma localidade com as seguintes informações:
• População: 100.000 habitantes.
• População ativa: 50.000 habitantes.
• População ocupada: 45.000 habitantes.
Marque entre as alternativas a seguir, a que aponta a taxa de desemprego da localidade, em
percentual.
a) 5%
b) 15%
c) 55%
d) 50%
e) 10%
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15. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
A População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil aumentou, de um ano para o seguinte, de
100 milhões para 101 milhões de pessoas.
Como a taxa de desemprego não sofreu alteração, permanecendo em 6%, o número de
pessoas ocupadas
a) aumentou de 1%.
b) aumentou de 0,6%.
c) aumentou de 1 milhão de indivíduos.
d) permaneceu constante.
e) diminuiu de 60 mil indivíduos.
16. (2018/FGV/SEFIN RO/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais)
No dia 15/03/2016, foi publicada, na Folha de São Paulo, a matéria “Taxa de desemprego do
Brasil cresce para 8,5% na média de 2015”.
Dessa matéria, destacou-se o trecho a seguir.
“Segundo divulgou o IBGE nesta terça-feira (15), a taxa de desemprego do país cresceu para
8,5% na média do ano passado, a maior já medida pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios), iniciada em 2012. Esse resultado ficou 1,7 ponto percentual acima da
média de 2014 (6,8%), a piora mais acelerada registrada nesses quatro anos da série histórica
da pesquisa de emprego do IBGE.”
Assinale a opção que indica um dos fatores que contribuiu para o aumento da taxa de
desemprego.
a) A redução dos rendimentos reais do trabalho.
b) A desaceleração do processo de formalização do trabalho.
c) A escalada de preços de diversos produtos.
d) O aumento da população economicamente ativa.
e) A redução da participação do comércio e indústria no total de vagas geradas.
17. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
Em decorrência da metodologia utilizada pelo IBGE, é possívelque haja diminuição do número
de desocupados durante conjuntura econômica recessiva.
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18. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU-DF/Analista de Gestão - Economia)
Acerca de aspectos relativos à economia do setor público, julgue o item subsequente.
O programa de seguro desemprego reduz o desemprego friccional, visto que os trabalhadores
desempregados recebem, durante certo período de tempo, parte do salário que recebiam no
seu último emprego.
19. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor de Controle Externo)
Julgue o item que se segue, relativo a mercado de trabalho e comércio exterior.
A taxa de atividade é apurada pela relação entre a população economicamente ativa (PEA), na
qual se incluem a população ocupada e a população desocupada, e a população em idade ativa
(PIA).
20. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor de Controle Externo)
A propósito do mercado de trabalho e do comércio exterior, julgue o item seguinte.
Para se calcular a taxa de desemprego, é necessário precisar o quantitativo de desempregados
no país, que é obtido pela diferença do número de pessoas empregadas pela população em
idade ativa (PIA).
21. (2014/CESGRANRIO/EPE/Analista de Pesquisa Energética - Petróleo)
Considere um mercado de trabalho perfeitamente competitivo no qual inicialmente não há
desemprego, ou seja, demanda e oferta de mão de obra se equilibram ao salário de mercado
vigente.
Qual estática comparativa ocorrerá, se o governo instituir um salário mínimo (SM)?
a) Haverá desemprego, inicialmente, mas a curva de demanda aumentará até atingir um novo
equilíbrio de emprego e salário.
b) Haverá excesso de demanda por mão de obra, pressionando ainda mais os salários de
mercado vigente.
c) A curva de oferta por mão de obra aumentará, caso o SM seja maior do que o salário de
mercado vigente.
d) A política será inócua, caso o SM seja fixado abaixo do salário de mercado vigente.
e) A quantidade demandada por mão de obra diminuirá, para qualquer nível fixado de SM.
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22. (2004/CEBRASPE-CESPE/POLÍCIA FEDERAL/Agente de Polícia Federal)
A análise microeconômica refere-se ao comportamento individual dos agentes econômicos.
A respeito desse assunto, julgue o item a seguir.
Políticas efetivas de fixação do salário nominal mínimo exigem que ele seja fixado acima do
salário de equilíbrio do mercado de trabalho, porém essa política salarial poderá causar
desemprego, especialmente no segmento não qualificado do mercado de trabalho.
23. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista do Ministério Público da União - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
A curva de oferta de mão de obra é descendente por causa do produto marginal decrescente.
24. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Em relação ao modelo clássico de salário-eficiência, julgue o item a seguir.
Nesse modelo, as firmas maximizam os seus lucros, apesar de o salário real ser estabelecido em
patamar superior ao observado em concorrência perfeita.
25. (2014/CEBRASPE-CESPE/TJ-SE/Analista Judiciário - Apoio Especializado - Economia)
A respeito do mercado de trabalho e do nível de atividade econômica, julgue o item.
De acordo com a teoria dos salários de eficiência, as firmas operam de forma mais eficiente se
pagarem salários abaixo do nível de equilíbrio.
26. (2014/FGV/ALBA/Auditor - Auditoria)
No mercado de trabalho, a oferta é determinada pelos trabalhadores que oferecem a sua força
de trabalho em troca de um salário. Por sua vez, a demanda é determinada pelas empresas que
desejam adquirir essa força de trabalho pagando um salário. Assim, o produto oferecido neste
mercado é o trabalho, e o seu preço é o salário. Considere que oferta e demanda não são
perfeitamente elásticas e inelásticas.
A partir do texto acima assinale a opção que completa corretamente o fragmento a seguir.
Em uma situação de equilíbrio de oferta e demanda, quando o governo fixa um salário mínimo
_____
a) abaixo do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e empresas diminui.
b) abaixo do salário de equilíbrio, o excedente das empresas diminui, mas o efeito é ambíguo
sobre o excedente dos trabalhadores.
c) acima do salário de equilíbrio, o excedente das empresas diminui, mas o efeito é ambíguo
sobre o excedente dos trabalhadores.
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d) acima do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e empresas diminui.
e) acima do salário de equilíbrio, o excedente de trabalhadores e de empresas não se altera.
27. (2013/CEBRASPE-CESPE/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho)
Determinada economia apresenta os seguintes dados.
população total: 200 milhões de habitantes
população acima de 65 anos: 60 milhões de habitantes
população abaixo de 18 anos: 65 milhões de habitantes
população abaixo de 14 anos: 50 milhões de habitantes
população abaixo de 10 anos: 40 milhões de habitantes
população empregada: 70 milhões de habitantes
população fora do mercado de trabalho (desalentados): 20 milhões de habitantes
Considerando que a essa economia se aplique a mesma abordagem conceitual e metodológica
adotada no Brasil, julgue o item a seguir.
Não será enquadrado nas estatísticas de desemprego o indivíduo em idade ativa que estiver
fora do mercado de trabalho.
28. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
Na força de trabalho de um país, há pessoas em situação de ociosidade involuntária; são os
desempregados. Há vários tipos de desemprego, classificados de acordo com suas causas.
O desemprego estrutural decorre, por exemplo, de
a) sazonalidade da demanda por trabalho em certas regiões.
b) insuficiência da demanda agregada por bens e serviços.
c) inovações tecnológicas que alteram os processos produtivos.
d) contratações de mão de obra irregularmente, em desacordo com a legislação trabalhista.
e) salários nominais excessivamente baixos.
29. (2013/CEBRASPE-CESPE/ES/Analista do Executivo - Ciências Econômicas)
Considerando aspectos relativos à previdência social e os principais conceitos relativos ao
mercado de trabalho no Brasil, assinale a opção correta.
a) Pessoas desocupadas são as que não estejam empregadas e estejam efetivamente
procurando trabalho ou emprego.
b) Aproximadamente 90% da população economicamente ativa contribuem para o regime de
previdência social no Brasil.
c) As contribuições sociais, receitas vinculadas à área de seguridade social, são calculadas
exclusivamente com base na folha de pagamento.
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==2537cb==
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d) A partir da entradaem vigor da atual CF, passou-se a exigir dos trabalhadores rurais, para a
aposentadoria por idade, a mesma idade mínima exigida para a aposentadoria dos
trabalhadores urbanos.
e) No Brasil, a população em idade ativa corresponde à fração da população que, com mais de
vinte anos de idade e menos de sessenta e cinco anos de idade, esteja apta a trabalhar.
30. (2016/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Julgue o item subsecutivo, referente a mercado de trabalho.
Uma das principais diferenças entre a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) — pesquisas periódicas sobre mercado
de trabalho no Brasil realizadas pelo IBGE — reside no fato de a PNAD-Contínua ser mais
abrangente do ponto de vista geográfico que a PME.
31. (2013/CESGRANRIO/IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica)
Em certo país, a participação na população total do grupo formado pelas pessoas maiores de
60 anos e pelas menores de 15 anos diminuiu durante um certo período.
Tal fato tem uma influência sobre o crescimento da economia, sendo conhecido como
a) efeito Pigou
b) divisor demográfico
c) externalidade demográfica
d) bônus demográfico
e) aumento da dependência
32. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista)
A respeito de mercado e de condições de emprego e renda no Brasil, julgue o item
subsequente.
A taxa de desemprego reportada pela pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD)
contínua, calculada com o último dado mensal sobre a força de trabalho, apresenta maior
abrangência geográfica em relação à pesquisa mensal de emprego (PME).
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GABARITO
1. A
2. D
3. E
4. C
5. C
6. D
7. C
8. E
9. C
10. D
11. B
12. C
13. E
14. E
15. A
16. D
17. C
18. E
19. E
20. E
21. D
22. C
23. E
24. C
25. E
26. C
27. C
28. C
29. A
30. C
31. D
32. E
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Trabalhador) Conhecimentos Específicos
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Autor:
Alessandra Lopes, Celso Natale,
Thayse Duarte Varela Dantas
Cesar
20 de Janeiro de 2024
1
SUMÁRIO
1 O mercado de trabalho ..................................................................................................................... 3
2 Oferta de trabalho .............................................................................................................................. 4
2.1 Cesta de Bens ................................................................................................................................ 5
2.2 Utilidade ......................................................................................................................................... 9
2.3 Curvas de indiferença ................................................................................................................ 13
2.4 Restrição Orçamentária ............................................................................................................. 21
2.5 A decisão de trabalhar e a opção renda x lazer ..................................................................... 26
3 A curva de oferta de trabalho ........................................................................................................ 33
3.1 Curva de oferta de mercado ..................................................................................................... 36
4 Elasticidades da oferta .................................................................................................................... 38
5 Salário de reserva e renda econômica ......................................................................................... 39
Referências Bibliográficas ...................................................................................................................... 40
Apêndice: Derivadas .............................................................................................................................. 41
Questões Comentadas ........................................................................................................................... 42
Lista de Questões .................................................................................................................................... 58
Gabarito.................................................................................................................................................... 64
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2
INTRODUÇÃO
Saudações!
Dando prosseguimento ao nosso curso, nesta aula, daremos atenção à oferta de trabalho,
conceitos que estão implícitos nestes itens do edital:
4.4 Atores no mercado de trabalho. 4.6 Agentes econômicos. 4.7 Trabalho e
empresa. (Oferta de trabalho)
Se você nunca estudou economia, alguns raciocínios desta aula podem parecer confusos,
especialmente no começo. Mas não se assuste. Se você travar em algum ponto, apenas
prossiga. Se o travamento for total, vá fazer outra coisa ou estudar outra matéria, e depois volte.
Garanto que as coisas vão ficando mais claras.
Além disso, muito raramente são cobrados conceitos realmente avançados. Acho improvável
que isso aconteça, mas para o caso de acontecer, esse tipo de conteúdo também será coberto
na aula. Afinal, a proposta é ser o material mais completo, suficiente para você passar em
primeiro.
Mas esse nível não é necessário para todos, e se você conseguir um aproveitamento razoável
(não precisa ser perfeito), nesta aula, algo entre 70 e 80% de desempenho nas questões, já está
pronto ou pronta para quase tudo que pode aparecer na prova sobre o tema.
No geral, fiz um grande esforço para tornar conceitos que são aprendidos lá pelo final da
graduação de Economia em algo acessível para alguém que nunca viu nada sobre a matéria.
Mas vai requerer esforço também de sua parte.
Por fim, o histórico de questões sobre o tema é um tanto escasso, então elaborei algumas para
ajudar na sua preparação.
E se tiver dúvidas, já sabe: fale comigo!
Boa aula!
@profcelsonatale
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1 O MERCADO DE TRABALHO
A partir deste ponto da aula, nossa abordagem passará de uma visão conceitual, onde
aprendemos uma série de termos e definições, para uma abordagem mais prática, onde
modelos econômicos ganham a cena e nos ajudam a entender o mercado de trabalho.
Como em qualquer mercado, nossa tarefa começa por entender o comportamento de
“consumidores” e “produtores”.
Começamos fazendo uma definição muito importante. Ao contrário do que ocorre nos
mercados debens e serviços, no mercado de trabalho:
• Quem oferta trabalho são as pessoas;
• Quem demanda trabalho são as empresas.
Sendo assim, vamos começar entendendo o comportamento da oferta de trabalho no
mercado.
Ou melhor, começaremos entendendo como cada indivíduo toma a decisão de quanto
trabalhar, o que nos coloca no terreno da Microeconomia.
A Economia é dividida em duas grandes áreas: a Microeconomia e a
Macroeconomia.
Enquanto a Microeconomia estuda o comportamento em nível mais
individual, debruçando-se sobre as decisões individuais de pessoas e
empresas em mercados específicos, a Macroeconomia estuda os chamados
agregados, como a produção de um país inteiro (PIB), sua inflação, nível de
emprego, entre outros.
A Economia do Trabalho utiliza as duas áreas, pois estuda o mercado de
trabalho e suas variáveis (oferta/demanda e emprego/desemprego) tanto no
nível do indivíduo quanto no nível agregado.
Sendo assim, nosso primeiro passo para compreender a oferta de trabalho no mercado passa
por compreendermos o que as pessoas levam em consideração na hora de decidir se vão
trabalhar e, principalmente, quanto trabalho irão ofertar individualmente.
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2 OFERTA DE TRABALHO
Iremos analisar a oferta de trabalho utilizando o modelo neoclássico de escolha entre
trabalho e lazer.
MODELOS ECONÔMICOS são simplificações do mundo real. Ajudam-nos a
compreender como ocorrem as interações entre os diversos agentes
econômicos.
Para isso, ignoram deliberadamente alguns fatores que complicariam
excessivamente a compreensão, já que a ideia é justamente facilitar o
entendimento e permitir a tomada de decisões.
De que valeria um mapa da sua cidade em tamanho real? Ou para que serviria
uma maquete de uma casa se ela tivesse o mesmo tamanho da casa?
A simplificação que esse modelo adota é que o indivíduo obtém satisfação de duas formas: por
meio do consumo – que representaremos simplesmente como C – ou por meio do lazer (L).
Isso significa que esse indivíduo pode obter diversas combinações de quantidades de
consumo e de lazer. Faz sentido medirmos as quantidades de consumo em unidades
monetárias (reais) e as quantidades de lazer em horas, né?
Sendo assim, um exemplo de combinação seria um indivíduo obter 500 reais de consumo e 20
horas de lazer. Se isso ocorre em um dia, uma semana ou um mês não importa no momento.
Estamos mais interessados em descobrir qual combinação ele escolherá.
Contudo, precisamos definir um conceito bem importante: as cestas de bens.
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2.1 Cesta de Bens
Uma cesta de bens nada mais é do que determinada variedade e determinada quantidade de
algo que pode satisfazer as necessidades de um indivíduo (isso é o que significa “bem”, em
Economia).
Eu posso, por exemplo, ter uma cesta composta por 3 bananas e 5 laranjas.
Mas a cesta também pode ser de 229 aviões-caça, 21 ovos de galinhas d’angola, 10
mensalidades de Netflix e 15,2 minutos de pilates. Apesar de que a representação matemática
de uma cesta assim seria bastante confusa...
Por isso, para fins de simplificação, os modelos econômicos que veremos utilizam apenas dois
bens.
Naturalmente, aqui em Economia do Trabalho, enquanto estudamos a oferta de trabalho do
indivíduo, vamos nos concentrar nos bens Consumo (C) e Lazer (L).
Uma cesta com dois bens quais é representada por X = (q1, q2), onde:
X: cesta de bens
q1: quantidade do bem 1
q2: quantidade do bem 2
Isso permite representarmos cestas de bens por meio de gráficos bidimensionais, com o eixo
horizontal representando a quantidade do bem 1 e o eixo vertical representando a quantidade
do bem 2.
Com um exemplo fica mais claro, e é o que faremos agora.
2.1.1 Representação gráfica das cestas de bens
Como você sabe, nosso indivíduo obtém satisfação com Consumo e com Lazer.
Inicialmente, não nos preocuparemos com o tempo e o dinheiro disponíveis para esse
indivíduo. Portanto, ao menos nesta parte da aula, suponha que ele dispõe ele não possui
qualquer restrição nesse sentido.
Determinando que Lazer (L) é o bem 1, traçamos o eixo horizontal que demonstrará
quantidades (em horas) que o indivíduo pode dedicar ao lazer, digamos, em um mês:
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Agora, determinamos que o Consumo (C) de bens será o “bem 2”, e traçamos o eixo vertical.
Por fim, vamos às cestas. Diremos:
“cesta A = (100,150)”
Isso quer dizer que a cesta A contém 100 horas de lazer (bem 1) e 150 reais em consumo (bem
2). Podemos, então, posicioná-la no gráfico que desenhamos.
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Aí está! Já temos nossa representação gráfica de uma cesta de bens. Só para fechar o tópico,
vamos definir, também arbitrariamente, mais duas cestas: B=(0,400) e C=(400,350).
Elas servirão ao nosso próximo propósito, que envolve colocá-las no gráfico:
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Pronto! Fácil, né?
Acho que podemos complicar um pouco: vamos começar a precisar utilizar matemática, mas
bem de leve. Afinal, o curso todo foi planejado para aumentar gradativamente o nível de
dificuldade.
Antes, deixa eu explicar uma dúvida que você nem sabe que tem: estou falando da ordem em
que devemos colocar os bens no gráfico. Isso terá implicações importantes na hora de
acertar as questões, então preste bastante atenção.
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EM QUAL EIXO COLOCAR CADA BEM?
Por convenção, colocamos o primeiro bem que for mencionado no eixo
horizontal, e o segundo bem mencionado no eixo vertical.
Portanto, se a questão falar que a cesta é composta por roupa e alimento, você
vai colocar roupa nas abcissas (perdão pelo trocadilho) e alimento nas
ordenadas.
Normalmente, a questão vai falar em “bem x” e “bem y”, ou “bem a” e “bem “b”,
reforçando que a ordem que importa.
Mas se falar apenas “lazer e consumo”, por exemplo, você já sabe o que fazer:
lazer no eixo horizontal, e consumo no vertical.
Agora sim, podemos prosseguir.
2.2 Utilidade
Provavelmente você deve estar pensando que a cesta C, que vimos acima, era melhor que a
cesta A. Afinal, 400 de lazer e 350 de consumo é melhor que 100 e 150. Isso estácorreto. Mas
não é a história completa. Precisamos falar sobre utilidade.
A utilidade é simplesmente um valor numérico atribuído às cestas de bens. Dessa forma, as
cestas com maior utilidade são preferidas às cestas com menor utilidade.
Simples assim.
Pode-se dizer que a utilidade é uma medida da satisfação trazida ao indivíduo por determinada
cesta de bens. Quanto mais satisfeito ele ficar com a cesta, maior o valor da utilidade atribuída.
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Se há uma “cesta A” e uma “cesta B”, o indivíduo pode preferir “A” a “B”.
Também pode preferir “B” a “A”, ou ser indiferente entre “A” e “B”, ou seja,
“tanto faz ‘A’ ou ‘B’”.
Utilizamos o símbolo ≻ para indicar que uma cesta é preferível à outra. O
símbolo ≻ serve para indicar que uma cesta é ao menos tão preferida quanto a
outra. Por fim, o símbolo ∼ indica que o indivíduo é indiferente entre as cestas.
Por exemplo:
A ≻ B significa que A é preferível a B.
A ≻ B significa que A é pelo menos tão boa quanto B.
A ∼ B significa que A e B são indiferentes.
Além disso, ≻ pode ser chamado de preferência forte, enquanto ≻ é a
preferência fraca. Ok. É assim que representamos as preferências do
indivíduo. Para avançarmos na teoria, precisamos saber quais são suas
premissas.
Suponha, por exemplo, que o indivíduo se depara com 5 cestas, de forma que sabemos, por
suas escolhas, que:
A≻B≻C∼D≻E
Portanto, diversos valores de utilidade poderiam ser atribuídos a cada uma das cestas, desde
que as cestas preferidas recebessem valores maiores, ou seja, desde que a ordem de
preferência do indivíduo fosse refletida na ordem dos valores de utilidade de cada cesta. Nesse
caso, U(A) seria a utilidade atribuída à cesta A, U(B) seria a utilidade atribuída à cesta B, e assim
por diante.
O parágrafo acima pode ser representado da seguinte forma:
A≻B≻C∼D≻E ⇔ U(A)>U(B)>U(C)=U(D)>U(E)
Se o indivíduo ordena sua preferência pelas cestas de determinada forma, então ele atribui
utilidades maiores às cestas preferidas.
Examine no quadro abaixo e conclua quais valores de utilidades seriam válidos para ordenar as
cestas conforme os gostos do indivíduo em questão:
Cesta de
bens
Ordem de
preferência
Utilidade Atribuída
U1 U2 U3 U4
A 1ª 4 10.000 100 0
B 2ª 3 312 99 4
C 3ª 2 0,01 98 3
D 4ª 2 0,01 97 3
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E 5ª 1 -5 96 1
U1 e U2 são válidas, pois ordenam corretamente as cestas. U3 não serve, pois atribuiu utilidades
diferentes às cestas C e D, o que é incompatível com a indiferença do indivíduo em relação a
elas. U4 atribuiu um valor menor à cesta A que é, entre todas, a preferida do indivíduo.
É claro que existe uma forma muito melhor de atribuir valores de utilidade do que como fiz
acima: são as funções-utilidade.
2.2.1 Utilidade Ordinal X Utilidade Cardinal
Antes de começarmos, vale fazer uma observação. Vamos nos preocupar apenas com a
ordenação das cestas que a utilidade nos fornece.
Por exemplo, se as cestas A e B possuírem respectivas utilidades de 20 e 1.000, só nos importa
que a utilidade de B é maior e, portanto, “B” será preferida a “A” (B≻A). O tamanho da
diferença não importa.
Será assim pois adotaremos o conceito de utilidade ordinal, ou seja, importará apenas o fato
de uma cesta ser preferível à outra, e não quanto preferida ela é.
A utilidade cardinal, aquela que procura determinar, através dos valores de suas utilidades,
quanto uma cesta é preferida à outra, depara-se com um grande problema: como mensurar
essa satisfação? Como dizer que uma cesta é duas vezes preferida à outra?
Talvez se o indivíduo estiver disposto a pagar duas vezes mais por ela. Mas e se eu estiver
disposto a pagar o dobro e ainda caminhar duas vezes mais para obter a cesta? Ela é quatro
vezes preferida?
De toda forma, mensurar o quanto uma cesta é preferida à outra é bastante trabalhoso e
impreciso, e traz um benefício muito pequeno à teoria, que está muito bem com a utilidade
ordinal, obrigado.
Portanto, adotaremos a utilidade ordinal, como fazem as bancas. O conhecimento do conceito
de utilidade cardinal é mais do que suficiente para resolver uma eventual questão sobre o
assunto.
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2.2.2 Função utilidade
Uma função é uma regra que relaciona elementos. No nosso caso, a função-utilidade irá
determinar de que forma as quantidades de cada bem resultarão na utilidade obtida pelo
indivíduo.
De forma genérica, representamos uma função de utilidade assim:
U = f (C, L)
Lemos a expressão acima deste jeito: a utilidade (U) é determinada em função (f) das
quantidades de consumo (C) e de lazer (L).
E como qualquer função, ela irá fornecer um valor para uma variável dependendo dos valores
que forem atribuídos a outra variável.
Quer ver um exemplo mais prático?
Poderíamos dizer, por exemplo, que a utilidade obtida pelo indivíduo é igual à quantidade
total de lazer e consumo que ele recebe:
U = C + L
Nesse caso, se ele obtivesse 100 unidades de cada, a utilidade seria 200. Simplesmente:
U = 100 + 100 = 200
Achou fácil? Bem, também poderíamos dizer que a utilidade obtida pelo indivíduo é igual à
quantidade consumo elevada ao quadrado somada a três vezes a quantidade de lazer:
U = C² + 3.L
Ou, ainda mais útil e comum, uma função de utilidade possível seria a multiplicação dos termos
C e L:
U = C.L
A função utilidade determinará o formato das curvas de indiferença. Mas, antes de mostrar
como isso acontece, quero te apresentar à curva de indiferença.
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2.3 Curvas de indiferença
Esta é uma curva de indiferença:
Ela serve para representar graficamente as preferências do indivíduo.
Mais precisamente, ela mostra quais cestas, compostas cada uma por diferentes quantidades
de lazer e de consumo, que são indiferentes para o indivíduo.
Veja o gráfico abaixo, onde temos cinco cestas (A, B, C, X e Z) e duas curvas de indiferença (α e
β).
Portanto, as cestas A, B e C são indiferentes entre si para o indivíduo, já que estão sobre a
mesma curva de indiferença. Para ele, tanto faz qualquer uma dessas três cestas, todas o fazem
igualmente “feliz”.
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As cestas X e Z, por sua vez, por estarem na mesma curva de indiferença β, são indiferentes
entre si.
Entretanto, X e B, por exemplo, não são indiferentes para o indivíduo. E se não são indiferentes,
significa que ele irá preferir uma delas em relação à outra.
Agora que sabemos oque elas mostram, vamos ver de onde vem esse formato das curvas de
indiferença. Observe a figura:
A relação entre a variação dos bens [∆C/∆L] determina o que chamamos de taxa de
substituição. É simplesmente de quantas reais em Consumo o indivíduo está disposto a
desistir para obter mais horas de lazer, permanecendo na mesma curva de indiferença, ou seja,
obtendo o mesmo nível de utilidade.
No exemplo a acima, seria "–250/200" = "–5/4". Portanto, são necessárias quatro horas de lazer
para compensar cada cinco reais em consumo, ou simplesmente 200 horas de lazer para
compensar 250 reais de consumo.
Mas tem outra coisa interessante no gráfico:
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Você vê que a taxa de substituição é a inclinação da reta que passa pelas duas cestas em
questão. Note que ainda não usei o termo marginal. A taxa marginal de substituição (TMS) é a
taxa de substituição quando a variação na quantidade de lazer (∆L) é muito pequena.
Nesse caso, as cestas estarão tão próximas uma da outra que a TMS será igual à inclinação da
reta que tangencia (passa “raspando”) a curva de indiferença naquele ponto determinado:
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E isso é muito importante! Guarde essa informação. Ainda resumiremos e revisaremos, mas
guarde!
Guarde também a fórmula da TMS:
TMS=
-∆C
∆L
O valor negativo ocorre porque sempre dividiremos um valor negativo por um valor positivo,
ou vice-versa. Como o valor negativo é “padrão” na TMS, às vezes, é comum omitir o sinal de
menos.
Mas tem algo ainda mais importante e interessante a respeito da TMS.
Bom, você deve concordar que quando variamos a quantidade de Lazer, por exemplo, também
estamos, necessariamente, variando a utilidade que o indivíduo recebe.
Se aumentamos o lazer, aumentamos a utilidade fornecida pelo lazer. Se diminuímos o lazer,
diminuímos a utilidade fornecida pelo lazer.
Essa variação na utilidade que ocorre quando variamos a quantidade de um bem recebe o
nome de utilidade marginal.
Sendo assim, a utilidade marginal do lazer (UMGL) é a quantidade adicional de utilidade que o
indivíduo recebe quando aumentamos a quantidade de lazer. A utilidade marginal do consumo
(UMGC), por sua vez, é a utilidade adicional que o indivíduo recebe quando obtém uma
unidade adicional de consumo.
E a curva de indiferença, como você viu, demonstra determinado nível de utilidade.
Portanto, quando “andamos” sobre a curva de indiferença, da esquerda para a direita, estamos
diminuindo a utilidade obtida pelo consumo e aumentando a utilidade obtida pelo lazer na
mesma medida, ou então não ficaríamos sobre a mesma curva de indiferença, certo?
Portanto, outra igualdade importante é a seguinte:
TMS =
-∆C
∆L
=
UMGL
UMGC
Afinal, se a TMS é igual a 5/4, por exemplo, significa que estou trocando 5 unidades de
consumo por 4 unidades de lazer, e permanecendo sobre a mesma curva de indiferença. Isso
só é possível porque eu perdi 20 unidades de utilidade (-5 unidades de consumo, cada uma
com 4 de utilidade marginal) mas ganhei 20 unidades de utilidade (+4 unidades de lazer, cada
uma com 5 de utilidade marginal).
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Curvas de indiferença “bem-comportadas” (Convexas)
O formato da curva de indiferença que vimos até agora, chamado de convexo, é o mais usual,
e decorre do fato de o indivíduo preferir diversificar, ou seja, preferir equilibrar entre lazer e
consumo, em vez de se especializar em apenas um deles.
O formato convexo decorre da TMS decrescente, ou seja, que diminui conforme vamos da
esquerda para a direita na curva de indiferença. Veja só:
Partindo do Ponto A, quando se tem 350 reais de consumo e apenas 50 horas de lazer (para
consumo mensal, talvez), a escassez relativa do bem 1 (lazer) torna o indivíduo disposto a abrir
mão de uma grande quantidade de consumo (bem 2) e, ainda assim, manter-se na mesma
curva de indiferença.
Para passar de A para B, por exemplo, abre-se mão de 200 unidades de consumo para obter
apenas 100 unidades lazer, mas, ainda assim, o indivíduo fica “na mesma”, ou seja, é indiferente
entre as cestas A = (50,350) e B = (150,150).
Quando o indivíduo tem a cesta C = (300,50) e vai para a cesta B, a coisa inverte: ele tem muito
lazer e consumo, e por isso um pequeno ganho do bem 2 (100 reais de consumo) compensa
uma grande perda do bem 1 (150 horas de lazer).
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Outra forma de extrairmos a preferência pela diversificação de um indivíduo é o fato de que a
média entre quaisquer duas cestas de qualquer curva convexa será preferida às duas cestas.
Veja a cesta D abaixo:
Na cesta D, o indivíduo tem 200 horas de lazer e 200 reais de consumo. Essa combinação é
superior à cesta B em relação aos dois bens. Então D é preferível a B, certo? Sim!
Como A e C são indiferentes à B, podemos concluir que D é preferida a elas também. Isso
ocorre por D ser mais diversificada, ou menos especializada, do que A e C. Mas também nos
leva a outra conclusão: mais é melhor.
Monotonicidade
Quando falamos de bens, e não de males, é razoável supor que o indivíduo prefira mais, e não
menos. Digamos então que A é uma cesta composta por uma quantidade x de Lazer e uma
quantidade x de consumo, então: A=(xL,xC). B é composta por quantidades y desses bens, e
assim: B=(yL,yC).
Então, se A tem pelo menos a mesma quantidade dos dois bens que B, e um bem a mais, então
A≻B. Essa suposição é chamada monotonicidade forte das preferências. Ela garante que as
curvas de indiferença:
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✓ Sejam negativamente inclinadas;
✓ Mais distantes da origem sejam preferíveis (veja gráfico abaixo);
✓ Demonstrem as preferências antes da saciedade, ou seja, enquanto mais ainda for
melhor para o indivíduo;
Se as curvas de indiferença mais distantes da origem são preferíveis às mais próximas (I3≻I2≻I1),
temos outra consequência importantíssima.
As curvas de indiferença não podem se cruzar:
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Vamos ver o absurdo que seriam curvas de indiferença se cruzando, analisando no gráfico
acima:
i. “C” é preferível a “A”, pois tem maiores quantidades, tanto de lazer, quanto de consumo.
ii.Como “B” está na mesma curva que “A”, então “C” tem de ser preferível a “B”.
iii. “B” é preferível a “D”, pois tem maior quantidade dos dois bens.
iv. Como “D” está na mesma curva de indiferença que “C”, logo “B” tem de ser preferível
a “C”. #ERRO#
Dessa forma, C≻B e B≻C é tão impossível quanto 9 ser maior que 10.
O nome dessa propriedade, que garante que as curvas de indiferença não se cruzam, é
transitividade.
Enfim, podemos testar como uma função de utilidade como “U=L.C” produz curvas de
indiferença bem-comportadas.
Nesse caso, podemos partir de uma cesta A=(50,200), para a qual U(A)=50.200=10000.
Notaremos que a cesta B=(100,100) e a cesta C=(200,50) geram exatamente o mesmo nível de
utilidade, afinal:
• 100.100 = 10000
• 200.50 = 10000
Colocando essas três cestas no gráfico, identificaremos sua curva de indiferença:
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Uma cesta preferível seria a X=(100,400), que traria um nível de utilidade de 40.000
(200.200=40000), assim como as cestas Y=(200,200) e Z=(400,100). Naturalmente, as cestas X,
Y e Z devem ficar em uma curva de indiferença mais alta:
Talvez você esteja se perguntando quem vai determinar a função-utilidade? A resposta é: a
banca.
E na “vida real”? A observação empírica, modelos econométricos... Mas vamos nos preocupar
somente com a banca.
2.4 Restrição Orçamentária
Até aqui, temos ignorado um fato muito importante: nenhum indivíduo pode obter
quantidades ilimitadas de consumo e de lazer.
Na vida e em nosso modelo, a quantidade desses bens que o indivíduo pode obter é limitada
por dois fatores: tempo e dinheiro, ou melhor, o que limita as quantidades de lazer e consumo
que uma pessoa pode obter são:
• Tempo
• Renda
Parte da renda de uma pessoa vem de seu trabalho, e depende da quantidade de horas que
ela trabalha. Portanto, ele recebe determinado salário (w) por hora trabalhada (h). Essa é sua
“renda trabalho”, dada por w.h (salário vezes número de horas).
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Outra parte, vem de fontes que não têm relação com o tanto que ela trabalha, como
rendimentos de investimentos, aluguéis de propriedades entre outros. Essa parte é chamada
“renda não trabalho”, representada por “V”.
Em outras palavras, a renda total de um indivíduo é dada pela soma de sua renda trabalho (w.h)
com sua renda não trabalho (V), e essa renda total indica o máximo de consumo (C) que ele
pode obter:
C = wh + V (vamos chamar de equação 1)
O tempo (T) da pessoa, por sua vez, pode ser utilizado em horas de trabalho (h) ou horas de
lazer (L):
T = h + L
Manipulando a equação acima, obtemos:
h = T – L
O que não é nenhuma surpresa, já que as horas trabalhadas são iguais às horas totais menos as
horas de lazer.
Mas fizemos essa manipulação para poder usar “T – L” no lugar de “h” na equação 1, que ficará
assim:
C = w(T -L) + V
Desenvolvendo os cálculos, teremos:
C = wT - wL + V
Essa é a restrição orçamentária, e nos leva a algumas conclusões importantes, além de permitir
traçarmos a reta orçamentária.
Veja, por exemplo, o que acontece se uma pessoa decide dedicar 100% de seu tempo
disponível (T) para o lazer. Isso significa que T será igual a L, e, portanto, teríamos o seguinte:
C = wT - wT + V
C = 0+ V
C = V
O que faz todo sentido: a pessoa não estaria recebendo nenhuma renda do trabalho, já que
está dedicada totalmente ao lazer, mas ainda recebe sua renda não trabalho (V), e essa renda
será todo o seu consumo.
Vamos colocar essa informação no gráfico:
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No outro extremo, temos a situação na qual o indivíduo dedica todo seu tempo disponível ao
trabalho. Naturalmente, nesse caso, ele não obtém nenhum lazer, mas seu consumo é levado
ao nível máximo:
C = wT - wL + V
C = wT – w.0 + V
C = wT – 0 + V
C = wT + V
Ou seja, seu consumo será ao seu salário multiplicado por todo seu tempo disponível (wT)
somada à sua renda não trabalho (V). Colocando essa situação no gráfico, teremos:
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Vimos dois extremos: de um lado, o indivíduo que só trabalha, e de outro, o indivíduo que
apenas se diverte. No meio dessas duas situações extremas, estão todas as combinações
possíveis que incluem alguma quantidade de trabalho e alguma quantidade de lazer.
Isso significa que ligando os pontos entre A e B, obtemos a reta de restrição orçamentária (ou
linha orçamentária), que mostra todas as cestas possíveis para o indivíduo, todas as diferentes
quantidades de consumo e lazer que ele pode obter, a depender de quanto ele escolha
trabalhar.
Note que, em Economia do Trabalho, o termo “orçamento” é utilizado com um sentido
ligeiramente diferente do uso comum.
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As cestas C e D surgem como exemplos entre inúmeras outras cestas que o indivíduo pode
obter, caso ele deseje.
Antes, só um detalhe: em uma função de primeiro grau, como é a restrição orçamentária, a
variável que multiplica também determina a inclinação do gráfico:
C = wL - wT + V
C = -wT + (wL +V)
Isso quer dizer que “-w”, ou seja, o salário por hora com sinal negativo, determina a inclinação
da linha orçamentária. O valor é negativo porque a reta vai “descendo”, ou seja, tem inclinação
negativa.
E quanto maior o valor de “w”, mais inclinada será a reta, enquanto um valor baixo de “w”
implicará em uma reta mais “deitada”, ou horizontal.
A inclinação da reta orçamentária é determinada pelo salário (w),
com sinal negativo, ou seja, -w.
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Muito bem! Já sabemos algo sobre os desejos do indivíduo (sua utilidade).
Só falta combinar as duas coisas.
2.5 A decisão de trabalhar e a opção renda x lazer
Chegou o momento de descobrir quanto trabalho o indivíduo decidirá ofertar no mercado.
E vou fazer essa explicação de uma forma um pouco diferente do usual.
Primeiro, vou mostrar a solução para você, e só depois vou mostrar como chegamos a ela e
provar que ela é a melhor solução possível.
E a solução é a seguinte:
O trabalhador maximizará sua utilidade escolhendo a cesta de consumo/lazer cuja taxa
marginal de substituição tangencia a linha orçamentária.
Em outras palavras, o trabalhadorescolherá a cesta que fica no ponto exato onde curva de
indiferença e linha orçamentária têm a mesma inclinação.
Ele escolherá a cesta A, abaixo:
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A primeira observação a ser feita é que acrescentei as horas de trabalho no gráfico, como a
diferença entre as horas totais disponíveis e as horas de lazer.
Por exemplo, se o trabalhador usasse 100 horas para lazer, sobrarão 300 horas para trabalho,
afinal, ele tem 400 horas disponíveis.
Isso significa que, ao escolher a cesta A, nosso trabalhador estará obtendo:
• 250 horas de lazer;
• 200 reais em consumo; e
• 150 horas de trabalho.
Ou seja, ele ofertará 150 horas de trabalho.
Mas eu estou te devendo a prova de que essa será a escolha. E, para fazer isso, vou acrescentar
uma curva de indiferença e algumas cestas ao gráfico. Teremos muita informação, então vamos
por partes:
Vamos lá! Eu disse que o trabalhador escolherá a cesta A.
E por que não escolher B?
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O motivo para ele não escolher B é mais simples: se escolhesse B, ele teria menos Lazer e
menos consumo. Veja:
• Cesta A: 250 horas de lazer e 200 reais de consumo;
• Cesta B: 200 horas de lazer e 150 reais de consumo.
Além disso, essa cesta B não esgota seu orçamento. Portanto, o trabalhador sempre utilizará
todas as suas possibilidades orçamentárias.
Mas por que não escolher C? Repare que C está sobre uma curva de indiferença mais baixa
que a curva de indiferença onde está A. Portanto, necessariamente, a cesta C possui utilidade
menor do que a cesta A.
Isso nos leva à cesta D. Ela está em uma curva de indiferença mais alta do que a cesta A, certo?
Sim, mas ela também está além da linha orçamentária, o que significa que o indivíduo não é
capaz, com seu tempo e renda, de alcançar a cesta D.
Assim, resta provado que a cesta A é a melhor escolha. E, de forma mais geral, a condição de
maximização de utilidade:
Portanto, o trabalhador sempre escolherá a cesta de bens que faz com que a inclinação da
linha orçamentária seja igual à TMS, e por consequência determinará sua oferta de trabalho.
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Agora, vamos ver o que acontece quando há mudanças nas variáveis “renda não trabalho” e
salário.
2.5.1 Variações na renda não trabalho
Quando aumenta a renda não trabalho por um motivo qualquer – como um prêmio de loteria –
temos o deslocamento da linha orçamentária para cima.
Isso indicará que o indivíduo poderá obter mais consumo (mesmo sem trabalhar) e,
consequentemente, alcançar curvas de indiferença mais altas:
Nosso indivíduo teve um aumento de 100 em sua “renda não trabalho”, e isso deslocou a linha
orçamentária para cima (LO1 para LO2).
Consequentemente, ele mudou sua escolha da cesta A para a cesta B. Agora, ele aumentou
seu consumo de 200 para 275, suas horas de lazer de 250 para 300. Mas, não tão
supreendentemente, ele diminuiu sua oferta de trabalho em 50 horas, de 150 para 100.
Mas sempre será assim? Não necessariamente. A depender do formato a da posição das curvas
de indiferença, o indivíduo poderá aumentar sua oferta de trabalho mesmo diante de um
aumento da renda não trabalho:
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Desta vez, tivemos o mesmo aumento na renda não trabalho, mas esse outro indivíduo
escolheu uma cesta B que lhe fornece mais consumo (de 200 para 350), é verdade, mas ele
também diminuiu suas horas de lazer (de 250 para 200) e aumentou sua oferta de trabalho (150
para 200).
Isso de aumentar a renda, mas reduzirmos o consumo de algo, é um tanto contraintuitivo, e por
isso tem até um nome na economia: bens inferiores.
Para o nosso segundo indivíduo, o lazer é um bem inferior, pois a elevação da renda levou a
uma diminuição no “consumo” de lazer. Para o primeiro indivíduo, por outro lado, tanto
consumo quanto lazer eram bens normais, pois o aumento da renda levou ao aumento de
ambos.
2.5.2 Variações no salário
Vamos ver o que ocorre quando há um aumento no salário pago por hora trabalhada.
Graficamente, haverá um deslocamento para cima do intercepto vertical da linha orçamentária,
ou seja, ela tocará no eixo vertical em um ponto mais alto, indicando que o indivíduo passa a
conseguir maiores níveis de consumo para suas horas trabalhadas.
Contudo, caso não trabalhe e consuma apenas com sua renda não trabalho, ele perceberá que
não haverá diferença alguma:
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Uma vez que “w” é a inclinação da linha orçamentária, se mudarmos “w”, mudamos a inclinação
da linha. Faz sentido, não?
E, quando colocamos as curvas de indiferença e analisamos a escolha do trabalhador, algumas
coisas interessantes aparecem:
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Nesse caso, após o aumento do salário, o indivíduo optou por aumentar seu lazer e,
consequentemente, reduzir o tempo de trabalho.
Mas, será que faz sentido trabalhar menos, sendo que estão pagando mais por isso?
Vejamos que o resultado pode ser outro:
Nesse caso, o indivíduo, diante da mesma elevação salarial, optou por aumentar suas horas de
trabalho.
Mas por que há esses dois resultados possíveis?
Na verdade, quando você tem um aumento salarial, duas coisas passam pela sua cabeça:
1. Opa! Vou ganhar mais, então poderei desfrutar de mais bens do que podia antes,
inclusive posso ter mais lazer.
2. Opa! Mas agora, o lazer custa relativamente mais caro... afinal, se eu deixar de trabalhar
para ter lazer, deixarei de ganhar mais dinheiro do que ganhava antes.
O efeito 1 é chamado de efeito renda. Ele é resultado de o indivíduo ficar relativamente mais
rico, ou seja, ampliar suas possibilidades de consumo.
O efeito 2 é chamado de efeito substituição. Ele é resultado de o lazer ficar relativamente mais
caro quando há um aumento no salário.
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Se o efeito renda for mais intenso que o efeito substituição, o indivíduo aproveitaráseu
aumento salarial para trabalhar menos, elevando seu consumo de bens e de lazer.
Por outro lado, se o efeito substituição superar o efeito renda, o indivíduo vai preferir
trabalhar mais para aproveitar o aumento, reduzindo seu lazer que ficou relativamente caro.
Diante de um aumento do salário (w)
efeito renda > efeito substituição
=
- trabalho
+ lazer
efeito substituição > efeito renda
=
+trabalho
- lazer
Isso é importante por si só, mas também será importante quando falarmos sobre a curva de
oferta. E será agora.
3 A CURVA DE OFERTA DE TRABALHO
A curva de oferta de trabalho é representada por um gráfico, no qual as diferentes quantidades
de trabalho ofertada pelo indivíduo dependem dos diferentes níveis salariais.
Ou seja, a curva de oferta relaciona duas variáveis:
1. Horas de trabalho ofertadas
2. Valores de salários
E para obter uma curva dessas, precisamos usar tudo que aprendemos até aqui.
Começaremos com um ponto de escolha ótima do indivíduo, e aumentaremos seu salário:
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O aumento no salário levou a um aumento na oferta de trabalho (horas trabalhadas). Faz
sentido que, no começo, isso ocorra. Afinal, o salário era tão baixo que o indivíduo abriu mão
alegremente de um pouco de lazer para aproveitar o aumento.
E já temos o que precisamos para começar a construir nossa curva de oferta. Você notará que
omitiremos os valores. Até poderíamos mantê-los, mas eles não são importantes agora.
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Mas agora que está ganhando bem, um novo aumento salarial resultará em um efeito renda
superior ao efeito substituição. Ou seja, o indivíduo irá preferir aproveitar o aumento salarial
para ter mais lazer, em vez de trabalhar mais.
A conclusão é simples: salários muito elevados podem levar as pessoas a ofertarem menos
trabalho. Tecnicamente, o que ocorre é que o efeito substituição é mais forte no começo, com
salários mais baixos, mas acaba por ser superado pelo efeito renda.
Podemos marcar esses momentos na curva de oferta de trabalho:
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3.1 Curva de oferta de mercado
Até aqui, definimos a curva de oferta individual, ou seja, vimos quanto trabalho um indivíduo
oferta no mercado dependendo do salário oferecido.
Para chegarmos à curva de oferta de mercado, basta agregarmos as curvas individuais.
A curva de oferta de mercado é dada pela soma (horizontal, no gráfico) das curvas de oferta
individuais.
Vejo o gráfico a seguir, com duas curvas de oferta individuais, de trabalhadores com
diferentes preferências e decisões, onde acrescentei valores para facilitar a compreensão:
Para facilitar a compreensão do próximo passo, vamos colocar os valores em uma tabela:
Salário por hora Oferta do trabalhador 1 Oferta do trabalhador 2
4 5 18
20 50 80
40 10 52
Agora, imagine que o salário pago pelo mercado é de 4 reais/hora. Nesse caso, o trabalhador 1
ofertará 5 horas de trabalho, e o trabalhador 2 ofertará mais 18 horas, totalizando 23 horas de
trabalho.
Podemos aplicar o mesmo raciocínio para os demais salários, e teremos o seguinte:
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Salário por hora
Oferta do
trabalhador 1
Oferta do
trabalhador 2
Oferta de trabalho
do mercado
4 5 18 23
20 50 80 130
40 10 52 62
Podemos, com isso, obter nossa curva de oferta de mercado.
Naturalmente, usei apenas dois trabalhadores para simplificar, mas poderiam ser centenas,
milhares ou milhões.
Mais importante: nossa conclusão é que a curva de oferta de mercado é a soma horizontal
das curvas de oferta individuais, ficando à direita delas.
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4 ELASTICIDADES DA OFERTA
Vimos que um aumento no salário pode levar ao aumento (ou diminuição) da oferta de
trabalho. Sendo assim, já sabemos o que pode acontecer.
A elasticidade consiste em mensurar quanto.
Portanto, a elasticidade-salário da oferta de trabalho vai nos dizer quanto varia a oferta de
trabalho diante de uma variação do salário.
ELASTICIDADE-SALÁRIO DA OFERTA DE TRABALHO (E)
É uma medida de quanto varia, percentualmente, a oferta de trabalho (OT)
diante de uma variação no salário (w) pago ao trabalhador por hora trabalhada.
Demonstramos a elasticidade simplesmente como:
E=
∆%OT
∆%w
Um exemplo numérico: digamos que um aumento de 10% no salário levou a um aumento de
5% na oferta de trabalho. Teríamos:
E =
5
10
= 0,5
Nesse caso, a elasticidade foi de 0,5. O valor da elasticidade nos diz muito a respeito do
comportamento da oferta de trabalho.
• Quanto mais alto o valor da elasticidade, mais sensível a oferta de trabalho é a mudanças
no salário;
• Quanto mais baixo o valor da elasticidade, menos sensível a oferta de trabalho é a
mudanças no salário;
• Valores positivos indicam relação positiva (direta), com aumentos salariais elevando a
oferta de trabalho. Portanto, a curva de oferta é positivamente inclinada no trecho em
que a elasticidade é positiva;
• Valores negativos indicam relação negativa (inversa), com aumentos salariais reduzindo
a oferta de trabalho. Portanto, a curva de oferta é negativamente inclinada no trecho em
que a elasticidade é negativa.
Agora, só falta um assunto para fecharmos essa parte do curso.
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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5 SALÁRIO DE RESERVA E RENDA ECONÔMICA
Esse último tópico é bastante simples e conceitual, o que significa que não precisaremos
desenvolver o modelo, mas apenas definir os conceitos.
Começando pelo chamado salário de reserva, que nada mais é do que o menor salário pelo
qual o indivíduo aceitaria trabalhar. Abaixo dele, nada de trabalho, acima dele, haverá trabalho.
Em seguida, e tão objetivamente quanto, definimos renda econômica como o valor que o
trabalhador recebe acima de seu salário de reserva.
Sendo assim, se o salário de reserva de alguém é, digamos, R$100/hora, quando ele recebe
R$125/hora ele estará obtendo R$25/hora de renda econômica.
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Borjas, George J. Economia do Trabalho – 5ª ed. – Porto Alegre: AMGH, 2012.
Pindyck, Robert; Rubinfeld, Daniel. Microeconomia (p. 63). Edição do Kindle.
Varian, Hal. Microeconomia - Uma Abordagem Moderna (p. 585). GEN Atlas. Edição do Kindle.
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APÊNDICE: DERIVADAS
Em alguns casos, ainda que raros, pode ser útil conhecer uma ferramenta de Cálculo chamada
Diferenciação, um processo utilizado para descobrir funções Derivadas.
Este é um dos raros momentos no curso em que peço que você decore a fórmula, em vez de
entender a ideia por trás dela. Faço isso pois o custo de compreender derivadas seria muito
alto, supondo que você não esteja familiarizado com trigonometria e limites. Precisaríamos de
3 ou 4 aulas apenas para isso, com um ganho bem pequeno.
O que preciso que você saiba é:
A derivada de uma função X qualquer é outra função Y que representa a
inclinação da função X.
Por exemplo: a derivada de uma função de oferta de trabalho seria a função de oferta marginal.
A derivada de uma função e utilidade seria uma função de utilidade marginal.
E é claro que vou te mostrar como derivar (mesmo que você não saiba o que está fazendo, por
enquanto):
Suponha que temos a função de produção q = L3.K
Para obter o produto marginal do trabalho, fazemos o seguinte passo-a-passo:
1) Descemos uma cópia do expoente do trabalho (L), que passa a multiplicar L.
Deste jeito:
2) Subtraímos 1 do expoente:
Pronto, esta é a derivava da função de produção q = L3.K e, portanto, a nossa
função de produto marginal:
Perceba que sempre derivamos em relação a alguma variável. No nosso exemplo acima,
derivamos em relação ao trabalho, e assim descobrimos quanto varia a produção conforme
variamos a quantidade de trabalho. Mas poderíamos ter derivado em relação a outra variável
da função.
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QUESTÕES COMENTADAS
1. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
O mercado de trabalho é dotado de dinâmicas próprias e sua compreensão passa pelo
conhecimento de seus atores. Nesse sentido, assinale os atores que ofertam trabalho no
mercado.
a) Empresas
b) Governo
c) Mercado Financeiro
d) Terceiro Setor
e) Trabalhadores
Comentários:
No mercado de trabalho, o trabalho é o “produto”. E quem possui esse produto para ofertar,
em troca de dinheiro (salários), são os trabalhadores.
Gabarito: “e”
2. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Na economia, a compreensão do mercado de trabalho é fundamental para entender como as
forças de oferta e demanda interagem em um contexto único. Neste mercado, os papéis são
distintos: as pessoas são as ofertantes de trabalho, utilizando suas habilidades, experiências e
qualificações como sua "mercadoria", enquanto as empresas atuam como demandantes,
buscando preencher suas necessidades de mão-de-obra. A dinâmica entre esses dois agentes
é crucial para determinar as condições de trabalho, os salários e, em última análise, a saúde do
mercado de trabalho como um todo.
Com base no trecho acima e nos conceitos econômicos pertinentes, qual das alternativas a
seguir melhor descreve a relação entre oferta e demanda no mercado de trabalho?
a) no mercado de trabalho, a oferta e a demanda são influenciadas apenas pelas políticas
governamentais, sem levar em conta as decisões individuais de trabalhadores e empresas.
b) as empresas, como demandantes de trabalho, tendem a aumentar os salários quando há
escassez de mão-de-obra qualificada, a fim de atrair trabalhadores adequados.
c) a oferta de trabalho é invariável e não é afetada por fatores econômicos externos, como
mudanças nas taxas de desemprego ou nas condições de mercado.
d) as pessoas, como ofertantes de trabalho, não têm capacidade de influenciar as condições
de trabalho ou os salários que as empresas estão dispostas a pagar.
e) as empresas, na posição de ofertantes de trabalho, determinam unilateralmente as
condições do mercado, e os trabalhadores, como demandantes, devem se adaptar às
necessidades das empresas.
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Comentários:
Está correta a letra “b”. As empresas, como demandantes de trabalho, tendem a aumentar os
salários quando há escassez de mão-de-obra qualificada, a fim de atrair trabalhadores
adequados.
Mas vamos explorar, com finalidades didáticas, os erros das demais alternativas:
a) no mercado de trabalho, a oferta e a demanda são influenciadas apenas pelas políticas
governamentais, sem levar em conta as decisões individuais de trabalhadores e empresas.
Errado. As políticas governamentais, de fato e como veremos em aula específica, podem
influenciar o mercado de trabalho, por exemplo, ao colocar impostos sobre as contratações
(redução da demanda por trabalho) ou ao dar algum estímulo para os trabalhadores (aumento
da oferta de trabalho). Contudo, naturalmente, é incorreto afirmar que apenas essas políticas
influenciam.
Como vimos nesta aula, as preferências dos trabalhadores em relação ao lazer e ao consumo
são importantes determinantes da oferta por trabalho. Sobre a demanda, ainda falaremos.
c) a oferta de trabalho é invariável e não é afetada por fatores econômicos externos, como
mudanças nas taxas de desemprego ou nas condições de mercado.
Não é invariável. Ela é influenciada, entre outros fatores, pela quantidade de trabalhadores e
por suas preferências individuais.
d) as pessoas, como ofertantes de trabalho, sempre elevam sua quantidade de trabalho diante
de aumentos salariais.
As pessoas, de fato, são ofertantes de trabalho. Mas também vimos que, a partir de
determinado nível de salário, as pessoas podem reduzir sua oferta de trabalho, optando por
desfrutar mais de seu tempo com lazer.
e) as empresas, na posição de ofertantes de trabalho, determinam unilateralmente as condições
do mercado, e os trabalhadores, como demandantes, devem se adaptar às necessidades das
empresas.
Errado. As empresas são demandantes de trabalho. Além disso, já vimos nesta aula o papel dos
trabalhadores na dinâmica.
Gabarito: “b”
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3. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Quanto à preferência do trabalhador, utilidade cardinal é aquela em que:
a) a utilidade das preferências não pode ser quantificada.
b) não considera a intensidade das preferências.
c) não especifica quão preferíveis são as opções.
d) não permite o ordenamento das alternativas.
e) a utilidade das preferências pode ser quantificada.
Comentários:
A utilidade cardinal é aquela na qual a quantidade importante. Nesse sentido, uma cesta com
utilidade1000 é mil vezes preferível a uma cesta com utilidade 1.
Como vimos, esse tipo de utilidade é pouco utilizado em Economia, onde adotamos muito
mais a utilidade ordinal (apenas a ordem das preferências importa). Mas conhecer o conceito
ainda é importante.
Gabarito: “e”
4. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Suponha que um trabalhador possui um salário de 5 reais por hora e uma renda não trabalho
de 2 reais. Nesse caso, a inclinação de sua reta orçamentária será de
a) -5
b) -2
c) 0
d) 5
e) 10
Comentários:
Como vimos nesta aula, A inclinação da reta orçamentária é determinada pelo salário (w), com
sinal negativo, ou seja, -w.
Portanto, a resposta está na letra A.
Gabarito: “a”
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5. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
A curva de oferta de mão de obra é descendente por causa do produto marginal decrescente.
Comentários:
Ainda falaremos sobre o produto marginal e como ele afeta a demanda por trabalho.
Mas já sabemos que a oferta de trabalho pode ser crescente ou decrescente, conforme
prevalecem os efeitos substituição ou renda, respectivamente.
Portanto, a direção da inclinação da curva de oferta de mão de obra (trabalho) decorre dos
efeitos renda e substituição que, por sua vez, decorrem das preferências do trabalhador em
relação a lazer e consumo.
Gabarito: Errado
6. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
Imigração, mudança nas preferências do trabalhador e mudanças tecnológicas deslocam a
curva de oferta de mão de obra.
Comentários:
Essa questão tem muito problemas.
Para começar, ela não define se a curva de oferta de mão de obra que ela menciona é a curva
individual ou de mercado.
Isso é importante porque a imigração, que é em última análise a chegada de novos
trabalhadores, por exemplo, acrescenta novas curvas de oferta de trabalho individuais, e assim
desloca a curva de oferta de mercado.
Sendo assim, a imigração desloca a curva de mercado, mas não desloca a curva do trabalhador
individual.
Já a mudança na preferência de um trabalhador em relação a consumo e lazer desloca sua
curva de oferta individual, pois muda suas escolhas ótimas. E se desloca as curvas individuais,
desloca a curva de mercado, uma vez que ela é o agregado.
Mas o que “mata” mesmo a questão é mencionar as mudanças tecnológicas, das quais não
falamos nesta aula por um motivo simples: elas afetam a demanda por trabalho, e não a oferta.
Portanto, elas não deslocam as curvas de oferta, nem individual, nem de mercado.
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Assim, a questão está errada de qualquer forma, e o fato de a banca não ter especificado de
qual curva ela está falando acaba por ser irrelevante.
Gabarito: Errado
7. (2006/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Suponha um modelo neoclássico de oferta de trabalho individual em que a utilidade do
indivíduo dependa apenas do consumo (C) e do lazer (L) e que o indivíduo disponha de uma
dotação inicial dos dois bens: C0 e L0. Suponha que L0=24 horas. Suponha também que a
função utilidade seja U (C,L) = C a L 1-a, onde 0 < a < 1, que a restrição orçamentária seja linear
e que o preço do bem de consumo C seja 1 por unidade do bem. Considere as seguintes
afirmações:
I. Os indivíduos irão escolher as horas de trabalho a serem ofertadas de tal modo que a taxa
de salário seja igual à razão das utilidades marginais do lazer e do consumo, dado que o
salário de mercado é maior que o salário de reserva.
II. O salário de reserva é aquele que torna o indivíduo indiferente entre ofertar zero horas de
trabalho ou ofertar horas positivas de trabalho.
III. A curva de oferta de trabalho individual pode ter um trecho negativamente inclinado,
desde que a soma do efeito renda-ordinário e do efeito renda-dotação compense o efeito-
substituição. Nesse trecho negativamente inclinado, a elasticidade da oferta de trabalho com
relação ao salário é negativa.
A opção correta é:
a) I, II e III estão incorretas.
b) I e II estão corretas e III está incorreta.
c) I está incorreta; II e III estão corretas.
d) I e III estão incorretas; II está correta.
e) I, II e III estão corretas.
Comentários:
Apesar de definir a função utilidade e uma série de outras variáveis, a única coisa relevante para
acertar a questão são as afirmações I, II e III. Vamos a elas:
I. Os indivíduos irão escolher as horas de trabalho a serem ofertadas de tal modo que a taxa de
salário seja igual à razão das utilidades marginais do lazer e do consumo, dado que o salário de
mercado é maior que o salário de reserva.
Certo! Se o salário de mercado for maior que o salário de reserva, e a afirmativa está dando
essa informação, então tudo que aprendemos aqui valerá, ou seja, o trabalhador concordará
em trabalhar, de acordo com suas preferências.
Sendo assim, o que a afirmativa define é a condição de maximização da utilidade:
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Inclinação da linha orçamentária (salário w) igual à inclinação da curva de indiferença
(UMgL/UMgC).
II. O salário de reserva é aquele que torna o indivíduo indiferente entre ofertar zero horas de
trabalho ou ofertar horas positivas de trabalho.
Certo! Definimos o salário de reserva como menor salário pelo qual o indivíduo aceitaria
trabalhar. Abaixo dele, nada de trabalho, acima dele, haverá trabalho. Portanto, exatamente no
salário de reserva, há indiferença por parte do trabalhador.
III. A curva de oferta de trabalho individual pode ter um trecho negativamente inclinado, desde
que a soma do efeito renda-ordinário e do efeito renda-dotação compense o efeito-substituição.
Nesse trecho negativamente inclinado, a elasticidade da oferta de trabalho com relação ao
salário é negativa.
Certo! A afirmativa define perfeita os efeitos renda e substituição, e o que provocam em termos
de inclinação da curva de oferta de trabalho.
Ela separa o efeito renda em duas partes: efeito renda dotação e efeito renda ordinário. Essa
divisão não é usual, mas esclareço:
efeito renda = efeito renda dotação + efeito renda ordinário
O efeito renda ordinário (ou normal) diz respeito ao aumento da capacidade orçamentária do
indivíduo, enquanto o efeito renda dotação diz respeito à ampliação das possibilidades de
consumo, ou seja, novas combinações que ficam acessíveis.
Gabarito: “e”
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8. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
A reta orçamentária do trabalhador podeser definida da seguinte maneira:
a) “É a representação do conjunto de combinações máximas possíveis de lazer/trabalho e
consumo, dado o tempo disponível do trabalhador, seu salário e sua renda não decorrente do
trabalho. ”
b) “É o montante de renda disponível do trabalhador, em dado período de tempo.”
c) “É o instrumental gráfico que serve para ilustrar as preferências do trabalhador.”
d) “É a representação gráfica que demonstra a utilidade ou satisfação que o lazer e o consumo
representam para o trabalhador.”
e) “É o lugar geométrico de pontos representando diferentes combinações de lazer e
consumo que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade.”
Comentários:
Vamos ver cada uma das alternativas.
a) “É a representação do conjunto de combinações máximas possíveis de lazer/trabalho e
consumo, dado o tempo disponível do trabalhador, seu salário e sua renda não decorrente do
trabalho. ”
Definição perfeita! Pode marcar esta alternativa como gabarito, mas não deixe de conferir as
próximas para fixar o aprendizado.
b) “É o montante de renda disponível do trabalhador, em dado período de tempo.”
Não. Vimos que a limitação da restrição orçamentária do trabalhador é seu tempo e sua renda
(do trabalho ou não), e não se resume à sua renda.
c) “É o instrumental gráfico que serve para ilustrar as preferências do trabalhador.”
Isso seria uma boa descrição para um conjunto de curvas de indiferença. Elas sim mostram as
preferências do trabalhador.
d) “É a representação gráfica que demonstra a utilidade ou satisfação que o lazer e o consumo
representam para o trabalhador.”
e) “É o lugar geométrico de pontos representando diferentes combinações de lazer e consumo
que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade.”
Já essas duas última alternativas descrevem uma curva de indiferença individual.
Gabarito: “a”
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9. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
A teoria econômica do trabalho aborda a decisão de trabalhar com base na opção entre
consumo e lazer, modelando a escolha ótima de um trabalhador face a diferentes cestas
factíveis de bens. Nesse contexto, a escolha ótima do trabalhador deverá ser:
a) a curva de indiferença que se situar no ponto médio da restrição orçamentária.
b) a cesta de bens que conferir o maior nível de utilidade ao trabalhador e que estiver fora de
seu conjunto orçamentário.
c) a cesta de bens, pertencente ao conjunto orçamentário do trabalhador, que se situar na
curva de indiferença mais alta.
d) a curva de indiferença que estiver mais inclinada positivamente.
e) a curva de indiferença que possuir o maior número de cestas indiferentes.
Comentários:
Vamos analisar cada uma das alternativas:
a) a curva de indiferença que se situar no ponto médio da restrição orçamentária.
Não necessariamente. Pode até ocorrer de a curva de indiferença tangenciar o ponto médio da
restrição orçamentária, hipótese na qual o trabalhador optará pela mesma quantidade dos
dois. Contudo, a alternativa não traz uma hipótese muito específica, e não uma regra.
b) a cesta de bens que conferir o maior nível de utilidade ao trabalhador e que estiver fora de
seu conjunto orçamentário.
Errado. Seria uma beleza se pudéssemos escolher qualquer cesta fora de nosso conjunto
orçamentário não é mesmo? Lazer e consumo infinitos...
Contudo, cestas localizadas além da restrição não são escolhas possíveis ao trabalhador e,
portanto, não pode ser essa a escolha ótima.
c) a cesta de bens, pertencente ao conjunto orçamentário do trabalhador, que se situar na curva
de indiferença mais alta.
A definição é perfeita. A cesta deve, ao mesmo tempo, estar dentro das possibilidades
orçamentárias do trabalhador, pois isso indica o que ele pode, e situada na curva mais alta, pois
isso indica o melhor que ele pode. Portanto, este é o gabarito.
d) a curva de indiferença que estiver mais inclinada positivamente.
Errado. Simplesmente sem sentido ou fundamento.
e) a curva de indiferença que possuir o maior número de cestas indiferentes.
Errado também. É como se cada curva de indiferença tivesse infinitas combinações entre os
dois bens. Por exemplo, entre as cestas (4;5) e (5;4), teríamos a cesta (4,5;4,5).
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Esse conceito é chamado de continuidade ou densidade das curvas de indiferença.
Gabarito: “c”
10. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
A oferta de trabalho passa a ter inclinação negativa porque, quando o salário real fica
suficientemente elevado,
a) o custo de oportunidade do lazer passa a ser menor.
b) o efeito substituição e o efeito renda atuam na mesma direção.
c) o efeito substituição se torna maior que o efeito renda.
d) o lazer passa a ser um bem "inferior".
e) o efeito renda se torna maior do que o efeito substituição.
Comentários:
A curva de oferta de trabalho passa a ter inclinação negativa quando o efeito renda supera o
efeito substituição.
Em outras palavras, o salário se torna tão alto que o indivíduo prefere desfrutar mais de lazer e
outros bens do que trabalhar mais.
Isso torna “e” nosso gabarito, mas vejamos as demais alternativas.
a) o custo de oportunidade do lazer passa a ser menor.
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Errado. O custo de oportunidade de lazer se torna cada vez maior, conforme aumenta o salário,
do início ao fim da curva. Ele é a causa do efeito substituição, e sempre agirá. Contudo, em
determinado momento, esse custo é superado pela utilidade gerada por mais consumo, e é
quando o trabalhador decide oferta menos trabalho diante de aumentos salariais.
b) o efeito substituição e o efeito renda atuam na mesma direção.
Errado. Eles atuam em direções diferentes (exceto no caso de bens inferiores), e o efeito renda
supera o efeito substituição.
c) o efeito substituição se torna maior que o efeito renda.
Errado. Vimos que é o contrário.
d) o lazer passa a ser um bem "inferior".
Errado. Na verdade, quem se torna um bem inferior é o “trabalho”, pois o indivíduo reduz sua
escolha por trabalho diante de elevações na renda.
Gabarito: “e”
11. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Com relação à perspectiva neoclássica do mercado de trabalho, julgue o item abaixo.
Os trabalhadores possuem o mesmo salário de reserva (reservation wages), que pode ser
representado pela curva de oferta de mão-de-obra.
Comentários:
Nada disso. Cada trabalhador possui suas próprias preferências, que podem ou não serem
iguais às preferências de outros trabalhadores.
A mesma conclusão vale para seus salários de reserva, que são individuais. Não há um “salário
de reserva de mercado”, compartilhado por todos os trabalhadores.
Gabarito: Errado
12. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Com relação à perspectiva neoclássica do mercado de trabalho, julgue o item abaixo.
Um aumento de salário sempre induzirá a uma elevação no número de horas que cada
trabalhador estará disposto a ofertar.
Comentários:
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Não necessariamente. Quando o efeito renda supera o efeito substituição, temos justamente o
contrário: aumentos no salário levam a uma redução no número de horas que cada trabalhador
está disposto a ofertar.
Gabarito: Errado
13. (1998/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Considerando a curva de oferta neoclássica de trabalho derivada da escolha individual entre
renda e lazer, podemos afirmar que
a) quando a taxa de salário aumenta, o efeito substituição induz a uma quantidade menor de
trabalho
b) a curva de oferta de trabalho é sempre positivamente inclinada, mudando apenas a
declividade de acordo com o efeito substituição
c) a curva de oferta de trabalho é derivada do efeito substituição entre renda e lazer, ao passo
que o efeito renda provoca apenas deslocamentos desta curva
d) o caso em que o aumento da taxa de salário leva a uma diminuição da oferta de trabalho
não pode ser representado pela curva de oferta de trabalho
e) a curva de oferta de trabalho pode ser negativamente inclinada, caso o efeito renda supere
o efeito substituição
Comentários:
Vamos analisar cada uma das alternativas.
a) quando a taxa de salário aumenta, o efeito substituição induz a uma quantidade menor de
trabalho
Errado. Quando o salário aumenta, o lazer fica relativamente mais caro, e isso é o efeito
substituição, que eleva a tendência do trabalhador em aumentar o tempo trabalhado e reduzir
o tempo de lazer.
b) a curva de oferta de trabalho é sempre positivamente inclinada, mudando apenas a
declividade de acordo com o efeito substituição
Errado. Nem sempre. Dependerá da interação entre os efeitos renda e substituição. Se o
primeiro superar o segundo, inclusive, teremos a curva de oferta negativamente inclinada.
c) a curva de oferta de trabalho é derivada do efeito substituição entre renda e lazer, ao passo
que o efeito renda provoca apenas deslocamentos desta curva
Errado. Os dois efeitos determinam o formato da curva, ou seja, a curva é derivada de ambos.
Deslocamentos da curva serão provocados por outras variáveis, como mudanças nas
preferências do consumidor, no caso da curva individual, ou fatores como imigração, no caso
da curva de mercado.
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d) o caso em que o aumento da taxa de salário leva a uma diminuição da oferta de trabalho não
pode ser representado pela curva de oferta de trabalho
Errado:
e) a curva de oferta de trabalho pode ser negativamente inclinada, caso o efeito renda supere o
efeito substituição
Certo.
Gabarito: “e”
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14. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Considerando a perspectiva neoclássica e o arcabouço analítico proposto por Hicks-Marshall,
julgue o item subsequente.
Pode-se caracterizar a idade ótima para aposentadoria em função do custo de oportunidade
decorrente do exercício da atividade profissional.
Comentários:
Essa questão é interessante.
Perceba que ela apenas leva ao limite a situação que vimos, na qual o indivíduo oferta menos
trabalho conforme aumenta o custo de oportunidade de desfrutar de consumo e lazer.
Aqui, no caso de aposentadoria, o indivíduo tem a opção de receber uma renda não trabalho,
elevando suas possibilidades de consumo mesmo sem trabalhar.
Essa é, essencialmente, a decisão tomada pelo indivíduo quando ele decide se aposentar: se o
nível de consumo que ele obterá com a renda não trabalho resultar em maior utilidade do que
aquela que ele obtém trabalhando, ele se aposentará.
Gabarito: Certo
15. (2002/CEBRASPE-CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/Analista Legislativo)
Acerca do crescimento da economia informal, fenômeno comum a países em diferentes
estágios de desenvolvimento, julgue o item a seguir.
O fato de a oferta de trabalho feminino ser mais inelástica, combinado com a maior propensão
das mulheres a prestarem serviços em domicílio — incluindo-se aí a prestação de serviços
domésticos remunerados — e a trabalharem em pequenos negócios, lista-se entre os fatores
explicativos do crescimento significativo da participação das trabalhadoras na economia
informal.
Comentários:
A questão faz uma afirmação que parece ter base empírica: a oferta de trabalho das mulheres é
mais inelástica, ou seja, menos elástica.
Embora certamente existam estudos confirmando e estudos contestando essa afirmação, e
resultados diferentes dependendo do período e do local onde é feito o estudo, o que importa
aqui é analisarmos se a afirmação tem lógica diante do conceito de elasticidade da oferta de
trabalho.
E a resposta é que não tem. Afinal, a afirmativa busca justificar o crescimento da participação
das mulheres na economia informal como um resultado de elas serem insensíveis a mudanças
salariais. Ora, se elas respondem pouco a mudanças salariais, elas vão aumentar pouco sua
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participação no mercado, em comparação com os homens que, supostamente, teriam uma
oferta mais elástica.
Portanto, espera-se que o lado mais elástico (homens ou mulheres) responda com mais oferta
de trabalho diante de variações salariais.
Complementarmente, Borjas afirma que ocorre justamente o contrário do afirmado na questão:
“De um modo geral, o modelo sugere que a oferta de trabalho de mulheres pode ser mais
sensível às mudanças salariais que a oferta de trabalho dos homens.”
Assim, portanto, as mulheres teriam a oferta de trabalho mais elástica.
Gabarito: Errado
16. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Suponha que a utilidade de um indivíduo possa ser representada por U = R*Hlazer, onde R é a
renda e Hlazer as horas de lazer. Além disso, sabemos que esse indivíduo divide as horas
totais de seu dia entre horas de trabalho e horas de lazer (Htrabalho + Hlazer = 24) e que sua
renda está determinada pela taxa nominal de remuneração por horas trabalhadas (W) vezes o
número de horas trabalhadas (R = W*Htrabalho). Assim, a curva de oferta de mão-de-obra
desse indivíduo poderá ser expressa por:
a) Htrabalho = 12 - W
b) Htrabalho = 24 - W
c) Htrabalho = 24
d) Htrabalho = 12
e) Htrabalho = 12 + W
Comentários:
Essa é uma questão vem avançada, e existe uma forma bem mais elaborada de resolver essa
questão, utilizando cálculo diferencial e o conceito de derivadas, mas prefiro uma abordagem
mais simples e lógica.
Veja que o indivíduo obtém o mesmo nível de utilidade com lazer ou com consumo. Sabemos
disso olhando para sua função de utilidade, que atribui o mesmo valor a R e Hlazer:
U = R*Hlazer
Portanto, como ele tem apenas 24 horas para dividir entre os dois, ele maximizará sua utilidade
dedicando horas iguais a trabalho e a lazer: 12 horas para cada.
Não há nenhuma outra combinação que resulte em maior nível de utilidade, e vou provar com
a tabela abaixo, onde atribuí o valor arbitrário de 10 para o salário, e calculei usando a função
de utilidadeU = w*Htrabalho*Hlazer:
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w Htrabalho Hlazer Utilidade (w*Htrabalho*Hlazer)
10 0 24 0
10 4 20 800
10 8 16 1280
10 12 12 1440
10 16 8 1280
10 20 4 800
10 24 0 0
Portanto, a letra “d” é o gabarito, e o mesmo raciocínio pode ser aplicado a qualquer função de
utilidade de atribua iguais valores para ambos os bens.
Aviso: Se você conhece os conceitos de cálculo diferencial, mostrarei a resolução por
essa abordagem a seguir. Se você não conhece, apenas alerto que ele nunca foi
necessário em questões sobre o assunto que vimos nesta aula. Mas, se assim desejar, há
um apêndice ao final desta aula ensinando o básico sobre derivação.
Estamos diante de uma situação na qual precisamos maximizar o nível de
utilidade, com a limitação de 24 horas.
Para tanto, partimos da função de utilidade:
U = w . HT. HL (1)
Sabemos que a soma das horas de trabalho (HT) com as horas de lazer (HL) deve
ser igual ao total de horas, ou seja, 24 horas:
HT + HL = 24
HL = 24 - HT (2)
Então, substituímos (2) em (1):
U = w . HT. (24 - HT)
U = 24w . HT. – w . HT2
Agora, derivamos em relação às horas de trabalho (a variável que estamos
escolhendo para maximizar a utilidade):
U’=24 – 2HT
Quando a utilidade marginal for igual a zero, a curva de utilidade estará em se
ponto máximo, ou seja, a utilidade será máxima:
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0 = 24 – 2HT
2HT = 24
HT = 24/2
HT = 12
Gabarito: “d”
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LISTA DE QUESTÕES
1. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
O mercado de trabalho é dotado de dinâmicas próprias e sua compreensão passa pelo
conhecimento de seus atores. Nesse sentido, assinale os atores que ofertam trabalho no
mercado.
a) Empresas
b) Governo
c) Mercado Financeiro
d) Terceiro Setor
e) Trabalhadores
2. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Na economia, a compreensão do mercado de trabalho é fundamental para entender como as
forças de oferta e demanda interagem em um contexto único. Neste mercado, os papéis são
distintos: as pessoas são as ofertantes de trabalho, utilizando suas habilidades, experiências e
qualificações como sua "mercadoria", enquanto as empresas atuam como demandantes,
buscando preencher suas necessidades de mão-de-obra. A dinâmica entre esses dois agentes
é crucial para determinar as condições de trabalho, os salários e, em última análise, a saúde do
mercado de trabalho como um todo.
Com base no trecho acima e nos conceitos econômicos pertinentes, qual das alternativas a
seguir melhor descreve a relação entre oferta e demanda no mercado de trabalho?
a) no mercado de trabalho, a oferta e a demanda são influenciadas apenas pelas políticas
governamentais, sem levar em conta as decisões individuais de trabalhadores e empresas.
b) as empresas, como demandantes de trabalho, tendem a aumentar os salários quando há
escassez de mão-de-obra qualificada, a fim de atrair trabalhadores adequados.
c) a oferta de trabalho é invariável e não é afetada por fatores econômicos externos, como
mudanças nas taxas de desemprego ou nas condições de mercado.
d) as pessoas, como ofertantes de trabalho, não têm capacidade de influenciar as condições
de trabalho ou os salários que as empresas estão dispostas a pagar.
e) as empresas, na posição de ofertantes de trabalho, determinam unilateralmente as
condições do mercado, e os trabalhadores, como demandantes, devem se adaptar às
necessidades das empresas.
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3. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Quanto à preferência do trabalhador, utilidade cardinal é aquela em que:
a) a utilidade das preferências não pode ser quantificada.
b) não considera a intensidade das preferências.
c) não especifica quão preferíveis são as opções.
d) não permite o ordenamento das alternativas.
e) a utilidade das preferências pode ser quantificada.
4. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
Suponha que um trabalhador possui um salário de 5 reais por hora e uma renda não trabalho
de 2 reais. Nesse caso, a inclinação de sua reta orçamentária será de
a) -5
b) -2
c) 0
d) 5
e) 10
5. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
A curva de oferta de mão de obra é descendente por causa do produto marginal decrescente.
6. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Economia)
Acerca da relação existente entre o comportamento do mercado de trabalho e o nível de
atividade e da relação existente entre salários, inflação e desemprego, julgue o item a seguir.
Imigração, mudança nas preferências do trabalhador e mudanças tecnológicas deslocam a
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7. (2006/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Suponha um modelo neoclássico de oferta de trabalho individual em que a utilidade do
indivíduo dependa apenas do consumo (C) e do lazer (L) e que o indivíduo disponha de uma
dotação inicial dos dois bens: C0 e L0. Suponha que L0=24 horas. Suponha também que a
função utilidade seja U (C,L) = C a L 1-a, onde 0 < a < 1, que a restrição orçamentária seja linear
e que o preço do bem de consumo C seja 1 por unidade do bem. Considere as seguintes
afirmações:
I. Os indivíduos irão escolher as horas de trabalho a serem ofertadas de tal modo que a taxa
de salário seja igual à razão das utilidades marginais do lazer e do consumo, dado que o
salário de mercado é maior que o salário de reserva.
II. O salário de reserva é aquele que torna o indivíduo indiferente entre ofertar zero horas de
trabalho ou ofertar horas positivas de trabalho.
III. A curva de oferta de trabalho individual pode ter um trecho negativamente inclinado,
desde que a soma do efeito renda-ordinário e do efeito renda-dotação compense o efeito-
substituição. Nesse trecho negativamente inclinado, a elasticidade da oferta de trabalho com
relação ao salário é negativa.
A opção correta é:
a) I, II e III estão incorretas.
b) I e II estão corretas e III está incorreta.
c) I está incorreta; II e III estão corretas.
d) I e III estão incorretas; II está correta.
e) I, II e III estão corretas.
8. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
A reta orçamentária do trabalhador pode ser definida da seguinte maneira:
a) “É a representação do conjunto de combinações máximas possíveis de lazer/trabalhoe
consumo, dado o tempo disponível do trabalhador, seu salário e sua renda não decorrente do
trabalho. ”
b) “É o montante de renda disponível do trabalhador, em dado período de tempo.”
c) “É o instrumental gráfico que serve para ilustrar as preferências do trabalhador.”
d) “É a representação gráfica que demonstra a utilidade ou satisfação que o lazer e o consumo
representam para o trabalhador.”
e) “É o lugar geométrico de pontos representando diferentes combinações de lazer e
consumo que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade.”
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==2537cb==
61
9. (INÉDITA/Prof. Celso Natale)
A teoria econômica do trabalho aborda a decisão de trabalhar com base na opção entre
consumo e lazer, modelando a escolha ótima de um trabalhador face a diferentes cestas
factíveis de bens. Nesse contexto, a escolha ótima do trabalhador deverá ser:
a) a curva de indiferença que se situar no ponto médio da restrição orçamentária.
b) a cesta de bens que conferir o maior nível de utilidade ao trabalhador e que estiver fora de
seu conjunto orçamentário.
c) a cesta de bens, pertencente ao conjunto orçamentário do trabalhador, que se situar na
curva de indiferença mais alta.
d) a curva de indiferença que estiver mais inclinada positivamente.
e) a curva de indiferença que possuir o maior número de cestas indiferentes.
10. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
A oferta de trabalho passa a ter inclinação negativa porque, quando o salário real fica
suficientemente elevado,
a) o custo de oportunidade do lazer passa a ser menor.
b) o efeito substituição e o efeito renda atuam na mesma direção.
c) o efeito substituição se torna maior que o efeito renda.
d) o lazer passa a ser um bem "inferior".
e) o efeito renda se torna maior do que o efeito substituição.
11. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Com relação à perspectiva neoclássica do mercado de trabalho, julgue o item abaixo.
Os trabalhadores possuem o mesmo salário de reserva (reservation wages), que pode ser
representado pela curva de oferta de mão-de-obra.
12. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Com relação à perspectiva neoclássica do mercado de trabalho, julgue o item abaixo.
Um aumento de salário sempre induzirá a uma elevação no número de horas que cada
trabalhador estará disposto a ofertar.
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13. (1998/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Considerando a curva de oferta neoclássica de trabalho derivada da escolha individual entre
renda e lazer, podemos afirmar que
a) quando a taxa de salário aumenta, o efeito substituição induz a uma quantidade menor de
trabalho
b) a curva de oferta de trabalho é sempre positivamente inclinada, mudando apenas a
declividade de acordo com o efeito substituição
c) a curva de oferta de trabalho é derivada do efeito substituição entre renda e lazer, ao passo
que o efeito renda provoca apenas deslocamentos desta curva
d) o caso em que o aumento da taxa de salário leva a uma diminuição da oferta de trabalho
não pode ser representado pela curva de oferta de trabalho
e) a curva de oferta de trabalho pode ser negativamente inclinada, caso o efeito renda supere
o efeito substituição
14. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo)
Considerando a perspectiva neoclássica e o arcabouço analítico proposto por Hicks-Marshall,
julgue o item subsequente.
Pode-se caracterizar a idade ótima para aposentadoria em função do custo de oportunidade
decorrente do exercício da atividade profissional.
15. (2002/CEBRASPE-CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/Analista Legislativo)
Acerca do crescimento da economia informal, fenômeno comum a países em diferentes
estágios de desenvolvimento, julgue o item a seguir.
O fato de a oferta de trabalho feminino ser mais inelástica, combinado com a maior propensão
das mulheres a prestarem serviços em domicílio — incluindo-se aí a prestação de serviços
domésticos remunerados — e a trabalharem em pequenos negócios, lista-se entre os fatores
explicativos do crescimento significativo da participação das trabalhadoras na economia
informal.
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16. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Suponha que a utilidade de um indivíduo possa ser representada por U = R*Hlazer, onde R é a
renda e Hlazer as horas de lazer. Além disso, sabemos que esse indivíduo divide as horas
totais de seu dia entre horas de trabalho e horas de lazer (Htrabalho + Hlazer = 24) e que sua
renda está determinada pela taxa nominal de remuneração por horas trabalhadas (W) vezes o
número de horas trabalhadas (R = W*Htrabalho). Assim, a curva de oferta de mão-de-obra
desse indivíduo poderá ser expressa por:
a) Htrabalho = 12 - W
b) Htrabalho = 24 - W
c) Htrabalho = 24
d) Htrabalho = 12
e) Htrabalho = 12 + W
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GABARITO
1. E
2. B
3. E
4. A
5. E
6. E
7. E
8. A
9. C
10. E
11. E
12. E
13. E
14. C
15. E
16. D
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Trabalhador) Conhecimentos Específicos
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Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024
(Pós-Edital)
Autor:
Alessandra Lopes, Celso Natale,
Thayse Duarte Varela Dantas
Cesar
25 de Janeiro de 2024
1
SUMÁRIO
1 Demanda por Trabalho ..................................................................................................................... 3
2 Teoria da Produção ............................................................................................................................ 3
2.1 Fatores de Produção ..................................................................................................................... 4
3 Tecnologia de Produção ................................................................................................................... 4
3.1 Funções de Produção ................................................................................................................... 5
4 Curto Prazo e Longo Prazo ................................................................................................................ 6
4.1 Curto prazo: produção com apenas um fator variável ............................................................ 7
4.2Longo prazo: produção com mais de um fator variável ....................................................... 17
5 Teoria dos Custos ............................................................................................................................ 26
5.1 Custos econômicos X Custos contábeis ................................................................................. 26
5.2 Custos não salariais .................................................................................................................... 29
5.3 Funções de custos: introdução ................................................................................................ 31
5.4 Custo fixo, custo variável e custo total .................................................................................... 31
5.5 Custos médios (total, fixo e variável) ....................................................................................... 32
5.6 Custo Marginal ............................................................................................................................ 33
5.7 Custos no curto prazo ................................................................................................................ 36
5.8 Custos no Longo Prazo .............................................................................................................. 40
5.9 Economias de Escala ................................................................................................................. 48
6 Modelos de Demanda por Trabalho ............................................................................................ 51
6.1 Demanda por trabalho no curto prazo ................................................................................... 51
6.2 Demanda por trabalho no longo prazo .................................................................................. 58
Resumo ..................................................................................................................................................... 62
Referências Bibliográficas ...................................................................................................................... 64
Apêndice: Derivadas .............................................................................................................................. 65
Questões Comentadas ........................................................................................................................... 66
Lista de Questões .................................................................................................................................. 135
Gabarito.................................................................................................................................................. 159
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2
INTRODUÇÃO
Saudações!
Nesta aula, continuaremos dando atenção aos Atores do mercado de Trabalho, focando no
papel das Empresas, cujo papel desempenhado é o de demandar trabalho.
4.4 Atores no mercado de trabalho. 4.6 Agentes econômicos. 4.7 Trabalho e
empresa. 5.4 Custos não salariais. (Demanda por trabalho)
Já adianto que é a aula mais extensa e complexa do curso. Mas não se assuste com o número de
páginas. A maioria delas é de questões e gráficos (temos muitos de ambos!)
Nesses assuntos, é normal “emperrar”. Mais de uma vez. Mas prossiga, que as coisas vão ficando
mais claras e fazendo mais sentido. É normal ter dificuldades, especialmente no primeiro contato,
e ninguém entende de primeira. Se a coisa ficar muito difícil mesmo, vá para as próximas aulas,
pois seus conteúdos são mais tranquilos.
Os principais tópicos sobre demanda de trabalho, para fins de prova, estão no final da aula, os
modelos de demanda por trabalho.
E eles estão no final porque, como você verá, são tópicos que só podem ser bem compreendidos
com tudo que vem antes.
Mas eu sei que algumas pessoas precisariam de mais tempo para absorver tudo isso, mais tempo
do que temos até a data da prova.
Por outro lado, não posso ser negligente e dar uma aula superficial, em respeito àqueles que
estão se preparando há mais tempo, estão prontos para a abordagem completa e buscam brigar
pelas primeiras posições, como tantos alunos do Estratégia.
Então, se você está sem tempo ou realmente não conseguir avançar na aula, vá direto para o
Resumo e busque decorar o tópico 6 da aula. Obviamente essa estratégia não vai permitir que
você resolva as questões mais difíceis de Economia do Trabalho, mas pode permitir que acerte
algumas mais simples e consiga sua vaga. Além disso, logo teremos a versão simplificada, que
também pode ajudar.
E lembre-se do objetivo: ser aprovado nesse concurso, ganhar a estabilidade e um excelente
salário exige muita dedicação, e vale a pena! E se tiver dúvidas já sabe: fale comigo!
@profcelsonatale
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3
1 DEMANDA POR TRABALHO
Vimos, anteriormente, que a decisão de quanto trabalho ofertar depende das preferências do
trabalhador em relação ao consumo/renda e lazer, levando-os a ofertar mais ou menos horas de
trabalho.
Agora, avançamos para compreender o lado da demanda por trabalho, o lado das empresas.
Então, nunca é demais lembrar que quem demanda trabalho são as empresas. A propósito, esse
é o papel representado pelas empresas no mercado de trabalho.
No mercado de trabalho, as empresas são atores que demandam trabalho.
Para compreender a demanda por trabalho, e acertar as questões sobre isso, vamos conhecer a
teoria da firma (apenas outro nome para empresa, muito utilizado em Economia). Essa teoria é
dividida em duas partes:
• teoria da produção
• teoria dos custos
Portanto, é bastante semelhante com aquilo que vimos sobre o trabalhador.
O trabalhador tem possibilidade de combinações entre lazer e consumo, mas essas
possibilidades são limitadas por seu tempo.
A firma (empresa) tem diferentes possibilidades de produção de bens (ou serviços), mas essas
possibilidades são limitadas por seus custos.
Como agente econômico, as empresas produzem bens e serviços, e o fazem combinando
capital e trabalho.
2 TEORIA DA PRODUÇÃO
Estudar o comportamento do trabalhador, significou analisar sua restrição, suas preferências e,
por fim, suas decisões.
As decisões de uma empresa são semelhantes, e podemos também dividir a análise inicial em
dois passos: produção e custos de produção.
O foco inicial é a produção e, para começar, vamos compreender o que são os fatores de
produção, elementos básicos dessa teoria.
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4
2.1 Fatores de Produção
Durante o processo produtivo, as empresas utilizam trabalho, matérias-primas e máquinas
(capital). Esses itens utilizados para elaborar um produto são chamados de fatores de produção.
Por exemplo, um delicioso pão de queijo, para ser produzido, precisa de ovos, polvilho e outros
ingredientes (matérias-primas).
Também precisou de um forno (capital) e uma pessoa para misturar os ingredientes e operar o
forno (trabalho, também chamado mão-de-obra).Algumas vezes, os fatores de produção também são chamados de insumos – é a mesma coisa.
O Capital, em especial, é bastante amplo: inclui tudo aquilo que é usado na produção sem ser
transformado no processo, como máquinas, equipamentos, prédios, ferramentas etc.
Outra característica do capital é que ele mesmo é um produto, ou seja, passou por um processo
de produção.
3 TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO
As empresas também têm algumas restrições. Uma delas é o fato de que há apenas algumas
formas viáveis de combinar os insumos na produção. Em outras palavras, há restrições
tecnológicas (ainda não estamos falando de custos).
Note que tecnologia não é apenas um supercomputador ou um dispositivo high tech. Aquela
receita de bolo da vovó, que usa os ingredientes de uma forma singular, aproveitando-os e
combinando-os eficientemente, também é uma tecnologia.
Em outras palavras, tecnologia é o estado atual do conhecimento de como combinar os insumos
para obter produtos (e nosso conhecimento do que pode ser produzido).
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5
Veremos agora uma forma de demonstrar os maiores resultados possíveis, em termos de
produção, da combinação de fatores: as funções de produção.
3.1 Funções de Produção
Uma função é uma relação entre entradas e saídas. No nosso caso, entram insumos e saem
produtos.
Portanto, a função de produção relaciona as quantidades utilizadas dos insumos (x1, x2, x3,
... xN) com a quantidade máxima de produto resultante dessa utilização (q).
Pode-se representar genericamente uma função de produção por (calma, não anote ainda!):
q = f(x1, x2, x3, ... xN)
Lemos: a quantidade produzida (q) é função (f) das quantidades dos insumos (x1, x2 etc)
Os grandes mestres economistas, as bancas, eu e, a partir de agora, você também, costumam
simplificar as coisas utilizando apenas dois fatores de produção: capital e (é claro) trabalho.
Ao representarmos por K e L, respectivamente, podemos dizer que uma função de produção é
(e agora pode anotar):
q = f (K,L)
Lemos: quantidade produzida (q) é função (f) do capital (K) e do trabalho (L) empregados.
Como é a própria definição de função, cada combinação entre os insumos só
pode levar a uma determinada quantidade produzida. O sinal de “igual” não
permite outra interpretação.
Em outras palavras, não é possível obter quantidade diferentes se estiver usando
uma quantidade de capital e de trabalho determinada.
Por outro lado, é possível que diferentes combinações levem ao mesmo nível de
produção.
Agora, uma curiosidade que ajuda a memorizar: o “L” vem de labour, que significa trabalho em
inglês (em português também, mas não costumamos usar muito a palavra “labor”, né?).
Prosseguindo, poderíamos, por exemplo, ter uma função de produção assim:
q = f (K,L) = K.L
Lemos: a quantidade produzida (q) é função da quantidade de capital (K) e trabalho (L), e é igual
à quantidade de capital multiplicada pela quantidade de trabalho.
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Portanto, podemos escrever simplesmente assim: q=K.L. Afinal, fica evidente que a quantidade
produzida depende (é função) da quantidade de insumos.
E ela faz sentido, porque indica que quanto mais trabalho e capital nós usarmos, mais iremos
produzir, não é?
Sendo assim, seriam exemplos as seguintes funções (e muitas outras, é claro):
▶ q = K + L
▶ q = 5K . 2L
▶ q = k2 + 2L3
▶ q = √K . 2L
Cada uma das funções acima tem suas características, mas isso é algo que avaliaremos
oportunamente.
A mais importante das funções de produção (por causa de sua frequência em provas, claro) é a
chamada função do tipo Cobb-Douglas.
A função de produção do tipo Cobb-Douglas tem a seguinte aparência:
q=La.Kb
Ou seja, são definidas como uma multiplicação entre a quantidade dos fatores de produção.
E por que são tão importantes? Bem, ainda temos um longo caminho para chegar lá. Por
enquanto, conhecer seu formato e saber que ela existe basta. Vamos prosseguir com questões
mais urgentes.
4 CURTO PRAZO E LONGO PRAZO
Talvez você esteja imaginando que a empresa pode combinar trabalho e capital de várias formas.
Você tem razão, se estivermos analisando a produção no longo prazo. No curto prazo isso não
é verdade. Aliás, a diferença entre curto e longo prazo é exatamente essa:
Curto prazo: período no qual pelo menos um dos fatores não pode ter sua
quantidade alterada.
Longo prazo: tempo necessário para que todos os insumos possam ter suas
quantidades alteradas.
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Portanto, no curto prazo, a quantidade de um dos insumos permanece inalterada. Esse insumo
recebe o nome de insumo fixo, enquanto a quantidade do outro pode variar conforme a
vontade da empresa, e ele será o insumo variável.
Note que os conceitos não estão relacionados com unidades usuais de contagem de tempo
(dias, meses, anos). Quero dizer que não podemos dizer se dois dias é curto prazo ou se 100
anos é longo prazo. O que conta é aquilo que coloquei no box acima.
Para a barraca de frutas na feira, uma semana pode ser suficiente para expandir as instalações
(capital) e recrutar mão-de-obra adicional (trabalho), e esse seria seu longo prazo.
Uma montadora de aeronaves, por outro lado, pode levar 5 anos para adquirir uma nova
máquina (capital), embora possa contratar mais operários em alguns dias. Dessa forma, antes de
completar meia década, ela estaria no curto prazo.
E por que é importante diferenciar curto prazo de longo prazo? A boa e velha resposta: porque
é assim que as bancas cobram. Você deverá ser capaz de diferenciar o que acontece em cada
uma das situações.
E você será capaz. É por aí que prosseguimos.
4.1 Curto prazo: produção com apenas um fator variável
Veremos as decisões que a empresa pode tomar quando sua opção consiste em aumentar a
quantidade de trabalho, ou seja, contratar, mantendo constante a quantidade de capital
empregada.
Como é na realidade da maioria das empresas e na totalidades das questões de prova sobre o
curto prazo, vamos considerar o capital como o insumo fixo e o trabalho como variável.
Mas antes, precisamos conhecer três conceitos diferentes relacionados ao volume de produção:
produto total, produto médio e produto marginal.
4.1.1 Produto total, médio e marginal
Suponha que nossa empresa produz pão e está operando com uma quantidade fixa de máquinas
de 10 unidades (K=10).
Precisamos também do fator trabalho para produzir. Quando adicionarmos a primeira unidade
de trabalho – ou o primeiro trabalhador (L=1) – teremos uma quantidade de, digamos, 100
unidades do produto. Se é por hora, por dia ou por ano, é irrelevante no momento.
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Ao adicionarmos o segundo trabalhador, é razoável imaginar que a produção aumente em maior
proporção. Isso decorre especialização.Na prática, isso significa que os dois trabalhadores poderão operar as máquinas com maior
eficiência. Por exemplo, com um deles operando o forno enquanto o outro prepara a massa nas
formas.
Por isso, vamos supor que utilizar a segunda unidade de trabalho adicionou 200 unidades do
produto.
Vamos montar uma pequena tabela já com os três conceitos de produto que precisamos
aprender:
Capital (K) Trabalho (L) Produto Marginal Produto Total (q) Produto Médio
10 0 - 0 -
10 1 100 100 100
10 2 200 300 150
Sendo assim, o produto marginal do trabalho (PmgL), para a primeira unidade de trabalho, foi
de 100 unidades de produto. Já o PmgL da segunda unidade de trabalho foi de 200.
Produto total é bem simples de compreender. Trata-se da quantidade total de produto obtida
na produção.
O produto médio do qual falamos aqui é a produto médio por unidade do fator trabalho, ou
seja, o produto total dividido pela quantidade do fator trabalho. Também costuma ser chamado
de produtividade média do trabalho.
Por fim, o produto marginal, ou produtividade marginal, é a quantidade de produto adicional
que se obtém ao acrescentar uma unidade de trabalho à produção.
Produto médio do trabalho (PMeL):
q
L
Produto marginal do trabalho (PMgL):
∆q
∆L
Obs: o símbolo ‘∆’ (delta) representa variação. Então, o produto marginal é a variação
na quantidade produzida diante de uma variação na quantidade de trabalho.
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Achou fácil? Ótimo. Vamos completar nossa tabela de produção no curto prazo, para podermos
complicar um pouco as coisas. Observe que o produto marginal determina o crescimento do
produto total:
Capital (K) Trabalho (L) Produto Marginal Produto Total (q) Produto Médio
10 0 - 0 -
10 1 100 100 100
10 2 200 300 150
10 3 300 600 200
10 4 200 800 200
10 5 160 960 192
10 6 120 1080 180
10 7 40 1120 160
10 8 0 1120 140
10 9 -40 1080 120
10 10 -80 1000 100
O PMgL é um conceito muito importante desta aula, e seu comportamento deve ser
completamente compreendido por você.
Note que, em nosso exemplo, até a terceira unidade de trabalho seu produto marginal está
aumentando, por isso dizemos que ele é crescente. Após a terceira unidade de trabalho, o PmgL
começa a decrescer.
Inicialmente, a especialização faz o produto marginal aumentar.
Mas chega uma determinada quantidade de trabalho que passa a adicionar menos produto. Em
nossa hipótese, isso pode ser causado pelo excesso de gente na produção. “Muita gente para
pouca máquina”.
Ao adicionarmos o 9º trabalhador, a produção é menor do que quando tínhamos 8 unidades de
trabalho, pois os trabalhadores começam a se acotovelar na produção, atrapalhando-se
mutuamente. Afinal, há apenas um forno, certo? O capital é fixo!
Vamos demonstrar a tabela graficamente, para cada um dos produtos (marginal, total e médio).
4.1.2 Curvas de produção
Todas as demonstrações adiante terão a quantidade de trabalho no eixo horizontal.
Começamos colocando o produto marginal correspondente a cada unidade de trabalho,
obtendo assim a curva do produto marginal:
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Sem novidades, certo? Apenas o comportamento padrão do produto marginal do trabalho:
primeiro sobe, depois desce.
As quantidades de trabalho 3 e 8 são especiais, nesse nosso exemplo, pois representam,
respectivamente, o ponto em que o PmgL começa a cair e o ponto no qual ele fica negativo.
Veremos o efeito disso nas outras curvas de produção.
Agora é a vez da curva de produto total, que sofre diretamente os efeitos do produto marginal:
Notou algo? Se não, olhe de novo. O produto total cresce em ritmo cada vez mais acelerado até
o acréscimo da 3ª unidade de trabalho. Depois dela o ritmo de crescimento do produto diminui,
mas o produto total ainda cresce (cada vez menos).
A partir da 8ª unidade de trabalho, o produto total começa a diminuir! É claro que não é
coincidência, pois esses são exatamente os pontos onde o PMGL decresce e fica negativo,
respectivamente.
A 8ª unidade de trabalho foi aquela na qual colocar mais trabalhadores mais atrapalhou do que
ajudou.
Vamos à curva de produto médio:
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==2537cb==
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As quantidades produzidas foram definidas arbitrariamente, ou seja, eu inventei os valores. Mas
o comportamento das curvas do exemplo obedece à Lei dos rendimentos marginais
decrescentes.
Ela determina os momentos em que as curvas crescem e decrescem. Vamos entendê-la melhor
para, em seguida, relacionarmos todas as curvas de produção que vimos.
Lei dos rendimentos marginais decrescentes: Determina que, quando
aumentamos a quantidade do fator de produção variável, mantendo o outro fator
fixo, a produtividade marginal do fator variável diminui a partir de determinado
ponto.
Muito bem! Estamos prontos para estabelecer as (importantíssimas) relações gráficas entre as
curvas de produção. Em regra, sempre que for observada a lei dos rendimentos marginais
decrescentes, teremos o seguinte:
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Os pontos A, B e C estão aí para destacar as relações mais importantes entre as curvas de
produto, das quais decorrem algumas outras. Além disso, esse assunto...
A – Quando a curva de produto marginal passa de seu ponto máximo o produto total passa
a crescer mais lentamente.
A.1 Portanto, a inclinação da curva de produto total diminui nesse ponto, e a produção
desacelera, mas continua crescendo.
B – Quando a curva de produto marginal cruza a curva de produto médio, esta passa a
decrescer.
B.1 Por isso, quando o PMg fica menor do que o PMe, os dois são decrescentes.
C – Quando o produto marginal se torna negativo, o produto total começa a diminuir.
C. 1 Então, quando o produto marginal é zero, o produto total está em seu nível máximo.
C. 2 Além disso, enquanto o produto marginal for positivo, o produto total estará
crescendo.
A curva abaixo é uma versão mais compacta daquela que vimos anteriormente:
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As relações acima são importantíssimas, e valerão para qualquer questão sobre produção no
curto prazo (um insumo variável) que não diga o contrário, como veremos adiante.
4.1.3 Função de produção e produtividade marginal
Agora quero te mostrar como descobrir a produtividade marginal do trabalho a partir da função
de produção.
Para isso, vamos usar uma ferramenta de Cálculo chamada Diferenciação, um processo utilizado
para descobrir funções Derivadas.
Este é um dos raros momentosno curso em que peço que você decore a fórmula, em vez de
entender a ideia por trás dela. Faço isso pois o custo de compreender derivadas seria muito alto,
supondo que você não esteja familiarizado com trigonometria e limites.
Desenvolveremos um pouco mais as derivadas ao longo do curso, mas por enquanto, o que
preciso que você saiba é:
A produtividade marginal do fator variável (trabalho) é a derivada parcial da
função de produção em relação ao trabalho.
E é claro que vou te relembrar como derivar:
Suponha que temos a função de produção q = L3.K
Para obter o produto marginal do trabalho, fazemos o seguinte passo-a-passo:
1) Descemos uma cópia do expoente de L, que passa a multiplicar L. Deste jeito:
2) Subtraímos 1 do expoente:
Pronto, esta é a derivava da função de produção q = L3.K e, portanto, a nossa
função de produto marginal:
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4.1.4 Maximização da produção
Essa parte pode parecer difícil. E é mesmo. Mas está prestes a ficar menos difícil para você do
que é para seus concorrentes. =)
Estou falando da maximização da produção.
Há pouco, vimos que o produto total é máximo quando o produto marginal é zero:
E também sabemos que a função de produto marginal é a derivada da função de produto
total.
Juntando essas duas informações, podemos, a partir da função de produto total, descobrir qual
é a produção máxima.
Nem toda função de produção permitirá descobrimos a produção máxima. Afinal, qual será a
produção máxima de “q = 10 + 20K”? Infinito. Porque o valor de q será maior quanto for maior
“K”. Indefinidamente...
Mas algumas funções de produção permitem isso.
Vamos fazer isso por meio de uma questão.
(SLU-DF/Economista)
Considerando uma função de produção do tipo Y = X2 – 1
30
x3, em que Y representa o produto e
X, o insumo, julgue os itens subsequente.
Ao nível do produto máximo, a produtividade marginal é igual a 20.
Comentários:
Já adianto que essa questão tem tudo para estar errada, já que o produto máximo ocorre quando
o produto marginal é zero, e não 20. Afinal, se o produto marginal é 20, significa que adicionando
mais insumo, obteremos 20 unidades a mais de produto. Não parece que chegou ao máximo,
né?
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Já pode marcar “errado” como gabarito.
De toda forma, minha ideia aqui é aprendermos a encontrar o produto máximo.
E começamos derivando a função de produção:
Y = X2 –
1
30
x3
Y' = 2X – 3
1
30
x2
Multiplicando “3” por “1/30”:
Y' = 2X –
3
30
x2
O que é a mesma coisa que:
Y' = 2X –
1
10
x2
Agora, o que temos em mãos é a função de produção marginal, que basta igualarmos a zero
para saber qual é a quantidade de insumo (X) que resulta na produção máxima (Y):
2X –
1
10
x2=0
Se você quiser, pode aplicar a fórmula de Báskara, já que temos uma equação do segundo grau,
mas eu quero propor outra abordagem, que envolve o que chamamos de fatoração. Perceba o
“X” está multiplicando todos os elementos da esquerda, isso significa que podemos reescrever
a função assim:
X . (2 –
1
10
X) = 0
Então, como temos uma multiplicação, há duas formas de seu resultado ser zero: se o primeiro
elemento (X) for zero, ou se o segundo elemento 2 – 1
10
X for igual a zero.
Se “X” for igual a zero, a produção será zero, então essa não pode ser nossa resposta. Isso porque
além do produto marginal ser zero, é necessário que ele seja decrescente:
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Portanto, vamos usar o “segundo elemento”:
2 –
1
10
X = 0
Vou começar colocando o termo que multiplica “X” do outro lado:
2 =
1
10
X
E agora, vou multiplicar os dois lados por “10”, para me livrar da fração:
20 =
10
10
X
20 = 1X
20 = X
Portanto, 20 é a quantidade do insumo “X” que maximiza a produção. Era aí que a questão queria
te confundir. A produtividade marginal é zero, e não 20.
Gabarito: Errado
De quebra, matamos a próxima questão. Afinal, se há um nível máximo de produção, significa
que a partir daí a produção marginal começa a decrescer.
(SLU-DF/Economista)
Considerando uma função de produção do tipo Y = X2 – 1
30
x3, em que Y representa o produto e
X, o insumo, julgue os itens subsequente.
A produtividade marginal é uma função crescente para todos os valores de X.
Gabarito: Errado
Agora, o longo prazo.
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4.2 Longo prazo: produção com mais de um fator variável
Conforme definição vista há pouco, o longo prazo é quando todos os insumos podem ter suas
quantidades alteradas.
Como estamos lidando com dois insumos, é possível alterar tanto a quantidade de capital (K)
quanto a quantidade de trabalho (L).
4.2.1.1 Isoquantas
Há uma importante representação gráfica que aprenderemos agora. A essa altura você já deve
ter percebido que quando digo “importante”, quero dizer que cai muito em prova!
Estou falando da Isoquantas.
Isos é uma palavra grega que significa igualdade, ou algo muito próximo disso. Por isso, o prefixo
isso é utilizado para transmitir essa ideia de padronização. Isoquanta, então, pode ser traduzido
como “mesma quantidade”.
E é exatamente isso que as curvas Isoquantas nos mostrarão: quais combinações entre as
quantidades dos dois insumos resulta na mesma quantidade de produto.
Vamos ver como fica nossa empresa produtora de pão de queijo quando ela varia as quantidades
de trabalho e de capital. Para isso, vamos montar uma tabela que vai nos mostrar qual a
quantidade de produto para cada combinação.
Capital (K)
1 2 3 4 5
T
ra
b
a
lh
o
(
L)
10 200 400 550 650 750
20 400 600 750 850 900
30 550 750 850 1000 1050
40 650 850 1000 1100 1150
50 750 900 1050 1150 1200
Para ler a tabela, escolha uma quantidade de trabalho e uma quantidade de capital, e veja a qual
quantidade de produto essa combinação corresponde.
Por exemplo, com 40L e 5K, o produto será 1.150 unidades.
Observe que, se ficarmos fixos na primeira coluna e descermos uma linha de cada vez, a
produção aumentará por causa do aumento do trabalho.
O mesmo acontece se nos fixarmos na primeira linha e caminharmos para a direito: o produto
aumenta, mas dessa vez por causa da intensificação do capital.
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Da nossa tabela, podemos derivar as Isoquantas. A seguir veremos três delas, sendo que cada
uma demonstra as várias combinações entre capital e trabalho que resultam na quantidade de
produto indicada em sua curva.
Cada curva do gráficoé uma isoquanta. A isoquanta de 550 unidades, mais abaixo (q=550),
mostra as combinações de K e L que geram 550 unidades do produto.
O ponto E1, por exemplo, mostra que com 30 L e 1 K obteremos as 550 unidades de produto, a
mesma quantidade obtida no ponto E2, com 10 L e 3 K. O fato de E1 e E2 estarem sobre a mesma
isoquanta indica que são duas combinações distintas entre trabalho e capital que geram a
mesma quantidade de produto.
As isoquantas são curvas que mostram todas as combinações entre os fatores
de produção que geram a mesma quantidade de produção.
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O conjunto das curvas forma um mapa de isoquantas, e serve para analisar a decisão que a
empresa fará em relação à alocação de capital e trabalho dependendo da produção desejada.
No exemplo, evidenciamos apenas 3 isoquantas no mapa – respectivamente para 550, 750 e 900
unidades – mas seria possível traçar inúmeras outras entre essas. Dessa forma, caso a empresa
desejasse produzir 900 unidades, poderia flexibilizar sua produção usando mais de um insumo
ou de outro.
4.2.1.2 Taxa Marginal de Substituição Técnica (TMST)
A taxa marginal de substituição técnica (TMST) mostra quanto de um insumo podemos diminuir
quando tivermos uma unidade adicional do outro insumo, de forma que a quantidade
produzida seja mantida.
TMST = variação do insumo vertical / variação do insumo horizontal
= △L / △K (para nível constante de q)
Ou seja, é a inclinação de uma isoquanta em determinado ponto.
Por exemplo, vamos calcular a taxa marginal de substituição técnica entre os pontos A e B.
No nosso caso, teremos:
TMST = △L / △K = -10 / 1 = -10
Sob um maior rigor, para que o termo marginal seja corretamente empregado, estaremos
falando de uma variação muito pequena entre os dois insumos e, portanto, a inclinação será a
reta tangente.
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As isoquantas são, normalmente, decrescentes e convexas, de forma que a inclinação diminui
conforme avançamos da esquerda para a direta, conforme podemos ver a seguir:
Quanto mais inclinada (vertical) é a curva, maior é a TMST. Por isso, no gráfico acima,
TMSTA>TMSTB>TMSTC.
Algo importante sobre a TMST, e válido em todos os casos, é que ela é igual à relação entre a
produtividade marginal dos fatores de produção.
Assim:
TMST=
-PMg
K
PMg
L
=
-∆L
∆K
| f(L,K) = constante
4.2.1.3 Duas isoquantas especiais
Existem duas isoquantas que são casos extremos, e possuem taxas marginais de substituição
técnicas bem particulares.
a) ISOQUANTA ESPECIAL 1: INSUMOS SUBSTITUTOS PERFEITOS
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Quando capital e trabalho são substitutos perfeitos, sua TMST é constante, o que caracteriza suas
isoquantas retas. Por exemplo, os pontos A, B e C são combinações entre os insumos que
resultam na mesma produção (q3). Por isso, diz-se que os insumos são substitutos perfeitos na
produção.
Atenção! Não é preciso que a TMST seja de 1 por 1, ou seja, basta que a proporção de
substituição sempre seja a mesma. Por exemplo, se ao abrir mão de 4 unidades de trabalho e
obter 3 unidades de capital a produção for mantida na mesma quantidade, estaremos diante de
substitutos perfeitos.
b) ISOQUANTA ESPECIAL 2: FUNÇÃO DE PRODUÇÃO DE PROPORÇÕES FIXAS
O formato em L aparece quando os insumos precisam ser combinados em proporções fixas.
Isso quer dizer que não adianta aumentar só um dos insumos para aumentar a produção.
Veja o exemplo: do ponto A para o ponto D, aumentou-se somente o capital e, como resultado,
continuou-se na mesma isoquanta (q1).
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Portanto, não há possibilidade de substituição entre os fatores de produção, já que eles são
perfeitamente complementares.
Além disso, uma função de produção associada a essas isoquantas em L é chamada de função
de produção com proporções fixas ou função do tipo Leontief.
A função do tipo Leontief (função “min”)
Trata-se das funções do tipo:
q=min(K,L)
O termo "min" significa "mínimo", ou seja, a quantidade produzida será igual à
quantidade do insumo menos utilizado.
Por exemplo, se a função for "q = min (K, L)", e a quantidade de capital (K) for 3 e
a quantidade de trabalho (L) for 5, teremos:
q = min (3, 5)
q = 3 porque “3” é menor do que “5”
E se a quantidade de capital for 3 e a quantidade de trabalho for 5000, por
exemplo, teremos:
q = min (3, 5000)
q = 3 continua sendo “3” o menor
Viu só? Isso significa que os insumos são complementares perfeitos, você
precisa sempre de terminada combinação deles (nesse caso, um de cada) para
produzir. Não adianta nada aumentar capital se não aumentar trabalho, e vice-
versa.
Em alguns casos, pode haver parâmetros multiplicando ou dividindo cada
insumo, indicando que a proporção de insumos que deve ser utilizada é diferente
de “um para um”. Veja esta função:
q=min(K,4L)
Ela indica que devem ser utilizadas 4 unidades de capital para cada unidade de
trabalho (é invertido mesmo, porque estamos multiplicando).
Se tivermos 8 unidades de cada, teremos;
q=min(8 , 4.8)
q=min(8 , 32)
q=8
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Ora, poderíamos ter produzido isso utilizando 2 unidades de trabalho, em vez de
8 unidades, pois assim estaremos respeitando a proporção de 4 unidades de
capital para cada unidade de trabalho:
q=min(8 , 4.2)
q=min(8 , 8)
q=8
Faça os testes colocando valores arbitrários nessa função para entender seu
funcionamento.
Mais um detalhe importante: no segmento horizontal desse tipo de isoquanta, da forma como
posicionamos os fatores de produção, o PMgK é zero, o que reforça que aumentar o capital não
aumentará em nada a produção; enquanto no segmento vertical é o PMgL que é igual a zero e,
portanto, aumentos de trabalho também não farão efeito no produto.
4.2.1.4 Rendimentos de Escala
No longo prazo, a empresa consegue aumentar sua escala, que nada mais é do que aumentar
todos os insumos ao mesmo tempo, na mesma proporção.
Existem três classificações possíveis, as quais veremos a seguir, considerando, por exemplo, que
os insumos dobraram:
Rendimentos crescentes de escala: A produção mais do que dobra. Esse
comportamento é compatível com a especialização, que permite à empresa, por exemplo,
implementar linhas de montagem especializadas quando aumenta sua escala.
Rendimentos constantes de escala: A produção também dobra.
Rendimentos decrescentes de escala: A produção menos do que dobra. Ao contrárioda especialização, empresas muito grandes têm maiores dificuldade de administrar seus
recursos, tendo de alocar cada vez mais capital e trabalho em atividades de gestão que
não acrescentam, necessariamente, mais produção.
Os rendimentos de escala podem variar dependendo do nível de produção. Explico:
normalmente, em níveis de produção mais baixos, a empresa pode ter rendimentos crescentes
de escala, enquanto em níveis mais altos, ela pode se deparar com rendimentos decrescentes
de escala.
É possível saber, através de análise gráfica das isoquantas, qual o tipo de rendimento de escala
que aquela empresa está apresentando.
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Aqui, temos rendimentos constantes de
escala. Quando dobramos capital e
trabalho, dobramos também o produto.
O espaço entre as isoquantas é igual.
Esse gráfico, por outro lado, apresenta
rendimentos crescentes de escala.
Quando dobramos capital e trabalho, o
produto triplica. As isoquantas vão ficando
cada vez mais próximas.
Outra forma de identificar com qual tipo de escala a empresa se depara: a função de produção.
Sua análise nos mostrará se a empresa opera com rendimentos crescentes, constantes ou
decrescentes, e as questões cobrarão que você o faça em funções do tipo Cobb-Douglas.
4.2.1.5 Grau das Funções de Produção
As questões de prova irão fornecer uma função e você vai precisar descobrir o grau dela, talvez
a questão ainda pergunte o que o grau encontrado significa.
Para descobrir o grau de funções do tipo Cobb Douglas, que são as que aparecem com maior
frequência, basta somar os expoentes das variáveis, que geralmente serão K (capital) e L
(trabalho).
Por exemplo, vamos encontrar o grau da função de produção abaixo:
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Ou seja, o grau será 2 (expoente de K) mais 1 (expoente de L), que é igual a 3.
Outro termo que pode aparecer é “função homogênea”.
Uma função é homogênea se quando seus fatores sofrem uma transformação, o resultado sofre
uma transformação proporcional.
Tome por exemplo a função a seguir:
Q=K.L
Colocamos dois valores quaisquer para K e L:
Q=10.15=150
Agora, vamos transformar os fatores, multiplicando-os por 4 (também um valor qualquer):
Q=4K.4L
Q=4.10.4.15=2400
Perceba que ao multiplicar os fatores por 4, obtivemos um valor 16 vezes maior. 16 é
proporcional a 4. Por final, é equivalente a 42. É isso que quer dizer quando dizemos que a função
“Q=K.L” é homogênea de grau 2: uma transformação levará a um resultado equivalente ao valor
utilizado ao quadrado.
E a soma dos expoentes? É 2, claro, já que Q=K.L=K1.K1. Lembre-se que elevar um número
qualquer a 1 tem como resultado o próprio número.
Funções do tipo q=min(K,L) são sempre homogêneas de grau 1. E o que esse grau das funções
significa? Veja na tabela:
Grau Descrição
Menor do que 1 Rendimentos decrescentes de escala
Igual a 1 Rendimentos constantes de escala
Maior do que 1 Rendimentos crescentes de escala
Note que isso faz sentido, pois sempre que:
▶ a soma dos expoentes em uma função do tipo Cobb-Douglas for inferior a 1, dobrar os
fatores levará a uma produção menos de duas vezes maior.
▶ a soma dos expoentes em uma função do tipo Cobb-Douglas for igual a 1, dobrar os
fatores levará ao dobro da produção.
▶ a soma dos expoentes em uma função do tipo Cobb-Douglas for superior a 1, dobrar os
fatores levará a uma produção mais de duas vezes maior.
Exemplos:
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Função Com K=9 e L=8 Com K=18 e L=16
q=K1/2.L1/3 (grau 0,83) q = 91/2.81/3 = 6 q =181/2.161/3 = 10,69
q=K1/2.L1/2 (grau 1,00) q = 91/2.81/2 = 8,49 q =181/2.161/2 = 16,98
q=K2.L (grau 3,00) q = 92.8 = 648 q =182.16 = 5184
5 TEORIA DOS CUSTOS
Assim como ocorre com o trabalhador, que tem seu tempo como limitador da quantidade de
lazer e de bens que pode adquirir, a empresa também não pode produzir tanto quanto desejar.
Os custos fazem com que a empresa tenha de ser eficiente do ponto de vista econômico, ou seja,
que ela produza o máximo que puder sob o menor custo possível.
É isso que veremos ao longo do restante desta aula. O primeiro passo será entender qual o
conceito de custos do ponto de vista econômico.
Em seguida, veremos os principais tipos de custos econômicos. O conceito da maioria deles é
intuitivo e, portanto, de fácil entendimento.
Mas peço, adiantadamente, que dedique atenção especial ao custo marginal e ao custo
variável. Esses costumam confundir um pouco, mas é indispensável que você os compreenda
bem.
5.1 Custos econômicos X Custos contábeis
O primeiro passo é diferenciarmos custos econômicos dos custos contábeis, ou seja, de custos
sob uma ótica mais usual.
Para os contadores, importa a abordagem financeira, aquela de entradas e saídas de recursos,
sendo que as últimas geram custos.
Os economistas, por outro lado, importam-se com a alocação dos recursos.
Sei que ainda não está claro, mas um exemplo prático vai ajudar: Imagine que você tem uma
empresa funcionando em um prédio próprio. Seu contador diria que o uso do espaço não está
gerando custos para sua empresa, já que você não paga aluguel para você mesmo.
Um economista, por outro lado, faria questão de lembrar que o fato de você usar o espaço
implica em deixar de alugá-lo para outra pessoa e, por isso, deixar de receber esse aluguel.
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Os custos dessas oportunidades perdidas (como receber o aluguel de alguém) recebem o nome
de... custos de oportunidade, e sempre devem ser considerados na hora de tomada de
decisões econômicas, inclusive na Teoria da Firma.
(TCE-MG/Analista de Controle Externo - Ciências Econômicas)
Assinale a opção que apresenta custo implícito, que não envolve desembolso.
a) custo variável total
b) custo contábil
c) custo médio de longo prazo
d) custo marginal
e) custo de oportunidade
Comentários:
Os custos de oportunidade não envolvem desembolsos, mas são importantes na análise
econômica.
Gabarito: “e”
Outra diferença entre custos econômicos e custos contábeis ficará clara no exemplo a seguir.
Imagine que adquiriu um Camaro novinho, zero km, pela quantia de R$250.000. Claro que você
adora o carro, mas venderia pelo mesmo preço que pagou após ter rodado um pouquinho com
ele, não é?
De repente, aparece um problema mecânico que a fábrica não cobre e você tem que
desembolsar R$50.000 para tê-lo novamente em perfeito funcionamento. Você desembolsa os
R$50.000 e o carro fica, novamente, como novo.
Então aparece um amigo querendo comprar o carro por R$250.000. E aí, você vende?
Se respondeu sim, você está pensando como economista; os R$50.000 que você gastou não
agregaram valor ao veículo, e por isso devem ser ignorados.
São custos afundados, também chamados de custos irrecuperáveis. Esse tipode custo, uma
vez incorrido, não deve ser considerado na tomada de decisões econômicas. Portanto, atenção
ao quadro:
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Custos Econômicos:
✓Incluem custos de oportunidade
Ignoram custos irrecuperáveis
Custos de oportunidade: custo de algo em termos de uma oportunidade
renunciada. Representa o valor do benefício associado à melhor alternativa não
escolhida.
Custos irrecuperáveis/afundados: recursos empregados na obtenção de ativos
que, uma vez realizados, não podem ser recuperados em qualquer grau
significante
(ANEEL/Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia)
Suponha que uma firma alugue um escritório durante um ano por R$ 6.000,00 pagos
adiantados, compre móveis no valor de R$ 2.000,00 e faça uma pintura no escritório no
valor de R$ 500,00. Após um ano, a firma encerra definitivamente suas atividades e vende
os móveis por R$ 1.000,00. Nesse caso, qual o montante dos custos afundados (sunk costs)
com os quais a empresa se defrontou no período?
a) R$ 7.500,00
b) R$ 9.500,00
c) R$ 8.500,00
d) R$ 9.000,00
e) R$ 8.000,00
Comentários:
Aluguéis (R$6.000) são, por excelência, exemplos de custos afundados, assim como a
pintura realizada no imóvel de terceiro (R$500). Por fim, a parte do valor mobiliário
adquirido que não pôde ser recuperada (R$1.000) também é um custo afundado.
Portanto:
6000 + 500 + 1000 = 7500
Gabarito: “a”
Portanto, em economia nos preocupamos também com os custos implícitos, de forma que
definimos o lucro econômico como a diferença entre a receita total e os custos totais (implícitos
+ explícitos).
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Isso nos leva ao seguinte esquema:
Todos os custos que veremos a seguir serão abordados do ponto de vista econômico, motivo
pelo qual omitiremos o termo “econômicos”, ficando apenas com “custos”.
5.2 Custos não salariais
Os custos não salariais, no contexto da Economia do Trabalho referem-se a despesas que os
empregadores têm com seus empregados além do salário direto. Estes custos são uma parte
significativa do custo total do trabalho e podem incluir:
• Benefícios Sociais e Previdenciários: Inclui contribuições para a segurança social, fundos
de pensão e seguros de saúde. Em muitos países, os empregadores são obrigados a
contribuir para esses esquemas em nome de seus empregados.
• Impostos sobre Folha de Pagamento: Alguns governos impõem impostos sobre a folha
de pagamento que são pagos pelos empregadores. Estes impostos são calculados como
uma porcentagem dos salários pagos.
• Custos de Treinamento e Desenvolvimento: O custo de formação e desenvolvimento
de funcionários, incluindo cursos, seminários e outras formas de educação profissional.
• Benefícios e Gratificações: Incluem bônus, planos de participação nos lucros,
alimentação, transporte, alojamento e outras formas de remuneração indireta.
• Custos de Segurança e Saúde no Trabalho: Investimentos em equipamentos de
segurança, programas de saúde ocupacional e medidas para garantir um ambiente de
trabalho seguro.
• Custos Administrativos Relacionados ao Emprego: Inclui o custo de gerir recursos
humanos, como a contratação, o processamento de salários e o cumprimento das
regulamentações laborais.
• Indenizações e Seguros Trabalhistas: Custos associados a indenizações por demissão,
seguros contra acidentes de trabalho e outras formas de proteção ao empregado.
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Esses custos são importantes porque afetam as decisões dos empregadores sobre contratação
e investimentos em capital humano. Além disso, influenciam a competitividade das empresas e
podem ter impactos significativos no mercado de trabalho e na economia como um todo.
Contudo, em Economia é muito comum adotarmos simplificações.
Por isso, no desenvolvimento de modelos e desta aula, iremos considerar que a palavra
“salários” inclui toda e qualquer remuneração relevante recebida pelos trabalhadores que
significam um custo para a empresa.
E nesse sentido, os custos, sejam salariais ou não salariais, têm um papel crucial nos modelos de
demanda por trabalho. Estes modelos geralmente analisam como os empregadores decidem
sobre a quantidade de trabalho a ser contratada, considerando tanto os custos quanto a
produtividade dos trabalhadores. Vamos considerar alguns aspectos:
• Aumento do Custo Total do Trabalho: Quando os custos não salariais são elevados, o
custo total de empregar um trabalhador é mais alto do que apenas o salário bruto. Isso
significa que, para um empregador, o custo de contratar um novo funcionário ou de
manter um funcionário existente é maior, o que pode influenciar a decisão de contratar ou
demitir.
• Elasticidade da Demanda por Trabalho: Em modelos econômicos, a elasticidade da
demanda por trabalho descreve como a quantidade de trabalho demandada muda em
resposta a mudanças no custo do trabalho. Se os custos não salariais aumentam, a
demanda por trabalho pode se tornar mais inelástica se os empregadores não
conseguirem substituir facilmente o trabalho por capital ou outras alternativas.
• Substituição entre Trabalho e Capital: Em alguns modelos, o aumento dos custos não
salariais pode incentivar as empresas a substituir trabalho por capital (como máquinas e
tecnologia) se isso for mais custo-eficiente. Isso é especialmente relevante em indústrias
onde a automação é uma opção viável.
• Diferenciação entre Tipos de Trabalhadores: Os custos não salariais podem variar
significativamente entre diferentes tipos de trabalhadores (por exemplo, em função do
nível de habilidade, tipo de contrato etc.). Isso pode levar os empregadores a preferir
certos tipos de trabalhadores, influenciando a estrutura da força de trabalho e as decisões
de contratação.
• Implicações Políticas e Regulatórias: As políticas que afetam os custos não salariais
(como mudanças nas contribuições para a segurança social ou regulamentações de saúde
e segurança) podem ter impactos significativos na demanda por trabalho. Os
formuladores de políticas devem considerar esses efeitos ao projetar leis trabalhistas e
fiscais.
• Equilíbrio de Mercado: Em modelos de equilíbrio geral, os custos não salariais
influenciam não apenas a demanda por trabalho, mas também o equilíbrio no mercado
de trabalho como um todo, afetando salários, emprego e até mesmo a produtividade.
Portanto, em modelos de demanda por trabalho, os custos não salariais são um fator crucial que
influencia tanto a decisão de contratação dos empregadores quanto as políticas públicas
relacionadas ao mercado de trabalho.
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5.3 Funções de custos: introdução
Também utilizamos funções para demonstrar como os custos estão relacionados com outros
fatores.
Pode-se dizer que os custosde uma empresa serão determinados pela remuneração dos
fatores de produção, ou seja, o que a empresa tem de pagar para os fatores: os salários (w)
que precisa pagar para o trabalho (L) e os juros (r) que paga para o capital (K):
C = wL + rK
O total gasto com trabalho mais o total gasto com capital fornece o custo total.
Agora, acompanhe comigo: a quantidade de fatores utilizados determina a quantidade
produzida, certo? Então, se considerarmos que o preço dos fatores de produção não muda,
também podemos definir que os custos são função da quantidade produzida, ou:
C = f(q)
Guarde essa informação; vamos precisar dela logo.
5.4 Custo fixo, custo variável e custo total
O custo total (C) de uma empresa qualquer é a soma de seus custos fixos (CF) e custos
variáveis (CV). Por isso esses três estão juntos nesta parte da aula – qualquer custo que não é
fixo (CF) será, obrigatoriamente, um custo variável (CV). Logo:
C = CF + CV
Até aí bem tranquilo, certo?
Mas a banca irá exigir que você saiba diferenciar muito bem custo fixo de custo variável, e a
resposta não é exatamente aquela trazida por nossa intuição, embora possa parecer
extremamente intuitivo. Veja só:
• Custos fixos: são aqueles que não variam conforme a quantidade produzida.
• Custos variáveis: são aqueles que variam conforme a quantidade produzida.
Viu como parece óbvio? Mas não é. Novamente, o que importa é o prazo.
No curto prazo, alguma parte dos custos é fixa. No longo prazo, os custos são todos variáveis.
Isso é um reflexo dos fatores de produção que vimos, e levam ao ponto que interessa para
resolver questões de concurso: no curto prazo, capital será fixo, e trabalho será variável – essa é
a regra, se a questão não indicar algo diferente.
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Outra coisa que as questões do concurso exigirão que você saiba fazer é identificar em uma
função de custo qualquer qual é o custo fixo e qual é o custo variável. Nesse caso, você se verá
diante de uma função mais ou menos assim:
C= q²+12q+1200
Então a questão fornecerá o volume de produção. Digamos, q=10.
Resolvendo:
C= q²+12q+1200
C= 10²+12*10+1200
C= 100+120+1200
C= 1.420
Nesse caso, chegaríamos ao C de 1.420. Mas quanto é fixo? E quanto é variável?
Fácil: os custos fixos serão aqueles que estariam lá, fosse a produção de 0, 1, 10 ou 5.000
unidades. Na função acima, CF=1.200.
Como eu disse acima, o que não é fixo é variável. Portanto, CV = 220 (resultado de 1420-1200).
Fácil, né? Mantenha a calma que vamos complicar. Não agora, mas vamos.
5.5 Custos médios (total, fixo e variável)
Como eu disse: não é agora que vamos complicar. O custo médio sim é bem intuitivo: trata-se
apenas dos custos que acabamos de ver, mas medidos em unidades de produto.
Isso significa que para obtermos o custo total médio (CMe), por exemplo, basta dividirmos o
custo total (C) pela quantidade produzida (q):
CMe=
C
q
CFMe=
CF
q
CVMe=
CV
q
Viu aí que a mesma regra se aplica para o custo fixo médio (CFMe) e para o custo variável médio
(CVMe), né?
Pronto. Hora de complicar um pouco as coisas. Adentraremos agora o conceito, talvez, menos
intuitivo e conhecido de custos: o custo marginal.
Além disso, costuma-se confundir muito custo variável médio com custo marginal. Mas eles não
são a mesma coisa! Se não ficar evidente a diferença entre eles, releia.
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Se ainda assim persistir qualquer dúvida, procure-me no fórum, ok?
5.6 Custo Marginal
A essa altura é natural que você já tenha notado que o termo marginal tem tudo a ver com
mudanças em uma variável causadas pela variação de outra variável.
Por exemplo, vimos que o “produto marginal do trabalho” é a variação no “produto total” (uma
variável) que ocorre quando variamos a quantidade de trabalho (outra variável).
E lembra que eu disse que o fato de os custos poderem ser determinados em função da
quantidade ( C=f(q) ) seria importante? É agora.
O custo marginal é o aumento no custo total de produção ocasionado por uma unidade a mais
produzida. Como sabemos, o custo fixo não varia conforme a produção.
Então o custo marginal será a variação no custo variável e, consequentemente, no custo total,
ocasionada por uma unidade a mais do produto.
CMg=
∆CV
∆q
=
∆C
∆q
Por exemplo: se estou produzindo 10 unidades, a para produzir a 11ª preciso gastar R$100, o
custo marginal da 11ª unidade é de R$100.
E como identificar o Custo Marginal na função de custo?
O custo marginal é a 1ª derivada da função de custo.
Derivadas é um assunto aprendido na disciplina de Cálculo da graduação em
Economia e na maioria das Engenharias. Algumas vezes, vem depois de pré-
cálculo e demanda uma base algébrica bastante sólida. Não vou ensinar
derivadas de maneira aprofundada, porque se você já sabe seria ineficaz e se não
sabe seriam necessárias duas ou três aulas, supondo que já exista a tal base em
álgebra. Sem isso, lá se vai um curso inteiro para um benefício pequeno.
Então, vou ensinar a encontrar o Custo Marginal em uma função de custo
qualquer, derivando por meio de uma regra simples.
E a regra é essa (atenção ao símbolo ‘ que representa a derivada):
CMg = CT’
Lemos: o custo marginal é a derivada do custo total
E a regra geral de derivação é:
qn ‘ = n.qn-1
Ou seja, o custo marginal em uma função de custo “qn” será igual a “n.qn-1”.
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Vamos ao exemplo prático. Suponha que a função de custo é “C=q³”.
1º) “Descemos uma cópia” do expoente que vai multiplicar o termo:
q³ -> 3q ³ -> 3q3
2º) Subtraímos 1 do expoente:
q³ -> 3q3-1 -> 3q2
Aí está: 3q² é nossa 1ª derivada de q³ e, portanto, é também o custo marginal.
Já temos informações bastantes para prosseguirmos analisando o comportamento dos custos
no curto prazo. Mas antes, um breve resumo dos conceitos de custos.
Custos de
Oportunidade
São os custos relacionados à oportunidade renunciada. Por exemplo,
você incorre em um custo quando decide aplicar seu dinheiro na
poupança, que está pagando 0,5% ao mês, se você poderia ter aplicado
no tesouro direto e receber mais de 1% ao mês.
Outro exemplo: digamos que você mora em casa própria. Pode parecer
que seu custo com moradia é zero, mas não é! Seu custo de
oportunidade é o dinheiro que você poderia estar recebendo se
alugasse a casa. O custo de oportunidade é um custo econômico, ou
seja, não significa que vai sair dinheiro do seu bolso.
Custos
Irrecuperáveis
Também chamados de custos irreversíveis, são aquelas despesas que
não podem ser recuperadas diretamente. Exemplo: uma fábrica
compra uma máquina feita sob medida para seu processo produtivo,
que só possa ser utilizada para determinado fim. Por ser sob medida,
também não pode ser vendida ou alugada. Essa máquina é um custo
irrecuperável.
Perceba que é não há custo de oportunidade depois de incorrido o
custo irrecuperável, já que a máquina não tem uso alternativo, nem
pode ser vendida, não há nada de melhor que poderia estar sendo feito
com ela.
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Custo Fixo (CF) Custos que não variam com o nível de produção.
Custo Variável
(CV)
Custos que variam com o nível de produção.
Custo Total (CT) CF+CV
Custo Médio
(CMe)
Na verdade, este tem três subtipos:
Custo Total Médio (CMe)
Custo Fixo Médio (CFMe)
Custo Variável Médio (CVMe)
Mas é simples, basta dividir o custo indicado pela quantidade de
produção (q), por exemplo: CMe = CT/q.
OBS: Se aparecer apenas Custo Médio (CMe), a questão estará
falando do Custo Total Médio (CMe).
Custo Marginal
(CMg)
É o aumento do custo causado pela produção de uma unidade
adicional do produto. Ele pode ser calculado pela variação no custo
total ou no custo variável diante da variação do produto:
CMg = △CV/△q = △CT/△q
Vamos ver numa questão?
(CACD/Diplomata)
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Para produzir Q unidades de certo bem, uma firma arca sempre com um custo fixo (CF) de R$
100, além de um custo variável (CV) que depende da quantidade produzida, sendo
marginalmente crescente e assim definido: CV = 2 Q2.
Nessa situação hipotética, o custo médio total (CMT) da firma na produção de 10 unidades é
igual a
a) R$ 12.
b) R$ 20.
c) R$ 30.
d) R$ 50.
e) R$ 100.
Comentários:
Para descobrir o custo médio total (CMT) pedido pela questão, precisamos descobrir o custo
total (CT), o que podemos fazer somando custo fixo (CF) com custo variável (CV):
CT = CF + CV
Colocando os valores fornecidos:
CT = 100 + 2.Q2
A quantidade (Q) produzida é de 10, portanto:
CT = 100 + 2.102
CT = 100 + 2.100
CT = 100 + 200
CT = 300
Por fim, sabemos que:
CMT = CT / Q
Então:
CMT = 300 / 10
CMT = 30
Gabarito: “c”
Agora, vamos avançar!
5.7 Custos no curto prazo
Os custos aumentam conforme aumenta a produção. Afinal, é preciso empregar mais fatores
para produzir mais, e esses fatores custam dinheiro.
No curto prazo, a empresa só pode aumentar sua produção mediante a contratação de mais
mão-de-obra (trabalho), já que o capital é fixo.
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Suponha então que para produzir uma fornada adicional de pães por hora, seja necessário
contratar 2 padeiros (L) que recebem R$100 por hora cada. O custo marginal, nesse caso, é de
R$200. E será sempre assim, o custo marginal é o custo unitário do trabalho extra (salário,
representado por “w”), multiplicado pela quantidade de trabalho extra necessária à produção de
uma unidade adicional:
CMg =
w∆L
∆q
Lemos: o custo marginal é igual ao salário (w) multiplicado pela variação (delta Δ) do trabalho (L),
dividido pela variação (delta Δ) da quantidade produzida (q).
Legal, né? E tem mais. Lembra-se que o Produto Marginal é definido como a variação no produto
ocorrida pelo aumento de uma unidade de trabalho (PMg = ∆q
∆L
)?
Podemos trocar os numeradores pelos denominadores da equação, invertendo-os, e obtermos
1
PMg
= ∆L
∆q
.
Então, se multiplicarmos os dois lados da última equação por “w”, mantemos a igualdade dos
termos, obtendo
w
PMg
=
w∆L
∆q
. Já viu o segundo termo da equação em algum lugar? Que tal lá em
cima, como “custo marginal”? Muito bem. Concluímos que:
CMg=
w
PMg
A conclusão é que, no curto prazo (um insumo variável), o custo marginal é igual ao preço do
insumo dividido por seu produto marginal.
Um exemplo prático: se o trabalho custar R$15 por hora e o PMgL for igual a 2, então o custo
marginal será igual a R$7,5.
Por outro lado, se o PMgL for menor, digamos igual a 1,5, o custo marginal será R$10. É claro,
então, que quanto menor o PMg maior será o CMg.
5.7.1 Rendimentos marginais decrescentes e os custos marginais
Vimos que, devido à lei dos rendimentos marginais decrescentes, a partir de determinado nível
de produção, cada unidade adicional de trabalho é menos produtiva que a anterior.
Em outras palavras, o PMgL é decrescente.
No que se refere aos custos, os rendimentos marginais decrescentes significam custos
marginais crescentes.
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Afinal, definimos há pouco que:
CMg=
w
PMg
Se os rendimentos marginais são decrescentes, significa que o denominador do lado direito está
diminuindo, e se ele está diminuindo, o custo marginal está aumentando.
E isso terá grandes reflexos no formato das curvas de custos que veremos a seguir.
5.7.2 Curvas de custos no curto prazo
A tabela a seguir ajudará a compreender o comportamento das curvas de custo com um insumo
variável.
Os valores foram definidos arbitrariamente, mas respeitando todos os conceitos e definições que
vimos até agora.
Produto
(q)
Custo
Fixo
(CF)
Custo
Variável
(CV)
Custo
Total
(CT)
Custo
Marginal
(CMg)
Custo
Fixo
Médio
(CFMe)
Custo
Variável
Médio
(CVMe)
Custo
Total
Médio
(CMe)
0 100 0 100 -
- - -
1 100 100 200 100
100,0 100,0 200,0
2 100 155 255 55
50,0 77,5 127,5
3 100 195 295 40
33,3 65,0 98,3
4 100 225 325 30
25,0 56,3 81,3
5 100 260 360 35
20,0 52,0 72,0
6 100 300 400 40
16,7 50,0 66,7
7 100 350 450 50
14,3 50,0 64,3
8 100 410 510 60
12,5 51,3 63,8
9 100 485 585 75
11,1 53,9 65,0
10 100 600 700 115
10,0 60,0 70,0
Agora, vamos imputar esses números em dois gráficos, que evidenciarão o comportamento das
curvas de custo. Se você tiver memória fotográfica pode usar alguns megabytes para guardar
esses gráficos.
Caso contrário, você precisa compreender muito bem as relações entre os custos. Quer dizer,
precisa compreender se quiser acertar as questões, senão está dispensado.
O que os gráficos mostram é basicamente o comportamento de cada tipo custo conforme
aumenta a produção, ou seja, conforme nos movemos para a direita no eixo horizontal.
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Vamos às considerações e relações mais importantes entre os custos, que podem ser vistas nos
gráficos:
▶ CT=CF+CV: A curva de custo total é o somatório das curvas de custo fixo e custo variável.
▶ Relações do Custo Marginal: A curva de custo marginal cruza as curvas de custo total
médio e de custo variável médio em seus pontos mínimos. Isso faz sentido, uma vez que
se forem adicionados valores acima de qualquer média, essa mesma média irá aumentar.
Como CMg é um valor adicionado e CMe e CVMe são médias, essa regra se aplica.
▶ Formato das Curvas em U: Com exceção da curva de Custo Fixo Médio, os demais custos
médios têm formato de “U”.
Como você pode perceber, o custo marginal é um conceito-chave, posto que seu
comportamento determina os custos médios (total e variável).Saber o comportamento desses
fatores é vital para as decisões da empresa também no longo prazo, como você verá a partir
deste ponto da aula.
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5.8 Custos no Longo Prazo
A mudança, em relação ao curto prazo, é que no longo prazo a empresa pode variar a
quantidade de todos os fatores de produção. Conforme nossa simplificação com apenas dois
insumos, isso significa que passa a ser possível ajustar tanto a quantidade de trabalho quanto a
quantidade de capital.
Se é possível ajustar seus insumos, então a empresa passa a poder e dever escolher as
quantidades de capital e trabalho que resultem em determinado nível de produção, ao menor
custo possível.
Suponha que você deseja produzir 100 unidades de determinado produto e pode escolher
entre: [A] utilizar 1 trabalhador operando 10 máquinas (produção intensiva em capital) ou [B] 10
trabalhadores operando 1 máquina (produção intensiva em trabalho).
Considerando que ambas as opções produzem 100 unidades, a resposta é simples: deve ser
escolhida a alternativa mais barata, ou seja, aquela que gera menor custo.
Em tópico anterior, mapeamos as quantidades de produção geradas pelas diversas
combinações entre capital e trabalho. Para isso, utilizamos as isoquantas. Lembra-se?
Agora, desenvolveremos gráfica e algebricamente os custos gerados pelas combinações entre
os fatores, nas chamadas linhas de isocusto (do grego, “mesmo custo”).
5.8.1 Isocustos
Digamos que estejamos interessados nas combinações que custam R$600 à empresa (vamos
chamar essa linha de C600).
Supondo ainda que o e o capital custe R$20 e que o trabalho custe R$30 – já que a empresa,
como tomadora desses preços, não tem poder para influenciá-los – podemos marcar bem acima
dos eixos das ordenadas e abcissas, respectivamente, as quantidades máximas de capital e
trabalho que a empresa poderia empregar com o custo de R$600:
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Eis aí nossa primeira linha de isocusto. Nela fica claro que 30 unidades de capital esgotam o
custo de R$600, assim como 20 unidades de trabalho. Qualquer outro ponto sobre a linha
também custara R$600, mas contará tanto com trabalho quanto com capital.
Evidentemente, existem inúmeras linhas de isocusto, uma para cada nível de custo, mas vamos
traçar também as linhas C900 e C300, apenas para esclarecer algumas coisas:
O ponto é este: não importa quais sejam as quantidades ou o custo total, a inclinação de
uma linha de isocusto será sempre a relação entre os preços dos fatores de produção, ou
seja, -w/r.
Está em negrito simplesmente porque isso definirá o custo mínimo do produtor sob determinado
nível de produção.
Na prática, que dizer que a empresa do nosso exemplo poderia trocar 3 unidades de capital por
2 unidades de trabalho sem alterar seu custo total, pois a inclinação de suas linhas de isocusto é
igual a -3/2 (ou -1,5). Mas vamos desenvolver de forma um pouco mais técnica essa questão da
inclinação.
5.8.1.1 Inclinação da Isocusto
Para começar, recordemos que o custo total da empresa será a soma da remuneração do
trabalho e do capital, ou seja:
C=wL+rK
Onde:
C: Custo total
w: remuneração do trabalho (salário)
L: quantidade de trabalho
r: remuneração do capital (aluguel)
K: quantidade de capital
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Agora vem um pouco de matemática, se você não entender essa manipulação algébrica, não se
preocupe, prossiga na aula e deixe para a revisão.
Bem, vamos reorganizar os termos de “C=wL+rK” para obter uma equação de reta, com K no
eixo das ordenadas. Partiremos do seguinte:
C=wL+rK
Para definir “K” em função de “L”, “w”, “r” e “C”, devemos isolá-lo. Começamos trocando “wL” de
lado:
C – wL = rK
Agora, dividimos os dois lados por “r”, e fica assim:
K =
C-wL
r
Isso é o mesmo que:
K =
C
r
- (
w
r
)L
Portanto, temos uma equação de reta com inclinação “-w/r”. Guarde essa informação enquanto
prosseguimos.
Para descobrir a equação da linha de isocusto que representa R$600, ou seja, estabelecendo
C=600, e os preços dados de w=30 e r=20, teremos:
K =
600
20
- (
30
20
)L
Resolvendo, chegamos à equação da reta de isocusto:
K = 30 - 1,5L
Onde “30” é o que chamamos de intercepto vertical, onde a linha encosta no eixo das ordenadas,
ou seja, é o valor de K quando K-0.
E “-1,5” é a inclinação (que obtivemos com -w/r, lembra?).
Isso faz sentido, não é? Afinal, para o custo de 600 (Isocusto de 600), se “L=0”, então “K=30”,
exatamente como desenhamos há pouco, e a inclinação é -1,5 ao longo de toda a reta:
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Se você já estudou a oferta de trabalho, já deve ter um belo palpite sobre qual é o ponto em que
a empresa irá minimizar seus custos para determinado nível de produção, bem como qual será
o ponto onde ela terá a maior produção possível para determinado custo. Vamos ver se você
acertou?
5.8.2 Minimização de custos dado um nível de produção
Digamos que a empresa quer produzir 100 unidades de um produto qualquer. Ou seja, o nível
dado de produção é q=100. Anteriormente, vimos que uma isoquanta mostra quais
combinações dos insumos capital e trabalho produz a mesma quantidade.
Então, digamos que a isoquanta Q100 está nos mostrando as quantidades de trabalho e capital
que, quando empregadas, produzem 100 unidades:
Até aí estamos apenas revisando. Vamos agora traçar algumas linhas de isocusto (C1, C2 e C3):
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Agora me diga: considerando que sua empresa escolheu produzir 100 unidades, qual ponto está
demonstrando a combinação de K e L que resultará no menor custo possível para esse nível? A,
B ou C?
Sei que você acertou (Ponto C). Deixe-me apenas destacar os motivos:
▶ A seria uma escolha ruim porque iria gerar uma quantidade inferior a 100 unidades. Este
ponto está localizado em uma isoquanta inferior a q100, e nem precisamos desenhar essa
isoquanta para saber disso;
▶ B, por sua vez, até iria gerar a quantidade exata que sua empresa quer (100 unidades),
pois é um ponto sobre a isoquanta q100. Mas para tanto, geraria um custo de C3, pois está
sobre essa linha de isocusto.
▶ C, assim como B, gera 100 unidades, mas o faz com um custo menor.
Será que existe algum ponto que também gera 100 unidades, mas que esteja sobre uma linha
de isocusto menor do que C2? A resposta é não! Como as linhas de isocusto são paralelas,
qualquer custo menos significará uma linha abaixo de C2 e que, portanto, não tangencia q100.
Oponto de tangência entre a isoquanta e a linha de isocustos exige que ambas tenham a mesma
inclinação. Portanto, a condição de minimização de custos, dado determinado nível de
produção, exige que todas as igualdades do quadro abaixo sejam verdadeiras. E aqui está um
ponto muito importante desta aula:
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Vamos nos concentrar na igualdade
PMgL
PMgK
=
w
r
, ela diz algo interessante.
Manipulando-o algebricamente (trocando “w” e “PMgK” de lado), obtemos:
PMg
L
w
=
PMg
k
r
Essa importante igualdade estabelece que, no ponto minimizador dos custos para determinado
nível de produção, o produto marginal de cada unidade monetária adicional de trabalho deve
ser igual ao produto marginal de cada real a mais gasto com capital.
Faz sentido, porque se gastar um real a mais com trabalho resultasse em mais produção do que
gastar um real a mais com capital, então reduziríamos o capital e aumentaríamos o trabalho e,
portanto, não estaríamos em uma condição de custo mínimo, certo?
Colocando em números. Se investir um real a mais em trabalho resultar em 2 unidades de
produto, enquanto investir um real a mais em capital resultar em 4 unidades de produto, faz
sentido tirar um real de trabalho e colocar em capital.
A troca entre os fatores deixa de fazer sentido quando a igualdade acima se estabelece.
5.8.2.1 Casos especiais: substitutos perfeitos e complementares perfeitos
As isoquantas podem assumir formatos diferentes daquele formato convexo com o qual estamos
acostumados em dois casos: quando os insumos são substitutos perfeitos, ou quando os insumos
são complementares perfeitos.
Isso implicará, também, em escolhas diferentes daquela que acabamos de conhecer.
Primeiro o caso dos substitutos perfeitos, cujas isoquantas são caracterizas pela linearidade.
No exemplo a seguir, temos insumos substitutos na produção na razão de 1 para 2, ou seja, pode-
se obter a mesma quantidade de produto utilizando 2 unidades de trabalho (insumo 1), ou 1
unidade de capital (insumo 2). Por isso, as isoquantas terão a TMST constante de -1/2.
Além disso, vamos supor que os dois insumos custam a mesma coisa, definindo linhas de
isocusto com inclinação -1.
Agora, tenha em mente que a empresa deseja minimizar seus custos para o nível de produção
representado pela isoquanta “qX”. Você acha que ela deve escolher o ponto “a” ou o ponto “b”?
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A escolha que minimiza os custos é aquela que corresponde à linha de isocusto mais baixa. Nesse
caso, o ponto A é melhor, pois a linha C2 é inferior à linha C3, embora ambas representem
quantidades de trabalho e capital que produzem qX.
Daí, temos duas conclusões importantes acerca da escolha com insumos substitutos perfeitos:
▶ A empresa produzirá apenas com o insumo mais produtivo por unidade monetária. No
exemplo, como ambos custam a mesma coisa, e o capital é duas vezes mais produtivo, a
empresa produzirá apenas com capital.
▶ Em consequência da conclusão anterior, teremos a chamada solução de canto, e não
valerá a igualdade “TMST = w/r”.
Viu só como é diferente?
Só não é mais diferente do que o caso dos complementares perfeitos. Por lá, ninguém liga para
os preços relativos, como você verá agora.
Também conhecidos como insumos de proporções fixas, os complementares perfeitos
possuem isoquantas do tipo Leontief, em forma de “L”.
No exemplo a seguir, perceba que o insumo capital é muito mais caro do que o trabalho.
Contudo, isso não importa, pois a empresa, se desejar produzir “qX”, escolherá a linha que
tangencie as quantidades mínimas necessárias (o ângulo reto, ou “cotovelo”, da isoquanta),
independentemente dos preços:
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Portanto, além de não termos validada a igualdade entre as inclinações de isocusto e isoquanta,
a escolha da empresa não depende dos preços relativos dos bens.
5.8.3 Maximização de produção dado um nível de custo
Maximizar a produção para determinado nível de custo funciona da mesma forma que a
minimização de custos dado um nível de produção, sendo válidas todas aquelas igualdades e
conclusões que tivemos no tópico anterior.
A única diferença é que, dessa vez, partiremos de uma linha de isocusto (C) e alcançaremos a
isoquanta mais alta possível, ou seja, aquela que a tangencie (QY):
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5.9 Economias de Escala
Como vimos nas curvas de custo médio, conforme aumenta o produto, o custo por produto
diminui, inicialmente. Isso ocorre por diversos motivos, muitos deles intuitivos, como a
especialização dos funcionários nas tarefas em que eles se saem melhor e o maior poder de
barganha junto aos fornecedores advindos da escala.
Contudo, em determinado nível de produção, os custos médios passam a subir. Essa hipótese é
compatível com escassez relativa de insumos em escalas muito grandes, bem como dificuldades
em encontrar funcionários eficientes.
Esses dois momentos são marcados por economias e deseconomias de escala. Façamos uma
definição técnica, do tipo que cai em prova, para depois identificar as duas situações
graficamente.
Economias de escala: Aumentos na produção são proporcionalmente maiores
do que os aumentos dos custos. Significa que quando dobramos a produção, os
custos não chegam a dobrar.
Deseconomias de escala: É o contrário, ou seja, aumentos na produção são
proporcionalmente menores do que os aumentos dos custos. Significa que
quando dobramos a produção, os custos mais do que dobram.
As economias de escala podem ser medidas pela elasticidade dos custos, ou seja, pela variação
nos custos que ocorrem mediante variação nas quantidades produzidas.
É mais ou menos como vemos em elasticidades: basta dividirmos a variação percentual no custo
total pela variação percentual da quantidade:
EC=
∆C
C
∆q
q
Podemos reorganizar multiplicando numerador e denominador por “C/Δq” (multiplicar
denominador e numerador pelo mesmo valor não altera o valor da fração original):
∆C
C
∆q
q
=
∆C
C
.
C
∆q
∆q
q .
C
∆q
=
∆C.C
C.∆q
∆q.C
q.∆q
=
∆C
∆q
C
q
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Concluímos que:
EC=
∆C
∆q
C
q
E aí, achou alguns termos familiares? Olhe de novo:
Opa! Então quer dizer que a Elasticidade do Custo é igual a CMg/CMe?
Sim, é exatamente isso que quer dizer. E tem toda a lógica.
Se o CMg for maior que o CMe, então EC será maior do que 1, indicando custo elásticos em
relação à quantidade produzida. Isso é coerente coma relação entre CMg e CMe que
examinamos: quanto o CMg é maior que CMe, este está aumentando em ritmo superior à
produção.
Evidentemente, quando a EC for inferior a 1, estaremos diante de economias de escala, custo
médios decrescentes e superiores ao custo marginal, e um custo inelástico em relação ao volume
produzido.
Voltando rapidamente às curvas de CMe. As de curto prazo têm formato de “U”, pois começam
mais altas e diminuem na medida em que os custos fixos são diluídos por maiores quantidades,
atingem o mínimo quando cruza a curva de custo marginal, e começa a subir por causa da lei
dos rendimentos marginais decrescentes.
Mas, no longo prazo, é possível evitar que a empresa chegue na parte crescente da curva,
aumentando o capital! Para ilustrar como isso acontece, veja as curvas do CTMeCP (Custo total
médio no curto prazo) de três possibilidades: produzir com uma máquina, produzir com duas
máquinas ou produzir com três máquinas. Vamos destacar os trechos de economias e
deseconomias de escala.
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Hora de explicar. O que o gráfico nos mostra é que os resultados de curto prazo (CP) e de longo
prazo (LP) estão relacionados. É como se o longo prazo fosse composto de vários curtos prazos
(três, no nosso exemplo).
Se a empresa estiver usando uma máquina (CTMeCP1), quando atingir 20 unidades, ao custo
total médio de 120, se ela quiser que o custo total médio não comece a aumentar, ela deverá
aumentar o capital e, dessa forma, passar para a curva de longo prazo (CTMeLP).
Portanto, a curva de CTMeLP é envoltória inferior das CTMeCP.
5.9.1 Índice de Economias de Escala
Outra forma de evidenciar a existência de economia de escala é o IES (Índice de Economia de
Escala).
É muito simples: basta subtrair a elasticidade de custos (EC) de 1.
IES=1-EC
ou
IES=1-
CMg
CMe
Vou resumir a relação entre IES, Ec, CMg, CMe e Economias de Escala a seguir:
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IES>0
(positivo)
CMg<CMe EC<1
custos inelásticos em relação
à produção
Economias de
escala
IES<0
(negativo)
CMg>CMe EC>1
custos elásticos em relação à
produção.
Deseconomias de
escala
6 MODELOS DE DEMANDA POR TRABALHO
Ao longo de toda a aula falamos sobre trabalho e como ele afeta a produção e os custos.
Agora, vamos focar ainda mais intensamente na demanda por trabalho, juntando tudo que
aprendemos para compreender como a empresa toda a decisão de contratar mais ou menos
trabalho.
6.1 Demanda por trabalho no curto prazo
Vimos que o curto prazo é o período em que a empresa não consegue alterar o tamanho de sua
fábrica ou a quantidade de máquinas que utilizada. Em outras palavras, no curto prazo o capital
é fixo, mas o trabalho pode variar.
Vimos que aumentar o trabalho significa aumentar o produto, e chamamos isso de produto
marginal do trabalho (PmgL).
Com isso, é simples determinar o valor da produção adicional de cada trabalhador (VPmgL):
basta multiplicar o PmgL pelo preço (p) do produto:
VPmgL = p . PmgL
Vamos utilizar essa informação na nossa tabela, considerando que o preço do produto é de 2
reais:
Trabalho (L) Produto Marginal Valor do trabalho marginal
0 - 0
1 100 200
2 200 400
3 300 600
4 200 400
5 160 320
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6 120 240
7 40 80
8 0 0
9 -40 -80
10 -80 -160
Nossa tabela deixa claro quanto valor cada trabalhador adiciona. Por exemplo, o terceiro
trabalhador contribui com 600 reais para a receita da empresa, enquanto o sétimo trabalhador
contribui com 80 reais.
A lei dos rendimentos marginais decrescentes determinar que os ganhos de contratar
trabalhadores adicionais diminuem a partir de determinado ponto.
E traçamos a curva do valor do produto marginal do trabalho (VPmgL):
Nada muito diferente da curva de produto marginal, certo? Afinal, estamos apenas multiplicando
o produto marginal por uma constante (o preço).
Mas uma informação relevante para descobrirmos quanto trabalho a empresa demandará é o
custo desse trabalho. Ou seja, é o salário!
Se considerarmos que a empresa atua em um mercado competitivo, ou seja, ela não é uma
monopsonista, que domina toda a demanda por trabalho, então é razoável considerar que o
salário será constante.
Vamos supor, então, que o salário pago no mercado, ou seja, o salário de mercado (w) é igual a
80 reais. Nesse caso, coloque-se no lugar da empresa e me responda: quantos trabalhadores
você contrataria?
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A resposta certa é 7 trabalhadores!
Por quê? Porque qualquer outra opção é pior, qualquer outra quantidade de trabalhadores
significaria um lucro menor.
Use a tabela para acompanhar o raciocínio a seguir:
L PmgL VPmgL
Salário (w)
ou custo
Lucro Marginal do
trabalho
0 - 0 0 -
1 100 200 80 120
2 200 400 80 320
3 300 600 80 520
4 200 400 80 320
5 160 320 80 240
6 120 240 80 160
7 40 80 80 0
8 0 0 80 -80
9 -40 -80 80 -160
10 -80 -160 80 -240
Certamente, contratar o primeiro trabalhador é uma boa. Ele aumentará o lucro da empresa em
120 reais. O segundo trabalhador também é bom negócio: ele acrescentará 320 reais de lucro.
O mesmo raciocínio vai se repetindo, mas não indefinidamente.
Se a empresa já estiver empregando 7 trabalhadores e decidir contratar o oitavo, esse oitavo
acrescentará um lucro negativo de 80 reais, ou seja, acrescentará um prejuízo de 80 reais. Afinal,
esse trabalhador receberá um salário de 80 reais, mas não adicionará nenhuma quantidade ao
produto, pois seu produto marginal é zero.
E fica pior com o décimo trabalhador: ele também custa um salário de 80 reais, mas reduz a
produção em 80 unidades e o valor da produção em 160 reais.
Portanto, a quantidade ótima de trabalho que a empresa demandará é 7 unidades de trabalho.
Isso, é claro, nesse exemplo numérico que construímos.
Generalizando, definimos que a empresa maximizará seu lucro empregando a quantidade de
trabalhadores que iguala o valor marginal do trabalho ao salário:
𝑉𝑃𝑚𝑔𝐿 = 𝑤
Sempre? Nem sempre... Se o salário for muito alto, a empresa pode simplesmente não contratar.
E “muito alto” significa superior ao valor médio do trabalho, ou seja, superior ao valor que cada
trabalhador, na média, contribui para o valor total da produção:
VMeL = PMeL . p
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Lemos: valor médio do trabalho é igual ao produto médio do trabalho vezes o preço
Vamos adicionar o VMeL à nossa tabela e, em seguida, traçar um novo gráfico:
L PmgL VPmgL Produto
total
Produtomédio
(PMeL)
Valor
médio
(VMeL)
0 - 0 0 - -
1 100 200 100 100 200
2 200 400 300 150 300
3 300 600 600 200 400
4 200 400 800 200 400
5 160 320 960 192 384
6 120 240 1080 180 360
7 40 80 1120 160 320
8 0 0 1120 140 280
9 -40 -80 1080 120 240
10 -80 -160 1000 100 200
E por que isso é importante?
Vamos descobrir comparando duas situações: na primeira, o salário de mercado será 80 reais,
como fizemos anteriormente. Na segunda, o salário estará muito mais alto – será de 600 reais.
Então, veja o gráfico com o salário de 80 reais:
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A condição de maximização é atendida quando a empresa demanda 7 unidades de trabalho,
pois o VPmgL dessa unidade é igual ao salário de 80 reais. Mas note que o VMeL está acima do
salário, o que significa que a empresa está tendo lucro.
Mais especificamente, ela tem um lucro médio de 240 reais por trabalhador. Essa é a diferença
entre o valor médio (320) e o salário (80) quando a empresa demanda 7 unidades de trabalho.
Mas veja o que acontece quando o salário é muito alto (500 reais):
Nesse caso, mesmo na condição de maximização, a empresa não consegue obter lucro. Veja que
as 3 unidades de trabalho igualam o salário e o valor do produto marginal trabalho, ambos iguais
a 600 reais.
Contudo, o salário de 600 reais está acima do valor médio do trabalho, de 400 reais, indicando
que cada trabalhador, em média, gera um prejuízo de 200 reais. Portanto, nesse cenário, a
empresa não irá produzir nada. É melhor do que ter prejuízo.
Portanto, a regra é:
A empresa demandará a quantidade de trabalho que maximiza seu lucro,
igualando o valor do produto marginal do trabalho ao salário, desde que o valor
médio do trabalho seja superior ao salário.
Por fim, um último detalhe a esse respeito. Você pode notar que a curva de VMeL só se torna
inferior à curva de VPmgL quando elas se cruzam. Portanto, é apenas a partir desse ponto que a
condição de otimização irá significar lucro, e assim:
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CONDIÇÃO DE OTIMIZAÇÃO
VPmgL = w
Desde que:
1) VMeL > w
2) VPmgL e VMeL decrescentes
Com isso, já podemos estabelecer a curva de demanda por trabalho de curto prazo para uma
empresa.
Vimos que, quanto maior o salário, menor a demanda por trabalho, pois o valor produto marginal
do trabalho é decrescente. A curva refletirá, principalmente, esse fato.
Portanto, a relação entre salário e quantidade demandada de trabalho pela empresa é inversa.
Nenhuma grande surpresa. Variações no salário levarão a mudanças ao longo da curva de
demanda, como do ponto A ao ponto B.
Contudo, outra variável é muito importante na determinação da posição da curva de demanda:
o preço do produto que ela vende. Se esse preço aumentar, aumenta o valor do produto
marginal do trabalho e, consequentemente, a quantidade demandada de trabalho. Mas essa
mudança ocorre deslocando a curva de demanda por trabalho para a direita:
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O preço mais alto significa maiores níveis de quantidade demandada por trabalho para todos os
níveis de salário.
E para encerrar, vamos voltar nosso olhar, mais uma vez, para a condição de maximização:
VPmgL = w
Lembre-se que o VPmgL é preço vezes PmgL, ou seja:
p. PmgL = w
Trocando o “p” de lado, teremos:
PmgL=
w
p
O lado direito da equação, “w/p”, é o salário medido em termos do preço do produto, e por isso
é chamado de salário real. Sendo assim, termos outra conclusão:
A empresa demanda a quantidade de trabalho que iguala produto marginal
e salário real.
E, com isso, podemos definir a curva de demanda por trabalho também desta forma:
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Muito bem! Vamos para a parte final da aula.
6.2 Demanda por trabalho no longo prazo
No longo prazo, o capital também é variável, e deve ser levado em conta pela empresa na hora
de definir quanto trabalho será demandado.
Muita coisa poderia ser falada a esse respeito. Mas, para fins de concurso, dois fatos a respeito
da demanda por trabalho de longo prazo são cruciais.
O primeiro deles é que a curva de demanda por trabalho de longo prazo é menos inclinada, ou
seja, mais “deitada”. Afinal, no longo prazo as empresas conseguem responder às mudanças
salariais com mais intensidade do que conseguem no curto prazo.
Em outras palavras, um aumento nos salários levará a uma queda na quantidade demandada de
trabalho. Mas essa queda será maior no longo prazo, porque a empresa conseguirá substituir
com mais eficiência os trabalhadores por capital.
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Portanto, a curva de demanda por trabalho de longo prazo é mais elástica.
O segundo fato que precisamos saber tem relação com as funções de produção Cobb-Douglas.
Lembra delas?
São as funções deste tipo:
q=La.Kb
Elas nos informam, em seus expoentes, qual será o percentual do orçamento, ou seja, do custo
total, gasto com cada um dos fatores pela empresa que estiver maximizando sua produção!
Veja só:
q = La.Kb
Proporção do custo gasta com o Trabalho (L):
a
a+b
Proporção do custo gasto com o Capital (K):
b
a+b
Exemplo 1:
q = L0,4.K0,6
Sabemos, então, que a empresa gastará 40% de seu orçamento com trabalho, e
60% com capital.
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Exemplo 2:
q = L0,5.K0,5
Nesse caso, a empresa gastará metade com cada fator de produção.
Exemplo 3:
U(x,y) = x6.4y14
Aqui, a empresa gastará 30% com o trabalho, e o restante (70%) com capital.
Com isso, se soubermos para qual custo a empresa deseja maximizar a produção, seremos
capazes de determinar qual serão as quantidades de fatores escolhidas.
E podemos generalizar, para o trabalho, assim:
Uma questão para deixar esse ponto claro:
(MPE SP/Economista) [adaptata]
Se a função de produção for dada por f(K,L)=√𝐾𝐿 onde K e L são as unidades de capital e
trabalho, respectivamente, o preço da unidade de capital for $ 4 e o preço da unidade de
trabalho for $ 1, sabendo-se que a empresa deseja maximizar a produção ao custo de 24
unidades monetárias, a quantidade de trabalho demandada será de
a) $ 24.
b) $ 12.
c) $ 10.
d) $ 6.
e) $ 2.
Comentários:
Perceba que essa funçãode produção é uma função Cobb-Douglas, afinal
√𝐾𝐿
É o mesmo que
√𝐾√𝐿
Que é o mesmo que
𝐾1/2𝐿1/2
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Portanto, sabemos, por causa dos expoentes, que, ao otimizar a produção, a empresa irá utilizar
metade do seu orçamento para cada insumo, em outras palavras, metade do custo total será
gasto com trabalho, e a outra metade com capital.
L=
a
a+b
.
C
w
Inserindo os valores conhecidos:
L=
0,5
0,5+0,5
.
24
1
L=
0,5
1
.
24
1
L=12
Gabarito: “b”
Com isso, encerramos a parte teórica a vamos às questões.
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RESUMO
• As empresas são:
o atores do mercado de trabalho que demandam trabalho;
o agentes econômicos que controlam o capital e produzem bens e serviços.
• A teoria das empresas ou teoria da firma é dividida em duas partes: teoria da produção
e teoria dos custos.
• Principais fatores de produção (insumos) = Trabalho e Capital;
• Tecnologia é o estado atual do conhecimento de como combinar os fatores de produção
para obter produtos;
• Função de produção relaciona as quantidades utilizadas dos insumos (x1, x2, x3, ... xN)
com a quantidade máxima de produto resultante dessa utilização (q);
• Produto marginal: a quantidade adicionais de produto obtida quando a empresa
aumenta o fator de produção em uma unidade.
• Curto prazo: período no qual pelo menos um dos fatores (insumo fixo) não pode ter sua
quantidade alterada.
o Normalmente, o capital é fixo e o trabalho é variável;
o Portanto, para aumentar a produção a empresa precisa contratar mais trabalho;
o O produto marginal do trabalho é decrescente a partir de determinado ponto,
pois temos cada vez mais trabalhadores para a mesma quantidade de capital;
• Longo prazo: tempo necessário para que todos os insumos possam ter suas quantidades
alteradas, todos os insumos são variáveis.
o A empresa pode explorar diferentes combinações de capital e de trabalho, e assim
o preço do capital tem influência nos salários e vice-versa.
o As isoquantas são curvas que mostram todas as combinações entre os fatores de
produção que geram a mesma quantidade de produção.
o A taxa marginal de substituição técnica (TMST) é a taxa pela qual um insumo
pode ser substituído pelo outro mantendo o nível de produção constante. Ela dá a
inclinação da isoquanta.
o Substitutos perfeitos: insumos que podem ser substituídos a uma taxa fixa,
mantendo a produção constante. Suas isoquantas são linhas retas.
o Complementares perfeitos: insumos que devem ser combinados a uma
proporção fixa. Suas isoquantas têm formado de “L”.
o Ao dobrar a quantidade dos dois fatores:
▪ Rendimentos crescentes de escala: A produção mais do que dobra. Esse
comportamento é compatível com a especialização, que permite à empresa,
por exemplo, implementar linhas de montagem especializadas quando
aumenta sua escala.
▪ Rendimentos constantes de escala: A produção também dobra.
▪ Rendimentos decrescentes de escala: A produção menos do que dobra.
Ao contrário da especialização, empresas muito grandes têm maiores
dificuldade de administrar seus recursos, tendo de alocar cada vez mais
capital e trabalho em atividades de gestão que não acrescentam,
necessariamente, mais produção.
• Custos de oportunidade: custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada.
Representa o valor do benefício associado à melhor alternativa não escolhida.
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• Custos irrecuperáveis/afundados: recursos empregados na obtenção de ativos que,
uma vez realizados, não podem ser recuperados em qualquer grau significante.
• Custos Econômicos: incluem custos de oportunidade e ignoram custos irrecuperáveis.
• Custos não salariais: despesas que os empregadores têm com seus empregados além
do salário direto.
o Benefícios Sociais e Previdenciários: Inclui contribuições para a segurança social,
fundos de pensão e seguros de saúde. Em muitos países, os empregadores são
obrigados a contribuir para esses esquemas em nome de seus empregados.
o Impostos sobre Folha de Pagamento: Alguns governos impõem impostos sobre
a folha de pagamento que são pagos pelos empregadores. Estes impostos são
calculados como uma porcentagem dos salários pagos.
o Custos de Treinamento e Desenvolvimento: O custo de formação e
desenvolvimento de funcionários, incluindo cursos, seminários e outras formas de
educação profissional.
o Benefícios e Gratificações: Incluem bônus, planos de participação nos lucros,
alimentação, transporte, alojamento e outras formas de remuneração indireta.
o Custos de Segurança e Saúde no Trabalho: Investimentos em equipamentos de
segurança, programas de saúde ocupacional e medidas para garantir um ambiente
de trabalho seguro.
o Custos Administrativos Relacionados ao Emprego: Inclui o custo de gerir
recursos humanos, como a contratação, o processamento de salários e o
cumprimento das regulamentações laborais.
o Indenizações e Seguros Trabalhistas: Custos associados a indenizações por
demissão, seguros contra acidentes de trabalho e outras formas de proteção ao
empregado.
• Custos
o Custo Fixo (CF): Custos que não variam com o nível de produção.
o Custo Variável (CV): Custos que variam com o nível de produção.
o Custo Total (CT): CF+CV
o Custo Médio (CMe): CT/quantidade.
o Custo Marginal (CMg): é o aumento do custo causado pela produção de uma
unidade adicional do produto.
• No curto prazo, a empresa só pode aumentar sua produção mediante a contratação de
mais mão-de-obra (trabalho), já que o capital é fixo;
o Em função do produto marginal decrescente do trabalho, o custo marginal é
crescente.
• No longo prazo, a empresa pode variar a quantidade de todos os fatores de produção.
o Isocusto: linha que mostra as diferentes combinações de trabalho e capital que
geram o mesmo custo total para a empresa.
o Economias de escala: Aumentos na produção são proporcionalmente maiores do
que os aumentos dos custos. Significa que quando dobramos a produção, os custos
não chegam a dobrar.
o Deseconomias de escala: É o contrário, ou seja, aumentos na produção são
proporcionalmente menores do que os aumentos dos custos. Significa que quando
dobramos a produção, os custos mais do que dobram.
• Demanda por trabalho no curto prazo
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o A empresa contrata a quantidade de trabalho que iguala o salário com o valor do
produto marginal do trabalho;
o A empresa demanda a quantidade de trabalho que iguala produto marginal e
salário real.
▪ Se essa condição não significar lucro, a empresa não produzirá nada.
o Quanto maior o salário, menor a quantidade demandada de trabalho.
o Quanto maior a produtividade (produto marginal), maior a demanda por trabalho.
• A demanda por trabalhono longo prazo é mais elástica.
o Significa que a empresa responde com maior intensidade às variações salariais. Se
os salários aumentam, ela pode “contratar” capital e diminuir mais a quantidade de
trabalho demandada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Borjas, George J. Economia do Trabalho – 5ª ed. – Porto Alegre: AMGH, 2012.
Pindyck, Robert; Rubinfeld, Daniel. Microeconomia (p. 63). Edição do Kindle.
Varian, Hal. Microeconomia - Uma Abordagem Moderna (p. 585). GEN Atlas. Edição do Kindle.
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APÊNDICE: DERIVADAS
Em alguns casos, ainda que raros, pode ser útil conhecer uma ferramenta de Cálculo chamada
Diferenciação, um processo utilizado para descobrir funções Derivadas.
Este é um dos raros momentos no curso em que peço que você decore a fórmula, em vez de
entender a ideia por trás dela. Faço isso pois o custo de compreender derivadas seria muito alto,
supondo que você não esteja familiarizado com trigonometria e limites. Precisaríamos de 3 ou 4
aulas apenas para isso, com um ganho bem pequeno.
O que preciso que você saiba é:
A derivada de uma função X qualquer é outra função Y que representa a
inclinação da função X.
Por exemplo: a derivada de uma função de oferta de trabalho seria a função de oferta marginal.
A derivada de uma função e utilidade seria uma função de utilidade marginal.
E é claro que vou te mostrar como derivar (mesmo que você não saiba o que está fazendo, por
enquanto):
Suponha que temos a função de produção q = L3.K
Para obter o produto marginal do trabalho, fazemos o seguinte passo-a-passo:
3) Descemos uma cópia do expoente do trabalho (L), que passa a multiplicar L.
Deste jeito:
4) Subtraímos 1 do expoente:
Pronto, esta é a derivava da função de produção q = L3.K e, portanto, a nossa
função de produto marginal:
Perceba que sempre derivamos em relação a alguma variável. No nosso exemplo acima,
derivamos em relação ao trabalho, e assim descobrimos quanto varia a produção conforme
variamos a quantidade de trabalho. Mas poderíamos ter derivado em relação a outra variável da
função.
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QUESTÕES COMENTADAS
1. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
Suponha que a produtividade marginal do trabalho pode ser expressa pela seguinte função:
10/L, onde L é a quantidade de mão-de-obra. Se a empresa vende sua produção em um
mercado competitivo a um preço de $8, quanta mão-de-obra contratará a empresa se o salário
for de $5 por unidade de mão-de-obra?
a) 16 unidades de mão-de-obra.
b) 4 unidades de mão-de-obra.
c) 6,25 unidades de mão-de-obra.
d) 10 unidades de mão-de-obra.
e) 8 unidades de mão-de-obra.
Comentários:
Precisamos supor que é uma situação de curto prazo, pois nada foi falado a respeito do capital.
Então, vamos utilizar a condição de otimização:
VPmgL = w
Temos o valor dos salários informado pelo enunciado, então substituímos “w” por “5”:
VPmgL = 5
Decompomos o VPmgL em duas partes:
p . PmgL = 5
O preço também foi informado no enunciado, assim como o produto marginal do trabalho:
8.
10
𝐿
= 5
Resolvendo a multiplicação do lado esquerdo:
80
L
=5
Trocando o L de lado:
80=5L
E trocando o 5 de lado:
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80
5
=L
Resolvendo a divisão do lado esquerdo, temos nossa resposta:
L=16
Gabarito: “a”
2. (2003/ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho)
No longo prazo a demanda por trabalho é mais elástica em relação ao salário do que no curto
prazo. Isso é verdade porque, em longo prazo, quando o salário sobe:
a) a empresa contratará mais mão-de-obra.
b) a empresa terá lucro zero.
c) a empresa adquirirá mais capital.
d) a empresa pode estabelecer o preço dos produtos.
e) a empresa terá lucro maior do que zero.
Comentários:
Questão relativamente simples: no longo prazo, a demanda por trabalho é mais elástica porque,
em caso de aumento nos salários, a empresa pode substituir o trabalho adquirindo mais capital.
Isso torna a letra “c” nosso gabarito, enquanto as demais alternativas não fazem sentido.
Gabarito: “c”
3. (2018/CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência)
A função produção de uma firma é dada por Y = L²K - L³, em que Y é produto, L é a quantidade
de trabalho e K é o estoque de capital. Sabendo que a firma deseja produzir com K = 18, julgue
o item a seguir.
A produtividade marginal do trabalho da firma será igual a 36L - 3L².
Comentários:
A produtividade marginal do trabalho é a derivada da função de produção.
Então, vamos derivar a função de produção Y = L²K - L³.
1) Descemos uma cópia dos expoentes:
Y = 2L2K- 3L3
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2) Subtraímos 1 de cada expoente:
Y = 2L1K-3L2
O expoente 1 pode ser simplesmente eliminado, e chegamos a:
Y = 2LK-3L2
Para concluir, vamos incluir a informação do enunciado de que K=18:
Y = 2.L.18-3L2
Y = 36L-3L2
Gabarito: Certo
4. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU DF/Analista de Gestão de Resíduos Sólidos - Economia)
Julgue o item seguinte, a respeito da teoria microeconômica da produção.
Uma combinação de fatores de produção só pode levar a um único nível de produção.
Comentários:
Como é a própria definição de função, cada combinação entre os insumos só pode levar a uma
determinada quantidade produzida. Como explicar, por exemplo, que ao utilizar 15
trabalhadores operando 5 máquinas levará à produção de 10 e 12 unidades? Não faz sentido...
Em outras palavras, não é possível obter quantidade diferentes se estiver usando uma
quantidade de capital e de capital determinada.
Por outro lado, é possível que diferentes combinações levem ao mesmo nível de produção. As
isoquantas estão aí para provar, demonstrando as diversas combinações que produzem a
mesma quantidade.
Gabarito: Certo
5. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU DF/Analista de Gestão de Resíduos Sólidos - Economia)
Julgue o item seguinte, a respeito da teoria microeconômica da produção.
Quando a função de produção é do tipo Leontief, os fatores de produção são substitutos
perfeitos.
Comentários:
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As funções do tipo Leontief são aquelas de proporções fixas, em formato de “L” (olha o
mnemônico aí: Leontief tem formato de “L”), típicas de insumos que são complementares
perfeitos.
Gabarito: Errado
6. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU DF/Analista de Gestão de Resíduos Sólidos - Economia)
Julgue o item seguinte, a respeito da teoria microeconômica da produção.
Na função de produção dotipo Leontief, as proporções de insumos são sempre fixas,
independentemente dos preços dos insumos.
Comentários:
Na verdade, a proporção de insumos, fixa ou não, independe do preço deles.
Afinal, as isoquantas nada dizem a respeito dos preços (isso é visto na parte da teoria dos cursos).
Isoquantas dizem respeito a quantidades produzidas.
Gabarito: Certo
7. (2021/CEBRASPE-CESPE/SEFAZ-CE/Auditor Fiscal Contábil-Financeiro)
Considerando os problemas microeconômicos clássicos, julgue o item a seguir.
Na função de produção do tipo Leontief, os fatores de produção são complementos perfeitos
e não podem ser substituídos um pelo outro, independentemente do preço.
Comentários:
A função do tipo Leontief é aquela com este formato:
Y = min(A.K.B.L)
Onde “A” e “B” são fatores quaisquer.
É a função tópica de complementares perfeitos, que produz isoquantas em formato de L (lembre-
se do nome Leontief e compLementares), e dessa forma a primeira parte está correta.
Quanto a “não poderem ser substituídos”, está implícito, quando falamos em funções de
produção, que “não podem ser substituídos sem alterar o nível de produção). E isso é justamente
o que ocorre com complementares perfeitos: é exigida determinada proporção entre os
insumos, e eles não podem ser substituídos, em qualquer nível de preços.
Gabarito: Certo
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8. (2018/CEBRASPE-CESPE/FUB/Economista)
Em relação à teoria da firma, julgue o item subsequente.
Em um processo produtivo, se existir produto marginal decrescente em relação a um insumo,
então os retornos de escala serão decrescentes.
Comentários:
Em primeiro lugar, não confunda rendimentos marginais decrescentes (curto prazo, pelo menos
um fator fixo) com rendimentos (ou retornos) decrescentes de escala (longo prazo, todos os
fatores variáveis).
Esclarecido esse ponto, veja um exemplo de função de produção que contradiz o enunciado, ao
mesmo tempo em que desenvolvemos, na prática, esse raciocínio:
f(L,K) = L0,5.K0,5
Note que há rendimentos marginais decrescentes para os dois fatores. Vamos partir de 10
unidades de L e 10 unidades de K, e depois vamos aumentar para 11 unidades de L:
f(L,K) = 100,5 . 100,5
f(L,K) = 3,16 . 3,16
f(L,K) = 10
Agora, aumento uma unidade de trabalho:
f(L,K) = 110,5 . 100,5
f(L,K) = 3,31 . 3,16
f(L,K) = 10,49
Podemos dizer que o produto marginal da 11ª unidade de trabalho foi de 0,49. Quanto será o
produto marginal de 12ª?
f(L,K) = 120,5 . 100,5
f(L,K) = 3,46 . 3,16 (valor aproximado)
f(L,K) = 10,95
Opa! Essa 12ª unidade de trabalho adicionou 0,46 unidades de produto. Parece que está
diminuindo, e isso significa que o trabalho apresenta rendimentos marginais decrescentes!
Contudo, sabemos que a soma dos expoentes nos fornece o grau da função e o tipo de
rendimentos de escala. Nesse caso, o grau é 1, e os rendimentos de escala são constantes!
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Em outras palavras, se dobrarmos capital e trabalho, a produção também dobra. Veja com 20 de
cada:
f(L,K) = 200,5 . 200,5
Podemos multiplicar as bases:
f(L,K) = 4000,5
Que é o mesmo que:
f(L,K) = √400
f(L,K) = 20
Viu só? Exatamente o dobro da produção que tínhamos com 10 unidades de cada.
Gabarito: Errado
9. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia)
Em relação às funções de custo de produção, julgue o próximo item.
Se a produtividade marginal é decrescente, a adição de uma unidade de produção reduz o
lucro.
Comentários:
Esta questão é mais um spoiler do que ainda veremos no curso, mas já sabemos o bastante para
concluir que a produtividade marginal decrescente significa apenas que cada unidade adicional
de insumo resulta, sucessivamente, em menor quantidade produzida.
Para sabermos sobre os lucros, ainda precisaremos compreender as receitas e os custos.
Gabarito: Errado
10. (2018/CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência)
A função produção de uma firma é dada por Y = L²K - L³, em que Y é produto, L é a quantidade
de trabalho e K é o estoque de capital. Sabendo que a firma deseja produzir com K = 18, julgue
o item a seguir.
A produtividade média da firma será igual a 18L² - L³.
Comentários:
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A questão tem um pequeno problema, pois não informa se deseja a produtividade média do
capital ou do trabalho.
É pequeno porque a questão está fornecendo um valor para o capital de 18, então só podemos
calcular a produtividade média do trabalho.
Para isso, basta dividir a função de produção pelo trabalho (L).
Fica assim:
Y
L
=
L2K-L3
L
Colocando o valor de K fornecido, teremos:
Y
L
=
18L
2
-L3
L
Isso é o mesmo que:
Y
L
=
18L
2
L
−
L3
L
A divisão com exponentes de mesma base deve seguir a seguinte regra:
Xa / Xb = Xa-b
Então: L2 / L = L2-1 = L1 = L
Assim como: L3 / L = L3-1 = L2
Seguindo a regra dos quadros, teremos:
Y
L
=18L-L2
Pronto. A produtividade média do trabalho é 18L-L2, o que torna o gabarito errado.
Gabarito: Errado
11. (2018/UFG/SANEAGO/Economista)
Considere a produção de uma firma como uma função da quantidade de trabalho utilizado no
processo produtivo.
Assim, o produto médio do trabalho é decrescente
a) quando a produtividade marginal do trabalho for decrescente.
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b) a partir do ponto máximo do produto marginal do trabalho.
c) a partir do ponto máximo de produção da firma.
d) quando o produto marginal do trabalho estiver abaixo do produto médio do trabalho.
Comentários:
Concentre-se nas curvas de produto marginal e de produto médio:
O produto médio começa a diminuir no ponto exato onde sua curva cruza a curva de produto
marginal, ou seja, no ponto em que o produto marginal se torna menor do que o produto médio.
Isso faz sentido, pois cada unidade adicional de trabalho, a partir desse ponto, adicionará menor
quantidade de produto do que a média até então, diminuindo-a.
Gabarito: “d”
12. (2009/FUNIVERSO/ADASA/Regulador de Serviços Públicos)
Fundamentado na Lei dos Rendimentos Decrescentes, a qual atua no curto prazo e em que há
dois fatores de produção, sendo o Fator fixo K (capital) e o Fator variável N (mão-de-obra), é
correto afirmar que
a) quando a Produtividade Média do fator variável mão-de-obra (PMeN) aumenta, atinge o seu
ponto de máximo e depois decresce e chega a ter uma produtividade média negativa desse
fator variável.
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b) quando a ProdutividadeMarginal do fator variável mão- de-obra (PMgN) aumenta, atinge o
seu ponto de máximo e depois decresce, passando pelo eixo zero de origem e chega a ter uma
produtividade marginal negativa desse fator variável.
c) quando o Produto Total (PT) aumenta, atinge o seu ponto de máximo de produção e depois
continua crescendo.
d) quando a Produtividade Marginal do fator variável mão-de-obra (PMgN) aumenta, atinge o
seu ponto de máximo e depois decresce e ao passar pelo eixo zero de origem, a produtividade
marginal desse fator variável, torna-se a crescer.
e) quando o Produto Total (PT) atingir o seu máximo de produção, a Produtividade Marginal do
fator variável mão-de-obra (PMgN) é um.
Comentários:
A alternativa “A” é particularmente interessante. A princípio, poderíamos pensar que uma vez
que o produto médio começa a decrescer, ele pudesse se tornar negativa. Mas apenas se
deixássemos passar o absurdo dessa afirmação.
O Produto Médio da Mão-de-obra (Trabalho) é simplesmente o Produto Total dividido pela
quantidade do insumo. Nenhum desses valores pode ser negativo. Não faz sentido produzir -3
canetas, -8 carros etc.
Também não tem como empregar -2 trabalhadores, por exemplo. Então, anote aí: o produto
total e o produto médio nunca serão negativos.
Na alternativa “B” temos nosso gabarito. O produto marginal, de fato, pode ser negativo. Isso
significa que a partir de determinada quantidade de mão-de-obra, adicionar mais trabalhadores
irá “atrapalhar” a produção, de forma que cada unidade de trabalho adicional reduz a produção
total.
A alternativa “C” é uma contradição. Ora, algo que atingiu seu ponto máximo não pode continuar
subindo. Se subir, significa que aquele não era o ponto máximo.
A alternativa “D” não é compatível com a lei dos rendimentos marginais decrescentes no curto
prazo. Uma vez que o PMg de um dos insumos começa a cair, a única forma de torná-lo crescente
de novo é aumentando o outro insumo, o que só é possível no longo prazo.
Por fim, “E” está errada. Estaria certa se fosse assim: quando o Produto Total (PT) atingir o seu
máximo de produção, a Produtividade Marginal do fator variável mão-de-obra (PMgN) é um
zero.
Gabarito: “b”
13. (2010/CESPE/DPU/Economista)
Considerando um processo produtivo em que o trabalho é o único fator de produção, assinale
a opção correta quanto à produção total e às produtividades média e marginal.
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a) Quando a produtividade marginal é igual a zero, o produto total passa a ser decrescente.
b) Quando a produtividade marginal é máxima, a produção total encontra-se em seu ponto
máximo.
c) Quando a produtividade marginal é maior que a produtividade média, esta é decrescente.
d) Quando a produtividade marginal é maior que a produtividade média, a produtividade
marginal é exclusivamente decrescente.
e) Quando a produtividade marginal é igual à produtividade média, a produtividade marginal
encontra-se no seu nível máximo.
Comentários:
Questão bem elaborada, que nos força a relembrar os principais pontos da Teoria da Produção
no curto prazo.
Mais uma vez, recorremos ao gráfico que relaciona as produtividades no curto prazo:
a) Quando a produtividade marginal é igual a zero, o produto total passa a ser decrescente.
Certo. No ponto exato em que PMg se torna (ponto C), o produto total, representado pela curva
“q”, torna-se decrescente a partir desse ponto. Afinal, PMg negativo significa quantidade
adicional negativo, ou seja, o produto total cada vez menor.
b) Quando a produtividade marginal é máxima, a produção total encontra-se em seu ponto
máximo.
Errado. PMg máximo (ponto A) não significa produção total máxima. Isso ocorre quando o PMg
é zero.
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c) Quando a produtividade marginal é maior que a produtividade média, esta é decrescente.
Errado. Quando a PMg é menor que a PMe, a PMe (esta) é decrescente.
d) Quando a produtividade marginal é maior que a produtividade média, a produtividade
marginal é exclusivamente decrescente.
Errado. Entre A e B a PMg é maior que PMe, mas decrescente!
e) Quando a produtividade marginal é igual à produtividade média, a produtividade marginal
encontra-se no seu nível máximo.
Errado. Invertendo estaria certo, ou seja: quando a produtividade marginal é igual à
produtividade média, a produtividade média encontra-se em seu nível máximo.
Gabarito: “a”
14. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU DF/Analista - Economia)
Considerando uma função de produção do tipo , em que Y representa o produto
e X, o insumo, julgue os itens subsequente.
A produtividade média é obtida pela divisão de Y por X.
Comentários:
Lembra quando eu disse que o produto médio é o produto total dividido pela quantidade do
insumo? Pois é a mesma coisa que a questão está dizendo: ao dividirmos a função de produto
“Y”, que nos fornece o produto total, por “X”, que é a quantidade do insumo, teremos a
produtividade média.
Então, é apenas uma correta questão conceitual.
Se quiser ir além, para fins didáticos, podemos até nos aventurar e descobrir que:
Y
X
=
X2-
1
30
X3
X
=X-
X2
30
Aí está a função de produto médio.
Gabarito: Certo
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15. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU DF/Analista - Economia)
Considerando uma função de produção do tipo , em que Y representa o produto
e X, o insumo, julgue os itens subsequente.
A produtividade marginal é igual a 2𝑋−𝑋2.
Comentários:
Desta vez, a banca não foi tão generosa. Não tem problema. Sabemos que para obter o produto
marginal, basta derivarmos a função de produção.
E para isso, usamos a regra do tombo (os valores do quadro são apenas explicativos,
resolveremos a questão depois):
Suponha que temos a função de produção q = L3.K
1) Descemos uma cópia do expoente de L, que passa a multiplicar L. Deste jeito:
2) Subtraímos 1 do expoente:
Pronto, esta é a derivava da função de produção q = L3.K e, portanto, a nossa função de
produto marginal:
Agora, façamos isso com a função fornecida.
𝑋2 −
1
30
𝑋3
Partindo da função original acima, descemos uma cópia expoentes e subtraímos 1 do que ficou:
2𝑋1 − 3.
1
30
𝑋2
Podemos ignorar o expoente “1”, pois qualquer número elevado a “1” é ele mesmo. Vale para
incógnitas também. E podemos fazer a multiplicação de “3” por “1/30”, que dá “3/30”:
2𝑋 −
3
30
𝑋2
Agora, multiplicamos “3/30” por “X2”:
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2𝑋 −
3𝑋2
30
Por fim, podemos simplificar a fração dividindo a parte de cima e a parte de baixo por “3”:
2𝑋 −
𝑋2
10
Pronto. Temos nossa produtividade marginal, que não é aquela informada pela questão.
Gabarito: Errado
16. (2011/CESPE/EBC/Analista de Empresa de Comunicação Pública)
Um conjunto de produção no curto prazo correspondea toda área sob uma função de
produção, incluindo-se essa função.
Comentários:
Deixei para explicar isso nesta questão, mas é bem simples: o conjunto de produção é toda a
área abaixo da curva de produto total, incluindo a própria curva.
Os pontos sobre aa curva mostram a quantidade máxima de produto para cada quantidade
empregada do insumo variável, enquanto os pontos abaixo da curva mostram quantidades
possíveis de produto, mas que não maximizam a produção possível para cada quantidade do
insumo variável.
Gabarito: Certo
17. (2021/FGV/TJ-RO/Analista Judiciário - Economista)
A curva de isoquanta de uma firma que utiliza apenas capital e trabalho como insumos ilustra:
a) a quantidade de trabalho necessária para produzir um determinado nível de produção com
o capital constante;
b) a quantidade de capital necessária para produzir um determinado nível de produção com o
trabalho constante;
c) combinações diferentes dos insumos de capital e trabalho que produzirão uma determinada
quantidade de produto;
d) a quantidade de capital necessária para acomodar diferentes quantidades de trabalho para
produzir uma determinada quantidade de produto;
e) a quantidade de trabalho necessária para acomodar diferentes quantidades de capital para
produzir uma determinada quantidade de produto.
Comentários:
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Questão conceitual. O que é uma isoquanta? É uma curva que mostra as diferentes combinações
de dois insumos – geralmente, capital e trabalho – que gera determinada quantidade de produto.
Exatamente como descrito em “c”.
As demais alternativas, por não descreverem dessa forma ou nesse sentido, estão
necessariamente erradas.
Gabarito: “c”
18. (2018/CEBRASPE-CESPE/EBSERH/Analista Administrativo - Economia)
Julgue o item seguinte, relativo a produção, produtividade, rendimentos e custos.
A razão entre produção total e média dos fatores produtivos, denominada produtividade,
diminui quando se aumenta a escala de fatores produtivos no caso de se estar diante de
rendimentos crescentes.
Comentários:
O que a questão está afirmando é simplesmente que ao aumentar a quantidade dos dois
insumos, a produção média é reduzida.
Isso é compatível com rendimentos decrescentes de escala, ou seja, o contrário do que se afirma
no enunciado.
Rendimento crescentes de escala estão presentes sempre que ao aumentar a escala há aumento
da produtividade, de forma que a produção aumenta em proporção maior do que o aumento
da quantidade de fatores utilizados.
Gabarito: Errado
19. (2009/CESGRANRIO/BNDES/Economia)
O gráfico abaixo mostra as isoquantas entre capital e trabalho para uma determinada empresa,
onde q1 , q2 e q3 são produções por mês.
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Considerando o gráfico apresentado, pode-se concluir que
a) há rendimentos crescentes de escala.
b) capital e trabalho são substitutos perfeitos nas faixas de quantidade mostradas no gráfico.
c) a empresa é intensiva em capital.
d) a inclinação das isoquantas sugere que o capital é mais produtivo.
e) a função de produção da empresa é de proporções fixas.
Comentário:
Sempre que ver essas isoquantas retas, pode crer que estará diante de insumos substitutos
perfeitos, como afirmado em B.
Não é possível afirmarmos se os rendimentos são crescentes sem saber qual a quantidade
produzida em cada isoquanta. Se assumíssemos, por exemplo, que q2 é o dobro de q1,
possivelmente estaríamos diante de rendimentos crescentes, mas isso é uma presunção que não
encontra base nas informações do enunciado. Por isso A está errada.
Para saber se a empresa será mais intensiva em Capital ou Trabalho é preciso conhecer não
somente a produtividade, mas também os custos dos fatores. Então C está errada.
A inclinação das isoquantas, ou seja, a TMST nos indica que o trabalho é mais produtivo. Por isso,
uma pequena variação em L compensa uma grande variação em K. Então D está errada.
Por fim, proporções fixas são típicas de insumos complementares perfeitos na produção, os
quase possuem isoquantas em L. E também está errada.
Gabarito: “b”
20. (2010/CESPE/DPU/Economista)
Em relação aos fatores de produção, assinale a opção correta.
a) A taxa marginal de substituição técnica do trabalho por capital é a razão entre as variações
das quantidades de trabalho e as de capital para se manter o mesmo nível de produção.
b) Isoquantas que representam proporções fixas dos fatores de produção são linhas retas com
inclinação negativa.
c) Fatores de produção representados por isoquantas convexas mostram que médias
ponderadas dos planos de produção serão factíveis.
d) Diferentes pontos sobre a mesma isoquanta mostram as diferentes combinações dos fatores
de produção bem como diferentes níveis de produção ocasionados por essas diferentes
combinações.
e) A taxa marginal de substituição técnica entre insumos de produção aumenta à medida que
se percorre a curva de isoquanta de cima para baixo.
Comentários:
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81
A alternativa “a” pode parecer correta, mas não está. Veja o exemplo abaixo:
Observe que a TMST entre trabalho e capital é igual a 2 (
∆𝐾
∆𝐿
=
2
1
). Isso significa que cada unidade
a menos de trabalho precisa de duas unidades de capital, e não o contrário, como afirma a
alternativa.
A alternativa “c” está correta e, por isso, é nosso gabarito.
Esses foram os comentários sucintos, mas preciso ser mais rigoroso e demonstrar que o
Cebraspe simplesmente copiou algumas passagens de autores consagrados para as alternativas
“a” e “c” mas, ao tirar do contexto, perderam o sentido.
A alternativa “a” vem de uma definição do livro do Pindick que foi mal traduzida na versão
publicada no Brasil:
A taxa marginal de substituição técnica do trabalho por capital é a quantidade que se pode
reduzir do insumo capital quando se utiliza uma unidade extra de insumo trabalho, de tal
forma que a produção se mantenha constante.
Portanto, quando ler algo assim, leia que a TMST de trabalho por capital é a quantidade de
trabalho adicional necessária para manter a produção por ter reduzido o capital.
Sobre a alternativa “c”, apenas copiaram a legenda de um gráfico do livro do Varian, que fora de
contexto perde o sentido. Afinal, o que quer dizer factível?
O que o Varian diz é que as médias ponderadas entre dois planos de produção (pontos sobre
a mesma isoquanta, ou seja, formas de combinar os fatores) produz pelo menos a mesma
quantidade que os planos. É isso que ele chama de factível.
E também faz sentido, uma vez que se traçarmos uma reta entre dois pontos sobre a mesma
isoquanta estritamente convexa, qualquer ponto sobre essa linha reta alcançará,
necessariamente, isoquantas mais altas. Na imagem, o plano de produção E é uma média entre
os planos C e F, alcançando a isoquanta U1, mais alta que U2.
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82
Conseguiu perceber o argumento?
De toda forma, apesar de mal elaborada, acredito que nessa questão "c" era a alternativa "menos
errada", de qualquer forma.
Gabarito: “c”
21. (2018/CESGRANRIO/TRANSPETRO/Analista Financeiro)
Em determinados processos produtivos, como os de petróleo e gás, quando os empresários
ampliam os investimentos em determinado percentual, a nova produção resultante tende a
aumentar numa proporção maior do que aquele percentual.
Esse resultado ocorre porque o setor produtor de petróleo e gás está sujeito a
a) retornos constantes de escala
b) retornos crescentes de escala
c) retornos decrescentes de escala
d) rendimentos crescentes dos fatores fixos
e) custos fixos de produção elevados
Comentários:
Quando a produção aumenta em proporção superior ao aumento nos fatores de produção,
estamos diante de retornos (ou rendimentos) crescentes de escala.
Gabarito: “b”
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83
22. (2010/CESPE/TJSE/Analista Judiciário - Economia e Estatística)
Uma taxa técnica de substituição entre dois fatores de produção decrescente mostra como a
razão dos produtos marginais varia a medida em que se aumenta a quantidade de um fator e
reduz-se a quantidade do outro fator de modo a permanecer sobre a mesma isoquanta.
Comentários:
Uma definição perfeita como esta dispensa comentários.
Gabarito: Certo
23. (2010/CESGRANRIO/Liquigás/Economia)
A função de produção de uma empresa é dada pela expressão Y= aKL, sendo Y o nível de
produção, K e L, as quantidades dos fatores de produção, e a é um parâmetro, todos medidos
nas unidades adequadas.
Conclui-se que a função de produção
a) é homogênea do grau 1.
b) é homogênea do grau 2.
c) implica que K e L sejam usados em proporção fixa.
d) implica que K e L sejam substitutos perfeitos.
e) implica retornos decrescentes de escala.
Comentários:
Basta somarmos o expoente dos fatores K e L. Ambos são iguais a 1. Quem dera todas as
questões pudessem ser resolvidas com “1+1”, não é mesmo?
Gabarito: “b”
24. (2009/CESGRANRIO/SFE/Economista)
Considere a função de produção Y=AKaL1-a, onde ‘Y’ é a produção, ‘K’ e ‘L’ são os fatores de
produção, ‘A’ e ‘a’ são parâmetros, sendo 0<a<1. Pode-se afirmar, corretamente, que
a) é uma função homogênea do grau zero.
b) o uso ótimo de K e L se dá em proporção fixa, quaisquer que sejam os preços dos fatores.
c) o fator de produção L não é substituível pelo fator K.
d) o valor de Y também dobra, dobrando-se os valores de K e L.
e) a função apresenta retornos crescentes de escala, se A > 1.
Comentários:
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Este é o formato mais comum das funções de produção Cobb-Douglas, inclusive quanto aos
rendimentos constantes de escala. Na função Y=AKaL1-a, o somatório dos expoentes “a” e “1-a”
será igual a 1, não importa qual valor assuma “a”.
Afinal, a soma dos expoentes será: a + (1 – a) = a + 1 – a = 1
Gabarito: “d”
25. (2017/FGV/IBGE/Analista Censitário - Análise Socioeconômica)
Com relação à teoria da produção, analise as afirmativas a seguir:
I. No longo prazo, uma função de produção dada por F(K,L)=min{2K;3L} apresenta retornos
decrescentes de escala.
II. Em uma estrutura de mercado perfeitamente competitiva, existe um número muito grande
de agentes econômicos e há livre entrada e saída de firmas desse mercado.
III. A isoquanta descreve combinações diferentes de insumos que geram a mesma quantidade
produzida.
Está correto o que se afirma em:
a) somente I;
b) somente I e II;
c) somente I e III;
d) somente II e III;
e) I, II e III.
Comentários:
As funções desse tipo (complementares perfeitos) costumam ter retornos constantes de escala.
Note que dobrar os insumos dobrará a produção. Com isso, já sabemos que a afirmativa I está
errada e que o gabarito é a letra “d”.
Mas vale a apena comentar que a afirmativa III, já que a II é sobre estruturas de mercado – tópico
não abordado nesta aula.
Sendo assim, a isoquanta realmente descreve combinações que geram a mesma quantidade.
Daí o nome iso (igual) + quanta (quantidade).
Gabarito: “d”
26. (2008/CESGRANRIO/BNDES/Profissional Básico - Economia)
A função de produção Q = min (aK, bL), onde Q = produto, K = fator capital, L = fator trabalho
e a e b são parâmetros, apresenta
a) retornos crescentes de escala se a + b > 1.
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b) retornos constantes de escala.
c) fatores de produção perfeitamente substitutos.
d) inovação tecnológica se a > b.
e) cada isoquanta como uma linha reta.
Comentários:
Estamos diante de uma função de produção com proporções fixas, típica de complementares
perfeitos. Nesses casos, sempre haverá rendimento (ou retorno) constante de escala.
Gabarito: “b”
27. (2018/CESPE/EBSERH/Analista Administrativo – Economia)
Curto prazo é o período em que a empresa pode ajustar sua produção de bens e serviços com
alteração de fatores variáveis, como, por exemplo, o trabalho.
Comentários:
No curto prazo, de fato, a empresa pode ajustar sua produção alterando a quantidade de fatores
variáveis empregados.
O trabalho é o exemplo clássico de fator variável, mas qualquer fator passível de ajustes no curto
prazo será variável.
Gabarito: Certo
28. (2018/CESPE/EBSERH/Analista Administrativo – Economia)
Segundo a lei dos rendimentos decrescentes, o produto marginal de cada unidade de
determinado fator de produção aumenta com o aumento da quantidade utilizada desse fator.
Comentários:
É justamente o contrário: a lei dos rendimentos decrescentes nos diz que, a partir de
determinado ponto, a unidade adicional de fator de produção terá produto marginal inferior ao
da unidade anterior.
A lei dos rendimentos marginais decrescentes determina que, quando aumentamos a
quantidade do fator de produção variável, mantendo o outro fator fixo, a produtividade marginal
do fator variável diminui a partir de determinado ponto.
Gabarito: Errado
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29. (2012/CESGRANRIO/Casa da Moeda/Analista)
A função de produção dada pela expressão Q = A.Kα. L.β. Tδ, na qual Q é o produto, K, L e T são
os fatores de produção e A, α, β e δ são parâmetros, apresenta
a) proporções fixas no uso dos fatores de produção.
b) externalidades, se A > (α + β + δ).
c) rendimentos crescentes de escala, se A > 1.
d) homogeneidade do grau 1, se α + β + δ = 1.
e) produto marginal de K decrescente, se α > 1.
Comentários:
a) proporções fixas no uso dos fatores de produção.
Errado. As funções que exigem proporções fixas são aquelas no formato
q=min(K,L). A função expressa no enunciado permite qualquer proporção entre os
bens, mas cada umairá gerar um nível diferente de produto (q).
b) externalidades, se A > (α + β + δ).
É possível que existam externalidades se A for maior ou menor do que 1, contudo
isso não tem relação com o somatório dos expoentes α, β e δ. Isso também é
assunto que foge ao escopo do tema.
c) rendimentos crescentes de escala, se A > 1.
Se A for maior do que 1 fica caracterizada apenas uma externalidade positiva, e não
um rendimento crescente de escala, que sabemos acontecer quando o somatório
dos expoentes é maior do que 1.
d) homogeneidade do grau 1, se α + β + δ = 1.
Soma dos expoentes das variáveis = grau da homogeneidade.
Somatório 1 = grau 1 = rendimentos constantes de escala
Portanto, este é nosso gabarito.
e) produto marginal de K decrescente, se α > 1.
É justamente o contrário. Se α for maior do que 1, significa que ao dobrar
isoladamente o insumo K, sua “contribuição” à produção total mais do que dobra.
Exemplo: se α fosse igual a 2, e K for igual a 4, sua “contribuição” na produção será
de 16 (4²), se dobrarmos K, a produção deste insumo passa a ser 64 (8²), ou seja, o
produto marginal de K quadriplica.
Gabarito: “d”
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30. (2016/FGV/Codeba/Analista Portuário - Economista)
Considere uma função de produção do tipo
f (x, y) = x2 + y,
em que x e y são os insumos para se produzir um determinado produto.
Essa função apresenta retornos de escala
a) constantes.
b) crescentes.
c) decrescentes.
d) indeterminados.
e) crescentes em x e constantes em y.
Comentários:
Note que essa não é uma função Cobb-Douglas, pois os fatores não estão sendo multiplicados,
mas somados. Isso significa que não basta somar os expoentes para descobrir o grau da função.
Uma abordagem simples seria imputarmos valores arbitrários e, em seguida, multiplicá-los por
2, conferindo o efeito disso na quantidade produzida. Comecemos com x e y iguais a 2. Depois,
eles serão iguais a 4:
x2 + y = 2²+2=6
x2 + y = 4²+4=20
Portanto, a produção mais do que dobrou ao dobrarmos os insumos. Isso significa rendimentos
crescentes de escala.
Gabarito: “b"
31. (2018/FGV/ALERO/Analista Legislativo – Economia)
Considere uma empresa cuja função de produção seja igual a f (x,y) = xy.
Em relação a essa função de produção, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a
verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A função de produção apresenta retornos constantes de escala.
( ) A firma produz a taxas marginais decrescentes para x e y.
( ) A função de produção é homogênea de grau 2.
Na ordem apresentada, as afirmativas são, respectivamente,
a) V – V – V.
b) V – F – V.
c) V – F – F.
d) F – V – V.
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e) F – F – V.
Comentários:
Vamos à análise de cada uma das afirmações.
( ) A função de produção apresenta retornos constantes de escala.
O tipo de retorno – decrescente, constante ou crescente – pode ser determinado pelo grau
da função de produção, dado pela soma dos expoentes.
Como a função é x.y, estão implícitos os expoentes 1 de x e de y: x1x1, determinando o
grau da função em 2 e, consequentemente, seus rendimentos crescentes de escala.
Afirmativa falsa.
( ) A firma produz a taxas marginais decrescentes para x e y.
Desta vez, a questão quer saber a taxa marginal individual de x e de y.
Vamos testar: suponha que x=5 e y=3.
Isso nos dá uma produção de 5.3=15.
Agora, vamos supor que dobremos x.
Com isso, fica 10.3=30.
Quando x dobrou, a produção também dobrou.
Neste tipo de função Cobb-Douglas, o expoente 1 sempre indicará rendimentos
constantes dos fatores individuais.
Afirmativa falsa.
( ) A função de produção é homogênea de grau 2.
Já sabemos que sim, pois a soma dos expoentes é exatamente 2.
Afirmativa verdadeira.
Gabarito: “e”
32. 2012/CESGRANRIO/CASA DA MOEDA/Analista)
Considere uma função de produção tipo Cobb-Douglas definida por Pt = A.Kα.Lβ, onde P é a
quantidade de produto, K e L, as quantidades dos fatores de produção capital e trabalho,
respectivamente, e A, α e β, parâmetros conhecidos.
Caso aumente o nível de utilização dos dois fatores de produção em uma mesma proporção, e
o produto obtido cresça numa proporção ainda maior, ocorrerá(ão) então,
a) existência de lucros maiores com ganhos de escala na produção
b) função de produção homogênea de primeiro grau
c) produção com rendimentos constantes de escala
d) pontos acima da curva de possibilidade de produção
e) rendimentos crescentes de escala
Comentários:
O que importa aqui é a afirmação “Caso aumente o nível de utilização dos dois fatores de
produção em uma mesma proporção, e o produto obtido cresça numa proporção ainda maior,
ocorrerá(ão) então...”. Ora, essa é a definição exata de rendimentos crescentes de escala.
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Dica: Às vezes o enunciado vem cheio de símbolos, letras gregas, discursos de políticos – entre
outras coisas de difícil compreensão – só estão lá para meter medo. Nesta questão, por exemplo,
só importa mesmo o segundo parágrafo.
Gabarito: “e”
33. (2018/FCC/ALESE/Analista Legislativo – Economia)
Suponha que a produção de um bem está sujeita a proporções fixas, isto é, quando uma, e
somente uma, combinação de insumos pode produzir esse dado bem. Nesse caso,
a) obtém-se uma função de produção denominada Cobb-Douglas.
b) obtêm-se isoquantas que se interceptam toda vez que a quantidade de insumos apresenta
uma relação constante.
c) a grandeza dos insumos decresce para pontos mais afastados da origem, em um gráfico que
relaciona as quantidades dos dois insumos.
d) o nível de produto permanece constante e a proporção dos insumos varia continuamente
para movimentos ao longo da isoquanta.
e) obtêm-se isoquantas com formato em “L”.
Comentários:
Vimos duas isoquantas especiais nesta aula. Uma delas é justamente a que tem forma em “L”, e
decorre de fatores de produção que demandam proporções fixas.
Gabarito: “e”
34. (2016/FCC/PGE MT/Economista)
A lei dos retornos marginais decrescentes afirma:
a) O produto total cai à medida que mais do insumo é adicionado à produção.
b) A receita total cai quando o produto aumenta, mantendo a tecnologia fixa.
c) A utilidade cai quando mais do bem é consumido.
d) A quantidade demandada do bem cai quando o preço sobe.
e) O produto marginal, a partir de um dado momento, cai à medida que mais insumo é
empregado.
Comentários:
A questão é apenas conceitual, e a alternativa “e” define corretamente a afirmação da lei dos
retornos marginais decrescentes.
Gabarito: “e”
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35. (2018/IADES/IGEPREV – PA/Técnico - Administração e Finanças)
Seja a função de produção representada por Y = f(K,L), em que K e L são os fatores de produção
capital e trabalho, respectivamente.Dadas as curvas de produto total (PT) e de produto marginal (PMg) apresentadas, sendo K o
fator fixo e L o fator variável, assinale a alternativa correta.
a) Para L > L’; PMg < 0.
b) Quanto maior for L, maior será o PT.
c) Quanto maior for K, menor será o PMg.
d) A variação do fator L não afeta o PT.
e) Para PMg > 0; o PT é máximo.
Comentários:
Aqui, o que conta é a interpretação gráfica.
Vou analisar de trás para frente, por motivos que ficarão evidentes no final.
e) Para PMg > 0; o PT é máximo.
PT será máximo quando PMG = 0, e não quando for maior. Por isso, a alternativa está
errada.
d) A variação do fator L não afeta o PT.
É evidente que afeta. É exatamente isso que o gráfico nos mostra; a variação em PT
decorrente da variação de L.
c) Quanto maior for K, menor será o PMg.
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Apesar de sabermos que K é um fator de produção, sabemos também que ele é fixo, e,
portanto, trata-se de uma análise de curto prazo.
Como K não pode variar, a alternativa “c” não faz sentido.
b) Quanto maior for L, maior será o PT.
Isso só é verdade até o ponto L’. A partir daí, quanto maior L, menor será PT. A
generalização torna a alternativa errada.
a) Para L > L’; PMg < 0.
De fato, a partir de L’, PMg se torna negativa. Aqui está nosso gabarito e o motivo pelo
qual deixei a alternativa por último.
Gabarito: “a”
36. (2012/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Com base na teoria microeconômica, julgue (C ou E) o item que se segue.
Sabendo-se que a função de serviços administrativos de determinado órgão público exige um
computador para cada funcionário, conclui-se que as isoquantas entre esses dois insumos são
formadas por linhas retas paralelas, cuja inclinação é igual a -1.
Comentários:
A questão está determinando uma proporção fixa entre trabalho e capital: um computador para
um funcionário.
Portanto, eles se complementam perfeitamente, e suas isoquantas terão formato de “L”, não de
linhas paralelas.
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Portanto, a função seria q=min(K,L).
Gabarito: Errado
37. (2010/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata)
Considerando a teoria da produção e dos custos, que fornece importantes elementos para a
análise da formação de preços em distintos ambientes de mercado, julgue C ou E.
Se, para determinada empresa, trabalhadores sem qualificação específica e máquinas executam
exatamente o mesmo tipo de tarefa, então, para essa empresa, as isoquantas entre esses dois
insumos podem ser representadas como linhas retas paralelas.
Comentários:
A questão determinou que trabalho e capital podem ser livremente substituídos, pois executam
o mesmo tipo de tarefa. Sendo assim, realmente as isoquantas serão retas paralelas:
Gabarito: Certo
38. (2016/CESGRANRIO/TRANSPETRO/Auditor Júnior)
A função de produção Q = 10.K0,3.L0,7, onde Q é a quantidade produzida, e K e L são as
quantidades dos fatores de produção, representa uma tecnologia com
a) retorno crescente de escopo
b) retorno constante de escala
c) produto marginal do capital constante
d) produto marginal do trabalho constante
e) isoquantas em forma de ângulo reto
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Comentários:
Veja que o grau da função, que é do tipo Cobb-Douglas, é 1 (0,3+0,7), e, portanto, ela apresenta
rendimentos (retorno) constante de escala.
A alternativa “a” está errada, porque a questão nada nos informa sobre retornos de escopo, pois
isso está relacionado à produção de dois ou mais bens. Nesse caso, temos apenas um,
representado por “Q”.
Já sabemos também como avaliar o rendimento marginal dos insumos por seus respectivos
expoentes, e nesse caso ambos são decrescentes, tornando “c” e “d” erradas.
Por fim, a alternativa “e” fala de isoquantas de ângulo reto, que significa um ângulo de 90 graus:
são as isoquantas em “L” dos complementares perfeitos, cujas funções são do tipo Leontief (min).
Gabarito: “b”
39. (2018/FCC/SEF - SC/Auditor Fiscal da Receita Estadual)
Os rendimentos decrescentes de escala
a) são representados por um espaçamento decrescente das isoquantas à medida que a
quantidade de insumos combinados aumenta, em uma dada função de produção.
b) são mais prováveis na indústria de transformação que no setor de serviços, pois, este, em
geral, apresenta menor investimento em equipamentos de capital.
c) são representados por isoquantas cada vez mais distantes entre si, conforme os níveis de
produção aumentam proporcionalmente.
d) são definidos pela taxa de crescimento do produto ao passo que os insumos são mantidos
constantes.
e) tornam mais vantajosa a operação de uma única grande empresa, do que a de muitas
pequenas empresas, quando predominam em dado setor
Comentários:
Vimos como ficam as isoquantas em caso de rendimentos constantes ou crescentes.
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Aqui, temos rendimentos constantes de
escala. Quando dobramos capital e
trabalho, dobramos também o produto.
O espaço entre as isoquantas é igual.
Esse gráfico, por outro lado, apresenta
rendimentos crescentes de escala.
Quando dobramos capital e trabalho, o
produto triplica. As isoquantas vão ficando
cada vez mais próximas.
Naturalmente, em caso de rendimentos decrescentes teremos o contrário do que ocorre quando
são crescentes: as isoquantas ficam cada vez mais distantes.
Gabarito: “c”
40. (2018/VUNESP/SJC/Economista)
As isoquantas são curvas que representam todas as possíveis combinações de insumos de
produção que geram o mesmo produto final. São curvas convexas que demonstram que para
manter o produto total igual
a) o acréscimo de um insumo requer o aumento do outro.
b) a quantidade de um insumo não pode sofrer alterações.
c) o acréscimo de um insumo requer a redução do outro.
d) os insumos deverão permanecer inalterados.
e) o insumo tecnologicamente mais avançado deverá ser escolhido.
Comentários:
É exatamente isso que as curvas Isoquantas nos mostrarão: quais combinações entre as
quantidades dos dois insumos resulta na mesma quantidade de produto.
Naturalmente, se reduzirmos a quantidade de trabalho, deveremos aumentar a quantidade de
capital para manter a mesma quantidade produzida. Por isso elas são negativamente inclinadas.
Gabarito: “c”
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41. (2017/CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional – Economia)
A produtividade marginal é obtida a partir da divisão do produto total pelo fator variável
trabalho.
Comentários:
O que se obtém a partir dadivisão do produto total pelo fator variável do trabalho é o produto
médio do fator variável.
Gabarito: Errado
42. (2017/FCC/ARTESP/Especialista em Regulação de Transporte – Economia)
Em uma função de produção do tipo F = AKαLβ, com A, α e β positivos, a empresa
a) tem rendimentos decrescentes de escala se A < 1.
b) tem rendimentos crescentes de escala se α e β > 1.
c) apresenta rendimento constante de escala, independentemente do valor de α e β.
d) alcançará rendimento constante de escala se A = 1.
e) produzirá menos, a um dado nível de K e L, quanto maior o valor de A.
Comentários:
Quando uma função do tipo Cobb-Douglas tem rendimentos crescentes de escala, a soma entre
os expoentes dos fatores α e β é maior que 1.
A alternativa “b” fala que cada expoente é maior do que 1, então a soma entre eles também será.
Logo, está trata-se de uma função com rendimentos crescentes de escala.
Neste caso, dobrar a quantidade de insumos mais do que dobrará a produção.
Gabarito: “b”
43. (2016/CESPE/DPU/Economista)
A respeito das funções de produção e suas propriedades, julgue o seguinte item, considerando
os insumos x e y e a produção Q.
A função Q = -5 + x + y indica que os bens são substitutos, sendo a taxa marginal de substituição
entre os dois bens igual a 1.
Comentários:
A TMS entre os dois bens nos dirá quanto de um deles temos que acrescentar quando retiramos
alguma quantidade do outro, mantendo constante a quantidade produzida.
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Uma demonstração vai deixar claro como funciona nesse tipo de função.
A única coisa que você precisa fazer para concluir que são substitutos perfeitos, é colocar uma
quantidade qualquer do insumo “x”, ver quanto produz e depois substituir pela mesma
quantidade do insumo “y”. Olha só:
Se produzirmos com 100 unidades de “x” e 0 (zero) unidades de “y”, teremos:
Q = -5 + x + y
Q = -5 + 100 + 0
Q = 95
E se invertermos e utilizarmos 0 unidades de “x” e 100 de “y”:
Q = -5 + x + y
Q = -5 + 0 + 100
Q = 95
Viu só? Tanto faz utilizar “x” ou “y”, e tanto faz é a própria definição de substitutos.
Note que as funções de produção que têm esse formato aditivo, ou seja, um sinal de "mais" entre
os insumos, implicará em substitutos.
Gabarito: Certo
44. (2016/FGV/IBGE/Tecnologista – Economia)
Considere uma função de produção F que conta com apenas dois insumos: capital, K, e
trabalho, L, e apresenta a propriedade de retornos decrescentes de escala. Essa função F(K,L)
pode ser descrita por:
a) F(K,L) = K0,6L0,3;
b) F(K,L) = min{2K,L};
c) F(K,L) = 5K + 4L;
d) F(K,L) = 0,7KL;
e) F(K,L) = 20K0,5L0,5.
Comentário:
Sabemos que [1] o grau da função de produção define o tipo de retornos de escala e [2] que o
grau é determinado pela soma dos expoentes nas funções do tipo Cobb-Douglas.
Há três funções desse tipo, nas alternativas “a”, “d” e “e”, então recomendo que comece por elas.
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Logo de cara, vamos que a função da alternativa “a” terá grau 0,9 (0,6+0,3). Como qualquer grau
menor do que 1 implica em rendimentos decrescentes de escala, ela já é nosso gabarito.
Fique à vontade para calcular o grau das demais funções e chegar a conclusões sobre elas.
Gabarito: “a”
45. (2016/CESPE/TCE – SC/Auditor Fiscal de Controle Externo)
Em uma firma que opera com capital constante no curto prazo, aumento na quantidade de
trabalho faz que o produto marginal e o produto médio do trabalho cresçam e depois tendam
a cair. Nesse processo, enquanto o produto médio cresce, o produto marginal é maior que o
médio; e, enquanto o produto médio diminui, o produto marginal é menor que o produto
médio.
Comentários:
Devemos nos concentrar na afirmação de que “enquanto o produto médio cresce, o produto
marginal é maior que o médio; e, enquanto o produto médio diminui, o produto marginal é
menor que o produto médio”.
Ora, isso é verdade, como podemos constatar ao analisar as curvas de produção:
Gabarito: Certo
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46. (2016/CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo)
A taxa marginal de substituição técnica em cada ponto da isoquanta corresponde à quantidade
de capital que pode ser substituída por determinada quantidade de trabalho com o objetivo de
aumentar a produção.
Comentários:
As isoquantas, como podemos extrair do termo “iso”, trata de mesmas quantidades.
O erro da questão está ao falar em “aumentar a produção”.
Gabarito: Errado
47. (2016/CESPE/TCE – SC/Auditor Fiscal de Controle Externo)
Constitui exemplo de rendimentos de escala crescentes a função de produção X = 0,5KL, em
que X é a produção física total, K é a quantidade dos recursos de capital e L é a quantidade de
trabalho.
Comentários:
X = 0,5KL é uma função de grau 2, como podemos interpretar pelos expoentes implícitos:
X = 0,5K1L1
Portanto, ela é mesmo um exemplo de rendimentos crescentes de escala.
Gabarito: Certo
48. (2014/IDECAN/BANDES/Economista)
Considere a função de produção de um serralheiro de janelas como sendo P=10x(2/3), em que
P é o número de janelas produzidas por semana, com certo número fixo de funcionários, e x o
número de soldadeiras utilizadas.
Quantas janelas serão produzidas por semana, caso sejam utilizadas nove soldadeiras?
a) 40.
b) 50.
c) 60.
d) 70.
e) 80.
Comentários:
A questão é mais álgebra do que economia.
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital)
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Basta substituir “x”, que representa o número de soleiras, por 9, que foi o informado pela banca:
P=10x(2/3)
P=10.9.(2/3)
P=90.(2/3)
P=180/3
P=60
Gabarito: “c”
49. (2016/FCC/ELETROSUL/Economista)
Considere que uma firma pode utilizar dois insumos, A e B, como substitutos perfeitos, podendo
ser utilizados conjuntamente.
Se a isoquanta é dada por 24 = 6a + 3b, é correto afirmar que a Taxa Marginal de Substituição
Técnica − TMST
a) de A para B é de 8,0.
b) de B para A não varia ao longo da isoquanta.
c) representa a inclinação positiva da isoquanta.
d) evidencia, para este caso, a preferência da firma pelo insumo B.
e) de B para A é de 6,0.
Comentários:
A função neste formato (6a + 3b) demonstra que os insumos “a” e “b” são substitutos perfeitos
na produção.
Se traçarmos essa isoquanta que representa 24 unidades, com “a” no eixo horizontal e “b” no
eixo vertical, teremos o seguinte:
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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Isso faz todo o sentido, não é? E já temos nossa resposta, pois a isoquanta é linear e, portanto,