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Denys Brito

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CÓD: SL-116JN-24
7908433247692
CONCURSO NACIONAL UNIFICADO
CNU
Bloco 8 - Nível 
Intermediário: 
Técnico em Indigenismo, Técnico em Informações 
Geográficas e Estatísticas, Agente de atividades 
agropecuárias, Agente de inspeção sanitária e industrial de 
produtos de origem animal, Técnico de laboratório
a solução para o seu concurso!
Editora
EDITAL N. º 08/2024 - CONCURSO PÚBLICO NACIONAL 
UNIFICADO, 10 DE JANEIRO DE 2024.
INTRODUÇÃO
a solução para o seu concurso!
Editora
Como passar em um concurso público?
Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro 
estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação. É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como 
estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação.
Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução 
preparou esta introdução com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação.
Então mãos à obra!
• Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter 
que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho;
• Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você 
tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma 
área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área;
• Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito, 
determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não 
pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total;
• Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É 
praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha 
contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo;
• Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto 
estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque 
refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação.
• Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses 
materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais 
exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame;
• Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma 
menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é 
tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse.
A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo 
com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos.
Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação 
e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial.
A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Vamos juntos!
Instituto Nacional de 
Estudos e Pesquisas 
Educacionais Anísio Teixeira- 
INEP
Pesquisador-Tecnologista em Informações e Avaliações 
Educacionais
50
TOTAL
TEMOS MATERIAL DO ESTRATEGIA CONCURSOS, ALFACON E 
ETC
DIEGO ALVES - MATERIAL: Informação No Whatssap
Link WhatsApp - https://wa.me/message/NLS47D2PLJJBL1 GRUPO DE ESTUDO 
NACIONAL UNIFICADO - 1
https://chat.whatsapp.com/GJSbrKIZP3gGIzaZG60MNt 
GRUPO DE ESTUDO NACIONAL UNIFICADO - 2 
https://chat.whatsapp.com/LIrW6kfhlJe4ERWRQbSJcD
PÒ
S E
DIT
AL 
INC
LUS
O -
 20
24
https://wa.me/message/NLS47D2PLJJBL1
https://chat.whatsapp.com/GJSbrKIZP3gGIzaZG60MNt
https://chat.whatsapp.com/LIrW6kfhlJe4ERWRQbSJcD
 
 
 
CNU/BLOCO 1 
https://chat.whatsapp.com/GmjGaOLVXiu3kb574z5Plx 
 
 
CNU/BLOCO 2 
https://chat.whatsapp.com/IkIBMJhD94hCna5EmnLxk1 
 
 
CNU/BLOCO 3 
https://chat.whatsapp.com/FuHdloHi0LPIdGEX7canRi 
 
 
CNU/BLOCO 4 
https://chat.whatsapp.com/KxruthjfCHPLvzant8LIgF 
 
 
CNU/BLOCO 5 
https://chat.whatsapp.com/KqALpNQgUI37hw5eo9anVT 
 
 
CNU/BLOCO 6 
https://chat.whatsapp.com/DGSZAFFebaFAk4dQ4qsdax 
 
 
CNU/BLOCO 7 
https://chat.whatsapp.com/I2S6SPJp8owBoLwPpVLAF7 
 
 
CNU/BLOCO 8 
https://chat.whatsapp.com/CWb7G41ntVN33pCv6aPnGg 
 
 
 
 
📍🏦 Caixa Economia Federal: 
 
📲Grupo para estudos do concurso CEF: https://chat.whatsapp.com/Gu8dojcPGubFgZ1wdLyCvy 
 
📍🏦Casa da Moeda: 
 
📲Grupo para estudos do concurso Casa da Moeda: https://chat.whatsapp.com/IUuUXovGTwpJi3dIbxSHGL 
 
📍🏦 Banco do Nordeste: 
 
📲Grupo para estudos do concurso Banco do Nordeste: 
https://chat.whatsapp.com/DNufgDHV1tH9ry6lHmGPVo 
 
📍🏦 Banco Regional de Brasília S.A 
 
📲Grupo para estudos do concurso BRB: https://chat.whatsapp.com/E7cNW8pMTsa3ebfQlOxVGF 
 
https://chat.whatsapp.com/GmjGaOLVXiu3kb574z5Plx
https://chat.whatsapp.com/IkIBMJhD94hCna5EmnLxk1
https://chat.whatsapp.com/FuHdloHi0LPIdGEX7canRi
https://chat.whatsapp.com/KxruthjfCHPLvzant8LIgF
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https://chat.whatsapp.com/DGSZAFFebaFAk4dQ4qsdax
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https://chat.whatsapp.com/CWb7G41ntVN33pCv6aPnGg
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https://chat.whatsapp.com/IUuUXovGTwpJi3dIbxSHGL
https://chat.whatsapp.com/DNufgDHV1tH9ry6lHmGPVo
https://chat.whatsapp.com/E7cNW8pMTsa3ebfQlOxVGF
📍🏦 Bacen 
 
📲 Grupo para estudos do concurso BACEN: https://chat.whatsapp.com/DuQJywopuLS7NYB8IRJvez 
 
GRUPO DE ESTUDO NACIONAL UNIFICADO 4 - TSE Unificado (Tribunal Superior Eleitoral) 
 
https://chat.whatsapp.com/GvwffIs05wI6GuZwWnSw8y 
 
GRUPO DE ESTUDO NACIONAL UNIFICADO 5 - TSE Unificado (Tribunal Superior Eleitoral) 
 
https://chat.whatsapp.com/LExVf6ftoXcDkQdySi0o1V 
 
 
AFT – AUDITOR _ FISCAL – 2024 
 
https://chat.whatsapp.com/CAAK0jQt2kCBhTl9xtI0dF 
 
 
 
https://chat.whatsapp.com/DuQJywopuLS7NYB8IRJvez
https://chat.whatsapp.com/GvwffIs05wI6GuZwWnSw8y
https://chat.whatsapp.com/LExVf6ftoXcDkQdySi0o1V
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📂MATERIAL 🔖Videos [ Aulas ] - 🔖Simulados - 🔖Exercícios [ Questões ] 
🔖Plataforma (Google drive) - 🔖Pdfs 
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• Lançamentos 2024 -
• Pacote - EsFCEx e EsSEX (Direito) Pacote - (Pós-Edital)
• Pacote - BACEN (Analista - Área 3 - Política Econômica e Monetária) Pacotaço - Pacote
• Pacote - UFRJ (Assistente em Administração) Pacote -
• Pacote - 01.INSS (Técnico do Seguro Social) Pacote Completo - 2024 (Pré-Edital) -
• Pacote - SEFAZ-PI (Auditor Fiscal) Pacote - 2024 (Pré-Edital)
• Pacote - 4. SEMEC-Teresina (Professor - Matemática) Pacote - 2024 (Pré-Edital)
• SEE-SP (Professor Ensino Fundamental e Médio - Matemática) Conhecimentos
Específicos - 2023 
• Pacote - UFPA (Técnico em Tecnologia da Informação) Pacote - 2024 
• Pacote - Prefeitura de Olinda-PE (Guarda Municipal) Pacote - 2023
• Pacote - TRANSPETRO (Engenheiro(a) Júnior - Produção) Pacote - 2023
•Pacote - SME-Caruaru (Professor II - Matemática) Pacote - 2024 
• Pacote - Prefeitura de Rio Branco-AC (Técnico Previdenciário) Pacote - 2024
• Pacote - ALE-MA (Técnico de Gestão Administrativa - Analista de Suporte de Rede)
• Pacote - SEED-PR (Professor - Matemática) Pacote - 2023
• Pacote - SME-Caruaru (Professor II - Educação Física) Pacote - 2023
• Pacote - UFJF (Assistente em Administração) Pacote - 2023
• Pacote - MAPA (Auditor Fiscal Federal Agropecuário - Médico Veterinário) Pacote
DIEGO ALVES - MATERIAL: Informação No Whatssap
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GRUPO DE ESTUDO 
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Realce
ÍNDICE
a solução para o seu concurso!
Editora
Língua Portuguesa
1. Compreensão de textos. ........................................................................................................................................................... 7
2. A organização textual dos vários modos de organização discursiva. ......................................................................................... 10
3. Coerência e coesão. ................................................................................................................................................................... 17
4. Ortografia. ................................................................................................................................................................................. 18
5. Classe, estrutura, formação e significação de vocábulos. ......................................................................................................... 19
6. Derivação e composição. ........................................................................................................................................................... 34
7. A oração e seus termos. A estruturação do período ................................................................................................................. 34
8. As classes de palavras: aspectos morfológicos, sintáticos e estilísticos ..................................................................................... 37
9. Linguagem figurada ................................................................................................................................................................... 37
10. Pontuação .................................................................................................................................................................................. 37
Noções de Direito
1. I – DIREITO E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: Direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade, 
à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania; garantias constitucionais individuais; garantias dos 
direitos coletivos, sociais e políticos .......................................................................................................................................... 51
2. II – A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: Administração pública (artigos de 37 a 41, da Constituição Federal de 1988) .................... 61
3. III - Direito administrativo: conceito, fontes e princípios ........................................................................................................... 67
4. Organização administrativa da União; administração direta e indireta ..................................................................................... 70
5. Agentes públicos: poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos; Regime Jurídico Único (Lei nº 
8.112/1990 e suas alterações): provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime 
disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa ..................................................................................................... 74
6. Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do 
poder ......................................................................................................................................................................................... 115
7. Ato administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória; classificação, espécies e exteriorização; 
vinculação e discricionariedade ................................................................................................................................................. 122
8. Serviços Públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; delegação: concessão, permissão, autorização .......... 133
9. Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo; responsabili-
dade civil do Estado. Sanções aplicáveis aos atos de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992 e suas alterações) ....... 145
10. Lei do Processo Administrativo (Lei nº 9.784/1999 e suas alterações) ...................................................................................... 165
Matemática
1. Conjuntos numéricos: naturais, inteiros, racionais e reais; múltiplos, divisores, números primos ........................................... 179
2. potências e raízes ....................................................................................................................................................................... 193
3. Sistemas de Unidades de Medidas: comprimento, área, volume, massa e tempo ................................................................... 195
4. Razão e proporção: regra de três simples e regra de três composta ......................................................................................... 199
5. porcentagem .............................................................................................................................................................................. 204
6. juros simples e juros compostos ................................................................................................................................................ 205
7. Equação do 1º grau, equação do 2º grau, sistemas de equações; equações exponenciais e logarítmicas ............................... 207
8. Funções: afins, quadráticas, exponenciais, logarítmicas ............................................................................................................ 213
9. Progressões aritméticas e geométricas ..................................................................................................................................... 221
ÍNDICE
a solução para o seu concurso!
Editora
10. Análise combinatória: princípio fundamental da contagem, permutação, arranjo e combinação. Probabilidade .................... 223
11. Estatística básica: leitura e interpretação de dados representados em tabelas e gráficos ........................................................ 227
12. medidas de tendência central (média, mediana, moda ............................................................................................................ 232
13. Geometria plana: polígonos, circunferência, círculo, teorema de Pitágoras, trigonometria no triângulo retângulo; perímetros 
e áreas........................................................................................................................................................................................ 234
14. Geometria espacial: prisma, pirâmide, cilindro, cone e esfera; áreas e volumes ...................................................................... 238
Realidade Brasileira
1. Formação do Brasil contemporâneo: Da independência à República........................................................................................ 245
2. Primeira República: elite agrária e a políticada economia cafeeira .......................................................................................... 246
3. O Estado Getulista ..................................................................................................................................................................... 252
4. Democracia e rupturas democráticas na segunda metade do século XX .................................................................................. 254
5. A redemocratização e a busca pela estabilidade econômica ..................................................................................................... 256
6. História dos negros no Brasil: luta antirracista, conquistas legais e desafios atuais .................................................................. 257
7. História dos povos indígenas do Brasil: luta por direitos e desafios atuais ................................................................................ 261
8. Dinâmica social no Brasil: estratificação, desigualdade e exclusão social .................................................................................. 271
9. Manifestações culturais, movimentos sociais e garantia de diretos das minorias ..................................................................... 274
10. Desenvolvimento econômico, concentração da renda e riqueza .............................................................................................. 276
11. Desenvolvimento sustentável e meio ambiente. ........................................................................................................................ 295
12. Biomas brasileiros: uso racional, conservação e recuperação .................................................................................................... 296
13. Matriz energética: fontes renováveis e não renováveis .............................................................................................................. 303
14. Mudança climática ...................................................................................................................................................................... 303
15. Transição energética ................................................................................................................................................................... 308
16. População: estrutura, composição e dinâmica. .......................................................................................................................... 310
17. Desenvolvimento urbano brasileiro: redes urbanas; metropolização; crescimento das cidades e problemas urbanos ............ 313
18. Infraestrutura urbana e segregação socioespacial...................................................................................................................... 314
19. Desenvolvimento rural brasileiro: estrutura e concentração fundiária; sistemas produtivos e relação de trabalho no campo 314
20. A inserção do Brasil no sistema internacional. .......................................................................................................................... 318
21. Estado Democrático de Direito: a Constituição de 1988 e a afirmação da cidadania ................................................................ 328
7
a solução para o seu concurso!
Editora
LÍNGUA PORTUGUESA
COMPREENSÃO DE TEXTOS
Definição Geral
Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois 
sempre que compreendemos adequadamente um texto e o objetivo 
de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é 
do que as conclusões específicas. Exemplificando, sempre que 
nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, 
a resposta será localizada no próprio no texto, posteriormente, 
ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão fundamentada 
em nossos conhecimentos prévios. 
Compreensão de Textos 
Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do 
que está explícito no texto, ou seja, na identificação da mensagem. 
É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso 
da capacidade de entender, atinar, perceber, compreender. 
Compreender um texto é apreender de forma objetiva a mensagem 
transmitida por ele. Portanto, a compreensão textual envolve a 
decodificação da mensagem que é feita pelo leitor. Por exemplo, 
ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos 
a mensagem transmitida por ela, assim como o seu propósito 
comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado 
evento. 
Interpretação de Textos 
É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os 
resultados aos quais chegamos por meio da associação das ideias 
e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar 
é decodificar o sentido de um texto por indução. 
A interpretação de textos compreende a habilidade de se 
chegar a conclusões específicas após a leitura de algum tipo de 
texto, seja ele escrito, oral ou visual. 
Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado 
da leitura, integrando um conhecimento que foi sendo assimilado 
ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, 
podendo ser diferente entre leitores. 
Exemplo de compreensão e interpretação de textos
Para compreender melhor a compreensão e interpretação de 
textos, analise a questão abaixo, que aborda os dois conceitos em 
um texto misto (verbal e visual):
FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Espe-
cial > 2015
Português > Compreensão e interpretação de textos
A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social.
“A Constituição garante o direito à educação para todos e a 
inclusão surge para garantir esse direito também aos alunos com 
deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou 
menos severas.”
A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta.
(A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 
1988.
(B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos 
severas.
(C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes 
ou não.
(D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser in-
cluídos socialmente.
(E) “Educação para todos” inclui também os deficientes.
Comentário da questão:
Em “A” o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas 
com deficiência, ou seja, inclusão de pessoas na sociedade. = 
afirmativa correta.
Em “B” o complemento “mais ou menos severas” se refere à 
“deficiências de toda ordem”, não às leis. = afirmativa incorreta.
Em “C” o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/
adição das pessoas portadoras de deficiência ao direito à educação, 
além das que não apresentam essas condições. = afirmativa correta.
Em “D” além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o 
texto destaca que podem ser “permanentes ou temporárias”. = 
afirmativa correta.
Em “E” este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes. = 
afirmativa correta.
Resposta: Logo, a Letra B é a resposta Certa para essa questão, 
visto que é a única que contém uma afirmativa incorreta sobre o 
texto. 
LÍNGUA PORTUGUESA
88
a solução para o seu concurso!
Editora
IDENTIFICANDO O TEMA DE UM TEXTO
O tema é a ideia principal do texto. É com base nessa ideia 
principal que o texto será desenvolvido. Para que você consiga 
identificar o tema de um texto, é necessário relacionar as diferen-
tes informações de forma a construir o seu sentido global, ou seja, 
você precisa relacionar as múltiplas partes que compõem um todo 
significativo, que é o texto.
Em muitas situações, por exemplo, você foi estimulado a ler um 
texto por sentir-se atraído pela temática resumida no título. Pois o 
título cumpre uma função importante: antecipar informações sobre 
o assunto que será tratado no texto.
Em outras situações, você pode ter abandonado a leitura por-
que achou o título pouco atraente ou, ao contrário, sentiu-se atraí-
do pelo título de um livro ou de um filme, por exemplo. É muito 
comum as pessoas se interessarem por temáticas diferentes, de-
pendendodo sexo, da idade, escolaridade, profissão, preferências 
pessoais e experiência de mundo, entre outros fatores.
Mas, sobre que tema você gosta de ler? Esportes, namoro, se-
xualidade, tecnologia, ciências, jogos, novelas, moda, cuidados com 
o corpo? Perceba, portanto, que as temáticas são praticamente in-
finitas e saber reconhecer o tema de um texto é condição essen-
cial para se tornar um leitor hábil. Vamos, então, começar nossos 
estudos?
Propomos, inicialmente, que você acompanhe um exercício 
bem simples, que, intuitivamente, todo leitor faz ao ler um texto: 
reconhecer o seu tema. Vamos ler o texto a seguir?
CACHORROS
Os zoólogos acreditam que o cachorro se originou de uma 
espécie de lobo que vivia na Ásia. Depois os cães se juntaram aos 
seres humanos e se espalharam por quase todo o mundo. Essa ami-
zade começou há uns 12 mil anos, no tempo em que as pessoas 
precisavam caçar para se alimentar. Os cachorros perceberam que, 
se não atacassem os humanos, podiam ficar perto deles e comer a 
comida que sobrava. Já os homens descobriram que os cachorros 
podiam ajudar a caçar, a cuidar de rebanhos e a tomar conta da 
casa, além de serem ótimos companheiros. Um colaborava com o 
outro e a parceria deu certo.
Ao ler apenas o título “Cachorros”, você deduziu sobre o pos-
sível assunto abordado no texto. Embora você imagine que o tex-
to vai falar sobre cães, você ainda não sabia exatamente o que ele 
falaria sobre cães. Repare que temos várias informações ao longo 
do texto: a hipótese dos zoólogos sobre a origem dos cães, a asso-
ciação entre eles e os seres humanos, a disseminação dos cães pelo 
mundo, as vantagens da convivência entre cães e homens.
As informações que se relacionam com o tema chamamos de 
subtemas (ou ideias secundárias). Essas informações se integram, 
ou seja, todas elas caminham no sentido de estabelecer uma unida-
de de sentido. Portanto, pense: sobre o que exatamente esse texto 
fala? Qual seu assunto, qual seu tema? Certamente você chegou à 
conclusão de que o texto fala sobre a relação entre homens e cães. 
Se foi isso que você pensou, parabéns! Isso significa que você foi 
capaz de identificar o tema do texto!
Fonte: https://portuguesrapido.com/tema-ideia-central-e-ideias-se-
cundarias/
IDENTIFICAÇÃO DE EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM 
TEXTOS VARIADOS
Ironia
Ironia é o recurso pelo qual o emissor diz o contrário do que 
está pensando ou sentindo (ou por pudor em relação a si próprio ou 
com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem). 
A ironia consiste na utilização de determinada palavra ou ex-
pressão que, em um outro contexto diferente do usual, ganha um 
novo sentido, gerando um efeito de humor.
Exemplo:
Na construção de um texto, ela pode aparecer em três mo-
dos: ironia verbal, ironia de situação e ironia dramática (ou satírica).
Ironia verbal
Ocorre quando se diz algo pretendendo expressar outro sig-
nificado, normalmente oposto ao sentido literal. A expressão e a 
intenção são diferentes.
Exemplo: Você foi tão bem na prova! Tirou um zero incrível!
Ironia de situação
A intenção e resultado da ação não estão alinhados, ou seja, o 
resultado é contrário ao que se espera ou que se planeja.
Exemplo: Quando num texto literário uma personagem planeja 
uma ação, mas os resultados não saem como o esperado. No li-
vro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, a 
personagem título tem obsessão por ficar conhecida. Ao longo da 
vida, tenta de muitas maneiras alcançar a notoriedade sem suces-
LÍNGUA PORTUGUESA
9
a solução para o seu concurso!
Editora
so. Após a morte, a personagem se torna conhecida. A ironia é que 
planejou ficar famoso antes de morrer e se tornou famoso após a 
morte.
Ironia dramática (ou satírica)
A ironia dramática é um efeito de sentido que ocorre nos textos 
literários quando o leitor, a audiência, tem mais informações do que 
tem um personagem sobre os eventos da narrativa e sobre inten-
ções de outros personagens. É um recurso usado para aprofundar 
os significados ocultos em diálogos e ações e que, quando captado 
pelo leitor, gera um clima de suspense, tragédia ou mesmo comé-
dia, visto que um personagem é posto em situações que geram con-
flitos e mal-entendidos porque ele mesmo não tem ciência do todo 
da narrativa.
Exemplo: Em livros com narrador onisciente, que sabe tudo o 
que se passa na história com todas as personagens, é mais fácil apa-
recer esse tipo de ironia. A peça como Romeu e Julieta, por exem-
plo, se inicia com a fala que relata que os protagonistas da história 
irão morrer em decorrência do seu amor. As personagens agem ao 
longo da peça esperando conseguir atingir seus objetivos, mas a 
plateia já sabe que eles não serão bem-sucedidos. 
Humor
Nesse caso, é muito comum a utilização de situações que pare-
çam cômicas ou surpreendentes para provocar o efeito de humor.
Situações cômicas ou potencialmente humorísticas comparti-
lham da característica do efeito surpresa. O humor reside em ocor-
rer algo fora do esperado numa situação.
Há diversas situações em que o humor pode aparecer. Há as ti-
rinhas e charges, que aliam texto e imagem para criar efeito cômico; 
há anedotas ou pequenos contos; e há as crônicas, frequentemente 
acessadas como forma de gerar o riso.
Os textos com finalidade humorística podem ser divididos em 
quatro categorias: anedotas, cartuns, tiras e charges.
Exemplo:
ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊ-
NERO EM QUE SE INSCREVE 
Compreender um texto trata da análise e decodificação do que 
de fato está escrito, seja das frases ou das ideias presentes. Inter-
pretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao 
conectar as ideias do texto com a realidade. Interpretação trabalha 
com a subjetividade, com o que se entendeu sobre o texto.
Interpretar um texto permite a compreensão de todo e qual-
quer texto ou discurso e se amplia no entendimento da sua ideia 
principal. Compreender relações semânticas é uma competência 
imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos.
Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode-
-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento pro-
fissional, mas também o desenvolvimento pessoal.
Busca de sentidos
Para a busca de sentidos do texto, pode-se retirar do mesmo 
os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso auxiliará na 
apreensão do conteúdo exposto.
Isso porque é ali que se fazem necessários, estabelecem uma 
relação hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias já 
citadas ou apresentando novos conceitos.
Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explici-
tadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder 
espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas 
entrelinhas. Deve-se ater às ideias do autor, o que não quer dizer 
que o leitor precise ficar preso na superfície do texto, mas é fun-
damental que não sejam criadas suposições vagas e inespecíficas. 
Importância da interpretação
A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se 
informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a inter-
pretação. A leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos 
específicos, aprimora a escrita.
Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fa-
tores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos dos detalhes pre-
sentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz sufi-
ciente. Interpretar exige paciência e, por isso, sempre releia o texto, 
pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes 
que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de 
sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais 
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreen-
são do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não es-
tão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleató-
ria, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários, 
estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido, 
retomando ideias jácitadas ou apresentando novos conceitos.
Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo au-
tor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para 
divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. 
Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você 
precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que 
não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. 
Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, 
assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes.
Diferença entre compreensão e interpretação
A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do 
texto e verificar o que realmente está escrito nele. Já a interpreta-
ção imagina o que as ideias do texto têm a ver com a realidade. O 
leitor tira conclusões subjetivas do texto.
Gêneros Discursivos
Romance: descrição longa de ações e sentimentos de perso-
nagens fictícios, podendo ser de comparação com a realidade ou 
totalmente irreal. A diferença principal entre um romance e uma 
LÍNGUA PORTUGUESA
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novela é a extensão do texto, ou seja, o romance é mais longo. No 
romance nós temos uma história central e várias histórias secun-
dárias.
 
Conto: obra de ficção onde é criado seres e locais totalmente 
imaginário. Com linguagem linear e curta, envolve poucas perso-
nagens, que geralmente se movimentam em torno de uma única 
ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações 
encaminham-se diretamente para um desfecho.
 
Novela: muito parecida com o conto e o romance, diferencia-
do por sua extensão. Ela fica entre o conto e o romance, e tem a 
história principal, mas também tem várias histórias secundárias. O 
tempo na novela é baseada no calendário. O tempo e local são de-
finidos pelas histórias dos personagens. A história (enredo) tem um 
ritmo mais acelerado do que a do romance por ter um texto mais 
curto.
 
Crônica: texto que narra o cotidiano das pessoas, situações que 
nós mesmos já vivemos e normalmente é utilizado a ironia para 
mostrar um outro lado da mesma história. Na crônica o tempo não 
é relevante e quando é citado, geralmente são pequenos intervalos 
como horas ou mesmo minutos.
 
Poesia: apresenta um trabalho voltado para o estudo da lin-
guagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, 
a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de 
imagens. 
 
Editorial: texto dissertativo argumentativo onde expressa a 
opinião do editor através de argumentos e fatos sobre um assunto 
que está sendo muito comentado (polêmico). Sua intenção é con-
vencer o leitor a concordar com ele.
 
Entrevista: texto expositivo e é marcado pela conversa de um 
entrevistador e um entrevistado para a obtenção de informações. 
Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas 
de destaque sobre algum assunto de interesse. 
Cantiga de roda: gênero empírico, que na escola se materiali-
za em uma concretude da realidade. A cantiga de roda permite as 
crianças terem mais sentido em relação a leitura e escrita, ajudando 
os professores a identificar o nível de alfabetização delas.
Receita: texto instrucional e injuntivo que tem como objetivo 
de informar, aconselhar, ou seja, recomendam dando uma certa li-
berdade para quem recebe a informação.
 
DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO SOBRE ESSE FATO
Fato
O fato é algo que aconteceu ou está acontecendo. A existência 
do fato pode ser constatada de modo indiscutível. O fato é uma 
coisa que aconteceu e pode ser comprovado de alguma maneira, 
através de algum documento, números, vídeo ou registro. 
Exemplo de fato:
A mãe foi viajar.
Interpretação
É o ato de dar sentido ao fato, de entendê-lo. Interpretamos 
quando relacionamos fatos, os comparamos, buscamos suas cau-
sas, previmos suas consequências. 
Entre o fato e sua interpretação há uma relação lógica: se apon-
tamos uma causa ou consequência, é necessário que seja plausível. 
Se comparamos fatos, é preciso que suas semelhanças ou diferen-
ças sejam detectáveis.
Exemplos de interpretação:
A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou-
tro país.
A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão 
do que com a filha.
Opinião 
A opinião é a avaliação que se faz de um fato considerando um 
juízo de valor. É um julgamento que tem como base a interpretação 
que fazemos do fato. 
Nossas opiniões costumam ser avaliadas pelo grau de coerên-
cia que mantêm com a interpretação do fato. É uma interpretação 
do fato, ou seja, um modo particular de olhar o fato. Esta opinião 
pode alterar de pessoa para pessoa devido a fatores socioculturais.
Exemplos de opiniões que podem decorrer das interpretações 
anteriores:
A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou-
tro país. Ela tomou uma decisão acertada.
A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão 
do que com a filha. Ela foi egoísta.
Muitas vezes, a interpretação já traz implícita uma opinião. 
Por exemplo, quando se mencionam com ênfase consequên-
cias negativas que podem advir de um fato, se enaltecem previsões 
positivas ou se faz um comentário irônico na interpretação, já esta-
mos expressando nosso julgamento. 
É muito importante saber a diferença entre o fato e opinião, 
principalmente quando debatemos um tema polêmico ou quando 
analisamos um texto dissertativo.
Exemplo:
A mãe viajou e deixou a filha só. Nem deve estar se importando 
com o sofrimento da filha.
A ORGANIZAÇÃO TEXTUAL DOS VÁRIOS MODOS DE ORGA-
NIZAÇÃO DISCURSIVA
Existem várias formas de organizar um texto, seja ele um tex-
to argumentativo, descritivo, narrativo, entre outros. A organização 
textual é importante para garantir a clareza e a coesão do texto, 
facilitando a compreensão do leitor. A seguir, apresentamos alguns 
dos principais modos de organização discursiva:
Organização cronológica: é a forma mais comum de organizar 
textos narrativos, em que os eventos são apresentados na ordem 
em que ocorrem no tempo. Também pode ser utilizada em textos 
descritivos, em que as informações são apresentadas seguindo uma 
sequência temporal.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Exemplo: “No início, o personagem estava feliz. Depois, acon-
teceu algo que mudou sua vida completamente. Por fim, ele apren-
deu uma grande lição.”
Organização por ordem de importância: nesta forma de orga-
nização, os elementos são apresentados em uma sequência que vai 
do menos importante para o mais importante, ou vice-versa. É bas-
tante utilizado em textos argumentativos, em que são apresentados 
argumentos em ordem crescente ou decrescente de relevância.
Exemplo: “Existem vários motivos pelos quais devemos preser-
var o meio ambiente. Primeiramente, a natureza é fonte de recur-
sos essenciais para a nossa sobrevivência. Além disso, as alterações 
climáticas podem trazer consequências devastadoras. Por fim, pre-
servar o meio ambiente é garantir um futuro sustentável para as 
próximas gerações.”
Organização por comparação/contraste: nesta forma de orga-
nização, são estabelecidas semelhanças e diferenças entre elemen-
tos, possibilitando uma análise mais aprofundada. Pode ser utiliza-
do em textos argumentativos, expositivos ou até mesmo narrativos.
Exemplo: “A cidade de São Paulo e a cidade do Rio de Janeiro 
têm características muito distintas. Enquanto São Paulo é conhecida 
por ser uma metrópole agitada e cosmopolita, com um ritmo de 
vida acelerado, o Rio de Janeiro é famoso por suas praias e pelo 
estilo de vida mais descontraído.”
Esses são apenas alguns exemplos de modos de organização 
discursiva. É importante ressaltar que a organização do texto pode 
variar de acordo com o objetivo e o gênero textual. O escritor deve 
escolher uma estrutura que melhor se adeque às suas intenções e 
às características do texto que está produzindo.
Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais 
são dois conceitos distintos,cada qual com sua própria linguagem 
e estrutura. Os tipos textuais gêneros se classificam em razão 
da estrutura linguística, enquanto os gêneros textuais têm sua 
classificação baseada na forma de comunicação. Assim, os gêneros 
são variedades existente no interior dos modelos pré-estabelecidos 
dos tipos textuais. A definição de um gênero textual é feita a partir 
dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura específica. 
Logo, para cada tipo de texto, existem gêneros característicos. 
Como se classificam os tipos e os gêneros textuais
As classificações conforme o gênero podem sofrer mudanças 
e são amplamente flexíveis. Os principais gêneros são: romance, 
conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, cardápio 
de restaurante, lista de compras, receita de bolo, etc. Quanto aos 
tipos, as classificações são fixas, e definem e distinguem o texto 
com base na estrutura e nos aspectos linguísticos. Os tipos textuais 
são: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo. 
Resumindo, os gêneros textuais são a parte concreta, enquanto 
as tipologias integram o campo das formas, da teoria. Acompanhe 
abaixo os principais gêneros textuais inseridos e como eles se 
inserem em cada tipo textual:
Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em: apresentação, 
desenvolvimento, clímax e desfecho. Esses textos se caracterizam 
pela apresentação das ações de personagens em um tempo e 
espaço determinado. Os principais gêneros textuais que pertencem 
ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas 
e fábulas.
Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem 
lugares ou seres ou relatam acontecimentos. Em geral, esse tipo de 
texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, 
em termos de gêneros, abrange diários, classificados, cardápios de 
restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc.
Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir 
ideias utilizando recursos de definição, comparação, descrição, 
conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, 
jornais, resumos escolares, entre outros, fazem parte dos textos 
expositivos. 
Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o objetivo 
de apresentar um assunto recorrendo a argumentações, isto é, 
caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é 
composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. Os textos 
argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e 
abaixo-assinado.
Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade de 
orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma que o emissor 
procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de 
verbos no modo imperativo é sua característica principal. Pertencem 
a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais 
de instruções, entre outros.
Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir 
o leitor em relação ao procedimento. Esses textos, de certa forma, 
impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele 
siga o que diz o texto. Os gêneros que pertencem a esse tipo de 
texto são: leis, cláusulas contratuais, edital de concursos públicos.
Gêneros textuais predominantemente do tipo textual narra-
tivo
Romance
É um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem 
definidosl. Pode ter partes em que o tipo narrativo dá lugar ao des-
critivo em função da caracterização de personagens e lugares. As 
ações são mais extensas e complexas. Pode contar as façanhas de 
um herói em uma história de amor vivida por ele e uma mulher, 
muitas vezes, “proibida” para ele. Entretanto, existem romances 
com diferentes temáticas: romances históricos (tratam de fatos li-
gados a períodos históricos), romances psicológicos (envolvem as 
reflexões e conflitos internos de um personagem), romances sociais 
(retratam comportamentos de uma parcela da sociedade com vis-
tas a realização de uma crítica social). Para exemplo, destacamos 
os seguintes romancistas brasileiros: Machado de Assis, Guimarães 
Rosa, Eça de Queiroz, entre outros.
Conto
É um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, 
que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmen-
te, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-
-lo de forma escrita com a publicação de Decamerão. 
Ele é um gênero da esfera literária e se caracteriza por ser uma 
narrativa densa e concisa, a qual se desenvolve em torno de uma 
única ação. Geralmente, o leitor é colocado no interior de uma ação 
já em desenvolvimento. Não há muita especificação sobre o antes 
e nem sobre o depois desse recorte que é narrado no conto. Há a 
construção de uma tensão ao longo de todo o conto.
Diversos contos são desenvolvidos na tipologia textual narrati-
va: conto de fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia; 
contos de aventura, que envolvem personagens em um contexto 
LÍNGUA PORTUGUESA
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mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto popular); con-
tos de terror ou assombração, que se desenrolam em um contexto 
sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de misté-
rio, que envolvem o suspense e a solução de um mistério. 
Fábula
É um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As 
personagens principais não são humanos e a finalidade é transmitir 
alguma lição de moral.
Novela
É um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevi-
dade do romance e a brevidade do conto. Esse gênero é constituído 
por uma grande quantidade de personagens organizadas em dife-
rentes núcleos, os quais nem sempre convivem ao longo do enredo. 
Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, 
de Machado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka.
Crônica
É uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com 
linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque de 
crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou arti-
go de jornal, revistas e programas da TV. Há na literatura brasileira 
vários cronistas renomados, dentre eles citamos para seu conhe-
cimento: Luís Fernando Veríssimo, Rubem Braga, Fernando Sabido 
entre outros.
Diário 
É escrito em linguagem informal, sempre consta a data e não 
há um destinatário específico, geralmente, é para a própria pessoa 
que está escrevendo, é um relato dos acontecimentos do dia. O 
objetivo desse tipo de texto é guardar as lembranças e em alguns 
momentos desabafar. Veja um exemplo:
“Domingo, 14 de junho de 1942
Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando 
o vi na mesa, no meio dos meus outros presentes de aniversário. (Eu 
estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.)
Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é 
de espantar; afinal, era meu aniversário. Mas não me deixam le-
vantar a essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade até 
quinze para as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a 
sala de jantar, onde Moortje (a gata) me deu as boas-vindas, esfre-
gando-se em minhas pernas.”
Trecho retirado do livro “Diário de Anne Frank”.
Gêneros textuais predominantemente do tipo textual descri-
tivo
Currículo
É um gênero predominantemente do tipo textual descritivo. 
Nele são descritas as qualificações e as atividades profissionais de 
uma determinada pessoa.
Laudo
É um gênero predominantemente do tipo textual descritivo. 
Sua função é descrever o resultado de análises, exames e perícias, 
tanto em questões médicas como em questões técnicas.
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos 
descritivos são: folhetos turísticos; cardápios de restaurantes; clas-
sificados; etc.
Gêneros textuais predominantemente do tipo textual expo-
sitivo
Resumos e Resenhas
O autor faz uma descrição breve sobre a obra (pode ser cine-
matográfica, musical, teatral ou literária) a fim de divulgar este tra-
balho de forma resumida. 
Na verdade resumo e/ou resenha é uma análise sobrea obra, 
com uma linguagem mais ou menos formal, geralmente os rese-
nhistas são pessoas da área devido o vocabulário específico, são 
estudiosos do assunto, e podem influenciar a venda do produto de-
vido a suas críticas ou elogios.
Verbete de dicionário
Gênero predominantemente expositivo. O objetivo é expor 
conceitos e significados de palavras de uma língua.
Relatório Científico
Gênero predominantemente expositivo. Descreve etapas de 
pesquisa, bem como caracteriza procedimentos realizados.
Conferência
Predominantemente expositivo. Pode ser argumentativo tam-
bém. Expõe conhecimentos e pontos de vistas sobre determinado 
assunto. Gênero executado, muitas vezes, na modalidade oral.
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos 
expositivos são: enciclopédias; resumos escolares; etc.
Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos
Artigo de Opinião
É comum1 encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, 
nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição por parte 
dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmen-
te apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através 
do artigo de opinião.
Nos tipos textuais argumentativos, o autor geralmente tem 
a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa 
apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opini-
ões.
O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais 
do autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar.
Discurso Político
O discurso político2 é um texto argumentativo, fortemente per-
suasivo, em nome do bem comum, alicerçado por pontos de vista 
do emissor ou de enunciadores que representa, e por informações 
compartilhadas que traduzem valores sociais, políticos, religiosos 
e outros. Frequentemente, apresenta-se como uma fala coletiva 
que procura sobrepor-se em nome de interesses da comunidade 
e constituir norma de futuro. Está inserido numa dinâmica social 
que constantemente o altera e ajusta a novas circunstâncias. Em 
1 http://www.odiarioonline.com.br/noticia/43077/VENDEDOR-BRASILEIRO-ESTA-MENOS-
-SIMPATICO
2 https://www.infopedia.pt/$discurso-politico
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períodos eleitorais, a sua maleabilidade permite sempre uma res-
posta que oscila entre a satisfação individual e os grandes objetivos 
sociais da resolução das necessidades elementares dos outros.
Hannah Arendt (em The Human Condition) afirma que o dis-
curso político tem por finalidade a persuasão do outro, quer para 
que a sua opinião se imponha, quer para que os outros o admirem. 
Para isso, necessita da argumentação, que envolve o raciocínio, e 
da eloquência da oratória, que procura seduzir recorrendo a afetos 
e sentimentos. 
O discurso político é, provavelmente, tão antigo quanto a vida 
do ser humano em sociedade. Na Grécia antiga, o político era o 
cidadão da “pólis” (cidade, vida em sociedade), que, responsável 
pelos negócios públicos, decidia tudo em diálogo na “agora” (praça 
onde se realizavam as assembleias dos cidadãos), mediante pala-
vras persuasivas. Daí o aparecimento do discurso político, baseado 
na retórica e na oratória, orientado para convencer o povo.
O discurso político implica um espaço de visibilidade para o ci-
dadão, que procura impor as suas ideias, os seus valores e projetos, 
recorrendo à força persuasiva da palavra, instaurando um processo 
de sedução, através de recursos estéticos como certas construções, 
metáforas, imagens e jogos linguísticos. Valendo-se da persuasão e 
da eloquência, fundamenta-se em decisões sobre o futuro, prome-
tendo o que pode ser feito.
Requerimento
Predominantemente dissertativo-argumentativo. O requeri-
mento tem a função de solicitar determinada coisa ou procedimen-
to. Ele é dissertativo-argumentativo pela presença de argumenta-
ção com vistas ao convencimento
Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos 
argumentativos são: abaixo-assinados; manifestos; sermões; etc.
Gêneros textuais predominantemente do tipo textual injun-
tivo 
Bulas de remédio
 A bula de remédio traz também o tipo textual descritivo. Nela 
aparecem as descrições sobre a composição do remédio bem como 
instruções quanto ao seu uso.
Manual de instruções
O manual de instruções tem como objetivo instruir sobre os 
procedimentos de uso ou montagem de um determinado equipa-
mento.
Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos injunti-
vos são: receitas culinárias, instruções em geral.
Gêneros textuais predominantemente do tipo textual prescri-
tivo
Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos prescri-
tivos são: leis; cláusulas contratuais; edital de concursos públicos; 
receitas médicas, etc.
Outros Exemplos
Carta 
Esta, dependendo do destinatário pode ser informal, quando é 
destinada a algum amigo ou pessoa com quem se tem intimidade. E 
formal quando destinada a alguém mais culto ou que não se tenha 
intimidade. 
Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes es-
tilos de escrita, podendo ser dissertativa, narrativa ou descritiva. As 
cartas se iniciam com a data, em seguida vem a saudação, o corpo 
da carta e para finalizar a despedida.
Propaganda 
Este gênero aparece também na forma oral, diferente da maio-
ria dos outros gêneros. Suas principais características são a lingua-
gem argumentativa e expositiva, pois a intenção da propaganda é 
fazer com que o destinatário se interesse pelo produto da propa-
ganda. O texto pode conter algum tipo de descrição e sempre é 
claro e objetivo.
Notícia 
Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar. Sua 
linguagem é narrativa e descritiva e o objetivo desse texto é infor-
mar algo que aconteceu.
A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos exis-
tentes e tem como intenção nos informar acerca de determinada 
ocorrência. Bastante recorrente nos meios de comunicação em ge-
ral, seja na televisão, em sites pela internet ou impresso em jornais 
ou revistas.
Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples, clara, 
objetiva e precisa, pautando-se no relato de fatos que interessam 
ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e objetiva, uma 
vez que se trata de uma informação.
Editorial
O editorial é um tipo de texto jornalístico que geralmente apa-
rece no início das colunas. Diferente dos outros textos que com-
põem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são textos 
opinativos.
Embora sejam textos de caráter subjetivo, podem apresentar 
certa objetividade. Isso porque são os editoriais que apresentam 
os assuntos que serão abordados em cada seção do jornal, ou seja, 
Política, Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classifi-
cados, entre outros.
Os textos são organizados pelos editorialistas, que expressam 
as opiniões da equipe e, por isso, não recebem a assinatura do au-
tor. No geral, eles apresentam a opinião do meio de comunicação 
(revista, jornal, rádio, etc.).
Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os edi-
toriais intitulados como “Carta ao Leitor” ou “Carta do Editor”.
Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se apoiar 
em fatos polêmicos ligados ao cotidiano social. E quando falamos 
em discurso, logo nos atemos à questão da linguagem que, mesmo 
em se tratando de impressões pessoais, o predomínio do padrão 
formal, fazendo com que prevaleça o emprego da 3ª pessoa do sin-
gular, ocupa lugar de destaque. 
LÍNGUA PORTUGUESA
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Reportagem
Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado nos 
meios de comunicação de massa. A reportagem informa, de modo 
mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela situa-se no ques-
tionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, so-
mando as diferentes versões de um mesmo acontecimento.
A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas geralmen-
te costuma estabelecer conexões com o fato central, anunciado no 
que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-se a narrativa do 
fatoprincipal, ampliada e composta por meio de citações, trechos 
de entrevistas, depoimentos, dados estatísticos, pequenos resu-
mos, dentre outros recursos. É sempre iniciada por um título, como 
todo texto jornalístico.
O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias 
versões para um mesmo fato, informando-o, orientando-o e contri-
buindo para formar sua opinião.
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva, dinâmi-
ca e clara, ajustada ao padrão linguístico divulgado nos meios de 
comunicação de massa, que se caracteriza como uma linguagem 
acessível a todos os públicos, mas pode variar de formal para mais 
informal dependendo do público a que se destina. Embora seja im-
pessoal, às vezes é possível perceber a opinião do repórter sobre os 
fatos ou sua interpretação.3
Gêneros Textuais e Gêneros Literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se refe-
rem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêneros literários se re-
ferem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características 
formais comuns em obras literárias, agrupando-as conforme crité-
rios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.
Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no po-
ema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emo-
ções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente 
os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da 
função emotiva da linguagem.
Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a mor-
te é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa 
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema 
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William 
Shakespeare.
Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites ro-
mânticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é 
a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
3 CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação. 
São Paulo, Atual Editora, 2000
Ode (ou hino)
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à 
pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a 
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acom-
panhamento musical.
Idílio (ou écloga) 
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à 
natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema 
bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas 
e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais 
a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com 
diálogos (muito rara).
Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém 
ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte sarcasmo, pode 
abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assun-
tos políticos, ou pessoas de relevância social.
Acalanto
Canção de ninar.
Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso for-
mam uma palavra ou frase. Ex.:
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e 
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/
Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas 
de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se 
destinam à dança.
Canção (ou Cantiga, Trova)
Poema oral com acompanhamento musical.
Gazal (ou Gazel)
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio.
Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quarte-
tos e dois tercetos.
Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escár-
nio e de maldizer); satíricas, portanto. 
Gênero Épico ou Narrativo
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos 
eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, 
o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do 
LÍNGUA PORTUGUESA
15
a solução para o seu concurso!
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gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de 
prosa com características diferentes: o romance, a novela, o conto, 
a crônica, a fábula. 
Épico (ou Epopeia)
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de 
um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, 
gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta-
ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exem-
plos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero.
Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, 
expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de 
certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. 
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e 
subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, 
cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em for-
malidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de 
caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Lo-
cke.
Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse 
tipo de texto, não há um narrador contando a história. Ela “aconte-
ce” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os 
papéis das personagens nas cenas.
Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar 
compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma re-
presentação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em 
linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando 
dó e terror”. Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de 
processos como o absurdo, as incongruências, os equívocos, a ca-
ricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o 
engano.
Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento 
comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas popu-
lares.
Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômi-
cos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.
Poesia de cordel
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo 
linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da 
realidade vivida por este povo.
Discurso Religioso4
A Análise Crítica do Discurso (ADC) tem como fulcro a aborda-
gem das relações (internas e recíprocas) entre linguagem e socie-
dade. Os textos produzidos socialmente em eventos autênticos são 
resultantes da estruturação social da linguagem que os consome 
e os faz circular. Por outro lado, esses mesmos textos são também 
potencialmente transformadores dessa estruturação social da lin-
guagem, assim como os eventos sociais são tanto resultado quanto 
substrato dessas estruturas sociais.
O discurso religioso é “aquele em que há uma relação espon-
tânea com o sagrado” sendo, portanto, “mais informal”; enquanto 
o teológico é o tipo de “discurso em que a mediação entre a alma 
religiosa e o sagrado se faz por uma sistematização dogmática das 
verdades religiosas, e onde o teólogo (...) aparece como aquele que 
faz a relação entre os dois mundos: o mundo hebraico e o mundo 
cristão”, sendo, assim, “mais formal”. Porém, podemos falar em DR 
de maneira globalizante.
Assim, temos:
- Desnivelamento, assimetria na relação entre o locutor e o ou-
vinte – o locutor está no plano espiritual (Deus), e o ouvinte está no 
plano temporal (os adoradores). As duas ordens de mundo são to-
talmente diferentes para os sujeitos, e essa ordem é afetada por um 
valor hierárquico, por uma desigualdade, por um desnivelamento. 
Deus, o locutor, é imortal, eterno, onipotente, onipresente, onis-
ciente, em resumo, o todo-poderoso. Os seres humanos, os ouvin-
tes, são mortais, efêmeros e finitos.
- Modos de representação. A voz no discurso religioso (DR) se 
fala em seus representantes (Padre, pastor, profeta), essa é uma 
forma de relaçãosimbólica. Essa apropriação ocorre sem explicitar 
os mecanismos de incorporação da voz, aspecto que caracteriza a 
mistificação.
- O ideal do DR é que o ‘representante’, o que se apropria do 
discurso de Deus’, não o modifique. Ele deve seguir regras restritas 
reguladas pelo texto sagrado, pela Igreja, pelas liturgias. Deve-se 
manter distância entre ‘o dito de Deus’ e ‘o dizer do homem’.
- A interpretação da palavra de Deus é regulada. “Os sentidos 
não podem ser quaisquer sentidos: o discurso religioso tende forte-
mente para a monossemia”.
- Dualismos, as formas da ilusão da reversibilidade: plano hu-
mano e plano divino; ordem temporal e ordem espiritual; sujeitos e 
Sujeito; homem e Deus. A ilusão ocorre na passagem de um plano 
para outro e pode ter duas direções: de cima para baixo, ou seja, 
de Deus para os homens, momento em que Ele compartilha suas 
propriedades (ministração de sacramentos, bênçãos); de baixo para 
cima, quando o homem se alça a Deus, principalmente, através da 
visão, da profecia. Estas são formas de ‘ultrapassagem’.
- Escopo do discurso religioso. A fé separa os fiéis dos não-fiéis, 
“os convictos dos não-convictos. Logo, é o parâmetro pelo qual de-
limita a comunidade e constitui o escopo do discurso religioso em 
suas duas formações características: para os que creem, o discurso 
religioso é uma promessa, para os que não creem é uma ameaça.
Os discursos religiosos, como já vimos, se mostram com estru-
turas rígidas quanto aos papéis dos interlocutores (a divindade e os 
seres humanos). Os dogmas sagrados, por exemplos, fé e Deus, são 
4 https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/soletras/article/downloa-
d/4694/3461#:~:text=O%20discurso%20religioso%20%C3%A9%20aquele,discur-
so%20(Orlandi%2C%201996).&text=locutor%20est%C3%A1%20no%20plano%20
espiritual,plano%20temporal%20(os%20adoradores).
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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intocáveis. “Deus define-se (...) a si mesmo como sujeito por exce-
lência, aquele que é por si e para si (Sou aquele que É) e aquele que 
interpela seu sujeito (...) eis quem tu és: é Pedro.”
Outros traços do DR se configuram com o uso do imperativo e 
do vocativo – características inerentes de discursos de doutrinação; 
uso de metáforas – explicitadas por paráfrases que indicam a leitura 
apropriada para as metáforas utilizadas; uso de citações no original 
(grego, hebraico, latim) – traduzidas para a língua em uso através de 
perífrases extensas e explicativas em que se busca aproveitar o má-
ximo o efeito de sentido advindo da língua original; o uso de perfor-
mativos – uso de verbos em que o ‘dizer’ representa o ‘fazer’; o uso 
de sintagmas cristalizados – usadas em orações e funções fáticas.
Ainda em relação às unidades textuais, podemos acrescentar o 
uso de determinadas formas simbólicas do DR como as parábolas, a 
utilização de certos temas, como a efemeridade da vida humana, a 
vida eterna, o galardão, entre outros. Acrescenta-se também como 
marca a intertextualidade.
Discurso Jurídico5
O discurso legal caracteriza-se como um discurso hierárquico 
e dominante, baseado numa estrutura de exclusão e discriminação 
de várias minorias sociais, como os pobres, os negros, os homos-
sexuais, as mulheres, etc. A especificidade da linguagem jurídica, 
e as restrições educacionais quanto a quem pode militar na Área 
(advogados, promotores, juízes, etc.), são apenas algumas das es-
tratégias utilizadas pelo sistema jurídico para manter o discurso le-
gal inacessível à maioria das pessoas, e desta forma protege-lo de 
análises e críticas.
Como em todo discurso dominante, as posições de poder cria-
das para os participantes de textos legais são particularmente assi-
métricas, como é o caso num julgamento (e.g. entre o juiz e o réu; 
entre o juiz e as testemunhas; etc.). Os juízes, por exemplo, detêm 
um poder especial devido ao seu status social e ao seu acesso privi-
legiado ao discurso legal (são eles que produzem a forma final dos 
textos legais). Portanto, é a visão de mundo do juiz que prevalece 
nas sentenças, em detrimento de outras posições alternativas.
Além de relações de poder, os textos legais também expressam 
relações de gênero. A lei e a cultura masculina estão intimamen-
te ligadas; o sistema jurídico é quase que inteiramente dominado 
por homens (só recentemente as mulheres passaram a fazer parte 
de instituições jurídicas) e, de forma geral, ele expressa uma visão 
masculina do mundo. As mulheres que são parte em processos le-
gais (e.g. reclamantes, rés, testemunhas, etc.) estão expostas a um 
duplo grau de discriminação e exclusão: primeiro, como leigas, elas 
ocupam uma posição desfavorecida se comparadas com militantes 
legais (advogados, juízes, promotores, etc.); segundo, elas são estig-
matizadas também por serem mulheres, e têm seu comportamento 
social e sexual avaliado e controlado pelo discurso jurídico.
Discurso Técnico6
Para o desempenho de tal papel, eles contam com suas carac-
terísticas intrínsecas, as quais são responsáveis pelo “rótulo” que 
cada tipo textual carrega.
5 https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/download/23353/21030/0
6 https://revistas.ufg.br/lep/article/download/32601/17331/
Tais características se evidenciam formal e funcionalmente e 
são percebidas, de maneira mais ou menos clara pelo leitor/ouvin-
te. Afinal, todos os tipos de texto têm um público fiel, ao qual se 
destinam.
Os autores que têm o texto técnico como objeto de estudo con-
cordam que ele apresenta as seguintes características:
• Linguagem monossêmica;
• Vocabulário específico ou léxico especializado;
• Objetividade;
• Emprego de voz passiva;
• Preferência pelo emprego do tempo verbal presente.
 As características apontadas acima coadunam-se com o obje-
tivo principal de qualquer produção de cunho técnico: transmissão 
de conhecimentos de forma clara e imparcial. Embora a objetivida-
de e a neutralidade sejam fiéis parceiras do texto técnico, não se 
pode afirmar que esse tipo textual seja isento das marcas de seu 
autor, enquanto produtor de ideias e veiculador de informações. 
Quando há a troca da 3ª pessoa do singular pela 1ª pessoa do plu-
ral, por exemplo, o autor tem a intenção de conquistar o seu in-
terlocutor, tornando-o um parceiro “na assunção das informações 
dadas, numa forma de estratégia argumentativa.”
Todo tipo textual possui a argumentatividade, porém essa apa-
rece de modo mais intenso e explícito em alguns textos e de modo 
menos intenso e explícito em outros. Para complementar a afirma-
ção dessas autoras, cita-se Benveniste para o qual, o sujeito está 
sempre presente no texto, não havendo, portanto, texto neutro ou 
imparcial.
Percebe-se, então, que o texto técnico possui características 
que o diferenciam dos demais tipos de textos. No entanto, não se 
deve afirmar que ele seja desprovido de marcas autorais. Tanto é 
verdade, que alguns autores de textos técnicos não dispensam o 
uso de certos advérbios e conjunções, por exemplo, expedientes 
que têm a função de modalizar o discurso.
A modalização, nesse tipo de texto, pode aparecer de forma 
implícita e/ou explícita. Sob essa última forma, verificam-se o apa-
recimento de construções específicas, tais como as nominalizações, 
a voz passiva, o emprego de determinadas conjunções e preposi-
ções.
Discurso Acadêmico/Científico7
O texto como objeto abstrato se configura no campo da lin-
guística como teoria geral. Já discurso é uma realidade de intera-
ção-enunciação objeto de análises discursivas. Enquanto os textos, 
como objetos concretos, são aqueles que se apresentam completos 
constituídos de um ato de enunciação que visa à interação entre 
produtor e interlocutor. Partindo dessas concepções, percebe- se 
que texto e discurso se complementam, pois, para o autor, “a sepa-
ração do textual e do discursivo é essencialmente metodológica”, 
o que leva à distinção entre os dois a anular-se. Neste caso, texto e 
discurso são unidades complementares.
A partir da compreensão de discurso,passa-se a refletir sobre 
o que vem ser discurso científico. Para Guimarães é aquele em que 
“o autor pretende fazer o leitor saber.” Ou seja, a intenção do autor 
7 http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/4823/
MARIA%20DE%20F%c3%81TIMA%20RIBEIRO%20DOS%20SANTOS_.pdf?se-
quence=1&isAllowed=y
LÍNGUA PORTUGUESA
17
a solução para o seu concurso!
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é fazer o leitor ou pesquisador saber como os resultados daquela 
pesquisa foram alcançados, dando-lhe oportunidade de repetir os 
procedimentos metodológicos em outras pesquisas similares.
Para Carioca, “o discurso científico é a forma de apresentação 
da linguagem que circula na comunidade científica em todo o mun-
do. Sua formulação depende de uma pesquisa minuciosa e efetiva 
sobre um objeto, que é metodologicamente analisado à luz de uma 
teoria.” Outra posição é que o discurso científico não se dá apenas 
pela comprovação ou refutação do que foi escrito, dá-se também 
pela aceitabilidade dos pares que compõem a comunidade espe-
cífica.
Desse modo, pode-se dizer que a estrutura global da comunica-
ção científica está respaldada em parâmetros normativos referen-
tes à produção de gêneros e à produção da linguagem, ou seja, o 
discurso acadêmico se estabeleceu dentro de convenções instituí-
das pela comunidade científica, que, ao longo do tempo, se expres-
sa por características, como impessoalidade, objetividade, clareza, 
precisão, modéstia, simplicidade, fluência, dentre outros.
É importante apresentar a posição de Charaudeau sobre a 
problemática entre o discurso informativo (DI) e discurso científico 
(DC). Para o autor, o que eles têm em comum é a problemática da 
prova. “[...] o primeiro se atém essencialmente a uma prova pela 
designação e pela figuração (a ordem da constatação, do testemu-
nho, do relato de reconstituição dos fatos), o segundo inscreve a 
prova num programa de demonstração racional.”.
Percebe-se que o interesse principal do discurso informativo é 
transmitir uma verdade através dos fatos. Já o discurso científico se 
impõe pela prova da racionalidade que reside na força da argumen-
tatividade. E mais, este deve se comprometer com a logicidade das 
ideias para estas se tornem mais convincentes.
Como se viu, o discurso acadêmico é produzido dentro de uma 
esfera de comunicação relativamente definida chamada de comuni-
dade científica. Em geral, no ensino superior, vão se encontrar mo-
delos de discurso acadêmico que já se tornaram consagrados para 
essa comunidade. Na subseção que segue se mostrará especifica-
mente alguns deles.
O primeiro modelo, monografia de análise teórica, evidencia 
uma organização de ideias advindas de bibliografias selecionadas 
sobre um determinado assunto. Nesse tipo, pode-se fazer uma aná-
lise crítica ou comparativa de uma teoria ou modelo já consagrado 
pela comunidade científica. O modelo metodológico indicado pelos 
autores é: escolha do assunto/ delimitação do tema; bibliografia 
pertinente ao tema; levantamento de dados específicos da área sob 
estudo; fundamentação teórica; metodologia e modelos aplicáveis; 
análise e interpretação das informações; conclusões e resultados.
No segundo modelo, monografia de análise teórico-empírica, 
faz-se uma análise interpretativa de dados primários, com apoio de 
fontes secundárias, passando-se para o teste de hipóteses, mode-
los ou teorias. A partir dos dados primários e secundários, o autor 
/pesquisador mostrará um trabalho inovador. Quanto ao modelo 
metodológico, tem-se: realidade observável; pergunta problema e 
objetivo proposto; bibliografia e dados secundários; teoria perti-
nente ao tema (conceitos, técnicas, constructos) e dados secundá-
rios; instrumentos de pesquisa (questionário); pesquisa empírica; 
análise; conclusões e resultados.
No terceiro modelo, monografia de estudo de caso, o autor/
pesquisador faz uma análise específica da relação existente entre 
um caso e hipóteses, modelos e teorias. O modelo metodológico 
adotado obedece aos seguintes passos: escolha do assunto/delimi-
tação do tema; bibliografia pertinente ao tema (área específica sob 
estudo); fundamentação teórica; levantamento de dados da organi-
zação sob estudo; caracterização da organização; análise e interpre-
tação das informações; conclusões e resultados.
Observa-se que esses modelos possuem suas particularidades, 
mas também aspectos que coincidem. Este é o caso da pesquisa 
bibliográfica, que é imprescindível em qualquer trabalho científico.
Discurso Literário8
O discurso literário pode não ser apenas ligado aos procedi-
mentos adotados pelo autor, mas também, e talvez mais direta-
mente do que se pensa, ligado ao contexto sociocultural no qual 
está inserido, evidenciando-se, nem sempre claramente, uma influ-
ência das instituições que o cercam na escolha de determinados 
procedimentos de linguagem.
A ideia de que o discurso literário constrói-se a partir de ele-
mentos intrínsecos ao texto literário tomou corpo com os estudos 
realizados no início do século XX. Foram os formalistas russos que 
demonstraram uma preocupação com a materialidade do texto lite-
rário, recusando, num primeiro momento, explicações de base ex-
traliterária. Neste sentido, o que importava para os integrantes do 
movimento era o procedimento, ou seja, o princípio da organização 
da obra como produto estético. Assim, a preocupação dos formalis-
tas era investigar e explicar o que faz de uma determinada obra uma 
obra literária, nas palavras de Jakobson: “a poesia é linguagem em 
sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é 
a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determina-
da obra uma obra literária”. A questão da literariedade como pro-
cesso ou procedimento de elaboração está centrado nas estruturas 
que diferenciam o texto literário de outros textos.
A literariedade é conceituada não só pela linguagem diferen-
ciada que gera o estranhamento, mas também histórica e cultural-
mente. Uma obra literária não pode ser apenas uma construção 
bem elaborada, mas deve também retratar o homem de sua época 
ou época anterior, com todas as suas angústias, desejos e forma de 
pensar. Tornando-se, assim, não apenas um material para ser estu-
dado linguisticamente, mas também e, principalmente, uma obra 
viva em que toda vez que se relê encontre-se algo novo e represen-
tativo do ser humano.
COERÊNCIA E COESÃO
— Definições e diferenciação
Coesão e coerência são dois conceitos distintos, tanto que um 
texto coeso pode ser incoerente, e vice-versa. O que existe em comum 
entre os dois é o fato de constituírem mecanismos fundamentais 
para uma produção textual satisfatória. Resumidamente, a coesão 
textual se volta para as questões gramaticais, isto é, na articulação 
interna do texto. Já a coerência textual tem seu foco na articulação 
externa da mensagem. 
— Coesão Textual
Consiste no efeito da ordenação e do emprego adequado 
das palavras que proporcionam a ligação entre frases, períodos e 
parágrafos de um texto. A coesão auxilia na sua organização e se 
realiza por meio de palavras denominadas conectivos. 
8 http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/Lin-
guaPortuguesa/artigo12.pdf
LÍNGUA PORTUGUESA
1818
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As técnicas de coesão
A coesão pode ser obtida por meio de dois mecanismos 
principais, a anáfora e a catáfora. Por estarem relacionados à 
mensagem expressa no texto, esses recursos classificam-se como 
endofóricas. Enquanto a anáfora retoma um componente, a catáfora 
o antecipa, contribuindo com a ligação e a harmonia textual. 
 
As regras de coesão 
Para que se garanta a coerência textual, é necessário que as 
regras relacionadas abaixo sejam seguidas.
Referência 
– Pessoal: emprego de pronomes pessoais e possessivos. 
Exemplo: 
«Ana e Sara foram promovidas. Elas serão gerentes de 
departamento.” Aqui, tem-se uma referência pessoal anafórica 
(retoma termo já mencionado). 
– Comparativa: emprego de comparações com baseem 
semelhanças. 
Exemplo: 
“Mais um dia como os outros…”. Temos uma referência 
comparativa endofórica. 
– Demonstrativa: emprego de advérbios e pronomes 
demonstrativos. 
Exemplo: 
“Inclua todos os nomes na lista, menos este: Fred da Silva.” 
Temos uma referência demonstrativa catafórica. 
– Substituição: consiste em substituir um elemento, quer seja 
nome, verbo ou frase, por outro, para que ele não seja repetido. 
Analise o exemplo: 
“Iremos ao banco esta tarde, elas foram pela manhã.” 
Perceba que a diferença entre a referência e a substituição é 
evidente principalmente no fato de que a substituição adiciona ao 
texto uma informação nova. No exemplo usado para a referência, o 
pronome pessoal retoma as pessoas “Ana e Sara”, sem acrescentar 
quaisquer informações ao texto. 
– Elipse: trata-se da omissão de um componente textual – 
nominal, verbal ou frasal – por meio da figura denominando eclipse. 
Exemplo: 
“Preciso falar com Ana. Você a viu?” Aqui, é o contexto que 
proporciona o entendimento da segunda oração, pois o leitor fica 
ciente de que o locutor está procurando por Ana. 
– Conjunção: é o termo que estabelece ligação entre as orações. 
Exemplo: 
“Embora eu não saiba os detalhes, sei que um acidente 
aconteceu.” Conjunção concessiva. 
– Coesão lexical: consiste no emprego de palavras que fazem 
parte de um mesmo campo lexical ou que carregam sentido 
aproximado. É o caso dos nomes genéricos, sinônimos, hiperônimos, 
entre outros. 
Exemplo: 
“Aquele hospital público vive lotado. A instituição não está 
dando conta da demanda populacional.” 
— Coerência Textual 
A Coerência é a relação de sentido entre as ideias de um texto 
que se origina da sua argumentação – consequência decorrente 
dos saberes conhecimentos do emissor da mensagem. Um texto 
redundante e contraditório, ou cujas ideias introduzidas não 
apresentam conclusão, é um texto incoerente. A falta de coerência 
prejudica a fluência da leitura e a clareza do discurso. Isso quer dizer 
que a falta de coerência não consiste apenas na ignorância por parte 
dos interlocutores com relação a um determinado assunto, mas da 
emissão de ideias contrárias e do mal uso dos tempos verbais. 
Observe os exemplos: 
“A apresentação está finalizada, mas a estou concluindo 
até o momento.” Aqui, temos um processo verbal acabado e um 
inacabado. 
“Sou vegana e só como ovos com gema mole.” Os veganos não 
consomem produtos de origem animal. 
Princípios Básicos da Coerência 
– Relevância: as ideias têm que estar relacionadas.
– Não Contradição: as ideias não podem se contradizer.
– Não Tautologia: as ideias não podem ser redundantes. 
Fatores de Coerência 
– As inferências: se partimos do pressuposto que os 
interlocutores partilham do mesmo conhecimento, as inferências 
podem simplificar as informações. 
Exemplo: 
“Sempre que for ligar os equipamentos, não se esqueça de que 
voltagem da lavadora é 220w”. 
Aqui, emissor e receptor compartilham do conhecimento de 
que existe um local adequado para ligar determinado aparelho. 
– O conhecimento de mundo: todos nós temos uma bagagem 
de saberes adquirida ao longo da vida e que é arquivada na nossa 
memória. Esses conhecimentos podem ser os chamados scripts 
(roteiros, tal como normas de etiqueta), planos (planejar algo 
com um objetivo, tal como jogar um jogo), esquemas (planos de 
funcionamento, como a rotina diária: acordar, tomar café da manhã, 
sair para o trabalho/escola), frames (rótulos), etc. 
Exemplo: 
“Coelhinho e ovos de chocolate! Vai ser um lindo Natal!” 
O conhecimento cultural nos leva a identificar incoerência na 
frase, afinal, “coelho” e “ovos de chocolate” são elementos, os 
chamados frames, que pertencem à comemoração de Páscoa, e 
nada têm a ver com o Natal. 
ORTOGRAFIA. 
— Definições
Com origem no idioma grego, no qual orto significa “direito”, 
“exato”, e grafia quer dizer “ação de escrever”, ortografia é o nome 
dado ao sistema de regras definido pela gramática normativa que 
indica a escrita correta das palavras. Já a Ortografia Oficial se refere 
às práticas ortográficas que são consideradas oficialmente como 
LÍNGUA PORTUGUESA
19
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adequadas no Brasil. Os principais tópicos abordados pela ortografia são: o emprego de acentos gráficos que sinalizam vogais tônicas, 
abertas ou fechadas; os processos fonológicos (crase/acento grave); os sinais de pontuação elucidativos de funções sintáticas da língua e 
decorrentes dessas funções, entre outros. 
Os acentos: esses sinais modificam o som da letra sobre a qual recaem, para que palavras com grafia similar possam ter leituras 
diferentes, e, por conseguinte, tenham significados distintos. Resumidamente, os acentos são agudo (deixa o som da vogal mais aberto), 
circunflexo (deixa o som fechado), til (que faz com que o som fique nasalado) e acento grave (para indicar crase). 
O alfabeto: é a base de qualquer língua. Nele, estão estabelecidos os sinais gráficos e os sons representados por cada um dos sinais; 
os sinais, por sua vez, são as vogais e as consoantes. 
As letras K, Y e W: antes consideradas estrangeiras, essas letras foram integradas oficialmente ao alfabeto do idioma português 
brasileiro em 2009, com a instauração do Novo Acordo Ortográfico. As possibilidades da vogal Y e das consoantes K e W são, basicamente, 
para nomes próprios e abreviaturas, como abaixo: 
– Para grafar símbolos internacionais e abreviações, como Km (quilômetro), W (watt) e Kg (quilograma). 
– Para transcrever nomes próprios estrangeiros ou seus derivados na língua portuguesa, como Britney, Washington, Nova York. 
Relação som X grafia: confira abaixo os casos mais complexos do emprego da ortografia correta das palavras e suas principais regras: 
«ch” ou “x”?: deve-se empregar o X nos seguintes casos: 
– Em palavras de origem africana ou indígena. Exemplo: oxum, abacaxi. 
– Após ditongos. Exemplo: abaixar, faixa. 
– Após a sílaba inicial “en”. Exemplo: enxada, enxergar. 
– Após a sílaba inicial “me”. Exemplo: mexilhão, mexer, mexerica. 
s” ou “x”?: utiliza-se o S nos seguintes casos:
– Nos sufixos “ese”, “isa”, “ose”. Exemplo: síntese, avisa, verminose. 
– Nos sufixos “ense”, “osa” e “oso”, quando formarem adjetivos. Exemplo: amazonense, formosa, jocoso. 
– Nos sufixos “ês” e “esa”, quando designarem origem, título ou nacionalidade. Exemplo: marquês/marquesa, holandês/holandesa, 
burguês/burguesa. 
– Nas palavras derivadas de outras cujo radical já apresenta “s”. Exemplo: casa – casinha – casarão; análise – analisar. 
Porque, Por que, Porquê ou Por quê? 
– Porque (junto e sem acento): é conjunção explicativa, ou seja, indica motivo/razão, podendo substituir o termo pois. Portanto, toda 
vez que essa substituição for possível, não haverá dúvidas de que o emprego do porque estará correto. Exemplo: Não choveu, porque/pois 
nada está molhado. 
– Por que (separado e sem acento): esse formato é empregado para introduzir uma pergunta ou no lugar de “o motivo pelo qual”, para 
estabelecer uma relação com o termo anterior da oração. Exemplos: Por que ela está chorando? / Ele explicou por que do cancelamento 
do show. 
– Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e, por isso, pode estar acompanhado por artigo, adjetivo, pronome ou 
numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento do show. 
– Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi embora novamente. Por quê? 
Parônimos e homônimos 
– Parônimos: são palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, mas se divergem no significado. Exemplos: absolver (perdoar) 
e absorver (aspirar); aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar). 
– Homônimos: são palavras com significados diferentes, mas que divergem na pronúncia. Exemplos: “gosto” (substantivo) e “gosto” 
(verbo gostar) / “este” (ponto cardeal) e “este” (pronome demonstrativo). 
CLASSE, ESTRUTURA, FORMAÇÃO E SIGNIFICAÇÃO DE VOCÁBULOS
CLASSE DE PALAVRAS
— DefiniçãoAs classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra existente na língua portuguesa 
condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua função. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe 
gramatical. 
— Artigo 
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero. 
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2020
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A classificação dos artigos 
– Artigos definidos: servem para especificar um substantivo ou para se referirem a um ser específico por já ter sido mencionado ou 
por ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número (singular e plural) e gênero (masculino e feminino).
– Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou a ocorrência inicial do representante de uma dada espécie, cujo conhecimento 
não é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que aparece no discurso. Podem variar em número e gênero. 
Observe: 
NÚMERO/GÊNERO MASCULINO FEMININO EXEMPLOS
Singular Um Uma Preciso de um pedreiro.Vi uma moça em frente à casa.
Plural Umas Umas Localizei uns documentos antigos.Joguei fora umas coisas velhas.
Outras funções do artigo 
– Substantivação: é o nome que se dá ao fenômeno de transformação de adjetivos e verbos em substantivos a partir do emprego do 
artigo. Observe: 
– Em “O caminhar dela é muito elegante.”, “caminhar”, que teria valor de verbo, passou a ser o substantivo do enunciado. 
– Indicação de posse: antes de palavras que atribuem parentesco ou de partes do corpo, o artigo definido pode exprimir relação de 
posse. Por exemplo: “No momento em que ela chegou, o marido já a esperava.” 
Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronomes possessivo dela.
– Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido antes de numeral indica valor 
aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos indefinidos representa expressões como “por volta de” e 
“aproximadamente. Observe: “Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.” e Acrescente aproximadamente umas três ou quatro 
gotas de baunilha.” 
Contração de artigos com preposições
Os artigos podem fazer junção a algumas preposições, criando uma única palavra contraída. A tabela abaixo ilustra como esse processo 
ocorre: 
— Substantivo
Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos e espirituais). Os substantivos 
se subdividem em: 
– Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pessoas (Pedro, Paula) ou lugares 
(São Paulo, Brasil). São comuns os que nomeiam algo na sua generalidade (garoto, caneta, cachorro). 
– Primitivos ou derivados: se não for formado por outra palavra, é substantivo primitivo (carro, planeta); se formado por outra 
palavra, é substantivo derivado (carruagem, planetário). 
– Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cavalo, unicórnio); os que nomeiam 
sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos. 
– Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: manada (rebanho de gado), 
constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães). 
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— Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo para alterar 
o seu significado, atribuindo-lhe caracterização conforme uma 
qualidade, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade 
ou extensão à palavra, locução, oração ou pronome.
Os tipos de adjetivos 
– Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo 
simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular); apresenta 
mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, 
amarelo-limão). 
– Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos 
é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos originados de verbo, 
substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: 
substantivo morte → adjetivo mortal; verbo lamentar → adjetivo 
lamentável). 
– Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou 
origem de uma pessoa (paulista, brasileiro, mineiro, latino). 
O gênero dos adjetivos 
– Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, 
isto é, não flexionam seu termo. Exemplo: “Fred é um amigo leal.” 
/ “Ana é uma amiga leal.” 
– Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que 
variam conforme o gênero. Exemplo: “Menino travesso.”/”Menina 
travessa”. 
O número dos adjetivos 
Por concordarem com o número do substantivo a que se 
referem, os adjetivos podem estar no singular ou no plural. Assim, 
a sua composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa 
instruída → pessoas instruídas; campo formoso → campos 
formosos.
O grau dos adjetivos
Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo 
(compara qualidades) e superlativo (intensifica qualidades).
– Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom 
quanto o anterior.” 
– Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do 
que Luciana.” 
– Comparativo de inferioridade: “O gerente está menos atento 
do que a equipe.” 
– Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, 
podendo ser: 
• Analítico: “A modelo é extremamente bonita.” 
• Sintético: “Pedro é uma pessoa boníssima.” 
– Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de: 
• Superioridade - “Ela é a professora mais querida da escola.” 
• Inferioridade - “Ele era o menos disposto do grupo.” 
Pronome adjetivo 
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses 
pronomes alteram os substantivos aos quais se referem. Assim, 
esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer 
concordância com os substantivos. Exemplos: “Esta professora é 
a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o 
substantivo comum professora). 
Locução adjetiva 
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, 
que, associadas, têm o valor de um único adjetivo. Basicamente, 
consiste na união preposição + substantivo ou advérbio. Exemplos: 
– Criaturas da noite (criaturas noturnas). 
– Paixão sem freio (paixão desenfreada). 
– Associação de comércios (associação comercial). 
— Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, 
fenômeno da natureza e estado. Os verbos se subdividem em: 
– Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, 
não têm seu radical modificado e preservam a mesma desinência do 
verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), 
“-er” (segunda conjugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe 
o exemplo do verbo “nutrir”:
– Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu 
significado). 
– Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, 
tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a, 2a, 3a), número (singular 
ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo 
(pretérito, presente ou futuro). Perceba que a conjugação desse 
no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações, 
tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; 
tu nutre; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós nutris; eles/elas nutrem. 
– Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos 
regulares, têm seu radical modificado quando conjugados e/ou 
têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma. 
Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito 
do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela disse; nós dissemos; 
vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda 
conjugação (-er) tem seu radical, diz, alterado, além de apresentar 
duas desinências distintas do verbo paradigma”. Se o verbo dizer 
fosse regular, sua conjugação no pretérito perfeito do indicativo 
seria: dizi, dizeste, dizeu,dizemos, dizestes, dizeram. 
FLEXÃO VERBAL
1) Número: singular ou plural
Ex.: ando, andas, anda → singular
 andamos, andais, andam → plural
2) Pessoas: são três.
a) A primeira é aquela que fala; corresponde aos pronomes eu 
(singular) e nós (plural).
Ex.: escreverei, escreveremos.
b) A segunda é aquela com quem se fala; corresponde aos pro-
nomes tu (singular) e vós (plural).
Ex.: escreverás, escrevereis.
c) A terceira é aquela acerca de quem se fala; corresponde aos 
pronomes ele ou ela (singular) e eles ou elas (plural).
Ex.: escreverá, escreverão.
3) Modos: são três.
a) Indicativo: apresenta o fato verbal de maneira positiva, indu-
bitável. Ex.: vendo.
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b) Subjuntivo: apresenta o fato verbal de maneira duvidosa, hi-
potética. Ex.: que eu venda.
c) Imperativo: apresenta o fato verbal como objeto de uma or-
dem. Ex.: venda!
4) Tempos: são três.
a) Presente: falo
b) Pretérito:
- Perfeito: falei
- Imperfeito: falava
- Mais-que-perfeito: falara
Obs.: O pretérito perfeito indica uma ação extinta; o imperfei-
to, uma ação que se prolongava num determinado ponto do pas-
sado; o mais-que-perfeito, uma ação passada em relação a outra 
ação, também passada. Ex.: 
Eu cantei aquela música. (perfeito)
Eu cantava aquela música. (imperfeito)
Quando ele chegou, eu já cantara. (mais-que-perfeito)
c) Futuro:
 - Do presente: estudaremos
 - Do pretérito: estudaríamos
Obs.: No modo subjuntivo, com relação aos tempos simples, 
temos apenas o presente, o pretérito imperfeito e o futuro (sem 
divisão). Os tempos compostos serão estudados mais adiante.
5) Vozes: são três.
a) Ativa: o sujeito pratica a ação verbal.
Ex.: O carro derrubou o poste.
b) Passiva: o sujeito sofre a ação verbal.
- Analítica ou verbal: com o particípio e um verbo auxiliar.
Ex.: O poste foi derrubado pelo carro.
- Sintética ou pronominal: com o pronome apassivador se.
Ex.: Derrubou-se o poste.
Obs.: Estudaremos bem o pronome apassivador (ou partícula 
apassivadora) na sétima lição: concordância verbal.
c) Reflexiva: o sujeito pratica e sofre a ação verbal; aparece um 
pronome reflexivo. Ex.: O garoto se machucou.
Formação do Imperativo
1) Afirmativo: tu e vós saem do presente do indicativo menos a 
letra s; você, nós e vocês, do presente do subjuntivo.
Ex.: Imperativo afirmativo do verbo beber
Bebo → beba
bebes → bebe (tu) bebas
bebe beba → beba (você)
bebemos bebamos → bebamos (nós)
bebeis → bebei (vós) bebais
bebem bebam → bebam (vocês)
Reunindo, temos: bebe, beba, bebamos, bebei, bebam.
2) Negativo: sai do presente do subjuntivo mais a palavra não.
Ex.: beba
bebas → não bebas (tu)
beba → não beba (você)
bebamos → não bebamos (nós)
bebais → não bebais (vós)
bebam → não bebam (vocês)
Assim, temos: não bebas, não beba, não bebamos, não bebais, 
não bebam.
Observações:
a) No imperativo não existe a primeira pessoa do singular, eu; a 
terceira pessoa é você.
b) O verbo ser não segue a regra nas pessoas que saem do pre-
sente do indicativo. Eis o seu imperativo:
- Afirmativo: sê, seja, sejamos, sede, sejam.
- Negativo: não sejas, não seja, não sejamos, não sejais, não 
sejam.
c) O tratamento dispensado a alguém numa frase não pode 
mudar. Se começamos a tratar a pessoa por você, não podemos 
passar para tu, e vice-versa.
Ex.: Pede agora a tua comida. (tratamento: tu)
Peça agora a sua comida. (tratamento: você)
d) Os verbos que têm z no radical podem, no imperativo afir-
mativo, perder também a letra e que aparece antes da desinência s.
Ex.: faze (tu) ou faz (tu)
 dize (tu) ou diz (tu)
e) Procure ter “na ponta da língua” a formação e o emprego do 
imperativo. É assunto muito cobrado em concursos públicos.
Tempos Primitivos e Tempos Derivados
1) O presente do indicativo é tempo primitivo. Da primeira pes-
soa do singular sai todo o presente do subjuntivo.
Ex.: digo → que eu diga, que tu digas, que ele diga etc.
 dizes
 diz
Obs.: isso não ocorre apenas com os poucos verbos que não 
apresentam a desinência o na primeira pessoa do singular.
Ex.: eu sou → que eu seja.
 eu sei → que eu saiba.
2) O pretérito perfeito é tempo primitivo. Da segunda pessoa 
do singular saem:
a) o mais-que-perfeito.
Ex.: coubeste → coubera, couberas, coubera, coubéramos, 
coubéreis, couberam.
b) o imperfeito do subjuntivo.
Ex.: coubeste → coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, 
coubésseis, coubessem.
c) o futuro do subjuntivo.
Ex.: coubeste → couber, couberes, couber, coubermos, couber-
des, couberem.
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3) Do infinitivo impessoal derivam:
a) o imperfeito do indicativo.
Ex.: caber → cabia, cabias, cabia, cabíamos, cabíeis, cabiam.
b) o futuro do presente.
Ex.: caber → caberei, caberás, caberá, caberemos, cabereis, 
caberão.
c) o futuro do pretérito.
Ex.: caber → caberia, caberias, caberia, caberíamos, caberíeis, 
caberiam.
d) o infinitivo pessoal.
Ex.: caber → caber, caberes, caber, cabermos, caberdes, cabe-
rem.
e) o gerúndio.
Ex.: caber → cabendo.
f) o particípio.
Ex.: caber → cabido.
Tempos Compostos
Formam-se os tempos compostos com o verbo auxiliar (ter ou 
haver) mais o particípio do verbo que se quer conjugar.
1) Perfeito composto: presente do verbo auxiliar mais particí-
pio do verbo principal.
Ex.: tenho falado ou hei falado → perfeito composto do indica-
tivo tenha falado ou haja falado → perfeito composto do subjuntivo.
2) Mais-que-perfeito composto: imperfeito do auxiliar mais 
particípio do principal.
Ex.: tinha falado → mais-que-perfeito composto do indicativo.
 tivesse falado → mais-que-perfeito composto do subjuntivo.
3) Demais tempos: basta classificar o verbo auxiliar.
Ex.: terei falado → futuro do presente composto (terei é futuro 
do presente).
Verbos Irregulares Comuns em Concursos
 É importante saber a conjugação dos verbos que seguem. Eles 
estão conjugados apenas nas pessoas, tempos e modos mais pro-
blemáticos.
1) Compor, repor, impor, expor, depor etc.: seguem integral-
mente o verbo pôr.
Ex.: ponho → componho, imponho, deponho etc.
 pus → compus, repus, expus etc.
2) Deter, conter, reter, manter etc.: seguem integralmente o 
verbo ter.
Ex.: tivermos → contivermos, mantivermos etc.
 tiveste → retiveste, mantiveste etc.
3) Intervir, advir, provir, convir etc.: seguem integralmente o 
verbo vir.
Ex.: vierem → intervierem, provierem etc.
 vim → intervim, convim etc.
4) Rever, prever, antever etc.: seguem integralmente o verbo 
ver.
Ex.: vi → revi, previ etc.
 víssemos → prevíssemos, antevíssemos etc.
Observações:
- Como se vê nesses quatro itens iniciais, o verbo derivado se-
gue a conjugação do seu primitivo. Basta conjugar o verbo primitivo 
e recolocar o prefixo. Há outros verbos que dão origem a verbos 
derivados. Por exemplo, dizer, haver e fazer. Para eles, vale a mesma 
regra explicada acima.
Ex.: eu houve → eu reouve (e não reavi, como normalmente se 
fala por aí).
- Requerer e prover não seguem integralmente os verbos que-
rer e ver. Eles serão mostrados mais adiante.
5) Crer, no pretérito perfeito do indicativo: cri, creste, creu, cre-
mos, crestes, creram.
6) Estourar, roubar, aleijar, inteirar etc.: mantém o ditongo fe-
chado em todos os tempos, inclusive o presente do indicativo. Ex.: A 
bomba estoura. (e não estóra, como normalmente se diz).
7) Aderir, competir, preterir, discernir, concernir, impelir, expe-
lir, repelir:
a) presente do indicativo: adiro, aderes, adere, aderimos, ade-
rimos, aderem.
b) presente do subjuntivo: adira, adiras, adira, adiramos, adi-
rais, adiram.
Obs.: Esses verbos mudam o e do infinitivo para i na primeira 
pessoa do singular do presente do indicativo e em todas do presen-
te do subjuntivo.
8) Aguar, desaguar, enxaguar, minguar:
a) presente do indicativo: águo, águas, água; enxáguo, enxá-
guas, enxágua.
b) presente do subjuntivo: águe, águes, águe; enxágue, enxá-
gues, enxágue.
9) Arguir, no presente do indicativo: arguo, argúis, argúi, argui-
mos, arguis, argúem.
10) Apaziguar, averiguar,obliquar, no presente do subjuntivo: 
apazigúe, apazigúes, apazigúe, apaziguemos, apazigueis, apazi-
gúem.
11) Mobiliar:
a) presente do indicativo: mobílio, mobílias, mobília, mobilia-
mos, mobiliais, mobíliam.
b) presente do subjuntivo: mobílie, mobílies, mobílie, mobilie-
mos, mobilieis, mobíliem.
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12) Polir, no presente do indicativo: pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem.
13) Passear, recear, pentear, ladear (e todos os outros terminados em ear)
a) presente do indicativo: passeio, passeias, passeia, passeamos, passeais, passeiam.
b) presente do subjuntivo: passeie, passeies, passeie, passeemos, passeeis, passeiem.
Observações:
- Os verbos desse grupo (importantíssimo) apresentam o ditongo ei nas formas rizotônicas, mas apenas nos dois presentes.
- Os verbos estrear e idear apresentam ditongo aberto.
Ex.: estreio, estreias, estreia; ideio, ideias, ideia.
14) Confiar, renunciar, afiar, arriar etc.: verbos regulares.
Ex.: confio, confias, confia, confiamos, confiais, confiam.
Observações:
- Esses verbos não têm o ditongo ei nas formas rizotônicas.
- Mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar e intermediar, apesar de terminarem em iar, apresentam o ditongo ei.
Ex.: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais, medeiam, medeie, medeies, medeie, mediemos, medieis, medeiem.
15) Requerer: só é irregular na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e, consequentemente, em todo o presente do subjun-
tivo.
Ex.: requeiro, requeres, requer
requeira, requeiras, requeira
requeri, requereste, requereu
16) Prover: conjuga-se como verbo regular no pretérito perfeito, no mais-que-perfeito, no imperfeito do subjuntivo, no futuro do 
subjuntivo e no particípio; nos demais tempos, acompanha o verbo ver.
Ex.: Provi, proveste, proveu; provera, proveras, provera; provesse, provesses, provesse etc.
provejo, provês, provê; provia, provias, provia; proverei, proverás, proverá etc.
17) Reaver, precaver-se, falir, adequar, remir, abolir, colorir, ressarcir, demolir, acontecer, doer são verbos defectivos. Estude o que 
falamos sobre eles na lição anterior, no item sobre a classificação dos verbos. Ex.: Reaver, no presente do indicativo: reavemos, reaveis.
— Pronome 
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala), a posse de um objeto 
e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os pronomes podem suplantar o substantivo ou 
acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: 
pessoais, possessivos, demonstrativos, interrogativos, indefinidos e relativos. 
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em pronomes do caso reto 
(desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemento), sendo que, para cada o caso reto, existe 
um correspondente oblíquo.
CASO RETO CASO OBLÍQUO
Eu Me, mim, comigo.
Tu Te, ti, contigo.
Ele Se, o, a , lhe, si, consigo.
Nós Nós, conosco.
Vós Vós, convosco.
Eles Se, os, as, lhes, si, consigo.
 
Observe os exemplos: 
– Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria. 
– Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que? O forno. 
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na, nos e nas desempenham apenas a função de objeto direto. 
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Pronomes possessivos 
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.
PESSOA DO DISCURSO PRONOME
1a pessoa – Eu Meu, minha, meus, minhas
2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas
3a pessoa – Ele / Ela Seu, sua, seus, suas
Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).
Pronomes de tratamento
Tratam-se de termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o pronome você. Eles têm a 
função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de comunicação). 
São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento específico. Apesar de 
expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos 
pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados na 3a pessoa.
Pronomes demonstrativos
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo, ao espaço e à pessoa do discurso – nesse último caso, o pronome 
determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em gênero e número.
PESSOA DO DISCURSO PRONOMES POSIÇÃO
1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa que fala.
2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso.
Os seres ou objetos estão 
próximos da pessoa com 
quem se fala.
3a pessoa Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. De quem/ do que se fala.
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Observe os exemplos: 
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.” 
Pronomes Indefinidos
Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do discurso. Os pronomes 
indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis (não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
– Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefinida ou não especificada.
– Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de modo vago, pois não se 
sabe de qual convidado se trata. 
– Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase “criança”, sem especificá-lo.
– Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem especificar de quais lojas se 
trata. 
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INDEFINIDOS
VARIÁVEIS Muito, pouco, algum, nenhum, outro, qualquer, certo, um, tanto, quanto, bastante, vários, quantos, todo.
INVARIÁVEIS Nada, ninguém, cada, algo, alguém, quem, demais, outrem, tudo.
Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, ou seja, para prevenir a repetição 
indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
– Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos (“pessoas” e “história”) e se 
relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”). 
– Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o substantivo dito anteriormente 
(“problemas”).
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS
VARIÁVEIS O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que, onde.
Pronomes interrogativos 
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e indiretas. Exemplos: 
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta) 
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS
VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que.
— Advérbio 
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, aos adjetivos e mesmo aos advérbios, com o objetivo de modificar ou 
intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, 
vlugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, aprovação, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:
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CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAIS TERMOS EXEMPLOS
ADVÉRBIO DE MODO
Bem, mal, assim, melhor, pior, 
depressa, devagar. Grande parte 
das palavras que terminam em 
“-mente”, como cuidadosamente, 
calmamente, tristemente.
“Coloquei-o cuidadosamente 
no berço.”
“Andou depressa por causa 
da chuva.”
ADVÉRBIO DE LUGAR Perto, longe, dentro, fora, aqui, lá, atrás.
“O carro está fora.”
“Procurei pelas chaves aqui e 
acolá, mas elas estavam aqui, na 
gaveta”
“Demorou, mas chegou 
longe.”
ADVÉRBIO DE TEMPO
Antes, depois, hoje, ontem, 
amanhã, sempre, nunca, cedo, 
tarde
“Sempre que precisar de 
algo, basta chamar-me.” “Cedo ou 
tarde, far-se-á justiça.”
ADVÉRBIO DE INTENSIDADE Muito, pouco, bastante, tão, demais, tanto
“Eles formam um casal tão 
bonito!” 
“Elas conversam demais!” 
“Você saiu muito depressa.”
ADVÉRBIO DE AFIRMAÇÃO
Sim e decerto; palavras 
afirmativas com sufixo “-mente” 
(certamente, realmente). Palavras 
como claro e positivo podem 
ser advérbio, dependendo do 
contexto
“Decerto passaram por aqui.” 
“Claro que irei!” 
“Entendi, sim.”
ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO
Não e nem; palavras como 
negativo, nenhum, nunca, jamais, 
entre outras, podem ser advér-
bio de negação, dependendo do 
contexto.
“Jamais reatarei meu namoro 
com ele.” 
“Sequer pensou para falar.” 
“Não pediu ajuda.”
ADVÉRBIO DE DÚVIDA
Talvez, quiçá, porventura, e 
palavras que expressem dúvida, 
acrescidas do sufixo “: -mente”, 
como possivelmente.
“Quiçá seremos recebidas.” 
“Provavelmente, sairei mais 
cedo.” 
“Talvez eu saia cedo.”
ADVÉRBIO DE INTERROGA-
ÇÃO
Quando, como, onde, aonde, 
donde, por que; esse advérbio 
pode indicar circunstâncias de 
modo, tempo, lugar e causa; é 
usado somente em frases interro-
gativas diretas ou indiretas.
“Por que vendeu o livro?” 
(Oração interrogativa direta, que 
indica causa) 
“Quando posso sair?” (oração 
interrogativa direta que indica 
tempo) 
“Explica como você fez is-
so.”(oração interrogativa indireta, 
que indica modo.
— Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado ou oração e, com isso, 
estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados. Em função dessa relação entre os termos 
conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectivamente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras 
palavras, as conjunções são um vínculo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado maior clareza e precisão. 
– Conjunções coordenativas: observe o exemplo: 
Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e chamaram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações em um mesmo período: além 
de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, 
para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as 
relaciona, como coordenativa. 
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– Conjunções subordinativas: analise este segundo caso:
Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.”
Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além disso, notamos que o sentido 
da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração 
principal, enquanto a segunda, de oração subordinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa.
Classificação das conjunções
Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e subordinação), as conjunções 
possuem subdivisões.
– Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco subclassificações, em função 
o sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco:
Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a conjunção subordinativa pode ser 
de dois subtipos: 
1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, 
complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exemplos: 
“É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.” 
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.” 
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2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância adverbial relacionada à oração 
principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:
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Numeral
É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro de uma sequência. 
Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três...), ordinais (primeiro, segundo, terceiro...), fracionários (meio, terço, quarto...) e 
multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo...). Antes de nos profundarmos em cada caso, vejamos o emprego dos numerais e suas três 
principais finalidades: 
1 – indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após, devem ser utilizados os 
numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10° (Parágrafo 10). 
2 – indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única exceção é a indicação do primeiro 
dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos: dezesseis de outubro; primeiro de agosto. 
3 – indicar capítulos, séculos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal até o décimo; após o décimo utiliza-se o 
numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto); Henrique VIII (oitavo), Bento XVI (dezesseis). 
Os tipos de numerais 
– Cardinais: são os números em sua forma fundamental e exprimem quantidades.
Exemplos: um dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil. 
– alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas, quinhentos/quinhentas). 
– alguns números cardinais variam em número, como é o caso: milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/trilhões, e assim por diante. 
– a palavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio e Pedro fizeram o teste, 
mas os dois/ambos foram reprovados. 
– Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é, apresentam a ordem de 
sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos. 
– os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos: primeiro/primeira, primeiros/
primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/trigésimas. 
– alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção. 
– Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma parte de um todo. Exemplos: 
meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos. 
– os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos: meio copo de leite, 
meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo. 
– Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coisas, ao atribuir-lhes uma 
característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro, triplo, undécuplo, doze vezes, cêntuplo. 
– em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam a flexionar número e 
gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos. 
– Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10unidades) ou dúzia (12 unidades). 
– os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas, centena/centenas. 
— Preposição
Essa classe de palavras tem o objetivo de marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos, adjetivos, verbos e advérbios) 
exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades linguísticas dentro do enunciado, as preposições não 
possuem significado próprio se isoladas no discurso. Em razão disso, as preposições são consideradas classe gramatical dependente, ou 
seja, sua função gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e sentido, 
esteja presente, apenas possui um menor valor. 
Classificação das preposições 
Preposições essenciais: só aparecem na língua propriamente como preposições, sem outra função. São elas:
 – Exemplo 1) ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de manteve-se sempre sendo 
preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferentes, garantindo-lhes classificações distintas conforme o 
contexto. 
– Exemplo 2) “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas duas fases, a mesma preposição 
tem significados distintos: na primeira, indica recurso/instrumento; na segunda, exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição 
tem valor semântico, mesmo que secundário ao valor estrutural (gramática).
Classificação das preposições 
– Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém, a depender do contexto, 
podem assumir essa atribuição. São elas:
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Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do 
suspeito apresentaram contradições.” A palavra “segundo”, que, 
normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao 
ser inserida nesse contexto, passou a ser uma preposição acidental, 
por tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”. 
Locuções prepositivas 
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e 
emprego de uma preposição. As principais locuções prepositivas 
são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da 
preposição de, a ou com. Confira algumas das principais locuções 
prepositivas.
— Interjeição 
É a palavra invariável ou sintagma que compõem frases que 
manifestam por parte do emissor do enunciado uma surpresa, uma 
hesitação, um susto, uma emoção, um apelo, uma ordem, etc., 
por parte do emissor do enunciado. São as chamadas unidades 
autônomas, que usufruem de independência em relação aos demais 
elementos do enunciado. As interjeições podem ser empregadas 
também para chamar exigir algo ou para chamar a atenção do 
interlocutor e são unidades cuja forma pode sofrer variações como: 
– Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras 
que, associadas, assumem o valor de interjeição. Exemplos: “Ai de 
mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”. 
– Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!” 
– Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!”
Os tipos de interjeição
De acordo com as reações que expressam, as interjeições 
podem ser de: 
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS
As palavras são formadas por estruturas menores, com signifi-
cados próprios. Para isso, há vários processos que contribuem para 
a formação das palavras.
Estrutura das palavras
As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas 
menores - os morfemas, também chamados de elementos mórfi-
cos: 
– radical e raiz;
– vogal temática;
– tema;
– desinências;
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação.
Radical: Elemento que contém a base de significação do vocá-
bulo.
Exemplos
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR.
Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos.
Dividem-se em:
Nominais
Indicam flexões de gênero e número nos substantivos.
Exemplos
pequenO, pequenA, alunO, aluna.
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas.
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Verbais
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos
Exemplos
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo)
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número)
Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem.
Exemplos
1ª conjugação: – A – cantAr
2ª conjugação: – E – fazEr
3ª conjugação: – I – sumIr
Observação
Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica oposição masculino/feminino.
Exemplos
livrO, dentE, paletó.
Tema: União do radical e a vogal temática.
Exemplos
CANTAr, CORREr, CONSUMIr.
Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se interpõem aos vocábulos por necessidade de eufonia.
Exemplos
chaLeira, cafeZal.
Visão geral: a formação de palavras que integram o léxico da língua baseia-se em dois principais processos morfológicos (combinação 
de morfemas): a derivação e a composição.
Derivação: é a formação de uma nova palavra (palavra derivada) com base em uma outra que já existe na língua (palavra primitiva ou 
radical). 
1 – Prefixal por prefixação: um prefixo ou mais são adicionados à palavra primitiva.
PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA PALAVRA DERIVADA
inf fiel infiel
sobre carga sobrecarga
2 – Sufixal ou por sufixação: é a adição de sufixo à palavra primitiva. 
PALAVRA 
PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
gol leiro goleiro
feliz mente felizmente
3 – Prefixal e sufixal: nesse tipo, a presença do prefixo ou do sufixo à palavra primitiva já é o suficiente para formação de uma nova 
palavra.
PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
inf feliz – Infeliz
– feliz mente Felizmente
des igual – desigual
– igual dade igualdade
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4 – Parassintética: também consiste na adição de prefixo e sufixo à palavra primitiva, porém, diferentemente do tipo anterior, para 
existência da nova palavra, ambos os acréscimos são obrigatórios. Esse processo parte de substantivos e adjetivos para originar um verbo. 
PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
em pobre cer empobrecer
em trist ecer estristecer
5 – Regressiva: é a remoção da parte final de uma palavra primitiva para, dessa forma, obter uma palavra derivada. Esse origina 
substantivos a partir de formas verbais que expressam uma ação. Essas novas palavras recebem o nome de deverbais. Tal composição 
ocorre a partir da substituição da terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de infinitivo (“–ar” ou “–er”) por uma das 
vogais temáticas nominais (-a, -e,-o).”
VERBO RADICAL DESINÊNCIA VOGAL TEMÁTICA SUBSTANTIVO
debater debat er e debate
sustentar sustent ar o sustento
vender vend er a venda
6 – Imprópria (ou conversão): é o processo que resulta na mudança da classe gramatical de uma palavra primitiva, mas não modifica 
sua forma. Exemplo: a palavra jantar pode ser um verbo na frase “Convidaram-me para jantar”, mas também pode ser um substantivo na 
frase “O jantar estava maravilhoso”. 
Composição: é o processo de formação de palavra a partir da junção de dois ou mais radicais. A composição pode se realizar por 
justaposição ou por aglutinação. 
– Justaposição: na junção, não há modificação dos radicais. Exemplo: passa + tempo - passatempo; gira + sol = girassol. 
– Aglutinação: existe alteração dos radicais na sua junção. Exemplo: em + boa + hora = embora; desta + arte = destarte.
SIGNIFICAÇÃO DE VOCÁBULOS. 
Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudo da semântica, a área da gramática que se dedica ao sentido das palavras e 
também às relações de sentido estabelecidas entre elas.
Denotação e conotação 
Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao sentido figurado das palavras. 
Exemplos: 
“O gato é um animal doméstico.”
“Meu vizinho é um gato.” 
No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de animal. Na segunda frase, a 
palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho,uma forma de dizer que ele é tão bonito quanto o bichano. 
Hiperonímia e hiponímia
Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abrangente, engloba um hipônimo, 
palavra inferior com sentido mais restrito.
Exemplos: 
– Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia.
– Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho.
Polissemia e monossemia 
A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de acordo com o contexto em 
que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas um significado. Exemplos: 
– “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma ou um órgão do corpo, dependendo do contexto em que é inserida. 
– A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra monossêmica. 
 
Sinonímia e antonímia 
A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se refere aos significados opostos. 
Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximidade e contrariedade.
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Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = 
veloz. 
Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x 
atrasado.
Homonímia e paronímia 
A homonímia diz respeito à propriedade das palavras 
apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas, mas distinção de 
sentido (palavras homônimas), semelhanças homófonas, mas 
distinção gráfica e de sentido (palavras homófonas) semelhanças 
gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas). 
A paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de 
forma parecida, mas que apresentam significados diferentes. Veja 
os exemplos:
– Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo 
caminhar); morro (monte) e morro (verbo morrer). 
– Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar 
(definir o preço); arrochar (apertar com força) e arroxar (tornar 
roxo).
– Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); 
boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro (pranto) e choro (verbo 
chorar) . 
– Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e 
apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e cumprimento 
(saudação).
DERIVAÇÃO E COMPOSIÇÃO
Prezado Candidato, o tema acima supracitado, já foi abordado 
em tópicos anteriores.
A ORAÇÃO E SEUS TERMOS. A ESTRUTURAÇÃO DO PERÍ-
ODO
Definição: sintaxe é a área da Gramática que se dedica ao 
estudo da ordenação das palavras em uma frase, das frases em um 
discurso e também da coerência (relação lógica) que estabelecem 
entre si. Sempre que uma frase é construída, é fundamental que 
ela contenha algum sentido para que possa ser compreendida pelo 
receptor. Por fazer a mediação da combinação entre palavras e 
orações, a sintaxe é essencial para que essa compreensão se efetive. 
Para que se possa compreender a análise sintática, é importante 
retomarmos alguns conceitos, como o de frase, oração e período. 
Vejamos:
Frase 
Trata-se de um enunciado que carrega um sentido completo 
que possui sentido integral, podendo ser constituída por somente 
uma ou várias palavras podendo conter verbo (frase verbal) ou 
não (frase nominal). Uma frase pode exprimir ideias, sentimentos, 
apelos ou ordens. Exemplos: “Saia!”, “O presidente vai fazer seu 
discurso.”, “Atenção!”, “Que horror!”. 
A ordem das palavras: associada à pontuação apropriada, 
a disposição das palavras na frase também é fundamental para a 
compreensão da informação escrita, e deve seguir os padrões da 
Língua Portuguesa. Observe que a frase “A professora já vai falar.” 
Pode ser modificada para, por exemplo, “Já vai falar a professora.” , 
sem que haja prejuízo de sentido. No entanto, a construção “Falar a 
já professora vai.” , apesar da combinação das palavras, não poderá 
ser compreendida pelo interlocutor. 
Oração
É uma unidade sintática que se estrutura em redor de um 
verbo ou de uma locução verbal. Uma frase pode ser uma oração, 
desde que tenha um verbo e um predicado; quanto ao sujeito, nem 
sempre consta em uma oração, assim como o sentido completo. O 
importante é que seja compreensível pelo receptor da mensagem. 
Analise, abaixo, uma frase que é oração com uma que não é. 
1 – Silêncio!”: É uma frase, mas não uma oração, pois não 
contém verbo. 
2 – “Eu quero silêncio.”: A presença do verbo classifica a frase 
como oração. 
Unidade sintática (ou termo sintático): a sintaxe de uma 
oração é formada por cada um dos termos, que, por sua vez, 
estabelecem relação entre si para dar atribuir sentido à frase. No 
exemplo supracitado, a palavra “quero” deve unir-se às palavras 
“Eu” e “silêncio” para que o receptor compreenda a mensagem. 
Dessa forma, cada palavra desta oração recebe o nome de termo 
ou unidade sintática, desempenhando, cada qual, uma função 
sintática diferente.
Classificação das orações: as orações podem ser simples ou 
compostas. As orações simples apresentam apenas uma frase; as 
compostas apresentam duas ou mais frases na mesma oração. 
Analise os exemplos abaixo e perceba que a oração composta tem 
duas frases, e cada uma tem seu próprio sentido. 
– Oração simples: “Eu quero silêncio.” 
– Oração composta: “Eu quero silêncio para poder ouvir o 
noticiário”. 
Período 
É a construção composta por uma ou mais orações, sempre com 
sentido completo. Assim como as orações, o período também pode 
ser simples ou composto, que se diferenciam em razão do número 
de orações que apresenta: o período simples contém apenas uma 
oração, e o composto mais de uma. Lembrando que a oração é uma 
frase que contém um verbo. Assim, para não ter dúvidas quanto à 
classificação, basta contar quantos verbos existentes na frase.
– Período simples: “Resolvo esse problema até amanhã.” - 
apresenta apenas um verbo. 
– Período composto: Resolvo esse problema até amanhã ou 
ficarei preocupada.” - contém dois verbos. 
 
— Análise Sintática 
É o nome que se dá ao processo que serve para esmiuçar a 
estrutura de um período e das orações que compõem um período. 
Termos da oração: é o nome dado às palavras que atribuem 
sentido a uma frase verbal. A reunião desses elementos forma o 
que chamamos de estrutura de um período. Os termos essenciais 
se subdividem em: essenciais, integrantes e acessórios. Acompanhe 
a seguir as especificidades de cada tipo. 
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1 – Termos Essenciais (ou fundamentais) da oração
Sujeito e Predicado: enquanto um é o ser sobre quem/o qual 
se declara algo, o outro é o que se declara sobre o sujeito e, por 
isso, sempre apresenta um verbo ou uma locução verbal, como nos 
respectivos exemplos a seguir:
Exemplo: em “Fred fez um lindo discurso.”, o sujeito é “Fred”, 
que “fez um lindo discurso” (é o restante da oração, a declaração 
sobre o sujeito). 
Nem sempre o sujeito está no início da oração (sujeito direto), 
podendo apresentar-se também no meio da fase ou mesmo após 
o predicado (sujeito inverso). Veja um exemplo para cada um dos 
respectivos casos: 
“Fred fez um lindo discurso.” 
 “Um lindo discurso Fred fez.” 
“Fez um lindo discurso, Fred.” 
– Sujeito determinado: é aquele identificável facilmente pela 
concordância verbal. 
– Sujeito determinado simples: possui apenas um núcleo 
ligado ao verbo. Ex.: “Júlia passou no teste”. 
– Sujeito determinado composto: possui dois ou mais núcleos. 
Ex.: “Júlia e Felipe passaram no teste.” 
– Sujeito determinado implícito: não aparece facilmente na 
oração, mas a frase é dotada de entendimento. Ex.: “Passamos no 
teste.” Aqui, o termo “nós” não está explícito na oração, mas a 
concordância do verbo o destaca de forma indireta. 
– Sujeito indeterminado: é o que não está visível na oração 
e, diferente do caso anterior, não há concordância verbal para 
determiná-lo. 
Esse sujeito pode aparecer com: 
– Verbo na 3a pessoa do plural. Ex.: “Reformarama casa velha”. 
– Verbo na 3a pessoa do singular + pronome “se”: “Contrata-se 
padeiro.”». 
– Verbo no infinitivo impessoal: “Vai ser mais fácil se você 
estiver lá.” 
– Orações sem sujeito: são compostas somente por predicado, 
e sua mensagem está centralizada no verbo, que é impessoal. 
Essas orações podem ter verbos que constituam fenômenos da 
natureza, ou os verbos ser, estar, haver e fazer quando indicativos 
de fenômeno meteorológico ou tempo. Observe os exemplos: 
“Choveu muito ontem”. 
“Era uma hora e quinze”.
– Predicados Verbais: resultam da relação entre sujeito e 
verbo, ou entre verbo e complementos. Os verbos, por sua vez, 
também recebem sua classificação, conforme abaixo: 
– Verbo transitivo: é o verbo que transita, isto é, que vai adiante 
para passar a informação adequada. Em outras palavras, é o verbo 
que exige complemento para ser entendido. Para produzir essa 
compreensão, esse trânsito do verbo, o complemento pode ser 
direto ou indireto. No primeiro caso, a ligação direta entre verbo e 
complemento. Ex.: “Quero comprar roupas.”. No segundo, verbo e 
complemento são unidos por preposição. Ex.: “Preciso de dinheiro.”
– Verbo intransitivo: não requer complemento, é provido de 
sentido completo. São exemplos: morrer, acordar, nascer, nadar, 
cair, mergulhar, correr. 
– Verbo de ligação: servem para expressar características de 
estado ao sujeito, sendo eles: estado permanente (“Pedro é alto.”), 
estado de transição (“Pedro está acamado.”), estado de mutação 
(“Pedro esteve enfermo.”), estado de continuidade (“Pedro continua 
esbelto.”) e estado aparente (“Pedro parece nervoso.”). 
– Predicados nominais: são aqueles que têm um nome 
(substantivo ou adjetivo) como cujo núcleo significativo da oração. 
Ademais, ele se caracteriza pela indicação de estado ou qualidade, 
e é composto por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito. 
– Predicativo do sujeito: é um termo que atribui características 
ao sujeito por meio de um verbo. Exemplo: em “Marta é 
inteligente.”, o adjetivo é o predicativo do sujeito “Marta”, ou seja, 
é sua característica de estado ou qualidade. Isso é comprovado pelo 
“ser” (é), que é o verbo de ligação entre Marta e sua característica 
atual. Esse elemento não precisa ser, obrigatoriamente, um adjetivo, 
mas pode ser uma locução adjetiva, ou mesmo um substantivo ou 
palavra substantivada. 
– Predicado Verbo-Nominal: esse tipo deve apresentar sempre 
um predicativo do sujeito associado a uma ação do sujeito acrescida 
de uma qualidade sua. Exemplo: “As meninas saíram mais cedo da 
aula. Por isso, estavam contentes. 
O sujeito “As meninas” possui como predicado o verbo “sair” 
e também o adjetivo “contentes”. Logo, “estavam contentes” é o 
predicativo do sujeito e o verbo de ligação é “estar”. 
2 – Termos integrantes da oração
Basicamente, são os termos que completam os verbos de uma 
oração, atribuindo sentindo a ela. Eles podem ser complementos 
verbais, complementos nominais ou mesmo agentes da passiva. 
– Complementos Verbais: como sugere o nome, esses termos 
completam o sentido de verbos, e se classificam da seguinte forma: 
– Objeto direto: completa verbos transitivos diretos, não 
exigindo preposição. 
– Objeto indireto: complementam verbos transitivos indiretos, 
isto é, aqueles que dependem de preposição para que seu sentido 
seja compreendido. 
Quanto ao objeto direto, podemos ter: 
– Um pronome substantivo: “A equipe que corrigiu as provas.” 
– Um pronome oblíquo direto: “Questionei-a sobre o 
acontecido.” 
– Um substantivo ou expressão substantivada: “Ele consertou 
os aparelhos.»
– Complementos Nominais: esses termos completam o sentido 
de uma palavra, mas não são verbos; são nomes (substantivos, 
adjetivos ou advérbios), sempre seguidos por preposição. Observe 
os exemplos:
– “Maria estava satisfeita com seus resultados.” – observe que 
“satisfeita” é adjetivo, e “com seus resultados” é complemento 
nominal. 
– “O entregador atravessou rapidamente pela viela. – 
“rapidamente” é advérbio de modo. 
– “Eu tenho medo do cachorro.” – Nesse caso, “medo” é um 
substantivo. 
LÍNGUA PORTUGUESA
3636
a solução para o seu concurso!
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– Agentes da Passiva: são os termos de uma oração que praticam 
a ação expressa pelo verbo, quando este está na voz passiva. Assim, 
estão normalmente acompanhados pelas preposições de e por. 
Observe os exemplos do item anterior modificados para a voz 
passiva: 
– “Os resultados foram motivo de satisfação de Maria.” 
– “O cachorro foi alvo do meu medo.” 
– “A viela foi atravessada rapidamente pelo entregador.” 
3 – Termos acessórios da oração
Diversamente dos termos essenciais e integrantes, os termos 
acessórios não são fundamentais o sentido da oração, mas servem 
para complementar a informação, exprimindo circunstância, 
determinando o substantivo ou caracterizando o sujeito. Confira 
abaixo quais são eles: 
– Adjunto adverbial: são os termos que modificam o sentido 
do verbo, do adjetivo ou do advérbio. Analise os exemplos: 
“Dormimos muito.” 
O termo acessório “muito” classifica o verbo “dormir”. 
“Ele ficou pouco animado com a notícia.” 
O termo acessório “pouco” classifica o adjetivo “animado” 
“Maria escreve bastante bem.” 
O termo acessório “bastante” modifica o advérbio “bem”. 
Os adjuntos adverbiais podem ser: 
– Advérbios: pouco, bastante, muito, ali, rapidamente longe, etc. 
– Locuções adverbiais: o tempo todo, às vezes, à beira-mar, etc. 
– Orações: «Quando a mercadoria chegar, avise.” (advérbio de 
tempo). 
– Adjunto adnominal: é o termo que especifica o substantivo, 
com função de adjetivo. Em razão disso, pode ser representado 
por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, numerais adjetivos ou 
pronomes adjetivos. Analise o exemplo: 
“O jovem apaixonado presenteou um lindo buquê à sua colega 
de escola.” 
– Sujeito: “jovem apaixonado” 
– Núcleo do predicado verbal: “presenteou” 
– Objeto direto do verbo entregar: “um lindo buquê” 
– Objeto indireto: “à amiga de classe” – Adjuntos adnominais: 
no sujeito, temos o artigo “o” e “apaixonado”, pois caracterizam 
o “jovem”, núcleo do sujeito; o numeral “um” e o adjetivo “lindo” 
fazem referência a “buquê” (substantivo); o artigo “à” (contração 
da preposição + artigo feminino) e a locução “de trabalho” são os 
adjuntos adnominais de “colega”. 
– Aposto: é o termo que se relaciona com o sujeito para 
caracterizá-lo, contribuindo para a complementação uma 
informação já completa. Observe os exemplos:
 “Michael Jackson, o rei do pop, faleceu há uma década.” 
 “Brasília, capital do Brasil, foi construída na década de 1950.” 
– Vocativo: esse termo não apresenta relação sintática nem 
com sujeito nem com predicado, tendo sua função no chamamento 
ou na interpelação de um ouvinte, e se relaciona com a 2a pessoa 
do discurso. Os vocativos são o receptor da mensagem, ou seja, a 
quem ela é dirigida. Podem ser acompanhados de interjeições de 
apelo. Observe: 
“Ei, moça! Seu documento está pronto!” 
“Senhor, tenha misericórdia de nós!” 
“Vista o casaco, filha!” 
— Estudo da relação entre as orações 
Os períodos compostos são formados por várias orações. 
As orações estabelecem entre si relações de coordenação ou de 
subordinação. 
– Período composto por coordenação: é formado por 
orações independentes. Apesar de estarem unidas por conjunções 
ou vírgulas, as orações coordenadas podem ser entendidas 
individualmente porque apresentam sentidos completos. 
Acompanhe a seguir a classificação das orações coordenadas:
– Oração coordenada aditiva: “Assei os salgados e preparei os 
doces.” 
– Oração coordenada adversativa: “Assei os salgados, mas não 
preparei os doces.” 
– Oração coordenada alternativa: “Ou asso os salgados ou 
preparo os doces.” 
– Oração coordenada conclusiva: “Marta estudou bastante, 
logo, passou no exame.” 
– Oração coordenada explicativa: “Marta passou no exame 
porque estudou bastante.” 
– Período composto por subordinação: são constituídos por 
orações dependentesuma da outra. Como as orações subordinadas 
apresentam sentidos incompletos, não podem ser entendidas 
de forma separada. As orações subordinadas são divididas em 
substantivas, adverbiais e adjetivas. Veja os exemplos: 
– Oração subordinada substantiva subjetiva: “Ficou provado 
que o suspeito era realmente o culpado.” 
– Oração subordinada substantiva objetiva direta: “Eu não 
queria que isso acontecesse.” 
– Oração subordinada substantiva objetiva indireta: “É 
obrigatório de que todos os estudantes sejam assíduos.” 
– Oração subordinada substantiva completiva nominal: “Tenho 
expectativa de que os planos serão melhores em breve!” 
– Oração subordinada substantiva predicativa: “O que importa 
é que meus pais são saudáveis.” 
– Oração subordinada substantiva apositiva: “Apenas saiba 
disto: que tudo esteja organizado quando eu voltar!” 
– Oração subordinada adverbial causal: “Não posso me 
demorar porque tenho hora marcada na psicóloga.” 
– Oração subordinada adverbial consecutiva: “Ficamos tão 
felizes que pulamos de alegria.” 
– Oração subordinada adverbial final: “Eles ficaram vigiando 
para que nós chegássemos a casa em segurança.” 
– Oração subordinada adverbial temporal: “Assim que eu 
cheguei, eles iniciaram o trabalho.” 
– Oração subordinada adverbial condicional: “Se você vier logo, 
espero por você.» 
– Oração subordinada adverbial concessiva: “Ainda que 
estivesse cansado, concluiu a maratona.” 
– Oração subordinada adverbial comparativa: “Marta sentia 
como se ainda vivesse no interior.”
LÍNGUA PORTUGUESA
37
a solução para o seu concurso!
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– Oração subordinada adverbial conformativa: “Conforme 
combinamos anteriormente, entregarei o produto até amanhã.” 
– Oração subordinada adverbial proporcional: “Quanto mais 
me exercito, mais tenho disposição.” 
– Oração subordinada adjetiva explicativa: “Meu filho, que 
passou no concurso, mudou-se para o interior.” 
– Oração subordinada adjetiva restritiva: “A aluna que esteve 
enferma conseguiu ser aprovada nas provas.”
AS CLASSES DE PALAVRAS: ASPECTOS MORFOLÓGICOS, 
SINTÁTICOS E ESTILÍSTICOS
Prezado Candidato, o tema acima supracitado, já foi abordado 
em tópicos anteriores.
LINGUAGEM FIGURADA
Prezado Candidato, o tema acima supracitado, já foi abordado 
em tópicos anteriores.
PONTUAÇÃO
— Visão Geral
O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais 
gráficos que, em um período sintático, têm a função primordial 
de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas 
e, ocasionalmente, manifestar as propriedades da fala (prosódias) 
em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os 
gestos e as expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a 
compreensão da frase. 
O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades: 
– Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos 
tipos textuais;
– Garantir os efeitos de sentido dos enunciados;
– Demarcar das unidades de um texto; 
– Sinalizar os limites das estruturas sintáticas.
— Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um 
enunciado
Vírgula 
De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado 
para indicar que os termos por ela isolados, embora compartilhem 
da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, 
se, ao contrário, houver relação sintática entre os termos, estes 
não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo 
tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em 
outras, ela é vetada. Confira os casos em que a vírgula deve ser 
empregada: 
• No interior da sentença
1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição:
ENUMERAÇÃO
Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate.
Paguei as contas de água, luz, telefone e gás.
 
REPETIÇÃO
Os arranjos estão lindos, lindos!
Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada.
2 – Isolar o vocativo 
“Crianças, venham almoçar!” 
“Quando será a prova, professora?” 
3 – Separar apostos 
“O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.” 
4 – Isolar expressões explicativas: 
“As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi 
responsabilizado.” 
5 – Separar conjunções intercaladas 
“Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.” 
6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado: 
“Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários 
do setor.” 
“Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.” 
7 – Separar o complemento pleonástico antecipado: 
“Estas alegações, não as considero legítimas.” 
8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas 
por conjunções) 
“Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.” 
9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas: 
“São Paulo, 16 de outubro de 2022”. 
10 – Marcar a omissão de um termo: 
“Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo 
“fazer”). 
• Entre as sentenças
1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas 
“Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.” 
2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e 
assindéticas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”: 
“Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos 
ajudasse.” 
3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a 
principal: 
“Quando será publicado, ainda não foi divulgado.” 
LÍNGUA PORTUGUESA
3838
a solução para o seu concurso!
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4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas 
ou reduzidas, especialmente as que antecedem a oração principal: 
Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá atenção!
Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá atenção!
5 – Separar as sentenças intercaladas: 
“Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu 
leito, até que você se recupere por completo.”
• Antes da conjunção “e”
1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire 
valores que não expressam adição, como consequência ou 
diversidade, por exemplo. 
“Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.” 
2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sempre 
que a conjunção “e” é reiterada com com a finalidade de destacar 
alguma ideia, por exemplo:
“(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; 
e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o 
esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha)
3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas 
apresentam sujeitos distintos, por exemplo: 
“A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.”
O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito 
e predicado, verbo e objeto, nome de adjunto adnominal, nome 
e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração 
substantiva e oração subordinada (desde que a substantivo não seja 
apositiva nem se apresente inversamente). 
Ponto
1 – Para indicar final de frase declarativa: 
“O almoço está pronto e será servido.”
2 – Abrevia palavras: 
– “p.” (página) 
– “V. Sra.” (Vossa Senhoria) 
– “Dr.” (Doutor) 
3 – Para separar períodos: 
“O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.”
Ponto e Vírgula 
1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou 
orações coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula: 
“Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; 
nossa amiga, de praticar esportes.”
2 – Para separar os itens de uma sequência de itens: 
“Os planetas que compõem o Sistema Solar são: 
Mercúrio; 
Vênus; 
Terra; 
Marte; 
Júpiter; 
Saturno; 
Urano;
Netuno.” 
Dois Pontos
1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, 
enumerações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem 
ideias anteriores. 
“Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.” 
“Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela 
grande ofensa.” 
2 – Para introduzirem citação direta: 
“Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente 
muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’.” 
3 – Para iniciar fala de personagens: 
“Ele gritava repetidamente: 
– Sou inocente!” 
Reticências 
1 –Para indicar interrupção de uma frase incompleta 
sintaticamente: 
“Quem sabe um dia...” 
2 – Para indicar hesitação ou dúvida: 
“Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar 
ainda.” 
3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o 
objetivo de prolongar o raciocínio: 
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas 
faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar).
4 – Suprimem palavras em uma transcrição: 
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - 
Raimundo Fagner).
Ponto de Interrogação 
1 – Para perguntas diretas: 
“Quando você pode comparecer?” 
2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para 
destacar o enunciado: 
“Não brinca, é sério?!” 
Ponto de Exclamação 
1 – Após interjeição: 
“Nossa Que legal!” 
2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva 
“Infelizmente!” 
3 – Após vocativo 
“Ana, boa tarde!” 
4 – Para fechar de frases imperativas: 
“Entre já!” 
LÍNGUA PORTUGUESA
39
a solução para o seu concurso!
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Parênteses 
a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases 
intercaladas de valor explicativo, podendo substituir o travessão ou 
a vírgula: 
“Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre) 
quem seria promovido.” 
Travessão 
1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto: 
“O rapaz perguntou ao padre: 
— Amar demais é pecado?” 
2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos: 
“— Vou partir em breve. 
— Vá com Deus!” 
3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários: 
“Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.”
4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas: 
“Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.” 
Aspas 
1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, 
como termos populares, gírias, neologismos, estrangeirismos, 
arcaísmos, palavrões, e neologismos. 
“Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.” 
“A reunião será feita ‘online’.” 
2 – Para indicar uma citação direta: 
“A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de 
Assis)
QUESTÕES
1. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/
Especialista em Proteção Radiológica/2022
Assunto: Significação de vocábulo e expressões
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre, 
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a 
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com 
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o 
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. 
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido, 
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu 
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com 
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa 
dos filhos e dos netos.
Tratou-me com a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia 
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e 
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas 
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de 
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me 
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José, 
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo, 
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã 
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém 
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha 
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto 
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais 
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos 
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a 
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se 
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que 
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia 
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda 
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa 
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava 
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer 
violência para entrar no reino celeste.
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu, 
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se. 
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do 
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de 
revólver na mão.
Em “escutava maternalmente meus contos toscos” (parágrafo 
4), a palavra toscos pode ser substituída, sem a alteração de seu 
significado no contexto, por
(A) criativos
(B) malfeitos
(C) primorosos
(D) incompletos
(E) sofisticados
2. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/Ad-
ministrador/2022
Assunto: Significação de vocábulo e expressões
Texto
Entulho eletrônico: risco iminente para a saúde e o ambiente
Os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (lixo eletroele-
trônico) são, por definição, produtos que têm componentes elétri-
cos e eletrônicos e que, por razões de obsolescência (perspectiva 
ou programada) e impossibilidade de conserto, são descartados 
pelos consumidores. Os exemplos mais comuns são televisores e 
equipamentos de informática e telefonia, mas a lista inclui eletro-
domésticos, equipamentos médicos, brinquedos, sistemas de alar-
me, automação e controle.
LÍNGUA PORTUGUESA
4040
a solução para o seu concurso!
Editora
Obsolescência programada é a decisão intencional de fabricar 
um produto que se torne obsoleto ou não funcional após certo tem-
po, para forçar o consumidor a comprar uma nova geração desse 
produto. Já a obsolescência perspectiva é uma forma de reduzir a 
vida útil de produtos ainda funcionais. Nesse caso, são lançadas no-
vas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças fun-
cionais, dando à geração em uso aspecto de ultrapassada, o que 
induz o consumidor à troca.
O lixo eletroeletrônico é mais um desafio que se soma aos pro-
blemas ambientais da atualidade. O consumidor raramente reflete 
sobre as consequências do consumo crescente desses produtos, 
preocupando- se em satisfazer suas necessidades. Afinal, eletroele-
trônicos são tidos como sinônimos de melhor qualidade de vida, e a 
explosão da indústria da informação é uma força motriz da socieda-
de, oferecendo ferramentas para rápidos avanços na economia e no 
desenvolvimento social. O mundo globalizado impõe uma constan-
te busca de informações em tempo real, e a sua interação com no-
vas tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios, segundo 
estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo isso exerce 
um fascínio irresistível para os jovens.
Dois aspectos justificam a inclusão dos eletroeletrônicos entre 
as preocupações da ONU: as vendas crescentes, em especial nos 
mercados emergentes (inclusive o Brasil), e a presença de metais 
e substâncias tóxicas em muitos componentes, trazendo risco à 
saúde e ao meio ambiente. Segundo a ONU, são gerados hoje 150 
milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano, e esse tipo 
de resíduo cresce a uma velocidade três a cincovezes maior que a 
do lixo urbano.
No trecho “Tudo isso exerce um fascínio irresistível para os jo-
vens.” (parágrafo 3), a palavra que apresenta o sentido contrário ao 
da palavra destacada é
(A) atração
(B) encanto
(C) repulsa
(D) sedução
(E) embevecimento
3. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/Ad-
ministrador/2022
Assunto: Significação de vocábulo e expressões
Texto
Entulho eletrônico: risco iminente para a saúde e o ambiente
Os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (lixo eletroele-
trônico) são, por definição, produtos que têm componentes elétri-
cos e eletrônicos e que, por razões de obsolescência (perspectiva 
ou programada) e impossibilidade de conserto, são descartados 
pelos consumidores. Os exemplos mais comuns são televisores e 
equipamentos de informática e telefonia, mas a lista inclui eletro-
domésticos, equipamentos médicos, brinquedos, sistemas de alar-
me, automação e controle.
Obsolescência programada é a decisão intencional de fabricar 
um produto que se torne obsoleto ou não funcional após certo tem-
po, para forçar o consumidor a comprar uma nova geração desse 
produto. Já a obsolescência perspectiva é uma forma de reduzir a 
vida útil de produtos ainda funcionais. Nesse caso, são lançadas no-
vas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças fun-
cionais, dando à geração em uso aspecto de ultrapassada, o que 
induz o consumidor à troca.
O lixo eletroeletrônico é mais um desafio que se soma aos pro-
blemas ambientais da atualidade. O consumidor raramente reflete 
sobre as consequências do consumo crescente desses produtos, 
preocupando- se em satisfazer suas necessidades. Afinal, eletroele-
trônicos são tidos como sinônimos de melhor qualidade de vida, e a 
explosão da indústria da informação é uma força motriz da socieda-
de, oferecendo ferramentas para rápidos avanços na economia e no 
desenvolvimento social. O mundo globalizado impõe uma constan-
te busca de informações em tempo real, e a sua interação com no-
vas tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios, segundo 
estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo isso exerce 
um fascínio irresistível para os jovens.
Dois aspectos justificam a inclusão dos eletroeletrônicos entre 
as preocupações da ONU: as vendas crescentes, em especial nos 
mercados emergentes (inclusive o Brasil), e a presença de metais 
e substâncias tóxicas em muitos componentes, trazendo risco à 
saúde e ao meio ambiente. Segundo a ONU, são gerados hoje 150 
milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano, e esse tipo 
de resíduo cresce a uma velocidade três a cinco vezes maior que a 
do lixo urbano.
AFONSO, J. C. Revista Ciência Hoje, n. 314, maio 2014. São Paulo: 
SBPC. Disponível em: https://cienciahoje.periodicos.capes. gov.br/
storage/acervo/ch/ch_314.pdf. Adaptado.
No 3o parágrafo, no trecho “a explosão da indústria da infor-
mação é uma força motriz da sociedade”, a palavra destacada pode 
ser substituída, sem prejuízo de sentido, por
(A) infalível
(B) obrigatória
(C) abrangente
(D) imprescindível
(E) impulsionadora
4. CESGRANRIO - Esc BB/BB/Agente Comercial/2021
Assunto: Predicado
O que é o QA e por que ele pode ser mais importante que o QI 
no mercado de trabalho
Há algum tempo, se você quisesse avaliar as perspectivas de al-
guém crescer na carreira, poderia considerar pedir um teste de QI, 
o quociente de inteligência, que mede indicadores como memória 
e habilidade matemática.
Mais recentemente, passaram a ser avaliadas outras letrinhas: 
o quociente de inteligência emocional (QE), uma combinação de 
habilidades interpessoais, autocontrole e comunicação. Não só no 
mundo do trabalho, o QE é visto como um kit de habilidades que 
pode nos ajudar a ter sucesso em vários aspectos da vida.
Tanto o QI quanto o QE são considerados importantes para o 
sucesso na carreira. Hoje, porém, à medida que a tecnologia rede-
fine como trabalhamos, as habilidades necessárias para prosperar 
no mercado de trabalho também estão mudando. Entra em cena 
então um novo quociente, o de adaptabilidade (QA), que considera 
a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mu-
danças rápidas e frequentes.
O QA não é apenas a capacidade de absorver novas informa-
ções, mas de descobrir o que é relevante, deixar para trás noções 
obsoletas, superar desafios e fazer um esforço consciente para mu-
dar. Esse quociente envolve também características como flexibili-
dade, curiosidade, coragem e resiliência.
LÍNGUA PORTUGUESA
41
a solução para o seu concurso!
Editora
Amy Edmondson, professora de Administração da Harvard Bu-
siness School, diz que é a velocidade vertiginosa das mudanças no 
mercado de trabalho que fará o QA vencer o QI. Automatiza-se fa-
cilmente qualquer função que envolva detectar padrões nos dados 
(advogados revisando documentos legais ou médicos buscando o 
histórico de um paciente, por exemplo), diz Dave Coplin, diretor da 
The Envisioners, consultoria de tecnologia sediada no Reino Unido. 
A tecnologia mudou bastante a forma como alguns trabalhos são 
feitos, e a tendência continuará. Isso ocorre porque um algoritmo 
pode executar essas tarefas com mais rapidez e precisão do que um 
humano.
Para evitar a obsolescência, os trabalhadores que cumprem es-
sas funções precisam desenvolver novas habilidades, como a criati-
vidade para resolver novos problemas, empatia para se comunicar 
melhor e responsabilidade.
Edmondson diz que toda profissão vai exigir adaptabilidade e 
flexibilidade, do setor bancário às artes. Digamos que você é um 
contador. Seu QI o ajuda nas provas pelas quais precisa passar para 
se qualificar; seu QE contribui na conexão com um recrutador e de-
pois no relacionamento com colegas e clientes no emprego. Então, 
quando os sistemas mudam ou os aspectos do trabalho são auto-
matizados, você precisa do QA para se acomodar a novos cenários.
Ter QI, mas nenhum QA, pode ser um bloqueio para as habili-
dades existentes diante de novas maneiras de trabalhar. No mundo 
corporativo, o QA está sendo cada vez mais buscado na hora da 
contratação. Uma coisa boa do QA é que, mesmo que seja difícil 
mensurá-lo, especialistas dizem que ele pode ser desenvolvido.
Como diz Edmondson: “Aprender a aprender é uma missão 
crítica. A capacidade de aprender, mudar, crescer, experimentar se 
tornará muito mais importante do que o domínio de um assunto.”
A frase em que o verbo apresenta a mesma predicação que o 
verbo ocorrer em “Isso ocorre porque um algoritmo pode executar 
essas tarefas” (parágrafo 5) é:
(A) “Entra em cena então um novo quociente”. (parágrafo 3)
(B) “Esse quociente envolve também características como flexi-
bilidade, curiosidade, coragem e resiliência.” (parágrafo 4)
(C) “A tecnologia mudou bastante a forma como alguns traba-
lhos são feitos”. (parágrafo 5)
(D) “você é um contador.” (parágrafo 7)
(E) “Seu QI o ajuda nas provas”. (parágrafo 7)
5. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/
Especialista em Proteção Radiológica/2022
Assunto: Orações subordinadas adverbiais
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre, 
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a 
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com 
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o 
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. 
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido, 
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu 
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com 
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa 
dos filhos e dos netos.
Tratou-mecom a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia 
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e 
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas 
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de 
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me 
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José, 
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo, 
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã 
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém 
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha 
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto 
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais 
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos 
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a 
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se 
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que 
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia 
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda 
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa 
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava 
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer 
violência para entrar no reino celeste.
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu, 
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se. 
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do 
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de 
revólver na mão.
No trecho: “Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que 
recebera, menina-e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no 
quintal noturno, perseguindo um ladrão”, (parágrafo 2), a oração 
destacada pode ser substituída, sem prejuízo de seu significado, por
(A) por isso perseguia um ladrão.
(B) enquanto perseguia um ladrão.
(C) embora perseguisse um ladrão.
(D) desde que perseguisse um ladrão.
(E) por mais que perseguisse um ladrão.
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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6. CESGRANRIO - Esc BB/BB/Agente de Tecnologia/2021
Assunto: Orações subordinadas adverbiais
Lições após um ano de ensino remoto na pandemia
No momento em que se tornam ainda mais complexas as dis-
cussões sobre a volta às aulas presenciais, o ensino remoto conti-
nua a ser a rotina de muitas famílias, atualmente.
Mas um ano sem precedentes na história veio acompanhado 
de lições inéditas para professores, alunos e estudiosos. Diante do 
pouco acesso a planos de dados ou a dispositivos, a alternativa de 
muitas famílias e professores tem sido se conectar regularmente via 
aplicativos de mensagens.
Uma pesquisa apontou que 83% dos professores mantinham 
contato com seus alunos por meio dos aplicativos de mensagens, 
muito mais do que pelas próprias plataformas de aprendizagem. 
Esse uso foi uma grande surpresa, mas é porque não temos outras 
ferramentas de massificação. A maior parte do ensino foi feita pelo 
celular e, geralmente, por um celular compartilhado (entre vários 
membros da família), o que é algo muito desafiador.
Outro aspecto a ser considerado é que, felizmente, mensagens 
direcionadas são uma forma relativamente barata de comunicação. 
A importância de cultivar interações entre os estudantes, mesmo 
que eles não estejam no mesmo ambiente físico, também é uma 
forma de motivá-los e melhorar seus resultados. Recentemente, 
uma pesquisadora afirmou que “Aprendemos que precisamos dos 
demais: comparar estratégias, falar com alunos, com outros profes-
sores e dar mais oportunidades de trabalho coletivo, mesmo que 
seja cada um na sua casa. Além disso, a pandemia ressaltou a im-
portância do vínculo anterior entre escolas e comunidades”.
Embora seja difícil prever exatamente como o fechamento das 
escolas vai afetar o desenvolvimento futuro dos alunos, educado-
res internacionais estimam que estudantes da educação básica já 
foram impactados. É preciso pensar em como agrupar esses alunos 
e averiguar os que tiveram ensino mínimo ou nulo e decidir como 
enfrentar essa ruptura, com aulas ou encontros extras, com anos 
(letivos) de transição.
IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pan demia. Dis-
ponível em: <https://educacao.uol.com.br/noticias/ bbc/2021/04/24/
8-licoes-apos-um-ano-de-ensino-remoto-na- pandemia. htm>. Acesso 
em: 21 jul. 2021. Adaptado.
No trecho “A importância de cultivar interações entre os estu-
dantes, mesmo que eles não estejam no mesmo ambiente físico” 
(parágrafo 4), a expressão destacada estabelece com a oração prin-
cipal a relação de
(A) condição
(B) concessão
(C) comparação
(D) conformidade
(E) proporcionalidade
7. CESGRANRIO - TBN (CEF)/CEF/”Sem Área”/2021
Assunto: Orações subordinadas adverbiais
Relacionamento com o dinheiro
Desde cedo, começamos a lidar com uma série de situações 
ligadas ao dinheiro. Para tirar melhor proveito do seu dinheiro, é 
muito importante saber como utilizá-lo da forma mais favorável a 
você. O aprendizado e a aplicação de conhecimentos práticos de 
educação financeira podem contribuir para melhorar a gestão de 
nossas finanças pessoais, tornando nossas vidas mais tranquilas e 
equilibradas sob o ponto de vista financeiro.
Se pararmos para pensar, estamos sujeitos a um mundo finan-
ceiro muito mais complexo que o das gerações anteriores. No entan-
to, o nível de educação financeira da população não acompanhou 
esse aumento de complexidade. A ausência de educação financeira, 
aliada à facilidade de acesso ao crédito, tem levado muitas pessoas 
ao endividamento excessivo, privando-as de parte de sua renda em 
função do pagamento de prestações mensais que reduzem suas ca-
pacidades de consumir produtos que lhes trariam satisfação.
Infelizmente, não faz parte do cotidiano da maioria das pesso-
as buscar informações que as auxiliem na gestão de suas finanças. 
Para agravar essa situação, não há uma cultura coletiva, ou seja, 
uma preocupação da sociedade organizada em torno do tema. Nas 
escolas, pouco ou nada é falado sobre o assunto. As empresas, não 
compreendendo a importância de ter seus funcionários alfabeti-
zados financeiramente, também não investem nessa área. Similar 
problema é encontrado nas famílias, nas quais não há o hábito de 
reunir os membros para discutir e elaborar um orçamento familiar. 
Igualmente entre os amigos, assuntos ligados à gestão financeira 
pessoal muitas vezes são considerados invasão de privacidade e 
pouco se conversa em torno do tema. Enfim, embora todos lidem 
diariamente com dinheiro, poucos se dedicam a gerir melhor seus 
recursos.
A educação financeira pode trazer diversos benefícios, entre os 
quais, possibilitar o equilíbrio das finanças pessoais, preparar para o 
enfrentamento de imprevistos financeiros e para a aposentadoria, 
qualificar para o bom uso do sistema financeiro, reduzir a possibi-
lidade de o indivíduo cair em fraudes, preparar o caminho para a 
realização de sonhos, enfim, tornar a vida melhor.
No trecho do parágrafo 3 “As empresas, não compreendendo a 
importância de ter seus funcionários alfabetizados financeiramen-
te, também não investem nessa área”, a oração destacada tem valor 
semântico de
(A) causa
(B) proporção
(C) alternância
(D) comparação
(E) consequência
8. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Informa-
ção/2021
Assunto: Orações reduzidas
Medo da eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a 
eternidade. Quando eu era muito pequenaainda não tinha prova-
do chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia 
bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o di-
nheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro 
eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinhei-
ro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se 
acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba?
— Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino 
de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
Editora
-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase 
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às 
vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só 
para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de 
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do 
qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal 
pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço?
— Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria 
haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só 
depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a 
vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a 
eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia 
dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a 
escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê. Comecei a mastigar e em 
breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que 
não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia con-
trafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem 
de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se 
tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis con-
fessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava afli-
ção. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até 
que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um 
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu!
— Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
— Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não acaba nunca. 
Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigan-
do, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. 
Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, en-
vergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da 
boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade.
A frase que guarda o mesmo sentido do trecho “Até que não 
suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o 
chicle mastigado cair no chão de areia.” é:
(A) Até que não suportei mais, e, como atravessei o portão da 
escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
(B) Até que não suportei mais, e, já que atravessei o portão da 
escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
(C) Até que não suportei mais, e, para que atravessasse o por-
tão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão 
de areia.
(D) Até que não suportei mais, e, embora atravessasse o portão 
da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de 
areia.
(E) Até que não suportei mais, e, quando atravessei o portão da 
escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
9. CESGRANRIO - Tec Ban (BASA)/BASA/2022
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
Maior fronteira agrícola do mundo está no bioma amazônico”,
diz pesquisador da Embrapa
O Brasil é um dos poucos países no mundo com a possibilidade 
de ampliar áreas com a agropecuária. De fato, um estudo da ONU 
mostra que o país será o grande responsável por produzir os ali-
mentos necessários para atender os mais de 9 bilhões de pessoas 
que habitarão o planeta em 2050. De acordo com pesquisadores 
da Embrapa, a região possui potencial e áreas para ampliação sus-
tentável da agricultura. Portanto, a responsabilidade do agricultor 
brasileiro é muito grande.
A região amazônica se mostra promissora para a agricultura, 
pois ela é rica em um insumo fundamental, a água. Estados como 
Rondônia e Acre têm municípios que recebem até 2.800 milímetros 
de chuvas por ano. E isso proporciona a qualidade e a possibilidade 
de semear mais de uma cultura por ano.
Entretanto, as críticas internacionais, quanto ao uso e à am-
pliação da agricultura na região amazônica, são um limitante para a 
exploração dessas áreas. Para cada nova área aberta para a agricul-
tura, parte deveria ser obrigatoriamente destinada à preservação 
ambiental, segundo as exigências dos países que compram nossos 
produtos agrícolas.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, o em-
prego adequado da vírgula está plenamente atendido em:
(A) A criação de animais para a produção de alimentos, é de 
grande importância para o sustento de milhares de famílias.
(B) A floresta Amazônica, apesar de parecer homogênea, pos-
sui muitas diferenças na sua vegetação.
(C) A melhor maneira de proteger as povoações situadas nas 
margens dos rios, é procurar soluções que impeçam o comér-
cio ilegal.
(D) O estado do Amazonas apresenta, a maior população in-
dígena do Brasil com aproximadamente trinta mil habitantes.
(E) O número de estudiosos preocupados com o futuro do pla-
neta, aumentou devido ao aquecimento global.
10. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Infor-
mação/2022
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa 
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase 
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu 
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias, 
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele 
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase 
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa 
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem 
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando 
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora 
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
Editora
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples, 
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar 
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando 
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias. 
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está 
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem 
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre 
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros, 
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que 
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de 
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora. 
Todos os dias, o porteiro coloca alia cadeira para que ela se sente, 
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil 
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão 
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo 
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico, 
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de 
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os 
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, o em-
prego adequado da vírgula está plenamente atendido em:
(A) O outono que o Rio nos oferece, tem um ar fino, quase frio.
(B) Uma senhora de cabelos muito brancos, ficava sentada, em 
uma cadeira.
(C) Ele se incomodou, com as grades do Rio.
(D) Todos os dias que passo pelo Aterro vejo, as árvores cada 
vez mais crescidas.
(E) O porteiro, que prende passarinhos em gaiolas, não vê que 
o outono fica mais lindo quando estamos livres.
11. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLE-
AR/Especialista em Proteção Radiológica/2022
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre, 
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a 
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com 
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o 
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. 
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido, 
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu 
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com 
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa 
dos filhos e dos netos.
Tratou-me com a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia 
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e 
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas 
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de 
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me 
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José, 
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo, 
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã 
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém 
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha 
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto 
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais 
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos 
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a 
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se 
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que 
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia 
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda 
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa 
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava 
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer 
violência para entrar no reino celeste.
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu, 
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se. 
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do 
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de 
revólver na mão.
Considerando-se o emprego da vírgula, a frase que está de 
acordo com o padrão formal escrito da língua é
(A) Eu que era frágil, sentia-me seguro, em sua presença.
(B) Todos os dias, Maria José lia poemas para seu filho.
(C) Seu desejo, era sempre, estar por perto para me proteger.
(D) Maria José era uma mulher terna e, ao mesmo tempo firme.
(E) Nem ela, nem o médico, nem eu, esperávamos aquele des-
fecho, triste.
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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12. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/
Administrador/2022
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
O emprego da vírgula está plenamente de acordo com as exi-
gências da norma-padrão da Língua Portuguesa em:
(A) Caso sejam priorizadas medidas de proteção ao meio am-
biente, a substituição dos lixões por uma forma adequada para 
tratar o lixo será benéfica.
(B) Em todo o mundo há uma preocupação com a maneira de 
descartar o lixo por isso, é sempre preferível corrigir nossos há-
bitos.
(C) O aterro sanitário apresenta inúmeras vantagens, como a 
redução da poluição porém, há desvantagens, como o seu alto 
custo.
(D) O lixo eletrônico encontrado, em televisores, rádios, gela-
deiras, celulares, pilhas compromete a saúde pública.
(E) O lixo hospitalar decorrente do atendimento médico a se-
res humanos ou animais, acarreta muitos problemas de saúde 
pública.
13. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Infor-
mação/2021
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
Medo da eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a 
eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha prova-
do chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia 
bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o di-
nheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro 
eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinhei-
ro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se 
acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba?
— Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino 
de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-
-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase 
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às 
vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só 
para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de 
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do 
qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal 
pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço?
— Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria 
haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só 
depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a 
vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a 
eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia 
dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a 
escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê. Comecei a mastigar e em 
breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que 
não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia con-
trafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem 
de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se 
tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis con-
fessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava afli-
ção. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente,sem parar. Até 
que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um 
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu!
— Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
— Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não acaba nunca. 
Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigan-
do, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. 
Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, en-
vergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da 
boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
A frase que apresenta todas as vírgulas corretamente emprega-
das, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
(A) A menina que descobriu o chicle, também experimentou, a 
possibilidade da eternidade.
(B) São consideradas maravilhosas, aquelas histórias de prínci-
pes e fadas, que vivem eternamente.
(C) Aproveitou, a textura, o sabor docinho do chicle, e ainda o 
comparou com o mundo impossível da eternidade.
(D) Muitas crianças, quando se deparam com o desconhecido, 
passam a fantasiar sobre ele na tentativa de entendê-lo.
(E) Quando as crianças sonham, em serem príncipes, princesas 
e fadas, elas fantasiam sobre viverem felizes para sempre.
14. CESGRANRIO - Esc BB/BB/Agente Comercial/2021
Assunto: Pontuação (ponto, vírgula, travessão, aspas, parênte-
ses etc)
A palavra salário vem mesmo de “sal”?
Vem. A explicação mais popular diz que os soldados da Roma 
Antiga recebiam seu ordenado na forma de sal. Faz sentido. O di-
nheiro como o conhecemos surgiu no século 7 a.C., na forma de 
discos de metal precioso (moedas), e só foi adotado em Roma 300 
anos depois
Antes disso, o que fazia o papel de dinheiro eram itens não 
perecíveis e que tinham demanda garantida: barras de cobre (fun-
damentais para a fabricação de armas), sacas de grãos, pepitas de 
ouro (metal favorito para ostentar como enfeite), prata (o ouro de 
segunda divisão) e, sim, o sal.
Num mundo sem geladeiras, o cloreto de sódio era o que ga-
rantia a preservação da carne. A demanda por ele, então, tendia ao 
infinito. Ter barras de sal em casa funcionava como poupança. Você 
poderia trocá-las pelo que quisesse, a qualquer momento.
As moedas, bem mais portáteis, acabariam se tornando o gran-
de meio universal de troca – seja em Roma, seja em qualquer outro 
lugar. Mas a palavra “salário” segue viva, como um fóssil etimoló-
gico.
Só há um detalhe: não há evidência de que soldados romanos 
recebiam mesmo um ordenado na forma de sal. Roma não tinha 
um exército profissional no século 4 a.C. A força militar da época 
LÍNGUA PORTUGUESA
4646
a solução para o seu concurso!
Editora
era formada por cidadãos comuns, que abandonavam seus afaze-
res voluntariamente para lutar em tempos de guerra (questão de 
sobrevivência).
A ideia de que havia pagamentos na forma de sal vem do his-
toriador Plínio, o Velho (um contemporâneo de Jesus Cristo). Ele 
escreveu o seguinte: “Sal era uma das honrarias que os soldados re-
cebiam após batalhas bem-sucedidas. Daí vem nossa palavra sala-
rium.” Ou seja: o sal era um bônus para voluntários, não um salário 
para valer. Quando Roma passou a ter uma força militar profissional 
e permanente, no século 3 a.C., o soldo já era mesmo pago na for-
ma de moedas.
VERSIGNASSI, A. A palavra salário vem mesmo de “sal” VC S/A, São 
Paulo: Abril, p. 67, Jun. 2021. Adaptado.
O período em que o sinal de dois pontos é empregado para 
introduzir uma enumeração, como no trecho que segue “demanda 
garantida” (parágrafo 2), é:
(A) A remuneração faz parte do conjunto de ganhos de um 
prestador de serviço; ou seja: todos os ganhos auferidos pela 
pessoa compõem sua remuneração.
(B) As horas extras, o vale-transporte e o plano de saúde po-
dem fazer parte da remuneração: muitos trabalhadores esco-
lhem seus empregos com base nessas vantagens.
(C) O gerente informou aos candidatos como seria a remune-
ração pelos serviços: “O valor mensal vai depender de diversos 
itens, a serem combinados.”
(D) Muitos itens já fizeram papel de dinheiro: o sal, usado até 
hoje por tribos da Etiópia, a cachaça, utilizada no Brasil colo-
nial, e o bacalhau, antes usado na Escandinávia.
(E) O tabaco também já foi usado como moeda de troca: no sé-
culo XVIII, o estado americano de Virginia adotou esse método.
15. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Infor-
mação/2022
Assunto: Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conec-
tores - Pronomes relativos, Conjunções etc)
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa 
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase 
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu 
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias, 
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele 
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase 
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa 
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem 
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando 
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora 
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples, 
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar 
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando 
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os diasa. 
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está 
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem 
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre 
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros, 
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que 
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de 
certa forma já me acostumara à paisagem gradeadab, fiquei sem 
saber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora. 
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sentec, 
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil 
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão 
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo 
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico, 
que prende, constrange, restringed.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de 
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os 
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvorese.
A frase na qual o que cumpre somente a função de promover 
a continuidade do texto sem acumular a função de retomar um an-
tecedente é:
(A) “Cena que se repete todos os dias”.
(B) “eu que de certa forma já me acostumara à paisagem gra-
deada”.
(C) “Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela 
se sente”.
(D) “são de um ferro simbólico, que prende, constrange, res-
tringe.”
(E) “os passarinhos que os porteiros guardam nas gaiolas, pen-
durados nas árvores.”
16. CESGRANRIO - PNS (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLEAR/
Administrador/2022
Assunto: Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conec-
tores - Pronomes relativos, Conjunções etc)
Texto
Entulho eletrônico: risco iminente para a saúde e o ambiente
Os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (lixo eletroele-
trônico) são,por definição, produtos que têm componentes elétri-
cos e eletrônicos e que, por razões de obsolescência (perspectiva 
ou programada) e impossibilidade de conserto, são descartados 
pelos consumidores. Os exemplos mais comuns são televisores e 
equipamentos de informática e telefonia, mas a lista inclui eletro-
domésticos, equipamentos médicos, brinquedos, sistemas de alar-
me, automação e controle.
Obsolescência programada é a decisão intencional de fabricar 
um produto que se torne obsoleto ou não funcional após certo tem-
po, para forçar o consumidor a comprar uma nova geração desse 
produto. Já a obsolescência perspectiva é uma forma de reduzir a 
vida útil de produtos ainda funcionais. Nesse caso, são lançadas no-
vas gerações com aparência inovadora e pequenas mudanças fun-
cionais, dando à geração em uso aspecto de ultrapassada, o que 
LÍNGUA PORTUGUESA
47
a solução para o seu concurso!
Editora
induz o consumidor à troca.
O lixo eletroeletrônico é mais um desafio que se soma aos pro-
blemas ambientais da atualidade. O consumidor raramente reflete 
sobre as consequências do consumo crescente desses produtos, 
preocupando- se em satisfazer suas necessidades. Afinal, eletroele-
trônicos são tidos como sinônimos de melhor qualidade de vida, e a 
explosão da indústria da informação é uma força motriz da socieda-
de, oferecendo ferramentas para rápidos avanços na economia e no 
desenvolvimento social. O mundo globalizado impõe uma constan-
te busca de informações em tempo real, e a sua interação com no-
vas tecnologias traz maiores oportunidades e benefícios, segundo 
estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo isso exerce 
um fascínio irresistível para os jovens.
Dois aspectos justificam a inclusão dos eletroeletrônicos entre 
as preocupações da ONU: as vendas crescentes, em especial nos 
mercados emergentes (inclusive o Brasil), e a presença de metais 
e substâncias tóxicas em muitos componentes, trazendo risco à 
saúde e ao meio ambiente. Segundo a ONU, são gerados hoje 150 
milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico por ano, e esse tipo 
de resíduo cresce a uma velocidade três a cinco vezes maior que a 
do lixo urbano.
AFONSO, J. C. Revista Ciência Hoje, n. 314, maio 2014. São Paulo: 
SBPC. Disponível em: https://cienciahoje.periodicos.capes. gov.br/
storage/acervo/ch/ch_314.pdf. Adaptado.
No texto, o referente do termo ou expressão em destaque está 
corretamente explicitado, entre colchetes, no trecho:
(A) “Nesse caso, são lançadas novas gerações com aparência 
inovadora e pequenas mudanças funcionais.” [obsolescência 
programada] - parágrafo 2
(B) “O consumidor raramente reflete sobre as consequências 
do consumo crescente desses produtos”. [lixo eletroeletrônico] 
- parágrafo 3
(C) “preocupando-se em satisfazer suas necessidades.” [consu-
midor] - parágrafo 3
(D) “e sua interação com novas tecnologias traz maiores opor-
tunidades e benefícios”. [constante busca] - parágrafo 3
(E) “e esse tipo de resíduo cresce a uma velocidade” [substân-
cias tóxicas] - parágrafo 4
17. CESGRANRIO - Tec Ban (BASA)/BASA/2022
Assunto: Interpretação de Textos (compreensão)
“Maior fronteira agrícola do mundo está no bioma amazônico”,
diz pesquisador da Embrapa
O Brasil é um dos poucos países no mundo com a possibilidade 
de ampliar áreas com a agropecuária. De fato, um estudo da ONU 
mostra que o país será o grande responsável por produzir os ali-
mentos necessários para atender os mais de 9 bilhões de pessoas 
que habitarão o planeta em 2050. De acordo com pesquisadores 
da Embrapa, a região possui potencial e áreas para ampliação sus-
tentável da agricultura. Portanto, a responsabilidade do agricultor 
brasileiro é muito grande.
A região amazônica se mostra promissora para a agricultura, 
pois ela é rica em um insumo fundamental, a água. Estados como 
Rondônia e Acre têm municípios que recebem até 2.800 milímetros 
de chuvas por ano. E isso proporciona a qualidade e a possibilidade 
de semear mais de uma cultura por ano.
Entretanto, as críticas internacionais, quanto ao uso e à am-
pliação da agricultura na região amazônica, são um limitante para 
a exploração dessas áreas. Para cada nova área aberta para a agri-
cultura, partedeveria ser obrigatoriamente destinada à preservação 
ambiental, segundo as exigências dos países que compram nossos 
produtos agrícolas.
POPOV, Daniel. Canal Rural. Disponível em: https://www.canalrural. 
com.br/projeto-soja-brasil/noticia/maior-fronteira-agricola- -mun-
do-amazonia-embrapa/. 19 set. 2019. Acesso em: 30 nov. 2021. 
Adaptado.
De acordo com o texto, para atender às exigências internacio-
nais, o país deve
(A) conscientizar os agricultores da necessidade de ampliar 
seus negócios.
(B) diversificar os tipos de culturas que exigem a utilização de 
muita água.
(C) garantir a destinação de terras a atividades de preservação 
ambiental.
(D) liberar as áreas de cultivo de produtos agrícolas na região 
amazônica.
(E) restringir as terras amazônicas ao desenvolvimento da pe-
cuária.
18. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Infor-
mação/2022
Assunto: Interpretação de Textos (compreensão)
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa 
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase 
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu 
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias, 
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele 
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase 
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa 
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem 
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando 
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora 
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está 
sentada muito ereta, com seu vestidoestampado, de corte simples, 
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar 
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando 
alguém passar.
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias. 
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está 
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem 
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre 
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros, 
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
Editora
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que 
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de 
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhora. 
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente, 
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil 
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão 
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo 
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico, 
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de 
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os 
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores.
SEIXAS, Heloisa. Contos mínimos. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Esse texto, que se inicia a partir do cotidiano de uma velha se-
nhora que tem por hábito sentar-se na calçada observando as ma-
nhãs, constrói uma crítica
(A) aoabandono dos idosos que, na velhice, se veem sozinhos, 
sem o apoio e o carinho de sua família.
(B) ao excesso de pessoas e carros nas ruas, que somente é per-
cebido por quem se afasta da cidade por um tempo e retorna.
(C) às cenas diárias que repetem costumes do passado, que há 
muito já deveriam ter sido abandonados pela população.
(D) às grades, que hoje dominam o cenário das cidades e que 
foram sendo colocadas aos poucos ao redor de todos nós.
(E) às autoridades de segurança pública, que não atuam em 
prol do direito de ir e vir, sem riscos, da população.
19. CESGRANRIO - Tec Cien (BASA)/BASA/Tecnologia da Infor-
mação/2022
Assunto: Interpretação de Textos (compreensão)
Uma cena
É de manhã. Não num lugar qualquer, mas no Rio. E não numa 
época qualquer, mas no outono. Outono no Rio. O ar é fino, quase 
frio, as pedras portuguesas da calçada estão úmidas. No alto, o céu 
já é de um azul escandaloso, mas o sol oblíquo ainda não conse-
guiu vencer os prédios e arrasta seus raios pelo mar, pelas praias, 
por cima das montanhas, longe dali. Não chegou à rua. E, naquele 
trecho, onde as amendoeiras trançam suas copas, ainda é quase 
madrugada.
Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.a
É uma senhora de cabelos muito brancos, sentada em sua ca-
deira, na calçada. Na rua tranquila, de pouco movimento, não passa 
quase ninguém a essa hora, tão de manhãzinha. Nem carros, nem 
pessoas. O que há mais é o movimento dos porteiros e dos pássa-
ros. Os primeiros, com suas vassouras e mangueiras, conversando 
sobre o futebol da véspera. Os segundos, cantando – dentro ou fora 
das gaiolas.
Mas, mesmo com tão pouco movimento, a senhora já está sen-
tada muito ereta, com seu vestido estampado, de corte simples, 
suas sandálias. Tem o olhar atento, o sorriso pronto a cumprimentar 
quem surja. No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repou-
sa, mas também parece pronta a erguer -se num aceno, quando 
alguém passar.b
É uma cena bonita, eu acho. Cena que se repete todos os dias. 
Parece coisa de antigamente.
Parece. Não fosse por um detalhe. A senhora, sentada placi-
damente em sua cadeira na calçada, observando as manhãs, está 
atrás das grades.
Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos sem 
vir aqui, ao voltar só teve um choque: as gradesd. Nada mais o im-
pressionou, tudo ele achou normal. Fez comentários vagos sobre 
as árvores crescidas no Aterro, sobre o excesso de gente e carros, 
tudo sem muita ênfase. Mas e essas grades, me perguntou, por que 
todas essas grades? E eu, espantada com seu espanto, eu que de 
certa forma já me acostumara à paisagem gradeada, fiquei sem sa-
ber o que dizer.
Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senhorae. 
Todos os dias, o porteiro coloca ali a cadeira para que ela se sente, 
junto ao jardim, em frente à portaria, por trás da proteção do gradil 
pintado com tinta cor de cobre. E essa cena tão singela, de sabor tão 
antigo, se desenrola assim, por trás de barras de ferro, que mesmo 
sendo de alumínio para não enferrujar são de um ferro simbólico, 
que prende, constrange, restringe.
Eu, da calçada, vejo-a sempre por entre as tiras verticais de 
metal, sua figura frágil me fazendo lembrar os passarinhos que os 
porteiros guardam nas gaiolas, pendurados nas árvores. O texto 
apresenta-se dividido em dois momentos: o primeiro, em que o 
narrador descreve minuciosamente a cena observada; e o segundo, 
em que o narrador se aproxima mais do leitor, estabelecendo, com 
ele, uma quase conversa e colocando-se explicitamente no texto. O 
início do segundo momento se dá com o trecho:
(A) “Mesmo assim, ela já está lá – como se à espera do sol.”
(B) “No braço da cadeira de plástico branco, sua mão repousa, 
mas também parece pronta a erguer-se num aceno, quando 
alguém passar.”
(C) “É uma cena bonita, eu acho.”
(D) “Meu irmão, que foi morar fora do Brasil e ficou 15 anos 
sem vir aqui, ao voltar só teve um choque: as grades.”
(E) “Penso nisso agora, ao passar pela rua e ver aquela senho-
ra.”
20. CESGRANRIO - PNMO (ELETRONUCLEAR)/ELETRONUCLE-
AR/Especialista em Proteção Radiológica/2022
Assunto: Interpretação de Textos (compreensão)
Texto
Maria José
Paulo Mendes Campos
Faz um ano que Maria José morreu. Era meiga quase sempre, 
violenta quando necessário. Eu era menino e apanhava de um com-
panheiro maior, quando ela me gritou da sacada se eu não via a 
pedra que marcava o gol. Dei uma pedrada no outro e acabei com 
a briga por milagre.
Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos, devota-
va-se ao alívio de misérias físicas e morais do próximo, estudava o 
mistério teológico, exigia sempre o mais difícil de si mesma, comun-
gava todos os dias, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. 
Mas nunca deixou de ter na gaveta o revólver que havia recebido, 
menina- e-moça, das mãos do pai, e que empunhou no quintal no-
turno, perseguindo um ladrão, para espanto de meus cinco anos.
Já perto dos setenta anos, ela explicava para um amigo meu 
que tinha chegado à humildade da velhice; já não se importava com 
quem tentasse ofendê-la, mas conservava o revólver para a defesa 
LÍNGUA PORTUGUESA
49
a solução para o seu concurso!
Editora
dos filhos e dos netos.
Tratou-me com a dureza e o carinho que mereciam a rebeldia 
e o verdor da minha meninice. Ensinou- me a ler as primeiras sen-
tenças; me falava do Cura d’Ars e nos dois Franciscos, o de Sales e 
o de Assis; apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas 
de Baudelaire; dizia-me sorrindo versos de Antônio Nobre que ha-
via decorado quando menina; discutia comigo as ideias finais de 
Tolstoi; escutava maternalmente meus contos toscos. Quando me 
desgarrei nos primeiros envolvimentos adolescentes, Maria José, 
com irônico afeto, me repetia a advertência de Drummond: “Paulo, 
sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã 
não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém 
sabe o que será”.
Logo que me fiz homenzinho, deixou a dureza e se fez minha 
amiga: nada me perguntava, adivinhava tudo.
Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice. Com o gosto 
espontâneo da qualidade das coisas, renunciou às vaidades mais 
singelas. Sensível, alegre, aprendeu a encarar o sofrimento de olhos 
lúcidos. Fiel à disciplina religiosa, compreendia celestialmente as al-
mas que perdiam o rumo. Fé, Esperança e Caridade eram para ela a 
flecha e o alvo das criaturas.
Tornara-se tão íntima da substância terrestre – a dor – que se 
fazia difícil para o médico saber o que sentia; acabava dizendo que 
doía um pouco, por delicadeza.
Capaz de longos jejuns e abstinências, já no final da vida, podia 
acompanhar um casal amigo a Copacabana, passar do bar da moda 
ao restaurante diferente, beber dois cafés ou três uísques em santa 
serenidade e aceitar com alegria o prato exótico.
Gostava das pessoas erradas, consumidas de paixão, admirava 
São Paulo e Santo Agostinho, acreditava que era preciso se fazer 
violência para entrar no reino celeste.
Poucas horas antes de morrer, pediu um conhaque e sorriu, 
destemida e doce, como quem vai partir para o céu. Santificara-se. 
Deus era o dia e a noite de seu coração, o Pai, a piedade, o fogo do 
espírito. Perdi quem me amava e perdoava, quem me encomen-
dava à compaixão do Criador e me defendia contra o mundo de 
revólver na mão.
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7173/maria- 
jose. Acesso em: 05 fev. 2022.
No texto, o narrador apresenta Maria José ao leitor, descreven-
do- a a partir de aspectos subjetivos, como em:
(A) “Faz um ano que Maria José morreu.” (parágrafo 1)
(B) “Visitava os miseráveis, internava indigentes enfermos” (pa-
rágrafo 2)
(C) “comungava todos os dias” (parágrafo 2)
(D) “apresentou-me aos contos de Edgar Poe e aos poemas de 
Baudelaire” (parágrafo 4)
(E) “Terna e firme, nunca lhe vi a fraqueza da pieguice.” (pará-
grafo 6)
GABARITO
1 B
2 C
3 E
4 A
5 B
6 B
7 A
8 E
9 B
10 E
11 B
12 A
13 D
14 D
15 C
16 C
17 C
18 D
19 C
20 E
ANOTAÇÕES
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a solução para o seu concurso!
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NOÇÕES DE DIREITO
I – DIREITO E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: DIREITOS E 
DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; DIREITO À VIDA, À 
LIBERDADE, À IGUALDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIE-
DADE; DIREITOS SOCIAIS; NACIONALIDADE; CIDADANIA; 
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS; GARAN-
TIAS DOS DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS
Distinção entre Direitos e Garantias Fundamentais
Pode-se dizer que os direitos fundamentais são os bens jurídi-
cos em si mesmos considerados, de cunho declaratório, narrados 
no texto constitucional. Por sua vez, as garantias fundamentais são 
estabelecidas na mesma Constituição Federal como instrumento de 
proteção dos direitos fundamentais e, como tais, de cunho assecu-
ratório.
Evolução dos Direitos e Garantias Fundamentais
– Direitos Fundamentais de Primeira Geração
Possuem as seguintes características:
a) surgiram no final do século XVIII, no contexto da Revolução 
Francesa, fase inaugural do constitucionalismo moderno, e domina-
ram todo o século XIX;
b) ganharam relevo no contexto do Estado Liberal, em oposição 
ao Estado Absoluto;
c) estão ligados ao ideal de liberdade;
d) são direitos negativos, que exigem uma abstenção do Estado 
em favor das liberdades públicas;
e) possuíam como destinatários os súditos como forma de pro-
teção em face da ação opressora do Estado;
f) são os direitos civis e políticos.
– Direitos Fundamentais de Segunda Geração
Possuem as seguintes características:
a) surgiram no início do século XX;
b) apareceram no contexto do Estado Social, em oposição ao 
Estado Liberal;
c) estão ligados ao ideal de igualdade;
d) são direitos positivos, que passaram a exigir uma atuação 
positiva do Estado;
e) correspondem aos direitos sociais, culturais e econômicos.
– Direitos Fundamentais de Terceira Geração
Em um próximo momento histórico, foi despertada a preocu-
pação com os bens jurídicos da coletividade, com os denominados 
interesses metaindividuais (difusos, coletivos e individuais homogê-
neos), nascendo os direitos fundamentais de terceira geração.
Direitos Metaindividuais
Natureza Destinatários
Difusos Indivisível Indeterminados
Coletivos Indivisível
Determináveis 
ligados por uma relação 
jurídica
Individuais 
Homogêneos Divisível
Determinados 
ligados por uma situação 
fática
Os Direitos Fundamentais de Terceira Geração possuem as se-
guintes características:
a) surgiram no século XX;
b) estão ligados ao ideal de fraternidade (ou solidariedade), 
que deve nortear o convívio dos diferentes povos, em defesa dos 
bens da coletividade;
c) são direitos positivos, a exigir do Estado e dos diferentes 
povos uma firme atuação no tocante à preservação dos bens de 
interesse coletivo;
d) correspondem ao direito de preservação do meio ambiente, 
de autodeterminação dos povos, da paz, do progresso da humani-
dade, do patrimônio histórico e cultural, etc.
– Direitos Fundamentais de Quarta Geração
Segundo Paulo Bonavides, a globalização política é o fator his-
tórico que deu origem aos direitos fundamentais de quarta gera-
ção. Eles estão ligados à democracia, à informação e ao pluralismo. 
Também são transindividuais.
– Direitos Fundamentais de Quinta Geração
Paulo Bonavides defende, ainda, que o direito à pazrepresen-
taria o direito fundamental de quinta geração.
Características dos Direitos e Garantias Fundamentais
São características dos Direitos e Garantias Fundamentais:
a) Historicidade: não nasceram de uma só vez, revelando sua 
índole evolutiva;
b) Universalidade: destinam-se a todos os indivíduos, indepen-
dentemente de características pessoais;
c) Relatividade: não são absolutos, mas sim relativos;
d) Irrenunciabilidade: não podem ser objeto de renúncia;
e) Inalienabilidade: são indisponíveis e inalienáveis por não 
possuírem conteúdo econômico-patrimonial;
f) Imprescritibilidade: são sempre exercíveis, não desparecen-
do pelo decurso do tempo.
NOÇÕES DE DIREITO
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Destinatários dos Direitos e Garantias Fundamentais
Todas as pessoas físicas, sem exceção, jurídicas e estatais, são 
destinatárias dos direitos e garantias fundamentais, desde que 
compatíveis com a sua natureza.
Eficácia Horizontal dos Direitos e Garantias Fundamentais
Muito embora criados para regular as relações verticais, de su-
bordinação, entre o Estado e seus súditos, passam a ser emprega-
dos nas relações provadas, horizontais, de coordenação, envolven-
do pessoas físicas e jurídicas de Direito Privado.
Natureza Relativa dos Direitos e Garantias Fundamentais
Encontram limites nos demais direitos constitucionalmente 
consagrados, bem como são limitados pela intervenção legislativa 
ordinária, nos casos expressamente autorizados pela própria Cons-
tituição (princípio da reserva legal).
Colisão entre os Direitos e Garantias Fundamentais
O princípio da proporcionalidade sob o seu triplo aspecto (ade-
quação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito) é a 
ferramenta apta a resolver choques entre os princípios esculpidos 
na Carta Política, sopesando a incidência de cada um no caso con-
creto, preservando ao máximo os direitos e garantias fundamentais 
constitucionalmente consagrados.
Os quatro status de Jellinek
a) status passivo ou subjectionis: quando o indivíduo se encon-
tra em posição de subordinação aos poderes públicos, caracterizan-
do-se como detentor de deveres para com o Estado;
b) status negativo: caracterizado por um espaço de liberdade 
de atuação dos indivíduos sem ingerências dos poderes públicos;
c) status positivo ou status civitatis: posição que coloca o indi-
víduo em situação de exigir do Estado que atue positivamente em 
seu favor;
d) status ativo: situação em que o indivíduo pode influir na for-
mação da vontade estatal, correspondendo ao exercício dos direi-
tos políticos, manifestados principalmente por meio do voto.
Os direitos individuais estão elencados no caput do Artigo 5º 
da CF. São eles:
Direito à Vida
O direito à vida deve ser observado por dois prismas: o direito 
de permanecer vivo e o direito de uma vida digna.
O direito de permanecer vivo pode ser observado, por exemplo, 
na vedação à pena de morte (salvo em caso de guerra declarada).
Já o direito à uma vida digna, garante as necessidades vitais 
básicas, proibindo qualquer tratamento desumano como a tortura, 
penas de caráter perpétuo, trabalhos forçados, cruéis, etc.
Direito à Liberdade
O direito à liberdade consiste na afirmação de que ninguém será 
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de 
lei. Tal dispositivo representa a consagração da autonomia privada.
Trata-se a liberdade, de direito amplo, já que compreende, 
dentre outros, as liberdades: de opinião, de pensamento, de loco-
moção, de consciência, de crença, de reunião, de associação e de 
expressão.
Direito à Igualdade
A igualdade, princípio fundamental proclamado pela Constitui-
ção Federal e base do princípio republicano e da democracia, deve 
ser encarada sob duas óticas, a igualdade material e a igualdade 
formal.
A igualdade formal é a identidade de direitos e deveres conce-
didos aos membros da coletividade por meio da norma.
Por sua vez, a igualdade material tem por finalidade a busca 
da equiparação dos cidadãos sob todos os aspectos, inclusive o 
jurídico. É a consagração da máxima de Aristóteles, para quem o 
princípio da igualdade consistia em tratar igualmente os iguais e 
desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam.
Sob o pálio da igualdade material, caberia ao Estado promover 
a igualdade de oportunidades por meio de políticas públicas e leis 
que, atentos às características dos grupos menos favorecidos, com-
pensassem as desigualdades decorrentes do processo histórico da 
formação social.
Direito à Privacidade
Para o estudo do Direito Constitucional, a privacidade é gênero, 
do qual são espécies a intimidade, a honra, a vida privada e a ima-
gem. De maneira que, os mesmos são invioláveis e a eles assegura-
-se o direito à indenização pelo dano moral ou material decorrente 
de sua violação.
Direito à Honra
O direito à honra almeja tutelar o conjunto de atributos perti-
nentes à reputação do cidadão sujeito de direitos, exatamente por 
tal motivo, são previstos no Código Penal.
Direito de Propriedade
É assegurado o direito de propriedade, contudo, com 
restrições, como por exemplo, de que se atenda à função social da 
propriedade. Também se enquadram como espécies de restrição do 
direito de propriedade, a requisição, a desapropriação, o confisco 
e o usucapião.
Do mesmo modo, é no direito de propriedade que se assegu-
ram a inviolabilidade do domicílio, os direitos autorais (propriedade 
intelectual) e os direitos reativos à herança.
Destes direitos, emanam todos os incisos do Art. 5º, da CF/88, 
conforme veremos abaixo:
TÍTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Artigo 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros 
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos 
termos desta Constituição;
II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coi-
sa senão em virtude de lei;
III- ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desu-
mano ou degradante;
IV- é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano-
nimato;
NOÇÕES DE DIREITO
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V- é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, 
além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI- é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo 
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na for-
ma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência 
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII- ninguém será privado de direitos por motivo de crença re-
ligiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para 
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir 
prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão de atividade intelectual, artística, cientí-
fica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a ima-
gem das pessoas, assegurado o direito à indenização por dano ma-
terial ou moral decorrente de sua violação;
XI- a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo 
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagran-
te delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por 
determinação judicial;
XII- é inviolável o sigilo da correspondência e das comunica-
ções telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, 
no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a 
lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução pro-
cessual penal;
XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV- é asseguradoa todos o acesso à informação e resguardado 
o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XV- é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, 
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permane-
cer ou dele sair com seus bens;
XVI- todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em lo-
cais abertos ao público, independentemente de autorização, desde 
que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o 
mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade com-
petente;
XVII- é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada 
a de caráter paramilitar;
XVIII- a criação de associações e, na forma da lei, a de coope-
rativas independem de autorização, sendo vedada a interferência 
estatal em seu funcionamento;
XIX- as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvi-
das ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-
-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX- ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a perma-
necer associado;
XXI- as entidades associativas, quando expressamente autori-
zadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou 
extrajudicialmente;
XXII- é garantido o direito de propriedade;
XXIII- a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV- a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação 
por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, me-
diante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos 
previstos nesta Constituição;
XXV- no caso de iminente perigo público, a autoridade com-
petente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao pro-
prietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI- a pequena propriedade rural, assim definida em lei, des-
de que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para 
pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dis-
pondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, 
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdei-
ros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII- são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e 
à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades 
desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das 
obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér-
pretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX- a lei assegurará aos autores de inventos industriais privi-
légio temporário para sua utilização, bem como às criações indus-
triais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros 
signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvi-
mento tecnológico e econômico do País;
XXX- é garantido o direito de herança;
XXXI- a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será 
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos 
brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável à lei pessoal 
do de cujus; 
XXXII- o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do con-
sumidor;
XXXIII- todos têm direito a receber dos órgãos públicos informa-
ções de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, 
que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, 
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da 
sociedade e do Estado;
XXXIV- são a todos assegurados, independentemente do paga-
mento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi-
tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defe-
sa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
XXXV- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão 
ou ameaça a direito;
XXXVI- a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico 
perfeito e a coisa julgada;
XXXVII- não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII- é reconhecida a instituição do júri, com a organização 
que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude da defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra 
a vida;
XXXIX- não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena 
sem prévia cominação legal;
XL- a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI- a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos 
e liberdades fundamentais;
XLII- a prática do racismo constitui crime inafiançável e impres-
critível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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XLIII- a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de 
graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecen-
tes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hedion-
dos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, 
podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV- constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de gru-
pos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o 
Estado Democrático;
XLV- nenhuma pena passará da pessoa do condenado, poden-
do a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de 
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI- a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre 
outras, as seguintes:
a) privação ou restrição de liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII- não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do 
artigo 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII- a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de 
acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e 
moral;
L- às presidiárias serão asseguradas condições para que possam 
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
LI- nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em 
caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de com-
provado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, na forma da lei;
LII- não será concedida extradição de estrangeiro por crime po-
lítico ou de opinião;
LIII- ninguém será processado nem sentenciado senão por au-
toridade competente;
LIV- ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o 
devido processo legal;
LV- aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, 
com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI- são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos;
LVII- ninguém será considerado culpado até o trânsito em julga-
do da sentença penal condenatória;
LVIII- o civilmente identificado não será submetido à identifica-
ção criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
LIX- será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se 
esta não for intentada no prazo legal;
LX- a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais 
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
LXI- ninguém será preso senão em flagrante delito ou por or-
dem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, 
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente mi-
litar, definidos em lei;
LXII- a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre 
serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família 
ou à pessoa por ele indicada;
LXIII- o preso será informado de seus direitos, entre os quais o 
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da famí-
lia e de advogado;
LXIV- o preso tem direito a identificação dos responsáveis por 
sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV- a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autorida-
de judiciária;
LXVI- ninguém serálevado à prisão ou nela mantido, quando a 
lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
LXVII- não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável 
pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimen-
tícia e a do depositário infiel;
LXVIII- conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer 
ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberda-
de de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX- conceder-se-á mandado de segurança para proteger di-
reito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habe-
as data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder 
for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de 
atribuições de Poder Público;
LXX- o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legal-
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em 
defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI- conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta 
de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e 
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionali-
dade, à soberania e à cidadania;
LXXII- conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à 
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados 
de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo 
por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII- qualquer cidadão é parte legítima para propor ação 
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de 
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, 
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o 
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus 
da sucumbência;
LXXIV- o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita 
aos que comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV- o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, as-
sim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
LXXVI- são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na for-
ma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito.
LXXVII- são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data 
e, na forma da lei, os atos necessário ao exercício da cidadania;
LXXVIII- a todos, no âmbito judicial e administrativo, são asse-
gurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a 
celeridade de sua tramitação.
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos 
dados pessoais, inclusive nos meios digitais. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 115, de 2022)
NOÇÕES DE DIREITO
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§1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais 
têm aplicação imediata.
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não 
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela 
adotados, ou dos tratados internacionais em que a República 
Federativa do Brasil seja parte.
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal 
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
O tratado foi equiparado no ordenamento jurídico brasileiro às 
leis ordinárias. Em que pese tenha adquirido este caráter, o men-
cionado tratado diz respeito a direitos humanos, porém não possui 
característica de emenda constitucional, pois entrou em vigor em 
nosso ordenamento jurídico antes da edição da Emenda Constitu-
cional nº 45/04. Para que tal tratado seja equiparado às emendas 
constitucionais deverá passar pelo mesmo rito de aprovação destas
Os direitos sociais são prestações positivas proporcionadas 
pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas cons-
titucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais 
fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações so-
ciais desiguais. São, portanto, direitos que se ligam ao direito de 
igualdade. Estão previstos na CF nos artigos 6 a 11. Vejamos:
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, 
o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previ-
dência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência 
aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade 
social terá direito a uma renda básica familiar, garantida pelo poder 
público em programa permanente de transferência de renda, cujas 
normas e requisitos de acesso serão determinados em lei, observa-
da a legislação fiscal e orçamentária. (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 114, de 2021)
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de 
outros que visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária 
ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá 
indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, 
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua fa-
mília com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, 
higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos 
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação 
para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do 
trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção 
ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que 
percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral 
ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua 
retenção dolosa;
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da re-
muneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empre-
sa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalha-
dor de baixa renda nos termos da lei;
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas di-
árias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de 
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção 
coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos 
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos do-
mingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no míni-
mo, em cinquenta por cento à do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um 
terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, 
com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante in-
centivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no 
mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de 
normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, 
insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nas-
cimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas;
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de 
trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargodo empre-
gador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando 
incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de 
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalha-
dores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do 
contrato de trabalho;
a) (Revogada).
b) (Revogada).
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de fun-
ções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou 
estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário 
e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e 
intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a 
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis 
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
NOÇÕES DE DIREITO
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XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo 
empregatício permanente e o trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhado-
res domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, 
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII 
e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a sim-
plificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e 
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiarida-
des, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como 
a sua integração à previdência social.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado 
o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação 
de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas 
ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sin-
dical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em 
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econô-
mica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalha-
dores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à 
área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coleti-
vos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou 
administrativas;
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratan-
do de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio 
do sistema confederativo da representação sindical respectiva, in-
dependentemente da contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a 
sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações 
coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas 
organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a par-
tir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação 
sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do 
mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à orga-
nização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas 
as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos tra-
balhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os 
interesses que devam por meio dele defender.
§1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá 
sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
§2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas 
da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e em-
pregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus inte-
resses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão 
e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é as-
segurada a eleição de um representante destes com a finalidade 
exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empre-
gadores.
Os direitos sociais regem-se pelos princípios abaixo:
– Princípio da proibição do retrocesso: qualifica-se pela impos-
sibilidade de redução do grau de concretização dos direitos sociais 
já implementados pelo Estado. Ou seja, uma vez alcançado deter-
minado grau de concretização de um direito social, fica o legislador 
proibido de suprimir ou reduzir essa concretização sem que haja 
a criação de mecanismos equivalentes chamados de medias com-
pensatórias.
– Princípio da reserva do possível: a implementação dos di-
reitos e garantias fundamentais de segunda geração esbarram no 
óbice do financeiramente possível.
– Princípio do mínimo existencial: é um conjunto de bens e 
direitos vitais básicos indispensáveis a uma vida humana digna, 
intrinsecamente ligado ao fundamento da dignidade da pessoa 
humana previsto no Artigo 1º, III, CF. A efetivação do mínimo 
existencial não se sujeita à reserva do possível, pois tais direitos se 
encontram na estrutura dos serviços púbicos essenciais.
Os direitos sociais são divididos em:
Direitos relativos aos trabalhadores
Direitos relativos ao salário, às condições de trabalho, à liber-
dade de instituição sindical, o direito de greve, entre outros (CF, ar-
tigos 7º a 11).
Direitos relativos ao homem consumidor
Direito à saúde, à educação, à segurança social, ao desenvolvi-
mento intelectual, o igual acesso das crianças e adultos à instrução, 
à cultura e garantia ao desenvolvimento da família, que estariam no 
título da ordem social.
Os direitos referentes à nacionalidade estão previstos dos Ar-
tigos 12 a 13 da CF. Vejamos:
CAPÍTULO III
DA NACIONALIDADE
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de 
pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu 
país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasilei-
ra, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federa-
tiva do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe bra-
sileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-
petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e 
optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela 
nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, 
exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas resi-
dência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na 
República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterrup-
tos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade 
brasileira.
NOÇÕES DE DIREITO
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§1º Aos portugueses com residência permanente no País, se 
houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos 
os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta 
Constituição.
§2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros 
natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.
§3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
§4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em 
virtude de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de 
atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)
II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira 
perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações 
que acarretem apatridia. (Redação dada pela Emenda Constitucio-
nal nº 131, de 2023)
a) revogada; (Redação dada pela EmendaConstitucional nº 
131, de 2023)
b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
131, de 2023)
§5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do §4º 
deste artigo, não impede o interessado de readquirir sua nacionali-
dade brasileira originária, nos termos da lei. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 131, de 2023)
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Fe-
derativa do Brasil.
§1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, 
o hino, as armas e o selo nacionais.
§2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter 
símbolos próprios.
A Nacionalidade é o vínculo jurídico-político de Direito Público 
interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da di-
mensão pessoal do Estado (o seu povo).
Considera-se povo o conjunto de nacionais, ou seja, os brasilei-
ros natos e naturalizados.
Espécies de Nacionalidade
São duas as espécies de nacionalidade:
a) Nacionalidade primária, originária, de 1º grau, involuntá-
ria ou nata: é aquela resultante de um fato natural, o nascimento. 
Trata-se de aquisição involuntária de nacionalidade, decorrente do 
simples nascimento ligado a um critério estabelecido pelo Estado 
na sua Constituição Federal. Descrita no Artigo 12, I, CF/88.
b) Nacionalidade secundária, adquirida, por aquisição, de 2º 
grau, voluntária ou naturalização: é a que se adquire por ato voliti-
vo, depois do nascimento, somado ao cumprimento dos requisitos 
constitucionais. Descrita no Artigo 12, II, CF/88.
O quadro abaixo auxilia na memorização das diferenças entre 
as duas:
Nacionalidade
Primária Secundária
Nascimento + Requisitos 
constitucionais
Ato de vontade + Requisitos 
constitucionais
Brasileiro Nato Brasileiros Naturalizado
• Critérios para Adoção de Nacionalidade Primária
O Estado pode adotar dois critérios para a concessão da nacio-
nalidade originária: o de origem sanguínea (ius sanguinis) e o de 
origem territorial (ius solis).
O critério ius sanguinis tem por base questões de hereditarie-
dade, um vínculo sanguíneo com os ascendentes.
O critério ius solis concede a nacionalidade originária aos nas-
cidos no território de um determinado Estado, sendo irrelevante a 
nacionalidade dos genitores.
A CF/88 adotou o critério ius solis como regra geral, possibili-
tando em alguns casos, a atribuição de nacionalidade primária pau-
tada no ius sanguinis.
Portugueses Residentes no Brasil
O §1º do Artigo 12 da CF confere tratamento diferenciado aos 
portugueses residentes no Brasil. Não se trata de hipótese de natu-
ralização, mas tão somente forma de atribuição de direitos.
Portugueses Equiparados
Igual os Direitos 
dos Brasileiros 
Naturalizados
Se houver 1) Residência 
permanente no 
Brasil;
2) Reciprocidade 
aos brasileiros em 
Portugal.
Distinção entre Brasileiros Natos e Naturalizados
A CF/88 em seu Artigo 12, §2º, prevê que a lei não poderá fa-
zer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, com exceção às 
seguintes hipóteses:
Cargos privativos de brasileiros natos → Artigo 12, §3º, CF;
Função no Conselho da República → Artigo 89, VII, CF;
Extradição → Artigo 5º, LI, CF; e
Direito de propriedade → Artigo 222, CF.
Perda da Nacionalidade
O Artigo 12, §4º da CF refere-se à perda da nacionalidade, que 
apenas poderá ocorrer nas duas hipóteses taxativamente elencadas 
na CF, sob pena de manifesta inconstitucionalidade.
Dupla Nacionalidade
O Artigo 12, §4º, II da CF traz duas hipóteses em que a opção 
por outra nacionalidade não ocasiona a perda da brasileira, passan-
do o nacional a possuir dupla nacionalidade (polipátrida).
Polipátrida → aquele que possui mais de uma nacionalidade.
NOÇÕES DE DIREITO
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Heimatlos ou Apátrida → aquele que não possui nenhuma na-
cionalidade.
Idioma Oficial e Símbolos Nacionais
Por fim, o Artigo 13 da CF elenca o Idioma Oficial e os Símbolos 
Nacionais do Brasil.
Os Direitos Políticos têm previsão legal na CF/88, em seus Arti-
gos 14 a 16. Seguem abaixo:
CAPÍTULO IV
DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio univer-
sal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos 
termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, 
durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos.
§3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da Re-
pública e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e 
do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual 
ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e 
do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou 
substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um 
único período subsequente.
§6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da 
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os 
Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis 
meses antes do pleito.
§7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o 
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau 
ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de 
Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os 
haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se 
já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
§8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes 
condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se 
da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela 
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato 
da diplomação, para a inatividade.
§9º Lei complementar estabelecerá outros casos de 
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a 
probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato 
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e 
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou 
o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração 
direta ou indireta.
§10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça 
Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída 
a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou 
fraude.
§11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo 
de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou 
de manifesta má-fé.
§12. Serão realizadas concomitantemente às eleições 
municipais as consultas populares sobre questões locais aprovadas 
pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 
90 (noventa) dias antes da data das eleições, observados os limites 
operacionais relativos ao número de quesitos. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
§13. As manifestações favoráveis e contrárias às questões 
submetidas às consultas populares nos termos do §12 ocorrerão 
durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propaganda 
gratuita no rádio e na televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 111, de 2021)
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou 
suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em 
julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto du-
rarem seusefeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação 
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º.
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor 
na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até 
um ano da data de sua vigência.
De acordo com José Afonso da Silva, os direitos políticos, rela-
cionados à primeira geração dos direitos e garantias fundamentais, 
consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo 
de participação no processo político e nos órgãos governamentais.
São instrumentos previstos na Constituição e em normas infra-
constitucionais que permitem o exercício concreto da participação 
do povo nos negócios políticos do Estado.
Capacidade Eleitoral Ativa
Segundo o Artigo 14, §1º da CF, a capacidade eleitoral ativa é 
o direito de votar nas eleições, nos plebiscitos ou nos referendos, 
cuja aquisição se dá com o alistamento eleitoral, que atribui ao na-
cional a condição de cidadão (aptidão para o exercício de direitos 
políticos).
NOÇÕES DE DIREITO
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Alistamento Eleitoral e Voto
Obriga-
tório
Faculta-
tivo Inalistável – Artigo 14, §2º
Maio-
res de 18 e 
menores de 
70 anos
Maio-
res de 16 e 
menores de 
18 anos
Maiores 
de 70 anos
Analfa-
betos
Estrangeiros (com exceção 
aos portugueses equiparados, 
constantes no Artigo 12, §1º da 
CF)
Conscritos (aqueles con-
vocados para o serviço militar 
obrigatório)
– Características do Voto
O voto no Brasil é direito (como regra), secreto, universal, com 
valor igual para todos, periódico, personalíssimo, obrigatório e livre.
Capacidade Eleitoral Passiva
Também chamada de Elegibilidade, a capacidade eleitoral pas-
siva diz respeito ao direito de ser votado, ou seja, de eleger-se para 
cargos políticos. Tem previsão legal no Artigo 14, §3º da CF.
O quadro abaixo facilita a memorização da diferença entre as 
duas espécies de capacidade eleitoral. Vejamos:
Capacidade Eleitoral 
Ativa
Capacidade Eleitoral 
Passiva
Alistabilidade Elegibilidade
Direito de votar Direito de ser votado
Inelegibilidades
A inelegibilidade afasta a capacidade eleitoral passiva (direito 
de ser votado), constituindo-se impedimento à candidatura a man-
datos eletivos nos Poderes Executivo e Legislativo.
– Inelegibilidade Absoluta
Com previsão legal no Artigo 14, §4º da CF, a inelegibilidade ab-
soluta impede que o cidadão concorra a qualquer mandato eletivo 
e, em virtude de natureza excepcional, somente pode ser estabele-
cida na Constituição Federal.
Refere-se aos Inalistáveis e aos Analfabetos.
– Inelegibilidade Relativa
Consiste em restrições que recaem à candidatura a determi-
nados cargos eletivos, em virtude de situações próprias em que se 
encontra o cidadão no momento do pleito eleitoral. São elas:
– Vedação ao terceiro mandato sucessivo para os Chefes do Po-
der Executivo (Artigo 14, §5º, CF);
– Desincompatibilização para concorrer a outros cargos, aplica-
da apenas aos Chefes do Poder Executivo (Artigo 14, §6º, CF);
– Inelegibilidade reflexa, ou seja, inelegibilidade relativa por mo-
tivos de casamento, parentesco ou afinidade, uma vez que não incide 
sobre o mandatário, mas sim perante terceiros (Artigo 14, §7º, CF).
Condição de Militar
O militar alistável é elegível, desde que atenda as exigências 
previstas no §8º do Artigo 14, da CF, a saber:
I – se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se 
da atividade;
II – se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela 
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato 
da diplomação, para a inatividade.
Observa-se que a norma restringe a elegibilidade aos militares 
alistáveis, logo, os conscritos, que são inalistáveis, são inelegíveis. O 
quadro abaixo serve como exemplo:
Militares – Exceto os Conscritos
Menos de 10 anos Registro da candidatura → Inatividade
Mais de 10 anos
Registro da candidatura → 
Agregado
Na diplomação → Inativi-
dade
Privação dos Direitos Políticos
De acordo com o Artigo 15 da CF, o cidadão pode ser privado 
dos seus direitos políticos por prazo indeterminado (perda), sendo 
que, neste caso, o restabelecimento dos direitos políticos depende-
rá do exercício de ato de vontade do indivíduo, de um novo alista-
mento eleitoral.
Da mesma forma, a privação dos direitos políticos pode se dar 
por prazo determinado (suspensão), em que o restabelecimento se 
dará automaticamente, ou seja, independentemente de manifesta-
ção do suspenso, desde que ultrapassado as razões da suspensão. 
Vejamos:
Privação dos Direitos Políticos
Perda Suspensão
Privação por prazo 
indeterminado
Privação por prazo 
determinado
Restabelecimento dos 
direitos políticos depende 
de um novo alistamento 
eleitoral
Restabelecimento 
dos direitos políticos se dá 
automaticamente
A previsão legal dos Partidos Políticos de dá no Artigo 17 da CF. 
Vejamos:
CAPÍTULO V
DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de 
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime de-
mocrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa 
humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entida-
de ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir 
sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação 
e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua 
organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha 
e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a 
sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade 
NOÇÕES DE DIREITO
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de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, 
distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas 
de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 97, de 2017)
§2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade 
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal 
Superior Eleitoral.
§3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e 
acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos 
políticos que alternativamente: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 97, de 2017)
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no 
mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo 
menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% 
(dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais dis-
tribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. (In-
cluído pela Emenda Constitucional nº 97, de 2017)
§4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização 
paramilitar.
§5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos 
previstos no §3º deste artigo é assegurado o mandato e 
facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que 
os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins 
de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso 
gratuito ao tempo de rádio e de televisão. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 97, de 2017)
§6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os 
Deputados Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido 
pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo nos 
casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa 
causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a 
migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo 
partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao 
rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, 
de2021)
§7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco 
por cento) dos recursos do fundo partidário na criação e na 
manutenção de programas de promoção e difusão da participação 
política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
§8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de 
Campanha e da parcela do fundo partidário destinada a campanhas 
eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no rádio e na 
televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, 
deverão ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional 
ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser realizada 
conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e 
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse 
partidário. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022)
De acordo com os ensinamentos de José Afonso da Silva, o par-
tido político é uma forma de agremiação de um grupo social que 
se propõe a organizar, coordenar e instrumentar a vontade popular 
com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de go-
verno.
Os partidos são a base do sistema político brasileiro, pois a filia-
ção a partido político é uma das condições de elegibilidade.
Trata-se de um privilégio aos ideais políticos, que devem estar 
acima das características pessoais do candidato.
Segundo Dirley da Cunha Júnior, entende-se por partido polí-
tico uma pessoa jurídica de Direito Privado que consiste na união 
ou agremiação voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e 
políticas, organizada segundo princípios de disciplina e fidelidade.
Tal conceito vai ao encontro das disposições acerca dos parti-
dos políticos trazidas pelo Artigo 1º da Lei nº 9296/1995, para quem 
o partido político, pessoa jurídica de Direito Privado, destina-se a 
assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do 
sistema representativo e a defender os direitos fundamentais defi-
nidos na Constituição Federal.
A Constituição confere ampla liberdade aos partidos políticos, 
uma vez que são instituições indispensáveis para concretização do 
Estado democrático de direito, muito embora restrinja a utilização 
de organização paramilitar.
Remédios e Garantias Constitucionais
As ações constitucionais dispostas no Artigo 5º da CF também 
são conhecidas como remédios constitucionais, porque servem 
para “curar a doença” do descumprimento de direitos fundamen-
tais.
Em outras palavras, são instrumentos colocados à disposição 
dos indivíduos para garantir o cumprimento dos direitos fundamen-
tais.
– Habeas Corpus
O habeas corpus é a ação constitucional que tutela o direito 
fundamental à liberdade ambulatorial, ou seja, o direito de ir, vir e 
estar/permanecer em algum lugar.
De acordo com o texto constitucional, o habeas corpus pode 
ser:
– Preventivo: “sempre que alguém se achar ameaçado de so-
frer”;
– Repressivo: “sempre que alguém sofrer”.
Ambos em relação a violência ou coação em sua liberdade de 
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
– Habeas Data
O habeas data é a ação constitucional impetrada por pessoa 
física ou jurídica, que tenha por objetivo assegurar o conhecimento 
de informações sobre si, constantes de registros ou banco de dados 
de entidades governamentais ou de caráter público, ou para retifi-
cação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, 
judicial ou administrativo.
Esse remédio constitucional está regulamentado pela Lei 
9.507/97, que disciplina o direito de acesso a informações e o rito 
processual do habeas data.
– Mandado de Segurança
O mandado de segurança individual é a ação constitucional im-
petrada por pessoa física ou jurídica, ou ente despersonalizado, que 
busca a tutela de direito líquido e certo, não amparado por habeas 
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou 
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica 
no exercício de atribuições do Poder Público.
Observa-se, portanto, que o mandado de segurança tem cabi-
mento subsidiário. É disciplinado pela Lei 12.016/09.
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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– Mandado de Segurança Coletivo
O mandado de segurança coletivo é a ação constitucional im-
petrada por partido político com representação no Congresso Na-
cional, organização sindical, entidade de classe ou associação legal-
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano (em 
defesa dos interesses de seus membros ou associados), que busca 
a tutela de direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus 
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso 
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no 
exercício de atribuições do Poder Público.
– Mandado de Injunção
O mandado de injunção é a ação constitucional impetrada por 
pessoa física ou jurídica, ou ente despersonalizado, que objetive sa-
nar a falta de norma regulamentadora que torne inviável o exercício 
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas ineren-
tes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Basicamente, pode-se dizer que o mandado de injunção é ajui-
zado em face das normas de eficácia limitada, que são aquelas que 
possuem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, 
não imediata e não integral), pois exigem norma infraconstitucio-
nal, que, até hoje, não existe.
É regulado pela Lei 13.300/2016.
– Ação Popular
A ação popular é o remédio constitucional ajuizado por qual-
quer cidadão, que tenha por objetivo anular ato lesivo ao patrimô-
nio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralida-
de administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e 
cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas 
judiciais e do ônus da sucumbência.
A ação popular será regulamentada infraconstitucionalmente 
pela Lei 4.717/65.
Direitos Constitucionais-Penais e Garantias Constitucionais do 
Processo
– Direitos Constitucionais Penais
A Constituição Federal de 1988, no capítulo referente aos direi-
tos e deveres individuai e coletivos, definiu vários princípios consti-
tucionais penais, garantidores de garantias aos cidadãos quando o 
Estado é obrigado a colocar em prática o jus puniendi, para que não 
existam arbitrariedades e nem regimes de exceção1. São eles:
Dignidade da pessoa humana, Igualdade ou isonomia, Legali-
dade e anterioridade, Irretroatividade da lei penal, Personalidade 
da pena, Individualização da pena, Humanidade, Intervenção míni-
ma, Alteridade, Culpabilidade, Proporcionalidade, Ofensividade ou 
lesividade, Insignificância e Adequação social.
Tais princípios são norteadores da atuação Estatal no campo 
penal, para a garantia de um processo imparcial e justo, afastando 
qualquer punição exacerbada e desmedida quando da aplicação da 
pena e garantidor do devido processo legal, amparado no contradi-
tório e na ampla defesa. Fundamentos de um Estado Democrático 
de Direito.
Assim, a observância dos princípios constitucionais penais é de 
suma importância para a garantia dos direitos fundamentais e para 
a aplicação da lei penal, sendo, pois, repetido no Código Penal e nas 
demais leis, como forma de concretização da Justiça.
1 http://iccs.com.br/dos-principios-constitucionais-penais-rodrigo-o-
tavio-dos-reis-chediak/
– Garantias Constitucionais do Processo
No art. 5º da Constituição da República, entre os direitos fun-
damentais, estão estabelecidos os princípios constitucionais básicos 
do processo justo, quais sejam: a garantia de pleno acesso à justiça, 
a garantia do juiz natural (não haverá juízo ou Tribunal de exceção), 
ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade 
competente, a garantia do devido processo legal, do contraditório e 
da ampla defesa, a vedação das provas ilícitas, a garantia de publici-
dade dos atos processuais (exigência de fundamentação de todas as 
decisões judiciais), o dever de assistência jurídica integral e gratuitaa todos que comprovarem insuficiência de recursos, a garantia de 
duração razoável do processo e da adoção de meios para assegurar 
a celeridade de sua tramitação2.
Possível, ainda, apontar-se outros princípios constitucionais do 
processo justo, como o direito à representação técnica e à paridade 
de armas.
O modelo mínimo de processo, no Estado Democrático de Di-
reito, portanto, somente pode ser buscado na Constituição. A fiel 
observância do direito ao processo justo é condição indispensável 
para produzir decisões justas, ou seja, trata-se de elemento neces-
sário, embora não único e suficiente, para se assegurar justiça ao 
caso concreto.
O direito ao processo justo, portanto, constitui direito à orga-
nização de um processo justo, tarefa do legislador infraconstitucio-
nal, do administrador da justiça e do órgão jurisdicional. Assim, a 
consecução do direito ao processo justo depende de sua própria 
viabilização pelo Estado Democrático de Direito, mediante a edição 
de normas, a administração da estrutura judicante e pela própria 
atuação jurisdicional.
II – A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: ADMINISTRAÇÃO PÚ-
BLICA (ARTIGOS DE 37 A 41, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
DE 1988)
Disposições gerais e servidores públicos
A expressão Administração Pública em sentido objetivo traduz 
a ideia de atividade, tarefa, ação ou função de atendimento ao inte-
resse coletivo. Já em sentido subjetivo, indica o universo dos órgãos 
e pessoas que desempenham função pública.
Conjugando os dois sentidos, pode-se conceituar a Administra-
ção Pública como sendo o conjunto de pessoas e órgãos que de-
sempenham uma função de atendimento ao interesse público, ou 
seja, que estão a serviço da coletividade.
Princípios da Administração Pública
Nos termos do caput do Artigo 37 da CF, a administração públi-
ca direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
As provas de Direito Constitucional exigem com frequência a 
memorização de tais princípios. Assim, para facilitar essa memori-
zação, já é de praxe valer-se da clássica expressão mnemônica “LIM-
PE”. Observe o quadro abaixo:
2 COSTA, Miguel do Nascimento. Das garantias constitucionais e o devido 
processo no Estado liberal aos direitos fundamentais e o processo justo no Estado 
Democrático de Direito. Revista da AJURIS – Porto Alegre, v. 42, n. 139, dezem-
bro, 2015.
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Princípios da Administração Pública
L Legalidade
I Impessoalidade
M Moralidade
P Publicidade
E Eficiência
LIMPE
Passemos ao conceito de cada um deles:
– Princípio da Legalidade
De acordo com este princípio, o administrador não pode agir 
ou deixar de agir, senão de acordo com a lei, na forma determinada. 
O quadro abaixo demonstra suas divisões.
Princípio da Legalidade
Em relação à 
Administração Pública
A Administração Pública 
somente pode fazer o que a lei 
permite → Princípio da Estrita 
Legalidade
Em relação ao Particular O Particular pode fazer tudo 
que a lei não proíbe
– Princípio da Impessoalidade
Em decorrência deste princípio, a Administração Pública deve 
servir a todos, sem preferências ou aversões pessoais ou partidá-
rias, não podendo atuar com vistas a beneficiar ou prejudicar de-
terminadas pessoas, uma vez que o fundamento para o exercício de 
sua função é sempre o interesse público.
– Princípio da Moralidade
Tal princípio caracteriza-se por exigir do administrador público 
um comportamento ético de conduta, ligando-se aos conceitos de 
probidade, honestidade, lealdade, decoro e boa-fé.
A moralidade se extrai do senso geral da coletividade represen-
tada e não se confunde com a moralidade íntima do administrador 
(moral comum) e sim com a profissional (ética profissional).
O Artigo 37, §4º da CF elenca as consequências possíveis, devi-
do a atos de improbidade administrativa:
Sanções ao cometimento de atos de improbidade administra-
tiva
Suspensão dos direitos políticos (responsabilidade política)
Perda da função pública (responsabilidade disciplinar)
Indisponibilidade dos bens (responsabilidade patrimonial)
Ressarcimento ao erário (responsabilidade patrimonial)
– Princípio da Publicidade
O princípio da publicidade determina que a Administração Pú-
blica tem a obrigação de dar ampla divulgação dos atos que pratica, 
salvo a hipótese de sigilo necessário.
A publicidade é a condição de eficácia do ato administrativo e 
tem por finalidade propiciar seu conhecimento pelo cidadão e pos-
sibilitar o controle por todos os interessados.
– Princípio da Eficiência
Segundo o princípio da eficiência, a atividade administrativa 
deve ser exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional, 
evitando atuações amadorísticas.
Este princípio impõe à Administração Pública o dever de agir 
com eficiência real e concreta, aplicando, em cada caso concreto, a 
medida, dentre as previstas e autorizadas em lei, que mais satisfaça 
o interesse público com o menor ônus possível (dever jurídico de 
boa administração).
Em decorrência disso, a administração pública está obrigada a 
desenvolver mecanismos capazes de propiciar os melhores resul-
tados possíveis para os administrados. Portanto, a Administração 
Pública será considerada eficiente sempre que o melhor resultado 
for atingido.
Disposições Gerais na Administração Pública
O esquema abaixo sintetiza a definição de Administração Pú-
blica:
Administração Pública
Direta Indireta
Federal
Estadual
Distrital
Municipal
Autarquias (podem ser 
qualificadas como agências 
reguladoras)
Fundações (autarquias 
e fundações podem ser 
qualificadas como agências 
executivas)
Sociedades de economia 
mista
Empresas públicas
Entes Cooperados
Não integram a Administração Pública, mas prestam 
serviços de interesse público. Exemplos: SESI, SENAC, SENAI, 
ONG’s
As disposições gerais sobre a Administração Pública estão elen-
cadas nos Artigos 37 e 38 da CF. Vejamos:
CAPÍTULO VII
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer 
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, mo-
ralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos 
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim 
como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de 
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e 
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou em-
prego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para car-
go em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
NOÇÕES DE DIREITO
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III - o prazo de validade do concurso público será de até dois 
anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convo-
cação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de pro-
vas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursa-
dos para assumir cargo ou emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por ser-
vidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a se-
rem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e 
percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atri-
buições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre asso-
ciação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites 
definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos 
para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de 
sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo de-
terminado para atender a necessidade temporária deexcepcional 
interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que 
trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por 
lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, asse-
gurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção 
de índices;
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, fun-
ções e empregos públicos da administração direta, autárquica e 
fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de 
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, 
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativa-
mente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer ou-
tra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como li-
mite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no 
Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do 
Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do 
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cen-
tésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável 
este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e 
aos Defensores Públicos;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder 
Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Execu-
tivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer es-
pécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do 
serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor públi-
co não serão computados nem acumulados para fins de concessão 
de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e 
empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos inci-
sos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, 
§2º, I;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, 
exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em 
qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de 
saúde, com profissões regulamentadas;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e fun-
ções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, socieda-
des de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, 
direta ou indiretamente, pelo poder público;
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais te-
rão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência 
sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e 
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de eco-
nomia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste úl-
timo caso, definir as áreas de sua atuação;
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação 
de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim 
como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, 
serviços, compras e alienações serão contratados mediante pro-
cesso de licitação pública que assegure igualdade de condições a 
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações 
de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos ter-
mos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação 
técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das 
obrigações.
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcio-
namento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específi-
cas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades 
e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento 
de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
§1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, 
informativo ou de orientação social, dela não podendo constar 
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal 
de autoridades ou servidores públicos.
§2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a 
nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos 
da lei.
§3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na 
administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos 
em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento 
ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade 
dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a infor-
mações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X 
e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente 
ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
§4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a 
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a 
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e 
gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
§5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos 
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem 
prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de 
ressarcimento.
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§6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos 
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, 
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos 
de dolo ou culpa.
§7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante 
de cargo ou emprego da administração direta e indireta que 
possibilite o acesso a informações privilegiadas.
§8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos 
órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá 
ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus 
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação 
de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei 
dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direi-
tos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.”
§9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às 
sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem 
recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos 
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio 
em geral.
§10. É vedada a percepção simultânea de proventos de 
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a 
remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os 
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos 
e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e 
exoneração.
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites 
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as 
parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
§12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, 
fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, 
mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, 
como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do 
respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte 
e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste 
parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos 
Vereadores.
§13. Oservidor público titular de cargo efetivo poderá 
ser readaptado para exercício de cargo cujas atribuições e 
responsabilidades sejam compatíveis com a limitação que 
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, enquanto 
permanecer nesta condição, desde que possua a habilitação e o 
nível de escolaridade exigidos para o cargo de destino, mantida 
a remuneração do cargo de origem. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§14. A aposentadoria concedida com a utilização de tempo 
de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública, 
inclusive do Regime Geral de Previdência Social, acarretará o 
rompimento do vínculo que gerou o referido tempo de contribuição. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§15. É vedada a complementação de aposentadorias de 
servidores públicos e de pensões por morte a seus dependentes 
que não seja decorrente do disposto nos §§14 a 16 do art. 40 ou que 
não seja prevista em lei que extinga regime próprio de previdência 
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16. Os órgãos e entidades da administração pública, individual 
ou conjuntamente, devem realizar avaliação das políticas públicas, 
inclusive com divulgação do objeto a ser avaliado e dos resultados 
alcançados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 109, de 2021)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica 
e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as se-
guintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, 
ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, 
emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remune-
ração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibili-
dade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego 
ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não 
havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício 
de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos 
os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência 
social, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo de ori-
gem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Servidores Públicos
Os servidores públicos são pessoas físicas que prestam serviços 
à administração pública direta, às autarquias ou fundações públi-
cas, gerando entre as partes um vínculo empregatício ou estatutá-
rio. Esses serviços são prestados à União, aos Estados-membros, ao 
Distrito Federal ou aos Municípios.
As disposições sobre os Servidores Públicos estão elencadas 
dos Artigos 39 a 41 da CF. Vejamos:
SEÇÃO II
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único 
e planos de carreira para os servidores da administração pública 
direta, das autarquias e das fundações públicas.
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
instituirão conselho de política de administração e remuneração de 
pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Po-
deres.
§1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais 
componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos 
cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos.
§2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas 
de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores 
públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos 
requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a 
celebração de convênios ou contratos entre os entes federados.
§3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o 
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, 
XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados 
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
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§4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os 
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão 
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, 
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, 
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, 
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.
§5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor 
remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer 
caso, o disposto no art. 37, XI.
§6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão 
anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e 
empregos públicos.
§7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários 
provenientes da economia com despesas correntes em cada 
órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento 
de programas de qualidade e produtividade, treinamento e 
desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização 
do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de 
produtividade.
§8º A remuneração dos servidores públicos organizados em 
carreira poderá ser fixada nos termos do §4º.
§9º É vedada a incorporação de vantagens de caráter 
temporário ou vinculadas ao exercício de função de confiança ou 
de cargo em comissão à remuneração do cargo efetivo. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores 
titulares de cargos efetivos terá caráter contributivo e solidário, 
mediante contribuição do respectivo ente federativo, de servidores 
ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios que 
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência 
social será aposentado: (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em 
que estiver investido, quando insuscetível de readaptação, hipótese 
em que será obrigatória a realização de avaliações periódicas para 
verificação da continuidade das condições que ensejaram a conces-
são da aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federa-
tivo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo 
de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta 
e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar;
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, 
se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, 
e, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na 
idade mínima estabelecida mediante emenda às respectivas Cons-
tituições e Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os 
demais requisitos estabelecidos em lei complementar do respectivo 
ente federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
§2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores 
ao valor mínimo a que se refere o §2º do art. 201 ou superiores 
ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral de Previdência 
Social, observado o disposto nos §§14 a 16. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria 
serão disciplinadas em lei do respectivo ente federativo. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados 
para concessão de benefícios em regime próprio de previdência 
social, ressalvado o disposto nos §§4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103,de 2019)
§4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei complementar 
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição 
diferenciados para aposentadoria de servidores com deficiência, 
previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por 
equipe multiprofissional e interdisciplinar. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar 
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição 
diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente 
penitenciário, de agente socioeducativo ou de policial dos órgãos 
de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput 
do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar 
do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição 
diferenciados para aposentadoria de servidores cujas atividades 
sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos 
e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, 
vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima 
reduzida em 5 (cinco) anos em relação às idades decorrentes da 
aplicação do disposto no inciso III do §1º, desde que comprovem 
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na 
educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei 
complementar do respectivo ente federativo. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos 
acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção 
de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de 
previdência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições 
para a acumulação de benefícios previdenciários estabelecidas no 
Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§7º Observado o disposto no §2º do art. 201, quando se 
tratar da única fonte de renda formal auferida pelo dependente, o 
benefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei do 
respectivo ente federativo, a qual tratará de forma diferenciada a 
hipótese de morte dos servidores de que trata o §4º-B decorrente 
de agressão sofrida no exercício ou em razão da função. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para 
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme 
critérios estabelecidos em lei.
§9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou 
municipal será contado para fins de aposentadoria, observado 
o disposto nos §§9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de serviço 
correspondente será contado para fins de disponibilidade. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem 
de tempo de contribuição fictício.
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§11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total 
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes 
da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de 
outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral 
de previdência social, e ao montante resultante da adição de 
proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável 
na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei 
de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em 
regime próprio de previdência social, no que couber, os requisitos 
e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social. 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§13. Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente, 
de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e 
exoneração, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo, 
ou de emprego público, o Regime Geral de Previdência Social. 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
instituirão, por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, 
regime de previdência complementar para servidores públicos 
ocupantes de cargo efetivo, observado o limite máximo dos 
benefícios do Regime Geral de Previdência Social para o valor das 
aposentadorias e das pensões em regime próprio de previdência 
social, ressalvado o disposto no §16. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§15. O regime de previdência complementar de que trata o §14 
oferecerá plano de benefícios somente na modalidade contribuição 
definida, observará o disposto no art. 202 e será efetivado por 
intermédio de entidade fechada de previdência complementar ou 
de entidade aberta de previdência complementar. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto 
nos §§14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado 
no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do 
correspondente regime de previdência complementar.
§17. Todos os valores de remuneração considerados para o 
cálculo do benefício previsto no §3° serão devidamente atualizados, 
na forma da lei.
§18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias 
e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que 
superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime 
geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual 
igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos.
§19. Observados critérios a serem estabelecidos em lei do 
respectivo ente federativo, o servidor titular de cargo efetivo 
que tenha completado as exigências para a aposentadoria 
voluntária e que opte por permanecer em atividade poderá fazer 
jus a um abono de permanência equivalente, no máximo, ao 
valor da sua contribuição previdenciária, até completar a idade 
para aposentadoria compulsória. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 103, de 2019)
§20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de 
previdência social e de mais de um órgão ou entidade gestora 
desse regime em cada ente federativo, abrangidos todos os 
poderes, órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão 
responsáveis pelo seu financiamento, observados os critérios, os 
parâmetros e a natureza jurídica definidos na lei complementar de 
que trata o §22. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
§21. (Revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 103, de 2019)
§22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de 
previdência social, lei complementar federal estabelecerá, para os 
que já existam, normas gerais de organização, de funcionamento 
e de responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros 
aspectos, sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
I - requisitos para sua extinção e consequente migração para o 
Regime Geral de Previdência Social; (Incluído pela Emenda Consti-
tucional nº 103, de 2019)
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos re-
cursos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
III - fiscalização pela União e controle externo e social; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
V - condições para instituição do fundo com finalidade previ-
denciária de que trata o art. 249 e para vinculação a ele dos recur-
sos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativos de 
qualquer natureza; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 
2019)
VI - mecanismos de equacionamento do déficit atuarial; (Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, ob-
servados os princípios relacionados com governança,controle in-
terno e transparência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, 
de 2019)
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles 
que desempenhem atribuições relacionadas, direta ou indireta-
mente, com a gestão do regime; (Incluído pela Emenda Constitucio-
nal nº 103, de 2019)
IX - condições para adesão a consórcio público; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definição 
de alíquota de contribuições ordinárias e extraordinárias. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os ser-
vidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de 
concurso público.
§1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegu-
rada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desem-
penho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
§2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor 
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se 
estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, 
aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com 
remuneração proporcional ao tempo de serviço.
§3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor 
estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional 
ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro 
cargo.
§4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é 
obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão 
instituída para essa finalidade.
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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– Estabilidade
A estabilidade é a garantia que o servidor público possui de permanecer no cargo ou emprego público depois de ter sido aprovado 
em estágio probatório.
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, a estabilidade poder ser definida como a garantia constitucional de permanência 
no serviço público, do servidor público civil nomeado, em razão de concurso público, para titularizar cargo de provimento efetivo, após o 
transcurso de estágio probatório.
A estabilidade é assegurada ao servidor após três anos de efetivo exercício, em virtude de nomeação em concurso público. Esse é o 
estágio probatório citado pela lei.
Passada a fase do estágio, sendo o servidor público efetivado, ele perderá o cargo somente nas hipóteses elencadas no Artigo 41, §1º 
da CF.
Haja vista o tema ser muito cobrado nas provas dos mais variados concursos públicos, segue a tabela explicativa:
Estabilidade do Servidor
Requisitos para aquisição 
de Estabilidade
Cargo de provimento efetivo/ocupado em razão de concurso público
3 anos de efetivo exercício
Avaliação de desempenho por comissão instituída para esta finalidade
Hipóteses em que o 
servidor estável pode perder 
o cargo
Em virtude de sentença judicial transitada em julgado
Mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa
Mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei 
complementar, assegurada ampla defesa
Em razão de excesso de despesa
III - DIREITO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS
Conceito
De início, convém ressaltar que o estudo desse ramo do Direito, denota a distinção entre o Direito Administrativo, bem como entre as 
normas e princípios que nele se inserem.
No entanto, o Direito Administrativo, como sistema jurídico de normas e princípios, somente veio a surgir com a instituição do Estado 
de Direito, no momento em que o Poder criador do direito passou também a respeitá-lo. Tal fenômeno teve sua origem com os movimentos 
constitucionalistas, cujo início se deu no final do século XVIII. Por meio do novo sistema, o Estado passou a ter órgãos específicos para o 
exercício da Administração Pública e, por isso, foi necessário a desenvoltura do quadro normativo disciplinante das relações internas da 
Administração, bem como das relações entre esta e os administrados. Assim sendo, pode considerar-se que foi a partir do século XIX que 
o mundo jurídico abriu os olhos para a existência do Direito Administrativo.
Destaca-se ainda, que o Direito Administrativo foi formado a partir da teoria da separação dos poderes desenvolvida por Montesquieu, 
L’Espirit des Lois, 1748, e acolhida de forma universal pelos Estados de Direito. Até esse momento, o absolutismo reinante e a junção 
de todos os poderes governamentais nas mãos do Soberano não permitiam o desenvolvimento de quaisquer teorias que visassem a 
reconhecer direitos aos súditos, e que se opusessem às ordens do Príncipe. Prevalecia o domínio operante da vontade onipotente do 
Monarca.
Conceituar com precisão o Direito Administrativo é tarefa difícil, uma vez que o mesmo é marcado por divergências doutrinárias, o 
que ocorre pelo fato de cada autor evidenciar os critérios que considera essenciais para a construção da definição mais apropriada para o 
termo jurídico apropriado.
De antemão, ao entrar no fundamento de algumas definições do Direito Administrativo,
Considera-se importante denotar que o Estado desempenha três funções essenciais. São elas: Legislativa, Administrativa e 
Jurisdicional.
Pondera-se que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes, porém, em tese, harmônicos entre si. Os poderes 
foram criados para desempenhar as funções do Estado. Desta forma, verifica-se o seguinte:
Funções do Estado:
– Legislativa
– Administrativa
– Jurisdicional
Poderes criados para desenvolver as funções do estado:
– Legislativo
– Executivo
– Judiciário
NOÇÕES DE DIREITO
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Infere-se que cada poder exerce, de forma fundamental, uma das funções de Estado, é o que denominamos de FUNÇÃO TÍPICA.
PODER LEGISLATIVO PODER EXERCUTIVO PODER JUDICIÁRIO
Função típica Legislar Administrativa Judiciária
Atribuição
Redigir e organizar 
o regramento jurídico do 
Estado
Administração e 
gestão estatal
Julgar e solucionar conflitos 
por intermédio da interpretação e 
aplicação das leis.
Além do exercício da função típica, cada poder pode ainda exercer as funções destinadas a outro poder, é o que denominamos de 
exercício de FUNÇÃO ATÍPICA. Vejamos:
PODER LEGISLATIVO PODER EXERCUTIVO PODER JUDICIÁRIO
Função atípica
tem-se como função 
atípica
desse poder, por ser típica 
do Poder Judiciário: O
julgamento do Presidente 
da República
por crime de 
responsabilidade.
tem-se por função 
atípica desse poder, 
por ser típica do Poder 
Legislativo: A edição de 
Medida Provisória pelo
Chefe do Executivo.
tem-se por função atípica 
desse poder, por ser típica do 
Poder Executivo: Fazer licitação 
para realizar a aquisição de 
equipamentos utilizados em 
regime interno.
Diante da difícil tarefa de conceituar o Direito Administrativo, uma vez que diversos são os conceitos utilizados pelos autores modernos 
de Direito Administrativo, sendo que, alguns consideram apenas as atividades administrativas em si mesmas, ao passo que outros, optam 
por dar ênfase aos fins desejados pelo Estado, abordaremos alguns dos principais posicionamentos de diferentes e importantes autores.
No entendimento de Carvalho Filho (2010), “o Direito Administrativo, com a evolução que o vem impulsionando contemporaneamente, 
há de focar-se em dois tipos fundamentais de relações jurídicas, sendo, uma, de caráter interno, que existe entre as pessoas administrativas 
e entre os órgãos que as compõem e, a outra, de caráter externo, que se forma entre o Estado e a coletividade em geral.” (2010, Carvalho 
Filho, p. 26).
Como regra geral, o Direito Administrativo é conceituado como o ramo do direito público que cuida de princípios e regras que 
disciplinam a função administrativa abrangendo entes, órgãos, agentes e atividades desempenhadas pela Administração Pública na 
consecução do interesse público.
Vale lembrar que, como leciona DIEZ, o Direito Administrativo apresenta,ainda, três características principais: 
1 – constitui um direito novo, já que se trata de disciplina recente com sistematização científica;
2 – espelha um direito mutável, porque ainda se encontra em contínua transformação;
3 – é um direito em formação, não se tendo, até o momento, concluído todo o seu ciclo de abrangência.
Entretanto, o Direito Administrativo também pode ser conceituado sob os aspectos de diferentes óticas, as quais, no deslindar desse 
estudo, iremos abordar as principais e mais importantes para estudo, conhecimento e aplicação.
– Ótica Objetiva: Segundo os parâmetros da ótica objetiva, o Direito Administrativo é conceituado como o acoplado de normas que 
regulamentam a atividade da Administração Pública de atendimento ao interesse público.
– Ótica Subjetiva: Sob o ângulo da ótica subjetiva, o Direito Administrativo é conceituado como um conjunto de normas que comandam 
as relações internas da Administração Pública e as relações externas que são encadeadas entre elas e os administrados.
Nos moldes do conceito objetivo, o Direito Administrativo é tido como o objeto da relação jurídica travada, não levando em conta os 
autores da relação. 
O conceito de Direito Administrativo surge também como elemento próprio em um regime jurídico diferenciado, isso ocorre por que 
em regra, as relações encadeadas pela Administração Pública ilustram evidente falta de equilíbrio entre as partes.
Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Fernando Correia, o Direito Administrativo é o sistema de 
normas jurídicas, diferenciadas das normas do direito privado, que regulam o funcionamento e a organização da Administração Pública, 
bem como a função ou atividade administrativa dos órgãos administrativos.
Correia, o intitula como um corpo de normas de Direito Público, no qual os princípios, conceitos e institutos distanciam-se do Direito 
Privado, posto que, as peculiaridades das normas de Direito Administrativo são manifestadas no reconhecimento à Administração Pública 
de prerrogativas sem equivalente nas relações jurídico-privadas e na imposição, em decorrência do princípio da legalidade, de limitações 
de atuação mais exatas do que as que auferem os negócios particulares.
Entende o renomado professor, que apenas com o aparecimento do Estado de Direito acoplado ao acolhimento do princípio da 
separação dos poderes, é que seria possível se falar em Direito Administrativo.
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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Oswaldo Aranha Bandeira de Mello aduz, em seu conceito 
analítico, que o Direito Administrativo juridicamente falando, 
ordena a atividade do Estado quanto à organização, bem como 
quanto aos modos e aos meios da sua ação, quanto à forma da 
sua própria ação, ou seja, legislativa e executiva, por intermédio de 
atos jurídicos normativos ou concretos, na consecução do seu fim 
de criação de utilidade pública, na qual participa de forma direta e 
imediata, e, ainda como das pessoas de direito que façam as vezes 
do Estado.
Observação importante: Note que os conceitos classificam 
o Direito Administrativo como Ramo do Direito Público fazendo 
sempre referência ao interesse público, ao inverso do Direito 
Privado, que cuida do regulamento das relações jurídicas entre 
particulares, o Direito Público, tem por foco regular os interesses da 
sociedade, trabalhando em prol do interesse público.
Por fim, depreende-se que a busca por um conceito completo 
de Direito Administrativo não é recente. Entretanto, a Administração 
Pública deve buscar a satisfação do interesse público como um todo, 
uma vez que a sua natureza resta amparada a partir do momento 
que deixa de existir como fim em si mesmo, passando a existir como 
instrumento de realização do bem comum, visando o interesse 
público, independentemente do conceito de Direito Administrativo 
escolhido.
Objeto
De acordo com a ilibada autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a 
formação do Direito Administrativo como ramo autônomo, fadado 
de princípios e objeto próprios, teve início a partir do instante em que 
o conceito de Estado de Direito começou a ser desenvolvido, com 
ampla estrutura sobre o princípio da legalidade e sobre o princípio 
da separação de poderes. O Direito Administrativo Brasileiro não 
surgiu antes do Direito Romano, do Germânico, do Francês e do 
Italiano. Diversos direitos contribuíram para a formação do Direito 
Brasileiro, tais como: o francês, o inglês, o italiano, o alemão e 
outros. Isso, de certa forma, contribuiu para que o nosso Direito 
pudesse captar os traços positivos desses direitos e reproduzi-los 
de acordo com a nossa realidade histórica.
Atualmente, predomina, na definição do objeto do Direito 
Administrativo, o critério funcional, como sendo o ramo do direito 
que estuda a disciplina normativa da função administrativa, 
independentemente de quem esteja encarregado de exercê-la: 
Executivo, Legislativo, Judiciário ou particulares mediante delegação 
estatal”, (MAZZA, 2013, p. 33). 
Sendo o Direito Administrativo um ramo do Direito Público, o 
entendimento que predomina no Brasil e na América Latina, ainda 
que incompleto, é que o objeto de estudo do Direito Administrativo 
é a Administração Pública atuante como função administrativa 
ou organização administrativa, pessoas jurídicas, ou, ainda, como 
órgãos públicos.
De maneira geral, o Direito é um conjunto de normas, 
princípios e regras, compostas de coercibilidade disciplinantes da 
vida social como um todo. Enquanto ramo do Direito Público, o 
Direito Administrativo, nada mais é que, um conjunto de princípios 
e regras que disciplina a função administrativa, as pessoas e os 
órgãos que a exercem. Desta forma, considera-se como seu objeto, 
toda a estrutura administrativa, a qual deverá ser voltada para a 
satisfação dos interesses públicos.
São leis específicas do Direito Administrativo a Lei n. 8.666/1993 
que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, 
institui normas para licitações e contratos da Administração Pública 
e dá outras providências; a Lei n. 8.112/1990, que dispõe sobre o 
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias 
e das fundações públicas federais; a Lei n. 8.409/1992 que estima 
a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro de 
1992 e a Lei n. 9.784/1999 que regula o processo administrativo no 
âmbito da Administração Pública Federal.
O Direito Administrativo tem importante papel na identificação 
do seu objeto e o seu próprio conceito e significado foi de grande 
importância à época do entendimento do Estado francês em dividir 
as ações administrativas e as ações envolvendo o poder judiciário. 
Destaca-se na França, o sistema do contencioso administrativo 
com matéria de teor administrativo, sendo decidido no tribunal 
administrativo e transitando em julgado nesse mesmo tribunal. 
Definir o objeto do Direito Administrativo é importante no sentido 
de compreender quais matérias serão julgadas pelo tribunal 
administrativo, e não pelo Tribunal de Justiça.
Depreende-se que com o passar do tempo, o objeto de estudo 
do Direito Administrativo sofreu significativa e grande evolução, 
desde o momento em que era visto como um simples estudo 
das normas administrativas, passando pelo período do serviço 
público, da disciplina do bem público, até os dias contemporâneos, 
quando se ocupa em estudar e gerenciar os sujeitos e situações 
que exercem e sofrem com a atividade do Estado, assim como 
das funções e atividades desempenhadas pela Administração 
Pública, fato que leva a compreender que o seu objeto de estudo 
é evolutivo e dinâmico acoplado com a atividade administrativa 
e o desenvolvimento do Estado. Destarte, em suma, seu objeto 
principal é o desempenho da função administrativa.
Fontes
Fonte significa origem. Neste tópico, iremos estudar a origem 
das regras que regem o Direito Administrativo.
Segundo Alexandre Sanches Cunha, “o termo fonte provém 
do latim fons, fontis, que implica o conceito de nascentede água. 
Entende-se por fonte tudo o que dá origem, o início de tudo. Fonte 
do Direito nada mais é do que a origem do Direito, suas raízes 
históricas, de onde se cria (fonte material) e como se aplica (fonte 
formal), ou seja, o processo de produção das normas. São fontes 
do direito: as leis, costumes, jurisprudência, doutrina, analogia, 
princípio geral do direito e equidade.” (CUNHA, 2012, p. 43).
Fontes do Direito Administrativo:
A) Lei
A lei se estende desde a constituição e é a fonte primária e 
principal do DireitoAdministrativo e se estende desde a Constituição 
Federal em seus artigos 37 a 41, alcançando os atos administrativos 
normativos inferiores. Desta forma, a lei como fonte do Direito 
Administrativo significa a lei em sentido amplo, ou seja, a lei 
confeccionada pelo Parlamento, bem como os atos normativos 
expedidos pela Administração, tais como: decretos, resoluções, 
incluindo tratados internacionais.
Desta maneira, sendo a Lei a fonte primária, formal e 
primordial do Direito Administrativo, acaba por prevalecer sobre 
as demais fontes. E isso, prevalece como regra geral, posto que as 
demais fontes que estudaremos a seguir, são consideradas fontes 
secundárias, acessórias ou informais.
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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 A Lei pode ser subdividida da seguinte forma:
– Lei em sentido amplo
Refere-se a todas as fontes com conteúdo normativo, tais 
como: a Constituição Federal, lei ordinária, lei complementar, 
medida provisória, tratados internacionais, e atos administrativos 
normativos (decretos, resoluções, regimentos etc.). 
– Lei em sentido estrito
Refere-se à Lei feita pelo Parlamento, pelo Poder Legislativo por 
meio de lei ordinária e lei complementar. Engloba também, outras 
normas no mesmo nível como, por exemplo, a medida provisória 
que possui o mesmo nível da lei ordinária. Pondera-se que todos 
mencionados são reputados como fonte primária (a lei) do Direito 
Administrativo.
B) Doutrina
Tem alto poder de influência como teses doutrinadoras nas 
decisões administrativas, como no próprio Direito Administrativo. 
A Doutrina visa indicar a melhor interpretação possível da norma 
administrativa, indicando ainda, as possíveis soluções para 
casos determinados e concretos. Auxilia muito o viver diário da 
Administração Pública, posto que, muitas vezes é ela que conceitua, 
interpreta e explica os dispositivos da lei. 
Exemplo: 
A Lei n. 9.784/1999, aduz que provas protelatórias podem ser 
recusadas no processo administrativo. Desta forma, a doutrina 
explicará o que é prova protelatória, e a Administração Pública 
poderá usar o conceito doutrinário para recusar uma prova no 
processo administrativo.
C) Jurisprudência
Trata-se de decisões de um tribunal que estão na mesma 
direção, além de ser a reiteração de julgamentos no mesmo sentido.
Exemplo: 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), possui determinada 
jurisprudência que afirma que candidato aprovado dentro do 
número de vagas previsto no edital tem direito à nomeação, 
aduzindo que existem diversas decisões desse órgão ou tribunal 
com o mesmo entendimento final.
— Observação importante: Por tratar-se de uma orientação aos 
demais órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública, a 
jurisprudência não é de seguimento obrigatório. Entretanto, com as 
alterações promovidas desde a CFB/1988, esse sistema orientador 
da jurisprudência tem deixado de ser a regra.
Exemplo: 
Os efeitos vinculantes das decisões proferidas pelo Supremo 
Tribunal Federal na ação direta de inconstitucionalidade (ADI), 
na ação declaratória constitucionalidade (ADC) e na arguição de 
descumprimento de preceito fundamental, e, em especial, com as 
súmulas vinculantes, a partir da Emenda Constitucional nº. 45/2004. 
Nesses ocorridos, as decisões do STF acabaram por vincular e obrigar 
a Administração Pública direta e indireta dos Poderes da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos dispostos 
no art. 103-A da CF/1988.
D) Costumes
Costumes são condutas reiteradas. Assim sendo, cada país, 
Estado, cidade, povoado, comunidade, tribo ou população tem 
os seus costumes, que via de regra, são diferentes em diversos 
aspectos, porém, em se tratando do ordenamento jurídico, não 
poderão ultrapassar e ferir as leis soberanas da Carta Magna que 
regem o Estado como um todo.
Como fontes secundárias e atuantes no Direito Administrativo, 
os costumes administrativos são práticas reiteradas que devem 
ser observadas pelos agentes públicos diante de determinadas 
situações. Os costumes podem exercer influência no Direito 
Administrativo em decorrência da carência da legislação, 
consumando o sistema normativo, costume praeter legem, ou nas 
situações em que seria impossível legislar sobre todas as situações. 
Os costumes não podem se opor à lei (contra legem), pois ela 
é a fonte primordial do Direito Administrativo, devendo somente 
auxiliar à exata compreensão e incidência do sistema normativo.
Exemplo:
 Ao determinar a CFB/1988 que um concurso terá validade de 
até 2 anos, não pode um órgão, de forma alguma, atribuir por efeito 
de costume, prazo de até 10 anos, porque estaria contrariando 
disposição expressa na Carta Magna, nossa Lei Maior e Soberana.
Ressalta-se, com veemente importância, que os costumes 
podem gerar direitos para os administrados, em decorrência dos 
princípios da lealdade, boa-fé, moralidade administrativa, dentre 
outros, uma vez que um certo comportamento repetitivo da 
Administração Pública gera uma expectativa em sentido geral de 
que essa prática deverá ser seguida nas demais situações parecidas
– Observação importante: Existe divergência doutrinária 
em relação à aceitação dos costumes como fonte do Direito 
Administrativo. No entanto, para concursos, e estudos correlatos, 
via de regra, deve ser compreendida como correta a tese no sentido 
de que o costume é fonte secundária, acessória, indireta e imediata 
do Direito Administrativo, tendo em vista que a fonte primária e 
mediata é a Lei.
Nota - Sobre Súmulas Vinculantes
Nos termos do art. 103 - A da Constituição Federal, ‘‘o Supremo 
Tribunal Federal poderá, de ofício ou mediante provocação, por 
decisão de dois terços de seus membros, após decisões reiteradas 
que versam sobre matéria constitucional, aprovar súmulas que 
terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder 
Judiciário e à administração pública direta e indireta”.
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA UNIÃO; ADMINIS-
TRAÇÃO DIRETA E INDIRETA
Administração direta e indireta
A princípio, infere-se que Administração Direta é correspondente 
aos órgãos que compõem a estrutura das pessoas federativas que 
executam a atividade administrativa de maneira centralizada. O 
vocábulo “Administração Direta” possui sentido abrangente vindo a 
compreender todos os órgãos e agentes dos entes federados, tanto 
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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os que fazem parte do Poder Executivo, do Poder Legislativo ou do 
Poder Judiciário, que são os responsáveis por praticar a atividade 
administrativa de maneira centralizada.
Já a Administração Indireta, é equivalente às pessoas jurídicas 
criadas pelos entes federados, que possuem ligação com as 
Administrações Diretas, cujo fulcro é praticar a função administrativa 
de maneira descentralizada.
Tendo o Estado a convicção de que atividades podem ser 
exercidas de forma mais eficaz por entidade autônoma e com 
personalidade jurídica própria, o Estado transfere tais atribuições 
a particulares e, ainda pode criar outras pessoas jurídicas, de 
direito público ou de direito privado para esta finalidade. Optando 
pela segunda opção, as novas entidades passarão a compor a 
Administração Indireta do ente que as criou e, por possuírem 
como destino a execução especializado de certas atividades, são 
consideradas como sendo manifestação da descentralização por 
serviço, funcional ou técnica, de modo geral.
Desconcentração e Descentralização 
Consiste a desconcentraçãoadministrativa na distribuição 
interna de competências, na esfera da mesma pessoa jurídica. Assim 
sendo, na desconcentração administrativa, o trabalho é distribuído 
entre os órgãos que integram a mesma instituição, fato que ocorre 
de forma diferente na descentralização administrativa, que impõe 
a distribuição de competência para outra pessoa, física ou jurídica.
Ocorre a desconcentração administrativa tanto na administração 
direta como na administração indireta de todos os entes federativos 
do Estado. Pode-se citar a título de exemplo de desconcentração 
administrativa no âmbito da Administração Direta da União, os 
vários ministérios e a Casa Civil da Presidência da República; em 
âmbito estadual, o Ministério Público e as secretarias estaduais, 
dentre outros; no âmbito municipal, as secretarias municipais e 
as câmaras municipais; na administração indireta federal, as várias 
agências do Banco do Brasil que são sociedade de economia mista, 
ou do INSS com localização em todos os Estados da Federação.
Ocorre que a desconcentração enseja a existência de vários 
órgãos, sejam eles órgãos da Administração Direta ou das pessoas 
jurídicas da Administração Indireta, e devido ao fato desses órgãos 
estarem dispostos de forma interna, segundo uma relação de 
subordinação de hierarquia, entende-se que a desconcentração 
administrativa está diretamente relacionada ao princípio da 
hierarquia.
Registra-se que na descentralização administrativa, ao invés 
de executar suas atividades administrativas por si mesmo, o Estado 
transfere a execução dessas atividades para particulares e, ainda a 
outras pessoas jurídicas, de direito público ou privado. 
Explicita-se que, mesmo que o ente que se encontre distribuindo 
suas atribuições e detenha controle sobre as atividades ou serviços 
transferidos, não existe relação de hierarquia entre a pessoa que 
transfere e a que acolhe as atribuições.
Criação, extinção e capacidade processual dos órgãos públicos 
Os arts. 48, XI e 61, § 1º da CFB/1988 dispõem que a criação 
e a extinção de órgãos da administração pública dependem de lei 
de iniciativa privativa do chefe do Executivo a quem compete, de 
forma privada, e por meio de decreto, dispor sobre a organização 
e funcionamento desses órgãos públicos, quando não ensejar 
aumento de despesas nem criação ou extinção de órgãos públicos 
(art. 84, VI, b, CF/1988). Desta forma, para que haja a criação e 
extinção de órgãos, existe a necessidade de lei, no entanto, para 
dispor sobre a organização e o funcionamento, denota-se que 
poderá ser utilizado ato normativo inferior à lei, que se trata do 
decreto. Caso o Poder Executivo Federal desejar criar um Ministério 
a mais, o presidente da República deverá encaminhar projeto de 
lei ao Congresso Nacional. Porém, caso esse órgão seja criado, sua 
estruturação interna deverá ser feita por decreto. Na realidade, 
todos os regimentos internos dos ministérios são realizados por 
intermédio de decreto, pelo fato de tal ato se tratar de organização 
interna do órgão. Vejamos:
– Órgão: é criado por meio de lei.
– Organização Interna: pode ser feita por DECRETO, desde 
que não provoque aumento de despesas, bem como a criação ou a 
extinção de outros órgãos.
– Órgãos De Controle: Trata-se dos prepostos a fiscalizar e 
controlar a atividade de outros órgãos e agentes”. Exemplo: Tribunal 
de Contas da União.
Pessoas administrativas
Explicita-se que as entidades administrativas são a própria 
Administração Indireta, composta de forma taxativa pelas 
autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de 
economia mista.
De forma contrária às pessoas políticas, tais entidades, nao 
são reguladas pelo Direito Administrativo, não detendo poder 
político e encontram-se vinculadas à entidade política que as criou. 
Não existe hierarquia entre as entidades da Administração Pública 
indireta e os entes federativos que as criou. Ocorre, nesse sentido, 
uma vinculação administrativa em tais situações, de maneira que os 
entes federativos somente conseguem manter-se no controle se as 
entidades da Administração Indireta estiverem desempenhando as 
funções para as quais foram criadas de forma correta.
Pessoas políticas 
As pessoas políticas são os entes federativos previstos na 
Constituição Federal. São eles a União, os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios. Denota-se que tais pessoas ou entes, são regidos 
pelo Direito Constitucional, vindo a deter uma parcela do poder 
político. Por esse motivo, afirma-se que tais entes são autônomos, 
vindo a se organizar de forma particular para alcançar as finalidades 
avençadas na Constituição Federal.
Assim sendo, não se confunde autonomia com soberania, pois, 
ao passo que a autonomia consiste na possibilidade de cada um 
dos entes federativos organizar-se de forma interna, elaborando 
suas leis e exercendo as competências que a eles são determinadas 
pela Constituição Federal, a soberania nada mais é do que uma 
característica que se encontra presente somente no âmbito da 
República Federativa do Brasil, que é formada pelos referidos entes 
federativos.
Autarquias
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno, 
criadas por lei específica para a execução de atividades especiais e 
típicas da Administração Pública como um todo. Com as autarquias, 
a impressão que se tem, é a de que o Estado veio a descentralizar 
determinadas atividades para entidades eivadas de maior 
especialização.
As autarquias são especializadas em sua área de atuação, dando 
a ideia de que os serviços por elas prestados são feitos de forma 
mais eficaz e venham com isso, a atingir de maneira contundente a 
sua finalidade, que é o bem comum da coletividade como um todo. 
NOÇÕES DE DIREITO
7272
a solução para o seu concurso!
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Por esse motivo, aduz-se que as autarquias são um serviço público 
descentralizado. Assim, devido ao fato de prestarem esse serviço 
público especializado, as autarquias acabam por se assemelhar 
em tudo o que lhes é possível, ao entidade estatal a que estiverem 
servindo. Assim sendo, as autarquias se encontram sujeitas ao 
mesmo regime jurídico que o Estado. Nos dizeres de Hely Lopes 
Meirelles, as autarquias são uma “longa manus” do Estado, ou 
seja, são executoras de ordens determinadas pelo respectivo ente 
da Federação a que estão vinculadas.
As autarquias são criadas por lei específica, que de forma 
obrigacional deverá ser de iniciativa do Chefe do Poder Executivo 
do ente federativo a que estiver vinculada. Explicita-se também 
que a função administrativa, mesmo que esteja sendo exercida 
tipicamente pelo Poder Executivo, pode vir a ser desempenhada, 
em regime totalmente atípico pelos demais Poderes da República. 
Em tais situações, infere-se que é possível que sejam criadas 
autarquias no âmbito do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, 
oportunidade na qual a iniciativa para a lei destinada à sua criação, 
deverá, obrigatoriamente, segundo os parâmetros legais, ser feita 
pelo respectivo Poder.
— Empresas Públicas 
Sociedades de Economia Mista
São a parte da Administração Indireta mais voltada para o 
direito privado, sendo também chamadas pela maioria doutrinária 
de empresas estatais.
Tanto a empresas públicas, quanto as sociedades de economia 
mista, no que se refere à sua área de atuação, podem ser divididas 
entre prestadoras diversas de serviço público e plenamente 
atuantes na atividade econômica de modo geral. Assim sendo, 
obtemos dois tipos de empresas públicas e dois tipos de sociedades 
de economia mista.
Ressalta-se que ao passo que as empresas estatais exploradoras 
de atividade econômica estão sob a égide, no plano constitucional, 
pelo art. 173, sendo que a sua atividade se encontra regida pelo 
direito privado de maneira prioritária, as empresas estatais 
prestadoras de serviço público são reguladas, pelo mesmo diploma 
legal, pelo art. 175, de maneira que sua atividade é regida de forma 
exclusiva e prioritária pelo direito público.
– Observação importante:todas as empresas estatais, sejam 
prestadoras de serviços públicos ou exploradoras de atividade 
econômica, possuem personalidade jurídica de direito privado.
O que diferencia as empresas estatais exploradoras de atividade 
econômica das empresas estatais prestadoras de serviço público é 
a atividade que exercem. Assim, sendo ela prestadora de serviço 
público, a atividade desempenhada é regida pelo direito público, 
nos ditames do artigo 175 da Constituição Federal que determina 
que “incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente 
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de 
licitação, a prestação de serviços públicos.” Já se for exploradora 
de atividade econômica, como maneira de evitar que o princípio 
da livre concorrência reste-se prejudicado, as referidas atividades 
deverão ser reguladas pelo direito privado, nos ditames do artigo 
173 da Constituição Federal, que assim determina:
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, 
a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será 
permitida quando necessária aos imperativos da segurança 
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em 
lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da 
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem 
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de 
prestação de serviços, dispondo sobre: 
I – sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela 
sociedade; 
II – a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, 
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, 
trabalhistas e tributários;
III – licitação e contratação de obras, serviços, compras e 
alienações, observados os princípios da Administração Pública; 
IV – a constituição e o funcionamento dos conselhos de 
Administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários;
V – os mandatos, a avaliação de desempenho e a 
responsabilidade dos administradores
Vejamos em síntese, algumas características em comum das 
empresas públicas e das sociedades de economia mista:
– Devem realizar concurso público para admissão de seus 
empregados;
– Não estão alcançadas pela exigência de obedecer ao teto 
constitucional;
– Estão sujeitas ao controle efetuado pelos Tribunais de Contas, 
bem como ao controle do Poder Legislativo;
– Não estão sujeitas à falência;
– Devem obedecer às normas de licitação e contrato 
administrativo no que se refere às suas atividades-meio;
– Devem obedecer à vedação à acumulação de cargos prevista 
constitucionalmente;
– Não podem exigir aprovação prévia, por parte do Poder 
Legislativo, para nomeação ou exoneração de seus diretores.
Fundações e outras entidades privadas delegatárias 
Identifica-se no processo de criação das fundações privadas, 
duas características que se encontram presentes de forma 
contundente, sendo elas a doação patrimonial por parte de um 
instituidor e a impossibilidade de terem finalidade lucrativa.
 O Decreto 200/1967 e a Constituição Federal Brasileira de 
1988 conceituam Fundação Pública como sendo um ente de direito 
predominantemente de direito privado, sendo que a Constituição 
Federal dá à Fundação o mesmo tratamento oferecido às Sociedades 
de Economia Mista e às Empresas Públicas, que permite autorização 
da criação, por lei e não a criação direta por lei, como no caso das 
autarquias.
Entretanto, a doutrina majoritária e o STF aduzem que 
a Fundação Pública poderá ser criada de forma direta por meio 
de lei específica, adquirindo, desta forma, personalidade jurídica 
de direito público, vindo a criar uma Autarquia Fundacional ou 
Fundação Autárquica.
– Observação importante: a autarquia é definida como 
serviço personificado, ao passo que uma autarquia fundacional é 
conceituada como sendo um patrimônio de forma personificada 
destinado a uma finalidade específica de interesse social. 
Vejamos como o Código Civil determina:
Art. 41 - São pessoas jurídicas de direito público interno:(...)
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
NOÇÕES DE DIREITO
73
a solução para o seu concurso!
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No condizente à Constituição, denota-se que esta não faz 
distinção entre as Fundações de direito público ou de direito 
privado. O termo Fundação Pública é utilizado para diferenciar as 
fundações da iniciativa privada, sem que haja qualquer tipo de 
ligação com a Administração Pública.
No entanto, determinadas distinções poderão ser feitas, como 
por exemplo, a imunidade tributária recíproca que é destinada 
somente às entidades de direito público como um todo. Registra-se 
que o foro de ambas é na Justiça Federal.
 
— Delegação Social
Organizações sociais 
As organizações sociais são entidades privadas que recebem 
o atributo de Organização Social. Várias são as entidades criadas 
por particulares sob a forma de associação ou fundação que 
desempenham atividades de interesse público sem fins lucrativos. Ao 
passo que algumas existem e conseguem se manter sem nenhuma 
ligação com o Estado, existem outras que buscam se aproximar do 
Estado com o fito de receber verbas públicas ou bens públicos com 
o objetivo de continuarem a desempenhar sua atividade social. Nos 
parâmetros da Lei 9.637/1998, o Poder Executivo Federal poderá 
constituir como Organizações Sociais pessoas jurídicas de direito 
privado, que não sejam de fins lucrativos, cujas atividades sejam 
dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento 
tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à 
cultura e à saúde, atendidos os requisitos da lei. Ressalte-se que 
as entidades privadas que vierem a atuar nessas áreas poderão 
receber a qualificação de OSs.
Lembremos que a Lei 9.637/1998 teve como fulcro transferir os 
serviços que não são exclusivos do Estado para o setor privado, por 
intermédio da absorção de órgãos públicos, vindo a substituí-los por 
entidades privadas. Tal fenômeno é conhecido como publicização. 
Com a publicização, quando um órgão público é extinto, logo, outra 
entidade de direito privado o substitui no serviço anteriormente 
prestado. Denota-se que o vínculo com o poder público para que 
seja feita a qualificação da entidade como organização social é 
estabelecido com a celebração de contrato de gestão. Outrossim, 
as Organizações Sociais podem receber recursos orçamentários, 
utilização de bens públicos e servidores públicos.
Organizações da sociedade civil de interesse público 
São conceituadas como pessoas jurídicas de direito privado, sem 
fins lucrativos, nas quais os objetivos sociais e normas estatutárias 
devem obedecer aos requisitos determinados pelo art. 3º da Lei 
n. 9.790/1999. Denota-se que a qualificação é de competência do 
Ministério da Justiça e o seu âmbito de atuação é parecido com o da 
OS, entretanto, é mais amplo. 
Vejamos:
Art. 3º A qualificação instituída por esta Lei, observado em 
qualquer caso, o princípio da universalização dos serviços, no 
respectivo âmbito de atuação das Organizações, somente será 
conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, 
cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes 
finalidades:
I – promoção da assistência social; 
II – promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio 
histórico e artístico;
III – promoção gratuita da educação, observando-se a forma 
complementar de participação das organizações de que trata esta 
Lei;
IV – promoção gratuita da saúde, observando-se a forma 
complementar de participação das organizações de que trata esta 
Lei; 
V – promoção da segurança alimentar e nutricional; 
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente 
e promoção do desenvolvimento sustentável; VII – promoção do 
voluntariado;
 VIII – promoção do desenvolvimento econômico e social e 
combate à pobreza;
 IX – experimentação, não lucrativa, de novos modelos 
socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, 
emprego e crédito;X – promoção de direitos estabelecidos, construção de novos 
direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; 
XI – promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos 
humanos, da democracia e de outros valores universais; 
XII – estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias 
alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos 
técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas 
neste artigo. 
A lei das Oscips apresenta um rol de entidades que não podem 
receber a qualificação. Vejamos:
Art. 2º Não são passíveis de qualificação como Organizações 
da Sociedade Civil de Interesse Público, ainda que se dediquem de 
qualquer forma às atividades descritas no art. 3º desta Lei:
 I – as sociedades comerciais;
 II – os sindicatos, as associações de classe ou de representação 
de categoria profissional;
 III – as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação 
de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais;
 IV – as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas 
fundações; 
V – as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar 
bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; 
VI – as entidades e empresas que comercializam planos de 
saúde e assemelhados; 
VII – as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas 
mantenedoras;
VIII – as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não 
gratuito e suas mantenedoras; 
IX – as Organizações Sociais; 
X – as cooperativas;
Por fim, registre-se que o vínculo de união entre a entidade e o 
Estado é denominado termo de parceria e que para a qualificação de 
uma entidade como Oscip, é exigido que esta tenha sido constituída 
e se encontre em funcionamento regular há, pelo menos, três anos 
nos termos do art. 1º, com redação dada pela Lei n. 13.019/2014. O 
Tribunal de Contas da União tem entendido que o vínculo firmado 
pelo termo de parceria por órgãos ou entidades da Administração 
Pública com Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público 
não é demandante de processo de licitação. De acordo com o 
que preceitua o art. 23 do Decreto n. 3.100/1999, deverá haver a 
realização de concurso de projetos pelo órgão estatal interessado 
NOÇÕES DE DIREITO
7474
a solução para o seu concurso!
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em construir parceria com Oscips para que venha a obter bens e 
serviços para a realização de atividades, eventos, consultorias, 
cooperação técnica e assessoria.
Entidades de utilidade pública
O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado trouxe 
em seu bojo, dentre várias diretrizes, a publicização dos serviços 
estatais não exclusivos, ou seja, a transferência destes serviços para 
o setor público não estatal, o denominado Terceiro Setor.
Podemos incluir entre as entidades que compõem o Terceiro 
Setor, aquelas que são declaradas como sendo de utilidade pública, 
os serviços sociais autônomos, como SESI, SESC, SENAI, por exemplo, 
as organizações sociais (OS) e as organizações da sociedade civil de 
interesse público (OSCIP). 
É importante explicitar que o crescimento do terceiro setor 
está diretamente ligado à aplicação do princípio da subsidiariedade 
na esfera da Administração Pública. Por meio do princípio da 
subsidiariedade, cabe de forma primária aos indivíduos e às 
organizações civis o atendimento dos interesses individuais e 
coletivos. Assim sendo, o Estado atua apenas de forma subsidiária 
nas demandas que, devido à sua própria natureza e complexidade, 
não puderam ser atendidas de maneira primária pela sociedade. 
Dessa maneira, o limite de ação do Estado se encontraria na 
autossuficiência da sociedade.
Em relação ao Terceiro Setor, o Plano Diretor do Aparelho do 
Estado previa de forma explícita a publicização de serviços públicos 
estatais que não são exclusivos. A expressão publicização significa 
a transferência, do Estado para o Terceiro Setor, ou seja um setor 
público não estatal, da execução de serviços que não são exclusivos 
do Estado, vindo a estabelecer um sistema de parceria entre o 
Estado e a sociedade para o seu financiamento e controle, como um 
todo. Tal parceria foi posteriormente modernizada com as leis que 
instituíram as organizações sociais e as organizações da sociedade 
civil de interesse público. 
O termo publicização também é atribuído a um segundo sentido 
adotado por algumas correntes doutrinárias, que corresponde à 
transformação de entidades públicas em entidades privadas sem 
fins lucrativos.
No que condizente às características das entidades que 
compõem o Terceiro Setor, a ilustre Maria Sylvia Zanella Di Pietro 
entende que todas elas possuem os mesmos traços, sendo eles:
1. Não são criadas pelo Estado, ainda que algumas delas 
tenham sido autorizadas por lei;
2. Em regra, desempenham atividade privada de interesse 
público (serviços sociais não exclusivos do Estado);
3. Recebem algum tipo de incentivo do Poder Público;
4. Muitas possuem algum vínculo com o Poder Público e, 
por isso, são obrigadas a prestar contas dos recursos públicos à 
Administração
5. Pública e ao Tribunal de Contas;
6. Possuem regime jurídico de direito privado, porém derrogado 
parcialmente por normas direito público;
Assim, estas entidades integram o Terceiro Setor pelo fato 
de não se enquadrarem inteiramente como entidades privadas e 
também porque não integram a Administração Pública Direta ou 
Indireta.
Convém mencionar que, como as entidades do Terceiro Setor 
são constituídas sob a forma de pessoa jurídica de direito privado, 
seu regime jurídico, normalmente, via regra geral, é de direito 
privado. Acontece que pelo fato de estas gozarem normalmente 
de algum incentivo do setor público, também podem lhes ser 
aplicáveis algumas normas de direito público. Esse é o motivo pelo 
qual a conceituada professora afirma que o regime jurídico aplicado 
às entidades que integram o Terceiro Setor é de direito privado, 
podendo ser modificado de maneira parcial por normas de direito 
público.
AGENTES PÚBLICOS: PODERES, DEVERES E PRERROGA-
TIVAS; CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS; REGIME 
JURÍDICO ÚNICO (LEI Nº 8.112/1990 E SUAS ALTERAÇÕES): 
PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E 
SUBSTITUIÇÃO; DIREITOS E VANTAGENS; REGIME DISCI-
PLINAR; RESPONSABILIDADE CIVIL, CRIMINAL E ADMI-
NISTRATIVA
Conceito
A Constituição Federal Brasileira de 1988 trouxe em seu bojo, 
várias regras de organização do Estado brasileiro, dentre elas, as 
concernentes à Administração Pública e seus agentes como um 
todo.
A designação “agente público” tem sentido amplo e serve 
para conceituar qualquer pessoa física exercente de função 
pública, de forma remunerada ou gratuita, de natureza política ou 
administrativa, com investidura definitiva ou transitória.
Espécies (classificação)
Maria Sylvia Zanella Di Pietro, entende que quatro são as 
categorias de agentes públicos: agentes políticos, servidores 
públicos civis, militares e particulares em colaboração com o serviço 
público.
Vejamos cada classificação detalhadamente:
– Agentes políticos
Exercem atividades típicas de governo e possuem a incumbência 
de propor ou decidir as diretrizes políticas dos entes públicos. 
Nesse patamar estão inclusos os chefes do Poder Executivo federal, 
estadual e municipal e de seus auxiliares diretos, quais sejam, 
os Ministros e Secretários de Governo e os membros do Poder 
Legislativo como Senadores, Deputados e Vereadores.
De forma geral, os agentes políticos exercem mandato eletivo, 
com exceção dos Ministros e Secretários que são ocupantes de 
cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração.
Autores como Hely Lopes Meirelles, acabaram por enfatizar 
de forma ampla a categoria de agentes políticos, de forma a 
transparecer que os demais agentes que exercem, com alto grau de 
autonomia, categorias da soberania do Estado em decorrência de 
previsão constitucional, como é o caso dos membros do Ministério 
Público, da Magistratura e dos Tribunais de Contas.
– Servidores Públicos Civis
De forma geral, servidorpúblico são todas as pessoas físicas 
que prestadoras de serviços às entidades federativas ou as pessoas 
jurídicas da Administração Indireta em função da relação de 
trabalho que ocupam e com remuneração ou subsídio pagos pelos 
cofres públicos, vindo a compor o quadro funcional dessas pessoas 
jurídicas.
NOÇÕES DE DIREITO
75
a solução para o seu concurso!
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Depreende-se que alguns autores dividem os servidores públicos 
em civis e militares. Pelo fato de termos adotado a classificação 
aludida por Maria Sylvia Zanella Di Pietro, trataremos os servidores 
militares como sendo uma categoria à parte, designando-os apenas 
de militares, e, por conseguinte, usando a expressão servidores 
públicos para se referir somente aos servidores públicos civis.
De acordo com as regras e normas pelas quais são regidos, 
os servidores públicos civis podem ser subdivididos da seguinte 
maneira:
– Servidores estatutários: ocupam cargo público e são regidos 
pelo regime estatutário.
– Servidores ou empregados públicos: são os servidores 
contratados sob o regime da CLT e ocupantes de empregos públicos. 
– Servidores temporários: são os contratados por determinado 
período de tempo com o objetivo de atender à necessidade 
temporária de excepcional interesse público. Exercem funções 
públicas, mas não ocupam cargo ou emprego público. São regidos 
por regime jurídico especial e disciplinado em lei de cada unidade 
federativa.
– Servidores militares: antes do advento da EC 19/1998, os 
militares eram tratados como “servidores militares”. Militares são 
aqueles que prestam serviços às Forças Armadas como a Marinha, 
o Exército e a Aeronáutica, às Polícias Militares ou aos Corpos de 
Bombeiros Militares dos Estados, Distrito Federal e dos territórios, 
que estão sob vínculo jurídico estatutário e são remunerados pelos 
cofres públicos. Por estarem submetidos a um regime jurídico 
estatutário disciplinado em lei por lei, os militares estão submetidos 
à regras jurídicas diferentes das aplicadas aos servidores civis 
estatutários, justificando, desta forma, o enquadramento em uma 
categoria propícia de agentes públicos.
Destaca-se que a Constituição Federal assegurou aos militares 
alguns direitos sociais conferidos aos trabalhadores de forma geral, 
são eles: o 13º salário; o salário-família, férias anuais remuneradas 
com acréscimo ao menos um terço da remuneração normal; 
licença à gestante com a duração de 120 dias; licença paternidade 
e assistência gratuita aos filhos e demais dependentes desde o 
nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas. 
Ademais, os servidores militares estão submetidos por força 
da Constituição Federal a determinadas regras próprias dos 
servidores públicos civis, como por exemplo: teto remuneratório, 
irredutibilidade de vencimentos, dentre outras peculiaridades.
Embora haja tais assimilações, aos militares são aplicadas 
algumas vedações que constituem direito dos demais agentes 
públicos, como por exemplo, os casos da sindicalização, bem como 
da greve e, quando estiverem em serviço ativo, da filiação a partidos 
políticos.
— Cargo, Emprego e Função Pública
Para que haja melhor organização na Administração Pública, 
os servidores públicos são amparados e organizados a partir de 
quadros funcionais. Quadro funcional é o acoplado de cargos, 
empregos e funções públicas de um mesmo ente federado, de uma 
pessoa jurídica da Administração Indireta de ou de seus órgãos 
internos.
Cargo
O art. 3º do Estatuto dos Servidores Civis da União da Lei 
8.112/1990 conceitua cargo público como “o conjunto de atribuições 
e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem 
ser cometidas a um servidor”. Via de regra, podemos considerar 
o cargo como sendo uma posição na estrutura organizacional da 
Administração Pública a ser preenchido por um servidor público.
Em geral, os cargos públicos somente podem ser criados, 
transformados e extinguidos por força de lei.
Ao Poder Legislativo, caberá, mediante sanção do chefe do 
Poder Executivo, dispor sobre a criação, transformação e extinção 
de cargos, empregos e funções públicas.
Em se tratando de cargos do Poder Legislativo, a criação não 
depende de temos exatos de lei, mas, sim de uma norma que 
mesmo possuindo hierarquia de lei, não depende de sanção ou 
veto do chefe do Executivo. É o que chamamos de Resoluções, que 
são leis sem sanção.
A despeito da criação de cargos, vejamos:
a) Cargos do Poder Executivo: a iniciativa é privativa do chefe 
desse Poder (CF, art. 61, § 1º, II, “a”).
b) Cargos do Poder Judiciário: dos Tribunais de Contas e 
do Ministério Público a lei em questão, partirá de iniciativa dos 
respectivos Tribunais ou Procuradores-Gerais em se tratando da 
criação de cargos para o Ministério Público.
c) Cargos do Legislativo: os cargos serão criados, extintos ou 
transformados por atos normativos de âmbito interno desse Poder 
(Resoluções), sendo sua iniciativa da respectiva Mesa Diretora.
Embora sejam criados por lei, os cargos ou funções públicas, se 
estiverem vagos, podem ser extintos por intermédio de lei ou por 
decreto do chefe do Poder Executivo. No entanto, se o cargo estiver 
ocupado, só poderá ser extinto por lei.
Os cargos podem ser organizados em carreira ou isolados. 
Vejamos:
– Cargos organizados em carreira: são cargos cujos ocupantes 
podem percorrer várias classes ao longo da sua vida funcional, em 
razão do regime de progressão do servidor na carreira. 
– Cargos isolados: não permitem a progressão funcional de 
seus titulares.
Em relação às garantias e características especiais que lhe são 
conferidas, os cargos podem ser classificados em vitalícios, efetivos; 
e comissionados. Vejamos:
– Cargos vitalícios e cargos efetivos: oferecem garantia de 
permanência aos seus ocupantes. De forma geral, a nomeação 
para esses cargos é dependente de prévia aprovação em concurso 
público. 
– Cargos em comissão ou comissionados: de acordo com o 
art. 37, V, da CF, os cargos comissionados se destinam apenas às 
atribuições de direção, chefia e assessoramento. São ocupados 
de maneira temporária, em função da confiança depositada pela 
autoridade nomeante. A nomeação para esse tipo de cargo não 
depende de aprovação em concurso público, podendo a exoneração 
do seu ocupante pode ser feita a qualquer tempo, a critério da 
autoridade nomeante. 
Emprego
Os empregos públicos são entidades de atribuições com o fito 
de serem ocupadas por servidores regidos sob o regime da CLT, que 
também chamados de celetistas ou empregados públicos.
A diferença entre cargo e emprego público consiste no vínculo 
que liga o servidor ao Estado. Ressalta-se que o vínculo jurídico do 
empregado público é de natureza contratual, ao passo que o do 
servidor titular de cargo público é de natureza estatutária.
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
Editora
No âmbito das pessoas de Direito Público como a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como em suas 
autarquias e fundações públicas de direito público, levando em 
conta a restauração da redação originária do caput do art. 39 da 
CF/1988 (ADIn 2135 MC/DF), afirma-se que o regime a ser adotado 
é o estatutário. Entretanto, é plenamente possível a convivência 
entre o regime estatutário e o celetista relativo aos entes que, 
anteriormente à concessão da medida cautelar mencionada, 
tenham realizado contratações e admissões no regime de emprego 
público. No tocante às pessoas de Direito Privado da Administração 
Indireta como as empresas públicas, sociedades de economia mista 
e fundações públicas de direito privado, infere-se que somente é 
possível a existência de empregados públicos, nos termos legais.
Função Pública
Função pública também é uma espécie de ocupação de agente 
público. Denota-se que ao lado dos cargos e empregos públicos 
existem determinadas atribuições que também são exercidas 
por servidores públicos, mas no entanto, essas funções não 
compõem a lista de atribuições de determinadocargo ou emprego 
público, como por exemplo, das funções exercidas por servidores 
contratados temporariamente, em razão de excepcional interesse 
público, com base no art. 37, IX, da CFB/88.
Esse tipo de servidor ocupa funções temporárias, 
desempenhando suas funções sem titularizar cargo ou emprego 
público. Além disso, existem funções de chefia, direção e 
assessoramento para as quais o legislador não cria o cargo 
respectivo, já que serão exercidas com exclusividade por ocupantes 
de cargos efetivos, nos termos do art. 37, V, da CFB/88.
– Observação importante: nos parâmetros do art. 37, V da 
CFB/88, da mesma forma que previsto para os cargos em comissão, 
as funções de confiança destinam-se apenas às atribuições de 
direção, chefia e assessoramento.
Regimente Jurídico
 
– Provimento
Provimento é a forma de ocupação do cargo público pelo 
servidor. Além disso, é um ato administrativo por intermédio do 
qual ocorre o preenchimento de cargo, por conseguinte, atribuindo 
as funções a ele específicas e inerentes a uma determinada pessoa. 
Tanto a doutrina quanto a lei dividem as espécies de provimento de 
cargos públicos em dois grupos. São eles:
– Provimento originário: é ato administrativo que designa um 
cargo a servidor que antes não integrava o quadro de servidores 
daquele órgão, ou seja, o agente está iniciando a carreira pública.
O provimento originário é a única forma de nomeação 
reconhecida pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro, isso, é claro, 
ressalte-se, dependendo de prévia habilitação em concurso público 
de provas ou de provas e títulos, obedecidos, nos termos da lei, 
a ordem de classificação e o prazo de sua validade. Destaque-
se que o momento da nomeação configura discricionariedade 
do administrador, na qual devem ser respeitados os prazos do 
concurso público, nos moldes do art. 9° e seguintes da Lei 8112/90, 
devendo, por conseguinte, ainda ser feita uma análise a respeito 
dos requisitos para a ocupação do cargo.
Entretanto, uma vez realizada a nomeação do candidato, este 
ato não lhe atribui a qualidade de servidor público, mas apenas 
a garantia de ocupação do referido cargo. Para que se torne 
servidor público, o particular deverá assinar o termo de posse, se 
submetendo a todas as normas estatuárias da instituição. 
O provimento do cargo ocorre com a nomeação, mas a 
investidura no cargo acontece com a posse nos termos do art. 7°da 
Lei 8.112/90.
De acordo com a Lei Federal, o prazo máximo para a posse 
é de 30 (trinta) dias, contados a partir da publicação do ato de 
provimento, nos termos do art. 13, §1°, sendo que, desde haja a 
devida comprovação, a legislação admite que a posse ocorra por 
meio de procuração específica, conforme disposto no art. 13, §3° 
da lei 8.112/90.
Havendo a efetivação da posse dentro do prazo legal, o servidor 
público federal terá o prazo máximo de 15 (dias) dias para iniciar a 
exercer as funções do cargo, nos trâmites do art. 15, §1° do Estatuto 
dos Servidores Públicos da União, das Autarquias e das Fundações 
Públicas Federais, Lei 8112/90, sendo que não sendo respeitado 
este prazo, o agente poderá ser exonerado. Vejamos:
Art. 15. § 2º - O servidor será exonerado do cargo ou será 
tornado sem efeito o ato de sua designação para função de 
confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste 
artigo, observado o disposto no art. 18. (Redação dada pela Lei n. 
9.527, de 10.12.97).
Ademais, se o candidato for nomeado e não se apresentar para 
posse, no prazo de determinado por lei, não ocorrerá exoneração, 
tendo em vista ainda não havia sido investido na qualidade de 
servidor. Assim sendo, o ato de nomeação se torna sem efeito, vindo 
a ficar vago o cargo que havia sido ocupado pelo ato de nomeação.
– Provimento Derivado: o cargo público deverá ser entregue a 
um servidor que já tenha uma relação anterior com a Administração 
Pública e que se encontra exercendo funções na carreira em que 
pretende assumir o novo cargo. Denota-se que provimento derivado 
somente será possível de ser concretizado, se o agente provier 
de outros cargos na mesma carreira em que houve provimento 
originário anterior. Não pode haver provimento derivado em outra 
carreira.
 Nesses casos, deverá haver a realização de concurso público 
de provas ou de provas e títulos, para que se faça novo provimento 
originário. A permissão para que o agente ingresse em nova carreira 
por meio de provimento derivado violaria os princípios da isonomia 
e da impessoalidade, mediante os benefícios oferecidos de forma 
defesa. Nesse diapasão, vejamos o que estabelece a súmula 
vinculante nº 43 do Supremo Tribunal Federal
 
– Súmula 43 do STF: É inconstitucional toda modalidade 
de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia 
aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em 
cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Assim sendo, analisaremos as espécies de provimento derivado 
permitidas no ordenamento Jurídico Brasileiro e suas características 
específicas. Vejamos:
– Provimento derivado vertical: é a promoção na carreira 
ensejando a garantia de o servidor público ocupar cargos mais 
altos, na carreira de ingresso, de forma alternada por antiguidade 
e merecimento. Para que isso ocorra, é necessário que ele tenha 
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a solução para o seu concurso!
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ingressado, mediante aprovação em concurso público no serviço 
público, bem como mediante assunção de cargo escalonado em 
carreira. 
Denota-se que a escolha do servidor a progredir na carreira 
deve ser realiza por critérios de antiguidade e merecimento e de 
forma alternada por critérios de antiguidade e merecimento.
Destaque-se que, intermédio de promoção, não será possível 
assumir um cargo em outra carreira mais elevada. Como por 
exemplo, ao ser promovido do cargo de técnico do Tribunal para o 
cargo de analista do mesmo órgão. Isso não é possível, uma vez que 
tal situação significaria a possibilidade de mudança de carreira sem 
a realização de concurso público, o que ensejaria a ascensão que foi 
abolida pela Constituição Federal de 1988.
– Provimento derivado horizontal: trata-se da readaptação 
disposta no art. 24 da Lei 8112/90. É o aproveitamento do servidor 
em um novo cargo, em decorrência de uma limitação sofrida por 
este na capacidade física ou mental. Em ocorrendo esta hipótese, 
o agente deverá ser readaptado vindo a assumir um novo cargo, 
no qual as funções sejam compatíveis com as limitações que 
sofreu em sua capacidade laboral, dependendo a verificação desta 
limitação mediante a apresentação de laudo laboral expedido por 
junta médica oficial, que ateste demonstrando detalhadamente 
a impossibilidade de o agente se manter no exercício de suas 
atividades de trabalho.
Na fase de readaptação ficará garantida o recebimento de 
vencimentos, não podendo haver alteração do subsídio recebido 
pelo servidor em virtude da readaptação. 
– Observação importante: esta modalidade de provimento 
derivado independe da existência de cargo vago na carreira, 
porque ainda que este não exista, o servidor sempre terá direito 
de ser readaptado e poderá exercer suas funções no novo cargo 
como excedente. Caso não haja nenhum cargo na carreira, com 
funções compatíveis, o servidor poderá ser aposentado por 
invalidez. Para que haja readaptação, não há necessidade de a 
limitação ter ocorrido por causa do exercício do labor ou da função. 
A princípio, independentemente de culpa, o servidor tem direito a 
ser readaptado.
– Provimento derivado por reingresso: ocorre quando o 
servidor de alguma forma, deixou de atuar no labor das funções 
de cargo específico e retorna às suas atividades. Esse provimento 
pode ocorrer de quatro formas. São elas:
a) Reversão: nos termos do art. 25 da Lei 8.112/90, é o retorno 
do servidor público aposentado ao exercício do cargo público. A 
reversão pode ocorrer por meio da aposentadoria por invalidez, 
quando cessarem os motivos da invalidez. Neste caso, por meio de 
laudo médicooficial, o poder público toma conhecimento de que 
os motivos que ensejaram a aposentadoria do servidor se tornaram 
insubsistentes, do que resulta a obrigatoriedade de retorno do 
servidor ao cargo.
Também pode ocorrer a reversão do servidor aposentado 
de forma voluntária. Dessa maneira, atendidos os requisitos 
dispostos em lei, a legislação ordena que havendo interesse da 
Administração Pública, que o servidor tenha requerido a reversão, 
que a aposentadoria tenha sido de forma voluntária, que o agente 
público já tivesse, antes, adquirido estabilidade quando no exercício 
da atividade, que a aposentadoria tenha se dado nos cinco anos 
anteriores à solicitação e também que haja cargo vago, no momento 
da petição de reversão.
b) Reintegração: trata-se de provimento derivado que requer 
o retorno do servidor público estável ao cargo que ocupava 
anteriormente, em decorrência da anulação do ato de demissão.
Ocorre a reintegração quando tornada sem validade a 
demissão do servidor estável por decisão judicial ou administrativa, 
ponderando que o reintegrado terá o direito de ser indenizado por 
tudo que deixou de ganhar em consequência da demissão ilegal.
c) Recondução: conforme dispõe o art. 29, da lei 8.112/90, trata-
se a recondução do retorno do servidor ao cargo anteriormente 
ocupado por ele, podendo ocorrer em duas hipóteses:
– Inabilitação em estágio probatório relacionado a outro cargo: 
quando o servidor público retorna à carreira anterior na qual já 
havia adquirido estabilidade, evitando assim, sua exoneração do 
serviço público. 
– Reintegração do anterior ocupante: cuida-se de situação 
exposta, na situação prática apresentada anteriormente, através 
da qual, o servidor público ocupa cargo de outro servidor que é 
posteriormente reintegrado.
– Observação importante: A recondução não gera direito à 
percepção de indenização, em nenhuma das duas hipóteses. Assim, 
o servidor público retornará ao cargo de origem, percebendo a 
remuneração deste cargo.
d) Aproveitamento: é retorno do servidor público que se 
encontra em disponibilidade, para assumir cargo com funções 
compatíveis com as que anteriormente exercia, antes de ter extinto 
o cargo que antes ocupava.
Isso ocorre, por que a Carta Magna prevê que havendo a extinção 
ou declaração de desnecessidade de determinado cargo público, o 
servidor público estável ocupante do cargo não deverá ser demitido 
ou exonerado, mas sim ser removido para a disponibilidade. Nesses 
casos, o servidor deixará de exercer as funções de forma temporária, 
mantendo o vínculo com a administração pública. 
Destaque-se que não há prazo para o término da disponibilidade, 
porém, por lei, o servidor tem a garantia de que, surgindo novo 
cargo vago compatível com o que ocupava, seu aproveitamento 
será obrigatório.
– Observação importante: o aproveitamento é obrigatório 
tanto para o poder público quanto para o agente. Isso ocorre 
porque a Administração Pública não pode deixar de executar o 
aproveitamento para nomear novos candidatos, da mesma forma 
que o servidor não poderá optar por ficar em disponibilidade, vindo 
a recusar o aproveitamento. 
– Vacância
As situações de vacância são as hipóteses de desocupação do 
cargo público. Vacância é o termo utilizado para designar cargo 
público vago. É um fato administrativo que informa que o cargo 
público não está provido e poderá preenchido por novo agente. 
A lei dispõe sete hipóteses de vacância. São elas:
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a solução para o seu concurso!
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a) Aposentadoria: acontece quando mediante ato praticado 
pela Administração Pública, o servidor público passa para a 
inatividade. No Regime Próprio de Previdência do Servidor Público, 
a aposentadoria pode-se dar voluntariamente, compulsoriamente 
ou por invalidez, devendo ser aprovada pelo Tribunal de Contas 
para que tenha validade. A aposentadoria pode ocorrer pelas 
seguintes maneiras:
– Falecimento
Quando se tratar de fato administrativo alheio ao interesse 
do servidor ou da Administração Pública, torna inevitavelmente 
inviável a ocupação do cargo.
– Exoneração
Acontece sempre que o desfazimento do vínculo com o poder 
público ocorre por situação prevista em lei, sem penalidades, dando 
fim à relação jurídica funcional que havia tido início com a posse.
Ressalte-se que a exoneração pode ocorrer a pedido do 
servidor, situação na qual, por vontade do agente público, o vínculo 
se restará desfeito e o cargo vago. 
b) Demissão: será cabível todas as vezes em que o servidor 
cometer infração funcional, prevista em lei e será punível com a 
perda do cargo público. A demissão está disposta na lei 8.112/90 
em forma de sanção aplicada ao servidor que cometer.
Quaisquer das infrações dispostas no art. 132 que 
são configuradas como condutas consideradas graves. Em 
determinados casos, definidos pelo legislador, a demissão proporá 
de forma automática a indisponibilidade dos bens do servidor até 
que esse faça os devidos ressarcimentos ao erário. Em se tratando 
de situações mais extremas, o legislador vedará por completo a o 
retorno do servidor ao serviço público.
A penalidade deverá ser por meio de processo administrativo 
disciplinar no qual se observe o direito ao contraditório e a ampla 
defesa.
c) Readaptação: é a de investidura do servidor em cargo de 
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que 
tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, comprovada 
em inspeção minuciosamente realizada por junta médica oficial do 
órgão competente.
O servidor que for readaptado, assumindo o novo cargo desde 
que seja com funções compatíveis com sua nova situação, deverá 
retornar ao cargo anteriormente ocupado. Assim, a readaptação 
ensejará o provimento de um cargo e, por conseguinte, a vacância 
de outro, acopladas num só ato.
d) Promoção: ocorre no momento em que o servidor público, 
por antiguidade e merecimento, alternadamente, passa a assumir 
cargo mais elevado na carreira de ingresso. 
e) Posse em cargo inacumulável: todas as vezes que o servidor 
tomar posse em cargo ou emprego público de carreira nova, 
mediante aprovação em concurso público de provas ou de provas 
e títulos, de forma que o novo cargo não seja acumulável com o 
primeiro.
Ocorrendo isso, em decorrência da vedação estabelecida 
pela Carta Magna de acumulação de cargos e empregos públicos, 
será necessária a vacância do cargo anteriormente ocupado. Não 
fazendo o servidor a opção, após a concessão de prazo de dez dias, 
por conseguinte, o poder público poderá instaurar, nos termos da 
lei, processo administrativo sumário, pugnando na aplicação da 
penalidade de demissão do servidor.
– Efetividade
A efetividade não se confunde com a estabilidade. Ao passo 
que a estabilidade é a garantia constitucional disposta no art.14, 
que garante a permanência no serviço público outorgada ao 
servidor que, no ato de nomeação por concurso público para cargo 
de provimento efetivo, tenha transposto o período de estágio 
probatório e aprovado numa avaliação específica e especial de 
desempenho, a efetividade é a situação jurídica daquele servidor 
que ocupa cargo de provimento efetivo. 
Os cargos de provimento efetivo são aqueles que só podem ser 
titularizados por servidores estatutários. Sua nomeação depende 
explicitamente da aprovação em concurso público.
Ao ingressar no serviço público, o servidor ao ocupar cargo 
de provimento efetivo, já é considerado um servidor efetivo. 
Entretanto, o mencionado servidor efetivo só terá garantida sua 
permanência no serviço público, a estabilidade, depois de três anos 
de exercício, desde que seja aprovado no estágio probatório.
– Criação, transformação e extinção de cargos, empregos e 
funções
Via de regra, os cargos públicos apenas podem ser criados, 
transformados ou extintos por determinação de lei. Cabe ao Poder 
Legislativo, com o sancionamento do chefe do Poder Executivo, 
dispor sobre a criação, transformação e extinção de cargos, 
empregos e funções públicas.Em se tratandode cargos do Poder 
Legislativo, o processo de criação não depende apenas de lei, 
mas sim de uma norma que mesmo apesar de possuir a mesma 
hierarquia de lei, não está na dependência de deliberação executiva 
com sanção ou veto do chefe do Executivo. Referidas normas, em 
geral, são chamadas de Resoluções.
Denota-se que é a norma criadora do cargo a responsável pela 
denominação, as atribuições e a remuneração correspondentes aos 
cargos públicos, nos termos da lei.
Uma questão de suma relevância, é a iniciativa da lei que cria, 
extingue ou transforma cargos. A despeito da criação de cargos, 
vejamos:
– Cargos do Poder Executivo: a iniciativa é privativa do chefe 
desse Poder (CF, art. 61, § 1º, II, “a”).
– Cargos do Poder Judiciário: dos Tribunais de Contas e 
do Ministério Público a lei em questão, partirá de iniciativa dos 
respectivos Tribunais ou Procuradores-Gerais em se tratando da 
criação de cargos para o Ministério Público.
– Cargos do Legislativo: os cargos serão criados, extintos ou 
transformados por atos normativos de âmbito interno desse Poder 
(Resoluções), sendo sua iniciativa da respectiva Mesa Diretora.
Embora sejam criados por lei, os cargos ou funções públicas, se 
estiverem vagos, podem ser extintos por intermédio de lei ou por 
decreto do chefe do Poder Executivo. No entanto, se o cargo estiver 
ocupado, só poderá ser extinto por lei.
Os cargos podem ser organizados em carreira ou isolados. 
Vejamos:
– Cargos organizados em carreira: são cargos cujos ocupantes 
podem percorrer várias classes ao longo da sua vida funcional, em 
razão do regime de progressão do servidor na carreira. 
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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– Cargos isolados: não permitem a progressão funcional de 
seus titulares.
Em relação às garantias e características especiais que lhe são 
conferidas, os cargos podem ser classificados em vitalícios, efetivos; 
e comissionados. Vejamos:
– Cargos vitalícios e cargos efetivos: oferecem garantia de 
permanência aos seus ocupantes. De forma geral, a nomeação 
para esses cargos é dependente de prévia aprovação em concurso 
público. 
– Cargos em comissão ou comissionados: de acordo com o 
art. 37, V, da CF, os cargos comissionados se destinam apenas às 
atribuições de direção, chefia e assessoramento. São ocupados 
de maneira temporária, em função da confiança depositada pela 
autoridade nomeante. A nomeação para esse tipo de cargo não 
depende de aprovação em concurso público, podendo a exoneração 
do seu ocupante pode ser feita a qualquer tempo, a critério da 
autoridade nomeante. 
Ressalte-se que antes da EC 32/2001, os cargos e as funções 
públicas só podiam ser extintos por determinação de lei. Entretanto, 
a mencionada emenda constitucional alterou a redação do art. 84, 
VI, “b”, da CF, passando a legislar admitindo que o Presidente da 
República possa extinguir funções ou cargos públicos por meio de 
decreto, quando estes se encontrarem vagos.
O resultado disso, é que, ao aplicar o princípio da simetria, 
a consequência é que os Governadores e Prefeitos, se houver 
semelhante previsão nas respectivas Constituições Estaduais ou 
Leis Orgânicas, também podem extinguir por decreto funções ou 
cargos públicos vagos nos Estados, Distrito Federal e Municípios.
Assim sendo, em se restando vagos, os cargos ou funções 
públicas, embora sejam criados por lei, poderão ser extintos por lei 
ou por decreto do chefe do Poder Executivo. Entretanto, se o cargo 
estiver ocupado, só poderá ser extinto através de lei, uma vez que 
não se admite a edição de decreto com essa finalidade.
– Remuneração 
A Constituição Federal Brasileira aduz no art. 37, inciso X do art. 
37, a seguinte redação:
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que 
trata o § 4.º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados 
por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, 
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem 
distinção de índices;
Infere-se que a alteração mais importante trazida a esse 
dispositivo por meio da EC 19/1998, foi a exigência de lei específica 
para que seja fixada ou que haja alteração na remuneração em 
sentido amplo de todos os servidores públicos. Isso significa que 
cada alteração de remuneração de cargo público deverá ser feita 
através da edição de lei ordinária específica para tratar desse 
assunto. 
O termo “subsídio”, o qual o texto do inciso X do art. 3 
7 menciona, é um tipo de remuneração inserida em nosso 
ordenamento jurídico através da EC 19/1998, que é de medida 
obrigatória para alguns cargos e facultativa para outros. 
Nos parâmetros do § 4.º do art. 39 da Constituição Federal, o 
subsídio deverá ser “fixado em parcela única, vedado o acréscimo 
de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de 
representação ou outra espécie remuneratória”. No estudo desse 
paramento legal, depreende-se que o subsídio é uma espécie 
remuneração em sentido amplo.
Não obstante, a redação do inciso X do art. 3 7 não tenha 
usado o termo “vencimento”, convém anotar que este é usado com 
frequência para indicar a remuneração dos servidores estatutários 
que não percebem subsídio.
Nesse conceito, os “vencimentos”, também são considerados 
um tipo de remuneração em sentido amplo. São compostos pelo 
vencimento normal do cargo com o acréscimo das vantagens 
pecuniárias estabelecidas em lei. 
Portanto, o disposto no inciso X do art. 37 da CFB/88, ao 
determinar “a remuneração dos servidores públicos e o subsídio”, 
está, em síntese, acoplando as duas espécies remuneratórias, 
vencimentos e subsídios que os servidores públicos estatutários 
podem receber. 
Pondera-se que o termo “salário” não é alcançado pelo 
citado dispositivo, posto que este trata-se do nome usado para 
o pagamento ou quitação de serviços profissionais prestados em 
uma relação de emprego quando a mesma é sujeita ao regime 
trabalhista, que é controlado e direcionado pela Consolidação das 
Leis do Trabalho. Assim sendo, entende-se que os empregados 
públicos recebem salário.
Dependerá do cargo conforme o dispositivo de lei que o rege, 
para que a iniciativa privativa das leis que fixem ou alterem as 
remunerações e subsídios dos servidores públicos. De acordo com 
a Constituição, atinente às principais hipóteses de iniciativa de leis 
que tratem a respeito da remuneração de cargos públicos, podemos 
resumir das seguintes formas:
Cargo do Poder Executivo 
Federal
A iniciativa é privativa do 
Presidente da República 
(CFB, art. 61, § 1.º, II, “a”);
Cargos da Câmara dos 
Deputados
a iniciativa é privativa 
dessa Casa (CFB, art. 51, IV);
Cargos do Senado Federal a iniciativa é privativa dessa Casa (CF, art. 52, XIII);
Compete de forma privativa ao Supremo Tribunal Federal, aos 
Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder 
Legislativo a respectiva remuneração dos seus serviços auxiliares e 
dos juízos que lhes forem vinculados, e, ainda a fixação do subsídio 
de seus membros e dos Juízes, inclusive dos tribunais inferiores, 
onde houver (CF, art. 48, XV, e art. 96, II, ‘b ). 
Observe-se que a fixação do subsídio dos deputados federais, 
dos senadores, do Presidente e do Vice-Presidente da República e 
dos Ministros de Estado é da competência exclusiva do Congresso 
Nacional e não se encontra sujeita à sanção ou veto do Presidente 
da República. Nesse sentido específico, em virtude de previsão 
constitucional, a determinação dos aludidos subsídios não é 
realizada por meio de lei, mas sim por intermédio de Decreto 
Legislativo do Congresso Nacional.
Nesse sentido, em relação entendimento do Supremo Tribunal 
Federal, esse órgão entende que a concessão da revisão geral 
anual” a que se refere o inciso X do art. 37 da Constituição deve 
ser efetivada por intermédio de lei de iniciativa privativa do Poder 
Executivo de cada Federação. 
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a solução para o seu concurso!
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O inciso X do art. 37 da Constituição Federal em sua parte final, 
garantea” revisão geral anual” da remuneração e do subsídio dos 
“servidores públicos” sempre na mesma data e sem distinção de índices.
A Constituição da República em seu texto original, usava os 
termos “servidor público civil” e “servidor público militar”. No 
entanto, a partir da aprovação da EC 1811998, estas expressões 
deixaram de existir e o texto constitucional passou a se referir aos 
servidores civis, apenas como “servidores públicos” e aos servidores 
militares, apenas como “militares.
Também em seu texto original e primitivo, a Constituição 
Federal de 1988 determinava a obrigatoriedade do uso de índices 
de revisão de remuneração idênticos para servidores públicos civis 
e para servidores públicos militares (expressões usadas antes da EC 
18/1998). Acontece que no atual inciso X do art. 37, que resultou 
da EC 1911998, existe referência apenas a “servidores públicos”, 
o que leva a entender que o preceito nele contido não pode ser 
aplicado aos militares, uma vez que estes não se englobam mais 
como espécie do gênero “servidores públicos”.
A remuneração dos servidores públicos passa anualmente por 
período revisional. Esse ato também faz parte do contido na EC 
19/1998. 
O objetivo da revisão geral anual, ao menos, em tese, possui o 
fulcro de recompor o poder de compra da remuneração do servidor, 
devido a inflação que normalmente está em alta. Por não se tratar 
de aumento real da remuneração ou do subsídio, mas somente de 
um aumento nominal, por esse motivo, é denominado, às vezes, de 
“aumento impróprio”.
Esclarece-se que a revisão geral de remuneração e subsídio que 
o dispositivo constitucional em exame menciona, não é implantada 
mediante a reestruturação de algumas carreiras, posto que as 
reestruturações de carreiras não são anuais, nem, tampouco gerais, 
pois se limitam a cargos específicos, além de não manterem ligação 
com a perda de valor relativo da moeda nacional. Já a revisão geral, 
de forma adversa das reestruturações de carreiras, tem o condão 
de alcançar todos os servidores públicos estatutários de todos os 
Poderes da Federação em que esteja efetuando e deve ocorrer a 
cada ano.
Registre-se que a remuneração do servidor público é submetida 
aos valores mínimo e máximo.
Em relação ao valor mínimo, a Carta Magna predispõe aos 
servidores públicos a mesma garantia que é dada aos trabalhadores 
em geral, qual seja, a de que a remuneração recebida não pode ser 
inferior ao salário mínimo. No entanto, tal garantia se refere ao total 
da remuneração recebida, e não em relação ao vencimento-base. 
Sobre o assunto, o STF deixou regulamentado na Súmula Vinculante 
16.
Ressalta-se que a garantia da percepção do salário mínimo 
não foi assegurada pela Constituição Federal aos militares. Para o 
STF, a obrigação do Estado quanto aos militares está limitada ao 
fornecimento das condições materiais para a correta prestação 
do serviço militar obrigatório nas Forças Armadas. Para tanto, 
denota-se que os militares são enquadrados em um sistema que 
não se confunde com o que se aplica aos servidores civis, uma vez 
que estes têm direitos, garantias, prerrogativas e impedimentos 
próprios (RE 570177/MG).
Consolidando o entendimento, enfatiza-se que a Suprema 
Corte editou a Súmula Vinculante 6, por meio da qual afirma que 
“não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração 
inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço 
militar inicial”.
Referente ao limite máximo, foi estabelecido o teto 
remuneratório pelo art. 37, XI, da CF, com redação dada pela EC 
41/2003. Vejamos:
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, autárquica 
e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos 
detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os 
proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de 
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, 
em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-
se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados 
e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito 
do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais 
no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco 
centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, 
aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003).
O art. 37, § 11, da CFB/88 também regulamenta o assunto 
ao afirmar que estão submetidos ao teto a remuneração e o 
subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da 
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as 
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza. Referente às 
parcelas de caráter indenizatório, estas não serão computadas para 
efeito de cálculo do teto remuneratório.
Perceba que a regra do teto remuneratório também e 
plenamente aplicável às empresas públicas e às sociedades de 
economia mista, e suas subsidiárias, que percebem recursos da 
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para 
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (art. 
37, § 9º, da CF).No entanto, se essas entidades não vierem a 
receber recursos públicos para a quitação de despesas de custeio 
e de pessoal, seus empregados não estarão submetidos ao teto 
remuneratório previsto no art. 37, XI, da CF.
Nos trâmites desse dispositivo constitucional, resta-se 
existente um teto geral remuneratório que deve ser aplicado a 
todos os Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, 
sendo este, o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
Além disso, referente a esse teto geral, existem tetos específicos 
aplicáveis aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
Em se tratando da esfera estadual e distrital, denota-se que 
a remuneração dos servidores públicos não podem exceder o 
subsídio mensal dos Ministros do STF, bem como, ainda, não pode 
ultrapassar os limites a seguir:
– Na alçada do Poder Executivo: o subsídio do Governador;
– Na alçada do Poder Legislativo: o subsídio dos Deputados 
Estaduais e Distritais;
– Na alçada do Poder Judiciário: o subsídio dos 
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado este a 90,25% do 
subsídio dos Ministros do STF. Infere-se que esse limite também é 
NOÇÕES DE DIREITO
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a solução para o seu concurso!
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nos termos da Lei, aplicável aos membros do Ministério Público, 
aos Procuradores e aos Defensores Públicos, mesmo que estes não 
integrem o Poder Judiciário.
Em relação aos Estados e ao Distrito Federal, a Carta Magna, 
no art. 37, § 12 com redação incluída pela EC 47/2005, facultou a 
cada um desses entes fixar, em sua alçada, um limite remuneratório 
local único, sendo ele o subsídio mensal dos Desembargadores do 
respectivo Tribunal de Justiça que é limitado a 90,25% do subsídio 
dos Ministros do STF. Se os Estados ou Distrito Federal desejarem 
adotar o subteto único, deverão realizar tal tarefa por meio de 
emenda às respectivas Constituições estaduais ou, ainda, à Lei 
Orgânica do Distrito Federal. Entretanto, em consonância com a 
Constituição Federal, o limite local único não deve ser aplicado aos 
subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores.
Finalizando, em relação à esfera municipal, a remuneração 
dos agentes públicos não poder exceder o teto geral e também 
não pode exceder o subsídio do Prefeito

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