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CURSO INTENSIVO PARA RESIDÊNCIAS F I S I OT E R A P I A FISIOTERAPIA EM ONCOLOGIA PROFESSORAS Ana Paula Cardoso Batista Paes Leme Gabriela de Jesus dos Santos Graduada em Fisioterapia pela UCSAL, Especialista em Saúde da Mulher pelo CO- FFITO, Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior pela FACCEBA, Mestre em Família na Sociedade Contemporânea pela UCSAL, Professora de Fisioterapia em On- cologia e Fisioterapia em Dermatofuncio- nal da UCSAL e UNEB . Fisioterapeuta formada pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL); Pós Gradu- anda em Dermato Funcional pelo Instituto Universalis de Salvador; Experiência em Iniciação Científica (FAPESB), em Fisiote- rapia em Oncologia Pediátrica e em Der- mato Funcional. ORGANIZADORA Erika Pedreira da Fonseca Fisioterapeuta, Doutora em Medicina e Saúde Humana, Mestre em Tecnologias em Saúde, Especialista em Reabilitação Neu- rofuncional, Professora da UCSAL, atual- mente Supervisora do Núcleo de Fisiotera- pia da Editora Sanar. 2020 © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas, sem permissão expressa da Editora. Intensivo para residências em fisioterapia: oncologia Thalita Galeão Fabrício Sawczen Fabrício Sawczen Pedro Muxfeldt Caio Vinicius Menezes Nunes Paulo Costa Lima Sandra de Quadros Uzêda Silvio José Albergaria da Silva Título | Editor | Projeto gráfico e diagramação| Capa | Revisor Ortográfico | Conselho Editorial | Editora Sanar S.A R. Alceu Amoroso Lima, 172 - Salvador Office & Pool, 3ro Andar - Caminho das Árvores CEP 41820-770, Salvador - BA Tel.: 0800 337 6262 atendimento@sanar.com www.sanarsaude.com Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes CRB-8 8846 S237io Santos, Gabriela. Intensivo para residências em Fisioterapia: Oncologia / Gabriela Santos. - 1. ed. - Salvador, BA : Editora Sanar, 2020. 44 p.; il.. E-Book: PDF. Inclui bibliografia. ISBN 978-65-86246-62-9 1. Fisioterapia. 2. Medicina. 3. Oncologia. 4. Residências. I. Título. II. Assunto. III. Santos, Ga- briela. CDD 615.82 CDU 615.8 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Fisioterapia. 2. Fisioterapia. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA SANTOS, Gabriela. Intensivo para residências em Fisioterapia: Oncologia. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2020. EBook (PDF). ISBN 978-65-86246-42-1 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Amplitude articular do ombro. Figura 2. Disposição dos linfonodos. Figura 3. Sinal de Cacifo ou Godet - Avaliação do edema de acordo com a magnitude. Figura 4. Representação dos estágios de linfedema unilateral em membro superior Figura 5. Sinal de Stemmer Positivo em membro inferior Figura 6. Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton – ESAS Figura 7. Escala Funcional: Palliative Performance Scale - PPS LISTA DE QUADROS Quadro 1. Classificação do edema quanto a sua magnitude Quadro 2. Estágios do linfedema Quadro 3. Recomendações e orientações para pacientes com linfedema Quadro 4. Principais fatores etiológicos da dor oncológica Quadro 5. Relação grau de dependência do paciente e objetivos das condutas fisioterapêuticas SUMÁRIO Apresentação .................................................................................... 6 Câncer de Mama ............................................................................... 7 I. Introdução ....................................................................................... 7 II. Epidemiologia ................................................................................. 7 III. Principais fatores de risco ............................................................ 7 IV. Sintomatologia .............................................................................. 8 V. Formas diagnósticas ..................................................................... 8 VI. Tratamento cirúrgico .................................................................... 9 VII. Tratamentos complementares .................................................... 10 VIII. Complicações pós-câncer de mama ............................................. 12 IX. Fisioterapia no câncer de mama .................................................. 13 Linfedema ......................................................................................... 20 I. Introdução ....................................................................................... 20 II. Etiologia .......................................................................................... 22 III. Sinais e sintomas ........................................................................... 23 IV. Avaliação ......................................................................................... 23 V. Reabilitação funcional ................................................................... 26 VI. Orientações ..................................................................................... 27 Cuidados Paliativos ......................................................................... 30 I. Introdução ....................................................................................... 30 II. Sintomas mais frequentes ........................................................... 30 III. Dor .................................................................................................... 31 IV. Abordagem multidisciplinar ........................................................ 33 V. Papel do fisioterapeuta ................................................................. 35 Gabarito ............................................................................................. 42 Referências ....................................................................................... 43 Olá, futuro (a) residente! Seja bem-vindo à aula sobre Fisioterapia Oncológica. Essa aula abrange o entendimento sobre Câncer de Mama, Linfedema e Cuidados Paliativos. Essas temáticas compõem os conteúdos da Fisioterapia Oncológica mais prevalentes nas provas de residência. Aqui, você poderá reforçar o conhecimento sobre os pontos mais impor- tantes dessa área, a partir de uma leitura fácil e com dicas para você ga- baritar sua prova. No decorrer do texto, poderá testar seu aprendizado com questões de provas anteriores e assistir a pocket vídeos com aquele conteúdo que você não pode deixar de saber para realizar com excelência as provas da sua tão sonhada residência! Não esqueça de que, ao final do curso, você poderá revisar todo o con- teúdo dessa disciplina com uma videoaula, além de aulas com questões comentadas das provas anteriores, e simulados, para você colocar em prática tudo o que aprendeu. Vamos lá? APRESENTAÇÃO Clique no ícone para assistir a apresentação gravada. https://sanar.link/aula_fisio_6444 7Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia CÂNCER DE MAMA I - INTRODUÇÃO O câncer de mama é um grupo heterogêneo de doenças, com comporta- mentos distintos. A heterogeneidade deste câncer pode ser observada pelas variadas manifestações clínicas e morfológicas, divergentes assi- naturas genéticas e consequentes diferenças nas respostas terapêuti- cas. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma ductal infiltrante. II - EPIDEMIOLOGIA A epidemiologia do câncer de mama o caracteriza como o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Trata- -se da primeira causa de óbitos no mundo em mulheres e a quinta causa de óbitos por câncer em geral. A estimativa de novos casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é de 66.280 para o ano de 2020 e o númerode mortes em 2017, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), foi de 16.927, sendo 16.724 mulheres e 203 homens (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). III - PRINCIPAIS FATORES DE RISCO Dentre os fatores predisponentes ao câncer de mama, a idade é um dos mais importantes, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Os fatores ambientais e/ou comportamentais relacionados ao câncer de mama são a obesidade e sobrepeso após a menopausa, o se- dentarismo e a inatividade física, consumo regular de bebida alcoólica e a exposição frequente a radiações ionizantes. Os fatores endócrinos 8Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia são a menarca precoce ou inferior a 12 anos, menopausa tardia ou após os 55 anos, primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade, uso de contra- ceptivos hormonais e terapia de reposição hormonal pós-menopausa, principalmente se prolongada por mais de cinco anos. No que diz respeito aos fatores genéticos e hereditários correspondem a apenas 5% a 10% do total de casos da doença. São eles: história familiar de câncer de ovário, casos de câncer de mama em parentes de primeiro grau, principalmente antes dos 50 anos, história de câncer de mama fami- liar em homens, bem como alteração genética nos genes BRCA1 e BRCA2. São considerados fatores de proteção a prática de atividade física, ali- mentação saudável, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, amamentar o máximo de tempo possível e evitar o uso de hormônios sintéticos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). IV - SINTOMATOLOGIA A sintomatologia pode ser o aparecimento de nódulo, fixo, geralmente indolor, duro e irregular, entretanto há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama são edema cutâneo semelhante à “casca de laranja”, retração cutânea, algia, inversão do mamilo, hiperemia, descamação ou ulceração do mamilo; e secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea, além de linfonodos axilares ou cervicais palpáveis. V - FORMAS DIAGNÓSTICAS O diagnóstico deste tipo de tumoração é realizado através do autoexame sistemático das mamas, o qual, feito mensalmente, após o período mens- trual, facilitaria a detecção precoce do câncer de mama. A mamografia 9Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia é um excelente recurso diagnóstico e consiste em uma radiografia em duas incidências de cada uma das mamas. Este exame deve ser realizado, segundo o Ministério da Saúde, em todas as mulheres dos 50 aos 69 anos de idade, na tentativa de identificação precoce e aumento das taxas de sobrevida (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). A ultrassonografia mamária pode servir como complemento à mamografia, pois ajuda a diferenciar nódulos benignos de malignos. Esses dois recursos diagnósticos anteriores utilizam também categorias de análise e classifica- ção denominada de BI-RADS e é estratificada de zero a seis, onde zero é con- siderada avaliação incompleta e que necessita de exames adicionais e seis, malignidade conhecida, comprovada por biópsia. A ressonância nuclear magnética é recomendada para o rastreamento apenas em populações de alto risco e a biópsia aspirativa guiada por ultrassom realiza a análise ana- tomopatológica do tumor, estabelecendo a sua origem. Após a realização do diagnóstico será estabelecida a melhor forma de tratamento, que pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormo- nioterapia e terapia biológica. VI - TRATAMENTO CIRÚRGICO O tratamento do câncer de mama depende do tipo de tumor e da fase em que a doença se encontra ou estadiamento. Este é classificado em exten- são do tumor primário (T), categorizado em X, quando o tumor não pode ser avaliado, e 0 a 4, de inexistente à maior disseminação do tumor; au- sência ou presença e a extensão de metástases em linfonodos regionais (N), categorizado em X, quando os linfonodos não podem ser avaliados, e 0 a 3, quando linfonodos sem metástases a maior número de linfono- dos acometidos; e ausência ou presença de metástase à distância (M), categorizado em 0, quando não há disseminação encontrada, e 1, quando câncer disseminado a órgãos distantes. 10Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Quanto aos tipos de cirurgias disponíveis para o tratamento não con- servador do câncer de mama podem ser citadas: a quadrantectomia ou ressecção segmentar, que consiste em uma cirurgia conservadora pela retirada apenas do segmento mamário acometido. Este procedimento é preferível em tumores de até três centímetros e em mamas volumosas; a adenectomia consiste na retirada de todo o corpo glandular mamário e preservação na íntegra da pele, da aréola e do mamilo. Pode ser utilizada para tumores pré-infiltrativos ou pequenos tumores multicêntricos, em lesões a pelo menos 2 centímetros da aréola (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). A mastectomia consiste na retirada total da mama, com pele, aréola e mamilo, utilizada em tumores de tamanho superior a três centímetros, é do tipo radical modificada ou mioconservadora à Madden, a qual preser- va ambos os músculos peitorais. Atualmente, as técnicas cirúrgicas, além de mioconservadoras, se predispõem a preservar os linfonodos axilares, através da localização e retirada apenas do linfonodo sentinela, que con- siste naquele afetado, conservando os demais e, consequentemente, re- duzindo a ocorrência de complicação como o linfedema. VII - TRATAMENTOS COMPLEMENTARES Como tratamento coadjuvante ao cirúrgico existe a quimioterapia, a qual utiliza-se de drogas antiblásticas que interferem na duplicação, cresci- mento celular e geralmente garantem um aumento nas taxas de sobre- vida do paciente. Como efeitos colaterais estão as náuseas, vômitos, diarreias, ulcerações estomacais, queda de cabelo, dentre outros. Esses efeitos ocorrem devido à característica sistêmica da medicação, que afe- ta a via sanguínea, vários órgãos do corpo, além da região mamária. 11Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia A radioterapia trata-se de aplicação local de raios ionizantes em campo predeterminado, de acordo com a localização do tumor, por um período de 5 a 6 semanas, 5 dias por semana. Melhora o controle local do câncer de mama, porém não interfere nas taxas de sobrevida das pacientes mas- tectomizadas. Suas indicações são tumores maiores que cinco centíme- tros, quando realizada a ressecção segmentar e há ocorrência de mais do que quatro linfonodos acometidos. Possui efeitos colaterais locais, como queimaduras, aderências, pneumonites e ainda plexopatia braquial, lin- fedema. A hormonioterapia é uma forma de terapia sistêmica, que atinge as células cancerosas em qualquer parte do corpo, além da mama. Reali- zada através da administração oral de medicação, que bloqueia os recep- tores de estrogênio, geralmente durante cinco anos consecutivos à cirur- gia. Aumenta as taxas de sobrevida livre de doença e apresenta efeitos colaterais, como alterações do ciclo menstrual e aumento ponderal. A imunoterapia ou terapia biológica consiste na utilização do próprio sis- tema de defesa do corpo, no intuito de combater as células cancerígenas. Atualmente, esta terapia é um dos grandes focos do tratamento para o câncer e apresenta resultados promissores em sua utilização. 01. Os locais que receberam radioterapia recente apresentam alte- rações dérmicas, o que contraindica o uso de eletrotermoterapia. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. https://sanar.link/aula_fisio_6342 12Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia VIII - COMPLICAÇÕES PÓS-CÂNCER DE MAMA Muitas podem ser as complicações psicofísicas decorrentes da mastec- tomia, pois a mutilação da mama leva a problemas na autoestima, ima- gem corporal, distúrbiosna sexualidade e até depressão, bem como limitações físicas temporárias ou permanentes, as quais requerem inter- venção de uma equipe multidisciplinar que inclui o fisioterapeuta. Dentre as complicações físicas referidas pelas pacientes mastectomi- zadas estão a limitação da amplitude de movimento do ombro, em es- pecial abdução, flexão, extensão e rotação interna; sensação dolorosa em membro superior homolateral, parestesia na região do hemitórax anterossuperior e em membro superior ipsilateral; seromas, aderências cicatriciais, linfedema em membro superior do lado afetado, seromas e alterações posturais, além de complicações menos frequentes, devido às alterações na técnica cirúrgica, como escápula alada, além da probabili- dade de lesões dos nervos peitoral medial, peitoral lateral, toracodorsal, torácico longo e o intercostobraquial, sendo esse último o mais comum (COUCEIRO; MENEZES; VALÊNÇA, 2009). Figura 1 - Amplitude articular do ombro Fonte: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/16419/14/Apendice%20 10%20-%20Avalia%C3%A7%C3%A3o%20da%20amplitude%20articular.pdf 13Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia 02. O câncer de mama é a principal doença neoplásica que acomete as mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma, e requer um tratamento complexo, porém que tem se tornado bastante efe- tivo no controle e na cura da doença. Apesar disso, seu tratamento pode acarretar algumas sequelas. Marque a alternativa que não corresponde a sequelas do tratamento do câncer de mama. 🅐 Escápula alada e linfedema. 🅑 Parestesia contralateral à mama acometida e hipotrofia mus- cular. 🅒 Hiperestesia e limitação da amplitude de movimento no mem- bro ipsilateral. 🅓 Sensação de mama fantasma e deiscência de suturas. 🅔 Bloqueio do ombro ipsilateral à mama acometida. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. IX - FISIOTERAPIA NO CÂNCER DE MAMA São objetivos da fisioterapia a prevenção ou redução de complicações circulatórias, profilaxia do linfedema, prevenção e assistência a ade- rências, retrações cicatriciais, cicatrizes hipertróficas e queloidianas, manutenção da amplitude de movimento articular e da força muscular, prevenção e melhora de alterações posturais, redução de algias, preven- ção de complicações respiratórias. Portanto, quanto mais precocemente a intervenção fisioterapêutica for iniciada, menor é o risco dessas altera- ções se instalarem ou a ocorrência do agravamento das mesmas. https://sanar.link/aula_fisio_6342 14Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Antes de iniciar o tratamento propriamente dito faz-se necessária a ava- liação de aspectos físicos, como condição cicatricial, presença de dreno aspirativo, posturas antálgicas, avaliação da dor, parestesias, aspecto da pele, presença de edema e sua mensuração, amplitude de movimento através de goniometria. A intervenção precoce, ainda com o paciente internado, se dá através do posicionamento correto no leito, em postura ergonômica, para correção de posturas antálgicas e viciosas, e prioriza a drenagem do membro su- perior homolateral à elevação do mesmo em aproximadamente 45°. O es- tímulo à sedestação e a deambulação de forma ergonômica e precoce darão mais segurança e autoconfiança ao paciente. Os padrões ventilató- rios reexpansivos garantem a oxigenação e o recrutamento alveolar ade- quados e evitam acúmulo de secreção em vias aéreas. A analgesia pode ser conferida através do uso da eletroterapia, com a eletroneuroestimulação transcutânea (TENS) pericicatricial ou em região de dor referida. Promove o alívio da dor devido à liberação de endorfinas e aumento de opioides endógenos circulantes no líquido cerebroespi- nhal, além da crioterapia nos mesmos locais. A mobilização escapular e as manobras superficiais de massoterapia nesta região, além da cervical, podem tanto conferir analgesia e conforto ao paciente como liberação de tensão em tecidos circunvizinhos à cirurgia. A cicatriz cirúrgica pode ser manipulada precocemente, através de manobras de massoterapia super- ficial sem tensão do tecido cicatricial. Os exercícios linfomiocinéticos constituem-se de cinesioterapia para ex- tremidades do membro superior afetado, mão, punho e cotovelo, além de região cervical desde o pós-operatório imediato e que evolui para cinesio- terapia ativa do ombro até 90º de amplitude após a retirada dos pontos cirúrgicos para a intensificação da mesma com alongamentos gradativos 15Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia do membro ipsilateral, região cervical e escapular, bem como amplitude de movimento acima de 90º e emprego de resistência ao movimento. Po- de-se também optar na fase tardia pela hidrocinesioterapia, que, além dos benefícios dos princípios físicos da água na redução do edema, ganho de amplitude articular e força muscular, confere à paciente a sensação de bem-estar e relaxamento. Drenagem linfática manual (DLM) é uma manobra de massoterapia que deve ser adotada de forma precoce, no intuito de evitar estase linfoveno- sa e recrutamento de capilares linfáticos, principalmente quando houver ressecção cirúrgica de linfonodos axilares. A Linfoterapia ou Fisioterapia Complexa Descongestiva é a técnica considerada padrão ouro, utilizada quando o edema já encontra-se instalado e consiste na combinação de técnicas fisioterapêuticas, drenagem linfática manual, cuidados de hidra- tação da pele e proteção de proeminências ósseas com malha tubular de algodão, enfaixamento compressivo do membro superior, os exercícios linfomiocinéticos e a autodrenagem em domicílio, além da cinesioterapia (MARX & FIGUEIRA, 2017). ACERTE O ALVO! PACIENTES ONCOLÓGICOS PODEM USAR O TENS. A reconstrução da mama após realizada a mastectomia pode ser condu- zida de forma imediata, logo após a cirurgia ou tardiamente. Recomen- da-se que a forma imediata seja preferida para pacientes que não serão submetidas à radioterapia pós-operatória, pois há a possibilidade de al- teração do tecido cicatricial e do retalho cutâneo com esta intervenção. 16Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Existem duas técnicas de reconstrução mamária. A Transverse Rectus Abdominis Myocutaneous (TRAM), que utiliza o retalho músculo-cutâneo transverso do reto abdominal e a pele, gordura e músculo do abdome são transpostos por um túnel formado pelo descolamento de tecidos circun- vizinhos para o local onde estava a mama. Geralmente é preferida esta técnica quando a paciente apresenta excesso de tecido gorduroso abdo- minal. Quanto à segunda técnica, consiste na utilização do retalho de pele, gordura e o músculo grande dorsal, os quais serão transpostos para o local da mastectomia pela axila homolateral da paciente. Neste tipo de recons- trução utiliza-se, na grande maioria das vezes, uma prótese de silicone as- sociada, a fim de fazer volume adequado e proporcional à nova mama. Após a reconstrução mamária, a fisioterapia pode ser realizada desde o pós-operatório imediato. Dentre os recursos utilizados neste período está a eletroanalgesia peri-incisional. Tem como vantagens a redução da dor e, portanto, do uso de analgésicos, melhora na disposição do paciente para a realização das demais condutas e das suas atividades de vida diá- ria. A crioterapia também pode ser utilizada como forma de analgesia e, quando associada ao repouso relativo e a elevação incrementa a circula- ção sanguínea e linfática, mantém a amplitude de movimento e evita pos- turas viciosas. A drenagem linfática manual tem sido utilizada associada à elevação do membro superior homolateral. Pode-se utilizar também a liberação tecidual funcional, constituída por manobras tensas e manti- das, aplicadas ao tecido em cicatrização e que promovem uma organiza- ção dos feixes de colágeno. A intensidade do estiramento é proporcionalà resistência que o tecido oferece. A cinesioterapia ativa pode ser realizada precocemente, através do condi- cionamento muscular e alongamento, entretanto se faz necessária a limi- tação da amplitude de movimento a 90º de flexão e abdução até liberação médica, devido à necessidade de completa reestruturação cicatricial dos tecidos, comum em procedimentos cirúrgicos reparadores e em retalhos 17Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia cutâneos. A correção postural, quando necessária, opta pela Reeducação Postural Global (RPG); a orientação à atividade física é de extrema impor- tância para a manutenção do condicionamento físico e bem-estar da mulher pós-cirurgia plástica e pode-se sugerir a hidroginástica ou a hidroterapia, o treinamento funcional ou personalizado, bem como o Método Pilates. A abordagem fisioterapêutica no pós-operatório de mastectomias e re- construções mamárias se tornou uma rotina ao longo dos anos e se deve à divulgação dos recursos através de publicações científicas e eventos em oncologia (MARX & FIGUEIRA, 2017). 03. (Acerca dos comprometimentos e complicações associadas ao câncer de mama e ao tratamento dessas complicações, assinale a alternativa INCORRETA. 🅐 Para diminuição ou resolução do linfedema, podem ser orien- tados: a drenagem linfática manual, um programa de exercícios diários para redução do edema e o uso de vestes elásticas feitas sob medida, quando o linfedema estiver estabilizado. 🅑 Para prevenção de deformidades posturais, deve-se orientar exercícios posturais com ênfase nos exercícios de retração es- capular. 🅒 Exercícios de amplitude de movimento ativo-assistidos e ativos são contraindicados na fase inicial de pós-operatório de mastec- tomia, a fim de evitar tensionamentos nas incisões e suturas. 🅓 Para prevenir tensão na musculatura cervical, pode-se orientar massagem suave nessa musculatura, exercícios de amplitude de movimento ativos da coluna cervical e exercícios de levantar e rodar os ombros. 🅔 Uma vez cicatrizada a incisão, o autoalongamento do ombro pode ser recomendado. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. https://sanar.link/aula_fisio_6342 18Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia 04. A realização de exercícios com amplitude livre é permitida após o sexto dia de pós-operatório, pois permite uma recuperação satisfatória das limitações funcionais, sem o aumento de seroma ou deiscência. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. 05. A limitação da ADM é a complicação pós-cirúrgica que mais justifica o encaminhamento para o fisioterapeuta, principalmente naquelas mulheres que serão submetidas à radioterapia, pois a posição ideal para a irradiação é uma flexão combinada com uma rotação interna do ombro a 30°. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. 06. A eletroestimulação alivia a dor por causa da liberação de endorfinas, aumentando os números de opioides endógenos cir- culantes no líquido cerebroespinhal. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. https://sanar.link/aula_fisio_6342 https://sanar.link/aula_fisio_6342 https://sanar.link/aula_fisio_6343 19Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia ANOTAÇÕES Assista agora a Pocket Aula sobre esse assunto clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6345 20Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia LINFEDEMA I - INTRODUÇÃO Nosso corpo humano possui o sistema linfático, que é constituído por vias linfáticas, órgãos linfáticos (baço, timo, tonsilas e linfonodos) e te- cidos linfáticos responsáveis pela drenagem da linfa (líquido esbranqui- çado semelhante ao plasma sanguíneo) e na defesa do sistema imuno- lógico. Diferentemente do sistema circulatório, esse sistema não possui uma bomba central e a drenagem da linfa é dependente da ação muscular e de estímulos externos para ser potencializada (ZALPOUR, et al., 2005). Quando existe algum distúrbio no trajeto linfático, leva-se ao acúmulo de linfa local rica em proteína, no interior do tecido. E quando essa conges- tão é prolongada, há uma sobrecarga nos vasos linfáticos e formação do edema de consistência pastosa, que pode resultar no comprometimento funcional do membro, caracterizando o linfedema. Essa disfunção linfá- tica pode ser consequente a uma anomalia congênita ou hereditária ou causada por um trauma, infecção ou pelo próprio tratamento do câncer (KISNER & COLBY, 2016). 21Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Figura 2 - Disposição dos linfonodos Fonte: American Cancer Society Assista agora a Pocket Aula sobre esse assunto clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6344 22Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia II- ETIOLOGIA O linfedema pode ser classificado quanto a sua etiologia como primário e secundário. O linfedema primário é caracterizado por um desenvolvimento insuficiente ou má formação congênita do sistema linfático e subdividido em congênito (doença de Milroy), precoce (antes dos 35 anos de idade) e tardio (depois dos 35 anos de idade). Geralmente acomete mais as mulheres e em membros inferiores. Já o linfedema secundário é mais comum e ocorre de- vido a uma lesão nas estruturas linfáticas, que pode ser ocasionada por uma cirurgia, por uma inflamação ou infecção, obstrução ou fibrose (radioterapia associada) ou disfunção linfovenosa combinada. Geralmente aparece em casos de tratamento de câncer de mama (cerca de 21% das mulheres), cân- cer de pelve e câncer de abdômen (linfadenectomia). E, mesmo após todo o tratamento, pode ocorrer o seu desenvolvimento. 07. O linfedema é uma condição crônica e pode aparecer a qualquer momento após a dissecção axilar. Alguns fatores influenciam no aparecimento do linfedema, tais como extensão da abordagem cirúrgica axilar, infecções e radioterapia. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. https://sanar.link/aula_fisio_6343 23Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia III - SINAIS E SINTOMAS Dentre os principais sinais e sintomas presentes no linfedema podemos citar o próprio edema, que pode ser classificado de acordo com a altera- ção tecidual: depressível (quando a depressão persiste por vários segun- dos após removida a pressão), duro (sensação dura à palpação) ou gote- jante (extravasamento do líquido pelos cortes ou feridas. Condição mais grave e comum em membros inferiores); o aumento de diâmetro do mem- bro, que se dá quanto mais acumulado o líquido no tecido, favorecendo para riscos de ferimentos; alterações sensitivas (formigamento, cocei- ra ou dormência); sensação de peso no membro; rigidez e diminuição da amplitude de movimento, além da suscetibilidade para infecções, devido à demora no processo de cicatrização. IV - AVALIAÇÃO Durante a avaliação do linfedema é importante colher o histórico deta- lhado de infecção, cirurgia, trauma, radioterapia ou quimioterapia; exami- nar a integridade da pele, qual o tipo de edema, presença de ferida ou cicatrizes, coloração e aparência da pele; medir a circunferência do mem- bro, comparando com o outro não acometido (perimetria) ou através da volumetria (submergindo o membro) e realizar medidas de bioimpedân- cia para medir a relação do fluxo e o líquido. Quanto mais alta a resistência ao fluxo, mais líquido extracelular presente. 24Curso Intensivo para Residências| Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Figura 3 - Sinal de Cacifo ou Godet. Avaliação do edema de acordo com a magnitude. Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/695032154966698339/ Quadro 1 - Classificação do edema quanto a sua magnitude Cruzes Características +/++++ Leve depressão sem distorção do contorno, desaparece quase imediatamente. ++/++++ Depressão de até 4mm, desaparece em 15 segundos. +++/++++ Depressão de até 6mm, desaparece em 1 minuto. ++++/++++ Depressão de até 1cm, desaparece entre 2 e 5 minutos. Fonte: https://www.sanarmed.com/dica-de-semiologia-classificacao-do-edema IV.1 ESTÁGIOS DO LINFEDEMA O linfedema pode ser dividido em quatro estágios, como você pode ver no quadro a seguir (quadro 2) (KISNER & COLBY, 2016). É importante uma avaliação minuciosa para determinar a extensão do edema. https://www.pinterest.pt/pin/695032154966698339/ 25Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Quadro 2 - Estágios do linfedema Estágios Características Estágio 0 - latência Sem edema externamente; assintomático, mas pode relatar sensação de peso; o corpo ainda é capaz de acomodar a car- ga linfática. Estágio I - reversível O edema é depressível, que melhora com a elevação e não possui fibrose. Estágio II – não reverte esponta- neamente Presença de edema duro e rígido, fibrose, sinal de Stemmer positivo e riscos para infecções. Estágio III – elefantíase linfos- tática Aumento do volume do membro significativo, sinal de Stem- mer positivo, alterações da pele (hiperqueratose, papilomas, pregas cutâneas profundas), riscos para infecções bacteria- nas e fúngicas na pele e unhas. *Sinal de Stemmer positivo é quando for difícil ou impossível de realizar a prega cutânea no dorso da mão ou do pé. Fonte: KISNER & COLBY, 2016. Figura 4 - Representação dos estágios de linfedema unilateral em membro superior Fonte: http://fisiojunias.com.br/o-que-e-linfedema/ 26Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Figura 5 - Sinal de Stemmer Positivo em membro inferior Fonte: Kisner, 2009. V - REABILITAÇÃO FUNCIONAL Ao tratamento do linfedema deve existir uma associação do tratamento médico, medicamentoso, fisioterapêutico e autocuidado pelo paciente, cujo objetivo geral é melhorar a drenagem das áreas obstruídas, devol- vendo o líquido para as estruturas linfáticas, que será transportado para o sistema venoso. O fisioterapeuta vai atuar objetivando minimizar o linfedema ou retor- ná-lo para o estágio latente. O tratamento considerado padrão ouro é a Fisioterapia Descongestiva Completa ou Complexa ou Terapia Linfática Descongestiva. Essa técnica geralmente é dividida em 02 fases: Fase I, caracterizada pelo tratamento intensivo para reduzir o linfedema, envol- vendo as técnicas de drenagem linfática manual, bandagem compressi- va com múltiplas camadas, cuidados com a pele e unhas e exercícios. Já a Fase II consiste na manutenção, caracterizando um tratamento a longo prazo, diferenciando-se da Fase I, a com a realização de autodrenagem pelo paciente e a utilização da malha compressiva o dia todo. A associa- ção da malha compressiva com os exercícios torna o processo de reab- sorção e fluxo linfático mais eficiente. 27Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Os exercícios realizados para o tratamento envolvem os exercícios de respiração profunda, que geram mudanças nas pressões intra-abdominal e intratorácica, capazes de mover os líquidos para dentro dos vasos linfá- ticos, através do bombeamento circulatório; exercícios de relaxamento, visando reduzir a tensão muscular; exercícios de flexibilidade para mini- mizar a hipomobilidade tecidual ou articular; exercícios de fortalecimen- to para melhorar a resistência e forças dos músculos que favorecem a postura estática e reduzir a fadiga; e os exercícios de condicionamento cardiovascular, uma vez que aumentam a circulação e estimulam o fluxo linfático (MARX & FIGUEIRA, 2017). ACERTE O ALVO! O linfedema não tem cura. VI - ORIENTAÇÕES Há recomendação e orientação para controle e melhora do prognóstico do linfedema, no intuito de evitar lesões de descontinuidade na região aco- metida e do membro homolateral, a fim de evitar complicações, como você pode observar no quadro a seguir (quadro 3) 28Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Quadro 3 - Recomendações e orientações para pacientes com linfedema Evitar queimaduras e escoriações. Evitar excesso de peso no membro afetado. Evitar o uso de vestuário e acessórios (anel, relógio, pulseira) apertados. Evitar materiais e cosméticos que possam gerar processo alérgico. Evitar dormir por cima do membro afetado. Evitar temperaturas altas. Evitar injeções, vacinas e acessos venosos no membro afetado. Não raspar ou depilar a região. Optar pelo barbeador elétrico. Optar por sutiãs de alças largas e com boa sustentação, no caso de mastectomia. Fonte: KISNER & COLBY, 2016. 29 ANOTAÇÕES 30Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia CUIDADOS PALIATIVOS I - INTRODUÇÃO A definição de Cuidados Paliativos foi revisada em 2002 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que ame- acem a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual” (ANCP, 2012). Os cuidados paliativos são iniciados no momento do diagnóstico, quando a doença encontra-se num estágio em que a possibilidade de cura é ques- tionável ou quando todas as alternativas de tratamento foram tentadas sem sucesso e a doença evolui. II - SINTOMAS MAIS FREQUENTES Avaliar os sintomas do paciente em cuidados paliativos é tão importan- te quanto avaliar a sua funcionalidade. Geralmente é realizada através de escalas, e uma das mais utilizadas é a Escala Edmonton Symptom Asses- ment System (ESAS) (figura 6) (ANCP, 2012), um questionário com nove sintomas já determinados e um décimo, caracterizado como outro proble- ma. As alternativas de resposta são baseadas na Escala Visual Analógica (EAV). O paciente deve ser livre para escolher qual o nível de intensidade apresenta em cada sintoma, que varia de zero a dez. Caso não esteja apto para responder, o questionário poderá ser respondido pelo cuidador, no entanto, os sintomas subjetivos serão descartados. Essa avaliação pode ser utilizada diariamente, de forma sistêmica, e servir também como guia para tomadas de decisões. 31Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Dentre os sintomas mais frequentes nos pacientes oncológicos pode- mos citar: dor, fadiga, falta de apetite, náuseas e vômitos, constipação intestinal, diarreia, aumento do volume abdominal e sangramento. Figura 6 - Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton - ESAS Fonte: Manual de cuidados paliativos ANCP, 2012. III - DOR Um dos principais objetivos da intervenção fisioterapêutica em pacien- tes em cuidados paliativos é promover o alívio dos sintomas, e a dor é um dos mais complexos. A dor é um fenômeno subjetivo, multifatorial e com difícil avaliação, que geralmente traz consigo insônia, medo, confinamen- to ao leito, isolamento social, comprometendo a rotina diária do paciente. 32Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia III.1 ETIOLOGIA DA DOR ONCOLÓGICA O paciente oncológico pode apresentar a dor por diferentes etiologias, como demonstrado no quadro a seguir (quadro 4). Identificar a causa e o tipo de dor faz parte do processo de escolha do melhor tratamento para o paciente. Quadro 4 - Principais fatores etiológicos da dor oncológica Ao próprio câncer (46% - 92%) À situação de doença (12% - 29%) É a mais comum e pode ser proveniente à invasão tumoral; extensão direta às partesmoles; aumento da pressão intra- craniana. Proveniente de espasmos musculares; de linfedema; de escaras de decúbito; de constipação intestinal; de síndrome compartimental, entre outras. Ao tratamento (5% - 20%) Às desordens concomitantes (8% -22%) Pós-operatória (dor aguda) Pós-quimioterapia Pós-radioterapia Osteoartrite; espondiloartrose; sepse; fraturas patológicas; amputações, entre outras. Fonte: VIEIRA et al., 2012. III.2 CLASSIFICAÇÃO DA DOR A classificação da dor pode ser baseada no seu mecanismo fisiopatológi- co e nas características individuais. Dentre as principais temos: Dor nociceptiva: compreendida pela dor somática e visceral, que ocorre diretamente pela estimulação química ou física de terminações nervosas. É a mais comum e geralmente está associada aos sintomas de náuseas e vômitos. Dor neuropática: caracterizada como uma dor difusa, com sensação de queimação, dormência ou dor lancinante. 33Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Dor simpaticomimética: geralmente provoca irradiação arterial e neces- sita de um diagnóstico diferencial através do bloqueio anestésico Dor aguda: possui início súbito e está relacionada com trauma, infecção ou inflamação. Responde rápido às intervenções e geralmente não é re- corrente. Dor crônica: caracterizada pela persistência do quadro, de forma contínua ou recorrente. Não é bem delimitada quanto ao tempo e espaço e pode ou não apresentar alterações comportamentais e/ou emocionais. IV - ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR Já comentamos que a dor é um fenômeno subjetivo, complexo e de difícil avaliação. Por esses e outros motivos, a abordagem ao paciente oncoló- gico requer uma equipe multidisciplinar e interdisciplinar adequada- mente treinada, composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, capelães e voluntários competentes e com habilidades no processo de cuidar. A atuação da equipe nos cuidados paliativos deve ser baseada em nove princípios, são eles (ANCP, 2012): 34Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia 1. Promover o alívio da dor e outros sintomas desagradáveis. 2. Afirmar a vida e considerar a morte como um processo normal da vida. 3. Não acelerar nem adiar a morte. 4. Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente. 5. Oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão ativamente quanto possí- vel, até o momento da sua morte. 6. Oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e a en- frentar o luto. 7. Abordagem multiprofissional para focar nas necessidades dos pacientes e seus familiares, incluindo acompanhamento no luto. 8. Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença. 9. Deve ser iniciado o mais precocemente possível, juntamente com outras medidas de prolonga- mento da vida, como a quimioterapia e a radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreender e controlar situações clínicas estressantes. Cada profissional vai abordar o sofrimento baseado em seus conheci- mentos, experiências e capacidades, mas com o objetivo final de garantir as necessidades específicas dos pacientes, dos familiares e da equipe responsável. ACERTE O ALVO! A atuação da equipe multidisciplinar é baseada em prin- cípios, não em protocolos. A assistência multidisciplinar em cuidados paliativos pode ser realizada em duas modalidades: hospitalar e ambulatorial. A assistência hospita- lar consiste em uma unidade de saúde de média complexidade, capaz de dar respostas rápidas às necessidades mais complexas dos pacientes. 35Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Possui como vantagens a disponibilidade 24h dos profissionais de saúde, como também de medicamentos, além da logística adaptada ao ambien- te, entre outras. No entanto, apresenta como desvantagens o número de acompanhantes e horário para visitação restritos, contato indireto ou di- reto com pacientes de diferentes patologias ou fases do tratamento, além da sensação de isolamento por estarem alojados em uma ala exclusiva. Já a assistência ambulatorial é baseada em consultas com um especialista, cujo principal objetivo é proporcionar ao paciente um excelente contro- le de sintomas da doença e abordagem emocional, que podem contribuir para a melhora da qualidade de vida, uma vez que possui como benefício a possibilidade de acompanhamento precoce. Nesse modelo assistencial é necessário um diagnóstico e plano terapêutico definidos, que o paciente tenha uma moradia com condições básicas para higiene (luz e água enca- nada), ter um cuidador responsável, ser capaz de compreender as orien- tações da equipe multidisciplinar, além do desejo ou permissão expressa para permanecer em domicílio. Vale lembrar que a assistência também deve ser realizada após o óbito do paciente. É importante que os profissionais de saúde envolvidos auxiliem os familiares e cuidadores, através de visitas em domicílios e consultas, ligações ou grupos de apoio, de modo que ajude a todos no processo de luto. V - PAPEL DO FISIOTERAPEUTA O fisioterapeuta é um dos principais profissionais que trabalha direta- mente com pacientes oncológicos, seja na fase de reabilitação como na fase paliativa da doença, proporcionando melhor bem-estar, melhora fun- cional, como também qualidade de vida. Através da avaliação funcional, o profissional é capaz de estabelecer um programa de tratamento mais adequado, com técnicas e recursos específicos, além de estipular o prog- 36Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia nóstico e diagnóstico da doença que ameaça a vida. Geralmente é utiliza- da a escala de Karnofsky adaptada, “Palliative Performance Scale” - PPS (Figura 7) (ANCP, 2012). Essa escala possui 11 níveis de “performance” de 0 a 100, divididos em intervalos de 10 (ex.: 10 - 20 - 30…), onde 100 significa máxima atividade funcional e 0, morte. Para qualquer classificação é ne- cessário um gerenciamento intensivo dos sintomas e das demandas apre- sentadas pelo paciente e sua família. E, assim como a escala de sintomas (ESAS), pode ser utilizada diariamente, em todas as consultas e visitas. Figura 7 - Escala Funcional: Palliative Performance Scale - PPS Fonte: ANCP, 2012. 37Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Após avaliado os sintomas e a funcionalidade, o fisioterapeuta vai clas- sificar o grau de dependência e a progressão do paciente para traçar o programa de tratamento mais adequado. Observe na seguir (quadro 5). Quadro 5 - Relação grau de dependência do paciente e objetivos das condutas fisioterapêuticas Pacientes totalmente de- pendentes Manter amplitude de movimento; posicionamento confortável; favorecer a respiração e outras funções fisiológicas; facilitar a higienização; evitar escaras, edema em membros e dor. Pacientes dependentes, porém com capacidade de deambulação Manutenção de sua capacidade de locomoção, autocuidado e funcionalidade. Pacientes independentes, porém vulneráveis Manutenção ou melhora de sua capacidade funcional. Fonte: Manual de cuidados paliativos ANCP, 2012. Dentre as técnicas mais utilizadas por esses profissionais no controle da dor oncológica temos a própria terapia manual, a eletroestimulação (TENS), o Biofeedback, a termoterapia (quente e frio), a cinesioterapia, exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento. A massoterapia também é eficaz para reduzir o quadro álgico, o estresse e os níveis de ansiedade, e melhorar o relaxamento muscular, além da relação terapeu- ta-paciente. Vale lembrar que a escolha do melhor recurso vai depender de uma avaliação bem-feita. O fisioterapeuta deve elaborar um plano de assistência que seja capaz de ajudar o paciente a ser o mais ativopossível e, consequentemente, facili- tar a adaptação do paciente ao desgaste físico progressivo e suas impli- cações emocionais, sociais e espirituais até o seu óbito. Logo, a aborda- gem vai muito além das consequências físicas da doença. 38Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia Assista agora a Pocket Aula sobre esse assunto clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6446 39Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia 08. Os locais que receberam radioterapia recente apresentam al- terações dérmicas, o que contraindica o uso de eletrotermoterapia. ] ̣ Certo ] ̣ Errado Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. 09. A ideia de reabilitação nos cuidados do paciente ao final de vida parece ser complexa e envolve forças contraditórias. Nesse contexto, sobre reabilitação e cuidados paliativos, assinale a al- ternativa INCORRETA. 🅐 É por meio das práticas de reabilitação nos cuidados paliativos que o paciente poderá resgatar esperança, dignidade e qualidade de vida. 🅑 Um dos grandes desafios da reabilitação na fase paliativa é encontrar o sujeito que habita um corpo físico que se esvai. 🅒 A fisioterapia na fase paliativa lida com questões como senti- mento de impotência e inutilidade, perda de esperança e depen- dência do outro. 🅓 A reabilitação na fase paliativa está focada, fundamentalmente, nas consequências físicas da doença, sem necessariamente capa- citar o paciente a se sentir uma pessoa querida e respeitada, útil e criativa na fase final de sua vida. 🅔 A fisioterapia nos cuidados paliativos tem como objetivo habili- tar o paciente a ter algum controle da situação, intervir em sequelas e lutar contra a desesperança e a impotência. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. https://sanar.link/aula_fisio_6343 https://sanar.link/aula_fisio_6343 40Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia 10. O fisioterapeuta, a partir de uma avaliação específica, vai esta- belecer um programa de tratamento adequado, com a utilização de recursos, técnicas e exercícios, objetivando, por meio de abordagem multiprofissional e interdisciplinar, o alívio de sintomas estres- santes. Sobre a atuação fisioterapêutica nos Cuidados Paliativos, assinale a alternativa INCORRETA. 🅐 Exercícios de controle respiratório e orientações sobre gasto energético, diminuindo a demanda metabólica, podem ser meios fisioterapêuticos utilizados para o manejo da dispneia. 🅑 A crioterapia pode ser utilizada em disfunções musculoesque- léticas, traumáticas, inflamatórias, incluindo processos agudos. 🅒 A massagem é uma técnica terapêutica complementar que inibe os receptores sensoriais, produzindo sensação de prazer, relaxamento muscular e alívio da dor. 🅓 Pacientes independentes, porém, vulneráveis, podem ser en- caminhados para centros de reabilitação e ambulatórios de fisio- terapia. 🅔 Em alguns casos, é necessário realizar a aspiração da secreção através de sonda. A realização da aspiração não deve ser sistemá- tica, e sim baseada na necessidade individual. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Caso prefira, clique aqui e acesse ao comentário completo da questão. Finalizamos neste momento a nossa aula teórica sobre Fisioterapia em Oncologia, sobre os itens Câncer de Mama, Linfedema e Cuidados Palia- tivos. Aqui estão os tópicos desta disciplina mais cobrados nas provas de residência. Sugerimos que, após o primeiro momento de estudo, você se organize e faça diagramas e sínteses para ajudar na fixação do conteúdo abordado. https://sanar.link/aula_fisio_6343 41 ANOTAÇÕES 42Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Fisioterapia em Oncologia E atenção! Ainda temos disponíveis a seguir os gabaritos das questões apresentadas ao longo desta aula, além de dois vídeos com os respecti- vos comentários e dicas. Você ainda contará com flashcards na área de estudo para revisão dos conteúdos. Você encontrará na sua área de estudo aula-dica de toda a matéria, bem como mais videoaulas das questões comentadas, as quais podem e de- vem ser consultadas ao longo do seu estudo. Agora é só determinação, estudo, persistência e SUCESSO! Questões Comentadas (1-5) Questões Comentadas (6-10) GABARITO: 01 CERTO 02 B 03 C 04 ERRADO 05 ERRADO 06 CERTO 07 CERTO 08 CERTO 09 D 10 C https://sanar.link/aula_fisio_6342 https://sanar.link/aula_fisio_6343 43Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia REFERÊNCIAS 1. ACADEMIA NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS (ANPC). Manual de Cuidados Paliativos. 2. ed. 2012. 2. COUCEIRO, Tania Cursino de Menezes; MENEZES, Telma Cursino; VALÊNÇA, Marcelo Moraes. Síndrome Dolorosa Pós-Mastectomia. A Magnitude do Problema*. Revista Brasileira de Anestesiologia. v. 59, n. 3, 2009. 3. KISNER, Carolyn; COLBY, Lynn Allen. Exercícios Terapêuticos: Funda- mentos e Técnicas. 6. ed. São Paulo: Manole, 2016. 4. MARX, Angela; FIGUEIRA, Patrícia. Fisioterapia no Câncer de Mama. São Paulo: Manole, 2017. 488p. 5. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alen- car Gomes da Silva (INCA). ABC do Câncer: Abordagem Básica para o Controle do Câncer. 5. ed. Rio de Janeiro, 2019. 6. UNTURA, Lindsay; VIEIRA, Renata. E-book Cinesioterapia no câncer de mama. 2018, 44p. 7. VIEIRA, Sabas Carlos et al. Oncologia Básica. Fundação Quixote, 2012. 324p. 8. ZALPOUR, Christoff et al. Anatomia e fisiologia para fisioterapeu- tas. Livraria Santos Editora, 2005. 630p. © 2020 - Todos os Direitos Reservados - R. Alceu Amoroso Lima, 172 - Salvador Office & Pool, 3º andar - Caminho das Árvores, CEP 41820-770, Salvador - BA - Brasil. Tel.: 0800 337 6262 Editora Sanar LTDA - ME. CNPJ: 18.990.682/0001-92 APRESENTAÇÃO Câncer de Mama I - Introdução II - Epidemiologia III - Principais fatores de risco IV - Sintomatologia V - Formas diagnósticas VI - Tratamento cirúrgico VII - Tratamentos complementares VIII - Complicações pós-câncer de mama IX - Fisioterapia no câncer de mama Cuidados Paliativos I - Introdução II - Sintomas mais frequentes III - dor IV - Abordagem multidisciplinar V - Papel do fisioterapeuta Linfedema I - Introdução II- Etiologia III - Sinais e sintomas IV - Avaliação V - REABILITAÇÃO FUNCIONAL VI - ORIENTAÇÕES GABARITO: REFERÊNCIAS