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Prévia do material em texto

na Atenção Primária 
à Saúde e sua inserção 
nos instrumentos de 
planejamento e de 
gestão do SUS
BRASÍLIA - DF 
2023
Versão preliminar
MINISTÉRIO DA SAÚDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
DA
BRASÍLIA - DF 
2023
Versão preliminar
MINISTÉRIO DA SAÚDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
2023 Ministério da Saúde.
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença CreativeCommons – Atribuição – Não Comercial – 
Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total 
desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessa-
da, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br.
Tiragem: 1ª edição – 2023 – versão eletrônica
Elaboração, distribuição e informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Primária à Saúde
Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde 
Esplanada dos Ministérios, Edifício Anexo, 
Bloco B, 4º andar. 
CEP: 70058-900 - Brasília / DF
Site: aps.saude.gov.br
E-mail: deppros@saude.gov.br
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Rua Delfino Conti, S/N, Trindade, 
Departamento de Saúde Pública/CCS/UFSC.
CEP: 88040-370 - Florianópolis / SC
Telefone (48) 3721-4869
Site: https://unasus.ufsc.br/
E-mail: abunasus.ccs@contato.ufsc.br
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE
Lote 19 - Avenida das Nações, SEN - Asa Norte.
CEP: 70312-970 - Brasília / DF
Site: https://www.paho.org/pt/brasil
E-mail: comunicacaoopasbrasil@paho.org
Editor geral do Ministério da Saúde
Nésio Fernandes de Medeiros Junior
Andrey Roosewelt Chagas Lemos
Colaboração Técnica do Ministério da Saúde
Daniel Rogério Petreça
Daniely da Silva Santana
Dorian Chim Smarzaro
Gaia Salvador Claumann
Graziela Tavares
Fabiana Vieira Santos Azevedo Cavalcante
Jean Augusto Coelho Guimarães
Lorena Lima Magalhães
Matheus Rodrigues Rangel
Paulo Henrique Gomes da Silva
Sofia Wolker Manta
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE/
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE NO BRASIL
Coordenação de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas 
Não Transmissíveis e Saúde Mental
Colaboração técnica
Elisa Prieto Lara 
Luisete Moraes Bandeira
CENTRO DE ESTUDOS, PESQUISA E DOCUMENTAÇÃO EM 
CIDADES SAUDÁVEIS (CEPEDOC)
Coordenação geral Douglas Roque Andrade, Rosilda Mendes 
Supervisão de campo Grace Peixoto Noronha 
Coordenação de monitoramento e avaliação 
Pamela Lamarca Pigozi
Elaboração de texto
Alessandra Xavier Bueno
Evelyn Helena Corgosinho Ribeiro
Fabio Fortunato Brasil de Carvalho
Inaian Pignatti Teixeira
Leticia Aparecida Calderão Sposito
Luis Carlos de Oliveira
Margarethe Thaisi Garro Knebel
Maria Cecília Marinho Tenório
Pesquisadores
Alessandra Xavier Bueno
Alex Antonio Florindo
Átila Alexandre Trapé
Cristiane Kerches da Silva Leite
Daniele Pompei Sacardo
Douglas Roque Andrade
Eduardo Quieroti Rodrigues
Elisabete Agrela de Andrade
Evelyn Helena Corgosinho Ribeiro
Fabio Fortunato Brasil de Carvalho
Grace Peixoto Noronha
Inaian Pignatti Teixeira
João Paulo dos Anjos Souza Barbosa
Juan Carlos Aneiros Fernandez
Letícia Sposito
Luís Carlos de Oliveira
Luiz Fernando Rodrigues Ocanha
Margarethe Thaisi Garro Knebel
Maria Cecília Marinho Tenório 
Pamela Lamarca Pigozi
Rosilda Mendes
Validação dos conteúdos
Amana Lima
Leonardo Araújo Vieira
Paola Moreno Bernardi
Paula Fabricio Sandreschi
Rafaela Nobrega
Tatiana Martins Ferraz
Tatiana Campos
Tadeuma Araújo
http://bvsms.saude.gov.br
aps.saude.gov.br
mailto:deppros%40saude.gov.br?subject=
https://unasus.ufsc.br/
mailto:abunasus.ccs%40contato.ufsc.br?subject=
https://www.paho.org/pt/brasil
mailto:comunicacaoopasbrasil%40paho.org?subject=
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Reitor Irineu Manoel de Souza
Vice-reitora Joana Célia dos Passos
Pró-reitor de Pós-graduação Werner Kraus
Pró-reitora de Extensão Olga Regina Zigelli Garcia
Centro de Ciências da Saúde
Diretor Fabrício de Souza Neves
Vice-diretor Ricardo de Souza Magini
Departamento de Saúde Pública
Chefe de departamento Rodrigo Otávio Moretti Pires
Subchefe de departamento Sheila Rubia Lindner
UNIVERSIDADE ABERTA DO SUS - UNA-SUS/UFSC 
Representante institucional Sheila Rubia Lindner
Equipe de desenvolvimento do projeto
Coordenação geral Marta Verdi
Coordenação pedagógica Maria Claudia Matias
Coordenação produção online Sabrina Blasius Faust
Coordenação produção E-Book Luana Silvestre P. dos Santos
Assessoria pedagógica Fernando Hellmann
Apoio pedagógico Eliane Ricardo Charneski
Apoio produção online Thaiara Dornelles Lago
Desenvolvimento Web Tcharlies Dejandir Schmitz, 
 Juliana Coelho Stahelin
Design instrucional Soraya Falqueiro
Diagramação e ilustração Laura Martins Rodrigues
Produção audiovisual Aterra Lab, Éder Braz
Projeto gráfico Nicole Alessandra Gelle
Revisão de português Vânia Moreira (in memorian)
Secretaria executiva Gisélida Garcia da Silva Vieira
Bancos de imagens Freepik, Flaticon, Ministério da Saúde
Ministério da Saúde 
Coordenação editorial Júlio César de Carvalho e Silva 
Revisão do Projeto gráfico e diagramação 
Normalização
B823p Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de
Prevenção e Promoção da Saúde.
Promoção da atividade física na atenção primária à saúde e sua inserção nos 
instrumentos de planejamento e de gestão do SUS [versão preliminar] / Ministério da 
Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Prevenção e Promoção 
da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde; Florianópolis: Universidade Federal de Santa 
Catarina, 2023.
165 p. ; il.
Modo de acesso: World Wide Web: xxxxxxx
ISBN xxx-xx-xxx-xxxx-x
1. Atenção primária à saúde. 2. Atividade física. 3. Instrumentos de planejamento. 4. 
Gestão em saúde. I. Título.
CDU 616-022.6:578.834
Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2023/xxxx
Título para indexação: Promoção da atividade física na Atenção Primária à Saúde e sua inserção nos 
instrumentos de planejamento e de gestão do SUS.
APRESENTAÇÃO
Caro leitor e cara leitora,
Este material de apoio ao Curso de Promoção da atividade física na atenção primária à saúde e sua 
inserção nos instrumentos de planejamento e de gestão do SUS foi desenvolvido por uma equipe de 
pesquisadores e técnicos do Centro de Estudos, Pesquisa e Documentação em Cidades Saudáveis 
(CEPEDOC), do Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (GEPAF) 
ambos vinculados à Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Aberta do Sistema Único de 
Saúde, polo da Universidade Federal de Santa Catarina (UNA-SUS/UFSC) e da Organização Pan-Ameri-
cana de Saúde (OPAS). Contamos nesse percurso com a valiosa participação de profissionais de saúde 
de todas as regiões do país que, de forma colaborativa, apoiaram todo o processo de produção, em 
suas diferentes fases.
Continuamente ouvimos e reafirmamos que “a atividade física faz bem para a saúde” e que o acesso 
deve ser um direito garantido, ou seja, “promove mais saúde”. Entretanto, cabe sempre nos pergun-
tar: faz bem para quem? Quais seus propósitos? Quais as ferramentas apoiam a produção integral do 
cuidado em saúde? Como podemos garantir esse acesso? 
Esses são alguns elementos que estão presentes nas quatro Unidades deste livro. Estes escritos são 
fruto da experiência dos autores e profissionais de saúde que se debruçam a problematizar a pro-
moção da atividade física nas políticas públicas comprometidas com a equidade e a justiça social. A 
primeira Unidade discute a importância da promoção da atividade física na agenda global da saúde 
pública e no SUS; a segunda traz aportes para compreender as perspectivas econômicas e políticas da 
promoção da atividade física e o papel dos gestores do SUS; a terceira Unidade aponta os principais 
fatores que devem ser considerados no planejamento e na implementação de ações, programas e po-
líticas de promoção da atividade física, de maneira a ampliar ou promover a efetiva oferta e o acesso 
a esse serviço na Atenção Primária à Saúde(APS) e, por último, a quarta unidade traz elementos para 
pensar e incluir o monitoramento e avaliação como ferramentas do processo de gestão de ações, 
programas e políticas de promoção da atividade física.
Nosso propósito com essa iniciativa é mobilizar gestores e os profissionais da atenção primária do 
sistema de saúde e do planejamento para que possam compreender de forma mais abrangente 
as razões pelas quais a promoção da atividade física deva ser discutida, diagnosticada, implantada/
implementada, monitorada e avaliada como prioridade no ciclo da política pública e presente nos 
diferentes instrumentos de gestão do SUS. 
Esperamos que essas reflexões possam ajudá-los/las a viabilizar a oferta de ações, programas e po-
líticas de promoção da atividade física no SUS, assim como de processos de educação permanente 
de gestores e profissionais de saúde, a fim de garantir práticas de promoção da saúde vinculadas à 
construção da autonomia dos sujeitos, à participação social, à produção da saúde compartilhada e 
comprometida com a defesa da vida. 
Bom percurso e boa leitura! 
Equipe de Coordenação
OBJETIVOS DE ENSINO DO CURSO
OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DO CURSO
Proporcionar conhecimentos, atitudes e práticas aos concluintes, profissionais e gestores do Sistema 
Único de Saúde (SUS), para planejamento e implementação de ações, programas e políticas de pro-
moção da atividade física (AF).
Estimular a inclusão da AF na Atenção Primária à Saúde (APS) por meio do registro nos Planos Muni-
cipais e Distrital de Saúde e demais instrumentos de planejamento e gestão, com isso, fomentando 
recursos humanos, materiais e financeiros com vistas à ampliação da oferta e do acesso pela popula-
ção usuária do SUS.
Ao final do curso, profissionais e gestores do SUS deverão ser capazes de incluir ações de promoção 
da AF nos instrumentos de planejamento e gestão do SUS; trabalhando as etapas de planejamento, 
implementação, monitoramento e avaliação, com vistas à ampliação da oferta e do acesso, e inserindo 
a promoção da AF no processo de cuidado integral na APS. 
SUMÁRIO
UNIDADE 1
A importância da promoção da atividade física na agenda global 
da saúde pública e no SUS 10
1.1 |  Introdução 12
1.2 |  A importância da promoção da atividade física na agenda global 
da saúde pública e no SUS 12
1.2.1 |  Uma visão ampliada da atividade física 12
1.2.2 |  A Promoção da atividade física na agenda da Saúde Pública Global 20
1.2.3 |  A importância da promoção da atividade física na agenda do SUS 26
1.2.4 |  Benefícios da prática da atividade física na promoção da saúde 35
1.3 |  Encerramento 40
1.4 |  Referências 41
UNIDADE 2
Perspectivas econômica e política da promoção da atividade física 
e o papel dos gestores do Sistema Único de Saúde 46
2.1 |  Introdução 48
2.2 |  Inclusão da promoção da atividade física nos instrumentos de gestão 
e de planejamento da gestão pública e do SUS 49
2.2.1 |  Plano Plurianual 49
2.2.2 |  Leis orçamentárias 57
2.2.3 |  Plano Municipal de Saúde (PMS), Programação Anual 
de Saúde (PAS) e Relatório Anual de Gestão (RAG) 60
2.2.4 |  Conferências e Conselhos de Saúde 64
2.2.5 |  Plano Diretor 66
2.3 |  Os papéis dos gestores federais, estaduais, distrital e municipais 67
2.3.1 |  Responsabilidades comuns ao Ministério da Saúde, Secretarias 
Estaduais, Distrital e Municipais de Saúde 67
2.3.2 |  Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais e Distrital de Saúde 
e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) 68
2.3.3 |  Secretarias Municipais e Distrital de Saúde 69
2.4 |  Vale a pena investir em promoção da atividade física 71
2.4.1 |  Ampliar a resolutividade da APS por meio do acesso 
à prática de atividade física 71
2.5 |  A importância de investir em políticas públicas e ações intersetoriais 74
2.6 |  Promoção da atividade física como uma agenda positiva 
da gestão municipal 75
2.7 |  Encerramento 77
2.8 |  Referências 78
UNIDADE 3
Do planejamento à ação 82
3.1 |  Introdução 84
3.2 |  Planejando ações, programas e políticas de promoção da atividade física 84
3.2.1 |  Planejamento participativo das ações no SUS 87
3.2.2 |  Ferramentas para auxiliar a construção do PES 100
3.2.3 |  A importância da intersetorialidade, da participação 
e do controle social nas etapas do PES 104
3.3 |  O papel dos profissionais de saúde na promoção da atividade 
física no cuidado em saúde 109
3.3.1 |  Arranjos interdisciplinares, interprofissionais, matriciamento 
e suas possibilidades com enfoque no cuidado em saúde 110
3.3.2 |  A promoção da atividade física é papel de todos 
os profissionais de saúde e da comunidade 111
3.3.3 |  A atuação estratégica do profissional de educação física 
na saúde para além de sua atuação no núcleo profissional 113
3.4 |  Experiências municipais exitosas na perspectiva da gestão, 
de implantação de programas e ações de atividade física 114
3.5 |  Encerramento 121
3.6 |  Referências 123
UNIDADE 4
Monitoramento e avaliação como ferramentas do processo de gestão de ações, 
programas e políticas de promoção da atividade física 126
4.1 |  Introdução da unidade 128
4.2 |  Monitoramento e avaliação: elaboração da pergunta de avaliação 
e de indicadores de acompanhamento de ações, programas 
e políticas de promoção da atividade física 129
4.2.1 |  Pergunta avaliativa no âmbito da APS no SUS 131
4.2.2 |  Pactuação de indicadores de processo e resultado 134
4.2.3 |  Acompanhamento dos dados dos sistemas de informação 
do Ministério da Saúde e de outras fontes de dados 
no âmbito do SUS 148
4.2.4 |  Estratégias para sistematizar, analisar os dados 
e comunicar os resultados 153
4.2.5 |  Criação de espaços coletivos para dar sustentabilidade 
aos processos participativos e colaborativos de 
monitoramento e avaliação 158
4.3 |  Encerramento da Unidade 159
4.4 |  Referências 160
ENCERRAMENTO DO CURSO 161
MINICURRÍCULO DOS AUTORES 162
UNIDADE
A IMPORTÂNCIA DA PROMOÇÃO 
DA ATIVIDADE FÍSICA NA AGENDA 
GLOBAL DA SAÚDE PÚBLICA E NO SUS
1
Inaian Pignatti Teixeira
Alessandra Xavier Bueno
OBJETIVO GERAL
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de 
compreender, de forma ampliada, a importância da 
promoção da atividade física, considerando as agen-
das da saúde pública global e do SUS.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 ▶ Compreender a concepção da atividade física 
como um direito.
 ▶ Reconhecer que a vida fisicamente ativa é in-
fluenciada por diferentes fatores, não sendo 
considerada apenas uma escolha individual.
 ▶ Identificar agendas globais relacionadas à pro-
moção da atividade física.
 ▶ Apresentar a importância da atividade física na 
integralidade do cuidado em saúde.
 ▶ Conhecer um breve histórico da promoção da 
atividade física na Atenção Primária à Saúde 
(APS).
 ▶ Compreender os principais benefícios da prática 
de atividade física para a promoção da saúde, 
para a prevenção e para o tratamento de algu-
mas doenças e agravos.
 
Carga horária recomendada para esta unidade: 
15 horas
UNIDADE1
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
12
1.1 | 	Introdução
Estimativas apontam que as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são a causa de quase ¾ das 
mortes no Brasil e no mundo, sendo representadas, especialmente pelas doenças cardiovasculares, 
cânceres e doenças respiratórias, cujos determinantes são sociais, ambientais, comerciais e genéticos 
(OMS, 2019). 
A atividade física está diretamente associada à prevenção e ao tratamento de doenças crônicas, mas, 
também, pode promover sociabilidades, sentimento de pertencimento a grupo e/ou comunidade e 
novos aprendizados que ampliam o repertório sociocultural das pessoas, e permitem maior autono-
mia para realização de atividades do cotidiano. Deve, assim, ser compreendida com um direito. 
Além disso, com o aumento da prática regular de atividade física, os indicadores de saúde poderiam 
ser melhores e muitas mortes poderiamser evitadas, reduzindo, também, os custos em saúde, afinal, 
“a atividade física é uma variável importante para a economia de recursos financeiros em saúde pú-
blica” (BUENO, 2016, p. 1007).
Assim, é preciso olhar para o tema com a devida atenção e incluí-lo no planejamento das ações de 
saúde a curto, médio e longo prazo. Nesta Unidade, você irá aprender sobre atividade física em uma 
perspectiva ampliada, entender os benefícios para a população, passando pela agenda global e pelas 
proposições no Sistema Único de Saúde (SUS).
1.2 | 	A importância da promoção da atividade física na 
agenda global da saúde pública e no SUS
Vamos agora acompanhar a importância da promoção da atividade física na agenda global da saúde 
pública e no SUS, para uma visão ampliada sobre o tema e sobre os benefícios dessa prática na pro-
moção da saúde. Acompanhe!
1.2.1 | 	Uma visão ampliada da atividade física
A constituição física dos seres humanos foi produzida por meio dos processos evolutivos para que 
houvesse níveis de atividade física muito maiores do que temos hoje. Há dois milhões de anos, os 
humanos eram caçadores-coletores e dependiam do movimento corporal ágil e forte para sobreviver. 
Há mais ou menos 10.000 anos surgiu a agricultura e ainda precisávamos de força e resistência física 
para garantir alimento. Da revolução industrial para cá, há cerca de 200 anos, as máquinas foram 
ganhando espaço e substituindo uma boa parte do trabalho físico humano e, atualmente, os modos 
de vida estão nos tornando ainda menos ativos fisicamente, especialmente com a entrada da era 
digital (SMIRMAUL, 2019).
A relação entre atividade física e saúde não é algo recente. Há mais 
de 2 mil anos, Hipócrates, considerado o pai da medicina, disse que 
“se pudéssemos dar a cada indivíduo a quantidade certa de nutrição 
e exercício, nem pouco nem muito, teríamos encontrado o caminho 
mais seguro para a saúde” (HIPÓCRATES, 1955).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
13
Atividade física é um tema muito importante quando se pensa em promoção da saúde e prevenção de 
doenças. Atualmente, a inatividade física é tida como um dos principais fatores de risco modificáveis 
para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Em função disso, existe uma vasta rede de sistemas de vigilância em saúde para rastrear tendências 
temporais de atividade física populacional em mais de 122 países (BULL et al., 2020; HALLAL et al., 
2012; TROIANO; STAMATAKIS; BULL, 2020).
Em estudo publicado em 2012, constatou-se que esse número significava 31% da população mundial, 
os pesquisadores afirmam que se trata de uma pandemia tendo em vista a alta prevalência, o alcance 
global e os efeitos da inatividade física na saúde, com consequências sanitárias, econômicas, ambien-
tais e sociais de longo alcance (KOHL et al., 2012).
O que parece simples de resolver - aumentar a oferta de atividade física e tornar a população mais 
ativa - é, na verdade, um fenômeno complexo (TONELLI et al., 2018) que merece atenção quando 
da organização da oferta nos serviços na Atenção Primária à Saúde (APS) para que se torne efetiva. 
Podemos pensar em duas situações que geram essa complexidade: uma se refere à noção de saúde 
de forma ampla, a qual é influenciada por diversos fatores, como cultura, educação, economia entre 
outros, dentre eles a temática atividade física; a segunda está relacionada aos diferentes termos utili-
zados na área específica, como a diferenciação conceitual de atividade física e práticas corporais, que 
envolve elementos da cultura, ou mesmo dos sentidos, e significados que o fenômeno tem para as 
pessoas – neste caso, o corpo em movimento.
Você já deve ter ouvido os termos atividade física, práticas corporais e exercícios físicos como sinônimos, 
mas não são. Confira nos quadros abaixo os exemplos.
Exercícios físicos
São planejados, com fins de melhorar ou manter 
as capacidades físicas, como por exemplo, um 
grupo de pessoas fazendo ginástica em um 
parque, duas vezes por semana, com orientação 
de um profissional de educação física. 
Atividade física
Remete a pessoas que fazem atividades por 
conta própria, por exemplo quando alguém 
caminha de manhã em alguns dias da semana 
ou vai andando ou pedalando para o trabalho. 
Práticas corporais
As práticas corporais podem ser 
consideradas manifestações da 
cultura corporal de determinado 
grupo que carregam significados 
que as pessoas lhe atribuem, e 
devem contemplar as vivências 
lúdicas e de organização cultural. 
Existem várias formas de práti-
cas corporais: recreativas, 
esportivas, culturais e cotidianas.
Atividade física é um termo abrangente e abarca muitas práticas que envolvem o movimento corporal, 
mas é importante ressaltar que todo exercício físico é atividade física, mas nem toda atividade física 
é exercício físico.
Acesse audiobook do Guia de Atividade Física para a População Brasileira e reflita 
um pouco sobre o conceito de atividade física. Disponível em: https://aps.saude.
gov.br/ape/gaf/.
https://aps.saude.gov.br/ape/gaf/
https://aps.saude.gov.br/ape/gaf/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
14
Atividade física é um comportamento que envolve os movimentos voluntários do 
corpo, com gasto de energia acima do nível de repouso, promovendo interações 
sociais e com o ambiente, podendo acontecer no tempo livre, no deslocamento, no 
trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas.
Exercício físico é, então, um tipo de atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem o 
objetivo de melhorar ou manter as capacidades físicas e o peso adequado.
Acesse as recomendações de quantidade de atividade física por ciclo de vida no 
vídeo “Por dentro do Guia de Atividade Física para População Brasileira”, disponí-
vel em: https://youtu.be/AHtYfKATDWU.
SAIBA MAIS
Podemos pensar em muitos exemplos diferentes para falar dos variados sentidos e significados que o 
termo atividade física tem para as pessoas, tanto no senso comum, como no âmbito dos profissionais 
de saúde. Nas políticas públicas de saúde do SUS, é comum nos depararmos com os termos atividade 
física e práticas corporais. De fato, existem diferenças conceituais entre esses termos que são discu-
tidos, especialmente no campo específico da Educação Física e Saúde, mas o importante, quando se 
refere à APS, é compreender como eles se articulam com o cuidado em saúde.
Se temos clareza do conceito de saúde como direito humano, o primeiro passo que precisamos ter em 
mente é que atividade física não é um fenômeno restrito aos benefícios “biológicos” da saúde (como, 
por exemplo, os efeitos conhecidos sobre a hipertensão arterial, o diabetes e a obesidade). Entender 
a saúde como direito implica em considerar que os aspectos que produzem saúde estão relacionados 
com fatores da estrutura da sociedade: acesso a bens e serviços ou melhores oportunidades para 
conduzir a vida, por exemplo, o que nos leva à necessidade de estratégias de ação como a produ-
ção de políticas públicas saudáveis e equitativas. Esses benefícios são muito importantes, ninguém 
tem dúvida disso, mas a atividade física também pode ser importante para a saúde mental, para as 
sociabilidades (por sua característica gregária, “de juntar pessoas”), para o lazer, para a cultura, para 
o sentimento de pertencimento à comunidade ou mesmo como um dispositivo complementar de 
acompanhamento da equipe de saúde. 
Se há um grupo para a prática de alguma ativi-
dade física, como por exemplo, ginástica, todas 
as segundas, quartas e sextas na Unidade de 
Saúde, é possível aproveitar esse encontro para 
fazer ou ampliar o contato com outros profis-
sionais. Profissionais da enfermagem, medicina, 
nutrição e outras áreas da saúde podem encon-
trar seus usuários naquele espaço e realizar um 
acompanhamento importante, sem a necessida-de de abrir a agenda para uma consulta. Antes 
da atividade, podem aproveitar o momento e 
realizar outras ações de cuidado, como informar 
sobre um evento ou programação da unidade, 
por exemplo. 
https://youtu.be/AHtYfKATDWU
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
15
REFLEXÃO
Um grupo que se encontra para a atividade física também se torna um espaço 
de trocas culturais, de socialização, de participação social, ou seja, é um espaço 
de produção de saúde, em sentido mais amplo e integral. A rotina de cuidado 
desses usuários, no que tange manter informações breves e atualizadas, pode 
ter no grupo de atividade física um ponto de contato frequente, quando orga-
nizados também nesse sentido. Pensando nos grupos que já acontecem em 
sua realidade quais outras ações poderiam ser planejadas aproveitando esses 
espaços de encontro e compartilhamento de experiências que possam ampliar 
o cuidado e promover mais saúde?
Um segundo passo é entender a atividade física como um direito. Em 2013, por meio da Lei nº 12.864, 
de 24 de setembro de 2013, a atividade física foi inserida no artigo 3º da Lei 8.080 como um dos fatores 
determinantes e condicionantes da saúde (BRASIL, 1990). Os níveis de saúde expressam a organiza-
ção social e econômica do país. A saúde tem como determinantes e condicionantes a alimentação, a 
moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o 
transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais, entre outros (BRASIL, 2013).
A Carta Internacional de Educação Física, Atividade Física e Esporte da Organização das Nações Unidas 
para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) propõe que uma abordagem baseada em direitos hu-
manos, deve ser um princípio orientador para os países durante a implementação do plano de ação. 
Adotada em 2015 pela Conferência Geral da UNESCO, a Carta declara que todo ser humano tem o direito 
fundamental ao acesso à educação física, atividade física e esporte (UNESCO, 2015a).
Pensar em 
atividade física 
como um direito 
parece simples, 
mas não é. 
É importante então considerar os usuários como sujeitos de direi-
tos, e esses direitos remetem à função do Estado em construir e 
implementar políticas públicas que garantam isso, respeitando a 
diversidade de cada sujeito, cada território, assim como a presen-
ça ou não de outros direitos básicos como estudar, morar, alimen-
tar-se, dentre outros. Enquanto agente público a serviço do 
Estado, tal função é também sua, profissional e gestor da saúde.
Além disso, ao assumir a saúde como 
direito, conforme o Art. 196 da Constitui-
ção Federal de 1988, o desafio é de, então, 
produzir gestões democráticas para 
fomentar a participação social de acordo 
com as diretrizes do SUS, reforçada pelos 
componentes da Política Nacional de 
Promoção da Saúde (PNPS). 
Ao tomar o usuário como sujeito de 
direitos, são relevantes as conexões 
existentes no território, as diversida-
des e as subjetividades, convocando 
representantes da comunidade local 
para o diálogo. O que gera ainda outro 
ganho, a solidariedade entre as identi-
dades locais. 
As condições econômicas e sociais que permeiam a vida das pessoas (por exemplo, mora-
dia e trabalho), bem como às relacionadas ao nascimento e envelhecimento, produzem 
maior ou menor carga de doenças. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
16
Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) incluem aspectos sociais, econômicos, comerciais, políticos, 
culturais e ambientais. A atividade física é um dos elementos, dentre vários, que determinam e/ou 
condicionam a saúde dos povos e dos cidadãos, e a saúde, por sua vez, é um direito constitucional 
(FIOCRUZ, 2012). Por essa razão, a atividade física deve estar inserida em uma agenda permanente, 
vinculada ao sistema de saúde, em especial à APS, como parte das ações de promoção da saúde que 
não podem ser deixadas de lado.
O modo como a tecnologia, o trabalho e a vida urbana afetam o cotidiano limitam as oportunidades 
e as possibilidades de praticar a atividade física de forma espontânea. O comportamento sedentário 
pode ser representado por todas as atividades, realizadas quando você está acordado, ou seja, sen-
tado, reclinado ou deitado e gastando pouca energia. Por exemplo, quando você está em uma dessas 
posições para usar celular, computador, tablet, videogame, assistir à televisão, realizar trabalhos ma-
nuais, jogar cartas ou jogos de mesa, dentro do carro, ônibus ou metrô (BRASIL, 2021a). 
REFLEXÃO
E você deve estar pensando: mas essas atividades fazem parte do dia a dia das 
pessoas, não é mesmo? Como foi apresentado anteriormente, os modos de 
levar a vida contemporânea, especialmente nos centros urbanos, estão nos 
deixando cada vez mais parados, ou melhor, com menos oportunidades de 
nos movimentarmos ao longo do dia. Quanto tempo você passa em compor-
tamento sedentário em um dia de semana? E no fim de semana? Quais estra-
tégias poderiam ser adotadas para diminuir o comportamento sedentário no 
ambiente de trabalho?
A prática insuficiente de atividade física - pessoas adultas, maiores de 18 anos, que praticam menos 
de 150 minutos de atividades físicas por semana - é responsável por milhões de mortes no mundo 
por DCNTs, o que torna os custos em saúde também enormes (BRASIL, 2021a). Se considerarmos as 
pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, esse cenário não é uma questão de escolha. 
A atividade física também pode ser influenciada pela cultura: segundo documento da OMS, em muitos 
países, meninas, mulheres, pessoas idosas, grupos vulneráveis, pessoas com deficiência e pessoas 
com DCNTs têm menos oportunidades de acesso seguro a programas e espaços para serem ativos 
fisicamente (OMS, 2018). 
O relatório Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “Movimento é vida” nos 
mostra que a renda e o gênero também fazem diferença no acesso à atividade física: os que mais pra-
ticam atividade física são homens, com renda acima de 5 salários-mínimos, enquanto as que menos 
praticam, são mulheres com renda de até meio salário mínimo. Conforme a renda aumenta, é possível 
verificar maior acesso à atividade física, mas mesmo dentro da faixa de renda, as mulheres têm menos 
acesso (PNUD, 2017). 
Para dados estratificados por estado, você pode consultar o Sistema de Vigilância 
de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico 
(VIGITEL) em: http://plataforma.saude.gov.br/vigitel/.
SAIBA MAIS
http://plataforma.saude.gov.br/vigitel/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
17
Você já deve ter percebido que o termo atividade física, como utilizado no senso comum, abrange 
diferentes sentidos e significados para as pessoas. Se saúde é um direito, podemos concluir que o 
acesso à prática de atividade física também deve ser. Como poderíamos pensar a atividade física em 
articulação com o cuidado integral à saúde? Continue a leitura para ter mais elementos que possam 
ajudar a responder esta pergunta. Lembremos do conceito de atividade física do Guia de Atividade 
Física para a População Brasileira: 
 “ Atividade física é um comportamento que envolve os movimentos voluntários do cor-
po, com gasto de energia acima do nível de repouso, promovendo interações sociais e 
com o ambiente, podendo acontecer no tempo livre, no deslocamento, no trabalho ou 
estudo e nas tarefas domésticas (BRASIL, 2021a, p. 7). 
Mas, o que significa na prática esse conceito?
Este conceito está relacionado aos movimentos do corpo, com gasto de energia 
maior do que se estivéssemos deitados ou sentados, incluindo interações e contex-
tos em que a atividade física pode acontecer.
Então, podemos desdobrar alguns elementos desse conceito, que nos ajudariam a compreender quea atividade física pode ser realizada:
 ▶ pelas pessoas, com objetivo de manutenção da saúde de forma geral;
 ▶ em grupo ou individualmente;
 ▶ com uma intensidade leve, moderada ou vigorosa somados a determinação do tempo e tipo 
da atividade podem promover objetivos almejados.
Para reconhecer a intensidade da atividade física praticada, oriente a prestar atenção 
sobre como a pessoa se sente no momento da prática. A intensidade pode ser:
Exige mínimo esforço físico e 
causa pequeno aumento da 
respiração e dos batimentos 
do seu coração. Numa escala 
de 0 a 10, a percepção de 
esforço é de 1 a 4. Você vai 
conseguir respirar 
tranquilamente e conversar 
normalmente enquanto se 
movimenta ou até mesmo 
cantar uma música.
Exige mais esforço físico, faz 
você respirar mais rápido 
que o normal e aumenta 
moderadamente os 
batimentos do seu coração. 
Numa escala de 0 a 10, a 
percepção de esforço é 5 e 
6. Você vai conseguir 
conversar com dificuldade 
enquanto se movimenta e 
não vai conseguir cantar.
Exige um grande esforço 
físico, faz você respirar 
muito mais rápido que o 
normal e aumenta muito 
os batimentos do seu 
coração. Numa escala de 
0 a 10, a percepção de 
esforço é 7 e 8. Você não 
vai conseguir nem 
conversar enquanto se 
movimenta.
Leve Moderada Vigorosa
Fonte: Brasil (2001a).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
18
REFLEXÃO
A orientação ou o aconselhamento para essas especificidades devem ser toma-
dos em conjunto com um profissional de saúde. Uma atividade mais voltada 
para desenvolvimento de aptidão cardiorrespiratória, outra para melhora de 
mobilidade articular de acordo com o grupo que necessita deste direcionamento.
 ▶ Pode ser feita ao ar livre, em espaços públicos ou comunitários (como gramados, praças, ruas, 
ginásios) e em horários diversos, de acordo com as oportunidades e atividades de vida dos 
usuários. Você poderá consultar sobre os quatro domínios da atividade física, a saber: trabalho 
ou estudo, doméstico, tempo livre e deslocamento, consultando a página 7, do Guia de Ativida-
de Física para a População Brasileira.
Atividade
Física
Comportamento
sedentário
Atividade física de
intensidade leve
Atividade física de
intensidade moderada
Atividade física de
intensidade vigorosa
Tempo
livre
Deslocamento
Trabalho
ou estudo
Tarefas
domésticas
Fonte: adaptado de Benedetti e colaboradores (2021).
Agora que conseguimos ter mais informações sobre o conceito de atividade física, podemos imaginar, 
baseados também nas nossas experiências, alguns exemplos de práticas de atividade física. Já vimos 
alguns: 
 ▶ caminhada, que pode ser leve, moderada ou até mesmo se desdobrando em uma corrida leve 
(leve porque a corrida por si só já é mais intensa que a caminhada, ou seja, já exige um esforço 
a mais); 
 ▶ ginástica, que pode conter exercícios de força muscular, mas também de alongamento e até 
mesmo acrescentando passos de dança; 
 ▶ danças circulares ou outras atividades rítmicas e lúdicas que podem fortalecer os valores cole-
tivos e sentimentos de empatia, solidariedade e pertencimento;
 ▶ Yoga, Lian Gong e outras práticas ligadas à Medicina Tradicional Chinesa;
 ▶ jogos cooperativos e outras atividades adaptadas.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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Veja o vídeo chamado “Movimento é vida”, do Relatório Nacional de Desenvolvi-
mento Humano no Brasil, sobre diferentes sentidos e significados da prática de 
atividade física, disponível no link: https://youtu.be/7ASWIO02LWw.
Essas atividades físicas, colocadas como parte da oferta dos serviços na APS, também podem influen-
ciar na qualidade de vida da população desde que também tenham como objetivo compor o cuidado 
integral dos usuários, além dos benefícios mais conhecidos da atividade física (parâmetros físicos de 
saúde, como alteração da pressão arterial, ou redução do peso, por exemplo) (FERREIRA et al., 2015). 
Isso porque a atividade física pode promover:
 ▶ Benefícios que podem ser chamados de “indiretos”, como a criação de espaços para conversar 
sobre outros temas, que podem iniciar processos mais profundos de reflexão sobre a vida e a 
saúde, fomentando futuras mudanças.
 ▶ Novas habilidades motoras.
 ▶ Novos aprendizados, que não são somente corporais, mas que ampliam o repertório sociocul-
tural das pessoas.
 ▶ O uso e a apropriação de espaços públicos como parques, praças e ciclovias, que podem pro-
piciar sentimento de pertencimento ao território e à comunidade.
Espaços de fala, de compartilhamento de experiências diversas (em que o ponto de partida é a ativi-
dade física), podem apoiar a criação de vínculos com o território e a unidade de saúde, melhorando a 
interação entre profissionais e usuários. 
É importante lembrar que as escolhas individuais, no que diz respeito aos hábitos de vida, na verdade, 
estão muito mais ligadas a questões sociais como, por exemplo, os grupos a que pertencem, recursos 
que acessam e repertório sociocultural. Ou seja, “os indivíduos não são independentes dos seus gru-
pos sociais na escolha dos hábitos de vida” (BARATA, 2009, p. 246).
Por isso, é importante ressaltar que não basta só ofertar alguma atividade para os usuários, mas tentar 
entender um conjunto de fatores que se relacionam com as características das pessoas e do território 
que vivem nele (horários, rotinas, sentidos e significados, modos de vida) para poder pensar, em conjun-
to com as equipes, na melhor forma para construir a oferta de atividade física nas unidades de saúde. 
REFLEXÃO
Pense nisso: não adianta ofertar grupo de ciclismo para pessoas que passam o 
dia em um trabalho que necessite esforço físico, como acontece com trabalha-
dores de entrega por aplicativo, que usam bicicleta para realizar as entregas e 
passam o dia pedalando. Talvez não faça sentido para esses trabalhadores ade-
rirem a programas em que fariam mais esforço físico. Para o planejamento das 
ofertas, inclusive as de atividade física, é necessário considerar os aspectos da 
vida da população atendida, bem como os sentidos e significados das práticas.
O conceito de DSS nos lembra que existem problemas de saúde relacionados às condições de vida 
e trabalho das pessoas, e estas condições, por sua vez, estão relacionadas aos resultados em saúde. 
Por exemplo, sabemos que algumas pessoas têm risco de adoecimento maior do que outras devido à 
exposição a condições de maior vulnerabilidade (moradia, trabalho etc.).
https://youtu.be/7ASWIO02LWw
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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Da mesma maneira, as condições de trabalho podem influenciar na prática de atividade física. Po-
deríamos pensar em outros exemplos em que as condições de vida influenciam os resultados em 
saúde, mas o que é preciso ressaltar aqui, é que, nem sempre, as pessoas podem escolher mudar 
essas condições (pois envolvem condições estruturais coletivas, dadas por políticas públicas – ou a 
falta delas). Em suma, os DSS são os fatores sociais, econômicos, comerciais, culturais, étnicos/raciais, 
psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores 
de risco na população. 
Veja o vídeo do professor Alberto Pellegrini, da Fiocruz, sobre Determinantes 
Sociais da Saúde, disponível em: https://youtu.be/bVmc-gngyVI.
Os Determinantes Comerciais da Saúde (DCS) abrangem fatores como comportamentos e escolhas 
individuais relacionados a consumo e estilo de vida, e questões relacionadas à sociedade global, 
como riscos de consumo, economia política e globalização. Os DCS, gerados pela internacionalização 
do mercado e do capital, pelo crescimento da demanda e pela expansão do alcance das corpora-
ções, têm um impacto no ambiente, nos consumidores e na saúde. Os resultados ou impactos na 
saúde são determinadospela influência dos canais no ambiente onde as pessoas vivem, trabalham 
e circulam, em particular, na disponibilidade e acessibilidade de produtos não saudáveis a preços 
acessíveis, moldando os estilos de vida e as escolhas dos consumidores (KICKBUSH et. al, 2016; 
MCKEE, STUCKLER, 2018).
PARA PENSAR E PLANEJAR
O que você acha sobre esse tema? Faça anotações de pontos a serem lem-
brados durante o planejamento das ações depois de pensar um pouco sobre. 
Você pode saber mais sobre este tópico na Vitrine do Conhecimento sobre a 
Dimensão Comercial dos Determinantes Sociais da Saúde em: https://bvsalud.
org/vitrinas/post_vitrines/5061/.
E é por isso que ações interprofissionais, intrassetoriais e intersetoriais são importantes no conjunto do 
planejamento em saúde, pois outros fatores relativos às condições da vida em sociedade podem influen-
ciar nas decisões dos indivíduos aderirem ou não às ações de promoção da saúde. Não basta somente 
oferecer acesso às atividades físicas, mas pensar em como isso pode compor a produção do cuidado. 
1.2.2 | 	A Promoção da atividade física na agenda da Saúde Pública Global
Alguns países tiveram, em diferentes momentos de suas histórias, agendas próprias de promoção de 
atividade física. Existe um movimento global de Saúde Pública visando uma sinergia na promoção da 
atividade física como estratégia de promoção de saúde. Atualmente, por exemplo, existe o Plano de 
Ação Global sobre Atividade Física, em que a OMS estabeleceu diversas estratégias para reduzir os ní-
veis globais de inatividade física em 15% até 2030, tendo como referência o ano de 2016 (OMS, 2018).
PARA PENSAR E PLANEJAR
No seu território, você acha factível a meta de reduzir em 15% a inatividade 
física? Tome nota dos fatores que você acredita serem essenciais para que essa 
meta seja atingida.
https://youtu.be/bVmc-gngyVI
https://bvsalud.org/vitrinas/post_vitrines/5061/
https://bvsalud.org/vitrinas/post_vitrines/5061/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
21
A incorporação da atividade física na OMS passou por diversas fases. Confira uma linha do tempo que 
contextualiza essa incorporação até a década de 2010:
Décadas de 1960 e 1970
Década de 1980
Década de 1990
Anos 2000
Década de 2010
Nas décadas de 1960 e 1970, a OMS atuava principalmente na participação e no apoio de 
estudos e projetos relacionados a doenças cardíacas e seus fatores de risco, incluindo 
inatividade física, avaliação da atividade física e aptidão física e reabilitação de pacientes 
com doença coronariana (LANGE et al., 1978). 
Na década de 1980, com a aprovação da Carta de Ottawa, em 1986, a promoção da saúde 
tornou-se um tema relevante na OMS e a importância da atividade física passou a crescer 
gradativamente (OMS, 1986). 
Na década de 1990, com o estabelecimento de um Comitê Interdepartamental sobre Ativi-
dade Física, Esportes e Saúde, a OMS designou diversos centros colaboradores na Austrá-
lia, na Finlândia, na Grã-Bretanha, em Hong Kong, no Japão e nos Estados Unidos. Além 
disso, divulgou declarações conjuntas com outras entidades internacionais de cardiologia 
e medicina esportiva sobre a inatividade física como fator de risco e seu papel para a 
saúde (OMS, 1993; 1994). 
Nos anos 2000, foi desenvolvida e aprovada a Estratégia Global em Alimentação, Atividade 
Física e Saúde e sua implementação começou nos países membros (OMS, 2017a). Em 
2002, o tema do Dia Mundial da Saúde (celebrado no dia 7 de abril) foi a atividade física e 
a OMS lançou em São Paulo o dia 6 de abril como o Dia Mundial da Atividade Física. Nessa 
década também foram produzidos os primeiros documentos de políticas de atividade 
física (SHEPHARD et al., 2002). 
No início da década de 2010, pela primeira vez, a OMS emitiu Recomendações Globais 
sobre Atividade Física para a Saúde (OMS, 2010) e, em 2013, a Assembleia Mundial da 
Saúde, órgão decisório da OMS, aprovou o Plano de Ação Global de DCNTs, sendo o Brasil 
signatário (OMS, 2013). Nesse plano, visando uma redução de 25% da mortalidade prema-
tura por DCNTs até 2025, definiu-se a inatividade física como um dos quatro fatores de 
risco que merecem atenção, com olhar ampliado, para que seus níveis possam ser melho-
rados. Os outros três fatores são: consumo de tabaco, consumo nocivo de álcool e alimen-
tação não saudável. Dentre as ações propostas neste plano estão as seguintes: 
� adoção e implementação de diretrizes nacionais sobre atividade física para a saúde; 
� desenvolvimento de parcerias e engajamento de todos os atores interessados no 
aumento da atividade física em todas as idades; 
� desenvolvimento de medidas políticas para promover a atividade física tanto no 
tempo livre/lazer quanto no deslocamento, trabalho/escola e no ambiente doméstico; 
� criação e preservação de ambientes construídos e naturais que fomentem a 
atividade física; 
� realização de campanhas públicas baseadas em evidências e iniciativas de marke-
ting social para informar e motivar as pessoas sobre os benefícios da atividade física.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
22
Em 2015, na Assembleia Geral da ONU, composta por 193 Estados-membros, foram definidas metas 
mundiais para um mundo mais sustentável. Essa agenda, conhecida como Agenda 2030, é centrada 
em 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, para se ter êxito em atingi-los, é funda-
mental o esforço conjunto entre governos, empresas, instituições e sociedade civil. Em linhas gerais, 
esses 17 objetivos, interconectados, visam erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima 
e garantir paz e prosperidade para todas as pessoas. Veja a seguir cada um dos objetivos pactuados.
ERRADICAÇÃO
DA POBREZA
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
SAÚDE E
BEM-ESTAR
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
IGUALDADE
DE GÊNERO
ÁGUA POTÁVEL
E SANEAMENTO
ENERGIA LIMPA
E ACESSÍVEL
INDÚSTRIA, INOVAÇÃO
E INFRAESTRUTURA
REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA
VIDA NA
ÁGUA
VIDA
TERRESTRE
PAZ, JUSTIÇA
E INSTITUIÇÕES
EFICAZES
PARCERIAS E MEIOS
DE IMPLEMENTAÇÃO
TRABALHO DECENTE
E CRESCIMENTO
ECONÔMICO
Fonte: adaptado de https://www.un.org/sustainabledevelopment/news/communications-material/.
Em 2016, a IX Conferência Global de Promoção da Saúde de Xangai gerou importantes interconexões 
com os ODS reconhecendo a saúde e o bem-estar como fatores essenciais para alcançar o desenvol-
vimento sustentável (OMS, 2017b). Considerando a Agenda 2030 e o compromisso assumido pelos 
líderes mundiais de desenvolver respostas nacionais ambiciosas aos ODS, apresenta-se aqui uma 
excelente oportunidade para reorientar, renovar e combinar esforços coletivos para conectar-se à 
PNPS e promover a atividade física. Isso porque investimentos em promoção da atividade física po-
dem contribuir com os diversos ODS, principalmente em países de baixa e média renda, como o Brasil 
(SALVO et al., 2021). 
PARA PENSAR E PLANEJAR
Antes de continuar, olhe novamente os 17 ODS na figura acima. Reflita como a 
atividade física contribui para que seus objetivos sejam atingidos, e que tipos 
de atividades são necessárias para isso. Anote a sua resposta!
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
23
Provavelmente, o ODS 3 (referente à saúde e bem-estar) deve ter sido o primeiro identificado por 
você, uma vez que esse ODS 3 visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas 
as pessoas independentemente da idade, a atividade física pode contribuir diretamente com a redu-
ção da mortalidade prematura por DCNTs por meio da prevenção e do tratamento, da promoção da 
saúde mental e da promoção do bem-estar. 
Especificamente relacionado à atividade física no deslocamento pelo município,por exemplo, a ativi-
dade física pode contribuir para uma redução de mortes e agravos por acidentes de trânsito, proteção 
do risco financeiro – já que deslocar-se ativamente pode ser uma alternativa econômica e saudável 
de ir de um lugar ao outro – e para a redução da poluição do ar. Todos esses benefícios da prática de 
atividade física para a saúde e bem-estar serão tratados detalhadamente um pouco mais à frente em 
nosso curso. 
Mas, e os outros ODS? Neste momento, você deve estar imaginando: Como a atividade física pode 
estar relacionada aos outros tão diversos ODS?. Quem nos explica isso é a própria ONU que, em um 
documento publicado em 2018, chamado “Plano de ação global sobre atividade física 2018–2030: mais 
pessoas ativas para um mundo mais saudável”, detalhou o papel da atividade física para contribuir 
com cada um dos outros 12 ODS dispostos a seguir (OMS, 2018). Abaixo, refletiremos um pouco mais 
sobre essas conexões. Acompanhe. 
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
ODS 2
Esse objetivo visa, dentre outras coisas, melhorar a nutrição, sendo que tanto 
o sobrepeso quanto a obesidade podem estar relacionados à má-nutrição. A 
atividade física contribui tanto com a manutenção do peso saudável, quanto 
com a redução/perda de peso daqueles com excesso de peso. 
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
ODS 4
A melhoria da qualidade educacional e a participação dos estudantes que pra-
ticam atividades físicas levam a uma maior capacidade de concentração e me-
lhora da função cognitiva, contribuindo para melhores resultados escolares/
acadêmicos (UNESCO, 2015b). Além disso, a atividade física nas escolas ajuda 
a desenvolver a socialização, as condições físicas, e também, a “educação em 
saúde”, fomentando atitudes e hábitos positivos em saúde, aumentando o 
prazer e o significado da atividade física (OMS, 2017c). Dada sua importân-
cia, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, lançado em 2021, 
contempla recomendações e benefícios da atividade física no contexto da 
educação física escolar, orientando que sejam realizadas, pelo menos, três 
aulas de 50 minutos por semana de educação física escolar (BRASIL, 2021a).
IGUALDADE
DE GÊNERO
IGUALDADE
DE GÊNERO
ODS 5 
Assim como em boa parte dos países, no Brasil também há uma importan-
te questão de gênero no acesso e na participação da atividade física, com 
homens mais propensos e com mais oportunidades de serem ativos do que 
mulheres (BRASIL, 2021b). Sabendo disso e, pautado no princípio da equida-
de, aumentar o acesso e as condições de manutenção da prática de atividade 
física, principalmente no tempo livre, entre meninas e mulheres contribui 
para reduzir as desigualdades entre os gêneros.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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TRABALHO DECENTE
E CRESCIMENTO
ECONÔMICO
TRABALHO DECENTE
E CRESCIMENTO
ECONÔMICO
ODS 8
Ao se promover a atividade física, seja por meio de oferta de aulas/interven-
ções (serviços) ou pela criação de estruturas pode-se estimular a criação de 
novos empregos tanto para os prestadores diretos dos serviços e programas 
como para aqueles envolvidos em serviços de treinamento e desenvolvimen-
to profissional. Além disso, no âmbito da infraestrutura, como por exemplo 
a criação de calçadões para caminhada e/ou ciclovias/ciclofaixas, também é 
possível oferecer oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico. 
Por fim, grandes eventos esportivos podem promover o turismo, fortalecendo 
as economias locais, aumentando o emprego e contribuindo para o cresci-
mento econômico. 
INDÚSTRIA, INOVAÇÃO
E INFRAESTRUTURA
INDÚSTRIA, INOVAÇÃO
E INFRAESTRUTURA
ODS 9
A criação de infraestrutura para caminhada e para o uso de bicicleta, além 
de contribuir para o desenvolvimento econômico, tem sido considerada uma 
alternativa fundamental para o engajamento tanto em atividades físicas 
como no deslocamento. Nesse sentido, além de contribuir para o transporte 
sustentável, essas estruturas são importantes para a atividade física e para o 
bem-estar humano, incluindo a saúde física e mental. Por fim, é importante 
considerar que esses tipos de estruturas, além de sustentáveis, são resilien-
tes, equitativas e acessíveis.
REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES
REDUÇÃO DAS
DESIGUALDADES
ODS 10
Geralmente, a atividade física e os esportes estão associados a valores como 
justiça, inclusão e empoderamento, que podem encorajar maior contribuição 
para os domínios social, econômico e político. Assim, a atividade física leva à 
reflexões importantes para fomentar sociedades inclusivas.
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
ODS 11
Ao considerarmos que a caminhada e a bicicleta são meios de transporte sus-
tentáveis e que podem ser financeiramente acessíveis, especialmente para 
aqueles em situações vulneráveis, a melhoria da infraestrutura para caminha-
da e uso da bicicleta, além de contribuir para a prática de atividade física, 
também pode melhorar a segurança viária para todos os usuários (PUCHER 
et al., 2003). Além disso, não basta só ampliar a extensão dessas estruturas 
nos municípios para aumentar a conectividade entre os bairros, também é 
necessário melhorar a qualidade, a segurança e a sinalização (OPAS, 2020).
Outro aspecto a ser considerado é que a infraestrutura para a atividade 
física como deslocamento não se restringe apenas a calçadões e ciclovias/
ciclofaixas. Ao melhorar o sistema de transporte público, como, por exemplo, 
estações de metrô, trem e terminais de ônibus e veículos sobre trilhos (VLT) 
também se contribui para o aumento da caminhada e do ciclismo, dada a 
necessidade de deslocamento da origem até o acesso ao transporte público 
e do transporte público até o destino final (OMS, 2016). Outras melhorias que 
favoreçam a interação entre o uso da bicicleta e os sistemas de transporte
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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em massa, como, por exemplo, bicicletários nas estações ou a possibilidade 
de transporte da bicicleta no metrô, poderiam tornar o uso da bicicleta mais 
atrativo. Além do aumento da atividade física, o deslocamento ativo e o trans-
porte público levam à redução do uso do automóvel e, portanto, à menor 
emissão de gases poluentes, reduzindo assim o impacto ambiental.
CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS
CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS
ODS 12 
Aumentar as oportunidades da caminhada e do uso da bicicleta como meio 
de deslocamento contribui para a sustentabilidade e a preservação da natu-
reza por meio da redução do uso de veículos motores e maior conscientização 
sobre o impacto ambiental dos indivíduos. Além disso, o engajamento em 
atividades físicas na natureza, seja em áreas verdes como parques e praças, 
ou áreas azuis, como próximo a rios, lagos ou oceano, e a exposição à nature-
za podem favorecer a valorização desses espaços e o incentivo às atividades 
turísticas, promovendo maior procura de espaços semelhantes e preservação 
dos espaços existentes (WARD; PARKER; SHACKLETON, 2009). Favorecer a 
criação e ampliação de áreas verdes nos municípios também é uma forma de 
melhorar a qualidade do ar e de oportunizar práticas de atividade física ao ar 
livre com segurança e qualidade de infraestrutura nesses espaços públicos.
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA
ODS 13
Uma política adequada quanto ao uso do solo, como, por exemplo, zonea-
mentos que contemplem tanto áreas residenciais como comerciais, e inter-
venções fiscais, ambientais e educacionais que apoiem os deslocamentos 
ativos contribuem para reduzir o uso do automóvel para transporte (SUS-
TAINABLE MOBILITY FOR ALL, 2017). Por meio da redução da demanda por 
combustíveis fósseis e suas consequências para o clima global, a atividade 
física como forma de deslocamento ajuda a mitigar as mudanças climáticas.A Agenda Convergente Mobilidade Sustentável e Saúde, liderada pela OPAS, 
reúne uma série de evidências, reflexões e propostas de ações para facilitar 
a compreensão e orientar os gestores públicos municipais em questões rela-
tivas à mobilidade urbana. Nesse documento, é reforçada a necessidade de 
um adensamento da cidade e uma cidade polinucleada, estimulando novas 
centralidades econômicas na malha urbana (OPAS, 2020).
VIDA
TERRESTRE
VIDA
TERRESTRE
ODS 15
A atividade física em ambientes naturais contribui para seu uso sustentável e 
para a valorização, conservação e restauração da natureza. A valorização e a 
“apropriação” desses espaços pela comunidade aumentam a demanda pela 
preservação do mesmo, contribuindo para garantir a biodiversidade e ajudar 
a proteger/prevenir a extinção de espécies ameaçadas. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
26
PAZ, JUSTIÇA
E INSTITUIÇÕES
EFICAZES
PAZ, JUSTIÇA
E INSTITUIÇÕES
EFICAZES
ODS 16
A atividade física e os esportes, especialmente os coletivos, em geral são as-
sociados a valores positivos como inclusão e cooperação, unindo pessoas de 
diferentes idades, sexo, status socioeconômico e crenças políticas. Um maior 
senso de comunidade por meio da atividade física pode ajudar a reduzir a 
violência e os conflitos.
PARCERIAS E MEIOS
DE IMPLEMENTAÇÃO
PARCERIAS E MEIOS
DE IMPLEMENTAÇÃO
ODS 17
Ao propor ações nacionais de promoção de atividade física, como, por exem-
plo, o Programa Academia da Saúde (PAS) e o Incentivo Financeiro de Ativi-
dade Física (IAF) na APS, faz-se necessário o fortalecimento de parcerias de 
todas as partes interessadas, incluindo o governo federal, estadual, distrital 
e principalmente municipal, bem como a própria sociedade civil. Além disso, 
ações intersetoriais podem ser fortalecidas, como, por exemplo, os setores de 
saúde e educação, no Programa Saúde na Escola (PSE).
Todas essas conexões mostram o quanto a compreensão da saúde de forma ampliada não fica res-
trita apenas ao ODS 3, sendo necessários diferentes cenários propositivos. Assumir a importância da 
atividade física como parte da produção do cuidado em saúde contribui na busca por outros atores 
e objetiva a interlocução e a troca de saberes, por meio da articulação de redes interdisciplinares e 
multiprofissionais, estimulando a produção e o planejamento de intervenções promotoras de saúde.
REFLEXÃO
Dado esse breve histórico sobre a promoção da atividade física na agenda da 
saúde pública global, como você observa o papel da atividade física nas publi-
cações da OMS? Você consegue observar a transição de um interesse leve e 
temporário, nas décadas de 1960 e 1970, para um protagonismo importante 
nas estratégias e ações globais? Ficou claro para você a consolidação da ativida-
de física como parte importante para o desenvolvimento sustentável no debate 
internacional? Por fim, e não menos importante: como esse movimento global 
impactou a agenda nacional da atividade física?
1.2.3 | 	A importância da promoção da atividade física na agenda do SUS
Muito embora tenhamos discutido um pouco no item anterior sobre o histórico da promoção da ativi-
dade física na agenda da saúde pública global, é fundamental explorar e entender o papel da atividade 
física especialmente no contexto da saúde pública brasileira, principalmente na agenda do SUS. 
Após a implementação do SUS, em 1990, teve início o processo de busca pelo rompimento de um 
importante paradigma na saúde brasileira, focado principalmente na doença e no tratamento dos 
seus agravos. No novo sistema, regido pelos princípios da universalidade, equidade e integralidade, 
a APS passou a ganhar maior espaço. Nesse sentido, passou a ser mais valorizado o cuidado integral 
com as pessoas, por meio das reflexões e ações acerca da promoção da saúde, em vez de apenas 
tratar doenças ou condições específicas. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
27
Realizado por meio de uma assistência abrangente, acessível e baseada na comunidade, o SUS passou 
a contemplar um amplo espectro de serviços que vão desde ações de promoção da saúde no territó-
rio, a partir do entendimento dos DSS, até a prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, controle 
de doenças e cuidados paliativos. O Sistema busca atuar, inclusive, em outros determinantes, como 
os econômicos, os culturais e os ambientais, que normalmente vão além do próprio setor da saúde e 
requerem articulações intrassetoriais, intersetoriais e multiprofissionais.
Para entendermos mais sobre a importância da promoção da atividade física na agenda do SUS, dis-
cutiremos políticas e programas do Ministério da Saúde (MS) de 2006 a 2022, conforme a linha do 
tempo a seguir. 
Revisão da Política Nacional 
de Promoção da Saúde
2006
2007
2008
2013
2016
Atividade Física na agenda do SUS
• Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
• Política Nacional de Atenção Básica
• Política Nacional de Promoção da Saúde
• Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças 
Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel)
Programa Saúde na Escola
Núcleo Ampliado de
Saúde da Família
2011
• Programa Academia da Saúde
• Revisão da Política Nacional 
de Atenção Básica
Revisão do Programa
Academia da Saúde
2014
2015
Lançamento do Caderno 
de Práticas Corporais, 
Atividade Física e Lazer do 
Programa Saúde na Escola
Revisão do Programa Academia da Saúde
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
28
No ano de 2006 foram instituídos e publicados importantes marcos normativos para a promoção de 
saúde e da atividade física na agenda do SUS, como a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a 
Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPICS) e a Política Nacional de Promo-
ção da Saúde (PNPS). 
Em 2006, a PNPICS incluiu as Práticas Corporais e Atividades Físicas na Tabela de Serviços/Classifica-
ções do Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – SCNES/SUS. Naquele contexto, 
a implantação de práticas corporais abertas à população em sua rede de Unidades de Saúde buscava 
formas diferenciadas de produzir saúde, compor relações sociais e promover possibilidades para 
• Incentivo federal de custeio para 
implementação de ações de atividade 
física no âmbito da APS nos municípios e 
no Distrito Federal
• Plano estratégico de difusão, 
disseminação e implementação do guia 
de atividade física para a população 
brasileira: documento orientativo às 
instituições de ensino superior
• Plano estratégico de difusão, 
disseminação e implementação do guia 
de atividade física para a população 
brasileira: documento orientativo para 
Ministérios do Governo Federal
• Plano estratégico de difusão, 
disseminação e implementação do guia 
de atividade física para a população 
brasileira: documento orientativo às 
Secretarias de Estado de Saúde
2022
‡ Revisão da Política Nacional 
de Atenção Básica
‡ Consolidação
das Portarias do
Ministério da Saúde
‡ Revisão do
Programa Saúde
na Escola
2017
• Lançamento do
Guia de Atividade
Física para a
População Brasileira
• Lançamento das Recomendações para 
o Desenvolvimento de Práticas Exitosas 
de Atividade Física na APS do SUS
• Lançamento do Guia de Atividade Física 
para a População Brasileira: 
recomendações para gestores e 
profissionais de saúde
• Plano de ações estratégicas para o 
enfrentamento das doenças crônicas e 
agravos não transmissíveis no Brasil 
2021-2030
2021
• Políticas Públicas de Atividade Física Análise 
de Documentos Governamentais em Âmbito 
Mundial
• Recomendações para Operacionalização da 
Política Nacional de Promoção da Saúde na 
Atenção Primária à Saúde
• Caderno temático e Guia de Bolso do PSE: 
promoção da atividade física
• Proteja – Estratégia Nacional para Prevençãoe Atenção à Obesidade infantil: orientações 
técnicas
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
29
melhorar a qualidade de vida da população (MORETTI et al., 2009). A inserção formal do profissional 
de educação física, a partir de recursos federais, no âmbito do SUS, ocorreu somente em 2008, com a 
criação dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF). Mas é importante lembrar, também, que 
mesmo anteriormente a atividade física já tinha um papel importante na APS, sendo oferecida pelos 
profissionais de saúde. 
Visando o fortalecimento da promoção da saúde no SUS, foi organizada a vigilância de fatores de risco 
e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, a Vigitel, o que possibilitou o monitoramen-
to de indicadores da prática de atividade física por meio de inquéritos populacionais. Adicionalmente, 
foram financiados projetos de atividade física em cerca de 1.500 municípios entre 2005 e 2010 (MALTA 
et al., 2014). 
Abordaremos a seguir a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB); passando pela Política Nacional de 
Promoção da Saúde (PNPS); Programa Saúde na Escola (PSE); Política Nacional de Práticas Integrativas 
e Complementares (PNPICS);a equipes multiprofissionais; Programa Academia da Saúde (PAS); Centro 
de Atenção Psicossocial (CAPS); culminando no incentivo federal de custeio para implementação de 
ações de atividade física no âmbito da APS nos municípios e no Distrito Federal (IAF).
A PNAB, publicada em 2006 e revisada em 2011 e 2017, 
busca fortalecer a APS fomentando a ampliação da cober-
tura, provendo cuidados integrais e promovendo saúde. A 
revisão de 2011 foi particularmente importante, pois possi-
bilitou a ampliação das ações intersetoriais e de promoção 
de saúde, inclusive a partir de programas como o PAS e o 
PSE, que abordaremos em breve. No SUS, a política de pro-
moção da saúde é vista como uma articulação transversal, 
que considera os fatores que colocam a saúde da popu-
lação em risco e as diferentes necessidades, territórios e 
culturas, articulando mecanismos que reduzam situações 
de vulnerabilidades, promovam equidade e fomentem a 
participação e o controle social.
É importante destacar a Portaria Interministerial nº 1.010, de 8 de maio de 2006, que se refere à 
diretrizes para a promoção da alimentação saudável nas escolas de educação infantil, fundamental e 
nível médio das redes públicas e privadas, em âmbito nacional, e a Portaria Interministerial nº 1.055, 
de 25 de abril de 2017, que estabelece critérios para adesão ao PSE. Ambas estabelecem como uma 
das ações a promoção das práticas corporais, da atividade física e do lazer nas escolas.
A PNPS, em 2006, já destacava a educação em saúde com ênfase na promoção da atividade física 
e das práticas corporais na promoção de hábitos saudáveis de vida. Em 2014, com a revisão dessa 
política, destacou-se as práticas corporais e as atividades físicas como um dos oito temas prioritários 
(BRASIL, 2018). 
Nesse sentido, um dos eixos de implementação da Política Nacional de Promoção de 
Saúde (PNPS) é promover ações, aconselhamento e divulgação de práticas corporais 
e atividades físicas, incentivando a melhoria das condições dos espaços públicos, 
considerando a cultura local e incorporando brincadeiras, jogos, danças populares, 
entre outras práticas. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
30
Dado esse contexto de articulação política e a agenda nacional de enfrentamento das DCNTs, tendo 
a PNPS como norteadora, em 2011 foi criado o Programa Academia da Saúde (PAS). Esse programa, 
depois de pouco mais de uma década de existência, pode ser considerado um dos maiores progra-
mas de promoção de saúde já implementados no Brasil. Embora tenha sido instituído em 2011, foi 
baseado em experiências exitosas e promissoras, como o Serviço de Orientação ao Exercício (SOE) 
da Prefeitura de Vitória (ES) e o Programa Academia da Cidade nos municípios de Recife (PE), Curitiba 
(PR), Aracaju (SE) e Belo Horizonte (MG) (MALTA; MIELKE; PEREIRA DA COSTA, 2020). Essas experiências 
locais tinham como ponto comum a atividade física e outras ações de promoção da saúde, além da 
presença de profissionais de educação física e nutricionistas, dentre outros, com o uso de espaços 
públicos e custeio pelo poder público. 
Com estrutura e quadro de profissionais diferentes das estruturas tradicionais dos serviços de saúde, o 
Programa Academia da Saúde passou a ser um ponto de atenção na rede de serviços, configurando-se 
como uma nova porta de entrada na APS, promovendo possibilidades de encontros e aproximações 
com os usuários, contribuindo para a promoção da saúde e de modos de vida saudáveis. 
A estrutura, também chamada de polo e financiada com recurso federal e das gestões locais, é com-
posta de áreas cobertas e descobertas, com equipamentos para a prática de atividade física, e pode ter 
três configurações diferentes, indo da modalidade básica a uma mais ampliada. Além da possibilidade 
de construir polos com recurso federal, o programa incorpora também iniciativas municipais/distrital 
que foram consideradas similares à proposta, que podem receber o recurso de custeio do Ministério 
da Saúde, adequando-se às suas normativas. 
Além da estrutura em si, outro fator essencial para o sucesso do Programa são os 13 tipos de profis-
sionais qualificados, que desenvolvem atividades culturalmente inseridas e adaptadas ao território, 
contemplando os eixos descritos a seguir. 
Práticas corporais e Atividades físicas.
Produção do cuidado e de modos de vida saudáveis.
Promoção da alimentação saudável.
Práticas integrativas e complementares.
Os 13 profissionais que podem atuar no PAS são os seguintes: profissional de educação física 
na saúde; fisioterapeuta geral; assistente social; terapeuta ocupacional; fonoaudiólogo geral; 
nutricionista; psicólogo; sanitarista; educador social; musicoterapeuta; arteterapeuta; artistas 
de dança; dançarinos tradicionais populares.
1
2
3
4
5
6
7
8
Eixos do Programa Academia da Saúde
Práticas artísticas e culturais.
Educação em saúde.
Planejamento e gestão.
Mobilização da comunidade.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
31
Note que as ações do PAS se baseiam em uma visão ampliada, em que a oferta da atividade física está 
interligada à cultura local, em conformidade com as necessidades do território. 
Em um relatório de 2019, observou-se que as ações de promoção da atividade física mais frequentes 
foram alongamento (76%), ginástica aeróbica (62%) e treinamento funcional (59%) (BRASIL, 2022a). Al-
guns estudos recentes mostram resultados promissores do impacto da criação do PAS na diminuição 
de internações por acidente vascular cerebral (AVC), gastos com internações hospitalares por doenças 
cerebrovasculares e redução na taxa de mortalidade por hipertensão e por câncer de cólon (LIMA et 
al., 2020; RODRIGUES, 2021; RODRIGUES et al., 2021; SILVA, 2021). 
Seu município tem polo do PAS? Clique aqui, no link https://aps.saude.gov.br/ape/
academia, e saiba mais como implantar um polo do PAS no seu município. 
SAIBA MAIS
Ainda, com o fortalecimento da pauta da promoção da atividade física, o PSE, instituído em 2007 
e atualizado em 2017, tem como objetivo ações de promoção, prevenção e atenção à saúde para 
os estudantes da rede pública da educação básica. Surgiu como uma política intersetorial entre o 
Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, no âmbito das escolas e Unidades Básicas de Saúde 
(UBS), realizada pelas Equipes de Saúde e Educação de forma integrada. Assim, a escola se torna um 
lócus privilegiado de promoção da saúde, em seu sentido amplo de produção de saúde. Visando o 
pleno desenvolvimento desses estudantes, esse programa prevê 13 ações, confira.
Ações do ProgramaSaúde na Escola
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
Ação inserida no programa 
a partir da publicação da 
Portaria nº 1.857, de 28 de 
julho de 2020. 
Verificação da situação vacinal
Alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil
Promoção e avaliação de saúde bucal e aplicação tópica de flúor
Saúde ocular e identificação de possíveis sinais de alteração
Combate ao mosquito Aedes aegypti
Saúde auditiva e identificação de possíveis sinais de alteração
Prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas
Identificação de sinais de agravos de doenças em eliminação
Prevenção de violências e acidentes
Práticas corporais, atividade física e lazer nas escolas
Promoção da cultura de paz, cidadania e direitos humanos
Direito sexual e reprodutivo e prevenção de DST/Aids
Prevenção à Covid-19 nas escolas
Um trabalho, com dados de 2014 a 2020, registrou um crescente número de ações de práticas cor-
porais e atividade física no contexto do PSE. Os autores reforçaram ainda que, no ciclo 2019-2020, o 
PSE atingiu em torno de 95% dos municípios brasileiros e foi considerado um importante meio para o 
fortalecimento das articulações entre os setores da educação e saúde (MANTA, 2022). 
https://aps.saude.gov.br/ape/academia
https://aps.saude.gov.br/ape/academia
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
32
Contudo, os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2019, apontam que 
apenas 28,1% dos estudantes brasileiros eram fisicamente ativos (realizaram 300 minutos ou mais 
de atividades físicas na semana anterior à pesquisa), sendo 38,6% dos meninos e 18,8% das meninas 
(IBGE, 2019). 
Nesse sentido, além de aumentar o número de estudantes fisicamente ativos, por meio de práticas 
desportivas, lúdicas e jogos, as ações no contexto do PSE devem contribuir com a promoção da saúde 
e da educação dos estudantes, em um caráter coletivo, porém potencializando a construção de apren-
dizagens sobre si mesmo (FRAGA; WACHS, 2007). Ademais, esse tipo de ação na escola pode estimular 
os alunos a conhecer e refletir sobre as possibilidades de prática de atividade física, a partir de uma 
perspectiva histórica e cultural e uma ampliação do saber-fazer na educação (VIANA; MAIA; MORGAN, 
2017). Também, há evidências de que a atividade física regular contribui e melhora as habilidades 
cognitivas, em função da regulação hormonal e de neurotransmissores (SCHMOLESKY, 2013). 
O Guia de Atividade Física para a População Brasileira elenca também uma série de outros benefícios 
para a saúde física, motora, psicológica e social dos estudantes. Além disso, ressalta a importância de 
uma educação física escolar de qualidade que deve ser preferencialmente ministrada por um professor 
de educação física, em pelo menos três aulas semanais de 50 minutos cada, incluindo conteúdos que 
possibilitem experiências positivas e abordagens inovadoras ao longo de todos os anos da educação 
básica, incluindo a educação infantil. 
Para saber como ter o Programa Saúde na Escola no seu município, acesse: 
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pse
SAIBA MAIS
É importante destacar também o papel das equipes multiprofissionais em ações, programas e polí-
ticas para a promoção da atividade física no SUS. Vimos anteriormente a relação entre os diversos 
determinantes de saúde presentes também nos 17 ODS e a promoção da atividade física – lembra de 
quantos ODS a atividade física pode colaborar? Dos 17 ODS, a atividade física pode colaborar em 13 
deles, o que demanda o envolvimento de todos os profissionais do setor saúde e de outros setores.
Nesse sentido, o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), criado em 2008 e redefinido como 
equipe multidisciplinar em 2020, contribuiu de forma significativa para o desafio da integração de 
diferentes saberes e produção do cuidado compartilhado. Suas ações e diretrizes consideraram uma 
abordagem da determinação social do processo saúde-doença. A equipe do NASF poderia ser com-
posta por:
 ▶ profissionais de educação 
física na saúde,
 ▶ médico acupunturista,
 ▶ assistente social,
 ▶ farmacêutico,
 ▶ fisioterapeuta,
 ▶ fonoaudiólogo,
 ▶ médico ginecologista,
 ▶ médico homeopata,
 ▶ nutricionista,
 ▶ médico pediatra,
 ▶ psicólogo,
 ▶ médico psiquiatra e
 ▶ terapeuta ocupacional.
Posteriormente, outros profissionais foram incluídos como médico veterinário, médico do trabalho, 
profissional de arte/educação, entre outros (BRASIL, 2014; 2017). 
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pse
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
33
Assim como os demais profissionais de saúde envolvi-
dos no cuidado dos usuários, o profissional de educa-
ção física atuava a partir de saberes relacionados ao 
campo - saberes compartilhados, em torno de um 
mesmo objetivo de trabalho da equipe - bem como à 
atuação a partir de saberes e domínios técnicos especí-
ficos de cada profissional (OLIVEIRA, 2010). Em relação a 
isso, no âmbito da atividade física, o papel do profissio-
nal de educação física era de coordenar, planejar, reali-
zar treinamentos especializados, e, como saber de 
núcleo, participar de equipes multidisciplinares e inter-
disciplinares, constituindo planos de cuidado com a 
equipe multiprofissional, inserindo as ações de ativida-
de física e práticas corporais, entre outros.
Histórico da atuação do profissional de educação física em equipes multiprofissionais
Após a revisão da PNAB, em 2017, e a implementação do Programa Previne Brasil, em 2019, os profis-
sionais dos NASF foram direcionados à Rede de Atenção à Saúde (RAS) e seus serviços, incluindo a APS, 
a exemplo do CAPS, do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), dos ambulatórios 
especializados, entre outras redes. Os CAPS, por exemplo, voltados aos atendimentos de pessoas com 
algum grau de sofrimento psíquico ou transtorno mental, passaram a ser beneficiados pela oferta 
de atividade física (BRASIL, 2012). O tratamento de reabilitação para usuários de substância psicoa-
tiva, como uso de álcool, crack e outras substâncias, quando aliado com a atividade física, apresenta 
benefícios, como controle de ansiedade, depressão, além de promover a socialização, cooperação e 
auxiliar na redução de danos (ORBON; MERCADO; BALILA, 2015; RAVINDRAN; SILVA, 2013). 
Nesse sentido, existem várias formas pelas quais o profissional de educação física pode atuar, por 
meio de programas com esportes, danças, lutas, alongamentos, jogos e brincadeiras, dentre outros. 
Ainda, por meio do aconselhamento para a prática de atividade física e que pode ser feito por qual-
quer profissional de saúde, partindo dos modos de vida de cada pessoa e seu contexto de vida.
Com a descontinuação dos credenciamentos de Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF), em 
janeiro de 2020, cada município passou a ter autonomia para elaborar a equipe conforme suas neces-
sidades locais, e o novo modelo de financiamento da APS passou a ter como métrica o resultado dos 
indicadores em saúde, mudanças que demandam novos desafios à gestão (BRASIL, 2022b). 
Assim, de modo a aumentar a oferta de ações de atividade física pelos estabelecimentos de saúde 
da APS, foi publicada a Portaria GM/MS nº 1.105, de 15 de maio de 2022, quando o Ministério da 
Saúde instituiu o IAF. Essa iniciativa, cujo objetivo é fomentar e estimular a prática de atividade física, 
financia, além da contratação de profissionais de educação física na saúde, a readequação de espaços 
para a prática de atividade física e a compra de materiais para a qualificação da oferta de ações de 
atividade física. Em 2022 foram credenciados 8.230 estabelecimentos de saúde da APS, do SUS, em 
4.128 municípios e no Distrito Federal, por meio da Portaria GM/MS nº 2.103, de 30 de junho de 2022. 
Vale destacar que o IAF não substitui o PAS, que continua sendo financiado e incentivadopelo Ministé-
rio da Saúde, tanto para os polos já existentes quanto para a implementação de novos polos (BRASIL, 
2022c), sendo as duas iniciativas estratégias complementares para o aumento da oferta de atividade 
física na APS.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
34
PARA PENSAR E PLANEJAR
Conheça o Manual de Credenciamento para o Incentivo Financeiro de Ativida-
de Física (IAF) por meio do link: https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/
MjExNw.
Mais recentemente, o Ministério da Saúde lançou o Programa e-Multi, que instituiu o incentivo finan-
ceiro federal de implantação, custeio e desempenho para as equipes Multiprofissionais na Atenção 
Primária à Saúde. A Portaria 635, de 22 de maio de 2023, apresenta os valores do repasse aos estados 
e municípios, bem como a relação das 22 especialidades que passam a constituir essas equipes, dentre 
eles o profissional de Educação Física na Saúde. Além da ampliação do rol de especialistas que podem 
compor a e-Multi, outra novidade do Programa é a possibilidade de atendimento remoto: consultas e 
atendimento de demandas gerenciais poderão ser realizadas pelos profissionais de saúde da e-Multi, 
por meio da utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). O Programa prevê também 
o pagamento por desempenho, com ciclos quadrimestrais de monitoramento dos indicadores acom-
panhados pelo Programa e apuração de resultados a partir de janeiro de 2024.
Para entender melhor como funciona o Programa e- Multi, acesse o link da Porta-
ria 635, de 22 de maio de 2023: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/
ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799.
SAIBA MAIS 
 
Para finalizarmos, fica claro que, assim como na agenda global, a atividade física foi ganhando espaço 
na agenda da saúde brasileira. Nesse sentido, em 2021, como vimos anteriormente, o Ministério da 
Saúde lançou o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, trazendo suas primeiras reco-
mendações e informações sobre atividade física para que a população tenha uma vida mais ativa fisi-
camente, promovendo a saúde e as possibilidades para a melhoria da qualidade de vida. 
O Ministério da Saúde atua também na oferta de aconselhamento de atividade física e modos de vida 
saudável. Dentre as iniciativas, podemos destacar o ConecteSUS e o Portal Saúde Brasil. O primeiro 
consiste em um aplicativo, desenvolvido pelo SUS, que possui uma funcionalidade chamada Peso 
Saudável. Nessa funcionalidade, há um programa de 12 semanas com dois eixos, sendo um de alimen-
tação saudável e outro de atividade física, baseado em orientações, desafios e recomendações para 
melhoria desses dois aspectos. 
O aplicativo está disponível para toda a população. Acesse o ConecteSUS no link: 
saude.gov.br. 
LINKS
Outro canal de comunicação do Ministério da Saúde com a população é o Portal Saúde Brasil. Esse 
portal surgiu da necessidade de levar aos brasileiros conteúdos informativos e de serviço com base 
em cinco pilares: 
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjExNw
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjExNw
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799
saude.gov.br
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
35
1
2
5
Eu quero me
alimentar melhor
Eu quero
me exercitar
3
Eu quero ter
peso saudável 
4
Eu quero
parar de fumar
Prevenção ao câncer (incluído
em out/nov de 2022)
Informações sobre
Coronavírus (retirado
em out/nov de 2022)
Você pode acessar o Portal Saúde Brasil no link: 
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil.
LINKS
Os conteúdos apresentados neste site são bastante diversificados e desenvolvidos em vários forma-
tos (textos, podcasts, vídeos, figuras), sendo bastante acessados e compartilhados pela população. 
Dentre esses conteúdos, há uma série de informações relevantes e atuais sobre atividade física.
1.2.4 | 	Benefícios da prática da atividade física na promoção da saúde
Baseado no que vimos até agora e a partir de seus próprios conhecimentos e experiências, a afir-
mação “atividade física faz bem” provavelmente não causa estranhamento ou soa como inverídica. 
Por isso, neste tópico, exploraremos um pouco mais essa questão, aprofundando pontos como: “Faz 
bem?”, “Para quem?”, “Em quais aspectos?”, “Quanto de atividade física seria necessário para alcançar 
esses benefícios?”, dentre outros pontos. Acompanhe. 
No Brasil, um estudo recente utilizando dados populacionais 
de 2017, apontou uma mortalidade atribuída à inatividade 
física de 15 mortes a cada 100 mil habitantes (Silva e 
colaboradores, 2020).
Globalmente, 7,2% das mortes por todas as causas e 7,6% 
das mortes por doenças cardiovasculares podem ser 
atribuídas à inatividade física. 
Dentre as DCNTs, a proporção de casos atribuídos à 
inatividade física varia de 1,6% para hipertensão a 8,1% 
para demência.
Fonte: adaptado de Silva e colaboradores (2020). 
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
36
Ao refletirmos sobre os dados vistos, fica evidente a importância da atividade física na prevenção de 
mortes prematuras. Porém, além de evitar essas possíveis mortes, a atividade física também pode 
ser fundamental para promover a qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, os benefícios da 
atividade física para a saúde são bem descritos na literatura, incluindo, por exemplo, menor risco 
de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer de mama e cólon, demência, excesso de 
peso e problemas de saúde mental (GUTHOLD, 2018).
Considerando que o construto de qualidade de 
vida envolve o bem-estar espiritual, físico, men-
tal, emocional, social, nos próximos parágrafos 
exploraremos, a partir da ótica do Guia de Ativi-
dade Física para a População Brasileira, uma sé-
rie de benefícios da atividade física para a saúde 
dos brasileiros, desde bebês até idosos, além de 
gestantes, mulheres no período puerperal e pes-
soas com deficiência. Mas, antes de explorarmos 
mais essas questões, é importante refletir que o 
padrão de atividade física pode mudar ao longo 
dos ciclos de vida, e normalmente é o que ocorre, 
e isso não é um problema. 
Existem algumas evidências que podem nos ajudar a entender esses comportamentos de atividade 
física ao longo da vida e que, portanto, podem trazer desdobramentos importantes para a saúde 
pública em geral. 
Há estudos sobre estilo de vida pregresso que indicam que crianças e jovens fisicamente ativos ten-
dem a ter mais chances de manter esse padrão ativo na vida adulta (VAN SLUIJS et al., 2021). Além 
disso, suas práticas de atividade física tendem a ser menos afetadas por outros eventos da vida, 
como, por exemplo, entrar na universidade, começar a trabalhar e mudanças na estrutura familiar 
(HIRVENSALO; LINTUNEN, 2011). Nesse sentido, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira 
contempla recomendações e informações do Ministério da Saúde sobre atividade física, em todos os 
ciclos de vida, visando a promoção da saúde e as possibilidades para a melhoria da qualidade de vida 
(BRASIL, 2021a).
REFLEXÃO
Pare um pouco para refletir sobre suas práticas de atividade física ao longo da 
vida. Provavelmente os jogos e as brincadeiras estavam mais presentes em sua 
infância do que agora, certo? A esse respeito quais são as suas memórias afe-
tivas? Você acredita que o seu envolvimento com a atividade física ao longo da 
vida foi similar ao de outras pessoas da sua geração? Olhar esses aspectos do 
ponto de vista da população como um todo é uma tarefa desafiadora. Como es-
sas informações podem compor um diagnóstico de um determinado território?
Antes de falarmos acercade informações e benefícios da atividade física em cada um desses ciclos de 
vida, seria relevante destacarmos que as recomendações de atividade física propostas para a popula-
ção brasileira variam de acordo com o contexto de cada grupo populacional, diferenciando-se quanto 
ao tipo de atividade, ao volume e à intensidade.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
37
BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA 
Auxilia no(a):
• crescimento e desenvolvimento 
saudável
• controle do peso adequado
• diminuição do risco de obesidade
• qualidade do sono
• coordenação motora
• funções cognitivas
• aprendizado
• integração e no desenvolvimento de 
habilidades psicológicas e sociais
• crescimento saudável de 
músculos e ossos
• saúde do coração e a condição física
Crianças até 5 anos
Auxilia no(a): 
• desenvolvimento humano 
e bem-estar
• saúde do coração
• condição física
• desenvolvimento de 
habilidades motoras
• humor 
• desempenho escolar
• controle do peso adequado
• redução da sensação de 
estresse e nos sintomas de 
ansiedade e de depressão
• diminui risco de obesidade
• adoção de uma vida saudável
• melhora da alimentação
• diminuição do tempo em 
comportamento sedentário 
6 a 17 anos
Para crianças de até um ano, por exemplo, a recomendação é de pelo menos 30 minutos por dia de 
barriga para baixo (posição de bruços) enquanto para adultos a recomendação é realizar pelo menos 
150 minutos de atividade física moderada ao longo da semana, ou pelo menos 75 minutos de ativida-
de vigorosa, ou uma combinação equivalente. Além disso, recomenda-se atividades de fortalecimento 
muscular, envolvendo os principais grupos musculares, em dois ou mais dias da semana. 
Saiba mais sobre as recomendações e informações do Ministério da Saúde so-
bre atividade física nos diferentes ciclos de vida disponível em: https://youtu.be/
AHtYfKATDWU.
Você também pode acessar os Cards Oficiais do Guia de Atividade Física para a 
população brasileira no link: https://drive.google.com/drive/folders/ 
1DkzOWFXcXTZ7Qrd3raEm8ZI-1IlAus2F.
SAIBA MAIS
https://youtu.be/AHtYfKATDWU
https://youtu.be/AHtYfKATDWU
https://drive.google.com/drive/folders/1DkzOWFXcXTZ7Qrd3raEm8ZI-1IlAus2F
https://drive.google.com/drive/folders/1DkzOWFXcXTZ7Qrd3raEm8ZI-1IlAus2F
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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Além dos benefícios citados para 
o grupo de adultos, auxilia no(a): 
• aumento na energia, disposição, 
autonomia e independência para 
realizar as atividades do dia a dia
• redução do cansaço
• melhora da capacidade 
para se movimentar 
• fortalecimento de músculos e ossos
• melhora na postura e no equilíbrio 
 
• redução de dores nas 
articulações e nas costas 
• redução do risco de 
quedas e lesões
• manutenção da memória, da 
atenção, da concentração, 
do raciocínio e do foco 
• redução no risco de demência
Idosos
Auxilia no(a): 
• relaxamento, divertimento 
e disposição
• controle do peso corporal
• redução do risco de 
desenvolvimento de pressão 
alta e diabetes gestacional
• redução do risco de 
desenvolvimento de pré-eclâmpsia
• melhora da capacidade de fazer 
as atividades do dia a dia
• redução da intensidade 
das dores nas costas
• redução do risco de depressão
• criação e fortalecimento de laços 
sociais, vínculos e solidariedade
• redução do risco de 
nascimento prematuro
• contribui para o peso 
adequado do bebê 
Período gestacional e pós-parto
Auxilia no(a): 
• desenvolvimento humano 
e bem-estar 
• prevenção e redução na 
mortalidade por diversas 
doenças crônica
• controle do peso
• sintomas da asma
• redução no uso de medicamentos
• melhora o sono
• diminui o estresse e sintomas 
de ansiedade e de depressão
• promove prazer, relaxamento, 
divertimento e disposição
• ajuda na inclusão social, na criação 
e no fortalecimento de laços 
sociais, vínculos e solidariedade 
• resgata e mantém vivos diversos 
aspectos da cultura local
Adultos
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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Conforme observado, para todas as faixas etárias, a atividade física pode proporcionar benefícios 
substanciais para a saúde e a qualidade de vida. Note que, agora, você é capaz de ir além da “simples” 
frase: “Atividade física faz bem!”. Ao observarmos os benefícios da atividade física em cada ciclo da 
vida, há potencialidades de conexão da atividade física como produção do cuidado em todos os níveis 
da atenção à saúde (primária, secundária e terciária). 
É importante refletirmos sobre os objetivos da atividade física para crianças e adolescentes, não so-
mente para promover saúde e prevenir doenças, e também sobre o quão importante ela também é 
para adultos e idosos, cujos objetivos da atividade física não são apenas para o tratamento de doenças 
e agravos. É claro que, como vimos anteriormente, quanto mais ativo fisicamente nos ciclos iniciais 
maiores as chances de se manter ativo na vida adulta. 
Logo, a atividade física para crianças e adoles-
centes teria um maior potencial de impactar a 
promoção de saúde ao longo da vida. Indepen-
dentemente disso, relembramos que a atividade 
física é um dos elementos que determinam e/ou 
condicionam a saúde da população, além de ser 
um direito de todas as pessoas. 
Ainda sobre os impactos positivos da atividade 
física, você deve ter notado que, para todas as 
faixas etárias, além dos benefícios biológicos 
existem os psíquicos e sociais, frutos da convi-
vência em grupo, da construção de vínculos e do 
pertencimento. 
Esse momento de interação, pode oportunizar a formação de laços de amizade, troca de experiências, 
conversas sobre diversos assuntos, risadas e diversão. Além disso, como bem colocado no ODS 10 
(redução das desigualdades), a atividade física e os esportes estão associados a valores como justiça, 
inclusão e empoderamento, que podem encorajar maior contribuição social, fortalecer os sujeitos no 
território e gerar comunidades mais solidárias.
Além dos benefícios listados para cada 
faixa etária, auxilia no(a): 
• aumento da autonomia para 
realização das atividades diárias
• promoção de relaxamento, diverti-
mento e disposição
• aumento da força muscular, da 
resistência, da coordenação moto-
ra, do equilíbrio, da flexibilidade e 
da agilidade
• redução da sensação de estresse 
e dos sintomas de ansiedade e de 
depressão
 
• melhoria das habilidades de 
socialização e ajuda na criação e 
no fortalecimento de laços sociais, 
vínculos e solidariedade
• melhoria da imunidade, da atenção, 
da memória, do raciocínio e do 
humor
• controle do peso 
• redução dos riscos de doenças do 
coração, diabetes, pressão alta e 
colesterol alto
Pessoas	com	deficiência
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
40
Como consequência, nos mais jovens, por exemplo, essa interação social mediada pela atividade física 
pode potencializar a noção de coletividade e o exercício da cidadania. Já para idosos e entre aqueles 
em sofrimento psíquico pode contribuir para a saúde mental. Um estudo britânico apontou que as-
pectos sociais, como o aumento no número de amizades, são fatores relevantes para a saúde mental, 
reduzindo as chances de sintomas de depressão e de ansiedade em 50% (HARVEY et al., 2010). 
PARA PENSAR E PLANEJAR
Após refletir sobre as questões abordadas, você como estudante vislumbra 
possibilidades de desenvolver ou fortalecer ações, programas e políticas de 
ofertas de atividade física em seu território?
1.3 | 	Encerramento
O objetivo desta unidade foi compreender, de forma ampliada, a importância da promoção da ati-
vidade física, entendendo seus benefícios para a população, passando pela agenda global e pelas 
proposições no SUS. 
Nesta unidade, vimos que a atividade física éum direito e que se relaciona com os determinantes 
e condicionantes da saúde, sendo influenciada por diferentes fatores, não sendo, portanto, apenas 
uma escolha individual. Conhecemos historicamente sua inserção em agendas globais e nacionais, 
entendendo-a como parte fundamental na integralidade do cuidado em saúde a partir de uma visão 
ampliada. Exploramos a atividade física como uma importante ferramenta de promoção da saúde, da 
qualidade de vida, da prevenção e do tratamento de algumas doenças e agravos. Fica evidente que a 
temática da atividade física está em constante mudança e que pesquisas, políticas e programas para 
a promoção da atividade física estão em constantes evoluções sendo mais que importante seu estudo 
continuado para o desenvolvimento profissional.
Nós, Inaian e Alessandra, nos despedimos de 
você e esperamos que você desfrute de cada 
novo conhecimento que virá no restante desta 
trajetória do curso. Sinceramente, esperamos 
que você possa finalizar o curso muito mais 
preparado para trabalhar com a temática da 
atividade física. Desejamos que você, gestor ou 
profissional de saúde, sinta-se mais encorajado 
para implantar e implementar ações, programas 
ou políticas de promoção da atividade física no 
contexto do SUS, e incluir esse tema na gestão 
do seu município. Destacamos a sensibilidade 
e a intencionalidade que o gestor deve ter para 
garantir que os processos de trabalho incluam 
as perspectivas multiprofissionais, interdiscipli-
nares e intersetoriais e que essa formação possa 
ser traduzida em mais pessoas fisicamente ativas 
e saudáveis em nossas comunidades. 
Nesse sentido, a próxima unidade é de fundamental importância pois, baseado no conhecimento, nas 
políticas e nos programas atuais, trará a você uma série de instrumentos de planejamento e de gestão 
para a inclusão da promoção da atividade física no SUS e de como investimentos nessa temática 
podem ser vantajosos para o SUS. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
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1.4 | 	Referências
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https://ncdportal.org/CountryProfile/GHE110/Brazil#risk-factor5PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN1
45
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UNIDADE
PERSPECTIVAS ECONÔMICA E POLÍTICA DA 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E O PAPEL 
DOS GESTORES DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
 2
Fabio Fortunato Brasil de Carvalho
Leticia Aparecida Calderão Sposito
OBJETIVO GERAL
Ao final do estudo desta unidade, você será capaz 
de compreender o papel da gestão na inserção da 
promoção da atividade física nos instrumentos de 
planejamento e de gestão, no contexto do Sistema 
Único de Saúde (SUS), considerando a responsabi-
lidade intersetorial e as perspectivas econômicas, 
políticas e sociais.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 ▶ Apresentar instrumentos de gestão e de planeja-
mento da gestão pública e do SUS.
 ▶ Relacionar a inclusão da promoção da atividade 
física nos instrumentos de gestão e de planeja-
mento do SUS.
 ▶ Especificar as atribuições dos diferentes atores 
no âmbito da gestão tripartite do SUS.
 ▶ Compreender como os investimentos em pro-
moção da atividade física podem ser vantajosos 
para o SUS.
 ▶ Reconhecer a articulação intersetorial a partir do 
setor saúde como forma de fortalecer programas 
e ações de promoção da atividade física.
 
Carga horária recomendada para esta unidade: 
15 horas
UNIDADE 2
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
48
2.1 | 	Introdução
Como já é de seu conhecimento, muitos instrumentos usados no planejamento da gestão pública e 
do SUS podem abordar o tema promoção da atividade física, dentre os quais serão trabalhados nesta 
Unidade: Planos Plurianuais; Leis Orçamentárias; Plano Municipal/Distrital de Saúde, Programação 
Anual de Saúde e Relatório Anual de Gestão; Conferências e Conselhos de Saúde; Plano Diretor, Pla-
nos Intersetoriais, Planos de Mobilidade e outros.
Nesta unidade serão abordadas formas de in-
clusão de ações e programas de promoção da 
atividade física nos instrumentos de gestão e de 
planejamento setoriais da saúde. Maior enfoque 
será dado ao plano municipal/distrital de saúde, 
à programação anual de saúde e ao relatório 
anual de gestão – e, de forma mais ampla, à ques-
tão orçamentária, para efetivar a promoção da 
atividade física no SUS como uma estratégia de 
cuidado e como uma possibilidade de articulação 
intersetorial a partir do setor saúde.
A partir da defesa da saúde como um direito e resultado das condições sociais nas quais as pessoas 
estão inseridas, há a necessidade de os serviços e profissionais de saúde contribuírem para a forma-
ção de ambientes favoráveis à promoção da saúde da população, sendo também uma possibilidade 
de implementação da promoção da atividade física nos territórios.
Como a saúde é influenciada por diferentes fatores como transporte, educação, alimentação, entre 
outros, não podemos perder de vista que vivemos em um contexto de grandes iniquidades, no qual 
o acesso a serviços que facilitem a prática da atividade física ainda é escasso e desigual. Assim, a fun-
ção dos serviços e profissionais de saúde é gerar cenários propositivos para que as pessoas tenham 
oportunidade de realizar atividades promotoras de saúde. Nesse sentido, o planejamento das ações 
é fundamental, em especial ao ser pautado como uma das formas de provocar mudanças nos pro-
cessos de gestão. Com isso, torna-se essencial que as diferentes áreas do setor saúde, em conjunto 
com as demais áreas do governo, dialoguem sobre seus objetivos para a saúde da população, seus 
propósitos, como podem se articular, com que recursos podem contar, ou seja, é preciso planejar em 
conjunto, pois assim ficam registrados os objetivos e compromissos de cada um. 
O planejamento é considerado uma ferramenta importante para a gestão, pois é um compromisso 
estabelecido com as ações e, em nosso caso, ao pautar a temática da promoção da atividade física no 
SUS (nos diferentes planos), estamos assumindo o compromisso de fazê-la acontecer e registrando 
que uma de nossas tarefas será incorporar a atividade física no cotidiano das ações do SUS. Assim, se 
faz necessário fortalecer a institucionalização das práticas estruturadas de planejamento, superando 
aquelas verticais, ritualísticas e com baixo compromisso com ações concretas, que não levam em 
conta as reais necessidades dos territórios e das comunidades e servem apenas como resposta a 
obrigatoriedades em uma etapa burocrática.
REFLEXÃO
Em relação aos papéis dos gestores do SUS (federal, estaduais/distritais e muni-
cipais), você, estudante, que está conosco, neste momento é importante que se 
pergunte: o que pode ser feito pela gestão para implantar e implementar ações, 
programas e políticas de promoção da atividade física?
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) são 
importantes políticas do SUS que referem a atividade física como uma das responsabilidades comuns 
a todas as esferas de governo. Entendendo que o principal lócus de oferta da atividade física no SUS 
é a APS, podemos compreender a relevância de incluir a promoção da atividade física nos referidos 
instrumentos do planejamento da gestão pública e do SUS. Alguns pontos são importantes para for-
talecer a promoção da atividade física no SUS: 
 ▶ no âmbito da Secretaria de Saúde, a existência de uma área técnica de forma a dar visibilidade 
ao tema e buscar mais recursos com a finalidade de gerir as ações; 
 ▶ a oferta de ações e programas, a partir de recurso federal, estadual/distrital e/ou do próprio 
município,portanto, tendo o financiamento como elemento importante. 
Esses pontos permitirão a definição de processos de trabalho, objetivos tangíveis, contexto institucional 
favorável para a organização do trabalho multiprofissional e interdisciplinar, etc. A partir daí, conside-
rando que a gestão do SUS é compartilhada entre os entes federativos, destacaremos nesta unidade de 
estudos algumas responsabilidades e possibilidades de ação da gestão da saúde de cada esfera pública, 
utilizando como base principalmente a PNAB e a PNPS. Existem responsabilidades comuns ao Ministério 
da Saúde (União), às Secretarias Estaduais (Estados) e às Secretarias Municipais de Saúde (Municípios). A 
Secretaria Distrital de Saúde (Distrito Federal) compartilha aquelas estaduais e municipais.
2.2 | 	Inclusão da promoção da atividade física nos instrumentos de 
gestão e de planejamento da gestão pública e do SUS
O êxito da promoção de atividade física no âmbito municipal, estadual e nacional poderá acontecer a 
partir do debate, planejamento e inserção dessa agenda nos diversos instrumentos de gestão. A figura 
a seguir ilustra os instrumentos de planejamento e gestão do SUS que serão apresentados nesta 
unidade. É importante considerar que, apesar de serem descritos na ordem lógica do macro ao micro, 
eles são interdependentes e podem percorrer diversos caminhos para a sua concretização.
Planejamento
Governamental
Instrumentos
Gestão SUS
Plano Plurianual
(PPA)
Lei Orçamentária
Anual (LOA)
Prestação de Contas
Balanço Anual
Plano Municipal
de Saúde
Programação Anual
de Saúde
Relatório Anual
de Gestão
Agora, vamos conhecer melhor cada um desses pontos, confira.
2.2.1 | 	Plano Plurianual
O Plano Plurianual (PPA) é um instrumento de planejamento governamental de médio prazo que 
define procedimentos, objetivos e metas para cada ente federativo. Nesse sentido, sabemos que 
existe uma legislação que garante a sua institucionalização – Art. 165 da Constituição Federal. Vamos 
entender como pode ser planejado, quais são os atores envolvidos e os seus princípios básicos.
O PPA é elaborado para um período de quatro anos – planeja-se no primeiro ano de gestão e aplica-se 
nos próximos quatro anos, adentrando ao primeiro ano do próximo mandato. Seu propósito é estabe-
lecer diretrizes, metas e objetivos da gestão pública por meio de propostas apresentadas pela popu-
lação e pelos poderes legislativos (vereadores, deputados estaduais/distritais ou deputados federais e 
senadores) e executivo (prefeito, governadores ou presidente), para o desenvolvimento do Município, 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
50
Estado, Distrito Federal ou União. É importante que diferentes atores estejam envolvidos, inclusive a 
sociedade civil, visto que o seu impacto será sentido diretamente no dia a dia da vida em comunidade. 
Podemos dizer a você que o PPA tem relação com os seus planos de trabalho, visto que você atua 
diretamente com a população e é um dos responsáveis por fazer acontecer as políticas públicas.
Fortalecer a participação social em 
todos os espaços formais e informais.
Criar e fortalecer os espaços 
institucionalizados como conselhos. 
Instituir fóruns intersetoriais (saúde, 
esporte e lazer, transporte, meio 
ambiente, cultura, entre outros).
Estratégias para um planejamento mais inclusivo
Disponibilizar formulários online para 
consulta pública. 
Envolver representantes do poder executivo, 
legislativo e judiciário.
Garantir sessões públicas para a discussão 
sobre o PPA no Poder Legislativo (Câmaras 
municipais, estaduais, distrital, federal e no 
Senado), principalmente no âmbito dos 
municípios com os/as vereadores/as. 
Confira no infográfico abaixo como podem ser planejadas as ações no âmbito municipal.
No primeiro, dos quatro anos de gestão do município após as eleições, o PPA 
deve ser enviado à câmara municipal pelo poder executivo (prefeito) até o mês 
de agosto, para que o poder legislativo (vereadores) possa analisar, aprovar, 
vetar e adicionar emendas ao documento.
De janeiro a agosto do primeiro ano de mandato
Até o final de dezembro do mesmo ano o documento deverá ser votado, para 
que possa vigorar a partir do primeiro dia de janeiro do ano seguinte (no 
segundo ano de mandato). 
Até final de dezembro do primeiro ano de mandato
Assim, após a aprovação, o documento volta ao poder executivo para sanção do 
prefeito e, posteriormente, publicação no diário oficial como lei. Porém, vale 
lembrar que a proposta orçamentária sempre será organizada para quatro anos, 
independentemente de a gestão continuar nos próximos anos ou não, ou seja, é 
esperado que as políticas públicas tenham continuidade em uma nova gestão.
Aprovação e publicação (documento planejado para quatro anos)
Como possibilidade de inclusão ao PPA, a gestão pública municipal/distrital pode considerar a inclusão 
da oferta de programas e ações de promoção da atividade física nas unidades de saúde e no território 
como um todo. Sabemos que os recursos financeiros são sempre uma pauta muito importante na 
gestão dos municípios. Nesse sentido, deverão estar descritos além de propostas de políticas públicas 
que suportem os problemas da população e as necessidades do território, também, os investimentos 
que serão utilizados nos quatro anos seguintes.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
51
PARA PENSAR E PLANEJAR
Gostaríamos de convidar você a revisitar e analisar o PPA do seu município/
Distrito Federal e observar se há alguma proposta que esteja relacionada à 
promoção de atividade física. Vale ressaltar que o plano pode e deve ser revisto 
anualmente, sobretudo, em caso de início de propostas que ultrapassem o 
exercício financeiro já estipulado para o ano.
Portanto, merece atenção os aspectos e a discussão das propostas e do planejamento do PPA, utili-
zando estratégias mais participativas, com técnicas que consideram os imprevistos e, principalmente, 
a capacidade de atingir as metas dentro do período de quatro anos. Como exemplo, a metodologia 
SMART (acrônimo em inglês) é uma técnica utilizada para auxiliar no planejamento e na construção 
de metas específicas, mensuráveis, realistas, relevantes e temporais e, com isso, contribuir para o 
desenvolvimento dos projetos vinculados ao PPA. Lembramos de que esses itens podem não ser 
respondidos em uma única sequência.
Observe um exemplo a seguir dirigido à população em geral.
Específico
(Specific)
Mensurável
(Measurable)
Alcançável
(Achievable)
Realista
(Realistic)
Temporal
(Time based)
Metas	 específicas: uma meta específica favorece a sua ação e evita a descontinuidade, de 
modo a alimentar o seu alcance dentro da proposta ou do programa.
• Ofertar ações de promoção da atividade física para população geral, em dez equipamentos 
sociais do município (unidades de saúde, centros sociais, igrejas ou outros espaços públicos 
abertos como praças, parques, ciclovias e academias ao ar livre, próximos ao território dos 
estabelecimentos de saúde).
Mensurável: uma meta só será factível se for possível de mensurar/medir/qualificar e se for 
compreensível a todos os envolvidos.
• A partir da meta sobre a oferta de práticas de atividade física em dez equipamentos sociais, 
localizados próximos às unidades de saúde, será preciso mensurá-la, pois o sucesso depen-
derá de grande parte dessa condição.
• Nesse caso, em um primeiro momento, sugere-se um acompanhamento trimestral junto aos 
responsáveis pela implementação das práticas de atividade física nos equipamentos sociais 
(no caso deste curso, a Secretaria de Saúde, os profissionais vinculados, os coordenadores 
das UBS, entre outros, mas também pode ser a Secretaria de Esporte e Lazer, por exemplo).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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• Nesseacompanhamento, é importante ter direcionamentos para cada três meses, de modo 
que a proposta possa ser atingida em 18 meses, por exemplo. Junto aos direcionamentos, 
deve haver uma avaliação continuada dos profissionais em relação à oferta e, a partir deles, 
em um primeiro momento (período de implantação), compreender qual a percepção dos 
usuários sobre a prática por meio de informações qualitativas, mas que poderão ajudar no 
processo de implementação de novos locais, como o horário da atividade, o tipo de atividade 
e quais as principais barreiras para que aquela população local possa participar, entre outros. 
Alcançável: uma meta poderá ser atingida considerando os recursos disponíveis (humanos, 
materiais, financeiros, etc.) e as suas restrições.
• Em debates prévios foi apontado ser possível implementar a oferta de atividade física em dez 
equipamentos sociais, considerando os desafios da falta de capacitação sobre a promoção da 
atividade física, juntamente com a inadequação de espaços públicos, como praças e parques. 
Na sequencia, ficou pactuado e planejado com diferentes atores e setores da prefeitura que 
seriam realizadas ações de educação permanente com 50% dos profissionais atuantes na 
APS em parceria com a instituição de ensino superior, além de pequenas reformas, reparos 
e limpeza em curto a médio prazo, viabilizando a utilização dos espaços. Importante conside-
rar que as restrições políticas podem ser mitigadas com um planejamento mais participativo.
Realista: uma meta deve estar relacionada a uma demanda, um problema local, conjuntamente 
a uma agenda governamental, pois isso facilitará a sua inserção.
• A atividade física é um direito que traz benefícios para a saúde e a qualidade de vida. Portan-
to, não ampliar o acesso às pessoas é não permitir que elas desfrutem dessas possibilidades, 
sendo um problema a ser enfrentado. Diferentes incentivos como o Programa Academia da 
Saúde (PAS), o Incentivo de Atividade Física (IAF) e documentos norteadores, como a PNAB, 
a PNPS e o Guia de Atividade Física para a População Brasileira destacam a importância da 
promoção da atividade física. Os gestores e demais trabalhadores que atuam no SUS podem 
ser embaixadores da agenda da atividade física em seus contextos locais, participando da 
construção da agenda junto à comunidade, no cotidiano das ações e em arenas e lugares de 
conversa com a maior abrangência possível de atores e setores.
Temporalidade: uma meta deve possuir um tempo para ser concretizada.
• Inserção/início da promoção de atividades físicas em dez equipamentos sociais em até 18 
meses. É possível escalonar a meta no período, por exemplo, dois equipamentos a cada três 
meses em média
Como puderam verificar a estratégia SMART poderá ser uma ferramenta no estabelecimento de me-
tas sobre a promoção da atividade física. Para não esquecer, deixe o acrômio na sua mesa de trabalho 
e sempre que necessário retorne aqui para relembrá-lo. Agora, um assunto que vale atenção é a 
intersetorialidade, um dos princípios da PNPS.
No processo de construção do PPA, vale lembrar que a intersetorialidade é um dos princípios da PNPS 
e objetiva ampliar a atuação sobre determinantes e condicionantes da saúde, sendo definida como: 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
53
“processo de articulação de saberes, potencialidades e experiências de sujeitos, grupos e setores na 
construção de intervenções compartilhadas, estabelecendo vínculos, corresponsabilidade e cogestão 
para objetivos comuns” (BRASIL, 2017). Por meio desse conceito é possível articular sujeitos e proces-
sos organizacionais, superar a fragmentação, tomar o território como referência para ações e produzir 
sinergia para potencializar o enfrentamento de problemas complexos. Por isso, leva à reflexão sobre 
noções de reciprocidade e de complementaridade na ação humana. 
A promoção da atividade física certamente poderá se beneficiar da intersetorialidade 
– como, por exemplo, por meio da parceria do setor saúde com o setor do esporte, 
que impactará o acesso a ações e programas de atividade física. Outro exemplo é a 
relação do setor saúde com o setor de urbanismo e infraestrutura, com a melhoria 
da mobilidade, que pode favorecer o deslocamento ativo. Ambas as parcerias se 
conectam com diversas metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). 
Vale lembrar, também, que os princípios e as diretrizes do SUS e da PNPS evidenciam a relevância da 
participação dos profissionais de saúde e de outros setores e da população na análise e na formulação 
de ações que visem a produção de saúde e do cuidado. Por isso, ressaltamos a participação da popu-
lação e de profissionais de saúde na construção do planejamento em todas as etapas: dos planos de 
trabalho em cada equipamento até os planos com diretrizes de ações vinculadas ao orçamento.
Após compreender como o PPA pode ser planejado e quais são os atores e setores envolvidos, é 
importante pensar sobre algumas etapas durante o seu processo de construção, no qual você pode 
atuar de maneira direta ou indireta. Para tal, ajudaremos fazendo alguns apontamentos:
Identificação clara dos objetivos e 
das prioridades da gestão local
Organização dos propósitos da 
administração pública em programas
Otimização dos recursos orçamentários
Transparência
Identificação de atores e dos órgãos gestores 
dos programas e ações governamentais
Conheça a seguir cada um dos temas.
A	–	Identificação	clara	dos	objetivos	e	prioridades	da	gestão	local
Espera-se que você, enquanto gestor e profissional atuante na área da saúde, possa contribuir para 
identificar os objetivos e as prioridades (fragilidades e/ou potencialidades) do território que precisam 
ser atendidas a partir de projetos e estratégias e, por esse caminho, construídos a partir do diálogo 
com a população. O tema da promoção da atividade física na APS certamente tem enorme potencial 
de contribuição nos diálogos sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida, e é uma pauta positiva para 
a gestão municipal/distrital. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Por exemplo, a promoção da atividade física está relacionada a diferentes ODS da ONU. Como vimos 
anteriormente, são 17 ODS, dentre os quais em 13, a depender da sensibilidade e intencionalidade 
da gestão, podem ser feitas relações com a promoção da atividade física, com destaque para: saúde e 
bem-estar; educação de qualidade; igualdade de gênero; redução das desigualdades; cidades e comu-
nidades sustentáveis; ação contra a mudança global do clima; entre outros.
Outro referencial que pode fortalecer a promoção da atividade física são as agendas urbanas como 
as de cidades saudáveis, que reconhecem a complexidade do viver nas cidades de forma integrada, 
com vistas a oportunizar acesso e opções mais saudáveis para todas as pessoas. A atividade física, 
nesse caso, pode ser promovida por meio do acesso à ciclofaixas e ciclovias interligadas ao transporte 
público e aos espaços públicos de lazer, como praças e parques, por exemplo.
Para conhecer os Critérios globais para cidades saudáveis, acesse: 
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2022/05/1370193/31_rr_depros_cidades-
saudaveis_final.pdf
SAIBA MAIS
Além da promoção da atividade física nos serviços do SUS, a busca de parcerias (inclusive para a 
ampliar a oferta em outros espaços públicos como praças, ciclovias, clubes, ruas de lazer e vias ade-
quadas) pode ampliar as possibilidades e formas de as pessoas serem mais ativas fisicamente, por 
exemplo oportunizando o deslocamento ativo.
As escolas abertas nos fins de semana para a prática esportiva de lazer, brincadeiras e jogos também 
são opções para ampliar o acesso às atividades físicas. Especificamente sobre a promoção da ativi-
dade física a partir das unidades de saúde, é importante que essa esteja nos Planos Plurianuaispara 
que tenha visibilidade e seja executada em conformidade com as metas estabelecidas, ou seja, que 
seja incluída no cotidiano dos processos de trabalho, e nas arenas municipais, regionais, distritais e 
estaduais de formulação de instrumentos de planejamento e de gestão.
B	–	Identificação	de	atores	e	dos	órgãos	gestores	dos	programas	e	ações	governamentais
Cabe ainda considerar quais redes existem no território, que assumem algum lugar na gestão local, 
pois cada ator envolvido possui conhecimentos importantes sobre os problemas e as potencialidades 
locais (inclusive organizações sociais, movimentos e coletivos). Assim, espera-se que a Secretaria de 
Saúde esteja envolvida diretamente em ações, programas e políticas ao organizar as suas áreas com 
responsabilidades e metas claras, além de participar, como convidada, ou liderar a proposição de 
projetos e iniciativas com outras secretarias.
Aqui é importante mapear quem são os atores responsáveis e participantes dos programas, quais 
os níveis de gestão estão envolvidos, além do municipal, para que seja possível debater e pactuar a 
inclusão no Plano Plurianual Por exemplo: o setor saúde pode criar condições para implementar ou 
implantar o Programa Academia da Saúde e promover uma articulação para a sua estruturação ou 
ampliação em relação à oferta de ações e programas de promoção da atividade física com outras 
secretarias como educação, lazer, esporte, cultura, etc., assim como com outros atores do município 
do terceiro setor, Sistema S (SESC, SESI, SENAI, SENAC, etc.), entre outros.
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2022/05/1370193/31_rr_depros_cidades-saudaveis_final.pdf
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2022/05/1370193/31_rr_depros_cidades-saudaveis_final.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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C	–	Organização	dos	propósitos	da	administração	pública	em	programas
O envolvimento da Secretaria de Saúde em programas de promoção da atividade física deve estar 
alicerçado na PNAB, na PNPS, no Guia de Atividade Física para a População Brasileira e em outras 
normativas do SUS. Segundo a PNPS, é função das três esferas de gestão do SUS incluir a promoção 
da saúde em conformidade com os instrumentos de planejamento e gestão do SUS, considerando as 
especificidades locorregionais. Cabe assim deixar claro quais são os propósitos da gestão municipal 
quanto ao tema saúde, e no que diz respeito ao fomento da atividade física nos seus serviços de saúde. 
Ao considerar a atividade física um direito e fomentá-la na APS do seu município, é possível aumentar 
os níveis de atividade física, contribuir para o enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissí-
veis (DCNTs) e melhorar a qualidade de vida da população.
D – Otimização dos recursos orçamentários
Os programas devem considerar o repasse de recursos para a Secretaria Municipal de saúde vindos 
do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual/Distrital de saúde, assim como recursos próprios do 
município, e as parcerias intersetoriais para o desenvolvimento de ações e programas. No caso da 
promoção da atividade física, os setores da gestão pública podem otimizar recursos orçamentários 
para o desenvolvimento de ações, programas e políticas intersetoriais. Como exemplo, é possível 
que o município busque por meio das emendas parlamentares o recurso para a construção de polos 
do Programa Academia da Saúde que são estabelecimentos de saúde da APS, ou a solicitação de 
credenciamento ao Incentivo de Atividade Física (IAF) na APS. Além disso, a integração com outras 
áreas da gestão pública poderá estimular a atividade física como forma de deslocamento ativo, seja 
de caminhada e/ou uso da bicicleta com a estruturação ou melhoria de calçadas, ciclofaixas e ciclovias. 
Aproveitar a semana do dia 6 de abril, na qual comemora-se o Dia Mundial da atividade física.
Vale considerar que caso o município já tenha esses espaços em funcionamento, cabe também a 
sua divulgação por meio de eventos públicos a população e que estimulem a promoção da atividade 
física, por exemplo: caminhadas coletivas, dia da bicicleta, entre tantas ideias possíveis e que podem 
ser realizadas em parceria com os demais setores, como: educação, turismo, cultura e esporte. É 
importante considerar que, para além de ter os espaços, é necessário que a população compreenda 
as possibilidades de uso.
Portarias relacionadas com o Incentivo de Atividade Física (IAF):
• Instituição: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-1.105-de-15-de-
maio-de-2022-400410284
• Credenciamento: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-2.103-de-30-
de-junho-de-2022-412326237 
• Homologação: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.872-de-26-de-
outubro-de-2022-440258107
LINKS
E – Transparência
Dar visibilidade a todo o processo de gestão e de planejamento nos diversos canais de comunicação, 
desde a identificação dos objetivos e a estruturação de ações, programas e políticas, a fim de garantir 
a representatividade dos interessados, inclusive na determinação dos recursos utilizados, assim como 
a possibilidade de realização do controle e da fiscalização.
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-1.105-de-15-de-maio-de-2022-400410284
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-1.105-de-15-de-maio-de-2022-400410284
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-2.103-de-30-de-junho-de-2022-412326237
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-2.103-de-30-de-junho-de-2022-412326237
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.872-de-26-de-outubro-de-2022-440258107
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.872-de-26-de-outubro-de-2022-440258107
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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REFLEXÃO
Bom, agora é o momento de refletir na prática sobre um problema ou uma ne-
cessidade que possa ser incorporada ao PPA. Vamos pensar em um exemplo do 
setor saúde e das condições que devem ser consideradas ao longo do processo, 
tudo bem? Acompanhe. 
Há diversas maneiras de identificar uma necessidade ou um problema e pensar em como resolvê-lo; 
em seguida teremos seis questões orientadoras em diferentes fases, para ajudar no desenvolvimento 
de um projeto. A estrutura a seguir é conhecida como modelo lógico, sendo usada pelo Ministério 
da Saúde para formulação de políticas públicas. Este esquema oferece elementos que auxiliam no 
processo de implementação, pré, durante e pós, de uma política pública, para isso, observe a seguir.
Qual o problema ou necessidade merece atenção/coordenação da secretaria de saúde?
Quais os recursos/insumos necessários para atendê-lo?
O que será avaliado durante esse processo?
Qual o produto esperado a partir dos recursos/insumos?
Qual o resultado esperado?
Qual o impacto de se resolver esse problema?
Exemplo: Muitas pessoas (alta prevalência) com sobrepeso e obesidade (total 
de pessoas com sobrepeso e obesidade cadastradas nas Unidades de Saúde).
Fase de implementação: Antes.
Exemplo: Contratação de equipe multiprofissional, da qual farão parte 
o Profissional de Educação Física e nutricionista.
Fase de implementação: Durante.
Exemplo: Acompanhamento sobre a participação de pessoas com 
sobrepeso e obesidade nas atividades (aulas de atividade física, momentos 
de educação em saúde, consultas, etc.) ofertadas nas unidades de saúde.
Fase de implementação: Depois.
Exemplos: Aumento do percentual de participação de pessoas com sobrepeso e obesidade 
nas atividades ofertadas nas unidades de saúde. Aumento do percentual de registro de 
atividades ofertadas pela equipe multiprofissional de saúde no Sistema de Informação em 
Saúde para a Atenção Básica (SISAB).
Fase de implementação: Depois.
Exemplos: Aumento da participação de pessoas com sobrepeso e obesidade nas atividades 
ofertadas nas unidades de saúde. Redução do crescimento (diminuição da prevalência)do 
número de pessoas com sobrepeso e obesidade no município. Redução do Índice de Massa 
Corporal (IMC) dos participantes (acompanhamento a cada 6 meses).
Fase de implementação: Depois.
Exemplos: Aumentar a qualidade de vida das pessoas com sobrepeso e obesidade. Diminuir 
o risco do desenvolvimento de outras DCNTs, como diabetes, hipertensão e depressão.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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A partir do exemplo ilustrado, sugerimos que você faça uma reflexão sobre uma necessidade e/ou 
problema no seu município que poderá ser incorporada ao PPA e pense em uma possível resolução a 
partir do modelo lógico usado anteriormente.
PARA PENSAR E PLANEJAR
Para conhecer um exemplo de PPA, acesse o documento em âmbito federal 
disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-
orcamento/plano-plurianual-ppa.
2.2.2 | 	Leis orçamentárias
Os gestores municipais e o distrital, apesar de terem certa autonomia para gerir os recursos públicos, 
devem respeitar uma série de diretrizes e planejamentos. Por exemplo, há investimentos mínimos 
em áreas prioritárias como a saúde conforme legislação vigente e, além deles, deve ser seguido o 
previsto em três documentos essenciais: o PPA, a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes 
Orçamentárias (LDO).
É importante relembrar que o PPA é o documento oficial que transforma as necessidades da popula-
ção em programas e futuras políticas públicas. Para o seu efetivo desenvolvimento, é necessário esta-
belecer o orçamento que atenda a essas necessidades, por meio da LDO e da LOA, ambas instituídas 
na Constituição Federal no Artigo 165. Com essas três ferramentas é formado o modelo orçamentário 
brasileiro em todas as esferas de governo. 
A LDO é planejada anualmente, em âmbito municipal, pelo poder executivo (prefeito) e serve para de-
talhar e organizar os objetivos e metas do PPA para o ano seguinte. A LDO estabelece diretrizes para 
a confecção da LOA, contendo metas e prioridades do governo, além das despesas de capital para o 
exercício financeiro seguinte, dentre outros. Com isso, a LDO norteará a LOA, que será votada pelo 
legislativo (vereadores). A LDO deve ser enviada até abril e a LOA até agosto à Câmara Municipal e à 
Distrital. Aqui fica evidente a importância da articulação do poder executivo (prefeito) com o legislativo 
(vereadores) para que a promoção da atividade física, enfoque deste curso, seja contemplada em 
proposições que constarão nos documentos relacionados ao orçamento municipal e distrital.
Lembre-se de que também é necessário considerar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), 
a Constituição Federal no que dispõe sobre a saúde, a Lei nº 141/2012 e a lei orgânica do 
município para elaboração da LDO.
• LRF: https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/execucao-orcamentaria-e-
financeira/lei-de-responsabilidade-fiscal
• Constituição Federal: https://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/
legislacao/constituicaofederal.pdf
• Lei nº 141/2012: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
LINKS
De modo geral, após o estabelecimento de metas de médio prazo para as ações e os programas 
descritos no PPA, são discriminadas as diretrizes orçamentárias, por meio da LDO, para implementar 
esses programas. Já a LOA fixa os gastos públicos que podem ser investidos em cada área e programa 
e estabelece de onde virão os recursos para arcar com as despesas decorrentes dos programas.
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-ppa
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-ppa
https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/execucao-orcamentaria-e-financeira/lei-de-responsabilidade-fiscal
https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/execucao-orcamentaria-e-financeira/lei-de-responsabilidade-fiscal
https://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdfhttp://
https://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdfhttp://
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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Em termos práticos, os valores que poderão ser investidos por área e programa dependem do históri-
co de arrecadação, da previsão de arrecadação para o próximo ano e do planejamento do município. 
Apesar de não significar que o valor estipulado estará disponível para o desenvolvimento de progra-
mas, vale pontuar que o principal ponto positivo da fixação de valores é poder orientar o gestor de 
cada área para que consiga planejar e executar as ações e os programas para o próximo ano.
Assim, por meio da LOA, os governos municipais e o distrital estimam o quanto esperam arrecadar e 
receber via transferências governamentais estaduais e federais, e onde os recursos serão investidos, 
sendo que a LOA estabelece limites previamente planejados. Sua elaboração se dá com base nas 
diretrizes anteriormente apontadas pelo PPA e pela LDO, ambos definidos pelo executivo, a partir de 
discussões com os munícipes e com o poder legislativo.
Ou seja, na LOA está contido um planejamento de gastos que define as ações prioritárias para o 
município e o distrito federal, levando em conta os recursos disponíveis. Assim, é importante que a 
promoção da atividade física seja contemplada na LOA.
Agora, para ajudar a fixar alguns conceitos, observe o quadro a seguir.
 PPA
Instrumento de planejamento governamental de médio prazo que define 
procedimentos, objetivos e metas da gestão.
Você já pensou sobre os objetivos e as metas de promoção da atividade física 
que podem ser ampliados e/ou implantados no seu município?
Por exemplo: já pensou na possibilidade de iniciar ou ampliar as práticas de 
atividades físicas nas UBS do seu município?
 LDO
Estabelece as diretrizes orçamentárias detalhadas para implementar os 
programas.
Quais os custos das ações de promoção da atividade física?
Por exemplo: será necessário contratar profissionais de educação física e 
adquirir materiais para o desenvolvimento das atividades? Seria possível 
ampliar o processo de educação permanente no tema atividade física e 
incluir outros profissionais?
LOA
Fixa os gastos públicos que podem ser investidos em cada programa e esta-
belece de onde virão os recursos para arcar com as despesas decorrentes.
Quais as possibilidades de financiamento que existem para a promoção da 
atividade física no seu município? 
Por exemplo: pleitear auxílio financeiro federal, como o Incentivo de Ativi-
dade Física (IAF), além de organizar recursos advindos para o setor saúde e 
estabelecer parte deles para a oferta da atividade física, como o pagamento 
de recursos humanos, materiais, educação permanente, etc. 
Nesse sentido, é importante se atentar aos objetivos, às metas e aos recursos que serão investidos em 
cada área, de modo que ações e programas possam ser atendidos integralmente dentro do planejado. 
Por esse caminho, vamos refletir sobre uma meta que iniciou no PPA e como ela será incorporada. A 
seguir confira uma imagem com informações importantes sobre o PPA, LDO e LOA.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Fique atento aos prazos:
O PPA deve ser elaborado no primeiro ano de mandato, até quatro meses antes do 
encerramento do exercício (Art. 35, §2º, I do ADCT).
A LDO é anual e deve ser elaborada até oito meses antes do encerramento do exercício (Art. 35, 
§2º, II do ADCT).
A LOA também é anual, mas deve ser elaborada até quatro meses antes do encerramento do 
exercício (Art. 35, §2º, III do ADCT).
O Sistema Orçamentário Brasileiro
possui os seguintes instrumentos: Vigência de quatro anos
Programas/objetivos/metas/indicadores
Elaborado no primeiro ano de mandato
Plano Plurianual
Lei de Diretrizes OrçamentáriasVigência anual
Regras: elaboração e execução do Orçamento
Metas fiscais e prioridades orçamentárias
Elaborada até abril de cada ano
Lei Orçamentária Anual
Vigência anual
Receitas (origem) x Despesas (aplicação)
Classificação das Receitas e Despesas
Elaborado até agosto de cada ano
PLANEJAMENTO
PROMOÇÃO DA AF
PLANEJAMENTO
ENTE FEDERADO
Plano de Ação
Projetos PPA
LDO
LOA
Fonte: adaptado de adaptado de Ministério Público do Estado da Bahia - MPBA (s.d.). 
Disponível em: https://www.mpba.mp.br/area/caoca/dica2.
Agora, acompanhe um exemplo. 
Objetivo: favorecer o acesso à prática de atividade física aos grupos populacionais mais vulneráveis. 
Na cidade de Goá, a meta traçada pela prefeitura no PPA para os próximos quatro anos foi garan-
tir o acesso de 30% da população a programas de atividade física nos espaços públicos de lazer. A 
equipe de saúde sabe que alguns grupos populacionais, como meninas e mulheres, pessoas mais 
velhas, com menor renda e escolaridade e pessoas negras, praticam menos atividade física no 
tempo livre ou de lazer e tem como desafio ou objetivo a ampliação do acesso de forma a garantir 
a equidade.
https://www.mpba.mp.br/area/caoca/dica2
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Na LDO do segundo ano de gestão, a prefeitura de Goá acrescentou como meta o acesso de 15% 
da população a espaços públicos de lazer, como praças, parques e clubes públicos, que favoreçam 
a prática de atividade física no tempo livre. Para atender as metas propostas no PPA, previu-se 
a parceria da secretaria de infraestrutura, de mobilidade urbana, de ambiente, de turismo, etc., 
e a oferta de programas gratuitos de atividade física em unidades de saúde e centros sociais em 
conjunto com a secretaria de esportes e lazer e de assistência social.
Pois bem, esses são alguns pontos para se pensar em relação a essas metas: 
 ▶ Quais são os custos de ofertar atividade física nas unidades de saúde?
 ▶ Quais são os custos para que 15% da população, em especial os grupos populacionais que 
menos praticam atividade física no tempo livre ou de lazer, tenham acesso a espaços públicos?
 ▶ Será necessário revitalizar os espaços?
 ▶ Será necessário construir novos espaços?
 ▶ Será preciso contratar e/ou capacitar profissionais?
 ▶ Será possível melhorar e ampliar a oferta?
Nesse sentido, para conhecer a LDO e LOA do âmbito federal, acesse: https://www.gov.br/
economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-orcamento/orcamento. 
LINKS
Ainda, após conhecer o PPA do seu município, recomendamos que você também busque pela LDO 
e LOA. Verifique se há a inserção da temática e discuta junto com as pessoas as necessidades e pro-
blemas referentes à promoção da atividade física que podem ser incluídos no PPA e, posteriormente, 
detalhadas em metas na LDO e criadas previsões orçamentárias para atingi-las, por meio da LOA. 
2.2.3 | 	Plano	Municipal	de	Saúde	(PMS),	Programação	Anual	de	Saúde	(PAS)	e	Relatório	
Anual de Gestão (RAG)
Como vimos, os instrumentos de gestão e de planejamento mais gerais da gestão pública são relevantes 
por apontarem elementos essenciais para a promoção da atividade física que vamos discutir a seguir. 
O Plano Municipal de Saúde (PMS) e suas programações anuais de saúde são orientados e aprovados 
pelo Conselho Municipal/Distrital de Saúde. Além disso, esses documentos estão interligados também 
ao PPA, LDO e LOA, sendo instrumentos de gestão do SUS e também previstos na Constituição Federal.
O PMS é um instrumento de planejamento para o período de quatro anos e possui a mesma lógica 
de funcionamento do PPA, ou seja, planeja-se no primeiro ano de gestão e aplica-se nos próximos 
quatro anos, adentrando ao primeiro ano do próximo mandato. A norma legal dispõe sobre o Plano 
de Saúde. Entretanto, para efeitos didáticos, vamos nos referir aos Planos de Saúde dos municípios 
como Plano Municipal de Saúde (PMS) e ao Plano de Saúde do Distrito Federal como Plano Distrital de 
Saúde (PDS). O documento atribui o compromisso do município com o setor saúde, sendo que, por 
meio dele, se realiza o diagnóstico dos principais problemas e demandas do município e também se 
inserem as metas advindas da conferência municipal de saúde, no qual espera-se que as necessida-
des da população sejam contempladas. Podemos fazer uma analogia desse documento com o PPA, 
entretanto, o PMS possui o foco apenas no setor saúde. Portanto, é apropriado e indicado incluir o 
planejamento de objetivos e metas referentes à promoção da atividade física no PMS.
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-orcamento/orcamento
https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/planejamento-e-orcamento/orcamento
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Ainda, aliada ao PMS temos a Programação Anual de Saúde (PAS), que é um documento de base anual 
e de característica detalhada, que busca operacionalizar o planejamento e as metas do PMS. A PAS 
é elaborada no ano em curso e executada no ano subsequente, além de ser atualizada anualmente 
para orientar a LDO. Além disso, a Programação deve ser repassada ao sistema online de gestão do 
SUS - DigiSUS Gestor - Sistema Digital dos Instrumentos de Planejamento. 
Acesse o link do PMS e da Programação Anual de Saúde em:
https://digisusgmp.saude.gov.br/informacao/noticia/nota-informativa-no-82021-
cgfipdgipsems
Como resultado do PMS e da Programação Anual de Saúde, temos o Relatório Anual de Gestão (RAG), 
um documento imprescindível para as atividades de controle e prestação de contas do SUS, no qual 
são apresentados os resultados alcançados da atenção integral à saúde a partir da execução da PAS e, 
também, orienta eventuais redirecionamentos que se fizerem necessários no PMS.
O Relatório Anual de Gestão (RAG) deverá ser apresentado até o dia 30 de março do ano seguinte 
ao da execução financeira, ao respectivo Conselho de Saúde, cabendo ao Conselho de Saúde emitir 
parecer conclusivo sobre o cumprimento ou não das normas estabelecidas.
Além disso, é importante considerar que a produção do PMS e da PAS deve ser incorporada pelos 
gestores do SUS no sistema eletrônico do Governo Federal. Antigamente, os instrumentos de pla-
nejamento do SUS: PNS, PAS e RAG, ocorriam no Sistema de Apoio à Construção do Relatório de 
Gestão (SargSUS), entretanto, atualmente, o DigiSUS Gestor – Sistema Digital dos Instrumentos de 
Planejamento, incorporou tais funções. Confira na figura a seguir. 
 
Fonte: Manual do usuário - DigiSUS Gestor, 2021
O DigiSUS Gestor é um sistema de informação para estados, Distrito Federal e municípios, desen-
volvido a partir das normativas do planejamento do SUS e da internalização da lógica do ciclo de 
planejamento. 
Você pode acessar o DigiSUS Gestor em: https://digisusgmp.saude.gov.br/
E para compreendê-lo em detalhes, basta acessar o Manual do Usuário em:
https://digisusgmp.saude.gov.br/informacao/biblioteca/manual-do-usuario-2021-no-prelo
https://digisusgmp.saude.gov.br/informacao/noticia/nota-informativa-no-82021-cgfipdgipsems
https://digisusgmp.saude.gov.br/informacao/noticia/nota-informativa-no-82021-cgfipdgipsems
https://digisusgmp.saude.gov.br/
https://digisusgmp.saude.gov.br/informacao/biblioteca/manual-do-usuario-2021-no-prelo
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
62
O PMS deve conter na sua estrutura os seguintes itens: 
 ▶ análise de situação de saúde; 
 ▶ diretrizes, objetivos, metas (valor da meta, unidade de medida e meta prevista);
 ▶ indicadores (variáveis DOMI: diretrizes, objetivos, metas e indicadores);
 ▶ processo de monitoramento e avaliação.
A alimentação do Sistema DigiSUS tem início com o registro das variáveis DOMI constantes no PMS e 
referente aos quatro anos de gestão. Ainda, deve ser anexado o PMS no sistema e indicado o status 
de aprovaçãopelo Conselho de Saúde: “aprovado”, “não aprovado” ou “em análise”, sendo possível 
alterá-lo mediante justificativa. 
O preenchimento das variáveis DOMI é essencial para que os componentes da Programação Anual 
de Saúde e do Relatório Anual de Gestão sejam disponibilizados, uma vez que o PMS e os demais 
instrumentos de gestão estão interligados. 
Para fixar e auxiliar na produção do documento, vamos entender o conceito das variáveis 
DOMI, sugeridas pelo Manual de Planejamento no SUS (BRASIL, 2016b), disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_
planejamento_atual.pdf
Agora, acompanhe mais informações sobre o tema. 
Diretriz: Expressam ideais de realização e orientam escolhas estratégicas e prioritárias. 
Devem ser definidas em função das características epidemiológicas, da organização dos 
serviços, do sistema de saúde e dos marcos da política de saúde.
Objetivo: Expressam resultados desejados, refletindo as situações a serem alteradas pela 
implementação de estratégias e ações. Declaram e comunicam os aspectos da realidade 
que serão submetidos a intervenções diretas, permitindo a agregação de um conjunto de 
iniciativas gestoras de formulação coordenada. Referem-se à declaração “do que se quer” 
ao final do período considerado.
Meta: Expressa a medida de alcance do objetivo. Um 
mesmo objetivo pode apresentar mais de uma meta 
em função da relevância dessas para seu alcance, ao 
mesmo tempo que é recomendável estabelecer metas 
que expressam os desafios a serem enfrentados.
Indicador: Conjunto de parâmetros que permite 
identificar, mensurar, acompanhar e comunicar, 
de forma simples, a evolução de determinado 
aspecto da intervenção proposta. Devem ser 
passíveis de apuração periódica, de forma a 
possibilitar a avaliação da intervenção.
Vamos pensar em algumas situações práticas relacionadas à temática deste curso e baseadas nos 
itens DOMI que devem ser inseridos no sistema, confira a seguir. Observação importante: para cada 
diretriz pode haver um ou mais objetivos, assim como para cada objetivo poderá ter uma ou mais 
metas e indicadores. 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/articulacao_interfederativa_v4_manual_planejamento_atual.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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Exemplo 1:
Diretriz Garantir o acesso da população à atividade física na APS, de 
maneira equânime. 
Objetivo Estabelecer parcerias intersetoriais para aumentar o acesso da 
população às práticas de atividade física. 
Metas
1. Ampliar em 30% o acesso a práticas de atividade física em 
unidades de saúde e equipamentos sociais/esportivos 
próximos (como centros sociais urbanos, igrejas, escolas, 
quadras, ginásios esportivos, clubes públicos, academias ao 
ar livre e demais locais públicos favoráveis para a prática).
2. Ampliar em 30% o acesso a espaços de lazer, como praças e 
parques, preferencialmente em bairros com maior vulnera-
bilidade social. 
Valor da meta 60
Unidade de medida Percentual
Meta prevista para 2022 a 2025 2022: 10%, 2023: 30%, 2024: 50% e 2025: 60% 
Indicadores
% da população usuária praticando atividade física em uni-
dades de saúde, equipamentos sociais/esportivos próximos; 
% da população cadastrada na unidade de saúde frequentando 
espaços públicos e gratuitos de lazer.
Exemplo 2: 
Diretriz Ampliar o tema de promoção à atividade física no processo de 
educação permanente. 
Objetivo Estabelecer uma agenda municipal que fortaleça o tema.
Metas
1. Incluir nos espaços de educação permanente assuntos rela-
cionados à temática de promoção da atividade física, como 
prevenção e promoção da saúde, tratamento e manejo de 
diabetes/hipertensão/saúde mental/ direcionados a profis-
sionais de saúde, envolvendo a temática de atividade física 
(palestras, apresentando o Guia de Atividade Física para a 
População Brasileira, o Guia de Atividade Física para a Popula-
ção Brasileira: Recomendações para Gestores e Profissionais 
de Saúde e o Guia de Orientações para o Aconselhamento 
Breve sobre Atividade Física na APS do SUS.
2. Criar ou utilizar dias específicos para abordar o assunto (por 
exemplo: semana do dia que comemora-se o dia mundial da 
atividade física, em 6 de abril).
Valor da meta 100
Unidade de medida Percentual
Meta prevista para 2022 a 2025 2022: 30%, 2023: 60%, 2024: 90% e 2025: 100% 
Indicador % de profissionais de saúde vinculados à APS que declaram 
aconselhar sobre atividade física
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Exemplo 3: 
Diretriz Criar condições para favorecer a mudança do perfil epidemioló-
gico sobre os níveis de atividade física da população.
Objetivo Monitorar os níveis de atividade física da população.
Metas
Favorecer que 100% das unidades de saúde dos territórios mo-
nitorem os níveis de atividade física da população, por meio da 
seguinte estratégia:
1. Incentivar a inclusão do monitoramento dos níveis de ativi-
dade física dos usuários vinculados às unidades de saúde, 
como a frequência e duração da prática de atividade física 
no tempo livre ou deslocamento (por exemplo: no perfil 
epidemiológico da unidades de saúde é possível incluir além 
dos dados quantitativos de gestantes, pessoas idosas, hiper-
tensas e diabetes, quantas pessoas por microárea atingem 
150 minutos/semanais de atividade física no tempo livre e 
de lazer.
2. Perguntar: “Você pratica atividade física no tempo livre?”, 
com resposta “sim” ou “não”. Em caso afirmativo, quanto 
tempo de atividade física pratica por semana no seu tempo 
livre ou no descolamento?
Valor da meta 100
Unidade de medida Percentual
Meta prevista para 2022 a 2025 2022: 30%, 2023: 60%, 2024: 90% e 2025: 100% 
Indicador % das unidades de saúde dos territórios que monitoram os 
níveis de atividade física da população usuária.
Para dar continuidade aos estudos, vamos agora conhecer melhor as conferências e os Conselhos de 
Saúde.
2.2.4 | 	Conferências e Conselhos de Saúde
Com a inclusão da promoção da atividade física nos instrumentos já abordados, as conferências de 
saúde e os Conselhos de Saúde, principais instâncias participativas do SUS, têm um papel importante 
para incluir ou ampliar o tema atividade física a fim de melhorar a gestão de ações, programas e 
políticas de saúde dos territórios. 
Vamos iniciar pelas conferências de saúde, uma arena de participação e controle social do SUS, nas 
quais são deliberadas diversas pautas com efetivo poder de ação. Uma das mais importantes, em âm-
bito nacional, foi a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, cujo relatório final orientou a 
criação do SUS com a sua efetiva regulamentação na Constituição Federal de 1988 (artigos 196 a 200).
As conferências são realizadas em âmbito federal, estadual/distrital, regional e 
municipal e acontecem a cada quatro anos, especificamente, no primeiro ano de 
mandato da gestão, a fim de embasar o PMS. As deliberações em âmbito municipal 
são encaminhadas para as conferências regionais de saúde e, se, aprovadas, são 
discutidas nas conferências seguintes (estadual e federal).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
65
De maneira pragmática, o objetivo principal das conferências municipais de saúde é avaliar a situação 
de saúde do município/distrito federal e pensar em propostas para a melhoria desse setor. As confe-
rências de saúde precisam contar, necessariamente, com a participação de gestores e prestadores de 
serviço (25%), profissionais de saúde (25%) e usuários, entidades e movimentos sociais ligados à área 
da saúde (50%). A institucionalização das conferências garante a construção de espaços colaborativos 
e democráticos, como fóruns importantesde participação social.
Já o Conselho de Saúde possui a mesma paridade de participação obrigatória elencada nas conferên-
cias de saúde e é responsável por monitorar regularmente a prestação de contas do município refe-
rente aos gastos em saúde, deliberar principalmente sobre o PMS e outros instrumentos de gestão 
do SUS, identificar e analisar demandas da população e denúncias em geral, entre outras ações que 
são deliberadas pelo órgão e homologadas pelo poder executivo (prefeito). O conselho de saúde rea-
liza reuniões periódicas e abertas à população. É relevante que você, gestor e profissional de saúde, 
divulgue-as e participe a fim de dialogar com as demandas da população e refletir sobre as ações da 
gestão municipal.
Nesse sentido, incentivamos que a promoção da atividade física como uma estratégia de cuidado no 
âmbito da APS seja um dos temas instituídos na agenda das reuniões do Conselho e nas conferências 
municipais/distrital de saúde, englobando no debate pontos como:
 ▶ qualificação da oferta das ações de atividade física, 
 ▶ formação de equipes multiprofissionais, 
 ▶ previsão orçamentária para a realização das ações e para a contratação de profissionais,
 ▶ ampliação do acesso da população aos espaços públicos e programas gratuitos de atividade 
física e a outros setores que podem estar envolvidos para esse avanço, por exemplo.
Dentre as características elementares das conferências e dos Conselhos está a possibilidade de am-
pliar a participação da população e atender ao controle social. Dessa maneira, quem usa, quem gere 
e quem trabalha no dia a dia do SUS pode colaborar para subsidiar ao longo de todo processo de 
UBS
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
66
planejamento de ações, programas e políticas públicas, pois conhecem as necessidades diárias do 
SUS. Como estratégia de garantia da democratização, esses espaços podem exercer papel importante 
na efetivação do empoderamento da população, pois são canais de interlocução com as demandas 
das pessoas, das comunidades e dos territórios.
Caso você, Gestor ou profissional, participe do Conselho de Saúde, recomendamos que aproveite a 
oportunidade para levantar o tema da promoção da atividade física nas Conferências de Saúde. Mas 
aí você se pergunta, por onde eu começo a falar sobre esse assunto? 
Para tal, pensando no futuro, indicamos a leitura dos seguintes materiais: 
Guia de Atividade Física para a População Brasileira: recomendações para gestores e 
profissionais de saúde. Nele são abordadas a difusão, a disseminação, a implementação, 
o monitoramento e a avaliação. O Guia também dá dicas de como abordar o Guia de 
Atividade Física para a População Brasileira (referência para os usuários). Disponível em: 
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjA1NA==.
Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física na 
Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde. Disponível em: https://aps.saude.
gov.br/biblioteca/visualizar/MjA2MQ==.
Esses são materiais produzidos com muitos detalhes e em uma linguagem acessível a todos, e que 
poderão ajudar você nos direcionamentos e na condução sobre essa temática.
2.2.5 | 	Plano Diretor
Após apresentar os instrumentos de gestão mais gerais da gestão pública e os do SUS, abordaremos 
o Plano Diretor. Assim como os demais documentos citados anteriormente, ele também está presen-
te na Constituição Brasileira, sendo um Instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão 
urbana (descrito no parágrafo 1º do artigo 40). Trata-se de um plano elaborado pelo poder executivo 
(prefeito), o qual fica sob a responsabilidade técnica de um arquiteto urbanista. A sua construção e a 
sua validação são constituídas por uma equipe multidisciplinar, devendo ser aprovada pela Câmara 
Municipal. 
Notavelmente, o Plano Diretor busca intercalar as necessidades da gestão, os desafios impostos e as 
demandas da população. Nesse sentido, assim como o PPA, também é possível envolver a participação 
popular na construção do documento. Além disso, espera-se que o Plano Diretor esteja alinhado aos 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a Nova Agenda Urbana (NAU) e ao Pacto climático 
do Acordo de Paris. Para estruturar o seu plano, basta você consultar o Guia para Elaboração e Revi-
são de Planos Diretores.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.
Nova Agenda Urbana (NAU): https://habitat3.org/wp-content/uploads/NUA-Portuguese-
Brazil.pdf.
Pacto climático do Acordo de Paris: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/
sirene/publicacoes/acordo-de-paris-e-ndc/acordo-de-paris.
Guia para Elaboração e Revisão de Planos Diretores: https://www.gov.br/mdr/pt-br/
assuntos/desenvolvimento-urbano/guia-para-elaboracao-e-revisao-de-planos-diretores.
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjA1NA==
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjA2MQ==
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjA2MQ==
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
https://habitat3.org/wp-content/uploads/NUA-Portuguese-Brazil.pdf
https://habitat3.org/wp-content/uploads/NUA-Portuguese-Brazil.pdf
https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/acordo-de-paris-e-ndc/acordo-de-paris
https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/acordo-de-paris-e-ndc/acordo-de-paris
https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/desenvolvimento-urbano/guia-para-elaboracao-e-revisao-de-planos-diretores
https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/desenvolvimento-urbano/guia-para-elaboracao-e-revisao-de-planos-diretores
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
67
Por esse caminho, sabendo que o Plano Diretor é um documento que pensa sobre a forma de construir 
e habitar na cidade, nele são incorporados planos e estratégias específicas, dentre os quais os planos 
de saneamento e habitação, obras públicas e mobilidade urbana. Esses dois últimos, especificamente, 
podem estar relacionados à promoção da atividade física, sobretudo pela melhoria e implementação 
de estruturas e espaços como calçadas, praças, parques, ciclovias e ciclofaixas, por exemplo.
Sabemos que a presença e a percepção de estruturas e espaços públicos abertos, como os citados 
anteriormente, podem aumentar o deslocamento ativo por meio da caminhada e bicicleta, principal-
mente se essas estruturas estiverem próximas à residência (a 500 metros, por exemplo) e favorecerem 
a percepção de segurança do usuário.
Nesse sentido, seria uma boa oportunidade você, estudante, desenvolver parceria com os outros 
setores para que a cidade seja pensada também de uma maneira que possibilite aos seus moradores 
se movimentarem mais, de forma segura e prazerosa, a partir de mudanças no ambiente urbano e, 
consequentemente, favorecendo o aumento nos níveis de atividade física da população. A longo prazo, 
isso poderá impactar na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida do indivíduo e das comunidades, 
visto que a prática do deslocamento ativo está associada à redução de CO2 (dióxido de carbono ou 
gás carbônico), contribuindo para a preservação do meio ambiente e convergindo com as agendas 
nacionais e internacionais sobre as mudanças climáticas.
PARA PENSAR E PLANEJAR
De maneira complementar, conheça a experiência do “Elevado João Goulart 
(Minhocão)” como espaço de lazer na cidade de São Paulo - SP, para pedestres 
e ciclistas, em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/projetos-urbanos/
minhocao-espaco-de-lazer/.
2.3 | 	Os papéis dos gestores federais, estaduais, distrital e municipais 
2.3.1 | 	Responsabilidades comuns ao Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais, Distrital 
e Municipais de Saúde
Como responsabilidades e possibilidades de ação comuns entre os entes federados para a promoção 
da atividade física destacamos os itens a seguir:
Responsabilidades comuns
Planejamento,apoio, monitoramento e avaliação de programas e ações de promoção da ativida-
de física por meio do estabelecimento de instrumentos e indicadores de gestão.
Alocação de recursos orçamentários e financeiros para que haja contribuição para o financia-
mento tripartite para o fortalecimento da promoção da atividade física no SUS. Se no momento 
de interação com esse conteúdo isso não for possível, por exemplo porque o orçamento e a 
Programação Anual de Saúde já foram pactuados, é importante que você, gestor, se organize 
para propor o debate sobre o tema para que se torne uma possibilidade em breve.
Garantia de infraestrutura adequada e com boas condições para a oferta de programas e ações 
de promoção da atividade física.
https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/projetos-urbanos/minhocao-espaco-de-lazer/
https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/projetos-urbanos/minhocao-espaco-de-lazer/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
68
Disponibilização de sistemas de informação vigentes com a finalidade do uso qualificado para 
que seja possível divulgar as informações e os resultados, estimulando a utilização dos dados 
para o planejamento, o monitoramento e a avaliação das ações com vistas à institucionalização 
desses processos de gestão.
Estímulo e fortalecimento da participação popular e do controle social, inclusive pautando o tema 
nos respectivos Conselhos de Saúde, como instâncias de gestão democrática e participativa com 
vistas a torná-los partícipes da gestão dos programas e ações e assim tornando a oferta de ações 
de promoção da atividade física adequadas às necessidades e potencialidades do território e dos 
usuários e, assim, buscando a equidade.
Estabelecimento de parcerias, promovendo a articulação intersetorial – com educação, esporte 
e lazer, assistência social, mobilidade urbana, transporte, meio ambiente, etc., e intrassetorial – 
com áreas específicas como a de DCNTs, saúde das mulheres, saúde da pessoa idosa, saúde da 
população negra, quilombolas, saúde da população do campo, floresta e águas, etc., inclusive 
com mecanismos formais de articulação como reuniões em uma temporalidade combinada, 
pactuação de plano de trabalho, compartilhamento de ações e metas, etc.
Fonte: baseado na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNSP) 
e na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), (BRASIL, 2014; 2017).
2.3.2 | 	Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais e Distrital de Saúde e do Conselho 
Nacional de Secretários de Saúde (CONASS)
Como responsabilidades e possibilidades de ação do Ministério da Saúde, gestor federal do SUS, se-
cretarias estaduais e distrital de saúde, gestor estadual e distrital do SUS para a promoção da atividade 
física destacamos os itens a seguir, confira.
Ministério da Saúde Secretarias Estaduais e Distrital de saúde
Garantia de recursos federais para compor 
o financiamento tripartite de programas e 
ações, preferencialmente de modo mensal, 
regular e automático, prevendo, entre ou-
tras formas, o repasse fundo a fundo para 
custeio e investimento. Principais formas 
de financiamento pelo MS – recurso de cus-
teio para a implementação do Incentivo de 
Atividade Física (IAF) e para a manutenção 
do Programa Academia da Saúde e recurso 
de investimento para a implementação 
deste Programa. O Previne Brasil, atual 
modelo de financiamento da APS, também 
pode ser utilizado.
Garantia de recursos estaduais ou distrital 
para compor o financiamento tripartite de 
programas e ações. Sabemos que entre o texto 
normativo de uma política e a realidade podem 
existir desafios. Por exemplo, se na atualidade 
as Secretarias Estaduais e a Distrital de Saúde 
não financiarem ou cofinanciarem, por meio 
de transferências de recursos para a gestão 
municipal, programas e ações de promoção da 
atividade física, é importante que você, gestor 
estadual ou distrital, possa pensar sobre o 
tema e propor o debate sobre ele nas instân-
cias necessárias. Tal questão é relacionada, em 
geral, aos estados e ao distrito federal concen-
trarem seus recursos na atenção especializada 
ambulatorial e hospitalar e não na APS.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Proposição e pactuação na Comissão Inter-
gestores Tripartite (CIT) da agenda prioritá-
ria de promoção da atividade física na APS.
Pactuação na Comissão Intergestores Bipar-
tite (CIB) e Colegiado de Gestão no distrito 
federal de estratégias, diretrizes e normas 
para implementação da agenda prioritária de 
promoção da atividade física na APS.
Apoio a gestores estaduais, distritais e 
municipais no processo de planejamento, 
operacionalização, monitoramento e ava-
liação dos programas e ações de promoção 
da atividade física a partir do perfil epide-
miológico e das necessidades em saúde.
Apoio a gestores municipais no processo de 
planejamento, operacionalização, monitora-
mento e avaliação dos programas e ações de 
promoção da atividade física a partir do perfil 
epidemiológico e das necessidades em saúde.
Proposição e articulação de estratégias de 
formação e educação permanente visando 
a inclusão da atividade física no processo 
de cuidado da APS.
Proposição, considerando a agenda do Minis-
tério da Saúde, e articulação com a gestão mu-
nicipal de estratégias de formação e educação 
permanente visando a inclusão da atividade 
física no processo de cuidado da APS.
Fonte: baseado na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNSP) 
e na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), (BRASIL, 2014; 2017).
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) congrega os secretários estaduais e o distrital 
de saúde. Possui como principais objetivos fortalecer a gestão estadual e a distrital e torná-la mais 
participativa. Assim, é um fórum importante para o gestor pautar debates e iniciativas de promoção 
da atividade física com o objetivo de apoiar o planejamento e a implementação.
2.3.3 | 	Secretarias Municipais e Distrital de Saúde
Como responsabilidades e possibilidades de ação das Secretarias Municipais e Distrital de Saúde, 
gestores municipais e distrital do SUS, para a promoção da atividade física destacamos os itens a 
seguir:
Secretarias Municipais e Distrital de Saúde
Garantia de recursos municipais e distrital para compor o financiamento tripartite de programas 
e ações de promoção da atividade física.
Organização, execução e gerenciamento de programas e ações de promoção da atividade física a 
partir de sua base territorial de acordo com as necessidades de saúde identificadas na população 
usuária.
Pactuação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e no colegiado de gestão do distrito federal 
de estratégias, diretrizes e normas para implementação da agenda prioritária de promoção da 
atividade física na APS.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Apoio a gestores e profissionais das unidades de saúde no processo de planejamento, operacio-
nalização, monitoramento e avaliação dos programas e ações de promoção da atividade física a 
partir do perfil epidemiológico e das necessidades em saúde dos territórios.
Garantia de infraestrutura adequada, recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes 
para o funcionamento dos programas e ações de promoção da atividade física.
Análise e verificação da qualidade e consistência dos dados inseridos nos sistemas de informa-
ção, além de utilizá-los no planejamento das ações e divulgar os resultados obtidos.
Manutenção do cadastro de equipes, profissionais, carga horária, serviços disponibilizados, equi-
pamentos e outros relacionados à promoção da atividade física, no sistema de Cadastro Nacional 
de Estabelecimentos de Saúde, atualizado mensalmente, conforme regulamentação específica.
Participação no processo de monitoramento e avaliação de programas e ações de promoçãoda 
atividade física, a partir do plano e da Programação Anual de Saúde.
Seleção, contratação e remuneração de profissionais que atuarão nos programas e ações de 
promoção da atividade física, em conformidade com a legislação vigente.
Articulação com a gestão estadual, a partir da agenda do Ministério da Saúde, para a construção 
de estratégias de formação e educação permanente visando a inclusão da atividade física no 
processo de cuidado da APS.
Fomento da mobilização das equipes e dos profissionais de saúde e garantia de espaços para a 
participação da comunidade no exercício do controle social.
Promoção da articulação intra e intersetorial para apoio à implementação de programas e ações 
de promoção da atividade física.
Fonte: baseado na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNSP) 
e na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), (BRASIL, 2014; 2017).
Os COSEMS são colegiados de Secretarias Municipais de Saúde que representam os gestores munici-
pais, no âmbito estadual, para tratar de agendas referentes ao SUS. Já o Conselho Nacional de Secreta-
rias Municipais de Saúde (CONASEMS) é a representação nacional dos gestores municipais e participa 
nas instâncias decisórias e consultivas do SUS. Essas instituições auxiliam os gestores municipais na 
formulação de estratégias voltadas ao aperfeiçoamento do contexto local de saúde, primando pelo 
intercâmbio de informações e pela cooperação técnica. Assim, também são fóruns importantes para o 
gestor municipal pautar debates e iniciativas de promoção da atividade física a partir da compreensão 
do processo de formulação de políticas públicas e não somente da execução dos programas e ações. 
Por meio da CIB, em âmbito estadual, e da CIT, em âmbito federal, que contam com a participação das 
instituições supracitadas, poderão ser realizadas as pactuações para a ampliação da oferta de ações e 
programas de promoção da atividade física.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
71
Para concluir o que foi apresentado sobre os papéis dos gestores do SUS, a mensa-
gem que deixamos é: gestor municipal, você não está sozinho para debater, planejar 
e implementar ações e programas de promoção da atividade física. Como vimos, 
diferentes instituições como o Ministério da Saúde, o CONASS, o CONASEMS e o 
COSEMS podem oferecer apoio nesse processo.
2.4 | 	Vale a pena investir em promoção da atividade física
2.4.1 | 	Ampliar a resolutividade da APS por meio do acesso à prática de atividade física
Neste momento, você pode estar se perguntando: “A promoção da atividade física trará impactos 
econômicos para seu território?”. Então, prossiga para compreendermos ainda melhor tal resposta!
A prática de atividade física é um direito, está relacionada ao desenvolvimento humano, à fruição, à 
diversão, ao compartilhamento de laços e também pode promover a economia de recursos do SUS. 
Os programas públicos são uma importante forma de acesso à atividade física, contudo ainda são 
pouco conhecidos e com baixa participação. Mesmo assim, entre os participantes estão aqueles que 
menos praticam atividade física no tempo livre, como mulheres, pessoas mais idosas e aquelas fora 
do mercado de trabalho. Ou seja, ampliar as ações e os programas atenderá justamente quem mais 
precisa, cumprindo o princípio da equidade. 
O financiamento é um elemento essencial e vem 
sendo apontado como um dos principais desafios 
para o fortalecimento do SUS. Conversaremos 
então sobre as contribuições da atividade física 
para essa questão com vistas à ampliação da 
oferta de ações e programas, com financiamento 
adequado e suficiente. 
As pesquisas indicam que investir em atividade 
física, na perspectiva econômica, vale a pena já 
que pode impactar na redução da utilização de 
medicamentos, consultas ambulatoriais, interna-
ções hospitalares, cirurgias, dentre outros. Tam-
bém é importante lembrar que as DCNTs têm muitas repercussões para as pessoas, para as famílias 
e para a sociedade. Ou seja, ao focar na perspectiva econômica não estamos propondo olhar apenas 
para isso, mas sim reconhecer a relevância desse aspecto.
Uma pesquisa avaliou o custo de internações por DCNTs no SUS atribuível à inatividade física e 
verificou que, em 2013, 15% do total de internações hospitalares pelas referidas doenças (doenças 
isquêmicas do coração, hipertensão, câncer de cólon e mama, doenças cerebrovasculares, diabetes e 
osteoporose) foram atribuídas à inatividade física, resultando em um custo total estimado de mais de 
R$ 275 milhões (BIELEMANN et al., 2015). Em outra pesquisa, estimou-se que o impacto da inatividade 
física nos custos de internações hospitalares de idosos (60 anos ou mais) com DCNTs (doenças coro-
nárias, diabetes mellitus tipo 2, câncer de mama e cólon) no SUS, de janeiro de 2015 a abril de 2016, foi 
mais de R$ 86 milhões (MOREIRA et al., 2017). O Instituto Nacional de Câncer (INCA) identificou que em 
2018 os custos oncológicos atribuíveis à inatividade física no lazer, no Brasil, foram de R$ 94,6 milhões 
e há a estimativa de que em 2030 o custo chegará a R$ 146,9 milhões. Por outro lado, estima-se que 
diminuir em 10% o número de pessoas inativas fisicamente no lazer em 2030 economizaria R$ 20,3 
milhões na atenção (hospitalar e ambulatorial) oncológica do SUS em 2040 (INCA, 2022).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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2013
15% das internações no SUS decorrentes de 
DCNT foram relacionadas à inatividade física
Internações de idosos no SUS por DCNT 
atribuídas à inatividade física
2015 a 2016
Custos oncológicos decorrentes 
de inatividade física Estimativa para 2030:
R$ 146,9 milhões
2018
Custo
R$ 275 milhões
R$ 86 milhões
R$ 94,6 milhões
Estima-se que a diminuição em 10% no número de pessoas inativas fisicamente em 
2030 economizaria R$ 20,3 milhões na atenção oncológica do SUS em 2040.
Usar o valor relacionado à prevenção de câncer como exemplo nos faz pensar que, nas ações e nos 
programas que envolvem a oferta de atividade física, daria para construir mais de 60 polos do Pro-
grama Academia da Saúde e custear mais de 500 desses estabelecimentos por ano (considerando o 
valor dos recursos federais de R$ 300 mil para construção e R$ 3 mil mensais para custeio mensal). Ou 
custear, por ano, em torno de 850 unidades de saúde com profissionais de educação física por meio 
do Incentivo de Atividade Física (IAF). Ainda, poderia ser utilizado para a atenção à saúde relacionada 
às DCNTs ou outras ofertas de serviços do SUS, por exemplo.
As variações nos valores estimados se devem às diferenças de dados analisados, o ano em que a ati-
vidade física foi medida na população brasileira e quando os custos foram calculados, com utilização 
de correção ou não dos valores gastos nas ações de saúde em âmbito ambulatorial e hospitalar, quais 
condições de saúde foram consideradas, se toda a população ou aquela que utiliza exclusivamente os 
serviços do SUS, etc. 
Fica evidenciado que a atividade física tem muito a contribuir para a economia e 
otimização de recursos financeiros do SUS.
Assim, é importante acompanhar as formas de obtenção de recursos federais, estaduais/distrital e 
municipais para a promoção da atividade física. Como citado anteriormente, atualmente há duas 
principais formas de financiamento federal: 
 ▶ o Incentivo de Atividade Física (IAF), que repassa recursos para Unidades de Saúde elegíveis 
mediante credenciamento pelo Ministério da Saúde; e 
 ▶ o Programa Academia da Saúde, que necessita de articulação com um parlamentar do legis-
lativo federal (deputado federal ou senador) para solicitação de recursos para construção de 
polos por meio de emendas parlamentares. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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PARA PENSAR E PLANEJAR
Pesquise também na SecretariaEstadual/Distrital de Saúde ou em outras Se-
cretarias de governo para saber se existe algum recurso financeiro disponível.
Para saber mais sobre o Incentivo de Atividade Física (IAF), acesse: 
https://brasilsus.com.br/wp-content/uploads/2022/05/portaria1105.pdf.
Para saber mais sobre o Programa Academia da Saúde (PAS), acesse: 
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/academia-da-saude.
SAIBA MAIS
Para avançarmos um pouco mais nessa relação entre recursos financeiros e atividade física, vamos 
fazer um exercício juntos. Reflita e considere o exposto adiante.
Em 2022, o Programa Academia da Saúde, umas das principais formas de oferta de atividade física na 
APS, possuía um orçamento de custeio de aproximadamente R$ 50 milhões, valor médio dos últimos 
anos, para os aproximadamente 1.800 polos credenciados, contabilizados até dezembro de 2022. E foi 
anunciado que o Incentivo de Atividade Física (IAF), em 2022, teria um orçamento de quase R$ 100 mi-
lhões. De acordo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, aproximadamente 4,3 milhões de brasileiros 
participaram de programas de incentivo à atividade física, em 2019 (BRASIL, 2020), programas esses 
que não necessariamente são o Programa Academia da Saúde ou ofertados pelo SUS, mas lembre-se 
de que este é um exercício e por isso faremos essa aproximação hipotética.
Ou seja, seriam gastos em 
torno de R$ 2,91 (R$ 0,97 + R$ 
1,94) por pessoa/mês. 
R$ 50 milhões 4,3 milhões de pessoas 12 meses
aproximadamente
R$ 0,97 por pessoa 
por mês
Orçamento do Programa Academia da Saúde em 2022
R$ 100 milhões 4,3 milhões de pessoas 12 meses
aproximadamente
R$ 1,94 por 
pessoa por mês
Orçamento Incentivo de Atividade Física (IAF) em 2022
Ora, mesmo não existindo parâmetros, ainda que o recurso federal do Incentivo de Atividade Físi-
ca (IAF) seja uma importante sinalização de aumento do investimento, parece ser possível afirmar 
https://brasilsus.com.br/wp-content/uploads/2022/05/portaria1105.pdf
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/academia-da-saude
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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que ampliar os investimentos trará maior possibilidade de acesso à população usuária da APS. Aqui 
olhamos apenas para os recursos federais e, ainda que o valor possa aumentar, se incluirmos os 
orçamentos dos demais entes federativos, estados e principalmente dos municípios, esse quantitativo 
nos dá uma pista de que são necessários mais investimentos na promoção da atividade física na APS.
Assim, é necessário investir em programas e ações de promoção da atividade física, eles darão mais 
oportunidades para as pessoas que mais precisam, de acordo com o que vimos no início deste tópico, 
o que trará um importante retorno (não só de recursos financeiros) para o gestor, conforme veremos 
no próximo item. 
2.5 | 	A	importância	de	investir	em	políticas	públicas	e	ações	intersetoriais	
Ainda que estejamos em um curso para gestores e profissionais do SUS, com enfoque no orçamento, 
nos instrumentos e no planejamento setorial da saúde, não podemos perder de vista que o envol-
vimento das outras áreas (de educação, esporte e lazer, assistência social, cultura, entre outros) é 
essencial para a mudança do atual cenário brasileiro no qual muitas pessoas ainda têm barreiras 
importantes para serem (mais) ativas fisicamente. Assim, não há dúvidas de que o SUS e o setor saúde 
têm um importante papel na promoção da atividade física e pode assumir a liderança deste processo, 
mas é necessário reconhecer que convergir esforços intersetoriais é uma condição para ampliar a 
oferta e o acesso com vistas a aumentar a prática de atividade física pela população brasileira.
Além de programas mais estruturados, vale pensar também em setores como mobilidade e transpor-
te, que podem contribuir com formas seguras de atividade física no deslocamento, por exemplo, com 
a construção de ciclovias, adaptações de ciclofaixas, controle de tráfego de veículos automotores ou 
até mesmo com iniciativas como as ruas de lazer, quando algumas delas são fechadas para veículos 
em determinados dias ou períodos.
Vale lembrar que o SUS disponibiliza formas de financiamento para ações e programas, mas não é o 
único setor da gestão pública que o faz.
A Sociedade Internacional de Atividade 
Física e Saúde publicou um documento 
que aborda oito investimentos que 
funcionam para a atividade física:
Programas de saúde na escola
Transporte ativo
Desenho urbano ativo
Profissionais de saúde
Campanhas de educação em saúde
Esporte e lazer para todos
Ambiente de trabalho
Programas comunitários
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E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Para conhecer mais sobre esses investimentos, acesse o documento completo disponível 
em: https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-Translation-Eight-
Investments-That-Work-FINAL.pdf.
2.6 | 	Promoção da atividade física como uma 
agenda positiva da gestão municipal
O retorno do investimento em programas e ações relacionados à atividade física é importante na pers-
pectiva econômica, além disso são ações e programas que, em geral, têm boa aceitação por serem 
divertidos e trazerem boas avaliações para a gestão. 
Como elemento de desenvolvimento humano e relacionada à autopercepção positiva de saúde, a 
atividade física na perspectiva mais ampliada tem o potencial de aumentar a liberdade de escolha 
das pessoas para que possam construir oportunidades e usufruí-las já que podem estar relacionadas 
a prazer, fruição, satisfação, alegria, entre outros sentimentos positivos de valorização da vida. Cabe 
ainda ressaltar benefícios na dimensão subjetiva das pessoas e comunidades. 
A atividade física proporciona às pessoas o encontro, a participação em atividades 
culturais, o reconhecimento de suas potencialidades, já que tratam de iniciativas 
comunitárias voltadas para a criação de espaços favoráveis à convivência saudável, 
produtora de vida, gerando uma cultura de solidariedade, confiança e cooperação. 
Isso contribui para que essas pessoas possam ter maior adesão ao autocuidado, o que extrapola as 
ações e os programas de atividade física estritamente curativista e se relaciona com outros temas 
importantes para a saúde como a alimentação saudável, entre outros.
Lembramos também que, em geral, os profissionais que trabalham em atividades coletivas possuem 
habilidades ligadas à liderança, proatividade, etc., por necessidade e características da própria ativida-
de, o que pode torná-los pessoas carismáticas e com isso contribuir para a ampliação da visibilidade 
dessas ações. 
Assim, considerando o potencial na prevenção e no cuidado de diferentes condições de saúde, a 
gestão municipal, que oferta ações e programas de promoção da atividade física, pode colher impor-
tantes frutos ao dar visibilidade aos profissionais e suas ações, inclusive compartilhando os resultados 
mediante avaliação, tema que será abordado em outra unidade deste curso.
PARA PENSAR E PLANEJAR
Para concluir esta unidade, vamos pensar em uma situação que ilustre o que 
foi apresentado até aqui. Partimos do princípio de você deseja criar ou ampliar 
ações e programas de promoção da atividade física. Algumas perguntas iniciais 
podem ajudá-lo a pensar como obter o apoio intersetorial e/ou das instituições 
não-governamentais. Confira algumas!
https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-Translation-Eight-Investments-That-Work-FINAL.pdf
https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-Translation-Eight-Investments-That-Work-FINAL.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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Existe alguma iniciativa relacionada à promoção da atividade 
física nos instrumentos de gestão do seu município?
Como veremos a seguir, desde a necessidade de recursos orçamentáriose financeiros até a prio-
rização de quais unidades de saúde e equipamentos sociais ofertarão as atividades, passarão pelo 
planejamento abordado por meio dos instrumentos de gestão gerais e do SUS. Caso a iniciativa não 
tenha sido implementada, podemos identificar o que impediu o início das atividades. Caso a iniciativa 
não tenha sido incluída nos instrumentos de gestão, vamos pensar juntos o que fazer.
É uma iniciativa esporádica ou contínua?
Pensar sobre isso é relevante pois tanto a estruturação quanto a operacionalização serão diferentes. 
De forma ideal, programas continuados darão maior possibilidade de participação das pessoas, mas 
isso não quer dizer que ações esporádicas não possam ocorrer na forma de eventos.
É	possível	identificar	ou	estabelecer	sinergias	entre	as	
ações	existentes	ou	planejadas	no	território?
É importante pensar no que já existe, pois isso dará subsídios para planejar a partir da necessidade do ter-
ritório. Por exemplo, entre dois bairros, um que já oferece um programa da Secretaria de Esporte e Lazer 
e outro que não, podemos dizer que a prioridade será daquele que não tem. Em bairros onde já existam 
ofertas, pensar em como integrar essas iniciativas. Além disso, qualificar os espaços públicos abertos 
como praças, parques, ciclovias, clubes públicos, etc., que oportunizarão a prática de atividade física.
Em quantas e quais unidades de saúde ou equipamentos sociais vou ofertar?
Isso estará diretamente relacionado à eventual necessidade de contratação de profissionais, do custo e 
se será esporádico ou contínuo. Certamente quanto maior a oferta de ações e programas maiores serão 
as chances de as pessoas participarem e praticarem mais atividade física – mas, não podemos perder 
de vista que será necessário equacionar as possibilidades da gestão, as necessidades e as demandas 
do território e da população. Eventualmente, não sendo possível em curto prazo iniciar uma ação nas 
unidades de saúde, analisar quais outros espaços poderiam ser utilizados e indicados à população e se 
seria possível estabelecer parcerias com outras ações ou programas que já vêm sendo desenvolvidos.
Quais	profissionais	de	saúde	estarão	envolvidos	no	programa	ou	na	ação?
Inegavelmente, o Profissional de Educação Física tem importante contribuição na promoção da ati-
vidade física, mas não é o único profissional que pode utilizá-la no processo de cuidado à saúde das 
pessoas. Por meio do aconselhamento, por exemplo, todo e qualquer profissional de saúde pode 
contribuir para ampliação da prática pelas pessoas.
Será	necessário	fazer	novas	contratações?
É essencial dimensionar a força de trabalho existente e se haverá necessidade de novos profissionais. 
Em caso positivo, é importante planejar a forma e o cronograma de contratação. Caso os recursos da 
gestão não permitam novas contratações, é importante planejá-las para um futuro próximo. Vale lem-
brar que a cessão de profissional bacharel de educação física de outra Secretaria é uma possibilidade.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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A	gestão	já	possui	os	recursos	financeiros	necessários?
Será necessário calcular todos os custos, desde a eventual contratação de profissionais de saúde, 
adequação dos locais onde as atividades serão ofertadas, da aquisição de materiais e insumos, dentre 
outros. A partir desses cálculos, a articulação interna com outras Secretarias e externa com o legislati-
vo (vereadores) permitirá a identificação do montante necessário e das fontes dos recursos de forma 
a dimensionar as possibilidades de implantação e/ou implementação de ações e programas.
2.7 | 	Encerramento
Esta unidade apresentou a importância da inser-
ção da promoção da atividade física nos instru-
mentos de planejamento e de gestão, gerais e 
no contexto do SUS, como os planos plurianuais; 
as leis orçamentárias; o plano municipal de saú-
de; a Programação Anual de Saúde; o Relatório 
Anual de Gestão, dentre outros, considerando a 
responsabilidade intersetorial e as perspectivas 
econômicas, políticas e sociais. Tais instrumentos 
de gestão e de planejamento do SUS foram re-
lacionados à inclusão da promoção da atividade 
física. Além disso, foram especificadas as atribui-
ções dos diferentes atores no âmbito da gestão 
tripartite do SUS, Ministério da Saúde, Secreta-
rias Estaduais/Distrital e as Municipais de Saúde, 
além de instituições que representam o conjunto dos estados e o dos municípios, e foi destacado que 
os investimentos em promoção da atividade física podem ser vantajosos para o SUS e a articulação 
intersetorial a partir do setor saúde como forma de fortalecer programas e ações de promoção da 
atividade física.
Como palavras finais reafirmamos que você, estudante do nosso curso, não está sozinho para debater, 
planejar e implementar ações e programas de promoção da atividade física. Como vimos, diferentes 
instituições como o Ministério da Saúde, o CONASS, o CONASEMS/ COSEMS podem oferecer apoio 
nesse processo. Na Unidade 2 foram abordados desde a inclusão da promoção da atividade física 
nos instrumentos de gestão e de planejamento da gestão pública e do SUS, os papéis dos gestores 
federais, estaduais, municipais e distrital; o esclarecimento de que vale a pena investir em promoção 
da atividade física e até a importância de investir em políticas e ações intersetoriais de promoção da 
atividade física, que é uma agenda positiva nas ações da gestão municipal.
Nesta unidade houve o esclarecimento de que vale a pena investir 
em promoção da atividade física e até a importância de investir em 
políticas e ações intersetoriais de promoção da atividade física, que 
é uma agenda positiva nas ações da gestão municipal. Nesse senti-
do, a partir da referida abordagem, esperamos e acreditamos que 
você conseguirá propor e debater a inclusão de ações de promo-
ção da atividade física nos instrumentos de gestão do SUS, traba-
lhar nas etapas de planejamento, implementação, monitoramento 
e avaliação, com vistas à ampliação da oferta e do acesso à ativida-
de física enquanto parte do processo de cuidado integral na APS. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
78
Certamente o conteúdo apresentado contribuirá para a promoção da atividade física na APS do SUS; 
contudo, o estudo continuado é absolutamente necessário para o desenvolvimento profissional, desde 
a consulta a outros materiais sobre os temas até trazê-los para o cotidiano de trabalho, conversando 
com colegas de trabalho e buscando aprender juntos.
Na próxima unidade deste curso, que abordará temas do planejamento à ação, vamos apontar os prin-
cipais fatores que devem ser considerados no planejamento e na implementação de ações, programas 
e políticas de promoção da atividade física. Em conjunto com o que foi apresentado até aqui, será mais 
um importante passo para a ampliação da oferta e do acesso à atividade física na APS do SUS.
Nós, Fabio e Letícia, nos despedimos momentaneamente de vocês, esperamos que nossa conversa 
tenha sido proveitosa para você e esperamos encontrá-lo pelos caminhos do SUS, certos de que esta-
mos juntos no desafio de oportunizar uma vida fisicamente (mais) ativa a mais brasileiras e brasileiros.
2.8 | 	Referências
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E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN2
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https://planodiretorsp.prefeitura.sp.gov.br/o-que-e-o-plano-diretor/
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http://www.camara.rio/atividade-parlamentar/legislacao/orcamento-municipal/ppa-plano-plurianual
https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/lei-de-diretrizes-orcamentarias-ldo
https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/lei-de-diretrizes-orcamentarias-ldo
https://repositorio.unesp.br/handle/11449/148811
UNIDADE
DO PLANEJAMENTO À AÇÃO
 3
Maria Cecília Marinho Tenório
Margarethe Thaisi Garro Knebel
OBJETIVO GERAL
Ao final desta unidade você será capaz de apontar 
os principais fatores que devem ser considerados no 
planejamento e na implementação de ações, progra-
mas e políticas de promoção da atividade física, de 
maneira a ampliar ou promover a efetiva oferta e o 
acesso a esse serviço na Atenção Primária à Saúde 
(APS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 ▶ Melhorar habilidades de planejamento e de exe-
cução de ações, programas e políticas de promo-
ção da atividade física, em especial, na APS;
 ▶ Identificar as ações de organização e gestão dos 
recursos necessários para o funcionamento das 
ações, programas e políticasde promoção da 
atividade física; 
 ▶ Indicar o papel dos profissionais de saúde na 
promoção da atividade física;
 ▶ Reconhecer a relevância de envolver a partici-
pação da comunidade e de profissionais no pla-
nejamento, na gestão e na execução das ações, 
dos programas e das políticas de promoção da 
atividade física na APS.
 
Carga horária recomendada para esta unidade: 
15 horas
UNIDADE 3
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
84
3.1 | 	Introdução
Após a apresentação do tema atividade física na APS, na Unidade 1, vamos agora discutir como a ges-
tão ocupa lugar fundamental na formulação de ações, o que exige diálogos entre diferentes setores 
e atores sociais e atenção às especificidades do território presentes em cada contexto de trabalho. 
Nesta Unidade, apresentaremos os elementos e as ferramentas para o planejamento e a gestão no 
seu município e destacaremos todos os envolvidos nessa construção, como gestores, profissionais de 
saúde e comunidade. 
O processo de planejamento em saúde é de responsabilidade de cada ente federado, a ser desenvol-
vido de forma contínua, articulada, progressiva, integrada e solidária entre as três esferas de governo 
(municipal, estadual/distrital e federal), na medida em que visa dar direcionalidade à gestão pública da 
saúde. Além disso, o monitoramento e a avaliação devem ser processos periódicos, orientados pelas 
diretrizes e metas, e pelos objetivos e indicadores descritos no planejamento.
O Planejamento Estratégico Situacional (PES) em saúde possibilita a explicação de um problema a 
partir da visão dos atores envolvidos, da identificação das possíveis causas e a busca por diferentes 
modos de abordar e propor soluções. O planejamento é estruturado em quatro momentos, que serão 
apresentados nesta Unidade. Confira!
Momento
explicativo
Momento
normativo
Momento
estratégico
Momento
tático-
operacional
Também serão apresentadas ferramentas para auxiliar nessa construção. Neste método de plane-
jamento, o diagnóstico, a execução e a avaliação são indissociáveis. Destacamos a importância da 
intersetorialidade e da participação da comunidade no controle social, no planejamento, na execução, 
no monitoramento e na avaliação das ações.
3.2 | 	Planejando ações, programas e políticas de promoção da atividade física 
Planejar significa imaginar o percurso, reduzir incertezas, influir no futuro, descobrir e antecipar res-
postas e auxiliar na tomada de decisão. Nesse contexto, o planejamento em saúde busca interferir 
na realidade social para transformá-la em uma direção pensada em conjunto com todos os setores e 
atores que contribuem com seus conhecimentos específicos e diferentes leituras da realidade. Não 
existem explicações e soluções únicas para a resolução de um problema. A partir desse planejamento, 
é possível pensar sobre “o quê, para quê, para quem, com quem, como e de que forma” implantar ou for-
talecer a solução de um problema, como uma iniciativa de promoção da atividade física, por exemplo.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
85
O QUÊ?
PARA
QUÊ?
COMO?
COM
QUEM?
PARA
QUEM?
DE QUE
FORMA?
Ao considerar o contexto da APS, quais seriam nossas referências iniciais? 
Apresentamos a seguir aspectos que estruturam a Rede de Atenção à Saúde (RAS) e a Política Nacional 
de Promoção da Saúde (PNPS) como ações que contribuem para a promoção da atividade física como 
cuidado em saúde.
A Portaria de Consolidação GM/MS nº3, de 28/09/2017, estabelece diretrizes para a organização da 
“RAS como estratégia para superar a fragmentação da atenção e da gestão nas Regiões de Saúde 
e aperfeiçoar o funcionamento político-institucional do Sistema Único de Saúde (SUS) com vistas 
a assegurar ao usuário o conjunto de ações e serviços que necessita com efetividade e eficiência” 
(BRASIL, 2017).
ORGANIZADAS por critérios de eficiência 
microeconômica na aplicação dos recursos
INTEGRADAS a partir da complementaridade 
de diferentes densidades tecnológicas
VOLTADAS para as necessidades populacionais 
de cada espaço regional singular
CONSTRUÍDAS mediante o planejamento, a gestão e 
o financiamento intragovernamentais cooperativos
OBJETIVADAS pela provisão de atenção contínua, integral 
de qualidade, responsável e humanizada à saúde
REDES DE 
ATENÇÃO À 
SAÚDE
Fonte: adaptado de Vasconcelos, 2011.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
86
Alguns pontos de atenção à saúde podem integrar a RAS, como: as Unidades Básicas de Saúde, os 
polos do Programa Academia da Saúde (PAS), as Unidades Ambulatoriais Especializadas, os Centros 
de Atenção Psicossocial (CAPS), as Residências Terapêuticas, a Rede Hospitalar, dentre outros. Os 
hospitais podem abrigar distintos pontos de atendimento como por exemplo ambulatório de pronto 
atendimento, unidade de cirurgia ambulatorial, centro cirúrgico e maternidade (BRASIL, 2017).
Como sabemos, a APS é o primeiro nível de atenção à saúde, a porta de entrada do usuário no siste-
ma, o local de primeiro contato com o SUS.
A APS
deve:
Ser voltada para o cuidado dos 
problemas mais comuns de saúde.
Incluir ações visando a promoção, proteção da saúde, 
prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, 
redução de danos etc.
Ser centro coordenador 
do cuidado em rede.
Fonte: Brasil (2017).
Na PNPS (BRASIL, 2018), o princípio da integralidade pressupõe a articulação entre os serviços de saúde 
e uma atuação intersetorial entre as diferentes áreas que tenham interface com a saúde e a qualidade 
de vida das pessoas. Além disso, a integralidade é uma estratégia que respeita as especificidades e as 
potencialidades na construção de projetos terapêuticos e na organização do trabalho em saúde, por 
meio da escuta qualificada dos trabalhadores e dos usuários, de modo a deslocar a atenção em saúde 
da perspectiva biomédica para a dos determinantes sociais do processo saúde-doença. 
A fim de assegurar o direito à saúde integral é essencial promover outras ações intersetoriais para a 
construção de territórios saudáveis, incluindo ambientes promotores da atividade física, da mobili-
dade e locomoção seguras, espaços de lazer e convivência, locais saudáveis para o desempenho de 
atividades laborais e educativas, espaços de manifestação cultural, artística e de lazer etc. 
Essas ações colaboram para a promoção da 
atividade física, como a oferta do cuidado na 
APS. A promoção de territórios saudáveis 
envolve o diálogo com trabalhadores dos 
serviços de diversas áreas e a participação de 
gestores e da população, na perspectiva de 
promover uma rede de ações intrassetoriais e 
intersetoriais que mobilizem espaços e 
recursos de forma compartilhada e sinérgica.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
87
Nesse sentido, a promoção da atividade física pode ser contemplada como ação de promoção da 
saúde em diferentes contextos da RAS. Um exemplo disso são as práticas das equipes multiprofis-
sionais e o Programa Academia da Saúde (PAS). Com o novo modelo de financiamento de custeio da 
APS instituído pelo Programa Previne Brasil, por meio da Portaria nº 2.979, de 12 de novembro de 
2019, o financiamento das equipes multiprofissionais da APS (antigos Núcleos Ampliados de Saúde da 
Família e Atenção Básica – NASF), passaram a ser de responsabilidade da gestão municipal, conforme 
as necessidades do território. Após essa medida, em maio de 2023 foi instituído o Programa e-Multi, 
conforme citado na Unidade 1, retomando o incentivo financeiro federal de implantação, custeio e 
desempenho para as equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde. Relembrando, além 
da ampliação do rol de especialistas que podem compor a e-Multi, outra novidade doPrograma é a 
possibilidade de atendimento remoto: consultas e atendimento de demandas gerenciais poderão 
ser realizadas pelos profissionais de saúde da e-Multi, por meio da utilização de Tecnologias de In-
formação e Comunicação (TIC). O Programa prevê também o pagamento por desempenho e ciclos 
quadrimestrais de monitoramento dos indicadores.
Conforme descrito na Unidade 1, o Programa Academia da Saúde (PAS) foi instituído em 2011, pelo 
Ministério da Saúde, por meio da Portaria GM/MS nº 719, de 7 de abril de 2011, a partir de experiên-
cias locais. O Programa teve seus objetivos ampliados para contribuir com a promoção da saúde, a 
produção do cuidado e de modos de vida saudáveis e sustentáveis da população por meio de ati-
vidade físicas/práticas corporais, alimentação saudável, práticas integrativas e complementares, da 
ampliação da autonomia dos indivíduos sobre as escolhas de modos de vida saudáveis, por exemplo. 
Além disso, podemos destacar o papel dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de promover o 
acesso das pessoas em sofrimento mental e com outras demandas de saúde mental, além daquelas 
com necessidades decorrentes do uso de substâncias psicoativas, incluindo a atividade física no cui-
dado em saúde.
Assim, para a implementação de ações e programas de promoção da atividade física, os gestores 
devem pensar e considerar, no planejamento, estratégias de produção da saúde com ações que res-
pondam às necessidades em um processo de constante diálogo e reflexão conjunta, para que suas 
necessidades e desejos sejam construídos na relação com os profissionais. A fim de que todas essas 
ações aconteçam é muito importante a construção do planejamento participativo, tema que vamos 
aprofundar a seguir.
3.2.1 | 	Planejamento participativo das ações no SUS 
A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) consolidou o compromisso do Estado brasileiro com 
a ampliação e a qualificação de ações de promoção da saúde nos serviços e na gestão do SUS, sendo 
inserida na agenda estratégica dos gestores e no Plano Nacional de Saúde, fortalecendo as políticas 
públicas existentes (BRASIL, 2018).
A PNPS destaca as práticas corporais e atividades físicas como um dos temas prioritários, conceituan-
do esse tema como: “promoção de ações, aconselhamento e divulgação de práticas corporais e de 
atividades físicas, incentivando a melhoria das condições dos espaços públicos, considerando a cul-
tura local e incorporando brincadeiras, jogos, danças populares, entre outras práticas” (PNPS, 2018).
REFLEXÃO
Quais são as possibilidades de colocar em prática esse tema prioritário da PNPS 
no campo da APS e incluí-lo no planejamento participativo?
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
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As recomendações para a operacionalização da PNPS na APS, publicada pelo Ministério da Saúde, 
apresenta possibilidades de articulações para a promoção de atividade física, como, por exemplo, 
parcerias intersetoriais no território, parcerias para viabilizar recursos para implementação e manu-
tenção de espaços públicos que possibilitem a prática de atividade física, entre outros. 
Para conhecer o documento acesse o link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
recomendacoes_politica_promocao_atencao_saude.pdf
LINKS
O planejamento participativo busca interferir na realidade social para transformá-la em uma direção 
estabelecida em conjunto com todos os que dele participam. Possibilita decidir coletivamente o quê, 
para quê, como e de que forma implementar uma nova iniciativa de promoção da atividade física. Isso 
pode otimizar o tempo, os recursos e aumentar a chance de alcançar os objetivos no desenvolvimento 
e na implementação dessas ações. Trata-se do processo de criação que pode estabelecer um objetivo 
e auxiliar na tomada de decisão, tarefa muito importante na gestão e administração de ações, progra-
mas e políticas de promoção da atividade física.
O Plano Municipal de Saúde (PMS), na perspectiva 
de um planejamento mais inclusivo e participativo, 
pode ser um instrumento utilizado para ampliar 
a participação dos atores, conforme elencado na 
Unidade 2. É importante mencionar que nosso 
foco nesta Unidade se circunscreve ao planeja-
mento municipal/local, tendo em vista que será 
nesse âmbito que ações, programas e políticas 
de promoção da atividade física serão planejados, 
implementados, monitorados e avaliados.
Para isso, é preciso refletir e escolher um um método de planejamento que possibilite a compreensão 
dos conceitos e instrumentos utilizados e contribua para a comunicação e participação de todos aque-
les envolvidos na formulação, operacionalização e institucionalização do planejamento.
REFLEXÃO
Como você e a equipe do seu município têm organizado o planejamento? 
Quem são os atores envolvidos? 
Que ferramentas vocês utilizam na construção do planejamento? 
Não existe um único caminho a ser seguido no processo de planejamento. Uma das possibilidades 
de construção colaborativa poderia ser o uso do Planejamento Estratégico Situacional (PES) (MATUS, 
1993, 1997).
O PES é bastante utilizado no planejamento na área da saúde nos diferentes níveis de atenção. Ele 
considera as articulações entre o presente e o futuro e entre o necessário e o possível. Nesse método, 
quem planeja (ator social) desenvolve o processo de planejamento em articulação, diálogo e interação 
com outros atores sociais. Este processo deve ser participativo, buscar a incorporação dos pontos de 
vista dos vários atores sociais para a compreensão das diferentes demandas, propostas e estratégias 
de solução e criar corresponsabilidade e viabilidade do planejamento. 
Planejamento
Avaliação Implementação
Monitoramento
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/recomendacoes_politica_promocao_atencao_saude.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/recomendacoes_politica_promocao_atencao_saude.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
89
Para estruturar um PES, você e sua equipe deverão fazer uma análise de quatro 
diferentes momentos: explicativo, normativo, estratégico e tático-operacional. Esses 
momentos não necessariamente estão relacionados de forma contínua. Uma das 
vantagens possíveis da utilização do PES é que pode ser organizado em momentos 
que não se caracterizam em etapas sequenciais, mas que podem ser trabalhadas e 
revisadas conforme a necessidade dos atores envolvidos no planejamento.
Características 
dos momentos 
do PES
Explicativo
Fazer o diagnóstico para 
conhecer a situação atual
Identificar, priorizar e 
analisar os problemas
Normativo
Formular soluções para 
enfrentar os problemas 
Definir os objetivos e 
indicadores 
Estratégico
Analisar e construir a 
viabilidade (recursos)
Formular estratégias para 
alcançar os objetivos
Tático-operacional
Executar o plano
Implementar o modelo
de gestão
Monitorar os indicadores 
Agora, vamos aprofundar conhecimentos sobre cada um desses momentos. 
A) Momento explicativo
No momento explicativo é importante reconhecer e caracterizar os problemas de acordo com dados 
objetivos, considerando as perspectivas e vivências dos atores sobre os problemas apresentados. O 
problema pode ser definido como a diferença entre uma situação real e uma situação desejada, sob 
a ótica dos envolvidos, passível de ser transformada na direção almejada. Por isso, quanto maior a 
participação social, maiores as chances de diminuição desse hiato entre o desejado e o real. Aqueles 
que vivenciam o problema, com diferentes perspectivas e saberes, junto com a gestão, se tornam 
pertencentes e coautores na busca de possíveis soluções.
A seguir, podemos nos referir a um caso hipotético de um município brasileiro.
Município de Beira
O município de Beira posssui três distritos com suas Unidades de Saúde. Na área adscrita da Unidade 
de Saúde Flores, foi percebida pelos profissionais desaúde a baixa participação da população nas 
práticas de atividade física no tempo livre. Com o propósito de ampliar essa participação, o grupo 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
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envolvido no planejamento das ações da Unidade de Saúde revisitou o PMS e não identificou metas 
relacionadas a este objetivo e sobre o tema atividade física. Paralelo a isso, a equipe já possuía infor-
mações de outros documentos nacionais e internacionais que apontavam a importância de explicitar 
metas relativas à promoção da AF nos instrumentos de governança, como por exemplo nos planos de 
gestão.
A partir dessa constatação, a equipe passou a discutir de forma mais ampla como a cidade planejava 
a promoção da atividade na produção do cuidado em saúde.
REFLEXÃO
Para a definição do problema, você pode pensar nas seguintes questões:
• Qual o problema que as ações, os programas e as políticas de promoção de 
atividade física na APS se propõe a enfrentar?
• Quais as principais consequências do problema?
• Por que esse problema existe? Quais as causas mais importantes?
• Existem outras ações, programas e políticas de promoção de atividade 
física na APS (federais, estaduais/distritais, municipais, iniciativa privada, 
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS), Organiza-
ções Não Governamentais (ONGs), fora do setor saúde que atuam sobre 
causas desse problema? 
• Quais são as pessoas mais afetadas por esse problema? 
• Quem são os representantes locais da comunidade? Como trazê-los para 
o diálogo? 
• Como as pessoas reconhecem o impacto e a efetividade de ações, progra-
mas e políticas de promoção de atividade física na APS?
Neste momento, é realizado o diagnóstico situacional, que é o resultado de um processo de coleta, 
tratamento e análise dos dados e informações no local onde se deseja realizar a ação ou o programa 
que atuarão sobre o problema. Os dados, após analisados, podem ser entendidos como um conjunto 
de informações que geram conhecimento. “O conhecimento precisa ser divulgado por processos de 
comunicação adequados e eficientes para influenciar a tomada de decisão em saúde e produzir uma 
ação” (OPAS, 2018, p. 6).
Esses dados e essas informações, consideradas fontes primárias, têm origem na participação efetiva 
das pessoas que atuam no local como, por exemplo, gestores, profissionais, usuários, trabalhadores 
terceirizados, entre outros. Para a coleta dos dados podem ser utilizados diferentes recursos como 
entrevistas, rodas de conversa, observação, mapa do território, registros de fontes secundárias (fichas 
ou sistemas), entre outros.
Deve conter uma breve explicação do objetivo, perguntas para caracterização 
do informante (idade, função, tempo no serviço etc.) e perguntas sobre a te-
mática que se quer saber mais. Para verificar o entendimento das questões e 
o tempo necessário para cada entrevista, a equipe responsável pode fazer um 
pré-teste. Os roteiros podem ser abertos ou mais estruturados (fechados). 
Entrevista
Roda de 
conversa Observação
Mapa do 
território
Fontes 
secundárias
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
91
É uma abordagem que cria condições para a produção de saberes e reflexões 
compartilhadas, sobre experiências individuais ou coletivas. O propósito é 
ampliar a participação efetiva dos sujeitos neste processo.
Entrevista
Roda de 
conversa Observação
Mapa do 
território
Fontes 
secundárias
É um processo de acompanhamento direto das situações e/ou cenários a 
serem analisados a partir de uma descrição detalhada. Também é recomen-
dada a elaboração de um roteiro das variáveis que serão observadas, que 
podem ser relacionadas aos aspectos subjetivos ou ambiente físico como, por 
exemplo, forma de supervisão das atividades, rotina dos processos de traba-
lhos, aspectos administrativos como forma de registros de usuários, as condições de praças, 
parques, vias públicas, ciclovias, academias ao ar livre, como também variáveis relacionadas 
aos serviços ofertados, entre outros.
Entrevista
Roda de 
conversa Observação
Mapa do 
território
Fontes 
secundárias
É a identificação de características e singularidades do bairro ou do território 
sob a responsabilidade da equipe de saúde. Também pode trazer quais são 
os fatores produtores de saúde, quais são os recursos, as habilidades e as 
potencialidades do território. Uma possibilidade é utilizar o mapa territorial 
(geofísico) e definir a área de abrangência do serviço, identificando além das 
delimitações físicas as fragilidades e potencialidades do território como os aspectos demo-
gráficos, ambientais, epidemiológicos, sanitários e micropolíticos, etc. Os Agentes Comunitá-
rios de Saúde (ACS) e as lideranças da comunidade podem contribuir com essa construção. 
Entrevista
Roda de 
conversa Observação
Mapa do 
território
Fontes 
secundárias
São canais de informações que podem fornecer indicadores para a descrição 
dos problemas, como por exemplo: Sistema de Notificação de Agravos (Sinan), 
Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), Portal do 
Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Algumas 
pesquisas como a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crô-
nicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) do Ministério da Saúde e as pesquisas que envolvem 
indicadores de risco e de proteção para doenças – Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 
(PeNSE), Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 
(PNAD) – também podem ser consultadas. 
Quando o município não conta com dados sobre a população nos sistemas de vigilância cita-
dos, é possível também recorrer às fontes disponíveis no local como, por exemplo, reuniões 
das associações de moradores, reuniões escolares, faculdades/universidades, coletivos e 
organizações não governamentais que podem já ter algum levantamento de dados sobre a 
população-alvo.
Exemplos de fontes secundárias para acesso:
DATASUS: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
VIGITEL: http://plataforma.saude.gov.br/vigitel/
Painel de Indicadores de Saúde: 
https://www.pns.icict.fiocruz.br/painel-de-indicadores-mobile-desktop/
Entrevista
Roda de 
conversa Observação
Mapa do 
território
Fontes 
secundárias
https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
http://plataforma.saude.gov.br/vigitel/
https://www.pns.icict.fiocruz.br/painel-de-indicadores-mobile-desktop/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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92
É importante destacar que os municípios podem ter registros próprios, tais como o número de par-
ques, de praças, de pistas de caminhada, de ciclofaixas, informações sobre os profissionais (número, 
formação, funções, carga horária, lotação, etc.). Todas essas informações coletadas podem auxiliar no 
conhecimento da situação do município para a construção do planejamento.
PARA PENSAR E PLANEJAR
• Quais são as fontes e os instrumentos de coleta de dados e informações que 
você e sua equipe estão utilizando? 
• Quais dados e informações se conectam com a Atividade Física? São suficien-
tes? 
• Os dados apoiaram a formulação de um diagnóstico da situação?
• Esses dados estão relacionados com as metas propostas no PMS e com os ODS?
Visualize o mapa territorial com alguns equipamentos públicos:
Centros de
Convivência
UBS
CAPS
CRAS
Clubes 
Municipais
Praças, parques 
e ciclovias
ONGs e Instituições 
de Ensino Superior
Sistema S
Associações 
de amigos 
de bairro Quadras, 
campos de 
futebol
 
A partir desse mapeamento, você pode fazer algumas perguntas:
 ▶ Há uma boa distribuição dos equipamentos/serviços públicos de saúde para a prática de ativi-
dade física no seu município? 
 ▶ Há concentração de equipamentos/serviços públicos em alguma região do seu município?▶ Há pontos de encontro e interação entre as pessoas?
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 ▶ Há espaços públicos disponíveis para a prática de atividade física?
 ▶ São identificadas vulnerabilidades sociais e econômicas no seu município?
 ▶ Quais são os espaços que contribuem para a saúde do território? 
 ▶ São identificadas fragilidades de equipamentos, locais e/ou recursos humanos?
 ▶ São identificadas potencialidades, equipamentos, locais e/ou recursos humanos?
B) Momento normativo
No momento normativo é importante definir objetivos, indicadores e resultados a serem alcançados, 
além de estratégias e ações que viabilizem superar os problemas identificados. É neste momento 
que é definido o plano de intervenção e o caminho a ser seguido. Deve-se pensar nas ações e nos 
programas concretos que visem o alcance dos resultados. 
Você e a equipe de planejamento devem observar os obstáculos e as oportunidades internas e exter-
nas, bem como o tempo exigido para a resolução dos problemas e as ações necessárias à gestão do 
plano. Sugerimos também a revisão dos instrumentos de planejamento e gestão tais como o PPA e 
PMS. É necessário reconhecer a realidade que permeia o planejamento da ação e os recursos disponí-
veis naquele momento, visto que o plano de intervenção deve estar adaptado a essa realidade. 
É importante também estabelecer indicadores potenciais e tangíveis, que contribuam para o monito-
ramento e a avaliação. Os indicadores quali-quantitativos operacionalizam, de forma simples, a iden-
tificação, o acompanhamento e a comunicação da evolução da ação. Devem também ser passíveis 
de revisão periódica, de forma a possibilitar o monitoramento e a avaliação da ação e, sempre que 
possível, a inclusão no PPA e no PMS.
Há vários tipos e funções de indicadores quantitativos (número, porcentagem, taxas, proporções 
etc.) e qualitativos (expressos por expressos por depoimentos, narrativas, histórias, imagens, vídeos 
etc.). Os indicadores servem para acompanhar os resultados pretendidos com a ação e para balizar 
o quanto do que foi planejado está sendo alcançado. Como o próprio nome sugere, indicadores são 
marcas ou sinalizadores, que buscam expressar algum aspecto da realidade sob uma forma para que 
possamos observá-lo ou mensurá-lo (VALARELLI, 1999, apud PASSOS, 2003). É desejável que o registro 
do indicador seja acompanhado periodicamente.
Ser mensurável: deve basear-se 
em dados disponíveis ou fáceis de 
conseguir.
Ser sensível: deve captar as mudanças 
ocorridas. 
Ser específico: deve identificar se as 
mudanças ocorridas são reais. 
Ser preciso: deve permitir o registro, 
a coleta e a transmissão dos dados 
adequados.
Ser relevante: deve ser importante 
para a tomada de decisão. 
Ter simplicidade técnica: deve ser de 
fácil entendimento.
Atributos de um bom indicador
Fonte: Brasil (2017).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
94
Retomamos o caso da cidade de Beira a seguir, acompanhe.
Município de Beira
A equipe da Unidade de Saúde Flores passou a discutir de forma mais ampla como a cidade planejava 
a promoção da atividade na produção do cuidado em saúde. Identificaram que Beira desenvolvia algu-
mas ações e programas inovadores no setor de esporte e algumas potentes práticas no setor saúde, 
porém com poucas informações registradas e sem sistematização dos momentos de planejamento. 
Isso posto, como forma de visibilizar os registros, a equipe identificou o objetivo, resultado e possíveis 
indicadores relacionados ao problema identificado.
As questões a seguir podem ajudar nessa construção.
 ▶ Qual o objetivo das ações e programas de promoção da atividade física? 
 ▶ Qual o público-alvo?
 ▶ Quais os possíveis indicadores das ações e programas de promoção da atividade física?
 ▶ Que resultados posso alcançar com a realização das ações planejadas?
 ▶ Quais situações (fatores internos e externos) podem dificultar/facilitar o alcance dos resultados?
 ▶ Como adequar as ações para superar os obstáculos?
 ▶ Quais impactos os resultados podem provocar? 
A seguir apresentamos sugestões de problema, objetivo e indicadores que você poderá usar como 
modelo. Confira. 
Município de Beira
Exemplo para a construção de problema, objetivo e indicadores do momento normativo do PES da 
Unidade de Saúde Flores:
Problema: baixa participação da população nas atividades físicas no tempo livre.
Objetivo: ampliar a participação da população adscrita na Unidade de Saúde nas atividades físicas no 
tempo livre.
Resultado: aumento da participação da população adscrita na Unidade de Saúde nas práticas de 
atividades físicas no tempo livre.
Indicadores:
 ▶ Taxa de pessoas adscrita na Unidade de Saúde que acessaram as práticas de atividade física 
após o primeiro aconselhamento dado por um profissional de saúde da Unidade de Saúde.
 ▶ Média de usuários adscritos na Unidade de Saúde participantes das ações de atividades físicas 
oferecidas pelo município.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
95
 ▶ Frequência semanal de participação dos usuários adscritos na Unidade de Saúde nas ações de 
atividade física.
 ▶ Percepção da participação da população pelos trabalhadores de saúde da Unidade de Saúde.
 ▶ Percepção da importância da atividade física pelos usuários adscritos na Unidade de Saúde.
 ▶ Existência de registro de proposições e questões relevantes dos usuários adscritos na Unidade 
de Saúde e/ou trabalhadores da Unidade de Saúde em relação à participação na prática de 
atividade física.
 ▶ Nível de participação intersetorial (presença nas reuniões, votação, parcerias estabelecidas, 
disposição para dar opinião e interesse no processo) na construção/manutenção das práticas 
de atividade física.
C) Momento estratégico
No momento estratégico deve-se analisar os recursos políticos, econômicos (financeiros) e adminis-
trativos (recursos materiais, humanos), necessários e/ou disponíveis, para cada ação.
Você pode pensar nas seguintes questões:
 ▶ Meu município tem todos os recursos (materiais, humanos, econômicos, políticos, etc.) neces-
sários para implementar o plano de intervenção?
 ▶ A proposta é viável?
 ▶ Os indicadores propostos são adequados?
Para a realização das intervenções de promoção da atividade física é importante considerar os recur-
sos necessários para que seja possível aumentar a chance de alcançar os objetivos. Os recursos são 
de diferentes tipos: econômico, organizacional, cognitivo e político. Confira a descrição de cada um 
deles a seguir. 
Recurso Econômico
Denominado recurso financeiro, se 
refere à verba que será necessária 
para custeio das ações, contratação 
de profissionais, entre outros.
Recurso Organizacional
Estrutura física, recursos humanos, processos 
de trabalho, materiais e equipamentos 
necessários para a implantação e/ou 
implementação das ações.
Recurso Cognitivo
Conhecimentos disponíveis e 
acumulados entre os atores 
envolvidos.
Recurso Político
Articulação intrassetorial e intersetorial, 
incluindo organizações governamentais e 
não-governamentais, coletivos, etc.).
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
96
Agora, vamos aprofundar mais conhecimentos sobre cada um.
Recursos econômicos:
• Você pode refletir com a equipe, neste momento ou anteriormente, onde estão e como captar 
os recursos próprios e de outros entes federativos (Incentivo da Atividade Física na Atenção 
Primária à Saúde - IAF, Programa Academia da Saúde - PAS, Programa Saúde na Escola - PSE, 
Lei de Incentivo ao esporte, Fundos de Desenvolvimento Urbano e/ou de Esporte e Lazer, etc.).
Recursos organizacionais: 
• É importante prever as necessidades materiais para as ações de educaçãoe cuidado em saú-
de, para as práticas de atividades físicas propriamente ditas, incluindo os materiais, para a 
avaliação dessas ações, dentre outros. 
• Em relação à estrutura física é importante considerar os espaços físicos reconhecidos pela 
comunidade, os espaços públicos abertos como praças, parques, clubes, escolas, paróquias/
igrejas, academias ao ar livre, polos do Programa Academia da Saúde e, enfatizando a neces-
sidade de aceitação pelos usuários (exemplo: sensação positiva em relação à manutenção, 
segurança, acessibilidade). É interessante buscar oportunidades de parcerias e compartilha-
mento de quadras e espaços com outras secretarias e instituições do território. Além disso, ter 
informações sobre ações e programas já existentes.
• Os recursos humanos necessários para o desenvolvimento das ações também devem ser 
previstos e descritos no planejamento. 
• Sobre a oferta das atividades é importante estimular a inserção, o fortalecimento e a susten-
tabilidade de ações de promoção das atividades físicas e o cuidado em saúde já existentes no 
território, como também resgatar as atividades físicas realizadas de forma regular em escolas, 
universidades e demais espaços públicos. Além disso, os atores que fazem parte dos serviços 
de saúde devem estar envolvidos direta ou indiretamente na promoção da atividade física.
Recursos cognitivos:
• É importante estimular as atividades de educação continuada e permanente em conteúdos de 
promoção da saúde e da atividade física, incluindo monitoramento e avaliação como parte do 
processo. Esses recursos são importantes para estimular práticas coletivas colaborativas na 
articulação de saberes e práticas.
• Estimular a qualificação de todos os profissionais de saúde sobre o aconselhamento breve da 
atividade física e a inclusão nas práticas da APS.
Recursos políticos: 
• É pertinente incentivar as articulações intrassetoriais, intersetoriais e parcerias para a me-
lhoria das condições dos espaços públicos e fortalecimento da gestão compartilhada para a 
realização de atividades físicas (qualificação dos espaços públicos; criação e manutenção de 
ciclovias e pistas de caminhadas seguras, entre outros). 
• O estímulo à formação de redes horizontais de troca de experiências entre as equipes de 
saúde do território e entre municípios é importante para a construção do planejamento. Além 
disso, pactuar com os gestores do SUS e outros setores nos três níveis de gestão a importân-
cia de desenvolver ações voltadas para modos de vida saudáveis, mobilizando os recursos 
existentes. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
97
Município de Beira
Como mencionado anteriormente, a equipe da Unidade de Saúde Flores percebeu a necessidade de 
registrar e sistematizar as informações sobre a participação da população nas práticas de atividade 
física. Desta forma, para responder aos indicadores levantados, a equipe reuniu os recursos (econômi-
cos, organizacionais, cognitivos e políticos) disponíveis no âmbito da Unidade de Saúde e da Secretaria 
Municipal de Saúde, dentre outros setores.
Apresentamos, a seguir, exemplos de recursos (econômico, organizacional, cognitivo e político) para 
cada indicador, para você pensar nos recursos disponíveis e necessários no seu município: 
Problema: baixa participação da população nas atividades físicas no tempo livre.
Objetivo: ampliar a participação da população adscrita na Unidade Básica de Saúde nas atividades 
físicas no tempo livre.
Indicadores Recursos (econômico, organizacional, cognitivo e político)
Taxa de pessoas adscritas na Unidade de Saúde 
que acessaram as práticas de atividade física 
após o primeiro aconselhamento dado por um 
profissional de saúde da Unidade de Saúde 
• Ficha de Atividade Coletiva do e-SUS (ver Ativi-
dade - Atendimento em Grupo ou Avaliação/
Procedimento Coletivo > Práticas em Saúde - 
Práticas Corporais e Atividade Física).
• Registro interno realizado pela equipe da Uni-
dade de Saúde.
Média de usuários adscritos na Unidade de 
Saúde participantes das ações de atividades 
físicas oferecidas pelo município
• Ficha de Atividade Coletiva do e-SUS (ver Ativi-
dade - Atendimento em Grupo ou Avaliação/
Procedimento Coletivo > Práticas em Saúde - 
Práticas Corporais e Atividade Física).
• Registro interno realizado pela equipe da Uni-
dade de Saúde.
Frequência semanal de participação dos usuá-
rios adscritos na Unidade de Saúde nas ações 
de atividade física 
• Registro interno da participação semanal reali-
zado pela equipe da Unidade de Saúde.
Percepção da participação da população pelos 
trabalhadores de saúde da Unidade de Saúde
• Entrevistas, questionários, grupo focal, rodas 
de conversas etc.
Percepção da importância da atividade física 
pelos usuários adscritos na Unidade de Saúde
• Entrevistas, questionários, grupo focal, rodas 
de conversas etc.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
98
Existência de registro de proposições e ques-
tões relevantes dos usuários adscritos na Uni-
dade de Saúde e/ou trabalhadores da Unidade 
de Saúde em relação à participação na prática 
de atividade física
• Ficha de Atividade Coletiva do e-SUS (ver 
Atividade - Reunião de equipe ou Reunião in-
tersetorial/Conselho Local de Saúde/ Controle 
Social > Temas para Reunião - Diagnóstico/
Monitoramento do Território, dentre outros.
• Registros (atas e outros documentos) dos en-
contros com os usuários.
• Entrevistas, rodas de conversa e outras formas 
de documentação que possam responder a 
este indicador.
Nível de participação intersetorial (presença 
nas reuniões, votação, disposição para dar opi-
nião e interesse no processo) na construção/
manutenção das práticas de atividade física
• Ficha de Atividade Coletiva do e-SUS (ver Ativi-
dade - Reunião intersetorial/Conselho Local de 
Saúde/ Controle Social).
• Registro das reuniões, assembleias de votação 
e fóruns intersetoriais com a comunidade.
• Registro da existência das ações e programas 
intersetoriais de atividade físicas.
D) Momento tático-operacional
No momento tático-operacional, deve-se implementar as ações previstas incluindo cronograma, ato-
res responsáveis e outros participantes. Deve-se também monitorar e avaliar utilizando estratégias 
participativas, a fim de adequar e ajustar os rumos na condução do planejamento. 
Município de Beira
Exemplo de cronograma e responsáveis no momento tático-operacional do PES da Unidade de Saúde 
Flores:
Problema: baixa participação da população nas atividades físicas no tempo livre.
Objetivo: ampliar a participação da população adscrita nas atividades físicas da UBS Flores.
Indicadores Ações Responsáveis Prazo (meses)
Taxa de pessoas adscri-
tas na Unidade de Saúde 
que acessaram as práticas 
de atividade física após o 
primeiro aconselhamento 
dado por um profissional 
de saúde da Unidade de 
Saúde.
Divulgação das atividades 
físicas que serão realiza-
das na comunidade.
Qualificação dos profis-
sionais de saúde.
Atores principais:
• Profissionais de saúde 
• Usuários do SUS
• Líderes comunitários
Outros parceiros: 
• Organizações e insti-
tuições do território
 4 meses
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
99
Indicadores Ações Responsáveis Prazo (meses)
Número de usuários 
adscritos na Unidade 
de Saúde participantes 
das ações de atividades 
físicas oferecidas pelo 
município.
Aumento da oferta e 
acesso às atividades 
físicas para população.
Qualificação dos profis-
sionais de saúde.
Aplicação de questioná-
rio para acompanhar o 
acesso e a satisfação os 
usuários.
Atores principais:
• Profissionais de 
educação física
• Profissionais de saúde 
• Usuários do SUS
Outros parceiros:
• Organizações e insti-
tuições do território
 6 meses 
Frequência semanal de 
participação dosusuários 
adscritos na Unidade 
de Saúde nas ações de 
atividade física.
Aumento da oferta e 
do acesso às atividades 
físicas para população.
Registro do número 
de participantes nas 
atividades.
Atores principais:
• Profissionais de 
educação física
• Profissionais de saúde 
• Usuários do SUS
Outros parceiros:
• Organizações e insti-
tuições do território
 6 meses 
Percepção da participa-
ção da população pelos 
trabalhadores de saúde 
da Unidade de Saúde.
Realização de entrevistas 
e rodas de conversa.
Atores principais:
• Profissionais de saúde
• Líderes comunitários 
• Usuários do SUS
Outros parceiros:
• Organizações e insti-
tuições do território
 3 meses 
Percepção da importân-
cia da atividade física 
pelos usuários adscritos 
na Básica de Saúde.
Divulgação das atividades 
que serão realizadas na 
comunidade.
Inclusão do tema Ativida-
de Física nas estratégias 
de educação permanente.
Realização de entrevistas 
e rodas de conversa com 
usuários e profissionais 
de saúde.
Atores principais:
• Gestor municipal de 
saúde
• Usuários do SUS
• Líderes comunitários
• Profissionais de saúde 
Outros parceiros:
• Organizações e insti-
tuições do território
 4 meses
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
100
Existência de registro de 
proposições e questões 
relevantes dos usuários 
adscritos na Unidade de 
Saúde e/ou trabalhadores 
da Unidade de Saúde em 
relação à participação na 
prática de atividade física.
Verificação de registros 
(atas e outros documen-
tos) dos encontros com 
os usuários.
Realização de entrevistas 
e rodas de conversa com 
os usuários e os profis-
sionais de saúde.
Atores principais:
• Profissionais de saúde 
• Usuários do SUS
• Líderes comunitários
Outros parceiros:
• Organizações e insti-
tuições do território
 6 meses 
Nível de participação 
intersetorial (presença 
nas reuniões, votação, 
parcerias estabelecidas, 
disposição para dar 
opinião e interesse no 
processo) na construção/
manutenção das práticas 
de atividade física.
Registro da presença nas 
reuniões e assembleia de 
votação.
Registro da existência 
das ações e dos progra-
mas intersetoriais de 
atividade físicas.
Realização de fóruns 
intersetoriais com a 
comunidade.
Atores principais:
• Gestores 
• Profissionais de saúde
• Líderes comunitários 
• Usuários do SUS
Outros parceiros:
• Técnicos de outras 
secretarias (educação, 
esporte e lazer, 
urbanismo, cultura, 
assistência social, pla-
nejamento, segurança 
pública, entre outras)
 6 meses 
3.2.2 | 	Ferramentas para auxiliar a construção do PES
Para a construção dos momentos do PES, algumas ferramentas podem ser utilizadas para colaborar 
na captação das informações como, por exemplo, a matriz 5W2H, Brainstorming (tempestade de 
ideias) e o Modelo Lógico. Qualquer ferramenta de planejamento e gestão tem a possibilidade de 
envolver todos os atores interessados garantindo assim a ampla participação.
A matriz 5W2H (LUCINADA, 
2016), que utiliza termos em 
inglês (what, who, where, when, 
why, how e how much), é utili-
zada por vários setores, princi-
palmente administrativos, por 
ser simples e com o objetivo de 
colaborar com a sistematização 
do que será feito. Para com-
preender a sua utilização apre-
sentamos a seguir as questões 
que devem ser respondidas. 
É importante manter a objetivi-
dade nas respostas, que devem 
estar interligadas para ajudar nas definições dos momentos e na visualização dos responsáveis. A 
delimitação do tempo disponível para a realização de cada ação deve ser considerada e o incentivo à 
participação dos atores envolvidos no processo de planejamento é recomendado.
O que será feito?
Quem irá executar? Quem irá participar da ação?
Onde será executada a ação?
Quando a ação será executada?
Por que a ação será executada?
Como a ação será executada?
Quanto custa para execução da ação? 
What
Who
Where
When
Why
How
How much
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
101
Já o Brainstorming (tempestade de ideias) é um método coletivo, utilizado em dinâmica de grupo, que 
visa levantar ideias. Para a sua realização deve-se definir uma pessoa responsável pela coordenação 
da sessão para que faça a exposição e o debate do assunto, estimulando a participação de todos.
Deve-se permitir a expressão livre de ideias, sem crítica, censura ou julgamento e registrar todas as 
ideias que forem expressas. A partir da discussão do grupo o moderador/relator faz as anotações das 
ideias que surgiram, seleciona e prioriza, de maneira participativa, os itens sugeridos, estabelecendo 
assim aquelas ideias que serão incluídas no planejamento.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre Brainstorming acesse: 
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.
nsf/741A876FE828908203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf.
O Modelo Lógico é uma ferramenta interativa que pode ser usada como um quadro de referência 
durante todo o planejamento, a implantação, a implementação, o monitoramento e a avaliação das 
ações, programas e políticas. Ele busca, de maneira sistemática e visual, caracterizar a cadeia causal 
subjacente ao funcionamento do programa. O seu desenvolvimento permite, ao mesmo tempo, orien-
tar a execução do planejamento, descrevendo recursos, atividades, produtos e metas, como também 
possibilitar a avaliação das ações e desempenhar a função de modelo para outros programas. 
Um Modelo Lógico ajuda a: 
 ▶ Esclarecer a estratégia das ações, programas e políticas. 
 ▶ Justificar a implementação das ações, programas e políticas. 
 ▶ Definir objetivos adequados. 
 ▶ Estabelecer prioridades para a distribuição dos recursos. 
 ▶ Fazer ajustes e melhorias durante o andamento das ações, programas e políticas.
 ▶ Especificar o tipo de perguntas que devem ser feitas na avaliação. 
 ▶ Fazer com que as partes interessadas prestem contas com relação aos processos e resultados 
das ações, programas e políticas.
 ▶ Desenvolver melhor ações, programas e políticas na medida em que todos sabem o que leva a 
que, ou seja, é possível identificar a cadeia de causas e efeitos que organiza um programa.
É importante lembrar que não existe uma única forma de criar o Modelo Lógico. Os componentes 
básicos estão listados a seguir e devem estar conectados. Ele permite começar do objetivo para o 
impacto ou o contrário.
Caso queira saber mais sobre o uso do modelo lógico, acesse a publicação “Cinco 
passos para o monitoramento e avaliação (M&A) das ações de IST, HIV/AIDS e 
hepatites virais” (BRASIL, 2017), disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/cinco_passos_monitoramento_avaliacao_acoes_ist_hiv_aids_hepati-
tes_virais.pdf.
SAIBA MAIS
Você, na rotina de planejamento e gestão, poderá construir o Modelo Lógico de forma descrita (a 
seguir) ou a partir de elementos gráficos (como, por exemplo, em quadros). Essa ferramenta pode 
representar ações e programas em andamento ou futuros.
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE828908203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE828908203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cinco_passos_monitoramento_avaliacao_acoes_ist_hiv_aids_hepatites_virais.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cinco_passos_monitoramento_avaliacao_acoes_ist_hiv_aids_hepatites_virais.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cinco_passos_monitoramento_avaliacao_acoes_ist_hiv_aids_hepatites_virais.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
102
Os componentes do Modelo Lógico são os seguintes.
Insumos/recursos
Investimentos ou 
recursos (exemplos: 
tempo, pessoal, 
voluntários, recursos 
financeiros, materiais).
Atividades
Eventos,ações, 
atividades que serão 
desenvolvidas 
(exemplos: workshops, 
desenvolvimento de 
planos de aulas, 
treinamento, marketing 
social, eventos especiais, 
defesa de direitos).
Produtos
Produtos diretos do 
programa (exemplos: 
número de pessoas 
atendidas ou sessões 
realizadas, número de 
profissionais treinados).
Resultados iniciais
Efeito do programa a 
curto prazo (exemplo: 
mudanças no grau de 
conhecimento, nas 
atitudes, habilidades e 
nível de conscientização).
Resultados 
intermediários
Resultados a médio 
prazo (exemplo: assidui-
dade dos participantes, 
mudanças comporta-
mentais, normativas ou 
nas políticas).
Resultados a
longo prazo
Impacto final (exemplo: 
melhoria de marca- 
dores de saúde dos 
participantes, mudanças 
sociais ou ambientais).
Objetivo
Missão ou finalidade 
das ações, programas 
e/ou políticas. 
Fatores influenciadores
Fatores que podem influenciar no êxito do programa, positiva 
ou negativamente (exemplos: fatores socioeconômicos, 
rotatividade de pessoal, política, outras iniciativas, normas e 
condições sociais, histórico do programa, fase de 
desenvolvimento).
Confira também o Modelo Lógico realizado na cidade de São Carlos:
Modelo lógico – Programa Caminhada Orientada
Insumos
Recursos Humanos:
• Equipe das USFs e do NASF
• Profissionais de Educação Física e Gerontologia
• Docentes da UFSCar
• Estudantes de Educação Física e Gerontologia
Recursos Financeiros:
• Prefeitura Municipal de São Carlos
• ProEx (UFSCar)
• CNPq
• FAPESP
Recursos Materiais:
• Materiais de Divulgação
• Instrumentos de Medidas 
Antropométricas
• Questionários e materiais 
educacionais em papel
• Pedômetros, Frequencímetros, Escala 
de Borg e Acelerômetros
• Espaço da USF, calçadas públicas e 
instituições de assistência social do 
bairro
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
103
Atividades
Divulgação na área de abrangência das 
USFs
Controle de presença dos participantes 
nas sessões
Avaliações dos participantes pré, pós 
intervenção
Reuniões de equipe entre membros 
das USFs, NASF e UFSCar
Reuniões semanais de planejamento e 
de pesquisa dos agentes interventores 
da UFSCar
• Gestão de materiais, informações, 
avaliações, divulgação e produção científica
Planejamento de:
• Sessões de exercícios físicos
• Ações educativas
• Dicas de saúde
• Sessões de orientação nutricional
• Sessões de oficina de memória
• Atividades de integração entre o grupo e a 
equipe de saúde
Produtos
• 395 pessoas avaliadas sobre nível de AF
• 195 pessoas que participaram do 
programa pelo menos uma vez
• 120 sessões de exercícios físicos
• 20 sessões de orientação nutricional
• 20 sessões de oficina de memória
• Ligações semanais para ausentes e 
desistentes
• 8 pôsteres de divulgação
• 4000 folders
• Resumos em congressos
• Elaboração de artigos científicos
• Utilização de espaços públicos e 
instituições públicas para prática de AF
• Capacitação da equipe de saúde para 
promoção de AF na USF
• Participação em reuniões de equipe da USF
• Divulgação da atuação profissional de 
profissionais de Educação Física e de 
Gerontologia
Objetivo
Aumentar o nível de AF e estimular a mudança de hábitos saudáveis para melhoria da 
qualidade de vida da população em contexto de alta vulnerabilidade, auxiliando e 
capacitando os profissionais de saúde das USFs na realização de ações que contemplem 
promoção e prevenção de saúde na Atenção Básica.
Resultados
Curto prazo
• Implementação de programa de AF nas USFs
• Inserção da prática de AF no cotidiano dos 
participantes
• Aumento dos vínculos sociais entre usuários
Longo prazo
• Manutenção do programa e aumento de 
promoção de AF nas USFs
• Empoderamento dos usuários da USF em 
relação à adoção de um estilo de vida ativo
• Fortalecimento da parceria entre a UFSCar e 
a Atenção Básica do município
Médio prazo
Maior conhecimento sobre exercícios 
físicos, estratégias de estimulação 
cognitiva e de alimentação saudável
Fortalecimento de vínculos do usuário 
com USF
Aumento no conhecimento de 
estratégias para mudança de 
comportamento e autocuidado
Controle do peso corporal, pressão 
arterial e glicemia
Maior sensibilização da equipe sobre 
promoção de AF no contexto da 
Estratégia de Saúde da Família
Fonte: Cerri et al, 2017.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
104
Conheça outros Modelos Lógicos nos links a seguir:
O Modelo Lógico como ferramenta de planejamento, implantação e avaliação de 
PS, disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/2404.
Avaliabilidade do Programa Academia da Saúde no Município do Recife, 
disponível em: http://cadernos.ensp.fiocruz.br/static//arquivo/1678-4464-csp-33-
04-e00159415.pdf.
Como elaborar Modelo Lógico: roteiro para formular programas e organizar 
avaliação, disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/5810/1/
NT_n06_Como-elaborar-modelo-logico_Disoc_2010-set.pdf.
SAIBA MAIS
Para que as ações do planejamento participativo possam contribuir para o aperfeiçoamento da gestão 
do programa e/ou das ações de promoção da atividade física na APS, é muito importante o compro-
metimento dos atores locais com o processo de elaboração do Modelo Lógico, assim como com o 
monitoramento e a avaliação dos resultados alcançados e das estratégias empregadas.
REFLEXÃO
Você já utilizou outras estratégias para apoiar o planejamento? 
Identifique os pontos positivos e negativos que percebeu em cada uma das 
estratégias!
Quais dessas estratégias poderiam ser utilizadas em seu município?
3.2.3 | 	A importância da intersetorialidade, da participação 
e do controle social nas etapas do PES
A intersetorialidade, a participação e o controle social são componentes da PNPS e do SUS. No nível 
municipal, os gestores devem promover articulação intersetorial para a efetivação dessa política e 
enfatizar a participação no planejamento, de forma a envolver todos os setores do governo municipal 
e representantes da sociedade civil, no qual os determinantes e condicionantes da saúde sejam a 
base para formulação das ações de intervenção. Nessa articulação é vantajoso explicitar as ações, os 
programas e os benefícios compartilhados da atividade física aos setores. 
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) reconhece quatro principais sinaliza-
dores que convergem para o êxito nos programas e políticas. São eles:
 ▶ a intersetorialidade, 
 ▶ o controle social, 
 ▶ a gestão eficiente e 
 ▶ gestores e sociedade compartilhando valores claros a respeito dos problemas enfrentados e 
das soluções em pauta. 
A intersetorialidade, a participação e o controle social são indispensáveis para a política pública. Quan-
do ações, programas e políticas e todas as suas etapas são acompanhados pela população, maiores 
são as chances de alcançar os resultados esperados (PNUD, 2017).
https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/2404
http://cadernos.ensp.fiocruz.br/static//arquivo/1678-4464-csp-33-04-e00159415.pdf
http://cadernos.ensp.fiocruz.br/static//arquivo/1678-4464-csp-33-04-e00159415.pdf
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/5810/1/NT_n06_Como-elaborar-modelo-logico_Disoc_2010-set.pdf
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/5810/1/NT_n06_Como-elaborar-modelo-logico_Disoc_2010-set.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
105
Intersetorialidade
O desafio colocado aos atores sociais de planejar ações que promovam a atividade física na APS de-
manda ampla articulação de diferentes setores administrativos, como saúde, educação, meio ambien-
te, transportes e mobilidade. Podemos pensar em diferentes efeitos diretos e indiretos do aumento 
do nível de atividade física na abrangência desses setores: 
 ▶ redução das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), 
 ▶ prevenção e diminuição de transtornosmentais comuns e sintomas de ansiedade e depressão, 
melhor percepção sobre a qualidade de vida, 
 ▶ melhora do desenvolvimento integral, 
 ▶ melhora no desempenho acadêmico e motor de escolares, 
 ▶ substituição do uso de veículos motorizados individuais pelo uso de meios de transporte ativos 
e sustentáveis (exemplo: caminhando, pedalando), 
 ▶ melhora da mobilidade urbana e redução da emissão de partículas poluentes na atmosfera. 
Com isso, é necessário reconhecer a insuficiência da abordagem setorial para o enfrentamento dos 
complexos problemas do território. 
A articulação intersetorial potencializa a 
utilização de recursos financeiros e humanos, 
favorece redes sociais e gera soluções 
integradas para as partes (MALTA et al., 2009). 
Também cabe aos gestores incentivar articulações intersetoriais para a melhoria das condições dos 
espaços públicos para a realização de atividades físicas, como, por exemplo, a qualificação de parques 
e praças, a criação de ciclovias e pistas de caminhadas, o aumento da segurança e da iluminação, 
entre outros. 
Outras ações intersetoriais visam a mobilização de parceiros por meio de redes horizontais de troca 
de experiência entre serviços (ou equipamentos) e entre os municípios:
 ▶ resgate das atividades físicas nas escolas, universidades e demais espaços públicos, 
 ▶ articulação e parcerias estimulando atividades físicas no ambiente de trabalho,
 ▶ estímulo e fortalecimento de ações já existentes na comunidade.
A participação e o controle social devem ser incorporados em todas as etapas do 
planejamento e da gestão das ações, dos programas e das políticas públicas.
É importante que os gestores busquem estabelecer parcerias e articulações intersetoriais no território 
para desenvolvimento de ações educativas e inclusivas visando o incentivo da atividade física nas 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
106
diferentes fases do curso da vida, com utilização de equipamentos sociais disponíveis no território, 
tais como:
 ▶ clubes esportivos, clubes de recreação, escolas de esportes;
 ▶ equipamentos de esporte oferecidos pelo governo, como ginásios, quadras poliesportivas, 
parques infantis, praças, parques, etc.;
 ▶ associações de bairros. 
Essa articulação pode ser realizada desde o processo de planejamento, para que os envolvidos pos-
sam participar ativamente do processo de construção do programa ou ação, a fim de estabelecer 
relações de confiança e de responsabilidades compartilhadas. 
A ação intersetorial intencional e planejada também pode facilitar a conexão com as Instituições de 
Ensino Superior (IES). Essas instituições geralmente conseguem oferecer espaço físico e recursos 
humanos – professores, estagiários, apoio técnico e especializado – para fortalecer a relação entre 
ensino, pesquisa, extensão, serviços e comunidade, em uma relação colaborativa e horizontal na pro-
dução do conhecimento. Existem casos de programas de promoção da atividade física nos quais as 
IES têm oferecido a estrutura física, e a gestão da Unidade de Saúde disponibiliza os demais materiais, 
como colchonetes, halteres, entre outros. 
Como mencionados na Unidade 2, reforçamos que os instrumentos de gestão como Plano Munici-
pal de Saúde (PMS), Plano Diretor, Plano Plurianual (PPA), Plano de Transporte Urbano/Mobilidade 
e outros devem ser revisados de forma articulada e periódica, incorporando a intersetorialidade e 
conectando medidas para priorizar a redução das DCNTs decorrentes de poluição do ar e do baixo 
nível de atividades físicas, os transportes não motorizados e os coletivos sobre os individuais e as 
condições para atividades físicas no deslocamento (OPAS, 2020).
É necessário o conhecimento dos setores envolvidos para o desenvolvimento de 
ações, programas e políticas de promoção da saúde e atividades físicas, pois sa-
bemos que a intersetorialidade é uma estratégia política complexa, cujo resultado 
na gestão de um município é a superação da fragmentação das políticas nas várias 
áreas onde são executadas. 
Para que a gestão articule pessoas e instituições no planejamento é necessária a utilização de fer-
ramentas e tecnologias de informação e comunicação. Portais, redes sociais, sites, dentre outros, 
devidamente atrativos e atualizados podem viabilizar a articulação de órgãos, conselhos, coletivos e 
usuários. Esses espaços favorecem expressões pessoais, interações desburocratizadas, democracia 
direta, além de comunicação horizontal e descentralizada. 
PARA PENSAR E PLANEJAR
Para fortalecer a relação intersetorial podemos utilizar as seguintes estratégias: 
traçar objetivos comuns entre setores; utilizar de informações e dados setoriais 
de forma integrada; elaborar orçamento intersetorial, buscando diretrizes e 
metas conjuntas; identificar e integrar estratégias similares para otimizar re-
cursos. Como é possível melhorar essas ações em seu município?
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
107
Participação e controle social
O controle social é a capacidade que os movimentos sociais e a sociedade civil têm de participar, 
intervir, acompanhar e interferir nas ações dos governantes, nos gastos públicos e na execução de 
políticas públicas, a fim de estabelecer e monitorar os objetivos, processos e resultados de interesse 
da população.
O controle social sobre o SUS foi eixo de debate na VIII Conferência Nacional de Saúde (1986) mas, 
somente em 1990, vigorou a lei sobre a participação da comunidade na gestão do SUS (Lei nº 8.142, 
de 28 de dezembro de 1990). Há muito tempo o controle social é considerado um dos principais 
instrumentos para a democratização do SUS, porém ainda há muitas limitações e dificuldades em 
exercer esse mecanismo. 
Os Conselhos de Saúde constituem uma instância para o controle social, composta por represen-
tantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, mas que nem sempre 
conseguem cumprir a função de participar da formulação e do controle da política de saúde. 
Na gestão de ações e programas para a atividade 
física, essa dificuldade também foi observada, como 
o escasso e pouco qualificado controle social 
durante a implementação do Programa Esporte e 
Lazer da Cidade (PELC), pois havia poucos conselhos 
municipais envolvidos. Havia também a indicação 
de outras entidades que não representavam o 
território, nem agiam como referência de debate de 
implementação do PELC, ou ainda foi atribuído o 
controle social a uma única associação/entidade 
que representava um clube de futebol local 
(UNGHERI; ISAYAMA, 2020). 
Nas ações de promoção da atividade física na APS, o controle social deve ser fortalecido por meio 
da mobilização popular individual e coletiva, para facilitar o acesso da população ao planejamento e, 
consequentemente, às informações e aos serviços e direcionar as atividades às reais necessidades e 
demandas das pessoas, com significativo impacto na percepção de saúde. São formas de participa-
ção em políticas públicas as conferências e conselhos, orçamento participativo, plenárias temáticas, 
audiências públicas e congressos municipais, com o objetivo de discussão coletiva e articulação dos 
atores sociais para o planejamento.
É valioso que os gestores estimulem e consultem os conselhos municipais e outros 
instrumentos de participação popular, e procurem medir/avaliar o controle social 
em sua gestão. 
Confira a seguir exemplos de ações intersetoriais reais articuladas de modo a resolver problemas so-
ciais e beneficiar a prática de atividades físicas. Vamos apresentá-las para fins ilustrativos, acompanhe.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
108
Exemplo 1: Vias Calmas 
Sabemos que o trânsito brasileiro faz muitas vítimas anualmente. Dados da OPAS (2012) demonstram 
queo pedestre que é atingido por um veículo a 60 km/h tem alta probabilidade de ir a óbito.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a redução dos limites de velocidade das vias, e já 
existem campanhas e metas para 2030 para que os países adotem as vias calmas, onde o limite de ve-
locidade é de 30 km/h. Se atingido por um veículo a 30 km/h, um pedestre tem menos de 20% de pro-
babilidade de ir a óbito em decorrência do atropelamento. Podemos fazer o exercício de refletir sobre 
o problema em questão e quais setores são afetados e devem ser mobilizados. Acidentes de trânsito 
exigem muitos recursos do setor de saúde, transportes, infraestrutura e segurança, por exemplo. E 
para aderir à recomendação global de vias calmas de 30 km/h, esses setores precisam dialogar entre 
si, trabalhar estrategicamente, planejar juntos e incluir a participação popular, sobretudo em regiões 
do país em que o automóvel representa um bem altamente desejado e símbolo de status social. No 
Brasil, alguns municípios estão implementando vias calmas de 30 km/h, e essa implementação deve 
ser avaliada para verificar se as metas serão alcançadas, tais como:
 ▶ reduzir acidentes de trânsito; 
 ▶ reduzir óbitos evitáveis; 
 ▶ reduzir gastos com saúde;
 ▶ atrair mais pedestres e ciclistas, pois as pessoas caminham e pedalam mais quando se sentem 
seguras;
 ▶ aumentar escolhas de meios de transporte sustentáveis.
Essa intervenção está ligada à promoção da 
atividade física no deslocamento de bicicleta e 
caminhada, pois promove a superação de uma 
barreira muito importante que é a percepção de 
insegurança do trânsito. Com a implementação 
dessas vias mais calmas, aumenta a chance de 
os ciclistas escolherem esses caminhos, pois 
melhora a sensação de segurança. Essa é uma al-
ternativa para atrair sobretudo mulheres, idosos 
e crianças pequenas. Além disso, é uma forma de 
ampliar o espaço nos municípios para ciclistas e 
pedestres, já que os carros têm sido priorizados 
na ocupação do solo e nos planejamentos urba-
nísticos. Como mencionamos, o impacto da redução da velocidade máxima sobre a atividade física 
da população deve ser mensurado. Podemos observar se ocorre o aumento no número de pedestres 
e ciclistas utilizando a via e a redução de acidentes, e realizar entrevistas com pedestres, ciclistas, 
motoristas, de várias idades, homens e mulheres.
Exemplo 2: Eventos
É muito interessante investir na ampliação e difusão de eventos de participação que promovam ativi-
dades físicas e defendam sociedades ativas e saudáveis – esses eventos, inclusive, podem fortalecer a 
visibilidade política. Os eventos de participação podem ser considerados indicadores. A OMS, em 2022, 
avaliou os países também pelo critério de eventos de participação sobre atividade física (OMS - Global 
Status Report on Physical Activity 2022). Esse indicador, ao lado de vários outros, auxiliou na formação 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
109
do perfil de cada país em relação à promoção da atividade física. Com isso, tem sido recomendado o 
fortalecimento, agendamento, planejamento, execução e avaliação dos eventos de participação sobre 
atividade física e temas transversais nos municípios, estados e no nível nacional. 
A realização de eventos como uma estratégia de sensibilização sobre a importância da atividade física 
é uma ação muito comum e reconhecida como uma estratégia importante pela OMS. No Brasil, é 
comum a celebração mensal de temas específicos como outubro rosa, novembro azul etc. A Virada 
Esportiva em São Paulo organizada pela prefeitura e o Dia do Desafio, organizado pelo Serviço Social 
do Comércio (SESC) na última quarta do mês de maio, são exemplos de eventos, que não devem ser a 
única estratégia, que conectam à promoção da atividade física.
O Dia Mundial da Saúde é comemorado no dia 7 de abril pela OMS, tendo como objetivo conscientizar 
a população a respeito da qualidade de vida e dos diferentes fatores que afetam a saúde, no qual 
cada ano um tema é adotado. Em 2019, o tema “Saúde universal: para todas e todos, em todos os 
lugares” abrangeu a mobilização de gestores, profissionais, comunidade e mídia/imprensa para pen-
sar e discutir a importância do planejamento e da implementação de políticas e ações com enfoque 
multissetorial para abordar os determinantes sociais da saúde e promover o comprometimento de 
toda a sociedade com a saúde e o bem-estar. Em 2002, o tema do Dia Mundial da Saúde foi a atividade 
física, nesse dia a diretora da OMS lançou, em São Paulo, o Dia Mundial da Atividade Física, tema 
que é celebrado até hoje, na data de 6 de abril, e tem estimulado o chamado mês verde, dedicado à 
promoção da atividade física. 
3.3 | 	O	papel	dos	profissionais	de	saúde	na	promoção	da	
atividade	física	no	cuidado	em	saúde	
Os profissionais de saúde têm um papel fundamental na articulação e execução das ações de promo-
ção da atividade física como uma estratégia da integralidade do cuidado. Sendo assim, este aspecto 
deve ser considerado nas reflexões da equipe de planejamento e de gestão, estando explícito nos 
instrumentos de gestão de forma a ser efetivamente operacionalizado. 
Sobre o entendimento do significado do cuidado, acompanhe a seguir!
Por cuidado, 
entende-se: 
O conjunto de ações interligadas que perpassam todos os 
níveis de atenção à saúde. 
Considerando a integralidade do sujeito e integração dos 
setores que intervêm nos determinantes sociais da saúde.
Fonte: adaptado de Brasil (2013).
Busca-se a qualidade técnica e ética por meio do reconheci-
mento dos direitos, da subjetividade e das referências culturais 
do usuário, garantindo o respeito às questões de gênero, etnia, 
raça, situação econômica, orientação sexual, entre outros. 
Ou seja, a definição já remete ao cuidado integral em saúde.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
110
É importante reafirmar que as ações de promoção da saúde e da atividade física não se opõem às ações 
de cuidado, elas podem se conectar e coexistir. Para tanto, é importante que as ações, os programas 
e as políticas se mantenham em uma perspectiva de valorização e defesa da vida, reconhecendo e 
respeitando a complexidade e singularidade das pessoas e coletividades, com partilha de responsa-
bilidades entre os envolvidos no processo e com acesso equitativo, o que remete ao direito à saúde 
como um benefício da vida em sociedade (BRASIL, 2014) e que desconstrua a centralidade biomédica 
no cuidado. Como afirma Carvalho e colaboradores (2020), as ações de cuidado e promoção da saúde 
podem ser implementadas de forma articulada no contexto da promoção da atividade física e das 
práticas corporais, respeitando-se os objetivos e, também, as intercessões entre elas. Um exemplo 
são as ações de promoção da saúde no cuidado nos grupos de hipertensão arterial, diabetes, dor, 
entre outras.
É fundamental que o gestor tenha a intencionalidade de promover a reflexão e a reorientação dos 
serviços de saúde, nessa direção, considerando a prática diária de todos os profissionais de saúde, 
incluindo também o acesso à atividade física como estratégia de cuidado. Além disso, deve incentivar 
e gerir nessa direção, incluindo aspectos da educação continuada e permanente. 
3.3.1 | 	Arranjos	interdisciplinares,	interprofissionais,	matriciamento	e	suas	possibilidades	
com	enfoque	no	cuidado	em	saúde
O Apoio Matricial, também chamado de matriciamento, é um modo de realizar a atenção em saúde de 
forma compartilhada com vistas à integralidade e à resolubilidade da atenção, por meio do trabalho 
interdisciplinar.
O processo de construção de ações interdisciplinares, interprofissionais e intersetoriais resulta na 
troca e na construção coletiva de saberes, linguagens e práticas entre os diversos atores e setores 
envolvidos na tentativa de equacionar determinada questão de saúde de modoque se consiga pro-
duzir processos potentes de produção de saúde, incluindo uma reflexão crítica sobre os determi-
nantes e condicionantes sociais de saúde. Tal processo propicia a cada área, setor e profissional a 
ampliação de sua capacidade de analisar e de transformar seu modo de operar a partir do convívio 
com a perspectiva dos outros, abrindo caminho para que os esforços de todos sejam mais efetivos e 
eficazes. Acompanhe no infográfico a descrição sobre a interdisciplinaridade, interprofissionalidade e 
intersetorialidade com enfoque no cuidado em saúde.
A interdisciplinaridade é a construção do conhecimento, 
com aquisição de competências, interação e articulação 
entre as diversas disciplinas.
A interprofissionalidade corresponde à prática 
profissional em que se desenvolve o trabalho em equipe, 
articulando diferentes campos de práticas e fortalecendo a 
centralidade no usuário e suas necessidades na dinâmica 
da produção dos serviços de saúde.
A intersetorialidade é o processo de articulação de 
saberes, potencialidades e experiências de sujeitos, grupos 
e setores na construção de intervenções compartilhadas, 
estabelecendo vínculos, corresponsabilidade e cogestão 
para objetivos comuns.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
111
3.3.2 | 	A	promoção	da	atividade	física	é	papel	de	todos	os	profissionais	de	saúde	e	da	
comunidade
A promoção da atividade física envolve informar e motivar os gestores quanto aos diferentes profis-
sionais (por exemplo, nutricionista, ACS, médico, psicólogo, farmacêutico, enfermeiro, fisioterapeuta, 
profissional de educação física) e estratégias envolvidas na promoção da atividade física, indicando 
possibilidades, tais como: 
 ▶ aconselhar sobre os benefícios de praticar atividades físicas e sobre as recomendações da AF 
para a população brasileira; 
 ▶ aconselhar a praticar; 
 ▶ conhecer/perguntar sobre o nível de atividade física e sobre as barreiras para a prática, com-
partilhando soluções para transpor essas barreiras. 
Reforçamos que a Sociedade Internacional de Atividade Física e Saúde considera o envolvimento de 
todos os profissionais de saúde na promoção da atividade física como um dos oito investimentos 
efetivos na área. Essa é uma visão estratégica que surgiu a partir das melhores evidências no mundo. 
8 
investimentos 
para a 
atividade 
física
Programas de 
saúde na escola
Campanhas 
de educação 
em saúde
Esporte e lazer 
para todos
Ambiente de 
trabalho
Programas 
comunitários
Transporte 
ativo
Desenho 
urbano ativo
Profissionais 
de saúde
Nesse link, você terá acesso detalhado aos oito investimentos que funcionam 
para a atividade física, e que têm o objetivo de auxiliar países, estados, municípios 
e distritos. Os oito investimentos foram pontuados pela International Society for 
Phisical Activity and Health e pela OMS.
Disponível em: https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-
Translation-Eight-Investments-That-Work-FINAL.pdf
Também é muito importante que os profissionais de saúde comuniquem as atividades, as ações e os 
programas de atividade física disponíveis no território. Em um estudo realizado, com dados da PNS, 
identificou-se que somente 20% dos entrevistados conheciam algum programa público de atividade 
https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-Translation-Eight-Investments-That-Work-FINAL.pdf
https://ispah.org/wp-content/uploads/2020/12/Portuguese-Translation-Eight-Investments-That-Work-FINAL.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
112
física e, desses, somente 9% frequentavam esses programas (FERREIRA et al., 2019). Além disso, é 
importante lembrar que, para maior adesão da população e êxito dos programas públicos de promo-
ção da atividade física, a equipe do planejamento deve conhecer as barreiras, ou seja, os fatores que 
dificultam a participação nos programas. 
Para compreender a relevância dessa informação, apresentamos os dados de um estudo realizado 
em todo território nacional que identificou as barreiras relacionadas a não prática de atividade física 
em programas públicos (FERREIRA et al., 2019). A falta de tempo foi a mais frequente, relatada por 
quase metade dos participantes (41,4%). É fundamental que a falta de tempo não seja considerada 
apenas uma falta de organização ou vontade pessoal, mas uma reflexão sobre por que falta tempo 
para as pessoas fazerem atividade física. Alguns fatores podem contribuir para explicar essas barrei-
ras como, por exemplo, acúmulo de trabalho, de atividades domésticas, de estudo e de compromissos 
familiares. Desta forma, as “causas das causas” podem ser identificadas com mais clareza.
Uma estratégia potente no SUS é o 
aconselhamento breve sobre atividade física. 
Esse aconselhamento pode ser realizado por 
todos os profissionais de saúde no contexto da 
APS de forma verbal ou por escrito (papel ou 
e-mail), com apoio nas informações do Guia de 
Atividade Física para a População Brasileira e 
do Guia de Orientação para o Aconselhamento 
Breve sobre Atividade Física na Atenção 
Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde. 
Lembramos que o Guia de Atividade Física para a População Brasileira conversa diretamente com a 
população em sua linguagem e formato e pode ser disseminado em consultas, grupos, rodas de con-
versa, ações, “dias D”, campanhas, nas escolas, nos conselhos etc. Para que isso ocorra, é necessário 
que a equipe multiprofissional seja integrada e sensibilizada para promover atividades físicas. Essa 
abordagem também qualifica outros atores, eleva as chances de aumentar os níveis de atividade física 
das pessoas e descentraliza as demandas sobre os profissionais de educação física, que nem sempre 
estão presentes nas Unidades de Saúde.
No Guia de Atividade Física Para a População Brasileira: recomendações para ges-
tores e profissionais de saúde, você encontrará uma série de sugestões de como 
incluir o Guia de AF nas atividades do SUS. Disponível em: http://189.28.128.100/
dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_atv_gestores.pdf.
SAIBA MAIS
 A promoção da atividade física por todos os profissionais de saúde necessita de formação permanente 
e/ou continuada dos envolvidos e a atividade física como cuidado em saúde deve ocupar mais espaço 
nos processos de educação continuada e permanente, pois é um tema transversal que permanece 
como demanda no planejamento. Devemos estimular a articulação com a população nas decisões e 
planejamento de ações de promoção da atividade física destacando os sentimentos de pertencimento 
e aumento do controle social. Além disso, também devemos priorizar estratégias para aumentar a 
adesão e aderência às ações e destacar a importância da motivação, do suporte social e da transposi-
ção de barreiras reportadas pela população.
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_atv_gestores.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_atv_gestores.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
113
Retomando os desafios colocados no planejamento das ações intersetoriais, reconhecemos a impor-
tância dos atores nas escolas como promotores de atividades físicas, com a vantagem de poderem 
intervir nas idades escolares, quando os comportamentos de saúde estão se estabelecendo e, conse-
quentemente, nos seus familiares. Diretores, pedagogos, professores, outros trabalhadores da escola 
e famílias podem trabalhar a promoção da atividade física de forma intencional e combinada com 
outras disciplinas e temas curriculares, mediante o estímulo na educação permanente e capacitações 
específicas.
Exemplos de projetos de intervenção internacionais (BORDE et al., 2017) e alguns nacionais, como o 
Movimente (https://movimente.ufsc.br/) utilizaram essa abordagem envolvendo a formação e o empo-
deramentode professores e observaram resultados positivos nos comportamentos de saúde dos es-
colares (exemplo: redução do tempo assistindo televisão ou mais tempo praticando atividades físicas).
O Caderno Temático do Programa Saúde na Escola: Promoção da Atividade Física 
(https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjEzOQ==) e o Guia de Bolso do 
Programa Saúde na Escola: Promoção da Atividade Física (https://aps.saude.gov.
br/biblioteca/visualizar/MjE0MA==) são materiais que contribuem no desenvolvi-
mento de intervenções que podem tornar o ambiente escolar mais ativo.
SAIBA MAIS
3.3.3 | 	A	atuação	estratégica	do	profissional	de	educação	física	na	saúde	para	além	de	sua	
atuação	no	núcleo	profissional
Com a consolidação das políticas de promoção da saúde e abrangência das ações como a promoção 
da atividade física na APS, os profissionais de educação física foram inseridos em 2008 nas equipes 
multiprofissionais. O Incentivo de Atividade Física (IAF) estimula a contratação de profissionais de 
educação física na saúde, cuja dificuldade tem sido apontada como desafio na promoção da atividade 
física. O Programa Academia da Saúde (PAS) também insere o profissional de educação física na saúde 
ao elencá-lo na lista dos 13 profissionais de saúde que podem atuar no programa, sendo esse o pro-
fissional que mais atua no PAS. 
Cabe também destacar outro desafio recorrente que é, em geral, a qualificação insuficiente dos pro-
fissionais de educação física para atuar na saúde pública, em especial na APS. É prioridade investir 
na formação e capacitação inicial desses profissionais para a atuação, também, na saúde pública, 
gerando demandas de disciplinas curriculares às IES. Reformular a formação profissional com ênfase 
nas especificidades da APS no SUS, bem como investir em educação permanente, são recomendações 
para fortalecer esse nível de atenção à saúde, assim como criar ou ampliar as relações entre o ensino 
das IES e os serviços do SUS.
O Ministério da Saúde estruturou diversas Linhas de Cuidado nas quais o profissional de 
educação física, por características de sua graduação e formação, tem competência espe-
cializada de atuação. Você pode acessar em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/.
LINKS
Um exemplo é o profissional de educação física integrando a equipe da Linha de Cuidado em Obesi-
dade para intervir com avaliações dos níveis de atividade física, prestando orientações e atendimento 
para a prática regular de exercícios físicos e mudanças comportamentais. Esse profissional tem a 
competência de planejar programas de exercícios físicos com foco em pacientes obesos, ajudar na 
https://movimente.ufsc.br/
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjEzOQ==
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjE0MA==
https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MjE0MA==
https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
114
motivação e desenvolver mecanismos de superação de barreiras junto aos pacientes. É um profis-
sional capacitado para disseminar educação permanente e o matriciamento sobre os benefícios do 
estilo de vida ativo, visando potencializar a prevenção de comorbidades e redução do peso. Muitas 
são as possibilidades de atuação desse profissional. Confira a seguir algumas aplicações das Linhas 
de Cuidado. 
As Linhas de Cuidado de diversas doenças e condições de 
saúde que acometem principalmente os adultos, tais como:
acidente vascular cerebral (AVC) 
asma
depressão
diabetes mellitus tipo 2
doença renal crônica (DRC)
hipertensão arterial sistêmica (HAS)
transtornos de ansiedade
São exemplos nos quais a 
atividade física é um fator 
não-medicamentoso de 
proteção/prevenção que 
pode contribuir para a 
melhorar a qualidade de 
vida dos indivíduos.
As Linhas de Cuidado descrevem rotinas do itinerário do paciente, fornecendo informações relativas 
às ações e atividades de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação a serem desenvolvidas por 
equipe multidisciplinar em cada serviço de saúde. Esses fluxos e rotinas viabilizam a comunicação 
entre as equipes, serviços e usuários na RAS, de forma a padronizar as ações, organizando o serviço 
de forma sincronizada, nas quais todos os envolvidos conhecem o passo a passo assistencial. 
Perceba que a superação dos desafios relacionados com falha de comunicação e articulação do profis-
sional de educação física com os demais na equipe multiprofissional é fundamental para que o fluxo 
dentro da Linha de Cuidado aconteça. Para implementação de uma Linha de Cuidado, estratégias de 
gestão devem incidir tanto sobre as práticas clínicas e de saúde coletiva como na organização dos 
serviços da RAS. 
No site do Ministério da Saúde estão dispostas as Linhas de Cuidado com infor-
mações detalhadas voltadas para gestores, profissionais de saúde e cidadãos. 
Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/todas-linhas.
Conheça também a experiência na Região do ABC em São Paulo sobre o uso do 
Guia Alimentar e o Guia de Atividade Física para a População Brasileira na Linha 
de Cuidado de Sobrepeso e Obesidade na Atenção Primária à Saúde. No link abai-
xo você encontrará mais informações e quatro manuais instrutivos. Disponível 
em: https://www.fsp.usp.br/lcsoabcpaulista/.
SAIBA MAIS
3.4 | 	Experiências municipais exitosas na perspectiva da gestão, de 
implantação de programas e ações de atividade física 
As experiências exitosas são aquelas que promovem aumento da atividade física dos participantes 
por meio de um processo planejado, replicável e sustentável que garante e promove participação e 
autonomia (BENEDETTI et al., 2020). Essa definição é apresentada no documento Recomendações para 
o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de Atividade Física na Atenção Primária à Saúde do Sistema 
Único de Saúde (BRASIL, 2021). 
https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/todas-linhas
https://www.fsp.usp.br/lcsoabcpaulista/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
115
As palavras em destaque descritas a seguir são consideradas como atributos essenciais às práticas 
exitosas, e gostaríamos de aprofundar com você.
 ▶ Autonomia: A ação promove autonomia dos participantes para o engajamento nas decisões e 
conhecimentos que possam contribuir para o autocuidado e corresponsabilidade com a saúde 
individual.
 ▶ Planejamento: A ação é planejada de acordo com a realidade do local (como demandas do 
território; demandas por serviços; recursos financeiros, humanos e materiais; cultura e capaci-
dade técnica) e de forma colaborativa (entre usuários, profissionais de saúde e gestão), que ex-
plicita para qual grupo é destinada. Além disso, possui objetivos tangíveis e metas mensuráveis 
que necessitam ser avaliadas continuamente tanto para a ação quanto para os participantes.
 ▶ Sustentabilidade: A ação é mantida e continuada pelo local com potencial para ser institucio-
nalizada e capaz de aumentar a atividade física dos participantes de modo sustentável. 
 ▶ Replicação: A ação é descrita com clareza e aplicável em outros locais respeitando cada con-
texto.
 ▶ Participação: A ação promove o engajamento e o vínculo dos usuários com o serviço, e tem 
adesão e assiduidade dos participantes.
O passo a passo no planejamento e na implementação de uma ação ou um programa de atividade 
física, para que seja exitosa, envolve oito estratégias que apresentaremos a seguir. Mas, antes de 
conhecê-las, é importante que você saiba que este passo a passo é baseado em experiências reais 
desenvolvidas no SUS em todas as regiões do Brasil, e o seu desenvolvimento incluiu profissionais de 
saúde, gestores municipais e usuários participantes das ações de atividade física (BENEDETTI et al., 
2020; BRASIL, 2021; SANDRESCHI, 2022). Este conteúdo pode ser consultado na íntegra.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma açãoou programa de atividade física
Divulgar as ações realizadas1
Manter regularidade nas avaliações4
3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
Divulgar as ações realizadas1
Manter regularidade nas avaliações4
3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
A divulgação das ações de atividade física pode ser realizada pelos ACS, por cartazes no território, 
pelas redes sociais, por reuniões na Unidade de Saúde, por comunicação boca a boca e pelas equi-
pes de saúde. O ideal é que sejam adotadas e combinadas três ou mais estratégias de divulgação. 
A divulgação deve ser contínua no serviço de saúde, pois há grande rotatividade de usuários da 
APS e diariamente novos entram no sistema. Além disso, para estimular a cultura do movimento 
cada vez mais forte na sociedade e promover a conscientização para o estilo de vida ativo, de 
forma paralela às ofertas semanais, é recomendado incluir nos planejamentos e calendários a 
realização de eventos alusivos às datas temáticas que são comemoradas, como o Dia da Atividade 
Física (6 de abril), o Dia Mundial da Saúde (7 de abril), o Dia Mundial sem Carro (22 de setembro) e 
o Dia do Profissional de Educação Física (1 de setembro).
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
Divulgar as ações realizadas1
Manter regularidade nas avaliações4
3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
Os principais desafios, relacionados às ações em si, de promover atividades físicas na APS, são 
os seguintes: descontinuidade das ações; oferta insuficiente para atender à demanda; e horários 
que não atendem bem à população. Para superar esses desafios, é recomendado aumentar a 
frequência semanal de oferta das atividades (maior ou igual a duas vezes na semana) em horários 
diversificados. O uso de tecnologias como redes sociais, grupos de whatsapp, aulas remotas e 
outros é incentivado como aliado nesse esforço de aumentar a promoção da atividade física. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
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estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
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Manter regularidade nas avaliações4
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2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
É ideal que os participantes sejam avaliados antes e após o período das atividades, segundo o 
cronograma da oferta dessas. A avaliação dos participantes deve estar alinhada ao objetivo da 
atividade. Por exemplo, se a ação tem a intenção de reduzir o Índice de Massa Corporal (IMC) dos 
participantes por meio da prática de exercícios físicos, é necessário mensurar e acompanhar o IMC 
por meio de metodologia válida e reprodutível. Na próxima Unidade deste curso, aprofundaremos 
no tema de avaliações.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
Divulgar as ações realizadas1
Manter regularidade nas avaliações4
3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
As avaliações das ações de atividade física e dos participantes devem ser realizadas pelo menos 
duas vezes ao ano, como veremos na próxima Unidade deste curso.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
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3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
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Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6Os participantes precisam tomar nota das suas avaliações, pois isso promove envolvimento, con-
tribui para a autonomia e motivação, é uma oportunidade de promover educação em saúde e 
estimula a busca por melhores resultados. Compartilhar e discutir os resultados das avaliações 
junto da equipe multiprofissional possibilita identificar facilitadores e barreiras percebidas pelos 
participantes para que adaptações sejam planejadas e as metas alcançadas.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
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3 Realizar avaliações
2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
Entregar os resultados das avaliações5
Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
É recomendado para promover ações de atividade física exitosas monitorar: 
• o número de participantes cadastrados na ação; 
• o número de participantes em cada sessão; 
• o número e a identificação de participantes com faltas consecutivas; e 
• o número de desistências.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
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2 Manter uma frequência e regularidade da oferta das ações
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Monitorar as razões das desistências7
Buscar apoio da gestão8
Controlar a assiduidade dos participantes6
As desistências podem ocorrer devido às características da própria oferta, e ao tomar nota de-
las, é possível reestruturá-las com foco na aderência dos participantes. Em caso de desistência, 
é interessante oferecer um acompanhamento remoto ou orientar práticas de atividades físicas 
independentes dos encontros presenciais, e dar suporte social para os participantes, compreen-
dendo suas necessidades.
estratégias para o planejamento e implementação de 
uma ação ou programa de atividade física
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Controlar a assiduidade dos participantes6
Os membros envolvidos na gestão devem estar sensibilizados para a promoção da atividade física. 
Sabemos que a falta de apoio político e de reconhecimento da atividade física na APS é um desafio 
a ser superado. A gestão voltada para práticas exitosas busca e cria iniciativas para consolidar e 
promover as atividades físicas para a população. Também é participativa e conhecedora de todas 
as fases de elaboração de políticas e programas, acessa os relatórios e horizontaliza a relação com 
a equipe multiprofissional. O apoio da gestão também inclui levar as necessidades e os apelos das 
ações de promoção da atividade física para as reuniões intersetoriais e os encontros oficiais de 
governança, tais como reuniões técnicas, audiências, assembleias, congressos, e auxilia a institu-
cionalizar o serviço em protocolos, planos, agendas, legislações e diretrizes.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
117
Saiba mais estratégias para Atividade Física no material Recomendações para o 
Desenvolvimento de Práticas Exitosas de AtividadeFísica na Atenção Primária 
à Saúde do Sistema Único de Saúde, disponível em: http://189.28.128.100/dab/
docs/portaldab/publicacoes/desenvolvimento_atividade_fisica.pdf.
SAIBA MAIS
Agora que conhece as estratégias para desenvolver ações exitosas de promoção de atividade física, 
contamos com você para que efetivamente novas ações, programas e políticas sejam planejadas, im-
plementadas, monitoradas e avaliadas. Você sabia que, no Brasil, apenas 5,2% das ações de atividade 
física monitoradas na APS foram consideradas exitosas (SANDRESCHI, 2022)? Portanto, sua aderência 
é muito importante para que possamos fortalecer a promoção da atividade física na APS do SUS. 
Apresentaremos a seguir alguns exemplos de ações, programas e políticas de promoção de atividade 
física, mostrando as principais características de cada uma tanto de ações que ganharam abrangência 
nacional quanto de experiências locais em municípios de pequeno porte.
a) Serviço de Orientação ao Exercício (SOE) - Vitória/ES
O SOE se estabelece por meio de legislação municipal em 1985 e seu primeiro módulo foi implantado 
em 1990. É um dos programas pioneiros na promoção da atividade física no SUS e exemplo de uti-
lização dos espaços públicos abertos do município (parques, hortos, praças, orla da praia). Para sua 
disseminação, uma unidade móvel atende aos territórios com dificuldades de acesso aos polos fixos 
do SOE. As atividades também acontecem o ano todo e no período noturno para contemplar traba-
lhadores. No verão, os horários de atendimento são prolongados e estendidos aos sábados. Essas 
estratégias podem, direta ou indiretamente, ampliar o acesso e contribuir para a adesão e aderência 
da população.
Os cidadãos de Vitória/ES podem se informar sobre o SOE no site da prefeitura. Foi realizado estudo 
para verificar os interesses e as características dos praticantes de exercício em cada local do mu-
nicípio e onde as atividades seriam realizadas. Outro aspecto relevante em relação à participação 
da comunidade é a articulação desse serviço com as lideranças comunitárias tanto nos processos 
decisórios quanto para mobilização nas atividades. Também, há avaliação permanente do serviço com 
a aplicação de questionários, o que permite adequação e aprimoramento das estratégias de forma 
alinhada aos interesses da população (REZENDE, 1997). 
Em 2020, foi publicado o artigo sobre os 30 anos do SOE: “30 anos do Serviço 
de Orientação ao Exercício em Vitória/ES: pioneirismo nas práticas corporais e 
atividades físicas no SUS” (VIEIRA et al., 2020), disponível em: https://seer.ufrgs.
br/Movimento/article/view/103142.
SAIBA MAIS
b) Programa Academia da Cidade (PAC) - Recife/PE 
O Programa Academia da Cidade (PAC) do Recife é vinculado à Secretaria Municipal da Saúde do 
Recife/PE e foi institucionalizado pelo Decreto Municipal nº 19.808, de 3 de abril de 2003, tornando-se 
uma política municipal de promoção da saúde em 2006, pela Portaria nº 122/2006. É importante des-
tacar que esse programa foi um dos que contribuíram para a implementação do Programa Academia 
da Saúde. 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/desenvolvimento_atividade_fisica.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/desenvolvimento_atividade_fisica.pdf
https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/103142
https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/103142
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E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
118
O Programa Academia da Cidade tem como 
principal característica a requalificação ou cons-
trução de espaços físicos públicos de convivência 
e lazer, denominados polos, com estruturas que 
favorecem a vivência de práticas corporais como 
ginástica, dança, caminhada, corrida, jogos, brin-
cadeiras, além de palestras, oficinas, reuniões e 
serviços de orientação nutricional, prescrição de 
exercícios físicos e avaliação física. As atividades 
ocorrem durante a semana (de segunda a sexta-
-feira) das 5h30 às 11h30 e das 14h às 20h em 
praças, parques e avenidas do município. 
O uso e a potencialização dos espaços públicos de lazer para a oferta de ações para a prática da ativi-
dade física são algumas características desse programa. O programa oferece as seguintes atividades:
 ▶ Aulas de ginástica e dança, corrida e caminhada.
 ▶ Rodas de diálogos relacionadas a temas sociais e de saúde.
 ▶ Festivais, serestas, jogos e passeios temáticos.
 ▶ Prescrição de exercícios e orientação nutricional a hipertensos, diabéticos, obesos e cardiopatas.
 ▶ Bloco Carnavalesco e São João do programa.
 ▶ Ações de comemoração ao Dia Mundial da Promoção da Qualidade de Vida.
 ▶ Seminário de Integração Usuários, Profissionais e Gestores.
 ▶ Estímulo à participação dos usuários em reuniões, fóruns, seminários promovidos pelo pro-
grama, conferências, instâncias de controles sociais e diversos setores internos e externos à 
Secretaria Municipal da Saúde.
Em relação ao processo de planejamento e gestão do programa, vale destacar alguns aspectos im-
portantes: a realização de concurso público específico para o quadro de profissionais responsáveis 
pela condução e oferta de atividades físicas, favorecendo a sustentabilidade das ações locais e a 
compreensão do profissional de educação física enquanto profissional de saúde pública, mantendo o 
alinhamento das atividades planejadas e implementadas com os atributos do SUS e da APS. 
Valorizar a cultura popular 
nas ações ofertadas.
Gerar a identificação da 
população com as aulas. 
Aumentar o vínculo com os 
usuários.
Os profissionais envolvidos 
na promoção da atividade 
física buscaram:
As ações de educação em saúde 
também foram implementadas, 
possibilitando:
Ampliação dos conhecimentos acerca 
do sistema de saúde. 
Ganhos em autonomia no processo de 
tomada de decisões em saúde.
Empoderamento da população. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
119
Para os profissionais, a gestão priorizou espaços de educação permanente nos quais, além de encon-
tros visando o aumento de conhecimento, eram debatidas as ações importantes do programa, com 
garantia de que todos os profissionais envolvidos fossem ouvidos, sejam profissionais da ponta ou da 
gestão. Outro aspecto importante foi o aumento da compreensão dos profissionais envolvidos acerca 
da importância social do PAC, ampliando o olhar sobre saúde, além da dimensão física. 
Para os usuários, a valorização do saber popular em saúde foi um fator que ajudou a criar um 
sentimento de pertencimento e autoconfiança. O controle social foi valorizado e considerado um 
fator importante para que a população compreendesse os benefícios sociais do programa além dos 
referentes à prática de exercícios físicos, e apresentasse a demanda por outros polos do programa 
nas comunidades. Por exemplo: requalificação dos espaços de lazer, urbanização do local com sa-
neamento e iluminação pública.
Você pode ter mais informações em: https://dssbr.ensp.fiocruz.br/programa-
academia-da-cidade-do-recife-minimizando-contrastes-sociais/.
SAIBA MAIS
c) Programa Agita São Paulo 
O Programa Agita São Paulo, lançado em dezembro de 1996, foi implementado por meio de um con-
vênio entre a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Centro de Estudos do Laboratório de 
Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS). O planejamento inicial do Programa contou com 
a parceria e assessoria de grupos internacionais experientes em promoção da atividade física, na 
ocasião, o Center for Disease Control and Prevention (CDC), o Health Education Authority (Inglaterra) 
e o programa Active (Austrália). 
Outro fator-chave para a ampliação da munici-
palização do Programa Agita São Paulo foram 
as parcerias firmadas entre as instituições go-
vernamentais, não-governamentais, instituições 
privadas com e sem fins lucrativos, e a represen-
tação de diversos setores governamentais e não 
governamentaiscomo educação, esportes, saúde 
e o Sistema S. As instituições parceiras assinaram 
uma carta de intenções, em que manifestaram a 
vontade de contribuir para as metas do Programa 
Agita São Paulo, e chegou a reunir a implantação 
de ações e programas em mais de 500 municípios. 
 O Agita São Paulo ocupou espaço no planejamento quadrienal da Secretaria Estadual de São Paulo e 
foi incentivada a implementação dos indicadores de avaliação dos processos e resultados das ações. 
Fazia parte da implementação do programa uma agenda de treinamentos regulares com o objetivo de 
fortalecer a rede de equipes promotoras da atividade física.
A educação em saúde facilita e estimula a participação da população nos programas de atividades 
físicas. Sabendo disso, o Programa Agita São Paulo desenvolveu para os participantes materiais educa-
tivos (folders, cartazes, pirâmides, adesivos, manuais), incluindo conteúdos de saúde que dialogassem 
especificamente com cada grupo etário, desde escolares até idosos. O programa, desde seu início, 
aplicou estratégias de marketing e de comunicação com o público-alvo.
https://dssbr.ensp.fiocruz.br/programa-academia-da-cidade-do-recife-minimizando-contrastes-sociais/
https://dssbr.ensp.fiocruz.br/programa-academia-da-cidade-do-recife-minimizando-contrastes-sociais/
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
120
O plano de ações do Programa Agita São Paulo combina ações permanentes, realizadas de forma 
longitudinal, e ações pontuais, realizadas em datas comemorativas ou voltadas para um público espe-
cífico. Entre as ações permanentes estão a realização de reuniões mensais desde a sua implantação, 
a manutenção de um interlocutor do programa nas 17 regionais de saúde do Estado de São Paulo, a 
realização anual do fórum de boas práticas, encontros regionais, entre outras atividades.
Exemplos de ações pontuais são o “AGITA Trabalhador” celebrado no dia 1º de Maio para prestar 
orientações de saúde e medir o nível de atividade física dos trabalhadores e o “AGITA Mundo” em 
celebração ao dia Mundial da Atividade Física, quando há oferta de atividades físicas e incentivo do 
estilo de vida ativo. Lembramos, é claro, que quaisquer ações que sejam planejadas e executadas 
precisam de indicadores para que seja possível avaliar seus impactos, e no Programa Agita São Paulo 
não foi diferente, dado que muitos são os resultados positivos encontrados nesses anos de existência. 
Segundo o CDC, o programa foi custo-efetivo, pois todos os recursos investidos no Programa Agita São 
Paulo foram recuperados. O Banco Mundial também analisou o programa e concluiu que o modelo 
representava um potencial de economia de mais de 300 milhões de dólares ao ano no setor saúde.
No município de São Paulo, o Programa Municipal de Atividade Física Agita Sampa, de natureza per-
manente, foi instituído pela Lei nº 14.409, de 22 de maio de 2007 (Projeto de Lei nº 539/2006 com 
regulamentação no Decreto Municipal nº 48.454, de 20 de junho de 2007). A institucionalização do 
programa por meio de leis e decretos não garante sua sustentabilidade.
Mesmo sem recursos estaduais para a manutenção, a rede criada entre os municípios participantes, 
as instituições e o CELAFISCS se apropriou do programa e mantém sua sustentação. Novamente, ve-
mos que a instituição de leis não garante a sustentabilidade dos programas. 
d)	 Programa	de	Educação	em	Saúde	de	Dona	Francisca/RS,	experiência	 
de um município de pequeno porte
O Programa de Educação em Saúde de Dona Francisca/RS (município de pequeno porte), envolveu 
treinamento dos ACS para promover a educação em saúde e intervenções voltadas aos comporta-
mentos relacionados à alimentação, à atividade física e ao controle do estresse no público dos 50 
aos 80 anos de idade. O município tem como principal atividade econômica a agricultura, predomina 
a religião católica – o que se tornou uma característica estratégica para o programa – e tem cerca de 
3.500 habitantes. Há apenas uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para atender à população.
A articulação para o programa envolveu as Universidades de Illinois (USA) e Federal de Pelotas (RS), a 
prefeitura de Dona Francisca, a UBS e os ACS. A característica marcante deste programa foi a partici-
pação dos ACS, oito no total, e a utilização de recursos já existentes no município. O planejamento das 
ações considerou a realidade local ao selecionar os ACS, que é uma estratégia com maiores chances 
de sucesso, pois os ACS são atores essenciais que conhecem os costumes e problemas daquela comu-
nidade e têm a confiança da população local. A exigência foi que os ACS recebessem treinamento para 
que se tornassem multiplicadores. Claramente, a valorização e o respeito a esse profissional devem 
ser centrais nesta abordagem.
O treinamento dos ACS levou em consideração uma característica marcante da população que é a 
religiosidade, dado que a maioria era católica, incluindo conteúdos religiosos nos encontros. Isso 
aproximou os idosos das atividades. Esse diagnóstico da população-alvo foi muito relevante e estraté-
gico para que a comunicação e formulação do material fosse adaptada aos interesses dela, tornando 
as ações mais significativas. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
121
Os ACS receberam as apostilas do treinamento, e você pode acessar o conteúdo no link: 
https://osf.io/qxd8y.
Como o programa envolvia encontros educacionais individuais e coletivos, os ACS realizam simulações 
como parte do treinamento.
Atividades desenvolvidas:
 ▶ Qualificação dos ACS.
 ▶ Avaliação do estado de saúde, nutrição, atividade física e estresse.
 ▶ Conversas sobre metas pessoais a curto, médio e longo prazo pessoalmente e por telefone.
 ▶ Encontro educacional mensal em grupo.
 ▶ Leituras de materiais informativos.
 ▶ Distribuição de brindes e imagens de santos do catolicismo (santinho).
 ▶ Apoio dos especialistas das universidades.
O cronograma do programa, que é um item indispensável, continha avaliações dos participantes após 
6 e 12 meses para observar as mudanças nos indicadores de saúde, nutrição, atividade física e estres-
se. Além disso, houve outra avaliação com os participantes, ACS e líderes comunitários por meio de 
entrevistas, que objetivou conhecer os desafios e as potencialidades encontradas na implementação 
do programa. A qualificação dos ACS foi considerada como o resultado a curto prazo do programa, 
ao passo que a mudança nos comportamentos de alimentação, atividade física e controle do estresse 
dos participantes foram os resultados de médio e longo prazo.
3.5 | 	Encerramento
Nesta Unidade foram apresentados os principais fatores que devem ser considerados no planejamen-
to e na implementação de ações, programas e políticas de promoção da atividade física, de maneira a 
ampliar ou promover a efetiva oferta e o acesso a esse serviço na APS.
É importante destacar que o processo de plane-
jamento deve ser permanente, contínuo e par-
ticipativo, incluindo todos os atores: o controle 
social, gestores, profissionais de saúde, comuni-
dade e áreas intersetoriais nessa construção.
Apesar de os orçamentos serem setoriais, o pla-
nejamento e execução das ações de atividades 
físicas podem e devem articular com outros seto-
res e instituições. As chances de resolverem um 
problema municipal em comum torna-se maior. 
Vimos também que o controle social democratiza 
os processos e facilita o caminho para o sucesso das ações/intervenções. Falamos sobre o papel do 
profissional de educação física na APS, dos incentivos para contratação e da necessidade de integrá-lo 
à equipe multiprofissional.
https://osf.io/qxd8y
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
122
Também apresentamos as ferramentas que podem ser utilizadas para auxiliar na construçãodo pla-
nejamento. Foi apresentado o modelo lógico como possibilidade de utilização de maneira sistemática 
e visual, de referência durante todo o planejamento, implementação e avaliação das ações, programas 
e políticas.
Vimos que existem investimentos que funcionam para a atividade física e uma série de práticas exitosas 
que promovem aumento da atividade física por meio de um processo planejado, replicável e susten-
tável, que garante e promove participação e autonomia. A equipe de planejamento deve considerar 
os recursos necessários para aumentar a chance de alcançar os objetivos. Para isso, é importante 
a articulação intersetorial, favorecendo as redes sociais e gerando propostas de programas, ações, 
programas e políticas integradas entre todos os envolvidos.
No final da Unidade, você relembrou que não é coerente culpabilizar o usuário pela falta de adesão/
aderência às ações e aos programas oferecidos, pois o envolvimento com a atividade física está muito 
além da vontade pessoal.
A tarefa de motivar, divulgar e aconselhar para 
a prática de atividades físicas ocorre por toda a 
rede, incluindo a equipe multiprofissional, que 
deve estar atenta às preferências e caracterís-
ticas do público-alvo e contexto do território. 
Obviamente, isso demanda carga-horária, pla-
nejamento, processos organizados e ajustados, 
formação continuada, e dedicação para inserir 
a atividade física nos tópicos de educação em 
saúde e educação permanente.
A Unidade 4 tratará do próximo passo que suce-
de o planejamento e a ação, estamos falando da 
etapa de monitoramento e avaliação. Uma vez 
que as ações para promover atividades físicas estão em andamento, elas precisam ser monitoradas e 
avaliadas para que haja clareza dos objetivos, processos e resultados. Do contrário, ficamos na incer-
teza e no escuro. A última Unidade deste curso é fundamental e encerra o ciclo da política pública. É o 
passo que consegue verificar se houve êxito nas ações de promoção da atividade física e se há ou não 
a necessidade de rever as estratégias.
Nós, Maria Cecília e Margarethe, nos colocamos à disposição e nos despedimos na Unidade 3. Nós 
esperamos que você tenha aprendido algo novo e que ela tenha contribuído com o surgimento de 
novas ideias para o desafio de gerenciar a APS. Parabenizamos você pelo esforço e comprometimento 
com a pauta de promoção da atividade física! Estamos juntos neste desafio, contamos com você!
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
123
3.6 | 	Referências
BENEDETTI, R. B.; RECH, R.; SANDRESCHI, P. F. et al. Práticas exitosas em atividade física na atenção 
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PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
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PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN3
125
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http://pt.slideshare.net/SESMG/apresentao-redes-joo-batista-ministrio-sade
https://doi.org/10.22456/1982-8918.103142
https://doi.org/10.22456/1982-8918.103142
UNIDADE
MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO COMO 
FERRAMENTAS DO PROCESSO DE GESTÃO 
DE AÇÕES, PROGRAMAS E POLÍTICAS DE 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA
 4
Fabio Fortunato Brasil de Carvalho
Luis Carlos de Oliveira
Evelyn Helena Corgosinho Ribeiro
OBJETIVO GERAL
Ao final desta Unidade, você deverá ser capaz de 
utilizar estratégias e métodos para possibilitar o de-
senvolvimento de ações novas ou complementares 
a um processo de monitoramento e avaliação das 
ações de planejamento e implementação de ações, 
programas e políticas de promoção da atividade físi-
ca relacionados ao alcance das metas contidas nos 
Planos Municipais e Distrital de Saúde no contexto 
do Sistema Único de Saúde.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 ▶ Especificar estratégias para o monitoramento e 
avaliação de ações, programas e políticas de pro-
moção da atividade física utilizando os sistemas 
de informação do Ministério da Saúde;
 ▶ Identificar instrumentos, indicadores e estra-
tégias de monitoramento e avaliação de ações, 
programas e políticas de promoção da atividade 
física, com base nas metas propostas nos instru-
mentos de gestão locais;
 ▶ Entender como as ações de monitoramento e 
avaliação integram o processo de formulação 
e implementação dos instrumentos de plane-
jamento e de gestão dos Planos Municipais e 
Distrital de Saúde no que tange à promoção da 
atividade física.
 
Carga horária recomendada para esta unidade: 
15 horas
UNIDADE 4
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
128
4.1 | 	Introdução da unidade
Nesta Unidade apresentaremos como a atividade física, enquanto a ação de cuidado e a promoção 
da saúde podem ser potencializadas e ampliadas em seus benefícios. Iniciaremos com a pergunta 
de avaliação, seguida da construção de indicadores e do processo de monitoramento e avaliação 
das ações, dos programas e das políticas de promoção da atividade física. A pergunta de avaliação 
é relevante para identificar com clareza o que se pretende avaliar e para pactuar coletivamente os 
indicadores qualitativos e/ou quantitativos de processo e resultado.
Apresentaremos também os sistemas de informação do Ministério da Saúde e de outras fontes, em 
especial da gestão municipal, que poderão ser estratégias para identificar e utilizar informações dis-
poníveis dos territórios, das unidades de saúde e de outros equipamentos sociais com vistas a apoiar 
a gestão na formulação, implantação e implementação de ações, programas e políticas de promoção 
da atividade física. 
Discutiremos exemplos de informações que poderão ser produzidas, ou coletadas, como o número 
de habitantes, de praticantes de atividade física, de condições de saúde, de morbidade, dentre outras 
disponíveis.
Em seguida, abordaremos a sistematização das informações e a análise dos dados a partir da organi-
zação das informações coletadas, sejam descritivas ou analíticas. É importante que esses processos 
ocorram em momentos coletivos e participativos de análise, garantindo os diferentes pontos de vista, 
de maneira que se possa contribuir para a reflexão sobre a transformação dos dados coletados em 
informações úteis que possam ajudar a guiar as práticas de saúde.
O conhecimento e apropriação pelos profissionais de saúde, gestores e população 
do contexto do território é essencial para identificar ações e estratégias de monitora-
mento e avaliação, a fim de dar respostas às demandas e necessidades locais. 
Confira no esquema as possibilidades de conhecimento desta unidade.
Você vai aprofundar conhecimentos também sobre a comunicação dos 
resultados, que pode ser realizada de diferentes formas (exposição dialogada, 
gráficos, tabelas, relatórios etc.) e por meio de diferentes espaços, como reuniões 
da prefeitura setoriais e intersetoriais, audiências do poder legislativo, redes 
sociais virtuais etc. 
Vamos, inclusive, compartilhar os resultados que podem auxiliar você na 
compreensão sobre potenciais aspectos, positivos e negativos, bem como 
identificar caminhos de melhoria que aprimorem as ações, os programas e as 
políticas avaliadas, em um contexto baseado na pergunta avaliativa. 
Por fim, será destacada a importância da cocriação de espaços coletivos de 
tomada de decisão no monitoramento e na avaliação para dar sustentabilidade 
aos processos com os atores envolvidos: gestores, profissionais da saúde, 
população usuária dos serviços de saúde, dentre outros.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
129
É importante destacar que reformulações ou novas metas podem ser identificadas e inseridas de acor-
do com as demandas e necessidades no seu território. Assim, cabe reforçar que o aumento do acesso 
à atividade física entre pessoas de todas as idades, um dos principais objetivos de ações, programas e 
políticas relacionadas ao tema, traz benefícios individuais e coletivos e para o meio ambiente e para a 
economia, dentre outras áreas. Desta forma, os processos de monitoramento e avaliação podem ser 
essenciais para contribuir na efetivação desse objetivo. Vamos adiante e bons estudos nesta Unidade!
4.2 | 	Monitoramento e avaliação: elaboração da pergunta de avaliação e de indicadores de 
acompanhamento de ações, programase políticas de promoção da atividade física
A partir de agora, vamos acompanhar a importância de elaborar uma pergunta norteadora de ava-
liação e estabelecer indicadores de acompanhamento de ações, programas e políticas de promoção 
da atividade física, fatores relevantes tanto para o monitoramento quanto para a avaliação. Para tal, 
convidamos você a fazer uma reflexão.
Partiremos da ideia de que avaliar faz parte da vida. Por exemplo, no dia a dia 
quando fazemos a opção por um caminho e não por outro, esta escolha foi 
baseada num processo avaliativo. Mas, como ele já é usual e corriqueiro, não 
pensamos nele como uma avaliação. Em geral, ouvir a palavra “avaliação” nos 
remete ao período escolar quando por meio de provas e testes havia a tentativa 
de aferição do nosso conhecimento. Muitas vezes, vinham com julgamentos 
negativos e ficava a ideia de punição ou algo semelhante. 
Na área da saúde, em geral, a avaliação é percebida como mais uma etapa do planejamento, como 
um procedimento meramente burocrático de prestação de contas, sem conexão com as necessidades 
e demandas cotidianas da gestão. Neste curso, nos parece essencial e oportuno ressignificar positi-
vamente o monitoramento e a avaliação. Dito isso, agora convidamos você a compreender o que é 
monitoramento e avaliação e como eles se conectam.
Monitoramento
O monitoramento está relacionado ao 
acompanhamento do desenvolvimento de ações, 
programas e políticas ao longo do tempo, no cotidiano 
das práticas dos serviços de saúde. A partir do registro, 
da anotação e da observação, no dia a dia do trabalho, 
permite-se a tomada de decisões de forma ágil, a fim de 
refazer, quando necessário, os rumos do que foi 
Ao tornar o monitoramento um ato de acompanhamento das variadas informações e dados que 
são produzidos no cotidiano pode-se contribuir para a consolidação e a sustentabilidade de ações, 
programas e políticas. O monitoramento é como o acompanhamento da situação de forma rotineira 
para que não seja necessário trocar o pneu furado com o automóvel andando, ou seja, ele permitirá 
perceber que o pneu está esvaziando e que medidas devem ser realizadas mais rapidamente. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
130
Assim, as ferramentas e estratégias de monitoramento local são indispensáveis, pois permitem, 
além de acompanhar, gerar informações que beneficiem e motivem a equipe e a comunidade. Por 
exemplo, conhecer a percepção das pessoas sobre as ofertas de atividade física na UBS, mensurar 
quantas pessoas realizaram atividades físicas em determinado período, ou quantos profissionais se 
envolveram com as atividades, podem ser informações úteis no monitoramento.
Avaliação
Já a avaliação é mais ampla e macro em termos de 
operacionalização em relação às ações, aos programas 
e às políticas, e tem como objetivo entender os 
resultados de processos da implementação de 
determinada iniciativa, além de buscar conhecer o 
impacto do que foi realizado. Visa, em geral, provocar 
mudanças já que, por mais que a iniciativa tenha sido 
bem formulada e operacionalizada, há diversos 
elementos da realidade das pessoas, dos territórios e 
serviços que demandam ajustes para que as iniciativas 
possam ter mais êxito na busca de melhores resultados. 
Os resultados e impactos podem ser influenciados por fatores fora do alcance dos profissionais da 
saúde, e isso deve estar no radar da avaliação. Por exemplo, podem ser objeto de investigação as 
causas das variações em indicadores de resultado, como o aumento ou não (frequência) da prática de 
atividade física entre os beneficiários das práticas, as mudanças na percepção das pessoas em relação 
às barreiras para a prática e os indicadores de impacto, como taxas de morbidade e mortalidade por 
doenças cardiovasculares.
Fonte: OPAS e Ministério da Saúde 2023 (no prelo).
Avaliação
Possibilita emitir um juízo de valor acerca da ação, 
programa ou política, pois se apoia em visão 
panorâmica de todas as informações coletadas, 
ampliando a compreensão acerca de tudo que foi 
monitorado. Diferencia-se do monitoramento pela 
complexidade (mais sofisticada) da análise realizada. 
Assim, determina o mérito ou o valor de uma ação ao 
buscar entender seus efeitos e compreender seus 
resultados (de processo e finais) e impacto.
Monitoramento
Faz parte do processo de avaliação e 
tem foco em atividades mais rotinei-
ras a partir do acompanhamento, 
registro, anotação e documentação 
de forma sistemática e verificação 
contínua. Assim, possibilita fazer 
ajustes e mudar o rumo de uma 
ação em tempo oportuno para 
subsidiar a tomada de decisão.
Assim, o ato de monitorar integra o processo de avaliação. De posse de dados e informações obtidas 
ao longo do processo de formulação, implementação e operacionalização de ações, programas e 
políticas, ficará facilitado o processo avaliativo quando for necessário realizá-lo. Sendo assim, ambos 
permitem dar melhores respostas às necessidades e demandas dos envolvidos com vistas tanto a 
valorizar o trabalho que foi feito quanto a cocriar uma cultura avaliativa de busca constante por me-
lhorias de ações, programas e políticas.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
131
Para a finalidade deste curso, é importante in-
corporar mais um elemento: a participação junto 
aos processos de monitoramento e avaliação. 
Tais processos pressupõem o envolvimento das 
pessoas que terão alguma interferência e capa-
cidade de impactar nos resultados da iniciativa, 
desde os profissionais de saúde até as pessoas 
que serão beneficiadas, tornando o processo 
mais compartilhado, colaborativo e participativo.
O objetivo é ampliar a transparência e a efetividade dessas iniciativas e possibilitar aos envolvidos 
repensar a ação de modo que possa facilitar mudanças identificadas como necessárias, já que contará 
com visão e percepção dos diferentes atores que vivenciam as ações, os programas e as políticas. 
Para isso, é essencial a criação e/ou o fortalecimento de espaços de escuta, de diálogo e de interação 
de modo que os envolvidos, em especial as pessoas usuárias, possam colaborar, apoiar, legitimar a 
avaliação proposta e, sobretudo, comunicar e utilizar os resultados para tomar decisões que busquem 
fortalecer ou redirecionar a ação a partir dos problemas identificados.
É importante que você lembre que o processo de monitoramento e avaliação requer recursos huma-
nos e financeiros e, portanto, é necessário prevê-los. Ao debater a promoção da atividade física no 
município, deve-se lembrar da necessidade de incluir nos planejamentos as horas de trabalho dos 
profissionais dedicados a essas ações e algum recurso financeiro. 
A maioria dos municípios não possui um setor específico para o monitoramento e a avaliação. Neste 
caso, o monitoramento e a avaliação devem ser incentivados no processo de trabalho de diferentes 
áreas, setores e grupos interessados. Uma das possibilidades é constituir Grupos de Trabalho (GT), 
que eventualmente podem contar com o apoio da gestão estadual, com os envolvidos no monitora-
mento e na avaliação, o que tem sido uma estratégia metodológica utilizada em iniciativas da área de 
educação e da saúde, entre outras.
4.2.1 | 	Pergunta avaliativa no âmbito da APS no SUS 
Na Unidade 3 discutimos as ferramentas para auxiliar a construção do Planejamento Estratégico 
Situacional (PES) e a potencialidade de envolver os atores interessados, garantindo assim a ampla 
participação. As perguntas ali formuladas também auxiliavam na discussão sobre o monitoramento e 
avaliação. Vamos relembrá-las.
O QUÊ? QUEM? ONDE? QUANDO?
POR QUÊ? COMO? QUANTO CUSTA?
Vale lembrar que quando as ações, os programas e as políticas já vêm com estratégias de monito-
ramento e avaliação definidos e indicadores formulados pelo Ministério da Saúde ou Secretarias deEstado é sempre possível revê-los e ampliá-los.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
132
No decorrer deste curso abordamos a inclusão das iniciativas de atividade física nos instrumentos 
da gestão pública e do SUS, como o Plano Municipal e Distrital de Saúde. Discutimos a ampliação da 
oferta de ações de promoção da atividade física para a população em geral ou para o grande número 
de pessoas (alta prevalência) com sobrepeso e obesidade acompanhadas pelas unidades de saúde. 
Você acompanhou também o desafio da baixa participação da população.
Os atores envolvidos poderiam questionar sobre iniciativas em curso ou aquelas que estão sendo 
planejadas como, por exemplo: “Por que algumas pessoas participam e outras não?” ou “O que faz 
uma pessoa vir e a outra não?”. Assim, criamos duas perguntas: “Quais ações poderiam ser criadas ou 
fortalecidas para ampliar o acesso e a permanência das pessoas nessas atividades?” e “Como pode-
mos monitorar e avaliar processos e resultados desejados ou alcançados?”.
Município de Beira
No município de Beira, a equipe de saúde passou a discutir de forma mais ampla como a cidade pla-
nejava a promoção da atividade na produção do cuidado em saúde. O município possui três distritos 
e olharemos um deles, que possui três unidades de saúde e em duas delas há a oferta de atividade 
física. Atualmente, 20 pessoas participam regularmente das atividades na UBS Flores, 15 na UBS Coli-
nas e em ambas em torno de 10 a 15 esporadicamente, respectivamente são 28 e 20 participantes por 
dia na maior parte das vezes, e sabemos que aproximadamente 100 pessoas frequentam a UBS Flores 
e 120 na UBS Colinas diariamente. Não há oferta de atividades na UBS Campos. A equipe de saúde 
reconhece que o número absoluto de participantes é um avanço, mas deseja ampliar a participação, 
incluindo grupos que nunca experimentaram programas estruturados de atividade física.
Participantes dos programas das unidades de saúde do município de Beira:
Unidade de Saúde Inscritos Participantes por dia
Usuários que 
frequentam a 
unidade por dia
Flores 35 28 100
Colinas 25 20 120
Campos – – 80
A equipe olhou mais detalhadamente o que estava de fato sendo ofertado nas unidades de saúde em 
relação aos horários e às modalidades, o perfil de participantes, o perfil da população atendida nas 
unidades de saúde, os recursos humanos (profissionais de saúde envolvidos nas ações), os espaços 
nos quais ocorriam as atividades e se a aquisição de insumos era necessária. São ações relacionadas 
ao monitoramento, certo?
Você pode se perguntar se a equipe já deveria saber previamente dessas informações pois, caso con-
trário, como as ações estariam ocorrendo? Pois é, operacionalizar ações, programas e políticas sem se 
atentar às suas particularidades e, ainda, sem monitorar, pode resultar em desfechos não desejados 
e/ou fragilizados, deixados usualmente ao acaso.
A partir do problema informado anteriormente e da constatação que os processos de monitoramento 
e avaliação participativos são importantes, um Grupo de Trabalho (GT) foi constituído por:
 ▶ técnicos da gestão municipal;
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
133
 ▶ gerentes das unidades;
 ▶ representantes dos usuários;
 ▶ representantes dos profissionais;
 ▶ representantes da universidade;
 ▶ representantes de outros setores do governo.
A proposta de formar um GT é justamente porque o monitoramento e a avaliação, quando realizados 
de forma participativa, consideram um cenário de colaboração e pertencimento ao processo, em que 
todos são corresponsáveis na busca de soluções.
Algumas características 
dos integrantes do GT 
merecem destaque e 
são desejáveis. Mas não 
são condicionais, ou 
seja, não é necessário 
ter o conjunto de todas 
as características para 
participar, sejam 
pessoas, coletivos ou 
instituições.
Tenham capacidade de tomar decisões.
Possuam influência no território.
Tenham participado da formulação ou implementação da ação.
Tenham interesse e tempo disponível para
acompanhar o monitoramento e a avaliação.
Sejam preferencialmente pessoas com engajamento no 
tema a ser avaliado, em especial as pessoas usuárias das 
atividades e os profissionais de saúde que participam do 
seu desenvolvimento.
O GT, após algumas reuniões, pactuou a pergunta de avaliação, considerando as diferentes perspec-
tivas e conhecimentos dos participantes, cada um com o olhar voltado aos conhecimentos, ações e 
necessidades cotidianas:
O que contribuiu ou dificultou o acesso das pessoas às iniciativas das unidades de 
saúde do município de Beira que ofertam atividade física? 
O monitoramento e a avaliação como processos participativos pressupõem a identificação das per-
cepções, dos valores e das questões de todos os grupos envolvidos (gestores, profissionais, usuários 
e parceiros). Estes grupos devem ser impactados de alguma forma pelas ações, programas e políticas, 
e devem ter interesse na utilização efetiva dos resultados.
Para produzir 
uma pergunta 
avaliativa, 
sugere-se:
Evitar que as respostas se limitem a “sim ou não”. Sugere também 
complementar com as indagações: “por quê?”, “como?” e “onde?”.
Refletir sobre os aspectos que o grupo deseja monitorar e avaliar, 
ou seja, o contexto, o processo ou o resultado.
Refletir sobre os resultados alcançados e qual foi a contribuição das 
atividades ou iniciativas para obtê-los.
Observar se atende aos critérios relacionados à formulação, 
utilização de linguagem clara e compreensível.
Observar medidas qualitativas e quantitativas úteis para a tomada 
de decisão e relevantes para as pessoas envolvidas.
Pactuar os indicadores de processo e resultado.
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134
No próximo item, após refletirmos sobre a pactuação de indicadores, retomaremos o exemplo apre-
sentado. Acompanhe!
4.2.2 | 	Pactuação de indicadores de processo e resultado
Indicadores são parâmetros qualitativos e/ou quantitativos que servem para detalhar em que medida 
os objetivos de ações, programas e políticas foram alcançados, em um determinado período, território 
e público. De forma mais ampla, podemos dizer que é uma forma de representar quali e quantitati-
vamente fenômenos, ou seja, dimensionar o que ocorre a partir de uma ideia abstrata. Por exemplo, 
o indicador Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma forma de quantificar fenômenos sociais 
sintetizados pela ideia do �desenvolvimento humano� na perspectiva de renda, educação e saúde, 
conforme conceito definido na ONU.
Para saber mais sobre o IDH acesse: www.undp.org/pt/brazil/idh
LINKS
Quando nos referimos a indicadores, podemos dividi-los em subgrupos. Os indicadores de caráter 
geral nos fornecem parâmetros para um potencial monitoramento e avaliação sobre o alcance e a 
abrangência de ações, programas e políticas. Como já indicado na Unidade 3, os indicadores podem 
ainda ser quantitativos, cujos valores numéricos são prioritariamente considerados para efeito de 
avaliação, podendo ser expressos em números absolutos, percentual, taxas, índices, coeficientes, 
razões ou chances; e qualitativos, voltados mais a aspectos de ações políticas ou administrativas a 
partir dos sentidos e significados dos envolvidos sobre as ações realizadas. 
Valores numéricos (prioritariamente 
considerados para efeito de avaliação): Voltados a aspectos de ações políticas 
ou administrativas.
Elaborados a partir de sentidos e 
significados dos envolvidos sobre as 
ações realizadas.
Indicadores quantitativos Indicadores qualitativos
Coeficientes
Razões 
Chances
Números absolutos
Percentual
Taxas
Índices
Veja, a seguir, um quadro que resume algumas taxonomias de indicadores.
Classificação	dos	Indicadores 
(não excludentes) Exemplos
Área temática: pode haverclassificação em mais 
de uma área: saúde, educação, habitação etc. 
Taxa de mortalidade por DCNTs – Doenças Crô-
nicas Não Transmissíveis.
• Objetivos: referem-se a ocorrências concre-
tas e empíricas.
• Subjetivos: referem-se a medidas construí-
das a partir de avaliações subjetivas.
• Objetivos: Internação por agravos do diabe-
tes, hipertensão e doença coronariana.
• Subjetivo: Proporção de pessoas adultas que 
atingem a recomendação de AF da OMS no 
tempo de lazer.
https://www.undp.org/pt/brazil/idh
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135
Classificação	dos	Indicadores 
(não excludentes) Exemplos
• Descritivos: descrevem características e 
aspectos da realidade empírica, baixos signifi-
cados valorativos e mais consensuais.
• Normativos: refletem juízos de valor ou 
critérios normativos de dimensões sociais 
estudadas.
• Descritivos: Taxa de Obesidade nas diferen-
tes faixas etárias da população.
• Normativos: Proporção de pessoas que pra-
ticam atividade física no lazer e que habitam 
regiões de alta vulnerabilidade social.
• Simples: construídos a partir de uma estatís-
tica social específica.
• Compostos ou Sintéticos: elaborados a par-
tir da agregação de dois ou mais indicadores 
simples, referidos a uma mesma ou a diferen-
tes dimensões da realidade social.
• Simples: Renda familiar.
• Compostos ou Sintéticos: Índice de Desen-
volvimento Humano (IDH).
• Estoque: relaciona-se à medida de uma de-
terminada dimensão social em um momento 
específico.
• Performance: abrange mudanças entre dois 
momentos distintos.
• Estoque: Anos de escolaridade, esperança de 
vida ao nascer, proporção de pessoas que se 
deslocam ativamente para trabalho.
• Performance: Aumento da expectativa de 
vida relacionado ao histórico de atividade.
• Relativo: valor depende de parâmetro, con-
forme exemplo.
• Absoluto: valor em si, não depende de parâ-
metro.
• Relativo: Proporção de crianças fisicamente 
ativas no tempo de lazer.
• Absoluto: Total de crianças fisicamente ativas 
no tempo de lazer.
Indicadores de Monitoramento 
de políticas e programas sociais Exemplos
Insumo: medidas associadas à disponibilidade 
de recursos humanos, financeiros ou equipa-
mentos alocados em um programa social.
Número de médicos, enfermeiros, profissionais 
de educação física; orçamento previsto; número 
de materiais lúdicos etc.
Processo: indicadores intermediários que 
traduzem em medidas quantitativas o esforço 
operacional de alocação de recursos humanos, 
físicos e financeiros para a obtenção de melho-
rias efetivas de bem-estar.
Número de cidadãos cadastrados nos progra-
mas de atividade física; Número de trabalhado-
res para a realização do cadastro.
Produto: mensura as entregas de benefícios, 
bens e serviços realizados em um programa ou 
política.
Número de atividades realizadas; número de 
cidadãos atendidos/atividades.
Resultado: vinculados aos objetivos finais dos 
programas públicos, que permitem avaliar a efi-
cácia do cumprimento das metas especificadas:
Taxa de participação nos programas de ativida-
de física.
Impacto: referem-se às dimensões empíricas 
da realidade social, resultantes de processos 
sociais complexos ou avanço e retrocessos de 
políticas sociais implementadas.
Taxa de participação comunitária.
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136
Critérios de Avaliação Exemplos
Eficiência: cálculo de custo/benefício dos recur-
sos utilizados. Avalia os efeitos do programa em 
termos de justiça social
Montante de orçamento gasto para implemen-
tação do programa de atividade física frente 
à ampliação de acesso que oportunizará (ou 
outro benefício que se quer auferir). Trata-se de 
cálculo de uma relação �custo/benefício� (gasto 
realizado nas atividades/mês; gasto realizado/
por equipamento, custo de operação de cada 
projeto etc.).
Eficácia: cálculo da distância entre o realizado e 
a meta planejada.
Taxa de participação; taxa de cobertura popula-
cional no território.
Efetividade: indica mudanças em dimensões 
planejadas ou não (inesperadas).
Indicadores de bem-estar social, criminalidade, 
lazer, esporte etc.
Fonte: adaptado de Jannuzzi (2017).
Aqui retomamos o exemplo apresentado anteriormente na Unidade 3 ao trazer o problema e os indi-
cadores relacionados à baixa participação da população nas atividades físicas no tempo livre que po-
dem fazer parte do processo de planejamento. O problema permite fazermos muitas perguntas, nesta 
Unidade retomamos a pergunta de avaliação: “O que contribuiu ou dificultou o acesso das pessoas às 
iniciativas das unidades de saúde do município de Beira que ofertam atividade física?”. A seguir, veja o 
caso do município de Beira e leia a descrição da pergunta desse problema com os indicadores.
Município de Beira
Problema: baixa participação da população nas atividades físicas no tempo livre.
Pergunta de avaliação: o que contribuiu ou dificultou o acesso das pessoas às iniciativas das unida-
des de saúde do município de Beira que ofertam atividade física?
Exemplos de indicadores:
• Taxa de pessoas adscritas na unidade de saúde que acessaram as práticas de atividade física após 
o primeiro aconselhamento dado por um profissional de saúde da unidade de saúde.
• Média de usuários adscritos na unidade de saúde participantes das ações de atividades físicas 
oferecidas pelo município.
• Frequência semanal de participação dos usuários adscritos na unidade de saúde nas ações de 
atividade física.
• Percepção da participação da população pelos trabalhadores de saúde da unidade de saúde.
• Percepção da importância da atividade física pelos usuários adscritos na unidade de saúde.
• Existência de registro de proposições e questões relevantes dos usuários adscritos na unidade de 
saúde e/ou trabalhadores da unidade de saúde em relação à participação na prática de atividade 
física.
• Nível de participação intersetorial (presença nas reuniões, votação, parcerias estabelecidas, dis-
posição para dar opinião e interesse no processo) na construção/manutenção das práticas de 
atividade física.
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137
Algumas perguntas podem ser feitas para ajudar na construção dos indicadores:
 ▶ Como podemos saber se alcançamos um resultado ou se as mudanças estão seguindo o pla-
nejamento proposto?
 ▶ Como reconhecer quando um resultado ou mudança foi alcançado?
 ▶ Como isto poderia ser observado e medido quanti e qualitativamente?
PARA PENSAR E PLANEJAR
O indicador é uma mensuração que reflete uma determinada situação. Os 
eventos (os atendimentos, por exemplo) podem ser medidos por estatísticas 
públicas (número de atendimentos, número de pessoas atendidas etc.). As 
estatísticas públicas podem gerar indicadores que expressam uma relação 
(taxa de cobertura da população atendida = percentual da população atendida/ 
população total). 
A existência de boas estatísticas públicas que fazem parte do cálculo de indica-
dores depende dos dados criados pelos profissionais de saúde que atuam nos 
territórios, que observam os eventos (participação, realização das atividades, 
diálogos etc.) como fontes para gerar formas de medição – número de partici-
pantes, de profissionais, de atividades realizadas por modalidade (dança, jogos 
etc.), de rodas de conversa ou reuniões, de participantes dessas atividades 
etc. Nesses exemplos pensamos em estatísticas públicas que estão na base da 
criação de indicadores de processo, ou seja, que medem os esforços envolvidos 
nas ações. 
O Incentivo de Atividade Física, uma das possibilidades de solicitar recursos do 
Ministério da Saúde para a promoção da atividade física na APS, estabeleceu 
como metas para o recebimento de recursos, a depender do tipo de unidade de 
saúde, um quantitativo de fichas de atividadecoletiva que contemplem ações 
de práticas corporais e de atividade física registrada no Sisab. Ou seja, um dos 
indicadores que será acompanhado será o referido preenchimento.
Portaria GM/MS Nº 1.105, de 15 de maio de 2022, disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2022/prt1105_17_05_2022.html
Portaria GM/MS Nº 2.103, de 30 de junho de 2022, disponível em: 
https://brasilsus.com.br/wp-content/uploads/2022/07/portaria2103.pdf
Portaria GM/MS Nº 3.872, de 26 de outubro de 2022, disponível em: 
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.872-de-26-de-outubro-de-2022-440258107
SAIBA MAIS
Agora, convidamos você a pensar em uma importante pergunta: quais dados primários possuímos a 
partir da situação descrita? 
As informações das unidades de saúde, das atividades desenvolvidas, como o número de profissionais, 
o número de dias e horários na semana nos quais as atividades são ofertadas, o número de usuários 
por dia são alguns dos dados primários que irão auxiliar você na resolução do problema. 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2022/prt1105_17_05_2022.html
https://brasilsus.com.br/wp-content/uploads/2022/07/portaria2103.pdf
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.872-de-26-de-outubro-de-2022-440258107
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138
Município de Beira
Informações das unidades de saúde e das atividades desenvolvidas:
Unidade de 
saúde Atividades Profissionais
Número 
de dias
Participantes 
por dia
Usuários que 
frequentam a 
unidade por dia
Flores Dança 1 1 28 100
Colinas Caminhada 1 2 20 120
Campos Sem atividades — — — —
Para responder à pergunta avaliativa “O que contribuiu ou dificultou o acesso das pessoas às iniciativas 
das unidades de saúde do município de Beira que ofertam atividade física?” foi inicialmente pensado e 
analisado a taxa (percentual) de participação (número de participantes ÷ número de pessoas que 
frequentam a unidade por dia x 100).
Taxa de participação:
• Unidades de Saúde Flores = 28% 
= 28 (número de participantes) ÷ 100 (número de pessoas que frequentam a unidade) x 100
• Unidades de Saúde Colinas = 17% 
= 20 (número de participantes) ÷ 120 (número de pessoas que frequentam a unidade) x 100
REFLEXÃO
Quais outros indicadores você visualiza a partir da sua prática e da realidade 
local?
Poderíamos nos perguntar:
 ▶ Qual é a capacidade de atendimento de cada profissional de saúde ou da equipe que oferta as 
atividades?
 ▶ Quantas pessoas poderiam ser atendidas sem comprometer a qualidade das atividades?
 ▶ Quantas atividades ele conseguiria ofertar por semana?
 ▶ Quais as informações básicas do programa como os objetivos, modalidades, horários etc. 
chegaram à população interessada e nos profissionais?
 ▶ Houve práticas de capacitação e educação permanente que deram segurança para os profis-
sionais de saúde trabalharem?
 ▶ Há processos internos de monitoramento e avaliação que possibilitem correção e adequação 
das práticas? 
 ▶ Qual o perfil das pessoas que frequentam a unidade e daqueles que participam das atividades: 
média de idade, sexo, raça/cor, renda, escolaridade, estado nutricional, comorbidades, benefi-
ciários de programas de transferência de renda etc.
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139
Acompanhe a pactuação do GT, a partir dos indicadores, no município de Beira:
Município de Beira
A partir desses indicadores, o GT pactuou a necessidade de realizar um diagnóstico sobre como as 
ações estavam funcionando e, também, criar mecanismos para que os processos de monitoramento 
e avaliação se tornassem perenes, mesmo quando esse grupo não existisse mais, a partir da incor-
poração no processo de trabalho da equipe da gestão municipal da saúde, sem abrir mão do caráter 
participativo. Após a análise inicial, foi identificado que:
 ▶ Não havia conexão entre as ações, ainda que fossem realizadas em territórios próximos do 
mesmo distrito do município Beira.
 ▶ Na UBS Flores, a oferta de atividade física era realizada por um profissional de educação física 
cedido de um programa da Secretaria de Esporte e Lazer, a partir da intervenção de um líder 
comunitário, uma vez por semana no início da noite. Já na UBS Colinas, a oferta de atividade 
física era realizada por um Agente Comunitário de Saúde (ACS) duas vezes por semana, apenas 
pela manhã, e na praça onde a unidade de saúde está situada.
 ▶ Na UBS Flores, a atividade física ofertada era dança e ocorria no pátio. Na UBS Colinas, era 
caminhada sem supervisão profissional, apenas a partir da mobilização (anúncio e convite) do 
profissional. Em dias chuvosos as atividades não funcionavam. 
 ▶ Havia pedidos da comunidade, para que as atividades físicas fossem ofertadas em outros ho-
rários, para que mais pessoas pudessem participar.
 ▶ O perfil de participantes envolvia apenas mulheres com alguma Doença Crônica Não Transmis-
sível (DCNT), possivelmente indicando que a recomendação de participação se dava a partir da 
condição de saúde, o que pode ser um fator limitante. 
 ▶ As atividades físicas ofertadas não contavam com nenhum tipo de insumo ou material forneci-
do pela gestão municipal. Os profissionais levavam caixas de som que possuíam.
 ▶ Na UBS Campos não havia oferta de atividade física, tinha um perfil com muitas pessoas com 
DCNTs e interesse da equipe de saúde em iniciar alguma ação de atividade física.
 ▶ Seria feita uma reavaliação dessa análise inicial após 6 meses.
Pontos positivos:
 ▶ Iniciativa própria de profissionais, o que indica envolvimento e interesse pela promoção da 
atividade física.
 ▶ Atividades de baixo custo e sem necessidade de grandes investimentos.
 ▶ Possibilidade de ampliação do número de participantes a partir da oferta em outros horários.
 ▶ Melhoria na estrutura e insumos para realização das atividades físicas.
 ▶ O início da oferta de atividades na UBS Campos.
Pontos negativos: 
 ▶ Baixo percentual de pessoas que estão se beneficiando das atividades físicas.
 ▶ Pouco envolvimento de homens e adolescentes nas atividades.
 ▶ Convites e indicação de participação apenas para quem possuía alguma DCNT.
 ▶ Falta de apoio da gestão municipal no fornecimento dos materiais necessários para a realiza-
ção das atividades físicas.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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140
REFLEXÃO
Quais outros pontos positivos e negativos você imagina que poderiam explicar 
o baixo envolvimento dos usuários? E no seu município, é diferente ou há seme-
lhanças com o exemplo citado?
Aqui destacamos que os territórios são o ponto de partida para que o GT possa pensar no planeja-
mento, no monitoramento e na avaliação das intervenções relacionadas à análise das condições de 
saúde das populações, pois um olhar atento para sua dinâmica permite a organização do processo de 
trabalho com base nas necessidades e demandas de saúde da população. 
A partir do exposto, foi pactuado pelo GT:
 ▶ Na UBS Flores, a aula de dança ocorrerá duas vezes por semana, em um horário que permita 
a participação das pessoas, após a jornada de trabalho.
 ▶ No território da UBS Colinas, além da continuidade da caminhada, a gestão municipal irá soli-
citar a disponibilização de um profissional de educação física da Secretaria de Educação, para 
ofertar atividades coletivas de jogos adaptados na escola do bairro.
 ▶ Um espaço coberto da Secretaria de Assistência Social será disponibilizado para que as ativida-
des da UBS Flores, nos dias chuvosos, possam ser desenvolvidas.
 ▶ Serão realizadas ações de educação continuada e permanente sobre os benefícios da atividade 
física para todos os profissionais e todos usuários da APS e não só para aqueles com DCNTs. 
 ▶ Nessas ações de educação, além de buscar ampliar as possibilidades de indicação de incorpo-ração de atividades física na rotina dos usuários, serão incluídas questões sobre o aconselha-
mento breve em atividade física (por exemplo: os profissionais de saúde abordam o tema no 
processo de cuidado, independentemente da participação nas atividades).
 ▶ A gestão municipal irá adquirir equipamentos de som para as duas unidades de saúde.
 ▶ Serão distribuídas, periodicamente, fichas de avaliação das atividades para monitorar a satis-
fação dos usuários e permitir mudanças quando necessárias.
 ▶ Serão realizados um mapeamento e a divulgação de outros espaços e oportunidades no dis-
trito como opção para as pessoas que não participam das atividades físicas nas unidades de 
saúde.
 ▶ Apesar de reconhecer a importância de ampliar as ações de atividade física para a terceira 
unidade de saúde, a UBS Campos, a gestão municipal realizará o monitoramento dessas no-
vas medidas nas UBS Flores e UBS Colinas e, posteriormente, poderá implementá-las na UBS 
Campos. 
Nesse exemplo, monitorar e avaliar significa identificar se a ampliação da oferta, 
a disponibilização de novos espaços, a existência de insumos mais adequados à 
demanda e a maior qualificação de profissionais de saúde para indicar as atividades 
físicas impactarão no aumento da participação. 
O GT se reuniu algumas vezes e, também, discutiu a opção de utilizar o Modelo Lógico, apresentado 
na Unidade 3, para o planejamento.
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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141
Município de Beira
Objetivo: ampliar o acesso da população do distrito à atividade física enquanto prática de promoção 
da saúde e qualidade de vida.
Insumos/recursos: a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) possui recursos próprios para investir em 
melhorias para alcançar o objetivo e incluiu no planejamento pleitear recursos do Ministério da Saúde 
por meio do Incentivo de Atividade Física- IAF.
Atividades: dança, caminhada e jogos adaptados.
Produtos: mais pessoas atendidas pelas atividades físicas ofertadas.
Resultados iniciais: maior participação da comunidade do distrito.
Resultados intermediários: manutenção da prática de atividade física por meio de maior assiduida-
de dos participantes.
Resultados a longo prazo: melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida.
Fatores	influenciadores: clima, condições de saúde das pessoas, apoio da gestão municipal e maior 
engajamento da equipe de saúde ao indicar as atividades.
Vale lembrar que o Modelo Lógico serve como uma referência no processo de planejamento e imple-
mentação de ações, programas e políticas, incluindo o processo de construção do PPA, ou seja, é um 
quadro que deve ser revisitado sempre, pois suas informações nos fazem retomar o objetivo inicial, 
verificar se o estamos alcançando ou estamos próximos de alcançá-lo, assim como tomar decisões 
quanto à reformulação das atividades propostas para que o objetivo seja atingido.
Você, estudante, chegou até aqui e pode ter se perguntado: como a ação, o programa, a política ou a 
oferta de atividades físicas já existia, faz sentido pensar e formular um Modelo Lógico?
A construção de um Modelo Lógico pode orientar com relação aos objetivos, às expectativas e às 
avaliações já que ele será uma estratégia que sobre as ações que estão sendo desenvolvidas e outras 
que eventualmente tenham que ser implementadas. Se a ação, o programa e a política já existem, 
serão considerados no Modelo Lógico os fatores importantes para o alcance dos seus resultados, 
inclusive para a expansão das ações. Por exemplo, o Programa Academia da Cidade (PAC) de Recife 
(PE) se tornou uma experiência reconhecida e uma das iniciativas utilizadas pelo Ministério da Saúde 
para a formulação do Programa Academia da Saúde (PAS), após sucessivas avaliações, inclusive com 
atores externos ao programa.
Considerando o que já foi pactuado pelo GT e a possibilidade da construção de um Modelo Lógico, 
mesmo para uma ação, um programa, uma política ou a oferta de atividades físicas já existentes, 
podemos construir o quadro abaixo sobre a oferta de atividades físicas nas UBS Flores, Colinas e 
Campos. Acompanhe!
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142
Município de Beira
Informações das atividades desenvolvidas nas UBS Flores, Colinas e Campos:
Unidade de 
Saúde Atividades Profissionais
Número 
de dias
Participantes 
por dia
Usuários da 
unidade por dia
Flores Dança 1 2 Sem dados 100
Colinas
Caminhada
Jogos 
adaptados
1
1
2
1
Sem dados 120
Campos Sem atividades — — — —
Com isso, os participantes do GT poderiam pensar juntos acerca dos indicadores de monitoramento:
 ▶ Taxa de participação: Número de participantes / Número de usuários que frequentam a uni-
dade de saúde
 ▶ Participação por dia e horário: número de participantes ÷ quantidade da oferta de atividades 
(dias x atividades).
 ▶ Cobertura de profissionais de saúde: número de profissionais de saúde ÷ número de participantes.
 ▶ Taxa de satisfação: número de avaliações satisfatórias ÷ número total de avaliações.
A seguir apresentamos exemplos de indicadores que podem servir de inspiração e indicadores da ficha 
do Serviço de Orientação ao Exercício (SOE) de Vitória (ES) e do Programa Academia da Saúde (PAS).
Relação nominal, classificação e objetivos dos indicadores do SOE
Taxa de cobertura de Profissionais de 
Educação Física na Atenção Primária à Saúde
Número de ofertas de Práticas Corporais e 
Atividades Físicas (PCAF)
Taxa de participação no SOE
Taxa de satisfação dos usuários com o SOE
Perfil do público atendido pelo SOE
Avaliar a cobertura de profissionais do SOE 
na Atenção Primária à Saúde
Avaliar o número de práticas corporais e 
atividades físicas ofertadas pelo SOE
Avaliar a adesão de usuários ao SOE
(alcance do programa)
Avaliar a satisfação do usuário com a 
estrutura, atendimento pelo profissional e 
atividades ofertadas pelo SOE
Avaliar o perfil dos usuários atendidos pelo 
SOE
Nome Objetivo
Fonte: Serviço de Orientação ao Exercício (SOE), Prefeitura Municipal de Vitória (ES).
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143
Número de ofertas de Práticas Corporais e de Atividade Física (PCAF)
Ficha de qualificação
1. Classificação
2. Aspecto de avaliação
3. Conceituação
4. Interpretação
5. Usos
6. Periodicidade
7. Limitações
8. Fontes
9. Método de cálculo
10. Categorias
sugeridas para análise
11. Ações para a 
melhoria do indicador
12. Observação
do indicador
Indicador de processo.
Oferta de PCAF.
Monitorar o número de PCAF realizadas pelo SOE.
Esse indicador avalia o número de PCAF ofertadas pelos PEF.
Monitoramento das ações de PCAF realizadas pelo SOE.
Quadrimestral.
No método de cálculo não são considerados fatores que influenciam 
na oferta das PCAF como: número de dias trabalhados, fatores 
climáticos, reuniões e a participação dos PEF em outras ações intra e 
intersetoriais.
Registro de procedimentos das ações de PCAF na Rede de Bem Estar 
(Sistema de Informação e Saúde) registradas com os códigos dos 
seguintes procedimentos:
Prática corporal/atividade física em grupo: 01.01.01.003-6
Yoga: 01.01.05.004-6
Práticas corporais em Medicina Tradicional Chinesa: 01.01.05.001-1
Práticas corporais em Centro de Atenção Psicossocial: 03.01.08.027-5
Número de ações de PCAF realizadas pelos PEF.
1) Local: território, região e município.
2) Periodicidade: mensal, quadrimensal e anual.
3) Detalhamento por nome/código de procedimento.
Ampliar o número de ofertas de PCAF por profissional.
Profissionais com duas matrículas devem ser avaliados 
separadamente o número de ações realizadas por matrícula.
Componente Descrição
Fonte: Serviço de Orientação ao Exercício (SOE), Prefeitura Municipal de Vitória (ES).
A seguir, confira a descrição de alguns componentes-padrão e tipos de indicadores que podemcompor 
uma Ficha de Qualificação de Indicadores apresentados no Caderno Técnico de Apoio à Implantação 
e Implementação do Programa Academia da Saúde (PAS), de 2019.
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Componentes-padrão de Ficha de Qualificação de Indicadores
1. Conceituação
2. Interpretação
3. Usos
4. Limitações
5. Fontes
6. Método de cálculo
7. Categorias 
sugeridas para 
análise
8. Dados estatísticos 
e comentários
Definição de suas características e das formas como ele se 
expressa.
Resumo explicativo do tipo de informação obtida e o seu 
significado.
Formas principais de utilização dos dados, as quais devem ser 
consideradas para fins de análise.
Fatores que restringem a interpretação do indicador, tanto ao 
próprio conceito quanto às fontes utilizadas.
Instância responsável pela produção dos dados que são 
utilizados para cálculo do indicador e pelos sistemas de 
informação a que correspondem.
Fórmula utilizada para calcular o indicador, definindo 
precisamente os elementos que o compõem.
Níveis de desagregação dos dados que podem contribuir para 
a interpretação da informação e que sejam, efetivamente, 
disponíveis, tais como sexo, idade.
Tabelas resumidas e comentadas, que ilustram a aplicação do 
indicador com base na situação real observada. Sempre que 
possível, os dados devem ser desagregados por grandes 
regiões e para anos selecionados da década anterior.
Componente Descrição
Fonte: Rede Interagencial de Informações para Saúde (2012) apud Ministério da Saúde, Caderno 
Técnico de Apoio à Implantação e Implementação do Programa Academia da Saúde (2019).
O Caderno Técnico de Apoio à Implantação e Implementação está disponível em: 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/implatacao_academia_saude.pdf
LINKS
Confira, agora, os tipos de indicadores do Programa Academia da Saúde (PAS) – indicadores de estru-
tura e de resultados – e seus objetivos, seus métodos de cálculo e suas metas. 
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/implatacao_academia_saude.pdf
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Tipos de Indicadores do Programa Academia da Saúde (PAS)
Aumentar a capacidade de atendi-
mento do polo do Programa 
Academia da Saúde (PAS).
Número de profissionais da APS 
que atuam nos polos do programa.
Número de profissionais da APS 
que podem desenvolver ações 
nos polos do programa.
Todos os profissionais da APS que 
podem atuar no polo do progra-
ma desenvolvendo alguma ação 
ou serviço no polo (conforme 
resultados, a meta pode repactuar 
para mais ou para menos).
Diminuir a proporção de internações por 
Condições Sensíveis à APS relacionadas à 
hipertensão arterial sistêmica e diabetes da 
população usuária da unidade de saúde que 
contempla o território do polo do programa.
Proporção de usuários hipertensos ou 
diabéticos participantes sistemáticos do 
programa com redução ou suspensão de 
medicamento de controle.
Número de usuários hipertensos ou diabéti-
cos participantes sistemáticos do programa 
com redução ou suspensão de medicamento 
de controle dividido pelo número total de 
usuários hipertensos ou diabéticos partici-
pantes sistemáticos do programa em deter-
minado período e polo, multiplicado por 100.
Variação de 5% de usuários hipertensos e/ou 
diabéticos com medicamentos reduzidos ou 
suspensos (conforme resultados, a meta 
pode ser repactuada para mais ou para 
menos).
Objetivo
Indicador
Método 
de 
cálculo
Meta
Indicadores de estrutura Indicadores de resultados
Fonte: Rede Interagencial de Informações para Saúde (2012) apud Ministério da Saúde, Caderno 
Técnico de Apoio à Implantação e Implementação do Programa Academia da Saúde (2019).
Outros exemplos podem ser consultados no Caderno Técnico de Apoio à Implan-
tação e Implementação, a partir da página 141.
SAIBA MAIS
Até aqui demos enfoque às análises e ações relacionadas à oferta de atividades físicas, certo? Mas é 
importante destacar que outros enfoques são possíveis, como, por exemplo, os que veremos a seguir. 
É possível monitorar o nível de atividade física da população usuária das unidades de saúde por meio 
do questionário da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) – inquérito de saúde de base domiciliar, de 
âmbito nacional, realizada pelo Ministério da Saúde – que pode ser visto aqui (Módulo P) conforme 
mostrado a seguir. 
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
146
Fonte: Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde. Questionário, Módulo P. 2019.
O questionário da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) pode ser acessado em: 
https://www.pns.icict.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/02/Questionario-
PNS-2019.pdf.
Para conhecer outros indicadores ligados às condições de saúde visualize a 
publicação: “Recomendações para o Desenvolvimento de Práticas Exitosas de 
Atividade Física na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde” (p. 
14 a 22), disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/
desenvolvimento_atividade_fisica.pdf.
SAIBA MAIS
Observe a forma de cálculo do nível de atividade física:
Definição do Indicador: Prática adequada de atividade física no lazer
Percentual de indivíduos de 18 anos ou 
mais que praticam no lazer atividades 
físicas vigorosas* por 75 minutos ou mais 
por semana, ou atividades leves ou 
moderadas** durante 150 minutos ou 
mais por semana.
Método de cálculo: 
Número de indivíduos de 18 anos ou 
mais que praticam atividade física 
no lazer no tempo recomendado
Total de indivíduos de 18 anos ou mais
× 100
* As atividades vigorosas consideradas foram: corrida/cooper, corrida em esteira, musculação, 
ginástica aeróbica/spinning/step/jump, futebol, basquete e tênis. 
** As atividades leves ou moderadas consideradas foram: caminhada, caminhada em esteira, 
hidroginástica, ginástica em geral/localizada/pilates/alongamento/yoga, natação, artes 
marciais/luta, bicicleta/bicicleta ergométrica, voleibol, dança e outras atividades.
Fonte: Brasil. Fiocruz. Painel de Indicadores da Pesquisa Nacional de Saúde.
https://www.pns.icict.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/02/Questionario-PNS-2019.pdf
https://www.pns.icict.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/02/Questionario-PNS-2019.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/desenvolvimento_atividade_fisica.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/desenvolvimento_atividade_fisica.pdf
PROMOÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
E SUA INSERÇÃO NOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DE GESTÃO DO SUS UN4
147
Continuando com a compreensão de que outros enfoques são possíveis para além da oferta de 
atividades física, imaginemos que o desafio identificado nas pessoas usuárias de uma unidade de 
saúde é o alto número de pacientes com suspeita e/ou diagnóstico de glicemia em jejum alterada e/
ou diabetes mellitus tipo 2. A demanda é a construção de possibilidades de oferta de atividade física 
como parte do cuidado. 
Não é esperado que ocorram alterações substanciais nos indicadores de internação, prevalência ou 
incidência das DCNTs em curto e médio prazos. Isso não necessariamente significa uma ineficácia de 
um programa de atividade física. Nesse caso, o número de adultos com diabetes que aderiram e se 
mantiveram no programa já pode ser considerado um efeito positivo das ações do planejamento local.
PARA PENSAR E PLANEJAR
E temos boas notícias: o Ministério da Saúde disponibiliza os Painéis de Indica-
dores da APS que têm como objetivo apresentar dados e informações de forma 
a promover o conhecimento sobre a APS, subsidiar a tomada de decisão, am-
pliar as possibilidades de monitoramento e avaliação. Os painéis apresentam 
informações em diversos formatos como tabelas, gráficos, mapas e documen-
tos técnicos com a finalidade de facilitar a interpretação

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