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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE GEOLOGIA DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA REGIONAL E GEOTECTÔNICA MAPEAMENTO GEOLÓGICO II RELATÓRIO DE MAPEAMENTO GEOLÓGICO II ÁREA: LIMA DUARTE – MG GRUPO: 6 Gabriel Braga de Oliveira Rafaela Neves de Oliveira Vitória de Azevedo Silva ORIENTADORES: Profa. Monica Heilbron Prof. Ivo Dussin Prof. Luiz Guilherme Eirado Prof. Samuel Bersan RIO DE JANEIRO 2023 Sumário 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................ 3 1.1. Objetivos ....................................................................................................................................................................... 3 1.2. Localização da área e acessos ....................................................................................................................................... 3 1.3. Metodologia .................................................................................................................................................................. 6 1.4. Geomorfologia .............................................................................................................................................................. 7 1.4.1. Clima ......................................................................................................................................................................... 7 1.4.2. Solos .......................................................................................................................................................................... 8 1.4.3. Hidrografia................................................................................................................................................................. 8 1.4.5. Ocupação humana da área ......................................................................................................................................... 8 2. GEOLOGIA REGIONAL ................................................................................................................................................ 9 2.2. Unidades litoestratigráficas ......................................................................................................................................... 23 2.3. Geologia estrutural e metamorfismo ........................................................................................................................... 32 2.4. Principais problemas ainda em aberto ......................................................................................................................... 36 3. GEOLOGIA LOCAL...................................................................................................................................................... 37 3.1. Introdução.................................................................................................................................................................... 37 3.2. Unidades litológicas .................................................................................................................................................... 37 3.3. Geologia estrutural ...................................................................................................................................................... 41 3.3.1. Introdução ................................................................................................................................................................ 41 3.3.2. Descrição das fases de deformação ......................................................................................................................... 44 3.4. Metamorfismo ............................................................................................................................................................. 44 3.5. Potencialidade econômica da área ............................................................................................................................... 45 3.6. Aspectos geoambientais .............................................................................................................................................. 47 4. EVOLUÇÃO GEOLÓGICA E CONCLUSÕES............................................................................................................ 47 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................................................ 48 6. ANEXOS ........................................................................................................................................................................ 68 I. Mapa geológico-estrutural .............................................................................................................................................. 68 II. Seções geológico-estruturais ........................................................................................................................................... 69 III. Mapa de pontos ........................................................................................................................................................... 70 1. INTRODUÇÃO Este relatório aborda inicialmente uma compilação bibliográfica prévia, assim como a elaboração de um banco de dados geológicos pré - campo e, por fim, os resultados consolidados após o mapeamento da área previamente escolhida para o grupo 6, no Município de Lima Duarte, no Estado de Minas Gerais, realizada no período de 18 de agosto a 02 de setembro de 2023. O trabalho técnico apresentado tem requisito parcial à disciplina Mapeamento Geológico II, da Faculdade de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ministrada pelos professores Ivo Dussin, Luiz Guilherme Eirado, Mônica Heilbron e Samuel Bersan e tem como autores, os alunos Gabriel Braga, Rafaela Neves e Vitória de Azevedo. 1.1. Objetivos O objetivo principal é aplicar os conhecimentos desenvolvidos ao decorrer das aulas ministradas na disciplina de Mapeamento Geológico II, de forma que seja possível alinhar com os conhecimentos e dados geológicos obtidos no campo e durante todo o curso, para poder elaborar um relatório técnico com os resultados de toda a pesquisa realizada anteriormente, durante e após o mapeamento da área analisada e por fim, pretende-se realizar a confecção de mapas com características litológicas e estruturais, analisar lâminas, além de interpretar o papel da área estudada no contexto geotectônico da Faixa Ribeira. 1.2. Localização da área e acessos A área que será analisada pelo grupo é referente ao município de Lima Duarte (figura 1), na porção sudeste do interior do Estado de Minas Gerais, no Brasil. Está inserida na folha topográfica SF-23-X-C-VI-3 (figura 2) do IBGE, na escala 1:50.000. A área está ao redor de municípios, como Bom Jardim de Minas, Juiz de Fora, Rio Preto, Belmiro Braga, Santa Bárbara do Monte Verde, Santa Rita do Ibitipoca, Bias Fortes, Pedro Teixeira, Olaria e Valença. Figura 1: Mapa de localização geográfica de Lima Duarte, MG do Grupo 6. Fonte: Vitória Azevedo. Figura 2: Folha Topográfica SF-23-XC-VI-3, Lima Duarte, com a área do Grupo 6. Fonte: IBGE. Para chegar em Lima Duarte, partindo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro, deve seguir o acesso principal BR-040 até a periferia de Juiz de Fora, sentido Oeste, por cerca de 45km, através da BR-267 e assim chegará na área pretendida onde ocorrerá o trabalho de campo da disciplina de Mapeamento Geológico II (Google Maps). Área do Grupo 6 1.3. Metodologia Baseando-se nos objetivos propostos, as análises e os estudos a serem produzidosno projeto apresentam a metodologia dividida em três partes da seguinte forma: Primeira etapa (Pré-campo): Na etapa pré-campo os professores definem previamente as áreas a serem mapeadas pelos grupos (composto de 3 alunos). Foram ministradas aulas com os respectivos professores, para falar a respeito da geologia da área de estudo, contextualizando o ambiente geológico da região. Houve o levantamento de dados bibliográficos, entre artigos e trabalhos da área que será efetuado o mapeamento. Esta etapa prioriza a execução dos trabalhos com a compilação bibliográfica em torno da área onde ocorrerá as pesquisas de campo, assim como a confecção de mapas foto- interpretados sobre imagens de satélite através da ferramenta Google Earth e ArcGis. Neste mapa fotogeológico, pode-se observar os padrões de drenagens, texturas, tonalidades, lineamentos, vias de acesso em Lima Duarte (estradas e trilhas), zonas homólogas com base na litologia dos afloramentos analisados e o polígono de demarcação da área estudada. Ao longo desse estudo foi possível identificar estruturas, falhas, fraturas, vegetação, trilhas e etc. Por fim, pretende-se analisar cada um dos itens citados acima e os materiais de coleta, que serão identificados no trabalho de campo para que possam auxiliar na interpretação de padrões numa escala maior, que será detalhado no campo pelos alunos responsáveis por essa área. Segunda etapa: consistirá no levantamento de dados de campo em áreas previamente escolhidas e serão identificadas as unidades de mapeamento, das estruturas tectônicas, georreferenciamento através da ferramenta GPS em UTM. No campo ocorrerá a descrição e identificação das litologias, medição das estruturas com a bússola, localização dos pontos nos mapas designados para cada grupo. No final, será realizada a elaboração de mapas com as unidades identificadas e com os pontos de coleta estudados ao decorrer do trabalho de campo. Terceira etapa: será dedicada na execução do relatório técnico, apresentando as interpretações geológicas realizada pelos alunos do grupo, além de produzir tabelas e estereogramas com medidas em hemisfério inferior dip direction retirada nos trabalhos de campos, descrição de lâminas, assim como mapas de drenagem, lineamento e mapa de caminhos (vias), e para que seja possível concluir o mapeamento geológico elaborado pelo grupo. 1.4. Geomorfologia Quando se trata da Geomorfologia de Lima Duarte, está localizada nos limites entre os compartimentos meridional e setentrional da Serra da Mantiqueira. Pode-se observar estruturalmente grandes zonas de cisalhamentos expressas pela serras quartzíticas do Ibitipoca, de Lima Duarte, assim como a Serra Negra. Os relevos são mal desenvolvidos e montanhosos, e são morros e morrotes de origem gnáissicas de granulometria fina e arenosa. Sua morfologia é definida por rochas gnáissicas. Há superfícies mais elevadas e definidas que vão refletir ao primeiro ciclo da região que foi sustentada por serras quartzíticas que automaticamente modulam o relevo (Pinto, Claiton Piva, 1991). O relevo do município é montanhoso. Onde 70 % do território é coberto por áreas montanhosas, enquanto em cerca de 25 % há o predomínio de mares de morros, terrenos ondulados, e os 5 % restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se no Morro do Pião, que chega aos 1 721 metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do Ribeirão São Pedro, com 676 metros. Já o ponto central da cidade está a 860 m (Topographic Map, 2023). 1.4.1. Clima O clima de Lima Duarte é caracterizado tropical de altitude (tipo Cwb segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno de 20 °C, tendo invernos secos e frios, com ocorrência de geadas em algumas áreas, e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. A estação quente vai de dezembro a março, com temperatura máxima média diária acima de 29 °C. O mês mais quente do ano é fevereiro, com a máxima de 30 °C. A estação fria permanece de maio a agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 25 °C. O mês mais frio do ano em Lima Duarte é julho, com a máxima de 11 °C e mínima de 25 °C, em média (PT WEATHER SPARK). https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_tropical_de_altitude https://pt.wikipedia.org/wiki/Classifica%C3%A7%C3%A3o_clim%C3%A1tica_de_K%C3%B6ppen-Geiger https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva https://pt.wikipedia.org/wiki/Inverno https://pt.wikipedia.org/wiki/Geada https://pt.wikipedia.org/wiki/Ver%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Temperatura De acordo com o movimento turístico, a melhor época para visitar Lima Duarte é do meio de Abril ao fim de Dezembro, onde o clima é mais quente e agradável (PT WEATHER SPARK). 1.4.2. Solos Os solos de Lima Duarte são caracterizados por Cambissolos (horizonte B) e solos pouco evoluídos como os Neossolos Litólicos, assim como solo Latossolos bem argiloso e Gleissolos que foram gerados em condições de inundação. As serras de Lima Duarte e Ibitipoca apresentam morros declivosos heterogêneos e entalhe profundo. Na região há transporte gravitacional de acumulação e matacões rolados (Neto et al., 2015). 1.4.3. Hidrografia O município de Lima Duarte apresenta grandes domínios hidrográficos, sendo eles cercado na porção centro-oeste marcado pela divisória da bacia do Rio Grande, que foi um marco na formação do Rio Paraná e Rio Preto, que alcança as bacias dos rios do Peixe e Paraibuna, em sentido ao Oceano Atlântico. O Rio do Peixe inicia na Serra da Mantiqueira em Bom Jardim de Minas e deságua à direita do Rio Paraibuna (Neto et al., 2015). 1.4.4. Vegetação O município de Lima Duarte possui um predomínio de Mata Atlântica. Apresenta fisionomias campestres em estreitas relações com o relevo e litotipo. Há plantas caméfitas e microfanerófitos devido ao clima tropical. O aproveitamento econômico das terras no meio rural se dá através da pastagem, que está interligada à monocultura de Eucalyptus, que vem crescendo no contexto regional nos últimos anos (Neto et al., 2015). 1.4.5. Ocupação humana da área De acordo com IBGE, o município de Lima Duarte se estende por 848,564 km² e apresenta uma densidade demográfica de aproximadamente 20,29 habitantes km². A população no último censo, em 2022, foi de cerca de 17.221 pessoas na região. O aniversário do município Lima Duarte é 30 de Outubro e os habitantes são denominados como Limaduartinos. 2. GEOLOGIA REGIONAL O trabalho de campo da disciplina de Mapeamento Geológico II, ocorre no município de Lima Duarte, que está geograficamente localizado no estado de Minas Gerais, estando situado entre a Faixa Ribeira que faz limite com Faixa Brasília e ao Sul do Cráton São Francisco. 2.1. Contexto geotectônico 2.1.1. Cráton do São Francisco O Cráton (figura 3) do São Francisco (CSF) é um segmento crustal estável que não foi afetado pela deformação colisional e metamorfismo, durante os processos orogenéticos Brasilianos (Almeida et al., 1981; Cordani e Sato, 1999; Campos Neto, 2000; Alkmim et al., 2001; Brito-Neves, 2002). É cercado por cinturões orogênicos Neoproterozóicos que em parte retrabalharam seus domínios vizinhos (Heilbron et al., 2017). Compreende grande parte do Estado da Bahia e se estendendo às regiões vizinhas de Minas Gerais, Sergipe, Pernambuco e Goiás. Faz parte da Plataforma Sul-Americana, sendo delimitado a sul e a oeste pela faixa Brasília, pelo Rio Preto a nordeste, Riacho do Pontal e Sergipana, a norte e pela faixa Araçuaí a sudeste. A parte leste do cráton é convergente à margem continental que contém as bacias do Jequitinhonha, Almada, Camamu e Jacuípe (Alkmim, 2004). A individualização do Cráton, sucede os eventos distensionais Espinhaço (Estateriano) e Macaúbas (Toniano). Uma grande parte interna do cráton está coberto por unidades do Pré-Cambrianoe do Fanerozoico. No extremo sul e a leste, o embasamento está exposto em duas áreas nesta região. A parte do embasamento exposto no sul do cráton passou por deformação e ação termal durante o Evento Transamazônico, sendo denominada de Cinturão Mineiro que engloba o Quadrilátero Ferrífero, adjacente ao limite cratônico. As áreas do nordeste e sudoeste, que não fazem parte do cráton sofreram um forte retrabalhamento no decorrer do Evento Brasiliano, formando assim, o substrato das faixas Araçuaí e Brasília Sul. O arcabouço Arqueano/Paleoproterozoico do CFS, foi retrabalhado durante a montagem do supercontinente Gondwana Ocidental, resultando na formação duas províncias estruturais como a Província Mantiqueira (Heilbron et al. 2004a,b; Silva et al., 2005), com as faixas Ribeira e Araçuaí e a Província Tocantins, representada pela Faixa Brasília, desenvolvidas durante o Ciclo Brasiliano (Almeida et al., 1977:1981; Campos Neto, 2000; Figueiredo e Teixeira, 1996, Heilbron et al., 2017). Figura 3: Mapa tectônico da região Sudeste do Brasil: Quadrado rosa representa a área do Grupo 6. Marcador amarelo representa Lima Duarte. (1) Cráton do São Francisco; (2) Cinturão Brasília; (3) Terreno Cabo Frio; (4) Terreno Oriental — Domínio Costeiro; (5) Terreno Oriental — Arco Magmático Rio Negro; (6) Klippe Paraíba do Sul; (7) Terreno Ocidental; (8) Bacia do Paraná; (9) corpos alcalinos do Cretáceo Superior a Eoceno; (10) Bacias do Rift Continental do Sudeste do Brasil (RCSB): A — São Paulo; B — Taubaté; C — Resende; D — Volta Redonda; E — Macacu; F — Itaboraí; G — Barra de São João; (11) sedimentos cenozoicos indiferenciados; (12) falhas reversas, nappes; (13) Alinhamento Magmático de Cabo Frio; (14) limites de grabens do RCSB. Fonte: Almeida e Carneiro (2012). 2.1.2. Sistemas Orogênicos Em ambos os orógenos, Ribeira e Brasília houve a subducção de litosfera oceânica que resultou na geração de arcos magmáticos cordilheiranos. Os estágios colisionais, são responsáveis pela deformação, metamorfismo e geração de granitóides crustais, que ocorreram de forma diacrônica. O estágio colisional na extremidade sul do Orógeno Brasília se por volta de 630 M.a (Colisão I), mas no Orógeno Ribeira situa-se entre 580 e 560 Ma (Colisão II). Os efeitos da Colisão II atingiram o recém-estruturado Orógeno Brasília, gerando a complexa Zona de Interferência entre os dois orógenos, que ocorre na região sul/sudoeste do Estado de Minas Gerais. O Orógeno Ribeira possui registro de uma colisão tardia em 520-510 Ma (Colisão III), no Terreno Cabo Frio (Machado et al., 1996; Heilbron et al., 2000, 2004, 2008, 2012; Trouw et al., 2012; Heilbron & Machado, 2003; Peixoto, 2010). O Orógeno Ribeira (figura 4) bordeja o cráton São Francisco mais ao sul, no segmento central da Província Mantiqueira. É correlato ao Orógeno Araçuaí, porém diferente. O Orógeno Ribeira faz parte de terrenos Neoproterozoicos imbricados no sentido WNW em direção ao Cráton São Francisco com idade de 864 e 580 Ma (Machado et al., 1996; Heilbron et al., 2000, 2004, 2008, 2012; Trouw et al., 2012; Heilbron & Machado, 2003; Peixoto, 2010). A evolução tectônica do Orógeno Ribeira é o resultado de episódios colisionais que envolveram micro continentes, arcos magmáticos e a margem do paleocontinente São Francisco (Heilbron et al., 2017). As colisões ocorreram durante o Brasiliano, sendo responsáveis pela amalgamação do Gondwana Ocidental entre os períodos Ediacarano e Cambriano (Campos-Neto & Figueiredo 1995; Campos & Caby 2000; Trouw et al. 2000, 2013; Schmitt et al. 2004). Figura 4: Seção estrutural do Orógeno Ribeira com relação entre os diferentes terrenos e domínios estruturais. Terreno Ocidental (1-6): 1 a 3 - Megassequência Andrelândia nos domínios Autóctone, Andrelândia e Juiz de Fora, Terreno Ocidental; 4 a 6 - Associações do embasamento (Complexos Barbacena, Mantiqueira e Juiz de Fora); Terreno Paraíba do Sul (7- 8): 7- Grupo Paraíba do Sul; 8- Complexo Quirino; Terreno Oriental (9-13): 9- Sequência Cambuci; 10 - Sequência Italva; 11 - Sequência Costeiro; 12 - Arco Magmático Rio Negro; 13 - Granitos colisionais; Terreno Cabo Frio (14-15): 14 - Sequências Búzios e Palmital; 15 - Complexo Região do Lagos. Fonte: Heilbron et.al., 2004. O desenvolvimento do Orógeno Ribeira gerou quatro eventos colisionais (Heilbron et al., 1982, 2000, 2008, 2013, 2017; Machado & Gauthier 1996; Trouw et al., 2000, 2013; Campos Neto & Caby, 2000: Campos Neto, 2000; Janasi et al., 2001; Cordani et al., 2002; Heilbron & Machado, 2003; Valeriano et al., 2000, 2004; Silva et al., 2002. 2005 e; Schmitt et al., 2004 que são: Colisão I – Evolução do extremo sul do Orógeno Brasília: com fechamento do Oceano Goianides, ao longo da atual margem ocidental do Cráton São Francisco. Com o avanço da subducção desse oceano, desenvolveu-se um arco magmático (650-640 M.a) ao longo da margem do cráton Paranapanema (Brito Neves et al. 1999; Campos Neto, 2000). Os vestígios deste arco são retratados pelos batólitos (ortognaisses) do Terreno Guaxupé (Campos Neto, 2000). Devido a colisão entre as placas Paranapanema e São Francisco formou-se uma série de Nappes com vergência para leste, que se propagam sobre a margem sudoeste do Cráton e portam pedaços do embasamento e de rochas sedimentares da margem passiva de Andrelândia (Heilbron et al., 2017). Colisão II e III – Desenvolvimento do Orógeno Ribeira entre 620-565 M.a: fechamento do Oceano Adamastor, resultando na colisão entre o Paleocontinente São Francisco - Congo e outro(s) continente(s) localizados a leste (Terreno Oriental ou Serra do Mar), com isso teve um surgimento de dois arcos magmáticos, que foram amalgamados às placas existentes do Paranapanema-São Francisco, gerando o sistema inicial do Orógeno Ribeira. A colisão II ocorreu devido a acresção dos arcos continentais Socorro e Serra da Bolívia (Terrenos Socorro e Paraíba do Sul), seguida de uma convergência e choque do arco juvenil Rio Negro (Terreno Oriental) levando a colisão III (Heilbron et al., 2017). Colisão IV – Adição do Terreno Cabo Frio entre 530- 510 M.a: Ao fechar o Oceano Adamastor e com o desenvolvimento do Orógeno Ribeira, sucedeu-se o alojamento do Terreno Cabo Frio (provável fragmento do cráton Angola), com a chegada desse Terreno, outros terrenos agregados anteriormente foram afetados, até a borda do Cráton (Heilbron et al., 2017). O quarto e último evento tectônico do Orógeno (510-480 M.a), relaciona-se ao colapso orogênico, com um regime de deformação transtencional. Algumas dessas zonas foram reativadas na ruptura do Gondwana. (Pedrosa-Soares & Wiedemann-Leonardos 2000; Machado et al., 1996; Heilbron & Machado 2003: Valeriano et al., 2011). Está associado à geração de plutonismo pós-colisional com idades entre 510 e 480 M.a. Os granitos são cálcio-alcalinos ocorrendo como stocks, diques e soleiras. Ocorre frequente associação com corpos básicos, formando estruturas de mistura magmática, como os granitos Parati, Ilha Grande, Pedra Branca (510 M.a), Suruí, Teresópolis, Nova Friburgo e Sana (Penha et al., 1980; Pires et al., 1982; Penha & Wiedemann, 1984; Junho, 1993; Heilbron et al., 1995; Machado & Demange, 1992; 1994; 1996; Machado, 1997; Porto Jr & Valente, 1988; Tupinambá, 1999). O Orógeno Brasília (Fuck et al.,1994; Dardenne, 2000) ocorre no centro e sudeste do Brasil e ao longo da borda sul do Cráton São Francisco, sendo resultado de uma colisão Ediacarana entre o paleocontinente São Francisco (margem continental passiva) e a Placa do Paranapanema (margem continental ativa, coberto pela bacia do Paraná) (Brito Neves et al., 1999; Campos Neto, 2000; Trouw et al., 2000), durante o Neoproterozóico. Possui uma cobertura de plataforma carbonática Ediacarana sobre um domínio cratônico que foi empurrado por unidades psamo-pelíticas, de ambientesde rifte. Contém na porção sul do Orógeno Brasília, uma espessa pilha de Nappes sin-metamórficos, sendo considerada estruturas colisionais do Ediacarano, que registra a migração das Nappes em direção a margem do Cráton. (Neto, Mário da Costa Campos et al., 2010). São sub- horizontais (Campos Neto e Caby, 1999, 2000; Trouw et al., 2000), apresenta um metamorfismo de padrão invertido, de fácies anfibolito a granulito sob condições de alta pressão. As sequências de Nappes identificadas são as Nappe Socorro-Guaxupé, Sistema Nappe Andrelândia e Sistema Nappe Lima Duarte e Carrancas (Campos Neto, 2011). A Nappe Socorro-Guaxupé é um segmento da crosta continental inferior (com mais de 10 km de espessura), formado em ambiente de arco magmático do tipo andino, pela subducção do segmento de crosta oceânica da Placa do São Francisco (Janasi, 1999; Campos Neto e Caby, 2000; Trouw et al., 2000; Campos Neto, 2000). Encontra-se empurrada sobre os metassedimentos da MSA e o embasamento. Contém rochas ígneas deformadas (Campos Neto & Caby 1999, 2000, Trouw et al., 2000, 2013, Vinagre et al., 2014a); suítes de rochas plutônicas cálcio-alcalinas, leucossomas enderbíticos, veios de charnockito de granulação grossa, plútons (Campos Neto et al., 1988), granulitos, granitos e gnaisses migmatíticos (Neto, Mário da Costa Campos et al., 2010), metagranitóides, variando de máfico a félsico (Campos Neto, 2000), ortognaisse e paragnaisse. O Sistema Nappe Andrelândia, possui rochas metamórficas com espessura de 4,5 km, com foliação sub horizontal (Neto, Mário da Costa Campos et al., 2010). Faz parte da porção sul do Orógeno Brasília, no Neoproterozoico. Compreende uma pilha de Nappes sem raízes e sin-metamórficas com granulitos de alta pressão. Com uma foliação plana generalizada (Campos Neto et al., 2007), ocorre abaixo da Nappe Socorro- Guaxupé. Possui rochas metassedimentares da Megassequência Neoproterozoica Andrelândia (Paciullo et al. 2000), ocorrendo intercaladas com fatias de ortognaisses de embasamento Paleoproterozóico a Arqueano. Apresenta um metamorfismo invertido com rochas de fácies granulíticas de média a alta pressão empurradas sobre rochas de fácies anfibolito (Ribeiro et al. 1995). Este sistema está organizado em três sistemas de arco magmático alóctone, de cima para baixo: Nappe Três Pontas-Varginha (Nappe superior), Nappes Liberdade (Nappe média) e Andrelândia (Nappe inferior) (Campos Neto et al., 2007, 2011). A Nappe Três Pontas-Varginha (e Pouso Alto), juntamente com os klippen Aiuruoca, Carvalhos e Serra da Natureza (Campos Neto e Caby, 2000; Trouw et al., 2000) formam a parte alóctone superior. Possui granulitos félsicos de alta pressão e tem como protólitos pelito, wacke e psamito subordinado e rochas ígneas máficas. A Nappe da Liberdade (Trouw et al., 2000), contém rochas de fácies anfibolito superior (Trouw, 1992; Campos Neto e Caby, 1999). As rochas metabásicas tem afinidade toleítica a cálcio-alcalinas (Campos Neto et al., 2007) e pode preservar núcleos de boudin com eclogito. Possui diatexitos ortoderivados e metatexitos pelíticos, que é o Migmatito Alagoa (Campos Neto and Caby, 1999; Santos et al., 2004). Contém ainda corpos lenticulares de metawackes, gnaisses cálcio-silicáticas, rochas máficas e ultramáficas. A Nappe Andrelândia (Campos Neto et al., 2007) possui unidades de ortognaisses cálcio alcalinos e metapelito, aparece veios e plútons em forma de lente de turmalina sin-a- tardia, biotita, leucogranito e muscovita são comuns. Composta de uma sucessão de rochas metassedimentares e meta-ígneas, assim como anfibolitos Neoproterozóicos que pertencem a MSA. Contém rochas de fácies anfibolito inferior a médio e é caracterizada por 3 formações: uma unidade metapelítica basal, o Xisto Rio Capivari; o Xisto de Santo Antonio, com flysch Ediacarano, metawacke e é homogêneo; uma unidade xisto- quartzítica superior, o Xisto da Serra da Boa Vista (Campos Neto et al., 2007). O sistema Nappe Carrancas e Nappe Lima Duarte (Trouw et al., 2000 e Campos Neto et al., 2004) formam o pacote da Nappe basal externa que sobrepõe a borda cratônica. A Nappe Carrancas (Neto, Mário da Costa Campos et al., 2010) é a mais distante a leste e a parte mais profunda do empilhamento, contém rochas deformadas da antiga margem continental passiva, localizada na margem da Placa do São Francisco, composto por quartzitos e metapelitos grafitosos, de fácies xisto verde a anfibolito inferior (Ribeiro e Heilbron, 1982). O pacote de rochas psamo-pelíticas da Nappe Lima Duarte ocorre nas fácies de anfibolito superior e é interpretado como uma seção interna da sequência de Carrancas (Trouw et al., 2000). 2.1.3. Província Mantiqueira A Província Mantiqueira é uma entidade geotectônica instalada a leste dos crátons São Francisco e Rio de La Plata/Paraná, ao final do Neoproterozóico e início do Paleozoico. Encontra-se paralela à costa atlântica do sudeste e sul do Brasil (Almeida et al., 1977, 1981). Forma uma faixa de direção NE-SW, ao longo de 3.000 km de comprimento, estendendo-se desde o sul da Bahia até o Uruguai. Faz limite com as províncias Tocantins, São Francisco e Paraná. Possui uma compartimentação tectônica (figura 5), sendo formada por orógenos com terrenos acrescionários de arco magmático, sendo distribuída em três segmentos como o Seguimento Setentrional (Orógeno Araçuaí), Central (Orógeno Ribeira e a Zona de Interferência entre os orógenos Brasília e Ribeira e os terrenos Apiaí, São Roque e Embu) e Meridional (Orógeno Don Feliciano e São Gabriel) (Heilbron et al., 2000, 2004a). O Orógeno Araçuaí (Almeida et al., 1977, 1981) engloba um largo segmento crustal paralelo à linha costeira do sudeste brasileiro, sendo amalgamado durante a Orogenia Brasiliano-Pan Africana (Neoproterozoico ao início do Paleozoico). É um complexo relacionado às colisões oblíquas entre os crátons São Francisco e Congo e à consolidação do continente Gondwana Ocidental (Brito Neves et al., 1999; Heilbron et al., 2004 e 2008). Figura 5: Subdivisão do Sistema Orogênico Mantiqueira: o segmento setentrional é o Orógeno Araçuaí; o segmento central inclui a porção sul do Orógeno Brasília e os orógenos Ribeira e Apiaí; e o segmento meridional inclui os orógenos Dom Feliciano e São Gabriel. As cores roxo e laranja indicam os terrenos que alojam os arcos magmáticos Neoproterozoicos. Crátons São Francisco (SF), Luiz Alves (LA) e Rio de La Plata (RP). Fonte: Heilbron et al., 2004a. O Orógeno Dom Feliciano está relacionado aos crátons Rio de la Plata e Kalahari. O Orógeno São Gabriel evidencia uma colisão de um arco juvenil (arco-de- ilhas) com o Cráton Rio de la Plata, antes da edificação do Orógeno Dom Feliciano. (Heilbron, Monica et al., 2004). A Província é bordejada, à leste, pela margem continental e pelas bacias costeiras do Espírito Santo, Campos, Santos e Pelotas. É composta por um arcabouço estrutural complexo, formado no ciclo Brasiliano-Pan Africano, durante o Neoproterozoico/Cambriano, em que houve aglutinação de paleoplacas convergentes que deram origem ao supercontinente Gondwana Ocidental (Brito Neves, 2003; Cordani et al., 2000; Schmitt et al. 2004). Foi adotada a subdivisão tectonoestratigráfica para a descrição de cada orógeno: a) rochas do Embasamento mais antigas que 1.7 Ga; b) sucessões intracrâtonicas Paleoproterozoicas a Mesoproterozoicas; c) sucessões de margem passiva Neoproterozoicas; d) arcos magmáticos associados a margem continental intra oceânica e ativa (790 Ma a 585 Ma); e) granitóides sin-colisionais relacionados a episódios colisionais e; f) sucessões sedimentares orogênicas tardias e magmatismo bimodal (Heilbron et al., 2004). A Orogênese Brasiliana é um período orogenético de idade Neoproterozoica- Cambriana, diacrônico de umaà outra região, englobando o conjunto de colagens responsáveis pela estruturação do embasamento da Plataforma Sul-Americana (Brito- Neves et al., 1999). Na Província Mantiqueira, a Orogênese Brasiliana inclui processos acrescionários, como a edificação do arco-de-ilhas São Gabriel no Rio Grande do Sul, colisões continente-continente como estruturação principal do Orógeno Ribeira e sua Zona de Interferência com o Orógeno Brasília, e no seu término tem um colapso extensional de partes dos orógenos, como o Orógeno Araçuaí. Estes processos ocorreram num período que teve início em 880 M.a durando até 480 M.a (Heilbron et al., 2004). Com a evolução da orogenia teve desaparecimento dos oceanos Goianides e Adamastor, que estavam a oeste e a leste do paleocontinente São Francisco. No processo de subducção foi formado suítes de arcos magmáticos, que foram sucedidos por colisões arco-continente e continente-continente. Os episódios colisionais mais antigos são registrados nos Terrenos Apiaí-Guaupé (790 M.a) e Orógeno São Gabriel (700 M.a). Seguidos por colisões no Orógeno Brasília meridional e no Orógeno Dom Feliciano (600 M.a). Em seguida, ocorreu colisão nos Orógenos Ribeira e Araçuaí durante 580 e 520 M.a. Do Cambriano ao Ordoviciano (510-480 M.a), ocorreu o colapso tectônico dos orógenos da Província Mantiqueira (Heilbron et al., 2004). Compreende um embasamento Arqueano e/ou Paleoproterozóico mais velho que 1,7 G.a. Possui sequências metassedimentares e metavulcanossedimentares Neoproterozoicas que incluem sequências de margem passiva, sequências relacionadas ao fechamento de oceanos e ao estágio da colisão continental. Possui granitóides Neoproterozoicos pré-colisionais (formados em arco magmático intra oceânico ou de margem continental ativa, sendo contemporâneos aos processos de subducção) e sin- colisionais, assim como coberturas do Neoproterozoico-Cambriano que estão associadas a bacias tardi-orogênicas e magmatismo pós-colisional (Heilbron et al., 2004). 2.1.4. Faixa Ribeira e seus terrenos tectônicos A estrutura geológica do Brasil Central encontra-se com uma grande parte, herdada da orogênese Brasiliana, que gerou uma rede de faixas de dobramentos separadas por crátons. Às faixas correspondem às bacias sedimentares Mesoproterozoicas e Neoproterozoicas que sofreram processos tectônicos de inversão (Uhlein, Alexandre et al., 2012). A Faixa Ribeira (figura 3) (Cordani et al., 1973; Almeida et al. 1973) estende- se por 1400 km ao longo da costa atlântica do Brasil (Almeida, 1967; Almeida et al., 1973; Cordani et al., 1967, 1973). Sua formação ocorreu em resposta à convergência entre a placa do São Francisco e outra placa ou microplaca a leste (Campos Neto e Figueiredo, 1995; Heilbron et al., 1998; Heilbron et al., 2000a). Envolve um complexo cinturão de dobramentos e empurrões formados durante o Neoproterozóico/Cambriano, na orogênese Brasiliana, ocorrendo na borda sul/sudeste do Cráton do São Francisco, Sul da Faixa Brasília, Paranapanema, blocos cratônicos Luiz Alves e Angola, os cinturões Kaoko e Damara e a fronteira noroeste do Cráton Kalahari (Barbosa, 1966; Almeida 1969, 1977; Trompette,1994; Brito-Neves et al., 1999; Basei et al., 2008; Heilbron e outros, 2008; Trouw et al., 2008). Contém associações litológicas do tipo granito-greenstone, características de Terrenos de Baixo Grau; associações de ortognaisse-migmatito-granulito, características de Terrenos de Alto Grau, cuja evolução remonta ao Arqueano; e granitóides intrusivos transamazônicos que são resultado de uma complexa história tectônica Pré-1,8 Ga, que é melhor reconhecida no interior da faixa (Heilbron, Monica et al., 1995). A compartimentação tectônica da Faixa Ribeira inclui quatro terrenos tectono- estratigráficos (no sentido de Howell 1995) imbricados durante as várias etapas de convergência brasilianas. De oeste para leste os terrenos são (Heilbron et al., 1998): Terreno Ocidental, Kipple Paraíba do Sul/Embu, Oriental (esses três primeiros terrenos foram amalgamados entre 600 e 570 M.a) e o Cabo Frio foi o último terreno a ser acrescionado no final da colagem do orógeno, no Cambriano (535-510 M.a) (Heilbron et al. 2000, 2004a; Schmitt et al. 2004; Trouw et al. 2000). O Terreno Ocidental (figuras 3 e 4) é composto pelo Domínio Autóctone e por duas lâminas de cavalgamento de escala crustal, que são o Domínio de Juiz de Fora e sequência metassedimentar conhecida como Megassequência Andrelândia (MSA) (Tupinambá et al., 2007; Heilbron et al., 1998). A região do trabalho faz parte do Terreno Ocidental. O Terreno Oriental (figuras 3 e 4) é o locus do arco magmático Ribeira (Tupinambá et al., 2000). Corresponde à placa superior e um complexo de arcos, que representa a margem CSF retrabalhada, que colidiu com à Placa São Francisco em 580 M.a (Heilbron et al., 2000a). Esse Terreno compreende rochas geradas em ambientes de arco magmático e metassedimentos do Neoproterozóico, e paragnaisses intrudidos por rochas do arco magmático Rio Negro de 780-620 M.a (Tupinambá et al., 2000). Sendo subdividido na região noroeste fluminense em três domínios estruturais distintos (figura 4), (Heilbron e Machado, 2003) empurrados na direção da margem retrabalhada do São Francisco, de oeste para leste: 1) Domínio Cambuci (figura 4) é uma a associação metavulcanossedimentar sendo intrudida por diversas gerações de rochas granitóides, com lentes de mármore e ortognaisses cálcio-alcalinos. Esse compartimento aflora apenas na região central do Estado do Rio de Janeiro para norte, se estende para o Estado do Espírito Santo. Não foi encontrado registro de rochas do embasamento pré-1,7 Ga. A parte superior é formada por gnaisse com bandamento máfico e félsico, com lâminas a camadas métricas. As bandas félsicas têm composição tonalítica a granodiorítica, com porfiroblasto de K- feldspato e as bandas máficas, apresentam espessura milimétrica a decimétrica, são formadas por até 20% de biotita com inclusões de magnetita. A outra parte da unidade possui gnaisse migmatítico, com granada e biotita e localmente sillimanita. O leucossoma do gnaisse tem composição granítica a granodiorítica, contendo quartzo rutilado e o melanossoma possui biotita e granada. Ortopiroxênio (hiperstênio) encontra-se presente no leucossoma e no melanossoma. Há uma variedade leucocrática do gnaisse próximo ao contato de corpos de mármore e de rochas calcissilicáticas (Tupinambá, et al., 2007). 2) Domínio Costeiro (figura 3 e 4) cavalga sobre o Domínio Juiz de Fora/Terreno Ocidental e está sobreposto ao Domínio Cambuci. Possui duas associações metassedimentares intrudidas por volta de 790 e 635-620 M.a, do Complexo do Arco do Rio Negro (Tupinambá et al., 2000; Heilbron e Machado, 2003). Essas duas unidades são compostas de lentes métricas quartzíticas. A unidade superior metassedimentar é formada por (granada)-(hornblenda)-biotita gnaisses migmatíticos com estrutura bandada e/ou porfirítica, com lentes de quartzito e de calcissilicáticas, contendo gonditos e anfibolitos. Já a outra unidade é basal, possui gnaisses kinzigíticos com lentes métricas de cálcio- silicato e quartzito, biotita gnaisses granatíferos, com sillimanita e de forma local cordierita. Não foi encontrado registro de rochas do embasamento pré-1,7 Ga. Há ainda leucogranitos/leucocharnockitos e granitóides a charnockitóides porfiróides (Tupinambá, et al., 2007). Em ambos os domínios (Cambuci e Costeiro), o metamorfismo é de fácies granulito a anfibolito alto (Valladares, et al., 2008). Possui várias gerações de granitóides jovens com idades de cristalização entre 510 e 490 M.a (Machado et al., 1996a; Heilbron e Machado, 2003); 3) Domínio/Klippe Italva (figura 4) representa a fatia de impulso superior do Terreno Oriental, aflora sobre o Domínio Costeiro, possui mármores calcíticos, gnaisses psamíticose anfibolitos de 840 M.a e paragnaisses. Na base da klippe ocorre dioritos, gabros e tonalitos do Complexo Rio Negro, e o restante do pacote é ocupado por rochas do Grupo Italva (Tupinambá, et al., 2007). É considerado como a margem passiva proximal do Terreno Oriental, ou uma bacia de arco posterior (Heilbron, M., & Machado, N., 2003). O contato entre os Terrenos Ocidental e Oriental é dado por uma zona de cisalhamento na direção NW, onde essa estrutura foi desenvolvida nos estágios finais da colagem Brasiliana, sendo a fronteira entre os dois terrenos nomeada de Limite Tectônico Central (LTC), é considerada uma grande zona de falha como uma sutura entre a placa do São Francisco e os terrenos acrescidos (Almeida et al., 1998, 2000). Podendo ser rastreado de forma contínua por mais de 300 km, desde o litoral do Estado de São Paulo até o norte do Rio de Janeiro (Heilbron, M., & Machado, N., 2003). Ao contrário do Terreno Ocidental e Cabo Frio, todas às rochas que ocorrem nesse terreno são Neoproterozoicas ou mais novas. A Klippe ou Terreno Paraíba do Sul/Embu (figuras 3 e 4) é a parte mais alta do segmento central do cinturão. Aflora como uma Klippe sinformal dobrada sobre o Terreno Ocidental. Algumas unidades litológicas da cobertura são semelhantes às do Terreno Oriental, porém é difícil restaurar a paleogeografia deste terreno (Heilbron, Monica et al., 2000). Encontra-se sobreposto ao Domínio Juiz de Fora, sendo constituído por ortognaisses do Paleoproterozoico (gnaisses de hornblenda-biotita de composição tonalítica a granodiorítica) do Complexo Quirino e rochas metassedimentares como mármore dolomítico que é denominado Complexo Paraíba do Sul, contém ainda lascas tectônicas de facies granulito (Tupinambá et al., 2000), biotita-granada gnaisse bandado com camadas de mármore, biotita-sillimanita xisto, rochas cálcio-silicáticas e raros quartzitos feldspáticos e biotita- xisto muscovita contendo granada e sillimanita) (Tupinambá, et al., 2007). O limite basal dos terrenos Cabo Frio e Paraíba do Sul/Embu é caraterizado por uma zona de cisalhamento de baixo ângulo, com mergulhos para SE e NW (Tupinambá, et al., 2007). O Terreno Cabo Frio (figura 3 e 4) (Fonseca et al., 1984; Fonseca, 1998) está localizado no extremo sudeste do Estado do Rio de Janeiro (região dos Lagos,). Foi acrescido sobre o Terreno Oriental, tendo o fechamento do espaço do back-arc, resultando na colisão com a paleoplaca do Terreno Cabo Frio. O embasamento desse Terreno (unidade Região dos Lagos) compreende ortognaisses de 2,03 a 1,96 G.a, com composição granítica a granodiorítica recortada por ortoanfibolitos tabulares com assinatura geoquímica N-MORB (Heilbron, M., & Machado, N., 2003). Próximo ao embasamento, há uma unidade composta por granada-ortoanfibolito. Há ainda sequências supracrustais, com cianita-sillimanita gnaisses, granada-diopsídio anfibolitos e ortoanfibolitos, rochas cálcio-silicáticas e silimanita gnaisses com alternância de metapelitos e metapsamitos, interpretados como metaturbiditos (Heilbron, M., & Machado, N., 2003). 2.1.5. Terreno Ocidental O Terreno Ocidental (figuras 3 e 4) engloba a margem retrabalhada do Cráton São Francisco, que é composto pelo Domínio Autóctone e por duas lâminas de cavalgamento de escala crustal, apresentando vergência para noroeste sendo representado pelo Domínio Tectônico Juiz de Fora, que integra rochas paleoproterozóicas do Complexo Juiz de Fora e a sequência metassedimentar Neoproterozoica, conhecida como Megassequência Andrelândia (Tupinambá et al., 2007; Heilbron et al., 1998) e estão separados por grandes zonas de cisalhamentos. O Domínio Autóctone (figura 4) é uma extensão sul do Cráton do São Francisco contendo gnaisses do Arqueano ao Paleoproterozoico, que está sobre uma série de sequências supracrustais Proterozoicas como São João del Rey, Carandaí e Andrelândia nas fácies de xisto verde indo para anfibolito inferior (Ribeiro et al., 1995; Paciullo et al., 2000). Ambos os domínios Andrelândia e Juiz de Fora, são formados por gnaisses do embasamento Paleoproterozoico sobrepostos por sequências metassedimentares majoritariamente clásticas que são derivadas da erosão da crosta Paleoproterozoica idêntica da idade em relação aos gnaisses do embasamento (Machado et al., 1996; Machado e Gauthier, 1996; Valladares e outros, 1997). Possui três grandes unidades litotectônicas: Embasamento Paleoproterozóico retrabalhado e rochas magmáticas Mesoproterozoicas bimodais (Heilbron et al., 1998, 2010, Noce et al., 2007; Degler et al., 2018); Sequência metassedimentar Neoproterozoica descrita como Grupo Andrelândia (Paciullo et al., 2000) e; Rochas granitóides Neoproterozoicas sin a colisões tardias. 2.2. Unidades litoestratigráficas As unidades litoestratigráficas começam pelo embasamento mais velho que é composto pelo Complexo Piedade, passando pelo Complexo Mantiqueira e o mais novo é a Sequência/Grupo Andrelândia, essas são as unidades de mapeamento do presente trabalho. 2.2.1. Complexo Piedade O Complexo Piedade foi originado como um bloco paleocontinental do Arqueano. Ocorre a oeste da Zona de Cisalhamento Abre Campo até seu limite oeste com o Grupo Dom Silvério. Com rochas Neoarqueanas (~2,7 G.a) que representam o retrabalhamento da crosta continental pré-existente (Bruno et al., 2020). As rochas são semelhantes às do Complexo Mantiqueira, predominando gnaisses bandados com porções quartzo-feldspáticas alternando com porções máficas, ricas em biotita e/ou hornblenda; biotita gnaisse bandada com enclave de rocha básica; corpos de anfibolito com leucossoma de biotita, que são concordantes com a foliação/bandamento dos gnaisses, por vezes boudinados. Há ainda gnaisses TTG do Arqueano ao Paleoproterozoico (Teixeira e Figueiredo, 1996), granitóides pré a sin colisionais relacionados ao Cinturão Mineiro (Silva et al., 2002) e uma sequência supracrustal de provável de origem vulcânica (Hiraga et al., 2017). Há ortopiroxênios, com texturas protomiloníticas a miloníticas, aflorando em uma faixa NE-SW na parte sul do bloco Piedade, próximo à zona de cisalhamento Ponte Nova. Rochas basálticas alcalinas; TTG (2,16 Ga); sanukitóides, seguidas por granitóides tardios (2,10-2,02 G.a) de alto K que marcam o estágio colisional. Este estágio colisional reflete a acreção do Complexo Mantiqueira contra o Bloco Piedade em 2,08- 2,04 G.a, ao longo da zona de cisalhamento Ponte Nova (Bruno et al., 2020). 2.2.2. Complexo Mantiqueira O Complexo Mantiqueira (figura 4) hospeda rochas plutônicas geradas em um orógeno que evoluiu ao longo da margem arqueana ativa do Paleocontinente São Francisco de idade de 2180 a 2041 M.a. É do Paleoproterozoico e está relacionado ao magmatismo sin colisional, de arco cordilheirano, com contribuição juvenil no Riaciano (Noce, Carlos M. et al., 2007). No seu embasamento possui gnaisses de alto grau, faixas greenstone, corpos granitóides e gabróicos, de idade pré 1.8 G.a (Teixeira & Figueiredo 1991, Brito Neves 1992). Há também rochas como ortognaisse bandado com textura migmatítica, com leucossomas de hornblenda e melanossomas contendo hornblenda, biotita e plagioclásio; gnaisse de hornblenda-biotita bandado com lentes e boudins de anfibolito; gnaisses bandados cálcio-alcalinos (2,2 G.a) e granitóides colisionais mais jovens (2,15 G.a), contém lentes de rochas arqueanas dentro dos ortognaisses Paleoproterozoicos (Heilbron, Mônica et al., 2010). Possui granodioritos foliados e são intercalados com os ortognaisses portadores de hornblenda, ortognaisse diorítico de grão médio a fino. Os gnaisses possuem composição granodiorítica, tonalítica ou trondhjemítica e na maioria são rochas ortoderivadas, formando migmatitios de injeção, que são modificados por anatexia e/ou granulitizados, já as camadas básicas e enclaves pertencema séries basálticas transicionais, com intercalações de corpos anfibolíticos e ultramáficos (Duarte et al., 2004). São intrudidos por plútons graníticos e diques félsicos e máficos mais jovens (Teixeira, 1996; Teixeira et al., 1998, 2000). O bandamento gnáissico é explicado pela migmatização e/ou através da intensa deformação de protólitos magmáticos, em que o tectonismo apagou os contatos discordantes originais entre corpos individuais e os estendeu em camadas concordantes, é paralelo às estruturas Brasilianas (Noce, Carlos M. et al., 2007). As faixas greenstone são denominadas de Greenstone Belt Barbacena (Pires, 1978), com orientação NE-SW e são formadas por sucessões supracrustais variando seu grau de deformação e metamorfismo na fácies xisto-verde ou epidoto-anfibolito. os estudos dessas faixas ainda são poucos e não existem datações radiométricas de suas rochas (Ribeiro, A. et al.,1990). Engloba as rochas ultramáficas, máficas e félsicas, de origem vulcânica e subvulcânica e com metassedimentos em que os migmatitos se intercalam. As rochas ultramáficas são corpos de composição toleítica ou komatiítica, transformados em xistos verdes (Pires 1977, Noce 1987, Hoppe et al., 1984). Às rochas félsicas são os metasubvulcanitos riolíticos até riodacíticos, tendo uma parcial preservação de texturas e estruturas primárias, até agora são conhecidos apenas em São João dei Rei. Às sucessões metassedimentares são compostas de metapelitos cinzentos, maciços ou laminados, com intercalações de diferentes tipos de metachert (gondito), metassiltitos, metawackes e escassos metadiamictitos. Ocorre ainda corpos quartzíticos transicionais a filitos, ambos cloríticos (Ribeiro, A. et al.,1990). As zonas de cisalhamento Ponte Nova e Abre Campo separam o Complexo Mantiqueira do Bloco Piedade e do Complexo Juiz de Fora (Haralyi e Hasui, 1982; Alkmim et al., 2006; Noce et al., 2007; Degler et al., 2018). 2.2.3. Complexo Juiz de Fora O Complexo de Juiz de Fora (figura 4) evoluiu dentro de uma configuração de arco magmático oceânico, ou em uma crosta continental muito esticada, entre 2195 e 2084 M.a. Data do Paleoproterozoico e é uma das unidades retrabalhadas das faixas Ribeira e Araçuaí (Heilbron et al., 2004a; Noce et al., 2007). O embasamento pré-1,7 Ga no Domínio Juiz de Fora é composto pelo conjunto heterogêneo de ortogranulitos de composições enderbíticas e granulitos básicos denominado Complexo Juiz de Fora (Heilbron et al., 1998, 2010; Noce et al., 2000) que são intercalados com os metassedimentos do Neoproterozoico da MSA (Paciullo et al., 2000). Em conjunto, essas unidades compõem o Terreno Ocidental (Heilbron et al., 2004a), o terreno tectônico externo da Faixa Ribeira. Ocorre metamorfismo de fácies granulito durante a orogenia Brasiliana por volta de 620 a 570 M.a (Noce et al., 2007; Heilbron et al., 2010; Duarte e Heilbron, 1999; Duarte, et al., 2000). Este Complexo engloba granulitos gnaissificados de origem ígnea, com composições que variam desde gabros, dioritos, tonalitos e granodioritos. Os granulitos possuem texturas variadas, sendo comum as variedades granoblásticas a foliadas e subordinadamente, miloníticas. A mineralogia é constituída de orto e clinopiroxênio, plagioclásio, K-feldspato, quartzo, hornblenda e biotita em proporções variadas e como acessórios tem allanita, minerais opacos e sulfetos. Os granulitos mais félsicos apresentam ortopiroxênio e os tipos básicos possuem orto e clinopiroxênio (Duarte, et al., 2000). O Complexo de Juiz de Fora é dividido em Granulitos Pré-1,8 G.a e Pós-1,8 G.a. Granulitos Pré-1,8 G.a: ortognaisses de fácies granulíticas com litotipos de composições variadas, do básico ao ácido. Ocorre granulitos noríticos e ricos em quartzo (quartzo >80% do volume) porém as composições de enderbitos, charnoenderbitos e charnockíticas são as mais difundidas (Duarte, et al., 2000). Granulitos Pós-1,8 Ga: a unidade metassedimentar contém gnaisses quartzo- feldspáticos, pelíticos e semipelíticos com quartzitos menores, quartzitos feldspáticos, rochas cálcio-silicáticas e rochas associadas aos corpos máficos. Os litotipos subordinados ocorrem como lentes e/ou corpos em forma de boudin dentro dos paragnaisses. Essas rochas ocorrem ao longo de lâminas de cavalgamento intercaladas com os ortogranulitos do Complexo de Juiz de Fora (Duarte, et al., 2000). As rochas desse Complexo são esverdeadas ou marrons, com bandamento e estruturas migmatíticas e quando presentes exibem leuco-, meso- e melanossomas verdes (Duarte, et al., 2000). Os protólitos do Complexo abrangem granitóides cálcio-alcalinos que são representantes de arco magmático cordilheirano e de arco de ilhas, e granitos colisionais (2,14 e 2,07) G. a (Heilbron et al., 2003b). Os metabasitos são agrupados em duas suítes. A primeira é de tendência alcalina, sendo típica de ambiente intraplaca de idade de 1,7 G.a (Nogueira & Choudhuri, 2000) e a segunda é mais heterogênea, formada por rochas toleíticas de assinaturas de ambientes convergentes (2,4 G.a) (Tupinambá et al., 2007). Há corpos descontínuos de granitóides sin-colisionais tipo S ou híbridos que estão localizados ao longo dos contatos entre os dois conjuntos já descritos. São compostos de granada leucogranitos a leucocharnockitos a charnoenderbitos, homófonos a fracamente foliados, grão médio a grosso, de coloração de esverdeada a acinzentada (Duarte et al. 2000, 2003; Tupinambá et al. 2003). A mineralogia é constituída de plagioclásio (antipertítico), K-feldspato, quartzo, biotita avermelhada, hornblenda, granada e ortopiroxênio. De acessórios ocorre zircão, mineral opaco e apatita. Contém enclaves de rochas metassedimentares (rochas calcissilicáticas, paragnaisses pelíticos), anfibolitos e de ortogranulitos (enderbitos bandados, charnoenderbitos e charnockitos), interpretados como pertencentes à MSA e ao Complexo Juiz de Fora (Tupinambá, Miguel et al., 2007). Corpos pequenos de granada leucogranito e leucocharnockito (lentes centimétricas a stocks) estão encaixados em rochas pelíticas da MSA, associados a porções melanocráticas compostas de granada e biotita. Essas feições sugerem que o magmatismo se relaciona à fusão parcial, do conjunto metassedimentar, com contribuições de ortognaisses (Barbosa & Grossi Sad 1983a,b,c). A cobertura Neoproterozoica dos Complexos Juiz de Fora e Mantiqueira é representada pelas rochas metassedimentares do Grupo/Megassequência Andrelândia (Trouw et al., 2000, Ribeiro et al., 2003; Heilbron et al., 2004; Noce et al., 2003, 2006). 2.2.4. Sequência/Grupo Andrelândia A Megassequência Andrelândia (MSA) é uma sucessão metassedimentar Neoproterozoica (figura 6) de até 1,5 km de espessura, que está intercalada com rochas metamáficas metaultramáficas, com idade estimada entre 1.0 e 0,6 G.a (Paciullo, 1997; Paciullo et al. 2000). A sequência inferior é composta por paragnaisses, metapelitos, quartzitos micáceos, metawacke, metacherts, cálcio-silicáticas e rochas metamáficas e metaultramáficas distribuídas em cinco associações de litofácies. A sequência superior recobre as unidades da sequência inferior, de forma não conforme, compreende um pacote de biotita xisto interpretado como arenitos e siltitos plagioclásios metamorfizados (Paciullo, et al., 2000). É limitada a leste pelo Sistema de Nappes de Juiz de Fora e a oeste pelo Sistema de Nappes Socorro - Guaxupé e pelos sedimentos da bacia do Paraná. A MSA ocorre em todos os domínios que integram o Terreno Ocidental do Orógeno Ribeira, a sul e sudeste do Cráton do São Francisco (domínios Autóctone, Andrelândia e Juiz de Fora), assim como nos Terrenos Alóctones (Nappes) que ocorrem na porção sul do Orógeno Brasília, a sudoeste do Cráton do São Francisco. Na base de algumas Nappes do Orógeno Brasília, próximo às falhas de empurrão basais, ocorrem corpos derochas metaultramáficas e retro- eclogitos (Heilbron et al., 2004). Ocorre diversas sucessões metassedimentares associadas a rochas meta-ígneas máficas. Os litotipos comuns são biotita gnaisse bandado associado a unidade quartzito e anfibolito; sillimanita granada biotita gnaisse. As rocha são siliciclásticas e sem muita rocha carbonática. Possui xistosidade paralela ao acamamento sedimentar. É caraterizado por um elevado grau metamórfico (Paciullo, et al., 2000). A MSA é composta por seis sequências (figura 6) que gradam lateralmente para sucessões distais semelhantes e há uma discordância interna que separa (Paciullo et al., 2000) a MSA em Sequência Carrancas (unidade inferior) é composta pelas associações A1 a A4, da Sequência Serra do Turvo (unidade superior) é composta pelas associações A5 a A6. Onde A5 grada de forma lateral para a associação A6, que representa uma sucessão distal (Peternel, et al., 2007). A associação A1 + A2 é interpretada como Unidade São Vicente. A Unidade São Tomé das Letras é composta pela associação A3. A associação A4 é a Unidade Campestre. A Unidade Santo Antônio é a associação A5 e a Unidade Arantina é formada pela associação A6 (Trouw et al., 2006). A Sequência Carrancas possui a associação de litofácies A1, que é a unidade basal em quase todos os setores da bacia Andrelândia. Possui paragnaisse, biotita gnaisse fino, bandado, maciço ou estratificado, aparece como camadas tabulares de espessura média a fina. Pode conter fragmentos de quartzo, feldspato e quartzo-feldspático, que são interpretados como arenitos feldspáticos (Paciullo, et al., 2000). Essa associação possivelmente representa a fase rifte da evolução da bacia. O paragnaisse forma o assoalho de quase toda a bacia, evidenciando paleoambientes continentais (Paciullo, et al., 2000). A associação de litofácies A2 contém paragnaisses (A1), intercaladas com quartzitos, filitos e xistos finos a muito espessos. Ocorre camadas tabulares finas de quartzito, Mn-granada e corpos de mármore de um metro de espessura. A sucessão xisto quartzito-paragnaisse é interpretada como parassequência e o padrão de empilhamento é de parassequência retrogradacional (Paciullo, et al., 2000). Essa associação marca a fase proto-oceânica. Tendo incursão marinha na bacia que levou a geração de uma planície costeira (xisto-paragnaisse) e uma plataforma (xisto-quartzito) em um evento transgressivo global (Paciullo, et al., 2000). A associação de litofácies A3, com até 60 metros de espessura, compõe um sucessão de quartzitos contendo muscovita verde, leitos tabulares finos a espessos de quartzitos micáceos, com intercalação de quartzo-muscovita xisto. Os quartzitos compõem camadas delgadas a espessas, de geometria tabular ou lenticular que ocorre de forma estendida, separada por películas de mica. Os muscovita xistos ocorrem como laminas ou camadas delgadas isoladas ou agrupadas em sucessões que são mais frequentes na base e no topo da unidade. As escassas lentes de metaconglomerados quartzosos basais ocorrem em Carrancas e as mais finas fácies e mais delgadas predominam a sudoeste, em Luminárias indicando o aprofundamento da bacia (Paciullo, et al., 2000). A associação de litofácies A4 possui uma sucessão pelítica de até 100 metros de espessura de filitos cinzentos e xistos ricos em grafite com intercalações menores de quartzito. Ao norte, os pelitos (A4) recobrem os quartzitos (A3), os paragnaisses (A1), o embasamento e unidades da bacia do Carandaí. A sul são intercalados com quartzitos distais (A3) (Paciullo, et al., 2000). A Sequência Serra do Turvo que recobre as unidades da Sequência Carrancas, assim como da Megassequência Carandaí e do embasamento, possui a associação de litofácies A5, sendo uma sucessão de 200 metros de espessura de biotitas xistos/gnaisses, finos a médios, homogêneos, formando sucessões de até centenas de metros de espessura, sem estratificação visível. Há estratos de espessura até métrica, compostos pela alternância de camadas tabulares delgadas de biotita xistos laminados e maciços. De forma local, a fácies basal contém grânulos e seixos pingados, dropstones em blocos e corpos diamictíticos, incluindo veios de quartzo, granitóides e fragmentos cálcio- silicatos. A fácies superior contempla escassas camadas carbonáticas, xistos e gnaisses ricos em biotita e plagioclásio (Heilbron, Monica et al., 2019). A sul, a nível da bacia, os xistos biotíticos graduam-se em paragnaisses da associação A6. Ao norte, abrangem as unidades mais antigas de Andrelândia, Carandaí e subsolo (Paciullo, et al., 2000). A associação de litofácies A6, possui aproximadamente 500 metros de espessura, é dominada por sucessões de paragnaisses maciços ou de camadas finas com metachert tabular fino, intercalações de rochas cálcio-silicáticas (gonditos), xistos, gnaisses pelíticos e quartzito. Ocorrem sobre os biotitas xistos (A5) com contato gradacional. Possui depósitos pelágicos, hemipelágicos e turbidíticos dos setores distal e profundo da bacia desenvolvidos após o estágio proto-oceânico ser alcançado. A existência de anfibolitos toleíticos E-MORB, metachert e intercalações de cálcio-silicatos são indicativos de um paleoambiente de fundo oceânico (Paciullo, et al., 2000). Figura 6: Coluna estratigráfica da Megassequência Andrelândia. Fonte: Paciullo, 1997. Rochas metabásicas estão intercaladas as unidades A1, A2 e A6, sendo corpos lenticulares ou tabulares paralelos a estratificação, variam de anfibolitos de granulação fina e foliada para granulitos máficos de granulação grossa (Heilbron, Monica et al., 2019). Nas intercalações há também quartzito, quartzito Mn-granada, cálcio-silicáticas e rochas metaultramáficas (Gonçalves e Figueiredo, 1992; Paciullo, 1997; Paciullo et al., 2000). 2.2.5. Granitóides Brasilianos - corpos sin, tardi e pós-colisionais Foram identificados cinco eventos tectônicos relacionados a evolução da Faixa Ribeira. São descritos três desses eventos, que estão marcados na zona de interferência com a Faixa Brasília (Heilbron et al., 2000, 2004 e Heilbron e Machado, 2003). Sin-colisional (595-565 M.a) teve uma intensa granitogênese em toda a extensão da Faixa Ribeira, incluindo a zona de superposição entre as duas faixas móveis. Os corpos formados são em grande parte granodioritos a leucogranitos (ocorre como grandes soleiras intrudindo os ortognaisses do Rio Negro) de trend cálcio-alcalino do tipo S (peraluminosos) e tipo I (metaluminosos), provenientes do retrabalhamento crustal. São corpos alongados na direção SW-NE e apresentam foliação e bandas miloníticas paralela à estruturação principal da Faixa Ribeira (Heilbron et al, 2000). Tardi-colisional (565-540 M.a) os granitóides possuem foliação incipiente e descontinua. Sendo gerados pelo retrabalhamento crustal ocorrendo granitos do tipo I (metaluminoso), com enclaves de rocha básica, e de forma secundária leucogranitos tipo S (peraluminosos) de composição granodiorítica a granítica. O principal corpo desse estágio é o Batólito da Serra dos Órgãos (Heilbron et al., 2000; Heilbron & Machado, 2003). Pós-colisional (540-520 M.a) há batólitos e stocks de leucogranitos com que são metaluminosos a peraluminosos, cálcio-alcalino. Ocorrendo como diques e plútons subverticais que estão relacionados a zonas de cisalhamento, com fraca foliação nas bordas (Tupinambá, 1999 e Almeida, 2000). Esses corpos podem estar associados a retrabalhamento crustal de rochas do embasamento e de sucessões metassedimentares (Heilbron et al., 2000 e Heilbron & Machado, 2003). 2.3. Geologia estrutural e metamorfismo As estruturas geradas durante a fase de deformação principal foram originadas durante o primeiro estágio colisional da Faixa Ribeira, entre 590 e 560 Ma (Heilbron & Machado, 2003; Heilbron et al., 2004). No entanto, a deformaçãodo estágio pré- colisional, estabelecida durante a subducção oceânica, foi herdada pela fase colisional gerando, assim, duas fases de deformação progressiva (D1+D2). Nas zonas de maior deformação do estágio sin-colisional, as estruturas geradas por D1 são transpostas pela fase D2 com diferentes graus de transposição em cada terreno do segmento central da Faixa Ribeira. Assim, o Terreno Ocidental apresentam maior intensidade de deformação D2 que os demais (Eirado et al., 2003). Terreno Ocidental: A foliação principal (S2+S1) ocorre paralela ao bandamento composicional dos metassedimentos , apresenta mergulhos de alto ângulo para NW (máximo 335/72) e localmente para SE. A foliação é comumente milonítica. A lineação de estiramento possui caimento suave para NE e SW, paralelas aos eixos de dobras apertadas a fechadas (Eirado et al., 2006). Terreno Oriental: A xistosidade representa a foliação principal S1 paralela ao bandamento migmatítico dos ortognaisses do Complexo Rio Negro, com mergulhos de médio a alto ângulo para NW com mergulho máximo de 333/66, localmente, para SE e WSW. No contato com o Terreno Ocidental, a foliação é milonítica e S2 transpõe S1. A lineação mineral e de estiramento possuem mergulhos suaves a moderados para SW e para NE. É comum a presença de dobras fechadas com eixos com caimento para SW, paralelo a lineação (Eirado et al., 2006). O contato entre o Terreno Ocidental e o Terreno Oriental representam uma importante zona de cisalhamento denominada de Limite Tectônico Central (LTC), que corresponde à sutura da Faixa Ribeira (Almeida et al., 1998). Terreno Paraíba do Sul: A foliação principal S1 corresponde a uma xistosidade paralela ao bandamento composicional e migmatítico dos paragnaisses e xistos. Assim como no Terreno Oriental, a foliação S2 transpõe a S1 nas zonas miloníticas. A foliação principal S1 e S2 apresentam mergulhos de médio ângulo para NW com caimento máximo de 320/36. As lineações mineral e de estiramento apresentam caimentos suaves a moderados para SW e NE (máx. 240/06). As dobras D1 e D2 são apertadas a fechadas, com eixos paralelos às lineações (Eirado et al., 2006). Terreno Embu: A foliação principal S1 é uma xistosidade nos gnaisses e xistos e uma clivagem nos quartzitos. A foliação milonítica (S1+S2) ocorre no contato com o Terreno Paraíba do Sul e, também, no interior dos metassedimentos e no Complexo Taquaral. A principal característica deste terreno é a variação do mergulho da foliação, ora para NW, ora para SE, devido à presença de dobras abertas a fechadas. O terreno Embu foi subdividido em dois domínios estruturais. O primeiro domínio engloba as porções centrais dos metassedimentos da Unidade Rio Guaripu e do Granito Campo Alegre. A foliação possui mergulho máximo de 305/78 e submáximo de 127/73 e 290/36, as lineações mineral e de estiramento apresentam caimentos suaves a moderados para SW e NE. O segundo domínio apresenta foliações com mergulhos mais moderados que o primeiro (máx. 316/66; máx. 135/49 e 143/49) e as lineações apresentavam mergulhos máximo de 222/12, com alguns caimentos down dip para SE. Associadas às charneiras de dobras D3, ocorrem foliações com mergulhos mais suaves (Eirado et al., 2006). Com base nas relações temporais entre as fases metamórficas e o magmatismo, foram identificados três eventos deformacionais no segmento central da Faixa Ribeira, através de estruturas dúcteis e dúcteis-rúpteis mapeadas nos terrenos Ocidental, Oriental e na Klippe Paraíba do Sul (Heilbron et al., 1995, Heilbron et al., 2000; Trouw et al., 2000). O primeiro evento deformacional representado pelas fases D1+D2 é interpretado como resultado de uma colisão oblíqua, com o transporte tectônico para NNW indicando uma vergência para o Cráton São Francisco (Trouw et al., 2000). Representa a principal etapa de encurtamento crustal na área estudada e está relacionada a dobras, zonas de cisalhamento, foliação principal, lineações, etc. As estruturas foram geradas a partir do empurrão que acarretou no empilhamento dos diferentes domínios tectônicos. (Heilbron et al., 2000). O segundo evento deformacional (fase D3) ocorreu de forma tardia e gerou dobras subverticais e zonas de cisalhamento transpressivas. As dobras são as principais características dessa fase, sendo elas sinformais e antiformais abertos a fechados, com planos axiais íngremes, normalmente, subparalelos à foliação principal, e eixos com caimentos suaves para NE ou SW (Eirado et al., 2006). Entre as principais dobras que foram originadas nesta fase, destacam-se o Megasinformal do Paraíba do Sul e o Megaantiformal do Rio de Janeiro (Heilbron et al., 1995). Localmente, é possível identificar a foliação S3 que ocorrem com clivagem de plano axial, principalmente, nos litotipos xistosos e quartzíticos. Os mergulhos de S3 são íngremes para SE ou de médio a alto ângulo para NW. As lineações L3 que consistem em lineações de crenulação que também estão presentes nas rochas xistosas, paralelas ao eixo D3, e lineações de intersecção com a foliação principal. São observadas, localmente, foliação milonítica e lineação de estiramento da fase D3 no interior das zonas de cisalhamento subverticais de direção NE e paralelas aos planos axiais das dobras D3 (Eirado et al., 2006). O terceiro evento deformacional (fase D4) é caracterizado por zonas de cisalhamento dúctil-rúptil, subverticais, com vergência preferencialmente para NW e, subordinadamente, para NE, com movimento destral e sinistral com rejeito normal. Nas zonas de cisalhamento é possível observar pseudotaquilitos e texturas cataclásticas, indicando um ambiente rúptil. Veios de leucogranitos, pegmatitos e quartzo também podem ser identificados nas zonas de cisalhamento. Esta fase de deformação está relacionada ao estágio pós-colisional, que consiste no colapso do Orógeno Ribeira (Eirado et al., 2006). Três eventos metamórficos principais estão relacionados à Orogênese Brasiliana no segmento central da Faixa Ribeira. O primeiro apresenta condições de fácies anfibolito a granulito e o segundo atingi condições de fácies xisto verde. O primeiro evento metamórfico M1 foi estabelecido durante a deformação principal D1+D2, as paragêneses resultantes estão mineralizadas na foliação principal S1, S2 ou S1+S2. As condições máximas de pressão e temperatura variam de média a alta, o metamorfismo M1 aumenta para SE e suas condições de temperatura máxima são representadas pela paragênese cordierita + sillimanita + almandina + K-feldspato, presentes nas unidades pelíticas pós 1,8 Ga (Heilbron et al., 1995). Nota-se que as condições de temperatura deste primeiro evento metamórfico foram suficientemente altas para causar anatexia em algumas unidades supracrustais, acarretando na formação de granitóides tipo S. Trouw et al (1986) e Heilbron (1993) definiram as seguintes zonas metamórficas: Biotita, Granada, Cianita, Cianita/Sillimanita, Sillimanita, K-feldspato e cordierita. Com base na distribuição dessas zonas observou-se dois regimes de metamorfismo, um regime progressivo de pressão alta a intermediária (apresentando localmente, fácies granulito em alta pressão) e um regime retrogressivo em baixa pressão. O segundo evento metamórfico M2 está relacionado a fase de deformação tardia (D3). Dados geocronológicos indicam que a etapa M2 se estabeleceu no período pós- colisional, ou seja, posteriormente a M1 (Heilbron 1993). A datação pelo método U/Pb realizada por Machado et al., 1996, Schmitt et al., 2004) indica idades entre 535 e 520 Ma relacionando M2 ao período pós-colisional da Orogênese Brasiliana. A temperatura máxima aumenta para sul/sudeste gerando paragêneses de fácies xisto verde, retrógradas quando comparadas às paragêneses M1. Clorita, biotita, e cloritóide nas charneiras de micro dobras D3 ou nas bordas de estaurolita e granadas compõema paragênese principal. Um evento metamórfico com idade entre 520 a 500 Ma, mais jovem do que o metamorfismo M1 e M2, foi registrado no Terreno Cabo Frio, indicando, portanto, um metamorfismo M3. Notou-se que este último evento metamórfico é caracterizado por taxas de fusão parcial de até 20% e uma paragênese que reflete condições de metamorfismo de pressões de no mínimo 12 Kbar e temperaturas de aproximadamente 850°C (Schmitt et al., 2008b). 2.4. Principais problemas ainda em aberto A principal problemática relaciona a área de estudo está ligada a complexidade de sua estruturação tectônica. Com o passar do tempo, houve muita discussão com relação aos limites que envolvem a Faixa Ribeira e a Faixa Brasília, o que motivou diversos trabalhos de mapeamento e datação ao longo do contato entre esses dois orógenos. A região foi descrita como estando (Trouw et al., 1994) ao sul da borda meridional do Cráton do São Francisco como zona de interferência entre as faixas móveis Brasília e Ribeira, tendo sido possível diferenciar as estruturas e a paragênese mineral associadas a cada faixa móvel. Esta zona é caracterizada pela sobreposição de estruturas e metamorfismo relacionadas à colisão entre os dois orógenos com direções de transporte tectônico contrastantes. Foi identificado (Peternel et al., 2005) dois pulsos deformacionais e metamórficos distintos relacionados à Faixa Ribeira superpostos às estruturas e metamorfismo da Faixa Brasília em Três corações, MG. O primeiro pulso gerou dobras com vergência para NW e metamorfismo em fácies anfibolito de baixa pressão, registrado no segmento central da Faixa Ribeira. O segundo pulso gerou dobras apertadas com eixo N-S e zonas de cisalhamento destrais NE-SW, associado a compressão E-W tardia registrada em todo o segmento central da Faixa Ribeira. Campos Neto e Caby (2000) e Campos Neto et al., (2004, 2007, 2011) consideram a zona de sobreposição afetada exclusivamente pela tectônica da Faixa Brasília e o Domínio Andrelândia ligado exclusivamente à Faixa ribeira, enquanto que Paciullo et al., (2003a,b), Peternel et al., (2005) e Zuquim et al., (2011) consideram este domínio como parte da zona de interferência. Nota-se, portanto, que apesar dos diversos estudos na área em questão ainda existem incertezas sobre a zona de contato entre a Faixa Ribeira e a Faixa Brasília. O presente trabalho pode contribuir para futuras pesquisas que eventualmente serão realizadas na região, principalmente na parte de mapeamento geológico e, também, pode servir como banco de dados. Além disso, a partir do estudo das unidades e estruturas presentes em campo, este relatório pode contribuir para um melhor entendimento da geologia local. 3. GEOLOGIA LOCAL 3.1. Introdução Na área de mapeamento do grupo 6 foram observados 4 litotipos, com as cores padrões nos mapas Geológico-Estrutuual: Biotita Gnaisse (unidade azul no mapa geológica), Hornblenda-biotita-gnaisse (unidade vermelha no mapa geológica), Quartzito impuro (unidade laranja impuro) e Quartzito puro (unidade amarela puro). Entre os litotipos presentes, o Biotita Gnaisse é o que aparece com mais frequência, em todas as regiões da área. O Biotita Gnaisse é composto por biotita, quartzo, k-feldspato e opacos e ocorre na forma de corte de estrada. Apresenta dobra isoclinal intrafolial e dobra fechada em Z. O Hornblenda-biotita-gnaisse é composto por hornblenda, biotita, quartzo, feldspato, e é migmatítico. O quartzito impuro é composto por quartzo, muscovita, feldspato e opacos, ocorre na forma de crista de serra e corte de estrada. Já o quartzito puro é constituído por quartzo, tipo sal grosso e também ocorre de crista de serra e corte de estrada. Por fim, também foi observado durante o mapeamento nos afloramentos, diques de gabro e blocos de anfibolito. 3.2. Unidades litológicas As principais unidades de campo que foram feitas lâminas são: Quartzito, Biotita gnaisse, dique de Gabro, bloco de Anfibolito e Hornblenda biotita gnaisse. O Quartzito (figuras 7 e 8) denominado de LD-06-01, contém uma mineralogia apresentando quartzo, turmalina, biotita, granada e muscovita, com granulação grosseira e textura granoblástica. Na amostra de mão (figuras 9 e 10), a mineralogia é a mesma da lâmina, porém os grãos são de granulação grossa e a coloração é branca a alaranjado. O Biotita gnaisse (figuras 11 e 12) denominado de LD-06-46, apresenta a seguinte mineralogia de quartzo, biotita (marca a foliação, de hábito lamelar e extinção mosqueada), apatita e opacos. A textura é granolepidoblástica. O dique de gabro (figuras 14 e 15) está dentro dessa unidade, que ocorre como bloco, sendo denominado de LD- 06-16, contendo porfiroblastos de plagioclásio com macla polissintética, que compõe a maior parte da lâmina, de hábito tabular, formatos euédricos a subédrico; opacos; piroxênio (com macla Carlsbad, clivagem reta, cores de interferência são altas, extinção oblíqua, extinção reta, birrefringência fraca, provavelmente o clinopiroxênio seja augita) e; titanita. Aparece também nessa unidade um bloco de anfibolito (figuras 16 e 17), denominado LD-06-48, com plagioclásio com saussurita (carbonato, epidoto e mica branca); o carbonato envolve o plagioclásio, que contém muitas alterações e exsolução. A textura é granoblástica. Ocorre também granada entre o anfibólio e o plagioclásio. A amostra de mão (figura 13) contém a mesma mineralogia da lâmina, porém tem coloração preto acinzentado e com uma variação de granulação fina, média a grossa, a depender do ponto analisado, sendo bandado. Em alguns afloramentos possui dobra Figuras 7 e 8: Fotografia quartzito, com lâmina delgada, nicóis cruzados e descruzados. Fonte: Vitória Azevedo. Figuras 9 e 10: Fotografia de amostra de mão de quartzito puro e impuro. Fonte: Vitória Azevedo. isoclinal, intrafolial e lineação de estiramento mineral paralelo ao eixo da dobra. Também tinha alguns níveis intercalados com anfibolito. O gabro apresentava coloração preta acinzentada, fenocristais de plagioclásio, de granulação média. Figuras 11 e 12: Fotografia de biotita gnaisse, com lâmina delgada, nicóis cruzados e descruzados. Fonte: Vitória Azevedo. Figura 13: Fotografia de amostra de mão de biotita gnaisse. Fonte: Vitória Azevedo. Figuras 14 e 15: Fotografia de gabro, com lâmina delgada, nicóis cruzados e descruzados. Fonte: Vitória Azevedo. O Hornblenda biotita gnaisse (figuras 18 e 19) é denominado de LD-06-33, a lâmina quase não possui anfibolito, mas contém zircão, allanita, piroxênio, com porfiroblasto de feldspato; titanita; apatita; plagioclásio alterado para sericita, com macla polissintética; biotita; carbonato alterando o plagioclásio e contendo porções mais recristalizadas. Em amostra de mao (figura 20) alguns possuíam anfibólios alongados e leucossoma. Ocorria também associado às rochas máficas, com coloração preta esbranquiçada e granulação média. Figuras 16 e 17: Fotografia de anfibolito, com lâmina delgada, nicóis cruzados e descruzados. Fonte: Vitória Azevedo. Figuras 18 e 19: Fotografia de hornblenda biotita gnaisse, com lâmina delgada, nicóis cruzados e descruzados. Fonte: Vitória Azevedo. Figura 20: Fotografia de amostra de mão de hornblenda biotita gnaisse. Fonte: Vitória Azevedo. 3.3. Geologia estrutural 3.3.1. Introdução Durante o mapeamento foram medidas 109 estruturas planares e lineares. Bandamentos, foliações, lineações de estiramento mineral, eixos de dobras, falhas e fraturas também foram registradas. Outras estruturascomo boudin e clivagem de crenulação foram observadas. A partir dos dados obtidos, foi preparado diagramas de contorno de pólos de estruturas planares e lineares para os domínios. Os diagramas e as curvas de contorno foram elaborados no programa Stereonet. Estereogramas de foliações Sn - Sn + 1 A configuração dos diagramas mostra uma grande concentração dos pólos de Sn e Sn+1 (figura 21) nas proximidades dos centros. É possível observar, que a direção preferencial das superfícies está para SE e apresentam mergulhos médios a altos, além disso, nota-se que existe bastante variação nas direções de mergulho, isso se deve, provavelmente, ao fato das camadas estarem redobradas. Figura 21: Estereograma de contorno dos polos das foliações, feito no Stereonet. Fonte: Gabriel Braga. Estereogramas das lineações de estiramento e eixos de dobras Como as estruturas lineares foram medidas, principalmente, lineações de estiramento (figura 22) e eixos de dobra (figura 23), relacionados a diferentes fases de deformação. Nota-se que as lineações possuem três direções preferenciais para S, SE e NE. Esse espalhamento pode estar associado a uma terceira fase de deformação. Em alguns casos o eixo de dobra era paralelo a lineação de estiramento. Figura 22: Estereograma de contorno das lineações, feito no Stereonet. Fonte: Gabriel Braga. Figura 23: Estereograma de contorno dos eixos de dobras, feito no Stereonet. Fonte: Gabriel Braga. Estereograma de roseta para fraturas Ao longo do mapeamento foram observadas fraturas tectônicas (figura 24) preenchidas por quartzo, que foram reproduzidas no diagrama de Roseta. As medidas indicam mergulho preferencialmente para N, NW, SE e NE. Estereograma de dobras Na região mapeada, foram observadas dobras assimétricas fechadas a abertas, dobras redobradas e isoclinais fechadas e intrafoliais. Com base no estereograma (figura 25), foi possível observar que o mergulho ocorre preferencialmente para SW e os ângulos de mergulho variam de 30° a 50°. Figura 24: Estereograma de Roseta para fraturas, feito no Stereonet. Fonte: Gabriel Braga. 3.3.2. Descrição das fases de deformação Com base nas observações de campo e nos estereogramas, pode-se dizer que ocorrem 3 fases de deformação (D1, D2 e D3). A fase D1 é marcada pela foliação principal e pela presença de bandamento metamórfico nos paragnaisses e foliação nos ortognaisses. A fase D2 foi gerada em ambiente cisalhamento dúctil e tem como característica marcante a presença de dobras assimétricas fechadas e apertadas das quais o plano axial não é paralelo a foliação. A fase D3 é caracterizada pela ocorrência dobras isoclinais com ângulo de mergulho mais suave e presença de zonas de cisalhamento 3.4. Metamorfismo A área do Grupo 6 possui Quartzitos impuros e puros, Biotita gnaisse e Hornblenda-biotita gnaisse da Formação Mantiqueira. A mineralogia principal observada durante o trabalho de campo é quartzo, muscovita, K- feldspato, biotita, hornblenda e opacos. Foram observados nas estruturas, a xistosidade que é dada pela orientação de minerais placóides (biotita e muscovita). Em resumo, é possível associar essas rochas ao metamorfismo regional (Barroviano) e concluir que a área do Grupo, está inserida em um terreno com presença de estruturas bem preservadas que indica um ambiente metamórfico de alto grau, fácies anfibolito superior, que foi evidenciado durante o mapeamento do grupo. Figura 25: Estereograma de dobras com os polos dos planos, feito no Stereonet. Fonte: Gabriel Braga. 3.5. Potencialidade econômica da área Na questão da geologia, foi observado que as rochas têm potencial para recursos minerais. O solo avermelhado da formação Mantiqueira pode ser utilizado para a construção de estradas de terra, uma vez que são facilmente compactados, tornando a estrada firme para a passagem de pedestres e veículos. Como também pode ser usado para exploração de ferro. Além disso, os Biotita Gnaisse têm potencial para ser explorado na forma de rochas ornamentais, tendo sido observados em algumas residências para a construção de pisos, também pode ser usado como material de obra de construção civil, agregado para concreto e revestimento em fachadas litorâneas. O Quartzito da região de, tem um grande potencial para formação de saibro. No entanto, vale a pena ressaltar que mesmo que tais rochas citadas tem um potencial mineral forte, tudo vai depender da legislação ambiental, se pode ou não explorar por causa de uma questão especifica da área, como por exemplo a conservação. O Grupo também fez uma pesquisa mais detalhada na região, e foram encontrados requerimentos de direitos minerários (figura 26) para areia (azul e laranja) e filito (amarelo, verde e marrom). A maior parte dos requerimentos são para pesquisa de filito, esses requerimentos se concentram, principalmente, nas rochas do Grupo Andrelândia. A partir dos dados obtidos pelo SIGMINE foi observado que uma grande quantidade de requerimentos de pesquisa é para exploração de materiais para indústria de construção civil, como filito e areia. Na área referida, foram encontradas as seguintes litologias durante o trabalho de campo: quartzitos e paragnaisses pertencentes ao Grupo Andrelândia e ortognaisses do Complexo Mantiqueira. As rochas do Grupo Andrelândia são utilizadas para extração de material de construção civil, como areia e saibro. Já os ortognaisses, do Complexo Mantiqueira são muito utilizados para extração de materiais para a indústria e também podem ser utilizados como rocha ornamental. Figura 26: Mapa de requerimento minerário, feito no Google Earth. Fonte: Gabriel Braga. 3.6. Aspectos geoambientais A área do grupo 6 está localizada nos arredores da cidade de Lima Duarte, sendo uma área urbana e rural, onde no local que foi realizado o Mapeamento Geológico II. A pecuária, agricultura e extração são atividades da região para sustento próprio das famílias, tendo diversas regiões (principalmente próximo às estradas de terra) desmatadas/queimadas com o objetivo de gerar pastos e local para plantio. Pode-se observar bastante domínio de pastos, onde ocorre o pisoteio dos gados, gerando uma compactação do solo que é muito degradado e alterado, ocasionando a infiltração e aumentando as feições erosivas, tipo voçoroca, e consequentemente diminuindo o crescimento da vegetação. 4. EVOLUÇÃO GEOLÓGICA E CONCLUSÕES De acordo com as observações feitas em campo sobre a evolução geológica, foi dividido em duas etapas: a mais antiga e a recente. A área está toda redobrada por dobras assimétricas e isoclinais. As dobras D1, foliação principal, que se encontra apenas em alguns locais, está dobradas internamente, como por exemplo o complexo Mantiqueira. Já, as dobras D2 seriam as dobras mais evidentes e maiores que estruturam as camadas, como por exemplo os quartzitos impuros e puros. A evolução geológica inicia com a primeira fase de metamorfismo que gera o dobramento da foliação principal, posteriormente ocorre outra fase de metamorfismo, que causa a formação das dobras assimétricas e por fim ocorre a última fase geológica, onde é possível observar um redobramento de dobras isoclinais. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALKMIM, Fernando Flecha; MARTINS-NETO, Marcelo A. A bacia intracratônica do São Francisco: arcabouço estrutural e cenários evolutivos. A Bacia do São Francisco geologia e recursos naturais. SBG, Belo Horizonte, p. 9-30, 2001. ALKMIM, FF de. O que faz de um cráton um cráton? 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