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PROJETOS DE INTERIORES RESIDENCIAIS ORGANIZADORA GILLAYNE COSTA SILVA SOUTO PROJETO DE ARQUITETURA DE INTERIORES RESIDENCIAIS E COMERCIAIS ORGANIZADORES: GILLAYNE COSTA SILVA SOUTO; VANDERLEI ROTELLI; AILTON DOS SANTOS SILVA. Projetos de Interiores Residenciais GRUPO SER EDUCACIONAL O livro Projetos de interiores residenciais informa o leitor, além de conceitos básicos da área, o conteúdo descrito a seguir em suas quatro unidades. Entre muitos assuntos, a primeira unidade apresenta as normativas brasileiras utilizadas, a recomendação de alguns autores, as técnicas fundamentais relacionadas com a forma de se iniciar um projeto de ambi- entes residenciais, os itens que são relevantes, os princípios recomenda- dos para uma elaboração coerente, ágil e e�caz, e mais. A segunda discorre sobre quartos e salas; os tipos, tamanhos e itens que são imprescindíveis para a elaboração destes ambientes. A terceira unidade mostra como desenvolver uma representação grá�ca de um ambiente residencial usando vistas ortogonais, cotas e símbolos que formam os desenhos técnicos. Para �nalizar a descrição da obra, a quarta unidade apresenta a fase na qual todas as ideias desenvolvidas nos croquis e no anteprojeto recebem maior atenção e detalhes. Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitu- ra do livro. Desejamos que os leitores tenham uma carreira de sucesso. A eles, sorte em seus estudos! gente criando futuro I SBN 9786555580808 9 786555 580808 > C M Y CM MY CY CMY K PROJETOS DE INTERIORES RESIDENCIAIS (Projeto de Arquitetura de Interiores Residenciais) (Parte 1) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Souto, Gillayne Costa Silva. Projetos de interiores residenciais /Gillayne Costa Silva Souto: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555580808 1. Design de interiores Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Gillayne Costa Silva Souto Graduada em Tecnologia do Design de Interiores pelo Instituto Federal da Paraíba em 2012 e bacharel em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário de João Pessoa, 2019. Foi monitora da disciplina de desenho arquitetônico, coautora de projetos de pesquisa com temas sobre habitação social, modulação e inovação. Experiência de oito anos na elaboração e execução de projetos residenciais e comerciais. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Metodologia de projetos residenciais ........................................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1. Metodologia para design .................................................................................................................. 11 2. Fases dos projetos - investigação para compreensão do problema ..................................................14 3. Geração de alternativas .................................................................................................................... 21 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................28 UNIDADE 2 - Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial – quartos e salas .......................29 Introdução.............................................................................................................................................30 1 Salas ..................................................................................................................................................31 2 Quartos ..............................................................................................................................................37 3 Áreas molhadas .................................................................................................................................. 42 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................48 UNIDADE 3 - Metodologia de projetos residenciais ........................................................................49 Introdução.............................................................................................................................................50 1. Desenho técnico para design de interiores ....................................................................................... 51 2. Projeção ortográfica ou ortogonal .................................................................................................... 57 3. Layout e mobiliário residencial ......................................................................................................... 59 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................72 UNIDADE 4 - Projeto executivo ......................................................................................................73 Introdução.............................................................................................................................................74 1. Projeto executivo .............................................................................................................................. 75 2 Elevações ...........................................................................................................................................84 3 PerspectivaCônica ............................................................................................................................. 91 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................94 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................95 O livro Projetos de interiores residenciais informa o leitor, além de conceitos básicos da área, o conteúdo descrito a seguir em suas quatro unidades. Entre muitos assuntos, a primeira unidade apresenta as normativas brasileiras utilizadas, a recomendação de alguns autores, as técnicas fundamentais relacionadas com a forma de se iniciar um projeto de ambientes residenciais, os itens que são relevantes, os princípios recomendados para uma elaboração coerente, ágil e eficaz, e mais. A segunda discorre sobre quartos e salas; os tipos, tamanhos e itens que são imprescindíveis para a elaboração destes ambientes. A terceira unidade mostra como desenvolver uma representação gráfica de um ambiente residencial usando vistas ortogonais, cotas e símbolos que formam os desenhos técnicos. Para finalizar a descrição da obra, a quarta unidade apresenta a fase na qual todas as ideias desenvolvidas nos croquis e no anteprojeto recebem maior atenção e detalhes. Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do livro. Desejamos que os leitores tenham uma carreira de sucesso. A eles, sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Metodologia de projetos residenciais Olá, Você está na unidade Metodologia de Projetos Residenciais. Conheça aqui o conceito de metodologia para projetos residenciais, sua origem, influenciadores e quais tipos mais utilizados. Entenderemos, ainda, as normativas brasileiras utilizadas e a recomendação de alguns autores. Ainda, aprenderemos técnicas fundamentais relacionadas com a forma de se iniciar um projeto de ambientes residenciais, quais itens são relevantes e quais princípios são recomendados para uma elaboração coerente, ágil e eficaz. Não buscamos aqui seguir um método, mas indicar uma rede de itens a serem observados. Bons estudos! Introdução 11 1. METODOLOGIA PARA DESIGN Como você imagina começar um projeto? Será que existe uma forma correta, rápida, coerente de se projetar? Como fazer fluir a criatividade e ser assertivo com o cliente, resultando em algo que atenda suas necessidades? A formação do design de interiores no Brasil sofreu grande influência internacional, principalmente nos séculos XIX e XX, quando existiu forte influência de profissionais vindos dessas regiões através da utilização de manuais de decoração direcionados à execução pela Liceu Artes e Ofícios. Neles constavam orientações espaciais de layout, materiais e decoração. Representavam, naquela época, os padrões de beleza e bom gosto. Alguns dos profissionais que participaram da progressão do design de interiores no Brasil, como o mestre-artesão Antonio Borsoi e o artista plástico Eliseu Visconti no Art Nouveau, o artista plástico Jean Dunand no Art Déco e o arquiteto John Graz no Modernismo, estimularam a interdisciplinaridade dos métodos, importando não apenas estilos, mas técnicas e processos (SANTOS, 2016, p. 141). Os primeiros registros do ensino de decoração no Brasil, segundo Santos (2016), foram através do ensino na Escola Superior de Design (Esdi) e o Instituto de Artes Decorativas (Iadê), com forte influência de escolas famosas internacionalmente, como Bahaus, Escola Superior de Ulm e o Black Mountain Colleg. O ensino era voltado para multidisciplinaridade, com uso de diversas aulas que incentivavam várias áreas do conhecimento artístico, desenvolvimento, mas também exploravam áreas socioculturais, matemática e cibernética. Segundo Lacerda (2010, p.23 apud SANTOS, 2016), após a Segunda Guerra Mundial, vários profissionais uniram-se para resolver problemas causados pela operação de equipamentos militares, estudando as limitações do homem e a relação homem-máquina. Esse estudo deu tão certo que a indústria o absorveu para a produção de outros produtos. Nomes como John Christopher Jones e Leonard Bruce Archer, que defendiam os métodos ergonômicos, assim como promoviam o design e uma metodologia para a realização do projeto industrial, foram alguns dos laços que se formaram entre o design e a ergonomia. Conforme Santos (2016), em 12 de julho de 1949, na Inglaterra, a partir desse estudo, desenvolve-se o método Ergonomics Research Society, reunindo pela primeira vez pesquisadores e cientistas preocupados em discutir e formalizar esta nova ciência, sendo crucial para o desenvolvimento de métodos sistemáticos na resolução de problemas. Os estudos foram se aperfeiçoando e se adaptando a novas realidades, que levaram pesquisadores a analisarem a influência da criatividade e da individualidade de cada pessoa no processo de criação, como, por exemplo o Brainstorm, cunhado por Osborn, em 1953, tangenciando processos mais flexíveis e adaptativos aos seus usuários. 12 Contrariamente ao que culturalmente é indicado por algumas pessoas, a criatividade pode ser desenvolvida através de alguns métodos, sendo assim parte de um ser humano e inerente a qualquer área. Pode ser adquirida através de estímulos do indivíduo e do ambiente e das pessoas ao seu redor, não sendo fruto de uma espera, passiva e monótona, como se o indivíduo precisasse esperar a ideia surgir magicamente. Do contrário, um esforço desenvolvido e calculado, apesar de podermos ser inspirados. Santos (2016) destaca que o processo criativo e as metodologias devem ser facilitadores para a expressão aplicada na captação de memórias, já que são estas que fazem ponte do passado e presente para calcar o futuro. Fazendo uso do consciente e inconsciente do indivíduo. No campo do design encontramos Bruno Munari como um dos principais influenciadores na construção de uma metodologia para o desenvolvimento de projetos. Ele defende que o processo criativo para a resolução de um problema não é uma fórmula mágica, mas é um processo metodológico que se inicia com a identificação da problemática. Esse processo evita retrabalhos e não cumprimentos das demandas solicitadas. Munari enfatiza que não se pode pular etapas, devendo evitar soluções superficiais que apenas vão mascarar a problemática. Tim Brown, CEO da Ideo, empresa norte-americana consultora em design, desenvolveu o design tinking. Para ele, é muito mais do que seguir passos, analisar dados e consultar especialistas, o designer deve aprender com a vida e com as pessoas, procurar trazer o cliente para dentro do processo criativo, fazendo ele participar. Brown defende que o processo se resume em três etapas: o insight, a observação e a empatia. É importante o designer atentar para o que está a sua volta, principalmente no comportamento das pessoas, pois acredita que o que está a nossa volta pode nos ajudar a resolver a problemática de forma empírica. Chama atenção para que o design se desligue das tendências do mercado capitalista. Brown ainda defende uma profunda análise e aceitação das limitações do projeto, através dos pilares de praticabilidade (aplicável ao futuro), viabilidade (pode ser sustentável) e desejabilidade (o que faz sentido para as pessoas). Para auxiliar nesse processo, Brown faz uso do briefing. Com as informações da problemática e da solução, o design thinker oscilará pensamentos, nos quais Brown descreve como divergir e convergir. Onde neste primeiro refletiria sobre as soluções possíveis para a problemática e posteriormente, converge diminuindo o número de opções que estão mais de acordo com a problemática. Essa metodologia é mais cognitiva e está mais ligada a meios corporativos, nos quais todos participam e se comunicam no processo criativo. O estudo da metodologia de projetos não se restringe aos designers de interiores, mas também estáinserido na vida de outros profissionais, como designers gráficos, engenheiros e arquitetos. Este último já faz uso com mais frequência do processo, por historicamente ser mais 13 antigo, possuindo, assim, maior familiaridade com a metodologia aplicada, todavia, conforme Kowaltowski et. al. (2011), quando se fala em metodologia do projeto, há muitas vertentes, muitas linhas de pensamento, logo não existe uma regra preestabelecida. O que existe são recomendações para incentivar o processo criativo, reduzir os erros e otimizar o tempo para o desenvolvimento dos projetos com melhores resultados. Alguns autores defendem o processo deve ser “livre”, desenvolvido de forma subjetiva, outros defendem formas mais objetivas, como, por exemplo, a NBR 13532, que descreve um passo a passo. A maneira de projetar de forma fragmentada, separando por etapas, pode ser desenvolvida de forma linear, na qual segue uma ordem de acontecimentos dessas etapas, ou pode ser não linear, quando as etapas se mesclam. Para melhor compreensão das etapas indicadas, vamos seguir o raciocínio linear e descrever uma sequência que nos ajudará no desenvolvimento de projetos residenciais. Para Dijon de Morais (2008), o processo criativo deve ir além da sua forma função, deve ter caráter holístico explorando as potencialidades conceituais do projeto, sem estabelecer regras e passo a passos, porque acredita que esse método não acompanha mais a velocidade de transformação do mundo contemporâneo. Não é o total desprezo ao método, mas a constante transformação necessária. Logo, para Morais (2008), as fases se inter-relacionam e voltam em dados momentos do processo para que haja uma constante reflexão do processo. Ainda conforme Morais (2008), o processo está envolvido por questões mercadológicas e, por isso, se associa ao marketing para um estudo do público-alvo, chamado de método de metaprojeto. No pensamento de se refletir e reanalisar etapas, o pensamento de refletir para nas questões já mencionadas, pois esse processo não envolve somente os designers, mas também os consumidores que participam diretamente do processo, tornando-se agentes favoráveis à sustentabilidade do planeta. 1.1 Metodologia para design de interiores Santos (2016) destaca o pensamento de Poldman (2009) ao relatar reflexões sobre metodologias para processos projetuais para design de interiores, distinguindo-se das utilizadas FIQUE DE OLHO A metodologia para desenvolvimento de projetos em design é discutida por vários teóricos e tem se transformado ao longo do tempo. É um assunto em constante transformação, para que você possa conhecer um pouco mais sobre como era desenvolvido o método do desenvolvimento de projetos na era heroica da indústria no pós-guerra, assista ao filme “Tucker”. 14 por arquitetos em questões de escala e a relação que o arquiteto tem com o edifício e o seu entorno urbano, ou seja, o designer de interiores estará preocupado com a relação homem e o espaço ao seu redor, é uma relação microambiente. Enquanto o arquiteto está preocupado com a relação edifício e espaço público ao seu redor, assim como o grupo de pessoas que ocupam estes espaços internos e externos, sendo assim, uma relação macroambiente. No Brasil, o arquiteto pode desenvolver a função de um designer de interiores, logo, essa relação homem e espaço interno, por vezes, será desenvolvido por este profissional também. O designer trabalha com questões estáticas e técnicas para proporcionar conforto, qualidade de vida e atender às necessidades do usuário, logo, seu método baseou seu método. O designer então consulta as pessoas que irão utilizar o espaço e decide quais os dados serão mais relevantes e quais são as necessidades a serem consideradas quando se estiver tentando criar novas ideias para os interiores. O designer interpreta os dados e sintetiza-os em desenhos, que no caso dos designers de interiores inclui plantas e vistas volumétricas do espaço (POLDMAN, 2009, p.28 apud SANTOS, 2016). Há similaridades das atribuições do designer de interiores com outros designers, logo, os processos metodológicos se assemelham. Baseado em suas aulas sobre o tema e estudos de casos, Poldman (2009 apud SANTOS, 2016) relata três conceitos gerais que norteiam o processo do designer de interiores: 1. coleta de dados (questionários e observação do espaço e personalidade do morador); 2. planejamento: verificar quais as possibilidades, fazendo uso de ferramentas em 2 e 3 dimensões. Desenvolvendo conceitos e aplicando as possibilidades dos materiais. Fazendo uso de cores, texturas, iluminação e mobiliário; 3. aplicabilidade: momento em que as decisões são tomadas e são aplicadas ao projeto, seguindo para tanto a fase executiva. Nesta fase são analisadas questões tangíveis e intangíveis para a escolha final. Conforme as metodologias mencionadas, adaptamos um processo metodológico para criação na área do designer de interiores, aplicado não unicamente, mas principalmente para o planejamento de ambientes residenciais. 2. FASES DOS PROJETOS - INVESTIGAÇÃO PARA COMPREENSÃO DO PROBLEMA Fase iniciada geralmente com o briefing, que é a formação de um perfil do cliente, aonde precisamos colher a maior quantidade de informações possíveis sobre o cliente para o 15 desenvolvimento do projeto de forma mais assertiva. Nunca devemos desenvolver um projeto sem gastar bastante tempo, nesta fase, devemos tentar compreender ao máximo quais são as necessidades e desejos do cliente. É importante desenvolvermos questionários com perguntas objetivas e subjetivas para ser usado como guia no momento da entrevista com o cliente. Coloque no questionário alguns elementos que ajudem a revelar o perfil do cliente, pois muitas pessoas são sabem expressar com palavras as suas reais necessidades e gostos. Logo, devemos abusar de imagens, amostras de materiais e questionarmos sobre qual a impressão deles sobre tudo que for apresentado. A intenção é fazer o cliente se expressar, como mostra a figuras “Investigação e compreensão do problema”. Figura 1 - Investigação e compreensão do problema Fonte: Chad McDermott, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: a imagem mostra a mão de um profissional sobre um projeto com representação gráfica de uma planta baixa, além de escalímetros. O profissional deve estar atento não só a fala, mas também a linguagem corporal do seu cliente. Caso estejam em sua residência, tente colher mais sobre sua forma de morar para absorver informações que ele não conseguiu expressar. Para uma melhor observação do espaço é interessante aplicarmos princípios da ergonomia do ambiente construído, pois este não se restringe aos naturais problemas do ambiente físico, como iluminação, temperatura, ruído, vibração e cor, do contrário, defende a análise da relação do indivíduo com o espaço, considerando o princípio da usabilidade, com uma abordagem sistêmica centrada no usuário e buscando garantir um conforto ambiental. Todas essas informações ajudarão o profissional na identificação do problema. Vejamos a figura “Etapas após a identificação do problema” para compreendermos melhor. 16 Figura 2 - Etapas da identificação do problema Fonte: Baseado em OLIVEIRA; ALVÃO, 2018. #ParaCegoVer: a imagem retrata setas demonstrando uma sequência de etapas indicadas para serem feitas na fase de identificação do problema. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.1 Diagnóstico A segunda fase do projeto de interiores é o diagnóstico, segundo Oliveira e Alvão (2018), a origem do nome é recorrente do processo de ergonomia. Uma vez identificado o problema, podemos analisá-lo de forma a buscar as melhores alternativas para a resolução. Através da análise do problema podemos escolher um caminho pela qual devemos seguir e que fundamente as ideias propostas, assim elaboraremos um conceito para o projeto. A análise global do ambiente deve verificar todos os dados do ambiente, como, por exemplo, iluminação espaçamento, temperatura, ventilação,acessibilidade etc. Esses dados são coletados através de medições do espaço e registros fotográficos, são utilizados equipamentos de medição, como trenas manuais e eletrônicas, pranchetas etc. É preciso arquivar e organizar para estar em fácil acesso quando necessário. A análise da tarefa busca identificar a usualidade do espaço. É extremamente importante, pois cada ambiente pode ter sua usualidade diferenciada, o ambiente pode ser um facilitador ou dificultador para a realização de tarefas. 17 Após todas essas subetapas descritas do diagnóstico, vamos formar a ideia-base para nosso projeto, essa será a norteadora na tomada de decisões, a qual podemos chamar de conceito do projeto. O conceito revela a opinião, julgamento e intenções do profissional sobre o projeto, sem perder a conexão com o usuário, fundamentando a concepção espacial e encaminhando, assim, a definição. Esta etapa pode ser expressa por estudos de volumes, esboços, anagramas, cortes esquemáticos, plantas etc, como mostra a figura “Etapas do diagnóstico”. Figura 3 - Etapas do diagnóstico Fonte: Baseado em OLIVEIRA; ALVÃO, 2018. #ParaCegoVer: a imagem mostra setas azuis sequenciadas uma após a outra, evidenciando quais passo a passo são indicados para serem realizadas na fase do diagnóstico. 2.2 Divergindo – gerando alternativas A partir das informações coletadas, o profissional deve desenvolver várias ideais. Nesta fase, deixamos a criatividade fluir, não se limite pensando muito em como executar. É aconselhável fazer esboços à mão, pois é resposta mais rápida de ideias geradas no cérebro. Devemos rabiscar bastante, fazer modelagens, renderes, usar as ferramentas que mais nos agradem, nos inspirar bastante em antigos e novos profissionais que são referenciais. Isso nos ajudará a desenvolver a criatividade e treinar o olhar para novas possibilidades espaciais. Não devemos gastar tempo tentando criar algo do zero, “inventando a roda”, mas procurando reinventar! Nesta fase, precisamos analisar ergonomicamente como resolver os problemas apresentados. Logo, desenvolveremos propostas que estejam de acordo com a ergonomia do usuário e o ambiente projeto e a relação entre eles, como mostra a figura “Etapas da geração de alternativas”. Figura 4 - Etapas da geração de alternativas Fonte: Baseado em OLIVEIRA; ALVÃO, 2018. #ParaCegoVer: a imagem traz setas azuis sequenciadas uma após a outra, demonstrando quais passo a passo são indicados para serem realizadas na fase da geração de alternativas. 18 2.3 Convergir para definir o anteprojeto Fase na qual poderemos escolher qual é a melhor ideia, após as possibilidades apresentadas, resultante de análise de referenciais, dimensões e materiais, assim como do perfil do cliente gerado na fase 1. Esta fase pode ser complicada, porque é interessante apresentar a melhor proposta para o cliente, a que acreditamos ser a melhor em todos os aspectos para o cliente. Não é proibido apresentar mais de uma opção para o cliente, contanto que não saiam do conceito já anteriormente definido e que sejam igualmente relevantes para o cliente. Devemos escolher de forma consciente, calculada e pela percepção da necessidade do cliente e não do profissional, como mostra a figura “Etapas da fase do anteprojeto”. Figura 5 - Etapas da fase do anteprojeto Fonte: Baseado em OLIVEIRA; ALVÃO, 2018. #ParaCegoVer: a imagem mostra setas azuis sequenciadas uma após a outra, evidenciando quais passo a passo são indicados para serem realizadas na fase do anteprojeto. Devemos avaliar as soluções segundo os seguintes fatores: • estética: para elaboração de um projeto residencial, não basta ser funcional. As pessoas precisam se conectar com suas habitações, sendo agradáveis visualmente aos seus olhos para criar laços de afetividade e identificação pessoal. Portanto, atentemos para quais cores, materiais e formas agradam mais o usuário do espaço; • funcional: o ambiente deve ser funcional para que seja habitável. Em uma residência, muitas atividades são desenvolvidas, logo, é preciso que os espaços estejam ergonomica- mente projetados para que esse seja agradável de permanecer; • viabilidade: os materiais e mão de obra necessários para a implementação de um projeto podem ser muito diversificados, logo, o custo do material ou mesmo a mão de obra espe- cializada pode não ser viável para o orçamento pretendido pelo cliente, o que o tornaria inviável. Os valores e formas de execução de muitos processos e materiais variam conforme a localidade da residência; • tempo: toda a obra precisa de certa demanda de tempo para a chegada ou cura de mate- riais, portanto é preciso saber o cronograma pretendido para execução da obra e, desta forma, averiguar se os processos de execução se encaixam nesse prazo; • durabilidade: a norma de desempenho NBR15537/2013 relata que uma edificação deve 19 resistir ao tempo por pelo menos 10 anos, ou seja, precisamos verificar se os materiais escolhidos cumprirão esse prazo, como mostra a figura “Definindo o anteprojeto”. Figura 6 - Definindo o anteprojeto Fonte: Chaosamran_Studio, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: a imagem mostra duas mãos, de uma mesma pessoa, escolhendo cores em uma cartela junto a outras amostras sobre a mesa com um esboço em perspectiva. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.4 Implementação através do projeto executivo Esta é a etapa que resulta de todo processo anterior, essa fase dá início a obra. Caso todas as fases citadas tiverem sido bem observadas e analisadas, a implementação do projeto tende a ser satisfatória e com baixo risco de erros nos projetos e/ ou modificações no projeto. Todas as informações coletadas e a proposta escolhida resultaram no projeto executivo, sendo este um instrumento de realização na obra, que deve ser considerado como um manual de instruções, o qual deve conter todas informações técnicas e especificações necessárias para a execução da obra. 20 I. O projeto executivo: é composto de plantas baixas, elevações e cortes esquemáticos e detalhamentos representados de forma clara e objetiva com representação técnica coerente, como mostra a figura “Etapas da fase da execução de obra”. Figura 7 - Etapas da fase da execução de obra Fonte: Baseado em OLIVEIRA; ALVÃO, 2018. #ParaCegoVer: a imagem traz setas azuis sequenciadas uma após a outra, demonstrando quais passo a passo são indicados para serem realizadas na fase de execução do projeto. II. Validação final: a maioria das obras precisam de licenças para serem realizadas, logo é necessário fazermos a solicitação aos órgãos públicos ou até mesmo aos condomínios responsáveis. Somente devemos iniciar a obra com a autorização expedida, pois, caso contrário, poderá acarretar em prejuízo de tempo e rendimentos se precisarmos alterar algo no projeto por não aprovação de um órgão ou administração de condomínio. O designer de interiores poderá precisar formar parcerias com arquitetos e engenheiros em alguns momentos de sua carreira, como, por exemplo, neste caso, para licenças. III. Escolha de fornecedores: para que a obra seja bem executada é importante selecionarmos fornecedores que cumpram com princípios básicos, como pontualidade, respeito ao projeto e responsabilidade no serviço. IV. Acompanhamento e compra de materiais: são visitas às lojas para encomendarmos materiais que compõem o projeto. É importante acertarmos a compra atentando muito para o prazo de entrega de cada material e fazermos esta encomenda de forma que seja entregue no período que precisaremos para instalação da obra. A entrega dos materiais tem prazos distintos, variam conforme distribuidor, fabricante e transportadora. Caso o material não esteja na obra no prazo para execução da fase, na qual ele será solicitado, poderá atrapalhar o andamento da execução. 21 V. Cronograma e programa da obra: o cronograma da obra é importante para que todas as etapas da execução da obra sejam planejadas e ocorram na sequência correta dentro de um prazodeterminado. Nesse cronograma devem constar as datas previstas para início e término das etapas da obra, pois isso nos auxilia no prazo que deve ser encomendado materiais e equipamentos. VI. Acompanhamento da obra: são visitas à obra para verificar se o projeto está sendo executado conforme planejado e esclarecimento de dúvidas. É planejado conforme necessidade e complexidade da obra, devemos preestabelecer com o cliente como e quando ocorrerão estas visitas. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3. GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS Design não é desenho, mas o desenho faz parte do design. Logo, o design está diretamente relacionado às artes, fazendo uso de linhas, texturas, do espaço, da forma, das padronagens, bem como da luz e da cor, logo, o designer precisa saber casar isso com outros elementos básicos como harmonia, equilíbrio, ritmo, unidade, escala, proporção, contraste, ênfase e variedade. Tudo isso associado à tecnologia tem possibilitado ao designer desenvolver muitas alternativas de projeto. Porém, para se chegar ao objetivo, o designer precisa romper com ele mesmo em certos momentos, para que a sua experiência e vivência não influencie e tentar ser o mais neutro possível. O designer deve ser capaz de identificar as diferentes necessidades de cada ambiente, FIQUE DE OLHO Alguns termos, que inicialmente fazem parte da metodologia de projeto para design de produto, podem ser bem aplicados ao design de interiores, como, por exemplo o brainstorn e design thinking. 22 família e indivíduo como ser único, por isso é tão importante a coleta de informações físicas e emocionais. O designer deve ter a capacidade de transformar as sensações dos ambientes, bem como estimular determinadas reações. Para compreendermos melhor, vejamos uma sequência de perguntas que Poldman (2009, pp.43-45 apud SANTOS, 2016) indica como norteadores no desenvolvimento das etapas do projeto de interiores. As reflexões se iniciam com: 1. Pesquisa/Análise 1.1 Estabelecer os parâmetros do problema 1.1.1 Estabelecer os contextos de pesquisa; como encontrar o problema. 1.1.2 Estabelecer os tipos de cliente: usuários, donos e administradores 1.1.3 Estabelecer as necessidades do cliente e preferências 1.2 Determinar o que podemos questionar. O que podemos mudar e o que não pode ser mudado. 1.3 O que é atual? (O que existe no problema particular em mãos?) 1.4 O que é ideal? (Qual o caminho ideal para se alcançar a solução do problema?) 1.5 O que é real? (Como eu irei encontrar o problema e a solução?) 1.5 Para quem nós estamos projetando? O que eles querem? O que eles precisam? 1.6 Como eles entendem o ser humano dentro do espaço? 1.7 Como nós entendemos a escala humana? Neste item 2, Poldmam (2009 apud SANTOS, 2016) traz perguntas que farão o designer observar a viabilidade das possibilidades imaginadas e gerar uma comparação com o que já foi feito, assim poderá aprender com o que já foi feito ou usar de inovação. Esta fase requer noções mais aguçadas de espacialidade. 2. Coleta de informação – Quais são as aproximações do designer com o projeto em particular? 2.1 O que nós gostaríamos de fazer? O que podemos fazer? 2.2 O que está amarrado ao contexto do problema? 23 2.3 O que pode ser possível? 2.4 O que foi feito é o mesmo tipo de design? A autora aborda no item 3 questões de preexistência do usuário com o espaço, o entorno, a cultura, questões históricas e estéticos e os materiais. 3. Estabelecer os contextos do problema (quais são os aspectos específicos do problema enfrentado, que necessitam ser mapeados para uma solução apropriada?) 3.1 Qual é o contexto geral? 3.1.1 Local e edificação 3.1.2 Materiais 3.2 Quais são os contextos humanos? 3.2.1 Físicos/antropológicos, ergométricos 3.2.2 Psicológicos, sociais 3.2.3 Estéticos 3.2.4 Desejos e necessidades 3.3 Quais são as questões específicas, sociais e culturais em torno das necessidades do cliente? 3.3.1 Intenções e ética 3.3.2 Culturais 3.3.3 Econômicas 3.3.4 Sociais 3.4 Qual o contexto objetivo e subjetivo? 3.4.1 Valores filosóficos aplicados ao problema 3.4.2 Pontos de vista da pessoa que utilizará o espaço 3.5 Quais os futuros e desconhecidos contextos? 24 3.5.1 Quais são as questões que são levantadas na pesquisa? 3.5.2 O que você não sabe que talvez possa ajudá-lo a entender o problema em questão? 3.5.3 Quais as possibilidades existentes que podem não estar ali? 3.5.4 Quais ideias, questões e elementos que estão adicionados ao contexto real? Há questões de preexistência do usuário com o espaço, o entorno, a cultura, questões históricas e estéticos e os materiais. Nesta etapa, podemos formar o conceito devido as questões historias entrarem no contexto a partir de então. 4. Estabelecer um parâmetro de preexistência 4.1 Quais são as características do local e as existências de projeto? O que não poderá ser modificado? 4.1.1 Características do local 4.1.2 Características espaciais dos interiores 4.1.3 Elementos de impacto no pensamento de design 4.1.4 Transições 4.1.4.1 Fenestrações e características da arquitetura 4.1.4.1 Dificuldades, estorvos 4.1.5 Alturas, limites, possibilidades de mudanças. 5. Quais são enfoques de design apropriados e possíveis para a resolução de problemas? 5.1 Fazendo perguntas – como aprender? 5.1.1 Examinando estudos de caso 5.1.2 Desenvolvendo um critério de design 5.1.3 Desenvolvendo um programa de design 5.1.4 Examinando uma aproximação filosófica 5.1.5 Examinando uma aproximação estética 25 5.1.6 Examinando qual a intenção do design 5.1.7 Examinando outros. 6. Definindo os enfoques do design 6.1 Elementos tangíveis 6.1.1 Econômicos, técnicos 6.1.2 Fatores humanos 6.1.3 Programa de design, critérios de design 6.1.4 Possíveis ideias e enfoques estéticos 6.2 Elementos intangíveis 6.2.1 Experiências potenciais do espaço 6.2.2 Como as pessoas se sentem sobre o que elas precisam; o que é importante para elas 6.2.3 Possíveis caminhos para o projeto do espaço 6.2.4 A relação temporal das atividades e objetos com o espaço (como as coisas se movem com o tempo) 6.2.5 Respostas psicológicas do cliente (como eles reagem em termos das respostas físicas?) 6.2.6 Relações sociais e psicológicas (como eles reagem em termos das respostas psicológicas, das necessidades territoriais e sociais?) 6.2.7 Potenciais estéticos e criativos do projeto 6.2.8 Relações entre a estética e o seu usuário e atividades 7. Envolvendo os conceitos de design 7.1 Projetos preliminares 7.2 Enfoques globais/Exploração de possibilidades 7.3 Intenções do design e direções específicas 7.4 Refinamento e clarificação do design e do programa de necessidades do usuário 26 7.5 Conceito preliminar e avaliação 7.6 Determinação das direções de projeto. As fases 8 e 9 estão no momento de decisões projetuais, podemos chamar de fases convergentes. 8. Desenvolvimentos do projeto – desenvolvendo aspectos mais aprofundados 8.1 Desenvolvimento do projeto 8.2 Desenvolvimentos aprofundados em 2D e 3D 8.3 Desenvolvimento das cores, materiais, iluminação e fatores do ambiente 8.4 Esculpir o espaço utilizando a organização espacial 8.5 Avaliação do desenvolvimento incluindo críticas e julgamentos 9. Implementação do design 9.1 Entendendo até onde vai o projeto 9.2 Apresentação final de conceito 9.3 Produção e implementação do projeto 9.4 Determinação da supervisão e implementação do projeto 10. Respostas e pensamentos pós-design 10.1 Avaliação da solução 10.2 Ideias para projetos futuros 10.3 Aprendendo com erros anteriores; aprendendo com as decisões de projeto 10.4 Entendendo a natureza interativa do design; a solução projetual não é finita. A quantidade de perguntas se torna extensa, porém não devemos fazer para o cliente todas as perguntas, precisamos buscar responder através do método da observação da conversa informal. Quando não for possível, perguntar. 27 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer as metodologias necessáriaspara o desenvolvimento eficaz do projeto; • aprender como solucionar os problemas; • saber conciliar questões técnicas e estéticas; • verificar quais questionamentos são necessários para a realização do projeto; • reconhecer a importância de cada fase do projeto para a geração do todo. PARA RESUMIR MORAES, D. Moda, design e complexidade. In: PIRES, D. B. (org). Design de Moda: olha- res diversos. Barueri, São Paulo: Estação das Letras e Cores Editora, 2008. IIDA, I. Ergonomia. Projeto e Produção. São Paulo: Blücher, 2005. KOWALTOWSKI, D. C.C.K.; MOREIRA, D. C.; PETRECHE, J. R. D.; FABRÍCIO, M. M. (orgs.). A criatividade no processo de projeto. O processo de projeto em arquitetura: da teoria a tecnologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. Tradução: José Manuel de Vasconcelos. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes,1998. OLIVEIRA, G. R.; MONT’ALVÃO, C. Método e Metodologia Projetual: o que dizem os pro- fissionais de design de inteirores e arquitetos sobre o processo. In: 9º ENAC – Encontro Nacional de Ergonomia do Ambiente Construído, Rio de Janeiro – RJ 2014. OKAMOTO, J. Percepção ambiental e comportamento. São Paulo: Mackenzie, 2002. ORNSTEIN, S.; ROMERO, M. (colab.). Avaliação pós-ocupação (APO) do ambiente cons- truído. São Paulo: Studio Nobel EDUSP, 1992. SANTOS, V. H. C. Metodologias projetuais de design e design de interiores: conexões no processo criativo. Salvador, 2016. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. Tradução: Maria Isabel Gaspar, Gaeten Martins de Olivei- ra. 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial – quartos e salas Você está na unidade Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial – quartos e salas. Conheça aqui mais sobre um ambiente social tão utilizado nas residências, que são as salas e os vários tipos que podemos elaborar para uma residência. Conheceremos também um ambiente íntimo de suma importância e indispensável que é o quarto, verificaremos quais tipos, tamanhos e itens que são imprescindíveis para a elaboração destes ambientes. Verificaremos também qual mobiliário e layout (leiaute) mais utilizados e como tem se transformado ao longo dos anos. Bons estudos! Introdução 31 1 SALAS A sala é considerada um dos ambientes sociais de uma residência, pois nesse ambiente podemos receber visitantes e amigos, como também desenvolver várias atividades, como por exemplo, conversar, ler, ouvi música, trabalhar, comer e relaxar. Toda residência possui ao menos uma sala de estar, mas é comum encontrarmos sala de estar e sala de jantar integradas em muitas residências ocidentais. Hoje em dia, com a crescente redução dos espaços residenciais, estas salas se agrupam e acumulam multitarefas. Dentre as salas mais comuns em uma residência, podemos encontrar: • sala de estar; • sala de jantar; • sala de TV/ audiovisual ou sala de cinema; • sala de jogos; • sala íntima. Quando definirmos qual sala projetar é importante atentar para as cores, iluminação, mobiliário e texturas utilizadas, pois a escolha assertiva ajudará na formação do espaço ideal. Quanto às cores, segundo Gurgel (2007), “cores em tons alaranjados ajudaram na socialização nesse espaço; amarelos criarão uma atmosfera luminosa e alegre. Bordôs são mais formais e sofisticados, ao passo que os azuis e verdes, em tonalidades pastel, são frescos e relaxantes”, logo cabe ao projetista analisar qual atmosfera pretende criar para o espaço. A iluminação pode realçar os pontos positivos do ambiente, quando bem usada pode criar a cena ideal, quando mal-usada pode realçar os problemas espaciais ou gerar desconforto ao usuário. Recomenda-se, para todas as salas, iluminação geral difusa e pontos focais, pendentes, arandelas e abajures. Veremos a descrição de cada uma das salas anteriormente citadas e indicaremos qual mobiliário mais comum utilizado, porém é muito comum uma única sala ter funções de vários tipos de sala e o mobiliário utilizado ser muitas vezes com dimensões reduzidas (compacto) ou multifuncional. 32 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Sala de estar A sala de estar é costumeiramente utilizada para receber visitantes sem que estes possam ter acesso ou visibilidade de ambientes íntimos. Espaço de espera ou de pouca permanência. É utilizado mais em casas do que em apartamentos por questões de economia de espaço. Deve ser um ambiente bem iluminado, porém não em excesso, pois não é um ambiente de trabalho que exija atenção constante. É interessante uma iluminação geral difusa e utilização de luminárias direcionáveis, sancas iluminadas, e até abajures de pé ou mesa. Deve-se evitar pontos focais sobre os assentos com intuito de evitar ofuscamento dos usuários do espaço, como mostra a figura “Layout para sala de estar”. Figura 1 - Layout para sala de estar Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagens ilustra três possíveis layouts com sofá para dois lugares e duas poltronas, dois puffs e mesas laterais e central. A primeira opção de layout coloca as poltronas à direita do sofá em quanto os pufs estão à esquerda, as mesinhas laterais ficam ao lado dos sofás e poltronas. A segunda proposta utiliza uma poltrona para cada lado do sofá e substitui os pufs por outro sofá que está locado à frente de outro. O terceiro layout posiciona as poltronas à frente do sofá e as mesinhas laterais estão tanto à lateral do sofá como das poltronas. 33 O mobiliário utilizado deve proporcionar conforto, porém sem excessos, já que não é um ambiente de longa permanência do usuário. São utilizados com frequência neste ambiente: • sofá sem chaise embutida: atentar para que a profundidade do assento não seja muito ex- tensa ou muito baixo, pois o intuito dessa sala não é de longa permanência e com o público genérico é interessante um ambiente que proporcione conforto, mas não relaxamento. As texturas dos tecidos podem ser diversas, todavia é importante verificar qual tecido seja mais adequado ao clima da região. Por exemplo, um sofá de couro em uma região de clima quente pode ser desconfortável para os usuários e gerar necessidade de climatização do espaço; • poltronas: ajudam na flexibilidade do layout, com formas e dimensões bem variadas auxiliando na elaboração de espaços de pequenos à grandes; • mesas de centro e mesas laterais: são usadas para apoio na decoração, controles de equi- pamentos eletrônicos e objetos pessoais. São indispensáveis para um layout confortável. Alguns ambientes, com dimensões reduzidas, não possibilitam o uso da mesa de centro, mas uma mesa lateral quase sempre é possível; • decorações com quadros e obras de arte: a decoração torna o ambiente mais pessoal e aconchegante, mesmo para usuários minimalistas, ela é indispensável. Devemos procurar utilizar cores e formas mais ousadas nestes itens, por serem mais simples sua troca em caso do usuário se cansar da decoração. 1.2 Sala de jantar – a hora da mesa A sala de jantar, costumeiramente, tem-se integrado à sala de estar devido às questões dimensionais, ou tem-se reduzido ao balcão da cozinha “americana” ou mesmo substituída apenas por uma mesa na copa ou cozinha, todavia a sala de jantar é um ambiente importante para pessoas que gostam de receber amigos e juntar a família em volta da mesa, nem que seja aos finais de semana, assim sendo, por estes motivos, esse ambiente continua existindo em muitos lares. • A iluminação é pontual e amena, para proporcionar conforto e desejo de permanência por parte de seus usuários, deve ser planejado para provocar o desejo de permanência. • O pendente ou lustre sobre a mesa, pode ser um destaque do espaço e de suma impor- tância, logo é preciso cuidado na escolha, para que seja proporcional à mesa. • A instalação deve ficar com altura de 70 a 80centímetros do tampo da mesa, de forma que livre a cabeça dos suários de colidir com o objeto. Preferencialmente, devemos usar cores neutras, apesar de podermos usar cores pontuais e vibrantes que, segundo Gurgel (2007), despertam o apetite, porém sem causar confusão, para que não seja gerado inquietação. A paleta de cores recomendada é a terrosa, as texturas devem ser mais lisas e homogêneas. O mobiliário utilizado costumeiramente é o seguinte: • mesa de refeições: cada pessoa precisa de ao menos 60 cm de espaço à mesa para se movimentar durante as refeições, porém cadeiras com braços ocupam maior espaço. 34 A figura “Dimensionamento para mesas de refeições” mostra algumas medidas básicas para mesas de refeições; Figura 2 - Dimensionamento para mesas de refeições Fonte: Baseado em PRONK, 2003, p.08. #ParaCegoVer: na imagem encontramos vários tipos de mesas, dentre elas: mesas redondas para quatro, seis e oito pessoas, que devem ter ao menos, 110, 135 e 155cm respectivamente; Mesa quadrada de 90 por 90 centímetros, que comportam quatro pessoas; mesas retangulares para quatro pessoas com 75 por 130 centímetros. As mais usuais são as mesas para seis pessoas com 80 por 140 centímetros, assim como 80 por 185 centímetros. Outras medidas menos usais são as mesas ovais de 100 por 220 centímetros ou retangulares maiores, como demonstram-se na figura as mesas de 90 centímetros de largura por 190-250 centímetros. • buffet, cristaleira ou aparador: utensílios como de louças, toalhas de mesa assim como talheres, podem ser armazenados nesses armários na sala de jantar, otimizando o tempo despendido para as refeições; • decoração com poucos objetos, o grande destaque deve ser a mesa, logo a decoração que servirá de centro para mesa pode ser em elaborada para inclinar os olhares para a mesa. 1.3 Sala de TV A sala de TV, home theater ou de cinema tem ganhado espaço com o passar dos anos devido aos equipamentos desenvolvidos para a crescente arte do cinema e entretenimento audiovisual, estes ambientes têm recebido aparelhos de vídeo e som de alta qualidade com o intuito de reprodução de alta qualidade e eficiência dentro das residências. Isso tem tornado esse ambiente de médio à alto padrão. Para o melhor desempenho deste ambiente é importante pensarmos além dos equipamentos e mobiliário, mas também em isolamentos acústicos, térmicos e iluminação mais amena e pontual, com formação de cenas através de acionamentos de spots diversificados e iluminação indireta, de forma que não atrapalhe a tela de reprodução da mídia. 35 Geralmente, este ambiente tem temperatura regulável devido à impossibilidade de abrir as janelas no período diurno, para evitar ofuscamento com a tela de reprodução de imagem, a iluminação natural pode causar reflexos nessas últimas. O mobiliário geralmente utilizado é o seguinte: • sofás amplos e muito confortáveis: estes por sua vez devem possuir chaise, almofadas confortáveis, assentos amplos e encostos altos; • poltronas de com chaise: além de sofás, podemos usar poltronas que também se trans- formam em chaise para se obter mais opções de assentos ao espaço; • mesas de centro e laterais: lembrando que nesse espaço é necessário apoio para bebidas e comidas. Logo mesas e bares podem ser úteis; • cortinas ou persianas blackout para bloquei da luz natural; • tapetes ou carpetes para redução de ruído e conforto acústico; • pouca ou nenhuma decoração, pois o ambiente tem como foco a qualidade de imagem e som proporcionada pelos equipamentos, assim como o conforto do usuário no período de utilização do espaço. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: FIQUE DE OLHO Nem todo o cliente sabe verbalizar o que ele precisa e o potencial do espaço que ele deseja transformar. Cabe ao profissional identificar, através da conversa, leitura corporal e observação o que o cliente não conseguiu expressar em palavras. O que ajuda muito nesse processo é o briefing. Pesquise sobre o que é e quais os modelos de briefing para arquitetura de interiores. 36 1.4 Sala íntima A sala intima é para a utilização dos moradores e seus amigos mais íntimos. Como o próprio nome sugere, um ambiente de intimidade, somente os mais próximos utilizam este espaço e com mais liberdade também assim o fazem. Logo, neste espaço pode existir um mobiliário mais despojado e confortável. A iluminação é mais amena e em tom amarelado para passar sensação aconchegante. É um ambiente destinado a permanência e por este motivo não é recomendado muita mistura de cores e texturas, apesar de podermos utilizar uma paleta em tons vibrantes. Neste ambiente é comum fazer uso dos seguintes mobiliários: • sofá retrátil • poltronas; • mesas de centro e laterais; • mesas de jogos; • abajur; • bar; • estantes; • armários para armazenamento. 1.5 Sala de Jogos Dentre as salas, a de jogos é a mais incomum, presente quase sempre em ambientes de alto padrão, destinada à diversão, é um ambiente que mistura descontração e atenção, logo precisa de iluminação pontual sobre as mesas de jogos e luz difusa no resto do ambiente, podendo possuir iluminação pontual em decorações, pois a sala de jogos expõe muitas vezes troféus e coleções. A paleta de cores dever ser acolhedora com nuanças de tons vibrantes. O mobiliário geralmente utilizado é o seguinte: • mesas de jogos; • estantes; • armários para armazenamento e equipamentos de som e vídeo; • poltronas; • mesas de centro; • bar; 37 • adegas; • banquetas e cadeiras. 2 QUARTOS Os quartos fazem parte da área mais íntima da casa, onde somente moradores e pessoas mais próximos têm acesso, é um ambiente que pode desempenhar muitas funções, logo deve ser planejado de forma que atenda de forma satisfatória as várias tarefas que podem ser realizadas neste ambiente, dentre elas: • dormir/ descansar • ler/ assistir • armazenar • trabalhar/ estudar. A iluminação natural é essencial, sendo necessária principalmente para os quartos infantis. Já a iluminação artificial dos quartos não pode ser apenas com luz de cor branca ou amarela, mas sim uma mistura de ambas, caso o usuário do espaço desenvolva atividades que exijam atenção e relaxamento. O ideal é distribuir a iluminação de forma que seja possível vários acionamentos de tipos de luminárias diferentes e com regulagem da intensidade. Com o avanço da tecnologia, algumas residências têm deixado a configuração dos tipos de iluminação pré-definidas com sistemas de automação, assim o usuário pode escolher uma configuração para cada atividade que costuma desenvolver naquele espaço. O mobiliário utilizado, por sua vez, deve também ser adequado para as atividades a serem desenvolvidas, faixa etária e gênero dos seus usuários, ou seja, um quarto, muitas vezes, comporta mais do que uma cama e roupeiro. Um quarto desenvolvido para filhos de idades diferentes tem necessidades, mobiliário e materiais diferentes do quarto dos pais destes mesmos filhos, por exemplo. Logo, antes de inserir camas e roupeiros, é importante saber quem utilizará o espaço, por ser um ambiente íntimo, é importante que este imprima ainda mais as necessidades e personalidade dos seus usuários. A rotina familiar também é um item muito relevante na produção dos espaços, inclusive nos quartos. Possíveis mobiliários necessários para os quartos: 38 • camas (conforme idade e disponibilidade do espaço); • armários para armazenar (roupas, objetos, brinquedos, livros, documentos, etc); • mesa ou Escrivaninha (muitas pessoas trabalham e estudam em seus quartos, logo, é preciso prever uma mesa e cadeira confortáveis); • elementos decorativos; • eletrônicos (TV, videogames, etc.) 2.1 Quartos infantis Segundo Mancuso (2004), os espaços podem influenciar no desenvolvimento motor e psicológico das crianças através do uso de cores, texturas, espelhos e mobiliário, portanto é interessante fazer uso de elementos que provoquem o melhor desenvolvimento da criança usuária do ambiente. Além disso, esteúltimo deve ser asséptico e seguro, de forma a evitar acidentes domésticos, acumulo de sujeiras e ácaros, impedindo o desenvolvimento de alergias e doenças diversas. A idade, sexo e gênero das crianças influenciam nas escolhas de materiais, cores e texturas, assim como na escolha do mobiliário. Cada idade solicita item e cuidados diferentes. Por exemplo, o quarto de uma criança de um ano, dificilmente será atrativo para uma com dez anos, porque as necessidades do usuário mudam conforme o seu crescimento. Todos os quartos precisam de iluminação natural, pois auxilia no desenvolvimento humano e é essencial para a saúde das crianças. Quartos para bebês devem ter iluminação com intensidade regulável para adaptação à rotina do sono. O mobiliário para crianças em desenvolvimento motor deve evitar quinas pontiagudas, tampos de mesa e prateleiras baixas de vidro, assim como espelhos sem película protetora. As cores devem ser neutras e suaves com o intuito de favorecer o relaxamento. Os quartos devem ser bem arejados para renovação do ar. Evite tapetes e tecidos muito felpudos devido ao fácil acúmulo de ácaro. Escolha tintas e vernizes antialérgicos. Coloque proteção para janelas e camas altas, conforme idade da criança. 39 O mobiliário deve ser mais acessível à altura dos olhos da criança para ser estimulada a integração dela com o ambiente. A maioria dos autores, como, por exemplo, Mancuso (2004) e Gurgel (2007), separam por faixa etária os pontos que devem ser elaborados para dormitórios das crianças, recomendando a seguinte distinção: De 0 a 1 ano - nesta idade são utilizados os seguintes mobiliários: cômodas (com função também de trocador), roupeiros, cadeiras de amamentação, cama auxiliar e berço. O ambiente deve proporcionar uma atmosfera mais calma e sossegada de forma que favoreça o sono da criança. De 1 a 3 anos - a criança precisa de espaço para desenvolvimento motor, logo é importante deixar o maior espaço possível no centro do quarto para isso. A ornamentação das paredes deve ser destinada a despertar a atenção da criança pelas formas e cores. Nesta fase o berço será trocado pela cama com proteção. Agora podem ser necessárias estantes e baús para aguardar brinquedos e livros; De 3 a 7 anos - nesta fase, a criança já deve ser consultada sobre o que ela deseja ter no seu espaço, ela já pode opinar e começa a ser sujeito transformador do seu espaço; De 7 a 12 anos - nesta fase, a criança está prestes a se tornar um jovem, precisa de um espaço que tenha decoração e otimização do espaço para desenvolvimentos de atividade não só de descano mas de trabalho, como escrivaninhas para tarefas escolares. Então alguns elementos decorativos podem ser inseridos como demonstração de personagens preferidos e hobbies. O seu quarto passa a ser seu “pequeno mundo”. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 40 2.2 Quartos joviais Os quartos começam a ser, para as crianças, como seus pequenos mundos, isso se intensifica na fase juvenil, de forma que se revela como espaço de expressão, o que o torna ainda mais especial e marcante. As paredes são como murais e telas onde se quer expor sua opinião, desejos e sonhos, ou seja, é preciso identificar pontos mais marcantes da personalidade e deixar sempre espaço para este jovem dar seu próprio jeito no espaço. 2.3 Quartos para adultos Quartos para adultos devem continuar a expressar a personalidade do usuário neste espaço, porém de forma mais indireta, ou seja, nas cores e objetos de decoração, através de um estilo de mobiliário ou até mesmo de uma peça familiar ou de coleção. É decorado de forma mais sóbria e menos óbvia. Por exemplo: um casal de meia idade que gostasse de jazz, provavelmente não colocaria no quarto um pôster do seu artista preferido, porém certamente um aparelho de som estaria com uma seleção musical pronta para seu momento de relaxamento. 2.4 Quartos para idosos e/ ou portadores de deficiências Quartos para idosos exigem atenção devido ao critério de segurança e acessibilidade. A idade avançada destes usuários exige do profissional atenção quanto aos acabamentos de pisos e paredes, como também com instalação de itens de segurança, como previsto a NBR9050/2015, para prevenção de acidentes, como, por exemplo, pisos com acabamento polido podem gerar escorregamento e acidentes físicos. É necessário atenção na escolha de pisos antiderrapantes, tecidos e tapetes decorativos antialérgicos de fácil limpeza. Deve-se evitar em quartos para idosos: • pisos derrapantes; • armários com quinas pontiagudas; • desníveis de pisos; • armários muito baixos ou muito altos. 2.5 Closet São espaços destinados ao armazenamento de roupas, sapatos, malas e alguns também armazenam roupas de cama, mesa e banho, logo são necessários muitos armários com prateleiras com alturas variadas, cabideiros, gavetas e calceiros. Este espaço exige muita informação por parte do cliente da quantidade de itens e volumes que deseja armazenar para que a elaboração do mobiliário condiga com sua necessidade, ou seja, um closet feminino para uma mulher com 41 muitos sapatos tem necessidades diferentes de um closet masculino de um homem que precisa armazenar muitos ternos, por exemplo. A profundidade ideal para armários para cabideiros é de 60 cm, para que as roupas não fiquem enrugadas, já gavetas ou sapateiras podem ter profundidade de 30 a 50 cm. As alturas das prateleiras também variam conforme objeto. Toalhas e lenções precisam de altura de 30 a 40 cm, enquanto sapatos podem ter o mínimo de 18 cm e as roupas dobradas de 20 a 30 cm. Já as roupas em cabides, devem ser dispostas com alturas distintas: calças e saias (70-90 cm), ternos e blazers (90-110 cm), camisas sociais (100-110 cm), vestidos (115-160 cm). Logo é preciso saber exatamente a necessidade do usuário para definição de alturas e profundidade de armários, prateleiras e gavetas, como mostra a figura “Exemplo de closet”. Figura 3 - Exemplo de closet Fonte: Africa Studio, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: a imagem mostra um closet como exemplo de variação possível para distribuição de prateleiras e cabides, conforme necessidades do usuário. Neste closet encontramos alturas diferentes de cabides para camisas e blusas sociais, assim como espaço para sapatos, roupas dobradas, caixas diversas e roupa de cama closet. Gurgel (2007) recomenda o uso de alguns elementos básicos para o desenvolvimento de um projeto para closet: • pisos agradáveis ao toque, costumeiramente o usuário utiliza este espaço descalço. Logo evitar materiais frios como cerâmicas e porcelanatos. Alguns pisos podem inclusive rece- ber sistema de aquecimento; • espelhos: extremamente importante neste espaço, peça indispensável, principalmente que seja com dimensões que permitam a visibilidade de corpo inteiro; • cadeiras e puffs: muito uteis na hora de calçar meias e sapatos; 42 • iluminação: extremamente importante para a busca pela peça de vestuário ideal. Faz necessário luz difusa e direcionáveis para os cabides e prateleiras. Evitar que a luz esteja locada atrás do usuário para que não reproduza sombra sobre o closet. Atualmente, o mercado disponibiliza cabides com iluminação embutida o mesmo, o que se torna muito útil, pois a luz é acionada por sensor de presença. 3 ÁREAS MOLHADAS As áreas molhadas são espaços que precisam receber revestimentos resistentes à água, piso com tratamento impermeabilizante e com declive para escorrimento da área para um ralo. Como o próprio nome diz, são áreas onde existirão pontos hidráulicos de água fria, água quente e esgoto, são áreas que costumeiramente exigem maior manutenção devido ao seu alto uso e os tipos de produtos utilizados no espaço e para higiene. É necessária constante limpeza, como, por exemplo, nas cozinhas, devido ao cozimento de alimentos que geram resíduos, manchas, e gordura no ambiente, assim como os banheiros que precisam de constante aplicação de produtos antigermes e bactérias. Devido a tudo issojá citado, esses espaços são costumeiramente lavados e precisam receber acabamentos de piso e parede apropriados resistentes a todas essas intempéries. Podem ser espaços sociais, como por exemplo: varandas, terraços, áreas descobertas, espaços gourmet ou até lavabos. Podem ser áreas íntimas: banheiros, ou ainda áreas de serviço como cozinha e lavanderias. Para elaboração de áreas molhadas é importante atentar para as normas de segurança, de forma que se evite acidentes, como, por exemplo, escorregamentos, logo atentar para NBR15575. Atualmente, esses espaços têm ganhado mais importância e investimentos, incentivados pela utilização dos layouts integrados, como, por exemplo, estilo cozinha americana e a rotina acelerada das famílias, têm sido fatores para abarrotarem estes espaços de eletrodomésticos modernos e elegantes, que exigem investimento e agregam valor funcional, além de decorativo, assim como a inserção dos banheiros dentro das casas têm, de algumas décadas pra cá, trazido nova função aos banheiros, de relaxamento, transformando-os até me verdadeiras salas de banho. FIQUE DE OLHO No ano de 2013, uma norma foi desenvolvida para habitações residenciais para buscar informar e alertar sobre as necessidades dimensionais para uma habitação, assim como a durabilidade dos materiais para que a edificação tenha uma vida útil satisfatória e reduza a ocorrência de patologias. Leia a NBR 15.557/2013 e aponte os itens referentes aos ambientes expostos nesta unidade. 43 3.1 Lavabos O lavabo é um banheiro voltado mais para não moradores de uma residência, geralmente locado próximo ao hall de entrada, salas de estar ou espaços destinados a receber visitantes. Logo, os lavabos são constituídos de bacia sanitária e lavatório, não possui chuveiro e essa ausência é sua grande distinção de um banheiro social. 3.2 Banheiros No passado, os banheiros eram locados fora das residências como proteção contra germes e bactérias existentes neste espaço, porém a utilização de novos materiais e produtos o inseriu dentro das residências. Hoje são utilizados não só para higienização e necessidades fisiológicas como também são áreas para relaxamento, se tornando verdadeiras salas de banhos. Um banheiro pode ser para todos os moradores de uma mesma residência utilizar ou pode ser exclusivamente para o casal ou para os filhos. O que existirá neste espaço varia conforme o público que utilizará e a rotina deste, ou seja, um banheiro de um casal que precisa sair no mesmo horário para trabalhar, talvez seja útil duas cubas e uma bacia sanitária isolada, para que possam usar cada um sua cuba e que, enquanto um se banha, não impeça outro de utilizar o vaso, ao passo que um banheiro para apenas uma pessoa não teria as mesmas preocupações. A iluminação em banheiros deve ter atenção redobrada, porque a umidade do box pode prejudicar a lâmpada, logo é recomendável o uso de lâmpadas PAR. A área do espelho pode ser usada para se maquiar, sendo assim, é preciso luz incidindo sobre o rosto do usuário e não sobre a cabeça, para evitar sombras indevidas. 3.3 Cozinha A cozinha é indispensável em uma residência, neste espaço não apenas há preparação de alimentos, mas também armazenamento, refeições e algumas pessoas a utilizam até como ambiente social para receber amigos. Pode ser facilmente o ambiente mais complexo da residência, devido às funções agregadas a esse ambiente. Para um layout eficaz de uma cozinha é importante que os itens de refrigeração, cozimento e lavagem estejam dispostos de forma linear ou triangular, para manter relacionado área de preparo (pia), armazenamento (geladeira e armários) e cocção (fogão e forno), a disposição para a cozinha pode ser vista na figura “Layout para cozinhas”. Por ser uma área de serviço é preciso um layout que evite espaços ociosos, mal utilizados ou subutilizados. 44 Figura 4 - Layout para cozinhas Fonte: Baseado em PRONK, 2003, p. 12. #ParaCegoVer: a imagem mostra a planta com opções de disposição de uma cozinha. Para uma cozinha é importante prever, ao menos, os seguintes itens: • refrigerador; • pia; • fogão, forno e cooktop; • coifa ou depurador; • bancadas de apoio; • armários para armazenagem. Outros itens podem ser inseridos ou não, conforme a rotina e a necessidade dos usuários, como, por exemplo: • micro-ondas; • máquina de lavar pratos; • freezer; • mesa para refeições; 45 • torre quente; • ilha de preparo de alimentos. Alguns elementos importantes: • gaveteiro com faqueiro próximo ao fogão; • gavetões para panelas e bandejas; • armários profundos para panelas de diâmetro acima de 35 cm; • bancadas de apoio próximo ao fogão, forno e geladeira. As bancadas podem ser de azulejos, concreto, granito, corian, laminados, granilite e mármores, porém este último não é indicado para áreas molhadas devido à sua baixa resistência e porosidade. Já os armários pode ser de MDF, MDP ou, madeira ou inox. Já as portas podem ser destes mesmos materiais ou ainda de vidro. Atualmente é comum o uso de fornos embutidos e cooktop, para tanto são exigidas bancadas e torres quentes com 60 cm de profundidade. Já os armários superiores devem ser mais curtos que os armários sub-bancadas, cerca de 20 cm para evitar colisão da cabeça do usuário com os armários últimos. Os armários de áreas molhadas devem estar suspensos do chão entre 15 e 20 cm para facilitar limpeza e evitar contato com água, que pode reduzir a vida útil dos armários. A iluminação da cozinha é composta de luz difusa e iluminação sobre as bancadas de forma a auxiliar o usuário nas atividades desenvolvidas. Ainda podem ser usadas iluminação decorativa dentro dos armários ou focalizando decorações próprias para este espaço. 3.4 Área de Serviços/ Lavanderias Muitas residências têm a área de serviço integrada com as cozinhas devido aos espaços reduzidos, fazendo que estas sejam reduzidas a um tanque e uma máquina de lava/seca, porém algumas residências utilizam nesses espaços armários para armazenamento de produtos e utensílios de limpeza, tábuas de passar, baldes, aspirador de pó e varal para secagem de roupas. Itens importantes, segundo Mancuso (2004) e Gurgel (2007): • bancadas de apoio para cestos; • tanque simples ou duplo; • armários para armazenamento de produtos de limpeza; • armário para vassouras, baldes e aspirador de pó; 46 • varal fixo ou portátil; • bancada fia, móvel ou retrátil para passar roupas. 3.5 Espaço gourmet, varandas e terraços Áreas sociais de uma residência, muitas vezes, são integradas em um mesmo espaço, como por exemplo, em apartamentos contemporâneos que contemplam varandas e espaço gourmet integrados. Já o terraço em prédios se tornou lugar de relaxamento e interação social. É provável que estes espaços sejam desprotegidos de sol e chuvas, logo é interessante usar mobiliários resistentes à intemperes. Espaço gourmet Caracterizada por existência: • bancada para higienização de alimentos e cocção; • churrasqueira e fogão cooktop, esporadicamente pode receber ainda forno de pizza; • armários para refrigeração, freezeres, cooler e geladeira; • mesa de refeições ou bancadas altas para banquetas (estilo bar). Varanda e terraços • Sofá. • Puffs. • Mesas de centro e laterais. • Redes, espreguiçadeira e/ ou namoradeiras. 47 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • entender que a formação do briefing é o passo inicial para a elaboração do projeto; • aprender que os ambientes de uma residência devem estar de acordo com as neces- sidades, rotina e cultura dos usuários; • compreender que o mobiliário não desempenha apenas funções, mas faz parte da decoração da residência e ajuda no melhor desenvolvimento de atividade; • saber que áreas molhadas exigem maior atenção à segurança e cuidados contra patologias devido à presença de água; • entender que as áreas molhadas se tornaram espaços de grande importância e recheadas de itens tecnológicos que facilitam a rotina nas grandes cidades. PARARESUMIR ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2015. Rio de Janeiro, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15.575-3: 2013, edificações habitacionais – desempenho – parte 3: requisitos para os sistemas de pisos. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. GURGEL, M. Projetando espaços: design de interiores. São Paulo: Senac São Paulo, 2007. MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: a arte de viver bem. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2004. PRONK, E. Dimensionamento em Arquitetura. 7.ed. João Pessoa: Universitária/ UFPB, 2003. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 3 Metodologia de projetos residenciais Introdução Você está na unidade Metodologia de Projetos Residenciais. Conheça aqui como desenvolver uma representação gráfica de um ambiente residencial através do uso de vistas ortogonais, cotas e símbolos que formam os desenhos técnicos. Este é tão importante como a execução da obra, porque é através dessa representação que o projetista comunica de que é composto o projeto e como executá-lo. Visando a explanar sobre esse assunto de forma sucinta e focada para o design de interiores, abordando também nessa unidade, layout e desenho de mobiliário residencial assim como comunicação e signos nos projetos residenciais. Bons estudos! 51 1. DESENHO TÉCNICO PARA DESIGN DE INTERIORES Desenho é qualquer representação gráfica, colorida ou não de formas. Depois da palavra é a maior forma de expressão do ser humano, não pode ser entendida apenas como cópia das formas, pois muitas pessoas expressam de formas artísticas suas ideias por meio do desenho. Desenho técnico é uma linguagem gráfica, derivada da geometria descritiva, que para ser entendida no mundo inteiro, existe uma série de regras internacionais que compõe a norma técnica. No Brasil é regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O acompanhamento dessas normativas são extremamente importantes para que a função operativa seja bem executada, ou seja, o desenho técnico tem a função de informar como o projeto deve ser executado. A seguir temos uma lista das principais entidades de normalização: ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas; ASME – Sociedade Americana de Engenharia Mecânica (American Society of Mechanical Engeering); ASTM - Sociedade Americana para Testes e Materiais (American Society for Testing and Materials); BS – Normas Britânicas (British Standards); DIN – Instituto Alemão para Normalização (Deutsches Institut für Normung); ISO – Organização Internacional para Normalização (International Organization for Standardization) JIS – Normas da Indústria Japonesa (Japan Industry Standards); SAE – Sociedade de Engenharia Automotiva (Society of Automotive Engeering). O desenho técnico é a base de todos os projetos e subsequentes das fabricações utilizado pela indústria e todos os tipos de engenharia, apesar disso deve ser compreendido por qualquer pessoa, até mesmo por leigos. Nessa unidade trataremos do desenho técnico aplicado ao design de interiores com a finalidade principal de representação precisa, no plano, das formas do mundo material e, portanto, tridimensional, de modo a possibilitar a reconstituição espacial. 52 O desenho técnico pode ser executado à mão livre ou com auxílio de instrumentos, assim como o executado através do auxílio de computadores. Sendo qual for a escolha, a única diferença é a forma de execução, mas o resultado deve final deve ser o mesmo. Dentre os instrumentos usados para desenhar à mão, veja as sugestões. • Pranchetas (mesas para desenho) – podem ser fixas ou portáteis. • Régua paralela – instrumento adaptável à prancheta para auxiliar no desenho com traça- dos ou ângulos e apoio de instrumentos. • Tecnígrafo – instrumento adaptável à prancheta reunindo, num só mecanismo, esquadro, transferidor, régua paralela e escala. • Régua “T” – utilizada sobre a prancheta para traçado de linhas horizontais ou em ângulo, servindo ainda como base para manuseio dos esquadros. • Esquadros de 30º, 60º 45º. • Transferidor – instrumento destinado a medir ângulos. • Escalímetro – utilizada unicamente para medir. • Compasso – utilizado para o traçado de circunferências. • Curva francesa – gabarito destinado ao traçado de curvas irregulares. • Gabaritos – fornecidos em diversos tamanhos e modelos para as mais diversas formas (círculos, elipses, específicos para desenhos de engenharia civil, elétrica etc.) • Normógrafos – réguas alfanuméricas em baixo-relevo para com auxílio de um compasso aranha desenhar os textos e cotas do desenho técnico. • Lapiseira e tinta nankim – caneta recarregável para desenhar, possui ponta específica para ser utilizada com os instrumentos de desenho, objetivando conseguir um traço preciso. FIQUE DE OLHO É importante o profissional conheça as normativas regentes sobre os instrumentos e linguagem utilizada em sua área. Logo, seguem as normativas regulamentadas no Brasil pela ABNT: NBR 6492 – Representação de projetos de arquitetura; NBR 8196 – Desenho técnico – emprego de escalas; NBR 8402 – Execução de caracteres para escrita em desenhos técnicos; NBR 8403 – Aplicação de linhas em desenhos – tipos de linhas – larguras das linhas; NBR 8404 – Indicação do estado de superfície em desenhos técnicos; NBR 8993 – Representação convencional de partes roscadas em desenho técnico; NBR 10126 – Cotagem em desenho técnico; NBR 10582 – Apresentação da folha para desenho técnico; NBR 12298 – Representação de área de corte por meio de hachuras em desenho técnico; NBR 13142 – desenho técnico – dobramento de cópias. 53 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Observando o papel Para inicialização do desenho técnico é importante escolher qual o papel será preciso para representar o projeto. Existem vários formatos de papéis utilizados, entre os mais comuns são de A0 à A4, porém podem ser utilizados dimensões alternativas sempre que for necessário para compreensão do projeto. Antes de escolher o papel para a representação deve adicionar ao espaço necessário uma margem de 10 mm nos quatro lados das extremidades do papel, além do espaço necessário para o selo e legenda. Toda folha tem uma recomendação de dobragem para folhas com formatos acima do tamanho A4, com intuito de ser arquivado em pastas para facilitar arquivamentos, transporte e consultas. As informações sobre o desenho, que constam no selo, devem estar inseridas no canto inferior direito para ser de fácil visualização para consulta, como mostra a figura “Formato de Papel”. 54 Figura 1 - Formato de Papel Fonte: Oleksii Arseniuk, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: na imagem temos vários retângulos representado os formatos dos papéis juntamente com a dimensão de cada um. 1.2 Escala A adoção de escalas é a representação em redução ou ampliação de objeto, ambiente para formação de um projeto representado no papel. A exemplo, a representação de um projeto de uma cadeira, caso esta fosse representada em escala natural, provavelmente não caberia em um papel, logo seria necessário reduzir as medidas que a cadeira deveria ter de forma a caber no papel somado a todas informações de necessárias da legenda, selo e margens. Em outros casos seria necessário a representação em maior escala que a natural, como por exemplo, a forma de encaixe com parafusos das peças da mesma cadeira. Assim a representação gráfica no papel depende da adoção de uma escala que é tomada a partir da necessidade de compreensão e complexidade do projeto. Quanto maior o desenho representado, menor é a escala adotada e vice-versa. Para o design de interiores é costumeiramente adotada escalas entre 1/50 a 1/20. Para representação de ambientes e para o detalhamento, são adotadas escalas entre 1/10 e 2/1 respectivamente. 1.3 Textos e legendas Apesar de o desenho ser a principal linguagem adotada, o texto também compõe as informações necessárias. Estesdevem estão inseridos à direita na margem inferior da folha. A altura do texto varia conforme informação que este deve transmitir, porém deve ser legível, 55 objetivo e claro, segundo informações da NBR6492, como mostra a figura “Exemplo de aplicação de texto e símbolo”. Figura 2 - Exemplo de aplicação de texto e símbolo Fonte: Adaptado de NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem um círculo com o numeral 1 circunscrito, assim como o nome “planta baixa” ao lado e o texto que informa a escala, em alturas diferentes e correspondentes a indicação de NBR6492. As principais informações que devem conter no projeto são: • identificação dos símbolos empregados no desenho; • identificação de aberturas; • identificação de projeções; • especificações de materiais e objetos; • instruções sobre a execução. A legenda deve ficar no canto inferior direito nos formatos A0, A1, A2, A3, ou ao longo da largura da folha de desenho no formato A4. Este é o espaço destinado às informações complementares ao desenho como: identificação, escala, datas, áreas, tipologia, referencia, número de peças, quantidades, denominação, material e dimensão em bruto etc. Toda folha deve possuir um selo, no qual são inseridos textos que identificam o desenho, a página, a data do projeto, a data de execução, os responsáveis pela obra, pela execução e proprietários, como mostra a figuras “Layout da folha”. 56 Figura 3 - Layout da folha Fonte: Adaptado de CATAPAN, 2016. #ParaCegoVer: na imagem observamos um retângulo representando uma folha em forma A4 (à direita) e outra maior (à esquerda), locando por linha de chamadas onde devem estar a legenda, o espaço para o desenho e o espaço para o texto. 1.4 Tipos de linhas Os tipos de linhas e suas características devem transmitir informações quanto os elementos que estão mais próximos e mais distantes do observador do objeto, assim como indicar as arestas que estão ocultas por trás da face ou mesmo do observador, então para a escolha de quais linhas deve usar para desenvolver o projeto, é preciso saber onde o observador está e para qual sentido está olhando. As larguras das linhas devem ser escolhidas, conforme o tipo, dimensão, escala e densidade de linhas do desenho, para que a espessura das linhas não prejudique a compreensão do desenho, mas do contrário informem de acordo com o seguinte escalonamento: 0,13; 0,18; 0,25; 0,35; 0,50; 0,70; 1,00; 1,40 e 2,00mm, como mostra a tabela “Convenção tipológica representativa para linhas”. Figura 4 - Convenção tipológica representativa para linhas Fonte: Adaptado de NBR6492. 57 #ParaCegoVer: a tabela é composta de três colunas. A coluna da esquerda representa os tipos de linhas mais utilizados no design de interiores. Já na coluna do meio é a nomenclatura utilizada para designar as linhas da coluna da esquerda. Por fim, a coluna da direita demonstrando sua aplicabilidade. 2. PROJEÇÃO ORTOGRÁFICA OU ORTOGONAL Criada pelo matemático francês Gaspard Monge, criou o sistema de projeções cilíndricas ortogonais, originou-se a Geometria Descritiva que serviu de base para o Desenho Técnico. A projeção ortográfica, representa uma forma ou construção tridimensional projetando as faces paralelas aos planos do desenho, essas são projetadas em tamanhos, formas e proporções reais. Para melhor compreensão, imagine que dentro de um cubo esteja locado o objeto a ser reproduzido, em cada lado do cubo se projetaria de forma paralela e igualmente proporcional cada face do objeto em cada lado do cubo, como podemos observar na imagem abaixo. Agora imagine esse cubo aberto, verifique que a entestação das linhas auxiliares se conecta com as outras faces. As vistas frontais e laterais são projeções ortogonais geradas no plano do desenho vertical, nas quais podemos chamar de elevações, onde representamos alturas, larguras e comprimentos dos objetos. Já as vistas horizontais superiores e inferiores são projeções representadas nos planos horizontais, nas quais podemos chamar de plantas, podemos representar largura, comprimento, mas não as alturas dos objetos. Para elaboração do desenho técnico de um objeto, é indicado: • não se representa a linha de terra, linha onde o objeto estaria apoiado; • a vista de frente deve ser a principal; • esta vista comanda a posição das demais; • a escolha da vista de frente deve ser: a) aquela que mostre a forma mais característica do objeto; b) a que indique a posição de trabalho do objeto, ou seja, como ele é encontrado, isoladamente ou num conjunto; c) se os critérios anteriores forem insuficientes, escolhe-se a posição que mostre a maior dimensão do objeto e possibilite o menor número de linhas invisíveis nas outras vistas; as linhas de contornos e arestas visíveis são desenhados com linha contínua larga; as arestas e contornos que não podem ser vistos, por estarem ocultos pelas partes que ficam à frente, são representados por linhas tracejadas largas ou estreitas, como pode ser visto na figura “Vistas ortogonais”. 58 Figura 5 - Vistas ortogonais Fonte: Adaptado de CATAPAN, 2016. #ParaCegoVer: a imagem mostra um objeto dentro de um cubo transparente, demonstrando a projeção das faces diretamente correspondentes, posteriormente essa forma com as faces representadas nos planos projetados do cubo. 2.1 Cotagem A NBR 10126 tem como objetivo fixar os princípios gerais de cotagem, através de linhas, símbolos, notas e valor numérico numa unidade de medida. As recomendações na aplicação de cotas são: Cotagem tem a função de descrever de forma clara e concisa o objeto, assim como os desenhos de detalhes devem usar a mesma unidade para todas as cotas. Para tanto deve-se evitar a duplicação de cotas, ou seja, é preciso cotar o estritamente necessário; Sempre que possível evitar o cruzamento de linhas auxiliares com linhas de cotas e com linhas do desenho. Sobre as linhas auxiliares devem ser desenhadas como linhas estreitas contínuas. A linha auxiliar deve ser prolongada ligeiramente além da respectiva linha de cota. Um pequeno espaço deve ser deixado entre a linha de contorno e a linha auxiliar. A linha auxiliar deve ser perpendicular ao elemento dimensionado, mas se necessário poderá ser desenhada obliquamente a este (aprox. 60º), porém paralelas entre si. A linha de centro e a linha de contorno não devem ser usadas como linha de cota, porém, podem ser usadas como linha auxiliar. A linha de centro, quando usada como linha auxiliar, deve continuar como linha de centro até a linha de contorno do objeto. 59 2.2 Hachuras São texturas que representam o material no qual o objeto cortado é composto. A NBR6492 nos ilustra algumas das convenções para hachuras, assim como a NBR 12298. A figura “Hachuras” mostra as mais relevantes para o design de interiores. Figura 6 - Hachuras Fonte: Adaptado de NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem acima é composta de exemplos de hachuras com sua indicação ao lado direito. 3. LAYOUT E MOBILIÁRIO RESIDENCIAL Segundo o dicionário Aurélio, a palavra layout significa um esboço ao qual é mostrado a distribuição física com os tamanhos de elementos como texto, gráficos ou figuras em um determinado espaço. Já a palavra Leiaute pode ser definido de várias formas, para diversas situações, é a palavra layout adaptada a língua Portuguesa Brasileira, que pode significar a disposição ou arranjo físico (montagem ou configuração), de determinado local, ambiente, interface gráfica, comunicação impressa ou todo o tipo de disposição de elementos a fim de proporcionar um resultado. Existem diversos tipos de Leiaute realizados de diversas formas em diversas áreas de atuação como: leiaute de escritório, leiaute gráfico, leiaute Industrial etc. O layout de um ambiente 60 residencial, está voltado para o conceito de distribuição física dos elementos dentro de ambiente, sendo de grande importância, pois pode otimizar ou prejudicar as atividades desenvolvidas. Por exemplo: um ambiente pequeno com a mesma distribuição de móveis de um ambiente5 vezes maior pode trazer grande prejuízo para a circulação e atividades que deveriam ser desenvolvidas dentro do espaço. O layout de ambiente pode ser de alguns tipos. Informal • Equilíbrio assimétrico com maior flexibilidade de organização espacial dos elementos inseridos. • Acabamentos aconchegantes e menos brilhosos. • Ambientes claros com iluminação difusa Formal • Equilíbrio simétrico e composição clássica. • Linhas predominantemente retas e verticais. • Acabamentos nobres. • Iluminação mais focada e elaborada. Sofisticado • Acabamentos nobres • Cores sóbrias e brilhosas • Iluminação elaborada Segundo Gurgel (2007), essa composição de elementos físicos, o layout pode ser responsável pela criação da atmosfera dos ambientes, ou seja, do impacto visual e da sensação que o ambiente transmitirá ao usuário, a atmosfera gera aos usuários comandos inconscientes, vamos ver alguns destes comandos. Relaxamento Elaborado a partir do uso de cores neutras e mais suaves, com iluminação difusa e em tons amarelados. Mobiliário confortável e tecidos confortáveis. 61 Espaçosa Utilizando cores frias e neutras em tons claros, são mais indicados quando queremos ampliar os espaços. Caso o ambiente fique muito “frio”, opte por padronagem pequenas e pontos focais de cores mais vibrantes. Aconchegantes Cores quentes são mais aconchegantes do que as frias, porque aproximam o olhar do observador, porém devem ser usadas em ambientes grandes. Faça uso de iluminação mais intimista. O equilíbrio simétrico trazer mais resultado, porém o assimétrico ainda é uma possibilidade. Linhas mais curvas são mais femininas e elementos de decoração podem ajudar muito nessa composição. Dinâmica e estimulantes Essa atmosfera está ligada a ao movimento e estímulo visual, logo as cores mais vibrantes, linhas curvas, quebradas ou angulares devem prevalecer na composição. A distribuição assimétrica é favorável. O layout além de passar informações, de gerar atmosfera, também compõem estilos, que significa o conjunto de tendências, gostos, modos de comportamento característico de um indivíduo ou grupo. Segundo Gurgel (p. 80, 2007) estilo é “a manifestação visual de uma sociedade que vive ou que viveu em determinado momento historio”. Ainda através do estilo são transmitidas informações sobre economia, posição social e costumes. Um bom exemplo, com a revolução industrial e consequentemente a fácil publicação de livros, cresceu a formação de móveis sob encomenda para formar as bibliotecas residências que serviam para demonstrar os livros lidos ou não lidos como símbolo de sabedoria. O estilo vai surgindo com o passar do tempo devido as transformações sociais, econômicas e culturais da sociedade. Conforme Gurgel, o estilo não deve estar ligado apenas aos grandes acontecimentos históricos, mas também a características específicas de um povo, através de suas crenças, costumes e localização. Para formação de um layout eficaz, Gurgel (2007), relata sete princípios: a) equilíbrio: os volumes inseridos no ambiente devem estabelecer um equilíbrio de volume, mesmo que não sejam utilizados em simetria, como podemos ver na figura “Layout propondo equilíbrio”. 62 Figura 7 - Layout propondo equilíbrio Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem apresenta duas plantas baixa de uma sala. Na planta da esquerda há um conjunto de sofá, enquanto na direita tem um conjunto de sofá com poltronas, porém em ambos os casos há equilíbrio entre volumes conforme linha de eixo do espaço. a) harmonia: os elementos devem estar em harmonia de forma a criarem uma atmosfera, caso contrário, elementos conflitantes não chegam ao objetivo desejado. b) unidade e variedade: a repetição de diferentes características em diferentes elementos proporcionará variedade de aplicação, mas unidade do elemento proposto. c) ritmo: dinamismo na composição. Quando a formação dos elementos sugere um movimento do olhar. d) escala e proporção: a proporcionalidade requer atenção para não tornar visualmente estranho e não funcional. Como por exemplo: um lustre da largura da mesa ou até maior. Esse lustre estaria em desproporção a mesa, causando desequilíbrio visual e os usuários da mesa poderiam bater a cabeça no lustre ao se levantarem. e) contraste: o contraste entre os elementos tem a função de realçar as formas e cores dos elementos que compõe o ambiente. f) ênfase e centros de interesse: um projeto precisa de pontos focais, onde precisa direcionar e atrair atenção e acrescentar movimento a composição, todavia cuidado para não criar muitos pontos focais e tornar o ambiente confuso, como mostra a figura “Pontos focais”. 3.1 Mobiliário residencial O mobiliário tem função fundamental para o design de interiores, pois através dele realizamos nossas atividades residenciais. Como exemplo, utilizamos a mesa para realizar nossas refeições e estudar, assim como usamos os armários para armazenar e etc, ou seja, a escolha e elaboração 63 destes podem nos trazer maior conforto, eficiência e saúde, porque um mobiliário mal projetado pode gerar acidentes dentro do espaço, doenças físicas, além das influências psicológicas e funcionais. A elaboração de mobiliário leva em consideração a ciência que procura melhorar a relação homem e meio ambiente, analisando características físicas, psicológicas e fisiológicas de um povo e quais seriam as distâncias e os espaços necessários para ele, esta é a ergonomia. Esta determinou medidas genéricas que podemos tomar como base para elaboração dos projetos de interiores. Uma cadeira, por exemplo, pode ter estética diversa e ter função diversa também, ou seja, uma cadeira de jantar provavelmente não terá a mesma ergonomia de uma cadeira para um home office. Assim como suas formas e materiais expressam um estilo também que será adotado para cada ambiente. Logo antes de projetar ou escolher um mobiliário, observe: 1. Qual local ele estará inserido? Cada ambiente exige uma demanda, que pode influenciar no formato, estética e acabamento do mobiliário. Exemplo: os armários inseridos em áreas molhadas devem estar suspensos do chão para que não sejam danificados pela presença de umidade. 2. Qual função ele desempenhará? Cada mobiliário tem uma função a ser desempenhada, escolha a função para qual será designada e estabeleça medidas compatíveis com a função. Exemplo: Um armário para sapatos, terá o espaçamento entre as prateleiras diferentes do espaço adotado para armazenar ternos pendurados. Observe que o armário citado poderia estar no mesmo ambiente, quarto ou closet, mas devido o objeto que deveria armazenar deve-se varia o dimensionamento e forma, como mostra a figura “Criculação1”. FIQUE DE OLHO O mercado de móveis planejados tem crescido no Brasil e tem ganhado espaço em todos ambientes residenciais devido sua possibilidade de personalidade o mobiliário com estética e dimensionamento específico por usuário. O setor moveleiro tem trazido variedades de materiais e acabamentos neste setor de tal forma que tem atendido a vários níveis econômicos. Pesquise sobre esse ramo moveleiro e a diferença entre móveis planejados e móveis projetados. 64 Figura 8 - Circulação 1 Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem apresenta 5 posicionamentos. Homem sentado, homem agachado, homem semiagachado, homem de perfil sentado, homem de pé. 3. Qual o público que utilizará o espaço? O mobiliário escolhido varia conforme o público que o utilizará, pois, as necessidades mudam e alguns grupos exigem cuidados ainda específicos. 4. É um ambiente protegido contra sol e chuva ou exposto? Alguns materiais e mobiliário não são preparados para os efeitos nocivos dos raios UV e umidade, logo não devem ser utilizados em áreas externas, porém existem materiais que são recomendados por receberem filtros de proteção ou devido seu material ser resistente naturalmente. Para esses casos, utilize mobiliário em madeira natural, poliestireno, vidro, plástico e fibrasnaturais. Os tecidos devem ser impermeáveis e os metais em aço inoxidável. 5. Qual circulação é necessária para seu entorno? Cada mobiliário precisa de uma circulação mínima ao seu redor, seja para abrir as portas ou mesmo para utilizá-lo de forma eficiente, como mostra a figura “Circulação 2”. Figura 9 - Circulação 2 Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem apresenta 5 situações com o corpo humano em 5 situações diversas. 65 As dimensões mínimas recomendadas em centímetros podem variar conforme mobiliário, entretanto as medidas a seguir podem ser consideradas como primeiras referências, para posteriores alterações, caso necessário. A distância entre as mesas de centro e assentos devem ser maiores ser de no mínimo 60 cm, porém sem ultrapassar 70 cm, para não dificultar o acesso à mesa de centro de quem está sentada, como mostra a figura “Layout sala”. Figura 10 - Layout sala Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem representa dois layouts de sala com indicação de medidas entre os mobiliários. Assim como o mobiliário com medidas isoladas. O espaçamento entre os assentos de uma mesa, deve ser de no mínimo 60 cm, mas caso as cadeiras sejam mais largas que 40 cm, aumente o espaço para que as cadeiras fiquem afastadas delas uma da outra no mínimo 20 cm, lembrando que as extremidades das mesas devem ter de 20 a 45 cm, como mostra a figura “Layouts”. 66 Figura 11 - Layouts Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem representa dois layouts de armário com medidas de alturas e sala de jantar com medidas de circulação. Nos dormitórios, o espaçamento entre camas e a parede nunca devem ser inferiores que 50 cm, sendo mais usual 60 cm, porém o ideal é 80 cm. Não esqueça que é importante averiguar qual o tamanho da mesa, pois estão variáveis conforme modelos, como mostra a figura “Circulação no quarto”. Medidas das camas: • Solteiro = 70 cm a 90 cm x 190 cm • viúva = 120 cm x 190 cm • casal = 140 cm x 190 cm • queen = 150 cm x 200 cm • king = 160 x 200 cm • cama box americana = 180 a 200 cm x 210 cm. 67 Figura 12 - Circulação no quarto Fonte: Adaptado de GURGEL, 2007. #ParaCegoVer: a imagem apresenta áreas de circulação entre o mobiliário. Dimensionando alturas para cama e armários, assim como o espaço necessário entre eles. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 68 3.2 Comunicação e signos para design de interiores O design sempre foi um meio de comunicação importante, porque ele carrega em sua forma e organização as escolhas e o desejo do consumo, desejo de aquisição por estar conectado a toda as experiências humanas, seja como o design de moda, tão próximo do consumidor ou longe como o design espacial, determinando assim os grupos sociais. Devido esse produto ser produzido com foco a um grupo, um mercado, para formar um pensamento, uma ideia ou um status social, podemos dizer que o design é das mais fortes formas de comunicação. Logo se a comunicação é a base do sentido da vida e da comunicação humana, o design de interiores residenciais é o mais peculiar, porque estes espaços expressam suas emoções e sensações, mesmo que de forma inconsciente. Através deste, o projetista buscará expressar uma ideia e deixar o ambiente comunicando sensações e a personalidade do seu usuário. Cavalcante (2010) diz que “o design informa algo, para um determinado objetivo, para um ser em um determinado local e tempo. A forma somada à função reproduz um significado. O significado percebido associa-se novamente à forma e se transforma em signo”. Um aspecto, algumas vezes menos explícito, que traz uma carga simbólica que um objeto ou um material pode trazer ao lugar. O símbolo é um sinal de uma combinação que possui significado intercultural adquirido na medida em que representa algo. Estes símbolos são encontrados na religião, na arte, na literatura, nas ciências naturais, na lógica e na filosofia da língua e na variedade da vida diária: o significado dos símbolos se dá muitas vezes de forma associativa, não são determinados de forma clara: sua interpretação é dependente de cada contexto. A função de projetar está inserida no campo de produção cultural e se relaciona aos costumes e crenças de grupos sociais, a um contexto de uso e a relações de mútua influência, logo móveis e objetos personificam as relações humanas, povoam o espaço que essas relações dividem entre si e podem ou não se revestir de uma alma; aqui, entendida como um significado, ainda que não de forma explícita. Os objetos de desejo inseridos nos interiores, também podem ser percebidos a partir do conceito de Cavalvante aput Zevi (1978, p. 18) “espaço que não pode ser representado perfeitamente de forma alguma, que não pode ser conhecido e vivido a não ser por experiência direta”. Esse protagonismo do espaço interior nos motiva a repensar o uso dos mais diversos tipos de objetos, dentre eles os objetos de design e obras de arte, como fator relevante no processo perceptivo de nossa cultura, de nossos signos de consumo. O usuário se sente atraído por um espaço baseado em suas memórias e de forma inconsciente, logo estão envolvidas questões culturais e experiências pessoais, este desenvolve uma relação ligada aos processos múltiplos e sensoriais de percepção, de forma que homem, espaço, objetos e significados se partilham, sobretudo, a partir de uma nova percepção de bem- 69 estar, contrariamente ideia de que o consumo deve acontecer a partir da necessidade, ou seja, o consumo deveria ocorrer a partir de uma escolha. Uma escolha individual e coletiva, sendo uma resposta a uma força de atração exercida pelas novas oportunidades e ideias de bem-estar. Uma nova oportunidade de consumo são as melhorias tecnológicas introduzidas com a intenção de aumentar a ecoeficiência de produtos e serviços — por motivos enraizados na complexidade do sistema sociotecnológico como um todo. Porém esse pensamento não teve nenhuma redução de consumo em geral. Estão sendo desenvolvidos produtos se que tornem mais acessíveis e sustentáveis, mesmo assim ainda há peças do design que não são acessíveis para a maior parcela da população mundial. A questão da sustentabilidade e impacto ambiental, não é uma questão discutida recentemente, pelo contrário, já é discutida a mais de um século dentro deste ramo. Já nos anos 60, as sociedades de desenho industrial declararam o meio ambiente como questão central para o planejamento do design mundial. Apesar dessa preocupação histórica, há um atrito ideológico de que ao trabalhar com desejos, o usuário desconectado com questões coletivas, pode priorizar aspectos meramente luxuosos. A simbologia de um objeto de luxo está vinculada à representação de status, que podemos traduzir como ideia de pertencimento. A tipologia do material também é um elemento representativo de pertencimento social. Muita dessa carga figurativa é criada e condicionada pelo contexto sociocultural do lugar. O anseio de aceitação social e a vaidade mediante a necessidade de elogios podem interferir na concepção de um projeto de interiores, criando um ambiente totalmente impessoal e estranho aos proprietários ou até mesmo, ambientes que estão seguindo um modismo, tendências e não representam a personalidade dos seus usuários. Todas essas questões nos permitem refletir sobre o tipo de sociedade na qual o designer precisa atuar e na qual ele precisa dominar conceitos que podem comprometer a concepção, precisamos enquanto design no questionar sobre nossa responsabilidade social. Porque a função social do designer passa da ideia inicial: projetar, idealizar, pois as marcas do futuro já se pronunciam nas ideias contemporâneas, buscando em estudos que possam refletir futuramente um compromisso com o meio ambiente e com as pessoas que habitarão o planeta, como também estudos que favoreçam as relações humanas com objetos forma saudável e acessível a todos. Pensar em design requer, necessariamente, refletir sobre conceitosvitais para o capitalismo, como uso e consumo e apropriação dos objetos como signos do design. O design relaciona três elementos muito importantes para a formação dos signos: comportamental, visceral e reflexiva. Esses por sua vez combinam emoção e cognição. 70 Onde o designer deve adquirir a habilidade de combinar a resolução técnica da forma criada aos fatores sociais e estéticos quanto a sabedoria de prever os impactos econômicos, políticos e ambientais. A forma de produzir tem sido repensada de forma a incluir conceitos de sustentabilidade, pertencimento e acessibilidade. Muitos designeres famosos já afirmaram se envergonhar de antigos projetos e hoje desenvolvem funções mais voltada com finalidade social e sustentável, como exemplo o próprio desenvolvedor do espremedor de cítricos, Philippe Starck. O design deve se perguntar: Qual o impacto do meu trabalho sobre a sociedade e o ambiente? E, ainda, como contribuir para criar um futuro viável, uma sociedade de consumo sustentável de bens usáveis e duráveis? A sociedade na qual estamos inseridos nos faz esquecer a racionalidade e nos faz agir de modo visceral e, sem pensar, compramos para pertencer, para ser percebido. Repensar nossos usos, a reutilização de nossos objetos, repensar nossas práticas deve nos levar a um caminho da essencialidade, da busca constante do ser significante. Além disso, no caso do design de interiores, o rigor deve existir também na hora de sugerir materiais e equipamentos para o ambiente. O designer atua na gestão dos objetos ambientes que devem ser físicos e espaciais, mas também simbólicos e cognitivos no sentido de autorretratarem a essencialidade e não o que é transitório. Em vez de seguirmos a ditadura da moda, vigente em todas as áreas, mas exacerbada no design em todas as suas ramificações, exige romper com a lógica do traduzir esta questão no design significa que aos profissionais do campo são vitais as responsabilidades social, ambiental e moral. Esta atitude ética, do nosso ponto de vista, só é possível com o domínio da lógica técnica e tecnológica e com a sensatez da estética durável, de ciclo longo, sobretudo para os objetos ambientes. Para que isto ocorra, entendemos ser relevante a formação crítica do profissional, a partir do diálogo do campo do design com outros saberes legitimados, como a comunicação, a sociologia e a psicologia. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 71 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • aprender sobre o desenho técnico e sua aplicabilidade nas diferentes formas de desenho, inclusive o design de interiores; • observar que as projeções ortogonais são a melhor representação de um objeto em 2d; • verificar que um bom layout leva em consideração muitos elementos e que o mobi- liário é muito importante porque ele agrega função, estética e ajuda na formação de uma atmosfera do ambiente; • saber que o design cria muito mais que objeto e compõe ambientes, mas também transmite sensações e comunica ideias e culturas; • ver que o design tem uma responsabilidade social quanto a sua função e produção para trazer ao ambiente, tornando-o mais acessível e sustentável. compreender as alterações dermatológicas; • identificar as diferentes causas de alterações dermatológicas; • identificar os cuidados de enfermagem em pacientes com alterações dermatológicas; • identificar os cuidados de enfermagem durante a punção lombar; • identificar os cuidados de enfermagem durante a administração de quimioterápicos. PARA RESUMIR ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6492: representação de projetos de arquitetura. 1994. Rio de Janeiro, 1994. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2015. Rio de Janeiro, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) NBR 15.575-3: 2013, edificações habitacionais – desempenho – parte 3: requisitos para os sistemas de pisos. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. CAVALCANTE, M.; GAIA, R.; LINS, P.; RAPOSO, Á. Signos do design de interiores: interfaces entre uso, consumo e arte. Revista Signos do Consumo, v.2, n.1, 2010. pp. 108-127. GURGEL, M. Projetando espaços: design de interiores. São Paulo: Senac São Paulo, 2007. MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: a arte de viver bem. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2004. PRONK, E. Dimensionamento em Arquitetura. 7.ed. João Pessoa: Universitária/ UFPB, 2003. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Projeto executivo Você está na unidade Projeto Executivo. Conheça aqui a fase na qual todas as ideias desenvolvidas nos croquis e no anteprojeto recebem maior atenção e detalhes. O objetivo é informar com precisão e de forma complexa tudo que se deseja executar na obra, para eliminar toda a dúvida para execução do projeto idealizado. Para tanto, necessitamos de maior riqueza de detalhes, medidas e especificações para que o projeto executivo esteja pronto para ser orçado e planejado para, assim, serem encomendados materiais e finalmente se iniciar a obra propriamente dita. Bons estudos! Introdução 75 1. PROJETO EXECUTIVO O projeto executivo foi, por muito tempo, desenvolvido somente à mão com auxílio de instrumentos técnicos (esquadros, escalímetros, gabaritos, compassos etc). Atualmente fazemos uso de tais instrumentos para o desenvolvimento do anteprojeto, porém ainda são muito relevantes para o desenvolvimento de noções de medida e alimento para a mente, reforçando a estrutura da imagem gráfica resultante. Os projetos executivos desenvolvidos com auxílio de softwares específicos para a área de desenvolvimento de projetos têm trazido grandes vantagens para a compatibilização de projetos, auxiliando na redução de erros na obra. Sendo desenvolvidos à mão ou com auxílio de computador, os projetos seguem normas de desenho bem específicas. Veremos como as informações devem estar inseridas em toda planta baixa, elevações, cortes e detalhes. 1.1. Planta baixa A planta baixa é como um corte horizontal, ou seja, tente imaginar um bolo no qual você cortaria na horizontal, como se estivesse se preparando para recheá-lo. Então você retiraria a primeira camada e olharia para a camada que equivale ao meio para base do bolo, a que está no prato ainda. Essa visualização, em representação ortogonal, seria a planta baixa do bolo e o prato o terreno. Assim são as plantas baixas, Essa visualização, em representação ortogonal, seria a planta baixa do bolo e o prato o terreno. Assim são as plantas baixas, representam um corte horizontal a 1,50 m do piso do ambiente, podendo variar conforme a natureza do desenho, olhando em direção ao piso no qual o observador deseja representar. É uma representação ortogonal da vista de cima. A planta baixa objetiva trazer informações referentes à largura, profundidade e posicionamento. É representada baseada em normas técnicas de representação gráfica formando uma linguagem específica e muito significativa. Apesar de alguns profissionais adaptarem algumas representações, a norma técnica existe para reduzir problemas de leitura do projeto, principalmente porque será repassado para outros profissionais que deverão “ler” este projeto, logo é importante que ele esteja dentro das normativas para evitar erros de interpretação. As plantas baixas representam paredes, pilares, formas e dimensões, aberturas de portas e janelas, assim como conexões entre os ambientes internos. O plano de corte que representa a planta baixa deve passar por todas as paredes, porém ainda deve ser representada na planta baixa piso, todas as bancadas e louças sanitárias, assim como as áreas molhadas devem receber destaque. 76 1.2 Representação gráfica da planta baixa Conforme NBR6492 as plantas baixas devem conter: • simbologia de representação gráfica conforme a NBR6492; • indicação do norte: não é comum a indicação do norte, quando estamos representando um ambiente de uma residência. É exigido por norma, tratando-sede projetos arqui- tetônicos, porém a indicação do norte é importante para informar sobre orientações de ventilação e iluminação, informação relevante para posicionamento de esquadrias, mobiliário, vegetação etc. Essas informações são importantes porque podem determinar decisões, como por exemplo a decisão de colocar um móvel revestido com folha natural de madeira perto de uma janela onde incide sol da tarde, o que pode prejudicar este mobiliário; • indicação de curvas de nível: também não exigido em projetos de ambientes residenciais, mas sim projetos arquitetônicos e pode não parecer importante para o design de interio- res, porém, se pensarmos melhor, a altitude influencia nos ventos e propagação do som, logo todo o entorno é importante; • caracterização dos elementos do projeto: fechamentos internos e externos, acessos, circulação vertical e horizontal, área de serviços e demais elementos cognitivos. Não tem como fazer uma boa representação gráfica sem demonstrar onde estão as portas, jane- las, escadas etc, como mostra a figura “Planta baixa”; Figura 1 - Planta Baixa Fonte: Viktoriya, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: a imagem ilustra uma planta baixa com todos itens necessários segundo norma técnica, como cotas, paredes, espessuras de traço, indicação de área, sistemas de abertura, acessos, etc. • eixo do projetos: exigido para projetos arquitetônicos e dispensável em projeto de interiores; 77 • sistema estrutural: não é sempre obrigatório para o projeto de interiores, porém muito relevante para quem executa o projeto, já que não se perfura colunas ou vigas, não sen- do assim possível relocar instalações prediais para estes, por exemplo; • marcação de cortes e fachadas: é importante indiciar onde os cortes, fachadas e eleva- ções estão passando pela planta baixa. Para que se possa identificar por onde passam os cortes e elevações para melhor compreensão. A indicação da direção da seta é a direção que o observador deve olhar, como mostra a figura “Simbologia de indicador de corte”; Figura 2 - Simbologia de indicador de corte Fonte: Baseado na NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem mostra a representação gráfica de um símbolo de corte. Com indicação das alturas dos textos e dimensão dos símbolos, segundo NBR6492. • marcação dos detalhes e ampliações: estas indicações são como norteadores para os executores e orçamentários descobrirem qual parte da planta se refere ao detalhamento inserido no projeto. Quando ocorre omissão dessa informação fica confuso e propício ao erro de interpretação; • marcação de projeções de elementos significativos acima ou abaixo dos plano de corte: informação importantíssima, pois indica onde existem vigas, prateleiras, cobertas, es- cadas, entre outros objetos acima da linha imaginária de corte horizontal de 1,50 m de piso; • indicação dos nomes dos compartimentos com respectiva área útil e numeração para indicação de acabamentos: todas informações de área útil serão muito válidas para as tabelas de quantitativos e orçamentos, como mostra a figura “Indicação de ambientes”; 78 Figura 3 - Indicação de ambientes Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem ilustra uma planta baixa com indicação de simbologia para esquadrias, cotas de nível e nomenclatura dos ambientes. • todas as cotas necessárias para execução da obra: é impossível executar bem um projeto sem saber as cotas do projeto, caso contrário tudo se torna não preciso. Cabível de erros graves que podem custar tempo e dinheiro da execução e do planejamento da obra; • cotas de nível do piso em osso e acabado: é importante saber esta informação, inclusive para o design de interiores, porque os pisos são diversos e suas espessuras também, logo é preciso saber quando o contrapiso é necessário para cada ambiente, de forma a se manterem os níveis de piso desejados. Imagine um banheiro que deve ter cota de nível 2 cm abaixo do piso do corredor. Este último terá piso vinílico e o primeiro piso em porcela- nato esmaltado. Caso a cota de osso seja a mesma, o nível acabado não será o desejado e sim o contrário, o piso do banheiro ficará mais elevado do que o do corredor, porque este de 1,5 cm, enquanto o vinílico tem 2 mm, como mostra a figura “Cotas de nível”; Figura 4 - Cotas de nível Fonte: Baseado em NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como deve ser representada a cota de nível para planta baixa e corte, assim como a altura dos textos e a dimensão dos símbolos. 79 • escalas: informa proporção de redução ou ampliação que o projeto está representado, ou seja, uma escala de 1:20, quer dizer que a medida de 4 m no papel, está dividida por 20 e é representada 20 vezes menor que o tamanho real, logo corresponde a 0,02 cm no papel, como mostra a figura “Indicação de nomenclatura da planta baixa”; Figura 5 - Indicação de nomenclatura da planta baixa Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem indica como a nomenclatura da planta baixa pode ser feita. Nesta indicação deve ser informado a escala, o nome do desenho e a numeração do desenho. • notas gerais, desenho de referência e carimbo: composto de informações importantes e relevantes, como identificação do desenho, quantidade de páginas, versão do mesmo, responsável técnico, dados do cliente etc, como mostra a figura “Selo do projeto”; Figura 6 - Selo de projeto Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem representa o exemplo de um selo que deve constar em todas as folhas que compõem o projeto. 80 Para início do desenvolvimento de uma planta baixa, Ching (2011) recomenda seguir os passos que citaremos a seguir: • trace a linhas principais linhas que presentam as paredes e os elementos estruturais com traço fino, como mostra a figura “Traços iniciais para planta baixa”; Figura 7 - Traços iniciais para planta baixa Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra os primeiros traços que devem ser realizados para início da elaboração do projeto. • depois dê espessura necessária a cada linha, conforme a informação que deseja passar, muito importante esta etapa, pois os elementos estruturais cortados e paredes devem receber espessura mais grossa, segundo NBR6492, devem ter por volta de 0,6 mm do que os elementos em vista, indica-se 0,1 mm, como mostram as figuras “Planta baixa sem espessura das paredes” e “Traçado das paredes com espessuras”; Figura 8 - Planta baixa sem espessura das paredes Fonte: Elaborado pela autora, 2020. FIQUE DE OLHO A representação gráfica do projeto executivo é regimentada por norma regidas pela ABNT NBR. É importante estamos atentos para todas as normas vigentes e suas atualizações. São NBR’s à serem lidas e estudadas: 10067 – 1995 ; 10068 – 1987 (NBR 933); 10126 – 1998; 10582 – 1988; 13142 – 1999; 13272 – 1999; 14611 – 2000; 8196 – 1999; 1191 – 1982; 8403 – 1984; 6492 – 1994 (NBR 43); 8402 – 184; 12298 – 1995. 81 #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, porém sem a espessura que diferencia as alturas dos elementos. Figura 9 - Traçado das paredes com espessuras Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas e espessuras indicadas. • desenhe os elementos como: janelas, portas, aberturas para passagem, conexões entre ambientes e escadas. As portas devem ser presentadas abertas para indicação do tipo de abertura, já as janelas são indicadas apenas por duas linhas médias no meio da parede, que deve estar em linha fina, neste momento, como mostra a figura “Planta baixa com esquadrias”; Figura 10 - Planta baixa com esquadrias Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, espessuras e esquadrias indicadas. • por fim faça os detalhes que podem ser representados conforme a escala escolhida, como pisos, corrimões, louças sanitárias etc, como mostra a figura “Planta baixa com layout”; 82 Figura 11- Planta baixa com layout Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, espessuras e layout. • indique as projeções existentes, como cobertas, planos de escadas, vigas e vazios etc. Alguns elementos, como escadas, por exemplo, se iniciam no nível do piso, porém vão se entendendo e chegam até o piso superior, logo tudo que está acima do plano de corte, deve ser representado em traço dois pontos, conforme norma, outros autores indicam apenas tracejado, porém é cabível de má interpretação já que o tracejado deve ser usado para representação de elementos ocultos por outros elementos ou para indicar abertu- ras, como mostra a figura “Planta baixa com projeções”; Figura 12 - Planta baixa com projeções Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, espessuras, layout e projeções. • hachuras são preenchimentos com linhas e formas geométricas dentro dos elementos, servem para dar destaque a elementos cortados ou distinguir áreas e materiais, como por exemplo, as áreas molhadas. A espessura destas também informa a altura dos ele- mentos representados em planta baixa em relação ao plano de corte. A forma de ha- chura, cores e formas, dependerá da escala e o objetivo do destaque pretendido, como 83 mostra a figura “Planta baixa com hachuras”; Figura 13 - Planta baixa com hachuras Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, espessuras, layout e hachuras. • por fim informe as medidas, os nomes dos ambientes, os níveis dos pisos e as áreas, assim como o nome do desenho, indicação de cortes e a escala, como mostra a figura “Planta baixa completa”. Figura 14 - Planta baixa completa Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer:a imagem demonstra como uma planta baixa com as paredes desenhadas, espessuras, layout e hachuras, cotas e textos. 84 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 ELEVAÇÕES As elevações são representações gráficas de projeções ortogonais de uma vista vertical paralela ao observador. São indicadas em plantas por simbologia que devem constar a numeração da elevação, assim como a prancha de desenho na qual estará inserida o sentido do observador. As elevações, diferentemente dos outros desenhos, não são elementos cotados, mas sim apenas em vista, assim como indicado por NBR6492 no que se refere às fachadas. É indicado hachurar, fazer preenchimento com cores e/ ou texturas, os elementos para os distinguir por tipos de materiais, assim trará uma representação na qual o leitor perceberá quando no projeto contém materiais distintos. As elevações devem conter: • eixos do projeto; • indicação de cotas de níveis acabado e osso; • indicações gráficas dos materiais; • marcação dos detalhes; • escalas; • notas gerais, desenhos de referências e carimbo. 2.1 Cortes e detalhes Os cortes são representações gráficas, projeções ortográficas que servem para informar as 85 alturas, formas e detalhes de todos itens que compõem o projeto no sentido vertical, como no exemplo citado para a planta baixa, imaginando um bolo fatiado na horizontal, já para o corte, devemos imaginar ele sendo cortado na vertical, como se estivesse tirando uma fatia do bolo. O objetivo dos cortes é demonstrar as caraterísticas internas dos elementos “cortados”, como os materiais e a forma que estão distribuídos o mobiliário e elementos fixos de uma edificação. Devem ser mantidas as mesmas proporções utilizadas para desenhar as plantas baixas, ou seja, devem ser usadas as mesmas escalas para facilitar a preensão e evitar erros de proporções. Conforme Ching (2011), os cortes são a melhor forma para a representação de cheios e vazios de uma edificação, também são a melhor representação das relações entre a coberta e a edificação, assim como das esquadrias e conexões com pavimentos e ambientes internos. Em um mesmo corte pode haver demonstração de elevação dos elementos que não foram cortados com os elementos cortados, como mostra a figura “Relação entre cortes e elevações”. Figura 15 - Relação entre cortes e elevações Fonte: Baseado em CHING, 2011. #ParaCegoVer: a imagem demonstra que um corte pode ter elementos em que estão passando por secção e outros que estão mais afastados do observar, tais elementos estariam em elevação. Segundo a NBR6492, deve estar representado no corte as seguintes informações ou elementos: • eixos do projeto; • sistema estrutural; • indicação de cotas verticais; • indicação de cotas de níveis acabado e osso; • indicações gráficas dos materiais; • fechamentos externos e internos; 86 • circulações verticais e horizontais; • áreas de instalação técnica e de serviço; • cobertura/telhado e captação de águas pluviais; • forros e demais elementos significativos; • marcação dos detalhes; • escalas; • notas gerais, desenhos de referências e carimbo; • marcação dos cortes transversais nos cortes longitudinais e vice-versa. Para continuar com a experiência do exemplo de planta baixas demonstradas, veremos a elevação de uma cozinha, em que encontramos todos itens indicados acima. Para a elaboração de elevações e cortes, siga o mesmo passo a passo realizado para as plantas baixas. Os cortes para interiores geralmente são representados em escalas de 1/20 e 1/50, porém mesmo nestas escalas maiores, que normalmente são usadas para a arquitetura, se faz necessário o uso de escalas ainda menores para demonstrar detalhes importantes, esses detalhes podem chegar até a serem representados na escala de 1/1. O que vai determinar a escala na qual o detalhamento será produzido é a necessidade de visualização dos elementos necessários para passar informações importantes de execução, portanto, para a produção de um detalhamento assertivo, é preciso conhecer todas partes que compõem o trecho a ser detalhado e ter conhecimento de como pode ser executado, para assim definir a melhor forma de execução, acabamentos e materiais utilizados. Caso contrário, fica inviável de produzir um detalhamento corretamente, imagine um designer de interiores que se propõe a detalhar o acabamento de uma bancada de porcelanato sem saber como esta pode ser feita. Provavelmente esse detalhamento não teria informações corretas. O profissional de interiores e arquitetura deve dominar muitas técnicas de execução para que sua capacidade criativa não seja limitada pela falta de conhecimento de como executar uma excelente ideia, como pode ser visto nas figuras “Indicação de detalhes em planta” e na “Indicação de detalhe no corte”. 87 Figura 16 - Indicação de detalhes em planta Fonte: Baseado em NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem demonstra como deve-se representar a indicação de detalhamento em planta baixa, segundo norma brasileira 6492. Figura 17 - Indicação de detalhe no corte Fonte: Baseado em NBR6492. #ParaCegoVer: a imagem ilustra indicação de chamada para visualização de detalhe presente no corte de um corrimão de uma escada. Antes de iniciarmos o estudo das perspectivas residenciais de interiores, vamos definir o que seria perspectiva. A palavra perspectiva significa ver através de, segundo Montenegro (2017), perspectiva é a representação de um objeto como as pessoas o veem, ou seja, em 3D (três 88 dimensões), enquanto todos as plantas, elevações, cortes e fachadas são em 2D. As perspectivas nos dão a noção de volume, de conjunto, de um todo, mas não podemos tirar medidas delas. Para iniciar um desenho em perspectiva, é preciso conhecer bem a linha do horizonte (LH). Como o exemplo citado a seguir, a perspectiva muda dependendo da altura do observador e assim a LH também, ela sempre deve ser na altura do observador, como mostra a figura “Posicionamento do observador”. Figura 18 - Posicionamento do observador Fonte: Baseado em MONTENEGRO, 2010. #ParaCegoVer: a imagem demonstra três perspectivas a mão livre, decima para baixo, com observador visualizando um livro de abaixo da linha do horizonte, visualizando o livro na altura da LH e por último visualizando o livro acima da LH. O ponto de fuga é onde as linhas paralelas se inclinam para se encontrarem na LH. Vejamos o seguinte exemplo, em que conectamos as extremidades do retângulo de encontro ao ponto de fuga e, assim, podemos visualizar o objeto em 3D. Em cada conjunto de retas paralelas podemos ter um ponto de fuga diferente, ou seja, como poderemos ver na figura a seguir, um mesmo objeto pode ter até dois pontos de fuga. Em que ocorrerão linhas convergentes para a esquerda e outras para direita. Vamos iniciar então uma perspectiva de interiores sem escala com um ponto de fuga, seguindo os passos a seguir: 1. desenha a LH; 2. desenhe uma retângulo; 89 3. indique os pontos de fuga acima da caixa; 4. faça as linhas convergentes das extremidades até o ponto de fuga; 5. faça assim com todos objetos, como se inseridos dentro do retângulo e indo de encontro ao ponto de fuga, como pode ser visto na figura “Um ponto de fuga”. Fonte: Baseado em MONTENEGRO, 2010. #ParaCegoVer:a imagem demonstra uma perspectiva a mão livre com um ponto de fuga, criada através de um retângulo, das arestas deste as linhas convergem para se encontrar em um ponto na linha do horizonte. A perspectiva com dois pontos de fuga também segue os mesmos passos iniciais, porém com dois pontos de fuga. Siga os passos 1 e 2, como mostra a figura “Observador”. 90 #ParaCegoVer: a imagem demonstra uma perspectiva a mão livre com dois pontos de fuga com o observador apontando para esquerda e direita que são para onde as linhas convergentes devem se encontrar. 1. indique uma linha vertical que indicará uma aresta da caixa; 2. indique os pontos de fuga acima da caixa que devem estar afastados ao máximo um do outro. São as linhas convergentes que são da linha do observador em direção dos lados 3. 3. esquerdo e direito do objeto à ser feita a perspectiva. 4. faça as linhas convergentes da caixa de encontro ao dois pontos de fuga. 5. desenhe uma face do objeto de acordo com um dos lados da caixa e posteriormente faça as linhas convergentes do outro lado e assim sucessivamente. 6. apague as linhas da caixa. 7. faça o tratamento artístico, como mostra a figura “Perspectiva com dois pontos de fuga”. 91 Figura 19 - Perspectiva com dois pontos de fuga Fonte: Baseado em MONTENEGRO, 2010. #ParaCegoVer: a imagem demonstra uma perspectiva a mão livre com dois pontos de fuga, criada a partir do princípio de desenhar a caixa para então iniciar o desenho de outros elementos internos. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 PERSPECTIVA CÔNICA Falando de forma genérica, a perspectiva cônica é a projeção da sombra de um objeto sobre o plano horizontal ou geometral, derivada de uma fonte de luz. Como se colocasse um livro exposto ao sol, a projeção da sombra deste livro sobre um plano, este é o conceito da perspectiva cônica. 92 Segundo Ching (2011), é uma técnica de representação de volumes e relações espaciais que mais se assemelham a forma do observador enxergar, que permitem o reproduzir em direções específicas, a partir de um ponto de partida. Apesar das pessoas enxergarem com os dois olhos, chamada visão binocular, a perspectiva cônica proporciona a visão como de pôr um olho só. Atualmente podemos contar com uma grande variedade de programas que auxiliam na produção de uma perspectiva, desde a modelagem até o chamado render que pode proporcionar ao cliente um fotorrealismo do ambiente projetado, como mostra a figura “Perspectiva com auxílio de software 3D”. Figura 19 - Perspectiva com auxílio de software 3D Fonte: Elaborado pela autora, 2020 #ParaCegoVer: a imagem demonstra que uma perspectiva que foi produzida a partir de uma modelagem com software Sketchup e renderizada em outros softwares, o 3dMax, fabricado pela AutoDesk. FIQUE DE OLHO O sistema BIN (Building Information Modeling) veio para ficar. É uma nova forma de projetar que distingue os elementos, gerencia quantitativos e orçamentos, compatibiliza projetos complementares ao projeto de arquitetura, automatizando detalhes, análise de documentos e logística. Representa até a quinta dimensão os projetos desenvolvidos, enquanto o CAD não distingue elementos e reproduz em desenhos em 2D e 3D. 93 O software mais usado para modelagem já possui uma predefinição de um ou dois pontos de fuga, assim como a perspectiva isométrica e vistas ortogonais. Os programas mais usados são o sketchup e 3dMax, usando como render’s o Vray, Lumion, entre outros. Com a crescente utilização do sistema BIN, tais softwares têm agregado as funções de modelagem e render também. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 94 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • entender o que é um projeto executivo e como deve ser feito; • compreender os elementos de uma planta baixa; • saber como são feitas as representações gráficas das plantas baixas; • aprender sobre as elevações; • conhecer os cortes e detalhes das plantas; • compreender a perspectiva cônica. PARA RESUMIR ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6492: representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro, 1994. CHING, F. D. K. Representação gráfica em Arquitetura. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. CHING, F. D. K.; JUROSZEK, S. P. Representação gráfica para desenho e projeto. Barcelona: Gustavo Gili, 2001. MONTENEGRO, G. Desenho arquitetônico. 4. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1978. MONTENEGRO, G. Perspectiva dos profissionais: sombra – insolação – axonometria. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2010. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS O livro Projetos de interiores residenciais é direcionado para estudantes de cursos de design de interiores. Além de abordar assuntos gerais, o livro traz conteúdo sobre metodologia de projetos residenciais; arquitetura de interiores e o mobiliário residencial – quartos e salas; e projeto executivo. Após a leitura da obra, o leitor vai entender o que é um projeto executivo e como deve ser feito; compreender os elementos de uma planta baixa; saber como são feitas as representações gráficas das plantas baixas; aprender sobre as elevações; verificar quais questionamentos são necessários para a realização do projeto; reconhecer a importância de cada fase do projeto para a geração do todo; instruir-se sobre os ambientes de uma residência que devem estar de acordo com as necessidades, rotina e cultura dos usuários; perceber que o design tem uma responsabilidade social quanto a sua função e produção. E não é só isso. Tem muito mais. O livro tem muito conteúdo relevante. Agora é com você! Aproveite. PROJETO DE INTERIORES COMERCIAIS (Projeto de Arquitetura de Interiores Comerciais) (Parte 2) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Rotelli, Vanderlei. Projeto de interiores comerciais / Vanderlei Rotelli ; Ailton dos Santos Silva. – São Paulo: Cengage, 2020. Bibliografia. ISBN 9786555581157 1. Design de interiores - Comercial. 2. Arquitetura – Design de interiores. 3. Silva, Ailton dos Santos. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Vanderlei Rotelli Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Docência para o Ensino Superior pela Universidade Cidade de São Paulo, Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e doutorando pela mesma instituição. Atualmente é professor no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Paulista (UNIP) e na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) Ailton dos Santos Silva Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Guarulhos-1990, Mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie -1998 na área de Design e Multimídia e Doutorado em Design e Arquitetura pela Universidade de São Paulo-FAU USP -2008, na área de Design de Interface e Usabilidade de Web Sites. Atua no ensino superior há 29 anos com experiência em ensino de Design e Arquitetura. Os interesses de pesquisas norteiam em Novas Tecnologias, Mídias Digitais, Arquitetura de Informação, UX Design, Design Colaborativo e Arquitetura e Urbanismo. Possui publicações nos segmentos do design, usabilidade, novas tecnologias e artes gráficas, com apresentações de artigos em Congressos Internacionais. Possui conhecimento em projetos de Design Gráfico/Digital, Produto, Arquitetura e Interiores. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Projetos de interiores comerciais ...............................................................................11 Introdução.............................................................................................................................................12 1 Projetos Comerciais ........................................................................................................................... 13 2 Metodologia de projeto ..................................................................................................................... 13 3 Metodologia para projeto comercial ................................................................................................. 14 4 Estudos aprofundados ....................................................................................................................... 17 5 Geração de alternativas ..................................................................................................................... 21 6 Mobiliário comercial .......................................................................................................................... 26 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................33 UNIDADE 2 - Desenho técnico, layout, projetos comerciais e executivos .........................................35 Introdução.............................................................................................................................................36 1 Expressão gráfica ............................................................................................................................... 37 2 Desenho técnico no projeto de interiores ......................................................................................... 44 3 Layout e desenho de mobiliário ......................................................................................................... 55 4 Projetos comerciais ............................................................................................................................ 63 5 Etapas do projeto executivo ............................................................................................................... 67 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................70 UNIDADE 3 - Projeto de serviços ....................................................................................................73 Introdução.............................................................................................................................................74 1 Definições ..........................................................................................................................................75 2 Metodologia ....................................................................................................................................... 76 3 Briefing ...............................................................................................................................................80 4 Geração de alternativas ..................................................................................................................... 83 5 Definição da alternativa ..................................................................................................................... 88 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................91 UNIDADE 4 - Arquitetura de interiores, mobiliário de serviços e projetos .......................................93 Introdução.............................................................................................................................................94 1 Arquitetura de interiores x decoração ............................................................................................... 95 2 Arquitetura comercial ........................................................................................................................ 95 3 Mobiliário de serviços ........................................................................................................................ 101 4 A entrega do projeto .......................................................................................................................... 103 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................106 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................107 Esta é uma obra que trata de projetos de interiores direcionados exclusivamente aos espaços comerciais. Aqui você conhecerá, em quatro unidades, os temas fundamentais para entender todos os aspectos dessa área. Mãos à obra! A primeira unidade tratarádos projetos comerciais, abordando o conceito de metodologia para esse segmento. Vamos explorar aqui o que é uma metodologia de projeto, ou seja, qual o melhor sistema ou a melhor forma para que você elabore seus projetos de maneira simples e rápida. Veremos os pontos em comum nos principais métodos de criação de projetos e ofereceremos suporte para que você crie sua própria metodologia e possa aplicá-la na criação de seus desenhos. Na sequência, explicaremos formas de gerar ideias e alternativas para um mesmo espaço, colocando ideias no papel e facilitando o entendimento e a clareza de nossas propostas. O conteúdo oferecerá ferramentas para avaliação das vantagens e dos pontos fracos de cada uma delas, além de mostrar a importância do mobiliário para o projeto comercial, e como este pode nos ajudar a melhorar o uso e a circulação desses espaços. Já na unidade 2, serão abordados os seguintes assuntos: desenho técnico, layout, projetos comerciais e executivos. Vamos apresentar as etapas de desenvolvimento de um desenho técnico arquitetônico e de interiores e os elementos que fazem parte do universo dos projetos de interiores apoiados nas normas da ABNT para a otimização dos projetos. Aqui, você aprenderá a desenvolver layouts em plantas e perspectivas desde a concepção, tanto à mão livre quanto com o uso de softwares gráficos, permitindo que a apresentação ao cliente final seja eficaz. Finalizando a unidade, serão conhecidas as etapas do projeto executivo, apoiadas também em projetos comerciais. A unidade 3 vai introduzir os projetos de serviços. Será apresentado o conceito de metodologia para projetos de interiores de prestação de serviços para que você possa compreender qual a melhor forma de elaborar seus projetos de interiores para a área de prestação de serviços. Visitaremos um pouco a criatividade nessa área, e de que forma o profissional pode trabalhar no sentindo de gerar ideias e alternativas diferentes para um mesmo espaço tendo em vista as vantagens e as desvantagens de cada uma das opções que foram criadas. Tendo concluído esse estudo, você terá condições de escolher a alternativa que atenderá de forma mais completa as demandas do cliente. PREFÁCIO Finalizando esta obra, a unidade 4 abordará a arquitetura de interiores, o mobiliário de serviços e projetos. Você saberia definir a arquitetura de interiores e em que ela difere da decoração? Entenda essas peculiaridades logo no início desta unidade. Aqui, vamos tratar do merchandising visual aplicado ao projeto comercial e suas implicações e descobrir por que a arquitetura comercial ganhou notoriedade nas últimas décadas. Em seguida, o comportamento do consumidor e as necessidades projetuais diante desse comportamento serão discutidos. E não poderia ficar de fora desta obra uma explicação das etapas de desenvolvimento de um projeto comercial e as necessidades do mobiliário de serviços, de acordo com a necessidade específica de cada projeto. Este livro tem como objetivo munir o profissional de recursos para que entenda o que de fato deve ser entregue ao cliente como projeto final. Bons estudos! UNIDADE 1 Projetos de interiores comerciais Olá, Você está na unidade Projetos Comerciais. Conheça aqui o conceito de metodologia para Projetos de Interiores Comerciais; vamos entender o que é uma metodologia de projeto, ou seja, qual o melhor sistema, ou a melhor forma, para que você consiga elaborar seus projetos de maneira simples e rápida. Vamos ver os pontos em comum nos principais métodos de criação de projetos, e entender de que maneira você poderá criar a sua própria metodologia e aplica-la na criação de seus desenhos. Vamos, depois disto, entender como podemos gerar as ideias e alternativas para um mesmo espaço, colocando nossas ideias no papel, e facilitando o entendimento e a clareza de nossas propostas, avaliando as vantagens e os pontos fracos de cada uma delas; além disto, vamos estudar a importância do mobiliário para o projeto comercial, e como este pode nos ajudar a melhorar o uso e a circulação destes espaços. Bons estudos! Introdução 13 1 PROJETOS COMERCIAIS Conseguimos perceber, de forma rápida, uma loja que não teve um projeto feito antes da sua execução, pois a circulação é muito prejudicada, o mobiliário não é o indicado, e muitas vezes o zoneamento da loja é errado, não é verdade? Já em uma loja que tenha um bom projeto, é possível ver desde uma ergonomia correta, passando por uma iluminação precisa, até uma combinação de cores que funciona de maneira harmoniosa. Vamos estudar a metodologia para a criação de um projeto comercial, entendendo como podemos fazer a geração e separação de ideias, e vamos, para finalizar esta unidade, conhecer o mobiliário comercial. 2 METODOLOGIA DE PROJETO Pronto para começar nosso projeto comercial? Talvez você se sinta preocupado, ou mesmo assustado, diante desta perspectiva, isto é, começar um projeto a partir do zero pode ser uma ideia intimidante. Esta é uma sensação comum, já que muitas vezes não sabemos como iniciar um projeto sem saber como ele vai acabar. O que fazer? Esperar a ideia genial? Começar a pesquisar? Como começar? 2.1 O que é metodologia Existem, no entanto, algumas ferramentas que podem nos ajudar neste momento, que são chamadas de “metodologias de projetos”. Vários pesquisadores têm tentado sistematizar o processo de criação de projetos seguindo algum tipo de metodologia. Segundo o professor Gustavo Bonfim, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, metodologia “é o estudo dos métodos, técnicas e ferramentas e de suas aplicações à definição, organização e solução de problemas teóricos e práticos” (Bomfim, 1995), ou seja, foram estudadas as maneiras que vários profissionais utilizam para a resolução dos seus problemas e dos seus projetos, e, a partir destes estudos, foram sistematizadas as maneiras utilizadas, para tentar ajudar os novos designers a criar um caminho e desenvolver um método para a criação de seus projetos. Cada pesquisador e estudioso vai sistematizar a metodologia utilizada por empresas e profissionais, mas de forma geral é possível compreender a ideia de desenvolvimento de projeto a partir de alguns passos, que você provavelmente já conhece, e até mesmo já usa, mas talvez nem tenha se dado conta disto. Vamos pensar a nossa metodologia para os projetos comerciais, mas você vai ver que existe uma semelhança muito grande com todos os tipos de projeto que você puder imaginar. Este é um dos pontos positivos no desenvolvimento de uma metodologia de projeto: ela vale para a maior parte dos projetos, e, o que é mais importante, você vai conseguir sistematizar seu pensamento, de forma a organizar suas ideias e conseguir desenvolver o trabalho. 14 2.2 Etapas de uma metodologia Os passos comuns à grande parte das metodologias de projeto podem ser resumidos conforme o esquema abaixo: • Briefing ou levantamento de necessidades; • Criação de alternativas; • Definição da alternativa mais efetiva; • Desenho executivo e detalhamento. É claro que podemos colocar mais algumas etapas, em função de diferenças de levantamento por parte do pesquisador ou estudioso, bem como do profissional que usa esta metodologia; a criação de alternativas, por exemplo, pode ser dividida em brainstorming, seleção de alternativas, e desenvolvimento de alternativas, mas é possível perceber que estas 4 etapas resumem de maneira efetiva o processo. Você certamente já tentou, em algum momento, a criação de um projeto com o uso destas etapas, e também sem a ajuda delas, e deve ter notado que, ao não fazer algum destes passos, o trabalho ficou mais difícil; quando não fazemos o briefing, por exemplo, ou quando tentamos criar um projeto sem um cliente em mente, as dificuldades são enormes, pois qualquer solução pode funcionar, e isto, mesmo que pareça mais simples, será um grande problema, não é mesmo? Por isso, o primeiro passo no desenvolvimento de nosso projeto é o “Briefing”. Estaetapa, que é primordial, consiste no levantamento, ou na coleta, dos dados necessários para a execução do trabalho; dito desta maneira, o briefing parece ser uma coisa simples e rápida de ser feita, não é? Por este motivo, muitos designers acabam desvalorizando este primeiro passo, ou fazendo esta sondagem de forma superficial ou simplista, e acabam tendo um trabalho muito grande, pois terão de refazer algumas, ou várias, das etapas do projeto e do detalhamento. 3 METODOLOGIA PARA PROJETO COMERCIAL Um deve conter perguntas pertinentes, e que o ajudem a efetivamente entender o cliente e suas necessidades, ou seja, é preciso que você consiga compreender quais os problemas e as carências que precisam ser resolvidas para que ele consiga usufruir de forma plena os ambientes que estão sendo projetados. 3.1 Briefing comercial No caso do projeto comercial, o briefing é um pouco mais específico e complicado, pois muitas vezes não estamos projetando para um cliente em especial, mas sim para o público que vai frequentar o espaço, ou seja, é preciso conhecer o que é chamado de “público-alvo” do nosso 15 cliente, para que o projeto seja interessante e agradável para estes usuários, seja uma loja, que faça com que os compradores entrem e consumam, seja um consultório que faça com que os pacientes se sintam tranquilos, ou um escritório, onde clientes e funcionários sejam produtivos. Para este briefing você precisa fazer alguns questionamentos antes de começar a pensar nas possibilidades de projeto que existem: por exemplo, qual o produto que será ofertado no espaço, e como o cliente imagina que este produto deverá ser ofertado. Outro fator fundamental para o sucesso de um projeto comercial é a escolha do tipo de público que o cliente quer atender, ou seja, o público-alvo está na classe “A”, “B” ou “C”? Muitas vezes a definição do tipo de público- alvo vai ajudar a que você saiba como será o método de venda, isto é, se os clientes terão o auxílio de um vendedor, ou será feito o autoatendimento, onde o cliente escolhe o que quer e vai direto ao caixa? De forma geral, os públicos das classes “A” e “B” preferem a ajuda de vendedores, enquanto o público da classe “C”, preferem o autoatendimento. Também é importante conhecer as características da marca, como cores, tipografia, estilo das lojas, entre outras características da rede, se for este o caso, isto significa que você terá parâmetros mais rígidos para seguir, ao passo que uma loja única apresenta uma liberdade criativa maior. É possível perceber como estas perguntas simples e iniciais já começam a dar um direcionamento para seu projeto, colocando ou eliminando itens que devem fazer parte de um tipo ou de outro tipo de projeto, certo? Perceba que ambos são projetos de loja, que podem inclusive estar em lugares próximos, mas, por atenderem a públicos com perfis diferentes, possuem uma estrutura, um layout e mobiliário distintos uma da outra. A próxima etapa de nossa metodologia, é a definição de qual das alternativas que foram criadas, será a escolhida para ser detalhada, ou seja, na fase anterior foram criadas várias opções, levando em conta tudo o que foi estudado e todos os dados que foram levantados, mas é preciso que estas alternativas sejam reduzidas àquela que será efetivamente executada. Para isto é preciso estudar a viabilidade e a exequibilidade. Esta escolha deve ser feita a partir de parâmetros que forem determinados, como custos, público-alvo, entre outros. Depois da escolha de qual das opções será executada, é o momento de aumentar o nível de detalhe do projeto; isto significa que o que era apenas um anteprojeto, sem muitas definições, será detalhado e ganhará todas as definições necessárias para ser executado, transformando-se no projeto. Após o detalhamento do projeto, com desenhos em escala, além de perspectivas e detalhes, será iniciada a fase de produção dos projetos complementares, como paginação de piso, projeto de iluminação, projeto de instalações elétricas e hidráulicas, enfim, neste momento serão criados todos os projetos que deverão ser entregues aos responsáveis pela obra; alguns destes projetos podem ser executados por fornecedores, ou por empresas terceirizadas, como os projetos de ar-condicionado, por exemplo. Nesta fase serão feitos, ainda, os desenhos relativos ao mobiliário e às peças que foram criadas para o projeto, executando o detalhamento que é necessário para a construção destas peças. 16 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3.2 Estudos iniciais Ainda na fase inicial, vamos nos aprofundar nos estudos a respeito do nosso tema, antes de começar a gerar as alternativas, pois quando você vai criar algum tipo de projeto que você nunca tenha feito, é interessante pesquisar as alternativas existentes, tipologias mais usadas, alternativas que já foram testadas e que deram bons resultados, enfim, você vai efetuar uma pesquisa para embasar seus estudos, e lhe dar subsídios para que a sua criação seja mais eficiente. Também é fundamental que a acessibilidade seja incorporada ao projeto pelo designer, já que esta é uma Norma que deve ser obedecida por todos. Como você já sabe, o espaço para a circulação de uma cadeira de rodas, que é uma das maiores dimensões que devemos deixar liberadas, é de 0,90m; mas, sempre que possível, devemos deixar o espaço para a circulação de um cadeirante em um sentido, e um consumidor que esteja circulando em um sentido diferente. De acordo com a NBR 9050 (que normatiza a acessibilidade em edificações), a dimensão mínima para este tipo de circulação é de 1,20m, de acordo com a figura 1. Figura 1 - Circulação para um cadeirante e um pedestre Fonte: NBR 9050 (2015) 17 #ParaCegoVer: A figura mostra um pedestre e um cadeirante andando lado a lado, com a medida de 1,20m a 1,50m. Lembre-se que a preocupação com a acessibilidade de todos os públicos deve ser uma preocupação em todos os seus projetos. A NBR 9050 foi atualizada há pouco tempo, e deve ser nossa guia para este assunto. 4 ESTUDOS APROFUNDADOS No caso de projetos comerciais, um dos principais itens a ser estudado é a circulação, já que este conhecimento vai guiar suas escolhas posteriores, de acabamento e de mobiliário. Existem alguns tipos de circulação para lojas, que são os mais utilizados, e os mais interessantes; muitas vezes a opção final do projeto acaba optando por uma destas alternativas, ou por uma mistura de duas ou mais opções. 4.1 Circulação A primeira, e mais comum, é a “planta reta”. Este tipo de circulação é o mais econômico, pois utiliza mobiliário padronizado, e uma iluminação mais simples e direta. Esta opção pode, no entanto, deixar a loja muito carregada, tirando o foco de um tipo de produto, ao não privilegiar nenhuma área. Figura 2 - Circulação para um cadeirante e um pedestre Fonte: NBR 9050 (2015) FIQUE DE OLHO A NBR 9050 foi revisada em 2015, e é preciso que você conheça e siga as orientações que ela traz. Esta Norma pode ser consultada ou baixada gratuitamente no endereço: https://www.mdh.gov.br/biblioteca/pessoa-com-deficiencia/acessibilidade-a-edificacoes- mobiliario-espacos-e-equipamentos-urbanos/ 18 A figura mostra uma planta arquitetônica, com gôndolas dispostas de maneira ortogonal, em relação às paredes. Outra opção é a planta diagonal. Esta opção facilita a visualização de toda a loja, permitindo que todos os produtos e o caixa sejam apreendidos de forma direta. Por utilizar mobiliário padronizado, também é economicamente interessante, embora não seja esteticamente tão agradável. Um ponto interessante nesta opção de circulação, é que devido à posição das gôndolas e prateleiras, fica mais interessante e agradável passear pelos corredores, já que não há nenhum tipo de obstáculo visual, como no caso da opção anterior, onde alguns corredores estarão “bloqueados” visualmente por mostruários. Figura 3 - Planta diagonal Fonte: O Autor (2020) A figura mostra uma planta com gôndolas e expositores posicionados a45° em relação às paredes. Existe ainda a opção da planta angular. Apesar deste nome, este tipo de planta apresenta curvas e ângulos criados no interior da loja; o uso desta opção é mais comum em lojas de padrão mais alto, pois existe uma considerável perda de área, e a maior parte do mobiliário é feito sob medida, aumentando bastante o custo final para o cliente. Este investimento maior, obviamente, será compensado por produtos com custo mais elevado. Figura 4 - Planta diagonal Fonte: O Autor (2020) 19 A figura mostra uma planta com mobiliário com formas orgânicas, distribuídos pelo espaço. Uma opção mais utilizada por lojas de roupas, é a planta geométrica. Optando por este tipo de planta, o lojista terá a possibilidade de uma circulação lúdica, criando percursos que sejam interessantes para os consumidores, com um custo relativamente baixo; com uma organização bem planejada, é possível aumentar as vendas de forma expressiva, pois a demonstração dos produtos é grandemente facilitada com este tipo de planta. Figura 5 - Planta geométrica. Fonte: O Autor (2020) A figura mostra móveis com formas geométricas variadas, distribuídos pelo espaço. Existe uma última opção, que é chamada de planta mista, que, como você já deve imaginar, é a combinação de mais de uma das possibilidades que estudamos até agora. 4.2 Setorização Outro aspecto muito importante no projeto comercial, é o layout da loja, isto é, o posicionamento dos produtos dentro do espaço. De acordo com Morgan, “a chave para distribuir um layout, é o posicionamento dos produtos” (2017, p. 125). Este posicionamento é dividido em quatro áreas: platina, ouro, prata e bronze. A primeira coisa a ser definida é o local de entrada e saída dos clientes; a partir deste ponto, vamos definir as áreas de atração do consumidor. Próxima a entrada está localizada a área “Platina”; esta é a primeira área de contato do cliente com a loja, e tem uma grande importância para a experiência de compra e venda, por isso temos a associação com um metal muito caro; neste espaço estão localizados os produtos que atraem o cliente e fazem com que ele se sinta tentado a entrar na loja; este espaço é composto pelas vitrines e pela parte frontal da loja, que pode ser vista sem a necessidade de entrar no espaço; geralmente, na parte frontal das lojas há um display com lançamentos ou promoções, que funciona como mais uma maneira de atrair a atenção das pessoas. 20 O próximo setor é a área “Ouro”; neste espaço estarão os lançamentos e as coleções mais recentes. Este setor é responsável por confirmar o interesse do consumidor, garantindo a permanência dele na loja, por isso está localizado logo após as vitrines e displays. Em seguida temos a área “Prata”; neste setor estão os produtos mais comercializados pela loja, os produtos que vão fidelizar os clientes, fazendo com que retornem. Essa é, de forma geral, uma área de maior permanência no espaço, onde as compras são feitas de forma mais tranquila, e tende a ocupar uma área maior dentro da loja. Finalmente temos a área “Bronze”, que é o espaço onde se localizam os produtos de maior valor agregado, além do espaço de caixas e provadores, caso eles sejam necessários. Aqui também podem estar localizados os produtos para a chamada “compra de impulso”, aquela que é feita próxima ao caixa, e que não foi programada pelo consumidor. Outro motivo para que os produtos mais caros estejam neste setor, é a sua localização. Como este setor está localizado, de forma geral, na parte posterior da loja, existe uma segurança maior, para controlar o fluxo de clientes e observar o movimento das pessoas. A figura “Setorização de lojas” indica a organização padrão de uma loja, em função destas áreas; note que as dimensões de cada um destes espaços podem variar, em função do tamanho da loja, mas a disposição tende a seguir esta ordem. Figura 6 - Setorização de lojas Fonte: O Autor. (2020) A figura mostra quatro setores diferentes dentro da loja. 21 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4.3 Aspectos Gerais Podemos, ainda, estender estes estudos a muitos outros aspectos que também são extremamente importantes dentro do projeto, como por exemplo a iluminação, os revestimentos, as cores, etc. Estes estudos vão variar, ainda, conforme a tipologia de projeto, isto é, uma loja de roupas masculinas vai ter características diferentes de uma loja de moda infantil, que, por sua vez, vai diferir demais de um restaurante! Você consegue perceber como esta fase anterior até mesmo ao início da concepção do projeto é importante, certo? Desta forma vamos acelerar nosso trabalho, e diminuir o retrabalho, ou seja, precisaremos alterar menos nossas alternativas ou nossos anteprojetos. A partir destes questionamentos, portanto, vamos começar a pensar nas ideias que vamos sugerir, e em como vamos demonstrar estes pensamentos, ou seja, vamos começara a gerar ideias, de layouts, de cartelas de cores, de circulação e de tipo de mobiliário. 5 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS Continuando com o nosso processo criativo de projeto, a próxima etapa em nosso trabalho é a geração de alternativas projetuais, ou seja, agora chegamos ao momento de juntar todos os conhecimentos que adquirimos na fase de briefing e de estudos iniciais, e transformar estes conhecimentos em ideias e opções de projeto, para que possamos, junto com o cliente, escolher a alternativa que vai melhor atender às necessidades do projeto. Neste momento o ideal, de acordo com as metodologias, é que você deixe a sua imaginação livre, respeitando, no entanto, os parâmetros que foram levantados na fase anterior, de briefing e de estudos iniciais. 22 De acordo com o prof. Mike Baxter, “a geração de ideias é o coração do processo criativo” (2008, p. 61), ou seja, nesta fase inicial, de geração de alternativas, é interessante que você não se limite ou crie obstáculos para a sua imaginação, e na maior parte das vezes, os croquis feitos a mão livre serão mais rápidos e simples do que o desenho feito em um computador, dependendo do seu domínio desta ferramenta. Existem vários métodos para ajudar a estimular a sua criatividade, e existe uma vasta literatura a respeito, com ferramentas e técnicas que podem aumentar a concepção de ideias; o professor Baxter comenta que, “mesmo quando não se trabalha no nível consciente, a mente continua a processar as ideias” (2008, p. 53), o que significa que muitas vezes as pessoas se forçam a resolver um problema em determinado tempo, mas que às vezes é preciso parar de focar no problema, e se distrair da tarefa, para que sua mente encontre uma solução. Você já deve ter passado por esta experiência, quando fica tentando resolver um problema por um longo tempo, sem sucesso, e, no momento em que começa a pensar em outra coisa, a solução aparece de forma quase mágica em sua mente, não é? Este é o motivo! De acordo com o professor Baxter, devemos abastecer nossa mente com o máximo de informações possível, e depois deixar que ela resolva o problema. Falando assim, parece fácil, não é? Mas nem sempre temos este tempo, para esperar que nossa mente apareça com uma solução, o que significa que podemos precisar de algumas “técnicas” que podem nos ajudar e incentivar nossa criatividade na resolução da tarefa. De acordo com o professor Lobach, uma técnica para esta “fase é a associação livre de ideias, o que sempre leva a nova combinações de ideias” (2001, p. 153); esta técnica, consiste em colocar as ideias no papel, e, a partir do que foi pensado, fazer novas associações, criando mais ideias, e variações sobre o que foi criado. Uma outra técnica interessante e muito útil, sugerida pelo professor Baxter, é o “Brainstorming”, ou tempestade cerebral. Apesar de esta técnica ter disso desenvolvida para ser utilizada em grupo, é possível que ela seja utilizada por uma única pessoa. Este método de estímulo de criatividade, de forma semelhante a “associação livre de ideias”, deve ser orientado, ou seja, focadono problema a ser resolvido, com o máximo de informações reunidas, de forma semelhante ao que vimos na fase anterior. A partir deste momento, começa a fase chamada de “ideação”, que é a fase de criação propriamente dita; nesta fase, as ideias são colocadas no papel, sem censuras e sem limites, mas contando com as indicações e orientações sobre as quais já falamos. O “Brainstorming” baseia- se no princípio de “quanto mais ideias, melhor” (BAXTER, 2008, p. 67), ou seja, a função desta ferramenta é justamente a criação de várias opções diferentes; é interessante observar, ainda, que as primeiras ideias geralmente são as mais obvias e comuns, mas conforme a sessão de brainstorming avança e é aprofundada, a qualidade e a diversidade de ideias aumenta. A forma gráfica de criação e demonstração destas alternativas, criadas com qualquer um destes métodos, 23 ou ainda com algum outro que você ache interessante, vai depender da sua preferência, isto é, a maneira como você vai apresentar estas opções vai depender da mídia na qual você vai se sentir mais confortável, ou seja, se você vai desenhar sua ideia a mão livre, com a ajuda de ferramentas de desenho técnico, ou com o auxílio de um computador é uma escolha sua. De acordo com Lobach, nesta “fase de produção de ideias, a mente precisa trabalhar livremente, sem restrições, para gerar a maior quantidade possível ele alternativas” (2001, p. 150), essa liberdade criativa também pode ser facilitada pelo desenho manual. Para termos alguns parâmetros, vamos criar um projeto para uma loja de objetos de decoração, que se localiza em um shopping; nossa loja conta com uma única entrada, e com um único piso; além disto a loja tem vitrines, e você vai optar entre fecha-las ou deixa-las abertas, ou seja, dependendo das suas definições para o projeto, as pessoas que estão passando pelo corredor do shopping poderão, ou não, visualizar o interior da loja. A loja que vamos projetar possui as seguintes dimensões: uma frente de 6,50m, e uma porta de entrada de 2,00m, que está centralizada na fachada, e uma profundidade de 18,00m; o pé- direito da loja é de 4,50m. É importante lembrar que estes primeiros croquis têm o propósito de colocar as suas ideias de uma maneira gráfica, e que não precisam ser detalhados, ou esteticamente agradáveis, mas que sejam claros e que expressem as várias possibilidades que você criou para o espaço. Vamos começar nosso projeto estudando algumas alternativas para a circulação dos clientes. A figura “Geração de alternativas” demonstra como o mobiliário que vai ser escolhido vai ajudar a definir a circulação pretendida para a loja, ao direcionar o fluxo de pessoas pelo espaço. A figura mostra um desenho feito a mão livre, com três croquis diferentes para a mesma planta. 24 5.1 Análise e definição das alternativas A figura também mostra que o desenho não tem muitas definições, funcionando apenas como um estudo de alternativas de circulação, mas que vai nos ajudar a entender como a disposição do mobiliário vai guiar o fluxo dos clientes; o conhecimento do tipo de circulação que queremos, vai nos auxiliar a entender quais produtos devem ser mostrados na loja, e como estes produtos podem ser expostos (lembra-se da setorização que acabamos de estudar?). Na alternativa “A” foi criado um apoio para as promoções e lançamentos, mas é preciso cuidado, para que este apoio não acabe se transformando em uma barreira visual, ou seja, é preciso que o tamanho desta peça seja proporcional à porta e ao espaço interno. Na opção “B” temos os expositores na parede, e criamos dois “corredores” de circulação, com uma ilha central. Esta é uma opção mais tradicional, garantindo mais espaço de circulação para os clientes, o que significa que teremos menos espaço para exposição de produtos. Na alternativa “C”, temos menos espaço para os destaques e também diminuímos a circulação de clientes, mas ao mesmo tempo, aumentamos a área de exposição para os produtos. Para este estudo fizemos apenas três alternativas, mas você pode colocar mais ideias no papel, de acordo com a sua necessidade, o tipo de projeto, e o tempo disponível. Com as ideias no papel, vamos começar a avaliação de cada uma delas, entendendo os pontos fortes e o que pode ser aproveitado de cada uma delas. É preciso que você perceba que as três opções podem funcionar de maneira satisfatória, ou seja, a escolha de qual a alternativa que será adotada vai depender de uma seleção feita em conjunto com o cliente (lembre-se que ele conhece melhor que você os produtos que vai vender, e o público que deseja atender). Como acontece com frequência em nossos projetos, a opção que vai ser utilizada, em muitos casos, acaba surgindo de uma combinação das várias alternativas criadas. De acordo com a setorização que estudamos, sempre é interessante trabalharmos com um expositor na entrada, na chamada zona “Platina”, como uma forma de atrair os clientes para o interior da loja, mas é preciso que esta peça seja escolhida de maneira cuidadosa, evitando o que acontece na opção A, onde este elemento está superdimensionado, e atrapalha a entrada dos clientes no espaço, criando um obstáculo, ao invés de um atrativo. A opção “B”, conta com uma boa área de exposição de produtos, mas pode ter uma área para a circulação de clientes um pouco restrita. Nesta alternativa não temos o móvel para a exposição na entrada da loja. Caso optemos por esta possibilidade, podemos utilizar as extremidades das gôndolas como uma forma de atração de clientes, mostrando lançamentos e promoções. A alternativa “C”, mostra uma área de exposição menor, mas uma área para a circulação de clientes maior, o que pode significar mais conforto para as pessoas, mas também indica que os produtos terão de ser mostrados de forma diferente e mais criativa. 25 Como uma forma de aumentar a área de exposição, foi colocada um expositor na área posterior da loja. De forma semelhante à opção “B”, também não foi colocado nenhum tipo de apoio na entrada, o que significa que provavelmente teremos de usar as extremidades das gôndolas. Em todas as alternativas a área de pagamento e de retirada de mercadorias e pacotes está localizada no fundo da loja, o que vai fazer com que os clientes caminhem por toda a área para pagar e retirar seus produtos. Depois de avaliar todas as alternativas que você criou, chegou a hora de definir sobre qual delas vamos trabalhar, ou seja, qual a alternativa que será trabalhada, para que criemos o projeto que será executado. Como já foi dito, existe a possibilidade de que uma das opções criadas já atendam a sua necessidade, mas em muitos casos, o projeto que será desenvolvido vai resultar da combinação de duas, ou mais, das alternativas que foram criadas. No caso da loja que estamos projetando, vamos combinar todas as opções que criamos, e vamos ter a alternativa que será desenvolvida como o projeto definitivo. A figura “Projeto Final” mostra a opção que será detalhada. Para indicar um avanço nas definições de projeto, esta opção foi desenhada em um programa de CAD (Computer Aided Design ou Desenho Auxiliado por Computador), o que também possibilita o aumento no nível de detalhe e uma precisão muito maior nas dimensões e na escala dos desenhos. Como foi dito anteriormente, é interessante que este tipo de desenho, mais técnico ou computacional, seja deixado para um momento em que o projeto esteja mais definido; é claro que isto vai depender de sua habilidade e de seu conhecimento, mas de forma geral, o desenho auxiliado demanda mais atenção e treino, o que pode limitar sua criatividade. Figura 7 - Projeto Final Fonte: O Autor (2020) A figura mostra uma planta com características dos três croquis indicados na figura “Geração de alternativas”. Na versão final de nosso projeto, é possível ver o display na parte frontal da loja, para a exposição de peças em promoção ou lançamento, e o grande número de gôndolas para a exposição de produtos, bem como uma grandeárea de circulação para clientes; a parte posterior 26 da loja também foi utilizada para a exposição de produtos, próximos a região dos caixas. Agora que entendemos como o processo de projeto do espaço funciona, vamos entender como escolher e projetar mobiliário para nossa loja, o que você acha? 6 MOBILIÁRIO COMERCIAL O mobiliário tem um papel primordial em um projeto comercial, e a escolha das opções corretas, para o espaço e para as necessidades do cliente, é um dos maiores desafios que enfrentamos na concepção de um espaço comercial. De acordo com Tony Morgan, existem vários modelos de mobiliário que podem ser utilizados em lojas, mas estes mobiliários se dividem em duas grandes categorias: mobiliário de piso, que pode ser utilizado em qualquer lugar dentro do espaço da loja, e o mobiliário linear, aquele que é, geralmente, preso nas paredes, mas que pode estar fixado em qualquer outra parte. (MORGAN, 2017 p. 134) Estes dois tipos de mobiliário podem, ou não, ser utilizados em conjunto, dependendo das definições do Designer de Interiores. Em uma área dedicada à venda, como em uma loja, a ideia é que os produtos estejam em exposição, ou seja, que possam ser vistos pelo cliente, mas que isto seja feito de maneira organizada e harmoniosa, sem causar um cansaço visual, ou sem a perda de espaço disponível. Também é preciso que o tipo de mobiliário escolhido permita a livre circulação dos clientes, bem como a visualização de todo o espaço, fazendo com que o cliente se localize, e localize os produtos que está procurando, de forma simples e rápida. 6.1 Mobiliário de piso A categoria de mobiliário de piso tem vários modelos e estilos, além das peças que podem ser criadas pelo Designer de Interiores. Um dos tipos mais comuns e mais versáteis de mobiliário que utilizamos em lojas são as gôndolas; este tipo de móvel é muito prático pela liberdade de uso e de montagem que fornece ao lojista. As gôndolas podem ter uma infinidade de dimensões, mas geralmente são quadradas ou retangulares; como as prateleiras podem ter alturas ajustáveis, estas peças são muito funcionais em um espaço comercial. A figura 9 mostra um tipo de gôndola muito comum em lojas. 27 Figura 8 - Projeto Final Fonte: O Autor (2020) A figura mostra uma gôndola, com 5 prateleiras. Este tipo de mobiliário pode ter iluminação embutida nas prateleiras, melhorando a exposição dos produtos. Lembre-se que se esse for o caso do móvel que você especificou, é preciso indicar a disposição dos pontos de luz no projeto de instalações elétricas que vai ser executado. As técnicas de exposição para uma gôndola também são bem conhecidas, com os produtos maiores e mais pesados nas prateleiras inferiores, os produtos com maior valor nas prateleiras que estão localizadas nas alturas dos olhos, e os produtos menores e mais leves nas prateleiras superiores. Também é interessante que as prateleiras mais baixas comecem a uma altura de pelo menos 10 cm a partir do piso, evitando que os clientes tenham de se abaixar para pegar os produtos. Outro tipo de mobiliário muito usado em lojas são as mesas. Este tipo de móvel é muito utilizado para a exposição de produtos, especialmente os produtos que estão em destaque, como os lançamentos ou as promoções. Este é um dos tipos de mobiliário que permitem que o Designer de Interiores crie uma peça exclusiva para o projeto, de tal maneira que estas peças tenham uma relação mais direta com o estilo da loja. 28 Figura 9 - Mesas Fonte: O Autor (2020) A figura mostra um par de mesas, que se encaixam. Estas peças são muito versáteis, como as que são mostradas na figura “Mesas”. Na imagem é possível observar que o projetista criou um conjunto de mesas semelhantes, com dimensões diferentes, que se encaixam. Este tipo de mobiliário dá mais liberdade para o lojista, que pode utilizar as peças em conjunto ou separadamente, conforme a necessidade; além disto, como os móveis se encaixam, basta colocar um sob o outro para ganhar mais espaço para circulação. Mobiliário residencial, com algumas adaptações também podem ser utilizados, dependendo do tipo de loja; como estamos projetando uma loja de objetos de decoração, pode ser bastante interessante que utilizemos móveis como armários e cristaleiras, que são peças semelhantes àquelas que muitos consumidores possuem, e que podem passar uma ideia de como as peças que forem compradas podem ser utilizadas; de forma semelhante, uma loja de moda vai trabalhar com manequins que estarão vestidos com as roupas que estão sendo expostas, mostrando aos compradores como esta peças podem ser combinadas e compostas entre si, facilitando as vendas. Estes móveis, apesar das facilidades apresentadas, podem ser difíceis de serem iluminados destacando de forma correta os produtos, causando uma zona de sobra na parte inferior das prateleiras mais baixas. É preciso um projeto específico de iluminação, ou um projeto de mobiliário, que seja semelhante a uma destas peças, mas que tenha um projeto de iluminação embutida. Baús, caixas e pedestais também podem e devem ser usados como mobiliário em lojas. Essas peças, de forma geral, podem diferir do estilo das outras peças que são usadas no projeto, já que a função deste tipo de móvel é destacar uma peça específica dentro do espaço. 29 Por essa função muito especial, é preciso que a iluminação da peça também seja pensada de forma específica, fazendo com que o investimento na peça, e no espaço, tenha o destaque necessário. Existem ainda os móveis que são fornecidos pelos fabricantes de peças especificas, ou seja, muitas peças, ou linhas de peças, são entregues com um mobiliário específico, oferecido pela indústria que fabrica a peça, com um desenho específico para destacar as qualidades e as características do produto. Este mobiliário pode ou não ser usado pelo lojista, dependendo, principalmente, de espaço e da possibilidade do espaço da loja. Finalizando a categoria de móveis de piso, temos as araras, ou cabideiros, usadas principalmente em lojas de roupas. Este tipo de mobiliário também vem em uma grande variedade de formatos e de modelos, e serve para deixar as peças expostas e organizadas, permitindo que sejam vistas por inteiro, despertando o interesse dos clientes. Também é preciso que este mobiliário seja pensado em consonância com o restante do projeto, usando a mesma paleta de cores, e, principalmente, com um projeto de iluminação que privilegie este tipo de mobília. 6.2 Mobiliária linear Na categoria de mobiliário linear, ou seja, aqueles móveis que são fixados nas paredes ou nos pilares, temos os suportes e os trilhos para prateleiras, também conhecidos como cremalheiras. As cremalheiras são trilhos metálicos, que são fixados nas paredes, e que permitem a regulagem da altura das prateleiras, permitindo uma grande liberdade de montagem, o que facilita as adaptações, por parte do lojista, da área de exposição de produtos. Figura 10 - Cremalheira com prateleira Fonte: O Autor (2020) 30 A figura mostra duas cremalheiras, com duas prateleiras apoiadas. Existem ainda, as prateleiras fixas. Estas peças são fixas nas paredes, ou nos pilares, e são visualmente mais agradáveis, porém, não permitem a variação das alturas pelo cliente, ou seja, os produtos ficarão expostos em espaços fixos, independente das dimensões das peças a serem colocadas ali. Uma das grandes vantagens das prateleiras fixas, é a possibilidade de iluminação de cada uma das partes, isto é, como estas peças são fixas nas paredes, fica fácil de fazer com que a eletricidade chegue até cada uma das prateleiras, permitindo, de maneira simples, que seja projetada a iluminação que vai incidir sobre os produtos. Nas paredes também podem ser criados nichos, que podem estar saltados em relação à superfície destas, ou ainda, é possível fazer o “engrosso” da parede com drywall, fazendo o efeito de que o nicho está “dentro” da parede. De maneira semelhante ao que acontece com as prateleiras fixas,é possível iluminar os nichos, causando um efeito de iluminação interessante sobre os produtos que estão expostos. Figura 11 - Nicho embutido e sobreposto Fonte: O Autor (2020) A figura mostra dois tipos de nicho, um sobreposto e um embutido. Nas paredes ainda é possível a fixação de araras, ou cabideiros, utilizados no caso de lojas de vestuário. Estas peças muitas vezes estão combinadas com prateleiras fixas. 31 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: FIQUE DE OLHO Este artigo analisa, de maneira mais profunda, um outro tipo de projeto: as lojas de vestuário. Vale conhecer! https://periodicos.ufrn.br/revprojetar/article/view/16616 32 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • Conhecer as características específicas de uma metodologia aplicada ao projeto comercial; • Entender o que são metodologias de projeto, e como aplicá-las ao seu projeto, vimos ainda um exemplo prático de aplicação da metodologia de projeto; • Aspectos mais aprofundados dos estudos iniciais de um projeto comercial; • Conhecer, na prática, como gerar as alternativas de projeto, utilizando nossa metodologia, iniciando a criação projetual, e finalmente chegando a definição da alternativa que será desenvolvida; • Descobrir as opções de mobiliário existentes e que podem ser criadas para os projetos comerciais, entendendo as características de cada um deles. PARA RESUMIR BAXTER, M. Projeto de Produto: Guia prático para o design de novos produtos. São Pau- lo, Ed. Edgard Blucher, 2ª ed. 2003 BOMFIM, G. A. Metodologia para desenvolvimento de projeto. João Pessoa: Universitá- ria/UFPB, 1995. LOBACH, B. Design Industrial. São Paulo: Ed. Edgard Blucher, 2001 MORGAN, T. Visual Merchandising. São Paulo, Ed. Gustavo Gilli, 2017 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Desenho técnico, layout, projetos comerciais e executivos Você está na unidade Desenho Técnico, Layout, Projetos Comerciais e Executivos. Conheça aqui as etapas de desenvolvimento de um desenho técnico arquitetônico e de interiores. Todos os elementos que fazem parte do universo dos projetos de interiores apoiados nas normas da ABNT que permitem a otimização dos projetos. Aprenda também a desenvolver layouts em plantas e perspectivas, desde a concepção, realizadas à mão livre e com o uso de softwares gráficos, permitindo uma melhor apresentação ao cliente final. Por fim, conheça todas as etapas do projeto executivo, apoiadas também em projetos comerciais. Bons estudos! Introdução 37 1 EXPRESSÃO GRÁFICA A expressão gráfica, como o próprio nome se encarrega de definir, tem como premissa expressar graficamente, com base em uma linguagem universal, uma representação que seja apropriada para entendimento e compreensão de desenhos técnicos, sejam eles de arquitetura, design ou engenharia. Para tanto, é importante conhecer os métodos e também as técnicas que fazem parte deste escopo de representação que fomenta uma linguagem gráfica única e objetiva, facilitando a interface entre consumidores, clientes, arquitetos, designers, engenheiros, empreiteiros e comunidade acadêmica. 1.1 Letra técnica Para que possamos alcançar uma universalidade por meio de desenho técnico arquitetônico e de interiores, assunto pertinente a esta unidade, é salutar criar uma letra que todos possam identificar com a mesma veracidade de informação. Trata-se da letra técnica. A estruturação desta letra consiste nas principais exigências do desenho técnico que primam pela legibilidade e uniformidade. Assim, para escrever letras à mão livre será necessário o uso de instrumentos que facilitam ao desenhista uniformizar o alfabeto, tanto em letra maiúscula (caixa alta), como em letra minúscula (caixa baixa). É possível também a geração de letras levemente inclinadas 15º à direita, dando a ideia de itálica. De acordo com a NBR 6492/1994 da ABNT, a dimensão das entrelinhas não deve ser inferior a 2 mm e as letras e cifras das coordenadas devem ter altura de 3mm. Para maiores detalhes consulte a NBR 8402. FIQUE DE OLHO Embora as normas indiquem a letra itálica para construção de caligrafia técnica, esta, por sua vez, é pouco utilizada. Hoje com o desenvolvimento dos desenhos por softwares CAD, a letra que se assemelha com a letra desta norma é a fonte ROMANS. 38 Figura 1 - Letra técnica Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A imagem apresenta um desenho esquemático de como fazer caligrafia técnica a mão livre. 1.2 Normas técnicas O desenho técnico nada mais é que a representação gráfica adotada pela arquitetura, design e engenharia. As normas da ABNT padronizam os procedimentos e regras para o entendimento dos desenhos. Conforme listado por Vizioli et al. (2004), seguem as principais normas: NBR 10647 Norma geral cujo objetivo é definir os termos empregados em desenho técnico. A norma define os tipos de desenhos quanto aos seus aspectos geométricos, quanto ao grau de elaboração (estudo preliminar, anteprojeto e projeto executivo), quanto ao grau de pormenorização (desenho de detalhes e conjuntos) e quanto à técnica de execução (à mão livre ou utilizando computador). NBR 10068 Folha de desenho, layout e dimensões, cujo objetivo é padronizar as dimensões das folhas utilizadas na execução de desenhos técnicos e definir seu layout com suas respectivas margens e legenda. NBR 10582 Apresentação da folha para desenho técnico, que normaliza a distribuição do espaço da folha de desenho, definindo a área para texto, o espaço para desenho etc. Como regra geral, deve-se organizar os desenhos distribuídos na folha, de modo a ocupar toda a área, e organizar os textos acima da legenda junto à margem direita, ou à esquerda da legenda, logo acima da margem inferior. NBR 13142 Desenho técnico e dobramento de cópias. Fixa a forma de dobramento de todos os formatos 39 de folhas de desenho: para facilitar a fixação em pastas, eles são dobrados até as dimensões do formato A4. NBR 8402 Execução de caracteres para escrita em desenho técnico que, visando à uniformidade e à legibilidade para evitar prejuízos na clareza do desenho, e evitar a possibilidade de interpretações erradas, fixou as características de escrita em desenhos técnicos. NBR 8403 Aplicação de linhas em desenhos, tipos de linhas e larguras de linhas. NBR 10067 Princípios gerais de representação em desenho técnico. NBR 8196 Desenho técnico e emprego de escalas. NBR 12298 Representação de área de corte por meio de hachuras em desenho técnico. NBR 10126 Cotagem em desenho técnico. NBR 5671/77 Participação profissional nos serviços e obras de engenharia e arquitetura. NBR 5679/77 Elaboração de projeto de obras de engenharia e arquitetura. NBR 6492/94 Representação de projetos de arquitetura. NBR 9077/01 Saídas de emergências em edifícios. 40 NBR 9050/04 Acessibilidade para portadores de deficiência. Tratando-se do substrato, ou seja, a folha que se deve trabalhar com desenhos de arquitetura e interiores, é comum seguir a normatização estabelecida para representação em desenho técnico. 1.3 Formato de folha DIN – Normas NBR 10068 De acordo com Silva (2014), as características das folhas de desenho estabelecidas pela ABNT seguem a NBR 10068. E os formatos recomendados são da série A. Estes, por sua vez, são formatos baseados em um retângulo de área igual a 1m². Com lado de 1189mm X 841mm, denominado A0. Com base neste, existem as reduções como o formato A1 – 841mm X 594mm, formato A2 – 594mm X 420mm, formato A3 – 420 mm X 297mm, formato A4 – 297mm X 210mm. É muito comum apresentações de layouts de interiores nos formatos A2 e A3. Figura 2 - Formatos de papéis Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Formatos abertos de folhas de formato DIN descrito na norma NBR 10068. Para facilitar o armazenamento dos desenhos em pastas de consulta, todas as folhas possuem uma dobradura específica para que o carimbo, ou as informações principais do desenho, fiquem sempre na parte da frente da dobra, permitindo a melhor observaçãodos dados do projeto. O carimbo inferior direito das pranchas de desenho deve ser composto por informações para a legenda, tais como: 41 • Nome da empresa; • Nome do desenho; • Número do desenho; • Autor do Projeto; • Escala; • Local, data e assinatura. Dentre outras informações que sejam genuinamente importantes para a parte frontal da folha. As margens e as larguras das linhas também seguem uma padronização, conforme aponta a tabela abaixo: Tabela 1 - Margens e larguras das folhas Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A tabela apresenta o detalhamento das margens e larguras das folhas A0, A1, A2, A3 e A4. 1.4 Escala de desenhos A escala consiste na relação entre a medida representada no desenho e a medida real do objeto. Em arquitetura e interiores é trabalhada, na grande maioria, em metros. As escalas mais usuais são 1:100 e 1:50. Mas, o que isso quer dizer? Quando nos referimos a 1:100, estamos falando de uma escala de redução. Desta forma, o desenho é representado 100 vezes menor o tamanho real. No caso de 1:50, segue o mesmo princípio, 50 vezes menor o tamanho real. Um metro corresponde a 100cm, desta forma, será representado em 1cm. Neste caso, a escala do desenho será 1:100. 42 A designação de escala deve ser identificada em cada projeto no carimbo, quando houver, ou ao lado do desenho. Escala 1:1 = tamanho real do objeto (é utilizada em design de produto e mecânica para identificar objetos pequenos). Escala X:1 = para escala de ampliação (é utilizada em design de produto e engenharia mecânica quando não é possível fazer o detalhamento na escala). Escala 1:X = para escala de redução (é utilizada em arquitetura, design e engenharia quando os objetos são grandes e é necessário empregar a redução para representá-los em folhas do padrão DIN). Tabela 2 - Escalas mais utilizadas Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Tabela apresentando as escalas mais utilizadas. 1.5 Linhas de representação Para a representação de desenho técnico aplicado a desenho de arquitetura, são necessárias as especificações de alguns tipos de linhas que devem seguir as normas técnicas da ABNT, de acordo com a NBR 8403. FIQUE DE OLHO As escalas mais comuns utilizadas em arquitetura e interiores são 1:100 para desenhos de plantas, elevações, cortes e layouts; 1:50 e 1:75 para projeto executivo; e 1:20 para detalhamento de ambientes. Escalas maiores como 1:200 e 1:500 são utilizadas geralmente em implantações quando atribuídas a projetos de grande magnitude. 43 Figura 3 - Linhas de representação Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A imagem apresenta diferentes estilos de linhas para desenho técnico. As linhas apresentadas na figura “ Linhas de Representação” são, respectivamente: • Linha de contorno contínua - A espessura é 0,6mm, quando em caneta nanquin, e 0,7mm ou 0,9mm quando desenhada em grafite. • Linha contínua mais fina - A espessura é 0,4mm para caneta nanquin e 0,5mm quando desenhada em grafite. • Linha tracejada – Linhas situadas além do plano do desenho. Utiliza-se grafite 0,5mm. • Linha de projeção – Linha composta de um traço e dois pontos. A espessura deve seguir a mesma utilizada nas linhas de contorno. A espessura é 0,2mm para caneta nanquin e 0,5mm quando desenhada em grafite. • Linha de eixo – Traço e ponto. A espessura é 0,2mm para caneta nanquim e 0,3mm quan- do desenhadas em grafite. • Linha de cota – Utilizada para criar as linhas de extensão, ou chamadas que compõem as cotas. A espessura é 0,2mm para caneta nanquim e 0,3mm quando desenhadas em grafite. • Linha de interrupção de desenho - A espessura é 0,2mm para caneta nanquim e 0,3mm quando desenhadas em grafite. 44 2 DESENHO TÉCNICO NO PROJETO DE INTERIORES O desenho arquitetônico é uma forma de expressão utilizada pelos arquitetos e designers de interiores. Como a comunicação verbal ou escrita, utiliza-se de simbologias como linhas, traçados, números e indicações textuais, normatizadas internacionalmente, para representar de forma espacial deu um projeto. Em uma representação de uma planta de edificação é possível acrescentar outras informações que servirão de complemento para o entendimento do projeto. De acordo com Vizioli et al. ( 2009, p.48), o desenho de arquitetura e interiores, em detrimentos das especificidades de cada projeto, deve conter: • Paredes; • Abertura de porta e janelas e também suas dimensões; • Acabamento dos pisos frios (desenho da cerâmica); • Aparelhos sanitários e outros elementos fixos; • Projeção da cobertura; • Desníveis; • Cotas de comprimento e largura dos ambientes e das paredes; • Cotas totais da construção; • Dimensão dos beirais; • Nomes e áreas dos ambientes; • Cotas de nível dos ambientes internos e a cota externa de referência; • Indicação do norte verdadeiro e magnético; • Título do desenho e escala utilizada; • Indicação dos cortes aplicados. 2.1 Planta baixa O termo planta baixa é utilizado em desenho arquitetônico como referência de um desenho de uma construção feito, em geral, a partir do corte horizontal à altura de 1,5m a partir da base. Conforme aborda Vizioli et al (2004), 45 O desenho da planta é obtido pela intersecção a um plano horizontal e corte a uma altura de 1,50 m em relação ao piso. A parte superior é retirada e representa-se a vista da parte inferior, denominada planta da edificação. Erroneamente esse desenho é chamado usualmente de planta baixa. Na representação de uma planta de edificação, além dos elementos visíveis após o corte horizontal, são acrescentadas informações complementares para facilitar a interpretação do desenho (VIZIOLI; MARCELO, 2004, p. 47-48). Por meio das normas técnicas é possível criar uma linguagem única para que todos possam compreender as informações de um desenho. Com base nesta compreensão, estabelece-se que por meio da planta baixa de uma edificação é possível compreender seus espaços e circulação, e, quando implementados com mobília e equipamentos, o entendimento das pessoas no geral é ainda mais facilitado. Figura 4 - Planta baixa de uma edificação Fonte: iStock #ParaCegoVer: A imagem apresenta o detalhe de uma planta baixa de edifício. 2.2 Cotagem A cotagem em desenhos de arquitetura e interiores é o meio para informar dados numéricos com base nas dimensões reais do objeto representado. As cotas, ou dimensionamento, informam dados de modo que não seja necessário recorrer ao escalímetro (régua utilizada em desenho técnico para representação gráfica de objetos e elementos em diferentes escalas). Assim como todos os métodos de representação em desenho técnicos, as cotagens seguem as normas da ABNT. E, nos dias de hoje, a forma mais rápida e eficiente de desenvolver as cotas em desenho técnico é utilizando softwares CAD. O dimensionamento (termo mais empregado no sistema quando se trata de cotas em desenhos) é uma das partes mais complexas no sistema CAD, isto é decorrente devido ao grau de especificidade em que são tratados cada atributo que fazem parte da cota de 46 dimensionamento. Tanto é verídica tal informação que existe uma caixa de ferramenta especifica para o dimensionamento. Esta, por sua vez, permite com base nas normas da ABNT desenvolver projetos precisos e com informação adequada a cada tipo de projeto. Antes mesmo de adentrar nas especificidades do software para o desenvolvimento do dimensionamento, iremos ressaltar toda a simbologia que faz parte do universo da cotagem em desenho técnico. Os dimensionamentos são divididos nas partes apresentadas a seguir: Figura 5 - Desenho esquemático de dimensionamento Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A figura apresenta um desenho esquemático de uma peça qualquer, apontando as partes que formam um dimensionamento. • Linha de cota ou linha de dimensionamento - é a linha que indica a direção e o tamanho de um dimensionamento. Nos dimensionamentos angulares, a linha de cota é um arco. Setas são adicionadas a cada extremidadeda linha de cotas. • Linha de chamada ou de extensão – linhas que vão desde o elemento cotado até a linha de cota. • Texto de cota – é uma cadeia de texto que geralmente indica a medida real. • Marca de centro – é uma pequena cruz que indica o centro de círculo ou arco. Existem vários sistemas de cotagem, porém no segmento de arquitetura de interiores existem os mais utilizados e que são aceitos pela NBR. Figura 6 - Tipos de cotagens mais indicadas para desenho arquitetônico e design de interiores Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A imagem apresenta os tipos de cotagens mais indicados para desenho arquitetônico e design. 47 2.3 Cotas de nível As cotas de nível também possuem a sua representação nos desenhos técnicos de arquitetura e interiores. Estas, como o próprio nome diz, identificam o nível do piso. E deverão ser inseridas na planta baixa e nas elevações. Figura 7 - Cotas de Nível Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A figura apresenta as cotas de níveis aplicadas em planta e elevação. 2.4 Cotas na arquitetura Conforme apresentado na figura “Tipos de cotas na arquitetura”, em desenho de arquitetura e interiores são utilizados até três níveis de cotagem: Figura 8 - Tipos de cotas na arquitetura Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: A figura apresenta diferentes tipos de cotas na arquitetura. 48 2.5 Cotando utilizando software CAD Segundo Baldam, Dimensionamento é a inclusão de medidas em um desenho do sistema de averiguação de medidas, que apenas mostra os valores na janela de comandos. O AutoCAD permite cotar (colocar dimensões em) linhas, arcos, círculos e segmentos de linhas denominados polilinhas ou desenhar dimensionamentos independentes. Esses dimensionamentos ou cotas indicam medidas geométricas dos objetos, distâncias, ângulos entre os objetos ou coordenadas XY de um objeto. Pode-se também cotar em objetos 3D. São divididos em linear, radial e angular. Os lineares incluem dimensionamento horizontal, vertical e alinhado, em rotação, ordenado por linha de base e contínuo. Todo dimensionamento possui um estilo de dimensão caracterizado, entre outros itens, por cor, estilo de texto e escalado tipo de linha (BALDAM, 2015, p. 188). Para a realização de cotas no AutoCAD será apresentada a caixa de ferramenta DIMENSION e seus principais comandos, que serão utilizados quando for necessário atribuir uma cota ou dimensionamento em um desenho técnico. Figura 9 - Caixa de ferramenta “DIMENSION” Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Apresentação da Caixa de ferramenta DIMENSION com todos os comandos que fazem parte, assim como uma lista de informação de cada um deles. Acessando a caixa de ferramenta DIMENSION nas versões mais recente, os comandos são os mesmos, somente é alterada a interface: 49 Figura 10 - Caixa de ferramenta “DIMENSION” Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Apresentação da Caixa de ferramenta DIMENSION nas versões mais recentes. Figura 11 - Caixa de ferramenta “DIMENSION” – Cota linear Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Apresentação da caixa de ferramenta DIMENSION – comandos de cotas linear. Como criar um estilo de dimensionamento para posterior aplicação em projeto? É preciso saber qual dimensionamento será utilizado no desenho. Sabemos que o para o desenvolvimento de plantas na arquitetura, utilizamos as medidas em metros. Mas, primeiramente criamos um estilo de texto para ser utilizado no desenho final. Desta forma: 50 Figura 12 - Barra de menu superior – estilo de texto Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Barra do menu superior com ênfase no atalho para o comando de estilo de texto. Ao surgir a caixa de Text Style, é possível criar um novo estilo de texto que poderá ser usado também nos estilos de dimensionamento. a) Clique em NEW; b) Coloque um nome para seu estilo de texto; c) Altere a fonte para ROMANS. Esta tem características aceitas pela ABNT. d) Insira uma nova altura. Faça uma relação com seu desenho em metros. Por exemplo: caso as paredes da minha planta tenham .20, logo poderei colocar uma altura de texto com valor menor, de modo que não gere uma poluição de informações na planta. Então colocarei inicialmente .10. Se por ventura ficar muito pequeno faço a alteração. Figura 13 - Caixa estilo de texto Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Caixa de estilo de dimensionamento. 51 Também é possível criar, por exemplo, outros tamanhos de texto para compor a prancha (folha), tais como: 0.15, 0.20, 0.30. Após a produção do estilo de texto, pode-se gerar o estilo de dimensionamento. Este que irá compor as medidas que farão parte da planta final. Para isso: Figura 14 - Barra de menu superior – estilo de dimensionamento Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Barra de menu superior, com ênfase no ícone de estilo de dimensionamento. Ao surgir a tela Dimension Style Manager (Estilo de Dimensionamento), é possível estabelecer uma série de parâmetros que farão parte dos elementos para cotar objetos. Primeiramente, é necessário clicar em NEW para criar um novo estilo de dimensionamento. Figura 15 - Caixa de estilo de dimensionamento Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Caixa de estilo de dimensionamento. 52 Ao clicar em , é necessário dar um novo nome para o estilo de dimensionamento. Após, colocar o nome e pressionar < >, surge uma nova tela com uma série de abas onde serão desvendadas aquelas necessárias para o uso de dimensionamento de arquitetura. Figura 16 - Caixa de estilo de dimensionamento – criação de novo estilo Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Abas para ajustes na caixa de dimensionamento. A primeira aba que será trabalhada, será a aba de . Nesta, iremos explicar passo a passo, que deve ser alterado seguindo o tamanho de dimensionamento que se sugere para o preenchimento de uma planta. Figura 17 - Caixa de estilo de dimensionamento – aba Lines Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Aba lines – aponta os ajustes de extend dim lines e offset from origin. 53 Na aba de Lines, fazendo uma leitura da esquerda para direita, primeiro a parte superior e depois a parte inferior, temos um bloco denominado Dimension Lines. Neste, poderá ser alterada a cor das linhas de dimensionamento, o tipo de linha e a sua espessura. Para identificar melhor, podemos elucidar que a linha de dimensionamento é a linha que possui o valor numeral referente à distância. Não será alterado para este exemplo. Na sequência, aparece um desenho esquemático que sofre alteração a cada alteração de valores. Outro bloco que aparece é o Extension Line, este tem a ver com a linha de extensão, também conhecida como linha de chamada. Não será alterado para este exemplo. Por último, temos dois valores muito importantes e que faremos a alteração: a) Extend beyond dim lines, isto se refere ao tamanho em que a linha de extensão ultrapassa a intersecção da linha de dimensionamento. Para facilitar o processo, colocaremos o mesmo tamanho da altura do texto a ser aplicado, 0.10. b) Offset from origin, isto diz qual a distância entre o objeto e o início da linha de extensão. É sabido que as cotas não podem estar coladas/juntas com o desenho, devem ter uma pequena distância. Para tanto, aplicaremos também para facilitar a mesma altura do texto, 0.10. Na aba Symbols and Arroys, podemos alterar os terminadores, ou seja, alterar a seta por ponto (dot) ou traço em 45 graus e, também, o tamanho destes. Será feito a alteração para traço em 45 graus, e o tamanho será o mesmo adotado até o momento, 0.10. Figura 18 - Caixa de estilo de dimensionamento – aba Symbols and Arrows Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Abas Simbols and Arroys, ajuste de terminadores (setas) e tamanho da mesma. 54 Na aba Text, mudaremos o estilo de texto para o estilo criado anteriormente. Na sequência, verificamos a posição em que o texto ficará em relação à linha de dimensionamento.Na grande maioria, posicionamos Above e Centered (acima da linha de dimensionamento e centralizado). Outra informação é qual a distância em que o texto ficará da linha de dimensionamento. Neste caso, será adotada a metade da altura do texto, 0.05. E, por último, adotaremos o alinhamento do texto com a linha de dimensionamento. Figura 19 - Caixa de estilo de dimensionamento – aba Text Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Aba Text, para ajuste em estilo de texto, posição do texto junto ao dimensionamento e alinhamento. Com as informações destas abas é possível fechar a caixa e aplicar o comando . Figura 20 - Medidas aplicadas em planta Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Representação de uma planta baixa com detalhes de dimensionamento. 55 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Neste momento é importante ressaltar a importância da expressão gráfica e do desenho técnico no processo de desenvolvimento de projetos de arquitetura e interiores. 3 LAYOUT E DESENHO DE MOBILIÁRIO É importante explicitar, quando utilizamos CAD, que o principal elemento é a praticidade e rapidez no desenvolvimento de um projeto. Quando falamos sobre biblioteca de objetos e símbolos atrelados a um layout, entendemos que estes poderão auxiliar e muito na execução de um projeto, independente de sua complexidade, e que é possível obtê-los a partir de uma fonte externa de blocos pré-definidos, assim como também poderão ser criados de forma personalizada. 3.1 Explicitando os objetos da biblioteca Quando mencionado o termo biblioteca, entendemos ser uma série de livros organizados em determinadas estantes, e que podemos consultá-los com base em nossas necessidades. Porém, no universo da plataforma CAD, podemos criar esta analogia como pastas que podem ser organizadas por nomes e/ou segmentos, e no interior destas, é possível encontrar os objetos de interesse para serem incorporados ao projeto a ser desenvolvido. Neste tópico abordaremos como é possível, dentro do sistema CAD, transformar vários objetos em um, de modo que possam ser inserido em outros projetos quando necessário. É possível criar uma biblioteca de objetos relacionados a área específica. 56 Figura 21 - Conjunto de ícones de móveis e elementos para sala de estar, quarto, cozinha, banheiro Fonte: iStock #ParaCegoVer: Na imagem temos diversos tipos de mobiliários como cama de casal, solteiro, poltronas, mesas, jardinagem, objetos estes que poderão ser selecionados para posterior uso no projeto. Em resumo, podemos entender que as bibliotecas são elementos de desenhos, salvas em arquivos *.dwg que são criados por você ou por terceiros, e armazenadas em seu computador, ou qualquer outra mídia externa. Estas, por sua vez, podem ser utilizadas no desenvolvimento de um determinado projeto, potencializando e trazendo mais rapidez em todo processo. Podem ser desenvolvidas pelo estudante assim como realizadas por terceiros, através de peças idealizadas por meio de empresas do setor, como moveleiro, peças sanitárias etc. Os mobiliários aplicados em plantas de design de interiores possibilitam um entendimento sobre a distribuição dos espaços, fazendo com que o cliente final possa compreender o layout e opina sobre eventuais mudanças, de acordo com as suas necessidades. Figura 22 - Layout de apartamento humanizado Fonte: iStock 57 #ParaCegoVer: Na imagem temos um layout de um apartamento com mobiliário aplicado a cada compartimento. Segundo Ching e Binggeli (2006) os móveis compõem a categoria de projeto que se restringe à esfera do projeto de interiores. De acordo com Mengatto e Adriazola (2014), O Projeto de Interiores é o planejamento de um ambiente onde são apresentadas soluções de forma detalhada, levando-se em conta fatores objetivos e subjetivos. Envolve um estudo profundo sobre o perfil do cliente, seus gostos pessoais, particularidades, necessidades e características, bem como as características, necessidades e possibilidades do espaço físico em questão. Partindo-se destas análises é possível definir o caráter, a atmosfera, o estilo da composição, escolha dos materiais, o aproveitamento de algumas características arquitetônicas existentes, adequações a serem feitas para melhor aproveitamento de vistas, iluminação, insolação ou ventilação natural, a serem exploradas (MENGATTO; ADRIAZOLA, 2014, p.4). É sempre de bom ressaltar que o layout inicial realizado à mão livre, serve como esboço no processo de desenvolvimento de um projeto, independentemente do nível de complexidade do mesmo. As universidades investem em seus primeiros anos de curso, seja em arquitetura ou interiores, na experiência de expressar as primeiras concepções por meio do traço à mão livre, porém, alguns estudantes acabam não entendendo o quão importante é este processo no desenvolvimento dos primeiros croquis. [...] Entretanto, apesar dos inúmeros benefícios proporcionados pelos sistemas digitais, deve ser levada em conta a importância do desenho analógico como processo projetivo e de representação desde a Antiguidade, já que o desenvolvimento das grandes obras arquitetônicas, nessa época, passando também pelo Renascimento, era auxiliado apenas pelos desenhos manuais (CASTRAL, P. C.; VIZIOLI, S. H. T., 2011, apud FONSECA, F. M.; TANOUE, S. H., 2013). 3.2 Comandos Block, Wblock e Insert O software CAD foi desenvolvido para a criação de desenho técnico, e possui algumas facilidades que auxiliam o desenhista no desempenho de sua rotina diária. Os comandos BLOCK e WBLOCK são prova desta facilidade. Ambos possuem a característica de transformar em um único bloco, a partir de um incremento de elementos geométricos (linha, arco, circulo, etc.) utilizados para o desenvolvimento de um objeto. Ou seja, é possível desenhar uma cadeira em vista superior, transformar em um único objeto e denominá-lo de “cadeira”, e esta, por sua vez, poderá ser inserida quando quiser e quantas vezes forem necessárias de acordo com as especificidades de cada projeto. Conforme a definição de Baldam (2015), o bloco nada mais é que um conjunto de objetos como círculos, polígonos e outros, considerando um objeto único. Ele é utilizado para agilizar o processo do desenho, pois é possível inserir um mesmo bloco repetidamente, ao invés de 58 recriar elementos cada vez que for desenhá-los. É possível inserir e modificar a escala, bem como aplicar rotação em um bloco de desenho. Além disso, pode-se desmembrar um bloco em objetos originais, modificá-los e alterar a definição de blocos. Biblioteca de blocos é o conjunto de definições de bloco armazenado em um único arquivo de desenho ou pasta de trabalho. Podem-se utilizar bibliotecas de blocos do sistema CAD ou de outros fornecedores para criar a própria biblioteca. É possível organizar um conjunto de definições de blocos relacionados, criando blocos no mesmo arquivo de desenho. Os arquivos de desenho utilizados nesse sentido chamam-se bibliotecas de blocos o de símbolos. Essas definições de bloco podem ser inseridas individualmente em qualquer desenho. Exceto pela maneira como são usados, ou desenho de bibliotecas de blocos não são diferentes de outros arquivos de desenho (BALDAM, 2015, p.229). 3.3 A diferença entre BLOCK e WBLOCK Com a utilização do comando BLOCK no AutoCAD, é possível criar um bloco, mas este pertencerá apenas ao desenho em que está sendo desenvolvido. Ele está implícito no desenho aberto, não podendo ser inserido em outros projetos. Com o WBLOCK é possível que o bloco seja salvo com extensão DWG, ou seja, é possível inserir este bloco em qualquer outro desenho, pois este foi salvo no seu HD ou em um pen drive e possui extensão DWG. Desenha-se um objeto a partir dos elementos geométricos disponíveis do sistema, como o exemplo mencionado abaixo: Figura 23 - Layout realizado no CAD de uma cama de casal Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Desenho vetorial de uma cama de casal vista em planta. 59 Comando: Block (→) Menu: Draw– Block – Make Toolbar: Block – Create Figura 24 - Barra superior do AutoCAD – caixa de ferramenta Block Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer:Barra Superior do AutoCAD, com ícones para serem acionados conforme a necessidade. Quando acionado o comando , é criado um bloco somente no desenho que estiver ativo. Não ficará em uma pasta que poderá ser inserido em qualquer desenho. Ou seja, este pertence somente ao desenho que está aberto. Para que seja criado um bloco gerando a possiblidade de abrir o bloco em qualquer projeto, será necessário utilizar o comando . Figura 25 - Definição de bloco Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Barra de definição de bloco onde são inseridas informações como ponto de inserção (pick point) e seleção dos objetos para bloco (select objects). 60 Neste quadro é clicado em: 1- PICK POINT (ponto de inserção). Ponto pelo qual o objeto será arrastado quando for inserido. 2- SELECT OBJECTS. Serão selecionados todos os objetos de farão parte do bloco. A partir do elemento desenhado na tela e clicado ou digitado o comando WBLOCK para que se possa criar o bloco e ser salvo, seja na máquina ou no pen drive. Comando: WBLOCK (→) Surge um quadro denominado WriteBlock: Figura 26 - Definição do Wblock Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Barra de Write Block para geração de um Wblock. a- PICK POINT (ponto de inserção). Ponto pelo qual o objeto será arrastado quando for inserido. b- SELECT OBJECTS. Serão selecionados todos os objetos de farão parte do bloco. c- Escolher o nome do bloco para que seja inserido em outro desenho. De acordo com Panizza (2004), o conceito de biblioteca de blocos pode ser utilizado internamente ou externamente ao arquivo. Arquivos de desenho de CAD, já gravados nos dispositivos de armazenamento, podem ser inseridos em novos desenhos, transformando-se em 61 blocos nestes desenhos. Blocos definidos dentro de um arquivo podem ser extraídos do desenho, e existirem por si separadamente, como um arquivo independente. As bibliotecas de objetos, de mobiliário e de detalhes padronizados utilizam deste recurso para serem reaproveitados em novos projetos. Desenhos em formato digital de peças de mobiliários ou de equipamentos são fornecidos por seus fabricantes e utilizados na forma de bloco nos projetos feitos em CAD. Novos blocos podem ser criados diretamente para arquivos com o recurso de exportação de blocos (comando wblock). O isolamento de geometrias básicas do projeto para utilização em outras disciplinas pode ser feito com este procedimento. Figura 27 - Criando um projeto de interiores no laptop Fonte: iStock #ParaCegoVer: A imagem apresenta um jovem designer de interiores em projeto de verificação casual de uma casa no laptop.m 3.4 Insert Como o próprio nome se encarrega de identificar, o comando Insert permite a inserção de objetos externos, a partir de bibliotecas de imagens e objetos pré-estabelecidos, ou criados pelo próprio estudante. Este comando possibilita a inserção do objeto no tamanho desenhado, assim como poderá sofrer alterações em X ou Y, dependendo da proporção que se queira mediante a escala do próprio desenho. O comando Insert, como já mencionado, pode ser extraído de uma biblioteca pré-estabelecida ou ter sido criada pelo próprio estudante. Independente da origem, é realizado da seguinte forma: Comando: Insert (→) Menu: Home – Block – Insert Toolbar: Block – Insert 62 Figura 28 - Barra superior do AutoCAD – caixa de ferramenta Block - Insert Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Barra de menu superior do AutoCAD enfatizando o comando Insert. Ao acionar o comando, surge a seguinte tela: Figura 29 - Inserção do objeto desenhado Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: inserção do bloco “cama de casal” para ser aplicado em qualquer espaço da área gráfica. Com o cursor “preso” no objeto com base no ponto de inserção estipulado pelo desenhista, poderá ser clicado em qualquer espaço da área gráfica. FIQUE DE OLHO É importante ressaltar que o ponto de inserção escolhido nos blocos desenvolvidos possui um papel essencial na hora em que for inserido, pois a partir deste ponto o objeto é arrastado com o mouse até o local de destino. Caso o cursor não esteja fico no ponto de inserção de sua preferência ao inserir o objeto, é recomendado explodir o bloco e criá-lo novamente dando a este um novo ponto de inserção. 63 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Neste momento é importante ressaltar a importância do layout para o projeto de interiores, assim como a inserção de mobiliário e equipamentos, por meio de blocos criados pelo estudante ou por biblioteca de blocos. 4 PROJETOS COMERCIAIS A arquitetura comercial privilegia um segmento em constante crescimento nos dias atuais. Isso ocorre devido aos grandes empreendimentos e lançamento de prédios destinados ao comércio nos principais polos urbanos de grande movimentação populacional, que fomentam o uso de salas comercias para diversos segmentos. Para realizar estes projetos, os empreendedores buscam profissionais capacitados em arquitetura e interiores. Quando se pensa em projetar um espaço comercial, não é somente o espaço físico e a disposição dos produtos em suas gondolas que devem ser evidenciados. O profissional deverá levar em conta o público alvo desta marca, e os elementos secundários (como cores e iluminação) que farão toda a diferença no resultado final. A arquitetura comercial incide no principal elo de relação com o consumidor. Segundo Underhill (2009), O prédio, a locação, tornou-se um grande anúncio tridimensional de si mesmo. A sinalização, a posição dos mostruários, o espaço para as gondolas e para o mobiliário da loja, tudo isso faz aumentar ou diminuir a probabilidade de o shopper comprar determinado item (ou qualquer item). A ciência das compras foi desenvolvida para que pudéssemos saber como usar todas as ferramentas. Como criar cartazes que as pessoas leiam. Como se assegurar de que todas as mensagens estejam no local apropriado. Como criar mostruários que os shoppers possam manipular com facilidade e conforto. Como assegurar que os shoppers percorram – e desejem – todos os cantos da loja (UNDERHILL, 2009, p.28). 64 A gestão da marca aplicada ao empreendimento comercial é um fator relevante para o sucesso da arquitetura comercial. Isto é devido ao planejamento da identidade corporativa da marca em todos os seus aspectos, envolvendo fachada e linguagem visual atrelada a parte interna e externa. A linguagem visual necessita possuir algumas características para o seu rápido entendimento, fácil compreensão, independente da língua, da cultura ou do grau de instrução de quem examina a mensagem nela contida, identificando-a através da imagem (símbolo). Então, quando um nome ou ideia é representada visualmente sob uma determinada forma (letra ou desenho), dizemos que ela tem identidade visual. A identidade visual é um conjunto de elementos gráficos que compõem a personalidade visual de um nome, ideias, produto ou serviço. Portanto, o símbolo, na sociedade contemporânea, passa a ser o sinal gráfico que com o uso, identifica um nome, ideia, produto ou um serviço (MINAMI, 2001). 4.1 Etapas do projeto de arquitetura de interiores Para dar início às especificações das etapas que envolvem o profissional de arquitetura de interiores, é importante trazer algumas definições acerca das atribuições do designer de interiores, ou arquiteto de interiores. De acordo com Resolução CAU/BR nº 51/2013, Arquitetura de Interiores como o campo de atuação profissional da Arquitetura e Urbanismo que consiste na intervenção em ambientes internos ou externos de edificação, definindo a forma de uso do espaço em função de acabamentos, mobiliário e equipamentos, além das interfaces com o espaço construído – mantendo ou não a concepção arquitetônica original –, para adequação às novas necessidades de utilização. Esta intervenção se dá no âmbito espacial;estrutural; das instalações; do condicionamento térmico, acústico e lumínico; da comunicação visual; dos materiais, texturas e cores; e do mobiliário. As etapas do desenvolvimento de um projeto envolvem várias condicionantes que serão abordadas a seguir. De acordo com Moraes (2016), as etapas compreendem: 1) Levantamento ou briefing: Esta é a primeira etapa, em que o arquiteto ou designer de interiores compreende as necessidades do cliente. No levantamento são definidos os conceitos preliminares norteadores da proposta que será desenvolvida, objetivos, programa de necessidades, padrões básicos dos sistemas construtivos e acabamentos. 2) Estudo preliminar: Os primeiros estudos acerca das necessidades estabelecidas na fase anterior são explicitados por meio de perspectivas em 3D, plantas humanizadas, vistas e layouts conceituais. A apresentação de variações de projeto também é comum nessa fase. As propostas apresentadas devem sempre levar em consideração aspectos como: Conforto Ambiental, Tecnológico e Econômico. 3) Anteprojeto: O anteprojeto consiste no alinhamento das ideias verificadas na fase anterior 65 e aceitação do cliente, com base nas especificações dos elementos, instalações e componentes necessários para a total compreensão do projeto pelo cliente. Nesta etapa são apresentadas plantas dos pavimentos, cortes esquemáticos, fachada principal e especificação prévia dos principais acabamentos de fachada. 4) Projeto arquitetônico: A etapa de projeto é fase de especificação detalhada e minuciosa de tudo que foi definido até o anteprojeto. Esta etapa é subdividida em Projeto básico ou legal, Projeto executivo e Coordenação de projeto. 4.1) Projeto básico ou legal: Esta etapa consiste no aprofundado do anteprojeto, contendo todas as informações necessárias para a compreensão do projeto, possibilitando o início do desenvolvimento dos projetos complementares, (hidráulico, elétrico, estrutural, sistemas etc.), quando assim for necessário. O projeto básico estabelece a elaboração de estimativas de custo, de prazos e serviços de obra, os desenhos técnicos de arquitetura necessários para aprovação do projeto na prefeitura, licenças e alvarás de obras. 4.2) Projeto executivo: Esta etapa é destinada à representação final das informações técnicas da edificação, completas, definitivas, necessárias e suficientes à contratação e à execução dos serviços de obra correspondentes. De acordo com Ribeiro (2019), devem conter pranchas com os seguintes itens: • Planta baixa cotada; • Planta com layout cotado e com tabela de especificação de mobiliário; • Planta a demolir e construir; • Planta de iluminação, forro e interruptores; • Planta de paginação; • Planta de pontos elétricos, eixo hidráulico, ar condicionado e demais itens complemen- tares; • Vistas de todos os ambientes com suas especificações e cotas; • Cortes dos ambientes para a compreensão dos níveis de forros e piso; • Detalhamentos de gesso, marcenaria, bancadas, rodapés, portas, painéis e demais itens necessários para compreensão do projeto; • Especificação técnica dos materiais; • Memorial descritivo; • Imagens dos ambientes. 66 4.3) Coordenação e compatibilização de projetos: Esta última fase, como o próprio nome se encarrega de explicitar, consiste em coordenar e compatibilizar o projeto arquitetônico com os demais projetos complementares, e acompanhar tecnicamente as etapas para o fechamento da obra. Figura 30 - Planta detalhada, projeto executivo Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Planta baixa com especificações de janelas, esquadrias e acabamentos. Figura 31 - Recorte de planta detalhada, projeto executivo Fonte: Elaborado pelo autor, 2020 #ParaCegoVer: Recorte de planta contendo os compartimentos lavanderia e cozinha com simbologia de nível de piso, revestimentos de parede, piso e teto e também especificação de janelas. 67 5 ETAPAS DO PROJETO EXECUTIVO A Lei 8.666 de 1993 define que toda obra necessita um projeto, dividido em duas etapas: Projeto básico e executivo. O projeto básico tem como objetivo apresentar as características básicas do empreendimento. Compreende as etapas e serviços que farão parte do escopo da obra. É caracterizada por estudos preliminares, anteprojeto, estudos de viabilidade técnica e econômica, entre outros. São realizados projetos de instalações elétrica, hidráulica e o que for necessário para a obra em questão. O projeto executivo detalha e aprofunda os elementos mais básicos e mais cruciais para o sucesso da obra. Conforme apresenta o Manual de obras públicas – edificações: práticas da SEAP, O Projeto Executivo deverá estar representado graficamente por desenhos de plantas, cortes, fachadas e ampliações de áreas molhadas ou especiais, em escala conveniente, e em tamanho de papel que permita fácil manuseio na obra. Os detalhes de elementos da edificação e de seus componentes construtivos poderão ser apresentados em cadernos anexos onde conste sua representação gráfica, de conformidade com a Norma NBR 6492. Quanto às formas de representação, ainda de acordo com o documento, devem conter: a) A implantação do edifício, onde constam: A orientação da planta com a indicação do norte verdadeiro ou magnético e as geratrizes da implantação; A representação do terreno, com as características planialtimétricas, compreendendo medidas e ângulos dos lados e curvas de nível, e localização de árvores, postes, hidrantes e outros elementos construídos existentes; As áreas de corte e aterro, com a localização e indicação da inclinação de taludes e arrimos; Os RN do levantamento topográfico; Os eixos das paredes externas das edificações, cotados em relação à referência preestabelecida e bem identificada; As cotas de nível do terrapleno das edificações e dos pontos significativos das áreas externas (calçadas, acessos, patamares, rampas e outros); A localização dos elementos externos, construídos, como estacionamentos, construções auxiliares e outros. 68 b) O edifício, compreendendo: Plantas de todos os pavimentos, com destino e medidas internas de todos os compartimentos, espessura de paredes, material e tipo de acabamento, e indicações de cortes, elevações, ampliações e detalhes; Dimensões e cotas relativas de todas as aberturas, vãos de portas e janelas, altura dos peitorais e sentido de abertura; Escoamento das águas, a posição das calhas, condutores e beirais, reservatórios, “domus”, rufos e demais elementos, inclusive o tipo de impermeabilização, juntas de dilatação, aberturas e equipamentos, sempre com indicação de material e demais informações necessárias; Todas as elevações indicando aberturas e materiais de acabamento; Cortes das edificações onde fique demonstrado o pé direito dos compartimentos, alturas das paredes e barras impermeáveis, altura de platibandas, cotas de nível de escadas e patamares, cotas de piso acabado, tudo sempre com indicação clara dos respectivos materiais de execução e acabamento; Impermeabilização de paredes e outros elementos de proteção contra a umidade; Ampliações, se for o caso, de áreas molhadas ou especiais, com indicação de equipamentos e aparelhos hidráulicos e sanitários, indicando seu tipo e detalhes necessários; Esquadrias, o material componente, o tipo de vidro, fechaduras, fechos, dobradiças, o acabamento e o movimento das peças, sejam horizontais ou verticais; Todos os detalhes para a perfeita compreensão da obra a executar, como coberturas, peças de concreto aparente, escadas, bancadas, balcões e outros planos de trabalho, armários, divisórias, equipamentos de segurança e todos os arremates necessários. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 69 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • entender a expressão gráfica como linguagem universal de representação de de- senho, assim como letra técnica, formato de folha DIN, linhas de representação e normas técnicas especificamente. • conhecer como se processa o desenho técnico arquitetônico e interiores,a partir das cotagens dos objetos, a utilização do software CAD para otimização do dimen- sionamento. • identificar o layout aplicado ao design de interiores com suas respectivas bibliotecas de mobiliários. • verificar as etapas de desenvolvimento de um projeto de arquitetura e interiores desde o briefing a entrega da obra. • saber as etapas de um projeto executivo, assim como também suas representações de desenho arquitetônico. • Clique para baixar o conteúdo desta unidade PARA RESUMIR AGUIAR, K. P. Ambientes comerciais e influência do design visual. Dissertação de Mestrado – Área de Concentração – Design e Arquitetura – FAUUSP. São Paulo, 2016. BALDAM, R. L.; COSTA, L. AutoCAD 2016: utilizando totalmente. São Paulo: Érica, 2015. CAU. Nota do CAU/BR de Esclarecimentos sobre a Resolução no 51. Disponível em: https://caubr.gov.br/nota-de-esclarecimentos-sobre-resolucao-51/. Acesso em: 15/03/2020. CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 2. ed. Bookman. 2006. FONSECA, F. M.; TANOUE, S. H. A representação gráfica na revista Projeto & Design. Graphica´13 – XXI Simpósio Nacional de Geometria Descritiva e Desenho Técnico; X Internacional Conference on Graphics Engineering for Arts and Design. Florianópolis: Santa Catarina, 2013. Manual de Obras Publicadas – Edificações: SEAP. Disponível em: http://www. etu.ufrj.br/files/estudos-tecnicos/manual%20de%20obras%20pUblicas%20 edificaCOes%20projetos11/MANUAL%20DE%20OBRAS%20P%C3%9ABLICAS%20 EDIFICA%C3%87%C3%95ES%20PROJETOS.pdf. Acesso em 16/03/2020. MENGATTO, S. N. F. Arquitetura de interiores. Apostila do curso de Especialização em Design de Interiores. Curitiba: UTFPR, 2014. MINAMI, I. Paisagem urbana de São Paulo: publicidade externa e poluição visual. Junho, 2001. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/02.013/879. Acesso em: 15/03/2020. MORAES, I. Conheça todas as etapas do projeto arquitetônico. Disponível em: https:// casadeirene.com/etapas-projeto-arquitetonico/. Acesso em 15/03/2020. POSSEBON, E. Desenho de arquitetura. São Paulo: Plêiade, 2014. RIBEIRO, A. C.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Curso de desenho técnico e AutoCAD. São Paulo: Pearson, 2013. RIBEIRO, M. Etapas de um projeto de arquitetura de interiores para leigos. 2019. Diponivel em: https://stateraarquitetura.com.br/etapas-de-um-projeto-de-arquitetura- de-interiores-para-leigos/. Acesso em 17/03/2020. SILVA, A. S. Desenho técnico. São Paulo: Pearson, 2014. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNDERHILL, P. Vamos às compras: A ciência do consumo dos mercados globais. São Paulo: Campus, 2009. VIZIOLI, S. H. T.; MARCELO, Virgínia C. C. et al. Desenho arquitetônico básico. São Paulo: Pini, 2009. UNIDADE 3 Projeto de serviços Introdução Você está na unidade Projetos de Serviços. Conheça aqui o conceito de metodologia para Projetos de Interiores de Prestação de Serviços. Vamos compreender o que é uma metodologia de projeto, ou seja, qual a melhor forma para que você consiga elaborar seus projetos de Interiores para a área de prestação de serviços. Vamos entender como aplicar a metodologia de projetos aos projetos de interiores de Prestadores de Serviços. Por fim, entenderemos como podemos gerar ideias e alternativas diferentes, em um mesmo espaço, para empresas de Prestação de Serviços, analisando as vantagens e as desvantagens de cada uma de nossas criações e escolhendo a alternativa que atenderá de forma mais completa as demandas de nosso cliente. Bons estudos! 75 1 DEFINIÇÕES Uma das coisas mais interessantes no Design de Interiores é que os profissionais que trabalham nesta área são capazes de executar uma variedade muito grande de projetos, para todas as finalidades imagináveis. Para isso, antes de começar um projeto novo, é fundamental , coletando informações de várias fontes sobre o que estamos projetando, incluindo visitas técnicas e até pesquisas de campo. Quanto mais informações coletadas, mais correto e preciso será seu projeto. 1.1 Pesquisa sobre o tema Em sua vida profissional você vai se deparar com projetos desafiadores, tanto pela complexidade do trabalho, quanto pelo ineditismo da tarefa, ou seja, temas e espaços sobre os quais você não tem nenhum conhecimento prévio. É fácil projetar coisas com as quais você já possui alguma proximidade, como, por exemplo, uma residência, ou seja, você sabe como funciona uma residência, e já esteve em pelo menos uma, a sua, e isso lhe dá condições de criar projetos residenciais. É claro que, quanto mais residências diferentes você conhecer, mais informações a respeito de tipos de residências você terá. No caso do projeto que desenvolveremos nesta unidade - o projeto de interiores para empresas que são prestadoras de serviço-, talvez seja uma grande novidade para você. Talvez você não conheça este tipo de empresa e o que ela faz. Afinal, o que são empresas prestadoras de serviço? Vamos, antes de tudo, conhecer o que são as empresas que são prestadoras de serviço. São as instituições que fazem alguma tarefa para outras pessoas e para outras empresas, ajudando e facilitando a vida deste público, que pode, com o auxílio destas prestadoras de serviço, focar em seus próprios negócios. Em termos conceituais, podemos dizer que uma prestação de serviço é um tipo de atividade econômica, onde não existe, efetivamente, um produto como resultado, ou seja, o que está sendo negociado entre as partes é um “serviço”. Existem vários tipos de empresa e de profissionais liberais que prestam serviços para pessoas ou para outras empresas. Abaixo estão listados alguns prestadores de serviço: • Hotéis e pousadas; • Escolas e Instituições de Ensino; • Agências de Viagens e de Turismo; • Serviços de segurança, manutenção, limpeza, jardinagem; • Academia; 76 • Médicos; • Dentistas; • Arquitetos; • Designers de Interiores. Tenho a certeza de que você notou que nós estamos nesta lista, não é? O que nós, designers de interiores, fazemos, é uma prestação de serviços. Somos contratados pelos nossos clientes para concretizar seus sonhos, e este trabalho é considerado uma prestação de serviços. 1.2 Casos Depois de conhecer o tipo de empreendimento que seu cliente tem, ou deseja abrir, vamos começar a executar uma pesquisa de casos de sucesso, para que possamos ter ideias a respeito do que vamos executar e também uma base a respeito de projetos semelhantes que funcionaram de forma exitosa. Caso seja possível, pode ser interessante visitar algumas destas empresas, verificando in loco, como o projeto funciona, fazendo uma análise crítica a respeito do projeto e criando uma base sobre a qual você vai conseguir projetar. Preste bastante atenção neste momento: não estamos falando sobre copiar, ou fazer um projeto semelhante, mas sim sobre uma pesquisa crítica e analítica, com a intenção de agilizar e simplificar o seu trabalho! A ideia por trás desta pesquisa de casos é apenas facilitar sua tarefa, adquirindo algum conhecimento técnico a respeito do projeto a ser executado. Caso você precise projetar um cinema em algum momento da sua vida profissional, será mais simples conhecer alguns projetos existentes e as razões técnicas pelas quais eles foram executados desta forma do que tentar descobrir tudo sozinho em seu escritório, não é mesmo? É sobre isto que estamos falando ao mencionar o estudo de caso! 2 METODOLOGIA Agora que entendemos o conceito de prestação de serviços, vamos começar a pensar em como fazer um projeto para uma destas empresas ou um destes profissionais, o que acha? Como fazer algo que você nunca tenha projetado, como uma escola de idiomas, por exemplo? Talvez você já tenha ido a uma escola de idiomas antes, e talvez até já tenha feito algum curso, 77 mas como funciona todo o processo? A não ser que já tenha trabalhado em uma escola de idiomas, você provavelmente não tem a mínima ideia, não é mesmo? Vamos entender como uma metodologia de projeto pode lhe ajudar nestemomento! 2.1 O que é metodologia Como você já sabe, a metodologia é um conjunto de etapas que estão sistematizadas e que nos proporciona um suporte sobre o qual possamos conceber e detalhar nosso projeto. Você já ouviu falar que uma edificação precisa ser construída sobre uma base sólida, sob o risco de desmoronar caso isto não aconteça, não é mesmo? Com nosso projeto vai acontecer algo semelhante. Ou seja, se não tivermos um embasamento a partir do qual executar o nosso projeto, existe uma grande chance de pularmos alguma etapa, ou de esquecermos de algum componente importante que pode representar um problema na execução do projeto. Imagine perceber que esqueceu o projeto de instalações hidráulicas ou elétricas? Isso seria um problema grave, não é mesmo? Uma metodologia de projeto vai ajudar você a entender este pensamento projetual, elencando as etapas que são usualmente seguidas, sistematizando o conhecimento e as informações necessárias para um projeto. 2.2 Fases de uma metodologia Já estudamos as fases que compõe uma metodologia de projeto, mas agora vamos analisá- las, e entender, de forma mais profunda, o que devemos fazer em cada uma destas etapas. Nosso trabalho começa com um briefing, que se trata de um levantamento de necessidades e uma pesquisa a respeito do tema do projeto (é claro que esta fase de pesquisa poderá ser dispensada, caso você já tenha feito projetos com temáticas parecidas). Posteriormente mostraremos, de forma básica e generalizada, como fazer a montagem das perguntas para um briefing. Após o briefing e a pesquisa, dependendo da complexidade do projeto que está sendo executado, pode ser interessante criar um programa de necessidades. Mas o que é um programa de necessidades? Trata-se de um programa feito a partir do levantamento das necessidades do projeto. Tanto as que foram levantadas através do briefing, como as que foram levantadas pelos estudos de caso. Este programa inclui todos os espaços que devem ser criados. Também é possível colocar a área útil aproximada que cada um destes espaços precisa ter e, além disso, é possível fazer um fluxograma que indicará as ligações entre estes espaços, dando uma ideia de como será a circulação dentro da edificação. 78 Figura 1 - Fluxograma. Fonte: O Autor (2020) #ParaCegoVer: A figura mostra uma série de elipses, indicando o fluxograma de uma residência; algumas destas elipses estão conectadas por linhas, mas separadas de outras. Cada elipse contém dentro de si os nomes de diferentes espaços residenciais como sala de estar, hall, cozinha, dormitórios, banheiros e área de serviço. No fluxograma é possível entender, de forma visual, como funciona a circulação desta residência: a entrada principal se dá através de um hall de distribuição, e, através deste hall podemos nos dirigir para a cozinha, ou para a sala de estar. Note que isso não significa que estamos falando sobre espaços fechados ou separados, mas sim sobre a circulação imaginada para o espaço. Podemos ver, por exemplo, que só é possível acessar a área de serviço através da cozinha. Também podemos notar que só é possível chegar aos banheiros através dos quartos, o que nos indica que temos apenas suítes nesta edificação. Você consegue ver como podemos obter muitas informações do projeto através de um fluxograma? Nosso trabalho é facilitado ao permitir entender como as pessoas circularão pelo espaço, assim, podemos direcionar o público de maneira mais eficiente. O programa de necessidades e o fluxograma vão encerrar a primeira fase da nossa metodologia de projeto. A fase seguinte da metodologia é a geração de ideias, ou seja, colocar no papel as ideias que você tem para o espaço de seu cliente. Essas ideias devem ter como parâmetro o que foi pesquisado na fase anterior, e é interessante que você coloque todas as suas ideias no papel, sem censura, apenas com o foco na solução do projeto e das necessidades de seu cliente. Já vimos algumas ferramentas de estímulo à criatividade, e, como você já sabe, é importante que você treine a sua mente para que este processo fique mais simples e fácil. Uma boa tática é tentar dar outra solução para coisas que não são um problema, isto é, você pode tentar encontrar 79 alternativas para projetos que já funcionam, tentando encontrar opções. Você pode fazer isso na sua casa, encontrando opções para os cômodos e espaços que já são funcionais. Esse exercício fará com que você comece a ter uma visão diferente das opções que podem existir para estas áreas. A geração de alternativas pode ser feita com o desenho manual, ou com o desenho auxiliado por computador, dependendo da sua habilidade em cada uma destas mídias. A grande vantagem do desenho manual é a velocidade de produção e de geração de alternativas, pois este desenho é mais simples e permite uma maior liberdade. Após a geração das ideias, quando você já criou várias alternativas para a resolução de um mesmo problema, vem o momento de escolha da alternativa que vai solucionar a questão de maneira mais simples e eficiente. Essa escolha deve ser feita a partir dos parâmetros que foram fixados na etapa anterior, e deve resolver os problemas, ou a maior parte dos problemas, que foram levantados. Essas opções são chamadas de anteprojeto, pois estão associadas a uma fase anterior à fase de projeto, isto é, os primeiros desenhos compõe uma fase que leva ao projeto. Muitas vezes a solução encontrada será a mistura de duas ou mais ideias geradas nesta fase, ou uma evolução de uma destas opções. Também é importante que sejam geradas ideias com soluções diferentes, e até mesmo algumas que sejam estranhas ou que não possam ser executadas, pois algumas soluções podem estar em ideias que, à primeira vista, são erradas. A opção que será escolhida para ser desenvolvida não precisa estar totalmente resolvida, pois vamos definir e detalhar este esboço várias vezes. Também pode acontecer, em algum momento, que nenhuma das ideias que foram geradas possam ser usadas, seja por motivos técnicos, seja por estarem muito fora do que foi pedido pelo cliente. Nesse caso, será preciso que se retome a fase de pesquisas, revendo o que foi levantado, e também a geração de ideias, criando outras opções. Uma coisa importante é saber que muitas vezes as ideias que não podem ser utilizadas para um projeto, não precisam ser descartadas, mas podem ser arquivadas para que sejam revistas e adaptadas para um outro projeto. Quando uma das opções criadas é escolhida, geralmente ainda está em um estágio bastante inicial da concepção, e ainda será desenvolvida até o ponto em que será considerada como um projeto. A diferença entre o anteprojeto e o projeto é a possibilidade de execução do projeto, ou seja, um projeto apresenta uma grande capacidade de execução, sendo um desenho mais próximo à realidade da obra, diferente do anteprojeto, que é um desenho de concepção, sem o detalhamento necessário para a execução do projeto. Outra diferença entre um projeto e um anteprojeto, é a possibilidade de alteração. A maior parte das alterações deve ser feita na fase de anteprojeto, onde ainda existe a possibilidade de mudanças, sem atrapalhar o fluxo do trabalho. Quando alteramos um projeto, muitos outros desenhos e projetos devem ser alterados e, quando o projeto está definido, iniciamos a execução 80 dos projetos complementares e do detalhamento. Assim, alterar o projeto significa alterar todos estes outros projetos. A última fase é a execução dos projetos complementares, do projeto executivo e dos projetos de detalhamento, ou seja, nesta última fase formularemos todos os desenhos necessários para que o projeto seja efetivamente construído, detalhando os pontos necessários para que os diversos fornecedores de uma obra possam executar suas partes. Os projetos executivos incluem os projetos de marcenaria, de marmoraria, de instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias. Incluem ainda as paginações de pisos, paredes, revestimentos e forro,iluminação e circuitos, além de qualquer outro tipo de detalhe que seja necessário para a execução da construção e dos acabamentos. Nesta fase, ainda, são feitos os quantitativos de materiais. São levantadas as quantidades de materiais que serão necessárias para a execução da obra, como a quantidade de pisos e revestimentos que devem ser comprados, a quantidade de tinta que será necessária para a pintura, o número de luminárias que serão usadas, enfim, tudo aquilo que será usado para a execução do projeto. Conhecendo estas quantidades, também é possível fazer os orçamentos para passar ao cliente os valores dos materiais que estão envolvidos na execução do projeto. Finalmente, depois de todos os projetos prontos, é possível fazer outro tipo de projeto, conhecido como as built, ou “como construído”. De acordo com a NBR 14645, trata-se de um registro das alterações que foram feitas no projeto original, a partir das alterações que foram feitas na obras. Por exemplo, imagine que em seu projeto você colocou uma tomada em determinado ponto da parede, onde havia um pilar de concreto, e, durante a execução da obra, foi preciso alterar a posição desta tomada em função de algo inesperado. É preciso que esta alteração seja indicada em projeto. 3 BRIEFING Agora que já estudamos as etapas de um projeto, vamos nos aprofundar uma pouco mais em uma delas, o briefing, entendendo o que está compreendido em um questionário para fazer este levantamento de informações, o que acha? O briefing, ou a coleta de dados, é a primeira fase de um projeto novo, como já vimos. Esta etapa é muito importante em qualquer projeto, mas tem um papel preponderante em projetos que fujam do seu escopo de conhecimento. 81 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3.1 O que é um questionário Saber fazer as perguntas certas, sem desviar o foco, é um desafio para muitos profissionais que pensam que o briefing é uma “conversa” que manterão com o cliente. Na verdade, o briefing é uma reunião de negócios, um questionamento direcionado, onde você vai tentar conseguir o maior número de informações possíveis para iniciar seu projeto. É interessante que você leve um roteiro, com perguntas-chave para resolver suas questões. E também é importante saber conduzir este questionamento como se fosse uma conversa, isto é, seu cliente não pode ficar constrangido, como se estivesse sendo interrogado. Encare a reunião de briefing como uma conversa direcionada a tirar as suas dúvidas. Faça uma pequena lista onde constam as principais dúvidas que tiver. 3.2 Questionário Abaixo segue uma lista com algumas das perguntas mais básicas que um briefing para a FIQUE DE OLHO Não tenha vergonha a respeito de suas dúvidas, afinal de contas, quem conhece o assunto que está sendo discutido é seu cliente, e não você. Você é responsável por fazer um bom projeto de interiores, e fará isso a partir das informações que seu cliente lhe passar. De forma semelhante, seu cliente vai tirar as dúvidas que tiver a respeito dos detalhes do projeto de interiores com você, que é o profissional técnico capacitado para explicar-lhe todos os detalhes. 82 execução de um projeto de espaço de prestação de serviço deve conter. Consta, ainda, uma pequena explicação a respeito destas perguntas, já que você pode eleger quais destas questões serão pertinentes e interessantes para cada cliente, ou, a partir destas questões, criar outras, que sejam mais importantes para um cliente específico: O espaço já está definido, isto é, o cliente já decidiu em qual local o empreendimento será instalado? Um dos serviços que você pode oferecer ao seu cliente é um tipo de assessoria que irá ajudá- lo a escolher um espaço adequado ao tipo de negócio que ele pretende implantar. Caso o espaço já esteja definido, o cliente possui os desenhos técnicos referentes à edificação? Caso ele não possua as plantas, cortes e fachadas, pode ser necessário executar um levantamento métrico e fotográfico destas áreas. Qual o tipo de prestação de serviço que será feito no local, ou seja, qual o tipo de empreendimento que o cliente pensa em abrir? O seu projeto será todo balizado por este empreendimento. Caso o espaço já esteja definido, e o tipo de empreendimento a ser instalado no local também já seja conhecido, é possível que este tipo de negócio seja instalado neste espaço? Em algumas cidades existem legislações a respeito de empreendimentos em certos locais. É preciso também estudar as dimensões necessárias para o tipo de empreendimento que seu cliente deseja abrir. Deve-se verificar tudo o que é preciso para que as coisas funcionem a contento na edificação escolhida. O cliente conhece sobre este ramo? Caso a resposta seja afirmativa, é preciso entender o quanto ele conhece, e até que ponto este cliente pode lhe passar as informações técnicas relativas às necessidades deste tipo de empreendimento. Isso significa que a pessoa pode saber com o que quer trabalhar, mas não vai necessariamente saber as necessidades técnicas que estão envolvidas com este trabalho. Já existe um conceito a ser seguido? É preciso saber se o seu cliente deseja seguir algum tipo de padrão de cores, materiais e acabamentos, ou se você terá a liberdade criativa de sugerir o que for definido em seu projeto. 83 Acontecerá a visita de clientes ou serão apenas os funcionários que trabalharão no espaço? Isso vai ajudar a definir se haverá uma recepção, um espaço de espera e um posto de trabalho para uma recepcionista, ou se toda a área do imóvel pode ser ocupada por funcionários. Existe acessibilidade? É preciso conhecer o tipo de empreendimento e o público-alvo para que seja feito um projeto de adaptação para permitir a acessibilidade em toda a edificação. Assim, deve verificar a colocação de rampas, plataformas elevatórias, banheiros adaptados, entre outras providencias que podem ser tomadas. Será preciso um projeto de segurança? Pode ser preciso que seja executado um projeto para a proteção contra incêndios, com a determinação das rotas de fuga, o posicionamento de extintores, etc. Será preciso tomar algum cuidado especial para que o empreendimento seja instalado no local? Pode ser necessário que se faça o isolamento acústico dentro do ambiente, evitando que o som de dentro do espaço incomode os vizinhos. Ou então a instalação de aparelhos de ar- condicionado, para garantir o conforto térmico dos frequentadores. Essas perguntas são uma base para os projetos de interiores de empreendimentos de serviço. Algumas das questões podem ser colocadas para todas as empresas, enquanto outras são mais indicadas para um tipo específico de negócio. Além dessas perguntas, será preciso, evidentemente, acrescentar aquelas que são mais características da empresa de seu cliente, como o uso e instalação de maquinário, a quantidade de funcionários, a necessidade de uniformes (que indicará a necessidade de um vestiário), entre outras. De maneira semelhante ao que fazemos em um briefing para um projeto de interiores residenciais, é interessante que você tenha um formulário básico, como este, e que vá acrescentando perguntas e questionamentos específicos para clientes com características diferentes. 4 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS Com as informações fornecidas pelo cliente em mãos, vamos começar a pensar na , ou seja, vamos iniciar o processo criativo que vai conceber as opções que servirão de base para nosso trabalho e para o projeto que faremos. 84 4.1 Estudos de caso Uma das alternativas para estimular a criação de ideias, é o estudo de projetos que tenham características semelhantes ao projeto que você vai criar. É uma prática muito comum na área de criação e é importante estarmos atentos ao que acontece e às novidades em nossa área de trabalho. O acompanhamento semanal ou até diário de sites de referência e de revistas (digitais ou físicas), nos permite conhecer o trabalho de outros profissionais e lançamentos de tendências, cores, materiais e mobiliário. Perceba quea ideia aqui não copiar as soluções adotadas por outros profissionais, mas sim perceber como tais opções podem ser adaptadas às suas necessidades, ou auxiliar na criação de novas soluções, a partir de um repertório que você possui. Para que possamos pensar em um exemplo concreto, o que você acha de criarmos uma escola de idiomas de pequeno porte? Isto vai nos permitir exercitar nossa criatividade tendo uma meta definida. O início dos estudos de caso, como o próprio nome indica, é a pesquisa de projetos semelhantes, ou que tenham características similares ao nosso, e que nos ajudem a entender como outros profissionais resolveram problemas. Lembre-se que esta é uma análise crítica, ou seja, é interessante perceber as coisas que funcionam de forma correta, mas também os pontos que podem ser mais eficientes. A forma de executar essa etapa varia conforme a disponibilidade de material de pesquisa que você encontra, e também, com a especificidade do projeto no qual você está trabalhando. É claro que uma de nossas principais fontes de pesquisa será a internet. Mas neste momento é preciso que façamos uma ressalva, que eu tenho certeza que você já ouviu, mas que sempre é bom reforçar: cuidado com os resultados de suas pesquisas na internet e sites que não são confiáveis. Sempre que possível, confirme seus resultados em mais de uma fonte, verificando se o que está sendo dito em um lugar é o mesmo que está sendo afirmado em outro. De qualquer forma, é claro que na internet temos uma forma prática e abrangente para encontrar informações e ideias. No caso de nossa escola de idiomas, por exemplo, conseguiremos uma seleção de opções muito grande. É importante definir alguns parâmetros a respeito do que você vai pesquisar, indicando, por exemplo, espaços, áreas, estilos, além outros critérios que vão nos direcionar e ajudar em nossa pesquisa. O estudo de caso envolve, ainda, a visita a espaços que tenham a mesma função que o espaço que estamos projetando. Nem sempre estas visitas são possíveis ou permitidas. Por isso, uma das qualidades de um designer de interiores é a curiosidade: vamos sempre estudar os espaços que visitamos, tentando entender o fluxo de pessoas e materiais, a circulação entre os espaços, e até mesmo as dimensões destas áreas, mesmo que não tenhamos uma necessidade imediata deste conhecimento. Isso significa que quando você vai a uma clínica médica, por exemplo, é interessante perceber como ela funciona, e os espaços que a compõem, fazendo uma análise 85 crítica do espaço, percebendo se a paleta de cores escolhida está correta, se a iluminação é boa, se o fluxo de pacientes e funcionários é eficiente e prático, entre outras coisas. Pode ser que você nunca venha a projetar uma clínica médica, mas exercitar uma visão crítica lhe ajudará em todos os projetos que você vier a executar. 4.2 Criação do programa de necessidades Além da sua pesquisa de casos, uma outra coisa a ser feita quando trabalhamos com projetos mais complexos como esse, é fazer o programa de necessidades: listar todos os ambientes que serão necessários para o bom funcionamento do espaço. Este programa pode ser considerado uma etapa anterior à execução do fluxograma. No fluxograma, mostramos como os ambientes são interligados, criando um fluxo de circulação que alimentará nosso projeto. O programa de necessidades cria uma relação com todos estes ambientes, sem, necessariamente, indicar qual a conexão entre eles. Para uma escola como a que estamos projetando, já conhecemos alguns espaços que frequentamos como as salas de aula. Mas, quais espaços são necessários para o funcionamento de uma escola de idiomas? Vamos fazer uma lista, a partir do que foi levantado em nosso briefing e em nossas pesquisas: Lista de espaços necessários em uma escola de idiomas • Recepção/sala de espera; • Biblioteca; • Sanitários • Salas de aula; • Sala de professores; • Secretaria; • Arquivo; • Administração; • Arquivo. Podemos, ainda, fazer a separação destes espaços por tipo de uso, definindo quais espaços serão utilizados apenas por alunos, ou apenas por funcionários, ou por todos. Podemos, por exemplo, ter sanitários para os funcionários que não possam ser acessados por alunos. Esta separação também pode nos ajudar na construção do fluxograma. Com os espaços necessários 86 listados, podemos começar a pensar em nosso fluxograma, ou seja, as interligações que desejamos entre estes espaços, imaginando a melhor circulação entre eles, bem como as áreas que eles precisam possuir. Um arquivo, para uma escola de idiomas, por exemplo, pode se resumir a um armário, que pode ficar no espaço da secretaria, onde ficam as fichas dos alunos, ou pode ser um cômodo reservado para este fim, com arquivos de aço, que podem guardar os históricos dos alunos, bem como os diplomas e certificados; este arquivo pode, ainda, existir apenas em formato digital, não necessitando sequer de um espaço físico. Estas definições serão obtidas através do briefing que foi feito previamente com o cliente, que definirá o tamanho da escola e o número de alunos que vão frequentar o espaço. Isso mostra a importância e a influência do briefing em nosso projeto, não é mesmo? O mesmo raciocínio será empregado em todos os ambientes que estiverem listados no programa de necessidades, descobrindo qual a sua função, e quais as dimensões necessárias para o exercício desta função. Por exemplo, uma sala de aula para cinco alunos vai ter uma dimensão diferente de uma sala de aula para quinze alunos. E onde estas informações serão coletadas? Isso mesmo! No briefing. Lembre-se, quem possui as informações a respeito do empreendimento e suas necessidades é seu cliente. A partir do levantamento do programa de necessidades, podemos iniciar a construção de nosso fluxograma, definindo a circulação dentro do espaço. É possível perceber que a quantidade de trabalho é proporcional à complexidade do projeto a ser executado, não é mesmo? Quanto maior e mais complexo o espaço a ser projetado, maior a importante de que o programa de necessidades seja bem feito e que o fluxograma seja executado. Essas ferramentas permitirão que o projeto seja entendido de maneira mais simples. Na figura a seguir, temos um exemplo de fluxograma pensado para este projeto. Figura 2 - Fluxograma. Fonte: O Autor (2020) 87 #ParaCegoVer: A figura mostra uma série de elipses, indicando o fluxograma de uma escola; algumas destas elipses estão conectadas por linhas, mas separadas de outras. As elipses contêm palavras que representam diferentes espaços de uma escola como a recepção, a biblioteca, sanitários, salas de aula entre outros. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Analisando o fluxograma podemos ver que o projeto inicia na recepção, que também funciona como sala de espera. Este é o ponto de entrada de alunos, professores e funcionários. É claro que podemos ter entradas diferentes para público diferentes, mas o mais comum em projetos pequenos como esse é que exista apenas uma entrada. A partir desta entrada, temos uma separação de fluxo, ou seja, a partir da recepção, cada um dos públicos que utiliza o espaço acessará uma área diferente da edificação. Os estudantes podem acessar a biblioteca ou as salas de aula. Podem ainda acessar os sanitários, a partir destes dois espaços ou da recepção e, por isso, os sanitários exibem uma linha de ligação para todas estas áreas. Lembre-se que estas conexões e ligações são definidas pelo designer de interiores. isso significa, por exemplo, que você pode decidir que os sanitários só serão acessados a partir da recepção, ou seja, os alunos terão de sair da sala de aula ou da biblioteca e retornar à recepção para então acessarem os sanitários. Esse esquema pode ser alcançado com o uso de divisórias ou com a construção de paredes, mas de qualquer modo, as decisões que forem tomadas no fluxograma ajudarão a definir como será feita a circulação no projeto. É fácil entender isso, agora que conseguimosvisualizar o conjunto de maneira gráfica, não é mesmo? Os professores, por sua vez, a partir da recepção podem ir para a sua sala, ou para os mesmos ambientes que são frequentados pelos alunos, como as salas de aula ou a biblioteca. Os funcionários podem circular por todos os ambientes sobre os quais já falamos, mas, provavelmente, irão para a secretaria, e a partir daí para os arquivos e para a administração. 88 É importante que você perceba que não é preciso que estes ambientes sejam separados, ou constituídos por salas diferentes. A administração e a secretaria podem ocupar até o mesmo espaço, mas, a separação é importante para que consigamos entender o projeto de forma mais clara, mesmo que ela não seja uma separação física, feita com paredes ou divisórias. A separação entre usos de um mesmo ambiente pode ser feita de várias outras formas além do uso de divisórias, como por exemplo, com o uso de tipos diferentes de piso, ou com o mesmo tipo de piso com cores ou texturas diferentes; também é possível utilizar biombos. Além destas opções, podemos fazer uma diferença no nível dos pisos, criando degraus, ou diferenças no rebaixo do teto, criando pés-direitos diferentes, que também definem usos diferentes. É importante que o designer de interiores se utilize destas opções, pois isto vai manter um espaço mais aberto e vai dar uma sensação maior de amplitude. 5 DEFINIÇÃO DA ALTERNATIVA Na fase de geração de alternativas, de forma geral, criaremos uma grande variedade de opções, que podem atender às necessidades de nosso cliente. A escolha de qual destas oportunidades será desenvolvida deve atender a alguns parâmetros. Como isso pode ser feito? Vamos descobrir! 5.1 Definição da alternativa Devemos levar em conta alguns fatores para escolher uma opção entre as alternativas de projeto que foram criadas para um cliente. Os fatores podem ser definidos juntamente com seu cliente, pois podem variar de acordo com as necessidades de cada projeto. Para que a escolha seja a mais precisa, definimos um conjunto de fatores que direcionarão a escolha, como por exemplo: O custo, ou seja, escolher a opção que terá um custo menor de execução e de funcionamento; O tempo de execução da obra, já que a maior parte dos clientes vai pedir por uma obra que seja de execução rápida; O mobiliário utilizado; a escolha do tipo de mobiliário utilizado ajudará a definir o estilo do espaço; O estilo de decoração, pois o estilo escolhido para a decoração ajudará a definir o estilo do espaço e do negócio. 5.2 Desenvolvimento da alternativa Com uma alternativa definida, será preciso fazer o desenvolvimento do projeto, detalhando os desenhos originais para que se transformem em um projeto que possa ser construído. O desenvolvimento de um projeto passa por várias fases, que incluem uma tarefa muito 89 específica para o designer de interiores, exigindo um grande conhecimento técnico que é a escolha dos materiais de acabamento que serão utilizados no projeto. E é preciso que estes materiais estejam definidos para que os desenhos executivos sejam criados. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: É preciso conhecer a características de uma grande variedade de materiais, além das especificidades do projeto, para fazer as escolhas mais indicadas para cada caso. É preciso saber, por exemplo, a quantidade e a frequência de público que circulará pelos ambientes para poder escolher o tipo de piso mais indicado. A partir das definições dos materiais de acabamento que serão utilizados, é possível começar a criar os desenhos técnicos, que são fundamentais para a execução da obra, como as paginações de piso e de parede. As alterações que precisarem de obras de construção ou de demolição precisarão da colaboração de um arquiteto, ou de um engenheiro, que trabalharão em parceria com o designer de interiores. As adaptações para que o espaço se torne acessível a pessoas com mobilidade reduzida, por exemplo, em muitos casos, precisam de obras para a ampliação da abertura das portas, ou a colocação de rampas. FIQUE DE OLHO Também é importante que o designer de interiores estabeleça o mobiliário a ser usado, escolhendo as peças que funcionarão melhor para os espaços do projeto. A indicação das peças de mobiliário que serão usadas também ajuda a decidir o que será feito sob medida, definindo, desta forma, quais peças precisam ser desenhadas e detalhadas. 90 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • Entender a importância de pesquisar e compreender o empreendimento de seu cliente, e como se preparar para criar o projeto; • Perceber a praticidade e a contribuição que uma metodologia de projeto pode tra- zer para seus projetos; • Entender como montar um questionário para a criação de um briefing, e como pas- sar o questionário para seu cliente; • Entender como gerar alternativas a partir do estudo de casos, e a utilizada de um programa de necessidades e de um fluxograma; • Aprender a escolher uma das alternativas para o desenvolvimento do projeto, a partir de parâmetros definidos. PARA RESUMIR GURGEL, M. Projetando espaços: áreas comerciais. Ed. Senac, São Paulo: 2015. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Arquitetura de interiores, mobiliário de serviços e projetos Você está na unidade Arquitetura de interiores, mobiliário de serviços e projetos. Conheça aqui as diferenças entre arquitetura de interiores e decoração. Entenda o termo Merchandising Visual, aplicado ao projeto comercial e suas implicações. E porque a arquitetura comercial ganhou notoriedade nas últimas décadas. Saiba mais sobre o comportamento do consumidor e as necessidades projetuais frente a este comportamento. Conheça todas as etapas de desenvolvimento de um projeto comercial, e também as necessidades do mobiliário de serviços, de acordo com a necessidade especifica de cada projeto. Por fim, você entenderá o que de fato deve ser entregue ao cliente como projeto final. Bons estudos! Introdução 95 1 ARQUITETURA DE INTERIORES X DECORAÇÃO É importante ressaltar as diferenças entre arquitetura de interiores e decoração. Em 2017, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU, descreve que: • Arquitetura de Interiores – é a intervenção detalhada nos ambientes internos e externos que lhe são correlatos, definindo uma forma de uso do espaço em função do mobiliário, dos equi- pamentos e suas interfaces com o espaço construído, alterando ou não a concepção arqui- tetônica original, para adequação as necessidades de utilização. Esta intervenção se dá no âmbito: espacial, das instalações, de condicionamento acústico; de climatização; estrutural; dos acabamentos; luminotécnico; da comunicação visual; das cores; de mobiliários; de equi- pamentos; da coordenação de projetos complementares e de proteção e segurança. • Decoração – É um simples arranjo do espaço interno criado pela disposição de mobiliário não fixo, obras de arte, cortinas e outros objetos de pequenas dimensões, se alteração do espaço arquitetônico original, sem modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado. Não implicando, portanto em modificações na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso, e que também não implique na modificação da parte externa da edificação (CAU, 2017). 2 ARQUITETURA COMERCIAL Nas últimas décadas, a ganhou notoriedade no comércio. Isto é cada vez mais latente devido ao necessário planejamento dos detalhes, da atmosfera de compra, execução do layout, iluminação, comunicação externa e em tudo que contextualiza o público-alvo. A arquitetura comercial, segundo Underhill (2009), define que: O prédio, a locação, tornou-se um grande anúncio tridimensional de sí mesmo. A sinalização, a posição dos mostruários, o espaço para as gondolas e para o mobiliario de loja, tudo isso faz aumentar ou diminuir a probabilidade do usuário comprar determinado item. A ciencia das compras foi desenvolvida para que pudessemos saber como usar todas essas ferrramentas. Como criarcartazes que as pessoas leiam. Como se assegurar de que todas as mensagens estejam no local apropriado. Como criar mostruários que os usuários passam manipular com facilidade e conforto. Como assegurar que os usuários percorram – e desejem percorrer – todos os cantos da loja (UNDERHILL, 2009, p.28). 2.1 Merchandising visual O termo merchandising visual ainda é pouco conhecido no país, e, ao mesmo tempo, não é muito explorado nos projetos arquitetônicos. De acordo com Blessa (2001, p.22) merchandising visual consiste na técnica de criar uma identidade para o ponto comercial, personalizando decorativamente os equipamentos que envolvem os produtos. Para aclimatar, motivar e induzir os consumidores à compra, utiliza-se o design, a arquitetura e a decoração. O merchandising visual propicia uma promoção adequada da imagem da empresa, bem como a melhor visibilidade ao produto. Nos dias de hoje, a concorrência no ramo comercial é muito 96 grande e é preciso inovar ao mesmo tempo em que se busca a excelência para manter-se notável. O ponto do comércio não é tão importante, mas sim um projeto arquitetônico bem estruturado. Segundo Kotler (1978), [...] produzir efeitos cognitivos específicos e/ou emocionais sobre o mercado-alvo, utilizando-se de elementos visuais para projetar essa atmosfera, que incluem a estrutura exterior, o espaço interior, os displays, e a apresentação do pessoal de organização (KOTLER, 1978, p.233). O objetivo principal de projetos comerciais – de restaurantes, lanchonetes, bares, cafés, lojas, shopping centers, supermercados, entre outros – é a interação com o consumidor. Como o que não falta é concorrência, o estabelecimento precisa chamar a atenção do seu público-alvo. Para isso, é essencial que o arquiteto tenha noções de marketing, pois ele precisará criar um espaço bonito, acolhedor e atraente que desperte nas pessoas a vontade de adquirir o produto ou serviço ofertado. Por exemplo, uma loja precisa ser organizada e confortável, de modo que o potencial consumidor que entrou nela, de fato, consuma. Já restaurantes, lanchonetes, bares e cafés precisam ter, além de boa comida, boa bebida e serviço eficiente, uma atmosfera convidativa, para que o cliente se sinta bem naquele ambiente e deseje voltar. A arquitetura de interiores voltada à área comercial é responsável não só pelos espaços internos, mas também pela comunicação visual atrelada à parte externa. O consumidor precisa reconhecer e valorizar a marca para se tornar cliente. O estudo das fachadas é um dos pontos mais importantes do projeto de arquitetura comercial. Entre tantas cores, texturas e iluminações, os elementos gráficos – como logotipos e logomarcas – devem ser inseridos harmoniosamente no todo, visando uma melhor comunicação entre público e empresa. As fachadas mais instigantes atrairão os olhares curiosos. Figura 1 - Centro comercial Fonte: Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem retrata o interior de um shopping com diversos pontos comerciais e pessoas circulando. 97 2.2 A fachada A tem a mesma importância que o interior do estabelecimento comercial, pois, segundo Moraes (2015), nela estão os principais pontos que devem ser considerados, tais como: design e comunicação visual, vitrines e valorização dos acessos. Para o autor, a função principal da fachada é atrair clientes e transmitir a essência do interior do estabelecimento, permitindo assim que o consumidor visualize as mercadorias que pode encontrar ali. Morgan (2011) comenta sobre outro tipo de fachada, a que não possui vitrine, em que os centros comerciais são bons exemplos, pois nestes toda a parte frontal da loja possui uma porta metálica que proporciona mais segurança, e quando aberta, motiva o cliente a circular livremente pelo interior da loja, localizada principalmente em passeios voltados para o pedestre e com forte relação com a rua. O autor ainda cita os três tipos de vitrines mais comuns em ambientes comerciais: as vitrines fechadas, as vitrines abertas no fundo, e as do tipo mostrador. As vitrines fechadas são as mais comuns no ambiente comercial, e se assemelham a um cômodo e possuem uma porta de acesso por dentro da loja. Esse tipo de vitrine por ter grandes dimensões requer elaboração e geram maiores curtos. A vitrine aberta não possui fechamento posterior embora possam ter fechamentos laterais. Esse tipo de vitrine permite a visualização do interior da loja, requerendo um maior cuidado com o espaço interno deve estar sempre organizado e atraente. A vitrine aberta também pode ser vista tanto do lado externo quanto interno, o que acaba gerando preocupação com relação a segurança dos produtos de maior valor agregado, pois eles ficam expostos aos consumidores. E por fim os mostradores. Estes são adequados para mercadorias de pequena dimensão. Essas vitrines são cuidadosamente posicionadas ao nível dos olhos para uma análise minuciosa do produto venda, sendo as joalherias um bom exemplo de quem usa esse tipo de vitrine (MORGAN, 2011, p.44). 2.3 A circulação Morgan (2011) define que, no design de interiores de uma loja, é necessário observar as zonas hierárquicas e a circulação do espaço ao elaborar o layout mobiliário. Para tanto, inicialmente é preciso correlacionar os produtos, ou seja, definir quais produtos estarão próximos de outros. Com isso, a sinergia e a rentabilidade do espaço são otimizadas. Ocorre que a localização dos produtos deve considerar as zonas hierárquicas. Essas zonas consistem na divisão de valor comercial crescente no espaço interior do estabelecimento. Tratam-se de 4 zonas diferentes. A primeira é a platina, área localizada logo após ao acesso do estabelecimento, considerada a mais nobre. Depois, temos a zona ouro, a prata e, finalmente, a bronze, que corresponde ao espaço localizado nos fundos da loja. Morgan (2011) entende que os produtos que são lançamento, ou estão em liquidação, devem estar situados na área platina. Já os produtos de primeira necessidade, idealmente, devem estar localizados na zona bronze. Assim, o consumidor irá percorrer todo o estabelecimento antes de encontrá-los. 98 Figura 2 - Zonas hierárquicas e pontos focais Fonte: MORGAN, 2009, p.118. #ParaCegoVer: A imagem apresenta um layout esquemático de zonas hierárquicas, outro de pontos focais para colocação de dispositivos em lojas comerciais. A é de grande importância, pois o usuário final deverá ser estimulado e orientado a seguir um determinado trajeto dentro do estabelecimento. Os pontos focais são expositores, ou qualquer objeto que atraia a atenção do consumidor. As linhas de visão são linhas imaginárias que orientam o consumidor para determinadas áreas, e estas devem ser utilizadas em conjunto com os pontos focais. Os corredores devem ser bem definidos e atuam como linha de visão. Figura 3 - Exemplo de disposição dos expositores Fonte: MORGAN, 2011, p.120. #ParaCegoVer: A imagem apresenta dois layouts esquemáticos da disposição de expositores em um estabelecimento. 99 Na figura acima, Morgan (2011) exemplifica como a disposição equivocada dos expositores pode se tornar um obstáculo. No exemplo onde temos os expositores dispostos em ângulo reto, o consumidor não é motivado a circular pela loja. Já na figura ao lado, onde os expositores estão dispostos em 45 graus, portanto em “V”, a circulação dos clientes é favorecida para o interior do estabelecimento. Figura 4 - Interior de uma loja de roupas Fonte: Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem apresenta o interior de uma loja de departamento. Alguns dos elementos que devem ser considerados para o de um espaço comercial são: a arquitetura da fachada, bem como suas sinalização e letreiros, a vitrine, os acessos (considerando acessibilidade para pessoas idosas e com necessidades especiais), a zona de transição, as zonas hierárquicas, circulações, disposição do layout mobiliário, design do mobiliário e expositores, espaços de permanência, iluminação, cores, texturas e materiais (GRASSIOTTO, 2010;MORGAN, 2009; UNDERHILL, 1999). 2.4 Procedimentos para o desenvolvimento de projetos comerciais Para a realização de um projeto comercial é preciso entender como as etapas poderão ser desenvolvidas e o espectro de possibilidades com relação aos materiais de revestimento, mobiliário, iluminação, como estes elementos poderão ser utilizados e suas propostas diante do projeto. O orçamento certamente é o grande vilão para que o profissional possa ousar mais ou menos, mas sem perder de vista a criatividade e aderência ao ambiente externo que envolve o espaço comercial. É importante também salientar um breve relato sobre o merchandising visual e todas as suas implicações. 100 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: De acordo com Radamarker (2020), o projeto deve prever o tamanho, o tipo e a localização das portas, o material dos móveis e como eles serão posicionados, assim como os produtos. Para a escolha do piso, deve-se considerar não apenas o efeito estético (a combinação do piso com outros elementos), mas a segurança do produto, assim como a resistência e a fácil manutenção. Dentre as muitas opções disponíveis no mercado, destacam-se granitos, pisos vinílicos, pisos cerâmicos, porcelanatos, placas de concreto, madeira e borracha, além de laminados e cimento queimado, que são fornecidos em diversas cores, texturas e formatos. A iluminação se divide em duas partes: a que incidirá sobre os produtos, destacando-os, e as que “guiarão” os consumidores pela loja. Para a primeira, podem ser usados spots com angulação, e para a segunda, lâmpadas que proporcionem iluminação difusa, ou seja, sem foco definido. A iluminação está diretamente relacionada à escolha das cores: elas devem ser complementares, e o resultado, equilibrado. A cor é muito mais do que um elemento decorativo. [...]. Por exemplo, lojas sofisticadas costumam exibir cores sóbrias, como preto, marrom e cinza. Já estabelecimentos populares recorrem a tonalidades mais fortes, como: Pink, roxo, amarelo e laranja. Essas cores vibrantes também são usadas em lojas dirigidas ao público jovem. Em comércios voltados para o público adulto, os tons mais “calmos”, como o branco ou o azul, são mais indicados (RADAMARKER, 2020). FIQUE DE OLHO A sustentabilidade é um elemento que não podemos deixar em banco quando se trata de arquitetura comercial. É importante aproveitar a iluminação natural o máximo possível, dar preferência a lâmpadas LED, e optar por mobiliário feito com madeira certificada ou material reciclável. 101 3 MOBILIÁRIO DE SERVIÇOS O e de serviços tem como objetivo aliar funcionalidade e estética ao projeto arquitetônico, com foco na promoção da marca ou do produto. São vários os elementos que compõem o projeto que busca atender o usuário final, de acordo com suas expectativas. O projeto de mobiliário deverá ser desenvolvido sob medida, trazendo conforto para os usuários e maior produtividade e rentabilidade para atividade. Figura 5 - Mobiliário de uma loja Fonte: Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem apresenta o interior de uma loja de departamento. É importante ressaltar que cada ramo de comércio possui suas especificidades de materiais e produtos a serem planejados e desenvolvidos. Alguns materiais já possuem fabricação em série, outros precisam ser produzidos de forma personalizada para atender às necessidades do arquiteto quanto ao projeto desenvolvido. Devido à necessidade de personalização do mobiliário comercial, é de extrema importância contar com projetos bem desenvolvidos, que atendam à demanda sob medida e concedam resultados satisfatórios e funcionais a partir do efetivo entendimento do conceito de cada cliente, incorporando itens de merchandising em cada componente, sejam araras, gôndolas ou outros acessórios e expositores. Dependendo do segmento do projeto arquitetônico, é necessário desenhar a mobília e terceirizar a confecção com marcenaria e serralheria, tornando o trabalho personalizado e único em alguns casos. 3.1 Mobiliário corporativo As salas comerciais precisam otimizar seus espaços e propiciar ao colaborador um espaço adequado às suas atividades. Os móveis planejados ocupam uma boa fatia do público corporativo. Isso faz com que se estabeleça uma uniformidade de layout com mobiliários pensados e projetados para cada espaço. 102 Figura 6 - Mobiliário Corporativo Fonte: iStock #ParaCegoVer: A imagem apresenta uma sala comercial com mesas e cadeiras divididas em ilhas de trabalho. 3.2 O comportamento do consumidor Para projetar ambientes comerciais é importante ter como foco o e de que maneira ele irá interagir com determinado espaço. De acordo com Aguiar (2016, p.48), por conta da complexidade que envolve o comportamento do consumidor, é fundamental compreender os processos que moldam os padrões de consumo. Ao considerar uma visão geral deste comportamento, é possível entender os reflexos dele nas estratégias que devem ser utilizadas em estabelecimentos comerciais. Segundo Wilkie (1994) apud Aguiar (2016), existem quatro tipos de decisão que o consumidor faz. O primeiro se refere ao orçamento e as escolhas de como e quanto gastar. A segunda categoria diz respeito à decisão de compra, como a escolha se dá, de acordo com o tipo de produto ou serviço. Uma vez que o consumidor decide sobre o que irá comprar, ele escolhe qual é a loja de sua preferência para concretizar isso. Por fim, estão as decisões referentes ao estilo e a marca, quando é definido em detalhes os itens que serão comprados. Reconhece a complexidade desta tomada de decisão pelo consumidor, e desta maneira, fazem uma explicação minuciosa de cada etapa que faz parte deste processo. Para eles, o estágio inicial ocorre com o reconhecimento da necessidade, ou seja, é através de um estado de desejo que se inicia este processo de decisão de compra (ENGEL et al., apud AGUIAR, 2016, p.50). A informação é registrada primeiramente na , momento em que acontece o estágio de atenção preliminar (Mowen e Minor, apud Aguiar, 2016, p.50). Em suma, podemos identificar que a arquitetura de interiores tem um papel crucial em todo o processo de disseminação do produto. Os aspectos de identidade visual, cor, luminotécnica, revestimentos e mobiliário tem forte influência para o sucesso da marca. Vale a pena ressaltar o comportamento do consumidor e o impacto na concepção de um projeto de interiores para área comercial. 103 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4 A ENTREGA DO PROJETO O projeto de arquitetura de interiores voltado ao ambiente comercial e corporativo é composto de vários estudos que estão intimamente relacionados a funcionalidade e a parte estética, são eles: estudos ergonômicos, luminotécnica e conforto térmico e acústico. De acordo com De Negri ( 2017), os projetos de interiores são compostos de: Layout Através de entrevista inicial com o cliente, será feito o levantamento de dados para o projeto, bem como o estudo do perfil do cliente, definindo as suas necessidades e objetivos, assim é feito um estudo de layout com a disposição do mobiliário. Projeto luminotécnico É elaborado a partir da análise de cada ambiente, considerando a função a ser desempenhada no local, da quantidade de luz necessária para o conforto visual, além de critérios econômicos e estéticos. Nele são definidos os pontos de iluminação, luminárias, tipos de lâmpadas, bem como o posicionamento dos interruptores. FIQUE DE OLHO Tendo o consumidor como público-alvo para o comércio e serviços, a arquitetura de interiores deve levar em conta aspectos de circulação, e conforto na parte interior da loja de modo a propiciar fidelização e comprometimento para com a marca e com o produto. 104 Projeto de instalações elétricas Neste serão demarcados os pontos elétricos (tomadas, pontos de informática, TV, telefone, som, condicionamento térmico etc) posicionados a partir de layout pré-estabelecido. Projeto de paginação de revestimento Onde são definidos os materiais dos revestimentos de pisoe parede, como ficarão dispostas as peças, e como é feita a sua aplicação. Este cuidado garante que os revestimentos sejam aplicados na posição correta e de maneira correta, principalmente quando o revestimento deve formar desenhos específicos, ou casar juntas de piso e parede, por exemplo. Projeto de gesso É composto por desenhos que mostram as áreas projetadas com drywall em paredes, nichos, molduras, forros, sancas, entre outros, para que o projeto seja executado corretamente. Projeto de móveis É composto por desenhos detalhados para a execução dos móveis sob medida, específicos para cada ambiente atendendo as necessidades do cliente, seguindo aspectos funcionais e estéticos, buscando a racionalização dos espaços. Móveis complementares Pesquisa e consultoria na escolha de móveis prontos (sofá, cadeiras, mesas, poltronas, camas etc), buscando o conforto e harmonia do ambiente a partir do estilo, necessidade e orçamento do cliente. Consultoria Auxílio na escolha de itens decorativos (tecidos, cortinas, almofadas, mobiliário pronto, entre outros) compatíveis com o estilo, cores e padrões estéticos. Projeto de paisagismo É complementar ao projeto de interiores, inserindo elementos naturais em harmonia com a decoração, propiciando um ambiente de relaxamento, descanso e conforto. Em suma, quando é solicitado um projeto de interiores, o cliente não observa a complexidade que está por trás de tantos detalhes e estudos que devem ser realizados para que o projeto alcance de fato o sucesso esperado. Os detalhes listados acima possibilitam um rápido entendimento de 105 que a arquitetura de interiores possui especificidades, e que se cada etapa não for tratada de forma responsável, o orçamento poderá ser comprometido impossibilitando que se alcance o resultado esperado. É importante salientar os elementos que fazem parte da entrega de um projeto de interiores. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 106 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • Conhecer o Merchandising Visual e seu impacto na realização de projetos para arquitetura de interiores voltadas a área comercial. • Entender as diferenças entre Arquitetura de Interiores e Decoração. • Conhecer os procedimentos para o desenvolvimento de um projeto comercial. • Entender as necessidades do mobiliário de serviços e suas implicações. • Entender o comportamento do consumidor em detrimento às necessidades que devem ser contempladas em um projeto comercial. • Elencar todas as etapas de entrega que fazem parte um projeto de interiores. PARA RESUMIR AGUIAR, K. P. Ambientes comerciais e a influência do design visual. Dissertação (Mestrado) Universidade de São Paulo - FAUUSP, São Paulo, 2016. 231 p. CAU. 2017. Disponível em: https://www.caubr.gov.br/atribuicoes-entenda-a-diferenca- de-arquitetura-de-interiores-e-de-decoracao/ . Acesso em 30/03/2020. DE NEGRI, V. Referência arquitetura: o que compõe um projeto de interiores? 2017. Disponível em: https://refarq.com/2017/10/31/projeto-de-interiores/. Acesso em 20/03/2020. GRASSIOTO, M. L. F. Design, tecnologia e interatividade na arquitetura de espaços comerciais. 2010. GRASSIOTTO, M. L. F. Uma nova linguagem e conceitos nos espaços comerciais contemporâneos. Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2013. MENGATTO, S. N. F. Arquitetura de interiores. Apostila do curso de Especialização em Design de Interiores. Curitiba: UTFPR, 2014. MORAES, J. B. N. Arquitetura comercial aliada ao visual merchandising: uma análise sobre as livrarias contemporâneas. 2015 MORGAN, T. Visual merchandising: vitrines e interiores comerciais. Editora GG Brasil, 2011. RADAMARKER, F. Arquitetura comercial pode impulsionar o movimento das lojas. Disponível em: https://www.aecweb.com.br/revista/materias/arquitetura-comercial- pode-impulsionar-o-movimento-das-lojas/10667. Acesso em 17/03/2020. RIBEIRO, A. C.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Curso de desenho técnico e AutoCAD. São Paulo: Pearson, 2013. UNDERHILL, P. Vamos às compras! Rio de Janeiro: Campus, 1999. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Os projetos de interiores comerciais devem levar em conta uma ampla gama de características para atingir o objetivo de reunir beleza, estilo e conforto coerentes com o público. Esta obra, fundamental para o estudo desse tema, vai munir você de ferramentas e recursos para apresentar um projeto impecável. O livro traz conteúdo que trata de projetos de interiores direcionados exclusivamente aos espaços comerciais, com ensinamentos sobre as etapas de desenvolvimento de um desenho técnico arquitetônico e de interiores e de layouts em plantas e perspectivas desde a concepção. O conceito de metodologia para projetos de interiores de prestação de serviços também será explicado e você terá condições de escolher a alternativa que atenderá de forma mais completa as demandas do cliente. Finalizando, a obra trata da importância que a arquitetura comercial ganhou nos últimos tempos e sobre o comportamento do consumidor que influencia o projeto final. Bons estudos e mãos à obra! Ebook_Projeto de Interiores Residenciais (Projeto de Arquitetura de Interiores Residenciais) (Versão Digital)_Parte 1 Capa E-Book_Projeto de Interiores Residenciais_CENGAGE_V2 E-Book Completo_Projeto de Interiores Residenciais_CENGAGE_V2 E-Book Completo_Projeto de Interiores Comerciais (Projetos de Arquitetura de Interiores Comerciais)_CENGAGE_V2 (Versão Digital)_Parte 2 Capa E-Book_Projetos de Interiores Comerciais_CENGAGE_V2 E-Book Completo_Projetos de Interiores Comerciais_CENGAGE_V2