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MARKETING DIGITAL Bruno de Souza Lessa Marketing digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir marketing digital. Identificar as diferenças entre o marketing tradicional e o marketing digital. Desenvolver análise de cenários para marketing digital. Introdução Nas últimas décadas, o paradigma digital substituiu o analógico, centrado em tecnologias tradicionais. A internet passou a ter uma importância cen- tral, e a conectividade passou a ser a tendência que unifica os mais diversos eixos de sociabilidade. Com a difusão e a popularidade da internet, um número crescente de pessoas está consumindo e socializando on-line. Isso torna o marketing digital a melhor maneira de uma organização alcançar os seus clientes-alvo. A relevância do marketing digital está na sua funcionalidade. Na con- temporaneidade, o marketing digital se tornou parte integrante do que uma empresa representa para seus clientes. No entanto, ambas as formas de marketing, tradicional e digital, são muito importantes no mercado. Cada empresa deve avaliar a sua base de clientes atual e potencial antes de iniciar ações de marketing. A ideia é basear as ações em análises cri- teriosas dos cenários de negócios. Neste capítulo, você vai verificar a importância do marketing digital e conhecer as suas peculiaridades. Primeiro, você vai ver a definição de marketing digital. Depois, vai ver como essa modalidade se diferencia do marketing tradicional. Por fim, vai verificar como desenvolver análises de cenário voltadas para o marketing digital. O que é marketing digital? O marketing digital envolve a integração de plataformas e experiências dos clientes por meio de canais digitais de comunicação. Dessa forma, ele oferece a possibilidade de as empresas melhorarem as interações e a relação tanto com os clientes atuais quanto com clientes em potencial. Esse movimento pode ocorrer, por exemplo, por meio de redes sociais, sistemas de mensagens instantâneas automatizadas e aplicativos. Além disso, assim como sua versão tradicional, o marketing digital envolve a compreensão das necessidades dos consumidores e o desenvolvimento de produtos e serviços que sejam atraentes para eles, incluindo aí atividades como a promoção e a venda de produtos e serviços, pesquisa de mercado e publicidade (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2016). Ao longo dos anos, a forma mais usada pelas empresas para alcançar os clientes foi o marketing feito por meio de mídias físicas. No entanto, a evolução e a popularidade da tecnologia da informação aumentaram substantivamente a importância das atividades digitais. O marketing digital emprega estratégias que dependem principalmente do uso de tecnologias como as redes sociais, enquanto o marketing tradicional depende da capacidade dos clientes de tocar ou interagir com os produtos e serviços para experimentá-los efetivamente (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2010). Outra característica do marketing digital é o incentivo que ele promove ao uso de novos canais de comunicação, os quais, por sua vez, podem estabelecer um ciclo virtuoso entre o consumidor e determinada marca. Nessa perspectiva, os comentários e opiniões dos usuários criam uma relação de confiança e transparência entre o consumidor e a empresa. Os comentários dos consumi- dores têm valor pois oferecem um atestado da qualidade e da confiabilidade da empresa. Portanto, essa interação positiva tem muito potencial para agregar valor (KINGSNORTH, 2019). Existem diferentes tipos de plataformas disponíveis para o marketing digital. Entre as plataformas básicas que a maioria dos profissionais de marketing pode usar está, por exemplo, o Google AdWords. O AdWords é uma ferramenta oferecida para ajudar as empresas a comercializar seus produtos ou serviços no mecanismo de pesquisa do Google e nos seus sites associados. Ao identificar palavras-chave relevantes, o Google consegue mostrar com que frequência os usuários as pesquisam. Em outros termos, essa ferramenta ajuda a identificar palavras úteis que podem ser integradas ao conteúdo de sites e perfis que, por conseguinte, aumentam a visualização de uma organização nas páginas de resultados do mecanismo de pesquisa, afetando a posição em que a empresa aparece nas buscas (KINGSNORTH, 2019). Marketing digital2 Nesse sentido, o marketing digital oferece a possibilidade de resposta em tempo real às demandas dos clientes e consumidores. A avaliação por meio das plataformas de marketing digital é importante, pois esse processo tende a consumir tempo e recursos que poderiam ser investidos em outras atividades igualmente relevantes. Além disso, a disponibilidade de diferentes tipos de plataformas gera formatos adequados a vários dispositivos e canais, todos com potencial para auxiliar uma empresa a aproveitar as melhores oportunidades. Na contemporaneidade, há uma ampla oferta de soluções para a entrega de anúncios, estando as redes sociais entre as mais populares. Ambientes de sociabilidade como Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn se tornaram os alvos preferenciais para as empresas que desejam ampliar sua abrangência (CHARLESWORTH, 2018). Ainda nessa perspectiva, o marketing digital se refere à comercialização de bens ou serviços por meio de canais digitais, o que na maioria dos casos significa que a comunicação ocorre por meio da internet. Entretanto, o marketing digital pode ir além da internet, incluindo canais como o envio de SMSs, estratégia que entra em crescente desuso em especial em países desenvolvidos. O marketing digital significa ainda a análise do mercado e a determinação do que os consumidores desejam, incluindo a descoberta de que uma organização pode produzir e entregar aquilo que os consumidores procuram, obtendo com isso os lucros necessários para a sua sobrevivência (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2016). Com o advento, na contemporaneidade, do imperativo das preferências dos clientes, passam a predominar as necessidades relativas à interação entre consu- midores e empresas. Logo, os desafios para o marketing digital se configuram como esforços mais complexos, multidisciplinares e multidepartamentais. As empresas precisam se envolver com seus clientes de maneira integrada por meio das mídias digitais. Além disso, devem reunir essas interações em torno de uma única visão abrangente e holística sobre a clientela e suas necessidades (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2016). As táticas de marketing digital podem ser do tipo outbound (de saída). Por exemplo, as empresas podem colocar anúncios, fazer chamadas ou enviar e- -mails com o objetivo de alcançar clientes em potencial. As empresas também podem usar propagandas anexas em suas linhas editoriais para distribuir suas mensagens, isto é, criar uma situação na qual a publicidade é incorporada diretamente ao conteúdo editorial (CHARLESWORTH, 2018). Por outro lado, existem técnicas de marketing digital inbound (de entrada). Nesses casos, as empresas utilizam conteúdos digitais em e-books, webinars ou boletins eletrônicos para incentivar que seus consumidores cliquem em links e aprendam mais sobre elas e seus serviços. Embora o marketing outbound possa potencialmente atingir um público mais amplo, também corre o risco de afastar 3Marketing digital os consumidores mais desinteressados. O marketing inbound é projetado, por seu turno, para alcançar clientes em potencial por meio da segmentação do público-alvo, mas, por sua natureza, pode atingir um segmento muito mais restrito (CHARLESWORTH, 2018). Além disso, o marketing inbound também pode ser uma ferramenta im- portante na retenção contínua de clientes já existentes, criando comunicações mais regulares com eles. Isso permite que as empresas se envolvam com esses consumidores e ofereçam conteúdo educacional e informativo, além de promo- ções de produtos. Dessa forma, por exemplo, as seguradoras podem educar os compradores sobre a experiência de possuircasas e concomitantemente tentar vender várias modalidades de seguros (KINGSNORTH, 2019). Em suma, o marketing digital tornou-se mais complexo não apenas por conta dos novos canais de comunicação que surgiram, mas também devido à análise necessária para entender os clientes e as suas preferências. Na contem- poraneidade, as empresas usam uma variedade de ferramentas para entender comportamentos e preferências. As organizações se veem diante do imperativo de utilizar cada vez mais recursos para entender seus clientes. O marketing digital traz consigo elementos que, em alguma medida, já se apresentavam no marketing tradicional. É o caso do posicionamento de uma marca por meio do branding, da elaboração de conteúdos mais específicos (content marke- ting) ou mesmo da necessidade de fazer determinadas propagandas (advertising). Entretanto, o que diferencia o marketing digital do tradicional é a integração de seus elementos com plataformas tecnológicas atreladas à internet, que são integradas por meio dela. Por exemplo, emergem os websites, a otimização dos mecanismos de busca on-line (Search Engine Optimization — SEO), o gerenciamento e a criação de conteúdos para mídias sociais, assim como a necessidade de tornar um conteúdo viral quando for possível. Por fim, é imperativo não negligenciar a entrega com qualidade dos produtos ou serviços. Na próxima seção, você vai conhecer melhor as diferenças entre o marketing tradicional e o digital. De acordo com Ryan (2014), o conteúdo, a experiência do cliente e as plataformas são elementos essenciais do marketing digital. O conteúdo é aquilo que é consumido, que costuma envolver informações sobre um produto ou serviço, podendo incluir dados sobre produto, preço ou mesmo taxas de serviço e acessórios pertinentes. A experiência do cliente consiste, por sua vez, no modo como o conteúdo é apresentado aos consumidores. Marketing digital4 O que diferencia o marketing tradicional do marketing digital? O marketing tradicional faz referências às técnicas utilizadas para promover produtos e serviços, tornando os consumidores cientes deles. Nessa modalidade, o público-alvo é atingido por meio de publicidade off -line e métodos promo- cionais. Os métodos tradicionais de publicidade incluem: jornais e revistas, televisão e rádio, mala direta (catálogos e cartões-postais), telefone (telemarketing, marketing via SMS, etc.) e outdoors, por exemplo (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2016). O marketing digital se refere à utilização das tecnologias digitais, nas quais é possível segmentar os públicos por meio de diferentes ferramentas. Por exemplo: SEO, otimização de mídias sociais, publicidade pay-per-click, blogs, marketing por e-mail, marketing em mídias sociais e marketing em mecanismos de pesquisa (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2016). Existem diferenças centrais que permitem distinguir as modalidades tradicionais e digitais de marketing. Saiba mais sobre essas diferenças no vídeo disponível no link a seguir. https://qrgo.page.link/ii8K5 A principal questão que emerge para as empresas é em que área investir: no marketing tradicional ou no marketing digital? Dado o avanço da tecnologia, o marketing digital pode ajudar uma empresa a gerar retornos mais efetivos sobre seus investimentos. Além disso, o marketing digital, como você vai ver, Nesse sentido, essas experiências podem incluir contribuições para a comunidade e para o cliente, além de recomendações sobre serviços a partir de uma interface amigável. Por fim, a plataforma define como e onde o conteúdo é entregue. Isso inclui os processos de negócios implementados para a entrega do conteúdo, a tecnologia usada para a coleta de dados do cliente e a rede utilizada para disponibilizar o conteúdo. A ideia é pensar sempre na melhor experiência que o consumidor pode ter com o produto ou serviço. 5Marketing digital também oferece riscos razoavelmente menores em comparação ao marketing tradicional. Confira a seguir algumas diferenças práticas entre essas duas modalidades (CHAFFEY; ELLIS-CHADWICK, 2019). Custo: jornais, televisão e outros anúncios de mídia física tendem a demandar maior investimento. Comparativamente, a publicidade pela internet costuma requerer um investimento menor. Taxa de conversão: o marketing digital tem potencial para produzir resultados rápidos. Com o marketing on-line, é possível visualizar o número de visitantes de uma página ou campanha, assim como suas taxas de aprovação e rejeição. Reconhecimento da marca: por oferecer a possibilidade de maior projeção com um investimento menor, o marketing digital permite que determinada marca amplie sua projeção e expanda seu reconhecimento entre seus consumidores. Maior exposição: as formas tradicionais de marketing, como a pu- blicidade na televisão ou jornais, têm necessariamente uma cobertura geográfica e demográfica limitada. Por outro lado, a publicidade on-line tem potencial para atingir populações e áreas maiores. Velocidade de promoção: devido à geração de resultados em tempo real, no marketing digital, é possível obter projeções mais rapidamente, assim como saber quais anúncios estão funcionando. Análise: as análises e mensurações no marketing digital tendem a ser mais precisas e consistentes. Isso ocorre porque é possível observar imediatamente qual estratégia está funcionando ou não por meio de ferramentas de gerenciamento como o Google Analytics. Adaptabilidade: o marketing digital também permite que micro e pequenas empresas ampliem a presença de sua marca e gerenciem sua publicidade de forma mais efetiva do que na modalidade tradicional. Um questionamento central para as organizações na hora de definir qual modalidade de marketing adotar deve ser: qual é a mais eficaz? Por um lado, o marketing digital oferece grande capacidade de rastreamento de dados, mas isso não quer dizer que o marketing tradicional seja completamente ineficaz, pois ambos têm seu nicho (TODOR, 2016). Entretanto, é preciso lembrar que o impacto da tecnologia nos consumidores na contemporaneidade não está mostrando sinais de desaceleração. Esse elemento externo deve ser considerado em uma análise detalhada de cenários, como você vai ver mais adiante neste capítulo. Marketing digital6 Além disso, a segmentação de público é também um componente essencial no mundo do marketing. Por conta disso, um dos objetivos do profissional de marketing é alcançar e comunicar uma mensagem a um público-alvo específico. Isso certamente é possível para o marketing tradicional, pois, por um lado, é possível selecionar em quais revistas os anúncios são colocados e decidir onde os outdoors são expostos; por outro lado, o mesmo pode ser dito em relação ao marketing digital. Ou seja, é possível escolher onde colocar banners na Web e medir as estatísticas de postagens nas redes sociais (TODOR, 2016). A efetividade do marketing digital pode ser aferida de acordo com formas mais exatas de mensuração. Por exemplo, considere que você estava em um site procurando sapatos e decidiu comprá-los. Você acaba acessando o Facebook e vê um anúncio dos sapatos que estava pensando em comprar ao lado de sua linha do tempo. Com a introdução desse tipo de campanha, os consumidores são constantemente expostos a anúncios de produtos que já pesquisaram e visualizaram on-line, o que torna a interação com o produto mais provável e, potencialmente, leva à sua aquisição. Os anúncios tradicionais não conseguem rastrear ou medir os hábitos de visualização com a mesma precisão por não contarem com a conexão direta entre empresa, plataforma de exposição, consumidores e ferramentas de mensuração e análise (DAS; LALL, 2016). Ademais, no que diz respeito à mensuração e à análise dos resultados, a precisão e a rapidez do marketing digital permitem que os profissionais dessa área mapeiem com maior exatidão o desempenho de seus esforços e, assim, aprimorem processos de tomada de decisão. Lembre-se de que a chavepara o marketing eficaz é saber como analisar dados e implementar alterações com base no que eles informam (DAS; LALL, 2016). No marketing tradicional, por exemplo, é possível dizer com exatidão quantas pessoas viram determinado outdoor? Essa maior subjetividade abre, por conseguinte, maior espaço para equívocos. No marketing digital, a mensuração de dados é diferente porque os dados são apresentados por meio de estatísticas que podem variar de uma impressão simples (visualizações de uma campanha em particular) a algo mais complexo. Por exemplo, os dados podem ser refinados para demonstrar quanto tempo al- guém passou em uma página da Web e em que espaços essa pessoa clicou, o que pode revelar, com um pouco mais de estudo, os porquês de cliques específicos. A capacidade de segmentar corretamente um perfil demográfico especí- fico é crucial para o sucesso de uma campanha. Para o marketing digital, a demografia pode variar de um público local a um global, muito mais difícil de se alcançar com as estratégias tradicionais de marketing (KANNAN; LI, 2017). Isso acontece pois um outdoor fica fixo em um só lugar e uma revista cobre apenas uma área, porém a internet possui uma área global de 7Marketing digital abrangência. Se houver uma barreira de idioma, a maioria dos navegadores da internet atualmente pode traduzir textos e até mesmo figuras, o que reduz sensivelmente os limites presentes para as mídias digitais contemporâneas. A maior presença nos meios digitais também proporciona às empresas maiores oportunidades de interação responsiva. Por exemplo, os gestores das mídias sociais de uma empresa podem responder a comentários ou perguntas em tempo real, aproveitando a oportunidade de estabelecer uma conexão pessoal com seu público. À medida que se avança para um mundo digital, faz sentido adotar um método de marketing que melhor atinja o público on- -line. Ao adicionar o mapeamento digital à complexa equação que compõe a estratégia de marketing de uma empresa, uma abordagem eficaz também se torna uma maneira econômica de investir. Ryan (2014) afirma que o marketing digital incentiva o uso de canais de comunicação que motivam uma maior interatividade entre os consumidores e as marcas. Por exem- plo, os comentários e as classificações dos usuários criam uma relação de confiança transparente entre eles e a empresa. Por meio dos comentários dos consumidores, estes oferecem um atestado da qualidade e da força de uma marca, algo fundamental na construção de uma boa imagem. A importância do marketing digital para as em- presas também está na opção de selecionar um método de acordo com determinado orçamento e, mesmo que ele não seja tão alto, atingir um público mais amplo. A análise de cenários no marketing digital Em meio à dinamicidade do mundo globalizado e interconectado, a análise de cenários é uma ferramenta importante no desenvolvimento de novas estratégias, algo que também vale para o marketing digital. Esse tipo de análise explora os vários caminhos que uma organização pode seguir e implementa aquele que melhor corresponde aos objetivos dela. Nesse sentido, a organização é pensada como a soma de suas escolhas ao longo do tempo, tomando como base alternativas previamente identifi cadas, avaliadas, selecionadas, implementadas, controladas e ajustadas (HAMILL, 2019). Por esse motivo, a análise de cenários é um instrumento crucial na gestão do marketing digital, pois cria previsões e situações futuras, analisando os ambientes interno e externo e preparando a organização para determinados Marketing digital8 resultados. Os cenários são sequências postuladas de eventos. Nesse sentido, criar cenários ajuda a considerar uma variedade de possíveis resultados e fatores de mudança. Consequentemente, eles são uma ferramenta poderosa para entender possíveis situações e, em seguida, desenvolver estratégias apropriadas para cada uma delas (HAMILL, 2019). Em outras palavras, os cenários ajudam a antecipar resultados. Eles au- xiliam os gestores a fazer questionamentos específicos e a se prepararem para resultados inesperados. Além disso, a análise de cenários aumenta a capacidade responsiva de uma organização e de seus gestores a problemas que podem emergir em diferentes situações. Assim, a criação de cenários é útil na medida em que torna o marketing digital mais ágil; mas, para isso, requer informações e tempo. Portanto, é necessário responder às perguntas a seguir (CHAFFEY; ELLIS-CHADWICK, 2019). Quais informações acerca dos clientes, do mercado e da concorrência podem mudar? E quanto elas podem se alterar? Que dados são preditivos sobre o comportamento dos consumidores da empresa? Quais informações são essenciais para o engajamento eficaz com clientes já existentes e com consumidores em potencial? Quais dados são necessários para oferecer uma experiência positiva ao cliente nos vários canais de comunicação digital que uma organização oferta? Para usar cenários de maneira eficaz e incorporar seus resultados a plane- jamentos, as empresas precisam cobrir uma gama de possibilidades. Para isso, existem determinados princípios gerais que podem ser seguidos (CHAFFEY; ELLIS-CHADWICK, 2019): delimitar eventos que certamente ocorrem ou acontecerão; criar cenários que abranjam um amplo conjunto de resultados; identificar pelo menos de três a cinco incertezas críticas para a organização; desenvolver pelo menos quatro cenários para abordar cada uma dessas incertezas; criar uma métrica de mensuração para avaliar a probabilidade e o risco de cada cenário; usar o cenário com maior probabilidade de sucesso e maior alinhamento com o perfil da empresa como principal. 9Marketing digital Antes de criar cenários e analisá-los, é imperativo definir o escopo e o prazo em que eles podem ocorrer. Nesse sentido, a elaboração e a análise devem levar em consideração elementos que seriam de maior relevância para a organização em determinado período. Uma análise centrada no marketing digital deve atentar ao esclarecimento dos problemas essenciais e, em seguida, identificar tendências setoriais, políticas, econômicas, sociais, tecnológicas e jurídicas que podem afetar esses problemas. Depois disso, o próximo passo é identificar as principais incertezas, isto é, eventos cujos resultados são incertos e que afetarão significativamente os problemas delimitados na etapa anterior. Dessa forma, é importante observar as relações entre essas incertezas e manter em mente as tendências do setor no qual a empresa está inserida (KINGSNORTH, 2019). Após, é possível construir os cenários mais prováveis e alinhados com a organização. No desenvolvimento desse processo, um método exequível é organizar os resultados possíveis a partir de uma escala crescente de proba- bilidades e do grau de preparação que a organização tem para cada um dos cenários. No decorrer dessa etapa, é necessário que o gestor de marketing digital (CHAFFEY; ELLIS-CHADWICK, 2019): avalie cada resultado em termos de probabilidade dentro dos prazos previamente estabelecidos; remova os resultados inexequíveis, isto é, elimine os cenários que sejam implausíveis, inconsistentes ou irrelevantes; identifique os elementos mais relevantes estrategicamente dentro de cada cenário; organize os possíveis resultados e tendências em torno desses elementos; realize pesquisas para refinar os detalhes e aumentar a compreensão acerca dos cenários restantes; avalie cada cenário novamente. Nesse momento, é importante que o gestor de marketing digital evite selecionar um ou dois cenários, ou descartar cenários extremos. Além disso, é preciso ter em mente que ignorar cenários aumenta a exposição ao risco, o que pode resultar também na implementação apenas de melhorias incrementais. É preciso lembrar que, em certas ocasiões, os cenários mais lucrativos podem ser aqueles que a princípio pareciam os mais improváveis (KINGSNORTH, 2019). O próximo passoé a escolha dos cenários cujos resultados parecem mais prováveis. Por conseguinte, deve ser criado um plano com base em cada cenário. Devem ser incluídas aí contingências claras para o caso de outro cenário — ou mesmo um que não foi imaginado — eventualmente emergir. Marketing digital10 Assim, é necessário que o gestor de marketing digital se certifique de que cada cenário compreenda elementos que podem interagir também sob condições muito específicas (KINGSNORTH, 2019). Os cenários escolhidos devem auxiliar no desenvolvimento de um portfólio de estratégias, estimular a discussão interna e ajudar a detectar sinais de risco. Dessa forma, os cenários ajudam a entender a magnitude de uma tendência e a incerteza dos ambientes internos e externos em que uma organização está inserida. Eles fornecem um veículo para o desenvolvimento de um conjunto de estratégias que otimizam as chances de sucesso sob quase todos os resultados possíveis (CHARLESWORTH, 2018). A dinamicidade e a velocidade das mudanças contemporâneas demandam que as empresas tenham um portfólio de estratégias, ou seja, estratégias diferentes prontas com base em um conjunto de cenários possíveis e realistas. Ao incorporar a construção e a análise de cenários de marketing digital aos seus planejamentos, as empresas podem explorar o impacto combinado de diferentes variáveis. Con- sequentemente, essa ferramenta permite que a organização altere tais variáveis simultaneamente e identifique padrões entre os vários resultados possíveis. Por fim, os cenários devem ser aplicados quando um gestor entende o pro- blema que está tentando resolver e o resultado que está tentando produzir. Para isso, ele cria cenários depois de identificar as tendências, fortalezas e incertezas e faz isso antes de desenvolver as suas estratégias. Dessa forma, a aplicação de cenários ao processo de planejamento melhora a capacidade de a empresa prever mudanças e de se adaptar a elas mais rapidamente (CHARLESWORTH, 2018). Charlesworth (2018) sugere uma abordagem compreensiva para a elaboração de uma análise de cenários de marketing digital. O autor recomenda atentar a sete elementos que podem potencialmente influenciar os resultados de determinada campanha. Nesse sentido, eles não precisam obedecer a uma ordem hierárquica específica, porém é necessário que sejam tratados cuidadosamente, tendo como foco o sucesso dos objetivos estabelecidos. Além disso, esses elementos precisam estar alinhados com os objetivos da organização e com a análise de cenários realizada no início do processo. Veja os elementos a seguir. Pesquisa: é importante que todas as campanhas sejam fundamentadas em pes- quisas aprofundadas sobre a empresa e o seu negócio. Além disso, deve-se levar em consideração a concorrência e o setor no qual a empresa está situada. Otimização: durante a fase de otimização, é preciso que a campanha seja flexível. A ideia é que possam ser realizadas diferentes alterações, sejam grandes ou pequenas. A capacidade de resposta da campanha deve ser eficiente e eficaz. 11Marketing digital Conteúdo: o conteúdo criado para determinada campanha deve ter profundidade e qualidade, permitindo que o público-alvo se conecte a ele e, assim, reaja aos estí- mulos que tal conteúdo pretende gerar acerca de determinados produtos e serviços. Palavras-chave: em campanhas focadas nos mecanismos de busca, as palavras- -chave são cruciais, pois elas dão a base do que terá impacto nas buscas dos con- sumidores. Assim, é imperativo um estudo rigoroso do setor e a implementação de estratégias de segmentação para direcionar o tráfego para o site da empresa. Mídias e links patrocinados: caso existam recursos para isso, é importante investir na promoção e no patrocínio de conteúdo. Assim, a campanha pode trabalhar com conteúdo alavancado por meio de uma rede de blogueiros e influenciadores digitais, por exemplo. Testes: é imperativo testar os recursos que vão compor sites e outras estratégias estabelecidas na análise de cenário. Os testes permitem correções prévias, que podem, por sua vez, garantir melhores resultados. CHAFFEY, D.; ELLIS-CHADWICK, F. Digital marketing. London: Pearson UK, 2019. CHARLESWORTH, A. Digital marketing: a practical approach. New York: Routledge, 2018. DAS, S. K.; LALL, G. S. Traditional marketing vs digital marketing: an analysis. International Journal of Commerce and Management Research, v. 2, n. 8, 2016. Disponível em: http:// www.managejournal.com/archives/2016/vol2/issue8/2-7-24. Acesso em: 19 out. 2019. HAMILL, Jim. The end of marketing as usual: be social: be digital. In: BAKER, M.; HART, S. The marketing book. London: Taylor & Francis, 2016. KANNAN, P. K.; LI, H. A. Digital marketing: a framework, review and research agenda. In- ternational Journal of Research in Marketing, v. 34, n. 1, 2017. Disponível em: https://papers. ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3000712. Acesso em: 19 out. 2019. KINGSNORTH, S. Digital marketing strategy: an integrated approach to online marketing. London: Kogan Page Publishers, 2019. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 3.0: from products to customers to the human spirit. New Jersey: John Wiley & Sons, 2010. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: moving from traditional to digital. New Jersey: John Wiley & Sons, 2016. RYAN, D. Understanding digital marketing: marketing strategies for engaging the digital generation. London: Kogan Page, 2014. TODOR, R. D. Blending traditional and digital marketing. Bulletin of the Transilvania University of Braşov, v. 9, n. 1, 2016. Disponível em: http://webbut.unitbv.ro/Bulletin/ Series%20V/2016/BULETIN%20I%20PDF/06_Todor%20R.pdf. Acesso em: 19 out. 2019. Marketing digital12 ANTROPOLOGIA DO CONSUMO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Identificar características do consumidor na era digital. > Apresentar as principais estratégias de marketing para atender a esse novo consumidor. > Explicar a importância do marketing de relacionamento para o novo perfil de consumidor. Introdução Reconhecer o comportamento do consumidor atualmente não tem sido tarefa fácil para muitas empresas, pois, nas últimas décadas, o consumidor teve uma grande mudança na sua jornada de compra. O processo de decisão de compra do consumidor, antes da chegada da internet, era mais simples: o consumidor tinha um problema e o produto era visto como a solução do problema, estando no centro da sua atenção. A publicidade nem precisava fazer força para vender, pois, mesmo sem segmentação, um anúncio simples, em qualquer veículo de comunicação, era o suficiente para o consumidor comprar. Novas tendências de consumo e relação com o marketing Sedenilso Antonio Machado Após a chegada da internet, porém, os clientes se tornaram mais exigentes. Pesquisam muito antes de decidir por uma compra, baseiam-se na opinião de outras pessoas e se tornam verdadeiros especialistas em alguns produtos antes mesmo de adquiri-los. Na era digital, então, a jornada de compra do consumidor se tornou muito mais complexa. Neste capítulo, vamos analisar o perfil do consumidor digital e as suas carac- terísticas de consumo. Além disso, veremos as novas estratégias de marketing que as empresas estão elaborando com base no perfil do novo consumidor e a importância do marketing de relacionamento na era digital. O perfil do consumidor digital O consumidor da era digital tem se mostrado bastante exigente. Com o acesso à internet, ele tem muito conteúdo à disposição, muitas informações e opiniões sobre os produtos e serviços que pretende comprar. Por consequência, as empresas estão encontrando problemas para se conectar com esse novo consumidor e, em alguns casos, não estão conseguindo nem identificar o consumidor do seu produto ou serviço. Também há empresas que ainda não estão bem cientes desse consumidor ou, se estiverem, têm dificuldade de entender e adaptar as suas estratégias de marketing a esse novo perfil. Vamosver um exemplo prático. Considere um e-commerce, o qual o cliente deve acessar para realizar a compra de um produto. Se, por algum motivo, o site demorar para carregar alguma página ou ocorrer algum erro no momento da compra, o consumidor da nova era vai abandonar a página e procurar outro site. Ainda, é muito provável que ele relate essa experiência negativa em alguma página da internet. Assim como ele pesquisou sobre o produto que desejava comprar, outros usuários como ele também vão pesquisar e podem encontrar esse relato negativo por ele escrito. Outro usuário, ao ler sobre a experiência negativa, nem perde tempo tentando comprar no mesmo site. Qualquer que seja a dificuldade, como páginas que demoram para carre- gar ou fotos em baixa qualidade, apenas uma é o suficiente para qualificar o site como não confiável. Assim, caso o site da empresa deixe a desejar em qualquer dos aspectos mencionados, o potencial cliente, que estava pronto para comprar, poderá desistir da compra. E esse cliente ainda pode influenciar tantos outros com comentários negativos. É por isto que as empresas devem investir em pesquisa: para conhecer o perfil do novo consumidor, levando em consideração esse novo comportamento de compra no momento de definir as estratégias de marketing. Novas tendências de consumo e relação com o marketing2 Veja, portanto, que a era digital vem mudando o perfil dos antigos con- sumidores e, também, criando novos, com processos de compra cada vez mais complexos e metamórficos, dificultando a identificação das mudanças pelas empresas. Processo de tomada de decisão Como vimos, com a chegada da era digital, o consumidor está em constante mudança. Assim, mais do que nunca, a empresa deve avaliar o comporta- mento do consumidor antes de decidir as estratégias que serão aplicadas. Além disso, as empresas precisam ficar atentas ao processo de decisão de compra. De fato, os indivíduos, seja em grupo empresarial ou familiar, exercem diferentes papéis no decorrer do processo de escolha dos seus produtos ou na contratação de serviços. Segundo Solomon (2016), esses papéis são: � o iniciador, ou seja, a pessoa que reconhece o desejo de comprar um produto ou contratar um serviço; � o influenciador, aquele que colabora com sugestões de compra e aná- lises de opções; � o comprador, a pessoa que executa a compra do produto ou serviço; � o usuário, quem que vai de fato usar o produto ou serviço. No processo de tomada de decisão de compra na era digital, ou seja, após a chegada da internet, mais três papéis surgiram. Além do grupo familiar ou empresarial, agora existe o influenciador digital, que é quem conhece profundamente o produto ou serviço e usa a internet ou contas nas redes sociais para comentar sobre ele. Outro papel que vem se destacando como um dos mais importantes da nova geração do consumidor digital é o pesquisador, que é exercido, muitas vezes, pelo próprio usuário, mas não apenas por ele. Por último, mas não menos importante, temos o avaliador, que é a pessoa que divulga uma crítica, positiva ou negativa, sobre a sua experiência com o produto ou serviço na internet. Novas tendências de consumo e relação com o marketing 3 Características do novo consumidor O novo consumidor está totalmente alinhado com as novidades do mercado e o desenvolvimento tecnológico. Ele é muito presente nos meios digitais e apresenta alto nível de exigência fora do comum. Demanda, das empresas, maior dinamismo e muita flexibilidade nas negociações, além de exigir que as empresas ofereçam multicanais de atendimento e, em alguns casos, pla- taformas variadas. Tudo isso para ele ter maior conforto. Organizações que estão estudando esse novo comportamento do con- sumidor já perceberam que ele não busca apenas por marcas famosas ou preço mais barato, mas por empresas e marcas que estão alinhadas com os seus desejos e valores. Nesse contexto, lida-se com um consumidor mais bem-informado, totalmente conectado com o que há de novo e melhor. É, por consequência, muito mais exigente e dinâmico, importando-se não apenas com o que o produto ou serviço entrega, mas com o que está por trás do processo de produção do produto e com a experiência de compra. Empresas inteligentes estão estudando a respeito desse novo consumidor e alinhando as suas estratégias a essa nova realidade, visando a atender às necessidades dos novos clientes. Além de reconhecer e analisar esse novo comportamento do consumidor, a empresa deve realizar mudanças na sua cultura organizacional, promovendo uma atualização na essência do negócio, não apenas na aparência. Além disso, se o consumidor está muito mais pre- sente nos meios digitais, as empresas também devem disponibilizar canais de comunicação para atender a essa nova necessidade de comunicação. Novas estratégias de marketing para o novo consumidor digital Como vimos na seção anterior, antes de decidir sobre qualquer compra de produto ou serviço, o novo consumidor faz diversas pesquisas e levanta or- çamentos, avaliando a qualidade dos produtos e serviços em relação ao seu custo e, sobretudo, a qualidade do atendimento ao consumidor pré, durante e pós-compra. Assim, o consumidor da era digital espera que a empresa esteja disponível nos mais diversos canais de atendimento, embora prefira os canais mais rápidos. De fato, tempo é uma variável de grande impacto na decisão de compra, pois ele espera que as suas solicitações sejam atendidas o mais rápido possível — e com qualidade. Dessa forma, uma das características do novo comportamento do con- sumidor é o imediatismo. O novo consumidor valoriza empresas ágeis, que Novas tendências de consumo e relação com o marketing4 antecipam ações e otimizam o tempo. Nesse contexto, a pesquisa de mercado é de fundamental importância. Inclusive, talvez seja a principal estratégia de marketing, pois é muito efetiva para a empresa entender o comporta- mento de compra, focando no conhecimento do cliente e nos seus desejos e comportamentos. Quando uma empresa realiza uma pesquisa de mercado, ela conversa diretamente com o cliente visando a entender melhor o seu público-alvo. Assim, consegue informações valiosas para a sua estratégia de mercado. A pesquisa ajuda a empresa a avaliar a satisfação do seu cliente e pode ser de grande ajuda para descobrir os seus hábitos de consumo. Utilizando dados da pesquisa, por exemplo, a empresa pode descobrir se o seu público é ativo nas redes sociais. Para as empresas, as redes sociais servem para estabelecer um relacionamento entre as marcas e os consumidores. Com um perfil, a empresa pode divulgar conteúdo relevante para o seu público, incentivando a interação entre e com os seus seguidores para aumentar o engajamento. Devido a isso, a rede social é considerada um excelente canal de atendimento, pois uma empresa pode conhecer melhor o seu cliente e, assim, criar um relacionamento mais próximo com ele. Se o consumidor está mais ativo no mundo digital, isso significa que está deixando rastros e informações valiosas por onde passa, como nas redes sociais e nos sites. Assim, é fundamental que as empresas invistam em mineração de dados, que se baseia no uso de inteligência artificial com o objetivo de extrair informações dos rastros que o consumidor deixou por onde passou. Com essas informações em mãos, uma empresa pode aplicar estratégias de marketing baseadas na pesquisa e com foco nas necessidades dos seus clientes, personalizando o seu atendimento. Se consumidor mudou o seu comportamento de compra, as empresas precisam mudar as suas estratégias para oferecer os seus produtos e serviços de uma forma que lhe atraia. Como vimos, por meio de pesquisa de mercado, uma empresa pode captar diversas informações relevantes sobre o seu novo consumidor. Veja, no Quadro 1, algumas estratégias de marketing que podem ser aplicadas em qualquer tipo de empresa. Novas tendências de consumo e relação com o marketing 5 Quadro 1. Estratégiasde marketing para atender o novo consumidor Estratégia Descrição Integrar os canais de comunicação Como a presença on-line dos consumidores está cada vez maior, a empresa precisa integrar os seus principais canais de comunicação. O Facebook, o Instagram, o Twitter e o site da empresa, por exemplo, devem estar todos conectados. A empresa deve explorar as possibilidades de cada canal e, ao mesmo tempo, criar uma conexão entre eles para reforçar a identidade da marca/ organização. Quando uma empresa se prepara para esse atendimento integrado, o cliente percebe uma facilidade na comunicação e se torna mais engajado. Conteúdo relevante O novo consumidor é fanático por conteúdo relevante. Ou seja, ele procura saber todos os detalhes sobre o produto ou serviço que pretende adquirir. Para desenvolver um conteúdo relevante, é necessário conhecer o público-alvo, reconhecer as suas necessidades e os seus desejos. Só será relevante aquele conteúdo que se destacar de alguma forma, prendendo a atenção da audiência que se pretende impactar. Atendimento personalizado Antigamente, as empresas eram diferenciadas pelos seus produtos e serviços. Porém, atualmente, há certo padrão de qualidade entre produtos e serviços da mesma faixa de preço. Empresas que investem em pesquisa para conhecer o seu público-alvo já sabem que o atendimento é o grande diferencial que o novo consumidor está buscando. Mais do que a coisa em si, ele espera uma experiência de compra diferenciada, que mexa com ele de alguma forma. Vê-se que as redes sociais, como Facebook e Instagram, hoje consis- tem nos principais canais de comunicação, pois o consumidor está muito presente nelas. Além disso, o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp é o preferido dos clientes para tirar dúvidas e fazer solicitações para as empresas. Portanto, empresas que estão presentes nas redes sociais e que disponibilizam múltiplos canais de comunicação on-line para os seus clientes têm maior chance de realizar um atendimento mais personalizado e, assim, de cultivar um relacionamento futuro com o consumidor. É, sem dúvidas, a vez do marketing de relacionamento. Novas tendências de consumo e relação com o marketing6 A importância do marketing de relacionamento Mais do que nunca, as empresas se esforçam para definir segmentos de con- sumidores e ouvir os clientes. Muitas delas perceberam que o segredo para o sucesso é a criação de laços vitalícios entre marcas e clientes. As empresas que concordam com essa filosofia, chamada de marketing de relacionamento, interagem com os clientes regularmente e lhes propiciam manter um elo com elas ao longo do tempo (SOLOMON, 2016). Esse foco no relacionamento é ainda mais vital durante as difíceis condições econômicas pelas quais passamos em tempos de pandemia. Quando os tempos são difíceis, as pessoas tendem a procurar o apoio dos bons amigos. Como vimos, a web e as mídias sociais estão transformando a forma como os consumidores interagem com as empresas e entre eles. O comércio on- -line nos permite localizar produtos pouco conhecidos ao redor do mundo e as comunidades de consumo oferecem fóruns em que as pessoas podem compartilhar opiniões e recomendações sobre os produtos. Com o esse novo perfil digital do consumidor, as empresas investem em criativas estratégias com o objetivo de fidelizar esse cliente. Não à toa, empresas como Netflix, Apple e Google são consideradas as mais inovadoras no relacionamento com o cliente. Esse título foi atribuído pela DOM Strategy Partners após a análise de diversos itens, como experiência de consumo, interação on-line, interatividade no ponto de contato com o cliente e, claro, produtos e serviços oferecidos (CRYPTOID, 2019). Porém, criar e manter um relacionamento de longa duração com os clientes não é uma tarefa fácil, pois exige, das empresas, uma grande dinâmica de pesquisa, planejamento e ação, tudo isso baseado no comportamento do consumidor digital. Assim como o consumidor, as ações de marketing de relacionamento também se tornaram digitais. Observe o Quadro 2, que compara o compor- tamento do novo consumidor com as ações de marketing de relacionamento na era digital. Novas tendências de consumo e relação com o marketing 7 Quadro 2. Comportamento do novo consumidor e ações de marketing de relacionamento na era digital O que o consumidor busca? O que a empresa pode fazer? Rapidez, imediatismo Antecipar soluções Informação na internet Criar conteúdo em sites e blogs Atendimento personalizado Treinar os colaboradores Diversos canais de comunicação Disponibilizar múltiplos canais de comunicação Observe que são diversas as ações que uma empresa precisa colocar em prática para estabelecer e cultivar um relacionamento com o consumidor. Entre elas, está o treinamento dos colaboradores, fundamental para oferecer um atendimento com qualidade superior, facilitando a criação de vínculos dos clientes com a empresa/marca. Quando uma empresa aplica essas ações de forma efetiva, ela consegue captar as emoções e os anseios do seu consumidor, fazendo o melhor para suprir as suas necessidades. Uma pesquisa idealizada pela Opinion Box (2018) identificou que 71% dos brasileiros que são bem atendidos recomendam a marca para familiares e amigos. Essa atitude é reflexo do bom relacionamento que uma empresa tem com o seu cliente (SPITALIERE, 2020). Quando a empresa demonstra interesse em solucionar o problema do cliente, aumenta o nível de confiança deste e, por consequência, as chances de engajamento. Isso só vai acontecer se a empresa treinou corretamente o seu time para oferecer atendimento atencioso e personalizado. Essa ação aumenta a força da marca e a confiabilidade do cliente na empresa, além de aumentar as oportunidades de retenção. Grosso modo, para criar e manter um relacionamento com os clientes, as empresas precisam se desenvolver nos quatro itens a seguir. 1. Comunicação. 2. Confiança. 3. Foco no cliente. 4. Proatividade. Novas tendências de consumo e relação com o marketing8 A comunicação é a base de qualquer tipo de relacionamento — afinal, ninguém gosta de não ser correspondido. Um cliente que tem dúvidas so- bre produtos e serviços de uma empresa gosta de ter acesso facilitado e, preferencialmente, imediato a informações sobre o que pretende adquirir. A comunicação efetiva faz parte de um bom relacionamento com o cliente antes, durante e após a venda. Por exemplo, quando adquirir um produto ou serviço, o consumidor gosta de ser informado sobre o andamento das suas solicitações. Assim, para ter um bom relacionamento com os clientes e mantê-los satisfeitos, as empresas precisam fornecer feedbacks frequentes e claros sobre o andamento dos processos relativos à compra. E, aproveitando que o consumidor está muito presente no meio digital, as empresas podem usar ferramentas como men- sagens e aplicativos para se comunicar com ele mais rapidamente. Por sua vez, a confiança deve ser conquista e nunca quebrada. Conquistar a confiança de um cliente é um passo extremamente importante na constru- ção de um relacionamento duradouro com ele. A relação de confiança entre cliente e empresa se constrói em cada atendimento realizado. Hoje, o mais importante é deixar claro para o cliente que ela não está ali somente para vender, mas, sim, para atender às suas necessidades e ajudá-lo a atingir os seus objetivos, principalmente se incluírem a resolução de algum problema com a própria empresa ou o produto. Cada vez que for concluído um contato bem-sucedido com o cliente, pode- -se considerar que houve uma pequena contribuição para a construção de uma relação de confiança com ele. É normal que o cliente se sinta bem quando percebe que uma empresa fez uma ação que demonstra que se importa com a resolução de problemas. Além disso, hoje é muito importante, para grande parte dos consumidores, saber que a empresa tem responsabilidade social, que as suas ações colaboram para a prevençãoda escassez de recursos naturais e não prejudicam o meio ambiente. Intencionalmente ou não, algumas empresas rompem os seus laços de confiança com os consumidores. Em alguns casos, esses atos realmente são ilegais, como quando um fabricante deliberadamente rotula de maneira enganosa o conteúdo de uma embalagem ou quando um lojista atrai os consumidores oferecendo-lhes produtos baratos com o único propósito de fazê-los mudar para mercadorias com preço mais elevado. Em outros casos, as práticas de marketing têm efeitos prejudiciais na sociedade, embora não sejam explicitamente ilegais. Algumas empresas, por exemplo, promovem comerciais que objetificam as mulheres, prática que tem sido uma recorrente razão para a quebra de confiança na marca (SOLOMON, 2016). Novas tendências de consumo e relação com o marketing 9 Se uma empresa efetivamente pesquisa sobre o comportamento dos seus consumidores, sabe que precisa utilizar todas as ferramentas de comunica- ção digital possíveis para gerar relacionamento com base na qualidade do atendimento. O relacionamento com o cliente deve existir antes, durante e depois que o cliente efetivamente tiver adquirido o produto ou serviço. Assim, a organização manterá o foco no cliente. Empresas com foco no cliente já estão em outro nível, pois sabem que não importam mais apenas as ofertas de produtos e serviços, mas o relacio- namento a longo prazo. Relacionamentos fortes geram negócios duradouros e fortalecem a imagem da empresa, transparecendo seriedade, confiança e ética, valores fundamentais para uma relação vitalícia com o cliente. Um bom exemplo é o caso da IBM. Há muitos anos, ela vem pesquisando o mercado e inovando as suas estratégias com base nas necessidades dos clientes. A IBM tem o foco em conhecer profundamente o seu cliente e en- tender a sua visão de futuro, antecipando as suas necessidades. Ao usar um sistema de relacionamento com o cliente, a IBM coleta dados importantes sobre eles. E, ao colocar em prática um programa de relacionamento, trocou as vendas de curto prazo para cultivar um relacionamento de longo prazo, oferecendo soluções focadas nas diferentes necessidades dos seus clientes. O livro Gestão de marcas em mercados B2B (KOTLER, 2008), da Editora Bookman, conta a história da IBM, focando o relato da evolução da marca com base nas suas ações para engajar e reter o público-alvo. Por fim, o perfil do consumidor na era digital exige que as empresas sejam mais proativas para atendê-lo. Essa proatividade não se refere apenas à questão humana, mas também à questão dos sistemas (KOTLER, 2008). Os sistemas devem ser mais dinâmicos, respondendo aos anseios dos seus clientes digitais, pois muitos consumidores podem desistir das suas compras se um site demorar para carregar, por exemplo. A proatividade também pode ser encontrada na disposição dos canais de comunicação que uma empresa oferece aos seus clientes. Empresas que têm várias formas de contato digital podem ser mais dinâmicas do que empre- sas que disponibilizam apenas uma forma de contato. Com esses canais de comunicação ativos, a empresa se torna mais proativa, atendendo o cliente (seja novo ou antigo) o mais rapidamente possível. Novas tendências de consumo e relação com o marketing10 Uma pesquisa realizada pela consultoria Ebit/Nielsen em parceria com o Bexs Banco revelou que o e-commerce brasileiro cresceu 41% em 2020, ganhando 13 milhões de novos consumidores nesse mesmo ano. Em relação ao número de consumidores digitais de 2019, houve um aumento de 29%. Segundo a pesquisa, esse crescimento decorreu das medidas restritivas para o controle da pandemia de coronavírus, pois diversas lojas físicas tiveram que fechar por meses (INGIZZA, 2021). De acordo com Ingizza (2021), o aumento do número de consumidores digitais consiste em uma oportunidade para as empresas expandirem a pegada digital das suas marcas. Segundo a pesquisa, 80% dos 13 milhões de consumidores novos responderam que comprariam novamente pela web, e 69,5% disseram que promoveriam o site no qual a compra foi realizada. Como o consumidor é imediatista, cerca de 30% dos pesquisados afirmaram que o prazo de entrega é o principal motivo de insatisfação com as compras on-line. Assim, fica claro que o consumidor é sensível ao valor do frete e ao prazo de entrega. Porém, também essa é uma oportunidade para as empresas com e-commerce. Quanto menor for o valor frete, maior será a chance de satisfação. Ou seja, o frete grátis é uma excelente oportunidade de obter muitas vendas. O comportamento do consumidor sempre mudou. Hoje, a diferença é que ele muda drasticamente e muito mais rápido. Antigamente, ele levava 10 anos para mudar o seu comportamento de compra, mas essa mudança atualmente está levando de um a dois anos. Essa metamorfose se dá devido ao contato que ele tem com o seu grupo social, familiar, escolar, corporativo, etc. Assim o consumidor, na era digital, está cada vez mais exigente, demandando que seja o foco das estratégias de marketing. Os fatores externos também influenciam o seu comportamento de compra, principalmente o acesso à internet. Com essa tecnologia, o consumidor se tornou mais empoderado, pois tem muita informação à disposição. Se o consumidor mudou o seu processo de compra, as empresas precisam se adaptar a essa nova realidade para não desaparecer do mercado. Essa adaptação vem com novas estratégias de marketing para entender, integrar e interagir com esse novo consumidor. Para entender melhor o consumidor, a pesquisa de mercado constante é fundamental. Com base nas respostas, a empresa pode desenvolver as estratégias de comunicação e relacionamento mais adequadas. Uma coisa é certa: o consumidor digital tem demonstrado que o relaciona- mento é o caminho no futuro e que se importa em comprar com valor agregado e com sentido. Então, empresas que estão investindo em pesquisas, desenvol- vendo programas de relacionamento, alimentando a sua presença digital com diversos canais de comunicação e criando conteúdo relevante são aquelas que os novos consumidores estão procurando e, portanto, as que terão mais sucesso. Novas tendências de consumo e relação com o marketing 11 Referências CRYPTOID. As empresas digitais mais inovadoras no relacionamento com o cliente, segundo a DOM Strategy Partners. 2019. Disponível em: https://cryptoid.com.br/ banco-de-noticias/as-empresas-digitais-mais-inovadoras-no-relacionamento-com- -o-cliente-segundo-a-dom-strategy-partners/. Acesso em: 8 ago. 2020. INGIZZA, C. Treze milhões de brasileiros fizeram primeira compra pela internet em 2020. Exame, 2021. Disponível em: https://exame.com/pme/13-milhoes-de-brasileiros- -fizeram-primeira-compra-pela-internet-em-2020/. Acesso em: 8 ago. 2020. KOTLER, P. Gestão de marcas em mercados B2B. Porto Alegre: Bookman, 2008. SOLOMON, M. R. Comportamento do consumidor: comprando, possuindo e sendo. 11. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016. SPITALIERE, J. Pós-venda: o que é e como melhorar o seu para fidelizar clientes. 2020. Disponível em: https://blog.contaazul.com/importancia-da-pos-venda/. Acesso em: 8 ago. 2020. Leituras recomendadas BARRETA. L. Inteligência artificial: TIM transforma autoatendimento aos clientes com inteligência artificial da IBM. IBM, 2021. Disponível em: https://www.ibm.com/blogs/ ibm-comunica/tim-transforma-autoatendimento-aos-clientes-com-inteligencia- -artificial-da-ibm. Acesso em: 8 ago. 2020. CHEN, K.; KRAKOVSKY, M. Segredos da economia comportamental. Porto Alegre: Book- man, 2011. FUTRELL, C. M. Vendas: o guia completo: passo a passo para um relacionamento rentável e duradouro com seus clientes. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. GUMMESSON, E. Marketing de relacionamento total. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. LIMA, A. P. L. Comportamento do Consumidor. Porto Alegre: Sagah, 2019. OUCHI, B. Manter o consumidor engajado é fundamental para o negócio. Exame, 2021. Disponível em: https://exame.com/negocios/manter-o-consumidor-engajado-e--fundamental-para-o-negocio/. Acesso em: 8 ago. 2020. PAIXÃO, M. V. A influência do consumidor nas decisões de marketing. Curitiba: Inter- saberes, 2012. PESQUISA de comportamento do consumidor online Shopper Story Brasil 2020. Criteo, 2021. Disponível em: https://www.criteo.com/br/blog/pesquisa-de-comportamento- -do-consumidor-online-shopper-story-brasil-2020/. Acesso em: 8 ago. 2020. SANT’ANA, L. Tendências 2021: um olhar sobre o consumidor. 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Novas tendências de consumo e relação com o marketing 13 MARKETING DIGITAL Rogério Gomes Neto Canais de marketing digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir canais de marketing. Identificar como os canais de marketing podem interagir com os consumidores. Classificar os principais canais de marketing digital. Introdução Conhecer os fatores que levam ao sucesso das empresas que atuam no comércio eletrônico é cada vez mais importante e necessário para os profissionais de marketing. Para entender como as organizações lidam com esse formato de distribuição, você precisa se familiarizar com os canais de marketing digital, as suas características, os seus modelos e as suas funcionalidades. Por isso, neste capítulo, você vai estudar os mecanismos estratégicos dos canais de marketing digital. O que são canais de marketing digital? Com a rápida transformação do comércio em função da popularização da internet, os canais de marketing, ou seja, tudo o que se refere à distribuição de bens e serviços para os consumidores, passaram por profundas mudanças e por uma ampliação. Os canais de marketing, conforme Telles e Strehlau (2006, p. 26), envolvem “[...] a gestão da distribuição [...], estrutura e administração de bens e ser- viços com a finalidade de torná-los disponíveis para as trocas [...]”. Essa atividade de gerenciamento dos agentes presentes nos canais envolve as operações de atacado e varejo, distribuição física, planejamento logístico (armazenamento e transporte), entre outras variáveis que conectam quem produz e quem consome. Já segundo Kotler e Keller (2018), os canais de marketing são formados por organizações interdependentes, isto é, há diferentes membros na cadeia que cumprem papéis diversos e funcionam de forma conjunta. Esses canais são responsáveis por um processo cujo objetivo é disponibilizar, basicamente, itens de consumo para o usuário final. A estrutura dos canais de marketing envolve dois elementos fundamentais: os membros (os principais são os fabricantes, intermediários e usuários finais) e a administração dos canais. Esses fatores permitem estabelecer foco nos segmentos em que se deseja gerar negócios, como canais digitais, os quais têm apresentado cada vez mais possibilidades lucrativas. Os canais de marketing desempenham um papel econômico de grande importância, o que favorece o escoamento de itens e a conexão entre produção e consumo. Desempenham, ainda, operações e atividades que colaboram para o processo produtivo e a comercialização. Além disso, facilitam a busca de produtos pelo consumidor, ao mesmo tempo em que fazem o ajuste para equilibrar a oferta e a procura de produtos. Dessa forma, os intermediários criam utilidade para o usuário, pois permitem encontrar um item desejado de forma mais fácil e rápida. Em relação aos participantes do canal de marketing, destacam-se três elementos: produtores e fabricantes, intermediários e usuários finais. Os produtores e fabricantes são as empresas envolvidas na produção de um produto, o qual necessita estar disponível no mercado, sendo esta a função dos canais de marketing: realizar a distribuição dos produtos, atividade que implica questões relativas a custo, tempo, transporte, armazenamento, etc. Já os intermediários são empresas independentes que dão suporte aos produtores e aos consumidores finais. Elas desempenham negociações e atividades de distribuição e operam no atacado e no varejo. Por fim, há os usuários finais, que são os consumidores ou as empresas. Como visto, os canais de marketing podem ser definidos, de forma geral, como os meios utilizados pelas empresas a fim de atingir possíveis consumido- res. Já um canal de marketing eletrônico ou digital, segundo Telles e Strehlau (2006, p. 115), pode ser entendido como “[...] a plataforma digital que suporta a oferta e acesso a produtos e compra lógica pelo mercado-alvo, através de mediação eletrônica [...]”. Essa mediação viabiliza um suporte à oferta, o que garante a disponibilidade dos produtos, bem como informações corretas sobre cada item vendido. A compra lógica é o ato de realizar pedidos on-line sem que o comprador tenha acesso imediato ao produto, sendo que isso ocorre também para quem vende, pois este não tem acesso aos recursos do consumidor. Canais de marketing digital2 A atuação das empresas em ambiente digital provocou mudanças signifi- cativas nos canais de marketing, principalmente no que se refere à logística. A diversificação dos canais exigiu das marcas mudanças na forma de se relacionar com os clientes. O motivo é que, atualmente, gerar conexões dura- douras com o consumidor é fundamental para alcançar resultados positivos. Isso ocorre porque os consumidores estão mais ativos e participativos por conta das múltiplas possibilidades de expressão disponíveis na internet, a exemplo das redes sociais, o que exige mais empenho das marcas, sobretudo em ambiente digital. É por isso que conhecer as potencialidades dos diferentes canais permite aos profissionais de marketing refletir acerca das possibilidades de cada um e, em especial, dos canais digitais, que têm se mostrado cada vez mais eficazes para atrair e converter novos consumidores. Não é incomum, portanto, que os novos formatos de compras superem as expectativas dos consumidores em comparação ao comércio tradicional. Diante desse cenário, os profissio- nais de marketing devem estar atentos às necessidades dos consumidores no ambiente on-line e também investir em ações necessárias a fim de garantir uma experiência positiva ao cliente, o que se dá, por exemplo, por meio da eficiência e da rapidez nos processos logísticos, a fim de tornar a distribuição eficaz e satisfatória. Há vários tipos de empresas que atuam no comércio eletrônico, mas as mais comuns são, como observa Kotler e Keller (2018, p. 566), as “[...] inteiramente virtuais, que começaram com um site [...], e empresas virtuais e físicas (brick- -and-click), [...] que acrescentaram um site de informações e/ou e-commerce a suas operações [...]”. A internet viabilizou negócios antes inexistentes. Dessa forma, surgiram inúmeras empresas inteiramente virtuais, como o Google e redes sociais como Facebook e Twitter. Além disso, surgiram empresas em muitos outros segmentos da economia. No setor financeiro, destacam-se as fintechs, que são bancos digitais, como Original e Nubank. Muitas empresas que hoje atuam em ambiente físico e ambiente digi- tal tinham, inicialmente, dúvidas quanto a aderir ao comércio eletrônico, uma vez que poderia haver conflitos entre os dois canais e desconforto e insatisfação de varejistas,representantes comerciais, lojas próprias e fran- queadas. Com a transformação do comportamento de consumo, boa parte dos grandes varejistas aderiu ao comércio eletrônico, que se fortaleceu como mais uma opção de canal de distribuição. Hoje, o desafio dos profissionais de administração e de marketing é propiciar integração entre os ambientes físicos e on-line. 3Canais de marketing digital Algumas estratégias citadas por Kotler e Keller (2018) podem ser adotadas para diminuir esses conflitos. Por exemplo: oferecer marcas e produtos dife- rentes pela internet, ou seja, itens não oferecidos nos demais canais; elevar as comissões dos parceiros convencionais, receber pedidos on-line; e delegar entrega e cobrança aos canais de distribuição físicos. Se inicialmente havia dúvidas de que os canais digitais substituiriam os canais tradicionais, percebe-se agora que a tendência é o marketing digital se tornar um aliado que, em conjunto com outros canais de marketing, entrega agilidade e soluções para os consumidores. Por isso, a coexistência dos co- mércios físico e virtual é uma das tendências no que se refere à estrutura dos canais de marketing das empresas. Um bom exemplo de como harmonizar os diferentes canais de marketing das empresas é a maneira encontrada pela empresa O Boticário. A marca brasileira do segmento de cosméticos e perfumaria tinha receio de atuar em diversos canais. A principal preocupação era evitar que os franqueados, tão essenciais para a empresa, ficassem insatisfeitos com a introdução do e-commerce e do sistema de venda direta, realizada por revendedores autônomos, pois esses canais poderiam provocar redução nas vendas das lojas franqueadas. A solução encontrada pela marca foi optar por um modelo de venda direta e de e-commerce no qual as lojas franqueadas se tornam polos centralizadores. Dessa forma, os franqueados comandam coordenadores de vendas e estes gerenciam os reven- dedores que atuam no sistema de venda direta (porta a porta). Além disso, compras efetuadas no e-commerce da empresa podem ser retiradas nas lojas físicas, estratégia conhecida como omnichannel, que permite unir esforços dos canais tradicionais e digitais. O omnichannel acaba sendo um bom negócio para as franqueadas, que podem oferecer outros itens ao consumidor no ato da retirada. A incorporação do e-commerce do O Boticário possibilitou à marca desenvolver previsões de vendas, gerenciar de forma mais assertiva estoques e intercambiar in- formações com os fornecedores e outros intermediários. Assim, a transformação da rotina de pessoas tem impactado os canais de marketing, os quais também exigiram mudanças das empresas, principalmente no que se refere à agilidade para atender às demandas na era da tecnologia. Canais de marketing digital4 Conexões com consumidores por meio dos canais de marketing Para gerar conexões positivas com os consumidores, a escolha assertiva dos distribuidores é fundamental. Isso possibilita, por exemplo, que o objetivo dos canais de marketing seja alcançado de forma efi ciente e efi caz. É importante, assim, conhecer os três sistemas de distribuição possíveis: exclusivo, seletivo e intensivo. Veja a seguir. Distribuição exclusiva: é aquela em que a empresa escolhe um canal que deve trabalhar apenas com o seu produto. Ou seja, ela garante exclusividade para o seu produto e impede a atuação de concorrentes. Um exemplo são as franquias. Distribuição seletiva: a empresa utiliza alguns canais focados em seu público-alvo para evitar a inclusão de seu produto em qualquer ponto de venda. As grifes de moda são um bom exemplo de distribuição seletiva, pois costumam vender seus produtos apenas em determinadas lojas. Distribuição intensiva: é aquela em que uma empresa coloca os seus produtos no maior número possível de pontos de vendas, a exemplo dos itens de grande rotatividade, tais como cremes dentais, refrigerantes e commodities alimentícios. O desenho do canal de marketing, que se refere basicamente às decisões quanto à incorporação de novos canais ou à modificação dos já existentes, é uma decisão importante para as empresas desenvolverem um contato mais próximo com os consumidores. Trata-se de um aspecto estratégico, uma vez que é um fator crucial para ajudar a empresa a ter um diferencial relevante. Assim, os canais podem ser: convencionais, quando um produtor negocia de forma independente com um intermediário; horizontais, resultantes da união de esforços de duas empresas, nor- malmente de segmentos diferentes, que exploram uma oportunidade de distribuição de forma integrada; verticais, que visam a maiores eficiência e competitividade dos canais devido à centralização de sua gestão. 5Canais de marketing digital Para que o desenho de um canal de marketing seja eficaz, as empresas devem atentar à escolha dos intermediários, pois isso é fundamental às decisões de negócio, a exemplo da ampliação de cobertura e do aumento de acesso aos pontos de venda. Alterações do volume de consumo, diferentes capacidades de armazenagem ou a saída de um intermediário do canal podem comprometer um desenho prévio. Por isso, a seleção de membros do canal deve seguir a ordem: identificação de intermediários potenciais; avaliação comparativa dos intermediários; efetivação dos membros do canal. As necessidades dos consumidores almejados pelas empresas devem moldar os canais de marketing das organizações e das marcas. A estratégia do canal de marketing, portanto, deve ser orientada para o mercado a fim de atender às mais diferentes demandas. Para fazer isso de forma eficiente e eficaz, os canais de marketing devem considerar as várias dimensões dos mercados à medida que se relacionam com diferentes intermediários e consumidores. Um bom exemplo de canal de marketing que tem se tornado cada vez mais eficiente para atender às demandas dos consumidores é o digital. A internet é um meio que se caracteriza por estabelecer conexões diretas entre consumidores e marcas. Essa característica possibilita que os canais eletrônicos eliminem alguns intermediários, a exemplo de varejistas e atacadistas. Essa diminuição do número de intermediários é denominada por Ro- senbloom (2002) de processo de desintermediação. Para compreender o conceito, imagine uma marca que fabrica celulares e que os vende unicamente por meio de seu canal digital, diretamente ao consumidor. Nesse modelo, a marca não depende de intermediários, ou seja, os varejistas, o que pode, em tese, aumentar o seu faturamento. Embora a estratégia de desintermediação seja adotada por alguns setores, o que tem sido mais comum é a reintermediação, que se refere ao conjunto de canais de marketing que atuam de forma integrada no processo de distribuição. Esse modelo está por trás de estratégias surgidas por conta da internet, como as livrarias virtuais, que, embora sejam canais tipicamente de marketing digital, com frequência utilizam atacadistas em vez de negociar exclusivamente com as editoras. Como você pode observar, o comércio eletrônico muitas vezes é depen- dente da distribuição física e das etapas dos processos logísticos comuns, tais como armazenar, estocar, empacotar, processar pedidos e expedi-los. Cabe às empresas analisar e definir qual forma é mais eficaz e econômica para o processo, se o sistema de desintermediação ou o de reintermedia- ção. Para isso, é preciso considerar os aspectos estratégicos da marca e as necessidades dos clientes. Canais de marketing digital6 Outro desafio que os canais eletrônicos enfrentam a fim de estabelecer conexões com seus consumidores é agilizar o fluxo de informação. Isso é necessário no momento em que o comprador on-line aguarda para ter acesso ao produto. O fluxo físico, ou seja, todo processo físico que ocorre para que o item chegue ao comprador, não pode ser digitalizado, o que, em comparação com a rapidez da compra on-line, é classificado como moroso. Para agilizar essa etapa, o canal digitalnecessita de bons intermediários para executar as funções logísticas, ou seja, de bons métodos para disponibilizar produtos vendidos em um local e adquiridos em outro. O sistema logístico é um mecanismo que permite eficiência aos elementos que compõem o processo logístico, ao mesmo tempo em que estabelece relações entre eles. Esse sistema é composto por transporte, manuseio de materiais, processamento de pedidos, controle de estoque, armazenamento e embalagem. Desse sistema, são fundamentais para os canais de marketing digital o armazenamento, que se refere à manutenção e à preservação de estoques, e a distribuição, que é a movimentação de bens do produtor ao consumidor. A administração ineficiente desses processos acaba sendo um fator limitante aos canais eletrônicos. Por isso, não seria equivocado considerar os canais de marketing digital como incompletos, uma vez que costumam depender de outros canais logísticos para a sua atividade. Investir em mecanismos que facilitem o fluxo físico de itens negociados em ambiente digital é fundamental para as empresas que executam vendas on-line. Um bom exemplo é o market place Mercado Livre, que percebeu a necessidade de melhorar seus processos logísticos e criou centros de distribui- ção, cujo objetivo é reduzir os prazos de entrega de encomendas e enfrentar as investidas da concorrência de forma mais eficaz. Ainda que apresentem limitações, os canais eletrônicos contam com muitas vantagens competitivas. A principal é o alcance. Interessados em adquirir de- terminado produto podem realizar pesquisas e comparações virtualmente entre marcas, de forma rápida e simples. Essa característica também é válida para quem produz, ou seja, é possível vender de qualquer localidade. Os canais eletrônicos favorecem a conveniência para quem compra, uma vez que tendem a ser mais simples e rápidos, permitindo economizar tempo e custos com deslocamento. Outra característica que pode ser apresentada como uma vantagem dos canais de marketing digital é a facilidade na conexão entre consumidores, os quais promovem intercâmbio de informações sobre produtos, serviços e marcas. Isso colabora, por exemplo, para a segmentação de mercados e, ainda, para a identificação de consumidores pela marca, de modo a estabelecer ações mais eficazes. 7Canais de marketing digital É comum que os canais eletrônicos proporcionem redução de custos em relação à distribuição. Isso se dá pelo fato de esse tipo de comércio eliminar uma parte da força de vendas e dos custos com instalações físicas. No en- tanto, os canais digitais apresentam condições limitantes para a conquista de clientes. Uma das principais é a experiência, ou seja, o contato físico, muitas vezes necessário para alguns produtos. É o caso, por exemplo, do segmento de moda. Nesse setor, as vendas on-line apresentam como principal ponto fraco a devolução de itens por conta de a numeração apresentada no site não condizer com a usual do consumidor. A ausência de experimentação pode inviabilizar a compra em canais ele- trônicos, mas algumas ferramentas podem colaborar para minimizar isso. As marcas do setor de moda têm investido em estratégias e ferramentas para aumentar a confiança do consumidor e reduzir as devoluções e trocas. Para muitas, têm sido cada vez mais usual criar tabelas de medidas com tamanhos mais abrangentes. Afinal, se os consumidores têm de deduzir o tamanho real de uma peça, é comum a não aquisição ou a aquisição, por exemplo, de duas numerações distintas, no intuito de devolver a que não se adequa ao corpo, o que aumenta os gastos com logística reversa. Atualmente, as empresas que atuam no comércio on-line têm inves- tido mais em segurança, mas isso ainda é uma desvantagem para o setor. Os crescentes casos de crimes em ambiente digital afetam a confiança de quem faz compras na internet. Entregar a compra de forma ágil é uma forma de garantir a segurança de quem compra e de criar um elo de confiança entre as partes. Em relação às transações de pagamento e à privacidade de informações e dados, as empresas que efetuam vendas on-line devem investir constantemente em segurança para obter a confiança dos seus consumidores. Investir em agi- lidade de navegação e simplificar as etapas de transação on-line também são ações que colaboram para estabelecer conexões positivas para quem compra no ambiente virtual. O cliente espera que a sua experiência ao realizar uma compra seja agradá- vel. Por isso, facilitar as etapas do processo de compra é fundamental. Oferecer bons recursos de atendimento, como chat on-line, pode ser importante para impedir o abandono do carrinho. Além disso, para uma comunicação eficaz, é necessário estabelecer proximidade com os consumidores. Para isso, a empresa precisa compreender o que eles buscam e como se comunicam. Investir em conteúdo relevante, com informações realmente úteis e importantes, tende a atrair a atenção e envolver o consumidor. Canais de marketing digital8 Estrutura dos canais de marketing digital Os canais de venda de uma empresa no ambiente digital são denominados “canais de marketing digital”, a exemplo do e-commerce. Cada canal de marketing apresenta características próprias, e as diferenças dizem respeito a questões como: o melhor método para abordar o consumidor, o tipo de cliente a se conquistar, o modo de defi nir o orçamento necessário, os objetivos e metas a alcançar, etc. Por isso, a expertise dos profi ssionais de marketing é imprescindível ao se optar por um ou mais canais de marketing, ainda que o fator determinante na atualidade seja o retorno objetivado pela empresa. Dessa forma, é necessário conhecer melhor os canais de marketing digital a fim de avaliar as especificidades de cada um, compreender as métricas possíveis e, ainda, observar as possibilidades de retorno que eles oferecem. É isso que você vai ver a seguir. Um dos principais canais de marketing é o e-commerce, termo em inglês que significa “comércio eletrônico”. Segundo Kotler e Ketler (2018, p. 566), “[...] os sites comerciais vendem toda espécie de bens e serviços, principalmente livros, discos, brinquedos, seguros, ações, roupas e serviços financeiros [...] e usam várias estratégias para competir [...]”. A forma mais comum de os con- sumidores chegarem ao e-commerce de uma empresa é por meio de anúncios publicitários, principalmente os veiculados na própria internet, meio no qual é possível segmentar o público com mais precisão. As redes sociais também podem ser classificadas como canais de marketing digital, pois permitem que as empresas alcancem consumidores potenciais e corriqueiros de forma mais ágil e interativa. Nelas, é possível apresentar con- teúdos relevantes e autorais, veicular anúncios publicitários e executar vendas. O call center é outro canal de marketing muito usado, de forma estratégica, no marketing digital. A ferramenta permite identificar se os investimentos de marketing e, principalmente, de comunicação trazem o retorno almejado. Além disso, ela colabora para a empresa identificar quais estratégias geram mais respostas dos consumidores. Um canal de marketing bastante utilizado é o e-mail, que tem se posicionado como uma das principais ferramentas de comunicação digital. Muitas empresas estabelecem conexões com possíveis compradores e clientes habituais por meio de e-mail marketing ao produzir newsletters com conteúdo atrativo e interessante. Outro canal de marketing muito importante para as empresas é a busca orgâ- nica, que envolve ferramentas de busca como o Google e o Bing. As empresas devem dar atenção especial a esse canal, pois quando um usuário efetua uma pesquisa 9Canais de marketing digital para obter alguma informação sobre um produto, serviço ou marca, ele tem grande interesse na compra. Dessa forma, é fundamental fazer com que o consumidor se depare com as informações de uma empresa que ofereça o que ele busca. Para analisar cada canal de marketing digital, é importanteconhecer as ferramentas que facilitam a classificação do tráfego de diferentes origens. Uma forma é compreender o uso das tags UTM (Urchin Traffic Monitor ou “monitor de tráfego de Urchim”, sendo que Urchim é o nome de uma empresa adquirida pelo Google). As UTMs são as principais formas de classificação dos canais. Por isso, são muito utilizadas pelos profissionais de marketing digital. A ferramenta permite rastrear os canais digitais, o que colabora, por exemplo, para identificar quais resultados são orgânicos e quais são oriundos de anúncios pagos. A ferramenta é relativamente simples. Para mensurar cada ação de comu- nicação, é necessário inserir o termo utm no link dessa ação, por exemplo: utm_source. Dessa forma, quando o internauta acessar o site por meio do link criado com utm, é possível identificar a origem da visita. Assim, os profissionais de marketing podem aumentar o investimento em origens que geram mais tráfego ou retorno e até eliminar ou alterar anúncios de origens pouco rentáveis. Por fim, vale destacar que outro canal de marketing digital importante é o comércio eletrônico B2B (business-to-business), ou seja, a transação que ocorre de empresa para empresa. Esse setor sofreu grandes transformações com o advento do e-commerce. No comércio eletrônico B2B, a coleta de in- formações do mercado se torna mais rápida, fácil de acessar e eficaz. Há mais informações disponíveis sobre produtos e novas opções e formas de negociar, a exemplo dos leilões on-line e dos novos intermediários que interligam as empresas compradoras às que vendem. O principal atributo positivo do B2B no meio digital é o aumento da transparência da política de preços e da competitividade entre empresas fornecedoras, pois os mecanismos digitais permitem, por exemplo, a comparação de preços. Os principais objetivos do marketing digital são: propiciar aumento do volume de vendas, gerar diferenciação, construir posicionamento de marca, compreender melhor o mercado e suas tendências. Esses são pontos que devem ser considerados na tomada de decisão dos canais eletrônicos. Canais de marketing digital10 A adoção de cada canal gera impacto nas estratégias de marketing. Assim, a gestão de canais deve ser feita com critérios claros, uma vez que a distribuição desempenha um papel importante nos objetivos e nas estratégias das empresas. É necessário avaliar a relação do produto com o mercado, bem como a estrutura dos canais eletrônicos, a fim de propiciar um ambiente mais competitivo e que, ao mesmo tempo, crie vantagens competitivas. A seleção dos canais de marketing digital deve reconhecer as necessidades da empresa. Só assim é possível escolher a melhor estrutura, o que colabora com o processo de distribuição. Desse modo, a análise das possibilidades de desintermediação ou reintermediação ganha relevância. Para garantir a eficiência do processo de distribuição, é preciso adicionar funções aos canais eletrônicos, incorporando-os aos canais tradicionais. Dessa forma, a integração dos canais proporciona às empresas mais êxito e mais resultados positivos, ao mesmo tempo em que possibilita aumentar a chance de contatos e de experiências do consumidor com a marca. Imagine a seguinte situação: em uma loja física, um cliente entra, escolhe alguns itens, experimenta, resolve comprar alguns, efetua o pagamento, mas sai sem levar nenhum produto. Por mais estranho que possa parecer, é esse o conceito de guide shop. A experiência incomum tem atraído algumas marcas que atuam em território brasileiro, principalmente as ligadas à moda, como a Amaro, uma das pioneiras. O modelo de negócios guide shop da Amaro não conta com caixas de pagamento. As lojas físicas da marca apresentam peças vendidas exclusivamente no e-commerce. Com a ajuda de vendedores, as compras são feitas no próprio site da marca por meio de tablets e computadores espalhados na loja física. O local funciona como uma espécie de vitrine dos produtos da página da marca e, por isso, a ideia é ter pouco estoque. O cliente pode experimentar os artigos na loja (há apenas uma peça de cada tamanho) e, quando tiver interesse, efetua o pagamento. Depois, o item é enviado à sua residência, normalmente no mesmo dia. Há inúmeras vantagens nesse conceito de loja. O fator economia é um dos que merece destaque, pois as lojas ocupam menos espaço físico, uma vez que há menos itens a serem estocados. Outra vantagem é garantir segurança ao consumidor que tem receio de errar escolhas de roupas e acessórios em compras on-line por conta de tamanho, caimento e cores. Para receber o item em domicílio, o cliente precisa informar seus dados, os quais alimentam a base cadastral da marca e permitem conhecer melhor os gostos e desejos dos consumidores, o que colabora para vendas futuras e para estabelecer conexões de longo prazo. Em síntese, o modelo de guide shop é um exemplo de como os canais de marketing digital podem cooperar com os canais físicos. 11Canais de marketing digital KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2018. ROSENBLOOM, B. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo: Atlas, 2002. TELLES, R.; STREHLAU, V. l. Canais de marketing & distribuição: conceitos, estratégias, gestão, modelos de decisão. São Paulo: Saraiva, 2006. Leitura recomendada ALVES JR., D. São Paulo do futuro: o que as lojas estão adotando. Veja, São Paulo, 24 jan. 2019. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cidades/sao-paulo-do-futuro- -consumo/. Acesso em: 26 nov. 2019. Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Canais de marketing digital12 MARKETING DIGITAL E SUSTENTÁVEL Janaina Mortari Schiavini Estratégias de marketing digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir estratégia no mundo digital. � Identificar as estratégias do marketing digital. � Desenvolver estratégias de marketing digital. Introdução Os avanços das tecnologias da informação e da comunicação e o intenso crescimento do uso da Internet têm conectado ainda mais as pessoas, afetando o seu cotidiano e proporcionado novas formas de relação, comunicação e organização das relações humanas. Tudo isso tornou possível a quebra dos limites geográficos e temporais para a comunicação, permitindo a criação de comunidades globais. Diante dessa imensa gama de oportunidades no mundo digital, é im- portante que as organizações tenham estratégias claras para atingir seus objetivos por meio do marketing digital. Todas as técnicas de marketing digital, como o SEO, SEM, inbound marketing, mobile marketing, Facebook Ads, etc., são importantes, mas são somente ações. Por isso, as estratégias do marketing digital devem preceder as ações e ser orientadas a partir dos seus objetivos organizacionais e de marketing. Neste capítulo, você vai estudar o que é estratégia no mundo digital. Verá quais são as principais estratégias e ações de marketing digital adotadas pelas empresas, além de ler sobre uma metodolo- gia, conhecida com 8 Ps, para o desenvolvimento de estratégias no marketing digital. Estratégia no mundo digital A estratégia funciona para a organização como uma força mediadora que atua entre a organização e o seu ambiente interno e externo, tornando-se um padrão no processo de tomada de decisões organizacionais (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2010). Nesse sentido, estratégia é a determinação dos objetivos de longo prazo e das políticas e ações adequadas para atingi-los. Em um contexto marcado pela globalização, o marketing digital torna-se uma estratégia de competitividadepara as empresas. Com o avanço da tecnologia da informação, o comércio tradicional começou a se modificar, e hoje as mudanças são constantes. Turchi (2012) aponta que as inovações se voltam para o marketing digital com a finalidade de facilitar ao cliente o uso das mídias sociais. Em se tratando do mundo digital, o marketing conquista um novo posicio- namento, a fim de facilitar o relacionamento entre empresas e consumidores. Surge então o marketing digital, que, na visão de Gabriel (2010), é definido como o marketing que utiliza estratégias com algum componente digital no mix produto, preço, praça ou promoção. Dentro dessa concepção, o marketing digital é aquele que planeja e determina quais plataformas ou tecnologias serão usadas pelas empresas, para divulgar os produtos e serviços, preços, promoções e locais de distribuição aos clientes online. Tanto as pequenas quanto as grandes empresas podem utilizá-lo para con- quistar novos clientes eletronicamente e desenvolver um relacionamento digital, por meio do uso de tecnologias de informação e comunicação (TURCHI, 2012). Seja qual for o ramo de atividade de uma empresa, o uso do marketing digital facilita a divulgação de seus produtos (serviços), preços, promoções e praças, além de contribuir para uma maior vantagem sobre os concorrentes. O uso intensivo da tecnologia da informação representa uma estratégia fundamental para o crescimento organizacional (KNIGHT, 2014). Independentemente de o marketing digital fazer parte da estratégia da empresa, a Internet afeta qualquer empreendimento (TORRES, 2018). Ao contrário da mídia tradicional, mesmo que a empresa não participe da Internet, ela se torna o controle do consumidor. Deixar de investir em marketing digital se torna um prejuízo organizacional, pois, querendo ou não, o cliente usará a tecnologia da informação para realizar trocas de opiniões, comparar preços e buscar formas de relacionar marcas. Estratégias de marketing digital2 Para Kingsnorth (2019), a estratégia de marketing digital precisa passar por alguns passos para se tornar algo em que a empresa possa articular claramente e oferecer uma visão de futuro. Isso precisa ser realizado com uma reflexão sobre estes principais aspectos: � entender o que é possível; � entender o negócio e o contexto de mercado; � entender o cliente; � entender os possíveis desafios que a empresa enfrenta; � planejar a estratégia para oferecer uma entrega ideal; � entender as possibilidades dentro dos canais digitais relevantes e pontos de contato; � medir e evoluir a estratégia; � ganhar adesão. Para obter uma boa visão do lado estratégico do marketing digital, Kin- gsnorth (2019) analisou os 4 Ps do marketing sob a perspectiva do mundo digital. Vejamos. Os 4 Ps do marketing no mundo digital Os 4 Ps do marketing (também chamados de mix de marketing ou composto de marketing) representam os quatro pilares básicos de qualquer estratégia de marketing: produto, preço, praça e promoção. De acordo com esse conceito, o equilíbrio desses elementos é o que possibilita o sucesso de uma marca. No contexto do mundo digital, é necessário ressignificar esses conceitos de acordo com a sua aplicabilidade. Para Kingsnorth (2019), o significado dos 4 Ps do marketing no mundo digital é o que veremos a seguir. Produto O produto é a oferta de valor da organização, que pode ser algo físico ou um serviço. A empresa desenvolve algo que as pessoas necessitem e queiram comprar, conforme a demanda do mercado. Na perspectiva digital, as principais questões são: este produto/serviço pode ser vendido online? Quais canais estão abertos para venda do produto? Existem oportunidades para torná-lo flexível, para ser mais apropriado ao público online ou móvel? Esse produto fornece real valor para o consumidor e é diferenciado das ofertas de seus concorrentes? 3Estratégias de marketing digital Existem recursos que podem ser adicionados ou devem ser excluídos para o cliente digital, e é justo fazer isso? Um exemplo para essas questões pode ser o de um álbum de música. Três pessoas compram um álbum de música. João compra um CD, Maria baixa o álbum para o celular e Robin o transmite. Todos são diferentes comportamentos do consumidor, e cada pessoa usará sua música de uma maneira diferente. João pode orgulhosamente exibir o álbum em uma prateleira, pois ele é um fã leal. Maria pode excluir outras músicas do telefone para liberar espaço para o novo álbum. Robin pode colocar as faixas em listas de reprodução separadas para cultivar sua coleção de acordo com o gênero ou humor. Compreender as diferentes motivações e hábitos de uso desses produtos é vital para estratégias de marketing na era digital. Preço O preço pode ser mais uma ciência do que uma arte. Compreender a elasticidade dos preços e o posicionamento competitivo são ângulos a serem considerados, mas o fator-chave é este: a empresa está cobrando um preço que as pessoas estão dispostas a pagar? O elemento “disposto a pagar” é influenciado por diversas variáveis, como o valor da marca, a qualidade do produto, etc., mas também existem inúmeras táticas que podem ser empregadas aqui. Certamente, descontos e ofertas não são novidade para o marketing digital, mas o conceito de comparação rápida de preços, introdução de reembolso (cashback) e vouchers certamente mudaram o comportamento do consumidor. As empresas podem levar vantagem disso por meio de programas de marketing de afiliados. O marketing de afiliados é a situação em que você promove seus produtos por meio de sites de terceiros em troca por pagar uma comissão ou taxa ao site quando uma venda for efetuada. As comissões são frequentemente pagas em vendas, mas podem ser pagas em cliques ou outras ações. Estratégias de marketing digital4 Para saber mais sobre marketing de afiliados, leia o artigo “Marketing de afiliados: como esse mercado pode ser uma boa estratégia para um negócio?” no site da revista Exame, disponível no link a seguir. https://qrgo.page.link/3YVF7 Praça Em inglês, este P significa placement, que pode ser entendido como localização no mercado. Ele é responsável, especificamente, pela forma como o cliente chega até a empresa, aos produtos e aos serviços, e está relacionado aos canais de distribuição da empresa. No contexto digital, as principais questões deste P são: quando alguém chega na sua loja online, é fácil navegar e encontrar as informações dos produtos que deseja? Você tem os itens em estoque e o site está funcionando corretamente para envios? Se as pessoas não conseguem encontrar o que estão procurando, então pode-se esperar que elas vão procurar em outro lugar. No ambiente online, isso ocorre com muito mais rapidez do que em uma loja física. Promoção Promoção é o que a maioria das pessoas pensa quando ouve a palavra mar- keting. São os canais de comunicação da empresa com os seus clientes, é a campanha de TV, a publicidade na imprensa, os banners gráficos. Geralmente, esses são os primeiros pontos de contato que o cliente tem na primeira vez que se relaciona com alguma marca. Essas primeiras impressões são muito importantes, e por isso é preciso planejar bem a promoção. Um dos desafios da promoção no contexto digital é o curto espaço ou tempo para comunicar a promoção do produto. Enquanto um anúncio de TV ou anúncio de imprensa pode ter 30 segundos de tempo para comunicação, no mundo digital, geralmente, tem-se 100 caracteres ou menos de um segundo. Isso cria uma necessidade de criar mensagens de impacto e, mais importante ainda, uma filosofia de testar e aprender. Não importa o quanto a empresa saiba (ou pense que saiba) sobre seus consumidores, é difícil prever todos 5Estratégias de marketing digital os resultados possíveis. Por isso, estar em um ciclo de teste constante e em evolução é vital para uma cultura de melhoria contínua — algo que é um valor fundamental do marketing digital eficaz. Estratégias e ações do marketing digital O marketingdigital difere do marketing tradicional devido utilização de algum componente digital no mix de marketing – produto, preço, praça ou promoção (GABRIEL, 2010). Essa complementação das mídias digitais no marketing contribui para uma estratégia mais abrangente de relacionamento com os consumidores. No Quadro 1, é possível visualizar a relação entre as estratégias de marketing tradicional e as estratégias de marketing digital, bem como suas aplicações operacionais. Estratégia de marketing Estratégia de marketing digital Ações táticas e operacionais Tecnologias e plataformas empregadas Comunicação corporativa Relações públicas Marketing de conteúdo Geração de conteúdo Marketing de busca Blogs SEO/SEM Marketing de relacionamento Marketing nas redes sociais Ações em redes sociais Ações com influenciadores digitais Instagram, Twitter, Facebook, Youtube, LinkedIn, etc. Marketing direto Email marketing Newsletters Promoções Lançamentos E-mail SMS Publicidade e propaganda Branding Publicidade online Banners Podcasts, videocasts Widgets Jogos online Sites Blogs Mídias sociais Google AdWords Quadro 1. O marketing e a Internet (Continua) Estratégias de marketing digital6 Fonte: Adaptado de Torres (2018). Estratégia de marketing Estratégia de marketing digital Ações táticas e operacionais Tecnologias e plataformas empregadas Publicidade e propaganda Marketing viral Postagem de vídeos, animações e músicas Publicação de widgets Redes sociais YouTube Widgets Pesquisa de mercado Branding Pesquisa online Buscas, clipping Monitoramento de marca Monitoramento de mídias Google Redes sociais Clipping Quadro 1. O marketing e a Internet (Continuação) Para melhor compreensão das estratégias e ações de marketing digital, veremos em mais detalhes cada uma das estratégias sugeridas por Torres (2018). Marketing de conteúdo Marketing de conteúdo é uma estratégia de marketing digital que tem como objetivo a produção de conteúdo interessante e relevante para engajar e atrair o público-alvo, gerando valor para as pessoas para criar uma percepção positiva da marca. Assim, o consumidor precisa perceber um valor no conteúdo ofertado. Se a mensagem tem apenas a intenção de vender, não haverá engajamento. E, sem engajamento, não haverá vendas. Outro aspecto importante do marketing de conteúdo é possibilidade de educar o consumidor. Se a empresa é nova no mercado ou traz uma solução inovadora, o trabalho ainda é desconhecido do público em geral. Por isso, trazer conteúdo de qualidade é a uma ótima alternativa para “educar” sobre o serviço e as soluções que a empresa está trazendo para o mercado. Esse conteúdo pode ser disponibilizado em vídeos, blogs, redes sociais, ebooks, etc. — dependendo dos veículos de comunicação que o público-alvo da empresa mais acessa. 7Estratégias de marketing digital Além da geração de conteúdo, o marketing de busca é um fator indispen- sável para melhorar a localização, ou “encontrabilidade”, da empresa na Web. Por meio de estratégias dirigidas de marketing de busca é possível melhorar o posicionamento de um site, proporcionar uma audiência mais qualificada e, principalmente, aumentar o potencial de conversão de visitantes em clientes (TORRES, 2018). Para a otimização dos mecanismos de busca, as empresas podem se beneficiar de estratégias de SEO (search engine optimization) e SEM (search engine marketing). SEO é a otimização de sites para mecanismos de busca. Trata-se do uso de técnicas para melhorar a colocação de determinado site nos resultados de buscadores como o Google, geralmente associando o conteúdo a marcadores (tags específicas relevantes). As ações do SEO se referem à URLs claras, utilização dos padrões web, títulos de página racionais e a correta utilização das tags HTML, que é linguagem utilizada para construir páginas web. SEM significa marketing de otimização de buscadores e diz respeito ao processo de utilização de sites de busca na Web para promover determinado website, aumentando seu tráfego e fidelidade. É um conjunto de estratégias de marketing digital que age por meio das ferramentas de busca e tem como objetivo a promoção de um site nas páginas de resultados de um buscador. As estratégias de SEM podem ser divididas em duas categorias: a busca natural, ou resultados orgânicos, que é onde age o SEO, e a busca paga, que são os links patrocinados. Para se conseguir um bom posicionamento nos resultados orgânicos, o SEO é a melhor ferramenta. Já os links patrocinados, como o Google AdWords, são interessantes por oferecerem o modelo chamado PPC (pay per click), no qual a empresa paga de acordo com a quantidade de cliques que recebe em um anúncio. Se interessou pelo assunto o marketing de busca e as ferramentas de SEO e SEM? O artigo “Estratégias de marketing digital na era da busca”, publicado na Revista Brasileira de Marketing, É uma leitura bastante interessante. Acesse. https://qrgo.page.link/o4dkS Estratégias de marketing digital8 Marketing nas redes sociais As redes sociais na Internet, ou mídias sociais, são sites onde os usuários se cadastram, registram seus dados pessoais nos chamados perfis, e podem se relacionar com outras pessoas, publicando fotos, enviando mensagens e criando listas de amigos (TORRES, 2018). Elas permitem a criação e o compartilha- mento de informações e conteúdos pelas pessoas e para as pessoas, nas quais o consumidor é, ao mesmo tempo, produtor e consumidor da informação. Ou seja, essas redes são livres e abertas à colaboração e interação de todos. O autor defende que as redes sociais, por possibilitarem a troca de informa- ção pelas pessoas e para as pessoas, têm o poder de formar opiniões. Isso é um dos fatores que deu grande força a essas mídias, alterando o comportamento do consumidor, que antes apenas assistia a propaganda sem interagir, e que agora vai até a Internet e emite opiniões sobre suas experiências com produtos e serviços. Dessa forma, essas mídias podem contribuir para a construção de uma marca ou até mesmo prejudicar sua reputação. Há vários tipos de redes sociais, cada um com um objetivo diferente e públicos específicos. A grande diferença entre elas é o seu objetivo, os quais podem ser: � estabelecer contatos pessoais, podendo ser relações de amizade e namoro; � realizar networking, compartilhar e buscar conhecimentos profissionais e procurar emprego ou preencher vagas; � compartilhar e buscar imagens e vídeos; � compartilhar e buscar informações sobre temas variados; � divulgar produtos e serviços para compra e venda. De acordo com a pesquisa Global Digital 2019, que traz insights e tendências sobre o uso das redes sociais no Brasil e no mundo, as redes sociais mais usadas no Brasil são o YouTube (95%), seguido pelo Facebook (90%) e WhatsApp (89%). Já a liderança no cenário global é ocupada pelo Facebook, com 2,27 bilhões de usuários ativos. Em segundo e terceiro lugar estão, respectivamente, o YouTube (1,9 bilhões) e o WhatsApp (1,5 bilhões). Ainda de acordo com essa pesquisa, o Brasil tem 140 milhões de usuários ativos nas redes, o que corresponde a 66% da população. Além disso, 61% dos internautas do país acessam redes sociais via dispositivo móvel (celular ou tablet). 9Estratégias de marketing digital Neste link você pode visualizar os resultados completos da pesquisa Global Digital 2019, o mais recente relatório da Hootsuite sobre os usuários na Internet. https://qrgo.page.link/EACDN Email marketing Para Torres (2018), o email marketing é uma adaptação digital para a velha mala-direta. O email foi uma das primeiras formas de comunicação na Inter- net e seu uso é popular ainda nos dias de hoje. As empresas utilizam o email marketing como ferramenta de marketing direto. Ogden e Crescitelli (2007) apontam os fatores favoráveis e também a des- vantagem quanto a essa prática. Devido ao seu formato digital, a informação é administrada na tela, eliminando a necessidadede cópias impressas. Além disso, a entrega é instantânea, relativamente barata e confiável. No entanto, ela permite ao usuário desconsiderar ou excluir a mensagem. Os autores destacam ainda que o uso dessa ferramenta deve ser feito de forma responsável. Existem muitas empresas que vendem ou alugam listas de email, e muitas outras empresas de software para gerenciamento das cor- respondências. Deve-se levar em consideração os devidos cuidados como o consentimento de seu público, para não desqualificar o trabalho da marca como spam. Publicidade online O início da publicidade na Internet se deu com os banners, que eram uma reprodução do material publicitário utilizado em mídias offline (TORRES, 2018). De acordo com o autor, o uso exagerado de banners comprometia até a leitura do conteúdo, mas, atualmente, a maioria dos sites consegue administrar o espaço adequado para esse tipo de mídia. Atualmente, os banners ainda são uma das formas mais utilizadas de anúncios online. Muitas marcas utilizam essa ferramenta dentro de blogs com conteúdo de interesse de seu público-alvo ou por sua popularidade. Eles podem variar em tamanhos e formas, abrangendo formatos estáticos, animados ou interativos. Estratégias de marketing digital10 Além dos banners, existem diversos formatos que permitem interação com o público para serem explorados na promoção de marcas e venda de produtos e serviços: � Sidekick: e uma aba no lado direito do site que se expande ao se passar o mouse. É um formato expansível que oferece aos anunciantes flexi- bilidade e também ajuda a manter a integridade do conteúdo da página em que o formato está sendo exibido. � Pushdown: também se expande quando acionado, mas fica na parte superior da página. � Pop-ups: são janelas independentes, menores que o browser, que se abrem automaticamente quando determinadas páginas são acessadas. � Floater: trata-se de uma imagem flutuante na homepage do provedor, que aparece quando a página é carregada e move-se por alguns segundos antes de fechar. � Homepage takeover: a publicidade ocupa todo o espaço da página inicial de um site. � Links patrocinados: são pequenos anúncios, geralmente em texto, que aparecem nos resultados da busca de usuários, por meio de palavras- -chave digitadas � Publieditorial: é um anúncio em forma de post. Marketing viral Semelhante ao efeito boca a boca, para Torres (2018), o marketing viral se baseia no conceito de troca de peças virais entre internautas, como informações, textos, imagens ou vídeos, que acabam se espalhando rápida e espontaneamente pela rede, como um vírus. O autor comenta sobre seis princípios básicos para uma campanha de marketing viral de sucesso com base em um dos maiores especialistas em marketing viral da atualidade, o americano Ralph Wilson: � distribui gratuitamente produtos e serviços com algum valor; � oferece um meio sem esforço de envio para outros; � é facilmente escalável do pequeno para o muito grande; � explora motivações e comportamentos comuns; � utiliza redes de comunicação já existentes; � tira proveito de recursos de terceiros. 11Estratégias de marketing digital Assim, o objetivo da comunicação viral é transformar um consumidor em um divulgador. Para isso, é importante entender o que o consumidor quer para que ele goste e repasse determinada campanha viral. Pesquisa online A pesquisa online é uma estratégia para conhecer o público-alvo e pensar em maneiras de melhorar a produção de conteúdo e o relacionamento com o internauta (TORRES, 2018). Ela também ajuda a determinar a relevância de conteúdo no ciberespaço. Utilizando as ferramentas de busca, é possível obter resultados da colocação do site na pesquisa do Google, quantas citações em outros sites e quais palavras-chave estão relacionadas ao site da empresa e marca. No contexto das mídias online, a pesquisa consiste em buscar na Internet as mídias que se adaptam ao público-alvo da empresa e classificá-las de acordo com sua importância, permitindo o uso da informação na tomada de decisão da veiculação de propagandas. Monitoramento O monitoramento das ações e mídias digitais é a ação central que regula uma atividade de marketing digital integrada (TORRES, 2018). Ele também permite obter diversas informações referentes ao público-alvo, possibilitando o rastreamento e documentação desses dados. Compreendendo as etapas técnicas de navegação, é possível entender as estatísticas de monitoramento e relacioná-las a cada momento em que o usuário passou em determinado site. A Figura 1 sintetiza todas as estratégias de marketing digital e seus obje- tivos, conforme sugeridas por Torres (2018). Estratégias de marketing digital12 Figura 1. Estratégias de Marketing Digital. Fonte: Adaptada de Torres (2018). Desenvolvimento de estratégias no marketing digital O marketing digital é fundamental para as empresas, pois, independentemente do negócio, uma porcentagem significativa de clientes/consumidores está inserida na Internet e acessa o meio digital mais do que qualquer outro meio de comunicação. Dessa forma, é fundamental incluir a Internet no planejamento de marketing, construindo estratégias integradas que possibilitem o melhor uso dos recursos digitais disponíveis (TORRES, 2018). Nesse contexto, Adolpho (2011) define as estratégias do marketing conven- cional no mundo digital, introduzindo a metodologia dos 8 Ps. É um processo a ser realizado passo a passo com o objetivo de conhecer o perfil do consumidor e de planejar ações de marketing para construir estratégias eficientes para atrair novos clientes no mundo digital. Esse processo é constituído por oito etapas: pesquisa, planejamento, produção, publicação, promoção, propagação, personalização e precisão. 13Estratégias de marketing digital A metodologia apresenta uma sequência formal e contínua de etapas que levam a empresa a um processo de gerar conhecimento sobre o cliente e sobre o próprio negócio na Internet; estabelecer a melhor maneira de divulgar a marca; apoiar-se na atividade do consumidor para estimular a circulação de informa- ção e gerar a comunicação viral da marca; mensurar resultados; e reavaliar o perfil do público-alvo para direcionar as novas ações (ADOLPHO, 2011). Vejamos detalhadamente os 8 Ps. Pesquisa A pesquisa consiste em reunir inúmeros dados e informações a respeito do público-alvo conectado à Internet, da marca, dos serviços prestados e do segmento a ser atendido pela empresa, com o objetivo de compreender cada vez mais o comportamento do consumidor (ADOLPHO, 2011). Nessa etapa, a estratégia será de “encontrabilidade”, sendo pesquisadas as palavras-chaves mais adequadas ao negócio da empresa no Google, ou seja, palavras que o público-alvo está buscando nesse site. Esse é um dos pilares para iniciar o marketing digital com o objetivo de deixar a empresa em primeiro lugar na busca do Google. O primeiro P cons- tituirá a base do marketing digital, pois, a partir da coleta de informações, esse P terá a função de conhecer o comportamento do consumidor e assim servirá como base para o segundo P (planejamento). Planejamento Após a etapa de pesquisa, a empresa terá informações a respeito de seu con- sumidor; no entanto, é necessário saber o que fazer com elas. Esse é o objetivo do segundo P. O planejamento de marketing digital é o documento que contém todas as diretrizes, ou seja, a explicação detalhada do que será feito nos outros Ps. Essa etapa consiste na estratégia inicial para direcionar a empresa a alcançar seus objetivos no mercado virtual. Adolpho (2011) destaca que é necessário planejar muito bem até que se tenha certeza do que será realizado. Com base no planejamento para direcionamento das estratégias, o próximo passo será agir. Estratégias de marketing digital14 Produção No terceiro P, os programadores irão realizar as atividades que foram previstas no segundo P, buscando otimizar a programação de hotsite, minissite, ou landingpage, trazendo os “acessórios” que o site deverá conter em termos de elementos de mensuração para aumentar o tempo de navegação do consumidor, diminuir a taxa de rejeição, captar emails dos visitantes e diversos outros fatores que farão do site um instrumento de lucratividade para a empresa — o vendedor 24h (ADOLPHO, 2011). Em síntese, a produção é a execução propriamente dita; ela mostrará o que um site deve conter, desde sua estrutura até suas funcionalidades. Com a concretização dos três primeiros Ps, é necessário realizar a criação do conteúdo, que será utilizado em divulgação. Publicação O quarto P, de publicação, está relacionado com o conteúdo disponibilizado no ambiente virtual com o objetivo de viralizar uma marca/produto. A marca deverá fazer a produção e publicação de conteúdo continuamente, seja no site, seja nas mídias sociais, para ganhar fãs e seguidores. Eles poderão ser os verdadeiros advogados da marca, defendendo-a com depoimentos positivos para todo o mercado virtual por meio do compartilhamento em redes sociais ou por email, para seus amigos. Assim, a marca ganha credibilidade perante seus consumidores. A cada dia, buscadores e internautas dão mais valor a sites que tragam informação relevante ao público — sites que tratem de determinado assunto de seu segmento com propriedade e responsabilidade, não procurando somente vender o produto, mas ajudando o consumidor a comprá-lo (ADOLPHO, 2011). Promoção Promoção é o quinto P do marketing digital, e nela a comunicação deve ser feita com o objetivo de ser relevante ao consumidor, de modo que gere uma propagação orgânica de consumidor para consumidor. Adolpho (2011) completa dizendo que a promoção do quinto P não é qualquer promoção, mas é algo voltado para a propagação, ou seja, ela é feita com o objetivo de gerar poder viral, para que, consequentemente, ocasione a propagação. 15Estratégias de marketing digital Propagação Neste P, que se refere à propagação, ocorrerá o desenvolvimento da interação com a rede. É importante utilizar técnicas para que sites, blogs, fóruns e portais falem (bem) da empresa, fazendo com que a marca fale bem por si só, sendo propagada de consumidor a consumidor. Aqui, a marca alcançará reputação, momento em que o conteúdo já foi amplamente compartilhado, e cada vez mais consumidores falarão bem da empresa e/ou produto. Para que o conteúdo possa ser propagado, a empresa deve provocar os consumidores no ambiente virtual a compartilhar o conteúdo para o maior número de pessoas possíveis inseridas em suas redes sociais, visando a criar um “boca a boca” no ambiente da Web. A propagação é elemento fundamental do marketing viral e da lucratividade da empresa no ambiente virtual. Personalização A personalização é o penúltimo P. Além de ser importante nos pontos de contato do consumidor com a marca, a personalização também é importante na comunicação da empresa com cada consumidor. Para que a personaliza- ção seja cumprida, a empresa deve segmentar seu mercado virtual e, após, personalizar seus serviços e produtos de acordo com a demanda de cada consumidor, focando em seu comportamento, valores, opiniões e estilos de vida, tratando-o como único (ADOLPHO, 2011). A personalização gera relacionamento com o consumidor. A propaganda não gera relacionamento, pois, geralmente, é de massa; ela não leva em conta as peculiaridades de cada mercado. Nesse sentido, quanto mais relevante e personalizada a comunicação, mas atingirá a atenção de quem está do outro lado da tela, gerando um relacionamento atrativo com o consumidor. Estratégias de marketing digital16 Precisão O oitavo P se refere à precisão, ou seja, à mensuração dos resultados das campanhas de marketing realizadas pela empresa com o objetivo de identifi- car quais funcionaram e quais não obtiveram sucesso. Nessa fase, a empresa precisa definir quais os indicadores de resultados serão utilizados para avaliar o retorno do investimento. Medir resultados é fundamental para analisar se a comunicação foi eficaz, ou seja, se houve resposta adequada do consumidor diante da marca, corrigindo os aspectos que forem necessários. A partir de então, inicia-se, novamente, todo o processo da metodologia dos 8 Ps do marketing digital. A Figura 2 sintetiza os 8 Ps do marketing digital, conforme Adolpho (2011). Figura 2. 8 Ps do marketing digital. Fonte: Adaptada de Adolpho (2011). 17Estratégias de marketing digital ADOLPHO, C. Os 8 Ps do marketing digital: o seu guia estratégico de marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. GABRIEL, M. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novarte, 2010. KINGSNORTH, S. Digital marketing strategy: an integrated approach to online marketing. [S. l.]: Kogan Page Limited, 2019. KNIGHT, P. T. A internet no Brasil: origens, estratégia, desenvolvimento e governança. Bloomington: AuthorHouse, 2014. MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; LAMPEL, J. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. 2. ed. Porto alegre: Bookman, 2010. OGDEN, J. R.; CRESCITELLI, E. Comunicação integrada de marketing: conceitos, técnicas e práticas. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. TORRES, C. A Bíblia do marketing digital: tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar. São Paulo: Novatec, 2018. TURCHI, S. R. Estratégias de marketing digital e e-commerce. São Paulo: Atlas, 2012. Leitura recomendada ERCILIA, M.; GRAEFF, A. A Internet. São Paulo: Publifolha, 2008. Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Estratégias de marketing digital18 MARKETING DIGITAL Juliane do Rocio Juski Inbound marketing Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir inbound marketing. Descrever as vantagens do inbound marketing. Criar canais de inbound marketing. Introdução A transformação promovida pelo ambiente digital resultou em mudanças radicais no comportamento do consumidor, e isso alterou as regras do jogo para sempre. Diante desse novo cenário, as empresas precisaram criar formas de conquistar e manter seus clientes. Foi em meio a esse turbilhão de mudanças que o marketing digital explodiu e passou a ser a bola da vez. Entre as diversas opções de ações que podem ser desenvolvidas em marketing digital, o inbound marketing é a melhor se você considerar a relação custo-benefício. Muitas empresas de diferentes portes e segmentos estão aderindo ao método inbound para conquistar mais clientes, gerar mais vendas e reforçar a sua autoridade perante a audiência. Em uma tradução livre, a expressão inbound marketing pode ser definida como “marketing de atração”. A principal diferença entre esse “novo” marketing e o tradicional é o fato de as ações serem pensadas com o intuito de atrair o potencial cliente. A partir da atração, é feito todo um trabalho de relacionamento com essa pessoa. Neste capítulo, você vai conhecer mais profundamente esse novo jeito de fazer marketing que vem conquistando tantas empresas e profissionais. Além disso, você vai descobrir as vantagens da implementação dessa metodologia e ver quais são os principais canais de inbound marketing. O que é inbound marketing? Com o crescimento da internet e do acesso a ela, os usuários passaram de um nível de escassez de informações para a abundância de mensagens e dados. Esse novo contexto trouxe transformações radicais ao comportamento do consumidor e ao seu modo de se relacionar com as empresas. Como conse- quência, o marketing também se modifi cou: o marketing tradicional,direto e agressivo, está dando lugar ao marketing de relacionamento, palavra-chave para os novos profi ssionais. Se antes eram desenvolvidas ações que ofereciam diretamente produtos e serviços, hoje o objetivo é criar pontos de relação, para então divulgar a proposta de valor da empresa, vendendo de maneira mais sutil. Como pontua Rez (2016), atualmente é possível medir todas as etapas do relacionamento com o cliente, incluindo cliques, visitas, aberturas de e-mail, uso de buscadores e uma infinidade de informações que enriquecem o perfil do consumidor. O grande desafio, segundo o autor, é saber utilizar essas informações a fim de transformá-las em oportunidades de negócio. Com o objetivo de desenvolver um relacionamento sólido com os clientes, o marketing digital está aliando-se a novas ferramentas e alternativas para cativar seu público-alvo; uma delas é o inbound marketing. A estratégia, também chamada de “novo marketing” ou “marketing de atração”, já ocupa lugar de destaque no mercado e está entre as maiores aliadas das equipes comerciais. Isso ocorre porque sua utilização promete a efetivação da compra ou serviço e ainda vai além: o inbound marketing visa a transformar os clientes em embaixadores da marca. Definições de inbound marketing A expressão inbound marketing foi cunhada em 2006, quando dois empre- endedores do mercado de tecnologia, Halligan e Shah, criaram a HubSpot, uma plataforma que reúne um conjunto de aplicativos integrados. Nela, as empresas podem atrair, envolver e encantar os clientes, oferecendo experiências relevantes, úteis e personalizadas. Essa experiência de atração foi denominada por eles de inbound marketing. Para divulgar o conceito, os empreendedores publicaram em 2007 um livro sobre o tema. Segundo Rez (2016), o livro reúne várias táticas paralelas para criar um conceito amplo do termo, sendo que o conteúdo é a peça central dessa estratégia, que se alia a outras técnicas usadas no ambiente digital e muito úteis ao marketing. Inbound marketing2 De acordo com a HubSpot (2019), o movimento inbound surgiu a partir da observação de seus criadores, Halligan e Shah, do descompasso entre o comportamento do comprador e as táticas de vendas das empresas. Em síntese, “[...] as pessoas transformaram como elas consomem informações, pesquisam produtos e serviços, tomam decisões de compra e compartilham suas visões e experiências. Mais do que nunca, o cliente tem o controle e recusa mensagens tradicionais de vendas e marketing” (HUBSPOT, 2019, documento on-line). Contudo, mesmo com essa mudança no comportamento do consumidor, as empresas ainda utilizam os mesmos mecanismos de vendas e marketing há décadas, sem se atualizar. Desse modo, Halligan e Shah (2010) definem inbound marketing como um método para atrair, envolver e encantar pessoas a fim de alavancar uma empresa que oferece valor e constrói confiança. Com as mudanças promovidas pela tecnologia, a estratégia de inbound oferece uma forma de fazer negócios de um jeito mais humano e prestativo. Rez (2016) revela que no Brasil algumas startups abraçaram essa ideia e começaram a divulgar largamente o conceito, como é o caso da Resultados Digitais, uma empresa de marketing digital e desenvolvedora do RD Station, ferramenta de inbound marketing e gestão de relacionamento com o cliente (customer relationship management — CRM). Segundo a Resultados Digitais (2016, documento on-line), o inbound marketing pode ser definido como “[...] um conjunto de estratégias que têm como objetivo atrair voluntariamente os consumidores para o site da empresa. É o contrário do marketing tradicional, baseia-se no relacionamento com o consumidor em vez de [em] propagandas e interrupções”. Valle (2016) esclarecer que inbound marketing trata-se de uma estratégia composta por uma série de ações on-line que têm como objetivo atrair tráfego para um site e trabalhar esse tráfego de forma a convertê-lo em leads ou consumidores efetivos. Esse mesmo aspecto é apontado por Rez (2016, p. 58), que afirma que “[...] uma característica evidente do inbound marketing é o foco na geração de leads e na nutrição deles através de um funil de vendas”. Portanto, o inbound marketing é definido como uma estratégia de marketing digital pela qual os clientes são atraídos para a empresa por meio de conteúdo. Ou seja, o marketing que tem foco no conteúdo e busca oferecer informações relevantes, agregando valor ao cliente em potencial, pode ser considerado inbound marketing. 3Inbound marketing Você sabe qual é a diferença entre inbound marketing e marketing de conteúdo? Embora esses conceitos sejam entendidos por muitos profissionais como sinônimos, eles não possuem o mesmo significado, mas se complementam. O marketing de conteúdo é uma estratégia sinérgica ao inbound marketing. O inbound marketing implica um amplo planejamento e busca atrair clientes por meio da aplicação de diversas estratégias de marketing digital. Já o marketing de conteúdo é uma das principais estratégias adotadas pelo inbound para atrair as pessoas. Por isso, muitos profissionais afirmam que é possível fazer marketing de conteúdo sem inbound marketing, mas é impossível fazer inbound marketing sem conteúdo. Portanto, a essência do inbound marketing é produzir um conteúdo útil, informativo e de qualidade, que agregue valor ao cliente. Essa é uma estratégia sutil de venda, aproveitando a oportunidade para conhecer melhor o cliente e promover ações de valor. Assim, o marketing de conteúdo atua como uma estratégia de relacionamento com o cliente, enquanto o inbound marketing é uma estratégia focada em conversões e vendas. O processo de inbound marketing O inbound é um método de atrair, envolver e encantar pessoas a fi m de alavan- car uma empresa que ofereça valor e confi ança. Com essa mecânica simples de ação, desde 2006, o inbound marketing vem ganhando fama como o mais efetivo método de marketing para fazer negócios no ambiente digital. Isso ocorre pois esse novo jeito de fazer marketing está baseado na criação de um conteúdo de qualidade que atrai as pessoas para um negócio ou produto. O desafi o é promover um conteúdo alinhado com as soluções que os consumidores procuram. Ao desenvolver o conteúdo certo no timing correto, é natural atrair os visitantes, convertê-los em leads e, posteriormente, em clientes. O que faz a estratégia de inbound marketing ser tão eficiente e útil para as ações de marketing digital é o seu processo de operação: a sua metodologia segue uma sequência lógica de etapas. Para conquistar o sucesso, é primordial que os profissionais conheçam detalhadamente as etapas, os públicos atingidos em cada uma delas e os canais utilizados para a atração. A metodologia do inbound marketing envolve quatro etapas principais: atrair, converter, vender e fidelizar. Inbound marketing4 Atrair: consiste em conseguir tráfego qualificado para os canais digi- tais, ou seja, busca as conversões on-line. Nessa etapa, a estratégia de inbound trabalha para fazer com que os estranhos se tornem visitantes regulares por meio de conteúdo relevante. Para conseguir isso, são uti- lizadas ferramentas como: posts em blogs com conteúdo de qualidade e relevante, estratégias de otimização de mecanismos de busca (search engine optimization — SEO) e engajamento com as mídias sociais. Converter: a ideia é conseguir um grande número de visitantes convertendo-os em leads, ou seja, transformando esses contatos em oportunidades reais de venda. Nessa etapa, os leads são bem qualifi- cados e entram no funil de vendas, pois chegaram à marca por meio do interesse no conteúdo publicado. Os canais mais adequados para essa etapa são: chamadas de ação — calls to action (CTAs) — nos conteúdos produzidos, landing pages para cadastro e obtenção de uma oferta (não necessariamente monetária, já que as ofertas podem ser algum benefício, como material exclusivo, e-book, infográfico, vídeo, podcast, etc.) e otimizaçãopara conversão (conversion rate optimization — CRO). A proposta é tornar a experiência do usuário mais amigável e intuitiva, ou seja, educar o usuário para a conversão. Vender: é a busca pela consolidação da venda. Ou seja, depois de nutrir os leads com conteúdos relevantes, é preciso avaliar em qual estágio eles se encontram na sua transformação em clientes. É nessa etapa que se desenvolvem as estratégias de relacionamento para iden- tificar os estágios dos leads e auxiliá-los na conclusão da jornada de compra, transformando-os em clientes. As principais ferramentas utilizadas nessa etapa são e-mail marketing, automação por meio de CRM e workflows. Fidelizar: visa a transformar o cliente em embaixador da marca, ou seja, construir um relacionamento sólido com credibilidade e con- fiança. A estratégia de inbound busca continuar uma cooperação com os clientes já conquistados, seguindo com a oferta de conteúdo de qualidade e relevante. O resultado é o cliente se identificar e encantar- -se pela marca, transformando-se em um embaixador e promovendo a empresa para seu círculo de contatos. As ferramentas mais utilizadas para fidelizar os clientes incluem monitoramento social, eventos e conteúdo personalizado. 5Inbound marketing CRO é a prática de moldar a experiência do usuário de forma que, amigavelmente, suas ações sejam direcionadas ao propósito principal da página, que, no caso, é a conversão. Existem vários conceitos importantes que o CRO engloba, como copywriting (texto feito com uma argumentação precisa), teste A/B e outros. A divisão da metodologia em quatro etapas é comumente utilizada no meio de marketing digital, mas não é unânime. A HubSpot (2019), empresa idealizadora do conceito e da metodologia, apresenta três divisões: atrair, envolver e encantar. Já a brasileira Resultados Digitais (2016) defende a me- todologia de inbound marketing por meio de cinco etapas: atrair, converter, relacionar, vender e analisar. Ela ainda acrescenta à última etapa importantes ferramentas: a análise das métricas e o retorno sobre investimento (return on investment — ROI). Embora a quantidade de etapas não seja consenso, as ações realizadas em cada etapa o são, assim como as ferramentas mais adequadas para cada uma delas. Confira o resumo dessas etapas no Quadro 1, a seguir. Ação Atrair Converter Vender Fidelizar Público-alvo Visitante Lead Cliente Promotor da marca Ferramentas Site, blog, SEO e redes sociais Formulá- rios, CTAs e landing pages CRM, e-mail marketing e workflows Monitora- mento social, eventos e conteúdo personalizado Quadro 1. Etapas do inbound marketing As vantagens do inbound marketing Atualmente, o marketing convencional está em queda e dá lugar ao marketing de relacionamento, que entende as necessidades dos clientes de forma perso- Inbound marketing6 nalizada e individualizada. Aliado a isso, está o fato de as pessoas procurarem soluções rápidas e efi cazes nos mecanismos de busca. Ademais, elas estão passando mais tempo nas redes sociais. Essas são mudanças de comportamento que não passam despercebidas. De acordo com a Resultados Digitais (2016), 67% da jornada de compra é feita digitalmente. Nesse novo cenário, as estratégias incluem criar pontos de relacionamento para então promover os produtos e serviços com alto valor agregado. Essa nova abordagem, que consiste em atrair o público certo, é conhecida como inbound marketing. Construir uma estratégia de inbound consolidada é desenvolver ações alinhadas ao novo comportamento do consumidor. Isso permite que as marcas acompanhem o caminho percorrido por seus futuros clientes. Com as mudanças de comportamento, os consumidores passaram a gostar da conveniência e da rapidez de encontrar as respostas para suas perguntas e problemas em plataformas digitais. Desse modo, o objetivo do inbound marketing é alcançar os usuários justamente no momento em que eles estão pesquisando sobre algo que desejam aprender ou adquirir. É por meio da disponibilização de um conteúdo relevante que essa estratégia de marketing entrega as informações pertinentes, no momento adequado, para o usuário certo e no lugar preciso. A metodologia de inbound marketing vem se mostrando uma importante estratégia tanto para os grandes negócios como para as pequenas empresas, com pouco capital para investir. Ao atrair clientes em potencial por meio de conteúdo relevante, a marca obtém diversos benefícios. Uma das principais vantagens do inbound marketing é o nível de segmen- tação do público. Por incluir uma série de ações que objetivam despertar o interesse das pessoas por meio de conteúdo relevante e útil, o inbound marketing atrai um público extremamente segmentado, ou seja, o target correto. Essa segmentação qualificada facilita a inserção do público no funil de conversão. Assim, uma estratégia de inbound marketing bem elaborada consegue au- mentar um público e deixá-lo mais qualificado. Isso ocorre porque, segundo Peçanha (2019), em vez de simplesmente atrair tráfego de pessoas que não 7Inbound marketing têm a mínima intenção de compra, o conteúdo atrai a atenção apenas daqueles que demonstram potencial de compra futura. Outro grande argumento defendido por Peçanha (2019) é a aproximação com os clientes, uma vez que o inbound marketing atrai as pessoas por meio de um conteúdo relevante e cria uma relação de confiança e alta credibilidade. Além disso, como essa metodologia se baseia em uma comunicação aberta e simétrica, com interação constante, é possível saber com mais propriedade qual é a opinião do público e conhecer suas reações. Portanto, essa é a melhor fonte de feedback possível. Outra vantagem do inbound marketing é a elevada taxa de conversão. As ações de inbound marketing apresentam um custo-benefício excelente, muito superior ao das campanhas de marketing tradicional com amplo alcance. Além de diminuir os custos de aquisição, o inbound também é relativamente mais barato do que soluções tradicionais, como anúncios e ativações de marca. O melhor é que essa redução dos custos não faz o negócio sofrer com perda de qualidade ou diminuição de resultados; pelo contrário, o investimento é mais eficiente. A utilização do inbound marketing garante também um maior poder de persuasão, pois é uma estratégia baseada em informações sólidas e que se constrói ao longo do tempo. Durante todo o processo, a pessoa recebe exata- mente o tipo de conteúdo de que precisa, o que lhe dá tempo para se convencer e continuar pesquisando sobre as soluções que a marca apresenta. É por isso que, segundo uma pesquisa da Social Media Trends de 2018, cerca de 51% das empresas que utilizam a estratégia disseram que um dos seus principais benefícios é ampliar as vendas e o número de clientes. Portanto, o relaciona- mento construído entre público e marca vai ser o grande diferencial na tomada de decisão durante a jornada de compra (VIANA, 2017). O sucesso alcançado pelo inbound marketing é garantido pela mensuração de resultados, e um dos benefícios da metodologia é contar com mensuração de resultado em tempo real e contato direto com os leads. Segundo a HubSpot (2019), 72% das organizações que calculam o ROI, uma das métricas mais importantes, afirmam que a estratégia de inbound marketing é mais eficaz. Isso se deve ao fato de que os resultados das estratégias de marketing de conteúdo, redes sociais e SEO são acompanhados de perto e em tempo real. Mas vale destacar também que é essencial acompanhar o contexto geral do planejamento de marketing para alinhar as estratégias e alcançar os objetivos propostos. Outro aspecto relacionado ao aumento do ROI conquistado pela estratégia inbound é o incremento do ticket médio. Ou seja, leads qualificados e bem informados durante o processo de venda se sentem mais confiantes para comprar e, por conta disso, costumam realizar compras de maior valor ou em maior Inbound marketing8 quantidade, aumentando, portanto, o ticket médioda marca. Portanto, com a utilização da metodologia de inbound marketing, a marca conta com o suporte de diversas ferramentas para nutrir os leads, acompanhá-los de perto e construir relacionamentos sólidos. Isso resulta não apenas na conclusão de uma jornada de compra, mas na transformação de um cliente em embaixador da marca. No link a seguir, confira outros benefícios do inbound marketing e dados importantes sobre as mudanças no comportamento do consumidor. https://qrgo.page.link/V98Ra Canais de inbound marketing Como você viu, o inbound marketing é uma estratégia que atrai o cliente por meio do desenvolvimento de conteúdo gratuito e de qualidade. Ele consiste em uma abordagem sutil e indireta com o consumidor, que proporciona pontos de contato para que visitantes se tornem leads e, posteriormente, clientes. Para disseminar o conteúdo útil e relevante que chegará aos prospects, o inbound utiliza canais de distribuição. Como a estratégia de inbound marketing é baseada na produção de conteúdo relevante, tal conteúdo é oferecido de forma gratuita por meio de canais como: blogs associados ao site da marca; mídias sociais, como Facebook e Instagram; SEO; e-mail marketing e landing pages. A seguir, veja quais são as principais características desses meios de acesso para o marketing de atração. Blog Os blogs são defi nidos por Gabriel (2010) como sites em formato de diário com textos regulares e cronológicos chamados de posts. Originalmente, os blogs eram sites que os usuários utilizavam como diário on-line para registrar suas atividades, publicando desde pensamentos e opiniões até poesias. Contudo, essa ferramenta foi evoluindo e se diversifi cando ao ganhar novas confi gurações. Atualmente, ela é muito utilizada em estratégias de marketing pela facilidade de edição para a publicação de conteúdos e pelo ranqueamento em buscadores. 9Inbound marketing Como ferramenta estratégica, normalmente, o blog está atrelado ao marketing de conteúdo, que é um dos principais pilares do inbound marketing. Além disso, para utilizar o blog como uma ferramenta de marketing, é preciso ir além da publicação de textos aleatórios e de baixa qualidade; deve haver planejamento e frequência. Um blog bem feito produz conteúdo de qualidade baseado nos interesses de seu público e nas etapas da jornada de compra em que ele pode estar, além de criar um canal de relacionamento e identificação com o target. Um blog associado ao site da marca é o início de todo o trabalho de inbound marketing, focado na atração do público certo. Assim, o blog cumpre a função de criar autoridade no ambiente digital sobre o mercado em que a organização atua e sobre o público-alvo. O conteúdo qualificado e relevante sobre a área da empresa atrairá as pessoas a esse canal de comunicação por meio de reco- mendações e, principalmente, pelas buscas orgânicas em buscadores como o Google, nos quais a empresa provavelmente estará bem ranqueada por ser referência no assunto. Consequentemente, o blog se tornará uma ferramenta efetiva para a geração de leads, Afinal, quando as pessoas chegarem a ele, vão conhecer mais sobre a instituição e terão uma propensão maior de se interessar pelos serviços ou produtos da empresa. Se a marca conquistar a confiança do visitante, vai ter mais facilidade para captar seu e-mail e outros dados, transformando o usuário comum em lead, que aos poucos será educado sobre os produtos e serviços, culminando em um maior interesse para a efetivação da compra. SEO Segundo Gabriel (2010, p. 353), o SEO é um conjunto de técnicas de otimização para sites, blogs e páginas na Web que “[...] engloba técnicas de manipulação do conteúdo, código e estrutura das páginas, de forma a melhorar o posicionamento delas na busca orgânica [...]”. Essas técnicas e ferramentas são desenvolvidas com base no funcionamento dos buscadores, ou seja, são técnicas que incluem códigos, conteúdos e estruturas das páginas. Elas melhoram a classifi cação, a indexação e o ranking dos buscadores. Gabriel (2010) destaca ainda que as técnicas de SEO dependem intrinsecamente das palavras-chave (keywords). Elas são o coração da técnica para otimizar o posicionamento de uma pá- gina. Além das palavras-chave, outro fator que afeta esse ranqueamento é a relevância (page rank), que varia de 0 a 10 e mede a importância da página segundo o relacionamento que ela mantém com outros sites, avaliando o fl uxo de tráfego e menções. Inbound marketing10 Essas otimizações visam a alcançar bons rankings orgânicos, gerando tráfego e autoridade para um site ou blog. O principal objetivo do SEO, então, é aumentar o volume do tráfego orgânico e garantir mais visibilidade para as páginas. Portanto, o SEO é uma técnica que objetiva situar o site ou página em um local visível, para que as pessoas o encontrem ao fazerem pesquisas relacionadas ao nicho de mercado ao qual a marca pertence. Os motores de busca apresentam na primeira página sempre os melhores resultados para o usuário, considerando o SEO. É isso que a utilização de técnicas de SEO oferece. Ou seja, a ideia é apresentar a melhor solução possível para o problema que motivou a pesquisa no buscador. A importância do SEO é tamanha que se reflete, inclusive, em outras ferramentas, como o blog. A respeito disso, a Resultados Digitais (2016, documento on-line) faz um alerta: “[...] ter um blog com conteúdos interessantes e não estar nos mecanismos de busca é o mesmo que ter uma ótima loja em uma rua pouquíssimo movimen- tada. Por isso, dê a devida atenção para esse assunto!”. Mídias sociais Gabriel (2010, p. 202) conceitua redes sociais como “[...] plataformas que pos- sibilitam, facilitam e potencializam a conexão de pessoas com outras pessoas, ampliando o alcance das redes sociais pessoais para interagir e compartilhar conteúdo”. Já mídias sociais são defi nidas como sites que possibilitam o arma- zenamento e o compartilhamento dos conteúdos gerados pelos seus usuários. As redes sociais são entendidas, portanto, como locais digitais que promovem o relacionamento de pessoas conectadas em função de um interesse comum. É o caso de Facebook, Instagram e Twitter. Desse modo, as redes sociais estão relacionadas à interação e ao relacio- namento entre os usuários. Já as mídias sociais têm mais a ver com conteúdos compartilhados, como vídeos, imagens e textos. No entanto, Gabriel (2010, p. 202) reforça que “[...] tanto redes sociais como mídias sociais, em sua essência, não têm nada a ver com tecnologia, mas com pessoas e conexões humanas. A tecnologia apenas facilita e favorece a interação das pessoas e a criação e compartilhamento de conteúdo por elas”. De acordo com a Resultados Digitais (2016), as mídias sociais são exce- lentes canais para atrair o público para o site, pois uma a cada três pessoas no mundo utiliza alguma rede social. Então, é fundamental desenvolver uma estratégia inbound eficaz para usar esses canais. A principal maneira de utilizar as mídias sociais nessa estratégia de atração é divulgando conteúdos 11Inbound marketing relevantes e de qualidade. Dessa forma, vai ocorrer o direcionamento para o site da marca. Além disso, as redes sociais facilitam o compartilhamento, ampliando a audiência e aumentando a quantidade de pessoas que podem ser atingidas pelo conteúdo. Outra forma de interação com os usuários é por meio de grupos e fóruns de discussão. Eles permitem uma abordagem menos agressiva e estática com o público. As redes sociais atuam, ainda, como um meio de divulgar materiais informa- tivos como e-books ou infográficos, reforçando a informação. O objetivo dessa ferramenta é criar um relacionamento mais próximo e pessoal com o público de interesse. Segundo a Resultados Digitais (2016), as mídias sociais também são fontes ricas de informações. A partir desses canais, é possível identificar o perfil e o interesse de grande parte dos usuários. Isso é fundamental para a estratégia de inbound marketing, uma vez queas interações com o público podem ser customizadas de acordo com o seu interesse. E-mail marketing Para Gabriel (2010), o e-mail marketing consiste no envio de mensagens por e-mail para se atingirem objetivos de marketing. Além disso, apresenta como características a permissão do usuário e o respeito às práticas éticas (opt-in). O e-mail marketing possibilita a segmentação e a personaliza- ção da mensagem e oferece mecanismos de mensuração, rastreamento e integração com outras plataformas. Outro diferencial da ferramenta é a possibilidade de enviar conteúdo em múltiplos formatos, mesclando texto, foto, vídeo e links. Apesar de não ser uma ferramenta nova, segundo a Resultados Digitais (2016), o e-mail marketing continua se apresentando como um canal eficaz, com grande ROI. Isso ocorre porque essa ferramenta evoluiu muito e, com o desenvolvimento de estratégias eficientes de marketing digital, é possível obter uma boa segmentação do público e identificar o interesse dos leads. Outro motivo para a sua eficácia e o seu alto índice de ROI é o baixo custo para se alcançar a base de contatos, bem menor em comparação a outros meios como mídias sociais, por exemplo. O e-mail marketing, se bem utilizado, tende a trazer resultados palpáveis e de curto prazo (dependendo da oferta). Na prática, são observados dois principais tipos de e-mail, os promocionais, que promovem uma ou mais ofertas, e os do tipo newsletter, que se apresen- tam como compilados de conteúdo e ofertas de diferentes níveis, sejam elas diretas ou indiretas. Inbound marketing12 Landing page De acordo com Gabriel (2010), as landing pages são páginas digitais personali- zadas que aparecem após um clique em um anúncio ou resultado de busca. Em uma tradução literal, uma landing page é uma “página de chegada”; na mídia impressa, o equivalente seria um fl yer. “A função da landing page é realizar o objetivo do marketing que resultou no clique para a página, convertendo visitantes em usuários, de acordo com o plano estabelecido” (GABRIEL, 2010, p. 123). Ou seja, na prática, a landing page objetiva a conversão e a segmentação dos leads. Portanto, quando a estratégia de inbound procura converter visitantes em leads, as landing pages são a ferramenta ideal, uma vez que são páginas con- cebidas e arquitetadas para convencer o usuário a realizar essa ação principal. Assim como o e-mail marketing tem características singulares, as landing pages costumam ter elementos básicos que auxiliam na transformação de visitantes em leads. Veja a seguir. CTAs: são elementos que estimulam o usuário a realizar uma ação. Normalmente, são trabalhados com botões, mas também podem ser usados em forma de links. São utilizados como acionadores de alguma ação, como o download de um material, ou mesmo um pedido de trial de uma ferramenta. É importante que sejam sempre chamativos. Formulário: é uma técnica para captar informações relevantes sobre os leads em troca da oferta da página. As informações que precisam ser solicitadas dependem de fatores como estágio do funil de vendas, complexidade da oferta, fonte de tráfego do lead ou até número de con- versões do lead. No entanto, embora o formulário seja uma ferramenta flexível, é importante mantê-lo simples e facilmente compreensível, com informações de fato relevantes para o processo de vendas. Headline (título): busca captar a atenção do usuário e provocar bastante interesse com apenas uma frase. Dobra: é o tamanho da parte visível de uma página na tela do visitante. Toda página pode ser dividida em dobras, porém é muito mais comum o uso desse termo quando se trata de landing pages. Afinal, toda a estrutura de argumentação de uma landing page é pensada e dividida em dobras. Além disso, é importante ter cautela na hora de produzir uma landing page para evitar mais de um CTA por dobra. Também é fundamental investir tempo e conhecimento na produção da dobra inicial, já que ela será a primeira coisa que qualquer usuário verá quando acessar a página. 13Inbound marketing GABRIEL, M. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec, 2010. HALLIGAN, B.; SHAH, D. Inbound marketing: seja encontrado usando o Google, a mídia social e os blogs. Rio de Janeiro: Alta Books, 2010. HUBSPOT. O que é o inbound marketing? [2019]. Disponível em: https://br.hubspot.com/ inbound-marketing. Acesso em: 06 nov. 2019. PEÇANHA, V. O que é inbound marketing? Tudo o que você precisa saber. [2019]. Disponível em: https://marketingdeconteudo.com/conteudo/o- -que-e- inbound-marketing.pdf ?_ _hstc=64741936.3ad5baf1c60768d42 f24d9ea44a2ec73.1570302016558.1571093572822.1571194611093.14& _ _ hssc=64741936.5.1571194611093. Acesso em: 06 nov. 2019. RESULTADOS DIGITAIS. O guia definitivo do inbound marketing. [2016]. Disponível em: https://s3.amazonaws.com/rd-marketing-objects/ebook_inbound-mkt/guia-definitivo- -inbound-marketing.pdf. Acesso em; 04 nov. 2019. REZ, R. Marketing de conteúdo: a moeda do século XXI. São Paulo: DVS, 2016. VALLE, A. O que é inbound marketing. 2016. Disponível em: https://www.academiado- marketing.com.br/o-que-e-inbound-marketing/. Acesso em: 06 nov. 2019. VIANA, I. Social Media Trends 2018: panorama das empresas e usuários nas redes sociais. 2017. Disponível em: https://inteligencia.rockcontent.com/social-media-trends-2018/. Acesso em: 06 nov. 2019. Leituras recomendadas CARVALHO, H. [Infográfico] inbound marketing: a estratégia que está mudando a co- municação nos negócios. 2013. Disponível em: https://viverdeblog.com/inbound- -marketing/. Acesso em: 06 nov. 2019. FARIAS, F. Inbound marketing & marketing de conteúdo: qual a diferença? 2018. Disponí- vel em: https://resultadosdigitais.com.br/blog/marketing-de-conteudo-e-inbound- -marketing-qual-a-diferenca/. Acesso em: 06 nov. 2019. ODIG DIGITAL EXPERTS. Inbound marketing. [2019]. Disponível em: https://odig.net/ inbound-marketing/. Acesso em: 06 nov. 2019. TUCUNDUVA, R. 7 benefícios do inbound marketing: o caminho para + vendas. 2018. Disponível em: https://blog.lahar.com.br/marketing-digital/beneficios-do-inbound- -marketing/. Acesso em: 06 nov. 2019. Inbound marketing14 Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 15Inbound marketing MARKETING DIGITAL E SUSTENTÁVEL Elaine Marangoni Novas mídias e plataformas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as principais mídias e plataformas sociais. � Descrever o papel das novas mídias no aumento do engajamento em relação às marcas. � Desenvolver ações de marketing digital nas novas mídias e plataformas sociais. Introdução Neste capítulo, você vai estudar as principais mídias e plataformas sociais que fazem parte da rotina de muitas pessoas. Por causa delas, mudamos o modo de nos relacionarmos com amigos, família e colegas de trabalho, e esses novos comportamentos fazem parte de uma era em que a conexão é móvel e presente a todo momento. Como somos seres sociais, buscamos o toque humano na internet, que antes era um meio frio e impessoal, apesar de nos proporcionar avanços junto com a tecnologia emergente. Hoje, podemos interagir com as marcas, e o engajamento é uma importante estratégia de marketing. 1 Principais mídias e plataformas sociais As plataformas e mídias sociais surgiram de uma necessidade humana de se relacionar com as outras pessoas. Assistimos ao nascimento de uma era dominada pela tecnologia e por computadores, mas estávamos ficando mais isolados e sem convívio social. Podíamos trabalhar de qualquer lugar e contar com aparelhos que facilitavam a comunicação, como os e-mails efaxes, e: Isso era ÓTIMO! Mais ou menos. Tínhamos flexibilidade e mobilidade, mas estávamos nos tornando cada vez mais impessoais. Estávamos perdendo as interações e as conexões humanas muito rapidamente, e acabamos desco- brindo que não eram as grandes coisas na vida que nos ligavam com outras pessoas, mas as pequenas. Era a trama delicada de ações diárias profissionais e pessoais, os insights, as perguntas e realizações que eram o tecido de nossos relacionamentos. Nós estávamos perdendo-os. E isso dava uma sensação de vazio (GITOMER, 2012, p. 59). Para preencher esse vazio, a internet nos apresentou novas alternativas. Pudemos encontrar parentes, amigos distantes e fazer contatos para trabalhos. Esse meio de comunicação on-line mudou a forma como as aproximações e o convívio humano se dão e a importância de estar presente no mundo virtual, assim como de ter muitos amigos ou seguidores, seja qual o for o termo utilizado para os usuários das plataformas sociais. Antes de falarmos sobre as principais mídias e plataformas sociais, pre- cisamos especificar o que significa cada um desses termos. Você já deve ter visto todas essas variações: mídia social, rede social, plataforma e canal de marketing. São termos distintos, mas que se misturam e que se complementam. Chamamos de plataforma qualquer software ou aplicação disponível on- -line. Temos as plataformas de acesso local, como os sistemas operacionais, mas aqui estamos falando sobre a internet e de tudo que acessamos, como sites, aplicativos, redes sociais etc. A mídia social é uma mídia digital com a função de conectar pessoas. Mídia é um meio de comunicação, é mais do que uma plataforma, porque tem a essência de comunicar algo, de compartilhar informações. As mídias sociais, além dessa essência, permitem a interação, ou seja, permitem que os usuários façam comentários em seus conteúdos. Como exemplos podemos citar blogs, microblogs, fóruns, instant messengers, wikis e demais redes sociais. Plataforma e mídia têm significados muito próximos e podemos dizer que a maioria das plataformas são mídias sociais, pois permitem o compartilhamento de informações e opiniões das pessoas que as acessam. Novas mídias e plataformas2 Os canais de marketing são as mídias digitais que utilizamos em estratégias de marketing digital. Exemplos são páginas no Facebook e no Instagram, conta do Twitter, site corporativo, blog, entre outros. A rede social já tem um conceito mais amplo: é uma mídia social que tem como objetivo conectar as pessoas por meio de interesses comuns, além de fortalecer essas relações. É a comunicação de massa aliada ao relaciona- mento. Assim, toda rede social on-line é uma mídia social, e é sobre elas que falaremos a seguir. O termo rede deixa claro que se trata de um local onde as pessoas estão conectadas. Segundo Kleindorfer, Wind e Gunther (2012, p. 5), são nós e elos que se ligam de forma específica: Essas estruturas interligadas servem como canais de informação, recursos humanos e capital, fluxo de material — e seus riscos associados. A origem do interesse pelas redes no âmbito dos negócios e da economia remonta aos estudos sobre as redes de transporte e às soluções de programação matemáticas para problemas diversos de produção e transporte nos anos 1950 […] Teorias baseadas na estrutura e funcionamento das redes também desenvolveram- -se rapidamente no campo da sociologia […] Os primeiros esforços nesse sentido baseavam-se geralmente na análise de uma rede pré-definida; hoje; porém, muitas são as importantes contribuições relativas à formação de redes endógenas (ativação de conexões potenciais entre os vários nós) e à troca de informações nas redes econômicas e sociais. Nas redes sociais existe a troca de informações e pessoas que se dividem em grupos e comunidades. Essas redes se valem das novas mídias e platafor- mas que utilizamos para nos comunicar. Como nos diz Gitomer (2012, p. 10), “[...] tudo começou com um montinho de folhas. Um pouco de Facebook ali e lá — um ou outro blog. De repente, começou a ventar. LinkedIn, Twitter, YouTube. De uma ventania, passou a ser uma tempestade, e a mídia social é hoje um tornado descontrolado passando pela planície da internet.” O fato é que as plataformas sociais têm se multiplicado e são muito popu- lares. De tempos em tempos, surgem e desaparecem, mas as principais tentam sempre inovar e se reinventar para permanecerem na preferência dos usuários. Vamos conhecer algumas delas. 3Novas mídias e plataformas Facebook Apesar de rumores de que o Facebook estaria chegando ao seu fim, essa pla- taforma ainda é uma das mais dinâmicas e que aceita conteúdos em diversos formatos. Considerado o rei das mídias sociais, as pessoas não se desvencilham totalmente do Facebook, por mais que algumas estejam migrando para outras plataformas, já que ele tem a opção de a pessoa desativar a conta por algum tempo e voltar novamente, sem perder seu conteúdo e seus contatos. Nessa plataforma é possível manter um perfil pessoal para se relacionar com os amigos e páginas profissionais ( fanpages), que são administradas por pessoas responsáveis e ligadas diretamente à marca ou produto/serviço. Por meio dessas páginas é possível fazer anúncios muito bem segmentados e ter acesso às métricas que a plataforma disponibiliza. Instagram Mídia social que nasceu voltada para o compartilhamento de fotos, como se fosse um Twitter ilustrado, com textos pequenos e imagens para serem con- sumidas em instantes. O público cresceu, o Facebook viu o seu potencial e o comprou, assim, tudo pode ser compartilhado em ambos, simultaneamente. Com as novas necessidades dos usuários, o Instagram evoluiu e hoje você pode, além de postar imagens, escrever textos mais longos, fazer vídeos e stories, que são conteúdos breves, que podem ser mudados com apenas um toque ou o deslizar de um dedo. YouTube Plataforma social de relacionamento por meio de vídeos que conseguem atingir não somente os amigos do usuário, como o mundo inteiro, em uma velocidade enorme. Depois do Google, o YouTube é um dos maiores sites de pesquisa do mundo, e isso se deve à demanda por conteúdo audiovisual. Mesmo que muitas pessoas ainda o utilizem como uma televisão, para receber conteúdos, como simples espectadores, algumas já entenderam a natureza interativa dessa plataforma. Novas mídias e plataformas4 LinkedIn O LinkedIn é a mídia social voltada para os negócios, e o perfil dos usuários é desenvolvido em forma de currículo, para que as empresas os encontrem quando buscam novos profissionais. Também há a opção de serem criadas páginas corporativas, que são administradas pelos membros das empresas. Para Gitomer (2012, p. 38): O LinkedIn é um novo canal. Em vez de ligar para um porteiro e tentar obter informações sobre alguém que toma decisões, você agora pode avançar a busca no LinkedIn e encontrar exatamente quem está procurando antes de fazer a ligação. Você pode descobrir quem está conectado em suas conexões e des- cobrir pessoas de acordo com as descrições de trabalho e títulos no emprego. Seu trabalho, como mestre da mídia social para negócios, é atraí-los, não implorar por eles. Seu trabalho não é encontrá-los. Seu sucesso virá por deixá-los te encontrar. Ele não tem o mesmo número de usuários das plataformas que citamos anteriormente, mas, se usado corretamente, é uma grande vantagem, por se tratar de um nicho específico, que trata de negócios, carreira e qualquer outro assunto ligado à profissão. São 500 milhões de usuários no mundo inteiro e, no Brasil, aproximadamente 30 milhões, um número que não é de se desprezar. Twitter O Twitter é uma grande ferramenta para engajamento nas plataformas sociais, pois funciona como um diálogo, um jogo de perguntas, respostas e retweets. Quem está lá quer constituir um grupo de interesses comuns, com seguido- res fiéis aos seus conteúdos, e essa produção precisa gerar valor. Por isso, a importância de haver postagensautênticas e conteúdos originais. Os maiores interesses no Twitter são filmes, música, alimentação, carros, finanças pessoais e jogos eletrônicos, e o modo de direcionar e de monitorar a entrega desses conteúdos são as hashtags. Pinterest Embora seja uma rede menor, o Pinterest é uma mídia social para se ficar atento. São 200 milhões de usuários no mundo, que têm alguns interesses que se destacam, principalmente no Brasil, como moda, decoração e faça você mesmo (DIY, do it yourself ). 5Novas mídias e plataformas A maioria dos usuários é do público feminino e o tempo de navegação é de 15 minutos, um nível de atenção conseguido por poucas mídias sociais, já que os conteúdos não são rasos e os usuários exigem certo glamour, um design apurado e senso estético superior às outras plataformas. São populares os passo a passo, looks para diversas ocasiões, design de interiores, artesa- natos etc. Destaca-se pela qualidade das imagens, porque é uma plataforma desenvolvida para organizar as preferências visuais dos usuários, onde é possível criar coleções e organizar os conteúdos em categorias e pastas, de acordo com os seus interesses. Snapchat Essa mídia social é uma das mais novas e surgiu como uma alternativa para os jovens que não queriam estar na mesma plataforma que sua mãe e sua família. Tem uma característica muito dinâmica, já que seus conteúdos podem durar por pouco tempo. São segundos de microconteúdos, que não deixam de chamar a atenção, tanto que o Instagram copiou uma de suas funcionalidades, o stories, que hoje também é utilizado no Facebook. Com 14 milhões de usuários no Brasil e 187 milhões de usuários ativos por dia, a interação é o que move o Snapchat. As opções de envio de imagens e de vídeos permitem direcionar os conteúdos para pessoas específicas ou para uma lista de pessoas, assim como podem ser deixados em modo público para todos que seguem o perfil. A sensação de escassez de conteúdos que precisam ser consumidos em 24 horas faz com que as pessoas os consumam ainda mais. Além disso, o Snapchat só funciona nos aparelhos móveis, e quase todo seu conteúdo é feito e utilizado pela câmera do aplicativo. Agora que você conhece as principais plataformas e mídias sociais, desta- caremos a essência dessa transformação digital. Veremos como a evolução e a força da internet transformaram as mídias sociais nas principais plataformas de relação, interação, entretenimento e comunicação entre as pessoas e as empresas com os seus clientes. Novas mídias e plataformas6 Em seu livro Boom de mídias sociais, Gitomer (2012) reforça como elas são importantes para todos os tipos e tamanhos de negócios on-line. O autor ainda diz que estar nas mídias sociais não é mais uma opção, e que o mais importante é ter tempo para se dedicar a elas. Dessa maneira, seguiremos falando sobre a importância da interação e das estratégias de marketing digital para essas novas plataformas. 2 Como as novas mídias aumentam o engajamento em relação às marcas? Ter um site e diversas páginas nas mídias sociais de nada adianta se os usu- ários não curtem as publicações, não clicam em nada e não compartilham as informações. É preciso fazer com que haja mais interação, mais engajamento, fazer com que as pessoas conversem mais com as marcas nas redes sociais. Para se trabalhar o engajamento nas mídias sociais, temos que entender que as páginas não sobrevivem apenas de curtidas — é preciso um pouco mais para atingir melhores resultados. As primeiras reflexões a se fazer são estas: qual é o propósito dessa página? Quais são os objetivos da empresa nas mídias sociais? Se você é um profissional autônomo, seu objetivo pode ser que as pessoas marquem mais consultas em seu consultório, ou lhe chamem para outros trabalhos, como dar aulas, palestras etc. Uma empresa grande, como a Coca- -Cola, que já é referência em refrigerantes de cola, pode ter o objetivo de usar as redes para fidelizar e encantar ainda mais seus clientes. Cada tipo de negócio tem o seu objetivo, e, para alcançá-lo, é preciso que os usuários conversem e se engajem com as pessoas e as marcas. Existem algumas iscas digitais que estimulam as pessoas a conversarem, como a oferta de um conteúdo exclusivo, um compartilhamento em troca de um brinde e outras milhares que recebemos todos os dias e talvez nem nos atentemos ao seu propósito. Autorizamos as empresas a entrarem em contato conosco, a fornecerem outros materiais e a tomarem um pouco mais do nosso tempo em troca de algo que é de nosso interesse, o que funciona como uma recompensa por essa autorização. 7Novas mídias e plataformas Embora possamos utilizar muitas iscas digitais em campanhas de marke- ting, precisamos explicar para os usuários o que queremos deles, deixar tudo bastante explícito: clicar em um botão, entrar em um site, baixar um conteúdo, deixar o e-mail etc. O próximo passo sempre deve ser guiado, por exemplo, após assistir a um vídeo, o apresentador pede “inscreva-se no meu canal”, “compartilhe esse vídeo com os seus amigos”, “comente se você gostou”. São atitudes tomadas em resposta ao que chamamos de call to action (cha- mada para ação), abreviado pela sigla CTA. Estudos mostram que as pessoas agem muito mais e interagem quando você as convida para uma ação e mostra o que você gostaria que elas fizessem. Existem call to actions em todas as mídias sociais e em diversos formatos para direcionar as pessoas para o que você deseja naquele post. Se você entrega um bom conteúdo, algo que tem valor, elas ficam propensas a fazer o que você está pedindo. O modelo AIDA foi um dos primeiros a serem desenvolvidos e é ainda bastante utilizado. O modelo trata de elementos importantes quando queremos que alguém faça algo e serve, segundo Kotler, Kartajaya e Setiawan, como um checklist para quem cria anúncios e campanhas publicitárias. “O texto publici- tário e o discurso de vendas devem chamar a atenção, gerar interesse, fortalecer o desejo e, promover a ação” (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017, p. 78). O significado das letras, portanto é atenção, interesse, desejo e ação. Semelhante ao que aconteceu aos 4 Ps do marketing (produto, preço, praça e promoção), alguns autores expandiram o modelo AIDA para que as análises do comportamento de um novo consumidor pudessem ser mapeadas. Essas ações hoje são tratadas de duas maneiras, como uma jornada e como um funil. A jornada é o caminho que o consumidor percorre até efetuar a compra, o que, na era da conectividade, foi demarcado por Kotler, Kartajaya e Setiawan em 5 As: assimilação, atração, arguição, ação e apologia. Para o autor, o profissional de marketing deve conduzir o consumidor do começo até o final dessa jornada, logo, as mídias sociais têm um importante papel em todas as suas etapas. Os autores mais voltados especificamente para o marketing digital ilustram esse caminho como um funil, já que o cliente entra no topo, como um potencial comprador (prospect), e chega ao final, após adquirir algo. As plataformas sociais podem ser utilizadas para os mais variados propósi- tos e, para facilitar o engajamento, a condução no percurso deve ser quase que imperceptível. Existem técnicas de marketing e de design para a distribuição dos CTA ao longo de um espaço virtual, que podem ser um post de blog que é quebrado por uma imagem clicável, botões de compartilhamento em todas as abas de um site, hyperlinks no meio dos textos, hashtags nas postagens mais curtas e tweets, entre outros. Novas mídias e plataformas8 Lembre-se sempre de utilizar verbos curtos, específicos e no imperativo, como “curta”, “clique”, “baixe”, “compartilhe”. Agora começou a fazer sentido por que você lê e escuta tanto essas palavras na internet? O tráfego orgânico, ou seja, nativo do próprio site, tem diminuído nessas plataformas para que as pessoas comprem mais anúncios se quiserem aparecer para os seus consumidores. No entanto, um bom trabalho de SEO (search engine optimization, ou “otimizaçãopara sites de busca”) ajuda as empresas a se destacarem, com o uso de palavras-chave e outras ações de médio e longo prazos. O engajamento é uma tática poderosa, e, quanto mais comentários, mais uma postagem vai aparecer para outros usuários. Quanto mais compartilhamentos, maior a visibilidade de uma página ou post específico. Melhor ainda se esse engajamento acontecer em uma grande velocidade, já que muitos conteúdos têm um prazo para serem consumidos. “A internet é instantânea. A mídia social é instantânea. E você precisa estar pronto para participar consistentemente, e de maneira significante, se quiser ganhar” (GITOMER, 2012, p. 13). O Facebook entende que, quanto maior for a sua rotina de produção e divulgação na rede, mais disposto você está em investir nele e, por isso, o alcance de uma publicação pode aumentar, mesmo que seja pouco em relação a um artigo pago, mas já é um ganho. Por exemplo, quando um amigo seu posta um vídeo motivacional, você assiste, comenta na página dele ou vai até a página que originou aquela postagem. Todos esses movimentos foram feitos sem nenhum patrocínio e aquele vídeo ganhou visibilidade orgânica. 9Novas mídias e plataformas É nas mídias sociais que, certamente, mais acontecem as interações com as marcas, pois os usuários participam de toda a sua história, desde sua criação até o seu desenvolvimento, e podem também tanto ajudá-la a crescer quanto acabar com a sua reputação em poucos segundos. Eles se envolvem, conversam e falam sobre as suas necessidades, o que não pode passar despercebido pelos responsáveis pela imagem e pela criação de novos produtos ou campanhas publicitárias. Torres (2018, p. 116–117) compara esse espaço das novas pla- taformas a uma festa: Imagine que você foi convidado para uma festa onde estão centenas de po- tenciais clientes para sua empresa. Lógico que você não perderá essa. Mas você não vai chegar lá e sair abordando a todos na festa, interrompendo as conversas e distribuindo cartões de visita. Vai? Espero que não. Se você for inteligente, vai aos poucos se enturmando, conversando com as pessoas, aproveitando a festa e fazendo contatos proveitosos, tudo de forma natural. Você ainda ouvirá o que as pessoas estão falando sobre sua empresa e seus concorrentes, saberá o que acham do mercado e quais suas necessidades e ideias. Se você ouvir um convidado falando que está com problemas com os seus produtos, você vai corajosamente se aproximar, se apresentar, se prontificar a resolver o problema e dar seu cartão. Além de ganhar um amigo, os outros que estavam na conversa ficarão impressionados com sua sinceridade e in- teresse. Enfim, você aproveitará a festa para conhecer pessoas interessantes e, se possível, o seu cliente mais a fundo. E lógico: dando um jeito de ser convidado para a próxima festa. As estatísticas podem não revelar tanto sobre o consumidor quanto as conversas e o que ele escreve na internet. Ter um olhar atento e saber escu- tar os desejos que estão latentes naquele público é uma carta na manga dos bons profissionais de planejamento estratégico digital. Mesmo com muitos números disponíveis, o olhar humano e os insights revelados nas interações são de grande valor. Vimos então como as novas plataformas sociais são importantes para o engajamento com as marcas. A seguir pensaremos em estratégias para que essa conversa aumente e gere os resultados esperados para todos os tipos de profissionais e negócios on-line. Novas mídias e plataformas10 3 Ações de marketing digital para as novas plataformas e mídias sociais Se o engajamento é importante, como pudemos constatar, vamos pensar agora em como estimular e fazer com que ele aumente nas plataformas e mídias sociais. Temos que esse ambiente é um espaço distraído, ou seja, um espaço onde as pessoas recebem milhares de mensagens a todo tempo e precisam filtrar, em poucos segundos, o que mais lhes interessa. “Você tem apenas um instante para se comunicar, convencer e converter” (GITOMER, 2012, p. 41). Sendo assim, não basta ter o melhor produto ou serviço, é preciso fazer os consumidores terem essa percepção e se interessarem por eles. O modo mais eficiente é a criação de conteúdo, que muda de forma conforme a mídia social: um vídeo mais longo no Youtube, outro mais curto para o Instagram, um artigo rico em detalhes em um blog e uma postagem breve no Facebook etc. Todas as plataformas são importantes em uma estratégia de marketing digital se forem relevantes para o negócio e se os produtores de conteúdo souberem adaptar as suas mensagens para aquele ambiente e públicos espe- cíficos. Gitomer (2012, p. 43) nos alerta que “[...] enquanto você considera plataformas diferentes, lembre-se: A mensagem não é uma reflexão posterior. Ela é rei. Imperador. Superpotência nuclear. Não ‘faça’ a mídia social a menos que tenha algo a dizer.” Uma das facilidades que temos é de poder usar programas que conseguem distribuir as peças criadas nas diferentes plataformas, em dias e horários pro- gramados. O próprio Facebook ou Instagram tem esses recursos, mas existe a possibilidade de conectar as contas de todas as redes em um só local e as pos- tagens aparecerem em todas simultaneamente. Apenas não se esqueça de ter o cuidado de verificar se os formatos funcionam em todas elas da mesma maneira. O caráter “social” de uma mídia é concedido pelo fato de os usuários poderem engajar e compartilhar, e: O público da internet tem enorme disposição de compartilhar. As fotos pessoais postadas no Facebook, no Flickr, no Instagram e em outros sites chegam ao número astronômico de 1,8 bilhão por dia. Seria correto dizer que a esmagadora maioria dessas fotos digitais é compartilhada de alguma forma. E há, ainda, atualizações de status, localizações no mapa e devaneios postados on-line. Acrescente a isso os bilhões de vídeos visualizados no YouTube a cada dia e os milhões de histórias criadas por fãs postadas em sites de fan fiction. A lista de organizações de compartilhamentos é quase infinita: Yelp para avaliações e críticas, Foursquare para localizações, Pinterest para álbuns de recortes. Hoje em dia, o compartilhamento de conteúdo está por toda parte (KELLY, 2018, p. 149). 11Novas mídias e plataformas A internet nos proporcionou ferramentas que contribuem com o planeja- mento estratégico em todas as ações de marketing. Uma característica muito valiosa desse meio é a possibilidade de termos acesso a bilhões de dados fornecidos, muitas vezes, espontaneamente pelos internautas. Se você tem uma página comercial, em qualquer mídia social, pode ter acesso às métricas sobre seus clientes e a ferramentas que ajudam a direcio- nar os conteúdos para os seus clientes potenciais. Como exemplos temos o Facebook Audience Insights, do próprio Facebook, e o Google Analytics, para todas as plataformas, pois, “[...] tudo que você faz nas mídias sociais é documentado no Google. E essas documentações afetam sua classificação de maneira positiva” (GITOMER, 2012, p. 11). O Facebook disponibiliza uma página apenas para negócios e ensina como usar diversas ferramentas para segmentar públicos, conseguir audiência e maior engajamento. Você pode acessá-la pelo link a seguir. https://qrgo.page.link/E2VZC Antes de falar de estratégias particulares de algumas das principais mídias sociais, pense nos seguintes aspectos: � Esteja sempre aberto, não feche os seus canais para o diálogo e nem censure comentários contrários ao seu negócio, mostre que você sabe gerenciar os conflitos e apresente soluções que encantem aquele cliente insatisfeito e os outros que acompanham a conversa. � Escute e leia mais, acompanhe todos os contatos com a empresa e sempre responda. Responda a tudo, nem que seja com um breve agra- decimento. Melhor ainda se você responder com outra pergunta ou estimular o diálogo. � Entregue conteúdos relevantes; porém, para que isso aconteça, precisa existir uma produção consistente e dedicação. Antes, durante eapós a distribuição, faça testes e avaliações. Novas mídias e plataformas12 Facebook O Facebook permite a publicação de conteúdos em diversos formatos, e é isso que você precisa utilizar como estratégia, a variação desse conteúdo em seu feed. Publique vídeos, links de artigos para blogs, memes, prints do Twitter, GIFs, fotos e acompanhe pelo Google Analytics quais deles geram maiores resultados e engajamento. Quanto mais engajamento, maior a visualização, por isso, sempre acompanhe todas as postagens e esteja pronto para responder rapidamente e criar novas conversas. Estimule os seguidores a compartilharem mais — com isso o alcance aumentará também. Instagram Explore todas as possibilidades nativas dessa plataforma, poste fotos, vídeos e stories. Pense em uma sequência de fotos para contar uma história, conduzir as pessoas a lerem mais de seus conteúdos e aumentar o tempo que passam em sua página, mesmo que sejam micromomentos. Uma boa chamada em uma primeira foto pode fazer com elas se interessem e sigam até o final da sequência. O Instagram é dominado pelas imagens, estáticas ou em movimento, e os conteúdos precisam ser visualmente atraentes. Além disso, é recomendável colocar sempre uma legenda, a localização e hashtags, e também marcar pessoas. Os stories merecem uma atenção especial, pois são a primeira coisa que se vê ao abrir o Instagram, e eles também aparecem no meio do feed de notícias, enquanto as pessoas estão navegando. Em algum momento, eles irão fazer com que a pessoa clique, já que são algo breve, e quem os produz deve pensar nessa brevidade e oferecer algo que possa cativar a audiência nos primeiros 5 segundos, antes que elas desistam, pulem para o próximo ou fechem essa funcionalidade. 13Novas mídias e plataformas YouTube Se o YouTube hoje é um dos maiores buscadores de conteúdo, o trabalho de SEO é fundamental nessa plataforma. Para ser encontrado, um vídeo precisa de uma boa descrição, tags, thumbnails, cards e playlists. Esses elementos não são traduzidos para o português; basicamente, as tags são as palavras-chave que você utiliza nas descrições, títulos e todos os textos. Os thumbnails são miniaturas, uma imagem que define o seu vídeo. Os cards são conteúdos clicáveis que aparecem durante os vídeos, um ótimo recurso para que o cliente seja direcionado para outro vídeo, uma loja virtual, um site etc. Por fim, as playlists são um compilado de vídeos selecionados, assim, você pode agrupar aqueles que fazem mais sentido de serem vistos em uma sequência e que reforcem os seus objetivos em uma campanha de engajamento. LinkedIn Pense que você está diante de um público qualificado e que aqui pode falar mais diretamente de negócios. Escreva de forma embasada e use o recurso de artigos para gerar valor à sua página. Esses são conteúdos que geram autoridade quando é mostrada a experiência profissional de alguém, como é trabalhar em determinadas áreas e com nichos específicos. São informações que são buscadas por quem pretende adquirir experiência ou aprender mais sobre sua profissão. Ao gerar interesse pelo conteúdo, ele começa a gerar mais engajamento, assim, quem gerencia a página deve ser um mediador, já que as pessoas vão elogiar, questionar ou sugerir coisas. Se possível, atenda a todas elas, converse, tire dúvidas e promova debates. A forma de publicar no LinkedIn é bem semelhante a do Facebook, o que muda é a forma de segmentar a audiência, que é baseada nas características profissionais, e não em grupos de interesses. Twitter Ao entender o Twitter, visualizamos essa plataforma como um meio de trans- mitir informações, gerar valor e fazer com que as pessoas se conectem e conversem mais. Ser retuitado é o que se espera, e uma das formas de ser encontrado são as hashtags. As hashtags são muito eficientes no Twitter. Elas são uma forma de se tornar buscável e de atrair pessoas que estão acompanhando ou buscando assuntos sobre os quais você tuitou. Elas não são meras palavras escolhidas Novas mídias e plataformas14 ao acaso, e você verá que um bom estudo sobre os termos mais buscados na internet é essencial para ter sucesso em todas as mídias sociais. Uma boa dica é usar o cruzamento de mídias, ou seja, usar outras mídias para trazer audiência até aquela que você quer promover. O Snapchat, por exemplo, tem um recurso que se chama Snapcode, que é um código QR personalizado de cada perfil. Você pode colocar esse código em qualquer outra plataforma, assim como coloca links e botões nas demais. Muitos recursos e estratégias que apresentamos podem ser utilizados nas diferentes plataformas. Os stories, como já dissemos, foram um recurso que o Instagram copiou do Snapchat e que hoje também aparece no Facebook. Uma forma de poder gerenciar todas ao mesmo tempo é usando as plataformas de monitoramento, nas quais é possível acompanhar todos os dados e programar as publicações de cada mídia social. GITOMER, J. Boom de mídias sociais. São Paulo: M. Books do Brasil, 2012. KELLY, K. Inevitável: as doze forças tecnológicas que mudarão o mundo. Rio de Janeiro: Altabooks, 2018. KLEINDORFER, P. R.; WIND, Y. J.; GUNTHER, R. E. O desafio das redes: estratégia, lucro e risco em um mundo interligado. Porto Alegre: Bookman, 2012. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. TORRES, C. A bíblia do marketing digital: tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar. 2. ed. São Paulo: Novatec, 2018. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 15Novas mídias e plataformas MARKETING DIGITAL E SUSTENTÁVEL Janaina Mortari Schiavini A publicidade e a propaganda na internet Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir publicidade digital. � Diferenciar publicidade digital e marketing digital. � Analisar os diferentes tipos de publicidade digital. Introdução A expansão no número de usuários da internet, ou seja, o número de pessoas habilitadas ao acesso a ela, aumentou significativamente na última década, assim como sua importância comercial. A internet passou a ser um meio efetivo de comunicação. Essa ampliação do alcance da internet fez surgir algumas oportunidades antes inexistentes, sendo a principal delas a da exploração comercial de seus recursos, abrangência e penetração. Por isso, para uma efetiva exploração desse novo meio, faz-se necessário conhecer suas características peculiares e os comportamentos mais comuns de seus usuários. Embora hoje a publicidade tradicional ainda seja amplamente utilizada e tenha seu papel, a publicidade digital tem crescido cada vez mais e é muito poderosa. A publicidade e propaganda na internet transformou a maneira de conectar marcas e consumidores. Antes as empresas eram limitadas às mídias off-line, como panfletos, cartões de visita, outdoors e — para quem tinha mais verba — anúncios de TV, rádio e jornal. Hoje, a internet abre as portas da publicidade para qualquer negócio encontrar o seu público, divulgar a sua marca e fazer negócios on-line. Neste capítulo, estudaremos o conceito de publicidade digital. Tam- bém veremos a diferença entre publicidade e marketing digital e os tipos de publicidade na internet que podem ser utilizados. 1 O que é publicidade digital? O cenário atual da mídia se encontra permeado por transformações constantes, sem comparação a qualquer outro momento de desenvolvimento na área, nem mesmo ao momento do surgimento da televisão no Brasil, na década de 1950. A constituição da internet como meio decomunicação, lançando tal mídia digital com seus inúmeros canais, promoveu, nas últimas décadas, grandes alterações no comportamento do consumidor em geral, especialmente quando se trata de buscar e obter informações. A internet desdobrou uma realidade virtual: no mundo digital a pessoa se informa, tem entretenimento, relaciona-se com seu círculo de amizades, faz compras, controla a conta bancária, tem acesso a resultados de exames de saúde, pode negociar e alugar imóveis, solicita meios de transporte — pro- cessos esses que nos possibilitam estabelecer um critério de espelhamento com o real, quer pelo acesso a partir de um computador, quer a partir de um televisor como uma smart TV, de um tablet ou smartphone. Essas mudanças nos hábitos informativos e de consumo de mídia têm gerado muitas preocupações e adaptações no mercado publicitário e nas empresas anunciantes, o que faz as agências de publicidade repensarem suas atividades e remodelarem seus negócios. Diante de muitos meios e canais, a preocupação se direciona à adoção de um planejamento de mídia assertivo, que garanta retorno para o investimento que será feito pelo anunciante. Para que seja possível obter um planejamento de comunicação eficaz é necessário entender o comportamento do público-alvo da marca em relação ao uso dos meios. A publicidade na era digital se reconfigurou, principalmente no que diz respeito à interação com seu público-alvo. Antes considerada uma comunicação em um só sentido, em que o fabricante e o anunciante se dirigiam a um público que não podia responder à comunicação emitida, agora o consumidor tem voz ativa e opina sobre a marca junto a outros consumidores. Nesse contexto, a publicidade digital é uma ferramenta do marketing digital focada na promoção/ comunicação de produtos, serviços e ideias por meio de dispositivos e canais digitais (TORRES, 2018). Ela começou a ser utilizada a partir de banners publicados em sites e foi se expandindo para outras alternativas, como widgets, podcasts, videocasts, game marketing, etc. A publicidade e a propaganda na internet2 Hoje, as alternativas são inúmeras, e as tecnologias que podem ser em- pregadas também. O mais importante é entender que se trata de um modelo diferente de veiculação publicitária na televisão, no rádio, na mídia impressa ou na mídia exterior, e copiar peças dessas mídias para a publicidade on-line pode não ser a melhor alternativa (TORRES, 2018). De acordo com esse autor, para desenvolver estratégias de publicidade digital, deve-se levar em consideração o comportamento, a intenção, o desejo e as necessidades das pessoas usuárias da internet, que buscam essa mídia para interagir em quatro atividades básicas: relacionamento, informação, comunicação, diversão. Segundo Torres (2018), esse consumidor é o mesmo se comparado ao ambiente real, seu comportamento on-line reflete seus desejos e valores que ele traz de sua experiência na sociedade. A grande diferença é que, por meio da internet, alguns comportamentos e desejos antes reprimidos podem ser expressos sem reprimendas de alguns grupos de interesse. Ao contrário da mídia tradicional, na internet o controle é do consumidor. Mesmo a empresa não participando da internet, os consumidores buscarão maneiras de se relacionar com as marcas. Torres (2018) comenta que, devido à crescente utilização da internet em detrimento de outros meios, a população está mais crítica e segura do que busca, e cada vez mais a opinião e o relacio- namento com um e cada um dos consumidores é essencial. Assim, com o grande uso pelos internautas de redes sociais como Face- book, Twitter, Instagram e LinkedIn, os profissionais de marketing logo se apropriaram desse terreno fértil digitalizado, incorporando as redes sociais para as organizações de forma mercadológica, rentável e viável. O uso dessas mídias permitiu que tablets, smartphones e notebooks deixassem as pessoas mais tempo conectadas, tendo assim uma maior vulnerabilidade diária para publicidade. Uma das vantagens de a publicidade na internet estar se tornando a nova mídia central no mundo de hoje é a facilidade de uma campanha alcançar um público extremamente segmentado, contando com a interatividade que o consumidor conquistou nessa era digital. O comportamento do consumidor on-line, que busca comunicação, informação, relacionamento e diversão na internet, permite entender que, ao usar o Google para buscar informações, por exemplo, o consumidor dará mais atenção ao conteúdo do que a qualquer publicidade (TORRES, 2018). 3A publicidade e a propaganda na internet A internet utilizada como meio de publicidade inova também a relação tradicional cliente–agência–mídia, já que agora a própria agência mantém a suas plataformas de mídia no meio digital e o próprio cliente pode propor ações em hotsites, em suas páginas nas redes sociais e em seu site (TORRES, 2018). Tradicionalmente, o cliente contrata uma agência de publicidade, que elabora um planejamento de mídia, cria uma peça publicitária e veicula nos veículos de comunicação existentes. Assim, o cliente, a agência e a mídia são sempre três entidades diferentes. Outro aspecto importante da publicidade e propaganda na internet é a sua regulamentação. No Brasil, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamen- tação Publicitária) é o responsável por estipular o que pode ou não dentro da publicidade nacional, por meio do seu código. Embora suas normas não tenham um ponto específico sobre a publicidade na internet, todos os preceitos podem ser aplicados em qualquer tipo de campanha, independentemente do meio onde ela é veiculada. Isso é facilmente verificável, já que existem casos de anúncios veiculados na internet, pelas mídias sociais, que foram alvos de denúncias dos consumidores e vetados pelo Conar. Em 2015 e 2016, o Conar pediu para que duas publicidades veiculadas no Instagram fossem retiradas do ar. Uma era da atriz Bruna Marquezine, que, em uma das suas fotos que compartilhou durante o carnaval, com referências à cerveja Antarctica, inclui a mensagem: “@AntarcticaBOA Foi bom demais… Muito mais do que você imagina! Amei muito!”. A infração aconteceu porque o Conar proíbe a publicidade de bebidas alcoólicas com a participação de pessoas que aparentem ter menos de 25 anos. O objetivo é evitar o estímulo ao consumo de bebidas para jovens e menores de idade. A outra infração foi da influenciadora digital Gabriela Pugliesi, que foi advertida pelo Conar por publicidade disfarçada. Ela publicou um post de um produto da Ambev sem identificar que ele tinha caráter publicitário. Segundo o Conar, os influenciadores digitais não podem tentar disfarçar ou fazer com que o consumidor não perceba que se trata de propaganda comercial. A publicidade e a propaganda na internet4 A publicidade digital tem sido usada como um canal popular para pro- mover produtos e/ou serviços comerciais na internet. Em nível mundial, a tendência tem sido investir cada vez mais nesse tipo de publicidade, como consequência dos consumidores estarem sistematicamente on-line e por ser possível partilhar conteúdos nesse meio sem que haja perdas ou distorções nas mensagens originais criadas pelas marcas, de uma forma rápida e cômoda para os internautas (TANG; ZHANG; WU, 2014). Por meio da publicidade digital, as organizações têm a possibilidade de criar mensagens tão ou mais sofisticadas quanto nas mídias tradicionais. No entanto, as marcas devem levar em consideração que a criação de campanhas on-line deve visar ou atrair um público-alvo específico. Também é importante saber que ferramentas de comunicação de marketing devem ser usadas para evitar ou minimizar os efeitos negativos da personalização, uma vez que essa personalização, mais comum nos meios on-line, pode ser uma estratégia de marketing eficaz ou não, dependendo do contexto (AGUIRREA et al., 2014). As empresas podem provocar o sentimento de intrusão nos consumidores quando, por exemplo, usam identificaçãopessoal ou informação transacio- nal. Quando os efeitos causados pela personalização são negativos, podem ser parcialmente compensados apresentando-se aos consumidores anúncios efetivos que se adaptem às suas necessidades atuais (VAN DOORN; HO- EKSTRA, 2013). A publicidade digital pode ainda provocar compras mais impulsivas, uma vez que proporciona anúncios clicáveis que facilitam a compra imediata (HA, 2008). No entanto, no mundo digital, a fidelização não é apenas orientada para a venda, mas também para as visitas do site ou de outros canais que a empresa disponibilize. Quando as empresas optam por fazer publicidade on-line, devem ter em conta alguns aspectos, como design (que deve ser atraente e funcional para captar a atenção dos internautas e facilitar a sua navegação) e aspectos tecnológicos (não devem existir falhas nem bugs que comprometam a consulta ou outra ação, evitando assim a desconfiança ou perda de credibilidade), além de fornecer respostas rápidas, em caso de contato por parte dos clientes (DIONÍSIO et al., 2009). Nesse sentido, o objetivo da publicidade on-line é promover os produtos, serviços ou bens públicos anunciados e captar a atenção dos internautas em nível global, pois as empresas que entram no mundo on-line passam também para um mercado que não se limita apenas ao seu país de origem, tendo um impacto em escala global. Dessa forma, elas precisam buscar satisfazer as necessidade de segmentos de mercado que estão geograficamente dispersos e que falam outras línguas (DIONÍSIO et al., 2009). 5A publicidade e a propaganda na internet 2 Publicidade × marketing digital A confusão de significados entre publicidade e marketing é um tema an- tigo. Apesar de estarem muito próximos, marketing e publicidade não são a mesma coisa. Cada um tem as suas características e pode trazer resultados extraordinários para o negócio se aplicado corretamente, principalmente no ambiente digital. O marketing, de maneira geral, é um conceito amplo que envolve a identi- ficação e a satisfação das necessidades humanas e sociais. Podemos defini-lo, de uma maneira simplista, como uma forma de suprir necessidades lucrati- vamente (KOTLER; KELLER, 2012). Para Las Casas (2007), o marketing é a área do conhecimento que engloba todas as atividades concernentes às relações de troca, orientadas para a satisfação dos desejos e necessidades dos consumidores, visando a alcançar determinados objetivos da organização ou indivíduo e considerando sempre o meio ambiente de atuação e o impacto que essas relações causam no bem-estar da sociedade. Para o alcance dos objetivos de marketing nas organizações, é importante conhecer as variáveis que influenciam na forma como os consumidores res- pondem ao mercado. Essas variáveis são conhecidas como os 4 Ps do ma- rketing (também chamados de mix de marketing ou composto de marketing) (KOTLER; KELLER, 2012). Elas representam os quatro pilares básicos de qualquer estratégia de marketing: produto, preço, praça e promoção. De acordo com esse conceito, o equilíbrio desses elementos é o que possibilita o sucesso de uma marca. No marketing digital, a única diferença é que essas ações são pensadas para o ambiente on-line. O conceito de mix de marketing foi criado pelo professor Jerome McCarthy em seu livro Basic Marketing, lançado em 1960. A teoria ganhou ainda mais força com Philip Kotler, que ajudou a espalhar o método. Mesmo sendo criado há mais de 1950 anos, o mix de marketing é uma estratégia atemporal e que está na base das estratégias de marketing, seja tradicional ou digital. A publicidade e a propaganda na internet6 O primeiro P do mix de marketing se refere ao produto: é a oferta de valor da organização. Diz respeito a tudo que se refere aos bens e serviços que uma empresa disponibiliza ao mercado-alvo, para atenção, aquisição, uso ou consumo, tendo em vista a satisfação de necessidades do cliente (KOTLER; KELLER, 2012). Compreende um conjunto de benefícios, com elementos tangíveis e intangíveis, resultando na soma da satisfação física e psicológica do consumidor. Inclui bens, serviços, ideias, pessoas, organizações, ou a combinação desses elementos. O segundo P é o preço. É a soma de todos os valores que os consumidores trocam pelos benefícios de ter ou usar um bem ou serviço (KOTLER; KELLER, 2012). Geralmente se refere à quantia monetária cobrada na aquisição de um bem ou serviço. Serve como medida de avaliação entre diferentes alternativas de produtos, seja em termos do valor de troca que se faz na compra ou forma de inferir a qualidade do produto. O terceiro P se refere à praça, ou seja, aos canais de distribuição do produto. É a forma como o produto será disponibilizado ao público-alvo (KOTLER; KELLER, 2012). Produzir um produto e disponibilizá-lo ao consumidor fi- nal exige uma rede de relações entre clientes, fornecedores e revendedores, integrados na cadeia de distribuição da empresa. Isso inclui pontos de venda, pronta-entrega, horários e dias de atendimento e diferentes vias de compra. O e-commerce, por exemplo, é um tipo de distribuição no marketing digital. O quarto e último P é a promoção. A promoção ou comunicação é uti- lizada para informar, persuadir e lembrar os potenciais compradores de um produto, com o propósito de influenciar a sua opinião ou fomentar uma resposta (KOTLER; KELLER, 2012). Uma vez que os clientes entram em contato com a oferta de uma empresa, por meio de vários pontos de contato, torna- -se necessário transmitir uma mensagem clara, consistente e convincente acerca da empresa e das suas marcas, por meio da comunicação integrada de marketing (CIM). 7A publicidade e a propaganda na internet A comunicação integrada de marketing (CIM) consiste no conjunto articulado de esforços, ações, estratégias e produtos de comunicação, planejados e desenvolvidos com o objetivo de agregar valor à sua marca ou de consolidar a sua imagem junto a públicos específicos ou à sociedade como um todo (BUENO, 2002). Essas ações de comunicação geralmente englobam publicidade, promoção de vendas, relações públicas, venda pessoal, marketing direto, etc., com o objetivo de comunicar a proposta de valor da empresa e manter relações favoráveis com o cliente, informando-o e persuadindo-o de forma a aumentar a demanda. A publicidade, então, é uma ferramenta do marketing que faz parte do P de promoção. É uma das maneira com que a empresa promove a marca e os produtos junto ao público-alvo. De forma simples, é como se o marketing fosse um grande bolo, em que a publicidade é apenas uma de suas fatias. De acordo com Gabriel (2010), o marketing digital difere do marketing tradicional devido à utilização de algum componente digital no mix de marke- ting. Essa complementação das mídias digitais no marketing contribui para uma estratégia mais abrangente de relacionamento com os consumidores. Da mesma forma, a publicidade digital é uma das estratégias do marketing digital que contribui para a promoção e a comunicação de produtos, serviços e ideias por meio canais digitais (TORRES, 2018). A Figura 1 resume e ilustra a diferença entre os conceitos de marketing digital e publicidade digital. Figura 1. Diferença entre os conceitos de marketing digital e publicidade digital. Marketing digital • Conjunto de estratégias e ações que uma empresa executa utilizando algum componente digital no mix de marketing (produto, preço, praça e promoção) Publicidade digital • Uma das estratégias do marketing digital que contribui para a promoção e comunicação de produtos, serviços e ideias por meio de canais digitais. A publicidade e a propaganda na internet8 3 Tipos de publicidade digital Existem vários tipos de publicidade, nomeadamente a tradicional, que é feita nos meios mais comuns para chegar a mais pessoas, como televisão, revistas, etc. Há também a publicidade interativa, que é feita no meio on-line, onde há uma maior personalização. De acordo com Torres (2018), como apubli- cidade está relacionada à difusão pública de ideias, a internet também pode ser encarada como uma das diversas mídias pelas quais é possível veicular a publicidade. Quando considerada uma mídia para veiculação publicitária, a internet apresenta diversas possibilidades. Assim, a publicidade digital faz parte da estratégia de impulsionamento e expansão do público do marketing digital. De acordo com Torres (2018), os principais formatos para publicidade on-line são: mídias digitais, banners, posts patrocinados, podcasting, videocasting, widgets, marketing de jogos, links patrocinados e publicidade programática, que você pode ver listados na Figura 2. Figura 2. Tipos de publicidade digital. Fonte: Adaptada de Torres (2018). 9A publicidade e a propaganda na internet Mídias digitais A mídia é o meio de comunicação pelo qual a publicidade é veiculada. No caso da mídia na internet, é preciso levar em consideração que ela e é meio multimídia e que o formato e a estrutura de cada site cria uma forma diferente de veiculação da mensagem. Assim, quando pensar em publicidade na internet, você precisa ficar atento aos diversos meios de comunicação que surgem a todo momento e que podem ser utilizados como mídias. Para Torres (2018), os espaços de veiculação publicitária na internet podem ser classificados nos seguintes: � Portais: têm milhões de visitas mensais, são controlados por grandes empresas de comunicação e se comportam como veículos tradicionais. Em geral, estão intimamente ligados ao uso de banners. � Sites especializados: estão ligados a alguma instituição ou grupo de- dicado a um fim especifico, como sites de publicidade, gastronomia, educação e outros. Também estão intimamente ligados ao uso dos banners. � Blogs profissionais: são administrados por blogueiros profissionais e geralmente são dedicados a um tema. Em geral, estão ligados ao uso de banners, em particular pelo programa Google AdSense. � Mídias sociais: estão ligadas à criação coletiva direcionada a deter- minado fim, como o YouTube. São mais adequadas à publicação de vídeos virais. � Redes sociais: são mais fechadas e controladas pelas empresas que as administram, como Instagram, Facebook e LinkedIn. Na veiculação de publicidade, são mais adequadas ao uso de banners, aplicativos e widgets sociais. � Aplicações de comunicação: são especializadas em aplicações de comunicação que usam a internet, como o Skype. Normalmente, per- mitem a publicação de banners e widgets, que são veiculados durante as conversas dos internautas. � Portais de jogos: os jogos on-line são similares às redes sociais, espe- cializados em um ou vários jogos, e atraem um público jovem, como Club Penguin e o Miniclips. Na veiculação de publicidade, são mais adequados ao uso de banners, aplicativos e widgets. � Celulares e smartphones: os aparelhos móveis se tornaram uma mídia importante a ser considerada em qualquer campanha publicitária, per- mitindo o uso de banners, aplicativos, vídeos e widgets virais. A publicidade e a propaganda na internet10 Com tantas mídias disponíveis, é possível perceber o quanto os sistemas midiáticos conseguiram emergir, integrando-se às novas realidades social, cultural e de mercado das gerações mais jovens. O modelo de comunicação foi alterado substancialmente. O usuário antes era mediado pelos meios de comunicação em um sistema hierarquizado, no qual o conteúdo era filtrado e disponibilizado de acordo com os interesses dos meios. Com o advento da internet e a criação das plataformas digitais, uma nova cultura foi se formando, a cultura digital, a qual promoveu a quebra de barreiras entre o produtor e o receptor de conteúdo, tornando esse esquema de comunicação hierarquizado insuficiente. Banners Os banners são, sem dúvida, a forma mais simples e direta de publicidade na internet (TORRES, 2018). Eles podem ter diversos formatos e são apresentados em posições definidas em um site. O conceito do banner é simples e similar ao do anúncio em revistas e jornais. O consumidor está acessando a página, vê o banner e recebe a mensagem publicitária. Em geral, um clique sobre o banner leva ao site do anunciante, mas existem banners que apresentam somente o endereço ou telefone do anunciante. Os formatos dos banners são muito variados, mas os mais comumente adotados são os banners em imagens estáticas (formato jpeg) e animadas (formato gif). A tecnologia permite também a criação de banners interativos, que são animações que convidam os internautas a uma ação com o mouse, como arrastar ou tentar clicar em um objeto. Além do formato, o método de pagamento pela veiculação do banner é outro fator importante de decisão. Ele varia entre três modelos básicos, listados a seguir: � Por impressão: nesse método, o espaço reservado ao banner é com- partilhado por banners de diversos anunciantes. Cada anunciante paga por impressão, ou seja, por cada exibição do banner na página. Cada vez que um internauta acessa a página e seu banner é carregado, é contada uma impressão. � Por clique: nesse método, o banner é apresentado de forma fixa ou compartilhada, e o anunciante só paga se o internauta clicar sobre o banner, transferindo a navegação ao endereço indicado pelo anunciante. A vantagem é que o anunciante paga pela ação de visita do consumidor 11A publicidade e a propaganda na internet em seu site, sendo mais adequado para sites de comércio eletrônico e sites que necessitam aumentar suas visitas. � Por tempo: nesse método, o banner é apresentado de forma fixa ou compartilhada, e o anunciante paga pelo período de veiculação, em geral de 15 ou 30 dias. Esse método está mais ligado ao patrocínio de site ou instituições, e o banner do anunciante deve ter algum tipo de controle de exibição para permitir que se tenha uma visão real da audiência da publicidade. Os banners têm a vantagem de serem de fácil implementação e baixo custo de veiculação, sendo um método simples e popular na maioria dos sites. Por outro lado, muitas pessoas estão saturadas com essa publicidade e evitam sequer olhar para banners ou interagir com eles. Além disso, o mau uso dos banners faz com que as pessoas se irritem. Posts patrocinados O post patrocinado é uma forma de realizar publicidade paga para alguma publicação de um perfil comercial. Um post patrocinado pode ser um texto, notícia, imagem, vídeo ou outro conteúdo, e poderá ser divulgado em vá- rios espaços, como blogs ou redes sociais. No caso de posts patrocinados no Facebook, Instagram, LinkedIn, etc., os usuários da rede não serão impactados pelo conteúdo por seguirem a página da marca, mas sim porque foi criada uma segmentação específica para atingir aquele usuário, ou seja, mesmo quem não seguir o perfil da empresa poderá ser impactado. No caso dos blogs, a empresa pode contratar, por exemplo, uma pessoa considerada influente, como um blogueiro, para redigir um texto com o obje- tivo de promover ou divulgar produtos e informações de seu interesse. Dessa forma, consegue alcançar um número maior e mais qualificado de pessoas dentro da rede. Podcasting O podcast é a transmissão de áudio online. Pode ser utilizado para transmitir uma entrevista ou explicação, ou ainda para criar um programa de rádio na internet. O podcast já teve ciclos de sucesso e fracasso no Brasil e, nos últimos anos, voltou com força (TORRES, 2018). Tecnicamente, o podcast permite a transmissão de qualquer arquivo de áudio ou vídeo, mas a referência é somente ao podcast de áudio. A publicidade e a propaganda na internet12 Os podcasts podem ter diversas aplicações, mas as mais utilizadas em marketing e publicidade são estas: � Série de rádio: pode ser criado um pequeno programa de rádio para o negócio, gravado com relativa frequência, como os posts de um blog em áudio. É possível criar um público fiel que trará audiência para a empresa. � Entrevistas: quando a empresa dá uma entrevista para uma rádio ou quandoquer divulgar uma coletiva, é possível gravar e veicular o conteúdo em um podcast, facilitando assim a distribuição da entrevista para vários veículos e pessoas simultaneamente. � Educacionais: explicações sobre produtos, serviços ou tecnologias são muito úteis para os clientes utilizarem essa informação a qualquer momento para sua autoinstrução. Para garantir o sucesso do podcast, é importante não se alongar demais no assunto; o ideal é que ele tenha uma duração de 15 a 20 minutos. Como o ouvinte estará mais focado e atento, já que escutará sozinho e em um momento propício a ele, vale adotar um tom mais pessoal e direto, como se estivesse falando diretamente com a pessoa. Videocasting O hábito de assistir a vídeos na internet cresceu, principalmente, pelo fato de ser gerado pelo próprio internauta e por ser sob demanda, ou seja, o usuário assiste o que quer na hora que deseja. Com isso, o consumidor está se habitu- ando a procurar vídeos como procura informações, a partir de sua necessidade, buscando por informação, entretenimento ou relacionamento. A publicidade no formato de vídeo on-line pode ser utilizada de diversas formas, acompanhe: � Veiculação de comerciais tradicionais: pode-se converter um comer- cial produzido para televisão em uma versão para veiculação on-line. � Criação de vídeos virais: os vídeos virais são peças produzidas com a intenção de parecer um vídeo incidental, gravado por um internauta qualquer, que leva a marca e a mensagem da empresa. Por ser surpre- endente, curioso ou engraçado, o vídeo é difundido viralmente entre os internautas. A modalidade tem obtido cada vez mais forca, pois se difunde muito rapidamente por meio de mídias sociais, como o YouTube. 13A publicidade e a propaganda na internet � Vídeos educacionais: assim como acontece no marketing de conteúdo, os vídeos educacionais podem ser utilizados como peça publicitaria de uma empresa. Diversos temas relacionados ao negócio podem ser produzidos para educar o consumidor e, ao mesmo tempo, veicular propaganda. � Séries on-line: uma técnica que vem se difundindo é a criação de minisséries na internet. Por terem um custo de produção mais baixo e poderem ser veiculadas gratuitamente no YouTube e em outros portais de vídeos, algumas empresas produzem minisséries em vídeos curtos, que são acompanhadas pelo público. � Animações: com a possibilidade de produzir animações das mais diversas a um custo baixo e com o interesse crescente do público pelos vídeos na internet, muitas empresas têm investido na animação como forma de divulgação de conceitos, produtos e mensagens publicitárias. Na veiculação de vídeos publicitários, deve-se ter em mente que, ao con- trário do banner, que pode ser carregado rapidamente, o vídeo demora mais a ser carregado, e, as vezes, não parece muito atraente enquanto o internauta não inicia sua execução. Assim, é importante que os vídeos, assim como os podcasts, não sejam muito longos (até 3 minutos) e que os primeiros segundos do vídeo prendam a atenção do internauta. Widgets Widget é um componente que pode ser utilizado em computadores, celulares, tablets e outros aparelhos para simplificar o acesso a um outro programa ou sistema. Eles geralmente contêm janelas, botões, ícones, menus, barras de rolagem e outras funcionalidades, que funcionam como um elemento de inte- ração. Um exemplo bastante comum de widget são os aplicativos que flutuam pela área de trabalho do celular e fornecem funcionalidades específicas, como previsão do tempo, cotação de moedas, relógio, etc. Com os widgets é possível enviar informações para o consumidor em tempo real, receber informações do consumidor, como nas cotações e re- servas de passagens aéreas em tempo real, e mudar a mensagem veiculada mesmo após sua publicação, pois os widgets podem se comunicar com o servidor do anunciante. Eles são uma espécie de banner permanente que tem a capacidade de interagir com o consumidor e de se modificar conforme suas necessidades. A publicidade e a propaganda na internet14 Marketing de jogos O marketing de jogos (game marketing) é uma estratégia focada na divulgação de uma empresa, produto ou serviço por meio de jogos. Assim como é feito em filmes e séries de TV, a promoção por meio dos populares videogames pode ser extremamente vantajosa. Uma das grandes vantagens do marketing de jogos é que ele permite filtrar de forma natural e eficiente as faixas etárias ligadas ao público-alvo. Dependendo do tipo de jogo criado, a faixa etária que irá se interessar pelo jogo mudará. Assim, ao contrário dos banners convencionais, os jogos são mais seletivos e atendem melhor campanhas muito sensíveis a uma faixa etária. O jogo Splinter Cell: Chaos Theory, por exemplo, é um excelente exemplo de marketing de jogos. A Nokia colocou a sua marca nos aparelhos de tecnologia utilizadas no jogo, inserindo a empresa de maneira natural no universo dos jogos. Simuladores de futebol e outros esportes, por exemplo, têm placas de publicidade exclusivas para as suas plataformas, permitindo uma experiência mais próxima da realidade e conseguindo expor marcas, empresas e serviços nesses espaços. Links patrocinados O link patrocinado é um formato de anúncio publicitário veiculado na internet, sendo uma publicidade paga sob a forma de um hiperlink que é exibido nos resultados de pesquisa em páginas. No topo dos resultados nos sites de busca, aparecem alguns sites em destaque com a identificação de que se tratam de anúncios. Esses são links patrocinados. Os links patrocinados representam uma boa estratégia para atrair a atenção de clientes em potencial, uma vez que, por meio deles, é possível obter uma maior visibilidade na internet a partir das palavras-chave escolhidas para fazer parte das campanhas de links patrocinados. Hoje existem várias ferramentas que atuam com links patrocinados, mas a mais conhecida é o Google Ads — uma plataforma de anúncios on-line, responsável por fazer a divulgação dos anúncios a partir das palavras-chave escolhidas para cada campanha. 15A publicidade e a propaganda na internet O diferencial do Google Ads é que o valor pago pelo anúncio ao Google só é descontado quando o visitante efetuar um clique em uma palavra-chave que foi determinada pela empresa no ato da construção da campanha. Publicidade programática A publicidade programática é um termo que abrange diferentes tecnologias que automatizam a compra, o posicionamento e a otimização da publicidade digital. É realizada em tempo real com diferentes níveis de controle e automa- ção. Seu principal objetivo consiste na substituição de atividades humanas na negociação de espaços de publicidade, oferecendo aos anunciantes a capacidade de saber exatamente em que meio estar, qual o anúncio certo a exibir, em qual hora, para a audiência certa. É no cruzamento dos dados sobre o usuário para a definição de quais anúncios serão exibidos e onde eles serão apresentados que se encontra a primeira base sobre a qual funcionam os anúncios segmentados via publi- cidade programática. Esse processo é possível graças a uma interligação de plataformas e de encadeamento de fluxos de informação com algoritmos de análise e classificação complexos, que são executados em frações de segundo. Junto à base tecnológica há também uma série de predefinições que são estabelecidas por anunciantes e veículos, as quais servem de parâmetro para as interações entre as plataformas que fazem parte da programática. Cada plataforma torna-se um agente no mercado de compra e venda de espaços publicitários, que podem ser separados por sua função: os que atuam assesso- rando anunciantes, os que atuam junto aos veículos e os que atuam mediando o processo de transação, funcionando para ambos os lados. Para saber mais sobre o uso de algoritmos na publicidade programática, leia este artigo acadêmico que traz uma discussão sobre a automatização dos investimentos publicitários, disponível nolink a seguir. https://qrgo.page.link/qYK6c A publicidade e a propaganda na internet16 AGUIRREA, E. et al. Unraveling the personalization paradox: the effect of information collection and trust-building strategies on online advertisement effectiveness. Journal of Retailing, v. 91, n. 1, p. 34-49, 2014. BUENO, W. da C. Comunicação e gestão empresarial: cenários contemporâneos. Commu- nicare, v. 2, n. 1, p. 84–91, 2002. Disponível em: https://casperlibero.edu.br/wp-content/ uploads/2014/07/Comunica%C3%A7%C3%A3o-e-gest%C3%A3o-empresarial.pdf. Acesso em: 18 jan. 2020. DIONÍSIO, P. et al. B-mercator: blended marketing. Alfragide: Dom Quixote, 2009. GABRIEL, M. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010. HA, L. Online advertising research in advertising journals: a review. Journal of Current Issues and Research in Advertising, v. 30, n. 1, p. 31–48, 2008. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Edu- cation do Brasil, 2012. LAS CASAS, A. L. Marketing de serviços. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. TANG, J.; ZHANG, P.; WU, P. F. Categorizing consumer behavioral responses and artifact design features: the case of online advertising. New York: Springer, 2014. TORRES, C. A Bíblia do marketing digital: tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar. São Paulo: Novatec, 2018. VAN DOORN, J.; HOEKSTRA, J. Customization of online advertising: the role of intrusive- ness. Marketing Letters, v. 24, n. 4, 339-351, 2013. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 17A publicidade e a propaganda na internet MARKETING DIGITAL E SUSTENTÁVEL Elaine Marangoni Marketing de conteúdo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir marketing de conteúdo. � Identificar as principais estratégias de marketing de conteúdo. � Enumerar os canais de marketing de conteúdo. Introdução Neste capítulo, você vai estudar o marketing de conteúdo, sua definição e suas principais estratégias e verá o quanto ele é importante nas estratégias de marketing digital. Entregar conhecimento e ajuda para os problemas dos consumidores é o que faz com que negócios no mundo inteiro ganhem simpatia e credibilidade, seja na internet ou no mundo off-line. O fortalecimento das marcas se dá por aproximação a um público bem definido, boas estratégias e a escolha dos canais de mídia mais adequados, que serão enumerados ao final do texto. 1 O que é marketing de conteúdo? O marketing de conteúdo é uma estratégia de marketing, na qual são criados e distribuídos conteúdos com o objetivo de engajar um público definido. Temos hoje esse conceito como uma novidade, mas as práticas de conteúdo já existem há muito tempo, desde quando as empresas começaram a distribuir algumas publicações como revistas e jornais, dentro de seus pontos de venda, ou até mesmo fora, já que elas levavam a sua marca. Conteúdo no marketing não é a mesma coisa que jornalismo. Segundo Rez (2016, p. 4), “o marketing de conteúdo não tem o objetivo de informar no sentido noticioso. Ele usa mensagens que educam o cliente, fazendo com que ele conheça melhor uma solução, um produto, um serviço, uma empresa ou qualquer outra coisa que faça sentido”. Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017, p. 147) também tem a sua definição: “Em poucas palavras, marketing de conteúdo é uma abordagem que envolve criar, selecionar, distribuir e ampliar conteúdo que seja interessante para um público claramente definido com o objetivo de gerar conversas sobre esse conteúdo”. Em uma página no Facebook, uma postagem pode viralizar em poucos minutos. Alguns conteúdos caem nas graças do público e são compartilhados de forma gratuita. Essa é uma grande luta e desejo da maioria dos planejadores de conteúdo — fazer com que o engajamento aumente, sem precisar gastar um centavo, o que é possível com a internet. Produzir conteúdo na web é cada vez mais importante, e o poder do con- sumidor é cada vez mais notável, já que ele pode escolher quais canais quer acessar e, se não gostar do que está recebendo, muda de canal imediatamente. A quantidade de informações no ambiente digital é imensa, mas apenas pro- duzir conteúdo não é suficiente, ele precisa ser relevante para atrair o interesse dos consumidores. Pense naquelas propagandas do YouTube que você pode pular depois de 3 segundos. Esse chamado micromomento é o tempo que a marca tem para convencer o espectador a assistir ao vídeo todo. “A batalha pela conquista de dinheiro é vencida pela expressão de criar ou aproveitar pequenos momentos de intenção de tomada de decisão. Esse é um novo modelo mental, que qual- quer um que queira praticar o marketing de conteúdo precisa compreender” (REZ, 2016, p. 25). Não é uma tarefa fácil e, por isso, novos estudos sobre conteúdo surgem para nos ajudar a enviar as mensagens certas para quem realmente deseja recebê-las. Exibir um produto na internet é bastante fácil com os anúncios pagos, basta contratar um serviço, pelo Google, Facebook, Instagram etc., e ele aparecerá na linha do tempo dos usuários e nos buscadores. Mas será que essa é a melhor estratégia? O marketing de conteúdo chega para provar que não, que a melhor estratégia é engajar os clientes, é fazer com que eles se lembrem de uma marca de forma natural, que interajam com ela até se tornarem advogados fiéis, defendendo-a e recomendando-a para outros consumidores. Há uma inversão no papel do marketing: antes o papel do marketing era ir atrás dos consumidores; agora são os consumidores que encontram as empresas e os produtos que necessitam. Quando isso acontece, a chance de se relacionarem e de comprarem aqueles produtos é maior, principalmente se eles receberem conteúdos relevantes. Marketing de conteúdo2 Outro fator é que, se os consumidores gostarem, irão indicar para outras pessoas, o que é bastante comum nas redes sociais. Uma propaganda pode não ter um alcance tão grande quanto uma indicação de um youtuber famoso. Mesmo que você pague para essa pessoa utilizar seu produto, a cadeia de indicações que é gerada de forma espontânea pode surpreender até as grandes marcas que anunciam em TV aberta. Além disso, o modo como os consumi- dores recebem essas mensagens mudou: O uso de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, está formando uma nova revolução tecnológica, que tem influenciado fortemente o hábito das pessoas em todo o mundo. O celular, que funcionou como segunda tela por um bom tempo, hoje em dia, é a primeira opção de entretenimento de muitos usuários. Cada vez mais, menos pessoas assistem televisão. O que nos faz entender que a expressão inverteu o sentido, sendo a tevê agora a segunda tela (REZ, 2016, p. 24). Criar conteúdo constantemente faz com que haja um maior engajamento e uma visão positiva da marca. Aquela pessoa que chegou para pesquisar algo pode consumir cada vez mais de seu blog ou canal do YouTube e pode assinar uma newsletter para receber as últimas atualizações de sua empresa. A newsletter é um canal muito importante, que mostra a confiança daquele consumidor, permitindo que você chegue até a sua caixa de entrada de e-mail sem ser considerado algo desagradável, como um spam. A palavra que rege as novas estratégias é permissão. O cliente é quem manda, e há diversas formas de se relacionar na web. O marketing de conteúdo pode ajudar nessas relações, porém, nada é feito sem ser permitido. “Usando uma analogia, no marketing de conteúdo, empresa e cliente namoram, ficam noivos e se casam.E diante da permissão, se continuarem se atendendo e se respeitando, viverão felizes para sempre” (REZ, 2016, p. 35). Um grande erro é pensar que conteúdos são versões mais longas de anúncios. Segundo Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017, p. 150), “Um anúncio contém a informação que as marcas querem transmitir para ajudar a vender seus produtos e serviços. O conteúdo, por outro lado, contém informações que os consumidores possam utilizar para alcançar seus objetivos pessoais e profissionais”. 3Marketing de conteúdo O marketing de conteúdo, portanto, não é apenas a criação de informações, de qualquer conteúdo, pois esse conteúdo precisa ser criado de forma estra- tégica. É preciso saber com quem se está falando e direcionar os conteúdos conforme os interesses daquele público, levando em conta a frequência e o objetivo desse trabalho. Com o tempo, todas essas estratégias se transformarão em vendas, assim, podemos dizer que elas devem ser pensadas em curto, médio e longo prazo. Quando se pensa em longo prazo, há uma diversidade de possibilidades e canais que podem ser implementados para atrair e encantar cada vez mais consumidores. O conteúdo precisa ser atrativo, compartilhável e focado em ajudar as pessoas. O que acontece é uma sequência que leva o consumidor desde o interesse pelos produtos até a compra. Com bons conteúdos, o cliente percorre um caminho, no qual irá descobrir que aqueles produtos podem ser a solução para os seus problemas. O posicionamento de quem cria conteúdo deve ser o de ajudar, de ser a pessoa ou local, no caso dos blogs e sites, nos quais os consumidores irão encontrar ajuda para resolver suas dúvidas, além de também ser o de quem pode entregar um produto ou serviço para que isso aconteça. Não podemos falar de marketing de conteúdo sem falar de inbound marke- ting, que, ao contrário do marketing produzido exclusivamente para divulgação, preocupa-se com a atração dos consumidores e com a interação nos meios eletrônicos. Essas duas estratégias caminham juntas, sendo que o marketing de conteúdo é essencial para o inbound marketing. Marketing de conteúdo é investimento, não somente financeiro, porque, por meio dele, pode-se construir a imagem da marca e criar relacionamentos duradouros. Para isso é preciso tempo, já que é preciso um conteúdo de qua- lidade, que seja relevante para o seu público. Isso demanda atenção e tempo de toda equipe, pois o trabalho é constante e contínuo. Marketing de conteúdo4 Os resultados podem não ser vistos rapidamente, e isso leva muitos a desistir dele. Isso é um erro, pois, quanto mais você cria conteúdo e de forma constante, mais conseguirá impactar o seu público; em longo prazo isso será um grande diferencial frente aos seus concorrentes. Você pode se tornar referência em determinados assuntos e o tráfego em seu site e blog aumentar as suas vendas. As estratégias são fundamentais para que sejam determinados os momen- tos certos para lançamento de qualquer conteúdo, por isso a importância da contratação de profissionais especializados, que saibam fazer com que esse conteúdo funcione. Para isso, pode-se utilizar, por exemplo, as palavras-chave corretas e todas as técnicas de SEO (search engine optimization, ou otimiza- ção para mecanismos de pesquisa), garantem o posicionamento nos sites de buscas. A visibilidade da marca aumenta e as pessoas terão mais contato com ela na internet, começando a relacioná-la com os conteúdos disponibilizados. 2 Estratégias para o marketing de conteúdo Tratar de estratégias em conteúdo é bastante instigante e faz com que abramos nossos olhos para como funciona o mercado na atualidade. Aquele anúncio de TV aberta, em horário nobre, com o tempo de 30 segundos pode pagar uma campanha inteira de marketing digital. Não se trata de mágica, mas de se pensar as melhores mensagens, nos melhores canais, para determinado público. O mesmo anúncio, divulgado no YouTube, pode ter mais sucesso do que na TV, e tudo é uma questão de planejamento, de saber o retorno sobre o investimento feito em cada canal e os seus resultados. É interessante entender que por trás de toda estratégia de conteúdo existe uma estratégia de marca. Sempre há um objetivo a ser alcançado. E quando se consegue estabelecer esse objetivo do ponto de vista corporativo e aliar isso às necessidades dos consumidores, o conteúdo se torna relevante. Passa a fazer parte da vida do consumidor sem a necessidade da propaganda ostensiva. O produto passa a fazer parte da vida desses consumidores de forma natural. O conteúdo tem sido visto como estratégia eficiente por muitas marcas ao longo de mais de 120 anos, mas só nos últimos 15, a contar da série The Hire, da BMW, que passou a ser visto como uma estratégia de marca e um diferencial para crescimento dos negócios (REZ, 2016, p.14–15). 5Marketing de conteúdo A série The Hire, da BMW, foi uma forma de conteúdo de marca composta de oito curtas- -metragens (com média de dez minutos cada), produzida para a internet em 2001 e 2002. Os curtas foram dirigidos por cineastas famosos, e Clive Owen, um grande ator britânico, estrelava como “o motorista”, destacando os aspectos de desempenho de vários automóveis BMW. A série voltou em 2016, 14 anos após o término de sua execução original. O resultado dessa campanha na primeira edição foi um aumento de 12% nas vendas do ano anterior e mais de 11 milhões de visualizações em apenas quatro meses. Assim como a BMW, muitas marcas entenderam o valor de uma boa estratégia de conteúdo. Rafael Rez (2016, p. 110) define: […] estratégia de conteúdo é a prática de planejar, criar, entregar e gerenciar conteúdo útil e interessante a um público-alvo específico. O conteúdo produzi- do pode ser tudo o que pode ser consumido on-line, disponibilizado em diversos canais, como sites, blogs, redes sociais, entre outros. […] A estratégia é a visão que deve amarrar todos os canais e ferramentas aos objetivos do negócio. Fazer essa costura, amarrar todos os conteúdos, é um trabalho que deve ser levado a sério e que, se bem feito, irá gerar os resultados esperados, segundo os objetivos das marcas. Ter uma visão holística é muito importante para quem deseja entregar bons conteúdos. No entanto, é preciso contar com boas ferramentas. No marketing digital, tudo pode ser contabilizado, o que não acontece no marketing tradicional. Um anúncio na TV tem um alcance muito grande, mas não se pode medir quantas pessoas, exatamente, assistiram o anúncio. As ferramentas de métricas on-line contribuem muito para se criar estratégias eficazes. Não estamos dizendo que a mídia tradicional não tem validade, ela ainda funciona para muitos segmentos e pode também criar conteúdo. No entanto, não há interação imediata, como nos meios digitais. Uma revista pode receber opiniões da edição anterior, por meio das cartas dos leitores, que são divulgadas na próxima edição. O que acontece hoje é que a maioria das publicações tem a sua versão digital e, por meio delas, o consumidor pode interagir de forma mais rápida. Marketing de conteúdo6 E aí? Ter diversas “curtidas”, compartilhamentos e comentários é uma boa métrica? Nem sempre. Como planejadores, devemos pensar além disso. Esse tripé é interessante, mas não é tudo e não é a única métrica a se avaliar; aliás, o forte do Facebook e de qualquer outra rede social é o relacionamento, e isso deve ser o mais importante. O conteúdo é o ponto de ligação, o elo entre as pessoas e as marcas (MORAIS, 2018, p. 275). O relacionamento sempre se destaca, e outro fator que entrega um ponto positivo para o marketing de conteúdo é que ele não é invasivo, ou pelo menos o consumidor não se sente invadido, porque ele próprio autorizou o recebimento de algumas propagandas. Você já deve ter recebido milhares de ligações de tele- marketing, o que lhe causou certo incômodo, não é mesmo? Mas quantas vezes você também recebeu anúncios no Facebook por campanhas de remarketing? Ao clicar em umanúncio, seja por interesse ou apenas curiosidade, durante um tempo ele continua a aparecer em sua linha do tempo. Podemos comparar com o princípio do telemarketing: você recebe aquelas ligações porque dis- ponibilizou seu número em algum local, por meio, talvez, de preenchimento de um formulário. O remarketing acaba sendo menos invasivo, porque você pode simplesmente passar e ignorar aquele anúncio. Com as informações obtidas na internet, é possível criar um funil de vendas e saber, efetivamente, onde está o consumidor e o que precisa ser feito para que ele acabe comprando o que você está oferecendo. Quando pensamos em alcance, não podemos esquecer de pensar em segmentação. Por mais que um anúncio na TV possa impactar milhões de consumidores, qual será a porcentagem dos que irão comprar seu produto? Criar personas e segmentar públicos é uma forma de conseguir melhores resultados, com menores gastos. Veja quem são esses clientes: Indivíduos exigentes, criteriosos e com acesso infinito às informações so- bre praticamente qualquer coisa. Este é o consumidor on-line, que quando satisfeito com a experiência digital, torna-se um divulgador da marca. […] Ao avaliar o novo perfil do comprador on-line, fica clara a necessidade de estimular o consumo de maneira inteligente. O marketing de conteúdo entra em cena estimulando o consumo de maneira subjetiva, emocional e assertiva (REZ, 2016, p. 37–38). 7Marketing de conteúdo De nada adianta criar um conteúdo que fale com todas as pessoas ao mesmo tempo. É preciso criar temas pelos quais as personas são apaixonadas e que tenham demandas nos buscadores. Ao se concentrar nesses assuntos, um nicho de leitores é criado e, dessa forma, a marca pode se tornar referência no assunto. “A saída para o marasmo é a criação de relacionamento. É preciso estabelecer uma conversa, ouvir as pessoas para ser ouvido. Nesse ponto, ter foco em um assunto só vai ajudar” (REZ, 2016, p. 112). Nos anúncio on-line, é possível escolher um perfil para os direcionar, ou seja, os assuntos só aparecerão para aquelas pessoas que foram escolhidas. O que contribui para o sucesso das estratégias é monitorar toda a jornada do consumidor. Dias e horários específicos também são importantes para que as publicações causem mais impacto. O momento da verdade é esse, quando o seu público está pronto para receber o seu conteúdo. Dessa forma, temos o conteúdo certo, para o público certo, no momento certo. Segundo Rez (2016), podemos organizar uma estratégia de conteúdo dividindo-a em três partes: criação, entrega e gestão. � Criação: é a definição do formato que será produzido e, posteriormente, publicado. É preciso também definir um porquê daquele conteúdo, sua estrutura e quais canais de distribuição e divulgação serão utilizados. Nesse momento há um grande esforço de planejamento, no qual podem ser elaboradas pautas com os assuntos que mais interessam ao público que foi previamente escolhido. � Entrega: fica a cargo de um gestor ou editor, que revisa todos os conteú- dos e aprova o formato em que cada um deles irá chegar on-line, além de como e quando será entregue, o que é chamado de calendário editorial. � Gestão: é o controle de todo conteúdo que já foi lançado. Acompa- nhando o desempenho nos diversos canais, o gestor é capaz de atualizar, relançar, divulgar e alterar tudo o que for necessário no tempo em que eles estiverem disponíveis on-line. Marketing de conteúdo8 Trabalhar com conteúdo e pensá-lo estrategicamente é mais do que apenas escrever ou gravar e publicar. Sem um objetivo e um alinhamento com a marca e os clientes, teremos conteúdos “jogados ao vento”. 3 Quais são os canais de marketing de conteúdo? O trabalho com o conteúdo deve ser bem pensado, porque cada canal pede um tipo de linguagem e um formato de peça diferentes. As ferramentas certas ajudam bastante, como as plataformas disponíveis on-line, equipamentos para gravação de vídeos, câmeras fotográficas, editores de textos, entre outros. Você pode criar um conteúdo, e ele terá um formato no YouTube, outro no Facebook e outro no Instagram. Pode ser um vídeo, já que todos esses canais aceitam esse formato, mas, no YouTube, ele pode ser maior, pois os seguidores estão lá com esse objetivo; no Facebook e no Instagram ele pode ser mais breve, com as informações essenciais, já que muitas pessoas não querem doar tanto do seu tempo para assistir vídeos. Mesmo assim, essas peças podem ser integradas, com links que as direcionam para o vídeo completo. Mesmo que os canais mais lembrados sejam on-line, os canais off-line não deixaram de existir. Ainda há produção de materiais como revistas, livros corporativos, panfletos informativos e participação presencial em eventos. De certo, podemos afirmar que a internet e o marketing de conteúdo colo- caram o mercado em contato com empresas e marcas de todos os tamanhos. Desde o pequeno empreendedor até as multinacionais, todos podem fazer uso de diversos canais on-line, com custos menores do que há algumas décadas. O fato é que elas podem concorrer nesse ambiente livre, porém, as vantagens competitivas estão do lado daqueles que sabem quais os canais utilizar corre- tamente, já que alguns são melhores para atração, outros para relacionamentos e outros para vendas. 9Marketing de conteúdo Definir objetivos, públicos e estratégias são fundamentais para chegar nessa próxima etapa, que é a escolha de canais. Sabendo quais canais trazem mais resultados para os seus negócios e quais precisam melhorar o desempenho, é possível pensar se é válido o investimento feito em cada um. Temos em Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017, p. 158–159) que: Existem três grandes categorias de canais de mídia que os profissionais de marketing de conteúdo podem usar: próprios, pagos e conquistados. A mídia própria consiste nos ativos de canal que a marca possui e que estão plenamente sob seu controle. As marcas podem distribuir conteúdo em canais de mídia próprios no momento em que quiserem. […] A mídia paga, por outro lado, são os canais que a marca contrata para distribuir seu conteúdo. […] A mídia conquistada inclui a cobertura e a exposição obtidas pela marca em virtude de propaganda boca a boca ou defesa da marca. Pensando nessas três grandes categorias, vamos enumerar alguns dos possíveis canais de mídia em todas elas. Como mídia própria, podemos utilizar: � publicações corporativas; � eventos corporativos; � sites; � blogs; � comunidades on-line gerenciadas pela empresa; � newsletters; � mídia social; � notificações por SMS; � aplicativos pertencentes à marca. O alcance desses canais chega a um público altamente direcionado, que, geralmente, já são clientes da marca. Muito se fala de criar blogs, mas essa estratégia precisa ser realizada de forma adequada. O blog não é para falar sobre a empresa e, às vezes, nem sobre um produto específico. Ele tem a função de criar conteúdo sobre o tipo de produto e o mercado que o envolve. Uma fábrica de piscinas de fibra, por exemplo, em seu blog disponibiliza artigos sobre como limpar a água, quais produtos utilizar e até mesmo sobre cuidados pessoais no verão. Ao colocar qualquer dúvida nos buscadores, os consumidores podem ser direcionados para ele. Marketing de conteúdo10 O mais importante certamente é o site, que apresenta empresa, produto, serviço ou pessoa, o que fazem e tudo que o cliente precisa saber. Com o crescimento do marketing digital e da importância das mídias sociais, algumas pessoas se esquecem de criar um site. As informações que estão na rede social podem não ser suficientes, e aqueles que visitam as páginas, na maioria das vezes, irão procurar por um site oficial. Não confunda site com blog — eles têm funções diferentes no marketing de conteúdo. Enquanto o site é o local consolidado para a apresentação da marca, o blog é onde as pessoas buscam informações e interagem com a marca. Ele mostra acontecimentos pontuais, o que se desejamostrar naquele momento, como um lançamento, um evento, um artigo sobre algo relacionado ao produto/serviço. A mídia paga inclui: � mídias publicitárias tradicionais e eletrônicas; � mídia impressa; � banners na web; � redes afiliadas de sites de conteúdo; � links patrocinados em mecanismos de busca; � posts patrocinados em mídias sociais; � espaço publicitário mobile. Nessa categoria não há segredos. Você contrata o canal e paga pele serviço que será prestado. No caso da mídia digital, o pagamento é feito, normalmente, por número de impressões, ou seja, pelo número de vezes que o conteúdo é exibido ou pelo número de ações, que é quando o público interage com o anún- cio, clica nele, registra-se para receber uma newsletter ou efetiva uma compra. A mídia conquistada funciona em conjunto com as outras anteriores. Quando o conteúdo é muito bom, o público acaba por distribui-lo e o viraliza por meio das mídias sociais e comunidades das quais faz parte. É o boca a boca digital, que amplia o conhecimento da marca e dá credibilidade a ela por causa das recomendações de seus usuários. Para gerar essa cobertura gratuita, é preciso um bom trabalho de mídia própria e de mídia paga. 11Marketing de conteúdo Os objetivos de utilizar esses canais podem ser variados, a adaptação da linguagem para cada um deles também é importante, mas, sem um plane- jamento adequado e algumas técnicas de SEO, para o marketing digital, os mecanismos de busca mais utilizados não encontrarão os seus conteúdos. Além da encontrabilidade, relacionamento é a palavra mais importante em todo o processo. Conquistar e encantar clientes é o papel do marketing de conteúdo. Por essa razão, o monitoramento das campanhas precisa ser feito, como também os profissionais devem estar atentos a tudo que se fala sobre a marca nas mídias sociais e sites de reclamação. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. MORAIS, F. Planejamento estratégico digital. 2. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. REZ, R. Marketing de conteúdo: a moeda do século XXI. 5. ed. São Paulo: DVS Editora, 2016. Marketing de conteúdo12 MARKETING DIGITAL Plano de marketing digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever um plano de marketing digital. Relacionar os principais elementos de um plano de marketing digital. Aplicar um plano de marketing digital. Introdução O plano de marketing é um documento derivado do processo de plane- jamento. Já o plano de marketing digital detalha as ações necessárias para uma empresa atingir os objetivos de marketing considerando o ambiente e os canais de comunicação digitais. Neste capítulo, você vai observar os diferentes modelos de planeja- mento de marketing digital. Dois dos mais conhecidos são a metodologia dos 8 Ps e o modelo SOSTAC, que você vai conhecer em detalhes no texto. Além disso, você vai ver um exemplo de aplicação de um plano de marketing na área da construção civil. Principais conceitos O plano de marketing é o principal instrumento para a coordenação das ativi- dades de marketing de uma organização. Segundo Kotler e Armstrong (2013), o plano de marketing consiste em um documento composto pela análise da situação atual de marketing, pela análise de oportunidades e ameaças, pela defi nição de objetivos, estratégias e programas de ação de marketing e pela projeção fi nanceira da empresa. Em suma, portanto, o plano de marketing é um documento escrito que detalha as ações necessárias para uma empresa atingir um ou mais objetivos de marketing. Ele pode ser um plano para a marca como um todo ou para um produto ou serviço específico. Esse plano é resultado de um processo de planejamento. Por sua vez, o “Planejamento de marketing é uma sequência Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 de etapas e uma série de atividades que levam à determinação de objetivos de marketing e à formulação de planos para alcançá-los” (MCDONALD, 2008, p. 18). Para você entender a importância do plano de marketing, precisa com- preender o que é o marketing e qual é o seu papel na organização. Para Lamb, Hair e McDaniel (2004, p. 6), “O marketing tem duas perspectivas: primeiro é uma filosofia, uma atitude ou uma orientação de gerenciamento que busca a satisfação do cliente. Segundo, marketing é um composto de atividades utilizadas para implantar essa filosofia na empresa”. Isso signi- fica que uma empresa alinhada à filosofia de marketing tem como tarefa principal descobrir as necessidades e desejos de determinado mercado e trabalhar para promover a satisfação do consumidor de forma mais eficaz do que seus concorrentes. Segundo Kotler e Armstrong (2013, p. 3), “[...] marketing é administrar relacionamentos lucrativos com o cliente. Os dois objetivos principais do marketing são: atrair novos clientes, prometendo-lhes valor superior, e manter e cultivar os clientes atuais, proporcionando-lhes satisfação”. O que o marketing deve fazer para atingir esses objetivos? Para os autores, é necessário estabelecer um processo que crie valor para os clientes, assim como construir um relacionamento lucrativo com eles. É o que você pode ver na Figura 1, a seguir. Figura 1. Modelo simplificado do processo de marketing. Fonte: Adaptada de Kotler e Armostrong (2013, p. 4). Agora você vai ver o que significa cada etapa desse processo. Em primeiro lugar, é necessário entender o mercado e as necessidades e desejos dos clientes. Segundo Urdan e Urdan (2009, p. 8), “[...] necessidades humanas são carências Plano de marketing digital2 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 que geram sentimentos de desconforto ou tensão, como fome, sede, frio, solidão, medo”. As necessidades fazem parte da condição humana e não podem ser “criadas” ou “inventadas” pelos profissionais de marketing. Já os desejos são “[...] as preferências por algo específico, produtos ou serviços, utilizados para satisfazer determinadas necessidades” (URDAN; URDAN, 2009, p. 9). Por exemplo, uma pessoa com fome tem necessidade de comida. Porém, o desejo de comer um churrasco ou um prato de sushi depende muito das influências culturais e preferências individuais de cada consumidor. Se existe poder de compra, os desejos se tornam demandas. Ou seja, com base em seus desejos e recursos individuais, os consumidores demandam produtos e serviços que ofereçam a melhor solução, o que significa o melhor conjunto de valor e satisfação (KOTLER; ARMSTRONG, 2013). Isso quer dizer que as necessidades e os desejos dos consumidores são satisfeitos por uma combinação de produtos, serviços, informações e experiências oferecidos em determinado mercado. Normalmente, existem diversos produtos ou serviços que podem ser adqui- ridos para satisfazer uma necessidade ou desejo. Os consumidores têm uma grande quantidade de opções à sua disposição. A escolha é feita com base nas expectativas em relação ao valor e à satisfação que cada produto ou serviço tem o potencial de proporcionar. Uma compra que traz satisfação tende a se repetir, enquanto um produto que traz insatisfação tende a ser abandonado (KOTLER; ARMSTRONG, 2013). As expectativas dos consumidores são construídas a partir dos argumentos utilizados pelas empresas para venderem seus produtos e serviços. Esses argumentos são a base para que o consumidor perceba os benefícios que terá ao adquirir o produto ou serviço. Por outro lado, cada compra engloba também custos para o consumidor, sejam eles monetários (dinheiro gasto) ou não monetários (tempo, esforço, riscos). Esse balanço que o consumidor faz entre os benefícios e os custos é o que se chama de valor percebido. Quanto maiores os benefícios e menores os custos, maior o valor percebido pelo consumidor para determinado produto ou serviço (KOTLER; ARMS- TRONG, 2013). O setor de marketing precisa compreender de que forma os consumidores percebem o valor das diversasofertas de produtos e serviços disponíveis no mercado. A ideia é, a partir desse entendimento, desenvolver uma estratégia e um plano de marketing capazes de, por um lado, atrair novos clientes e, por outro lado, construir relacionamentos e engajar os clientes atuais. 3Plano de marketing digital Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 A estrutura do plano de marketing segue a mesma lógica da estrutura de um plano de negócios, porém utilizando informações e formulando estraté- gias e soluções específicas para a área de marketing. Para Ferrel e Hartline (2006), um bom plano de marketing deve ser: abrangente, ou seja, conter todas as informações pertinentes para a situação analisada; flexível, ou seja, adequar-se às necessidades de cada contexto; consistente em relação ao planejamento estratégico do negócio; e coerente com os planos das outras áreas da empresa. O plano de marketing digital é um instrumento que estabelece uma sequência de ações em canais on-line, como sites, blogs e redes sociais, a fim de tornar uma marca ou empresa reconhecida e escolhida por seus clientes em detrimento da concorrência. Esse documento estabelece os passos necessários para a realização dos objetivos de marketing. A diferença do plano digital em relação ao plano de marketing tradicional é que ele ocorre no ambiente digital, o que exige considerar essa particularidade na sua elaboração. As ações são adaptadas aos meios digitais com o objetivo de potencializar os efeitos do marketing tradicional, pois a internet é uma plataforma conveniente, acessível e que oferece oportunidades competitivas para empresas de todos os tamanhos. Modelos de planejamento de marketing digital O marketing digital é um conjunto de ações de divulgação e comunicação que uma empresa utiliza por meio da internet e das ferramentas digitais. Para Turchi (2012, p. 68), “[...] o marketing digital não é um substituto do marketing convencional, mas se difere deste pela utilização de várias ações e métodos nos canais on-line, que permitem a análise de resultados em tempo real”. Plano de marketing digital4 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 A integração do digital com o tradicional no marketing de uma empresa, tanto em nível estratégico como em nível operacional, é recomendada pela maioria dos autores dessa área. Trata-se de aplicar as novas regras do digital sem abdicar dos princípios básicos do negócio. Explorando as vantagens únicas oferecidas pelo digital, como a interatividade, a maior conveniência e a quantidade de informação disponível, as empresas podem ganhar uma importante vantagem competitiva (CHAFFEY; SMITH, 2013). Ao ser colocado como parte inclusiva do plano estratégico de marketing, o mundo on-line oferta uma relação infindável de ferramentas. Não é uma opção ficar de fora deste universo, ainda que ocorram erros de estratégia no início da trajetória nos meios de comunicação ligados à internet. Segundo Turchi (2012), o desafio maior é planejar as ações de marketing digital incluindo diversidade de meios e tecnologias existentes. A seguir, você vai conhecer cada um dos elementos da metodologia dos 8 Ps, proposta por Vaz (2011), e da metodologia SOSTAC, proposta por Chaffey e Smith (2013). Elementos do plano de marketing digital Uma das metodologias de planejamento de marketing digital é conhecida como 8 Ps. Essa metodologia foi criada por Vaz (2011) e propõe um processo que auxilie as empresas a coletar dados, planejar uma estratégia de divulgação e tornar a sua marca relevante na internet. A metodologia proposta apresenta uma sequência formal e contínua de passos que levam a empresa a um processo cíclico de geração de conheci- mento a respeito do consumidor e do seu próprio negócio na internet (que tem uma proposta de valor ligeiramente diferente do negócio off-line), de qual a melhor maneira de divulgar sua marca, qual a melhor maneira de se apoiar na atividade do consumidor para estimular a circulação de informação e gerar a comunicação viral da sua marca, como mensurar resultados e como reavaliar o perfil do público-alvo para direcionar as novas ações (VAZ, 2011, p. 298). 5Plano de marketing digital Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 Na Figura 2, você pode ver cada um dos 8 Ps. A seguir, confira o detalha- mento desses elementos. Figura 2. Os 8 Ps do marketing digital. Fonte: [Esquema 8Ps] ([2017], documento on-line). Pesquisa: consiste em recolher todos os indícios que o consumidor deixa ao navegar pela internet. A ideia é analisar determinados sites e mídias sociais a fim de interpretá-los a partir de critérios sobre o comportamento do consumidor. Entende-se que o comportamento do consumidor on-line está diretamente relacionado com o seu comporta- mento off-line. Isso significa que o modo como ele age on-line também define as estratégias off-line da empresa. Por exemplo, se a empresa já possui uma lista de e-mails de clientes, pode enviar uma pesquisa com perguntas sobre o perfil e os hábitos desses clientes. Planejamento: de posse das informações obtidas na pesquisa, elabora- -se um documento que será a diretriz do projeto de marketing digital, ou seja, que conterá a explicação detalhada do que será feito em cada um dos outros Ps. O planejamento deve demonstrar como o ambiente digital se transformará numa plataforma de negócios. Ele necessita de três elementos fundamentais: conteúdo a ser desenvolvido, formato que será disponibilizado para download e público para o qual será dirigido. Produção: aqui entram as ferramentas que o site deve ter, tanto em termos de elementos de mensuração quanto para aumentar o tempo de navegação do consumidor, para diminuir a taxa de rejeição, para captar e-mails dos visitantes e diversos outros fatores para tornar o site um instrumento de lucratividade para o negócio. A produção é a Plano de marketing digital6 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 execução propriamente dita (programação), a estrutura do site e as suas funcionalidades. Por exemplo, se a empresa organiza casamentos, os conteúdos abordados no site e nas redes sociais devem girar em torno desse tema, evitando termos técnicos e linguagem rebuscada. Publicação: não adianta ter um site se ele não tem tráfego suficiente para gerar a receita que o justifique. O tráfego pode acontecer por meio de anúncios on-line ou off-line, utilizando técnicas de otimização para mecanismos de busca (Search Engine Optimization — SEO) ou técnicas a serem utilizadas nas redes sociais. Para ter uma taxa de conversão alta, o site deve ser relevante para o público-alvo, e a relevância se constrói com conteúdo. Os consumidores querem ver algo que diga respeito a eles, não à empresa. Por isso, as publicações devem tratar de conteúdos que interessem o cliente. O ideal é que o consumidor interaja com a empresa e a recomende. A atualização constante também é fundamental: se alguma notícia, evento importante ou conteúdo viral ligado ao seu negócio surgir na mídia, substitua o conteúdo planejado e não deixe de participar da discussão em pauta. Promoção: promoção e propagação devem andar juntas. A interação entre elas é a essência do marketing viral. A comunicação deve ser rele- vante para os consumidores, de modo que gere uma propagação natural de consumidor (alfa — primeiro a tomar contato com a campanha) a consumidor (multiplicador). Outro aspecto importante é a escolha das palavras-chave relacionadas ao negócio, que devem estar presentes em todos os conteúdos e anúncios publicados, buscando maior visibilidade e melhor colocação nos mecanismos de busca (como o Google). Propagação: envolve técnicas para estimular os clientes alfa (1% do mercado) a espalhar o conteúdo pela rede para os multiplicadores (9% do mercado), para que estes o espalhem para o restante do mercado (os outros 90%). A ideia é estimular o boca a boca no ambiente Web para que o negócio ganhe credibilidadee alcance maior margem. A escolha das redes sociais mais adequadas para o negócio também é um aspecto importante. Para empresas que comercializam produtos de moda e beleza, trabalhar com o YouTube é mais adequado. Já para portais de notícias, o Twitter é fundamental. Personalização: a marca deve se relacionar com cada cliente de acordo com seu perfil. A segmentação deve estar no site (pessoa física ou jurídica; pequena, média ou grande empresa), na navegação (produtos e serviços ou áreas do site específicas para cada perfil de consumidor, como aluno, professor, funcionário, visitante) e na comunicação (redes 7Plano de marketing digital Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 sociais). Outra maneira de personalizar a comunicação é por meio do e-mail marketing. É possível criar listas segmentadas de acordo com as informações retiradas das interações de cada cliente ou grupo de clien- tes, enviando materiais e conteúdos customizados para cada um deles. Precisão: envolve a escolha das ferramentas de mensuração dos resul- tados. É necessário considerar quais palavras-chave no Google estão gerando a maior quantidade de contatos ou vendas, quais blogs ou sites estão trazendo mais visitantes/clientes, de quais cidades ou regiões estão vindo mais compradores, etc. Existem muitas métricas e indicadores de desempenho que devem ser acompanhados; para cada um deles, há ferramentas (gratuitas ou pagas) que auxiliam na tarefa. Chaffey e Smith (2013) afirmam que o plano de marketing digital deve se basear nas disciplinas do marketing tradicional e em técnicas de planejamento adaptadas à comunicação digital a partir de seis etapas: análise da situação, objetivos, estratégias, táticas, ações e controle (Situation analysis, Objectives, Strategy, Tactics, Actions e Control, que formam o acrônimo SOSTAC). Veja uma síntese na Figura 3, a seguir. Figura 3. Modelo SOSTAC de planejamento de marketing digital. Fonte: [SOSTAC] ([2017], documento on-line). Plano de marketing digital8 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 A seguir, veja como deve se desenrolar cada uma das etapas do plano de marketing digital proposto por Chaffey e Smith (2013). Análise da situação: é a etapa em que a empresa se pergunta “onde estamos no momento?”. É o ponto de partida para ela definir aonde pretende chegar. A análise é do tipo SWOT (Strengths, Weaknesses, Op- portunities, Threats, isto é, forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) e é realizada nos níveis interno e externo da organização. Por exemplo, as forças ou fraquezas podem ser medidas em relação ao desempenho do site ou à comunicação nas mídias sociais. A análise externa inclui a análise dos concorrentes e das tendências que podem se configurar em oportunidades ou ameaças, bem como a análise de fatores demográficos, econômicos, sociais, tecnológicos e político-legais. Objetivos: nesse ponto, a organização estabelece aonde pretende chegar com a adoção das estratégias. Os objetivos podem variar entre aumentar as vendas, agregar valor ao consumidor, engajá-lo, diminuir custos e riscos percebidos, adicionar valor superior por meio de experiências on-line, etc. Contudo, os objetivos devem ser sempre específicos, men- suráveis, alcançáveis, relevantes e ter prazo definido. Estratégia: é o caminho a seguir para a concretização dos objetivos. A estratégia serve como guia na definição das táticas, sendo delineada de acordo com os objetivos e os recursos disponíveis. Ela também deve ser capaz de integrar as ações digitais (on-line) e tradicionais (off-line). Essa etapa deve definir qual é o público-alvo, o posicionamento da empresa e a sua proposta de valor. Táticas: essa etapa foca nas ferramentas e plataformas que permitirão executar a estratégia delineada. As táticas correspondem ao composto de marketing, envolvendo definições a respeito dos produtos e serviços, preços, canais de distribuição, comunicações e promoções, pessoas (atendimento), processos e evidências físicas (loja, consultório). Ações: são o detalhamento das táticas, correspondendo à etapa de implantação do plano. As ações também preveem erros e problemas que podem ocorrer. Para isso, é necessário definir aspectos que podem não funcionar, determinar qual será o seu impacto, criar um plano de contingência e controlar continuamente a execução desse plano. 9Plano de marketing digital Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 Controle: a partir do controle, a organização monitoriza se o plano está dando certo, ou seja, verifica se os resultados obtidos são positivos e identifica qual é a ferramenta que funciona melhor e qual é o verdadeiro custo de cada ação. O controle é um conjunto de mecanismos que medem e avaliam de forma sistemática e contínua o desempenho da empresa. As ferramentas de medição utilizadas são chamadas de indicadores- -chave de performance (Key Performance Indicators — KPIs). Elas são selecionadas de acordo com os objetivos definidos anteriormente. Aplicação de um plano de marketing digital Segundo Souza et al. (2018), o consumidor que navega no ambiente digital tem demandado boa parte da atenção diária do mercado imobiliário. A internet tem sido amplamente utilizada nas decisões de busca por imóvel. Afi nal, com os recursos oferecidos em ambiente virtual, como galeria de fotos, vídeos e detalhes do empreendimento, é possível encontrar o imóvel dos sonhos com mais conveniência. O setor imobiliário se tornou mais técnico e efi ciente, prestando consultoria e serviços, investindo no atendimento e agregando valor aos seus clientes com o uso do marketing digital. Agora, você vai ver uma simulação da aplicação de um plano de marke- ting digital para uma empresa fictícia do setor de construção civil, a Alfa Engenharia. Tal aplicação se baseia no trabalho de Souza et al. (2018) e nos conceitos vistos ao longo deste capítulo, em especial na metodologia dos 8 Ps. Pesquisa: atualmente, as mídias on-line utilizadas pela Alfa Enge- nharia são o site da construtora, no qual estão disponibilizados todos os empreendimentos já realizados pela empresa e os comercializados atualmente, e fanpages no Facebook (cada empreendimento tem a sua). Ao idealizar um empreendimento, a empresa realiza a pesquisa de mercado para definir seu público-alvo e direcionar suas mídias de marketing tradicional e digital. Planejamento: deve ser realizado com foco nas vendas on-line. Assim, todas as mídias digitais devem ser direcionadas e projetadas para isso. O público-alvo da Alfa são os jovens que vão adquirir o primeiro imóvel, um público conectado e que costuma buscar produtos e ser- viços na internet. Portanto, todas as plataformas digitais (site, redes Plano de marketing digital10 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 sociais) devem ser estruturadas de maneira que os clientes obtenham as informações necessárias para a aquisição de um imóvel de forma clara e rápida. Produção: o site da empresa deve ter ótima qualidade visual e uma estrutura que facilite a busca pelo tipo de imóvel desejado. Atualmente, a estrutura do site evidencia os empreendimentos comercializados, classificados em lançamentos ou em fase de construção. Ao destacar as vendas como foco do site, a empresa poderia agregar informações a respeito de valores, unidades disponíveis e condições de pagamento, assim como criar um chat on-line para que o cliente tire dúvidas em tempo real com um corretor. Publicação: a empresa utiliza o Facebook, porém as postagens não são frequentes e não exibem um conteúdo persuasivo. A maioria trata do andamento das obras. Para engajar o consumidor, contudo, é preciso um conteúdo que desperte o desejo e, ao mesmo tempo, chame a atenção pela facilidade das condições de aquisição do imóvel. Promoção: as promoções são feitas por meio de impulsionamento de posts no Facebook a fim de aumentar a visitação de empreendimentos que estão em épocade lançamento. Propagação: a empresa não faz um esforço planejado de propagação. Ela poderia realizar uma ação em que os clientes disponibilizassem declarações espontâneas sobre o imóvel que adquiriram. Personalização: é importante que o banco de dados, obtidos por meio do site e pelos corretores, tenha informações relevantes sobre o perfil de cada cliente para que possa ser realizada a personalização. Por exem- plo, utilizando campanhas de e-mail marketing, é possível lembrar o consumidor da sua necessidade de moradia ou de investimento. Precisão: todos os resultados das ações de marketing digital são men- surados com o objetivo de descobrir os erros e acertos. Com o aumento do acesso às tecnologias, os consumidores se tornam cada vez mais exigentes, e as empresas precisam se adaptar a esse novo pa- radigma. É necessário ter um bom planejamento de marketing digital para manter-se competitivo no cenário virtual. O número de consumidores virtuais aumenta cada vez mais, e no mercado imobiliário não é diferente. Ou seja, as construtoras e imobiliárias precisam ter credibilidade para efetuar vendas totalmente on-line. 11Plano de marketing digital Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 CHAFFEY, D.; SMITH, P. R. Emarketing excellence: planning and optmizing your digital marketing. New York: Routledge, 2013. [ESQUEMA 8PS]. [S. l.: s. n., 2017]. Disponível em: https://www.vivapixel.com.br/wp- -content/uploads/2017/12/esquema8Ps.jpg. Acesso em: 18 nov. 2019. FERREL, O. C.; HARTLINE, M. D. Estratégia de marketing. São Paulo: Thomson Learning, 2006. LAMB, C. W.; HAIR, J. F.; MCDANIEL, C. D. Princípios de marketing. São Paulo: Cengage, 2004. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2013. MCDONALD, M. Planos de marketing, planejamento e gestão estratégica: como criar e implementar planos eficazes. Rio de Janeiro: Campus, 2008. [SOSTAC]. [S. l.: s. n., 2017]. Disponível em: https://i2.wp.com/mundodigitalbox.com/ wp-content/uploads/2017/08/sostac.png?ssl=1. Acesso em: 18 nov. 2019. SOUZA; G. M. et al. Aplicação da metodologia dos 8 p’s do marketing digital em uma empresa catarinense de construção civil. Capivari de Baixo: FUCAP, 2018. TURCHI, S. Estratégias de marketing digital e e-commerce. São Paulo: Atlas, 2012. URDAN, F. T.; URDAN, A. T. Gestão do composto de marketing. São Paulo: Atlas, 2009. VAZ, C. A. Os 8ps do marketing digital: o guia estratégico de marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Plano de marketing digital12 Identificação interna do documento SWTUR8VFJF-NIQLGJ1 https://www.vivapixel.com.br/wp- https://i2.wp.com/mundodigitalbox.com/ Conteúdo: [illJ__ � SOLUÇÕES EDUCACIONAIS INTEGRADAS MARKETING DIGITAL E SUSTENTÁVEL Janaina Mortari Schiavini Tendências em marketing digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as principais tendências em marketing digital. � Descrever as vantagens das novas tendências. � Desenvolver ações de marketing digital a partir das novas tendências. Introdução O marketing digital vem sendo cada vez mais explorado pelas organi- zações, que, independentemente de estarem fortemente presentes no ambiente da internet, são influenciadas pelas mudanças no comporta- mento do consumidor atual. Com o advento do marketing de conteúdo, as empresas e indivíduos têm valorizado cada vez mais o acesso a informa- ções relevantes e que agreguem valor ao processo decisório de consumo. Com o passar dos anos, o marketing digital vem se aperfeiçoando e tendo acesso a novas tecnologias, as quais facilitam e otimizam a compreensão do grande volume de dados gerados pelos usuários, que fazem diversas transações pela internet. Por isso, é importante que as organizações estejam a par das tendências em marketing digital para adaptar suas estratégias com base nas novas tecnologias. Neste capítulo, você vai estudar as principais tendências em marketing digital, as vantagens que elas podem agregar às organizações e as ações que podem ser implementadas a partir das novas tendências. 1 Tendências do marketing digital Sabe-se que o mundo está cada dia mais integrado às novas tecnologias, que se consolidam junto às empresas como uma oportunidade de otimizar diversos processos da organização. Por meio de ações de marketing digital, as empresas podem estabelecer uma forte presença no mundo virtual, alcançar novos mercados e fortalecer o relacionamento com clientes a custos acessíveis e reduzidos, se comparado a práticas tradicionais de marketing. Nesse contexto, é importante ressaltar que toda a revolução industrial foi catalisada por uma grande evolução tecnológica. Hoje, com 90% dos dados do mundo sendo produzidos majoritariamente nos últimos dois anos e mais de 26 bilhões de dispositivos inteligentes em circulação, vive-se uma era de inovação tecnológica sem precedentes, que estimulou a então chamada Quarta Revolução Industrial (DELLOITE, 2020). Entretanto essa revolução atual tem algo de diferente das demais, que é uma integração e valorização maior do ser humano. Independentemente da época ou das tecnologias que fazem parte delas, o ser humano permanece constante ao longo desse revezamento de revoluções. Assim, mais importante do que usar as novas tecnologias de forma desenfreada é pensar nas pessoas, no mundo em que vivemos e nas necessidades sociais e ambientais. De forma geral, essa é a grande inovação para o futuro (DELLOITE, 2020). Isso se reflete no comportamento do consumidor atual, que não aceita mais que a indústria determine o que é belo e os produtos que devem ser adquiridos para alcançar certo padrão. O que ele deseja é que as marcas apresentem uma variedade de produtos e serviços que atendam à definição pessoal e individual de cada um a respeito do que é se sentir bem. O desejo e a busca por expressar um estilo individual e pessoal define bem quem é o consumidor dessa era (ABIHPEC; SEBRAE, 2020). Nesse sentido, a tecnologia pode ser uma grande aliada para personali- zarmos ainda mais as ofertas e para compreendermos mais profundamente quais são os anseios, sentimentos e desejos dos consumidores. Por isso, estar a par das tendências de marketing digital pode ajudar as organizações no desenvolvimento de suas estratégias nesse ambiente em rápida mudança. Essas tendências variam de acordo com diferentes autores, relatórios e instituições, e neste capítulo veremos as principais entre as identificadas. Essas tendências representam as principais ideias em que as empresas poderão se concentrar nos próximos anos para ajudar a construir uma empresa que alie a tecnologia com o consumidor mais consciente. Tendências em marketing digital2 As principais tendências identificadas foram as seguintes: � machine learning; � chatbots; � realidade virtual e aumentada; � análise de sentimentos; � Lei Geral da Proteção de Dados. A seguir, cada uma delas será aprofundada e detalhada. Machine learning No contexto da Evolução 4.0 e da ampliação das ferramentas de inteligência de mercado, surge uma das faces da inteligência artificial, o machine learning (ou aprendizado de máquina). Essa tecnologia parte do princípio de que as máquinas podem aprender sozinhas quando têm acesso a grandes volumes de dados, contribuindo para o planejamento de estratégias de marketing e obtenção de resultados mensuráveis e eficazes (CONSTANTINO; GARCIA, 2018). Com o surgimento do machine learning e suas aplicações, surgiram várias hipóteses sobre como issomudaria o cenário do marketing digital atual. Para Johnsen (2017), é imperativo entender essas invenções e suas ramificações no marketing digital, já que todas as complexidades do comportamento do consumidor seriam descobertas e simplificadas com essa ferramenta. O machine learning é uma tecnologia que pode ser aplicada em negócios que visem a soluções para o atendimento ao cliente, a análise de comporta- mento do consumidor, os padrões de consumo, entre outros. Segundo Faceli et al. (2011), os computadores são programados para aprender com algo que já aconteceu. Algoritmos de machine learning aprendem a induzir uma hipótese capaz de resolver um problema a partir de um conjunto de dados. Por meio do machine learning, uma organização que deseja saber como está sua imagem perante os clientes e a sociedade para tomar decisões mais precisas sobre seu direcionamento pode identificar o que estão falando sobre ela, se é de maneira positiva ou não e com que frequência (CONSTANTINO; GARCIA, 2018). 3Tendências em marketing digital Chatbots Os chatbots são programas de computador especiais destinados a conversar com as pessoas. Seu funcionamento é baseado em inteligência artificial (IA), e são mais frequentemente usados para apresentar as ofertas aos clientes e responder às perguntas mais frequentes. Na era da internet, os chatbots ficam à disposição dos seus usuários 24 horas por dia, permitindo um serviço completo independentemente da hora do dia. Assim, quatro gerações de chatbots podem ser distinguidas (DEJNAKA, 2017): 1. Chatbots de comunicação: servem, principalmente, para enviar in- formações sobre produtos, serviços e o funcionamento da empresa. 2. Chatbots de segunda geração: definidos como algorítmicos, que apa- recem no formato de avatar. Eles podem manter conversas com os usuários. Além da funcionalidade dos chatbots de primeira geração, eles podem dar conselhos durante o processo de compra, apresentar opções alternativas e também monitorar todo o processo de realização de pedidos. 3. Chatbots interativos: são os chatbots de terceira geração, que podem reconhecer o discurso dos humanos. Espera-se que, no futuro, eles possam atender os consumidores completamente, resolvendo todos os seus problemas. Na Polônia, os chatbots são usados principalmente por grandes empresas, bancos e instituições públicas. 4. Chatbots holográficos: são utilizados para atender clientes em lojas e locais de serviço público (por exemplo, aeroportos). O nome chatbot é, atualmente, o nome do consultor virtual mais popular na internet. Outras variantes de bot também podem ser encontradas na internet, como knowbot (bot para reunir, gerenciar e dar acesso ao conhecimento); lingubot (bot destinado a manter conversas com o cliente, iniciar diálogos e interações); mindbot (bot para ajudar na solução de problemas com base em dados introduzidos); e shopbot (bot para ajudar na venda em uma loja na internet) (DEJNAKA, 2017). Tendências em marketing digital4 Realidade virtual e aumentada Realidade virtual e realidade aumentada são duas temáticas que estão se expandindo no meio tecnológico. Além das várias aplicações em áreas como o entretenimento, turismo e medicina, a realidade virtual e a realidade au- mentada também estão revolucionando o mundo do consumo e das estratégias de marketing. Para acompanhar as transformações digitais e atuar onde os consumidores se posicionam, as marcas buscam desenvolver conteúdos virtuais e aumentados, de modo a oferecer-lhes novos modos de acessar seus produtos, criando ofertas de valor. A presença da realidade virtual tem gerado reconfigurações em diversos setores da economia, representando um novo mecanismo para a comuni- cação e a promoção de experiências. Após décadas de desenvolvimento, a realidade virtual está mais próxima dos consumidores e espera-se que a venda de dispositivos apoiados nessa tecnologia cresça 84,5% até 2020 (ABI RESEARCH, 2016). De acordo com Burdea e Coiffet (2003), realidade virtual é uma inter- face homem–máquina de qualidade que envolve simulação e interação em tempo real por meio de múltiplos canais sensoriais. Para os autores, esse mundo sintético e virtual não é estático, pois responde aos comandos dados pelo usuário em tempo real, modificando o ambiente virtual imediatamente. As características principais da realidade virtual envolvem interação, imersão e imaginação, o que estimula a capacidade da mente de perceber coisas que não existem (BURDEA; COIFFET, 2003). Vince (2004) sugere que a realidade virtual é o resultado de combinações tecnológicas que criam um ambiente virtual onde é possível visualizar e interagir por meio de canais tridimensionais ou 3D. 5Tendências em marketing digital No contexto dessa tecnologia, aborda-se ainda o conceito de augmented reality (AR) ou realidade aumentada — existe uma discussão sobre a equi- valência entre os termos. Nesse caso, Haller, Billinghurst e Thomas (2007) argumentam que, enquanto a realidade virtual imerge completamente o usuário dentro de um ambiente sintético, a realidade aumentada permite ao usuário ver objetos virtuais tridimensionais sobrepostos ao mundo real. Em outras palavras, a realidade aumentada atua com a inserção de objetos virtuais no ambiente real. A interface do usuário é o ambiente real, porém, ele é adaptado para que objetos virtuais sejam visualizados e facilmente manipulados no espaço. Um exemplo de realidade aumentada é a do aplicativo Yelp, que oferece dicas e avaliações de estabelecimentos, restaurantes e outros pontos de inte- resse no mapa ao redor do usuário. O aplicativo permite ao usuário acessar dicas de locais também com a função “Localizador”, utilizando a câmera do smartphone para sobrepor as imagens e mostrando os locais e avaliações dos usuários do lugar onde ele está naquele momento, algo semelhante ao mostrado na Figura 1. Figura 1. Exemplo de realidade aumentada. Fonte: Zapp2Photo/Shutterstock.com Tendências em marketing digital6 Análise de sentimentos A análise de sentimentos tem como objetivo encontrar e definir técnicas ca- pazes de extrair as opiniões, sentimentos, emoções e informações expressos em textos (NARAYANAN; LIU; CHOUDHARY, 2009). A identificação de sentimentos em textos vem sendo uma das áreas de pesquisa mais destacadas em processamento de linguagem natural (PLN) — interações entre computa- dores e línguas (naturais) humanas (LIU, 2010). A análise de sentimentos é o estudo computacional de como opiniões, atitudes e emoções são expressas na linguagem natural. É uma disciplina de estudo que engloba áreas como psicologia, marketing e computação. A principal função da análise de sentimentos é descobrir, com o auxílio da tecnologia, o que as pessoas pensam e quais são suas opiniões sobre determinado tema, reduzindo drasticamente a necessidade de se ler grandes quantidades de documentos para extrair opiniões (YU; DUAN; CAO, 2013). Pessoas e empresas estão cada vez mais interessadas em análise de sen- timentos, querendo acompanhar e observar o que os grupos de pessoas vêm dizendo sobre um tema de interesse. É comum as empresas buscarem informa- ções sobre a aceitação de um novo produto ou procurarem receber feedbacks para melhoria. No que tange o marketing digital, a análise de sentimentos pode ser extre- mamente benéfica como indicador de desempenho na avaliação da reputação das marcas. Além disso, permite que a empresa detecte situações negativas com antecedência, tendo mais tempo hábil para gerenciar possíveis crises de imagem. Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais Com o avanço tecnológico e seu respectivo impacto social, surgem novas questões éticas, motivando a criação ou atualização de legislações no contexto pertinente (MOOR, 2005). Em 2015, uma empresa de consultoria britânica chamada Cambridge Analytica acessou dados pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook para analisar e influenciar o comportamento de eleitores nos Estados Unidos. No Brasil,em 2014, a empresa de telecomunicação Velox foi acusada de vender ilegalmente dados pessoais de seus clientes a terceiros, culminando em multa de R$3,5 milhões (ZANATTA, 2015). 7Tendências em marketing digital A Constituição Federal reconhece o direito fundamental à vida privada e intimidade e à liberdade de expressão, isto é, a garantia da privacidade dos dados da pessoa natural e seu direito de instrumentalizá-los. No caso do Facebook ou da Velox, o cidadão não teve controle sobre seus próprios dados pessoais. Os dados podem ser utilizados para fins que seu titular não tenha noção, como entrada para algoritmos de tomada de decisão que incidem sobre o seu próprio futuro, venda de dados, análises comportamentais, entre outros (CARVALHO et al., [2018?]). Observando a proporção da influência e O valor dos dados pessoais na sociedade e suas implicações éticas, foi criada a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, a Lei Geral de Proteção dos Dados Pessoais (LGPDP). Essa lei foi sancionada em 2018 e entrará em vigor no Brasil em agosto de 2020. A LGPDP regulamenta o uso e o tratamento de dados pessoais por parte de empresas públicas e privadas no país. Seu principal objetivo é garantir a segurança e a privacidade dos dados e informações pessoais de qualquer pessoa física. Nesse contexto, muitas organizações, em especial as data driven (orientadas por dados) terão que adaptar suas práticas para estarem em conformidade com a nova lei. Diversos aplicativos que hoje são criados com O objetivo de coletar e comercializar dados dos usuários também sofrerão mudanças con- sideráveis. De forma geral, essa lei impactará grande parte das organizações que tenham presença na internet e redes sociais, mas, ao mesmo tempo, trará maior credibilidade e confiança àquelas que já respeitavam a privacidade dos dados dos seus usuários. 2 Vantagens das novas tendências A informação é hoje um poderoso recurso das organizações, permitindo maior alinhamento estratégico, mediante constantes fluxos bidirecionais entre a empresa e os consumidores, e criando condições para que se viabilizem seus objetivos de marketing. Vários autores têm abordado a passagem da era indus- trial para a era da informação, situação na qual as atividades informacionais, que têm no conhecimento sua maior riqueza, ultrapassaram as industriais. Nesse sentido, o uso de diferentes tecnologias tem ajudado as empresas a proporcionarem experiências únicas e personalizadas aos seus consumidores. Isso graças ao acesso a uma grande quantidade de dados sobre a trajetória de consumo, que auxilia as organizações a conhecerem melhor seus clientes e atendê-los de forma mais eficaz no suprimento de suas necessidades. Tendências em marketing digital8 De forma geral, as novas tecnologias geram diversas vantagens para as organizações, como: � Aumento das vendas: empresas varejistas tradicionais agora podem disponibilizar seus produtos pela internet (e-commerce) e redes sociais (social commerce), ampliando as possibilidades de distribuição de seus produtos ou serviços. � Aumento da produtividade: o acesso a dados e a maior integração entre eles auxiliam na otimização do trabalho e na tomada de decisão mais assertiva, evitando desperdício de tempo e recursos em estratégias de marketing baseadas em processos mais intuitivos. � Aumento da competitividade: conhecer os consumidores melhor do que os concorrentes traz grandes vantagens competitivas para a organi- zação, que será mais eficiente na atração dos consumidores para a sua marca. Além disso, investir em tecnologias de forma pioneira faz com que a organização seja percebida como inovadora no seu ecossistema, podendo aumentar o valor percebido da marca. Fazendo uma relação mais específica entre as tecnologias que são tendên- cias em marketing digital e as vantagens que elas podem originar, é possível elencar as vantagens que veremos a seguir. Machine learning Relacionando o machine learning com o contexto do marketing, a principal vantagem dessa tecnologia é a capacidade de aprendizagem da empresa (HO- OLEY; PIERCY; NICOLAUD, 2011). A capacidade dinâmica de aprender e adaptar-se é essencial para o desenvolvimento de uma vantagem competitiva sustentável. Conforme Ferreira Junior e Azevedo (2015), a sociedade conectada produz um volume elevado de informações diariamente. É um desafio para as empresas aproveitar esses fluxos de informação como ferramenta para a tomada de decisão. Ao permitir realizar previsões com os dados e informações dispo- níveis, o machine learning pode ajudar as empresas a vencerem esse desafio. No que tange o relacionamento com clientes, o machine learning também traz diversas vantagens. Muitos consumidores, quando precisam de algum tipo de assistência da empresa, procuram os seus canais de comunicação. Geralmente, tem-se um longo período de espera, devido à alta demanda. Assim, as tecnologias de machine learning podem solucionar esse problema, 9Tendências em marketing digital pois elas tornam os canais virtuais mais eficientes, reduzindo a necessidade de procurar atendimento pelo telefone, por exemplo. Além disso, o machine learning pode gerar uma personalização maior do atendimento ao cliente, pois tem acesso, instantaneamente, a todos os conjuntos de dados das interações prévias com esse cliente. Isso facilita a resolução de possíveis problemas do consumidor, dando à empresa a oportunidade de agir mais assertivamente na resposta aos problemas do seu cliente. Chatbots O chatbot pode ser uma excelente ferramenta de estratégia de marketing digital, pois otimiza a coleta de dados sobre o consumidor, armazenando os dados oriundos das conversas e interações entre o consumidor e o chatbot. Isso promove um atendimento mais personalizado, contribuindo para que o usuário se sinta mais engajado na interação com o chatbot, já que seus questionamentos são baseados em informações mais personalizadas. Dessa forma, a empresa pode adaptar a linguagem utilizada no chatbot com a sua persona, além de estar disponível 24 horas por dia para interagir com o público. Atualmente, o chatbot está disponível em diversos canais, como Facebook, Twitter e WhatsApp, mas também há a possibilidade de vinculá-lo à plataforma do site da empresa. Para as empresas de e-commerce isso é muito vantajoso, pois o cliente pode interagir com a empresa enquanto faz uma compra. Uma vez que o chatbot automatiza o processo de atendimento, principal- mente tirando dúvidas frequentes e encaminhando os usuários para setores ou serviços específicos, essa tecnologia proporciona uma otimização da produti- vidade da empresa, podendo aproveitar melhor seus colaboradores em funções mais estratégicas. Além disso, o chatbot pode dinamizar as vendas on-line com sua capacidade de sugerir itens da loja virtual relacionados ao perfil do usuário com base na identificação do perfil do consumidor na jornada de compra. Um exemplo de aplicação do chatbot é da plataforma Uber, que possibilita que os usuários solicitem corridas diretamente do Facebook Messenger, sem precisar acessar o aplicativo. Outro exemplo é a Magazine Luiza, que ganhou o prêmio Bots Brasil Awards 2017 com o software chamado de Lu. Tendências em marketing digital10 Realidade virtual e aumentada Na perspectiva do marketing, a realidade virtual e aumentada tem o potencial de revolucionar as atividades de promoção e venda, podendo proporcionar uma amostra do tipo de experiência que pode ser vivida pelo consumidor, auxiliando-o na tomada de decisão. Para se tornar um cliente, o consumidor em potencial depende da qualidade da informação fornecida a respeito do produto ou serviço, e quanto mais completa essa informação for, mais aumentam as chances de ser adquirido (OLIVEIRA; CORREA, 2017). Por isso, a realidade virtual e aumentada permite que o cliente interaja mais com o produto antes de comprá-lo, percebendo melhor suas propriedades e detalhes de funcionamento. Assim, a empresapode diminuir os custos com estratégias de amostras grátis do produto, por exemplo, além de dar ao cliente novas perspectivas. O ambiente virtual é aumentado por várias simulações sensoriais, como a visão, o som e até o toque com suas respectivas respostas. Assim ele se torna uma excelente forma de acessar, avaliar e manipular as informações de uma oferta. No ramo de turismo, por exemplo, a realidade virtual e aumentada pode simular imagens e ambientes turísticos, além de oferecer uma experiência total- mente imersiva e interativa, proporcionando uma diversidade de experiências relativas ao setor. Contudo, trata-se ainda de uma tecnologia com um custo elevado para a maioria das empresas arcar (OLIVEIRA; CORREA, 2017). Análise de sentimentos A opinião dos usuários a respeito de um produto ou serviço na escolha do consumidor é relevante para que a satisfação dos usuários com a oferta seja compreendida. No âmbito da internet e das redes sociais, há uma infinidade de comentários e avaliações disponíveis para serem avaliadas, e a análise de sentimentos ajuda a descobrir o que as pessoas pensam e quais são suas opiniões sobre determinado tema. O uso da tecnologia reduz drasticamente a necessidade de se ler grandes quantidades de documentos para extrair opiniões (YU; DUAN; CAO, 2013). Pessoas e empresas estão cada vez mais interessadas em análise de senti- mentos, querendo acompanhar e observar o que os grupos de pessoas estão dizendo a respeito delas. Com o crescimento das mídias sociais (fóruns de discussões, blogs, Twitter, vídeos, reviews, comentários e postagens em rede social), consumidores e organizações estão recorrendo a esse recurso para buscar opiniões sobre os temas de interesse para sua tomada de decisão. 11Tendências em marketing digital Hoje, se uma pessoa está interessada em comprar um produto ou adquirir um serviço, ela não está limitada apenas ao seu círculo social. A opinião de outras pessoas que já usufruíram do serviço ou adquiriram o produto através da internet também pode ser obtida. A análise de sentimentos possibilita inúmeras aplicações, como as listadas a seguir (SANTOS, G.; SANTOS, M., 2018): � Produtos: a análise de sentimentos pode ser utilizada para determinar a aceitação de um produto que acabou de ser lançado ao mercado e assim é possível determinar estratégias de marketing. É também pos- sível avaliar um produto ou parte dele, como, por exemplo, um celular que tem uma câmera muito boa, porém, sua bateria tem curta duração (FANG; ZHAN, 2015). � Mercado financeiro: uma das principais características do mercado financeiro é a avaliação dos investidores e profissionais sobre uma companhia. As opiniões podem afetar o mercado de ações e influenciar, para mais ou para menos, o preço de compra e venda. Através da análise de sentimentos é possível detectar opiniões positivas e negativas, o que ajuda os investidores na tomada de decisão (ALVES, 2015). � Comentários avaliativos: sites de comércio eletrônico, filmes, séries, músicas, hotéis permitem que usuários avaliem por meio de notas e comentários avaliativos. Compreender a natureza desses comentários, que podem ser negativos, positivos ou neutros, ajuda as marcas a avaliar a experiencia do consumidor com determinado produto ou serviço. � Política: por meio da análise de sentimentos também é possível obter informações de candidatos políticos, sua aceitação após um debate ou após assumir um cargo político. Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais A regulamentação sobre o uso e a privacidade dos dados gerados pela popula- ção pode ter um impacto bastante relevante nas organizações, principalmente aquelas que estavam fazendo mau uso dos dados dos seus clientes. Entretanto, com a maior responsabilização das empresas, os consumidores se sentirão mais seguros e isso gerará diversos benefícios para as organizações que se prepararem adequadamente para a nova lei. Assim, as principais vantagens da Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais (LGPDP) no marketing digital podem ser as seguintes: Tendências em marketing digital12 � Melhora no relacionamento com o cliente: a necessidade de consenti- mento do consumidor para a captação e o tratamento de dados pessoais, além da transparência da empresa sobre a finalidade da coleta de dados, poderá dar mais confiabilidade à privacidade do consumidor, que saberá sobre o uso de suas informações de forma transparente. Isso pode tornar a experiência do cliente mais prazerosa, já que implica na redução de publicidade e anúncios indesejáveis, aumentando a proximidade dos clientes com as organizações que sejam do seu real interesse. � Aumento da segurança jurídica: a LGPD determina regras para o tratamento de dados pessoais, garantindo a privacidade dessas infor- mações em qualquer país. Assim, a legislação estará alinhada entre diversos outros países, proporcionando um ambiente mais seguro para o tratamento e uso de dados pessoais. Isso significa que, estando em conformidade com a LGPD, as empresas brasileiras poderão tratar dados coletados em outros países. � Valorização do marketing: ao analisar as informações pessoais re- almente relevantes para o negócio, as empresas poderão ter acesso a informações mais qualificadas para a tomada de decisão mais asser- tiva, tendo acesso a bancos de dados alimentados com informações de clientes reais. Isso possibilitará uma comunicação mais coerente com os consumidores, de acordo com suas necessidades e desejos. Assim, os investimentos em marketing poderão ser otimizados, resultando em maior retorno e credibilidade das campanhas. Os negócios que se adequarem previamente ao início oficial da LGPD terão a oportunidade de ajustar seus processos e obter muitas vantagens da regulamentação, visando a sua reputação no longo prazo. Ao estabelecer uma nova cultura de proteção e privacidade de dados pessoais, as empresas poderão trabalhar com informações mais limpas, adequadas e apoiadas em bases legais. 3 Ações de marketing digital nas novas tendências A aplicação das diferentes tecnologias apresentadas como tendências variam de acordo com as estratégias de marketing digital. Cada uma contribui para as diferentes etapas do funil de vendas, mas de forma geral, essas tecnologias utilizam os dados gerados pelos consumidores e transformam em inteligência 13Tendências em marketing digital de marketing. Isso se reverte em melhor atendimento, melhor conversão de leads em clientes, melhor compreensão das necessidades e desejos dos con- sumidores e insights para novas ofertas de produtos e serviços. Assim, para conhecer como as tendências em marketing digital se rever- tem em práticas e ferramentas, veremos exemplos de aplicações do machine learning, chatbots, realidade virtual e aumentada, análise de sentimentos e Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais nas organizações. Machine learning Organizações em diversas indústrias já começaram a experimentar o machine learning, incorporando o aprendizado de máquina em ferramentas usadas para um propósito específico. Algumas possibilidades de sua aplicação podes ser estas: � Detecção de fraudes: alguns bancos e operadoras de cartões de crédito utilizam o machine learning com o objetivo de identificar transações que possam ser fraudulentas. Para isso, elas utilizam o machine learning para telefonar ao consumidor para validar compras específicas que tenham gerado suspeita de fraude. � Sistemas de recomendação: os mecanismos de recomendação on-line usados por empresas como Amazon e Netflix estão entre os exemplos mais interessantes de machine learning. Usando os dados coletados de seus usuários, os sistemas de aprendizado de máquina são capazes de prever ofertas que o cliente possa vir a gostar, de acordo com suas preferências anteriores ou hábitos de visualização. � Mecanismos de busca: Google, Microsoft Bing e outros mecanismos de busca usam o machine learning para melhorar suas recomendações de busca. Elesanalisam dados sobre quais links os usuários acessam em resposta a consultas para melhorar seus resultados. Eles também usam o machine learning para melhorar o processamento de linguagem natural e fornecer respostas específicas para algumas questões. � Análise de streaming de dados: com a quantidade e variedade de dados gerado atualmente, como em feeds de redes sociais e transações de vendas on-line, as organizações usam o machine learning para encontrar insights ou identificar problemas potenciais em tempo real. Tendências em marketing digital14 Realidade virtual e aumentada É possível encontrar inúmeros exemplos do uso da realidade virtual e au- mentada no marketing. Agências de turismo utilizam a realidade aumentada como uma aplicação que dê aos seus clientes algumas prévias de como é uma cidade, por exemplo. É possível que o cliente viaje por meio dessa tecnologia, vendo pontos turísticos, entrando em locais históricos, tendo uma prévia do que se pode ver pessoalmente. A Nike foi uma das marcas que trouxe ainda mais à tona o uso da realidade aumentada no marketing de produto. A marca utilizou hologramas para anunciar um novo modelo de tênis, voltado para a prática de corrida. A empresa colocou um espaço de vidro transparente no centro de Amsterdã, Holanda, onde era projetado o holograma 3D com imagens do produto. Além de chamar a atenção das pessoas com a tecnologia de realidade aumentada, o tênis podia ser visualizado pelas pessoas que passavam pelo local, independentemente da posição delas em relação ao espaço de vidro. Com a proposta de trazer o mundo virtual para o mundo real, outro exemplo bastante conhecido de aplicação da realidade aumentada é o Pokemon Go, um jogo eletrônico de realidade aumentada voltado para smartphones. Com o uso do GPS e a câmera de dispositivos compatíveis, o jogo permitia aos jogadores capturar, batalhar e treinar criaturas virtuais que apareciam nas telas de dispositivos como se fossem no mundo real. Análise de sentimentos A tecnologia de análise de sentimentos pode ser uma grande aposta para orga- nizações especialmente sensíveis ao uso do marketing digital como estratégia predominante. Uma vez que as relações se dão no mundo virtual, compreender como um mero texto ou comentário reflete os sentimentos de um consumidor é extremamente vantajoso. 15Tendências em marketing digital Para realizar a análise de sentimentos, existem várias ferramentas que podem ser utilizadas. Esses métodos se diferenciam por suas técnicas de prog- nósticos de sentimentos, como o uso de abordagem de máquina, dicionários léxicos e processamento de linguagem natural. Algumas das ferramentas mais conhecidas na literatura são SentiWordNet, SenticNet e PANAS-t (BENEVE- NUTO; RIBEIRO; ARAÚJO, [2015?]). Veja mais sobre elas: � SentiWordNet: ferramenta de mineração de opinião baseada no di- cionário léxico WordNet. Esse dicionário agrupa verbos, adjetivos e outras classes gramaticais em conjuntos, chamados de synset. Com base nos termos encontrados no WordNet, o SentiWordNet classi- fica uma polaridade para o texto em relação aos sentimentos, que podem ser positivos, negativos ou neutros. A pontuação é obtida por um método de machine learning (ESULI; SEBASTIANI, 2006). SenticNet: método para mineração de opinião e análise de sentimentos que explora técnicas de IA e web semântica. O SenticNet tem como objetivo alcançar a polaridade de textos em nível semântico, utilizando técnicas de PNL para criar significados semânticos ou polaridade para mais de 14.000 conceitos. As polaridades de sentimentos variam de −1 até 1 (CAMBRIA et al., 2010). � PANAS-t: ferramenta que é uma versão adaptada do PANAS, método utilizado em psicologia. O PANAS-t consiste na identificação de senti- mentos positivos e negativos, associados aos sentimentos de segurança, serenidade, surpresa, medo, tristeza, culpa, hostilidade, timidez, atenção e alegria (SANTOS, G.; SANTOS, M., 2018). Uma aplicação interessante da análise de sentimentos está na economia compartilhada, um novo modelo de negócio no qual pessoas utilizam, de maneira colaborativa, seus bens pessoais e podem ou não receber um valor monetário em troca. Um exemplo dessa economia são as plataformas Uber, Airbnb, Couchsurfing, etc. No caso específico dessas plataformas, os comen- tários e avaliações são responsáveis por gerar confiança entre os membros, sendo esse um dos princípios fundamentais para o funcionamento dessas plataformas. Tendências em marketing digital16 Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais Com relação ao impacto da LGPDP nas estratégias de marketing digital, vale ressaltar sua influência no envio de e-mail marketing pelas organizações. Esta talvez seja a estratégia que sofrerá maiores mudanças após a implementação da lei. O primeiro passo que as empresas precisarão dar é reavaliar toda a sua base atual de dados de clientes e assegurar que todos tenham autorizado o envio de e-mails. Os usuários que não tenham consentido explicitamente esse envio deverão ser contatados novamente para aprovarem o recebimento dos e-mails marketing. Outra estratégia de marketing digital que sofrerá maiores impactos após a lei é a publicidade on-line. Isso porque a segmentação em anúncios do Google ou Facebook são realizadas usando informações de cookies coletados no site. Segundo a LGPD, será responsabilidade da empresa informar sobre a instalação de cookies para coleta de dados, inclusive se eles forem utilizados para campanhas no Facebook ou outras redes sociais. A LGPD não inviabiliza as práticas de marketing digital, mas exige mais profissionalismo e estratégia na coleta e tratamento dos dados pessoais dos usuários, o que pode beneficiar empresas mais estruturadas e atentas à ade- quação às novas regras. ABI RESEARCH. ABI Research anticipates more than 50 million mobile VR devices to ship by 2020 as virtual reality takes step forward at the 2016 GSMA Mobile World Congress. New York, 2016. Disponível em: https://www.abiresearch.com/press/abi-research-anticipates- -more-50-million-mobile-vr/. Acesso em: 4 fev. 2020. ABIHPEC; SEBRAE. Caderno de tendências 2019-2020. Brasil, 2020. Disponível em: https://m. sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/CADERNO%20DE%20TENDENCIAS%20 2019-2020%20Sebrae%20Abihpec%20vs%20final.pdf. Acesso em: 4 fev. 2020. ALVES, D. S. Uso de técnicas de computação social para tomada de decisão de compra e venda de ações no mercado brasileiro de bolsa de valores. 2015. 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