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By: Giovanna Mantoani Gliconeogênese: Processo de formação de glicose a partir de compostos que não são carboidratos/açúcares. A ideia da glicogênese é de momentos em jejum. - Se há uma baixa ingestão alimentar prolongada, tem-se um quadro de jejum e hipoglicemia. - Na hipoglicemia é preciso formar a glicose e liberar ela para o sangue. Moléculas que são usadas na formação de uma glicose: Lactato/piruvato, glicerol e aminoácidos. Succinil-CoA, fumarato, oxaloacetato e α- cetoglutarato são intermediários do Ciclo de Krebs que podem ir a oxaloacetato e depois a piruvato, que vai para a via de gliconeogênese. - Aminoácidos glicogênicos: não necessariamente viram piruvato. Podem virar alguns intermediários do Ciclo de Krebs que depois viram piruvato e aí tem-se o processo de gliconeogênese. Animais, vegetais, fungos e microrganismos fazem o processo de gliconeogênese. Nos mamíferos, a gliconeogênese é realizada no fígado (principal), rim e epitélio do intestino delgado. Glicólise = quebra-se a glicose em piruvato. Gliconeogênese = transformar o piruvato em glicose. Se a gliconeogênese for realizada a partir do glicerol, ele é convertido na molécula dihidroxiacetona fosfato (DHAP) ➡ faz-se a união desse molécula com a de gliceraldeído-3-fosfato ➡ forma-se a frutose-1,6-bifosfato. - Quem faz isso é a enzima aldolase. Ela é comum tanto na via glicolítica como na gliconeogênese. - Mesma enzima que quebra a frutose-1,6-bifosfato nessas duas moléculas e que junta essas moléculas formando de novo a frutose-1,6-bifosfato. Existem três reações da via glicolítica que são irreversíveis e são exatamente essas que é preciso contornar para fazer o processo de gliconeogênese. A hexoquinase atua, na glicólise, na reação de glicose para glicose-6-fosfato e é uma das reações irreversíveis. - Na via da gliconeogênese tem que se ter outra enzima, que é a glicose-6-fosfatase. Na via glicolítica, para a frutose-6-fosfato ser transformada em frutose-1,6-bifosfato tem-se a atuação da enzima fosfofrutoquinase-1(PFK1) e essa reação também é irreversível. - Na gliconeogênese, para que a frutose-1,6-bifosfato volte a ser frutose-6-fosfato, necessita-se de outra enzima, que é a frutose-1,6-bifosfatase. A reação do fosfoenolpiruvato (PEP) para piruvato, no final do via glicolítica, catalisada pela enzima piruvato quinase (PK) é a última reação irreversível e por isso também é necessário contornar esse processo na gliconeogênese. A via glicolítica não é o inverso na gliconeogênese justamente por conta dessas três enzimas. Elas catalisam reações irreversíveis, portanto precisa-se de outras enzimas na gliconeogênese para que contornem esse processo. - Na modulação da via glicolítica ou gliconeogênese, atua-se em cima dessas enzimas específicas dessas vias para acelerar ou frear as reações. - Na gliconeogênese são quatro enzimas diferentes e na glicólise são três - as outras enzimas são iguais para as duas vias, já que catalisam reações reversíveis. O glicerol sofre a ação da enzima glicerol quinase ➡ vira glicerol fosfato. - Foi adicionado um fosfato que vem da quebra da molécula de ATP. O glicerol tem elétrons e hidrogênios arrancados de si, ou seja, sofre oxidação à DHAP. - Para que isso ocorra, o NAD+ (oxidado) ganha esses elétrons, tornando-se NADH (reduzido). - Reação de oxirredução: o glicerol fosfato está sendo oxidado a DHAP e o NAD oxidado está sendo reduzido a NADH. A enzima que faz isso é a glicerol fosfato desidrogenase. Os aminoácidos entram na via sendo: - Convertidos em oxaloacetato. - Lactato e outros aminoácidos virando piruvato. Formado o piruvato ➡ oxaloacetato ➡ fosfoenolpiruvato. Obs: enzimas em rosa são exclusivas da gliconeogênese e as em azuis são comuns na via glicolítica e gliconeogênese. Na gliconeogênese, os aminoácidos percorrem uma via maior do que o glicerol para chegar na glicose. Glicólise: Lado esquerdo da imagem Gliconeogênese: Lado direito Enzimas que catalisam reações irreversíveis Glicólise Gliconeogênese Enzimas que catalisam reações irreversíveis: - Hexoquinase - PFK-1 - Piruvato quinase Enzimas que fazem o contorno para que se tenha o processo de formação de glicose: - Glicose-6-fosfatase - Frutose1,6-bifosfatase - PEP-carboxiquinase - Piruvato-carboxilase Na via glicolítica, a enzima piruvato quinase catalisa a reação de PEP ➡ piruvato. Na gliconeogênese, duas enzimas são necessárias para fazer o piruvato voltar a PEP, ou seja, contorna-se a via glicolítica a partir de dois processos reacionais. Primeiro passo: - Une-se a molécula de piruvato a uma molécula de CO2 que está na forma de bicarbonato. - A enzima piruvato carboxilase é quem catalisa essa reação, ela carboxila o piruvato. Essa enzima necessita da coenzima biotina (vitamina B7) - Utiliza-se uma molécula de ATP (gasto energético). - Forma-se a molécula oxaloacetato ➡ o piruvato é convertido a oxaloacetato antes de ser transformado em fosfoenolpiruvato. Segundo passo: - Um nucleotídeo (GTP) reage com oxaloacetato para conseguir virar o PEP. - PEP carboxiquinase converte oxaloacetato em PEP e usa GTP como agente fosforilador. - Para a atuação dessa enzima ela necessita de íons de magnésio. - Há a liberação de uma molécula de GDP e de CO2. Contorno piruvato ➡ PEP predomina quando o lactato é o precursor glicogênico: Durante o exercício físico, aumenta-se a fermentação lática, o que leva ao aumento de lactato sanguíneo. O lactato entra no hepatócito, sofre a ação da lactato desidrogenase e vai a piruvato, que entra na via da gliconeogênese. - O piruvato vai a oxaloacetato a partir da piruvato carboxilase. - O oxaloacetato pode sofrer a ação da PEP-carboxiquinase mitocondrial e vai a PEP. - PEP formado sai da mitocôndria, vai para o citoplasma e vai para a via de gliconeogênese. Outro caminho que também pode acontecer: - Piruvato sofre a ação da piruvato-carboxilase e vira oxaloacetato. - Não é possível exportar o oxaloacetato da mitocôndria para o citoplasma (não há transportador de oxaloacetato). Por isso, ele pode ser reduzido a malato pela enzima malato-desidrogenase mitocondrial. - Oxaloacetato ganha elétrons do NADH (reduzido) ➡ se reduz a malato. E, o NAD que estava reduzido vira NAD+ (oxidado). - Uma vez que o malato é formado, ele sai da mitocôndria através dos seus transportadores e vai para o citoplasma. - O malato no citoplasma sofre a ação da malato-desidrogenase citosólica e assim ele se transforma novamente em oxaloacetato ➡ malato perde elétrons e é oxidado a oxaloacetato. O elétron perdido é doado ao NAD+ (oxidado), que vira o NADH (reduzido). - O oxaloacetato no citoplasma sofre a ação da PEP carboxiquinase citosólica e vai a PEP. - Uma vez o PEP formado, ele pode dar prosseguimento a via da gliconeogênese. Aminoácidos que podem dar origem aos intermediários do Ciclo de Krebs e depois podem ser transformados em piruvato para fazerem o processo de gliconeogênese: - Alguns aminoácidos vão direto a piruvato, outros vão a oxaloacetato, fumarato, entre outros e podem ir para a gliconeogênese. Nessa reação a água entra como reagente e é perdido um fosfato inorgânico. Quem catalisa a reação é a frutose-1,6-bifosfatase. Essa enzima necessita o íon magnésio. ➡ Mas como do PEP chegou-se a frutose-1,6-bifosfato? - Pelas mesmas enzimas da via glicolítica. É o mesmo processo que está acontecendo de maneira reversível. - Mas, quando se chega a frutose-1,6-bifosfato, é preciso de outra enzima, que é a frutose-1,6-bifosfatase. No momento de jejum, para mandar a glicose para o sangue e abastecer os tecidos, o fígado precisa retirar o fosfato do carbono 6 da glicose. Por isso, é necessário contornar o processo que a hexoquinase faz na via glicolítica. A enzima glicose-6-fosfatase retira o fosfato do carbono 6 da glicose e libera glicose. A glicose pode sair do hepatócito em direção sangue. Nessa reaçãohá a liberação do Pi (fosfato inorgânico). - A glicose-6-fosfatase é uma enzima do retículo endoplasmático da célula. - Existe um transportador de glicose T1 que pega a G6P e joga ela para dentro do retículo. - No retículo, a G6P sofre a ação da glicose-6-fosfatase e tem-se a liberação do Pi e glicose. - A glicose sai do retículo endoplasmático via T2 (um outro transportador de glicose). - O Pi sai por um transportador de Pi, o T3. - Uma vez que a glicose está livre no citoplasma e sem o fosfato no carbono 6, ela sai via GLUT2 do hepatócito e cai no sangue. OBS: Nem todos os tecidos possuem a glicose-6-fosfatase. Como acelerar ou retardar a via da gliconeogênese. O saldo/consumo energético para formação de glicose no processo de gliconeogênese é bastante alto. Para cada molécula de glicose formada: - 4 moléculas de ATP consumidas. - 2 moléculas de GTP consumidos. - 2 moléculas de NADH formados. Como há o gasto de muito ATP nessa via, a via precisa ser modulada de maneira bem específica para que o gasto energético não seja exagerado. Acetil-CoA (+) e ADP (-) são moduladores da piruvato-carboxilase. PEP-carboxiquinase é modulada negativamente pelo ADP. Citrato (+), AMP (-) e frutose-2,6-bifosfato (-) são moduladores da frutose-1,6-bifosfatase. Se a via de gliconeogênese está reprimida, a via glicolítica está ativada. E, se a gliconeogênese está sendo estimulada, a via glicolítica é reprimida. Se há o aumento da frutose-2,6-bifosfato, há a inibição da frutose-1,6-bifosfatase e isso retarda o processo de gliconeogênese. A mesma molécula de frutose-2,6-bifosfato consegue estimular a PFK-1 na glicólise. O citrato acumulado estimula a via de gliconeogênese e inibe a via glicolítica. Se o citrato está se acumulando na mitocôndria, significa dizer que o Ciclo de Krebs está sendo retardado e isso ocorre porque o balanço energético é positivo - o saldo de ATP é positivo. Por isso, não há necessidade de continuar fazendo glicólise. Por isso o citrato modula negativamente a PFK-1 na via glicolítica. Já na gliconeogênese, favorece a formação de glicose, que pode virar glicogênio e formar armazenamento de glicose. O Acetil-CoA modulando (+) a piruvato-carboxilase, o piruvato vira mais oxaloacetato. A presença de acetil-CoA elevada estimula a piruvato-carboxilase porque se consegue dar um outro destino ao piruvato - o piruvato que antes estava virando Acetil-CoA começa a virar oxaloacetato para ir para a via da gliconeogênese e também virar glicogênio ➡ estoque de glicose. Frutose-2,6-bifosfato importante Frutose-6-fosfato se transformando em frutose-1,6-bifosfato por ação da PFK-1 ➡ PFK-1 quebra uma molécula de ATP e pega o fosfato para colocar na molécula ➡ via glicolítica acontecendo. Frutose-1,6-bifosfato tem um fosfato arrancado de si pela frutose-1,6-bifosfatase e tem-se a formação da frutose-6-fosfato ➡ via da gliconeogênese acontecendo. A frutose-2,6-bifosfato é ao mesmo tempo um modulador positivo da PFK-1 e negativo de frutose-1,6-bifosfatase ➡ a mesma molécula ativa glicólise e inibe a gliconeogênese. Como se aumenta ou diminui a frutose-2,6-bifosfato importante Existem hormônios que conseguem estimular esse processo: Insulina - hormônio do estado alimentado - A insulina é produzida em um estado de hiperglicemia. Se há glicose, não é necessário formar mais glicose e sim quebrar. - Quando a insulina é liberada, ela ativa a fosfoproteína-fosfatase. Ela retira o fosfato do complexo enzimático PFK-2/FBPase-2. - Ao retirar o fosfato, a porção PFK-2 é ativada e a porção frutose-2,6-bifosfatase é inibida. - PFK-2 ativada pega a frutose-6-fosfato, joga um fosfato e forma a frutose-2,6-bifosfato ➡ aumenta-se a frutose-2,6-bifosfato ➡ ativação da via glicolítica e inibição da gliconeogênese. Glucagon - Em estado de jejum, hipoglicemia, diminui-se a quebra de glicose e a produção de glucagon é estimulada, aumenta-se o processo de formação de glicose. - Ele promove a ativação de uma PKA porque consegue aumentar a quantidade de AMPc. - A PKA vai fosforilar o complexo enzimático. - Com o complexo fosforilado, a PFK-2 fica inativa e a frutose-2,6-bifosfatase ativa. - Com a porção frutose-2,6-bifosfatase ativada, tem-se a diminuição da frutose-2,6-bifosfato ➡ via glicolítica é reprimida e a de gliconeogênese é estimulada. Frutose-1,6-bifosfatase é a enzima da gliconeogênese. Frutose-2,6-bifosfatase é a enzima que vai diminuir a quantidade de frutose-2,6-bifosfato, que consequentemente ativará o processo de gliconeogênese. Uma vez que a presença de frutose-2,6-bifosfato inibe a enzima frutose-1,6-bifosfatase e então reprime o processo de gliconeogênese. Epinefrina - Liberada em momentos de atividade física ➡ precisa de mais glicose. - Liberação de adrenalina que consegue estimular a gliconeogênese. Durante a atividade física o músculo pega a glicose ➡ quebra ela em piruvato ➡ piruvato sofre a ação da enzima lactato desidrogenase e vai a lactato ➡ lactato sai do músculo e vai para o sangue ➡ no sangue ele chega ao hepatócito ➡ no hepatócito sofre ação da lactato desidrogenase ➡ se transforma em piruvato ➡ piruvato sofre o processo de gliconeogênese e vai a glicose ➡ fígado consegue mandar a glicose de volta para o sangue ➡ do sangue pode chegar ao músculo de novo. A glicose no músculo pode servir para ser estocada e dar origem ao glicogênio para o processo de glicogênese ou para virar o piruvato. A glicose também pode ser uma glicose de origem do glicogênio ➡ o glicogênio muscular pode ser quebrado (glicogenólise) e a glicose é formada.