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Aula 2 16.10.2021LEGENDA Conceito Prazo Destaque Cai em prova Jurisprudência/súmula Processo empresarial de recuperação judicial Fluxograma Finalidade da recuperação judicial · Instrumento de reestruturação empresarial para aqueles empresários que atravessam uma crise econômico-financeira · Natureza jurídica do processo de recuperação judicial: · Sérgio Campinho: contrato judicial, com feição novativa, realizável através de um plano de recuperação, obedecidas, por parte do devedor, determinadas condições de ordens objetiva e subjetiva para sua implementação · Contrato: bases negociadas durante um processo e será concluído com a anuência dos credores, com base no plano, para reestruturação do passivo do devedor em recuperação · Feição novativa: uma vez aprovado o plano, há novação que será confirmada com o prazo de 2 anos · Novação recuperacional · Finalidade: · Jorge Lobo · Preservação dos negócios sociais · Manutenção dos empregos · Satisfação dos interesses dos credores · Estímulo a atividade empresarial · Alcance do valor da dignidade da pessoa humana · Fábio Ulhoa: · Proteção da atividade econômica (principal): os interesses não são apenas do empresário ou sócios, mas um conjunto maior de sujeitos · Preservação da própria atividade/empreendimento · “Separar a sorte do homem da sorte da empresa” · O princípio não é da preservação do empresário, mas sim a preservação da empresa (sentido técnico, no perfil funcional, a atividade economicamente organizada pelo empresário) 7min · A empresa gera “externalidades positivas” = direito econômico, análise econômica do direito · Art. 47, lei de falências · Viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor · Só se preserva empresas e atividades que sejam viáveis · Preservação da empresa não é absoluta · A recuperação é um instrumento de cooperação para a preservação do valor de empresa viável · Permitir a manutenção da fonte produtora, emprego, interesses dos credores · Função social da empresa · Valor da operação ou “going concern”: o valor da liquidação da empresa não pode superar o valor da operação = o caminho aqui seria o da falência · A valoração cabe aos credores, não ao juiz · Não se deve realizar controle judicial de viabilidade econômica · Atos que importem em construção do patrimônio do devedor devem ser analisados pelo juízo recuperacional · Mesmo em execuções fiscais, que não se suspendem em virtude do deferimento da recuperação judicial (enunciado 72, jornada) · STJ: avaliação da essencialidade do bem envolvido na atividade empresarial · STJ: decurso do prazo de 180 dias não autoriza a retomada das demandas contra o devedor de forma automática · A função é garantir a preservação da empresa e os bens de capital essenciais · Mesmo após o prazo de 180 dias, cabe ao juízo da recuperação de atos expropriatórios deduzidos em detrimento da empresa em recuperação · STJ aplica o princípio da preservação da empresa · STJ: participação em licitação e certidões negativas · STJ já autorizou independentemente da apresentação de certidão negativa de regularidade fiscal · Não dispensa a demonstração de que a recuperanda tem condições de contratar e continuar executando o contrato com o poder público (viabilidade econômica) · Também já entendeu desnecessária a apresentação de certidão negativa de débito tributário para o deferimento da recuperação judicial, bem como para contratar com o poder público e participar de licitações · Certidão negativa de recuperação judicial: STJ entendeu cabível flexibilizar a exigência exatamente para que a empresa participe de licitação, demonstrando a viabilidade econômica na fase de habilitação · Bens oferecidos como garantia fiduciária: · STJ: se essenciais a manutenção da atividade empresarial deve continuar na posse da recuperanda · Mesmo que o proprietário fiduciário não se submeta à recuperação judicial Legitimidade ativa: quem pode e quem não pode pedir recuperação judicial Quem NÃO pode postular a recuperação judicial: · Concessionárias de serviços de energia elétrica, salvo posteriormente a extinção da concessão · Art. 18, lei 12.767/12 · Postular a falência é possível, só não a recuperação judicial · Sociedades cooperativas: prevalece a liquidação extrajudicial · São sociedades simples, não empresariais · Não se enquadram no art. 1º da LF, por não serem sociedades empresárias · O devedor empresário: a lei não fala sobre quem é devedor empresário, mas o art. 966 do CC prevê o conceito de empresário · TJMG: sociedades simples, inclusive cooperativas, não se submetem a recuperação judicial · TJSP: LF não se aplica a sociedade simples · Cooperativa médica (operadora de plano de assistência de saúde): não aplica a vedação · Entidade religiosa · Decisão do TJSP · Não exerce atividade empresarial · Associação civil e fundações · Não exercem atividade empresarial · Há decisões autorizando recuperação judicial em tribunais estaduais · Casa de Portugal: TJRJ · Inicialmente teve admitida a recuperação judicial a associação civil sem fins lucrativos (o promotor que substituiu agravou da decisão concessiva) Quem PODE postular a recuperação judicial: · Devedor empresário: · Credor/MP: não tem legitimidade de postular · Legitimidade extraordinária: · Cônjuge ou companheiro sobrevivente do devedor empresário falecido · Herdeiros do devedor ou inventariante · Sócio remanescente: divergência · Fábio Ulhoa: sócio minoritário dissidente, demonstrando abuso de poder de controle por não ter sido postulada a recuperação · Minoritário que queria postular a recuperação mas foi vencido em assembleia · Scalzilli, Splinelli: falecimento de sócio majoritário, portanto, o minoritário poderia postular, pois seria o sócio remanescente · Arnoldo Wald e Ivo: concordam com as duas posições anteriores · Produtor rural: · Enunciado 97, jornada · Produtor rural, tanto pessoa física quanto jurídica, não precisa estar inscrito na Junta há mais de 2 anos · Basta a demonstração do exercício de atividade rural por esse período e a comprovação da inscrição anterior ao pedido · Comprovação do lapso temporal da atividade rural: · Pessoas físicas: · Livro caixa digital do produtor rural · Declaração do imposto de renda · Balanço patrimonial · Pessoas jurídicas: escrituração contábil fiscal (ECF) · Pode apresentar plano especial de recuperação judicial, desde que o valor da causa não exceda a R$ 4.800.000,00 · STJ já decidiu da mesma forma · ****Clube de futebol: lei 14.193/21 · Art. 13: clube ou pessoa jurídica original pode pagar credores pela recuperação judicial ou extrajudicial · Conceitos: · Sociedade Anônima do Futebol: a companhia cuja atividade principal consiste na prática do futebol, feminino e masculino, em competição profissional · Pode pedir recuperação judicial · Clube: associação civil, regida pelo Código Civil, dedicada ao fomento e à prática do futebol · Pode pedir recuperação judicial · Pessoa jurídica original: sociedade empresarial dedicada ao fomento e à prática do futebol · Pode pedir recuperação judicial