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Ceratoconjuntivite Infecciosa Anna Luiza Nogueira, Isabella Cristine, Maria Laura de Santana, Roberta Gomes (ABHB, 2019) Conceito: Doença infecciosa, altamente contagiosa, caracterizada por lacrimejamnto, conjuntivite e ceratite, que acomete os bovinos e é causada pela bactéria Moraxella. Ceratoconjuntivite infecciosa bovina CIB Sinonímia: “pinkeye”, lágrima e olho branco Família: Moraxellaceae Gênero:Moraxella https://pt.wikipedia.org/wiki/Moraxellaceae cocoides, imóveis e formadores de colônia Moraxella bovis AGENTE ETIOLÓGICO extremamante contagiosa Bactéria gran - Pertencente à microbiota ocular Amplamente disseminada oportunista Moraxella caract. Gen. e Fenot. diferem patog. não patog. Patogênicas tem fímbrias Figura 1.- Fotomicrografías de transmisión electrónica de Moraxella spp. piliadas y no piliadas. Fotografías usando un microscopio transmisión de electrones en cepas (A) M. bovis Epp63 no piliadas X12000, (B) M. bovis Epp63 piliadas X18000, (C) Pseudomona aeruginosa recombinante con expresión pili Q de M. bovis Epp63 X 18000 (tomadas de Ruehl et al., 1993). aderência e evitar eliminção *Diferentes antígenos somáticos ( polissacarídeo presente menbrana ext. bact. gram - M. bovis *Cepas diferentes de acordo com o local do mundo onde é encontrado *conhecer caract. fímbrias das cepas daquela região para produzir vacinas eficazes *Fimbrias (fixação da bactéria na córnea e conjuntiva) *Possível várias cepas num mesmo indivíduo *Sintetizam exotoxinas: colagenase, dermonecrotoxinas e DNAse - hemolíticas *citotoxina: associada a membrana - causa poros hemácias - ferro Mecanismos de transmisão mosca *musca autumnalis *musca doméstica Acomete animais de todas as idades, porém maioria jovens de região endêmica. sazonalidade da doença : aumento fotoperíodo irritação pela poeira traumatismo por pasto alto ressecamento da córnea Estudos experimentais mostram : moscas = incidência da doença Portadores suscetíveis Disseminação Sobrevive até 72h nas patas vetor mecânico Controle da doença= controle de vetores = fim do verão e início do Outono Grande incidência em bovinos da raça Hereford e Aberdeen Angus despigmentação das pálpebras Bos taurus x Bos indicus Cerato conjuntivite infecciosa ovina e caprina CIOC Sinonímia: olho cor de rosa, olho branco Conceito: É uma doença infecciosa altamente contagiosa que afeta ovinos e caprinos, caracterizada por produzir lesões nas estruturas dos olhos e na conjuntiva, prejudicando a visão. Mycoplasma conjunctivae *Sintetiza Proteína LppS (adesina) reconhece receptor específico em cel.do hospedeiro--patogenicidade *Pouco resistente no ambiente Agente primário Agentes secundários Chlamydophila psittaci Chlamydophila pecorumParasitos intracelulares Mecanismos de transmisão aerossóis Confinamento poeira contato direto de animais várias espécies de moscas Traumatismo Mycoplasma conjunctivae, faz parte da microbiota ocular desses animais. prevalência mortalidade Micoplasma cavidade nasal conduto lacrimal Sazonalidade Meses mais quentes do ano tosse expelido Fímbrias (aderência) e exotoxinas (necrose) Ceratite Moscas (lágrimas de bovinos portadores) Moraxella bovis Conjuntiva Conduto lacrimal Córnea Hipersecreção Obstrução Úlcera Recuperação Opacidade Corneal PATOGENIA EM BOVINOS Fímbrias de aderência da bactéria presente na microbiota ocular. O que são fímbrias? As fímbrias reconhecem receptores específicos (fímbrias tipo I) e (fímbrias tipo Q) Devido a hidrofobicidade, as bactérias se aglomeram, formam duas ou três camadas recobrindo a córnea ou conjuntiva ocular. Exotoxinas com atividade enzimática e o lipopolissacarídio somático (LPS) provocam lesões. A necrose celular induz uma resposta inflamatória: Edema de córnea e migração de células inflamatórias EVOLUÇÃO PARA OPACIDADE DE CÓRNEA Colonização de outras bactérias patogênicas da microbiota ocular Espessura corneana diminuída faz com que, em casos extremos, a pressão do humor aquoso provoque a ruptura da córnea, levando o animal a cegueira irreversível. PATOGENIA EM OVINOS E CAPRINOS Aderência dos micoplasmas aos receptores das células conjuntivais e corneanas por meio da adesina LppS, que é uma proteína presente na superfície do agente. A fixação dos micoplasmas as células da córnea estimula a resposta inflamatória caracterizada por edema e migração de células inflamatórias. As citocinas provocam opacidade da córnea , que dura de 2 a 4 semanas e se cura espontaneamente, desde que não tenha entrada de patógenos secundários e oportunistas. Dependendo do tipo de patógeno pode produzir lesões e causar conjuntivites purulentas , úlceras e até mesmo rompimento de córnea. ATRAÇÃO DE VÁRIAS ESPÉCIES DE MOSCAS Como o conduto lacrimal se encontra inflamado, ocorre o escoamento de secreção rica em micoplasmas pela goteira lacrimal. MOSCAS SÃO CONTAMINADAS ATUAM COMO VETORES DA DOENÇA M. conjunctivae induz uma resposta imune que pode ser detectada 2 a 4 semanas após a infecção persistindo meses. CLÍNICA EM BOVINOS O período de incubação da doença dura cerca de 2 a 3 dias, mas pode se estender por até três semanas. Primeiras manifestações clínicas - Lacrimejamento com secreção de líquido pela goteira lacrimal e fotofobia (72 horas após a infecção). Durante essa fase também ocorre corrimento nasal de líquido lacrimal, onde é possível isolar a bactéria. Os animais procuram lugares protegidos de luz solar e fecham os olhos por causa da fotofobia. As moscam se alimentam de exsudato conjuntival que contém grandes concentrações de bactérias, favorecendo a transmissão nos rebanhos. Nas 24 h seguintes surge a lesão corneana que se apresenta como uma mancha esbranquiçada localizada na parte central da córnea. Em alguns animais, as lesões permanecem inalteradas durante vários dias, podendo desaparecer ou persistir toda a vida do animal. Em outros animais, as lesões aumentam de tamanho ulceram e, eventualmente, evoluem para perfuração da córnea, com a saída do humor aquoso, que aparece como um líquido viscoso. A lesão inicial pode ser invadida por outras bactérias da microbiota, afetando a córnea e a câmara anterior do olho, que se torna turva. A evolução da doença em condições de campo resulta em ceratite crônica com a córnea esbranquiçada que dependendo da extensão, causa cegueira. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EM BOVINOS MANIFESTAÇOES CLÍNICAS EM OVINOS E CAPRINOS Os sinais clínicos oculares são similares, independente dos microrganismos envolvidos na etiologia da doença. Lacrimejamento uni ou bilateral, fotofobia . Com evolução da doença, pode ocorrer opacidade corneana , blefaroespasmo e intensa irritação da conjuntiva. Em casos graves, geralmente complicados por bactérias oportunistas a córnea pode apresentar edema, úlcera ou ruptura e cegueira no animal. Não havendo contaminação, a doença evolui para cura entre 7 e 30 dias sem deixar sequela. Baseia-se na epidemiologia e nas manifestações clínicas. O diagnóstico definitivo de rotina é realizado por isolamento e caracterização de M. bovis. O material é coletado com swabs estéreis, após fricção na região conjuntival, e semeado imediatamente em ágar acrescido de sangue desfibrinado de ovino (5%). Após 24H, as colônias de M.bovis apresentam 1 a 2 mm de diâmetro, com supericte lisa e um estreito halo de B- hemólise. Bovinos Métodos de diagnóstico Métodos de diagnóstico Tambem se baseia na epidemiologia e nas manifestações clínicas. A presença de M. conjunctivae pode ser detectada mais facilmente pela tecnica de PCR. utilizando primers específicos (Gram, Giemsa e Panótico) Outras técnicas, como a imunofluorescência, são utiliza das como alternativas para o diagnóstico. O diagnóstico indireto baseia-se na detecção de títulos elevados de anticorpos contra M.conjunctivae por ELISA, a partir de 2 semanas do inicio dos sinais clínicos. Ovinos e Caprinos Diagnóstico diferencial Rinotraqueíte bovina infecciosa Enfermidade das mucosas/Diarreia viral bovina Febre catarral maligna Listeria monocytogenes Carcinoma epidermoide O tratamento dos casos clínicos deve iniciar imediatamente após o diagnóstico, Os antibióticos ou quimioterápicos podem ser administrados por via parenteral, injetados nas glândulas lacrimais ou aplicados topicamente no saco conjuntival. Aplicação tópica dos antibióticos por 7 a 10 dias. A injeção de antimicrobianos como gentamicina, cloranfenicol e florfenicol (0,1 ml) nas glândulas lacrimais possibilita manter níveis adequados do medicamento por 2 ou 3 dias. Bovinos Tratamento A injeção intrapalpebral ou na glândula lacrimal assegura adequada concentração do antibiótico por 24 a 48 h A injeção intramuscular de tetraciclinas de longa ação (20 mg/kg), que asseguram níveis terapêuticos do fármaco nas lágrimas por 72 h A aplicação tópica de pomadas ou pó deve ser repetida 2 a 3 vezes/dia até a remissão dos sinais clínicos. Fármacos do grupo das penicilinas e estreptomicina são ineficazes para o gênero Mycoplasma. A gentamicina e o florfenicol (0,1 ml) têm sido utilizados, por via palpebral Ovinos e Caprinos Tratamento Profilaxia e Controle (bovinos) Medidas Gerais Imagens: Canva Animais infectados devem ser segregados e tratados. Surtos: limitar movimentação do rebanho (mín. 4 semanas) Quarentenário para reintrodução no rebanho Profilaxia específica Vacinas Até 1980: Cepas “lisas” de M.Bovis, inativadas em formol e adjuvante mineral. Imunidade curta duração. Em 1982: Cultivos isolados de M.Bovis com fímbrias, protegendo superiormente 83,4%. Adjuvantes minerais e oleosos Vacina oleosa com cepas inativadas para a prevenção de Ceratoconjutivite em bovinos. Biogénesis Bagó Composição: Moraxella bovis IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina) – BoHV - 1 3ml SC ou IM 40 doses Vacina inativada contra a ceraratoconjuntivite bovina infecciosa Hipra Composição: Moraxella bovis sorotipos C,D,E, Moraxella bovoculi, Moraxella ovis 3ml SC com intervalo de 21 dias e reforço semestral (hidróxido de alumínio) 30 doses Aplicada antes dos casos clínicos Em caso de surtos diminui os prejuízos econômico ESQUEMA VACINAL: PRIMEIRA QUINZENA DE JANEIRO: Todo o rebanho deverá ser vacinado, incluindo os nascidos durante a primavera, que deverão ser vacinados 2 a 3 semanas após. Zonas temperadas e frias: Vacinação de todos do rebanho com mais de 4 meses na segunda quinzena de agosto Zonas de clima quente: Vacinar todos o rebanho a cada 4 meses com vacinas .que contenha hidróxido de alumínio. Ainda não tem uma vacina capaz de proteger eficientemente diante de todas as cepas. Comprovado que vacinas importadas produzem baixos níveis de proteção. Outros estudos, revelam que a imunidade cruzada ocorre somente em linhagem de M. bovis do mesmo sorogrupo. profilaxia e Controle (ovinos e caprinos) Medidas Gerais Imagens: Canva Animais infectados devem ser segregados e tratados. Surtos: limitar movimentação do rebanho (mín. 4 semanas) Quarentenário para reintrodução no rebanho Não há vacina ou soros para a profilaxia e controle da CIOC. Saúde Pública Embora não seja uma zoonose, foi diagnosticado ceratoconjuntivite em duas crianças que mantiveram contato com ovelhas doentes. Relato de um Surto de Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina em uma Propriedade no Rio Grande do Sul. O objetivo do presente trabalho é relatar um surto de ceratoconjuntivite infecciosa bovina em novilhas de uma propriedade localizada em Palmares do Sul, RS. Em uma propriedade rural se apresentaram 40 novilhas de um lote de 245, da raça Angus, com a córnea opaca (Figura 6). Ao examinar com mais atenção se observou que estavam lacrimejando (Figura 7), apresentavam blefaroespasmo e úlcera na córnea, algumas já com grande acúmulo leucocitário (Figura 8). A fazenda é situada em uma península que adentra a Lagoa dos Patos - RS, onde o foco é a pecuária e os animais são criados em campo nativo, bastante macegoso. O diagnóstico de ceratoconjuntivite se deu com base nos sinais clínicos encontrados. O tratamento indicado pelo médico veterinário supervisor foi Oxitetraciclina LA, 20 mg/kg via IM. Além do antibiótico foi aplicado corticóide à base de Dexametasona. De forma tópica foi utilizado o Terra Cortril, spray à base de Terramicina e Hidrocortisona e também unguento misturado com Terramicina em pó. Este lote de animais recebeu três doses da vacina contra ceratoconjuntivite infecciosa bovina, sendo duas antes do início do surto. Das 40 novilhas acometidas, 20 tiveram recidiva. Até a conclusão do presente relato o surto não havia sido controlado. Conforme descrito na literatura os animais acometidos foram os mais jovens , neste caso as novilhas de sobreano, em torno de 15 meses de idade, que apresentavam os mesmos sinais clínicos blefaroespasmo, epífora, fotofobia, opacidade da córnea e úlceras na córnea, em concordância com o diagnóstico de CIB. Outros sinais clínicos que podem se apresentar são ceratite, exoftalmia e congestão vascular na região. Entre os fatores predisponentes, além da idade, temos animais com olhos proeminentes e sem pigmentação, o que não é o caso do relato pois são animais da raça Angus e de cor preta. Existem também os fatores ambientais como o clima quente, exposição direta à luz solar, vento, poeira, pastagens altas, campo com muita macega, espinhos e presença de vetores, estes últimos fatores todos de acordo com o caso relatado. O surto de ceratoconjuntivite começou em dezembro de 2021, durante o verão, o rebanho estava com grande quantidade de moscas. Além da temperatura, outro fator importante foi a localização da propriedade que situa-se em uma península que adentra a Lagoa dos Patos - RS, portanto uma região muito úmida. O lote de novilhas deste relato recebeu a primeira dose ao serem desmamadas, portanto ainda terneiras em maio de 2021, e após isso ainda receberam mais duas doses. Porém, esta nem sempre é efetiva, as constantes falhas da vacina levantaram a suspeita de que existiam diferentes cepas de Moraxella spp. Acabar com um surto de CIB é sempre um desafio. Na propriedade do caso relatado o surto começou em dezembro de 2021 e até o momento da conclusão deste trabalho (maio de 2022) ainda não havia sido controlado. Ao final deste trabalho é possível perceber a importância de fazer um estudo quando surtos ocorrem para determinar qual cepa do agente etiológico está acometendo os animais para assim poder indicar o tratamento correto e também a profilaxia com a vacinação. Observa-se também como o manejo correto dos animais pode ajudar na prevenção como o controle de vetores, evitar irritar a região ocular (poeira, pasto alto…), assim como proteger da radiação solar. (BARRETO, 2022) Referências BARRETO, Luisa Menna. Relato de um Surto de Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina em uma Propriedade no Rio Grande do Sul. 2022. 22 f. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Aculdade de Ciências Agrárias e Meio Ambiente, Porto Alegre, 2022. Disponível em: file:///C:/Users/isabe/Downloads/Relat%C3%B3rio%20de%20Est%C3%A1gio%20RELATO%20DE%20CASO %20CIB.pdf. Acesso em: 03 out. 2023. MEGID, J. Doenças infecciosas nos animais de produção e de companhia. 2016. Muito obrigada!