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Unidade 1
A evolução 
da ciência 
psicológica 
Tainá Thies
Psicologia do 
Desenvolvimento
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
TAINÁ THIES
AUTORIA
Tainá Thies
Olá! Meu nome é Tainá Thies. Sou formada em Letras, com 
especialização em Linguística, mestrado em Teoria da Literatura e, 
atualmente, cursando Psicologia, com uma experiência técnico-
profissional na área de Educação e Aprendizagem de mais de 10 anos. 
Atuei em empresas que me colocaram em contato com a diversidade do 
povo brasileiro e me fizeram amar ainda mais a Educação, a Psicologia 
e a Língua Portuguesa. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir 
minha experiência de vida àqueles que estão iniciando suas profissões. 
Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase 
de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
INTRODUÇÃO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
História da Psicologia ...............................................................................10
Principais influências filosóficas na Psicologia ...........................................................11
Idade Antiga ..................................................................................................................... 12
Idade Média...................................................................................................................... 15
Origem da Psicologia Moderna ..............................................................16
Descoberta da subjetividade privada ..............................................................................18
Crise da subjetividade privada .............................................................................................. 21
Objeto de estudo da Psicologia............................................................ 24
Escolas Psicológicas ................................................................................ 30
Estruturalismo ................................................................................................................................... 30
Funcionalismo ....................................................................................................................................33
Associacionismo ............................................................................................................................. 38
Psicologia do Desenvolvimento 7
UNIDADE
01
Psicologia do Desenvolvimento8
INTRODUÇÃO
A Psicologia do Desenvolvimento é uma área fascinante! Ao 
estudarmos a sua história, podemos perceber o quão antigo é o interesse 
por entender o ser humano. Com esta disciplina, você poderá ter maior 
compreensão do que nos torna humanos e da trajetória de desenvolvimento 
cognitivo de uma pessoa. Ao entendermos como funcionamos, podemos 
perceber mais facilmente situações que requeiram nossa intervenção no 
processo de aprendizagem, como transtornos, dificuldades escolares 
e de comportamento. Estudar o desenvolvimento, da psicologia e 
dos indivíduos, aguça nossos sentidos para a aceitação daquele que é 
diferente de mim e possibilita uma maior compreensão do processo de 
ensino-aprendizagem e da educação integral, que visa formar um sujeito 
capaz de tomar suas próprias decisões. Vamos começar?
Psicologia do Desenvolvimento 9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender a importância do histórico da psicologia;
2. Identificar o surgimento da Psicologia enquanto ciência;
3. Reconhecer a evolução do objeto de estudo da Psicologia;
4. Esquematizar as principais escolas fundadoras da Psicologia.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho! 
Psicologia do Desenvolvimento10
História da Psicologia 
INTRODUÇÃO:
Ao término deste tópico, você será capaz de entender a 
história e a sua importância para a Psicologia. Você já se 
perguntou o porquê de estudarmos a história de alguma 
coisa? Por que não começamos a estudar o que a Psicologia 
diz hoje e pronto? E então? Será que conhecer a história da 
disciplina irá auxiliar a compreender como chegamos até 
aqui? Então, vamos lá!
Para você, qual a importância de saber o seu passado para 
compreender o que está sentindo?
A Psicologia é constituída de muitas visões acerca do homem e do 
mundo, porém, o que liga todas estas visões é a história desta ciência. 
Somente a exploração das origens da psicologia e o estudo 
do seu desenvolvimento é que proporcionam uma visão clara 
da natureza da psicologia atual. O conhecimento histórico 
organiza a desordem e estabelece um significado ao que 
parece ser um caos, colocando o passado em perspectiva 
para explicar o presente (SCHULTZ, 2012, p. 2).
Além disso, pode-se dizer que olhar para o passado constitui um 
método de várias linhas psicoterapêuticas, como a Psicanálise, que tenta 
compreender o passado do paciente, ou como nas abordagens cognitivo-
comportamental e gestáltica, que tentam entender como o passado afeta 
o presente.
E de que ponto começamos o estudo da Psicologia? 1900? 1800? 
1700?
Não senhoras e senhores! A Psicologia remonta à antiguidade, 
embora ainda não fosse conhecida como “Psicologia”. Porém, suas bases 
podem ser encontradas em Platão e Aristóteles, no século V a.C.
Psicologia do Desenvolvimento 11
Você sabia? Que a palavra “Psicologia” vem da junção das palavras 
gregas “Psyché” (alma ou espírito) e “logos” (estudo, compreensão). Assim, 
Psicologia significaria “o estudo da alma”.
Os filósofos antigos, apesar de serem bem filósofos, já se 
questionavam quanto ao comportamento humano. E eles continuaram 
a investigar o ser humano, suas motivações e pensamentos, emoções, 
sensações, memória e aprendizagem até o século XVIII. A partir desta 
época, pesquisadores das ciências médicas e biológicas também 
passaram a se interessar pelo estudo da mente humana. Tal aproximação 
das ciências naturais possibilitou que, a partir do século XIX, a Psicologia 
se estabelecesse enquanto ciência.
Assim, talvez não devamos chamar de “história da Psicologia” o 
que veio antes do século XIX, porém, também não podemos fingir que 
os acontecimentos anteriores não sejam de suma importância para nos 
trazer até o ponto em que a Psicologia se torna ciência.
Vamos, então, ver um resumo das principais influências, em especial 
filosóficas, que antecederam a constituição dessa ciência.
Nota: “A Psicologia tem um longo passado, mas uma curta história.” 
Hermann Ebbinghaus.
Principais influências filosóficas na 
Psicologia
Para entendermos melhor osperíodos que influenciam a Psicologia 
moderna, vejamos abaixo uma linha do tempo das eras pré-histórica e 
histórica, bem como os principais eventos em cada Idade.
Psicologia do Desenvolvimento12
Figura 1: Linha do tempo dos principais eventos históricos
Fonte: Adaptado pelo autor
Idade Antiga
O período definido como idade Antiga, ou Antiguidade, apresenta 4 
grandes períodos de pensamento filosófico, em sua maioria marcado pelo 
grande pensador Sócrates.
Vamos, então, aos períodos do pensamento filosófico, seus 
representantes e suas ideias:
1. Período pré-socrático (séculos VII-V a.C.)
Neste período, os pensadores se preocupavam com problemas 
cosmológicos, isto é, com problemas relativos à origem do universo. Os 
pré-socráticos acreditavam que o universo tinha se originado a partir de 
um único elemento ou fenômeno.
Partiam da observação para estudar a realidade, buscando a 
origem natural das coisas, sua essência, por meio de explicações lógicas 
provindas das observações naturalistas. 
 • Os pré-socráticos buscavam o que chamavam de arché, ou seja, a 
essência das coisas.
2. Período socrático (séculos V-IV a.C.)
Neste período, também chamado de clássico, os filósofos se 
preocupavam com problemas metafísicos, isto é, que transcendem a 
realidade objetiva do mundo físico. Assim, o interesse pela natureza se 
integra ao interesse pelo espírito. Sócrates, Platão e Aristóteles são os 
maiores representantes deste período:
Psicologia do Desenvolvimento 13
Figura 2: Sócrates 469 a.C.
Fonte: Wikimedia
Sócrates propõe um exame de si mesmo enquanto um método 
filosófico, buscando, assim, o estudo do homem. Porém, homem não 
enquanto indivíduo, mas, sim, enquanto ser possuidor de uma alma 
(psyché), a qual é constituída de virtudes. Assim, o homem nasceria para 
ser virtuoso, diferenciando-se dos animais por sua inteligência.
Figura 3: Platão 428 a.C.
Fonte: Wikimedia
Para Platão, o conhecimento empírico, por meio de experiências, 
deveria ser substituído pelo conhecimento intelectual, pois este seria 
Psicologia do Desenvolvimento14
universal e absoluto, enquanto as experiências seriam relativas, muito 
pessoais.
O filósofo acreditava que a alma humana derivava de uma alma 
universal, e esta alma universal pertenceria ao mundo das ideias, logo, da 
intelectualidade. Sendo a alma a inteligência pura, Platão acreditava que 
tudo que é criado no mundo físico vem antes deste mundo das ideias, de 
onde vêm as almas dos homens.
ACESSE:
Para saber um pouco mais sobre os filósofos apresentados 
aqui e mais alguns, recomendamos assistir a videoaula 
“Sócrates, Platão, Aristóteles, Descartes e Rosseau”, produzida 
pela Unesp. Disponível em: https://cutt.ly/rfPrK8s. Acesso em: 
18 jan. 2019.
Figura 4: Aristóteles 384 a.C.
Fonte: Wikimedia
Para Aristóteles, a alma seria um princípio da vida, e o mundo físico 
não seria criado primeiramente nas ideias, como pensava Platão. O filósofo 
se colocava de forma mais realista, estudando os seres vivos em si, e não 
a ideia do ser vivo, como o seu antecessor.
Psicologia do Desenvolvimento 15
3. Período Pós-socrático (320 a.C. até o começo da Era Cristã)
Neste período, os filósofos se separaram em duas linhas – estoicos 
e epicuristas –, ambas buscando a discussão de problemas morais. Os 
filósofos discutiam a ética e a conduta moral dos homens.
SAIBA MAIS:
Quer saber mais sobre os epicuristas e os estoicos e 
sua busca pela ética? Recomendamos a leitura do 
artigo: “Filosofia: Epicurismo e Etoicismo”. Disponível 
em: https://cutt.ly/8fPtxqY. Acesso em: 14 set. 2020.
Idade Média
Com o advento da Era Cristã, os valores da antiguidade modificaram-
se. Enquanto o pensamento grego atestava que o homem era subordinado 
ao universo e exaltava a inteligência, os cristãos pregavam a subordinação 
do universo ao homem e a obediência a Deus.
Na Idade Média, há uma ordem superior que ampara os homens e 
que dita as regras da vida. A vida é compartilhada, não privada, pois nem 
mesmo há cômodos separados nas casas. Assim, há a coletividade que 
vive em função dos senhores feudais e da Igreja.
RESUMINDO:
Neste tópico, vimos que a Psicologia teve a influência de 
vários filósofos em sua história. Você aprendeu que o período 
definido como Idade Antiga, ou Antiguidade, apresenta 4 
grandes períodos de pensamento filosófico, em sua maioria 
marcado pelo grande pensador Sócrates. E na Idade Média, 
com o surgimento da Era Cristã, os valores mudaram.
Psicologia do Desenvolvimento16
Origem da Psicologia Moderna
INTRODUÇÃO:
Ao término deste tópico, você será capaz de entender o 
surgimento da Psicologia enquanto ciência. A Idade Moderna, 
mais precisamente a partir do século XVI, começa a erigir 
os primórdios de uma disciplina chamada de Psicologia. É 
neste período que o Renascimento e o Iluminismo surgem. 
E então? Será que conhecer a origem da disciplina o auxilia 
a compreender como chegamos até aqui? Então, vamos lá!
Renascimento (entre os séculos XIV e XVI) – período de transição 
entre o feudalismo da Idade Média e o capitalismo dos séculos posteriores, 
com evolução em todos os campos da vida e retomada de valores da 
antiguidade. 
Figura 5: Renascimento (entre os séculos XIV e XVI)
Fonte: Pixabay
Definição: Iluminismo (século XVIII) – conhecido como “século 
das luzes” por apresentar ideais embasados na razão, como liberdade e 
progresso.
Psicologia do Desenvolvimento 17
Figura 6: Iluminismo (século XVIII)
Fonte: Pixabay
No século XVI, o ser humano tem a necessidade de obter um 
conhecimento de si mesmo, de identificar sua individualidade e de 
ter novas experiências. Desta busca por uma individualidade, surgem 
outras discussões, das quais apenas mencionaremos neste material 
por considerar de menor importância à compreensão do surgimento da 
Psicologia. Tais discussões giram em torno:
 • da distinção entre o corpo e a mente; 
 • do reconhecimento da loucura como uma doença ligada à mente; 
 • da distinção entre infância e vida adulta, sendo que a criança era 
antes vista como um mini adulto, sem necessidades cognitivas ou 
físicas distintas da de um adulto.
Exemplo: O filme “Nise: O coração da loucura” (2015) retrata a 
história de uma psiquiatra brasileira que se recusa a tratar os pacientes 
internados no manicômio onde trabalha da mesma forma que sempre 
foram tratados, com crueldade. Inicia, então, um lindo trabalho de terapia 
ocupacional e psicoterapia com os internos, revolucionando o tratamento 
dado às pessoas com transtornos mentais. Assista! É um filme que retrata 
a condição das pessoas com doenças mentais e o tratamento que, muitas 
vezes, utilizava choques e cirurgias.
Psicologia do Desenvolvimento18
Esta necessidade de busca por si mesmo foi o germe para toda 
uma ciência, o qual deu origem a dois pontos muito importantes para o 
delineamento da Psicologia:
 • a descoberta da subjetividade privada;
 • a crise da subjetividade privada.
Descoberta da subjetividade privada
Se pensarmos no homem enquanto um indivíduo que tem 
consciência de ser um “eu”, com experiências próprias e subjetivas, 
entendemos que hoje todos nos reconheceremos como este indivíduo, 
correto?
Ter uma experiência da subjetividade privatizada bem nítida 
é para nós muito fácil e natural: todos sentem que parte de 
suas experiências é íntima, que mais ninguém tem acesso a 
ela. É possível, por exemplo, ficar um longo tempo pensando 
se vamos ou não fazer uma coisa, quase decidir por uma e, no 
final, acabar fazendo a outra, sem que ninguém fique sabendo 
de nada. Com frequência sentimos alegrias e tristezas 
intensas e procuramos escondê-las. A possibilidade de 
mantermos nossa privacidade é altamente valorizada por nós 
e relacionada ao nosso desejo de sermos livres para decidir 
nosso destino. A experiência da solidão, ansiada ou temida, 
é também altamente expressiva daquilo que acreditamos ser 
nossa individualidade (FIGUEIREDO; SANTI, 1997, p. 19).Assim, de acordo com Figueiredo e Santi, para nós, seres da 
Idade Contemporânea, é fácil compreendermos que somos sujeitos 
(subjetividade) que possuem pensamentos, emoções, planos e sensações 
que sejam privadas, somente nossas.
Porém, nem sempre foi assim.
Na Antiguidade, como vimos, buscava-se uma vida que refletisse 
um autogoverno do corpo e da alma (psyché). Não havia uma busca por 
autoconhecimento, a qual sempre tentamos cultivar nos dias de hoje.
Psicologia do Desenvolvimento 19
 • Você sabia? Que há um conto grego que retrata a história de amor 
entre Eros (deus do amor) e uma mortal, Psyché? O conto é de fácil 
acesso e tem uma leitura muito agradável. 
Figura 7: Eros 
Fonte: Pixabay
Os antigos buscavam uma vida que se assemelhasse a uma obra 
de arte a partir de ensinamentos e da natureza, não buscavam verdades 
internas como fazemos hoje.
A cristandade voltou-se para o interior, mas não para encontrar a si, 
e sim para encontrar Deus dentro de si. Assim, os cristãos se diferenciaram 
dos antigos por buscarem verdades interiores, porém não verdades 
individuais, mas advindas de um ser superior a eles próprios.
Por fim, a partir da modernidade passou-se a olhar para dentro de 
si, como nos dizem Vilela, Ferreira e Portugal:
Na passagem para o cuidado de si moderno há, pois, uma 
mudança de finalidade: não se busca mais uma purificação 
da alma para atingir Deus, mas uma pura afirmação de 
si. E também, o exame de si, outrora exercido através de 
instrumentos religiosos e jurídicos (como a confissão), cede 
aos aparatos científicos modernos (a anamnese, a entrevista 
Psicologia do Desenvolvimento20
clínica, os testes mentais). Portanto, mudam igualmente as 
técnicas desse novo cuidado de si (2005, p. 16).
E a busca por esta afirmação de que dizem os autores acontece 
quando há situações de crise social, isto é, quando aquilo que temos 
estabelecido enquanto valores ou costumes são questionados, 
produzindo novas formas de se viver. Quando há este questionamento 
daquilo que temos como verdade, precisamos nos interiorizar, nos voltar 
para dentro de nós mesmos para tomar as decisões, uma vez que não há 
apoio da sociedade para nos dizer o que devemos ou não fazer.
 • Quais atos as minorias, como mulheres, negros, indígenas e 
comunidade LGBT, realizam para que suas vozes e seus anseios 
sejam ouvidos? Você crê que a sociedade tem condições de prover 
tais grupos com os direitos que lhe são devidos sem que haja pressão 
popular? De que forma? Reflita e busque mais informações sobre a 
representatividade das minorias.
Ao colocar em debate o que estava estabelecido socialmente, 
surge uma perda de referências, as quais antes eram coletivas, partilhadas 
por quase toda a sociedade (referências como gênero, raça, família, leis, 
entre outras). 
Portanto, o ser humano se vê na necessidade de encontrar suas 
próprias respostas. Nesta busca, muitas vezes há questionamentos como: 
quem sou? O que quero para mim? O que é correto? O que desenvolve a 
habilidade de reflexão moral?
Figura 8: Reflexão dos questionamentos – Quem sou? O que quero para mim? 
Fonte: Pixabay
Psicologia do Desenvolvimento 21
Estes questionamentos se refletem em outros setores, como as artes. 
Quando começamos a perceber que poderíamos ter uma subjetividade 
privada, pudemos nos expressar de forma diferente. Assim, surgiram o 
romance, a poesia lírica (que fala do eu) e pinturas que traduzem o mundo 
interior do artista.
 • A subjetividade privada foi possível, também, graças à criação da 
imprensa e da possibilidade de impressão de livros e jornais. Antes 
da imprensa, pouquíssimas pessoas possuíam livros, pois eles eram 
copiados à mão. Mas, também, poucas eram as que sabiam ler. 
Assim, a imprensa possibilitou que a leitura se ampliasse e que ela se 
tornasse silenciosa, dentro da mente de cada um.
A partir do Renascimento, as autoridades que governavam a 
vida dos indivíduos e ditavam a conduta do povo perderam a força ou 
mudaram de função. A forma de governo foi lentamente se modificando 
e os reis não mais ditavam o que seus súditos deveriam ou não fazer com 
suas vidas.
Da mesma forma, a Reforma e Contra-Reforma da Igreja diminuíram 
dos padres, cardeais e bispos o posto de governantes da vida privada de 
seus fiéis. Assim como Deus se distanciou, pois não era mais o guardador 
dos passos individuais, sendo agora o criador, cabendo ao homem 
escolher seus caminhos.
Mas não apenas de alegrias viveu o homem do século XIX. Há 
alguns dissabores no caminho! Vejamos quais: 
Crise da subjetividade privada
Definimos até aqui que a subjetividade privada não é algo que a 
humanidade sempre teve, mas que foi construída quando questionamos 
valores e crenças e passamos a refletir para tomar nossas decisões, 
criando, assim, uma ideia de que o homem é livre para escolher seus 
caminhos.
Entretanto, a ideia de liberdade passou a ser questionada no século 
XIX, uma vez que liberdades e interesses individuais se colocaram a 
Psicologia do Desenvolvimento22
favor de alguns poucos e resultaram em problemas, como nos dizem 
Figueiredo e Santi:
Os interesses particulares levam a conflitos; a liberdade para 
cada um tratar de seu negócio desencadeou crises, lutas e guerras. 
Os trabalhadores no século XIX foram aos poucos descobrindo que se 
defenderiam melhor unidos em sindicatos e partidos do que sozinhos. 
O Estado, a administração pública não ficou inertes. Para combater os 
movimentos operários reivindicatórios, para pôr um pouco de ordem na 
vida social – em que cada um defendia o que era seu sem pensar nas 
consequências para todos – e para defender os interesses dos produtores 
de uma nação contra os das outras, a administração pública cresceu, 
cresceram o Estado, a burocracia, cresceram as forças armadas. A partir 
daí, como ficava aquela ideia de liberdade individual? Ainda no século XIX, 
conjuntamente com as burocracias, cresce a grande indústria baseada na 
produção padronizada e mecanizada, cresce o consumo de massa para 
os produtos industriais. Onde ficava, então, aquela ideia de que cada um 
é único e diferente dos demais? (1997, pp. 49-50).
Com o questionamento acerca da real liberdade individual, muitos 
conflitos tomam forma ao redor do mundo e, em especial, na Europa. 
Dessa forma, o campo para o surgimento da Psicologia enquanto ciência 
está pronto. É preciso uma ciência que dê conta da angústia do indivíduo, 
gerada pela compreensão de que possui uma subjetividade, mas que 
sua liberdade é, em certo grau, ilusória. Também é necessária uma nova 
ciência que auxilie o Estado a governar e controlar sujeitos que agora 
tiram suas próprias conclusões.
Exemplo: Para compreender um pouco mais sobre a crise da 
subjetividade privada, assista ao filme “Os Miseráveis”, baseado na obra do 
escritor francês Victor Hugo. O filme conta a história de um povo tolhido 
entre sonhos e desilusões, culminando na Revolução Francesa. É possível 
perceber bem o quanto a miséria leva o povo a entrar em crise, assim 
como as estruturas sociais.
Psicologia do Desenvolvimento 23
Figura 9: Revolução Francesa
Fonte: Pixabay
RESUMINDO:
Neste tópico, vimos que na Idade Moderna, mais precisamente 
a partir do século XVI, começa a surgir uma disciplina chamada 
de Psicologia. Você aprendeu que neste período surgem, 
também, o Renascimento e o Iluminismo, que contribuíram 
para o seu desenvolvimento. 
Psicologia do Desenvolvimento24
Objeto de estudo da Psicologia
INTRODUÇÃO:
Ao término deste tópico, você será capaz de entender a 
evolução do objeto de estudo da Psicologia. E então? Será 
que conhecer o objeto de estudo da disciplina o auxilia a 
compreender como chegamos até aqui? Então, vamos lá!
Ao tentar se estabelecer como ciência, a Psicologia apresenta 
inicialmente um problema: seu objeto de estudo – a psiquê, ou a mente 
humana.
O que restaria para uma psicologia como ciência independente? 
Nada!Embora, à primeira vista, possa parecer surpreendente, 
esta foi exatamente a resposta de um importante filósofo 
francês do século XIX, Auguste Comte (1798-1857). No seu 
sistema de ciências não cabe uma “psicologia” entre as 
“ciências biológicas” e as “sociais” (FIGUEIREDO; SANTI, 1997, 
p. 15).
Para Comte, as ciências biológicas e as ciências sociais já dariam 
conta de estudar o ser humano. A primeira, a biologia, já a segunda, a 
sua inserção na sociedade. Porém, era preciso que alguém estudasse a 
subjetividade do ser humano, a sua mente.
Conceito: A mente seria, para os psicólogos iniciais, uma entidade 
separada do corpo, a qual seria responsável pelos processos cognitivos. 
Este conceito foi contestado por linhas futuras, em especial pelo 
behaviorismo, que não utiliza tal conceito em sua teoria.
Todavia, para estudar a mente eram necessários métodos, e os 
séculos XVIII e XIV providenciaram diversos deles para compreender o 
mundo e seus seres. Veja abaixo os principais métodos de pesquisa tanto 
do homem quanto do mundo que o rodeia: 
Psicologia do Desenvolvimento 25
Figura 10: Principais métodos de pesquisa e seus pensadores
Fonte: Elaborada pela autora com base em Schultz & Schultz (2012).
Esses métodos foram (e ainda são) utilizados nas mais diversas 
disciplinas. Da mesma forma que os filósofos os utilizavam para estudar a 
mente e a sociedade, os pesquisadores das ciências biológicas do século 
XIX também os utilizavam para entender a fisiologia humana.
 • Fisiologia – é o estudo do funcionamento dos seres vivos e dos 
processos físicos e químicos que se passam nos organismos.
Desta forma, os fisiologistas se encarregavam de estudar a ligação 
entre os nervos e as sensações no corpo humano, mapeando as funções 
do cérebro. Com tais pesquisas, inicia-se a Psicologia Experimental, que 
tinha por objetivo estudar a mente por meio de experimentos.
Os primeiros estudos na área da Psicologia Experimental foram 
realizados por Hermann von Helmholtz, Ernst Webber, Gustav Theodor 
Fechner e Wilhelm Wundt. Este último é considerado, ainda hoje, o pai da 
Psicologia Moderna.
Psicologia do Desenvolvimento26
Figura 11: Wilhelm Wundt (1832-1920) 
Fonte: Wikimedia 
Até este ponto, a Psicologia já tinha conseguido se tornar uma 
disciplina dentro dos cursos de graduação e pós-graduação, porém, 
ainda não era uma ciência de fato, oficial, capaz de gerar uma profissão.
Wilhelm Wundt foi o fundador da psicologia como disciplina 
acadêmica formal. Instalou o primeiro laboratório, lançou 
a primeira revista especializada e deu início à psicologia 
experimental como ciência. Os temas de suas pesquisas, 
como sensação e percepção, atenção, sentimento, reação e 
associação, tornaram-se capítulos básicos de livros didáticos 
e são até hoje fontes inesgotáveis de estudo. Tanto que a maior 
parte da história da psicologia pós-wundtiana é caracterizada 
pela contestação ao seu ponto de vista da psicologia, fato que 
não desvaloriza sua importância nem seus feitos como seu 
fundador (SCHULTZ; SCHULTZ, 2010, pp. 78-79).
Wundt criou o primeiro laboratório de psicologia experimental na 
Universidade de Leipzig, na Alemanha. Ele estudava a consciência, a qual 
“incluía várias partes diferentes e podia ser estudada pelo método de 
análise ou da redução” (idem, ibidem, p. 84).
Psicologia do Desenvolvimento 27
Para conseguir estudar a consciência, Wundt utilizou o método da 
introspecção, pois, para ele, somente o sujeito que passa pela experiência 
pode fazer observações sobre o que se passa em sua mente.
 • Método introspectivo – método de autoanálise para o estudo dos 
pensamentos e sentimentos.
Utilizando-se do método introspectivo para vasculhar a mente 
humana, Wundt chegou às seguintes teorizações:
Figura 12: Conceitos da teoria de Wilhelm Wundt
Fonte: Adaptado de Schultz & Schultz (2012, pp. 84-88).
Exemplo: Alguns exemplos de processos cognitivos são: linguagem, 
percepção, reflexão e pensamento.
Obviamente seu método de introspecção foi muito criticado. Afinal, 
se cada indivíduo observar sua própria mente e trouxer as suas respostas, 
diferindo das respostas dos outros indivíduos, como saber o que é correto, 
não é mesmo?
Psicologia do Desenvolvimento28
Apesar de ter suas ideias criticadas, Wundt conseguiu eliminar da 
pauta da Psicologia a discussão sobre a separação corpo e alma presente 
desde a Antiguidade, concentrando-se na experiência consciente. 
Além disso, fundou sua revista científica e formou diversos alunos que 
continuaram ou modificaram seu legado, tornando a Psicologia uma 
ciência moderna.
Já que no início da Psicologia o objeto de estudo era a mente 
e, depois, para Wundt, a consciência, qual será o objeto de estudo da 
Psicologia atual? Vamos analisar a definição proposta por Myers e DeWall:
Para englobar a preocupação da psicologia com o 
comportamento observável e com os pensamentos e 
sentimentos internos, atualmente definimos psicologia como 
a ciência do comportamento e dos processos mentais. Vamos 
esclarecer essa definição. Comportamento é tudo o que um 
organismo faz – toda ação que podemos observar e registrar. 
Gritar, sorrir, piscar, suar, falar e responder a um questionário 
são todos comportamentos observáveis. Processos mentais 
são as experiências internas e subjetivas que inferimos a 
partir do comportamento – sensações, percepções, sonhos, 
pensamentos, crenças e sentimentos (2017, p. 6).
Vemos, então, que hoje a Psicologia enquanto uma ciência se 
interessa tanto pelos comportamentos humanos, aquilo que podemos 
observar externamente, mesmo que muito sutilmente, quanto pelos 
processos mentais, as experiências que não conseguimos observar 
apenas ao olhar para o outro, que podemos chamar, também, de 
subjetividade privada.
O que faz alguém ser reconhecido como fundador de uma ciência? 
Veja o que nos dizem Schultz & Schultz acerca de Wundt: 
A contribuição de Wundt para a fundação da psicologia 
moderna é devida não tanto a uma única descoberta científica 
quanto à promoção vigorosa da experimentação sistemática 
realizada por ele. Portanto, fundação não é sinônimo de 
criação, embora essa distinção não tenha a intenção de ser 
depreciativa (2012, p. 79).
Psicologia do Desenvolvimento 29
RESUMINDO:
Neste tópico, vimos que a origem da psicologia teve a 
influência de vários filósofos em sua história. Você aprendeu 
que o período definido como Idade Antiga, ou Antiguidade, 
apresenta 4 grandes períodos de pensamento filosófico, 
em sua maioria marcado pelo grande pensador Sócrates. E 
na Idade Média, com o surgimento da Era Cristã, os valores 
mudaram.
Psicologia do Desenvolvimento30
Escolas Psicológicas 
INTRODUÇÃO:
Ao término deste tópico, você será capaz de entender a 
contribuição das escolas psicológicas na Psicologia. E então? 
Como dissemos anteriormente, a Psicologia derivou-se de 
experiências pessoais e eventos sociais. Esta confluência 
possibilitou que a nova ciência tentasse compreender o 
comportamento e os processos mentais por diversos ângulos, 
formando diversas escolas psicológicas. Então, vamos lá!
As primeiras escolas foram surgindo mais ou menos junto com as 
pesquisas de Wundt, e as principais escolas derivadas dos primeiros anos 
da Psicologia Experimental são: o Estruturalismo, o Funcionalismo e o 
Associacionismo. Embora não sejam escolas que tenham expressividade 
hoje, elas certamente possibilitaram o desenvolvimento de diversas 
abordagens atuais.
Estruturalismo
Figura 13: Edward B. Titchener (1867-1827)
Fonte: Wikimedia 
Psicologia do Desenvolvimento 31
O estruturalismo foi pensado e fundado por Edward B. Titchener 
(1867-1827), um britânico que se interessou pela psicologia de Wundt e 
foi até Leipzig para estudar diretamente com o pai da psicologia moderna. 
Ao se formar, Titchener e suas ideias não foram bem recebidas em 
sua terra natal. Por isso, mudou-se para os Estados Unidos para lecionar eabrir seu laboratório de psicologia experimental.
Embora tenha estudado com Wundt e levado as ideias do 
alemão para os Estados Unidos, a sua escola diferia muito da psicologia 
experimental de seu mestre. 
Para Wundt, como vimos anteriormente, a Psicologia deveria estudar 
os elementos da consciência e, mais especificamente, a organização 
destes elementos (processos cognitivos) por meio da apercepção. Isto 
é, a mente possuiria uma capacidade peculiar de “decidir” qual a melhor 
forma de organizar os processos cognitivos.
Porém:
Titchener se concentrava nos elementos ou conteúdos mentais, 
assim como na conexão mecânica mediante o processo de 
associação, mas descartava a doutrina da apercepção de 
Wundt. O seu enfoque estava nos elementos propriamente 
ditos e, na sua opinião, a principal tarefa da psicologia consistia 
na descoberta da natureza das experiências conscientes 
elementares – a determinação da estrutura da consciência 
mediante a análise das suas partes componentes (SCHULTZ; 
SCHULTZ, 2012, p. 106).
Como podemos ver, Titchener acreditava que o que deveria ser 
estudado não era a organização dos processos cognitivos superiores, 
mas, sim, as partes que constituíam tais processos. Para isso, como 
o método ainda era a introspecção, Titchener pedia a seus alunos que 
realizassem alguns experimentos. 
Um destes experimentos era o do tubo de borracha. Os alunos 
engoliam um tubo de borracha, mas deixavam a sua extremidade na 
boca. Ao longo do dia, eram alternados água quente e água gelada e os 
alunos deveriam relatar as sensações que sentiam.
Psicologia do Desenvolvimento32
Outros experimentos pediam que os alunos anotassem suas 
sensações ao urinar, defecar ou, até mesmo, durante a relação sexual, 
utilizando inclusive alguns dispositivos amarrados ao corpo para medir as 
respostas fisiológicas, como suor ou batimentos cardíacos.
 • Você conseguiria participar de testes como estes descritos acima? 
Muitas vezes, a ciência necessita de pessoas que passem por 
experimentos para que se chegue a respostas, como no caso de 
testagem de medicamentos. Mas será que você entregaria seu corpo 
e sua mente para o auxílio da ciência?
SAIBA MAIS:
A Psicologia produziu diversos experimentos que ficaram 
famosos. Recomendamos a leitura do artigo “25 experimentos 
psicológicos intrigantes (e polêmicos) das últimas décadas”. 
Disponível em: https://cutt.ly/jfPfElt. Acesso em: 14 set. 2020.
Uma vez que os processos cognitivos superiores como o 
pensamento são inconscientes, isto é, produzidos pela mente sem que 
nos demos conta, para Titchener o objeto de estudo da Psicologia deveria 
ser os processos conscientes. Por isso, usava como medida as sensações 
(tubo de borracha, eliminação de urina e fezes, sensações na relação 
sexual), as imagens e a afetividade.
As imagens, para o estruturalismo, seriam as lembranças do 
passado, as quais produziriam imagens que poderiam ser descritas. Da 
mesma forma, também se estudou a afetividade, experiências como 
amor, ódio ou tristeza, emoções que podem ser observadas e descritas 
por meio da introspecção.
Claramente, podemos perceber que esta escola não seguiu após 
a morte de seu fundador por diversas críticas. A primeira delas foi em 
relação ao método da introspecção, crítica que também alcançou Wundt 
anos antes. O filósofo Auguste Comte levantou a questão se deveria haver 
duas mentes, uma que observasse e uma que fosse observado, o que 
obviamente não é possível:
Psicologia do Desenvolvimento 33
A mente é capaz de observar todos os fenômenos, exceto 
os próprios. […] O órgão observador e observado neste caso 
é o mesmo e a sua ação não pode ser pura e natural. Para 
realizar uma observação, o intelecto deve fazer uma pausa 
na sua atividade; no entanto, essa é exatamente a atividade 
que se deseja observar. Se uma pausa não for possível, será 
impossível realizar a observação; e, se for possível, não haverá 
objeto a ser observado. Os resultados desse método são 
igualmente proporcionais ao seu absurdo (COMTE, 1830/1896 
apud SCHULTZ; SCHULTZ, 2012, p. 117).
Ao mesmo tempo em que as críticas recaíam sobre o método 
introspectivo, também recaíam sobre a figura de Titchener, que teimava 
em não alterar sua pesquisa ou seu método quando a psicologia já vinha 
avançando a passos largos. 
Assim, suas teorias aos poucos foram sendo excluídas dos cursos de 
Psicologia e morreram com seu fundador. Ao mesmo tempo, seu método 
introspectivo contribuiu para o desenvolvimento do que chamamos de 
relato oral de experiência, usado por diversas abordagens atualmente, 
tanto na resposta de questionários, como testes de inteligência, quanto 
em relatórios que requerem relatos de experiências pessoais.
A partir das críticas e contestações ao método de Titchener, outras 
escolas foram se aperfeiçoando para dar as bases para as abordagens 
contemporâneas da Psicologia.
Exemplo: Para compreender melhor como acontecem os relatos 
orais, recomendamos a leitura do artigo “As Técnicas de Relatos Orais e o 
Estudo das Representações Sociais em Saúde”, de Raquel Maria Rigotto, 
da UFCE. Disponível em: https://cutt.ly/ffPf7Mn. Acesso em: 14 set. 2020.
Funcionalismo
Qualquer nova teoria não nasce de forma aleatória e em uma data 
específica. Ela vai se moldando ao longo do tempo e em concomitância 
com as teorias que estão em voga no momento. Para que o funcionalismo 
Psicologia do Desenvolvimento34
passasse a existir enquanto uma escola de pensamento da Psicologia, 
foram necessárias algumas influências, as quais veremos a seguir.
Figura 14: Herbet Spencer (1820-1903)
Fonte: Wikimedia 
A primeira influência foi a do filósofo americano Herbert Spencer 
(1820-1903). Spencer tivera contato com a teoria da evolução de Charles 
Darwin e nomeou sua própria teoria de Darwinismo Social. Tal teoria previa 
que tudo no universo atua em evolução conforme a sobrevivência do mais 
apto. Assim, o próprio caráter humano e as instituições sociais deveriam 
seguir a “lei do mais apto”.
Na visão utópica de Spencer, se o princípio da sobrevivência 
do mais apto operasse com liberdade, apenas os melhores 
sobreviveriam. Portanto, a perfeição humana seria inevitável, 
desde que nenhuma ação interferisse na ordem natural das 
coisas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2012, p. 153).
Para se atingir a “perfeição humana”, Spencer acreditava que o 
governo não deveria interferir e nem ajudar seus cidadãos (sem educação, 
saúde ou moradia aos mais pobres). Tais ideias eram compatíveis com o 
pensamento da sociedade americana, voltada ao individualismo e ao útil 
Psicologia do Desenvolvimento 35
e funcional. Ou seja, a sociedade só seria perfeita caso somente os mais 
aptos sobrevivessem.
Sabemos bem o quanto estas ideais são perigosas. Elas criam 
um clima de “sobrevivência do mais forte” que desconsidera qualquer 
diferença entre os indivíduos e de pensamento.
Exemplo: Recomendamos a leitura do artigo de Costa, Costa e 
Gomes, intitulado “Teorias fascistas: discutindo o fascismo em sala de 
aula”, apresenta ligações entre o Darwinismo Social e regimes que não 
respeitam as diferenças. Disponível em: https://cutt.ly/BfPgyon. Acesso 
em: 14 set. 2020.
Além das ideias de Spencer sobre o Darwinismo Social, um médico 
americano, William James (1842-1910), possibilitou o florescimento do 
funcionalismo. Formado em medicina e com interesse pela Psicologia, 
ele cunhou alguns princípios para o novo campo de estudos.
Figura 15: William James (1842-1910)
Fonte: Wikimedia 
James concluiu que o objeto de estudo da Psicologia deveria ser a 
adaptação dos seres humanos no meio ambiente em que estão inseridos, 
revelando a ligação de sua teoria com o Darwinismo Social de Spencer. 
O pesquisador também acreditava que o físico afetava as condições 
psicológicas do sujeito, bem como “que fatores emocionais determinavam 
Psicologia do Desenvolvimento36
as crenças e que as necessidades e os desejoshumanos influenciavam 
a formação da razão e dos conceitos” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2010, p. 161).
Assim, a Psicologia deveria buscar explicar os fenômenos – 
experiências imediatas – e as condições da vida mental – corpo e cérebro. 
A consciência, para James, não poderia ser reduzida a processos, pois ela 
é um fluxo constante e não há como dividi-la.
Os cientistas que iniciaram o funcionalismo não estavam, 
inicialmente, em busca de criar uma nova teoria, mas, sim ,de combater 
as duas escolas vigentes: a de Wundt e a de Titchener. Entretanto, logo as 
ideias foram se delineando enquanto uma nova escola de pensamento.
Em verdade, quem acabou nomeando a nova escola foi, sem querer, 
o próprio Titchener. Sim! Em um de seus artigos – “Os postulados da 
psicologia estrutural” –, Titchener fez uma oposição entre o estruturalismo 
e o funcionalismo de seus opositores, dando uma identidade à nova 
escola sem mesmo perceber. 
Outros pesquisadores muito importantes para o funcionalismo 
foram John Dewey (1859-1952) e James R. Angell (1869-1949). O primeiro 
postulou a teoria do Arco reflexo, que é a ligação entre um estímulo 
sensorial e uma resposta motora, ou seja, quando batemos com o 
martelinho no joelho (estímulo sensorial) a perna dá um leve chute no ar 
(resposta motora).
Exemplo: Assista ao vídeo sobre os reflexos para entender melhor 
sobre o ato reflexo. Disponível em: https://cutt.ly/rfPgpB2. Acesso em: 14 
set. 2020.
Angell descreveu os principais temas do movimento funcionalista, 
moldando o movimento:
 • o funcionalismo deveria descobrir como os processos mentais 
ocorrem e sob quais condições;
 • a consciência é um instrumento e, como tal, tem um uso, que é o de 
mediar o que o organismo necessita e o que o ambiente disponibiliza, 
gerando adaptação;
 • é uma psicologia da relação entre a mente e o corpo e o ambiente.
Psicologia do Desenvolvimento 37
Os estruturalistas criticaram muito o movimento funcionalista 
mesmo antes de ele se estabelecer como uma escola de pensamento. A 
principal crítica vinha em relação ao nome, os cientistas nunca explicaram 
de forma veemente o porquê do termo função. 
Para os críticos, também era necessário rever a necessidade de 
se trabalhar questões práticas, uma vez que os estruturalistas não se 
interessavam por aplicar nada, diferentemente dos funcionalistas.
Porém, mesmo com as críticas, o funcionalismo possibilitou o 
desenvolvimento da psicologia contemporânea, em especial nos Estados 
Unidos. Entre seus métodos estavam: pesquisa fisiológica, descrições 
objetivas, testes mentais e questionários.
O funcionalismo abriu as portas para as pesquisas de comportamento 
animal, bebês, crianças e adultos com dificuldades mentais. 
 • O que você acha das pesquisas que utilizam animais? Acesse 
duas matérias que apresentam seus pontos de vista e reflita sobre 
isso. Uma da da Fiocruz, disponível em https://cutt.ly/hfPgjhQ, e a 
entrevista com o médico americano sobre o assunto, disponível 
em https://cutt.ly/pfPglin. Acessos em: 14 set. 2020.
SAIBA MAIS:
Hoje, sabemos que o maior contingente de trabalhadores 
da psicologia é composto por mulheres. Porém, ao longo 
deste material, você verá que não há menção a mulheres nos 
primórdios da Psicologia. Embora em número inferior, havia 
muitas mulheres trabalhando e pesquisando nos bastidores. 
Entretanto, raras vezes, durante o desenvolvimento da 
Psicologia como ciência, elas puderam aparecer, visto que, 
na maior parte das vezes, foram impedidas pelos próprios 
professores de seguirem pesquisando. Mas algumas 
conseguiram se sobressair em meio à repressão! Acesse a 
matéria “10 grandes mulheres da ciência” e veja algumas das 
cientistas extraordinárias que fizeram grandes descobertas! 
Disponível em: https://cutt.ly/gfPgvHR. Acesso em: 14 set. 
2020.
Psicologia do Desenvolvimento38
Associacionismo
As escolas que vêm após o funcionalismo nos Estados Unidos não 
ficaram conhecidas como Associacionismo, mas, sim, como Teorias da 
Aprendizagem. Porém, seu início é difuso, dividido entre diferentes países 
e pesquisadores, com influência da teoria associacionista de John Locke. 
Por isso, podemos chamar o início das Teorias da Aprendizagem de 
Associacionismo.
Para entendermos, teremos que voltar um pouco na nossa linha de 
raciocínio da evolução da psicologia para falarmos de Locke. 
John Locke foi um filósofo inglês que viveu no século XVII. Em 1690, 
publicou um livro intitulado “Um ensaio sobre a compreensão humana”, o 
qual marcou o início do empirismo inglês.
O filósofo se interessava em saber como a mente aprende, uma 
vez que considerava que o ser humano nascia sem conhecimento algum, 
como afirmara Aristóteles na Antiguidade (o homem é uma tábula rasa). 
Ele se opunha a Descartes, que acreditava na existência das ideias inatas, 
como na crença do homem em Deus. Porém, Locke explica que, embora 
seja plausível para um adulto que a crença em Deus seja inata, ela é, na 
verdade, ensinada desde a tenra infância.
 • Para entender melhor a ligação entre o Empirismo britânico e o 
Associacionismo, com exemplos, recomendamos assistir ao vídeo de 
John Locke, disponível em: https://cutt.ly/rfPgmCg. Acesso em: 14 
set. 2020.
Logo, a mente era capaz de adquirir conhecimento por meio da 
experiência, dividida por ele em dois tipos:
 • sensação: “derivadas da experiência sensorial direta com os objetos 
físicos presentes no ambiente, são simples impressões do sentido” 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2012, p. 42);
 • reflexão: as sensações geram uma operação na mente, que, por sua 
vez, age sobre as sensações, formando ideias por meio da reflexão. 
Psicologia do Desenvolvimento 39
Essa função cognitiva ou mental da reflexão como fonte 
de conceitos depende da experiência sensorial, já que as 
ideias produzidas pela reflexão da mente têm como base 
as impressões anteriormente percebidas pelos sentidos. […] 
Durante a reflexão, resgatamos as impressões sensoriais 
passadas, combinando-as para formar abstrações e outras 
ideias de nível superior (idem, ibidem, p. 42).
Estas ideias de que nos falam Schultz e Schultz foram divididas 
por Locke em simples e complexas, sendo que as simples provêm das 
sensações e as complexas derivam da reflexão, por meio da associação 
de várias ideias. 
Assim, as ideias simples podem ser transformadas em complexas 
associando--se a outras ideias simples ou mesmo complexas. A 
associação de Locke é o que hoje chamamos de aprendizagem. 
Agora que compreendemos de onde vem o nome dado às escolas 
iniciais das Teorias da Aprendizagem, ou associacionistas, podemos entrar 
no ramo da Psicologia que deu origem ao que hoje conhecemos como 
Behaviorismo, ou Ciência do Comportamento. Veremos o Behaviorismo e 
suas aplicações na Unidade 4, quando analisaremos a aprendizagem nas 
diversas fases da vida.
Aqui, faremos um levantamento breve das influências do 
Behaviorismo, dando continuidade ao nosso levantamento histórico. 
Vamos lá?
Psicologia do Desenvolvimento40
Figura 16: Edward Lee Thorndike (1874-1949)
Fonte: Wikimedia
Você percebeu que até aqui a maioria dos pesquisadores era 
formada em Medicina ou Ciências Biológicas? Pois então, podemos dizer 
que Thorndike é um dos primeiros psicólogos enquanto profissão, embora 
seus antecessores tivessem doutorados na área, muitas vezes não eram 
reconhecidos como tal.
 • Assista ao vídeo sobre o experimento da caixa problema de 
Thorndike para compreender melhor suas teorias, disponível em: 
https://cutt.ly/PfPgPwr. Acesso em: 14 set. 2020.
Thorndike focou no comportamento que poderia ser observado, e 
não na experiência consciente ou nos elementos mentais, como muitos 
antes dele. Compreendia a aprendizagem como conexões entre o 
estímulo apresentado e a resposta. 
Exemplo: Estou te apresentando um estímulo, que são as palavras 
e imagens neste e-book, e você está emitindo uma resposta, que é a de 
ler!
Thorndike também descreveu o aprendizadopor tentativa e erro, 
embora chamasse de tentativa e sucesso acidental.
Psicologia do Desenvolvimento 41
Figura 17: Ivan Petrovitch Pavlov (1849-1936)
Fonte: Wikimedia
Concomitante a Thorndike, o russo Pavlov também desenvolvia 
teorias sobre aprendizagem. O médico e fisiologista, primeiramente, 
estudou a função dos nervos cardíacos e as glândulas digestivas, este 
último lhe rendendo o Prêmio Nobel em 1904. Por fim, seus estudos se 
voltaram para os reflexos condicionados, área que o efetivou como um 
influenciador das teorias da aprendizagem. 
Para explicar o que é um reflexo condicionado, vamos dividi-lo em 
algumas etapas!
Em primeiro lugar, devemos saber que todos os seres humanos 
possuem reflexos inatos, isto é, que nascem conosco. Como exemplos de 
reflexos inatos podemos citar: o ato de sugar do bebê quando o seio da 
mãe é apresentado, a capacidade de salivar quando ingerimos alimento, 
lacrimejar quando há um cisco no olho e assim por diante.
Como você pode ver pelos exemplos acima, para que haja um 
reflexo é necessário um estímulo do ambiente. Vamos analisar um deles:
Psicologia do Desenvolvimento42
Figura 18: Reflexos condicionados
Fonte: Elaborada pela autora (2020).
Ou seja, o reflexo inato nada mais é do que “uma ‘preparação mínima’ 
que os organismos têm para começar a interagir com seu ambiente e para 
ter chances de sobreviver” (MOREIRA; MEDEIROS, 2007, p. 17).
Muito bem! Agora que você já compreendeu o que é um reflexo 
inato, vamos ver o reflexo condicionado.
Pavlov realizou uma pesquisa com cães para estudar suas glândulas 
digestivas, mas percebeu que o cão podia aprender novos reflexos. Como 
assim? Vamos ver de forma mais detalhada:
 • Para ver como era feito o experimento de Pavlov, recomendamos assistir 
ao vídeo “O cão de Pavlov”, disponível em https://cutt.ly/JfPgLZB. Acesso 
em: 14 set. 2020.
1. Em primeiro lugar, Pavlov inseriu um tubo de ensaio na boca dos cães 
para medir a salivação dos animais em relação com a quantidade e 
qualidade da comida apresentada;
2. Em seguida, Pavlov descobriu que havia outros estímulos que faziam 
com que o cão salivasse, e não apenas a comida. A mera visão da 
comida gerava uma resposta de salivar, e os passos do pesquisador 
para alimentar o cão faziam com ele salivasse. Não apenas isso, Pavlov 
percebeu que, chegando perto da hora em que os pesquisadores 
deveriam alimentar o cão, ele salivava;
3. Foi aí que o russo decidiu estudar com mais afinco estes reflexos que 
estavam sendo aprendidos pelos cães;
Psicologia do Desenvolvimento 43
4. Assim, Pavlov começou a emparelhar os estímulos, ou seja, 
apresentava a carne seguida do som de uma sineta. Em seguida, 
media a quantidade de saliva produzida;
5. Após mais ou menos 60 emparelhamentos (carne e sineta), o 
pesquisador apenas apresentou a sineta, sem a carne, e o cão 
produziu a mesma quantidade de saliva que produzia com a carne.
Podemos perceber, então, que Pavlov conseguiu demonstrar que, 
pela apresentação de estímulos, podemos ter diferentes respostas, bem 
como aprender novas respostas.
 • Que tal rever alguns conceitos e se preparar para as próximas 
unidades? Recomendamos assistir ao vídeo sobre Pavlov, Watson 
e Skinner, os três maiores pensadores da Teoria da Aprendizagem, 
disponível em https://cutt.ly/4fPg28a. Acesso em: 14 set. 2020.
RESUMINDO:
Neste tópico, vimos que a Psicologia teve a influência 
das escolas psicológicas: estruturalismo, funcionalismo e 
associacionismo. Aprendemos de onde veio as Teorias da 
Aprendizagem. E podemos compreender que a Psicologia 
deu origem ao que hoje conhecemos como Behaviorismo, 
ou Ciência do Comportamento. 
Psicologia do Desenvolvimento44
REFERÊNCIAS
CAMBAÚVA, L. G.; SILVA, L. C. da; FERREIRA, W. Reflexões sobre 
o estudo da História da Psicologia. In: Estudos de Psicologia. 3(2), 1998, 
207-227.
FIGUEIREDO, L. C. M. Matrizes do pensamento psicológico. Rio de 
Janeiro: Vozes, 2014.
FIGUEIREDO, L. C. M.; SANTI, P. L. R. de. Psicologia: uma (nova) 
introdução. São Paulo: Educ, 1997.
GOODWIN, C. J. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 
2010.
JACÓ-VILELA, A. M., FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. T. (eds.). 
História da Psicologia: rumos e percursos. Rio de Janeiro: Nau, 2005.
MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do 
comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.
MYERS, D. G.; DEWALL, C. N. Psicologia. 11. ed. Rio de Janeiro: LTC, 
2019.
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. 
trad. Suely Sonoe Murai Cuccio. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
Tainá Thies
Psicologia do 
Desenvolvimento

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