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Cimento de Ionômero de vidro (CIV)

Material sobre Cimento de Ionômero de Vidro (CIV) que descreve definição, indicações clínicas e classificação (Tipos I, IIa, IIb, III), formulação do pó e do líquido, química de presa, tamanhos de partículas, composição do vidro e papel do ácido tartárico.

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Cimento de Ionômero de vidro (CIV)
CIV é o nome genérico para materiais que tomam presa por meio da reação entre o pó de vidro e o ácido poliacrílico. Esses cimentos foram desenvolvidos nos anos 1970 para melhorar o desempenho clínico aquém do desejado dos cimentos de silicato e para reduzir o risco de injúria pulpar.
O uso de ácido poliacrílico torna o civ capaz de aderir à estrutura dental. O CIV é considerado superior a vários tipos de cimento porque é aderente e translúcido. Várias formulações estão disponíveis dependendo da aplicação clínica desejada. Recentemente, polímeros solúveis em água e monômeros polimerizáveis vem sendo incorporados como parte do líquido. Partículas de metal, metalocerâmica e cerâmica são adicionadas a alguns produtos para melhorar as propriedades mecânicas. Outras formulações mais recentes podem ser polimerizadas por meio de ativação química, por luz ou por ambas.
CIVs são usados para restaurações estéticas de dentes anteriores, por exemplo, cavidades de classe III e V, como cimentos para cimentação, como adesivos para aparelhos ortodônticos e restaurações provisórias, como selantes de fóssulas e fissuras, material para forramento e base, e como material de preenchimento. Os CIVs são classificados da seguinte maneira:
Tipo I: cimentação de coroas, pontes e brackets ortodônticos
Tipo IIa: cimentos restauradores estéticos
Tipo IIb: cimentos restauradores reforçados
Tipo III: material de base e forramento.
Esta seção descreve a formulação original do CIV baseada em partículas de vidro de silicato e soluções de ácido poliacrílico e posteriormente serão apresentados os CIVs para cimentação.
Química e presa
A química de CIVs é essencialmente a mesma para todos os três tipos, com variações na composição do pó e tamanho de partícula para alcançar a função desejada. A consistência do CIV espatulado varia bastante de acordo com o fabricante em função do uso de várias distribuições de tamanho de partícula e recomendações de relação P/L. Partículas maiores (em torno de 50 µm) são usadas para várias indicações restauradoras, e partículas mais finas (em torno de 15 µm) são usadas para cimentação. Embora muitas das propriedade dos CIVs, como liberação de fluoretos e adesão ao esmalte e à dentina, alguns requisitos para sua utilização como agente de cimentação necessitam ser diferentes. A espessura de película precisa ser muito fina, já que o espaço entre a restauração e os espaços dentários é de aproximadamente 20-50 µm, justificando a alteração no tamanho das partículas do pó de vidro. Assim, composições diferentes de vidro e de poliácido devem ser utilizadas para os matérias cimentantes em relação aos materiais restauradores, sendo inaceitável a utilização de uma versão restauradora de CIV e modificar sua reologia da redução da proporção pó-líquido par autilização em cimentações. Tais modificações nas proporções resultarão apenas em um material com propriedades inferiores.
Composição do vidro
A composição básica do vidro contém sílica, cálcia, alumina (óxidos de silício, cálcio e alumínio) e flúor, variando demais componentes de acordo com cada fabricante. A proporção de alumin/sílica é crucial para a reatividade com o ácido poliacrílico. Óxidos de metais de alta massa atômica, p ex bário e estrôncio, são adicionados para aumentar a radiopacidade. O vidro de sílica é derretido a temperaturas entre 1100°C e 1500°C, dependendo do material inicial e da composição geral. O vidro é então moído até virar um pó com partículas variando de menos de 15µm até 50µm, dependendo da indicação do cimento.
Composição do líquido
Originalmente soluções aquosas de ácido poliacrílico (em torno de 40% a 50%) eram usadas, mas tais líquidos apresentavam viscosidade alta e pequeno prazo de validade, ao final do qual formavam um gel espesso. Atualmente, o componente líquido é formado de copolímeros dos ácidos itacônico, maleico ou tricarboxílico.
O ácido tartárico é um componente adicionado ao líquido do CIV para controlar a taxa de reação e permitir a utilização de uma maior gama de tipos de vidro, além de melhorar as características de manipulação, diminuir a viscosidade, aumentar o prazo de validade antes que o espessamento do líquido aconteça, aumentar o tempo de trabalho, e diminuir o tempo de presa. Um CIV especial, conhecido como ionômero de vidro de presa com água (erroneamente chamado de CIV anidro, Phillips), é formulado com ácido poliacrílico liofilizado, adicionado ao pó de vidro, que é misturado com água ou uma solução aquosa de ácido tartárico. Este tipo de CIV tem maior tempo de trabalho devido ao tempo adicional requerido para dissolver o ácido poliacrílico liofilizado em água para dar início à reação ácido-base. 
O tempo de trabalho pode afetar a espessura de película de forma que tempos de trabalho mais longos permitirão maior escoamento e auxiliarão no assentamento da restauração durante a cimentação. 
Reação de presa
Quando o pós e o líquido são misturados para um civ, o ácido começa a dissolver o vidro, liberando íons de cálcio, alumínio, sódio e flúor. A água serve como meio de reação. Os íons cálcio, então, formam ligações cruzadas entre as cadeias do ácido poliacrílico; no decorrer de 24h, os íons de cálcio são substituídos por íons de alumínio. Íons sódio e flúor do vidro não participam de ligações cruzadas no cimento. Alguns dos íons sódio podem substituir os íons de hidrogênio nos grupos carboxílicos, e íons flúor são dispersos na matriz tridimensional do cimento. A fase com ligações cruzadas se torna hidratada com o tempo, conforme a maturação progride. As porções não dissolvidas das partículas de vidro são recobertas por um gel rico em sílica que se forma na superfície das partículas. Assim, o cimento endurecido consiste de partículas de vidro não dissolvidas recobertas com uma camada de gel de sílica, por sua vez envolvidas em uma matriz de polissais de cálcio e alumínio hidratados, contendo flúor. 
Quando o material começa a tomar presa, a viscosidade aumenta rapidamente e o escoamento torna-se impossível. Assim, é muito importante que a manipulação e inserção do cimento para cimentação sejam concluídas dentro de 2-2,5 minutos, visto que após esse tempo, o material se torna rígido, resultando em uma película espessa. É uma questão de preferência e familiarização decidir se um tempo de trabalho mais curto ou levemente mais longo é desejado.
Adesão à estrutura dental
Ionômeros de vidro aderem à estrutura dental por meio da quelação dos grupos carboxílicos dos ácidos poliacrílicos com o cálcio na apatita do esmalte e dentina, de maneira semelhante ao cimento de policarboxilato. 
Manipulação clínica
As seguintes condições devem ser satisfeitas para a cimentação de próteses fixas com CIV:
1- A superfície do dente preparado deve estar limpa e seca com bolinha de algodão;
2- Toda a superfície interna da prótese deve receber uma camada de agente cimentante e assentada completamente;
3- O excesso de cimento deve ser removido no tempo apropriado.
Para indicações restauradoras, a superfície do CIV deve ser protegida para evitar desidratação ou exposição prematura a a saliva. O acabamento superficial de restaurações de CIV deve ser feito com cuidado para evitar o ressecamento para assegurar a longevidade da restauração.
Foi sugerido que algumas formulações mais recentes dos CIVs para cimentação não necessitam da proteção de uma cobertura de super´ficie porque apresntam uma presa mais rápida. A solubilidade, medida pelo componente perdido em água em 7 minutos, foi reduzida de quase 2% para 1% na transição de um cimento convencional para um cimento endurecido por água. Esta solubilidade parece ser ainda menor para os cimentos à base de ácido maleico. Contudo, é ainda apropriado continuar realizando algum tipo de proteção inicial, uma vez que a dissolução devido à erosão ácida continuará a ser um problema. De qualquer forma, ainda leva algum tempo para que esses materiais atinjam sua presa final.