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25 I. RESUMO O pâncreas produz os hormônios peptídicos insulina, glucagon e somatos- tatina. Os hormônios peptídicos são secretados das células localizadas nas ilhotas de Langerhans (células β produzem insulina; células α produzem glucagon; e células δ produzem somatostatina). Esses hormônios têm pa- pel importante na regulação das atividades metabólicas do organismo, par- ticularmente na homeostasia da glicose. A falta relativa ou absoluta de insu- lina, como visto no diabetes melito, pode causar grave hiperglicemia. Se não for tratada, pode resultar em retinopatia, nefropatia, neuropatia e com- plicações cardiovasculares. A administração de insulina ou outro fármaco hipoglicemiante (Fig. 25.1) pode reduzir a morbidade e a mortalidade asso- ciadas ao diabetes. II. DIABETES MELITO A incidência de diabetes aumenta rapidamente nos EUA e no mundo. Esti- mam-se 25,8 milhões de pessoas nos EUA e 347 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas com diabetes. O diabetes não é uma doença simples; é um grupo heterogêneo de síndromes caracterizadas por elevada glicemia atribuída à deficiência absoluta ou relativa de insulina. A American Diabetes Association (ADA) reconhece quatro classificações clínicas do diabetes: dia- betes melito tipo 1 (DM1, anteriormente diabetes melito insulino-dependente), diabetes tipo 2 (DM2, anteriormente diabetes melito não insulino-dependen- te), diabetes gestacional e diabetes devido a outras causas, como defeito genético ou medicações. A Figura 25.2 resume as características dos DM1 e DM2. O diabetes gestacional é definido como intolerância aos carboidratos com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. O diabetes INSULINA ANÁLOGO DA AMILINA DE USO ORAL INCRETINOMIMÉTICOS Insulina asparte Insulina detemir Insulina glargina Insulina glulisina Insulina lispro Insulina humana (NPH) Insulina humana (regular) Pranlintida Acarbose Alogliptina Bromocriptina Canagli�ozina Colesevelam Dapaglifozina Gliburida Glimepirida Glipizida Linagliptina Metformina Miglitol Nateglinida Pioglitazona Repaglinida Rosiglitazona Saxagliptina Sitagliptina Tolbutamida Exenatida Liraglutida Figura 25.1 Resumo dos fármacos usados no tratamento do diabetes. Karen Whalen Antidiabéticos Capitulo_25_Whalen.indd 335 25/04/2016 10:37:23 http://booksmedicos.org 336 Whalen, Finkel & Panavelil gestacional não controlado pode causar macrossomia fetal (corpo anormal- mente grande), distócia de ombro (dificuldade no parto), bem como hipoglice- mia neonatal. Dieta, exercício e/ou administração de insulina são eficazes nessa condição. Glibenclamida e metformina podem ser alternativas razoá- veis ao tratamento com insulina no diabetes gestacional. A. Diabetes melito tipo 1 O DM1 atinge mais comumente crianças, adolescentes ou adultos jo- vens, mas algumas formas latentes podem ocorrer mais tardiamente. A doença é caracterizada por deficiência absoluta de insulina devido à destruição das células β. A perda da função das células β resulta de pro- cessos autoimunes que podem ser iniciados por vírus ou outras toxinas ambientais. Sem células β funcionais, o pâncreas deixa de responder à glicose, e a pessoa com DM1 apresenta sintomas clássicos de deficiên- cia de insulina (polidipsia, polifagia, poliúria e perda de massa corporal). Os diabéticos tipo 1 necessitam de insulina exógena para evitar a hi- perglicemia grave e o estado catabólico de cetoacidose, ameaçador à sobrevivência. 1. Causas: Em um período pós-absorção normal, a secreção cons- tante das células β mantém níveis basais baixos de insulina circu- lante. Isso suprime a lipólise, a proteólise e a glicogenólise. Um pico de secreção de insulina ocorre dentro de 2 minutos da inges- tão do alimento, em resposta ao aumento transitório dos níveis de glicose e aminoácidos circulantes. Isso dura por até 15 minutos e é seguido de secreção pós-prandial de insulina. Contudo, não pos- suindo células β funcionais, o diabético tipo 1 nunca consegue manter um nível de secreção basal de insulina e nem responder às variações de glicose circulantes (Fig. 25.3). 2. Tratamento: A pessoa com DM1 depende da insulina exógena para controlar a hiperglicemia, evitar a cetoacidose e manter ní- veis aceitáveis de hemoglobina glicosilada (HbA1C). (Nota: a velo- cidade de formação de HbA1C é proporcional à média da glicemia nos três meses prévios. Uma média de glicose elevada resulta em HbA1c mais alta.) O objetivo do tratamento com insulina no DM1 é manter a glicemia tão próxima do normal quanto possível e evitar grandes oscilações na glicose. O uso de monitores domés- ticos de glicemia facilita a autocontrole frequente e o tratamento com insulina. B. Diabetes melito tipo 2 O DM2 corresponde a mais de 90% dos casos. Ele é influenciado por fatores genéticos, idade, obesidade e resistência periférica à insulina, em vez de processos autoimunes. As alterações metabólicas são em geral mais leves do que as observadas no DM1 (p. ex., pacientes com DM2 geralmente não são cetóticos), mas as consequências clínicas de longo prazo são similares. 1. Causas: O DM2 se caracteriza por falta de sensibilidade dos ór- gãos-alvo à insulina (Fig. 25.4). No DM2, o pâncreas mantém al- guma função das células β, mas a secreção de insulina é insufi- ciente para manter a homeostasia da glicose (ver Fig. 25.3) diante da crescente resistência à insulina. A quantidade de células β pode diminuir gradualmente no DM2. Em contraste com os DM1 Geralmente durante a infância ou a puberdade Frequentemen- te acima dos 35 anos Frequente- mente subnutrido Geralmente presença de obesidade 5 a 10% dos diabéticos diagnosticados 90 a 95% dos diabéticos diagnosticados DM2 Idade no início Estado nutricional no início Prevalência Predisposi- ção genética Moderada Muito forte Defeito ou de�ciência As células β são destruídas, eliminando a produção de insulina Incapacidade das células β de produzir quantidades apropriadas de insulina; resis- tência à insulina; outros defeitos Figura 25.2 Comparação entre os diabetes melito tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2). Co nc en tr aç ão p la sm át ic a de in su lin a (� g/ m L) 0 5 10 0 40 Minutos Indivíduos normais DM2 80 Infusão de glicose DM1 Figura 25.3 Liberação de insulina que ocorre em resposta a uma carga de glicose por via IV em indivíduos normais e em diabéticos. Capitulo_25_Whalen.indd 336 25/04/2016 10:37:24 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 337 pacientes com DM1, os com DM2 com frequência são obesos – a obesidade contribui para a resistência à insulina. 2. Tratamento: O objetivo no tratamento do DM2 é manter a glicemia dentro dos limites normais e evitar o desenvolvimento das compli- cações de longo prazo. Redução da massa corpórea, exercícios físicos e modificação da dieta diminuem a resistência à insulina e corrigem a hiperglicemia em alguns pacientes com DM2. Contudo, a maioria dos pacientes precisa de intervenção farmacológica com hipoglicemiantes orais. Enquanto a doença evolui, a função das células β diminui, e o tratamento com insulina passa a ser neces- sário para alcançar níveis glicêmicos satisfatórios (Fig. 25.5). III. A INSULINA E SEUS ANÁLOGOS A insulina é um hormônio polipeptídico que consiste em duas cadeias peptí- dicas unidas por pontes dissulfeto. Ela é sintetizada como um precursor (pró- -insulina) que sofre hidrólise proteolítica para formar insulina e peptídeo C, ambos secretados pelas células β do pâncreas. (Nota: como a insulina sofre extração hepática e renal significativa, sua concentração plasmática pode não refletir acuradamente a produção de insulina. Assim, a mensuração do peptídeo C circulante é um melhor indicador dos níveis de insulina.) A secre- ção de insulina é regulada pela glicemia, por certos aminoácidos, por outros hormônios e por mediadores autônomos. A secreção é mais comumente ini- ciada pelo aumento da glicemia. A glicose é captada pelo transportador de glicosenas células β do pâncreas. Ali, a glicose é fosforilada pela glicocina- se, que atua como um sensor de glicose. Os produtos do metabolismo da glicose entram na cadeia respiratória mitocondrial e geram trifosfato de ade- nosina (ATP). O aumento dos níveis de ATP causa um bloqueio nos canais de K+, levando à despolarização de membrana e ao influxo de Ca2+. O au- mento do Ca2+ intracelular causa exocitose pulsátil de insulina. A. Mecanismo de ação A insulina exógena é administrada para substituir a falta de secreção de insulina no DM1 ou para suplementar a secreção insuficiente de insulina no DM2. B. Farmacocinética e destino A insulina humana é produzida por técnica de DNA recombinante usando cepas especiais de Escherichia coli ou fungos alterados geneticamente para conter o gene da insulina humana. Modificações da sequência de aminoácidos da insulina humana produziram insulinas com propriedades farmacocinéticas distintas. As preparações de insulina variam primaria- mente no início e na duração de ação. Por exemplo, insulina lispro, aspar- te e glulisina têm início de ação mais rápido e duração de ação mais curta do que a insulina regular, pois elas não se aglutinam nem formam comple- xos. Dose, local de injeção, fluxo de sangue, temperatura e atividade física também podem afetar o início e a duração de ação de várias preparações de insulina. Como a insulina é um polipeptídeo, ela é degradada no trato gastrintestinal (TGI) se for administrada por via oral. Portanto, em geral, ela é administrada por injeções subcutâneas (SC). (Nota: em uma emer- gência hiperglicêmica, a insulina regular é injetada por via intravenosa [IV].) A infusão SC contínua de insulina (também denominada bomba de insulina) é outro método de administração usado. Esse método pode ser FÍGADO MÚSCULO Glicose Produção aumentada de glicose Resistência à insulina nos tecidos periféricos Captação diminuída de glicose Secreção inadequada de insulina pelas células � PÂNCREAS Insulina 1 2 TECIDO ADIPOSO Figura 25.4 Principais fatores que contribuem para a hiperglicemia observada no DM2. Sem tratamento Dieta Dieta mais metformina Gravidade crescente da doença Tratamento associado Normal Tolerância à glicose insu�- ciente DM2 Injeções múlti- plas de insulina 0 a 5 anos 5 a 15 anos Mais de 15 anos Capacidade relativa de secretar insulina Figura 25.5 Duração do DM2, suficiência da insulina endógena e sequência recomendada do tratamento. Capitulo_25_Whalen.indd 337 25/04/2016 10:37:24 http://booksmedicos.org 338 Whalen, Finkel & Panavelil mais conveniente para alguns pacientes, eliminando as múltiplas injeções diárias de insulina. A bomba é programada para entregar uma quantidade basal de insulina. Além disso, ela permite ao paciente administrar um bó- lus de insulina para cobrir a ingestão de carboidratos da hora da refeição e compensar a glicemia elevada. C. Reações adversas Hipoglicemia é a reação adversa mais comum e grave à insulina (Fig. 25.6). Outras reações adversas incluem aumento de massa corporal, reações no local da injeção e lipodistrofia. A lipodistrofia pode ser mini- mizada por rotação do local de aplicação. Os diabéticos com insuficiên- cia renal podem precisar de redução da dose de insulina. IV. PREPARAÇÕES DE INSULINA E TRATAMENTO As preparações de insulina são classificadas como de ação rápida, curta, intermediária e longa. A Figura 25.7 resume o início de ação, o tempo até o pico e a duração de ação de vários tipos de insulinas. É importante que o clínico tenha cautela quando proceder a ajustes no tratamento com insulina, dando especial atenção à dosagem e ao tipo de insulina. A. Preparações de insulina de ação rápida e curta Quatro preparações estão nesta categoria: insulina regular, insulina lis- pro, insulina asparte e insulina glulisina. A insulina regular é uma insulina zinco cristalina solúvel e de curta ação. As insulinas lispro, asparte e glulisina são classificadas como insulinas de ação rápida. Modificações da sequência de aminoácidos da insulina regular produz análogos que são insulinas de ação rápida. Por exemplo, a insulina lispro difere da insulina regular pelos aminoácidos lisina e prolina nas posições 28 e 29 da cadeia B que estão invertidas. Essa modificação resulta em absorção e início mais rápidos e duração de ação mais curta após injeção SC. Os picos de insulina lispro são observados entre 30 e 90 minutos, e de 50 a 120 minutos para a insulina regular. A insulina asparte e a insulina gluli- sina têm propriedades cinéticas e dinâmicas similares às da insulina lis- pro. Insulinas de ação rápida ou lenta são administradas para mimetizar a liberação prandial (hora da refeição) de insulina e controlar a glicose pós-prandial. Elas podem ser usadas também em casos em que são necessárias correções rápidas de glicose elevada. Em geral, insulinas de ação rápida e curta são usadas em conjunto com uma insulina basal de ação mais longa que provê controle para a glicemia de jejum. A insu- lina regular deve ser injetada por via SC 30 minutos antes da refeição, ao passo que as insulinas de ação rápida são administradas 15 minutos antes ou de 15 a 20 minutos depois de iniciar a refeição. As insulinas de ação rápida são comumente usadas em bombas externas de insulina e são apropriadas para administração IV, embora a insulina regular seja usada mais comumente quando a via IV é necessária. B. Preparações de insulina de ação intermediária Insulina neutra com protamina Hagedorn (NPH) é uma insulina de ação intermediária formada pela adição de zinco e protamina à insulina regu- lar. (Nota: outra denominação para essa preparação é insulina isofana.*) *N. de R.T. Nome oficial no Brasil. A A A Taquicardia Confusão Vertigens Diaforese Lipodistro�a Hipersensibilidade Cefaleia Ansiedade Sintomas causados pela hipoglicemia Tremores Aumento do apetite Visão turva Fraqueza/fadiga Figura 25.6 Efeitos adversos observados com insulina. (Nota: a lipodistrofia é uma atrofia ou hipertrofia do tecido gorduroso subcutâneo, localizada no local da injeção.) N ív el p la sm át ic o re la ti vo d e in su lin a 0 6 12 Horas 18 24 Insulina glargina Insulina detemir Insulina regular Insulina asparto, insulina lispro, insulina glulisina Insulina NPH Figura 25.7 Início e duração de ação da insulina humana e dos seus análogos. NPH, protamina neutra Hegedorn (do inglês neutral orotamine Hagedorn) Capitulo_25_Whalen.indd 338 25/04/2016 10:37:25 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 339 A combinação com protamina forma um complexo que é menos solúvel, resultando em retardo na absorção e ação prolongada. A insulina NPH é usada para controle basal (jejum) nos diabetes tipos 1 e 2 e, em geral, é dada junto com a insulina de ação rápida ou curta para controle na hora da refeição. A insulina NPH deve ser dada somente por via SC (nunca IV), e não deve ser usada quando é necessário baixar rapidamente a glicose (p. ex., cetoacidose diabética). A Figura 25.8 mostra regimes comuns que usam associações de insulinas. C. Preparações de insulina de ação prolongada O ponto isoelétrico da insulina glargina é menor do que o da insulina humana, levando à formação de um precipitado no local da injeção, o qual libera insulina por um período prolongado. Tem início mais lento do que a insulina NPH e um efeito hipoglicêmico achatado e prolonga- do, sem pico (Fig. 25.7). A insulina detemir tem uma cadeia lateral de ácido graxo que aumenta a associação com albumina. A dissociação lenta da albumina resulta em propriedades de longa ação similares às da insulina glargina. Como com a insulina NPH, a insulina glargina e a insulina detemir são usadas para controle basal e devem ser admi- nistradas somente por via SC. Nenhuma insulina de longa ação deve ser misturada na mesma seringa com outras insulinas, pois isso pode alterar o perfil farmacodinâmico. D. Associação de insulinas Várias associações de insulinashumanas pré-misturadas estão dispo- níveis, como 70% insulina NPH mais 30% insulina regular (Fig. 25.8) ou 50% de cada uma dessas. O uso das associações pré-misturadas diminui o número de injeções diárias, mas torna mais difícil ajustar os componentes individuais do regime de insulina. E. Tratamento-padrão versus tratamento intensivo O tratamento padrão de insulina envolve duas injeções diárias. Em contraste, o tratamento intensivo utiliza três ou mais injeções diárias com monitoração frequente da glicemia. A ADA recomenda um nível mais conveniente para alguns pacientes, eliminando as múltiplas injeções diárias de insulina. A bomba é programada para entregar uma quantidade basal de insulina. Além disso, ela permite ao paciente administrar um bó- lus de insulina para cobrir a ingestão de carboidratos da hora da refeição e compensar a glicemia elevada. C. Reações adversas Hipoglicemia é a reação adversa mais comum e grave à insulina (Fig. 25.6). Outras reações adversas incluem aumento de massa corporal, reações no local da injeção e lipodistrofia. A lipodistrofia pode ser mini- mizada por rotação do local de aplicação. Os diabéticos com insuficiên- cia renal podem precisar de redução da dose de insulina. IV. PREPARAÇÕES DE INSULINA E TRATAMENTO As preparações de insulina são classificadas como de ação rápida, curta, intermediária e longa. A Figura 25.7 resume o início de ação, o tempo até o pico e a duração de ação de vários tipos de insulinas. É importante que o clínico tenha cautela quando proceder a ajustes no tratamento com insulina, dando especial atenção à dosagem e ao tipo de insulina. A. Preparações de insulina de ação rápida e curta Quatro preparações estão nesta categoria: insulina regular, insulina lis- pro, insulina asparte e insulina glulisina. A insulina regular é uma insulina zinco cristalina solúvel e de curta ação. As insulinas lispro, asparte e glulisina são classificadas como insulinas de ação rápida. Modificações da sequência de aminoácidos da insulina regular produz análogos que são insulinas de ação rápida. Por exemplo, a insulina lispro difere da insulina regular pelos aminoácidos lisina e prolina nas posições 28 e 29 da cadeia B que estão invertidas. Essa modificação resulta em absorção e início mais rápidos e duração de ação mais curta após injeção SC. Os picos de insulina lispro são observados entre 30 e 90 minutos, e de 50 a 120 minutos para a insulina regular. A insulina asparte e a insulina gluli- sina têm propriedades cinéticas e dinâmicas similares às da insulina lis- pro. Insulinas de ação rápida ou lenta são administradas para mimetizar a liberação prandial (hora da refeição) de insulina e controlar a glicose pós-prandial. Elas podem ser usadas também em casos em que são necessárias correções rápidas de glicose elevada. Em geral, insulinas de ação rápida e curta são usadas em conjunto com uma insulina basal de ação mais longa que provê controle para a glicemia de jejum. A insu- lina regular deve ser injetada por via SC 30 minutos antes da refeição, ao passo que as insulinas de ação rápida são administradas 15 minutos antes ou de 15 a 20 minutos depois de iniciar a refeição. As insulinas de ação rápida são comumente usadas em bombas externas de insulina e são apropriadas para administração IV, embora a insulina regular seja usada mais comumente quando a via IV é necessária. B. Preparações de insulina de ação intermediária Insulina neutra com protamina Hagedorn (NPH) é uma insulina de ação intermediária formada pela adição de zinco e protamina à insulina regu- lar. (Nota: outra denominação para essa preparação é insulina isofana.*) *N. de R.T. Nome oficial no Brasil. A A A Taquicardia Confusão Vertigens Diaforese Lipodistro�a Hipersensibilidade Cefaleia Ansiedade Sintomas causados pela hipoglicemia Tremores Aumento do apetite Visão turva Fraqueza/fadiga Figura 25.6 Efeitos adversos observados com insulina. (Nota: a lipodistrofia é uma atrofia ou hipertrofia do tecido gorduroso subcutâneo, localizada no local da injeção.) N ív el p la sm át ic o re la ti vo d e in su lin a 0 6 12 Horas 18 24 Insulina glargina Insulina detemir Insulina regular Insulina asparto, insulina lispro, insulina glulisina Insulina NPH Figura 25.7 Início e duração de ação da insulina humana e dos seus análogos. NPH, protamina neutra Hegedorn (do inglês neutral orotamine Hagedorn) Capitulo_25_Whalen.indd 339 25/04/2016 10:37:26 http://booksmedicos.org 340 Whalen, Finkel & Panavelil Ef ei to d a in su lin a D A Regular J Ao deitar RegularRegular NPH Manhã Tarde Anoitecer Noite D J NPH/regular 70:30 Manhã Tarde Anoitecer Noite Ef ei to d a in su lin a Associação pré-misturada de insulinas Manhã Tarde Anoitecer Noite Ef ei to d a in su lin a D A J Glargina ou detemir Lispro Lispro Lispro Ao deitar Figura 25.8 Exemplos de três esquemas de tratamento que repõem insulina prandial e basal. D, desjejum; J, janta, ceia; NPH, insulina neutra com protamina Hagedorn. glicêmico médio de 154 mg/dL ou menos (HbA1C ≤ 7%), e o tratamento intensivo facilita alcançar esse objetivo. (Nota: a glicemia média normal é de aproximadamente 115 mg/dL ou menos [HbA1C < 5,7%].) A fre- quência de episódios hipoglicêmicos, coma e convulsões é maior com os regimes intensivos de insulina (Fig. 25.9A). Contudo, pacientes em tratamento intensivo têm redução significativa nas complicações micro- vasculares do diabetes, tais como retino, nefro e neuropatias, em com- paração com pacientes que recebem o tratamento-padrão (Fig. 25.9B). O tratamento intensivo não deve ser recomendado para pacientes que apresentam diabetes há longo tempo, complicações microvasculares significativas, idade avançada e inconsciência hipoglicêmica. O trata- mento intensivo não diminui significativamente as complicações macro- vasculares do diabetes. V. ANÁLOGO SINTÉTICO DA AMILINA A amilina é um hormônio que é cossecretado com a insulina pelas células β após a alimentação. Ela retarda o esvaziamento gástrico, reduz a secreção pós-prandial de glucagon e aumenta a saciedade. Pranlintida é um análogo sintético da amilina indicado como auxiliar da insulina na hora da refeição em pacientes com diabetes tipos 1 e 2. A pranlintida é administrada em injeção SC imediatamente antes das refeições. Quando a pranlintida é iniciada, a dose de insulina da hora da refeição deve ser reduzida em 50%, para evitar o risco de hipoglicemia grave. Outros efeitos adversos incluem náuseas, anorexia e êmese. A pranlintida não pode ser misturada na mesma seringa com insulina e deve ser evitada em pacientes com gastroparesia diabética (esvaziamento gástrico retardado), hipersensibilidade ao cresol ou inconsciên- cia hipoglicêmica. VI. INCRETINOMIMÉTICOS Glicose administrada por via oral resulta em maior secreção de insulina do que quando uma mesma quantidade é dada por via IV. Esse efeito é referido como “efeito incretina” e está fortemente reduzido no DM2. O efeito incretina ocorre porque o intestino libera hormônios incretina, notavelmente o peptí- deo tipo glucagon-1 (GLP-1) e o polipeptídeo insulinotrópico glicose-depen- dente em resposta à refeição. Os hormônios incretina são responsáveis por 60 a 70% da secreção pós-prandial de insulina. A exenatida e a liraglutida são incretinomiméticos injetáveis usados no tratamento de pacientes com DM2. A. Mecanismo de ação Os incretinomiméticos são análogos do GLP-1 e exercem sua ativida- de atuando como agonistas de receptores de GLP-1. Esses fármacos melhoram a secreção de insulina dependente de glicose, retardam o esvaziamento gástrico, diminuem a ingestão de alimento aumentando a saciedade (sensação de plenitude), diminuem a secreção pós-prandial de glucagon e promovem a proliferação de células β. Consequentemen- te, diminuem o ganho de massa corporal, a hiperglicemia pós-prandial e os níveis de HbA1C. B. Farmacocinética e destino Sendo polipeptídeos, exenatida eliraglutida precisam ser administradas por via SC. A liraglutida é extensamente ligada às proteínas e tem longa meia-vida, permitindo dosificação diária única sem relação com as re- feições. A exenatida é eliminada principalmente por filtração glomerular 0 100 Ep is ód io s hi po gl ic êm ic os em 1 .0 00 p ac ie nt es /m ês Tratamento-padrão Tratamento intensivo O tratamento intensivo resulta em um aumento de 3 vezes na frequência da hipoglicemia Padrão Intensivo Anos de estudo Po rc en ta ge m d e pa ci en te s co m c om pl ic aç õe s 0 30 60 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B Vários clínicos acreditam que o maior risco de hipoglicemia que acompanha o tratamento intensivo se justi�ca pela redução substancial da incidência das complicações de longo prazo, como a retinopatia e a nefropatia diabéticas Figura 25.9 A. Efeito do controle rígido dos episódios hipoglicêmicos em uma população com DM1 que recebe tratamento intensivo ou padrão. B. Efeito do cuidado padrão ou intensivo nas complicações de longo prazo de diabetes. Capitulo_25_Whalen.indd 340 25/04/2016 10:37:26 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 341 e tem meia-vida muito mais curta. Devido à sua duração de ação mais curta, a exenatida precisa ser injetada duas vezes ao dia dentro de 60 minutos antes do desjejum e do jantar. Uma preparação de liberação estendida por uma semana foi aprovada pelo FDA em 2015 e está dis- ponível nos EUA. A exenatida deve ser evitada em pacientes com insu- ficiência renal grave. C. Efeitos adversos Os principais efeitos adversos dos incretinomiméticos são náuseas, êmese, diarreia e constipação. Exenatida e liraglutida foram associadas com pancreatite. Os pacientes devem ser orientados a suspender o uso e contatar seus médicos imediatamente se sentirem dor abdominal in- tensa. A liraglutida causa tumor de células C da tireoide em roedores. Contudo, é desconhecido se ela causa esses tumores ou carcinoma de tireoide em humanos. VII. HIPOGLICEMIANTES ORAIS Os hipoglicemiantes de uso oral são úteis no tratamento de pacientes que têm DM2 que não é controlado com a dieta. Pacientes que desenvolvem o diabetes após os 40 anos de idade e têm a doença há menos de 5 anos ten- dem a responder melhor aos hipoglicemiantes orais. Pacientes com a doença há muito tempo podem exigir uma combinação de hipoglicemiantes orais com ou sem insulina para controlar a hiperglicemia. A Figura 25.10 re- sume a duração de ação de alguns dos hipoglicemiantes orais, e a Figura 25.11 ilustra alguns dos efeitos adversos comuns. A. Sulfonilureias Esses fármacos são classificados como secretagogos de insulina, pois promovem a liberação de insulina das células β do pâncreas. As sulfo- nilureias de uso corrente são as de segunda geração: glibenclamida, glipizida e glimepirida. Metformina Nateglinida Repaglinida Pioglitazona Glipizida Glimepirida Gliburida 24 horas Acarbose Miglitol 2 horas 2 horas 18 horas 20 horas 6 horas > 24 horas 6 horas 6 horas Figura 25.10 Duração de ação de alguns hipoglicemiantes orais. glicêmico médio de 154 mg/dL ou menos (HbA1C ≤ 7%), e o tratamento intensivo facilita alcançar esse objetivo. (Nota: a glicemia média normal é de aproximadamente 115 mg/dL ou menos [HbA1C < 5,7%].) A fre- quência de episódios hipoglicêmicos, coma e convulsões é maior com os regimes intensivos de insulina (Fig. 25.9A). Contudo, pacientes em tratamento intensivo têm redução significativa nas complicações micro- vasculares do diabetes, tais como retino, nefro e neuropatias, em com- paração com pacientes que recebem o tratamento-padrão (Fig. 25.9B). O tratamento intensivo não deve ser recomendado para pacientes que apresentam diabetes há longo tempo, complicações microvasculares significativas, idade avançada e inconsciência hipoglicêmica. O trata- mento intensivo não diminui significativamente as complicações macro- vasculares do diabetes. V. ANÁLOGO SINTÉTICO DA AMILINA A amilina é um hormônio que é cossecretado com a insulina pelas células β após a alimentação. Ela retarda o esvaziamento gástrico, reduz a secreção pós-prandial de glucagon e aumenta a saciedade. Pranlintida é um análogo sintético da amilina indicado como auxiliar da insulina na hora da refeição em pacientes com diabetes tipos 1 e 2. A pranlintida é administrada em injeção SC imediatamente antes das refeições. Quando a pranlintida é iniciada, a dose de insulina da hora da refeição deve ser reduzida em 50%, para evitar o risco de hipoglicemia grave. Outros efeitos adversos incluem náuseas, anorexia e êmese. A pranlintida não pode ser misturada na mesma seringa com insulina e deve ser evitada em pacientes com gastroparesia diabética (esvaziamento gástrico retardado), hipersensibilidade ao cresol ou inconsciên- cia hipoglicêmica. VI. INCRETINOMIMÉTICOS Glicose administrada por via oral resulta em maior secreção de insulina do que quando uma mesma quantidade é dada por via IV. Esse efeito é referido como “efeito incretina” e está fortemente reduzido no DM2. O efeito incretina ocorre porque o intestino libera hormônios incretina, notavelmente o peptí- deo tipo glucagon-1 (GLP-1) e o polipeptídeo insulinotrópico glicose-depen- dente em resposta à refeição. Os hormônios incretina são responsáveis por 60 a 70% da secreção pós-prandial de insulina. A exenatida e a liraglutida são incretinomiméticos injetáveis usados no tratamento de pacientes com DM2. A. Mecanismo de ação Os incretinomiméticos são análogos do GLP-1 e exercem sua ativida- de atuando como agonistas de receptores de GLP-1. Esses fármacos melhoram a secreção de insulina dependente de glicose, retardam o esvaziamento gástrico, diminuem a ingestão de alimento aumentando a saciedade (sensação de plenitude), diminuem a secreção pós-prandial de glucagon e promovem a proliferação de células β. Consequentemen- te, diminuem o ganho de massa corporal, a hiperglicemia pós-prandial e os níveis de HbA1C. B. Farmacocinética e destino Sendo polipeptídeos, exenatida e liraglutida precisam ser administradas por via SC. A liraglutida é extensamente ligada às proteínas e tem longa meia-vida, permitindo dosificação diária única sem relação com as re- feições. A exenatida é eliminada principalmente por filtração glomerular 0 100 Ep is ód io s hi po gl ic êm ic os em 1 .0 00 p ac ie nt es /m ês Tratamento-padrão Tratamento intensivo O tratamento intensivo resulta em um aumento de 3 vezes na frequência da hipoglicemia Padrão Intensivo Anos de estudo Po rc en ta ge m d e pa ci en te s co m c om pl ic aç õe s 0 30 60 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B Vários clínicos acreditam que o maior risco de hipoglicemia que acompanha o tratamento intensivo se justi�ca pela redução substancial da incidência das complicações de longo prazo, como a retinopatia e a nefropatia diabéticas Figura 25.9 A. Efeito do controle rígido dos episódios hipoglicêmicos em uma população com DM1 que recebe tratamento intensivo ou padrão. B. Efeito do cuidado padrão ou intensivo nas complicações de longo prazo de diabetes. Capitulo_25_Whalen.indd 341 25/04/2016 10:37:28 http://booksmedicos.org 342 Whalen, Finkel & Panavelil Distúrbios GI Biguanidas Inibidores da �-glicosidase Náusea Biguanidas Aumento de massa corporal Sulfonilureias Glinidas Tiazolidinadionas Hipoglicemia Glinidas Sulfonilureias GLICOSE Inibidores da DPP-4 Pancreatite Figura 25.11 Alguns efeitos adversos observados com os hipoglicemiantes orais. • Antipsicóticos atípicos • Corticosteroides • Diuréticos • Niacina • Fenotiazínicos • Simpaticomiméticos • Antifúngicos azóis • �-bloqueadores • Cloranfenicol • Claritromicina • Inibidores da monoaminoxidase • Probenecida • Salicilatos • Sulfonamidas Fármacos que podem reduzir os efeitos das sulfonilureias, levando à perda do controle da glicemia: Fármacos que podem potencia- lizar os efeitos das sulfonilureias causando hipoglicemia:Figura 25.12 Fármacos que interagem com as sulfonilureias. 1. Mecanismo de ação: O principal mecanismo de ação inclui a esti- mulação da liberação de insulina das células β do pâncreas. As sulfonilureias bloqueiam canais de K+ sensíveis ao ATP, resultando em despolarização, influxo de Ca2+ e exocitose de insulina. Além disso, as sulfonilureias podem diminuir a produção de glicose pelo fígado e aumentar a sensibilidade periférica à insulina. 2. Farmacocinética e destino: Administradas por via oral, as sulfoni- lureias ligam-se às proteínas séricas, são biotransformadas pelo fígado e são excretadas pelo fígado e pelos rins. A duração de ação varia de 12 a 24 horas. 3. Efeitos adversos: Os principais efeitos adversos das sulfonilu- reias são aumento de massa corporal, hiperinsulinemia e hipogli- cemia. Elas devem ser usadas com cautela na insuficiência hepáti- ca ou renal, pois seu acúmulo pode causar hipoglicemia. Insuficiência renal é um problema particular da glibenclamida, pois ela pode aumentar a duração de ação e aumentar significativamen- te o risco de hipoglicemia. Glipizida ou glimepirida são opções mais seguras na presença de disfunção renal e em pacientes ido- sos. A glibenclamida pouco atravessa a placenta e pode ser uma alternativa à insulina em gestantes. A Figura 25.12 resume algu- mas interações de fármacos com as sulfonilureias. B. Glinidas Essa classe de fármacos inclui a repaglinida e a nateglinida. As glinidas são consideradas também secretagogas de insulina. 1. Mecanismo de ação: Como as sulfonilureias, as glinidas estimu- lam a secreção de insulina. Elas se fixam em local diferente na cé- lula β, fechando canais de K+ sensíveis a ATP, iniciando uma série de reações que resultam na liberação de insulina. Contudo, em contraste com as sulfonilureias, as glinidas têm ação de início rápi- do e duração mais curta. Elas são particularmente eficazes na libe- ração precoce de insulina que ocorre depois da refeição e, assim, são classificadas como reguladores glicêmicos pós-prandiais. As glinidas não devem ser usadas associadas às sulfonilureias devido à sobreposição dos mecanismos de ação. Isso aumentaria o risco de hipoglicemia grave. Capitulo_25_Whalen.indd 342 25/04/2016 10:37:28 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 343 2. Farmacocinética e destino: As glinidas devem ser tomadas antes da refeição e são bem absorvidas após administração oral. Ambas as glinidas são biotransformadas a produtos inativos pelo CYP3A4 (ver Cap. 1) no fígado e são excretadas pela bile. 3. Efeitos adversos: Embora as glinidas possam causar hipoglice- mia e aumento de massa corporal, a incidência é menor do que com as sulfonilureias. (Nota: fármacos que inibem a CYP3A4, como itraconazol, fluconazol, eritromicina e claritromicina, podem aumentar o efeito hipoglicemiante da repaglinida. Fármacos que induzem a CYP3A4, como barbitúricos, carbamazepina e rifampici- na, podem ter efeito oposto.) Por inibir a biotransformação hepáti- ca, o fármaco anti-hiperlipemiante genfibrozila pode aumentar sig- nificativamente o efeito da repaglinida, e o uso concomitante é contraindicado. Esses fármacos devem ser empregados com cau- tela em pacientes com insuficiência hepática. C. Biguanidas A metformina, a única biguanida, é classificada como um sensibilizador à insulina. Ela aumenta a captação e o uso de glicose pelos tecidos- -alvo, diminuindo, assim, a resistência à insulina. Diferentemente das sulfonilureias, a metformina não promove a secreção de insulina. Assim, hiperinsulinemia não é um problema, e o risco de hipoglicemia é muito menor do que com sulfonilureias. 1. Mecanismo de ação: O principal mecanismo de ação da metfor- mina é a redução da gliconeogênese hepática. (Nota: o excesso de glicose produzido pelo fígado é uma das principais fontes da hiperglicemia no DM2, responsável pela elevada glicemia de je- jum.) A metformina também retarda a absorção intestinal de açú- car e melhora a sua captação e uso periférico. Pode ocorrer redu- ção de massa corporal, pois a metformina diminui o apetite. A ADA recomenda a metformina como fármaco de escolha contra o DM2. A metformina pode ser usada isoladamente ou em associa- ção com outros fármacos de uso oral ou insulina. Pode ocorrer hipoglicemia quando a metformina é usada em combinação com insulina ou secretagogos de insulina, de modo que é preciso ajus- tar a dosagem. 2. Farmacocinética e destino: A metformina é bem absorvida por via oral, não se liga a proteínas séricas e não é biotransformada. A excreção é pela urina. 3. Efeitos adversos: Os efeitos adversos da metformina são princi- palmente gastrintestinais (GI). A metformina é contraindicada na disfunção renal devido ao risco de acidose lática. Ela deve ser sus- pensa em casos de infarto agudo do miocárdio, agravamento de insuficiência cardíaca, sepse ou outro distúrbio que possa causar insuficiência renal aguda. A metformina deve ser usada com caute- la em pacientes com mais de 80 anos de idade e naqueles com história de insuficiência cardíaca congestiva ou de abuso de álcool. A metformina deve ser interrompida temporariamente em pacien- tes que serão submetidos a diagnósticos que requerem injeção IV de contrastes radiográficos. Raramente ocorre acidose lática, rea- ção potencialmente fatal. O seu uso prolongado pode interferir na absorção da vitamina B12. Capitulo_25_Whalen.indd 343 25/04/2016 10:37:28 http://booksmedicos.org 344 Whalen, Finkel & Panavelil 4. Outros usos: Além do tratamento do DM2, a metformina é eficaz no tratamento da síndrome do ovário policístico. Ela diminui a re- sistência à insulina observada nesse distúrbio e pode resultar em ovulação e, por isso, em possível gestação. D. Tiazolidinadionas As tiazolidinadionas (TZDs) são também sensibilizadoras à insulina. Os dois membros dessa classe disponíveis atualmente são pioglitazona e rosiglitazona. Embora seja necessária insulina para sua ação, as TZDs não promovem sua liberação das células β pancreáticas; assim, não há risco de hiperinsulinemia. 1. Mecanismo de ação: As TZDs diminuem a resistência à insulina, atuando como agonistas para o receptor γ ativado por prolifera- dor peroxissoma (PPARγ), um receptor hormonal nuclear. A ati- vação do PPARγ regula a transcrição de vários genes responsi- vos à insulina, resultando em aumento da sensibilidade à insulina no tecido adiposo, no fígado e no músculo esquelético. Os efei- tos desses fármacos nas concentrações de colesterol são de in- teresse. A rosiglitazona aumenta a lipoproteína de baixa densi- dade (LDL-C) e os triglicerídeos, ao passo que a pioglitazona diminui os triglicerídeos. Os dois fármacos aumentam a lipopro- teína de alta densidade (HDL-C). Pioglitazona e rosiglitazona po- dem ser usadas como monoterapia ou em associação com ou- tros hipoglicemiantes ou com insulina. A dose de insulina deve ser diminuída quando usada em combinação com esses fárma- cos. A ADA recomenda pioglitazona como um fármaco de segun- da ou terceira escolha para o DM2. A rosiglitazona é menos usa- da devido a preocupações com relação aos efeitos adversos cardíacos. 2. Farmacocinética e destino: Pioglitazona e rosiglitazona são bem absorvidas após administração por via oral e são extensamente li- gadas à albumina sérica. Ambas sofrem extensa biotransformação por diferentes isoenzimas CYP450 (ver Cap. 1). Alguns metabólitos da pioglitazona têm atividade. A eliminação renal da pioglitazona é negligenciável; a maior parte do fármaco ativo e dos metabólitos é excretada na bile e eliminada com as fezes. Os metabólitos da ro- siglitazona são excretados primariamente na urina. Não é neces- sário ajuste de dosagem na insuficiência renal. Estes fármacos devem ser evitados em lactantes. 3. Efeitos adversos: Poucos casos de toxicidade hepática foram re- latados com estes fármacos, mas é recomendada a monitoração periódica da função hepática. Pode ocorrer aumento de massa corporal, porque as TZDs podemaumentar a gordura subcutânea ou causar retenção de líquidos. (Nota: a retenção de líquidos pode piorar a insuficiência cardíaca. As TZDs devem ser evitadas em pacientes com insuficiência cardíaca grave.) As TZDs foram asso- ciadas com osteopenia e aumento do risco de fraturas. A pioglita- zona também pode aumentar o risco de câncer vesical. Várias metanálises identificaram aumento potencial de infarto do miocár- dio e morte por causas cardiovasculares com a rosiglitazona. Como resultado, o uso de rosiglitazona foi limitado a pacientes inscritos em um programa especial de acesso restrito. Após Capitulo_25_Whalen.indd 344 25/04/2016 10:37:28 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 345 revisão dos dados de segurança, as restrições ao uso da rosiglita- zona foram eliminadas. 4. Outros usos: Como no caso da metformina, o alívio da resistência à insulina com as TZDs pode reiniciar a ovulação em mulheres em período pré-menopausa com síndrome de ovário policístico. E. Inibidores da α-glicosidase Acarbose e miglitol são fármacos desta classe usados por via oral no tratamento do DM2. 1. Mecanismo de ação: Localizadas no bordo em escova intestinal, as enzimas α-glicosidases hidrolisam carboidratos em glicose e outros açúcares simples que podem ser absorvidos. Acarbose e miglitol inibem reversivelmente a α-glucosidase. Ingeridos no início da refeição, esses fármacos retardam a digestão de carboidratos, resultando em níveis mais baixos de glicose pós-prandial. Como eles não estimulam a liberação de insulina nem aumentam a sensi- bilidade à insulina, esses fármacos não causam hipoglicemia quando usados em monoterapia. Contudo, quando usados com secretagogos de insulina ou insulina, pode ocorrer hipoglicemia. (Nota: é importante que a hipoglicemia neste contexto seja comba- tida com glicose, em vez de sacarose, pois a sacarase também é inibida por esses fármacos.) 2. Farmacocinética e destino: A acarbose é pouco absorvida. Ela é biotransformada primariamente pelas bactérias intestinais, e al- guns dos seus metabólitos são absorvidos e excretados na urina. O miglitol é muito bem absorvido, mas não tem efeitos sistêmicos. Ele é excretado inalterado pelos rins. 3. Efeitos adversos: Os principais efeitos adversos são flatulência, diarreia e cólicas intestinais. Os efeitos adversos limitam o uso desses fármacos na prática clínica. Pacientes com doença inflama- tória intestinal, ulcerações colônicas ou obstrução intestinal não devem usar esses fármacos. F. Inibidores da dipeptidilpeptidase-4 Alogliptina, linagliptina, saxagliptina e sitagliptina são inibidores da di- peptidilpeptidase-4 (DPP-4) ativos por via oral usados para o tratamento do DM2. 1. Mecanismo de ação: Estes fármacos inibem a enzima DPP-4, que é responsável pela inativação dos hormônios incretina, como o GLP-1. O prolongamento da atividade dos hormônios incretina au- menta a liberação de insulina em resposta às refeições e a redução na secreção imprópria de glucagon. Os inibidores da DPP-4 po- dem ser usados como monoterapia ou em associação com sulfoni- lureias, metformina, TZDs ou insulina. Diferentemente dos increti- nomiméticos, estes fármacos não causam saciedade ou plenitude e são neutros em relação à massa corporal. 2. Farmacocinética e destino: Os inibidores da DPP-4 são bem ab- sorvidos após administração por via oral. Os alimentos não afetam a extensão da absorção. Alogliptina e sitagliptina são principalmen- te excretadas inalteradas na urina. A saxagliptina é biotransformada Capitulo_25_Whalen.indd 345 25/04/2016 10:37:28 http://booksmedicos.org 346 Whalen, Finkel & Panavelil pela CYP3A4/5 a um metabólito ativo. A via primária de elimina- ção da saxagliptina e de seu metabólito é renal. A linagliptina é eliminada primariamente pelo sistema enteroepático. Todos os inibidores da DPP-4, com exceção da linagliptina, exigem ajuste da dosagem na disfunção renal. 3. Efeitos adversos: Em geral, os inibidores da DPP-4 são bem tole- rados. Os efeitos adversos mais comuns são nasofaringite e cefa- leia. Embora infrequente, a pancreatite ocorreu com todos os inibi- dores da DPP-4. Inibidores potentes da CYP3A4/5, como ritonavir, atazanavir, itraconazol e claritromicina, podem aumentar a concen- tração de saxagliptina. Por isso, devem-se usar dosagens reduzi- das de saxagliptina. G. Inibidores do cotransportador 2 sódio-glicose Canagliflozina e dapagliflozina são fármacos desta categoria utilizados no tratamento do DM2. 1. Mecanismo de ação: O cotransportador 2 sódio-glicose (SGLT2) é responsável por reabsorver a glicose filtrada no lúmen tubular dos rins. Ao inibir o SGLT2, estes fármacos diminuem a reabsorção de glicose, aumentam a sua excreção urinária e diminuem a glice- mia. A inibição do SGLT2 também diminui a reabsorção do sódio e causa diurese osmótica. Por isso, os inibidores do SGLT2 podem reduzir a pressão arterial. Contudo, não são indicados no tratamen- to da hipertensão. 2. Farmacocinética e destino: Estes fármacos são dados uma vez ao dia, de manhã. A canagliflozina deve ser tomada antes da pri- meira refeição do dia. Os dois fármacos são biotransformados prin- cipalmente por glicuronidação a metabólitos inativos. Ainda que a via primária de excreção da canagliflozina seja as fezes, cerca de um terço é eliminado por via renal. Estes fármacos devem ser evi- tados em pacientes com disfunção renal. 3. Efeitos adversos: Os efeitos adversos mais comuns dos inibido- res do SGLT2 são infecções genitais de mulheres por fungos (p. ex., candidíase vulvovaginal), infecções do trato urinário e frequên- cia urinária. Também ocorreu hipotensão, particularmente em pa- cientes idosos ou sob tratamento com diuréticos. Assim, o estado hídrico deve ser avaliado antes de iniciar estes fármacos. H. Outros fármacos Tanto o agonista dopaminérgico bromocriptina como o sequestra- dor de ácidos biliares colesevelam produzem reduções modestas na HbA1C. O mecanismo de ação da redução da glicemia é desconheci- do para os dois fármacos. Embora bromocriptina e colesevelam se- jam indicados para o tratamento do DM2, suas eficácias modestas, seus efeitos adversos e o número de comprimidos limitam seu uso na clínica. Um resumo dos fármacos antidiabéticos orais é apresentado na Figura 25.13 e, na Figura 25.14 são mostradas as normas de tratamento para o DM2. Capitulo_25_Whalen.indd 346 25/04/2016 10:37:29 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 347 CLASSES DE FÁRMACOS MECANISMO DE AÇÃO EFEITOS NA INSULINA PLASMÁTICA RISCO DE HIPOGLICEMIA COMENTÁRIOS Sulfonilureias Glimepirida Glipizida Gliburida Estimulam a secreção de insulina Sim Histórico de eficácia bem estabelecido Pode ocorrer aumento de massa corporal A hipoglicemia é mais comum com esta classe de fármacos orais Glinidas Nateglinida Repaglinida Estimulam a secreção de insulina Sim (raramente) Tomado com alimentação Curta ação com menos hipoglicemia Efeito pós-prandial Biguanidas Metformina Diminui a produção endógena hepática de glicose Não Fármaco preferido contra o DM2 Eficácia bem estabelecida Pode ocorrer perda de massa corporal Monitorar a função renal Tiazolidinadionas (glitazonas) Pioglitazona Rosiglitazona Ligam-se ao receptor g ativado por prolife- rador peroxissoma no músculo, gordura e fígado, diminuindo a resistência à insulina Não Eficaz em pacientes altamente resistentes à insulina Dosagem única por dia para pioglitazona Avaliar a função hepática antes de iniciar Evitar em doença hepática ou insuficiên- cia cardíaca Inibidores da -glicosidase Acarbose Miglitol Diminui a absorção de glicose Não Ingerida com as refeições Efeitos adversos gastrintestinais Inibidores da DPP-4 Alogliptina Linagliptina Sitagliptina Saxagliptina Aumenta a libera ção de insulina depen- den te de glicose, di- minui a secreção de glucagônio Não Dosagem diária única Pode ser ingerida com ou sem alimentos É bem tolerada Risco depancreatite Incretino- miméticos Exenatida Liraglutida Aumentam a libera- ção de insulina de- pendente de glicose; Diminuem a secreção de glucagônio; Retardam o esvazia- mento gástrico; Aumentam a saciedade Não Formulação injetável A exenatida deve ser injetada duas vezes por dia, dentro de 60 min antes do desje- jum e do jantar Formulação de liberação estendida é administrada uma vez por semana A liraglutida é administrada uma vez ao dia sem relação com as refeições Pode ocorrer perda de massa corporal Risco de pancreatite Inibidores SGLT2 Canaglifozina Dapaglifozina Aumentam a excreção urinária de glicose Não Dosificação uma vez ao dia, pela manhã Risco de hipotensão e hiperpotassemia Evitar em insuficiência renal grave Figura 25.13 Resumo dos fármacos antidiabéticos orais. ⇔, pouca ou nenhuma alteração; DPP-4, dipeptidilpeptidase-4. Capitulo_25_Whalen.indd 347 25/04/2016 10:37:29 http://booksmedicos.org 348 Whalen, Finkel & Panavelil Paciente com DM2 e HbA1c ≥ 7% A metformina é preferida a menos que haja contraindicação ou intolerância O objetivo HbA1c usual é < 7% mas deve ser individualizado Metformina (titular até a dose máxima tolerada) HbA1c < 7% Continuar com metformina. Enfatizar aderência e mudança de estilo de vida ACRESCENTAR outro antidiabético oral OU acrescentar um incretinomimético OU acrescentar insulina basal Continuar o tratamento. Enfatizar aderência e mudança de estilo de vida ACRESCENTAR outro antidiabético oral OU acrescentar um incretinomimético OU acrescentar insulina basal HbA1c < 7% HbA1c < 7% Múltiplas doses diárias de insulina (basal + bolus) Um valor de HbA1c mais alto é mais provável de necessitar de insulina para alcançar o HbA1c desejado 3 meses Sim Não 3 meses Não Sim Não Sim 3 a 6 meses Figura 25.14 Normas para tratamento do DM2. Capitulo_25_Whalen.indd 348 25/04/2016 10:37:29 http://booksmedicos.org Farmacologia Ilustrada 349 Questões para estudo Escolha a resposta correta. 25.1 Qual das seguintes afirmativas é verdadeira para o trata- mento com a insulina glargina? A. É usada primariamente no controle da hiperglicemia pós-prandial. B. Ela é uma insulina “sem pico”. C. A longa duração de atividade se deve à lenta disso- ciação da albumina. D. Ela não deve ser usada em regime com insulina lispro ou glulisina. E. Ela pode ser administrada por via IV em casos de emergência. 25.2 Um paciente com DM2 apresenta glicemia de 400 mg/dL no dia de sua visita ao consultório. O clínico deseja admi- nistrar alguma insulina para baixar a glicemia antes que o paciente deixe o consultório. Qual das seguintes deve reduzir a glicemia do modo mais rápido? A. Insulina asparte. B. Insulina glargina. C. Insulina NPH. D. Insulina regular. 25.3 Qual das seguintes classes de antidiabéticos orais está pareada mais apropriadamente com seu mecanismo de ação primário? A. Inibidor da DPP-4 – inibe a hidrólise de carboidratos complexos. B. Glinida – aumenta a sensibilidade à insulina. C. Sulfonilureia – aumenta a secreção de insulina D. TZD – diminui a gliconeogênese hepática. 25.4 Qual das seguintes afirmativas é característica da met- formina? A. A metformina é inadequada para o tratamento inicial do DM2. B. A metformina diminui a produção de glicose hepática. C. A metformina sofre biotransformação significativa pelo sistema CYP450. D. A metformina não deve ser associada com sulfonilu- reias ou insulina. E. O aumento de massa corporal é um efeito adverso comum. 25.5 Qual das seguintes alternativas é o fármaco de uso oral mais adequado para o tratamento inicial do DM2 em pa- cientes sem outras comorbidades? A. Glipizida. B. Insulina. C. Metformina. D. Pioglitazona. 25.6 Uma mulher de 64 anos com anamnese de DM2 foi diag- nosticada com insuficiência cardíaca. Qual dos seguintes fármacos será a PIOR escolha para controlar seu diabetes? A. Exenatida. B. Glibenclamida. C. Nateglinida. D. Pioglitazona. E. Sitagliptina. Resposta correta = B. A insulina glargina tem efeito hipoglicêmico pro- longado e relativamente baixo. Por isso, é usada para o controle da glicemia basal, não pós-prandial. A duração prolongada deve-se ao pH baixo, que leva à precipitação no local de injeção e à consequente ação prolongada. A insulina glargina é usada com frequência para o controle basal em um regime em que a insulina lispro, a glulisina ou o asparto são usados para controlar a glicose na hora das refeições. (Nota: a glargina não deve ser associada com outras insulinas na mesma seringa, pois pode alterar as propriedades farmacodinâmicas da medicação.) Resposta correta = A. A insulina asparte é uma insulina de ação rápi- da cuja ação se inicia ente 15 a 20 minutos. A insulina glargina é uma insulina de longa ação usada para controle basal. A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária usada para controle basal. Ainda que a insulina regular possa ser usada para baixar a glicemia, seu início não é tão rápido como o da insulina asparte. O início da insulina regular é entre 30 e 60 minutos. Resposta correta = C. As sulfonilureias atuam primariamente aumen- tando a secreção de insulina, estimulando as células β do pâncreas. Os inibidores da DPP-4 atuam inibindo a hidrólise das incretinas, au- mentando, assim, a secreção pós-prandial de insulina, diminuindo o glucagon pós-prandial, etc. As glinidas atuam primariamente aumen- tando a secreção de insulina. Os TZDs atuam primariamente aumen- tando a sensibilidade à insulina. Resposta correta = B. A metformina age inibindo a gliconeogênese hepática. É o fármaco inicial preferencial para o tratamento do DM2. A metformina não é biotransformada. Ela pode ser associada com sulfonilureias, insulina ou TZDs. Diferentemente das sulfonilureias e da insulina, o aumento de massa corporal não é um efeito adverso e, de fato, alguns pacientes até perdem peso devido aos efeitos ad- versos GI. Resposta correta = C. A metformina é o fármaco inicial preferido para o tratamento do DM2. Ver Figura 25.14. Resposta correta = D. As TZDs (pioglitazona e rosiglitazona) podem reter líquidos e agravar a insuficiência cardíaca. Devem ser usadas com cautela e em dosagem reduzida em pacientes com essa con- dição (se é que devem ser prescritas nesses casos). Exenatida, gli- benclamida, nateglinida e sitagliptina não têm restrições para uso em pacientes com insuficiência cardíaca. Capitulo_25_Whalen.indd 349 25/04/2016 10:37:29 http://booksmedicos.org 350 Whalen, Finkel & Panavelil 25.7 Um homem de 69 anos apresenta-se com DM2 e doença renal crônica avançada. Qual dos seguintes antidiabéti- cos é contraindicado para esse paciente? A. Glipizida. B. Insulina lispro. C. Metformina. D. Saxagliptina. 25.8 Qual dos seguintes antidiabéticos apresenta MENOS chance de causar aumento de massa corporal? A. Glimepirida. B. Liraglutida. C. Pioglitazona. D. Repaglinida. E. Insulina glulisina. 25.9 Um paciente com DM2 está tomando metformina. A glice- mia de jejum está normal, mas a pós-prandial está des- controlada. Todos os seguintes fármacos são apropria- dos para acrescentar à metformina para regularizar a glicemia pós-prandial, EXCETO: A. Acarbose. B. Exenatida. C. Insulina asparte. D. Pranlintida. 25.10 Qual dos seguintes antidiabéticos está pareado apropria- damente com um efeito adverso associado a seu uso? A. Canagliflozina – acidose lática. B. Metformina – infecções do trato urinário. C. Nateglinida – insuficiência cardíaca. D. Liraglutida – pancreatite. Resposta correta = C. A metformina não deve ser usada em pacientes com doença renal devido à possibilidade de acidose lática. A glipizi- da pode ser usada com segurança em pacientes com depuração de creatinina de apenas 10 mL/min. A insulina não é contraindicada na disfunção renal, embora a dosagem precise ser ajustada. Ainda que a dosagem do inibidor da DPP-4 saxagliptina possa necessitar ser diminuída na disfunção renal, ela não é contraindicada. Respostacorreta = B. Os incretinomiméticos geralmente estão as- sociados com perda de massa corporal devido ao seu efeito de au- mentar a saciedade. Os demais antidiabéticos citados são associados com aumento de peso. Resposta correta = D. Embora todos esses antidiabéticos visem à gli- cemia pós-prandial, a pranlintida só deve ser usada em conjunto com a insulina da hora da refeição. Como o paciente não está tomando insulina, a pranlintida não é indicada. Resposta correta = D. Os incretinomiméticos estão associados com o risco de pancreatites. A acidose lática é rara, mas é um grave efeito adverso da metformina (não da canagliflozina). Os efeitos adversos da canagliflozina são infecções micóticas genitais, infecções do trato urinário e frequência urinária. A nateglinida pode causar hipoglicemia, mas não está associada com insuficiência cardíaca. Os TZDs estão associados com insuficiência cardíaca. Capitulo_25_Whalen.indd 350 25/04/2016 10:37:29 http://booksmedicos.org Botón1: