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Universidade do Sul de Santa Catarina Palhoça UnisulVirtual 2011 Análise Macroeconômica Disciplina na modalidade a distância Créditos Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância Reitor Unisul Ailton Nazareno Soares Vice-Reitor Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Willian Máximo Pró-Reitora Acadêmica Miriam de Fátima Bora Rosa Pró-Reitor de Administração Fabian Martins de Castro Pró-Reitor de Ensino Mauri Luiz Heerdt Campus Universitário de Tubarão Diretora Milene Pacheco Kindermann Campus Universitário da Grande Florianópolis Diretor Hércules Nunes de Araújo Campus Universitário UnisulVirtual Diretora Jucimara Roesler Equipe UnisulVirtual Diretora Adjunta Patrícia Alberton Secretaria Executiva e Cerimonial Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Marcelo Fraiberg Machado Tenille Catarina Assessoria de Assuntos Internacionais Murilo Matos Mendonça Assessoria de Relação com Poder Público e Forças Armadas Adenir Siqueira Viana Walter Félix Cardoso Junior Assessoria DAD - Disciplinas a Distância Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Carlos Alberto Areias Cláudia Berh V. da Silva Conceição Aparecida Kindermann Luiz Fernando Meneghel Renata Souza de A. Subtil Assessoria de Inovação e Qualidade de EAD Denia Falcão de Bittencourt (Coord) Andrea Ouriques Balbinot Carmen Maria Cipriani Pandini Iris de Sousa Barros Assessoria de Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Felipe Jacson de Freitas Jefferson Amorin Oliveira Phelipe Luiz Winter da Silva Priscila da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão Tamara Bruna Ferreira da Silva Coordenação Cursos Coordenadores de UNA Diva Marília Flemming Marciel Evangelista Catâneo Roberto Iunskovski Assistente e Auxiliar de Coordenação Maria de Fátima Martins (Assistente) Fabiana Lange Patricio Tânia Regina Goularte Waltemann Ana Denise Goularte de Souza Coordenadores Graduação Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luísa Mülbert Ana Paula R. Pacheco Arthur Beck Neto Bernardino José da Silva Catia Melissa S. Rodrigues Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Fabiano Ceretta José Carlos da Silva Junior Horácio Dutra Mello Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes Janaína Baeta Neves Jardel Mendes Vieira Joel Irineu Lohn Jorge Alexandre N. Cardoso José Carlos N. Oliveira José Gabriel da Silva José Humberto D. Toledo Joseane Borges de Miranda Luciana Manfroi Luiz G. Buchmann Figueiredo Marciel Evangelista Catâneo Maria Cristina S. Veit Maria da Graça Poyer Mauro Faccioni Filho Moacir Fogaça Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Fontanella Rogério Santos da Costa Rosa Beatriz M. Pinheiro Tatiana Lee Marques Valnei Carlos Denardin Roberto Iunskovski Rose Clér Beche Rodrigo Nunes Lunardelli Sergio Sell Coordenadores Pós-Graduação Aloisio Rodrigues Bernardino José da Silva Carmen Maria Cipriani Pandini Daniela Ernani Monteiro Will Giovani de Paula Karla Leonora Nunes Leticia Cristina Barbosa Luiz Otávio Botelho Lento Rogério Santos da Costa Roberto Iunskovski Thiago Coelho Soares Vera Regina N. Schuhmacher Gerência Administração Acadêmica Angelita Marçal Flores (Gerente) Fernanda Farias Secretaria de Ensino a Distância Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Adenir Soares Júnior Alessandro Alves da Silva Andréa Luci Mandira Cristina Mara Schauffert Djeime Sammer Bortolotti Douglas Silveira Evilym Melo Livramento Fabiano Silva Michels Fabricio Botelho Espíndola Felipe Wronski Henrique Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Indyanara Ramos Janaina Conceição Jorge Luiz Vilhar Malaquias Juliana Broering Martins Luana Borges da Silva Luana Tarsila Hellmann Luíza Koing Zumblick Maria José Rossetti Marilene de Fátima Capeleto Patricia A. Pereira de Carvalho Paulo Lisboa Cordeiro Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rosângela Mara Siegel Simone Torres de Oliveira Vanessa Pereira Santos Metzker Vanilda Liordina Heerdt Gestão Documental Lamuniê Souza (Coord.) Clair Maria Cardoso Daniel Lucas de Medeiros Eduardo Rodrigues Guilherme Henrique Koerich Josiane Leal Marília Locks Fernandes Gerência Administrativa e Financeira Renato André Luz (Gerente) Ana Luise Wehrle Anderson Zandré Prudêncio Daniel Contessa Lisboa Naiara Jeremias da Rocha Rafael Bourdot Back Thais Helena Bonetti Valmir Venício Inácio Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão Moacir Heerdt (Gerente) Aracelli Araldi Elaboração de Projeto e Reconhecimento de Curso Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Francielle Arruda Rampelotte Extensão Maria Cristina Veit (Coord.) Pesquisa Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Mauro Faccioni Filho(Coord. Nuvem) Pós-Graduação Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.) Biblioteca Salete Cecília e Souza (Coord.) Paula Sanhudo da Silva Renan Felipe Cascaes Gestão Docente e Discente Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Capacitação e Assessoria ao Docente Simone Zigunovas (Capacitação) Alessandra de Oliveira (Assessoria) Adriana Silveira Alexandre Wagner da Rocha Elaine Cristiane Surian Juliana Cardoso Esmeraldino Maria Lina Moratelli Prado Fabiana Pereira Tutoria e Suporte Claudia Noemi Nascimento (Líder) Anderson da Silveira (Líder) Ednéia Araujo Alberto (Líder) Maria Eugênia F. Celeghin (Líder) Andreza Talles Cascais Daniela Cassol Peres Débora Cristina Silveira Francine Cardoso da Silva Joice de Castro Peres Karla F. Wisniewski Desengrini Maria Aparecida Teixeira Mayara de Oliveira Bastos Patrícia de Souza Amorim Schenon Souza Preto Gerência de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos Márcia Loch (Gerente) Desenho Educacional Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.) Aline Cassol Daga Ana Cláudia Taú Carmelita Schulze Carolina Hoeller da Silva Boeing Eloísa Machado Seemann Flavia Lumi Matuzawa Gislaine Martins Isabel Zoldan da Veiga Rambo Jaqueline de Souza Tartari João Marcos de Souza Alves Leandro Romanó Bamberg Letícia Laurindo de Bonfim Lygia Pereira Lis Airê Fogolari Luiz Henrique Milani Queriquelli Marina Melhado Gomes da Silva Marina Cabeda Egger Moellwald Melina de La Barrera Ayres Michele Antunes Corrêa Nágila Hinckel Pâmella Rocha Flores da Silva Rafael Araújo Saldanha Roberta de Fátima Martins Roseli Aparecida Rocha Moterle Sabrina Bleicher Sabrina Paula Soares Scaranto Viviane Bastos Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Letícia Regiane Da Silva Tobal Mariella Gloria Rodrigues Avaliação da aprendizagem Geovania Japiassu Martins (Coord.) Gabriella Araújo Souza Esteves Jaqueline Cardozo Polla Thayanny Aparecida B.da Conceição Gerência de Logística Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Logísitca de Materiais Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.) Abraao do Nascimento Germano Bruna Maciel Fernando Sardão da Silva Fylippy Margino dos Santos Guilherme Lentz Marlon Eliseu Pereira Pablo Varela da Silveira Rubens Amorim Yslann David Melo Cordeiro Avaliações Presenciais Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Ana Paula de Andrade Angelica Cristina Gollo Cristilaine Medeiros Daiana Cristina Bortolotti Delano Pinheiro Gomes Edson Martins Rosa Junior Fernando Steimbach Fernando Oliveira Santos Lisdeise Nunes Felipe Marcelo Ramos Marcio Ventura Osni Jose Seidler Junior Thais Bortolotti Gerência de Marketing Fabiano Ceretta (Gerente) Relacionamento com o Mercado Eliza Bianchini Dallanhol Locks Relacionamento com Polos Presenciais Alex Fabiano Wehrle (Coord.) Jeferson Pandolfo Karine Augusta Zanoni Marcia Luz de Oliveira Assuntos Jurídicos Bruno Lucion Roso Marketing Estratégico Rafael Bavaresco Bongiolo Portal e Comunicação Catia Melissa Silveira Rodrigues Andreia Drewes Luiz Felipe Buchmann Figueiredo Marcelo Barcelos Rafael Pessi Gerência de Produção Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francini Ferreira Dias Design Visual Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Alice Demaria Silva Anne Cristyne Pereira Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Daiana Ferreira Cassanego Diogo Rafael da Silva Edison Rodrigo Valim FredericoTrilha Higor Ghisi Luciano Jordana Paula Schulka Marcelo Neri da Silva Nelson Rosa Oberdan Porto Leal Piantino Patrícia Fragnani de Morais Multimídia Sérgio Giron (Coord.) Dandara Lemos Reynaldo Cleber Magri Fernando Gustav Soares Lima Conferência (e-OLA) Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.) Bruno Augusto Zunino Produção Industrial Marcelo Bittencourt (Coord.) Gerência Serviço de Atenção Integral ao Acadêmico Maria Isabel Aragon (Gerente) André Luiz Portes Carolina Dias Damasceno Cleide Inácio Goulart Seeman Francielle Fernandes Holdrin Milet Brandão Jenniffer Camargo Juliana Cardoso da Silva Jonatas Collaço de Souza Juliana Elen Tizian Kamilla Rosa Maurício dos Santos Augusto Maycon de Sousa Candido Monique Napoli Ribeiro Nidia de Jesus Moraes Orivaldo Carli da Silva Junior Priscilla Geovana Pagani Sabrina Mari Kawano Gonçalves Scheila Cristina Martins Taize Muller Tatiane Crestani Trentin Vanessa Trindade Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual Revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior Design Instrucional Leandro Kingeski Pacheco Melina de la Barrera Ayres 2ª edição André Luís da Silva Leite Análise Macroeconômica Livro didático Palhoça UnisulVirtual 2011 Edição – Livro Didático Professor Conteudista André Luís da Silva Leite Revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior (2ª ed. revista e atualizada) Design Instrucional Leandro Kingeski Pacheco Melina de la Barrera Ayres (2ª ed. revista e atualizada) ISBN 978-85-7817-146-9 Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Diogo Silva Revisão Amaline B. I. Mussi Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul Copyright © UnisulVirtual 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. 339 L55 Leite, André Luís da Silva Análise macroeconômica : livro didático / André Luís da Silva Leite ; revisão e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior ; design instrucional Leandro Kingeski Pacheco, Melina de la Barrera Ayres. – 2. ed. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011. 169 p. : il. ; 28 cm. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7817-146-9 1. Macroeconomia. 2. Política monetária. 3. Comércio internacional. I. Hahn Júnior, Valdemar. II. Pacheco, Leandro Kingeski. III. Ayres, Melina de la Barrera. IV. Título. Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 Palavras do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 - Introdução a macroeconomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços - consumo, poupança e investimento . . . . . . . . . . . . . . . 47 UNIDADE 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços - o papel do Governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 UNIDADE 4 - Moeda e política monetária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 UNIDADE 5 - Economia internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161 Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Respostas e comentários das atividades de autoavaliação . . . . . . . . . . . . . 165 Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 7 Apresentação Este livro didático corresponde à disciplina Análise Macroeconômica. O material foi elaborado com vista a uma aprendizagem autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz. Lembre que sua caminhada nesta disciplina será acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Neste sentido, a “distância” fica caracterizada somente como a modalidade de ensino por que você optou para a sua formação. É que, na relação de aprendizagem, professores e instituição estarão sempre conectados com você. Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato. Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual Palavras do professor Caro(a) aluno(a), A economia é o espaço onde ocorrem as decisões estratégicas que nos afetam diretamente. O estudo da economia é divido em duas partes: a microeconomia (objeto da disciplina Análise Microeconômica) e a macroeconomia (tratada neste livro didático). A macroeconomia trata dos elementos econômicos de maior escopo, como as taxas de juros, a gestão da economia pelo Estado, a moeda, entre outros. Nesta disciplina, você aprenderá os principais elementos de macroeconomia. Ou seja, como se forma a renda nacional, o que é inflação, as políticas fiscal e monetária, além da economia internacional. Trata-se de temas econômicos relacionados com o cotidiano, cujo complemento importante é encontrado na leitura atenciosa dos jornais e das revistas especializados. Espero que aproveite o conteúdo selecionado. Caso tenha alguma dúvida, entre em contato com o professor. Bom estudo! Prof. André Luís da Silva Leite Plano de estudo O plano de estudos visa a orientá-lo/a no desenvolvimento da disciplina. Possui elementos que o/a ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto a construção de competências ocorre sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos deste processo: � o livro didático; � o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA); � as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de autoavaliação); � o Sistema Tutorial. Ementa Introdução a macroeconomia. O modelo keynesiano de determinação da renda. A função consumo. Investimento e poupança. A demanda do governo. A oferta de moeda e o papel do Banco Central. Inflação. Introdução à economia internacional. 12 Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivos Geral Iniciar o estudante no estudo da teoria econômica, possibilitando a utilização de uma ferramenta útil à sua vida acadêmica e profissional. Ao final da disciplina, deverá ser capaz de analisar e compreender questões referentes às políticas econômicas nacionais e internacionais, no âmbito macroeconômico. Específicos � Compreender o funcionamento de um sistema econômico através do estudo da macroeconomia, conhecendo os agregados macroeconômicos e suas contribuições para a formação da Renda Nacional (RN). � Aprender o processo de determinação da Renda Nacional e do Produto Nacional a partir das relações das variáveis macroeconômicas: consumo; poupança e investimento. � Entender o papeldo governo na formação da Renda Nacional (RN). � Compreender os tipos de políticas monetárias adotadas pelo governo através da emissão de moeda, da expansão e controle do crédito. � Compreender o funcionamento do Balanço de Pagamentos (BP) através do comércio internacional e suas influências sobre o comércio interno de um país. Carga Horária A carga horária total da disciplina é de 60 horas/aula. 13 Análise Macroeconômica Conteúdo programático/objetivos Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Unidades de estudo: 5 Unidade 1 – Introdução a macroeconomia Na primeira unidade da disciplina, você conhecerá os elementos básicos que compõem o estudo da macroeconomia e sua importância para o sistema econômico. Ao final da leitura, você compreenderá de que modo ocorre a formação do Produto Interno Bruto (PIB) e a Renda de um país. Unidade 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços - consumo, poupança e investimento Nesta unidade, você estudará como se forma a Renda Nacional (RN) no mercado de bens e serviços, destacando-se as variáveis macroeconômicas: consumo; poupança e investimento em bens de capital. Unidade 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços - o papel do Governo Esta unidade retoma a discussão iniciada na unidade 2, com ênfase no papel do governo e na política fiscal, importante ferramenta para a busca da estabilidade econômica. 14 Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 4 – Moeda e política monetária Nesta unidade, você aprenderá o conceito de moeda, suas funções, sua utilidade e importância para a população como meio de pagamento. Estudará a política monetária que é realizada pelo Banco Central, conforme determinação da equipe econômica do governo e o funcionamento do sistema financeiro e de crédito. Conhecerá, também, os diversos tipos de inflação, suas causas e consequências para a economia dos países em geral e, do Brasil, em particular. Unidade 5 – Economia internacional Na unidade 5, você estudará a teoria do comércio internacional desde a sua origem, compreenderá por que ocorre o comércio entre diversos países e conhecerá o balanço de pagamentos, sua importância e necessidade para o registro e controle das transações comerciais de um país com os demais países. 15 Análise Macroeconômica Agenda de atividades/ Cronograma � Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. � Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. � Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Atividades obrigatórias Data Demais atividades (registro pessoal) Data 1UNIDADE 1Introdução a macroeconomia Objetivos de aprendizagem � Compreender como são formados a renda e o produto de uma nação. � Conhecer e compreender o significado dos agregados macroeconômicos. � Conhecer o processo de medição da atividade econômica de uma economia. � Conhecer e compreender a aplicabilidade da contabilidade social. � Entender o significado dos conceitos renda nacional e PIB. Seções de estudo Seção 1 A análise macroeconômica Seção 2 Contabilidade social Seção 3 Examinando e medindo a atividade econômica Seção 4 Os agregados macroeconômicos 18 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro(a) aluno(a), nesta unidade você estudará contabilidade social. Para tanto, veremos uma breve introdução à análise macroeconômica e à política macroeconômica. No decorrer da disciplina, veremos a contabilidade social propriamente dita e como examinar e medir a atividade econômica. Também estudaremos o conceito de valor adicionado, os agregados macroeconômicos e o sistema econômico real. Estes temas estão assim dispostos para que você compreenda como são formados a renda e o produto de uma nação, assim como o significado dos conceitos de renda nacional e de PIB. Seção 1 – A análise macroeconômica Esta seção aborda, de forma introdutória, a análise macroeconômica e o surgimento da contabilidade social. Macroeconomia é a parte da economia que estuda o conjunto das decisões dos agentes econômicos. É a parte da ciência econômica que focaliza o estudo do comportamento do sistema econômico como um todo. A macroeconomia tem como objetivo principal determinar os fatores que interferem no nível total da renda e do produto de uma economia. Ou seja, estuda as decisões conjuntas dos consumidores, das empresas e do governo. A macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados macroeconômicos, tais como: renda e produto nacional, nível geral de preços, emprego, moeda e taxa de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio. 19 Análise Macroeconômica Unidade 1 Ao estudar os grandes agregados, a macroeconomia não leva em conta o comportamento das unidades individuais (empresas e consumidores) e de mercados em geral, temas estes da microeconomia. A macroeconomia permite uma abordagem mais global e genérica. Esta abordagem permite maior compreensão das interações entre os agentes econômicos, representando assim um importante instrumento para a política e a tomada de decisão do governo. Para medir a produção, o consumo, a renda, os investimentos e a capacidade de poupança – ou seja, a atividade econômica – a análise macroeconômica utiliza-se da Contabilidade Social ou Contabilidade Nacional. Você sabe por que os economistas se preocupam em medir a produção realizada por um determinado país? A resposta pode ser dividida em duas partes: � A primeira, o fato de a escassez de recursos constituir o problema fundamental da economia. Por essa razão, eles devem ser empregados de forma adequada, de modo que se consiga a maior quantidade possível de bens e serviços – o que nos remete à questão da eficiência do sistema produtivo. Esta eficiência, que consiste na maior produção possível a partir de certa quantidade de fatores da produção, precisa ser constantemente avaliada. Daí a necessidade de se ter registros da atividade econômica, considerada em seu conjunto, os quais permitam este tipo de análise. � A segunda parte nos remete a um fato histórico. Quase todas as pessoas já ouviram falar da grande crise econômica de 1929, que consistiu na redução das atividades econômicas, ocasionando, entre outros problemas, o desemprego. Tivemos, também, as duas grandes guerras mundiais, que envolveram diversos países e tiveram grande repercussão na economia. 20 Universidade do Sul de Santa Catarina A partir dessa época e com a presença mais acentuada do Estado como regulador (gerente) das atividades econômicas, os economistas passaram a sentir necessidade de criar meios que lhes permitissem medir e avaliar as atividades econômicas desenvolvidas pela sociedade. Assim surgiu a contabilidade social ou nacional, com o objetivo de auferir e registrar a medição de toda a atividade econômica de um país, possibilitando que a macroeconomia atinja seus objetivos de determinação da renda e do nível de bem-estar social da população. É através do registro contábil próprio, da contabilidade social, que a macroeconomia alcança a movimentação dos valores finais dos componentes dos agregados macroeconômicos, o que possibilita calcular o valor do PIB (Produto Interno Bruto),de um país em um determinado período de tempo. Os primeiros estudos realizados no campo da contabilidade nacional datam do ano de 1920, com o economista norte- americano Simon Kuznets, que passou a realizar um levantamento sistemático da renda nacional do seu país, levantamento só aplicado, de forma efetiva, após a crise econômica de 1929. Com a presença mais acentuada do Estado como regulador das atividades econômicas, os economistas sentiram a necessidade de criar meios padronizados que lhes permitissem medir e avaliar as atividades econômicas desenvolvidas pela sociedade. A contabilidade nacional é um sistema de agregados estatísticos que registra a atividade econômica global de um país em um determinado período de tempo, geralmente de um ano. O registro contábil é efetuado através do método das partidas dobradas, de tal maneira que os agregados são apresentados duas vezes: a débito de uma conta, e a crédito de outra. Ao débito, corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito, corresponde um fundo originário da produção interna do país ou procedente do estrangeiro. 21 Análise Macroeconômica Unidade 1 Desta forma, a contabilidade nacional mede a atividade econômica a partir de sua expressão mais genérica – o produto da economia – para, a partir dela, introduzir novos conceitos e assim se observar a atividade econômica. Tais conceitos são chamados de agregados e recebem esta denominação pelo fato de não representarem simplesmente uma soma de parcelas que se expressam da mesma forma e na mesma unidade de medida, mas sim uma soma de coisas diferentes (bens e serviços) cujo volume físico é expresso em unidades de medidas diferentes. Esses bens e serviços podem ser adicionados, quando traduzidos numa unidade comum de medida, ou seja, a Moeda. O Sistema Econômico é a forma organizada de uma estrutura econômica. Engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia, os processos de circulação das mercadorias, o consumo e os níveis de desenvolvimento tecnológico e de divisão do trabalho. O sistema econômico de um país mantém relações com outros sistemas, isto é, com o resto do mundo, através da exportação e da importação de bens e serviços. Além disso, nesse sistema, a presença do setor público, ou seja, do governo, é bastante importante. Com relação às empresas e aos proprietários dos fatores de produção, não é mais necessário que eles gastem toda a sua renda em bens e serviços de consumo. Essa parte da renda que não é consumida recebe o nome de Poupança, que, definida formalmente, é a diferença entre a renda e o consumo das pessoas. Consequentemente, se toda a renda não é consumida, uma parte da produção das empresas não será vendida, o que possibilitará a formação de estoques nessa economia. Do ponto vista econômico, a formação de estoques na economia significa investimento, o que nos leva à igualdade fundamental da macroeconomia, de que Poupança (S) é igual a Investimento (I): S = I O Investimento, entretanto, não significa apenas a variação nos estoques. Ele também é formado pelas despesas realizadas pelos empresários para aumentar a atividade produtiva de suas empresas. 22 Universidade do Sul de Santa Catarina Desta forma, verificamos a importância da contabilidade nacional e seus registros para a macroeconomia, pois estes oportunizam ao governo, em nível nacional, os dados necessários a que o mesmo saiba quais são as áreas em que há necessidade de maior atuação e possa promover o crescimento das mesmas – e, consequentemente, a continuidade do crescimento econômico do país como um todo. Assim, política macroeconômica almeja os seguintes objetivos: � alto nível de emprego; � estabilidade de preços; � melhoria da distribuição de renda; e � crescimento econômico. As questões relativas ao nível de emprego e estabilidade de preços (controle da inflação) são consideradas conjunturais, isto é, de curto prazo. As questões conjunturais são preocupações centrais das chamadas políticas de estabilização. Já as questões referentes à distribuição de renda e ao crescimento econômico são aspectos de longo prazo, ou seja, estruturais. Seção 2 – Contabilidade social Nesta seção, abordaremos o conceito de contabilidade social, os sistemas de contabilidade social e os princípios básicos das contas nacionais. A teoria macroeconômica, como visto anteriormente, estuda a determinação e o comportamento dos agregados econômicos nacionais. A contabilidade social se insere na moderna macroeconomia, que nos fornece os meios para a análise do conjunto da economia de uma sociedade. Ela nos mostra o desempenho global de uma economia. Questões conjunturais são as questões que caminham juntas: o sucesso de uma depende do sucesso de outra. Desta forma, podemos dizer que nível de emprego e estabilidade de preço são questões conjunturais, pois têm entre si total dependência: o sucesso de uma vai alavancar e promover o sucesso de outra, o que deve ocorrer em curto prazo. Questões estruturais são as questões que devem estar interligadas entre si: trata-se de questões de longo prazo. Por exemplo, a distribuição de renda de forma equitativa e que apresente real aumento da renda da população está interligada ao crescimento econômico do país, ou seja, somente ocorrerá aumento de renda, se ocorrer aumento real da economia. A teoria macroeconômica moderna procura explicar os pânicos financeiros, os ciclos de crescimento e estagnação e as atividades dos negócios em geral. 23 Análise Macroeconômica Unidade 1 Vasconcellos e Garcia (2004, p. 97) definem contabilidade social como sendo o registro contábil da atividade produtiva de um país ao longo de um determinado período (normalmente um ano). A análise do comportamento dos agregados macroeconômicos é o foco da análise macroeconômica: volta-se à evolução desses agregados e ao modo como o governo pode influenciá-los através de políticas econômicas. Sistemas de contabilidade social Antes de tratarmos de sistemas de contabilidade social, note que a produção é contínua no tempo e que os bens e serviços são produzidos e consumidos, sendo necessário produzi-los novamente: grande parte das necessidades humanas exige um consumo contínuo, como é o caso da alimentação, a qual precisa ser satisfeita diariamente. Os agregados macroeconômicos são definidos com base em um sistema contábil que trata o país como se fosse uma empresa a qual produz um único produto, o Produto Nacional Bruto (PIB). O PIB representa a soma de tudo o que é produzido em um país. Para se medirem os agregados, é preciso, em primeiro lugar, estabelecer um período de tempo para medir o total de bens e de serviços produzidos. Atualmente, esse período é de um ano e corresponde, no Brasil, ao ano civil, que vai de janeiro a dezembro. Também é necessário estabelecer uma unidade de medida comum, pois os bens e serviços têm unidades de medida diferentes: o petróleo é medido em barris; o leite, em litros; a energia elétrica, em quilowatts, e assim por diante. A maneira encontrada para poder somar, ou agregar, a totalidade de bens e de serviços produzidos é medi-los em termos monetários, ou seja, por seu preço. Isto porque todos os bens e serviços podem ser expressos em dinheiro, que equivale ao preço de mercado multiplicado pela quantidade produzida. 24 Universidade do Sul de Santa Catarina Uma vez estabelecido o período que servirá de base para medir a produção, bem como a unidade de medida em que será expressa essa grandeza, resta o último problema, referente à ótica segundo a qual será medida a produção econômica. Acerca desta ótica, há dois sistemas principais de contabilidade social adotados em quase todos os países: � o sistema de contas nacionais, que é aplicado da seguinte forma: � utiliza-se do método das partidas dobradas; � consideram-se apenas os bens finais produzidos. � a matriz de relações intersetoriais, queé aplicada da seguinte forma: � incluem-se as transações intermediárias; � permite analisar as relações econômicas entre os setores. A vantagem deste sistema é que inclui transações intersetoriais; a desvantagem é que exige dados mais detalhados, obtidos nos censos. A Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta modelos manuais desses sistemas que orientam os institutos de pesquisas na medição dos agregados nacionais. Assim como na contabilidade privada, o sistema de contas nacionais utiliza o método das partidas dobradas, discriminando as transações dos setores da economia: famílias, governo, empresas e setor externo. Porém, não são consideradas as transações com bens e serviços intermediários (insumos e matérias-primas). No Sistema de Contabilidade, também denominado de Método de Veneza, os registros são colocados simultaneamente no Ativo e no Passivo, sendo que a soma dos elementos do primeiro deve ser igual à soma dos elementos do segundo. Você lembra o que são partidas dobradas? Reveja este conceito na primeira seção de estudo desta unidade. 25 Análise Macroeconômica Unidade 1 Este método constitui a base do sistema contábil moderno, no qual todas as transações de uma empresa são decompostas em dois elementos: 1. a origem dos recursos; 2. o destino dos recursos. Já no Sistema de Contas Nacionais, o registro contábil é efetuado através do método das partidas dobradas, de tal maneira que os agregados são apresentados duas vezes: a débito de uma conta e a crédito de outra. Ao débito, corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito, corresponde um fundo originário da produção interna do país ou procedente do estrangeiro. Princípios básicos das contas nacionais É importante considerar alguns princípios básicos que devem ser observados no levantamento e medição dos agregados econômicos (lembre que os agregados econômicos são: renda e produto nacional, nível geral de preços, emprego, moeda e taxa de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio, entre outros). Para a sua análise: � apenas transações com bens e serviços finais devem ser considerados, não sendo computados bens e serviços intermediários (matérias-primas, componentes e insumos). Os custos de produção referem-se à remuneração dos fatores de produção (salários, juros, aluguéis e lucros); � apenas a produção corrente do próprio período é medida. Não é levado em conta o valor das transações com bens produzidos em períodos anteriores (carros e apartamentos usados, por exemplo). Porém observe que, como o setor de serviços é um importante componente da economia, a atividade comercial é um serviço corrente. Assim, o salário de um vendedor é considerado como parte do produto corrente, mesmo tendo ele vendido um objeto usado; O primeiro livro a descrever este sistema foi publicado no ano de 1494, pelo frade franciscano Luca Paccioli (Summa de Arithmetica Geometria Proportioni et Proportionalitá). 26 Universidade do Sul de Santa Catarina � as transações referem-se a um fluxo, ou seja, são definidas ao longo de certo período de tempo. Normalmente, considera-se um ano, mas, no Brasil, há algumas amostras trimestrais, que são parciais; � a moeda é neutra, ou seja, é apenas medida de valor, um padrão para permitir que possamos mensurar o valor dos bens e serviços; � os valores de transações puramente financeiras não são considerados, dado que não representam acréscimos no produto real da economia. Esses agregados são considerados apenas transferências entre aplicadores e tomadores de empréstimos. Os princípios básicos de Sistemas de Contas Nacionais aqui apresentados são os utilizados pelas equipes econômicas do Brasil desde o ano 1947, através do levantamento da renda nacional, pela equipe da Fundação Getúlio Vargas, com assimilação a partir de 1953 e adaptação do Sistema de Contas Nacionais proposto pela ONU a partir de 1945. Seção 3 – Examinando e medindo a atividade econômica Nesta seção, você estudará a atividade econômica sob a ótica da produção e da despesa, além da ótica da renda. Complementando este estudo de análise da atividade econômica, trataremos ainda do produto nacional e da despesa nacional. A ótica da produção e da despesa O produto de uma economia é a soma dos valores monetários dos bens e dos serviços voltados para o consumo final e produzidos em um determinado período de tempo. 27 Análise Macroeconômica Unidade 1 Assim, ao se medir a atividade econômica a partir da ótica do produto, considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens e dos serviços, mas apenas daqueles voltados para o consumo final, como mencionado anteriormente. Vamos supor uma economia onde existam apenas três empresas. A empresa A produz trigo, a empresa B produz a farinha de trigo (tendo comprado a matéria- prima da empresa A); e a empresa C produz pão e o vende aos consumidores. Suponhamos que as empresas tenham os seguintes balancetes: Empresa A Despesas Receitas Salário Juros Aluguéis Lucros ........ ........ ........ ........ 80 30 20 10 Venda de trigo para a empresa B ........ 140 Total ........ 140 Total ........ 140 Empresa B Despesas Receitas Compra de trigo da empresa A Salário Juros Aluguéis Lucros ........ ........ ........ ........ ........ 140 50 10 15 30 Venda de farinha para a empresa C ........ 245 Total ........ 245 Total ........ 245 Empresa C Despesas Receitas Compra de trigo da empresa B Salário Juros Aluguéis Lucros ........ ........ ........ ........ ........ 245 60 20 30 305 Venda de pão para os consumidores ........ 390 Total ........ 390 Total ........ 390 28 Universidade do Sul de Santa Catarina Analise primeiramente o balancete da empresa A. Na coluna esquerda, estão as despesas necessárias para a produção de $140 de trigo. Neste caso, por simplificação, ela não paga matéria-prima. Note também que o lucro, na contabilidade social, é interpretado como a remuneração da capacidade gerencial ou empresarial, que é a diferença entre a receita e o pagamento pelos insumos. Assim, no caso da empresa A, tem-se: � Produto = $140 de trigo (produto final); � Renda = $140 (remuneração dos fatores de produção); � Despesa = $140 (despendida por B na aquisição de trigo). Vejamos outro exemplo para o entendimento do funcionamento da Ótica do Produto: Para a produção de um automóvel são empregados inúmeros bens e serviços, tais como: chapas de aço, pneus, serviços de pintura, etc. Entretanto eles não são computados no cálculo do produto da economia, pois se trata de bens e serviços intermediários. Apenas a quantidade de automóveis produzidos, multiplicados pelo seu preço, é que vai entrar nesse cálculo, para evitar o problema da dupla contagem, pois o preço dos bens e serviços intermediários está incluído no preço final do automóvel. A ótica da renda Segundo esta ótica, pode-se medir a atividade econômica em função da renda. A renda dos agentes econômicos é a soma da remuneração paga aos fatores da produção durante o processo produtivo. 29 Análise Macroeconômica Unidade 1 Renda é a remuneração de cada um dos fatores de produção, logo a renda de uma economia é a soma da renda de cada fator de produção. Podemos representar esta fórmula do seguinte modo: Renda de Economia = Σ Renda dos Fatores de Produção Assim, para se obter a renda de um país num determinado período, somam-se os salários, os aluguéis, os juros e os lucros, que são os pagamentos feitos aos fatores produtivos, ao longo do ano. Consolidando os balancetes das três empresas do exemplo citado anteriormente, tem-se que o produto da economia é $390. Vamos analisar mais detalhadamente, a seguir. Produto nacional O produto nacional (PN) de uma economia é expresso em termos monetários, multiplicando-se a quantidade de bens e de serviços pelos respectivos preços. Esta é a fórmula para o cálculo do produto nacional: PN = Σ pi . q i Onde:PN = produto nacional Pi = preço unitário dos bens e serviços finais Qi = quantidade produzida dos bens e serviços finais 30 Universidade do Sul de Santa Catarina Voltando ao nosso exemplo anterior, note que, como o pão é o único bem final, o produto nacional corresponde a $390. Despesa nacional (DN) A despesa nacional é o gasto dos agentes econômicos com o produto nacional. No exemplo anterior, a despesa nacional é representada apenas pelo consumo (C) das famílias. Mas a fórmula completa de cálculo de DN é: DN = C + I + G + X – M Onde: C = despesas das famílias com bens de consumo I = despesas das empresas com investimentos G = despesas do governo X = exportações (despesas dos outros países) M = importações (despesas brasileiras) Neste sentido, decorre que o produto nacional é vendido para quatro agentes: os consumidores, as empresas, o governo e o setor externo. Ainda neste contexto, pode-se considerar o produto como sendo o total das vendas num determinado período de tempo mais os estoques avaliados a preço de mercado. Esta fórmula expressa o significado do produto em relação às vendas, o tempo e os estoques: Produto = $ total das vendas / período de tempo + $ estoques Com a receita obtida através da venda de seus produtos, os empresários remuneram os fatores da produção empregados: salários para os trabalhadores, juros para o capital, aluguéis 31 Análise Macroeconômica Unidade 1 para os proprietários e lucros para eles próprios, pois o lucro é a remuneração do empresário. Seguindo este entendimento, pode-se dizer que as receitas, ou o produto da economia, foram direcionadas para a remuneração dos fatores de produção. Ao se chamar o total de pagamentos feitos aos fatores de produção de renda, chega-se a uma identidade fundamental na teoria macroeconômica: a de que renda é igual ao produto. Assim, a identidade de renda igual a produto só é válida para um sistema econômico simples, constituído de empresas e consumidores. Além disso, observe que há a condição de que as pessoas gastem toda sua renda na aquisição de bens e de serviços, ou seja, não façam poupança. Valor adicionado O valor adicionado (ou valor agregado) é o que se adiciona ao produto em cada estágio de produção. Somando o valor adicionado em cada estágio de produção, tem-se o produto final da economia. Na tabela 1.1, mostra-se o valor adicionado em cada estágio de produção. Tabela 1.1 – Aplicação do Valor Agregado Bruto – aplicado sobre o exemplo da produção de pão Estágio Vendas ($) Custos dos bens intermediários ($) Valor adicionado A 140 0 140 B 245 140 105 C 390 245 145 VA 390 Fonte: Elaboração do autor, 2007. Note que a soma do valor agregado em cada estágio de produção é igual ao valor do bem final. Logo os institutos de pesquisa (o IBGE, no caso brasileiro) não necessitam pesquisar os dados de cada bem intermediário, bastando verificar o preço dos bens e serviços finais. 32 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 4 – Os agregados macroeconômicos A contabilidade nacional mede a atividade econômica a partir de sua expressão mais genérica, o produto da economia, para, em seguida, e a partir dele, introduzir novos conceitos e assim observar a atividade econômica. Vejamos, na sequência, alguns dos principais conceitos. Os agregados Existem termos econômicos que são chamados de agregados e recebem esta denominação pelo fato de não corresponderem simplesmente a uma soma de parcelas que se expressam da mesma forma e na mesma unidade de medida, mas sim uma soma de coisas diferentes (bens e serviços), cujo volume físico, conforme você aprendeu, é expresso nas mais diferentes unidades de medida. No entanto esses bens e serviços podem ser adicionados, agregados, quando traduzidos numa unidade comum de medida, ou seja, a moeda. Os principais agregados macroeconômicos são: � PIB; � Renda pessoal. Produto interno bruto (PIB) O PIB corresponde ao produto da economia, ou seja, à soma dos valores monetários dos bens e dos serviços finais, produzidos a partir dos fatores de produção que estão dentro das fronteiras geográficas do país. Neste caso, há a interferência do Estado na economia, desempenhando o papel de dois agentes econômicos: de Consumidor e de Produtor. O Estado adquire o que é necessário ao funcionamento das repartições públicas, tais como: material de escritório e veículos. Contrata empresas para construções de edifícios, estradas, etc. 33 Análise Macroeconômica Unidade 1 Fornece à população os chamados serviços públicos, tais como: transporte, correios, assistência médica, educação, etc. Para desempenhar o papel de produtor, o Estado necessita de dinheiro, que é conseguido mediante a tributação – os impostos – que incide sobre determinadas atividades econômicas. Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto é denominado de Imposto Indireto. Por outro lado, o setor público muitas vezes pretende que determinados produtos tenham um preço mais baixo para o consumidor final e concede às empresas que os produzem os chamados Subsídios, estímulos que visam diminuir o custo de produção de um bem ou de um serviço. Componentes do PIB Podemos mostrar o PIB através da equação abaixo: PIB = C + I + G + X – M Onde: C = consumo das famílias I = investimento G = gastos do governo X = exportações M = importações Em suma, o PIB é igual ao conceito de despesa nacional mostrado anteriormente: Produto = renda = despesas Considerando a presença do Estado nas atividades econômicas, há duas maneiras de se medir o Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia: 34 Universidade do Sul de Santa Catarina � PIB a preços de mercado: é a soma dos valores monetários dos bens e serviços produzidos, computando-se os impostos indiretos e subtraindo-se os subsídios; � PIB a custo de fatores: é a soma dos valores monetários dos bens e serviços produzidos, subtraindo-se os impostos indiretos e somando-se os subsídios. Como você aprendeu, a presença do governo num sistema econômico tem a possibilidade de modificá-lo através do seu efeito sobre o preço dos bens e dos serviços e sobre a remuneração dos fatores de produção. Vamos supor um Sistema Econômico Z, onde, em um exercício, acusou o PIB a preços de mercado no valor de 250 bilhões. Para obter o PIB a custo de fatores, ou seja, descontando-se os impostos indiretos (que são os impostos pagos pelas pessoas físicas, de forma indireta no preço dos produtos) e os subsídios (que são benefícios oferecidos pelo governo para incrementar a produção de determinados bens), teremos: 250 bilhões (Produto Interno Bruto a preços de mercado) -50 bilhões (Impostos Indiretos) +40 bilhões (Subsídios) = 240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de fatores) Produto Interno Líquido (PIL) Durante o processo produtivo, as máquinas, equipamentos e instalações desgastam-se. Sofrem o processo de depreciação e necessitam ser reparados ou substituídos com certa regularidade, para não diminuir a capacidade produtiva de um Sistema Econômico. 35 Análise Macroeconômica Unidade 1 A parcela do produto que se destina à reposição ou reparos dos equipamentos denomina-se Depreciação. Para a obtenção do Produto Interno Líquido: subtraímos do PIB a custo de fatores a parcela correspondente à depreciação e obteremos o Produto Interno Líquido (PIL) a custo de fatores, agregado que determina a Renda Interna Líquida disponível ao Sistema Econômico. Continuando com o exemplo anterior: 240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de fatores) -50 bilhões (Depreciação) = 190 bilhões (Produto Interno Líquido a custo de fatores ou Renda Líquida) Produto Nacional Líquido (PNL) Para a obtenção do Produto Nacional Líquido subtraímos do Produto Interno Líquido a custo de fatores a Renda Enviada ao Exterior (renda enviada pelos funcionáriosde empresas multinacionais residentes no país, ou funcionários de embaixadas) e somamos a Renda Recebida do Exterior (renda recebida do exterior por residentes nacionais de fora do país – o inverso da renda enviada) obtendo-se assim o Produto Nacional Líquido a custo de fatores (PNL cf ), ou Renda Nacional Líquida a custo de fatores ( RNL cf ), também denominada Renda Nacional (RN). Considerando o exemplo anterior: 190 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de fatores) -20 bilhões (Renda Enviada ao Exterior) +15 bilhões (Renda Recebida do Exterior) = 185 bilhões (Produto Nacional Líquido a custo de fatores, ou Renda Nacional Líquida a custo de fatores, ou Renda Nacional (RN). 36 Universidade do Sul de Santa Catarina Consumo das famílias A variável consumo refere-se aos gastos que as pessoas fazem com bens de consumo, tais como: alimentos, roupas, remédios, supérfluos, etc. Investimento A variável investimento refere-se aos investimentos feitos pelas empresas com o objetivo de aumentar a produção. Quando uma empresa compra uma nova máquina, consideramos que houve um investimento. Gastos do governo Os gastos do governo referem-se às diversas despesas deste. O pagamento de funcionários públicos, a construção de novas escolas e hospitais são alguns dos gastos do governo. Exportações e importações Ao nos referirmos às exportações e importações, queremos enfatizar que o comércio exterior também interfere na formação do PIB de um país. Note que, na fórmula de cálculo do PIB, a variável importações (M) é a única com o sinal negativo, significando que, quando aumentam, há uma redução no PIB (caso não ocorra variação em nenhuma outra variável). Veja no quadro abaixo como estas variáveis contribuíram para a formação do PIB brasileiro nos anos de 2007 e 2008. 37 Análise Macroeconômica Unidade 1 Tabela 1.2 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa Especificação Ano de 2007 - Valores Correntes (R$ milhões) Ano de 2008 - Valores Correntes (R$ milhões) Despesas de Consumo das Famílias 1.579.616 1.753.414 Despesas de Consumo da Administração Pública 517.287 584.408 Formação Bruta de Capital Fixo 455.213 548.757 Exportações de Bens e Serviços 355.399 414.257 Importações de Bens e Serviços (-) 315.362 409.427 Variação de Estoques 5.459 (-) 1.690 Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010. Agora, veja na tabela seguinte como cada um dos setores (primário, secundário e terciário) contribuiu para o PIB brasileiro nos mesmos anos. Tabela 1.3 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa. Setores: Primário, Secundário, Terciário Especificação Ano de 2007 - Valores Correntes (R$ milhões) (%) Ano de 2008 - Valores Correntes (R$ milhões) (%) Agropecuária 133.015 5,98 163.536 6,87 Indústria 623.721 28,05 682.497 28,66 Serviços 1.466.783 65,97 1.535.021 64,47 Total 2.223.519 100,00 2.381.054 100,00 Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010. Analisando-se os quadros apresentados, no que diz respeito à composição do PIB Brasileiro, através das variáveis macroeconômicas e suas composições e a participação de cada um dos setores da economia, aponta-se: http://www.ibge.gov.br http://www.ibge.gov.br 38 Universidade do Sul de Santa Catarina � há um crescimento nas despesas de consumo das famílias, na proporção de 11,00%; há um crescimento das despesas de consumo da administração pública na proporção de 12,98%; há um crescimento da formação bruta do capital fixo em 20,55%; assim como há um aumento da exportação de bens e serviços de 16,56% e um crescimento da importação de bens e serviços na ordem de 29,82%, porém há um decréscimo na variação de estoques na ordem de 130,9581%; � verifica-se, também, um crescimento da produção agropecuária na ordem de 22,95%; um aumento da produção industrial na ordem de 9,42%; refletidos no crescimento do setor de serviços na ordem de 7,08%. Renda pessoal (RP) A renda pessoal é o agregado macroeconômico destinado aos consumidores residentes no país. Considere, mais uma vez, a intervenção do Estado na economia. Se subtrairmos da renda nacional os lucros retidos pelas empresas, os impostos diretos das empresas (imposto de renda) e as contribuições feitas à previdência social, e se somarmos as transferências do governo (ou seja, as despesas do governo com inativos, pensionistas, salário-família e outros benefícios pagos pela previdência social mais os juros pagos), então teremos a renda pessoal (RP). Seguindo com o exemplo apresentado sobre Os Agregados Macroeonômicos do sistema econômico Z: � vamos subtrair: os impostos pagos de renda sobre o faturamento real pago pelas empresas e as contribuições das mesmas para a previdência social; � vamos somar: os benefícios pagos pelo governo aos aposentados e pensionistas, os juros pagos pelo governo pela ocupação do capital privado. 39 Análise Macroeconômica Unidade 1 Do resultado obteremos a Renda Pessoal do sistema econômico Vejamos os cálculos: 185 bilhões (Produto Nacional Líquido a custo de fatores) -70 bilhões (Imposto de Renda das empresas e contribuições à previdência social) +50 bilhões (Benefícios pagos pela previdência social) +50 bilhões (Juros Pagos pelo governo) = 170 bilhões (Renda Pessoal) Renda pessoal disponível (RPD) Se você subtrair da renda pessoal os impostos diretos pagos pelas pessoas, ou seja, imposto de renda, chegará ao conceito de Renda Pessoal Disponível (RPD), que é a quantia que permanece em poder das pessoas para ser consumida ou poupada. Note que a produção realizada por um sistema econômico é destinada à satisfação das necessidades das pessoas. Esse sistema econômico não permanece estável no decorrer do tempo, ele se modifica, cresce e atravessa crises, tudo isso com consequências sobre as pessoas que o integram. Finalizando o exemplo do sistema econômico Z, vamos subtrair o imposto de renda das pessoas físicas pelos seus rendimentos anuais, alcançando, assim, a renda pessoal disponível ao alcance da população. Vejamos os cálculos: 170 bilhões (Renda Pessoal) -30 bilhões (Imposto de Renda pago pelas pessoas) = 140 bilhões (Renda Pessoal Disponível) 40 Universidade do Sul de Santa Catarina Tabela 1.4 – Demonstração do Cálculo da Renda Pessoal Disponível, aplicado ao Sistema Econômico Z (+) PIB pm 250 (-) Impostos Indiretos 50 (+) Subsídios 40 (=) PIB cf 240 (-) Depreciação 50 (=) PIL cf 190 (-) Renda Enviada ao Exterior 20 (+) Renda Recebida do Exterior 15 (=) PNL cf 185 (-) Imposto de Renda das Empresas e Contribuições à Previdência Social 70 (+) Benefícios pagos pela Previdência Social 50 (+) Juros Pagos pelo Governo 5 (=) Renda Pessoal 170 (-) Imposto de Renda Pago pelas Empresas 30 (=) Renda Pessoal Disponível 140 Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58. Tabela 1.5 - Quadro Demonstrativo Completo dos Agregados Macroeconômicos (+) PIB pm (-) Impostos Indiretos (+) Subsídios (=) PIB cf (-) Depreciação (=) PIL cf (-) Renda Enviada ao Exterior (+) Renda Recebida do Exterior (=) PNL cf (-) Lucros Retidos Pelas Empresas (-) Aluguéis Pagos ao Governo (-) Imposto de Renda das Empresas (-) Contribuições à Previdência Social (+) Transferências do Governo ( benefícios, aposentadorias, etc ). (+) Juros Pagos pelo Governo (=) Renda Pessoal (-) Imposto de Renda Pago pelas Familias (=) Renda Pessoal Disponível Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58. 41 Análise Macroeconômica Unidade 1 Vimos que a produção realizada por um Sistema Econômico, medida através da contabilidade nacional, é destinada à satisfação das necessidades das pessoas, sendo também um dos campos de interesse dos economistas, ou seja, o bem-estar dos habitantes do país. O cálculo da Renda Pessoal Disponível através dos agregados macroeconômicos possibilita obter o valor da mesma e verificar o nível de bem-estar da população de um sistema econômico. As taxas de crescimentodo produto e da renda de uma economia refletem-se na Renda Per Capita de um país, ou seja, é a renda de um país, em um determinado período de tempo, dividida pela população do país no mesmo período de tempo. A Renda Per Capita é dividida em: � Distribuição interregional de renda: forma como a renda nacional de um país, em um período de tempo, é distribuída entre as regiões desse país; � Distribuição funcional de renda: forma como a renda de um país, em um período de tempo, é distribuída entre os fatores trabalho e capital. O cálculo da distribuição de renda envolve diferentes aspectos, os quais dificultam conclusões a respeito do bem-estar de um país e de seus habitantes. Se os fatores de produção estão mais concentrados em uma região, é de esperar que a renda per capita dos habitantes dessa região seja maior do que a renda per capita dos habitantes das demais regiões do país. A forma como é efetuado o cálculo da distribuição de renda não leva em consideração a concentração populacional de uma região, em detrimento de outra. Outro fator importante que se deve considerar é a remuneração do capital, que vai para o seu proprietário, o capitalista, que é uma pessoa residente no país, portanto o proprietário do capital “receberá” uma parcela maior da renda do que aquela que lhe é atribuída pelo conceito de renda per capita. O aumento do nível da renda per capita pode indicar que aumentou o nível do bem-estar social do país como um todo, porém, de forma individual, não apresenta esta indicação, pois, em algumas regiões, a população não tem acesso a serviços de saúde, transporte, educação e saneamento básico, por exemplo. 42 Universidade do Sul de Santa Catarina A distribuição de Renda Per Capita será válida quando conseguir representar uma distribuição que ocorre de forma completa e equitativa. Um dos campos de interesse dos economistas e, também, do governo é o nível de bem-estar dos habitantes de um país. Esse nível de bem-estar, apesar de ser um conceito subjetivo, pode ser aproximado através da quantidade de bens e de serviços disponíveis, por um período de tempo, para as pessoas. Se a quantidade de bens e serviços disponíveis aumentou de um ano para outro, mais do que o aumento da população, pode- se dizer que aumentou o bem-estar das pessoas desse país. Isso aconteceria, de fato, se o aumento do produto (lembre que produto é renda) tivesse sido distribuído igualmente entre as pessoas. As observações acima nos permitem concluir que há virtudes e limitações nos agregados macroeconômicos. Como virtude, destacamos que: � os agregados servem para o estudo e acompanhamento da evolução do sistema econômico no decorrer do tempo; � através dos seus vários conceitos, é possível avaliar o papel do governo, do setor externo e das empresas na economia. Você deve notar, contudo, que há uma limitação da contabilidade nacional como instrumento de análise. A contabilidade nacional não nos diz de que forma o produto é distribuído entre os habitantes do país. Assim, uma economia pode apresentar taxas de crescimento elevadas de seu produto, mas isto não quer dizer que o crescimento seja igualmente distribuído entre as pessoas. Nesse caso, fica difícil dizer alguma coisa a respeito do nível de bem-estar, pois o bem-estar de algumas pessoas aumentou, 43 Análise Macroeconômica Unidade 1 mas, o de outras, não. Veja o caso do Brasil, o qual representa um exemplo clássico da limitação da contabilidade nacional para avaliar como a produção é distribuída entre os brasileiros. De qualquer forma, a contabilidade nacional tem-se mostrado útil para analisar o funcionamento do sistema econômico como um todo, pois fornece ao governo elementos que permitem dirigir as medidas de política econômica para os objetivos estabelecidos. Síntese Nesta unidade, você aprendeu alguns dos principais conceitos macroeconômicos e conheceu os seus agregados. A macroeconomia, através da contabilidade social, efetua o cálculo da renda e do produto de uma economia, permitindo, assim, uma maior compreensão das interações entre os agentes econômicos. Conheceu também o conceito de PIB (Produto Interno Bruto), sua formação e composição e o conceito de Renda Per Capita, sua fórmula de cálculo e a forma de análise de sua composição. Nas próximas unidades, você aprenderá mais sobre a macroeconomia, especificamente, sobre a importância do consumo e da poupança e suas contribuições para a formação dos investimentos e a participação do governo na economia de um país. 44 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação Caro(a) aluno(a), leia cada enunciado com atenção e responda às questões que seguem. 1. Por que é importante estudar a contabilidade nacional? 2. Nesta unidade, você aprendeu o conceito de PIB. Descreva-o e responda: Por que você considera que é importante para um empresário conhecer o PIB da região onde pretende montar uma nova empresa? 3. Por que dizemos que a renda é igual ao produto? 45 Análise Macroeconômica Unidade 1 Saiba mais Você pode saber mais sobre o assunto, visitando o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 27 fev. 2011. Consulte também: SILVA, César Roberto L.; SINCLAYR, Luiz. Economia e mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996. TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. ed. rev. e atual. São Paulo: Makron Books, 2009. MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: entendendo a economia no dia-a-dia. Campo Grande: Editora Oeste, 2001. WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006. Você também pode estudar o livro Conjuntura econômica, ao acessá-lo gratuitamente no site <www.qualimetria.ufsc.br>. http://www.ibge.gov.br 2UNIDADE 2Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços – consumo, poupança e investimento Objetivos de aprendizagem � Entender a relação entre consumo e poupança, no processo de formação da renda. � Compreender o significado de investimentos, no sentido macroeconômico. Seções de estudo Seção 1 Contexto histórico Seção 2 Consumo das famílias Seção 3 Poupança Seção 4 Investimentos 48 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Esta unidade e a seguinte tratam da determinação da renda e do produto nacional. Nesta unidade, faremos uma breve introdução ao estudo da macroeconomia. Após, estudaremos dois agentes econômicos: as famílias (que consomem e poupam) e as empresas (que investem para aumentar sua capacidade produtiva). Na unidade seguinte, damos continuidade ao assunto ao introduzirmos o governo e suas políticas na nossa análise. Seção 1 – Contexto histórico Até 1930, os economistas acreditavam que o livre mercado se encarregaria de equilibrar o fluxo econômico, conduzindo a economia, naturalmente, ao pleno emprego de recursos. Porém a crise econômica atingiu todo o planeta a partir de 1929, quando ocorreu a quebra da bolsa de Nova Iorque. Esta crise implicou uma significativa queda da atividade econômica, aumento do desemprego e da capacidade ociosa. O evento evidenciou que o mercado, por si, não tem condições de conduzir a economia ao pleno emprego. Com isso, em 1936, o economista britânico John Maynard Keynes desenvolveu sua teoria no livro Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda (1936), cuja ideia central se baseia no pressuposto de que a intervenção do governo é necessária para regular a atividade econômica e levar a economia ao pleno emprego. O governo, por meio de seus gastos, é um elemento fundamental para eliminar o quadro recessivo e de desemprego. É que, ao aumentar seus gastos, o governo estaria aumentando a demanda agregada e, consequentemente, o nível de produção, o que irá permitir que as empresas ocupem sua capacidade ociosa e elevem a demanda de mão de obra. A tabela 2.1 mostra a situação nos Estados Unidosentre 1929 e 1934, auge da crise econômica. John Maynard Keynes nasceu na Inglaterra, em 1883, e é considerado o mais célebre economista da primeira metade século XX, pai da macroeconomia. As suas ideias revolucionárias levaram à adoção de políticas intervencionistas do Estado, a fim de criar estímulos ao desenvolvimento econômico. A sua teoria macroeconômica, desenvolvida em plena depressão econômica dos anos 30, previa que uma economia poderia permanecer abaixo da sua capacidade, com taxas de desempregos altas. http://www.knoow.net/historia/cronologia/1883_a_efemerides.htm http://www.knoow.net/historia/cronologia/indicesec20.htm http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/macroeconomia.htm 49 Análise Macroeconômica Unidade 2 Tabela 2.1 – Situação econômica dos Estados Unidos entre 1929 e 1934 Indicadores de desempenho Anos 1929 1933 Var% NÍVEL GERAL DE PREÇOS: IPC 1929 = 100 100 75,4 -24,6% Procura agregada em US$ bilhões Dispêndios de consumo das famílias 77,5 45,9 -40,8% Investimento das empresasw 16,7 1,7 -89,8% Dispêndios do governo 8,6 7,9 -8,1% Procura externa líquida 0,4 0,1 -75,0% Produto Nacional Bruto 103,2 55,6 -46,1% Taxa de desemprego (% sobre força de trabalho) 3,2 24,9 679,1% Fonte: BAUMOL, 1994, p.136. Note que todos os indicadores sofreram variações negativas. Apenas a variável desemprego aumentou, mostrando claramente que a situação nos EUA era de crise significativa. Desde Keynes, o paradigma da teoria macroeconômica tem sido o debate sobre o grau de intervenção do Estado na economia. Esta parte do estudo é chamada de teoria da determinação do equilíbrio da renda nacional, ou modelo keynesiano básico. Há duas abordagens neste estudo: o lado real (mercado de bens e serviços e mercado de trabalho) e o lado monetário (mercado de moedas e títulos). Nesta unidade e na seguinte, analisaremos o lado real. Na unidade 4, o lado monetário. Conceitos importantes Dois conceitos básicos são importantes para você compreender a teoria da determinação do equilíbrio da renda nacional, ou modelo keynesiano básico: o de oferta agregada e o de demanda agregada. Oferta Agregada (OA) – A oferta agregada, também conhecida como oferta de mercado ou oferta global, é a quantidade (da produção) de bens e serviços finais que o conjunto de ofertantes produz e oferece no mercado, ou seja, são colocados à disposição da 50 Universidade do Sul de Santa Catarina sociedade em um dado período. É o próprio produto real, ou PIB. A oferta agregada varia em função da disponibilidade de fatores de produção (terra, capital e trabalho). Determina-se a oferta agregada, somando-se as ofertas individuais a cada nível de preço. Há dois tipos de oferta agregada: Oferta agregada efetiva – refere-se à produção que é de fato colocada no mercado. Esta depende de todos os fatores que influenciam a oferta individual, além do número de ofertantes no mercado (ou seja, para que se torne efetiva, há a necessidade do emprego de todos os fatores de produção. Oferta agregada potencial – refere-se à quantidade máxima que a economia pode produzir quando todos os fatores de produção estão sendo empregados (ou seja, no pleno emprego). Como a análise da teoria keynesiana é uma análise de curto prazo, ela supõe que a oferta agregada potencial permanece constante no curto prazo. A oferta agregada potencial só se altera se houver uma mudança na quantidade física dos fatores de produção ou no grau de tecnologia. Outro conceito importante é o de demanda Agregada (DA). A demanda agregada é a soma das demandas dos quatro agentes macroeconômicos: despesas das famílias com bens de consumo (C), investimentos das empresas (I), gastos do governo (G), exportações (X) e importações (M). Podemos representar esta relação do seguinte modo: DA = C + I + G + X - M Como a oferta agregada potencial não se altera no curto prazo, dados os estoques de fatores de produção, as alterações do nível de renda e do produto nacional devem-se exclusivamente às variações na demanda agregada de bens e serviços. Ou seja, as flutuações na demanda agregada são as responsáveis pelas variações do produto e da renda nacional a curto prazo. Assim, as políticas fiscais adotadas pelo governo, através da política monetária (determinação da taxa de juros) e a política fiscal 51 Análise Macroeconômica Unidade 2 (determinação das alíquotas dos impostos e gastos do governo), influenciam a demanda agregada, com o intuito de alcançar metas de crescimento e emprego, pois refletem no consumo das famílias e, consequentemente, nos investimentos empresariais. Seção 2 – Consumo das famílias Pense no caso de uma pessoa que recebe seu salário, que é a remuneração do seu trabalho, no final do mês. Com esse salário, que é sua renda pessoal disponível, ela realizará uma série de gastos necessários para a sua sobrevivência e a satisfação de suas necessidades. A Renda Disponível (RD) é a Renda Bruta menos os descontos como impostos e contribuições sociais. Podemos representar esta relação assim: Renda disponível (RD) = renda bruta - descontos Há estudos empíricos que mostram que a decisão de consumo de uma população é influenciada fundamentalmente pela renda nacional disponível (RND). Assim, temos que: C = f (RND) Onde: C = consumo agregado; RND = renda nacional disponível. 52 Universidade do Sul de Santa Catarina Um conceito importante criado por Keynes, relativo ao consumo das famílias, é o de propensão marginal a consumir (PMgC). Este conceito refere-se à variação esperada no consumo dada uma variação na renda disponível. Por outras palavras, designa a parte da renda que é despendida para o consumo. O total que uma comunidade gasta em consumo depende: do montante de sua renda; de várias circunstâncias objetivas, tais como as variações nas unidades salariais e o nível de distribuição e os controles governamentais; das necessidades subjetivas, inclinações psicológicas e hábitos dos indivíduos. Resumidamente, é a propensão que as pessoas têm ao consumo, dada uma variação na renda. Matematicamente, tal relação é expressa pela seguinte equação: PMgC = ∆C ∆RND Onde: PMgC = propensão marginal a consumir; ∆C = consumo; ∆RND = renda nacional disponível. Os gastos com consumo podem ser divididos em três componentes, dependendo da natureza do bem ou do serviço que for adquirido. Acompanhe-os a seguir. � Bens de consumo não duráveis. São bens cuja vida útil é relativamente curta, como alimentos, roupas e combustível. � Serviços de consumo. Compreendem as despesas feitas com aluguel, médicos, barbeiro, cinemas, transporte, etc. O que distingue os bens não duráveis dos serviços de consumo é o fato de que, no segundo caso, a pessoa não 53 Análise Macroeconômica Unidade 2 está comprando um objeto com existência física própria, mas um serviço prestado por outra pessoa ou por um equipamento. � Bens de consumo duráveis. Como eletrodomésticos em geral, automóveis, móveis, etc. Estes bens têm vida útil maior do que os bens não duráveis de consumo. O nível do bem-estar ou desenvolvimento econômico de um país ou região pode ser medido através do consumo dos bens ofertados e consumidos. Um elevado consumo de bens duráveis indica que o nível de renda das famílias aumentou ou está em crescimento. Da mesma forma, o aumento do uso de serviços de saúde particulares e gastos em entretenimento, como viagens e idas ao cinema, indica aumento de renda e uso da mesma não apenas em bens de consumo duráveis: há um aproveitamento maior da renda familiar. Segundo Keynes, os principais fatores que influenciam a propensão a consumir são: � A unidade de salário. Para o autor, [...] se a unidade de salário varia, o gasto em consumo correspondente a certo nível de emprego variará, assim como os preços, na mesma proporção, ainda que, em certas circunstâncias, tenhamos que levar em conta as possíveis consequências sobre o consumoagregado de uma mudança na distribuição de renda real entre os empresários e os rentiers, provocada por uma variação na unidade de salário. (KEYNES, 1985, p.72). � A variação na diferença entre renda e renda líquida. Segundo Keynes: É a renda líquida que o indivíduo tem em mente, antes de mais nada, quando decide a escala de seu consumo. Em determinada situação pode existir certa relação estável entre ambos os conceitos, no sentido de que haverá uma função relacionando de maneira biunívoca os diversos níveis de renda aos correspondentes níveis de renda líquida. Entretanto, se não for o caso, a parte da variação da renda que não afete a renda líquida, deve ser negligenciada, pois não influi sobre o consumo e, de forma semelhante, deve ser levada em conta a variação na renda líquida que não reflita na renda. (KEYNES, 1985, p.73). O termo francês Rentiers designa as pessoas que vivem de rendimentos provenientes de juros de títulos governamentais, ou da posse de capitais 54 Universidade do Sul de Santa Catarina � Variações imprevistas nos valores de capital. O autor afirma que, Estas variações têm importância muito maior para modificar a propensão a consumir por não guardarem nenhuma relação estável ou regular com o montante da renda. O consumo das classes proprietárias de riqueza pode ser extremamente suscetível às variações imprevistas no valor nominal de seus bens. Este fator deve ser considerado entre os mais importantes daqueles capazes de ocasionar variações de curto prazo na propensão a consumir. (KEYNES, 1985, p.73). � Variações na taxa internacional de desconto, [...] isto é, na relação de troca em ter os bens presentes e os bens futuros. A influência deste fator sobre a propensão em que se gasta determinada renda está sujeita a muitas dúvidas. Para a teoria clássica da taxa de juros, que se baseia na ideia de ser a taxa de juros o fator de equilíbrio entre a oferta e a procura de poupança, era conveniente supor que as despesas de consumo, cet. par., variassem na razão inversa das variações na taxa de juros, de maneira que qualquer elevação da taxa de juros diminuiria consideravelmente o consumo. (KEYNES, 1985, p.73). � Variações na política fiscal. Conforme o autor, À medida que o incentivo do indivíduo para poupar depender dos futuros rendimentos que espera, ele evidentemente dependerá não só da taxa de juros, como também da política fiscal do Governo. [...] Se a política fiscal for usada como um instrumento deliberado para conseguir maior igualdade na distribuição das rendas, seu efeito sobre o consumo da propensão a consumir será, naturalmente, tanto maior. (KEYNES, 1985, p.73) � Modificações das expectativas acerca da relação entre os níveis presentes e futuros de renda. Keynes afirma que este fator pode “[...] afetar consideravelmente a propensão a consumir de um indivíduo, é provável que, quando se trata da comunidade como um todo, seus efeitos tendem a compensar-se.” (1985, p. 74). 55 Análise Macroeconômica Unidade 2 Assim, partindo destas afirmações de Keynes, chega-se à conclusão de que poderemos considerar a propensão a consumir como uma função relativamente estável, desde que tenhamos eliminado as variações na unidade de salário em termos de moeda. As demais variáveis, tais como, flutuações imprevistas nos valores de capital, variações na taxa de juros e na política fiscal, afetam a propensão a consumir, não devendo ser desprezadas mesmo que se apresentem sem importância em circunstâncias consideradas comuns. (KEYNES, 1985). Não podemos esquecer que os gastos com consumo dependem do volume de produção e do emprego, porém os demais fatores devem ser considerados para justificar e compor a propensão a consumir, porque possuem a característica de variação de percentuais e a renda agregada, que é medida em unidades de salário e a principal variável de que depende o componente de consumo da função procura agregada. Seção 3 – Poupança Conforme você aprendeu, as pessoas podem com a sua renda consumir bens não duráveis, e serviços e bens duráveis. Mas as pessoas também podem consumir todos os produtos que acharem necessários durante o mês, e ainda pode restar uma parte da renda. Essa parte da renda que não é consumida chama-se poupança. Esta relação entre renda, consumo e poupança pode ser representada do seguinte modo: Sendo a Renda = Consumo + Poupança, então Poupança = Renda - Consumo 56 Universidade do Sul de Santa Catarina Esta identidade também pode ser expressa da seguinte forma: S = Y - C Onde: S = poupança (Saving em inglês); Y = renda (Yield em inglês); C = consumo (consumption em inglês). Desta forma, há apenas duas coisas que as pessoas podem fazer com suas rendas: consumir ou poupar. Em outras palavras, significa dizer que a renda é composta pelo consumo e pela poupança. Segundo Keynes: A igualdade entre a poupança e o investimento é uma consequência natural, em resumo: renda é igual ao valor da produção, que é igual ao consumo mais investimento; poupança é igual a renda menos o consumo; portanto, poupança é igual ao investimento. A equivalência entre a quantidade de poupança e a quantidade de investimento decorre do caráter bilateral das transações entre o produtor, de um lado, e o consumidor ou o comprador de equipamento de capital de outro lado. A renda cria-se pelo excedente do valor que o produtor obtém da produção que vendeu sobre o custo de uso, mas a totalidade desta produção deve ter sido vendida, obviamente, a um consumidor ou a outro empresário, e o investimento corrente de cada empresário é igual ao excedente sobre o próprio custo de seu uso do equipamento que comprou a outros empresários. Portanto, em conjunto, o excedente da renda sobre o consumo, a que chamamos poupança, não pode diferir da adição a equipamento de capital, a que chamamos investimento. (1985, p. 53-54) 57 Análise Macroeconômica Unidade 2 Saiba mais sobre a importância de saber poupar! Poupar é uma arte. E, já está provado, traz significativos resultados para os poupadores em longo prazo. E é justamente quando falamos de tempo que está o problema da poupança. Nos manuais de economia, poupança é definida como sendo o consumo futuro. Ou seja, uma compra que adiamos hoje com o intuito de comprar algo no futuro. Como comprar ou consumir dá prazer a muitas pessoas, é difícil adiar o prazer de hoje pensando num prazer futuro. É preciso deixar claro que, quando falo em poupança, não me refiro especificamente às cadernetas de poupança, mas a toda e qualquer forma de economizar dinheiro, seja aplicando em ações, títulos do governo, fundos de renda fixa, dentre outros. Mas não fosse a arte de poupar e a mágica dos juros compostos, jamais poderíamos comprar produtos que, à vista, não temos condições de fazê-lo. Uma pequena parcela poupada a cada mês pode, ao final de um grande período, render bons frutos para quem for disciplinado. E não é simples pensarmos em um período longo de tempo, porque sempre há aquela pessoa que diz: “Aproveite a vida! Por que fazer amanhã o que pode fazer hoje?” E é realmente uma arte resistir às tentações consumistas do mundo moderno. Os americanos são conhecidos como grandes gastadores, e nós brasileiros não ficamos atrás. No entanto é preciso lembrar que lá a taxa de juros bem reduzida é um convite ao consumo, enquanto aqui juros elevados clamam pelo aumento das taxas de poupança. Portanto poupar exige disciplina e um objetivo futuro. Sem um objetivo, seja ele um carro, uma viagem, um apartamento, dificilmente poupamos. Mas vale a pena. 58 Universidade do Sul de Santa Catarina A poupança também está diretamente relacionada à renda disponível. Define-se também a propensão marginal a poupar (PMgS) como a variação da poupança quando ocorre uma variação na renda. Essa variável é muito importante para a política econômica, pois estudos empíricos mostram que os países mais pobresapresentam propensão marginal a poupar menor que os países mais ricos. O que implica dizer que as populações dos países mais pobres tendem a gastar quase a totalidade de sua renda em bens de consumo. Em um determinado sistema econômico, os registros dos agregados macroeconômicos apontaram as seguintes situações em um período de tempo de sete meses: � Renda – Poupança – Consumo (1.000 $) � Sistema Econômico Z – Ano H Tabela 2.2 – Agregados macroeconômicos do Sistema Econômico Z Renda (Y) Consumo (C) Poupança (S) 0 10 - 10 25 30 - 5 50 50 0 75 70 5 100 90 10 125 110 15 150 130 20 Fonte: Dados Fictícios. Verifica-se que uma renda inicial é igual a 0 unidade e a necessidade de consumo é de 10 unidades. A propensão marginal para poupar será negativa, inicialmente de -10; à medida que se eleva a renda, ocorre o aumento do consumo e a possibilidade de aumento da propensão marginal a poupar, o que eleva os níveis de satisfação da renda do sistema econômico. A equação da função poupança linear se obtém através da diferença da função consumo, sendo representada por: S = Y – C S = Y – (a + bY) 59 Análise Macroeconômica Unidade 2 Em nosso exemplo, as propensões marginais para consumir e poupar são respectivamente: 1° Calculamos as variações (∆). Variação do Consumo e Variação da Renda: � Variação do Consumo: ∆C = Cf – Ci = 30 – 10 = 20 � Variação da Renda: ∆Y = Yf – Yi = 25 – 0 = 25 PMgC = ∆C/∆Y = 20/25 = 4/5 = 0,80 (Propensão Marginal a Consumir). Desta forma, se a propensão marginal para consumir é igual a 0,80 então a propensão correspondente à poupança será necessariamente 0,20. Aplicando a fórmula: ∆C/∆Y + ∆S/∆Y = 1 Onde: ∆S/∆Y = 1 - ∆C/∆Y PMgS = 1 – PMgC = 1 – 0,80 = 0,20 A equação da poupança será: S = Y – a – by Calculando, teremos: S = Y – 10 – 0,80y S = - 10 + 0,20Y Para a renda igual a 150, teremos: S = - 10 + (0,20 X 150) S = - 10 + 30 S = 20 Agora você deve estar pensando: o que se faz com a poupança? Para poder responder a essa pergunta adequadamente, é necessário antes acompanhar algumas considerações sobre o lado real do sistema econômico. 60 Universidade do Sul de Santa Catarina Até agora foi apresentado o fluxo monetário do sistema econômico, o lado da renda. Lembre, ainda, que o fluxo real, ou lado real da economia, corresponde aos bens e serviços produzidos em determinado período de tempo. Você também já aprendeu que o lado real é igual ao lado monetário, ou seja, a renda é igual ao produto. Esta igualdade indica que o total dos bens e serviços produzidos em um período de tempo é vendido, para que a receita das vendas remunerasse os fatores de produção. Já se pode, portanto, concluir que a renda disponível é o principal determinante do consumo. Uma parte do produto, isto é, dos bens e serviços produzidos, não será vendida, havendo uma variação, num determinado período de tempo, nos estoques do sistema econômico. Como o estoque de uma economia é formado pelos bens que não foram vendidos, no período de tempo em que foram produzidos, mais o estoque no início do período, você pode considerar que a variação de estoques em um período de tempo é igual à poupança no mesmo período. Do ponto de vista real do sistema econômico, a formação de estoque significa investimento. Vejamos, então, maiores detalhes sobre o investimento, na seção a seguir! Seção 4 – Investimentos Você sabe o que é investimento? Investimento é o acréscimo em estoque de capital que leva ao acréscimo da capacidade produtiva (construções, instalações, máquinas, etc.) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004). 61 Análise Macroeconômica Unidade 2 Ou seja, investimento é a aplicação de recursos em empresas (novas empresas ou ampliação das empresas já existentes). Tais investimentos devem, ao final de um período, gerar lucro para o empresário. Conforme o Dicionário de Economia (SANDRONI, 1992), investimento é a aplicação de capital em meios que levam ao aumento da capacidade produtiva, ou do produto. Para investir, as empresas precisam de capital. Este capital está disponível para elas nos bancos. Mas o capital ou dinheiro que está nos bancos pertence às pessoas e famílias que guardam seu dinheiro. E é justamente esse dinheiro que os bancos emprestam às empresas. Investimentos são compras de bens de Capital, bens utilizados na fabricação de outros bens, mas que não se desgastam totalmente no processo produtivo. É o caso de máquinas, equipamentos e instalações. Este conceito também pode ser aplicado, por exemplo, a um carro de passeio, quando este é utilizado por um taxista. Ou seja, um bem pode ser um bem de consumo, se for para consumo próprio; ou bem de capital, caso seja utilizado para gerar renda para seu proprietário. Neste sentido, pode-se dizer que a poupança é igual ao investimento, no mesmo período. Isto nos leva à igualdade fundamental da macroeconomia, representada por: S = I Onde: S = poupança; I = investimento. Em resumo, podemos dizer que o investimento se manifesta de três maneiras: 62 Universidade do Sul de Santa Catarina � construção de novas fábricas e máquinas para as empresas; � construção de novas casas residenciais; � variação dos estoques. O estudo dos investimentos é de suma importância para a atividade econômica, pois são as empresas que, ao investir, geram empregos e renda para a população. Entretanto a variável investimento apresenta grande instabilidade, pois seu comportamento é de difícil previsão, por depender não apenas de fatores econômicos, mas também das expectativas em relação ao futuro. Você sabe quais são os principais determinantes do investimento? � A taxa de rentabilidade esperada ou taxa de retorno: A taxa de rentabilidade ou taxa de retorno é calculada a partir da estimativa do retorno líquido esperado pela aquisição do bem de capital. Esses valores são calculados em matemática financeira, por meio do valor presente ou valor atual dos retornos futuros. Ou seja, da renda esperada ao longo da vida útil do bem de capital, descontando-se a inflação futura, custos de manutenção e depreciação. A taxa de rentabilidade esperada é denominada na literatura econômica como eficiência marginal do capital. Assim, quanto maior a rentabilidade esperada dos projetos, maiores serão os investimentos das empresas na ampliação da capacidade produtiva. � Taxa de juros de mercado: O investimento tem uma relação inversamente proporcional à taxa de juros. Se a empresa já dispõe de capital próprio, a taxa de juros representará o quanto a empresa ganharia se, no lugar de investir em máquinas e equipamentos, aplicasse o dinheiro no mercado 63 Análise Macroeconômica Unidade 2 financeiro. Caso a empresa precise tomar recursos emprestados no mercado financeiro para realizar seus investimentos, a taxa de juros representará o custo do empréstimo para a empresa. Em suma, podemos enunciar que, quanto maior a taxa de juros de mercado, menores serão os investimentos em bens de capital. Assim, para a tomada de decisão sobre o investimento, as empresas comparam estas duas taxas: � se a taxa de retorno superar a taxa de juros de mercado, as empresas investirão em bens de capital e na ampliação da capacidade de produção; � se a taxa de retorno for inferior à taxa de juros de mercado, as empresas não investirão, e preferirão aplicar seus recursos no mercado financeiro. O multiplicador keynesiano dos gastos Um dos principais conceitos criados por Keynes foi o de multiplicador de despesas ou gastos. Ele mostra que, quando uma economia está com desemprego de recursos, um aumento na demanda agregada provocará um aumento na renda nacional mais que proporcional ao aumento da demanda. Isto porque, quando uma economia está em desemprego, qualquer aumento nas despesas provoca um efeito multiplicador nos vários setores da economia. O aumento na renda de um setor implica que os trabalhadores desse setor gastarão sua rendaem outros setores (por exemplo, alimentos, diversão, vestuário, transporte, etc.), e assim por diante. Suponha que o governo resolva construir uma usina hidrelétrica. Ele contratará construtoras que aumentarão a produção da construção civil e, assim, a renda dos trabalhadores e empresários deste ramo. Esta renda será gasta em outros setores, movimentando a economia. 64 Universidade do Sul de Santa Catarina K = ∆RN ∆DA O multiplicador de despesa ou gastos keynesiano (k) costuma ser expresso genericamente como: Onde: RN = variação da renda nacional; DA= variação da demanda agregada. Os mais conhecidos multiplicadores keynesianos são o de gastos de investimentos (ki) e o de gastos do governo (kg). Relacionando os conceitos estudados até agora com o sistema econômico como um todo, podemos concluir que: � o consumo do sistema econômico é a soma das despesas de consumo realizadas por todas as pessoas, em um período de tempo; � a soma das poupanças das pessoas é igual à poupança do sistema econômico; � a poupança da economia é igual ao investimento, que é formado pela variação nos estoques e pelos gastos dos empresários para aumentar a capacidade produtiva da economia. Multiplicador de Investimentos: Vamos supor que, para seis períodos, as estruturas de consumo, ou seja, a PMgC sejam as seguintes: 0,90; 0,80; 0,70; 0,60; 0,50 e 0,40. Aplicando-se a fórmula de forma integral, teremos: k = 1/1-∆C/∆Y 65 Análise Macroeconômica Unidade 2 Tabela 2.3 – Multiplicador de investimentos PMgC =∆C/∆Y Fórmula 1/1 - ∆C/∆Y Multiplicador 0,90 1/1- 0,90 10,00 0,80 1/1 – 0,80 5,00 0,70 1/1 – 0,70 3,33 0,60 1/1 . 0,60 2,50 0,50 1/1 – 0,50 2,00 0,40 1/1 – 0,40 1,66 Fonte: Dados fictícios. Assim, quanto mais alta a propensão marginal para consumir, maior será o multiplicador (k). Isto significa que, em países ou regiões onde a propensão marginal para consumir é baixa, é alta a propensão marginal para poupar, o multiplicador é mais fraco; por outro lado, quando a estrutura econômica apresentar uma elevada propensão marginal para consumir, o efeito multiplicador de novos e continuados investimentos autônomos tende a ser elevado, provocando acentuado incremento nos níveis de renda. Convém lembrar que os empresários são pessoas e que os gastos em investimentos são feitos, em parte, com suas poupanças, sendo o restante do investimento feito com a poupança do sistema econômico. Mais tarde, quando você estudar o Mercado de Capitais, entenderá como a poupança das pessoas é transferida para os investimentos. 66 Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade, você aprendeu a importância de algumas variáveis como o consumo (que é a parcela da renda utilizada na compra de bens e serviços) e a poupança (que é a parcela da renda guardada para ser consumida no futuro, como para se comprar um carro ou viajar, por exemplo). Você também aprendeu que a poupança feita pelas pessoas é canalizada para os investimentos empresariais, pois é no banco que os empresários contraem empréstimos para abrir novas empresas ou expandir aquelas já existentes. Na próxima unidade, você estudará a intervenção do governo na economia, que é de suma importância, pois o governo é o principal agente do sistema econômico. Atividades de autoavaliação A partir de seus estudos, leia com atenção e resolva as atividades programadas para a sua autoavaliação. 1. O que são bens de capital? Bens de consumo duráveis? E bens não duráveis? 67 Análise Macroeconômica Unidade 2 2. Por que poupança é igual a investimento? 3. Quais as consequências para a economia de um aumento da taxa de juros? Saiba mais Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade, consultando as seguintes referências: BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGrawHill, 1994. TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São Paulo: Makron Books, 2009. WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006. MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora Oeste, 2001. 3UNIDADE 3Determinação da renda e do produto nacional: o mercado de bens e serviços – o papel do Governo Objetivos de aprendizagem � Entender o papel do Governo ou Estado em uma economia de mercado. � Conhecer os principais instrumentos que o governo utiliza para intervir na economia. Seções de estudo Seção 1 As funções do setor público Seção 2 Os instrumentos do governo Seção 3 Equilíbrio macroeconômico 70 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Esta unidade dá continuidade à unidade 2. Aqui introduziremos o governo como agente econômico. Você verá quais são as funções do governo na economia e de quais instrumentos ele dispõe para otimizar o desempenho da economia. No fim da unidade, você também aprenderá o que é política fiscal e por que ela é um dos principais instrumentos para o controle do ritmo da atividade econômica. Seção 1 – As funções do setor público O Governo é o principal agente econômico. Além de atuar por meio de seus gastos, o governo é o formulador da política econômica. É, então, responsável pelo crescimento econômico. O setor público é considerado em suas três esferas: União, Estados e Municípios. Neste sentido, é importante aprender as principais funções do setor público. Você sabe quais são as principais funções do setor público? As principais funções do governo são: � fiscalizadora: estabelece as alíquotas dos impostos e taxas e promover suas arrecadações; � reguladora: regula a atividade econômica através de leis e disposições administrativas. o governo pode controlar preços (gasolina, por exemplo) e impedir a formação de cartéis; � provedora de bens e serviços: através das empresas estatais, pode prover os bens públicos (defesa, saúde, educação) e bens econômicos (água, energia, telefonia); 71 Análise Macroeconômica Unidade 3 � redistributiva: o governo pode distribuir melhor a renda entre as pessoas, regiões, ou estados, procurando torná- las mais igualitária (por exemplo: o salário mínimo); � estabilizadora: controla os agregados econômicos, para evitar recessões. Política econômica A Política Econômica é o conjunto de medidas tomadas pelo governo de um país com o objetivo de atuar e influir sobre os mecanismos de produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A política econômica obedece a critérios de ordem política e social, na medida em que determina quais segmentos da sociedade serão beneficiados com as diretrizes econômicas emanadas do Estado. Você sabe quais são os objetivos da política econômica? A política econômica tem três grandes objetivos: � maior nível de emprego possível; � estabilidade dos preços, ou seja, controle da inflação; � crescimento da economia. A participação do Estado na economia Como o Estado participa na economia? O Estado participa de um sistema econômico através dos governos Federal, Estadual e Municipal, desempenhando o papel 72 Universidade do Sul de Santa Catarina de dois agentes econômicos: o de consumidor e o de produtor, conforme ilustrado através da figura a seguir: Figura 3.1 – Papel do estado na economia Fonte: Elaboração do autor, 2007. Quando atua como produtor, o Estado desenvolve ações através de obras de infra estrutura (nos setores de transporte, educação, energia e saúde). Estas obras, geralmente, requerem um elevado investimento e somente geram retorno de capital a longo prazo, porém promovem bem-estar social e acesso para população de faixas de renda mais baixas. 73 Análise Macroeconômica Unidade 3 Quando age como consumidor, o Estado adquire a totalidade de material de expediente necessário para a atuação e o funcionamento de seus diversos órgãos e repartições públicas e a contratação de serviços para a manutenção de suas edificações (tais como unidades escolares, hospitais) e dos bens de usocomum da população (tais como rodovias, ferrovias, pontes, etc.). Ao atuar como consumidor, o Estado exerce sua função provedora, promovendo o consumo de bens e a circulação de valores, mas, para isto, necessita arrecadar recursos, os quais obtém através de sua função fiscalizadora de arrecadação de impostos. Seção 2 – Os instrumentos do governo Para alcançar seus objetivos e garantir uma melhor qualidade de vida para a população, o governo utiliza a política econômica. Esta é feita, normalmente, através de instrumentos de política fiscal e política monetária: � Política Fiscal: refere-se às decisões do governo sobre seus gastos e os impostos que arrecada; � Política Monetária: refere-se ao controle da quantidade de dinheiro que existe em uma economia. Para sistematizar os seus estudos, esta seção, vai se concentrar somente na política fiscal. A política fiscal é um dos instrumentos do governo para alterar o dinamismo da economia, seja para reduzir a inflação ou para aumentar o nível de emprego. A política fiscal pura é a aplicação de políticas tributárias ou de gastos governamentais. Ela pode ser aplicada para aumentar o ritmo de crescimento da economia ou para frear este ritmo. A política fiscal (lida) opera com as receitas (impostos) e os gastos do governo. 74 Universidade do Sul de Santa Catarina Receita Pública A receita ou arrecadação fiscal do governo constitui-se dos itens postos a seguir. � Impostos diretos: incidem sobre as pessoas físicas e jurídicas, como o imposto de renda. Seu valor é alcançado através da aplicação de alíquotas sobre a renda do trabalhador durante o período de um ano, e sobre o faturamento bruto das empresas no momento da apuração do resultado do seu exercício fiscal. � Impostos indiretos: incidem sobre transações com bens e serviços, como o ICMS ou o IPI. Quando ocorre a transação comercial de venda de produtos e prestação de serviços, sobre o valor final oferecido ao cliente, as empresas, e profissionais liberais mediante alíquotas de tributação impostas pelo Estado, incluem seus valores nos preços dos produtos e dos serviços. Desta forma, quem realmente paga o imposto é o consumidor; as empresas, repassam, recolhem para o governo. � Taxas: percentual pago por um serviço oferecido pelo Estado. � Contribuições à previdência social: de empregados e empregadores. São tributos recolhidos aos cofres públicos, para a previdência social, sobre o salário do empregado e o capital social registrado das empresas. Mediante alíquotas estipuladas pelo governo através de Lei Específica. Você sabe qual é a diferença entre imposto direto e subsídios? Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto, que é transferido do produtor para o consumidor, é chamado de imposto direto. Por outro lado, o setor público muitas vezes tem interesse em que determinados produtos apresentem um preço mais baixo para 75 Análise Macroeconômica Unidade 3 o consumidor final. Neste sentido, o governo pode conceder às empresas que produzem tais produtos os chamados subsídios, os quais constituem estímulos que visam diminuir o custo de produção de um bem ou de um serviço. Tecnicamente os subsídios podem ser definidos como: 1. Benefícios a pessoas ou a empresas, pagos pelo governo, sem contrapartidas em produtos e serviços; 2. Despesas correspondentes à transferência de recursos de uma esfera do governo em favor de outra; 3. Despesas do governo, visando à cobertura de prejuízos das empresas (públicas ou privadas), ou ainda, para financiamentos de investimentos; 4. Benefícios a consumidores na forma de preços inferiores que, na ausência de tal mecanismo, seriam fixados pelo governo; 5. Benefícios a produtores e vendedores mediante preços mais elevados, como acontece com a tarifa aduaneira protecionista; 6. Concessão de benefícios pela via do Orçamento Público ou outros canais. Um exemplo prático de subsídio é o que costuma ser aplicado ao trigo, ao álcool, ao açúcar e, às vezes, ao petróleo e seus derivados, para cobrir as sucessivas desvalorizações cambiais que não são repassadas, de imediato, ao consumidor. Gastos do Governo (G) Nas contas nacionais, há três tipos de gastos: � Gastos dos ministérios e autarquias: neste caso, as receitas provêm de dotação orçamentária. Como os serviços do governo (justiça, educação, segurança pública e defesa do país, etc.) não são transacionados no mercado, o produto gerado pelo governo é medido por suas despesas correntes ou de custeio (salários, compras Autarquia: Serviço Estatal descentralizado e com autonomia econômica, tutelado pelo poder público. Classificam-se em: econômicas; industriais, creditícias, assistenciais, corporativas e culturais. Por exemplo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas; Caixa Econômica Federal; Instituto Nacional de Seguridade Social; Ordem dos Advogados do Brasil e Conselho Nacional de Pesquisas, respectivamente. 76 Universidade do Sul de Santa Catarina de materiais para a manutenção da máquina do governo) e despesas de capital (construção de estradas, prisões, usinas, etc.). A dotação orçamentária é toda e qualquer verba prevista como despesa em orçamentos públicos e destinada a fins específicos. Os gastos previstos pelo governo para fazer frente às suas despesas são previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados e dos Municípios, ao final de cada exercício, previstos para o exercício do ano seguinte. Assim, qualquer tipo de pagamento que não tem dotação específica só pode ser realizado se for criada uma verba nova ou dotação nova para cobrir a despesa. A dotação orçamentária é toda e qualquer verba prevista como despesa em orçamentos públicos e destinada a fins específicos. Os gastos previstos pelo governo para fazer frente às suas despesas são previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados e dos Municípios, ao final de cada exercício, previstos para o exercício do ano seguinte. Assim, qualquer tipo de pagamento que não tem dotação específica só pode ser realizado se for criada uma verba nova ou dotação nova para cobrir a despesa. Gastos das empresas públicas e sociedades de economia mista: suas receitas são provenientes da venda de bens e serviços no mercado. Assim, elas são consideradas nas contas nacionais como pertencentes ao setor produtivo, do mesmo modo como as empresa privadas. Gastos com transferências e subsídios: transferências são doações, pensões. E subsídios são estímulos que visam reduzir os custos e incentivar um determinado setor da economia. Ambos não são computados como parte da renda nacional. O conhecimento dos valores das receitas e gastos das empresas públicas e das sociedades de economia mista assim como das transferências (benefícios pagos pelo governo para os aposentados, pensões e doações) são de suma importância, pois estes valores são computados no valor final da Renda Nacional, um dos agregados macroeconômicos estudados na unidade 1. Empresas Públicas: Organizações que se destinam a garantir a produção de bens e de serviços fundamentais à coletividade (transporte, energia elétrica, combustíveis, etc.) Criadas por lei, são de responsabilidade do Estado. Os contratos, a organização da empresa, os métodos de financiamento, de contabilidade, etc., seguem as normas do direito privado, o que lhes permite agir de acordo com os princípios comerciais. Em geral, a empresa pública é dirigida a atividades que requerem investimentos muito elevados e apresentam retorno lento, sendo pouco atrativas para a iniciativa particular. Sociedade de Economia Mista: É uma sociedade na qual há colaboração entre o Estado e particulares, ambos reunindo recursos para a realização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico. É uma pessoa jurídica de direito privado e não se beneficia de isençõesfiscais ou de foro privilegiado.O Estado poderá ter uma participação majoritária ou minoritária; entretanto mais da metade das ações com direito a voto devem pertencer ao Estado. 77 Análise Macroeconômica Unidade 3 O orçamento do governo O orçamento do governo é uma descrição do plano de gastos e de como ele financiará esses gastos. O orçamento do Governo é o resultado das Receitas Públicas menos os Gastos Públicos, conforme a seguinte fórmula: Orçamento do Governo = Receitas Públicas - Gastos Públicos Vejamos cada um dos elementos desta fórmula. � O orçamento: é a previsão das quantias monetárias que, em um período determinado, devem entrar e sair dos cofres públicos. Modernamente, o orçamento é considerado uma técnica vinculada ao planejamento econômico e social. O orçamento pode ser definido como a previsão das contas nacionais e o planejamento que necessitam para as suas realizações, oferecendo os fins e os objetivos para cuja realização se requerem os fundos públicos; prevê os custos das atividades propostas para alcançar estes fins e os dados quantitativos que medem as realizações e as tarefas executadas dentro de cada uma dessas atividades. � Receita pública, também chamada receita fiscal ou receita tributária, é a receita que o governo (União, Estado e Município) obtém pela cobrança de impostos, taxas e contribuições. � Os gastos são efetuados pelo governo para promover o bem-estar social da população. Entre eles, destacam-se os pagamentos de salários do funcionalismo público, investimento em obras de infraestrutura e os juros contraídos para rolagem de suas dívidas. Acompanhe as seguintes relações fundamentais do orçamento do governo: 78 Universidade do Sul de Santa Catarina � se as receitas do governo forem maiores que seus gastos, haverá um superávit orçamentário; � por outro lado, se os gastos do governo forem maiores do que a arrecadação (situação comum nos diversos níveis de governo no Brasil), haverá um déficit orçamentário; � e o orçamento estará em equilíbrio, quando a receita pública for igual aos gastos públicos. Assim, as medidas expansionistas (aumento dos gastos do governo ou redução dos impostos) podem criar déficit no orçamento, enquanto as medidas restritivas terão o efeito contrário. Um aumento do déficit em razão da diminuição dos impostos ou aumento dos gastos do governo provocará a elevação do valor do capital ou empréstimo contraído através dos empréstimos e, consequentemente, a elevação dos valores dos juros aplicados para o financiamento destes gastos. Excluindo-se os juros da dívida pública, interna e externa, como mostram Vasconcellos e Garcia (2004), tem-se o conceito de superávit (ou déficit) primário ou fiscal. Quando são incluídos os juros nominais sobre a dívida, tem-se o conceito de superávit (ou déficit) total ou nominal. Se forem considerados apenas os juros reais (excluindo-se a taxa de inflação e a variação cambial), tem-se o conceito de superávit (ou déficit) operacional. Para o entendimento desta questão, é importante ter claros os conceitos de Juro Nominal e Juro Real. Juro Nominal: é o juro correspondente a um empréstimo ou financiamento, incluindo a correção monetária do montante emprestado. Quando a inflação é zero, inexistindo correção monetária, o juro nominal é equivalente ao juro real. Juro Real: é o juro cobrado ou pago sobre um empréstimo ou financiamento, descontada a inflação do período. 79 Análise Macroeconômica Unidade 3 Nos acordos do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o conceito relevante é o de superávit fiscal ou primário. Para o FMI, um país que apresenta superávit primário, mesmo que apresente déficit nominal ou total, está com suas contas relativamente equilibradas e mostra condições de honrar seus compromissos futuros, apresentando mais credibilidade para negociar sua dívida externa, com juros menores e prazos maiores. O déficit e seu financiamento Desde a crise de 1929, assim como em muitos países, o governo aumenta gradativamente sua participação na atividade econômica. É importante você atentar para o fato de que o crescimento econômico do Brasil ocorreu fortemente amparado no Estado. Ou seja, o Brasil se desenvolveu graças à presença forte do governo. Exemplos são as empresas estatais, como as distribuidoras de energia ou as companhias de água e esgoto. Essa forte presença do Estado aumentou a necessidade de financiamentos. Para atender a essa necessidade, o governo tem três alternativas: � os impostos; � a criação de dinheiro; � a emissão de dívida pública. Os impostos são a alternativa natural para se financiar o déficit público. Porém, quando existe déficit, significa que os impostos são insuficientes para fazer frente aos gastos. Uma alternativa possível é a criação de dinheiro. O Banco Central, que é a instituição do governo responsável pela emissão de dinheiro, através da Casa da Moeda do Brasil, poderia recorrer a este procedimento e atender o governo. A emissão de moeda está atrelada à quantidade de bens e serviços oferecidos no mercado consumidor. Mas isto não é tão simples, pois, ocorrendo emissão de moeda acima da quantidade ofertada e produzida de 80 Universidade do Sul de Santa Catarina bens e serviços, provocará inflação (como você verá na unidade 4, quando estudaremos a inflação). Uma terceira possibilidade é emitir dívida pública. Neste caso, o Estado emite, ou seja, vende títulos de renda fixa, por exemplo. No entanto tal fato tem o perverso efeito de deslocar a poupança das pessoas para o setor público. Lembre: na unidade 2, você aprendeu que poupança deve gerar novos investimentos. Observe que o governo, neste caso, desvia os recursos do setor empresarial para o setor público, e não gera investimento, gasta para pagar uma dívida. A colocação e emissão de novos títulos no mercado influencia fortemente todo o mercado financeiro. Emitindo títulos com vencimentos variáveis, as autoridades econômicas influenciam na liquidez geral. Quanto menor for o prazo de vencimento, maior liquidez terá um título e, portanto, mais rapidamente se converterá em dinheiro. O equilíbrio orçamentário Para não ter que aumentar impostos (o que seria uma medida extremamente impopular), não emitir dinheiro (que, como você verá na próxima unidade, causa inflação) e não aumentar a dívida (o que implica a necessidade de aumento da taxa de juros), o governo deve equilibrar o seu orçamento. Ou seja, o governo, assim como qualquer outro agente da economia, não pode gastar mais do que arrecada. Em resumo, o equilíbrio orçamentário pressupõe a seguinte fórmula básica: Receitas do Governo = Gastos do Governo Este equilíbrio aumenta gradativamente no Brasil desde o ano de 2000, com a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal. Esta lei, como nos mostra o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, é: Os títulos são vendidos no mercado financeiro, para arrecadar valores e disponibilizá-los para investimentos das empresas. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. 81 Análise Macroeconômica Unidade 3 Um código de conduta para os administradores públicos que passarão a obedecer às normas e limites para administrar as finanças, prestando contas sobre quanto e como gastam os recursos da sociedade. Este é um importante instrumento de cidadania para o povo brasileiro, pois todos os cidadãos terão acesso às contas públicas, podendo manifestar abertamente sua opinião, com o objetivo de ajudar a garantir sua boa gestão. Ou seja, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como objetivo garantir que os governantes não gastarão mais do que arrecadam, tornando a gestão dos recursos públicos mais disciplinada e responsável. Seção 3 – Equilíbrio macroeconômico Antes de detalhar a política fiscal, é importante atentarmos para alguns conceitos. A importância do conhecimento destes conceitos diz respeito ao objetivo do estudoe análise da Macroeconomia, ou seja, determinar o nível total de renda e do produto do sistema econômico, necessários para a estabilidade econômica, através da geração de empregos nas empresas e o bem-estar social dos indivíduos. Um conceito muito utilizado pelos economistas é o de renda de pleno emprego, que vem a ser a renda nacional quando todos os recursos produtivos estão sendo empregados e a economia está produzindo com plena capacidade. A renda de equilíbrio, ou renda efetiva, é determinada quando a oferta agregada (OA) iguala a demanda agregada (DA). Isso pode ocorrer abaixo do pleno emprego, significando que a produção agregada, apesar de abaixo da capacidade potencial, atende às necessidades da economia. É o que Keynes denominava de equilíbrio macroeconômico com desemprego, ou equilíbrio abaixo do pleno emprego. 82 Universidade do Sul de Santa Catarina Assim, o objetivo da política econômica é encontrar o equilíbrio a pleno emprego, ou seja, fazer o equilíbrio entre oferta e demanda agregadas coincidir com a renda ou produto de pleno emprego. Já que a oferta agregada é estática no curto prazo, a política econômica deve concentrar-se em aumentar a demanda agregada por meio de instrumentos que propiciem aumento dos gastos em consumo (C), investimentos (I), gastos do governo (G) e balança comercial positiva (X>M), lembrando que (X) se refere às exportações e (M) às importações. Com efeito, a situação de equilíbrio macroeconômico pode ser ilustrada através de um gráfico. Ao contrário da teoria microeconômica, na análise macroeconômica os valores nos eixos cartesianos são valores agregados: nível geral de preços e produto real, conforme demonstra gráfico a seguir. Gráfico 3.1 – Oferta e demanda agregadas. Fonte: Elaboração do autor, 2007. Como na microeconomia, a curva de demanda agregada (DA0) mostra que há uma relação inversa entre produto (renda) real e nível geral de preços. 83 Análise Macroeconômica Unidade 3 Já o formato da curva de oferta agregada depende da hipótese sobre o nível de produto corrente da economia. Economia com desemprego de recursos, ou seja, ineficiência na utilização de, por exemplo, terras férteis livres, mão de obra desocupada, ou capital ocioso (equivalente ao trecho horizontal no gráfico 3.1): nesta situação, a economia está operando com capacidade ociosa. Caso haja algum estímulo da política econômica, a demanda agregada se deslocará de DA0 para DA1 e as vendas de RN0 para RN1, mas os preços permanecerão constantes, conforme o gráfico abaixo. Gráfico 3.2 – Aumento da demanda agregada com economia e desemprego. Fonte: Elaboração do autor, 2007. Economia com pleno emprego de recursos: nesta situação, as empresas operam com plena capacidade, há a utilização ideal de recursos naturais e da mão de obra especializada e a aplicação correta do recurso capital. Caso a demanda agregada aumente de DA3 para DA4, ocorrerá apenas um aumento no nível geral de preços (P3 para P4), como mostra gráfico 3.3. Note que a oferta agregada é rígida no curto prazo, já que não há recursos ou fatores de produção disponíveis. 84 Universidade do Sul de Santa Catarina Gráfico 3.3 – Equilíbrio com pleno emprego. Fonte: Elaboração do autor, 2007. A conquista e a manutenção de um nível de pleno emprego são importantes fatores de crescimento econômico, acompanhadas da elevação do padrão de vida da população. Os governos podem aplicar políticas de pleno emprego por meio de recursos fiscais, como, por exemplo, incentivos e empreendimentos geradores e multiplicadores de emprego e a destinação de forma correta e adequada das verbas de crédito destinadas a estes incentivos. Economia com desemprego de recursos O modelo keynesiano básico preocupa-se mais quando a economia está com desemprego de recursos, ou seja, abaixo de seu potencial. Esta situação também é chamada de hiato deflacionário, que significa a insuficiência de demanda agregada em relação à produção de pleno emprego. Ou seja, a estratégia do governo é tirar a economia desta situação. Como a oferta agregada não se altera no curto prazo, cabe à política econômica influenciar a demanda agregada. Neste caso, a política fiscal deve aumentar a demanda agregada, como vimos 85 Análise Macroeconômica Unidade 3 no gráfico 3.2 (da seção anterior). Este tipo de política chama-se política fiscal expansionista. A política fiscal expansionista fundamenta-se nas seguintes relações: Aumento dos Gastos Públicos (implica) Aumento de demanda Agregada ou Redução da alíquota dos impostos (implica) Aumento da Demanda Agregada Conforme estas relações, com o aumento dos gastos ou investimentos públicos em obras de infraestrutura (transportes, saúde, educação, energia), ocorre o aumento da renda dos trabalhadores empregados através das empresas contratadas para a realização destas obras. Consequentemente, ocorrerá o aumento do consumo, aumento da produção industrial e geração de novos empregos e renda. Já, com a redução da alíquota dos impostos, provocará queda nos preços de bens de consumo final, duráveis e não duráveis. Consequentemente, as empresas necessitarão contratar novos trabalhadores para o novo nível de produção e atender a demanda. Desta forma, teremos geração de empregos e aumento de renda. Em ambos os casos, se aplica uma política fiscal expansionista. Economia com inflação ou economia com pleno emprego de recursos A economia com pleno emprego de recursos é aquela que utiliza os seus recursos naturais e mão de obra especializada, aplicando corretamente o recurso capital. O arcabouço teórico criado por Keynes baseava-se numa situação de economia com desemprego, mas pode também ser utilizado para uma situação de pleno emprego de recursos. Denominamos essa situação de hiato inflacionário, que ocorre quando a demanda agregada supera a capacidade produtiva da economia (trecho vertical da curva de oferta agregadas, nos 86 Universidade do Sul de Santa Catarina gráficos 3.1, 3.2 e 3.3). Ou seja, a demanda está muito aquecida e a oferta agregada não tem condições, no curto prazo, de acompanhá-la, o que leva a aumento dos preços. Esta situação é conhecida na literatura econômica por inflação de demanda. Neste caso, a política fiscal está preocupada em reduzir o ritmo de expansão da demanda agregada, ou seja, praticar uma política fiscal recessiva ou restritiva. A Política fiscal recessiva fundamenta-se nas seguintes relações: Redução dos Gastos Públicos (implica) Redução da Demanda Agregada ou Aumento de impostos (implica) Redução do consumo privado Na primeira relação, a redução dos gastos ou investimentos públicos em obras de infraestrutura (transportes, saúde, educação, energia) provocará a diminuição da renda dos trabalhadores empregados através das possíveis empresas que seriam contratadas para a realização destas obras. Consequentemente, provocará a queda no consumo, diminuição da produção industrial e o desemprego. Na segunda relação, o aumento da alíquota dos impostos provocará alta nos preços de bens de consumo final, duráveis e não duráveis. Consequentemente, as empresas não necessitarão contratar novos trabalhadores, pois a demanda estará em baixa, não ocorrendo geração de empregos e aumento de renda. O objetivo do estudo da macroeconomia é o equilíbrio macroeconômico através do aumento da demanda agregada e da oferta agregada, que elevam o nível de renda e bem- estar social dos indivíduos e da produção industrial. Um sistema econômico é considerado em equilíbrio quando todas as variáveis permanecem imutáveis em determinado período, ou seja, se as condições de oferta e de demanda permanecem 87 Análise Macroeconômica Unidade 3 imutáveis, os preços tendem a permanecer estáveis, o que poderá proporcionar a realização de novos empreendimentos e investimentos governamentais, de modo a promover novos aumentos da demanda através da geração de novos empregos e aumento derenda dos trabalhadores. O equilíbrio macroeconômico interno é fundamental para o equilíbrio das Contas Nacionais de um sistema econômico, bem como a manutenção de superávit em sua balança de pagamentos, como veremos nas próximas unidades. Síntese Nesta unidade, você conheceu as funções essenciais do setor público no que diz respeito à gestão da economia. É lícito concluir que o governo é o principal agente em uma economia e, como tal, é o maior responsável pela solução dos problemas a ela inerentes, quer seja desemprego quer seja inflação. Você aprendeu, também, que um dos instrumentos que o governo tem à sua disposição é a política fiscal. Embora se trate de um instrumento ‘pouco’ importante, este tipo de política fiscal é pouco dinâmico e seus efeitos são sentidos no longo prazo. No caso brasileiro, por exemplo, a decisão de gastos (orçamento) é feita no ano anterior ao ano de exercício. E, quando o governo quer aumentar tributos, tal decisão só passa a vigorar no primeiro dia útil do ano seguinte àquele em que o governo baixou a medida. Logo a política fiscal é pouco eficaz para solucionar problemas de curto prazo. A política mais eficaz e, consequentemente, mais utilizada pelos governos é a política monetária, tema de nossa próxima unidade. 88 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades programadas para a sua autoavaliação. Nesta unidade, você conheceu o papel do Governo e sua participação nas atividades econômicas de uma economia, colaborando na determinação na determinação da Renda Pessoal Disponível. (Partindo do que você aprendeu) Aplicando seus conhecimentos adquiridos, responda aos questionamentos: 1. Quais são as funções fundamentais do setor público? 2. Como o governo pode promover uma política fiscal expansionista ou expansiva? 3. Quando o governo incorre em déficit público? 89 Análise Macroeconômica Unidade 3 Saiba mais Aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade, ao consultar as seguintes referências: SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à administração. 2.ed. São Paulo: Futura, 1999. MANKIW, N. G. Introdução à economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001. MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora Oeste, 2001. SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001. VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Também consulte os seguintes sites: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011. Ministério da Fazenda. Disponível em: <http://www.fazenda. gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011. http://www.ipea.gov.br http://www.fazenda.gov.br http://www.fazenda.gov.br 4UNIDADE 4Moeda e política monetária Objetivos de aprendizagem � Entender a importância da moeda para o sistema econômico como um todo. � Compreender o papel do Banco Central. � Compreender a importância da política monetária e seus instrumentos. � Compreender o conceito e as causas da inflação. � Conhecer os diferentes tipos de inflação. Seções de estudo Seção 1 A moeda: sua história e funções Seção 2 Oferta e demanda de moeda Seção 3 Instrumentos de política monetária Seção 4 Sistema financeiro e de crédito Seção 5 Teorias da inflação Seção 6 A inflação no Brasil 92 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro(a) aluno(a), nesta unidade você estudará a moeda e política monetária. Conhecerá a evolução histórica da moeda, desde as trocas diretas de mercadorias através do escambo até o sistema de trocas mais atual e moderno. Saberá de que forma ocorre a oferta e a demanda por moeda e a influência deste mecanismo para as economias. Aprenderá os instrumentos de política monetária utilizados pelos governos para a emissão de moeda e a forma como a emissão da mesma poderá provocar a inflação. Também entenderá o sistema financeiro, o seu funcionamento, reconhecendo a importância do crédito para o perfeito funcionamento deste sistema e, consequentemente, para a economia do país. Conhecerá a teoria inflacionária, identificando os diversos tipos de inflação, suas causas, consequências e a forma como os governos procuram a sua estabilidade, evitando, assim, transtornos para o sistema econômico. Finalizando a unidade, você aprenderá um pouco sobre a inflação no Brasil, a forma como ela é medida ao longo dos períodos através dos diversos índices e institutos. Seção 1 – A moeda: sua história e funções Você sabia que, nas economias mais rudimentares, não havia moeda ou dinheiro? Havia, sim, trocas diretas. As trocas diretas recebem o nome de escambo. No escambo, as trocas são realizadas sem dinheiro. 93 Análise Macroeconômica Unidade 4 Se uma pessoa dispusesse de uma quantidade excedente de uma dada mercadoria, poderia trocar esta sobra por outra mercadoria de que necessitasse. Por exemplo, supondo um alfaiate e um agricultor. Caso o alfaiate desejasse se alimentar, ele teria que dar roupas para o agricultor. Mas, e se o agricultor não necessitasse de roupas? A troca realizada através do escambo tem sérios inconvenientes. Primeiro, exige que cada pessoa encontre alguém disposto a adquirir precisamente o que essa pessoa tem para trocar. Em outras palavras, o escambo exige uma coincidência de desejos. O segundo problema refere-se à dificuldade em determinar um valor para alguns bens. Ou seja, trata-se do problema da divisibilidade dos bens. No caso anterior, quantas peças de roupa poderiam ser trocadas por um quilo de alimento? Estes dois inconvenientes fazem com que o escambo seja inviável e permitem a introdução da moeda no sistema de trocas. Para minimizar os conflitos existentes nas transações comerciais, surgiu a ideia de utilizar uma mercadoria intermediária nas trocas, uma mercadoria que fosse amplamente aceita devido à sua utilidade. Então, a moeda é na verdade um bem como outro qualquer, mas com uma característica especial: todos aceitam a moeda em troca de uma mercadoria. O escambo ainda existe. Apesar de hoje possuirmos um sistema monetário altamente especializado e sofisticado, saiba que, na nossa sociedade, algumas trocas ainda ocorrem via escambo. É comum, quando você lê o jornal, ver um anúncio do tipo “troca-se terreno na praia por automóvel.” A grande diferença do escambo atual é o fato de que a moeda funciona como padrão comum de valores ou de referências. Ou seja, através do uso de moedas, podemos trocar quaisquer produtos, pois temos assim um mecanismo fácil de comparação dos valores. Deste modo, em princípio qualquer mercadoria pode ser utilizada como moeda. Historicamente, as primeiras formas de moeda foram: sal, trigo, gado. Com eram ineficientes, surgiu a 94 Universidade do Sul de Santa Catarina moeda metálica (durabilidade), e, logo, com o objetivo de evitar falsificações, a moeda metálica cunhada. Os últimos séculos assistiram a duas importantes inovações: papel-moeda e a moeda escritural: � o papel moeda surgiu aos poucos, como simples certificado de depósito nos bancos comerciais. Em seguida, como certificado transferível de depósito (moeda-papel). E, finalmente, como certificado inconversível (papel-moeda). A moeda vale, portanto, pela sua capacidade de adquirir outras mercadorias (não tem valor pelo seu uso direto); � a moeda escritural surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. É representada pelos depósitos bancários à vista, os quais possuem liquidez equivalente à moeda legal. Quais são os meios de pagamento na economia moderna? Os meios de pagamento em uma economia moderna são: � o papel moeda em poder do público (saldo do papel moeda emitido menos os encaixes em moeda corrente dos bancos): corresponde ao volume total de dinheiro emcirculação na economia, subtraindo-se do volume depositado nos bancos comerciais o percentual referente ao encaixe bancário (reservas de um banco mantidas na forma de papel-moeda para fazer frente aos descontos diretos de cheques em dinheiro e porcentagem determinada pelo Banco Central que não pode ser emprestada); � e os depósitos à vista do público na rede bancária: corresponde ao volume de dinheiro depositado por pessoas físicas e jurídicas nos bancos comerciais. Portanto qualquer papel moeda emitido, que não se encontra em posse do setor bancário da economia (Banco Central e bancos comerciais), é o que está, então, em poder do público (governo federal, população em geral e instituições financeiras não bancárias). 95 Análise Macroeconômica Unidade 4 Funções, característica e tipos de moeda A moeda possui três funções: � meio ou instrumento de troca: utilizada para comprar bens e serviços. É a mais importante função da moeda. Afinal, a moeda como um meio de troca permitiu que a economia aumentasse sua eficiência, pois, sem um meio de troca de padrão único, as economias modernas não poderiam existir; � padrão comum de valores: a moeda permite que sejam expressos em unidades monetárias os valores de todos os bens e serviços de uma economia. É um padrão de medida; � reserva de valor: a posse da moeda representa liquidez para quem a possui, e pode, então, ser guardada para a aquisição de um bem ou serviço no futuro. Características da moeda As características mais relevantes da moeda são: � indestrutibilidade e inalterabilidade: a moeda deve ser suficientemente durável, ou seja, deve durar para ser manuseada em um grande número de trocas; � homogeneidade: duas moedas distintas e com o mesmo valor devem ser exatamente iguais, ou seja, devem ter o mesmo valor de compra; � divisibilidade: a moeda deve possuir múltiplos e submúltiplos para permitir a realização de todas as transações em diversos valores; � facilidade de manuseio e transporte: a moeda deve ser facilmente transportável, caso contrário, sua utilização seria dificultada; � transferibilidade: a moeda deve circular na economia sem barreiras, facilitando o comércio. 96 Universidade do Sul de Santa Catarina Tipos de moeda Os tipos de moeda são os seguintes: � moeda metálica: emitidas pelo Banco Central (Bacen), visam facilitar as operações de pequeno valor e/ou com unidades fracionárias; � papel-moeda: também emitido pelo Bacen, representa a maior parte da quantidade de moeda em poder do público; � moeda escritural ou bancária: são os depósitos à vista (em conta corrente) nos bancos comerciais. O conhecimento a respeito da evolução histórica da moeda, suas funções, suas modalidades, a quantidade disponível para circulação e características, é fundamental para o entendimento da sua oferta e da sua demanda, as quais, juntas, movimentam o mercado monetário de um sistema econômico. Seção 2 – Oferta e demanda de moeda Nesta seção, você estuda o conceito de meios de pagamento, as classificações da moeda em função da liquidez, assim como vê um aprofundamento do conceito de liquidez. Você também aprende como se determina a taxa de juros de equilíbrio e como esta taxa pode variar, além de estudar a função do mercado monetário e do Banco Central em relação à moeda. Como qualquer mercadoria, a moeda tem demanda e oferta. A oferta de moeda é o suprimento para atender às necessidades da população. 97 Análise Macroeconômica Unidade 4 Meios de pagamento A moeda também é chamada de meios de pagamento, os quais constituem o total de moeda à disposição do setor privado não bancário, de liquidez imediata. Liquidez é a capacidade que um ativo tem de estar totalmente disponível e aceito para as mais diversas transações. Logo, a moeda é a liquidez por excelência. Os meios de pagamento são dados pela soma da moeda em poder do público mais os depósitos à vista nos bancos comerciais. Ou seja, é a soma da moeda manual (moedas metálicas e papel-moeda) e da moeda escritural. Enfim, meios de pagamento equivalem à moeda que não está rendendo juros, pois não está aplicada em contas ou ativos remunerados. O conceito econômico de moeda diz respeito à moeda que se encontra no setor privado não bancário. Isto é, não estão incluídas as moedas que estão em poder dos bancos comerciais e das autoridades monetárias. Os depósitos à vista ou em conta corrente não constituem dinheiro dos bancos, mas do público. O dinheiro que pertence aos bancos são seus encaixes (caixa dos bancos comerciais) e suas reservas (quantia dos bancos depositada no Banco Central). As classificações da moeda em função da liquidez Em função da liquidez, a moeda pode ser classificada de acordo com as seguintes especificações: � M1 = é a soma do papel moeda em poder do público e dos depósitos à vista. M1 representa os meios de pagamento de liquidez imediata, que não rendem juros. Os meios de pagamento classificados como M1 também são chamados de ativos ou haveres monetários. 98 Universidade do Sul de Santa Catarina Entretanto existem outras aplicações financeiras com menor liquidez, e, em ordem de liquidez, é possível estabelecer outra classificação: � M2 = M1 + depósitos de poupança + títulos privados (depósitos a prazo, letras cambiais, hipotecárias e imobiliárias). � M3 = M2 + fundos de renda fixa + operações compromissadas registradas no SELIC. � M4 = M3 + títulos públicos federais, estaduais e municipais. A principal diferença entre M1 e os agregados M2, M3 e M4 é que M1 não tem rentabilidade. O Banco Central (Bacen ou também BC), através do controle do M4, que envolve os ativos monetários e não monetários, procura controlar a oferta global de moeda na economia, já que a oferta de dinheiro está vinculada aos preços. Desta forma, o Banco Central visa impedir a violação ao princípio segundo o qual a limitação do volume de dinheiro em circulação no país é uma condição necessária para que a moeda mantenha o seu valor. A liquidez Um dos conceitos mais importantes ao se tratar de mercado financeiro é o conceito de liquidez. A liquidez se refere à capacidade de um ativo ser convertido em moeda. Liquidez = capacidade de um ativo ser convertido em moeda. Certas aplicações financeiras não podem ser prontamente sacadas. À medida que não se pode fazer dinheiro de imediato, tais aplicações são ditas de liquidez baixa. 99 Análise Macroeconômica Unidade 4 Considere os seguintes exemplos: � Um apartamento - ativo (bem próprio/direito) é de baixa liquidez quando o proprietário demora a vendê-lo, para fazer dinheiro dele. � A poupança tem menor liquidez que um depósito à vista, mas tem maior liquidez que um apartamento (investimento imobiliário). � Os depósitos bancários a prazo (aplicações financeiras que impõem um prazo para os saques – 30 dias/60 dias, etc.), em princípio, não são de liquidez imediata, pois se deve respeitar um prazo para convertê-los em dinheiro (não se pode pedir o vencimento antecipado). Determinação da taxa de juros de equilíbrio Para poder compreender o funcionamento da oferta e demanda por moeda, é necessário conhecer a determinação da taxa de juros de equilíbrio, que ocorre quando a oferta e a demanda por moeda ficam iguais. A taxa de juros de equilíbrio é determinada no mercado monetário, onde se encontram a oferta e a demanda de moeda. O processo é idêntico ao que determina o preço de uma mercadoria no mercado de bens e serviços, pois a taxa de juros é o preço da moeda, isto é, do dinheiro. Portanto a taxa de juros de equilíbrio é determinada no mercado pela oferta e pela demanda de moeda. Com base nessa taxa é que são realizadas as transações financeiras na economia. Você sabe como a taxa de juros é estabelecida? A oferta de moeda é determinada pelo governo, e é com a quantidade por ele emitida que o sistema econômico vai 100 Universidade do Sul deSanta Catarina trabalhar. Assim, se houver uma procura muito grande de moeda, como resultado do crescimento das atividades econômicas, por exemplo, ela se tornará escassa e as pessoas estarão dispostas a pagar um preço maior para poder adquiri-la. Esse é o princípio que explica o aumento da taxa de juros. Por outro lado, se a procura de moeda diminuir, por qualquer razão, ela se tornará abundante, fazendo com que seu preço, a taxa de juros, diminua. Variação da Taxa de juros de equilíbrio É claro que, da mesma forma que o preço das mercadorias, a taxa de juros sofre variações no decorrer do tempo, causadas por modificações na oferta ou na demanda de moeda. Por isso, fica clara a importância do governo no mercado monetário. Se as autoridades monetárias resolverem expandir os meios de pagamento, ou seja, a oferta de moeda, haverá uma queda na taxa de juros, pelo fato de haver mais dinheiro no mercado. O comportamento inverso do governo determinaria um aumento na taxa de juros, uma vez que a moeda se tornaria relativamente escassa. Mercado monetário O mercado monetário desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do sistema econômico. É no mercado monetário que se encontram a oferta e a demanda por moeda, é onde se determina a taxa de juros, ou o preço da moeda, elemento fundamental no sistema financeiro, que você irá estudar ainda nesta unidade. O mercado monetário, de forma geral, designa o setor do mercado financeiro que opera a curto prazo. Compõe-se da rede de entidades ou órgãos financeiros que negociam títulos e valores, concedendo empréstimos a 101 Análise Macroeconômica Unidade 4 empresas ou particulares, a curto ou curtíssimo prazo, contra o pagamento de juros. Além dos bancos comerciais e das empresas financeiras de crédito, o mercado monetário compreende, também, o mercado paralelo e o mercado de divisas. O movimento financeiro a longo prazo caracteriza outro segmento, o do mercado de capitais. Demanda de moeda A demanda de moeda pelo público corresponde à quantidade de moeda que o setor privado não bancário está disposto a reter. São três as razões pelas quais o público demanda moeda: � Demanda de moeda para transações: as pessoas e empresas necessitam de dinheiro para as diversas transações do dia a dia, como alimentação, transporte, supermercado, etc. � Demanda de moeda por precaução: o público e as empresas precisam ter certa reserva monetária para cumprir obrigações imprevistas ou emergenciais. � Demanda de moeda por especulação: os investidores em suas carteiras deixam uma parcela para a moeda, observando o comportamento da rentabilidade dos vários títulos, para fazer algum novo negócio. Ou seja, embora a moeda não apresente rendimentos, tem a vantagem da liquidez imediata e pode viabilizar novas aplicações. O Banco Central O Banco Central (Bacen) é o órgão responsável pela política monetária e cambial do país. Seu principal objetivo é regular o montante de moeda, crédito, taxas de juros e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Compete ao Bacen cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são 102 Universidade do Sul de Santa Catarina atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN e o Bacen desempenham o papel de autoridade monetária. A lei n. 4.595, de 31/12/1964, a qual criou os dois órgãos, deu ao CMN as principais funções decisórias e, ao Bacen, as funções executivas de supervisão e fiscalização bancária, cabendo-lhe cumprir as decisões do CMN. As principais funções do Bacen são: � emissor de papel-moeda: é o Banco Central quem, com exclusividade, emite ou autoriza a emissão de papel moeda no país; � banqueiro depositário das reservas internacionais e do Tesouro Nacional: é o responsável pela guarda das reservas internacionais em ouro ou moeda estrangeira do governo; � banqueiro dos bancos comerciais: provê empréstimos exclusivos aos membros do sistema financeiro, a fim de regular a liquidez ou mesmo evitar falências que poderiam causar uma reação em cadeia de falências bancárias. Ele também mantém os depósitos compulsórios dos bancos comerciais, regulando, assim, a multiplicação da moeda escritural no mercado finaceiro. A emissão de moeda em um sistema econômico deve estar atrelada à produção de bens e serviços ofertados em sua economia, seguindo os parâmetros necessários para esta ação, de acordo com as suas funções, características e necessidades do aumento dos meios de circulação, sua oferta, sua demanda, e a determinação da taxa de equilíbrio. Além disto, deve seguir as normas editadas e baixadas pelo Banco Central do Brasil, a fim de que o Sistema Financeiro Nacional possa funcionar de forma adequada, sem prejuízo à economia interna ao Balanço de Pagamentos do país. http://pt.wikipedia.org/wiki/Reservas_internacionais http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouro http://pt.wikipedia.org/wiki/Moeda_estrangeira http://pt.wikipedia.org/wiki/Empr%C3%A9stimo http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_financeiro http://pt.wikipedia.org/wiki/Liquidez http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%AAncia http://pt.wikipedia.org/wiki/Rea%C3%A7%C3%A3o_em_cadeia http://pt.wikipedia.org/wiki/Dep%C3%B3sito_compuls%C3%B3rio http://pt.wikipedia.org/wiki/Dep%C3%B3sito_compuls%C3%B3rio http://pt.wikipedia.org/wiki/Moeda_escritural 103 Análise Macroeconômica Unidade 4 Seção 3 – Instrumentos de política monetária Nesta seção, você estudará os instrumentos da política monetária e a política monetária na prática, além do caráter restritivo e expansivo desta política. Você também verá os bancos comerciais e o modo pelo qual ‘criam’ e ofertam dinheiro. O governo intervém na economia através da política fiscal. Porém ele também tem outra ferramenta importante, que é a política monetária. Assim, política monetária é a política do governo que controla a oferta de moeda e, consequentemente, as taxas de juros, para garantir a liquidez ideal de cada momento. Por consequência, a política monetária também determina as condições de crédito. A taxa de juros determinada pelo Banco Central é a taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). É o sistema em que são registradas as operações com os títulos públicos. Mas, na verdade, as taxas de juros cobradas pelos bancos são ainda maiores que a taxa SELIC básica. Isto ocorre, porque a taxa SELIC é apenas a taxa pela qual o Banco Central está disposto a pagar para as pessoas que compram títulos públicos. A taxa SELIC é a taxa calculada pelo Banco Central, considerando a média das taxas que o governo paga aos bancos que lhe emprestam dinheiro, comprando títulos da dívida interna ou por meio de outros mecanismos. Essa média, denominada Taxa Over-Selic, é utilizada como referência para todas as demais taxas de juros, e, por esta razão, é também chamada de Taxa Básica de Juros. Os instrumentos clássicos de política monetária são: a) depósito compulsório; b) redesconto ou empréstimo de liquidez; 104 Universidade do Sul de Santa Catarina c) mercado aberto (open-market); d) emissão de moedas. Instrumentos de política monetária Veja cada um destes instrumentos de política monetária separadamente. a) Depósito compulsório Exigido por regulamentação do Bacen, o depósito compulsório é um percentual dos depósitos à vista e a prazo. Ou seja, os bancos comerciais devem depositar certa quantia do seu caixa nos cofres do Banco Central. Desta forma, o Bacen tem um mecanismo importante de controle da oferta de moeda, pois pode imobilizar um percentual maior ou menor dos depósitos bancários e os recursos de terceiros que neles circulem (títulos de cobrança, tributos recolhidos, garantias de operações de crédito), restringindo ou alimentando o processo de expansão da oferta de moeda. Os cheques sacados contra um banco pelos seus depositantes são canalizados para a câmara de compensação do Banco do Brasil de cada cidade, acarretando um débitona conta de reservas do Bacen (respectivo ao Banco sacado). À medida que estas retiradas deixem de ser contrabalançadas por depósitos, o banco perde reservas. O banco também perde reservas, quando faz empréstimos ou compra títulos; e ganha reservas através da venda de títulos de sua emissão, da cobrança de títulos ou do recolhimento de tributos. Para compensar eventuais perdas de reservas, recorrem ao mercado interbancário ou, em último caso, ao redesconto do Bacen, mediante títulos de sua emissão com garantia colateral de títulos do governo ou ativos representados por seus créditos em empréstimos concedidos. 105 Análise Macroeconômica Unidade 4 b) Redesconto ou empréstimo de liquidez Neste tipo de instrumento de política monetária do Bacen, três operaç ões se destacam. Analise-as. � Redescontos de Liquidez: este é um instrumento de política monetária que consiste na concessão de assistência financeira de liquidez aos bancos comerciais. O Bacen, como banco dos bancos, desconta títulos dos bancos comerciais a uma taxa prefixada, com a finalidade de atender às suas necessidades momentâneas de caixa. Uma elevação da taxa de redesconto faz com que os bancos tenham que aumentar suas reservas voluntárias no Bacen, aumentando as reservas dos bancos e reduzindo os meios de pagamento. � Redescontos Especiais: refinanciamentos que o Bacen faz aos Bancos comerciais para financiamentos a produtos agrícolas, exportação, pequenas e médias empresas(PME), etc. � Aplicações em Títulos: o Bacen permite que parte do depósito compulsório seja mantido em títulos da dívida pública, o que os bancos preferem, por renderem juros e correção monetária. Títulos do Bacen ou Bônus do Banco Central (BBC) + NTN (Notas do Tesouro Nacional) são usados nas operações de open-market e como depósitos voluntários pelos bancos comerciais. Funcionam como um quase caixa, pois possuem alta liquidez e vencem a curtíssimo prazo, além de render juros. c) Mercado aberto (open-market) O mercado aberto é o mais ágil instrumento da política monetária de que dispõe o Bacen, pois, através dela são, permanentemente, regulados a oferta monetária e o custo primário do dinheiro na economia, referenciado na troca de reservas bancárias por um dia, através das operações denominadas de overnight. Estas operações de mercado aberto permitem: 106 Universidade do Sul de Santa Catarina � o controle permanente do volume de moeda ofertada no mercado; � a manipulação das taxas de juros de curto prazo; � às instituições financeiras bancárias, que realizem aplicações a curto e curtíssimo prazo de suas disponibilidades monetárias ociosas; � a garantia de liquidez para os títulos públicos. Os dois primeiros objetivos são alcançados no mercado primário, no qual o Bacen negocia diretamente com as instituições financeiras, alterando a posição de reservas dos bancos comerciais, bem como o volume e o preço do crédito. d) Emissão de moedas Este instrumento é somente utilizado quando o Bacen decide aumentar a quantidade de moeda em circulação na economia. Cabe ao Bacen determinar a necessidade de novas emissões e seus respectivos volumes. A Política monetária na prática Além do Banco Central, há outra entidade chamada Comitê de Política Monetária (COPOM) que, de fato, é o responsável por determinar a taxa de juros. As reuniões do COPOM são atentamente acompanhadas, já que indicam a tendência da taxa de juros naquele período e nos períodos futuros. As atas destas reuniões são divulgadas após sua realização e são importantes fontes de consulta sobre a opinião das autoridades monetárias a respeito do rumo da economia brasileira. Você também pode fazer o acompanhamento através da imprensa ou pelo site <www.bcb.gov.br>. http://www.bcb.gov.br 107 Análise Macroeconômica Unidade 4 Assim, podemos fazer um pequeno esquema sobre a política monetária. COPOM Banco Central Oferta de Moeda Taxa de juros e condições de crédito Demanda Consumo Investimento Sistema Bancário Figura 4.1 – A política monetária Fonte: TROSTER; Mochon, 1999, p. 259. Vejamos, na sequência, cada um dos componentes e suas funções na política monetária. O COPOM reúne-se para determinar a nova taxa SELIC a ser aplicada no mercado financeiro. Oficialmente definida, repassa a nova alíquota da taxa para o Banco Central, órgão do governo responsável pela normatização da política monetária adotada no nosso país. O Banco Central divulga de forma oficial a nova alíquota no Sistema Bancário Brasileiro, o qual, de posse da nova alíquota, promoverá a oferta de moeda no Sistema Financeiro Nacional, a fim de promover as operações de crédito, ofertando seus serviços através da nova taxa de juros e condições propostas na normativa 108 Universidade do Sul de Santa Catarina emitida pelo Banco Central. A nova taxa de juros, através das operações de oferta de moeda e de abertura de crédito, deve influenciar de forma direta as operações de Demanda, Consumo e Investimento em produtos e serviços, promovendo a circulação destes bens e serviços para o consumo da população. Assim, a política Monetária é o conjunto de medidas adotadas pelo governo com vista a adequar os meios de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país. Essa adequação geralmente ocorre por meio de uma ação reguladora, exercida pelas autoridades sobre os recursos monetários existentes, de tal maneira que estes sejam plenamente utilizados e tenham um emprego tão eficiente quanto possível. A política monetária pode ser de dois tipos: restritiva ou expansiva: � a Política Monetária Restritiva refere-se à redução da oferta de moeda, e, por consequência, aumenta a taxa de juros, o que encarece o crédito; � a Política Monetária Expansiva é a política econômica que aumenta a quantidade de moeda à disposição e reduz as taxas de juros, tornando o crédito mais barato. Os bancos comerciais Os bancos comerciais são as instituições financeiras responsáveis por receber o depósito de seus clientes e conceder empréstimos às famílias, às empresas e ao governo. Os bancos comerciais surgiram devido à necessidade das pessoas protegerem seu dinheiro. Afinal, à medida que as pessoas vão acumulando dinheiro, através de sua poupança, aumenta a necessidade de guardar esse dinheiro em algum lugar seguro, sendo esse um dos objetivos da atividade bancária. Você sabe quais são os tipos de depósitos que os bancos comerciais aceitam? 109 Análise Macroeconômica Unidade 4 Os tipos de depósitos que os bancos comerciais aceitam são os seguintes: � Depósitos à vista: são os depósitos que estão sempre disponíveis para o titular da conta; � Depósitos de poupança: dispõem de quase todas as operações dos depósitos à vista, mas não dispõem de cheques e têm rendimentos de 0,5% a cada mês mais a correção da inflação do mês; � Depósitos a prazo: são os fundos tomados por um prazo fixo e que não podem ser retirados sem algum tipo de penalidade. A criação de dinheiro pelos bancos comerciais Considerando seus estudos até aqui, você percebeu que o responsável pela emissão de moeda é o Banco Central. Mas você sabia que é possível aos bancos comerciais também criarem moeda? Veja como. O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda, e que também tem implicações na taxa de juros, consiste na multiplicação dos meios de pagamento através dos bancos comerciais. Com efeito, os bancos observaram que, por uma questão de cálculo de probabilidade, era possível emprestar parte dos depósitos à vista recebidos, pois era altamente improvável que todos os depositantes sacassem seus fundos ao mesmo tempo. Assim, começou a surgir esse fenômeno da multiplicação. Os bancos passaram a manter encaixes bem inferiores aos seus depósitos e, com isso, os meios de pagamento tornaram-se várias vezes superiores ao saldo de papel moeda emitido. Quando os bancos comerciais recebem depósitosà vista, eles devem garantir aos seus clientes que, em qualquer momento, a quantia depositada estará à disposição dos mesmos. 110 Universidade do Sul de Santa Catarina Mas, com o passar do tempo, os bancos descobriram que não precisavam manter todo o dinheiro depositado pelos clientes em seu caixa. A prática bancária mostra que o uso de cheques e cartões significa que, a cada dia, somente uma pequena parte dos depósitos à vista é retirada dos caixas dos bancos. Isso sem contar a quantia de dinheiro que será novamente depositada nos bancos. Desta forma, os bancos primeiramente constituem as chamadas reservas. As reservas são legalmente requeridas, e todos os bancos devem mantê-las por exigência do Banco Central. Perceba que, se, em um dado momento, todos os clientes de um banco quisessem retirar seus depósitos, então o banco não poderia atender à demanda, por maior e melhor administrado que fosse. Isso ocorre, porque os bancos comerciais mantêm líquida (ou seja, dinheiro vivo) apenas uma pequena parte dos seus depósitos. Oferta de moeda pelos bancos comerciais Suponha que os bancos comerciais, através de sua experiência, descubram que as retiradas das contas correntes são de, em média, 10%. Consequentemente, podem manter 10% dos depósitos em caixa e emprestar os 90% restantes. Assim, suponha, também que, após a leitura desta unidade, você ganhe R$100.000 na loteria. É claro que você não sairá à rua com tal quantia. Você provavelmente depositará esta quantia de dinheiro em um banco. Porém o banco não manterá esses R$100.000 extras em dinheiro em seu caixa forte. O banco empregará seu dinheiro na concessão de empréstimos e créditos a seus clientes, o que gerará mais depósitos bancários. 111 Análise Macroeconômica Unidade 4 Se, como mencionado, os bancos necessitam manter apenas 10% em reservas, então podem emprestar os R$90.000 restantes. Começa, assim, um ciclo virtuoso. Os bancos emprestam os R$90.000 restantes, que serão novamente depositados nos bancos, pois os tomadores de empréstimos não ficarão com esse dinheiro em mãos. Ou seja, o dinheiro é redepositado. Agora, os bancos dispõem de mais R$90.000 em caixa. Como devem reter 10%, os bancos têm R$81.000 extras para emprestar e R$9.000 devem ser guardado em caixa. Observe, através da tabela abaixo, como isso ocorre na prática. Tabela 4.1 – Exemplo demonstrativo da evolução de depósitos – empréstimos e reservas nos bancos comerciais Posição do Banco Novos depósitos Novos empréstimos Novas reservas Banco (fase 1) 100.000 90.000 10.000 Banco (fase 2) 90.000 81.000 9.000 Banco (fase 3) 81.000 72.900 8.100 Banco (fase 4) 72.900 65.610 7,290 Banco (fase 5) 65.610 59.050 6.560 Soma das cinco fases 409.510 368.560 40.950 Fonte: Elaboração do autor, 2007. De acordo com a tabela do exemplo, o sistema bancário foi capaz de expandir seus depósitos em R$309.510 mediante a concessão de novos créditos e empréstimos, sustentados pelos 100.000 iniciais que você depositou. Note, assim, que o sistema bancário também é responsável por aumentar (ou diminuir) a quantidade de moeda em uma economia, concedendo mais (ou menos) crédito às empresas e às pessoas. 112 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 4 – Sistema financeiro e de crédito Nesta seção, trataremos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele é importante, pois é através do sistema financeiro que as empresas captam recursos para fazer face às suas necessidades e obrigações. Ou seja, para realizar seus planos de investimentos, as empresas necessitam de recursos financeiros. Vejamos, a seguir, os componentes do sistema financeiro. Operações de Crédito Considerando-se a economia como um todo, verifica-se a existência de agentes econômicos superavitários e agentes econômicos deficitários, em determinados períodos de tempo. Significa que, em algum momento, alguns agentes possuem despesas maiores do que suas rendas, ou seja, gastam mais do que recebem como renda, tornando-se deficitários, enquanto que outros, não gastam toda a sua renda, apresentando-se como superavitários. Os agentes superavitários com o auxílio e intermediação do sistema financeiro, possibilitam as operações de crédito, as quais tornam-se importantes para a economia, pois promovem o financiamento de compra de bens e serviços por parte dos agentes deficitários. São basicamente três as operações de crédito oferecidas pelo Sistema Financeiro às pessoas e às empresas: � Empréstimos: são operações realizadas sem necessidade de comprovação da aplicação dos recursos. Por exemplo: empréstimos para capital de giro, empréstimo pessoal; � Financiamentos: são operações realizadas com necessidade de comprovação da aplicação do recurso. Por exemplo: financiamentos de máquinas e equipamentos, financiamento da casa própria, financiamento para compra de um automóvel; � Títulos Descontados: são operações nas quais se descontam títulos, ou seja, se pagam os títulos. 113 Análise Macroeconômica Unidade 4 A Bolsa de Valores Além de captar empréstimos nos bancos, as empresas têm a opção de se financiarem através da Bolsa de Valores. Você sabe o que é bolsa de valores? Bolsa de valores é um mercado onde são transacionados títulos e ações de empresas (valores). Numa economia de mercado, elas têm fundamental importância, uma vez que permitem a canalização rápida e veloz das poupanças para os investimentos. A bolsa, então, é uma instituição através da qual as empresas, para captarem recursos financeiros, vendem parte do seu patrimônio líquido (ações). Por isso, quem tem ações é conhecido como acionista, pois é também sócio da empresa. Na medida em que a empresa tem lucros, o patrimônio líquido se valoriza e as ações aumentam de valor. Por isso, a bolsa de valores representa uma forma de captação de capital barata, pois as empresas captam recursos dos poupadores e o preço desta captação é o rendimento (ou seja, a valorização da empresa, ou do seu patrimônio líquido). No Brasil, a principal bolsa é a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pequena em relação a outras bolsas do mundo, como a de Londres e a de Nova Iorque. Aplicações financeiras Para terminarmos esta unidade, vamos falar de algumas modalidades de aplicações financeiras que os bancos comerciais oferecem a seus clientes. Tais aplicações financeiras são de suma importância para o seu estudo, pois estas modalidades norteiam a atividade bancária. Neste sentido, incumbe ao banco comercial, além de suas atribuições, administrar com responsabilidade o dinheiro dos correntistas, seus clientes. 114 Universidade do Sul de Santa Catarina Fundos de Investimento Fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira formada pela união de vários investidores, os quais se unem para realizar um investimento financeiro, organizados sob a forma de pessoa jurídica. Imagine o fundo de investimento tal qual a forma de um condomínio, onde, visando um determinado objetivo ou retorno, cada morador divide as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento. Cada investidor possui uma cota do patrimônio do fundo, com direitos e obrigações estipuladas ao firmarem e aceitarem o seu contrato de criação. Os fundos, geralmente, são administrados por uma instituição financeira, a qual tratará dos aspectos legais e jurídicos, da estratégia de montagem da carteira de ativos, com vista ao maior lucro possível com o menor nível de risco. A instituição financeira cobrará uma taxa por este serviço e para a manutenção do mesmo enquanto empreendimento. O trabalho das instituições financeiras reside em escolher as melhores alternativas de aplicação. A rentabilidade é a mesma para qualquer aplicador, independendo da quantia aplicada. Conheça, na sequência, os tipos de fundos. � Fundos de Renda Fixa: Como o nome diz, são fundos onde o cliente sabe, antecipadamente, ou não, a rentabilidade do seu investimento. Por isso,são fundos com menor risco. Estes fundos normalmente são compostos por certificados de depósito bancário (CDB), letras de câmbio e títulos do governo. � Fundos de Renda Variável: Como o nome diz, os ganhos dos clientes podem variar, por isso têm maior risco. São compostos por investimento em ações e outros títulos de maior risco. 115 Análise Macroeconômica Unidade 4 � Mistos ou Multimercados: mix de investimentos, ou seja, compostos de títulos de renda fixa, títulos do governo e ações. Estes fundos podem ser abertos ou fechados. Aberto significa que o público tem acesso, e o saque ocorre a qualquer tempo. Fechado refere-se àqueles destinados a grupos de investidores selecionados, sendo que o tempo de maturação pode levar anos. Veja os seguintes exemplos de alguns fundos brasileiros (a sua composição pode mudar de acordo com regulamento do Banco Central): FIF – Fundo de Investimento Financeiro; FAC – Fundo de Aplicação em Cotas: 1) Fundo de Renda Fixa 30 dias (FIF 30 dias): apresenta liquidez diária após 30 dias de aplicação. Composto por títulos de médio e longo prazo como título de renda fixa (CDB), letras de câmbio, títulos públicos. O depósito compulsório que incide é de 05% do patrimônio líquido. 2) Fundo de Renda Fixa 60 dias (FIF 60 dias): apresenta liquidez após 60 dias. Não incide depósito compulsório. Composto pelos mesmos títulos de 30 dias. Rentabilidade: 14,44%. 3) FIF de curto prazo: veio substituir o fundão. Tem liquidez diária, o que permite a aplicação e o resgate automáticos. Compulsório: 50%. Rentabilidade baixa. 4) Fundo mútuo de investimentos em ações (FMIA): é uma forma de aplicar em ações, sem ter de ficar acompanhando o mercado. Os recursos captados são aplicados em carteira diversificada de ações (51%), debêntures conversíveis e uma parte em títulos do governo e fundos de renda fixa. Sua rentabilidade depende da composição de ações. 5) Fundos imobiliários: são fundos para investimento em imóveis, sejam prédios de apartamentos ou comerciais, shopping centers, etc., através da criação de cotas de investimento, vendidas em um mercado ou a um grupo selecionado de pessoas (empresas ou investidores institucionais). 116 Universidade do Sul de Santa Catarina 6) Fundos de Pensão: os cotistas vão constituindo um patrimônio ao longo dos anos, garantindo sua aposentadoria. Estes são aplicadores de fundos de investimento. 7) Fundos de renda fixa – capital estrangeiro: são fundos que atraíram os investidores estrangeiros para as nossas altas taxas de juros. As cotas só podem ser adquiridas por pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior. Têm seus recursos direcionados para ativos financeiros de renda fixa emitidos por instituições sediadas no país. Sua carteira deve ter, no mínimo, 35% destinados a títulos de emissão do Tesouro Nacional. 8) Fundo de Privatização – capital estrangeiro: criado para atrair recursos externos para a privatização. A carteira deve ser composta por ações de empresas desestatizadas. � Operações Cambiais: referem-se à aquisição de moeda estrangeira. Por força de lei, somente às autoridades monetárias é permitido reter moeda estrangeira. Assim sendo, o BC se obriga a comprar (ou vender) todo o fluxo de moeda estrangeira que entra (ou sai) no país a cada ano, quando o resultado do Balanço de Pagamentos é positivo (ou negativo). � Letras de Câmbio: títulos ao portador, emitidos por Financeiras. As Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento são sociedades anônimas que financiam bens e serviços no mercado interno, captando recursos através das letras de câmbio. Estas sociedades não podem ter conta corrente nem fundos de investimento. Considere o seguinte exemplo: toda grande loja/ montadora de veículos tem uma financeira: a loja fatura à vista ao cliente que é financiado pela Financeira. (Se a loja financiasse diretamente, teria que embutir os encargos no valor da nota fiscal, pagando mais imposto.) A financeira abre um crédito ao cliente, mediante contrato. O cliente emite contra a financeira, letras de câmbio, já que é credor. A financeira aceita as letras e as coloca no 117 Análise Macroeconômica Unidade 4 mercado. Vai haver um comprador destas letras que, no vencimento, resgata-a na financeira. A taxa de juros paga ao investidor deve ser inferior à taxa utilizada no financiamento, sendo que o spread obtido é o lucro da Financeira. � CDB – Certificado de Depósito Bancário: são títulos emitidos por bancos comerciais que têm como lastro os depósitos à vista na instituição emissora. São emitidos com o objetivo de obter recursos para as instituições financeiras. O público alvo é constituído tanto por pessoas físicas quanto jurídicas. As taxas se modificam diariamente e são cotadas ao ano para o prazo de 30 dias. � RDB – Recibo de Depósito Bancário: são depósitos a prazo feitos em Bancos comerciais, de forma pré-fixada ou pós-fixada. � CDI – Certificado de Depósito Interbancário: criado na década de Oitenta para atender ao fluxo de recursos demandados pelas instituições financeiras. A instituição que, no final do dia, tenha necessidade de fechar seu caixa pode emitir um título contra outra instituição que esteja em uma situação credora (sobrando recursos em caixa). As operações são realizadas fora do âmbito do Banco Central. � Hot Money: operação de empréstimo de curtíssimo prazo para financiamento do saldo de caixa negativo das empresas. � IOF: imposto sobre operações financeiras. Imposto cobrado pela Receita Federal sobre as operações de empréstimo efetuadas por empresas e bancos. Os fundos mútuos de investimentos são a principal forma de aplicação financeira no Brasil, com considerável crescimento nos últimos anos. Eles são importantes na análise macroeconômica, porque promovem o incremento e a circulação dos meios de pagamento. Através deste instrumento, canaliza-se a poupança que financia o governo através da aquisição dos títulos públicos. Taxa adicional de risco cobrada no mercado internacional, varia conforme a liquidez e as garantias do tomador do empréstimo e o prazo do resgate. 118 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 – Teorias da inflação Todos já vivenciamos os efeitos da inflação, sabemos que ela se reflete nas empresas, nas pessoas e no governo. Neste sentido, ela é entendida como sendo um fenômeno macroeconômico, dinâmico e de natureza monetária, caracterizada por uma elevação apreciável e persistente do nível geral de preços. Em outras palavras, inflação é o aumento contínuo, persistente e generalizado dos preços, envolvendo o conjunto da economia e do qual resulta perda de poder aquisitivo. Outra forma de conceituar a inflação é defini-la simplesmente como a perda do poder aquisitivo da moeda. Caro(a) aluno(a), você estuda agora algumas teorias que explicam as causas e os efeitos da inflação. Entre estas teorias, destacamos a inflação de demanda, a inflação de custos, além das teorias estruturalistas e inercialista da inflação. A inflação de demanda A teoria da inflação de demanda (também chamada de teoria quantitativa) pode ser considerada a mais antiga das teorias sobre inflação. A inflação de demanda é impulsionada pela elevação das quantidades de bens e serviços que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir em função dos níveis de preços existentes. Se a essa elevação não corresponder uma expansão da oferta global, os preços tendem a ser pressionados para cima, por taxas inflacionárias. Em suma, existe um excesso de moeda em relação aos bens e serviços disponíveis. 119 Análise Macroeconômica Unidade 4 Considere as seguintes relações básicas: quando há elevada taxa de desemprego (condição de baixa demanda agregada), um aumento da demanda agregada provocará um aumento da produção. Porém, com baixo desemprego, qualquer variação na quantidade de demanda agregada, resultará em variação de preços.A inflação também é impulsionada quando a produção real cresce em decorrência de três fatores: � as empresas são forçadas a contratar trabalhadores menos produtivos e há necessidade de preços maiores, para que possa ser coberto o custo da perda da produtividade da mão de obra; � os índices salariais tendem a aumentar à medida que as firmas percebem que, para evitar o custo mais elevado dos trabalhadores não qualificados, precisam manter os trabalhadores qualificados, ou estes últimos devem ser trazidos de outras empresas sob a atração de índices salariais mais altos; � algumas empresas possuem força de mercado, isto é, uma falta de concorrentes mais eficazes, e podem elevar a margem de lucro quando a procura por seus produtos for elevada. Veja as seguintes causas que podem conduzir à expansão continuada da demanda agregada: � mudanças em impostos; � subsídios ou gastos do governo em custeio e investimento; � e mudanças na quantidade ou velocidade de circulação da moeda. Considere os seguintes exemplos que explicitam o modo pelo qual essas causas podem conduzir à expansão continuada da demanda agregada: 120 Universidade do Sul de Santa Catarina � uma redução de impostos, por exemplo, gera um aumento da renda disponível, e, por consequência, aumenta a Demanda Agregada (DA), principalmente se a população tem uma alta propensão marginal a consumir; � um aumento dos gastos públicos, através da utilização de fundos não utilizados anteriormente, aumentará a DA, e este aumento tenderá a ser persistente, sobretudo se, a partir de certo ponto, os gastos do governo passarem a ser financiados por expansão da oferta monetária. Caso o governo, para financiar seu déficit orçamentário, recorra a emissões, as pressões inflacionárias serão estimuladas por novos componentes localizados no setor monetário da economia (o mesmo pode ocorrer devido à entrada de capitais – divisas externas conversíveis). Aumentando a oferta monetária e baixando a taxa de juros, haverá uma expansão da renda, havendo uma pressão inflacionária; � aumento do gasto da poupança da população, implica uma preferência por ativos mais líquidos; � expansão da oferta monetária nominal, ainda que temporária, converte-se em aumento da demanda nominal (as pessoas pagarão mais pela mesma quantidade de produtos existentes na economia), provocando pressões inflacionárias, na hipótese de haver uma curva de oferta inelástica. Frente a estes fatores, perceba que alguns se referem ao setor real da economia, outros a fatores monetários. A inflação pode ter origem em ambos. Sua magnitude dependerá de quanto foi a pressão sobre a demanda agregada e, ainda, das medidas que foram utilizadas para controlá-la. 121 Análise Macroeconômica Unidade 4 A inflação de custos A Inflação de custos ocorre, quando, devido a aumento nos custos de produção, as empresas repassam tais aumentos para seus preços. O tratamento teórico da inflação de custos – embora se reconheça que a persistência e propagação de qualquer inflação dependam, em última instância, da expansão do suprimento monetário – admite que as causas iniciais do processo se encontram no âmbito da oferta agregada, cujos deslocamentos resultam de mudanças nos salários, nos custos de matérias-primas ou da tentativa de aumentar os lucros. A magnitude da inflação de custos e a dinâmica de propagação dependem da estrutura de mercado da indústria. Se as indústrias responsáveis por maior volume de emprego estiverem em situação monopolista ou oligopolista, o efeito inflacionário dos acréscimos salariais que excedam os ganhos de produtividade será mais rápido, comparativamente com situações em que as indústrias que absorvem a maior parcela da força ativa de trabalho estiverem inseridas em mercados mais competitivos. Além de ser explicada pela variação de taxas salariais, a inflação de custos pode ainda resultar de acréscimos nos preços de matérias-primas de alta participação na estrutura de custos das principais indústrias da economia. Quando há aumento no valor do dólar norte- americano, muitos setores da economia são afetados negativamente, pois têm custos expressos nesta moeda, e há uma tendência, nem sempre confirmada, de repassar este aumento para os preços dos bens/ serviços finais. Monopólio: forma de organização de mercado nas economias capitalistas, em que apenas uma empresa domina a oferta de determinado produto ou serviço, para o qual não há substituto satisfatório. Oligopólio: Tipo de estrutura de mercado nas economias capitalistas, dominado por um pequeno grupo de empresas, oferecendo bens diferenciados, porém substitutos entre si. 122 Universidade do Sul de Santa Catarina As teorias estruturalistas Estas teorias afirmam que as pressões inflacionárias têm origem em causas estruturais, relacionadas com o subdesenvolvimento econômico. É uma teoria essencialmente latino-americana, desenvolvida no âmbito da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina). Não nega as outras teorias, mas dá ênfase ao subdesenvolvimento como uma das causas da inflação. Essencialmente, a concentração de renda estimula a formação de um mercado reduzido e que tem condições de repassar aumentos de preços. A teoria inercialista Esta teoria (também chamada de teoria keynesiana) explica a inflação a partir de forças de realimentação, como a indexação da economia. Ou seja, parte-se do princípio de que a inflação presente existe em função da inflação passada. Neste caso, a inflação decorre de tentativas de se consumirem mais bens e serviços finais do que aqueles de que o sistema econômico pode dispor. A teoria inercialista origina-se da ideia de que há certa tendência dos preços em permanecerem elevados. Neste caso, o grande vilão é a indexação, ou seja, o reajuste das parcelas de contratos pela inflação do período passado. Seção 6 – A inflação no Brasil Muitas vezes, indo ao supermercado ou ao shopping, nos assustamos ao notar que certos produtos tiveram um expressivo aumento de preço. O mesmo acontece, quando chegam as contas dos serviços públicos, como água, luz e telefone. Mesmo assim, a situação atual é bem mais confortável do que aquela de alguns anos atrás. Através da tabela a seguir, pode-se verificar a evolução da inflação no Brasil, medida pelo Índice de 123 Análise Macroeconômica Unidade 4 Geral de Preços – Disponibilidade Interna IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas, de 2000 até 2010. Tabela 4. 2 – Inflação no Brasil – Índice Geral de Preços (acumulado) Anos Porcentagem (%) 2000 9,95 2001 10,37 2002 25,30 2003 8,69 2004 12,42 2005 1,20 2006 3,84 2007 7,74 2008 9,80 2009 -1,71 2010 11,20 Fonte: Disponível em:<http://www.portalbrasil.net/index.php/layout/indices-financeiros>. Acesso em: 22 fev. 2011. No Brasil, há várias formas de se mediar a inflação. A inflação é medida por institutos de pesquisa que analisam o quanto as famílias, nos diversos extratos sociais, gastam com aluguel, vestuário, alimentos, saúde, transporte, educação, lazer, comunicações e outras despesas. Alguns dos principais índices do país são: IGP (Índice Geral de Preços) – calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – www.ibge. gov.br) desde 1947, compara variações mensais de preços em 18 capitais. Há três grupos de preços: produtos no atacado, preços ao consumidor e preços da construção civil; IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) – também calculado pelo IBGE, serve para corrigir os contratos bancários. É aplicável no dia 30 de cada mês, pois é calculado medindo-se as variações de preços entre o dia 20 de um mês e o dia 20 do mês subsequente; http://www.portalbrasil.net/index.php/layout/indices-financeiros 124 Universidade do Sul de Santa Catarina IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) – também calculado pelo IBGE, baseia-se em consumidores com até quarenta (40) salários mínimos de renda mensal.Conheça alguns dos diversos institutos que calculam taxas de inflação: FIPE – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da Universidade de São Paulo (www.fi pe.org.br); DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (www.dieese.org.br); FGV – Fundação Getúlio Vargas (www.fgv.br). Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas de inflação. Neste regime, o Banco Central – que é o executor da Política Monetária – define uma taxa de inflação ideal para o período dos próximos doze meses e, com base nesta meta, conduz a política monetária. Ou seja: se o Bacen nota, no decorrer do ano, que a inflação está crescendo rapidamente e se aproximando muito rápido da meta, então ele aumenta as taxas de juros (política monetária restritiva). O aumento das taxas de juros é o principal remédio no combate à inflação. Por outro lado, se o Bacen percebe que a inflação está crescendo lentamente, e há espaço para aumento da demanda, então ele reduz as taxas de juros (política monetária expansiva). A inflação é definida como uma situação em que há um aumento contínuo e generalizado de preços. Essas características de generalidade e continuidade fazem com que a inflação seja um processo, e não uma ocorrência passageira. Isto pode levar algumas pessoas a pensarem que a inflação não é um problema muito grave, ou é um problema dos governantes, uma vez que a economia acaba por se ajustar a esse processo. 125 Análise Macroeconômica Unidade 4 Entretanto devemos analisar e pensar que a inflação não é algo simples, pois uma economia com alta inflacionária provoca uma série de problemas graves para um sistema econômico, com consequências e efeitos muito mais graves sobre a distribuição de renda e o bem-estar social da população (com a perda do poder aquisitivo, efeitos sobre as expectativas de investimento dos empresários e sobre o balanço de pagamentos). Durante o processo inflacionário, os preços dos bens e serviços produzidos no país estão em constante elevação e, inversamente, os preços dos produtos estrangeiros (em uma economia sem inflação) tendem a ficar mais baratos a curto prazo. Desta forma, pode ocorrer aumento das importações, provocando déficit na balança comercial. Em razão deste fato, os países que enfrentam processos inflacionários tributam de forma pesada as importações, como uma forma de evitar este desequilíbrio que provoca graves consequências para a economia do país. As equipes econômicas trabalham com a necessidade do equilíbrio macroeconômico através da estabilização da economia, com planos de ação de combate e controle da inflação. Foram muitas as tentativas de estabilização de nossa economia ao longo de muitos anos, foram vários planos econômicos, principalmente na década de 80, porém seus objetivos não foram alcançados, visto possuírem combinações de instrumentos de política econômica e diagnósticos errôneos, o que permitia que a inflação retornasse e, com mais força do que a inflação observada no período anterior ao plano. Somente a partir do ano de 1994, com a implantação do Plano Real e adoção de política econômica rígida e de forma abrangente, foi possível ao país controlar a inflação, obtendo índices mais baixos, o que levou a um crescimento consistente e expressivo da nossa economia. 126 Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade, você conheceu o conceito de moeda e pôde perceber como ela é importante para o bom funcionamento do sistema econômico. Também foi possível compreender que o controle da quantidade de moeda na economia é uma ferramenta importantíssima de política econômica, que é a política monetária. Além disto, você aprendeu o conceito de inflação e suas principais causas. As causas para a inflação da economia brasileira são diversas e dependem do momento histórico e, como visto, esse fenômeno pode ser interpretado através da teoria inercial, de custos, de demanda ou estruturalista. A pior consequência da inflação é a perda de poder aquisitivo do dinheiro. Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades programadas para a sua autoavaliação. Nesta unidade, você aprendeu as principais funções da moeda, a importância da determinação da taxa de juros e a influência da inflação no nosso dia a dia. Partindo disto, responda: 1. Por que a moeda é importante na economia moderna? 127 Análise Macroeconômica Unidade 4 2. Como se determina a taxa de juros de equilíbrio? 3. Qual é o principal objetivo da política monetária? 4. Como a inflação afeta o cotidiano das pessoas? 5. Por que ocorre inflação de demanda? 128 Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Aprenda mais sobre moeda e política monetária, ao consultar as seguintes referências: MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Campus, 2008. MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora Oeste, 2001. TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São Paulo: Makron Books, 2009. WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006. Também consulte o site do Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br>. Acesso em 28 fev. 2011. http://www.bcb.gov.br 5UNIDADE 5Economia Internacional Objetivos de aprendizagem � Conhecer as principais teorias de comércio internacional. � Identificar a metodologia de registro das transações com o exterior. � Conhecer os principais conceitos de balanço de pagamentos. � Conhecer os componentes do balanço de pagamentos. Seções de estudo Seção 1 Mercantilismo Seção 2 Teoria das vantagens Seção 3 Balanço de pagamentos 130 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Você provavelmente já se perguntou o porquê de as nações comercializarem. Os professores Maria Carvalho e César Silva (2007, p.3) respondem a esta questão afirmando que “o bom senso nos leva a crer que as nações comerciam porque podem obter vantagens.” Estas vantagens são mostradas na Teoria Clássica do Comércio Internacional, que é o principal tema desta unidade. Bom estudo! Seção 1 – Mercantilismo Você sabe o que foi o mercantilismo? O período mercantilista compreendeu os séculos XV a meados do século XVIII. A doutrina mercantilista resultou da expansão do comércio iniciada no final da Idade Média e teve seu apogeu após o descobrimento da América e do caminho marítimo para as Índias. O mercantilismo como sistema econômico é uma reação à ordem medieval, opondo-se simultaneamente ao poder local do nobre rural e ao poder universal da Igreja Católica. As ideias mercantilistas expressavam os interesses do Estado e da burguesia. A política comercial mercantilista reforçava o poder do monarca absoluto, defendendo a unificação econômica e o poder nacional, para permitir a sobrevivência do Estado- Nação contra ameaças externas. A contrapartida política do mercantilismo era o absolutismo e o nacionalismo. 131 Análise Macroeconômica Unidade 5 Esta conjunção de fatores fazia com que a coroa tivesse que gerar receitas para manter-se no poder. A origem dessas receitas era o comércio interno e externo. Os mercantilistas defendiam a unificação econômica doméstica e a liberdade de comércio no interior do território nacional. Por um lado, houve restrições às aduanas e aos pedágios impostos por nobres feudais, e, por outro lado, os mercantilistas também defendiam a unificação do regime monetário, a racionalização do sistema de pesos e medidas, promovendo, assim, a liberdade comercial. Saiba mais sobre o pensamento mercantilista! As palavras de Thomas Mun, um comerciante inglês, em 1644, mostram o pensamento mercantilista da época em relação ao comércio exterior: A forma mais comum [...] de aumentar nossa riqueza e nosso tesouro é através do Comércio exterior, por isso devemos observar sempre esta regra: todo ano, vender mais aos estrangeiros do que consumimosdeles. Suponhamos que este Reino tenha abundância de tecidos, chumbo, estanho, ferro, peixe e outros bens nativos e nós exportemos anualmente o excesso para outros países por 2,2 milhões de libras. Assim, há condições de comprar bens estrangeiros para nosso consumo no valor de dois milhões de libras. Sendo essa ordem devidamente mantida em nosso comércio, permanece a certeza de que o Reino enriquecerá seus cofres a cada ano com duzentas mil libras, quantia que será colocada no Tesouro, pois a parte que não nos for devolvida em bens terá de ser trazida para casa na forma de tesouro. No mercantilismo, as exportações consistiam em uma maneira de incrementar o volume de metais preciosos do país, pois os pagamentos internacionais eram feitos em ouro e prata. Tinha-se, portanto, a visão de que o país devia ser superavitário comercialmente (exportações maiores que as importações) para tornar-se mais rico. Estado tinha como função estimular as exportações e desestimular as importações. 132 Universidade do Sul de Santa Catarina A Espanha extraía metais preciosos (ouro e prata) dos incas. A Inglaterra, França e outros países extraíam ouro e prata da Espanha através do comércio exterior. Para os mercantilistas, o aumento da produção e do comércio doméstico depende, além do estoque dos meios de pagamento, da unificação econômica e da liberdade de comércio no interior das fronteiras nacionais. E o crescimento do estoque de meios de pagamento de um país depende da produção de minas nacionais ou do superávit na balança comercial. Portanto, para um país sem minas, uma política comercial baseada no protecionismo e na promoção da exportação é a única estratégia compatível com o aumento do poder nacional. (GONÇALVES, 1998). Você sabe por que a concepção de comércio exterior dos mercantilistas estava errada? Porque se todos os países fechassem suas economias, não haveria comércio. As exportações tenderiam a zero. Como consequência, o país teria de produzir internamente tudo que precisasse. Outra forma de ver a questão é a seguinte: um país que exporta mais do que importa tende a aumentar a oferta monetária. Como consequência, há aumento de preços. O aumento dos preços internos faz com que o país perca competitividade no mercado internacional, levando a que as exportações diminuam e que as importações aumentem. Baseados nesses argumentos, os economistas clássicos se opuseram aos mercantilistas, enfatizando que o governo não deveria intervir no comércio internacional. 133 Análise Macroeconômica Unidade 5 Seção 2 – Teoria das vantagens Você conhece a teoria das vantagens? Nesta seção, vamos apresentar duas teorias: a das vantagens absolutas e a das vantagens comparativas. Teoria das vantagens absolutas A vantagem absoluta é a condição em que determinado produto ou serviço pode ser oferecido com preço de custo inferior ao dos concorrentes. Esta situação, em geral, é criada pela especialização, porém, para os produtos agrícolas, por exemplo, a condição climática favorável é fundamental. O uso deste tipo de vantagem pode sofrer restrições no comércio internacional. A visão clássica econômica não convergia com os interesses da coroa, mas sim com os interesses dos súditos da coroa. Os economistas que defendiam a teoria das vantagens absolutas, os economistas clássicos, argumentavam que a exportação era um meio para a aquisição de produtos importados, não ouro e prata. Você sabia? Escola Clássica Linha de pensamento econômico que tem seu início marcado pela publicação do livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, em 1776, e o seu final pelo texto Princípios de Economia Política, de John Stuart Mill, de 1848. Outro texto central para este pensamento é a obra de David Ricardo, Princípios de Economia Política e Tributação, de 1817. Com os representantes da Escola Clássica, a economia adquiriu caráter científico integral quando passou a centralizar a abordagem teórica na questão do valor, cuja única fonte original era identificada pelo trabalho em geral. Esta abordagem fazia uso do método dedutivo, do materialismo e da preocupação em simplificar e generalizar as proposições econômicas. Baseava-se nos preceitos filosóficos do liberalismo e do individualismo, firmando os princípios da livre concorrência. É caracterizada por enfatizar a produção, relegando o consumo e a procura ao segundo plano. 134 Universidade do Sul de Santa Catarina De acordo com Smith, quando um produto de qualquer ramo da indústria excede a demanda interna de um país, o excedente deve ser mandado para o exterior e trocado por alguma coisa que tenha demanda interna. Para ele, sem tal exportação, uma parte do trabalho produtivo de um país deve cessar, e o valor de sua produção anual diminuir. O autor também argumenta que o excedente do produto importado, pago com excedente doméstico, pode ser trocado mais uma vez por um produto demandado domesticamente. Outra contribuição de Smith foi entender que os metais preciosos são um produto como qualquer outro. Portanto um país grande produtor de metais preciosos seria naturalmente exportador deste produto, porque o preço dos outros produtos cotados em ouro e prata, no país com minas, seria mais alto do que no país sem minas. (GONÇALVES, 1998). Mais tarde, a teoria da vantagem absoluta foi aperfeiçoada por David Ricardo, um dos seguidores de Adam Smith, que criou a teoria das vantagens comparativas. Saiba mais sobre a visão clássica referente à economia internacional! De acordo com Adam Smith (1776, 377), dar o monopólio do mercado interno ao produto da indústria nacional, em qualquer arte ou manufatura em particular, de certa formam é o mesmo que definir o que cada pessoa deve fazer com o seu capital, sendo, em quase todos os casos, uma regra inútil ou prejudicial [...] O princípio de qualquer chefe de família prudente é nunca tentar fazer em casa algo que lhe custe mais para produzir do que para comprar. O alfaiate não procura fazer os próprios sapatos, ele os compra do sapateiro. O sapateiro não tenta fazer as suas próprias roupas, ele contrata um alfaiate [...] Aquilo que é prudente na condução de qualquer família dificilmente poderia ser insensato na condução de um grande reino. Se outro país puder nos fornecer um bem por preço menor do que o necessário para que nós mesmos o produzamos, é mais sensato comprar dele com parte da produção da nossa própria indústria, empregada de modo a nos trazer certa vantagem[...] SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre a sua natureza e suas causas. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Coleção os Economistas). 135 Análise Macroeconômica Unidade 5 Teoria das vantagens comparativas A teoria de David Ricardo, conhecida como Teoria das Vantagens Comparativas, tem como argumento principal que o comércio entre dois países cujas estruturas de produção são diferentes é sempre vantajoso em relação ao não comércio. A principal consequência prática desta concepção teórica é que cada país deve dedicar-se, ou especializar-se naquelas áreas onde os custos comparativos sejam menores. Relacionando-se a produção de (dois) bens A e B, de dois países distintos X e Y, os custos do produto A são expressos em relação aos custos de produção do produto B. Possui vantagem comparativa o país em que for menor a relação dos custos de produção dos produtos A e B. Apresentando e utilizando como exemplo o vinho e o tecido, produzidos por Portugal e Inglaterra, Ricardo afirmava que se Portugal tivesse que dividir seu capital na produção de vinhos e tecidos, certamente perderia em relação à possibilidade de realizar o comércio com a Inglaterra. O comércio com a Inglaterra lhe proporcionaria mais tecidos e de melhor qualidade. Para melhor descrever o raciocínio de Ricardo (1985, p. 56), vejamos um exemplo: Para Inglaterra são necessários 100 homens, por um ano, para produzir uma determinada quantidade de tecido;e são necessários 120 homens, por um ano, para produzir uma determinada quantidade de vinho. Para Portugal são necessários 90 homens, por um ano, para produzir a mesma quantidade de tecido; e são necessários 80 homens, por um ano, para produzir a mesma quantidade de vinho – que a Inglaterra. 136 Universidade do Sul de Santa Catarina Embora Portugal tenha uma vantagem absoluta na produção de vinhos e tecidos, pela teoria das vantagens comparativas, Ricardo afirmava que seria vantajoso Portugal realizar comércio com a Inglaterra. Neste caso, a Inglaterra se dedicaria à produção de tecidos, enquanto Portugal se dedicaria à produção de vinhos. Com o comércio entre os dois países, a Inglaterra compraria os vinhos (que custaram o trabalho de oitenta homens) e venderia os tecidos (que custaram o trabalho de cem homens), mas ela poderia obtê-los a um preço mais baixo do que ela pagaria internamente (120 homens). Por outro lado, Portugal pagaria pelos tecidos (que lhe custariam 90 homens) o equivalente em vinho, que lhe custa 80 homens. Desta forma, os dois países têm vantagens comparativas com o comércio internacional. Assim, segundo a Teoria das Vantagens Comparativas de David Ricardo, seria mais vantajoso para Portugal concentrar toda a mão de obra na produção de vinho, onde ele é mais eficiente, vendendo esse produto para a Inglaterra. Em contrapartida, seria mais vantajoso para Inglaterra só produzir tecido, onde ela é mais eficiente, vendendo-o para Portugal. Ou seja, os dois países seriam beneficiados pelo comércio, já que cada um produziria aquilo que lhe é mais vantajoso. Portanto, as teorias de comércio internacional mostram que o protecionismo, o isolamento, é prejudicial aos países. Quanto maior a abertura do comércio, mais progresso econômico o mundo alcançará. Mas Adam Smith já alertava sobre a dinâmica de um processo de abertura econômica. Segundo ele, a abertura deve ser lenta, para 137 Análise Macroeconômica Unidade 5 que haja tempo para a economia adaptar-se às novas condições e então redistribuir os recursos de um setor para o outro. Essa é a grande dificuldade com que a Organização Mundial do Comércio se depara neste século XXI. Todas as transações que um país realiza com o exterior, incluindo o comércio internacional, devem ser registradas na contabilidade do país (tema que será abordado na seção seguinte). Comércio exterior Comércio internacional e câmbio Quando se pensa em termos de comércio internacional e as transações efetuadas aí, duas questões são de fundamental importância para o entendimento desta relação e a superação das dificuldades que podem surgir: � a primeira refere-se ao motivo pelo qual os países comercializam entre si, apesar de toda uma série de dificuldades, tais como, moedas diferentes e a distância que os separa; � a segunda refere-se à forma como são escolhidos os bens e serviços que farão parte deste fluxo de mercadorias. É necessário identificar, por exemplo, por que um país exporta produtos agrícolas e manufaturados e importa máquinas e equipamentos pesados. As respostas para estas questões estão na Teoria das Vantagens Comparativas, elaborada por Adam Smith e aperfeiçoada por David Ricardo. Economistas clássicos que viveram nos séculos XVIII e XIX, respectivamente. Como vimos anteriormente, esta teoria parte do princípio de que os países que comercializam entre si aumentam o nível de seu bem-estar social, colocando uma quantidade maior de produtos à disposição de sua população. 138 Universidade do Sul de Santa Catarina Para que dois países diferentes, que possuem moedas diferentes, possam comercializar entre si, é necessário identificar a proporção de valor entre suas moedas, a fim de que seja possível a realização da troca de bens e de serviços. Buscando resolver esta situação, a Economia Internacional criou a taxa de câmbio, que é a medida pela qual a moeda de um país pode ser convertida na moeda de outro país. A taxa de câmbio é o preço das divisas, das moedas estrangeiras. Esta taxa é determinada pela oferta e pela procura de divisas, o que cria o mercado de divisas, ou seja, onde ocorre o encontro da oferta e da demanda por divisas, que determina a taxa de câmbio. Para o entendimento do regime cambial adotado por um determinado país, é necessário o entendimento da razão por que o dólar norte-americano é a moeda internacional das trocas. Em julho de 1944, reuniram-se em Bretton Woods (New Hampshire, Estados Unidos), representantes de 44 países, na conferência que ficou conhecida como Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas. Esta conferência teve como objetivo o planejamento e a estabilização da economia internacional e das moedas nacionais prejudicadas pela II Guerra Mundial. A comissão brasileira era formada por Euvaldo Lodi, João Daudt de Oliveira e outros técnicos do governo do nosso país. Os acordos assinados nesta conferência, tiveram validade para o conjunto das nações capitalistas lideradas pelos Estados Unidos, resultando na criação do Fundo Monetário Internacional e a definição do dólar norte-americano como a moeda internacional das trocas, pois, naquele momento histórico, os Estados Unidos, além vencedores do conflito, eram uma economia em franca aceleração de crescimento. Após o abandono do Padrão Ouro em 1971, os regimes cambiais praticados pelos diversos países são diversos. Analise-os na sequência. O Brasil participou da conferência de Bretton Woods, tornando-se membro fundador do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). 139 Análise Macroeconômica Unidade 5 � Câmbio Administrativo com regime de bandas. O Bacen administra a cotação da moeda nacional em relação a uma moeda forte dentro de uma faixa de flutuação denominada banda cambial, a qual pode ser mais ou menos estreita. Esse regime requer alto volume de reservas e está sujeito a movimentos especulativos, quando existe ameaça de que a cotação da moeda nacional possa ultrapassar o teto da banda. � Livre Flutuação – Regime adotado no Brasil – A taxa de câmbio é definida inteiramente pelo mercado. Esse regime requer a robustez do setor externo (inexistência de grandes déficits) e solidez na área fiscal, tributária e monetária. Qualquer debilidade destes fundamentos pode levar a bruscas elevações da taxa de câmbio. � Flutuação Suja. O câmbio é formalmente livre, porém, diante de alterações inesperadas, o Bacen pode intervir sem aviso prévio. Este regime tem os mesmos problemas da Livre Flutuação e requer grande capacidade dos operadores do Bacen. � Comitê da Moeda. O câmbio é atrelado a uma moeda forte, como o dólar norte-americano, por exemplo, sendo a conversibilidade plena e a emissão de moeda nacional condicionada ao aumento das reservas. Esse regime elimina grande parte da especulação cambial, provoca um rebaixamento da taxa de juros, mas torna a política monetária e fiscal excessivamente rígida e provoca perda de soberania do país que a pratica. O regime cambial adotado no Brasil é o câmbio flutuante. Ou seja, quanto maior a quantidade de dólar em circulação no país (seja por investidores, turistas, etc.) menor a cotação do dólar. Se os investidores retirarem os seus dólares do mercado do país, a cotação do dólar vai subir. O Bacen compra o dólar, a fim de evitar um excesso da moeda circulando na economia, pois esta situação pode desvalorizar o dólar e provocar uma valorização do real, gerando, assim, a queda na taxa de juros, aumento das importações e diminuição das exportações, o que, por sua vez, poderá ocasionar déficit na balança de pagamentos. 140 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 3 - Balanço de pagamentos O Balanço de pagamentos de um país representa o resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo, durante um determinado período de tempo. Com base nesse balanço,é possível avaliar a situação econômica internacional do país. (LOPES; VASCONCELLOS, 1998). Outro modo de pensar o balanço de pagamentos é considerá- lo como o registro sistemático das transações entre residentes e não residentes de um país durante um período de tempo. (SIMONSEN; CYSNE, 1995). Entendem-se residentes como os indivíduos que vivem permanentemente no país (incluindo os estrangeiros com residência fixa), os funcionários fora do país em viagens de turismo, negócios, educação, etc. Consideram- se também residentes as pessoas jurídicas de direito privado ou público sediadas no país, inclusive as filiais de empresas estrangeiras. No Brasil, o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central e, para o registro contábil, utiliza-se a regra de partidas dobradas: o débito em determinada conta corresponde a um crédito em outra. No caso brasileiro, toda transação que cria um direito constitui um crédito. As exportações, por exemplo, são lançadas como crédito. Por outro lado, as importações são lançadas a débito, assim como juros pagos ao exterior. Os créditos entram com sinal positivo e os débitos entram com sinal negativo. De modo geral, considera-se que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito, conforme os exemplos indicados no quadro a seguir: 141 Análise Macroeconômica Unidade 5 Quadro 1 - Exemplos de Lançamentos no Balanço de Pagamentos Crédito Débito Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços Recebimento de doações e indenizações de terceiros Pagamento de doações e indenizações a Estrangeiros Recebimento de empréstimos de estrangeiros Pagamentos de capital emprestado por estrangeiros Recebimento de reembolso de capital do estrangeiro Reembolsos de capital a estrangeiros Vendas de ativos para estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Recebimento de Fretes Pagamentos de Fretes Fonte: LOPES e VASCONCELLOS, 1998, p.29. Considere alguns exemplos, apresentados por Simonsen e Cysne (1995, p. 19), de lançamento, cujas operações são liquidadas em moeda ou títulos de curto prazo. � um país exporta uma mercadoria, recebendo pagamento à vista em moeda estrangeira – credita-se à conta “Exportações” e debita-se na conta “Haveres de Curto Prazo no Exterior”; � um país importa mercadorias, pagando-se à vista em moeda nacional – debita-se em “Importações” e credita-se em “Capitais de curto prazo”; � um país paga em ouro monetário a amortização de um empréstimo externo – débito de “Amortizações” e crédito em “Ouro Monetário”. Se a transação não envolve pagamento em moeda, ela é concebida como resultado de duas operações, a primeira envolvendo uma entrada e a segunda uma saída, conforme os exemplos: 142 Universidade do Sul de Santa Catarina � um país recebe um donativo do exterior em mercadorias – débito em “Importações” e crédito em “Transferências Unilaterais”; � um país permuta mercadorias com o exterior – crédito em “Exportações” e débito em “Importações”; � um equipamento estrangeiro é adquirido pelo país com financiamento externo – crédito em “Financiamento”, débito em “Importações”. A Estrutura do Balanço de Pagamentos As transações na balança de pagamentos dividem-se em transações autônomas (ou espontâneas) e transações compensatórias (ou induzidas). As transações autônomas são realizadas normalmente e acontecem por si mesmas. Essas transações são motivadas pelos interesses dos agentes (empresas, consumidores, governo) e referem-se às transações da Balança de Transações Correntes e da Balança de Capitais, como mostrado o quadro 5.1. As transações compensatórias têm como objetivo financiar o saldo final das transações autônomas. Acabado um determinado período, não pode existir igualdade entre crédito e débito quanto às transações autônomas. Com base nesse superávit (ou déficit), o governo é induzido a realizar uma série de transações (compensatórias) com o intuito de equilibrar (ou zerar) as contas do Balanço de Pagamentos. A estrutura do Balanço de Pagamentos é apresentada a seguir: 143 Análise Macroeconômica Unidade 5 A. BALANÇA COMERCIAL (mercadorias) - Importações FOB (débito) - Exportações FOB (crédito) B. BALANÇO DE SERVIÇOS (saldos de contas: podem apresentar tanto débitos como créditos. - Viagens Internacionais (turismo, negócios) - Transportes (fretes) - Seguros - Rendas de capitais (juros, dividendos e lucros, inclusive lucros reinvestidos) - Serviços Diversos (royalties, assistência técnica, aluguéis de equipamentos, etc.) - Serviços Governamentais (embaixadas, consulados, representações no exterior) C. TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (podem ser doações de mercadorias, como trigo, armas ou doações monetárias – também conhecidas como Donativos). D. BALANÇO DE TRANSAÇÕES CORRENTES (ou SALDO EM CONTA CORRENTE DO BALANÇO DE PAGAMENTOS) (Resultado líquido de A + B + C) E. MOVIMENTO DE CAPITAIS AUTONÔMOS (ou BALANÇO DE CAPITAIS AUTONÔMOS) (Capitais Financeiros) - Investimentos diretos líquidos (instalação de empresas estrangeiras no país) - Reinvestimentos (reinvestimentos de empresas estrangeiras já instaladas no país) - Empréstimos e Financiamentos (financiamentos de bancos estrangeiros de curto e longo prazos) - Amortizações (amortizações de empréstimos e financiamentos) - Outros Capitais (capitais especulativos, de curto prazo, aplicados no mercado financeiro) F. ERROS E OMISSÕES G. SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (resultado líquido de D + E + F) H. FINANCIAMENTO DO RESULTADO (Ou FINANCIAMENTO OFICIAL COMPENSATÓRIO, ou ainda MOVIMENTO DE CAPITAIS OFICIAIS) - Haveres e obrigações no exterior (ou variação de reservas) - Operações de regularização - Atrasados comerciais Quadro 5.2 – Estrutura do Balanço de Pagamentos Fonte: VASCONCELOS, 2010, p. 370. 144 Universidade do Sul de Santa Catarina Acompanhe, a seguir, a descrição de cada item da estrutura do balanço de pagamentos. A. Balança Comercial A balança comercial inclui basicamente as importações e exportações. Sendo que: Exportações Importações = Superávit Balança Comercial Quando, em um determinado período de tempo, um sistema econômico exporta um determinado valor de mercadorias maior do que o volume de suas importações, ocorre um superávit na balança comercial. Isto proporciona o pagamento de compromissos anteriormente assumidos, investimentos do país no exterior e aumento de suas reservas. Importações Exportações = Déficit Balança Comercial Quando, em um determinado período de tempo, um sistema econômico importa um determinado valor de mercadorias (para satisfazer suas necessidades internas) maior do que o volume em valor de suas exportações, ocorre um déficit na balança comercial. Isto implica contrair empréstimos no exterior; contrair investimentos externos no país ou diminuir as reservas do país (esta decisão estará a cargo da equipe econômica do governo, com respaldo da presidência da república e seus poderes). As Exportações e Importações podem ser contabilizadas como: FOB – Free on Board (de graça até a mercadoria estar a bordo do navio) No conceito FOB, as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. CIF – Cost, Insurance and Freight (Custo, seguros e frete) As exportações CIF são as que incluem, além do custo, o valor do frete e do seguro do transporte da mercadoria até o destino. 145 Análise Macroeconômica Unidade 5 Para efeito do Balanço de Pagamentos, utilizam-se as exportações e as importações FOB, já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. B. Balança de Serviços A balança de serviços mostra as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis ou intangíveis, e os rendimentos de investimentos. Contabilizam-se como serviços as seguintes operações: � transportes e seguros – corresponde ao saldo das receitas e das despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros efetuados;� viagens internacionais – representa o saldo das receitas e das despesas com turistas; � rendas de capital – refere-se a rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. Nesta conta, estão incluídos os juros pagos ou recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos ou concedidos por não residentes em momento anterior. Também são incluídos nesta conta os lucros enviados por empresas nacionais no exterior – crédito – e os lucros remetidos pelas empresas estrangeiras no país – débito. Inclui os lucros reinvestidos por empresas estrangeiras no país – crédito; � diversos – incluem-se aqui todos os gastos com representações diplomáticas no exterior e transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país. Incluem-se também: recebimentos e pagamentos referentes a royalties, patentes, assistência técnica, comissões, aluguel de equipamentos, filmes, etc. C. Transferências Unilaterais As transferências unilaterais se referem aos pagamentos sem contrapartida de um país para outro. São consideradas transferências unilaterais: as remessas feitas por empregados migrantes para suas famílias no país de origem, as doações feitas por um governo para outro, as reparações de guerra, etc. 146 Universidade do Sul de Santa Catarina D. Balanço de Transações Correntes O seguinte esquema descreve as relações da Balança de Transações Correntes: Balança de Transações Correntes (BTC) Resume a diferença entre o total das Exportações e Importações, tanto de mercadorias como de serviços, sendo também incluído o saldo de transferências unilaterais (donativos), executadas durante o período. BTC superavitário signi�ca que o país está recebendo recursos que podem ser utilizados: (a) no pagamento de compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo); (b) para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior); (c) para aumentar as reservas do país. BTC de�citário implica a necessidade de: (a) contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país); (b) contrair investimentos estrangeiros no país; (c) diminuir as reservas do país. Poupança Externa Negativa Representa a transferência de bens e serviços para o resto do mundo. Poupança Externa Positiva Em termos reais (não �nanceiros) signi�ca a absorção de recursos reais do resto do mundo, que permitem o �nanciamento do consumo e dos investimentos do país. E. Movimento de capitais autônomos - Balança de Capitais Considere aqui as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não residentes. As contas de capitais são as seguintes: � investimentos diretos – referentes ao capital de não residentes no país aplicados no país, sejam esses investimentos diretos ou em carteira, assim como os investimentos feitos por residentes do país aplicados no exterior; � reinvestimentos – refere-se aos investimentos de empresas estrangeiras localizadas no país; 147 Análise Macroeconômica Unidade 5 � empréstimos e financiamentos a longo e médio prazo – refere-se a empréstimos e financiamentos de longo e médio prazo; � empréstimos de curto prazo – inclui os empréstimos recebidos do exterior e concedidos a outros países, tanto para governos, como para empresas e indivíduos, além dos financiamentos obtidos na importação e concedidos na exportação. Os empréstimos de médio prazo referem-se aos de um a cinco anos. Os de longo prazo referem-se aos superiores a cinco anos. Os empréstimos de curto prazo são inferiores a um ano; � amortizações – registra os pagamentos do principal referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior, e os pagamentos do principal feitos por não residentes referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior; � capitais a curto prazo – constituem-se de capitais especulativos, como aplicações no mercado financeiro e de alta volatibilidade. F. Erros e Omissões Várias contas são registradas com valores estimados, o que impede a equivalência entre os créditos e débitos. Como uma forma de cobrir os erros estatísticos cometidos, bem como as transações não registradas, surge esta conta de resíduo chamada de “Erros e Omissões”. Erros e Omissões é o item do balanço de pagamentos onde são computados os erros e omissões cometidos durante o ano de registro das operações das várias contas desse balanço. Em 1997 o governo brasileiro anunciou um déficit na balança comercial de 8,536 bilhões de dólares. No início de 1998, constatou um erro e uma omissão que reduziram o déficit para 8,372 bilhões. O erro foi cometido no registro de uma operação de 91 mil dólares, que foi computada como 90 bilhões de dólares. E a omissão foi devida ao cancelamento de Declarações de Importação, no valor de 73 milhões de dólares, não utilizadas pelas empresas na segunda quinzena de dezembro de 1997. 148 Universidade do Sul de Santa Catarina Somados todos os saldos das contas mencionadas (Transações correntes, Transações de capital e erros e omissões), tem-se o resultado do balanço de pagamentos, que pode ser superavitário ou deficitário. G. Saldo do balanço de pagamentos: é o resultado líquido de D + E + F. H. Financiamento do resultado ou Transações Compensatórias ou Financiamento Oficial: As transações compensatórias são de sinal contrário ao resultado do balanço de pagamentos. Se o balanço for positivo (indicando entrada de recursos), a conta de transações compensatórias será deficitária. Quando o balanço de pagamentos for deficitário, a conta de transações compensatórias será credora. As transações compensatórias são as que seguem. � Variação de reservas (conta caixa) – as reservas internacionais registram a variação nos haveres em moeda estrangeira (ou haveres de curto prazo no exterior) e ouro, possuídos como reservas pelo país, mais a variação nos Direitos Especiais de Saque (DES) e na posição de reservas no FMI. Quando há déficit no balanço de pagamentos, ele poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. Ou seja, ocorrerá uma variação negativa no volume de reservas do país, indicado por uma conta credora no item variação de recursos. Se o balanço for superavitário, haverá, então, uma entrada de divisas ou ouro, ou seja, uma variação positiva de reservas, indicada por um débito no item variação de reservas. Uma observação importante a ser feita aqui se refere às desvalorizações e às valorizações e à monetização e à desmonetização. Vejamos cada um destes conceitos. � Desvalorização: Redução oficial do valor real da moeda de um país em relação a moedas estrangeiras, com o objetivo de eliminar o déficit acumulado no balanço de pagamentos por meios de mecanismos de O DES é um tipo de reserva ou moeda internacional criada em 1967, na Conferência do Fundo Monetário Internacional realizada no Rio de Janeiro, para substituir o ouro como o principal meio de liquidação de transações financeiras internacionais, e, por essa razão, também denominada de ouro- papel. Cada país pode saldar os déficits de seu balanço de pagamentos com DES, ouro ou com moedas fortes. Os DES foram criados para aliviar as tensões criadas pela escassez de ouro e de outros tipos de reservas em face de um comércio internacional em expansão. 149 Análise Macroeconômica Unidade 5 depreciação cambial. Torna mais caras as importações e tende a produzir fortes pressões inflacionárias. � Valorização: Elevação do preço de uma mercadoria acima daquele que seria determinado pela livre interação da oferta e da procura. Em geral, a valorização é consequência de intervenções no mercado, principalmente por meio da retenção de estoques. � Desmonetização: Retirada de circulação de uma forma específica de moeda por determinação governamental. Aplica-se a cédulas ou moedas metálicas que passam a ser declaradassem valor, perdendo, assim, qualquer obrigação de curso focado. Significa que um determinado metal (especialmente o ouro ou a prata) deixa de ser cunhado como moeda. � Monetização: Processo de transformação de um metal (ouro, prata, cobre, etc.), em moeda, por meio da cunhagem. A monetização pode também significar a emissão de papel-moeda, ou a transformação de títulos de crédito em dinheiro e poder liberatório imediato. Como o balanço é contabilizado em dólares e parte das reservas é mantida em euro, uma valorização do euro em relação ao dólar levará a um lançamento negativo na conta de haveres de curto prazo, porque o saldo desses haveres avaliados em dólares aumentou; e, em contrapartida, faz-se um lançamento positivo na conta de valorizações e desvalorizações. O mesmo acontece com as valorizações ou desvalorizações do ouro e dos Direitos Especiais de Saque (DES). A monetização e a desmonetização se referem às seguintes operações: se o Banco Central compra ouro no mercado interno, há um lançamento a débito na conta “Ouro Monetário”, com lançamento em contrapartida para Monetização/Desmonetização. O mesmo acontece se ocorre uma alocação ou cancelamento dos DES. 150 Universidade do Sul de Santa Catarina � Operações de regularização – referem-se a operações realizadas com instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Quando há déficit no balanço de pagamentos, recorre-se a empréstimos dessas instituições para cobrir esses déficits. � Atrasados comerciais – são contas vencidas e não pagas no exterior. Quando um empréstimo é vencido e não pago, debita-se da conta amortizações (exatamente como se ele fosse pago) e credita-se para atrasados comerciais. Quando o pagamento é feito, debita-se na conta atrasados e credita-se na conta caixa (reservas internacionais). Contabilizando no Balanço de Pagamentos Suponha que, durante um determinado ano, tenham sido realizadas na economia as seguintes transações entre residentes e estrangeiros: 1. Alguns comerciantes importaram microcomputadores no valor de R$ 35 milhões, pagando a vista; 2. Uma empresa importou equipamentos para hidrelétrica no valor de R$ 5 milhões, financiados a longo prazo; 3. Uma empresa multinacional fez ingressar no país R$ 2 milhões em equipamentos para investimentos diretos em suas instalações; 4. Alguns vendedores de sapato exportaram este produto no valor de R$ 40 milhões e receberam o pagamento a vista; 5. O governo pagou a vista R$ 5 milhões de frete a uma empresa de navegação estrangeira pelo transporte de equipamentos para hidroelétrica; 151 Análise Macroeconômica Unidade 5 6. A empresa Coconut-Cola enviou aos seus acionistas estrangeiros, em dinheiro, R$ 1 milhão de lucros, enquanto o Governo enviou, também em dinheiro, aos banqueiros internacionais, R$ 2 milhões para pagamento de juros e R$ 3 milhões para amortizações relativas a um empréstimo anterior; 7. Alguns residentes receberam R$ 1 milhão de donativos na forma de remédios; 8. No final do ano, o governo recebeu em dinheiro um empréstimo compensatório do FMI, no valor de R$ 3 milhões, para a regularização do provável déficit do Balanço de Pagamentos. Em cada operação, devemos lançar o seu valor em dois lugares do balanço de pagamentos, um débito e um crédito, devido ao método das partidas dobradas. Na operação1, precisamos identificar inicialmente as duas contas. Os termos “importaram” e “microcomputadores” indicam que o item importações da balança comercial se altera, enquanto a expressão “pagando a vista” indica que o item divisas do demonstrativo de resultados está envolvido. As importações de mercadorias devem ser lançadas a débito. Portanto lançamos -35 no item importações; e, por resíduo, +35 no item divisas. Observe que o Bacen entrega divisas aos importadores de microcomputadores e, assim, elas se reduzem. A redução de divisas é lançada a crédito (+), como de fato tinha sido feito. Os lançamentos estão no quadro do Balanço de Pagamentos de forma simplificada abaixo: 152 Universidade do Sul de Santa Catarina Tabela 5.1 – Balanço de pagamento BALANÇO DE PAGAMENTOS SIMPLIFICADO IDENTIFICAÇÃO VALORES $ I - BALANÇA COMERCIAL Resultado final (=) (-)3 - Exportações (+) 40 - Importações (-35) + (-)5 + (-2) + (-) 1 = (-) 43 II – BALANÇA DE SERVIÇOS Resultado Final (=) (-)8 - Viagens 0 - Fretes (-) 5 - Lucros (-) 1 - Juros (-) 2 - Serviços Diversos 0 III – TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (=) (+) 1 IV – CONTA CORRENTE ( I + II + III) = (-) 10 V – CONTA DE CAPITAIS (=) (+) 4 - Investimentos Diretos (+) 2 - Empréstimos e Financiamentos (+) 5 - Amortizações (-) (-)3 - Outros Capitais 0 VI – ERROS E OMISSÕES 0 VII – SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS ( IV + V + VI ) = (-) 6 VIII – DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS (-VII) (=) (+) 6 - Divisas (+35) (-40) (+5) (+6) (-3) = (+3) - Empréstimos de regularização (+) 3 - Atrasados Fonte: Elaboração do autor, 2011. Fechando o Balanço de Pagamentos Após totalizarmos os lançamentos, verificamos, através do quadro balanço, que a Balança Comercial fechou o ano com o déficit de R$ 3 milhões, enquanto a balança de serviços incorreu no déficit de R$ 8 milhões. Após somarmos o déficit da balança comercial com o da balança de serviços e com o superávit em transferências unilaterais, de R$ 1 milhão, encontramos o déficit em conta corrente de R$ 10 milhões. 153 Análise Macroeconômica Unidade 5 A conta de capitais fechou o ano com superávit de R$ 4 milhões, indicando que os capitais que entraram no país não foram suficientes para compensar o déficit em conta corrente de R$ 10 milhões. Desta forma, o balanço de pagamentos do país fechou o ano com déficit de R$ 6 milhões. Este déficit foi financiado com as reservas de divisas do Bacen e com um empréstimo de regularização do FMI. O total do demonstrativo de resultados (+) 6 foi a contrapartida do saldo do balanço de pagamentos (-) 6, devido ao método das partidas dobradas. O método das partidas dobradas foi criado pelo Frei Lucca Paccioli em 1492 na Itália, e diz que, para débito, deve haver um crédito de igual valor. Vamos retomar o Balanço de Pagamentos à luz de nossas vivências. O Brasil, no início do Plano Real, em 1994, apresentou uma valorização monetária (Real valorizado em relação ao dólar). Isso estimulou a importação de bens e serviços. Houve aumento na compra de bens de consumo e de produtos intermediários, e brasileiros viajaram muito para o exterior. Contudo o Brasil não exportava o suficiente para pagar toda essa conta. Como resultado, o país tinha que compensar essas operações com o movimento de capitais. E foi isso que ocorreu. Na época, o país atraiu muito capital externo como forma de investimento externo direto (IED) e, também, capitais de curto prazo. O IED entrou principalmente para a compra das empresas estatais que estavam sendo privatizadas. O capital de curto prazo sentia- se atraído pelas altas taxas de juros brasileiras. Essa entrada de capitais mantinha, portanto, a moeda valorizada. O problema adveio com as crises internacionais do final da década de noventa. Os capitais de curto prazo fugiram dos países emergentes, como o Brasil. A questão que ficou, portanto, era: Como financiar o déficit em conta corrente? A saída de curto prazo foi a desvalorização do real em 1999. A desvalorização da moeda, à medida que aumenta a remuneração para o exportador, permite que ele abaixe o preço do produto brasileiro no exterior, estimulando as exportações e inibindo as importações, que ficam 154 Universidade do Sul de Santa Catarina mais caras para os brasileiros. O problema dos déficits em conta corrente cobertos por capitais externos é que tal procedimento implica transferências de rendas futuras para o exterior, sob a forma de remessa de juros e lucros, gerando um efeito bola de neve. Logo, os capitais estrangeiros recebidos do exterior deveriam vir, predominantemente, na forma de IEDque gerassem exportações ou queda de importações, como modo de compensar o envio de juros e lucros para o exterior. Os déficits permanentes na Balança de Pagamentos (BP) podem ser corrigidos por alguma das medidas postas a seguir. � Desvalorizações das taxas de câmbio: é a perda de VALOR da taxa de câmbio. A frase "o real se desvalorizou frente ao dólar" quer dizer que, agora, deveremos gastar mais reais para cada dólar comprado. � Redução do nível de atividade econômica: é a redução da produção e oferta de bens no mercado consumidor. � Restrições tarifárias ou quantitativas às importações: uma das formas clássicas de protecionismo é a imposição de tributos à importação. Outra forma alternativa de protecionismo é a imposição pelos governos de quotas de importação, que se traduzem em quantidades máximas de um determinado produto que podem ser legalmente importadas. Dentre as barreiras não tarifárias, podemos citar: restrições quantitativas, fixação de quotas e contingentes, exigência de licenças prévias, restrições quanto à importação/exportação de determinados produtos, etc. � Subsídios às exportações: é um benefício concedido a uma empresa por um governo dependente de exportações. O subsídio doméstico é um benefício não diretamente vinculado a exportações. 155 Análise Macroeconômica Unidade 5 � Aumento da taxa interna de juros: este aumento provoca uma contenção da liquidez geral e contenção ao crédito e, consequentemente, uma redução do consumo. � Controle da saída de capitais e de rendimentos para o exterior: é o controle de compras efetuadas no exterior, controle de produtos importados e de rendimentos pessoais ou de empresas multinacionais enviados ao exterior. A adoção de algumas dessas saídas depende da conjuntura econômica de cada país. Apelar para o protecionismo econômico significa ter problemas com parceiros comerciais, dificultando o desenvolvimento de longo prazo do comércio internacional e gerando a necessidade de o país explicar-se junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Para finalizar esta seção, vale lembrar que o balanço de Pagamentos é o registro contábil das transações existentes entre os mais diversos países. As transações registradas no Balanço de Pagamentos dizem respeito à movimentação de produtos, serviços e transferências de valores entre dois sistemas econômicos. Qualquer transação, envolvendo ou não pagamento financeiro, entre residentes e não residentes, deverá ser registrada no balanço de pagamento dos dois países (sistemas econômicos) envolvidos. Assim, o balanço de pagamentos demonstra o estágio da situação financeira e econômica do sistema econômico, permitindo identificar se o mesmo se encontra em superávit ou em déficit. 156 Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade, você conheceu a evolução do Comércio Internacional desde o período do Mercantilismo, até os dias atuais, e aprendeu que as teorias de comércio internacional condenam o protecionismo, e consideram que o isolamento é prejudicial aos países. Quanto maior a abertura do comércio, mais progresso econômico o mundo alcançará. Conheceu a Teoria das Vantagens Absolutas de Adam Smith, aperfeiçoada por David Ricardo, transformando-a em Teoria das Vantagens Comparativas. Esta teoria tem como argumento principal que o comércio entre dois países, cujas estruturas de produção não sejam similares, é sempre vantajoso em relação ao não comércio. Também aprendeu que a balança de pagamentos representa o resumo contábil das transações econômicas que um país faz com o resto do mundo, durante determinado período de tempo. Atividades de autoavaliação A partir de seus estudos, leia os enunciados com atenção e resolva as atividades programadas para a sua autoavaliação. 1. Por que os países devem manter o comércio internacional? Explique a teoria das vantagens comparativas. 157 Análise Macroeconômica Unidade 5 2. O que significa déficit em transações correntes no balanço de pagamentos? Indique duas medidas que o país pode adotar para cobrir esse déficit. Saiba mais Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade, consultando as seguintes referências: CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional. Saraiva: São Paulo, 2000. GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998. LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org). Manual de macroeconomia: nível básico e nível intermediário. São Paulo: Atlas, 1998. KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São Paulo: Campus, 1998. SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São Paulo: Atlas, 1995. Para concluir o estudo Caro(a) aluno(a), nesta disciplina você conheceu a macroeconomia, estudou o comportamento dos agregados econômicos (família, empresas, governo e o resto do mundo), aprendeu de que forma a riqueza de um país aumenta e que ferramentas o governo tem à disposição para gerenciar a economia. Também aprendeu o que é inflação e por que há comércio internacional. Espera-se que a disciplina tenha cumprido seu objetivo e fornecido uma importante ferramenta para a sua vida profissional e pessoal. Como é de nosso interesse sempre aprimorar este trabalho, você está convidado/a a enviar suas críticas e sugestões. Um grande abraço e sucesso! Referências BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGraw Hill, 1994. BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. Rio de Janeiro: Campus, 1999. CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional. Saraiva: São Paulo, 2007. GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998. KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São Paulo: Campus, 1998. KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985. LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org). Manual de macroeconomia: nível básico e nível intermediário. São Paulo: Atlas, 1998. MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: Campus, 2001. MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora Oeste, 2001. RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação. Coleção Os economistas. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985. SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001. SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à administração. 2. ed. São Paulo: Futura, 1999. SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São Paulo: Atlas, 1995. 162 SMITH, Adam. A riqueza das nações, v.1. Lisboa: Edições Calouste Gulbenkian (1999 [1776]). TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São Paulo: Makron Books, 2009. VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia micro e macro. 5. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010. WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006. Sobre os professores conteudistas André Luis da Silva Leite Possui Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (1996), Mestrado em Engenharia de Produção - Departamento de Engenharia de Produção (1998) e Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003). Desde 1997, é professor da Unisul. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Organização Industrial e Estudos Industriais, atuando principalmente nos seguintes temas: setor elétrico, competitividade, internacionalização de empresas, regulação e competição. Valdemar Hahn Junior (2. ed. revista e atualizada) Possui Graduação Superior em Ciências Econômicas pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e Pedagogia pela FAED/UDESC, Pós-graduação em Gerência da Qualidade dos Serviços Contábeis, pela UNISUL. Desde 1988 é professor Efetivo nível Mag-10-E da Rede Públicado Estado de Santa Catarina, e, desde 1998, é professor Universitário da UNISUL. Desempenha- se também como Analista Técnico em Gestão do Desenvolvimento Regional na 22ª Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional Araranguá. Gestor responsável pela produção dos Boletins de Execução Orçamentária; Sicop - Sistema Integrado de Controle de Obras Públicas do Departamento Estadual de Infraestrutura e E-Sfinge - Sistema de Fiscalização Integrada de Gestão do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Respostas e comentários das atividades de autoavaliação Unidade 1 1. É importante estudar a contabilidade social, porque ela permite entender como é formada a renda de uma nação. Do ponto de vista da política pública, ela permite entender quais setores da economia estão gerando mais renda e quais estão gerando menos renda, o que propicia ao governo corrigir tais distorções e otimizar o funcionamento da economia. 2. PIB refere-se a tudo o que é produzido em um país em um determinado período de tempo. Para um empresário, é uma informação muito valiosa, pois permite que ele consiga analisar o real poder de compra de uma dada população. 3. Podemos dizer que renda é igual a produto, pois o que é produzido (e vendido) gera renda para quem o produziu, já que a economia é um ciclo. Unidade 2 1. Bens de capital são bens destinados à produção de outros bens, como máquinas e equipamentos. Bens de consumo duráveis são aqueles que podem ser consumidos mais de uma vez, como carros, geladeiras e sapatos. Bens não duráveis são consumidos uma única vez, como os alimentos e bebidas. 166 Universidade do Sul de Santa Catarina 2. Dizemos que poupança é igual a investimento, pois os investimentos que as empresas fazem são originados nas poupanças das pessoas. As empresas podem utilizar sua própria poupança ou captar recursos no mercado financeiro (neste caso, utilizando a poupança dos clientes dos bancos). 3. Se as taxas de juros aumentam, os investimentos diminuem. Do mesmo modo, o consumo também tende a diminuir. Unidade 3 1. As funções fundamentais do governo são redistributiva, fiscalizadora, reguladora, provedora de bens e serviços e estabilizadora. 2. O governo promove uma política fiscal expansionista, quando há desemprego na economia, por meio de aumento de seus gastos e/ou redução de tributos. 3. Há déficit público, quando os gastos do governo são maiores que suas receitas. Unidade 4 1. A moeda é importante, pois permite as trocas, permite que se façam comparações entre os valores dos diversos bens/serviços e opera como reserva de riqueza. 2. A taxa de juros de equilíbrio é determinada pelo encontro da demanda de moeda e oferta de moeda, e esta taxa é monopólio do Banco Central. 167 Análise Macroeconômica 3. O principal objetivo da política monetária é, por meio do controle da base monetária, aumentar a renda nacional (quando há desemprego) e controlar inflação (por meio do aumento nos juros). 4.A inflação afeta o cotidiano das pessoas, pois implica aumentos no nível geral de preços e, consequentemente, perda de compra da moeda. 5. A inflação de demanda ocorre, porque a oferta agregada não consegue, no curto prazo, acompanhar o aumento na demanda agregada. Unidade 5 1. (Há) O comércio internacional, torna-se fundamental para o desenvolvimento das economias internas, porque os países têm diferentes dotações de fatores de produção e são mais produtivos na produção de alguns bens e menos produtivos na produção de outros. Logo, é mais vantajoso ao país concentrar- se na produção daqueles produtos nos quais tem maior vantagem comparativa. 2. Déficit em transações correntes significa que o país enviou mais recursos para fora (em importações de bens e compra de serviços estrangeiros) do que recebeu. Para resolver o problema, o governo pode desvalorizar a moeda doméstica ou recorrer a empréstimos de organizações internacionais, como o FMI. Biblioteca Virtual Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos alunos a distância: � Pesquisa a publicações online www.unisul.br/textocompleto � Acesso a bases de dados assinadas www. unisul.br/bdassinadas � Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas www.unisul.br/bdgratuitas � Acesso a jornais e revistas on-line www. unisul.br/periodicos � Empréstimo de livros www. unisul.br/emprestimos � Escaneamento de parte de obra* Acesse a página da Biblioteca Virtual da Unisul, disponível no EVA e explore seus recursos digitais. 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