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Universidade do Sul de Santa Catarina
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Análise Macroeconômica
Disciplina na modalidade a distância
Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus UnisulVirtual – Educação Superior a Distância
Reitor Unisul
Ailton Nazareno Soares
Vice-Reitor 
Sebastião Salésio Heerdt
Chefe de Gabinete da 
Reitoria
Willian Máximo
Pró-Reitora Acadêmica
Miriam de Fátima Bora Rosa
Pró-Reitor de Administração
Fabian Martins de Castro
Pró-Reitor de Ensino
Mauri Luiz Heerdt
Campus Universitário de 
Tubarão 
Diretora
Milene Pacheco Kindermann
Campus Universitário da 
Grande Florianópolis 
Diretor 
Hércules Nunes de Araújo
Campus Universitário 
UnisulVirtual
Diretora
Jucimara Roesler 
Equipe UnisulVirtual 
Diretora Adjunta
Patrícia Alberton 
Secretaria Executiva e Cerimonial
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.)
Marcelo Fraiberg Machado
Tenille Catarina
Assessoria de Assuntos 
Internacionais 
Murilo Matos Mendonça
Assessoria de Relação com Poder 
Público e Forças Armadas
Adenir Siqueira Viana
Walter Félix Cardoso Junior
Assessoria DAD - Disciplinas a 
Distância
Patrícia da Silva Meneghel (Coord.)
Carlos Alberto Areias
Cláudia Berh V. da Silva
Conceição Aparecida Kindermann
Luiz Fernando Meneghel
Renata Souza de A. Subtil
Assessoria de Inovação e 
Qualidade de EAD
Denia Falcão de Bittencourt (Coord)
Andrea Ouriques Balbinot
Carmen Maria Cipriani Pandini
Iris de Sousa Barros
Assessoria de Tecnologia 
Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.)
Felipe Jacson de Freitas
Jefferson Amorin Oliveira
Phelipe Luiz Winter da Silva
Priscila da Silva
Rodrigo Battistotti Pimpão
Tamara Bruna Ferreira da Silva
Coordenação Cursos
Coordenadores de UNA
Diva Marília Flemming
Marciel Evangelista Catâneo
Roberto Iunskovski
Assistente e Auxiliar de 
Coordenação
Maria de Fátima Martins (Assistente)
Fabiana Lange Patricio
Tânia Regina Goularte Waltemann
Ana Denise Goularte de Souza
Coordenadores Graduação
Adriano Sérgio da Cunha
Aloísio José Rodrigues
Ana Luísa Mülbert
Ana Paula R. Pacheco
Arthur Beck Neto
Bernardino José da Silva
Catia Melissa S. Rodrigues
Charles Cesconetto
Diva Marília Flemming
Fabiano Ceretta
José Carlos da Silva Junior
Horácio Dutra Mello
Itamar Pedro Bevilaqua
Jairo Afonso Henkes
Janaína Baeta Neves
Jardel Mendes Vieira
Joel Irineu Lohn
Jorge Alexandre N. Cardoso
José Carlos N. Oliveira
José Gabriel da Silva
José Humberto D. Toledo
Joseane Borges de Miranda
Luciana Manfroi
Luiz G. Buchmann Figueiredo
Marciel Evangelista Catâneo
Maria Cristina S. Veit
Maria da Graça Poyer
Mauro Faccioni Filho
Moacir Fogaça
Nélio Herzmann
Onei Tadeu Dutra
Patrícia Fontanella
Rogério Santos da Costa
Rosa Beatriz M. Pinheiro
Tatiana Lee Marques
Valnei Carlos Denardin
Roberto Iunskovski
Rose Clér Beche
Rodrigo Nunes Lunardelli
Sergio Sell
Coordenadores Pós-Graduação
Aloisio Rodrigues
Bernardino José da Silva
Carmen Maria Cipriani Pandini
Daniela Ernani Monteiro Will
Giovani de Paula
Karla Leonora Nunes
Leticia Cristina Barbosa
Luiz Otávio Botelho Lento
Rogério Santos da Costa 
Roberto Iunskovski
Thiago Coelho Soares
Vera Regina N. Schuhmacher
Gerência Administração
Acadêmica
Angelita Marçal Flores (Gerente)
Fernanda Farias
Secretaria de Ensino a Distância
Samara Josten Flores (Secretária de Ensino)
Giane dos Passos (Secretária Acadêmica)
Adenir Soares Júnior
Alessandro Alves da Silva
Andréa Luci Mandira
Cristina Mara Schauffert
Djeime Sammer Bortolotti
Douglas Silveira
Evilym Melo Livramento
Fabiano Silva Michels
Fabricio Botelho Espíndola
Felipe Wronski Henrique
Gisele Terezinha Cardoso Ferreira
Indyanara Ramos
Janaina Conceição
Jorge Luiz Vilhar Malaquias
Juliana Broering Martins
Luana Borges da Silva
Luana Tarsila Hellmann
Luíza Koing  Zumblick
Maria José Rossetti
Marilene de Fátima Capeleto
Patricia A. Pereira de Carvalho
Paulo Lisboa Cordeiro
Paulo Mauricio Silveira Bubalo
Rosângela Mara Siegel
Simone Torres de Oliveira
Vanessa Pereira Santos Metzker
Vanilda Liordina Heerdt
Gestão Documental
Lamuniê Souza (Coord.)
Clair Maria Cardoso
Daniel Lucas de Medeiros
Eduardo Rodrigues
Guilherme Henrique Koerich
Josiane Leal
Marília Locks Fernandes
Gerência Administrativa e 
Financeira
Renato André Luz (Gerente)
Ana Luise Wehrle
Anderson Zandré Prudêncio
Daniel Contessa Lisboa
Naiara Jeremias da Rocha
Rafael Bourdot Back 
Thais Helena Bonetti
Valmir Venício Inácio
Gerência de Ensino, Pesquisa 
e Extensão
Moacir Heerdt (Gerente)
Aracelli Araldi
Elaboração de Projeto e 
Reconhecimento de Curso
Diane Dal Mago
Vanderlei Brasil
Francielle Arruda Rampelotte
Extensão
Maria Cristina Veit (Coord.)
Pesquisa
Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC)
Mauro Faccioni Filho(Coord. Nuvem)
Pós-Graduação
Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.)
Biblioteca
Salete Cecília e Souza (Coord.)
Paula Sanhudo da Silva
Renan Felipe Cascaes
Gestão Docente e Discente
Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)
Capacitação e Assessoria ao 
Docente
Simone Zigunovas (Capacitação)
Alessandra de Oliveira (Assessoria)
Adriana Silveira
Alexandre Wagner da Rocha
Elaine Cristiane Surian
Juliana Cardoso Esmeraldino
Maria Lina Moratelli Prado
Fabiana Pereira
Tutoria e Suporte
Claudia Noemi Nascimento (Líder)
Anderson da Silveira (Líder)
Ednéia Araujo Alberto (Líder)
Maria Eugênia F. Celeghin (Líder)
Andreza Talles Cascais
Daniela Cassol Peres
Débora Cristina Silveira
Francine Cardoso da Silva
Joice de Castro Peres
Karla F. Wisniewski Desengrini
Maria Aparecida Teixeira
Mayara de Oliveira Bastos
Patrícia de Souza Amorim
Schenon Souza Preto
Gerência de Desenho 
e Desenvolvimento de 
Materiais Didáticos
Márcia Loch (Gerente)
Desenho Educacional
Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD)
Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.)
Aline Cassol Daga
Ana Cláudia Taú
Carmelita Schulze
Carolina Hoeller da Silva Boeing
Eloísa Machado Seemann
Flavia Lumi Matuzawa
Gislaine Martins
Isabel Zoldan da Veiga Rambo
Jaqueline de Souza Tartari
João Marcos de Souza Alves
Leandro Romanó Bamberg
Letícia Laurindo de Bonfim
Lygia Pereira
Lis Airê Fogolari
Luiz Henrique Milani Queriquelli
Marina Melhado Gomes da Silva
Marina Cabeda Egger Moellwald
Melina de La Barrera Ayres
Michele Antunes Corrêa
Nágila Hinckel
Pâmella Rocha Flores da Silva
Rafael Araújo Saldanha
Roberta de Fátima Martins
Roseli Aparecida Rocha Moterle 
Sabrina Bleicher
Sabrina Paula Soares Scaranto
Viviane Bastos
Acessibilidade 
Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) 
Letícia Regiane Da Silva Tobal
Mariella Gloria Rodrigues
Avaliação da aprendizagem 
Geovania Japiassu Martins (Coord.)
Gabriella Araújo Souza Esteves 
Jaqueline Cardozo Polla
Thayanny Aparecida B.da Conceição
Gerência de Logística
Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente)
Logísitca de Materiais
Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.)
Abraao do Nascimento Germano
Bruna Maciel
Fernando Sardão da Silva
Fylippy Margino dos Santos
Guilherme Lentz
Marlon Eliseu Pereira
Pablo Varela da Silveira
Rubens Amorim
Yslann David Melo Cordeiro
Avaliações Presenciais
Graciele M. Lindenmayr (Coord.)
Ana Paula de Andrade
Angelica Cristina Gollo
Cristilaine Medeiros
Daiana Cristina Bortolotti
Delano Pinheiro Gomes
Edson Martins Rosa Junior
Fernando Steimbach
Fernando Oliveira Santos
Lisdeise Nunes Felipe
Marcelo Ramos
Marcio Ventura
Osni Jose Seidler Junior
Thais Bortolotti
Gerência de Marketing
Fabiano Ceretta (Gerente)
Relacionamento com o Mercado 
Eliza Bianchini Dallanhol Locks
Relacionamento com Polos 
Presenciais
Alex Fabiano Wehrle (Coord.)
Jeferson Pandolfo
Karine Augusta Zanoni
Marcia Luz de Oliveira
Assuntos Jurídicos
Bruno Lucion Roso
Marketing Estratégico
Rafael Bavaresco Bongiolo
Portal e Comunicação
Catia Melissa Silveira Rodrigues 
Andreia Drewes
Luiz Felipe Buchmann Figueiredo
Marcelo Barcelos
Rafael Pessi
Gerência de Produção
Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)
Francini Ferreira Dias
Design Visual
Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.)
Adriana Ferreira dos Santos
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Alice Demaria Silva
Anne Cristyne Pereira
Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro
Daiana Ferreira Cassanego
Diogo Rafael da Silva
Edison Rodrigo Valim
FredericoTrilha
Higor Ghisi Luciano
Jordana Paula Schulka
Marcelo Neri da Silva
Nelson Rosa
Oberdan Porto Leal Piantino
Patrícia Fragnani de Morais
Multimídia
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Dandara Lemos Reynaldo
Cleber Magri
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Conferência (e-OLA)
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Bruno Augusto Zunino 
Produção Industrial
Marcelo Bittencourt (Coord.)
Gerência Serviço de Atenção 
Integral ao Acadêmico
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Jonatas Collaço de Souza
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Maycon de Sousa Candido
Monique Napoli Ribeiro
Nidia de Jesus Moraes
Orivaldo Carli da Silva Junior
Priscilla Geovana Pagani
Sabrina Mari Kawano Gonçalves
Scheila Cristina Martins
Taize Muller
Tatiane Crestani Trentin
Vanessa Trindade
Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual
Revisão e atualização de conteúdo
Valdemar Hahn Junior
Design Instrucional 
Leandro Kingeski Pacheco
Melina de la Barrera Ayres
2ª edição
André Luís da Silva Leite
Análise Macroeconômica
Livro didático
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Edição – Livro Didático
Professor Conteudista
André Luís da Silva Leite
Revisão e atualização de conteúdo
Valdemar Hahn Junior (2ª ed. revista e atualizada)
Design Instrucional 
Leandro Kingeski Pacheco
Melina de la Barrera Ayres (2ª ed. revista e atualizada)
ISBN 
978-85-7817-146-9
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Diogo Silva
Revisão
Amaline B. I. Mussi
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. 
339
L55 Leite, André Luís da Silva
Análise macroeconômica : livro didático / André Luís da Silva Leite ; revisão 
e atualização de conteúdo Valdemar Hahn Junior ; design instrucional 
Leandro Kingeski Pacheco, Melina de la Barrera Ayres. – 2. ed. – Palhoça : 
UnisulVirtual, 2011.
169 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-146-9
1. Macroeconomia. 2. Política monetária. 3. Comércio internacional. I. 
Hahn Júnior, Valdemar. II. Pacheco, Leandro Kingeski. III. Ayres, Melina de la 
Barrera. IV. Título.
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1 - Introdução a macroeconomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
UNIDADE 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços - consumo, poupança e investimento . . . . . . . . . . . . . . . 47
UNIDADE 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços - o papel do Governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
UNIDADE 4 - Moeda e política monetária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
UNIDADE 5 - Economia internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
Respostas e comentários das atividades de autoavaliação . . . . . . . . . . . . . 165
Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
7
Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Análise 
Macroeconômica.
O material foi elaborado com vista a uma aprendizagem 
autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e 
relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem 
didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, 
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a 
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre que sua caminhada nesta disciplina será acompanhada 
e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da 
UnisulVirtual. Neste sentido, a “distância” fica caracterizada 
somente como a modalidade de ensino por que você optou para 
a sua formação. É que, na relação de aprendizagem, professores e 
instituição estarão sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato. 
Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso 
tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de 
Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o 
que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle 
e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior 
prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal 
objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual
Palavras do professor
Caro(a) aluno(a), 
A economia é o espaço onde ocorrem as decisões estratégicas 
que nos afetam diretamente. 
O estudo da economia é divido em duas partes: a 
microeconomia (objeto da disciplina Análise Microeconômica) 
e a macroeconomia (tratada neste livro didático). 
A macroeconomia trata dos elementos econômicos de maior 
escopo, como as taxas de juros, a gestão da economia pelo 
Estado, a moeda, entre outros. 
Nesta disciplina, você aprenderá os principais elementos de 
macroeconomia. Ou seja, como se forma a renda nacional, 
o que é inflação, as políticas fiscal e monetária, além da 
economia internacional. Trata-se de temas econômicos 
relacionados com o cotidiano, cujo complemento importante 
é encontrado na leitura atenciosa dos jornais e das revistas 
especializados. 
Espero que aproveite o conteúdo selecionado. Caso tenha 
alguma dúvida, entre em contato com o professor. 
Bom estudo! 
Prof. André Luís da Silva Leite 
Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo/a no desenvolvimento 
da disciplina. Possui elementos que o/a ajudarão a conhecer o 
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. 
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva 
em conta instrumentos que se articulam e se complementam, 
portanto a construção de competências ocorre sobre a 
articulação de metodologias e por meio das diversas formas de 
ação/mediação.
São elementos deste processo:
 � o livro didático;
 � o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
 � as atividades de avaliação (a distância, presenciais 
e de autoavaliação); 
 � o Sistema Tutorial.
Ementa
Introdução a macroeconomia. O modelo keynesiano de 
determinação da renda. A função consumo. Investimento e 
poupança. A demanda do governo. A oferta de moeda e o 
papel do Banco Central. Inflação. Introdução à economia 
internacional.
12
Universidade do Sul de Santa Catarina
Objetivos
Geral
Iniciar o estudante no estudo da teoria econômica, possibilitando 
a utilização de uma ferramenta útil à sua vida acadêmica e 
profissional. Ao final da disciplina, deverá ser capaz de analisar 
e compreender questões referentes às políticas econômicas 
nacionais e internacionais, no âmbito macroeconômico.
Específicos
 � Compreender o funcionamento de um sistema 
econômico através do estudo da macroeconomia, 
conhecendo os agregados macroeconômicos e suas 
contribuições para a formação da Renda Nacional (RN).
 � Aprender o processo de determinação da Renda Nacional 
e do Produto Nacional a partir das relações das variáveis 
macroeconômicas: consumo; poupança e investimento.
 � Entender o papeldo governo na formação da Renda 
Nacional (RN).
 � Compreender os tipos de políticas monetárias adotadas 
pelo governo através da emissão de moeda, da expansão e 
controle do crédito. 
 � Compreender o funcionamento do Balanço de 
Pagamentos (BP) através do comércio internacional e 
suas influências sobre o comércio interno de um país.
Carga Horária
A carga horária total da disciplina é de 60 horas/aula.
13
Análise Macroeconômica
Conteúdo programático/objetivos
Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta 
disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos 
resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de 
estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de 
conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento 
de habilidades e competências necessárias à sua formação. 
Unidades de estudo: 5
Unidade 1 – Introdução a macroeconomia
Na primeira unidade da disciplina, você conhecerá os elementos 
básicos que compõem o estudo da macroeconomia e sua 
importância para o sistema econômico. Ao final da leitura, 
você compreenderá de que modo ocorre a formação do Produto 
Interno Bruto (PIB) e a Renda de um país.
Unidade 2 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços - consumo, poupança e investimento 
Nesta unidade, você estudará como se forma a Renda Nacional 
(RN) no mercado de bens e serviços, destacando-se as variáveis 
macroeconômicas: consumo; poupança e investimento em bens 
de capital. 
Unidade 3 - Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços - o papel do Governo
Esta unidade retoma a discussão iniciada na unidade 2, com 
ênfase no papel do governo e na política fiscal, importante 
ferramenta para a busca da estabilidade econômica.
14
Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 4 – Moeda e política monetária 
Nesta unidade, você aprenderá o conceito de moeda, suas 
funções, sua utilidade e importância para a população como meio 
de pagamento. Estudará a política monetária que é realizada pelo 
Banco Central, conforme determinação da equipe econômica do 
governo e o funcionamento do sistema financeiro e de crédito. 
Conhecerá, também, os diversos tipos de inflação, suas causas e 
consequências para a economia dos países em geral e, do Brasil, 
em particular. 
Unidade 5 – Economia internacional 
Na unidade 5, você estudará a teoria do comércio internacional 
desde a sua origem, compreenderá por que ocorre o comércio 
entre diversos países e conhecerá o balanço de pagamentos, 
sua importância e necessidade para o registro e controle das 
transações comerciais de um país com os demais países.
15
Análise Macroeconômica
Agenda de atividades/ Cronograma
 � Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar 
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus 
estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da 
realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação 
com os seus colegas e tutor.
 � Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço 
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina 
disponibilizado no EVA.
 � Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas 
ao desenvolvimento da disciplina.
Atividades obrigatórias Data
Demais atividades (registro pessoal) Data
1UNIDADE 1Introdução a macroeconomia
Objetivos de aprendizagem
 � Compreender como são formados a renda e o produto 
de uma nação. 
 � Conhecer e compreender o significado dos agregados 
macroeconômicos.
 � Conhecer o processo de medição da atividade 
econômica de uma economia.
 � Conhecer e compreender a aplicabilidade da 
contabilidade social.
 � Entender o significado dos conceitos renda nacional 
e PIB. 
Seções de estudo
Seção 1 A análise macroeconômica 
Seção 2 Contabilidade social 
Seção 3 Examinando e medindo a atividade econômica
Seção 4 Os agregados macroeconômicos
18
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Caro(a) aluno(a), 
nesta unidade você estudará contabilidade social. Para tanto, 
veremos uma breve introdução à análise macroeconômica e à 
política macroeconômica. No decorrer da disciplina, veremos a 
contabilidade social propriamente dita e como examinar e medir 
a atividade econômica. 
Também estudaremos o conceito de valor adicionado, os 
agregados macroeconômicos e o sistema econômico real. Estes 
temas estão assim dispostos para que você compreenda como 
são formados a renda e o produto de uma nação, assim como o 
significado dos conceitos de renda nacional e de PIB. 
Seção 1 – A análise macroeconômica 
Esta seção aborda, de forma introdutória, a análise 
macroeconômica e o surgimento da contabilidade social. 
Macroeconomia é a parte da economia que estuda o conjunto das 
decisões dos agentes econômicos. É a parte da ciência econômica 
que focaliza o estudo do comportamento do sistema econômico 
como um todo. 
A macroeconomia tem como objetivo principal 
determinar os fatores que interferem no nível total 
da renda e do produto de uma economia. Ou seja, 
estuda as decisões conjuntas dos consumidores, das 
empresas e do governo. A macroeconomia estuda a 
economia como um todo, analisando a determinação 
e o comportamento dos grandes agregados 
macroeconômicos, tais como: renda e produto 
nacional, nível geral de preços, emprego, moeda 
e taxa de juros, balanço de pagamentos e taxa de 
câmbio. 
19
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Ao estudar os grandes agregados, a macroeconomia não leva 
em conta o comportamento das unidades individuais (empresas 
e consumidores) e de mercados em geral, temas estes da 
microeconomia. 
A macroeconomia permite uma abordagem mais global e 
genérica. Esta abordagem permite maior compreensão das 
interações entre os agentes econômicos, representando assim 
um importante instrumento para a política e a tomada de 
decisão do governo. 
Para medir a produção, o consumo, a renda, os investimentos e 
a capacidade de poupança – ou seja, a atividade econômica – a 
análise macroeconômica utiliza-se da Contabilidade Social ou 
Contabilidade Nacional. 
Você sabe por que os economistas se preocupam em 
medir a produção realizada por um determinado país? 
A resposta pode ser dividida em duas partes: 
 � A primeira, o fato de a escassez de recursos constituir 
o problema fundamental da economia. Por essa razão, 
eles devem ser empregados de forma adequada, de modo 
que se consiga a maior quantidade possível de bens e 
serviços – o que nos remete à questão da eficiência do 
sistema produtivo. Esta eficiência, que consiste na maior 
produção possível a partir de certa quantidade de fatores 
da produção, precisa ser constantemente avaliada. Daí a 
necessidade de se ter registros da atividade econômica, 
considerada em seu conjunto, os quais permitam este tipo 
de análise. 
 � A segunda parte nos remete a um fato histórico. 
Quase todas as pessoas já ouviram falar da grande 
crise econômica de 1929, que consistiu na redução 
das atividades econômicas, ocasionando, entre outros 
problemas, o desemprego. Tivemos, também, as duas 
grandes guerras mundiais, que envolveram diversos 
países e tiveram grande repercussão na economia. 
20
Universidade do Sul de Santa Catarina
A partir dessa época e com a presença mais acentuada do 
Estado como regulador (gerente) das atividades econômicas, 
os economistas passaram a sentir necessidade de criar meios 
que lhes permitissem medir e avaliar as atividades econômicas 
desenvolvidas pela sociedade. Assim surgiu a contabilidade social 
ou nacional, com o objetivo de auferir e registrar a medição 
de toda a atividade econômica de um país, possibilitando que a 
macroeconomia atinja seus objetivos de determinação da renda e 
do nível de bem-estar social da população. 
É através do registro contábil próprio, da contabilidade 
social, que a macroeconomia alcança a movimentação 
dos valores finais dos componentes dos agregados 
macroeconômicos, o que possibilita calcular o valor 
do PIB (Produto Interno Bruto),de um país em um 
determinado período de tempo.
Os primeiros estudos realizados no campo da contabilidade 
nacional datam do ano de 1920, com o economista norte-
americano Simon Kuznets, que passou a realizar um 
levantamento sistemático da renda nacional do seu país, 
levantamento só aplicado, de forma efetiva, após a crise 
econômica de 1929.
Com a presença mais acentuada do Estado como regulador das 
atividades econômicas, os economistas sentiram a necessidade de 
criar meios padronizados que lhes permitissem medir e avaliar as 
atividades econômicas desenvolvidas pela sociedade. 
A contabilidade nacional é um sistema de agregados 
estatísticos que registra a atividade econômica global 
de um país em um determinado período de tempo, 
geralmente de um ano. 
O registro contábil é efetuado através do método das partidas 
dobradas, de tal maneira que os agregados são apresentados 
duas vezes: a débito de uma conta, e a crédito de outra. Ao 
débito, corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito, 
corresponde um fundo originário da produção interna do país ou 
procedente do estrangeiro. 
21
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Desta forma, a contabilidade nacional mede a atividade 
econômica a partir de sua expressão mais genérica – o produto 
da economia – para, a partir dela, introduzir novos conceitos 
e assim se observar a atividade econômica. Tais conceitos são 
chamados de agregados e recebem esta denominação pelo fato 
de não representarem simplesmente uma soma de parcelas que se 
expressam da mesma forma e na mesma unidade de medida, mas 
sim uma soma de coisas diferentes (bens e serviços) cujo volume 
físico é expresso em unidades de medidas diferentes. Esses bens 
e serviços podem ser adicionados, quando traduzidos numa 
unidade comum de medida, ou seja, a Moeda.
O Sistema Econômico é a forma organizada de uma estrutura 
econômica. Engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia, 
os processos de circulação das mercadorias, o consumo e os níveis 
de desenvolvimento tecnológico e de divisão do trabalho. 
O sistema econômico de um país mantém relações com outros 
sistemas, isto é, com o resto do mundo, através da exportação 
e da importação de bens e serviços. Além disso, nesse sistema, 
a presença do setor público, ou seja, do governo, é bastante 
importante. 
Com relação às empresas e aos proprietários dos fatores de 
produção, não é mais necessário que eles gastem toda a sua 
renda em bens e serviços de consumo. Essa parte da renda que 
não é consumida recebe o nome de Poupança, que, definida 
formalmente, é a diferença entre a renda e o consumo das 
pessoas. Consequentemente, se toda a renda não é consumida, 
uma parte da produção das empresas não será vendida, o que 
possibilitará a formação de estoques nessa economia. 
Do ponto vista econômico, a formação de estoques na economia 
significa investimento, o que nos leva à igualdade fundamental da 
macroeconomia, de que Poupança (S) é igual a Investimento (I): 
S = I
O Investimento, entretanto, não significa apenas a variação nos 
estoques. Ele também é formado pelas despesas realizadas pelos 
empresários para aumentar a atividade produtiva de suas empresas. 
22
Universidade do Sul de Santa Catarina
Desta forma, verificamos a importância da contabilidade 
nacional e seus registros para a macroeconomia, pois estes 
oportunizam ao governo, em nível nacional, os dados 
necessários a que o mesmo saiba quais são as áreas em que há 
necessidade de maior atuação e possa promover o crescimento 
das mesmas – e, consequentemente, a continuidade do 
crescimento econômico do país como um todo. 
Assim, política macroeconômica almeja os seguintes objetivos: 
 � alto nível de emprego; 
 � estabilidade de preços; 
 � melhoria da distribuição de renda; e
 � crescimento econômico. 
As questões relativas ao nível de emprego e estabilidade de preços 
(controle da inflação) são consideradas conjunturais, isto é, de 
curto prazo. As questões conjunturais são preocupações centrais 
das chamadas políticas de estabilização. Já as questões referentes 
à distribuição de renda e ao crescimento econômico são aspectos 
de longo prazo, ou seja, estruturais. 
Seção 2 – Contabilidade social 
Nesta seção, abordaremos o conceito de contabilidade social, os 
sistemas de contabilidade social e os princípios básicos das contas 
nacionais. A teoria macroeconômica, como visto anteriormente, 
estuda a determinação e o comportamento dos agregados 
econômicos nacionais. 
A contabilidade social se insere na moderna macroeconomia, 
que nos fornece os meios para a análise do conjunto da 
economia de uma sociedade. Ela nos mostra o desempenho 
global de uma economia. 
Questões conjunturais 
são as questões que 
caminham juntas: o 
sucesso de uma depende 
do sucesso de outra. 
Desta forma, podemos 
dizer que nível de 
emprego e estabilidade 
de preço são questões 
conjunturais, pois 
têm entre si total 
dependência: o sucesso 
de uma vai alavancar e 
promover o sucesso de 
outra, o que deve ocorrer 
em curto prazo.
Questões estruturais 
são as questões que 
devem estar interligadas 
entre si: trata-se de 
questões de longo 
prazo. Por exemplo, a 
distribuição de renda de 
forma equitativa e que 
apresente real aumento 
da renda da população 
está interligada ao 
crescimento econômico 
do país, ou seja, 
somente ocorrerá 
aumento de renda, se 
ocorrer aumento real da 
economia.
A teoria macroeconômica 
moderna procura explicar 
os pânicos financeiros, 
os ciclos de crescimento 
e estagnação e as 
atividades dos negócios 
em geral.
23
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Vasconcellos e Garcia (2004, p. 97) definem 
contabilidade social como sendo o registro contábil 
da atividade produtiva de um país ao longo de um 
determinado período (normalmente um ano). 
A análise do comportamento dos agregados macroeconômicos 
é o foco da análise macroeconômica: volta-se à evolução desses 
agregados e ao modo como o governo pode influenciá-los através 
de políticas econômicas. 
Sistemas de contabilidade social 
Antes de tratarmos de sistemas de contabilidade social, note 
que a produção é contínua no tempo e que os bens e serviços 
são produzidos e consumidos, sendo necessário produzi-los 
novamente: grande parte das necessidades humanas exige um 
consumo contínuo, como é o caso da alimentação, a qual precisa 
ser satisfeita diariamente. 
Os agregados macroeconômicos são definidos com 
base em um sistema contábil que trata o país como se 
fosse uma empresa a qual produz um único produto, o 
Produto Nacional Bruto (PIB). O PIB representa a soma 
de tudo o que é produzido em um país. 
Para se medirem os agregados, é preciso, em primeiro lugar, 
estabelecer um período de tempo para medir o total de bens e 
de serviços produzidos. Atualmente, esse período é de um ano e 
corresponde, no Brasil, ao ano civil, que vai de janeiro a dezembro. 
Também é necessário estabelecer uma unidade de medida 
comum, pois os bens e serviços têm unidades de medida 
diferentes: o petróleo é medido em barris; o leite, em litros; a 
energia elétrica, em quilowatts, e assim por diante. A maneira 
encontrada para poder somar, ou agregar, a totalidade de bens 
e de serviços produzidos é medi-los em termos monetários, ou 
seja, por seu preço. Isto porque todos os bens e serviços podem 
ser expressos em dinheiro, que equivale ao preço de mercado 
multiplicado pela quantidade produzida. 
24
Universidade do Sul de Santa Catarina
Uma vez estabelecido o período que servirá de base para medir a 
produção, bem como a unidade de medida em que será expressa 
essa grandeza, resta o último problema, referente à ótica segundo 
a qual será medida a produção econômica. 
Acerca desta ótica, há dois sistemas principais de contabilidade 
social adotados em quase todos os países: 
 � o sistema de contas nacionais, que é aplicado da 
seguinte forma:
 � utiliza-se do método das partidas dobradas;
 � consideram-se apenas os bens finais produzidos.
 � a matriz de relações intersetoriais, queé aplicada da 
seguinte forma:
 � incluem-se as transações intermediárias;
 � permite analisar as relações econômicas entre 
os setores.
A vantagem deste sistema é que inclui transações intersetoriais; a 
desvantagem é que exige dados mais detalhados, obtidos nos censos. 
A Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta modelos 
manuais desses sistemas que orientam os institutos de pesquisas 
na medição dos agregados nacionais. 
Assim como na contabilidade privada, o sistema de 
contas nacionais utiliza o método das partidas dobradas, 
discriminando as transações dos setores da economia: famílias, 
governo, empresas e setor externo. Porém, não são consideradas 
as transações com bens e serviços intermediários (insumos e 
matérias-primas). 
No Sistema de Contabilidade, também denominado de Método 
de Veneza, os registros são colocados simultaneamente no Ativo e 
no Passivo, sendo que a soma dos elementos do primeiro deve ser 
igual à soma dos elementos do segundo. 
Você lembra o que são 
partidas dobradas? 
Reveja este conceito na 
primeira seção de estudo 
desta unidade.
25
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Este método constitui a base do sistema contábil moderno, no 
qual todas as transações de uma empresa são decompostas em 
dois elementos: 
1. a origem dos recursos; 
2. o destino dos recursos.
Já no Sistema de Contas Nacionais, o registro contábil é 
efetuado através do método das partidas dobradas, de tal 
maneira que os agregados são apresentados duas vezes: 
a débito de uma conta e a crédito de outra. Ao débito, 
corresponde uma despesa ou um pagamento; ao crédito, 
corresponde um fundo originário da produção interna do 
país ou procedente do estrangeiro. 
Princípios básicos das contas nacionais 
É importante considerar alguns princípios básicos que devem 
ser observados no levantamento e medição dos agregados 
econômicos (lembre que os agregados econômicos são: renda e 
produto nacional, nível geral de preços, emprego, moeda e taxa 
de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio, entre outros). 
Para a sua análise:
 � apenas transações com bens e serviços finais devem 
ser considerados, não sendo computados bens e 
serviços intermediários (matérias-primas, componentes 
e insumos). Os custos de produção referem-se à 
remuneração dos fatores de produção (salários, juros, 
aluguéis e lucros); 
 � apenas a produção corrente do próprio período é 
medida. Não é levado em conta o valor das transações 
com bens produzidos em períodos anteriores (carros e 
apartamentos usados, por exemplo). Porém observe que, 
como o setor de serviços é um importante componente 
da economia, a atividade comercial é um serviço 
corrente. Assim, o salário de um vendedor é considerado 
como parte do produto corrente, mesmo tendo ele 
vendido um objeto usado; 
O primeiro livro a 
descrever este sistema 
foi publicado no ano 
de 1494, pelo frade 
franciscano Luca Paccioli 
(Summa de Arithmetica 
Geometria Proportioni et 
Proportionalitá).
26
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � as transações referem-se a um fluxo, ou seja, são 
definidas ao longo de certo período de tempo. 
Normalmente, considera-se um ano, mas, no Brasil, há 
algumas amostras trimestrais, que são parciais; 
 � a moeda é neutra, ou seja, é apenas medida de valor, um 
padrão para permitir que possamos mensurar o valor dos 
bens e serviços; 
 � os valores de transações puramente financeiras não 
são considerados, dado que não representam acréscimos 
no produto real da economia. Esses agregados são 
considerados apenas transferências entre aplicadores e 
tomadores de empréstimos. 
Os princípios básicos de Sistemas de Contas Nacionais aqui 
apresentados são os utilizados pelas equipes econômicas do Brasil 
desde o ano 1947, através do levantamento da renda nacional, 
pela equipe da Fundação Getúlio Vargas, com assimilação a 
partir de 1953 e adaptação do Sistema de Contas Nacionais 
proposto pela ONU a partir de 1945.
Seção 3 – Examinando e medindo a atividade 
econômica 
Nesta seção, você estudará a atividade econômica sob a ótica da 
produção e da despesa, além da ótica da renda. Complementando 
este estudo de análise da atividade econômica, trataremos ainda 
do produto nacional e da despesa nacional. 
A ótica da produção e da despesa 
O produto de uma economia é a soma dos valores 
monetários dos bens e dos serviços voltados para 
o consumo final e produzidos em um determinado 
período de tempo. 
27
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Assim, ao se medir a atividade econômica a partir da ótica do 
produto, considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens 
e dos serviços, mas apenas daqueles voltados para o consumo 
final, como mencionado anteriormente. 
Vamos supor uma economia onde existam apenas 
três empresas. A empresa A produz trigo, a empresa B 
produz a farinha de trigo (tendo comprado a matéria-
prima da empresa A); e a empresa C produz pão e o 
vende aos consumidores. 
Suponhamos que as empresas tenham os seguintes 
balancetes: 
Empresa A
Despesas Receitas
Salário
Juros
Aluguéis
Lucros
........
........
........
........
80
30
20
10
Venda de trigo 
para a empresa B ........ 140
Total ........ 140 Total ........ 140
Empresa B
Despesas Receitas
Compra de trigo da 
empresa A
Salário
Juros
Aluguéis
Lucros
........
........
........
........
........
140
50
10
15
30
Venda de farinha 
para a empresa C ........ 245
Total ........ 245 Total ........ 245
Empresa C
Despesas Receitas
Compra de trigo da 
empresa B
Salário
Juros
Aluguéis
Lucros
........
........
........
........
........
245
60
20
30
305
Venda de 
pão para os 
consumidores ........ 390
Total ........ 390 Total ........ 390
 
28
Universidade do Sul de Santa Catarina
Analise primeiramente o balancete da empresa A. 
Na coluna esquerda, estão as despesas necessárias 
para a produção de $140 de trigo. Neste caso, por 
simplificação, ela não paga matéria-prima. Note 
também que o lucro, na contabilidade social, é 
interpretado como a remuneração da capacidade 
gerencial ou empresarial, que é a diferença entre a 
receita e o pagamento pelos insumos. 
Assim, no caso da empresa A, tem-se: 
 � Produto = $140 de trigo (produto final); 
 � Renda = $140 (remuneração dos fatores de 
produção); 
 � Despesa = $140 (despendida por B na aquisição 
de trigo). 
Vejamos outro exemplo para o entendimento do funcionamento 
da Ótica do Produto:
Para a produção de um automóvel são empregados 
inúmeros bens e serviços, tais como: chapas de aço, 
pneus, serviços de pintura, etc. Entretanto eles não são 
computados no cálculo do produto da economia, pois 
se trata de bens e serviços intermediários. Apenas a 
quantidade de automóveis produzidos, multiplicados 
pelo seu preço, é que vai entrar nesse cálculo, para 
evitar o problema da dupla contagem, pois o preço 
dos bens e serviços intermediários está incluído no 
preço final do automóvel.
A ótica da renda 
Segundo esta ótica, pode-se medir a atividade econômica em função 
da renda. A renda dos agentes econômicos é a soma da remuneração 
paga aos fatores da produção durante o processo produtivo. 
29
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Renda é a remuneração de cada um dos fatores de 
produção, logo a renda de uma economia é a soma da 
renda de cada fator de produção. 
Podemos representar esta fórmula do seguinte modo: 
Renda de Economia = Σ Renda dos Fatores de Produção
Assim, para se obter a renda de um país num determinado 
período, somam-se os salários, os aluguéis, os juros e os lucros, que 
são os pagamentos feitos aos fatores produtivos, ao longo do ano. 
Consolidando os balancetes das três empresas do exemplo citado 
anteriormente, tem-se que o produto da economia é $390. 
Vamos analisar mais detalhadamente, a seguir. 
Produto nacional 
O produto nacional (PN) de uma economia é expresso 
em termos monetários, multiplicando-se a quantidade 
de bens e de serviços pelos respectivos preços. 
Esta é a fórmula para o cálculo do produto nacional: 
PN = Σ pi . q i
Onde:PN = produto nacional
Pi = preço unitário dos bens e serviços finais
Qi = quantidade produzida dos bens e serviços finais 
30
Universidade do Sul de Santa Catarina
Voltando ao nosso exemplo anterior, note que, como o pão é o 
único bem final, o produto nacional corresponde a $390. 
Despesa nacional (DN) 
A despesa nacional é o gasto dos agentes 
econômicos com o produto nacional.
No exemplo anterior, a despesa nacional é representada apenas 
pelo consumo (C) das famílias. Mas a fórmula completa de 
cálculo de DN é: 
DN = C + I + G + X – M
Onde: 
C = despesas das famílias com bens de consumo
I = despesas das empresas com investimentos
G = despesas do governo
X = exportações (despesas dos outros países)
M = importações (despesas brasileiras)
Neste sentido, decorre que o produto nacional é vendido para quatro 
agentes: os consumidores, as empresas, o governo e o setor externo. 
Ainda neste contexto, pode-se considerar o produto como sendo 
o total das vendas num determinado período de tempo mais os 
estoques avaliados a preço de mercado. Esta fórmula expressa o 
significado do produto em relação às vendas, o tempo e os estoques:
Produto = $ total das vendas / período de tempo + $ estoques
Com a receita obtida através da venda de seus produtos, os 
empresários remuneram os fatores da produção empregados: 
salários para os trabalhadores, juros para o capital, aluguéis 
31
Análise Macroeconômica
Unidade 1
para os proprietários e lucros para eles próprios, pois o lucro é a 
remuneração do empresário. 
Seguindo este entendimento, pode-se dizer que as receitas, ou o 
produto da economia, foram direcionadas para a remuneração dos 
fatores de produção. Ao se chamar o total de pagamentos feitos 
aos fatores de produção de renda, chega-se a uma identidade 
fundamental na teoria macroeconômica: a de que renda é igual 
ao produto. 
Assim, a identidade de renda igual a produto só é válida para 
um sistema econômico simples, constituído de empresas e 
consumidores. Além disso, observe que há a condição de que as 
pessoas gastem toda sua renda na aquisição de bens e de serviços, 
ou seja, não façam poupança. 
Valor adicionado 
O valor adicionado (ou valor agregado) é o que se adiciona 
ao produto em cada estágio de produção. Somando o valor 
adicionado em cada estágio de produção, tem-se o produto final 
da economia. Na tabela 1.1, mostra-se o valor adicionado em 
cada estágio de produção. 
Tabela 1.1 – Aplicação do Valor Agregado Bruto – aplicado sobre o 
exemplo da produção de pão
Estágio Vendas ($) Custos dos bens intermediários ($) Valor adicionado
A 140 0 140
B 245 140 105
C 390 245 145
VA 390
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
Note que a soma do valor agregado em cada estágio de produção 
é igual ao valor do bem final. Logo os institutos de pesquisa (o 
IBGE, no caso brasileiro) não necessitam pesquisar os dados de 
cada bem intermediário, bastando verificar o preço dos bens e 
serviços finais. 
32
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 4 – Os agregados macroeconômicos 
A contabilidade nacional mede a atividade econômica a partir 
de sua expressão mais genérica, o produto da economia, para, 
em seguida, e a partir dele, introduzir novos conceitos e assim 
observar a atividade econômica. Vejamos, na sequência, alguns 
dos principais conceitos.
Os agregados 
Existem termos econômicos que são chamados de agregados 
e recebem esta denominação pelo fato de não corresponderem 
simplesmente a uma soma de parcelas que se expressam da 
mesma forma e na mesma unidade de medida, mas sim uma 
soma de coisas diferentes (bens e serviços), cujo volume físico, 
conforme você aprendeu, é expresso nas mais diferentes 
unidades de medida. No entanto esses bens e serviços podem 
ser adicionados, agregados, quando traduzidos numa unidade 
comum de medida, ou seja, a moeda. Os principais agregados 
macroeconômicos são:
 � PIB;
 � Renda pessoal. 
Produto interno bruto (PIB) 
O PIB corresponde ao produto da economia, ou seja, à soma dos 
valores monetários dos bens e dos serviços finais, produzidos a 
partir dos fatores de produção que estão dentro das fronteiras 
geográficas do país.
Neste caso, há a interferência do Estado na economia, 
desempenhando o papel de dois agentes econômicos: de 
Consumidor e de Produtor.
O Estado adquire o que é necessário ao funcionamento das 
repartições públicas, tais como: material de escritório e veículos. 
Contrata empresas para construções de edifícios, estradas, etc. 
33
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Fornece à população os chamados serviços públicos, tais como: 
transporte, correios, assistência médica, educação, etc.
Para desempenhar o papel de produtor, o Estado necessita de 
dinheiro, que é conseguido mediante a tributação – os impostos – 
que incide sobre determinadas atividades econômicas.
Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são 
pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do 
produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto é denominado 
de Imposto Indireto. Por outro lado, o setor público muitas vezes 
pretende que determinados produtos tenham um preço mais 
baixo para o consumidor final e concede às empresas que os 
produzem os chamados Subsídios, estímulos que visam diminuir 
o custo de produção de um bem ou de um serviço.
Componentes do PIB 
Podemos mostrar o PIB através da equação abaixo: 
PIB = C + I + G + X – M
Onde:
C = consumo das famílias 
I = investimento 
G = gastos do governo 
X = exportações
M = importações 
Em suma, o PIB é igual ao conceito de despesa nacional 
mostrado anteriormente:
Produto = renda = despesas
Considerando a presença do Estado nas atividades econômicas, 
há duas maneiras de se medir o Produto Interno Bruto (PIB) de 
uma economia: 
34
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � PIB a preços de mercado: é a soma dos valores 
monetários dos bens e serviços produzidos, 
computando-se os impostos indiretos e 
subtraindo-se os subsídios;
 � PIB a custo de fatores: é a soma dos valores 
monetários dos bens e serviços produzidos, 
subtraindo-se os impostos indiretos e somando-se 
os subsídios. 
Como você aprendeu, a presença do governo num sistema 
econômico tem a possibilidade de modificá-lo através do 
seu efeito sobre o preço dos bens e dos serviços e sobre a 
remuneração dos fatores de produção.
 
Vamos supor um Sistema Econômico Z, onde, em um 
exercício, acusou o PIB a preços de mercado no valor 
de 250 bilhões. Para obter o PIB a custo de fatores, 
ou seja, descontando-se os impostos indiretos (que 
são os impostos pagos pelas pessoas físicas, de 
forma indireta no preço dos produtos) e os subsídios 
(que são benefícios oferecidos pelo governo para 
incrementar a produção de determinados bens), 
teremos:
250 bilhões (Produto Interno Bruto a preços 
de mercado)
-50 bilhões (Impostos Indiretos)
+40 bilhões (Subsídios)
= 240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo 
de fatores)
Produto Interno Líquido (PIL)
Durante o processo produtivo, as máquinas, equipamentos e 
instalações desgastam-se. Sofrem o processo de depreciação 
e necessitam ser reparados ou substituídos com certa 
regularidade, para não diminuir a capacidade produtiva de 
um Sistema Econômico.
35
Análise Macroeconômica
Unidade 1
A parcela do produto que se destina à reposição ou 
reparos dos equipamentos denomina-se Depreciação.
Para a obtenção do Produto Interno Líquido: subtraímos do 
PIB a custo de fatores a parcela correspondente à depreciação e 
obteremos o Produto Interno Líquido (PIL) a custo de fatores, 
agregado que determina a Renda Interna Líquida disponível ao 
Sistema Econômico.
Continuando com o exemplo anterior:
240 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de fatores)
-50 bilhões (Depreciação)
= 190 bilhões (Produto Interno Líquido a custo de 
fatores ou Renda Líquida)
Produto Nacional Líquido (PNL)
 Para a obtenção do Produto Nacional Líquido subtraímos do 
Produto Interno Líquido a custo de fatores a Renda Enviada 
ao Exterior (renda enviada pelos funcionáriosde empresas 
multinacionais residentes no país, ou funcionários de embaixadas) 
e somamos a Renda Recebida do Exterior (renda recebida do 
exterior por residentes nacionais de fora do país – o inverso da 
renda enviada) obtendo-se assim o Produto Nacional Líquido a 
custo de fatores (PNL cf ), ou Renda Nacional Líquida a custo de 
fatores ( RNL cf ), também denominada Renda Nacional (RN).
Considerando o exemplo anterior:
190 bilhões (Produto Interno Bruto a custo de 
fatores)
-20 bilhões (Renda Enviada ao Exterior)
+15 bilhões (Renda Recebida do Exterior)
= 185 bilhões (Produto Nacional Líquido a 
custo de fatores, ou Renda Nacional Líquida a 
custo de fatores, ou Renda Nacional (RN).
36
Universidade do Sul de Santa Catarina
Consumo das famílias 
A variável consumo refere-se aos gastos que as pessoas fazem 
com bens de consumo, tais como: alimentos, roupas, remédios, 
supérfluos, etc. 
Investimento 
A variável investimento refere-se aos investimentos feitos pelas 
empresas com o objetivo de aumentar a produção. 
Quando uma empresa compra uma nova máquina, 
consideramos que houve um investimento. 
Gastos do governo 
Os gastos do governo referem-se às diversas despesas deste. 
O pagamento de funcionários públicos, a construção 
de novas escolas e hospitais são alguns dos gastos do 
governo.
Exportações e importações 
Ao nos referirmos às exportações e importações, queremos 
enfatizar que o comércio exterior também interfere na formação 
do PIB de um país. Note que, na fórmula de cálculo do PIB, 
a variável importações (M) é a única com o sinal negativo, 
significando que, quando aumentam, há uma redução no PIB 
(caso não ocorra variação em nenhuma outra variável). 
Veja no quadro abaixo como estas variáveis contribuíram para a 
formação do PIB brasileiro nos anos de 2007 e 2008. 
37
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Tabela 1.2 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa
Especificação Ano de 2007 - Valores Correntes (R$ milhões)
Ano de 2008 - Valores 
Correntes (R$ milhões)
Despesas de Consumo 
das Famílias
1.579.616 1.753.414
Despesas de Consumo da 
Administração Pública
517.287 584.408
Formação Bruta de 
Capital Fixo
455.213 548.757
Exportações de 
Bens e Serviços
355.399 414.257
Importações de Bens e 
Serviços (-)
315.362 409.427
Variação de Estoques 5.459 (-) 1.690
Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010.
Agora, veja na tabela seguinte como cada um dos setores 
(primário, secundário e terciário) contribuiu para o PIB brasileiro 
nos mesmos anos. 
Tabela 1.3 – Componentes do PIB em 2007 e 2008 pela Ótica da Despesa. 
Setores: Primário, Secundário, Terciário
Especificação Ano de 2007 - Valores Correntes (R$ milhões) (%)
Ano de 2008 - Valores 
Correntes (R$ milhões) (%)
Agropecuária 133.015 5,98 163.536 6,87
Indústria 623.721 28,05 682.497 28,66
Serviços 1.466.783 65,97 1.535.021 64,47
Total 2.223.519 100,00 2.381.054 100,00
Fonte: IBGE. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 fev. 2010.
Analisando-se os quadros apresentados, no que diz respeito 
à composição do PIB Brasileiro, através das variáveis 
macroeconômicas e suas composições e a participação de cada um 
dos setores da economia, aponta-se:
http://www.ibge.gov.br
http://www.ibge.gov.br
38
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 � há um crescimento nas despesas de consumo das 
famílias, na proporção de 11,00%; há um crescimento 
das despesas de consumo da administração pública na 
proporção de 12,98%; há um crescimento da formação 
bruta do capital fixo em 20,55%; assim como há um 
aumento da exportação de bens e serviços de 16,56% 
e um crescimento da importação de bens e serviços na 
ordem de 29,82%, porém há um decréscimo na variação 
de estoques na ordem de 130,9581%;
 � verifica-se, também, um crescimento da produção 
agropecuária na ordem de 22,95%; um aumento da 
produção industrial na ordem de 9,42%; refletidos no 
crescimento do setor de serviços na ordem de 7,08%.
Renda pessoal (RP) 
A renda pessoal é o agregado macroeconômico destinado aos 
consumidores residentes no país. Considere, mais uma vez, a 
intervenção do Estado na economia. Se subtrairmos da renda 
nacional os lucros retidos pelas empresas, os impostos diretos 
das empresas (imposto de renda) e as contribuições feitas à 
previdência social, e se somarmos as transferências do governo 
(ou seja, as despesas do governo com inativos, pensionistas, 
salário-família e outros benefícios pagos pela previdência social 
mais os juros pagos), então teremos a renda pessoal (RP). 
Seguindo com o exemplo apresentado sobre Os 
Agregados Macroeonômicos do sistema econômico Z:
 � vamos subtrair: os impostos pagos de renda 
sobre o faturamento real pago pelas empresas 
e as contribuições das mesmas para a 
previdência social;
 � vamos somar: os benefícios pagos pelo 
governo aos aposentados e pensionistas, os 
juros pagos pelo governo pela ocupação do 
capital privado. 
39
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Do resultado obteremos a Renda Pessoal do 
sistema econômico
Vejamos os cálculos:
185 bilhões (Produto Nacional Líquido a custo 
de fatores)
-70 bilhões (Imposto de Renda das empresas e 
contribuições à previdência social)
+50 bilhões (Benefícios pagos pela 
previdência social)
+50 bilhões (Juros Pagos pelo governo)
= 170 bilhões (Renda Pessoal)
Renda pessoal disponível (RPD) 
Se você subtrair da renda pessoal os impostos diretos pagos pelas 
pessoas, ou seja, imposto de renda, chegará ao conceito de Renda 
Pessoal Disponível (RPD), que é a quantia que permanece em 
poder das pessoas para ser consumida ou poupada. 
Note que a produção realizada por um sistema econômico é 
destinada à satisfação das necessidades das pessoas. Esse sistema 
econômico não permanece estável no decorrer do tempo, ele se 
modifica, cresce e atravessa crises, tudo isso com consequências 
sobre as pessoas que o integram. 
Finalizando o exemplo do sistema econômico Z, 
vamos subtrair o imposto de renda das pessoas físicas 
pelos seus rendimentos anuais, alcançando, assim, a 
renda pessoal disponível ao alcance da população. 
Vejamos os cálculos:
170 bilhões (Renda Pessoal)
-30 bilhões (Imposto de Renda pago pelas 
pessoas)
= 140 bilhões (Renda Pessoal Disponível)
40
Universidade do Sul de Santa Catarina
Tabela 1.4 – Demonstração do Cálculo da Renda Pessoal Disponível, 
aplicado ao Sistema Econômico Z
(+) PIB pm 250
(-) Impostos Indiretos 50
(+) Subsídios 40
(=) PIB cf 240
(-) Depreciação 50
(=) PIL cf 190
(-) Renda Enviada ao Exterior 20
(+) Renda Recebida do Exterior 15
(=) PNL cf 185
(-) Imposto de Renda das Empresas e Contribuições à Previdência Social 70
(+) Benefícios pagos pela Previdência Social 50
(+) Juros Pagos pelo Governo 5
(=) Renda Pessoal 170
(-) Imposto de Renda Pago pelas Empresas 30
(=) Renda Pessoal Disponível 140
Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58.
Tabela 1.5 - Quadro Demonstrativo Completo dos Agregados 
Macroeconômicos
(+) PIB pm
(-) Impostos Indiretos
(+) Subsídios
(=) PIB cf
(-) Depreciação
(=) PIL cf
(-) Renda Enviada ao Exterior
(+) Renda Recebida do Exterior
(=) PNL cf
(-) Lucros Retidos Pelas Empresas
(-) Aluguéis Pagos ao Governo
(-) Imposto de Renda das Empresas 
(-) Contribuições à Previdência Social
(+) Transferências do Governo ( benefícios, aposentadorias, etc ).
(+) Juros Pagos pelo Governo
(=) Renda Pessoal
(-) Imposto de Renda Pago pelas Familias
(=) Renda Pessoal Disponível
Fonte: SILVA; Luiz, 2007, p. 54 a 58.
41
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Vimos que a produção realizada por um Sistema Econômico, 
medida através da contabilidade nacional, é destinada à satisfação 
das necessidades das pessoas, sendo também um dos campos de 
interesse dos economistas, ou seja, o bem-estar dos habitantes 
do país. O cálculo da Renda Pessoal Disponível através dos 
agregados macroeconômicos possibilita obter o valor da mesma 
e verificar o nível de bem-estar da população de um sistema 
econômico.
As taxas de crescimentodo produto e da renda de uma economia 
refletem-se na Renda Per Capita de um país, ou seja, é a renda 
de um país, em um determinado período de tempo, dividida pela 
população do país no mesmo período de tempo.
A Renda Per Capita é dividida em:
 � Distribuição interregional de renda: forma como a 
renda nacional de um país, em um período de tempo, é 
distribuída entre as regiões desse país; 
 � Distribuição funcional de renda: forma como a renda 
de um país, em um período de tempo, é distribuída entre 
os fatores trabalho e capital.
O cálculo da distribuição de renda envolve diferentes aspectos, 
os quais dificultam conclusões a respeito do bem-estar de um 
país e de seus habitantes. Se os fatores de produção estão mais 
concentrados em uma região, é de esperar que a renda per capita 
dos habitantes dessa região seja maior do que a renda per capita dos 
habitantes das demais regiões do país. A forma como é efetuado 
o cálculo da distribuição de renda não leva em consideração a 
concentração populacional de uma região, em detrimento de outra. 
Outro fator importante que se deve considerar é a remuneração 
do capital, que vai para o seu proprietário, o capitalista, que é 
uma pessoa residente no país, portanto o proprietário do capital 
“receberá” uma parcela maior da renda do que aquela que lhe é 
atribuída pelo conceito de renda per capita.
O aumento do nível da renda per capita pode indicar que 
aumentou o nível do bem-estar social do país como um todo, 
porém, de forma individual, não apresenta esta indicação, pois, 
em algumas regiões, a população não tem acesso a serviços de 
saúde, transporte, educação e saneamento básico, por exemplo.
42
Universidade do Sul de Santa Catarina
A distribuição de Renda Per Capita será válida quando 
conseguir representar uma distribuição que ocorre de 
forma completa e equitativa.
Um dos campos de interesse dos economistas e, também, do 
governo é o nível de bem-estar dos habitantes de um país. Esse 
nível de bem-estar, apesar de ser um conceito subjetivo, pode 
ser aproximado através da quantidade de bens e de serviços 
disponíveis, por um período de tempo, para as pessoas. 
Se a quantidade de bens e serviços disponíveis aumentou de um 
ano para outro, mais do que o aumento da população, pode-
se dizer que aumentou o bem-estar das pessoas desse país. 
Isso aconteceria, de fato, se o aumento do produto (lembre que 
produto é renda) tivesse sido distribuído igualmente entre as 
pessoas. 
As observações acima nos permitem concluir que há virtudes 
e limitações nos agregados macroeconômicos. Como virtude, 
destacamos que: 
 � os agregados servem para o estudo e acompanhamento 
da evolução do sistema econômico no decorrer do tempo;
 � através dos seus vários conceitos, é possível avaliar o 
papel do governo, do setor externo e das empresas na 
economia. 
Você deve notar, contudo, que há uma limitação da contabilidade 
nacional como instrumento de análise. A contabilidade nacional 
não nos diz de que forma o produto é distribuído entre os 
habitantes do país. Assim, uma economia pode apresentar taxas 
de crescimento elevadas de seu produto, mas isto não quer dizer 
que o crescimento seja igualmente distribuído entre as pessoas. 
Nesse caso, fica difícil dizer alguma coisa a respeito do nível 
de bem-estar, pois o bem-estar de algumas pessoas aumentou, 
43
Análise Macroeconômica
Unidade 1
mas, o de outras, não. Veja o caso do Brasil, o qual representa 
um exemplo clássico da limitação da contabilidade nacional para 
avaliar como a produção é distribuída entre os brasileiros. 
De qualquer forma, a contabilidade nacional tem-se mostrado 
útil para analisar o funcionamento do sistema econômico como 
um todo, pois fornece ao governo elementos que permitem dirigir 
as medidas de política econômica para os objetivos estabelecidos.
Síntese
Nesta unidade, você aprendeu alguns dos principais 
conceitos macroeconômicos e conheceu os seus agregados. A 
macroeconomia, através da contabilidade social, efetua o cálculo 
da renda e do produto de uma economia, permitindo, assim, uma 
maior compreensão das interações entre os agentes econômicos.
Conheceu também o conceito de PIB (Produto Interno Bruto), 
sua formação e composição e o conceito de Renda Per Capita, sua 
fórmula de cálculo e a forma de análise de sua composição.
Nas próximas unidades, você aprenderá mais sobre a 
macroeconomia, especificamente, sobre a importância do 
consumo e da poupança e suas contribuições para a formação dos 
investimentos e a participação do governo na economia de um país.
44
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Caro(a) aluno(a), leia cada enunciado com atenção e responda às 
questões que seguem. 
1. Por que é importante estudar a contabilidade nacional?
 
2. Nesta unidade, você aprendeu o conceito de PIB. 
Descreva-o e responda: Por que você considera que é importante para um 
empresário conhecer o PIB da região onde pretende montar uma nova 
empresa? 
3. Por que dizemos que a renda é igual ao produto? 
45
Análise Macroeconômica
Unidade 1
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto, visitando o site do Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: 
<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 27 fev. 2011.
Consulte também:
SILVA, César Roberto L.; SINCLAYR, Luiz. Economia e 
mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996. 
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à 
economia. ed. rev. e atual. São Paulo: Makron Books, 2009.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura 
econômica: entendendo a economia no dia-a-dia. Campo 
Grande: Editora Oeste, 2001. 
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.
Você também pode estudar o livro Conjuntura econômica, ao 
acessá-lo gratuitamente no site <www.qualimetria.ufsc.br>.
http://www.ibge.gov.br
2UNIDADE 2Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços – consumo, 
poupança e investimento
Objetivos de aprendizagem
 � Entender a relação entre consumo e poupança, no 
processo de formação da renda. 
 � Compreender o significado de investimentos, no 
sentido macroeconômico. 
Seções de estudo
Seção 1 Contexto histórico 
Seção 2 Consumo das famílias 
Seção 3 Poupança 
Seção 4 Investimentos 
48
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Esta unidade e a seguinte tratam da determinação da renda 
e do produto nacional. Nesta unidade, faremos uma breve 
introdução ao estudo da macroeconomia. Após, estudaremos 
dois agentes econômicos: as famílias (que consomem e poupam) 
e as empresas (que investem para aumentar sua capacidade 
produtiva). Na unidade seguinte, damos continuidade ao assunto 
ao introduzirmos o governo e suas políticas na nossa análise. 
Seção 1 – Contexto histórico 
Até 1930, os economistas acreditavam que o livre mercado se 
encarregaria de equilibrar o fluxo econômico, conduzindo a 
economia, naturalmente, ao pleno emprego de recursos. Porém a 
crise econômica atingiu todo o planeta a partir de 1929, quando 
ocorreu a quebra da bolsa de Nova Iorque. Esta crise implicou 
uma significativa queda da atividade econômica, aumento do 
desemprego e da capacidade ociosa. O evento evidenciou que o 
mercado, por si, não tem condições de conduzir a economia ao 
pleno emprego. 
Com isso, em 1936, o economista britânico John Maynard 
Keynes desenvolveu sua teoria no livro Teoria Geral do 
Emprego, dos Juros e da Moeda (1936), cuja ideia central 
se baseia no pressuposto de que a intervenção do governo 
é necessária para regular a atividade econômica e levar a 
economia ao pleno emprego. 
O governo, por meio de seus gastos, é um elemento fundamental 
para eliminar o quadro recessivo e de desemprego. É que, ao 
aumentar seus gastos, o governo estaria aumentando a demanda 
agregada e, consequentemente, o nível de produção, o que irá 
permitir que as empresas ocupem sua capacidade ociosa e elevem 
a demanda de mão de obra. 
A tabela 2.1 mostra a situação nos Estados Unidosentre 1929 e 
1934, auge da crise econômica. 
 John Maynard Keynes nasceu 
na Inglaterra, em 1883, e é 
considerado o mais célebre 
economista da primeira metade 
século XX, pai da macroeconomia.
As suas ideias revolucionárias 
levaram à adoção de políticas 
intervencionistas do Estado, 
a fim de criar estímulos ao 
desenvolvimento econômico.
A sua teoria macroeconômica, 
desenvolvida em plena 
depressão econômica dos anos 
30, previa que uma economia 
poderia permanecer abaixo da 
sua capacidade, com taxas de 
desempregos altas. 
http://www.knoow.net/historia/cronologia/1883_a_efemerides.htm
http://www.knoow.net/historia/cronologia/indicesec20.htm
http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/macroeconomia.htm
49
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Tabela 2.1 – Situação econômica dos Estados Unidos entre 1929 e 1934
Indicadores de desempenho
Anos
1929 1933 Var%
NÍVEL GERAL DE PREÇOS: IPC 1929 = 100 100 75,4 -24,6%
Procura agregada em US$ bilhões
Dispêndios de consumo das famílias 77,5 45,9 -40,8%
Investimento das empresasw 16,7 1,7 -89,8%
Dispêndios do governo 8,6 7,9 -8,1%
Procura externa líquida 0,4 0,1 -75,0%
Produto Nacional Bruto 103,2 55,6 -46,1%
Taxa de desemprego (% sobre força de trabalho) 3,2 24,9 679,1%
Fonte: BAUMOL, 1994, p.136.
Note que todos os indicadores sofreram variações negativas. 
Apenas a variável desemprego aumentou, mostrando claramente 
que a situação nos EUA era de crise significativa. 
Desde Keynes, o paradigma da teoria macroeconômica tem sido 
o debate sobre o grau de intervenção do Estado na economia. 
Esta parte do estudo é chamada de teoria da determinação do 
equilíbrio da renda nacional, ou modelo keynesiano básico. 
Há duas abordagens neste estudo: o lado real (mercado de bens 
e serviços e mercado de trabalho) e o lado monetário (mercado 
de moedas e títulos). Nesta unidade e na seguinte, analisaremos o 
lado real. Na unidade 4, o lado monetário. 
Conceitos importantes 
Dois conceitos básicos são importantes para você compreender a 
teoria da determinação do equilíbrio da renda nacional, ou modelo 
keynesiano básico: o de oferta agregada e o de demanda agregada. 
Oferta Agregada (OA) – A oferta agregada, também conhecida 
como oferta de mercado ou oferta global, é a quantidade (da 
produção) de bens e serviços finais que o conjunto de ofertantes 
produz e oferece no mercado, ou seja, são colocados à disposição da 
50
Universidade do Sul de Santa Catarina
sociedade em um dado período. É o próprio produto real, ou PIB. 
A oferta agregada varia em função da disponibilidade de fatores 
de produção (terra, capital e trabalho). Determina-se a oferta 
agregada, somando-se as ofertas individuais a cada nível de preço. 
Há dois tipos de oferta agregada:
Oferta agregada efetiva – refere-se à produção que é de fato 
colocada no mercado. Esta depende de todos os fatores que 
influenciam a oferta individual, além do número de ofertantes no 
mercado (ou seja, para que se torne efetiva, há a necessidade do 
emprego de todos os fatores de produção. 
Oferta agregada potencial – refere-se à quantidade máxima que 
a economia pode produzir quando todos os fatores de produção 
estão sendo empregados (ou seja, no pleno emprego).
Como a análise da teoria keynesiana é uma análise de curto 
prazo, ela supõe que a oferta agregada potencial permanece 
constante no curto prazo. A oferta agregada potencial só se 
altera se houver uma mudança na quantidade física dos fatores de 
produção ou no grau de tecnologia. 
Outro conceito importante é o de demanda Agregada (DA). 
A demanda agregada é a soma das demandas dos quatro agentes 
macroeconômicos: despesas das famílias com bens de consumo 
(C), investimentos das empresas (I), gastos do governo (G), 
exportações (X) e importações (M). Podemos representar esta 
relação do seguinte modo:
DA = C + I + G + X - M
Como a oferta agregada potencial não se altera no curto prazo, 
dados os estoques de fatores de produção, as alterações do nível 
de renda e do produto nacional devem-se exclusivamente às 
variações na demanda agregada de bens e serviços. Ou seja, 
as flutuações na demanda agregada são as responsáveis pelas 
variações do produto e da renda nacional a curto prazo. 
Assim, as políticas fiscais adotadas pelo governo, através da 
política monetária (determinação da taxa de juros) e a política fiscal 
51
Análise Macroeconômica
Unidade 2
(determinação das alíquotas dos impostos e gastos do governo), 
influenciam a demanda agregada, com o intuito de alcançar metas 
de crescimento e emprego, pois refletem no consumo das famílias 
e, consequentemente, nos investimentos empresariais.
Seção 2 – Consumo das famílias 
Pense no caso de uma pessoa que recebe seu salário, que é 
a remuneração do seu trabalho, no final do mês. Com esse 
salário, que é sua renda pessoal disponível, ela realizará 
uma série de gastos necessários para a sua sobrevivência e a 
satisfação de suas necessidades. 
A Renda Disponível (RD) é a Renda Bruta menos os 
descontos como impostos e contribuições sociais. 
Podemos representar esta relação assim: 
Renda disponível (RD) = renda bruta - descontos
Há estudos empíricos que mostram que a decisão de consumo 
de uma população é influenciada fundamentalmente pela renda 
nacional disponível (RND). 
Assim, temos que:
C = f (RND)
Onde:
C = consumo agregado; 
RND = renda nacional disponível. 
52
Universidade do Sul de Santa Catarina
Um conceito importante criado por Keynes, relativo ao consumo 
das famílias, é o de propensão marginal a consumir (PMgC). 
Este conceito refere-se à variação esperada no consumo dada uma 
variação na renda disponível. Por outras palavras, designa a parte 
da renda que é despendida para o consumo. O total que uma 
comunidade gasta em consumo depende: 
do montante de sua renda; 
de várias circunstâncias objetivas, tais como as variações nas 
unidades salariais e o nível de distribuição e os controles 
governamentais; 
das necessidades subjetivas, inclinações psicológicas e hábitos dos 
indivíduos. 
Resumidamente, é a propensão que as pessoas têm ao consumo, 
dada uma variação na renda. Matematicamente, tal relação é 
expressa pela seguinte equação: 
PMgC = 
∆C
∆RND
Onde: 
PMgC = propensão marginal a consumir; 
∆C = consumo; 
∆RND = renda nacional disponível. 
Os gastos com consumo podem ser divididos em três 
componentes, dependendo da natureza do bem ou do serviço 
que for adquirido. Acompanhe-os a seguir. 
 � Bens de consumo não duráveis. São bens cuja vida 
útil é relativamente curta, como alimentos, roupas e 
combustível. 
 � Serviços de consumo. Compreendem as despesas feitas 
com aluguel, médicos, barbeiro, cinemas, transporte, etc. 
O que distingue os bens não duráveis dos serviços de 
consumo é o fato de que, no segundo caso, a pessoa não 
53
Análise Macroeconômica
Unidade 2
está comprando um objeto com existência física própria, 
mas um serviço prestado por outra pessoa ou por um 
equipamento. 
 � Bens de consumo duráveis. Como eletrodomésticos em 
geral, automóveis, móveis, etc. Estes bens têm vida útil 
maior do que os bens não duráveis de consumo. 
O nível do bem-estar ou desenvolvimento econômico de um 
país ou região pode ser medido através do consumo dos bens 
ofertados e consumidos. Um elevado consumo de bens duráveis 
indica que o nível de renda das famílias aumentou ou está em 
crescimento. Da mesma forma, o aumento do uso de serviços 
de saúde particulares e gastos em entretenimento, como viagens 
e idas ao cinema, indica aumento de renda e uso da mesma não 
apenas em bens de consumo duráveis: há um aproveitamento 
maior da renda familiar.
Segundo Keynes, os principais fatores que influenciam a 
propensão a consumir são:
 � A unidade de salário. Para o autor, 
[...] se a unidade de salário varia, o gasto em consumo 
correspondente a certo nível de emprego variará, assim 
como os preços, na mesma proporção, ainda que, em 
certas circunstâncias, tenhamos que levar em conta as 
possíveis consequências sobre o consumoagregado de 
uma mudança na distribuição de renda real entre os 
empresários e os rentiers, provocada por uma variação na 
unidade de salário. (KEYNES, 1985, p.72).
 � A variação na diferença entre renda e renda líquida. 
Segundo Keynes:
É a renda líquida que o indivíduo tem em mente, antes de 
mais nada, quando decide a escala de seu consumo. Em 
determinada situação pode existir certa relação estável 
entre ambos os conceitos, no sentido de que haverá uma 
função relacionando de maneira biunívoca os diversos 
níveis de renda aos correspondentes níveis de renda líquida. 
Entretanto, se não for o caso, a parte da variação da renda 
que não afete a renda líquida, deve ser negligenciada, pois 
não influi sobre o consumo e, de forma semelhante, deve 
ser levada em conta a variação na renda líquida que não 
reflita na renda. (KEYNES, 1985, p.73). 
O termo francês  Rentiers 
designa as pessoas que 
vivem de rendimentos 
provenientes de juros de 
títulos governamentais, ou 
da posse de capitais
54
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � Variações imprevistas nos valores de capital. O autor 
afirma que, 
Estas variações têm importância muito maior para 
modificar a propensão a consumir por não guardarem 
nenhuma relação estável ou regular com o montante da 
renda. O consumo das classes proprietárias de riqueza 
pode ser extremamente suscetível às variações imprevistas 
no valor nominal de seus bens. Este fator deve ser 
considerado entre os mais importantes daqueles capazes 
de ocasionar variações de curto prazo na propensão a 
consumir. (KEYNES, 1985, p.73). 
 � Variações na taxa internacional de desconto,
[...] isto é, na relação de troca em ter os bens presentes 
e os bens futuros. A influência deste fator sobre a 
propensão em que se gasta determinada renda está sujeita 
a muitas dúvidas. Para a teoria clássica da taxa de juros, 
que se baseia na ideia de ser a taxa de juros o fator de 
equilíbrio entre a oferta e a procura de poupança, era 
conveniente supor que as despesas de consumo, cet. 
par., variassem na razão inversa das variações na taxa de 
juros, de maneira que qualquer elevação da taxa de juros 
diminuiria consideravelmente o consumo. (KEYNES, 
1985, p.73). 
 � Variações na política fiscal. Conforme o autor, 
À medida que o incentivo do indivíduo para poupar 
depender dos futuros rendimentos que espera, ele 
evidentemente dependerá não só da taxa de juros, como 
também da política fiscal do Governo. [...] Se a política 
fiscal for usada como um instrumento deliberado para 
conseguir maior igualdade na distribuição das rendas, 
seu efeito sobre o consumo da propensão a consumir será, 
naturalmente, tanto maior. (KEYNES, 1985, p.73)
 � Modificações das expectativas acerca da relação entre os 
níveis presentes e futuros de renda. Keynes afirma que 
este fator pode “[...] afetar consideravelmente a propensão 
a consumir de um indivíduo, é provável que, quando se 
trata da comunidade como um todo, seus efeitos tendem 
a compensar-se.” (1985, p. 74). 
55
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Assim, partindo destas afirmações de Keynes, chega-se à 
conclusão de que poderemos considerar a propensão a consumir 
como uma função relativamente estável, desde que tenhamos 
eliminado as variações na unidade de salário em termos de 
moeda. As demais variáveis, tais como, flutuações imprevistas nos 
valores de capital, variações na taxa de juros e na política fiscal, 
afetam a propensão a consumir, não devendo ser desprezadas 
mesmo que se apresentem sem importância em circunstâncias 
consideradas comuns. (KEYNES, 1985).
Não podemos esquecer que os gastos com consumo dependem 
do volume de produção e do emprego, porém os demais fatores 
devem ser considerados para justificar e compor a propensão 
a consumir, porque possuem a característica de variação de 
percentuais e a renda agregada, que é medida em unidades de 
salário e a principal variável de que depende o componente de 
consumo da função procura agregada.
Seção 3 – Poupança 
Conforme você aprendeu, as pessoas podem com a sua renda 
consumir bens não duráveis, e serviços e bens duráveis. Mas as 
pessoas também podem consumir todos os produtos que acharem 
necessários durante o mês, e ainda pode restar uma parte da 
renda. Essa parte da renda que não é consumida chama-se 
poupança. Esta relação entre renda, consumo e poupança pode 
ser representada do seguinte modo: 
Sendo a 
Renda = Consumo + Poupança, 
então
Poupança = Renda - Consumo
56
Universidade do Sul de Santa Catarina
Esta identidade também pode ser expressa da seguinte forma: 
S = Y - C
Onde: 
S = poupança (Saving em inglês); 
Y = renda (Yield em inglês); 
C = consumo (consumption em inglês). 
Desta forma, há apenas duas coisas que as pessoas podem fazer 
com suas rendas: consumir ou poupar. Em outras palavras, 
significa dizer que a renda é composta pelo consumo e pela 
poupança. Segundo Keynes:
A igualdade entre a poupança e o investimento é 
uma consequência natural, em resumo: renda é igual 
ao valor da produção, que é igual ao consumo mais 
investimento; poupança é igual a renda menos o 
consumo; portanto, poupança é igual ao investimento.
A equivalência entre a quantidade de poupança e 
a quantidade de investimento decorre do caráter 
bilateral das transações entre o produtor, de um lado, 
e o consumidor ou o comprador de equipamento de 
capital de outro lado. A renda cria-se pelo excedente 
do valor que o produtor obtém da produção que 
vendeu sobre o custo de uso, mas a totalidade desta 
produção deve ter sido vendida, obviamente, a um 
consumidor ou a outro empresário, e o investimento 
corrente de cada empresário é igual ao excedente 
sobre o próprio custo de seu uso do equipamento 
que comprou a outros empresários. Portanto, em 
conjunto, o excedente da renda sobre o consumo, 
a que chamamos poupança, não pode diferir da 
adição a equipamento de capital, a que chamamos 
investimento. (1985, p. 53-54)
57
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Saiba mais sobre a importância de saber poupar! 
Poupar é uma arte. E, já está provado, traz significativos 
resultados para os poupadores em longo prazo. E 
é justamente quando falamos de tempo que está o 
problema da poupança. 
Nos manuais de economia, poupança é definida como 
sendo o consumo futuro. Ou seja, uma compra que 
adiamos hoje com o intuito de comprar algo no futuro. 
Como comprar ou consumir dá prazer a muitas pessoas, 
é difícil adiar o prazer de hoje pensando num prazer 
futuro. É preciso deixar claro que, quando falo em 
poupança, não me refiro especificamente às cadernetas 
de poupança, mas a toda e qualquer forma de 
economizar dinheiro, seja aplicando em ações, títulos 
do governo, fundos de renda fixa, dentre outros. 
Mas não fosse a arte de poupar e a mágica dos juros 
compostos, jamais poderíamos comprar produtos 
que, à vista, não temos condições de fazê-lo. Uma 
pequena parcela poupada a cada mês pode, ao final 
de um grande período, render bons frutos para quem 
for disciplinado. 
E não é simples pensarmos em um período longo 
de tempo, porque sempre há aquela pessoa que diz: 
“Aproveite a vida! Por que fazer amanhã o que pode 
fazer hoje?” E é realmente uma arte resistir às tentações 
consumistas do mundo moderno. 
Os americanos são conhecidos como grandes 
gastadores, e nós brasileiros não ficamos atrás. No 
entanto é preciso lembrar que lá a taxa de juros bem 
reduzida é um convite ao consumo, enquanto aqui juros 
elevados clamam pelo aumento das taxas de poupança. 
Portanto poupar exige disciplina e um objetivo futuro. 
Sem um objetivo, seja ele um carro, uma viagem, um 
apartamento, dificilmente poupamos. Mas vale a pena. 
58
Universidade do Sul de Santa Catarina
A poupança também está diretamente relacionada à renda 
disponível. Define-se também a propensão marginal a poupar 
(PMgS) como a variação da poupança quando ocorre uma 
variação na renda. Essa variável é muito importante para a 
política econômica, pois estudos empíricos mostram que os países 
mais pobresapresentam propensão marginal a poupar menor 
que os países mais ricos. O que implica dizer que as populações 
dos países mais pobres tendem a gastar quase a totalidade de sua 
renda em bens de consumo. 
Em um determinado sistema econômico, os registros 
dos agregados macroeconômicos apontaram as 
seguintes situações em um período de tempo de sete 
meses:
 � Renda – Poupança – Consumo (1.000 $)
 � Sistema Econômico Z – Ano H
Tabela 2.2 – Agregados macroeconômicos do Sistema Econômico Z
Renda (Y) Consumo (C) Poupança (S)
0 10 - 10
25 30 - 5
50 50 0
75 70 5
100 90 10
125 110 15
150 130 20
Fonte: Dados Fictícios.
Verifica-se que uma renda inicial é igual a 0 unidade 
e a necessidade de consumo é de 10 unidades. A 
propensão marginal para poupar será negativa, 
inicialmente de -10; à medida que se eleva a renda, 
ocorre o aumento do consumo e a possibilidade de 
aumento da propensão marginal a poupar, o que eleva 
os níveis de satisfação da renda do sistema econômico.
A equação da função poupança linear se obtém 
através da diferença da função consumo, sendo 
representada por:
S = Y – C
S = Y – (a + bY)
59
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Em nosso exemplo, as propensões marginais para 
consumir e poupar são respectivamente:
1° Calculamos as variações (∆).
Variação do Consumo e Variação da Renda:
 � Variação do Consumo: ∆C = Cf – Ci = 30 – 10 = 20
 � Variação da Renda: ∆Y = Yf – Yi = 25 – 0 = 25
PMgC = ∆C/∆Y = 20/25 = 4/5 = 0,80 (Propensão 
Marginal a Consumir).
Desta forma, se a propensão marginal para consumir 
é igual a 0,80 então a propensão correspondente à 
poupança será necessariamente 0,20. 
Aplicando a fórmula:
∆C/∆Y + ∆S/∆Y = 1
Onde: 
∆S/∆Y = 1 - ∆C/∆Y
PMgS = 1 – PMgC = 1 – 0,80 = 0,20
A equação da poupança será: 
S = Y – a – by
Calculando, teremos: 
S = Y – 10 – 0,80y
S = - 10 + 0,20Y
Para a renda igual a 150, teremos:
S = - 10 + (0,20 X 150)
S = - 10 + 30
S = 20
Agora você deve estar pensando: o que se faz com a poupança? Para 
poder responder a essa pergunta adequadamente, é necessário 
antes acompanhar algumas considerações sobre o lado real do 
sistema econômico. 
60
Universidade do Sul de Santa Catarina
Até agora foi apresentado o fluxo monetário do sistema 
econômico, o lado da renda. Lembre, ainda, que o fluxo real, 
ou lado real da economia, corresponde aos bens e serviços 
produzidos em determinado período de tempo. 
Você também já aprendeu que o lado real é igual ao lado 
monetário, ou seja, a renda é igual ao produto. Esta igualdade 
indica que o total dos bens e serviços produzidos em um período 
de tempo é vendido, para que a receita das vendas remunerasse 
os fatores de produção. Já se pode, portanto, concluir que a renda 
disponível é o principal determinante do consumo. 
Uma parte do produto, isto é, dos bens e serviços produzidos, não 
será vendida, havendo uma variação, num determinado período 
de tempo, nos estoques do sistema econômico. 
Como o estoque de uma economia é formado pelos bens que não 
foram vendidos, no período de tempo em que foram produzidos, 
mais o estoque no início do período, você pode considerar que a 
variação de estoques em um período de tempo é igual à poupança 
no mesmo período. 
Do ponto de vista real do sistema econômico, a 
formação de estoque significa investimento. 
Vejamos, então, maiores detalhes sobre o investimento, na 
seção a seguir!
Seção 4 – Investimentos 
Você sabe o que é investimento?
Investimento é o acréscimo em estoque de capital que leva ao 
acréscimo da capacidade produtiva (construções, instalações, 
máquinas, etc.) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2004). 
61
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Ou seja, investimento é a aplicação de recursos 
em empresas (novas empresas ou ampliação das 
empresas já existentes). Tais investimentos devem, ao 
final de um período, gerar lucro para o empresário. 
Conforme o Dicionário de Economia (SANDRONI, 1992), 
investimento é a aplicação de capital em meios que levam ao 
aumento da capacidade produtiva, ou do produto. 
Para investir, as empresas precisam de capital. Este capital está 
disponível para elas nos bancos. Mas o capital ou dinheiro que 
está nos bancos pertence às pessoas e famílias que guardam seu 
dinheiro. E é justamente esse dinheiro que os bancos emprestam 
às empresas. 
Investimentos são compras de bens de Capital, 
bens utilizados na fabricação de outros bens, mas 
que não se desgastam totalmente no processo 
produtivo. É o caso de máquinas, equipamentos 
e instalações. Este conceito também pode ser 
aplicado, por exemplo, a um carro de passeio, 
quando este é utilizado por um taxista. Ou seja, 
um bem pode ser um bem de consumo, se for para 
consumo próprio; ou bem de capital, caso seja 
utilizado para gerar renda para seu proprietário. 
Neste sentido, pode-se dizer que a poupança é igual ao 
investimento, no mesmo período. Isto nos leva à igualdade 
fundamental da macroeconomia, representada por: 
S = I
Onde: 
S = poupança; 
I = investimento. 
Em resumo, podemos dizer que o investimento se manifesta de 
três maneiras: 
62
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � construção de novas fábricas e máquinas para as 
empresas;
 � construção de novas casas residenciais;
 � variação dos estoques. 
O estudo dos investimentos é de suma importância para a atividade 
econômica, pois são as empresas que, ao investir, geram empregos 
e renda para a população. Entretanto a variável investimento 
apresenta grande instabilidade, pois seu comportamento é de 
difícil previsão, por depender não apenas de fatores econômicos, mas 
também das expectativas em relação ao futuro. 
Você sabe quais são os principais determinantes do 
investimento? 
 � A taxa de rentabilidade esperada ou taxa de retorno: 
A taxa de rentabilidade ou taxa de retorno é calculada 
a partir da estimativa do retorno líquido esperado pela 
aquisição do bem de capital. Esses valores são calculados 
em matemática financeira, por meio do valor presente 
ou valor atual dos retornos futuros. Ou seja, da renda 
esperada ao longo da vida útil do bem de capital, 
descontando-se a inflação futura, custos de manutenção 
e depreciação. A taxa de rentabilidade esperada é 
denominada na literatura econômica como eficiência 
marginal do capital. Assim, quanto maior a rentabilidade 
esperada dos projetos, maiores serão os investimentos das 
empresas na ampliação da capacidade produtiva. 
 � Taxa de juros de mercado:
O investimento tem uma relação inversamente 
proporcional à taxa de juros. Se a empresa já dispõe de 
capital próprio, a taxa de juros representará o quanto a 
empresa ganharia se, no lugar de investir em máquinas 
e equipamentos, aplicasse o dinheiro no mercado 
63
Análise Macroeconômica
Unidade 2
financeiro. Caso a empresa precise tomar recursos 
emprestados no mercado financeiro para realizar seus 
investimentos, a taxa de juros representará o custo 
do empréstimo para a empresa. Em suma, podemos 
enunciar que, quanto maior a taxa de juros de mercado, 
menores serão os investimentos em bens de capital. 
Assim, para a tomada de decisão sobre o investimento, as 
empresas comparam estas duas taxas: 
 � se a taxa de retorno superar a taxa de juros de mercado, 
as empresas investirão em bens de capital e na ampliação 
da capacidade de produção; 
 � se a taxa de retorno for inferior à taxa de juros de 
mercado, as empresas não investirão, e preferirão aplicar 
seus recursos no mercado financeiro. 
O multiplicador keynesiano dos gastos 
Um dos principais conceitos criados por Keynes foi o de 
multiplicador de despesas ou gastos. Ele mostra que, quando 
uma economia está com desemprego de recursos, um aumento na 
demanda agregada provocará um aumento na renda nacional mais 
que proporcional ao aumento da demanda. Isto porque, quando 
uma economia está em desemprego, qualquer aumento nas despesas 
provoca um efeito multiplicador nos vários setores da economia. 
O aumento na renda de um setor implica que os trabalhadores 
desse setor gastarão sua rendaem outros setores (por exemplo, 
alimentos, diversão, vestuário, transporte, etc.), e assim por diante. 
Suponha que o governo resolva construir uma 
usina hidrelétrica. Ele contratará construtoras que 
aumentarão a produção da construção civil e, assim, 
a renda dos trabalhadores e empresários deste 
ramo. Esta renda será gasta em outros setores, 
movimentando a economia. 
64
Universidade do Sul de Santa Catarina
K = 
∆RN
∆DA
O multiplicador de despesa ou gastos keynesiano (k) costuma ser 
expresso genericamente como: 
Onde: 
RN = variação da renda nacional; 
DA= variação da demanda agregada. 
Os mais conhecidos multiplicadores keynesianos são o de gastos 
de investimentos (ki) e o de gastos do governo (kg). 
Relacionando os conceitos estudados até agora com o sistema 
econômico como um todo, podemos concluir que: 
 � o consumo do sistema econômico é a soma das despesas 
de consumo realizadas por todas as pessoas, em um 
período de tempo; 
 � a soma das poupanças das pessoas é igual à poupança do 
sistema econômico;
 � a poupança da economia é igual ao investimento, que é 
formado pela variação nos estoques e pelos gastos dos 
empresários para aumentar a capacidade produtiva da 
economia. 
Multiplicador de Investimentos:
Vamos supor que, para seis períodos, as estruturas de 
consumo, ou seja, a PMgC sejam as seguintes: 0,90; 
0,80; 0,70; 0,60; 0,50 e 0,40.
Aplicando-se a fórmula de forma integral, teremos: 
k = 1/1-∆C/∆Y
65
Análise Macroeconômica
Unidade 2
Tabela 2.3 – Multiplicador de investimentos
PMgC =∆C/∆Y 
Fórmula
1/1 - ∆C/∆Y
Multiplicador
0,90 1/1- 0,90 10,00
0,80 1/1 – 0,80 5,00
0,70 1/1 – 0,70 3,33
0,60 1/1 . 0,60 2,50
0,50 1/1 – 0,50 2,00
0,40 1/1 – 0,40 1,66
Fonte: Dados fictícios.
Assim, quanto mais alta a propensão marginal para 
consumir, maior será o multiplicador (k). Isto significa 
que, em países ou regiões onde a propensão marginal 
para consumir é baixa, é alta a propensão marginal 
para poupar, o multiplicador é mais fraco; por outro 
lado, quando a estrutura econômica apresentar uma 
elevada propensão marginal para consumir, o efeito 
multiplicador de novos e continuados investimentos 
autônomos tende a ser elevado, provocando 
acentuado incremento nos níveis de renda.
Convém lembrar que os empresários são pessoas e que os gastos 
em investimentos são feitos, em parte, com suas poupanças, 
sendo o restante do investimento feito com a poupança do 
sistema econômico. Mais tarde, quando você estudar o Mercado 
de Capitais, entenderá como a poupança das pessoas é transferida 
para os investimentos. 
66
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você aprendeu a importância de algumas variáveis 
como o consumo (que é a parcela da renda utilizada na compra de 
bens e serviços) e a poupança (que é a parcela da renda guardada 
para ser consumida no futuro, como para se comprar um carro ou 
viajar, por exemplo). 
Você também aprendeu que a poupança feita pelas pessoas é 
canalizada para os investimentos empresariais, pois é no banco 
que os empresários contraem empréstimos para abrir novas 
empresas ou expandir aquelas já existentes. 
Na próxima unidade, você estudará a intervenção do governo 
na economia, que é de suma importância, pois o governo é o 
principal agente do sistema econômico. 
Atividades de autoavaliação
A partir de seus estudos, leia com atenção e resolva as atividades 
programadas para a sua autoavaliação. 
1. O que são bens de capital? Bens de consumo duráveis? E bens não 
duráveis? 
67
Análise Macroeconômica
Unidade 2
2. Por que poupança é igual a investimento? 
3. Quais as consequências para a economia de um aumento da taxa de 
juros? 
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade, 
consultando as seguintes referências: 
BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGrawHill, 
1994. 
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à 
economia. São Paulo: Makron Books, 2009.
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura 
econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo 
Grande: Editora Oeste, 2001. 
3UNIDADE 3Determinação da renda e do produto nacional: o mercado 
de bens e serviços – o papel do 
Governo
Objetivos de aprendizagem
 � Entender o papel do Governo ou Estado em uma 
economia de mercado. 
 � Conhecer os principais instrumentos que o governo 
utiliza para intervir na economia. 
Seções de estudo
Seção 1 As funções do setor público
Seção 2 Os instrumentos do governo
Seção 3 Equilíbrio macroeconômico 
70
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Esta unidade dá continuidade à unidade 2. Aqui introduziremos 
o governo como agente econômico. Você verá quais são as 
funções do governo na economia e de quais instrumentos ele 
dispõe para otimizar o desempenho da economia. No fim da 
unidade, você também aprenderá o que é política fiscal e por que 
ela é um dos principais instrumentos para o controle do ritmo da 
atividade econômica. 
Seção 1 – As funções do setor público 
O Governo é o principal agente econômico. Além de atuar 
por meio de seus gastos, o governo é o formulador da política 
econômica. É, então, responsável pelo crescimento econômico. O 
setor público é considerado em suas três esferas: União, Estados 
e Municípios. Neste sentido, é importante aprender as principais 
funções do setor público. 
Você sabe quais são as principais funções do setor 
público?
As principais funções do governo são:
 � fiscalizadora: estabelece as alíquotas dos impostos e 
taxas e promover suas arrecadações;
 � reguladora: regula a atividade econômica através de 
leis e disposições administrativas. o governo pode 
controlar preços (gasolina, por exemplo) e impedir a 
formação de cartéis;
 � provedora de bens e serviços: através das empresas 
estatais, pode prover os bens públicos (defesa, saúde, 
educação) e bens econômicos (água, energia, telefonia);
71
Análise Macroeconômica
Unidade 3
 � redistributiva: o governo pode distribuir melhor a renda 
entre as pessoas, regiões, ou estados, procurando torná-
las mais igualitária (por exemplo: o salário mínimo);
 � estabilizadora: controla os agregados econômicos, para 
evitar recessões.
Política econômica 
A Política Econômica é o conjunto de medidas tomadas pelo 
governo de um país com o objetivo de atuar e influir sobre os 
mecanismos de produção, distribuição e consumo de bens e 
serviços. A política econômica obedece a critérios de ordem 
política e social, na medida em que determina quais segmentos 
da sociedade serão beneficiados com as diretrizes econômicas 
emanadas do Estado.
Você sabe quais são os objetivos da política 
econômica? 
A política econômica tem três grandes objetivos: 
 � maior nível de emprego possível; 
 � estabilidade dos preços, ou seja, controle da inflação; 
 � crescimento da economia. 
A participação do Estado na economia 
Como o Estado participa na economia?
O Estado participa de um sistema econômico através dos 
governos Federal, Estadual e Municipal, desempenhando o papel 
72
Universidade do Sul de Santa Catarina
de dois agentes econômicos: o de consumidor e o de produtor, 
conforme ilustrado através da figura a seguir:
Figura 3.1 – Papel do estado na economia
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
Quando atua como produtor, o Estado desenvolve ações através 
de obras de infra estrutura (nos setores de transporte, educação, 
energia e saúde). Estas obras, geralmente, requerem um elevado 
investimento e somente geram retorno de capital a longo prazo, 
porém promovem bem-estar social e acesso para população de 
faixas de renda mais baixas. 
73
Análise Macroeconômica
Unidade 3
Quando age como consumidor, o Estado adquire a totalidade 
de material de expediente necessário para a atuação e o 
funcionamento de seus diversos órgãos e repartições públicas e 
a contratação de serviços para a manutenção de suas edificações 
(tais como unidades escolares, hospitais) e dos bens de usocomum 
da população (tais como rodovias, ferrovias, pontes, etc.). Ao 
atuar como consumidor, o Estado exerce sua função provedora, 
promovendo o consumo de bens e a circulação de valores, mas, 
para isto, necessita arrecadar recursos, os quais obtém através de 
sua função fiscalizadora de arrecadação de impostos.
Seção 2 – Os instrumentos do governo 
Para alcançar seus objetivos e garantir uma melhor qualidade de 
vida para a população, o governo utiliza a política econômica. 
Esta é feita, normalmente, através de instrumentos de política 
fiscal e política monetária: 
 � Política Fiscal: refere-se às decisões do governo sobre 
seus gastos e os impostos que arrecada; 
 � Política Monetária: refere-se ao controle da quantidade 
de dinheiro que existe em uma economia. 
Para sistematizar os seus estudos, esta seção, vai se concentrar 
somente na política fiscal. 
A política fiscal é um dos instrumentos do governo 
para alterar o dinamismo da economia, seja para 
reduzir a inflação ou para aumentar o nível de 
emprego. 
A política fiscal pura é a aplicação de políticas tributárias ou de 
gastos governamentais. Ela pode ser aplicada para aumentar o 
ritmo de crescimento da economia ou para frear este ritmo. A 
política fiscal (lida) opera com as receitas (impostos) e os gastos 
do governo. 
74
Universidade do Sul de Santa Catarina
Receita Pública
A receita ou arrecadação fiscal do governo constitui-se dos itens 
postos a seguir.
 � Impostos diretos: incidem sobre as pessoas físicas 
e jurídicas, como o imposto de renda. Seu valor é 
alcançado através da aplicação de alíquotas sobre a 
renda do trabalhador durante o período de um ano, e 
sobre o faturamento bruto das empresas no momento da 
apuração do resultado do seu exercício fiscal.
 � Impostos indiretos: incidem sobre transações com bens 
e serviços, como o ICMS ou o IPI. Quando ocorre a 
transação comercial de venda de produtos e prestação 
de serviços, sobre o valor final oferecido ao cliente, as 
empresas, e profissionais liberais mediante alíquotas de 
tributação impostas pelo Estado, incluem seus valores 
nos preços dos produtos e dos serviços. Desta forma, 
quem realmente paga o imposto é o consumidor; as 
empresas, repassam, recolhem para o governo. 
 � Taxas: percentual pago por um serviço oferecido pelo 
Estado.
 � Contribuições à previdência social: de empregados 
e empregadores. São tributos recolhidos aos cofres 
públicos, para a previdência social, sobre o salário do 
empregado e o capital social registrado das empresas. 
Mediante alíquotas estipuladas pelo governo através de 
Lei Específica.
Você sabe qual é a diferença entre imposto direto e 
subsídios?
Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são 
pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do 
produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto, que é transferido 
do produtor para o consumidor, é chamado de imposto direto. 
Por outro lado, o setor público muitas vezes tem interesse em que 
determinados produtos apresentem um preço mais baixo para 
75
Análise Macroeconômica
Unidade 3
o consumidor final. Neste sentido, o governo pode conceder às 
empresas que produzem tais produtos os chamados subsídios, 
os quais constituem estímulos que visam diminuir o custo de 
produção de um bem ou de um serviço. 
Tecnicamente os subsídios podem ser definidos como:
1. Benefícios a pessoas ou a empresas, pagos pelo 
governo, sem contrapartidas em produtos e 
serviços;
2. Despesas correspondentes à transferência de 
recursos de uma esfera do governo em favor 
de outra;
3. Despesas do governo, visando à cobertura de 
prejuízos das empresas (públicas ou privadas), ou 
ainda, para financiamentos de investimentos;
4. Benefícios a consumidores na forma de preços 
inferiores que, na ausência de tal mecanismo, 
seriam fixados pelo governo;
5. Benefícios a produtores e vendedores mediante 
preços mais elevados, como acontece com a 
tarifa aduaneira protecionista;
6. Concessão de benefícios pela via do Orçamento 
Público ou outros canais.
Um exemplo prático de subsídio é o que costuma ser aplicado 
ao trigo, ao álcool, ao açúcar e, às vezes, ao petróleo e seus 
derivados, para cobrir as sucessivas desvalorizações cambiais que 
não são repassadas, de imediato, ao consumidor.
Gastos do Governo (G) 
Nas contas nacionais, há três tipos de gastos: 
 � Gastos dos ministérios e autarquias: neste caso, as 
receitas provêm de dotação orçamentária. Como os 
serviços do governo (justiça, educação, segurança 
pública e defesa do país, etc.) não são transacionados no 
mercado, o produto gerado pelo governo é medido por 
suas despesas correntes ou de custeio (salários, compras 
Autarquia: Serviço Estatal 
descentralizado e com 
autonomia econômica, 
tutelado pelo poder 
público. Classificam-se em: 
econômicas; industriais, 
creditícias, assistenciais, 
corporativas e culturais. 
Por exemplo: Instituto de 
Pesquisas Tecnológicas; 
Caixa Econômica Federal; 
Instituto Nacional de 
Seguridade Social; 
Ordem dos Advogados 
do Brasil e Conselho 
Nacional de Pesquisas, 
respectivamente. 
76
Universidade do Sul de Santa Catarina
de materiais para a manutenção da máquina do governo) 
e despesas de capital (construção de estradas, prisões, 
usinas, etc.). 
A dotação orçamentária é toda e qualquer verba 
prevista como despesa em orçamentos públicos 
e destinada a fins específicos. Os gastos previstos 
pelo governo para fazer frente às suas despesas são 
previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados 
e dos Municípios, ao final de cada exercício, previstos 
para o exercício do ano seguinte. Assim, qualquer 
tipo de pagamento que não tem dotação específica 
só pode ser realizado se for criada uma verba nova ou 
dotação nova para cobrir a despesa.
A dotação orçamentária é toda e qualquer verba prevista como 
despesa em orçamentos públicos e destinada a fins específicos. Os 
gastos previstos pelo governo para fazer frente às suas despesas 
são previstos no Orçamento Geral, da União, dos Estados e dos 
Municípios, ao final de cada exercício, previstos para o exercício 
do ano seguinte. Assim, qualquer tipo de pagamento que não 
tem dotação específica só pode ser realizado se for criada uma 
verba nova ou dotação nova para cobrir a despesa.
Gastos das empresas públicas e sociedades de economia 
mista: suas receitas são provenientes da venda de bens e serviços 
no mercado. Assim, elas são consideradas nas contas nacionais 
como pertencentes ao setor produtivo, do mesmo modo como as 
empresa privadas. 
Gastos com transferências e subsídios: transferências são 
doações, pensões. E subsídios são estímulos que visam reduzir os 
custos e incentivar um determinado setor da economia. Ambos 
não são computados como parte da renda nacional. 
O conhecimento dos valores das receitas e gastos das empresas 
públicas e das sociedades de economia mista assim como 
das transferências (benefícios pagos pelo governo para os 
aposentados, pensões e doações) são de suma importância, pois 
estes valores são computados no valor final da Renda Nacional, 
um dos agregados macroeconômicos estudados na unidade 1. 
Empresas Públicas: 
Organizações que se destinam 
a garantir a produção de bens 
e de serviços fundamentais 
à coletividade (transporte, 
energia elétrica, combustíveis, 
etc.) Criadas por lei, são de 
responsabilidade do Estado. 
Os contratos, a organização 
da empresa, os métodos 
de financiamento, de 
contabilidade, etc., seguem 
as normas do direito privado, 
o que lhes permite agir de 
acordo com os princípios 
comerciais. Em geral, a 
empresa pública é dirigida 
a atividades que requerem 
investimentos muito elevados 
e apresentam retorno lento, 
sendo pouco atrativas para a 
iniciativa particular.
Sociedade de Economia 
Mista: É uma sociedade na 
qual há colaboração entre 
o Estado e particulares, 
ambos reunindo recursos 
para a realização de uma 
finalidade, sempre de 
objetivo econômico. É 
uma pessoa jurídica de 
direito privado e não se 
beneficia de isençõesfiscais 
ou de foro privilegiado.O 
Estado poderá ter uma 
participação majoritária 
ou minoritária; entretanto 
mais da metade das ações 
com direito a voto devem 
pertencer ao Estado.
77
Análise Macroeconômica
Unidade 3
O orçamento do governo 
O orçamento do governo é uma descrição do plano de gastos e 
de como ele financiará esses gastos. O orçamento do Governo 
é o resultado das Receitas Públicas menos os Gastos Públicos, 
conforme a seguinte fórmula: 
Orçamento do Governo = Receitas Públicas - Gastos Públicos
Vejamos cada um dos elementos desta fórmula. 
 � O orçamento: é a previsão das quantias monetárias 
que, em um período determinado, devem entrar e sair 
dos cofres públicos. Modernamente, o orçamento é 
considerado uma técnica vinculada ao planejamento 
econômico e social.
O orçamento pode ser definido como a previsão das 
contas nacionais e o planejamento que necessitam 
para as suas realizações, oferecendo os fins e os 
objetivos para cuja realização se requerem os fundos 
públicos; prevê os custos das atividades propostas 
para alcançar estes fins e os dados quantitativos que 
medem as realizações e as tarefas executadas dentro 
de cada uma dessas atividades.
 � Receita pública, também chamada receita fiscal ou 
receita tributária, é a receita que o governo (União, 
Estado e Município) obtém pela cobrança de impostos, 
taxas e contribuições.
 � Os gastos são efetuados pelo governo para promover o 
bem-estar social da população. Entre eles, destacam-se 
os pagamentos de salários do funcionalismo público, 
investimento em obras de infraestrutura e os juros 
contraídos para rolagem de suas dívidas.
Acompanhe as seguintes relações fundamentais do orçamento 
do governo: 
78
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � se as receitas do governo forem maiores que seus gastos, 
haverá um superávit orçamentário;
 � por outro lado, se os gastos do governo forem maiores do 
que a arrecadação (situação comum nos diversos níveis 
de governo no Brasil), haverá um déficit orçamentário;
 � e o orçamento estará em equilíbrio, quando a receita 
pública for igual aos gastos públicos. 
Assim, as medidas expansionistas (aumento dos 
gastos do governo ou redução dos impostos) podem 
criar déficit no orçamento, enquanto as medidas 
restritivas terão o efeito contrário. 
Um aumento do déficit em razão da diminuição dos impostos 
ou aumento dos gastos do governo provocará a elevação do valor 
do capital ou empréstimo contraído através dos empréstimos e, 
consequentemente, a elevação dos valores dos juros aplicados para 
o financiamento destes gastos.
Excluindo-se os juros da dívida pública, interna e externa, como 
mostram Vasconcellos e Garcia (2004), tem-se o conceito de 
superávit (ou déficit) primário ou fiscal. Quando são incluídos 
os juros nominais sobre a dívida, tem-se o conceito de superávit 
(ou déficit) total ou nominal. Se forem considerados apenas os 
juros reais (excluindo-se a taxa de inflação e a variação cambial), 
tem-se o conceito de superávit (ou déficit) operacional. 
Para o entendimento desta questão, é importante ter claros os 
conceitos de Juro Nominal e Juro Real.
Juro Nominal: é o juro correspondente a um 
empréstimo ou financiamento, incluindo a correção 
monetária do montante emprestado. Quando a 
inflação é zero, inexistindo correção monetária, o juro 
nominal é equivalente ao juro real.
Juro Real: é o juro cobrado ou pago sobre um empréstimo ou 
financiamento, descontada a inflação do período.
79
Análise Macroeconômica
Unidade 3
Nos acordos do Brasil com o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), o conceito relevante é o de superávit fiscal ou primário. 
Para o FMI, um país que apresenta superávit primário, 
mesmo que apresente déficit nominal ou total, está 
com suas contas relativamente equilibradas e mostra 
condições de honrar seus compromissos futuros, 
apresentando mais credibilidade para negociar sua 
dívida externa, com juros menores e prazos maiores.
O déficit e seu financiamento 
Desde a crise de 1929, assim como em muitos países, o 
governo aumenta gradativamente sua participação na atividade 
econômica. É importante você atentar para o fato de que o 
crescimento econômico do Brasil ocorreu fortemente amparado 
no Estado. Ou seja, o Brasil se desenvolveu graças à presença 
forte do governo. Exemplos são as empresas estatais, como as 
distribuidoras de energia ou as companhias de água e esgoto. 
Essa forte presença do Estado aumentou a necessidade de 
financiamentos. Para atender a essa necessidade, o governo tem 
três alternativas: 
 � os impostos; 
 � a criação de dinheiro; 
 � a emissão de dívida pública. 
Os impostos são a alternativa natural para se financiar o déficit 
público. Porém, quando existe déficit, significa que os impostos 
são insuficientes para fazer frente aos gastos. 
Uma alternativa possível é a criação de dinheiro. O Banco 
Central, que é a instituição do governo responsável pela emissão 
de dinheiro, através da Casa da Moeda do Brasil, poderia 
recorrer a este procedimento e atender o governo. A emissão de 
moeda está atrelada à quantidade de bens e serviços oferecidos no 
mercado consumidor. Mas isto não é tão simples, pois, ocorrendo 
emissão de moeda acima da quantidade ofertada e produzida de 
80
Universidade do Sul de Santa Catarina
bens e serviços, provocará inflação (como você verá na unidade 4, 
quando estudaremos a inflação). 
Uma terceira possibilidade é emitir dívida pública. Neste caso, o 
Estado emite, ou seja, vende títulos de renda fixa, por exemplo. 
No entanto tal fato tem o perverso efeito de deslocar a poupança 
das pessoas para o setor público. Lembre: na unidade 2, você 
aprendeu que poupança deve gerar novos investimentos. Observe 
que o governo, neste caso, desvia os recursos do setor empresarial 
para o setor público, e não gera investimento, gasta para pagar 
uma dívida.
A colocação e emissão de novos títulos no mercado influencia 
fortemente todo o mercado financeiro. Emitindo títulos com 
vencimentos variáveis, as autoridades econômicas influenciam 
na liquidez geral. Quanto menor for o prazo de vencimento, 
maior liquidez terá um título e, portanto, mais rapidamente se 
converterá em dinheiro. 
O equilíbrio orçamentário 
Para não ter que aumentar impostos (o que seria uma medida 
extremamente impopular), não emitir dinheiro (que, como você 
verá na próxima unidade, causa inflação) e não aumentar a dívida 
(o que implica a necessidade de aumento da taxa de juros), o 
governo deve equilibrar o seu orçamento. Ou seja, o governo, 
assim como qualquer outro agente da economia, não pode gastar 
mais do que arrecada. 
Em resumo, o equilíbrio orçamentário pressupõe a seguinte 
fórmula básica:
Receitas do Governo = Gastos do Governo
Este equilíbrio aumenta gradativamente no Brasil desde o ano 
de 2000, com a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade 
Fiscal. Esta lei, como nos mostra o Ministério do Planejamento, 
Orçamento e Gestão, é: 
Os títulos são vendidos 
no mercado financeiro, 
para arrecadar valores 
e disponibilizá-los 
para investimentos das 
empresas.
Ministério do Planejamento, 
Orçamento e Gestão. 
81
Análise Macroeconômica
Unidade 3
Um código de conduta para os administradores 
públicos que passarão a obedecer às normas e 
limites para administrar as finanças, prestando 
contas sobre quanto e como gastam os recursos 
da sociedade. Este é um importante instrumento 
de cidadania para o povo brasileiro, pois todos os 
cidadãos terão acesso às contas públicas, podendo 
manifestar abertamente sua opinião, com o objetivo 
de ajudar a garantir sua boa gestão. 
Ou seja, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como objetivo 
garantir que os governantes não gastarão mais do que 
arrecadam, tornando a gestão dos recursos públicos mais 
disciplinada e responsável. 
Seção 3 – Equilíbrio macroeconômico 
Antes de detalhar a política fiscal, é importante atentarmos 
para alguns conceitos. A importância do conhecimento 
destes conceitos diz respeito ao objetivo do estudoe análise da 
Macroeconomia, ou seja, determinar o nível total de renda e do 
produto do sistema econômico, necessários para a estabilidade 
econômica, através da geração de empregos nas empresas e o 
bem-estar social dos indivíduos.
Um conceito muito utilizado pelos economistas é o de renda de 
pleno emprego, que vem a ser a renda nacional quando todos os 
recursos produtivos estão sendo empregados e a economia está 
produzindo com plena capacidade. 
A renda de equilíbrio, ou renda efetiva, é determinada quando 
a oferta agregada (OA) iguala a demanda agregada (DA). Isso 
pode ocorrer abaixo do pleno emprego, significando que a 
produção agregada, apesar de abaixo da capacidade potencial, 
atende às necessidades da economia. É o que Keynes denominava 
de equilíbrio macroeconômico com desemprego, ou equilíbrio 
abaixo do pleno emprego. 
82
Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim, o objetivo da política econômica é encontrar o 
equilíbrio a pleno emprego, ou seja, fazer o equilíbrio 
entre oferta e demanda agregadas coincidir com a 
renda ou produto de pleno emprego.
Já que a oferta agregada é estática no curto prazo, a política 
econômica deve concentrar-se em aumentar a demanda agregada 
por meio de instrumentos que propiciem aumento dos gastos 
em consumo (C), investimentos (I), gastos do governo (G) e 
balança comercial positiva (X>M), lembrando que (X) se refere às 
exportações e (M) às importações. 
Com efeito, a situação de equilíbrio macroeconômico pode 
ser ilustrada através de um gráfico. Ao contrário da teoria 
microeconômica, na análise macroeconômica os valores nos 
eixos cartesianos são valores agregados: nível geral de preços e 
produto real, conforme demonstra gráfico a seguir. 
Gráfico 3.1 – Oferta e demanda agregadas.
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
Como na microeconomia, a curva de demanda agregada (DA0) 
mostra que há uma relação inversa entre produto (renda) real e 
nível geral de preços. 
83
Análise Macroeconômica
Unidade 3
Já o formato da curva de oferta agregada depende da 
hipótese sobre o nível de produto corrente da economia. 
Economia com desemprego de recursos, ou seja, 
ineficiência na utilização de, por exemplo, terras férteis 
livres, mão de obra desocupada, ou capital ocioso (equivalente 
ao trecho horizontal no gráfico 3.1): nesta situação, a 
economia está operando com capacidade ociosa. Caso haja 
algum estímulo da política econômica, a demanda agregada 
se deslocará de DA0 para DA1 e as vendas de RN0 para 
RN1, mas os preços permanecerão constantes, conforme o 
gráfico abaixo.
Gráfico 3.2 – Aumento da demanda agregada com economia e desemprego.
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
Economia com pleno emprego de recursos: nesta situação, as 
empresas operam com plena capacidade, há a utilização ideal de 
recursos naturais e da mão de obra especializada e a aplicação 
correta do recurso capital. Caso a demanda agregada aumente 
de DA3 para DA4, ocorrerá apenas um aumento no nível geral 
de preços (P3 para P4), como mostra gráfico 3.3. Note que a 
oferta agregada é rígida no curto prazo, já que não há recursos 
ou fatores de produção disponíveis. 
84
Universidade do Sul de Santa Catarina
Gráfico 3.3 – Equilíbrio com pleno emprego.
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
A conquista e a manutenção de um nível de pleno emprego são 
importantes fatores de crescimento econômico, acompanhadas da 
elevação do padrão de vida da população.
Os governos podem aplicar políticas de pleno emprego por 
meio de recursos fiscais, como, por exemplo, incentivos e 
empreendimentos geradores e multiplicadores de emprego e a 
destinação de forma correta e adequada das verbas de crédito 
destinadas a estes incentivos.
Economia com desemprego de recursos 
O modelo keynesiano básico preocupa-se mais quando a 
economia está com desemprego de recursos, ou seja, abaixo 
de seu potencial. Esta situação também é chamada de hiato 
deflacionário, que significa a insuficiência de demanda 
agregada em relação à produção de pleno emprego. Ou seja, a 
estratégia do governo é tirar a economia desta situação. 
Como a oferta agregada não se altera no curto prazo, cabe à 
política econômica influenciar a demanda agregada. Neste caso, 
a política fiscal deve aumentar a demanda agregada, como vimos 
85
Análise Macroeconômica
Unidade 3
no gráfico 3.2 (da seção anterior). Este tipo de política chama-se 
política fiscal expansionista. 
A política fiscal expansionista fundamenta-se nas seguintes relações: 
Aumento dos Gastos Públicos  (implica) Aumento de demanda Agregada
ou
Redução da alíquota dos impostos  (implica) Aumento da Demanda Agregada
Conforme estas relações, com o aumento dos gastos ou 
investimentos públicos em obras de infraestrutura (transportes, 
saúde, educação, energia), ocorre o aumento da renda dos 
trabalhadores empregados através das empresas contratadas para 
a realização destas obras. Consequentemente, ocorrerá o aumento 
do consumo, aumento da produção industrial e geração de novos 
empregos e renda.
Já, com a redução da alíquota dos impostos, provocará queda 
nos preços de bens de consumo final, duráveis e não duráveis. 
Consequentemente, as empresas necessitarão contratar 
novos trabalhadores para o novo nível de produção e atender 
a demanda. Desta forma, teremos geração de empregos e 
aumento de renda.
Em ambos os casos, se aplica uma política fiscal expansionista. 
Economia com inflação ou economia com pleno emprego de recursos 
A economia com pleno emprego de recursos é 
aquela que utiliza os seus recursos naturais e mão 
de obra especializada, aplicando corretamente o 
recurso capital.
O arcabouço teórico criado por Keynes baseava-se numa situação 
de economia com desemprego, mas pode também ser utilizado 
para uma situação de pleno emprego de recursos. 
Denominamos essa situação de hiato inflacionário, que ocorre 
quando a demanda agregada supera a capacidade produtiva 
da economia (trecho vertical da curva de oferta agregadas, nos 
86
Universidade do Sul de Santa Catarina
gráficos 3.1, 3.2 e 3.3). Ou seja, a demanda está muito aquecida 
e a oferta agregada não tem condições, no curto prazo, de 
acompanhá-la, o que leva a aumento dos preços. Esta situação é 
conhecida na literatura econômica por inflação de demanda. 
Neste caso, a política fiscal está preocupada em reduzir o ritmo 
de expansão da demanda agregada, ou seja, praticar uma política 
fiscal recessiva ou restritiva. 
A Política fiscal recessiva fundamenta-se nas seguintes relações:
Redução dos Gastos Públicos  (implica) Redução da Demanda Agregada
ou
Aumento de impostos  (implica) Redução do consumo privado
Na primeira relação, a redução dos gastos ou investimentos 
públicos em obras de infraestrutura (transportes, saúde, educação, 
energia) provocará a diminuição da renda dos trabalhadores 
empregados através das possíveis empresas que seriam 
contratadas para a realização destas obras. Consequentemente, 
provocará a queda no consumo, diminuição da produção 
industrial e o desemprego.
Na segunda relação, o aumento da alíquota dos impostos 
provocará alta nos preços de bens de consumo final, duráveis e 
não duráveis. Consequentemente, as empresas não necessitarão 
contratar novos trabalhadores, pois a demanda estará em baixa, 
não ocorrendo geração de empregos e aumento de renda.
O objetivo do estudo da macroeconomia é o equilíbrio 
macroeconômico através do aumento da demanda agregada e da 
oferta agregada, que elevam o nível de renda e bem- estar social 
dos indivíduos e da produção industrial.
Um sistema econômico é considerado em equilíbrio quando todas 
as variáveis permanecem imutáveis em determinado período, 
ou seja, se as condições de oferta e de demanda permanecem 
87
Análise Macroeconômica
Unidade 3
imutáveis, os preços tendem a permanecer estáveis, o que 
poderá proporcionar a realização de novos empreendimentos 
e investimentos governamentais, de modo a promover novos 
aumentos da demanda através da geração de novos empregos e 
aumento derenda dos trabalhadores.
O equilíbrio macroeconômico interno é fundamental para o 
equilíbrio das Contas Nacionais de um sistema econômico, bem 
como a manutenção de superávit em sua balança de pagamentos, 
como veremos nas próximas unidades. 
Síntese
Nesta unidade, você conheceu as funções essenciais do setor 
público no que diz respeito à gestão da economia. É lícito 
concluir que o governo é o principal agente em uma economia e, 
como tal, é o maior responsável pela solução dos problemas a ela 
inerentes, quer seja desemprego quer seja inflação. 
Você aprendeu, também, que um dos instrumentos que o governo 
tem à sua disposição é a política fiscal. Embora se trate de um 
instrumento ‘pouco’ importante, este tipo de política fiscal é pouco 
dinâmico e seus efeitos são sentidos no longo prazo. No caso 
brasileiro, por exemplo, a decisão de gastos (orçamento) é feita 
no ano anterior ao ano de exercício. E, quando o governo quer 
aumentar tributos, tal decisão só passa a vigorar no primeiro dia 
útil do ano seguinte àquele em que o governo baixou a medida. 
Logo a política fiscal é pouco eficaz para solucionar problemas 
de curto prazo. A política mais eficaz e, consequentemente, mais 
utilizada pelos governos é a política monetária, tema de nossa 
próxima unidade. 
88
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades 
programadas para a sua autoavaliação. 
Nesta unidade, você conheceu o papel do Governo e sua participação nas 
atividades econômicas de uma economia, colaborando na determinação 
na determinação da Renda Pessoal Disponível. (Partindo do que você 
aprendeu) Aplicando seus conhecimentos adquiridos, responda aos 
questionamentos:
1. Quais são as funções fundamentais do setor público? 
2. Como o governo pode promover uma política fiscal expansionista ou 
expansiva? 
3. Quando o governo incorre em déficit público? 
89
Análise Macroeconômica
Unidade 3
Saiba mais
Aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade, ao consultar as 
seguintes referências: 
SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à 
administração. 2.ed. São Paulo: Futura, 1999. 
MANKIW, N. G. Introdução à economia. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Campus, 2001.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura 
econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo 
Grande: Editora Oeste, 2001. 
SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: 
introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001.
VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de 
economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. 
Também consulte os seguintes sites:
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em: 
<http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011.
Ministério da Fazenda. Disponível em: <http://www.fazenda.
gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2011.
http://www.ipea.gov.br
http://www.fazenda.gov.br
http://www.fazenda.gov.br
4UNIDADE 4Moeda e política monetária
Objetivos de aprendizagem
 � Entender a importância da moeda para o sistema 
econômico como um todo. 
 � Compreender o papel do Banco Central. 
 � Compreender a importância da política monetária e 
seus instrumentos. 
 � Compreender o conceito e as causas da inflação. 
 � Conhecer os diferentes tipos de inflação. 
Seções de estudo
Seção 1 A moeda: sua história e funções
Seção 2 Oferta e demanda de moeda
Seção 3 Instrumentos de política monetária 
Seção 4 Sistema financeiro e de crédito
Seção 5 Teorias da inflação
Seção 6 A inflação no Brasil
92
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Caro(a) aluno(a),
nesta unidade você estudará a moeda e política monetária. 
Conhecerá a evolução histórica da moeda, desde as trocas diretas 
de mercadorias através do escambo até o sistema de trocas 
mais atual e moderno. Saberá de que forma ocorre a oferta e 
a demanda por moeda e a influência deste mecanismo para as 
economias. Aprenderá os instrumentos de política monetária 
utilizados pelos governos para a emissão de moeda e a forma 
como a emissão da mesma poderá provocar a inflação.
Também entenderá o sistema financeiro, o seu funcionamento, 
reconhecendo a importância do crédito para o perfeito 
funcionamento deste sistema e, consequentemente, para a 
economia do país.
Conhecerá a teoria inflacionária, identificando os diversos 
tipos de inflação, suas causas, consequências e a forma como 
os governos procuram a sua estabilidade, evitando, assim, 
transtornos para o sistema econômico.
Finalizando a unidade, você aprenderá um pouco sobre a inflação 
no Brasil, a forma como ela é medida ao longo dos períodos 
através dos diversos índices e institutos. 
Seção 1 – A moeda: sua história e funções
Você sabia que, nas economias mais rudimentares, 
não havia moeda ou dinheiro?
Havia, sim, trocas diretas. As trocas diretas recebem o nome de 
escambo. No escambo, as trocas são realizadas sem dinheiro. 
93
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Se uma pessoa dispusesse de uma quantidade excedente de uma 
dada mercadoria, poderia trocar esta sobra por outra mercadoria de 
que necessitasse. Por exemplo, supondo um alfaiate e um agricultor. 
Caso o alfaiate desejasse se alimentar, ele teria que dar roupas para o 
agricultor. Mas, e se o agricultor não necessitasse de roupas? 
A troca realizada através do escambo tem sérios inconvenientes. 
Primeiro, exige que cada pessoa encontre alguém disposto a 
adquirir precisamente o que essa pessoa tem para trocar. Em 
outras palavras, o escambo exige uma coincidência de desejos. 
O segundo problema refere-se à dificuldade em determinar 
um valor para alguns bens. Ou seja, trata-se do problema da 
divisibilidade dos bens. No caso anterior, quantas peças de roupa 
poderiam ser trocadas por um quilo de alimento? 
Estes dois inconvenientes fazem com que o escambo seja inviável 
e permitem a introdução da moeda no sistema de trocas. Para 
minimizar os conflitos existentes nas transações comerciais, surgiu 
a ideia de utilizar uma mercadoria intermediária nas trocas, uma 
mercadoria que fosse amplamente aceita devido à sua utilidade. 
Então, a moeda é na verdade um bem como outro qualquer, mas 
com uma característica especial: todos aceitam a moeda em 
troca de uma mercadoria. 
O escambo ainda existe. Apesar de hoje possuirmos um sistema 
monetário altamente especializado e sofisticado, saiba que, na 
nossa sociedade, algumas trocas ainda ocorrem via escambo. 
É comum, quando você lê o jornal, ver um anúncio do 
tipo “troca-se terreno na praia por automóvel.”
A grande diferença do escambo atual é o fato de que a moeda 
funciona como padrão comum de valores ou de referências. 
Ou seja, através do uso de moedas, podemos trocar quaisquer 
produtos, pois temos assim um mecanismo fácil de comparação 
dos valores.
Deste modo, em princípio qualquer mercadoria pode ser 
utilizada como moeda. Historicamente, as primeiras formas de 
moeda foram: sal, trigo, gado. Com eram ineficientes, surgiu a 
94
Universidade do Sul de Santa Catarina
moeda metálica (durabilidade), e, logo, com o objetivo de evitar 
falsificações, a moeda metálica cunhada. 
Os últimos séculos assistiram a duas importantes inovações: 
papel-moeda e a moeda escritural: 
 � o papel moeda surgiu aos poucos, como simples 
certificado de depósito nos bancos comerciais. Em 
seguida, como certificado transferível de depósito 
(moeda-papel). E, finalmente, como certificado 
inconversível (papel-moeda). A moeda vale, portanto, 
pela sua capacidade de adquirir outras mercadorias (não 
tem valor pelo seu uso direto); 
 � a moeda escritural surgiu com o desenvolvimento 
dos bancos comerciais. É representada pelos depósitos 
bancários à vista, os quais possuem liquidez equivalente à 
moeda legal. 
Quais são os meios de pagamento na economia 
moderna?
Os meios de pagamento em uma economia moderna são: 
 � o papel moeda em poder do público (saldo do papel 
moeda emitido menos os encaixes em moeda corrente 
dos bancos): corresponde ao volume total de dinheiro 
emcirculação na economia, subtraindo-se do volume 
depositado nos bancos comerciais o percentual referente ao 
encaixe bancário (reservas de um banco mantidas na forma 
de papel-moeda para fazer frente aos descontos diretos 
de cheques em dinheiro e porcentagem determinada pelo 
Banco Central que não pode ser emprestada);
 � e os depósitos à vista do público na rede bancária: 
corresponde ao volume de dinheiro depositado por 
pessoas físicas e jurídicas nos bancos comerciais.
Portanto qualquer papel moeda emitido, que não se encontra em 
posse do setor bancário da economia (Banco Central e bancos 
comerciais), é o que está, então, em poder do público (governo 
federal, população em geral e instituições financeiras não bancárias).
95
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Funções, característica e tipos de moeda
A moeda possui três funções: 
 � meio ou instrumento de troca: utilizada para comprar 
bens e serviços. É a mais importante função da moeda. 
Afinal, a moeda como um meio de troca permitiu que a 
economia aumentasse sua eficiência, pois, sem um meio 
de troca de padrão único, as economias modernas não 
poderiam existir; 
 � padrão comum de valores: a moeda permite que sejam 
expressos em unidades monetárias os valores de todos 
os bens e serviços de uma economia. É um padrão de 
medida; 
 � reserva de valor: a posse da moeda representa liquidez 
para quem a possui, e pode, então, ser guardada para a 
aquisição de um bem ou serviço no futuro. 
Características da moeda 
As características mais relevantes da moeda são: 
 � indestrutibilidade e inalterabilidade: a moeda deve 
ser suficientemente durável, ou seja, deve durar para ser 
manuseada em um grande número de trocas; 
 � homogeneidade: duas moedas distintas e com o mesmo 
valor devem ser exatamente iguais, ou seja, devem ter o 
mesmo valor de compra;
 � divisibilidade: a moeda deve possuir múltiplos e 
submúltiplos para permitir a realização de todas as 
transações em diversos valores; 
 � facilidade de manuseio e transporte: a moeda deve ser 
facilmente transportável, caso contrário, sua utilização 
seria dificultada; 
 � transferibilidade: a moeda deve circular na economia 
sem barreiras, facilitando o comércio. 
96
Universidade do Sul de Santa Catarina
Tipos de moeda 
Os tipos de moeda são os seguintes: 
 � moeda metálica: emitidas pelo Banco Central (Bacen), 
visam facilitar as operações de pequeno valor e/ou com 
unidades fracionárias; 
 � papel-moeda: também emitido pelo Bacen, 
representa a maior parte da quantidade de moeda 
em poder do público; 
 � moeda escritural ou bancária: são os depósitos à vista 
(em conta corrente) nos bancos comerciais. 
O conhecimento a respeito da evolução histórica da moeda, 
suas funções, suas modalidades, a quantidade disponível para 
circulação e características, é fundamental para o entendimento 
da sua oferta e da sua demanda, as quais, juntas, movimentam o 
mercado monetário de um sistema econômico. 
Seção 2 – Oferta e demanda de moeda 
Nesta seção, você estuda o conceito de meios de pagamento, 
as classificações da moeda em função da liquidez, assim como 
vê um aprofundamento do conceito de liquidez. Você também 
aprende como se determina a taxa de juros de equilíbrio e como 
esta taxa pode variar, além de estudar a função do mercado 
monetário e do Banco Central em relação à moeda. 
Como qualquer mercadoria, a moeda tem demanda 
e oferta. A oferta de moeda é o suprimento para 
atender às necessidades da população. 
97
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Meios de pagamento 
A moeda também é chamada de meios de pagamento, os quais 
constituem o total de moeda à disposição do setor privado não 
bancário, de liquidez imediata. 
Liquidez é a capacidade que um ativo tem de estar 
totalmente disponível e aceito para as mais diversas 
transações. Logo, a moeda é a liquidez por excelência.
Os meios de pagamento são dados pela soma da moeda 
em poder do público mais os depósitos à vista nos bancos 
comerciais. Ou seja, é a soma da moeda manual (moedas 
metálicas e papel-moeda) e da moeda escritural. Enfim, meios de 
pagamento equivalem à moeda que não está rendendo juros, pois 
não está aplicada em contas ou ativos remunerados. 
O conceito econômico de moeda diz respeito à moeda 
que se encontra no setor privado não bancário.
Isto é, não estão incluídas as moedas que estão em poder dos 
bancos comerciais e das autoridades monetárias. Os depósitos à 
vista ou em conta corrente não constituem dinheiro dos bancos, 
mas do público. O dinheiro que pertence aos bancos são seus 
encaixes (caixa dos bancos comerciais) e suas reservas (quantia 
dos bancos depositada no Banco Central). 
As classificações da moeda em função da liquidez 
Em função da liquidez, a moeda pode ser classificada de acordo 
com as seguintes especificações: 
 � M1 = é a soma do papel moeda em poder do público e 
dos depósitos à vista. 
M1 representa os meios de pagamento de liquidez imediata, que 
não rendem juros. Os meios de pagamento classificados como M1 
também são chamados de ativos ou haveres monetários. 
98
Universidade do Sul de Santa Catarina
Entretanto existem outras aplicações financeiras com menor 
liquidez, e, em ordem de liquidez, é possível estabelecer outra 
classificação: 
 � M2 = M1 + depósitos de poupança + títulos 
privados (depósitos a prazo, letras cambiais, 
hipotecárias e imobiliárias). 
 � M3 = M2 + fundos de renda fixa + operações 
compromissadas registradas no SELIC. 
 � M4 = M3 + títulos públicos federais, estaduais 
e municipais. 
A principal diferença entre M1 e os agregados M2, M3 e M4 é 
que M1 não tem rentabilidade. 
O Banco Central (Bacen ou também BC), através do controle do 
M4, que envolve os ativos monetários e não monetários, procura 
controlar a oferta global de moeda na economia, já que a oferta 
de dinheiro está vinculada aos preços. 
Desta forma, o Banco Central visa impedir a violação ao 
princípio segundo o qual a limitação do volume de dinheiro em 
circulação no país é uma condição necessária para que a moeda 
mantenha o seu valor. 
A liquidez 
Um dos conceitos mais importantes ao se tratar de mercado 
financeiro é o conceito de liquidez.
A liquidez se refere à capacidade de um ativo ser 
convertido em moeda. 
Liquidez = capacidade de um ativo ser 
convertido em moeda. 
Certas aplicações financeiras não podem ser prontamente 
sacadas. À medida que não se pode fazer dinheiro de imediato, 
tais aplicações são ditas de liquidez baixa. 
99
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Considere os seguintes exemplos: 
 � Um apartamento - ativo (bem próprio/direito) é 
de baixa liquidez quando o proprietário demora a 
vendê-lo, para fazer dinheiro dele. 
 � A poupança tem menor liquidez que um depósito à 
vista, mas tem maior liquidez que um apartamento 
(investimento imobiliário). 
 � Os depósitos bancários a prazo (aplicações 
financeiras que impõem um prazo para os saques 
– 30 dias/60 dias, etc.), em princípio, não são de 
liquidez imediata, pois se deve respeitar um prazo 
para convertê-los em dinheiro (não se pode pedir o 
vencimento antecipado). 
Determinação da taxa de juros de equilíbrio 
Para poder compreender o funcionamento da oferta e demanda 
por moeda, é necessário conhecer a determinação da taxa de juros 
de equilíbrio, que ocorre quando a oferta e a demanda por moeda 
ficam iguais. 
A taxa de juros de equilíbrio é determinada no mercado 
monetário, onde se encontram a oferta e a demanda de moeda. O 
processo é idêntico ao que determina o preço de uma mercadoria 
no mercado de bens e serviços, pois a taxa de juros é o preço da 
moeda, isto é, do dinheiro. 
Portanto a taxa de juros de equilíbrio é determinada no 
mercado pela oferta e pela demanda de moeda. Com base nessa 
taxa é que são realizadas as transações financeiras na economia. 
Você sabe como a taxa de juros é estabelecida? 
A oferta de moeda é determinada pelo governo, e é com 
a quantidade por ele emitida que o sistema econômico vai 
100
Universidade do Sul deSanta Catarina
trabalhar. Assim, se houver uma procura muito grande de moeda, 
como resultado do crescimento das atividades econômicas, por 
exemplo, ela se tornará escassa e as pessoas estarão dispostas a 
pagar um preço maior para poder adquiri-la. 
Esse é o princípio que explica o aumento da taxa de juros. Por 
outro lado, se a procura de moeda diminuir, por qualquer razão, 
ela se tornará abundante, fazendo com que seu preço, a taxa de 
juros, diminua. 
Variação da Taxa de juros de equilíbrio 
É claro que, da mesma forma que o preço das mercadorias, a 
taxa de juros sofre variações no decorrer do tempo, causadas 
por modificações na oferta ou na demanda de moeda. Por isso, 
fica clara a importância do governo no mercado monetário. 
Se as autoridades monetárias resolverem expandir os meios de 
pagamento, ou seja, a oferta de moeda, haverá uma queda na taxa 
de juros, pelo fato de haver mais dinheiro no mercado. 
O comportamento inverso do governo determinaria um aumento na 
taxa de juros, uma vez que a moeda se tornaria relativamente escassa. 
Mercado monetário 
O mercado monetário desempenha um papel fundamental 
no desenvolvimento do sistema econômico. É no mercado 
monetário que se encontram a oferta e a demanda por moeda, 
é onde se determina a taxa de juros, ou o preço da moeda, 
elemento fundamental no sistema financeiro, que você irá estudar 
ainda nesta unidade. 
O mercado monetário, de forma geral, designa o setor 
do mercado financeiro que opera a curto prazo. 
Compõe-se da rede de entidades ou órgãos financeiros 
que negociam títulos e valores, concedendo empréstimos a 
101
Análise Macroeconômica
Unidade 4
empresas ou particulares, a curto ou curtíssimo prazo, contra o 
pagamento de juros. 
Além dos bancos comerciais e das empresas financeiras de 
crédito, o mercado monetário compreende, também, o mercado 
paralelo e o mercado de divisas. O movimento financeiro a longo 
prazo caracteriza outro segmento, o do mercado de capitais.
Demanda de moeda 
A demanda de moeda pelo público corresponde à quantidade de 
moeda que o setor privado não bancário está disposto a reter. São 
três as razões pelas quais o público demanda moeda: 
 � Demanda de moeda para transações: as pessoas 
e empresas necessitam de dinheiro para as diversas 
transações do dia a dia, como alimentação, transporte, 
supermercado, etc. 
 � Demanda de moeda por precaução: o público e as 
empresas precisam ter certa reserva monetária para 
cumprir obrigações imprevistas ou emergenciais. 
 � Demanda de moeda por especulação: os investidores 
em suas carteiras deixam uma parcela para a moeda, 
observando o comportamento da rentabilidade dos vários 
títulos, para fazer algum novo negócio. Ou seja, embora 
a moeda não apresente rendimentos, tem a vantagem da 
liquidez imediata e pode viabilizar novas aplicações. 
O Banco Central 
O Banco Central (Bacen) é o órgão responsável pela 
política monetária e cambial do país. 
Seu principal objetivo é regular o montante de moeda, crédito, 
taxas de juros e o equilíbrio do balanço de pagamentos. Compete 
ao Bacen cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são 
102
Universidade do Sul de Santa Catarina
atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo 
Conselho Monetário Nacional (CMN). 
O CMN e o Bacen desempenham o papel de autoridade 
monetária. A lei n. 4.595, de 31/12/1964, a qual criou os dois 
órgãos, deu ao CMN as principais funções decisórias e, ao Bacen, 
as funções executivas de supervisão e fiscalização bancária, 
cabendo-lhe cumprir as decisões do CMN. 
As principais funções do Bacen são: 
 � emissor de papel-moeda: é o Banco Central quem, com 
exclusividade, emite ou autoriza a emissão de papel 
moeda no país;
 � banqueiro depositário das reservas internacionais e do 
Tesouro Nacional: é o responsável pela guarda das 
reservas internacionais em ouro ou moeda estrangeira do 
governo;
 � banqueiro dos bancos comerciais: provê empréstimos 
exclusivos aos membros do sistema financeiro, a 
fim de regular a liquidez ou mesmo evitar falências 
que poderiam causar uma reação em cadeia de 
falências bancárias. Ele também mantém os depósitos 
compulsórios dos bancos comerciais, regulando, assim, a 
multiplicação da moeda escritural no mercado finaceiro.
A emissão de moeda em um sistema econômico deve estar 
atrelada à produção de bens e serviços ofertados em sua 
economia, seguindo os parâmetros necessários para esta ação, 
de acordo com as suas funções, características e necessidades 
do aumento dos meios de circulação, sua oferta, sua demanda, 
e a determinação da taxa de equilíbrio. Além disto, deve seguir 
as normas editadas e baixadas pelo Banco Central do Brasil, a 
fim de que o Sistema Financeiro Nacional possa funcionar de 
forma adequada, sem prejuízo à economia interna ao Balanço de 
Pagamentos do país.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reservas_internacionais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Moeda_estrangeira
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empr%C3%A9stimo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_financeiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Liquidez
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rea%C3%A7%C3%A3o_em_cadeia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dep%C3%B3sito_compuls%C3%B3rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dep%C3%B3sito_compuls%C3%B3rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Moeda_escritural
103
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Seção 3 – Instrumentos de política monetária 
Nesta seção, você estudará os instrumentos da política monetária 
e a política monetária na prática, além do caráter restritivo e 
expansivo desta política. Você também verá os bancos comerciais 
e o modo pelo qual ‘criam’ e ofertam dinheiro. 
O governo intervém na economia através da política fiscal. Porém 
ele também tem outra ferramenta importante, que é a política 
monetária. 
Assim, política monetária é a política do 
governo que controla a oferta de moeda e, 
consequentemente, as taxas de juros, para 
garantir a liquidez ideal de cada momento. 
Por consequência, a política monetária também 
determina as condições de crédito. 
A taxa de juros determinada pelo Banco Central é a taxa SELIC 
(Sistema Especial de Liquidação e Custódia). 
É o sistema em que são registradas as operações com os títulos 
públicos. Mas, na verdade, as taxas de juros cobradas pelos 
bancos são ainda maiores que a taxa SELIC básica. Isto ocorre, 
porque a taxa SELIC é apenas a taxa pela qual o Banco Central 
está disposto a pagar para as pessoas que compram títulos 
públicos. 
A taxa SELIC é a taxa calculada pelo Banco Central, 
considerando a média das taxas que o governo paga 
aos bancos que lhe emprestam dinheiro, comprando 
títulos da dívida interna ou por meio de outros 
mecanismos. Essa média, denominada Taxa Over-Selic, 
é utilizada como referência para todas as demais taxas 
de juros, e, por esta razão, é também chamada de Taxa 
Básica de Juros.
Os instrumentos clássicos de política monetária são: 
a) depósito compulsório; 
b) redesconto ou empréstimo de liquidez; 
104
Universidade do Sul de Santa Catarina
c) mercado aberto (open-market); 
d) emissão de moedas. 
Instrumentos de política monetária
Veja cada um destes instrumentos de política monetária 
separadamente. 
a) Depósito compulsório 
Exigido por regulamentação do Bacen, o depósito 
compulsório é um percentual dos depósitos à vista e 
a prazo. Ou seja, os bancos comerciais devem depositar 
certa quantia do seu caixa nos cofres do Banco Central. 
Desta forma, o Bacen tem um mecanismo importante 
de controle da oferta de moeda, pois pode imobilizar 
um percentual maior ou menor dos depósitos bancários 
e os recursos de terceiros que neles circulem (títulos de 
cobrança, tributos recolhidos, garantias de operações 
de crédito), restringindo ou alimentando o processo de 
expansão da oferta de moeda. 
Os cheques sacados contra um banco pelos seus 
depositantes são canalizados para a câmara de 
compensação do Banco do Brasil de cada cidade, 
acarretando um débitona conta de reservas do Bacen 
(respectivo ao Banco sacado). À medida que estas 
retiradas deixem de ser contrabalançadas por depósitos, o 
banco perde reservas. 
O banco também perde reservas, quando faz 
empréstimos ou compra títulos; e ganha reservas através 
da venda de títulos de sua emissão, da cobrança de títulos 
ou do recolhimento de tributos. 
Para compensar eventuais perdas de reservas, recorrem ao 
mercado interbancário ou, em último caso, ao redesconto 
do Bacen, mediante títulos de sua emissão com garantia 
colateral de títulos do governo ou ativos representados por 
seus créditos em empréstimos concedidos. 
105
Análise Macroeconômica
Unidade 4
b) Redesconto ou empréstimo de liquidez 
Neste tipo de instrumento de política monetária do 
Bacen, três operaç ões se destacam. Analise-as. 
 � Redescontos de Liquidez: este é um instrumento 
de política monetária que consiste na concessão 
de assistência financeira de liquidez aos bancos 
comerciais. O Bacen, como banco dos bancos, 
desconta títulos dos bancos comerciais a uma taxa 
prefixada, com a finalidade de atender às suas 
necessidades momentâneas de caixa. Uma elevação 
da taxa de redesconto faz com que os bancos tenham 
que aumentar suas reservas voluntárias no Bacen, 
aumentando as reservas dos bancos e reduzindo os 
meios de pagamento. 
 � Redescontos Especiais: refinanciamentos que o 
Bacen faz aos Bancos comerciais para financiamentos 
a produtos agrícolas, exportação, pequenas e médias 
empresas(PME), etc. 
 � Aplicações em Títulos: o Bacen permite que parte 
do depósito compulsório seja mantido em títulos 
da dívida pública, o que os bancos preferem, por 
renderem juros e correção monetária. Títulos do 
Bacen ou Bônus do Banco Central (BBC) + NTN 
(Notas do Tesouro Nacional) são usados nas operações 
de open-market e como depósitos voluntários pelos 
bancos comerciais. Funcionam como um quase caixa, 
pois possuem alta liquidez e vencem a curtíssimo 
prazo, além de render juros. 
c) Mercado aberto (open-market) 
O mercado aberto é o mais ágil instrumento da política 
monetária de que dispõe o Bacen, pois, através dela são, 
permanentemente, regulados a oferta monetária e o custo 
primário do dinheiro na economia, referenciado na troca 
de reservas bancárias por um dia, através das operações 
denominadas de overnight. 
Estas operações de mercado aberto permitem: 
106
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � o controle permanente do volume de moeda ofertada 
no mercado; 
 � a manipulação das taxas de juros de curto prazo; 
 � às instituições financeiras bancárias, que realizem 
aplicações a curto e curtíssimo prazo de suas 
disponibilidades monetárias ociosas; 
 � a garantia de liquidez para os títulos públicos. 
Os dois primeiros objetivos são alcançados no mercado 
primário, no qual o Bacen negocia diretamente com as 
instituições financeiras, alterando a posição de reservas 
dos bancos comerciais, bem como o volume e o preço 
do crédito. 
d) Emissão de moedas 
Este instrumento é somente utilizado quando o Bacen 
decide aumentar a quantidade de moeda em circulação 
na economia. Cabe ao Bacen determinar a necessidade 
de novas emissões e seus respectivos volumes. 
A Política monetária na prática 
Além do Banco Central, há outra entidade chamada Comitê 
de Política Monetária (COPOM) que, de fato, é o responsável 
por determinar a taxa de juros. 
As reuniões do COPOM são atentamente acompanhadas, já 
que indicam a tendência da taxa de juros naquele período e nos 
períodos futuros. As atas destas reuniões são divulgadas após sua 
realização e são importantes fontes de consulta sobre a opinião das 
autoridades monetárias a respeito do rumo da economia brasileira. 
Você também pode fazer o acompanhamento através 
da imprensa ou pelo site <www.bcb.gov.br>. 
http://www.bcb.gov.br
107
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Assim, podemos fazer um pequeno esquema sobre a 
política monetária.
COPOM
Banco Central
Oferta de Moeda
Taxa de juros e condições de crédito
Demanda
Consumo
Investimento
Sistema Bancário
Figura 4.1 – A política monetária
Fonte: TROSTER; Mochon, 1999, p. 259.
Vejamos, na sequência, cada um dos componentes e suas funções 
na política monetária. 
O COPOM reúne-se para determinar a nova taxa SELIC a ser 
aplicada no mercado financeiro. Oficialmente definida, repassa 
a nova alíquota da taxa para o Banco Central, órgão do governo 
responsável pela normatização da política monetária adotada no 
nosso país. 
O Banco Central divulga de forma oficial a nova alíquota no 
Sistema Bancário Brasileiro, o qual, de posse da nova alíquota, 
promoverá a oferta de moeda no Sistema Financeiro Nacional, a 
fim de promover as operações de crédito, ofertando seus serviços 
através da nova taxa de juros e condições propostas na normativa 
108
Universidade do Sul de Santa Catarina
emitida pelo Banco Central. A nova taxa de juros, através das 
operações de oferta de moeda e de abertura de crédito, deve 
influenciar de forma direta as operações de Demanda, Consumo 
e Investimento em produtos e serviços, promovendo a circulação 
destes bens e serviços para o consumo da população. 
Assim, a política Monetária é o conjunto de medidas adotadas 
pelo governo com vista a adequar os meios de pagamentos 
disponíveis às necessidades da economia do país. Essa adequação 
geralmente ocorre por meio de uma ação reguladora, exercida 
pelas autoridades sobre os recursos monetários existentes, de tal 
maneira que estes sejam plenamente utilizados e tenham um 
emprego tão eficiente quanto possível.
A política monetária pode ser de dois tipos: restritiva ou 
expansiva: 
 � a Política Monetária Restritiva refere-se à redução da 
oferta de moeda, e, por consequência, aumenta a taxa de 
juros, o que encarece o crédito; 
 � a Política Monetária Expansiva é a política econômica 
que aumenta a quantidade de moeda à disposição e reduz 
as taxas de juros, tornando o crédito mais barato. 
Os bancos comerciais 
Os bancos comerciais são as instituições financeiras responsáveis 
por receber o depósito de seus clientes e conceder empréstimos às 
famílias, às empresas e ao governo. 
Os bancos comerciais surgiram devido à necessidade das pessoas 
protegerem seu dinheiro. Afinal, à medida que as pessoas vão 
acumulando dinheiro, através de sua poupança, aumenta a 
necessidade de guardar esse dinheiro em algum lugar seguro, 
sendo esse um dos objetivos da atividade bancária. 
Você sabe quais são os tipos de depósitos que os 
bancos comerciais aceitam? 
109
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Os tipos de depósitos que os bancos comerciais aceitam são os 
seguintes: 
 � Depósitos à vista: são os depósitos que estão sempre 
disponíveis para o titular da conta;
 � Depósitos de poupança: dispõem de quase todas as 
operações dos depósitos à vista, mas não dispõem de 
cheques e têm rendimentos de 0,5% a cada mês mais a 
correção da inflação do mês;
 � Depósitos a prazo: são os fundos tomados por um prazo 
fixo e que não podem ser retirados sem algum tipo de 
penalidade. 
A criação de dinheiro pelos bancos comerciais 
Considerando seus estudos até aqui, você percebeu que o 
responsável pela emissão de moeda é o Banco Central. 
Mas você sabia que é possível aos bancos comerciais também 
criarem moeda? Veja como.
O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da 
moeda, e que também tem implicações na taxa de juros, consiste 
na multiplicação dos meios de pagamento através dos bancos 
comerciais. 
Com efeito, os bancos observaram que, por uma questão de 
cálculo de probabilidade, era possível emprestar parte dos 
depósitos à vista recebidos, pois era altamente improvável que 
todos os depositantes sacassem seus fundos ao mesmo tempo. 
Assim, começou a surgir esse fenômeno da multiplicação. 
Os bancos passaram a manter encaixes bem inferiores aos seus 
depósitos e, com isso, os meios de pagamento tornaram-se várias 
vezes superiores ao saldo de papel moeda emitido. 
Quando os bancos comerciais recebem depósitosà vista, eles 
devem garantir aos seus clientes que, em qualquer momento, a 
quantia depositada estará à disposição dos mesmos. 
110
Universidade do Sul de Santa Catarina
Mas, com o passar do tempo, os bancos descobriram que não 
precisavam manter todo o dinheiro depositado pelos clientes 
em seu caixa. 
A prática bancária mostra que o uso de cheques e cartões 
significa que, a cada dia, somente uma pequena parte dos 
depósitos à vista é retirada dos caixas dos bancos. Isso sem contar 
a quantia de dinheiro que será novamente depositada nos bancos. 
Desta forma, os bancos primeiramente constituem as 
chamadas reservas. 
As reservas são legalmente requeridas, e todos os 
bancos devem mantê-las por exigência do Banco 
Central. 
Perceba que, se, em um dado momento, todos os clientes de 
um banco quisessem retirar seus depósitos, então o banco não 
poderia atender à demanda, por maior e melhor administrado 
que fosse. Isso ocorre, porque os bancos comerciais mantêm 
líquida (ou seja, dinheiro vivo) apenas uma pequena parte dos 
seus depósitos. 
Oferta de moeda pelos bancos comerciais 
Suponha que os bancos comerciais, através de sua experiência, 
descubram que as retiradas das contas correntes são de, em 
média, 10%. Consequentemente, podem manter 10% dos 
depósitos em caixa e emprestar os 90% restantes. 
Assim, suponha, também que, após a leitura desta unidade, você 
ganhe R$100.000 na loteria. É claro que você não sairá à rua 
com tal quantia. Você provavelmente depositará esta quantia de 
dinheiro em um banco. 
Porém o banco não manterá esses R$100.000 extras em dinheiro 
em seu caixa forte. O banco empregará seu dinheiro na concessão 
de empréstimos e créditos a seus clientes, o que gerará mais 
depósitos bancários. 
111
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Se, como mencionado, os bancos necessitam manter apenas 10% 
em reservas, então podem emprestar os R$90.000 restantes. 
Começa, assim, um ciclo virtuoso. Os bancos emprestam os 
R$90.000 restantes, que serão novamente depositados nos 
bancos, pois os tomadores de empréstimos não ficarão com esse 
dinheiro em mãos. 
Ou seja, o dinheiro é redepositado. Agora, os bancos dispõem de 
mais R$90.000 em caixa. Como devem reter 10%, os bancos têm 
R$81.000 extras para emprestar e R$9.000 devem ser guardado 
em caixa. 
Observe, através da tabela abaixo, como isso ocorre na prática.
Tabela 4.1 – Exemplo demonstrativo da evolução de depósitos – 
empréstimos e reservas nos bancos comerciais
Posição do Banco Novos depósitos Novos empréstimos Novas reservas
Banco (fase 1) 100.000 90.000 10.000
Banco (fase 2) 90.000 81.000 9.000
Banco (fase 3) 81.000 72.900 8.100
Banco (fase 4) 72.900 65.610 7,290
Banco (fase 5) 65.610 59.050 6.560
Soma das cinco fases 409.510 368.560 40.950
Fonte: Elaboração do autor, 2007.
De acordo com a tabela do exemplo, o sistema bancário foi capaz 
de expandir seus depósitos em R$309.510 mediante a concessão 
de novos créditos e empréstimos, sustentados pelos 100.000 
iniciais que você depositou. 
Note, assim, que o sistema bancário também é responsável 
por aumentar (ou diminuir) a quantidade de moeda em uma 
economia, concedendo mais (ou menos) crédito às empresas e 
às pessoas. 
112
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 4 – Sistema financeiro e de crédito 
Nesta seção, trataremos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). 
Ele é importante, pois é através do sistema financeiro que as 
empresas captam recursos para fazer face às suas necessidades e 
obrigações. Ou seja, para realizar seus planos de investimentos, 
as empresas necessitam de recursos financeiros. 
Vejamos, a seguir, os componentes do sistema financeiro.
Operações de Crédito 
Considerando-se a economia como um todo, verifica-se a 
existência de agentes econômicos superavitários e agentes 
econômicos deficitários, em determinados períodos de tempo. 
Significa que, em algum momento, alguns agentes possuem 
despesas maiores do que suas rendas, ou seja, gastam mais do 
que recebem como renda, tornando-se deficitários, enquanto 
que outros, não gastam toda a sua renda, apresentando-se como 
superavitários.
Os agentes superavitários com o auxílio e intermediação do 
sistema financeiro, possibilitam as operações de crédito, as quais 
tornam-se importantes para a economia, pois promovem o 
financiamento de compra de bens e serviços por parte dos agentes 
deficitários.
São basicamente três as operações de crédito oferecidas pelo 
Sistema Financeiro às pessoas e às empresas: 
 � Empréstimos: são operações realizadas sem 
necessidade de comprovação da aplicação dos 
recursos. Por exemplo: empréstimos para capital de 
giro, empréstimo pessoal;
 � Financiamentos: são operações realizadas com 
necessidade de comprovação da aplicação do 
recurso. Por exemplo: financiamentos de máquinas 
e equipamentos, financiamento da casa própria, 
financiamento para compra de um automóvel;
 � Títulos Descontados: são operações nas quais se 
descontam títulos, ou seja, se pagam os títulos. 
113
Análise Macroeconômica
Unidade 4
A Bolsa de Valores 
Além de captar empréstimos nos bancos, as empresas têm a 
opção de se financiarem através da Bolsa de Valores. 
Você sabe o que é bolsa de valores?
Bolsa de valores é um mercado onde são transacionados títulos 
e ações de empresas (valores). Numa economia de mercado, 
elas têm fundamental importância, uma vez que permitem a 
canalização rápida e veloz das poupanças para os investimentos. 
A bolsa, então, é uma instituição através da qual as empresas, 
para captarem recursos financeiros, vendem parte do seu 
patrimônio líquido (ações). Por isso, quem tem ações é conhecido 
como acionista, pois é também sócio da empresa. Na medida em 
que a empresa tem lucros, o patrimônio líquido se valoriza e as 
ações aumentam de valor. 
Por isso, a bolsa de valores representa uma forma de captação de 
capital barata, pois as empresas captam recursos dos poupadores 
e o preço desta captação é o rendimento (ou seja, a valorização da 
empresa, ou do seu patrimônio líquido). 
No Brasil, a principal bolsa é a Bolsa de Valores de São Paulo 
(Bovespa), pequena em relação a outras bolsas do mundo, como a 
de Londres e a de Nova Iorque. 
Aplicações financeiras 
Para terminarmos esta unidade, vamos falar de algumas 
modalidades de aplicações financeiras que os bancos comerciais 
oferecem a seus clientes. 
Tais aplicações financeiras são de suma importância para o seu 
estudo, pois estas modalidades norteiam a atividade bancária. 
Neste sentido, incumbe ao banco comercial, além de suas 
atribuições, administrar com responsabilidade o dinheiro dos 
correntistas, seus clientes. 
114
Universidade do Sul de Santa Catarina
Fundos de Investimento 
Fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira 
formada pela união de vários investidores, os quais se unem para 
realizar um investimento financeiro, organizados sob a forma de 
pessoa jurídica.
Imagine o fundo de investimento tal qual a forma 
de um condomínio, onde, visando um determinado 
objetivo ou retorno, cada morador divide as 
receitas geradas e as despesas necessárias para o 
empreendimento. 
Cada investidor possui uma cota do patrimônio do fundo, com 
direitos e obrigações estipuladas ao firmarem e aceitarem o seu 
contrato de criação. Os fundos, geralmente, são administrados 
por uma instituição financeira, a qual tratará dos aspectos legais 
e jurídicos, da estratégia de montagem da carteira de ativos, 
com vista ao maior lucro possível com o menor nível de risco. A 
instituição financeira cobrará uma taxa por este serviço e para a 
manutenção do mesmo enquanto empreendimento. 
O trabalho das instituições financeiras reside em 
escolher as melhores alternativas de aplicação. A 
rentabilidade é a mesma para qualquer aplicador, 
independendo da quantia aplicada. 
Conheça, na sequência, os tipos de fundos. 
 � Fundos de Renda Fixa: Como o nome diz, são 
fundos onde o cliente sabe, antecipadamente, ou não, a 
rentabilidade do seu investimento. Por isso,são fundos 
com menor risco. Estes fundos normalmente são 
compostos por certificados de depósito bancário (CDB), 
letras de câmbio e títulos do governo. 
 � Fundos de Renda Variável: Como o nome diz, os 
ganhos dos clientes podem variar, por isso têm maior 
risco. São compostos por investimento em ações e outros 
títulos de maior risco. 
115
Análise Macroeconômica
Unidade 4
 � Mistos ou Multimercados: mix de investimentos, 
ou seja, compostos de títulos de renda fixa, títulos do 
governo e ações. Estes fundos podem ser abertos ou 
fechados. Aberto significa que o público tem acesso, e o 
saque ocorre a qualquer tempo. Fechado refere-se àqueles 
destinados a grupos de investidores selecionados, sendo 
que o tempo de maturação pode levar anos. 
Veja os seguintes exemplos de alguns fundos brasileiros (a 
sua composição pode mudar de acordo com regulamento do 
Banco Central): 
FIF – Fundo de Investimento Financeiro; 
FAC – Fundo de Aplicação em Cotas: 
1) Fundo de Renda Fixa 30 dias (FIF 30 dias): 
apresenta liquidez diária após 30 dias de aplicação. 
Composto por títulos de médio e longo prazo como 
título de renda fixa (CDB), letras de câmbio, títulos 
públicos. O depósito compulsório que incide é de 05% 
do patrimônio líquido. 
2) Fundo de Renda Fixa 60 dias (FIF 60 dias): 
apresenta liquidez após 60 dias. Não incide depósito 
compulsório. Composto pelos mesmos títulos de 30 
dias. Rentabilidade: 14,44%. 
3) FIF de curto prazo: veio substituir o fundão. Tem 
liquidez diária, o que permite a aplicação e o resgate 
automáticos. Compulsório: 50%. Rentabilidade baixa. 
4) Fundo mútuo de investimentos em ações (FMIA): 
é uma forma de aplicar em ações, sem ter de ficar 
acompanhando o mercado. Os recursos captados são 
aplicados em carteira diversificada de ações (51%), 
debêntures conversíveis e uma parte em títulos do 
governo e fundos de renda fixa. Sua rentabilidade 
depende da composição de ações. 
5) Fundos imobiliários: são fundos para investimento 
em imóveis, sejam prédios de apartamentos ou 
comerciais, shopping centers, etc., através da criação 
de cotas de investimento, vendidas em um mercado 
ou a um grupo selecionado de pessoas (empresas ou 
investidores institucionais).
116
Universidade do Sul de Santa Catarina
6) Fundos de Pensão: os cotistas vão constituindo 
um patrimônio ao longo dos anos, garantindo sua 
aposentadoria. Estes são aplicadores de fundos de 
investimento. 
7) Fundos de renda fixa – capital estrangeiro: são 
fundos que atraíram os investidores estrangeiros para 
as nossas altas taxas de juros. As cotas só podem ser 
adquiridas por pessoas jurídicas domiciliadas ou com 
sede no exterior. Têm seus recursos direcionados 
para ativos financeiros de renda fixa emitidos por 
instituições sediadas no país. Sua carteira deve ter, 
no mínimo, 35% destinados a títulos de emissão do 
Tesouro Nacional. 
8) Fundo de Privatização – capital estrangeiro: 
criado para atrair recursos externos para a 
privatização. A carteira deve ser composta por ações 
de empresas desestatizadas. 
 � Operações Cambiais: referem-se à aquisição de 
moeda estrangeira. Por força de lei, somente às 
autoridades monetárias é permitido reter moeda 
estrangeira. Assim sendo, o BC se obriga a comprar 
(ou vender) todo o fluxo de moeda estrangeira 
que entra (ou sai) no país a cada ano, quando o 
resultado do Balanço de Pagamentos é positivo 
(ou negativo). 
 � Letras de Câmbio: títulos ao portador, emitidos 
por Financeiras. As Sociedades de Crédito, 
Financiamento e Investimento são sociedades 
anônimas que financiam bens e serviços no 
mercado interno, captando recursos através das 
letras de câmbio. Estas sociedades não podem 
ter conta corrente nem fundos de investimento. 
Considere o seguinte exemplo: toda grande loja/ 
montadora de veículos tem uma financeira: a 
loja fatura à vista ao cliente que é financiado pela 
Financeira. (Se a loja financiasse diretamente, teria 
que embutir os encargos no valor da nota fiscal, 
pagando mais imposto.) A financeira abre um 
crédito ao cliente, mediante contrato. O cliente 
emite contra a financeira, letras de câmbio, já que 
é credor. A financeira aceita as letras e as coloca no 
117
Análise Macroeconômica
Unidade 4
mercado. Vai haver um comprador destas letras 
que, no vencimento, resgata-a na financeira. A taxa 
de juros paga ao investidor deve ser inferior à taxa 
utilizada no financiamento, sendo que o spread 
obtido é o lucro da Financeira. 
 � CDB – Certificado de Depósito Bancário: são 
títulos emitidos por bancos comerciais que têm 
como lastro os depósitos à vista na instituição 
emissora. São emitidos com o objetivo de obter 
recursos para as instituições financeiras. O público 
alvo é constituído tanto por pessoas físicas quanto 
jurídicas. As taxas se modificam diariamente e são 
cotadas ao ano para o prazo de 30 dias. 
 � RDB – Recibo de Depósito Bancário: são 
depósitos a prazo feitos em Bancos comerciais, de 
forma pré-fixada ou pós-fixada. 
 � CDI – Certificado de Depósito Interbancário: 
criado na década de Oitenta para atender ao 
fluxo de recursos demandados pelas instituições 
financeiras. A instituição que, no final do dia, tenha 
necessidade de fechar seu caixa pode emitir um 
título contra outra instituição que esteja em uma 
situação credora (sobrando recursos em caixa). As 
operações são realizadas fora do âmbito do Banco 
Central. 
 � Hot Money: operação de empréstimo de curtíssimo 
prazo para financiamento do saldo de caixa 
negativo das empresas. 
 � IOF: imposto sobre operações financeiras. Imposto 
cobrado pela Receita Federal sobre as operações de 
empréstimo efetuadas por empresas e bancos. 
Os fundos mútuos de investimentos são a principal forma de 
aplicação financeira no Brasil, com considerável crescimento nos 
últimos anos. Eles são importantes na análise macroeconômica, 
porque promovem o incremento e a circulação dos meios de 
pagamento. Através deste instrumento, canaliza-se a poupança 
que financia o governo através da aquisição dos títulos públicos. 
Taxa adicional de risco 
cobrada no mercado 
internacional, varia 
conforme a liquidez e as 
garantias do tomador 
do empréstimo e o 
prazo do resgate.
118
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 5 – Teorias da inflação 
Todos já vivenciamos os efeitos da inflação, sabemos que ela se 
reflete nas empresas, nas pessoas e no governo. Neste sentido, 
ela é entendida como sendo um fenômeno macroeconômico, 
dinâmico e de natureza monetária, caracterizada por uma 
elevação apreciável e persistente do nível geral de preços. 
Em outras palavras, inflação é o aumento contínuo, 
persistente e generalizado dos preços, envolvendo 
o conjunto da economia e do qual resulta perda de 
poder aquisitivo.
Outra forma de conceituar a inflação é defini-la simplesmente 
como a perda do poder aquisitivo da moeda. 
Caro(a) aluno(a),
você estuda agora algumas teorias que explicam as causas e os 
efeitos da inflação. Entre estas teorias, destacamos a inflação de 
demanda, a inflação de custos, além das teorias estruturalistas e 
inercialista da inflação. 
A inflação de demanda 
A teoria da inflação de demanda (também chamada de teoria 
quantitativa) pode ser considerada a mais antiga das teorias sobre 
inflação. 
A inflação de demanda é impulsionada pela elevação das 
quantidades de bens e serviços que os consumidores estão 
dispostos e aptos a adquirir em função dos níveis de preços 
existentes. Se a essa elevação não corresponder uma expansão da 
oferta global, os preços tendem a ser pressionados para cima, por 
taxas inflacionárias. Em suma, existe um excesso de moeda em 
relação aos bens e serviços disponíveis. 
119
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Considere as seguintes relações básicas: quando há elevada taxa de 
desemprego (condição de baixa demanda agregada), um aumento 
da demanda agregada provocará um aumento da produção. Porém, 
com baixo desemprego, qualquer variação na quantidade de 
demanda agregada, resultará em variação de preços.A inflação também é impulsionada quando a produção real 
cresce em decorrência de três fatores: 
 � as empresas são forçadas a contratar trabalhadores 
menos produtivos e há necessidade de preços maiores, 
para que possa ser coberto o custo da perda da 
produtividade da mão de obra; 
 � os índices salariais tendem a aumentar à medida que as 
firmas percebem que, para evitar o custo mais elevado 
dos trabalhadores não qualificados, precisam manter 
os trabalhadores qualificados, ou estes últimos devem 
ser trazidos de outras empresas sob a atração de índices 
salariais mais altos; 
 � algumas empresas possuem força de mercado, isto 
é, uma falta de concorrentes mais eficazes, e podem 
elevar a margem de lucro quando a procura por seus 
produtos for elevada. 
Veja as seguintes causas que podem conduzir à expansão 
continuada da demanda agregada: 
 � mudanças em impostos; 
 � subsídios ou gastos do governo em custeio e 
investimento; 
 � e mudanças na quantidade ou velocidade de 
circulação da moeda. 
Considere os seguintes exemplos que explicitam o modo pelo 
qual essas causas podem conduzir à expansão continuada da 
demanda agregada: 
120
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � uma redução de impostos, por exemplo, 
gera um aumento da renda disponível, e, por 
consequência, aumenta a Demanda Agregada 
(DA), principalmente se a população tem uma 
alta propensão marginal a consumir; 
 � um aumento dos gastos públicos, através 
da utilização de fundos não utilizados 
anteriormente, aumentará a DA, e este aumento 
tenderá a ser persistente, sobretudo se, a 
partir de certo ponto, os gastos do governo 
passarem a ser financiados por expansão da 
oferta monetária. Caso o governo, para financiar 
seu déficit orçamentário, recorra a emissões, 
as pressões inflacionárias serão estimuladas 
por novos componentes localizados no setor 
monetário da economia (o mesmo pode ocorrer 
devido à entrada de capitais – divisas externas 
conversíveis). Aumentando a oferta monetária e 
baixando a taxa de juros, haverá uma expansão 
da renda, havendo uma pressão inflacionária; 
 � aumento do gasto da poupança da população, 
implica uma preferência por ativos mais líquidos; 
 � expansão da oferta monetária nominal, ainda 
que temporária, converte-se em aumento da 
demanda nominal (as pessoas pagarão mais pela 
mesma quantidade de produtos existentes na 
economia), provocando pressões inflacionárias, na 
hipótese de haver uma curva de oferta inelástica. 
Frente a estes fatores, perceba que alguns se referem ao setor 
real da economia, outros a fatores monetários. A inflação pode 
ter origem em ambos. 
Sua magnitude dependerá de quanto foi a pressão sobre 
a demanda agregada e, ainda, das medidas que foram 
utilizadas para controlá-la. 
121
Análise Macroeconômica
Unidade 4
A inflação de custos 
A Inflação de custos ocorre, quando, devido a 
aumento nos custos de produção, as empresas 
repassam tais aumentos para seus preços. 
O tratamento teórico da inflação de custos – embora se reconheça 
que a persistência e propagação de qualquer inflação dependam, 
em última instância, da expansão do suprimento monetário – 
admite que as causas iniciais do processo se encontram no 
âmbito da oferta agregada, cujos deslocamentos resultam de 
mudanças nos salários, nos custos de matérias-primas ou da 
tentativa de aumentar os lucros. A magnitude da inflação de 
custos e a dinâmica de propagação dependem da estrutura de 
mercado da indústria. 
Se as indústrias responsáveis por maior volume de emprego 
estiverem em situação monopolista ou oligopolista, o efeito 
inflacionário dos acréscimos salariais que excedam os ganhos de 
produtividade será mais rápido, comparativamente com situações 
em que as indústrias que absorvem a maior parcela da força ativa 
de trabalho estiverem inseridas em mercados mais competitivos. 
Além de ser explicada pela variação de taxas salariais, a inflação 
de custos pode ainda resultar de acréscimos nos preços de 
matérias-primas de alta participação na estrutura de custos das 
principais indústrias da economia. 
Quando há aumento no valor do dólar norte-
americano, muitos setores da economia são afetados 
negativamente, pois têm custos expressos nesta 
moeda, e há uma tendência, nem sempre confirmada, 
de repassar este aumento para os preços dos bens/ 
serviços finais. 
Monopólio: forma de 
organização de mercado 
nas economias capitalistas, 
em que apenas uma 
empresa domina a oferta 
de determinado produto 
ou serviço, para o qual não 
há substituto satisfatório.
Oligopólio: Tipo de 
estrutura de mercado 
nas economias 
capitalistas, dominado 
por um pequeno grupo 
de empresas, oferecendo 
bens diferenciados, porém 
substitutos entre si. 
122
Universidade do Sul de Santa Catarina
As teorias estruturalistas 
Estas teorias afirmam que as pressões inflacionárias têm origem 
em causas estruturais, relacionadas com o subdesenvolvimento 
econômico. 
É uma teoria essencialmente latino-americana, desenvolvida no 
âmbito da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina). 
Não nega as outras teorias, mas dá ênfase ao subdesenvolvimento 
como uma das causas da inflação. Essencialmente, a concentração 
de renda estimula a formação de um mercado reduzido e que tem 
condições de repassar aumentos de preços. 
A teoria inercialista 
Esta teoria (também chamada de teoria keynesiana) explica a 
inflação a partir de forças de realimentação, como a indexação da 
economia. Ou seja, parte-se do princípio de que a inflação presente 
existe em função da inflação passada. Neste caso, a inflação decorre 
de tentativas de se consumirem mais bens e serviços finais do que 
aqueles de que o sistema econômico pode dispor. 
A teoria inercialista origina-se da ideia de que há certa tendência 
dos preços em permanecerem elevados. Neste caso, o grande 
vilão é a indexação, ou seja, o reajuste das parcelas de contratos 
pela inflação do período passado. 
Seção 6 – A inflação no Brasil 
Muitas vezes, indo ao supermercado ou ao shopping, nos 
assustamos ao notar que certos produtos tiveram um expressivo 
aumento de preço. O mesmo acontece, quando chegam as contas 
dos serviços públicos, como água, luz e telefone. 
Mesmo assim, a situação atual é bem mais confortável do que 
aquela de alguns anos atrás. Através da tabela a seguir, pode-se 
verificar a evolução da inflação no Brasil, medida pelo Índice de 
123
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Geral de Preços – Disponibilidade Interna IGP-DI da Fundação 
Getúlio Vargas, de 2000 até 2010. 
Tabela 4. 2 – Inflação no Brasil – Índice Geral de Preços (acumulado)
Anos Porcentagem (%)
2000 9,95
2001 10,37
2002 25,30
2003 8,69
2004 12,42
2005 1,20
2006 3,84
2007 7,74
2008 9,80
2009 -1,71
2010 11,20
Fonte: Disponível em:<http://www.portalbrasil.net/index.php/layout/indices-financeiros>. 
Acesso em: 22 fev. 2011.
No Brasil, há várias formas de se mediar a inflação. A inflação 
é medida por institutos de pesquisa que analisam o quanto as 
famílias, nos diversos extratos sociais, gastam com aluguel, 
vestuário, alimentos, saúde, transporte, educação, lazer, 
comunicações e outras despesas. Alguns dos principais índices 
do país são: 
IGP (Índice Geral de Preços) – calculado pelo IBGE (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística – www.ibge. gov.br) desde 
1947, compara variações mensais de preços em 18 capitais. Há 
três grupos de preços: produtos no atacado, preços ao consumidor 
e preços da construção civil; 
IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) – também 
calculado pelo IBGE, serve para corrigir os contratos bancários. 
É aplicável no dia 30 de cada mês, pois é calculado medindo-se 
as variações de preços entre o dia 20 de um mês e o dia 20 do 
mês subsequente; 
http://www.portalbrasil.net/index.php/layout/indices-financeiros
124
Universidade do Sul de Santa Catarina
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) – também 
calculado pelo IBGE, baseia-se em consumidores com até 
quarenta (40) salários mínimos de renda mensal.Conheça alguns dos diversos institutos que calculam 
taxas de inflação: 
FIPE – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da 
Universidade de São Paulo (www.fi pe.org.br); 
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e 
Estudos Socioeconômicos (www.dieese.org.br);
FGV – Fundação Getúlio Vargas (www.fgv.br). 
Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas de inflação. 
Neste regime, o Banco Central – que é o executor da Política 
Monetária – define uma taxa de inflação ideal para o período 
dos próximos doze meses e, com base nesta meta, conduz a 
política monetária. 
Ou seja: se o Bacen nota, no decorrer do ano, que a inflação está 
crescendo rapidamente e se aproximando muito rápido da meta, 
então ele aumenta as taxas de juros (política monetária restritiva). 
O aumento das taxas de juros é o principal remédio no 
combate à inflação. 
Por outro lado, se o Bacen percebe que a inflação está crescendo 
lentamente, e há espaço para aumento da demanda, então ele 
reduz as taxas de juros (política monetária expansiva). 
A inflação é definida como uma situação em que há um aumento 
contínuo e generalizado de preços. Essas características de 
generalidade e continuidade fazem com que a inflação seja 
um processo, e não uma ocorrência passageira. Isto pode levar 
algumas pessoas a pensarem que a inflação não é um problema 
muito grave, ou é um problema dos governantes, uma vez que a 
economia acaba por se ajustar a esse processo.
125
Análise Macroeconômica
Unidade 4
Entretanto devemos analisar e pensar que a inflação não é algo 
simples, pois uma economia com alta inflacionária provoca uma 
série de problemas graves para um sistema econômico, com 
consequências e efeitos muito mais graves sobre a distribuição de 
renda e o bem-estar social da população (com a perda do poder 
aquisitivo, efeitos sobre as expectativas de investimento dos 
empresários e sobre o balanço de pagamentos).
Durante o processo inflacionário, os preços dos bens e serviços 
produzidos no país estão em constante elevação e, inversamente, 
os preços dos produtos estrangeiros (em uma economia sem 
inflação) tendem a ficar mais baratos a curto prazo. Desta forma, 
pode ocorrer aumento das importações, provocando déficit na 
balança comercial. 
Em razão deste fato, os países que enfrentam 
processos inflacionários tributam de forma pesada 
as importações, como uma forma de evitar este 
desequilíbrio que provoca graves consequências para 
a economia do país.
As equipes econômicas trabalham com a necessidade do 
equilíbrio macroeconômico através da estabilização da economia, 
com planos de ação de combate e controle da inflação. 
Foram muitas as tentativas de estabilização de nossa economia 
ao longo de muitos anos, foram vários planos econômicos, 
principalmente na década de 80, porém seus objetivos não foram 
alcançados, visto possuírem combinações de instrumentos de 
política econômica e diagnósticos errôneos, o que permitia que a 
inflação retornasse e, com mais força do que a inflação observada 
no período anterior ao plano.
Somente a partir do ano de 1994, com a implantação do 
Plano Real e adoção de política econômica rígida e de forma 
abrangente, foi possível ao país controlar a inflação, obtendo 
índices mais baixos, o que levou a um crescimento consistente e 
expressivo da nossa economia.
126
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você conheceu o conceito de moeda e pôde 
perceber como ela é importante para o bom funcionamento do 
sistema econômico. Também foi possível compreender que o 
controle da quantidade de moeda na economia é uma ferramenta 
importantíssima de política econômica, que é a política 
monetária. 
Além disto, você aprendeu o conceito de inflação e suas 
principais causas. As causas para a inflação da economia brasileira 
são diversas e dependem do momento histórico e, como visto, 
esse fenômeno pode ser interpretado através da teoria inercial, 
de custos, de demanda ou estruturalista. A pior consequência da 
inflação é a perda de poder aquisitivo do dinheiro. 
Atividades de autoavaliação
Leia com atenção os enunciados seguintes e resolva as atividades 
programadas para a sua autoavaliação. 
Nesta unidade, você aprendeu as principais funções da moeda, a 
importância da determinação da taxa de juros e a influência da inflação 
no nosso dia a dia. Partindo disto, responda:
1. Por que a moeda é importante na economia moderna?
127
Análise Macroeconômica
Unidade 4
2. Como se determina a taxa de juros de equilíbrio?
3. Qual é o principal objetivo da política monetária?
4. Como a inflação afeta o cotidiano das pessoas?
5. Por que ocorre inflação de demanda?
128
Universidade do Sul de Santa Catarina
Saiba mais
Aprenda mais sobre moeda e política monetária, ao consultar as 
seguintes referências: 
MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: 
Campus, 2008.
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura 
econômica: entendendo a economia no dia a dia. Campo 
Grande: Editora Oeste, 2001. 
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à 
economia. São Paulo: Makron Books, 2009.
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.
Também consulte o site do Banco Central do Brasil.
Disponível em: <http://www.bcb.gov.br>. Acesso em 28 fev. 
2011.
http://www.bcb.gov.br
5UNIDADE 5Economia Internacional
Objetivos de aprendizagem
 � Conhecer as principais teorias de comércio 
internacional. 
 � Identificar a metodologia de registro das transações 
com o exterior. 
 � Conhecer os principais conceitos de balanço de 
pagamentos.
 � Conhecer os componentes do balanço de 
pagamentos.
Seções de estudo
Seção 1 Mercantilismo 
Seção 2 Teoria das vantagens 
Seção 3 Balanço de pagamentos 
130
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Você provavelmente já se perguntou o porquê de as nações 
comercializarem. Os professores Maria Carvalho e César Silva 
(2007, p.3) respondem a esta questão afirmando que “o bom 
senso nos leva a crer que as nações comerciam porque podem 
obter vantagens.” 
Estas vantagens são mostradas na Teoria Clássica do Comércio 
Internacional, que é o principal tema desta unidade. Bom estudo! 
Seção 1 – Mercantilismo
Você sabe o que foi o mercantilismo? 
O período mercantilista compreendeu os séculos XV a meados 
do século XVIII. A doutrina mercantilista resultou da expansão 
do comércio iniciada no final da Idade Média e teve seu apogeu 
após o descobrimento da América e do caminho marítimo para 
as Índias. 
O mercantilismo como sistema econômico é uma reação à 
ordem medieval, opondo-se simultaneamente ao poder local 
do nobre rural e ao poder universal da Igreja Católica. As 
ideias mercantilistas expressavam os interesses do Estado 
e da burguesia. A política comercial mercantilista reforçava o 
poder do monarca absoluto, defendendo a unificação econômica 
e o poder nacional, para permitir a sobrevivência do Estado-
Nação contra ameaças externas. A contrapartida política do 
mercantilismo era o absolutismo e o nacionalismo. 
131
Análise Macroeconômica
Unidade 5
Esta conjunção de fatores fazia com que a coroa tivesse que gerar 
receitas para manter-se no poder. A origem dessas receitas era 
o comércio interno e externo. Os mercantilistas defendiam a 
unificação econômica doméstica e a liberdade de comércio no 
interior do território nacional. Por um lado, houve restrições às 
aduanas e aos pedágios impostos por nobres feudais, e, por outro 
lado, os mercantilistas também defendiam a unificação do regime 
monetário, a racionalização do sistema de pesos e medidas, 
promovendo, assim, a liberdade comercial. 
Saiba mais sobre o pensamento mercantilista! 
As palavras de Thomas Mun, um comerciante inglês, 
em 1644, mostram o pensamento mercantilista da 
época em relação ao comércio exterior: 
A forma mais comum [...] de aumentar nossa riqueza 
e nosso tesouro é através do Comércio exterior, por 
isso devemos observar sempre esta regra: todo ano, 
vender mais aos estrangeiros do que consumimosdeles. 
Suponhamos que este Reino tenha abundância de tecidos, 
chumbo, estanho, ferro, peixe e outros bens nativos e nós 
exportemos anualmente o excesso para outros países 
por 2,2 milhões de libras. Assim, há condições de comprar 
bens estrangeiros para nosso consumo no valor de dois 
milhões de libras. Sendo essa ordem devidamente mantida 
em nosso comércio, permanece a certeza de que o Reino 
enriquecerá seus cofres a cada ano com duzentas mil 
libras, quantia que será colocada no Tesouro, pois a parte 
que não nos for devolvida em bens terá de ser trazida para 
casa na forma de tesouro. 
No mercantilismo, as exportações consistiam em uma maneira de 
incrementar o volume de metais preciosos do país, pois os pagamentos 
internacionais eram feitos em ouro e prata. Tinha-se, portanto, a visão 
de que o país devia ser superavitário comercialmente (exportações 
maiores que as importações) para tornar-se mais rico. 
Estado tinha como função estimular as exportações e 
desestimular as importações. 
132
Universidade do Sul de Santa Catarina
A Espanha extraía metais preciosos (ouro e prata) dos incas. 
A Inglaterra, França e outros países extraíam ouro e prata da 
Espanha através do comércio exterior. 
Para os mercantilistas, o aumento da produção 
e do comércio doméstico depende, além do 
estoque dos meios de pagamento, da unificação 
econômica e da liberdade de comércio no interior 
das fronteiras nacionais. 
E o crescimento do estoque de meios de pagamento de um 
país depende da produção de minas nacionais ou do superávit 
na balança comercial. Portanto, para um país sem minas, uma 
política comercial baseada no protecionismo e na promoção da 
exportação é a única estratégia compatível com o aumento do 
poder nacional. (GONÇALVES, 1998). 
Você sabe por que a concepção de comércio exterior 
dos mercantilistas estava errada? 
Porque se todos os países fechassem suas economias, não haveria 
comércio. As exportações tenderiam a zero. Como consequência, 
o país teria de produzir internamente tudo que precisasse. Outra 
forma de ver a questão é a seguinte: um país que exporta mais 
do que importa tende a aumentar a oferta monetária. Como 
consequência, há aumento de preços. 
O aumento dos preços internos faz com que o país perca 
competitividade no mercado internacional, levando a que 
as exportações diminuam e que as importações aumentem. 
Baseados nesses argumentos, os economistas clássicos se 
opuseram aos mercantilistas, enfatizando que o governo não 
deveria intervir no comércio internacional. 
133
Análise Macroeconômica
Unidade 5
Seção 2 – Teoria das vantagens 
Você conhece a teoria das vantagens? Nesta seção, vamos apresentar 
duas teorias: a das vantagens absolutas e a das vantagens 
comparativas.
Teoria das vantagens absolutas
A vantagem absoluta é a condição em que determinado produto 
ou serviço pode ser oferecido com preço de custo inferior 
ao dos concorrentes. Esta situação, em geral, é criada pela 
especialização, porém, para os produtos agrícolas, por exemplo, a 
condição climática favorável é fundamental. O uso deste tipo de 
vantagem pode sofrer restrições no comércio internacional.
A visão clássica econômica não convergia com os interesses 
da coroa, mas sim com os interesses dos súditos da coroa. Os 
economistas que defendiam a teoria das vantagens absolutas, os 
economistas clássicos, argumentavam que a exportação era um 
meio para a aquisição de produtos importados, não ouro e prata. 
Você sabia? 
Escola Clássica
Linha de pensamento econômico que tem seu início marcado pela 
publicação do livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, em 1776, e 
o seu final pelo texto Princípios de Economia Política, de John Stuart 
Mill, de 1848. Outro texto central para este pensamento é a obra de 
David Ricardo, Princípios de Economia Política e Tributação, de 1817. 
Com os representantes da Escola Clássica, a economia adquiriu 
caráter científico integral quando passou a centralizar a abordagem 
teórica na questão do valor, cuja única fonte original era identificada 
pelo trabalho em geral. 
Esta abordagem fazia uso do método dedutivo, do materialismo 
e da preocupação em simplificar e generalizar as proposições 
econômicas. Baseava-se nos preceitos filosóficos do liberalismo e 
do individualismo, firmando os princípios da livre concorrência. É 
caracterizada por enfatizar a produção, relegando o consumo e a 
procura ao segundo plano.
134
Universidade do Sul de Santa Catarina
De acordo com Smith, quando um produto de qualquer ramo 
da indústria excede a demanda interna de um país, o excedente 
deve ser mandado para o exterior e trocado por alguma coisa 
que tenha demanda interna. Para ele, sem tal exportação, uma 
parte do trabalho produtivo de um país deve cessar, e o valor de 
sua produção anual diminuir. O autor também argumenta que o 
excedente do produto importado, pago com excedente doméstico, 
pode ser trocado mais uma vez por um produto demandado 
domesticamente. 
Outra contribuição de Smith foi entender que os metais preciosos 
são um produto como qualquer outro. Portanto um país grande 
produtor de metais preciosos seria naturalmente exportador deste 
produto, porque o preço dos outros produtos cotados em ouro 
e prata, no país com minas, seria mais alto do que no país sem 
minas. (GONÇALVES, 1998). 
Mais tarde, a teoria da vantagem absoluta foi aperfeiçoada por 
David Ricardo, um dos seguidores de Adam Smith, que criou a 
teoria das vantagens comparativas. 
Saiba mais sobre a visão clássica referente à 
economia internacional! 
De acordo com Adam Smith (1776, 377), dar o 
monopólio do mercado interno ao produto da 
indústria nacional, em qualquer arte ou manufatura 
em particular, de certa formam é o mesmo que 
definir o que cada pessoa deve fazer com o seu 
capital, sendo, em quase todos os casos, uma regra 
inútil ou prejudicial [...] O princípio de qualquer 
chefe de família prudente é nunca tentar fazer 
em casa algo que lhe custe mais para produzir do 
que para comprar. O alfaiate não procura fazer os 
próprios sapatos, ele os compra do sapateiro. O 
sapateiro não tenta fazer as suas próprias roupas, ele 
contrata um alfaiate [...] Aquilo que é prudente na 
condução de qualquer família dificilmente poderia 
ser insensato na condução de um grande reino. Se 
outro país puder nos fornecer um bem por preço 
menor do que o necessário para que nós mesmos 
o produzamos, é mais sensato comprar dele com 
parte da produção da nossa própria indústria, 
empregada de modo a nos trazer certa vantagem[...] 
SMITH, Adam. A riqueza 
das nações: investigação 
sobre a sua natureza 
e suas causas. São 
Paulo: Abril Cultural, 
1983 (Coleção os 
Economistas). 
135
Análise Macroeconômica
Unidade 5
Teoria das vantagens comparativas 
A teoria de David Ricardo, conhecida como Teoria das 
Vantagens Comparativas, tem como argumento principal que o 
comércio entre dois países cujas estruturas de produção 
são diferentes é sempre vantajoso em relação ao não comércio. 
A principal consequência prática desta concepção teórica é que 
cada país deve dedicar-se, ou especializar-se naquelas áreas onde 
os custos comparativos sejam menores.
Relacionando-se a produção de (dois) bens A e B, de 
dois países distintos X e Y, os custos do produto A 
são expressos em relação aos custos de produção do 
produto B. Possui vantagem comparativa o país em 
que for menor a relação dos custos de produção dos 
produtos A e B.
Apresentando e utilizando como exemplo o vinho e o tecido, 
produzidos por Portugal e Inglaterra, Ricardo afirmava que se 
Portugal tivesse que dividir seu capital na produção de vinhos 
e tecidos, certamente perderia em relação à possibilidade 
de realizar o comércio com a Inglaterra. O comércio com a 
Inglaterra lhe proporcionaria mais tecidos e de melhor qualidade. 
Para melhor descrever o raciocínio de Ricardo (1985, p. 56), 
vejamos um exemplo: 
Para Inglaterra são necessários 100 homens, por um 
ano, para produzir uma determinada quantidade de 
tecido;e são necessários 120 homens, por um ano, 
para produzir uma determinada quantidade de vinho.
Para Portugal são necessários 90 homens, por 
um ano, para produzir a mesma quantidade de 
tecido; e são necessários 80 homens, por um ano, 
para produzir a mesma quantidade de vinho – 
que a Inglaterra. 
136
Universidade do Sul de Santa Catarina
Embora Portugal tenha uma vantagem absoluta 
na produção de vinhos e tecidos, pela teoria das 
vantagens comparativas, Ricardo afirmava que 
seria vantajoso Portugal realizar comércio com 
a Inglaterra. Neste caso, a Inglaterra se dedicaria 
à produção de tecidos, enquanto Portugal se 
dedicaria à produção de vinhos. 
Com o comércio entre os dois países, a Inglaterra 
compraria os vinhos (que custaram o trabalho 
de oitenta homens) e venderia os tecidos (que 
custaram o trabalho de cem homens), mas ela 
poderia obtê-los a um preço mais baixo do que 
ela pagaria internamente (120 homens). Por 
outro lado, Portugal pagaria pelos tecidos (que 
lhe custariam 90 homens) o equivalente em 
vinho, que lhe custa 80 homens. Desta forma, os 
dois países têm vantagens comparativas com o 
comércio internacional. 
Assim, segundo a Teoria das Vantagens Comparativas de David 
Ricardo, seria mais vantajoso para Portugal concentrar toda a 
mão de obra na produção de vinho, onde ele é mais eficiente, 
vendendo esse produto para a Inglaterra. Em contrapartida, seria 
mais vantajoso para Inglaterra só produzir tecido, onde ela é 
mais eficiente, vendendo-o para Portugal. Ou seja, os dois países 
seriam beneficiados pelo comércio, já que cada um produziria 
aquilo que lhe é mais vantajoso.
Portanto, as teorias de comércio internacional mostram que o 
protecionismo, o isolamento, é prejudicial aos países. 
Quanto maior a abertura do comércio, mais progresso 
econômico o mundo alcançará. 
Mas Adam Smith já alertava sobre a dinâmica de um processo de 
abertura econômica. Segundo ele, a abertura deve ser lenta, para 
137
Análise Macroeconômica
Unidade 5
que haja tempo para a economia adaptar-se às novas condições 
e então redistribuir os recursos de um setor para o outro. Essa 
é a grande dificuldade com que a Organização Mundial do 
Comércio se depara neste século XXI. Todas as transações 
que um país realiza com o exterior, incluindo o comércio 
internacional, devem ser registradas na contabilidade do país 
(tema que será abordado na seção seguinte).
Comércio exterior
Comércio internacional e câmbio
Quando se pensa em termos de comércio internacional e as 
transações efetuadas aí, duas questões são de fundamental 
importância para o entendimento desta relação e a superação das 
dificuldades que podem surgir: 
 � a primeira refere-se ao motivo pelo qual os países 
comercializam entre si, apesar de toda uma série de 
dificuldades, tais como, moedas diferentes e a distância 
que os separa;
 � a segunda refere-se à forma como são escolhidos os bens 
e serviços que farão parte deste fluxo de mercadorias. 
É necessário identificar, por exemplo, por que um país 
exporta produtos agrícolas e manufaturados e importa 
máquinas e equipamentos pesados.
As respostas para estas questões estão na Teoria das Vantagens 
Comparativas, elaborada por Adam Smith e aperfeiçoada por 
David Ricardo. Economistas clássicos que viveram nos séculos 
XVIII e XIX, respectivamente. 
Como vimos anteriormente, esta teoria parte do princípio de que 
os países que comercializam entre si aumentam o nível de seu 
bem-estar social, colocando uma quantidade maior de produtos à 
disposição de sua população.
138
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para que dois países diferentes, que possuem moedas 
diferentes, possam comercializar entre si, é necessário 
identificar a proporção de valor entre suas moedas, a 
fim de que seja possível a realização da troca de bens 
e de serviços.
Buscando resolver esta situação, a Economia Internacional criou 
a taxa de câmbio, que é a medida pela qual a moeda de um país 
pode ser convertida na moeda de outro país.
 A taxa de câmbio é o preço das divisas, das moedas 
estrangeiras. Esta taxa é determinada pela oferta 
e pela procura de divisas, o que cria o mercado de 
divisas, ou seja, onde ocorre o encontro da oferta e da 
demanda por divisas, que determina a taxa de câmbio.
Para o entendimento do regime cambial adotado por um 
determinado país, é necessário o entendimento da razão por que 
o dólar norte-americano é a moeda internacional das trocas.
Em julho de 1944, reuniram-se em Bretton Woods (New 
Hampshire, Estados Unidos), representantes de 44 países, na 
conferência que ficou conhecida como Conferência Monetária 
e Financeira das Nações Unidas. Esta conferência teve 
como objetivo o planejamento e a estabilização da economia 
internacional e das moedas nacionais prejudicadas pela II 
Guerra Mundial. 
A comissão brasileira era formada por Euvaldo Lodi, João Daudt 
de Oliveira e outros técnicos do governo do nosso país.
Os acordos assinados nesta conferência, tiveram validade para o 
conjunto das nações capitalistas lideradas pelos Estados Unidos, 
resultando na criação do Fundo Monetário Internacional e a 
definição do dólar norte-americano como a moeda internacional 
das trocas, pois, naquele momento histórico, os Estados Unidos, 
além vencedores do conflito, eram uma economia em franca 
aceleração de crescimento.
Após o abandono do Padrão Ouro em 1971, os regimes cambiais 
praticados pelos diversos países são diversos. Analise-os na sequência.
O Brasil participou da 
conferência de Bretton 
Woods, tornando-se 
membro fundador 
do Fundo Monetário 
Internacional (FMI) e 
do Banco Internacional 
para Reconstrução e 
Desenvolvimento (BIRD).
139
Análise Macroeconômica
Unidade 5
 � Câmbio Administrativo com regime de bandas. O 
Bacen administra a cotação da moeda nacional em 
relação a uma moeda forte dentro de uma faixa de 
flutuação denominada banda cambial, a qual pode ser 
mais ou menos estreita. Esse regime requer alto volume 
de reservas e está sujeito a movimentos especulativos, 
quando existe ameaça de que a cotação da moeda 
nacional possa ultrapassar o teto da banda. 
 � Livre Flutuação – Regime adotado no Brasil – A taxa 
de câmbio é definida inteiramente pelo mercado. Esse 
regime requer a robustez do setor externo (inexistência 
de grandes déficits) e solidez na área fiscal, tributária 
e monetária. Qualquer debilidade destes fundamentos 
pode levar a bruscas elevações da taxa de câmbio.
 � Flutuação Suja. O câmbio é formalmente livre, porém, 
diante de alterações inesperadas, o Bacen pode intervir 
sem aviso prévio. Este regime tem os mesmos problemas 
da Livre Flutuação e requer grande capacidade dos 
operadores do Bacen.
 � Comitê da Moeda. O câmbio é atrelado a uma moeda 
forte, como o dólar norte-americano, por exemplo, sendo 
a conversibilidade plena e a emissão de moeda nacional 
condicionada ao aumento das reservas. Esse regime 
elimina grande parte da especulação cambial, provoca 
um rebaixamento da taxa de juros, mas torna a política 
monetária e fiscal excessivamente rígida e provoca perda 
de soberania do país que a pratica.
O regime cambial adotado no Brasil é o câmbio flutuante. Ou 
seja, quanto maior a quantidade de dólar em circulação no país 
(seja por investidores, turistas, etc.) menor a cotação do dólar. Se 
os investidores retirarem os seus dólares do mercado do país, a 
cotação do dólar vai subir. 
O Bacen compra o dólar, a fim de evitar um excesso da moeda 
circulando na economia, pois esta situação pode desvalorizar 
o dólar e provocar uma valorização do real, gerando, assim, a 
queda na taxa de juros, aumento das importações e diminuição 
das exportações, o que, por sua vez, poderá ocasionar déficit na 
balança de pagamentos. 
140
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 3 - Balanço de pagamentos 
O Balanço de pagamentos de um país representa 
o resumo contábil das transações econômicas que 
esse país faz com o resto do mundo, durante um 
determinado período de tempo.
Com base nesse balanço,é possível avaliar a situação econômica 
internacional do país. (LOPES; VASCONCELLOS, 1998). 
Outro modo de pensar o balanço de pagamentos é considerá-
lo como o registro sistemático das transações entre residentes 
e não residentes de um país durante um período de tempo. 
(SIMONSEN; CYSNE, 1995). Entendem-se residentes como 
os indivíduos que vivem permanentemente no país (incluindo 
os estrangeiros com residência fixa), os funcionários fora do país 
em viagens de turismo, negócios, educação, etc. Consideram-
se também residentes as pessoas jurídicas de direito privado 
ou público sediadas no país, inclusive as filiais de empresas 
estrangeiras. 
No Brasil, o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo 
Banco Central e, para o registro contábil, utiliza-se a 
regra de partidas dobradas: o débito em determinada 
conta corresponde a um crédito em outra. 
No caso brasileiro, toda transação que cria um direito constitui 
um crédito. As exportações, por exemplo, são lançadas como 
crédito. Por outro lado, as importações são lançadas a débito, 
assim como juros pagos ao exterior. Os créditos entram com 
sinal positivo e os débitos entram com sinal negativo. De modo 
geral, considera-se que toda entrada de divisas corresponde a um 
crédito e toda saída a um débito, conforme os exemplos indicados 
no quadro a seguir: 
141
Análise Macroeconômica
Unidade 5
Quadro 1 - Exemplos de Lançamentos no Balanço de Pagamentos
Crédito Débito
Exportação de bens e serviços Importação de bens e serviços
Recebimento de doações e 
indenizações de terceiros
Pagamento de doações e 
indenizações a Estrangeiros
Recebimento de empréstimos 
de estrangeiros
Pagamentos de capital emprestado 
por estrangeiros
Recebimento de reembolso de 
capital do estrangeiro
Reembolsos de capital a 
estrangeiros
Vendas de ativos para 
estrangeiros
Compras de ativos de 
estrangeiros
Recebimento de Fretes Pagamentos de Fretes
Fonte: LOPES e VASCONCELLOS, 1998, p.29.
Considere alguns exemplos, apresentados por Simonsen e Cysne 
(1995, p. 19), de lançamento, cujas operações são liquidadas em 
moeda ou títulos de curto prazo. 
 � um país exporta uma mercadoria, recebendo 
pagamento à vista em moeda estrangeira – 
credita-se à conta “Exportações” e debita-se na 
conta “Haveres de Curto Prazo no Exterior”; 
 � um país importa mercadorias, pagando-se 
à vista em moeda nacional – debita-se em 
“Importações” e credita-se em “Capitais de 
curto prazo”; 
 � um país paga em ouro monetário a amortização 
de um empréstimo externo – débito de 
“Amortizações” e crédito em “Ouro Monetário”. 
Se a transação não envolve pagamento em moeda, ela é concebida 
como resultado de duas operações, a primeira envolvendo uma 
entrada e a segunda uma saída, conforme os exemplos: 
142
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � um país recebe um donativo do exterior em 
mercadorias – débito em “Importações” e crédito 
em “Transferências Unilaterais”; 
 � um país permuta mercadorias com o exterior 
– crédito em “Exportações” e débito em 
“Importações”; 
 � um equipamento estrangeiro é adquirido pelo 
país com financiamento externo – crédito em 
“Financiamento”, débito em “Importações”. 
A Estrutura do Balanço de Pagamentos 
As transações na balança de pagamentos dividem-se 
em transações autônomas (ou espontâneas) e transações 
compensatórias (ou induzidas). 
As transações autônomas são realizadas normalmente e 
acontecem por si mesmas. Essas transações são motivadas 
pelos interesses dos agentes (empresas, consumidores, 
governo) e referem-se às transações da Balança de 
Transações Correntes e da Balança de Capitais, como 
mostrado o quadro 5.1. 
As transações compensatórias têm como objetivo 
financiar o saldo final das transações autônomas. Acabado 
um determinado período, não pode existir igualdade entre 
crédito e débito quanto às transações autônomas. Com base 
nesse superávit (ou déficit), o governo é induzido a realizar 
uma série de transações (compensatórias) com o intuito de 
equilibrar (ou zerar) as contas do Balanço de Pagamentos. 
A estrutura do Balanço de Pagamentos é apresentada a seguir: 
143
Análise Macroeconômica
Unidade 5
A. BALANÇA COMERCIAL (mercadorias)
- Importações FOB (débito)
- Exportações FOB (crédito)
B. BALANÇO DE SERVIÇOS (saldos de contas: podem apresentar tanto débitos como 
créditos.
- Viagens Internacionais (turismo, negócios)
- Transportes (fretes)
- Seguros
- Rendas de capitais (juros, dividendos e lucros, inclusive lucros reinvestidos)
- Serviços Diversos (royalties, assistência técnica, aluguéis de equipamentos, etc.)
- Serviços Governamentais (embaixadas, consulados, representações no exterior)
C. TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (podem ser doações de mercadorias, como trigo, 
armas ou doações monetárias – também conhecidas como Donativos).
D. BALANÇO DE TRANSAÇÕES CORRENTES (ou SALDO EM CONTA CORRENTE DO BALANÇO DE 
PAGAMENTOS) (Resultado líquido de A + B + C)
E. MOVIMENTO DE CAPITAIS AUTONÔMOS (ou BALANÇO DE CAPITAIS AUTONÔMOS) 
(Capitais Financeiros)
- Investimentos diretos líquidos (instalação de empresas estrangeiras no país)
- Reinvestimentos (reinvestimentos de empresas estrangeiras já instaladas no país) 
- Empréstimos e Financiamentos (financiamentos de bancos estrangeiros de curto e longo prazos)
- Amortizações (amortizações de empréstimos e financiamentos)
- Outros Capitais (capitais especulativos, de curto prazo, aplicados no mercado financeiro)
F. ERROS E OMISSÕES
G. SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (resultado líquido de D + E + F) 
H. FINANCIAMENTO DO RESULTADO (Ou FINANCIAMENTO OFICIAL COMPENSATÓRIO, ou 
ainda MOVIMENTO DE CAPITAIS OFICIAIS)
- Haveres e obrigações no exterior (ou variação de reservas)
- Operações de regularização
- Atrasados comerciais
Quadro 5.2 – Estrutura do Balanço de Pagamentos
Fonte: VASCONCELOS, 2010, p. 370.
144
Universidade do Sul de Santa Catarina
Acompanhe, a seguir, a descrição de cada item da estrutura do 
balanço de pagamentos. 
A. Balança Comercial 
A balança comercial inclui basicamente as importações e 
exportações. Sendo que: 
Exportações  Importações = Superávit Balança Comercial
Quando, em um determinado período de tempo, um sistema 
econômico exporta um determinado valor de mercadorias maior 
do que o volume de suas importações, ocorre um superávit 
na balança comercial. Isto proporciona o pagamento de 
compromissos anteriormente assumidos, investimentos do país 
no exterior e aumento de suas reservas.
Importações  Exportações = Déficit Balança Comercial
Quando, em um determinado período de tempo, um sistema 
econômico importa um determinado valor de mercadorias (para 
satisfazer suas necessidades internas) maior do que o volume 
em valor de suas exportações, ocorre um déficit na balança 
comercial. Isto implica contrair empréstimos no exterior; contrair 
investimentos externos no país ou diminuir as reservas do país 
(esta decisão estará a cargo da equipe econômica do governo, com 
respaldo da presidência da república e seus poderes).
As Exportações e Importações podem ser contabilizadas como:
FOB – Free on Board (de graça até a 
mercadoria estar a bordo do navio)
No conceito FOB, as despesas incluídas no valor 
das mercadorias são as incorridas até o embarque 
da mercadoria.
CIF – Cost, Insurance and Freight 
(Custo, seguros e frete)
As exportações CIF são as que incluem, além do 
custo, o valor do frete e do seguro do transporte 
da mercadoria até o destino.
145
Análise Macroeconômica
Unidade 5
Para efeito do Balanço de Pagamentos, utilizam-se as 
exportações e as importações FOB, já que as despesas com 
seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. 
B. Balança de Serviços 
A balança de serviços mostra as negociações internacionais 
dos chamados bens invisíveis ou intangíveis, e os rendimentos 
de investimentos. Contabilizam-se como serviços as seguintes 
operações: 
 � transportes e seguros – corresponde ao saldo das 
receitas e das despesas efetuadas com fretes e prêmios de 
seguros efetuados;� viagens internacionais – representa o saldo das receitas 
e das despesas com turistas; 
 � rendas de capital – refere-se a rendimentos de capital 
auferidos ou pagos pelo país. Nesta conta, estão incluídos 
os juros pagos ou recebidos do exterior por empréstimos 
ou financiamentos recebidos ou concedidos por não 
residentes em momento anterior. Também são incluídos 
nesta conta os lucros enviados por empresas nacionais no 
exterior – crédito – e os lucros remetidos pelas empresas 
estrangeiras no país – débito. Inclui os lucros reinvestidos 
por empresas estrangeiras no país – crédito; 
 � diversos – incluem-se aqui todos os gastos com 
representações diplomáticas no exterior e transferências 
dos demais países para os gastos de suas representações 
diplomáticas no país. Incluem-se também: recebimentos 
e pagamentos referentes a royalties, patentes, assistência 
técnica, comissões, aluguel de equipamentos, filmes, etc. 
C. Transferências Unilaterais 
As transferências unilaterais se referem aos pagamentos 
sem contrapartida de um país para outro. São consideradas 
transferências unilaterais: as remessas feitas por empregados 
migrantes para suas famílias no país de origem, as doações feitas 
por um governo para outro, as reparações de guerra, etc. 
146
Universidade do Sul de Santa Catarina
D. Balanço de Transações Correntes 
O seguinte esquema descreve as relações da Balança de 
Transações Correntes: 
Balança de Transações Correntes (BTC)
Resume a diferença entre o total das Exportações e 
Importações, tanto de mercadorias como de serviços, 
sendo também incluído o saldo de transferências 
unilaterais (donativos), executadas durante o período.
BTC superavitário signi�ca que o país está recebendo 
recursos que podem ser utilizados:
(a) no pagamento de compromissos assumidos 
anteriormente (diminuição do endividamento externo);
(b) para investimento do país no exterior (aumento do 
controle do país sobre empreendimentos no exterior);
(c) para aumentar as reservas do país.
BTC de�citário implica a necessidade de:
(a) contrair empréstimos no exterior (aumentando
o endividamento do país);
(b) contrair investimentos estrangeiros no país;
(c) diminuir as reservas do país.
Poupança Externa Negativa
Representa a transferência de bens
e serviços para o resto do mundo.
Poupança Externa Positiva
Em termos reais (não �nanceiros) signi�ca a absorção
de recursos reais do resto do mundo, que permitem o 
�nanciamento do consumo e dos investimentos do país.
E. Movimento de capitais autônomos - Balança de Capitais 
Considere aqui as contas que representam modificações nos 
direitos e obrigações de residentes no país para com não 
residentes. As contas de capitais são as seguintes: 
 � investimentos diretos – referentes ao capital de 
não residentes no país aplicados no país, sejam esses 
investimentos diretos ou em carteira, assim como os 
investimentos feitos por residentes do país aplicados 
no exterior; 
 � reinvestimentos – refere-se aos investimentos de 
empresas estrangeiras localizadas no país; 
147
Análise Macroeconômica
Unidade 5
 � empréstimos e financiamentos a longo e médio prazo 
– refere-se a empréstimos e financiamentos de longo e 
médio prazo; 
 � empréstimos de curto prazo – inclui os empréstimos 
recebidos do exterior e concedidos a outros países, tanto 
para governos, como para empresas e indivíduos, além 
dos financiamentos obtidos na importação e concedidos 
na exportação. Os empréstimos de médio prazo 
referem-se aos de um a cinco anos. Os de longo prazo 
referem-se aos superiores a cinco anos. Os empréstimos 
de curto prazo são inferiores a um ano; 
 � amortizações – registra os pagamentos do principal 
referentes a empréstimos e financiamentos tomados no 
exterior, e os pagamentos do principal feitos por não 
residentes referentes a empréstimos e financiamentos 
concedidos pelo país ao exterior; 
 � capitais a curto prazo – constituem-se de capitais 
especulativos, como aplicações no mercado financeiro e 
de alta volatibilidade. 
F. Erros e Omissões 
Várias contas são registradas com valores estimados, o que 
impede a equivalência entre os créditos e débitos. Como uma 
forma de cobrir os erros estatísticos cometidos, bem como as 
transações não registradas, surge esta conta de resíduo chamada 
de “Erros e Omissões”. 
Erros e Omissões é o item do balanço de pagamentos onde são 
computados os erros e omissões cometidos durante o ano de 
registro das operações das várias contas desse balanço.
Em 1997 o governo brasileiro anunciou um déficit na 
balança comercial de 8,536 bilhões de dólares. No início de 
1998, constatou um erro e uma omissão que reduziram o 
déficit para 8,372 bilhões. O erro foi cometido no registro 
de uma operação de 91 mil dólares, que foi computada 
como 90 bilhões de dólares. E a omissão foi devida ao 
cancelamento de Declarações de Importação, no valor de 
73 milhões de dólares, não utilizadas pelas empresas na 
segunda quinzena de dezembro de 1997.
148
Universidade do Sul de Santa Catarina
Somados todos os saldos das contas mencionadas (Transações 
correntes, Transações de capital e erros e omissões), tem-se o 
resultado do balanço de pagamentos, que pode ser superavitário 
ou deficitário.
G. Saldo do balanço de pagamentos: é o resultado líquido 
de D + E + F.
H. Financiamento do resultado ou Transações 
Compensatórias ou Financiamento Oficial: As transações 
compensatórias são de sinal contrário ao resultado do balanço 
de pagamentos. Se o balanço for positivo (indicando entrada de 
recursos), a conta de transações compensatórias será deficitária. 
Quando o balanço de pagamentos for deficitário, a conta 
de transações compensatórias será credora. As transações 
compensatórias são as que seguem.
 � Variação de reservas (conta caixa) – as reservas 
internacionais registram a variação nos haveres em 
moeda estrangeira (ou haveres de curto prazo no 
exterior) e ouro, possuídos como reservas pelo país, mais 
a variação nos Direitos Especiais de Saque (DES) e na 
posição de reservas no FMI. 
Quando há déficit no balanço de pagamentos, ele poderá 
ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. 
Ou seja, ocorrerá uma variação negativa no volume de 
reservas do país, indicado por uma conta credora no 
item variação de recursos. Se o balanço for superavitário, 
haverá, então, uma entrada de divisas ou ouro, ou seja, 
uma variação positiva de reservas, indicada por um 
débito no item variação de reservas. 
Uma observação importante a ser feita aqui se refere às 
desvalorizações e às valorizações e à monetização e à 
desmonetização. Vejamos cada um destes conceitos.
 � Desvalorização: Redução oficial do valor real da 
moeda de um país em relação a moedas estrangeiras, 
com o objetivo de eliminar o déficit acumulado no 
balanço de pagamentos por meios de mecanismos de 
O DES é um tipo de 
reserva ou moeda 
internacional criada em 
1967, na Conferência 
do Fundo Monetário 
Internacional realizada 
no Rio de Janeiro, 
para substituir o ouro 
como o principal 
meio de liquidação de 
transações financeiras 
internacionais, e, por 
essa razão, também 
denominada de ouro-
papel. Cada país pode 
saldar os déficits de seu 
balanço de pagamentos 
com DES, ouro ou com 
moedas fortes. Os DES 
foram criados para 
aliviar as tensões criadas 
pela escassez de ouro 
e de outros tipos de 
reservas em face de um 
comércio internacional 
em expansão.
149
Análise Macroeconômica
Unidade 5
depreciação cambial. Torna mais caras as importações 
e tende a produzir fortes pressões inflacionárias.
 � Valorização: Elevação do preço de uma mercadoria 
acima daquele que seria determinado pela livre 
interação da oferta e da procura. Em geral, a 
valorização é consequência de intervenções no 
mercado, principalmente por meio da retenção de 
estoques.
 � Desmonetização: Retirada de circulação de uma 
forma específica de moeda por determinação 
governamental. Aplica-se a cédulas ou moedas 
metálicas que passam a ser declaradassem valor, 
perdendo, assim, qualquer obrigação de curso focado. 
Significa que um determinado metal (especialmente o 
ouro ou a prata) deixa de ser cunhado como moeda.
 � Monetização: Processo de transformação de um 
metal (ouro, prata, cobre, etc.), em moeda, por meio da 
cunhagem. A monetização pode também significar a 
emissão de papel-moeda, ou a transformação de títulos 
de crédito em dinheiro e poder liberatório imediato.
Como o balanço é contabilizado em dólares e parte 
das reservas é mantida em euro, uma valorização do 
euro em relação ao dólar levará a um lançamento 
negativo na conta de haveres de curto prazo, porque o 
saldo desses haveres avaliados em dólares aumentou; 
e, em contrapartida, faz-se um lançamento positivo 
na conta de valorizações e desvalorizações. O mesmo 
acontece com as valorizações ou desvalorizações 
do ouro e dos Direitos Especiais de Saque (DES). 
A monetização e a desmonetização se referem às 
seguintes operações: se o Banco Central compra ouro 
no mercado interno, há um lançamento a débito 
na conta “Ouro Monetário”, com lançamento em 
contrapartida para Monetização/Desmonetização. 
O mesmo acontece se ocorre uma alocação ou 
cancelamento dos DES. 
150
Universidade do Sul de Santa Catarina
 � Operações de regularização – referem-se a 
operações realizadas com instituições internacionais, 
como o Fundo Monetário Internacional (FMI). 
Quando há déficit no balanço de pagamentos, 
recorre-se a empréstimos dessas instituições para 
cobrir esses déficits. 
 � Atrasados comerciais – são contas vencidas e 
não pagas no exterior. Quando um empréstimo é 
vencido e não pago, debita-se da conta amortizações 
(exatamente como se ele fosse pago) e credita-se para 
atrasados comerciais. Quando o pagamento é feito, 
debita-se na conta atrasados e credita-se na conta 
caixa (reservas internacionais). 
Contabilizando no Balanço de Pagamentos
Suponha que, durante um determinado ano, tenham 
sido realizadas na economia as seguintes transações 
entre residentes e estrangeiros:
1. Alguns comerciantes importaram 
microcomputadores no valor de R$ 35 milhões, 
pagando a vista;
2. Uma empresa importou equipamentos para 
hidrelétrica no valor de R$ 5 milhões, financiados 
a longo prazo;
3. Uma empresa multinacional fez ingressar no 
país R$ 2 milhões em equipamentos para 
investimentos diretos em suas instalações;
4. Alguns vendedores de sapato exportaram este 
produto no valor de R$ 40 milhões e receberam o 
pagamento a vista;
5. O governo pagou a vista R$ 5 milhões de frete 
a uma empresa de navegação estrangeira pelo 
transporte de equipamentos para hidroelétrica;
151
Análise Macroeconômica
Unidade 5
6. A empresa Coconut-Cola enviou aos seus 
acionistas estrangeiros, em dinheiro, R$ 
1 milhão de lucros, enquanto o Governo 
enviou, também em dinheiro, aos banqueiros 
internacionais, R$ 2 milhões para pagamento 
de juros e R$ 3 milhões para amortizações 
relativas a um empréstimo anterior;
7. Alguns residentes receberam R$ 1 milhão de 
donativos na forma de remédios;
8. No final do ano, o governo recebeu em 
dinheiro um empréstimo compensatório do FMI, 
no valor de R$ 3 milhões, para a regularização do 
provável déficit do Balanço de Pagamentos.
Em cada operação, devemos lançar o seu valor em dois lugares 
do balanço de pagamentos, um débito e um crédito, devido ao 
método das partidas dobradas.
Na operação1, precisamos identificar inicialmente as duas 
contas. Os termos “importaram” e “microcomputadores” 
indicam que o item importações da balança comercial se 
altera, enquanto a expressão “pagando a vista” indica que o 
item divisas do demonstrativo de resultados está envolvido. 
As importações de mercadorias devem ser lançadas a débito. 
Portanto lançamos -35 no item importações; e, por resíduo, 
+35 no item divisas.
Observe que o Bacen entrega divisas aos importadores 
de microcomputadores e, assim, elas se reduzem. A 
redução de divisas é lançada a crédito (+), como de fato 
tinha sido feito. 
Os lançamentos estão no quadro do Balanço de Pagamentos de 
forma simplificada abaixo:
152
Universidade do Sul de Santa Catarina
Tabela 5.1 – Balanço de pagamento
BALANÇO DE PAGAMENTOS SIMPLIFICADO
IDENTIFICAÇÃO VALORES $
I - BALANÇA COMERCIAL Resultado final (=) (-)3
- Exportações (+) 40
- Importações (-35) + (-)5 + (-2) + (-) 1 = (-) 43
II – BALANÇA DE SERVIÇOS Resultado Final (=) (-)8
- Viagens 0
- Fretes (-) 5
- Lucros (-) 1
- Juros (-) 2
- Serviços Diversos 0
III – TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (=) (+) 1
IV – CONTA CORRENTE ( I + II + III) = (-) 10
V – CONTA DE CAPITAIS (=) (+) 4
- Investimentos Diretos (+) 2
- Empréstimos e Financiamentos (+) 5
- Amortizações (-) (-)3
- Outros Capitais 0
VI – ERROS E OMISSÕES 0
VII – SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS ( IV + V + VI ) = (-) 6
VIII – DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS (-VII) (=) (+) 6
- Divisas (+35) (-40) (+5) (+6) (-3) = (+3)
- Empréstimos de regularização (+) 3
- Atrasados
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Fechando o Balanço de Pagamentos
Após totalizarmos os lançamentos, verificamos, através do 
quadro balanço, que a Balança Comercial fechou o ano com o 
déficit de R$ 3 milhões, enquanto a balança de serviços incorreu 
no déficit de R$ 8 milhões. 
Após somarmos o déficit da balança comercial com o da balança 
de serviços e com o superávit em transferências unilaterais, de R$ 1 
milhão, encontramos o déficit em conta corrente de R$ 10 milhões.
153
Análise Macroeconômica
Unidade 5
A conta de capitais fechou o ano com superávit de R$ 4 milhões, 
indicando que os capitais que entraram no país não foram 
suficientes para compensar o déficit em conta corrente de R$ 10 
milhões. Desta forma, o balanço de pagamentos do país fechou 
o ano com déficit de R$ 6 milhões. Este déficit foi financiado 
com as reservas de divisas do Bacen e com um empréstimo de 
regularização do FMI.
O total do demonstrativo de resultados (+) 6 foi a contrapartida 
do saldo do balanço de pagamentos (-) 6, devido ao método das 
partidas dobradas.
O método das partidas dobradas foi criado pelo Frei 
Lucca Paccioli em 1492 na Itália, e diz que, para débito, 
deve haver um crédito de igual valor.
Vamos retomar o Balanço de Pagamentos à luz de nossas 
vivências. O Brasil, no início do Plano Real, em 1994, apresentou 
uma valorização monetária (Real valorizado em relação ao dólar). 
Isso estimulou a importação de bens e serviços. Houve aumento 
na compra de bens de consumo e de produtos intermediários, 
e brasileiros viajaram muito para o exterior. Contudo o Brasil 
não exportava o suficiente para pagar toda essa conta. Como 
resultado, o país tinha que compensar essas operações com o 
movimento de capitais. E foi isso que ocorreu. Na época, o 
país atraiu muito capital externo como forma de investimento 
externo direto (IED) e, também, capitais de curto prazo. O 
IED entrou principalmente para a compra das empresas estatais 
que estavam sendo privatizadas. O capital de curto prazo sentia-
se atraído pelas altas taxas de juros brasileiras. Essa entrada de 
capitais mantinha, portanto, a moeda valorizada. 
O problema adveio com as crises internacionais do final da 
década de noventa. Os capitais de curto prazo fugiram dos 
países emergentes, como o Brasil. A questão que ficou, portanto, 
era: Como financiar o déficit em conta corrente? A saída de curto 
prazo foi a desvalorização do real em 1999. A desvalorização da 
moeda, à medida que aumenta a remuneração para o exportador, 
permite que ele abaixe o preço do produto brasileiro no exterior, 
estimulando as exportações e inibindo as importações, que ficam 
154
Universidade do Sul de Santa Catarina
mais caras para os brasileiros. 
O problema dos déficits em conta corrente cobertos por capitais 
externos é que tal procedimento implica transferências de rendas 
futuras para o exterior, sob a forma de remessa de juros e lucros, 
gerando um efeito bola de neve. Logo, os capitais estrangeiros 
recebidos do exterior deveriam vir, predominantemente, na forma 
de IEDque gerassem exportações ou queda de importações, 
como modo de compensar o envio de juros e lucros para o 
exterior. 
Os déficits permanentes na Balança de Pagamentos (BP) podem 
ser corrigidos por alguma das medidas postas a seguir.
 � Desvalorizações das taxas de câmbio: é a perda de 
VALOR da taxa de câmbio. 
A frase "o real se desvalorizou frente ao dólar" quer 
dizer que, agora, deveremos gastar mais reais para 
cada dólar comprado.
 � Redução do nível de atividade econômica: é a redução da 
produção e oferta de bens no mercado consumidor.
 � Restrições tarifárias ou quantitativas às importações: 
uma das formas clássicas de protecionismo é a imposição 
de tributos à importação. Outra forma alternativa de 
protecionismo é a imposição pelos governos de quotas de 
importação, que se traduzem em quantidades máximas 
de um determinado produto que podem ser legalmente 
importadas. Dentre as barreiras não tarifárias, podemos 
citar: restrições quantitativas, fixação de quotas e 
contingentes, exigência de licenças prévias, restrições 
quanto à importação/exportação de determinados 
produtos, etc.
 � Subsídios às exportações: é um benefício concedido 
a uma empresa por um governo dependente de 
exportações. O subsídio doméstico é um benefício não 
diretamente vinculado a exportações.
155
Análise Macroeconômica
Unidade 5
 � Aumento da taxa interna de juros: este aumento provoca 
uma contenção da liquidez geral e contenção ao crédito e, 
consequentemente, uma redução do consumo.
 � Controle da saída de capitais e de rendimentos para o 
exterior: é o controle de compras efetuadas no exterior, 
controle de produtos importados e de rendimentos pessoais 
ou de empresas multinacionais enviados ao exterior.
A adoção de algumas dessas saídas depende da conjuntura 
econômica de cada país. Apelar para o protecionismo econômico 
significa ter problemas com parceiros comerciais, dificultando 
o desenvolvimento de longo prazo do comércio internacional e 
gerando a necessidade de o país explicar-se junto à Organização 
Mundial do Comércio (OMC). 
Para finalizar esta seção, vale lembrar que o balanço de 
Pagamentos é o registro contábil das transações existentes 
entre os mais diversos países. As transações registradas no 
Balanço de Pagamentos dizem respeito à movimentação 
de produtos, serviços e transferências de valores entre dois 
sistemas econômicos.
Qualquer transação, envolvendo ou não pagamento financeiro, 
entre residentes e não residentes, deverá ser registrada no balanço 
de pagamento dos dois países (sistemas econômicos) envolvidos. 
Assim, o balanço de pagamentos demonstra o estágio da situação 
financeira e econômica do sistema econômico, permitindo 
identificar se o mesmo se encontra em superávit ou em déficit. 
156
Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade, você conheceu a evolução do Comércio 
Internacional desde o período do Mercantilismo, até os dias 
atuais, e aprendeu que as teorias de comércio internacional 
condenam o protecionismo, e consideram que o isolamento é 
prejudicial aos países. Quanto maior a abertura do comércio, 
mais progresso econômico o mundo alcançará. 
Conheceu a Teoria das Vantagens Absolutas de Adam Smith, 
aperfeiçoada por David Ricardo, transformando-a em Teoria 
das Vantagens Comparativas. Esta teoria tem como argumento 
principal que o comércio entre dois países, cujas estruturas de 
produção não sejam similares, é sempre vantajoso em relação ao 
não comércio. Também aprendeu que a balança de pagamentos 
representa o resumo contábil das transações econômicas que um país 
faz com o resto do mundo, durante determinado período de tempo. 
Atividades de autoavaliação
A partir de seus estudos, leia os enunciados com atenção e resolva as 
atividades programadas para a sua autoavaliação. 
1. Por que os países devem manter o comércio internacional? Explique a 
teoria das vantagens comparativas. 
157
Análise Macroeconômica
Unidade 5
2. O que significa déficit em transações correntes no balanço de pagamentos? 
Indique duas medidas que o país pode adotar para cobrir esse déficit. 
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade, 
consultando as seguintes referências: 
CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional. 
Saraiva: São Paulo, 2000. 
GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma 
perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998. 
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org). 
Manual de macroeconomia: nível básico e nível intermediário. 
São Paulo: Atlas, 1998. 
KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São 
Paulo: Campus, 1998. 
SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São 
Paulo: Atlas, 1995.
Para concluir o estudo
Caro(a) aluno(a), 
nesta disciplina você conheceu a macroeconomia, estudou 
o comportamento dos agregados econômicos (família, 
empresas, governo e o resto do mundo), aprendeu de que 
forma a riqueza de um país aumenta e que ferramentas 
o governo tem à disposição para gerenciar a economia. 
Também aprendeu o que é inflação e por que há comércio 
internacional. 
Espera-se que a disciplina tenha cumprido seu objetivo 
e fornecido uma importante ferramenta para a sua vida 
profissional e pessoal. 
Como é de nosso interesse sempre aprimorar este trabalho, 
você está convidado/a a enviar suas críticas e sugestões.
Um grande abraço e sucesso! 
Referências
BAUMOL, W. Macroeconomics. New York: McGraw Hill, 1994. 
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. Rio de Janeiro: 
Campus, 1999.
CARVALHO, M. A.; SILVA, C. L. Economia internacional. Saraiva: 
São Paulo, 2007. 
GONÇALVES, R. A nova economia internacional: uma 
perspectiva brasileira. São Paulo: Campus, 1998. 
KENEN, P. Economia internacional: teoria e política. São Paulo: 
Campus, 1998. 
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e 
da moeda. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. (org). Manual de 
macroeconomia: nível básico e nível intermediário. São Paulo: 
Atlas, 1998. 
MANKIW, N. G. Introdução à economia. Rio de Janeiro: 
Campus, 2001. 
MEURER, Roberto; SAMOHYL, Robert. Conjuntura econômica: 
entendendo a economia no dia a dia. Campo Grande: Editora 
Oeste, 2001. 
RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação. 
Coleção Os economistas. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985. 
SILVA, César R. L.; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados: 
introdução à economia. 18. ed. reform. São Paulo: Saraiva, 2001.
SILVA, Fábio G.; JORGE, Fauzi T. Economia aplicada à 
administração. 2. ed. São Paulo: Futura, 1999. 
SIMONSEN, M. H.; CYSNE, R. P. Macroeconomia. São Paulo: 
Atlas, 1995. 
162
SMITH, Adam. A riqueza das nações, v.1. Lisboa: Edições Calouste 
Gulbenkian (1999 [1776]).
TROSTER, Roberto; MOCHON, Francisco. Introdução à economia. São 
Paulo: Makron Books, 2009.
VASCONCELOS, M. A.; GARCIA, M. Fundamentos de economia. 2. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2004. 
VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia micro e macro. 5. 
ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010. 
WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 2006.
Sobre os professores conteudistas
André Luis da Silva Leite 
Possui Graduação em Ciências Econômicas pela 
Universidade Federal de Santa Catarina (1996), 
Mestrado em Engenharia de Produção - Departamento 
de Engenharia de Produção (1998) e Doutorado em 
Engenharia de Produção pela Universidade Federal de 
Santa Catarina (2003). 
Desde 1997, é professor da Unisul. Tem experiência 
na área de Economia, com ênfase em Organização 
Industrial e Estudos Industriais, atuando principalmente 
nos seguintes temas: setor elétrico, competitividade, 
internacionalização de empresas, regulação e competição.
Valdemar Hahn Junior (2. ed. revista e atualizada)
Possui Graduação Superior em Ciências Econômicas 
pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) 
e Pedagogia pela FAED/UDESC, Pós-graduação em 
Gerência da Qualidade dos Serviços Contábeis, pela 
UNISUL.
Desde 1988 é professor Efetivo nível Mag-10-E da Rede 
Públicado Estado de Santa Catarina, e, desde 1998, 
é professor Universitário da UNISUL. Desempenha-
se também como Analista Técnico em Gestão do 
Desenvolvimento Regional na 22ª Secretaria de Estado 
do Desenvolvimento Regional Araranguá. Gestor 
responsável pela produção dos Boletins de Execução 
Orçamentária; Sicop - Sistema Integrado de Controle 
de Obras Públicas do Departamento Estadual de 
Infraestrutura e E-Sfinge - Sistema de Fiscalização 
Integrada de Gestão do Tribunal de Contas do Estado 
de Santa Catarina.
Respostas e comentários das 
atividades de autoavaliação
Unidade 1
1. É importante estudar a contabilidade social, porque 
ela permite entender como é formada a renda de 
uma nação. Do ponto de vista da política pública, 
ela permite entender quais setores da economia 
estão gerando mais renda e quais estão gerando 
menos renda, o que propicia ao governo corrigir tais 
distorções e otimizar o funcionamento da economia. 
2. PIB refere-se a tudo o que é produzido em um país 
em um determinado período de tempo. Para um 
empresário, é uma informação muito valiosa, pois 
permite que ele consiga analisar o real poder de 
compra de uma dada população. 
3. Podemos dizer que renda é igual a produto, pois o 
que é produzido (e vendido) gera renda para quem o 
produziu, já que a economia é um ciclo. 
Unidade 2 
1. Bens de capital são bens destinados à produção de 
outros bens, como máquinas e equipamentos. Bens 
de consumo duráveis são aqueles que podem ser 
consumidos mais de uma vez, como carros, geladeiras 
e sapatos. Bens não duráveis são consumidos uma 
única vez, como os alimentos e bebidas. 
166
Universidade do Sul de Santa Catarina
2. Dizemos que poupança é igual a investimento, pois os 
investimentos que as empresas fazem são originados nas 
poupanças das pessoas. As empresas podem utilizar sua 
própria poupança ou captar recursos no mercado financeiro 
(neste caso, utilizando a poupança dos clientes dos bancos). 
3. Se as taxas de juros aumentam, os investimentos diminuem. Do 
mesmo modo, o consumo também tende a diminuir. 
Unidade 3 
1. As funções fundamentais do governo são redistributiva, 
fiscalizadora, reguladora, provedora de bens e serviços e 
estabilizadora. 
2. O governo promove uma política fiscal expansionista, quando 
há desemprego na economia, por meio de aumento de seus 
gastos e/ou redução de tributos. 
3. Há déficit público, quando os gastos do governo são maiores 
que suas receitas. 
Unidade 4 
1. A moeda é importante, pois permite as trocas, permite que se 
façam comparações entre os valores dos diversos bens/serviços 
e opera como reserva de riqueza. 
2. A taxa de juros de equilíbrio é determinada pelo encontro 
da demanda de moeda e oferta de moeda, e esta taxa é 
monopólio do Banco Central. 
167
Análise Macroeconômica
3. O principal objetivo da política monetária é, por meio do 
controle da base monetária, aumentar a renda nacional 
(quando há desemprego) e controlar inflação (por meio do 
aumento nos juros). 
4.A inflação afeta o cotidiano das pessoas, pois implica aumentos 
no nível geral de preços e, consequentemente, perda de 
compra da moeda. 
5. A inflação de demanda ocorre, porque a oferta agregada 
não consegue, no curto prazo, acompanhar o aumento na 
demanda agregada. 
Unidade 5 
1. (Há) O comércio internacional, torna-se fundamental para o 
desenvolvimento das economias internas, porque os países 
têm diferentes dotações de fatores de produção e são mais 
produtivos na produção de alguns bens e menos produtivos na 
produção de outros. Logo, é mais vantajoso ao país concentrar-
se na produção daqueles produtos nos quais tem maior 
vantagem comparativa. 
2. Déficit em transações correntes significa que o país enviou 
mais recursos para fora (em importações de bens e compra de 
serviços estrangeiros) do que recebeu. Para resolver o problema, 
o governo pode desvalorizar a moeda doméstica ou recorrer a 
empréstimos de organizações internacionais, como o FMI. 
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