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CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 5
Prof. Diones Fernandes Zanin
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CONVERSA INICIAL
Estamos chegando ao final desta disciplina e, consequentemente,
agregando mais conhecimentos, tanto no aspecto quantitativo, quanto
qualitativo. Nesta aula, focaremos, inicialmente, nos custos, e, depois, em
questões tributárias.
No primeiro tema, abordaremos o cálculo do custo dos bezerros e também
verificaremos as formas de se efetuar tal cálculo, fazendo com que a entidade
rural possa ter informações detalhadas e fidedignas para tomada de decisões.
Em um segundo momento, trataremos de compreender a maneira de se calcular
o Imposto de Renda, no meio rural, para as microempresas e empresas de
pequeno porte, pois é um procedimento relevante e o contador deve ser diligente
na tarefa de apurar tais impostos.
Como terceiro tema, trabalharemos algumas situações nas quais a
Pessoa Jurídica atuante na atividade rural tem alguns incentivos fiscais, os quais
podem ser decisivos para o bom andamento da atividade na propriedade,
permitindo que se chegue a um resultado operacional desejado pelos
proprietários.
Visando à ligação entre os assuntos abordados anteriormente, veremos,
no quarto tema, a forma de se determinar o lucro das pessoas jurídicas que
exploram a atividade, diferenciando-se das empresas que atuam no meio urbano
pela particularidade das atividades desenvolvidas e que devem ser consideradas
ao realizar o processo de apuração do resultado do período.
Ainda concernente à questão tributária, no quinto tema verificaremos
algumas especificidades da tributação de pessoas físicas que residem e
exploram atividade no meio rural, o que, muitas vezes, passa despercebido por
tais pessoas, do mesmo modo que por alguns contadores, que não dão a devida
atenção à questão tributária da Pessoa Física rural. Tal contexto pode ser um
nicho de mercado ainda pouco explorado pelos profissionais contábeis, com
possibilidades de ser a porta de entrada para uma consultoria, o que culminaria
na transformação de uma Pessoa Física em Pessoa Jurídica.
Adentraremos, nesta aula, em questões tributárias relacionadas a
pessoas do meio rural, permitindo que estas, quer sejam físicas ou jurídicas,
atuem de acordo com a legislação fiscal, de modo a evitar possíveis problemas
futuros – como penalização das entidades devido a apuração inadequada de
tributos – que podem afetar a continuidade de suas atividades. Bons estudos!
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CONTEXTUALIZANDO
Atuar com contabilidade exige grande conhecimento da legislação
pertinente a esse ramo de trabalho. Tais leis são bem específicas no que diz
respeito aos aspectos tributários, os quais também cabem ao meio rural.
Dentro das formas da lei, a tributação das atividades rurais pode ser
aplicada a pessoas física e jurídica, no entanto, muitas vezes os contadores
ficam distantes de tais atividades, em especial daquelas de Pessoa Física, seja
por falta de conhecimento ou até mesmo por não perceber um possível nicho de
mercado a ser explorado.
Um dos aspectos mais comuns da atuação contábil no meio rural é a
apuração do Imposto de Renda dos produtores rurais. No entanto, tal serviço
contábil, apenas pontual, pode ser mais efetivo e atuante. E, como é que, nós,
profissionais contábeis, devemos vislumbrar tais oportunidades de modo a
contribuir para que a profissão contábil cresça tanto no campo de trabalho quanto
em prestígio? Tais aspectos serão abordados mais especificamente na
sequência desta aula.
TEMA 1 – CÁLCULO DO CUSTO DO BEZERRO – CUSTO MÉDIO DO REBANHO
E DE REPRODUTORES
Em qualquer atividade comercial ou industrial, o cálculo do custo dos
produtos é necessário para gerar informações à gestão, e no meio rural também
existe esta necessidade. Em vista disso, no que tange à pecuária, o cálculo do
custo do bezerro é assunto relevante, pois, ao conhecer tal custo, a gestão
tomará decisões com maior subsídio.
Marion (2014) destaca três motivos para que se execute o procedimento
de cálculo do custo dos bezerros, conforme segue:
a) para saber se é viável ter gado reprodutor na fazenda ou se seria
mais interessante adquirir de terceiros os bezerros para a recria e
engorda;
b) para avaliar de forma adequada o Ativo da empresa, já que os
bezerros têm um custo real;
c) para avaliar de forma adequada o restante do rebanho destinado a
corte. Não há dúvida de que uma avaliação inadequada dos bezerros
irá refletir no restante do rebanho. (Marion, 2014, p. 175)
Podemos, então, perceber três vertentes de raciocínio, podendo o cálculo
do custo dos bezerros ser utilizado como ferramenta de verificação para
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responder a uma pergunta comum no meio industrial: “A empresa deve comprar
ou produzir?”. Este raciocínio também serve para o cálculo de bezerros, e a
informação poderá ser útil para compreender o valor contábil do patrimônio, bem
como para comparar com o restante do rebanho já existente.
Dos bezerros, se originará o rebanho, bem como os possíveis
reprodutores, portanto vamos trabalhar, a seguir, com o cálculo do custo médio
do rebanho e dos reprodutores.
1.1 Custo médio do rebanho
O procedimento do cálculo e apropriação dos custos do rebanho é
relativamente simples, pois basicamente os custos consumidos no período serão
apropriados ao rebanho de maneira proporcional. Com esse procedimento é
possível conhecer o custo, bem como estabelecer parâmetros de valor médio
para o valor de cada animal.
Conceber o custo do rebanho gera informação para a devida verificação
de viabilidade, que está relacionada ao valor de venda, uma vez que este
geralmente é estabelecido pelo mercado.
De acordo com Marin (2014), existem duas premissas para se calcular o
custo do rebanho, que são as seguintes:
“a) Inicialmente, soma-se o custo do rebanho (salário, alimentação de
gado, exaustão de pastagens, depreciações de reprodutores, cuidados
veterinários...) e divide-se o resultado pelo total de cabeças do rebanho
em formação (em crescimento e aqueles nascidos no período).
Tem-se portanto, o custo médio de produção por cabeça, por período,
inclusive dos bezerros.
b) O número de cabeças do rebanho exemplificado a seguir não inclui,
para efeito de rateio de custo, o gado reprodutor em plena reprodução,
pois eles não recebem custos (já não estão em formação). Todavia o
custo da manutenção desse rebanho já formado (alimentação,
tratamento veterinário, depreciação...) será incluído no custo do
rebanho e distribuído para o rebanho em formação.” (Marion, 2014, p.
176)
Como podemos ver, apenas os animais que são mantidos para venda, ou
até mesmo os que estão em formação, receberão os valores dos custos de
manutenção do rebanho.
Então, o cálculo do custo médio do rebanho é simples, podendo ser
resumido a uma divisão para se chegar ao valor por animal. Vejamos, então, um
exemplo devidamente fundamentado.
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Imaginemos uma Fazenda que atua com pecuária que possui 50 matrizes,
com valor unitário de $ 1.200,00, e 3 reprodutores no valor unitário de $ 3.000,00.
O objetivo da fazenda é atuar com cria-recria-engorda, ou seja, todo o ciclo
produtivo. No primeiro ano ocorreram 40 nascimentos – 25 bezerros e 15
bezerras.
Nesse período, foram consumidos $ 10.000,00 em custos de formação e
manutenção do rebanho, o qual deverá ser apropriado aos bezerros nascidos e,
caso haja mais animais no rebanho em formação, como novilhos, também serão
alocados custos a eles. O cálculo a ser realizado é simples, como já vimos
anteriormente. Basta dividir os valores dos custos pela quantidade de animais.
10.000
40
= 250,00
Agora, então, é necessário multiplicar o valor por animal pela quantidade
de animal de cada tipo.
Bezerros – 25 x 250,00 = 6.250,00
Bezerras – 15 x 250,00 = 3.750,00
Com isso, é possível realizar o cálculo do custo médio do rebanho. Este
procedimento deve ser seguidoa cada ano. Basicamente será considerado
como custo dos bezerros(as) nascidos(as) o valor do custo dos reprodutores e
matrizes, ao passo que, para o restante do rebanho, serão apropriados os custos
consumidos para a manutenção destes.
Esse processo sempre irá ocorrer para o rebanho em formação, até que
ele seja vendido ou seja incorporado ao rebanho de reprodução.
1.2 Custo médio dos reprodutores
Para maior exatidão do custo dos bezerros, é necessário, inicialmente,
proceder o cálculo do custo dos reprodutores, para então apropriar o valor aos
bezerros nascidos.
Deve ser rateado o valor de manutenção do rebanho para todos os
animais, incluindo os reprodutores e deixando de fora os bezerros nascidos no
período, para então poder apropriar o valor dos reprodutores a esses animais.
O processo é relativamente simples. Vejamos uma situação com valores
para melhor exemplificar:
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Quadro 1 – Rebanho
Classificação Quantidade
Bezerros 80
Bezerras 50
Novilhos 200
Novilhas 220
Reprodutores 40
Matrizes 250
Total 840
Considerando que no período ocorreram 150 nascimentos, sendo 75
bezerras e 75 bezerros, o custo de manutenção do rebanho foi de $ 100.800,00.
Primeiramente, vamos descobrir o valor por cabeça:
100.800
840
= 120,00 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
Agora, devemos descobrir, do valor de manutenção, quanto corresponde
aos reprodutores e matrizes:
120 𝑥𝑥 290 = 34.800,00
Chega, então, o momento de apropriar o valor aos bezerros(as)
nascidos(as):
34.800
150
= 232,00 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
Chegamos, assim, ao valor de $ 232,00 por animal nascido.
Podemos perceber que o custo médio dos reprodutores será repassado
aos nascimentos do período, devendo o processo contábil se atentar a isso para
poder realizar seu papel de forma mais efetiva, pois conhecer os custos de
manutenção do rebanho é tão importante quanto aqueles custos de formação do
rebanho.
Saiba mais
Para ampliar seu horizonte de conhecimentos, leia os dois artigos indicados a
seguir, relacionados ao custo de bezerros:
• MELHORIA organizacional na produção de bezerros de corte a partir
dos centros de custos. Disponível em:
<https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/96108>. Acesso em: 8 ago. 2019.
• ANÁLISE da sensibilidade da metodologia dos centros de custos
mediante a introdução de tecnologias em um sistema de produção de cria.
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Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/107076>. Acesso em:
8 ago. 2019.
TEMA 2 – CALCULANDO O IMPOSTO DE RENDA NA AGROPECUÁRIA –
PARA MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE
É comum que a exploração da maioria das atividades econômicas no meio
rural aconteça como Pessoa Física, porém, trataremos, neste momento, do
processo de atuação como Pessoa Jurídica.
Como Pessoa Jurídica, existem possibilidades diferentes, que podem
variar conforme o porte da atividade, porém neste momento verificaremos como
seria o procedimento para microempresas e empresas de pequeno porte, as
quais, em sua maioria, são tributadas pelo regime tributário do Simples Nacional.
Para se enquadrar como Microempresa, a entidade rural deverá ter
faturamento anual até R$ 360.000,00, ao passo que a empresa de pequeno porte
possui limitação de faturamento até R$ 4.800.000,00.
Após entendermos as limitações de faturamento enquadradas no regime
do Simples Nacional, também é necessário compreender a forma de tributá-las.
Simplificadamente, as atividades rurais de exploração agrícola e pecuária se
enquadram no Anexo I do simples, ao passo que possíveis prestações de
serviços do meio rural terão tributação conforme o Anexo III.
Dentre possíveis motivações para o produtor rural optar pela abertura de
um CNPJ que terá como regime tributário o Simples Nacional, está a facilidade
relacionada aos procedimentos obrigatórios a serem seguidos, se comparados
com o de empresas de outros regimes tributários. Marion (2014) acrescenta que
essas entidades rurais são desobrigadas, pela legislação fiscal, de realizar a
escrituração comercial, mas, para tanto, devem manter com o devido zelo os
seguintes itens:
“Livro-caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação
financeira, inclusive bancária.
Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os
estoques existentes no término de cada ano-calendário.
Todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a
escrituração dos livros-caixas e Registro de Inventário.” (Marion, p.
190, 2014)
Observa-se que o processo de contabilização será muito mais simples do
que o de outras entidades, o que facilita a vida do produtor rural, bem como
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incentiva a abertura de mais empresas que atuam neste meio. Portanto,
empresas rurais pequenas, enquadradas como microempresas ou empresas de
pequeno porte poderão ser tributadas pelo Simples Nacional, que, conforme
vimos irá seguir os Anexos I e III.
Focaremos, neste momento, nas atividades mais comuns do meio rural,
relacionadas à realização de atividades produtivas com a finalidade de
comercialização. Temos, então, a tributação que ocorre conforme o Anexo I.
Quadro 2 – Anexo I do Simples Nacional
Faixa Alíquota Valor a deduzir
(em R$)
Receita bruta em doze meses
(em R$)
1ª Faixa 4,00% - Até 180.000,00
2ª Faixa 7,30% 5.940,00 De 180.000,01 até 360.000,00
3ª Faixa 9,50% 13.860,00 De 360.000,01 até 720.000,00
4ª Faixa 10,70% 22.500,00 De 720.000,01 até 1.800.000,00
5ª Faixa 14,30% 87.300,00 De 1.800.000,01 até
3.600.000,00
6ª Faixa 19,00% 378.000,00 De 3.600.000,01 até
4.800.000,00
Fonte: Receita Federal, 2019.
Como podemos observar no Quadro 2, conforme for a receita de
propriedade somada dos últimos doze meses, será determinada a faixa de
alíquota em que a propriedade será enquadrada, bem como será desencadeado
o processo de cálculo do valor de tributos a serem recolhidos.
Dos valores a serem recolhidos no Simples Nacional, haverá a divisão dos
valores em diversos tributos, conforme o Quadro 3:
Quadro 3 – Tributos no Simples Nacional
Faixas CPP CSLL ICMS* IRPJ Cofins PIS/Pasep
1ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76%
2ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76%
3ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
4ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
5ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
6ª Faixa 42,10% 10,00% - 13,50% 28,27% 6,13%
Fonte: Receita Federal, 2019.
(*) Com relação ao ICMS, quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a
parcela que não ultrapassar o sublimite, o percentual efetivo desse imposto será calculado
conforme segue: {[(RBT12 x 14,30%) – R$ 87.300,00]/RBT12} x 33,5%
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Após verificarmos as faixas do Simples Nacional, vejamos agora um
exemplo de cálculo dos tributos a serem recolhidos pelas propriedades
enquadras nesse regime tributário.
Primeiramente é necessário verificar qual foi o faturamento dos doze
meses anteriores ao período vigente e efetuar, então, a soma dos valores para
se chegar à faixa de enquadramento. Para tanto, vamos imaginar um
faturamento dos doze meses anteriores somados de R$ 400.000,00, com isso
ficando enquadrado na 3ª Faixa. Neste mês, o faturamento foi de R$ 25.000,00,
devendo-se agora utilizar o faturamento dos doze meses anteriores multiplicados
pela alíquota da faixa:
400.000 𝑥𝑥 9,5% = 38.000,00
Nesse momento do valor encontrado, será deduzida a parcela a ser
deduzida da faixa:
38.000,00 − 13.860,00 = 24.140,00
Com o valor encontrado, será calculada a alíquota efetiva a ser aplicada
sobre o faturamento do mês de apuração:
24.140,00
400.000,00
= 0,06035 𝑝𝑝𝑜𝑜 6,035%
Chegamos então a 6,035% como alíquota efetiva, que será aplicada sobre
o valor de R$ 25.000,00:
25.000,00 𝑥𝑥 6,035% = 1.508,75
Então, o valor de tributos a serem recolhidos será de R$ 1.508,75, nesta
situação hipotética, sendo esse valor dividido entre os tributos queconstam no
Quadro 3. O valor de IRPJ, então, é de R$ 82,98, aproximadamente,
representando 5,5% dos tributos.
O intuito do exemplo apresentado é demonstrar a forma de calcular os
impostos das propriedades rurais com CNPJ e enquadradas como
microempresas ou empresas de pequeno porte.
TEMA 3 – PESSOA JURÍDICA – INCENTIVOS FISCAIS E RESULTADO
OPERACIONAL
As pessoas jurídicas que atuam no meio rural e possuem faturamento que
não se enquadre como Simples Nacional, terão sua apuração de Imposto de
Renda conforme o regime de Lucro Real, Lucro Presumido ou Arbitrado. O
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recolhimento dos tributos terá processamento e funcionamento semelhante ao
das pessoas jurídicas que possuem atividade no meio urbano.
A apuração do Imposto de Renda poderá será realizada de forma
trimestral ou anual. Para a segunda opção, deve haver o recolhimento mensal
dos valores daqueles enquadrados no Lucro Real.
De forma simplificada, a alíquota do IRPJ será de 15%, também incidindo
mais 10% sobre os valores excedentes, que anualmente é de R$ 240.000,00,
como de maneira proporcional é de R$ 20.000,00 ao mês.
Ao efetuar o pagamento mensal do Imposto de Renda, a entidade ainda
poderá ter, ao final do exercício, valores a pagar, caso sua estimativa tenha sido
a menor, ou tenha valor a compensar posteriormente, na hipótese de a
estimativa ser a maior do que o valor a ser recolhido.
Vejamos então um exemplo: uma entidade rural realizou apuração e
pagamento por estimativa mensal de R$ 250.000,00 no ano de X1. No entanto,
em X2, ao realizar a apuração do valor devido, se chegou a R$ 230.000,00.
Dessa maneira, a entidade teria um saldo de R$ 20.000,00 de Imposto de Renda
a compensar.
Portanto, os lançamentos contábeis seriam:
- Pela apuração mensal:
D: IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 250.000,00
C: Caixa/Banco R$ 250.000,00
- Pela apuração do resultado e valor devido de IRPJ:
D – Resultado do Exercício R$ 230.000,00
C – IRPJ a pagar R$ 230.000,00
- Pela compensação dos valores pagos e devidos de IRPJ:
D – IRPJ a pagar R$ 230.000,00
C - IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 230.000,00
Vemos, nesse exemplo, que a empresa rural efetuou pagamentos a
maior, ficando um saldo para compensar em outro período. Caso os pagamentos
tivessem sidos inferiores ao valor devido, a entidade deveria pagar o saldo
restante.
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3.1 Incentivos fiscais
Explorar a atividade rural não é fácil, pois a dependência do clima,
sujeição a preços de mercado, dentre outros fatores, acabam por desfavorecer
aqueles que atuam nesse meio. Visando reduzir tal disparidade, existem alguns
incentivos fiscais destinados àqueles que possuem empresas na atividade rural.
O benefício de que iremos tratar se refere aos bens do ativo imobilizado
que são destinados à produção, uma vez que a entidade rural poderá
depreciá-los integralmente no ano em que foi adquirido. Dessa maneira, a
entidade terá redução na base de cálculo do Imposto de Renda, gerando então
uma economia do valor a ser pago.
Caso uma empresa rural tenha adquirido em X1 um implemento no valor
de R$ 50.000,00, o qual possui vida útil de 5 anos, ou seja, depreciação de R$
10.000,00 por ano, ao final de X1 a entidade terá contabilizado no resultado R$
10.000,00 de depreciação, sendo os outros R$ 40.000,00 deduzidos para efeito
de apuração do Imposto de Renda. Suponhamos, então, que no período houve
um lucro de R$ 70.000,00, devendo ser deduzido dele os R$ 40.000,00 restante
do valor do implemento, tendo como base de cálculo do Imposto de Renda o
valor de R$ 30.000,00.
No exercício de X2, a entidade irá contabilizar o valor de R$ 10.000,00 de
depreciação, no entanto, no momento de apuração do imposto renda, caso o
lucro do período tenha sido hipoteticamente de R$ 50.000,00, deverá ser
agregado o valor da depreciação, chegando então a R$ 60.000,00 como base
de cálculo do imposto. Isso ocorre pelo fato de que em X1 a entidade já usufruiu
da depreciação de forma antecipada, para reduzir os impostos, devendo então,
em X2, o valor da depreciação ser agregado à base de cálculo.
3.2 Resultado operacional
De forma geral, no meio empresarial, o resultado operacional – que
representa o lucro ou o prejuízo – é apurado por meio da consideração de todas
as atividades principais e acessórias, que são a razão de existir da entidade
empresarial. No meio rural, no entanto, ao se falar de resultado operacional,
existirá uma diferença, pois serão consideradas apenas as atividades principais.
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São atividades principais da Pessoa Jurídica rural a produção e venda de
seus produtos, todos oriundos de seus processos. Marion (2014) destaca como
atividades acessórias as seguintes:
• aplicações financeiras;
• variações monetárias ativas e passivas;
• reversões de provisões;
• recuperação de créditos;
• resultados positivo e negativo na equivalência patrimonial;
• dividendos de investimentos avaliados pelo custo de aquisição;
• aluguel ou arrendamento;
• compra e venda de mercadorias;
• prestação de serviços; (Marion, p. 194, 2014)
Como podemos ver nas situações apresentadas por Marion, existirão
receitas e despesas das atividades acessórias, as quais não irão compor o
resultado operacional da Pessoa Jurídica que atua no meio rural.
Considerando tal situação, as entidades rurais que possuam essas
atividades acessórias deverão manter controles separados na contabilidade,
para que possam realizar a apuração do resultado contábil, bem como o
resultado fiscal das atividades realizadas.
TEMA 4 – DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA PJ QUE EXPLORA ATIVIDADE
RURAL
Na atividade rural, assim como nas atividades comercial e industrial,
haverá a apuração do lucro da atividade, o qual basicamente é encontrado pela
dedução dos custos e despesas do valor total das receitas com vendas.
O lucro, além de informação sobre o andamento da atividade, também é
utilizado como base de tributos sobre o lucro, para as entidades rurais
enquadradas no regime tributário do Lucro Real.
Nem sempre o resultado contábil será a base para os tributos sobre o
lucro, pois poderá haver adições e exclusões na base de cálculo. Um exemplo
disso ocorre quando um bem do imobilizado é depreciado integralmente no ano
de aquisição, sendo realizada uma adição, e nos outros períodos acontece uma
exclusão do valor de depreciação.
Marion (2014) relata que se a empresa rural atua com outras atividades
além da rural, será considerada uma empresa que detém atividade mista, e, para
tanto, todos os controles contábeis de receitas, custos e despesas da atividade
rural devem ser mantidos de forma separada da outra atividade.
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Na hipótese de não ser possível separar os dados contábeis de cada
atividade, deverão ser estabelecidos rateios proporcionais às receitas para a
devida apuração. Custos e despesas comuns às atividades também deverão ser
rateados, e geralmente o ideal é que se utilize a proporção da receita líquida da
atividade em relação à receita total.
Vejamos agora um exemplo, para identificarmos separadamente cada
atividade, bem como compreender o rateio e a formação da base de cálculo do
Imposto de Renda.
Quadro 4 – Informações da propriedade
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total
Receitas das
atividades
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00
Custos e
Despesas
$ 100.000,00 $ 70.000,00 $ 170.000,00
Custos e
Despesas Comuns
$ 40.000,00 $ 40.000,00
No Quadro 4 podemos ver as receitas e custos de cada atividade, bem
como os valores comuns às duas atividades. Os custos e despesas comuns
deverão ser rateados, para isso vamos utilizar a proporção da receita.
Quadro 5 – Rateio dos gastos comuns
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total
Receitas das
atividades
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00
Proporção 60% 40% 100%
Custos e
Despesas
Comuns
$ 24.000,00 $ 16.000,00 $ 40.000,00Agora, conseguimos apropriar o valor correto a cada atividade, então
vamos elaborar uma apuração de resultado para identificar o lucro de cada uma
delas.
Quadro 6 – Rateio dos gastos comuns
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural
Receitas das atividades $ 300.000,00 $ 200.000,00
Custos e Despesas ($ 100.000,00) ($ 70.000,00)
Custos e Despesas Comuns ($ 24.000,00) ($ 16.000,00)
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00
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Dessa forma, chegamos ao lucro da empresa rural e, claro, para a
apuração dos tributos sobre o lucro, devem ser consideradas as adições e
exclusões determinadas pela legislação fiscal vigente. Vamos então simular
essa situação, considerando adições no valor de $ 20.000,00 da atividade
industrial, e exclusões no valor de $ 15.000,00 da atividade rural.
Agora, vamos verificar como ficariam as bases de cálculo do Imposto de
Renda.
Quadro 7 – Base de cálculo do Imposto de Renda
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00
Adição/Exclusão $ 20.000,00 ($ 15.000,00)
Base de Cálculo IR $ 196.000,00 $ 99.000,00
Chegamos, então, ao lucro que será tributado, tanto na atividade rural,
quando na industrial. Para a empresa rural que optar pelo regime do Lucro Real,
será necessário manter vários controles para que possam ser geradas
informações corretas para apuração de resultado contábil, dentre eles, o fiscal,
que será base de tributação.
Vimos, portanto, a forma de tributar as empresas rurais enquadradas no
Lucro Real, no entanto também há a possibilidade de a entidade ser de regimes
de Lucro Presumido ou Arbitrado. No caso do Lucro Presumido, a entidade irá
aplicar a alíquota de presunção do lucro sobre o valor da receita, para então
aplicar a alíquota do Imposto de Renda. O percentual de presunção de lucro será
de 8%. Já o regime Arbitrado é imposto às empresas que não seguiram os
regulamentos fiscais, e são penalizadas com um valor de lucro determinado pelo
fisco.
Saiba mais
Para ampliar sua cadeia de conhecimento, leia o artigo indicado a seguir, que
trata da questão tributária da atividade rural.
• AVALIAÇÃO da carga tributária de uma empresa com atividade
agrícola. Disponível em:
<http://periodicos.redebatista.edu.br/index.php/ADMCC/article/view/58>.
Acesso em: 9 ago. 2019.
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TEMA 5 – PESSOA FÍSICA – CONSIDERAÇÕES QUANTO À TRIBUTAÇÃO
Assim como a Pessoa Jurídica atuante no meio rural, a Pessoa Física
também está sujeita a aspectos tributários e também deve atender às
regulamentações legais.
As pessoas físicas que possuam uma receita anual superior a
R$ 56.000,00 devem manter um Livro-caixa, no qual serão realizadas as
escriturações dos fatos contábeis. Já as pessoas físicas com receita inferior a
R$ 56.000,00 não estão sujeitas a tal obrigatoriedade.
Todos os valores de receitas e gastos da produção devem ter devida
comprovação documental. Vale ressaltar que, assim como a Pessoa Jurídica
que pode atuar com depreciação acelerada no primeiro ano, a Pessoa Física
também irá considerar itens do imobilizado de forma equivalente a despesas do
período, reduzindo, assim, o resultado e, consequentemente, a base de cálculo
do Imposto de Renda. Vendas de bens do imobilizado serão consideradas
receitas da atividade.
O cálculo do resultado será feito por meio do regime de caixa. Para tanto,
os registros do Livro-caixa serão utilizados para encontrar a base de tributação
pelo Imposto de Renda da Pessoa Física. De forma simplificada, deverão ser
deduzidos todos os gastos de produção, do valor total de receitas do período.
A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física será, então, o
resultado da atividade. Outra opção é a tributação simplificada, a qual irá
desconsiderar os valores de custos e despesas, aplicando o percentual de 20%
sobre a receita bruta, chegando à base de cálculo do imposto. Outra situação a
ser considerada é a de produtos que tenham tido prejuízo em exercícios
anteriores, os quais poderão ser compensados de forma integral nos períodos
posteriores em que se obtiver lucro.
Vejamos então um exemplo para melhor entender como seria o cálculo
do valor a ser tributado pelo produtor Pessoa Física.
Determinado produtor rural auferiu uma receita bruta no ano de x1 no valor
de R$ 2.000.000,00. Nesse mesmo período teve custos e despesas no valor de
R$ 1.000.000,00. Também foram realizados investimentos em implementos no
valor de R$ 700.000,00. Possuía um saldo de prejuízo a compensar, no valor de
R$ 30.000,00. Vejamos, agora, como ficaria a apuração da base de cálculo do
Imposto de Renda dessa Pessoa Física rural.
16
Quadro 8 – Apuração do resultado tributável
Receita Bruta R$ 2.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.700.000,00
Resultado Inicial R$ 300.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 30.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 270.000,00
Resultado Tributável R$ 270.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 400.000,00
Chegamos às duas possibilidades de base de cálculo do Imposto de
Renda de Pessoa Física. Podemos ver que considerar o resultado tributável é
mais viável nesse exemplo perante a tributação simplificada, no entanto, não
podemos assumir que isso será verdade em todos os casos.
No caso da Pessoa Física, deve ser considerada a tabela progressiva do
Imposto de Renda, para então proceder o cálculo de forma correta. Na Tabela 1
é apresenta essa questão:
Tabela 1 – Tabela progressiva do IRPF
Base de Cálculo (R$) Alíquota
(%)
Parcela a deduzir do IRPF
(R$)
Até 22.847,76 - -
De 22.487,77 até 33.919,80 7,5% 1.713,58
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.257,57
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 7.633,51
Acima de 55.976,17 27,5% 10.432,32
Ao ser encontrada a base de cálculo, deverá ser deduzido o valor da
Tabela 1, aplicando a alíquota respectiva. No exemplo do Quadro 8, tanto o
resultado tributável quanto a tributação simplificada estão na mesma faixa, ou
seja, deve-se deduzir o valor R$ 10.432,32, para então aplicar a alíquota de
27,5%. Tendo, pelo resultado tributável, o valor de R$ 270.000,00, ao deduzir a
parcela fica R$ 259.567,68. Aplicando a alíquota de 27,5%, o valor a ser
recolhido é de R$ 71.381,11. No caso da tributação simplificada, o valor de R$
400.000,00 será deduzido da parcela, ficando R$ 389.567,68. Aplicando a
alíquota de 27,5%, o valor a ser recolhido é de R$ 107.131,11.
Explorar atividade rural demanda conhecimento técnico da atividade, bem
como discernimento para identificar o melhor modelo de negócio – se explorar
como Pessoa Física ou jurídica – e, no caso de Pessoa Jurídica, verificar o
melhor regime tributário.
17
TROCANDO IDEIAS
Caros alunos, nesta aula abordamos aspectos tributários inerentes à
atividade rural, tanto os relacionados à Pessoa Jurídica do meio rural – que pode
desenvolver em paralelo outra atividade –, quanto a Pessoa Física que explora
atividade rural. Dentre os aspectos tributários surgem possibilidades diversas, as
quais podem gerar maior economicidade quanto aos tributos, ou onerar a
atividade rural caso a escolha seja inadequada.
Vamos supor, neste momento, que você possua um escritório contábil
atuante de modo especial no planejamento tributário de empresas, mas que até
então nunca atuou em casos que envolvam a atividade rural, até que, num
determinado dia, surge um cliente atuante como Pessoa Física, explorando
atividade rural, porém com dúvidas sobre a viabilidade de continuar atuando de
tal maneira.
Considerando os aspectos tributários envolvidos na atividade rural, você
precisa fazer a verificação de qual seria a maneira mais viável de esse produtor
continuar na atividade rural – se como Pessoa Física ou jurídica –, e, no segundo
caso, qual seria o regime mais adequado.
Discuta com seus colegas para que possam chegar à melhor alternativa
a ser aplicada para esse cliente, Em seguida,elenque as informações que
deverão ser solicitadas a ele para que seja possível fazer uma análise adequada
e eficaz do caso.
NA PRÁTICA
Caro(a) aluno(a), vamos agora colocar em prática os conhecimentos adquiridos,
levando em consideração algumas situações que remetem ao conteúdo
estudado.
1) No ano de 2018, a Fazenda Feliz, pertencente ao Senhor Pedro,
desenvolvendo sua atividade como Pessoa Física, realizou cultivos agrícolas e
também atividades pecuárias. Das atividades desempenhadas, foi alcançada
uma receita no valor de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais),
tendo como custos e despesas do período o valor de R$ 1.400.000,00 (um
milhão e quatrocentos mil reais). No ano de 2017, a fazenda teve um prejuízo no
valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Com base nessas informações, qual
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será o resultado tributável, considerando apenas receitas e despesas? Qual será
o resultado tributável se o senhor Pedro optar pelo arbitramento da receita bruta
por meio da tributação simplificada?
2) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu
uma receita no valor de R$ 5.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de produção
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros,
totalizando R$ 2.500.000,00. Nesse período, foram realizados investimentos em
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 300.000,00. Também foi gasto
o valor de R$ 80.000,00 com despesas operacionais. Calcule o valor de Imposto
de Renda a ser pago por essa empresa rural.
3) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu
uma receita no valor de R$ 8.000.000,00 no ano de X2. Teve custos de produção
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros,
totalizando R$ 4.900.000,00. Nesse período foram realizados investimentos em
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 1.000.000,00. Também foi
gasto o valor de R$ 150.000,00 com despesas operacionais. No período de X1
essa empresa teve um prejuízo de R$ 1.500.000,00. Calcule o valor de Imposto
de Renda a ser pago por essa empresa rural.
4) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Presumido
auferiu uma receita no valor de R$ 4.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de
produção relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário,
dentre outros, totalizando R$ 1.800.000,00. Nesse período foram realizados
investimentos em infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 100.000,00.
Também foi gasto o valor de R$ 60.000,00 com despesas operacionais. Calcule
o valor de Imposto de Renda a ser pago por essa empresa rural.
5) A empresa agropecuária Fazenda Alegre Ltda., no período de X4, obteve uma
receita no valor de R$ 10.000.000,00. Nesse período, teve custos produtivos no
valor de R$ 7.000.000,00, bem como despesas no valor de R$ 600.000,00.
Possui um prejuízo a compensar no valor de R$ 700.000,00. Considerando os
dados da Fazenda Alegre Ltda., assinale a alternativa que representa a base de
cálculo do IRPJ caso a empresa fosse do Lucro Real e do Lucro Presumido,
respectivamente.
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a) R$ 2.400.000,00; R$ 800.000,00.
b) R$ 1.700.000,00; R$ 100.000,00.
c) R$ 3.000.000,00; R$ 200.000,00.
d) R$ 1.700.000,00; R$ 800.000,00.
e) R$ 2.400.000,00; R$ 100.000,00.
6) A empresa agropecuária Sítio Fundo possui tradição no meio rural, sendo, em
vários aspectos, referência regional. Alcança receita média anual, nos últimos 10
anos, de R$ 20.000.000,00. Possui um custo médio de 62,5% dos valores das
receitas, bem como despesas operacionais de 8% das receitas. Basicamente
todo ano alcança lucro. Porém, seu proprietário, mesmo estando satisfeito com
os negócios, está com “uma pulga atrás da orelha”, pois atualmente a empresa
é tributada pelo Lucro Real, e o proprietário crê que talvez outro regime tributário,
ou até mesmo atuar como Pessoa Física, possa ser mais vantajoso para ele.
Considerando esta situação, calcule quais seriam os valores de Imposto de
Renda da empresa sendo do Lucro Real, Lucro Presumido, bem como simulando
os dados caso a exploração fosse feita por meio de Pessoa Física.
FINALIZANDO
Começamos nossa aula abordando o assunto relacionado à contabilidade
da pecuária, tratando também do cálculo do custo dos bezerros, bem como o
custo médio do rebanho.
Na sequência, focamos nos aspectos tributários relacionados à atividade
rural. Verificamos a forma de se tributar as pessoas jurídicas que atuam no meio
rural e se caracterizam como microempresas e empresas de pequeno porte, as
quais são tributadas conforme rege o regulamento do Simples Nacional.
Destacamos também que estas são tributadas conforme o Anexo I e III do
Simples Nacional – no primeiro caso, para atividades de comércio da atividade
rural; no segundo, para prestação de serviços rurais.
Posteriormente, nos detivemos à questão de incentivos fiscais e no
resultado operacional. Constatamos que a atividade rural encara muitos
percalços, como dependência do clima e sujeição ao mercado no
estabelecimento de preços, sendo necessários alguns incentivos para
compensar tais dificuldades, como a possibilidade da depreciação integral dos
bens no ano de aquisição. Vimos que, conforme a atividade, e considerando os
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possíveis incentivos, deve ser apurado o resultado operacional. Do mesmo
modo, caso haja outra atividade desenvolvida pela propriedade, que não seja
rural, devem ser mantidos registros separados, e só depois consolidados.
Nosso penúltimo assunto foi a forma de se determinar o lucro para as
pessoas jurídicas que atuam no meio rural, considerando o regime tributário do
Lucro Real, Presumido e Arbitrado. Vimos que a forma de se determinar o lucro
se assemelha à de empresas do meio urbano, sendo levadas em conta apenas
algumas particularidades para se determinar o lucro.
Finalizamos nossa aula verificando aspectos tributários relativos à Pessoa
Física que atua no meio rural, abordando os registros que devem ser mantidos
para uma possível fiscalização, devendo o produtor Pessoa Física mantê-los
todos de forma adequada e comprovada.
Ao fim desta aula concluímos o assunto abordando a questão tributária
presente no meio rural, chegando a mais um nicho de atuação para nós,
contadores, que é o da consultoria tributária de atividades rurais, de modo a
realizar um planejamento eficiente e atender às necessidades desse contexto.
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REFERÊNCIAS
COSTA, K. L.; FERREIRA, R. M. Avaliação da carga tributária de uma empresa
com atividade agrícola. Belo Horizonte, Revista de Administração & Ciências
Contábeis, v. 9, n. 1, 2015.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
OAIGEN, R. P.; BARCELLOS, J. O. J.; CHRISTOFARI, L. F.; BRACCINI NETO,
J.; OLIVEIRA, T. E.; PRATES, E. R. Análise da sensibilidade da metodologia dos
centros de custos mediante a introdução de tecnologias em um sistema de
produção de cria. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 6, p. 1155-
1162, 2009.
_____. Melhoria organizacional na produção de bezerros de corte a partir dos
centros de custos. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. 3, p. 580-
587, 2008.
RECEITA FEDERAL. Simples Nacional. Disponível em:
<http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/>. Acesso em: 16 abr.
2019.
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GABARITO
1) Resolução:
Receita Bruta R$ 2.500.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.400.000,00
Resultado Inicial R$ 1.100.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 200.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 900.000,00
Resultado Tributável R$ 900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 500.000,00
2) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 5.000.000,00
Custos ($ 2.500.000,00)
Despesas Operacionais ($ 80.000,00)
Lucro Líquido $2.420.000,00
Adição/Exclusão ($ 300.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 2.142.000,00
IRPJ (15%) $ 321.300,00
IRPJ Adicional (10%) $ 190.200,00
*Investimentos.
3) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 8.000.000,00
Custos ($ 4.900.000,00)
Despesas Operacionais ($ 150.000,00)
Lucro Líquido $ 2.950.000,00
Adição/Exclusão ($ 2.500.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 450.000,00
IRPJ (15%) $ 67.500,00
IRPJ Adicional (10%) $ 21.000,00
* Investimentos no valor de $ 1.000.000,00, e prejuízos a compensar no valor de $ 1.500.000,00.
4) Resolução:
Receitas das atividades $ 4.000.000,00
Presunção (8%) $ 320.000,00
IRPJ (15%) $ 48.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 8.000,00
5) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 10.000.000,00
Custos ($ 7.000.000,00)
23
Despesas Operacionais ($ 600.000,00)
Lucro Líquido $ 2.400.000,00
Adição/Exclusão ($ 700.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 1.700.000,00
Receitas das atividades $ 10.000.000,00
Presunção (8%) $ 800.000,00
Alternativa A.
6) Resolução:
Lucro Real:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 20.000.000,00
Custos ($ 12.500.000,00)
Despesas Operacionais ($ 1.600.000,00)
Lucro Líquido $ 6.900.000,00
Base de Cálculo IR $ 6.900.000,00
IRPJ (15%) $ 1.035.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 666.000,00
Lucro Presumido:
Receitas das atividades $ 20.000.000,00
Presunção (8%) $ 1.600.000,00
IRPJ (15%) $ 240.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 136.000,00
Pessoa Física:
Receita Bruta R$ 20.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 14.100.000,00
Resultado Inicial R$ 5.900.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 0,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 5.900.000,00
Resultado Tributável R$ 5.900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 4.000.000,00
Parcela a deduzir R$ 10.432,32
Alíquota 27,5%
Resultado Tributável R$ 1.619.631,11
Opção pela Tributação Simplificada R$ 1.097.131,11
Conversa inicial
Contextualizando
Trocando ideias
Na prática
FINALIZANDO
REFERÊNCIAS
GABARITO