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LESÕES FUNDAMENTAIS As lesões fundamentais são ações morfológicas nos tecidos que são características em muitas lesões. Constituem o fundamento básico para que se possa diagnosticar, tratar e acompanhar a evolução das doenças. Uma lesão fundamental NÃO é um diagnóstico, mas sim a forma que a doença pode se manifestar. Tem uma etiologia diversa e são determinadas por processos inflamatórios, generativos, neoplásicos, distúrbios do metabolismo ou defeitos de formação. Lesões em dente e periodonto de inserção, não são representadas por lesão fundamental. Podem ser classificadas como: 1. Alterações de cor (planas) Manchas ou máculas 2. Lesões sólidas (crescimentos) Placa, pápula, nódulo 3. Coleções líquidas Vesículas e bolhas 4. Perdas teciduais Erosões e úlceras ou ulcerações Ainda dentro desses critérios de classificação, elas podem se manifestar de forma diferente. Por exemplo, a úlcera da afta e a úlcera da Paracoccidioidomicose são diferentes. PARÂMETROS Podemos ver alguns parâmetros para ajudar-nos a chegar a um diagnóstico final, como: forma, localização, limites, cor, tamanho, textura, contorno, número, consistência e base. · Forma A forma geométrica com que a lesão se assemelha, podendo ser: circular, oval, globosa, discoide, linear e filiforme. · Localização Determinação da posição e região anatômica. Ex: lesão em dorso de língua do lado direito. · Limites Utiliza-se referências anatômicas para descrever. Ex: De primeiro pré-molar até distal do primeiro molar. · Tamanho Descrito em mm. Utilizamos a informação exata ou de maior eixo, exemplo: a largura é maior que a altura em 5mm. · Contorno Trazer detalhes sobre o contorno da lesão, se ele é nítido, difuso, regular ou irregular. · Número Quantidade de lesões semelhantes presentes. EX: três úlceras presentes, na região de dorso de língua do lado direito, de primeiro pré-molar até distal do primeiro molar, medindo a primeira X por Y tendo contorno nítido e regular, a segunda... · Textura Se é brilhante, opaca, verruciforme, verrucosa, lisa, rugosa ou áspera, carcateristica de supercicie dessa lesçao. · Consistência À palpação como essa lesão se apresenta, se é fibrosa, borrachóide, esponjosa, elástica, pétrea... · Base Se é séssil ou pediculada. Séssil quando sua inserção nos tecidos adjacentes é maior que sua altura ou pediculada, quando a base é menor que o maior diâmetro da lesão. DESCRIÇÃO DA LESÃO – MANOBRAS SEMIOTÉCNICAS · INSPEÇÃO Visualmente conseguimos obter as seguintes informações: - Localização específica e limites da lesão - Ocorrência isolada, multifocal ou difusa - Forma de lesão - Tamanho da lesão - Coloração da superfície e textura - Delimitação das margens (contorno e borda) - Alteração das estruturas adjacentes tais como deslocamento de dentes · PALPAÇÃO - Caracteristicas da consistência - Sensibilidade dolorosa durante a compressão - Alteração de cor durante a compressão - Drenagem de secreção · EXPLORAÇÃO Vamos buscar dentro da lesão, se tem: - Alterações no tecido - Exsudato TIPOS DE LESÕES FUNDAMENTAIS MÁCULAS OU MANCHAS Quando ocorre uma modificação na coloração do tecido. Não há depressão ou elevação tecidual, apenas a alteração de cor. Pode variar no tamanho, forma e cor. Pode ter origem: melanina, vascular ou pigmentar. Hipercrômica quando há uma intensificação na cor ou hipocrômica quando há uma palidez na coloração. Na pigmentar, temos como exemplo uma hipercrômica endógena, manchas de melanina e exógena, uma tatuagem. Já a hipocrômica, pigmentar pode ser o vitiligo. Nesses casos o diagnóstico seria pigmentação racial e melanose associada ao fumo, e a lesão fundamental a mancha. PLACAS São elevações em relação à mucosa normal, consistentes à palpação. Sendo que sua superfície pode ser lisa, rugosa ou ondulada. Dentro da própria placa podemos ter alteração de cor. PÁPULAS Pequenas lesões sólidas, normalmente circunscritas. Elevadas, com diâmetro de até 3-5mm. Elas podem ser pontiagudas ou achatadas, além de poderem ser únicas ou múltiplas associada a patogenia. NÓDULOS Lesões solidas e circunscritas. Localização superficial ou profunda. Formados por tecido epitelial, conjuntivo ou misto. Podem ser pediculados ou sésseis. Seu diâmetro é MAIOR que 5mm, ou seja, passou de 5mm não é pápula, é nódulo. EROSÃO Perda parcial do epitélio. Não há exposição do tecido conjuntivo. Pode-se chegar até a lâmina basal, mas não expõe tecido conjuntivo. ÚLCERA E ULCERAÇÃO Ela tem uma perda da continuidade do epitélio, com exposição do tecido conjuntivo subjacente. As ulceras ainda podem ser lesões secundárias, como? Por exemplo, a pessoa tem um nódulo que devido ao atrito da mastigação se ulcerou, então é uma ulcera secundária a um nódulo. É comum ter úlcera ou ulceração como lesão secundária de bolhas, vesículas, nódulos, etc... Pode ou não deixar cicatriz A sua etiologia está associada ao traumatismo, alteração local ou sistêmica. Na prática corriqueira, não distinguimos úlcera de ulceração, mas em alguns livros podemos ver algumas diferenças, sendo a úlcera de caráter crônico, maior e mais profunda – carcinoma espinocelular. Já a ulceração de caráter agudo, menor e menos profunda – afas. A fissura é uma úlcera de formato linear – exemplo: queilite angular. VESÍCULAS E BOLHAS São diferentes, as duas diferem por seu tamanho. Mas ambas são elevações do epitélio, as quais contém liquido em seu interior. A vesícula: até 3-5mm, podendo ter várias cavidades, ou seja, várias vesículas. Bolhas: maiores que 3-5mm e tende a ser uma única cavidade – calo. As vesículas podem coalescer, uma nascendo próxima as outras, dando origem às bolhas. Como o teto da bolha é bem fino, caso um trauma o rompa, temos a origem de uma erosão, pois há uma exposição parcial do epitélio. Caso, a bolha seja subepitelial e o teto se rompa, dá origem a úlcera. Ou seja, podemos ver assim que a bolha era a lesão primária, dando a origem a erosões ou úlceras. DESCRIÇÃO DAS LESÕES FUNDAMENTAIS Sequência da descrição: 1. Localização 2. Lesão Fundamental 3. Dados da inspeção 4. Dados da palpação Exemplo: OUTROS CONCEITOS IMPORTANTES Alguns termos que podemos nos deparar em estomatologia, que podem ou não estar em desuso. TUMOR Termo em desuso para se referir a tumescências sólidas com mais de 1,5cm. E isso dava a entender que tumor era um edema, um dos sinais da inflamação. Atualmente, usamos o termo tumor para sinônimo de neoplasia (seja benigna ou maligna), mas não usamos mais para lesões fundamentais. EDEMA É um dos sinais cardinais da inflamação, e só podemos usá-lo quando sabemos que tem ali uma origem inflamatória. AUMENTO DE VOLUME Usamos esse termo para descrever situações antes da definição do conteúdo da lesão, em qualquer situação aonde o volume tecidual se encontre maior que o padrão. FÍSTULA Condutos cutâneos em conexão com focos de supuração, esses condutos são revestidos por tecido epitelial. Quando temos um processo infeccioso, que ocorre numa região intra-óssea, é necessário que esse pus ache uma área de drenagem, assim há a ruptura da estrutura óssea para criação de um conduto revestido por tecido epitelial. Normalmente, na clínica vemos a parúlide, que é a proliferação dos tecidos de granulação na desembocadura da fístula, onde forma esse aumento de volume. Para visualizar a origem do processo infeccioso inserimos uma guta percha no orifício da fístula. PÚSTULA Assim como nas pápulas, vemos um aumento de volume, porém o conteúdo não é mais sólido, é preenchido por pus. CROSTA Não é um termo em desuso, porém não é necessariamente uma lesão fundamental. Ela é oriunda do ressecamento de secreções, ela se manifesta onde tivemos erosões, fístulas, úlceras ou bolhas que se romperam. Quando temos a exposição de conjuntivo ou de pitélio, gera inflamação, esse liquido exposto ao meio em contato com o ar, ele resseca e dá origem a crosta. É muito difícil ver na cavidade oral pois ela é umedecida, podemos ver em lábio pois é exposto ao ar. O famoso “cascão da ferida”.