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Na Parte II do livro "Psicanálise da Criança" de Arminda Aberastury, são 
abordados tópicos essenciais para o trabalho clínico com crianças. Os capítulos 
dessa seção exploram os seguintes temas: 
 
CAPÍTULO 5 – A ENTREVISTA INICIAL COM OS PAIS 
A entrevista inicial com os pais desempenha um papel fundamental no início do 
processo psicanalítico infantil. É nesse momento que o terapeuta busca 
estabelecer uma relação de confiança e compreender a história e dinâmica 
familiar, a fim de compreender melhor a criança e suas questões emocionais. 
Durante a entrevista, o terapeuta busca criar um ambiente acolhedor e seguro, 
onde os pais se sintam à vontade para expressar suas preocupações, angústias 
e expectativas em relação à criança. É importante que os pais sejam encorajados 
a falar livremente sobre sua história, experiências parentais e qualquer 
dificuldade que estejam enfrentando. 
O terapeuta se mantém atento aos detalhes comunicados pelos pais, como o 
desenvolvimento da criança, seus comportamentos, relacionamentos familiares 
e eventos significativos. Essas informações são valiosas para a compreensão do 
contexto emocional da criança e a identificação de possíveis conflitos ou 
questões a serem abordadas durante o processo terapêutico. Durante a 
entrevista, o terapeuta também explora a percepção dos pais sobre a criança, 
seus pontos fortes, desafios e características individuais. Isso auxilia no 
estabelecimento de uma visão mais abrangente da criança, além de fornecer 
insights sobre sua personalidade e possíveis áreas de intervenção terapêutica. 
Além de obter informações sobre a criança, a entrevista inicial também oferece 
a oportunidade de educar os pais sobre os princípios e objetivos da psicanálise 
infantil. O terapeuta pode esclarecer dúvidas, explicar a abordagem terapêutica 
e compartilhar informações sobre o processo terapêutico, a fim de promover uma 
compreensão mútua e colaborativa entre os pais e o terapeuta. Outro aspecto 
importante da entrevista inicial é a exploração da relação dos pais com a criança. 
O terapeuta investiga a dinâmica familiar, a qualidade dos vínculos afetivos, as 
interações cotidianas e quaisquer desafios na parentalidade. Compreender a 
relação dos pais com a criança é essencial para identificar fatores que possam 
influenciar o bem-estar emocional da criança e planejar intervenções adequadas. 
Durante a entrevista, o terapeuta demonstra empatia e sensibilidade, acolhendo 
os pais sem julgamento e incentivando a abertura na comunicação. A escuta 
ativa e a capacidade de fazer perguntas pertinentes são habilidades essenciais 
nesse momento, permitindo ao terapeuta obter informações mais profundas 
sobre a história e dinâmica familiar. Ao final da entrevista inicial, o terapeuta faz 
uma síntese das informações coletadas, destacando aspectos relevantes e 
identificando possíveis pontos de partida para o trabalho terapêutico. Essa 
síntese orienta o planejamento das próximas etapas do processo terapêutico e 
serve como base para a formulação de hipóteses e intervenções terapêuticas. 
Em resumo, a entrevista inicial com os pais desempenha um papel crucial no 
início do processo psicanalítico infantil. É um momento de estabelecer uma 
conexão empática com os pais, compreender sua história e dinâmica familiar, e 
coletar informações valiosas sobre a criança. Por meio dessa entrevista, o 
terapeuta busca criar um ambiente seguro para que os pais compartilhem suas 
preocupações e expectativas. Além disso, a entrevista proporciona uma 
oportunidade para educar os pais sobre a abordagem terapêutica e estabelecer 
uma visão compartilhada do processo terapêutico. Ao final da entrevista, o 
terapeuta sintetiza as informações coletadas, identificando pontos relevantes 
para direcionar as próximas etapas do tratamento. A entrevista inicial é um ponto 
de partida essencial para compreender a criança em seu contexto familiar e 
iniciar uma jornada terapêutica que visa promover o bem-estar emocional e o 
desenvolvimento saudável da criança. 
 
CAPÍTULO 6 - O CONSULTÓRIO, O MATERIAL DE JOGO, A CAIXA 
INDIVIDUAL; PROBLEMAS TÉCNICOS QUE SURGEM DO SEU USO DIÁRIO 
Neste capítulo, a autora aborda a importância do ambiente terapêutico e dos 
recursos utilizados durante a psicanálise com crianças. O consultório é projetado 
para ser um espaço acolhedor e seguro, criando um ambiente propício para a 
expressão e a comunicação da criança. É enfatizada a relevância de um 
ambiente agradável e confortável, com móveis adequados e objetos que 
facilitem o jogo terapêutico. Os materiais de jogo desempenham um papel 
fundamental na terapia, permitindo que a criança se expresse de forma 
simbólica. A seleção dos materiais é crucial e deve considerar a idade, o estágio 
de desenvolvimento e as necessidades individuais da criança. Os brinquedos 
devem ser escolhidos cuidadosamente para auxiliar na expressão de fantasias, 
emoções e conflitos da criança. 
A caixa individual é um componente essencial no trabalho terapêutico. Ela 
contém uma seleção específica de brinquedos e objetos, escolhidos em conjunto 
com a criança, que servem como instrumentos para a expressão e o trabalho 
simbólico. A caixa individual proporciona um espaço privado e seguro para que 
a criança explore e comunique seus sentimentos. 
Além disso, é ressaltada a importância de estabelecer limites claros em relação 
ao uso dos materiais de jogo. O terapeuta desempenha um papel ativo na 
mediação e interpretação dos jogos da criança, buscando compreender as 
mensagens subjacentes e auxiliando na elaboração de conflitos emocionais. 
Em resumo, o capítulo destaca a relevância do ambiente terapêutico e dos 
materiais de jogo na psicanálise infantil. O consultório é concebido como um 
espaço acolhedor, enquanto os materiais de jogo e a caixa individual 
proporcionam à criança a oportunidade de se expressar simbolicamente. O 
terapeuta atua como mediador, interpretando os jogos da criança e auxiliando na 
resolução de conflitos emocionais. 
 
 
CAPÍTULO 7 – A PRIMEIRA HORA DO JOGO; SEU SIGNIFICADO 
Neste trecho do livro, Aberastury explora a importância da primeira hora do jogo 
no contexto da psicanálise infantil. Durante essa etapa inicial do processo 
terapêutico, o terapeuta estabelece uma relação de confiança com a criança por 
meio do jogo, permitindo que ela se expresse livremente e revele aspectos 
significativos de seu mundo interno. 
O jogo é considerado uma forma privilegiada de comunicação para a criança, 
uma vez que ela ainda não possui pleno domínio da linguagem verbal. Através 
do brincar, a criança pode expressar seus desejos, fantasias, medos e conflitos 
de forma simbólica, possibilitando ao terapeuta acessar camadas mais 
profundas de seu psiquismo. 
Durante a primeira hora do jogo, o terapeuta deve estar atento aos diversos 
elementos que compõem o cenário terapêutico. O consultório deve ser 
cuidadosamente preparado, oferecendo um ambiente seguro e acolhedor para 
a criança. O material de jogo também desempenha um papel crucial, 
proporcionando à criança uma variedade de objetos e brinquedos que estimulam 
sua criatividade e expressão. Nesse momento inicial, o terapeuta observa 
atentamente as escolhas da criança em relação ao material de jogo, bem como 
suas interações com os objetos. Cada movimento, gesto e narrativa da criança 
revela aspectos de seu mundo interno, permitindo ao terapeuta compreender 
sua forma única de se relacionar consigo mesma e com os outros. 
Através dessa observação cuidadosa, o terapeuta pode identificar padrões 
recorrentes, símbolos e temas que surgem durante o jogo. Esses elementos 
simbólicos são fundamentais para a compreensão dos conflitos e fantasias 
inconscientes da criança. Durante a primeira hora do jogo, o terapeuta mantém 
uma postura receptiva e empática, oferecendo à criança um espaço seguro para 
explorar suas emoções e experiências. É importanteque o terapeuta evite 
qualquer tipo de interpretação prematura ou direcionamento excessivo, 
permitindo que a criança conduza o jogo de acordo com suas necessidades e 
interesses. 
O objetivo principal da primeira hora do jogo é estabelecer uma base sólida para 
o trabalho terapêutico futuro. É nesse momento que a relação terapêutica 
começa a se construir, baseada na confiança, respeito e compreensão mútua. O 
terapeuta busca estabelecer um vínculo terapêutico seguro e afetuoso, essencial 
para que a criança se sinta à vontade para expressar seus pensamentos, 
emoções e fantasias mais íntimas. Durante essa etapa inicial, o terapeuta 
também tem a oportunidade de observar a dinâmica relacional entre a criança e 
seus cuidadores. O jogo revela padrões de interação e vínculos afetivos, 
permitindo ao terapeuta compreender os aspectos familiares que influenciam a 
vida emocional da criança. 
 
CAPÍTULO 8 – ENTREVISTAS POSTERIORES COM OS PAIS 
Neste capítulo é explorada a importância das entrevistas posteriores com os pais 
no contexto da psicanálise da criança. Essas entrevistas representam um 
momento crucial para a compreensão mais profunda da dinâmica familiar e para 
a continuidade do processo terapêutico. 
As entrevistas posteriores com os pais desempenham um papel fundamental na 
abordagem psicanalítica, permitindo ao terapeuta obter informações relevantes 
sobre a criança, seu ambiente familiar e suas interações. Essa compreensão 
mais abrangente é essencial para a elaboração de um plano terapêutico efetivo. 
Durante as entrevistas, é essencial criar um ambiente acolhedor e seguro, onde 
os pais se sintam à vontade para compartilhar suas preocupações, experiências 
e perspectivas. O terapeuta deve demonstrar empatia e escuta ativa, 
proporcionando um espaço onde os pais se sintam compreendidos e apoiados. 
Um dos objetivos principais dessas entrevistas é a coleta de informações sobre 
o desenvolvimento da criança, desde o momento do nascimento até o presente. 
Os pais são convidados a relatar marcos importantes, eventos significativos e 
desafios enfrentados ao longo do tempo. Essas narrativas ajudam o terapeuta a 
compreender a história de vida da criança e a identificar possíveis fontes de 
conflito ou dificuldades. Além disso, as entrevistas com os pais visam explorar 
as relações familiares, as dinâmicas interpessoais e as formas como os 
membros da família se comunicam e interagem entre si. Essa compreensão é 
crucial para identificar padrões disfuncionais ou conflituosos que possam afetar 
o bem-estar emocional da criança. 
Durante as entrevistas, é importante abordar temas como os papéis parentais, a 
distribuição de responsabilidades e o apoio emocional oferecido à criança. 
Questões relacionadas à disciplina, limites e regras também são exploradas, 
buscando entender como esses aspectos influenciam a vida da criança e sua 
relação com os pais. É fundamental que o terapeuta esteja atento a possíveis 
questões de ordem psicopatológica nos pais, como transtornos de humor, 
ansiedade ou dificuldades de vinculação. Esses aspectos podem ter impacto 
direto no desenvolvimento da criança e precisam ser abordados adequadamente 
durante as entrevistas. 
A escuta ativa desempenha um papel central nessas entrevistas, permitindo ao 
terapeuta captar nuances verbais e não verbais nas narrativas dos pais. A 
linguagem corporal, as expressões faciais e as pausas nas falas podem revelar 
informações importantes sobre as emoções subjacentes e as dinâmicas 
familiares. 
Em suma, as entrevistas posteriores com os pais são uma parte essencial da 
abordagem psicanalítica da criança. Elas oferecem um espaço para a expressão 
dos pais, permitem a coleta de informações valiosas sobre o desenvolvimento e 
a dinâmica familiar, além de proporcionar suporte emocional e educacional. Por 
meio dessas entrevistas, o terapeuta pode obter uma visão mais completa do 
contexto da criança, permitindo um tratamento mais efetivo e individualizado.

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