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Desenvo l v ido pa ra f i n s acadêmicos com a p ropos ta do es tudo de hab i l i dades e s senc ia i s à p rá t i ca e teo r ia da C i r u rg ia Odon to lóg ica , p recon i zado pe la Equ ipe de CTBMF da Un i ve r s idade San ta Cec í l i a . CIRURGIA ECIRURGIA E TRAUMATOLOGIATRAUMATOLOGIA BUCO-MAXILO-FACIALBUCO-MAXILO-FACIAL A P O S T I L A D E R E S U M O S NICOLE JÚLIA LEVANDOVSKI SumárioSumário Profa. Andressa Prytulak Prof. Danilo Basso Prof. Rafael Campos Prof. Silvio Barbosa Prof. Rafael Maluza COVID-19 Cirurgias de Tecidos Moles Cirurgias de Tecidos Duros Cirurgias do Periápice Acidentes e Complicações Exames de Imagens Exames Complementares 6° Semestre 79 86 94 98 106 122 135 Anestesiologia Técnicas de Bloqueio Maxila Técnicas de Bloqueio Mandíbula Biossegurança Manobras Cirúrgicas Fundamentais Ergonomia Instrumentais Exodontias Simples Exodontias Complexas 5° Semestre 01 10 18 26 35 51 54 64 70 150 162 169 172 185 200 219 233 Infecções Patologias das Glândulas Salivares Síndrome de Sjogren Tumores Odontogênicos Terapêutica Medicamentosa Sinusopatias Cistos Disfunções da ATM 7° Semestre Dentes Retidos Implantodontia Fraturas Terço Médio I - Zigomático Fraturas Terço Médio II - Órbita Fraturas Terço Médio III - Nariz Fraturas Mandíbula 8° Semestre 249 264 274 287 295 302 Profa. Marilene Bargas Prof. Daniel Abrahão https://portalaluno.unisanta.br/Informativos/FaleComOProfessor?Coligada=1&Turma=1030I7A&Disciplina=426%2F1&PeriodoLetivo=2021%2F1&Professor=ANDRESSA%20PYTRULAK%20&CodProfessor=415126 https://portalaluno.unisanta.br/Informativos/FaleComOProfessor?Coligada=1&Turma=1030I7A&Disciplina=426%2F1&PeriodoLetivo=2021%2F1&Professor=RAFAEL%20ANTONIO%20DE%20CAMPOS&CodProfessor=1187 https://portalaluno.unisanta.br/Informativos/FaleComOProfessor?Coligada=1&Turma=1030I7A&Disciplina=426%2F1&PeriodoLetivo=2021%2F1&Professor=SILVIO%20LUIZ%20BARBOSA&CodProfessor=189655 https://portalaluno.unisanta.br/Informativos/FaleComOProfessor?Coligada=1&Turma=1030I7A&Disciplina=426%2F1&PeriodoLetivo=2021%2F1&Professor=RAFAEL%20MALUZA%20FLOREZ&CodProfessor=69944 Nicole Júlia Levandovski ANESTESIOLOGIA INTRODUÇÃO Conceitos Anestesia é o ato de inibição/bloqueio do processo excitação-condução de estímulos nervosos de forma temporária e reversível. Anestésico local é uma substância capaz de produzir bloqueio reversível, temporário e localizado da condução nervosa. Sensação anestésica é a perda da sensibilidade em uma área circunscrita do corpo causada pela depressão da excitação das terminações nervosas ou pela inibição do processo de condução. Infiltração: A área de tratamento é inundada com anestésico local. Uma incisão é feita na mesma área, ocorrendo a dessensibilização das terminações nervosas locais. Dor é aquela que o paciente diz que sente, sendo verdadeira ou não. CLASSIFICAÇÃO DAS ANESTESIAS LOCAIS: 1. Terminais Anestesia-se as terminações nervosas mais superficiais (ramo dos ramos nervosos) 1.1 Superficiais benzocaína x lidocaína (anestésico tópico) 1.2 Infiltrativas Utilizada em complemento a uma anestesia de bloqueio. Anestesia pequenas regiões, deixando apenas isquemiado: língua, mucosa, palato, fundo de saco/sulco, lábio, pequenas porções da gengiva, etc 2. Bloqueio A ação do anestésico ocorrerá nos ramos e troncos nervosos 2.1 Campo: (antigo regional) O efeito ocorrerá pela infiltração do agente anestésico nos tecidos, ao nível do ramo nervoso 2.2 Nervo: (antigo troncular) O efeito ocorrerá pela infiltração do agente anestésico nos tecidos, ao nível do tronco nervoso OBS. a anestesia inibe apenas a sensação de DOR, não inibe a sensação de força, pressão, etc. Há vários fatores que interferem na anestesia e principalmente na parte mais superficial dessa anestesia, fatores próprios do paciente, por isso deve-se fazer um complemento (no caso, a anestesia infiltrativa) ex. consumo de álcool recente diminui a sensação anestésica ex. estado emocional: nervoso, triste, estressado A inflamação impede a eficácia de uma anestesia pois a química do anestésico precisa do pH saudável do tecido para funcionar corretamente (a química do anestésico precisa do ph do tecido para sofrer uma despolarização e poder sensibilizar os nervos, e uma inflamação tem alteração no ph) 1 Nicole Júlia Levandovski COMPONENTES Cada tubete de anestésico apresenta 1,8ml de solução Composição: Sal anestésico (Vasodilatador) + Vasoconstritor REFLUXO: Faz o movimento reverso da saída da solução anestésica. É um dispositivo que garante que o bisel não vai estar dentro de um vaso quando a agulha for introduzida no tecido. Se o anestésico for aplicado dentro de um vaso, a solução anestésica não provoca a sensação anestésica pois a mesma “vai embora” pela corrente sanguínea e causa um desconforto de ardência e queimação, além de poder causar complicações cardíacas. Como funciona o Refluxo: A ponta de silicone do tubete anestésico da carpule é voltada para o “pino do refluxo interno” (imagem apontada pela seta), na primeira punção, o tubete é empurrado em direção a esse pino e o silicone é “pressionado”, quando solta, o silicone volta à posição inicial, ocorrendo o refluxo, e esse refluxo já é o suficiente para acontecer a imagem 2*. Esse movimento de refluxo + a pressão sanguínea do paciente faz com que entre um pouquinho de sangue – por isso que o tubete anestésico deve ser transparente (para poder visualizar o sangue caso o bisel tenha entrado em um vaso) – portanto, quando isso ocorrer, deve-se parar de injetar e recuar a agulha. CÂNULA ALTAMENTE FLEXÍVEL: Permite maior agilidade do profissional durante o uso, não ocorrendo quebra da cânula (agulha) se utilizada corretamente. Angulações acentuadas não devem ser realizadas na cânula. AGULHAS* Calibre das agulhas: Longa = 32 mm 25 G – VERMELHA (0,28 mm externo e 0,21 interno) Curta = 20 mm 27 G – CINZA (0,3mm diam externo e 0,19 interno) Extra curta = 10mm 30 G – AMARELO (0,4mm diâmetro externo e 0,12 interno) * são feitas de aço inoxidável BISEL TRIFACETADO E CÂNULA SILICONIZADA: Permite penetração suave e conforto ao paciente. O bisel da agulha é sempre voltado para o osso!!! Toda a agulha na carpule vem com uma demarcação (setinha preta) para saber para aonde que o bisel está voltado, o bisel está voltado para o lado da seta, portanto a seta tem que estar em sentido contrário ao operador, mirada para o osso. ESTABILIZADOR QUÍMICO Garante que a substância química vai ficar reservada e em boa qualidade Sulfito de Sódio – baixo risco de reações alérgicas Metilparabeno – maior potencial de produzir alergias Estes são os maiores responsáveis por reações alérgicas e não tem como produzir um anestésico sem esses componentes pois se não o anestésico degradaria muito rápido, seu efeito seria prejudicado pelo tempo. Exemplo de fator que interfere em um anestésico: temperatura (o anestésico não pode estar nem quente demais e nem gelado demais). obs. muito cuidado ao anestesiar região de palato pois ele é muito fibroso e pouco vascularizado, então a quantidade de anestésico que for injetado pode levar a necrose tecidual (não deve deixar muito isquêmico), principalmente em crianças. 2 Nicole Júlia Levandovski Problemas nos tubetes anestésicos: Vazamento na tampa alumínio Vazamento no pistão borracha Corrosão da proteção alumínio ANESTÉSICOS CARACTERÍSTICAS Transitório e reversível Não irritar os tecidos vivos Toxicidade sistêmica insignificante Eficaz em qualquer local de sua aplicação (em condições normais) Pequenoperíodo de latência Estéril Sofrer biotransformação rápida no organismo Não ser capaz de produzir alergias (não depende só do anestésico mas também do paciente) CLASSIFICAÇÃO GRUPO ÉSTER: (menos utilizados) GRUPO AMIDA: (mais utilizados, menos alergênicos e mais efetivos) - 2% e 3% com adrenalina 1:100.000 (Xylocaína 2%) - 2% com adrenalina 1:50.000 (Alphacaína) - 2% com noradrenalina 1:30.000 (Xylestesin 2%, Lidostesin 3%) - 2% com fenilefrina 1:2.500 (Biocaina e Novocol) - Sem vasoconstritor (Xylocaína 2%, Xylestesin 2%, Lidocaína 2%) - 2% com adrenalina 1:100.000 (Scandicaína e Mepivacaína) - Com noradrenalina 1:30.000 (Scandicaína e Mepivacaína) - Com levonordefrina 1:20.000 (Mepivacaína) - 3% sem vasoconstritor (Scandicaína e Mepivacaína) - 3% com felipressina ou octapressin (Biopressin, Citanest, Citocaína, Prilocaína e Prilonest) - 0,5% com adrenalina 1:200.000 (Neocaína) - Sem vasoconstritor (Neocaína) - 4% com adrenalina 1:100.000 ou 1:200.000 (Septanest) 3 Nicole Júlia Levandovski CÁLCULO DA DOSE MÁXIMA DE ANESTÉSICOS LOCAIS 1° Passo - quantos mg de anestésico possui em cada tubete? Exemplo I 100ml -------- 3g 100ml -------- 3.000mg 1ml ----------- 30mg cada tubete de anestésico apresenta 1,8ml de solução 1ml -------- 30mg 1,8 ml ----- X 1 tubete = 54mg Exemplo II 100ml -------- 2g 100ml -------- 2.000mg 1ml ----------- 30mg cada tubete de anestésico apresenta 1,8ml de solução 1ml -------- 20mg 1,8 ml ----- X 1 tubete = 36mg 2° Passo - qual a dosagem máxima por peso corpóreo? Anestésico Local Dose Máxima N° de tubetes (1,8ml) p/ adultos com 60kg Máximo Absoluto (independente de peso) Lidocaína 2% 4,4 mg 7 300 mg Mepivacaína 2% 4,4 mg 7 300 mg Mepivacaína 3% 4,4 mg 4 e 1/2 300 mg Articaína 4% 7 mg 5 e 1/2 500 mg Prilocaína 3% 6 mg 6 e 1/2 400 mg Bupivacaína 0,5% 1,3 mg 8 e 1/2 90 mg Exemplo: Mepivacaína 4,4mg/kg -----> 4,4mg X 65kg = 286mg 3° Passo - determinar a dose máxima em tubetes Exemplo: 1 tubete ------ 36mg X tubetes --- 286mg X = 7,94 tubetes 4 Nicole Júlia Levandovski ANESTÉSICOS RECOMENDADOS Lidocaína 2% com adrenalina 1:100.000 Rotina Crianças Idosos Gestantes (lidocaína sem adrenalina) Hipertensos e Gestantes: máximo 2 tubetes Prilocaína 3% com felipressina 0,03UI Uso de antidepressivos Uso de Neurolépticos Uso de estimulantes adrenérgicos Uso de B-bloqueadores Sensibilidade aos sulfitos Doenças cardiovasculares não controladas Hipertensos: máximo 3,5 tubetes NÃO USAR: gestantes, idosos e crianças Mepivacaína e Bupivacaína Procedimentos mais invasivos Protocolo de analgesia Urgências NÃO USAR: gestantes (acumula no fígado do feto) e crianças (longa duração) VASOCONSTRITORES OBJETIVOS: Aumentar o tempo do efeito anestésico Diminuir a velocidade de absorção do sal Diminuir o sangramento Diminuir sua concentração plasmática* Reduzir a possibilidade de efeitos colaterais Se está diminuindo o calibre do vaso (vasoconstrição), o sangue vai passar mais lentamente e em quantidade menor *deixa o anestésico mais seguro, pois vai diminuir a velocidade de absorção do mesmo, levando para a corrente sanguínea uma quantidade menor. aumenta a pressão arterial aumenta a glicemia aumenta a contração uterina aumenta a frequência cardíaca promove broncodilatação excitação ligeira aumenta pressão arterial promove vasoconstrição aumenta a frequência cardíaca 5 Nicole Júlia Levandovski aumenta frequência cardíaca aumenta pressão arterial promove broncodilatação não altera a pressão não altera glicemia aumenta a contração uterina diminui a circulação uterina vasoconstrição pequena não altera a frequência cardíaca aumenta pressão arterial potente vasoconstrição pequena broncodilatação não altera frequência cardíaca ➢ Para todo sal anestésico pode-se encontrar mais de um vasoconstritor disponível, a diferença entre eles é que cada um tem uma indicação correta para cada caso. ➢ Paciente cardíaco, diabético, hipertenso, grávida e outras alterações sistêmicas, deve-se tomar muito cuidado em questão do vasoconstritor e a quantidade do mesmo. POSIÇÃO DO PACIENTE PARA RECEBER ANESTESIA LOCAL Maxila: plano oclusal do paciente formando um ângulo de 45° graus com o plano horizontal (chão) Mandíbula: plano oclusal do paciente paralelo ao plano horizontal (chão) FALHAS NAS ANESTESIAS Anomalias anatômicas Falta de conhecimento anatômico Infiltração muito rápida Solução fria, quente ou adulterada Paciente sentado incorretamente Movimentos intempestivos Agulha muito curta ou muito longa Vazamento do tubete Erro de técnica Falta de experiência Empunhadura inadequada Eliminação rápida do anestésico (ex. acertar um vaso sanguíneo) PRINCÍPIOS BÁSICOS Assepsia rigorosa Conhecer anatomia Solução ser nova Quantidade segura Indicação adequada Técnica correta Bisel da agulha voltado para osso Troca de agulha quando repetidas anestesias 6 Nicole Júlia Levandovski COMPLICAÇÕES SISTÊMICAS A toxicidade causada pelos anestésicos locais deve-se, na maioria dos casos, a injeção intravascular acidental e a administração extravascular excessiva, podendo variar de acordo com o nível de absorção, redistribuição tecidual e metabolismo da droga ou a potência intrínseca do anestésico As principais complicações advindas da anestesia local são: Lipotimia Sincope Angina pectoris Hipotensão Postural Broncoespasmo Reação Anafilática Infarto do Miocárdio O choque anafilático é a manifestação mais grave e que habitualmente provoca a morte do paciente, pela falta de preparo por parte do profissional e de socorro adequado. SINAIS CLÍNICOS DE TOXICIDADE Incluem taquicardia, hipertensão, sonolência, confusão, diplopia, palidez, tontura e gosto metálico. Os sinais tardios incluem inconsciência, convulsões, disritmias, parada respiratória e circulatória. 7 Nicole Júlia Levandovski Não descrita no Malamed, também conhecida como CA-ZOE 8 Nicole Júlia Levandovski CONTINUAÇÃO.... Em maxila temos algumas estruturas referência que às vezes dificulta ou facilita a introdução do sal anestésico: regiões de eminência como arco zigomático e pilar canino, por exemplo. Maxila: mais esponjoso/trabecular/poroso Mandíbula: mais compacto/cortical/denso Por convenção, tem-se maior facilidade do sal anestésico fazer a difusão em maxila do que em mandíbula, justamente pela maxila ser mais esponjosa. Muitas vezes em maxila, por excesso de sal anestésico, consegue-se anestesiar o paciente por encharcamento e não por acertar a técnica anestésica. Portanto, quanto mais o osso for esponjoso, maior a facilidade de difusão do sal anestésico. Por isso que, em mandíbula, quase sempre deve-se fazer técnicas mais complexas (anestesia de bloqueio de nervo). ÁREAS DE DENSIDADES ÓSSEAS Nossos ossos foram divididos por Lekholm e Zarb em 4 tipos Tipo I: ++ compacto, -- esponjoso Tipo II: + compacto, + esponjoso Tipo III: - compacto, + esponjoso Tipo IV: -- compacto, ++ esponjoso 9 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICAS DE BLOQUEIO DE MAXILA BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR SUPEROANTERIOR (B. DO NERVO INFRAORBITÁRIO) Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares e alvéolo do incisivos central, lateral e canino; em 72% dos pacientes: tecido pulpar dos pré- molares superiores e a raiz mésio vestibular do 1° molar; periodonto e mucosa vestibular (labial); ossoe periósteo destes mesmos dentes + asa e aspecto lateral do nariz; pálpebra inferior e lábio superior do lado anestesiado (N. Infraorbitário). Indicação: Procedimentos envolvendo mais de dois dentes superiores na mesma hemi arcada e os tecidos vestibulares sobrejacentes; inflamação ou infecção (cujo a injeção supraperiostal é contraindicada) → se houver celulite, indica-se o BNM; quando as injeções supraperiostais forem ineficazes. Contraindicação: Áreas de tratamento discretas; quando deseja-se a hemostasia de áreas localizadas (indica-se infiltração local) Vantagens: Técnica simples e comparativamente segura: minimiza o volume de solução e o n° de punções. Desvantagens: Psicológicas → o administrador pode haver um medo inicial de lesar o olho do paciente; a abordagem extraoral do nervo Infraorbitário pode ser desconfortável. Anatômicas → dificuldade em definir pontos de referência OBS. Tecnicamente, o N. Infraorbitário promove anestesia dos tecidos moles da porção anterior da face e não dos dentes ou tecidos moles e duros intraorais, portanto é inadequado chamar o BNASA de BNIO. Técnica Agulha Longa de calibre 25 ou 27 Região de Punção: Fundo de sulco na distal do incisivo lateral O paciente deve estar posicionado em decúbito ou semidecúbito. Preparar os tecidos. Localizar o forame infra-orbital através da palpação e pressão (o paciente sentirá um leve desconforto quando o forame for palpado, devido ao nervo ser pressionado contra o osso). Deve-se manter o dedo sobre ou marcar a pele neste ponto, afastar o lábio do paciente e introduzir a agulha na altura da prega mucovestibular sobre o 1° pré-molar, com o bisel voltado para o osso, orientando em direção ao forame infra-orbital (a agulha deve ser mantida paralela ao eixo longitudinal do dente enquanto é avançada) com uma profundidade de aproximadamente 16mm (até tocar o osso). Aspirar e depositar de 0,9 a 1,2ml de solução por 30 a 40 segundos -- Neste ponto, o BNIO está completo → produzindo anestesesia dos tecidos moles na porção anterior da face e no aspecto lateral do nariz. Para transformá-lo no BNASA, deve-se manter pressão firme com o dedo sobre o local de injeção, durante a injeção e por pelo menos 1 min depois e também manter a pressão digital direta sobre o local da injeção durante 1-2 min após a retirada da agulha. Incisura infraorbitária 10 Nicole Júlia Levandovski OBS. A agulha pode ser introduzida na altura da prega mucovestibular, acima de qualquer dente, desde o 2° pré-molar anteriormente até o incisivo central. O trajeto de penetração resultante é em direção à área alvo, o forame infraorbital. O 1° pré- molar geralmente proporciona o menor trajeto até esta área alvo. OBS. O profissional será capaz de “sentir” a solução anestésica sendo depositada sob seu dedo colocado sobre o forame se a extremidade da agulha estiver na posição correta. Ao terminar a injeção, o forame não deve mais ser palpável (devido ao volume de anestésico local nesta posição). BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR SUPERIOR MÉDIO Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares e alvéolo dos pré-molares superiores do lado anestesiado, ligamento periodontal, periósteo e mucosa gengival na região, raiz MV do primeiro molar superior, membrana sinusal e tecido ósseo. Nervos Anestesiados: Alveolar Superior Médio e ramos terminais. Indicação: Intervenção dos pré-molares, raiz MV do primeiro molar superior, parede anterior do seio maxilar, quando o BNASA não produzir anestesia pulpar distal ao canino superior. Contraindicação: Infecção ou inflamação na área, quando o nervo ASM está ausente (a inervação é feita por intermédio do nervo ASA) → os ramos do ASA que inervam os pré-molares e a raiz MV do 1° molar podem ser anestesiados por meio da técnica do nervo ASM. Vantagens: Minimiza o n° de injeções e o volume de solução. Desvantagens: Nenhuma. Técnica Agulha Curta ou Longa de calibre 27 Região de Punção: Fundo de sulco entre as raízes dos pré-molares Preparar os tecidos. Distender o lábio superior do paciente, introduzir a agulha na prega mucovestibular acima do 2° pré-molar, com o bisel voltado para o osso. Penetrar a mucosa e avançar a agulha lentamente até a ponta estar acima do ápice do 2° pré-molar, aspirar e depositar 0,9 a 1,2ml (de metade a ⅔ do tubete) por aproximadamente 30 a 40 segundos. BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR SUPERIOR MÉDIO ANTE RIOR Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares dos incisivos, caninos e pré-molares superiores do lado anestesiado; gengiva inserida vestibular (destes dentes); tecidos palatinos inseridos da linha média até a margem gengival livre dos dentes associados. Nervos Anestesiados: Alveolar Superoanterior, Alveolar Superior Médio + Plexo nervoso dentário subneural dos mesmos. Indicação: Procedimentos envolvendo os dentes anterossuperiores, tecidos moles, raspagem e alisamento radicular; quando é desejada a anestesia de múltiplos dentes anterossuperiores em uma única injeção ou quando a supraperiostal for ineficaz. Contraindicação: Pacientes com tecidos palatinos finos; pacientes que não conseguem tolerar um tempo de administração de 3 a 4 minutos; procedimentos que requerem mais de 90 minutos; uso de anestésico local com adrenalina 1:50.000. 11 Nicole Júlia Levandovski Vantagens: Anestesia de múltiplos dentes superiores com uma única injeção; técnica comparativamente simples e segura: reduz o volume anestésico e n° de punções; possibilita a anestesia pulpar e tecidos moles efetiva para raspagem periodontal e alisamento radicular; permite que uma avaliação precise da linha do sorriso seja realizada após a anestesia (procedimentos odontológicos cosméticos); elimina a inconveniência da dormência pós-operatória do lábio sup e dos músculos da expressão facial. Desvantagens: Requer um tempo de administração lento (0,5ml/min); pode causar fadiga do operador devido ao tempo de injeção prolongado; pode ser incômoda para o paciente caso administrada incorretamente; pode haver necessidade de uma anestesia suplementar para os dentes incisivos central e lateral; pode causar isquemia excessiva caso administrada rapidamente. Técnica Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: A 1cm na região palatina entre os pré-molares Técnica da Pré-perfuração: Colocar o bisel voltado para o tecido palatino. Colocar um cotonete estéril na ponta da agulha e aplicar leve pressão sobre o cotonete para criar um “selante” do bisel da agulha contra a superfície externa. Iniciar a injeção do anestésico e manter esta posição e pressão por 8 a 10 segundos. Técnica da Caminho do Anestésico: Avançar 1 a 2mm a extremidade da agulha para dentro do tecido a cada 4 a 6 segundos enquanto administra a solução anestésica. Atentar para não expandir o tecido ou avançar a agulha muito rapidamente. Depois de aproximadamente 30 segundos uma isquemia inicial é observada, parar por alguns segundos para permitir o início da anestesia superficial. Continuar a técnica de inserção lenta até tocar o osso (agulha deve estar sendo mantida em contato com o osso e o bisel voltado para o osso), aspirar e injetar 0,5ml por minuto durante a injeção, com uma dose final de aproximadamente 1,4 a 1,8ml. 12 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR SUPEROPOSTERIOR Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares e alvéolo dos molares superiores do lado anestesiado com exceção da raiz mésio vestibular do 1° molar; ligamento periodontal; periósteo e mucosa gengival na região. Nervos Anestesiados: Alveolar Superoposterior e seus ramos Indicação: Intervenção dos pré-molares, raiz MV do primeiro molar superior, parede anterior do seio maxilar; tratamento de dois ou mais molares superiores; quando a supraperiostal está contraindicada (inflamação aguda, infecção) ou foi ineficaz. Contraindicação: Quando o risco de hemorragia é muito grande (ex. hemofílico) → recomenda-se supraperiostal ou LPD. Vantagens: Atraumático quando feito corretamente,alta taxa de sucesso (>95%), minimiza o volume total de solução anestésica local administrada, n° mínimo de injeções é necessário Desvantagens: Risco de hematoma, desconfortável para o paciente, necessita de uma segunda injeção para o tratamento da raiz mesiovestibular do 1° molar Técnica Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: Fundo de sulco na raiz disto vestibular do 2° molar superior Preparar os tecidos. Orientar o bisel voltado para o osso, retrair a bochecha e introduzir a agulha. Avançar para cima (superior em um ângulo de 45° com o plano oclusal), para dentro (medialmente em relação a linha média em um ângulo de 45° com o plano oclusal) e para trás (posterior em um ângulo de 45° com o eixo longitudinal do 2° molar) em um só movimento, numa profundidade de aproximadamente de 16mm em adulto de tamanho normal e em um crânio pequeno de 10 a 14mm. Aspirar e injetar 0,9 a 1,8ml de solução por um tempo de 30 a 60 segundos. BLOQUEIO DO NERVO PALATINO MAIOR Áreas Anestesiadas: Porção posterior do palato duro e tecidos moles adjacentes, da mesial do primeiro pré-molar até distal do 3° molar e medialmente até a linha média. Nervos Anestesiados: Palatino Maior. Indicação: Intervenção de primeiro pré-molar a terceiro molar por palatino nas exodontias (complemento); casos que a anestesia dos tecidos moles do palato é necessária para o tratamento restaurador em mais de dois dentes (ex. restaurações subgengivais e inserção de matriz subgengival); para controle da dor durante procedimentos periodontais ou cirúrgicos envolvendo os tecidos palatinos moles e duros. 13 Nicole Júlia Levandovski Contraindicação: Inflamação ou infecção no local da injeção; pequenas áreas de tratamento. Vantagens: Minimiza o n° de injeções, volume de solução e o desconforto para o paciente. Desvantagens: Não há hemostasia (exceto na área próxima da injeção); potencialmente traumático. Técnica Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: Distal do segundo molar na região do palato (sobre o forame palatino maior) O paciente deve estar posicionado em decúbito ou semidecúbito. Para identificar o forame palatino maior: colocar um cotonete na junção do processo alveolar maxilar e do palato duro, na região do segundo molar e palpar comprimindo posteriormente os tecidos até chegar em uma depressão criada pelo forame palatino maior. Preparar os tecidos. Depois deve-se comprimir novamente o tecido com o cotonete e observar a isquemia no local da injeção. Com o bisel voltado para os tecidos moles, introduzir a agulha e injetar um pequeno volume do anestésico local até formar uma gotícula na membrana mucosa. Retificar a agulha e perfurar a mucosa, injetando pequenos volumes até a isquemia se propagar pelos tecidos adjacentes (continuar comprimindo com cotonete durante esta etapa). Avançar a agulha até tocar o osso (penetração de aproximadamente 5mm), deve- se continuar injetando pequenos volumes de anestésico à medida que o tecido é perfurado. Aspirar e injetar não mais que ¼ a ⅓ do tubete (0,45 a 0,6ml) por no mínimo 30 segundos. 14 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO NASOPALATINO Áreas Anestesiadas: Porção anterior do palato duro (tecidos moles e duros), bilateralmente: da mesial do 1° pré-molar direito à mesial do 1° pré-molar esquerdo. Nervos Anestesiados: Nasopalatino (bilateralmente) Indicação: Quando for necessária anestesia dos tecidos moles palatinos para tratamento restaurador em mais de dois dentes; controle da dor durante procedimentos periodontais ou cirúrgicos orais envolvendo os tecidos moles e duros do palato. Contraindicação: Inflamação ou infecção no local da injeção; pequenas áreas de tratamento. Vantagens: Minimiza o n° de injeções, volume de solução e o desconforto para o paciente. Desvantagens: Não há hemostasia (exceto na área próxima da injeção); potencialmente a injeção intraoral mais traumática. Técnica 1: Injeção Única no Palato Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: Mucosa palatina lateralmente à papila incisiva (localizada na linha média atrás dos incisivos centrais) Preparar os tecidos. Comprimir a papila com cotonete e observar a isquemia no local. Com o bisel contra os tecidos moles isquêmicos, introduzir e depositar um pequeno volume do anestésico. Retificar a agulha, perfurar a mucosa e injetar pequenos volumes de anestésico durante todo o procedimento. Observar a isquemia propagando-se para os tecidos adjacentes. (continuar a aplicar pressão com cotonete enquanto injeta o anestésico). Avançar a agulha lentamente em direção ao forame incisivo até que toque o osso (aproximadamente 5mm) -injetar anestésico enquanto avança agulha-, recuar 1mm, aspirar e injetar não mais que ¼ a ⅓ de um tubete (0,45ml) durante 15 a 30 segundos. Técnica 2: Múltiplas Perfurações da Agulha Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: Freio labial, papila interdental e tecidos moles palatinos laterais à papila incisiva 1ª injeção: freio labial Preparar os tecidos. Retrair o lábio superior, introduzir a agulha no freio e depositar 0,3ml em aproximadamente 15 segundos. 2ª injeção: papila interdental Retrair o lábio superior, segurar a agulha em ângulo reto em relação à papila interdental e introduzir na papila logo acima do nível do osso da crista, aspirar e injetar não mais de 0,3ml de solução anestésica por aproximadamente 15 segundos. (o uso de um dedo da outra mão para estabilizar a agulha é recomendado). 3ª injeção: Secar o tecido lateral à papila incisiva e colocar a agulha nos tecidos moles adjacentes, dirigida à parte mais distal da papila. Avançar a agulha até tocar o osso e recuar 1mm, aspirar e depositar lentamente 0,3 ml em aproximadamente 15 segundos. OBS. o uso da anestesia tópica e por pressão é desnecessário na 2ª e 3ª injeções, pois os tecidos sendo penetrados pela agulha já estão anestesiados pela 1ª e 2ª injeções, respectivamente. 15 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO MAXILAR (V2) Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares de todos os dentes do lado do bloqueio; periodonto vestibular e osso sobrejacente a estes dentes; tecidos moles; palato duro e mole até limite da linha média; pele da pálpebra inferior, lateral do nariz, bochecha e lábio superior. Nervos Anestesiados: Maxilar e seus ramos Indicação: Procedimentos cirúrgico múltiplos e extensos, periodontais ou restauradores que requeiram anestesia de toda a divisão maxilar; casos de infecções e inflamações que impeçam outros bloqueios, diagnósticos ou terapêuticos envolvendo a divisão V2. Contraindicação: Profissional inexperiente; pacientes pediátricos ou não cooperativos; inflamação ou infecção dos tecidos sobrejacentes ao local da injeção; casos em que há risco de hemorragia; incapacidade de conseguir acesso ao canal palatino maior (ex. obstrução óssea). Vantagens: Injeção atraumática pela abordagem da tuberosidade alta; alta taxa de sucesso (>95%); aspiração positiva em menos de 1% dos casos; minimiza o n° de perfurações da agulha, volume total da solução de anestésico local injetada para 1,8 versus 2,7ml. Desvantagens: Risco de hematoma; possível que haja introdução excessiva da agulha devido à ausência de pontos de referência; ausência de hemostasia; potencialmente (embora não usualmente) traumática pela abordagem do canal palatino maior. Técnica 1: Abordagem da Tuberosidade Alta Agulha Longa de calibre 25 (calibre 27 aceitável) Região de Punção: Prega mucovestibular na distal do 2° molar superior em direção ao túber / fissura esfenopalatina. O paciente deve estar posicionado em decúbito ou semidecúbito. Preparar os tecidos. Deve-se retrair a bochecha para aumentar a visibilidade e então fazer a punção com o bisel voltado para o osso. Avançar a agulha lentamente para cima, para dentro e para trás numa profundidade de 30mm (não sedeve encontrar resistência a penetração). Aspirar e depositar lentamente (mais de 1 minuto) 1,8ml. Técnica 2: Abordagem do Canal Palatino Maior Agulha Longa de calibre 25 (calibre 27 aceitável) Região de Punção: Distal do segundo molar na região do palato (sobre o forame palatino maior) 16 Nicole Júlia Levandovski O paciente deve estar posicionado em decúbito ou semidecúbito. Para identificar o forame palatino maior: colocar um cotonete na junção do processo alveolar maxilar e do palato duro, na região do segundo molar e palpar comprimindo posteriormente os tecidos até chegar em uma depressão criada pelo forame palatino maior. Preparar os tecidos. Depois deve-se comprimir novamente o tecido com o cotonete e observar a isquemia no local da injeção. Com o bisel voltado para os tecidos moles, introduzir a agulha e injetar um pequeno volume do anestésico local até formar uma gotícula na membrana mucosa. Retificar a agulha e perfurar a mucosa, injetando pequenos volumes até a isquemia se propagar pelos tecidos adjacentes (Continuar comprimindo com cotonete durante esta etapa) - o bloqueio no N. palatino maior está agora completo - Sondar delicadamente o forame palatino maior e avançar a agulha mantida em 45° em uma profundidade de 30mm (não forçar em caso de resistência → retirar ligeiramente a agulha e introduzir em outra angulação. Aspirar e injetar lentamente 1,8 ml de solução anestésica por 1 minuto. 17 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICAS DE BLOQUEIO DA MANDÍBULA BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR INFERIOR (TÉCNICA PTERIGOMANDIBULAR) Áreas Anestesiadas: Tecidos pulpares dos dentes inferiores de incisivo central ao terceiro molar do lado anestesiado; lábio inferior; gengivas e mucosas vestibular (entre 2° pré-molar e incisivo central); osso alveolar; assoalho bucal; ⅔ anteriores da língua; mucosas e gengiva lingual do mesmo lado. Nervos Anestesiados: Alveolar Inferior, Lingual, Bucal, Mentual e Incisivo. Indicação: Intervenções em todos os dentes inferiores, tecido ósseo, periósteo, mucosa, assoalho bucal, 2/3 anteriores da língua da hemimandíbula anestesiada. Contraindicação: Fazer esta técnica de maneira bilateral; cenário de inflamações ou infecções agudas na região; cenário em que o dente a sofrer intervenção seja exclusivamente um dente incisivo da mandíbula (nesse caso, basta uma supraperiosteal); pacientes que poderão se automutilar caso estejam anestesiados (crianças, pacientes especiais). Vantagens: Apenas uma injeção anestesia uma ampla área Desvantagens: 15 a 20% de índice de fracasso, mesmo quando realizada adequadamente; pode ser necessário uma injeção supraperiostal extra nos incisivos inferiores; limites intrabucais não-seguros. Essa técnica pode ser Indireta ou Direta TÉCNICA INDIRETA: BRAUN Agulha Longa de calibre 25 (calibre 27 aceitável) Região de punção: Rafe Pterigomandibular (arredores do trígono retromolar) Primeiramente, deve-se localizar, por meio de palpação com o dedo indicador, a borda anterior do ramo ascendente e a linha oblíqua externa. Percorrendo essa superfície de cima para baixo, localiza-se o ponto de maior depressão. O dedo indicador deve ficar posicionado de tal forma que sua unha fique voltada para o plano sagital mediano do paciente A metade da altura da unha corresponde a, aproximadamente, 0,5 a 1cm da superfície oclusal dos molares inferiores, correspondendo ao trígono retromolar. Este é o ponto de eleição para a punção. Preparar os tecidos. Feita a punção, a agulha longa deve penetrar paralelamente ao plano oclusal dos molares inferiores com o bisel voltado para o osso de 5 a 6mm e injetar devagar a solução anestésica para anestesiar o nervo bucal, logo após introduz-se a agulha mais 5mm para anestesiar o nervo lingual, injetando ¼ do anestésico. Após isso, sem remover totalmente agulha do tecido, deslocamos o conjunto seringa agulha até os pré-molares do lado oposto, e então, introduz- se a agulha até tocar o osso, recua-se 3mm e injetamos ¾ restantes di anestésicos no nervo alveolar inferior. Variações anatômicas: à medida que o ângulo mandibular vai se tornando mais obtuso, mais inferiormente estará situado o forame mandibular, o que ocorre com paciente edêntulo e crianças; dessa forma, o ponto de penetração da agulha deverá ser mais baixo que o normal. Quando o tendão do músculo o temporal encontra-se hipertrofiado, no caso de pacientes com musculatura mastigatória desenvolvida, a técnica exige mais do operador pois os pontos de reparo são pouco perceptíveis e palpáveis. 18 Nicole Júlia Levandovski Resumo: Técnica – 1ª posição: anestesia do nervo bucal Identificar as linhas formadas pelo ramo ascendente da mandíbula e pela rafe pterigomandibular; Traçar a bissetriz do ângulo dessas linhas; Punção na bissetriz, 1cm acima do plano oclusal, com o bisel da agulha voltado para o osso; Manter a seringa paralela ao plano oclusal, alinhada com a superfície oclusal dos molares inferiores; Induzir a agulha +/- 5mm; Aspirar; Injetar um pouco de anestésico Técnica – 2ª posição: anestesia do nervo lingual Após a anestesia bucal, introduzir a agulha por mais 5mm, mantendo a seringa na mesma orientação da primeira posição; Aspirar; Injetar anestésico até atingir ¼ do tubete; Mantendo a carpule paralela ao plano oclusal, retirar quase toda a agulha (manter pouco mais que a ponta da agulha dentro da mucosa); Esta etapa é a preparação para a 3ª posição. Técnica – 3ª posição: anestesia da alveolar inferior A agulha deve estar quase toda fora da mucosa; Deslocar a seringa para o lado oposto, de modo que o canhão da carpule fique acima dos pré-molares do lado oposto ao lado anestesiado; Reintroduzir a agulha até que ela toque o osso (pode-se injetar um pouco de anestésico durante a introdução); Recuar a agulha 1mm; Aspirar; Injetar o restante do anestésico (¾ do tubete) 19 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICA DIRETA: Agulha Longa de calibre 25 (calibre 27 aceitável) Região de punção: Rafe Pterigomandibular A seringa Carpule com agulha longa é colocada na região de pré-molares do lado oposto a ser anestesiado, então deve- se preparar os tecidos e realizar a punção na região pterigomandibular do ramo ascendente da mandíbula. Nessa posição, aprofunda-se a agulha depositando anestésico, que causará insensibilização do nervo lingual. Aprofundando- se a agulha, esta tocará o osso, recua-se 1 mm e deposita-se lentamente o anestésico que atingirá o nervo alveolar inferior. Para anestesia do nervo bucal, tracionam-se os tecidos moles lateralmente, introduz-se a agulha no fundo de sulco vestibular na direção do 1º ao 3º molar inferior, e deposita-se o anestésico lentamente, em uma quantidade aproximada de 0, 6ml (⅓ do tubete anestésico). Resumo: Técnica- anestesia dos nervos lingual e alveolar inferior: Identificar as linhas formadas pelo ramo ascendente e pela rafe pterigomandibular; Traçar a bissetriz do ângulo dessas linhas; Posicionar o canhão da carpule entre os pré-molares inferiores do lado oposto; Punção da bissetriz, 1cm acima do plano oclusal com o bisel da agulha voltado para o osso; Introduzir a agulha até que ela toque o osso, injetando um pouco de anestésico no trajeto; Recuar 1mm; Aspirar; Injetar o restante do tubete anestésico Observações • O nervo lingual é anestesiado durante a punção (introduzir e injetar ao mesmo tempo); • Esta técnica não bloqueia o nervo bucal; • Não provoca anestesia na mucosa vestibular dos molares inferiores; • O nervo mentual é bloqueado; • Ocorre anestesia da mucosa vestibular dos pré-molares inferiores. 20 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO BUCAL Áreas Anestesiadas: Tecidos moles e periósteo bucal dos dentes molares inferiores Nervos Anestesiados: Bucal. Indicação: Complementar o bloqueio doNervo Alveolar Inferior. Contraindicação: Presença de inflamação ou infecção na área a ser anestesiada. Vantagens: Elevada a taxa de sucesso, devido ao fácil acesso e tecnicamente de fácil execução. Desvantagens: Pode ser desconfortável se a agulha tocar o periósteo. Técnica Agulha Longa de calibre 25 ou 27 (a agulha longa é recomendada devido ao local de depósito posterior e não à profundidade de inserção tecidual (que é mínima)) Região de punção: fundo de sulco próximo ao 1º molar inferior, adentrando em direção ao 3º molar inferior Primeiramente, deve-se afastar a mucosa jugal, com o dedo indicador, do lado a ser realizada a técnica. A seguir, preparar os tecidos e introduzir a agulha no fundo do sulco vestibular na altura do 1º molar inferior, do lado a ser anestesiado, em direção ao 3º molar inferior depositando, aproximadamente, ⅓ do tubete anestésico. BLOQUEIO DO NERVO MENTUAL Áreas Anestesiadas: Mucosa bucal anterior ao forame mentual; lábio inferior e mento até a linha média. Nervos Anestesiados: Mentual. Indicação: Biópsias, curetagem na gengiva de incisivos, caninos e pré-molares inferiores e suturas dos tecidos moles Contraindicação: Inflamação ou infecção na área. Vantagens: Alta taxa de sucesso devido ao fácil acesso; fácil de executar; atraumático. Desvantagens: Possível desenvolvimento de hematoma; não anestesia a mucosa lingual da região. Técnica Agulha Curta de calibre 25 ou 27 Região de punção: entre os pré-molares Faz- se uma palpação com o dedo indicador e polegar entre os pré-molares inferiores, a fim de localizar um ponto de maior depressão ou sensibilidade, o qual indica a saída do nervo. Tendo localizado este ponto, prepara-se os tecidos e a introdução da agulha curta deve ser formando um ângulo de 45° entre a agulha e a face vestibular da mandíbula. obs. o forame mentual pode estar localizado sobre o próprio rebordo alveolar em pacientes edêntulos. 21 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO INCISIVO Áreas Anestesiadas: Mucosa bucal anterior ao forame mentual; lábio inferior e pele do mento; mento até a linha média e tecidos pulpares dos pré-molares, canino e incisivos. Nervos Anestesiados: Incisivo e Mentual. Indicação: Quando o procedimento envolve tanto o lado direito como o esquerdo; procedimentos dentários envolvendo a anestesia pulpar em dentes anteriores ao forame mentual; casos em que o bloqueio do nervo alveolar inferior não está indicado (ex. de canino a canino ou de pré a pré → bilateral) Contraindicação: Inflamação ou infecção na área. Vantagens: Alta taxa de sucesso e fácil de executar. Desvantagens: Não anestesia a língua e mucosa lingual da região; pode ser necessária a infiltração local no aspecto bucal e lingual dos incisivos centrais para obter anestesia pulpar completa. Técnica Agulha Curta de calibre 27 Região de Punção: prega mucobucal no forame mentual ou anterior a ele Localiza-se o forame mentual e com o dedo indicador esquerdo, puxar lentamente o lábio inferior e os tecidos moles bucais. Preparar os tecidos. Penetra-se a agulha na membrana mucosa no canino ou no 1° pré-molar de profundidade de 5 a 6mm, dirigindo-a ao forame mentual e bisel voltado para o osso. Faz-se a aspiração e então deposita aproximadamente 1/3 do tubete anestésico BLOQUEIO DO NERVO LINGUAL Áreas Anestesiadas: 2/3 anteriores da língua; assoalho bucal; mucosa e periósteo da face lingual da mandíbula. Nervos Anestesiados: Lingual. Indicação: Casos em que for necessário a manipulação dos tecidos anestesiados. Contraindicação: Inflamação ou infecção na área. Vantagens: Boa frequência de sucesso. Desvantagens: Desagradável para muitos pacientes e possivelmente perigosa em alguns indivíduos (trauma autoinfligido aos tecidos moles). Técnica Agulha Longa de calibre 25 ou 27 Região de Punção: borda lingual da mandíbula 22 Nicole Júlia Levandovski Retrair a língua com um cabo de espelho ou abaixador de língua para proporcionar acesso e visibilidade à borda lingual da mandíbula. Preparar os tecidos. Coloca-se a seringa no canto da boca do lado oposto e dirigir a ponta da agulha à região apical do dente imediatamente posterior ao dente em questão (ex. se o problema estiver no 1° molar, a ponta da agulha é no ápice do 2° molar). Penetra-se a agulha até tocar o osso, aspirar e injetar ⅓ do anestésico. BLOQUEIO DO NERVO MANDIBULAR (TÉCNICA GOW - GATES) Áreas Anestesiadas: Dentes mandibulares até a linha média, mucosa e periósteo em toda região V no lado anestesiado, 2/3 da língua e soalho da cavidade oral, tecido lingual e periósteo, corpo da mandíbula e porção inferior do ramo, pele sobre o zigoma, porção posterior da região jugal e temporal. Nervos Anestesiados: Alveolar Inferior, Mentual, Incisivo, Lingual, Milo-hióideo, Auriculotemporal e Bucal (em 75% dos pacientes). Indicação: Múltiplos procedimentos nos dentes mandibulares; casos em que é necessária a anestesia dos tecidos moles bucais, do 3° molar até a linha média; casos em que é necessária a anestesia dos tecidos moles linguais; casos em que um bloqueio do N. Alveolar Inferior convencional não é bem-sucedido.; quando, por alguma variação anatômica, não é possível anestesiar o nervo alveolar inferior. Contraindicação: Inflamação ou infecção na área; pacientes que não consigam abrir bem a boca; pacientes que possam morder o lábio ou língua (crianças, pac. especiais) Vantagens: Requer apenas uma injeção; elevada frequência em êxito para mãos experientes (>95%) ; poucas complicações pós-injeção; anestesia é em grande área. Desvantagens: Difícil realização por mãos inexperientes, alto risco de erros; tempo de início da anestesia mais longo (+/-5min) do que uma BNAI (+/-3min) Técnica Agulha Longa de calibre 25 ou 27 Região de Punção: ponto inter-tragus da orelha e comissura labial, na distal do 2° molar superior na altura da ponta da cúspide mesiopalatina Paciente deve ficar em decúbito ou semidecúbito (deitado) com a boca aberta ao máximo, pois assim o côndilo assumirá uma posição mais anterior, ficando em contato com o tronco nervoso do nervo Alveolar Inferior. É traçado agora um plano imaginário passando pelos pontos extrabucais. Preparar os tecidos. Posiciona-se a seringa o nível do canino e pré-molares inferiores do lado oposto ao que se quer anestesiar puncionando na face lateral da depressão pterigo temporal, medialmente ao tendão do músculo o temporal, paralelo ao plano extrabucal traçado anteriormente, para que a agulha chegue ao colo do côndilo, onde se encontra o tronco do nervo mandibular. 23 Nicole Júlia Levandovski 24 Nicole Júlia Levandovski BLOQUEIO DO NERVO MANDIBULAR (TÉCNICA VAZIRANI -AKINOSI / BOCA FECHADA) Áreas Anestesiadas: Dentes mandibulares até a linha média, corpo da mandíbula e porção inferior do ramo, mucosa e periósteo V ant. ao forame mentual, ⅔ anteriores da língua e assoalho bucal, tecidos moles, mucosa e periósteo L Nervos Anestesiados: Alveolar Inferior, Incisivo, Mentual, Lingual e Milo-hióideo. Indicação: Abertura mandibular limitada (trismo); múltiplos procedimentos em dentes mandibulares; incapacidade de se visualizar marcos para bloqueio do N. Alveolar Inferior (ex. língua grande). Contraindicação: Infecção ou inflamação aguda na área de injeção; pacientes que possam morder o lábio ou língua (crianças, pac. especiais); incapacidade de visualizar ou de ter acesso ao aspecto lingual do ramo mandibular. Vantagens: Relativamente atraumático; pacientes não precisam ser capazes de abrir a boca; menos complicações pós-operatórias; frequência de aspiração menor que no BNAI; eficaz na presença de um nervo alveolar e canal mandibular bífidos. Desvantagens: Difícil visualizar-se a trajetória da agulha e a profundidade de inserção; nenhum contato ósseo (profundidade de penetração até certo ponto arbitrária); potencialmente traumático se a agulha estiver demasiadopróxima do periósteo. Técnica Agulha Longa de calibre 25 (calibre 27 utilizada em pacientes cujo ramo mandibular se afunile lateralmente mais que o habitual) Região de Punção: tecidos moles na borda medial do ramo mandibular na altura da cervical/raiz dos dentes superiores (abaixo do BNMGG e acima do BNAI) O paciente deve estar posicionado em decúbito ou semidecúbito (deitado). Afastar os tecidos moles medialmente ao ramo da mandíbula e visualizar a junção mucogengival do 3° ou 2° molar superior e a tuberosidade da maxila, preparar os tecidos e pedir ao paciente para fechar a boca e ocluir os dentes. Corpo da seringa é mantido paralelo ao plano oclusal maxilar e deve-se avançar a agulha 25mm numa tangente ao processo alveolar maxilar posterior e paralelo ao plano oclusal maxilar. Bisel em direção oposta ao ramo mandibular (voltado para a linha média), aspirar e depositar 1,5 a 1,8ml da solução anestésica por aproximadamente 30 seg. 25 Nicole Júlia Levandovski BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO BIO = vida / SEGURANÇA = qualidade de ser ou estar seguro, protegido, livre de risco ou de perigo. IMPORTÂNCIA: • Abordar medidas de controle de infecção para proteção da equipe de saúde. • Preservação do meio ambiente na manipulação e descarte de resíduos químicos, tóxicos e infectantes. • Redução geral de Risco à saúde e acidentes ocupacionais. Gestão de Risco Todo o atendimento há um risco de evento adverso, portanto deve-se ter: Estrutura → Processo → Resultado Modelos de Acreditação (ONA, JCI, QMENTUM) → A empresa vai no seu consultório para ver se está dentro de todas as normas preconizadas de atendimentos para receber um selo de acreditação. METAS INTERNACIONAIS DE SEGURANÇA DO PACIENTE (OMS/JCI) 1. Identificar corretamente o paciente 2. Melhorar a comunicação entre profissionais da saúde 3. Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos 4. Assegurar cirurgia em local de intervenção, procedimento e paciente corretos 5. Higienizar as mãos para evitar infecções 6. Reduzir o risco de quedas e úlceras por pressão NORMAS REGULAMENTADORAS (NR) → A OMS lança algumas regras e os países aderem a isso se adequando dentro do que for possível. Agência nacional de saúde (ANS), anvisa, ministério da saúde: grupos de profissionais que se reúnem e formam as regras dos atendimentos específicos. TIPOS DE RISCO DE BIOSSEGURANÇA Durante o exercício da odontologia existem algumas condições que oferecem riscos ocupacionais à equipe odontológica, por exemplo: • Risco Físico: Iluminação, ruído, radiação ionizante ou não, vibrações, materiais pérfuro-cortantes, ultrassom, etc. • Risco Químico: Ácidos, resinas, mercúrio, poeira. • Risco Biológico: Secreções com bactérias, vírus, fungos. • Risco Ergonômico e Emocional: Má postura, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, depressão, estresse, etc. • Risco de Acidente: Equipamento sem proteção, armazenamento inadequado, falta de adoção das medidas de precaução padrão. 26 Nicole Júlia Levandovski EVENTOS ADVERSOS Ferramentas para Gestão de Risco: 1- APR (Análise Preliminar de Risco) 2- Protocolo de Londres Analisar o que pode acontecer Quando ocorre um evento adverso são feitas perguntas e um . questionário que deve ser preenchido Reason fez a “Teoria do queijo suíço”, se tiver falha, “buraco” no processo do atendimento, terá falha no atendimento final do paciente. Essas falhas podem levar a um evento adverso, cujo deve ser evitado. COMISSÃO INTERNA DE BIOSSEGURANÇA Reduzir o número de microorganismos no ambiente de trabalho e Reduzir o risco de contaminação cruzada Proteger a saúde dos pacientes e equipe Aderência da equipe - importância do controle das infecções Conceito de precauções universais – fluidos do corpo Atender as exigências dos regulamentos governamentais USO OBRIGATÓRIO • Proteção individual direta (EPIs) – durante atendimento e processamento dos instrumentais; ter certificado de aprovação ANVISA/Ministério da Saúde (NR6) + Proteção individual indireta (vacinas) • Kits estéreis descartáveis • Estofados de fácil higienização- álcool 70% ou ácido peracético a 1% (PAA) • Plano de manutenção de ar-condicionado (PMOC) • Manutenção preventiva de equipamentos • Uso de bomba a vácuo • Uma ou duas pias com acionamento uma pia para lavagem de mãos e outra pia para lavagem de instrumentais, com acionamento elétrico por sensor de presença ou pedal (pelo menos na pia de lavagem de mãos) • Dispenser sensor (acionamento elétrico) de sabão anti-séptico, papel, álcool 70% em gel • Equipe com ASB, TSB, Pessoal Auxiliar, Atendentes, Cirurgião • Aderência de toda a equipe • Rotina de limpeza- desinfecção e esterilização • Tratar e encaminhar pacientes infectados • Conhecer e evitar infecção cruzada • Anamnese completa • Descarte de material perfuro cortante • Conhecer rotina de descarte final (Amálgama/Revelador/Fixador) logística reversa: lei 12.305/2010 • Uso de sobre luva • Máscara com tripla proteção + N95 → Tuberculose: específica N95 • Regulamentados no CRO, CFO, ANVISA, OMS, Ministério da saúde, Vigilância Sanitária e Prefeitura MANILÚVIO → Lavagem das mãos (reduz 80% infecção cruzada) Antes do tratamento Entre pacientes Após remoção de luvas Durante o tratamento se tocar em superfícies contaminadas Antes de deixar o trabalho Livre de adornos (pulseira, relógio, anel, etc) Manilúvio não cirúrgico → água/sabão Manilúvio cirúrgico → água/sabão antisséptico/escova macia 27 Nicole Júlia Levandovski ANTISSEPSIA CIRÚRGICA DAS MÃOS • Eliminar a microbiota transitória • Controlar a microbiota residente • Manter efeito residual por 2 a 6hrs ORDEM DE ESCOVAÇÃO → Unhas, dedos, palma e dorso das mãos e antebraço até cotovelo (mínimo 5 min) Secar com compressa estéril Luva estéril Livre de adorno Não roer unhas Uso de creme hidratante Uso de escova macia e degermante (Clorexidina ou PVPI) ORDEM DE COLOCAÇÃO DE EPIS Propé → manilúvio → gorro → máscara tripla ou N95 → óculos → protetor facial → manilúvio minucioso → avental estéril→ luvas estéreis ORDEM DE RETIRADA DE EPIS Avental e luvas → manilúvio → protetor facial → óculos → gorro → máscara tripla ou N95 (sem tocar na parte anterior) → propé → manilúvio final EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL LUVAS Luvas estéreis para procedimentos invasivos Luvas de plástico ou Sobreluvas Luvas de poli nitrila para lavar instrumental e limpeza geral AVENTAL Avental de tecido para atendimento clínico (lavagem especial), fechado, mangas compridas, abaixo dos joelhos Avental cirúrgico na gramatura correta (40) estéril e descartável Pijama MÁSCARA Máscara para proteção de toda equipe Tempo de uso máximo 2 horas Indicado a troca em caso de “sujidade” (sangue ou umidade) N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3 (peça facial filtrante - geração de aerossóis ideias) os números indicam a % de filtragem (N95 ou PFF2 pode ser reutilizada desde que tenha sido usada com protetor facial → NÃO LAVAR) GORRO Cobrir orelhas e cabelos ÓCULOS DE PROTEÇÃO Óculos de proteção (insubstituível) todos devem usar, inclusive na lavagem de instrumental. Lavagem e desinfecção com álcool 70% após uso CALÇADO Calçados fechados e solado antiderrapante PROTETOR FACIAL “Face shield” 28 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÃO CRUZADA É a passagem de agente etiológico de doença de um indivíduo para outro Geralmente pelo pessoal da equipe ou ambiente (FONTE DE INFECÇÃO – HUMANA OU AMBIENTE) Vias de entrada: cutânea (lesões infectadas, respingos de sangue, saliva), parenteral (inoculação por objetos contaminados), respiratória(por inalação, por contato direto com mucosa-aerossóis), oral (ingestão de água ou alimentos contaminados) 45% da equipe contaminada: 70% respiratórias, 14% dedos e mãos, 9 % oculares Contaminação por instrumentos rotatórios, jatos de ar/água, ultrassom Após 20 min de trabalho 20 a 40 colônias no rosto e avental PRINCIPAIS DOENÇAS PASSÍVEIS DE TRANSMISSÃO → Hepatite A → Hepatite B (350 milhões de portadores) • Sobrevida-plasma (6 meses), superfície (7 a 15 dias) • Perda de infectividade: estufa (160° por 1 hora), autoclave (121° por 20 minutos) • Inativado-hipoclorito de sódio, álcool 70%, iodo, glutaraldeído a 2%, ácido peracético a 1% → Hepatite C (Doença do milênio) • Tratamento sintomático e caro (Min. as Saúde) • Subclínica, silenciosa, fácil transmissão, agressiva, crônica, carcinogênica, cirrose • 180 milhões no Mundo • Vacina para zerar virulência → Tuberculose Medidas Universais ou Imunização (proteção individual INDIRETA) → Herpes Hepatite A: infância, 2 doses (0 e 6 meses) → Parotidite Hepatite B: 3 doses (0, 1 e 6 meses) → Candidíase Tétano: 3 doses e o reforço a cada 10 anos + reforço grávida → Sarampo Influenza (vírus da gripe e H1N1): anualmente → Gripe SRC (tríplice viral): infância, única dose → HIV Tuberculose (Tb) BCG → Coronavírus Coronavírus: 29 Nicole Júlia Levandovski ACIDENTE PÉRFURO CORTANTE • Hepatite B- secreções - 30% risco • Hepatite C- sangue - 10% risco • HIV - 0,3-0,5% risco percutânea e 0,09% mucocutânea • Risco de HVB 57 vezes maior que HIV • Não reencapar manualmente, entortar, quebrar a agulha • Reencape pela técnica do deslizamento ou com instrumental • Desprezar em Descarpack ACIDENTES OCUPACIONAIS (BIOLÓGICOS) • Todo acidente de trabalho com risco de infecção deve ser considerado EMERGÊNCIA MÉDICA • Risco de infecção-agente etiológico, material biológico envolvido, volume do material envolvido, carga viral, forma de exposição e susceptibilidade do acidentado • Protocolos por escrito para reportar o fato, avaliação do acidente, aconselhamento, tratamento, acompanhamento PROCEDIMENTOS EM CASO DE EXPOSIÇÃO 1º Reportar o superior imediatamente 2º Cuidados locais- Percutânea lavar com água/sabão e solução antisséptica: PVPI ou clorexidina, mucosa lavar com água ou soro fisiológico → NUNCA USAR HIPOCLORITO OU GLUTARALDEÍDO 3º Imunização (Tétano, quimioprofilaxia, antiretroviral, acompanhar sorologia Hepatite e AIDS) após 2 horas 30 Nicole Júlia Levandovski CONCEITOS IMPORTANTES ESTERILIZAÇÃO: Destruição ou remoção de todas as formas de vida de um dado material inclusive as esporuladas DESINFECÇÃO: Destruição dos microorganismos patogênicos, sem que haja, necessariamente a destruição de todos os microorganismos SEPSIA: Presença de microorganismos nos tecidos produzindo infecção DESCONTAMINAÇÃO: Método de eliminação parcial ou total de microorganismos de artigos ou superfícies ANTISSEPSIA: Inibição da proliferação ou destruição de m.o. por agentes químicos em pele e mucosa in vivo. Extraoral Clorexidina a 2% ou 4% (movimentos circulares de dentro para fora) PVPI (polivinilpirrolidona a 10% com 1% de iodo ativo) solução alcoólica, aquosa, degermante Álcool iodado a 0,5 ou 1% Álcool 70% Pinça Pean, Foerster Intraoral Bochecho com clorexidina a 0,12% por 1 minuto (diminui em 50% contaminação) ASSEPSIA: Conjunto de meios empregados para impedir a penetração de microorganismos em locais que não os contenham – local, superfície, equipamento ou instrumento (Cadeia Asséptica); Método utilizado para evitar a contaminação de um ambiente, ambiente asséptico (livre de bactérias). Barreiras físicas ou de proteção de superfície (BPS)- superfície de alto toque, passíveis de contaminação, difícil limpeza e desinfecção Impermeável, troca a cada paciente Canudo plástico, PVC, TNT, plástico CLASSIFICAÇÃO DOS ARTIGOS ODONTOLÓGICOS CRÍTICOS- esterilizar (os termossensíveis → ác. Peracético 30 min) ex. fórceps, sondas, bisturi → contato com sangue SEMICRÍTICOS- esterilizar (os termossensíveis → ác. Peracético 30 min) ex. condensador, espelho, porta matriz → contato com saliva NÃO CRÍTICOS- desinfetar; nível baixo ou intermediário / ex. óculos, pisos, cadeira DESINFETANTES DE USO HOSPITALAR • Ácido peracético alto nível 15 min (desinfecção) e 30 min (esterilização). • Compostos clorados médio nível, hipoclorito de sódio a 1%, corrosão, superfície e artigos, não usar em pele • Hipoclorito a 2,5% (diluir 1/25) • Alcoóis médio nível, para superfície (fricção) a 70% GLUTARALDEÍDO E FORMALDEÍDO PROIBIDOS Glutaraldeído: perdem a efetividade muito rápido | Formaldeído: volátil ÁC. PERACÉTICO (Biodegradável): pode ser usado para desinfetar óculos, espelho, equipamentos Limpeza do Ambiente • De cima para baixo • Panos diferenciados • Proibido vassoura • Usar pano úmido com cloro, candida 31 Nicole Júlia Levandovski Moldagens e Próteses • Prévia lavagem • Promover desinfecção (ác. peracético 15min, hipoclorito de sódio a 0,5 a 1% tempo médio 10min) • Pasta óxido zinco eugenol - não utilizar Hip. • Alginato - com hipoclorito • Prótese metálicas e cerâmicas e PPR em ác. peracético a 1% • Prótese Total em hipoclorito 0,5% ou 1% Roupas Contaminadas • Acondicionadas e transportadas em sacos plásticos impermeáveis • Lavar separado em água quente • Desinfecção após lavar (hipoclorito 30 min) Amálgama • Recipiente rígido com tampa e água • Enviar para usina de reciclagem • Contaminação do meio ambiente Descarte de Resíduos Odontológicos • Imediatamente após o uso • Não ultrapassar linha pontilhada • Desconectador de agulha • Suporte próprio • Descarpack (2/3) • Próximo ao uso REGRAS DE BIOSSEGURANÇA ✓ Não desinfetar quando se pode esterilizar ✓ Instrumental proporcional ao número de pacientes ✓ Uso de testes de esterilidade: Químicos e Biológicos ✓ Uso de Profilaxia antibiótica quando necessária CONSULTÓRIO IDEAL 1. RECEPÇÃO Conforto, televisão, som ambiente, iluminação correta, água, revistas atuais, ar-condicionado ou boa ventilação, informações técnicas necessárias, suporte, álcool em gel 2. SALA CIRÚRGICA Exclusiva, iluminação, ar-condicionado, bomba a vácuo, piso, paredes e pintura, armários, equipo e cadeira, refletor cirúrgico (manoplas), dispenser sabão, papel toalha, álcool em gel, bisturi elétrico, laserterapia, motor de implante, fácil acesso paciente/cirurgião/auxiliar • Rx (laudo radiométrico) • Óxido nitroso, oxímetro, controle de pressão arterial, ambu 3. SALA DE PARAMENTAÇÃO • Pia para escovação, dispenser clorexidina degermante a 2% ou PVPI • Acionamento sensor ou pedal • Toalheiro, Cesto Cirúrgico, álcool em gel • Escova unha (com ou sem clorexidina) • Kit estéril (individual) • EPIs –Brasil/1978 (gorro, máscara, óculos, luvas estéreis, propé, jaleco) 32 Nicole Júlia Levandovski 4. ESTERILIZAÇÃO (ÁREA CONTAMINADA E ÁREA LIMPA) Área contaminada • Recebe material contaminado (fluxo) • Uso de EPIs • Lavar com escova e detergente enzimático (riozyme, enzi-tec, ecozime) • Lavadora ultra sônica ou manual • Secar com papel, TNT, tecido branco estéril Área Limpa • Separar material • Empacotar • Data e nome do responsável • Autoclavar (calor úmido) ou estufa (calor seco), método químico (ácido peracético)• Armazenar (local limpo e seco) • Autoclave validade 7 a 15 dias - Estufa validade 10 dias (não se usa mais na odontologia) Estufa 160° durante 120 minutos Estufa 170° durante 60 minutos Caixas fechadas, não oxida, não destrói o corte, maior tempo, temperatura externa e interna Autoclave 121° a 134° durante 5 a 30 minutos (01 atm pressão) Caixa aberta ou janela Prazo de validade de 7 dias (Resolução SS-374 de 15/12/95) CONTROLE DA ESTERILIZAÇÃO → Indicadores Físicos ou mecânicos (temperatura, tempo, pressão e vapor) → Laudo Técnico → Indicadores Químicos: classe 1, 4, 5 e 6 → Indicadores Biológicos- esporos (Geobacillus stearothermophilus) realizar 1x por semana e manutenção preventiva //// efetividade: muda de cor Indicadores Químicos Indicadores Biológicos 5. SALA DE REPOUSO / RECUPERAÇÃO (PÓS-OPERATÓRIO) • Ambiente tranquilo • Monitorado • Acompanhar pós sedação (medicação ou oxigênio) • Aguarda acompanhante • Orientações pós-operatórias • Kit P.O. (gelo, escova, medicação) • Álcool em gel 6. WC • Paciente: barra de proteção, álcool em gel, papel toalha, sabonete líquido anti séptico, dispenser • Equipe de atendimento • Portadores de deficiência 33 Nicole Júlia Levandovski 7. COPA • Refeições equipe de saúde • Manter suco, lanche (pacientes especiais, diabéticos, hipoglicêmicos) - geladeira exclusiva • Conforto e organização • Álcool em gel BIOSSEGURANÇA E PARAMENTAÇÃO SEQUÊNCIA E PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA • Propé • Manilúvio inicial • Colocação de Gorro → Máscara → Óculos → Protetor Facial • Escovação Cirúrgica das Mãos • Abertura de Kit Estéril (Auxiliar) • Colocação de Avental Estéril → Luvas Estéreis • Montagem de Mesa Cirúrgica • Antissepsia Intraoral → Antissepsia Extraoral • Colocação de Campo Fenestrado Paciente • Colocação de Mangueira de Aspiração (látex), Caneta de Alta estéril, Aspirador Cirúrgico Estéril descartável Odontoprotetores (kit), Refletor, Ponta aspiradora etc. • Paramentação Cirúrgica Auxiliar • Anestesia • Técnica Cirúrgica Biossegurança → Cuidados com os instrumentais • Lavagem em água corrente e escova (remove Biofilme) • Lavagem Manual ou Automática (cuba ultrassÔnica) • Usar Detergente Enzimático (remove a parte orgânica), não é antibacteriano • Secagem • Lubrificação • Lupa para inspeção visual • Embalagem (preconizada pela ANVISA) + identificar data da esterilização • Esterilização • Armazenamento • Monitoramento (Biológico e Químico) • Registro em caderno Proibido em Biossegurança Máscara abaixo do nariz, luva por baixo do capote, adornos, unhas longas e pintadas com esmalte escuro, gorro com cabelo e orelha aparecendo, jogar materiais utilizados no chão 34 Nicole Júlia Levandovski MANOBRAS CIRÚRGICAS FUNDAMENTAIS INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO: É um conjunto de princípios, técnicas e manobras que o cirurgião exerce durante um ato operatório, levando ao menor trauma, no menor tempo possível. Decisão de realizar ou não: Através da anamnese, abordagem clínica e os exames complementares (laboratoriais e de imagem), identificam-se sinais e sintomas que juntamente com o raciocínio lógico do profissional, chega-se à decisão do tratamento. (se o caso é pertinente a uma cirurgia ou se deve apenas fazer acompanhamento clínico) Necessidades básicas para sucesso da cirurgia ✦ Boa visibilidade e iluminação (refletor, focos com luneta, com aumento de grau p/ óculos, etc) ✦ Acesso apropriado (através das incisões do tamanho necessário) ✦ Campo cirúrgico livre de fluidos (sangue, secreção, saliva → aspirar, usar gaze estéril) Manobras Fundamentais: 1. DIÉRESE – “CORTAR” Manobra que visa criar uma via de acesso aos tecidos. 1.1 INCISÃO É feito com instrumento de corte, seccionando os tecidos, com entrada a 90º e corte a 45º e saída a 90º (bordos nítidos), firme e contínuo, sempre do superficial para o mais profundo. Dentro da boca → movimento único, apoia em osso e corta em movimento único, não pode passar a lâmina várias vezes no tecido Intrumentos de Secção: ✦ BISTURI ✦ TESOURA ✦ BISTURI ELÉTRICO (eletrocautério) Requisitos Fundamentais Qualidades das Incisões ✦ Romper a integridade tecidual ✦ Únicas ✦ Técnica específica ✦ Acesso Adequado ✦ Instrumental adequado ✦ Extensível (proporcionar aumento) ✦ Mão apoiada ✦ Manter irrigação do retalho ✦ Bordas nítidas ✦ Apoiada sobre tecido ósseo sadio ✦ Planos (pele - subcutâneo - músculo - periósteo) ✦ Base maior que a altura ✦ Respeitando a anatomia ✦ Incisão externa → seguir as Linhas de Langer Base do retalho (x) deve ser maior que a altura do retalho (y) Base Ampla (x) Irrigação do Retalho (incisão com relaxante trapezoidal, com distância de um dente a mais e sempre divergente para o ápice) 35 Nicole Júlia Levandovski Suprimento Sanguíneo Acesso Adequado Relaxantes: devem seguir o preceito de serem realizadas na região da cervical ou acompanhando a papila Também é uma incisão, é auxiliar a incisão principal Como decidir o lado da relaxante: acesso, facilidade, fins estéticos, prótese, bridas, freios Lâminas mais utilizadas na Odontologia → 11 (biópsia), 12 (túber da maxila), 15 e 15c (delicada) Cabos mais utilizadas na Odontologia → cabo 3, 7 e angulados (facilita na remoção de tecido mucoso, região de palato) Montagem do Bisturi (pinça mosquito) → A maneira mais apropriada para tomar o bisturi é em “forma de caneta” 36 Nicole Júlia Levandovski TIPOS DE INCISÕES: INTRAORAIS Neumann Incisão sulcular com 1 relaxante na extremidade. Neumann Modificado Incisão sulcular com 2 relaxantes na extremidade. Partsch Gengiva inserida com concavidade para apical (incisão semilunar c/ concavidade voltada p/ ápice) Normalmente utilizada em curetagens apicais e pequenas lesões. Wasmund Acima da linha mucogengival, trapezoidal com 2 relaxantes nas extremidades A diferença desta p/ Neumann modificada: N.M. é sulcular e a de W. é trapezoidal retilínea em gengiva inserida. Normalmente utilizada quando o paciente for portador de p. unitária/fixa. 37 Nicole Júlia Levandovski Ochsenbein Linha muco gengival com contorno cervical e 2 relaxantes W. fez trapézio com linha retilínea na região mucogengival e O. fez contorno cervical Duplo Y Linha no centro do palato com 2 relaxantes em Y nas extremidades (se for uma relaxante ao invés de duas, chama-se de “Incisão em Y”) Retilínea Deglove Realizada em fundo de sulco superior ou inferior para pacientes dentados, podendo ser total ou parcial Para favorecer a sutura → Fazer primeiramente a incisão em 45° do tecido mucoso e quando chegar em músculo até o osso, cortar perpendicular. Lembrando de deixar tecido suficiente para suturar, não pode ser tão próximo da cervical. Muito cuidado em região de pré-molares devido a presença do N. Mentual, deve-se ter uma altura adequada para não o atingir e lesá-lo. 38 Nicole Júlia Levandovski Retilínea em Rebordo Usada no mesmo princípio da de Deglove, porém para pacientes edêntulos Incisão em “L” / Mead Superior - região de túber, incisão sobre o rebordo, contorno cervical e relaxante em L Inferior - região de trígono, incisão sobre o rebordo, contorno cervical e relaxanteem L Muito usado em 3° molar incluso Pode tanto fazer no dente seguinte quanto um a mais Envelope / Maurel Rebordo - Região cervical - Papila - Região cervical Diferente da incisão em L, esta não apresenta relaxante, portanto deve-se estender a mais um ou dois dentes. Vantagem → pós-operatório melhor e mais rápido devido à ausência de retalho. 39 Nicole Júlia Levandovski EXTRAORAIS Coronais De pavilhão auricular a pavilhão auricular Periorbitárias - INFRACILIARES - TRANSCONJUNTIVAIS - SUPRAORBITÁRIA - SUPRACILIAR Periorais - SUBMANDIBULAR RIDSON - SUBMANDIBULAR Muito usada em fraturas de ângulo e corpo da mandíbula De tragus a tragus, inferiormente - RETROMANDIBULAR 40 Nicole Júlia Levandovski Pré-Auriculares Facilita a região de arco zigomático e côndilo 2cm a frente do tragus, se precisar estender um pouco acima, ela recebe o nome de Alcaiá PRINCÍPIOS → Anatomia Topográfica → Facilitar Suturas por Planos Toda a vez que for cortar tecido na região da face é sempre da camada mais superficial a mais profunda, pois a sutura é ao contrário, dá mais profunda a mais superficial. → Linhas de Langer (linhas força da pele) Linha que mostra o trajeto das fibras musculares na região da face Em uma incisão extraoral → evita quelóide, cicatriz → Rugas da Face Padrão utilizado para seleção do traçado das incisões, objetivando a menor sequela cicatricial possível. 1.2 DISSECÇÃO OU DIVULSÃO Manobra que visa a separação dos tecidos sem seccioná-los, por meio de tesouras ou pinças rombas. Muito utilizado em drenagem de abcessos. Instrumentos de Divulsão: Realizada através de ponta romba ✦ PINÇAS - mosquito, kelly ✦ AFASTADORES - langenbeck ✦ TESOURAS - metzenbaum 41 Nicole Júlia Levandovski Requisitos Fundamentais ✦ SINDESMOTOMIA Manobra que visa romper os ligamentos dento-gengivais, com o objetivo de expor o colo cirúrgico do elemento dentário a ser extraído. Não necessariamente precisa-se fazer uma incisão para posteriormente fazer uma sindesmotomia, pode-se por exemplo, fazer ao redor do colo dentário. ✦ DESCOLAMENTO MUCO-PERIOSTAL Manobra que consiste na separação dos tecidos por meio de um espaço anatômico virtual, utilizando instrumental como descoladores, espátulas, sindesmótomos e ruginas. Entra abaixo do periósteo e eleva/descola o retalho, chegando ao osso. ✦ DIVULSÃO POR PLANOS Manobra que separa os tecidos plano a plano, para acesso a um objetivo cirúrgico, possibilitando a aproximação dos mesmos no momento da sutura. Sutura: periósteo, tecido muscular, tecido gorduroso até a camada da pele Incisão: pele, tecido gorduroso – faz a divulsão, incisão –, tecido muscular – incisão, descolar –, periósteo 42 Nicole Júlia Levandovski 1.3 DILATAÇÃO Manobra usada para aumentar o diâmetro de orifícios naturais, trajetos fistulosos, pela ruptura de fibras musculares ou tecido fibroso. 1.4 PUNÇÃO Manobra que tem por objetivo penetrar os tecidos sem seccioná-los, a fim de remover substância líquida, por meio de agulhas. (Seringa 20 com agulha 40/12) 1.5 DESCOLAMENTO Manobra que consiste na separação dos tecidos por meio de um espaço anatômico virtual, utilizando instrumental como descoladores, espátulas, sindesmótomos e ruginas. 1.6 CURETAGEM Manobra que tem por objetivo raspar a superfície de um tecido, através de curetas. (Cureta de Lucas) 2. EXÉRESE – “REMOVER” Manobra que visa a retirada de um órgão ou tecido, ou parte deste. OBS. Limagem/regularização de espículas ósseas também é considerado manobra de exérese. 43 Nicole Júlia Levandovski 3. HEMOSTASIA – “ESTANCAR” Manobra que tem por objetivo impedir ou coibir a hemorragia. IMPORTÂNCIA Manter a volemia (sangramento natural) → (evitar hematoma- excesso e necrose- falta) Visualização do campo operatório Evolução normal da ferida Evitar infecção / hematoma Evitar deiscência da ferida (rompimento do tecido pós sutura) Propiciar melhor pós-operatório TIPOS DE HEMORRAGIA ✦ Interna ou Externa ✦ Arterial ou Venosa ✦ Capilar (pequenos vasos) TIPOS DE HEMOSTASIA ✦ Preventiva: Manobra que se faz antecipadamente para evitar a hemorragia Medicamentosa (ex. transamin 250mg 1 ou 2 dias antes de 8 em 8h) Cuidados Anatômicos (artérias, vasos para coibir a hemorragia) Divulsão (afastar os tecidos) ✦ Curativa: Manobra que se faz para coibir a hemorragia Tamponamento (ex. comprimir com gaze por alguns minutos) Pinçamento (ex. em um vaso de pequeno calibre; em artéria se faz ligadura) Compressão (ex. com um instrumental, comprime a região) Termocoagulação (ex. eletrocautério → incisa e coagula) Permanganato de bismuto em pó (ex. otorrino em retirada de amígdala) Esponja de colágeno ou fibrina Gelfoam Cera para osso (ex. sangramento intraósseo) Ação Farmacológica - local ou geral (ex. anestésico embebido em gaze, adrenalina) Instrumentos de Hemostasia: ★ Pinça Kelly ★ Pinça Hallstead ★ Pinça Kocker ★ Pinça Mosquito → pinças dentilhadas 4. SÍNTESE “SUTURAR” É uma manobra fundamental que consiste na aproximação das bordas dos tecidos seccionados, manutenção dos mesmos, facilitando o processo de cicatrização. REQUISITOS DA SÍNTESE ✓ Aproximação das bordas da ferida (quando possível): em alguns casos de molares, não se tem tecido o suficiente para chegar borda com borda ✓ Evitar corpo estranho → lavar abundantemente ✓ Tração moderada e adequada dos fios (não apertar, nem deixar frouxo) ✓ Hemostasia perfeita ✓ Evitar espaços mortos entre um plano e outro p/ não ter infecção 44 Nicole Júlia Levandovski TIPOS DE SUTURA ✦ MASSA (vários planos de uma vez) → quando precisa de rapidez para hemostasia ✦ PLANOS (profundo para superficial) Empunhadura Porta Agulha Recomenda-se uma das abas ficar o dedo polegar e a outra o dedo anelar, apoiando o indicador no porta agulha. Agulha sempre perpendicular ao porta agulha. CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS Monofilamentos ou Multifilamentos Multifilamentos podem ser torcidos ou trançados Os fios trançados podem ser revestidos por uma película externa (teflon) ✦ Absorvíveis → origem animal ou sintética. • NATURAIS Filamentos processados de colágeno Digeridas por enzimas orgânicas Gut liso e Gut crômico • SINTÉTICAS Hidrofóbicas - dissolvidas pela hidrólise PGA (ácido poliglicólico) absorção entre 60 e 90 dias Poliglecaprone 25 absorção + lenta e demorada Monocryl absorção de 90 a 120 dias Vicryl (polyglactin 910) absorção de 60 a 90 dias ✦ Inabsorvíveis → origem animal, sintética, vegetal ou metálica. • SEDA Filamentos de seda torcidos ou trançados Tem boa lisura e elasticidade Favorece segurança do nó → não precisa de contranó Causa pouca reação inflamatória aguda no tecido • POLIÉSTER Nylon monofilamento. Politetrafluoretileno (ptfe). Causa reação inflamatória aguda mínima no tecido De rotina na clínica, temos a Seda e o Nylon. O Nylon tem a vantagem de não reter alimentos, porém ele causa afta atraumática. A Seda não causa afta, porém mantém bebido alimento retido, podendo causar inflamação naquela região. Portanto, toda a área que pode causar úlcera traumática: região de soalho de boca, região lingual, região de palato, região anterior lingual ou labial, utiliza-se a Seda. Quando fizer extração dentária com relaxantes, pode-se utilizar tanto Seda quanto Nylon, dando preferência ao Nylon por escorregar com maior facilidade na hora da sutura, mas deve-sedar o nó, contranó e outro nó novamente. 45 Nicole Júlia Levandovski Resistência dos Tipos dos Fios Características básicas do fio ideal Inerte aos tecidos Absorção simultânea Força tensão adequada (3.0, 4.0 e alguns casos 5.0) Ser bactericida Não alergênico, Não carcinogênico Flexível e pouco elástico Boa visualização perante os tecidos (coloração) Baixo custo AGULHAS DE SUTURA ANATOMIA DA AGULHA raio da agulha é onde encaixa o porta agulha Tamanho compatível com o fio corte convencional, invertido e cônico. *usamos a ponta cortante* Calibre dos fios e tipos de de agulhas quanto maior o número de “zeros”, mais fino (menor o diâmetro) o fio vai ser 8.0, 9.0, 10.0 ... → microscópico 7.0 → lupa 4.0 → rotina 3.0 → área de tensão (ação muscular) 46 Nicole Júlia Levandovski NORMAS BÁSICAS DAS SUTURAS NÓS CIRÚRGICOS Cada laçada deve ser realizada em sentido oposto ao da anterior, para aumentar o atrito e evitar que o nó se afrouxe (nó quadrado - antideslizante) → laçadas no mesmo sentido chama-se nó deslizante (afrouxamento) → fios sintéticos monofilamentares (nylon, polipropileno) tendem a se afrouxar, necessário vários seminós NÓ MISTO SUTURAS Sutura Simples entra por vestibular, sai, entra por lingual, sai e ponto simples. 47 Nicole Júlia Levandovski Sutura em Forma de Oito entra por vestibular, sai, contorna, entra por lingual e ponto simples. (envaginar o ponto) utiliza-se quando quer deixar a sutura baixa. U Horizontal de Wolf entra por vestibular (passa direto até a lingual), sai, entra em forma horizontal cerca de 2mm pela lateral, entra pela lingual, sai pela vestibular e ponto simples. U Vertical de Donnat entra pela vestibular, sai pela lingual, ao invés de virar pela horizontal, vai cerca de 2mm para cima (vertical) no mesmo tecido e volta pelo mesmo lugar. Sutura em “X” entra por vestibular, cruza para o lado lingual, entra pro lado e sai por vestibular. Contínua Simples inicia com ponto simples, entra por vestibular, sai por lingual e repete, finaliza com ponto simples 48 Nicole Júlia Levandovski Contínua Festonada a cada volta que der, passa a agulha por dentro. (vantagem em relação ao simples → o ponto trava) desvantagens das contínuas → se romper um ponto, abre a sutura inteira Instrumentos retirada da sutura pinças de tecidos, pinça clínica, espelho clínico, tesouras • retas • curvas • sutura Levanta o ponto com a pinça rente ao tecido mucoso e corta com a tesoura na altura do nó. A linha exposta na cavidade oral não pode passar por dentro da ferida para que não haja infecção, é recomendado limpar o fio de sutura para remover a placa bacteriana depositada antes de passar pelo tecido. DEISCÊNCIA FERIDA É o rompimento da sutura, após o 3° ou 4° dia, com odor e gosto desagradáveis. Tem como principais causas a falta de suporte ósseo ao retalho de tecido mole ou pela tensão na sutura, que gera isquemia na margem do retalho, com posterior necrose do tecido, fazendo com que a sutura se desfaça TRATAMENTO: anestesia a distância, curetagem e raspagem do osso necrótico, regularização das bordas da ferida, abundante lavagem com soro fisiológico e sutura. REPARO TECIDUAL DO ALVÉOLO Conjunto de reações tecidas desencadeadas no interior do alvéolo após a exodontia, com o objetivo do seu preenchimento ósseo Muito semelhante à sequência de respostas reparacionais do restante do organismo FASES DA CICATRIZAÇÃO FASES FUNDAMENTAIS CRONOLOGIA Formação do coágulo sanguíneo No mesmo dia Evidência de proliferação tecidual ao nível gengival 4 dias Substituição do coágulo por tecido de granulação 7 dias Substituição do tecido de granulação por tecido conjuntivo 20 dias Fusão epitelial até o espessamento da fibromucosa 24 – 35 dias Preenchimento de 2/3 alveolares por trabéculas ósseas (osso imaturo) 40 dias Preenchimento total do alvéolo por trabéculas ósseas (osso maduro) 64 dias 49 Nicole Júlia Levandovski tecido de granulação não é pus TIPOS DE CICATRIZAÇÃO CICATRIZAÇÃO POR PRIMEIRA INTENÇÃO QUANDO HÁ COAPTAÇÃO DOS BORDOS DA FERIDA Ocorre mais rapidamente Menor quantidade de reepitelização Menor risco de infecção Menor cicatriz CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENÇÃO QUANDO NÃO HÁ COAPTAÇÃO DOS BORDOS DA FERIDA Ocorre mais lentamente Maior quantidade de reepitelização Maior risco de infecção Maior cicatriz Fatores Prejudiciais no Processo de Cicatrização ✦ Corpos estranhos → Pode desencadear uma reação inflamatória, prejudicando a reparação tecidual → Qualquer coisa que não faça parte dos tecidos e do processo de cicatrização Fragmentos ou espículas ósseas e/ ou dentários, fragmentos de instrumentos, detritos, etc ✦ Tecido necrótico → Serve como barreira para o crescimento das células reparadoras → O estágio inflamatório é prolongado → Nicho de proteção das bactérias ✦ Isquemia Risco de infecção Diminuição do aporte sanguíneo ideal Risco de necrose tecidual Suturas muito apertadas Retalhos mal posicionados Pressão externa (próteses mal adaptadas) ou pressão interna (hematoma) na ferida. 50 Nicole Júlia Levandovski ERGONOMIA DEFINIÇÃO Do grego: érgon (trabalho) e nomos (leis e regras) Conjunto de leis que regem o trabalho OBJETIVO: • Melhorar condições de trabalho • Diminuição do estresse físico e mental • Prevenir doenças • Aumentar produtividade e longevidade de trabalho Riscos de lesões devido à: → Postura de trabalho desconfortável e assimétrica → Força excessiva → Repetitividade e duração da atividade Lesões: LER e DORT ✦LER - Lesões por Esforços Repetitivos ✦DORT - Doenças Osteoarticulares Relacionadas ao Trabalho Regiões do corpo mais afetadas Fatores de risco (agentes estressantes físicos e psicológicos) • Equipamentos e instrumentos elaborados sem obedecer a critérios ergonômicos • Campo operatório não iluminado adequadamente • Ambiente de trabalho exposto aos níveis de ruído acima do tolerável • Problemas organizacionais • Trabalho sob pressão temporal e clientes cada vez mais exigentes • Postura incorreta Como melhorar as condições de trabalho? EVITANDO DOENÇAS Organização do trabalho • Estabelecer pausas durante as horas de trabalho, dedicando à realização de alongamento, principalmente para o pescoço, membros superiores e coluna. • Primar pelo descanso semanal. • Em tratamentos que exijam várias horas de atendimento, dividi-los em pelo menos duas sessões. • Orientar e treinar o auxiliar para que ele assista o cirurgião-dentista durante todo o tratamento, e não somente em algumas etapas. 51 Nicole Júlia Levandovski Condições de Trabalho • Realizar manutenções periódicas no sistema de climatização (ar-condicionado), evitando a contaminação por agentes biológicos nocivos à saúde. • Verificar se os equipamentos de trabalho geram níveis de ruído dentro do limite permitido. • Verificar se a temperatura de conforto térmico está em nível aceitável. • Verificar se o tipo de iluminação e o nível mínimo de iluminância estão adequados à atividade. • Adaptar e organizar o mobiliário, de modo a permitir posições ergonômicas desejáveis. Aspectos Biomecânicos • Realizar atividade física, pelo menos, três vezes por semana, por pelo menos 30 minutos, buscando atividades que também fortaleçam os membros superiores. • Posição do paciente para Cirurgia Oral com operador de pé, manter a área a ser operada na altura do cotovelo do operador. • Reeducar a postura durante a realização do tratamento, buscando manter: ✦ A coluna relativamente reta e apoiada no encosto do mocho. ✦ A cabeça ligeiramente fletida, evitando a flexão exagerada. ✦ Os cotovelos a 90° próximosao corpo e/ou apoiados. ✦ O tronco o mais próximo da cadeira do paciente. ✦ Os pés totalmente apoiados no chão. ✦ A altura do mocho ajustada de forma que o ângulo formado pela coxa e perna fique entre 90° e 120°. ✦ Evitar exagerar as torções, inclinações laterais e flexão de tronco. Posição do paciente Dentes superiores: boca aberta, plano oclusal dos dentes do maxilar forma com o solo um ângulo de 45º Dentes inferiores: boca aberta, o plano oclusal dos dentes da mandíbula permanecem paralelos ao solo. Posição do operador → Diversificadas para a maxila e para a mandíbula e quanto à localização do próprio dente. → De pé • melhora empunhadura dos fórceps • favorece resultado final do trabalho mecânico Dentes inf. direitos Dentes inf. esquerdos Dentes inf. anteriores Dentes superiores (imagem ilustrativa para operadores destros) 52 Nicole Júlia Levandovski Funções da mão oposta • Afastar os tecidos moles para fornecer melhor acesso ao dente; • Proteger os dentes adjacentes; • Estabilizar cabeça do paciente; • Estabilizar a mandíbula na exodontia dos dentes inferiores; • Apoiar o processo alveolar e fornecer informações táteis a da expansão alveolar ou mesmo uma possível fratura alveolar durante a luxação. Papel do auxiliar durante a exodontia • Facilitar o acesso e visualização do cirurgião afastando os tecidos moles; • Aspirar sangue, saliva e solução para irrigação; • Proteção dos dentes do arco oposto, principalmente na extração de dentes inferiores posteriores; • Apoiar a mandíbula durante a extração; • Fornecer apoio psicológico e emocional para o paciente; • Evitar comentários que possam aumentar a ansiedade do paciente. Objetivos da Ergonomia • Simplificar tarefas • Economizar tempo e movimentos • Conforto (físico e psicológico) • Maior segurança Efeitos da Ergonomia • Maior produtividade, qualidade e longevidade do trabalho • Menos tensão e fadiga • Menor cansaço 53 Nicole Júlia Levandovski INSTRUMENTAIS TÉCNICA CIRÚRGICA LUXAÇÃO Expansão do alvéolo, através do movimento do dente, causando rompimento dos ligamentos periodontais ao redor da raiz MOVIMENTOS: • Intrusão: rompe as fibras do ligamento periodontal e muda o centro da gravidade (para todos os dentes) • Pendular: movimento de lateralidade – primeiro para a cortical mais espessa (rompimento das fibras do ligamento) • Rotação: apenas para os dentes unirradiculares – auxilia na dilatação e rompe o restante das fibras A ponta ativa do fórceps deve alcançar o colo dental (palatino/lingual e vestibular). Inicialmente o dente precisa ser desinserido do ligamento periodontal, sendo assim, o fórceps faz movimento de intrusão para romper fibras apicais e tendo ponto de apoio. O fórceps para extração deve ser posicionado com forte pressão apical para expandir a crista óssea e para deslocar o centro de rotação o mais apicalmente possível. Na sequência, faz movimentos pendulares (lateralidade) no sentido vestíbulo – palatina/lingual. Esse movimento deve ser mais longo em direção a tábua óssea mais fina para facilitar na avulsão. O movimento de lateralidade, auxilia na expansão do alvéolo e rompe as fibras e possibilita o terceiro movimento, rotacional, que são úteis principalmente para dentes cônicos e unirradiculares. Por fim, faz-se movimento de avulsão ou extração propriamente dita. Lembrando que em dentes multirradiculares não segue a mesma sequência, pois se fazer o movimento rotacional a tendência é fraturar as raízes. AVULSÃO Após a luxação o dente é elevado do alvéolo pela força de tração (dente luxado) ELEVADORES REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DOS ELEVADORES: ✓ Posição dígito-palmar e dedo indicador sobre a haste ✓ Não usar em dente adjacente como fulcro da alavanca ✓ Mão oposta para proteção das estruturas circunvizinhas ✓ Aplicar força progressiva e controlada MOVIMENTOS • Roda e Eixo: Esforço é aplicado a uma circunferência da roda, que gira o eixo até elevar o peso • Cunha: Cunha dirigida para baixo, o dente é forçado para cima • Alavanca: Transforma uma pequena força e um grande movimento em um pequeno movimento e grande força Roda e Eixo Cunha Alavanca 54 Nicole Júlia Levandovski Elevadores Seldin: Elevador Apical Reto: Elevadores Heidbrink FÓRCEPS REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DOS FÓRCEPS ✓ Mordente sempre para vestibular e introduzido o mais profundamente possível, para se adaptar sobre o colo anatômico do dente (quando há mordente dos dois lados, usa em dentes do lado direito e esquerdo) ✓ Empunhadura dígito-palmar com indicador de apoio ✓ Movimentos de intrusão, pendular, rotação* e tração – *não se faz em dentes multirradiculares ou com raiz curva Longo eixo do mordente // Longo eixo do dente 55 Nicole Júlia Levandovski EMPUNHADURAS CORRETAS Elevadores: Fórceps: OBS. Fórceps para dentes superiores apresentam 3 inclinações e para dentes inferiores apresentam 2 inclinações Porta Agulha Mayo Hegar: 56 Afastador Minessota: muito usado em região posterior, serve para afastar lábio, retalho Afastador Mead: afastar relaxante, incisão, retalhos Afastador Farabeuf: (não tem no nosso material) utilizado em pares para afastar os lábios Abaixador de Língua Bruenings: muito usado em idosos, serve também para proteger a língua do paciente, segurar e afastar a língua também Lâminas de bisturi + Cabo de Bisturi n°3 11- incisão para drenar abcessos 12- região de túber 15c- regiões mais delicadas e menores Pinça Pean: auxilia na antissepsia extraoral (não volta para a mesa cirúrgica) Pinça Anatômica: apreensão de tecidos um pouco maiores 57 Pinça de Adson < com dente e sem dente > serve para tecidos mais delicados, ajuda a segurar o tecido mole na hora da sutura (sutura → utiliza-se a sem dente) Pinça Hemostática Mosquito < curva e reta > serve para prender po pinçar vasos, tecido solto, apreender raíz no alvéolo Pinça Allis: serve para segurar/retirar tecidos mais robustos, maiores ou mais de um Pinça Backaus: serve para prender o campo operatório do paciente atrás do paciente (na cabeça), na frente do paciente e sugador ou caneta de alta rotação Descolador de Freer: serve para fazer sindesmotomia Descolador de Molt: (não tem no nosso material) Cureta de Molt: serve para fazer sindesmotomia, descola as fibras/ligamentos dos dentes 58 Cureta de Luccas: curetagem do alvéolo (até sentir o osso, serve para limpar) Elevadores Seldin: serve para extrair o dente (nunca apoiar em dente, apenas em osso sadio) Elevadores Heidbrink: usados para raiz residual Elevador Apical Reto (½ cana): auxilia na extração do dente, movimento de cunha em volta do dente Calço de Borracha: existe adulto e pediátrico, usado para pacientes com dificuldade para abrir a boca ( base > p/ fora e base < p/ dentro) Fórceps 16 (molares inferiores) Fórceps 17 (molares inferiores) 59 Fórceps 18L e 18R (molares superiores) Fórceps 150 (pré molares, incisivos e raízes superiores) Fórceps 151 (pré molares, incisivos e raízes inferiores) Fórceps 65 (incisivos e raízes superiores) 60 Fórceps69 (fragmentos de raízes e raízes pequenas- tanto superior quanto inferior) Fórceps 101 (pré molares, universal) FÓRCEPS DENTES 16 molares inferiores 17 molares inferiores 18L molares superiores esquerdos 18R molares superiores direitos 150 pré molares, incisivos e raízes superiores 151 pré molares, incisivos e raízes inferiores 65 incisivos e raízes superiores 69 fragmentos de raízes e raízes pequenas (inf e sup) 101 pré molares, universal 61 Lima para Osso Miller: remover espículas ósseas (após a curetagem), uniformizar o osso através da lixa Osteótomo Luer Curvo: remover espículas ósseas maiores, mais densas (usar a lima depois) Porta Agulha Mayo Hegar: apresenta ponta com vídea (diferente da pinça hemostática) dá mais precisão e estabilidade na hora da sutura - serve para auxiliar na sutura Tesoura Iris (reta e curva): serve para cortar o fio de sutura Tesoura Goldman-Fox:serve para tirar tecido em excesso que dificultam na hora da cicatrização 62 Tesoura Metzenbaum: serve para separar os tecidos (divulsão) muito usado em frenectomia Brocas Cirúrgicas 701/702 Brocas Cirúrgicas 06/08 Broca Zekrya Brocas Diamantadas 4138 . e 3205 (corpo longo) (servem para fazer canaleta, criar espaço) 06/08 - tira mais osso / zekrya - odontosecção / 701/702 - osteotomia (secção do osso) 4138/3205 - cortam parte protética e arredondamentos (não tem no nosso material): Cinzéis Cirúrgicos Martelo Cirúrgico (ambos comparados as brocas, servem para fazer odontosecção e osteotomia) 63 Nicole Júlia Levandovski PRINCÍPIOS DE EXODONTIAS SIMPLES INTRODUÇÃO SINONÍMIA: Odontectomia (extração é termo popular) ENVOLVE CONHECIMENTOS DE: Anatomia: conhecer estruturas nobres, proximidades, riscos Farmacologia: medicação pré, durante- anestesia e pós operatória Patologia: conhecer anormalidades Fisiologia: conhecer normalidade Microbiologia: biossegurança, antibioticoterapia, conhecimento do processo infeccioso Semiologia: planejamento e conhecimento de outras lesões Radiologia: interpretar imagens, planejamento correto, estruturas ósseas, raízes Técnica cirúrgica geral: passo a passo cirúrgico Técnica cirúrgica específica: situações imprevistas Psicologia: ter o controle da situação, usar terminologia específica Padrão de assepsia e de técnica cirúrgica: Paramentação, material e equipamento (aula de biossegurança) NORMA DE TRABALHO (PLANEJAMENTO) Com um bom planejamento obtém-se a noção do instrumento a utilizar, quantidade anestésico, fio de sutura, técnica cirúrgica, dentre outros fatores específicos para aquele determinado caso. 64 Nicole Júlia Levandovski AVALIAÇÃO PRÉ CIRÚRGICA ✦ Anamnese detalhada e completa Traz um planejamento mais seguro em relação àquela situação do paciente ✦ Exame detalhado do dente a ser extraído Avaliar a condição real do dente: as vezes basta um tratamento endodôntico, prótese ou dentística Avaliar colo cirúrgico, tamanho da destruição, se há presença de processo infeccioso, condições gerais do paciente - Ex. displasia sanguínea, condições de higiene do paciente ✦ Exame radiográfico Panorâmica → Ideal Periapical → Para uma imagem mais precisa e dimensão mais fiel Oclusal → Geralmente usada em raiz residual, localização de corpos estranhos, dente incluso OBS. Tanto a periapical quanto a oclusal são complementares a panorâmica INDICAÇÕES (NÃO SÃO REGRAS ABSOLUTAS) Cárie e suas complicações: Ex. cárie radicular, grau de destruição da coroa Doença periodontal grave: Ex. destruição dos elementos de suporte Indicações ortodônticas e protéticas: Ex. remoção de pré-molar, 3° molar, raiz residual Dentes mal posicionados: Ex. dentes inclusos → atrapalham, interrompem, adiam a erupção de outros Dentes fraturados Se não remover, pode causar infecção, pois as bactérias anaeróbicas penetram nos sulcos que se formam na fratura Dentes envolvidos em fraturas dos maxilares Quando a fratura atinge a região de um dente, deve-se remover o dente pois além de perder a nutrição, levando a necrose, também atrapalha o reposicionamento ósseo da fratura 65 Nicole Júlia Levandovski Dentes impactados e supranumerários: Os supranumerários podem estar inclusos ou erupcionados Dentes associados com lesões patológicas: Ex. odontoma, cisto Terapia pré-radiação: Ex. remoção total dos dentes → para evitar necrose do dente ou dependendo do local do tumor, os dentes atrapalham a passagem da radiação Motivos econômicos O paciente deve assinar um termo constando que o mesmo foi instruído a salvar o dente, mas não quis CONTRAINDICAÇÕES (NÃO SÃO REGRAS ABSOLUTAS) LOCAIS Pacientes irradiados Histórico de osteorradionecrose. USO DE BIFOSFONATOS Pacientes apresentam necrose espontânea → Esses medicamentos apresentam o mecanismo de deposição de minerais muito intensa, dificultando a vascularização: fica um tecido extremamente mineralizado e pouco vascularizado, levando a necrose. Dentes localizados em área de tumor maligno Para evitar metástase. Dentes com abscesso dentoalveolar agudo e pericoronarite grave Primeiramente deve-se medicar, reduzir a área infectada, drenar a coleção purulenta para depois extrair o dente, pois a anestesia não irá ser efetiva, além de correr o risco de disseminar a infecção para outros tecidos no momento da cirurgia. SISTÊMICAS A maior parte delas são identificadas nos exames complementares: hemograma, coagulograma e glicemia em jejum Doenças metabólicas graves não controladas Diabetes Taxas alta de glicemia no sangue irão retardar a cicatrização, abrindo portas para infecção e pode-se haver um processo hemorrágico descontrolado no pós e trans operatório Doença renal Tem medicação correta a ser dada ao paciente Doenças cardíacas graves Prevenir problemas na parte infecciosa, anestesia correta, deve-se haver comunicação com o médico cardiologista responsável (carta de autorização e orientação), etc Hemofilia Sangramento excessivo Leucemia Geralmente sistema imunológico comprometido Hipertensão Sangramento excessivo, dificuldade de cicatrização e coagulação, anestesia correta, etc Gestação Evitar primeiro ou último trimestre Primeiro: há a formação dos tecidos do feto Último: pode ocorrer o adiantamento do parto através de anestésicos ou medicamentos que provocam a contração da musculatura lisa 66 Nicole Júlia Levandovski CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS ANATOMIA TOPOGRÁFICA E ALVEOLODENTAL ✦ Proximidade das raízes com estruturas associadas ✦ Espessura das tábuas ósseas vestibular em e lingual/palatina MAXILA: tábua óssea vestibular mais delgada – deve-se fazer a luxação em direção a vestibular para facilitar a expansão do osso e o dente sair de forma mais suave e com menor trauma MANDÍBULA: tábua óssea lingual mais delgada nos dentes posteriores e vestibular nos dentes anteriores PRINCÍPIOS DE ASSEPSIA E ANTISSEPSIA CIRURGIÃO → Paramentação adequada → Cadeia asséptica: ordem de montagem da mesa cirúrgica (da esquerda para direita) Sugador Cirúrgico → Espelho Clínico → Pinça Clínica → Pinça Pean (não volta para a mesa cirúrgica após uso) → Carpule → Cabo de Bisturi + Lâmina posicionada → Descolador de Freer → Cureta de Molt → Elevadores Seldin → Elevador Apical Reto (meia cana) → Elevadores Heidbrink → Fórceps → Calço de Borracha → Alveolótomo → Cureta de Luccas → Lima para Osso → Alta Rotação→ Broqueiro com brocas 701/702, Zekrya, 06/08, diamantadas 4138 e 3205 → Gaze estéril → Pinças Allis → Pinças Adson com e sem dente → Pinça Anatômica → Cubeta com soro fisiológico estéril → Gaze estéril avulsa com agulha e tubete anestésico → Pinças Backaus → Abaixador de Língua → Afastador Minessota → Afastador Mead → Porta Agulha → Pinças Hemostática Mosquito reta e curva → Tesoura Iris → Tesoura Goldmanfox → Tesoura Metzenbaum → Seringa 20ml com agulha 40 x 12 → Fio de sutura PACIENTE → Antissepsia intra e extraoral TÉCNICA CIRÚRGICA DIÉRESE Sindesmotomia ✦ Gengiva marginal inserida é separada por divulsão ao redor do colo anatômico do dente ✦ Aumenta profundidade do sulco gengival 67 Nicole Júlia Levandovski ✦ Permite entrada da ponta ativa do fórceps ✦ Cureta de Molt ou Espátula de Freer EXÉRESE Luxação ✦ Expansão do alvéolo, através do movimento do dente, causando rompimento dos ligamentos periodontais ao redor da raiz ✦ Movimentos: • Intrusão • Pendular ou Vestíbulo-Lingual • Rotação (em dentes unirradicular e cônicos) Dar preferência ao movimento pendular mais longo em direção a tábua óssea mais fina Avulsão ✦ Após a luxação o dente é elevado do alvéolo pela força de tração TRATAMENTO DA CAVIDADE: ✦ Curetagem para remoção de lesões, resíduos, remanescente ✦ Irrigação abundante com soro estéril ✦ Limagem e regularização do rebordo e osso ou septo ✦ Manobra de Chompret-Hirondel: compressão na tábua óssea após extração para que haja estreitamento, auxiliando na sutura e coagulação – Manobra questionável em ortodontia devido a deformação óssea, podendo dificultar ou retardar a movimentação do dente vizinho por deixar o osso compacto e em implantodontia por comprimir e estreitar a tábua óssea, podendo dificultar na colocação do pino. SÍNTESE Sutura ✦ 2ª intenção ✦ Estabilizar tecido mole ✦ Manutenção do coágulo ✦ Auxiliar Hemostasia ✦ Pouca tensão para não comprometer vascularização da borda da ferida 68 Nicole Júlia Levandovski NÓ DE CIRURGIÃO: Duas laçadas sentido horário e uma laçada sentido anti-horário (nó e contra-nó) CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS Morder rolo de gaze por aproximadamente 20 minutos (para estabilizar o coágulo e provocar hemostasia) Bolsa de gelo nas primeiras 2 horas (hemostasia) Manter repouso, com cabeça elevada (diminuir o fluxo de sangue na região para não provocar maior sangramento) Alimentação fria e líquida Não fumar (o calor e a nicotina atingem o alvéolo podendo causar alveolite e o movimento de sucção pode causar deslocamento do coágulo) Não fazer bochechos de espécie alguma nas primeiras 48 horas Manter higiene bucal (escovação) Tomar medicação conforme a prescrição Remover suturas com aproximadamente 7 dias “Extração minimamente traumática de um dente, é um procedimento que requer fineza, conhecimento e habilidade por parte do cirurgião” RESUMO DA ORDEM DE TÉCNICA CIRÚRGICA: • Sindesmotomia • Luxação • Avulsão • Tratamento da cavidade • Sutura • Cuidados pós-operatórios RESUMO DA SEQUÊNCIA CIRÚRGICA: • Anamnese • Radiografia • Antissepsia • Paramentação • Anestesia • Sindesmotomia • Preensão do fórceps • Luxação • Avulsão • Sutura • Tamponamento • Pós-operatório 69 Nicole Júlia Levandovski EXODONTIAS COMPLEXAS INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO Quando não for possível realizar a extração por via alveolar convencional, diminuindo os riscos e melhorando o pós- operatório PLANEJAMENTO → Definir a técnica cirúrgica a ser usada → Definida a técnica, deve se calcular as dificuldades esperadas, permitindo uma sequência evolutiva normal, sem aumento no traumatismo e sequelas pós-operatórias (parestesia, problemas com fonação, deglutição, infecção) CLASSIFICAÇÃO VIA ALVEOLAR Fundamenta-se na dilatação do alvéolo, utilizando forças controladas que atuam sobre o dente e se transferem ao alvéolo deformando-o, consequentemente, ocorre a ruptura dos ligamentos alvéolos dentários, que permitirá a avulsão dos dentes. Sem seccionamento dental: com uso de fórceps ou alavanca o dente é removido sem que haja seccionamento das raízes. Com seccionamento dental: utiliza-se o fórceps ou alavanca após seccionamento das raízes VIA NÃO ALVEOLAR É aquela que haverá remoção de tábuas ósseas para conseguirmos a remoção do dente, portanto o dente não é extraído pela dilatação do alvéolo. Podendo ser parcial ou total, por osteotomia ou por apicectomia. Quando não é possível a dilatação do alvéolo, seja pela friabilidade do dente, hipermineralização óssea (não vai conseguir a dilatação, deformação), anatomia radicular de forma (curvaturas muito acentuadas), septo inter-radicular retentivo, má posição dentária, continuidade com o seio maxilar e/ou canal mandibular, utiliza-se osteotomia e/ou odontossecção. VANTAGENS ✦ Simplificar a exodontia ✦ Minimizar o desgaste ósseo ✦ Evitar fraturas ósseas ✦ Evitar traumas de raízes (dependendo da fratura, perde-se o ponto de apoio para fazer a ancoragem e luxação do dente) ✦ Evitar lesões em tecidos moles ✦ Preservar estruturas nobres INDICAÇÕES ✦ Dentes com hipercementose ✦ Dentes com raízes divergentes (deve-se seccionar e remover as raizes separadamente) ✦ Destruição coronária severa (não tem como luxar) ✦ Dentes anquilosados (dente que não tem mais o ligamento periodontal) ✦ Dentes inclusos ✦ Insucesso na técnica convencional ✦ Osso alveolar compacto (idosos, bruxismo) ✦ Contato íntimo com o seio maxilar CONFECÇÃO DO RETALHO: INSTRUMENTAL Lâmina tipo 15 ou 15C Entra em 90°, percorre o tecido em 45° e finaliza em 90° para remover o tecido 70 Nicole Júlia Levandovski Mão Oposta Estabilizar a mandíbula e/ou a cabeça do paciente durante os movimentos mecânicos mais pesados, evitando desconforto luxação articular e fratura mandibular. Para elementos unirradiculares a apreensão é no sentido vestíbulo-lingual Esféricas → geralmente para osteotomia Tronco Cônica → geralmente para odontosecção OSTEOTOMIA / OSTECTOMIA: Remoção do tecido ósseo alveolar para permitir acesso ao elemento dentário a ser removido Osteotomia ao redor do dente incluso para liberar a passagem e criar ponto de apoio para entrar com instrumento de luxação Nesse caso, por não ter ponto de apoio, deve-se abrir um retalho e fazer um acesso com broca ao redor da raiz para criar ponto de apoio para luxação OBS. o elevador NUNCA deve ser apoiado em dente vizinho (a não ser que queira extrair), mas sim em osso. TÉCNICA ✦ Osteotomia vestibular (cuidado para não fazer muito extenso para não acarretar um defeito ósseo após a cicatrização) ✦ Brocas de alta ou baixa rotação (alta mais ideal por ser mais prático) ✦ Cinzéis (pode ser utilizado, mas a broca é mais cômodo, preciso e fácil) ✦ Menor extensão possível ✦ Irrigação com soro fisiológico estéril (pode usar água estéril, mas sempre dar preferência ao soro) FRATURAS RADICULARES Com o fórceps não se tem apoio na raiz, às vezes a raiz está tão danificada que ela escapa no fórceps. Em alguns casos, pode-se pegar um pouco da crista óssea para fazer a luxação, o problema é que provavelmente vai quebrar. As vezes deve fazer uma ampliação com broca para criar espaço (ponto de apoio) para o elevador entrar 71 Nicole Júlia Levandovski Para remover uma raiz fraturada no fundo do alvéolo deve-se utilizar instrumentos delicados como elevador de Heidbrink, cureta, periótomo. Quando não se consegue ou não se tem o instrumental, deve criar um acesso com uma broca para criar ponto de apoio ou cortar o septo inter radicular. Existem técnicas que atualmente não são tão usuais, mas que podem ser utilizadas, como a da lima endodôntica de alto calibre. A técnica consiste em travar a lima no fragmento do conduto radicular e puxar com a mão ou pinça hemostática, removendo o fragmento.Acesso no ápice do dente → Apicectomia A técnica consiste em fazer um acesso com broca e depois empurrar com um instrumental no sentido do alvéolo, para assim, remover o fragmento. Essa técnica é conhecida pelo extrator radicular (extrator dentário atraumático), que fazem o mesmo princípio da lima porém de uma maneira mais sofisticada. Nesse caso uma raiz que não tinha apoio para fazer apreensão coronária, poderia ser feito um acesso com broca criando uma canaleta/osteotomia em volta da raiz, mas para preservar osso, opta-se por separar as raízes. Essa separação, dependendo do caso, pode ser feita com uma fratura previsível ou uma odontosecção com broca e quando as raízes são separadas, é criado um acesso entre elas (ponto de apoio), onde o instrumental (elevador) pode ser colocado e também facilita a saída dessas raízes. Se a segunda raiz ainda ficar difícil de remover, recomenda-se fazer uma fratura no septo inter radicular, criando ponto de apoio, removendo a mesma. CASO CLÍNICO Acesso com broca na vestibular para poder criar ponto de apoio e liberar a passagem da raiz residual. 72 Nicole Júlia Levandovski Foi feito um retalho com incisão relaxante (imagens 1, 2 e 3), descolamento (imagem 4), broca tronco cônica e seringa com irrigação de soro fisiológico, para manter a broca refrigerada pois se ela superaquecer, superaquece o osso e pode causar uma reabsorção óssea futura (imagem 5), feito o desgaste na parede vestibular, enxerga-se a raiz (imagem 6) e a mesma é removida com elevador (imagem 7 e 8). Feito isso, reposiciona-se o retalho na posição original (imagem 9) e começa a sutura pela relaxante (imagem 10), pois ela é o ponto de referência - se começar na crista, sem perceber, podemos suturar a papila na distal e puxar ela mais para mesial e quando chega na relaxante, não sobra tecido, fica afastado -. Sutura feita por primeira intenção devido a perda óssea e desgaste com broca e também pela retalho que dá uma maior flexibilidade (imagem 11 e 12). EXTRATOR DENTÁRIO ATRAUMÁTICO Como dito anteriormente, exerce a mesma função da lima porém de forma mais sofisticada por ser um dispositivo melhor desenvolvido, tendo maior índice de sucesso. O parafuso vai “prender” na raiz. Geralmente é feito um preparo interno na raiz com uma broca específica, cada uma tem um diâmetro e comprimento, devido aos dentes terem condutos radiculares alguns mais estreitos outros mais amplos, para depois a peça do parafuso travar na luz do canal. Então essa peça de parafuso depois de rosqueado é ligado/prendido no cabo de aço e a parte branca é apoiada no dente vizinho para fazer uma contraforça e enquanto vai “girando” o cabo da ponta lentamente, ele vai puxando o cabo de aço, que transfere a força para o pino preso no dente que vai ser extraído e é apoiado nos dentes vizinhos, com isso o dente é extraído. É interessante fazer sindesmotomia e luxar o dente antes para facilitar sua retirada com o extrator, pois é muito comum na hora de puxar, o pino soltar ou fraturar a raiz. O preparo no conduto pode ser feito com um contra ângulo de implante ou baixa rotação. O pino vem com uma chave para ajudar na hora de rosquear no conduto radicular após preparado. 73 Nicole Júlia Levandovski EXODONTIAS ATRAUMÁTICAS: CASO CLÍNICO 1 Após o preparo do conduto, colocação do pino e preensão do cabo de aço, na hora de apoiar no dente vizinho, o paciente só possuía um na mesial, então foi colocado silicone de condensação pesado no rebordo para criar o apoio de ambos os lados. Não se deve fazer apoio em poucos dentes ou em dentes fragilizados pois podem quebrar, por isso deve fazer um apoio distribuído. CASO CLÍNICO 2 Dente extraído por indicação ortodôntica Nesse caso como não tem um conduto radicular aberto para fazer o preparo e colocar o pino, optou-se por fazer um “furo” na coroa, atravessando de vestibular para lingual e nesse “furo” é por onde foi passado o cabo de aço (não é feito com o mesmo tipo de aço que se prende no pino). Após laçado, o cabo prende nos ganchinhos e é tracionado para remover do alvéolo, sempre com apoio nos dentes vizinhos. Deve ser feito a sindesmotomia também. obs. um dente que está em processo de ortodontia possui o dente mais fácil de ser removido devido a parte óssea não estar tão mineralizada na região. CASO CLÍNICO 3 Dente 11 com perda óssea grande, cárie dentro do conduto, grande perda de estrutura. Até poderia apoiar nos dentes vizinhos, mas por ser uma região estética, optou-se por colocar silicone na moldeira (sem pressioná-la até o dente tocar no metal pois se não a força vai ser transferida do metal pro dente diretamente e a função do silicone é dissipar a carga em uma superfície maior). Depois disso foi feito o mesmo procedimento do caso clínico 1. 74 Nicole Júlia Levandovski INDICAÇÕES DA EXODONTIA COMPLEXA/COMPLICADA: Raízes residuais que não avulsionam por via alveolar Raízes Fraturadas ou Cáries extensas Necessidade de confecção de retalhos (ex. dente incluso, submucoso) Necessidade de osteotomias ou odontossecção Dentes com hipercementose Raízes divergentes ou dilaceradas Dentes molares no assoalho ou próximo ao seio maxilar ODONTOSSECÇÃO E OSTEOTOMIA CASO CLÍNICO 1: Dente com hipercementose em uma das raízes Foi feito retalho, posteriormente odontesecção. A raiz que não apresenta hipercementose foi feita luxação e removida normalmente, a outra teve que ser feito um acesso com broca, removendo o septo inter radicular para liberar a passagem da raiz CASO CLÍNICO 2: Dente decíduo não esfoliado Deve tomar muito cuidado para o dente permanente não sair junto com o decíduo na hora da extração devido a raiz do decíduo estar abraçando o permanente, por isso deve ser feito a osteotomia e odontosecção, removendo uma raiz de cada vez, não correndo o risco de puxar o germe do dente permanente. ODONTOSECÇÃO VANTAGENS Reduz quantidade de osso a ser removido Diminui a resistência à avulsão (pois o tecido duro é removido, a parte óssea que segura o dente no alvéolo) Diminui tempo operatório Não lesa dentes vizinhos Diminui riscos de fraturas dento alveolares TÉCNICAS PARA ODONTOSECÇÃO Pode ser realizada: ✦ Sem retalho ✦ Com retalho ✦ Com retalho e osteotomia/alveolectomia 75 Nicole Júlia Levandovski Muitas vezes um retalho em envelope basta, mas frequentemente, uma incisão relaxante deve ser feita na porção anterior ou posterior do retalho, expondo melhor o tecido ósseo, para realização concomitante da alveolectomia / osteotomia. O seccionamento pode ser feito paralelo ao longo eixo ou perpendicular, a altura do septo inter radicular determina a técnica a ser utilizada, quando baixo o seccionamento é paralelo, quando alto e que envolva a furca da raiz é perpendicular. SECCIONAMENTO PARALELO: Pode ser feito o uso de um instrumento rotatório para que seccionar o dente próximo a firca, e com um cinzei e martelo (ou elevador), fratura-se a furca SECCIONAMENTO PERPENDICULAR (COROA): Seccionamento da coroa dental em nível de crista gengival e do remanescente da estrutura radicular dividindo em porção mesial e distal SECCIONAMENTO POR MEIO DA BIFURCAÇÃO: Após exposição da furca por alveolectomia, com um instrumento rotatório, secciona-se a coroa em uma das raízes (birradiculares) ou em duas, deixando a coroa juntamente com a raiz intacta. Que com um fórceps pode ser removida, em seguida remove-se a(s) outra(s) raiz(s) separadamente. (por alveolectomia ou doença periodontal severa) ODONTOSECÇÃO - MOLARES INFERIORES (BI-RADICULAR) 76 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICAS O corte único feito de vestibular para lingual, devido sua anatomia dental Caso utilizado em destruição coronária ou remoção da coroa (secção perpendicular) Ao invésdo corte ser paralelo ao longo eixo, é feito um corte perpendicular que separa a raiz distal (presa na coroa) da raiz mesial (dentro do alvéolo). Não é muito usual por deixar um fragmento de raiz pequeno e pelo desgaste ósseo feito até a região de furca. Fazer o ponto de fragilidade na parte superior ao invés na região de furca, depois fratura com elevador ODONTOSECÇÃO- MOLARES SUPERIORES (TRI-RADICULAR) TÉCNICA Corte perpendicular ao longo eixo do dente, separando as raízes vestibulares, deixando a coroa presa à raiz palatina e depois remove-se as duas raízes vestibulares que ficaram dentro do alvéolo. (sentido vestibular-lingual até a metade e depois cortar da mesial para distal) OSTEOTOMIA E ODONTOSECÇÃO DE DENTE INCLUSO Incisão em envelope sem relaxante + Osteotomia no palato + Odontosecção perpendicular 77 Nicole Júlia Levandovski Incisão em envelope com relaxante + Osteotomia na maxila + Odontosecção perpendicular Exodontias Múltiplas ✦ Remoção de mais de um dente no mesmo ato cirúrgico. ✦ Seguem as mesmas técnicas das exodontias simples e complicadas ✦ Relevar a recuperação estética e funcional em planejamento protético (próteses convencionais ou implanto- suportadas) ou seja, na cirurgia deve-se pensar no que vai ser feito depois, pois o manejo ósseo é diferente se for feito implante, protocolo, pt Após feito a exodontia múltipla, fica a crista e espículas ósseas, e para adaptar um PT fica complicado, machuca o paciente, por isso deve ser feito a regularização (com alveolótomo, broca cirúrgica de peça reta, lima para osso), para a cicatrização ocorrer de forma regular, bem como o tecido e ajudar na hora da sutura. Alveoloplastia A alveoloplastia com o alveolótomo ou osteótomo pode ser feito se for no caso de uma prótese removível, diferentemente se for um implante, que é interessante preservar esse formato de gengiva deixado após a extração. Membrana de PRF Serve para dar volume e levar células de fatores de crescimento para o enxerto. O sangue do paciente é coletado, depois centrifugado, depois é colocado na caixinha de processamento, onde é feito a compressão para compactar, tornar-se membrana e é misturado com biomaterial, pronto para ser utilizado. 78 Nicole Júlia Levandovski CORONA VIRUS DISEASE 2019 (COVID-19) INTRODUÇÃO Doença Epidêmica Infecciosa (atualmente é pandêmica pois chegou em outro lugares do mundo), causada pelo Corona vírus (SARS-coV2). SARS: Síndrome Respiratória Aguda coV2: Corona vírus tipo 2 (Corona = coroa de espinhos) VÍRUS (SARS-COV2) ➢ RNA envolto por uma camada de lipoproteína, de estrutura frágil e primitiva ➢ Reprodução assexuada por brotamento e se adsorve nas células vizinhas CLASSIFICAÇÃO Pertence ao Grupo IV de Baltimore (foi enquadrado em 1995) Família Coronaviridae - Gênero Beta - Espécie corona vírus HISTÓRICO → Origem: Mercado de Animais Silvestres e Frutos do Mar - dez/2019 - Wuhan; China 1. HOSPEDEIROS → Morcego Insetívoro (Rhinolophus ferrumequinum) → Pangolim (herbívoro, omnívoro) (Pholidota - Manis javanica) 2. CULTURA Em muitos países asiáticos, a sopa de morcegos é conhecida como uma iguaria popular rica e cara. MORCEGO Geralmente de 29 a 35cm de envergadura Pelo fofo e macio** Espalham a doenças pelas fezes 5-7 anos de vida **conforme ele voa, ele deixa seus restos de pelo e fezes e o Pangolim se alimenta PANGOLIM 3,6kg – 49cm A carne é uma iguaria cara no Ocidente Jacartas vendem 40-60kg/dia/vendedor – morcegos, ratos, cães e pangolins (4uros/kg) As escamas do Pangolim são retiradas e vendidas para fazer óleos essenciais e são trituradas para fazer farinhas, temperos e massas. Posteriormente, será exposto ao ar livre (onde pode ser contaminado novamente através dos pelos do morcego) e desidratado, servido sua carne para ser aproveitada em salmoura ou conserva. o vírus se conecta à célula através desses espinhos e existe um mecanismo, cujo ainda não descobriram, que ele comanda a nossa célula e ela abre a membrana para ele entrar. 79 Nicole Júlia Levandovski ROTAS DE TRANSMISSÃO DIRETA Uma pessoa contamina outra, a contaminada contamina em média 3 pessoas através de aerossol Pessoa → Pessoa Gotículas de saliva, tosses, espirros, contatos orais, nasais, oculares e fetais Hipóteses Viras – teoria de como começou Morcego → Pangolim (mutação e recombinação) → Humanos EM HUMANOS, HÁ 3 TIPOS DE VÍRUS A – primeiro vírus, original do morcego e parentes afins, encontrado na ásia, sofreu mutação do seu código genético e formou uma geração de vírus B B – mais próxima do leste asiático C – europa, frança, itália, suécia, dinamarca e EUA No Brasil, é o grupo C que se assemelha aproximadamente ao vírus da Alemanha Através de mapeamento genético, estão codificando e comparando em banco de dados computacional do projeto genoma de várias espécies para saber se já existia o corona vírus em um perído pré-histórico Até então só existe 1 cepa de SARS-COV2 (com vários tipos, porém somente uma geração/ família) FISIOPATOLOGIA TRÍADE → nariz, olhos e boca (essas mucosas são muito parecidas geneticamente) | afeta coração, pulmão e rins PROTEÍNA ACE2 OU ECA2: Ela que obedece ao comando do vírus para entrar em nossas células (abrindo o poro da célula) e está presente em nossa membrana celular. Então o vírus entra, se prende com os espinhos e deposita seu material genético RNA, infectando todas as células, alterando nossa síntese de proteína ribossômica, começando a guerra do vírus contra o nosso sistema imunológico. Ele se multiplica até ter milhões de cópias no nosso organismo ENZIMA CONVERSORA DE ANGIOTENSORA 2AC OU ECA2 Proteína do grupo das angiotensinas, ligada ao sistema renina-angiotensina (aldosterona renal). Ela controla o papel da pressão arterial sanguínea e homeostase dos fluidos corporais. Um grupo chinês estudou a ACE2 em saliva em pacientes assintomáticos ao corona vírus, foi observado que 91.7% desses pacientes tinham amostra positiva de coronavírus na saliva, principalmetne em gls salivares menores. A expressão proteica da ACE2 em gls salivares é altissima em relação às outras células corpóreas, ou seja, o grande reservatório de SARS-COV2 no nosso corpo é na saliva, principalmente em gls salivares menores. SINTOMAS Incubação de 2-14 dias Geralmente febre, tosse, cansaço, dificuldade de respirar e falar, infecção de garganta, diarreia, mialgia Boca: Disfagia (disfagia (alteração da deglutição) garganta congestionada; anosmia (perda total do olfato); ageusia (perda total do paladar) ou disgeusia (perda parcial do paladar) 80 Nicole Júlia Levandovski A perda do gosto se dá devido a presença do vírus na saburra lingual. A ageusia ou disgeusa pode ficar até cerca de 2 meses depois da crise. A fragilidade capilar nessa região da boca, em pacientes portadores sintomáticos do covid, ela forma em pequenos trombos, podendo levar trombose em assoalho de boca Deve-se fazer um exame chamado Dedímero (produto de degradação da fibrina). Ele pontua se a pessoa tem tendência a ter trombose venosa, embolia e a primeira análise é feita na língua/assoalho de boca OBS. A presença de candidose, herpes, úlceras, líquen plano, leucoplasia, em pacientes em estado terminal de COVID é muito frequente devido à falta de assepsia oral associado ao uso de ventilação por respiradores. DIAGNÓSTICO CLÍNICO → Oxímetro de dedo (mede a saturação de oxigênio, deve estar cima de 93) ideal 98 → Temperatura com termômetro digital infravermelho (deve estar abaixo de 37.3) ideal 36.5 LABORATORIAL → Técnica de RT-PCR em tempo real: Sequenciamento total ou parcial do genoma viral → Teste rápido: detecção de Ac, IgM, IgG por cromatografia de fluxo lateral (amostra de sangue) O resultado negativo nãoexclui a infecção e diagnóstico O resultado positivo pode não ser absoluto de SARS-cov2 COLETA EM TEMPO REAL - PCR → É feita através de coleta oral ou nasal com SWAB Swab nasal até a região posterior do nariz e swab oral é até a região da glote, fazendo movimento circular, removendo o material/saburra, coletado e levado para o laboratório. O falso negativo ocorre pois a sensibilidade das amostras variam, nem sempre a coleta é efetiva, pode ser por falta de prática, pouco material colhido para amostra, oscilação da carga viral (baixa) A coleta deve ser realizada do 1° ao 10° dia de sintoma. E o resultado negativo ainda pode não concluir que a pessoa possui o vírus. A partir do 7° dia de sintoma indicam IgM (infecção recente) e IgG (infecção tardia). PCR X TESTE RÁPIDO PCR: Coletado com swab em secreção de mucosa de boca e nariz Mínimo 4hrs Enviado para análise em laboratório Exame rastreia material genético do vírus TESTE RÁPIDO: Coleta de gota de sangue Entre 10-30min O material vai diretamente para o aparelho que mostra o resultado Exame busca anticorpos 81 Nicole Júlia Levandovski CARACTERÍSTICAS ORAIS Enantema pelo palato circundando as superfícies de esmalte, manchas, placas, ulcerações, vesículas, eritemas multiformes, candidose, lábio edemaciado, gengivite descamativa, herpes, trombose sublingual, diminuição do fluxo salivar que leva a xerostomia, perda do paladar, hiperplasia gengival, etc... INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS IGM E IGG EM COVID-19 (PCR) IgG – e IgM – IgG + e IgM + IgG – e IgM + IgG + e IgM – Não houve infecção e o indivíduo é susceptível Houve ou ainda há infecção e poderá transmitir o vírus Há infecção e poderá transmitir o vírus Houve infecção, apresenta imunidade contra o vírus e não poderá transmiti-lo TRATAMENTO Por enquanto não há medicamentos ou terapias aprovadas para tratar a COVID-19 no Brasil e no mundo. As abordagens atuais baseiam-se em controlar os sintomas, prevenir infecções e tentar evitar o avanço da doença. ESTRATÉGIAS PARA DIMINUIR O CONTÁGIO ISOLAMENTO SOCIAL Estima-se que 1 portador contamina 3 pessoas e com o bloqueio de no mínimo 1m50- 2m de distância, obtém-se uma contenção de propagação do vírus, porém estudos mais avançados baseados na envergadura de um espirro, poeira em suspensão, material particulado, carga viral, estão concluindo que 2 metros de distância é pouco, sendo o ideal 4 metros. HIGIENE CORRETA Lavar as mãos, uso de álcool gel, evitar maçanetas, corrimões, torneiras, roupas, etc 82 Nicole Júlia Levandovski O vírus é sensível ao ph básico do sabão Limpeza de utensílios e superfícies com álcool 70% líquido e spray Tapete higienizador (sanitizante pedilúvio) Uso obrigatório de máscara Remoção de bigode, barbas, maquiagem Lavar cabelo com sabonete MÁSCARAS Máscara P100: 0.02microns e 20nm de espessura Máscara PFF3: 0.023microns e 23nm de espessura Máscara PFF2 e N95: 0.3microns e 300nm de espessura Máscara cirúrgica: 2microns e 2.000nm de espessura OBS. O coronavírus apresenta 0.12microns e 120nm QUANTO TEMPO O CORONAVÍRUS SOBREVIVE NAS SUPERFÍCIES Aço inoxidável → 72hrs Plástico → 72hrs Papelão → 24hrs Poeiras → 40 minutos a 2h30 OBS. O VÍRUS SOBREVIVE MAIS EM LOCAIS ÚMIDOS, POUCO VENTILADO, SUPERFÍCIES SÓLIDAS E BAIXAS TEMPERATURAS CONCLUSÃO O vírus SARS-CoV2 causa a doença Covid-19 A taxa de mortalidade (OMS) acomete 20% os idosos e comorbidades (doenças de base) Adultos saudáveis 2%> entre fumantes Crianças até 10 anos: mortalidade quase zero com raras exceções Animais: há relatos que já foram contaminados 83 Nicole Júlia Levandovski SELEÇÃO NATURAL POR QUE EXISTEM PESSOAS ASSINTOMÁTICAS? Darwin – origem das espécie → Quem se adapta sobrevive. Um grupo de pessoas infectadas assintomáticas foram estudadas através de sua imunologia. Foi avaliado que umas pessoas estão mais preparadas imunologicamente/geneticamente que outras, principalmente em seus linfócitos T (imunidade humoral). O vírus age normalmente até a entrada da célula, porém os linfócitos T não permitem que haja sintomatologia (a pessoa tem covid, mas ela não sente). A maioria das pessoas são sintomáticas e desenvolveram anticorpos, conhecido como “imunização de rebanho”, onde se 70% da população de um local estiver contaminada, o vírus recai, se enfraquece e não encontra mias pessoas suscetíveis, mas no Brasil não é possível acontecer pois a população é muito grande e seria um caos para toda a humanidade. VACINAS EM ESTUDO Atualmente, as vacinas se resumem em dois tipos: as direcionadas para os espinhos (spikes) e as direcionadas ao RNA do vírus. Estudam-se fazendo coletas em boca, recrutando pacientes adultos sadios negativados para Covid. Vacinas são substâncias biológicas preparadas a partir dos microrganismos causadores das doenças (bactérias e vírus), sendo modificados laboratorialmente de forma a perderem sua potência de provocar a doença. → A primeira etapa vacina é identificar se é vírus ou bactéria e quais suas características → A segunda etapa é a fase pré-clínica, cujo é testada em animais → A terceira etapa é a clínica, cujo é testada em humanos, então começa as fases. → Fase 1 ou 4. Começa testar em poucas pessoas, geralmente entre 20 e 100. Adultos, sem cormobindades e sadios. → Fase 2 ou 5. Analisa mais detalhadamente a eficácia do produto em um grrpo maior, um pouco mais de 100 pessoas. → Fase 3 ou 6. A Eficácia e segurança do produto: quantas doses? Tem efeitos colaterias? TESTAGEM EM HUMANOS FASE 1. Voluntários adultos totalmente monitorados FASE 2. Centenas de pessoas com dose e horário correto. São escolhidos de forma randomizada (aleatória) ou seja, uns recebem a vacina e outros recebem placebo FASE 3. Ensaio em larga escala (milhares de indivíduos) e posteriormente recebem registro sanitário e são aprovados. 84 Nicole Júlia Levandovski TIPO 1. SPIKES – JHONSON / OXFORD Eles pegaram a espícula do coronavírus, trituraram e introduzem em um vírus chamado Adenovírus. Então esse vírus recebe um material que não é dele, vai ficar recombinante e então introduzem em primatas – Macacos Rhesus. TIPO 2. RNA – MODERNA / CHINESA 85 Nicole Júlia Levandovski CIRURGIAS PRÉ-PROTÉTICAS TECIDOS MOLES INTRODUÇÃO Cirurgias para melhorar ou possibilitar a instalação de aparelhos protéticos em pacientes com deficiências na qualidade do rebordo alveolar. É necessário planejamento cirúrgico e protético simultâneo para melhores resultados. Em outras palavras, tem como função melhorar a instalação e adaptação de aparelhos protéticos, tendo a qualidade do rebordo, osso e tecido mole para termos um planejamento efetivo dessas próteses e bom resultado. ALTERAÇÕES ÓSSEAS DECORRENTE A PERDA DENTAL Reabsorção do osso alveolar: após a extração ou perda do dente, o alvéolo vai ser preenchido por sangue para que ocorra a cicatrização óssea e fechamento da gengiva, se não houver a inserção de dente ou prótese, vai ocorrer a reabsorção óssea/perda óssea deficiente a medida do envelhecimento e movimentação. Com isso, tem-se uma incompetência muscular. ALTERAÇÕES DE TECIDOS MOLES INCOMPETÊNCIA MUSCULAR As nossas atividades musculares de mastigação e deglutição muda devido a ausência dos dentes, ocorre uma invaginação dos lábios e proeminência/protrusão do mento (devido ao déficit mastigatório). Isso leva a uma perda no tônus muscular, levando a uma flacidez labial. FLACIDEZ LABIAL Os lábios superior e inferior ficam finos, ocorre um aprofundamento das linhas nasolingual, onde tem-se uma perda de perfil. ASPECTO SENILO paciente perde altura, contorno, tônus, função e estética. Portanto, conclui-se que a perda dental leva a uma alteração estética muito pronunciada. CIRURGIAS EM TECIDOS MOLES → Remoção de Hiperplasias → Frenectomias: Lingual e Labial → Remoção de Bridas → Rebordo Flácido → Aprofundamento de Sulco ANORMALIDADE DOS TECIDOS MOLES O nosso maciço crânio facial tem o esqueleto móvel e fixo da face (mandíbula e maxila), mas quando falamos, engolimos, mastigamos, temos uma função motora que também obedece a estímulos. 86 Nicole Júlia Levandovski Com a anormalidade dos tecidos, gera: Tecido com hipermobilidade Fibroses excessivas Lesões inflamatórias Hiperplasia fibrosa inflamatória de vestíbulo (HFI) Hiperplasia de palato inflamatória (HPI) Inserções musculares anormais Freios anormais Posicionamento de língua e lábio anormal LÁBIO DUPLO Patologia onde o indivíduo edêntulo cria um tecido abaixo do lábio. O tecido deve ser bem contido na pinça allis, mosquito reta ou curva ou dente de rato (para que não haja deslize do tecido na incisão) e deve demarcar a área de incisão. Incisão com lâmina de bisturi 15 ou 15C, em formato de cunha, com a lâmina entrando em 90° e percorrendo linear em 45° na região vestibular e lingual da estrutura Após a remoção do tecido, observa-se uma área cruenta (Exposta) Com a mesma pinça, remove-se algumas reinstrancias, pedículos, promovendo a plastia do tecido mole 87 Nicole Júlia Levandovski Obs. Cirurgia em tecido mole costuma sangrar mais devido à alta vascularização local. Quase nunca é possível uma incisão única, deve ser feito em partes. O descolamento com uma tesoura ou pinça pode ser feito para ter uma maior sutura. Utiliza-se um fio de vicryl (absorvível) e sutura contínua, pois é uma grande área e ela se mantém mais firme. Sutura com fio de nylon ou algodão deve ter uma sutura individual + aplicação de laser para que não haja tanto edema + terapia medicamentosa antibiótica, antiinflamatória, analgésica + gelo e alimentação adequada A base do retalho deve ser maior que a margem gengival livre, pois o tecido mole se cicatriza através da incisão e sutura. REMOÇÃO DE HIPERPLASIAS Podem ser uma fibrose, fibroma, mordiscamento Apreensão com pinça allis, incisão em cunha/navicular No caso do fibroma ser em base de língua, a apreensão pode ser feita com gaze ou fios de sutura HIPERPLASIA DEVIDO A PIERCINGS Com apreensão da pinça allis, é feita a incisão e o mesmo procedimento de remoção 88 Nicole Júlia Levandovski FREIO LINGUAL Inserção anormal do freio geralmente mucosa, tecido conjuntivo denso, que quando está muito abaixo da inserção normal, pode provocar fibras superiores no músculo genioglosso. Une a ponta da língua à superfície posterior do rebordo alveolar de mandíbula, podendo afetar a fala, deglutição, estética e fonação. A língua sofre uma tração do freio lingual, impossibilitando os movimentos de lateralidade, superior e inferior. (língua presa) Frenotomia x Frenectomia: a frenotomia é o alívio do freio, enquanto a frenectomia é a remoção do freio (não inteiro, mas do que está em excesso, pois a língua precisa de um equilíbrio em sua postura) INCISÃO ➢ Horizontal na porção superior da inserção do freio até a superfície inferior da língua (base) A incisão e o debridamento pode ser feito com tesoura curva ou bisturi (cuidado para não injuriar estruturas adjacentes). A apreensão é feita com a pinça mosquito reta e a divulsão com a tesoura metzenbaum, de preferência curva de extremidade arredondada. Depois é feito uma manobra de direita-esquerda de movimento para ver se a língua acompanha ou se precisa de mais uma incisão para a clareza de movimento. E por último a sutura. Sutura de insucesso: Fio curto e com espaços mal dimensionados ➢ Técnica do duplo pinçamento Uma pinça mosquito reta denteada na porção superior e outra na porção inferior da língua. O tecido é tracionado na base da língua e então é feita a incisão de cima para baixo, removendo o “triângulo” 89 Nicole Júlia Levandovski Depois é feita a divulsão com a tesoura metzenbaum apenas com a ponta ativa, fazendo juntamente pequenas incisões com a tesoura em lateralidade Então com a própria tesoura, deve incisar novamente a área de forma que crie maior espaço (a primeira incisão é feita com o propósito de criar espaço para a divulsão) Depois é feito a manobra direita-esquerda de movimento e suturas individuais. A primeira sutura é feita no ponto médio da língua, com o auxílio de uma tesoura iris reta Obs. sempre deixar o nó para o mesmo lado para eficiência na cicatrização REDUÇÃO DE MACROGLOSSIA Procedimento contra indicado a ser realizado em consultório, pois apresenta alto grau de sangramento, edema em assoalho de língua e sínfise e possível trombos. 90 Nicole Júlia Levandovski Incisão côncava em ventre de língua, de posterior a anterior Sutura contínua em lingual e vestibular obs. o paciente vai precisar fazer tratamento com fono para restaurar a fala, deglutição, etc FREIO LABIAL SUPERIOR Inserções de freio labial consistem em finas bandas de tecido fibroso cobertas com mucosa estendendo-se ao lábio e bochecha ao periósteo alveolar/rebordo TÉCNICAS ARCHER CLÁSSICO 1956 – duplo pinçamento (curva mosquito superior + reta mosquito inferior) 2 pinças e 1 lâmina ARCHER MODIFICADO – duplo pinçamento (curva mosquito superior + reta mosquito inferior) 2 pinças, 1 lâmina e tesoura KRUGER 1987 – adultos; incisão em V e Y PETERSON 1993 – desinserção total Caso clínico utilizando a técnica de Archer Modificado + Peterson. Com as pinças mosquitos curva e reta, pressiona-se a base do freio, formando um “triângulo”. Então remove-se o freio, faz a divulsão e sutura FREIO LABIAL INFERIO OS FREIOS SÃO A CAUSA OU O EFEITO DOS DIASTEMAS? São a causa. 91 Nicole Júlia Levandovski REMOÇÃO DE BRIDAS São os freios nas laterais da mucosa. Mesma técnica utilizada nos freios labiais superior e inferior (anetesia, duplo pinçamento, incição e remoção do triâangulo, divulsão e sutura) REDUÇÃO DA TUBEROSIDADE MAXILAR É a remoção dos tecidos moles e tecidos duros, promovendo espaço adequado entre os arcos para permitir uma boa moldagem e confecção protética na região posterior Incisões: remoção elíptica ou linear ao longo da tuberosidade na área a ser reduzida APROFUNDAMENTO DE SULCO VESTIBULAR Consiste na desinserção de planos musculares e na obtenção de altura do rebordo, podendo ser maxila ou mandíbula, anterior e posterior CAUSAS → Atrofia alveolar → Processos cicatriciais → Anatomia → Alveoloplastias extensas → Doenças periodontais → Tumores → Osteomielites TÉCNICAS 1. KAZANJIAN - Incisão horizontal paralela ao rebordo com 1,5cm Borda do retalho é suturada ao periósteo junto ao fundo do novo sulco (Suturas interrompidas – para que não haja uma sobreextensão do retalho) 2. OBWEGESER – 3 incisões vestibulares → 1 mediana e 2 na altura dos caninos (incisões verticais) Tunelização da mucosa com tesoura romba 3. CLARK – Apenas em região anterior de mandíbula (canino a canino). Interferência do músculo mentual enquadrado no mento. Incisão vertical vestibular a crista do rebordo (suturas interrompidas) Obs. as técnicas 1 e 2 são cicatrização por segunda intenção ou epitelização secundária. Para a cirurgia, primeiro é feito a remoção dos freios labiais e posteriormente o aprofundamento PRINCÍPIO FUNDAMENTAL Planos homólogos e superfícies cruentas se defrontam → por exemplo: só se sutura lábio com lábio e não lábio com língua, nem língua com gengiva, nem mucosa com lingua. 92 Nicole Júlia Levandovski PRÓTESES IMEDIATAS Vantagens – psicológicos, estéticos, tamponamento do leito cirúrgico, menos edema. Melhor adaptação dotecido ao rebordo alveolar, dimensão vertical. Desvantagens – confecção de outra prótese, reembasamento, uso de condicionadores- coeconfort, rebase, soft confort, ufigel, uso continuo. Higiene a cada 24 hs. 5 a 7 dias = remoção de sutura. Após 3 meses = prótese definitiva. ENXERTOS ◼ MD – osso autógeno ou alogênico e materiais aloplásticos 1980 – 1990 – hidroxiapatila (HA) , biocompatível sintética ou biológica – coral. THOMA E HOLLAND (1951) ◼ Enxerto ósseo corticomedular autógeno em bloco - crista ilíaca, fio de aço, reabsorção em 70%. Hoje (FIR) pequenos parafusos, regeneração tecidual guiada, membrana colágeno (absorvível ou não) ◼ MX Enxertos aposicionais de mx – blocos corticomedulares de crista ilíaca, anel de fíbula – parafusos autorrosqueantes – implantes. HA semelhante a md. ◼ Osso de boi – liofilizado ◼ Osso humano – Banco de tecido músculo esquelético, congelado. ◼ Bloco – Osso fêmur humano 93 Nicole Júlia Levandovski CIRURGIAS PRÉ-PROTÉTICAS TECIDOS DUROS DEFINIÇÃO Manobras cirúrgicas realizadas em maxila e mandíbula com a finalidade de obter condições para instalação de aparelhos protéticos / suportar uma prótese adaptada. CIRURGIAS EM TECIDOS DUROS → Regularização de rebordo → Tuberoplastia → Remoção de Torus – Maxila (palato) e Mandíbula (lingual e vestibular) → Exostose REGULARIZAÇÃO DE REBORDO É o aplainameto do rebordo, cristas alveolares, vindas de múltiplas extrações, alveolectomias, alveoloplastias, remoção óssea de um porção do processo alveolar, espículas, depressões, bordas e irregularidades. Pode ser feita com brocas maxicut /minicut ou lima de osso tipo miller ou periodontal. É feita sempre após o processo de extração e antecedendo a sutura. Também conhecido como alisamento, cujo é irrigado com soro. COMO É FEITO? Se divide em tipos: 1. Estabilizadora (mínimo de redução óssea) – limagem econômica para não perder base óssea 2. Corretora (promove adaptação, estabilidade e estética) – limagem radical 3. Intrasseptal (lima miller, tesoura goldmanfox) Obs. para que haja efetividade do laser na cirurgia, para que o leito cirúrgico fique íntegro, sem ficar afundado e sem depressão, deve-se fazer a plastia óssea TORUS MANDIBULARES São protuberâncias ósseas benignas, uni ou bilaterais, altura de pré-molares e canino. Em outras palavras, são deposições ósseas anormais que geralmente ocorre entre os pré-molares, bilateralmente. UNILATERAL - exostoses BILATERAL - torus mandíbula TORUS maxila ANESTESIA: bloqueio bilateral do nervo lingual e alveolar inferior INCISÃO: cristal/retilínea (1-1,5cm) - além dos limites, longa p/desdentados, festonadas p/dentado RETALHO MUCOPERIOSTAL: osteotomia e ostectomia, irrigação, aplainamento, sutura interrompida ou contínua MESA CLÍNICA / MATERIA UTILIZADO EM CIRURGIA DE TORUS Limas, curetas, lâmina de bisturi, pinça, osteótomo, cuba autoclavável, brocas, caneta de alta rotação/peça de mão, pinça reta e curva mosquito, tesoura íris e goldmanfox., seringa, afastadores de minessota e língua, espelho e fio de sutura Obs. em cirurgia de torus, faz-se necessário uma radiografia oclusal 94 Nicole Júlia Levandovski RMEOÇÃO CIRÚRGICA DE TORUS MANDIBULAR Começa fazendo um retalho mucoperiostal e depois a osteotomia através da técnica de canaleta, entrando vertical e percorrendo horizontal, sempre com irrigação de soro fisiológico (para não superaquecer o osso e causar necrose). Após a remoção do torus é feita a limagem/plastia e suturas individuais. Depois é feita a aplicação de laser para promover redução de edema, melhor cicatrização e analgesia (não é feito em lesões malignas ou lesões indiferenciadas, com atipias celulares/nucleares) Todo material tirado da boca (peça cirúrgica) deve ter como meta, ser enviado para o anátomo-patológico. TORUS PALATINO/MAXILAR → Exostose óssea na região do palato → 20% gênero feminino e 40% gênero masculino FORMAS: LOBULADA Porção única Incisão sulcular até região de molar e retalho descolado até região de incisos Misto: ovalado e lobulado OVALADA ALONGADA FUSIFORME . formato salciforme ANESTESIA: Bloqueio dos nervos palatinos maiores, incisivo e infiltração local (se necessário) INCISÃO: semilunar de Winter (quando torus pequenos): Dorrance ou Duplo Y – incisão na linha média com relaxantes oblíquas anterior – posterior. RETALHO MUCOPERIOSTAL: secção óssea com brocas fissuras ou cinzel e martelo, suturas, higiene e recondicionadores de tecido. REMOÇÃO CIRÚRGICA DE TORUS PALATINO/MAXILAR Indicado para instalação de próteses em indivíduos edêntulos, por injúria tecidual recorrente ou por estética Começa com uma incisão inicial na linha média, depois promover as relaxantes superior direita e esquerda e inferior direita e esquerda. Faz o descolamento de todo o tecido, remove o torus com broca (cuidado em palato para não remover em excesso e forma fístula – é causado por aquecimento da broca ou por imperícia do profssional, portanto deve ser bem irrigada). Para auxiliar na visualização, recomenda-se suturar um linha em cada relaxante para afastar o retalho 95 Nicole Júlia Levandovski COMPLICAÇÕES → Hematoma → Fratura ou perfuração do assoalho da fossa nasal → Necrose do retalho (por superaquecimento da broca/falta de irrigação) EXOSTOSE MAXILAR UNILATERAL “Goteira” o mesmo que “provisório”. Logo após a cirurgia, será instalado no paciente. Incisão linear, sem franjas, bisturi entra em 90° e percorre em 45°. Depois é feito o retalho, osteotomia, limagem e sutura com pontos isolados, sem economia de fio. O reembasamento consiste em embeber uma gaze iodoformada em soro fisiológico e então se coloca nas primeiras horas de pós cirúrgico. O paciente deve apenas ingerir líquidos para não deixar a área com pontos frágeis, portanto recomenda-se o uso de vitaminas. Só será removido no dia seguinte. TODOS OS CASOS DE CIRURGIAS DE TECIDOS DUROS SÃO NECESSÁRIOS: → Rx panorâmico, oclusal, periapical , TC. → Exames Laboratoriais - Glicemia, coagulograma e hemograma completo → Condições do paciente → Planejamento cirúrgico prévio (obrigatório) → Terapia medicamentosa (tríade) – Antibiótico, analgésico e antiinflamatório → Pós operatório – inclui-se a goteira OSTECTOMIA VESTIBULAR EM MAXILA DIREITA E ESQUERDA Brocas minicut – longa, em chama de vela, tungstênio, diamantada Mais usada em torus mandibular (azul) Vermelha mais usada em maxila Brocas maxicut – tungustênio É EXTREMAMENTE IMPORTANTE ASSEGURAR -SE QUE A DIREÇÃO INICIAL DO CORTE DA BROCA OU OSTÉOTOMO ESTEJA PARALELO A CORTICAL , A FIM DE EVITAR FRATURA DESFAVORÁVEL DA CORTICAL LINGUAL OU INFERIOR. Evitar fratura, perfuração, osteomielite ou necrose, etc 96 Nicole Júlia Levandovski TUBEROPLASTIA Redução do volume do túber vertical ou horizontal ou remoção de hiperplasias no túber (remoção de tecido ósseo tecido duro) TIPOS: Uni ou bilateral, oclusal. INCISÃO: Y ou Y invertida, Newmann, Retalho mucoperiostal. Incisão em crista, abertura do retalho, removendo toda a região de túber vestibular. Osteotomia e sutura contínua (pois era unilateral, mas deve-se evitar para que não ocorra risco de arrebentar e expor a área cruenta) O RETALHO DEVE SER MANTIDO AFASTADO DO CAMPO OPERATÓRIO POR UM AFASTADOR QUE DEVE SER APOIADO EM OSSO SADIO 97 Nicole Júlia Levandovski CIRURGIAS DO PERIÁPICE/PARAENDODÔNTICAS INTRODUÇÃO Procedimento cirúrgico que visa a resolução de problemas criados no tratamento endodôntico ou não solucionáveis por ele. Envolve a região periapical, a zona perirradicular e regiões adjacentes para as quaisas vezes o problema se estenda (ex. perfuração de raiz) O tratamento cirúrgico do canal radicular não deve ser considerado separado do tratamento não-cirúrgico (tratamento endodôntico convencional), pois o procedimento não deve ser feito sem tentar resolver/restabelecer a saúde endodôntica através do tratamento convencional. Cerca de 78% dos tratamento endodônticos cirúrgicos são realizados por endodontistas OBJETIVO Selamento de todas as vias potenciais de escape dos microrganismos do sistema de canais radiculares INDICAÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAR O RETRATAMENTO ENDODÔNTICO Acontece com pinos longos ou instrumentos fraturados Exemplo: um dente tratado endodonticamente com um pino longo instalado para reabilitação protética sofre uma recidiva de lesão, o tratamento da lesão é o retratamento de canal, porém a remoção do pino longo, principalmente em raízes fragilizadas, tem um risco grande de fraturar a raiz, então opta-se uma cirurgia paraendodôntica, mantendo o pino, removendo a lesão e fazendo um selamento do conduto do canal radicular através do ápice para poder selar as bactérias lá presentes. Nesse caso, a remoção do pino para retratamento endodôntico pode fraturar a raiz Nesse caso, o instrumento fraturado está fora do ápice. Portanto, é feito o acesso cirúrgico, remoção do instrumento e lesão. É avaliado se precisa fazer uma apicectomia, reobturação. 1. Pode ser feito apenas uma curetagem apical para remover a lesão, sem fazer nada na raiz do dente 2. Pode fazer a curetagem e depois fazer um corte na ponta da raiz 3. Ou uma retroobturação/retropreparo preparo no conduto via ápice e obturar o conduto via ápice também. Mas se a lesão tiver sendo causada por contaminação no delta apical, somente remover o instrumento fraturado não será o suficiente para solucionar o problema, portanto deve-se considerar outras modalidades juntamente à cirurgia. INSTRUMENTO FRATURADO DENTRO DO CONDUTO Se o instrumento fraturado estiver próximo ao ápice, no terço apical da raiz, é possível solucionar com cirurgia. Se estiver no 1/3 médio e cervical, não será possível remover com cirurgia paraendodôntica via ápice, nesse caso, deverá ser feito um acesso endodôntico convencional, conduto radicular via coroa. COMPLICAÇÕES ANATÔMICAS (CURVATURAS/GRAUS INTRANSPONÍVEIS) Às vezes, não é possível tratar um canal com curvatura acentuada com o tratamento endodôntico convencional, portanto a indicação pode ser cirurgia paraendodôntica. Nesse caso, o dente ainda nem está tratado endodonticamente. Então o paciente é primeiramente encaminhado para um especialista tratar o conduto (mesmo que esteja calcificado, deve ser tratado até onde puder – descontaminação química) e posteriormente, se a lesão não regredir ou piorar, então deve ser feita a cirurgia. 98 Nicole Júlia Levandovski Mesmo que a lima não chegue a ponta do ápice, só o fator químico na irrigação consegue uma descontaminação que talvez possa regredir a lesão, e então, deve-se fazer o acompanhamento posteriormente. BLOQUEIOS E DESVIOS DO CANAL FRATURA RADICULAR Poucos casos de fratura radicular podem ser resolvidos com cirurgia paraendodôntica. No primeiro caso, a fratura radicular é muito extensa, portanto, não tem outra solução a não ser extrair o dente. No segundo caso, há suspeita de trinca na raiz, portanto pode ser feito uma cirurgia exploratória: é feito um acesso na região da trinca, depois uma pigmentação com corante de azul de metileno para poder observar melhor e evidenciar a trinca. Com isso, sabemos se é possível ou não realizar a cirurgia paraendodôntica e no caso de trinca vertical, não é possível solucionar o problema. Nesses dois casos não é possível solucionar com a cirurgia paraendodôntica, apenas extração. FRATURAS RADICULARES HORIZONTAIS EM TERÇO CERVICAL: não é possível solucionar com cirurgia paraendodôntica, mas dependendo do caso pode ser feito um tracionamento na raiz, deixando ao nível cujo é possível confeccionar uma coroa ou extrair, fazer enxerto e implante. FRATURAS RADICULARES HORIZONTAIS EM TERÇO MÉDIO: não é possível solucionar com cirurgia paraendodôntica, pois geralmente após o acesso cirúrgico e remoção da porção apical da fratura, o que sobra da fratura para a cervical não é suficiente para dar sustentação para esse dente, portanto deve ser avaliado. FRATURAS RADICULARES HORIZONTAIS EM TERÇO APICAL: pode ser possível solucionar com a cirurgia paraendodôntica, porém tem a possibilidade de preservar esse dente com o tratamento endodôntico convencional e se for possível, transpassar a linha de fratura e tratar a porção apical, mantendo o dente fraturado se não houver lesão, com acompanhamento e observação, e posteriormente reabilitar a porção coronária. Se foi tentado preservar o dente com a endodontia porém acabou gerando uma lesão no ápice mesmo assim, pode avaliar a possibilidade de fazer um acesso cirúrgico, curetar a lesão e remover a porção fraturada. Ou seja, nem todo caso de fratura no 1/3 apical deve-se fazer uma cirurgia, antes disso, deve ser avaliado principalmente por um endodontista, às técnicas endodônticas existentes. EXTRAVASAMENTO DE MATERIAL OBTURADOR Se tiver assintomático é possível deixar lá e fazer apenas acompanhamento. Só é feita a cirurgia paraendodôntica se o canal estiver tratado corretamente e satisfatório, caso contrário, é feito primeiramente o retratamento do canal para posteriormente, se a lesão não regredir, fazer a cirurgia. INSUCESSO DE TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO PRÉVIO Fez o tratamento endodôntico, recidivou a lesão, refez o tratamento e recidivou de novo → quando isso ocorre, mas não for por iatrogenia (por exemplo, fez o canal sem isolamento), é melhor partir para uma cirurgia de periápice. 99 Nicole Júlia Levandovski INDICAÇÃO DE BIÓPSIA Em lesões onde a polpa encontra-se necrosada, faz-se necessário o tratamento endodôntico. Porém quando a polpa está viva e aparece uma lesão no ápice (imagem 2), na hora da remoção e curetagem da lesão, o feixe vascular acaba sendo cortado, o que levará a uma necrose pulpar. Sabendo que isso ocorre, é feito o tratamento endodôntico prévio (isso leva a uma chance menor de recidiva de lesão, justamente pela polpa estar viva e com ausência de bactérias e contaminação). Se a lesão envolver o ápice do dente vizinho, nele também é indicado o tratamento endodôntico prévio. A cirurgia é feita começando com um acesso na região da lesão, depois a remoção e curetagem de toda a loja e uma apicectomia (cortar um pedaço da raiz) e, se possível, uma retroobturação. CONTRA INDICAÇÕES RELACIONADAS AO PACIENTE (CIRURGIAS EM GERAL) Pode ser devido ao: Estado geral de saúde → Complicações cárdio-vasculares → Alterações renais, hepáticas ou qualquer outra não controlada Ou devido a: Condições psicológicas → Varia desde odontofobia (resolvido com ansiolítico), até alguma síndrome (em casos extremos, o paciente pode ser levado em centro cirúrgico e ser operado com anestesia geral) RELACIONADAS AO DENTE (ESPECÍFICO DA CIRURGIA PARAEDODÔNTICA) → Obturação deficiente Canal tratado porém insatisfatório: deve ser feito o retratamento do canal antes, como dito anteriormente. Não adianta fazer a apicectomia e curetagem da lesão sendo que o conduto radicular ainda está cheio de bactérias e contaminação, com isso, a lesão vai recidivar pois a causa do problema não foi solucionada (tratamento endodôntico). Assim como um retropreparto/retroobturação não irá funcionar pelo mesmo motivo. → Raiz curta Pois se fizer a apicectomia, não vai sobrar quase nada de raiz (dente fica sem suporte) → Envolvimento periodontal avançado Não irá ter estrutura óssea o suficiente para sustentar o dente (ainda mais se a perda óssea for em sentido vertical), associado a contaminação de microorganismos patogênicos pela doença periodontal. A avaliação deve ser feita de 1:1, ou seja, se o dente tiver20mm, 10mm de inserção óssea para 10mm que não está inserida. Apesar dessa proporção, há fatores que mesmo assim podem contraindicar, como por exemplo um paciente que tenha bruxismo. 100 Nicole Júlia Levandovski → Proximidade de estruturas anatômicas Pode causar parestesia. O tratamento indicado nesses casos é o retratamento endodôntico várias vezes, até obter sucesso, caso contrário, exodontia. → Inacessibilidade cirúrgica O TRATAMENTO CIRÚRGICO DO CANAL RADICULAR RARAMENTE É A ÚNICA OPÇÃO POSSÍVEL . DECISÕES CLÍNICAS → Evidências disponíveis para cada caso → Julgamento clínico (prognóstico) → Opinião do paciente* → Opções de tratamento devem ser passadas em casos de incertezas Benefícios Riscos Custos → Exames de sangue → R-X Panorâmico (visão geral e lesões extensas) → R-X Periapical (lesões pequenas, medições e menor distorção) → Tomografia computadorizada de feixe cônico (ex. avaliação de suspeita de trinca) PROCEDIMENTO CIRÚRGICO ANESTESIA ❖ Anestesia local profunda ❖ Aplicada na vestibular e lingual/palatina ❖ Envolve a região apical do dente a ser acessado ❖ Deve ser extendida 2 ou 3 dentes para cada lado ❖ Após as aplicações, aguardar cerca de 10 minutos TIPOS DE INCISÃO → Partsch A maior dificuldade dessa incisão é de estendê-la. Deve tomar muito cuidado aonde está sendo passado a lâmina, pois a incisão não pode estar em cima ou próximo da loja óssea, devendo ser medido com régua na radiografia e na boca, com o auxilio de uma sonda periodontal, é medido a qual distância da cervical deve ser feito. A incisão muito alta fica próximo a loja óssea, podendo causar uma deiscência, levando a um problema no pós operatório. Além da altura da incisão, a extensão lateral fica um pouco complicado devido ao seu formato (as bordas sobem). Portanto, essa incisão deve ser preconizada para pequenos casos, mas não como primeira opção. → Wasmund Incisões que fogem do nível cervical é interessante para preservar o nível da gengiva marginal e papilas, não ocorrendo uma retração gengival no pós operatório. Sempre verificar a extensão da loja óssea na radio ou tomo. Mesma coisa que a incisão de Partsch, levar em consideração a altura. É possível uma extensão lateral maior, mas sempre lembrar antes de fazer as relaxantes, para não ocorrer problema vascular e levar o retalho a necrose tecidual. 101 Nicole Júlia Levandovski → Newman Indicado para lesões extensas por envolver a cervical. Tem casos que não tem como preservar, deve estender até a cervical mesmo com risco de retração gengival. Posteriormente pode ser feito um recobrimento com a plástica periodontal, enxerto de tecido conjuntivo ou remoção da coroa protética e realização de nova coroa com a margem no nível gengival caso não seja possível o recobrimento, ou também aumento de coroa clínica nos outros dentes. Se o dente for natural, pode ser feito facetas se a raiz tiver exposta para simular o esmalte na região de raiz. → Newman modificada Indicado para quando por possível o acesso com apenas uma relaxante. Cuidado ao querer preservar tecido não fazendo relaxante, pois pode ocorrer a laceração do retalho. → Ochsenbein Indicado para pacientes com sorriso gengival e coroas protéticas. ACESSO A LESÃO → Descolamento e rebatimento do retalho → Se necessário, localização da região apical com broca esférica → Acesso com broca + ampliação através da remoção da cortical óssea envolvente MODALIDADES CIRÚRGICAS 1. CURETAGEM APICAL Acesso cirúrgico a região apical do dente envolvido, através de retalho, com posterior curetagem do conteúdo da lesão INDICAÇÕES Dentes tratados endodonticamente, com lesão que envolva a região apical CONTRAINDICAÇÕES Processos periapicais muito extensos (2/3 da raiz) Dentes abalados periodontalmente Lesões que atingiram a furca Lesão Raiz (ápice) Cortical óssea envolvente Acesso com broca 102 Nicole Júlia Levandovski 2. APICECTOMIA Acesso cirúrgico à região apical do dente envolvido, através de retalho, com amputação da região do ápice radicular com lesão e curetagem de seu conteúdo. Ressecção de cerca de 3mm do ápice radicular, devido as bactérias presentes no delta apical pela dificuldade de descontaminação através do tratamento endodôntico convencional. INDICAÇÕES Dentes tratados endodonticamente com a lesão envolvendo o terço apical da raiz Fraturas radiculares em região de terço apical FORMA DE CORTE DA RAIZ → Sem obturação retrógrada Apicoplastia (corte preservando o formato da raiz) – corte arredondado O instrumento reto/plano (condensador) acaba tocando em uma superfície convexa, o que não gera uma condensação adequada. Portanto, em uma retroobturação, é indicado o corte reto. → Com obturação retrógrada Corte reto INSTRUMENTAIS ESPECÍFICOS Curetas (acesso e limpeza) Pontas ultrassônicas Aplicador de MTA Microcondensadores Microespelhos 3. APICECTOMIA ASSOCIADA A RETROOBTURAÇÃO Além de remover a lesão, consegue-se a vedação do canal radicular. Deve ser feito sempre que possível. MATERIAIS DE RETROOBTURAÇÃO Amálgama Ionômero de vidro Resinas compostas Cimentos de hidróxido de cálcio Cimento de N-Rickert Cianoacrilato Super EBA MTA PH alto (induz a formação de tecido duro/ósseo) Maior radiopacidade Boa resistência mecânica Ótimo selamento Baixa toxicidade Indução à calcificação 103 Nicole Júlia Levandovski É feita a incisão, rebate o retalho e acesso com broca Remove a lesão Após a remoção e curetagem é feito a limagem da borda para remoção de ângulos vivos para não causar deiscência ou lesão de gengiva no pós operatório, depois irrigação e sutura. Em uma apicectomia, é feito o mesmo tipo de acesso que na curetagem Remove e cureta a lesão E então corta 3mm o ápice da raiz Retroobturação com broca esférica ou ponta ultrassônica Aplicação do MTA Condensação + radiografia periapical transoperatórias p/ avaliar a qualidade do retropreparo Curetagem, irrigação e sutura 104 Nicole Júlia Levandovski Existem algumas técnicas que preconizam deixar o cone de guta percha para fora do ápice do dente, pois assim se consegue uma maior vedação da porção apical. A disciplina de endodontia não preconiza utilizar essa técnica, pois se a técnica de obturação for feita corretamente, é possível uma vedação do canal mesmo deixando a 0,5mm do ápice, mas não está errado, são apenas técnicas diferentes. SOBRE ENXERTO ÓSSEO: Se tiver faltando apenas uma parede óssea (defeito de uma parede), o coágulo sanguíneo que se formará vai dar conta de preencher toda a região com osso novo, sem precisar de enxerto. No caso de defeito de duas paredes ou mais, a chance de regeneração óssea fisiológica é menor. Se o defeito de uma parede for extenso demais, a regeneração também é deficiente. A membrana de colágeno do enxerto serve para isolar os grânulos, impedindo a invaginação de fibras de tecido mole quando é fechado o retalho por cima do enxerto, que caso aconteça, é perdido parte do material do enxerto devido a formação de tecido mole entre os grânulos. É colocado devido a velocidade de cicatrização do tecido mole. MEDICAÇÃO Pré operatória: Antiinflamatório esteroidal (Ex. dexametasona 1h antes do procedimento) (quando há contaminação instalada, pode-se receitar 2g de amoxicilina 1h antes junto com a dexametasona) Antibioticoterapia (podendo iniciar 48h previamente ao procedimento, principalmente em casos que há contaminação instalada) Pós Operatória: Estender antibioticoterapia até 7 dias Antiinflamatório não esteroidal 3-5 dias ou esteroidal 1-2 dias Analgésico 3 dias CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS Repouso Alimentação leve Boa higiene local Aplicação de gelo Medicação de suporte PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS (RESUMO) • Anestesia infiltrativa terminal e/ou bloqueio • Incisão • Descolamento • Osteotomia (ampliação do acesso) • Curetagem apical ou Apicectomia (remoção com broca tronco cônica) • Limagem da loja (remoção/arredondamento de ângulos vivos) • Toalete (irrigação com soro fisiológico) • Síntese 105 Nicole Júlia Levandovski ACIDENTES E COMPLICAÇÕES EM CIRURGIA ORAL DEFINIÇÃO São aqueles ocorridos no trans e/ou pós operatório por imprudência ou imperícia do cirurgião, normalmente causado por manobras intempestivas ou desconhecimento de técnica. PRINCIPAIS CAUSAS Pré-operatório inadequado Diagnóstico incorreto Falta de planejamento Indicação incorreta Mau uso ou uso incorreto de instrumentais Aplicação de força excessiva Falta de visualização do campo operatório Despreparo do profissional “Tudo o que é falado ao paciente antes do procedimento é explicação; depois é desculpa” O paciente sempre deve ser avisado das possíveis complicações cirúrgicas. ACIDENTES É a quebra do planejamento do ato operatório que ocorre durante seu desdobramento. ➢ Lesões de tecidos moles ➢ Lesões das estruturas ósseas ➢ Lesão dentes adjacentes ➢ Fraturas de instrumentos ➢ Fratura de mandíbula ➢ Comunicação buco sinusais ➢ Fístula buco nasal ➢ Injeção de anestésico local no vaso LESÕES DE TECIDOS MOLES Ocorrem por traumatismo mecânico, seja pelo uso inadequado de afastadores, instrumentos rotatórios, elevadores ou manipulação indevida dos retalhos cirúrgicos. Grande função do AUXILIAR: preservar os tecidos moles ---> tanto no afastamento, quanto cuidar para que instrumentos não toquem o lábio ou mucosa jugal. Abrasão Queimadura (ambos podem acontecer devido ao instrumento rotatório) 106 Nicole Júlia Levandovski Perfuração Ex. elevadores, bisturi, instrumentais rotatórios Laceração É o rasgamento do tecido que acontece devido a falta do retalho ou relaxante ou feito de forma incorreta. Como proceder: Deve-se reposicionar e suturar cuidadosamente o retalho na posição. Higienizar, passar clorexidina aquosa 0,12% e receitar pomada antibiótica (ex. nebacetim, colagenase) Deiscência Acontece pela sutura feita de maneira incorreta. COMO EVITAR LESÕES DE TECIDO MOLE: apoiar corretamente os afastadores, proteger os tecidos ao usar alta rotação, fazer acesso/retalhos de dimensões adequadas LESÕES DAS ESTRUTURAS ÓSSEAS Ocorrem normalmente devido à força exagerada durante as luxações e as extrações dentárias Nesse caso observamos a fratura da tábua óssea vestibular (imagem 1) e vestibular + palatina (imagem 2) 107 Nicole Júlia Levandovski Nesse caso foi um erro de planejamento, pois é possível identificar na radiografia que o túber é bojudo, portanto somente luxar com elevador não será possível a extração sem fraturar a tábua óssea do túber (que foi o que aconteceu). O profissional deveria ter utilizado brocas no instrumental rotatório ao invés de forçar com os elevadores. O apoio inadequado dos elavadores também podem fraturar o septo interalveolar e intraradicular. LESÃO DENTES ADJACENTES Ocorrem pelo uso inadequado dos elevadores, fórceps e brocas cirúrgicas COMO UTILIZAR O ELEVADOR CORRETAMENTE: Perpendicular ao longo eixo do dente, entre a crista óssea e o dente (se colocar entre dois dentes, estará luxando o dente vizinho) Em casos como esse, deve-se tomar o dobro de cuidado na osteotomia devido à proximidade com as raízes dos dentes permanentes que estão erupcionados. FRATURAS DE INSTRUMENTOS Ocorrem por força mecânica, seja pelo uso inadequado de instrumentos rotatórios, elevadores ou manipulação indevida dos mesmos. Fratura da ponta ativa da broca. Como proceder: Deve-se interromper a cirurgia, aspirar, deixar o corpo seco, procurar o instrumental fraturado e retirá-lo. 108 Nicole Júlia Levandovski Pode ocorrer devido a movimentos irregulares, troca ou desistência de técnica durante sua execução, entortar a ponta da agulha → gerando fadiga e fratura da agulha. Não deve inserir a agulha inteira em mucosa. A agulha irá se movimentar na região de sua fratura por 15 a 30 dias, deve ser feito acompanhamento e posteriormente é formado uma fibrose ao redor da agulha, sendo possível deixá-la dentro do corpo, pois sua remoção, muitas vezes, é mais complicado e arriscado do que deixar dentro do corpo do paciente. Outros exemplos de fratura de broca FRATURA MANDIBULAR Ocorre e está associada (principalmente) a extrações de terceiro molares inferiores, devido à força exagerada no ato operatório associado a zona de fragilidade da mandíbula na região de ângulo. Nesse caso houve a colocação do implante maior do que deveria e isso causou fragilidade no osso e fratura em região anterior de mandíbula. 109 Nicole Júlia Levandovski COMUNICAÇÃO BUCO SINUSAIS Ocorrem frequentemente devido à falta de conhecimento anatômico com força excessiva e pouca visibilidade, por movimentos intempestivos de instrumentais. É quando um dente ou uma raiz é jogada para dentro do seio maxilar. Para sua remoção, é feita por uma técnica conhecida como “Caldwell-Luc” (iremos aprender mais detalhadamente em outra aula) que é uma incisão feita em região anterior, entre canino e pré-molar. Não deve-se remover pelo alvéolo. Nesse caso, na reabertura do implante para a colocação de cicatrizador, o profissional acabou colocando o implante dentro do seio maxilar, causando um sinusite odontogênica. MANOBRA DE VALSAVA: O paciente “tampa” o nariz e assopra, se o ar entrar para dentro da cavidade nasal, é sinal de que há comunicação bucosinusal. Quando feito a comunicação, é preciso fechá-la da maneira mais oclusiva possível. E muita das vezes, mesmo isso ocorrendo, há a formação de uma fístula bucosinusal (o paciente faz bochecho, toma água e sai pelo nariz, e também tem odor muito forte). O paciente tem a passagem de líquido e até de alimento sólido (dependendo do tamanho da fístula) para dentro do seio maxilar, cujo sairá pela cavidade nasal. 110 Nicole Júlia Levandovski No local da comunicação há uma perda de estrutura óssea, havendo o velamento do seio maxilar (significa que está comprometido com secreção – sinusite odontogênica). FÍSTULA BUCO NASAL Ocorre devido o manuseio intempestivo de instrumentais rotatórios, elevadores ou falha nas suturas Normalmente esse tipo de fístula não é possível fechar em uma única cirurgia, tem que ficar diminuindo de pouco em pouco até fechar por completo. Isso ocorre porque a mucosa e o periósteo são muito aderidos ao osso do palato, tirando toda sua elasticidade; não tem como fazer um retalho e suturar internamente, pois a sutura vai abrir. Deve-se usar membrana de PRF para diminuir seu tamanho ou fechá-la em 1ª intenção (se possível – nesse caso da foto não foi possível pois a fístula estava muito grande). INJEÇÃO DE ANESTÉSICO LOCAL NO VASO Ocorre por desconhecimento anatômico ou da técnica. Por isso a aspiração antes da ingestão do anestésico deve ser feita. COMPLICAÇÕES É a quebra do planejamento do ato operatório que ocorre já no pós-operatório. ➢Pericoronarite ➢Alveolite ➢ Infecção (Abscesso; Celulite; Angina de Ludwing) ➢Hemorragias ➢ Luxação da ATM ➢ Trismo ➢ Injúrias no nervo alveolar/mentual ➢ Úlcera aftosa ➢ Osteonecrose ➢ Enfisema ➢ Hematomas ➢ Edema ➢Alergias ➢ Dor pós-operatória “É indiscutível que a melhor e mais fácil maneira de tratar uma complicação é prevenir que ela aconteça” Peterson, 2005111 Nicole Júlia Levandovski PERICORONARITE É um processo inflamatório em um dente que está parcialmente coberto pela gengiva, causado por má higiene bucal (geralmente ocorre em 3° molar inferior) A pericoronarite pode ser branda ou severa, levando até em um quadro de dor espontânea, edema, limitação da abertura da boca (por edema nos mm. da mastigação), linfadenite (gânglio infartado), febre, secreção e odor fétido. TRATAMENTO: Se o 3° molar for permanecer no arco (estiver em oclusão), é feito uma incisão em cunha para liberar esse tecido, caso contrário, se não tiver espaço no arco, o tecido irá formar novamente; nesse caso, deve-se esperar sair da fase aguda e fazer a extração do 3° molar. ALVEOLITE É definida como uma inflamação do alvéolo, resultante da desintegração e/ou infecção do coágulo inicial, que impede a cicatrização adequada da ferida alveolar. Ou seja, durante o período de cicatrização da ferida houve uma interrupção pela degradação do coágulo, corpo estranho dentro alvéolo, entre outros motivos. A alveolite pode ser classificada em Alveolite Seca ou Alveolite Úmida Alveolite Úmida: corpo estranho ou coágulo em decomposição dentro do alvéolo Alveolite Seca: exposição óssea -- não tem nada dentro do alvéolo, está seco. 112 Nicole Júlia Levandovski ALVEOLITE ÚMIDA ALVEOLITE SECA AMBAS APRESENTAM INSENSIBILIDADE À ANALGÉSICOS INFECÇÃO A cavidade bucal é um ambiente naturalmente contaminado, e em certas circunstâncias, se não utilizar meios de controle pré, trans e pós os procedimentos, pode desencadear um processo infeccioso local ou sistêmico, sua instalação depende principalmente das características dos microorganismos, da suscetibilidade do hospedeiro e dos cuidados a serem tomados pelo cirurgião dentista ao realizar qualquer procedimento. Infecção Pós Operatória: → Índice Baixo – 1,7% a 2,7% → 50% são localizadas (ocorrem após a 2ª semana de P.O.) TRATAMENTO: Drenagem + debridamento local + ATB terapia V.O. → Outros 50% pode se disseminar para espaços faciais (primários, secundários e cervicais) TRATAMENTO: Hospitalização + exame de imagem (TC face) + cirurgia/drenagem agressiva + ATB E.V. Causas: Pacientes imunocomprometidos e hígidos Quadros pré-existente de pericoronarite aguda (exodontia contra indicada) Instrumental contaminado – não esterilizado 113 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÃO - ABSCESSO São coloções de pus em espaços teciduais confinados, em geral causados por infecção bacteriana. Os sintomas incluem dor local, sensibilidade, calor e edema (se próximos da pele) ou sintomas constitucionais (se profundos). TRATATMENTO: anestesia local, incisão com bisturi, divulsão com pinça hemostática, drenagem na região mais baixa INFECÇÃO -- CELULITE A celulite é uma infecção bacteriana que envolve as camadas interiores da pele e afeta especificamente a derma e gordura subcutânea. Incluem uma área de vermelhidão, que aumenta de tamanho ao longo de alguns dias. Os limites da área de vermelhidão geralmente não são nítidos e a pele pode ficar inchada. A celulite não tem um ponto de drenagem. Tem que fazer reduzir para depois drenar. INFECÇÃO – ANGINA DE LUDWING É uma infecção grave, potencialmente fatal, caracterizada por uma celulite que afeta os espaços submandibulares e sublinguais bilateralmente e submentual. Começa a formar o “colar cervical”, o paciente tem edema de glote, dispneico, língua projetada para fora devido ao levantamento do assoalho lingual pelos edemas. HEMORRAGIA Ela é definida como um extravasamento abundante e anormal de sangue, que ocorre durante ou após a intervenção cirúrgica, o qual não se coagula e a hemostasia natural não ocorre. Pode ser arterial ou venosa: Venosa quando se forma lençol de coágulo de sangue Arterial quando começa jorrar sangue 114 Nicole Júlia Levandovski Localização: Interna ou externa Origem: Tecidos moles ou osso Obs. as hemorragias de origem do tecido ósseo são mais difíceis de serem contidas do que as de tecidos moles. Em tecidos moles, deve-se lavar abundamentemente, colocar gaze, tentar identificar da onde vem a hemorragia e fazer o pinçamento em massa com uma pinça mosquito. No intraósseo pega-se uma gaze e um instrumental (descolador, cureta) e forçar o local de 1-3 minutos para tentar parar o sangramento por compressão; se o sangremnto não parar, deve-se lavar abundantemente e colocar um hemostático (local, cera para osso, tamponamento com adrenalina). Causas Médicas (que podem gerar uma hemorragia) Hipertensão Arteriosclerose Neoplasia Hemofilia Leucemia Anemia Trombocitopenia Falta vitaminas C e K Trans Operatório Hemorragia por diferença anatômica Hemorragia por trauma Hemorragia por erro de técnica Pós-Operatório Cuspir Fumar Fazer sucção Bochechar Ingestão alimentos quentes Fazer esforços físicos Se o problema persistir → encaminhar imediatamente para avaliação médica em ambiente hospitalar LUXAÇÃO DA ATM A luxação de ATM é descrita quando o côndilo mandibular se desloca para fora da fossa articular e não é capaz de retornar. A luxação geralmente ocorre quando o paciente tem uma laxidão dos nervos (ligamentos que seguram o côndilo junto com a musculatura) ou quando a eminência articular é rasa (nesse casos, o próprio paciente faz a redução – autoredução, e ele convive normalmente com isso). Na grande maioria das vezes, o paciente procura um profissional para fazer a colocação → para baixo, para trás e para cima. 115 Nicole Júlia Levandovski TRISMO O trismo é descrito como uma variação de dor muscular devido a um espasmo miofascial que pode resultar de injúrias às fibras musculares, extrações com tempo prolongado, múltiplas injeções anestésicas locais, principalmente se estiverem penetrando nos músculos mastigatórios, hematoma e infecções pós-operatórias. Se o paciente fica muito tempo com a boca aberta, o paciente vai ter um edema ou hematoma na região dos músculos ou nos músculos da mastigação. Geralmente ocorre quando há ingestão do sal anestésico no músculo no momento da anestesia por erro de técnica. Precisa ser feito fisioterapia. Abertura da boca menor que 18mm Ocorre pela resposta inflamatória ao procedimento ▪ Ligamento pterigomandibular ▪ Músculos masseter e bucinador Início 2° dia → Regressão espontânea na 1ª semana Saber diferenciar o trismo (trauma operatório) e associado à infecções P.O. O trauma operatório está associado a infecção, ou seja, o paciente não consegue abrir a boca devido a uma infecção alojada, que é diferente de um trismo. O edema regride em 48hrs, se não regredir nesse período é porque está se instalando uma infecção e também outros fatores estão associado como febre, tumefação e vermelhidão (cujo não ocorrem no trismo). INJÚRIAS AO NERVO ALVEOLAR/MENTUAL A parestesia é um distúrbio neurosensitivo causado por uma lesão no tecido neural. É caracterizado por sensações desagradáveis, de caráter transitório ou permanente, que frequentemente se associam a dor e sintoma de formigamento. O paciente vai ficar com sensação de anestesia mesmo após 5hrs ou 10hrs após a cirurgia. Nesse caso o paciente poderia ter uma parestesia pois havia uma lesão cística bem em cima do nervo alveolar Nesse caso o nervo alveolar inferior passa entre as raízes. Deve ser feito a odontosecção, caso contrário (ex. tentar extrai com elevadores ou fórceps), o risco de parestesia aumenta, pois vai haver o rompimento do feixe vásculo nervoso.116 Nicole Júlia Levandovski Outro caso que pode acontecer é o dente horizontal acima do canal mandibular, se não tiver cuidado, pode ultrapassar demais o dente e a broca rompe o nervo alveolar inferior, causando uma parestesia permanente. Nesse caso, havia uma infecção que se não tiver cuidado na hora da curetagem, pode atingir o nervo alveolar inferior. Raízes muito curvas também são um grande problema, se não fizer osteotomia e odontessecção, a raiz vai fraturar na tábua óssea Esse paciente teve tanta reabsorção óssea que teve exposição do nervo mentual (afloramento do nervo mentual) e com isso, não é possível usar uma PT pois vai causando injúrias ao nervo → causando choque/parestesia. Deve ser feito um protocolo suportado por implantes para se tirar a carga do rebordo. Na hora da relaxante, deve-se lembrar da anatomia. Nessa região, se for fazer a incisão desde o fundo de sulco até o rebordo, corre o risco de cortar o mentual, pois ele se localiza entre os pré-molares. Grande cistos em dentes retidos empurram o nervo alveolar inferior para região mais posterior e inferior, em região lingual. Portanto, deve-se tomar muito cuidado na hora de sua remoção. ÚLCERA AFTOSA São doloridas, redondas ou ovais que ocorrem na mucosa oral, tendo como principal causa o trauma local. Exemplos de causadores da úlcera aftosa: Afastador muito tempo fazendo pressão do lábio, sugador em região lingual para aspirar diretamente, colocar fio de nylon 3.0 em região que a língua for ficar passando em cima. 117 Nicole Júlia Levandovski OSTEONECROSE A osteonecrose ocorre quando o osso perde a sua vascularização, e o osso morre. Também é conhecida como necrose asséptica, necrose avascular ou necrose isquêmica e medicamentosa. Nesse caso foi causado pela alta rotação Necrose de N (metade) maxila Depois da remoção do dente houve exposição óssea sem irrigação. Anestesia, remove o tecido necrótico com broca até encontrar osso vascularizado e sutura TRATAMENTO: → Realizar sessões de câmera hiperbárica (10 sessões – 5 antes da cirurgia e 5 depois) → ATB terapia → Realizar desbridamento (raspagem cirúrgica) → Provocar sangramento osso remanescente → Colocação PRF → Fechamento da ferida ENFISEMA O enfisema subcutâneo é um acidente em que ocorre a passagem forçada de ar e/ou outros gases para o interior dos tecidos moles, abaixo da camada dérmica ou mucosas. Geralmente ocorre com a alta rotação – joga spray de ar que entra para dentro do tecido. Pode acontecer também quando o paciente retorna para remoção de sutura e ao invés de só lavar e apirar, o dentista joga jato de ar, cujo entra no conduto e pode causar efisema. Deve-se ordenhar e entrar com ATB terapia. Leva em torno de 7-10 dias para regredir. 118 Nicole Júlia Levandovski HEMATOMA Um hematoma é um acúmulo localizado de sangue, (geralmente coágulo num tecido ou órgão), fora de um vaso sanguíneo. Isto ocorre porque a parede do vaso sanguíneo, artéria, veia ou capilar, foi danificado e liberando sangue para os tecidos onde não pertence, ou seja uma hemorragia interna. Comum em pacientes idosos e com pele clara (fragilidade capilar) Higiene da pele + pomadas/cremes EDEMA Edema é o aumento do volume do tecido, normalmente em função do acúmulo de líquido ou sangue, ocasionado pelo trauma cirúrgico. Leve/moderado Limitação da abertura da boca (mm. da mastigação) Instalação nas primeiras 24-72 horas (se não regredir, cuidado se não é infecção) ALERGIAS São um conjunto de reação causadas por hipersensibilidade do sistema imunitário a agentes que geralmente causam pouco ou nenhum problema na maioria das pessoas. CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS Dieta Líquida fria/gelada hipercalórica – 12/24 horas Dieta pastosa temperatura ambiente – 48 horas Prevenir o aparecimento da dor Dieta normal assim que possível 119 Nicole Júlia Levandovski Pacientes diabéticos – terapia insulínica Dieta normal mais precoce Procedimentos menores e menos traumáticos Higiene oral Higiene adequada → Melhor cicatrização Evitar trauma local → Risco de sangramento e dor (bochechos delicados) Controle do sangramento Previsão de sangramento por 24horas Compressão com gaze Não fumar por 12horas (máximo possível) Não sugar líquidos de canudos Não ficar cuspindo Cabeça mais elevada que o resto do corpo Evitar esforço físico – 48 a 72 horas Sangramento prolongado Sangramento vermelho brilhante e vivo Retornar para atendimento: Formação de coágulos grandes → Tamponamento com gaze por 5 min → Uso de fibrina/celulose/cera → Sutura oclusiva em massa → Medicação → Aplicar 1 amp Transamin (5ml) EV e manter 250mg de 8/8hs VO Edema Pico em 48 a 72 horas Início da regressão entre 3° e 4°dia Persistência do edema e sinais flogísticos (indicativo de infecção pós-operatória) Gelo no local – 20 minutos com e 20 sem gelo A partir do 3°dia – aplicar calor Equimose Início entre 2° e 3°dia (indicativo de derramamento sangue nos tecidos pós-operatória) Tomar Arnica CH6 (05 gotas) 8/8hs 15 dias, iniciando 07 dias antes Aplicar Bepantol ou Irudoid (gel /pomada) Trismo Inflamação envolvendo os músculos da mastigação Difusão do edema pelos músculos Múltiplas injeções anestésicas Calor úmido no local + Fisioterapia (abertura boca) Dor Geralmente leve e moderada Pico nas primeiras 24 horas Persistência por cerca de 2 dias 120 Nicole Júlia Levandovski 1° dose antes do término do efeito anestésico Após o término da cirurgia Começar com medicação mais forte no início e ir diminuindo os gramas Ver expectativa de dor do paciente Instruções sobre o uso de analgésicos Controle da dor incômodo doloroso → Evitar escrever “se dor” pois o paciente pode confundir dor com incômodo e tomar analgésico “atoa” Acompanhamento Pós Operatório 1 SEMANA Controle da medicação Retornar antes caso necessário Complicações mais comuns PERSISTÊNCIA DA DOR (Sangramento/Hemorragia) → Alveolite → Infecção Profissional acessível (contato) Orientações claras e escritas → Prevenção e a resolução de praticamente todos os problemas 121 Nicole Júlia Levandovski EXAMES DE IMAGENS PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS PERMITEM: ➢ Conclusões a respeito da extensão e relação das lesões com as estruturas adjacentes ➢ Orientar condutas → guia para o espaço de trabalho (tipo de cirurgia que vai ser feita, possibilidade de biomaterial) ➢ Indicar ou contra indicar procedimentos terapêuticos ➢ Prever dificuldades a serem encontradas durante procedimentos cirúrgicos INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA DEPENDE Seleção da técnica → Saber indicações de cada técnica Conhecimento de anatomia radiográfica Diferenciar reparos anatômicos de áreas patológicas O feixe de raioX passa com maior facilidade em áreas de baixa resistência óssea, levando a uma imagem mais radiolúcida Defeito Ósseo de Stafne: Na radiografia aparece uma imagem como se fosse uma lesão cística em região de glândula submandibular (posterior de mandíbula), abaixo do canal mandibular. A partir da imagem, é feita uma seleção de técnica para confirmar a hipótese de diagnóstico, visto que não é possível diagnosticar através do exame de imagem, pois ele serve como um exame auxiliar. Diagnóstico final somatória de todas informações obtidas INDICAÇÕES Alguns exames limita-se quanto ao diagnóstico desejado, por isso o conhecimento sobre cada exame de imagem solicitado e suas indicações é essencial. Devemos sempre considerar o que precisamos visualizar para depois indicar o melhor tipo de exame (cada examede imagem tem a sua indicação). ➢ Periapicais ➢ Interproximais ➢ Oclusais ➢ Panorâmicas ➢ Extra Orais em Geral ➢ Tomografia Computadorizada ➢ Ressonância Magnética. DIRETRIZES PARA SOLICITAR EXAMES DE IMAGENS Na odontologia se estabeleceu diretrizes para determinar as radiografias a serem solicitadas e a freqüências em que as mesmas sejam repetidas. → Solicitar somente após exame clínico. Legalmente, não se pode pedir exame de imagem sem nenhum tipo de exame clínico, porém não é o que costuma se acontecer nos consultórios → Sempre Considerar exames anteriores do paciente. → Solicitar apenas exame que beneficiam o paciente em termos de diagnóstico e planejamento. → Uso a menor dose de radiação necessária para produzir imagens satisfatórias da área em questão. → Radiografia para fins administrativos. DIAGNÓSTICO Segundo Robinson 2009, o diagnóstico vai depender de: Anamnese e Exame Clínico → Exames Radiográficos → Exames laboratoriais → Raciocínio → Alteração 122 Nicole Júlia Levandovski Segundo Kerr 2011, a radiografia por si só é desprovida de valor pro paciente, este paga pela habilidade do Cirurgião dentista, interpretá-la corretamente. O exame radiográfico completo e eficiente inclui a Interpretação radiográfica. E as condições de uma boa imagem depende: Imagem Nítida e Clara Inclusão de toda área patológica circundada pela área anatômica normal Contraste e boa densidade entre tecidos Mínima distorção RADIOGRAFIA EXTRA-ORAIS Radiografia de Waters (incidência mento – naso); Radiografia de Caldwell (incidência fronto-naso); Radiografia de Hirts (incidência submento- vértice); A.P de mandíbula (incidência antero-posterior); A.P de crânio (incidência antero – posterior); Lateral de mandíbula; Telerradiografia lateral; Teleradiografia frontal 1. RADIOGRAFIA DE WATERS (INCIDÊNCIA MENTO – NASO) Principais Estruturas Anatômicas: Seios maxilares; (principal indicação) Seio etmoidal; Seio frontal; Seio esfenoidal; Septo nasal; Osso Zigomático; Rebordo Infraorbitário; INDICAÇÃO: Análise de sinusites maxilares; Identificação de corpos estranhos, fragmentos de raízes e dentes no interior do seio maxilar; Identificação de fraturas na região da maxila; Identificação de áreas patológicas. A localização de corpo estranho não é possível devido a imagem ser bidimensional, portanto é feita apenas a identificação Incidência do feixe de raio X: mento posicionado no sensor, incidência de mento para base posterior da espinha nasal 2. RADIOGRAFIA DE CALDWELL (INCIDÊNCIA FRONTO – NASO) Principais Estruturas Anatômicas: Seio frontal; (principal indicação) Células aéreas Etmoidais; Assoalho de orbita; Septo nasal; Seio maxilar; Processo mastóide (Células aéreas); Crista petrosa. INDICAÇÃO: Estudo de infecções em seio frontal; Infecções em seios etmoidais, Identificação de fraturas e patologias; Identificação de corpos estranhos; 123 Nicole Júlia Levandovski 3. RADIOGRAFIA DE HIRTS ( INCIDÊNCIA SUBMENTO - VÉRTICE) INDICAÇÃO: Estudo e Fraturas em arco zigomático; (principal indicação) Pesquisa da integridade da parede posterior do seio maxilar; Estudo do coronóide; Estudo de côndilo; 4. A.P DE MANDÍBULA - TOWNE (INCIDÊNCIA ANTERO-POSTERIOR) Principais Estruturas Anatômicas: Côndilo, Pescoço da mandíbula, Ramo; Septo nasal; Sínfise mandibular; INDICAÇÃO: Fratura de mandíbula; (principal indicação) Usada para identificação, determinação das direções, extensão e complexidade das fraturas; Na pesquisa e identificação de corpos estranhos. Boca semi aberta ou aberta 5. A.P DE CRÂNIO (INCIDÊNCIA ANTERO – POSTERIOR) Mesma técnica que A.P de Mandíbula INDICAÇÃO: Usada para identificação, determinação das direções, extensão e complexidade das fraturas; Na pesquisa e identificação de corpos estranhos. Padrão Esquelético e discrepâncias; (simetria baseada em alterações ósseas) Boca em oclusão 124 Nicole Júlia Levandovski 6. LATERAL DE MANDÍBULA Indicada principalmente para pesquisa e delimitação de áreas patológicas e localização de fraturas. Sempre quando pedir, deve-se avisar o lado direito ou esquerdo, pois o posicionamento da incidência do raio X infere no que vai ser o diagnóstico (quando for o lado esquerdo, o lado direto estará inclinado mais alto e então a incidência vai ser abaixo desse ponto para que tenha maior visibilidade do ramo esquerdo e vice versa) → A incidência vem do lado oposto ao lado que você deseja enxergar radiograficamente. 7. TELERADIOGRAFIA FRONTAL INDICAÇÃO: Visa avaliar o crescimento lateral do crânio Verificar anormalidades de crescimento Verificar assimetria da maxila ou mandíbula. 8. TELERRADIOGRAFIA LATERAL / LATERAL DE CRÂNIO Se não tiver a presença do Cefalostato, fica angulado, distorcido, sobreposto, ou seja, as medias obtidas não serão tão precisas quanto com o Cefalostato inserido no meato acústico externo (ouvido) INDICAÇÕES: Avaliação pré-operátoria e pós em casos de cirurgias ortognáticas; (principal indicação) Plano de tratamento e monitoramento em ortodontia; Verificação dos resultados alcançados, no intuito de assegurar que os objetivos do tratamento foram alcançados com eficiência; A DIFERENÇA ENTRE A.P. DE CRÂNIO E TELERADIOGRAFIA LATERAL OU FRONTAL É QUE NA TELERADIOGRAFIA LATERAL OU FRONTAL HÁ O CEFALOSTATO 125 Nicole Júlia Levandovski 9. PANORÂMICA É o exame que mostra o maior número de estruturas, porém o que apresenta o maior grau de distorção. Dente com ápice aberto e uma dilatação coronária grande, com o dente em posição mésio angular, deve ser feita a extração para que evite problemas como queratocisto ou cisto dentígero. Ápice do dente aberto tem capacidade de erupção muito grande, se tiver mésio angulado, pode gerar cárie. A raiz crescer e se aproximar muito do canal mandibular, aumenta o risco de parestesia. PANORÂMICA E SUAS MAGNIFICAÇÕES Nesse estudo feito em 2014, foi pego um crânio seco, e então estabilizado e colocado esferas travadas em cera do mesmo tamanho, peso e densidade metálica. O estudo foi feito a radiografia panorâmica e em algumas regiões houve distorção. Umas esferas ficaram em tamanho real, outras ficaram achatadas e alongadas, outras maiores que o tamanho real e isso é chamado de MAGNIFICAÇÃO. MAGNIFICAÇÃO: É A ASSOCIAÇÃO DE AMPLIAÇÃO E DISTORÇÃO DE UMA IMAGEM. A magnificação é importante pois se não for considerado em um procedimento de intervenção cirúrgica, o tratamento da lesão pode não ser do tamanho esperado, podendo o mesmo ser maior ou menor. Região de molares são mais acomentidos em relação a ampliação. Na região anterior, é mais comum a imagem se tornar mais alongada Uma radiografia panorâmica bem feita, apresenta 22% de distorção Portanto, a Magnificação da-se a denominação ao associado de fatores sendo principalmente a distorções e ampliação da imagem. → Posicionamento do paciente Interfere no grau de magnificação → Regiões posterior são mais acometidas que anteriores → E mandíbula também são mais magnificadas que maxila na maioria dos casos. Podendo alterar devido posição e angula vertical do paciente. Por isso, a escolha do seu centro de imagem deve ser feito pelo padrão da qualidade das imagens. E cabe ao Cirurgião dentista analisar esse vetor e necessidade de repetição do exame 126 Nicole Júlia Levandovski VISUALIZAÇÃO DA IMAGEM Toda imagem deve ser analisada por um todo, por mais evidente que seja a patologia presente. Pode ser que tenha mais de uma lesão presente, porém não tão evidente e ela não pode passar batido. PASSOS PARA INTERPRETAÇÃO 1° PASSO: LOCALIZE A PATOLOGIA. → Localizada ou generalizada→ Única ou múltiplas → Posição nos ossos maxilares 2° PASSO: AVALIE A PERIFERIA E FORMA. → Periferia bem definida ou difusa, com bordas definidas (Cortical presente?: na panorâmica é muito difícil de ser avaliar) → Forma : circunscrita ou irregulares com presença 3° PASSO: ANALISE A ESTRUTURA INTERNA. → Radiolúcido → Radiopacos → Mistas 4° PASSO: EFEITO NAS ESTRUTURAS ADJACENTES. → lâminas dura, corticais, osso adjacente, rechaçamento de estruturas e nervos (significa se um dente, nervo ou qualquer outra estrutura está mudando de posição devido a um fator patológico), reabsorções de raízes, mudança de posição exemplo de rechaçamento do nervo alveolar inferior devido a presença de um corpo estranho em mandíbula 5° PASSO: GERAR HIPÓTESE DE DIAGNÓSTICO COM A ASSOCIAÇÃO DAS INFORMAÇÕES COLHIDAS. Associando: → História do paciente → Exame intra e extra-oral → Exame complementares → Exames de imagem e solicitação de novos exames. O cirurgião dentista precisa saber formular laudo em caso de encaminhamento do caso a qualquer outro profissional, uma vez que tem posse de todas as informações, cujo, na maioria das vezes o especialista em radiologia não os tem. 127 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICAS DE LOCALIZAÇÃO 1) MÉTODO DE CLARK PRINCIPIO DA PARALAXE 1. Quando 2 objetos, A e B, estão alinhados em relação ao observador, o objeto mais próximo vai encobrir o mais distante. 2. Se o observador se desloca pra qualquer lado: a) O objeto mais próximo se desloca para o lado contrário ao do observador. b) O objeto mais distante se desloca para o mesmo lado do observador. 2) TÉCNICA DE PARMA Indicado quando a técnica periapical convencional não localiza inteiramente o referido dente. Serve apenas para identificar, sem saber se está por lingual ou vestibular 3) MÉTODO DE MILLER-WINTER E MÉTODO DE DONOVAN Indicação: Ambas definem a posição vestíbulo lingual de dentes inclusos, corpos estranhos e processos patológicos presentes na região posterior da mandíbula. → Rad. Oclusal, c/ película periapical convencional (miller-winter) e c/ película oclusal para Donovan. → Incidência dos Rx deve ser perpendicular ao filme, na altura do elemento pesquisado; → O filme é mantido pela mordida do paciente. 4) TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A palavra tomografia é um termo genérico para designar qualquer técnica que gere uma imagem em corte de um tecido. Mais indicado para o estudo de bases ósseas e áreas calcificadas, porém não é único e exclusivamente para isso. Estuda o paciente em cortes O objeto mais distante tende a acompanhar o feixe do desvio do lado do observador ou do feixe de RX 128 Nicole Júlia Levandovski . APLICAÇÃO EM TODAS AS ÁREAS DA ODONTOLOGIA → Clínica Geral → Pesquisa de Fraturas Dentais → Implantodontia (Diagnóstico,Mensuração,Volumetria,Densidade Óssea) → Cirurgia Oral Menor (Diagnóstico e Mapeamento de Lesões) → Traumatologia → Cirurgia Ortognática → Ortodontia (Tele Volumétrica) → Odontopediatria → DTM – Prótese → Pacientes Especiais ( facilidade de realização do exame) VANTAGENS Excelente qualidade de imagem Baixo custo Baixa dose de radiação Exame rápido ( 5 à 26s) Adequado para todas as idades Ausência de Erros de Posicionamento Ausência de Distorções Ausência de Ampliações – Escala 1:1mm PRECISÃO NAS MENSURAÇÕES Avaliação da Densidade Óssea de acordo com a Escala de Housfield • Imagem mais claras são chamada de HIPERDENSAS • Imagem escuras são chamadas de HIPODENSAS FORMAÇÃO DE IMAGEM Quanto mais Voxel, em menor polegada, mais definição Quanto menor o Voxel, mais voxel por polegada, mais definição FOV: campo de visão – tamanho do campo visual a ser estudado; ESPESSURA ------------- ESPAÇAMENTO/INCREMENTO A Tomografia não apresenta distorção 129 Nicole Júlia Levandovski FAN BEAM X CONE BEAM TC Médica : “Fan Beam” (adquire a imagem como um plano) Primeiro é feito as aquisições em feixe/leque e depois é gerado o padrão Tomografia Odontológica ou TC Volumétrica: “Cone Beam” (adquire a imagem como um volume) Primeiro é gerado o padrão e depois é feito as aquisições em feixe/leque A Cone Beam gera uma imagem com maior visibilidade/resolução de estruturas ósseas, porém a Fan Beam apresenta mais escalas de cinzas VANTAGENS DA CONE BEAM Aparelhos mais compactos e mais acessíveis Reconstrução executada de forma original por computador pessoal Não necessita de estação de trabalho Maior resolução de imagem, com maior nitidez FOV pequeno (área de interesse) Paciente sentado PLANOS DE CORTE AXIAL: divide em superior e inferior Podemos observar: posicionamento de dente, extensão de lesão, expansão de cortical, normalidade de cortical, etc. Dimensão espacial mais precisa de estruturas a serem estudadas CORONAL: divide em anterior e posterior Podemos observar: rebordo ósseo, seio maxilar e frontal, células etmoidais, etc SAGITAL: divide em lateralidade direita/esquerda Podemos observar: fratura de septo nasal, identificar lesão no sentido anteroposterior, identificação extensão de lesão, rompimento de cortical de seio maxilar, fratura de rebordo ósseo, fratura em palato, etc -------------------------------------------- ----------------------------------------------------------- RECONSTRUÇÃO PANORÂMICA não é radiografia, é filtro de imagem. Transforma um arco em plano. Gerada através do corte axial. 130 Nicole Júlia Levandovski Cada Corte Parassagital representa um corte da régua da reconstrução panorâmica. Para gerar um corte parassagital, é feito um tomografia em corte axial, depois é feita uma reconstrução panorâmica e a partir da reta obtida na reconstrução panorâmica, ela é numerada e somente então, realizado os cortes parassagitais (referência transversal), gerando uma imagem laterolateral - direita/esquerda. Os corte oblíquos/coronais (referência tangencial) também são feitos a partir do mesmo princípio, a diferença está na direção do corte, cujo é horizontalmente (imagem da direita), gerando uma imagem anteroposterior. RECONSTRUÇÃO 3D As Reconstruções 3D servem como auxiliar no tratamento e não deve ser usada como guia para planejamento. RECONSTRUÇÃO MULTIPLANAR (MPR) São todos os cortes (Axial, coronal e sagital) em uma mesma tela de uma maneira dinâmica DIREITA / ESQUERDA ANTERIOR / POSTERIOR 131 Nicole Júlia Levandovski PROTOTIPAGEM (STERIOLITOGRAFIA) Modelo real confeccionado por diferentes materiais gesso resinado, resina, cerâmica, ligas metálicas, etc.), formados a partir dos arquivos em formato “DICOM” ( Digital Imaging Communication in Medicine). Sempre que é feito uma aquisição tomográfica, a imagem gerada vem no formato DICOM (isso significa que apenas um software específico consegue abrir essa imagem). A partir do momento que essa imagem é manipulada, ela deixa de ter esse formato DICOM e então pode ser feita a documentação necessária. As impressoras 3D conseguem converter essa imagem em DICOM para STE A prototipagem serve para cirurgias de reconstrução, mas também pode ser usada em outras aplicações da odontologia RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Magnetização da área examinada através da sensibilização dos átomos de hidrogênio Excelente para visualização de tecidos moles: vasos, nervos, músculos, tecidos cartilaginosos Alto custo Longo tempo para execução do exame Não invasiva (não usa radiação ionizante e sim campo magnético) Apesar de gerar imagens em corte tal qual a tomografia, não é feita pela radiação mas sim da magnetização, através das moléculas de hidrogênio do nosso organismo. É uma bobina que faz a movimentação magnética das moléculas de hidrogênio, gerando uma imagem.132 Nicole Júlia Levandovski PRINCÍPIOS DA FORMAÇÃO DE IMAGEM Temos as moléculas do nosso corpo em todos os tecidos. Quanto maior a quantidade de tecido mole e água, mais as moléculas de movimentam para o canto do sensor e conseguem captar a imagem. Quanto menos molécula de água, menos movimentação e menos captação de imagem. Assim sendo, a imagem escura nos exames são geradas por HIPOSINAL e imagem clara nos exames são geradas por HIPERSINAL PARÂMETROS EM RM São parâmetros alterados pela operador no momento do exame Alguns tecidos mudam seu aspecto em T1 e T2, evidenciando assim sua composição, outros não. Ou seja, é possível colocar um filtro no computador para ignorar um sinal (quando ignora um sinal de hiper densidade, gera uma imagem em negativo) → exemplo: RM em pacientes acima do peso, vai estar escrito no laudo “RM com supressão de gordura” (protocolo T2), a gordura ao invés de aparecer branca e hipersinal, vai aparecer em hiposinal, pois o sinal foi deletado. INDICAÇÕES DA RM NA ODONTOLOGIA Análise de desarranjos internos; Deslocamento de Disco; Posição de cabeça da mandíbula; Estruturas ósseas; Necroses ósseas Osteoartrites Processos inflamatórios Osteofitos Basicamente estarão voltadas ao estudo de DTM Uma boa vantagem da RM é a possibilidade de fazer um exame dinâmico/hiperdinâmico (como se fosse um videozinho). Em relação aos planos de corte da RM, não muda. São os mesmos presentes na tomografia (axial, sagital e coronal) 133 Nicole Júlia Levandovski ESTUDO DINÂMICO X PSEUDODINÂMICO → Pseudodinâmico são vários cortes de imagens no computador, que em velocidade formam um “vídeo” → Dinâmico é captado em tempo real devido ser livre de radiação ULTRASSONOGRAFIA E ECOGRAFIA Realizado por um transdutor que o médico encosta na pele da pessoa e que emite e capta ondas sonoras por meio do contato com o corpo humano. Mais indicado na odontologia em estudo de glândulas salivares, estudo de ATM, lesão do complexo bucomaxilo (diferenciação de lesão sólidas ou císticas) VANTAGENS Sem efeitos colaterais e livre de radiação Custo DESVANTAGENS Interpretação a ser realizada por profissionais experientes Médico/dentista dependente: o laudo tem que ser gerado na hora (o paciente foi embora, não se tem mais a imagem, a não ser que seja feito por prints – para isso precisa de um captador) CINTOLOGRAFIA • Medicina nuclear • Necessidade de marcadores que captam atividade celular → imagens que geram brilho quando expostas a uma atividade de radiação (radiação gama – TECNÉCIO 99 meta estável) • Radiotraçador/radiomarcador • Radioisótopo x molécula fisiológica • Radiação GAMA (onda eletromagnética semelhante a luz) • Leitura dessa luz (cintilação) através de uma máquina – GAMA Câmara Indicado na odontologia para o estudo de crescimento ósseo de patologias do complexo bucomaxilar É colocado o radioisótopo (Tecnécio), expõe o paciente a uma radiação GAMA, o computador capta o brilho do isótopo dentro do paciente. Onde brilha mais, é onde tem maior atividade celular 134 Nicole Júlia Levandovski EXAMES COMPLEMENTARES DEFINIÇÃO Exames e testes realizados a pedido do médico ou cirurgião-dentista, através de um laboratório de análises clínicas, que visam um diagnóstico, confirmação para uma patologia ou para um check-up. Materiais biológicos utilizados: • Sangue • Urina • Fezes • Esperma • Escarro (etc) • Hemograma • Relacionados à hemostasia • Exames Sorológicos e Bioquímicos HEMOGRAMA É um exame que avalia as células sanguíneas do paciente Série vermelha Série branca Série plaquetária (Contagem de plaquetas) Hemograma Completo consiste em: Hemograma + Contagem Diferencial dos Leucócitos Coleta do Sangue → O sangue do indivíduo é colhido com anticoagulante (EDTA) ou mistura de PaulHeller → Não é necessário jejum → Recomenda-se 24 horas sem prática de exercícios físicos e 48 horas sem consumo de bebida alcoólica → Alguns fármacos podem interferir nos resultados do exame DADOS OBTIDOS NO HEMOGRAMA VALORES DE REFERÊNCIA (VERRASTRO, 2015) A referência de normal de um laboratório para outro pode vir um pouco diferente, pois existem métodos diferentes de realizar algum exame. Portanto, podemos considerar uma pequena distorção nos valores de referência em cada exame para realizar o procedimento. Exames complementares de interesse em Cirurgia Oral Menor: Série vermelha (Eritrograma) • Contagem de Eritrócitos • Concentração de Hemoglobina • Hematócrito • Volume Corpuscular Médio • Hemoglobina Corpuscular Média • Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média • RDW (Red Cell Distribution Width ) Série branca (Leucograma) • Leucócitos: 1) Monócitos 2) Linfócitos 3) Eosinófilos 4) Basófilos 5) Neutrófilos Série plaquetária 135 Nicole Júlia Levandovski Série Vermelha SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – ERITRÓCITOS (HEMÁCIAS/GLÓBULOS VERMELHOS) → Contagem de glóbulos vermelhos (hemácias/mm³) → Os valores normais variam de acordo com o sexo e com a idade → Pode ser afetado por: idade, exercício físico, gravidez e morar em altitude elevada (- O2 + hemácia) → Seu resultado é dado em número por mililitro (ml) Valores normais: Homem 5.000.000 – 5.500.000 ml/mm³ Mulher 4.500.000 – 5.000.000 ml/mm³ Eritrócitos (x106 /mm³): valores aumentados • Doença cardiovascular • Hipóxia crônica • Doença crônica do pulmão • Cardiopatia congênita • Drogas: corticosteroides, danazol, eritropoetina, gentamicina, diuréticos tiazídicos Eritrócitos (x106 /mm³): valores diminuídos • Doença renal • Anemia • Hemorragia • Leucemia • Hipotireoidismo • Desnutrição • Supressão medular • Doença crônica • Cirrose • Drogas: acetaminofeno, aciclovir, alopurinol, amitriptilina, anfetaminas, anfotericina B, antimaláricos, antibióticos, barbitúricos, captopril, quimioterapia, cloranfenicol, digoxina, indometacina, isoniazida, inibidores da MAO, fenobarbital, fenitoína, rifampicina, trombolíticos SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – HEMOGLOBINA (HB) → Contagem de hemoglobina (hemoglobina/100ml) → Responsável pelo transporte de oxigênio → Responsável pela coloração vermelha das hemácias/glóbulos vermelhos → É uma metaloproteína (ions metálicos na estrutura) que contém ferro e fica alojado dentro da hemácia – ou seja, é presente nos glóbulos vermelhos/hemácias → Seu resultado é dado em peso (g) por 100ml Valores normais: Homem 13,5 – 18 g/100ml Mulher 12 – 16,5 g/100ml Hb (g/100ml): valores aumentados • Doenças cardíacas • Doença pulmonar crônica • Desidratação • Câncer Hepático • Queimaduras • Policitemia • Câncer Hepático • Hemoconcentração • Policitemia vera • Tabagismo • Doença de Hodgkin • Linfoma • Doença de Addison • Mieloma múltiplo • Hemodiluição • Febre reumática • Lúpus eritematoso sistêmico • Gravidez • Deficiência de vitaminas B6, B12 e ácido fólico • Eritrocitose • Choque anafilático • Doença de Cushing • Cisto renal • Má formação cardíaca • Drogas: gentamicina e metildopa 136 Nicole Júlia Levandovski Hb (g/100ml): valores diminuídos • Anemia • Cirrose • Infecção crônica • Hemorragia • Hipotireioidismo • Leucemia • Linfoma • Doença de Addison • Drogas: antibióticos, agentes antineoplásicos, aspirina, indometacina, rifampicina, sulfonamidas, inibidores da MAO. SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – HEMATÓCRITO → Porcentagem ocupada pelas hemácias no volume total de sangue → Sangue contém, além das hemácias, os leucócitos, as plaquetas e o plasma → Os valores variam com o sexo e com a idade → Seu resultado é dado em porcentagem (%) Valores normais: Homem 40 – 50%Mulher 36 – 45% Hematócrito (%): valores aumentados • DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) • Tumores hepáticos • Hipóxia crônica • Má formação cardíaca • Doença pulmonar crônica • Drogas: corticosteroides, danazol, tiazídicos Hematócrito (%): valores diminuídos • Infecção crônica • Cirrose • Hemorragias • Anemias • Hipotireoidismo • Leucemia • Linfoma • Doença de Addison • Supressão medular SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – VOLUME CORPUSCULAR MÉDIO (VCM) → Tamanho das hemácias: Normocíticas Microcíticas Macrocíticas → Anisocitose = alteração no tamanho das hemácias → Seu resultado é dado em fentolitros (fL) Valores normais: Homem e Mulher 80 – 100 fL • Supressão medular • Doença de Hodgkin • Desnutrição • Mieloma múltiplo • Doença renal • Febre reumática • Lúpus eritematoso sistêmico • Gravidez • Deficiência de vitaminas B6, B12 e ácido fólico • Doença cardíaca crônica • Desidratação • Policitemia • Eritrocitose • Choque • Doença de Hodgkin • Desnutrição • Doença renal • Mieloma múltiplo • Hemodiluição • Febre reumática • Lúpus eritematoso sistêmico • Gravidez • Deficiência de vitaminas B6, B12 e ácido fólico 137 Nicole Júlia Levandovski VCM (fL): valores aumentados • Doença hepática crônica • Abuso de álcool • Deficiência de ácido fólico • Deficiência de vitamina B12 • Drogas: estrógenos, heparina, colchicina, nitrofurantoína, fenitoína, triantereno, trimetoprima VCM (fL): valores diminuídos • Anemia • Envenenamento por chumbo • Malignidade SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (HCM) → É a quantidade de hemoglobina na hemácia → Seu resultado é dado em picogramas (1mg=1.000.000.000pg) Valores normais: Homem e Mulher 25 – 35pg HCM (pg): valores aumentados • Abuso de álcool • Doença hepática crônica • Deficiência de ácido fólico • Deficiência de vitamina B12 • Drogas: AZT, heparina, hidroxiuréia, metotrexato, fenitoína HCM (pg): valores diminuídos • Anemia • Envenenamento por chumbo • Malignidade SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (CHCM) → É a concentração da hemoglobina dentro de uma hemácia → A coloração da hemácia depende da quantidade de hemoglobina hipocrômicas (< 32) hipercrômicas (> 36) normocrômicas (no intervalo de normalidade) → Seu resultado é dado em peso (g) por decilitro (dL) Valores normais: Homem e Mulher 31 – 36g/dL CHCM (g/dL): valores aumentados • Esferocitose • Drogas: heparina, contraceptivo oral CHCM (g/dL): valores diminuídos • Anemia • Envenenamento por chumbo • Talassemia • Esferocitose • Mielodisplasia • Hipotireoidismo • Esferocitose • Mielodisplasia • Hipotireoidismo • Artrite reumatoide • Talassemia • Artrite reumatoide • Talassemia 138 Nicole Júlia Levandovski SÉRIE VERMELHA/ERITROGRAMA – ÍNDICE DE ANISOCITOSE (RDW) → Mede a diferença entre os tamanhos das hemácias (anisocitose) → Representa a percentagem de variação dos volumes obtidos → Seu resultado é dado em porcentagem (%) Valores normais: Homem e Mulher 11,5 – 14,5% RDW (%): valores aumentados • Abuso de álcool • Anemia • Drogas: eritropoetina RDW (%): valores diminuídos • O RDW baixo normalmente não apresenta significado clínico quando interpretado isoladamente, mas sim que as hemácias estão apresentando mais ou menos o mesmo tamanho ou variação de tamanho muito pequena • Caso sejam verificadas outras alterações no hemograma, pode indicar suspeitas: anemia causada por doença crônica, como doenças do fígado, problemas renais, HIV, câncer ou diabetes, por exemplo. Série Branca SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – LEUCÓCITOS (GLÓBULOS BRANCOS) → Número total de glóbulos brancos em 1mm³ de sangue → Tem função de proteger o corpo contra agentes estranhos → Seu resultado é dado em quantidade por mm³ 5 principais tipos (contagem diferencial): • Basófilos • Eosinófilos • Linfócitos • Monócitos • Neutrófilos É chamado de “contagem diferencial” pois existem 5 diferentes tipos e a soma da porcentagem total na amostra dos 5, sempre dará 100% Obs.: Contagem tende a ser menor pela manhã e maior à noite Valores normais: Homem e Mulher 4.500 – 10.500/mm³ Leucócitos (/mm³): valores aumentados • Infecção • Doenças inflamatórias • Anemia Leucócitos (/mm³): valores diminuídos • Patologias da medula óssea • Doenças do fígado ou baço • Doenças do colágeno • Leucemia • Estresse físico ou emocional importante • Dano tecidual • Radiação • Deficiência de ácido fólico e vitamina B12 • Drogas: clorofenicol 139 Nicole Júlia Levandovski SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – NEUTRÓFILOS → Estão envolvidos na defesa contra bactérias e fungos → Segmentados são neutrófilos maduros (apresentam vida média de 4 dias) → Seu resultado é dado em porcentagem ou quantidade por mm³ Valores normais: Homem e Mulher | Segmentados: representam 40 – 60% do volume total; 3000 – 7000/mm³ Homem e Mulher | Não segmentados: representam 0 – 3% do volume total; < 350/mm³ Neutrófilos (%; /mm³): valores aumentados • Hemorragia • Acidose • Infecções agudas (bacterianas e fúngicas) • Hemólise aguda • Câncer de pulmão, trato intestinal e medula óssea • Envenenamento por produtos químicos, medicamentos, veneno • Necrose de tecido por cirurgia, queimaduras, infarto agudo do miocárdio • Drogas: epinefrina, endotoxina, heparina, histamina, esteroides Neutrófilos (%; /mm³): valores diminuídos • Infecção viral • Hepatite • Choque anafilático • Anorexia nervosa • Anemia aplásica ou percinosa • Hiperesplenismo • Drogas: analgésicos, antibióticos, antineoplásicos, drogas antitireoidianas, fenotiazinas, sulfonamidas Obs. Temos um valor total de 100% de leucócitos na amostra, portanto, se aumentar a quantidade de leucócito específico que vai combater vírus, automaticamente a porcentagem dos demais que não fazem combate ao vírus irão diminuir, mas a quantidade de células por mm³ estará normal. SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – EOSINÓFILOS → Quando seu número aumenta é chamado de eosinofilia → Desempenha papel importante em infecções parasitárias e reações alérgicas → Seu resultado é dado em porcentagem ou quantidade por mm³ Valores normais: Homem e Mulher 1 – 4%; < 450/mm³ Eosinófilos (%; /mm³): valores aumentados • Alergia • Infecção parasitária • Doença de Addison • Câncer de pulmão, estômago e ovário • Leucemia mieloide crônica • Doença de Hodgkin • Anemia perniciosa Eosinófilos (%; /mm³): valores diminuídos • Estresse (natural ou cirúrgico) • Trauma • Infecção severa • Eclâmpsia • Estresse físico e emocional • Gota • Febre reumática • Doenças mieloproliferativas • Uremia • Vasculite • Leucemia • Sepse • Infecção por rickettsias • Lúpus eritematoso • Artrite reumatoide • Irradiação • Irradiação • Policitemia • Artrite reumatoide • Escarlatina • Colite ulcerativa • Lupus eritematoso • Drogas: heparina, penicilina, propranolol, estreptomicina, triptofano • Choque anafilático • Doença de Cushing • Drogas: corticosteróide 140 Nicole Júlia Levandovski SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – BASÓFILOS → Ativado por lesões ou infecção → Importante para o processo inflamatório ❖ Libera substâncias que aumentam a permeabilidade capilar e fluxo sanguíneo → Participa em processos alérgicos → Seu resultado é dado em porcentagem ou quantidade por mm³ Valores normais: Homem e Mulher 0,5 – 1%; 15– 100/mm³ Basófilos (%; /mm³): valores aumentados • Sinusite crônica • Irradiação • Algumas doenças da pele • Catapora • Sarampo • Leucemia mieloide crônica Basófilos (%; /mm³): valores diminuídos • Infecção aguda • Gravidez • Estresse • Drogas: agentes antineoplásicos, glicocorticóide SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – LINFÓCITOS → Aumento é chamado de linfocitose → Existem 3 tipos: Linfócitos T, B e NK → Seu resultado é dado em porcentagem ou quantidade por mm³ Valores Normais: Homem e Mulher 20 – 40%; 1000 – 4000/mm³ Linfócitos (%; /mm³): valores aumentados • Infecções virais • Hipersensibilidade às drogas • Doença de Addison • Leucemia linfocítica crônica • Doença de Crohn • Citomegalovírus • Mononucleose infecciosa Linfócitos (%; /mm³): valores diminuídos • Tuberculose • Insuficiência renal • Irradiação • Estresse • Insuficiência cardíaca congestiva • Lúpus eritematoso • Drogas: agentes antineoplásicos, corticosteróides • Processos alérgicos (por medicação, doença, comida) • Doença mieloproliferativa • Varíola • Pós-esplenectomia • Colite ulcerativa • Choque anafilático • Doença de Graves • Irradiação • Coqueluche • Doença do soro • Tireotoxicose • Toxoplasmose • Febre tifoide • Colite ulcerativa • Anemia aplásica • Linfossarcoma • Miastenia gravis • Obstrução da drenagem linfática • SIDA • Doença de Hodgkin 141 Nicole Júlia Levandovski SÉRIE BRANCA/LEUCOGRAMA – MONÓCITOS → São responsáveis pela produção de mediadores inflamatórios → São recrutados para locais de infecção ou de tecido danificado → Quando estão aumentados, usa-se o termo monocitose Valores Normais: Homem e Mulher 2 – 8%; < 850 células/mm³ Monócitos (%; /mm³): valores aumentados • Infecções virais • Distúrbios inflamatórios crônicos • Endocardite bacteriana subaguda • Brucelose • Colite ulcerativa crônica Monócitos (%; /mm³): valores diminuídos • Estresse agudo • Sepse • Drogas: glicocorticoides, agentes imunossupressores Série Plaquetária SÉRIE PLAQUETÁRIA – PLAQUETAS (TROMBÓCITOS) → Aglomera-se formando coágulos → Função de parar sangramentos → Diminuição ou disfunção pode levar a sangramentos → Aumento pode aumentar o risco de trombose → Vida média de 5 a 10 dias Valores Normais: Homem e Mulher 150.000 – 400.000/mm³ Plaquetas (/mm³): valores aumentados • Anemia • Infecção aguda • Leucemia crônica • Pancreatite crônica • Cirrose • Doenças do colágeno • Inflamação • Infecções virais • Drogas: cefalosporina, clindamicina, corticosteroides, danazol, dipiridamol, donepezil, eritropoetina, lítio, contraceptivos orais, zidovudina Plaquetas (/mm³): valores diminuídos • Anemia • Condições alérgicas • Dengue • Prótese de válvula cardíaca • Doenças linfoproliferativas • Lúpus eritematoso • Drogas: inibidores da ECA, acetaminofeno, alopurinol, antiarrítmicos, antibióticos, barbitúricos, agentes quimioterápicos, diuréticos, donepezil, infliximab • Doença de Hodgkin • Desordens mieloproliferativas • Pós quimioterapia • Sífilis • Tuberculose • Excitação • Tumores malignos • Doença mieloproliferativa • Doença cardíaca • Policitemia vera • Pós-hemorragia • Pós-parto • Pós-esplenectomia • Leucemia aguda • Infecção por clostridium • Radiação • Menstruação • Esplenomegalia • SIDA • Moradores de altitudes elevadas • Temperaturas frias • Exercício extenuante • Tuberculose • Trauma • Asfixia • Artrite reumatoide • Gravidez 0 • Coagulação intravascular disseminada • Auto-transfusão • Mieloma múltiplo • Púrpura trombocitopênica idiopática • Hiperesplenismo • Doenças linfoproliferativas 142 Nicole Júlia Levandovski COAGULOGRAMA Analisa e detecta alterações na coagulação do sangue Importante em: Pré-operatórios Pacientes com histórico de sangramentos Pacientes com doenças que alteram a coagulação Casos de dengue: < coagulação; < produção de plaquetas Antiagregantes Plaquetários • AAS (Aspirina) • Warfarina • Sulfinpirazona • Indobufen • Flurbiprofen • Triflusal • Dipiridamol • Ticlopidina • Pradaxa • Clopidorgel DADOS OBTIDOS NO COAGULOGRAMA Tempo de Sangramento (TS); Tempo de Coagulação (TC); Retração do coágulo; Prova do laço; Tempo de Ativação da Protrombina (TAP); Tempo de Ativação Parcial da Tromboplastina (KPTT ou TTPA); Número de Plaquetas 1. Tempo de Sangramento (TS) NORMAL: 1 A 3 MINUTOS (MÉTODO DE DUKE) Duração de uma pequena hemorragia quando uma incisão de dimensões padronizadas é praticada na pele artificialmente – quanto tempo o paciente permanece sangrando Evitar anticoagulantes, aspirina e anti-inflamatórios 7 dias antes (com indicação médica) Evitar bebidas alcoólicas 24h antes TS: valores aumentados • Uso de anticoagulantes • Anemia • Desordens da medula óssea • Doença do colágeno • Doença de Cushing • Coagulação intravascular disseminada • Deficiência de fatores de coagulação • Defeitos de fibrinogênio • Drogas: antibióticos, anticoagulantes, antineoplásicos, nitroglicerina, anti-inflamatórios não esteroidais, salicilatos, tiazidas, trombolíticos 2. Tempo de Coagulação (TC) NORMAL: 5 A 11 MINUTOS Tempo gasto para o sangue coagular Fornece dados relativos ao sistema de coagulação É um teste sujeito a numerosas variáveis (como foi feita a coleta, calibre da agulha usado e temperatura são exemplos de fatores influentes/variáveis) Atualmente pode ser substituído pelo tempo de tromboplastina parcial 3. Retração do Coágulo NORMAL: > 40% Fornece dados relativos à atividade plaquetária O coágulo inicial contém todos os elementos do sangue, porém conforme o coágulo vai maturando, as plaquetas aglomeradas vão se retraindo e expulsando o soro/plasma da malha de fibrina de dentro do coágulo, deixando o coágulo cada vez menor até chegar na retração completa, cujo deve ser maior que 40% • Hipocalcemia • Leucemia • Insuficiência renal • Trombocitopenia • Uremia • Anormalidades vasculares • Doença de von Willebrand 143 Nicole Júlia Levandovski 4. Prova do Laço A permeabilidade capilar alterada permite a passagem das células do sangue para os tecidos (se tiver normal, não vai passar tanto sangue para fora do vaso, mesmo com o torniquete, mas quando tiver alterada e colocar o torniquete que vai aumentar a pressão, impedindo o retorno venoso e o sangue começa a sair do vaso devido a permeabilidade capilar) Evidenciado pelo aparecimento de petéquias na pele Dependem da estrutura do endotélio capilar e número de plaquetas por microlitro de sangue Dentro de um quadrado demarcado de 2,5cm X 2,5cm, é feita a contagem de petéquias. O local da demarcação do quadrado deve ser feito próximo ao garroteamento. Faz o garroteamento no braço do paciente (pode ser feito com o próprio manguito de aferir pressão) e deixa por 5 minutos. Devido a permeabilidade capilar, vai começar a aparecer petéquias e então avalia-se o resultado. Prova do laço: Resultados Negativo: Nenhuma ou no máximo seis petéquias puntiformes no limite onde foi colocado o manguito. Positivo (+): De 6 a 50 petéquias puntiformes isoladas localizadas na região da fossa antecubital. Positivo (++): Inúmeras petéq. puntiformes isoladas e localizadas na fossa antecubital, antebraço e raras na mão. Positivo (+++): Petéquias de 2 a 4 milímetros com a mesma localização anterior e confluente em algumas áreas. Positivo (++++): Petéquias maiores que as anteriores (4mm) localizadas em toda área de estase (garroteada), confluentes em alguns pontos, dando ao membro coloração violácea5. Tempo de Ativação da Protrombina (tp ou TAP) NORMAL: 11 – 15 SEGUNDOS Tempo que leva para um coágulo se formar após adição de cálcio e tromboplastina (ativadores extrínsecos) Determina a atividade da protrombina no sangue Analisa os fatores extrínsecos da coagulação Exame usado para avaliar efetividade do warfarin Diarréia, vômitos e álcool podem aumentar os resultados Dieta rica em gordura pode diminuir resultados TP (/seg): valores aumentados • Terapia anticoagulante oral • Leucemia aguda • Insuficiência cardíaca congestiva • Hepatite • Doença hepática • Pancreatite crônica • Câncer de pâncreas • Deficiência dos fatores (I, II, V, VII, X) • Doença hemorrágica do recém-nascido 6. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA ou kptt) NORMAL: 25 – 39 SEGUNDOS Nível terapêutico para terapia anticoagulante: 1,5 a 2,5 vezes o valor do controle (paciente que faz uso de anticoagulante em nível terapêutico pode aumentar o valor normal de 1,5 a 2,5 vezes mais) Tempo gasto para ocorrer a coagulação do plasma recalcificado em presença de um fosfolípede ou tromboplastina parcial (ativadores intrínsecos) Avalia via intrínseca da coagulação Usado para monitorar terapia de heparina Anticoagulantes podem aumentar resultado • Obstrução biliar • Hipofibrinogenemia • Icterícia obstrutiva • Coagulação intravascular disseminada • Toxicidade por salicilato • Síndrome do choque tóxico • Deficiência de vitamina K • Síndrome do anticorpo antifosfolípide 144 Nicole Júlia Levandovski TTPa (/seg): valores aumentados • Cirurgia cardíaca • Cirrose • Distúrbios hemorrágicos • Doença hepática • Hemodiálise • Terapia com heparina • Descolamento prematuro da placenta • Transfusão de sangue autólogo • Coagulação intravascular disseminada • Drogas: antibióticos, aspirina, colestiramina, ciclofosfamida, enoxaparina, trombolíticos TTPa (/seg): valores diminuídos • Hemorragia aguda • Câncer avançado • Hipercoagulabilidade 7. Número de Plaquetas Mesmo exame comentado anteriormente em hemograma completo (série plaquetária), porém realizado no coagulograma. GLICEMIA EM JEJUM Normal: 65 – 100 mg/dL Alterada: 100 – 125 mg/dL Provável diabetes: > 125 mg/dL Estresses como queimaduras ou traumas podem aumentar níveis Jejum de 8 horas Pode ser feito momentos antes da cirurgia oral através do uso de Dextro sem jejum (podendo ser considerado um valor de até 160 mg/dL caso o paciente tenha se alimentado momentos antes) –sendo mais indicado quando o paciente for diabético, para poder avaliar a glicemia imediatamente antes do procedimento. Glicemia (mg/dL): valores aumentados • Diabetes mellitus • Hipertireoidismo • Doença hepática • Subnutrição • Infarto do miocárdio • Obesidade • Insuficiência renal crônica • Choque • Tireotoxicose • Trauma • Drogas: azatioprina, betabloqueadores, bicalutamida, corticosteroides, diazóxido, epinefrina, estrógenos, furosemida, gemfibrozil, isoniazida, levotiroxina, lítio, niacina, inibidores da protease, tiazidas Glicemia (mg/dL): valores diminuídos • Ansiedade • Exercício excessivo (antes da coleta) • Hipotireoidismo • Pós-gastrectomia • Estresse • Doença de Addison • Drogas: acetaminofeno, carvedilol, etanol, gemfibrozil, hipoglicemiantes, insulina, inibidores da MAO, fenotiazinas, risperidona, teofilina • Disfibrinogenemia • Deficiência de fator XII • Hipoprotrombinemia • Hemofilia A (deficiência do fator VIII) • Hemofilia B (deficiência do fator IX) • Deficiência de vitamina K • Doença de von Willebrand • Afibrinogenemia • Câncer de pâncreas • Pancreatite • Acromegalia • Adenoma de pâncreas • Queimaduras • Síndrome de Cuching • Eclâmpsia • Hiperlipoproteinemia • Feocromocitoma • Tumores da hipófise ///////////// • Doença de depósito de glicogênio • Necrose hepática • Insulinoma • Carcinoma de células da ilhota do pâncreas • Hipofunção pituitária • Hipoglicemia reativa devido à alta ingestão de carboidratos 145 Nicole Júlia Levandovski Portanto, os Exames Obrigatórios para a realização de uma cirurgia oral menor (principalmente os preconizados pela disciplina de Cirurgia da UNISANTA), são: HEMOGRAMA COMPLETO, COAGULOGRAMA E GLICEMIA EM JEJUM EXAMES SOROLÓGICOS Visam avaliar no plasma sanguíneo a presença de proteínas com atividade imunológica (imunoglobulinas ou anticorpos). O resultado pode ser: Reativo (reagente) ou não reativo (não reagente) Não é o vírus em si que o exame identifica, mas sim, o anticorpo que o organismo produziu para combatê-lo. EXAMES SOROLÓGICOS DE INTERESSE: • Hepatite • HIV • Sífilis • Toxoplasmose • Mononucleose • COVID ANTICORPOS IGG E IGM Imunoglobulinas (Ig) das classes M (IgM), G (IgG) e E (IgE) ❖ IgM: proteção imediata ❖ IgG: proteção de longo prazo ❖ IgE: processos alérgicos IgM: Já houve exposição ou está na fase ativa Ig(M) → (M)omento: no Momento que o organismo está em combate – fase ativa IgG: Fase crônica ou contato prévio (seja por doença ou vacina) Ig(G) → (G)anhou: organismo já Ganhou o combate; indica um contato anterior com o agente – fase crônica/ imunização EXAMES BIOQUÍMICOS Visam avaliar componentes químicos do sangue EXAMES BIOQUÍMICOS DE INTERESSE: • Creatinina sérica • Fosfatase alcalina • Cálcio sérico • Fósforo sérico •Hemoglobina glicada • TGO • TGP CREATININA SÉRICA Avalia função renal Normal: Homem: 0,8 – 1,4 mg/dL Mulher: 0,6 – 1,2 mg/dL Criança: 0,2 – 1,0 mg/dL Creatinina (mg/dL): valores aumentados • Insuficiência cardíaca congestiva • Desidratação • Diabetes mellitus • Glomerulonefrite • Gota • Hipertireoidismo • Mieloma múltiplo • Pielonefrite • Drogas: anfotericina B, andrógenos, ácido ascórbico, barbitúricos, captopril, cefalosporinas, clortalidona, cimetidina, clofibrato, clonidina, corticosteróides, dextran, doxiciclina, frutose, gentamicina, glicose, hidralazina, hidroxiuréia, levodopa, lítio, meticilina, metildopa, metoprolol, nitrofurantoína, propranolol, sulfonamidas, estreptoquinase, testosterona, triantereno, trimetoprima Creatinina (mg/dL): valores diminuídos • Atrofia do tecido muscular • Gravidez • Drogas: cefoxitina, cimetidina, clorpromazina, maconha, diuréticos tiazídicos, vancomicina • Insuficiência renal • Artrite reumatóide • Choque • Endocardite bacteriana subaguda • Lúpus eritematoso sistêmico • Uremia • Obstrução urinária 146 Nicole Júlia Levandovski FOSFATASE ALCALINA (FA) Enzima encontrada no fígado, osso, placenta, intestino e rins, mas principalmente no trato biliar e osteoblastos. Envolvida na formação de osso novo. Normal (adulto): Homem: 45 – 115 U/L Mulher: 30 – 100 U/L FA (U/L): valores aumentados • Obstrução biliar • Metástases ósseas • Deficiência de cálcio • Câncer de cabeça do pâncreas • Cirrose • Eclampsia • Hepatite • Drogas: inibidores da ECA, acetaminofeno, anticonvulsivantes, antibióticos, antipsicóticos, benzodiazepínicos, estrógenos, sulfato ferroso, heparina, interferons, hipolimeiantes, AINEs, salicilatos, tiazídicos FA (U/L): valores diminuídos • Doença celíaca • Nefrite crônica • Fibrose cística • Escorbuto • Defeito genético • Drogas: arsênico, cianetos, fluoretos, nitrofuratoína, oxalatos, fosfatos, propranolol, sais de zinco CÁLCIO Importante para reparação óssea Participa em: contração muscular, transmissão de impulsos nervosos, função cardíaca e coagulação sanguínea Normal (adulto): 8,8 – 10,6 mg/dl Cálcio (mg/dl): valores aumentados • Acromeqgalia • Doença de Addison • Abuso de antiácido • Desidratação • Doença de Hodgkin • Hiperparatiroidismo • Hipertireoidismo • Drogas: andrógenos, antiácidos, carbonato de cálcio, gluconato de cálcio, sais de cálcio, ergocalciferol, estrógenos, hidralazina, indometacina,lítio, hormônio da paratireóide e da tireóide, progesterona, tamoxifeno, teofilina, diuréticos tiazídicos, vitamina A, vitamina D Cálcio (mg/dl): valores diminiuídos • Pancreatite aguda • Alcoolismo • Doença renal crônica • Diarréia • Hipocalcemia neonatal precoce • Drogas: acetazolamida, antiácidos, anticonvulsivantes, aspirina, barbitúricos, calcitonina, cisplatina, corticosteróides, colestiramina, furosemida, gastrina, gentamicina, glucagon, glicose, heparina, hidrocortisona, ferro, insulina, laxantes, diuréticos, sais de magnésio, meticilina, fenobarbital, fenitoína, sulfonamidas. • Mononucleose infecciosa • Leucemia • Câncer de fígado • Sarcoma osteogênico • Osteomalácia • Doença de Paget • Pancreatite • Formação anormal do osso • Subnutrição • Síndrome do leite e álcalis • Anemia percinosa • Imobilização prolongada • Leucemia • Doença de Paget • Tumor da paratireóide • Câncerrenal • Acidose respiratória • Gravidez • Deficiência de vitamina D • Raquitismo • Ingestão de alto teor de gordura • Hiperparatireoidismo • Artrite reumatóide 0000 • Sarcoidose • Intoxicação por vitamina D • Síndrome de Williams • Câncer de pulmão • Câncer ósseo metastático • Mieloma múltiplo • Hipofosfatemia • Hipotireoidismo • Insuficiência placentária • Ingestão excessiva de vitamina D • Alcalose metabólica • Hiperfosfatemia • Hipoparatireoidismo • Albumina baixa • Má absorção • Transfusões de sangue maciças • Osteomalácia • Insuficiência renal • Raquitismo • Desnutrição grave • Deficiência de vitamina D 147 Nicole Júlia Levandovski FÓSFORO Combinado com o cálcio nos ossos; 15% presente circulante no sangue Metabolismo da glicose e lipídios Geração de tecido ósseo Normal (adulto): 2,4 – 4,1 mg/dL Fósforo (mg/dL): valores aumentados • Acromeqgalia • Doença de Addison • Tumores ósseos • Cetoacidose diabética • Hipocalcemia • Hipoparatireoidismo • Transfusões de sangue maciça • Síndrome do leite e álcalis • Nefrite Drogas: antibióticos, eritopoetina, etidronato, furosemida, hidroclorotiazida, naproxeno, nifedipina, enemas de fosfato, risedronato, risperidona, testosterona, ventafaxina, vitamina D Fósforo (mg/dL): valores diminuídos • Abuso de antiácido • Alcoolismo crônico • Raquitismo • Hipercalcemia • Hipocalemia • Hiperinsulinismo • Hiperparatiroidismo • Hipotireoidismo • Drogas: amlodipina, esteróides anabolizantes, anticonvulsivantes, azatioprina, calcitonina, calcitrol, cisplatina, diuréticos, doxorrubicina, insulina, dextrose, lítio, niacina, fenotiazinas, antiácidos, raloxifeno, venltafaxina HEMOGLOBINA GLICADA Meia vida da hemácia = 120 dias É possível saber nível médio de glicose nos últimos 2 – 3 meses Importante em pacientes com variação importante durante o dia, a longo prazo Normal: 4 – 5,7% Pré-diabético: 5,7 – 6,4% Diabetes: > ou = 6,5% Hb Glicada (%): valores aumentados • Alcoolismo • Intoxicação por chumbo • Hiperglicemia • Pacientes diabéticos sem controle adequado ou recém diagnosticado Hb Glicada (%): valores diminuídos • Perda crônica de sangue • Insuficiência renal • Anemia hemolítica ou falciforme • Gravidez • Esplenectomia • Talassemia • Suplementação de fosfato • Pré-puberdade • Insuficiência renal • Sarcoidose • Anemia falciforme • Tireotoxicose • Dano tecidual • Uremia • Intoxicação por vitamina D • Má absorção • Subnutrição • Osteomalácia • Doença renal • Cetoacidose diabética (após o tratamento) • Intoxicação por salicilato • Queimaduras graves • Deficiência de vitamina D → Meta terapêutica no paciente diabético: < 7% → Nível de glicose acima do normal por período prolongado = saturação da hemoglobina com glicose Glicemia em Jejum é a glicemia circulante no sangue no momento do exame. Hemoglobina Glicada é a glicemia circulante no sangue no momento do exame e nos últimos 2-3 meses. 148 Nicole Júlia Levandovski TGO (TRANSAMINASE OXALACÉTICA) Enzima encontrada no fígado, coração e músculo Avalia danos no fígado e ao músculo cardíaco Costuma ser maior em: • Hepatite induzida por álcool • Cirrose • Câncer no fígado Normal (adultos): Homem: 10 – 40 U/L Mulher: 9 – 25 U/L TGO (U/L): valores aumentados • Doença renal aguda • Obstrução biliar • Metástases ósseas • Trauma cerebral • Câncer de próstata • Cirrose • Eclampsia • Gangrena • Drogas: acetaminofeno, alopurinol|, antibióticos, ácido ascórbico, clorpropamida, colestiramina, clofibrato, codeína, hidralazina, isoniazida, meperidina, metildopa, morfina, contraceptivos orais, fenotiazinas, procainamida, piridoxina, salicilatos, sulfonamidas, verapamil, vitamina A TGO (U/L): valores diminuídos • Beribéri • Cetoacidose diabética • Hemodiálise • Gravidez • Uremia • Drogas: metronidazol TGP (TRANSAMINASE PIRÚVICA) Enzima encontrada nos rins, coração, tecido muscular e principalmente no fígado Monitora danos ao fígado Costuma ser maior em: • Hepatite viral • Hepatite induzida por drogas • Obstrução hepática (sem malignidade) Normal (Adultos): 10 – 45 U/L TGP (U/L): valores aumentados • Obstrução biliar • Metástases ósseas • Colestase • Cirrose • Trauma • Eclampsia • Drogas: Inibidores da ECA, acetaminofeno, anticonvulsivantes, antibióticos, antipsicóticos, benzodiazepínicos, estrógenos, sulfato ferroso, heparina, interferons, hipolipemiantes, AINEs, salicilatos, tiazidas COLESTEROL ALTO EM CIRURGIA Não altera a cirurgia oral desde que o paciente esteja dentro da normalidade em glicemia, hemograma e coagulograma Não é protocolo de solicitação de exame pré-cirúrgico Não é motivo para abordar a cirurgia • Doença hemolítica • Hepatite • Mononucleose infecciosa • Câncer de fígado • Metástases hepáticas • Necrose hepática • Hipertermia maligna • Inflamação muscular • Infarto do miocárdio • Pancreatite • Distrofia muscular progressiva • Infarto pulmonar • Síndrome de Reye • Choque • Queimaduras graves • Trauma • Mononucleose infecciosa • Câncer de fígado • Inflamação muscular • Obesidade • Pancreatite • Infarto pulmonar • Síndrome de Reye • Choque • Insuficiência cardíaca congestiva • Isquemia hepática • Necrose hepática • Hepatite 149 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÕES DA CAVIDADE ORAL INTRODUÇÃO Quando se fala em controle de infecções, diretamente deve-se pesar em biossegurança, se lembrando sempre da GESTÃO DE RISCO: ➔ Estrutura de atendimento ao paciente ➔ Fazer o processo do começo do atendimento até a finalização, visando sempre a segurança do paciente ➔ Resultado ➔ Modelos de acreditação (ONA, JCI, QMENTUM), buscando um padrão de atendimento ➔ Metas internacionais de segurança do paciente (OMS) 1. Identificar corretamente o paciente 2. Melhorar a comunicação entre profissionais de saúde 3. Melhorar segurança de prescrição, uso adequado de medicações 4. Assegurar o local de intervenção cirúrgica corretamente 5. Higienização correta das mãos 6. Risco de quedas e úlceras por acidente e pressão ➔ Normas regulamentadoras (NR) Comissão Interna de Biossegurança Universidades e consultórios devem seguir um protocolo correto de biossegurança, com o objetivo de: ➔ Reduzir o número de microrganismos no ambiente de trabalho ➔ Reduzir o risco de contaminação cruzada ➔ Proteger a saúde dos pacientes e equipe ➔ Aderência da equipe – importância do controle de infecções ➔ Conceito de precauções universais – fluidos do corpo ➔ Atender as exigências dos regulamentos governamentais DEFINIÇÃO É o resultado final de um processo inflamatório, formando no interior dos tecidos um composto de restos teciduais, bactérias e pus, o que pode levar a uma destruição/necrose tecidual. Podem ser de origem odontogênicas ou não.ETIOLOGIA DAS INFECÇÕES ODONTOGÊNICAS DOENÇA PULPAR E LESÃO PERIAPICAL Inicialmente, quase todos os processos que temos em boca começam com a cárie. Podendo evoluir para uma doença pulpar, lesão periapical, necrose, podendo desencadear uma infecção de origem odontogênica. DOENÇA PERIODONTAL Incomum, porém as bactérias entram através do ligamento periodontal como uma via de contaminação. DOENÇA PERICORONÁRIA (OPÉRCULO GENGIVAL) Muito comum em pacientes com 3° molar inferior erupcionado. Favorece a contaminação de bactérias anaeróbicas, gerando grande risco de contaminação e evolução dessa infecção inicial . 150 Nicole Júlia Levandovski De uma maneira geral da infecção, há diversas etiologias, dentre eles, podemos citar: ➔ Inflamação ➔ Trauma ➔ Cistos ➔ Obstrução Glândulas Salivares ➔ Granulomatoses É um processo imunopatológico, onde incialmente há defesa e cicatrização de tecido e alteração celular de monócitos, células de defesa, sem fazer a fagocitose das células, gerando aumento de volume. Podem ser de origem viral, fúngica ou bacteriana, como por exemplo: hanseníase, tuberculose, sífilis, alguns linfomas. ➔ Hipertrofias ➔ Hiperplasias ➔ Neoplasias (ben. / Mal.) ➔ Doenças Sistêmicas (principalmente imunológicas) Quando se pensa em um processo infeccioso, deve-se considerar diversos fatores (multifatorial), sendo eles: ▪ Virulência (potência do vírus, mutações) ▪ Quantidade do patógeno no tecido (quanto menor, melhor) ▪ Anatomia da região (inserções musculares, inclinação de raiz) ▪ Condição sistêmica do hospedeiro (saudável, com doenças sistêmicas, usuário de drogas) INFECÇÕES Difícil Tratamento (por ser multimicrobiana e multifatorial) - 700 espécies. Por ser multimicrobiana, priorizamos o tratamento antibiótico de largo espectro. Cocos aeróbicos Gram-positivo; Cocos anaeróbicos Gram-negativos; Bastonetes anaeróbicos Gram-negativos (ARAÚJO et al., 2007). Originadas da polpa e do periodonto e podem se disseminar além dos dentes para os processos alveolares e para os tecidos profundos da face, da cavidade oral, cabeça e do pescoço. A direção da propagação depende do comprimento da raiz, inserções musculares e espessura das corticais. Na primeira imagem é possível observar uma infecção em periápice se propagando para a região de palato. Na segunda imagem também observamos uma infecção de periápice, porém esta se propaga para a região de vestíbulo. Isso ocorre por alguns motivos, tais quais: 1. INSERÇÕES MUSCULARES A raiz de um dente abaixo de uma inserção muscular causa a propagação da infecção no sentido de vestíbulo (dentro da cavidade oral, mais ou menos em região de fundo de sulco), ou se a raiz estiver acima da inserção (inserção abaixo da raiz do dente), ocorre o extravasamento extraoral. 2. INCLINAÇÃO DAS RAÍZES Uma raiz mais inclinada para o palato é mais fácil da infecção se propagar para a região de palato e uma raiz mais inclinada para vestibular é mais fácil da infecção se propagar para a região de vestíbulo. 3. CARACTERÍSTICAS ÓSSEAS Um osso mais medular facilita a propagação da infecção, um osso mais compacto/corticalizado dificulta a propagação. 151 Nicole Júlia Levandovski COMO OCORRE O PROCESSO DE INFECÇÃO ODONTOGÊNICA Gerada a partir de uma necrose pulpar, levando as bactérias para o periápice, dando início à infecção em osso esponjoso, percorrendo em osso cortical, podendo romper a cortical óssea e cair em tecido mole (vestibular ou palatino, intra ou extraoral). A partir da aí que o paciente aparece com o rosto inchado e muita dor, devendo ao cirurgião-dentista estar apto em diagnosticar e definir um plano de tratamento: endodontia ou exodontia, podendo associar a drenagem. Caso nada for feito, a infecção pode ser disseminada pelos tecidos, gerando um agravamento do caso, mas também depende da virulência, quantidade de patógeno, defesa do hospedeiro. Na infecção inicial é quando ocorre a VIRULÊNCIA X DEFESA DO HOSPEDEIRO, o que influencia diretamente na evolução dessa infecção, considera-se um fator bem importante. O QUE FAZER FRENTE A UMA INFECÇÃO ( P R O C ES S O I N F EC C I O S O C O M O U M T O D O ) 1. DETERMINAR SEVERIDADE Podemos determinar através de 3 fatores: Localização Anatômica Progressão Comprometimento das Vias Aérea (Ex. uma infecção que está descendo para a região cervical) 2. AVALIAR DEFESA DO HOSPEDEIRO Fatores Microbianos x Fatores do Hospedeiro Nos Fatores Microbianos, devemos verificar potência e quantidade de virulência Nos Fatores do Hospedeiro, devemos verificar: Defesa Local – verificar se as defesas locais do hospedeiro apresentam barreira anatômica, como as bactérias estão se comportando naquele local Defesa humoral – imunoglobulinas IgM, IgG, etc Defesa celular – fagocitose, linfócitos, monócitos... 3. DECIDIR AMBIENTE DE TRATAMENTO Fatores que devem ser analisados para a decisão: Temperatura > 38º C; Desidratação; Tratamento para vias aéreas (vias aéreas obstruídas ou com dificuldade respiratória); Estruturas vitais (aferir pressão); Necessidade de anestesia geral (espaços profundos – colaboração do paciente); Necessidade de controle sistêmico de doenças de base 4. TRATAMENTO CIRÚRGICO | TRATAMENTO MEDICAMENTOSO | SUPORTE SISTÊMICO Manutenção da via aérea; Drenagem Cirúrgica; Teste de Cultura. (Pode precisar de: Hidratação no soro, alimentação hiperproteica, hipercalórica ou hipervitamínica) 152 Nicole Júlia Levandovski Fatores associados com comprometimento do Sistema Imune: Diabetes Terapia com corticoides Transplante de órgãos Neoplasias malignas Quimioterapia Doença renal crônica Desnutrição Usuário de drogas e alcoolismo Estágio terminal da AIDS VIAS DE PROPAGAÇÃO • Via Linfática As bactérias podem ser drenadas pelos capilares linfáticos. Risco muito grande de infecção severa em infecções que descem para a região do mediastino. Erisipela é uma lesão em membros inferiores onde há um paciente com dificuldade de drenagem e se ele tiver uma lesão superficial, pode haver uma contaminação através da linfa nessa região necrótica (necrótica pois há diminuição de drenagem) • Via Sanguínea Venosa e Arterial Via venosa pode-se dizer que é mais “contaminada”, pois ela que leva o sangue embora com impurezas Endocardite e Bacteremia são por vias arterial • Via Bainha Nervosa Infecções Neuronais Nevralgias SNC Meningite Encefalite • Via por Continuidade Tecidual (espaços faciais) Via de mais acometimento em cavidade oral Via mais comum Tecido ósseo Musculatura / Tecido conjuntivo frouxo Abscesso e celulite ESPAÇOS FACIAIS / VIRTUAIS Revestidos por fáscias Delimitação anatômica dos espaços Preenchidos por gordura e tecido conjuntivo frouxo (dificulta o tratamento) Pouco vascularizados Fácil propagação Tratamento mais complexo ******Obs. Não necessariamente uma infecção precisa começar no espaço primário e evoluir para o espaço secundário, mas quando acontecesse, geralmente são infecções severas. 153 Nicole Júlia Levandovski PRIMÁRIOS Maxilares (Canino, Bucal, Infra Temporal) Mandibulares (Submentoniano, Bucal, Sublingual, Submandibular) SECUNDÁRIOS/MASTIGATÓRIOS Massetérico, pterigomandibular e temporal (espaços mastigatórios porque são envolvidos pelos músculos da mastigação) CERVICAIS OUTRAS LOCALIZAÇÕES Seio Maxilar (Empiema / Sinusite Odontogênica) Cavidade Auricular Cavidade Nasal Órbitas trombose do seio cavernoso 41:05 Seio Cavernoso (Plexo Venoso) SINAIS E SINTOMAS DAS INFECÇÕES Áreas Hiperemiadas Dor Local Endurecimento Tecidual Nódulos Linfáticos Palpáveis Febre > 38,3° Hiperleucocitose(hemograma) P.A. altera pouco Tumefação Extensa e Trismo Disfagia, Dislalia e Dispnéia CalafriosVômitos Dor no Tórax Convulsão Pulso e Frequência Aumentada Respiração Acelerada Conceitos Importantes Coleção Purulenta: degradação de tecido onde há tecido necrótico FLEGMÃO OU CELULITE A coleção purulenta mais fluida infiltra-se nos tecidos (seguindo o caminho dos espaços faciais) Tendência a progredir em extensão e profundidade Predomina fenômenos vasculares com hiperemia e edema Na celulite a incisão serve para impedir a disseminação da infecção ABSCESSO Cavidade encapsulada, com centro necrótico e purulento Progressão rápida Flora bacteriana mista (aeróbia e anaeróbia) No abscesso a incisão permite a remoção do pus acumulado e das bactérias ocorrendo melhor vascularização e defesa do organismo Incisão no ponto de maior flutuação PONTO DE FLUTUAÇÃO À medida que o processo tende a localizar-se aparece uma zona amolecida e amarelada no centro do inchaço. (a incisão é feita um pouco mais abaixo) 154 Nicole Júlia Levandovski INCISÃO → DIVULSÃO → DRENO (48-72HRS) A divulsão é feita com pinça ou tesoura de ponta romba até chegar em uma cavidade de espaço vazio e lá que será drenado o pus. Para criar uma via de drenagem, é necessário de um dreno, que é uma borracha: Funciona como se fosse uma cicatrização por segunda intenção, a cavidade vai fechando da parte mais interna para mais externa, o paciente volta a cada 24hrs e o profissional puxa um pouco o dreno e sutura novamente (imobilização do dreno- puxa e sutura) até quando o paciente voltar e tiver apenas uma “pontinha” do dreno, o que significa que já foi criado uma via de drenagem desse dreno, já vai estar cicatrizado. Deve sempre irrigar com soro fisiológico (irrigação salina 0,9%) toda a vez que o paciente voltar para mobilizar o dreno. Dreno de Penrose é colocado dentro da cavidade e é suturado na ponta do tecido com fio de nylon, ficando imobilizado As vezes também é colocado um dreno rígido (textura de cano pvc) e ele também deve ficar imobilizado. Incisão e drenagem precoce impede a disseminação da infecção para espaços anatômicos mais profundos e críticos, mesmo ainda no estágio de celulite. Anestesia local infiltrativa: Lateralmente ao abscesso, pois a solução anestésica não tem efeito em área necrótica. Incisão em tecido sadio e áreas esteticamente aceitáveis. Dissecção romba (preservar estruturas nobres) – pinça hemostática NUNCA deve ser fechada dentro da ferida cirúrgica. Sem exposição direta do espaço anatômico; Dissecar o caminho para a drenagem desde a superfície até a loja com pus. Irrigação abundante da ferida cirúrgica com SF 0,9%; Instalação de dreno: Penrose ou rígido; Devem ser consistentes e não se romperem no interior do tecido; Picotados – maior retenção e drenam pelas perfurações; Suturados às margens da ferida; Mantidos enquanto houver drenagem ativa (48h-72hrs); SEQUÊNCIA DE CONDUTA DE UM PROCESSO INFECCIOSO Avaliar a gravidade da infecção: duração, evolução, sinais e sintomas, já teve tratamento anterior?* *Existe um abcesso conhecido como “FÊNIX”, onde o abcesso vai e volta toda a hora. O paciente não cuida, o abcesso volta, cronifica, depois agudiza novamente. Exame Físico: sinais vitais (temperatura, pulso, respiração e p.a.) Exame extra e intraoral Exames Complementares Após entrar com o antibiótico inicial, é interessante fazer uma cultura antibiograma para ver qual a bactéria específica naquele caso de infecção. Avaliar o mecanismo de defesa do paciente (Doenças Sistêmicas) Anestesia a distância (em dentes p/ extrair, deve-se fazer técnica de bloqueio, ex. pterigomandibular) Tratamento cirúrgico: Drenagem e Remoção da causa (endo ou exo) Suporte sistêmico (alimentação, higiene, medicação) – resistência antibiótica TERAPÊUTICA Anamnese Exame Clínico Inspeção, Palpação, Auscultação, Percussão, Exame Físico Exames Radiográficos, Tomográficos, Hemograma Cultura Microbiológica (aspiração) Diagnóstico Terapia 155 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÃO INICIAL Paciente saudável: remoção do foco, evitar antibiótico se não estabelecer via de drenagem, pois o abcesso pode ficar “lenhoso”, “endurecido” Terapia antibiótica 5 a 10 dias (efeito após 48 horas) Encaminhar paciente com infecção severa e baixa imunidade para ambiente hospitalar INFECÇÃO SEVERA Hospitalar, antibiótico específico, venoso Remoção da causa(foco de infecção) urgente Vias de drenagem Mobilização do dreno penrose ou tubular rígido (2 a 5 dias ) Curativo compressivo com gaze e esparadrapo Anti-inflamatório e analgésico Hidratação e nutrição (terapia de suporte- calórica, hiperproteica, vitamínica) Na imagem 6 o dreno foi atravessando de um lado para o outro(duas vias de drenagem), foi feito duas incisões, muito comum em casos de celulite. Na imagem 7 mostra o Curativo compressivo + seringa com pus para fazer o antibiograma ANTIBIÓTICOS PENICILINAS- eficaz em infecções odontogênicas Amoxicilina, amoxicilina + ácido Clavulônico METRONIDAZOL (anaeróbias) 35% das infecções isoladas Metronidazol associado a amoxicilina é muito comum para infecções de bactérias anaeróbicas LINCOSAMIDAS Clindamicina MACROLÍDEOS Eritromicina, claritromicina e azitromicina ASSIM QUE O RESULTADO DO ESTUDO BACTERIOLÓGICO IDENTIFICAR O AGENTE ETIOLÓGICO, A TERAPÊUTICA É AJUSTADA DE ACORDO. (ZANINI ET AL. 2003) 156 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÃO AGUDA X INFECÇÃO CRÔNICA INFECÇÃO AGUDA Paciente com dor, sinais logísticos presentes e pode cronificar Há uma QUEDA DE EQUILÍBRIO (fatores microbianos x fatores do hospedeiro) fazendo um processo agudo Estado de saúde hospedeiro x virulência Via ascendente (região de SNC) ou descendente (região de mediastino) Espaços primários, secundários, outras localizações Evolução : orbitária, seio cavernoso, mediastino. Comprometendo vias aéreas, resultando em septicemia e morte TIPOS DE CONTEÚDO INFECÇÃO AGUDA Serosa Fibrinosa Purulenta Gangrenosa Hemorrágica SEROSA Líquido amarelo-citrino Semelhante ao soro do sangue “bolha de queimadura” Parece conteúdo de cisto FIBRINOSA Predomínio de exsudato fibrinoso (mais comum em infecção crônica) Na mucosa inflamada apresenta uma pseudomembrana esbranquiçada superficial PURULENTA OU SUPURATIVA Secreção de cor esverdeada Composto por pus (soro, exsudato, células Mortas ) Abcesso e celulite GANGRENOSA Há necrose e odor fétido Irreversibilidade tecidual Ulceração (necrose superficial) HEMORRÁGICA Microorganismos hemolíticos (sangue no exsudato) INFECÇÃO CRÔNICA Fase de EQUILÍBRIO Presença de fístula Predomínio de células de defesa Está “quietinha” e pode agudizar Exemplo de fístula extraoral Pode-se fazer a “Fistulectomia”: É feito uma incisão elíptica, remove a fístula desde lá de dentro, faz curetagem e sutura. Posteriormente é formado tecido sadio novo. 157 Nicole Júlia Levandovski INFECÇÕES DO COMPLEXO MAXILO-MANDIBULAR ABSCESSO PERIAPICAL Localizado no ápice do dente com os sintomas de inflamação, tumefação e febre. Pode haver também uma pericementite, dor ao toque e sensação de dente crescido. Pode ser por uma endo mal tratada, fratura radicular, cárie profunda, entre outros. ABSCESSO DENTO-ALVEOLAR Caminha através dos ligamentos periodontais e se localiza nessa região (pode ter iniciado em região de periápice e ele foi percorrendo o ligamento periodontal e/ou osso, até romper a cortical e se alojar em tecido mole). Às vezes a drenagem pode ser até espontânea por tamanha pressão do próprio abcesso. OSTEÍTE Uma inflamação inicial no osso que vai causar um processo infeccioso, podendo gerar necrose e reabsorção Relacionada a trauma ou infecção Assintomática Baixa intensidade Longa duração Geralmente caminhapara uma necrose óssea Deve-se curetar todo o tecido necrótico, não precisando de enxerto pois o próprio tecido irá recompor. Se o paciente for edêntulo pode-se pensar em fazer uma regeneração óssea guiada com osso bovido ou autógeno + membrana de PRF para a colocação de implante. Lembrando sempre de regularizar o osso. ****Como se sabe a extensão da necrose? ALVEOLITE (OSTEÍTE ALVEOLAR) Osteíte pós-operatória Seca e úmida Possíveis Causas Traumas inerentes da extração de um dente Tipo de anestesia utilizado (vasoconstritor) Infecções adjacentes Tabagismo Falha na assepsia Doenças sistêmicas como a diabetes mellitus, por exemplo Má higiene oral 158 Nicole Júlia Levandovski ALVEOLITE ÚMIDA Dor de menor intensidade Alvéolo parcialmente preenchido Presença de coágulo Odor fétido Coloração rósea avermelhada Geralmente está associado a contaminação (principalmente por instrumental) TRATAMENTO Anestesia Curetagem de corpos estranhos e coágulo em desarranjo Preenchimento do alvéolo com sangue Sutura (remoção após 07 dias) Manter paciente hidratado Medicação Laser ALVEOLITE SECA Dor intensa Alvéolo vazio Ausência de coágulo Odor fétido Coloração acinzentada Muito comum em casos de retenção do coágulo (quando o paciente faz muito bochecho, por exemplo) TRATAMENTO Anestesia Irrigação com soro fisiológico morno NÃO curetar (aumenta a quantidade de osso exposto e dissemina infecção) Preenchimento do alvéolo com pasta (Alveosan, Alvogyl, Alveolex) Troca diária do curativo Manter paciente hidratado Medicação Laser Alveosan® - ácido acetilsalicílico, bálsamo do Peru, eugenol e lanolina como veículo PERIOSTITE É uma inflamação do periósteo Pode ser de baixa intensidade e produzir camadas de osso reativo (osteomielite de garré – periostite proliferante) Pode ser intensa e aguda e evoluir para abscesso e osteomielite ABSCESSO SUB-PERIOSTAL Abcesso formando abaixo do periósteo, o que difere dos outros abcessos é a localização. Fundo de sulco da uma “desaparecida” 159 Nicole Júlia Levandovski PERICORONARITE São infecções que ocorrem nos tecidos que recobrem um dente (inflamação do capuz pericoronário), geralmente semi-incluso e é mais comum em terceiros molares inferiores. A cúspide distal do 2° molar antagonista também pode causar essa inflamação justamente por ficar tocando naquela região. Bactérias geralmente anaeróbicas. febre trismo edema dor desidratação queda de imunidade nódulos palpáveis TRATAMENTO Irrigação da região com soro, H2O2 10 vol (p/ chegar oxigênio nas bactérias anaeróbicas) , clorexidina 0,12% Curetar o capuz para eliminar restos alimentares e necróticos Incisão do capuz Desgaste da cúspide do dente antagonista ou exodontia Exodontia do dente envolvido (tanto o afetado quanto o antagonista – se tiver) ABSCESSO PÓS-OPERATÓRIO As possíveis fontes de contaminação bacteriana direta durante a cirurgia são o instrumental cirúrgico, as luvas, o ar da sala de cirurgia, a saliva na cavidade oral e a pele perioral CELULITE AGUDA A celulite é uma inflamação difusa dos tecidos moles, que não está circunscrita ou confinada numa área, mas, ao contrário do abscesso, tende a se espalhar através dos espaços teciduais e ao longo dos planos faciais. OSTEOMIELITE Doença óssea inflamatória Infecção bacteriana nos espaços medulares podendo atingir cortical e o periósteo Diminuição da vascularização causando a necrose óssea Sequestros ósseos (áreas radiolúcidas pontilhadas) Doença de base Medicações antirreabsortivas (bifosfonatos) REAÇÃO INFLAMATÓRIA → DIMINUIÇÃO DO SUPRIMENTO SANGUÍNEO → NECROSE ÓSSEA E SEQUESTRO TRATAMENTO Antibioticoterapia Remoção do tecido ósseo envolvido Reconstrução óssea LPRF ANGINA DE LUDWIG É uma celulite grave, que usualmente começa no espaço submandibular bilateralmente comprometendo secundariamente o espaço sublingual bilateralmente e o espaço submentoniano (5 Espaços) 160 Nicole Júlia Levandovski Elevação da língua com dispnéia Tumefação dura, dolorida e difusa Febre alta, pulso e respiração rápida Leucocitose (desvio à esquerda) Dificuldade respiração e deglutição Dor cervical Septicemia TROMBOSE DO SEIO CAVERNOSO Decorrência dos processos infecciosos da face e sinusites O processo infeccioso dissemina através das veias ao SNC Lesão dos nervos cranianos Formação de trombo Exoftalmia com edema palpebral Hemorragia subconjuntival Paralisia musculatura ocular Dor de cabeça e vômito (Duramáter) Febre alta Alta mortalidade Dor nos olhos Obstrução da veia oftálmica TRATAMENTO Cobertura antibiótica, anti-inflamatório esteroidal e diurético Controle de complicações neurológicas (pressão e convulsão) Suporte geral Intervir no foco primário MEDIASTINITE Evolução de uma infecção não tratada (cervical, angina ludwig) Inflamação do mediastino Dor no peito Febre Dispnéia Inchaço na região cervical Pneumonia, insuficiência respiratória e septicemia TRATAMENTO Drenagem do mediastino (devido ao acúmulo de líquido) Antibioticoterapia Debridamento, se necessário 161 Nicole Júlia Levandovski GLÂNDULAS SALIVARES INTRODUÇÃO São glândulas exócrinas consideradas como anexos do Sistema Digestório Saliva: Secreção aquosa transparente composta por 99% de água e 1% de proteínas (renovada 2x/min pelas glândulas) GLÂNDULAS SALIVARES MAIORES Parótida (secreção serosa – Ductos de Stenon) Submandibular (secreção mista – Ductos de Wharton) Sublingual (secreção mucosa – Ductos de Bartholin) GLÂNDULAS SALIVARES MENORES Linguais, Bucais e Palatinas Pequenas glândulas mucosas com ductos curtos, finos e ricas em mucoproteínas Alta concentração de IgA secretora COMPONENTES DA SALIVA Inorgânicos: Eletrólitos e Componentes Iodados Orgânicos: Amilase, Albumina, Lisosima, Imunoglobulinas, Ureia, Vitaminas, Glicose, Amônia e Enzimas Por que as vezes pessoa tem boca seca, ardência e dificuldade na mastigação? Devido à ausência ou diminuição dos componentes inorgânicos da saliva. → Coleta da saliva é feita em proveta PATOLOGIAS DAS GLÂNDULAS SALIVARES I. Alterações Inflamatórias e Infecciosas IV. Tumores das Glândulas Salivares 1. Parotidite Epidêmica; 1. Tumor Benigno 2. Parotidite Aguda Supurativa; 1.1- Adenoma Pleomórfico 3. Parotidite Crônica; 4. Parotidite Recorrente 2. Tumor Maligno 5. Sialometaplasia Necrosante 2.1- Carcinoma Adenóide Cístico 2.2- Carcinoma em Adenoma Pleomórfico II. Distúrbios Auto-imune 1. Síndrome de Sjogren III. Alterações Obstrutivas 1. Fenômeno de Extravasamento de Muco; 2. Sialolitíase 162 Nicole Júlia Levandovski PATOLOGIAS: Sialodenites (doenças inflamatórias) É aqui que entra o assunto sobre o vírus da covid-19, causando a ectasia das glândulas salivares. Hoje em dia podemos observar diversos trabalhos que dizem a respeito da covid-19 causando sialodenites. Parotidite Epidêmica-Infect (Virose- Mixovírus) Sarcoidose (Etiologia desconhecida) Parotidite Aguda (Strepto. viridans – aureus) Parotidite Crônica (Strepto. Viridans Parotidite Recorrendo-idiopática Inflamação Crônica da Gl. Submandibular Sialolitíases Rânula (sublingual) Mucocele (Gl. Salivar menor) DIAGNÓSTICO DAS PATOLOGIAS DAS GLÂNDULAS • Hemograma • Amilasemia • Sialografia • Cintilografia • Examescomplementares • U.S.GS. Amilase (enzimas) a) Amilase – P (pâncreas) b) Amilase – S (gl. Salivares ou ptialina) PAROTIDITE INFECCIOSA – CAXUMBA Doença infecciosa epidêmica – Paramyxoviridae Altamente contagiante – propagação direta: saliva, urina, espirros, tosse (2-3 semanas) Pode ser uni ou bilateral Evolução através do aumento não supurativo (não se exacerba muito com o pus) das gls. salivares Parótida Parótida → Bocas → Gls → Sangue → Testículos (orqui-epididimite); ovários (ooforite); pâncreas (pancreatite); cérebro (encefalite) A parotidite pode levar a uma infertilidade (diferente de esterilidade). A infertilidade é quando o paciente tem o espermatozoide/óvulo, mas não apresenta anatomia e quantidade viável, a esterilidade é uma cirurgia/castração. Edema na orofaringe com secreção purulenta avançada, dificuldade de mastigação e deglutição, placas e um pouco de candidose em região de orofaringe e pilares anterior/posterior, glote e istmo das fauces. DIAGNÓSTICO: sorologia e cultura viral, imunoensaio enzimático (IgM, IgG) PREVENÇÃO: vacina MMR – tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); quádrupla (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) 163 Nicole Júlia Levandovski SARAMPO Altamente contagiosa Measles morbilivirus Geralmente acomete mais as crianças Exantema maculopapular eritematoso Sinas de Koplik – patognomônico Teste Molecular para Sarampo Diagnóstico Laboratorial Padrão Ouro: RT-PCR (Reverse Transcriptase Polymerase Chain Reaction) em tempo real para anticorpo IgA, IgM e IgG EXAMES DE IMAGEM 1. Biópsia de gls salivares a) PAAF (punção aspirativa por agulha fina) | Feito em Laboratório – anestésico local – agulha fina b) Biópsia Incisional *lesões ulceradas 2. Ultrassom de gls salivares – não invasivo 3. Cintilografia ou Cintigrafia de gls salivares → iodo radioativo (tecnécio 99 isótopo, visualização nuclear por varredura, lesões nodulares neoplásica) 4. Ressonância Magnética – Principalmente para lobo profundo de parótida sem expor à radiação e contraste (geralmente para tumores) 5. Sialografia – utilizando contraste de lipiodol ou óleo contendo iodo (de 1,5 a 2,5cm³) SIALOLITÍASE É uma alteração que acomete as glândulas salivares, representada pela obstrução da glândula ou de seu ducto excretor devido à formação de um Sialolito, resultando na diminuição do fluxo salivar. Sialolito é mais prevalente em homens do que em mulheres Sialolito: Deposição de sais de cálcio dentro do ducto da glândula (geralmente mais acometido na submandibular, sem preferência de lado) ou seu parênquima. Sua formação está relacionada devido a infecções, traumas, metabolismo do indivíduo e até alimentação rica em carbonatos. 164 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICA RADIOGRÁFICA OCLUSAL DE MANDÍBULA Nesse caso: Imagem radiográfica cilíndrica e alongada na região correspondente ao ducto da glândula submandibular à esquerda. Compatível com sialolito. Paciente edêntulo Sialolito em mucosa deve-se everter o lábio, segurar por baixo, pois se não ela se interioriza, entra pro ducto. SIALOGRAFIA Contraste lipiodol Escalpe 27 (invertido a posição da agulha) Dilatador metálico (serve para dilatar a glândula) Seringa de vidro 10ml Gases para limpeza de resíduo dos contrastes e 1 limão para esvaziamento das glândulas (utilizar produtos ácidos) MUCOCELE Lesão não infecciosa com acúmulo de mucina, que leva a uma reação infamatória local (Colleman, 1196) Causas: ➢ Traumáticos ➢ Fatores Obstrutivos ➢ Infecciosos Geralmente acometido em lábio inferior ✓ Anestesia de bloqueio de campo com agulha curta e incisão navicular com divulsão ✓ Remoção da mucocele até chegar em nível muscular para que não haja recidiva ✓ Sutura com fio delicado e pontos individuais ✓ Pós-operatório com laser intra e extraoral ✓ Material retirado sempre deve ser enviado ao laboratório de análise histopatológica RÂNULA É um pseudocisto que se origina da obstrução dos condutos excretores das glândulas maiores submandibular (principalmente) e sublingual que se abrem no assoalho da boca com extravasamento de mucina. Sublingual – simples Submandibular – dissecante Outros espaços – mergulhante TRATAMENTO: Marsupialização ou Enucleação QUALQUER CIRURGIA DE PATOLOGIAS DE GLÂNDULAS SALIVARES DEVE CHEGAR A NIVEL MUSCULAR QUANDO REMOVIDO 165 Nicole Júlia Levandovski MARSUPIALIZAÇÃO O TR usual da rânula é a marsupialização, na qual uma porção da mucosa oral do assoalho da boca é excisada, junto com a parede superior da lesão. Indicada para lesões com 3cm ou +. Uma técnica utilizada é a passagem do fio pela rânula para levantar e ter acesso ao teto da lesão, conseguindo fazer a incisão ou drenagem. Então é feita a aspiração e o conteúdo que fica na seringa é a mucina. Após, deve-se remover a cápsula para que a lesão não recidive. Geralmente feita com tesoura metzembaum. Remove as bordas da lesão e sutura junto com a mucosa. ENUCLEAÇÃO Remoção da lesão, juntamente com a mucosa de revestimento, objetivando assim, a negativa da recidiva da lesão. PROVA (resposta deve ser completa) Tomografia computadorizada em corte axial de uma imagem localizada em região submandibular esquerda* sugestiva a Sialolito. TÉCNICA DE SHIRA: Muitos casos de rânula acontece a recidiva (mesmo tomando todos os cuidados, princípios e normas), então Shira estudou e desenvolveu uma técnica. Precisa de 2 auxiliares + dentista Utiliza alginato (hidrocoloide irreversível) dentro da rânula Introduzir alginato ou HI no interior da rânula, para que esse hidrocoloide preencha todo o espaço interno da rânula e remova com a cápsula, tendo então a certeza da negativa/recidiva. Anestesia intralesional e região ao redor da rânula Agulha 40x12 hipodérmica (rosa) – introduzida para colocar a seringa luer (confirmação se está realmente dentro da rânula) e aplicar a técnica de Shira Como é feito? ✓ Manipula alginato (consistência entre sólido e líquido) ✓ Introduzido no orifício feito com agulha hipodérmica 40x12 ✓ Aplicação do alginato no interior da rânula ✓ Espera o material tomar presa ✓ Faz a incisão e remoção até o plano muscular (imagem 8 – base muscular) ✓ Finalizar com seringa de 20 para aspirar e verificar a presença de algum líquido, saliva ou mucina (não pode ter nada) ✓ Enviar para o anatomopatológico com descrição em observação: Técnica de Shira com Alginato. 166 Nicole Júlia Levandovski ➔ 167 Nicole Júlia Levandovski SIALOMETAPLASIA NECROSANTE Desordem inflamatória incomum de glândulas salivares menores Sem etiologia definida, podendo ser isquemia por tabagismo, álcool, trauma, anestesias locais, infecções e neoplasias. Isquemia grande que fica necrosado, geralmente em palato Neoplasia de gl salivar preenche todos os ductos, deve-se remover a glândula toda e com isso gera a falta de saliva, que causa a cândida, ardência, secura... Remoção com incisão circular, e no P.O. cortar todos os ácidos da alimentação do paciente, grãos, fumo e álcool. ADENOMA PLEOMÓRFICO Neoplasia benigna de gls salivares mais comum (40 a 70%) Maior frequência em gls salivares maiores do que menores, parótida é a mais afetada PREVALÊNCIAS Mucocele: masculino e lado esquerdo Adenoma Pleomórfico: masculino e lado esquerdo Rânula: feminino e lado esquerdo 168 Nicole Júlia Levandovski SÍNDROME DE SJOGREN INTRODUÇÃO Doença Autoimune, Inflamatória, Crônica. Secura Ocular- CERATOCONJUNTIVITE CRÔNICA Secura Oral – XEROSTOMIA Ulcerações em córnea e boca devido a secura. Achado da Doença: Henrik Sjogren em 1933 – Suécia Estudo com 19 mulheres e 13 tinham artrite reumatoide Após estudos na época, definiu a TRÍADE – Xerostomia, Ceratoconjuntivite Seca eArtrite Reumatoide Hoje em dia já foi comprovado que existem mais doenças ligadas à Síndrome de Sjogren e não somente a tríade • Olhos secos • Visão turva • Precisam usar colírios especiais e óculos escuro • Não podem utilizar ar condicionado • Xerodermia • Lábios secos e finos • Presença de cândida • Envelhecimento da pele através do sulco naso-labial e rugas TIPOS S.S. Primária (S.S. 1 a.) – Acometimento de glândulas salivares e lacrimal S.S. Secundária (S.S 2 a.) – Acometimento de glândulas salivares e lacrimal + Doenças autoimunes (Artrite reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Poliomiosite, Esclerodermia...) OBS. Não há publicações ainda (Offlabel), mas há estudos que dizem que a S.S. Secundária também pode ocorrer pós infecção por Covid-19 Característica mais marcante da língua é a língua “ardida” e “pinicante”, sem identificação de sabores e dificuldade de mastigação e deglutição. O paciente irá tomar diversas medicações para a artrite reumatoide que também causam a xerostomia. Presença de fungos, artroses em falanges e queixa de mialgia MANIFESTAÇÃO 1 Mulher a cada 2.500 – SS1a / SS2A Relação de 10 Mulheres (5ª – 6ª década) p/ 1 Homem – pode estar associado à menopausa devido a fator hormonal Raro em crianças e jovens Antes de avaliar um paciente nessas condições, deve-se passar lubrificante ou hidratante facial hipoalergênico para evitar cortes. O paciente com S.S. apresenta dificuldade de cicatrização. 169 Nicole Júlia Levandovski ETIOLOGIA Complexa, multifatorial Podendo ser: Viral (porém não tem um vírus específico), hormonal, ambiental, genético, autoimune CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS ORAIS Principalmente: Ceratoconjuntivite Seca e Xerostomia Cáries, Hiposalivação, Halitose, Perdas Dentárias, Deglutição, Mastigação, Ardência, Queimação e Queimaduras, Desconforto, Queilite angular, Língua Fissurada, Ptoses Bilateral, Cândida, entre outros OBS. Indica-se não colocar implante em pacientes com doenças autoimunes e xerostomia, pois a tendência de peri- implantite é maior. OBS. Queimaduras são devido a dificuldade de identificação de temperatura dos alimentos e também pela colocação de gelo para alívio de dores. GERAIS Tireóides, Renais, Pulmonares, SNC comprometido, Respiratório, Endócrino, Genitourinário (ex. cândida vaginal), Cardíaco EXAMES DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Autoanticorpos Anti SS-B/LA (sorologia para fator B) Anti SS-A/Ro (fator reumatoide) FAN (fator antinuclear) FR (Fator reumatoide) OBS. Pode ser que o FAN dê negativo e o FR dê positivo e vice-versa, nem sempre todos dão positivo OCULAR Coloração de córnea com RB (rosa bengala) → Feito por oftalmologista p/ verificar ulceração da córnea. Teste de Schirmers → Fita de carbono colocada em pálpebra inferior para diagnosticar a quantidade de lágrima expelida pelo canal lacrimal em um tempo determinado. Break-up Time (BUT) → Coleta de lágrima em tempo real sem o teste de mata borrão ORAL Sialometria → Verificar quantidade de saliva Sialoquímica → Verificar componentes químicos da saliva (não é feito na baixada santista e o convênio não cobre) Biopsia de Glândulas Salivares Menores → Geralmente é feito em lábio inferior Sialografia de Parótida Cintilografia Salivar Exemplo de coleta de saliva Deve ser feito em jejum completo Coleta feita no período da manhã Não pode escovar os dentes ao acordar (pois alguns cremes dentais podem estimular uma maior produção de saliva 170 Nicole Júlia Levandovski TRATAMENTO Sintomático – Multidisciplinar (médicos, psicólogos, fonoaudiólogos etc.) Orais – Gel lubrificante, saliva artificial, rinses orais, gomas orais, evitar alimentos cítricos Ocular – Médico ofltalmologista CONSIDERAÇÕES OPPENHEIM ET AL. (1988) USA. SALIVA RESIDUAL, FSGlandular- rítimos circadianos. Fluxo Salivar Glandular MAIOR: à tarde, inverno, homem e MENOR: dormindo, verão, mulher. ➔ Adulto Normal – 1,5 l/ dia. RESUMÃO Doença autoimune crônica sistêmica que envolve principalmente as glândulas salivares e lacrimais, resulta em xerostomia e xeroftalmia. A síndrome de Sjogren é dividida em primária e secundária. Primária: Somente xerostomia e xeroftalmia, sem outra doença autoimune presente Secundária: Xerostomia, xeroftalmia + outra doença autoimune presente É uma doença que pode acometer mulheres, homens e crianças, porém geralmente acomete mulheres de meia-idade, no período de menopausa (pode ser que o fator hormonal esteja associado). A etiologia é desconhecida, mas acredita- se que fatores genéticos, hormonais, ambientais e emocionais estão associados. Esses pacientes podem apresentar outras alterações como alterações na tireoide, região oral, respiratórias… Para sintomas orais é importante perguntar para o paciente na anamnese se tem a sensação diária de boca seca por mais de três meses, se apresenta inchaço recorrente ou permanente das glândulas salivares na vida adulta (parótida fica inchada e faz com que paciente fique com abertura de boca limitada), se ingere líquidos para ajudar na deglutição de comidas secas (o paciente tem dificuldade em deglutir devido à falta de salivação, principalmente alimentos secos como farofa e alimentos mais duros). Os pacientes acometidos além de se queixar da xerostomia, queixam-se de alterações de paladar. A língua geralmente se torna fissurada e exibe atrofia das papilas, o paciente tem a sensação de ardência na língua. Os pacientes apresentam candidíase secundária. As úlceras causadas por próteses e a queilite angular são comuns. A falta de ação da limpeza da saliva predispõe o paciente a cáries e doenças periodontais. Os pacientes apresentam aumento firme e difuso das glândulas salivares maiores durante o curso da doença. A pele desses pacientes geralmente são secas (deixam com a aparência bastante envelhecida), bem como as mucosas nasal e vaginal - para atender esses pacientes é recomendado que passamos lubrificante na mucosa labial e hidratante na região perioral já que facilmente podemos traumatizar a região. Exames: Realizamos biópsia de glândulas menores, realizamos o exame de fluxo salivar total não estimulado (o mínimo que o paciente normal apresenta é 1,5 ml em 15 minutos), sialografia de parótida e cintilografia salivar. Também podemos pedir exame de autoanticorpos (haverá presença dos seguintes autoanticorpos séricos: anticorpos para antígenos Ro(SS-A) ou La(SS-B), ou ambos. Tratamento e prognóstico: O principal tratamento é de suporte, já que é uma doença que não possui cura e o tratamento é multidisciplinar (dentista, oftalmo…). Na clínica odontológica tratamento a xerostomia com salivas artificiais, balas ou chicletes sem açúcar podem auxiliar na manutenção da lubrificação bucal, medicamentos sialogogos (estimulam a salivação). Os medicamentos que reduzem a salivação devem ser evitados se possível. Devido ao risco elevado de cárie dentária, aplicações diárias de flúor podem ser indicadas em pacientes dentados. A terapia antifúngica geralmente é necessária para o tratamento de candidíase secundária. A doença pode apresentar-se em atividade ou em remissão. Os objetivos dos tratamentos é alcançar a remissão, o período de remissão representa diminuição nos sintomas, diminuição do tratamento médico e melhora na qualidade de vida do paciente. 171 Nicole Júlia Levandovski TUMORES ODONTOGÊNICOS INTRODUÇÃO O que é tumor: Conhecido também como neoplasia ou neoplasma, é a alteração celular que provoca uma proliferação anormal das células em um determinado tecido do corpo. É um aumento excessivo e descoordenado que não se interrompe. O tumor necessariamente precisa ter aumento do n° de camada de células e do tipo de células ➔ Aumento de volume sem aumento de tecidonão é tumor Origem e Fatores de risco geral Origem muitas vezes desconhecidas, sendo muitas vezes relacionados com pré disposição e genética e condições externa expostas como: exposição a agentes químicos, físicos e biológicos. Obesidade, tabagismo, etilismo, genética, “dieta deseiquibrada”, exposição solar, inflamações e infecções crônicas, traumas/lesão local, ambientes, toxinas e afentes químicos. Tumores Odontogênicos: São neoplasias geralmente benignas resulantes da proliferação de células que envolvem a odontogênese. Características dos Tumores Odontogênicos Encontrados na maxila, mandíbula e tecidos moles (mais encontrado em lábios e língua, podendo também aparecer em garganta e mucosa jugal) Etiologia: desconhecida e multifatorial Em síntese, a carcinogênese pode iniciar-se de forma espontânea ou ser provocada pela ação de agentes carcinogênicos (químicos, físicos ou biológicos). Em ambos os casos, verifica-se a indução de alterações mutagênicas e não-mutagênicas (epigenéticas) nas células. ABBAS, A., K. et al. Celular and Molecular Immunology 2009. Características dos tumores em geral, não somente odontogênico Tipicamente assintomático Benignas expandem estruturas nobres (se mantem retidas na cortical, alguns podem se expandir mais) Malignas invadem rompendo a cortical TUMORES BENIGNOS: Lentos, delimitados, normalmente não metastizantes (capacidade de se tornar maligno ou gerar metástase) Nomenclatura: tecido ou órgão de origem + sufixo OMA TUMORES MALIGNOS: Rápidos, ramificados, metastizantes Nomenclatura: tecido ou órgão + carcinoma e sarcoma Tumor benigno cresce de uma forma organizada, os malignos crescem de forma desordenada e com ramificações/infiltrações. Características celular Lesões com características histopatológicas e manifestações clínicas diversas Lesões hemartomatosas, neoplasias benignas não agressivas, agressivas e malignas Tendem a imitar a célula de origem (pode ter tecido de origem de outra célula, ainda mais em tumores malignos) Alguns tumores têm predileção por idade, sexo e etnia específicos 172 Nicole Júlia Levandovski Características clínica dos tumores Expansão óssea (aumento de volume), movimentação e reabsorção das raízes, perda óssea com fraturas/rompimento de cortical , afastamento radicular, configuração celular heterogêneo. Somente com exames de imagem é impossível diagnosticar, apenas auxiliar IMAGEM DOS TUMORES (DESCRIÇÃO DA LESÃO) Localização: maxila/mandíbula anterior/posterior Forma: circunscrita, difusa? Tamanho: extensa, restrita? Relação com raiz dental: reabsorção, deslocamento? Densidade do RX: radiolúcida ou radiopaca? Limite: cortical preservada ou não preservada? Em panorâmica gera uma sugestão maior para saber se a cortical está preservada, mas nunca com certeza Se seguir a linha cortical de crista de rebordo anterior/posterior, inferior/superior na radiografia, é possível observar um desvio da linha radiopaca que seria a cortical óssea e isso sugere que aquela lesão está gerando um aumento de cortical Classificação OMS 1885, 1888, 1946... ÚLTIMA EM 2017 e penúltima em 2005 Origem epitelial, mesenquimal e ectomesênquima A maioria dos artigos até 2006 usaram a classificação de 1971 a 1992 DIFERENCIAÇÃO Diferenciação comum/tradicional: Na embriogênese nossas células tendem a formar qualquer tipo de tecido. As células totipotentes ficam indiferenciadas onde ainda não consegue gerar algum tipo de tecido e após um certo período, os estímulos genéticos da própria embriogênse são diferenciadas em distindos tecidos. Porém em algum momento, não somente na embriogênese, mas também quando já estamos nascidos, essas células totiopotentes indiferenciadas podem sofrer aletrações e essas alterações podem ser e são os fatores predisponentes para formação de tumores. Estamos em constante ação celular, tem estudos que dizem que nosso sangue é renovado “de cabo a rabo” a cada 3 meses pelo tecido hematopoiético. Quando o crescimento é normal, por algum motivo a célula se transformou na hora da divisão em uma célula indiferenciada e a partir dessa célula, ela começa a formar divisão celular tal qual a célula de origem e formar as neoplasias malignas. 173 Nicole Júlia Levandovski ATIPIA CELULAR São alterações da forma, da relação núcleo-citoplasma e podem representar anomalias do processo de divisão celular. É a partir da atipia celular que faz com que o tempo esse tecido tende a formar os tumores, sendo o benigno de uma forma mais lenta e o maligno de uma forma mais rápida. Aumento de diferenciação celular, núcleo diferente, número de camadas inicial já está aumentadas em relação ao normal. Observem o quanto uma célula normal e formação de tecido tendem a gerar modificações durante a sua formação tumoral. COMO É FEITA A CLASSIFICAÇÃO DE ATIPIAS CELULARES: Papanicolau. Presença de epitélio odontogênicos Ectomesênquima: ectoderma (e smalte) + mesoderma (dentina e polpa) Epitélio Odontogênico da lâmina dental Fase de botão, de campânula, de capuz, formação coronária, rizogênese, rizólise e formação do permanente. Qualquer alteração que possa ocorrer nessa região pode gerar uma lesão tumoral em algum momento da vida. Tumores benignos Lesões sem presença de ectomesênquima: ex. ameloblastoma Lesões com presença de ectomesênquima: ex. odontoma 174 Nicole Júlia Levandovski CLASSIFICAÇÃO HISTOLÓGICA OMS 2017 (ODONTOGÊNICOS E NÃO ODONTOGÊNICOS) I – TUMORES MALIGNOS ODONTOGÊNICOS II – TUMORES MALIGNOS NÃO ODONTOGÊNICOS a) Carcinomas odontogênicos Carcinoma de células escamosas (espinocelular ou 1. Carcinoma Ameloblástico epidermóde) 2. Carcinoma Primário Intraósseo 3. Carcinoma Odontogênico Esclerosante 4. Carcinoma Odontogênico de Células Claras 5. Carcinoma Odontogênico de Células Fantasmas 6. Carcinossarcoma Odontogênico b) Sarcomas Odontogênicos: 1. Fibrossarcoma Ameloblático 2. Fibro-Odontossarcoma Ameloblástico III – TUMORES BENIGNOS a) Origem Epitelial 1. Ameloblastoma (unicístico, multicístico, periférico -- metastizante maligno) 2. Tumor Odontogênico Escamoso 3. Tumor Odontogênico Epitelial Calcificante (tumor de pindborg) 4. Tumor Odontogênico Adenomatóide b) Epitélio Odontogênico com Ectomesênquima 1. Fibroma Ameloblástico 2. Tumor Odontogênico Primordial 3. Odontoma Composto e Complexo 4. Tumor Dentinogênico de Células Fantasmas c) Origem Mesenquimal 1. Fibroma Odontogênico 2. Mixoma/Mixofibroma Odontogênico 3. Cementoblastoma 4. Fibroma Cemento-ossificante ou cemento-ósseo LESÕES ÓSSEAS RELACIONADAS Não são tumores, mas geram aspecto tumoral. Há aumento de volume mas são displasias, não tumores. 1. Fibroma Ossificante 2. Displasia Fibrosa 3. Displasias Ósseas 4. Lesão de Células Gigante Central 5. Querubismo 6. Cisto Ósseo Aneurismático 7. Cisto Ósseo Simples DIAGNÓSTICO Exame clínico (anamnese + exame físico), exame de imagem e HISTOLÓGICO Difícil justamente por não ter fator etiológico determinado e por se parecerem com lesões císticas Idade Localização Características Radiográficas Novas Tecnologias no diagnóstico: imuno-histoquímico, biologia molecular e genética (Classificação de 2017) 175 Nicole Júlia Levandovski Quando se faz uma punção aspirativa no aneurismático, tende a sair sangue no conteúdo da seringa. Em um queratocisto é uma secreção branca/amarelada. Em um cisto dentígero é mais pra amarelado. E no ameloblastoma não vem nada pois é uma massa de crescimento tumoral. TUMORES MALIGNOS CARCINOMA AMELOBLÁSTICO Ameloblastoma como lesão primária (devido ao seu potencial metastizante elevado) Lesão secundária: pacientes idosos Características citológicas de malignidade (conclusivo ou sugestivo) na lesão primária e metástase Clinicamente agressivo com perfuração cortical e invasão de tecidos moles devido a esse rompimento Comum no histopatológico ser avaliado células inflamatórias dentro do tecido (antigamente, células inflamatórias eram consideradas atipia, hoje em dia já é possível diferenciar o que é processo inflamatório por ação do tumor do que é realmente a diferenciação celular do tumor) Tratamento: ressecção mandibular e acompanhamento com oncologista (pode ser que tenha que fazer quimio ou radio) CARCINOMA PRIMÁRIO INTRAÓSSEO Derivado de restos epiteliais odontogênicos Raro Crescimento rápido e invasivo Lesão osteolítica extensa, bordos irregulares sem cortical Parestesia Por ser uma lesão osteolítica, ela consome aquela região óssea e o tecido acaba sendo comprimido no canal mandibular, com isso, a pessoa tende a ter uma parestesia. Tratamento: cirúrgico com margem de segurança CARCINOMA ODONTOGÊNICO DE CÉLULAS CLARAS Lesão rara Região anterior de mandíbula (mais acometimento) Crescimento rápido e agressivo (destrutivo) Maior frequência em mulher entre 40 e 70 anos Lesão radiolúcida uni ou multilocular, pouco definida Pode haver dor (por ser expansivo) Baixo grau de malignidade, mas quando ocorre → Metástases em pulmão e nódulos linfáticos Tratamento: cirúrgico com ressecção 176 Nicole Júlia Levandovski Normalmente a lesão é levemente distorcida para o lado direito o esquerdo, dificilmente a lesão é centralizada Por que “células claras”? → É sobre a atipia celular, algumas células no meio do tecido aumentam o n° de citoplasma em relação as demais células (no meio no tecido existem células com muito citoplasma), volume muito diferente do que realmente é. CARCINOMA ODONTOGÊNICO DE CÉLULAS FANTASMAS Tumor raro Mais comum em maxila e em homens Tumor lento e localmente invasivo quando comparado a um tumor rápido e infiltrativo Imagem radiolúcida pouco definida com pequenas áreas radiopacas Grande potencial de recorrência e metástases a distância Longo acompanhamento Tratamento: cirúrgico/ressecção com margem de segurança, associado a quimioterapia e radioterapia Muito parecido histologicamente com c.o. de células claras, a maior diferença é a dificuldade ou falta de visualização do núcleo no interior das células. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS Neoplasia maligna de origem epitelial 94% das lesões malignas orais Predomínio em lesões de língua, assoalho bucal, lábio, mucosa jugal Etiologia relacionada ao tabagismo, radiação solar e etilismo (multifatorial) Também conhecido como Carcinoma Espinocelular ou de Células Epidermoides Tratamento: relacionado a cirurgia, radioterapia(RT), quimioterapia(QT) ou a associação Caracteristicas Clínicas Exofítica, endofítica, leucoplásica ou eritroplásica Tumor Linfonodo Metástase Bordos elevados com interior depressivo Lesão irregular Pode haver processo inflamatório infeccioso na região Biópsia: Sempre fazer margem de segurança (remover um pouco de tecido sadio) – isso ajuda o anatomopatológico a fazer a comparação de tecidos. SARCOMA ODONTOGÊNICO Tumores mais agressivos e invasivos Deslocamento dental Geralmente apresentam escleroses ósseas – “raios de sol” 177 Nicole Júlia Levandovski CARCINOSSARCOMA Origem dupla Geralmente mais agressivos Calcificação em seu interior Deslocamento/migração dental Rechaçamento/mudança de posicionameto do canal mandibular Em resumo, os tumores malignos apresentam praticamente o mesmo tipo de tratamento: acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, tratamento cirúrgico com margem associado a quimio e/ou radioterapia e acompanhamento. TUMORES BENIGNOS a) Epiteliais AMELOBLASTOMA Origem pode ser dos restos epiteliais do esmalte ou do epitélio de um cisto 1% dos tumores (geral) Crescimento lento e agressivo (geralmente são descobertos por achados radiográficos) Unicístico Alta recidiva Recidiva tardia Causam deslocamento e reabsorção radicular Rara malignização, mas com potencial metastizante maligno (antigamente classificado como maligno) -- Ameloblástico Classificados em geral como unicístico (13%), multicísticos/multilocular (“bolhas de sabão”, “favos de mel”) e periféricos (ou extraósseo, 1%) Tratamento: ressecção com margem Periférico (extraósseo) Multicístico TUMOR ODONTOGÊNICO ESCAMOSO Massa de origem epitelial Raro (50 casos na literatura) Intraósseo ou periférico Localmente infiltrativo Começa a partir do ligamento periodontal Bolsas profundas, afastamento gengival, tumefação gengival e dor, pode se confundir com “Periodontite do adulto” Expansão óssea Mobilidade dentária Lesão radiolúcida unilocular entre as raízes Sem recidiva Tratamento: remoção cirúrgica conservadora com curetagem 178 Nicole Júlia Levandovski TUMOR ODONTOGÊNICO EPITELIAL CALCIFICANTE Também conhecido por Tumor de Pindborg Raro, menos de 1% (200 casos) Localização extraóssea (gengiva) ou intraóssea (mais frequente) Expansão da cortical óssea Lesão radiolúcida uni ou multilocular com massa radiopaca Associado a dente impactado (geralmente molar inferior) Calcificações em seu interior Baixa recidiva e baixa transformação maligna Geralmente é achado radiográfico Tratamento: cirurgia com pequena margem TUMOR ODONTOGÊNICO ADENOMATÓIDE Não invasivo e de crescimento lento 700 casos Pacientes jovens Região anterior, dente incluso (canino) Lesão radiolúcida com pequenos focos de calcificação no interior da lesão que circunda o dente (melhor visto em tomografia) Extraóssea são raras Rara recidiva Tratamento: enucleação Enucleação x Marsupialização Enucleação: remoção da lesão como um todo Marsupialização: primeiro é feito a descompressão, a lesão tende a diminuir e quando tiver menor faz o procedimento de remoção b) Misto FIBROMA AMELOBLÁSTICO Constituído por epitélio odontogênico e tecido conjuntivo imaturo Crianças e adultos jovens (1 – 2ª década de vida) Região de pré e molar em mandíbula Expansão óssea Área radiolúcida, bem delimitada associado a dente não erupcionado 75% Presença de estroma fibroso Tratamento: remoção cirúrgica e curetagem O interior da lesão tem tecido fibroso (a cavidade não é vazia), é isso que difere dos outros. A cirurgia não é feita em ambiente ambulatorial, só em hospitalar. 179 Nicole Júlia Levandovski ODONTOMA Mais comum tumor odontogênico Diagnóstico mais comum na infância e jovens (estudos dizem que é mais comum nessa fase pois os pacientes dessa idade geralmente estão entrando em tratamento ortodôntico e consequentemente fazem radiografias -- o diagnóstico está associado em achado radiográfico) Assintomático Impedem erupção dentária (massa densa) Predileção pela maxila Não causam reabsorção de raízes e perfuração óssea Geralmente é achado radiográfico Odontoma: uma massa de dentes mal formados ou não formados totalmente, que no momento da embriogênese fez a divisão e ficou dentro de uma região Odontoma Composto: Lesão representada por todos os tecidos dentários de maneira ordenada com semelhança anatômica aos dentes normais (esmalte, dentina e polpa organizados) Odontoma Complexo: Lesão onde os tecidos dentais formam uma massa mineralizada com bordos irregulares circundada por uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso (esmalte, dentina e polpa sem formato definido de dente) Tratamento: excisão/remoção cirúrgica No composto é possível observar microdentículos, vários dentes pequenos no interiorcausando impacção, afastamento ou impedimento da movimentação dentária TUMOR DENTINOGÊNICO DE CÉLULAS FANTASMAS Localmente agressivo Material dentinóide em contato com epitélio odontogênico Área radiolúcida com focos radiopacos Histologicamente com células fantasmas Potencial de malignização Baixa recidiva Tratamento: cirúrgico com margem 180 Nicole Júlia Levandovski Logo abaixo de uma ressecção de mandíbula, é comum encontrar uma ação de esclerose óssea, isso é uma defesa que o nosso organismo gera sempre que existe uma ação crônica. Em volta de tomo tumor de crescimento lento ou longo, tende formar a esclerose óssea (osteíte condensante) nas bordas da lesão, com o objetivo de buscar a defesa do crescimento. c) Mesenquimais FIBROMA ODONTOGÊNICO CENTRAL (ÓSSEO) Crescimento lento e assintomático Pode alcançar grande volume Lesão radiolúcida associadas a região perirradicular Pode ocorrer a ausência congênita do elemento dental na região do tumor Gera expansão de cortical Cresce de forma tão intensa que é possível identificar na radiografia uma imagem mista em seu interior Tratamento: Enucleação e curetagem vigorosa FIBROMA ODONTOGÊNICOS PERIFÉRICO (GENGIVAL) Lesão de crescimento gengival séssil Não envolve osso adjacente Ossificante x Periférico: só define com o histopatológico Tratamento: Menores diâmetros - enucleação 181 Nicole Júlia Levandovski MIXOMA ODONTOGÊNICO Raro Predileção por jovens Difícil diagnóstico Pode causar dor, mobilidade e descolamento dental quando atinge grande proporção Radiograficamente aspecto de bolhas de sabão, favos de mel, raquete de tênis* Gelatinoso Tratamento: Ressecção com margem (evitar curetagem, pois cria um estímulo para recidivar de forma agressiva) CEMENTOBLASTOMA Incomum Massa semelhante ao cemento aderido à raiz dos dentes Radiograficamente é uma massa radiopaca densa aderida a porção apical ou lateral da raiz circundada por um halo radiolúcido fino Reabsorção radicular Vitalidade pulpar Exodontia + massa radiopaca Tratamento: Proservar, acompanhar FIBROMA OSSIFICANTE Lesão encapsulada formada por tecido fibroso com formação óssea interna Pode ser localmente agressivo Cortical óssea e mucosa intactas Incialmente: defeito Radiolúcido (semelhante a displasia óssea) Posteriormente: focos radiopacos com cápsula fibrosa Geralmente associado a alguma síndrome Tratamento: cirúrgico com enucleação da cápsula 182 Nicole Júlia Levandovski LESÕES ÓSSEAS RELACIONADAS DISPLASIA FIBROSA Etiologia: congênita, alteração de desenvolvimento, endócrino, traumatismo, hereditário Localização: Fêmur, tíbia, costela, maxila e ossos do crânio Jovens Monostótica (acomete apenas 1 osso) ou poliostótica (acomete 2 ou mais ossos) Radiograficamente: “vidro despolido” Fosfatase alcalina aumentada Substituição de tecido ósseo por tecido fibroso Síndrome Tratamento: cirúrgico conservador (Remodeladora) DISPLASIA ÓSSEA Origem relacionada ao ligamento periodontal Formam cemento ou tecido semelhante 2ª e 3ª década de vida Mais comum em mandíbula Substituição por tecido ósseo cementóide Pode ser Focal (região periapical) ou Florida (mais de uma região do dente, região anterior/posterior de maxila/ mandíbula Diagnóstico diferencial: através do teste de vitalidade pulpar Também tem aspecto radiográfico de “vidro despolido” Tratamento: não necessita – somente quando comprometido esteticamente (faz a cirurgia reparadora) A calcificação destrói o cemento que é formado envolta do ápice, não tem definição, nem a lâmina dura, diferente da cementoblastoma LESÃO DE CÉLULAS GIGANTES CENTRAL (GRANULOMA) Lesão intraóssea: tecido fibroso, focos de hemorragia, céls. Gigantes e trabéculas de tecido ósseo Podem ser agressivas (rápido, reabsorção, rompe cortical, dor, recidiva) ou não agressiva (lento, indolor, pequeno) Aspecto radiolúcido uni ou multilocular delimitado sem halo radiopaco Região anterior de mandíbula Tratamento: cirúrgico conservador ou ressecção e em alguns casos + uso de calcitonina , corticoide, interferon alfa 2ª 183 Nicole Júlia Levandovski QUERUBISMO Lesão óssea hereditária rara (mutação cromossômica) Aumento bilateral da mandíbula e maxila em crianças Membros da família ou caso isolado Apresentam múltiplas lesões fibro-óssea, pode ter associação de queratocisto Presença de múltiplas células gigantes A lesão regride na puberdade Radiograficamente lesões osteolíticas bilateral Tratamento: Cirurgia reparadora após a puberdade (cirurgia estética p/ remoção de tecido do volume extra) CISTO ÓSSEO ANEURISMÁTICO Lesão osteolítica expansiva com espaços cheios de sangue, baixa recidiva Crescimento rápido com compressão nervosa e dor Jovens e mandíbula Radiograficamente aspecto de ”sopro pra fora”, malha parcialmente cística dividida por septos, radiolúcida multilocular com focos radiopacos Punção: sangue no interior, diferenciando de cisto que tem líquido citrina Tratamento : curetagem, ressecção e crioterapia/criocirurgia CISTO ÓSSEO SIMPLES Cavidade vazia ou fluído pequeno com sangue devido a perfuração Sem revestimento epitelial (cápsula) Associado a trauma ósseo Mandíbula Indolor Área radiolúcida unilocular bem definida Exploração cirúrgica auxilia o diagnóstico: cavidade vazia ou líquido seroso sanguinolento Tratamento: exploração cirúrgica(diagnóstico), curetagem e acompanhamento radiográfico CONCLUSÃO O diagnóstico de lesões císticas e tumorais é extrema importância em qualquer área da saúde, e as etapas de diagnósticos como anamnese, semiotécnica, exames de imagem e histopatológicos são essenciais para que haja melhor orientação de conduta e tratamento adequado. 184 Nicole Júlia Levandovski TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA EM CIRURGIA ORAL INTRODUÇÃO TRÍADE NA ODONTOLOGIA Analgésico Anti-inflamatório Antibiótico Hoje em dia devemos quebrar esse conceito da tríade em odontologia/cirurgia, pois não é uma verdade absoluta, nem mesmo uma obrigatoriedade. Cada especialidade tem o seu protocolo → cirurgia ≠ pediatria ≠ periodontia. CLASSIFICAÇÃO DO ESTADO FÍSICO ASA I - Paciente com saúde normal. ASA II - Paciente com doença sistêmica leve ou fator de risco de saúde insignificante. ASA III - Paciente com doença sistêmica grave, mas não incapacitante. ASA IV - Paciente com doença sistêmica grave, incapacitante, que é uma constante ameaça a vida. Associação Americana de Anestesiologistas , 1962 IMPORTÂNCIA CONSULTA INICIAL Classificação do paciente em função do estado físico ASA I: Paciente saudável, que de acordo com a história médica não apresenta nenhuma anormalidade. Mostra pouca ou nenhuma ansiedade, sendo capaz de tolerar muito bem o estresse ao tratamento dentário, com risco mínimo de complicações. São excluídos pacientes muito jovens ou muito idosos. ASA II: Paciente portador de doença sistêmica moderada ou de menor tolerância que o ASA I, por apresentar maior grau de ansiedade ou medo ao tratamento odontológico. Apesar da necessidade de certas precauções, o paciente ASA II também apresenta risco mínimo de complicações durante o atendimento. ASA III: Paciente portador de doença sistêmica severa, que limita suas atividades. Geralmente exige algumas modificações no plano de tratamento, sendo imprescindível a troca de informações com o médico. O tratamento odontológico eletivo não está contraindicado, embora este paciente represente um maior risco durante o atendimento. Obesidade mórbida; Diabético tipo I (que faz uso de insulina) com a doença controlada; Hipertensão arterialna faixa de 160- 194 a 95- 99 mmHg; Insuficiência cardíaca congestiva, com inchaço dos tornozelos; Doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema ou bronquite crônica); História de infarto do miocárdio, ocorrido há mais de 6 meses, mas ainda com sintomas (p. ex., dor no peito ou falta de ar). ASA IV: Paciente acometido de doença sistêmica severa, que está sob constante risco de morte, ou seja, apresenta problemas médicos de grande importância para o planejamento do tratamento odontológico. Quando possível, os procedimentos dentais eletivos devem ser postergados até que a condição médica do paciente permita enquadrá-lo na categoria ASA III. As urgências odontológicas, como dor e infecção, devem ser tratadas da maneira mais conservadora que a situação permita. Quando houver indicação inequívoca de pulpectomia ou exodontia, a intervenção deve ser efetuada em ambiente hospitalar, que dispõe de unidade de emergência e supervisão médica adequada ASA V: Paciente em fase terminal, quase sempre hospitalizado, cuja expectativa de vida não é maior do que 24 h, com ou sem cirurgia planejada. Nesta classe de pacientes, os procedimentos odontológicos eletivos estão contraindicados; as urgências odontológicas podem receber tratamento paliativo, para alívio da dor. Pertencem à categoria ASA V: Pacientes com doença renal, hepática ou infecciosa em estágio final. Pacientes com câncer terminal. ASA VI: Paciente com morte cerebral declarada, cujos órgãos serão removidos com propósito de doação. Não há indicação para tratamento odontológico de qualquer espécie. 185 Nicole Júlia Levandovski É importante classificar o ASA do paciente para se fazer um tratamento protocolado relacionado as alterações sistêmicas daquele paciente. As condições sistêmicas que permitem submeter o paciente a uma reabilitação que envolva cirurgia são: ASA I, ASA II e ASA III. Para as demais condições, está contraindicado qualquer tratamento eletivo, a não ser que tenha indicação precisa e uma boa parceria médico X dentista. ANAMNESE 1) Hospitalizações, cirurgias e doenças de base 2) Doenças recentes menores ou sintomas 3) Medicações de uso contínuo ou recentemente em uso e alergias (medicamentosas) 4) Hábitos relacionados a saúde ou vícios: uso de etanol, tabaco, drogas ilícitas, e quantidade e tipo de exercícios 5) Data e resultados do último exame médico completo ou última visita ao médico. ANAMNESE DIRIGIDA Na consulta inicial, quando o paciente relata alguma doença de ordem sistêmica, a anamnese deve ser dirigida ou direcionada ao problema, por meio de perguntas. ① Como está o controle atual da sua doença? ② Você faz uso diário de algum medicamento? ③ Você passou por alguma complicação recente? ④ Você tomou sua medicação hoje? REVISAR DOENÇAS: ✓ Cardiovascular ✓ Pulmonar ✓ Renal ✓ Hematológico ✓ Endócrino ✓ Hepático ✓ Ósseo ✓ Neurológico EXAME FÍSICO EXTRA E INTRAORAL O cirurgião-dentista irá utilizar seus próprios sentidos para a exploração dos sinais presentes. As principais manobras são a inspeção, a palpação, a percussão, a auscultação e a olfação. FREQUÊNCIA CARDÍACA - ritmo do coração e número de batimentos por minuto 60 a 100 bm FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA - 12 a 20 frpm PRESSÃO ARTERIAL - sistólica x diastólica 12 / 80 Paciente em Repouso 30 min Oxímetro Esfigmomanômetro Auscultar EXAMES LABORATORIAIS Hemograma Coagulograma Completo Bioquímica do Sangue (Dosagens: Uréia, creatinina, glicose, cálcio, fosfatase alcalina, colesterol) Exame de Urina (Elementos Anormais, Sedimentos EAS) Parecer médico DOCUMENTAÇÃO -- ODONTOLEGAL Anamnese minuciosa, história médica e odontológica pregressa, plano de tratamento com mais de uma opção, atestados e receitas carbonadas + Termo de consentimento. 186 Nicole Júlia Levandovski Medicações O medicamento é o instrumento mais utilizado no processo saúde x doença É elemento coadjuvante no tratamento cirúrgico Conhecer conceitos importantes: Farmacodinâmica, farmacocinética (absorção, distribuição, biotransformação, excreção e biodisponibilidade) Criança (volume plasmático é menor) → Xaropes, dosagem, anestésico, peso Farmacocinética – Movimento dos fármacos pelo organismo após sua administração, abrangendo os processos de absorção, distribuição, biotransformação (metabolismo) e eliminação (excreção). Farmacodinâmica – Mecanismos de ação dos fármacos e seus efeitos no organismo. Ação e efeito, relação dose/efeito, efeitos adversos, efeitos teratogênicos, superdosagem (overdose), hipersensibilidade, dependência, efeito paradoxal (ansiolítico). FÓRMULA FARMACÊUTICA Constituintes de uma fórmula farmacêutica: ❶ Base medicamentosa ou princípio ativo – componente responsável pela ação terapêutica. Uma só fórmula pode conter um ou mais princípios ativos (ex. amoxicilina + clavulanato de potássio), criando as associações. Quando a formulação não apresenta nenhum princípio ativo, é denominada de placebo. ❷Coadjuvante terapêutico – auxilia na ação do princípio ativo (ex. vasoconstritores) ❸Conservante – evitar alterações de ordem física, química ou biológica e aumentar a estabilidade do produto (ex. metilparabeno) FORMAS FARMACÊUTICAS Comprimidos Drágeas Cápsulas Granulados Emulsões Suspensões Aerossóis Soluções Oral- Gotas, Xaropes, Elixires Soluções Colutórios – Clorexidina, Vernizes Soluções Injetáveis Comprimidos, cápsulas e drágeas devem ser tomados com aproximadamente 300ml de água Pós orais devem ser preparados antes de ser ingeridos. O pó não deve ser colocado diretamente na boca. Soluções orais e xaropes geralmente apresentam-se prontas para o uso. Xaropes apresentam grande quantidade de açúcar Suspensões orais devem ser rigorosamente agitadas VIAS DE ADMINISTRAÇÃO VIAS ENTERAIS – USO INTERNO São aquelas em que o fármaco entra em contato com qualquer parte do trato gastrointestinal oral sublingual retal 187 Nicole Júlia Levandovski ❶ Via Oral Vantagens Conveniência Mais utilizada Bom suprimento sanguíneo estômago e duodeno e grande superfície epitelial Segurança Facilidade de administração Facilidade de terapia reversa Desvantagens Irritação de mucosa Contraindicado em pacientes inconscientes Sabor desagradável Náusea e vômito Fácil interferência na absorção (ex. comer alimentos após) pH gástrico e enzimas digestivas Sofrem metabolismo de primeira passagem (fígado) – sistema porta hepático x enzimas ❷ Via Sublingual Vantagens Rápida absorção devido ao suprimento sanguíneo e mucosa fina Evita destruição da droga pelo ácido gástrico Não sofrem metabolismo de primeira passagem (fígado) Desvantagens Podem ser irritantes à mucosa Podem apresentar sabor desagradável Comprimidos sublinguais devem ser mantidos na boca evitando a deglutição da saliva enquanto o fármaco não estiver completamente dissolvido. Após a completa dissolução, deve-se engolir a saliva e só então beber água. ❸ Via Retal Reto ótimo local para absorção Pacientes inconscientes Vômitos Dificuldade de deglutir Crianças, idosos Protege da via de biotransformação hepática (veia cava inferior) Desvantagem – pode ter absorção irregular e incompleta VIAS PARENTERAIS – USO EXTERNO São aquelas em que o medicamento se utiliza de qualquer outra estrutura que não faça parte do sistema digestório Injetável (IM, EV, subcutânea, intradérmica) Inalatória / respiratória (pulmonar) Tópico ou local (cutânea, mucosa) Percutânea (pele) Endodôntica (intracanal / polpa) Submucosa e subperióstica (anestesia) Intra-articular (atm) 188 Nicole Júlia Levandovski ❶ Via Intramuscular Vantagens Absorção mais rápida, alta vascularização abaixo do músculo Determinação exata da dose Músculo tem pouco nervo sensorial Não sofre ação dosuco gástrico Desvantagens Necessidade de assepsia rigorosa Dificuldade de auto-aplicação Não aplicar em local inflamado ❷ Via Endovenosa Vantagens Medicação não necessita de absorção Efeito imediato 100% disponível Permite uso em grandes volumes Medicamentos mais utilizados em urgência Venopunção (usado em cicatrizações, regeneração ósseas, plasmas/PRF/PRP) Desvantagens Necessita de assepsia rigorosa Dor decorrente da aplicação Dificuldade de auto-aplicação Processos tóxicos e alérgicos mais intensos SOLUÇÕES ANTI-SÉPTICAS Se refere a tudo o que for utilizado no sentido de degradar ou inibir a proliferação de microorganismos presentes na superfície da pele e mucosas São substâncias usadas para reduzir o risco de infecção por ação de bactérias ou germes. SOLUÇÃO DE CLOREXIDINA Detergente catiônico, atóxico, preparado na forma de sais (digluconato) Ativo contra bactérias gram + e - , fungos e leveduras Eficiente no controle das placas supra e sub gengivais várias apresentações colutório (0,12% ); anti-séptico (2%) ANESTÉSICO Sais anestésicos possuem ação vasodilatadora (rápida absorção, risco de toxicidade) GRUPO ÉSTER Precursor cocaína Procaína Propoxicaína Benzocaína (tópico / 20%) GRUPO AMIDA Lidocaína (padrão) Mepivacaína Prilocaína Bupivacaína Articaina 189 Nicole Júlia Levandovski VASOCONSTRITOR Associação de vasoconstritores aos sais anestésicos para que o sal anestésico fique por mais tempo em contato com as fibras nervosas, reduzindo o risco de toxicidade sistêmica e diminuindo sangramento. Adrenalina / epinefrina Noradrenalina / norepinefrina Corbadrina / levonordefrina Fenilefrina – (catecolamina sintética) Felipressina – (hormônio antidiurético) Está no sal anestésico prilocaína COMPLICAÇÕES As complicações locais são caracterizadas por dor após ou durante a anestesia, trismo, infecção, hematoma, lesões de tecidos moles, quebra da agulha, parestesia persistente, necrose tecidual e paralisia facial. As complicações sistêmicas podem ser caracterizadas em superdosagem ou toxicidade e reações alérgicas, injeção intravenosa acidental por isso deve-se fazer a punção da carpule. Segundo MALAMED (1999), as reações de superdosagem geralmente apresentam um risco clínico de grau leve a moderado, e raramente evoluem para situações extremamente graves, inclusive casos de óbito. Evitar Vasoconstritor: (não levar tanto em consideração) Hipertensão severa não tratada ou não controlada; Doença cardiovascular grave: - Menos de seis meses após o infarto do miocárdio; Menos de seis meses após o AVC; Cirurgia recente de ponte de artéria coronária; Angina pectoris instável; Arritmias cardíacas Diabetes mellitus não controlado; Hipertireoidismo; Feocromocitoma; Sensibilidade aos sulfitos; Pacientes tomando antidepressivos; Usuários de cocaína ou “crack”. No Brasil, estima-se que anualmente são realizados 250- 300 milhões de anestesias odontológicas, com raros relatos de algum tipo de reação adversa grave. Portanto, os anestésicos locais são fármacos muito seguros ANALGÉSICOS Fármaco com propriedades analgésicas, mas sem propriedades anti-inflamatórias clinicamente significativas PARACETAMOL Ylenol, Dôrico, Sonridor Posologia: 500mg – 1g de 3 a 4 x/dia não ultrapassar 3,25g/dia Indicações: Alérgicos a AAS, dengue (a dengue por ser muitos dias de sintomas, alguns não gostam de usar o parectamol devido ao potencial hepatotóxico, muitos preferem a dipirona), problemas gastrointestinais, renais, gestantes e lactantes Adultos – não ultrapassar 10 dias Crianças – não ultrapassar 5 dias Cuidado : álcool Potencial hepatotóxico DIPIRONA SÓDICA Novalgina, Magnopirol, Anador, Lisador, Lisador DIP Posologia: 500mg – 1 g, de 3 a 4x ao dia máximo 4g/dia Gotas: 500mg/ml = 35 gotas Solução oral: 50mg/ml = copo medida 190 Nicole Júlia Levandovski Cuidados Especiais: não utilizar em grávidas, anemia, lactantes pode baixar a pressão banido nos EUA (agranulocitose/depressão medular- úlcera gástrica e risco de infecção) diminuição dos leucócitos (granulócitos) TROMETAMOL CETOROLACO Toragesic Posologia: 10mg - 1 comp – 3 a 4 x dia máximo 90mg/dia Dores agudas de moderadas a intensas. Comprimido sublingual Cuidados Especiais: não associar a AAS (risco de sangramento) não utilizar em gestantes/lactantes não utilizar em usuários de anticoagulantes inibição da agregação plaquetária TYLEX Codeína + Paracetamol Posologia: 7,5mg /500mg (meia vida em 4h) ou 30mg/500mg (meia vida em 4h) – tanto faz qual usar 8/8hrs, 6/6hrs ou de 4 – 6 x dia não exceder 2400mg Cuidados Especiais Não utilizar em gestantes, lactantes e crianças Pode causar dependência CLORIDRATO DE TRAMADOL Tramal, Sylador, Novotram Posologia: 50mg - 4x dia; 1cp de 6/6hrs; 2 -- 3 dias 100mg gotas Medicação opióide Pode causar sonolência Excretado no leite Cuidados Especiais não utilizar em gestante uso crônico pode causar dependência OUTROS OPIÓIDES DE ESCOLHA: ▪ Ultraset ( Tramadol + Paracetamol) VO 6 em 6 hs ▪ Codaten (Codeína + Diclofenaco) 50mg VO 12hs ▪ Paco ( Paracetamol + Codeína) 500mg/30mg VO 6 horas RESOLUÇÃO 19 – 24/03/08 Os medicamentos a base de morfina até 5ml (opióide até 50mg) podem ser prescritos em receituário de controle especial, com cópia carbonada para retenção da farmácia. Resolução sobre portaria 344 de 12/05/1998 191 Nicole Júlia Levandovski ANTI-INFLAMATÓRIOS – NÃO ESTEROIDAIS – ESTEROIDAIS (CORTICOIDES) Lembrando que a inflamação é o início da reparação. Sem inflamação não ocorre reparo. Porém é necessário controlar a inflamação, para que não haja dor, febre, edema. *Prescrito em cirurgias extensas, onde não desejamos que a inflamação local seja prejudicial ao reparo NÃO ESTEROIDE - DAINES Geralmente exercem atividade analgésica, antipirética e anti-inflamatória. DICLOFENACOS Voltaren, Cataflan Posologia: 50mg - 8/8h - 3 a 5 dias Dose máxima diária: 200mg Reações Adversas: Maior retenção líquida, úlcera gástrica (pacientes com gastrite deve-se associar a um protetor gástrico se não houver 2ª opção), edema de membro inferior (devido a retenção líquida). inibidor de COX1 Cuidados Especiais: Não utilizar em cardiopatas Não associar a AAS NIMESULIDAS Scaflan, Nimesulide, Nisulid D, Arflex 200mg, Maxsulid 400mg Posologia: 100mg – 2 x dia, até 3 dias Fraca inibição de COX 1 Inflamações leves a moderadas Maxsulid já tem um protetor gástrico associado Cuidados Especiais: não utilizar em gestantes, lactantes e crianças menores de 1 ano hepatotóxico (?) IBUPROFENO Alivium, Motrim Posologia: de 200 – 800 mg, de 3 – 4 x dia não exceder 3200 mg usual – 600mg 4 x dia Dores leves e moderadas 200mg utilizado em crianças para efeito anti-inflamatório (fda e anvisa) 200mg utilizado em adultos para efeito analgésico (a partir de 400-600mg para efeito anti-inflamatório) SPIDUFEN (ASSOCIAÇÃO) Ibuprofeno 600mg + Arginina 555mg Posologia: 1 envelope 2 x dia não exceder 2400 mg/dia Arginina – aminoácido que facilita absorção Ação rápida -- 15 a 30 min Indicado para pacientes que apresentam dificuldade na ingestão de comprimidos 192 Nicole Júlia Levandovski CELECOXIB Celebra Posologia: 100mg 2x dia 200mg 1x dia Específico para COX 2 (altamente seletivo) Anti-inflamatório, analgésico e antitérmico Usar em pacientes com risco de sangramento gastrointestinal/úlcera gástrica Cuidados Especiais: cuidado com pacientes com uso de antiagregantes plaquetários ETORICOXIB Arcóxia 60 e 90mg Inibidor seletivo COX2 Usar em pacientes com risco de sangramentogastrointestinal Cuidados Especiais: cuidado com pacientes com uso de antiagregantes plaquetários Associar ibuprofeno com nimesulida + protetor gástrico também é uma opção para pacientes com úlcera gástrica ESTEROIDAIS/CORTICOSTERÓIDES Dexametasona- Corticosteroide mais aplicado para uso odontológico por apresentar uma potência de ação 25 vezes maior que a hidrocortisona (droga padrão do grupo) | Betametasona também é utilizado Indicado para prevenir a hiperalgesia e edema inflamatório imediato no pós-operatório (quando o edema já está instalado, os corticoides não apresentam efeito significativo) Apresentam meia vida prolongada Dose única pré-operatória Mesmo em doses maciças, por curto espaço de tempo, são praticamente desprovidos de efeito colateral Aumento da glicemia Interferem na parte hormonal Ação antialérgica Para controle do processo inflamatório é mais indicado o uso de DAINES Uso do corticoide (no pré-operatório e as vezes no pós) e laser terapia (pós operatório imediato e tardio), diminui drasticamente o edema e dor pós operatória. DEXAMETASONA Decadron Posologia: 8 mg – 2cp de 4mg / Dose única pré-operatório Anti-inflamatório esteróide Apresenta-se com: 0,25mg, 0,5mg, 1,0mg 4,0mg (comp.) 5mg, 10mg IM Quase nenhum efeito analgésico Pode manter por 2-3 dias após a cirurgia quando for cirurgia complexa (4 sisos, trauma de face) BETAMETASONA Diprospan – Ampola 1ML – dose única Intramuscular profunda (IM) Utilizado no pós-operatório de cirurgias complexas Celestamine – Comp./ xarope/ gotas Usado em pessoas que apresentam alergias 193 Nicole Júlia Levandovski HIDROCORTISONA Solucortef, Flebocortid Hidrocortisona 100 ou 500mg Muito utilizado em infusão endovenosa, podendo ser aplicado im e ev (100mg) Administração de solucortef 500mg através de infusão endovenosa PREDNISOLONA Predsim Comprimidos de 05 mg, 20mg, 40mg Caiu um pouco em desuso, principalmente 05mg, pois os pacientes usavam e mesmo assim tinham edema ANTIBIÓTICOS ➔ A cavidade bucal é um ambiente ideal para o crescimento de microrganismos, já tendo sido identificadas mais de 500 espécies bacterianas ➔ Principal conduta: remoção da causa ➔ Os antibióticos devem ser considerados apenas como auxiliares na terapêutica das infecções ➔ Destruindo os microrganismos (ação bactericida) ou apenas impedindo sua reprodução (ação bacteriostática) ➔ Os antibióticos são substâncias químicas, obtidas de microrganismos vivos ou de processos semissintéticos, que têm a propriedade de inibir o crescimento de microrganismos patogênicos ou destruí-los ➔ A tendência é que com o tempo seja diminuído o tempo padrão de utilização dos ATB, ajudando na diminuição das resistências bacterianas Infecções Odontogênicas 70% Bactérias Mistas: GRAM (+) Cocos ; GRAM (-) Bacilos 5 % Aeróbias 25% Anaeróbias Quando o paciente chegar no consultório com um abcesso, podemos receitar amoxicilina por ser de amplo espectro, mas o mais ideal é fazer a cultura antibiograma para descobrir o tipo da bactéria presente no abcesso e então receitar o antibiótico mais apropriado para o caso. AMOXICILINA Amoxil, Velamox, Amplamox Posologia: 500mg – 3x dia – 5 a 7 dias 875mg – 2x dia – 5 a 7 dias Profilaxia antibiótica: 2g 1h antes do procedimento Amplo espectro 90% da dose usual é absorvida Primeira escolha odontologia Efeitos adversos: diarréia; 5% a 10% algum tipo de hipersensibilidade; anafilaxia fatal (1:10.000) AMOXICILINA + AC. CLAVULÔNICO Clavulin Ac. Clav. rompe o Anel β Lactâmico (ação sobre as betalactamases, enzimas resistentes as penicilinas) Amplo Espectro Comum para vias aéreas superiores ex. sinusite 250 Mg de Amoxicilina + 62,5 Mg de Clavulanato de Potássio. 500 Mg de Amoxicilina + 125 Mg de Clavulanato de Potássio + usual; 12/12hrs 875 Mg de Amoxicilina + 125 Mg de Cla vulanato de Potássio. 194 Nicole Júlia Levandovski PENICILINA G BENZATINA (NATURAL) Benzetacil 1.200.000 UI dose única -- IM profunda Adulto CEFALEXINA Keflex, ceclor Posologia: 500mg – 2x dia – 5 - 7 dias Profilaxia antibiótica – 2g 1 hora antes do procedimento Cefalosporina de 1° geração Amplo espectro Meia vida menor 6x6 (6/6hrs) Cuidados Especiais: não utilizar em alérgicos a penicilina (10 a 15% dos pacientes alérgicos a penicilina pode ter alergia a cefalexina) ERITROMICINA Eritrex, ilosone, pantomicina Posologia: 500mg – 4x dia – 7 dias Profilaxia antibiótica – 1 g, 2 horas antes do procedimento Macrolídeo 1ª escolha alérgicos a penicilina CLINDAMICINA Dalacin C, Clidabiotic Posologia: 300mg – 4x dia (6x6 horas)– 7 dias Profilaxia antibiótica 600mg - 1 hora antes do procedimento 1ª escolha na odontologia (maior facilidade em encontrar pra comprar em farmácias em relação a eritromicina) Lincosamina Excelente anaerobicida Alta concentração em abscessos Custo elevado – dalacin c Cuidados Especiais: não indicado para pacientes com alterações intestinais (síndrome do colo irritável, doença de crohn) → pode causar Diarréia – colite pseudomembranosa AZITROMICINA Posologia: 500mg – 1x dia – 3 a 5 dias Profilaxia – 500mg , 1 hora antes do procedimento Azalídeos Gram-positivos Infecções que envolvam vias aéreas superiores (ex. 3° molar superior, proximidades com seio maxilar) 195 Nicole Júlia Levandovski METRONIDAZOL Flagyl Posologia: 400mg – 3x dia – 7 dias Eficaz em bactérias anaeróbias (principalmente gram negativas) Amplamente utilizado em casos de celulite de face e angina de Ludwig, candidíase Associado à penicilina Pericoronarites e periodontites LEVOFLOXACINO Tamiran, Levaquin, Tavanic Posologia: 500mg e 250mg – 1x dia ou 12x12 horas, por 7 a 10 dias Eficaz no tratamento de osteomielites, sinusites (sinus lift) Cuidados Especiais: não utilizar em gestantes e crianças PSICOTRÓPICOS CONTROLE DE ANSIEDADE Sedação com benzodiazepínicos Critérios: idade, estado físico, tipo e duração do procedimento Passiflora – fitoterápico 500mg, 90min antes do procedimento PSICOTRÓPICOS Prescritos em formulário de controle especial, notificação de receita “b” Diazepan = Valium, Diempax Lorazepan = Lorax Midazolan = Dormonid 1ª opção Bromazepan = Lexotan Alprazolan = Frontal 2ª opção Cloxazolan = Olcadil Flurazepan = Dalmadorm Clonazepan = Rivotril Benzodiazepínicos mais comumente empregados em Odontologia: Bromazepam - Lexotam® 0,05 a 0,1 mg/kg oral comp. 3 e 6 mg Diazepam - Valium® 0,2 a 0,5 mg/kg IV e oral comp. 5 e 10 mg Midazolam - Dormonid® 0,05 a 0,15 mg/kg IV e oral comp. 7,5 e 15 mg, 1h antes do procedimento Lorazepam - Lorax ® 0,03 a 0,05 mg/kg comp. 1 e 2 mg Alprazolam - Frontal® 0,01 a 0,02 mg/kg comp. 0,5 e 0,75 mg, 1h antes do procedimento ANTI-HEMORRÁGICOS HEMORRAGIAS As hemorragias podem ser classificadas quanto à ruptura dos vasos sanguineos, sendo venosa (com característica de fluxo contínuo e lento), arterial (com fluxo pulsátil, com característica de sangue lançado) ou capilar (com característica de sangue em pequena quantidade, lençol – hematomas). GAZE X PINÇAMENTO X TERMOCOAGULAÇÃO X LIGADURA POR SUTURA X DROGAS 196 Nicole Júlia Levandovski ANTI-HEMORRÁGICOS Kanakion (Vit K) 1 ampola 10mg por 3 dias IM ou EV Transamim (Ác. tranexâmico) 1 ampola EV e/ ou 250 mg 8 em 8 horas Dicinone (Etansilato)- preventivo 250 mg injetável ou VO comprimidos. Pode ser usada em tamponamento ou diluída em água por via oral: amassa o comprimido, acrescenta soro ou solução anestésica com vasoconstritor e tampona com gaze na região que está sangrando. Serve para hemorragia trans ou pós-operatória imediata. *Sangramento pequeno nas primeiras 48hrs é normal HEMOSTÁTICOS DE AÇÃO LOCAL Gelfoam e Hemospon – esponjas Surgicel – tiras (trama de celulose) Cera para osso – bastão Avitene – pó ANTIAGREGANTES X ANTICOAGULANTES Os Antiagregantes mais utilizados são o ácido acetilsalicílico (Aspirina®, Tromalyt®) e o clopidogrel (Plavix®, Iscover®), os quais possuem meia-vida plasmática específica. Já os antagonistas da vitamina K são: Varfarina (Varfarine®, Marevan®) e a fenprocumona (Marcoumar®) Pacientes que fazem uso de AAS: Escrever uma carta para o médico cardiologista avisando que vai fazer um procedimento cirúrgico nesse paciente e solicitar conduta de medicação, solução anestésica, vasoconstritor, etc. VARFARINA (ANTICOAGULANTES) 70% interrompem 2 a 6 dias antes, porém deve ser substituído Atualmente: não interromper e administrar medidas preventivas e de hemostasia local Risco de Troembolismo, Infarto do miocárdio e AVC INR (tempo de protrombina e coagulação) área de conforto: entre 2 e 3 | ideal: 0,8 - 1 Melhor opção cirúrgica para pacientes anticoagulados: Cirurgia minimamente invasiva, não suspender as drogas e utilizar soluções hemostáticas locais ENOXAPARINA (HEPARINA) Clexane®, Versa® Medicações que conseguem ter um controle de anticoagulante, sem riscos de sangramento, porém deve ter orientação médica. 20/40/60/80mg Via subcutânea (geralmente 40mg)– anticoagulante Diminui o risco de trombose venosa Paciente mantém a medicação por mais 2 dias até alcançar a estabilidade clínica (faz o INR e verifica se chegou no nível normal, se chegou, para com a heparina e volta com a medicação anticoagulante normal ANTI ULCEROSO (PROTETOR GÁSTRICO) OMEPRAZOL - 20/40 mg 1/2xdia (manhã) PANTOPRAZOL - 20/40 mg 1/2xdia (manhã) NEXIUM - 20mg/40 mg 1/2xdia (manhã) RANITIDINA (ANTAK) - 150mg 2xdia DESCONGESTIONANTE NASAL Utilizado em cirurgias de seio maxilar (sinus lift), alguns tipos de enxerto, sinusopatias, comunicações com o seio. 197 Nicole Júlia Levandovski SORINE - 15/30ml adulto 02 borrifadas 3xdia SALSEP - 02 borrifadas 3xdia NOEX - 02 borrifadas 3xdia ANTINEURÍTICO Utilizado em casos de parestesia CITONEURIN - drágeas 5.000 complexo B | 01 drágea 3xdia ETNA - 01 cápsula 2xdia por 30/60 dias Associar ao laser ajuda mais. Se o paciente sentir um “choque” na região de parestesia, é sinal que está voltando a sensibilidade nervosa. MEDICAMENTOS GENÉRICOS Genérico é um medicamento idêntico ao medicamento de referência, produzido após a expiração da patente ou qualquer outra licença de exclusividade e a embalagem não apresenta nome fantasia. Pode ser utilizado sem problemas desde que o laboratório farmacêutico seja de confiança. MEDICAMENTO SIMILAR É aquele que pode ter o mesmo princípio ativo, mesma concentração, mesma fórmula farmacêutica, mesma posologia, mesmo nome, mesma indicação, entretanto não ser bioequivalente ao medicamento de referência. Apesar disso possuem registro no ministério da saúde. Diferem na embalagem, validade, forma do produto. “genérico com marca” Não é tão eficaz, deve-se evitar sempre que possível. SIGLAS Liberações Modificadas BD (Bis in Die)- duas tomadas diárias (12/12 horas) SR- rápida ação e duradoura XR- liberação estendida (lenta) Retard- libertação prolongada FELDENE SL (sublingual) TYLENOL DC (dor de cabeça) Tratamento Odontológico 198 Nicole Júlia Levandovski 199 Nicole Júlia Levandovski SINUSOPATIAS INTRODUÇÃO RELEMBRANDO A ANATOMIA... SEIOS PARANASAIS SEIO MAXILAR Desenvolvem-se embriologicamente da invaginação da mucosa que cresce lateralmente a partir do meato médio da cavidade nasal em direção ao futuro osso maxilar. ANATOMIA Cavidade no corpo da maxila Forma piramidal Base na parede lateral da fossa nasal Primeiro dos seios da face a se desenvolver É o maior dos seios paranasais, medindo em média: 34mm no sentido anteroposterior, 33mm de altura, 23mm de largura Corte Coronal Revestida por epitélio respiratório do tipo pseudoestratificado cilíndrico ciliado mucossecretor (membrana de Schneider) e pelo periósteo Vista superior – seio maxilar Membrana de Schneider Faz o contorno e proteção do seio maxilar 200 Nicole Júlia Levandovski PAREDE ANTERIOR Possui ramos do nervo e vasos sanguíneos infraorbitários. Podem estar a menos de 10mm da crista anterior da maxila. Pode se estender até região de canino. PAREDE SUPERIOR Está representada pelo assoalho orbitário. Não se indica a manipulação dessa parede – apenas em sinusectomia. PAREDE POSTERIOR Corresponde à região pterigo-maxilar. A fossa também contém a artéria maxilar interna. PAREDE MEDIAL PAREDE LATERAL Forma a maxila posterior e o processo zigomático, podendo ser muito delgada ou muito espessa. Essa parede onde será realizado a abertura do seio maxilar para o Sinus Lifth. Região de pilar zigomático. PAREDE INFERIOR CLASSIFICAÇÃO DE JENSEN CLASSE A – rebordos com 10mm ou mais dede osso residual CLASSE B – rebordos com 7 a 9mm de osso residual CLASSE C – rebordos com 4 a 6mm de osso residual (limite máximo ideal para realização de enxertia) CLASSE D – rebordos com 1 a 3mm de osso residual (consegue realizar enxertia, mas não indicado e com maior dificuldade) CLASSE E – ausência ou remoção total do assoalho do seio maxilar Separa o seio maxilar da fossa nasal. Nessa região está localizado o óstio maxilar. Está localizado até 10mm abaixo do nível do assoalho da cavidade nasal. Relaciona-se intimamente com as raízes dos molares e pré-molares, separados por uma delgada crista óssea ou em contato direto com a mucosa. 201 Nicole Júlia Levandovski ABERTURA DO ÓSTIO É a via de drenagem natural Localizado abaixo do meato médio Drenagem por meio dos batimentos unilaterais de seus cílios INERVAÇÃO E VASCULARIZAÇÃO Inervação de ramos do infraorbitário, etmoidal anterior, nasal superior e alveolares superiores posterior e médio Vascularização ocorre por ramificações da artéria maxilar interna e alveolares superiores posteriores e anteriores RELAÇÃO COM A IDADE O primeiro seio da face a se desenvolver, crescimento por pneumatização, normalmente cresce de 2-3mm por ano. E por volta de 12 anos, o seio já atinge o nível do assoalho da cavidade nasal. ETIOLOGIA DOS DANOS NO SEIO MAXILAR: Complicações durante as extrações dentárias nos maxilares Relação anatômica mais íntima dos dentes maxilares em relação ao seio maxilar Acidentes no trans operatório Lesões traumáticas da maxila por objetos perfurocortantes Lesões patológicas que envolvam seio maxilar Necrose óssea 202 Nicole Júlia Levandovski Essa raíz, fisiologicamente, já está em comunicação com o seio maxilar. Portanto, durante a remoção, vai haver uma passagem da região de rebordo para o seio maxilar, cujo vai contaminar se não for suturado e fechado a comunicação corretamente. Deve-se manter o coágulo para que o mesmo seja utilizado como tampão. RELAÇÃO DECRESCENTE COM OS ÁPICES RADICULARES 1º molares superiores 2º molares superiores 2º pré-molares superiores 3º molares superiores 1º pré-molares superiores Caninos superiores Canino é mais difícil de envolver no seio maxilar, mas como foi visto anteriormente, pode-se ter até 10mm de parede anterior. Normalmente, o trabeculado do canino é onde fecha a parede medial com a fossa nasal. Fratura de raiz na tentativa de remoção de molar. A raiz, sem querer, foi jogada para dentro do seio maxilar Foi feita a abertura contralateral, remove-se osso, penetra na membrana de Schneider e feita a remoção daraiz com sugador Faz a soltura da membrana de Schneider com cureta e acrescenta um material específico para o completo vedamento Fechamento completo da mucosa e posteriormente há formação óssea norma 203 Nicole Júlia Levandovski FISIOLOGIA • Aquecimento do ar • Umidificação • Fonação • Filtragem • Diminuição do peso do crânio ASPECTO RADIOGRÁFICO • Rx Periapicais É possível visualizar o trajeto do seio maxilar • Rx Panorâmicos É possível visualizar o velamento do seio maxilar • Rx Water’s • Tomografias Coronal e sagital são os mais utilizados para visualização do seio maxilar Corpo estranho dentro do seio maxilar com velamento do seio em corte coronal. 204 Nicole Júlia Levandovski Corpo estranho dentro do seio maxilar com velamento do seio em corte axial e sagital, respectivamente. Exemplo de implante invadido no seio maxilar, localizado na parede medial. Ajuda na localização, porém quando for fazer a remoção, o implante não vai estar no mesmo local da radiografia, pois ele se movimenta dentro do seio. • Tomografias 3D • Tomografia slice • TC Reconstrução 205 Nicole Júlia Levandovski COMUNICAÇÃO BUCO-SINUSAL Acidente cirúrgico que consiste no estabelecimento de um pertuito entre a cavidade bucal e o seio maxilar. SINTOMAS Passagem de líquidos para o nariz Timbre anasalado (devido ao escape de ar) Transtorno deglutição líquidos/alimentos Halitose Coriza Paladar alterado Obstrução nasal unilateral Dor na face Cefaleia frontal Inabilidade para assoprar ou puxar ar (devido ao escape de ar) INCIDÊNCIA ALTERAÇÕES DA FISIOLOGIA SINUSAL loja estéril vedada Contaminação Inflamação Obstrução do ósteo Secreção 206 Nicole Júlia Levandovski DIAGNÓSTICO Clínico e Radiográfico CLÍNICO: Manobra de Valsalva: é a manobra executada para confirmar a presença de comunicação buco sinusal Deve-se puxar o ar, tampar o nariz e a boca, e fazer força para o ar circular na cavidade Pode-se ter a raiz dentro do seio maxilar, porém sem afetar a membrana. A membrana vai contornar a raiz e se ela não for violada, não haverá comunicação. Se não tiver violado a membrana, a bochecha vai inflar e o dentista solta o nariz para que o ar possa sair. Caso contrário, a bochecha não vai inflar e o ar irá sair pela comunicação. TRATAMENTO Dependem do tamanho da comunicação Menores que 2mm → fecham espontaneamente Maiores que 3mm → requerem procedimento cirúrgico E se não tratar... 50% terão sinusite após 48h 90% terão sinusite após 2 semanas TRATAMENTO CIRÚRGICO IMEDIATO Fechamento primário CBS dentro de 48h – Taxa de Sucesso: 90 a 95% Quando ocorre exposição e perfuração do seio, inicialmente indica-se a terapia menos invasiva. Se a abertura ao seio é pequena e ele se encontra saudável, esforços devem ser feitos para se estabelecer o coágulo no local da extração e estabilizá-lo. Não é necessário rotação de retalho adicional. São realizadas suturas para a reposição de tecidos moles, e uma compressa de gaze é colocada em cima do local da extração por 1 ou 2 horas O paciente é instruído quanto às precauções nasais por 10 a 14 dias A maioria dos pacientes tratados desta maneira cicatriza sem intercorrências se não houver evidência de doença sinusal preexistente (se o paciente operado estiver com sinusite, vai infectar o coágulo e gerar a comunicação novamente ou criar uma nova fístula, nesse caso deve ser feito o fechamento tardio e utilizando outra forma sem ser pelo coágulo) TARDIO Após 48h – Taxa de sucesso: 67% Sinusite: complicação decorrente do tempo É importante tratar a sinusite anteriormente ao fechamento da comunicação Irrigações, antibióticos, descongestionantes, antisséptico Fístula Buco Sinusal Quando NÃO ocorre o diagnóstico e/ou o tratamento imediato da comunicação. Tendo a migração do epitélio oral e do seio maxilar, ocorrendo a epitelização deste orifício da comunicação. É o trajeto decorrente da comunicação. Através da fístula que haverá a passagem de água, ar, secreção, etc. 207 Nicole Júlia Levandovski SEM CORPO ESTRANHO Fechamento oclusivo da ferida cirúrgica (utilizado em casos em que a raiz do dente já estava instalada fisiologicamente dentro do seio maxilar), através de retalhos para fechamento (casos em que só o coágulo não é o suficiente para o fechamento da comunicação) Retalhos de fechamento: Deslizamento Rotação: Vestibular, Palatina, Em ponte, Transposição Corpo gorduroso da bochecha Deslizamento Incisão lateral ao dente que foi removido, sempre 1 dente a mais de cada lado. Soltar o periósteo do fundo de sulco e tracionar a mucosa o máximo que puder (o máximo que não for causar necrose do tecido). Retalho de deslizamento vestibular apresenta desvantagens em uma possível reabilitação protética total ou removível devido a diminuição da altura do fundo de sulco (corpo gorduroso da bochecha é uma técnica mais indicada para esses casos). Rotação Vestibular Rotação Palatina Incisões paralelas, tomando cuidado com a artéria palatina maior. Rotação Em Ponte Rotação Transposição A parte que ficou aberta vai cicatrizar por 2ª intenção Foge da artéria palatina maior indo para a parte mais central do . palato. Se dá uma elasticidade ao tecido mucoso para fechar. 208 Nicole Júlia Levandovski Corpo gorduroso da bochecha Retalho no fundo de sulco, divulsionar m. bucinador até chegar na bola de bichat, traciona devagar e a deixa pediculada. Sutura na comunicação e volta o retalho. Irá epitelizar e formar mucosa na região. Pode-se remover um pedaço da bola de bichat e suturar, porém, é mais difícil e menos usual. Não gera perda de profundidade de vestíbulo e pode cobrir defeitos de até 60x50mm de extensão. CASO CLÍNICO Paciente S.L.B., apresentando fístula buco sinusal, após extração de dente 24, com perda óssea vestibular. Realizando tração da bola de bichat, com retalho palatino e transfixação da sutura. Fistulectomia: avivar a borda da ferida, Incisão relaxante remover o tecido epitelizado ao redor da fístula Liberação bola de bichat Retalho palatino Sutura com recobrimento da bola de bichat com o retalho palatino A bola de bichat poderia ficar exposta também, mas nesse caso foi re coberta para gerar um maior suporte CASO CLÍNICO Paciente M.V.C., apresentando raízes residuais de múltiplos elementos em maxila, necessitando exodontia. No procedimento realizado no primeiro molar superior direito ocorreu comunicação buco sinusal que foi tratada com retalho de deslizamento vestibular. 209 Nicole Júlia Levandovski Radiografia periapical Clinicamente Ferida cirúrgica Manobra de ValsavaBolhas de ar Incisão Retalho Lenhar periósteo (ranhura transversal/horizontal Posicionamento nas linhas do periósteo com as costas da lâmina de bisturi) Serve para soltar mais o periósteo e deixar o tecido mais elástico. Sutura Raízes removidas COM CORPO ESTRANHO Fechamento oclusivo da ferida cirúrgica Remoção do corpo estranho por via alveolar Remoção do corpo estranho pela técnica de Caldwell Luc CASO CLÍNICO Remoção do corpo estranho por via alveolar Paciente trazida à clínica da F.O. UNIP, por colega que na tentativa de exodontia do elemento 24 causou intrusão parcial do mesmo na cavidade sinusal. Radiografia periapical Clinicamente Incisão 210 Nicole Júlia Levandovski Osteotomia e remoção da raiz com Exodontia Toalete (lavagem) e curetagem da cavidade Pinça de Citelli* *Remove-se com essa pinça quando a raiz não entrou totalmente no seio e for possível visualizá-la dentro do alvéolo e em dentes multirradiculares – apenas remove-se o septo intraradicular e remove a raiz. Não se faz osteotomia via alveolar para dentro do seio, pois isso aumenta a comunicação, se não der para ver a raiz dentro do alvéolo, é porque a mesma entrou no seio maxilar – quando isso ocorre, fecha o alvéolo e faz uma abertura contralateral (técnica de caldwell-luc). Sutura Remoção do dente Técnica de Caldwell Luc: Abordagem cirúrgica da cavidade sinusal, através da parede lateral do seio maxilar (abertura contralateral), utilizando incisão de Wasmund de canino a primeiro molar, osteotomia (pode ser oval, retangular, quadrada) e pequena perfuração com bisturi para abordagem com pinça mosquito, cureta ou aspirador. Técnica usada para busca e remoção de corpo estranho por via não alveolar e cirurgia de sinus-lifth (levantamento de seio) 211 Nicole Júlia Levandovski CASO CLÍNICO Remoção do corpo estranho pela técnica de Caldwell Luc Paciente sexo feminino, 38 anos, trazida ao Curso de Atualização da ACDbs por colega que na tentativa de exodontia do elemento 18 causou a intrusão total do mesmo na cavidade sinusal. Radiografia pré-operatória Radiografia panorâmica Tomografia Computadorizada Aspecto clínico Relaxante da região de canino Osteotomia Curetagem para busca e posteriormente remoção com pinça do corpo estranho Lavagem com soro e aspiração Osteoplastia com lima Sutura Não há necessidade de colocar membrana de PRF nesse tamanho (após 60-90 dias a membrana de Schneider vai cicatrizar e neoformar). Se fosse maior, colocaria para não haver envaginação de tecido/epitélio e ajudar na cicatrização e neoformação da membrana de Schneider 212 Nicole Júlia Levandovski CASO CLÍNICO Remoção do corpo estranho pela técnica de Caldwell Luc Paciente portador de fístula buco sinusal, que na tentativa de localização da mesma teve a intrusão de um corpo estranho para o interior do seio maxilar. Identificação da fístula Aspecto clínico Secreção purulenta (seio maxilar está com velamento) Incisão e relaxante com distância Retalho/Descolamento Fístula saudável da fístula (incisar em osso saudável, sem comprometer a fístula) Remoção da fístula Sutura P.O. 15 dias FÍSTULA BUCO SINUSAL Complicação decorrente de um tratamento inadequado de uma comunicação buco sinusal, com epitelização do trajeto entre o seio maxilar e a cavidade bucal (fístula). TRATAMENTO 1. RESTABELECIMENTO DA FISIOLOGIA SINUSAL ATRAVÉS DE FISIOTERAPIA Irrigação do seio maxilar diariamente com SF 0,9% 3x dia (pelo menos 3x, mas quanto mais vezes, melhor) Pelo orifício de entrada da fístula Utilizar sondas uretais, cateteres, pontas hipodérmicas, seringa de aspiração de endodontia (pode ser a metálica) O paciente vai até uma pia, coloca a seringa 20 com soro fisiológico no orifício da fístula, abaixar a cabeça e irrigar. Fisioterapia Sinusal → Irrigação abundante de soro na cavidade sinusal, por tempo indeterminado, com o objetivo de desobstrução do óstio sinusal e refluxo de antiséptico limpo. 213 Nicole Júlia Levandovski 2. FECHAMENTO DA FÍSTULA PELA TÉCNICA DE DUPLO SELAMENTO • Plano profundo • Plano superficial ----- Técnica que sutura primeiro o plano profundo, depois o superficial PLANO PROFUNDO Fistulectomia, debridamento e incisão circular de 2-3mm ao redor da fístula Descolamento do trajeto da fístula Fechamento da fístula (2 pontos onde foi feito a fistulectomia), . Eversão da fístula e sutura do plano superficial PLANO SUPERFICIAL Segue os mesmos princípios e técnicas do fechamento de uma comunicação buco sinusal, porém superficial. 3. FECHAMENTO COM A “BOLA DE BICHAT” CASO CLÍNICO Paciente sexo masculino, 43 anos, apresentando fístula buco sinusal na região do dente 26, tendo sido operado três vezes para tratamento, sem sucesso. Aspecto clínico Incisão Fistulectomia e descolamento Remoção da parte superficial da fístula (duplo selamento não remove nada) Sutura da parte profunda da fístula Eversão da fístula Retalho V Gordura Divulsão Sutura P.O. 7 dias (não é pus, é a P.O. 21 dias descoloração da bola de bichat) 214 Nicole Júlia Levandovski CASO CLÍNICO Paciente sexo masculino, 78 anos apresentando fístulas boco sinusais bilaterais na região dos dentes 16 e 26, sendo tratado cirurgicamente por seis vezes, tendo sempre recidiva da lesão. Fístula lado D Fístula lado E Irrigação Sondagem p/ verificar suporte ósseo Fistulectomia Sutura e eversão do plano profundo Gordura Sutura Fechamento da fístula P.O. 7 dias P.O. 21 dias P.O. 35 dias 4. BIOMATERIAIS Membranas de colágeno, telas, PRF, etc Membranas de colágeno são membranas de leve, média ou rápida reabsorção (quanto maior for o tempode reabsorção, melhor a cicatrização, o ideal é de 40 dias para casos de comunicação). Não podem ficar expostas na cavidade, se não, contamina. Telas de titânio servem para auxiliar o vedamento juntamente ao tecido. Membranas de citoplast não são reabsorvíveis, devem ser removidas em 21 dias e podem ficar expostas na cavidade. Princípio de retenção do coágulo. Não podemos ter certeza se a comunicação será fechada em uma única cirurgia, será tentado ao máximo para que seja fechado, mas pode ser que ocorra de ter uma segunda ou terceira cirurgia. Não é tão simples de se lidar com biomaterial, ele deve ser irrigado com soro para que ele não “enrugue”, deve-se fazer gabarito com a tela de titânio, algumas membranas precisam ser fixadas com taxa ou parafuso, entre outros. 215 Nicole Júlia Levandovski FÍSTULA BUCO NASAL Comunicação entre a cavidade bucal e nasal, epitelizada, tendo tratamento cirúrgico parecido ao da fístula buco sinusal, mas sem serem necessários cuidados específicos em relação a fisiologia Incisão sulcular de pré a pré do lado oposto, descolamento, abaixamento do retalho, suturar a fístula, colocar a membrana de PRF no local da comunicação e voltar o retalho a posição original. Fechamento P.O. 20 dias CISTO MUCOSO | CISTO DE RETENÇÃO DE MUCO | PSEUDOCISTO ANTRAL Tem etiologia provavelmente relacionada à obstrução dos ductos secretores das células calciformes (células produtoras de muco) presente nas paredes dos seios paranasais (especialmente seio maxilar). Trata-se de um achado radiográfico, são na sua maioria assintomáticos, seu aspecto é arredondado/ovalado e não corticalizado. Pode estar envolvendo dente, porém não é um cisto odontogênico, é um cisto mucoso. Convivência normal -- sem indicação de remoção, a não ser que tenha algum episódio de sinusite e pelo tamanho dele, passa a prejudicar a respiração ou provocar impedimento da passagem do óstio. Exame realizado pelo otorrino por vídeo-naso fibroscopia – cânula que entra pela abertura piriforme e passa pela cavidade nasal até chegar na região de orofaringe. Através desse exame é possível fazer a remoção do cisto também. Quando que os dentistas podem intervir/remover? → Quando for fazer um procedimento no seio maxilar de origem odontogênica e o cisto estiver atrapalhando, caso contrário, deve-se encaminhar para o médico otorrino. Não é possível levantar a membrana de Schneider com o cisto presente, ele ocupa muito espaço. A irrigação pode ser feita pela técnica de fisioterapia de lavagem com adstringente nasal previamente a cirurgia. 216 Nicole Júlia Levandovski CASO CLÍNICO Paciente RMB, gênero feminino, apresentando sinusite crônica devido ao dente segundo molar superior comprometido, com tentativa de fechamento com membrana de PRF, para posterior sinusectomia Abertura contralateral e acesso ao seio maxilar (Caldwell-luc), perfurar o cisto com cureta, aspirar (vai sair pus, secreção, devido a sinusite presente – não foi possível debelar totalmente a secreção previamente a cirurgia com antibióticos e irrigação, devido a presença do dente que ainda estava comprometido), remoção do dente, curetagem e depois fazer um “plug” com a membrana de PRF para colocação dentro do alvéolo para ajudar a vedar e segurar o coágulo. Depois é feito a sutura, tracionando o tecido. A membrana pode ficar levemente aparente, mas deve estar bem fechado. Citoplast pode ser utilizado no lugar da membrana de PRF, a diferença é que o citoplast é uma membrana que fica exposta. Após 21 dias ela é removida e o tecido apresenta-se epitelizado SINUSITE AGUDA → Lesão direta com bloqueio óstio S. pneumoniae H. influenzae M. catarrhalis SUBAGUDA → Bactérias aeróbias S. pneumoniae H. influenzae M. catarrhalis CRÔNICA → Bactérias anaeróbias S. aureus Azitromicina ou Amoxicilina + Clavulonato são os antibióticos específicos para sinusite. Se não melhorou ou melhorou muito pouco, deve-se entrar com Levofloxacino. 217 Nicole Júlia Levandovski MEDICAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA ANTIBIÓTICOS Amoxicilina com Clavulonato – 875mg, 12/12h por 10-15 dias Levofloxacino – 500mg de 12/12h ou 750mg 1x ao dia, por 7-10 dias Azitromicina – 500mg ou 1g, 1x ao dia por 3-5 dias (mais indicado p/ pré-operatório)** **Por que quando for intervir em seio maxilar a azitromicina é mais indicado para uso pré-operatório a pós-operatório? Pois a tomada é de até 5 dias e precisa-se de um antibiótico que mesmo depois que opere, ele fique no corpo por mais tempo, o paciente já estaria em uma sinusite crônica ou subaguda prévia, por isso deve-se manter o antibiótico por mais que 5 dias. ANTI-INFLAMATÓRIOS Decadron Biprofenid Nisulid Também pode ser usado o Decadron ou a Predisolona começando no pré-operatório e continua por mais 1 dia no pós- operatório, sem entrar com mais um anti-inflamatório . ANALGÉSICOS Dipirona – 500mg 8/8h ou 1g 12/12h Paracetamol – 750mg 8/8h (não utiliza mais o de 500mg) Toragesic – 10mg 8/8h A dor está mais relacionada a sinusite (dor de cabeça) do que a cirurgia. Pacientes alérgicos, receita-se Toragesic. PROTETOR GÁSTRICO Omeprazol – 20mg, 1x ao dia em jejum Pantroprazol – 20mg, 1x ao dia em jejum Nexium – 40mg, 1x ao dia em jejum O paciente deve aguardar pelo menos 15 minutos após a tomada do protetor gástrico para fazer a primeira refeição do dia. O paciente já deve estar tomando previamente a cirurgia, devido a fisioterapia pré-operatória com medicação antibiótica ou anti-inflamtória. Ele já tomou 10-15 dias de antibiótico e vai ter que tomar por mais 10-15 dias. Por isso é interessante receitar o protetor gástrico. Portanto, o protetor gástrico é indicado quando for intervir com anti-inflamatório ou antibiótico de dosagem longa. DESCONGESTIONANTE NASAL Soro Salsep Nasoclean Rinosoro Todos em formato de spray. Aplicar 2 jatos, 5x ao dia por 15 dias (pré e pós-operatório) CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS Além de todos os outros, não provocar diferenças de pressão entre a cavidade sinusal e a bucal, para manter a integridade do coágulo ou retalhos, evitando: ✓ Assoviar, ✓ Espirrar de boca fechada, ✓ Fumar, ✓ Assoar o nariz, ✓ Mergulhar CONCLUSÃO Prevenção das comunicações através de um bom diagnóstico, avaliação, plano de tratamento Diagnóstico e plano de tratamento Remoção de corpo estranho no mesmo tempo cirúrgico (melhor solução) Fisioterapia sinusal (lavagem com soro) Medicação pós-operatória Cuidados pós-operatórios. 218 Nicole Júlia Levandovski CISTOS INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO É uma cavidade patológica revestida por epitélio, de forma esférica, com conteúdo fluído ou semifluido em seu interior (Shafer, 1985). Os cistos são definidos como cavidades patológicas com conteúdo fluído, semifluido ou gasoso, o qual não seja acúmulo de pus (Kramer, 1974). Conteúdo: punção e aspiração para anatomopatológico. DIAGNÓSTICO Características clínicas, imaginológicas e anatomopatológico ETIOLOGIA O verdadeiro cisto é revestido por epitélio: O epitélio pode ter origem odontogênica (proceder dos restos da lâmina dentária ou do órgão do esmalte), ou então originar-se de restos epiteliais do tecido de cobertura dos processos primitivos, que participam na formação embrionária da face e dos maxilares, os cistos não odontogênicos. Remanescentes epiteliais proliferam formando ilhotas celulares, que por terem nutrição insuficiente, pela distância do tecido conjuntivo, favorecem a degeneração das células centrais, que se liquefazem. Nesse líquido encontramos: alta concentração proteica e cristais de colesterol, o que causa alta pressão osmótica. Mediadores químicos estimulam osteoclastos e enzimas proteolíticas.Um cisto tem uma destruição óssea central e células se liquefazendo; Essas células aumentam a pressão osmótica devido a diferença de concentração “fora X dentro” da membrana (dentro tem concentração de proteínas, cristais de colesterol, células, enzimas proteolíticas, processo de remodelação – maior destruição/maior presença de osteoclastos). O cisto apresenta processo inflamatório crônico – presença de células multinucleadas (células sem núcleo que vão se aglomerando – macrófagos), linfócitos, plasmócitos, mastócitos. No centro do cisto, as células se liquefazem e degeneram e isso favorece uma diferença de concentração de pressão osmótica, fazendo com que as células liquefeitas sejam levadas para o interior da lesão. Os mediadores químicos chegam e estimulam os osteoclastos (células osteolíticas) a destruírem o osso ao redor e isso aumenta o tamanho do cisto. CLASSIFICAÇÃO Odontogênicos: cistos de desenvolvimento e cistos inflamatórios Não Odontogênicos: originam da fusão dos processos ósseos PLANO DE TRATAMENTO DE LESÕES CÍSTICAS Exame clínico e de imagem Punção e aspiração (manobra de semiotécnica) Biópsia (histopatológico) Diagnóstico Planejamento Padrão cirúrgico (ambulatorial ou hospitalar) Técnica cirúrgica (enucleação, marsupialização, micromarsupialização, descompressão) Proservação (cuidado com as recidivas – não é muito comum em cisto, o que pode ter é o queratocisto) PLANEJAMENTO Organização da sequência de tratamento Material necessário Preparo da equipe Documentação (exames, fotografia, “contratualizar – deixar rescrito o que fará no paciente, prototipagem, anatomopatológico Avaliação médica – se necessário Medicação Dia cirúrgico Família (orientações pré e pós) 219 Nicole Júlia Levandovski DIAGNÓSTICO Diagnóstico correto da lesão – HISTOPATOLÓGICO Relato de casos, literatura Hipóteses de diagnóstico Exames complementares (hemograma, coagulograma, glicemia, sorologia) Biópsia ANAMNESE Relato do paciente História da doença atual Antecedentes familiares Documentação jurídica Exame subjetivo EXAME DE IMAGEM Radiografias periapical, oclusal, panorâmica Tomografia 3D, computadorizada Sialografias PUNÇÃO E ASPIRAÇÃO Manobra de semiotécnica Tipo de conteúdo cístico (fluído, semifluido ou vazio) Seringa Luer com agulha de grosso calibre Exame histopatológico Presença de líquido claro amarelado (citrino), rico em colesterol, vasos sanguíneos, células gigantes multinucleadas A aspiração do conteúdo cístico resulta em um líquido de cor palha ou citrino, com pontos brilhantes os quais representam cristais de colesterol BIÓPSIA Importante para o diagnóstico Histopatológico Esclarecer HD Descritivo ou nosológico Incisional ou Excisional (tratamento) PADRÃO DE TRATAMENTO CIRÚRGICO 220 Nicole Júlia Levandovski TÉCNICA CIRÚRGICA Escolha depende: Extensão da lesão Relação com estruturas nobres Evolução da lesão Características clínicas Cooperação e condições sistêmicas do paciente (técnica muito invasiva em paciente debilitado não é a melhor opção) ENUCLEAÇÃO INDICAÇÃO: Remoção total da lesão (lesões pequenas/riscos) Menor que 3cm Cápsula cística Tempo único Preceder tratamento endodôntico Biomaterial (nem sempre necessário) TÉCNICA CIRÚRGICA: Antissepsia intra e extraoral Anestesia Incisão Ostectomia Enucleação (com curetas) Remoção da cápsula Irrigação e aspiração Inspeção da loja óssea (limagem, apoio saudável) Sutura Medicação e recomendações pós-operatórias Material de enxerto (nem sempre necessário) MARSUPIALIZAÇÃO Proposta por Partch em 1892 Lesões maiores que 3cm Objetivo de reduzir o tamanho do cisto (diminuir a pressão interna do cisto) para posterior enucleação Exérese de parte da parte anterior do cisto (histopatológico) Incisão circular na borda da lesão Sutura das bordas da lesão à mucosa bucal Cicatrização por segunda intenção Irrigação com soro, clorexidina 0,12 PVPI no P.O. TÉCNICA CIRÚRGICA Remoção de uma janela de cápsual cística Irrigação e secagem Inspeção da loja óssea Sutura da cápsula na mucosa bucak Preenchimento da cavidade com gaze furacinada ou iodoformada Medicação e recomendações pós-operatórias (irrigações com soro fisiológico diariamente) Remove-se a parede anterior do cisto, sutura a cápsula cística na mucosa do paciente e a lesão ficará aberta por alguns meses (acompanhar a lesão a cada 15 dias radiograficamente). Cicatrização por segunda intenção. MICROMARSUPIALIAZAÇÃO Pacientes pediátricos ou adultos com comprometimento sistêmico Mucocele e rânula Desvantagem: Impede anatomopatológico devido a não remoção da cápsula cística 221 Nicole Júlia Levandovski Criar pequenos orifícios na cavidade cística, través da sutura DESCOMPRESSÃO Introduzir dispositivo de drenagem objetivando diminuir volume da lesão Cirurgia em dois tempos cirúrgicos Acompanhar para enucleação do cisto (RX) Dispositivos estéreis (tubete de anestésico de plástico, tampa de borracha, mangueiras) Períodos longos (30 dias) Irrigação com soro diariamente Odor e gosto desagradável Evolução RX PROSERVAÇÃO Diagnóstico inicial Tempo de acompanhamento Técnica escolhida no tratamento Prognóstico favorável Recidiva ORIENTAÇÕES P.O. Alimentação, repouso, higienização Medicação pré, intra e pós-operatória Suspensão medicamentosa (orientação médica sempre) Acompanhante Retornos Irrigação e mobilização do dreno _________________________________________________________________________________________________________ CLASSIFICAÇÃO Cisto de desenvolvimento ODONTOGÊNICOS Cisto inflamatórios NÃO ODONTOGÊNICOS 222 Nicole Júlia Levandovski ODONTOGÊNICOS: Resultantes da proliferação de restos epiteliais associados a formação dental. Esse epitélio compreende a lâmina dentária, orgão de esmalte e bainha de Hertwig. A maioria dos cistos são limitados por epitélio que se origina do epitélio odontogênico. CISTOS DE DESENVOVIMENTO Cisto Dentígero Cisto de Erupção Cisto Gengival Recém-nascido Cisto Gengival do Adulto Cisto Periodontal Lateral Cisto Botrióide Cisto Odontogênico Calcificante ou de Gorlin (2017) Queratocisto Odontogênico (2017) Cisto Odontogênico glandular Cisto Odontogênico Ortoqueratinizado CISTO DENTÍGERO Relacionado a coroa de dente não erupcionado (3° molar inf, 3° molar sup, canino sup, 2° pré-molar inf) Aderido a junção esmalte-cemento Raramente envolve decíduo não erupcionado Origem epitélio reduzido do órgão do esmalte É o segundo cisto mais comum Entre 2° e 4° década de vida Pequeno (assintomático) Grande (expansão óssea e dor) Radiograficamente: geralmente unilocular, área radiolúcida, associado a coroa de dente não erupcionado, pode causar reabsorção e afastar dente. São achados radiográficos. Diagnóstico diferencial: Histológico Rara recidiva (mas quando ocorre, associado a não remoção ou remoção incompleta da cápsula cística) 50% reabsorção dentária TRATAMENTO Enucleação ou Marsupialização e exodontia dentária (quando não for possível a erupção) CISTO DE ERUPÇÃO Tumefação de tecido mole na mucosa gengival cobrindo a coroa de um dente decíduo ou permanente erupcionando – “dentígero em tecido mole” Lesão extraóssea Acúmulo de exsudato ou hemorrágico (também conhecido por “hematoma de erupção”) Mais comum em menor de 10 anos TRATAMENTO Excisão total, ulectomia (incisão e remoção do tecido para expor a coroa do dente) 223 Nicole Júlia Levandovski CISTO GENGIVAL DO RECÉM-NASCIDO Pequenosnódulos esbranquiçados no rebordo Até os 3 meses de idade Medem de 2-3mm Origem lise da Lâmina dentária (Serres) 80% dos recém-nascidos “Cistos de Inclusão” TRATAMENTO Não há tratamento, o rompimento é espontâneo Lateralmente ao palato Na rafe palatina QUERATOCISTO Derivado da lâmina dura Representa 5 a 17% de todos os cistos maxilares Maior índice de recidiva 22 a 60% Aparece em crianças e adultos (10 a 40 anos) Maior frequência em homens Mandíbula (75 a 80%) Região 3° molar e ramo da mandíbula (40%) Expansão cortical Menos comum reabsorção dentária Pode ser assintomático ou causar dor e infecção (depende do tamanho) Na aspiração (semiotécnica) conteúdo espesso, cremoso e amarelado (queratina). Epitélio pavimentoso queratinizado Imagem radiolúcida Uni ou multilocular Muito relacionado a síndrome de Gorlin Goltz Agressivo e recidivante – quase 60% dos casos (parede delgada friável) Proservar até 5 a 10 anos TRATAMENTO Ressecção cirúrgica com margem de segurança, solução de carnoy (cloreto de ferro + álcool absoluto + clorofórmio + ácido acético), nitrogênio líquido (crioterapia) _________________________________________________________________________________________________________ CISTOS INFLAMATÓRIOS Cisto periapical/radicular Cisto residual Cisto paradental – região retromolar Cisto da bifurcação vestibular – vestibular do 1° molar inferior (furca) Cistos colaterais foram divididos em paradentário e cisto de bifurcação vestibular – 2017 224 Nicole Júlia Levandovski CISTO PERIAPICAL/RADICULAR Mais comum dos cistos (65%) Origem de processos inflamatórios Normalmente se origina de um granuloma Dentes sem vitalidade (necrose pulpar) Área radiolúcida associada ao ápice dental com halo radiopaco Assintomático exceto quando infectado Grandes proporções promovem mobilidade dentária/reabsorção Rompimento da lâmina dura Exodontia quando impossibilitado de realizar endodontia Enucleação ou Marsupialização Biópsia Pode ocorrer em decíduos Histologicamente: presença de infiltrado de células inflamatórias (L/P/M) TRATAMENTO Avaliar possibilidades Cárie, trauma, doença periodontal → Morte da polpa dental → Inflamação óssea apical → Formação do granuloma dental → Formação do cisto periapical CISTO RESIDUAL Surge após a manutenção de um processo patológico apical após a exodontia Lesão radiolúcida Forma oval e circular TRATAMENTO Marsupialização e depois enucleação (dentista não curetou ou fez curetagem apical de forma incorreta, deixando um pouco de cápsula cística ainda) CISTOS NÃO ODONTOGÊNICOS São cistos de desenvolvimento oriundos da fusão dos ossos ou processos embrionários dos maxilares Cistos do ducto nasopalatino ou do canal incisivo Cisto nasolabial Cisto glóbulo-maxilar (IL e CS) “pera invertida” (processo nasal com o maxilar) Cisto mediano Cisto dermóide (Teratoma – lesões de anexos cutâneos – pelo, unha, gls sebáceas) e epidermóide 225 Nicole Júlia Levandovski CISTO DO DUCTO NASOPALATINO (CANAL INCISIVO) Etiologia duvidosa Trauma, infecção do ducto, retenção glândula salivar menor Aumento volumétrico região anterior palato Dor e drenagem Lesão radiolúcida entre I.C.S. próximo ao ápice causando divergência Forma de coração ou ovoide bem delimitada Mais comum aos 40/60 anos de vida Mais comum dos não odontogênicos Anestesia no alveolar superoanterior com infiltrativa nas papilas. Incisão sulcular sem relaxante. CISTO NASOLABIAL Tumefação do lábio superior lateralmente a linha média levantando a asa do nariz Assintomático Mais comum em mulher 40/50 anos Sem evidência radiográfica Tecido mole Raro TRATAMENTO Excisão cirúrgica CISTO DAS GLANDULAS SALIVARES Mucocele Rânula São cistos de retenção 226 Nicole Júlia Levandovski Casos Clínicos ENUCLEAÇÃO DE CISTO PERIAPICAL Incisão sulcular Descolamento Remoção da cápsula (encosta em Limagem osso e vai descolando a cápsula) Irrigação com soro Coaptação dos bordos ENUCLEAÇÃO DE CISTO RADICULAR Aspiração Incisão sulcular Relaxante Lesão exposta Abertura da loja cirúrgica 227 Nicole Júlia Levandovski CISTO PERIAPICAL Incisão abaixo da linha mucogengival Acesso a lesão Remoção da cápsula cística e curetagem Apicectomia Sutura com fio absorvível ou seda (Evitar nylon para não causar úlcera traumática) ENUCLEAÇÃO DE MUCOCELE Incisão elíptica Remoção das gls salivares que Não utilizar fio de nylon aparecem no leito cirúrgico 228 Nicole Júlia Levandovski MARSUPIALIZAÇÃO DE RÂNULA Remoção da parede anterior Sutura da cápsula ENUCLEAÇÃO DE CISTO EPIDERMOIDE Incisão elíptica p/ facilitar a aproximação dos bordos CISTO NASOPALATINO Incisão sulcular e Remoção da lesão 229 Nicole Júlia Levandovski QUERATOCISTO Líquido citrino Envio ao anatomopatológico (líquido citrino na seringa e queratocisto) CISTO DENTÍGERO 1 Acesso tipo caldwell-luc Osteotomia com Piezo (ele não rompe membrana) Piezo cirúrgico opera com vibração, Remoção da cápsula ele apoia em osso e corta através de vibração ultrassônica 230 Nicole Júlia Levandovski Remoção do dente que gerou o cisto Placa de reconstrução rígida PLA reabsorvível Moldagem da placa pelo aquecimento e parafusos de fixação por aquecimento CISTO DENTÍGERO 2 Dente decíduo comprometido Via de acesso ao cisto Marsupialização Pode deixar aberto ao invés de suturar Fechamento por segunda intenção 231 Nicole Júlia Levandovski CISTO DENTÍGERO 3 Remoção do dente decíduo Marsupialização - Lesão aberta Sutura Acompanhamento radiográfico 232 Nicole Júlia Levandovski DISFUNÇÃO DA ATM INTRODUÇÃO Quando nos referimos ao tratamento da ATM, não há um específico. Também não temos um parâmetro de idade, pode ir dos 18 aos 78. ATM: Articulação sinovial, responsável pelos movimentos da mandíbula, é uma das articulações mais complexas do corpo humano. Apresenta-se bilateralmente, promovendo a articulação entre a mandíbula e o crânio. É o conjunto de estruturasanatômicas que, com a participação de grupos musculares especiais, possibilita que a mandíbula execute vários movimentos durante a mastigação. Fisiologicamente, as ATMS são articulações sujeitas a uma dinâmica intensa, influenciada pela função muscular, pelo metabolismo ósseos e pela oclusão dos dentes. DTM: Grupo de condições patológicas clinicamente distintas que incluem alterações na musculatura mastigatória, na articulação temporomandibular ou em ambas, afetando a saúde do sistema estomatognático como um todo, através de sinais e sintomas que imitam e incapacitam as atividades fisiológicas. Um conjunto de fatores, como hábitos parafuncionais, alterações hormonais, severas maloclusões, traumas locais e alterações sitêmicas que levam ao desenvolvimento de alterações degenerativas articulares, como a artrite raumatoide e a fibromialgia (neves,úrsula 2019). Capsulite, muscular, anquilose, fratura, mialgia centralmente mediada, deslocamento da ATM, dor miofascial, articular, descolamento do disco, mialgia local, mioespasmo, retrodiscite. Através dos sinais, sintomas e exames complementares, deve-se definir e classificar a desordem em relação a sua origem: muscular ou articular. Etiologia: Alterações oclusais, lesões traumáticas ou degenerativa ATM, problemas esqueléticos, fatores psicológicos, hábitos deletérios MORFOLOGIA OSSO TEMPORAL Fossa mandibular Eminência articular (Cavidade glenóide) 233 Nicole Júlia Levandovski MANDÍBULA Processo condilar: cabeça e colo da mandíbula Processo coronoide DISCO ARTICULAR Regulariza discrepâncias anatômicas Absorve choque Permite a movimentação suave da ATM Não possui capacidade regenerativa Presença do líquido sinovial Permite amplos movimentos da mandíbula em torno de um osso fixo (Temporal) Porção anterior: banda anterior, central e posterior Porção posterior: zona bilaminar Líquido sinovial serve para amortecimento, volume e lubrificação para movimentação suave da ATM LIGAMENTOS PRÓPRIOS Ligamento Temporo Mandibular Lateral Evita o deslocamento da mandíbula para baixo Ligamento Temporo Mandibular Medial Evita o deslocamento da mandíbula para trás 234 Nicole Júlia Levandovski LIGAMENTOS ACESSÓRIOS Ligamento Esfenomandibular Trajeto: espinha osso esfenoide à lingula da mandíbula Ligamento Estilomandibular Trajeto: processo estiloide ao ângulo mandíbula Ligamento Temporomandibular (ou Lateral) Trajeto: hámulo pterigoide ao triangulo retromolar SISTEMA VASCULAR SANGUÍNEO Arterial → Ramos da artéria temporal superficial e maxilar Venoso → Veia retromandibular SISTEMA NERVOSO Ramos do Nervo Mandibular Nervo Aurículo Temporal Nervo Temporal Profundo Nervo Massetérico Nervo Pterigoideo Lateral Quando é feita incisão, faz de 3cm a frente do pavilhão auditivo para fugir do nervo auriculotemporal. 235 Nicole Júlia Levandovski DINÂMICA E BIOMECÂNICA Em movimento normal, o disco não ultrapassa a eminência articular. Caso o disco anteriorize, há o contato direto do côndilo com a cavidade glenóide, cujo apresenta estruturas nervosas, vasos e haverá dor As forças biomecânicas que controlam a posição do disco incluem a tensão dos ligamentos posteriores, a tração e/ou o relaxamento do pterigóideo lateral superior, o próprio movimento mandibular e as pressões internas. Molina apud Favero, 1999 TIPOS DE MOVIMENTOS Movimento depende da ação dos músculos da mastigação OCLUSÃO é o contato dos dentes da arcada superior com a arcada inferior PROTUSÃO é um movimento dianteiro (para frente) da mandíbula RETRUSÃO é um movimento de retrair (para trás) da mandíbula Rotação (como todas as articulações) Translação: Movimentos próprios para cada lado, porém simultâneos Fechamento da Boca Músculos: masseter, temporal, pterigoideo medial e lateral Protrusão da mandíbula Músculos: Porção inferior do pterigoideo lateral, pterigoideo medial, masseter, porção anterior temporal Retrusão da mandíbula Músculos: Porção posterior do temporal Lateralidade Músculos: Pterigoideo lateral lado oposto Contralateral Músculos: Masseter, pterigoideo medial e lateral inferior MÚSCULOS DA ATM 236 Nicole Júlia Levandovski MÚSCULO TEMPORAL ORIGEM: Face externa do temporal INSERÇÃO: Processo coronoide da mandíbula e face anterior do ramo mandibular AÇÃO: Elevação (oclusão) e retrusão mandíbula MÚSCULO MASSETER ORIGEM: Arco zigomático INSERÇÃO: Superficial - ângulo e ramo da mandíbula Profundo - ramo e processo coronoide da mandíbula AÇÃO: Elevação (oclusão) da mandíbula MÚSCULO PTERIGOIDEO MEDIAL ORIGEM: Face medial da lâmina lateral do processo pterigoideo do osso esfenoide INSERÇÃO: Face medial do ramo e ângulo mandibular AÇÃO: Elevação (oclusão) da mandíbula MÚSCULO PTERIGOIDEO LATERAL ORIGEM: Cabeça Superior - asa maior do esfenoide Cabeça Inferior - face lateral da lâmina lateral do processo pterigoide do osso esfenoide INSERÇÃO: Cabeça Superior: face anterior disco articular Cabeça Inferior: côndilo da mandíbula AÇÃO: Abertura de boca e Protrusão da mandíbula ETIOLOGIA Má Oclusão Hábitos Parafuncionais (ex. bruxismo) Traumas Doenças Sistêmicas (ex. artrite reumatoide) Fatores Locais (ex. perda dentária, desgaste, restauração) QUEIXAS PRINCIPAIS Dor Disfunção Ruídos Articulares Distúrbios Otológicos (zumbido) Tonturas / Vertigens (às vezes isso é sinal de labirintite e não DTM, deve-se perguntar se já foi ao otorrino) Cansaço Muscular TRIGGER POINTS São nódulos contraídos, em bandas musculares tensas, de 2 a 5mm de diâmetro, que podem ser encontrados nos músculos e fáscias. Os pontos de gatilho podem estar latentes ou ativos. Quando estão latentes, não provocam dor espontânea, apenas quando manipulados. Quando ativos, provocam um padrão de dor referida quando fazemos uma digitopressão, o indivíduo sente dor em outro local (dor referida). IMAGEM 1 237 Nicole Júlia Levandovski O músculo masseter geralmente refere a dor à área do seio superior e da mandíbula e os dentes molares superior e inferior. Muitas vezes, é feito um diagnóstico incorreto de sinusite ou dor do dente molar. A dor também é referida ao ouvido e à ATM. IMAGEM 2 Os pontos de gatilho A, B e C ocorrem na ligação do músculo ao tendão e referem dor à parte dos dentes superiores e são mais frequentemente associados a dores de cabeça do tipo tensão no temporal e dor de dentes superiores. Pontos-gatilho nos músculos temporais são muito comuns em pacientes com DTM e com dor facial. IMAGEM 3 DIAGNÓSTICO Nunca inicie um tratamento sem diagnóstico definido • História Doença Atual • História Médica • História Odontológica • História Psicossocial • Exame Físico • Exames Complementar HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL ❖ Início e progressão ❖ Localização ❖ Qualidade (dor piora de manhã, de tarde?) ❖ Comportamento ❖ Duração ❖ Intensidade ❖ Fatores agravantes ❖ Resultado de tratamento Prévios HISTÓRIA MÉDICA ❖ Desordens ou doenças relevantes atuais ou preexistentes ❖ Tratamentos prévios, cirurgias e hospitalizações ❖ Traumatismos cranianos ou faciais ❖ Uso de medicações ❖ Alergias ❖ Uso de drogas HISTÓRIA ODONTOLÓGICA ❖ Desordens ou doenças relevantes atuais ou preexistentes ❖ Tratamento prévio específico para a queixa principal ❖ Hábitos parafuncionais ❖ Tratamentos recentes HISTÓRIA PSICOSSOCIAL ❖ Análise social, comportamental, psicológica, ocupacional, recreativa e familiar ❖ Litígios, incapacidades, frustrações e dificuldades 238 Nicole Júlia Levandovski EXAME FÍSICO ❖ Inspeção geral da cabeça e pescoço Observar simetria, tamanho, forma, movimentos e posturasnão usuais. Palpar gânglios. ❖ Avaliação dos músculos da mastigação Apalpar digitalmente os músculos da mastigação e região cervical Localizar pontos álgicos e gatilho Realizar manipulação funcional Avaliar a qualidade dos movimentos mandibulares ❖ Avaliação da ATM Apalpar digitalmente a ATM Auscultar os ruídos articulares Analisar a máxima distância interincisal Avaliar a qualidade dos movimentos mandibulares ❖ Avaliação intrabucal Condição geral dos tecidos moles e duros da boca Análise estática e dinâmica da oclusão Presença de sinais sugestivos de hábitos parafuncionais Desgaste ponta de cúspide Linha de mordida Desgaste incisal Exercícios para o Trismo 239 Nicole Júlia Levandovski ❖ Avaliação multidisciplinar Neurologia Clínica Médica Otorrinolaringologia Oftalmologia Psiquiatria Fonoaudiologia Nutrição EXAMES COMPLEMENTARES ❖ Modelos de estudo (avaliar movimentos da mandíbula) ❖ Radiografia panorâmica (avaliar simetria do côndilo) ❖ Radiografia de atm (posicionamento e repouso do côndilo) Artroscopia (observar ATM) ❖ Eletromiografia Agulhamento da musculatura da face p/ reproduzir os movimentos e avaliar os mais e menos intensos Geralmente é usado em último caso pois é um exame dolorido ❖ Tomografia linear (contorno e excursão do côndilo) Tomografia computadorizada 3D (avaliar anatomia) ❖ Tomografia computadorizada Ressonância magnética (avaliar disco) 240 Nicole Júlia Levandovski DISFUNÇÃO TEMPORO-MANDIBULAR Conceito: Alterações patológicas articulares e musculares da face e pescoço Espasmos Musculares → Desequilíbrio da articulação → Dor TIPOS DE PATOLOGIAS -- MUSCULAR OU ARTICULAR SÍNDROME DA DOR E DISFUNÇÃO MIOFACIAL São as causas mais comuns de dores de cabeça e pescoço Fatores psicosociais (emocionais) Hábitos parafuncionais Alterações de posicionamento dentário Falta de elementos dentários Problemas com restaurações e próteses mal adaptadas PATOLOGIAS DA ATM Segunda causa mais comum de dores na região de cabeça e pescoço Geralmente associado a saltos, estalidos e crepitação da atm ➔ Intra articular Ocorrem quando o disco articular desloca-se de posição anatômica. Podem ser acompanhados de estalidos ou ruídos ao abrir e fechar a boca, travamentos no maxilar, dor à movimentação, além de outros sintomas Deslocamento do disco articular Luxação do disco articular (com e sem redução) Tumores Anquilose DESORDENS MAIS FREQUENTES • LUXAÇÃO ATM Abertura máxima da boca que resulta em deslocamento do processo condilar para fora da cavidade glenoide, de forma a se posicionar sobre a face anterior da eminência articular. Se difere da subluxação devido ao fato de não ser auto-redutível, havendo a necessidade de redução manual do côndilo deslocado para a cavidade glenoide. Paciente não consegue fechar a boca, tem estiramento muscular, dor na região, começa a babar devido a dificuldade de deglutir. Pode levar horas para recuperar, deve-se fazer a redução manual • SUBLUXAÇÃO ATM Entende-se por subluxação da ATM um movimento súbito do côndilo para frente durante o último estágio da abertura. Refere-se ao deslocamento auto-redutivel do côndilo mandibular anteriormente à eminência articular. O paciente consegue reduzir sozinho com o próprio movimento da mandíbula. Pode acontecer em casos que o paciente fique muito tempo com a boca aberta (isolamento absoluto, exodontias) • DESLOCAMENTO DO DISCO ARTICULAR Desarranjo interno da ATM em que ocorre relacionamento anormal do disco articular com o côndilo, a fossa glenóide e a eminência articular. Podem ser de dois tipos: • Deslocamento com redução • Deslocamento sem redução Com redução Sem redução 241 Nicole Júlia Levandovski • CAPSULITE DA ATM É uma inflamação da camada fibrosa externa da cápsula articular. Não é possível diferenciar essa patologia da sinovite, pois os sintomas são parecidos e clinicamente apresentam o mesmo tratamento conservador. • SINOVITE DA ATM É a inflamação da membrana sinovial (fina camada de tecido conjuntivo que reveste a parte interior da articulação). Esta membrana é responsável por produzir o líquido sinovial (gel viscoso e transparente que tem função lubrificante, imunológica e de defesa). • ARTROSE DA ATM É uma desordem degenerativa, não inflamatória da articulação, que afeta os tecidos articulares e o osso subcondral. Pode chegar a anquilose. • LUXAÇÃO DO CÔNDILO Luxação é a perda total ou parcial do contato entre duas superfícies articulares. Podendo ser unilateral ou bilateral. DIAGNÓSTICO DA LUXAÇÃO DO CÔNDILO Através da palpação, verificar se o côndilo está ausente da fossa articular e há dor na região ATM comprometida, principalmente devido ao espasmo muscular TRATAMENTO CONSERVADOR – Manipulação (normal, tração elástica, abaixadores de língua, rolhas de cortiça) NORMAL: O Paciente sentado e encostado com a cabeça na parede Polegares nos molares Força para baixo e para trás simultâneo Força para cima os próprios ligamentos e músculos já irão fazer Pode fazer o uso de ansiolíticos ou relaxantes musculares para facilitar na redução 242 Nicole Júlia Levandovski TRATAMENTO INICIAL Serve para desordens de origem muscular MEDICAMENTOS Antinflamatórios Relaxantes Musculares Antidepressivos RESTRIÇÃO DA DIETA Evitar alimentos duros Não fazer uso de chicletes FISIOTERAPIA Calor úmido (penetrante) Compressa, bolsa de água quente nas regiões musculares de mastigação e pescoço Ultrassom Limitar abertura de boca Tens “choquinhos” na região posterior de pescoço e ombro Exercícios musculares (abertura de boca, alongamento dos músculos – fisioterapeuta responsável por fazer isso) Laser Tapin (fisioterapeuta que faz) Acupuntura Botox MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO Estresse Crise de choro Instabilidade emocional Doença depressiva AJUSTE OCLUSAL Desgaste ou má posição dental Ausência de dentes ou dentes retidos Contato prematuro de restaurações Próteses mal adaptadas 243 Nicole Júlia Levandovski PLACAS MIORELAXANTES Uso diurno Uso noturno Com ou sem plano de mordida Com ou sem guia canina Reposicionamento Deve-se visar o contato dos dentes posteriores bilateral, principalmente. Sem toque anterior (se for uma placa que não tiver guia canino). Se o paciente volta com pontos de contato de canino, pré e molar ele está curado. Por que deve-se usar placa de acrílico ao invés de placa de acetato? Pois a placa de acetato (mesmo a mais grossa) não fornece ajuste e também é maleável – isso estimula mais ainda o paciente que faz apertamento dental, porque o paciente aperta e ela empurra de volta (igual morder uma borracha). Depois da primeira semana de uso da placa, a mandíbula irá se acostumar com aquele posicionamento e as dores irão voltar iguais estavam antes da colocação da placa. Pede para o paciente morder para visualizar o toque dos dentes. Desgasta toque anterior. AJUSTE DA PLACA: Semanal (melhor posicionamento da mandíbula) – o paciente deve sair do consultório com, pelo menos, dois contatos posteriores bilateral e sem contato anterior (ou suave) Quinzenal (depois que o paciente volta com os contatos em pré e molar bilateral, sem contato anterior/contato suave) Com o ajuste da placa o objetivo é adquirir a estabilidade posterior (mínimo