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Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 Pancreatite Anatomia O pâncreas é não só um órgão acessório e glândula exócrina do sistema digestivo como também uma glândula endócrina produtora de hormonas. Um funcionamento desregulado e excessivo pode resultar na sua autodigestão, enquanto que a insuficiência pode levar ao coma. O pâncreas é um órgão alongado que se localiza obliquamente na parede abdominal posterior, ao nível dos corpos vertebrais de L1 e L2. Pensando num contexto clínico, a sua posição oblíqua faz com que seja impossível de o visualizar, na totalidade, usando apenas uma secção transversal. Este órgão parenquimatoso está dividido em cinco partes anatómicas: a cabeça, a apófise unciforme, o colo, o corpo e a cauda. 🠖 Ducto Pancreático Atravessando todo o parênquima pancreático, desde a cauda até à cabeça, encontra-se o ducto pancreático principal (de Wirsung). Ele junta-se ao ducto biliar na cabeça do pâncreas para formar o ducto hepatopancreático, também conhecido como ampola de Vater. Este ducto desemboca na parte descendente do duodeno através da papila duodenal maior. O fluxo através da ampola de Vater é controlado por um esfíncter muscular liso, chamado esfíncter de Oddi (hepatopancreático). Ele também previne o refluxo de conteúdo duodenal para o ducto hepatopancreático. As partes terminais dos ductos pancreático principal e biliar também têm esfíncteres, que desempenham um papel importante no controlo do fluxo dos fluidos pancreático e biliar. 🠖 Função A sua função exócrina inclui a síntese e libertação de enzimas digestivas para o duodeno, no intestino delgado. A sua função endócrina envolve a libertação de insulina e glucagon (produzido pelas células alfa - aumenta o açúcar no sangue) para a corrente sanguínea. Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 Estas glândulas endócrinas secretam hormonas diretamente para a corrente sanguínea e possuem três tipos celulares principais: alfa, beta e delta. Resumidamente, as células alfa libertam glucagon, as células beta secretam insulina e as células delta produzem somatostatina. Fisiologia da secreção das enzimas pancreáticas: A presença de peptídeos e ácidos graxos dos alimentos desencadeia a liberação de CCK. A CCK induz a liberação de enzimas pancreáticas para o lúmen duodenal. Em contraposição, as células S localizadas no duodeno liberam secretina em resposta à acidificação do duodeno. A secretina induz a secreção de HCO3 − das células pancreáticas para o duodeno. 🠖 Vasos Sanguíneos PANCREATITE A pancreatite é uma doença inflamatória não bacteriana comum causada por ativação, liberação intersticial e autodigestão do pâncreas por suas próprias enzimas. O processo pode ou não ser acompanhado por alterações morfológicas e funcionais permanentes na glândula. Doença inflamatória da glândula pancreática clinicamente caracterizada por dor abdominal, náuseas e vômitos. O processo inflamatório se inicia pela lesão das células acinares (enzimas) e ativação prematura das enzimas digestivas no interior da glândula. Na pancreatite aguda, há dor súbita no abdome superior, náusea e vômitos e aumento da amilase sérica. A pancreatite crônica caracteriza-se por dor crônica, calcificação pancreática identificada no exame radiográfico e insuficiência exócrina (esteatorreia) ou endócrina (diabetes melito). Crises de pancreatite aguda frequentemente ocorrem em pacientes com pancreatite crônica. A pancreatite aguda recidivante é definida como múltiplas crises de pancreatite sem fibrose pancreática permanente, um quadro na maioria das vezes associado à pancreatite biliar. A pancreatite alcoólica frequentemente se comporta dessa maneira. O termo “pancreatite subaguda” também tem sido usado por alguns, referindo-se às crises agudas menores que costumam aparecer tardiamente na pancreatite alcoólica. Pancreatite Aguda Leve: Restrita ao pâncreas (80 a 90% dos casos). Sinais e sintomas são de início abrupto. Pancreatite Aguda Grave: Tecidos peripancreáticos (enzimas complicações, pseudocistos e abcessos) podendo ser mais grave e levar a falência múltipla. Ocorre em 10 a 20% dos casos. RANSON > ou = 3, APACHE > ou = 8, GLASGOW > ou = 3. Pode agudizar mas o paciente já teve os sinais e sintomas agudos 🠖 Etiologia Em sua maioria, os casos de pancreatite são causados por cálculos biliares ou por alcoolismo; poucos são causados por hipercalcemia, traumatismo, hiperlipidemia e predisposição genética; e os restantes são considerados idiopáticos. ⚬ Pancreatite Biliar - Mais comum Cerca de 40% dos casos de pancreatite estão associados à litíase biliar, que, se não tratada, geralmente causará outras crises agudas. Por razões desconhecidas, mesmo crises repetidas de pancreatite biliar aguda raramente produzem pancreatite crônica. A erradicação da doença biliar quase sempre previne pancreatite recorrente. O mecanismo etiológico provavelmente é obstrução Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 transitória da ampola de Vater e do ducto pancreático por cálculo. A coledocolitíase é encontrada em apenas 25% dos casos, mas como cerca de 90% dos pacientes excretam um cálculo nas fezes nos 10 dias seguintes a uma crise aguda, presume-se que a maioria das crises seja causada por cálculo ou lama biliar passando pelo ducto comum e pela ampola de Vater. Na coledocolitíase obstrui o canal principal do pâncreas. Cálculos maiores ficam dentro da vesícula, os menores podem migrar e cair no colédoco e pode obstruir os ductos que saem do pâncreas e causar uma pancreatite. Teoria da obstrução é mais aceita do que a do refluxo. ⚬ Pancreatite Alcoólica - Segunda causa O mais comum é que 6 anos ou mais de consumo excessivo de álcool precedam a crise inicial de pancreatite e, mesmo nas primeiras manifestações clínicas, é possível detectar sinais de pancreatite crônica, caso a glândula seja examinada ao microscópio. Assim, com frequência, a pancreatite alcoólica é considerada sinônimo de pancreatite crônica, independentemente das manifestações clínicas. ⚬ Hipercalcemia Hiperparatireoidismo e outras doenças acompanhadas por hipercalcemia ocasionalmente são complicadas por pancreatite aguda. Com o passar do tempo, surgem pancreatite crônica e cálculos ductais. O aumento na concentração de cálcio no suco pancreático resultante da hipercalcemia pode ativar prematuramente as proteases. Também pode facilitar a precipitação dos cálculos nos ductos. ⚬ Hiperlipidemia Em alguns pacientes – especialmente nos alcoolistas – a hiperlipidemia ocorre transitoriamente durante crises de pancreatite aguda; em outros, com hiperlipidemia primária (especialmente naqueles com elevação de quilomicra e das lipoproteínas de densidade muito baixa), a pancreatite parece ser consequência direta de anormalidades metabólicas. Em geral, a hiperlipidemia durante a crise de pancreatite aguda está associada a níveis séricos normais de amilase, porque o lipídio interfere com a determinação química dessa enzima; o débito urinário da amilase ainda pode estar alto. Se houver uma anormalidade lipídica primária, o controle da dieta reduz a chance de crises adicionais de pancreatite assim como de outras complicações. Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 ⚬ Pancreatite familiar Neste quadro, as crises de dor abdominal geralmente se iniciam na infância. Algumas famílias afetadas também apresentam aminoacidúria, mas esse não é um achado universal. Diabetes melito e esteatorreia são incomuns. Finalmente ocorre pancreatite calcificada crônica na maioria dos pacientes e muitos passam a ser candidatos a tratamento cirúrgico de dor crônica. O carcinoma pancreático é mais frequente nos pacientescom pancreatite familiar. ⚬ Pancreatite induzida por medicamentos/drogas - Terceira causa Provavelmente, medicamentos são responsáveis por mais casos de pancreatite aguda do que, em geral, se suspeita. Os medicamentos mais comumente responsabilizados são corticosteroides, contraceptivos contendo estrógeno, azatioprina, diuréticos tiazídicos e tetraciclinas. A pancreatite associada ao uso de estrógenos geralmente é resultado de hipertrigliceridemia induzida pelo medicamento. Os mecanismos envolvidos nos demais medicamentos são desconhecidos. ⚬ Pancreatite idiopática e outras causas Em cerca de 15% dos pacientes, o que representa o terceiro maior grupo depois das pancreatites biliar e alcóolica, não se encontra qualquer causa para a doença. Quando se investiga além dos detalhes habituais, verifica-se que muitos desses pacientes são portadores de cálculos biliares ou de lama biliar não detectados por ultrassonografia. Infecções virais e picadas de escorpião podem causar pancreatite. 🠖 Patogênese Ponto crítico inicial do processo é o tripsinogênio ser ativado em tripsina e assim ele ativa outras proteases ainda no interior do órgão. Essas enzimas ativadas vão ser responsáveis pela injúria e morte celular (autodigestão). As alterações anatômicas da pancreatite aguda sugerem seguramente uma autodigestão do tecido pancreático por enzimas pancreáticas ativadas inapropriadamente. As enzimas pancreáticas, incluindo a tripsina, são sintetizadas na forma de pró-enzimas inativas. Se a tripsina for inapropriadamente ativada, ela pode ativar outras pró-enzimas como pró- fosfolipase e a pró-elastase, que depois de ativadas, degradam células adiposas e danificam as fibras elásticas dos vasos sanguíneos, respectivamente. A tripsina também converte a pré-calicreína na sua forma ativada, atraindo o sistema quinina pela ativação do fator de Hageman (fator XII) como os sistemas complemento e de coagulação. Desta forma há uma elevação da inflamação e trombose de pequenos vasos (que pode levar à congestão e ruptura e de quase todos os vasos já fragilizados). Sendo assim, a inapropriada ativação do tripsinogênio é um importante fator no desencadeamento da pancreatite aguda. A autodigestão pancreática não ocorre em condições normais, pois existem mecanismos protetores. Os mecanismos pelos quais a ativação das enzimas pancreáticas é iniciada não estão totalmente esclarecidos, mas há evidências de três eventos possíveis: 1. Obstrução dos ductos pancreáticos Cálculos ou lamas biliares impactados na região da ampola de Vater pode elevar a pressão nos ductos intrapancreáticos levando a um acúmulo intersticial de fluidos ricos em enzimas. Visto que a lipase é uma das poucas enzimas secretadas em sua forma ativa, ela pode provocar uma necrose gordurosa local. Em seguida, os tecidos lesados, os miofibroblastos periacinares e os leucócitos, liberam citocinas pró- inflamatórias incluindo IL-1β, IL-6, fator de necrose tumoral, fator ativador plaquetário e substância P, iniciando uma inflamação local e promovendo o desenvolvimento de um edema intersticial através do extravasamento da microvasculatura. O edema pode ainda comprometer o fluxo sanguíneo local, causando insuficiência vascular e lesões isquêmicas nas células acinares. 2. Lesão primária das células acinares. Este mecanismo está mais evidentemente envolvido na patogenia da pancreatite aguda causada por alguns vírus (p. ex., da caxumba), drogas, por trauma direto no pâncreas, como na pancreatite após isquemia ou choque. Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 3. Transporte intracelular defeituoso de pró-enzimas dentro das células acinares Em células acinares normais, as enzimas digestivas e as hidrolases lisossomais são transportadas em diferentes percursos. Em modelos animais de lesões acinares, as enzimas pancreáticas são indevidamente liberadas no compartimento intracelular contendo hidrolases lisossomais. As pró-enzimas são então ativadas, os lisossomos rompidos e as enzimas ativas são liberadas. Pancreatite aguda A pancreatite aguda é uma lesão reversível do parênquima pancreático associada à inflamação. A pancreatite aguda apresenta amplo espectro de lesões, que varia desde a forma edematosa (ou intersticial), geralmente um quadro discreto e autolimitado, até a pancreatite necro-hemorrágica, cuja gravidade é proporcional à intensidade da lesão, podendo a mortalidade alcançar 10% dos casos se não houver infecção associada ou até 100% quando o tecido necrótico se torna infectado. A pancreatite aguda compromete preferencialmente adultos, da terceira à sexta décadas de vida, de ambos os gêneros. Se associada à doença biliar calculosa, é mais comum em mulheres; quando associada a alcoolismo, acomete mais homens. 🠖 Manifestações Clínicas ⚬ Sinais e Sintomas A crise aguda se inicia com dor epigástrica intensa em pontada com irradiação para as costas (dorso). A dor é contínua e geralmente associada a vômitos e ânsias. Nos casos graves, o paciente pode sofrer síncope por choque. Geralmente não tem fator desencadeante. Melhora ao fletir o corpo com piora gradual e duração variável. Paciente geralmente encontra-se me BEG ou REG, descorado, ictérico, distensão abdominal, diminuição do peristaltismo. Dependendo da gravidade da doença, é possível haver desidratação profunda, taquicardia e hipotensão postural. A função do miocárdio encontra-se deprimida na pancreatite grave, presumivelmente em razão de fatores circulantes que afetam o desempenho cardíaco. O exame do abdome revela redução ou ausência dos sons intestinais e dor à palpação que pode ser generalizada, mas geralmente é localizada no epigástrio. Em geral, a temperatura é normal ou ligeiramente aumentada na pancreatite não complicada. Podem estar presentes evidências clínicas de derrame pleural (acúmulo anormal de líquido no espaço pleural), especialmente do lado esquerdo. O processo inflamatório pode acometer a cúpula diafragmática. A dor pode levar a uma respiração inadequada levando a ventilação ruim. Quando se palpa uma massa abdominal provavelmente ela representa o pâncreas aumentado (flegmão) ou, mais tarde na evolução, um pseudocisto ou um abscesso. Em 1 a 2% dos casos, observa-se coloração azulada no flanco (sinal de Grey Turner) ou na região periumbilical (sinal de Cullen), indicando pancreatite hemorrágica com dissecção retroperitoneal do sangue para essas regiões. Na crônica alcoólica pode sentir dor após 12 ou 24 hrs depois da ingestão de álcool. *Sinal de mal prognóstico Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 ⚬ Exames laboratoriais Exames a serem solicitados: Hemograma, Rx de abdome, amilase e lipase, urina tipo I (diagnóstico diferencial), Beta-HCG, ultrassonografia (causa biliar), TC de abdome e pelve (após 72 a 96hrs - não faz muita diferença inicialmente pq não consegue ver muito por isso pede depois ), RNM Abdome (evita contraste), USG endoscópico. O hematócrito pode estar elevado em consequência da desidratação, ou reduzido em razão da perda de sangue abdominal em caso de pancreatite hemorrágica. Geralmente há leucocitose moderada, mas contagens de leucócitos acima de 12.000/mL são incomuns quando não há complicações supurativas. Os exames de função hepática geralmente estão normais, mas pode haver um discreto aumento da bilirrubina sérica (em geral, < 2 mg/dL). A amilase sérica aumenta para mais de três vezes o valor normal no prazo de seis horas desde o início do episódio agudo e, geralmente, se mantém elevada por vários dias. Valores acima de 1.000 UI/dL ocorrem precocemente na crise em 95% dos pacientes com pancreatite biliar e em 85% daqueles com pancreatite alcoólica aguda. Aqueles com doença mais grave tendema ter níveis de amilase abaixo de 1.000 UI/dL. Níveis séricos elevados de lipase são detectáveis precocemente e durante vários dias após a crise aguda. Como os níveis de lipase tendem a ser mais altos na pancreatite alcoólica e os da amilase na pancreatite por cálculo biliar, a relação lipase/amilase foi sugerida como um meio de ajudar a distinguir entre as duas. ⚬ Exames de Imagem Em cerca de dois terços dos casos, a radiografia simples do abdome é normal. O achado mais frequente é dilatação isolada de um segmento do intestino (alça sentinela) formado por jejuno, colo transverso ou duodeno adjacentes ao pâncreas. A distensão por gás do colo direito do intestino que é abruptamente interrompida no segmento médio ou esquerdo do colo transverso do intestino é causada por espasmo colônico adjacente à inflamação pancreática. Ambos os achados são relativamente inespecíficos. A calcificação da glândula pode ser evidente, o que implica pancreatite crônica. O estudo radiológico contrastado do trato digestivo superior (esôfago, estômago e duodeno) pode revelar alça duodenal aumentada, ampola de Vater edemaciada e, ocasionalmente, evidências de irritabilidade gástrica. Os exames radiográficos podem revelar derrame pleural do lado esquerdo. Ocasionalmente, cálculos rádio-opacos da vesícula biliar são evidentes nas radiografias simples do abdome. *Interrupção do colo onde tem um local mais inflamatório, não passa nenhum material nessa região (por isso fica mais escuro), distensão abdominal decorrente da obstrução* O exame de ultrassom pode revelar cálculos precocemente na crise e podem ser usados como exame de base do pâncreas para controles sequenciais. O exame de tomografia computadorizada (TC) do pâncreas com contraste intravenoso deve ser realizado por uma de três razões: (1) incerteza do diagnóstico, (2) confirmação/avaliação da gravidade com base em outros marcadores ou em suspeita clínica, ou (3) avaliação em cenário de deterioração clínica ou de insucesso com o tratamento. Os achados radiológicos podem ser consistentes com qualquer um dos seguintes: pâncreas de aspecto Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 relativamente normal, flegmão pancreático, flegmão pancreático com extensão do processo inflamatório aos espaços peripancreáticos adjacentes, necrose pancreática, pseudocisto pancreático ou abscesso pancreático. Várias semanas após o fim da pancreatite, a CPER (Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada) ainda pode ter valor nos pacientes com diagnóstico presuntivo de pancreatite idiopática (ou seja, aqueles que não tenham história de alcoolismo e nenhuma evidência de cálculos biliares na ultrassonografia e no colecistograma oral). Esse exame revela cálculos biliares ou alterações de pancreatite crônica em cerca de 40% desses pacientes. *Pancreatite aguda necrosante infectada* - Pontos pretos é infecção *Ecoendoscopia* - Avaliação e tratamento (drenagem) 🠖 Diagnóstico 1. Suspeita clinica pelo quadro de dor abdominal típica. 2. Exames laboratoriais: níveis séricos de amilase ou lipase 3x acima do normal 3. Exames Radiológicos: imagem compatível com pancreatite aguda no USG ou TC (é mais difícil por ser retroperitoneal) *Dois dos três parâmetros devem estar presentes para a confirmação do diagnóstico* 🠖 Diagnóstico Diferencial Coledocolitíase, úlcera perfurada, isquemia mesentérica e obstrução intestinal. 🠖 Complicações As principais complicações da pancreatite aguda são abscesso e pseudocisto. É possível haver sangramento gastrintestinal por inflamação de estômago ou duodeno adjacentes, ruptura de pseudocisto ou úlcera péptica. O sangramento intraperitoneal pode ser espontâneo a partir das artérias celíaca ou esplênica ou a partir do baço seguindo-se à trombose venosa esplênica aguda. O envolvimento do colo transverso ou do duodeno pelo processo inflamatório pode resultar em obstrução parcial, hemorragia, necrose (TTO conservador: só observa, mas quando infecta entra com antibiótico) ou formação de fístula. *Pseudocisto* - Drenagem direta com CPRE Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 Os critérios de gravidade considerados confiáveis baseiam-se nas manifestações sistêmicas da doença refletidas nos achados clínicos e laboratoriais, ou nas alterações locais do pâncreas refletidas pelos achados na TC. A pancreatite grave é diagnosticada se três ou mais dos critérios de Ranson forem preenchidos. A principal desvantagem é que isso não prevê a gravidade da doença no momento da internação, porque seis parâmetros somente são avaliados após 48 horas de internação. AST:TGO A gravidade da PA também pode ser abordada pelo uso da pontuação APACHE II. Com base na idade, no estado de saúde prévio e nas 12 medidas fisiológicas de rotina do paciente, o APACHE II proporciona uma avaliação geral da gravidade da doença. Uma pontuação do APACHE II de oito ou mais critérios define a pancreatite grave. A principal vantagem é que ela pode ser adotada na internação e repetida a qualquer momento. No entanto, é complexa, não específica para PA e é fundamentada na idade do paciente, o que claramente eleva a pontuação da gravidade da PA. Usando as características de imageamento, Balthazar estabeleceu o índice de gravidade da TC. O índice correlaciona os achados da TC com as respostas do paciente. O índice de gravidade da TC é mostrado na Tabela. *Definição da Gravidade* Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 🠖 Tratamento A base do tratamento da Pancreatite Aguda é o suporte clínico e a suspensão inicial da ingesta oral. A conduta mais adequada a ser tomada é a internação da paciente para realizar um tratamento de suporte, ou seja, manter a perfusão tecidual através de reposição volêmica vigorosa, monitorizar hipoxemia mantendo a saturação de oxigênio nos níveis adequados, aliviar a dor (analgesia - preferência para opioides) e dar suporte nutricional (dieta hipolipídica e evitar refeições volumosas), além de tratar possíveis complicações da doença. *Definir causa: DROGA: Suspender, BILIAR: CPRE (grave em 48hrs), ALCOÓLICA: História de etilismo. A. Tratamento Clínico: Os objetivos do tratamento clínico são redução dos estímulos à secreção pancreática e a correção do desequilíbrio hidreletrolítico. Pancreatite LEVE: Jejum (4 a 7 dias, dieta após melhora da dor), Analgesia (opióides - evita a morfina que pode piorar a dor pq pode fazer uma contração) e hidratação Pancreatite GRAVE: Hidratação mais vigorosa, vaga UTI, IMIPENEM, suporte de dieta, abordar vias biliares (grave CPRE e colecistecomia após melhora do quadro) 1. Aspiração gástrica — A ingestão oral é suspensa. Instala-se uma sonda nasogástrica para aspiração das secreções, embora esta última não tenha qualquer efeito terapêutico específico. A alimentação por via oral deve ser retomada apenas após o paciente apresentar grande melhora, com retorno do apetite e níveis séricos Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 de amilase normais. A retomada precoce da dieta oral pode resultar em agravação da doença. 2. Reposição de volume — Os pacientes com pancreatite aguda absorvem líquido no retroperitônio e nos intestinos e há necessidade de repor grandes volumes por via venosa para manter o volume sanguíneo circulante e a função renal. Nos casos de pancreatite hemorrágica grave, talvez haja necessidade de transfusão de sangue. É verdadeiro que a reposição insuficiente de líquidos pode contribuir para a progressão da pancreatite. A reposição é avaliada de forma mais precisa com o monitoramento de volume e concentração de urina. 3. Antibióticos — Os antimicrobianos não têm indicação noscasos leves de pancreatite. Entretanto, alguns estudos demonstraram algum benefício da terapia antimicrobiana com penetração no tecido pancreático para os pacientes com pancreatite grave. O imipenem é o mais usado, embora sua utilização não seja universalmente respaldada mesmo nos pacientes com doença grave. A terapia antimicrobiana também é indicada nos casos com complicações operatórias específicas. 4. Cálcio e magnésio — Nas crises graves de pancreatite aguda, a hipocalcemia pode requerer reposição parenteral de cálcio nas quantidades determinadas pelas dosagens seriadas. A identificação da hipocalcemia é importante em razão do risco de arritmias cardíacas. A hipomagnesemia também é comum, especialmente em alcoolistas, e o magnésio também deve ser reposto conforme indicado pelos níveis séricos. 6. Nutrição — Deve-se usar alimentação enteral (sonda naso/orogástrica no estômago, jejuno ou duodeno) para alcançar as exigências nutricionais durante o episódio agudo. A nutrição parenteral (via endovenosa) total evita a estimulação do pâncreas e deve ser usada para suporte nutricional apenas quando a alimentação enteral não for possível por 5 ou mais dias. Nenhuma das formas de nutrição afeta diretamente a recuperação do pâncreas. B. Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica A CPRE precoce, com ou sem esfincterotomia, foi inicialmente defendida para reduzir a gravidade da pancreatite, porque a teoria obstrutiva defende que a lesão pancreática é o resultado da obstrução do ducto pancreático. Contudo, três testes aleatórios mostraram que a CPRE somente é benéfica para os pacientes com pancreatite biliar aguda grave. O uso de rotina da CPRE não está indicado para pacientes com pancreatite leve porque a obstrução do ducto biliar normalmente é transitória e cessa 48 horas após o início dos sintomas. Além da pancreatite biliar aguda grave, a CPRE está indicada para os pacientes que desenvolvem colangite e para aqueles com obstrução persistente do ducto biliar mostrada por outras modalidades de imageamento, como o USE. Por fim, em pacientes idosos, com estado de saúde precário ou com comorbidades graves que impedem a cirurgia, a CPRE com esfincterotomia é uma alternativa segura para evitar a pancreatite biliar recorrente. Já sabe que está obstruído e vai tentar desobistruir. C. Colecistectomia Laparoscópica Na ausência do tratamento definitivo, 30% dos pacientes com pancreatite biliar aguda terão crises recorrentes. Com exceção dos pacientes idosos e aqueles com estado precário, a colecistectomia laparoscópica está indicada para todos os pacientes Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 com pancreatite aguda leve de natureza biliar. Vários estudos têm mostrado que a colecistectomia laparoscópica, na vigência da internação hospitalar inicial, é um procedimento seguro que diminui a recorrência da doença. A coledocolitíase pode ser excluída por meio da colangiografia intraoperatória, CPRE, ou exploração endoscópica do ducto biliar comum. Para os pacientes com pancreatites graves, a cirurgia precoce pode aumentar a morbidade e a duração da internação hospitalar. As recomendações atuais sugerem o tratamento conservador por pelo menos seis semanas antes da colecistectomia laparoscópica ser realizada nessas circunstâncias. Essa abordagem tem morbidade significativamente reduzida. 🠖 Prognóstico A taxa de mortalidade associada à pancreatite é cerca de 10%, e praticamente todas as mortes ocorrem na primeira crise e entre pacientes com três ou mais critérios de gravidade de Ranson. Insuficiência respiratória e hipocalcemia indicam prognóstico sombrio. A taxa de mortalidade associada à pancreatite grave com necrose é de 50% ou mais, mas o tratamento cirúrgico reduz esse número para cerca de 20%. Febre ou hiperamilasemia persistentes 3 semanas ou mais após uma crise de pancreatite geralmente indica a presença de abscesso ou de pseudocisto pancreáticos. Na causa alcóolica tem uma inflamação do pâncreas com uma disfunção exócrina e endócrina, vai ter um certo grau de obstrução, os ductos ficam menos complacentes. Vai tirar o álcool e o paciente provavelmente vai ter recorrência. Patologia *Pancreatite aguda por citomegalovírus* Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – 8º Semestre 2021 🠖 Adenocarcinoma de pâncreas - Geralmente de ductos pancreáticos; > na cabeça - Tabagismo - Adultos idade avançada, pancreatite crônica, prognóstico ruim