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APOSTILA DE DEFESA 
ANIMAL, SAÚDE PÚBLICA 
E ZOONOSES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEFESA ANIMAL, SAÚDE PÚBLICA E ZOONOSES 
AULA 1: INTRODUÇÃO À DEFESA SANITÁRIA ANIMAL 
INTRODUÇÃO 
Dentro da defesa animal, há duas organizações que atuam na saúde animal e pública: 
 OIE (Organização Internacional de Epizootias): fiscaliza o MAPA, que atua 
visando animais de produção 
 OMS (Organização Mundial de Saúde): fiscaliza o Ministério da Saúde, visando 
animais de companhia 
 
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (MAPA) 
O MAPA atua na gestão de políticas públicas à agropecuária, fomento do agronegócio e regulação e normatização de 
serviços vinculados a esse setor. Atua em estruturas fixas em: 
 Secretarias de Defesa Agropecuária (SDA): presentes em cada estado, 
executando ações de prevenção, controle e erradicação de doenças animais, e 
higiene e inspeção de produtos de origem animal (atuando com os serviços de 
inspeção, como SIM, SIE e SIF) 
 Laboratórios, universidades e institutos de pesquisa 
 Produtores rurais e Prefeituras 
Tais estruturas formam a equipe de controle sanitário em todo o território nacional. 
 
SISTEMA DE INFORMAÇÃO ZOOSANITÁRIA (SIZ) 
- Trata-se de dados da vigilância sanitária, provenientes de coleta e análise contínua de dados, captados pelo Serviço 
Veterinário Oficial (SVO) 
- Através deste sistema, há a divulgação de informação sobre saúde animal, além da elaboração e implantação de ações 
de vigilância, prevenção, controle e erradicação de doenças de relevância para pecuária e saúde pública 
- Os dados são processados e interpretados, formando assim a informação, que através de planos de administração e 
processamento, são formados planos de ação 
 
NOTIFICAÇÃO DE DOENÇAS 
- Algumas doenças são de notificação obrigatória, pois assim, fornece-se o subsidio necessário para formação de 
estratégias e planos de ação, para controle e erradicação, diminuindo também o risco de transmissão para outros 
animais ou ainda para humanos 
 
LABORATÓRIOS OFICIAIS 
Os LANAGROS (Laboratórios Nacionais Agropecuários) são laboratórios oficiais do MAPA e estão localizados em 
todas as regiões do Brasil. 
 
PROGRAMAS NACIONAIS 
O MAPA possui o método de ação em programas de sanidade, formulação de calendários de vacinação, 
rastreabilidade do rebanho nacional e fiscalização de trânsito (GTA). 
 Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) 
 Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) 
 Programa Nacional de Controle de Raiva Herbívora e ouras encefalopatias (PNRH) 
 Programa Nacional de Sanidade de Caprinos e Ovinos (PNSCO) 
 Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos (PNSE) 
 Programa Nacional de Sanidade de Suídeos (PNSS) 
 Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) 
RASTREABILIDADE 
o SISBOV (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) 
- conjunto de ações, medidas e procedimentos estabelecidos para caracterizar a 
origem, o estado sanitário, a produção e a produtividade da pecuária e segurança 
dos alimentos provenientes de bovinos e bubalinos, e de adesão voluntária 
o SIF (Serviço de Inspeção Federal) 
- identifica a procedência do frigorífico responsável pelos produtos e derivados 
de origem animal 
o Fiscalização de trânsito: é necessária a apresentação de documento oficial, o 
GTA (Guia de Trânsito Animal) 
o Fiscalização de produtos e insumos veterinários e produtos de alimentação 
 
MEDIDAS GERAIS DE PREVENÇÃO, CONTROLE E ERRADICAÇÃO DE DOENÇAS 
CONCEITOS DE EPIDEMIOLOGIA 
- Tríade Epidemiológica: 
 Meio Ambiente: condições e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento de um organismo. 
 Agente: toda substância, elemento ou força cuja presença ou ausência podem iniciar ou perpetuar o processo 
de doença em um hospedeiro susceptível. 
 Hospedeiro: todo organismo vertebrado, passível de contrair a doença 
 
Quais medidas podem ser tomadas, evitando o alojamento do agente no meio ambiente e no hospedeiro? 
- meio ambiente: prejudicar ou impedir a viabilidade do agente (desinfecção, limpeza) 
- hospedeiro: melhorando a resistência do hospedeiro (vacinação) ou dificultar seu acesso ao agente 
 
FONTES DE INFECÇÃO 
- Doentes (demonstram sinais) e animais portadores (não demonstram sinais): entre as medidas de controle, deve-se 
realizar isolamento, tratamento ou sacrifício, dependendo do agente infeccioso 
- Reservatórios (animais de que albergam o agente, e podem transmitir a outro animal): fazer controle destes animais 
- Comunicantes (animais em contato dos infectados): promover medidas que diminuem o risco de exposição 
 quarentena (isolamento dos animais contactantes, impedindo que se infectados, transmitam a outros), 
tratamento massal, imunização passiva ou ativa, sacrifício massal 
- Suscetíveis (animal que possui grande chance de se tornar um hospedeiro): promover medidas de profilaxia, como a 
imunoprofilaxia (vacinação), quimioprofilaxia e quarentena 
 
VIAS DE TRANSMISSÃO 
- Para cada doença, existe uma via de transmissão diferente (direta, secreções, aerossóis, alimentos e água, vetores) 
- Medidas de profilaxia: desinfecção de locais, controle de trânsito (GTA, barreiras sanitárias), interdição de 
propriedades, controle de água e alimentos, controle de vetores, saneamento ambiental (destinação correta de dejetos, 
resíduos e cadáveres) 
 
PREVALÊNCIA x INCIDÊNCIA 
- Prevalência: número total de casos existentes numa população num determinado período temporal 
- Incidência: número de novos casos que surgiram em uma população num determinado intervalo de tempo 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
- Atividades que permitem reunir informação para o conhecimento de doenças 
- Visa recomendar medidas eficientes para prevenção e controle de determinadas doenças 
- Atua mediante notificações de casos e com base em sistemas de informação 
MEDIDAS DE PREVENÇÃO 
Impedem a introdução da doença no ambiente e em animais (diminuem a prevalência e incidência). 
- Saneamento ambiental: destino adequado a dejetos, lixos e carcaças, controle de vetores, higiene das instalações e 
medidas de controle da água de bebida e qualidade dos alimentos 
- Quarentena: medida realizada antes da introdução de animais novos no país ou na propriedade, para aguardar 
manifestação de alguma doença e realizar exames laboratoriais 
- Imunoprofilaxia (vacinação): diminui o número de animais suscetíveis numa população através da indução de níveis 
elevados de anticorpos (o ideal é que se atinja 100% de cobertura vacinal dos animais) 
- Diagnóstico precoce: detecção de doenças na sua fase inicial, doenças com manifestações inaparentes ou sub-clínicas 
e doenças crônicas 
- Vigilância epidemiológica: realização de controle de importação, trânsito animal (abate, feiras, exposições, leilões) e 
impedir a introdução de doenças infecciosas e exóticas em locais onde não estão ocorrendo 
- Educação sanitária: conscientizar a população sobre o prejuízo das doenças, riscos à saúde humana, e medidas 
recomendadas (utilização de banners, folders, panfletos, cartilhas) 
 
MEDIDAS DE CONTROLE 
Visam manter a doença em níveis satisfatórios (reduz ou mantem a prevalência, e evita o aumento da incidência) 
- Desinfecção: visa diminuir ou eliminar o agente de materiais, locais e instalações 
- Isolamento: impedir o contato de animais doentes ou suspeitos com animais sadios durante o período de transmissão 
- Interdição: impedir a entrada e saída de animais e seus produtos de dentro de uma área ou propriedade onde esteja 
ocorrendo doenças altamente transmissíveis 
- Notificação: importante, para formação de dados pela vigilância epidemiológica (doenças de notificação obrigatória) 
- Destruição de cadáveres: incineração de carcaças de maneira adequada 
- Controle de reservatórios: manejo populacional de morcegos hematófagos, roedores, cães, etc. 
 
MEDIDAS DE ERRADICAÇÃO 
Medidasmais drásticas que visam eliminação do agente causador da doença (quando a incidência atingiu níveis altos) 
- Sacrifício: ocorre em casos de animais que entram ilegalmente no país em zonas livres de doenças, animais com 
doenças exóticas ou ainda animais com doenças incuráveis ou que sejam fonte de infecção (como tuberculose) 
- Diagnóstico e sacrifício: abate sanitário de animais diagnosticados positivos para alguma doença em áreas onde há 
programas que visam erradicação 
- Eliminação de vetores: controle de possíveis vetores, como mosquitos e carrapatos 
- Polícia sanitária: poder realizado pelo Serviço Veterinário Oficial, entrando em propriedades, apreendendo animais 
e cumprindo a política vigente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 2: DOENÇAS ANIMAIS DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA 
A notificação da doença pode ser durante uma suspeita ou ainda durante a confirmação de um caso. 
 algumas doenças, somente na suspeita, já exigem ações (como no caso da febre aftosa) 
A lista de doenças de notificação obrigatória é alterada, de acordo com a emergência e reemergência da doença. 
 
OBJETIVO DA LISTA DE DOENÇAS 
- Evitar a entrada de zoonoses exóticas e doenças infecciosas e parasitárias já existentes no país 
- Uniformizar, orientar e aprimorar a notificação de doenças que vem acontecendo no país e no mundo 
- Aumentar a sensibilidade e especificidade da vigilância veterinária (trabalha de forma correta com a doença) 
- Subsidiar a análise da situação animal no país (OIE coleta os dados de todos os países) 
- Respaldar a aplicação de medidas de vigilância, diagnóstico, prevenção, controle e erradicação de doenças animais 
- Garantir o atendimento aos critérios de notificação da OIE 
- Apoio à certificação zoosanitária para exportação de animais e produtos 
 
CRITÉRIOS PARA ELEBORAÇÃO DA LISTA 
- Lista da OIE (Organização Internacional de Epizootias) 
 a partir da lista da OIE, o país elabora a sua lista de acordo com a incidência 
- Classificadas por espécie (algumas acometem várias espécies) 
- Presença ou ausência no país, zona ou estado 
- Características epidemiológicas e poder de disseminação (quanto maior o poder de disseminação, maior a vigilância) 
- Existência de programa sanitário oficial para prevenção, controle ou erradicação (PNFA, PNCEBT, PNRH) 
- Risco para a saúde pública às zoonoses 
- Impacto na pecuária e comércio de animais e seus produtos e subprodutos (principalmente na exportação) 
- Importância estratégica para a produção pecuária nacional 
- Compromissos de certificação zoossanitária internacional 
 
SISTEMA MUNDIAL DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE ANIMAL 
- OIE possui um sistema de centralização da informação, onde todos os países tem acesso 
- Contém a ocorrência mundial de todas as doenças, focos, medidas de controle e ações 
- Sistema de alerta precoce: permite que haja emissão de notificação internacional, gerando uma resposta rápida aos 
países ao redor da área afetada 
- Sistema de seguimento da OIE: permite o seguimento e monitoramento das doenças listadas pela OIE 
 
DOENÇA EMERGENTE 
- Doença nova resultante da modificação de um agente patogênico existente (mutação viral, resultando em nova 
patologia) ou doença conhecida que ocorre em uma área em que antes estava ausente 
- Agente patogênico não identificado anteriormente ou doença diagnosticada pela primeira vez e que tem repercussões 
importantes na saúde animal ou saúde pública (como na febre amarela, não sendo notificada anteriormente no sudeste, 
porém, promoveu surtos recentes) 
 
DOENÇA REEMERGENTE 
- Doença que afetou uma determinada área e população há muito tempo atrás, tendo sido eliminada, porém, por algum 
motivo, retorna o seu ciclo, afetando esta população (como tripanossomíase, que retornou pelo consumo de açaí), se 
tornando emergente no momento atual 
 
DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA 
- Doença cuja a presença deve ser informada assim que detectada ou na suspeita, de acordo com a regulação nacional 
LISTA DA OIE 
1. Doenças erradicadas ou nunca registradas no País, que requerem notificação imediata de caso suspeito ou diagnóstico: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Doenças que requerem notificação imediata de qualquer caso suspeito: 
 
3. Doenças que requerem notificação imediata de qualquer caso confirmado: 
 
 
4. Doenças que requerem notificação mensal de qualquer caso confirmado: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Doenças que possuem poder de 
disseminação muito grande 
Doenças exóticas, ou que se 
tornaram emergentes ou ainda 
reemergentes 
Doenças que possuem poder de 
disseminação menor 
Doenças que não possuem medidas 
sanitárias obrigatórias pelo SVO, 
mas possuem monitoração devido a 
sua importância na saúde animal e 
pública, ou por certificação sanitária 
Critério para notificação imediata (24 horas): 
1. Ocorrer pela primeira vez ou reaparecer no País/zona declarado oficialmente livre (como no caso da Febre Aftosa) 
2. Qualquer nova cepa de agente patogênico ocorrer pela primeira vez no país 
3. Ocorrerem mudanças repentinas nos parâmetros epidemiológicos como: aumento da distribuição, incidência, 
morbidade ou mortalidade (quando a doença deixa de ser endêmica, e torna-se epidêmica) 
4. Ocorrerem mudanças no perfil epidemiológico, como mudança de hospedeiro, de patogenicidade ou surgimento 
de novas cepas ou variantes, principalmente se houver repercussões para a saúde pública 
 
SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE ANIMAL 
- As fontes de notificação das doenças provem de diferentes esferas de atuação: 
 Serviço Veterinário Oficial (SVO) e veterinário de atuação privada 
 Atendimentos a notificações, vigilância, inquéritos e monitoramentos 
 Achados de inspeção de matadouros (SIM, SIE e SIF) 
 Laboratórios, universidades e institutos de pesquisa 
 
Formulário de Notificação ao SVO 
- Form Notifica: formulário que visa apoiar e facilitar a notificação ao Serviço Veterinário Oficial de doenças animais 
exóticas, emergentes ou pertencentes às categorias 1, 2 e 3 da Lista de doenças de notificação obrigatória 
• Deve ser disponibilizados para laboratórios, universidades, institutos de pesquisa e Médicos Veterinários em geral 
 
ATUALIZAÇÃO DA LISTA DE DOENÇAS 
- A lista é atualizada e revisada periodicamente pela Defesa Sanitária Animal, de acordo com tais fatores: 
 alteração da situação epidemiológica no país e no mundo (maior ou menor ocorrência) 
 resultados de estudos e investigação científicas 
 mudanças nas recomendações internacionais da OIE 
 demandas referente ao comércio internacional 
 interesse da pecuária nacional 
Os Serviços Veterinários Estaduais poderão incluir outras doenças de interesse local ou regional, para monitoramento 
e vigilância da situação epidemiológica de seus rebanhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 3: MEDIDAS GERAIS DE DEFESA SANITÁRIA 
INTRODUÇÃO 
- A superpopulação de animais, bem como o transporte, são situações que geram estresse em animais, podendo 
favorecer a disseminação de doenças 
- Transmissão: os meios mais comuns de disseminação de doenças 
 introdução de doentes ou portadores (contato direto entre animais portadores e sadios); contato com objetos 
inanimados (fômites); contaminação em matéria orgânica (fezes, urina, cama); carcaças de animais mortos 
(promover destino correto); água e ração de má qualidade; roedores, aves migratórias, animais silvestres e 
insetos (promover controle de vetores); vestuário de operários e visitantes (troca de roupas na entrada e saída); 
via aérea (aerossóis, vento); transmissão pelo ovo ou placenta (transmissão vertical) 
 
MEDIDAS SANITÁRIAS DE PREVENÇÃO, CONTROLE E TRATAMENTO DAS DOENÇAS 
- Selecionar fornecedor de animais de procedência sanitária (reprodutores saudáveis) 
 principalmente granjas aviárias que trabalham com genética (granjeiro, matrizeiro, avozeiros, bizavozeiros) 
- Manter animais agrupados(idade, procedência): formar lotes uniformes 
- Trocar a cama, limpar e desinfetar o local de permanência e equipamentos 
 algumas medidas: vazio sanitário; “tudo-dentro, tudo-fora” 
- Fabricar ou selecionar alimento de boa qualidade (quando se fabrica, evita-se trazer contaminação externa) 
- Entrada de pessoal autorizado (proibida a entrada de visitantes, principalmente em criações avícolas) 
 trabalhadores de granjas (matrizeiros ou avozeiros) que entram em contato com outras aves de criação 
doméstica, não podem entrar em contato com as aves da granja por 40 dias 
- Realizar diagnóstico rápido e confiável, para um tratamento, prevenção e controle adequados 
- Destino de carcaças: incineração, fossa séptica ou compostagem (compostagem deve ser feita fora da zona urbana, 
pois atrai o Lutzomya, mosquito que transmite a Leishmaniose) 
- Registros das ações na propriedade (vacinações, tipo de vacina, medicação aplicada, mortalidade, etc.) 
- Locais com altos níveis de produtividade (superlotação), estes plantéis devem ser protegidos por programa de 
biosseguridade amplo e preciso (evitar que algum agente seja introduzido dentro da propriedade) 
 programa de biosseguridade: conjunto de diretrizes e normas operacionais, objetivando a proteção dos lotes 
contra entrada de microrganismos patogênicos e manter a saúde do trabalhador 
 quando um patógeno adentra na propriedade, o programa deve ser reestruturado 
- Barreiras físicas: 
 granjas comerciais devem estar distantes 1 km uma das outras e de rodovias 
 devem ser isoladas com barreiras naturais ou artificiais (matas, florestas, rios, plantações) 
 avaliar a direção dominante dos ventos, para construção de cortinas ou barreiras artificiais 
- Evitar animais silvestres e contaminação por propriedades vizinhas que criam aves e porcos 
- Tráfego ou trânsito de área limpa para área suja (evitar contaminação), disciplinar o fluxo de pessoas (fluxo 
unidirecional), veículos equipamentos (rodolúvios), e fornecer esclarecimentos técnicos e formação aos funcionários 
- Instalações para banhos e troca das vestimentas e calçados 
- Uso de rodolúvios e bicos aspersores com desinfetantes. 
 
CUIDADOS SANITÁRIOS NO TRANSPORTE 
Objetivo de medidas sanitárias no transporte: valorizar o patrimônio pecuário 
nacional, mediante a prevenção (redução dos riscos de ingresso de patógenos), 
o controle e a erradicação de doenças dos animais causadas em transporte 
 controle da movimentação de animais, além do controle da 
movimentação de agentes patogênicos 
– Atuação: monitoramento do controle da movimentação de animais e seus subprodutos 
FINALIDADES DO CONTROLE DE TRÂNSITO 
o Evitar a entrada de doenças contagiosas em áreas ou regiões sem a presença da doença 
o Evitar disseminar doenças no país (por exemplo, transporte de animais com AIE do pantanal para o país) 
o Evitar a entrada de animais doentes em frigoríficos (SIF) 
o Evitar a entrada de animais doentes em locais de concentração de animais (feiras, exposições, leilões, 
competições esportivas, etc.) 
o Permitir a rastreabilidade (SISBOV): mercado Europeu exige que a carne seja rastreada do nascimento até o 
abate (propriedades que queiram realizar comercialização para a união europeia devem adotar SISBOV) 
 
GUIA DE TRÂNSITO ANIMAL (GTA) 
- A Guia de Trânsito Animal (GTA) é o documento oficial para transporte animal no 
Brasil e contém informações essenciais sobre a rastreabilidade (origem, destino, 
finalidade, espécie, vacinações, entre outros). 
- Cada espécie animal possui uma norma específica para a emissão da GTA, exceto 
os cães e gatos que são isentos da emissão desse documento para transporte. 
- A procedência e destino de animais de produção, só podem ser emitidos de um 
CNPJ de produtor rural, para outro CNPJ de produtor rural 
- e-GTA: Guia eletrônica para movimentação, em todo o território nacional, de 
animais vivos, ovos férteis e outros materiais de multiplicação animal. 
- Devem portar o GTA: proprietários, transportadores ou qualquer pessoa que tiver sob seus cuidados animais de 
interesse do estado, ou ovos férteis e embrionados 
- Situações que exigem GTA: compra de animais (em leilões, feiras, propriedades, criatórios), venda ou transferência 
de uma fazenda para outra, ou em transporte (abate, recria, cria, participação de eventos, reprodução) 
- Exigências: deve ter cadastro na Defesa Animal, guia de recolhimento da taxa de vigilância epidemiológica, CNPJ, 
nota fiscal ou documento permitido, com animais vacinados. Itinerário deve ser autorizado antecipadamente, e o meio 
de transporte adequado 
 
TRÂNSITO DE SUBPRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL 
- Para cada subproduto que não seja de consumo humano (chifres, couro, pele, osso, lã, crina, cerda, pelo, penas, 
casco), deve-se emitir um CIS-E (Certificado de Inspeção Sanitária) 
 
EXIGÊNCIAS PARA CADA ESPÉCIE 
- Bovinos e Bubalinos: 
 certificado de vacinação para febre aftosa e brucelose 
 para reprodução e eventos, exames negativos de brucelose e tuberculose 
- Ovinos e Caprinos: 
 machos com exames negativos de epididimite (através de palpação escrotal, 3 dias antes da emissão do GTA) 
- Suínos: 
 animais para abate, devem possuir nota do produtor ou nota fiscal 
 para reprodução e eventos, certificados de granja livre (Peste Suína Clássica, sarna e doença de Aujeski) 
- Equideos: 
 exame negativo para AIE e mormo, ou declaração de propriedade livre 
 potros, menores de 6 meses, acompanhados da mãe negativa para AIE e mormo, não necessitam de GTA 
- Aves: 
 aves adultas, certificado de estabelecimento livre 
 ovos férteis, certificado de estabelecimento livre de Salmonelose e Micoplasmose 
 pintos de um dia, certificado de estabelecimento livre de Salmonelose e Micoplasmose e comprovante de 
vacinação contra a doença de Marek 
 aves silvestres ou exóticas: autorização do IBAMA e atestado de sanidade emitido por médico veterinário 
 avestruzes, certificado de estabelecimento livre de Salmonelose e Micoplasmose ou exame negativo 
- Animais aquáticos : 
 certificado de estabelecimento aquícola livre de doenças ou atestado de sanidade emitido por médico 
veterinário 
- Animais silvestres e animais de laboratório: 
 atestado de sanidade emitido por médico veterinário, e em alguns casos, autorização do IBAMA 
- Cães e gatos: 
 atestado de sanidade emitido por médico veterinário e vacina de raiva 
 não necessitam de GTA 
 
FISCALIZAÇÃO 
- Controle do trânsito: barreiras sanitárias oficiais (podem ser fixas em um local, ou móveis) e postos de vigilância 
agropecuária internacional (presentes em portos, aeroportos, postos de fronteira, aduanas especiais) 
- Controle da origem: através dos serviços de inspeção (SIM, SIE e SIF) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 4: PROGRAMA NACIONAL DE ERRADICAÇÃO E PREVENÇÃO DA FEBRE AFTOSA 
INTRODUÇÃO 
- A febre aftosa é um dos maiores entraves para o comércio internacional de produtos agropecuários 
- Países com foco de febre aftosa, o mercado torna-se restrito 
- Histórico da febre aftosa: últimos focos foram em 2006 no Paraná e Mato Grosso do Sul 
 
FEBRE AFTOSA 
- Agente etiológico: Aphtovirus (também conhecida como “doença de pé e boca”, por realizar 
formações vesiculares na mucosa oral, e ainda feridas na coroa do casco) 
 animal deixa de se alimentar, e vem à óbito por inanição 
 7 sorotipos: A, O, C, SAT1,SAT2, SAT3 e Asia1 (no Brasil, esteve presente os sorotipos A, O e C) 
- Transmissão: contágio direto ou indireto (gotículas), por fômites 
- Animais susceptíveis: todos os animais biungulados  bovinos e bubalinos (únicos que são vacinados); ovinos e 
caprinos; suínos; ruminantes silvestres 
 somente bovinos e bubalinos são vacinados, pois são os mais suscetíveis 
- Infecção humana pelo vírus da febre aftosa é rara, logo a doença não é considerada um problema de saúde pública 
 doença sem importânciazoonótica 
- Sinais clínicos: febre, vesículas na cavidade oral, patas, úbere e rúmen, salivação, descarga nasal e claudicação, 
ruptura de vesículas 
 vírus é disseminado pelas vesículas que se rompem, saliva e descarga nasal 
- Atualmente, a doença é considerada livre no Brasil com vacinação 
 apenas o estado de Santa Catarina é considerado livre sem vacinação 
 
Após o último foco, foi criado em 2007 o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa, cuja a 
estratégia principal é a implantação progressiva e manutenção de zonas livres da doença, de acordo com as diretrizes 
estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). 
 
ESTRATÉGIAS DO PNEFA 
- Implantação gradativa de zonas livres da doença e manutenção da estrutura de campo (gradativamente, zonas livres 
são implantadas, até que atinjam todo o território nacional) 
Brasil está passando por um processo de erradicação da doença (MAPA segue diretrizes da OIE) 
- Serviço Veterinário e de Vigilância (responsáveis pela implantação dos métodos de controle) 
- Vigilância epidemiológica por inquéritos sorológicos 
- Vacinação obrigatória (animais vacinados, quando são soropositivos, não desenvolvem a doença, logo, não se sabe se 
o vírus está circulante ou não) 
- Notificação compulsória (doença de notificação imediata em qualquer caso suspeito) 
- Atendimento a focos e controle do trânsito animal da propriedade interditada 
 
TIPOS DE ZONAS 
No caso da febre aftosa, são considerados os seguintes tipos de zona: 
• Zona livre que não pratica vacinação: estado de Santa Catarina 
• Zona livre que pratica vacinação: resto do território nacional, a partir de 2018 
 possui ausência da doença por no mínimo 6 meses (antes era de 2 anos), com vacinação, vigilância sanitária e 
veterinária, e inquéritos sorológicos que comprovem a ausência viral 
• Zona tampão (local onde está se implantando medidas, para que se torne uma zona livre) 
• Zona Infectada (não possui condições para ser uma zona livre) 
 
Para que fossem implantadas progressivamente zonas livres no Brasil, foram criados 
circuitos pecuários, que são delimitações de sistemas de produção. Estes circuitos pecuários, 
foram idealizados para ampliar as zonas livres do território nacional (quando um circuito 
pecuário era dado como zona livre, focava-se em novos circuitos para se tornarem livres). 
 
FOCO DE FEBRE AFTOSA 
- Após um foco, deve-se estabelecer as seguintes medidas de emergência: 
 todos os animais devem ser sacrificados num raio de 3 km 
 deve-se realizar a vacinação de emergência 
 
SISTEMAS DE VIGILÂNCIA 
- Sistema de vigilância passivo: promovem atendimento local em suspeitas (mediante notificação) 
- Sistema de vigilância ativo: realizam busca de locais suspeitos (avaliam abatedouros, propriedades, eventos, trânsito) 
 
RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA 
- MAPA: segue as diretrizes da OIE e realiza planejamento e centralização de dados no programa 
- Serviço Veterinário Estadual: coordena as campanhas de notificação no programa 
- Setor Privado: produtores rurais (vacinação, exercem as regulamentações, notificam casos de suspeita) 
 
VACINAÇÃO 
- É obrigatória, sendo anteriormente trivalente (OAC), sendo realizada a cada 6 meses ou a cada ano (dependendo do 
estado e o status sanitário) 
- Todas as partidas de vacinas são controladas pelo MAPA, e recebem um selo comprovando sua qualidade 
- Somente bovinos e bubalinos são vacinados (proibido vacinar caprinos, ovinos, suínos e outras espécies suscetíveis) 
Troca no calendário de vacinação: anteriormente, durante o mês de Maio, vacinava-se os animais de 0-24 meses, 
enquanto em Novembro, vacinava-se todos os animais do rebanho (“mamando a caducando”). Porém, devido a 
estação de monta ser presente durante o mês de novembro, mudou-se para vacinar durante este mês somente os 
animais de 0-24 meses (menos animais para serem manejados), e todo o rebanho em Maio. 
- Pantanal e Amapá: nestas regiões, a vacinação é somente anual, de todo o rebanho 
- Santa Catarina: zona livre de febre aftosa sem vacinação reconhecida pela OIE, e de vacinação 
proibida. É proibida a entrada de animais vacinados no estado, possuindo regras específicas para 
entrada de animais e produtos e postos fixos de fiscalização e corredores sanitários 
- Alguns estados adotam diferentes esquemas de vacinação (como vacinar semestralmente 
animais de até 24 meses, e somente anualmente os animais com mais de 24 meses) 
Troca do volume da vacina: A dose, que atualmente é de 5 mililitros, passará para 2 mililitros. Um dos principais 
objetivos na mudança da vacina será a injeção de menor volume de óleo mineral, com consequente redução de 
reações locais (diminui-se a quantidade de veículo oleoso, porém não a composição vacinal) 
- A responsabilidade da vacinação é do proprietário rural, que deve adquirir a vacina em revendas autorizadas pelo 
MAPA, e comprovar junto a SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária) a vacinação em até 7 dias após o fim do mês 
 falta de vacinação ou comprovação pode gerar multas ao proprietário 
 
ZONA DE ALTA VIGILÂNCIA 
- Construídas após surtos, na fronteira seca do Brasil e Paraguai, e fronteira com rio entre Brasil e Bolívia 
- Considerada uma zona de alto risco de focos, onde se realiza a vacinação assistida dos animais 
- É feito controle de trânsito animal, além de contar com postos de fiscalização 
 
EMISSÃO DE GTA 
- Para que o Guia de Trânsito Animal seja emitido, as vacinações dos animais precisam estar em dia 
- Animais com mais de 3 meses não poderão ser movimentados sem a comprovação de no mínimo 1 vacinação contra 
Febre Aftosa 
- Podem ser transitados após 15 dias os animais com 1 vacinação; 7 dias os animais com 2 vacinações e a qualquer 
momento os animais após a 3ª vacinação 
 os animais que serão abatidos em até 60 dias após o término da vacinação são dispensados da vacinação (pois 
o manejo da vacina diminui o peso final do animal, devido o estresse) 
- Para coleta de inquéritos sorológicos, a coleta deve ser realizada após o 14º dia da vacinação (vacinas demoram até 
15 dias para atingirem o pico de ação) 
 
MEDIDAS A SEREM TOMADAS NO FOCO 
- Interdição da propriedade, para posterior investigação (confirmar se a doença vesicular é febre aftosa) 
- Após, define-se a área perifocal, e realiza-se vacinação emergencial nesta área 
- Caso confirmado, os animais do foco são sacrificados e destruídos 
- Limpeza e desinfecção da área, para posterior repovoamento dos animais 
 
Doenças vesiculares (febre aftosa, estomatite vesicular): estas doenças são de notificação imediata na suspeita 
Serviço Veterinário Oficial (SVO): deve ser notificado em até 24 h, para atender a notificação em até 12 h 
 
DEFINIÇÃO DE ÁREAS 
Área de proteção sanitária: área estabelecida em torno dos focos de febre aftosa para contenção e eliminação do 
agente infeccioso e que deverá abranger: 
Área perifocal: 3 km a partir do foco (alto risco) 
- as ações nesta área dependem da decisão do SVO (sacrificar ou vacinar) 
Área de vigilância: até 7 km da área perifocal (risco) 
- não vacina, somente realiza testes sorológicos 
Área tampão: até 15 km da área de vigilância 
 
- Sacrifício sanitário: eliminação de todos os animais do foco (ou perifoco em alguns casos) que representam risco de 
difusão do agente, seguida de destruição das carcaças (incineração ou enterramento) 
- Limpeza: desinfetantes específicos: hidróxido de sódio 2%, carbonato de sódio 4%, ácido cítrico 0,2%, Virkon-S 
 hipoclorito e iodo, quando juntos a matéria orgânica, não exercem efeito, sendo assim, contraindicados 
 
COLETA DE AMOSTRAS 
- Tecido epitelial vesicular: bucal, lingual, podal, glândula mamária (locais onde se formam vesículas) 
- Líquido esofágico faríngeo (LEF): em animais que não possuem vesículas, mas são suspeitos, se faz um raspado da 
mucosa na região faríngea e anterior do esôfago com um coletor apropriado (Copo Probang)- As amostras devem ser transportadas refrigeradas e com adição de meio conservante: 
 meio Vallée + tampão glicerina fosfatada (quantidade suficiente para a amostra ficar submersa) 
 
DIAGNÓSTICO 
- Identificação do agente (teste direto): ELISA direto, Fixação de Complemento e Isolamento Viral 
- Provas Sorológicas (teste indireto): ELISA indireto e Prova de neutralização viral (recomendados pela OIE) 
 quando a amostra é adequada, o resultado é obtido em até 24 h, caso contrário, realiza-se a inoculação em 
camundongos, podendo demorar até 10 dias 
 
REPOVOAMENTO 
- Feito após 30 dias do encerramento do foco, introduzindo animais sentinelas (bezerros não vacinados e suínos), que 
permanecem por 30 dias, liberando somente quando ao fazer as sorologias aos 15 e 30 dias, ambas 
AULA 5: PROGRAMA NACIONAL DE SANIDADE DOS EQUÍDEOS 
INTRODUÇÃO 
- Brasil possui maior rebanho equino da América Latina e 3º do 
mundo, sendo também um grande exportador de carne equina 
- A maior população equina está no sudeste, enquanto no nordeste 
encontra-se a maior população de asininos e muares 
 
Em 2008, criou-se o Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos, que visa prevenir, controlar, diagnosticar e 
erradicar doenças que possam causar danos ao complexo agropecuário dos equídeos, através das seguintes 
atividades: Educação sanitária, Estudos epidemiológicos, Controle do trânsito, Cadastramento, fiscalização e 
certificação sanitária e Intervenção imediata na suspeita ou ocorrência de doença de notificação obrigatória. 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Adquire fontes de informação do sistema de vigilância epidemiológica para doenças dos equídeos, através do Serviço 
Veterinário Oficial (que promove inspeção, fiscalização e monitoramento destes animais) e da população 
(proprietários, médicos veterinários, profissionais, outros cidadões) 
 
ANEMIA INFECCIOSA EQUINA (AIE) 
INTRODUÇÃO 
- Também conhecida como Febre do Pântano e AIDS Equina; 
- Os hospedeiros são os equídeos: equinos (cavalos), asininos (asnos), muares (mulas); 
- Causada pelo vírus Lentivírus da família Retrovírus; 
- A doença é disseminada por moscas vetores ou de forma iatrogênica (seringas, agulhas, etc.); 
- Ocorre principalmente em estação chuvosa, regiões alagadas e com alta umidade relativa; 
- O vírus quando instalado no organismo do animal, permanece por toda a vida, mesmo sem o 
animal apresentar alguma manifestação sintomática 
- A doença apresenta-se na forma aguda, crônica e inaparente (nesta, os animais atuam como portadores e 
reservatórios, podendo transmitir para os demais animais do rebanho) 
- Transmissão ocorre principalmente por vetores mecânicos, como os tabanídeos (Tabanus sp.) ou moscas dos 
estábulos (Stomoxys calcitrans), de forma congênita (pela placenta ou durante o parto), leite (aleitamento), sêmen 
(transmissão por monta natural ou inseminação), ou ainda de forma iatrogênica (seringas, agulhas, freios, arreios) 
- Sinais clínicos: febre, hemorragias puntiformes, anemia hemolítica, icterícia, edema, perda ou redução de apetite, 
depressão, epistaxe (hemorragia nasal), perda de peso 
 
PATOGENIA 
Quando o vírus penetra o organismo, ganha o sangue, e se dissemina (viremia), e tem como células-alvo os 
macrófagos, fazendo com que haja liberação de substâncias, que irão causar os sinais clínicos (febre, fraqueza, anemia 
imunomediada, icterícia, taquipneia, petéquias). O vírus pode entrar na forma latente, fazendo com que não haja 
manifestação tão evidente dos sinais clínicos. 
 
DIAGNÓSTICO 
- Imunodifusão em Gel de Agar (IDGA), também chamado de teste de Coggins, é o exame diagnóstico oficial 
o detecta anticorpo a partir de 14 a 21 dias pós-infecção (neste caso, o anticorpo é a proteína nuclear p26) 
o exames tem validade de 60 dias após a coleta da amostra 
- Medico veterinário cadastrado no MAPA deve coletar o material para exame e requisitar ao 
laboratório credenciado pelo DDA o exame para diagnóstico, em modelo oficial (resenha do 
animal). 
A imunodifusão em Gel de Agar baseia-se formação de imunocomplexos. No exame, o antígeno permanece no centro 
sendo rodeado por amostras de até 4 animais, mais o anticorpo de um animal positivo (que serve como soro 
controle). Em casos de animais positivos, e no soro controle, antígeno e anticorpo migram em sentido convergente, a 
ponto de se unirem e formar complexos que se precipitam, formando linhas visualizadas por microscopia. 
o Resultado Positivo  encaminhado ao Serviço de Sanidade Animal (por ser de notificação obrigatória) 
o Resultado Negativo  encaminhado ao MV requisitante 
Contraprova: é facultativo ao proprietário do animal solicitar a contraprova, no prazo máximo é de 8 dias, a partir do 
recebimento do resultado. Ela deve ser realizada no mesmo laboratório que realizou o primeiro exame, e o animal 
diagnosticado deve permanecer isolado até o resultado final ser emitido 
 
MEDIDAS ADOTADAS NO FOCO 
Interdição da propriedade para se realizar investigação epidemiológica. É feita uma marcação permanente dos animais 
portadores. Após, realiza-se sacrifício ou isolamento dos animais portadores (dependendo da regra estadual), e o 
exame laboratorial em todos os animais. A desinterdição da propriedade é feita após 2 exames negativos consecutivos 
(num intervalo de 30 a 60 dias entre os dois exames). Os proprietários do perifoco são orientados pelo 
SVO para realização de exames laboratoriais para o diagnóstico de AIE. 
Marcação dos animais: é de responsabilidade do SVO, não sendo obrigatório quando o abate ou 
sacrifício for imediato 
Sacrifício ou isolamento: 
 animais portadores localizados em áreas de elevado risco são isolados (como no Pantanal, onde é endêmico) 
 animais portadores localizados em áreas de pouco ou nulo risco são sacrificados 
Sacrifício: realizado pelo SVO, no prazo de 30 dias após confirmação. É realizado na propriedade, ou em instalações 
do SIF (abate sanitário), levando o animal em veículo apropriado e lacrado (não cabe indenização para sacrifício) 
Isolamento: isolamento do animal portador, que deve ser marcado, de acordo com a marcação modelo. Se algum 
animal marcado for encontrado em outra propriedade, ou em trânsito, será sacrificado na presença de 2 testemunhas 
 
CERTIFICAÇÃO DA PROPRIEDADE CONTROLADA PARA AIE 
- É considerada propriedade controlada quando esta apresentar 2 exames negativos consecutivos para todos os 
animais, no intervalo de 30 a 60 dias (certificação com validade de 12 meses) 
- Manutenção da Propriedade Controlada: exame negativo para todos os equídeos a cada 6 meses (para continuar como 
propriedade certificada controlada para AIE) 
- Validade do resultado negativo em propriedades certificadas é de 180 dias a partir da data da coleta da amostra 
 
CONTROLE E PREVENÇÃO 
- Testes sorológicos de rotina (IDGA); remoção de animais positivos do plantel (sacrificar ou isolar); restrição do 
deslocamento dos animais (animais sem exame, não pode-se emitir o GTA); controle da população de vetores 
(tabanídeos e mosca dos estábulos); não compartilhar agulhas, seringas, arreios. 
- Na compra de novos animais, mantê-los em quarentena, e alojá-los no plantel se o resultado for negativo do exame 
 
CONTROLE DE TRÂNSITO 
- Trânsito interestadual somente acompanhado com o GTA, juntamente com o resultado negativo para AIE 
- Trânsito de animais para participação em eventos agropecuários ou ingresso de animais importados permitido 
somente com exame negativo para AIE 
- Dispensa do exame para equídeos destinados ao abate sanitário (devem ir em veículos lacrados) ou com idade 
inferior a 6 meses acompanhado da mãe, com resultado negativo 
 
Pantanal: mais de 50% dos animais são positivos para AIE nesta região, e o sacrifício de animais positivos, 
prejudicaria a pecuária na região, por isso se adere a medidas de controle, como isolamento. 
MORMO 
INTRODUÇÃO 
- Doença infectocontagiosa causada pela bactéria Burkholderiamallei de ocorrência esporádica mesmo em áreas 
endêmicas. É uma bactéria pouco resistente à luz, desinfetantes, temperatura, e persiste no solo e a água 
 bactéria é utilizada como agente de bioterrorismo 
- Considerada uma doença reemergente na região sudeste e sul do Brasil 
- Os hospedeiros são os equídeos, sendo que os asininos são mais sensíveis (são indicadores da doença) 
 animais de carga, devido o manejo inadequado, são os mais suscetíveis 
- Pode acometer carnívoros, pequenos ruminantes e o homem (zoonoses) 
 em humanos é considerada fatal 
- Pode apresentar-se na forma aguda, crônica e inaparente (animais reservatórios, que disseminam o agente no plantel) 
- Gera perda econômica, devido eutanásia de animais de alto valor zootécnico (hipismo) 
- Possui alta morbidade e letalidade (tanto nos animais, quanto nos humanos) 
- Transmissão: via digestiva (contaminação alimentar), respiratória (principal forma de transmissão), genital ou 
cutânea, contaminação ambiental (bebedouros, alimentos, cochos, fômites) 
- Sinais clínicos: febre, tosse, corrimento nasal mucopurulento (geralmente unilateral), 
sangramento nasal (epistaxe), emagrecimento, claudicação (posição da bailarina), nódulos 
endurecidos na pele evoluem para úlceras (formam os rosários) e ulcerações na mucosa nasal 
 possui 3 formas de apresentação clínica: cutânea, linfática e respiratória 
 
PATOGENIA 
- Agente penetra na mucosa intestinal e alcança a corrente sanguínea 
- Bactéria se instala nos pulmões (broncopneumonia, com secreção mucoide a purulenta), pele e mucosa nasal 
(nódulos cutâneos seguidos, formando o rosário) e linfonodos (linfadenite) 
 
DIAGNÓSTICO 
- Achados clínico-epidemiológicos: apenas a apresentação de sinais clínicos não é suficiente para o diagnóstico (sinais 
são semelhantes ao Garrotilho e Influenza Equina) 
- ELISA é o exame oficial (antigamente era a Fixação de Complemento) 
- Teste de Fixação de Complemento (FC) é o teste de triagem 
- Reação Imunoalérgica (maleinização) e Western blotting é o exame confirmatório (realizado somente pelo SVO) 
Validade do resultado negativo: 180 dias para propriedades monitoradas ou 60 dias nos demais casos 
 
Fixação de complemento: possui boa sensibilidade (pode ocorrer reações cruzadas para vacinação de garrotilho e 
influenza), porém é de difícil manuseio. 
o Resultado Positivo  encaminhado ao Serviço de Sanidade Animal 
o Resultado Negativo  encaminhado ao MV requisitante 
 
MALEINIZAÇÃO (PROVA DE HIPERSENSIBILIDADE) 
- Usado se forem reagentes ao teste oficiais e não apresentarem sintomas, não reagentes no teste oficial e apresentarem 
sintomas ou em casos que o Departamento de Defesa Animal julgar necessário 
- Não é realizada em animais com exame oficial positivo e que apresentam sinais ou propriedade que já teve focos 
- Inoculação da maleína realizado a campo por MV Oficial (injeção intradérmica de derivado proteíco purificado na 
pálpebra inferior de um dos olhos do animal, fazendo leitura após 48 h, sendo que animal positivo apresenta edema) 
o Animais positivos apresentam reação inflamatória edematosa  encaminhado ao SVO 
o Resultado negativo  é encaminhado ao MV requisitante 
 
ELISA 
- Considerada um dos testes oficiais pela OIE 
- Baseada na formação de imunocomplexos (ligação antígeno e anticorpo) 
 
WESTERN BLOTTING 
- Considerado atualmente como um novo método confirmatório (junto com o teste da maleína) 
 
MEDIDAS ADOTADAS NO FOCO 
Interdição de propriedades com focos comprovados com regime de saneamento 
- Regime de Saneamento: sacrifício de animais positivos às provas diagnósticas (incinerados ou enterrados); 
desinfecção rigorosa das instalações e fômites; equídeos restantes são submetidos a testes diagnósticos; controle 
rigoroso do trânsito animal  todas estas medidas são fiscalizadas pelo SVO 
- Somente será desinterditada após 2 exames negativos, num intervalo entre 45 a 90 dias entre cada um 
 
CONTROLE DE TRÂNSITO 
- Permitido quando acompanhados com GTA, resultado negativo para Mormo e ausência dos sinais clínicos 
- Eventos agropecuários ou ingresso de animais importados permitido somente com exame negativo para Mormo 
 
INFLUENZA EQUINA 
INTRODUÇÃO 
- Popularmente chamada de Gripe Equina, acomete equídeos de 2 a 3 anos a estresse por transporte ou confinamento 
em locais pouco ventilados (estresse diminui imunidade). É uma das doenças de notificação obrigatória (OIE) 
- Agente: RNA vírus da família Ortomixiviridae (Influenza A) – pode sofrer modificação viral 
 Subtipos H7N7 e H3N8 infectantes para equídeos 
- Grandes prejuízos (doença mais comum em animais de corrida, queda do desempenho do animal acometido) 
- Alta morbidade e baixa mortalidade 
- Transmissão: contato direto com secreção nasal e oral 
- Sinais clínicos: febre, tosse seca, secreção nasal (serosa ou mucosa), perda de apetite, apatia 
 mesmo após resolução clínica, permanece alguns dias eliminado o agente 
 
DIAGNÓSTICO 
- Inibição da Hemaglutinação (HI): duas coletas (primeira no inicio dos sinais, e segunda 14 dias após) 
- Isolamento viral (com swab nasal ou da orofaringe) 
 ideal é realizar os dois métodos diagnósticos 
 
MEDIDAS PROFILÁTICAS 
- Vacinação (mais comum e eficaz): todos os equídeos (primovacinação em 2 doses com intervalo de 4 a 6 meses entre 
as duas, dose de reforço após 6 meses, seguida de revacinação anual) 
 potros nascidos de éguas vacinadas devem ser vacinados após 6 meses de idade (anticorpos colostrais) 
- Práticas higiênicas de manejo e quarentena de animais acometidos 
 
MEDIDAS PARA EVITAR A DISSEMINAÇÃO DA DOENÇA 
- Interdição das propriedades em caso de confirmação de foco e isolamento de animais à no mínimo 50 m de outros 
equídeos, realizando tratamento sintomático (com repouso por no mínimo 4 semanas) 
- Limpeza a desinfecção, além de proibição da realização de eventos de aglomeração de equídeos no raio de 10 km 
- Trânsito e eventos: atestado de vacinação e atestado veterinário com ausência de sinais de doenças infecciosas 
 
AULA 6: PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DA RAIVA DOS HERBÍVOROS 
RAIVA 
- Considerada uma das zoonoses de maior importância em Saúde Pública (sem cura) 
 protocolo de Milwaukee (tipo de tratamento utilizado na raiva, para diminuir 
os danos nervosos, porém com sequelas) 
- Possui evolução drástica e letal 
- Elevado custo social e econômico (morte de milhares de cabeças, gastos indiretos com vacinação dos animais, 
números tratamentos pós-exposição de pessoas que mantiveram contato com animais suspeitos) 
- Bovinos são os herbívoros mais suscetíveis (principalmente os que são criados extensivamente) 
 
CICLO DA RAIVA 
- Ciclo aéreo: transmissão do vírus por morcegos hematófagos a 
espécies suscetíveis (animais ou humanos) 
- Ciclo silvestre: transmissão do vírus por animais silvestres a espécies 
suscetíveis (domésticos ou humanos) 
 principalmente canídeos silvestres e primatas 
- Ciclo urbano: transmissão do vírus por animais domésticos a espécies 
suscetíveis (animais de produção ou humanos) 
- Ciclo rural: transmissão do vírus por animais rurais a espécies 
suscetíveis (humanos) 
 
Principal transmissor de raiva no Brasil: morcegos hematófagos (principalmente o Desmodus rotundus) – espécie 
abundante em regiões de exploração pecuária 
 ato de lambedura entre morcegos promove a disseminação do vírus na colônia 
 
PATOGENIA 
- Porta de entrada: lesões na pele provocadas por mordedura do morcego com presença do vírus na saliva. 
- A variabilidade do período de incubação depende: 
 Capacidade invasiva, Patogenicidade, Ponto de inoculação (quanto mais próximo do SNC, menor será o 
período de incubação) e Resistência do hospedeiro 
 período de incubação pode chegar até 6 meses 
- É uma doença que deve ser notificada imediatamente ao SVO no caso de suspeita (sintomatologia nervosa) 
 
OBJETIVOS DO PNCRH 
- Proteger os rebanhos susceptíveis à raiva, através de vacinação,controle dos transmissores (morcegos), controle do 
trânsito animal, sistema eficaz de vigilância epidemiológica, estimular a participação comunitária da defesa sanitária 
animal e reduzir a prevalência da raiva na população de herbívoros domésticos 
 
- A Coordenadoria de Defesa Agropecuária faz estudos da situação sanitária dos estados, e de acordo com o 
comportamento e manifestação da doença, classificando a área como endêmica, epidêmica, esporádica ou silenciosa 
- Em regiões de risco de São Paulo, recomenda-se a vacinação de bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e equídeos 
- Vacinação de animais domésticos não impede a propagação do vírus pelo ciclo silvestre 
 
DESMODUS ROTUNDUS 
- Morcego de porte médio, de 37 cm da ponta de uma asa para a outra, pesando de 29 gramas. 
- Possui orelhas pontudas e curtas, além de apresentar a “fosseta labial” (forma de “v” no 
sulco mediano do lábio inferior) 
- Age esfoliando a pele do animal, até sangrar para lamber (na sua saliva há substâncias 
anticoagulantes) 
- Esta espécie possui a membrana interfemural pouco desenvolvida 
- Alimentação: hematófago (ingere sangue de animais, podendo aceitar aves ou pessoas) 
- Alberga o vírus da raiva nas glândulas salivares 
- Formam colônias com 10 a 50 indivíduos, e possuem o hábito de fazer a higiene corporal lambendo-se 
- Habitam em cavernas, bueiros, ocos de arvores, minas, grutas, sob ponte, túneis, forno de carvão abandonado, porões 
- Fezes de aspecto de sangue e cheiro amoniacal (odor muito forte) 
 
MÉTODOS DE CONTROLE DA POPULAÇÃO DE MORCEGOS 
- Método restritivo: utilizar barreiras que evitem a formação de colônias e presença dos morcegos 
- Método seletivo direto: captura do morcego no abrigo ou em redes perto do curral, para se passar pasta vampiricida 
(com warfarina, que é anticoagulante), e soltá-lo para retornar ao abrigo, para que ao se lamberem, os animais morram, 
controlando assim esta população 
- Método seletivo indireto: aplicar pasta vampiricida ao redor da ferida dos animais, pois os morcegos predam a 
mesma ferida (pois já está esfoliada) 
 
Os abrigos das populações de Desmodus rotundus são controlados, cadastrados e revisados, para que haja controle 
destas populações de morcegos neles existentes (não se pode promover a morte de todos os morcegos desta espécie, 
devido sua importância no meio ambiente). 
- Quando animais são predados, é necessário promover o controle deste abrigo 
 
ATENDIMENTO A FOCO 
- Realizar colheita de material, para suspeita de raiva e encefalopatia espongiforme bovina (coletar parte do cérebro e 
cerebelo para raiva, e tronco encefálico para encefalopatia espongiforme bovina) 
 Corpúsculo de Negri: observados em Imunofluorescência indireta 
- Vacinação: vacinar todos os animais suscetíveis no foco e nas propriedades vizinhas num raio de 10 km 
- Controle da população de morcegos hematófagos num raio de 10 km 
- Animais que venham a óbito: enterra em vala séptica ou incineração (não se sacrifica os animais) 
 
PRÉ-EXPOSIÇÃO E SOROLOGIA 
- Vacinação de pré-exposição no esquema de 3 doses: aplicação no dia 0, dia 7 e dia 28 
 via de administração: intramuscular profunda ou intradérmica (braço ou abdômen) 
Organização Mundial de Saúde aprovou um novo protocolo para pré-exposição com 4 doses: 
 dia 0: realizar em dois locais diferentes (intradérmica de 0,1 ml e intramuscular profunda de 0,5 ml) 
 dia 7: realizar em dois locais diferentes (intradérmica de 0,1 ml e intramuscular profunda de 0,5 ml) 
 eliminou-se o dia 28 da pré-exposição 
- Sorologia após 14º dia após última dose do esquema (satisfatório quando título for acima de 0,5 0,5UI/ml) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 7: PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE E ERRADICAÇÃO DA BRUCELOSE E TUBERCULOSE 
Objetivos do programa: reduzir impacto negativo das zoonoses na saúde humana e animal, reduzir prevalência e 
incidência da brucelose e tuberculose e criar um número significativo de propriedades certificadas 
 
 O programa visa o controle e erradicação da brucelose e tuberculose bovina e bubalina 
- Tem como estratégias: medidas sanitárias compulsórias (vacinação) e ações de adesão voluntária (certificação) 
- Medidas Sanitárias Compulsórias: vacinação de fêmeas entre 3 a 8 meses, contra Brucelose e o controle do transito 
de animais destinados à reprodução e participação de eventos agropecuários 
- Medidas de Adesão Voluntária: certificação de propriedades livres e monitoradas 
 
BRUCELOSE 
- Doença infecciosa crônica, acomete animais e o homem (zoonose) 
- Agente causador: bactérias do gênero Brucella abortus em bovinos e bubalinos 
- Diminui o valor comercial dos animais das propriedades, e desvaloriza animais em regiões endêmicas 
Sinais Clínicos nas Fêmeas: 
 abortos, baixos índices reprodutivos, maior intervalo entre partos, menor produção de leite, morte de bezerros 
 após a infecção: aborto na 1ª gestação subsequente (pouco frequente na 2ª e infrequente nas outras, pela 
imunidade celular que se adquire), placentite necrótica (lesões nos placentomas, que causa o aborto) e retenção 
da placenta 
 após o primeiro aborto, é comum natimortalidades e nascimentos de bezerros mortos 
Sinais Clínicos nos Machos: 
 infecção nos testículos, epidídimo e vesículas seminais, orquite (inflamação testicular) uni 
ou bilateral: maior ou menor volume testicular e secreção purulenta 
 lesões articulares 
Vacinação 
- Vacinação obrigatória contra Brucelose em fêmeas entre 3 a 8 meses de idade 
- Vacina oficial do PNCEBT: vacina B19 
 vacina RB51 (utilizada somente para vacinação estratégica de fêmeas adultas) 
- Marcação de um “V” no lado esquerdo com algarismo final do ano de vacinação (animais 
com registros genealógicos não são marcados) 
- Proibida a vacinação de machos, fêmeas com mais de 8 meses e gestantes 
 
ROTINA DE TESTES DIAGNÓSTICOS 
- Realizados em fêmeas com idade igual ou maior que 24 meses e vacinadas, e em fêmeas e machos não vacinados 
com mais de 8 meses de idade (não realiza-se em animais castrados) 
Testes oficiais: 
 Testes de Triagem: Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) e Teste do Anel em Leite (TAL) 
 Testes Confirmatórios: 2-Mercaptoetanol (2-ME) e Fixação de Complemento (FC) 
 
TESTE DO ANTÍGENO ACIDIFICADO TAMPONADO (AAT) 
- Teste de rotina, realizado por veterinário credenciado no MAPA ou laboratório credenciado 
- Consiste na mistura do soro do animal junto com o antígeno, que é corado com Rosa-Bengala 
- Caso haja aglutinação (ag + ac), o teste é positivo, e percebe-se a formação de grumos 
- Caso não ocorra aglutinação, o teste é negativo, não tendo formação de grumos 
- Em casos positivos, o animal ou será sacrificado, ou será realizado o teste confirmatório 
- Pode haver reação cruzada com outras infecções bacterianas, sendo assim, recomenda-se 
realizar o confirmatório 
TESTE DO ANEL EM LEITE (“RING TEST”) 
- Teste de rotina, para identificação de rebanhos contaminados 
- Consiste na mistura de leite de vários animais junto com antígenos corados com hematoxilina 
- Caso ocorra aglutinação (ag + ac), o teste é positivo, e observa-se um anel azul na superfície 
- Caso não ocorra aglutinação, o teste é negativo, e observa-se um anel 
branco com o leite azul 
- Resultados falso-positivos: mastite, leite ácido, colostro 
 
2-MERCAPTOETANOL (2-ME) 
- Teste confirmatório, baseado na quebra de anticorpos (mais especifico) 
- O 2-Mercaptoetanol realiza a quebra dos anticorpos anti-Brucella 
- Em reações positivas, a solução permanece límpida 
- Em reações negativas, a solução permanece turva 
- Em casos positivos, deve-se fazer o sacrifício do animal 
- Em casos inconclusivos, pode-se fazer novamente (se inconclusivo 
novamente, sacrificar) ou fazer a FC 
 
FIXAÇÃO DE COMPLEMENTO (FC) 
- Outro teste confirmatório, sendo uma prova muito eficiente, tem uma boa sensibilidade e especificidade 
- Porém é bastante complexa e exige um laboratório específico 
- Feitasomente quando os animais são reagentes ao AAT ou quando são inconclusivos ao 2-Mercaptoetanol 
- É o exame que deve ser realizado para o trânsito internacional de animais 
- Determina a presença e quantidade de antígeno e anticorpo da amostra (distingue vacinação de infecção) 
 
 
 
 
TUBERCULOSE 
- Doença infecciosa crônica, acomete animais e o homem (zoonose) 
- Agente causador: bactérias Mycobacterium bovis em bovinos e bubalinos 
- Gera prejuízos no rebanho (mortalidade, queda de produção, condenação de carcaça, descarte) 
- A doença se mantem no rebanho de acordo com o tipo de exploração (animais de leite permanecem mais tempo na 
propriedade que animais de corte), densidade populacional (animais confinados) 
Patogenia (transmissão principal por via respiratória) 
 1ª fase: contaminação por aerossóis levam a bactéria aos macrófagos dos alvéolos pulmonares 
- dependerá da virulência do microrganismo, carga infectante e resistência do hospedeiro o destino da bactéria 
- linfonodos mediastínicos são os mais acometidos pela tuberculose 
 2ª fase: destruição dos macrófagos e multiplicação das micobactérias quando não eliminadas 
- onde a bactéria se aloja, há a manifestação de cáseos 
 3ª fase: destruição dos próprios tecidos por necrose de caseosa 
*Frequência de animais assintomáticos é alta ( 
- Lesões macroscópicas: nódulos purulentos ou caseosos e lesões calcificadas (linfonodos, pulmão, fígado, úbere) 
- Sinais clínicos: caquexia, hiperplasia de linfonodos superficiais ou profundos, tosse, dispneia, mastite e infertilidade 
 
MEDIDAS PREVENTIVAS 
- Produtor deve adquirir animais negativos ao teste intradérmico de tuberculose 
- Identificação e eliminação de animais infectados 
- Não há vacina nem tratamento para tuberculose 
 
TESTES DIAGNÓSTICOS 
- Testes alérgicos de tuberculinização intradérmica em bovinos e bubalinos com idade igual ou maior que 6 semanas, 
fêmeas prenhes com teste 15 dias antes ou depois do parto, e reteste de 60 a 90 dias pós-parto 
- Tuberculina: derivado proteico purificado (PPD), utilizando-se o PPD Bovino e o PPD Aviário 
o Testes de Rotina: Teste Cervical Simples (para gado de leite) e Teste da Prega Caudal (para gado de corte) 
o Teste Confirmatório: Teste Cervical Comparativo 
 
TESTE CERVICAL SIMPLES (TCS) 
Teste de triagem para gado de leite e de corte 
o Local da Inoculação: terço médio da tábua do pescoço ou região da escápula 
o Dosagem: 0,1 mg de PPD bovino via intradérmica 
o Leitura: antes da aplicação e 72 horas após inoculação (entre 66 a 78 horas após) 
o Interpretação: avaliação visual (mede-se espessura da pele antes, e 
subtrai pela espessura após inoculação) 
- Animais inconclusivos: pode-se realizar o teste confirmatório após 60 a 
90 dias ou se o médico veterinário considerar positivo, sacrificar o animal 
 
TESTE DA PREGA CAUDAL 
- Teste de triagem para gado de corte 
o Local da Inoculação: prega da cauda (6 a 10 cm da base da cauda na junção de peles pilosas e glabras) 
o Dosagem: 0,1 mg de PPD bovino via intradérmica 
o Leitura: em média 72 horas após inoculação (entre 66 a 78 horas após) 
o Interpretação: avaliação visual e palpação (caso seja positivo, haverá aumento de volume na prega inoculada) 
- Animais inconclusivos: pode-se realizar o teste confirmatório após 60 a 90 dias ou sacrificar o animal 
 
ΔB= diferença da espessura 
da pele na tuberculina bovina 
TESTE CERVICAL COMPARATIVO 
- Teste confirmatório para gado de leite e de corte (diagnóstico de reações inespecíficas) 
o Local da Inoculação: terço médio da tábua do pescoço ou região da espinha da escápula 
o Dosagem: 0,1 mg de PPD bovino e 0,1 mg de PPD aviário via intradérmica 
o Leitura: antes da aplicação e 72 horas após inoculação (entre 66 a 78 horas após) 
o Interpretação: diferença do tamanho da espessura entre as 
reações de PPD bovino e PPD aviário 
- Distância de 15 a 20 cm das inoculações 
- Utilizado para animais positivos ao TPC, inconclusivos ao TCS e para 
certificação da propriedade como livres 
- Animais inconclusivos devem ser submetidos à um segundo TCC após 60 dias, ou serem sacrificados 
- Se o animal tiver 2 exames inconclusivos, será dado como positivo, e sacrificado 
 
ANIMAIS REAGENTES POSITIVOS PARA BRUCELOSE E TUBERCULOSE 
- Marcação a ferro quente no lado direito da face 
- Animais isolados e sacrificados em até 30 dias em estabelecimentos de Serviço Veterinário ou na propriedade 
- Animais sacrificados: carne não serve para consumo, e carcaças são eliminadas (enterradas ou incineradas) 
- Animais abatidos com tuberculose e brucelose: dependendo do grau da lesão, pode ter aproveitamento condicional 
segundo regras do SIF 
 
Medidas de Saneamento para Brucelose: testar todos os animais e sacrificar os reagentes positivos, vacinar fêmeas 
entre 3 a 8 meses, e testar as fêmeas vacinadas com idade superior a 24 meses e machos e fêmeas não vacinados, a 
partir dos 8 meses de idade 
Medidas de Saneamento para Tuberculose: testar todos os animais e sacrificar os reagentes positivos, e testar todos 
os animais com idade superior a 6 semanas 
 
CERTIFICAÇÃO PARA PROPRIEDADES LIVRES DE BRUCELOSE OU TUBERCULOSE 
- A propriedade será certificada, quando obtiver 3 testes negativos para brucelose e tuberculose (valida por 12 meses) 
- Quando ocorrer reinfecção do rebanho, ocorre perda temporária da certificação 
- Recuperação do certificado após 2 testes negativos em todos animais 
- Ingresso de animais: 2 testes negativos no intervalo de 3 meses (se for de propriedades livres, sem exigências) 
 
CERTIFICAÇÃO DE PROPRIEDADES MONITORADAS 
- Somente estabelecimentos destinados a criação gado de corte 
- Testes realizados em fêmeas com mais de 24 meses e vacinadas, e machos reprodutores 
- Periodicidade: anual para brucelose e a cada 2 anos para tuberculose 
 
CONTROLE DE TRÂNSITO DE ANIMAIS 
- Exigência de diagnóstico para o transito de animais destinados à reprodução, animais que participam de exposições 
devem apresentar resultados negativos ou serem de propriedades livres, e comprovação da vacinação nas GTAs das 
fêmeas 
ΔA= diferença da espessura 
da pele na tuberculina aviária 
ΔB= diferença da espessura 
na tuberculina bovina 
Manter rotina de exames: de 10 a 12 meses 
para, refazer testes de brucelose e tuberculose 
AULA 8: PLANO NACIONAL DE SANIDADE DE CAPRINOS E OVINOS 
DOENÇAS DOS CAPRINOS E OVINOS 
- Scrapie, Raiva e Febre Aftosa 
 scrapie e raiva acometem o sistema nervoso destes animais 
 todas estas são doenças de notificação imediata em 
qualquer caso suspeito 
 
SCRAPIE 
- Também conhecida como Paraplexia enzoótica dos ovinos, promove uma neurodegeneração, acometendo inervação 
periférica, em sentido ao SNC 
- Não é considerada uma zoonose (não há hábito de consumo de produtos que contenham o agente) 
- Animal se esfrega contra lugares e objetos, demonstrando áreas alopécicas no dorso 
- Raças de “cara negra” são os mais acometidos por esta enfermidade (suffolk e Hampshire) 
- Doença causada pelo acúmulo de proteína priônica infecciosa no SNC 
 proteína não promove uma resposta imune (logo, métodos sorológicos são ineficazes) 
 resistente a inativação por processos fisioquímicos e proteases 
- Afeta os ovinos e caprinos de 2 a 4 anos de idade 
- Transmissão: principalmente oral (pela ingestão de placenta e fluidos de mãe contaminada) 
o período de incubação é longo, de 2 a 5 anos, por isso filhotes não demonstram sinais 
- Suspeita: animais com mais de 12 anos, com apresentação de sinais nervosos com mais de 15 dias 
- Diagnóstico: imunohistoquímica em amostras de tecido nervoso ou linfoide 
Formas clínicas da doença 
 forma pruriginosa: prurido na região lombar (causando a alopecia nesta área) 
 forma nervosa: hiperexcitabilidade, bruxismo (ranger de dentes), incoordenação motora 
Coleta de amostras para diagnóstico: 
 in vivo: coleta de tecidos linfoides (tonsilas e tecidos linfoides na 3ª pálpebra e naprega ano-retal) 
 post mortem: amostras de tecido do SNC (ovinos e caprinos possuem o seio frontal mais grosso) 
- todo o tronco encefálico, juntamente com a região do Obex 
- coletas realizadas por veterinário treinado 
Diagnóstico: imunohistoquímica ou histopatologia 
Atuação em foco: Interdição do estabelecimento, e realização de questionário de Investigação Epidemiológica. A 
notificação imediata e obrigatória na suspeita, e realiza-se o sacrifício sanitário e eliminação dos animais positivos 
 questionário: coletar dados sobre o manejo reprodutivo, destino de placentas, origem dos animais e raça 
Identificação e isolamento dos animais de alto risco (parentes, que podem ter disseminado a doença, ficando à critério 
do SVO o destino deste animais) e identificação e isolamento dos animais expostos. Colher a amostra de tecido 
linfóide dos animais expostos com mais de 12 meses de idade 
Abate sanitário: em estabelecimento inspecionado (municipal, estadual ou federal) 
Prevenção: não há vacinação, mas deve-se proibir importação de ovinos de zonas de risco. Controle de manejo 
reprodutivo (local de parição), descarte de restos placentários, e manter banco de dados do rebanho 
 
RAIVA 
- Prevenção: vacinar o rebanho em locais determinados pelo DSA; comunicar presença de abrigos de morcegos; 
notificar casos de animais com suspeita da doença; controle populacional de morcegos hematófagos 
 
FEBRE AFTOSA 
- Prevenção: vacinação dos rebanhos bovinos e bubalinos (únicos vacinados, ovinos e caprinos são sentinelas), e em 
casos de suspeita, colher material para diagnóstico (e animais positivos são abatidos) 
AULA 9: PLANO NACIONAL DE SANIDADE AVÍCOLA 
INTRODUÇÃO 
- Objetivos: prevenir, controlar e erradicar principais doenças; promover medidas para 
certificação sanitária; oferecer produtos seguros para o mercado interno e externo; atender 
as demandas do setor; investir em diferentes áreas de produção e manter o status sanitário. 
- Compartimentação: trata-se da estruturação da produção em compartimentos, que 
mapeiam e isolam plantas e estruturas de granjas e tem como objetivo a prevenção e a 
biosseguridade com a redução do risco de introdução de agentes causadores de doenças no 
plantel. É um sistema de produção fechado, no qual os ovos, os pintainhos, o abate, os 
caminhões de ração devem circular somente dentro desse compartimento. 
 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA 
- Doenças nunca registradas no Brasil: hepatite viral do pato, rinotraqueíte do peru, influenza aviária 
- Notificação obrigatória em casos suspeitos: Doença de Newcastle e Laringotraqueíte Infecciosa Aviária 
- Notificação obrigatória em casos confirmados: clamidiose, micoplasmose e salmonelose 
 
INFLUENZA AVIÁRIA 
- Doença causada pelo vírus Influenza, possuindo dois tipos: o de alta patogenicidade e o de baixa patogenicidade 
Vírus de alta patogenicidade : infectam com mais facilidade os humanos 
 H5N1 (estirpe que mais acomete os humanos), H9N2, H7N7 e H7N2 
H e N indicam as proteínas da composição viral: 
- Hemaglutinina e Neuraminidase : proteínas situadas na camada mais externa do vírus que tem a capacidade 
de se ligar a um açúcar do hospedeiro (ácido siálico) 
- hemaglutinina: se liga para que o vírus possa entrar na célula do hospedeiro, e nela se reproduzir, além de 
promover uma hemaglutinação (aglutinação de hemácias) 
- neuraminidase: se liga ao açúcar para que o vírus possa sair da célula do hospedeiro e infectar outras células 
- o que determina o número que acompanha as proteínas, é a quantidade de aminoácidos destas proteínas 
- Sinais clínicos: leva a uma conjuntivite branda até óbitos (período de incubação de 21 dias) 
- Fatores de risco: maior risco da disseminação da doença é por aves migratórias que possam trazer o vírus e 
disseminá-lo a aves de fundo de quintal e aves de produção. Viajantes com destino a áreas afetadas pela doença. 
Criação de múltiplas espécies. Comércio de material genético, produtos e subprodutos avícolas. Vetores mecânicos. 
- Possíveis ações que contribuem para o Status Sanitário (livre de influenza aviária): 
 Treinamento aos Médicos Veterinários e Fiscais (para a doença de Newcastle e influenza aviária): 
- coleta de materiais e envio para a LANAGRO, intensificação de ações nas fronteiras 
- maior fiscalização para aves e produtos avícolas 
- elaboração e divulgação de notas técnicas sobre a doença 
- atualização do cadastro de propriedades avícolas industriais e de subsistência próximas a áreas de risco; 
- realização de inquéritos soroepidemiológicos em aves migratórias: realizado por amostragem de aves, 
verificando se há a presença do vírus 
- suspensão da Importação de países onde houve casos da doença 
 Rota de migração das aves: migração das aves pela rota Atlântico-América e Mississipi-Américas são as de 
maior risco para propagação da doença no território nacional (caso ocorra surtos nos EUA, pode promover a 
disseminação da doença ao Brasil) 
- porém, acredita-se que a diferença do clima americano com o brasileiro contribua para que a doença não seja 
disseminada no território nacional 
 Medidas sanitárias: adoção programas de sanidade com uso de vacinas, monitoramento doenças, medidas de 
biosseguridade e controle do trânsito e rigoroso Controle Sanitário 
DOENÇA DE NEWCASTLE 
- Últimos surtos foram em 2006 em Manaus e Mato Grosso (é uma doença de notificação na suspeita, o que auxilia 
que não haja propagação e formação de surtos) 
- Estados livres da doença: SP, MG, GO, MT, MS, PR, SC, RS e DF 
 caso haja algum registro da doença nestes estados, eles perdem o status de zona livre 
- Notificação durante a suspeita (na apresentação dos sinais clínicos): comunicação ao SVO para a contenção do 
agente e erradicação da doença 
 em caso de mortalidade de 5% aves silvestres e 10% aves domésticas, notificar em até 72 hs. 
 
FOCOS DE NEWCASTLE E INFLUENZA AVIÁRIA 
- Estratégias de atuação: notificação durante a suspeita (notificar o SVO, para envio das amostras); interdição da 
propriedade, abertura de um Form-in (documento de abertura do foco), registro de categoria, número de aves mortas, 
com ou sem sinais clínicos; manter aves do plantel sem deslocamento e controle pelo médico veterinário oficial do 
trânsito de pessoas, animais, veículos e materiais. Fechamento com Form-com (documento de fechamento do foco). 
- Após a confirmação: sacrifício imediato (antes, realizar injeção de gás carbônico ou monóxido de carbono, com 
animais amontoados embaixo de lona, ou com fármacos em água de bebida, para causar insensibilização) 
 método de sacrifício: eletrocussão, deslocamento cervical, decapitação ou concussão cerebral 
- destruir aves e todo material em contato com aves: rações, camas, fezes, carne proveniente abatedouro, ovos 
(incineração ou enterro) e enterro de aves e outros materiais (autorização de órgão ambiental para não 
comprometer os lençóis freáticos), limpeza e desinfecção completa instalações e vazio sanitário no mínimo 
(21 dias após segunda desinfecção) 
- 72 horas após a segunda desinfecção realizar a introdução de aves sentinelas 
- de acordo SVO outros estabelecimentos podem ser interditados: 3km (zona de proteção) e 7km (zona de 
vigilância) a partir do foco 
Área do foco: estabelecimento avícola no qual foi constatada a presença de uma ou mais aves afetadas pela doença; 
Área de Proteção: zona de proteção compreende a área dentro de um raio de 3 (três) km ao redor do foco. É 
considerada como área com grande possibilidade de estar infectada. 
Zona de Vigilância: a área num um raio de 7 (sete) km a partir da zona de proteção ao redor do foco 
 
SALMONELOSE AVIÁRIA 
 Pulerose: S. pullorum (somente avícola) 
 Tifo aviário: S. gallinarum (somente avícola) 
 Paratifo aviário: S. enteritidis e S. typhimurium (zoonoses) – promovem surtos de toxinfecções 
- Notificação somente em casos de confirmação 
- IN 78: propriedades livres de Salmonellagallinarum e de Salmonella pullorum e Livres ou Controlados para 
Salmonella enteritidis e para Salmonella typhimurium. 
Estabelecimentos Avícolas de Controles Permanentes (devem atender os requisitos da IN 78): Granjas reprodutoras, 
Granjas Linhagens puras, Bisavoseiras, Avoseiras, Matrizeiras, Granjas de aves reprodutoras SPF e Incubatórios 
 somente os matrizeiros podem receber vacinação contra salmonelose (vacina inativada contra S. enteritidis) 
Estabelecimentos Avícolas de Controles eventuais: Produtores ovos comerciais, Produtores de frangos de corte, 
Exploração aves silvestres/ornamentais/exóticas e Incubatórios 
 vacinação pode ser realizada em todos estes 
- Vacinação: não é realizada em avoseiros, bizavoseiros e granjas de seleção genética de reprodutoras. Proibido 
qualquer vacina oleosa ou medicamentos que possam influenciar no teste 
- Certificação: livre para S. gallinarum e S. pullorum e livre ou controlado para S. enteritidis ou S. typhimurium 
 será habilitada ao compra de aves ou ovos férteis procedentes de núcleos habilitados, mas poderá vender para 
qualquer núcleo. 
- Fatores de risco: falta de controle de roedores e insetos, água contaminada, proliferação de pragas 
alta mortalidade nas aves 
AULA 10: PROGRAMA NACIONAL DE SANIDADE SUÍDEA 
INTRODUÇÃO 
- Objetivos do PNSS: visa impedir a introdução de doenças exóticas, controlar e erradicar doenças já existentes através 
do controle sanitário oficial em estabelecimentos de criação de suídeos que desenvolvam atividades 
relacionadas a produção, reprodução e comercialização e distribuição de suídeos e material genético 
- A certificação é por adesão voluntária 
 porém, a comercialização/distribuição de suídeos, material de multiplicação e a participação em 
exposições, feiras e leilões, somente serão permitidos àqueles procedentes de Granjas Certificadas 
- Visa à vigilância, profilaxia, controle e erradicação de doenças que afetam o plantel nacional de suídeos 
 
GRANJA DE REPRODUTORES SUÍDEOS CERTIFICADOS (GRSC) 
- Certificação Livre para: Peste Suína Clássica, Doença de Aujeszky, Brucelose, Tuberculose e Sarna 
- Certificação Livre ou Controlada para: Leptospirose 
 para obter a certificação, a granja deve apresentar 2 exames negativos no intervalo de 2 a 3 meses 
 monitoramento da granja ocorre semestralmente (de 6 em 6 meses) 
 as granjas já certificadas que não cumprirem integralmente as condições acima mencionadas perderão a 
condição de granja de reprodutores suídeos certificados 
 
PRÁTICAS DE BIOSSEGURANÇA 
- Livro de visitas (possuir banheiro, chuveiro e vestuário para os empregados); Cerca periférica com entrada única; 
Sistema de desinfecção (de pessoas, veículos e materiais); Rodolúvio e Pedilúvio; Acompanhamento oficial das 
atividades; Controle e fiscalização de transito de suídeos; Controle de Vetores e Roedores; Quarentenário. 
 
PESTE SUÍNA CLÁSSICA (PSC) 
- Doença de notificação obrigatória causada pelo Pestivírus suíno 
- Acomete os suídeos, tendo período de incubação de 7 a 10 dias, e elevada mortalidade 
em animais jovens, além de causar embargo à exportação de produtos e subprodutos 
- Vacinação é proibida em todo o território nacional (exceto em decisão do DDA por 
risco eminente de disseminação após a confirmação de um foco) 
- Zonas Livres: RS, SC e PR formam os primeiros estados livres 
 atualmente, região norte e nordeste estão passando pelo processo de erradicação 
 zona livre: considerada na região com ausência de foco de Peste Suína Clássica e 
ausência de vacinação nos últimos 12 meses 
- Vírus persiste no ambiente em até 10 meses e estresse predispõe sua ação 
- Transmissão: urinas, ferimentos na pele, secreções conjuntivais, secreções nasais, 
sêmen, via oral e aerógena, placentária e pelo leite e colostro 
- Sinais clínicos: 
 forma aguda: febre alta (41º C), lesões hemorrágicas, conjuntivite purulenta, 
cianose nas extremidades, sinais nervosos (bruxismo, dificuldade de 
locomoção), vômito, diarreia, anorexia e aborto 
 forma crônica: anorexia e depressão, febre, infecções bacterianas secundárias, 
nascimento de leitões debilitados com tremor 
- Diagnóstico: 
o ELISA: com soro límpido, sem hemólise, congelados, ou órgãos de animais suspeitos que foram sacrificados 
- utiliza-se órgãos de animais suspeitos que foram sacrificados (tonsilas, baço, gânglios faríngeos e 
mesentérios) que estejam refrigerados ou congelados 
o Teste de Neutralização: resultados suspeitos ou positivos (não é confirmatório) 
- Estratégias para erradicação: notificação imediata e sacrifício sanitário dos animais acometidos (no máximo até 24 
horas, e incinerar ou enterrar no próprio local) e em contatos diretos; controle de trânsito; abate sanitário dos animais 
que tiveram contato indireto com o foco caso demonstrem sinais; limpeza e desinfecção; vazio sanitário (mínimo 10 
dias); introdução de suídeos sentinelas para comprovar a ausência da doença (animais de 60 dias de idade, 
introduzindo os animais após 15 e 30 dias); repovoamento após 2 resultados negativos 
 possuir vigilância em suídeos de vida livre (também são acometidos pela doença, e podem propagar aos suínos 
domésticos muito facilmente quando em contato próximo) 
DOENÇA DE AUJESZKY 
- Doença de notificação obrigatória causada por um Herpevírus 
- Hospedeiros são os suídeos, sendo os leitões os mais susceptíveis, e pode acometer ruminantes, cães e gatos, sendo 
neles fatal 
- Grande prejuízo econômico, tendo 100% de mortalidade dos leitões, e aborto em matrizes 
- Não há tratamento, sendo a vacina proibida em todo território, exceto em decisão do DDA e a critério do SVO 
- Transmissão: 
 direta: secreções nasais, saliva, excretas, leite, mucosa vaginal e prepucial 
 indireta: aerossóis, fômites, transplacentária, restos de parto e aborto, veículos e pessoas, portadores latentes 
- Patogenia: infecção pelas vias respiratórias e oral, com período de incubação de 2-6 dias, sendo que o vírus se 
multiplica inicialmente no epitélio respiratório, e pode atingir o sistema nervoso, respiratório e o sistema reprodutivo 
 após a infecção aguda, vírus pode entrar em latência nos gânglios, e em situações de estresse, animal pode vir 
a eliminar o vírus para os outros animais 
- Sinais clínicos: 
 leitões em maternidade : febre, depressão e inapetência, sintomas 
neurológicos (saliva espumosa, convulsões e tremores, hipotermia, 
mortalidade de 100%) 
 leitões em creche: sinais neurológicos, tosse, espirros, pneumonia, 
imunodepressão, refugagem, mortalidade de 100% 
 leitões em engorda: sinais respiratórios (tosse, espirros, corrimentos 
nasais), sinais nervosos esporádicos, baixa mortalidade 
 porcas: abortos, repetição do cio, baixa mortalidade 
- Imunização: vacina não previne a infestação latente, mas reduz o impacto viral, e previne a manifestação dos sinais 
clínicos e eliminação. Pode ser realizada por tempo determinado por decisão do DDA (em foco e regiões endêmicas). 
Permitido uso de vacinas inativadas ou viva atenuada com ausência de glicoproteína viral gE (falso positivo) 
- Diagnóstico: 
o ELISA: diferencia anticorpos vacinais e decorrentes de infecção 
o teste de neutralização 
o PCR (amostras de cérebro, baço, pulmão e fetos abortados por isolamento viral) 
- Normas para controle e erradicação da DDA: 
 Plano de adesão voluntária: estados com interesse em ser considerados livres da Doença de Aujeszky 
 Plano de contingência: medidas a serem tomadas em todo o território nacional em caso de foco da Doença de 
Aujeszky 
- Estratégias de atuação em focos: interdição do estabelecimento; investigação soroepidemiológica (coleta de amostras 
num raio de 5 km do foco); despovoamento das granjas com diagnóstico positivo (sacrifício ou abate); controle de 
trânsito; vazio sanitário (mínimo 30 dias); poderá ser orientada a vacinação imediata 
 repovoamento somente com reprodutores de GRSC 
- Estratégias de despovoamento: pode se fazer o despovoamento de 3maneiras, dependendo da propriedade: 
 locais livres de Doença de Aujeszky (despovoamento imediato): sacrificar todo o rebanho, promover limpeza 
e desinfecção rigorosa, e promover um vazio sanitário de no mínimo 30 dias 
 produção de leitões e animais para engorda (despovoamento gradual): sacrifício de animais com sinais 
clínicos, vacinar animais com mais de 7 dias de idade, e promover um vazio sanitário de no mínimo 30 dias 
 erradicação por sorologia (mediante testes periódicos): sacrifício sanitário dos animais positivos, vacinar o 
rebanho com mais de 7 dias, promover uma nova sorologia 30 dias após a identificação da doença no plantel 
(abater os animais positivos) e repetir sorologias a cada 60 dias, até obtenção de 2 resultados negativos 
- Controle de trânsito: é proibido o trânsito de suídeos vacinados (exceto quando para abate imediato ou quando 
autorizado pelo DDA, em veículo lacrado), trânsito interestadual acompanhado de GTA e certificado emitido pelo 
SVO atestando que a granja não teve ocorrência da doença nos últimos 12 meses (exceto estados que são livres da 
doença, que não recebem animais vacinados, como o caso de Santa Catarina) 
 é proibido trânsito interestadual de produtos ou subprodutos oriundos de suídeos que foram submetidos ao 
abate sanitário devido a ocorrência de Doença de Aujezsky 
TUBERCULOSE 
- Zoonose causada pela bactéria do gênero Mycobacterium 
- Sinais Clínicos: tosse, pneumonia, emagrecimento 
- Certificação: diagnóstico de 6 em 6 meses 
- Diagnóstico: Teste Cervical Comparativo em reprodutores machos e fêmeas 
- Granja infectada: ocorre a suspensão da certificação 
 
BRUCELOSE 
- Zoonose causada pela bactéria do gênero Brucella 
- Sinais Clínicos: aborto em porcas, orquite e infertilidade nos machos e claudicação 
- Certificação: diagnóstico de 6 em 6 meses 
- Diagnóstico: Antígeno Acidificado Tamponado (AAT), 2-Mercaptoetanol (2ME) e Fixação de Complemento (FC) 
- Granja infectada: suspensão da certificação, sacrifício dos animais positivos, reteste do plantel após 30 dias, e se os 
casos persistirem positivos, a granja perde a certificação 
 
LEPTOSPIROSE 
- Zoonose causada por bactérias do gênero Leptospira, que são eliminadas na urina de suínos infectados e roedores 
(que atuam como reservatórios da doença) 
- Sinais clínicos: anorexia, infertilidade, abortos, nascimento de leitões fracos 
- Certificação: diagnóstico de 6 em 6 meses 
- Diagnóstico: teste de microaglutinação 
- Controle e Erradicação: medidas de biossegurança, controle de roedores, vacinação das matrizes e cachaços em 
plantel de risco 
- Granja controlada para Leptospirose com vacina: recebem certificado de “granja vacinada para tuberculose” 
 
SARNA 
- Causada por ácaros do gênero Sarcoptidae scabiei 
- Sinais clínicos: prurido intenso, formação de crostas na pele, perda de cerdas, emagrecimento, otite e infecções 
secundárias bacterianas 
- Certificação: 2 exames de raspado de pele negativos de 2 a 3 meses 
- Tratamento para erradicação: medicamentos acaricidas 
 
DOENÇAS DE CERTIFICAÇÃO OPCIONAL (diagnóstico de 6 em 6 meses) 
o Rinite Atrófica Progressiva 
o Pneumonia Micoplásmica 
o Pleuropneumonia Suína 
o Disenteria Suína 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE PÚBLICA E ZOONOSES 
AULA 11: RAIVA URBANA E SUA IMPORTÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA 
AGENTE ETIOLÓGICO 
- O vírus da raiva é do gênero Lyssavirus e pertence à família Rhabdoviridae (RNA vírus) 
- Possui dois antígenos: 
 um de superfície, constituído por uma glicoproteína, responsável pela formação de anticorpos neutralizantes e 
adsorção vírus na célula (utilizado na vacinação) 
 outro interno, constituído por uma nucleoproteína, que é grupo específico das variantes do vírus da Raiva 
(indica qual a variante do vírus) 
- Existem 5 variantes circulantes (variante morcego, variante cão, variante gato, e outras) 
 
CICLO DA RAIVA 
Dois ciclos principais: 
 ciclo aéreo: mantida por quirópteros (morcegos hematófagos e não hematófagos) 
 ciclo terrestre: mantida por canídeos (cães, raposa, cachorro do mato) e gatos 
 
RESERVATÓRIO 
- O vírus da raiva pode infectar todos os mamíferos 
- Possui 4 reservatórios principais: cães (representam mais de 50% da transmissão dos casos de raiva), morcegos, 
sagui, raposa (ciclo silvestre) - variante morcego é disseminada em maior parte por gatos (devido o hábito de caça) 
 a variante morcego é a causa de mais de 45% dos casos 
 
MORCEGOS 
- Morcegos de todos os hábitos alimentares (hematófagos, frugívoros, insetívoros, carnívoros, 
nectarívoros ou onívoros) são suscetíveis à infecção, e todos são capazes de transmitir a doença 
- Em áreas urbanas: morcegos frugívoros e insetívoros podem transmitir a raiva para cães e 
gatos devido o hábito destas espécies de predarem morcegos 
- O vírus da raiva está presente na glândula salivar antes da manifestação clínica da doença, por 
períodos maiores que os observados em outras espécies (não se sabe o período de incubação do vírus em morcegos 
 
CICLO SILVESTRE 
- Animais deste ciclo: raposa cinzenta, gambá, jaritataca, guaxinim, saguis, cachorro do mato, cachorro vinagre 
 
TRANSMISSÃO 
 vírus contido na saliva do animal infectado penetra no hospedeiro pela mordedura (principal via de 
transmissão), arranhadura e lambedura de mucosas 
 vírus penetra no organismo, multiplica-se no ponto de inoculação (local da mordedura), atinge o sistema 
nervoso periférico, posteriormente, o sistema nervoso central (disseminação centrípeta) 
 dissemina-se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica e é eliminado pela saliva das 
pessoas ou animais enfermos (disseminação centrífuga) 
- Período de incubação: extremamente variável, desde dias até anos: 
 Homem: 20 dias até 3 meses (podendo se estender até 1 ano) 
 Cão: 14 dias, em média 
 Bovinos: 14 a 150 dias 
O período de incubação está diretamente relacionado com: 
o localização, extensão, quantidade e profundidade dos ferimentos causados pelas mordeduras ou arranhaduras 
o lambedura ou contato com a saliva de animais infectados 
o distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos nervosos (quando mais próximo do sistema nervoso, 
mais rápido será a manifestação clínica) 
o concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral 
Cães e gatos: eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos, persistindo 
durante toda a evolução da doença (morte acontece, em média, entre 5 a 7 dias após a apresentação dos sinais clínicos) 
 
DIAGNÓSTICO DA RAIVA 
- Imunofluorescência direta: consiste na adição de anticorpos antivírus da raiva marcados com isotiocianato de 
fluoresceína (composto fluorescente) 
 material: hipocampo, córtex cerebral, cerebelo, bulbo 
 em caso positivo, observa-se a formação de imunocomplexos (ag+ac) fluorescentes 
- Isolamento viral em camundongo ou cultivo celular: 
 material: fragmentos de sistema nervoso central (mesmos para a IFD) 
 fragmentos do sistema nervoso central são preparados e inoculados pela via intracraniana em camundongos de 
21 dias de idade (após 30 dias realizar eutanásia dos animais que apresentarem sintomatologia nervosa) 
- Caracterização viral: técnica que consiste na identificação antigênica e genética das variantes, através da coleta do 
soro do animal infectado e avaliando-se quais tipos de anticorpos monoclonais estão presentes 
 
Em casos de agressão por cão ou gato: lavar bem a ferida com água e sabão durante 10 minutos (vírus é pouco 
resistente ao ambiente), procurar unidade de saúde mais próxima e informar sobre a saúde do animal. 
Não se sacrifica o animal  realizar observação por 10 dias e verificar a manifestação de sinais clínicos de raiva 
 caso apresente os sinais clínicos neurológicos, promover eutanásia 
Se o animal entrar em contato com morcego positivo, coloca-lo em observação 
 vacinação de 0, 7, 14 e 28 dia pós-mordida 
 
PREVENÇÃODA RAIVA 
- Profilaxia pré-exposição e Tratamento (pós-exposição): vacina e/ou Soro antirrábico (Acs) 
 vacina antirrábica humana é fabricada em cultivo celular (mais potente e segura, menor risco de reações 
adversas, e gratuita) 
 soro antirrábico é aplicado no local da mordedura e em alguns casos em outros pontos 
- Vacina antirrábica: IM (0,5 mL) ou ID (0,1 mL) 
 Pré-exposição – 3 doses nos dias 0, 7 e 28 
 Pós-exposição – 5 doses nos dias 0, 3, 7, 14 e 28 
Organização Mundial de Saúde aprovou um novo protocolo para pré-exposição com 4 doses: 
 dia 0: realizar em dois locais diferentes (intradérmica de 0,1 ml e intramuscular profunda de 0,5 ml) 
 dia 7: realizar em dois locais diferentes (intradérmica de 0,1 ml e intramuscular profunda de 0,5 ml) 
 eliminou-se o dia 28 da pré-exposição 
Vacinação massal de cães e gatos em campanhas ou casa a casa (em áreas de foco) 
- Diagnóstico laboratorial para monitoramento da circulação do vírus (amostragem em animais sentinelas, população 
canina e animais suspeitos) 
 remoção completa do encéfalo do animal para diagnóstico e remeter as amostras 
Atividades do programa: atendimento de indivíduos expostos ao risco, tratamento profilático, investigação de casos, 
campanha de vacinação, observação de cães e gatos, cobertura/bloqueio de foco, vigilância laboratorial, captura e 
destino adequado dos animais, educação em Saúde 
Conduta após confirmação de caso: 
 Notificar a Secretaria da Saúde, CCZ, Vigilância Epidemiológica 
 Proprietário: entregar animal agredido por animal raivoso 
 Sacrificar ou observar por 6 meses 
 Vacinação de “casa a casa” dos cães e gatos em raio de 5 km nas primeiras 72 h após a confirmação do foco 
 Apreender cães errantes 
 Realizar em locais adequados a observação de animais (cães e gatos) agressores, por um período de 10 dias 
 Intensificação do envio de amostras para diagnóstico laboratorial 
 Ações educativas 
 
AULA 12: ARBOVIROSES 
Arboviroses são doenças virais transmitidas por insetos hematófagos (vetores), entre elas, as principais são: 
 Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela 
 
DENGUE 
- Doença viral de caráter agudo, transmitida por mosquitos do gênero Aedes sp. 
- Principal arbovirose humana, sendo um dos principais problemas na saúde pública 
- Agente etiológico: RNA vírus, com envelope, pertencente à família Flaviviridae 
 originalmente era mantido em ciclos silvestres (primatas) 
- Existem 4 sorotipos (tipos antigênicos) que causam doença similar 
 DEN 1, DEN 2, DEN 3e DEN 4 (quando um sorotipo prevalece por um 
tempo, pessoas adquirem imunidade, e algumas desenvolvem sinais clínicos 
brandos, gerando uma notificação) 
- dependendo do sorotipo, pode ocorrer surto (em casos de troca de sorotipo numa região onde pessoas 
possuíam imunidade para outro sorotipo, um surto pode ocorrer) 
- Epidemiologia: endêmica em países tropicais (alta incidência no final do verão e períodos de chuva, que possibilitam 
a postura dos ovos em água parada) 
- Transmissão: Picada de fêmeas dos mosquitos hematófagos (principal vetor é Aedes aegypti, que possui hábitos 
diurnos e é predominantemente urbano, e realiza a ovoposição em água limpa e parada) 
- Ciclo epidemiológico: fêmea pica uma pessoa com dengue, e o vírus se multiplica nas glândulas salivares do vetor 
durante 8 a 12 dias (incubação), e durante outra hematofagia, o Aedes sp. pode transmitir a doença a humanos 
Fatores que contribuem para a reemergência da doença: 
 fatores ambientais e demográficos: crescimento populacional, urbanização acelerada e desorganizada, 
população marginalizada, facilidade de movimentação de pessoas, falência de políticas públicas e educação 
 fatores biológicos: capacidade de reprodução do vetor, transmissão transovariana (filhas de fêmeas já nascem 
contaminadas), ritmo de reprodução acelerado do mosquito e período de transmissão longo (vários dias) 
- Manifestações clínicas: 
 Infecção inaparente ou com sinais leves 
 Dengue clássica (DF) 
 Dengue ou febre hemorrágica (DHF): é mais comum com sorotipos DEN 3 e 4 
 
Dengue Clássica: período de incubação de 2 a 14 dias, com curso clínico de 3 a 5 dias 
 febre alta (39 a 40ºC) durante 2 a 7 dias (principal sinal) 
 suspeitar de dengue quando a pessoa apresenta 2 a 7 dias de febre e duas ou mais das seguintes manifestações: 
- naúseas, vômitos, exantemas, cefaleia (dor de cabeça) e dores musculares e articulares, dor retroorbital (dor 
na região atrás do globo ocular), petéquias (pontos hemorrágicos) e leucopenia 
Dengue Hemorrágica: classificada em graus de I a IV (de acordo com sinais hemorrágicos) 
 sinais clássicos iniciam com 2 a 7 dias: febre, manchas cianóticas, mal-estar, dores musculares 
 manifestação hemorrágica: hemorragias na pele (petequia, púrpura, equimoses), sangramento gengival, nasal, 
gastrointestinal (melena), hematúria e trompocitopenia 
 
 
 
 
 
 
 
- Sinais de alarme para a Dengue Hemorrágica: dor abdominal intensa, hepatomegalia dolorosa, vômitos persistentes, 
desmaios, sangramento de mucosa ou outra hemorragia, hipotermia, hipotensão, tosse com desconforto respiratório 
- Exames complementares: aumento do hematócrito e hemoglobina (ocorre perda acentuada de plasma, gerando uma 
hemoconcentração), trombocitopenia acentuada e queda de albumina 
- Diagnóstico: 
o clínico epidemiológico (altamente sugestivo, e muitas vezes suficiente) e prova do laço 
o sorológico: ELISA (detecta IgM) e imunocromatografia (teste rápido, que detecta presença de anticorpos) 
o detecção do vírus: isolamento viral (diferencia o tipo de sorotipo), PCR e Imunohistoquímica 
- Diagnóstico diferencial: sarampo, rubéola, leptospirose 
- Tratamento: não existe tratamento específico para dengue (tratamento sintomático) 
 ao aparecer os sintomas, procurar serviço de saúde mais próximo, fazer repouso e ingerir muito líquido 
 não tomar medicamentos por conta própria (aspirina – compromete ainda mais os sinais clínicos) 
- Prevenção da dengue: baseia-se no controle integrado do vetor (controle ambiental eliminando os focos de água 
parada, educação em saúde, uso de larvicidas, adulticidas e captura em massa com armadilhas) 
 muito mais efetivo priorizar o controle da larva 
- Ações no perifoco: diagnóstico, tratamento e notificação do caso humano, manejo ambiental ao redor do caso 
(procura de focos de água parada) educação em saúde (de casa em casa), visita dos Agentes comunitários de saúde e 
Agentes de combate às endemias, e nebulização com inseticidas (fumacês) 
- É difícil eliminar a forma adulta pelas condições MDI: Mobilizados (voando), Dispersos (encontram-se até 1 km do 
criadouro) e Inacessíveis (se escondem quase todo o dia, com poucas horas de atividade) 
- Vacinação (Denguevaxia): realizada somente em regiões endêmicas 
 
CHIKUNGUNYA 
- Doença viral transmitida pelos mosquitos do gênero Aedes sp. 
- No Brasil, a circulação do vírus começou em 2014 (trazido por turistas durante a Copa e Olimpíadas) 
- Sintomas: febre alta, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, cefaleia, dor muscular, mancha 
vermelha na pele 
 cerca de 30% das pessoas não apresentam sinais clínicos 
- Não existe vacina ou tratamento específico para Chikungunya (sintomas são tratados com medicação 
para a febre e dores articulares – dipirona, paracetamol) 
- Recomenda-se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância 
- Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros AINEs 
 uma vez infectada, a pessoa adquire imunidade pra vida toda 
 
ZIKA 
- Doença causada por vírus da família Flaviviridae, transmitida pelos mosquitos 
Aedes aegypti e Aedes albopictus 
- Vírus originário da floresta Zika em Uganda, sendo o primeiro caso confirmado no Brasil em 2015 
- Transmissão: picada do vetor, transmissão sexual, transfusão de sangue e vertical (da mãe ao feto) 
- Sinais clínicos: febre, manchas no corpo, dor de cabeça, dores nas articulações,conjuntivites 
Prova do laço: conhecida principalmente para ajudar no diagnóstico de dengue 
- Avaliar a pressão arterial da pessoa com o esfigmomanômetro. Insuflar novamente o 
manguito do até ao valor médio entre a pressão máxim a e a mínima. Para saber o valor médio 
é preciso somar a Pressão Arterial Máxima com a Pressão Arterial Mínima e depois dividir 
por 2 (caso a pressão for 120 por 80, deve-se insuflar até 100 mgHg). Esperar 5 minutos com 
o manguito insuflado na mesma pressão, e desinsuflar e retirar o manguito para deixar o 
sangue circular. Por fim, deve-se avaliar a quantidade de pontos avermelhados, chamados de 
petéquias, dentro do quadrado na pele para saber qual o resultado do teste (considera positivo 
para dengue quando aparecem 20 pontos ou mais) 
 
 mais de 80% dos infectados com o vírus são assintomáticos (poucos casos de morte) 
Correlações clínicas confirmadas: 
- Síndrome de Guillain-Barré: sistema imune produz anticorpos contra o vírus, porém estes passam a atacar a Bainha 
de Mielina dos neurônios, gerando fraqueza e paralisia muscular 
- Microcefalia: condição onde o perímetro cefálico é abaixo do normal (igual ou inferior a 32 cm), ocorrendo por 
transmissão da mãe para o feto 
 diagnóstico: através de exame de sangue, amniocentese e ultrassonografia 
- Diagnóstico: PCR detecta o material genético do vírus somente no período de doença (custo elevado) 
- Tratamento: Não há vacina ou tratamento específico (tratamento foca no alívio dos sintomas: repouso, reidratação, 
medicamentos para febre e dor) - não recomenda-se o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros AINEs 
- Prevenção: evitar água parada em recipientes, uso de repelentes (icaridina), telas mosquiteiras, roupas longas 
(principalmente no caso de grávida) e camisinha (transmissão venéra) 
- Mosquito geneticamente modificado: liberação de machos inférteis, que cruzam com fêmeas, gerando assim fêmeas 
inférteis (diminui a incidência larvária) 
 
FEBRE AMARELA 
- Doença infecciosa febril aguda causada por vírus do gênero Flavivirus 
- Transmissão: por vetores (ciclo silvestre e urbano) – macaco não transmite diretamente ao homem 
 mosquitos vetores: Aedes aegypti, Haemagogus janthinomys, Sabethes sp. 
- Período de Incubação: no homem varia de 3 a 6 dias, podendo se estender até 15 dias 
- Sinais clínicos: quadro clínico típico caracteriza-se por manifestações de insuficiência 
hepática e renal, tendo em geral apresentação bifásica, com um período inicial 
prodrômico (infecção) e um toxêmico. 
 período prodrômico (cerca de 3 dias): febre, calafrios, cefaleia, lombalgia e 
mialgias generalizadas, prostração, náuseas e vômitos. 
 período toxêmico: reaparece a febre, diarreia e os vômitos (aspecto de borra de café), quadro de insuficiência 
hepatorrenal caracterizado por icterícia (“febre amarela”), oligúria, anúria e albuminúria, acompanhado de 
manifestações hemorrágicas 
- Prevenção: vacinação (principal medida profilática, recomendada em grande área do território nacional) 
 vigilância em primatas não humanos (são reservatórios e animais sentinelas, indicando quando o vírus está 
presente) 
- animais mortos: realizar necropsia, e remeter baço e fígado para análise (PCR ou Imunohistoquímica) 
 preencher ficha do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) em casos de suspeita 
- Anteriormente, parte do Nordeste, Sul e Sudeste não era recomendada a vacinação, porém para prevenção de surtos, 
recomenda-se a vacinação no Brasil inteiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 13: PRINCIPAIS ZOONOSES 
As zoonoses estão entre as doenças que mais causam morte nos humanos no Brasil. De acordo com os dados da OIE, 
leishmaniose é a zoonoses que cursa com mais casos de óbito, seguida por leptospirose. 
 
LEISHMANIOSES 
- Agente etiológico: diferentes espécies do gênero Leishmania (protozoário), possuindo duas formas: 
 Leishmaniose tegumentar americana (LTA): conhecida como “ferida 
brava dos seringueiros”, relacionada com o ciclo e mosquitos silvestre 
 Leishmaniose visceral (LV): a leishmaniose visceral canina (LVC) entra 
como um tipo das LVs, pois o cão serve como reservatório do ciclo urbano 
- Fonte de infecção: animais silvestres e domésticos: 
- Transmissão: vetores flebotomíneos (Lutzomyia longipalpis, o “mosquito-palha) 
- Hospedeiros susceptíveis: mamíferos domésticos, silvestres e humanos (zoonoses 
de evolução fatal ou de severo comprometimento a saúde do hospedeiro humano) 
Ciclo da Leishmaniose: flebotomíneo transfere as formas 
promastigotas durante a picada. Estas formas promastigotas são 
fagocitadas por macrófagos, e dentro destas células são 
transformadas em amastigotas. As amastigotas se replicam em várias 
células, incluindo os macrófagos, até romperem. Quando o mosquito 
suga o sangue do hospedeiro, este ingere macrófagos infectados na 
forma amastigota, e se multiplicam nas células do mosquito, e se 
transformam em promastigotas no intestino do vetor, onde sofrem 
divisão e migram até a probóscide do flebotomíneo. 
 promastigotas: são achados nos flebótomos 
Leishmaniose Tegumentar Americana (Úlcera de Bauru) 
- Agente etiológico: L. braziliensis, L. guyanensis e L. amazonensis 
- Promove lesões na pele e mucosa com apresentações distintas 
- Espécies acometidas: Humanos (hospedeiro acidental), mamíferos domésticos e silvestres (hospedeiros definitivos) 
- Sintomas (humanos e nos animais): estes protozoários promovem duas formas clínicas: 
 leishmaniose cutânea, que cursa com úlcera cutânea com bordas em moldura (bordas elevadas) 
 leishmaniose mucosa, que cursa com úlcera na mucosa nasal, com ou sem perfuração, podendo atingir lábios, 
palato e nasofaringe 
- As feridas tegumentares abrangem a área da picada do mosquito, e dificilmente leva o paciente a morte 
Leishmaniose Visceral (Calazar) 
- Agente etiológico: L. chagasi 
- Vetor: Lutzomyia longipalpis (principal forma de propagação da LV) 
- Manifestação visceral decorre da disseminação do protozoário por via linfática ou sanguínea, alcançando diversos 
órgãos (rins, baço, fígado, intestino) 
- Espécies acometidas: homem, cães (reservatórios urbanos), raposas e marsupiais (reservatórios silvestres) 
- Sintomas (humanos): durante 15 a 18 dias, cursa com febre, fadiga, perda de apetite, perda de peso, 
hepatoesplenomegalia (aumenta fígado e baço) 
- Sintomas (animais): lesões cutâneas, descamação do espelho nasal e orelhas, onicogrifose (aumento do tamanho das 
unhas), linfadenomegalia (aumento dos linfonodos), hepatoesplenomegalia, pneumonia, dermatite seborreica e 
descamativa, ceratoconjuntivite, diarreia, vômito, insuficiência renal crônica 
- Cão transmite o vetor mesmo após o restabelecimento dos sinais clínicos (doença não tem cura) 
- Desenvolvimento clínico em humanos: 
 forma assintomática (sem apresentação dos sinais clínicos, diagnosticada somente por sorologia) 
 forma sintomática (diagnosticada por sorologia e diagnóstico clínico) 
- Desenvolvimento clínico em animais: 
 forma assintomática (diagnosticada somente por sorologia) 
 forma oligossintomática (adenopatia linfoide, perda de peso, opacidade de pelo – sinais pouco específicos) 
 forma sintomática 
- Diagnóstico em cães: 
o exame parasitológico: punção por PBA (punção biópsia aspirativa) de linfonodo ou medula óssea 
o isolamento em meio de cultura (demorado, levando cerca de 1 mês para sair o resultado) 
o PCR: através de punção de linfonodo, medula óssea ou pele (em lesões) 
o sorologia: Dual Path Platform (DPP, conhecido como teste rápido, usado pra triagem) e ELISA 
(confirmatório) 
- DPP (soro ou sangue total do animal): baseia-se na ligação antígeno-anticorpo, onde há a presença de duas 
linhas no kit comercial. Uma linha é a C (controle), e esta linha sempre irá aparecer, como positivo. A outra 
linha é a T (teste), e caso apareça, confirma que o animal testado é positivo para LVC. 
- Prevenção e controle das Leishmanioses: caso haja uma fonte de infecção: eutanásia ou tratamento do animal, tratamento em humanos e cães, vigilância 
epidemiológica pelo CCZ (investigar origem, diagnosticar e confirmar, notificar, indicar a eutanásia do 
doente, acompanhar e monitorar comunicantes através do inquérito epidemiológico) 
 suscetíveis: vacinação de cães, uso de coleira, citronela, telas e óleos 
 vias de transmissão: destinação adequada de lixo, matéria orgânica através de educação ambiental e uso de 
inseticidas e inquérito sorológico (evitando a propagação do mosquito) em 200 metros ao redor do foco, e 
manejo ambiental integrado em até 400 metros ao redor dos casos confirmados 
 
LEPTOSPIROSE 
- Agente etiológico: Leptospira interrogans (bactéria espiroqueta com mais de 200 sorovares) 
 o sorovar que mais acomete os humanos é a L. interrogans pomona 
- Reservatório: roedores sinantrópicos (animais que se adaptaram ao convívio humano, como 
escorpiões, pombas, baratas, morcegos, e que possuem importância na epidemiologia e saúde 
pública), animais selvagens, cães, suínos, equinos e bovinos 
- Vias de eliminação: urina 
- Vias de transmissão: água (principal), alimentos, ambiente contaminado, venérea (coito ou IA) 
- Porta de entrada: pele lesada, mucosa, pele íntegra imersa na água 
 considerada uma zoonose ocupacional (profissionais que tem contato com áreas alagadas ou água, como 
limpadores de fossas e bueiros, lavradores de plantações de arroz, trabalhadores de esgoto, e veterinários) 
- Sintomas em humanos: febre, hemorragia, icterícia, trombo, infarto, uveítes, nefrite intersticial crônica 
- Sintomas em animais: bovinos (aborto, natimortos, mumificação fetal) 
- Diagnóstico: 
o microscopia em campo escuro (detecção direta do agente) através da prova de soroaglutinação microscópica 
o cultivo celular, inoculação em animais de laboratório e PCR (menos utilizadas) 
- Prevenção da leptospirose: 
 medidas gerais: educação em saúde, vigilância epidemiológica, controle de roedores e alagamentos) 
 fontes de infecção: controle populacional de roedores, tratamento de animais com estreptomicina (isolar os 
animais positivos, pois sua urina elimina a espiroqueta, podendo contaminar outros animais e humanos) 
 vias de transmissão: saneamento ambiental, destino adequado de excretas e cadáveres, armazenamento 
adequado de alimentos, uso de sêmen de centrais de IA idôneas (evita disseminação venérea) 
 susceptíveis: humanos (utilizar EPIs) e animais (realizar vacinação contra os sorovares da região) 
 
TOXOPLASMOSE 
- Agente etiológico: Toxoplasma gondii (uma das zoonoses mais difundidas no mundo) 
- Hospedeiro definitivo: felídeos (gato doméstico) –infectados através da ingestão de 
carne crua (principalmente pássaros, pelo hábito de caça), e eliminam oocistos nas 
fezes durante 1 a 2 semanas e adquirem imunidade persistente. Os oocistos 
eliminados nas fezes esporulam no ambiente e sobrevivem por longos períodos 
- Hospedeiro intermediário: aves e mamíferos (susceptibilidade varia com a 
espécie), bovinos e suínos são infectados após a ingestão de oocistos esporulados 
presentes no ambiente (humano, se não lava alimentos adequadamente ou não lava 
as mãos corretamente após mexer com as fezes de gatos, se infecta com os oocistos) 
- Vias de transmissão: horizontal (alimentos contaminados com oocistos ou cistos 
teciduais), vertical (taquizoítos que atravessam a placenta), vetores mecânicos 
- Sintomas (animais): enterite, pneumonia, encefalite, aumento dos linfonodos 
- Sintomas (humanos): febre, mialgia, dores de cabeça e garganta, hepatomegalia, 
esplenomegalia 
 mulheres grávidas na primo-infecção, pode ocorrer lesões nervosas e oculares (na mãe e nos fetos) 
Toxoplasmose congênita: cerca de metade das gestantes com toxoplasmose, transmitem ao feto 
 70% dos fetos nascem normais 
 30% dos fetos nascem com complicações (20% com pequenas anomalias e 10% com anomalias severas) 
- Prevenção: 
 gatos: recolher as fezes do animal a cada 24 horas com uso de luvas, lavar as mãos e utilizar gel antisséptico, 
promover higiene rigorosa do animal, não alimenta-lo com carne crua, isolar doentes e portadores 
 ruminantes e outros animais de produção: cuidados higiênicos com a ração, evitar o acesso de gatos e insetos 
 outras medidas e humanos: submeter alimentos a tratamento térmico (mais de 65º C), lavar bem frutas e 
verduras, e ingerir somente água tratada, e consumir carne bem passada 
- Transmissão de toxoplasmose pela carne ocorre com maior frequência pela carne de suínos, ovinos e caprinos, sendo 
seguida de carne de galinha caipira, pomba, cervídeos, animais de caça, coelhos e cães, seguida de carne de cavalo e 
frango de granja, e por último por búfalos e bovinos 
 
DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs) 
- Causadas pela ingestão de alimentos e/ou água contaminados. Existem mais de 250 tipos de 
DTA e a maioria são infecções causadas por bactérias e suas toxinas, vírus e parasitas. 
Salmonelose: zoonose economicamente importante, sendo a mais comum DTA em surtos. 
Promove uma infecção alimentar com duração de 2-3 dias, podendo-se estender por vários dias 
- Agentes etiológicos: Salmonella enteriditis (maior casos de surtos) e Salmonella typhimurium 
- Susceptíveis: animais domésticos e homem 
- Fonte de Infecção: homem e animais (são bactérias do trato gastrointestinal) 
- Vias de eliminação: fezes 
- Vias de transmissão: por alimentos (carne e ovos), água contaminada 
- Sintomas: dores abdominais, cefaleia, náusea, vômito, febre, diarreia, anorexia 
- Alimentos envolvidos: aves, carnes e derivados, leite, casca e gema de ovo, molhos e cremes à base de ovos 
- Prevenção: 
 produção animal: vacinação, utilização de probióticos na dieta, controle sanitário da granja, adoção de 
medidas de biossegurança, controle da qualidade de água, destino adequado das excretas, vazio sanitário, 
limpeza e desinfecção 
 produção e processamento de alimentos: uso de água potável hiperclorada no abatedouro, higiene nas 
instalações e equipamentos, higiene pessoal, higienização dos alimentos antes do consumo, tratamento térmico 
e refrigeração, consumo de produtos adequadamente cozidos 
E. coli O157:H7 (Doença do Hambúrguer): infecção, provocada por toxina produzida causada pelo sorotipo O157: 
H7 da Escherichia coli (microrganismo da flora intestinal) e pode variar de uma diarreia branda até uma hemorrágica 
- Sintomas: diarreia aquosa ou muco-sanguinolentas, náusea e vômito, dores abdominais severas, febre 
- Alimentos envolvidos: carne moída crua ou mal cozida, queijos, leite não pasteurizado 
- Prevenção: cozinhar completamente a carne moída, resfriar rapidamente os alimentos, evitar contaminação cruzada, 
evitar contaminação fecal por manipuladores de alimentos 
Staphylococcus aureus: microrganismo que pode se adaptar a homens e animais, e causar mausa mastite e intoxicação 
alimentar (com duração de 24-48 h) 
- Fonte de infecção e via de eliminação: alta frequência nos casos de mastite, e cerca de 25% da população humana é 
portadora nasal desta bactéria ou em infecções de pele 
- Sintomas: náusea, vômito, diarreia, desidratação, salivação excessiva, sudorese 
- Alimentos envolvidos: presunto e produtos cárneos, alimentos aquecidos, derivados de leite, cremes, saladas de 
batatas, doces 
- Prevenção: evitar contaminação por mãos desprotegidas, afastar os manipuladores com infecções de pele, 
refrigeração correta dos alimentos, resfriamento rápido de alimentos preparados, higiene de manipuladores e 
higienização de equipamentos de ordenha 
 
BRUCELOSE 
- Zoonose de evolução crônica 
- Agente etiológico: bactéria do gênero Brucella, principalmente a B. melitensis, B. abortus e B. suis 
- Vias de transmissão: contágio direto com animais infectados ou ambiente contaminado (fetos abortados, placenta, 
secreção vulvar), alimentos ou água contaminada, exposição à cepa vacinal 
 transmissão para o homem ocorre principalmentepela ingestão de leite cru 
ou derivados contaminados 
 Brucella sp pode permanecer viável na água e no solo úmido mais de 10 
semanas, sendo inativada por agentes desinfectantes comuns ou calor 
 em alimentos, é eliminada a partir da cocção acima de 60º C por 10 minutos 
(pasteurização lenta) ou a 71,7º C por 15 segundos (pasteurização rápida) 
- Diagnóstico: manifestação clínica e dados epidemiológicos 
o testes diretos (cultivo celular e PCR) 
o testes indiretos (Rosa de Bengala, Soroaglutinação, ELISA, IFI) 
- Tratamento: antibioticoterapia (doxiciclina, rifampicina, estreptomicina, gentamicina) 
- Sintomas em humanos: semelhantes a uma gripe severa, mas persiste por várias semanas ou meses, agravando seu 
quadro progressivamente (fadiga, dores de cabeça, febre contínua e alta, suores noturnos, dor lombar e nas 
articulações, perda de peso e apetite, depressão, impotência sexual por orquite ou epididimite) 
- Prevenção e Controle: controle ou erradicação da doença nos animais, por meio da vacinação ou detecção e 
eliminação dos animais infectados, educação sanitária, higiene ambiental, retirar fetos e restos de placenta do 
ambiente, limpeza e desinfecção de instalações, proteção adequada dos manipuladores, veterinários, laboratoristas, não 
consumir leite cru e seus subprodutos não pasteurizados, inspeção de produtos de origem animal. 
 
HANTAVIROSE 
- Doença emergente que se manifesta como doença febril aguda inespecífica variando até quadros pulmonares e 
cardiovasculares mais severos e característicos, e de rápida disseminação 
- Agente etiológico: Hantavirus 
- Reservatório: roedores silvestres 
- Vias de transmissão: aerossóis (excretas contaminadas), contágio direto (feridas), por alimentos 
- Sintomas em humanos: febre, mialgia, tosse e insuficiência respiratória 
- Diagnóstico: sintomas, radiografia (para identificar alteração na radiopacidade pulmonar) 
o ELISA (pesquisa de IgM) e PCR 
Prevenção: identificação de reservatórios, controle populacional de roedores 
 
EQUINOCOCOSE e HIDATIOSE 
- Verminose causada por platelmintos cestódeo, do gênero Echinococcus 
- Equinococose: doença parasitária pela infecção pelo verme adulto 
- Hidatiose: doença parasitária pela infecção pela larva (cisto hidático) 
- Hospedeiro definitivo (HD): canídeos (principalmente os cães, que são mais comuns de terem equinococose) 
- Hospedeiro intermediário (HI): ovinos, caprinos, suínos (apresentam hidatiose) 
 homem é um hospedeiro acidental 
Ciclo do Echinococcus 
 verme adulto se encontra presente no intestino dos cães ou 
homem, e estes liberam ovos que são eliminados nas fezes 
 hospedeiro intermediário ingere pasto contaminado com ovos, e 
forma-se do cisto hidático em órgãos, como fígado e pulmões 
 cães ao ingerirem a carne ou órgãos crus, ingere os cistos que 
evoluem para vermes 
- Humanos contraem a doença quando convivem com cães não 
vermifugados e com pouca higiene, ou quando ingerem verduras mal 
lavadas e água contaminada 
- Sintomas de Hidatidose em humanos: 
 sinais hepáticos: dor abdominal, aumento de volume e obstrução 
do ducto biliar 
 sinais pulmonares: dor no peito, tosse 
 ruptura de cistos: febre, urticária, eosinofilia, choque anafilático 
- Diagnóstico: ELISA, Imunofluorescência Indireta, exames de imagem (radiografia, ultrassom e tomografia permitem 
a visualização dos cistos) 
Prevenção: destruir carcaças de animais mortos, vermifugar cães periodicamente (praziquantel), inspeção da carne 
ovina ou bovina, não fornecer carne/vísceras cruas para cães, analisar a qualidade da água, higienização de verduras 
 
TUBERCULOSE 
Doença infecciosa reemergente, transmissível, causada por bactérias que afetam prioritariamente os pulmões, podendo 
afetar outros órgãos, como ossos, rins e meninges 
- Agentes etiológicos: Mycobacterium tuberculosis, M. bovis (zoonose), africanum e microti 
- Reservatórios: humanos, bovinos, primatas, aves e outros mamíferos 
- Vias de transmissão: contágio por aerossóis (somente 5% a 10% dos infectados adquirem a doença) 
- Vias de eliminação: leite, secreção nasal e oral (período de incubação deaté dois anos após a primeira infecção) 
- Sintomas: tosse seca contínua no início dos sintomas, depois com presença de secreção por mais de quatro semanas, 
transformando-se, na maioria das vezes, em uma tosse com pus ou sangue, cansaço excessivo, febre baixa geralmente 
à tarde, sudorese noturna, falta de apetite, emagrecimento acentuado, rouquidão, fraqueza e prostração 
- Tratamento: dura no mínimo 6 meses sem interrupção, e os medicamentos usados são isoniazida, rifampicina, 
pirazinamida e o etambutol (transmissão diminui gradativamente e após 15 dias chega a níveis insignificantes) 
Prevenção: vacinação de crianças (no primeiro ano de vida ou no máximo até 4 anos para a BCG, que é a cepa viva 
atenuada do bacilo Calmette-Guérin) contraindicada para crianças soropositivas, evitar aglomerações 
 
COMPLEXO TENÍASE/CISTICERCOSE 
São duas doenças distintas com sintomas e epidemiologia totalmente 
diferentes causadas pela Taenia solium e/ou Taenia saginata: 
 Teníase: parasitose intestinal, devido a ingestão de carnes 
cruas ou mal cozida contendo cisticercos (verme adulto) 
- ingestão de Cysticercus cellulosae (forma larvária da Tenia 
solium) ou ingestão de Cysticercus bovis (forma larvária da 
Tenia saginata) 
 Cisticercose: causada pela ingestão de legumes/verduras ou 
de água contaminada com ovos do cestódeo: 
- suínos e no homem, pela a ingestão de ovos de T. solium e em bovinos pela ingestão de ovos de T. saginata 
Taenia saginata: 
- Hospedeiro definitivo: homem (quando contaminada, a pessoa elimina proglotes com ovos nas fezes) 
- Hospedeiro intermediário: bovino (ingere os ovos no pasto e desenvolve o Cysticercus bovis nos músculos) 
 quando o homem ingere a carne contaminada e mal cozida, desenvolve o verme no intestino (teníase) 
Taenia solium: 
- Hospedeiro definitivo: homem (quando contaminada, a pessoa elimina proglotes com ovos nas fezes) 
- Hospedeiro intermediário: suíno (ingere os ovos no pasto e desenvolve o Cysticercus bovis nos músculos) 
 quando o homem ingere a carne contaminada e mal cozida, desenvolve o verme no intestino (teníase) 
- Sintomas: sensação de fome, perda de peso (verme consome o substrato, deixando pouco para ser absorvido), dor 
abdominal (tênias lesionam a mucosa gástrica), diarreia, vômito 
- Diagnóstico: visualização de proglotes nas fezes 
- Prevenção da teníase: consumir carnes e linguiças cozidas, fritas ou assadas, e consumir apenas carnes inspecionadas 
Cisticercose: 
- Após a ingestão acidental de ovos da T. solium há desenvolvimento de cisticercos nos tecidos humanos, sendo o 
principal o cérebro (neurocisticercose), mas também em olhos, músculos, fígado 
- Sintomas: convulsões, perda de visão, psicoses, fadiga 
- Diagnóstico: sorologia ou radiografia e ultrassom 
- Prevenção da Cisticercose: saneamento básico (esgoto, água potável), higiene pessoal, lavar e higienizar verduras e 
legumes antes de consumi-las 
 
 
 
 
FEBRE MACULOSA 
Doença infecciosa, de gravidade variável, cuja apresentação clínica pode variar 
desde as formas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de mortalidade 
- Agente etiológico: Rickettsia rickettsii 
- Reservatório: capivaras 
- Via de transmissão: por vetores (Amblyomma cajennensi principal vetor) 
- humanos contraem pela picada do carrapato infectado com riquétsia, e a 
transmissão geralmente ocorre quando o artrópode permanece aderido ao hospedeiro por um período de 4 a 6 horas 
- Sintomas: febre, cefaleia, mialgia intensa e prostração, exantema máculo-papular (erupções nas mãos e pés) 
- Tratamento: antibióticos imediatamente (não esperar a confirmação laboratorial do caso) – mais indicado é 
doxiciclina ou cloranfenicol - tratamento precoce é essencial para evitar formas mais graves da doença 
- Prevenção: uso de roupas compridas,examinar o corpo verificando se há a presença do vetor, e se houver carrapatos 
aderidos, não espreme-l o com as unhas (pois este pode contaminar a lesão com seu sangue) 
 
Suíno não causa cisticercose no homem, mas o homem causa cisticercose nos suínos 
Suínos não são fontes de infecção, somente participam do ciclo da doença 
Apenas o homem apresenta teníase (fase adulta). Os bovinos e suínos contraem cisticercose, por contaminação humana.

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