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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO – Campus Cuiabá Bela Vista Karina Miho Sasaki FICHAMENTO COMENTADO DO ARTIGO POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO Prof° Iza Disciplina: Sociologia Cuiabá 2017 SANTOS, MILTON. Por uma outra globalização – Do pensamento único à consciência universal. 6° ed.. Rio de Janeiro: Record, 2001. Fichamento Comentado O geógrafo Milton Santos, através de seu livro Por uma outra globalização, define o mundo como confuso e confusamente percebido e o divide pelo menos em três: “O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização.” (SANTOS, 2001) Na globalização como fábula, Santos acredita que, em vez de aproximar as pessoas, encurtar a distância e homogeneizar a cidadania universal, acontece o contrário, as diferenças socioculturais são aprofundadas. A globalização como perversidade, são relatados fatos ordinários que retratam a nossa realidade, tais como o desemprego, inacessibilidade a educação, o aumento da pobreza, perda da qualidade de vida, etc. Para ele, a “evolução negativa da humanidade tem relação com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas. Todas essas mazelas são direta ou indiretamente imputáveis ao presente processo de globalização.” (SANTOS, 2001). E por último, o mundo como pode ser um tanto mais humanizado, onde “trata-se da existência de uma verdadeira sociodiversidade, historicamente muito mais significativa que apropria biodiversidade.” (SANTOS, 2001) Podemos pensar numa globalização onde os interesses sociais e políticos estão acima dos interesses econômicos. Para isso, há dois planos: o plano atual, o empírico, diz que as diversidades humanas estão sendo misturadas, como os gostos, credos, povos, cultura, crenças e filosofias. O crescimento da população dentro de uma pequena área favorece essa troca de informações. O plano teórico é a possibilidade de novos discursos a partir da existência de uma universalidade empírica. Mas atualmente, “A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista.” (SANTOS, 2001) Para entendermos, é necessário levar em conta as interpretações do estado das técnicas e do estado da política em conjunto. “As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos e dos lugares de seu uso.” (SANTOS, 2001). Mais tarde, no século XXI, surge também a técnica de informação, a qual cria um elo entre as demais técnicas, formando uma presença planetária. Só que a globalização não se resume a isso. “Os fatores que contribuem para explicar a arquitetura da globalização atual são: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na história, representado pela mais-valia globalizada.” (SANTOS, 2001). As técnicas são as formas pelas quais as pessoas executam as suas ações. A maioria das técnicas são exteriores a nós, mas que nos influenciam e estamos submetidos a elas diretamente. Estão inseridas no nosso cotidiano e em nossa atual sociedade, para criar e desenvolver essas técnicas, é preciso ter poder hegemônico. A unicidade do tempo, permite que o mercado, por exemplo, funcione em diversos lugares o dia inteiro, graças a informação instantânea, fato que acelera o curso da história. Porém, há um problema social nessa questão, pois o acesso não é distribuída igualmente, é excludente, ou pelo menos, há um privilegio de uso. “Se a técnica cria aparentemente para todos a possibilidade da fluidez, quem, todavia, é fluido realmente?” (SANTOS, 2001) nos leva a uma outra discussão: o motor único. Também denominada como mais-valia universal, só é possível a partir da produção em escala mundial, por intermédio a concorrência entre as empresas mundiais. Esta, está sempre evoluindo, mudando pela exigência dos progressos científicos e técnicos. E, por último, a cognoscibilidade do planeta, que permite o homem a usar não só os materiais disponíveis na natureza, mas também sintetizar novos produtos.