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Osvaldo Esteves Sobrinho Comércio exterior e logística internacional CO M ÉR CI O EX TE RI OR E L OG ÍS TI CA IN TE RN AC IO N AL A Série Universitária foi desenvolvida pelo Senac São Paulo com o intuito de preparar profissionais para o mercado de trabalho. Os títulos abrangem diversas áreas, abordando desde conhecimentos teóricos e práticos adequados às exigências profissionais até a formação ética e sólida. Comércio exterior e logística internacional apresenta os principais modais de transporte internacional e um panorama da estrutura das operações logísticas e da matriz de transporte brasileira. A obra aborda ainda tópicos essenciais do marketing internacional, apontando as principais ações para introduzir, de maneira competitiva, produtos em mercados estrangeiros, além de relacionar os fundamentos do comércio internacional e das operações logísticas de importação e exportação. O objetivo é proporcionar ao leitor um entendimento geral sobre a logística internacional e o comércio exterior, temas que desempenham um papel fundamental no mundo globalizado. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira – CRB 8a/4771) Esteves Sobrinho, Osvaldo Comércio exterior e logística internacional / Osvaldo Esteves Sobrinho. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2022. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-3691-4 (ePub/2022) e-ISBN 978-85-396-3692-1 (PDF/2022) 1. Logística 2. Logística internacional : Sistema global de operações 3. Comércio exterior 4. Comércio internacional – Brasil 5. Termos internacionais de comércio : Incoterms 6. Transporte internacional 7. Exportação e importação – Brasil I. Título. II. Série. 22-1691t CDD – 382 658.78 BISAC BUS026000 BUS116000 Índice para catálogo sistemático: 1. Comércio exterior : Logística internacional 382 2. Logística internacional : Administração de materiais 658.78 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . COMÉRCIO EXTERIOR E LOGÍSTICA INTERNACIONAL M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Osvaldo Esteves Sobrinho Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano Ricardo Diana Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacília da Paz Pereira Designer Educacional Aline de Siqueira Nogueira de Sá Revisão Técnica Gabriel Nickolas Cazotto Revisão de Texto Cristine Sakô Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Creali Comunicação e Marketing Ltda Ilustrações Alexandre Raphael Albuquerque de Brito Imagens Adobe Stock Photos E-book Rodolfo Santana Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: https://www.editorasenacsp.com.br/ © Editora Senac São Paulo, 2022 Sumário M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Logística e comércio internacional, 7 1 Contexto econômico e geopolítico, 8 2 Comércio internacional, 9 3 Globalização, 13 4 GATT/OMC, 14 5 Blocos econômicos e integração regional, 17 6 Importações e exportações, 18 7 Logística internacional, 20 8 Redes logísticas, 23 Considerações finais, 24 Referências, 25 Capítulo 2 Sistema global de operações da logística internacional, 27 1 Acordos bilaterais e multilaterais, 28 2 Tratamento preferencial, 29 3 Sistema geral de preferências (SGP), 31 4 Sistema global de preferências comerciais (SGPC), 32 5 Barreiras não tarifárias: protecionismo, subsídio, dumping, cotas de importação e barreiras sanitárias e fitossanitárias, 32 6 Barreiras tarifárias, 41 7 Nomenclatura internacional das mercadorias (NCM e SH), 42 Considerações finais, 43 Referências, 43 Capítulo 3 Estrutura da operação logística, 47 1 Estrutura dos portos, 48 2 Estrutura dos aeroportos, 51 3 Portos secos, 55 4 Malha rodoviária, 57 5 Malha ferroviária, 59 6 Estrutura do mercado externo, 62 Considerações finais, 64 Referências, 65 Capítulo 4 Operações globais na cadeia logística, 69 1 Conceito de operações, 70 2 Conceito de operações globais, 70 3 Canais de distribuição: direto, misto e indireto, 71 4 Tipos de distribuição: direta, indireta e produção no exterior (joint venture, subsidiária, filial, licenciamento e franquia), 72 5 Gerenciamento do fluxo nas operações globais, 76 6 Marketing internacional, 77 7 Princípios de marketing (4Ps) no comércio internacional, 78 8 Pesquisa de marketing, 79 9 Planejamento de marketing internacional, 83 10 Pesquisa de mercado externo – Estudo de caso: o falhanço do Walmart no Brasil da década de 1990, 85 Considerações finais, 86 Referências, 87 6 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Capítulo 5 Incoterms® e seguros, 89 1 Lex mercatoria, 90 2 Compreendendo a responsabilidade dos Incoterms®, 91 3 Incoterms® e suas classificações, 92 4 Resumo das responsabilidades e transferência de risco para cada Incoterm®, 93 5 O que são seguros e seguradoras?, 104 6 Segurado e não segurado no comércio internacional, 107 7 Seguros para o comércio internacional: A, B, C, 108 8 Resolução de conflitos, 110 Considerações finais, 111 Referências, 111 Capítulo 6 Comércio internacional no Brasil, 115 1 Órgãos anuentes e intervenientes na estrutura brasileira do comércio internacional e sua estrutura interna, 116 2 Camex, 118 3 Secex, 119 4 Receita Federal no comércio internacional, 125 5 Ação do Banco Central no comércio internacional, 126 6 Apex, 127 7 Ministério dasRelações Exteriores (Itamaraty), 129 Considerações finais, 130 Referências, 130 Capítulo 7 Transporte internacional, 133 1 Movimentação de cargas via contêineres e paletes, 134 2 Tipo de carga: unitizada, granel e individual, 141 3 Modais de transporte e o impacto econômico e comercial, 142 4 Rodoviário, 143 5 Ferroviário, 144 6 Dutoviário, 145 7 Aeroviário, 147 8 Aquaviário: lacustre, fluvial, marítimo e cabotagem, 148 9 Tecnologia para as empresas no transporte internacional e sua gestão, 149 10 Tecnologia para a gestão da rede logística internacional, 150 Considerações finais, 152 Referências, 153 Capítulo 8 Modus operandi da exportação e importação, 155 1 Documentação para o trânsito em comércio internacional, 156 2 Fatura proforma, 159 3 Exportação, 159 4 Siscomex: módulo exportação, 160 5 Formação de preços na exportação, 160 6 Tratamento administrativo da exportação, 162 7 DU-E, 162 8 Incentivos à exportação: drawback, 163 9 Incentivos à exportação: demais incentivos, 164 10 Importação, 164 11 Procedimento administrativo para importação, 165 12 Documentos para importação, 165 13 Procedimentos de importação, 166 14 Tributos de importação, 166 15 Cálculo do custo de importação, 167 16 Declaração de importação (DI), 169 17 Despacho aduaneiro para exportação e importação, 172 Considerações finais, 173 Referências, 173 Sobre o autor, 177 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Logística e comércio internacional A globalização se manifesta por meio de um aumento sem prece- dentes, após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), da circu- lação do capital privado e da expansão generalizada da oferta de bens de consumo, para atender à demanda da sociedade global, em que os estados-nações parecem enfraquecidos em relação às fronteiras que impõem em proteção às culturas locais. 8 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Esse processo impacta em diversos fatores e dimensões da vida, como: a deslocação da mão de obra internacional em função da emigra- ção de pessoas em busca de novos postos de trabalho; a transferência de capital em busca de novos mercados onde haja trabalho ocioso; e também no aumento do transporte internacional de mercadorias, ala- vancando o valor das mercadorias comercializadas internacionalmente, o que será analisado em mais detalhes neste capítulo. Muitas dessas dimensões aparentam ter autonomia própria, mas, em uma análise sistêmica, estão conectadas com fatores de ordem econômica e que afetam diretamente as operações de logística e de co- mércio internacional. A tecnologia, por exemplo, possibilitou a constru- ção de novos meios de transportes, mais velozes, seguros e econômi- cos, além de equipamentos que auxiliam a movimentação internacional de mercadorias de modo mais célere e eficiente, como ocorreu com a invenção do contêiner, em 1956. 1 Contexto econômico e geopolítico Segundo Bobbio, Matteucci e Pasquino (1998), o estudo do com- portamento político e as capacidades militares podem ser explicados e previstos com base no ambiente físico. Essa influência pode determinar a tecnologia, a cultura e a economia dos estados, sua política interna e externa, e as relações do poder entre eles. A esse objeto de estudo, definido pelo pesquisador, dá-se o nome de geopolítica. Em função da profundidade do tema e da sua vasta literatura, so- bretudo em língua estrangeira, é necessário que um dos fatores deter- minados pela geopolítica seja destacado para compor os temas que permeiam este livro. Nesse sentido, damos destaque ao estudo da eco- nomia, sobretudo em sua abrangência externa, a qual nos conduz para o universo da economia internacional. Esta inclui, em uma visão moder- na, os estudos do comércio internacional e de áreas correlatas, como é o caso da logística internacional. 9Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Em relação ao contexto econômico contemporâneo, fatos obser- vados mostram que um processo permeia a economia internacional como um todo; e ele parece estar em constante metamorfose e ter es- treita influência sobre o comércio internacional. Trata-se de uma força de eventos que abalaram e continuam a abalar o contexto econômico global, inaugurando uma variedade de temas que abrem inúmeras no- vas questões para discussão e reflexão. Uma amostra dessas questões está nas considerações finais desse capítulo. Considere os fatos observados nas últimas sete ou oito décadas que se sustentam até os dias atuais. Vivemos em um mundo em que esse processo produziu alguns frutos que modelam o atual contexto econô- mico. Entre eles, podemos destacar: o aumento vertiginoso do volume do comércio internacional de bens e serviços; a interdependência das economias e dos seus fatores de produção; a necessidade de busca de novos mercados para incentivar a demanda de bens produzidos em larga escala; e a inauguração de organizações internacionais que legi- timam os valores do livre comércio como meio de distribuição global e equitativa de renda. Observa-se, nesse contexto, a urgência da pesquisa em tecnologia, sobretudo na construção de meios de transportes mais rápidos que movimentam, em uma extensa rede de logística internacional, milhões de contêineres por dia, para atender à demanda dos clientes em fun- ção da concorrência global. A criação de novos postos de trabalho para atender às demandas dos atores privados e das imposições regulató- rias dos estados – por mais contraditória que seja em um ambiente de livre comércio – não poderia deixar de ser destacada nessa lista. A este processo se dá o nome de globalização econômica. 2 Comércio internacional Para Sousa (2009, p. 12), “comércio internacional é o estudo do con- junto das trocas comerciais de bens e/ou serviços entre as diversas nações do globo”. Essa definição é importante para fazer distinção em 10 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .relação aos estudos do comércio exterior. Enquanto o comércio exte- rior se restringe às negociações comerciais bilaterais e à regulamenta- ção aduaneira de um país, o comércio internacional se preocupa com questões de ordem econômica global e relacionadas com os estudos da economia internacional. De acordo com David e Stewart (2010, p. 1) o comércio internacional foi “impulsionado pela noção de que os países se beneficiam, economi- camente, com as trocas mútuas e pela noção de que o comércio con- tribui para o bem-estar da população mundial”. O aumento do fluxo do comércio internacional ocorre nos anos posteriores ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com destaque a partir de 1970 até os dias de hoje. IMPORTANTE David e Stewart (2010, p. 1) defendem a tese de que o crescimento glo- bal das trocasinternacionais foi facilitado pelos profissionais da logísti- ca internacional, que são responsáveis por uma série de operações, com o objetivo de movimentar interna e internacionalmente as mercadorias de maneira eficiente, segura e com baixo custo, além de garantirem a celeridade no transporte. As seguintes atividades são destacadas pelo autor: garantir que as mercadorias sejam embaladas adequadamente para o transporte; providenciar seguro apropriado das mercadorias em trânsito e estar ciente dos riscos a que estão sujeitas; garantir que as mercadorias sejam acompanhadas dos documentos adequados, para que possam ser liberadas pela alfândega, no país destinatário. O gráfico 1 mostra o total de valores das mercadorias exportadas e importadas mundialmente, nos últimos 70 anos. A corrente de comér- cio global refere-se às somas das exportações e importações. 11Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Gráfico 1 – Evolução da corrente global de comércio de mercadorias (valores em dólares dos Estados Unidos) 0 30.000.000 40.000.000 10.000.000 20.000.000 19 50 19 55 19 60 19 65 19 70 19 75 19 80 19 85 19 90 19 95 20 00 20 05 20 10 20 15 20 20 Fonte: adaptado de WTO (2022). PARA SABER MAIS O site World Trade Organization (WTO – OMC) disponibiliza uma ferra- menta completa para a extração de uma variedade de dados estatísti- cos de comércio internacional (WTO, [s. d.]). Uma informação importante merece destaque, pois está oculta no gráfico 1. Trata-se dos valores das importações e exportações entre os anos de 2017 e 2021, uma vez que os dois últimos anos (2020 e 2021) sofreram forte impacto em função da pandemia de covid-19. Para me- lhor visualização, as tabelas 1 e 2 concentram o total de valores das mercadorias importadas e exportadas nesse período, respectivamente. 12 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Tabela 1 – Valor total de mercadorias importadas em bilhões de dólares dos Estados Unidos IMPORTAÇÕES 2017 2018 2019 2020 2021 Primeiro trimestre 4.190.135 4.809.244 4.685.918 4.450.920 5.080.985 Segundo trimestre 4.370.652 4.941.118 4.811.395 3.820.391 5.516.189 Terceiro trimestre 4.524.022 4.961.543 4.815.369 4.528.823 5.645.748 Quarto trimestre 4.792.592 5.003.976 4.859.216 4.966.065 TOTAL 17.879.418 19.717.899 19.173.917 17.768.219 16.242.922 Tabela 2 – Valor total de mercadorias exportadas em bilhões de dólares dos Estados Unidos EXPORTAÇÕES 2017 2018 2019 2020 2021 Primeiro trimestre 4.100.352 4.699.143 4.587.154 4.285.893 5.001.857 Segundo trimestre 4.308.220 4.878.885 4.719.032 3.716.014 5.450.619 Terceiro trimestre 4.429.082 4.833.303 4.677.991 4.486.131 5.565.318 Quarto trimestre 4.720.813 4.905.599 4.791.321 4.940.729 TOTAL 17.558.467 19.316.930 18.777.517 17.428.767 16.017.794 PARA SABER MAIS Em relação aos dados das exportações e importações brasileiras, de 2015 a 2020, houve uma evolução significativa na corrente de comércio da ordem de 39%. Entretanto, os dados observados são pífios quando comparados à corrente global de comércio. Por exemplo, no ano de 2015, a corrente de comércio brasileira atingiu o montante recorde de 500.222 bilhões de dólares, mas quando esse valor é relacionado com os montan- tes da corrente de comércio global, do mesmo ano, cujo valor foi de 35 trilhões de dólares, a participação brasileira representou apenas 1,08%. 13Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O governo brasileiro disponibiliza um banco de dados para a consulta de estatísticas sobre comércio exterior. Por exemplo, ao pesquisar desco- bre-se que, atualmente, os principais parceiros comerciais do Brasil são: China, Estados Unidos, Argentina e Holanda (BRASIL, [s. d.]). 3 Globalização A globalização é um tema de largo interesse e não há consenso en- tre os autores sobre quando exatamente esse processo surgiu, mas os fatos contemporâneos sugerem que seu ápice tenha ocorrido no início dos anos 1990, com o fim da guerra fria e o advento da internet. O apro- fundamento de seus fundamentos teóricos e os impactos adversos que esse fenômeno exerce nos agentes econômicos transnacionais, públi- cos e privados, vão muito além da proposta deste livro. A diversidade da literatura sobre o tema é gigantesca e seria inocente afirmar que, em nenhuma delas, a reflexão teórica apresenta considerações de cunho ideológico, seja contra, seja a favor desse processo. Considere que vários fatores contribuíram para que esse fenômeno tenha atingido um grau sem precedentes que ultrapassa as fronteiras da economia e se manifesta em várias dimensões da vida. Nas três últimas décadas, as interações transacionais conheceram uma intensificação dramática, desde a globalização dos sistemas de produção e das transferências financeiras, à disseminação, a uma escala mundial, de informação e imagens através dos meios de comunicação social ou às deslocações em massa de pessoas, quer como turistas, quer como trabalhadores migrantes ou refugiados. A extraordinária amplitude e profundidade destas interações transna- cionais levaram a que alguns autores as vissem como ruptura em relação às anteriores formas de interações transfronteiriças, um fe- nômeno novo designado por “globalização”. (SANTOS, 2002, p. 25) 14 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 4 GATT/OMC O Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (em inglês, General Agreement on Tariffs and Trade – GATT) foi assinado no ano de 1947 por 23 países, inclusive o Brasil. Tal acordo baseava-se na justificati- va da doutrina do livre comércio para facilitar o intercâmbio comercial entre as nações, e seu conteúdo foi uma das bases para a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995 (LUDOVICO, 2018). Para entender melhor a perspectiva histórica da criação do GATT é necessário ressaltar alguns pontos importantes. Como explica Trevisan (2018), em 1946, o governo dos Estados Unidos propôs, no âmbito das Nações Unidas, uma Conferência Mundial sobre Comércio e Emprego, que ocorreu em Havana, Cuba, entre 21 de novembro de 1947 e 24 de março de 1948. IMPORTANTE Em 1944, aconteceu uma conferência em um vilarejo de nome Bretton Woods, nas montanhas de New Hampshire, Estados Unidos. Esse histó- rico encontro, com a participação de 44 países, ficou conhecido como Conferência de Bretton Woods, cuja proposta era reorganizar a arquite- tura econômica e financeira internacional, pós-Segunda Guerra Mundial. A partir dessa conferência surgiram três instituições que inauguraram uma nova ordem econômica e financeira mundial: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvi- mento Econômico, que representavam um marco importante para legi- timar os efeitos positivosdo livre comércio; além da Organização das Nações Unidas (ONU), criada em 1945 com o objetivo de manter a paz e a segurança internacionais. Houve também a tentativa de criar uma Or- ganização Internacional do Comércio, sem êxito, dando lugar ao GATT, instituído em 1947. 15Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Um dos objetivos principais da Conferência de Bretton Woods era a criação de uma Organização Internacional do Comércio (OIC), a qual abrangeria diversos temas, como emprego, práticas comerciais restri- tivas, investimentos e serviços e serviria como órgão que conduziria a cooperação do comércio internacional entre as nações. Esses temas eram demasiadamente extensos e foram definitivamen- te rejeitados pelo congresso dos Estados Unidos, país que inicialmente colocou na mesa as discussões, porém acabou recuando. A Carta de Havana, como ficou conhecida, não se consolidou e a OIC nunca saiu do papel. Entretanto, algo foi aproveitado dessas discussões, pois havia outros grupos de discussão trabalhando com temas específicos. Nesse meio tempo, durante o ano de 1947, em Genebra, outras fren- tes de trabalho discutiram alguns temas estritamente relacionados a reduções tarifárias recíprocas ao comércio internacional. O conteúdo em pauta nos encontros em Genebra já estava previsto no capítulo IV da Carta de Havana e basicamente consolidou-se na composição do tex- to original do GATT-47, acordado em 30 de outubro de 1947, em Nova Iorque (TREVISAN, 2018). O texto desse acordo permanece, com altera- ções, até os dias atuais, e serviu como base para o anexo 1 da ata final constitutiva da OMC, em que se incorporam os resultados da Rodada Uruguai, concluída em 15 de abril de 1994. Ressalte-se que o GATT-47 não é uma instituição, trata-se de um tratado internacional de comércio que foi sendo modificado ao logo de quase cinco décadas e que servirá como base para a inauguração da OMC, em 1995. PARA SABER MAIS No Brasil, o GATT-47 foi internalizado pela Lei nº 313, de 30 de julho de 1948 (BRASIL, 1948). 16 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 4.1 OMC A OMC, com sede em Genebra, Suíça, foi definitivamente instituída em 1º de janeiro de 1995, ao final da Rodada Uruguai de negociações multilaterais. Desde então, passa a ser a instituição reguladora perma- nente que supervisiona o comércio internacional, tendo como tarefa básica aplicar as regras do livre-comércio (DAVID, 2016). Seu objetivo, de acordo com a ata constitutiva, é a elevação dos níveis de vida e o pleno emprego. O texto original do GATT-47, com as sucessivas alterações que ocor- reram ao longo dos anos, foi incorporado ao anexo 1A da ata constitu- tiva da OMC, e foi chamado de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 ou GATT-1994. PARA SABER MAIS A ata constitutiva da OMC foi assinada em Marraqueche em 15 de abril de 1994. No Brasil, a OMC foi reconhecida e internalizada pelo Decreto Federal nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994 (BRASIL, 1994). De acordo com Nasser (2002), dois fenômenos podem ser observa- dos na gênese da OMC, isto é, desde o GATT-47. O primeiro é o fato de o mundo ter saído de um conflito bélico de proporções globais, ensejan- do a necessidade de se criar mecanismos de cooperação mútua entre os países. O segundo é a fase histórica pela qual passava o mundo capitalista. As principais potências econômicas, principalmente os EUA, e, em me- nor grau, a Grã-Bretanha, sentiam a necessidade de abrir novos merca- dos para seus produtos, o que seria possível pela instituição de maior liberdade comercial (NASSER, 2002). Esse período, segundo Ludovico (2018), é classificado como idade contemporânea (1947-1995). Para o 17Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. autor, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as economias dos países envolvidos no conflito estavam arrasadas, o que ensejou a ne- cessidade de reconstrução no âmbito mundial. 5 Blocos econômicos e integração regional Na lição de Sousa (2009), o objeto central dos processos de integra- ção regional, ao menos em suas fases iniciais, basicamente tem um úni- co interesse: a redução das tarifas de importação e de barreiras quan- titativas. A integração de vários países, que podem compartilhar suas fronteiras, forma um mercado de maiores dimensões que passa a ser chamado de “blocos econômicos”, como é o caso da União Europeia, do Mercosul, do United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA), entre diversos outros. Cada grau de integração apresenta aspectos distintos, que se soma as configurações de uma fase de integração mais simplificada. Essas fases de integração econômica podem ser divididas em cinco, como explicam Sousa (2009) e Prazeres (2008) (quadro 1). Quadro 1 – Fases de integração econômica FASE CARACTERÍSTICAS Zona de preferências aduaneiras Países celebram entre si margens de preferências nas tarifas aduaneiras Exemplo: Associação Latino-americana de Integração (Aladi) Zonas de livre comércio As tarifas e barreiras de importação sobre as mercadorias que circulam no interior do bloco são eliminadas Exemplo: USMCA (anteriormente, Nafta) União aduaneira Eliminação das tarifas de importação sobre mercadorias que circulam no interior do bloco e a adoção de uma tarifa externa comum (TEC) Exemplo: Mercosul (cont.) 18 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . FASE CARACTERÍSTICAS Mercado comum Pressupõe, além das condições para uma zona aduaneira, a livre circulação de pessoas, bens, mercadorias, serviços, capitais e fatores produtivos, eliminando toda e qualquer forma de discriminação União monetária Inclui, além das condições das etapas anteriores, uma política monetária com a adoção de uma moeda única, visando à estabilidade de toda a região por onde o bloco se estende, com o objetivo de controle da inflação e dos déficits públicos Exemplo: União Europeia 6 Importações e exportações O estudo das exportações e importações é algo relativamente recen- te nas universidades brasileiras. Na década de 1990, o ramo de comér- cio exterior estava subordinado à área de administração de empresas; entretanto, com o passar dos anos, notou-se uma crescente especiali- zação, exigindo cada vez mais uma demanda especializada de profis- sionais que possuam estreita relação com as operações de importação e exportação. 6.1 Importação A gestão da importação requer múltiplas especialidades que deman- dam profissionais com conhecimento gigantesco, pois envolvem vários aspectos no gerenciamento de suas operações. Como explica Ludovico (2018), importação significa introdução em um país, estado ou municí- pio de mercadorias procedentes de outro local. O ato de introduzir mercadorias no país, ao menos no Brasil, de- pendede gestores com habilidade e experiência teórica e prática em relação aos itens a seguir: mapeamento dos concorrentes nacionais que vendem bens similares aos importados; precificação dos bens; e domínio em relação às normas administrativas, aduaneiras e cambiais 19Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de comércio exterior, por sua vez prolixa e burocrática. A depender da mercadoria a ser importada, o gestor de importação deve ter experiên- cia com as normas sanitárias que regulamentam a efetiva entrada dos bens estrangeiros. O modus operandi da importação está explicado no capítulo 8. Ressalta-se que a introdução de mercadorias no país só é possível com o apoio de gestores especializados em logística internacional, os quais estão preparados para oferecer o modal de transporte mais van- tajoso, após a análise de variáveis que combinam custo, segurança, e tempo de entrega. As vantagens e desvantagens dos principais modais de transporte estão explicados com mais detalhes no capítulo 7. 6.2 Exportação De acordo com Ludovico (2018), a exportação deve ser criteriosa- mente estudada e planejada sob todos os aspectos administrativos e operacionais, pois o principal objetivo do plano de exportação é a ma- ximização das vendas nos mercados externos e, como consequência direta, a maximização dos lucros esperados. Como ocorre no processo de importação, a exportação exige uma equipe com larga experiência na área, pois qualquer erro de gestão ope- racional pode comprometer a saúde financeira da empresa, levando à sua falência ou, em casos mais graves, à destruição de sua imagem internacional. O modus operandi da exportação está explicado no capí- tulo 8. É pacífico o entendimento de que é imperativa uma análise prévia dos riscos existentes no mercado externo, antes da exportação das merca- dorias. Esses riscos comportam variáveis complexas e, por vezes, im- previstas. Cateora, Gilly e Graham (2013) identificam essas variáveis no ambiente externo como forças ou fatores incontroláveis: econômicas; 20 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .competitivas; tecnológicas; estrutura de distribuição; geografia e infra- estrutura; políticas; legais; e as forças culturais. 7 Logística internacional Na contribuição de Sousa (2020, p. 19) a: Logística internacional é um sistema integrado, composto de vá- rios elementos que devem funcionar de forma sincronizada, abran- gendo várias áreas funcionais da empresa e inter-relacionando atividades, de forma a otimizar a eficiência empresarial e garantir o nível de serviço acordado com os clientes. Como explica David (2016), não há uma definição precisa e original para a logística internacional, uma vez que esta se alicerça nas atribui- ções desempenhadas pela logística interna. Os gestores da logística interna trabalham com operações específi- cas relacionadas ao movimento de mercadorias; fabricação e produção; compra e aprovisionamento; marketing; gerenciamento de estoques; fi- nanças e serviço ao cliente. Trata-se, portanto, de um subconjunto de atividades pertencentes a um ramo de maior amplitude que vem se de- senvolvendo desde 1980, o da gestão da cadeia de suprimentos (DAVID; STEWART, 2010), que se preocupa com as decisões estratégicas con- centradas na alta gerência. Em relação ao serviço ao cliente, em especial no âmbito das opera- ções globais, vale citar a seguinte consideração: O nível de serviço oferecido aos clientes deverá ser seguido por todas as empresas que compõem o sistema logístico, pois é, pro- vavelmente, o fator que mais diferencia as empresas e aquele em que a logística tem papel importante a desempenhar. Qualquer in- consistência nesse nível poderá conduzir a uma insatisfação dos clientes, podendo neutralizar todo o esforço logístico empregado até o momento. Uma vez que as operações internacionais são 21Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. mais complexas, para assegurar o nível de serviço é necessário planejá-las cuidadosamente e garantir que serão executadas por empresas idôneas e de reconhecida capacidade técnica. (SOUSA, 2020, p. 20) As atividades desempenhadas pelos profissionais ligados à gestão de cadeia de suprimentos envolvem aspectos que vão além do foco interno da empresa, que se concentra na produção, estocagem e ma- nuseio das mercadorias. Nesse ramo, David e Stewart (2010) destacam o gerenciamento de toda a cadeia de fornecedores, com o objetivo de garantir a entrega da mercadoria até o consumidor final. O foco das atividades, portanto, no contexto da gestão de cadeia de suprimentos, deixa de ser somente interno e passa a ser também externo, junto aos parceiros comerciais de negócios, sobretudo quanto à satisfação dos clientes. Em relação à cadeia de suprimentos, faz-se necessário desta- car a seguinte definição: A gestão da cadeia de suprimentos é um conjunto de abordagens que integra, com eficiência, fornecedores, fabricantes, depósitos e pontos comerciais, de forma que a mercadoria é produzida e dis- tribuída nas quantidades corretas, aos pontos de entrega e nos prazos corretos, com o objetivo de minimizar os custos totais do sistema sem deixar de atender às exigências em termos de nível de serviço. (SIMCHI-LEVI; KAMINSKY; SIMCHI-LEVI, 2010, p. 33) Nesse sentido, os ramos da logística e da gestão da cadeia de su- primentos internacionais aproveitam as operações de logística interna e as estratégias adotados na gestão da cadeia de suprimentos, mutatis mutandis, no mercado global, que envolve vários aspectos (administra- tivo, comercial, estratégico e aduaneiro) relacionados às operações de exportação e importação de mercadorias e que serão explicados neste livro em capítulos específicos. Para Ludovico (2014), os procedimentos logísticos aplicados ao co- mércio exterior assemelham-se aos do mercado interno. Apenas são adaptados o desenho do fluxograma das operações internacionais; a 22 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .contratação de serviços de armazenamento; além do manuseio e do transporte das mercadorias a serem exportadas, ou importadas. A figura 1 elucida os envolvidos nas áreas de logística interna e logís- tica internacional. Figura 1 – Logística interna, logística internacional e gestão de cadeia de suprimentos Gestão de cadeia de suprimentos Empresa Fornecedores domésticos Consumidores domésticos Fornecedores estrangeiros Consumidores estrangeiros Logística interna Logística internacional Fonte: adaptado de David e Stewart (2010). IMPORTANTE David e Stewart (2010) destacam alguns elementos importantes espe- cíficos da logística internacional, que tornam essa atividade mais com- plexa e arriscada quando comparadacom a logística interna. São eles: a questão da língua e da cultura, que não devem ser subestimadas; a infraestrutura da logística encontrada nos outros países; as decisões na escolha do tipo de transporte internacional; os riscos e danos inerentes às embalagens para o transporte internacional; a complexidade na con- tratação do seguro de transporte internacional; as exigências aduanei- ras exigidas pelos governos dos países exportadores e importadores; a 23Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. emissão de documentos utilizados no comércio internacional; o risco de calote no recebimento do pagamento internacional; e o entendimento da correta aplicação dos Incoterms. 8 Redes logísticas Rede logística, na leitura de Simchi-Levi, Kaminsky e Simchi-Levi (2010) é um outro nome dado à cadeia de suprimentos. A rede logística está relacionada às instalações físicas e aos agentes econômicos que executam transações comerciais de compra e venda. Consiste em for- necedores, centros de produção, depósitos, centros de distribuição, va- rejistas e clientes; além de matérias-primas, estoques de produtos em processo e produtos acabados que se deslocam entre as instalações. Como explicam Simchi-Levi, Kaminsky e Simchi-Levi, a cadeia deve ser gerenciada de maneira conjunta, com o objetivo de tornar toda a rede mais eficiente em termos de produção e nos custos associados a esto- cagem e transporte. Duas definições importantes devem ser ressaltadas em relação ao fluxo das atividades da cadeia de suprimentos, como explica David (2016). Define-se cadeia a montante quando o fluxo das atividades está direcionado para o fornecedor; enquanto a cadeia a jusante está rela- cionada a atividades de distribuição, no sentido do consumidor final. O termo jusante tem sua origem na observação do sentido da correnteza em um curso de água, da nascente para o seu ponto de desaguamento. Alguns desafios para a gestão eficiente das redes logísticas globais destacados por Simchi-Levi, Kaminsky e Simchi-Levi (2010) são: • A complexidade de unidades de ampla distribuição geográfica que, em muitos casos, atinge o mundo inteiro e pode compro- meter o lead time, isto é, o prazo de entrega do produto, desde a colocação do pedido, passando pela produção, transporte, de- sembaraço aduaneiro, etc. 24 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Objetivos diferentes e conflitantes entre os parceiros integrantes da rede logística. Ou seja, alguns fornecedores pressionam as empresas produtoras para que comprem grande quantidade de insumos para a produção de seus bens finais. Todavia, a empresa produtora pode rejeitar a se comprometer com pedidos em altas quantidades para futura entrega, uma vez que ela depende das oscilações da demanda do mercado, que podem impactar em au- mento excessivo de estoques, sem perspectiva de venda. Em relação às variáveis que podem interferir na decisão para o local dos depósitos, destacam-se: condições geográficas e de infraestrutura; recursos naturais e de mão de obra disponível; regulamentações para a indústria local e legislação tributária e interesse público. PARA SABER MAIS O estudo aprofundado das redes logísticas e das estratégias para a ges- tão da cadeia de suprimentos é extenso e merece uma pesquisa mais ampla. Simchi-Levi, Kaminsky e Simchi-Levi (2010) abordam vários tó- picos em detalhes, por exemplo: a cadeia de desenvolvimento; a gestão da incerteza e do risco; a evolução e complexidade da gestão da cadeia de suprimentos; o controle de estoques; os efeitos da incerteza na de- mandas; o compartilhamento dos riscos; a gestão do estoque na cadeia de suprimentos; a configuração e o projeto da rede logística, que englo- bam a coleta de dados e a agregação de dados; as tarifas de transporte e custos com depósitos; os contratos de suprimento e os contratos para cadeias de suprimentos para estoque; além de vários estudos de caso. Considerações finais A criação das instituições alicerçadas no livre comércio ao final de 1944 e, em especial, o estabelecimento de um acordo sobre livre comér- cio (GATT-47), que culminou na fundação da Organização Mundial do Comércio, parecem ter sido os motores para o avanço da globalização 25Logística e comércio internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. econômica, impactando positivamente no volume da corrente de comér- cio mundial e na criação de novas áreas de especialização, o que pro- piciou a criação de novos empregos, em todos os graus de hierarquia, relacionados ao comércio exterior, à logística internacional e à gestão de cadeia de suprimentos. Em função da extensão dos temas deste capitulo e da vasta lite- ratura, algumas questões precisam ser levantadas para uma reflexão mais madura, em especial sobre a globalização. Quais são as forças que conduzem o processo de globalização? A globalização chegou ao seu auge ou esse processo não tem limites? Será que os efeitos da glo- balização são benéficos a todos? Será que os objetivos idealizados pela GATT, em 1947, e legitimados pela ata constitutiva da OMC serão um dia alcançados? Quais são os grupos a favor, ou contra, a expansão da globalização? Qual o impacto nos empregos atuais? Referências BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. 11. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998. BRASIL. Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulgo a Ata Final que Incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 248-A, p. 21394, 31 dez. 1994. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/antigos/d1355.htm. Acesso em: 10 fev. 2022. BRASIL. Lei nº 313, de 30 de junho de 1948. Autoriza o Poder Executivo a aplicar, provisoriamente, o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio; reajusta a Tarifa das Alfândegas, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, p. 11189, 3 ago. 1948. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/1930-1949/l313.htm. Acesso em: 18 jul. 2022. BRASIL. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. ComexVis. Comex Stat, [s. d.]. Disponível em: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis. Acesso em: 9 fev. 2022. 26 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .CATEORA, P; GILLY, M. C; GRAHAM, J. L. Marketing internacional. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. DAVID, P. Logística internacional: gestão de operações de comércio internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2016. DAVID, P.; STEWART, R. Logística internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2010. LUDOVICO, N. Logística de transportes internacionais: um enfoque em comércioexterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. LUDOVICO, N. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. NASSER, R. A. A OMC e os países em desenvolvimento. São Paulo: Aduaneiras, 2002. PRAZERES, T. L. A OMC e os blocos regionais. São Paulo: Aduaneiras, 2008. SANTOS, B. S. (org.). Os processos da globalização. São Paulo: Cortez, 2002. SIMCHI-LEVI, D.; KAMINSKY, P.; SIMCHI-LEVI, E. Cadeia de suprimentos: projeto e gestão. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. SOUSA, J. M. M. Fundamentos do comércio internacional. São Paulo: Saraiva, 2009. SOUSA, J. M. M. Logística internacional e operações globais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. (Série Universitária). TREVISAN, R. O imposto de importação e o direito aduaneiro internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2018. WORLD TRADE ORGANIZATION (WTO). WTO stats. WTO, [s. d.]. Disponível em: https://stats.wto.org/. Acesso em: 10 fev. 2022. 27 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 2 Sistema global de operações da logística internacional Neste capítulo, iremos analisar alguns pontos relacionados com o comércio internacional. Nota-se, no decorrer da segunda metade do século XX, um fortalecimento dos acordos bilaterais ou regionais de comércio internacional, em detrimento dos acordos multilaterais. Tais acordos sustentam-se nos pilares da cooperação mútua e da reciproci- dade entre as partes envolvidas, justificadas pelos ideais do livre merca- do e pela crença de que os efeitos decorrentes desses acordos favore- cerão o nível de vida dos agentes econômicos envolvidos. 28 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Além desses acordos recíprocos, foram criadas, ao longo da segun- da metade do século XX, outras formas de negociação comercial entre países, em que o pilar da reciprocidade entre os estados se desconstrói e dá lugar às preferências unilaterais e não recíprocas, como explicado no sistema geral de preferências (SGP). Todos esses acordos, de uma forma ou outra, têm como objetivo a elevação dos níveis de riqueza das nações, ao facilitar o fluxo do comércio internacional, por meio da re- dução gradual ou da eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias. Nesse contexto, em que o livre comércio aparenta ser a única via para a redução da assimetria global econômica, aparecem políticas de proteção ao comércio internacional, ou seja, barreiras tarifárias e não tarifárias cujo objetivo é proteger o produtor interno em detrimento de bens estrangeiros, como será visto adiante. 1 Acordos bilaterais e multilaterais Como vimos no capítulo 1, em 1947, 23 países assinaram o Acordo geral sobre Tarifas e Comércio. Nota-se, em função do número de partes contratantes que integram esse acordo desde a sua fundação, um im- portante elemento, a pluralidade dos membros. Nesse sentido, Bobbio, Matteucci e Pasquino (1998, p. 856) ensinam que um acordo multilate- ral geralmente é instituído “quando um certo número de Estados, pre- visto no próprio acordo, manifestou a vontade definitiva de participar, mediante as formalidades prescritas para a aceitação do ato institutivo”. Outros acordos de comércio, assim como o GATT-47, foram cria- dos entre os anos de 1947 e 1994 por meio de sucessivas rodadas de negociação. Destacamos uma delas, a Rodada Uruguai, iniciada em Punta del Leste, em 1986, e concluída em 1994, com a assinatura de 123 países do acordo constitutivo da OMC, inaugurada em 1º de janeiro de 1995. A criação dessa organização internacional, segundo Nasser (2002) fortaleceu o sistema multilateral de comércio,1 uma vez que pas- 1 Conjunto de normas internacionais de comércio e das instituições responsáveis por aplicá-las. 29Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. sou a reforçar a estrutura institucional de todo o sistema comercial, es- tabelecendo um fórum permanente de discussão. No âmbito dos acordos multilaterais, destaca-se o Acordo de Facilitação de Comércio, assinado por 112 membros da OMC. O acordo entrou em vigor em 22 de fevereiro de 2017 com o objetivo de conferir mais transparência à relação entre governos e intervenientes privados que operam no comércio exterior e reduzir impactos burocráticos sobre importações e exportações. Nos acordos bilaterais, por sua vez, participam apenas dois estados ou blocos econômicos, com o propósito de favorecer o comércio entre eles por meio de concessão de vantagens recíprocas. Um exemplo é o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Egito, assinado em 2 de maio de 2010 e promulgado no Brasil por meio do Decreto nº 9.229, de 6 de dezembro de 2017 (BRASIL, 2017). O objetivo desse acordo é criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável, para novas oportunidades de emprego, para a diversificação do comércio entre si e para a promoção da cooperação comercial e econômica em áreas de interesse comum com base na igualdade, no benefício mútuo, na não discriminação e no direito internacional, além de contribuir para o fortalecimento do sistema multilateral de comércio. 2 Tratamento preferencial Para entender o contexto do tratamento preferencial, é necessária a leitura do artigo I do GATT-47: Qualquer vantagem, favor, imunidade ou privilégio concedido por uma parte contratante em relação a um produto originário [produzi- do] de ou destinado a qualquer outro país, será imediata e incondi- cionalmente estendido ao produto similar, originário do território de cada uma das outras partes contratantes ou ao mesmo destinado. Este dispositivo se refere aos direitos aduaneiros e [...] à importa- ção e exportação bem como aos assuntos. (BRASIL, 1948) 30 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Esse artigo refere-se à cláusula da nação mais favorecida (CNMF) e precisa ser esclarecido para sua melhor compreensão. Suponha ao menos três partes contratantes de um acordo, por exemplo, os Estados Unidos, o Brasil e a França. Considere que uma empresa situada nos Estados Unidos importa produtos similares originados do Brasil e da França, por exemplo, queijos. Nesse sentido, quando os queijos entram no território dos Estados Unidos, a autoridade aduaneira daquele país apli- ca uma determinada tarifa de importação sobre o valor das mercadorias. Considere que esta tarifa de importação seja da ordem de 10% sobre o valor do queijo. Essa alíquota deve ser exatamente a mesma, sendo vedada a concessão de preferências a terceiros, independentemente do país de origem do produto. Considere que o governo dos Estados Unidos decida reduzir a tarifa de importação sobre o queijo, de 10% para 2%, apenas sobre os queijos originados do Brasil, sem estender a concessão dessa vantagem aos queijos similares originados da França. Essa hipótese não reflete o estabelecidopelo artigo I do GATT-47. A par- te contratante, ao oferecer um privilégio ou tratamento privilegiado a um produto originário de outro país deve, de forma imediata e sem impor qualquer condição, estender o mesmo benefício para todas as outras partes contratantes envolvidas. Portanto, no caso do exemplo, a França deveria ser igualmente beneficiada com a vantagem da redução da tari- fa de importação de 10 para 2%. Não havia base jurídica para condicionar o nível de desenvolvimento econômico de um país como justificativa para receber privilégios unila- terais de países desenvolvidos. A redação desse artigo, portanto, conduz a uma forte restrição aos acordos bilaterais ou regionais de comércio e a um apelo para que o sistema mundial de comércio se baseie nos cri- térios de reciprocidade mútua, sem preferências regionais ou bilaterais. A eficácia dessa cláusula perdeu força no decorrer dos anos seguin- tes à constituição do GATT-47, abrindo espaço para “exceções à cláusu- la”, principalmente na década de 1960, com os esforços do economista 31Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. argentino Raul Prebisch quando exerceu, nas décadas de 1950 e 1960, o cargo de secretário executivo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e de secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Uma dessas exce- ções à CNMF é o sistema geral de preferências (SGP), explicado a seguir. 3 Sistema geral de preferências (SGP) O SGP constitui um programa de benefícios tarifários concedidos pelos países industrializados aos países em desenvolvimento, na for- ma de redução ou isenção do imposto de importação incidente sobre determinados produtos (BRASIL, 2011). Esse benefício é uma exceção à CNMF e, como explica Nasser (2002), foi reconhecido pelo GATT-47, que dispensou a aplicabilidade do artigo I, em 25 de junho de 1971. Algumas características desse programa são: a não reciprocidade, em outras palavras, quando um benefício tarifário é concedido por um país desenvolvido a outro país, em desenvolvimento, este país não tem o dever legal de favorecer aquele; a voluntariedade, ou seja, os países desenvolvidos não são obrigados a aderir ao programa; a temporalida- de, uma vez que os beneficiados do sistema podem ser excluídos do programa a qualquer momento. PARA SABER MAIS O Brasil, na qualidade de país em desenvolvimento, é outorgado do pro- grama e tem como grande parceiro os Estados Unidos. Para saber mais acesse o site do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (U.S. DEPARTMENT OF COMMERCE, [s. d.]). 32 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 4 Sistema global de preferências comerciais (SGPC) O Acordo sobre o Sistema Global de Preferências Comerciais entre os países em desenvolvimento (SGPC) tem, por princípio, a concessão de vantagens mútuas de modo a trazer benefícios a todos os seus par- ticipantes, considerados seus níveis de desenvolvimento econômico e industrial, seus padrões de comércio exterior, suas políticas e seus sis- temas comerciais (BRASIL, 2011). Faz se necessária uma distinção entre o SGP o SGPC. O primeiro se caracteriza pela assimetria econômica entre as partes com base em concessões não recíprocas. No caso do SGPC, o propósito é a coope- ração por meio de concessões comerciais mútuas entre as partes con- tratantes, constituídas de países em desenvolvimento e de menor grau de desenvolvimento. PARA SABER MAIS Para saber mais sobre o SGPC e os países que integram o programa, acesse o site da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, [s. d.]). 5 Barreiras não tarifárias: protecionismo, subsídio, dumping, cotas de importação e barreiras sanitárias e fitossanitárias Protecionismo, em comércio internacional, é a denominação adota- da para identificar uma política econômica, em determinado período de tempo, a favor da indústria doméstica e de seus empregos. Nesse sen- tido, o governo de um país ou os líderes de um bloco econômico podem 33Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. adotar alguns instrumentos específicos de política comercial, como as barreiras não tarifárias, a fim de regular as importações de modo a pre- judicar a introdução de bens estrangeiros no país. Como explica Sousa (2009, p. 147), barreiras não tarifárias se clas- sificam como qualquer “medida pública que não seja um direito adua- neiro e tenha por efeito criar uma distorção nas trocas comerciais”. A distorção ocorre no sentido de que essas barreiras podem proteger ex- cessivamente os produtores nacionais de certos bens a ponto de impe- dir, restringir ou dificultar a importação de bens estrangeiros similares no mercado interno, caracterizando um mercado protecionista. Essas distorções culminam em vários efeitos aos agentes econômicos inter- nos, em especial ao consumidor final, que demanda esses bens, uma vez que reduz a opção de alternativas de compra de bens concorrentes a preços competitivos. Note que há uma diferença importante na definição de duas termi- nologias que são utilizadas nos estudos do protecionismo. Faz-se ne- cessário, portanto, separar o entendimento em relação às medidas não tarifárias e às barreiras não tarifárias. Medidas não tarifárias têm por objetivo a proteção da saúde pública ou do meio ambiente decorrentes de bens introduzidos no país, por exemplo, a imposição pelo Ministério da Agricultura do Brasil, ou órgão similar, de um limite na quantidade de sódio dos alimentos importados, além de regular as formas de rotula- gem desses alimentos. Ocorre que, quando os efeitos econômicos dessas medidas extra- polam seus objetivos, elas passam a ser classificadas como barreiras não tarifárias ao comércio, uma vez que causam um efeito econômico no comércio internacional de mercadorias, alterando vários aspectos, entre eles a escolha dos parceiros comerciais, as quantidades negocia- das, os preços dessas mercadorias, entre outros efeitos que distorcem o mercado. O quadro 1 apresenta algumas dessas medidas. 34 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Quadro 1 – Exemplos de medidas não tarifárias DENOMINAÇÃO OBJETIVO EXEMPLO Medidas sanitárias e fitossanitárias Proteger a vida humana e a animal de riscos decorrentes de organismos que podem causar doenças diversas Coleta de amostra de um lote de laranjas importadas para checar o nível residual de pesticidas Barreiras técnicas ao comércio Atender a procedimentos para avaliação da conformidade e de normas técnicas Refrigeradores devem ter uma etiqueta indicando o tamanho, o peso e o nível de consumo de energia elétrica Medidas de defesa comercial Medidas implementadas para neutralizar os efeitosadversos no mercado do país importador, causados por certas importações, após o cumprimento de requisitos processuais regulados pela legislação do país que sofreu os efeitos danosos País A aplica uma medida antidumping sobre a importação de determinados produtos originados do país B para compensar um dano material causado pelas importações do país B Contingentes ou cotas não tarifárias sobre importações Restringir a quantidade de bens importados Determinado país impõe uma cota máxima de 100 toneladas, por ano, de peixe importado (soma das importações) Fonte: adaptado de UNCTAD (2022). Entre as medidas apresentadas no quadro 1, destacam-se as de de- fesa comercial. Esse tema tem forte discussão no comércio internacio- nal em função da sua complexidade e dos danos que podem causar aos agentes econômicos públicos e privados dos países envolvidos. Para uma melhor compreensão em relação às medidas, é imperativo o estudo de dois importantes temas, os subsídios e o dumping. Ambos são reconhecidos pela OMC por meio de acordos específicos e con- siderados como práticas proibidas ou desleais de comércio. Cabe ao governo do país que sofrer os efeitos dos danos causados por tais prá- ticas adotar medidas compensatórias ou medidas antidumping, para compensar os danos materialmente provados. A seguir veremos uma breve explicação de cada uma dessas práti- cas e suas respectivas medidas de defesa. 35Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 5.1 Subsídio De acordo com a legislação brasileira que regula o tema, apoiada no Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias, da OMC, consi- dera-se a existência de subsídio quando houver contribuição financeira por governo ou órgão público, no território do país exportador, nos casos em que a prática do governo implique a transferência direta de fundos, doações, empréstimos, aportes de capital, ou potenciais transferências diretas de fundos ou de obrigações, entre outros (BRASIL, 2021). Os subsídios são considerados proibidos quando essa ajuda finan- ceira é direcionada a um setor específico da atividade econômica (por exemplo, a aeronáutica ou a produção de algodão) com o propósito de fomentar as exportações a preços desleais, ou de proteger o mercado doméstico da importação de bens estrangeiros. Os efeitos dessa práti- ca podem causar grave impacto nos produtores globais de bens simila- res. Nesse caso, a OMC, após um extenso processo investigatório, pode autorizar os países prejudicados a adotar medidas para compensar os danos materiais causados. PARA SABER MAIS O Brasil participou de duas grandes disputas sobre subsídios: o con- tencioso entre a Embraer e a canadense Bombardier e a dos subsídios oferecidos aos produtores de algodão nos Estados Unidos. Uma rápida pesquisa nos mecanismos de busca on-line traz conteúdo de relevante interesse nesses dois casos. 5.2 Dumping Dumping é uma prática comercial desleal e condenada pela OMC. Dumping não deve ser classificado como medida de defesa comer- cial. Essa defesa, denominada medida antidumping, ocorre em algum 36 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .momento posterior à prática do dumping e do dano material à indús- tria doméstica do país importador, decorrentes dos efeitos causados por essa prática, e é preciso cumprir requisitos específicos após um extenso processo investigatório, o qual é conduzido pelo governo do país onde se situa a indústria doméstica. De acordo com David (2018, p. 433), dumping é uma: Estratégia que alguns exportadores seguem para vender os pro- dutos que exportam a um preço considerado “demasiadamente baixo” pela autoridade aduaneira do país importador. A explicação do autor, apesar de relativamente correta, não contem- pla a definição jurídica estabelecida na redação do artigo 7º do Decreto nº 8.058, de 26 de julho de 2013, que regulamenta os procedimentos administrativos relativos à investigação e à aplicação de medidas antidumping: Para os efeitos deste Decreto, considera-se prática de dumping a introdução de um produto no mercado doméstico brasileiro, inclu- sive sob as modalidades de drawback, a um preço de exportação inferior ao seu valor normal. (BRASIL, 2013) Nesse mesmo sentido, Barral e Brogini (2007, p. 38) explicam que dumping é a: prática de discriminação de preços em mercados distintos: uma empresa exportadora vende um produto no mercado importador a um preço inferior ao valor normal praticado em seu mercado de origem. Nota-se, na explicação de Barral e Brogini e no artigo 7º do Decreto nº 8.058, um termo em comum que precisa ser elucidado: o valor normal. O entendimento desse valor é relativamente complexo, neste capítulo, sem adentrar nas acaloradas discussões dos juristas especializados no tema, considere-se o valor normal nos termos do artigo 8º do mesmo decreto: “o preço do produto similar, em operações comerciais normais, 37Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. destinado ao consumo no mercado interno do país exportador” (BRASIL, 2013). Acrescenta-se à definição do valor normal a seguinte síntese: O valor normal é o preço comparável realmente pago ou a pagar, no curso de operações comerciais normais, por produto similar destinado ao consumo do país de exportação ou de origem, deven- do ser levada em consideração a base de formação de preço da mercadoria, sendo deduzidos os impostos e frete incidentes para torná-lo ex-fábrica. (GUEDES; PINHEIRO, 2002, p. 88) Ressalte-se a importância de compreender outro termo, além do valor normal, que não pode ser descartado para o entendimento des- sa prática: o preço de exportação conforme a redação do artigo 18º do Decreto nº 8.058/2013: Caso o produtor seja o exportador do produto objeto da investiga- ção, o preço de exportação será o recebido, ou o preço de exporta- ção a receber, pelo produto exportado ao Brasil, líquido de tributos, descontos ou reduções efetivamente concedidos e diretamente relacionados com as vendas do produto objeto da investigação. (BRASIL, 2013) A figura 1 ilustra um caso hipotético de ocorrência de dumping. Figura 1 – Exportação de cadeados originados da China com preços de exportação praticados com dumping Uma empresa chinesa fabricou 10.000 cadeados em 2022. 2.000 foram vendidos no mercado doméstico chinês, e as 8.000 unidades restantes, exportadas para o Brasil $ 10 $ 12 E são introduzidos no Brasil ao preço de exportação de USD 10/unidade 2 mil cadeados são destinados ao consumo no mercado interno chinês pelo valor normal de USD 12/unidade Haverá dumping quando 38 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .O que se nota de estranho no exemplo da figura 1 é o preço de ex- portação introduzido no Brasilser inferior em 2 dólares por unidade, em relação ao valor praticado no mercado chinês. Essa diferença é denomi- nada de margem de dumping apurada e seu entendimento é necessá- rio para justificar a aplicação de medidas ou direitos antidumping. Para apurar a margem de dumping, basta calcular a diferença entre o valor normal e o preço de exportação. Nesse caso, apura-se a margem de dumping de 2 dólares/unidade. Em quantidades significativas, a introdução de bens no Brasil com- promete a indústria doméstica de bens similares, causando, em certo prazo, danos materiais irreversíveis que podem levar à sua falência. Nesse contexto, os exportadores fortalecem o segmento oligopolis- ta (no país afetado) em relação à distribuição dos bens introduzidos com preços desleais. Essa prática é condenada pela OMC e justifica a aplicação da medida de defesa comercial denominada de direito anti- dumping, definida no inciso 2, artigo 784, do Decreto nº 6759, de 5 de fevereiro de 2009: Direito antidumping, o montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, com o fim exclusivo de neutralizar os efeitos danosos das importações objeto de dumping, calculado mediante a aplicação de alíquotas ad valorem ou específicas, ou pela conjugação de ambas. (BRASIL, 2009) 5.3 Cotas de importação De acordo com Sousa (2009), as cotas de importação, também de- nominadas contingentes, referem-se a restrições quantitativas permiti- das quanto à importação de certos bens. Essas cotas dividem-se em: tarifárias e não tarifárias. Um mecanismo que exemplifica as cotas tarifárias está previsto no âmbito do Mercosul pela Resolução nº 49/2019 do Grupo do Mercado 39Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Comum. Tratam-se de ações pontuais e de caráter temporário para garantir o abastecimento normal e fluido da região resultante de dese- quilíbrios entre oferta e demanda, em decorrência de: inexistência tem- porária de produção regional do bem; existência de produção regional do bem, mas o estado parte produtor não conta com oferta suficiente para atender às quantidades demandadas; existência de produção re- gional de um bem similar, mas este não possui as características exi- gidas pelo processo produtivo da indústria do estado parte solicitante. (MERCOSUL, 2019). Em relação às cotas não tarifárias, inserem-se as salvaguardas, pre- vistas, de forma genérica, no artigo XIX do GATT-47. Somente em 1994, ao final da Rodada Uruguai, o acordo específico sobre salvaguardas foi assinado e incorporado ao escopo de acordos da OMC. No Brasil, foi internalizado pelo Decreto nº 1.488, de 11 de maio de 1995, artigo 1º: Poderão ser aplicadas medidas de salvaguarda a um produto se de uma investigação resultar a constatação, de acordo com as dispo- sições previstas neste regulamento, de que as importações desse produto aumentaram em tais quantidades e, em termos absolutos ou em relação à produção nacional, e em tais condições que cau- sem ou ameacem causar prejuízo grave à indústria doméstica de bens similares ou diretamente concorrentes. (BRASIL, 1995) PARA SABER MAIS No Brasil, a aplicação das salvaguardas é muito tímida. Recorde-se o caso relacionado aos brinquedos, decidido pela Portaria Interministerial MICT/MF nº 21, de 19 de dezembro de 1996 (BRASIL, 1996). 40 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 5.4 Barreiras sanitárias e fitossanitárias O Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias foi internalizado no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o qual promulga a ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Multilaterais do GATT (BRASIL, 1994). O objetivo geral desse acordo é o estabelecimento de um arcabouço multilateral de regras para orientar a elaboração, a ado- ção e a aplicação de medidas sanitárias e fitossanitárias relacionadas à proteção da saúde humana, da saúde animal e da situação sanitária no território de todos os membros signatários, com vistas a reduzir, ao mínimo, seus efeitos negativos sobre o comércio internacional. Nesse sentido, de acordo com o preâmbulo do aludido acordo, ne- nhum país signatário deve ser impedido de adotar ou aplicar medidas necessárias à proteção da vida ou da saúde humana, animal ou vege- tal, desde que tais medidas não sejam aplicadas de modo a constituir discriminação arbitrária ou injustificável entre membros em situações em que prevaleçam as mesmas condições, ou uma restrição velada ao comércio internacional (BRASIL, 1994). Um exemplo foi o estabelecimento de requisitos específicos para o processo de produção de gelatina exigidos pela França, em 1997. A medida estabeleceu requisitos mínimos para o método de produção de gelatina, como uma imposição de segurança em virtude da encefalo- patia espongiforme bovina (BSE), também conhecida como “doença da vaca louca”, a qual interrompeu as exportações brasileiras. Ocorre que não havia justificativa ou embasamento científico e, após algumas con- sultas bilaterais entre Brasil e União Europeia, a França suspendeu a restrição, liberando as exportações brasileiras de gelatina (CNI, 2017). 41Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 6 Barreiras tarifárias As barreiras tarifárias são mecanismos de política comercial, ado- tadas por um governo ou bloco econômico, com o objetivo de regular a introdução de bens estrangeiros que possam concorrer com bens si- milares produzidos pela indústria doméstica. Ressalte-se que, no Brasil, à luz do direto tributário e aduaneiro, a denominação da tarifa é ina- dequada para conferir sua natureza legal, sendo que a correta é o im- posto de importação, espécie de tributo que incide sobre mercadorias estrangeiras. Do ponto de vista econômico, essa tarifa (imposto) de importação reveste-se de uma característica contraditória, incomum aos tributos em geral, que é a sua função arrecadatória. O imposto de renda, por exemplo, pode ter a sua alíquota majorada com o objetivo de alavancar a receita da União e cobrir os gastos públicos. A fórmula é simples: ma- jora-se a alíquota de um tributo, arrecada-se mais dinheiro. No caso do imposto de importação, essa função não se observa. Sua alíquota, a qual incide sobre o valor aduaneiro da mercadoria es- trangeira, se majorada de 2 para 14%, terá como efeito a diminuição no volume das importações, a fim de proteger a indústria doméstica. Nesse sentido, parte da doutrina classifica o imposto de importação como um tributo “extrafiscal”. Nessa linha, Sehn (2021) explica que, nos tributos extrafiscais, o objetivo não é perder receita, mas atingir um efei- to econômico ou regulatório. Outra espécie de tributo considerada uma barreira tarifária é o adi- cional ao frete para a renovação da marinha mercante (AFRMM), o qual incide sobre o frete aquaviário da carga de qualquer natureza descar- regada em porto brasileiro, com base nas seguintes alíquotas: 25% na navegação de longo curso, 10% na navegação de cabotagem e 40% nas navegações fluvial e lacustre, quando do transporte de granéis líquidos nas regiões Norte eNordeste (BRASIL, 2014). 42 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 7 Nomenclatura internacional das mercadorias (NCM e SH) O sistema harmonizado de designação e de codificação de mer- cadoras, ou simplesmente sistema harmonizado (SH) foi adotado em 1988, por 179 países, representando 98% ou mais do comércio mun- dial (DAVID, 2018). Foi criado em 1998 pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Organização Mundial das Aduanas) e internalizado no siste- ma jurídico brasileiro por meio do Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988. De acordo com a convenção que criou o SH, seu objetivo é facilitar a coleta e a comparação dos dados estatísticos do comércio internacional em relação às exportações e importações (BRASIL, 1988). Esse sistema é amplamente utilizado no comércio internacional nos dias de hoje. Inclui todo o universo de mercadorias produzidas atual- mente, listadas em uma estrutura dividida em 21 seções e 99 capítulos, que contempla desde animais vivos até as obras de arte, além de seis regras gerais para sua interpretação e de outras notas indicativas de uso obrigatório para a correta identificação da mercadoria que se pre- tende exportar ou importar. A estrutura do SH serviu de base para a constituição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), em 1994, e, atualmente, é a estrutura ofi- cial para a classificação fiscal de mercadorias no âmbito do Mercosul. A partir de um código de oito dígitos, sendo que os seis primeiros são her- dados do SH, é possível identificar a alíquota do Imposto de importação (tarifa externa comum – TEC) da mercadoria correspondente. Outras aplicações da tabela NCM/SH são diariamente utilizadas pe- los intervenientes de comércio exterior, por exemplo identificar se de- terminada mercadoria exige licenciamento de importação previamen- te ao embarque da mercadoria; levantamento de dados estatísticos de comércio internacional das mercadorias que compõem a balança 43Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. comercial e permitir aos operadores logísticos identificar se determina- da mercadoria pode ser aceita para transporte internacional. Considerações finais Ao analisar o contexto do comércio internacional, percebemos uma via de mão dupla. Em um dos sentidos temos o caminho do liberalismo em que países ou blocos econômicos estabelecem acordos de comér- cio, objetivando, em linhas gerais, a cooperação mútua e o crescimento econômico entre eles. Nesse mesmo sentido, temos os acordos prefe- renciais de comércio, em que países em desenvolvimento são privilegia- dos unilateralmente, como ocorre com o sistema geral de preferências. Em outro sentido, contrário ao do liberalismo, temos o protecionis- mo de mercado, contexto pelo qual, a depender de um rol de variáveis, governos de países adotam barreiras tarifárias e não tarifárias, dificul- tando a entrada de bens estrangeiros com o compromisso de proteger suas indústrias domésticas. Ambas as políticas têm suas vantagens e desvantagens, de modo que cabe um estudo profundo e detalhado na extensa bibliografia existente sobre o tema para tentar, pelo menos de maneira aproximada, encontrar a alternativa mais vantajosa. Contudo, fica aqui uma questão para reflexão. Mais vantajosa para quem? Referências BARRAL, W; BROGINI, G. Manual prático de defesa comercial. São Paulo: Aduaneiras, 2007. BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. 11. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998. BRASIL. Lei nº 313, de 30 de julho de 1948. Autoriza o Poder Executivo a aplicar, provisoriamente, o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio; reajusta a Tarifa das Alfândegas, e dá outras providências. 1948. Disponível em: http:// 44 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1930-1949/l313.htm. Acesso em: 14 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulga a Ata Final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Multilaterais do GATT. Diário Oficial da União: seção 1, edição extra, Brasília, DF, 31 dez. 1994, p. 21394. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/ Antigos/D1355.htm. Acesso em: 18 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 1.488, de 11 de maio de 1995. Regulamenta as normas que disciplinam os procedimentos administrativos relativos à aplicação de medidas de salvaguarda. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 133, n. 90, 12 maio 1995, p. 6761-6764. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/1995/D1488.htm. Acesso em: 16 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 146, n. 26, 6 fev. 2009, p. 1-47. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm. Acesso em: 16 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 8.058, de 26 de julho de 2013. Regulamenta os procedimentos administrativos relativos à investigação e à aplicação de medidas antidumping. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 150, n. 144, 29 jul. 2013, p. 25- 36. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/ decreto/d8058.htm. Acesso em: 15 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 8.257, de 29 de maio de 2014. Regulamenta dispositivos da Lei nº 10.893, de 13 de julho de 2004, que dispõe sobre o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM e o Fundo de Marinha Mercante – FMM, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 151, n. 102, 30 maio 2014, p. 1-7. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2011-2014/2014/decreto/D8257.htm. Acesso em: 15 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 9.229, de 06 de dezembro de 2017. Promulga o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a República Árabe do Egito, firmado em San Juan, em 2 de agosto de 2010. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 154, n. 234, 7 dez. 2017, p. 5. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9229.htm. Acesso em: 15 fev. 2022. 45Sistema global de operações da logística internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. BRASIL. Decreto nº 10.839, de 19 de outubro de 2021. Regulamenta os procedimentos administrativos relativos à investigação de existência de subsídios e à aplicação de medidas compensatórias. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 159, n. 197, 19 out. 2021, p. 24-36. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10839. htm. Acesso em: 18 fev. 2022. BRASIL. Decreto nº 97.409, de 22 de dezembro de 1988. Promulgação à Convenção Internacional sobre o SistemaHarmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 27 dez. 1988, p. 25612. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/1980-1989/D97409.htm. Acesso em: 19 fev. 2022. BRASIL. Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Portaria interministerial nº 21, de 19 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 252, p. 172-74, 30 dez. 1996. Disponível em: https://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp? data=30/12/1996&jornal=1&pagina=174&totalArquivos=232. Acesso em: 17 fev. 2022. BRASIL. Portaria nº 23, de 14 de julho de 2011. Dispõe sobre operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 148, n. 137, 19 jul. 2011, p. 65-92. Disponível em: https://www.gov.br/produtividade- e-comercio-exterior/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/portarias-secex/ anos-anteriores/portarias_secex_2011/portaria-secex-23-11-consolidada.pdf. Acesso em: 14 fev. 2022. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Manual sobre barreiras comerciais e aos investimentos. Brasília: CNI, 2017. Disponível em: http://www. apexbrasil.com.br/uploads/clique%20aqui.pdf. Acesso em: 18 fev. 2022. DAVID, Pierre. Logística internacional: gestão de operações de comércio internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2016. GUEDES, J. M; PINHEIRO, S. M. Antidumping, subsídios e medidas compensatórias. 3. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2002. MERCOSUL. Resolução GMC nº 49, de 25 de novembro de 2019. Ações pontuais no âmbito tarifário por razões de abastecimento. Secretaria do Mercosul, 2019. Disponível em: https://normas.mercosur.int/simfiles/ 46 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .normativas/75229_RES_049-2019_PT_FERR_Acoes%20Pontuais%20 Ambito%20Tarifario.pdf. Acesso em 17 fev. 2022. NASSER, R. A. A OMC e os países em desenvolvimento. São Paulo: Aduaneiras, 2002. SEHN, S. Curso de direito aduaneiro. Rio de Janeiro: Forense, 2021. SOUSA, J. M. M. Fundamentos do comércio internacional. São Paulo: Saraiva, 2009. UNCTAD. Welcome to United Nations Conference on Trade and Development. UNCTAD, [s. d.]. Disponível em: https://unctad.org/. Acesso em: 22 jul. 2022. UNITED NATIONS CONFERENCE ON TRADE AND DEVELOPMENT (UNCTAD). Non-tariff measures (NTMs). UNCTAD, 2018. Disponível em: https://unctad. org/topic/trade-analysis/non-tariff-measures. Acesso em: 14 fev. 2022. U.S. DEPARTMENT OF COMMERCE. Home page. U.S. Department of Commerce, [s. d.]. Disponível em: https://www.commerce.gov/. Acesso em: 22 jul. 2022. 47 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 3 Estrutura da operação logística Este capítulo analisa algumas características relacionadas à infraes- trutura de transporte brasileira, formada pelos aeroportos, portos, rodo- vias e ferrovias. Nota-se que a definição de infraestrutura não está cir- cunscrita somente às instalações ou estruturas físicas desses espaços, mas integra outros fatores direta ou indiretamente relacionados, como a prestação de serviços públicos e privados, normas regulatórias que possam atravancar o processo de liberação aduaneira, localização de um aeroporto internacional, segurança nas rodovias, etc. 48 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Esses fatores são percebidos não somente no interior do Brasil, mas por agentes públicos e privados ao redor do planeta, interessados em estabelecer relações comerciais internacionais que possam promover o crescimento econômico mútuo. Certamente, existem outros indicado- res que mensuram o grau de competitividade de um país, como a segu- rança jurídica e a estabilidade das instituições democráticas. Todavia, a infraestrutura de transporte é um dos pilares fundamentais que tem for- te peso no cenário global, sendo um dos indicadores legitimados pelo World Economic Forum, ponto que será discutido neste capítulo. 1 Estrutura dos portos No Brasil, de acordo com a Confederação Nacional de Transporte (CNT, 2022) o modal aquaviário, que inclui as operações de cabotagem e hidrovias, corresponde a 15,72% do total da matriz de transporte no interior do país. As operações marítimas de longo curso, ou seja, que saem de algum porto brasileiro para o porto de outro país, não estão computadas no gráfico 1, e serão tratadas no capítulo 7. Gráfico 1 – Participação dos modais na matriz de transporte interna F C D E A B Bilhões (TKU) 249,9 – Cabotagem – 10, 47%A 125,30 – Hidroviário – 5, 25%B 1548,0 – Rodoviário – 64,86%C 356,8 – Ferroviário – 14,95%D 106,1 – Dutoviário – 4,45%E 0,6 – Aéreo – 0,03%F Fonte: adaptado de CNT (2022). 49Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Para a UNCTAD (2019) os indicadores de desempenho são impor- tantes ferramentas analíticas que podem facilitar a compreensão da na- tureza e da escala de problemas enfrentados pela indústria de transpor- te marítimo e dos portos. Nessa mesma linha, a infraestrutura portuá ria é considerada pelo The World Bank (2017) como um dos indicadores de competitividade global. Essa instituição avalia periodicamente a percepção da qualidade da infraestrutura dos portos, por meio de uma pesquisa de opinião, elaborada pelo Fórum Econômico Mundial. Os da- dos são coletados de empresários ligados ao setor, de modo on-line ou presencial. O gráfico 2 ilustra a evolução dessas notas entre os anos de 2007 e 2017. Gráfico 2 – Evolução na percepção da qualidade da infraestrutura portuária brasileira 0 3 4 1 2 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 Fonte: adaptado de The World Bank (2017). De acordo com estudo da Lloyd’s List Intelligence (2021), de um total de 100 portos avaliados em todo o mundo, o porto de Santos se destaca na 45ª posição, com um total de 4.232.046 TEU (contêiner padrão de 20 pés) movimentados no ano de 2020. 50 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .PARA SABER MAIS Consulte mais detalhes sobre as estatísticas do porto de Santos no site da Santos Port Authority (SPA, [s. d.]). A tabela 1 relaciona os dados da infraestrutura aquaviária interna como um todo, obtidos a partir do boletim consolidado da Confederação Nacional de Transporte (CNT, 2022). Tabela 1 – Infraestrutura aquaviária brasileira INFRAESTRUTURA EM OPERAÇÃO Terminais arrendados 30 Estação de transbordo de cargas (ETC) Terminais de uso privado (TUP) Portos organizados Instalaçãoportuária de pequeno porte (IP4) Eclusas 25 113 31 37 8 HIDROVIA – EXTENSÃO EM KM Vias navegáveis 41.795 Vias economicamente navegadas 19.503 FROTA NAVEGAÇÃO INTERIOR Longitudinal de carga 2.737 Passageiros e misto 154 Transporte de travessia 568 FROTA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA Cabotagem/longo curso 207 Fonte: adaptado de CNT (2022). 51Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2 Estrutura dos aeroportos Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da capacidade e eficiência da infraestrutura dos aeroportos do país, uma pesquisa con- tratada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil coletou dados de en- trevistados de indicadores que avaliam a satisfação deles como passa- geiros, são eles: aquisição de passagem; acesso ao aeroporto; inspeção de segurança; processo de check-in; serviço de restituição de bagagem; emigração; imigração e aduana, comércio e serviços; ambiente aeropor- tuário, que inclui serviços de internet e limpeza geral do aeroporto; e ser- viço de restituição de bagagens (SECRETARIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL, 2021). Nota-se, a partir desses indicadores, que a estrutura ae- roportuária integra várias características que vão além das instalações fixas, incluindo, portanto, a prestação de serviços como um importante componente possível de ser mensurado e que impacta diretamente na satisfação dos usuários. De maneira análoga, o mesmo entendimento aplica-se à infraestru- tura dos aeroportos que movimentam cargas internacionais. Nessa li- nha, David (2018) explica que vários fatores integram a infraestrutura, entre eles: o número de pistas de um aeroporto e sua extensão; a quan- tidade de terminais de cargas e sua capacidade de armazenamento, principalmente em relação à disponibilidade de equipamentos de refri- geração para armazenar mercadorias que precisam de temperaturas específicas. Alguns atributos associados à infraestrutura dos terminais de carga são: a qualidade e o custo dos serviços prestados pela admi- nistração desses terminais, que podem comprometer a integridade das cargas procedentes do exterior, ou a ele destinadas, em relação à arma- zenagem e movimentação. Segundo estudo elaborado pela Netherlands Airport Consultants (NACO, 2021), os aeroportos precisam planejar sua infraestrutura cui- dadosamente, considerando as incertezas entre oferta e demanda das 52 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .cargas. De acordo com o estudo, outros aspectos não diretamente rela- cionados à infraestrutura física precisam ser considerados sistematica- mente, como o relacionamento com os stakeholders e a facilitação de políticas regulatórias governamentais, como mostra a figura 1. Figura 1 – Relação entre o aeroporto e seus stakeholders Terminais de carga Economia Governo Aéreas Operadores Agentes de carga Exportador e importador Aeroporto Aduana Fonte: adaptado de Netherlands Airport Consultants (NACO, 2021). 2.1 Concessões no Brasil Em 1997, durante o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi publicada a Lei nº 9.491, dando continuidade ao Programa Nacional de Desestatização, iniciado no governo de Collor, em 1990. O objetivo desse programa era transferir os serviços indevidamente ex- plorados pelo setor público para a iniciativa privada, reduzindo a dívida pública líquida. Destaca-se a reestruturação econômica do setor priva- do, especialmente para a modernização da infraestrutura e do parque industrial do país, ampliando sua competitividade e reforçando a capa- cidade empresarial nos diversos setores da economia (BRASIL, 1997). 53Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Nesse contexto, a concessão de aeroportos tem como objetivo atrair investimentos para ampliar e aperfeiçoar sua infraestrutura e otimizar os níveis de qualidade dos serviços prestados, baseados em padrões internacionais e previstos nos contratos de concessão, fiscalizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac, 2022). Desde então, cinco ro- dadas de concessões foram realizadas (quadro 1). Quadro 1 – Rodadas de concessões aeroportuárias 1ª RODADA 2 ª RODADA 3ª RODADA 4ª RODADA 5ª RODADA 6 ª E 7ª RODADAS 2011 2012 2014 2017 2019 2021 São Gonçalo do Amarante (Natal/RN) Guarulhos (SP) Viracopos (SP) Campinas (SP) Confins (MG) Galeão (RJ) Florianópolis (SC) Fortaleza (CE) Porto Alegre (RS) Salvador (BA) Três blocos: Nordeste Centro-Oeste Sudeste Em andamento Fonte: adaptado de Machado et al. (2019). A infraestrutura de transporte aéreo é considerada pelo The World Bank (2017) como um dos indicadores de competitividade global. O grá- fico 3 ilustra a evolução da posição do Brasil, entre os anos de 2007 e 2016. De um total de 151 países avaliados, o Brasil, em 2016, fica na 95ª posição. Gráfico 3 – Evolução no ranking da qualidade da infraestrutura aeroportuária brasileira 140 80 60 120 100 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 Média mundial Brasil Anos Fonte: adaptado de The World Bank (2017). 54 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .PARA SABER MAIS Segundo Machado et al. (2019), a Infraero é a maior operadora de aeroportos no Brasil e uma das maiores do mundo. Detém 55 aeropor- tos em todo o território nacional, além de participação de 49% em cinco aeroportos: Brasília, Guarulhos, Viracopos, Confins e Galeão. Um estudo elaborado por Basseto (2021) destacou os dez principais aeroportos internacionais do Brasil. A pesquisa tomou como base a soma dos envios e dos recebimentos de cargas aéreas internacionais em cada terminal, ao longo do 1º semestre de 2021, com base nos da- dos da Anac. A variação percebida entre o 1º semestre de 2021 e o mesmo período de 2019 decorre em função do impacto da pandemia do covid-19. Nota- se uma queda acentuada, de mais de 78%, na movimentação no aero- porto de Fortaleza. Por outro lado, houve uma recuperação de 40% no aeroporto de Viracopos (tabela 2). Tabela 2 – Ranking dos dez principais aeroportos brasileiros com base no 1º semestre de 2021 POSIÇÃO AEROPORTOS INTERNACIONAIS 1º SEMESTRE 2019 1º SEMESTRE 2021 VARIAÇÃO 1º Guarulhos (SP) 181.202 188.455 4,0% 2º Viracopos (SP) 103.253 144.516 40,0% 3º Galeão (RJ) 32.202 20.128 –37,50% 4º Manaus (AM) 13.659 15.667 14,7% 5º Guararapes (PE) 5.527 5.244 –5,10% 6º Curitiba (PR) 5.117 5.044 –1,40% 7º Confins (MG) 3.005 1.960 –34,80% (cont.) 55Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. POSIÇÃO AEROPORTOS INTERNACIONAIS 1º SEMESTRE 2019 1º SEMESTRE 2021 VARIAÇÃO 8º Salvador (BA) 4.384 1.286–70,60% 9º Brasília (DF) 754 1.123 49,0% 10º Fortaleza (CE) 4.458 978 –78,10% Fonte: adaptado de Basseto (2021). PARA SABER MAIS Segundo a CNT (2021), há várias propostas de soluções para o desen- volvimento da infraestrutura aeroportuária, no âmbito da economia. Para mais detalhes acesse a publicação Terminais de carga do Brasil: terminais gateways aeroportuários (CNT, 2021). 3 Portos secos De acordo com o Decreto nº 6.759/2009, os portos secos são recintos alfandegados de uso público nos quais são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior ou destinadas à exportação, além de bagagem, sob controle aduaneiro. Os portos secos situam-se na zona secundária do território aduaneiro e não poderão ser instalados na zona primária de portos e aeroportos alfandegados (BRASIL, 2009). O quadro 2 elucida a divisão dessas duas zonas: 56 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Quadro 2 – Divisão do território nacional (aduaneira) ZONA PRIMÁRIA ZONA SECUNDÁRIA Área terrestre ou aquática, contínua ou descontínua, nos portos alfandegados A parte restante do território aduaneiro, incluídas as águas territoriais e o espaço aéreo Área terrestre, nos aeroportos alfandegados Área terrestre, que compreende os pontos de fronteira alfandegados Fonte: adaptado de Brasil (2009). Alguns dos serviços de movimentação e armazenagem que podem ser executados pelos portos secos são: estadia de veículos e unidades de carga; pesagem; limpeza e desinfectação de veículos; retirada de amostras; lonamento e deslonamento; colocação de lacres; expurgo e reexpurgo; unitização e desunitização de cargas; marcação, remarca- ção, numeração e renumeração de volumes, para efeito de identificação comercial; etiquetagem, consolidação e desconsolidação documental; acondicionamento e reacondicionamento; entre outros. De acordo com Louzada (2005), os portos secos foram criados com o objetivo de interiorizar a cadeia logística, permitindo desafogar os re- cintos alfandegados instalados em zonas primárias e agilizar os trami- tes aduaneiros. Segundo a autora, os portos secos oferecem várias van- tagens, entre elas: procedimentos aduaneiros executados próximos ao estabelecimento dos exportadores e importadores; maior agilidade na liberação de cargas; economia de custos, isto é, as taxas de armazena- gem costumam ser menores do que as cobradas nas zonas primárias; e segurança contra roubo, incêndio, avaria, danos ou extravios. A localização da instalação de um porto seco depende dos estudos de viabilidade técnica e econômica que contenham pelo menos os se- guintes elementos: levantamento da demanda; indicação da área de localização geográfica mais conveniente; disponibilidade de recursos 57Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. humanos e materiais; tipo de carga a ser armazenada; e prazo da con- cessão ou permissão nos termos da legislação específica. Atualmente, de acordo com a informação disponibilizada pela Receita Federal (2022), existem 63 portos secos em funcionamento no Brasil. A região que mais se destaca é o estado de São Paulo, com 21 unidades. Paraná e Santa Catarina somam 12 unidades, seguidos pelo Rio Grande do Sul, com 9 unidades. As outras 21 unidades estão espa- lhadas em outros estados da Federação. IMPORTANTE A denominação vigente de porto seco substitui, desde o ano de 2002, a antiga Estação Aduaneira do Interior (Eadi), apesar de muitos portos se- cos utilizarem esta denominação, ainda hoje em dia, como ocorre com o Eadi Aurora, na cidade de Sorocaba/SP. Deve-se considerar nesse total de 63 unidades a soma de todos os portos secos e os Centros Logísti- cos e Industriais Aduaneiros (Clias). Os Clias foram temporariamente instituídos por duas Medidas Provisórias, nº 320/2006 e nº 612/2013, mas que não foram convertidas em lei, perdendo sua eficácia e criando um vácuo jurídico. Para saber mais, veja a lista de portos secos no site da Receita Federal (BRASIL, 2020). 4 Malha rodoviária De acordo com a CNT (2017), o transporte rodoviário é o principal modo de transporte de pessoas e cargas no país, mas dispõe de uma infraestrutura com qualidade inadequada e quantidade insuficiente, re- sultando em um serviço ineficiente e impactando negativamente nos custos operacionais. O gráfico 4 ilustra a participação desse modo de transporte na matriz de transporte brasileira com base em dados conso- lidados até dezembro de 2021 (CNT, 2022). 58 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Gráfico 4 – Participação dos modais na matriz de transporte brasileira TKU Rodoviário – 64,86% –––– 1548,0A B C D E Ferroviário – 14,95% –––– 356,80 Cabotagem – 10,47% –––– 249,90 Hidroviário – 5,25% –––– 125,3 Dutoviário – 4,45% –––– 106,1 F Aéreo – 0,03% –––– 0,6 A B C D E Fonte: adaptado de CNT (2022). A reduzida densidade da malha rodoviária é um dos fatores que in- fluenciam a posição do Brasil no ranking de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, no quesito qualidade da infraestrutura ro- doviária. Em 2016, na avaliação de 138 países, o Brasil se encontrava na 111ª posição, atrás de países como Chile, Uruguai e Argentina (CNT, 2017). A situação se agravou em outro estudo elaborado pela mesma instituição, a partir de dados consolidados em 2019, o Brasil passou a ocupar a 116ª posição de um total de 141 países avaliados, enquanto Argentina, Chile e Uruguai subiram no ranking (tabela 3). Tabela 3 – Ranking de competividade global: qualidade da infraestrutura rodoviária PAÍS 2016 2019 Argentina 103º 92º Brasil 111º 116º Chile 30º 25º Uruguai 98º 86º Fonte: adaptado de The World Economic Forum (2019). 59Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. De acordo com a Confederação Nacional de transportes (2017), o Brasil possui 1.720.756 km de rodovias, dos quais apenas 211.468 são pavimentados, 12,3% da extensão total. As rodovias brasileiras apresen- tam baixa densidade, com menos de 24,8 km por 1.000 km2 de área (gráfico 5). Gráfico 5 – Densidade da malha rodoviária pavimentada – países selecionados (em km/1.000 km2) 0 100 EUA China Rússia Austrália Canadá Argentina Brasil 200 300 400 500 Fonte: adaptado de CNT (2017). É necessário maior investimento em rodovias, entretanto, os recur- sos (públicos e privados) não podem ser alocados somente para esse setor, é necessário distribuí-los de maneira inteligente e equilibrada com os demais modais que compõem a matriz de transporte brasileira. Como explica Sousa (2022), a má qualidade da infraestrutura existente elimina os eventuais ganhos de produtividade, com custos logísticos excessivos, resultantes da infraestrutura logística deficiente. 5 Malha ferroviária Segundodados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF, 2021), desde a concessão das malhas à iniciativa privada, as ferrovias ampliaram a participação na matriz de transporte de cargas, que correspondem a 21,5% do total de modos de transporte (gráfico 6). 60 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Gráfico 6 – Participação do modal ferroviário na matriz de transporte nacional Rodoviário – 68%A Aquaviário e outros – 11%B Ferroviário – 21%C A B C Fonte: adaptado de ANTF (2021). O Brasil apresenta, conforme a tabela 4, baixa densidade da malha ferroviária, com menos de 4 km a cada 1.000 m2, se comparado a outros países de dimensões continentais, como Estados Unidos, Índia e China, além de nações como México e Argentina (ANTF, 2021). Tabela 4 – Densidade da malha ferroviária PAÍS ÁREA (MILHÕES DE KM2) FERROVIA (1.000 KM) FERROVIAS/ÁREAS (KM/1.000 KM2) Estados Unidos 9,83 293,56 29,85 Índia 3,29 68,52 20,85 China 9,6 131 13,65 Argentina 2,78 36,91 13,28 México 1,96 20,82 10,60 Brasil 8,52 30,75 3,61 Fonte: adaptado de ANTF (2021). 61Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 5.1 Concessões no Brasil As concessões de sete malhas ferroviárias, controladas pela extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) ocorreram entre os anos de 1996 e 1998, com base na Lei nº 8.987/2005. Nesse período, as concessões somaram 25.895 km de extensão, distribuídos pelas seguintes malhas: Nordeste, Centro-Leste, Sudeste, Tereza Cristina, Sul, Paulista e Oeste. Segundo dispositivos da aludida lei, a concessionária deve prestar serviços adequados aos seus usuários, isto é, atender com eficiência, continuidade, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua pres- tação e modicidade das tarifas (BRASIL, 1995). Nesse sentido, há ga- nhos com o aumento da produtividade, além da diminuição do número de acidentes. Todos esses fatores contribuem para a redução dos cus- tos e colaboram com o desenvolvimento do transporte de cargas no Brasil (CNT, 2015). De acordo com a CNT (2013), as concessionárias são obrigadas a aumentar a produção anual das ferrovias; reduzir o número de aciden- tes; prestar serviço adequado sem discriminação dos usuários; e garan- tir tráfego mútuo ou, no caso de impossibilidade, permitir o direito de passagem a outros operadores de transporte ferroviário. PARA SABER MAIS Para mais detalhes sobre as malhas que formam objetos de concessão, acesse a publicação Pesquisa CNT de Ferrovias 2015 (CNT, 2015). Para a ANTF (ANTF, 2021), as ferrovias brasileiras ganharam eficiên- cia no período de concessão, o que pode ser representado pelo cresci- mento da produção ferroviária no transporte de minério de ferro e de cargas em geral, medido pela metodologia denominada TKU (quantida- de de toneladas úteis transportadas multiplicadas pela quilometragem percorrida), conforme ilustrado no gráfico 7. 62 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Gráfico 7 – Evolução da produtividade em TKU – carga geral e minério de ferro 19 97 20 00 20 05 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 20 19 20 20 137,2 153,9 221,2 277,7 293,1 298,7 297,9 307,0 332,2 341,0 375,1 407,1 364,4 365,0 Fonte: adaptado de ANTF (2021). 6 Estrutura do mercado externo A infraestrutura de transporte brasileira está muito aquém da que existe nos países desenvolvidos e nos nossos vizinhos na América Latina. Existem centenas de indicadores que podem ser considerados para mensurar a qualidade dessa infraestrutura, que vão além das insta- lações físicas e abrangem os serviços associados, por exemplo: o custo da armazenagem; o tempo para a conclusão do desembaraço adua- neiro (na importação e na exportação); a burocratização de normas regulatórias que podem burocratizar a construção de um terminal de carga privado; a qualidade e o tempo no reparo de rachaduras em uma pista aeroportuária; o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas às gruas portuárias para movimentação dos contêineres e a segurança nas rodovias que dão acesso aos portos. Como ressalta Sousa (2022) “não adianta equipar um porto com equipamentos modernos de carga de navios se o acesso a esse porto for deficitário”. Esses indicadores refletem na competitividade do Brasil perante o mercado global e estimulam a atração de investimentos estrangeiros, 63Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. sem contar que, em termos operacionais, impactam na formação de preços de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas. A tabela 5 apresenta alguns desses indicadores de competitividade global compilados pelo World Economic Forum (2019), com base em países selecionados para efeito de comparação. No indicador qualidade da infraestrutura rodoviária, o Brasil ocupa, entre 141 países avaliados, a 116ª posição, distante da Argentina e duas posições atrás da Ucrânia. Em relação à eficiência nos serviços de trans- porte aéreo, o país se insere na 85ª posição, na frente apenas da Ucrânia e perdendo para seus irmãos latino-americanos. O mesmo ocorre com a eficiência nos serviços portuários, se classificando na 104 posição. Nas posições de liderança destacam-se Singapura, Holanda e Japão. As notas correspondem de 1 a 7, sendo a nota 1 aplicada para uma infraestrutura extremamente subdesenvolvida e a nota 7 para uma in- fraestrutura compatível com padrões internacionais. Tabela 5 – Indicadores de competitividade – infraestrutura de transporte – países selecionados QUALIDADE DA INFRAESTRUTURA RODOVIÁRIA EFICIÊNCIA NOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO EFICIÊNCIA NOS SERVIÇOS PORTUÁRIOS PAÍS RANKING (141) NOTA (1 A 7) RANKING (141) NOTA (1 A 7) RANKING (141) NOTA (1 A 7) Argentina 92 3,6 83 4,4 81 3,9 Brasil 116 3,0 85 4,4 104 3,2 Canadá 30 5 37 5,3 26 5,1 Chile 25 5,2 54 4,9 31 4,9 China 45 4,6 66 4,6 52 4,5 Estados Unidos 17 5,5 10 5,8 10 5,6 Espanha 11 5,7 18 5,6 16 5,4 (cont.) 64 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . QUALIDADE DA INFRAESTRUTURA RODOVIÁRIA EFICIÊNCIA NOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE AÉREO EFICIÊNCIA NOS SERVIÇOS PORTUÁRIOS PAÍS RANKING (141) NOTA (1 A 7) RANKING (141) NOTA (1 A 7) RANKING (141) NOTA (1 A 7) Holanda 2 6,4 3 6,4 2 6,4 Japão 5 6,1 5 6,2 5 5,8 Singapura 1 6,5 1 6,7 1 6,5 Ucrânia 114 3,0 101 4,0 78 3,9 Fonte: adaptado de The World Economic Forum (2019). Consideraçõesfinais Neste capítulo, analisamos a participação de cada modal na matriz de transporte brasileira. Percebe-se que, em função das dimensões con- tinentais do país, há muito o que ser investido, seja por meio de conces- sões ou por programa entre parcerias públicas e privadas, sobretudo em relação à infraestrutura ferroviária. Entretanto, de nada adianta investi- mentos massivos em um único modal, é imperativo colocar em prática um plano de logística sistematizado, integrando e modernizando toda a infraestrutura transporte com o objetivo de facilitar o escoamento de grandes volumes de carga, sobretudo as provenientes por via terrestre, do interior do Brasil com destino aos portos para posterior transporte marítimo de longo curso, ou de cabotagem. A compilação dos indicadores do World Economic Forum é uma fer- ramenta de consulta pesquisada por empresários de mais de 140 países. Os números falam por si, a infraestrutura brasileira de transporte está aquém da média. Em relação ao contexto do Comércio Internacional, a precariedade dessa infraestrutura impacta diretamente na formação dos preços de bens importados, ou nos destinados à exportação, o que 65Estrutura da operação logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. impede os empresários brasileiros de investir nas exportações de seus excedentes, além de desestimular as empresas estrangeiras em suas exportações para o Brasil. Referências AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (Anac). Concessões de aeroportos. Anac, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anac/pt-br/assuntos/concessoes. Acesso em: 26 fev. 2022. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS TRANSPORTADORES FERROVIÁRIOS (ANTF). Informações gerais. ANTF, 2021. Disponível em: https://www.antf.org.br/ informacoes-gerais/. Acesso em: 1 mar. 2022. BASSETO, M. Você sabe quais são os maiores aeroportos de carga de sua região? E do Brasil?. Aeroin, 2021. Disponível em: https://aeroin.net/voce-sabe- quais-sao-os-maiores-aeroportos-de-carga-de-sua-regiao-e-do-brasil/. Acesso em: 1 mar. 2022. BRASIL. Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 146, n. 26, p. 1-47, 6 fev. 2009. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm. Acesso em: 23 fev. 2022. BRASIL. Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995. Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 133, n. 32, p. 1917-1920, 14 fev. 1995. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8987cons.htm. Acesso em: 28 fev. 2022. BRASIL. Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997. Altera procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 135, n. 174, p. 19941-19944, 10 set. 1997. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9491.htm. Acesso em: 26 fev. 2022. BRASIL. Receita Federal. Portos secos. Receita Federal, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/ 66 Comércio exterior e logística internacional Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .importacao-e-exportacao/recinto-aduaneiros/portos-secos-1. Acesso em: 23 fev. 2022. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE (CNT). Boletim unificado 2022. 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Logística internacional: gestão de operações de comércio internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2018. LLOYD’S LIST. One hundred ports 2021. Londres: Informa UK, 2021. Disponível em: https://lloydslist.maritimeintelligence.informa.com/-/media/lloyds-list/ images/top-100-ports-2021/top-100-ports-2021-digital-edition.pdf. Acesso em: 3 mar. 2022. LOUZADA, C. E. C. Panorama dos portos secos no Brasil: avaliação e perspectivas. 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia Industrial) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: https://web. tecgraf.puc-rio.br/press/publication/Louzada2005/Louzada2005.pdf. Acesso em: 23 fev. 2022. MACHADO, B. V. Z. et al. A evolução recente do modelo de concessão aeroportuária soba ótica da financiabilidade. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, v. 25, n. 50, p. 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Acesso em: 2 mar. 2022. 69 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 Operações globais na cadeia logística Neste capítulo, iremos analisar alguns pontos fundamentais que as corporações globais utilizam para entrar em mercados externos. Nota-se que a compreensão das operações globais envolve várias ati- vidades empresariais, sejam operacionais, táticas ou estrategistas, que são interdependentes. Uma delas é a estratégia de marketing aplicada ao comércio internacional, que utiliza um composto de componentes a ser adaptado de acordo com o contexto do mercado externo, que inclui as características e percepções do consumidor, além de variáveis so- ciais, políticas e econômicas. Esses fundamentos valem, de modo geral, para todo tipo de empresa, seja uma firma familiar ou grandes grupos empresariais. Os desafios ao cruzar fronteiras são os mesmos, face a centenas de sistemas sociais e econômicos e de culturas existentes mundialmente. 70 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 1 Conceito de operações O termo operações sugere uma pluralidade de atividades que po- dem ser aplicadas além do âmbito das corporações, como ocorre com as operações militares. Por ora, consideramos a explicação de Ballou (2006), para quem as operações de uma corporação formam, no âmbito da rede logística empresarial, um composto de atividades integradas que devem ser gerenciadas com o objetivo de controlar todos os ele- mentos associados à produção e à oferta de mercadorias, quais sejam: produção, armazenamento, distribuição, transporte e disponibilidade ao público-alvo em quantidades e prazos compatíveis com a deman- da identificada, em determinado local no interior das fronteiras onde o ofertante se situa. Todavia, esse conjunto de atividades não está restrito somente às operações de logística e se estendem a outros setores operacionais da empresa, como produção e marketing, para determinar as necessida- des, os desejos e a percepção dos clientes em relação aos serviços lo- gísticos oferecidos pela empresa. 2 Conceito de operações globais Não há uma definição precisa de operações globais. A amplitude do conceito permite listar a mesma variedade de atividades observadas nas operações empresariais voltadas para o mercado interno, como vi- mos no tópico anterior. A diferença básica entre as operações domésti- ca e global é que as atividades desta são planejadas e gerenciadas com o objetivo de identificar os desafios e o público-alvo além das fronteiras nacionais. São várias as dimensões e os problemas encontrados em mercados externos, que vão desde a qualidade da infraestrutura por- tuária até a questão da língua, dos costumes e dos valores culturais de uma dada sociedade. 71Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Canais de distribuição: direto, misto e indireto A distribuição tem como objetivo fazer com que o produto ou serviço chegue ao consumidor final, a partir do produtor, de maneira rápida, se- gura e no menor tempo possível. Essa distribuição pode ser feita de três maneiras, explicadas a seguir. 3.1 Canal de distribuição direto Na síntese de Dias (2003), é o processo em que a comercializa- ção ocorre sem a participação de outra pessoa jurídica, de modo que pode ser realizada por meio de venda pessoal ou marketing direto (telemarketing ou catálogo de compras pela internet). 3.2 Canal de distribuição indireto De acordo com Dias (2003), caracteriza-se por utilizar, no fluxo dos produtos, as figuras de intermediários atacadistas e varejistas para a disponibilidade do produto até o cliente final (figura 1). Figura 1 – Fluxo da distribuição por canal direto Produtor Atacadista Mercado varejista Consumidor Fonte: adaptado de Dias (2003). 72 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 3.3 Canal de distribuição misto É uma combinação entre os canais direto e indireto. Por exemplo, o produtor de determinada mercadoria pode optar por fornecer seus produtos até o atacadista, sem distribuí-los ao mercado varejista. Ou, ainda, o atacadista pode ser desconsiderado e as mercadorias serem disponibilizadas do produtor diretamente ao mercado varejista. PARA SABER MAIS A distribuição indireta pode ser de três tipos: intensiva, seletiva e exclu- siva. A escolha de cada uma delas depende do tipo do produto e do per- fil do cliente (por exemplo, o atendimento durante a venda, a assistência técnica pós-venda, etc.), caso contrário, se o intermediário não prestar um bom serviço de vendas, pode prejudicar a imagem do produto. Para saber mais detalhes, veja a referência Dias (2003). 4 Tipos de distribuição: direta, indireta e produção no exterior (joint venture, subsidiária, filial, licenciamento e franquia) Os tipos de distribuição referem-se aos métodos, ou estratégias, de entrada em mercados estrangeiros e estão associados a três pilares: 1) riscos que o fabricante/vendedor pode assumir durante operações de exportações de mercadorias ou em investimentos diretos para produzir no exterior; 2) nível de conhecimento dos colaboradores para assumir essas operações; 3) além dos riscos e alto grau de conhecimento, a ca- pacidade financeira e econômica para assumir a produção no exterior. A seguir, vamos analisar cada um desses métodos. 73Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 4.1 Exportação direta Ludovico (2018) destaca que, nesse método, o fabricante que de- seja exportar arca com todas as despesas de viagens, comunicação, envio de amostras, materiais promocionais e propaganda. Além disso, o fabricante nacional assume os riscos inerentes à exportação das mercadorias (aduaneiro, comercial e cambial). Não há intermediários na operação, portanto, exige-se um departamento de exportação com pessoal preparadoe treinado nas questões aduaneiras e de logística in- ternacional. Nesse modelo, o gerente de exportação depende de outros departamentos da empresa relacionados com a atividade exportadora (produção, gestão de estoques, comercial, financeiro, fiscal e marketing) para que as operações de exportação tenham sucesso. Em relação ao importador no exterior, pode ser o consumidor final, a filial comercial da empresa exportadora ou um distribuidor local. É importante ressaltar que o despachante aduaneiro e o agente de carga não são intermediários nessa operação. Essas figuras são ope- radores privados que atuam como facilitadores das operações de co- mércio exterior, nas áreas aduaneira e de movimentação de cargas, respectivamente. 4.2 Exportação indireta Ao contrário do que ocorre na exportação direta, em situações nas quais o fabricante nacional não quer assumir os riscos inerentes à ex- portação das mercadorias para o exterior, aparece a figura de uma em- presa intermediária denominada empresa comercial exportadora (trading company). Essas empresas adquirem as mercadorias do fabricante, no mercado interno, e se comprometem a exportar aos seus distribuidores contratados no exterior, dentro do prazo legal, assumindo todos os riscos: financeiro, cambial, tributário, aduaneiro, comercial e de marketing. 74 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional A vantagem dessa estratégia em relação à exportação direta é que o fabricante nacional não precisa investir na contratação de pessoal trei- nado para montar um departamento de exportação, uma vez que toda a operação de exportação e os riscos dela decorrentes serão assumi- dos pelo intermediário contratado. Apesar de o menor risco ser uma vantagem, uma das desvantagens é que o fabricante nacional fica pra- ticamente impossibilitado de saber como seus produtos estão sendo comercializados no exterior, o que pode, em algum momento, prejudicar sua imagem em função de qualquer estratégia equivocada de marketing implementada pelos intermediários ou seus contratados no exterior. 4.3 Produção no exterior Para algumas empresas a estratégia de entrada em mercados inter- nacionais é mais ambiciosa do que as operações de exportação, sejam elas diretas ou indiretas. Segundo David e Stewart (2010), a alternativa de produzir bens (ou prestar serviços) no exterior pode ocorrer nos ca- sos em que a mão de obra em dado país é mais barata, ou quando a produção no país chegou ao limite da capacidade ou, ainda, quando os custos do frete internacional do país de origem até o país de destino são multo altos. Além desses pontos a produção no exterior explica-se quando a estratégia de permanência do ofertante visa a um período de longo prazo. O quadro 1 apresenta as alternativas e algumas de suas vantagens de produção no exterior. 75Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Alternativas de produção no exterior e suas características ALTERNATIVAS DEFINIÇÃO VANTAGENS Joint venture Parceria estabelecida no exterior, com dois ou mais parceiros, para a criação de uma nova empresa com objetivos em comum. A proporção na participação pode ser de 50%-50%, 49%-51%, 20%- 30%, etc. Divisão de custos entre os parceiros, o que reduz o valor do investimento e minimiza os riscos. Além disso, a empresa parceira pode contribuir com linhas de produtos complementares para oferecer ao mercado Subsidiária A empresa que deseja investir no exterior não está disposta a estabelecer parcerias, portanto, 100% do controle acionário da empresa fica nas mãos do grupo empresarial (holding) A empresa mantém total domínio dos seus investimentos, não precisa compartilhar seus segredos comerciais ou seu know-how. Os lucros não precisam ser divididos e há liberdade de tomar decisões sem depender de terceiros Filial A empresa que deseja investir no exterior não está disposta a estabelecer parcerias, portanto, 100% do controle acionário da empresa ficam nas mãos da matriz A empresa mantém total domínio dos seus investimentos e da sua produção no exterior, não depende, portanto, da importação de bens acabados do país de origem Licenciamento Processo por meio do qual uma firma que possui algum item de propriedade intelectual (direito autoral, patente, marca ou segredo industrial) concede a outra (licenciada) o direito de uso desse item em troca de pagamento de royalties A empresa não precisa dispor de nenhum capital e pode gerar, com bastante rapidez, receitas internacionais do uso de sua propriedade intelectual Franquia Processo por meio do qual uma firma (franqueadora) que possui uma série de itens de propriedade intelectual outorga a outra empresa (franqueada) o direito de uso desses itens em troca de pagamento de royalties O franqueador tem a oportunidade de ganhar participação no mercado sem investir nenhum capital, portanto, trata-se de um método muito popular de extensão no exterior Fonte: adaptado de David e Stewart (2010) e Minervini (2019). PARA SABER MAIS Além das vantagens listadas no quadro 1, existem as desvantagens que não podem ser desprezadas. Por exemplo, uma estratégia que foca na 76 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional abertura de uma subsidiária ou de uma filial no exterior, assume 100% do risco das operações, o que pode levar a um prejuízo enorme se hou- ver algum erro tático ou estratégico. Para saber mais detalhes, confira as obras de David e Stewart (2010) e de Minervini (2019) referenciadas no final desse capítulo. 5 Gerenciamento do fluxo nas operações globais De acordo com Machline (2003, p. 217), gerenciamento: É a integração dos processos do negócio, desde o usuário final até os fornecedores originais que proporcionam os produtos, os servi- ços e as informações, a fim de agregar valor para o cliente. Neste sentido, para agregar valor para o cliente, os administradores, no âmbito internacional, devem ter a mente aberta para compreender a cultura do outro. É importante ressaltar que, no contexto das operações, o gerencia- mento está além da logística integrada, como destaca Machline (2003). Enquanto logística restringe-se apenas à distribuição física dos produ- tos, a cadeia de suprimentos inclui o fluxo de matérias-primas, manufa- tura, montagem e distribuição até o cliente final. De modo convergente, David e Stewart (2010, p. 25) contribuem com a seguinte definição: Gestão da cadeia de suprimentos inclui planejamento e gestão de todas as atividades relativas à compra e aprovisionamento, con- versão e gerenciamento logístico. Igualmente importante, também inclui a coordenação e colaboração com parceiros de distribuição, que podem ser fornecedores, intermediários, prestadores de ser- viço terceirizados e clientes que estejam nos Estados Unidos ou em outros países. Em essência, a gestão da cadeia de suprimentos integra o gerenciamento da oferta e da demanda nas empresas e entre elas. 77Operações globais na cadeia logísticaM aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 6 Marketing internacional Para Cateora, Gilly e Graham (2013, p. 595), marketing internacional é a: Execução de atividades empresariais destinadas a planejar, deter- minar o preço, promover e direcionar o fluxo de mercadorias e ser- viços de uma empresa para os consumidores e usuários de mais de uma nação, em troca de lucro. Cateora, Gilly e Graham definem marketing global de maneira idên- tica ao marketing internacional, apenas esclarecendo que a “diferença mais marcante entre o marketing global e o doméstico é o direciona- mento da empresa para mercados externos e o planejamento de ativi- dades ao redor do mundo” (CATEORA; GILLY; GRAHAM, 2013, p. 595). Contudo, em uma análise sistemática da obra, nota-se que o marketing global está relacionado à última etapa do grau de envolvimento da em- presa no mercado externo (quadro 2). Quadro 2 – Etapas de envolvimento no mercado externo MARKETING EXTERIOR IRREGULAR A empresa exporta algumas vezes em função do excesso de estoques decorrente de desequilíbrio temporário entre oferta e demanda no mercado interno, todavia, não se preocupa em conhecer as características do seu público-alvo. Tampouco se preocupa em definir estratégias de precificação e promoção internacionais MARKETING EXTERIOR REGULAR A empresa tem capacidade produtiva permanente para futuras exportações, a fim de atender às necessidades de demanda do mercado externo. Apesar de o mercado doméstico ser o foco da empresa, os ganhos decorrentes das exportações passam a compor o lucro parcial da empresa, que tem alta intenção de manter suas exportações de forma planejada e permanente, além da abertura de filiais produtivas no exterior. A empresa pesquisa as características do mercado alvo a fim de adaptar a forma de promoção e de precificação dos seus produtos (ou serviços) MARKETING INTERNACIONAL A empresa está totalmente comprometida e envolvida com atividades de marketing internacional. O planejamento da produção para a exportação de produtos (ou serviços) foca mercados externos com o objetivo de marcar presença permanente altamente competitiva no exterior, na obtenção de lucro, inclusive com abertura de filiais produtivas. A empresa pesquisa as características da cultura do mercado alvo a fim de adaptar a forma de promoção e de precificação dos seus produtos (ou serviços) (cont.) 78 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional MARKETING GLOBAL A empresa trata o mundo como se fosse um único mercado, as decisões quanto à segmentação de mercado não ficam restritas à cultura de determinado país. Não há, portanto, fronteiras nacionais. Significa dizer que a cultura dá lugar a outros aspectos, como níveis de renda e padrões de consumo, os quais os dirigentes da empresa utilizarão como critério para adaptar os produtos (ou serviços), combinados à forma de promoção e precificação Fonte: adaptado de Cateora, Gilly e Graham (2013). 7 Princípios de marketing (4Ps) no comércio internacional Os 4Ps em marketing referem-se ao composto de marketing (marketing mix) formado pelo preço, produto, promoção e praça (ponto de distribuição). Na definição de Crocco et al. (2010, p. 138) compos- to de marketing “é a combinação de variáveis estratégicas controláveis pela organização [...] orientada para a criação de valor para o cliente e o atingimento dos objetivos da organização ofertante”. Esses componen- tes são derivados de decisões estratégicas observadas nas dimensões básicas da oferta: “a configuração do produto, o apreçamento, os esfor- ços promocionais e a distribuição” (CROCCO et al., 2010, p. 136). Na explicação de Limeira (2003), cada componente desse composto tem seus respectivos atributos que podem ser analisados como variá- veis, individualmente, ou de maneira sistemática, a fim de permitir que a alta cúpula de uma organização tome as decisões estratégicas de marketing adequadas orientadas para o público-alvo, objetivando o au- mento ou ao menos a manutenção das vendas, sejam elas no mercado doméstico ou no mercado internacional. A figura 2 ilustra alguns desses atributos para cada componente. 79Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – 4Ps do composto de marketing – conceitos e atributos Componente fundamental na avaliação do custo envolvido. É a quantidade de dinheiro que um produtor cobra por seu produto, seja este um bem ou serviço. Qualquer coisa (bem, serviço, pessoa, instituição, etc.) que potencialmente possui valor de troca com base em um conjunto de atributos e resultados de consumo que satisfazem necessidades. Esforço de comunicação para o reconhecimento e a criação de consciência de um produto por parte dos compradores-alvo, envolvendo a informação sobre seus atributos e as necessidades que ele potencialmente satisfaz. Compreende o processo, a estrutura e a gestão da disponibilidade de produtos (bens, serviços, etc.) para consumo pelos clientes em potencial, mediante determinado preço. Preço de venda Opções de pagamento Descontos específicos Características básicas Design Embalagem Cores Canais de distribuição Logística Conveniência para o consumidor Propaganda Publicidade Pr eç o Pr od ut o Pr om oç ão Pr aç a Fonte: adaptado de Crocco et al. (2010). 8 Pesquisa de marketing Os componentes, ou variáveis, que integram o marketing mix fazem parte do planejamento estratégico de marketing. Esse planejamento de- pende de uma etapa prévia, que é a coleta e a análise de dados externos, ou seja, de informação relacionada a vários assuntos mercadológicos de interesse da empresa para aumentar seus lucros, no mercado inter- no ou no exterior. Todavia, a informação não chega ao setor de marketing da empresa a partir do nada. É necessária uma etapa precedente, denominada pes- quisa de marketing, que é “um processo sistemático de coleta, registro e análise de dados cujo objetivo é fornecer informações úteis para a toma- da de decisões de marketing” (CATEORA; GILLY; GRAHAM, 2013, p. 220). Essa pesquisa pode ser realizada, por exemplo, por meio e entrevistas 80 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional ou métodos de observações, no sentido de tentar compreen der as va- riáveis individuais e sociológicas que influenciam o comportamento do consumidor. Portanto, como mostra a figura 3, é necessária a informação coleta- da, registrada e analisada para posteriormente subsidiar a tomada de decisões pela alta direção de uma corporação, de modo que seja pos- sível compor o planejamento estratégico de marketing. Esse desenho é válido tanto para o marketing doméstico como para o internacional. Como definem Reis e Mandetta (2003, p. 160), “é necessário um bom dimensionamento das informações a serem levantadas, buscando ca- racterizaro assunto de forma clara e objetiva”. Figura 3 – Etapas de pesquisa de marketing Pesquisa de marketing Coleta de dados Registro de dados e análise da informação Identificação dos problemas e desafios Tomada de decisões para o planejamento estratégico Fonte: adaptado de Crocco et al. (2010). Cateora, Gilly e Graham (2003) destacam que, em relação aos méto- dos de pesquisa de marketing doméstico e internacional, os dois são si- milares, entretanto, a pesquisa de marketing internacional apresenta uma complexidade adicional, uma vez que as informações devem ser trans- mitidas por diferentes fronteiras culturais, que podem causar alguma 81Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. confusão durante a tradução das perguntas e na interpretação de suas respectivas respostas. PARA SABER MAIS Crocco et al. (2010) destaca as seguintes variáveis individuais e socioló- gicas que influenciam o comportamento do consumidor: demográficas e biológicas; percepção e aprendizado, motivação e emoção; mudança de atitudes; personalidade, estilo de vida, grupo de referência; família; classes sociais; cultura e microculturas. Para saber mais detalhes, veja Crocco et al. (2010) nas referências ao final desse capítulo. A estratégia de marketing internacional depende de decisões basea- das na gestão da informação obtida pela pesquisa de marketing. Esta estratégia, segundo Crocco et al. (2010, p. 137): Tem o papel de orientar ações e decisões que favoreçam ou esti- mulem o processo de troca ou, em outras palavras, que localizem os compradores ou clientes, suas necessidades e seus objetivos, bem como a oferta (ou proposta de valor), representada pelo com- posto de marketing. Explicando de outra maneira, a estratégia de marketing internacional tem como objetivo identificar os problemas e desafios do público-alvo no ambiente internacional, que é: A parcela de mercado que tem necessidades e desejos, percep- ções de valor e/ou comportamentos de compra relativamente se- melhantes, selecionados como foco para a oferta de dado produto. (CROCCO et al., 2010, p. 138) Nesse cenário, os dirigentes da empresa ofertante alinham os atri- butos das variáveis do composto de marketing (4Ps) para adaptá-las às características do mercado (figura 4). 82 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 4 – Composto de marketing orientado para o público-alvo Preço ProdutoPromoção Praça (distribuição) Fonte: adaptado de Crocco et al. (2010). Considere, por exemplo, a decisão estratégica da alta direção da em- presa de reduzir o preço de um produto no mercado externo, manten- do seus atributos inalterados, a fim de concorrer com os produtos po- tencialmente similares. A princípio, parece ser uma estratégia perfeita, entretanto, alguns consumidores podem deixar de comprar o produto simplesmente porque o preço é mais barato. Nessa visão, o mais caro sempre é melhor, pois traz para o comprador a sensação do status al- mejado. Nesse sentido: Um preço acima da média de mercado cria expectativas nos con- sumidores de estarem adquirindo um produto, ou serviço, raro ou de qualidade superior e que concede ao comprador uma imagem de posição específica. (FASTI, 2003, p. 255) Nesse exemplo, os estrategistas decidiram adaptar a variável preço do marketing mix, sem sucesso. A estratégia de marketing pode incorrer em falhas, talvez por uma análise errônea das informações coletadas do público-alvo durante a fase de pesquisa, acarretando a identificação de 83Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. problemas e desafios incompatíveis com o real comportamento do pú- blico-alvo que se quer alcançar. Por isso, ressaltamos a importância da pesquisa de marketing e da interpretação eficiente das informações co- letadas para que não contaminem a tomada das decisões estratégicas. PARA SABER MAIS Crocco et al. (2006) explicam que os objetivos estratégicos podem ser de vários tipos, entre eles: estratégias competitivas; estratégias de dife- renciação; de liderança em custo, de crescimento entre outras. Em re- lação às decisões inerentes às estratégias globais, o autor destaca: os países em que se deseja competir; o nível de padronização de produtos e serviços, a padronização das marcas e das ações de marca, etc. Para saber mais detalhes, confira a obra de Crocco et al. (2006). 9 Planejamento de marketing internacional As estratégias de marketing internacional são decididas pela alta cúpula e precisam ser consolidadas em um plano de marketing inter- nacional para que seus objetivos sejam alcançados. Apesar de estarem estritamente relacionados, não se pode confundir plano de marketing com planejamento de marketing. Enquanto aquele se refere ao produto final do processo de planejamento de marketing, o planejamento é um “processo que serve, entre outras funções, para minimizar riscos, uma vez que, por seu intermédio, são avaliadas as possibilidades de sucesso ou fracasso das ações de marketing” (CROCCO et al., 2006, p. 92). Ressaltamos que o processo de planejamento de marketing inter- nacional só é possível após a tomada de decisões estratégicas da alta direção com base na análise das informações coletadas pela empre- sa durante a fase de pesquisa. Nesse sentido, Cateora, Gilly e Graham (2013, p. 338) entendem que o planejamento de marketing diz respeito a 84 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional “medidas específicas e à alocação de recursos utilizados para implantar os objetivos estratégicos em mercados específicos”. Em sintonia com o processo de planejamento, temos outras duas etapas importantes, a implementação e o controle. A implementação está relacionada com atividades de gestão de marketing, ou seja, a con- dução do planejamento por completo e sua supervisão pelo gerente de marketing, que deve monitorar as mudanças observadas no mercado internacional como um todo, com foco no público-alvo. O controle, por sua vez, é um: Processo que deve possibilitar o monitoramento do desempenho das variáveis escolhidas como relevantes para se medir o desem- penho do produto no mercado, tais como: volume de vendas, parti- cipação de mercado, margem bruta e lucro, entre outras. (CROCCO et al., 2006, p. 92) Nesse sentido, o processo de planejamento de marketing não pode ser pensado de forma linear, não existe um começo, meio e fim. O con- trole do processo permite avaliar se os resultados observados, por exemplo, o aumento do volume de vendas, estão alinhados com os ob- jetivos estratégicos. Caso os objetivos não sejam alcançados, os resul- tados obtidos devem ser considerados como fonte de informação, a fim de que os gestores da empresa possam revisar o planejamento original de marketing como um todo e providenciar as adaptações que julgaremnecessárias. Trata-se, portanto, de um processo cíclico, e não linear, porque as variáveis ocorridas no ambiente internacional (econômicas, políticas, sociais, legais, competitivas, tecnológicas) não são estáticas e mudam constantemente (figura 5). 85Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 5 – Visão cíclica do planejamento de marketing Dados dos ambientes econômico, político, social, legal, competitivo e tecnológico Ambiente em mudança Análise e recomendações Planejamento Implementação Controle e resultados Fonte: adaptado de Crocco et al. (2006). PARA SABER MAIS Para saber mais detalhes sobre o planejamento de marketing internacio- nal pesquise pela obra de Cateora, Gilly e Graham (2013) referenciada ao final do capítulo. 10 Pesquisa de mercado externo – Estudo de caso: o falhanço do Walmart no Brasil da década de 1990 O caso do Walmart no Brasil é um exemplo clássico de estratégia de marketing malsucedida. A rede varejista entrou no Brasil em 2005, mas nunca obteve posição de liderança, em função da fortíssima concorrên- cia de duas outras redes e de seus clientes fidelizados. De acordo com Faustino (2018), em uma pesquisa realizada com especialistas, vários problemas foram identificados no composto de marketing: 86 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional • Preço e produto: a rede varejista apostou em preço baixo todo os dias, uma estratégia que pode ter dado certo nos Estados Unidos, mas que no Brasil não foi bem recepcionada, porque o público brasileiro não procura por preços baixos apenas, é necessário que o produto tenha valor agregado com serviços, por exemplo, o bom atendimento durante a venda e serviços de pós-venda. • Praça: a forma de distribuição também não era adequada, segun- do a pesquisa, os consumidores preferem as lojas menores aos hipermercados. Para piorar, a expansão da rede no Brasil foi fei- ta em um período de valorização imobiliária, com a aquisição de imóveis caros em pontos ruins. • Promoção: a rede não consegui comunicar aos consumidores brasileiros o poder da marca Walmart. Foram adquiridas lojas como o Big, no Sul e o Bompreço, no Nordeste, mas não houve integração com elas e a marca Walmart passou desapercebida pelo público. Segundo o especialista Roberto Nascimento, coor- denador do Retail Lab da ESPM, seria melhor entender os merca- dos e transformar as lojas para Walmart (FAUSTINO, 2018). Considerações finais Cada empresa deve analisar sua maneira de acesso a mercados ex- ternos de forma planejada, de acordo com sua capacidade econômica e os resultados que se pretende alcançar. De nada adianta uma empresa nacional de pequeno porte estudar a estratégia de produção no exterior se ela não tem condições nem para montar seu próprio departamento de exportação. Por outro lado, não há resultado se uma empresa que tem grande capacidade financeira investir em uma filial no exterior para produzir uma dada mercadoria, sendo que a preferência do consumidor, ou sua capacidade de demanda, suportada pelo poder de renda, não foi identificada. 87Operações globais na cadeia logística M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Neste capítulo, vimos que a fase de pesquisa de marketing é impres- cindível para fornecer informações à alta direção da empresa sobre as particularidades de cada mercado. Só após essa etapa os problemas e desafios são identificados, permitindo a tomada de decisão das estra- tégias que devem ser adotadas, as quais devem ser implementadas e devidamente controladas com certa frequência pelos gestores da cor- poração, a fim de monitorar se os objetivos estratégicos estabelecidos no plano de marketing internacional estão sendo alcançados e, se ne- cessário, quais adaptações no marketing mix devem ser adotadas. Referências BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. CATEORA, P.; GILLY, M. C.; GRAHAM, J. L. Marketing internacional. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. CAVUSGIL, T; KNIGHT, G; RIESENBERGER, J. Negócios internacionais: estratégia, gestão e novas realidades. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. CROCCO, L. et al. Fundamentos de marketing: conceitos básicos. São Paulo: Saraiva, 2010. (Coleção de marketing, v. 1). CROCCO, L. et al. Marketing aplicado: o planejamento de marketing. São Paulo: Saraiva, 2006. DAVID, P.; STEWART, R. Logística internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2010. DIAS, S. R. Estratégia de distribuição. In: DIAS, S. (coord.). Gestão de marketing. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 125-141. FASTI, R. Administração de preço. In: DIAS, S. (coord.). Gestão de marketing. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 253-269. 88 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional FAUSTINO, R. Walmart no Brasil: por que deu errado? SA Varejo, 2018. Disponível em: https://www.savarejo.com.br/detalhe/reportagens/walmart-no-brasil-por- que-deu-errado. Acesso em: 13 mar. 2022. LIMEIRA, T. M. V. Fundamentos de marketing. In: DIAS, S. (coord.). Gestão de marketing. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 1-15. LUDOVICO, N. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. MACHLINE, C. Logística. In: DIAS, S. (coord.). Gestão de marketing. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 215-230. MINERVINI, Nicola. O exportador: construindo o seu projeto de internacionali- zação. 7. ed. São Paulo: Almedina, 2019. REIS, M.; MANDETTA, R. Marketing: princípios e aplicações. Campinas: Editora Alínea, 2003. 89 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Incoterms® e seguros O intenso desenvolvimento no volume das transações no comércio internacional, desde a segunda metade do século XX, exigiu a criação de regras internacionais a fim de harmonizar a comunicação entre os operadores globais. Foi necessário, portanto, o estabelecimento de uma normatização global para definir direitos e obrigações entre as partes envolvidas em uma operação de comércio exterior. Parte dessa norma- tização, como será explicado neste capitulo, refere-se aos termos de comércio internacional (Incoterms®), que definem as responsabilidades entre vendedor e comprador durante o transporte de uma mercadoria destinada à exportação, desde a coleta no país de embarque até a en- trega no destino final. 90 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to dig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Outro fator importante que será analisado refere-se ao risco a que as mercadorias são submetidas durante o transporte internacional, exigin- do das partes envolvidas a contratação do seguro internacional, com o objetivo de se proteger de um eventual dano que possa ocorrer durante o transporte da mercadoria. 1 Lex mercatoria Pela perspectiva moderna, lex mercatoria é o reconhecimento pelo Estado dos instrumentos comerciais contemporâneos utilizados pelos agentes econômicos privados, sobretudo em relação às práticas do co- mércio internacional. A Câmara Internacional de Comércio de Paris (em inglês, International Chamber of Commerce – ICC) exemplifica clara- mente esse modelo, por ser uma instituição de direito privado que ob- jetiva promover o comércio internacional por meio da harmonização da regulamentação dos negócios internacionais (ICC, [s. d.]). Nesse senti- do, na síntese de Vidigal (2010, p. 176), entende-se por lex mercatoria: O movimento de regulação do comércio pelo Estado, com a fina- lidade de se adequar às exigências do mercado, termina por criar ambiente mais favorável para o crescimento do comércio e para a atuação do mercado. Este, por sua vez, em virtude de sua liberdade de autorregulação, permanece na busca do aperfeiçoamento de suas práticas, recebendo do Estado regulamentação adaptativa, e assim sucessivamente. Um dos instrumentos de regulação mais reconhecidos e aplicados no âmbito do comércio internacional são os Incoterms®, publicados pela ICC e utilizados por vários países em todo o mundo. Eles serão analisados adiante. 91Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA SABER MAIS Para entender melhor a evolução da Lex mercatoria, pesquise pelo artigo A Lex mercatoria como fonte do direito do comércio internacional e a sua aplicação no Brasil (VIDIGAL, 2010). 2 Compreendendo a responsabilidade dos Incoterms® Como explica Ludovico (2018), os Incoterms® tiveram sua primeira publicação pela ICC, com sede em Paris, no ano de 1936. A denomi- nação abreviada refere-se aos termos de comércio internacional (em inglês, international commercial terms), que, ao longo dos anos, passa- ram por sucessivas atualizações. A versão atual são os Incoterms® 2020 (publicação 723E) e suas orientações são praticadas pelos países membros da ICC desde 1º de janeiro de 2020, inclusive o Brasil. A publicação anterior, Incoterms® 2010, tinha alguns pontos que precisavam ser atualizados e, nesse sen- tido, a publicação de 2020 surge para facilitar os negócios internacio- nais, além de acompanhar o cenário do comércio global, que está em constante evolução (ICC, 2019). A aplicação dos Incoterms® 2020 nas operações de comércio exte- rior é fundamental para que as partes envolvidas, vendedor e compra- dor, tenham subsídios para dirimir dúvidas relacionadas a direito e a obrigações durante o transporte de mercadorias, desde a coleta no seu local de origem, no país do vendedor, até sua entrega ao comprador, no país de destino. Esses direitos e obrigações referem-se à transferência de riscos e custos envolvidos durante uma operação internacional de compra e venda, por exemplo: para determinar qual parte envolvida deve assumir 92 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional o risco pelo eventual dano a uma mercadoria caso o navio, que partiu de algum porto brasileiro, com destino ao porto de Roterdã, sofra uma avaria e venha a afundar no meio do oceano Atlântico; ou ainda, quem deve ser o responsável pelo pagamento do frete internacional de uma carga partindo do aeroporto internacional de Paris, com destino final a algum aeroporto internacional brasileiro. De acordo com a ICC (2019, tradução nossa), os Incoterms® regulam os seguintes tópicos. • Obrigações: quem faz o que entre vendedor e comprador, por exemplo, quem é o responsável por contratar o transporte e o se- guro da mercadoria, ou ainda por emitir os documentos de em- barque, a licença de importação ou de exportação. • Riscos: onde e quando o vendedor deve entregar a mercadoria; isto é, em que momento o risco da operação é transferido do ven- dedor para o comprador. • Custos: que parte (vendedor ou comprador) é responsável por determinados custos, por exemplo: transporte, embalagem, car- regamento, descarregamento, inspeção da carga, etc. Os termos de comércio internacional, portanto, compreendem um importante ponto nos contratos internacionais de compra e venda de mercadoria. Como explica Keedi (2020), esse instrumento tem apenas dois objetivos: dividir riscos e custos entre duas partes, vendedor e comprador, de modo que não abordam nada além disso. 3 Incoterms® e suas classificações Os Incoterms® 2020 são divididos em 11 termos, distribuídos em quatro grupos (E, C, D e F). Cada modalidade de venda é representada por uma sigla de três letras, a qual estabelece regras que determinam a transferência de riscos e custos entre o vendedor e o comprador (quadro 1). 93Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Incoterms® 2020 – grupos e modalidades E EXW – Ex works F FCA – Free carrier FAS – Free alongside ship FOB – Free on board C CFR – Cost and freight CIF – Cost, insurance and freight CPT – Carriage paid to CIP – Cost and insurance paid to D DAP – Delivery at place DPU – Delivery at place unloaded DDP – Delivery duty paid Fonte: adaptado de ICC (2019). 4 Resumo das responsabilidades e transferência de risco para cada Incoterm® Para cada uma das 11 modalidades, existe um ponto crítico no qual ocorre a transferência de riscos e custos entre o vendedor e comprador. A seguir, iremos analisar 11 figuras, cada uma associada a um termo específico. Foram utilizadas as definições compiladas na Resolução da Câmara de Comércio Exterior nº 16, de 2 de março de 2020, a qual dis- põe sobre o Incoterms® e estabelece que nas exportações e importa- ções brasileiras serão aceitas quaisquer condições de venda praticadas no comércio internacional. Em cada figura, as linhas cinzas indicam as obrigações do vendedor em relação aos custos e aos riscos; já as linhas pretas assinalam o ponto de transferência dessas obrigações para o comprador, situado em algum país no exterior. PARA SABER MAIS O conteúdo apresentado neste capitulo não contempla as regras na ín- tegra, uma vez que a publicação original dos Incoterms® 2020 inclui um total de 165 páginas de explicações detalhadas. Para saber mais aces- se o site da ICC (ICC, [s. d.]). 94 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 4.1 EXW – Ex works Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor limita-se a colocar a mercadoria à disposição do comprador no estabelecimentodo vende- dor, no prazo estabelecido, não se responsabilizando pelo desembaraço para exportação nem pelo carregamento da mercadoria em qualquer veículo coletor. No Brasil, há uma especificidade em virtude de o com- prador estrangeiro não dispor de condições legais para providenciar o desembaraço para saída de bens do país, de modo que fica subenten- dido que essa providência é adotada pelo vendedor, sob suas expensas e riscos (figura 1). Figura 1 – EXW – EX works – utilizável em qualquer modalidade de transporte EXW – EX works (named place of delivery) Na origem (local de entrega nomeado) Custos Riscos Custos Riscos Vendedor Comprador Fonte: adaptado de ICC (2019). 95Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 4.2 FCA – Free carrier Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor completa suas obriga- ções e encerra sua responsabilidade quando entrega a mercadoria, desem- baraçada para a exportação, ao transportador ou a outra pessoa indicada pelo comprador, no local nomeado do país de origem (figura 2). Figura 2 – FCA – Free carrier – utilizável em qualquer modalidade de transporte FCA – Free carrier (named place of delivery) Livre no transportador (local de entrega nomeado) Custos Riscos Custos Riscos Exportador Comprador Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.3 FAS – Free alongside ship Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor encerra suas obriga- ções no momento em que a mercadoria é colocada, desembaraçada para exportação, ao longo do costado do navio transportador indicado pelo comprador, no cais ou em embarcações utilizadas para carrega- mento da mercadoria, no porto de embarque nomeado pelo comprador (figura 3). 96 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 3 – FAS – Free alongside ship – utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior) FAS – Free alongside ship (named port of delivery) Livre ao lado do navio (porto de embarque nomeado) Custos Riscos Custos Riscos Exportador Comprador Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.4 FOB – Free on board Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor encerra suas obriga- ções e responsabilidades quando a mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue, arrumada, a bordo do navio no porto de em- barque, ambos indicados pelo comprador, na data ou dentro do período acordado (figura 4). 97Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 4 – FOB – Free on board – utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior) FOB – Free on board (named port of delivery) Livre a bordo (porto de embarque nomeado) Custos Riscos Custos Riscos Vendedor Comprador Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.5 CFR – Cost and freight Nessa modalidade (BRASIL, 2020), além de arcar com as obrigações e os riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga o frete e custos necessários para levar a mercadoria até o porto de desti- no combinado (figura 5). 98 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 5 – CFR – Cost and freight – utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior) CFR – Cost and freight (named port of destination) Custo e frete (porto de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.6 CIF – Cost, insurance and freight Nessa modalidade (BRASIL, 2020), além de arcar com as obrigações e os riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga o frete, os custos e o seguro relativos ao transporte da mercadoria até o porto de destino combinado (figura 6). 99Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 6 – CIF – Cost, insurance and freight – utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior) CIF – Cost, insurance and freight (named port of destination) Custo, seguro e frete (porto de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Seguro Seguro Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.7 CPT – Carriage paid to Nessa modalidade (BRASIL, 2020), além de arcar com as obrigações e os riscos previstos para o termo FCA, o vendedor contrata e paga o frete e os custos necessários para levar a mercadoria até o local de des- tino combinado (figura 7). 100 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 7 – CPT – Carriage paid to – utilizável em qualquer modalidade de transporte CPT – Carriage paid to (named place of destination) Transporte pago até (local de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.8 CIP – Carriage and insurance paid to Nessa modalidade (BRASIL, 2020), além de arcar com as obrigações e os riscos previstos para o termo FCA, o vendedor contrata e paga o frete, os custos e o seguro relativos ao transporte da mercadoria até o local de destino combinado (figura 8). 101Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 8 – CIP – Carriage and insurance paid to – utilizável em qualquer modalidade de transporte CIP – Carriage and insurance paid to (named place of destination) Transporte e seguro pagos até (local de destino nomeado) CUSTOS Vendedor Comprador RISCOS CUSTOS RISCOS SEGURO SEGURO Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.9 DAP – Delivery at place Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor completa suas obri- gações e encerra sua responsabilidade quando coloca a mercadoria à disposição do comprador, na data ou dentro do período acordado, em local indicado no país de destino, pronta para ser descarregada do veí- culo transportador e não desembaraçada para importação. Utilizável em qualquer modalidade de transporte (figura 9). 102 Ma te ria l par a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 9 – DAP – Delivery at place – utilizável em qualquer modalidade de transporte DAP – Delivery at place (named place of destination) Entregue no local (local de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.10 DPU – Delivery at place unloaded Nessa modalidade (BRASIL, 2020), o vendedor completa suas obri- gações e encerra sua responsabilidade quando a mercadoria é coloca- da à disposição do comprador, na data ou dentro do período acorda- do, em local determinado no país de destino, descarregada do veículo transportador, mas não desembaraçada para importação (figura 10). 103Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 10 – DPU – Delivery at place unloaded – utilizável em qualquer modalidade de transporte DPU – Delivery at place unloaded (named place of destination) Entregue no local descarregado (local de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Fonte: adaptado de ICC (2019). 4.11 DDP – Delivery duty paid A figura 11 refere-se à modalidade DDP (BRASIL, 2020), em que o vendedor completa suas obrigações e encerra sua responsabilidade quando a mercadoria é colocada à disposição do comprador, na data ou dentro do período acordado, no local de destino designado no país importador, não descarregada do meio de transporte. O vendedor, além do desembaraço, assume todos os riscos e custos, inclusive os tributos incidentes na importação. Utilizável em qualquer modalidade de trans- porte. No Brasil, em razão de o vendedor estrangeiro não dispor de con- dições legais para providenciar o desembaraço para entrada de bens no país, este termo não pode ser utilizado na importação brasileira. 104 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 11 – DDP – Delivery duty paid – utilizável em qualquer modalidade de transporte DDP – Delivery duty paid (named place of destination) Entregue com os direitos pagos (local de destino nomeado) Custos Vendedor Comprador Riscos Custos Riscos Fonte: adaptado de ICC (2019). NA PRÁTICA A publicação original dos Incoterms® 2020 (723E) orienta que para cada Incoterm® deve constar o local de entrega da mercadoria a ser exporta- da, o que já acontecia nas publicações anteriores. Por exemplo, se uma empresa brasileira negocia uma venda na modalidade FOB, deve asso- ciar esse termo ao nome do porto de embarque, por exemplo: FOB porto de Santos, e não apenas FOB porto. Essa orientação deve ser aplicada para todas as 11 modalidades. 5 O que são seguros e seguradoras? Os riscos inerentes durante o fluxo de suprimentos e produtos em uma cadeia logística, seja no interior de um país ou internacional, não podem ser desprezados. Segundo a Associação Brasileira de Normas 105Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Técnicas (2009, p. 2), a cadeia logística é “o conjunto vinculado de supri- mentos e processos que se inicia a partir da obtenção de matéria-prima e se estende até a entrega de produtos e serviços ao consumidor final através das modalidades de transporte”. Nessa cadeia participam for- necedores, instalações fabris, fornecedores logísticos, centros de distri- buição própria, distribuidores, atacadistas e outras entidades que levam ao consumidor final. A Superintendência de Seguros Privados (Susep, [s. d.]a) define risco como um “evento futuro e incerto, de natureza súbita e imprevista, inde- pendente da vontade do segurado, cuja ocorrência pode provocar pre- juízos de natureza econômica.” De maneira similar, para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2018), risco é um efeito da incer- teza dos objetivos, ou seja, um desvio em relação ao esperado, ou seja, um evento que não é esperado, mas com chance de acontecer, tendo como consequência efeitos negativos. 5.1 Seguros De acordo com a Susep ([s. d.]a), seguro é o contrato mediante o qual uma “pessoa denominada Segurador [seguradora], se obriga, median- te o recebimento de um prêmio, a indenizar outra pessoa, denominada Segurado, do prejuízo resultante de riscos futuros, previstos no contra- to”. Na definição do Sindicato das Empresas de Seguros e Resseguros (SINDSEGSP, [s. d.]) é a “proteção econômica que o indivíduo busca para prevenir-se contra uma necessidade aleatória e, portanto, incerta.” O se- guro de transportes, por sua vez, “garante ao segurado uma indenização pelos prejuízos causados aos bens segurados durante o seu transporte em viagens aquaviárias, terrestres e aéreas, em percursos nacionais e internacionais” (Susep, [s. d.]b). 106 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional IMPORTANTE Existe uma diferença entre o seguro de transportes e seguro de respon- sabilidade civil do transportador: enquanto o seguro de transportes é contratado pela pessoa física ou jurídica interessada, o seguro de res- ponsabilidade civil do transportador “deve obrigatoriamente ser con- tratado pela empresa de transporte, mas cobre apenas prejuízos pelos quais o próprio transportador seja responsável, como colisão, capota- gem, abalroamento, incêndio ou explosão do veículo transportador” (Su- sep, [s. d.]b). 5.2 Seguradoras Seguradora é uma instituição que, “mediante o recebimento de prê- mios, tem o objetivo de assumir riscos previstos em um contrato para indenizar prejuízos ou reparar danos involuntários ocorridos com bens, pessoas ou por responsabilidade de outrem” (SINDSEGSP, [s. d.]). 5.3 Contrato de seguro Na definição do SINDSEGSP ([s. d.]), o contrato de seguro, denomina- do apólice, é o instrumento pelo qual a seguradora assume a responsa- bilidade sobre os riscos que possam advir. A apólice contém condições gerais, as cláusulas especiais e particulares do contrato e as coberturas principais e acessórias (tipos A, B e C) explicadas adiante. Um dos ele- mentos que constam nessa apólice é o prêmio, definido como “a im- portância paga pelo segurado ou estipulante à seguradora em troca da transferência do risco a que ele está exposto.” (SINDSEGSP, [s. d.]). Na apólice de seguros insere-se também a indenização, isto é, “a contraprestação do segurador para com o segurado que, com a efetiva- ção do risco (ocorrência de evento previsto no contrato), venha a sofrer 107Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente.Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. prejuízos de natureza econômica e faça jus à indenização pactuada” (SINDSEGSP, [s. d.]). 6 Segurado e não segurado no comércio internacional De acordo com o SINDSEGSP [s. d.], segurado é a “pessoa física ou jurídica que, tendo interesse segurável, contrata o seguro, em seu bene- fício pessoal ou de terceiros”. Por outro lado, o não segurado é a pessoa física ou jurídica que não tem interesse na contratação do seguro, as- sumindo os riscos econômicos. Em se tratando de comércio internacio- nal, a contratação do seguro geralmente está associada ao transporte internacional de mercadorias, pelos modais de transporte aquaviário, terrestre ou aéreo. NA PRÁTICA Com exceção das modalidades CIF e CIP (Incoterms® 2020), a contrata- ção do seguro de transporte internacional é facultativa. Ao não contratar um seguro, dependendo do Incoterm® negociado, o vendedor, ou o com- prador, da mercadoria assume o prejuízo econômico, sem indenização de uma seguradora. Suponha que uma empresa, situada no Brasil, im- porta há 10 anos determinadas mercadorias utilizando-se da condição FOB (Incoterms® 2020). Essa empresa importou centenas de embar- ques, todos procedentes do porto de Roterdã, na Holanda, com destino ao porto de Paranaguá, no estado do Paraná. Os gestores da empresa nunca tiveram problema, em todos esses anos, com algum evento que pudesse prejudicar a integridade da carga. Com base nesse histórico, os gestores decidiram suspender com a se- guradora contratada a apólice de seguro de transporte internacional para os futuros embarques, alegando que era improvável que algo de errado fosse acontecer durante o transporte internacional. Posterior- mente, um navio transportando uma mercadoria não segurada parte do porto de Roterdã e, após alguns dias, afunda no oceano Atlântico, em função de um evento inesperado: um ataque por um torpedo ou míssil, a cerca de 30 km do Porto de Paranaguá. 108 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Nesse caso hipotético, jamais alguém iria prever que um evento dessa magnitude pudesse acontecer, entretanto, ele ocorreu. Trata-se da probabilidade, definida pela ABNT (2018, p. 2) como a “chance de algo acontecer”. Basta que aconteça para que as consequências sejam desastrosas, acarretando prejuízos irreversíveis, nesse caso, ao importador. 7 Seguros para o comércio internacional: A, B, C De acordo com a Susep ([s. d.]b), o seguro de transportes é compos- to por uma cobertura básica, de contratação automática, e pelas cober- turas adicionais, que cobrem riscos além dos que são abrangidos pela cobertura básica, e contra os quais o segurado opcionalmente pode se garantir, mediante o pagamento de prêmio adicional. IMPORTANTE Prêmio adicional é cobrado em certos e determinados casos, por exem- plo, quando o segurado, posteriormente à celebração do contrato de seguro, opta por um prazo maior, ou deseja ampliar a cobertura, contra- tando uma cobertura adicional (Susep, [s. d.]a). Sousa (2020) explica que os seguros internacionais, normalmente utilizados pelas empresas seguradoras, são classificados nos tipos A, B e C, e cobrem danos ou perdas de mercadorias de acordo com as descrições que constam nas apólices. 109Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7.1 Cobertura básica restrita (C) Garante ao segurado os prejuízos que venha a sofrer em conse- quência de perdas e danos materiais causados ao objeto segurado ex- clusivamente por: a) incêndio, raio ou explosão; b) encalhe, naufrágio ou soçobramento do navio ou embarcação; c) capotagem, colisão, tomba- mento ou descarrilamento de veículo terrestre; d) abalroamento, colisão ou contato do navio ou embarcação com qualquer objeto externo que não seja água; e) colisão, queda e/ou aterrissagem forçada da aeronave, devidamente comprovada; f) descarga da carga em porto de arribada; g) carga lançada ao mar; h) perda total de qualquer volume, durante as ope- rações de carga e descarga do navio; e) perda total decorrente de fortuna do mar e/ou de arrebatamento pelo mar (Susep, [s. d.]b). 7.2 Cobertura básica restrita (B) Garante ao segurado os prejuízos que venha a sofrer em consequên- cia de perdas e danos materiais causados ao objeto segurado pelos ris- cos citados na cobertura básica restrita (C) e também por: a) inundação, transbordamento de cursos d’água, represas, lagos ou lagoas, durante a viagem terrestre; b) desmoronamento ou queda de pedras, terras, obras de arte de qualquer natureza ou outros objetos, durante a viagem terres- tre; c) terremoto ou erupção vulcânica; e d) entrada de água do mar, lago ou rio, na embarcação, etc. (Susep, [s. d.]b). 7.3 Cobertura básica restrita (A) Garante ao segurado os prejuízos que venha a sofrer em conse- quência de todos os riscos de perda ou dano material sofridos pelo objeto segurado, decorrentes de quaisquer causas externas, exceto as previstas na cláusula de prejuízos não indenizáveis (Susep, [s. d.]b). 110 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional PARA SABER MAIS De acordo com a Susep ([s. d.]b), existem coberturas extras que podem ser contratadas para mercadorias e/ou situações específicas, nos ca- sos de: mercadorias refrigeradas; produtos congelados; animais vivos; danos causados por guerra; greves, contaminação por radiação; entre outras. Para mais detalhes, veja o site da Susep (Susep, [s. d.]b) 8 Resolução de conflitos O governo brasileiro, com o objetivo de dirimir litígios relativos a di- reitos patrimoniais, autorizou por meio da Lei nº 9.307, de 23 de setem- bro de 1996, o uso da arbitragem para a solução de alguns conflitos, inclusive os relacionados às regras internacionais de comércio (BRASIL, 1996). Nesse sentido, de acordo com Lobo ([s. d.]): Não há diferença essencial entre a arbitragem interna e a arbitra- gem internacional. Em ambos os casos, estamos diante de um modo de solucionar litígios, mediante a aplicação de regras adje- tivas e substantivas escolhidas pelas partes, por julgadores não governamentais por elas designados, cujas decisões são passíveis de execução forçada, com uso do poder de coerção dos juízes ou tribunais governamentais. A arbitragem internacional e a arbitra- gem interna são governadas pelos mesmos princípios de direito. PARA SABER MAIS Estabelecida em 1923, a Corte Internacional de Arbitragem foi pioneira na arbitragem comercial internacional, tendo iniciado e liderado o movi- mento que culminou a adoção da Convenção de Nova Iorque de 1958, sobre o reconhecimento e aplicabilidade das sentenças arbitrais estran- geiras. A Corte é considerada a instituição arbitral de maior projeção internacional e se encontra na linha de frente na resolução de conflitos complexos ou simples, seja contrato comercial, assuntos de proprieda- 111Incoterms® e seguros M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD,da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de intelectual, joint venture, etc. A Secretaria da Corte administra as ar- bitragens da ICC (ICC BRASIL, [s. d.]). Considerações finais Neste capítulo, vimos que o comércio internacional é amparado por normas que harmonizam a logística internacional de mercadorias. Essas regras internacionais, que integram a lex mercatoria, são criadas pelo setor privado, com base na experiência observada a partir das práticas internacionais de comércio internacional, e não dependem di- retamente da participação estatal na sua elaboração. Os Incoterms®, por exemplo, são praticados por mais de cem países e facilitaram o entendimento entre as partes envolvidas, ao estabelecerem regras precisas na transferência de riscos e custos. O mesmo ocorre com os contratos de seguros, cujos termos e cláusulas integram as apólices de seguros de transportes internacionais, facilitando a comunicação entre os operadores globais e minimizando os riscos econômicos dos segurados. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO 28000: especificação para sistemas de gestão de segurança para a cadeia logística. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO 31000: gestão de riscos: diretrizes. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. BRASIL. Câmara de Comércio Exterior. Resolução nº 16, de 2 de março de 2020. Dispõe sobre Incoterms e estabelece que nas exportações e importações [...]. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 158, n. 53, p. 18-19, 18 mar. 2020. Disponível em: http://www.camex.gov.br/ http://www.camex.gov.br/resolucoes-camex-e-outros-normativos/58-resolucoes-da-camex/2669-resolucao-n-16-de-2-de-marco-de-2020 112 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional resolucoes-camex-e-outros-normativos/58-resolucoes-da-camex/2669- resolucao-n-16-de-2-de-marco-de-2020. Acesso em: 22 mar. 2022. BRASIL. Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996. Dispõe sobre a arbitragem. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 186, p. 18897-181900, 24 set. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9307. htm. Acesso em: 27 mar. 2022. INTERNATIONAL CHAMBER OF COMMERCE (ICC PARIS). 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Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS (Susep). Seguro de transportes. Susep, [s. d.]b. Disponível em: http://www.susep.gov.br/menu/informacoes- ao-publico/planos-e-produtos/seguros/seguro-de-transportes. Acesso em: 26 mar. 2022. VIDIGAL, E. A Lex mercatoria como fonte do direito do comércio internacional e a sua aplicação no Brasil. Revista de informação legislativa: Brasília, v. 47, n. 186, p. 171-193, 2010. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/ id/198681. Acesso em: 27 mar. 2022. https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/198681 https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/198681 115 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 6 Comércio internacional no Brasil Neste capítulo, será analisado o papel dos principais agentes públi- cos intervenientes no comércio exterior brasileiro. A eficácia dessa in- tervenção é plenamente regulada por normas legais que delegam, a de- terminados órgãos públicos, atribuições especificas que integram, em uma visão sistêmica, a fiscalização e o controle das aduanas; a admi- nistração das operações de importação e exportação; a decisão pelas diretrizes das políticas de comércio exterior; o controle nas operações de câmbio vinculadas ao comércio exterior; além da anuência, ou inde- ferimento, na importação de determinadas mercadorias que possam causar algum prejuízo à sociedade brasileira. 116 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 1 Órgãos anuentes e intervenientes na estrutura brasileira do comércio internacional e sua estrutura interna De acordo com a Instrução Normativa da Receita Federal nº 1.273, de 6 de junho de 2012, considera-se interveniente qualquer pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior, entre eles: o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduanei- roou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal (OTM), o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito e o assistente técnico (BRASIL, 2012). Apesar de a própria legislação denominar que essas pessoas, que podem ser de direito público ou privado, ou pessoas físicas (no caso do despachante aduaneiro e seus ajudantes), sejam intervenientes, prefe- rimos agrupá-las no conjunto de operadores que atuam no comércio exterior. Nesse sentido, entende-se por interveniente toda autoridade ou órgão público que estabelece diretrizes, administra, fiscaliza, controla, autoriza ou restringe as operações de comércio exterior. No Brasil, parte dos órgãos intervenientes relacionados ao comércio exterior estão subordinados, ou vinculados, ao Ministério da Economia, são eles: • Câmara de Comércio Exterior (Camex), responsável pelas diretri- zes da política de comércio internacional. • Secretaria de Comércio Exterior (Secex), responsável por admi- nistrar as operações de comércio exterior. • Receita Federal do Brasil, cuja competência é controlar a entrada e saída de mercadorias do Brasil, além de fiscalizar a arrecadação dos tributos sobre o comércio exterior. 117Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Além desses três órgãos, existe o Banco Central do Brasil (Bacen) que atua nas operações de comércio exterior por meio da política mo- netária e do controle cambial. É importante ressaltar que o Bacen é uma autarquia federal, ou seja, uma entidade autônoma, portanto, não subor- dinada a nenhum ministério. Há também os órgãos anuentes que atuam no comércio exterior brasileiro no sentido de regular e anuir, isto é, autorizar as importações brasileiras de alguns produtos que exigem tratamento específico, em função de suas características ou destinação e que possam causar prejuízos ao meio ambiente e ao uso humano ou animal. Inserem-se nesse grupo, entre outros órgãos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que controla a entrada de medicamentos e seus cor- relatos; o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que controla a entrada de alimentos; e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pelo controle das importações de mate- riais radioativos. A figura 1 ilustra a composição desses órgãos intervenientes. Figura 1 – Composição dos órgãos intervenientes Camex Secex Banco Central Órgãos anuentes Órgãos intervenientes Receita Federal 118 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 2 Camex A Camex é um órgão colegiado do Ministério da Economia. Tem como objetivo a adoção, a implementação e a coordenação de políticas e de atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, aos investimentos estrangeiros diretos, aos investimentos brasileiros no ex- terior e ao financiamento das exportações, com vistas a promover o aumento da produtividade da economia brasileira e da competitividade internacional do país (BRASIL, 2019c). De acordo com o Decreto nº 10.044, de 4 de outubro de 2019 (BRASIL, 2019c), integram a Camex: o conselho de estratégia comercial; o comi- tê-executivo de gestão, a secretaria-executiva; o conselho consultivo do setor privado; o comitê de financiamento e garantia das exportações; o comitê de alterações tarifárias; o comitê de defesa comercial; o comitê nacional de facilitação de comércio; o comitê nacional de investimen- tos; grupo assessor do ombudsman de investimentos diretos; e o ponto de contato nacional para a implementação das diretrizes para as em- presas multinacionais da organização para a cooperação e desenvolvi- mento econômico. O comitê-executivo de gestão é um dos mais participativos nas questões que envolvem o comércio exterior. A ele compete, entre outros atos (BRASIL, 2019c): • Orientar a política aduaneira, observada a competência específica do Ministério da Economia. • Formular diretrizes da política tarifária na importação e na exportação. • Estabelecer as alíquotas do imposto de importação. • Alterar, na forma estabelecida nos atos decisórios do Mercado Comum do Sul (Mercosul), a nomenclatura comum do Mercosul. 119Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Fixar direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou defi- nitivos, além de salvaguardas. É importante destacar que as decisões do comitê-executivo de ges- tão dependem da ratificação de todos os seus integrantes, ou seja, trata- -se de uma decisão colegiada dos seus membros, são eles: Ministro da Economia, que o presidirá; um representante da Presidência da República; dois representantes do Ministério das Relações Exteriores; dois re- presentantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia; Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia; Secretário Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia; Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia (BRASIL, 2019c). 3 Secex É importante destacar que a Medida Provisória nº 870, de 1º de ja- neiro de 2019 (convertida pela Lei nº 13.844, de 18 de junho de 1999) estabeleceu a nova estrutura do governo federal. Dentro da organização dos órgãos da Presidência da República e dos ministérios, foi criado o Ministério da Economia, integrando atribuições dos ministérios da Fazenda, do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e do Trabalho. Nesse sentido, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC) foi extinto e as competências relacionadas ao comércio exterior foram absorvidas pela Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) de acordo com o Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019 (BRASIL, 2019b) é subordinada à Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. Por sua vez, a Secex integra cinco subsecretarias, cada uma com atribuições especifi- cas: 1) Subsecretaria de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior; 120 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 2) Subsecretaria de Operações de Comércio Exterior; 3) Subsecretaria de Facilitação de Comércio Exterior e Internacionalização; 4) Subsecretaria de Negociações Internacionais; e 5) Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público (figura 2). Figura 2 – Organograma parcial do Ministério da Economia Ministério da Economia Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais Secex – Secretaria de Comércio Exterior Subsecretaria de Inteligência e Estatísticas deComércio Exterior Subsecretaria de Operações de Comércio Exterior Subsecretaria de Facilitação e Internacionalização Subsecretaria de Negociações Internacionais Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público Fonte: adaptado de Brasil (2021). A seguir iremos analisar, de forma resumida, as atribuições de cada uma dessas subsecretárias, de acordo com o estabelecido pelo Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019 (BRASIL, 2019b). 3.1 Subsecretaria de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior (Sitec) As atribuições dessa subsecretaria são assessorar, monitorar, elabo- rar e divulgar indicadores, estudos, relatórios e publicações sobre dados estatísticos de comércio exterior de bens e serviços, em especial sobre a balança comercial brasileira (BRASIL, 2019b). 121Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3.2 Subsecretaria de Operações de Comércio Exterior (Suext) A essa subsecretaria compete desenvolver, executar e acompanhar políticas e programas de operacionalização do comércio exterior e pro- por normas e procedimentos necessários à sua implementação, além de assumir as seguintes atribuições (BRASIL, 2019b): • Administrar o Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), incluindo o Portal Único de Comércio Exterior, e gerir a atuação de usuários do sistema são administrados, além de implementar nesses sistemas as exigências e os controles administrativos in- cidentes sobre importações e exportações, em articulação com os órgãos intervenientes no comércio exterior e observadas as competências de cada um. • Analisar e deliberar sobre exigências e controles comerciais nas operações de importação e exportação; atos concessórios de drawback, nas modalidades isenção e suspensão; importação de bens usados; exame de similaridade e acordos de importação com a participação de empresas nacionais. • Fiscalizar preços, pesos, medidas, classificação, qualidades e tipos, declarados nas operações de exportação e importação, diretamente ou em articulação com outros órgãos da adminis- tração pública. • Operacionalizar a administração e o controle de cotas tarifárias e não tarifárias de importação e exportação. 122 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 3.3 Subsecretaria de Facilitação de Comércio Exterior e Internacionalização (Sufac) As atribuições dessa subsecretaria são coordenar, em relação às exi- gências e aos controles administrativos, as ações referentes ao Acordo sobre Facilitação de Comércio da Organização Mundial do Comércio, além de assumir as seguintes atribuições (BRASIL, 2019b): • Coordenar, no âmbito do Ministério da Economia, ações refe- rentes ao Acordo sobre Procedimentos de Licenciamento de Importação junto à Organização Mundial do Comércio. • Elaborar estudos, formular propostas, planejar e executar ações e projetos destinados à melhoria da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e à facilitação do comércio, inclusive em relação: a) ao aprimoramento do ambiente regulató- rio; b) à simplificação, harmonização, modernização e integração de formalidades, processos e exigências administrativas; c) ao desenvolvimento, ao aprimoramento e à integração de sistemas de gestão e controle de operações de exportação e de importa- ção; d) à logística de comércio exterior; e) ao emprego de tecno- logias de informação e de automação no comércio exterior; e f) à promoção da transparência e do acesso público a informações relacionadas com operações de comércio exterior. • Atuar junto aos órgãos intervenientes no comércio exterior, com vistas à simplificação, à harmonização e à execução de regras e formalidades administrativas incidentes sobre importações e exportações; além de elaborar projetos normativos para o aper- feiçoamento da legislação de comércio exterior. • Atuar, em cooperação com outros países e organismos interna- cionais, na promoção, no desenvolvimento e na implementação de medidas de facilitação de comércio em âmbito multilateral, plurilateral, regional ou bilateral. 123Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3.4 Subsecretaria de Negociações Internacionais (Seint) Tem como objetivo a coordenação e a participação nas negocia- ções internacionais relativas ao comércio exterior nos temas de bens, inclusive os relativos ao setor automotivo, a serviços, a investimentos, a compras governamentais, a regimes de origem, a barreiras técnicas, à propriedade intelectual, à solução de controvérsias e a outros temas tarifários e não tarifários nos âmbitos multilateral, plurilateral, regional e bilateral; além de assumir as seguintes atribuições (BRASIL, 2019b): • Promover estudos e iniciativas destinados ao apoio, à informação e à orientação da participação brasileira em negociações interna- cionais relativas ao comércio exterior. • Participar de negociações internacionais, reuniões, comitês técni- cos, grupos de trabalho, comissões bilaterais e de monitoramen- to de comércio, foros de cooperação, inclusive no âmbito de insti- tuições como a Organização Mundial do Comércio, o Mercosul e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), em temas de sua competência. • Administrar o sistema geral de preferências, o sistema global de preferências comerciais, e os regulamentos de origem dos acor- dos comerciais firmados pela República Federativa do Brasil. • Apoiar o setor produtivo brasileiro em relação às barreiras comer- ciais externas aos produtos brasileiros e às iniciativas facilitado- ras e de convergência regulatória. • Fazer o levantamento das restrições às exportações brasileiras e das recomendações para seu tratamento nos níveis externo e interno. 124 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 3.5 Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público (SDCOM) Essa subsecretaria tem como função a investigação de práticas de comércio internacional que podem causar dano material à indústria na- cional. Estas práticas são divididas em duas categorias: as ilegais, cha- madas de dumping e subsídios, e as legais, denominadas salvaguardas. Cabe a essa subsecretaria, portanto, após o aceite da petição, con- duzir as investigações por meio de processo administrativo, para poste- riormente propor a aplicação de medidas antidumping, compensatórias e de salvaguardas, previstas em acordos multilaterais, plurilaterais, re- gionais e bilaterais, desde que exista prova de dano à indústria domés- tica de bens similares. É importante ressaltar que o SDCOM não tem competência para a aplicação de tais medidas, sendo esta uma decisão de competência exclusiva da Câmara de Comércio Exterior. Destacamos que o SDCOM não apenas defende a indústria nacional, mas também, nos termos do inciso XII, artigo 96, do Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019,trabalhar em defesa do exportador brasileiro, ao acompanhar as investigações de defesa comercial abertas por tercei- ros países (BRASIL, 2019b). Finalmente, outra atribuição dessa subsecretaria, de acordo com o inciso XVIII, artigo 96, do Decreto nº 9.745, é propor a suspensão ou a alteração de aplicação de medidas antidumping ou compensatórias em razão de interesse público (BRASIL, 2019b). De acordo com a Portaria nº 13, de 29 de janeiro de 2020, da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, a avaliação de interesse público tem por objetivo avaliar a existência de elementos que excepcionalmente justifiquem a suspensão ou a alteração de medidas antidumping definitivas e compensatórias provisórias ou definitivas, bem como a não aplicação de medidas antidumping provisórias, quando 125Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. for constatado que o impacto da imposição da medida antidumping e compensatória, sobre os agentes econômicos como um todo, se mos- trar potencialmente mais danoso, se comparado aos efeitos positivos da aplicação da medida de defesa comercial (BRASIL, 2020b). 4 Receita Federal no comércio internacional Subordinada ao Ministério da Economia, as atribuições gerais da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil estão elencadas no Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019. As atividades específicas re- lacionadas ao comércio internacional estão atribuídas à Coordenação- -Geral de Administração Aduaneira (Coana), setor subordinado a essa Secretaria. Nesse sentido, de acordo com a Portaria nº 284, do Ministério da Economia, de 27 de julho de 2020, compete à Coana gerenciar as ati- vidades relativas ao controle aduaneiro e, em especial (BRASIL, 2020a): • À execução da fiscalização aduaneira, inclusive o combate às fraudes aduaneiras. • À realização da programação, da avaliação e do controle das ati- vidades fiscais aduaneiras. • À infraestrutura aduaneira e ao alfandegamento de locais e recintos. • À habilitação e ao monitoramento de intervenientes no comércio exterior. • Aos assuntos tarifários e de comércio exterior. • À coordenação e divulgação das atividades relacionadas ao de- senvolvimento e à implementação dos manuais aduaneiros, em sua área de competência. 126 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 5 Ação do Banco Central no comércio internacional O foco do Banco Central, autarquia de natureza especial, é conduzir a política monetária do país, adotando ações para determinar as taxas de juros e a quantidade de dinheiro em circulação na economia, visando assegurar a estabilidade de preços. Os objetivos dessa instituição tam- bém são: zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro; suavizar as flutuações do nível de atividade econômica; além de fomen- tar o pleno emprego. Para a implementação da política monetária, são empregados instrumentos apropriados para controlar as condições de liquidez e a taxa básica da economia, também conhecida como taxa Selic (BC, [s. d.]a). De acordo com a definição do Banco Central ([s. d.]b), a taxa Selic (sistema especial de liquidação e custódia) tem um efeito importan- te sobre a economia, influenciando as demais taxas de juros no país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras. Ocorre que a variação da taxa Selic também influência nas operações de comércio internacional. Por exemplo, de acordo com a explicação do Banco Central ([s. d.]b), suponha que a taxa de juros aumente, de modo que o real tende a se valorizar (o dólar fica mais barato comparado ao real), pois há um incentivo ao maior fluxo de capital estrangeiro rumo ao Brasil em busca de melhores rendimentos. Nesse cenário, o preço em real pago pelas importações de bens de consumo, bens de capital e suprimentos destinados à produção fica mais barato, estimulando a importação com preços menores. Portanto, além de impactar na queda dos preços dos bens importa- dos, os produtores nacionais se sentem pressionados a diminuir seus 127Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. preços, para fazer frente à concorrência estrangeira. O resultado é a queda da inflação. O Banco Central tem autonomia, em algumas circunstâncias, para intervir no mercado cambial a fim de impedir a evasão de divisas, com o objetivo de evitar uma valorização agressiva da moeda estrangeira perante o real. Nesse cenário, o banco injeta dólares no mercado, por meio de leilão de swap, aumentado a oferta da moeda estrangeira e acalmando o mercado. De acordo com o Banco Central (2018), essas intervenções visam a prover liquidez e garantir o bom funcionamento do mercado cambial e regime de câmbio flutuante, e a intensidade e a frequência das intervenções dependerão da dinâmica e das disfuncio- nalidades observadas no mercado. 6 Apex De acordo com o Decreto nº 4.584, de 5 de fevereiro de 2013, com- pete à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) a execução de políticas de promoção de exportações em coo- peração com o poder público, inclusive ações para a promoção de in- vestimentos, de acordo com as políticas nacionais de desenvolvimento, particularmente as relativas às áreas industrial, comercial, tecnológica, de agricultura e de serviços (BRASIL, 2013). Com o objetivo de facilitar o acesso das empresas aos mercados in- ternacionais, levando as exportações brasileiras a mais destinos e forta- lecendo a percepção internacional dos investidores e compradores es- trangeiros sobre as empresas, produtos e serviços brasileiros, o modelo de promoção dos negócios adotado pela agência integra as seguintes ações (APEX, [s. d.]b): • Promover iniciativas que permitem o contato direto com parcei- ros de negócios internacionais, auxiliando e apoiando ativamente as empresas brasileiras a expandir seus negócios em mercados 128 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional estrangeiros, além de oferecer soluções para compradores inter- nacionais e investidores estrangeiros, por meio de acompanha- mento especializado e de iniciativas que promovam a oferta ex- portável do Brasil no exterior. • Estabelecer rodadas de negócios para prospectar novos merca- dos, preparando a presença das empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, com o suporte de especialistas locais para aproveitamento das reais oportunidades de negócios. A Apex também disponibiliza em sua página estudos e análises sobre mercados externos, inclusive em relação ao mercado brasileiro, para estimular a atração de investimentos estrangeiros no Brasil. Esses estudos se dividem em quatro campos (Apex, [s. d.]a): • Painéis de inteligência: ferramentas digitais e interativas para auxiliar as empresas na identificaçãode oportunidades de negó- cios e tendências em diferentes mercados globais. Por meio des- sas ferramentas é possível acompanhar a evolução mensal dos indicadores de comércio do Brasil por país parceiro, por produto e por setor, subsidiando os processos de tomada de decisão. • Estudo de mercado: oportunidades de negócios para empresas brasileiras no exterior, divididas por setor e por mercados, inclusi- ve estudos com as oportunidades de exportação para as empre- sas de cada estado e o panorama dos investimentos estrangeiros diretos. • Estudos de investimentos: publicações que apresentam as prin- cipais razões para se investir na economia brasileira, os setores com melhores oportunidades e a estrutura regulatória e legal. • Acesso a mercado: análises sobre as condições de entrada no mercado exterior para empresas brasileiras, com foco em temas regulatórios, tarifários, não tarifários e de padrões privados. 129Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7 Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) O Ministério das Relações Exteriores, também conhecido por Itamaraty, é um órgão da administração direta que tem como área de competência os seguintes assuntos (BRASIL, 2019a): assistir direta e imediatamente o Presidente da República nas relações com Estados estrangeiros e organizações internacionais; política internacional; re- lações diplomáticas e serviços consulares; programas de cooperação internacional; e coordenação das atividades desenvolvidas pelas as- sessorias internacionais dos órgãos e das entidades da administração pública federal. Em relação ao comércio exterior, as atribuições são as seguintes (BRASIL, 2019a): • Participação em negociações comerciais, econômicas, finan- ceiras, técnicas e culturais com Estados estrangeiros e organi- zações internacionais, em articulação com os demais órgãos competentes. • Apoio a delegações, comitivas e representações brasileiras em agências e organismos internacionais e multilaterais. • Promoção do comércio exterior, de investimentos e da compe- titividade internacional do país, em coordenação com as políti- cas governamentais de comércio exterior, incluídas a supervi- são do Serviço Social Autônomo e da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil); além da presidência do Conselho Deliberativo da Apex-Brasil. 130 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional PARA SABER MAIS De acordo com o site do Ministério das Relações Exteriores (BRASIL, [s. d.]) o Palácio Itamaraty foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970. Situado em Brasília, é a sede do Ministério das Relações Exte- riores. Para saber mais acesse o site mencionado (BRASIL, [s. d.]). Considerações finais Neste capítulo, vimos que existe uma presença efetiva do governo federal e de seus ministérios na gestão do comércio exterior brasileiro. Com exceção da Apex, que é uma pessoa jurídica de direito privado, portanto, um agente não interveniente, todos os demais órgãos são pessoas jurídicas de direito público, que, de algum modo e intensidade, utilizando-se de suas atribuições legais, atuam ao lado dos operadores na condução das operações de comércio exterior. Não existem estudos claros que permitam identificar qual é o órgão interveniente mais importantes no comércio exterior brasileiro. O atribu- to da importância não tem sentido, uma vez que não existe relação de hierarquia entre as competências e atribuições estudadas. Referências AGÊNCIA BRASILEIRA DE PROMOÇÃO DE EXPORTAÇÕES E INVESTIMENTOS (APEX). Quero informações sobre os mercados. Apex, [s. d.]a. Disponível em: http://www.apexbrasil.com.br/estudos-exclusivos-de-oportunidades-no- exterior. Acesso em: 2 abr. 2022. AGÊNCIA BRASILEIRA DE PROMOÇÃO DE EXPORTAÇÕES E INVESTIMENTOS (APEX). Relatório de Gestão 2020. Apex, [s. d.]b. Disponível em: https:// portal.apexbrasil.com.br/noticia/apex-brasil-lanca-relatorio-de-gestao-com- resultados-de-2020/. Acesso em: 2 abr. 2022. http://www.apexbrasil.com.br/estudos-exclusivos-de-oportunidades-no-exterior http://www.apexbrasil.com.br/estudos-exclusivos-de-oportunidades-no-exterior https://portal.apexbrasil.com.br/noticia/apex-brasil-lanca-relatorio-de-gestao-com-resultados-de-2020/ https://portal.apexbrasil.com.br/noticia/apex-brasil-lanca-relatorio-de-gestao-com-resultados-de-2020/ https://portal.apexbrasil.com.br/noticia/apex-brasil-lanca-relatorio-de-gestao-com-resultados-de-2020/ 131Comércio internacional no Brasil M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. BANCO CENTRAL DO BRASIL (BC). BC anuncia leilão de SWAP. BC, 2018. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/16559/nota. Acesso em: 11 abr. 2022. BANCO CENTRAL DO BRASIL (BC). Institucional. BC, [s. d.]a. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional. Acesso em: 2 abr. 2022. BANCO CENTRAL DO BRASIL (BC). Perguntas e respostas. BC, [s. d.]b. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/perguntasfrequentes. Acesso em: 2 abr. 2022. BRASIL. Decreto nº 4.584, de 5 de fevereiro de 2013. Institui o Serviço Social Autônomo Agência de Promoção de Exportações do Brasil – APEX-Brasil e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 140, n. 27, p. 2-3, 6 fev. 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/2003/D4584.htm. Acesso em: 2 abr. 2022. BRASIL. Decreto nº 9.683, de 9 de janeiro de 2019. Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério das Relações Exteriores [...]. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 157, n. 7, p. 1-11, 10 jan. 2019a. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9683.htm. Acesso em: 2 abr. 2022. BRASIL. Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019. Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério da Economia [...]. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 157, n. 68, p. 2-61, 9 abr. 2019b. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9745.htm. Acesso em: 28 mar. 2022. BRASIL. Decreto nº 10.044, de 4 de outubro de 2019. Dispõe sobre a Câmara de Comércio Exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 157, n. 194, p. 1-3, 7 out. 2019c. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2019-2022/2019/decreto/D10044.htm. Acesso em: 28 mar. 2022. BRASIL. Instrução Normativa nº 1.273, de 6 de junho de 2012. Institui o Cadastro Aduaneiro Informatizado de Intervenientes no Comércio Exterior e o Registro Informatizado de despachantes aduaneiros e ajudantes de despachante aduaneiro. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 149, n. 110, p. 1, 8 https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/16559/nota https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4584.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4584.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9683.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9683.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9745.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9745.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10044.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10044.htm 132 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional jun. 2012. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ link.action?visao=anotado&idAto=38080. Acesso em: 28 mar. 2022. BRASIL. Ministério da Economia. Organograma do Ministério da Economia. Brasil, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/imagens/ organograma_ministerio-da-economia_marco.pdf. Acesso em: 30 mar. 2022. BRASIL. Ministério da Economia. Portaria nº 284, de 27 de julho de 2020. Aprova o Regimento Interno da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia. Diário Oficial da União: seção 1 (extra), Brasília, DF, ano 158, n. 142-B, p. 1-15, 27 jul. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/ en/web/dou/-/portaria-n-284-de-27-de-julho-de-2020-268758810. Acesso em: 31 mar. 2022. BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. O Palácio Itamaraty. Brasil, [s. d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/palacio-itamaraty. Acesso em: 2 abr. 2022. BRASIL. Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. Portaria nº 13, de 29 de janeiro de 2020. Disciplina os procedimentos administrativos de avaliação de interesse público em medidas de defesa comercial. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 158, n. 21, p. 57-59, 30 jan. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-13- de-29-de-janeiro-de-2020-240570399. Acesso em: 31 mar. 2022. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=38080 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=38080 https://www.gov.br/economia/pt-br/imagens/organograma_ministerio-da-economia_marco.pdf https://www.gov.br/economia/pt-br/imagens/organograma_ministerio-da-economia_marco.pdf https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-284-de-27-de-julho-de-2020-268758810 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-284-de-27-de-julho-de-2020-268758810 https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/palacio-itamaraty https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-13-de-29-de-janeiro-de-2020-240570399 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-13-de-29-de-janeiro-de-2020-240570399 133 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 7 Transporte internacional O objetivo deste capítulo é apresentar as características dos modais de transporte utilizados em todo o mundo, além de mostrar suas vanta- gens e desvantagens. A gestão das atividades de logística internacional é uma área fundamental no comércio exterior brasileiro. Em um mundo globalizado, o profissional que atua, direta ou indiretamente, na área de logística, em especial com transporte internacional, passa a ser uma peça fundamental na movimentação e no transporte de mercadorias destinadas ao exterior, ou dele procedidas. É certo afirmar que não há comércio exterior sem a gestão do trans- porte internacional. As aduanas existem para controlar a entrada e a 134 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional saída de mercadorias do mundo para o mundo. Portanto, a logística internacional, como um todo, é uma área de enorme importância e com grande potencial de crescimento. Se, um dia, mesmo que apenas o transporte internacional deixe de existir, o papel das aduanas como as conhecemos hoje perde seu sentido. 1 Movimentação de cargas via contêineres e paletes Como explica David (2018), antes de 1950 a logística portuária era completamente diferente, estivadores levavam dias para carregar todo tipo de mercadoria dentro dos navios. O processo era terrivelmente ine- ficiente e lento e foi um grande impedimento para muitos fabricantes transportar mercadorias para o exterior, ou mesmo para outras partes do país. Somente no ano de 1956 o contêiner foi introduzido, por iniciati- va do visionário Malcom McLean. Este homem, por anos, observou que a unitização das cargas poderia tornar as operações portuárias mais céleres e eficientes. O contêiner, portanto, como explica Ludovico (2018), é uma caixa com dimensões padronizadas que agrupa diversos itens com o objetivo de aumentar a segurança e facilitar o manuseio da carga, reduzindo os riscos durante o transporte e melhorando significativamente os valores dos fretes e do prêmio do seguro, uma vez que a carga é transportada com mais segurança e proteção. Ludovico destaca que o contêiner não se confunde com a embalagem, portanto seu peso ou volume externo não é computado no frete. 1.1 Tipos de contêiner Os tipos mais comuns de contêiner apresentam dois tamanhos padro- nizados, 20 pés e 40 pés. Esses equipamentos são projetados para trans- portar todo tipo de carga, como carga solta, unitizada e a granel (líquida 135Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ou seca). Esses equipamentos se desenvolveram com algumas carac- terísticas para acomodar mercadorias com características específicas. Entre esses tipos de contêiner, os mais usuais são: contêiner pa- drão de 20 pés (em inglês, twenty foot equivalent unit – TEU), ou 40 pés de comprimento; contêiner open top (aberto em cima); contêiner flat rack (com cabeceiras); contêiner platform (sem cabeceiras); contêiner ventilated (ventilado); refrigerated (refrigerado); bulk contêiner, utiliza- do para granéis secos; e tank contêiner, utilizado para granéis líquidos. A figura 1 mostra o contêiner flat rack (com cabeceiras). Figura 1 – Contêiner flat rack (com cabeceiras) Como destaca Sousa (2021), em relação à altura, existem contêine- res de 8,6 pés (2,62 m), com altura útil interior de 2,39 m; e de 9 pés (2,74 m). Há também os contêineres high cube (alta cubagem), com 2,695 m de altura útil interior. O peso máximo suportado por um contêiner de 20 pés é de 30 toneladas, e o de 40 pés suporta até 36 toneladas, descon- tando-se a tara, que gira em torno de 2 a 4 toneladas. As informações de peso e volume máximos suportados estão identi- ficadas na porta do contêiner. O volume máximo em contêineres de 20 pés é de 33,16 metros cúbicos e em contêineres de 40 pés é de 67,63 136 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional metros cúbicos em contêineres high cube. Sua movimentação, entre- tanto, depende das restrições rodoviárias e portuárias,inclusive em re- lação aos guindastes com restrição de levantamento de peso. 1.2 Movimentação de cargas via contêiner Os contêineres podem ser movimentados das seguintes formas (LUDOVICO, 2018): • House to house: a mercadoria é estufada nas instalações do ex- portador e desovada no estabelecimento do importador (figura 2). • House to pier: a mercadoria é estufada nas instalações do expor- tador e desovada no terminal marítimo. • Pier to house: a mercadoria é colocada no contêiner no terminal marítimo por conveniência do armador ou solicitação do exporta- dor e desovada no estabelecimento do importador. • Pier to pier: a movimentação do contêiner se restringe entre os terminais de embarque e desembarque. Figura 2 – Movimentação do contêiner (house to house) Exportador Ova Desova Importador Em relação ao transporte terrestre do contêiner, Ludovico (2018) explica que deve ser realizado por equipamento especial e adequado 137Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. denominado chassi porta-contêiner, pois proporciona melhor seguran- ça em função dos pinos de engate que o prendem (figura 3). Figura 3 – Chassi porta-contêiner 1.3 Movimentação de cargas via paletes Palete (pallet) é uma plataforma destinada a suportar cargas, que permite a movimentação mecanizada destas por meio de empilhadei- ras, paleteiras, garfos, ou, eventualmente, com o auxílio de outros dispo- sitivos, como barras ligadas, esteiras de roletes, colchões de ar e outros (LUDOVICO, 2014). Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2008), palete é definido como uma plataforma a destinar cargas, permitindo sua movimentação mecânica por meio de garfo rodante. Os paletes foram largamente utilizados durante as operações milita- res da segunda guerra mundial, na Europa e no Pacífico, em função da: Urgência em reformular todos os procedimentos de manuseio praticamente do dia para a noite, para que pudessem atender aos esforços de guerra e possibilitar que menos soldados manuseas- sem mais produtos, liberando-os para suas operações militares. (CORREIA, 2013) 138 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Correia (2013) destaca que o impacto do palete na movimentação das cargas, em função da invenção e evolução das empilhadeiras, pro- moveu uma revolução nas operações, aumentando a eficiência e a pro- dutividade de maneira extraordinária nos transportes terrestres e aqua- viários, em particular nos modais ferroviários e marítimos. Ludovico (2014) também assinala que o palete funciona como uma alternativa eficiente de unitização, a qual facilita a movimentação, o transporte e a armazenagem das cargas. Os paletes, como explica Sousa (2021) são movimentados por em- pilhadeiras, que podem ser elétricas, a gás (GLP), a gasolina, a diesel ou manuais. Existem vários tipos de empilhadeiras, classificados confor- me a carga máxima que pode ser levantada e a altura vertical. O palete também pode movimentar os acondicionadores denomina- dos big bags (figura 4), que são recipientes flexíveis para cargas secas em pó, com alças reforçadas e que permitem sua movimentação e ma- nuseio por empilhadeira, unitização em paletes e contêineres, transpor- te como carga geral e possibilidade de utilização direta na alimentação do processo produtivo, bem com sua recuperação para uso posterior (CORREIA, 2013). Figura 4 – Palete com big bag 139Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 1.4 Vantagens e manuseio no uso de paletes Algumas das vantagens propiciadas pelo uso dos paletes, de acor- do com a National Wooden Pallet & Container Association, citada por Ludovico (2014) são: melhor utilização dos espaços verticais; redução de acidentes pessoais na substituição da movimentação manual pela movimentação mecânica; economia de 40 a 45% no custo da movimen- tação em decorrência da paletização. Além disso, os paletes carregados permitem a ventilação entre as mercadorias tanto nos depósitos como durante o transporte; e o tempo de movimentação é reduzido, pois há a economia por homens/hora na eliminação dos tempos ociosos. Em relação ao manuseio, Ludovico (2014) explica alguns cuidados que devem ser tomados para conservar o palete: • A distribuição e o planejamento da carga no palete são importan- tes para evitar danos nas embalagens; além disso, deve-se evitar partidas rápidas, freadas bruscas, trancos e curvas rápidas, pois desestabilizam a unidade de carga, solicitando maior resistência das embalagens e dos paletes. • No carregamento do caminhão, as cargas não devem ser arras- tadas, evitando com isso a danificação do palete ou da carroceria dos veículos; além disso, o operador deve conhecer a capacidade da empilhadeira ou paleteira que irá movimentar as cargas; a fim de evitar danos ao equipamento ou à unidade de carga. De acordo com a ABNT (2008), existem vários tipos de paletes que podem variar em relação as suas dimensões e modelos. A figura 5 ilus- tra um modelo de palete de duas entradas, que permite a introdução do garfo rodante (garfo girante) de uma empilhadeira por dois lados opos- tos (ABNT, 2008). 140 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 5 – Pallet de duas entradas Os paletes podem ser fabricados praticamente em quaisquer mate- riais e dimensões. Os tamanhos utilizados variam conforme o país de origem e o de destino das cargas. Por exemplo, nos Estados Unidos, são comuns os paletes nas dimensões 32 × 40 polegadas, 36 × 42 pole- gadas e 48 × 48 polegadas. Já na Austrália, o padrão tem as dimensões de 46 × 46 polegadas (CERQUEIRA, 2018). PARA SABER MAIS Como explica Sousa (2021), o padrão de 1.000 mm x 1.200 mm é deno- minado palete BR, utilizado para o transporte de mercadorias destina- das ao mercado brasileiro. O Euro pallets tem medidas padronizadas de 800 x 1.200 mm e é utilizado no transporte internacional, especialmen- te na União Europeia. Para mais especificações sobre os paletes PBR, acesse o site Abrapal. Além dessa associação, pesquise a norma NBR 8.254 da ABNT, que define os termos e definições a serem empregados em relação aos paletes. 141Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2 Tipo de carga: unitizada, granel e individual De acordo com Correia (2013, p. 5) carga é: Todo produto devidamente protegido por uma embalagem com características técnicas adequadas ao meio de transporte técni- ca e economicamente viável, considerando-se ainda métodos de manuseio e estocagem que devem ocorrer entre sua origem e seu destino final, ou seja, o local exigido pelo cliente. As cargas são classificadasem dois grupos: 1) carga a granel e 2) carga geral, que se subdividem em carga unitizada e individual (solta). (figura 6). • Granel: são cargas volumosas e não manufaturadas, basicamen- te, a matéria-prima extraída da natureza, incluindo os produtos do reino vegetal e do reino animal, e as commodities, que possuem baixo valor agregado. O manuseio, o transporte e a armazena- gem em grandes volumes conferem a estes produtos uma ca- racterística particular, exigindo soluções especificas (sem o uso da embalagem) à preservação das suas características físicas, químicas ou biológicas (CORREIA, 2013, p. 21). • Unitizada: cargas que são agrupadas a partir de volumes menores para formar um novo volume “indivisível para efeito de manuseio, transporte e armazenagem” (CORREIA, 2013, p. 20). As formas de unitização são: paletização, conteinerização e pré-lingagem. • Individual (solta): são as cargas não unitizadas, isto é, emba- ladas, manuseadas e embarcadas separadamente no veículo transportador, como sacos, pacotes, fardos e outros. De acordo com Correia (2013), o manuseio de cargas soltas compromete a produtividade dos operadores de transporte, elevando os custos de frete, em comparação com as cargas a granel e unitizada. 142 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Figura 6 – Classificação dos tipos de carga Carga Granel Geral Sólida Unitizada Líquida Individual Fonte: adaptado de Correia (2013). 3 Modais de transporte e o impacto econômico e comercial É certo afirmar que a importância dos modais de transporte para o desenvolvimento da atividade econômica e comercial de um país é imprescindível. Todavia, a eficiência nos serviços logísticos, qualquer que seja o modal, depende de um conjunto de fatores, e não somente dos meios de transporte em si. Esses fatores referem-se à estrutura da matriz de transportes como um todo: a qualidade dos portos e dos ae- roportos; a extensão e densidade da malha ferroviária e rodoviária; além da manutenção das dutovias. De nada adianta investir em caminhões de última geração, se as ro- dovias nacionais são esburacadas, sem citar a falta de segurança, pe- dágios caros, entre outros fatores. Todos esses elementos impactam negativamente na eficácia e eficiência dos serviços de transporte, cul- minado em resultados negativos, como: danos, roubo ou furto da carga 143Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. transportada, elevação dos preços do seguro de transporte e elevação nos preços de frete, corroborando para o aumento da inflação. IMPORTANTE Em março de 2022, a Confederação Nacional de Transportes (2022), com base em dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- tística (IBGE) divulgou que o produto interno bruto (PIB) de 2021, no que se refere à parcela específica do transporte, cresceu 11,4% em relação a 2020. Importante destacar que o PIB agregado cresceu, em 2021, 4,6% em relação a 2020. 4 Rodoviário Esta modalidade é utilizada seja no trânsito interno de mercadorias, entre instalações produtivas ou agropecuárias, seja em estações adua- neiras do interior e estações aduaneiras de fronteira, como no transporte internacional para países limítrofes do Brasil e para o Chile (SOUSA, 2022). O transporte rodoviário internacional oferece algumas vantagens destacadas por Sousa (2022), entre elas: a embalagem é pouco ma- nuseada durante o percurso, principalmente quando se trata de truck load, ou carga fechada, que permite entregas porta a porta. No caso de cargas less than a truck load, ou cargas consolidadas, o manuseamento é menor, visto que as operações de carga e descarga são normalmente realizadas nas instalações do transportador. As desvantagens são: a suscetibilidade a acidentes, roubos e demoras por causa de congestio- namentos ou restrições de circulação em horários específicos por im- posição de rodízio; pedágios caros; estradas em más condições, além da poluição (SOUSA, 2022). Segundo dados apresentados pela Texaco Lubrificantes [s. d.], existem basicamente duas categorias de caminhões, classificadas 144 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional basicamente pelo tipo de carroceria e capacidade de carga. Essas ca- tegorias dividem-se em: 1) caminhões para cargas leves; 2) caminhões para cargas pesadas. Os caminhões de carga leve são apropriados para transporte em trechos urbanos, medem entre 6 e 14 m de comprimento e tem capacidade de transportar até 23 t. Servem, por exemplo, para a distribuição de alimentos; o recolhimento de lixo; a entrega de gás, etc. Podem possuir 1 eixo ou eixo duplo. Os caminhões de carga pesada são mais potentes, de acordo com a Texaco Lubrificantes [s. d.]. São considerados carretas, pois têm uma cabine, denominada cavalo mecânico, e apresentam de maneira sepa- rada o módulo de carga (semirreboque), que precisa necessariamente de um cavalo mecânico para a sua sustentação. Esses módulos podem ser fechados, por exemplo, o caminhão-baú e o caminhão-tanque, para transporte de carga líquida; ou os módulos abertos, como os cegonhei- ros, para transporte de veículos, e os caminhões plataformas, para car- regar maquinários. 5 Ferroviário De acordo com Sousa (2021), o modal ferroviário é indicado para transportes de produtos de baixo valor agregado, em grandes quantida- des e a longas distâncias, como minérios e commodities agrícolas. As cargas mais comumente transportadas no transporte ferroviário são: minério de ferro, produtos siderúrgicos, grãos (soja, milho, trigo), açúcar, cimento, cal, adubos, fertilizantes, derivados de petróleo e contêineres (BITTAR, 2020). O quadro 1 lista as vantagens e desvantagens desse modo de transporte: 145Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Vantagens e desvantagens do transporte ferroviário VANTAGENS DESVANTAGENS • Grande capacidade de carga • Adequado para grandes distâncias • Vias livres de congestionamentos • Melhor eficiência energética e redução da poluição • Baixo custo de transporte • Risco reduzido de acidentes, riscos e roubos • Transporte lento em decorrência das operações de carga e descarga • Mercadoria sofre mais manipulação e transbordos • Baixa flexibilidade, com pequena extensão da malha • Alto custo de implantação e manutenção • Baixa integração entre os estados Fonte: adaptado de Bittar (2020) e Sousa (2021). A desvantagem da baixa integração entre os estados refere-se à co- nexão entre trechos com diferentes bitolas, que é a distância medida entre dois trilhos de uma linha férrea, o que causa gargalos no sistema e aumenta o custo operacional. Existem diferentes bitolas que compõem a malha ferroviária nacional, as bitolas de 1,6 m estão concentradas na região Sudeste, e as mais estreitas, de 1 m, cobrem a quase totalidade do sistemaferroviário brasileiro (SOUSA, 2021). 6 Dutoviário De acordo com Silva (2018), o modo de transporte dutoviário é o meio mais adequado para transportar produtos líquidos e gasosos, principalmente petróleo, gás natural, álcool e produtos químicos. Além disso, pode também ser utilizado para transporte de minérios e água, como fonte de serviço público prestado à sociedade. Algumas das vantagens e desvantagens desse meio de transporte destacadas por Silva (2018) estão expressas no quadro 2. 146 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Quadro 2 – Vantagens e desvantagens do transporte dutoviário VANTAGENS DESVANTAGENS • Menores custos operacionais com transporte e pessoal e baixo custo de energia; alto grau de confiabilidade, refletindo em menores perdas e maior proteção da carga contra roubo, acarretando redução no pagamento de prêmios de seguro da carga transportada • Elimina, ou minimiza, quando há necessidade de intermodalidade até o destino final do produto, o uso de veículos de transporte em zonas urbanas, além de facilitar o processo de embarque e descarga do produto e reduzir a necessidade de armazenamento de carga • Transporta grande quantidade de produto de forma contínua, com interrupções somente para manutenções • Minimiza o risco de impacto ambiental e contribui para o desenvolvimento sustentável • Necessita de alto capital de investimento para as obras de construção e instalação das estações de transferência e de controles; dependendo do tipo de produto, do diâmetro do duto e da topografia do terreno • As dutovias não são flexíveis e são limitadas em relação à natureza do material a ser transportado • Apresenta baixa flexibilidade de rota, condição que pode ser impeditiva para seu uso por não ser condizente com os pontos de produção e de consumo. Por isso, é adequado a materiais que mantenham sua demanda restrita a pontos fixos Fonte: adaptado de Silva (2018). 6.1 Gasoduto Bolívia-Brasil O gasoduto Bolívia-Brasil teve o início das operações em 1999. Sua extensão total é de 3.150 km, 557 deles localizam-se na Bolívia e 2.593, no Brasil. Inicia-se na localidade boliviana de Rio Grande, 40 km ao sul de Santa Cruz de la Sierra, um povoado com apenas 400 habitantes de origem indígena, e se estende por 557 km até Porto Suarez, na fronteira com o Brasil. O gasoduto entra em solo brasileiro por Corumbá (MS) atravessando cerca de 5 mil propriedades em 136 municípios, distribuí- dos pelos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (TBG, [s. d.]). 147Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7 Aeroviário O modo de transporte aéreo é utilizado em função de algumas van- tagens, entre elas: rápida velocidade no tempo de entrega e maior se- gurança da carga em relação à furtos, quando comparado aos demais modais de transporte. Sobre às desvantagens do transporte aéreo, Sousa (2021) destaca o preço elevado do frete e as restrições para al- guns tipos de produtos em função da sua natureza, peso e volume. Os fatores que influenciam o valor do frete de cargas, tanto no transporte internacional como no interior de um país, estão expressos no quadro 3. Quadro 3 – Fatores que influenciam o valor do frete aéreo Valor da mercadoria Natureza da carga (perecível, radioativo, etc.) Peso e volume Grau de sustentabilidade a furto e avaria Quantidade Milhagem percorrida entre aeroportos Manuseio Fonte: adaptado de Ludovico (2013). O transporte de cargas por via aérea, inclusive o internacional, pode ser realizado basicamente por dois tipos de aeronaves: aviões de pas- sageiros e cargueiros. Segundo David (2018), cada tipo apresenta algu- mas vantagens e desvantagens (quadro 4). 148 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Quadro 4 – Vantagens e desvantagens dos tipos de aeronave Cargueiro Vantagens: oferecem um serviço regular no qual é possível transportar carga conteinerizada e paletizada. Em algumas aeronaves desse tipo, a carga pode ser carregada por uma enorme porta lateral, ou pelo nariz (parte frontal) Desvantagens: alguns modelos são antigos e barulhentos, o que pode causar transtornos com vizinhos próximos a aeroportos localizados em espaços urbanos Passageiros Vantagens: quase todos os aviões de passageiros transportam cargas, o que possibilita uma variedade de rotas diariamente Desvantagens: a carga divide o espaço com as bagagens dos passageiros, em certas ocasiões, pode ser transportada solta (não paletizada). Muitos itens não são aceitos em aeronaves de passageiros, devendo ser transportados apenas em cargueiros. Além disso, as portas são pequenas, o que compromete o carregamento de algumas mercadorias Fonte: adaptado de David (2018). 8 Aquaviário: lacustre, fluvial, marítimo e cabotagem O transporte aquaviário pode ser de navegação de longo curso, isto é, em mar aberto (marítimo). O transporte aquaviário por cabotagem ocorre quando a navegação ocorre próxima à costa do país, com terra à vista, ou ainda, por meio de rios (fluvial) ou lagos (lacustre). O transporte marítimo de longo curso aplica-se a cargas de grandes dimensões e peso, conteinerizadas ou soltas, geralmente de baixo valor agregado. De acordo com a Agência Transporta Brasil, existem navios porta- -contêineres que podem transportar até 500 mil toneladas de carga útil, distribuídas em 24.000 contêineres de 20 pés, como o HMM Algeciras, com 400 m de comprimento e 61 m de largura, do armador Hyundai Merchant. Existem outros tipos de navios apropriados para cargas específicas, como os graneleiros e petroleiros, além dos que são exclusivamente para cargas vivas. Algumas das vantagens e desvantagens do transpor- te marítimo de longo curso, destacadas por Sousa (2021), estão lista- das no quadro 5. 149Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 5 – Vantagens e desvantagens do transporte de longo curso VANTAGENS DESVANTAGENS • Grande capacidade de carga • Pode transportar cargas de grandes tamanhos • Baixo custo de transporte para grandes distâncias • Transporta diversos tipos de cargas • Transporte lento • Necessidade de portos/alfândegas, normalmente mais demorados que as fronteiras terrestres • Maior imprevisibilidade em relação às datas de chegada e de partida Fonte: adaptado de Silva (2018). 9 Tecnologia para as empresas no transporte internacional e sua gestão Existem tecnologias modernas que inovam a maneira de monitorar o transporte de mercadorias. Destacamos duas, explicadas a seguir: • Roteirizador com conexão GPS (sistema global de posicio- namento): Sousa (2021), ao citar os autores Verci Goulart e Alexandre de Campos, explica que a tecnologia GPS, quando apli- cada a veículos de transporte de cargas, é uma ótima ferramenta de suporte às açõesde logística empresarial e gerenciamento de risco. A integração de sistemas embarcados compostos por GPS e equipamentos de comunicação facilitam a comunicação entre veículos, contribuindo para otimizar a eficiência da operação ao aumentar a segurança e alertar para eventuais fatores de risco. • Identificação por rádio frequência (radio frequency identifica- tion – RFID): segundo uma pesquisa realizada por Ferreira (2013), a tecnologia RFID, como no sistema de código de barras, é utili- zada para a identificação de objetos e até mesmo de seres vivos (figura 7). De acordo com a pesquisa, a RFID oferece algumas vantagens, entre elas: não precisar de contato direto para leitura da etiqueta; ser capaz de ler objetos simultaneamente; capacida- de para armazenar maior quantidade de dados; possibilidade de interface com sensores ambientais e fontes de dados digitais. 150 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional No entanto, apesar das vantagens, outros pontos desfavorecem a adoção da tecnologia, como: invasão de privacidade, bloqueio de sinais por substâncias (metais, líquidos ou corpo humano), custos significativos de implantação e falta de padronização de frequências (FERREIRA; CUGNASCA, 2013). Figura 7 – Etiqueta de RFID Essa tecnologia pode ser utilizada nas mais diversas áreas, por exemplo, na leitura e conferência de caixas e paletes, sem a necessida- de de abrir os volumes ou desmontar a carga unitizada; no controle de estoques para monitorar o vencimento de produtos; no rastreamento de furtos; e no monitoramento durante o transporte de cargas perecíveis que requerem controle de temperatura. 10 Tecnologia para a gestão da rede logística internacional A tecnologia é aplicada nos mais diversos setores de uma empre- sa, desde o processo de produção, armazenamento e distribuição de uma mercadoria; ou, ainda, na obtenção de dados de mercado durante 151Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. a etapa pós-venda, para determinar se as necessidades do consumidor estão sendo atendidas e alinhadas com as estratégias de vendas da empresa. Não é de se admirar o uso da tecnologia para alavancar a efi- ciência da gestão das operações logísticas, com o objetivo de diminuir custos e melhorar a responsabilidade em suas redes de transporte. A seguir, destacamos dois sistemas utilizados para monitorar e gerenciar as operações logísticas: • Warehouse management system (WMS): de acordo com Martins et al. (2010), trata-se de um sistema de gestão de armazéns e/ou de centros de distribuição que otimiza o fluxo de materiais e de informações dentro do processo de armazenagem, incluindo ati- vidades como: recebimento, inspeção, endereçamento, armaze- nagem, separação, embalagem, carregamento, expedição, emis- são de documentos e controle de inventário. O sistema permite, segundo os autores, melhorar os fluxos de informação e de ma- teriais dentro de um depósito; reduzir custos, além de melhorar a operação e o nível de serviço prestado aos clientes. • Order management system (OMS): de acordo com Trindade (2021), trata-se de um sistema de gestão de pedidos responsável por gerir a entrada e o processamento de pedidos feitos por clien- tes para a empresa que utiliza o sistema. São vários os benefícios proporcionados por esse software, entre eles: a entrada de dados reduzida, o que significa menos potencial para erros e a rastrea- bilidade dos pedidos por todos os usuários envolvidos; além de facilitar a tomada de decisões por meio dos painéis de análise. Como explica Sousa (2021), a utilização desses softwares garante maior assertividade no planejamento de transportes, além de otimizar o processo de distribuição, pois, ao compartilhar informação em tempo real, permite agilizar atividades de coleta e entrega, indicar a rota mais adequada ou mesmo gerenciar eventuais ocorrências no decorrer dos percursos. 152 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Considerações finais Neste capítulo, vimos que não existe o transporte internacional per- feito. Se houvesse, todos os operadores de logística, nacional ou inter- nacional, optariam por ele. Cada uma das modalidades de transporte estudadas, portanto, apresenta características especificas, com suas vantagens e desvantagens, que se adequam melhor às especificidades de determinadas cargas. Nesse sentido, é relativamente fácil perceber que é mais lógico exportar 80 mil toneladas de soja para a China por via marítima. Da mesma maneira, percebemos que não tem sentido impor- tar da Índia, por via marítima, mil unidades de uma determinada vaci- na, que, além do relativo peso reduzido, possui alto valor agregado, em comparação com a soja. Além disso, há uma outra variável importante que não pode ser descartada, a urgência na entrega. Não se exportam milhares de toneladas de milho por via aérea, nem milhões de metros cúbicos de gás por caminhão. Entretanto, em algu- mas circunstâncias, a depender do conjunto de características de uma determinada carga a ser embarcada, como: o volume; a quantidade; o peso bruto; o valor agregado da mercadoria; o tempo de entrega ao destinatário final; e o valor do frete a ser cobrado pelo transportador, a opção pela modalidade de transporte adequada pode ser um desafio, e cabe ao gestor da operação escolher e decidir qual é a mais vantajosa, para não comprometer os negócios com seu parceiro comercial. Destacamos também a importância do uso da tecnologia aplicada à logística, a qual facilita a vida dos usuários, ao promover facilidades aos gestores ou gerentes que operam na área. 153Transporte internacional M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ANDRADE, L. H. D. Os maiores navios cargueiros do mundo em 2021. Agência Transporta Brasil, 2021. Disponível em: https://www.transportabrasil.com. br/2021/05/os-maiores-navios-cargueiros-do-mundo-em-2021/. Acesso em: 12 abr. 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 8254: paletes: terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2008. BITTAR, A. V. Redes logísticas e logística internacional. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. CERQUEIRA, R. S. Administração de bens materiais e bens patrimoniais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2018. CORREIA, G. M. Sistemas de transportes de cargas: a carga e a embalagem e transporte. Osasco: Edifieo, 2013. DAVID, P. Logística internacional: gestão de operações de comércio internacional. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2018. FERREIRA, M. M.; CUGNASCA, C. E. Logística e RFID: casos e aplicações. In: XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 33, 2013. Bahia, 8 a 11 de outubro de 2013. Disponível em: http://www.abepro.org.br/ biblioteca/enegep2013_tn_stp_177_009_21843.pdf. Acesso em: 13 abr. 2022. LUDOVICO, N. Logística de transportes internacionais.2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. LUDOVICO, N. Logística internacional: em enfoque em comércio exterior. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. MARTINS, V. W. et al. Sistemas de gerenciamento de armazéns WMS (Warehouse Management Systems): estudo de caso em uma empresa do setor alimentício. In: XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 30., 2010. São Carlos, 12 a 15 de outubro de 2010. Disponível em: http://www. abepro.org.br/biblioteca/enegep2010_tn_stp_113_741_14863.pdf. Acesso em: 13 abr. 2022. 154 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional SILVA, M. A.; SILVA, R. V. Gestão de transportes e infraestrutura. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2018. SOUSA, J. M. Gestão de transportes e distribuição. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021. SOUSA, J. M. Logística internacional. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2022. TBG. Informações técnicas do gasoduto. TBG, [s. d.]. Disponível em: https:// www.tbg.com.br/informa%C3%A7%C3%B5es-t%C3%A9cnicas-do-gasoduto. Acesso em: 13 abr. 2022. TEXACO LUBRIFICANTES. Tipos de caminhões: tamanhos e capacidades. Texaco Lubrificantes, [s. d.]. Disponível em: https://blog.texaco.com.br/ursa/ tipos-de-caminhoes-e-capacidades/. Acesso em: 10 abr. 2022. TRINDADE, H. O que é Order Management System (OMS)?. Ciência&Negócios. com, 2021. Disponível em: https://cienciaenegocios.com/o-que-e-order- management-system-oms/. Acesso em: 13 abr. 2022. 155 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 8 Modus operandi da exportação e importação O objetivo deste capítulo é apresentar os documentos utilizados nas operações de comércio exterior e os principais procedimentos das ope- rações ao importar ou exportar uma mercadoria. Essas operações são atualmente registradas eletronicamente no Portal Único do Comércio Exterior, o que facilita a atividade de todos os operadores que atuam na área. Todavia, continua a existir uma grande quantidade de normas aduaneiras e administrativas, muitas delas prolixas e burocráticas, e algumas delas são citadas no decorrer do capítulo. 156 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 1 Documentação para o trânsito em comércio internacional Existem alguns documentos que são indispensáveis para o embar- que de mercadorias, sejam procedentes do exterior ou a ele destinadas. Essa documentação, além de acompanhar o embarque internacional de mercadorias, será utilizada para o cumprimento das formalidades do despacho aduaneiro, seja de importação, seja de exportação. 1.1 Commercial invoice A fatura comercial é o documento de natureza contratual que espe- lha a operação de compra e venda entre o importador e o exportador estrangeiro. De acordo com o estabelecido no artigo 557, do Decreto nº 6759/2009, neste documento devem constar as seguintes indicações: nome e endereço do exportador, fabricante e importador; em relação à mercadoria, especificação em português ou em idioma oficial do GATT; marca; numeração; quantidade e espécie dos volumes, peso bruto e líquido; país de origem; país de aquisição; país de procedência; preço unitário e total; custo de transporte internacional; condições e moeda de pagamento; e o Incoterm® (BRASIL, 2009). 1.2 Packing list O romaneio de carga, como também é denominado, discrimina to- das as mercadorias embarcadas ou todos os componentes de uma carga em quantas partes estiver fracionada. Esse documento detalha como a mercadoria está apresentada, a fim de facilitar a identificação e a localização de qualquer produto dentro de um lote, além de agilizar a conferência aduaneira, tanto no embarque como no desembarque. Devem constar no romaneio os seguintes elementos: quantidade total 157Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. e identificação dos volumes; além da espécie de embalagens, contendo peso líquido, peso bruto, dimensões unitárias e o volume total da carga (BRASIL, 2020a). 1.3 Conhecimento de embarque Denominado também de conhecimento de carga, conhecimento de transporte ou conhecimento de frete, esse documento, como explica Sousa (2020) é emitido pelas companhias transportadoras ou conso- lidadoras de carga que atestam o recebimento da carga, as condições de transporte e a obrigação de entrega das mercadorias ao destinatá- rio legal, no ponto de destino preestabelecido. É também um recibo de mercadorias, um contrato de entrega e um documento de propriedade, constituindo assim um título de crédito. As companhias consolidadoras referem-se aos agentes de carga (freight forwarders), que atuam no transporte por meio da consolidação de cargas diversas, pertencentes a diversos consignatários, para pos- terior desconsolidação, acarretando com esse procedimento uma eco- nomia de custo (COIMBRA, 2009). Para cada modalidade de transpor- te, esse documento recebe denominações específicas: conhecimento de transporte rodoviário (CRT); conhecimento de transporte ferroviário (CTF); para o transporte marítimo, bill of lading (BL); e o airway bill (AWB) para o aéreo. 1.4 Certificado de origem De acordo com a cartilha ABC das Regras de Origem, publicada pelo Ministério da Economia, o certificado de origem é o documento necessário para que determinadas mercadorias se beneficiem de tra- tamento tarifário preferencial. Nesse documento, o emissor, no país de origem, informa às autoridades competentes do país de destino, que a mercadoria exportada cumpre com todos os critérios e regras de 158 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional origem estabelecidos em determinado acordo de comércio internacio- nal (BRASIL, 2017a). Portanto, esse documento atesta a origem da mer- cadoria para fins de benefícios de redução, parcial ou total, do imposto de importação, caso o produto importado conste na lista de produtos originados de países que tenham celebrado acordo de comércio inter- nacional com o país de destino. É comum designar o país de embarque da mercadoria como se fosse o país de origem, entretanto são coisas distintas. Uma mercadoria pode ter sido produzida em Israel, mas embarcada diretamente para o Brasil (qualquer que seja a modalidade de transporte) a partir de um terceiro país, por exemplo, dos Estados Unidos. Nesse caso, considera-se Israel como o país de origem da mercadoria, e os Estados Unidos como o país de procedência. Nesse sentido, para fins de definição legal de país de origem, de acordo com o disposto na redação do artigo 557,inciso VIII do Decreto nº 6.759/2009, é aquele onde houver sido produzida a mercadoria ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial. 1.5 Documentos complementares Outros documentos complementares poderão ser utilizados nas operações de comércio exterior com base nas especificidades da mer- cadoria a ser importada ou exportada. Por exemplo, na importação de máquinas, equipamentos, aparelhos, entre outros, na condição de usa- do, desde que não seja produzido no país, a Subsecretaria de Operações de Comércio Exterior (Suext) exige que seja encaminhado, por meio ele- trônico, catálogo técnico ou memorial descritivo do produto a importar. Essa exigência está prevista nos termos do artigo 44 da Portaria Secex nº 23/2011 e deverá ser feita até a data do registro do pedido de licen- ça de importação, no portal do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) (BRASIL, 2011). 159Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2 Fatura proforma Trata-se de um documento emitido pelo vendedor, antes do embar- que da mercadoria. É uma cotação Internacional que inclui a descrição comercial e as especificidades da mercadoria (descrição, quantidade, peso líquido e bruto, dimensões da carga solta ou unitizada) e as con- dições de venda, quais sejam: Incoterms® 2020; modalidade de paga- mento; prazo para embarque; modalidade de transporte; entre outras. Caso o importador aceite as condições da proforma, isto é, autorize o embarque da mercadoria, esse documento passa a ter força de contra- to internacional, sendo que todas as condições devem ser cumpridas pelo exportador. NA PRÁTICA A proforma é utilizada pelos importadores e exportadores para várias finalidades práticas, por exemplo, para orçamento de frete internacional juntos aos operadores logísticos; contratação de seguro de transporte internacional; contratação do câmbio, no caso da modalidade de pa- gamento antecipado; solicitação de abertura de carta de crédito junto ao banco, se essa for a modalidade de pagamento negociada entre o comprador e vendedor; e como documento base para preenchimento da licença de importação, quando for o caso. 3 Exportação Uma exportação integra várias etapas, por exemplo, a fase da ne- gociação com o importador (comprador) com base em tratativas em relação ao Incoterm®; modalidade de transporte; prazo para embarque; condição de pagamento e preço de exportação. Do ponto de vista admi- nistrativo e aduaneiro, a decisão pela classificação fiscal da mercadoria 160 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional que se pretende exportar; a análise do tratamento administrativo e as formalidades relativas ao despacho de exportação para fins de de- sembaraço aduaneiro. Pela perspectiva estratégica, deve-se realizar a adaptação dos 4Ps ao mercado estrangeiro (preço, praça, produto e promoção), entre outros elementos associados à estratégia de interna- cionalização e de marketing internacional. Todas essas e outras etapas possuem particularidades e caracterís- ticas especificas e poderiam ser ilustradas em um enorme fluxograma. Entretanto, o objetivo deste livro não é detalhar o processo de exporta- ção por completo, mas apontar os elementos essenciais, a seguir expli- cados, especialmente em relação à formação de preço na exportação. 4 Siscomex: módulo exportação O Siscomex é um instrumento administrativo que integra as ativi- dades de registro, acompanhamento e controle das operações de co- mércio exterior, inclusive exportação. Foi instituído pelo Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, e constituiu extraordinário avanço, ao informatizar os controles existentes, que eram realizados por meio de declarações em papel, carimbos e assinaturas. Atualmente, o aces- so ao Siscomex, módulo exportação, é realizado pelo Portal Único do Comércio Exterior. 5 Formação de preços na exportação O governo brasileiro disponibiliza uma plataforma denominada Simulador de Preço na Exportação, onde é possível precificar a merca- doria que se deseja exportar. A metodologia do cálculo de acordo com essa plataforma está descrita nos tópicos a seguir (BRASIL, 2010). Em primeiro lugar, eliminam-se todos os componentes que se en- contram agregados ao preço de mercado interno e que não ocorrerão 161Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. na exportação do produto, como: tributos, lucro, embalagem de merca- do interno, entre outros. Na segunda etapa, adicionam-se ao resultado anterior os componentes que não faziam parte do preço interno, mas que deverão compor o preço de venda para o exterior, isto é: embalagem para exportação, a depender do Incoterm®; o transporte internacional; seguro internacional; entre outros. Ao final, acrescenta-se o percentual do lucro desejado na exportação, conforme exposto na tabela 1. Tabela 1 – Roteiro da formação de preço de exportação com base na condição CIF PREÇO DO PRODUTO NO MERCADO INTERNO (SEM IPI) R$ 90.000,00 VALORES A SEREM DEDUZIDOS Lucro de 20% no mercado interno a ser calculado sobre o preço sem o IPI R$ 18.000,00 Embalagem para vendas no mercado interno R$ 100,00 Despesas com marketing interno R$ 200,00 ICMS de 18% a ser calculado sobre o preço sem o IPI R$ 16.200,00 PIS/Pasep de 2,1% a ser calculado sobre o preço sem o IPI R$ 1.890,00 Cofins de 3,6% a ser calculado sobre o preço sem o IPI R$ 3.240,00 TOTAL DE DEDUÇÕES R$ 39.630,00 SUBTOTAL R$ 50.370,00 ELEMENTOS ASSOCIADOS À EXPORTAÇÃO (INCOTERM® 2020 CIF) VALORES A SEREM SOMADOS AO VALOR DE R$ 50.370,00 Embalagem para a exportação R$ 180,00 Despesas com armazenagem no porto de embarque R$ 1.400,00 Honorários com despachante aduaneiro R$ 1.100,00 Transporte interno do contêiner até o porto de embarque R$ 700,00 (cont.) 162 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional ELEMENTOS ASSOCIADOS À EXPORTAÇÃO (INCOTERM® 2020 CIF) VALORES A SEREM SOMADOS AO VALOR DE R$ 50.370,00 Frete internacional até o porto de destino R$ 2.600,00 Seguro de transporte internacional até o porto de destino R$ 900,00 TOTAL DE ADIÇÕES R$ 6.880,00 TOTAL CIF SEM LUCRO (PORTO DE DESTINO NOMEADO) R$ 57.250,00 LUCRO NA EXPORTAÇÃO DE 30% R$ 24.535,71 TOTAL CIF COM LUCRO (PORTO DE DESTINO NOMEADO) R$ 81.785,71 Note que o cálculo do lucro é “por dentro”, ou seja, R$ 57.250,00/0,70 (1 – 0,30 ) = R$ 81.785,71 É a partir desse valor que se calcula o percentual de 30% = R$ 24.535,71 PREÇO CIF COM LUCRO DE 30% CONVERTIDO EM DÓLAR À TAXA CAMBIAL DE R$ 4,80 US$ 17.038,69 6 Tratamento administrativo da exportação De acordo o artigo 2 da Portaria Secex nº 65, de 26 de novembro de 2020, tratamento administrativo é toda restrição, exigência ou controle administrativo de caráter não aduaneiro que incida sobre uma operação de exportação, inclusive: proibição;licença ou autorização; exigência documental ou de prestação de informação; inspeção de mercadoria; e fiscalização ou monitoramento posterior ao desembaraço (BRASIL, 2020c). 7 DU-E A declaração única de exportação (DU-E) foi instituída por meio da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 349, de 21 de março de 2017. Trata-se de um documento eletrônico que define o enquadramento da operação 163Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de exportação, subsidia o despacho aduaneiro de exportação e com- preende informações de natureza aduaneira, administrativa, comercial, financeira, fiscal e logística, que caracterizam a operação de exporta- ção dos bens por ela amparados. Esse documento deve ser elabora- do por meio do Portal Único de Comércio Exterior, no Siscomex, em substituição ao registro de exportação (RE), à declaração de exporta- ção (DE) e à declaração simplificada de exportação, conforme o caso (BRASIL, 2017b). 8 Incentivos à exportação: drawback Apesar de haver previsão legal para o imposto de exportação, as ex- portações brasileiras não sofrem a incidência desse tributo. Também não se aplicam às operações de exportações outros impostos e contri- buições federais, como imposto sobre produtos industrializados (IPI), contribuição para o programa de integração social e programa de for- mação do patrimônio do servidor público (PIS/Pasep) e contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins); nem o ICMS, im- posto de competência dos estados. A não tributação das exportações brasileiras incentiva a internacionalização de produtos por permitir que a formação do preço de exportação seja mais competitiva, uma vez que há a desoneração da carga tributária. Existe, entretanto, outra forma de incentivo à exportação, conhe- cida como regime aduaneiro especial de drawback. De acordo com a Portaria Secex nº 44, de 24 de julho de 2020, esse regime pode ser de duas formas (BRASIL, 2020b): • Suspensão: aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou con- sumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do imposto de importação (II), do IPI, do PIS/Pasep e do Cofins, da contribuição para o PIS/Pasep- importação, da Cofins-importação e do adicional ao frete para a renovação de marinha mercante (AFRMM). 164 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional • Isenção: aquisição no mercado interno ou importação, de manei- ra combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado poderá ser realizada com isenção do II e com redução a zero do IPI, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da contribuição para o PIS/Pasep-importação e da Cofins-importação. 9 Incentivos à exportação: demais incentivos Além do regime aduaneiro especial de drawback, existe outro re- gime de incentivo à exportação, previsto pelo artigo 420 do Decreto nº 6759/2009. Trata-se do regime aduaneiro de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado da Receita Federal, conhecido por RECOF, que permite à empresa importar, com ou sem cobertura cam- bial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduanei- ro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas à operação de industrialização, sejam destinadas à exportação. 10 Importação Uma operação de importação integra várias etapas, desde a negocia- ção com o exportador; a classificação fiscal da mercadoria; a análise do tratamento administrativo e tributário; a escolha da modalidade de trans- porte; o follow-up no embarque da mercadoria; o início do despacho de importação para fins de desembaraço, etc. Todas essas e outras etapas possuem suas particularidades administrativas, cambiais e aduaneiras e poderiam ser ilustradas em um fluxograma com dez, vinte, trinta ou mais etapas. O objetivo deste livro não é detalhar o processo por completo, mas apontar os elementos essenciais, a seguir explicados. 165Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 11 Procedimento administrativo para importação Aplica-se para o tratamento administrativo na importação a mesma definição dada ao tratamento administrativo na exportação. Este proce- dimento tem como objetivo identificar se existe alguma exigência prévia para a mercadoria que se pretende importar. Trata-se de uma etapa a ser realizada, via de regra, antes do embarque da mercadoria do exterior. Nessa fase, o importador, por meio da classificação fiscal da mercadoria (NCM), consulta o tratamento administrativo no Siscomex. Caso seja exi- gido o procedimento administrativo, significa que a mercadoria está su- jeita ao licenciamento não automático de importação. Nesse caso, cabe ao importador registrar a licença de importação no portal do Siscomex, e aguardar seu deferimento pelo respectivo órgão anuente. A falta da licença de importação impedirá o registro da DI, o que, por sua vez, impossibilita o desembaraço aduaneiro do produto, além do pagamento das multas previstas no artigo 706 do Decreto nº 6.759/009, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações. 12 Documentos para importação Os documentos exigidos para a importação são basicamente os mesmos apresentados no início deste capítulo, ou seja, os originais da fatura comercial, do packing list e do conhecimento de embarque e, se for o caso, o certificado de origem. IMPORTANTE Os documentos devem ser originais e assinados. A sua não apresenta- ção incorre em multas que acarretam prejuízos para o importador. Por exemplo, de acordo com o artigo 728, inciso VIII, item e do Decreto nº 6759/2009, a falta do packing list acarreta multa no valor de R$ 500,00. 166 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional 13 Procedimentos de importação Os procedimentos de importação basicamente podem ser divididos em duas grandes partes. A primeira é chamada de pré-embarque, que se inicia com o recebimento da proforma e da consulta ao tratamento administrativo de importação, como explicado no item 11, e da prévia do cálculo dos tributos, explicada nos itens 14 e 15, a seguir. A segunda parte se inicia após a chegada da mercadoria, quando deverá ser inicia- do o despacho de importação, com base no registro da DI, no Siscomex, de acordo com a explicação contida no item 16. 14 Tributos de importação Tributo, de acordo com o artigo 3 da Lei nº 5.172/1966, é toda pres- tação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e co- brada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (BRASIL, 1966). Os tributos que incidem sobre as importações brasileiras se divi- dem basicamente em impostos, contribuições etaxas (quadro 1). Salvo os regimes aduaneiros especiais, ou as hipóteses de isenção ou imu- nidade tributária, de acordo com o artigo 11 da Instrução Normativa nº 680/2006, os tributos são pagos pelo importador no ato do registro da declaração de importação no Siscomex. Quadro 1 – Tributos sobre as importações IMPOSTOS CONTRIBUIÇÕES TAXAS Imposto de importação (II) Imposto sobre produtos industrializados (IPI) Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) Contribuição para os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor público (PIS/Pasep) Contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins) Taxa de utilização do Siscomex 167Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE Além dos tributos mencionados no quadro 1, de acordo com a Lei nº 14.301, de 7 de janeiro de 2022, incide sobre as importações o adicional ao frete para renovação da marinha mercante (AFRMM), calculado so- bre a remuneração do transporte aquaviário, aplicando-se as alíquotas de: 8% na navegação de longo curso; na navegação de cabotagem; e na navegação fluvial e lacustre, por ocasião do transporte de granéis sólidos e outras cargas nas regiões Norte e Nordeste; e 40% na navega- ção fluvial e lacustre, por ocasião do transporte de granéis líquidos nas regiões Norte e Nordeste (BRASIL, 2022). 15 Cálculo do custo de importação O cálculo do custo da importação é uma etapa que deve ser feita pelo importador antes de a mercadoria ser embarcada do exterior. Isso porque esse cálculo resulta em valores que devem ser pagos pelo im- portador antes de a mercadoria ser liberada da alfândega. Portanto, re- comenda-se que o departamento financeiro da empresa receba do se- tor de importação a previsão desse custo, ao menos algumas semanas antes de o embarque chegar no aeroporto de destino, no Brasil, para que se possa levantar os recursos financeiros em tempo. Note que, para fins de cálculo do custo de importação, o gestor de importação deve conhecer duas etapas prévias: a nomenclatura comum do Mercosul (NCM) e os Incoterms® 2020. Além disso, é impe- rativo entender a base de cálculo de cada tributo e a definição de valor aduaneiro. A tabela 2 simula os custos de uma operação de importa- ção, por via aérea, com destino a determinado aeroporto internacional, no Brasil. 168 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional Tabela 2 – Cálculo do custo de importação de uma mercadoria com valor aduaneiro de USD 55.000,00 MERCADORIA: ESPELHOS RETROVISORES PARA VEÍCULOS QUANTIDADE: 1.000 UNIDADES NCM 7009.10.00 De acordo com a Resolução Gecex nº 272/2021, que altera a nomenclatura comum do Mercosul e a tarifa externa comum para adaptação às modificações do sistema harmonizado (SH-2022) e Decreto nº 11.047/2022, que aprova a tabela de incidência do imposto sobre produtos industrializados (Tipi) Valor da mercadoria no país de embarque (EXW) USD 45.000,00 Frete aéreo internacional até o aeroporto de destino no Brasil USD 9.500,00 Seguro de transporte internacional até o aeroporto de destino no Brasil USD 500,00 Valor aduaneiro (artigo 77 do Decreto nº 6.759/2009) USD 55.000,00 Valor aduaneiro convertido em reais (artigo 73, inciso I do Decreto nº 6.759/2009) considerada a taxa de conversão (exemplo) de R$ 4,80 R$ 264.000,00 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II) 12,60% R$ 33.264,00 A base de cálculo do imposto de importação é o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira (artigo 75, inciso I do Decreto nº 6.759/2009) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) 11,25% R$ 37.184,40 A base de cálculo do imposto de importação é o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira acrescido do resultado do cálculo do imposto de importação (artigo 239 do Decreto nº 6.759/2009) PIS/PASEP 3,12% R$ 8.236,80 A base de cálculo do PIS/Pasep na importação é o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira (artigo 7 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004) (cont.) 169Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. COFINS 14,37% R$ 37.936,80 A base de cálculo do PIS/Pasep na importação é o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira (artigo 7 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004) Total da mercadoria com tributos federais + taxa Siscomex (R$ 154,23) R$ 380.766,23 ICMS 18% R$ 83.582,83 A base de cálculo do ICMS é o valor aduaneiro acrescido do resultado de todos os tributos e despesas aduaneiras, Decreto Estadual (São Paulo) nº 45.490/2000. Nessa base de cálculo deve ser incluída a taxa do Siscomex, no valor de R$ 154,23 (artigo 13 da Instrução Normativa RFB nº 680/2006). O cálculo é feito “por dentro”, ou seja: R$ 380.766,23/0,82 = R$ 464.349,06. Este valor de inclui o ICMS de 18%. O ICMS isolado é de R$ 83.582,83 Total da mercadoria com tributos federais e estadual (ICMS) R$ 464.349,06 CUSTOS OPERACIONAIS Armazenagem (valor pago ao depositário) R$ 2.000,00 Honorários com despachante aduaneiro R$ 2.200,00 Frete local do aeroporto até o estabelecimento do importador R$ 900,00 Outras despesas operacionais e financeiras R$ 300,00 Total das despesas operacionais R$ 5.400,00 Total geral da importação R$ 469.749,06 16 Declaração de importação (DI) De acordo com o Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, a decla- ração de importação (DI), ou declaração única de importação (DUIMP), é o documento base que inicia o despacho aduaneiro de importação. Trata-se de um registro que é realizado no Siscomex pelo importador da mercadoria estrangeira ou seu representante legal. Salvo algumas 170 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional especificidades, toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de im- portação, deverá ser submetida a despacho de importação (BRASIL, 2009). A DI deve conter a identificação do importador; e a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria (BRASIL, 2009). O valor aduaneiro está regulamentado no artigo 77 do Decreto nº 6.759/2009, cuja composição integra a base de cálculo para a incidên- cia do imposto de importação, a saber: o custo de transporte da merca- doria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado; os gastos relativos à carga, à descar- ga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada; e o custo do seguro da mercadoria durante estas operações. A classi- ficação refere-se à classificação fiscal (NCM) da mercadoria, tema de grande importância que merece um estudo a parte. Como regra geral, salvo algumas especificidades, a DI deve ser re- gistrada em até 90 dias da descarga, se a mercadoria estiver em recinto alfandegado de zona primária; ou até 45 dias após esgotar-se o prazo de permanência damercadoria em recinto alfandegado de zona secun- dária, que é de 75 dias, contados da data de entrada da mercadoria no recinto. Conforme a redação do artigo 18 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 680/2006, a DI deve ser instruída com os seguintes documen- tos: via original do conhecimento de carga ou documento equivalente; via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; romaneio de carga (packing list) e outros, exigidos exclusivamente em decorrência de acordos internacionais ou de legislação específica (BRASIL, 2006). Desde 2014 esses documentos são vinculados à DI de forma digital. Após o registro da DI no Siscomex, de acordo com o estabelecido pelo artigo 21 da Instrução Normativa nº 680/2006, esta será submetida 171Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. à análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de confe- rência aduaneira (BRASIL, 2006): • Verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, e serão dispensados o exame documental e a ve- rificação da mercadoria. • Amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço adua- neiro e dispensada a verificação da mercadoria. • Vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraça- da após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria. • Cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a apuração de elementos indiciários de fraude. A conferência aduaneira, de acordo com o disposto no Decreto nº 6.759/2009, tem por finalidade identificar o importador, verificar a mer- cadoria e a correção das informações relativas à sua natureza, classi- ficação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de to- das as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação (BRASIL, 2009). Após a conclusão da conferência aduaneira, se não houver intercorrências, a mercadoria será desembaraçada pela fisca- lização e poderá ser retirada da alfândega, desde que apresentados ao depositário a via original do conhecimento de carga e a nota fiscal de entrada emitida em nome do importador. PARA SABER MAIS A regra geral é que a DI seja registrada após a descarga da mercadoria, em zona primária ou secundária, todavia, é permitido que a respectiva DI seja registrada antes da descarga da mercadoria procedente do exte- rior, na unidade da RFB de despacho, quando se tratar de (entre outros casos) mercadoria importada por meio aquaviário ou aéreo por importa- 172 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional dor certificado como operador econômico autorizado (OEA), na modali- dade OEA – conformidade nível 2. Para mais informações pesquise as Instruções Normativas da Receita Federal nº 680/2006 e nº 1.985/2020, e a Portaria Coana nº 47, de 25 de outubro de 2021. 17 Despacho aduaneiro para exportação e importação O despacho aduaneiro de exportação é uma etapa obrigatória que antecede o embarque de mercadorias para o exterior. De acordo com a Instrução Normativa da Receita Federal nº 1.702, de 21 de março de 2017, em síntese, trata-se de um procedimento com vistas ao desem- baraço aduaneiro da mercadoria e a autorização da sua saída para o exterior. Durante essa etapa, todas as informações declaradas pelo exportador em relação à mercadoria e aos documentos apresentados serão analisadas. Salvo exceções previstas na própria legislação, toda mercadoria com destino ao exterior deve se utilizar dessa formalidade (BRASIL, 2017a). O documento base para o despacho de exportação, como vimos no item 7 deste capítulo, é a declaração única de exporta- ção (DU-E). O despacho aduaneiro de importação é uma etapa obrigatória que antecede o desembaraço aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior. De acordo com o artigo 542 do Decreto nº 6.759/2009, em sín- tese, trata-se de um procedimento no qual todas as informações de- claradas pelo importador em relação à mercadoria e aos documentos apresentados serão analisadas. Salvo exceções previstas pela própria legislação, toda mercadoria procedente do exterior deve se utilizar des- sa formalidade (BRASIL, 2009). O documento base para o despacho de importação, como vimos no item 16 deste capítulo, é a declaração de importação (DI) ou declaração única de importação (DUIMP). 173Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais As operações de comércio exterior brasileiras são reguladas por vá- rias normas com o objetivo geral de controlar a saída de mercadorias do país e manter a segurança das fronteiras em relação às importações, por meio de uma rigorosa fiscalização, aduaneira e administrativa, exer- cida pela Receita Federal do Brasil; pela Secretaria do Comércio Exterior, e, em alguns casos, pelos órgãos anuentes. Essas operações, de importação e exportação, são declaradas eletro- nicamente por meio do Portal Único do Comércio Exterior, mediante os registros de DI ou DUE, em conjunto com a documentação apresentada. O formato digital, além de facilitar o trabalho dos operadores, permite que os órgãos intervenientes e fiscalizadores apurem indícios de fraude que possam comprometer a arrecadação dos tributos que incidem so- bre as importações, além de manter um banco de dados de estatísticas de comércio exterior para pesquisas acadêmicas e profissionais. Referências BRASIL. Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 146, n. 26, p. 1-47, 6 fev. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm. Acesso em: 16 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1245, 27 out. 1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l5172compilado.htm. Acesso em: 16 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 14.301, de 7 de janeiro de 2022. Institui o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem (BR do Mar) [...]. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 160, n. 58, p. 5, 25 mar. 2022. Disponível em: http://www. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6759.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14301.htm 174 Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Comércio exterior e logística internacional planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14301.htm. Acesso em: 22 abr. 2022. BRASIL. Receita Federaldo Brasil (RFB). Instrução Normativa nº 680, de 2 de outubro de 2006. Disciplina o despacho aduaneiro de importação. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 143, n. 192, p. 38-39, 5 out. 2006. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link. action?idAto=15618. Acesso em: 16 abr. 2022. BRASIL. Receita Federal do Brasil (RFB). Instrução Normativa nº 1.702, de 21 de março de 2017. Disciplina o despacho aduaneiro de exportação processado por meio de Declaração Única de Exportação (DU-E). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 154, n. 57, p. 25-29, 23 mar. 2017a. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link. action?visao=anotado&idAto=81483. Acesso em: 15 maio de 2022. BRASIL. Receita Federal do Brasil (RFB). Portaria Coana nº 47, de 25 de outubro de 2021. Dispõe sobre o despacho aduaneiro de importação na modalidade Antecipado para mercadoria importada pelo modal aéreo por importador certificado como Operador Econômico Autorizado (OEA). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 159, n. 206, p. 30, 3 nov. 2021. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link. action?visao=anotado&idAto=121271. Acesso em: 20 abr. 2022. BRASIL. Receita Federal do Brasil (RFB). Romaneio de carga (packing-list). RFB, 2020a. Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/ aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao/topicos-1/ despacho-de-importacao/documentos-instrutivos-do-despacho/romaneio-de- carga-packing-list. Acesso em: 20 abr. 2022. BRASIL. Receita Federal do Brasil (RFB); Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Portaria conjunta nº 349, de 21 de março de 2017. Dispõe sobre a Declaração Única de Exportação – DUE. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 154, n. 57, p. 29, 23 mar. 2017b. Disponível em: http://normas.receita.fazenda. gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=81446&visao=anotado. Acesso em: 16 abr. 2022. BRASIL. Secretaria do Comércio Exterior. Portaria nº 23, de 14 de julho de 2011. Dispõe sobre operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 148, n. 137, p. 65-92, 19 jul. 2011. Disponível em: http:// http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14301.htm http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=81446&visao=anotado http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=81446&visao=anotado http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Portaria-SECEX-n-23-de-14-07-2011-Alterada-pela-179-de-2022.pdf 175Modus operandi da exportação e importação M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Portaria-SECEX-n-23-de-14-07- 2011-Alterada-pela-179-de-2022.pdf. Acesso em: 20 abr. 2022. BRASIL. Secretaria do Comércio Exterior. Portaria nº 44, de 24 de julho 2020. Dispõe sobre o regime aduaneiro especial de drawback e altera a Portaria Secex nº 23, de 14 de julho de 2011, que dispõe sobre operações de comércio exterior. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 158, n. 142, p. 11- 15, 27 jul. 2020b. Disponível em: http://www.siscomex.gov.br/wp-content/ uploads/2021/11/PORT_44_2020.pdf. Acesso em: 22 abr. 2022. BRASIL. Secretaria do Comércio Exterior. Portaria nº 65, de 26 de novembro de 2020. Dispõe sobre a habilitação de órgãos da Administração Pública Federal e sobre a inclusão, alteração ou exclusão de tratamentos administrativos no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 158, n. 227, p. 19-20, 27 nov. 2020c. Disponível em: http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/Portaria-Secex-65-20- Habilitacao-anuentes-LPCO.pdf. Acesso em: 22 abr. 2022. BRASIL. Simulador de preço de exportação. Brasil, 2010. Disponível em: http:// simuladordepreco.mdic.gov.br/. Acesso em: 20 abr. 2022. COIMBRA, D. B. O conhecimento de carga no transporte marítimo. 3. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2009. SOUSA, J. M. Logística internacional e operações globais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Portaria-SECEX-n-23-de-14-07-2011-Alterada-pela-179-de-2022.pdf http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Portaria-SECEX-n-23-de-14-07-2011-Alterada-pela-179-de-2022.pdf http://www.siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/PORT_44_2020.pdf http://www.siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/PORT_44_2020.pdf http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/Portaria-Secex-65-20-Habilitacao-anuentes-LPCO.pdf http://siscomex.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/Portaria-Secex-65-20-Habilitacao-anuentes-LPCO.pdf http://simuladordepreco.mdic.gov.br/ http://simuladordepreco.mdic.gov.br/ 177 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sobre o autor Osvaldo Esteves Sobrinho é graduado em administração com habi- litação em comércio exterior pela Universidade Paulista (Unip), em re- lações econômicas internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em comércio exterior pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e mestre em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui 20 anos de expe- riência na área de comércio exterior, em especial na gestão de importa- ção no segmento de produtos médicos, materiais radioativos e ensaios não destrutivos. Ministrou aulas nos cursos de comércio exterior no Senac 24 de Maio e na Faculdade de Tecnologia da Zona Leste (Fatec Zona Leste), foi professor no Centro Universitário Fieo (Unifieo); e atu- almente leciona na Universidade Anhembi Morumbi. Criador do canal ComexLegal e sócio da Ecojuris– Educação Corporativa e Jurídica Ltda. RED_LOG_01_PDF_ACE_2022 Capítulo 1 Logística e Comércio internacional 1 Contexto econômico e geopolítico 2 Comércio internacional 3 Globalização 4 GATT/OMC 5 Blocos econômicos e integração regional 6 Importações e exportações 7 Logística internacional 8 Redes logísticas Considerações finais Referências Capítulo 2 O Sistema global de operações da Logística Internacional 1 Acordos bilaterais e multilaterais 2 Tratamento preferencial 3 Sistema geral de preferências (SGP) 4 Sistema global de preferências comerciais (SGPC) 5 Barreiras não tarifárias: protecionismo, subsídio, dumping, cotas de importação e barreiras sanitárias e fitossanitárias 6 Barreiras tarifárias 7 Nomenclatura internacional das mercadorias (NCM e SH) Considerações finais Referências Capítulo 3 Estrutura da Operação logística 1 1 Estrutura dos portos 2 Estrutura dos aeroportos 3 Portos secos 4 Malha rodoviária 5 Malha ferroviária 6 Estrutura do mercado externo Considerações finais Referências Capítulo 4 Operações globais na cadeia logística 1 Conceito de operações 2 Conceito de operações globais 3 Canais de distribuição – direto, misto e indireto 4 Tipos de distribuição – direta, indireta e produção no exterior (joint venture, subsidiária, filial, licenciamento e franquia) 5 Gerenciamento do fluxo nas operações globais 6 Marketing internacional 7 Princípios de marketing (4Ps) no comércio internacional 8 Pesquisa de marketing 9 Planejamento de marketing internacional 10 Pesquisa de mercado externo – Estudo de caso: o falhanço do Walmart no Brasil da década de 1990 Considerações finais Referências Capítulo 5 Incoterms® e Seguros 1 Lex mercatoria 2 Compreendendo a responsabilidade dos Incoterms® 3 Incoterms® e suas classificações 4 Resumo das responsabilidades e transferência de risco para cada Incoterm® 5 O que são seguros e seguradoras? 6 Seguradoe não segurado no comércio internacional 7 Seguros para o comércio internacional– A, B, C 8 Resolução de conflitos Considerações finais Referências Capítulo 6 O comércio internacional no Brasil 1 Órgãos anuentes e intervenientes na estrutura brasileira do comércio internacional e sua estrutura interna 2 Camex 3 Secex 4 Receita Federal no comércio internacional 5 Ação do Banco Central no comércio internacional 6 Apex 7 Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) Considerações finais Referências Capítulo 7 Transporte internacional 1 Movimentação de cargas via contêineres e paletes 2 Tipo de carga – unitizada, granel e individual 3 Modais de transporte e o impacto econômico e comercial 4 Rodoviário 5 Ferroviário 6 Dutoviário 7 Aeroviário 8 Aquaviário – lacustre, fluvial, marítimo e cabotagem 9 Tecnologia para as empresas no transporte internacional e sua gestão 10 Tecnologia para a gestão da rede logística internacional Considerações finais Referências Capítulo 8 O Modus operandi da Exportação e Importação 1 Documentação para o trânsito em comércio internacional 2 Fatura proforma 3 Exportação 4 Siscomex: módulo exportação 5 Formação de preços na exportação 6 Tratamento administrativo da exportação 7 DU-E 8 Incentivos à exportação – drawback 9 Incentivos à exportação: demais incentivos 10 Importação 11 Procedimento administrativo para a importação 12 Documentos para importação 13 Procedimentos de importação 14 Tributos de importação 15 Cálculo do custo de importação 16 DI - Declaração de Importação 17 Despacho aduaneiro para exportação e importação Considerações finais Referências RED_LOG_02_PDF_ACE_2022 RED_LOG_03_PDF_ACE_2022 RED_LOG_04_PDF_ACE_2022 RED_LOG_05_PDF_ACE_2022 RED_LOG_06_PDF_ACE_2022 RED_LOG_07_PDF_ACE_2022 RED_LOG_08_PDF_ACE_2022