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63 
Encontro 
Revista de Psicologia 
Vol. 14, Nº. 20, Ano 2011 
Marjorie Cristina Rocha da Silva 
Faculdades Integradas Einstein de Limeira 
FIEL 
silvamarjorie@yahoo.com.br 
Ariani Ragazzi Gigich 
Faculdades Integradas Einstein de Limeira 
FIEL 
ariani_84@hotmail.com 
 
ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO SOCIAL 
COMUNITÁRIO 
O romper de um ciclo 
RESUMO 
Este trabalho visou discutir a importância da inserção do psicólogo na 
comunidade por meio de técnicas do grupo de reflexão, pautadas na 
abordagem psicanalítica e social. Para tanto, foi realizado um grupo 
com pais de alunos que participavam de um projeto social religioso em 
uma cidade no interior de São Paulo. O grupo iniciou num movimento 
de dependência e apresentando um funcionamento de não integração. 
Com o passar dos encontros, o grupo começou a entrar em contato com 
seus sentimentos demonstrando maior capacidade para reflexão e 
busca de recursos internos para resolver suas dificuldades. Verificou-se 
assim a possibilidade inicial de romper com um ciclo dos 
comportamentos e funcionamentos repetidos baseados em experiências 
passadas e que refletiam na educação dos filhos. Convém que sejam 
realizadas outras pesquisas que possam também promover a inter-
relação entre as contribuições desses grupos de reflexão de orientação 
psicanalítica e as práticas da área social comunitária. 
Palavras-Chave: intervenção; grupos de reflexão; psicanálise. 
ABSTRACT 
This work aimed to verify the inclusion of psychologists in the 
community through reflection groups techniques, based on social and 
psychoanalytic approach. To this end, one group was conducted with 
parents of students participating in a religious social project the interior 
of the São Paulo. The group began a movement dependency and 
presenting a non-functioning integration. Through the meetings, the 
group began to show his feelings showing a greater capacity for 
reflection and search for internal resources to resolve their difficulties. 
So there was the initial possibility of breaking a cycle of repeated 
behaviors based on past experience and that reflected in the education 
of children. It’s important to conduct others researches that may also 
promote inter-relationship between the contributions of these reflection 
groups and psychotherapy practices in the social community. 
Keywords: community; reflection groups; Psychoanalysis. 
Anhanguera Educacional Ltda. 
Correspondência/Contato 
Alameda Maria Tereza, 4266 
Valinhos, São Paulo 
CEP 13.278-181 
rc.ipade@aesapar.com 
Coordenação 
Instituto de Pesquisas Aplicadas e 
Desenvolvimento Educacional - IPADE 
Artigo Original 
Recebido em: 08/01/2012 
Avaliado em: 25/03/2012 
Publicação: 04 de maio de 2012 
64 Atuação do psicólogo social comunitário: o romper de um ciclo 
Encontro: Revista de Psicologia Vol. 14, Nº. 20, Ano 2011 p. 63-78 
1. INTRODUÇÃO 
Segundo Bleger (1995), é importante que o psicólogo vá a campo buscar intervir nos 
processos psicológicos que agravam e afetam a estrutura da personalidade e qualidade de 
vida. Nesse sentido, para entender um grupo é necessário pensar criticamente a realidade 
social e ter consciência do papel e responsabilidades da atuação do psicólogo, para que 
então compreender as possibilidades de trabalho junto às camadas populares (FREIRE; 
GRANDINO, 1999). Para Bleger (1995, p.106), a saúde deve ser entendida “como um 
aproveitamento mais eficiente de todos os recursos com que conta cada grupo para 
mobilizar sua própria atividade na procura de melhores condições de vida, tanto no 
campo material como no cultural, social e psicológico”. 
Uma das técnicas que vem sendo utilizadas pelos profissionais no âmbito social e 
comunitário está pautada no trabalho com grupos. Pesquisas científicas em psicologia 
social evidenciam o espaço singular que os grupos ocupam no contexto sócio-histórico da 
sociedade moderna (MOTTA et al., 2007). 
É imprescindível buscar entender acerca do trabalho grupal, qual a sua 
contribuição enquanto estratégia de trabalho na área da Psicologia Comunitária. Portanto, 
cabe fazer algumas considerações a respeito da conceituação do grupo e os subsídios dos 
enfoques psicanalíticos nessas práticas. 
Zimerman e Osório (1997) ressaltam que os seres humanos possuem instinto de 
se juntar e esse somente existe em função de seu inter-relacionamento nos grupos. Nesse 
sentido “o grupo não é um mero somatório de indivíduos, pelo contrário, se constitui 
como uma nova entidade, com leis e mecanismos próprios e específicos” (ZIMERMAN, 
1999a, p. 90). Todo indivíduo é um grupo, no sentido em que são introjetados em seu 
mundo interno personagens que interagem entre si. Do mesmo modo, todo grupo, 
também pode agir com individualidade, podendo adquirir uma característica específica e 
típica (ZIMERMAN; OSÓRIO, 1997) 
Logo, também é necessário elaborar técnicas e modos de inserção grupal, de 
desenraizamento de padrões, modelos e valores atuais, bem como conhecer a história e o 
contexto da comunidade na qual será realizado um trabalho. A partir daí, pode-se dar o 
início e a possibilidade de sentir e conhecer o contexto em si, começando os processos de 
co-construção das intervenções (MORÉ; MACEDO, 2006). 
No entanto, devida a variedade de trabalhos com grupos é de extrema 
importância conhecer alguns considerados como mais tradicionais. Para Zimerman e 
Osório (1997), o grupo de auto-ajuda valoriza os fenômenos da sugestão para auxiliar as 
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Encontro: Revista de Psicologia Vol. 14, Nº. 20, Ano 2011 p. 63-78 
pessoas a resolverem seus problemas. Ou seja, o grupo de auto-ajuda procura auxiliar as 
pessoas a resolverem seus problemas, decorrente do acometimento de doenças agudas, 
crônicas, às incapacitações, traumas e causas existenciais. 
Outra modalidade de destaque são os grupos operativos. Pichon-Rivière 
desenvolveu uma teoria em que explicita sua forma de pensar no sujeito, na sua “relação 
objeto” e no grupo, tendo como base a estrutura vincular modelando a sua intervenção em 
grupo, atribuindo à técnica um caráter dinâmico e interdisciplinar (LUCCHESE; BARROS, 
2002). 
Para Zimerman e Osório (1997) são identificados três momentos de um grupo 
operativo: Pré-tarefa, momento que o individuo está resistente às mudanças, que 
predominam as ansiedades e os medos frente ao desconhecido. Tarefa, elaboração da 
ansiedade e medos básicos produzidos pela resistência às mudanças. Projeto, o que surge 
da tarefa, permitindo um planejamento futuro. Além disso, os integrantes desse grupo 
aprendem a pensar, observar e relacionar suas opiniões com as dos demais integrantes, 
aceitando pensamentos e ideologias diferentes das suas, proporcionando uma integração 
com o trabalho em equipe (ASCHIDAMINE; SAUPE, 2004). 
Outro grupo que merece destaque é chamado de Grupo de Treinamento. 
Minicucci (2009) destaca que para haver a reformulação de comportamento grupal é 
necessário descongelar atitudes, desaprender formas de agir, para então reeducar-se. Para 
descongelar atitudes, ainda afirma que é necessário mudar a maneira de agir, e que então 
nesse grupo intenta-se mudar os processos e prática dos membros.. 
O último grupo que será destacado por se tratar o foco dessa pesquisa é o Grupo 
de Reflexão. Segundo Zimerman e Osório (1997), as abordagens técnicas têm como 
objetivo remover dificuldades que o grupo tem na resolução de uma determinada tarefa 
ou problemática. Essas dificuldades podem ser apresentadas em formas de conflitos 
intensos, competições, elevadas ansiedades e paralisias das atividades. 
A diferença de um grupo operativo para o grupo de reflexão é que último dá 
ênfase para a tarefa, da operação a ação. Esse grupo enfatiza o pensar e visa orientação 
para resolver a ansiedade que está ligada ao aprendizado das tensões originais. Quando 
esses grupos são bem sucedidos eles acabam tendo efeito terapêutico (ZIMERMAN; 
OSÓRIO, 1997). Os processosenvolvem encontrar recursos internos que capacitem a criar 
alternativas para solucionar seus problemas, e remete ao autoconhecimento do sujeito, o 
qual exige tempo e disposição interna (FÁVERO; EIDELWEIN, 2004). 
Nesse sentido, focando o grupo de reflexão, segue um exemplo prático da 
importância da aplicação desses grupos. O trabalho envolveu a realização de grupos de 
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reflexão com feirantes e entrevistas individuais, com o objetivo de compreender como a 
Psicologia Comunitária pode se inserir e intervir em um ambiente cooperativo de geração 
de trabalho e renda, oportunizando um espaço para eles falarem sobre seus anseios e 
dificuldades. Neste estudo é citado que através do grupo, a Psicologia pode utilizar 
métodos e processos de conscientização que possibilitam as pessoas assumir seu papel de 
sujeitos de sua própria história, conscientes dos determinantes sócio-políticos e ativos na 
busca de soluções para seus problemas (FÁVERO; EIDELWEIN, 2004). 
Em vista das perspectivas teóricas e do conhecimento sobre a comunidade em 
que será realizada a presente pesquisa, este último grupo foi considerado mais pertinente. 
Pensa-se nesse como um adequado instrumento de intervenção já que o objetivo principal 
ao iniciar um grupo é de criar um espaço de reflexão e a partir desse, construir estratégias 
numa vertente da Psicologia Social Comunitária, com o auxílio de um mediador nas 
discussões e aprendizagens que possam ocorrer. 
2. O PROCESSO GRUPAL NA PSICANÁLISE 
A fundamentação teórica e as leis que regem a análise grupal segundo Zimerman (1999a) 
são diferentes e variadas na finalidade para qual determinado grupo foi criado. Há vários 
autores que contribuíram com as técnicas no processo psicanalítico, como por exemplo: 
Bion, Melanie Klein e Winnicott, os quais serão citados a seguir. 
Para Zimermam e Osório (1997), um fenômeno primordial que permeia a teoria 
psicanalítica individual ou grupal é a transferência, que pode ser compreendida como 
uma expressão de repetição de necessidades que não foram satisfeitas no passado. Esse 
permite que o paciente tenha um novo espaço e oportunidade para reexperimentar suas 
antigas e mal resolvidas experiências passadas, dirigidas ao analista. 
Para Winnicott, a transferência deve ser compreendida como uma nova relação, 
um novo espaço que o paciente conquista para conseguir se relacionar com seu analista, 
porém essa imagem no início estará mascarada pelos mecanismos de defesa, como 
projeção e sentimento de posse do analista (MELLO FILHO, 1989; ZIMERMAN, 1999b). 
Melanie Klein contribuiu explorando a posição depressiva, funcionamento 
mental bastante importante também na relação grupal, e que consiste na união e 
integração das partes do sujeito que estão dispersas. Tal funcionamento possibilita 
permitir as perdas parciais, proporcionando a capacidade de tolerar frustrações, 
privações, atrasos na gratificação na relação com o mundo exterior. Assim, o individuo 
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deve ser capaz de reconhecer suas responsabilidades, culpas, suportar separações parciais 
e fazer reparações verdadeiras (SEGAL, 1975; ZIMERMAN, 1999b). 
Bion também cooperou para o entendimento do movimento grupal com três 
suposições básicas: dependência, luta-fuga e acasalamento. Segundo o autor, esses 
pressupostos permeiam as interações entre participantes e coordenador, e se baseiam na 
forma como se estruturam os sentimentos, como amor e ódio, afeto e exclusão, decisão e 
insegurança. Na fase da dependência, procura-se um líder para sentir-se protegido ou 
orientado e o grupo se comporta como se um dos integrantes fosse capaz de tomar a 
liderança e cuidá-lo totalmente. O grupo sente a necessidade de ser conduzido e de 
receber gratificações grupais. Na fase de luta-fuga, o grupo representa inconsciente, a 
convicção que tem que combater ou evitar algum inimigo do grupo; os integrantes podem 
se comportar, defensivamente, agressivos ou até mesmo fugir de situações. Essa etapa é 
marcada por momentos de tensões, confrontos e agressões, todavia, essa energia 
destrutiva promove um elo que une a todos os integrantes. E na fase do acasalamento, 
possui a crença de que os problemas dos grupos serão solucionados. Os participantes se 
relacionam mais profundamente, expressam de forma mais livre suas ansiedades, 
descobrindo os outros e compartilhado seus problemas. É necessário ressaltar que a 
importância do coordenador ter uma postura diferente em cada etapa do grupo (MOTTA 
et al., 2007; ZIMERMAN, 1995). 
Dentro das suposições básicas citadas anteriormente, Bion denomina por 
valência, a maior ou menor capacidade que cada indivíduo dentro do grupo possui em 
relação a essas suposições. O autor afirma que todos têm certo grau de valência, que varia 
a cada momento dependendo da circunstância (ZIMERMAN, 1995). 
No processo grupal é importante verificar que também há a fase de não 
integração e integração. Partindo dos conceitos de Winnicott, sobre a importância do 
holding materno nos processos de integração e formação da identidade da criança, pode-se 
entender que um grupo não integrado tende a apresentar várias dissociações, como por 
exemplo, freqüentes ausências e formação de subgrupos. Em contrapartida um grupo 
integrado e coeso, passa a ser um elemento fundamental para o auxilio no processo 
terapêutico, os participantes ajudam uns aos outros, sendo uma função primordial no 
setting analítico (MELLO FILHO, 1989; OSÓRIO, 1989). 
Tais conceitos são essenciais quando se pensa que o papel do coordenador 
também depende de qual técnica e grupo será trabalhado (SANTOS; ROS; CREPALDI; 
RAMOS, 2006). Portanto, o coordenador do grupo deve conhecer aspectos da cultura do 
grupo, que estão presentes na natureza simbólica e concreta. A cultura oferece o 
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referencial de padrões a ser seguido, manifesta uma identidade que é construída ao longo 
do tempo e passa a repassar todas as práticas, formando as representações mentais e um 
sistema de significado que une os membros em torno dos mesmos objetivos: “A 
mentalidade grupal significa que o grupo funciona como uma unidade, mesmo quando 
seus membros não têm consciência disso. A cultura grupal, já é a relação entre a cultura 
grupal e o desejo do indivíduo” (OSÓRIO, 1989, p. 58). 
De acordo com as perspectivas teóricas apresentadas, percebe-se a importância 
da atuação do psicólogo social comunitário nos grupos e no entendimento de suas 
peculiaridades. Mais especificamente, entende-se ser importante compreender as 
demandas e funcionamento grupal por meio da perspectiva psicanalítica, principalmente 
relacionadas às vivencias individuais, transferências, vínculos, entre outros. Portanto, o 
objetivo dessa pesquisa é levantar as demandas da comunidade local partindo de uma 
perspectiva de observação participativa e intervir como mediador nas reflexões do grupo 
quanto ao seu funcionamento, objetivos e papéis nos aspectos sociais e familiares, entre 
outras questões que puderem ser pensadas e acolhidas. 
3. MÉTODO 
Sujeitos 
Os voluntários da pesquisa foram pais e responsáveis de alunos que participavam de um 
projeto social cristão em uma cidade do interior do estado de São Paulo/SP. Houve uma 
variação de participantes nos encontros realizados, porém observou-se uma média de 
nove sujeitos. Dezesseis integrantes participaram de pelo menos um encontro, porém 
apenas quatro compareceram regularmente. A idade variou entre 21 a 55 anos (M=32; 
DP=8,4) e a maioria do gênero feminino (N=14). Pode-se observar que 44% dos 
respondentes têm Ensino FundamentalIncompleto e mais da metade nasceu no estado de 
São Paulo (55,6%). Em relação ao estado civil, 77% são casados ou amasiados, e somente 
22% solteiros. 
Também foi verificado que 44% dos pais ou responsáveis integrantes do grupo 
têm três ou mais filhos participando do Projeto (M=2,3; DP=1,3). Em relação ao tempo de 
participação no projeto, 44% (N=4) participam até 1 ano (M=3,0; DP=2,6). A maioria dos 
participantes acredita que o projeto serve para aprender muitas coisas, como a palavra de 
Deus e auxiliar na educação dos filhos. Além disso, apontam que o projeto contribui para 
melhorar o desempenho das crianças e na resolução de problemas de aprendizado 
familiar. Esperam que o psicólogo oriente-os, auxiliem em suas dificuldades e 
aprendizado, e ajude no relacionamento grupal. Também em relação à expectativa quanto 
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ao grupo de reflexão, a maioria incluiu questões sobre o desejo de aprender algo novo 
para amadurecer e melhorar o relacionamento com a família. 
Local da Pesquisa 
A pesquisa foi realizada em um projeto de cunho social com vínculo religioso executado 
nas instalações de uma escola municipal, de uma cidade no interior de São Paulo. No 
entanto, este projeto não possui nenhuma atividade fixa com os pais, sendo, portanto, um 
dos objetivos convidá-los a participar da pesquisa como voluntários. 
Materiais e técnicas utilizadas 
Foi utilizado um questionário socioeconômico e técnicas de vivência grupais, a fim de 
promover a reflexão das vivencias individuais e grupais. O grupo reflexivo dá ênfase na 
reflexão e não na atividade em si, entendendo que a resolução da atividade é uma 
conseqüência da ansiedade trabalhada. O coordenador tem o papel de facilitador nas 
reflexões, levando o grupo a repensar e indagar os conflitos, tensões e ansiedades que 
dificulta para resolver uma problemática (MOTTA et al., 2007). Esta técnica utilizada tem 
como base a abordagem psicanalítica e social, e possibilita um espaço de fala e de 
experiências compartilhadas, tendo em vista o movimento transferencial, possibilitando o 
grupo a assumir o papel de sujeitos da própria história (COUTINHO; ROCHA, 2007). 
Procedimento 
O trabalho foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 10-
06/114. Os participantes receberam em suas residências um convite por escrito que foi 
entregue pela pesquisadora. Neste convite foi solicitada a presença dos convidados no 
projeto a fim de receberem maiores informações sobre a pesquisa. 
Inicialmente foi explanado sobre o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
(TCLE) e aplicado o questionário socioeconômico, em que foram levantadas as 
expectativas e percepções dos sujeitos nas relações grupais, na comunidade e nas funções 
familiares. Após isso, foram propostos os encontros grupais semanais com duração de 
aproximadamente 45 minutos. 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
A fim de facilitar a visualização das informações, os resultados e discussão dos mesmos 
serão apresentados de acordo com a ordem cronológica dos encontros. 
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1° Encontro 
No primeiro encontro, alguns pais foram ao projeto com o intuito de participarem do 
grupo e outros apenas com o objetivo de levarem seus filhos e foram convidados a 
permanecerem. Havia no total nove participantes, dois homens e sete mulheres, sendo 
todos pais ou responsáveis de alunos que participavam do Projeto. O grupo iniciou com a 
apresentação da pesquisadora (coordenadora), que explicou o funcionamento dos 
encontros grupais e foi dito sobre a importância do espaço grupal, a escuta e o momento 
do compartilhar, podendo grupo falar o que quisesse. 
Os integrantes também se apresentaram e puderam compartilhar suas 
expectativas sobre os encontros. Alguns disseram que gostariam de prestigiar o trabalho 
do Projeto, outros que esperavam que os encontros ajudassem em casa, família e até 
mesmo no trabalho. Um exemplo desta percepção pode ser dado pelo relato do integrante 
(11): “Acredito que os encontros possam me ajudar em casa e na criação de meus filhos”. 
Neste primeiro encontro os integrantes do grupo pareciam reservados e tímidos. 
Não surgiram muitas queixas, o grupo parecia expor seus relatos de uma forma 
superficial, não demonstrando estar à vontade. No entanto, este é um movimento natural 
do grupo de não integração, sendo necessário que o terapeuta utilize da empatia e 
intuição auxiliando a conter as necessidades do grupo e os sentimentos mal suportados 
(OSÓRIO, 1989). Como o objetivo do grupo de reflexão é remover as dificuldades que um 
grupo tem na resolução de uma determinada tarefa (ZIMERMAN; OSÓRIO, 1997), neste 
primeiro momento a maioria dos participantes apresentaram como queixa principal, a 
educação dos filhos e as ansiedades associadas. 
2° Encontro 
No segundo encontro, havia oito integrantes, cinco novos e seis faltaram. Como proposta 
de integração foi aplicada uma dinâmica com o grupo para que os mesmos pudessem 
interagir e refletir sobre a tarefa desenvolvida. Após a dinâmica, alguns integrantes 
falaram sobre a percepção da atividade realizada e como se sentiram, como por exemplo, 
o integrante (7): “Podemos levar isso para casa, ás vezes nos dedicamos muito, fazemos o que está 
ao nosso alcance, mas depois acaba acontecendo algo que dá tudo errado e ficamos com a sensação de 
derrotados e frustrado, mas não podemos desistir e sim começar de novo, pois alguém já conseguiu 
antes”. 
Em geral, pode-se notar que o grupo pareceu receoso, verbalizaram em vários 
momentos que a tarefa proposta na dinâmica não poderia ser realizada, e alguns 
integrantes não interagiram. Nesse sentido, Zimerman e Osório (1997) destacam que é 
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comum um momento inicial em que os participantes se mostram mais resistentes às 
mudanças, predominando as ansiedades e os medos frente ao novo. Pode-se observar a 
valência de cada individuo, ou seja, diferentes capacidades para participar das suposições 
básicas do grupo (OSÓRIO, 1989). Porém, o grupo ainda estava em processo de integração 
e para Winnicott, tende a apresentar dissociações, como formação de subgrupos e 
freqüentes ausências (MELLO FILHO, 1989). 
3° Encontro 
No início do terceiro encontro, foi reforçado sobre o espaço dos participantes e que eles 
poderiam falar o que quisessem. A integrante (1) iniciou falando sobre a história que 
ouviu de que um psicólogo havia ajudado um menino. A mesma falou demasiadamente 
dando pouco espaço para os outros integrantes. Ao terminar, continuou dizendo que era 
muito nervosa, mas que após um tratamento psicológico melhorou. A participante (2) 
também disse ter iniciado psicoterapia recentemente, porém, ficou em silêncio não 
demonstrando interesse em compartilhar naquele momento. Também, a integrante (3) 
relatou ser muito nervosa e que seu marido também diz que ela precisa de um psicólogo. 
Os participantes pareceram relatar tanto uma série de fantasias sobre o que se refere o 
tratamento psicológico, quanto suas angústias em depositar suas dificuldades em outro, 
seja esse psicólogo ou o próprio grupo ali formado. 
A integrante (1) ao mesmo tempo em que demonstrou interesse de tentativa de 
vínculo com a coordenadora, também apresenta algumas atitudes de desconfiança e 
defensiva, como pode ser observado através de sua fala: “Tudo o que o psicólogo ouve ele tem 
que guardar para ele, acho que até o psicólogo precisa de um psicólogo”. Enquanto a participante 
(3) falava, a integrante (1) disse que quem precisa estar ali não estava, falando de outra 
participante. Neste momento, os integrantes começaram a falardessa outra integrante e 
de seu relacionamento familiar, especialmente com o filho. 
Percebeu-se que o assunto mais abordado foi em relação à criação dos filhos, no 
entanto, o grupo teve dificuldade para nomear que exemplos que poderiam ser dados na 
educação de seus filhos; e de assumir suas próprias dificuldades, às vezes projetando-as. 
Nesse sentido, se caracteriza a projeção como mecanismo de defesa primitivo do ego, 
através da expulsão que o sujeito faz de aspectos intoleráveis, projetando no outro, 
servindo como recurso para se proteger da angustia. O grupo demonstrou ainda não 
conseguir entrar em contato com seus sentimentos, apresentando um funcionamento 
geral de dependência e defesa (SEGAL, 1975; ZIMERMAN, 1999b). 
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Até este momento o grupo apresentou uma necessidade de relatar o quanto 
precisava de ajuda psicológica e esperava dos encontros. Para Bion, conforme citado por 
Osório (1989), na fase da dependência, o grupo procura um líder para se sentir protegido 
e cuidado, sentindo a necessidade de receber gratificações grupais. 
4° Encontro 
A integrante (1) começou a falar que gostaria que uma amiga participasse do grupo 
devido ao envolvimento dos filhos dela com as drogas. O grupo compartilhou o medo 
que sente que seus filhos se envolvam. Após isso, o grupo tratou sobre a importância da 
orientação e atenção dos pais. A coordenadora perguntou qual o tipo de atenção deveria 
ser dado para os filhos, porém, o grupo permaneceu em silêncio, com dificuldade para 
explicar, principalmente em relação ao afeto; e mudaram de assunto. 
A coordenadora pediu alguns exemplos de afeto e o grupo iniciou uma conversa 
sobre incesto e do castigo de Deus, quando uma criança nasce com alguma deformidade. 
Cada um contou uma história que conhecia e das crenças pessoais sobre o castigo divino. 
O grupo compartilhou algumas experiências da gravidez, menos a integrante (1). No 
término, a integrante (1) disse que só estava ouvindo e (2) se mostrou aliviada, suspirou e 
disse: “Como é bom ter um lugar para conversar”. 
Na hora do café, (1) fez várias perguntas para a coordenadora. Pode-se notar que 
a mesma se mostrou muito angustiada com as questões que envolvem a maternidade, 
tentando de várias formas desviar o próprio grupo desse assunto. Mas pode-se inferir sua 
necessidade de se sentir a “filha privilegiada” ao comentar que seria a única a estar ali 
nesse encontro e após, tentar vínculos individuais com a coordenadora. 
Neste encontro, o grupo começou entrou mais em contato com seus sentimentos, 
a falar sobre suas experiências, e assim se apresentaram inquietos e defensivos, ao mesmo 
tempo em que começaram a se vincular, demonstraram um movimento denominado por 
Bion como luta-fuga, forma defensiva inconsciente de se comportar, agressivos ou até 
mesmo fugir de situações. Essa etapa foi marcada por momentos de tensões, todavia, que 
promovem um elo entre os integrantes (OSÓRIO, 1989). O grupo demonstrou ainda 
utilizar mais elementos Beta, com dificuldades para simbolizar suas experiências 
emocionais, e nomear formas de carinho e afeto (SCHNEIDER, 2009). 
A coordenadora grupal tentou entender o movimento do grupo e atuar como 
facilitadora, a fim de diminuir os conflitos. Verificou-se tratar-se de uma tarefa difícil, 
visto que o grupo parecia contraditório e ambivalente; ao mesmo tempo em que 
começavam entrar em contato com seus sentimentos, mostravam-se muito defensivos. 
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5° Encontro 
Neste encontro, a coordenadora trabalhou com o grupo o quanto percebeu dificuldades 
deles em falar sobre sentimentos e afeto. O grupo concordou e compartilhou estórias 
pessoais. A participante (1) relatou dificuldades em demonstrar carinho e o quanto se 
culpa por isso: “Era muito rigorosa, sempre trabalhei, e falhei muito na questão do carinho. Batia 
muito nos meus filhos, às vezes me culpo por isso”. A integrante (3) diz se sentir rejeita pela 
mãe, pois sente a diferença de tratamento com as outras irmãs, fala que sua filha também 
sente isso quando vai à casa da avó. 
A integrante (1) relatou ter um carinho diferenciado com um neto, ao qual se 
sente mais apegada, e conta um episódio em que ele deu atenção a mesma, demonstrando 
novamente seu vazio e desejo de ser cuidada. O grupo movimenta-se nesse sentido e 
falam sobre a importância do carinho, porém ainda não conseguem dar exemplos. 
Quando a coordenadora pedia para que nomeassem algo que gostariam ou sentiam, os 
mesmos fugiam do assunto ou interrompiam a fala da coordenadora. 
A integrante nova (20) permaneceu quieta o tempo todo, no final (1) pediu para 
(20) falar sobre suas queixas. A mesma falou que sofre com a morte de seu filho que se 
suicidou. A coordenadora explicou que aquele espaço ela poderia se expressar e falar mais 
sobre seus sentimentos e angustias com a perda do filho. E que através da troca de 
experiências de cada integrante, um poderia acrescentar ao outro. 
Assim como citado por Coutinho e Rocha (2007), verifica-se que diante das 
angústias individuais, o grupo de reflexão oferece um espaço para os integrantes falem 
sobre seus anseios e dificuldades. Além de ser uma forma de compreender como a 
Psicologia Comunitária pode se inserir na sociedade. 
Neste momento pode-se observar o funcionamento do grupo, citado por Fávero e 
Eidelwein (2004), pois os integrantes começam a encontrar recursos internos para criar 
alternativas para resolver suas dificuldades. Assim, o grupo começa a ter oportunidade 
para se conhecer melhor como individuo e como grupo. 
6° Encontro 
O grupo começou a contar suas experiências de demonstração de carinho, no entanto, não 
conseguiu fazer a conexão das histórias compartilhadas, quanto as suas semelhanças e 
diferenças. A integrante (3) relatou que teve que orientar sua filha, pois a mesma aceitou 
dinheiro de estranhos, a repreendeu, conversou, conseguindo conversar e não bater. A 
coordenadora devolveu para o grupo que através das histórias compartilhadas, cada um 
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contou sua forma de demonstração de carinho e que eles pareciam ter refletido sobre os 
encontros anteriores. 
Neste encontro, pode-se observar o fenômeno transferencial do grupo com a 
coordenadora. Entende-se o novo espaço que o grupo estava tendo para reexperimentar 
suas experiências passadas, relacionando com o analista, porém marcada pela projeção e 
sentimento de posse. O grupo neste encontro permanece mais em silêncio, podendo ser 
uma forma de luto pelo final do processo. No grupo de reflexão, as dificuldades que o 
grupo possui para resolver as tarefas, podem ser apresentadas como forma de conflitos 
competições e ansiedades (ZIMERMAN; OSÓRIO, 1997). 
7° Encontro 
Nesse encontro, o grupo falou sobre experiências que tiveram de empregos anteriores e o 
quanto se sentiram humilhados por não serem reconhecidos pelo trabalho e esforço. O 
grupo pôde refletir sobre o sentimento de ira e dificuldade de sentir-se dependente de 
alguém. Disseram que não gostam de pedir ajuda, pois quem quer ajudar não é necessário 
que se peça, no entanto contam histórias nas quais pediram ajuda e foram socorridas. A 
integrante (20) diz que o fato é mais para quem se pede ajuda. A integrante (1) relatou que 
ajudou uma idosa indicando uma pessoa para cuidar dela, porém ajudou desconfiando, 
pois não conhece as pessoas. Ela disse sentir isso com a maioria das pessoas, até mesmo os 
mais próximos, dizendo que “quem garante se a coordenadora não está pensando mal dela ou se 
ela mesma não está pensando mal”. 
A coordenadora volta para o grupo e perguntao que acharam disso. A 
participante (1) continua dizendo que viu na TV um caso que um avô estuprou a própria 
neta e que antes de descobrirem, este avô passou na TV chorando, ressaltando aspectos 
persecutórios e de medo da dependência dos outros. 
Esse encontro foi marcado por um movimento de luto e separação ao final do 
grupo, de forma que os membros se mostram mais persecutórios. Este movimento 
também de desconfiança pode demonstrar também a resistência à mudança que implica 
no processo de cura, podendo aparecer o medo da perda do sintoma e seus benefícios 
secundários ou o medo do desconhecido a situações novas que o individuo não está 
acostumado a manejar, surgindo às ansiedades persecutórias, e quando essas ansiedades 
são elevadas é determinada a resistência às mudanças (Zimerman, 1999b). 
Apesar das angústias e possíveis resistências, o grupo pareceu estar mais 
integrado e com maior capacidade de tolerância à frustração. Esse movimento de 
integração pode ser notado, por exemplo, na integrante (1) ao dizer: “Temos que aproveitar 
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o que é bom, nós mastigamos tanta coisas amarga e temos que aproveitar as rosas quando tivermos 
oportunidade, se deixasse, ficaria aqui até amanhã”. 
8° Encontro 
A coordenadora explicou aos integrantes que seria o último encontro, porém foi 
questionada. Neste dia, estavam ansiosos, falavam em demasia e em alguns momentos 
interrompiam a coordenadora. Todos compartilharam sobre a experiência no grupo. A 
integrante (1) disse que assumiu o compromisso e que gostou de ir para conversar e 
compartilhar experiências. A integrante (3) relatou que aprendeu muito afirmando: “O 
grupo me ajudou a ser mais paciente com minha filha, consegui conversar sem bater”. A 
integrante (20) disse apenas que foi bom e não compartilhou suas experiências. 
A coordenadora relatou que percebeu um amadurecimento no grupo, pois 
demonstraram interesse, respeito e preocupação com os integrantes. Além daquele 
espaço, ser um momento de troca de experiência foi um momento de escuta, reflexão e 
crescimento. Neste ultimo encontro, apesar do grupo parecer ansioso e falar em demasia, 
apresentou um movimento de maior integração. Esse funcionamento foi enfatizado por 
Winnicott que dizia que um grupo integrado é um grupo coeso, coerente e único, em que 
os participantes se entendem e podem um ajudar o outro, produzindo modificações no 
funcionamento grupal (OSÓRIO, 1989). 
Verifica-se que o analista além de conter as necessidades dos pacientes, pode 
aceitar seus sofrimentos e estruturas pessoais, favorecendo uma aliança terapêutica. 
Assim, um grupo integrado é um elemento fundamental no processo terapêutico, os 
participantes ajudam uns aos outros (OSÓRIO, 1989). Neste momento, o grupo 
demonstrou transitar pela posição depressiva, reconhecendo suas responsabilidades e 
angústias na tentativa de fazer reparações (ZIMERMAN, 1999b). 
O movimento grupal mostrou a possibilidade de reflexão, de questionamento 
das tensões que impedem o grupo de resolver tarefas cotidianas e ansiedades que tem 
ligação aos conflitos originais (ZIMERMAN; OSÓRIO, 1997). Como no estudo de Baú 
(2007), o espaço terapêutico permitiu que as ansiedades fossem trabalhadas e possibilitou 
desenvolver outras capacidades, como percepção, maior aproximação do ideal com o real, 
identificação de limitações, além da habilidade para apreender as diferenças em relação 
aos demais integrantes do grupo. 
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5. CONCLUSÃO 
Como se pode perceber ao longo dos encontros, o grupo começou num movimento de 
dependência, demonstrando o quanto esperava do processo e da coordenadora. Possuíam 
dificuldades de refletir e predominava um movimento de não integração. Após este 
momento de dependência, apresentaram-se ambivalentes, ao mesmo tempo em que 
tentavam se vincular, demonstrando interesse pelo processo, evidenciaram movimentos 
defensivos e de recusa em entrar em contato com seus sentimentos; predominando a 
suposição de luta e fuga. 
Com o passar dos encontros, o grupo começou a entrar mais em contato com 
sentimentos, apresentando maior capacidade para refletir os temas abordados, e recursos 
internos para resolver as dificuldades, possibilitando assim autoconhecimento. Nos 
últimos encontros, o grupo pareceu mais resistente, demonstrando a angústia relacionada 
à perda, provavelmente devido à finalização do processo. 
No último encontro, o grupo mostrou-se mais integrado e coeso, os integrantes 
conseguiram ajudar uns aos outros. Esses achados estão em concordância com o trabalho 
realizado por Baú (2007), que concluiu que o grupo de reflexão é um instrumento útil 
quando se quer compreender a dinâmica emocional e possibilitar a diminuição gradativa 
de ansiedades e integração grupal. 
O tema central do grupo trabalhado foi à questão da educação dos filhos, o afeto 
e seus benefícios. No geral, foram compartilhadas dificuldades enfrentadas no passado e o 
quanto essas refletiram na educação dos filhos. Além disso, ao ouvir as experiências dos 
outros, conseguiram visualizar seu próprio funcionamento e limitações; movimento 
importante, porém gradual, que foi acontecendo ao longo dos encontros. Tais questões 
são coerentes com os destaques de Zimerman (1999a), de que o campo grupal é uma 
galeria de espelhos, em que cada integrante pode refletir e ser refletido pelos outros. 
Neste estudo, também se verificou a importância dos conceitos teóricos 
(especialmente sobre o dinamismo grupal muita vezes inconsciente), e o quanto eles se 
difundem e se completam. A junção dos aspectos teóricos e as observações e vivências 
práticas permitiram a generalização do conhecimento e uma experiência rica e singular 
por parte da pesquisadora. Neste sentido, para Zimerman (1999a), todos os elementos 
teóricos do campo grupal apenas têm sentido e validade na ligação da técnica e da prática 
grupal, quando ambos se interagem e também evoluem. 
O presente trabalho atingiu seu objetivo, em que através da escuta e mediação do 
psicólogo dentro da comunidade, foi possível propiciar um espaço para os integrantes 
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repensarem suas dificuldades, vivências e papéis assumidos nessa realidade, 
contribuindo na busca da identidade grupal e individual. Verificou-se assim, a 
possibilidade de romper com um ciclo dos comportamentos e funcionamentos repetidos 
baseados em experiências passadas, e que refletiam na educação de seus filhos. Como no 
estudo de Baú (2007) o fator terapêutico maior se deu a partir do relato compartilhado de 
um conjunto de experiências afetivas sobre as situações cotidianas e emocionais de âmbito 
pessoal e grupal. Assim, nota-se que trabalhos como o que foi proposto permitem mais do 
que resultados de pesquisa, um caráter interventivo e terapêutico para os evolvidos. 
Dada a importância dos trabalhos na área da psicologia social comunitária, a 
leitura psicanalítica se propõe a contribuir para o entendimento diferenciado e menos 
elitizado do funcionamento e vivências grupais. Assim, entende-se ser necessário que 
outras pesquisas sejam realizadas a fim de promover a inter-relação entre as contribuições 
dos grupos de orientação psicanalítica e as práticas nessa área. 
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Marjorie Cristina Rocha da Silva 
Psicóloga, mestre e Doutora em Psicologia pela 
Universidade São Francisco com ênfase em 
construção, validação e padronização de 
instrumentos psicológicos e educacionais. É 
pesquisadora do Laboratório de Avaliação 
Psicológica e Educacional - LabAPE. Docente das 
Faculdades Integradas Einstein de Limeira (FIEL). 
Ariani Ragazzi Gigich 
Psicóloga pelas Faculdades Integradas Einstein de 
Limeira (FIEL).

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