Prévia do material em texto
Leitura de Imagens Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Maria Jose Spiteri Tavolaro Passos Revisão Textual: Prof.ª Esp. Kelciane da Rocha Campos O Signo e o Significado • Conhecendo o Campo de Estudos: Signo e Significado; • Fenomenologia; • Estruturalismo; • Semiótica. • Conhecer e compreender os princípios teóricos, autores e aspectos metodológicos da Fenomenologia na análise de imagens; • Conhecer e compreender os princípios teóricos, autores e aspectos metodológicos do Estruturalismo na análise de imagens; • Conhecer e compreender os princípios teóricos, autores e aspectos metodológicos da Semiótica na análise de imagens; • Entender que as diferentes metodologias contribuem de formas distintas na com- preensão de imagens, complementando-se. OBJETIVO DE APRENDIZADO O Signo e o Signifi cado Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE O Signo e o Significado Conhecendo o Campo de Estudos: Signo e Significado Estudando o universo das imagens, entendemos que elas podem ser portadoras de muitas ideias. Em uma figura, algumas coisas podem não estar apresentadas de modo explícito, porém basta olhá-la para nos reportarmos a uma sensação, ou conteúdo. Esse complexo processo de atribuir significado às imagens, de um modo geral, tem fascinado diversos teóricos ao longo da história e conduzindo à formulação de métodos que busquem responder às suas questões nesse sentido, como os três de que trataremos nesta unidade: a fenomenologia, que funda seus princípios na percepção e suas regras de conhecimento no processo da experiência; o estrutu- ralismo, que se fundamenta no reconhecimento da estrutura, ou seja, das relações estabelecidas entre os elementos; e a semiótica, cujo material de trabalho são os signos e seus significados. Assim, nesta unidade, trataremos a respeito das metodologias que têm como eixo central o estudo dos signos e seus significados, de modo que nos relacionemos com as imagens não apenas por sua dimensão sensível, mas por racionalização interpretativa. Vamos aos estudos! Fenomenologia Embora o conceito de fenomenologia remonte a filósofos como Immanuel Kant (1724-1804), Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e Franz Brentano (1838-1917), outros autores, como Charles S. Pierce (1839-1914) e Carl Stumpf (1848-1936), lhes deram um uso mais preciso, sendo ainda comum considerar Edmund Husserl (1859-1938) como o pai desses estudos. Husserl foi um filósofo que, assim como fizeram grandes pensadores desde a an- tiguidade, buscou pela certeza. Nessa linha, pretendia responder a diversas questões filosóficas e, entre elas, definir o que é a beleza. Por esse motivo, buscou desenvolver um método que levasse o exame dessas questões filosóficas a uma base completa- mente segura, permitindo solucioná-las com precisão. Sabemos que a ciência é repleta de empirismos, ou seja, de experiências, de ten- tativas e erros. Isso quer dizer que tudo está muito correto, até que alguém apareça com uma nova informação e mude completamente o modo de ver uma determina- da coisa. Quantas vezes a humanidade já assistiu à queda de teorias que pareciam imbatíveis por causa de novas descobertas, que abriram novas possibilidades de se interpretar um fato? 8 9 Mas Husserl, na sua ousadia, queria eliminar as incertezas e dar à ciência uma base absolutamente incontestável a partir da experiência. Para ele, o pesquisador deveria ter sempre uma atitude científica, deixando de lado toda suposição parti- cular (ou “colocando entre parênteses1”, como dizia). Husserl queria explorar a experiência em primeira pessoa de modo sistemático, deixando de lado todas as pressuposições, e chamou de “fenomenologia” uma investigação filosófica sobre os fenômenos da experiência. Para Husserl, a fenomenologia é um método descritivo e filosófico. Partindo de seus estudos iniciais, outros se desenvolveram em diferentes abordagens, nos quais se destacaram nomes como Martin Heidegger (1889-1976), Nicolai Hartmann (1882-1950), Max Scheler (1874-1928), Paul Ricoeur (1913-2005), entre outros. No que diz respeito às relações entre os estudos de fenomenologia e da arte, pode- mos destacar o nome do filósofo Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Para Merleau-Ponty, era fundamental estudar a nossa experiência de mundo e nossas pressuposições cotidianas. Segundo esse autor, a compreensão da experi- ência não se dá só pela mente: o conhecimento se baseia na capacidade de perce- ber o que nos cerca, e isso envolve igualmente o processo de dar significado ao que captamos por meio dos sentidos; assim, numa somatória entre o meio, o corpo e a mente, realizamos conexões entre os objetos que percebemos, e isso faz com que possamos vê-los como um todo. Foi essa visão mais ampla da leitura dos objetos que permitiu aos pesquisadores da arte estabelecer uma ligação entre os estudos de Merleau-Ponty e uma aborda- gem da experiência estética, mesmo que ele não tenha publicado nenhum tratado sobre filosofia estética propriamente dita. Ao falar em estética, comumente nos remetemos ao campo da arte. No entanto, estética é algo mais amplo: o termo vem do grego aesthesis = sensível; portanto, comporta uma série de fenômenos ligados à dimensão da sensibilidade. [...] Nessa perspectiva, a experiência estética se configura a partir da percepção sensível envolvida na criação ou na contemplação de um objeto estético. Trata-se de uma relação ao mesmo tempo social e individual entre um sujeito e um objeto, pois na percepção estética estão envolvidos tanto significados socialmente compartilhados quanto sentidos que remetem à singularidade do sujeito dessa experiência. [...] Lembre- mos que para Merleau-Ponty a arte, assim como outros fenômenos ex- pressivos, nasce da percepção sensível do mundo, que não reconhece um sentido dado no objeto (empirismo), nem o busca nos confins do sujeito (intelectualismo), mas instaura um sentido a partir da relação entre ambos. (REIS, 2011.) 1 Esse processo de “colocar entre parênteses” era o que Husserl chamava de redução fenomenológica, onde nos despíamos de todos nossos juízos, teorias e afirmações sobre o mundo natural e examinávamos o fenômeno sem atribuir-lhe statusde real ou ilusório. Assim, a consciência não se distraía e se dirigia aos atos puros. 9 UNIDADE O Signo e o Significado Figura 1 – René Magritte – A traição das imagens (Isso não é um cachimbo) – 1829-1829 – LACMA, Los Angeles Fonte: wikiart.org Hoje entendemos que não só o objeto artístico pode despertar a nossa percep- ção sensível, muitas outras coisas podem nos afetar. Assim, a relação entre sujeito e objeto pode ser ampliada para todos os tipos de imagens. A partir da abordagem fenomenológica, entendemos que essa relação, que en- volve experiência, é tão particular que o sujeito modifica o “estado” do objeto. Esse sujeito estabelece uma relação com esse objeto e é essa relação que pre- cisamos examinar de forma mais científica, despidos dos nossos pressupostos e certezas cotidianas. O entendimento sistemático de uma leitura fenomenológica das imagens ainda é algo complexo. Em seu livro El comentario de la obra de arte, Jesus Viñuales (2010) nos apresenta um tipo de “roteiro” elaborado pelo pesquisador Juan Plazaola. Para ele, a imagem é constituída de planos interdependentes, mas que podem ser analisados de forma isolada. Segundo sua concepção, a imagem (ou a obra) teria um plano terrestre (a matéria física e sensível) e o plano cósmico (a forma e seus elementos representativos e de significado). Plano Terrestre a matéria Plano Cósmico a forma o material o sensível - a matéria enquanto produtora de sensações: sua consistência, textura - relativo ao movi- mento, cor, luz, equilíbrio, simetria, associação - relativo a localiza- ção temporal (não necessariamente cronológica) da obra e sua repre- sentação - seriam os fatores que buscam uma proximidade com a natureza numa ten- tativa de imitá-la, fazendo a reconhecí- vel. Aqui temos também texturas, relevos, desenhos - diz respeito aos ele- mentos capazes de exprimir determina- das sensações, ex- pressam de forma mais clara e concisa uma certa intencio- nalidade do artista. - seriam os fatores que despertam ou sugerem um elo com algo além da obra. Uma conectividade com o extra-obra. - Relativo ao material de que é feita a peça, suas características físicas como plasticidade e maleabilidade espaciais temporais Fatores representativos Fatores signi�cativos miméticos expressivos sugestivos Figura 2 10 11 Como exemplo, podemos observar a imagem de uma peça cerâmica arqueoló- gica brasileira (Fig. 3). Figura 3 – Vaso com cariátides (decorado com fi guras antropomórfi cas) – Museu Nacional do Rio de Janeiro Fonte: Wikimedia Commons Plano Terrestre Material Objeto cerâmico - Partes desgastadas e coloração nos trazem a ideia de que se trata de um objeto antigo - As formas remetem à con�gura- ções humanas - Distribuição das formas em planos, (do menor da base, para o maior do topo) traz uma sensação de ascenção Sensível Figura 4 – Aplicação do esquema de análise a partir da proposta de base fenomenológica 11 UNIDADE O Signo e o Significado Plano Cósmico Fatores representativos Espaciais - A divisão em planos e a distribuição das �gu- ras projetando-se ao longo da boca do vaso criam a dinâmica Temporais - A cerâmica Pré-cabra- lina (1000-1400d.C) - Cultura de Santarem Expressivos - As �guras antropo- mór�cas (cariátides) gesticulam Miméticos - Elementos ornamen- tais se baseiam em formas humanas - são seres antropomór�cos (cabeça, tronco e mem- bros dispostos em es- trutura vertical, como do ser humano) Sugestivos - Os gestos das cariátides sugerem movimentos como em uma dança ao redor da boca do jarro - O uso de ornamentos e a própria estrutura do jarro sugerem que pode tratar- -se de um objeto cerimo- nial, talvez onde fosse aquecida alguma substân- cia ritualística. Fatores signi�cativos Figura 5 – Aplicação do esquema de análise a partir da proposta de base fenomenológica Estruturalismo A palavra estrutura pode ser entendida em dois sentidos: um mais direto, que está ligado à forma de organização da realidade, e outro que ordena as linguagens, os signos e seus significados. Essa primeira noção de estrutura remonta ao início do século XX, quando a Gestalt2 afirmava ser o todo mais do que a soma de suas partes. Ou seja, quando olhamos para um conjunto de elementos eles podem assumir uma nova força visual e ganhar um novo significado, por exemplo. O estruturalismo é uma corrente de pensamento que ganhou grande força na França, na segunda metade da década de 1960, e que buscou criar “modelos” que explicassem a realidade, aos quais denominaram “estruturas”. Teve suas bases nos estudos da Linguística, considerando a língua como um conjunto no qual as rela- ções definem os termos. Para o estruturalismo, não existem fatos isolados, tudo participa de um “todo” maior. Os principais proponentes da teoria – os teóricos franceses Louis Althusser, Jacques Derrida e Michel Focault – uniram suas análises textuais com a po- lítica de esquerda, enquanto o analista Jacques Lacan deu ao estruturalismo uma perspectiva psicanalítica. Suas ideias foram adotadas por uma geração de escritores e artistas que, sob a bandeira do “pós-modernismo”, rejeitava toda possibilidade de unidade e objetividade para qualquer verdade, perspec- tiva ou narrativa. (BURNHAM & BUCKINGHAM, 2011, pp. 288-289.) 2 Gestalt é um ramo da psicologia que deteve suas atenções sobre a compreensão da forma. É também conhecida como “psicologia da forma”. 12 13 O método estruturalista surgiu com os estudos do linguista suíço Ferdinand Saus- sure, para quem o objeto da linguística não é a descrição empírica das línguas, como sempre fizeram os dicionários e gramáticas, mas a análise da estrutura abs- trata que rege essas relações sintáticas e semânticas. De acordo com o estruturalismo, são estas estruturas que tornam possíveis e compreensíveis as infinitas possibilidades de combinação dos elementos da lingua- gem, por meio das quais os discursos são realizados. Para Saussure, a linguagem é, acima de tudo, uma estrutura lógica, formal e abstrata. Como apontado anteriormente, para o estruturalismo a “estrutura” tem um sentido restrito e isso faz com que todo ordenamento dos signos humanos que produzem significação seja observado ou explicado com base em regras, leis, etc. que o reconstruam posteriormente. Ou seja, é preciso desconstruir, exami- nar as partes e suas relações para depois reconstruir o seu sentido. Para a arte, as tendências estruturalistas se tornaram importantes especialmente no “pós-modernismo”, quando se pas- sou a trabalhar muito com conceitos: a obra de arte passa a ser entendida como um conjunto de signos de comunica- ção, que à primeira vista estão soltos e não têm uma estrutura identificável, e o verdadeiro significado surge apenas de- pois que reconstruímos as relações en- tre cada parte constituinte da obra. Para o estruturalismo, a obra de arte é uma estrutura a ser desvendada a partir de uma análise devidamente ordenada e que possibilite o estudo de cada uma de suas partes. Muitos foram os autores que aplicaram o estruturalismo em suas análises, crian- do caminhos próprios para desenvolver os seus estudos. Com base nos estudos de Viñuales, utilizaremos aqui alguns pontos que o autor considera mais significativos para a análise de imagens. A ideia principal é utilizar um conjunto de regras que nos leve ao entendimento da estrutura da obra como um todo. Para esse autor, entre as muitas possibilidades, algumas regras são fundamentais à análise: a da imanência, a da pertinência, a da comutação, a da compatibilidade e a da integração. • Regra da Imanência: Essa regra pre- vê que a própria obra contém todo o significado que deve ser examinado. Isso significa que devemos nos deter à imagem em si mesma, suas formas e seus elementos. Para a filosofia, o conceito de ima- nência diz respeito à característica ou particularidade daquilo que é intrínseco ao mundo material e concreto, ou seja, tudo aquilo que é real e que pode serexperimentado. • Regra da Pertinência: na análise estrutural, a pertinência caracteriza a identifi- cação de traços diferenciais, que por essas mesmas diferenças chegam a consti- tuir as relações do sistema (paradigma) e permitem as combinações do sintagma. 13 UNIDADE O Signo e o Signifi cado Sistema – na concepção de Saussure, é a estrutura, é todo um conjunto em funcionamento – uma língua, por exemplo. Para ele, fora desse sistema os seus componentes não têm uma realidade independente, eles precisam da relação com o todo. Sintagma – um grupo de elementos que formam um enunciado. Por exemplo, em uma frase como “A casa é verde”, o grupo “a casa” forma um sintagma e “é verde” forma um outro sintagma. Como formas visuais, poderíamos pensar em um conjunto de pontos formando uma linha. Paradigma – pode ser entendido como um referencial, um modelo, um padrão a ser segui- do ou a ser questionado. Ex pl or Figura 6– Observe como na ilustração acima um conjunto de pontos e linhas constitui um todo, porém isoladamente estes não contêm o mesmo sentido Fonte: Pixabay Figura 7 – Veja como na imagem acima todas as linhas seguem um mesmo padrão visual – uma estrutura de repetição que se desenvolve em torno de um centro. O “paradigma da radiação” • Regra da Comutação: consiste em substituir um signo por outro e verificar se o significado continua o mesmo ou não. Figura 8 – Observe as duas bandeiras e verifi que que embora as estruturas compositivas sejam iguais, a simples alteração das cores muda completamente o seu signifi cado. À esquerda, temos a bandeira da Bélgica e à direita, a da França Fonte: Wikimedia Commons 14 15 • Compatibilidade: consiste em verificar se aquele elemento está de fato asso- ciado ao significado do sistema. Aplicando-se a uma obra de arte, por exem- plo, seria como pensar a imagem da Monalisa. Sabemos que ela não usa bi- godes (Fig. 9). Logo, se virmos uma imagem dessa figura usando bigodes, em um primeiro momento teremos um estranhamento, dada a incompatibilidade com a pintura original. Figura 9 – Marcel Duchamp, L.H.O.O.Q., 1919 Fonte: Wikimedia Commons Em 1919, ano do centenário de morte de Leonardo da Vinci, o irreverente artista visual Mar- cel Duchamp adquiriu uma reprodução impressa da famosa pintura do italiano e sobre ela fez uma interferência, acrescentando-lhe um bigode e um cavanhaque. Próximo à base da imagem, escreveu: L.H.O.O.Q., criando, assim, um ready-made, apropriando-se da imagem da mais famosa pintura de toda a História da Arte. Saiba mais a respeito de Ready-Mades em: https://goo.gl/rkhtvW Ex pl or • Integração: em um sistema, todas as partes devem integrar-se em uma unida- de maior. Seria como na imagem a seguir (Fig. 10) tentar entender os elemen- tos constitutivos isoladamente: a parede, a janela, a neve no chão, as árvores... Embora sejam partes da composição, elas mantêm um vínculo entre si, o que nos traz a noção do todo. 15 UNIDADE O Signo e o Significado Figura 10 – Antigo escritório do Moscow Gestalt Institut, Moscou Fonte: Wikimedia Commons • Sincronia e diacronia: esses dois termos estão respectivamente associados a coisas que acontecem ao mesmo tempo (sincrônicas) e coisas que ocorrem em tempos diferentes (diacrônicas). No caso das imagens, podemos considerar que a sincronia estaria relacionada ao objeto em si (uma pintura, uma fotografia etc.) e a diacronia à ligação que essa mesma imagem poderia ter com outros padrões (estilísticos, temáticos, temporais etc.). Observe as imagens a seguir, ambas re- tratam um espaço no Rio de Janeiro, em vistas distintas, são pinturas do século XIX (Fig. 11 e link a seguir). O que as une? A temática e a época. Figura 11 – Nicolas-Antoine Taunay, Outeiro da Glória, 1817 Fonte: Wikimedia Commons Reprodução contemporânea de uma pintura do Outeiro da Glória, em 1837, realizada por Thomas Ender., no link a seguir: https://goo.gl/yVxFzAEx pl or 16 17 Um outro ponto a se destacar é que constituindo um sistema comunicacional, o universo das imagens pode envolver os mesmos elementos que o sistema verbal, por exemplo. Esse sistema é composto por alguns elementos básicos: emissor, receptor, mensagem, código, canal, contexto. O linguista Roman Jakobson (1896-1982) percebeu que os discursos humanos poderiam estar centrados em um ou em outro componente dessa estrutura comuni- cacional e, assim, propôs que o sistema comunicacional é regido por 6 “funções da linguagem”. Desse modo, ao olharmos uma imagem, é possível que identifiquemos nela o predomínio de uma dessas funções. • Função emotiva ou expressiva: está centrada no emissor. É emotiva e ex- pressa a atitude do sujeito sobre aquilo do que trata a obra, exemplo: O Grito, de E. Munch (Fig. 12). Figura 12 – Edvard Munch, O Grito, 1893 Fonte: Wikimedia Commons • Função conotativa ou apelativa: acentua a mensagem para torná-la efetiva junto ao receptor (usa-se o imperativo, a primeira pessoa ou abre-se o espaço envolvendo o espectador), ela chama a atenção do receptor, como na imagem do Maneki Neko (Fig. 13), ou até mesmo lhe dá uma ordem, como uma placa de trânsito, por exemplo; 17 UNIDADE O Signo e o Significado Figura 13 – Maneki Neko, o gato da sorte. Artefato oriental que apresenta a imagem de um gato acenando. Nesse gesto, ele pode estar chamando algo/alguém ou se despedindo Fonte: Wikimedia Commons • Função poética: é, na realidade, qualquer procedimento que transforma a lin- guagem em arte. É aquele “Q” (aquele detalhe, aspecto) que evoca o sensível. Um pedaço de rocha pode ser simplesmente uma “pedra”, mas não nas obras de artistas como o inglês Richard Long (Fig. 14) ou da brasileira Amelia Toledo. Esses artistas ressignificam esses elementos extraídos da natureza, buscando explorar suas características essenciais – sua textura, cor, forma etc. Traba- lham, assim, com os elementos básicos da linguagem visual, de modo poético, criando a partir deles um discurso estético; Figura 14 – Richard Long – Exposição do artista na The Hepworth Wakefield, UK Fonte: Wikimedia Commons 18 19 Figura 15 – Uma simples fl or pode ganhar um novo sentido e dimensão sob o olhar treinado de um fotógrafo sensível Fonte: Pixabay Conheça o trabalho de Amelia Toledo, a brasileira (1926-2017) que desenvolveu um olhar sensível para a natureza e transformou em arte os mais diversos fenômenos, da transparên- cia das pedras à efemeridade das bolhas de sabão. Visite: https://goo.gl/cQsq8K Acesse: ARTE NA ESCOLA. Amélia Toledo: razão e intuição. Disponível em: https://goo.gl/dLBJMP Ex pl or • Função fática: é a que mantém contato entre o emissor e o receptor. Este tipo de discurso se concentra no canal, como alguém que ao fazer uma transmissão ao vivo testa os microfones e pede aos ouvintes que avaliem a qualidade da transmissão e a recepção dos sinais. Na arte, podemos tomar como exemplo a obra O Três de Maio, de Francisco de Goya (Fig. 17) - o homem de camisa branca com os braços abertos, o grupo compacto de fuzileiros franceses, o sangue derramado, etc; Figura 16 – Francisco de Goya, O Três de Maio, 1814 Fonte: Wikimedia Commons 19 UNIDADE O Signo e o Significado • Função referencial: aqui o discurso se concentra no contexto, no assunto. A fun- ção referencial, como o próprio nome diz, faz referência a um mundo percebido ou imaginado que atenda tanto ao autor, quanto ao receptor. Trata-se, portanto, de uma linguagem puramente informativa e essencialmente objetiva, como uma fotografia que simplesmente registre uma situação, sem qualquer outra preocupa- ção a não ser a de expor os fatos; Figura 17 – Militão de Azevedo - Vista em direção ao Largo São Francisco, São Paulo – 1959 Fonte: Wikimedia Commons • Função metalinguística: é justamente aquela ponte entre o que de fato a obra traz e o significado imanente que ela carrega. É a linguagem sobre a lingua- gem, isto é, a utilização da linguagem em referência ao próprio código. Como na imagem a seguir, em que a fotografia é utilizadapara tratar de fotografia. Figura 18 – Francisco de Goya, O Três de Maio, 1814 Fonte: Pixabay 20 21 Importante! Funções da Linguagem Os seis elementos do sistema comunicacional e as respectivas funções da linguagem CONTEXTO (referencial) MENSAGEM (poética) EMISSOR (emotiva) CANAL (fática) CÓDIGO (metalinguística) RECEPTOR (conativa) Figura 19 – Mapa conceitual das funções da linguagem Em Síntese Ao cruzar todo esse percurso metodológico recheado de regras, funções e cama- das, fica fácil concluirmos que uma imagem pode envolver um processo de reflexão, tanto para quem a cria quanto para quem a recebe. Semiótica Sabemos que entre o observador e a imagem pode haver uma significativa dis- tância. Como fazer, então, para que ocorra uma aproximação, de maneira que esse observador consiga entrar em contato com essa imagem de um modo aprofundado e sensível? Para a semiótica, trata-se de um sistema de comunicação no qual a mensagem parte do emissor, segue até o receptor, por meio dos elementos que compõem a obra. Signo – um conjunto formado por signifi cante e signifi cado. Signifi cante – parte perceptível do signo. Signifi cado – parte oculta e imaterial do signo. Signifi cação – relação entre signifi cante e signifi cado. Denotação – linguagem. Emissor – quem exerce a função expressiva da linguagem. Expressão - plano dos signifi cantes. Interprete – aquele para quem se dirige o signo. Interpretante – disposição do intérprete para responder ao estímulo provocado pelo signo. Ex pl or A semiótica, ou teoria dos signos, procura entender como entendemos as ima- gens visuais. Desenvolvida por princípios muito próximos à semiologia, a semiótica se desenvolveu em diferentes linhas teóricas, como a russa (ligada aos estudos do Círculo Linguístico de Moscou e a Roman Jakobson, entre outros), a americana 21 UNIDADE O Signo e o Significado (ligada aos estudos de Charles Sanders Peirce), a francesa (ligada a Ferdinand Saus- sure), a greimasiana (do lituano Algirdas Julien Greimas) etc. No Brasil, a semiótica peirceana teve grande repercussão, sobretudo pelos tra- balhos de pesquisadores como Lucia Santaella. Peirce é considerado o fundador da moderna teoria do signo, ou semiótica [...], a semiótica descreve e analisa a estrutura de processos semióticos sem se importar na base de que suporte material tais processos podem acon- tecer, ou em que escala podem ser observados — no interior de células (citosemiose), entre plantas (fitosemiose), no mundo físico (fisiosemiose), em comunicação animal (zoosemiose), ou em atividades consideradas como tipicamente humanas (produção de notações, representações, modelos, etc.). (QUEIROZ, 2004, p. 20-22.) Entenda os termos, segundo a concepção de Peirce: Um signo (ou representamen) para Peirce é aquilo que, sob certo aspec- to, representa alguma coisa para alguém. Dirigindo-se a essa pessoa, esse primeiro signo criará na mente (ou semiose) dessa pessoa um signo equi- valente a si mesmo ou, eventualmente, um signo mais desenvolvido. Este segundo signo criado na mente do receptor recebe a designação de inter- pretante (que não é o intérprete!), e a coisa representada recebe o nome de objeto. Signo, Interpretante e Objeto constituem o que é chamado de representação triádica do signo. [...] Significado é o efeito direto real- mente produzido no intérprete pelo signo; é aquilo que é concretamente experimentado em cada ato de interpretação, dependendo, portanto, do intérprete e da condição do ato e sendo diferente de outra interpretação. Significação é o efeito produzido pelo signo sobre o intérprete em con- dições que permitissem ao signo exercitar seu efeito total: é o resultado interpretativo a que todo e qualquer intérprete está destinado a chegar, se o signo receber a suficiente consideração. (SAMPAIO, 2007.) Peirce era um lógico, pragmatista, e, portanto, buscou em seus estudos organi- zar esquemas e métodos que permitissem nos aproximar melhor do significado que damos às imagens com as quais nos deparamos. Esse estudioso construiu em seu trabalho uma teoria geral dos signos organizada de forma triádica, que foi aperfei- çoada em diversos artigos publicados, sendo o primeiro deles “Sobre uma nova lista de categorias”, de 1867. Boa parte de seu trabalho envolveu a organização de categorias e relações entre os elementos, em uma tentativa de construir uma gramática que tem sua base em três elementos principais: o objeto, o signo e o interpretante. 22 23 EMISSOR (emotiva) A Tríade Semiótica de Pierce Interpretante ObjetoSigno Figura 20 – A tríade semiótica de Charles Sanders Peirce A partir disso, conclui que tudo que chega à nossa consciência passa por três propriedades, que estão presentes em toda e qualquer experiência: Qualidade, Relação e Representação. Em sua teoria, basicamente, define a relação do homem com o mundo a partir de três pilares: a primeiridade, a secundidade e a terceiridade. • A Primeiridade é a qualidade da consciência imediata, é uma impressão, é o contato espontâneo e livre. • A Secundidade é quando o sujeito compreende o conteúdo do fenômeno com o qual está se relacionando. • A Terceiridade está ligada à nossa capacidade de interpretar e até prever futu- ras ocorrências a partir da secundidade (o fato). Mas essa não é a única tríade relevante dos estudos semióticos. Temos ainda a relação das três principais categorias aplicáveis aos signos: • o signo relacionando-se com o próprio signo; • o signo relacionando-se com o objeto; • o signo relacionando-se com o interpretante. 23 UNIDADE O Signo e o Significado De cada uma dessas relações surgem outras tantas (veja o quadro a seguir), mas no nosso caso nos deteremos na relação signo-objeto. Nesse caso, o signo pode se dividir em três categorias: Símbolos – signos que convencionalmente são associados com os objetos (mes- mo que não se pareçam com eles). Ex.: o semáforo de trânsito contém elementos que a partir de uma convenção de cores regulam o ir e parar dos veículos e pedestres. Ícones – são signos que se parecem com o objeto. Ex.: o desenho de uma cadeira se parece com o objeto cadeira. Índices – aqueles que podem dar uma continuidade ao objeto ou que nos dão pistas. Ex.: a fumaça pode nos dar uma pista da presença do fogo. Retomando nosso primeiro trinômio (objeto, signo, interpretante), vemos que a semiótica trabalha com pelo menos três tipos distintos de relação: qualidades = quali-signo 1. O signo em si mesmo 2. O signo em conexão com o objeto fatos = sin-signo ter a natureza de leis ou hábitos = legi-signo uma conexão de fato, não cognitiva = índice uma similaridade = ícone hábitos (de uso) = símbolo 3. O signo como representação para o interpretante sendo qualidades, apresentando-se ao inter- pretante como mera hipótese ou rema sendo fatos, apresentando-se ao interpretante como dicentes sendo leis, apresentando-se ao interpretante como argumentos qualidades = quali-signo 1. O signo em si mesmo 2. O signo em conexão com o objeto fatos = sin-signo ter a natureza de leis ou hábitos = legi-signo uma conexão de fato, não cognitiva = índice uma similaridade = ícone hábitos (de uso) = símbolo 3. O signo como representação para o interpretante sendo qualidades, apresentando-se ao inter- pretante como mera hipótese ou rema sendo fatos, apresentando-se ao interpretante como dicentes sendo leis, apresentando-se ao interpretante como argumentos 24 25 qualidades = quali-signo 1. O signo em si mesmo 2. O signo em conexão com o objeto fatos = sin-signo ter a natureza de leis ou hábitos = legi-signo uma conexão de fato, não cognitiva = índice uma similaridade = ícone hábitos (de uso) = símbolo 3. O signo como representação para o interpretante sendo qualidades, apresentando-se ao inter- pretante como mera hipótese ou rema sendo fatos, apresentando-se ao interpretante como dicentes sendo leis, apresentando-se ao interpretante como argumentos 33 Lúcia Santaella, pesquisadorabrasileira, juntamente com outros estudiosos, trabalhou di- fundindo a semiótica peirceana no Brasil. Com base em suas pesquisas, é possível construir um quadro-resumo relacionando não só as categorias sígnicas (nas três tricotomias3 que acabamos de mencionar), mas também os níveis de percepção que Peirce institui para a apreensão da imagem. Ex pl or Tabela 1 Categorias Sígnicas Signo em relação ao Objeto Signo em relação ao Representamen Signo em relação ao Interpretante Níveis de Percepção Ícone Qualisigno Rema Primeiridade Imagem; Diagrama; Metáfora; Objeto imediato Qualidade de Signo Sensação;O que é? Secundidade Indice SinSigno Dicente Vestígios; Objeto dinâmico Aspecto de Signo Afirmações imprecisas Terceiridade Convenção Legisigno Argumento OI-OD Padrões que se manifestam Fundamentado em regras coletivas; O que se diz sobre Examinando o trabalho de Peirce, encontramos a partir de 1903: três trico- tomias, com dez classes; posteriormente seis tricotomias, com 28 classes; e, por fim, dez tricotomias, com 66 classes. Isso nos mostra que houve um enorme de- talhamento no exame da relação inicial proposta (signo, objeto, interpretante). E autores que o sucederam na investigação semiótica foram ampliando essas trico- tomias e ainda vislumbrando correlações que ampliaram sobremaneira a abordagem 3 As tricotomias são formas de observação ou análise das relações dos termos da tríade SIGNO – OBJETO - INTERPRE- TANTE. 25 UNIDADE O Signo e o Significado semiótica. Em uma busca rápida, encontraríamos dezenas de diagramas esque- máticos que indicariam como abordar semioticamente a produção de significado desencadeada por um signo. No mundo contemporâneo, a semiótica vem sendo aplicada de diferentes ma- neiras, diversificando os objetos examinados e até mesmo o entendimento das relações que Pierce nomeou. Para o estudo das imagens, a busca por um esquema metodológico único e defi- nitivo inspirado na semiótica se mostra infrutífera. Autores como Moles, Francastel e outros autores tentaram analisar como examinar o signo de forma eficiente. O roteiro de análise proposto a seguir deriva justamente de uma proposta apresen- tada por A. Moles e E. Rohmer, em seu livro Psicologia del espacio, e se organiza a partir de 5 pontos de vista: o sociológico, o psicológico, o físico, o informacional, o interpretativo. 1. Análise Sociológica: verifica-se a obra em relação a categorias sociais, como liberdade, independência, submissão, aceitação de valores tradicio- nais. Relações entre meio e indivíduo, causas, formas, motivos, situações; 2. Análise Psicológica: analisam-se aqui as relações entre individual e coletivo, público e privado, subjetivo e senso comum; 3. Análise Formal: tipos de realidades, objetos, formas da percepção. Os li- mites físicos e reais do sujeito, do conhecer, do espectador, do artista, do desenhista, do homem, etc.; 4. Análise da Informação: o que se pretende comunicar? Qual o sujeito da mensagem? O que é esse objeto? Como se colocam a relações? É natural ou artificial? O que é a beleza no fato concreto e determinado? Que esté- tica dirige ou centra tal mensagem? 5. Análise Interpretativa: é a união das análises anteriores, reunindo va- lores, inter-relacionando os dados encontrados em cada uma, buscando construir um apanhado, uma unidade dentro do que aparece nessas diver- sas análises. Esse esquema, aplicado a uma obra de arte, uma imagem ou a um período, pode nos aproximar da obra em diferentes níveis, tendo uma ideia de sua realidade, que culmina numa interpretação objetiva da obra em si mesma, inter-relacionada com o meio onde nasce e ao qual se dirige, produzindo uma verdadeira comunicação. 26 27 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros O que é Semiótica SANTAELLA, Lucia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2003. Vídeos Sobre ícone, índice e símbolo na Semiótica de Peirce ESCOLA DE SEMIÓTICA. ESPÍNDOLA, Bernardo. https://youtu.be/h_Qv2EBUaAc Café fotográfico: Semiótica ART TALKS. GIL, Júlia. https://youtu.be/8vOYhQtmnHg Leitura Semiótica Peirciana e a questão da informação e do conhecimento. Monteiro, Silvana Drumond. https://goo.gl/SbFacv 27 UNIDADE O Signo e o Significado Referências ARGAN, G. C.; FAGIOLO, M. Guia de História da Arte. Lisboa: Editorial Estampa, 1994. AUMONT, J. A Imagem. Campinas: Papirus, 2011. BOSI, A. Reflexões sobre a Arte. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2003. BURNHAM, D.; BUCKINGHAM, W. O Livro da Filosofia. São Paulo: Globo, 2011. COSTELLA, A. F. Para apreciar a Arte: roteiro didático. 3ª ed. São Paulo: Senac, 2002. DUFRENNE, M. Estética e Filosofia. 3ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008. FARTHING, S. Tudo sobre Arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. GERVEREAU, L. Ver, compreender e analisar as imagens. Portugal: Edições 70, 2007. JAPIASSU, H.; MARCONDES, D. Dicionário básico de Filosofia. 2ª ed. rev. Rio de Janeiro: Zahar, 1993. JOLY, M. Introdução à Análise da Imagem. 9ª ed. Campinas: Papirus, 2005. REIS, Alice Casanova. A experiência estética sob um olhar fenomenológico. Arq. bras. Psicol. Rio de Janeiro, v. 63, n. 1, p. 75-86, 2011. Disponível em <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672011000100009&l- ng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 ago. 2018. SANTAELLA, L. A Teoria Geral dos Signos: semiose e autogeração. São Paulo: Ática, 1995. SILVEIRA, J. R. C. A imagem: interpretação e comunicação. In: Linguagem em (Dis)curso (LemD), Tubarão, SC, v. 5, n. esp., p. 113-128, 2005. Disponível em: http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/ view/282 acesso em 07 nov.2018. TREVISAN, A. Como apreciar a Arte - Do saber ao sabor: uma síntese possível. 3ª ed. Porto Alegre, RS: Age, 2002. VIÑUALES, J. El comentario de la obra de arte (metodologías concretas). Madrid: Unes, 2010. 28