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GESTÃO ORÇAMENTÁRIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luiz Eduardo Lanzini 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A escolha da melhor alternativa para financiar as atividades das 
empresas é uma função essencial para a gestão financeira. A escolha se dará 
pela sua natureza, que pode ser composta através dos recursos próprios dos 
sócios da empresa e recursos de terceiros. A definição da estrutura mais 
adequada depende dos cenários econômicos e também do mercado, ambos 
em constantes modificações e que podem estabelecer momentos favoráveis 
pela escolha de uma ou outra natureza. Porém, além da natureza, há também 
condições e modalidades de financiamento que fazem parte dessas decisões e 
que influenciam o desempenho das empresas. 
As condições para financiar atividades costumam ser tratadas como um 
obstáculo ao crescimento dos negócios. Fontes escassas ou condições de 
prazo e principalmente custos, entenda-se taxas de juros, são “punitivas” e a 
falta de planejamento adequado pode levar a empresa a ter sérios problemas 
financeiros. 
CONTEXTUALIZANDO 
A primeira função do administrador financeiro é entender a diferença 
entre liquidez e rentabilidade de um negócio. Na maioria das vezes, essas 
situações não são coincidentes, e é necessário respeitar o “momento” de cada 
uma. 
Para iniciar um negócio e também para mantê-lo com equilíbrio 
financeiro, o gestor, de forma abrangente, fará frente às seguintes decisões: 
1. decisões de investimento; 
2. decisões de financiamento; 
3. decisões relativas à destinação do eventual lucro do negócio. 
Quando elaboramos um orçamento, estamos gerando informações para 
a tomada de decisão. Qual o capital necessário? Qual a expectativa de venda e 
quais os custos da atividade? Entre outros questionamentos, são informações 
essenciais para a elaboração do orçamento e respectivos planos operacionais. 
Além disso, como a atividade empresarial é uma dinâmica entre as 
diversas contas, cabe ao gestor financeiro equilibrar a rentabilidade do negócio 
com as condições de liquidez. Condições nem sempre coincidentes. 
 
 
3 
Pesquise 
Em nosso sistema financeiro, há um importante agente responsável por 
fomentar recursos para as empresas. Pesquise no site do Banco Nacional do 
Desenvolvimento (BNDES) e verifique as linhas de crédito para o incentivo ao 
investimento empresarial. Compare finalidades de crédito e condições que o 
banco oferece no link <http://www.bndes.gov.br/#>. 
TEMA 1 – PROPOSTA DE FINANCIAMENTO 
A fonte de financiamento das empresas envolve o suprimento dos 
recursos necessários a suas operações normais e a captação de valores para 
investimentos em projetos com longos períodos de maturação. 
Braga (1995) menciona que as fontes de recursos à disposição de uma 
empresa podem ser classificadas de várias formas. Para o autor é possível 
diferenciá-las pelas seguintes características, “i) recursos próprios e recursos 
de terceiros; ii) recursos permanentes e recursos temporários; e iii) recursos 
onerosos e recursos não onerosos” (Braga, 1995, p. 26). 
Os recursos próprios são identificados no balanço patrimonial pelo 
patrimônio líquido. Além do capital integralizado, podem compor o saldo dessa 
rubrica as reservas contingenciais e os lucros reinvestidos. Recursos de 
terceiros são todas as dívidas contraídas e também os compromissos 
assumidos pela empresa, sejam financeiros ou obrigações contratuais como 
salários, fornecedores e impostos. 
A diferenciação entre recursos permanentes e temporários é o aspecto 
relacionado ao grau de exigência do recurso em relação ao prazo. Dívidas 
contraídas com a característica de longo prazo são classificadas como 
recursos permanentes da empresa. Normalmente, podem ser uma opção de 
financiamento porque, no sistema financeiro, as linhas de financiamento 
relacionadas ao longo prazo possuem condições do chamado crédito 
direcionado, em geral com condições de financiamento atrativas, como juros 
baixos e prazos estendidos para pagamentos. Financiamentos para as áreas 
habitacional, agrícola e de aquisição de bens e equipamentos são alguns 
exemplos dessas modalidades de crédito. Tecnicamente, os recursos próprios 
também são classificados como recursos permanentes. 
 
 
4 
Por analogia à explicação anterior, entendemos que os recursos 
temporários são aqueles cuja fonte de financiamento são dívida e 
compromissos de curto prazo. Empréstimos financeiros e passivos 
relacionados à atividade da empresa, como impostos, são exemplos de 
recursos temporários. 
Ainda pela definição das origens de recursos proposta por Braga (1995), 
verificamos que a fonte de recursos pode ser onerosa ou não onerosa. O ônus 
destacado se refere ao custo financeiro pela concessão do financiamento, ou 
seja, pelos juros pagos pela operação de financiamento ao agente financeiro 
ou, ainda, junto a uma negociação com fornecedor em que há acréscimo do 
valor mediante a extensão do prazo de pagamento. Um detalhe importante 
nesta interpretação é que um recurso não oneroso, como o pagamento de um 
imposto, pode se tornar oneroso se não o prazo de pagamento não for 
cumprido. Atrasos no pagamento podem incorrer em multa e juros diários, 
conforme prevê a lei. Logo, deve-se ter muito cuidado com essa classificação e 
com alternativas de financiamento para a empresa. 
As características descritas acima, bem como a sua aplicação no 
investimento, de certa forma, direcionam as modalidades de financiamento a 
ser escolhidas pelos gestores financeiros. Talvez o exemplo que mais chama a 
atenção é a escolha adequada para os investimentos classificados como 
permanentes da empresa, como imóveis e equipamentos. A possibilidade de 
retorno de investimento se dará de acordo com a vida útil do bem escolhido, 
em geral de longo prazo, portanto, pode-se relacionar a esse investimento 
permanente uma fonte de recurso permanente. Como destacado, para essa 
linha, pode-se encontrar operações financeiras mais favoráveis à composição 
de custos e fluxo de caixa da empresa para pagamento do bem e também do 
ônus financeiro. 
Um detalhe importante é que o resultado alcançado pela empresa nas 
suas operações pode ser reinvestido nela própria, aumentando a participação 
dos acionistas em seu financiamento. A destinação do lucro é a escolha para 
aumentar a participação dos recursos permanentes no financiamento da 
atividade empresarial. Ainda pode ser destacado que é possível existir 
restrições quanto à capacidade da organização em financiar as atividades da 
empresa, fato que pode estar relacionado à estratégia de crescimento das 
vendas, item considerado no orçamento de comercial. 
 
 
5 
O efeito de tomar recursos de terceiros a determinado custo, aplicando 
nos ativos com outra taxa de retorno, é definido como alavancagem financeira 
(Assaf Neto, 2012). O grau de alavancagem financeira (GAF) é definido pela 
razão entre os investimentos totais (ativo total) e os recursos próprios 
(patrimônio líquido). Assim, percebe-se que o ambiente financeiro em nosso 
país para as empresas de pequeno e médio porte indica que há uma 
dificuldade em obter recursos de longo prazo para investimentos e, 
normalmente, as empresas brasileiras financiam as suas atividades com 
recursos próprios ou recursos de curto prazo, estes com taxas de juros mais 
elevadas que os financiamentos de longo prazo. 
Saiba mais 
Conceito físico da alavanca: A aplicação de uma força menor no braço 
mais longo resulta em força contrária maior no braço mais curto. A semelhança 
com as finanças empresariais é que, com o mesmo investimento dos sócios, 
pode-se ampliar os ganhos com a “alavanca” dos recursos financeiros de 
terceiros (Figura 1). 
Figura 1 – Alavanca 
 
TEMA 2 – PASSIVOS DE FUNCIONAMENTO 
Entender o comportamento de algumas contas demonstradas nos 
balanços contribui para gerenciar determinadas situações nas empresase, por 
consequência, na construção do orçamento. 
Rosseti et al (2008) definem os passivos de funcionamento como as 
fontes de financiamentos espontâneos e não onerosos, ou seja, são passivos 
gerados pela atividade operacional da empresa, tais como: 
 Fornecedores: obrigações com os fornecedores de matérias-primas e 
produtos. 
 
 
6 
 Impostos a pagar: obrigações fiscais que têm como fato gerador a 
operação (finalidade) da empresa, como montante de vendas. 
 Salários e outras obrigações: salários, comissões, encargos sociais, 
entre outras obrigações. 
Esses passivos são consequências da própria atividade da empresa. O 
aumento dos valores desse grupo significa que a atividade operacional também 
deve ter aumentado. Por exemplo, se as obrigações com os colaboradores via 
salário aumentaram, significa que a empresa precisou contratar mais pessoas 
para trabalhar. O mesmo para os valores de impostos, se eles aumentam, 
significa que as vendas também aumentaram. É importante considerar os 
passivos de funcionamento como uma importante fonte de financiamento da 
empresa, incluindo os impostos (Braga, 1995). 
Nessas condições, o gestor financeiro tem conhecimento dos prazos de 
grande parte das suas fontes de financiamento. Por exemplo: os salários e 
suas obrigações são mensais, os impostos têm o seu fluxo de pagamentos, 
que deve ser de conhecimento de profissionais contadores responsáveis pela 
apuração, entre outras informações. 
Uma boa referência para melhorar as condições de financiamento por 
meio dos passivos circulantes da empresa são as negociações com 
fornecedores. Neste entendimento, cabe ao gestor melhorar as condições de 
seu interesse, como aumentar os prazos de pagamentos, conseguir descontos 
para pagamentos antecipados e outros benefícios. 
Pode-se perceber que os passivos de funcionamento ou, ainda, passivos 
operacionais de uma empresa se relacionam diretamente com os respectivos 
ativos operacionais, como ilustra a figura abaixo, e já demonstrado no 
entendimento a respeito do ciclo operacional da empresa. 
 
 
 
7 
Figura 2 – Ciclo operacional 
 
Se há salários e encargos para pagar, significa que a empresa tem uma 
atividade que demanda desse fator. De maneira análoga, podemos considerar 
que, se há compromissos tributários para pagar, estes, em sua grande maioria, 
são consequências das vendas da empresa, e assim para outras contas que 
observamos no ciclo. 
Diante dessa dinâmica, percebe-se que o orçamento de cada área 
operacional da empresa pode orientar uma contrapartida e, assim, estruturar 
de maneira ampla o planejamento. Há situações muito evidentes de causa e 
efeito. 
Ao definir o volume e os valores a serem praticados na área comercial, 
estabelece-se uma estimativa de impostos a ser recolhidos. Neste exemplo, 
ainda se pode estimar os valores compromissados com eventuais 
fornecedores. Ainda para as estimativas de vendas, ao se definir o local de 
venda e o canal, consegue-se estimar a necessidade de recursos (pessoas) 
bem como a necessidade logística de transporte e armazenamento, e assim 
sucessivamente. 
O documento que parecia ser complexo inicialmente, a partir do 
conhecimento dos conceitos que envolvem a sua elaboração, ao se iniciar o 
preenchimento de maneira estruturada e sequencial, começa a ser definido. 
 
 
8 
Trata-se das projeções para planejamento e controle abrangendo o maior 
número possível de informações. 
 
Saiba mais 
A classificação dos passivos de funcionamento é considerada nas 
avaliações de empresas, nas quais o valor apurado desta forma de 
financiamento é descontado no passivo total da empresa. Ver mais em: 
<http://www.contabilidade-financeira.com/2012/03/valor-do-empreendimento-
enterprise.html> 
TEMA 3 – ESTRUTURA DE CAPITAIS E SOLVÊNCIA 
A relação entre empresa, fornecedores e agentes financeiros remete à 
estrutura de capital, tanto nos investimentos quanto nas fontes de 
financiamento. As escolhas de alocação desses recursos geram 
consequências no desempenho financeiro da empresa. 
Assaf Neto (2012) menciona o conceito proposto por Modigliani e Miller, 
estudiosos pioneiros na referência ao tema estrutura de capital, que sugerem 
que a origem dos investimentos que determinam a estrutura de capital da 
empresa é irrelevante diante de um retorno satisfatório. Assim, a melhor 
condição de escolha do financiamento estaria na gestão adequada do ativo 
(investimento) e seu retorno. 
Em condições ideais, a empresa receberia de seus clientes à vista, mas 
negociaria com fornecedores e financiadores da empresa prazos maiores para 
os pagamentos. Porém, quando concede prazo para os clientes, ela assume o 
risco de fluxo de caixa. Nessa dinâmica, quanto maiores o juros das operações 
bancárias, menor o retorno para a empresa. 
Sabendo das condições acima, é importante conhecermos algumas 
operações do sistema financeiro para ajudar a entender a forma como 
estruturar financeiramente uma empresa. Como já demonstrado nas aulas 
anteriores, há no Brasil basicamente duas modalidades para o mercado de 
créditos: os chamados créditos direcionados, com condições vinculadas a 
subsídios que servem para financiar em linhas gerais os investimentos 
permanentes, e os créditos livres. 
 Os créditos livres são operações financeiras mais comuns e sua 
finalidade ou classificação depende da “criatividade” dos ofertantes dentro de 
 
 
9 
determinadas padronizações do Banco Central do Brasil, conforme destaca 
Fortuna (2010). Ainda de acordo com este autor, as principais modalidades de 
crédito livre por segmentação, para a segmentação de empresas, são: 
i) Capital de Giro: São operações tradicionais de empréstimos 
vinculadas a um contrato específico estipulando prazos, taxas, 
valores e garantias necessárias para compor os valores de capital 
para as empresas. 
ii) Conta garantida: Nesta modalidade de crédito abre-se uma conta 
com um limite de crédito com livre movimentação pelo cliente com 
compensações diárias suportadas pelo limite. Os juros sobre esta 
modalidade são calculados diariamente sobre o saldo devedor e 
com pagamentos geralmente no primeiro dia útil do mês seguinte 
ao da movimentação. 
iii) Hot Money: empréstimo de curtíssimo prazo, normalmente de um 
dia e no máximo dez dias. 
iv) Descontos de Títulos: é o adiantamento de recursos ao cliente 
feito pelo banco ou outros agentes financeiros sobre valores 
referenciados em títulos. (Notas promissórias). O objetivo desta 
modalidade é a antecipar o fluxo de caixa do cliente 
v) Aquisição de Bens: Crédito para compra de automóveis e outros 
bens de duráveis como equipamentos de informática e demais 
equipamentos. Geralmente com prazos maiores e com taxas de 
juros inferiores às modalidades recomposição de giro de recursos 
financeiros da empresa já mencionadas anteriormente. 
vi) Vendor Finance: é uma modalidade de financiamento de vendas 
para empresas na qual quem contrata o crédito é o vendedor do 
bem, mas quem paga é o comprador. Nessa modalidade a 
empresa vendedora deixa de financiar os seus clientes e assim 
não precisar recorrer ela mesmo a empréstimos com finalidade de 
capital de giro. É uma modalidade que relaciona empresas e 
instituição financeira através de contrato. Geralmente pela 
estruturação da operação e pela formalização, são operações com 
custos financeiros mais atrativos para as empresas. (Fortuna, 
2010) 
Decisões de quanto emprestar, como avaliar os candidatos a 
empréstimos e qual taxa de juros será cobrada dependem da finalidade da 
operação. Prazos e condições contratuais também contribuem para definir o 
risco. Os créditos livres têm, geralmente, prazos menores e normalmente 
financiam a atividade operacional das empresas ou, no caso das pessoas 
físicas, o consumo não permanente. Nessas condições, a situação do agente 
bancário em relação à exposição do risco pode ser condicional. Para os 
maiores riscos, maioresas taxas de juros. 
Este é o ponto, a demonstração de que os financiamentos das 
atividades operacionais (que, por sua vez, são geralmente mais caros) expõem 
as empresas às condições de solvência. Como ficou demonstrado, a estrutura 
de capital e a capacidade de solvência são decisões de longo e também de 
curto prazo. Nas duas situações há possibilidade de se afetar o desempenho 
da empresa. 
 
 
10 
Saiba mais 
O Banco Central do Brasil classifica as modalidades de empréstimo de 
acordo com a característica do contrato. As instituições financeiras também 
usam diversas nomenclaturas para as suas operações de crédito. Consulte 
algumas modalidades de financiamento em: <www.bcb.gov.br>. 
TEMA 4 – ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CAPACIDADE DE PAGAMENTO 
A liquidez de uma empresa é medida pela sua capacidade de honrar 
suas obrigações de curto prazo e longo prazos (Assaf Neto, 2012). A sua 
análise é utilizada para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, ou 
seja, constitui uma apreciação sobre a capacidade dela de saldar seus 
compromissos com terceiros. A liquidez é medida em índices, que são 
avaliados pelo critério de “quanto maior, melhor”. 
A forma de acompanhar a liquidez pode ser por indicadores. Eles 
estabelecem a relação entre as contas ou grupo de contas das demonstrações 
contábeis, visando evidenciar determinado aspecto da situação econômico-
financeira de uma empresa, e servem como um termômetro para indicar suas 
condições financeiras. 
Os indicadores apontam a capacidade de pagamento da empresa. 
Braga (1995), destaca os principais indicadores e seu objetivo, conforme 
quadro a seguir: 
Quadro 1 – Indicadores de liquidez 
Liquidez imediata (LI): Disponível / Passivo Circulante 
Este indicador mede a capacidade financeira da empresa em honrar imediatamente 
seus compromissos de curto prazo, contando apenas com suas disponibilidades, ou seja, os 
recursos disponíveis em caixa ou bancos. 
Liquidez corrente (LC): Ativo Circulante / Passivo Circulante 
A liquidez corrente é um dos indicadores mais utilizados em análise econômico-
financeira, mostrando quanto a empresa poderá dispor em recursos no curto prazo (caixa, 
bancos, clientes, estoques, etc.) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, 
empréstimos e financiamentos de curto prazo, contas a pagar, etc.). 
Liquidez Seca (LS): (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante 
Esse indicador é uma medida mais rigorosa da liquidez da empresa. Mostra quanto a 
empresa poderá dispor de recursos circulantes, sem levar em consideração seus estoques, 
para fazer face às suas obrigações de curto prazo. Liquidez geral (LG): Ativo Circulante + 
Ativo Realizável a Longo Prazo / Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo 
A liquidez geral, ou índice de solvência geral, é uma medida de capacidade da 
empresa em honrar todas as suas exigibilidades, contando, para isso, com os seus recursos 
realizáveis a curto e longo prazo. 
Fonte: Elaborado com base em Braga, 1995. 
 
 
11 
Os índices de liquidez são uma forma de medir o grau de solvência de 
uma empresa, e não necessariamente indicam sua capacidade de saldar seus 
compromissos nos prazos estabelecidos. A adequação dos prazos de 
pagamentos e recebimentos é que vai estabelecer as condições financeiras do 
empreendimento. Alguns autores chamam essa prática de tesouraria. 
Além disso, existe uma condição não descrita nos índices que, 
justamente, é descrita nas atividades operacionais da empresa e, portanto, 
deve estar prevista no orçamento empresarial. Já foi verificado que a 
concessão de crédito aos clientes pode ser um importante propulsor de 
vendas, mas as condições para transformar isso em caixa no prazo 
preestabelecido depende muito da qualidade da operação. Outra situação é a 
capacidade de converter os estoques em recursos financeiros. A depreciação 
do valor ou até mesmo a deterioração podem comprometer a conversão 
esperada. 
Os índices não devem ser considerados isoladamente, e sim num 
contexto mais amplo, em que cabe interpretar também outros indicadores e 
variáveis. Muitas vezes, um alto grau de endividamento não significa que a 
empresa esteja à beira da insolvência, já que existem outros fatores capazes 
de atenuar essa condição. 
Como utilizar esses índices na elaboração do orçamento empresarial? A 
composição dos índices de liquidez é baseada nas informações de 
demonstrativos contábeis, neste caso, principalmente, o balanço patrimonial. 
Ele tem, como uma de suas características, apresentação dos resultados das 
contas após o registro e encerramento das atividades da empresa durante o 
exercício social, ou seja, o registro dos fatos contábeis após efetivamente 
terem ocorrido, portanto, apresenta uma situação estática das informações da 
organização após seu acontecimento e dessa composição são extraídas as 
análises pertinentes. 
Como orçamento visa justamente o planejamento com base em cálculos 
antecipados, utiliza-se a combinação de projeções combinadas para se prever 
um balanço patrimonial e assim extrair os índices. 
Além da verificação do comportamento das estruturas das contas do 
balanço, também é possível extrair e projetar as condições de pagamento ou 
folga nos seus passivos para eventuais empréstimos para novos investimentos. 
Portanto, acompanhar as condições de liquidez da empresa e simular diversas 
 
 
12 
situações pertinentes às orientações operacionais, ou até mesmo de recursos, 
são premissas que também podem estar contempladas no orçamento 
empresarial. 
Saiba mais 
A liquidez de uma empresa pode ser apresentada em tradicionais 
indicadores. Consulte: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/indi
ces-de-liquidez.htm>. 
TEMA 5 – ANÁLISE DE TENDÊNCIA 
A principal limitação do orçamento empresarial talvez seja a 
necessidade de se prever condições futuras para os negócios. 
A dinâmica do mercado, cada vez mais competitivo e especializado, a 
tecnologia e a escassez de recursos podem dificultar ainda mais a capacidade 
dos gestores de enxergarem condições futuras. Se acrescentarmos a essas 
variáveis a instabilidade econômica de um ambiente ou país, ou, até mesmo, a 
efervescência política, temos que qualquer previsão para o orçamento é 
questionável. 
Nas orientações estratégicas, esse fenômeno também é percebido. 
Kassai et al destacam algumas frases famosas da história que se tornaram um 
grande fiasco no ambiente empresarial. Seguem alguns exemplos: 
“O fonógrafo não tem valor comercial.” 
Thomas Alvin Edison, Inventor do fonógrafo – 1880. 
“É impossível ter máquinas voadoras mais pesadas que o ar!” 
Lord Kelvin, Matemático e Físico britânico presidente da British Royal 
Society – 1895. 
“Eu penso que existe um mercado mundial para cerca de cinco 
computadores.” 
Thomas J. Watson, Presidente da IBM – 1943. 
“Com pouco mais de 50 carros já à venda aqui, a indústria 
automobilística japonesa não tem possibilidade de capturar uma 
grande fatia de mercado norte-americano.” 
Business Week, 2 de agosto de 1968. 
(Kassai et al, 2000, p. 24) 
Naturalmente, analisar essas frases sem entender o contexto não é 
válido. Hoje parecem absurdos os erros de previsão, algumas delas vindas de 
pessoas que lideravam as suas empresas ou estavam diretamente ligadas aos 
seus negócios, porém tais situações demonstram a dificuldade de se prever as 
condições empresariais. 
 
 
13 
São muitos itens ou variáveis que compõem as condições do orçamento, 
e as técnicas de previsão vem sendo aprimoradas. Normalmente, trabalha-se 
com técnicas qualitativas e quantitativas para se mitigar erros de projeção. A 
premissa é a aceitação da incidência de riscos para qualquer variável. Risco 
corresponde a um evento ou condição incerta que, se efetivamente ocorrer, 
pode impactar um negócio positiva ou negativamente. Para analisar um risco, 
considera-se uma probabilidade e um impacto. 
As técnicas qualitativas podem explorardados passados e presentes 
para se antecipar a tendência futura ou mesmo, a partir de uma meta ou 
objetivo futuro, verificar se há condições ou restrições para os dados presentes 
observados. As principais técnicas qualitativas dependem de tempo para a 
realização do levantamento, custos para buscar informações e, naturalmente, a 
disponibilidade de dados. Elas podem ser: 
 Entrevistas: entrevistas estruturadas ou abertas com as pessoas 
responsáveis por áreas específicas, como vendedores, gerente de 
produção, entre outros, além, é claro, de diretores e gestores da cúpula 
estratégica. 
 Painel de consenso: técnica que converge à exposição do ponto de vista 
de várias pessoas em reuniões ou documentos. 
 Método Delphi: semelhante ao painel de consenso, que envolve a 
participação de um grupo de pessoas, porém os participantes não se 
comunicam. Dessa forma evita-se a influência ou conflito entre os 
participantes. A dificuldade é estabelecer critérios para fazer a 
convergência de opinião necessária. 
 Brainstorming: técnica para gerar ideias através de processo controlado 
de pensamento lateral que ajuda a levantar possíveis riscos. 
 Pesquisa de mercado: técnica reconhecida como um importante 
instrumento do marketing, consistindo em sondagens com potenciais 
consumidores ou clientes. Exige habilidades para se avaliar 
amostragens e projetar questionários. 
 Analogia ou Benchmarking: consiste em utilizar dados conhecidos e 
consagrados de certa variável ou modelo para ser replicado. Exige a 
definição de padrões e a capacidade de avaliar condições especiais para 
se garantir o sucesso, além de ser custosa em alguns casos. 
 
 
14 
Por outro lado, há técnicas quantitativas que envolvem procedimentos 
estatísticos e matemáticos. Essas técnicas consistem em explorar dados para 
se fazer inferências estatísticas por meio de modelos específicos. Os métodos 
mais conhecidos são: 
 Média aritmética simples e móvel: os valores futuros são determinados 
pelas médias periódicas. Para algumas variáveis, pode-se adotar um 
número razoável da população ou até mesmo a população inteira, como 
o faturamento anual distribuído mês a mês, entre outros. 
 Correlação: esta técnica mede o grau de relacionamento entre duas 
variáveis ou um conjunto delas. Indica a maneira como elas se 
comportam. Por exemplo: o consumo de sorvetes aumenta de acordo 
com o aumento da temperatura. Nesse caso, há uma correlação positiva 
entre consumo de sorvete e aumento de temperatura. A quantificação 
dessa relação é obtida estatisticamente pelo coeficiente de correlação. 
 Regressão linear: consiste em uma tentativa de se estabelecer uma 
equação matemática (linear) que descreva o relacionamento que possa 
haver entre variáveis. Quando uma empresa quer entender quanto um 
investimento em propaganda impacta o faturamento, por exemplo, pode 
estimar através desta técnica estatística. 
 Programações matemáticas: são cálculos que envolvem a comparação 
de alternativas a partir de restrições ou objetivos entre variáveis. Hoje, 
as planilhas eletrônicas oferecem as funções de “atingir meta” ou 
“solver”, que são um exemplo de uma programação matemática ou 
programação linear. 
Todos os modelos qualitativos ou quantitativos apresentados são 
aplicáveis. Elas permitem reconhecer relações históricas de causa e efeito, a 
influência e o comportamento de variáveis dependentes e independentes. Uma 
dificuldade é que nem sempre são reconhecidos os fatores efetivamente 
relacionados, principalmente para horizontes de longo prazo, mas eles podem 
produzir ótimas previsões de curto e médio prazos, sendo úteis para a 
elaboração do orçamento empresarial. 
 
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TROCANDO IDEIAS 
Como a empresa pode montar um painel de especialistas para ser 
utilizado na sua previsão orçamentária? Faça um levantamento de informações 
disponíveis e importantes que podem ser usadas pela empresa e organize um 
painel de “especialistas”. A empresa não precisa de especialistas contratados, 
mas pode organizar informações e previsões fornecidas por diversas 
publicações. 
NA PRÁTICA 
 Pesquise referências dos indicadores apresentados nessa rota 
e compare com as informações divulgadas para qualquer setor. Sua tarefa 
é descrever como a definição de metas desses indicadores pode ser 
planejada no orçamento empresarial para uma empresa específica. 
FINALIZANDO 
Esta aula foi importante para entendermos as fontes de financiamento 
da empresa. É interessante a classificação entre passivo de funcionamento e 
financiamento, e o seu entendimento permite ao gestor financeiro melhorar as 
suas negociações. Tais situações complementam ainda mais a necessidade e 
as consequências da dinâmica das contas operacionais, popularmente 
conhecidas como capital de giro e, como efeito, permitem gerenciar melhor os 
passivos circulantes. 
Ainda foi possível compreender formas de avaliar o desempenho das 
empresas. Os indicadores ou índices facilitam bastante o trabalho de 
análise, uma vez que a apreciação de certas relações ou percentuais 
é mais significativa que a observação de montantes. De fato, os índices 
servem como um termômetro da saúde financeira da empresa. Porém, 
para fornecer um parecer conclusivo, é necessário analisar outros 
aspectos da estrutura financeira e econômica da empresa. 
 
 
16 
Finalmente, foram levantadas formas de aprimorar as condições de 
previsibilidade necessárias para compor o orçamento empresarial. 
Considerados uma limitação da ferramenta, os erros de previsão podem ser 
mitigados se forem adotados procedimentos quantitativos relacionados a 
modelos estatísticos e, também, abordagens qualitativas. Todas essas técnicas 
contribuem para as projeções da área comercial, principalmente, mas também 
dos demais planos operacionais. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-
financeiro. São Paulo: Atlas, 2012. 
BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São 
Paulo: Atlas, 1995. 
CARNEIRO, M.; MATIAS, A. B. Orçamento empresarial: teoria, práticas e 
novas técnicas. São Paulo: Atlas, 2011. 
FORTUNA, E. Mercado financeiro: produtos e serviços. Rio de Janeiro: 
QualityMark, 2010. 
FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 5. 
ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
GUINDANI, A. et al. Planejamento estratégico orçamentário. Curitiba: 
InterSaberes, 2012. 
KASSAI, J. R. et al. Retorno de investimento: abordagem matemática e 
contábil do lucro empresarial. São Paulo: Atlas, 2000. 
MOREIRA, J. C. Orçamento empresarial: manual de elaboração. 5. ed. São 
Paulo: Atlas, 2011. 
ROSSETTI, J. P.; et al. Finanças corporativas: teoria e prática empresarial do 
Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 
SOBANSKI, J. J. Prática de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2000.

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