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Síntese da dissertação: BOTAN, Everton. Ensino de Física para Surdos: Três Estudos de Caso da Implementação de uma Ferramenta Didática para o Ensino de Cinemática. Cuiabá, 2012. 250f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Naturais, Instituto de Física, Universidade Federal de Mato Grosso.
Lidiane Pereira de Souza (1) lidi-souza30@hotmail.com (LIQUIDA, UFMT, Cuiabá - MT)
Este trabalho trata-se da síntese de uma dissertação de mestrado profissional, sendo esta composta por uma introdução acompanhada de seis capítulos, onde BOTAN (2012) descreve sobre sua trajetória, motivação e participação em um grupo de estudos ao qual ele participou. O autor é graduado em Ciências Naturais e Matemática - Física, Licenciatura, pela UFMT- SINOP, mestrado em Ensino de Ciências pela UFMT- Cuiabá e Doutor em Física - Astrofísica, pela UFSC, atualmente professor na UFMT - Sinop, onde desenvolve trabalhos em Astrofísica, Ensino de Física e Astronomia. 
No primeiro capítulo da dissertação, intitulado: PORQUÊ DESTE TRABALHO, o autor apresenta as justificativas e motivações pela escolha do tema (Inclusão de Surdos e Ensino de Física). 
No segundo capítulo ou no terceiro item, como o autor descreve, apresenta a revisão de literatura, a qual foi dividida em três categorias (Inclusão de Surdos, Ensino de Ciências Naturais e Matemática e Ensino de Física). Posteriormente no quarto item, desenvolve os fundamentos teóricos que orientaram a construção e a implementação da ferramenta didática numa situação de ensino, apropria-se da Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) e da Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica (TASC), e também dos princípios da Inclusão de Surdos. Este capitulo está dividido em dois subitens que se subdividem para detalhar sobre cada assunto, sendo esses: 4. 1 SOBRE OS SURDOS E A LÍNGUA DE SINAIS, 4.1.1 Um pouco da história da educação dos surdos, 4.1.2 A importância da língua e o ensino bilíngue, 4.1.3 O intérprete de língua de sinais, 4.1.4 O que os surdos pensam sobre a inclusão, 4.2 A TEORIA DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA, 4.2.1 A dinâmica cognitiva da aprendizagem significativa e 4.2.2 Os princípios da Aprendizagem Significativa Crítica. 
Já no item cinco, o autor detalha sua escolha metodológica da pesquisa e do ensino; posteriormente no sexto item, descreve o material didático elaborado, material este que é um fascículo para o ensino de Mecânica, o qual, naquele momento envolveu temas da Cinemática, este fascículo é parte integrante da série “Sinalizando a Física” que conta com três vocabulários de Física nas áreas de Mecânica, Eletricidade e Magnetismo, Óptica e Termodinâmica. Esse material didático faz parte das atividades desenvolvidas pelo o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação de Surdos Édouard Houet, atuante na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário de Sinop, desde 2008, com objetivo de desenvolver pesquisas sobre o Ensino de Física, Educação de Surdos, Educação Inclusiva, Língua de Sinais e Libras. BOTAN (2012), relata que por volta do segundo ano da graduação foi implementado no Campus Universitário de Sinop, um projeto de pesquisa e produção de materiais didáticos para o ensino de Física para surdos – o Projeto Sinalizando a Física. Foi então, que o autor se interessou pela cultura surda e educação bilingue o que desencadeou e possibilitou sua pesquisa de mestrado. 
 Seguindo adiante no item sete, o autor apresenta as transformações e análises dos dados obtidos da investigação desenvolvida em três etapas, observação de sala de aula, implementação da ferramenta didática e entrevistas semiestruturadas. Por fim, são apresentadas as considerações finais do trabalho. 
Nesse sentido, a dissertação discute o tema inclusão de estudantes surdos sob a perspectiva do Ensino de Física. Para tal o autor elabora e implementa um material didático para o ensino de tópicos de Cinemática (ramo da física que se ocupa da descrição dos movimentos de pontos, corpos ou sistemas de corpos), o trabalho se dá com um grupo de três estudantes surdos de uma escola pública da cidade de Sinop/MT, além desses estudantes há também a participação de três professores e três interpretes de LIBRAS, esses participantes foram observados e responderam a questionários semiestruturados, o que permitiu a BOTAN a coletar e analisar dados. 
A dissertação está pautada na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel e Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica de Moreira, considerando os princípios da Educação Inclusiva e Ensino de Surdos numa perspectiva Bilíngue, proposto pela SEDUC-MT (Secretária de Educação de Mato Grosso). 
Na introdução do trabalho Botan, relata sobre as várias problemáticas que se tem ao ensinar física para surdos, como justificativa para sua dissertação Botan diz: “O conhecimento científico, construído significativamente, proporciona certo empoderamento desenvolvendo no aprendiz a capacidade de que, mesmo como membro integrante de uma cultura, seja capaz de estabelecer parâmetros de criticidade.” (BOTAN, 2012, pág. 01). 
Durante a dissertação é possível evidenciar alguns problemas do ensino/educação, que mostram inúmeras dificuldades teóricas e metodológicas, principalmente no que diz respeito às especificidades sociais e culturais, no caso do sujeito surdo. Ainda quando estava na graduação e iniciou sua participação no projeto Sinalizando a Física Botan, percebe a falta de sinais específicos de Física e que o empréstimo de outras línguas de sinais não minimiza esse problema. Sendo assim, ainda que por muitas outras indagações e autor se questiona: como os professores ensinam física para pessoas cuja língua não possui o vocabulário necessário? Nesse sentido o autor se firmou nas teorias de aprendizagem significativa dos autores acima citados e nos princípios da educação inclusiva, nesse caso a educação bilingue para surdos. Sendo assim, Botan (2012) traz como objetivos: Elaborar um material didático para o ensino de tópicos de Cinemática, potencialmente significativo, à luz do modelo construtivista de aprendizagem; implementar o material didático com um grupo de estudantes surdos de uma escola regular de ensino; pesquisar por indícios de aprendizagem significativa do conteúdo de Física; inferir sobre o processo de inclusão de estudantes desenvolvido no sistema regular de ensino.
No capítulo 03, revisão de literatura, Botan (2012) realizou uma análise dos artigos encontrados a fim de apontar os conceitos, princípios e teorias que estão sendo desenvolvidos a respeito da educação de surdos e, assim, situar e explicitar as contribuições deste trabalho para a área. As Palavras-chave utilizadas foram: Ensino de Física, Ensino de Cinemática, Educação Inclusiva, Surdez, Língua Brasileira de Sinais. Os textos encontrados e classificados nesta categoria são trabalhos completos e resumos expandidos apresentados em eventos da área, na pesquisa não encontramos nenhum artigo publicado em revistas. 
Para este o autor delimitou três categorias, sendo essas: Educação Inclusiva, Ensino de Ciências e Matemática e Ensino de Física, com a quantidade de 29,5,5, publicações respectivamente. Para a Educação Inclusiva Botan (2012) aponta que, existem certa quantidade de trabalhos que focam a atenção na discussão dos processos de inclusão e de garantia do exercício da cidadania para todos (surdos, cegos, deficientes físicos, negros, índios, brancos, pobres), ainda nesses trabalhos o objetivo da escola inclusiva, as quais, eram antes escolas regulares os currículos foram reconfigurados para atender crianças com necessidades educacionais especiais. O autor trata que algumas práticas equivocadas, ganham destaques os trabalhos de Lopes (2005), Lopes (2007) e Lopes e Menezes (2010) que discorrem sobre as reivindicações surdas de uma escola inclusiva que respeite as diferenças culturais dos surdos. Enquanto que para Quadros (2004) critica que nas escolas se observa a submissão/opressão dos surdos ao processo educacional ouvinte. Botan (2012) também usa Thoma e Klein(2010) para ressaltando que, embora o ensino de surdos no Brasil não seja orientado pelas práticas do oralismo, as condições mínimas, parecem não serem garantidas, correndo o risco de manter as características excludentes vividas, pelos surdos ao longo de sua história. Quanto a alfabetização do surdo, o autor traz o desenvolvimento sociointeracionista de Vygotsky, onde se baseia em (GÓES, 2000; SOUZA, 2000).
Ao explorar aspectos relativos à leitura e escrita, em especial ao fracasso na instrução do estudante surdo que tem se mostrado iletrado, segundo aponta Benvenuto (2010). O autor usa Costa (2003) que propõe uma lógica da produção textual do surdo, onde existe falta ou pouco uso de artigos, conjunções, preposições e outras categorias gramaticais (tipo telégrafo), pode ser melhor entendida através dos fundamentos da Linguística. Botan (2012) detalha um achado em meio a sua busca nos periódicos Capes, um trabalho intitulado: A educação que nós surdos queremos e temos direito, elaborado pelos surdos no V Congresso Latino-Americano de Educação Bilíngue para surdos realizado em 1999, onde as autoras Nery e Batista (2004) lançam mão do uso sistemático de representações visuais, como desenhos, fotos e pinturas, usualmente empregadas em situação de ensino de crianças pré-escolares, em atividades pedagógicas na educação de uma estudante surda de 19 anos.
Agora tratando da segunda categoria Ensino de Ciências e Matemática, Botan (2012) encontra em suas pesquisas trabalhos que discutem os aspectos da prática docente (formação inicial, 10 língua de sinais, intérpretes, infraestrutura, preconceito e avaliação de aprendizagem). Nessa perspectiva o autor se firma em BORGES e COSTA (2010) que investigam relatos de professores que atuam nessa área. Ainda sobre esses relatos, Botan (2012) cita alguns que encontrou nesses trabalhos, esses relatos também se parecem com os que ele mesmo se depara em sua pesquisa, tais relatos são descritos em detalhes e alguns vivenciados por Botan na fase da observação. Dentre esses estão: os alunos chegam à escola sem aprender assuntos que deveriam ser aprendidos/vivenciados em casa; dificuldade com a Língua Portuguesa, piorando com terminologias cientificas; falta de formação sobre Educação Inclusiva, entre os profissionais da escola; falta de normalização e uso da LIBRAS como L1 (primeira Língua). Para tratar da língua natural da comunidade surda, Botan (2012) usa Quadros (2006), Feltrini e Gauche (2007), que defendem o uso da LIBRAS como meio de instrução formal, sendo assim o não uso da LIBRAS desapropriado para o desenvolvimento cognitivo e linguísticos dos alunos surdos. 
Ainda nessa categoria o autor destaca a falta de correspondência de muitos termos das Ciências Naturais (átomo, mol, elétron, íon, energia, inércia, gravidade, massa, etc.), que foi observado em sua pesquisa nos trabalhos de Sousa e Silveira (2011) na Química e Botan e Cardoso (2009a, 2009b) na Física. Sendo que no que diz respeito à Química Pereira, Benite e Benite (2011) ressaltam as dificuldades dos intérpretes no domínio da linguagem química, bem como do pouco conhecimento acerca da Química, fundamentais para realizar os processos de interpretação. Essa falta de conhecimento é comumente observada em sala de aula, devido a formação do interprete, lembrando que o interprete escolar, interpreta todas as disciplinas em seu turno, o que mais adiante em suas observações Botan relata. 
Por fim na categoria Ensino de Física, também é relatado que os textos que abordam estratégias de ensino centradas na visão, como o texto de Souza, Lebedeff e Barlette (2007). Sendo esse trabalho pautado no ensino de Hidrostática, Botan (2012) descreve essas estratégias e destaca as dificuldades, envolvidas no processo de ensino-aprendizagem da Física. O autor também se pauta em Silva e Baumel (2011a, 2011b), Almeida, et al, (2011) e Botan e Cardoso (2009a, 2009b) que destacam a falta de correspondente na Libras para muitos termos utilizados nas aulas de Física, tais como Watt, Potência, Energia, Inércia, massa, entre muitos outros. (BOTAN, 2012, pág. 11) 
Os fundamentos teóricos dessa dissertação são pautados nas teorias de aprendizagem significativa e aprendizagem significativa crítica, anteriormente mencionadas, nesse capítulo Botan (2012), traz a história da LIBRAS, juntamente com a história da língua de sinais, onde o autor fala sobre a língua de sinais francesa e a fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e também sobre a Língua de Sinais Americana. Botan (2012) utiliza-se de autores como: Sacks (2010), Pinto (2007), Lima (2004) e Soares (2005) para discursar sobre os surdos e a língua de sinais. O que ainda se vale destacar que para Benvenuto (2010) surdos que tiveram uma educação marcada pelo oralismo se tornaram analfabetos funcionais. 
Posteriormente no subitem A importância da língua e o ensino bilíngue, Botan (2012) utiliza-se de autores como: Vygotsky (2008), Sacks (2010), Quadros (1997), Góes e Lacerda (2000), Mayberry e Squires (2006), Capovilla 2009), Lopes e Menezes 2010), Lacerda e Lodi (2007), UNESCO (1994). Para relatar a importância do ensino bilingue e o reconhecimento da língua como direito a comunicação e respeito a cultura surda, bem como a forma de aprendizagem do aluno surdo, que são os recursos visuais e linguísticos envolvidos no desenvolvido sociocultural. 
Já no que diz respeito ao Intérprete de Língua de Sinais, o autor destaca alguns preceitos, que segundo as orientações do MEC/Secretaria de Educação Especial (SEESP, 2004) é atribuição do intérprete de Libras/Português: confiabilidade (sigilo profissional); imparcialidade (o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias); discrição (o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação); distância profissional (o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados); fidelidade (a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi dito). 
No próximo subitem o autor relata sobre: O que os surdos pensam sobre a inclusão, essa visão se deu a partir da implantação da proposta de escolas inclusivas pela SEDUC-MT, a comunidade surda se posiciona contrária ao método utilizado, levando em consideração a mobilização nacional de protesto em relação ao modelo de inclusão. A comunidade surda defende defender que é necessária uma inclusão pautada pela ética, respeito e atendimento da diferença surda, para tanto o autor pauta-se em: Lopes e Menezes (2010), Sacks (2010), Benvenuto (2010). Desta forma, o pressuposto de que estar inserido na escola regular não significa garantia de aprendizagem e de que é necessário promover práticas que considerem especialmente as peculiaridades linguísticas dos surdos. Sendo assim, é possível verificar que a dissertação de Botan se baseia nesses teóricos e de acordo com a visão dos surdos sobre inclusão é que a proposta do material didático foi trabalhada. 
Ainda no capítulo sobre fundamentos teóricos, Botan (2012) descreve sobre: A teoria de aprendizagem significativa. Nesse subitem o autor fundamenta-se em: Novak, (1981), Moreira (2006 e 2011), Moreira e Masini (2006). Nesse subitem o autor descreve algumas condições para que a aprendizagem significativa ocorra na prática, sendo essas: que o material a ser aprendido seja relacionável (ou incorporável) à estrutura cognitiva do aprendiz, de maneira não-arbitrária e não-literal. Um material com essa característica é dito potencialmente significativo. Essa condição implica não só que o material seja suficientemente não-arbitrário em si, de modo que possa ser aprendido, mas também que o aprendiz tenha disponível em sua estrutura cognitiva os subsunçores (assunto completamente novo para o aprendiz) adequados; que o aprendiz manifeste uma disposição para relacionar de uma maneira substantiva e não-arbitrária o novo material, potencialmente significativo, à sua estrutura cognitiva.(BOTAN, 2012, pág. 28).
Posteriormente, Botan (2012) descreve sobre os três tipos de aprendizagem significativa, que para Ausubel são: a aprendizagem representacional, a aprendizagem de conceitos e a aprendizagem proposicional. Sendo que na aprendizagem representacional o aprendiz atribui significados a determinados símbolos, normalmente palavras, na aprendizagem de conceitos o aprendiz constrói conceitos para uma determinada informação, esses conceitos são representados por símbolos, enquanto que na aprendizagem proposicional o aluno aprender o significado de ideias sob a forma de proposições. Sendo assim a aprendizagem proposicional esta diretamente ligada aos outros dois tipos de aprendizagem. 
Nos subitens: A dinâmica cognitiva da aprendizagem significativa e os princípios da Aprendizagem Significativa Crítica. Botan (2012) relata alguns princípios para facilitar a aprendizagem significativa crítica, que segundo Moreira (2010) são: Princípio do conhecimento prévio, Principio da interação social e do questionamento, Princípio da não centralidade do livro de texto, Princípio do aprendiz como perceptor/representador, Princípio do conhecimento como linguagem, Princípio da consciência semântica, Princípio da aprendizagem pelo erro, Princípio da desaprendizagem, Princípio da incerteza do conhecimento, Princípio da não utilização do quadro-de-giz e o Princípio do abandono da narrativa. Finalizando o capitulo da fundamentação teórica. 
Partindo para os delineamentos metodológicos da pesquisa e de ensino, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa nos pareceu mais adequada para investigar o problema proposto, pois apresenta as características participativa, interpretativa e naturalista. A intenção deste tipo de pesquisa é chegar a uma interpretação dos significados que os sujeitos – estudantes surdos – atribuem ao conhecimento aprendido, dentro de um contexto em que foram vivenciados. Isto apenas é possível através da observação participativa do investigador que se insere no fenômeno de interesse (a inclusão de surdos e o próprio evento educativo). (BOGAN,2012, p. 35). Segundo o autor para a construção e implementação do material didático, foi utilizado o conhecimento como produto de processos construtivos. Neste sentido considerou-se adequadas as avaliações, escritas e verbais (utilizando a Libras), o que permitiu comparar as formas. Como instrumentos de coleta de dados, Botan (2012) utilizou: notas de observações de sala de aula, notas de aulas e entrevistas semiestruturadas. 
Segundo Botan (2012) para a descrição dos sujeitos e as etapas da pesquisa, se deu em meio ao contexto da proposta de educação inclusiva da SEDUC-MT, desenvolvida numa escola estadual de Sinop-Mato Grosso: Escola Estadual Nilza de Oliveira Pipino. Nesta proposta, os estudantes surdos frequentam as salas de aulas regulares da rede pública de ensino sobre uma perspectiva de ensino bilíngue, a qual, ao que nos parece, consiste em proporcionar ao surdo a oportunidade de ter acompanhamento de um intérprete que domine LIBRAS e Português. Neste espaço escolar conta-se, além da presença dos professores de cada disciplina, com um intérprete de Libras/Português. 
Quanto aos sujeitos da pesquisa e com o intuito de preservar a identidade dos sujeitos envolvidos, o autor utilizou nomes fictícios atribuído a cada participante, Professora de Física do primeiro ano Leta, Professora de Física do terceiro ano Helena, Intérprete de Libras/Português do primeiro ano Polly, Intérprete de Libras/Português do terceiro ano Marta, Estudante surdo do primeiro ano Pedro, Estudante surda do terceiro ano Lúcia e Estudante surda do terceiro ano Susana. 
Posteriormente no item 6, o autor traz a descrição do material didático. Sendo este uma referência ao projeto “Sinalizando a Física” – vinculado ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação de Surdos Édouard Houet, atuante na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário de Sinop, desde 2008, com objetivo de desenvolver pesquisas sobre o Ensino de Física, Educação de Surdos, Educação Inclusiva, Língua de Sinais e Libras. O conjunto de atividades compreende um fascículo para o ensino de Mecânica, o qual, neste momento, envolve temas da Cinemática. Contudo, têm-se a pretensão de compor atividades para os seguintes temas: Movimento, Força, Trabalho e Energia, Rotação e Mecânica dos Fluidos. Em cada um destes temas, que se constituem capítulos do fascículo, propõe-se o desenvolvimento de duas a três atividades experimentais o de demonstrações. (BOGAN,2012, p.48). 
No item 7 intitulado: Transformações e Análise Dos Dados, o autor detalha sobre as Observação da Sala de Aula, Levantamento de Subsunçores via negociação de significados, Entrevista com o estudante Pedro, Entrevista com a estudante Susana, Entrevista com a professora Leta, Entrevista com a professora Helena, Entrevista com a intérprete Polly, Entrevista com a intérprete Marta. Para a execução e transcrição das entrevistas o autor utiliza-se de uma legenda, afim de que o leitor entenda algumas expressões. Sendo essas: L1- Locutor um; L2 - Locutor dois; E- Entrevistador (Everton Botan); [- usada superposição de falas; = - continuação de fala; ((comentário)) - comentário do transcritor/entrevistador; / - interrupções; : - prolongamento de vogal ou consoante; … - pausa; (hipótese) - hipótese do que foi ouvido; MAIÚSCULA - Sinais da Libras; <SINAL +> - ênfase em Libras; <oração> qu - marcação interrogativa da Libras (expressão não manual); <oração> n - marcação negativa da Libras (expressão não manual); <oração> mc - marcação associada com foco (afirmação não manual); “discurso” - discurso direto; ()- incompreensão de palavras/sinais. As entrevistas foram gravadas em vídeo. No caso dos alunos surdos as respostas foram interpretadas pela intérprete ao entrevistador. Na transcrição constam as falas de todos os sujeitos envolvidos, inclusive os sinais realizados pela intérprete e estudante. 
Em suas Considerações Finais, Botan (2012) destaca que as observações de sala de aula e entrevistas com professores é notório que o conteúdo e as estratégias avaliativas são diferentes para os alunos surdos e ouvintes. Durante as avaliações os estudantes surdos dispunham de privilégios no uso do material didático e a participação da intérprete corrigindo e resolvendo os exercícios, buscando as respostas no livro-texto, bem como atitudes extremas, como a dispensa do aluno da aula. O autor considera que o material em si, sem a orientação da TAS e dos princípios da TASC subjacente à implementação, não é diferente de qualquer outro material. Neste sentido, a ação docente se torna eficiente quando o professor possui instrumentos para orientar as atividades e avaliar a evolução conceitual do aprendiz. Um processo de ensino em que o professor, por vezes, não tenha clareza dos motivos e objetivos da realização das atividades e avaliações, estará fadado ao fracasso. 
Botan também conclui que, os surdos despertam certos sentimentos de compaixão e complacência em outros ouvintes que aprovam a maneira como os surdos são tratados nas atividades de sala de aula e até mesmo consentem persuadidos. Os professores parecem concordar que essas atitudes não constituem inclusão efetiva, pois não forneciam as condições mínimas (caligrafia e linguagem gestual) para que os alunos enfrentassem dificuldades extracurriculares como o acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. O autor também destaca a importância em enfrentar os problemas da inclusão de surdos em duas frentes principais: 1. Ambiência escolar, enfocando a interação e adequação da comunidade ouvinte com a dos surdos e 2. Buscar meios de alfabetização eficazes que possam levar ao domínio da Língua Portuguesa em situações de ensino específicas para surdos. (BOTAN, 2012, pág. 128). 
Nesse sentido o trabalho desenvolvido por Botan, mostra que ainda há muito o que se pesquisar e fazer sobre educação inclusiva, também devemos aqui salientar a necessidade de implementar verdadeiramente a inclusão, respeitando a língua,a cultura e a comunidade surda como um todo. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BOTAN, Everton. Ensino de Física para Surdos: Três Estudos de Casos da Implementação de uma Ferramenta Didática para o Ensino de Cinemática / Everton Botan. -- 2012. xiii, 250 f.: il. color.; 30 cm. Orientadora: Iramaia Jorge Cabral de Paulo. Co- orientador: Fabiano César Cardoso. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Física, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais, Cuiabá, 2012.
BOTAN, E.; CARDOSO, F. C. Ensino de Física, Língua Brasileira de Sinais e o Projeto “Sinalizando a Física”: Um Movimento a Favor da Inclusão Científica. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2009a.
_________. Ensino de Física e a Língua de Sinais: A Proposta de Um Vocabulário de Mecânica. In: 61ª Reunião Anual da SBPC. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2009b.
CARDOSO, Fabiano César; BOTAN, Everton; FERREIRA, Miriam Raquel. Sinalizando a Física - 1 - Vocabulário de Mecânica. Projeto "Sinalizando a Física", Sinop, 2010. Disponível em:<https://drive.google.com/file/d/1uETSktTGvi66utQ7BJchy_42s2Kg9zPv/view> Acesso em: 15/11/2022

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