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Empresário individual e sociedades 
empresárias
Apresentação
Conhecer as possibilidades de formatação jurídica para quem quer empreender é de fundamental 
importância para calcular os riscos do negócio. Assim, torna-se fundamental aprender quais são as 
distinções entre as diversas roupagens jurídicas para o negócio. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordados a empresa, o empresário e a sociedade 
empresária e suas distinções conceituais.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o que vem a ser empresa, o empresário e a sociedade empresária.•
Distinguir empresa de empresário e empresário individual de sociedade empresária.•
Reconhecer esses institutos e sua correta regulamentação.•
Desafio
João pretende empreender no ramo da beleza e criar o Instituto de Beleza João Mafra. Ao 
consultar as várias possibilidades que se lhe apresentam, João não sabe quais os riscos correria se: 
a) criasse uma sociedade com a sua esposa; 
b)empreendesse sozinho, em seu nome próprio; 
c) empreendesse por meio de uma Sociedade Limitada Unipessoal (SLU).
Quais são os riscos ao patrimônio pessoal de João se, após empreender, o negócio não der certo? 
Você saberia lhe indicar quais são as melhores formas para proteger seu patrimônio?
Infográfico
No infográfico a seguir, estão ilustradas as distinções entre as diversas roupagens jurídicas para o 
negócio
Conteúdo do livro
O exercício da atividade empresarial é regulamentada pelo Código Civil de 2002, demonstrando a 
união do direito econômico privado, com a possibilidade de abrangência de diferentes atividades 
que não encontravam regulamentação, como os profissionais liberais que constituem elemento de 
organização societária na forma de empresa.
Neste Capítulo de Empresário Individual e Sociedades Empresárias, você aprenderá a distinguir 
entre empresa, empresário e sociedades empresárias, assim como estudará a evolução da antiga 
teoria dos atos do comércio para a teoria da empresa. Aprenda, também, sobre a regulamentação 
das atividades empresariais, conferindo que apenas aos empresários se poderá outorgar o benefício 
da recuperação judicial.
Boa leitura. 
DIREITO COMERCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar o que vem a ser empresa, o empresário e a sociedade em-
presária.
 > Distinguir empresa de empresário e empresário individual de sociedade 
empresária.
 > Reconhecer esses institutos e sua correta regulamentação.
Introdução
O desenvolvimento de um país forte está ligado a uma economia forte, pau-
tada na livre concorrência e na paridade entre os agentes econômicos, o que 
tem como pressuposto a regulamentação das atividades econômicas e a sua 
fiscalização pelos órgãos governamentais. Nesse sentido, ganha relevância a 
correta abrangência das atividades que impulsionam a economia, especialmente 
as empresariais.
Neste capítulo, vamos definir o que é empresa, empresário e sociedade 
empresária, abordando a evolução do Direito Comercial até sua nova concep-
ção como Direito Empresarial. Também vamos refletir sobre a nova Teoria da 
Empresa adotada pelo Código Civil brasileiro de 2002, em que as atividades 
Empresário 
individual e 
sociedades 
empresárias
Eduardo Kucker Zaffari
exercidas ganham relevo e proteção legal, visando ao desenvolvimento da 
indústria e do comércio nacionais.
A empresa, o empresário e a sociedade 
empresária
A união de pessoas para se atingir o mesmo fim existe desde a antiguidade 
mais remota. Francisco Cavalcante Pontes de Miranda, considerado um dos 
maiores doutrinadores que o país já teve, dava notícia de que, na antiguidade 
remota da Babilônia, os antigos firmavam sociedades mediante contratos 
que se extinguiam com a morte de seus partícipes, por meio da liquidação 
realizada pelos seus herdeiros. Na Grécia, as diferentes sociedades poderiam 
ter os mais diversos fins, desde comerciais, industriais, religiosos, até a união 
de guerreiros em associação (PONTES DE MIRANDA, 2012). Ao atualizar a obra 
de Pontes de Miranda, Alfredo de Assis Gonçalves Neto traz a moderna con-
cepção de contrato de sociedade, elemento caracterizador do que virá a ser a 
união de esforços por um fim comum, afirmando que “contrato de sociedade 
é o contrato pelo qual duas ou mais pessoas se vinculam, reciprocamente, a 
colimar fim comum, mediante coatividade” (PONTES DE MIRANDA, 2012, p. 64).
Esse conceito do atualizador da obra permite a compreensão de que a 
manifestação de vontade de uma ou mais pessoas para a obtenção de pres-
tações de interesse comum é a causa da contratação em sociedades. São re-
lações jurídicas formadas contratualmente para a consecução de fins comuns. 
Exatamente nesse sentido, o art. 981 do Código Civil brasileiro prescreve que 
“celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam 
a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica 
e a partilha, entre si, dos resultados” (BRASIL, 2002, documento on-line).
As expressões “fundo de comércio” e “estabelecimento comercial” 
referem-se ao conjunto de bens corpóreos e incorpóreos da atividade 
empresarial. Embora a primeira tenha origem francesa e a segunda expressão 
decorra da doutrina italiana, são usualmente empregadas como sinônimos pela 
doutrina brasileira.
Empresário individual e sociedades empresárias2
O direito brasileiro adotou a Teoria da Empresa desenvolvida na Itália para 
a caracterização dos atos empresariais, em que se valorizam as atividades 
de produção e circulação de bens ou serviços, excluindo-se as de cunho 
intelectual, científico, literário ou artístico. Negrão (2020, p. 33) afirma que 
“é empresarial a atividade econômica organizada para a produção ou a cir-
culação de bens ou de serviços”, arrematando que “será empresário aquele 
que exercer profissionalmente esta atividade”. Embora esse conceito exclua 
algumas atividades, como as intelectuais e artísticas, não se deve olvidar 
que algumas entidades empresariais fornecerão bens e serviços ligados às 
atividades excluídas, como as empresas de entretenimento que se utilizam 
de atividades artísticas para atingir seus fins (p. ex., as emissoras de sinal 
de televisão).
Diferentes abordagens podem ser adotadas para a compreensão do perfil 
da empresa, do empresário e da sociedade empresária. O primeiro aspecto que 
pode ser estudado é o aspecto subjetivo da empresa, em que se compreende o 
estudo da pessoa que exerce a atividade empresarial, seja essa pessoa natural 
ou jurídica (quando se organiza como sociedade empresária). Aqui se leva em 
conta quem exerce a atividade. A segunda abordagem que pode ser adotada 
é o aspecto objetivo da empresa, concentrando-se nos bens corpóreos e 
incorpóreos utilizados no ato empresarial. Afirma-se o aspecto objetivo por 
considerar o estabelecimento empresarial e aquilo que é necessário para a 
realização dos fins da sociedade. Outra abordagem que poderá caracterizar a 
atividade empresarial é o aspecto funcional, pois vai se considerar a própria 
atividade desenvolvida pela sociedade ou empresário para que se atinjam 
os fins propostos por ela. Noutros termos, nessa abordagem consideram-se 
as atividades realizadas pela entidade que a caracterizam como empresa ou 
sociedade empresária. Um quarto aspecto, que no Brasil não se considera 
na Teoria da Empresa, por estar afeto à legislação trabalhista, é o aspecto 
corporativo, também chamado “institucional”. Nesse aspecto, é estudado e 
analisado o esforço empregado pelos colaboradores e empregados da empresa 
para que se realizem as atividades empresariais. Embora seja fundamental o 
esforço empregado pelos colaboradores da empresa na união entre capital e 
trabalho, esse último aspecto é estudado pelo Direito do Trabalho e recebe 
regramento próprio (NEGRÃO, 2020).
Ulhoa Coelho (2019, p. 47) afirma que “empresário é a pessoa que toma a 
iniciativa de organizar uma atividade econômica de produção ou circulação 
de bens ou serviços”. Pode-se afirmarque será empresário aquele que detém 
conhecimentos específicos para compreender os ganhos e riscos de deter-
minada atividade, optando por empreender em certa atividade econômica.
Empresário individual e sociedades empresárias 3
Atendendo-se ao prescrito no art. 968 do Código Civil, o registro 
da atividade empresarial se fará no Registro Público de Empresas 
Mercantis, em que deverão constar os dados do empresário, a sua firma, o capital 
empreendido, o objeto e a sede da empresa (BRASIL, 2002).
Diante da regulação das atividades empresariais em diferentes textos 
normativos, gera-se alguma confusão entre as diferentes expressões adotadas, 
o que torna necessária a elucidação sobre o emprego de cada uma delas. 
O principal equívoco é confundir a pessoa do empresário com as sociedades 
empresárias e seus sócios. O uso coloquial para denominar as entidades que 
exercem atividades empresariais acaba por induzir erro.
Tecnicamente falando, a empresa é a atividade empresarial a que ela se 
propõe, conforme seu aspecto funcional. A empresa é uma atividade exercida, 
não a pessoa jurídica propriamente dita. O uso comum da expressão leva ao 
equívoco popular de considerar a empresa como a sociedade em si. A enti-
dade composta para o exercício de atividades empresariais será denominada 
“sociedade empresária” quando ela for composta por diferentes sócios unidos 
para atingir um determinado fim econômico. Sendo assim, não está correto 
denominar os sócios de uma sociedade empresária como “empresários”, 
devendo-se chamar a eles “sócios” dessa sociedade empresária. Essa socie-
dade empresária poderá ser composta por pessoas naturais e/ou pessoas 
jurídicas, todas denominadas simplesmente como “sócios”. Observe-se, en-
tretanto, que a atividade empresarial poderá ser realizada por uma pessoa 
natural que se registra para tal fim, sem necessariamente se associar com 
terceiros. Nessa hipótese, vai se estar à frente de um empresário que exerce 
atividades empresariais sem compor uma sociedade empresarial composta 
por diferentes sócios.
Distinguindo-se empresa de empresário 
e empresário individual de sociedade 
empresária
Um ponto que costuma gerar alguma confusão é o uso indistinto dos termos 
“empresário” e “comerciante”. A doutrina e a legislação brasileiras empregam 
o nome “Direito Comercial” para se referir ao ramo do Direito destinado a 
estudar os meios socialmente estruturados para a resolução de conflitos 
Empresário individual e sociedades empresárias4
decorrentes de relações correlatas à atividade de produção e circulação 
de bens e serviços. Essa tradição foi reforçada com o advento do Código 
Comercial — Lei nº 556, de 25 de junho de 1850 (BRASIL, 1850a). Entretanto, a 
riqueza das atividades que movimentam a economia, incluindo as atividades 
bancárias, securitárias e de prestação de diversos serviços, ampliou o es-
pectro de estudo desse ramo do Direito. Daí a necessidade de evolução para 
uma designação mais abrangente, encontrando-se no Direito Empresarial a 
possibilidade de inserção de uma gama muito maior de atividades a serem 
reguladas. Numa tentativa de unificar e atualizar a legislação outrora deno-
minada como “Comercial”, O Código Civil de 2002 estabeleceu em seu art. 966 
o Direito da Empresa (BRASIL, 2002). Nesse sentido, embora se possam usar 
as expressões “comerciante” e “empresa” ou “Direito Comercial” e “Direito 
Empresarial” para designar os mesmos fenômenos, as últimas expressões 
são certamente mais abrangentes e modernas.
Dois são os sistemas que regulam a teoria empresarial na tradição ro-
mânica do Direito: o francês e o italiano. O sistema francês, que surge com o 
Código Comercial francês de 1808, identifica atos de comércio que permitem 
a divisão das atividades em civis e comerciais, evoluindo para distinguir-se 
da antiga objetivação de que seriam comerciantes apenas aqueles que esti-
vessem inscritos em determinadas corporações. Essa evolução no sistema 
francês permitiu que pudesse ser considerado comerciante (termo usado à 
época, quando do advento daquele Código) qualquer cidadão que realizasse 
um ato de comércio. Ao falar desse sistema, Negrão (2020, p. 33) explica que 
o conceito objetivo de comerciante no sistema francês é “aquele que pratica 
atos de comércio com a habitualidade e profissionalidade”. Por sua vez, o 
sistema italiano trouxe uma nova perspectiva na medida em que abandonou a 
concepção francesa de dividir as atividades (civis e comerciais), integrando-as 
e excepcionando quando não forem as atividades tipicamente empresariais 
(ULHOA COELHO, 2019).
As diferentes espécies de pessoas jurídicas de direito privado es-
tão descritas no art. 16 do Código Civil brasileiro, em que constam 
as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas e os 
partidos políticos. Destas, apenas as sociedades poderão exercer atividades 
empresariais (BRASIL, 2002).
Empresário individual e sociedades empresárias 5
A inclusão da atividade empresarial no Código Civil brasileiro de 2002 
retrata a adoção no Direito brasileiro do sistema italiano, segundo o qual 
será empresarial toda atividade econômica organizada para a produção e 
circulação de bens ou serviços, excluindo-se, conforme prescreve o parágrafo 
único do art. 966 do Código Civil, “quem exerce profissão intelectual, de 
natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares 
ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de 
empresa” (BRASIL, 2002, documento on-line). Desse modo, as atividades 
empresariais serão aquelas que tiverem as características elencadas a seguir, 
segundo Negrão (2020).
 � Economicidade: faz-se necessária a circulação ou criação de riquezas, 
assim como de bens e serviços patrimonialmente valoráveis.
 � Organização: compreende tanto o trabalho quanto a tecnologia, os 
insumos e o capital, sejam estes próprios ou alheios.
 � Profissionalidade: a atividade não deve ser ocasional, mas habitual e 
com a assunção em nome próprio dos riscos da empresa.
Essas características demonstram a superação da fase do subjetivismo 
existente na Idade Média, que considerava comerciante apenas quem estivesse 
inscrito em uma corporação, em direção a uma maior abertura àqueles que 
pretendessem o exercício do comércio. Foi a adoção da Teoria da Empresa, 
cujo foco seria a caracterização das atividades empresariais, que permitiu 
a valorização e proteção da empresa (esta como atividade) em relação aos 
seus integrantes. Focando-se no aspecto subjetivo da empresa, Chagas (2019, 
p. 94) caracteriza empresário como “o empreendedor que, individualmente, 
predispõe-se a exercer a atividade empresarial”, salientando que o risco 
de tal escolha, em caso de insucesso do empreendimento a que se dispõe, 
recairá sobre “o patrimônio particular do empreendedor”, que “responderá 
pelo passivo a descoberto da atividade empresarial”. Teixeira (2019, p. 59), 
ressaltando a literalidade das características constantes no Código Civil, 
leciona que “empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, 
de acordo com o art. 966 do Código Civil de 2002”. Chagas (2019) alerta que o 
exercício da atividade empresarial de forma individual impede que a pessoa 
Empresário individual e sociedades empresárias6
natural empresária invoque o princípio da separação patrimonial em seu favor. 
Teixeira (2019, p. 59) destaca a importância do empresário ao afirmar que este 
“é um ativador do sistema econômico. Ele é o elo entre os capitalistas (que 
têm capital disponível), os trabalhadores (que oferecem a mão de obra) e os 
consumidores (que buscam produtos e serviços)”.
Não se deve confundir, entretanto, a empresa como atividade exercida 
pelo empresário individual com a empresa como atividade exercida pela 
sociedade empresária. Se a empresa é a atividade econômica organizada 
para a circulação de bens e serviços, tendo como fim o lucro, o empresárioserá aquele que exerce a atividade, o que poderá ser realizado na forma 
individual ou coletiva. Ao passo que o empresário individual é o titular da 
atividade empresarial sem qualquer outro empresário (sócio) em sociedade, 
na sociedade empresária há a união de duas ou mais pessoas, naturais ou 
jurídicas, na qualidade de sócios. A sociedade empresária também poderá ser 
denominada “empresário coletivo”, pois a empresa terá mais de um titular.
Regulamentação da atividade empresarial
O Direito Comercial brasileiro se inicia com a vinda da família imperial brasi-
leira, no início do século XIX, mais precisamente com a abertura dos portos 
às nações amigas pela Corte recém-chegada ao Brasil após o bloqueio naval 
imposto por Napoleão a Portugal. No ano de 1808, diversos atos legais per-
mitiram a implantação de indústrias em solo brasileiro, que tinham a missão 
de atender às mais de 10 mil pessoas chegadas de Portugal, mas igualmente 
à Coroa inglesa, que fornecia proteção a Portugal em troca de facilidades 
comerciais. Por exemplo, os produtos importados pela Inglaterra advindos 
de Portugal eram taxados à razão de 16%, ao passo que os produtos impor-
tados do Brasil eram taxados à de 15%. Em 1808, instalou-se na colônia um 
Tribunal da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação (ULHOA 
COELHO, 2019).
O retorno de parte da família imperial a Portugal, em 1815, reclamou um 
maior desenvolvimento comercial pátrio, pois o crescimento econômico 
propiciado pela vinda da Corte no início daquele século demonstrou que a 
colônia era mais atraente que o velho continente. Esse vigor econômico do 
país que se iniciava redundou no Código Comercial de 1850 — Lei nº 556/1850, 
regulamentada pelo Decreto nº 737, de 25 de novembro de 1850 (BRASIL, 
1850b). No documento, estabelecia-se que (BRASIL, 1850a, documento on-line):
Empresário individual e sociedades empresárias 7
Art. 19. Considera-se mercancia:
§ 1º A compra e venda ou troca de efeitos móveis ou semoventes para os vender por 
grosso ou a retalho, na mesma espécie ou manufaturados, ou para alugar o seu uso.
§ 2º As operações de câmbio, banco e corretagem.
§ 3º As empresas de fabricas; de com missões; de depósitos; de expedição, con-
signação e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos.
§ 4º Os seguros, fretamentos, risco, e quaisquer contratos relativos ao comércio 
marítimo.
§ 5º A armação e expedição de navios.
Inspirado no Código Comercial francês, o novel regulamento à época 
destacava os atos de comércio, com expressa submissão dos comerciantes ao 
Tribunal do Comércio. Essa divisão entre uma jurisdição civil e outra comercial 
representava a adoção do sistema francês de Direito Comercial, o que se 
rompe apenas a partir da década de 1960, quando o ordenamento comercial 
brasileiro se aproxima do sistema italiano. Não obstante tenha vigorado por 
longo período, Teixeira (2019, p. 43) afirma que o revogado Código “é até hoje 
elogiável em razão da técnica e da precisão. Teve como inspiração os Códigos 
Comerciais da França, da Espanha e de Portugal”. O Código Civil brasileiro de 
2002, embora a sua longa tramitação entre os anos de 1975 e 2002, aderiu 
à doutrina italiana com a incorporação da união da disciplina privada da 
atividade econômica (BRASIL, 2002).
O sistema italiano de Teoria da Empresa, que é adotado no Brasil 
atualmente, foi desenvolvido pelo jurista italiano Alberto Asquini 
(1889–1972). Dentre as diversas obras escritas pelo autor, destacam-se Curso 
de Direito Comercial e Título de Crédito.
Será empresário, conforme prescreve o art. 966 do Código Civil, aquele que 
exercer profissionalmente atividade econômica organizada para a produção 
ou a circulação de bens ou de serviços, excluindo-se as atividades intelectual, 
de natureza científica, literária ou artística. Os profissionais liberais estarão 
submetidos a essa regulamentação caso insiram a sua atividade em uma or-
ganização empresarial, o que se afere pela expressão “elemento de empresa” 
constante no parágrafo único desse artigo (BRASIL, 2002).
Empresário individual e sociedades empresárias8
O Livro II do Código Civil, denominado “Do Direito da Empresa” e dedicado 
à atividade empresarial, afirma ser possível, quando atendidos os requisitos 
específicos, a caracterização de empresário e a execução coletiva de seu 
patrimônio por meio da falência, bem como o requerimento da recuperação 
judicial, ambos previstos na Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005 (BRASIL, 
2002, 2005). Observe-se que, para o gozo dessas prerrogativas, é necessária a 
inscrição de empresário, conforme consta no art. 967 do Código Civil, segundo o 
qual “é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade” (BRASIL, 2002, 
documento on-line). De acordo com Mamede (2019, p. 148), “a recuperação 
judicial é instituto, medida e procedimento que se defere apenas em favor 
de empresas, ou seja, que somente pode ser requerida por empresários ou 
sociedades empresárias”. Chagas (2019) afirma que é necessária a conjunção 
do exercício da atividade empresarial como um aspecto formal (o registro no 
órgão competente há pelo menos dois anos) e um aspecto material (de ativi-
dade real e efetiva da atividade empresarial pelo prazo mínimo de dois anos).
O empresário caracterizado no Código Civil, em seu art. 966, pode ser 
denominado “de gênero”, cuja espécie poderá ser individual ou coletiva. 
O empresário individual encontra seu regramento legal na Lei Complementar 
nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que é a legislação básica das empresas 
de pequeno porte, o microempresário e o microempresário individual. Esse 
documento define expressamente que todo e qualquer benefício previsto 
na lei se aplica ao microempreendedor individual, mesmo que se destine ao 
microempresário ou a empresa de pequeno porte (BRASIL, 2006).
Mamede (2019) adverte que o Código Civil divide as sociedades em simples 
e empresárias, sendo estas últimas aquelas em que as sociedades exercem as 
atividades de empresa e estão sujeitas a registro. As sociedades empresárias 
poderão se dividir em sociedade em nome coletivo (art. 1.039 e seguintes do 
Código Civil), sociedade em comandita simples (art. 1.045 e seguintes do Código 
Civil), sociedade limitada (art. 1.052 e seguintes do Código Civil), sociedade 
anônima (art. 1.088 e seguintes do Código Civil) e sociedade em comandita 
por ações (art. 1.090 e seguintes do Código Civil) (BRASIL, 2002). Em relação 
às sociedades por ações, deve-se destacar a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro 
de 1976, que versa sobre as sociedades por ações, regulamentando o seu 
funcionamento (BRASIL, 1976).
Empresário individual e sociedades empresárias 9
Neste capítulo, você pôde compreender a distinção entre empresa, empre-
sário e sociedade empresária, conhecendo a evolução do Direito Comercial 
até sua nova concepção como Direito Empresarial. Além disso, refletimos 
sobre a nova Teoria da Empresa adotada pelo Código Civil brasileiro de 2002.
Referências
BRASIL. Decreto nº 737, de 25 de novembro de 1850. Determina a ordem do Juízo no Pro-
cesso Commercial. Brasília: Presidência da República, 1850. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/historicos/dim/DIM0737.htm. Acesso em: 16 set. 2022.
BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Na-
cional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das Leis 
no 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho 
- CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei no 10.189, de 
14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga 
as Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. Brasília: 
Presidência da República, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/lcp/lcp123.htm. Acesso em: 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 556, de 25 de junho de 1850.Código Comercial. Brasília: Presidência da 
República, 1850. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LIM/LIM556.
htm. Acesso em: 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 
Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília: Presidência 
da República, 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
l10406compilada.htm. Acesso em: 16 set. 2022.
BRASIL. Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a recuperação judicial, a extra-
judicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília: Presidência 
da República, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2005/lei/l11101.htm. Acesso em: 16 set. 2022.
CHAGAS, E. E. Direito empresarial esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.
MAMEDE, G. Direito empresarial brasileiro: falência e recuperação de empresas. 10. 
ed. São Paulo: Atlas, 2019.
NEGRÃO, R. Manual de direito empresarial. São Paulo: Saraiva, 2020.
PONTES DE MIRANDA, F. C. Contrato de sociedade: sociedade de pessoas. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2012. (Coleção Tratado de Direito Privado, t. 49).
TEIXEIRA, T. Direito empresarial sistematizado: doutrina, jurisprudência e prática. São 
Paulo: Saraiva, 2019.
ULHOA COELHO, F. Curso de direito comercial: direito de empresa. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2019.
Empresário individual e sociedades empresárias10
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os edito-
res declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Empresário individual e sociedades empresárias 11
Dica do professor
No vídeo a seguir, serão abordadas as possíveis roupagens jurídicas, o empresário individual e suas 
responsabilidades e a sociedade empresária.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/f3ac4ee1269d3164ca270d261c6f35b9
Exercícios
1) As atividades humanas encontraram na pessoa jurídica uma forte mola propulsora. Dentre as 
vantagens de se criar uma pessoa jurídica, NÃO podemos considerar:
A) A pessoa jurídica é uma criação do Direito para permitir um novo sujeito de direitos a partir 
da união de outras pessoas.
B) O fundamento da existência da pessoa jurídica está ligado à finitude da vida humana.
C) Uma vez que as pessoas naturais são finitas, com vida esgotável, as atividades que são 
exercidas por elas poderiam se extinguir com a sua morte.
D) Quando se cria uma pessoa jurídica, esta tende a existir indeterminadamente e pode ser 
gerida por diversas pessoas geração após geração.
E) Com a criação da pessoa jurídica, ocorre uma fusão entre os direitos e obrigações de cada 
sócio, como pessoa natural, e os direitos e obrigações da sociedade da qual eles são sócios.
2) Um dos benefícios da criação da pessoa jurídica é a distinção das obrigações da sociedade e 
da pessoa de cada sócio. Por isso, NÃO é correto afirmar:
A) Em razão dessa distinção obrigacional entre sócios e sociedade, tem-se uma fácil identificação 
da pessoa com quem se está relacionando, a pessoa jurídica, ou a pessoa física dos sócios.
B) A distinção obrigacional e, consequentemente, patrimonial revela um campo fértil para 
fraudes.
C) Em razão de se permitir uma limitação da responsabilidade dos sócios em face das obrigações 
da pessoa jurídica, é difícil ocorrer o abuso dessa personalidade por parte dos sócios.
D) Em razão das eventuais fraudes que podem e são cometidas, o legislador, em várias 
oportunidades, fez previsões da desconsideração da personalidade jurídica para 
responsabilizar pessoalmente os sócios por aquilo que, inicialmente, seria de responsabilidade 
da sociedade.
A desconsideração da personalidade jurídica ocorre em caso de abuso da personalidade 
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial. Pode o juiz 
decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no 
E) 
processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos 
aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
3) Veja-se que o abuso da personalidade jurídica se caracteriza, como regra geral, pelo desvio 
de finalidade ou pela confusão patrimonial. São hipóteses bastante amplas, que permitem 
uma análise caso a caso pra a chamada “disregard doctrine”. Acerca dessa teoria, NÃO se 
pode afirmar:
A) Torna-se importante observar que a desconsideração da personalidade jurídica ocorre em 
juízo e não corresponde à anulação do contrato social que deu origem à sociedade.
B) Em verdade, a desconsideração é genérica, ou seja, ocorre em relação a diversos atos 
praticados pela sociedade, subsistindo esta mesmo que ocorra sua desconsideração.
C) A desconsideração da personalidade jurídica (“disregard doctrine”) é amplamente usada e, em 
muitos casos, sem critérios rígidos, o que permite um excesso na desconsideração, que é, por 
natureza, uma exceção à regra da limitação da responsabilidade dos sócios.
D) Em verdade, um dos grandes incentivos à iniciativa privada é a limitação da responsabilidade 
dos sócios, os quais constituem uma sociedade para exercer determinada atividade.
E) Em regra, o sócio só investe parte do seu patrimônio para formar o capital social se ele tiver 
uma garantia de que o seu patrimônio pessoal não será afetado em caso de insuficiência de 
recursos por parte da sociedade.
4) Sobre a “disregard doctrine”, existem diversos posicionamentos. Mas, há uma certeza, trata-
se de um importante instituto para coibir fraudes. Nesse sentido, NÃO se pode afirmar:
A) A “disregard doctrine”, também conhecida como desconsideração da personalidade jurídica, 
poderá ser utilizada sempre que juízes entenderem por bem aplicá-la.
B) O que vem acontecendo no Brasil é a utilização demasiada e sem critérios da teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica, o que está afastando os empreendedores do setor 
produtivo, com a consequente migração desses profissionais e de seu capital para o setor 
especulativo.
C) O setor produtivo é tão importante quanto o financeiro, mas é certo que a geração de 
empregos, tributos e tecnologia, dentre outros, ocorre com maior intensidade no setor 
produtivo. Por isso, deve haver uma correta aplicação da desconsideração da personalidade 
jurídica.
D) Ainda que se tenha uma desconsideração da personalidade jurídica da sociedade, com a 
consequente afetação do patrimônio pessoal dos sócios, a constrição dos bens dos sócios só 
ocorre depois de terem sido utilizados e esgotados os bens da sociedade.
E) O benefício de ordem é bem acertado, pois não faz sentido buscar a satisfação de um crédito 
no patrimônio pessoal dos sócios se a sociedade possui bens bastantes para honrar suas 
obrigações.
5) O empresário individual sempre foi estudado fora do âmbito das sociedades, especialmente 
pelo fato de o exercício da empresa por esta figura jurídica ocorrer de forma solitária. Isso o 
retirava da classificação de sociedade, pois, para se caracterizar como tal, necessariamente 
devem estar presentes no mínimo duas pessoas, que reciprocamente se obrigam a 
contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre 
si, dos resultados. Sobre essa roupagem jurídica, NÃO é correto afirmar:
A) Antes do advento da Lei n. 12.441/11, a responsabilidade do empresário individual era 
ilimitada em relação às obrigações contraídas no exercício da empresa.Isso criava embaraços 
para o empresário, que encontrava na sociedade uma forma mais adequada de separar o 
patrimônio afetado pela atividade e do pessoal.
B) Em razão da Lei n. 12.441/11, surgiu a possibilidade de limitar a responsabilidade, criando-se 
uma personalidade jurídica distinta da personalidade da pessoa física do empreendedor que 
permite distinguir o patrimônio afetado pela atividade e o pessoal de quem empreende.
C) O empresário individual de responsabilidade limitada, para se valer das prerrogativas 
conferidas pela lei e ser caracterizado como tal, deve preencher alguns requisitos. O primeiro 
deles é integralizar o capital social no limite mínimo equivalente a 100 vezes o maior salário 
mínimo vigente no país. Contudo, uma vez efetivamente integralizado, o capital da empresa 
individual de responsabilidade limitada não sofrerá nenhuma influência decorrente de 
ulteriores alterações no salário mínimo.
D) O nome empresarial deve ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a 
denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. Uma exigência legal 
se refere ao fato de que a pessoa natural, para se valer dessa modalidade de exercício da 
empresa, somente pode figurar em um registro dessa natureza.
E) Segundo impede o Código Civil que ao empresário individual de responsabilidade limitada, 
constituído para a prestação de serviços de qualquer natureza, seja atribuída a remuneração 
decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de 
que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional.
Na prática
Os formatos empresarias tem sofrido alterações nos últimos anos, considerando as mas recentes 
alterações legislativas, que tiveram como objetivo fomentar a abertura a manutenção das empresas.
Confira, Na Prática a seguir, o caso um Arquiteto que estava em dúvida sobre o melhor formato 
empresaria a ser adotado.
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
TUDO SOBRE A SOCIEDADE UNIPESSOAL LTDA - SLU
A Sociedade Unipessoal Ltda. (SLU), está instituída conforme o Parágrafo Primeiro, do Artigo 1.052 
do Código Civil e em obediência ao contido na instrução normativa DREI no 63, de 11 de junho de 
2019. Saiba mais sobre ela no vídeo abaixo:
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Sebrae empreendedor: Como abrir um MEI?
Você já pensou em ter sua própria empresa? Saiba como obter a formalização como MEI neste 
vídeo do SEBRAE logo abaixo.
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Desconsideração da Personalidade Jurídica
Veja um pouco do instituto da "Desconsideração da Personalidade Jurídica" e seus diversos 
conceitos.
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https://youtu.be/MobQkZpKBgE
https://youtu.be/qwEPAlTn5xQ
https://www.youtube.com/embed/pmGO1Egbv3o

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