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CONCEITOS BÁSICOS DE FINANÇAS�
�
DINHEIRO, INFLAÇÃO E JUROS 
 
 
Profa. Dra. Sirlei Pitteri 
2021 
ü  80% da população era composta por escravos. 
ü  Economia agrícola. 
ü  Senhores de escravos ficavam com toda a produção. 
FASE PRÉ-CAPITALISTA 
ü  Hierarquia feudal 
ü  Igreja católica - maior proprietária de terras na Idade Média. 
ü  Bispos e abades deviam lealdade à Igreja em Roma. 
ü  Ética paternalista cristã – valores opostos ao sistema capitalista. 
FEUDALISMO 
"A exigência de um encargo como pagamento, em troca de um empréstimo 
de bens ou serviços, não era um conceito socialmente aceito na vida 
comunitária das sociedades primitivas. 
 
Empréstimos tinham a função de aliviar um aperto, ou uma situação difícil 
de alguém, e o costume aceitável era não esperar nada mais em troca, a não 
ser uma retribuição do mesmo tipo. 
 
Tirar vantagem da dificuldade circunstancial de outro membro da mesma 
comunidade não era, com razão, um comportamento bem-visto" (KERR, 
2011). 
RELAÇÕES SOCIAIS FEUDAIS 
ü  Avanços na tecnologia agrícola. 
ü  Rápido crescimento da população / concentração urbana. 
ü  Comércio de longa distância. 
ü  Descoberta de grandes quantidades de metais preciosos. 
ü  Inflação de preços. 
ü  Criação dos Estados-nação (Países como conhecemos hoje) 
MERCANTILISMO 
Relações sociais feudais relações monetárias de mercado 
ü  Cobrança de encargos por empréstimos torna-se prática comum 
ü  Inicia um outro movimento - liberalismo clássico. 
ü  Os homens eram motivados pelo interesse próprio. 
ü  Era indispensável deixar as pessoas entregues a si mesmas, 
competindo num mercado livre. 
SURGE O CONCEITO DE “USURA” 
Os legisladores começam a se preocupar com essa prática 
considerada anti-ética e precisavam criar leis para definir o que 
era legal e o que não era. 
Usura x juros 
 
Os juros passam a ser definidos por lei. 
 
Mais tarde, no Brasil: 
 
1933 – Getúlio Vargas – definiu valor máximo para os juros em 6 % a.a. 
(Decreto, 1933). 
 
1988 – Constituição Federal – 12% a.a. (Constituição, 1988). 
 
2003 – Emenda constitucional liberou as taxas de juros. (Emenda, 2003). 
COMO NASCEU O CONCEITO DE JUROS 
http://www.tribunadainternet.com.br/brasil-e-um-pais-que-liberou-geral-em-materia-de-usura-agiotagem-e-extorsao/ 
Poupadores e 
investidores 
Tomadores de 
empréstimos 
(Depositam R$) (Recebem R$) 
Recebem juros Pagam juros 
Instituições 
financeiras 
INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 
Spread bancário 
INVESTIDORES TOMADORES 
 
INTERMEDIAÇÃO 
FINANCEIRA 
 
(BANCOS) 
 
$ 15.000 
$ 20.000 
$ 100.000 
$ 1.000 
$ 30.000 
$ 50.000 
$ 25.000 
$ 31.000 
TAXA MÉDIA = 1,73% 
VOLUME = $ 136.000 
TAXA MÉDIA = 3,40% 
VOLUME = $ 136.000 
SPREAD = 1,67% 
CONCEITO DE SPREAD 
O prazo de todas as operações é o mesmo, nesse exemplo 
1,0 % 
1,0 % 
2,0 % 
0,5 % 
3,0 % 
3,5 % 
3,0 % 
4,0 % 
A Revolução Industrial 
“Assim se desenvolveu a ideologia de 
que as mulheres virtuosas eram 
mulheres submissas” 
(Hunt e Sherman, 2010). 
Custos sociais da revolução industrial 
ü  Livro "A Riqueza das Nações”. 
ü  Compradores e vendedores regulam o mercado naturalmente, 
sem a intervenção do Estado. 
ü  Deixar os preços flutuarem livremente. 
ü  O mercado encontra seu próprio nível de equilíbrio. 
Adam Smith e a Mão Invisível 
EMPRESAS 
MERCADO DE BENS E 
SERVIÇOS 
MERCADO FATORES DE 
PRODUÇÃO 
Recebem R$ 
Fatores e produção 
Pagam R$ 
Fatores e produção 
Recebem R$ 
Bens e serviços 
Pagam R$ 
Bens e serviços 
FAMÍLIAS 
OFERTA 
X 
DEMANDA 
ECONOMIA DE MERCADO (VISÃO LIBERAL) 
Ilustrando de modo muito simples 
Fábrica de canetas descartáveis 
Capacidade de produzir 50.000 canetas / mês 
Custos fixos = R$ 18.000,00 (salários, alugueis, etc.) 
Custos variáveis = 30% das receitas (matéria prima e outros insumos) 
DEMANDA PARA 10.000 CANETAS 
OFERTA DE 10.000 CANETAS 
 
Receitas = 10.000 x R$ 4,00….R$ 40.000 
Custos Fixos……………………R$ 18.000 
Custos Variáveis (30%)…….….R$ 12.000 
Lucro………………..………….R$ 10.000 
DEMANDA PARA 50.000 CANETAS 
OFERTA DE 50.000 CANETAS 
 
Receitas = 50.000 x R$ 4,00….R$ 200.000 
Custos Fixos……………………R$ 18.000 
Custos Variáveis (30%)…….….R$ 60.000 
Lucro………………..………….R$ 122.000 
CRÍTICAS AO CAPITALISMO LIBERAL 
Política do Laissez-faire 
Grandes corporações e governos 
ü  Formação de gigantescas corporações em alianças com governos. 
ü  Concentração das rendas nas mãos de uma pequena parcela da 
população. 
SOCIALISMO COMO CRÍTICA AO LIBERALISMO 
EVOLUCIONÁRIO REVOLUCIONÁRIO 
ROSA LUXEMBURGO 
Materialismo histórico 
 
As forças produtivas (fatores de produção) entram em conflito 
com as relações de produção (proprietário ou empregado). 
 
Teoria do valor-trabalho e da Mais-valia 
O valor da força de trabalho era inferior ao valor da mercadoria 
produzida por ela e tal diferença explicava a existência do 
lucro. 
A teoria econômica de Karl Marx 
O Estado deveria concentrar toda a propriedade para se obter 
maior igualdade social. 
19
 
Fonte: CASAQUI, Vander. Historia da Propaganda Brasileira: Dos fatos à Linguagem, 2007 
Foto de Margaret Bourke-White – Grande Depressão (1929-1941) 
Quebra da Bolsa de NY em 24/10/1929 
Três vazamentos importantes no fluxo circular: 
 
Poupança – Investimentos. 
 
Importações – Exportações. 
 
Impostos – Políticas públicas (saúde, educação, previdência). 
Fonte: https://www.wook.pt/livro/teoria-geral-
do-emprego-do-juro-e-da-moeda-john-
maynard-keynes/10017515 
FRAGILIDADES DO SISTEMA CAPITALISTA 
(1900-1944) 
EMPRESAS 
MERCADO DE BENS E 
SERVIÇOS 
MERCADO FATORES DE 
PRODUÇÃO 
Recebem R$ 
Fatores de 
produção 
Pagam R$ 
Fatores de 
produção 
Recebem R$ 
Bens e serviços 
Pagam R$ 
Bens e serviços 
FAMÍLIAS 
POLÍTICAS 
ECONÔMICAS 
ESTADO REGULADOR (visão keynesiana) 
Política fiscal: responsável pelo planejamento orçamentário do Estado. 
 
Política monetária: responsável por controlar a quantidade de 
dinheiro na economia, a oferta da moeda, as taxas de juros, a inflação, 
a balança de pagamentos. 
 
Política cambial: administra as operações financeiras entre países 
(exportações e importações). 
POLÍTICAS ECONÔMICAS 
MINISTRO DA ECONOMIA 
ü  Cuida de toda a receita do governo federal 
ü  Organiza a maneira como o dinheiro é gasto. 
ü  Libera as verbas para os outros ministérios, governos estaduais e municipais 
ü  Cuida do pagamento de emendas parlamentares. 
ü  Conversa com empresários e investidores sobre impostos e desonerações 
ü  Propõe medidas e sua negociação com o Congresso, formulação de planos 
econômicos. 
ü  Responde diretamente ao presidente da República 
ü  Auxilia o presidente da República e administra as contas do governo. 
 
É um cargo técnico e político. 
Paulo Guedes 
Ministro da Fazenda 
Ministro do Planejamento 
Ministro Des. Ind. Comércio 
Ministro do Trabalho 
Ministro da Economia 
01/01/2019 
Paulo Guedes 
PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL 
ü  Responsável por zelar pela solidez do sistema bancário do país; 
ü  Responsável pela condução das políticas monetária, cambial, de crédito e 
de relações financeiras com o exterior; 
ü  Tem autonomia operacional - apesar de ser nomeado e demitido pelo 
presidente da República, não deve aceitar ingerências na condução da 
política monetária; 
ü  É um cargo técnico que costuma ser ocupado por economistas ou 
executivos vindos do mercado financeiro; 
ü  É um cargo técnico com autonomia operacional e, além de ser responsável 
pelo sistema bancário, sua missão é controlar a inflação. 
Roberto Campos Neto 
BANCO CENTRAL (BC ou BACEN) 
Responsável por controlar a quantidade de dinheiro na economia 
Compulsório 
Open Market 
Redesconto 
 
INSTITUIÇÕES PÚBLICAS 
BANCO DO BRASIL – agronegócio 
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – poupança / créditos imobiliários 
BNDES – empresas / infraestrutura 
 
 
INSTITUIÇÕES PRIVADAS 
Bancos Multiplos / Corretoras / Cartões de Crédito 
SISTEMA FINANCEIROBRASILEIRO 
INFLAÇÃO E DEFLAÇÃO 
Inflação - aumento generalizado de preços em uma economia, que 
provoca a redução do poder aquisitivo da moeda. 
 
Deflação - o contário - uma redução generalizada de preços na 
economia, aumentando o poder de compra. 
 
Consequência – definir índices de preços (média ponderada de 
preços individuais) que sirvam para medir a inflação de um país. 
 
Os diversos preços variam de modo diferente – índices medem uma 
tendência. 
 
IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Ampliado – cesta básica – 
referência para definir a taxa SELIC. 
 
IGP-M – Índice Geral de Preços (FGV) – energia elétrica e alugueis. 
DIFERENÇAS ENTRE IPCA E IGPM 
https://www.youtube.com/watch?v=pa9ZM4-tU0c 
SELIC = Sistema Especial de Liquidação e Custódia 
 
SELIC Meta = taxa de juros definida pelo COPOM (Comitê de Política 
Monetária) 
 
SELIC Over = taxa média ponderada das taxas de juros das operações 
interbancárias, cujo lastro é efetuado em títulos públicos. 
 
CETIP = Central de Custódia de Títulos Privados 
 
taxa CDI (DI) = taxa média ponderada das taxas de juros das 
operações interbancárias, cujo lastro é efetuado em títulos privados. 
 
Taxa Selic Over e Taxa CDI são muito próximas. 
 
Selic Meta ou Taxa SELIC = taxa básica de juros 
TAXA SELIC e Taxa CDI 
Composição da taxa SELIC EFETIVA (over) 
BANCOS 
TOMADORES 
BANCOS 
EMPRESTADORES LTN 
R$ 
SELIC 
BANCOS 
TOMADORES 
BANCOS 
EMPRESTADORES LTN 
R$ + JUROS 
Taxa SELIC EFETIVA = (C1 x i1) (C2 x i2) (C3 x i3) (Cn x in) + + +…
(C1 + C2 + C3 … + Cn) 
BANCOS EMPRESTADORES BANCOS TOMADORES 
SELIC 
R$ 150.000 
R$ 200.000 
R$ 100.000 
R$ 300.000 
R$ 150.000 
R$ 200.000 
R$ 100.000 
R$ 300.000 
Exemplo de cálculo da taxa SELIC (over) 
O prazo de todas as operações é de um dia (overnight) 
3,2 % a.a. 
3,4 % a.a. 
3,6 % a.a. 
3,3 % a.a. 
Taxa SELIC = (150.000 x 3,2) + ( 200.000 x 3,4) + (100.000 x 3,6) + (300.000 x 3,3) 
(150.000 + 200.000 + 100.000 + 300.000) 
Taxa SELIC = 2.510.000 
750.000 
Taxa SELIC = 3,3467 % a.a. 
Composição da taxa CDI (DI) 
BANCOS 
TOMADORES 
BANCOS 
EMPRESTADORES CDI 
R$ 
CETIP 
BANCOS 
TOMADORES 
BANCOS 
EMPRESTADORES CDI 
R$ + JUROS 
Taxa CDI = 
(C1 x i1) (C2 x i2) (C3 x i3) (Cn x in) + + +…
(C1 + C2 + C3 … + Cn) 
BANCOS 
EMPRESTADO
RES 
BANCOS 
TOMADORES 
CETIP 
R$ 150.000 
R$ 200.000 
R$ 100.000 
R$ 300.000 
R$ 150.000 
R$ 200.000 
R$ 100.000 
R$ 300.000 
Exemplo de cálculo da taxa CDI 
O prazo de todas as operações é de um dia (overnight) 
3,2 % a.a. 
3,4 % a.a. 
3,6 % a.a. 
3,3 % a.a. 
Taxa CDI = (150.000 x 3,2) + ( 200.000 x 3,4) + (100.000 x 3,6) + (300.000 x 3,3) 
(150.000 + 200.000 + 100.000 + 300.000) 
Taxa CDI = 2.510.000 
750.000 Taxa CDI = 3,3467 % a.a. 
OUTRAS TAXAS 
TR - taxa referencial - 1991 – criada para servir de base 
nos reajustes de contratos antigos em BTN ou OTN; 
remunerar a caderneta de poupança, correção de débitos 
de impostos, taxas e obrigações fiscais. Calculada 
diariamente pela média ponderada das taxas de 
remuneração dos CDBs pré-fixados. 
 
TJLP – Taxa de juros de longo prazo – criada para 
remunerar os contratos de longo prazo. 
 
PTAX – Taxa média ponderada dos contratos de câmbio 
negociados pelas instituições financeiras no dia anterior. 
 PTAX800 – negociações normais entre bancos 
 PTAX200 – negociações entre instituições financeiras 
CALCULADORA DO CIDADÃO – (BANCO CENTRAL) 
https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores 
Taxa livre de risco 
Taxa de risco 
Inflação 
Taxa 
Nominal 
Taxa real 
Composição da taxa de juros 
SELIC (taxa básica de juros definida pelo COPOM) 
spread 
Custo do dinheiro 
ü  Grau de concorrência no mercado financeiro 
ü  Risco de inadimplência 
ü  Instabilidade econômica e política 
ü  Carga tributária incidente nos empréstimos 
ü  Percentual de depósitos compulsórios 
Fatores que influenciam o custo do dinheiro 
 
 "
"Uma das deformações que não tem 
explicação no Brasil é o que acontece 
com os bancos oficiais. Uma de suas 
funções é atuar como mula madrinha: 
o animal mais experiente, que já 
conhece o caminho, vai guiando os 
outros, dando ritmo de caminhada à 
tropa. No entanto, Banco do Brasil e 
Caixa Econômica Federal cobram 
spreads equivalentes aos dos bancos 
privados e, de quebra, são campeões 
em tarifas bancárias. Em vez de liderar 
a derrubada do spread e das tarifas, 
concorrem para mantê-los lá em cima. 
São mulas mancas". 
 
http://acervo.estadao.com.br/pagina/ 
- !/20060818-41212-spo23-eco-b2-not. 
Fundamentos de Matemática Finaceira 
C = capital 
J = juros 
M = montante 
i = taxa de juros (interest rate) 
n = prazo 
C = capital = Valor Presente (PV) (VP) 
 
M = montante = Valor Futuro (FV) (VF) 
Regimes de Capitalização 
ü  Simples - o montante é igual ao capital somado aos juros, obtidos 
pelo capital x taxa de juros x período total. 
 
 
 
ü  Composto - O valor dos juros do primeiro período se agrega ao 
capital, formando o montante (M), que passa a ser o capital para 
o segundo período e assim sucessivamente. 
 
J = Cin M = C + J i = M / C - 1 
M = C (1 + i)n 
M = C (1 + in) 
ü  A taxa de juros é cotada/expressa em diferentes bases e formas. 
ü  Pode ser expressa em dias corridos ou dias úteis. 
ü  Dias corridos: ano de 360 dias - 12 meses – mês de 30 dias. 
ü  Dias úteis: ano de 252 dias úteis – mês de 21 dias úteis. 
ü  O formato de dias úteis se aplica à taxa Selic, que remunera 
títulos públicos, e à taxa CDI, que remunera operações com 
títulos privados no interbancário. 
Prazos Exatos e Prazos Comerciais 
Taxas nominal, efetiva e real 
ü  Taxa nominal – é expressa por prazos que não correspondem, 
necessariamente, ao regime de capitalização. 
 Exemplo: 12% a.a. com regime de capitalização mensal 
ü  Taxa efetiva - é aquela em que o regime de capitalização 
coincide com aquele em que a taxa está referida. 
 Exemplo: 5% a.m. com regime de capitalização mensal 
ü  Taxa real – é a taxa efetiva descontada a inflação do período. 
 Exemplo: taxa de juros de 5% a.m. em que a inflação foi de 1% 
 Taxa real = 4% a.m. 
Exemplo de cálculo de spread 
Um banco oferece um empréstimo de R$ 10.000,00 por 12 
meses, a uma taxa de juros de 24% a.a. 
 
A taxa SELIC foi definida em 3% a.a. na última reunião do 
Copom. 
 
A expectativa de inflação para o período é de 2% a.a. 
Spread = 22% a.a. – 3% a.a. = 19% a.a. 
Taxa nominal = 24% a.a. 
Taxa real = 24% a.a. – 2% a.a. = 22% a.a.

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