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Literaturas em Língua Inglesa APRESENTAÇÃO CURRÍCULO LATTES Professora Mestre Sâmia Letícia Cardoso dos Santos ● Doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); ● Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); ● Especialista em Neuropedagogia pelo Instituto Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí; ● Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Ensino a Distância pelo Centro Universitário Cidade Verde (UniFCV); ● Graduada em Letras Português-Inglês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); ● Professora do Ensino Básico. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/3482945991061023 Possui ampla experiência na área educacional, desde o Ensino Fundamental até o Superior. Atualmente, é professora da rede pública e privada de ensino. Professor Fábio Henrique Cardoso da Silva ● Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); ● Pós-graduado em Especialização em Ensino e Aprendizagem de Línguas – UEM – Turma 2017 – 2019; ● Professor do Ensino Básico. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/1689935044122952 Possui vasta experiência na área educacional, incluindo educação infantil e anos do ensino fundamental e médio. Atua há vários anos como professor nos sistemas de ensino da Oxford University Press e International School. APRESENTAÇÃO DA APOSTILA http://lattes.cnpq.br/3482945991061023 http://lattes.cnpq.br/1689935044122952 Seja muito bem-vindo(a)! Prezado(a) aluno(a), é uma alegria tê-lo(a) na disciplina de Literaturas em Língua Inglesa e convido-o(a) a juntos irmos em busca de compreender a importância da literatura inglesa para nós, professores, bem como para nossos alunos. Para isso, na Unidade I, conheceremos brevemente a história da língua inglesa, em seguida, estudaremos o maior escritor do seu período histórico, William Shakespeare. Para finalizar essa unidade, discutiremos, mais especificamente, sobre as tragédias e as comédias. Na Unidade II, apresentaremos a literatura no século XVIII. Para isso, compreenderão A Inglaterra na transição do século XVII para o século XVIII, posteriormente, a Restauração e, por fim, estudaremos a ascensão do romance e os pré-românticos Em seguida, na Unidade III, demonstraremos as características do romantismo e o quanto o homem passa a ser compreendido como um ser passível de incompreensões, falhas e sentimentos e não mais a racionalidade exacerbada do período clássico. Depois, diferenciaremos as gerações de artistas românticos que surgiram e discorreremos sobre os diversos artistas que fizeram do romance o grande movimento estético da literatura inglesa no século XIX. Para finalizar, adentraremos no período vitoriano e na ascensão da prosa sobre a poesia. A popularização das obras e o quanto elas foram responsáveis por descrever e criticar a sociedade da época. Por fim, na Unidade IV, apresentaremos o século XX e seus extremos. É importante que conheçamos os fatos mais importantes da política e da sociedade do século, pois esta é decisiva para a produção artística e literária do período. Não há como dissolver os aspectos, uma vez que os autores deste momento buscam se aproximar dos fatos e da realidade de sua época. Muito obrigado e bom estudo! UNIDADE I DOS PALCOS ELISABETANOS À ASCENSÃO DO ROMANCE NA SOCIEDADE BURGUESA Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fábio Cardoso Plano de Estudo: ● A língua inglesa; ● William Shakespeare; ● As tragédias; ● As comédias. Objetivos de Aprendizagem: • Conceituar e contextualizar a importância da língua inglesa; • Compreender os tipos de textos trágicos e cômicos. INTRODUÇÃO Olá, caro(a) estudante, Nesta unidade estaremos juntos para adentrar aos palcos da arte shakespeariana e só sairemos de lá quando percebermos que alcançamos um pouco do entendimento que Shakespeare foi para o mundo. Assim, faz parte do conteúdo desta disciplina, inicialmente, refletir sobre a língua inglesa e seu surgimento em ambientes pouco favoráveis para seu florescimento. Buscaremos compreender a influência das invasões para determinar a língua inglesa como conhecemos hoje. Em seguida, demonstraremos a importância do autor Shakespeare para as artes cênicas e a contribuição desse para o cenário mundial. Também é de interesse desta unidade discutir sobre a contribuição do autor na consolidação da língua inglesa como conhecemos hoje. A popularização de termos, os neologismos criados pelo poeta inglês atualmente é considerado um marco para a difusão da língua inglesa inclusive pelo mundo. Após as reflexões sobre a linguagem, falaremos sobre as obras clássicas de William Shakespeare. Inicialmente, conceituaremos os gêneros teatrais trágico e cômico, enfatizando sua importância para a literatura mundial. Então, passaremos a discorrer sobre as principais obras trágicas e como Shakespeare tornou-se a principal influência do teatro inglês. Então, analisaremos as comédias e sua importância para o cenário da literatura inglês do século XVI. Esperamos que esta unidade seja de intenso aprendizado e prazerosa ao momento em que discutimos a genialidade imortal shakespeariana. Tenha bons estudos. 1 A LÍNGUA INGLESA A Língua Inglesa é um idioma da família das línguas germânicas e o surgimento do idioma está associado às primeiras invasões dos Anglos, Saxões, Jutos e Frisios que vieram das regiões que hoje correspondem à Holanda, à Alemanha e à Dinamarca. Com a invasão da Grã-Bretanha dos Frísios, dos Saxões e dos Jutos, essas línguas passaram a ter contato com os povos do local à época, os Celtas. Os primeiros manuscritos em inglês não foram sequer escritos em alfabeto romano, mas em alfabeto rúnico, uma vez que esta era a forma de escrita predominante no norte europeu à época. Existem registros de que o mais antigo desses registros seja o do poema Beowulf. Figura 1 - Primeiro manuscrito em Língua Inglesa Fonte: Wikimedia, Possivelmente no século VIII https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c1/Beowulf_Cotton_MS_Vitellius_A_XV_f._132r .jpg/1200px-Beowulf_Cotton_MS_Vitellius_A_XV_f._132r.jpg O poema escrito em alfabeto rúnico é uma narrativa dos atos heróicos de Beowulf, um herói que auxilia o rei da Dinamarca, Hrothgar, a combater Grendel, um monstro que constantemente ataca o reinado. O texto épico narra os grandes feitos do personagem ao eliminar os perigos e salvar o reino. Apesar de ser possível estabelecer um momento de início de produção escrita para o desenvolvimento da Língua Inglesa, uma das grandes dificuldades se dá devido à escassez de documentos que mostrem como a língua era escrita naquela época. Ainda assim, com o que temos é possível percebermos a pronúncia, o alfabeto, e as mudanças do inglês antigo para aquele que é considerado moderno. Os diversos dialetos existentes na Grã-Bretanha são responsáveis pelas mudanças graduais, pelas quais o inglês passou, como a mudança das vogais entre encurtamento, alargamento ou modificação de sua realização, tudo isso dado à maneira em que foram escritos. Como os dialetos são tratados em textos escritos, perde-se a precisão exata de suas mudanças, já que se lida com os aspectos orais da linguagem, porém as suposições são feitas a partir dos manuscritos já encontrados e as transformações ali percebidas. Com o passar dos anos, os anglo-saxões começam a abandonar a Grã-Bretanha e os primeiros documentos escritos começam a surgir em inglês antigo, o que inaugura uma nova fase de inglês, que é conhecida como Inglês Médio. Nesse período, diversas transformações ocorreram como de vocabulário, gramática e pronúncia. Entre osséculos 12 e 15, pode-se destacar diversos fatores que podem ser considerados importantes para as mudanças que ocorrem na língua. Fatores socioculturais nesse longo intervalo de tempo são decisivos para estabelecer a transição entre o inglês antigo e médio. Em 1066 ocorre a Batalha de Hastings e é esse marco que acaba sendo considerado um fator histórico importante para determinar essa transição. Já que a partir dela, há a invasão dos normandos e grandes mudanças sociais, econômicas e políticas acontecem na Inglaterra e, evidentemente, impactam no idioma, trazendo principalmente, a presença do francês como uma importante característica. A incorporação vocabular de palavras francesas, sobretudo as ligadas à aristocracia, como “baron, duke, viscount, prince” e as pedras preciosas, como “diamond”, “emerald”, “amethyst”, “ruby”, evidenciam a mudança vocabular ocorrida na época. De acordo com Medeiros, No entanto, o ano de 1066 marca uma profunda transformação na história britânica: os normandos, vindos do norte da França, invadem a ilha e promovem grandes transformações naquele espaço. Há que se salientar que eles vêm para ficar e tentar impor a sua própria cultura. Dessa forma, a nobreza francesa toma o lugar da inglesa e faz do francês a língua oficial da corte, permanecendo o latim como o dialeto clerical por excelência. (MEDEIROS, 2012, p. 215) Um outro exemplo significativo é o que representamos pela letra “th”. No inglês antigo ela tinha por nome “thorn”, porém ao passar do tempo, vai se transformando e passa a ser escrito neste período como se fosse um “y”. Atualmente é possível que alguns lugares mantenham essa grafia para reverenciar esse período histórico de transformação da língua. Figura 2 - Grafia antiga para “th” Figura 3 - Grafia antiga para “th” Fonte figura 2: Visit London, 2021. Disponível em: https://www.visitlondon.com/things-to-do/food-and-drink/pub-and-bar/best-rooftop-bars. Acesso em: 05 nov. 2021. Fonte figura 3: Wikimedia Commons, 2021. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ye_Olde_London_-_panoramio.jpg. Acesso em: 05 nov. 2021. Ainda em processo de evolução para a chegada da língua como conhecemos hoje, temos um importante autor que é considerado um marco para os estudos da língua inglesa e é essencial para se tê-la como conhecemos hoje. Trata-se de Geoffrey Chaucer. O aspecto que mais chama atenção em Chaucer é a forma como ele retrata o comportamento das pessoas na Inglaterra daquela época, demonstrando o dia a dia das ações em diferentes contextos na Europa Medieval. Sua mais importante contribuição é com “The Canterbury Tales” (Os Contos da Cantuária). Uma marcante característica das obras de Chaucer se dá pela forma como ele registrava as palavras. Muitas delas possuíam um “e” final, no qual os estudos modernos sobre os estudos de Chaucer e a língua inglesa questionam se esta vogal final era pronunciada, ou não, e se era, qual forma essa pronúncia se dava. Ao analisarmos os textos desse período, percebemos que a mesma palavra era grafada de diversas maneiras e esse fator revela que havia a presença de diversos dialetos. Por exemplo, o verbo “might” que foi grafado em diferentes textos como: “maht”, “mahte”, “mayhte”, “mihhte” etc. Em relação à gramática, temos o início de transformações que nos oferecem pistas de eventos que ocorrem, até mesmo, hoje em dia no inglês moderno, como é o caso do infinitivo e das flexões negativas. Apesar da influência normanda na época, o latim permanece sendo incorporado ao vocabulário, principalmente, na área jurídica, na alimentação, como “client”, “solo”, “tolerance”, "immortal', “exclude”, “beef” etc. Assim, vemos que devido a todo o histórico de invasões e de transformações impostas, pelas modificações socioculturais sofridas pela Grã-Bretanha, o inglês foi se modificando, passando de uma manifestação multicultural no período antigo, para uma influência mais centralizada dos normandos (franceses) a partir do que se considera como período do inglês médio. Nesse período, também, o latim passa a exercer grande influência sobre a língua inglesa. Dessa forma, chegamos ao século XVI e a William Shakespeare e sua importante contribuição para o estabelecimento do inglês moderno. Sua obra é considerada essencial para a disseminação do inglês pelo mundo e é o que veremos a seguir. 2 WILLIAM SHAKESPEARE É completamente impossível dissociar a história da Língua Inglesa e sua disseminação pelo mundo ao status de língua global de William Shakespeare. Um dos maiores dramaturgos e poetas do mundo nascido no século XVI, o autor produziu centenas de obras que são adaptadas para os dias atuais. William Shakespeare nasceu em Stratford em 1564, filho de família abastada, sendo o filho mais velho homem de seus pais. Estudou em excelentes escolas, porém não frequentou nenhuma universidade ao término dos estudos básicos. No início de sua juventude, Shakespeare já alcançava o sucesso por meio de suas obras. Conhecido principalmente por causa de suas poesias, o autor encantava o público inglês com a forma pela qual descrevia o amor. É importante ressaltar que esse período ficou marcado pelas navegações e o grande tráfego de pessoas vindas de diversas localidades da Europa e das Américas. Esse movimento popularizou a leitura e acabou unificando o processo de escrita para uma construção mais uniforme. Shakespeare pode ser considerado um dos grandes responsáveis dessa uniformização da língua escrita e, consequentemente, padronizando alguns conceitos da Língua Inglesa, já que o autor passa a ser lido, cada vez mais, por mais pessoas, sendo elas de diferentes realidades socioeconômicas. As realizações culturais shakespearianas durante o período eram amplamente incentivadas naquele momento histórico inglês. À época, Rainha Elisabeth I incentivava e valorizava o desenvolvimento artístico e cultural na sociedade inglesa, período este no qual as produções teatrais pertenciam àquilo que se é conhecido como teatro elisabetano. As obras do autor são consideradas atemporais, ou seja, resistem ao tempo porque não falam sobre um conflito que descreve um problema datado ao contexto histórico de sua época ou sociedade, por exemplo, mas, sim, da natureza humana. Isso posto, a obra de Shakespeare pode ser lida em qualquer contexto e em qualquer época que faça sentido, pois se trata de verdades universais, por isso, são sucessos até hoje. Shakespeare brincou com as palavras e criou novas palavras atualizando o vocabulário, adicionando novas palavras e sentidos para as que já existiam. Essa característica leva muitos pesquisadores a acreditar que o autor incorporava palavras em seu texto por meio da observação da língua em ação pelos lugares ao qual passava, registrando, assim, realizações vivas da língua inglesa na época. É importante ressaltar que a Língua Inglesa só se tornou o idioma oficial da Inglaterra em 1509, ou seja, ainda era recente quando Shakespeare produziu suas obras, porque entre seu estabelecimento como língua oficial até as produções do autor não existiam regras fixas de gramática que fossem padronizadas. A unificação da língua era um desafio devido aos diversos dialetos presentes em toda Grã-Bretanha. Como já discutido, as obras de William Shakespeare são universais e contam com adaptações no mundo todo, até mesmo, em produtos mais simples do que o próprio gênero teatral, por exemplo, no Brasil a novela O Cravo e A Rosa, de 2000, que foi baseada na obra “A Megera Domada” (The Taming of the Shrew). As obras clássicas mais conhecidas do autor são Hamlet, Macbeth, Sonho de Uma Noite de Verão (A Midnight Summer Dream) e Romeu e Julieta (Romeo and Juliet). Sua contribuição para a disseminação do idioma inglêspelo mundo, sendo hoje tão importante para a vida em sociedade, será sempre lembrado. Figura 4 - Hamlet Figura 5 - Sonho de uma noite de verão Figura 6 - Romeu e Julieta Fonte figura 4: https://www.prateleiradecima.com/wp- content/uploads/2019/10/b164aa10953207.560ef1bcba0e7.jpg Fonte figura 5: https://image.slidesharecdn.com/amidsummersnightdream-senem-sava-mervet- 140526181857-phpapp01/95/a-midsummer-nights-dream-1-638.jpg?cb=1401128506 Fonte figura 6: https://m.media-amazon.com/images/I/51S3SRAdylS.jpg https://www.prateleiradecima.com/wp-content/uploads/2019/10/b164aa10953207.560ef1bcba0e7.jpg https://www.prateleiradecima.com/wp-content/uploads/2019/10/b164aa10953207.560ef1bcba0e7.jpg https://image.slidesharecdn.com/amidsummersnightdream-senem-sava-mervet-140526181857-phpapp01/95/a-midsummer-nights-dream-1-638.jpg?cb=1401128506 https://image.slidesharecdn.com/amidsummersnightdream-senem-sava-mervet-140526181857-phpapp01/95/a-midsummer-nights-dream-1-638.jpg?cb=1401128506 https://m.media-amazon.com/images/I/51S3SRAdylS.jpg 3 AS TRAGÉDIAS Shakespeare, como vimos no tópico anterior, foi o responsável por grandes transformações, até mesmo, na língua inglesa e, em como a conhecemos atualmente. Neste tópico, vamos discorrer sobre as tragédias shakespearianas e sua importância para a consolidação da literatura inglesa. Inicialmente, é importante conceituarmos a ideia de tragédia para também nos prepararmos para o tópico seguinte, ao qual se trata da comédia. O termo tragédia está ligado a um gênero literário e artístico com o mesmo nome. É, portanto, inserido a obras as quais as ações são fatais e causem comoção, espanto e compaixão. Nas tragédias, os personagens principais confrontam diversas situações difíceis ao longo da vida e uma dessas ações geralmente os levam à morte ou à destruição moral. Existem algumas tragédias em que os personagens conseguem superar as adversidades, mas, claramente, aquelas em que eles são destruídos ou mortos compõem o ideário de tragédia. Essa é uma das diferenças entre a tragédia grega e shakespeariana, pois com o autor inglês, os heróis são senhores de seu destino enquanto na tragédia grega esses não conseguem escapar. William Shakespeare escreveu onze tragédias. Ainda no século XVI, sua obra Romeu e Julieta fez parte das primeiras obras escritas pelo autor. Alguns críticos divergem em relação à grandiosidade das primeiras obras do inglês - Tito Andrônico, Romeu e Julieta e Júlio César - porque consideram que essas ainda não captam o essencial do autor, que é a compreensão do ser humano. É evidente que os críticos assim fazem porque conseguem comparar as obras de Shakespeare numa totalidade e, assim, podem apontar similaridades ou discordâncias entre os textos. Dessa forma, as principais tragédias do autor seriam Hamlet, Otelo, Rei lear, Macbeth e Antônio e Cleópatra, já que, aqui, temos uma compreensão humana total e definitiva, além de heróis imortais. Passaremos, então, para uma sinopse de algumas obras dramáticas shakespearianas feitas por Renata Celi (2020) - Romeu e Julieta: a tragédia mais famosa do autor conta a história de dois jovens de famílias inimigas que se apaixonam, Julieta Capuleto e Romeu Montéquio. É uma das obras mais adaptadas de todos os tempos, tendo ficado conhecida por seu final trágico, em que os amantes se suicidam; - Rei Lear: mais uma tragédia, considerada por muitos uma das obras-primas de Shakespeare. Inspirada em lendas britânicas, conta a história do Rei Lear da Grã- Bretanha, que enlouquece após ser traído por duas de suas três filhas ao dividir seu reino entre elas; - Macbeth: tragédia sobre o barão e a baronesa Macbeth, que bolam um plano para assassinar o rei e subir ao cargo. Mas as consequências do crime são brutais para o novo rei, que não consegue viver com sua decisão gananciosa; - Hamlet: a tragédia mais longa e uma das mais famosas de Shakespeare conta a história da vingança do príncipe Hamlet pela morte de seu pai, executado por seu tio. A peça explora temas como a vingança, a traição, a corrupção e a moralidade das ações de Hamlet.; - Júlio César: uma das tragédias baseadas em personagens históricos, o autor reconta a conspiração contra Júlio César, imperador de Roma. Apesar do nome, Júlio César, não é o personagem principal da peça, sendo o protagonista um amigo do imperador que retrata sua amizade com ele. É dessa obra que saiu a famosa frase: “Até tu, Brutus?”, que se refere a um dos assassinos de César; - Otelo: uma das peças mais reproduzidas de Shakespeare, Otelo retrata o drama de quatro personagens: o general Otelo, sua esposa Desdêmona, o tenente Cássio e o oficial Iago. A história gira em torno da rivalidade entre eles, gerando traições, ciúme e assassinatos; - Ricardo III: tragédia sobre o Rei Ricardo III da Inglaterra, baseada em fatos reais. É a segunda maior peça de Shakespeare e raramente é apresentada em sua versão integral. Conta a história de como Ricardo III subiu ao trono e seu curto reinado. Após compreendermos sobre a importância de Shakespeare no cenários das tragédias e como sua contribuição foi importante para a difusão do inglês pelo mundo, passaremos a observar a importância do autor para as comédias já no tópico seguinte. 4 AS COMÉDIAS Assim como nas tragédias, William Shakespeare fez história nas comédias também. Inicialmente, conceituaremos o gênero comédia. Nascida em contraposição ao drama, a comédia foi responsável pela consolidação do teatro da Grécia Antiga. Nesse período, as artes cênicas, aliadas à literatura, floresceram e se tornaram importante expressão artística. Enquanto o drama, por meio das tragédias, falava sobre o cotidiano e a política de forma trágica, a comédia versava sobre erros de heróis e deuses gregos, tirando os leitores e espectadores de suas zonas de conforto ao serem confrontados por situações inesperadas. As comédias de modo geral eram mais próximas do público, pois permitiam maior interação com este, que se identificava com as dificuldades e sucessivos erros apresentados. William Shakespeare escreveu doze comédias e alguns estudiosos estabelecem entre elas um certo nível de qualidade, considerando algumas mais geniais que outras. Ainda assim, a genialidade do autor não é questionada, como explica Cevasco & Siqueira (1985) a respeito das primeiras comédias do autor: The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, Love's Labour's Lost, A Midsummer Night's Dream, The Merchant of Venice, Much Ado About Nothing e As You Like It são outras comédias dessa primeira fase de Shakespeare. Via de regra, há nelas uma deliciosa mistura de fantasia e realismo na criação de um mundo fictício onde o romantismo ocupa um papel preponderante. Retratam elas a alegria de viver, em histórias que sempre acabam bem. Embora essas comédias tendam a desvincular-se do real imediato, Shakespeare logra criar, .com auxílio da magia da linguagem, uma realidade poética que tocava de perto sua platéia, assim como nos toca até hoje: o poeta fala de emoções que somos capazes de reconhecer como nossas, embora o faça de uma maneira que as transcende. (CEVASCO e SIQUEIRA, 1985, p. 24-25). As comédias shakespearianas são principalmente formadas por histórias já consagradas e populares, mas com a complexidade, fluidez e flexibilidade característicos do autor. Assim, suas obras cômicas eram uma miríade de surpresas, intrigas que vão aumentando ao longo da peça, inverossimilhanças, deixando os espectadores sempre ansiosos para um desfecho feliz, satisfatório. Passaremos, então, para uma sinopse de algumas obras cômicas shakespearianas feitas por Renata Celi (2020): - Sonho de uma noite de verão: comédia sobre quatro jovens enamorados que se encontram e desencontram durante uma noite em um bosque. A peçafoi escrita por Shakespeare para um casamento na vida real, e não tem nada de trágica. Pelo contrário, a escrita do autor é divertida e movimentada por paixões, casamentos, brigas e reconciliações; - A megera domada: uma das primeiras comédias de Shakespeare, também se concentra em temas como casamento, guerra dos sexos e conquistas amorosas. Diferente de outras comédias do autor, o casamento de Catarina e Petrúquio não é a ação final, mas o ponto de partida para a história; - O mercador de Veneza: tragicomédia sobre o mercador Antônio e o agiota judeu Shylock, o personagem mais lembrado da obra; - Noite de reis: Dois irmãos gêmeos (Viola e Sebastião) acabam separados por um naufrágio e imaginam-se mortos, embora ambos tenham sido salvos, sem o saber. A moça, tendo perdido a oportunidade de entrar para o serviço de uma rica Condessa, disfarça-se com trajes masculinos e, nessa condição, provoca paixões. Até que o irmão reapareça e tudo torna-se claro, há outros equívocos de personalidade. Entram em cena tipos exóticos e equívocos paralelos ao central. As obras de Shakespeare na comédia são: Trabalhos de amor perdido; O sonho de uma noite de verão; O mercador de Veneza; Muito barulho por nada; Como gostais e Noite de reis; Os dois fidalgos de Verona; As alegres comadres de Windsor; Medida por medida; A comédia dos erros; A megera domada e Tudo está bem quando bem termina. Na comédia, como na tragédia, resplandece o gênio Shakespeare. SAIBA MAIS O INGLÊS COMO LÍNGUA DO MUNDO Fatos históricos recentes explicam o atual papel do inglês como língua do mundo. Em primeiro lugar, temos o grande poderio econômico da Inglaterra nos séculos 18, 19 e 20, alavancado pela Revolução Industrial, e a consequente expansão do colonialismo britânico. Esse verdadeiro império de influência política e econômica atingiu seu ápice na primeira metade do século 20, com uma expansão territorial que alcançava 20% das terras do planeta. O British Empire chegou a ficar conhecido como "the empire where the sun never sets" devido à sua vasta abrangência geográfica, provocando uma igualmente vasta disseminação da língua inglesa. Em segundo lugar, o poderio político-militar dos EUA a partir da segunda guerra mundial e a marcante influência econômica e cultural resultante, acabaram por deslocar o francês como língua predominante nos meios diplomáticos e solidificar o inglês na posição de padrão das comunicações internacionais. Simultaneamente, ocorre um rápido desenvolvimento do transporte aéreo e das tecnologias de telecomunicação. Surgem os conceitos de informação superhighway e global village para caracterizar um mundo no qual uma linguagem comum de comunicação é imprescindível. Fonte: English Made in Brazil - https://www.sk.com.br/sk-historia-da-lingua-inglesa.html Schütz, Ricardo E. "História da Língua Inglesa." English Made in Brazil . On-line (data de acesso). #SAIBA MAIS# REFLITA O que não dá prazer não dá proveito. Em resumo, senhor, estude apenas o que lhe agradar. (William Shakespeare) #REFLITA# https://www.sk.com.br/sk-historia-da-lingua-inglesa.html CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) estudante, Chegamos ao fim da Unidade 1 da disciplina de Literatura em Língua Inglesa e pudemos compreender algumas de suas maiores contribuições para a literatura mundial. Em um momento inicial, vimos a importância dos primeiros manuscritos para a criação da língua pela qual o mundo se comunica atualmente. Vimos que a forma artística de se expressar está intrinsecamente ligada à difusão e ao conhecimento linguístico da época. As influências das navegações e das invasões para a consolidação de um idioma também é algo importante que a difusão da literatura pode contribuir. E, após esse momento, fomos em busca da maior autoridade literária da época: William Shakespeare. Shakespeare foi um brilhante autor britânico, responsável pelo desenvolvimento das artes cênicas, o que contribuiu também para a expansão da língua inglesa e a influência do inglês como chave desenvolvimental. Assim, refletimos sobre a contribuição shakespeariana para o teatro inglês e a ascensão dos romances na burguesia britânica. Nas unidades seguintes, temos como objetivo traçar o desenvolvimento histórico da literatura em língua inglesa, apontando os avanços no decorrer dos séculos, as consolidações dos poetas e a popularização da literatura. Esperamos por vocês, Até lá! LEITURA COMPLEMENTAR “TUPI OR NOT TUPI”: SHAKESPEARE NA LITERATURA BRASILEIRA Este estudo resultaria em incontáveis laudas se se enveredasse pela busca de todas as ocorrências intertextuais na literatura brasileira que envolvessem a obra do bardo inglês. Menos pretensioso é o propósito de registrar aqui apenas algumas dessas ocorrências, que são suficientes para evidenciar o quanto as falas das personagens de Shakespeare estão disseminadas pela cultura e pela literatura brasileira. A fim de preservar a viabilidade da pesquisa que resultou na redação deste artigo, tomou- se um exemplo apenas: a obra Machado de Assis, além, é claro, de uma breve referência ao Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, de onde se extraiu o aforismo que serviu para compor o título desta seção. Vejamos o que ocorre na obra de Machado de Assis, que tão bem dialoga com o teatro de Shakespeare. No romance Dom Casmurro, o protagonista, Bentinho, está seriamente perturbado pela convicção de que sua esposa Capitu não lhe é fiel. Vivendo tal drama de consciência, o protagonista vai ao teatro. E a que peça vai assistir? À peça Otelo, de Shakespeare, cujo tema é o fantasma da infidelidade, que corrói o pensamento do marido enciumado. O episódio da ida ao teatro no romance de Machado de Assis funciona, assim, como uma espécie de célula do tema da obra. E, é claro, reverencia a obra de Shakespeare. Na abertura do conto “A cartomante”, que também põe em cena um triângulo amoroso, o narrador se vale de uma passagem da peça Hamlet para anunciar o caráter sobrenatural da passagem que antecede o seu desfecho: Hamlet observa a Horácio que há mais cousas o céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras. Curiosamente, o narrador não atribui à personagem Rita o processo mental que leva à elaboração do paralelo entre a sua fala e a de Hamlet, o que faz supor que a personagem Rita desconhecesse a obra de Shakespeare. De qualquer forma, o teor filosófico da fala de Hamlet se faz presente na fala dela e ocorre ao narrador estabelecer a analogia entre os dramas vividos por essas personagens, tão distanciadas no tempo, mas tão semelhantemente angustiadas com as suas perturbações mentais. Fica, assim, a fala de Rita marcada pelo teor filosófico da fala de Hamlet e a do narrador marcada pela referência a Shakespeare. Eugênio Gomes, em estudo sobre a presença de Shakespeare na cultura e na literatura brasileira, chama a atenção para o fato de que essa fala surge na obra de Machado de Assis com algumas variações, que ocorrem de acordo com as circunstâncias do texto. Fonte: ARAÚJO, Carla Cristina de. SHAKESPEARE NA CULTURA BRASILEIRA. Em Tese, [S.l.], v. 18, n. 2, p. 33-43, ago. 2012. ISSN 1982-0739. Disponível em: http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/emtese/article/view/3806/3752. Acesso em: 01 nov. 2021. doi:http://dx.doi.org/10.17851/1982-0739.18.2.33-43. LIVRO • Título: Reflexões sobre Shakespeare • Autor: Peter Brook • Editora: SESC • Sinopse: Peter Brook é um dos mais renomados diretores de teatro de todos os tempos. Em Reflexões sobre Shakespeare, ele reflete sobre uma fascinantevariedade de temas shakespearianos, da atemporalidade da obra do dramaturgo inglês à maneira de como os atores devem abordar seu verso. Como o próprio autor afirma, este não é um trabalho acadêmico. Aos 91 anos de idade ele apresenta uma série de impressões, memórias, experiências e conclusões temporárias sobre uma repleta vida dedicada ao fazer teatral. FILME/VÍDEO • Título: A lenda de Beowulf • Ano: 2007 • Sinopse: Em uma época de heróis, um cavaleiro chamado Beowulf chega à corte do Rei Hrothgar e oferece para combater um demônio chamado Grendel. Ele combate a fera com sucesso, mas terá que enfrentar também a ira da mãe de Grendel, uma criatura má e vingativa, porém sedutora. • Link: https://www.youtube.com/watch?v=NzjYyNXgNiE REFERÊNCIAS CELLI, Renata. William Shakespeare: biografia e principais obras!. 2020. Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/portugues/william-shakespeare/. Acesso em: 25 out. 2021. CEVASCO, Maria Elisa: SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2 ed. São Paulo: Àtica, 1985. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3875109/mod_resource/content/1/RUMOS%20 DA%20LITERATURA%20INGLESA.pdf. Acesso em: 25 out. 2021. MEDEIROS, Márcia Maria de. A história da literatura e a compreensão dos meandros da sociedade inglesa da Baixa Idade Média. Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade, n.9. 2012. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/cordis/article/view/14415/10514. Acesso em: 25 out. 2021. UNIDADE II A LITERATURA INGLESA NO SÉCULO XVIII ProfessorA Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fábio Cardoso Plano de Estudo: ● A Inglaterra na transição do século XVII para o século XVIII; ● A Restauração; ● A ascensão do romance e os pré-românticos. Objetivos de Aprendizagem: • Conceituar e contextualizar os fatores sociais, econômicos e políticos na Inglaterra durante os séculos XVII e XVIII; • Compreender os tipos de arte literária produzidos no decorrer do século XVIII; • Estabelecer a importância da ascensão do romantismo como forma de reação à Revolução Industrial. INTRODUÇÃO Olá, caros (as) estudantes, Iniciamos mais uma unidade dos nossos estudos das literaturas em língua inglesa e esperamos que esta venha para somar ainda mais nos seus estudos e em seu processo de aprendizagem. Após discutirmos sobre os primeiros registros textuais aos quais se tem conhecimento em inglês e também estudarmos sobre o grande dramaturgo e poeta William Shakespeare, avançaremos, nesta unidade, nos estudos sobre a criação artística ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Refletiremos sobre o período de transição de século e o quanto impactante para a sociedade as mudanças sociais e políticas foram marcantes também à produção literária. A Inglaterra passou por diversas transformações políticas e evidentemente essas também fizeram parte das transformações artísticas, por isso, trataremos na unidade sobre a literatura produzida no período conhecido por Restauração e também a ascensão de uma nova forma literária, que se dá pelo período pré-romântico. Desejamos que você tenha um excelente momento de aprendizagem conosco! 1 A INGLATERRA NA TRANSIÇÃO DO SÉCULO XVII PARA O SÉCULO XVIII Palco das grandes obras trágicas e cômicas no período Elisabetano, a Inglaterra passa a enfrentar um diferente momento a partir do século XVII. Já nas primeiras décadas do século é a poesia que ganha destaque e os poetas passam a ser os grandes nomes da produção literária na época. Neste período, destaca-se a convulsão social pela qual a Inglaterra passava. Os teatros foram fechados e uma nova ordem se impunha: a de negação aos prazeres e a ascensão do puritanismo. CEVASCO & SIQUEIRA (1985), em Rumos da Literatura Inglesa, contextualiza que: [...] ainda na época dos Tudor, o conflito religioso era uma ameaça constante a paz interna. Sob Jaime I, o Stuart que sucedeu a Elizabeth, a coisa foi se agravando, para explodir no reinado de Carlos I, a quern os puritanos lograram depor e executar, dando à Inglaterra a duvidosa honra de ser o primeiro país europeu a cometer um regicídio, numa época em que ainda florescia na Europa o absolutismo. Nessa altura, seria conveniente lembrar que o conflito entre puritanos e anglicanos, além de religioso, era uma oposição entre interesses econômicos divergentes. Via de regra, os partidários do rei eram senhores de terras, nobres ciosos de perpetuar seu poder. Já os puritanos, oriundos em sua maioria da burguesia, pretendiam um "governo de santos", mas santos mercantilistas, uma vez 30 que na severa teoria calvinista podia não haver lugar para o prazer, mas o havia sempre para o comércio e o lucro. (CEVASCO; SIQUEIRA, 1985, p. 29-30) A partir dessas mudanças no contexto social e político, também há a popularização do acesso à bíblia, uma vez que esta recebeu a tradução em inglês. Com novos leitores e escritores, a influência do livro passa a ser imenso como fonte de inspiração e referência. Até então, a poesia que se adotava como marca principal desse momento era a cavalheiresca, na qual se louvava o amor, e o cavalheiro enaltecia as belezas de sua dama. Ben Jonson (1573-1637) foi o maior influenciador da época. Apesar de a poesia cavalheiresca ter sido o expoente do início do século XVII, ela não produziu grandes nomes, além de Jonson e em meados do século deu espaço ao que ficou conhecido por poesia metafísica, cujo maior expoente é John Donne (1572- 1631). A poesia de Donne contrasta com a cavalheiresca porque é metafísica. Embora ele também cante o amor, assim o faz de outra forma. Sua poesia pode ser considerada mais cerebral. Donne tinha como intuito utilizar a ciência conhecida até então como mote para a criação de sua obra. O autor calcava-se no evidente, o que revela sua intenção em demonstrar outros possíveis. Ainda assim, não podemos dizer que a poesia de Donne era hermética, ou seja, desprendida de descrever os sentimentos, porque, ainda assim, existe lugar para exaltar a mulher amada. Uma característica muito comum nos poemas de Donne é que a voz do poeta dá impressão de um diálogo natural sendo contado. Como podemos ver em The Flea, um de seus poemas mais aclamados, o poeta utiliza o comum picar de uma pulga para demonstrar como esta obteve mais da amada do que ele. Mark but this flea, and mark in this, How little that which thou deniest me is; It sucked me first, and now sucks thee, And in this flea our two bloods mingled be; Thou know’st that this cannot be said A sin, nor shame, nor loss of maidenhead, Yet this enjoys before it woo, And pampered swells with one blood made of two, And this, alas, is more than we would do. (John Donne) Donne foi deão da Catedral de São Paulo, porém suas obras religiosas passam a impressão de que se tratam de discussões com Deus, temperadas com medo e dúvida do que uma devoção ou simples adoração a Deus. Seguindo a linha de Donne, está George Herbert (1593 - 1633). Com a poesia estabelecida em novos rumos, a prosa também toma novo rumo, pode-se dizer que esta caminhava para se encontrar com o estilo do século seguinte: o romance. John Milton (1608-1674) foi decisivo na luta entre os puritanos e anglicanos no século XVII. Nascido de família abastada conseguiu se dedicar aos estudos reunindo, assim, uma grande formação cultural. Seu contato com os livros e com a formalidade em geral pode ser o que evidencia sua pouca simpatia às fragilidades humanas em sua poesia. Milton é extremamente importante para a literatura inglesa, pois conseguiu acompanhar em vida um processo histórico importante que foi o fim do puritanismo, a partir da restauração da monarquia.2 A RESTAURAÇÃO https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/john-dryden-vintage-engraved-illustration- 1448112341 Com o absolutismo com os dias contados na Inglaterra, os ares de progresso e uma maior tolerância religiosa começa a pairar sobre os ingleses. A corte que permanecia em exílio na França trouxe consigo o gosto pela arte, pela elegância e luxo, o que não eram apreciados pelos puritanos, pois acreditavam que poderiam ter sua fé contaminada. Carlos II, filho de Carlos I, apresenta um novo interesse pelas ciências, buscando financiar pesquisas científicas em diversos campos, o que é determinante para trazer ao cenário todo esse espírito racional inglês que permeou o século XVIII. Dessa forma já é possível perceber que o ambiente para o desenvolvimento cultural torna-se apropriado para uma resposta a tudo o que foi realizado anteriormente. Os novos artistas da literatura inglesa, saem em busca da simplicidade e da objetividade. A literatura da Restauração e do século XVIII vai, portanto, em direção oposta à trilhada pela sagacidade de Donne e pela grandiloquência de Milton, substituindo-as pelo Neoclassicismo. Com parâmetros importados especialmente da França e da Itália, e adaptados à tradição inglesa, o Neoclassicismo preconizará uma literatura depurada dos "exageros" da época anterior, sensata e preocupadíssima com a perfeição formal. (CEVASCO e SIQUEIRA, 1985, p. 38) O mais importante autor do período é John Dryden (1631-1700), já que é o primeiro a enaltecer o restabelecimento do império romano, restando sua poesia conhecida por “Augusta”. Suas obras uniam a simplicidade dos versos com a elegância em busca de um equilíbrio, dessa forma, a impessoalidade é uma marca latente, ou seja, é difícil perceber muito do autor na obra. Outro importante autor foi Alexander Pope (1688 - 1744), este, talvez, considerado o poeta mais clássico do período. Suas obras possuem uma preocupação formal de altíssimo nível, porém sua visão de mundo está presente com maior tenacidade. Essa busca pela perfeição formal acaba por limitar o processo de criação e invenção dos poetas ingleses. Porém, no final do século XVIII, perceberemos que a liberdade criativa volta a dominar a literatura desenvolvida, principalmente, quando se inicia o processo do Romantismo. Ainda em relação ao período da Restauração, temos, aqui, a volta do teatro como uma das primeiras providências tomadas por Carlos II, no entanto, aquela forma teatral conhecida pelas grandes obras de Shakespeare, que compunham o teatro conhecido por Elisabetano, havia se perdido. As novas peças nesse primeiro momento de retomada eram consideradas artificiais. A comédia ganha espaço de destaque no período, mais precisamente, a comédia de costumes. Ao evidenciar estereótipos, a comédia satirizava a sociedade da época que se identificava sem muitas pretensões filosóficas, mas se via na figura do velho solteirão, a jovem rica e cheia de pretendentes etc. Grandes escritores de comédias da época foram George Etherege (1635-1692), William Congreve (1670-1729), Oliver Goldsmith (1728-1774) e Richard Brinsley Sheridan (1751-1816). Destaca-se, contudo, John Gay (1685-1732) que tenha sido o autor das mais originais obras de comédia da época. Gay é autor de The Beggar 's Opera, um misto de ópera e teatro e que foi escrito com o intuito de satirizar o amor exagerado londrino pelas óperas italianas à época. Ao contrário dos autores citados anteriormente, Gay coloca em cena personagens incomuns para a aristocracia inglesa como mendigos, ladrões etc. Bertold Brecht foi buscar inspiração nesta obra de John Gay para sua Ópera dos Três Vinténs. O teatro dramático, portanto, viveu uma baixa considerável, também, por não haver mais um talento como o de Shakespeare disponível, mas também, porque a burguesia que surge tende a ter um rigor moral alto e impositivo à sociedade inglesa, o que faz com que as peças teatrais sofram novamente com o moralismo social. Se o teatro dramático deixa de ser tão importante quanto outrora, um novo gênero passa a ser promissor para a literatura inglesa no século XIX: O romance. 3 A ASCENSÃO DO ROMANCE E OS PRÉ-ROMÂNTICOS https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/juan-fernandez-islands-old-view-probably- 85490446 Ainda, a partir do processo da Restauração e pós-Restauração, a literatura inglesa em prosa ainda não tinha espaço consolidado, uma vez que a corte preferia ler obras importadas, principalmente, as francesas. A prosa bíblica ainda era uma força consolidada ao lado daquela mais popular com histórias de aventuras e crimes sem grandes interesses artísticos. Desse período, é importante destacar John Bunyan (1628 - 1688) e seu Pilgrim 's Progress, contando a saga de um homem cristão andando pelo mundo até chegar ao céu. A história era popular e continha grande apoio dos setores sociais e religiosos à época. Bunyan era um exímio contador de histórias. Ainda neste momento pré-romântico, embora, este já seja ,por críticos literários considerado o primeiro dos romancistas, temos Daniel Defoe (1660-1731). Moll Flanders e Robinson Crusoé são obras de Defoe que inauguram um estilo diferente do texto em prosa, pois vem acompanhado da vasta experiência jornalística do autor. Dessa forma, seu texto não é considerado uma ficção, mas, sim, como uma apresentação de uma verdade, mesmo que contada pelos próprios personagens. Em Crusoé, Defoe prende o leitor em um estilo documental incomum à época, inaugurando um estilo que o marca como um dos grandes nomes nesse período de transição artística. A sátira também começa a ser valorizada por conta do momento racionalista em que a Inglaterra passava à época e com Jonathan Swift (1666-1745), talvez, tenha encontrado seu melhor momento. Swift em A tale of a tube ironiza o fanatismo religioso com propriedade e veemência. Mesmo Swift e Defoe sendo sumidades em relação à importância para o desenvolvimento da prosa em um momento em que ela vinha perdendo espaço, alguns críticos, no entanto, atribuem a Samuel Richardson (1689-1761) a honra de trazer ao universo literário o primeiro romance, sendo este conhecido por epistolar, chamado Pamela. Em meio a cartas, uma jovem criada, constantemente assediada por seus patrões, escreve a seus pais. Assim, o autor revela uma compreensão refinada da complexidade humana e das tensões entre o ser e o social. Pamela, além disso, é também contemporânea, o que agradou muito, porque as mulheres se reconheceram na obra ao analisar suas próprias condições. A presença de um fim moral também agradou os leitores, além de que Pamela ascende de classe social por conta de sua virtude. Essa mensagem moralizante agradou toda a Inglaterra. A moralidade combinada à ascensão social como um prêmio através do casamento inaugura um estilo que vai permear as histórias literárias por anos, e o romance só verá mudanças mais significativas nesse padrão no início do século XX. Contemporâneo de Richardson, Henry Fielding (1707-1754) se inspirou em Pamela para criar Joseph Andrews. Se, naquela obra a jovem se entrega ao assédio de seu patrão, nesta o jovem é despedido após recusar o amor de sua patroa. Com esse romance, Fielding dá uma formalidade até então desconhecida ao romance, a qual todas as ações do enredo vão contribuir para o resultado final. Além disso, o herói de Fielding é entendido em sua profundidade psíquica, o que acaba por ser uma das características mais aclamadas na literatura inglesa da época. Além de Fielding, marcando o período de surgimento do romantismo inglês, temos a figura de Lawrence Sterne (1713-1768). Sterne buscava em seu enredo incluir tudo o que pudesse fazer rir, mesmo que noçõesde estruturas lógicas como espaço e tempo precisassem ser abandonados. Entretanto, engana-se quem pensa que a confusão de Sterne foi desarticulada. Com suas voltas e idas, páginas em branco, enigmas, o autor se propôs a desafiar a lógica criando um universo único em suas obras. SAIBA MAIS Repara nesta pulga e aprende bem Quão pouco é o que me negas com desdém. Ela sugou-me a mim e a ti depois, Mesclando assim o sangue de nós dois. E é certo que ninguém a isto aludo Como pecado ou perda de virtude. Mas ela goza sem ter cortejado E incha de um sangue em dois revigorado: É mais do que teríamos logrado. Poupa três vidas nesta que é capaz De nos fazer casados, quase ou mais. A pulga somos nós e este é o teu Leito de núpcias. Ela nos prendeu, Queiras ou não, e os outros contra nós, Nos muros vivos deste Breu, a sós. E embora possas dar-me fim, não dês: É suicídio e sacrilégio, três Pecados em três mortes de uma vez. Mas tinge de vermelho, indiferente, A tua unha em sangue de inocente. Que falta cometeu a pulga incauta Salvo a mínima gota que te falta? E te alegres de dizes que não sentes Nem a ti nem a mim menos potentes. Então, tua cautela é desmedida. Tanta honra hei de tomar, se concedida, Quanto a morte da pulga à tua vida. (JOHN DONNE - A PULGA - THE FLEA) #SAIBA MAIS# REFLITA Um homem nunca deve sentir vergonha de admitir que errou, o que é apenas dizer, noutros termos, que hoje ele é mais inteligente do que era ontem - Alexander Pope #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá, caros estudantes, Finalizamos mais uma unidade dos nossos estudos sobre as literaturas em línguas inglesas. Nesta unidade, pudemos refletir sobre o período de transição do século XVII para o século XVIII na Inglaterra. Percebemos que, nas primeiras décadas do século XVII, a poesia passou a ser a grande produção literária da época. Os teatros fechados e a ascensão do puritanismo são responsáveis pela redução da produção artística em prosa. Vimos assim, que a bíblia e a religião passam a ser aliadas da literatura produzida e os maiores autores da época passam a produzir poemas conhecidos como cavalheirescos, os quais enalteciam o amor, à natureza e a sua amada. Com o passar dos anos e a decadência do absolutismo, o progressismo se instalou na Inglaterra e evidentemente na literatura. Vimos, então, que o texto produzido neste período já são avessos ao puritanismo exacerbado dos anos anteriores. A literatura do período da Restauração é marcada por autores preocupados com um equilíbrio entre a forma e a simplicidade dos versos, mas, sendo muito mais impessoal que nos tempos anteriores. É neste período que o teatro volta a ganhar força, porém com as comédias, em especial, as do cotidiano, que satirizavam a sociedade da época e esta se reconhecia despretensiosamente. Grandes autores escreveram comédias que marcaram o processo literário até então, como George Etherege, William Congreve, Oliver Goldsmith, Richard Sheridan e o mais marcante deles, John Gay. Entretanto, vimos que o teatro dramático perde espaço, mas inaugura um novo gênero para a literatura: o romance. E, assim, compreendemos o período considerado pré-romântico, o qual diversos autores e obras se inscrevem e moldam o que conhecemos como romance atualmente. John Bunyan, Daniel Defoe, Jonathan Swift e Samuel Richardson aparecem como os destaques deste momento da criação literária. Agora, esperamos que na próxima unidade, você possa continuar conosco este estudo sobre a literatura inglesa, pois nos aprofundaremos a conhecer o período romântico até chegarmos ao que é conhecido por Era Vitoriana. Até lá! LEITURA COMPLEMENTAR Literatura de restauração é a literatura inglesa escrita após a Restauração da monarquia em 1660 após o período da Comunidade. Alguns historiadores literários falam do período como limitado pelo reinado de Carlos II (1660-85), enquanto outros preferem incluir em seu escopo os escritos produzidos durante o reinado de Jaime II (1685-88) e, até mesmo, a literatura da década de 1690, muitas vezes, é chamado de "Restauração". Naquela época, no entanto, o reinado de Guilherme III e Maria II (1689-1702) havia começado, e o ethos da moda cortês e urbana era, como resultado, sóbrio, protestante e até piedoso, em contraste com o espírito sexualmente e intelectualmente libertino da vida na corte sob Carlos II. Muitas formas literárias típicas do mundo moderno - incluindo romance , biografia , história, escrita de viagens e jornalismo - ganharam confiança durante o período da Restauração, quando novas descobertas científicas e conceitos filosóficos, bem como novas condições sociais e econômicas, entraram em jogo. Houve um grande derramamento de literatura em panfletos, também, muito dela político-religiosa, enquanto a grande alegoria de John Bunyan , Pilgrim's Progress, também pertence a este período. Grande parte da melhor poesia, especialmente, a deJohn Dryden (a grande figura literária de seu tempo, tanto na poesia quanto na prosa), o conde de Rochester, Samuel Butler e John Oldham , foi satírico e levou diretamente às realizações posteriores de Alexander Pope , Jonathan Swift e John Gay em a Idade de Augusto . O período da Restauração foi, acima de tudo, uma grande época de dramas. Peças heróicas, influenciadas pelos princípios do neoclassicismo francês , estavam em voga, mas a época é principalmente lembrada por suas brilhantes comédias críticas de maneiras, escritas por dramaturgos como George Etherege, William Wycherley , Sir John Vanbrugh e William Congreve. Fonte: Literatura de Restauração - Período literário inglês. 2020. Disponível em: https://delphipages.live/pt/literatura/literaturas-do-mundo/restoration-literature. Acesso em 18/09/21. LIVRO https://delphipages.live/link?to=english-literature&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/English-literature&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=charles-ii-king-of-great-britain-and-ireland&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/Charles-II-king-of-Great-Britain-and-Ireland&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=james-ii-king-of-england-scotland-and-ireland&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/James-II-king-of-England-Scotland-and-Ireland&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=literature&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/literature&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=william-iii-king-of-england-scotland-and-ireland&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/William-III-king-of-England-Scotland-and-Ireland&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=mary-ii&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/Mary-II&source=restoration-literature https://www.merriam-webster.com/dictionary/ethos https://delphipages.live/link?to=novel&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/novel&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=biography-narrative-genre&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/biography-narrative-genre&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-bunyan&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Bunyan&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=allegory-art-and-literature&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/allegory-art-and-literature&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-bunyan&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Bunyan&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-dryden&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Dryden&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-oldham&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Oldham&source=restoration-literaturehttps://delphipages.live/link?to=alexander-pope-english-author&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/Alexander-Pope-English-author&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=jonathan-swift&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/Jonathan-Swift&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-gay-british-author&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Gay-British-author&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=augustan-age-latin-literature&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/Augustan-Age-Latin-literature&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=neoclassicism&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/art/Neoclassicism&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=william-wycherley&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/William-Wycherley&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=john-vanbrugh&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/John-Vanbrugh&source=restoration-literature https://delphipages.live/link?to=william-congreve&lang=pt&alt=https://www.britannica.com/biography/William-Congreve&source=restoration-literature • Título: Gathering Force: Early Modern British Literature in Transition, 1557–1623 • Autor: Kristen Poole • Editora: Cambridge University Press, 2019 • Sinopse: Durante os séculos XVI e XVII, a Inglaterra cresceu de uma potência marginal para uma grande potência europeia, estabeleceu colônias no exterior e negociou a Reforma Protestante. A população cresceu e tornou-se cada vez mais urbana. A Inglaterra também viu a ascensão meteórica do teatro comercial em Londres, a criação de um mercado vigoroso para textos impressos e o surgimento da escrita como uma profissão viável. As taxas de alfabetização explodiram, e um público cada vez mais diversificado encontrou uma profusão de novas formas textuais. A mídia e a cultura literária transformaram-se numa escala que só voltaria a ocorrer com o surgimento da televisão e da internet. As vinte contribuições inovadoras em Gathering Force: Early Modern Literature in Transition, 1557-1623, traçam maneiras pelas quais cinco gêneros diferentes estimularam e responderam à mudança. Os capítulos exploram diferentes facetas da poesia lírica, romance, drama comercial, mascaradas e concursos e prosa não-narrativa. Interessante e acessível, este volume lança luz sobre as relações dinâmicas entre as transformações sociais, políticas e literárias do período. FILME/VÍDEO • Título: Ópera do Malandro • Ano: 1986 • Sinopse: Max (Edson Celulari) é um malandro elegante, que é também uma popular figura do boêmio bairro da Lapa. Ele explora uma cantora de cabaré e vive de pequenos trambiques. Até que surge Ludmila (Cláudia Ohana), a filha do dono do cabaré, que pretende tirar proveito da 2ª Guerra Mundial fazendo contrabando. O filme dirigido de Ruy Guerra é baseado na música de Chico Buarque de Hollanda, que foi inspirada em The Beggar 's Opera de John Gay. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=q-KT_pE2-rY REFERÊNCIAS DONNE, John. The Flea. The Norton Anthology of Poetry, 1996. Disponível em: https://www.poetryfoundation.org/poems/46467/the-flea. Acesso em: 04 nov. 2021. CEVASCO, Maria Elisa: SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2 ed. São Paulo: Àtica, 1985. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3875109/mod_resource/content/1/RUMOS%20 DA%20LITERATURA%20INGLESA.pdf. Acesso em: 25 out. 2021. UNIDADE III DO ROMANTISMO À ERA VITORIANA Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fábio Cardoso Plano de Estudo: ● O romantismo; ● As fases do romantismo; ● A Era Vitoriana. Objetivos de Aprendizagem: • Conceituar e contextualizar o período romântico; • Compreender os tipos de literatura produzida em língua inglesa no período dos séculos XVIII, XIX e XX; • Estabelecer a importância da Era Vitoriana para as novas produções literárias em inglês. INTRODUÇÃO Olá, caros(as) estudantes, Chegamos à terceira unidade de nossos estudos sobre a literatura inglesa e é evidente o quanto o trabalho literário é uma importante cadeia de acontecimentos interligados com fatores sociais, econômicos, políticos e humanos, sempre tendo o ser humano como fator principal dessa rede. Já conseguimos analisar o surgimento da literatura, a grandiosidade de Shakespeare, o período de transição da sociedade do século XVII para o XVIII. Assim, como a ascensão da poesia em detrimento ao teatro. Nesta unidade, iremos estudar sobre a consolidação do período romântico e o quanto a poesia foi responsável pela incursão de uma produção artística menos engessada e ligada aos padrões clássicos dos séculos anteriores. No primeiro tópico, demonstraremos as características do romantismo e o quanto o homem passa a ser compreendido como um ser passível de incompreensões, falhas e sentimentos e não mais a racionalidade exacerbada do período clássico. Em um segundo tópico, dá-se a necessidade de diferenciarmos as gerações de artistas românticos que surgiram, uma vez que suas produções se diferem à medida em que a sociedade e os acontecimentos históricos vão se subscrevendo. Neste tópico, discorremos sobre os diversos artistas que fizeram do romance o grande movimento estético da literatura inglesa no século XIX. Por fim, adentramos o período vitoriano e a ascensão da prosa sobre a poesia. A popularização das obras e o quanto elas foram responsáveis por descrever e criticar a sociedade da época. Esperamos que esta unidade seja mais um momento de aprendizagem para todos vocês. 1 O ROMANTISMO https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/closeup-typebars-old-typewriter-forming-word-312839618 O romantismo é um movimento bem diferente do Classicismo do século XVIII, uma vez que se opõe ao período de racionalismo e das ideias racionalistas do movimento clássico. O romantismo, portanto, opõe-se à visão extremamente racional e à estética ligada ao neoclassicismo. O classicismo foi responsável por escrever voltado diretamente à classe dominante e, por isso, o termo vinha a designar um valor ético, estético e também reconhecido como ideal para ser estudado por eles que possuíam o poder. As obras clássicas se tornaram modelos para as demais que puderam vir. É nesse viés que o romantismo, em meados do século XVIII, surge com o intuito de romper com as estruturas classicistas e remodela o mundo sob uma nova visão. O classicismo se distingue principalmente porque é adepto à racionalidade, ao equilíbrio e à harmonia, ao passo que o romantismo vai pelo completo oposto. Assim, o período romântico é considerado o momento da imaginação, na qual se permite à sociedade inglesa o vulnerável e incerto da irracionalidade. O surgimento do movimento se dá concomitantemente à revolução industrial, na qual o país passa de uma estrutura agrária para industrial. As cidades começam a ganhar maior espaço na vida dos cidadãos ingleses sendo habitadas por milhares de pessoas vindas do campo. A luta pela sobrevivência nas cidades, então, faz com que as pessoas se submetam às condições subumanas independentemente da idade e gênero, atingindo, assim, também crianças e mulheres que buscavam quaisquer condições para sobreviver. As classes dominantes impedem, assim, as organizações trabalhistas com o temor de que núcleos assim venham a proporcionar conflitos parecidos ao da Revolução Francesa, cujos ideais de igualdade, fraternidade e liberdade permaneciam acesos por toda a Europa. Neste contexto, temos artistas como Shelley que subvertem os interesses mais reacionários ao incluir em sua poética temas claramente incitando uma revolta contra essas condições miseráveis impostas pela elite.O surgimento de jovens poetas que se voltam contra o Neoclassicismo põe fim ao período racionalista e artificial dos clássicos. Esses escritores da época passam a versar sobre os sentimentos de forma mais simples e direta, mais próxima do homem comum. Atualmente, denomina-se esses poetas como românticos, mas estes nunca se autodenominaram assim. Apenas anos após o início do século XIX que o termo romantismo passa a ser aplicado ao movimento iniciado por eles, mas que não foi restrito à Inglaterra. O período romântico inglês é concorrente ao alemão e contemporâneo ao francês. O marco inicial da nova forma de pensar a literatura é atribuído geralmente aos poetas William Wordsworth (1770-1850) e Samuel Taylor Coleridge (1772-1834). A publicação de Lyrical Ballads (1798) é uma consolidação dos sentimentos em detrimento à razão. Para Wordsworth, o texto poético é uma expressão da emoção que não deve ser padronizada ou seguir os modelos dispostos até então. Assim, o amor pela cultura e tradição da sociedade inglesa vão ganhando espaço nos textos literários. O poeta do período romântico é, sem dúvida, um ser social. Ainda que este se desencante, o refúgio se dá num mundo imaginário, exótico e, por vezes, sobrenatural. Por isso, o reinado da imaginação toma conta da poesia inglesa. 2 AS FASES DO ROMANTISMO https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/lord-byron-george-gordon-noel-17881824-1384397345 Consolidado os objetivos românticos de negar a racionalidade clássica, faz-se necessário valorizar os feitos de um artista que prenuncia a vinda do período em solo inglês. Trata-se de William Blake (1757-1827). Pré-romantismo Blake, apesar de ter vivido parte de sua vida no século da razão, foi um defensor da imaginação como elemento superior, na qual sua realização permite que o homem atinja a verdade. Em Jerusalém, poema épico escrito por Blake, o autor cria um gigante - Los - que representa a imaginação estando sempre em disputa contra Urizem, representante dos poderes racionais e legais. Independente, Blake não seguia o pensamento comum de outros homens e criou seu universo particular em obras compostas por anjos, demônios, gigantes que tinham por intenção indicar os conflitos humanos entre a razão e a imaginação. Por isso, Blake foi responsável por dar dimensão aos sentimentos humanos que vão se alterando com o decorrer da vida, sendo a infância um momento de sublimação em detrimento à vida adulta repleta de repressão. A obra do autor não foi recebida com louvor pelo público, provavelmente, porque ainda se via ligada aos costumes anteriores. Dessa forma, o poeta inglês seguia criando seu universo ao passo que poetas discutiam literatura e passavam a compor o que se cristaliza depois como movimento romântico inglês nas primeiras décadas de XIX. Por isso, William Blake é considerado pertencente ao que se chama de Pré- romantismo, tendo seus principais iniciadores os já citados Wordsworth e Coleridge, que juntos conceberam Lyrical Ballads. Entretanto, as obras individuais dos autores vêm a compor o que é conhecido pela primeira fase do romantismo. Primeira Fase William Wordsworth descreve em suas obras um intenso amor à natureza, o que pode se justificar por sua descendência escocesa. O poeta louvava sua gente simples através do uso de uma linguagem usual e acessível. Mesmo que simples, sua visão de mundo é sincera e repleta de imagens capazes de remontar as paisagens inglesas. Suas principais obras foram a ode à infância, Intimations of Immortality from Early Childhood, Lake District; e também os poemas autobiográficos como The Excursion e The Prelude. Samuel Taylor Coleridge traz para o romantismo o sobrenatural e o exótico, criando versos cheios de elementos mágicos e misteriosos. Sua poética é marcada também pelas influências de seu envolvimento com a crítica literária e a filosofia. Tendo poemas como Ancient Mariner, Kubla Khan e Christabel compondo a galeria dos principais textos românticos. Diferentemente de Wordsworth, que propunha uma poesia que extraísse do cotidiano, da natureza e do lugar-comum elementos que levassem o leitor ao arrebatamento, a poesia de Coleridge é caracterizada pela valorização do sobrenatural, do misterioso. Esse elemento constitui-se em um ponto de divergência que nunca foi resolvido entre os dois poetas. (MOREIRA e SPARANO, 2011, p. 10) Fator importante a se considerar é que Coleridge e Wordsworth alcançaram o respeito da sociedade inglesa, sendo homens maduros que levantavam os ideais românticos, descolando-se da imagem jovial de que se tinha dos romancistas. Segunda Fase Lord Byron - ou George Gordon (1788-1824), é o típico jovem libertário ao qual se tem entendimento do período romântico. Aventureiro e mórbido, Byron é um dos integrantes do conhecido mal-du-siècle, que tanto influenciou a segunda geração romântica do Brasil. O poeta viu-se obrigado a sair da Inglaterra após ter-se apaixonado por sua meia-irmã. Irônico e cômico, Lord Byron escreve, o que para muitos, é considerado sua obra- prima, Don Juan, em que perseveram a crítica à hipocrisia e à opressão que se vê na sociedade da época. Amigo de Byron, Percy Bysshe Shelley (1792-1822) também compôs a segunda fase do romantismo inglês. Shelley foi um defensor contumaz do proletário, mesmo sendo filho de aristocratas, além de ter se destacado por ser revolucionário. Queen Mab, uma de suas mais admiráveis obras, é um longo poema em que o sofrimento de um homem é causado pela religião e moralismo. Baseado na revolta contra a opressão ao proletariado, Shelley escreveu obras como The Mask of Anarchy, Hellas e Prometheus Unbound e Adonais, um tocante poema baseado na morte de outro importante autor da segunda geração romântica é John Keats (1795-1821). Keats escreveu sobre o belo, a alegria e o amor. Sua poética se destaca pela sensualidade e pelos versos elegantes. Em Ode to a Nightingale, Keats descreve a eternidade da beleza por meio do canto de um pássaro. Em La Belle Dame sans Merci, o autor descreve uma mulher sedutora e que leva o homem à destruição. Para críticos, a Bela Dama sem Piedade é na verdade uma personificação da tuberculose, doença que mata o poeta ainda muito jovem. Observamos que, mesmo os poetas da segunda geração romântica, representados por Byron, Keats e Shelley, apesar de terem nascido após a Revolução Francesa, compartilham muitas das expectativas e visões dos poetas da primeira geração, Wordsworth e Coleridge. Reflexões sobre o papel da arte, em particular da poesia, a valorização do belo, da figura feminina, do eterno e da natureza, em oposição a transitoriedade desse mundo, o interesse pelo passado, pelo senso de mistério e pelo lado obscuro são algumas das características comuns aos poetas apresentados. (MOREIRA e SPARANO, 2011, p. 16-17) Assim, os destaques principais na poética romântica por aqui estão retratados. Mas, e quanto a prosa? A este período, denomina-se de Era Vitoriana, a qual tratamos a seguir. 3 A ERA VITORIANA https://static.todamateria.com.br/upload/fr/an/franzxaverwinterhalterdiekoniglichefamiliegemeinfre i-0-cke.jpg A Era Vitoriana é a expressão maior da consolidação da prosa romântica, no entanto, como qualquer movimento artístico, histórico, político ou social, este não se inicia por si mesmo. Existem grandes nomes que abriram caminho para a realização do romantismo. Walter Scott (1771-1832) começou sua carreira como poeta, mas foi na prosa que realizou suas grandes obras. Nascido na Escócia, Scott escreveu diversos romances sobre seu país como The Bride of Lammermoor, Guy Mannering e Waverley. Scott ‘pecou’, porém, em nãodar profundidade psicológica a seus personagens, o que fez com que suas obras ficassem datadas, já que recriar o passado já não encontrava mais sentido com o passar dos anos. Essa profundidade psicológica dos personagens, no entanto, é característica importante da obra de Jane Austen (1775-1817). Suas personagens são capazes de errar e acertar, o que acaba por garantir caráter imortal às histórias. Dona de clássicos como Emma, Pride and Prejudice e Persuasion, Austen não pode ser resumida como uma autora de textos sobre mulheres em busca de um marido. A ironia refinada é sua grande marca, característica incomum entre os românticos. Algum pouco tempo depois, a realidade inglesa começa a se transformar e obviamente vai transformando junto toda a excitação romântica inicial. A literatura vai começar a experimentar de fato o período compreendido por Era Vitoriana. Com a ascensão de Vitória ao trono, os ingleses vivenciavam mais um período de paz, tranquilidade e prosperidade no reino, além de estar preparando-se para a Segunda Revolução Industrial do país. A rainha Vitória e o príncipe Alberto passavam ao reino um ideal de decoro e convivência familiar para seus súditos, o que influencia a visão da sociedade da época. Assim, um período ufanista e otimista em relação aos anos que viriam, passam a predominar na sociedade, pois, apesar de problemas serem visíveis, havia uma sensação de que eles seriam solucionados. Entretanto, nem todos os ingleses estavam contemplados a este período próspero da sociedade. As condições de trabalho permaneciam as piores e uma boa parte dos trabalhadores viviam em condições subumanas. Dessa vez, no entanto, os movimentos sindicalizados são criados e a paz virtual criada parece ameaçada. [...] a Era Vitoriana foi, antes de tudo, um período de enormes contradições. Ao lado dos grandes progressos técnicos e industriais, assiste-se a um triste espetáculo de doenças, violência e morte. Foi também um período quando se exerceu um forte controle sobre o comportamento sexual de homens e mulheres. Mais especialmente sobre as mulheres. Apesar de a monarca representar a ideia de uma mulher chefe de Estado, os papéis sexuais eram rigidamente definidos. A mulher deveria reinar no lar e nele somente. A própria Vitória, triste contradição, era uma feroz defensora da submissão feminina e dos limites a serem impostos à atuação das mulheres na sociedade. (SANTANA e SENKO, 2016, p. 191) A prosa, então, assume destaque no período, suplantando a poesia e produzindo obras marcantes. O romance marcará a literatura inglesa na época, desenvolvendo obras que versam sobre histórias cotidianas, de um mundo que as pessoas consigam se reconhecer. O maior entre os autores vitorianos é Charles Dickens (1812-1870), cujas obras demonstram esse duplo aspecto entre uma sociedade ora confiante na tranquilidade, ora ameaçada por sua própria desigualdade. Dickens foi essencialmente um autor popular e soube fazer disso um trunfo para seu sucesso. Publicando seus romances em fascículos em revistas mensais, o autor foi lido por diversas pessoas pelo mundo, não apenas na Europa. Acredita-se que navios que entregavam suas histórias nos Estados Unidos, por exemplo, eram esperados por multidões ansiosas para descobrir o desfecho de suas histórias. Essa experiência de escrever em episódios inclusive serviu de termômetro para que Dickens desenvolvesse os enredos de suas histórias, bem como acontece com as novelas brasileiras. Romances como The Old Curiosity Shop e Martin Chuzzlewit foram sucessos impressionantes, sendo o segundo, até mesmo, ambientado na América para cativar os leitores do novo continente. Dickens une muitas características em suas obras como humor, sentimentalismo, consciência social, ataque ao poder do dinheiro etc. Além de que o autor propõe um romance repleto de drama, moralismo e pieguice. Pickwick Papers, Oliver Twist, David Copperfield, Nicholas Nickelby, Bleak House e Great Expectations são exemplos de grandes romances escritos por Dickens. O romance vitoriano também tem a contribuição feminina como uma de suas marcas principais. As irmãs Brontë, Emily (1818-1848), Charlotte (1816-1855) e Anne (1820-1849) desafiaram as convenções sexistas da época e escreveram suas histórias sobre a paixão, a rivalidade e sociedade. Emily Brontë escreveu apenas um romance, Wuthering Heights, mas o suficiente para lhe garantir destaque na literatura. Villette, Shirley e Jane Eyre são obras de destaque escritas por Charlotte. Anne escreveu Agnes Grey e The Tenant of Wildfell Hall. Com o desenvolvimento do romance vitoriano e o passar dos anos, principalmente com a ascensão de outras potências como a dos Estados Unidos, a industrialização alemã e a organização sindical inglesa cada vez mais forte, foi possível perceber que a Inglaterra caminhava para o fim de uma supremacia. Assim como em todas as áreas sociais, a literatura também não mudará repentinamente, criando, assim, grupos de artistas que vão permanecer realizando as obras como até então, que se oporão e aqueles que tratam de prenunciar as mudanças que virão a ocorrer. Os continuadores e os opositores vão se debruçar justamente ao período do romance vitoriano, alguns buscando enaltecer o espírito vitoriano e outros o criticando veemente. Já os profetas vão realizar uma literatura mais próxima a que virá no século XX. Grande símbolo dessa ebulição em processo é Oscar Wilde (1854-1900). Representante de autores que valorizam a importância da liberdade do individuo e da personalidade, Wilde escreveu clássicos como The Picture of Dorian Gray, no qual o herói vende sua alma para preservar sua beleza; e De Profundis, escrito na prisão após ter sido condenado por ser homossexual. O teatro ressurge também por conta das obras de Wilde como A Woman of No Importance e The Importance of Being Earnest. Assim, com o decorrer dos anos, chegamos ao século XX e este se inicia já com a primeira grande guerra. Este fato vai modificar as certezas e trazer novos sentimentos para o centro da produção artística, influenciar os poetas e autores mais consagrados e trilhar novos caminhos para a produção literária. SAIBA MAIS Principais Características do romantismo inglês Estado de evasão – fuga para universos imaginários, para cenários pitorescos, muitos deles ambientados na Idade Média. Idealização da mulher – o lirismo romântico se aproxima dos trovadores medievais, colocando a mulher como um ser angelical, uma figura poderosa, quase inatingível. Subjetivismo – todos os valores são relativos, definidos a partir da ótica particular de cada artista. É ainda, a partir do sujeito que se estrutura o mundo. Senso de mistério e solidão – a religiosidade expressa pelas figuras do bem e do mal, culto da morte, do sombrio, gosto pelas imagens obscuras, pelos meio-tons que impossibilitam a definição clara e objetiva do mundo. Simplificação da linguagem – libertação dos modelos clássicos de composição, aproximando o texto do entendimento do leitor burguês, destituído de formação acadêmica e cultural que lhe permitisse a compreensão de sofisticações linguísticas. Fonte: Moreira, S. R. F. Sparano, M. E. Unidade: O romantismo inglês - Poesia. Cruzeiro do Sul - Educação a Distância. 2011 Disponível em https://arquivos.cruzeirodosulvirtual.com.br/materiais/disc_2011/1sem_2011/litinglesa/unidade3/texto_teo rico.pdf. #SAIBA MAIS# REFLITA Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. (Oscar Wilde). #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim da terceira unidade de nossos estudos sobre a literatura inglesa. Vimos, nesta unidade, o quanto a sociedade inglesa passava por transformações importantes e determinantes para a produção artística. Além de que osvalores sociais foram se modificando à medida em que os anos foram passando. A era da imaginação toma conta, em detrimento à racionalidade exacerbada, do período anterior. O período romântico é marcado principalmente pela exacerbação do homem como sentimental, passível de incoerências e uma intensa idealização. A subjetividade, o momento para pensar sobre si, ganha espaço importante, mas sem perder de vista os movimentos sociais que ocorriam em uma Inglaterra cada vez menos agrária e mais industrial. Ainda, foi possível conhecermos a importância da prosa para a consolidação do romance como produção literária, por meio de autores clássicos como Jane Austen, Charles Dickens, John Keats, Emily Brontë e Oscar Wilde. A Era Vitoriana, a ascensão da prosa em relação à poesia, marca também uma expansão comercial para o romance, conquistando reconhecimento popular, até mesmo, fora do continente europeu. Isso influenciou todo o movimento literário mundial, não apenas aquele advindo dos ingleses, inclusive o produzido no Brasil. Assim, pudemos refletir, mais uma vez, sobre o poder da literatura em traduzir de maneira artística a sociedade pela qual está inscrita, e o quanto sua produção pode ser constantemente afetada devido às alterações que ocorrem justamente no curso da história da humanidade. O século XX que se aproxima já é marcado logo em seus primeiros anos pela Primeira Guerra e, evidentemente, toda a produção artística é afetada pelo sofrimento causado por conta do conflito. Dessa forma, convidamos vocês, caros estudantes, a seguir conosco para a próxima unidade, na qual demonstraremos essas modificações de sentimentos que influenciaram na produção artístico-literária do século XX. LEITURA COMPLEMENTAR Perspectivas da Era Vitoriana: sociedade, vestuário, literatura e arte entre os séculos XIX e XX Luciana Wolff Apolloni Santana e Elaine Cristina Senko Resumo Este artigo pretende apontar as principais vertentes da sociedade, do vestuário, da literatura e da arte da época vitoriana (XIX- início do XX) pois há um retorno a este passado em várias manifestações históricas até hoje. Acreditamos que esse momento transformou o modo de pensar não apenas da Inglaterra e da Europa como um todo mas o Ocidente de certa forma. Também a Era Vitoriana atingiu o modo de se pensar e de como se comportar no Brasil de meados do século XIX e início do XX. De um modo dinâmico vamos apresentar como os fatos históricos da Era Vitoriana atingiram a expressão social das pessoas através da moda e depois como isso gestava perspectivas na literatura e na arte. Palavras-chave: Era Vitoriana; Moda Vitoriana; Literatura e Arte Vitoriana Fonte: SANTANA, L. W. A., & SENKO, E. C. (2016). Perspectivas da era Vitoriana: sociedade, vestuário, literatura e arte entre os séculos XIX e XX. Revista Diálogos Mediterrânicos, (10), 189–215. Disponível em: https://doi.org/10.24858/209. Acesso em: 25 out. 2021. LIVRO • Título: O Retrato de Dorian Gray • Autor: Oscar Wilde (autor), Paulo Schiller (tradutor) • Editora: Penguin • Sinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” - no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor. Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central - um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado - tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde. FILME/VÍDEO • Título: Orgulho e Preconceito • Ano: 2006 • Sinopse: Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet - Elizabeth (Keira Knightley), Jane (Rosamund Pike), Lydia (Jena Malone), Mary (Talulah Riley) e Kitty (Carey Mulligan) - foram criadas por uma mãe (Brenda Blethyn) que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai (Donald Sutherland). Quando o sr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem. • Link do vídeo (se houver): https://www.youtube.com/watch?v=Y6XneqkfD3c REFERÊNCIAS CEVASCO, Maria Elisa: SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2 ed. São Paulo: Ática, 1985. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3875109/mod_resource/content/1/RUMOS%20 DA%20LITERATURA%20INGLESA.pdf. Acesso em: 25 out. 2021. MOREIRA, S. R. F. SPARANO, M. E. Unidade: O romantismo inglês - Poesia. Cruzeiro do Sul - Educação a Distância. 2011 Disponível em https://arquivos.cruzeirodosulvirtual.com.br/materiais/disc_2011/1sem_2011/litinglesa/u nidade3/texto_teorico.pdf. Acesso em: 18 jan. 2022. SANTANA, L. W. A., & SENKO, E. C. (2016). Perspectivas da era Vitoriana: sociedade, vestuário, literatura e arte entre os séculos XIX e XX. Revista Diálogos Mediterrânicos, (10), 189–215. Disponível em: https://doi.org/10.24858/209. Acesso em: 25 out. 2021. VASCONCELOS, J. B. C., & MELO, F. D. (2019). A Crítica Social no Romance: O Médico e o Monstro na Era Vitoriana. Revista Homem, Espaço e Tempo, 13(1), 161- 176. Disponível em: //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/314. Acesso em: 04 nov. 2021. https://arquivos.cruzeirodosulvirtual.com.br/materiais/disc_2011/1sem_2011/litinglesa/unidade3/texto_teorico.pdf https://arquivos.cruzeirodosulvirtual.com.br/materiais/disc_2011/1sem_2011/litinglesa/unidade3/texto_teorico.pdf UNIDADE IV SÉCULO XX E O MODERNISMO Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fábio Cardoso Plano de Estudo: ● O século XX; ● A poesia do século XX; ● O romance no modernismo; ● A dramaturgia na segunda metade do século XX. Objetivos de Aprendizagem: • Conceituar e contextualizar a sociedade do início do século sobrevivente da guerra; • Compreender o tipo de poesia composta pelos artistas do século; • Estabelecer a importância da dramaturgia. INTRODUÇÃO Olá, caros estudantes, chegamos à última unidade de nosso curso de Literaturas em Língua Inglesa e esperamos que até aqui já tenha sido possível viajar pelo universo fascinante que a arte literária pode proporcionar. Nesta unidade, temos como missão apresentar o período da história e da literatura conhecida por modernismo. Inicialmente, apresentaremos o século XX e seus extremos. Este século foi marcado por diversas transformações e por tantos acontecimentos se concretizarem justamente neste século. É importante que conheçamos os fatos mais importantes da política e sociedade do século, pois esta é decisiva para a produção artística e literária do período. Não há como dissolver os aspectos, uma vez que os autores deste momento buscam se aproximar dos fatos e da realidade de sua época. Nesta unidade,trataremos dessa busca pela compreensão em um momento tão confuso para a humanidade, em meio a revoluções, conflitos e transformações. 1 O SÉCULO XX https://static.todamateria.com.br/upload/im/ag/image6.jpg A Inglaterra do século XX era um espaço complexo e variado, cheio de modificações logo nos anos iniciais do século. Evidentemente, as modificações estavam por toda parte, na literatura, na arte, na música e em todas as formas de expressão do povo inglês. Alguns anos antes do século, alguns acontecimentos começaram a ameaçar as estruturas sociais, políticas e econômicas, preparando o terreno para que o modernismo se estabelecesse anos depois. A Guerra dos Bôeres, os conflitos sociais envolvendo a Índia de Gandhi, a reforma política inglesa que dá direito ao voto para pessoas de classes mais baixas, a criação de inúmeras escolas, o que populariza o público da literatura e, principalmente, o surgimento de uma sociedade com ideais menos rigorosos como os vitorianos para os relativistas. As ideias de Karl Marx, e sua visão materialista da história, questionaram o sistema capitalista. Darwin já abalara a segurança masculina ao colocá-lo como um ser humano e não mais ao lado dos deuses. Espalhou-se pela Europa as teorias de Freud sobre o papel do inconsciente no ser humano no início do século XX. Enfim, neste momento, o homem do início do século está sempre em meio a incertezas e questionamentos. É nesse contexto de inseguranças, em uma Europa prestes a ser palco da Primeira Guerra, que uma nova imagem da literatura surge. Provocado pelo relativismo, uma nova experiência das formas surgirá, tanto no romance quanto na poesia. A arte do século XX consegue traduzir a complexidade do momento em que está inserida porque se, às vezes, aliena, outras vezes, é capaz de refletir e ampliar a diversidade da modernidade. 2 A POESIA DO SÉCULO XX https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/literary-sonnet-book-icon-flat-illustration- 1830638213 A poesia do novo século traz uma nova guinada à produção poética, uma vez que o poema deixa de ser visto através da experiência pessoal do poeta, o que era motivo principal dos românticos. Evidentemente, no início do século, ainda o romantismo convencional caracterizava a produção da poesia. Porém, T. S. Eliot (1888-1965) é o grande responsável inicial pela nova forma da poética. Na poesia de Eliot há a mesma aliança da "superficialidade e da seriedade" que ele louvara na poesia a moda de John Donne. Também são cerebrais os poemas de Eliot, suas imagens são complexas, mas, ao mesmo tempo, há neles um tom de conversação, reforçado pelo uso de palavras da linguagem comum. Interpretar Eliot somente à luz dos metafísicos, porém, obscurece o aspecto radicalmente moderno de sua poesia. Ela reflete, em sua fragmentação, a complexidade e a falta de sentido de nossa era, em que o homem perdeu o sentimento de unidade com o mundo. (CEVASCO e SIQUEIRA, 1985, p. 75-76) A poética de Eliot exige do leitor uma abrangência de conhecimento, uma vez que seus temas, citações e referências fazem menção a todas as transformações trazidas pela modernidade do novo século. Essa constante fragmentação de assuntos aparentemente desconexos é o que sugere o movimento dos pensamentos do homem do século, repleto de dúvidas, incertezas e questionamentos sobre si mesmo e os outros. The Waste Land e Prufrock and Other Observations são livros publicados pelo autor que refletem o caos trazido pelo mundo moderno. Além disso, neste momento da história, o homem se distancia da natureza e do louvor ao bucólico de anos anteriores devido ao avanço das máquinas e da consolidação das cidades. Ainda, existe a melancolia como referência, como quando Eliot diz que a primavera é o momento mais cruel porque a vida renasce mesmo em um momento de morte: April is the cruellest month, breeding Lilacs out of the dead land." Essa ruptura da poesia do século XX com a produzida pelo século XIX também aparece nos romances escritos por Virginia Woolf, James Joyce e D.H. Lawrance. Os personagens, que até então eram completamente revelados, tanto psicologicamente quanto em sua externalidade, agora passam a expressar a complexidade do próprio ser. A expansão do público com o acesso maior aos textos literários, a exposição dos autores às teorias da filosofia, da psicanálise e das ciências, deteriora a ideia de um sentido de mundo único. Portanto, a literatura passa a refletir a ambiguidade do homem, sua dubiedade e pretende não transmitir uma falsa realidade. É importante destacar o nome de W. H. Auden (1907-1973) como importante poeta do início do segundo quarto do século XX. Nos anos 30, o autor lutou contra as forças fascistas e se preocupou com a influência da realidade na arte. Auden admirava Eliot e, assim como ele, preferiu a linguagem coloquial na poesia para se aproximar ainda mais da vida urbana. 3 O ROMANCE NO MODERNISMO https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/some-people-go-priests-other-poetry-379766674 O romance no modernismo floresce com dois autores principais: Virginia Woolf e James Joyce. Como vimos no tópico anterior, o panorama variado e complexo do século XX faz com que o novo fazer artístico-literário seja baseado na experimentação de novas possibilidades e o foco permanece no mundo interior do indivíduo. A solidão e as incertezas do século motivam a criação artística. Virginia Woolf (1882-1941) é considerada um exemplo dessas novas características. O romance cheio de segurança descrito pelos narradores dá espaço para o registro de pensamentos e sentimentos dos personagens. Woolf é reconhecida pelo fluxo de consciência como característica notável de sua técnica narrativa. Esse fluxo de consciência tem por característica ser, por vezes, de padrões ilógicos, que fazem associações nem sempre reais. Dessa forma, muitas das ações que ocorrem na narrativa de Woolf se dá nos pensamentos dos personagens. Mrs. Dalloway e To the Lighthouse são exemplos dessas ações que se dão na mente de seus personagens. No entanto, existem críticas de que poucos acontecimentos se dão nessas obras. Se por parte da crítica às obras de Woolf são consideradas morosas, podemos dizer que essa característica é exatamente o que a autora anseia com sua narrativa, já que busca o sentido da vida e utiliza essa lentidão para caracterizá-la. Além disso, Woolf quebra o fluxo temporal, porque em suas obras o passado e o presente se confundem na leitura da consciência de seus personagens. Assim, vemos que a ausência de um narrador onisciente, o fluxo temporal alterado e a visão pessoal da vida já distanciam o romance produzido por Woolf daquele produzido anteriormente. Virginia Woolf coexistiu o universo do novo romance com o irlandes James Joyce (1882-1941), este considerado tão moderno que alguns afirmam que até hoje não somos capazes de compreendê-lo completamente. Autor de Ulysses e Finnegans Wake, Joyce tenta neste último reverberar toda a história dos homens. Joyce impõe à prosa a estrutura dos sonhos, o que faz com que o ritmo seja tão importante quanto em uma poesia. O homem moderno, preso à solidão e a incerteza, são marcas da literatura escrita por James Joyce. Em “A Portrait of the Artist as a Young Man”, o autor narra um jovem artista desde criança à velhice. O destaque de sua obra se dá aos diálogos que demonstram perfeitamente a oscilação emocional das fases da vida de um artista, fazendo, assim, uma análise psicológica precisa do homem. Em “Ulysses”, tudo se passa em apenas um dia em Dublin. Leopold Bloom é o personagem principal da narrativa, ao lado de sua mulher infiel Molly e Stephen Dedalus, que apenas vem a conhecer Bloom no fimdo dia. Nesse romance, rico de referências à Odisseia, Joyce descreve seus personagens com fiel contexto, até mesmo, para representar o cansaço dos personagens. Nessa obra, Joyce também faz neologismos, aperfeiçoa a técnica do fluxo de consciência e apresenta paródia e uma flagrante liberdade para revelar os pensamentos mais íntimos dos personagens, o que fez a Inglaterra permitir sua publicação apenas 14 anos depois de sua primeira publicação em Paris em 1922. Outro grande romancista do início do século XX foi D. H. Lawrence (1885-1930). Filho de proletário, Lawrence conhecia com profundidade os males da revolução industrial para os trabalhadores das fábricas. Para o autor, a industrialização em busca de eficiência desmancha a conexão entre o homem e a natureza. Em “Lady Chatterley’s Lover”, “The Rainbow” e “Women in Love”, o avanço da sociedade industrial só pode ser contida através do amor e do sexo, pois ainda permanecem como traços ligados ao subjetivo. Lawrence é capaz de nos fazer crer no seu mundo, ao menos que seus leitores concordem com sua visão de mundo. Entretanto sua visão apaixonada pela vida é marcante em sua ação literária. Aldous Huxley (1894-1963), amigo de Lawrence, também captou aspectos do mundo conflituoso nos anos iniciais do século. Huxley é mais conhecido atualmente como o autor de “Brave New World”, obra que descreve um futuro sombrio no qual a tecnologia enterra os sofrimentos humanos, contudo, destrói o próprio. Com essa mesma visão de mundo a qual descreve Huxley em Admirável Mundo Novo, insere-se George Orwell, pseudônimo de Eric Hugh Blair (1903-1950). Orwell é um dos principais nomes da literatura mundial. Engajado politicamente e com um texto acurado sobre as realidades da época, o autor é responsável por clássicos como “Animal Farm” (A Revolução dos Bichos) e 1984. Em A Revolução dos Bichos, Orwell satiriza os regimes ditatoriais e vê com muito pessimismo as revoluções se concretizarem. É como se o autor já preparasse um ambiente para seu romance mais popular, o qual justamente se passa em um regime totalitário. Trata-se de 1984 uma previsão de um futuro assustador na qual o Estado fiscaliza tudo e todos os cidadãos, até mesmo, seus pensamentos. Ao homem não se dá mais o direito de segredos, nem os mais íntimos, pois todos estão sob a vigilância das lentes do “Big Brother”, que lhes tomam todo o direito à privacidade. Os temores de Huxley, Orwell e Auden são confirmados na Segunda Guerra Mundial. Um novo mundo configurado passa a surgir para a segunda metade do século. Londres deixa de ser o centro do mundo, que agora se concentra nos Estados Unidos. Assim como em todos os campos, essas transformações também modificam a produção literária do período. 4 A DRAMATURGIA NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/theater-show-art-form-acting-stage-1841149456 A segunda guerra abalou extremamente a Inglaterra. No fim da guerra, a economia praticamente destruída, o país só conseguia tentar se reerguer a partir dos investimentos estadunidenses, que assim fazia por tentar interromper a influência da Rússia na Europa. Essa retomada lenta da economia impacta na sociedade, principalmente, na juventude que se vê desesperançosa e sem perspectiva mesmo com formações avançadas. Dessa forma, a ascensão social se dá impossível. Nesse contexto, surge na literatura um grupo de dramaturgos, poetas, que ficam conhecidos por sua ira e desejo de protestar contra a situação econômica injusta à qual enfrentavam. Os “Angry Young Men” eram contra o capitalismo, mas também desprezavam o socialismo. Em geral, os “jovens irados” desejavam que o artista não se engajasse. Mais tradicionalistas, os jovens dessa segunda metade do século tinham em comum um repúdio à liberdade que a literatura era produzida anterior à guerra. E, é no teatro, o local em que os “Angry Men” encontram um veículo para expressarem suas inquietações. John Osborne (1929-1994), teatrólogo de maior expressão do período, propunha ao seu público a experiência de sentir no momento e pensar após este. Sua primeira peça, “Look Back in Anger” (1956), narra a vida de um atormentado homem, Jimmy Porter, vítima das mudanças sociais que a Inglaterra enfrentava. Osborne fez mais do que qualquer outro para popularizar um novo tipo de herói e um novo tipo de ator. Na verdade, é muito difícil de avaliar como Albert Finney, Peter O’toole, Nicol Williamson, Richard Harris, Tom Courtenay e Robert Stephens poderiam ter alcançado o sucesso que eles obtiveram se Kenneth Haigh não tivesse aberto o caminho com o primeiro dos jovens heróis ‘revoltados’ (HAYMAN, 1976, p. 3 - tradução de Thiago Romão Alencar) No entanto, alguns anos depois, Osborne abandona sua ira em outras obras dramáticas como “Luther” e “A Patriot for Me”, pois volta-se a buscar os conflitos pessoais do homem, a solidão e a incoerência ideológica que este enfrenta, ou seja, distante do teatro dos irados. Osborne continuaria sua carreira produtiva até os anos 1980. Ainda produziria interessantes peças, como The World of Paul Slickey (1959) e The Hotal in Amsterdam (1968), onde ataca as tensas relações entre agente de teatro e atores e dramaturgos; Luther (1961), sobre a vida de Martinho Lutero, para Osborne um dos grandes revolucionários da história, a partir do qual ele desenvolveu sua crítica à Igreja Reformada Inglesa e seu desvirtuamento dos valores protestantes originais; A Patriot For Me (1965), que descreve a história verídica de Alfred Redl, agente secreto homossexual a serviço de inteligência do Império Austro-Húngaro em fins do século XIX. (ALENCAR, 2015, p. 121) Aos poucos a situação da sociedade inglesa foi melhorando e colocou a produção dos jovens irados em descrédito, fazendo com que o movimento não durasse muito tempo. Assim, um tom mais irônico se estabeleceu na produção dramatúrgica dos anos XX, além do existencialismo de Sartre ou os conflitos subjetivos do amor. Os jovens irados que não tinham por interesse o engajamento político de seus integrantes veem essa ideia ser abandonada a partir de produções teatrais como as de Arnold Wesker, a qual a luta de classes e os males provocados pelo capitalismo são o mote principal. Nesse período, floresce a influência do teatro de Bertolt Brecht com seu teatro épico e seu convite à plateia para participar da peça. A consolidação do teatro épico produzido, nesta segunda parte do século, traz o contato com valores culturais diferentes, a integridade humana, as ideologias políticas, os conflitos psicológicos e sem se prender a uma linha estética, baseando-se em uma construção literária mais livre. SAIBA MAIS O Teatro Experimental de Brecht Rita Alves Miranda Bertolt Brecht pela história do teatro e a influência de sua proposta na fase contemporânea da arte. Inicialmente, analisamos a crítica de Brecht dirigida a algumas concepções tradicionais de teatro e o caminho percorrido pelo autor para pensar a crise do drama que se instalara tempos antes. Nesse percurso foram consideradas algumas referências e possíveis objeções de Brecht a Aristóteles e ao modelo aristotélico de teatro. Nesse debate polêmico, analisamos as referências ao filósofo grego, a fim de esclarecer se o que Brecht pretendia era rejeitar mesmo Aristóteles, ou mais uma apropriação daquele modelo formal. Sabe-se que o modelo aristotélico de teatro foi retirado da obra Poética de Aristóteles e que sofreu apropriações segundo as épocas, sendo uma delas a leitura burguesa. Essa leitura é rebatida por Brecht que revê a realidade do drama burguês e percebe que era preciso que ele fosse revisto imediatamente, pois o teatro já não atingia mais as pessoas, mas sua disposição dependia de uma relação depassividade por parte dos espectadores. Frente a essa crise do drama, alguns artistas tentaram reformulá-lo sem, no entanto, obter sucesso. Brecht, quando deu início a seu trabalho, já tinha conhecimento dessas tentativas e diante desses fracassos, o objetivo era fazer o teatro inaugurar um novo lugar dentro da sociedade. Em busca do melhor lugar, ele tem em mente um lugar de produção de consciências, opondo-se radicalmente à lógica burguesa-capitalista que buscava a alienação dos indivíduos. Fonte: Miranda, Rita Alves. O Teatro Experimental de Brecht. PUC-SP. 2013. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/11641/1/Rita%20Alves%20Miranda.pdf . Acesso em: 18 jan. 2022. #SAIBA MAIS# REFLITA Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram. (Bertolt Brecht) O preço barato do papel é a razão por que as mulheres começaram por ter êxito na literatura, antes de o alcançarem noutras profissões. (Virginia Woolf) #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Caros estudantes, chegamos ao fim de nossa última unidade em nossa viagem pelos estudos literários ingleses. Nesta unidade, você pôde constatar que o modernismo não precisa de questões estéticas, mas, sim, práticas. Esse período artístico questiona a arte clássica que prezava por sua forma e nobreza e traz um ser humano em busca de respostas em meio a tantas incertezas que se desenvolviam socialmente. Nesse viés, verificamos que a produção literária do século, passou por um turbilhão de transformações tão grandes quanto às modificações do próprio período. A era dos extremos a qual toda a sociedade enfrentava foi responsável por modificações grandes e decisivas, trazendo consequências ao artístico-literário até hoje. A poesia do século XX deixa de lado o respeito às convenções clássicas e busca inaugurar uma poética centrada no ser. O poeta do século XX não busca linguagens rebuscadas e complexas, mas, sim, acessível e que se conecte com a praticidade do período em que se inseria. Os principais nomes da época foram T. S. Eliot e W. H. Auden. Também pudemos ver, nesta unidade, que a produção do romance no século XX passou por diversas transformações devido ao conturbado período inglês, principalmente, por conta das grandes guerras. Vimos, então, que o homem moderno possui muitas incertezas e transforma isso em motivação. Os autores principais do período, Virginia Woolf e James Joyce, procuram através do fluxo do pensamento de seus personagens demonstrar a confusão em que as pessoas da época passavam. D. H. Lawrence, outro importante autor, traz além do entendimento de seus personagens uma crítica feroz à formatação do mundo, encontrando em Huxley as mesmas inquietações. Vimos que Huxley e Orwell narraram de forma precisa um mundo assustador e repleto de incertezas devido ao avanço das máquinas graças à consolidação das máquinas sobre o homem. Huxley é notável por “Brave New World” e Orwell pelo clássico “1984”. Por fim, vimos que a partir da segunda metade do século XX, já após a segunda guerra, a literatura também foi responsável pela retomada do prestígio teatral e o florescer de conceitos sempre buscando uma ruptura com o movimento vigente e uma busca ao passado, dinâmica comum na literatura. Até os dias de hoje encontramos referências desse período literário tão intenso para a criação artística. Inserem-se aqui John Osborne, Arnold Wesker e Bertolt Brecht. Dessa forma, encerramos nossa busca pelos caminhos que levaram à literatura inglesa ser uma das mais ricas e prestigiadas mundialmente. LEITURA COMPLEMENTAR Da Revolução dos Bichos a 1984: como resistir Uma revelação reencontrar Napoleão, Bola de Neve, Sansão, Garganta e toda a fauna de “A Revolução dos Bichos”, depois de quase quarenta anos. Como o tempo passa rápido. Como mudamos. Como não mudamos. E como as fábulas têm esse poder imperioso, sobrenatural de permanecer eternas. É o que faz das fábulas, fábulas: as mais permanentes histórias sobre a natureza humana. Que, aprendemos lendo os antigos e os contemporâneos, não muda. É tradição nas mais diferentes culturas botar as mais humanas verdades nas bocas de animais. Era uma maneira de dizer a verdade com total liberdade, pra gente lida e inculta, para todas as idades. Mas “A Revolução dos Bichos” é uma fábula diferente. Porque é um conto de fadas – o subtítulo original é exatamente esse, “A Fairy Story”. Também é quase um documentário. E, incrível, tão vital hoje quanto em 1945, quando foi publicado. Continua inspiradora e provocativa a história dos bichos que se revoltam contra o dono da Granja do Solar. Estabelecem no sítio uma nova sociedade, com novas regras, onde todos são iguais. E ao final descobrem que alguns animais são mais iguais que os outros. O livro voltou às listas de mais vendidos nos últimos anos. As escolas estão dando “A Revolução dos Bichos” para os jovens lerem. Eu mesmo comprei, e ao ver meu filho com o livro debaixo do braço, o tio dele cuspiu fogo, “isso é propaganda da direita”. Imagine se ele soubesse que é a tradução de Heitor Aquino Ferreira, secretário de Golbery, Geisel e Figueiredo. “A Revolução dos Bichos” foi escrito no auge da Segunda Guerra, quando União Soviética, Reino Unido e EUA eram aliados contra o eixo. Londres estava sendo bombardeada. O manuscrito foi salvo das ruínas da casa de Orwell. Foi dificílimo arrumar editor, inicialmente porque Stálin era aliado, e depois porque o livro era muito à direita, ou muito à esquerda, ou muito irônico, ou “pra criança”. Era o livro certo na hora errada. Contra os Messias É verdade que o livro tem sido usado para bater na União Soviética desde seu lançamento. Justo, porque para isso foi concebido por George Orwell. Orwell considerava o stalinismo quase tão destrutivo quanto o nazismo, e parentes próximos. Sua crítica à URSS era pela esquerda, não pela direita. “Para reviver o movimento socialista”, explicou, “eu me convenci de que é essencial a destruição do mito soviético”. Uma visita cuidadosa à fazenda defende para sempre o leitor de empulhações salvacionistas. Venham de onde vierem no espectro ideológico. Foi a primeira vez que Orwell, em suas palavras, tentou “fundir propósito artístico e propósito político em um todo.” É o que tenta fazer Roger Waters. Na minha geração, muitos chegaram a Orwell pelo Pink Floyd. Animals, o álbum, é inteiramente inspirado pela Revolução dos Bichos. The Wall, um libelo anti-totalitário, foi o disco que me iniciou nas possibilidades contestatórias do rock, lá em 1979. Roger, autor das letras de ambos, só ficou mais explícito com a idade. [...] Fonte: Forastieri, André. Da Revolução dos Bichos a 1984: Como resistir. 2018. Disponível em: https://andreforastieri.com.br/blog/da-revolucao-dos-bichos-a-1984-como-resistir/. Acesso em: 04 nov. 2021. LIVRO • Título: Um Modernismo que Veio Depois: Arte no Brasil - Primeira Metade do Século XX • Autor: Tadeu Chiarelli • Editora: Alameda Editorial • Sinopse: No livro "Um modernismo que veio depois" se pode encontrar textos sobre a arte no Brasil, publicados originalmente em catálogos, revistas e capítulos de livros. Produzidos entre 1995 e 2008, os textos são organizados segundo a cronologia “oficial” da história da arte no Brasil, partindo de reflexões sobre o modernismo da geração de 1992 até alcançar as obras de artistas atuantes já na segunda metade do século XX. A proposta central do livro é justamente colocar em evidência essa sequência cronológica, que para certa historiografia, coincide com uma trajetória que iria do “figurativo” ao “abstrato”. Desenvolvida a partir de um artigo de Mário de Andrade sobre Portinari,a idade de que o modernismo surge “depois” das vanguardas históricas – espécie de eixo condutor do livro – vai se sedimentando e se desdobrando ao longo dos textos. Um desses desdobramentos é a observação da capacidade que alguns artistas locais têm de conciliar em suas obras, posturas estéticas tidas como contrárias ou mesmo antagônicas. Encarar esse problema consiste, sobretudo, no reconhecimento da complexidade dos debates estéticos no país, patente nas discussões sobre a questão do “retorno à ordem" e sobre o conceito de arte “abstratizante”. FILME/VÍDEO • Título: Black Mirror • Ano: 2011 - • Sinopse: Uma das séries de suspense de maior sucesso dos últimos tempos, Black Mirror é uma coletânea de contos que refletem sobre a relação dos seres humanos com a tecnologia, algo que nem sempre pode ser algo positivo como pensamos. • Link: https://www.youtube.com/watch?v=W6STT9Fhdbo REFERÊNCIAS ALENCAR, Thiago Romão de. “NO GOOD, BRAVE CAUSES LEFT?”: O fim do Império e o Teatro de John Osborne na Inglaterra dos Anos 1950. Orientadora: Samantha Viz Quadrat. Niterói: UFF/PPGH, 2015. CEVASCO, Maria Elisa: SIQUEIRA, Valter Lellis. Rumos da literatura inglesa. 2 ed. São Paulo: Àtica, 1985. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3875109/mod_resource/content/1/RUMOS%20 DA%20LITERATURA%20INGLESA.pdf. Acesso em: 25 out. 2021. HAYMAN, Ronald. Contemporary Playwrights: John Osborne. Londres: Heynemann, 1976. CONCLUSÃO GERAL Prezado(a) aluno(a), Chegamos ao fim da disciplina de Literatura em Língua Inglesa. Na Unidade I,vimos a importância dos primeiros manuscritos para a criação da língua pela qual o mundo se comunica atualmente, bem como a forma artística de se expressar que está intrinsecamente ligada à difusão e ao conhecimento linguístico e à época. Além disso, compreendemos que as influências das navegações e das invasões para a consolidação de um idioma também é algo importante que a difusão da literatura pode contribuir. E, após esse momento, fomos em busca da maior autoridade literária da época: William Shakespeare. Na Unidade II, refletimos sobre o período de transição do século XVII para o século XVIII na Inglaterra. Percebemos que, nas primeiras décadas do século XVII, a poesia passou a ser a grande produção literária da época. Os teatros fechados e a ascensão do puritanismo são responsáveis pela redução da produção artística em prosa. Entendemos que a bíblia e a religião passam a ser aliadas à literatura produzida e os maiores autores da época passam a produzir poemas conhecidos como cavalheirescos, os quais enalteciam o amor, a natureza e as suas amadas. Assim como, estudamos as transformações ocorridas na literatura a partir do momento histórico da época. Na Unidade III, conhecemos a sociedade inglesa e suas transformações, assim como as mudanças dos valores sociais ao longo dos anos. Ainda, foi possível conhecermos a importância da prosa para a consolidação do romance como produção literária, por meio de autores clássicos como Jane Austen, Charles Dickens, John Keats, Emily Brontë e Oscar Wilde. A Era Vitoriana, a ascensão da prosa em relação à poesia, marca também uma expansão comercial para o romance, conquistando reconhecimento popular, até mesmo, fora do continente europeu. Isso influenciou todo o movimento literário mundial, não apenas aquele advindo dos ingleses, inclusive o produzido no Brasil. Por fim, a Unidade IV apresentou questões a respeito do modernismo. Esse período artístico questiona a arte clássica que prezava por sua forma e nobreza e traz um ser humano em busca de respostas em meio a tantas incertezas que se desenvolviam socialmente. A partir disso, notamos que a produção literária do século passou por um turbilhão de transformações tão grandes quanto às modificações do próprio período. A era dos extremos a qual toda a sociedade enfrentava foi responsável por modificações grandes e decisivas, trazendo consequências ao artístico-literário até hoje. A poesia do século XX deixa de lado o respeito às convenções clássicas e busca inaugurar uma poética centrada no ser. O romance no século XX passou por diversas transformações devido ao conturbado período inglês, principalmente, por conta das grandes guerras. Vimos, então, que o homem moderno possui muitas incertezas e transforma isso em motivação. Além disso, conhecemos alguns autores, tais como: Virginia Woolf e James Joyce, Por fim, vimos que, a partir da segunda metade do século XX, já, após a segunda guerra, a literatura também foi responsável pela retomada do prestígio teatral e o florescer de conceitos sempre, buscando uma ruptura com o movimento vigente e uma busca ao passado, dinâmica comum na literatura. Até os dias de hoje encontramos referências desse período literário tão intenso para a criação artística. Inserem-se aqui John Osborne, Arnold Wesker e Bertolt Brecht. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!